Vocabulário de

fouc ault
Um percurso pelos seus temas, conceitos e autores

.

conceitos e autores Tradução Ingrid Müller Xavier Revisão técnica Walter Omar Kohan Alfredo Veiga-Neto .E dga r do C astro Vocabulário de fouc ault Um percurso pelos seus temas.

Título original: El vocabulario de Michel Foucault : un recorrido alfabético por sus temas. eletrônicos. Michel. Funcionários 30140-071.Dicionários I.com. 2009. Título. Filosofia . Kohan. Belo Horizonte. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida. conceptos y autores ISBN 978-85-7526-402-7 1.Copyright © 2004 Edgardo Castro Título original El Vocabulario de Michel Foucault – Un recorrido alfabético por sus temas. Veiga-Neto. 981. Filosofia : Dicionários 103 . 09-04716 CDD-103 Índice para catálogo sistemático: 1. MG Tel: (55 31) 3222 68 19 Televendas: 0800 283 13 22 www. III. Walter Omar.br Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro) Castro. 8º andar. Todos os direitos reservados pela Autêntica Editora. – Belo Horizonte : Autêntica Editora. sem a autorização prévia da Editora.Dicionários 2. revisão técnica Alfredo Veiga-Neto e Walter Omar Kohan. autêntica editora Rua Aimorés. 1926-1984 . II.autenticaeditora. seja por meios mecânicos. seja via cópia xerográfica. conceptos y autores Tradução Ingrid Müller Xavier Revisão técnica Alfredo Veiga-Neto Walter Omar Kohan Capa e sobrecapa Diogo Droschi (Sobre imagem de Raymond Depardon/Magnum Photos) editoração eletrônica Tales Leon de Marco Waldênia Alvarenga Santos Ataíde Revisão Ana Carolina Lins Brandão Cecília Martins Vera Lúcia Simoni De Castro confecção dos índices Arlindo Picoli Walter Omar Kohan Editora responsável Rejane Dias Revisado conforme o Novo Acordo Ortográfico. conceitos e autores/ Edgardo Castro . Foucault. tradução Ingrid Müller Xavier . Edgardo Vocabulário de Foucault – Um percurso pelos seus temas. Alfredo.

Sumário Verbetes Prólogo à edição brasileira Prefácio Introdução Instruções para o uso Vocabulário de Foucault As obras e as páginas 7 11 13 15 17 21 431 Índice de termos estrangeiros Índice onomástico Índice de obras 461 469 475 .

.

Jeremy Bergson. Hannah Ariès. Louis Amicitia Anachóresis Analítica da finitude (Analytique de la finitude) Analogia (Analogie) Animalidade (Animalité) Anomalia (Anomalie) Anormal (Anormal) Antiguidade (Antiquité) Antipsiquiatria (Antipsychiatrie) Antissemitismo (Antisémitisme) Antropologia (Anthropologie) Aphrodísia Arendt. Giovanni Boulainvilliers. Gaston Bacon.Verbetes A A priori histórico (A priori historique) Absolutismo (Absolutisme) Abstinência (Abstinence) Acontecimento (Événement) Æmulatio Afeminado (Efféminé) Agostinho. Antonin Artemidoro Ascese (Ascèse) Asilo (Asile) Atualidade (Actualité) Aufklärung Ausência (Absence) Autor (Auteur) B Bachelard. Fernand Brown. Cessare Behaviorismo (Béhaviorisme) Benjamin. Miguel de Chemnitz. Franco Bataille. Santo Alcibíades Alienação (Aliénation) Althusser. Ludwig Bio-história (Bio-histoire) Biologia (Biologie) Biopoder (Bio-pouvoir) Biopolítica (Biopolitique) Bissexualidade (Bisexualité) Blanchot. Walter Bentham. Marc Bopp. Henry de Boulez. Maurice Bloch. François Xavier Binswanger. Francis Cabanis. Jorge Luis Botero. Herculine Barroco (Baroque) Barthes. Henri. Bergsonismo (Bergsonisme) Bichat. Pierre Jean George Cadáver (Cadavre) Canguilhem. Bogislaus Philipp von Chomsky. João Castel. Georges Baudelaire. Philippe Aristófanes Aristóteles Arqueologia (Archéologie) Arquitetura (Architecture) Arquivo (Archive) Ars erotica Artaud. Charles Beccaria. Roland Basaglia. Georges Capitalismo (Capitalisme) Carne (Chair) Cassiano. punition) Cervantes Saavedra. Noam Avram 49 Cícero 49 Ciências humanas (Sciences humaines) 21 21 23 24 28 28 28 29 29 30 30 30 31 31 31 32 34 34 35 35 36 37 38 39 39 39 40 42 43 44 44 44 45 46 46 46 46 47 Barbárie (Barbarie) Barbin. Pierre Braudel. Peter Burguesia (Bourgeoisie) 50 50 51 51 51 52 52 52 53 53 53 54 54 54 55 55 57 59 60 60 61 62 62 62 62 63 63 63 64 66 66 66 67 68 71 71 71 72 73 73 73 74 7 C . Franz Borges. Robert Castigo (Châtiment.

Gilles Democracia (Démocratie) Derrida. confession) Contrato (Contrat) Controle (Contrôle) Convenientia Conversão (Epistrophé.Clausewitz. Charles Degeneração (Dégénérescence) Deleuze. Émile Epiméleia Episteme (Épistémè) Episteme clássica (Épistémè classique) Episteme moderna Episteme renascentista Epistrophé Epiteto Epithymía Época clássica (Époque classique) Eros Erótica (Érotique) Escola (École) Escola dos anais (École des anales) Estética da existência (Esthétique de l’existence) Estratégia (Stratégie) Estruturalismo (Structuralisme) Éthos Ética (Éthique) Exame (Examen) Existencialismo (Existentialisme) Exomologêsis Experiência (Expérience) 138 139 140 144 144 145 145 146 147 147 147 149 149 150 151 152 154 155 157 160 160 161 E Econômica (Économique) Édipo Educação (Éducation) Enciclopédia (Encyclopédie) Enkráteia Enunciado (Énoncé) Epicuro 8 Fábula (Fable) 164 Família (Famille) 164 Fascismo (Fascisme) 166 Fausto (Faust) 167 Febvre. Pierre F . Georges 74 74 74 75 80 81 82 82 82 84 85 86 86 87 91 92 96 97 97 98 101 102 102 103 104 106 107 108 109 110 117 123 125 D Darwin. Féodalité. Georges Durkheim. Sigmund 181 125 G 126 127 Galeno 184 128 Genealogia (Généalogie) 184 129 Gênio (Génie) 187 129 Gnosticismo (Gnosis. governar. lucien 167 Fenomenologia (Phénoménologie) 167 Feudalismo (Féodalisme. Carl von Clausura (Renfermement) Clemente de Alexandria Clínica (Clinique) Cogito Comentário (Commentaire) Comunismo (Communisme) Condillac. Gnosticisme) 187 Goethe. Wolfgang 188 Governo. Gouvernamentalité ) 131 188 133 Guerra (Guerre) 193 Gulag ( Goulag ) 134 196 135 135 H 197 136 Habermas. René Descontinuidade (Discontinuité) Desejo (Désir) Despsiquiatrização (Dépsychiatrisation) Diagnosticar (Diagnostiquer) Dialética (Dialectique) Dietética (Diététique) Disciplina (Discipline) Discurso (Discours) Dispositivo (Dispositif) Dispositivo de aliança (Dispositif d’alliance) Dispositivo de sexualidade (Dispositif de sexualité) Divinatio Documento (Document) Dogmatismo (Dogmatisme) Dominação (Domination) Dom Quixote Doutrina (Doctrine) Dumézil. conversion) Corpo (Corps) Cristianismo (Christianisme) Cuidado de si (Epiméleia. Jürgen 198 138 Hadot. Gouverner. Étienne Bonnot Confissão (Aveu. Gustave 176 125 Formação discursiva (Formation discursive) 177 Formalização ( Formalisation ) 125 180 125 Freud. souci) Cuvier. Jacques Descartes. Féodal) 170 Ficção (Fiction) 171 Filodemo de Gádara 172 Filosofia (Philosophie) 172 Flaubert. governamentalidade ( Gouvernement .

Normalisation. Jacques Lamarck. Johann Christian Friedrich Homem (Homme) Homossexualidade (Homosexualité) Humanismo (Humanisme) Husserl. Inquisitio) O Obediência (Obédience) Ontologia do presente. Ontologia histórica (Ontologie du présent. Stéphane Maquiavel. Franz Kant. Adolf Hobbes. Immanuel Klossowski. Polizeiwissenschaft) População (Population) Positividade (Positivité) Prática (Pratique) Prisão (Prison) Psicagogia (Psychagogie) Psicanálise (Psychanalyse) Psicologia (Psychologie) Psiquiatria (Psychiatrie) Raça (Race) Racionalidade (Rationalité) Racismo (Racisme) Razão de estado (Raison d’état) Reich. Karl Marxismo (Marxisme) Masturbação (Masturbation) Materialismo (Matérialisme) Medicalização (Médicalisation) Modernidade (Modernité) Monstro (Monstre) Montaigne. Blaise Pedagogia (Pédagogie) Pinel. Wilhelm Religião (Religion) R . Normalité) Nosopolítica (Noso-politique) Iatriké Ideologia (Idéologie) Ilegalidade (Illégalisme) Imaginação (Imagination) Inconsciente (Inconscient) Individualização (Individualisation) Intelectual (Intellectuel) Interioridade (Intériorité) Interpretação (Interprétation) Investigação (Enquête. Edmund Hypomnémata Hyppolite. Ciência da polícia (Police. Philippe Pitagorismo (Pythagorisme) Platão Platonismo (Platonisme) Plutarco Poder (Pouvoir) Poder pastoral (Pouvoir pastoral) Polícia. Pierre Lacan. Alfred Justi. Jean-Baptiste Lei (Loi) Lepra (Lèpre) Liberalismo (Libéralisme) Liberdade (Liberté) Libertinagem (Libertinage) Libido Limite (Limite) Linguagem (Langage) Linguística (Linguistique) Literatura (Littérature) Lombroso. Nicolau Marx. Ontologie historique) P J Jarry. Martin Hermafroditismo (Hermaphrodisme) Hermenêutica (Hermenéutique) História (Histoire) Historicismo (Historicisme) Hitler.Hegel. Friedrich Norma (Norme. Jean 198 200 200 201 203 203 208 208 209 210 210 216 217 220 221 222 223 223 224 225 227 227 228 229 230 232 236 236 237 237 239 241 241 242 242 243 245 249 250 250 251 255 256 258 258 288 M Mallarmé. Panoptisme) Parresía Pascal. Thomas Hölderlin. Cesare Loucura (Folie) Luta (Lutte) L Panóptico (Panoptique. Georg Wilhelm Friedrich Hegelianismo (Hégélianisme) Heidegger. Michel de 291 291 292 294 298 298 299 301 303 303 304 305 309 311 312 312 314 316 318 319 320 320 321 322 322 323 334 334 335 336 336 339 344 344 347 349 373 373 376 378 381 381 9 N I Nazismo (Nazisme) Nietzsche. Johann Heinrich Gottlob von K Kafka.

vontade de verdade (Vérité. Volonté de vérité) 421 W Weber.Repressão (Répression) Resistência (Résistance) Revolução (Révolution) Roussel. Technologie) Teleologia (Téléologie) Território (Territoire) Therapeutiké Totalidade (Totalité) Tradição (Tradition) Transcendental (Transcendental) Transgressão (Transgression) U Ubuesco (Ubuesque) Ussel. Max 426 428 429 X Xenofonte Z Zen 10 . salvação (Salut. Jeu de vérité. William Soberania (Souveraineté) Subjetivação (Subjectivation) Subjetividade (Subjectivité) Sujeito (Sujet) T Tática (Tactique) Técnica. jogo de verdade. tecnologia (Technique. Jos van Utopia (Utopie) 419 419 419 V Verdade. Donatien-Alphonse-François Marques de Saúde. Santé) Sexualidade (Sexualité) Shakespeare. Raymond 384 387 387 392 393 395 396 398 403 403 407 409 409 411 412 414 414 415 415 416 417 417 S Saber (Savoir) Sade.

com isso. mas também ajudou a pensar que há formas diversas de se relacionar com a teoria. pelo seu modo de conceber e afirmar uma posição para o intelectual. Foucault faz do pensamento uma prática ativa de problematizar as questões do seu tempo. Nesse sentido. mas quer. com leves intervenções no texto para atualizar as referências bibliográficas aos cursos publicados posteriormente à data da edição original do livro na Argentina. fundamental. preferimos essa alternativa. às vezes extensa) de seus usos e contextos”. chamou a teoria de “caixa de ferramentas”. mas. de Edgardo Castro. Na Introdução do autor. Todos os critérios da edição em língua espanhola foram respeitados na presente edição. nos escritos de Foucault. Poucos escritos sobre Foucault merecem tanto o nome de “caixa de ferramentas” como o livro que estamos apresentando em versão em língua portuguesa: Vocabulário de Foucault. dada a existência de diversas traduções ao 11 . Produto de um rigoroso e exaustivo estudo. Algo assim como o mais completo “motor de busca” para visitar os caminhos de seu pensamento. sobretudo. Cada verbete não apenas “faz referência a onde. mantivemos no idioma original o título das obras em francês por dois motivos: são facilmente compreensíveis para o leitor de língua portuguesa e nem sempre os títulos em francês coincidem com os das traduções. Dentro dos verbetes. Embora não seja o ideal. Com efeito. o leitor tem em mãos um sofisticado mapa de suas principais temáticas e questões. As referências remetem às edições francesas dos textos de Foucault. Foucault sugeria que nenhuma teoria tem valor em si própria.. oferecer uma indicação (às vezes sucinta. Produziu teoria. Há que se ter sempre à mão as “Instruções para o uso” (p. aparece cada termo. não hesitamos em afirmar que se trata de um instrumento de trabalho precioso. não apenas pela sua produção teórica. Trata-se. de uma pragmática – não utilitária – do pensamento: dizme o que fazes com o pensamento e te direi o valor desses pensares. então. muita teoria. o leitor encontrará subsídios muito claros para adentrar na presente versão em português. em 2004. ademais. utilíssimo para os interessados em pensar com e a partir do filósofo. Na esteira de Nietzsche..prólogo à edição brasileira Michel Foucault é um dos pensadores franceses contemporâneos mais potentes. para além dos usos que lhe são outorgados. 17-19).

p. As traduções dos textos em francês citados nos verbetes foram feitas cotejando a versão em espanhol com o original francês. entrevista.português para alguns textos e a inexistência de traduções para outros. 2001. Vol. Como também em francês não existe uma única edição francesa dos textos de Foucault e a numeração das páginas não é a mesma em todas as reedições. De resto. Ao leitor. São Paulo: Discurso Editorial. para os cursos no Collège de France. Os termos em grego foram transliterados segundo as normas de Henrique Murachco. Alfredo Veiga-Neto 12 . intervenção) e. Todos os títulos dessa seção estão em francês e em português. acrescentamos o título do texto (verbete. Na presente edição acrescentamos um índice onomástico e outro de obras. Vozes. Língua Grega. Walter Omar Kohan. 40-42. I. a data da aula. boas viagens! Ingrid Müller Xavier. ao final do Vocabulário a seção “As obras e as páginas” relaciona as páginas que correspondem aos capítulos ou às seções das edições em francês utilizadas dos textos de Foucault. o texto segue fielmente o original. Para os Dits et écrits.

“notoriamente não há classificação do universo que não seja arbitrária e conjetural” (J. mas correria o risco de converter-se ele mesmo em uma enciclopédia chinesa. Emecé. O próprio Foucault. (f) fabulosos. poderíamos começar como Foucault no prefácio a Les mots et les choses e dizer que este livro nasceu de um texto de Borges. este Vocabulário pode produzir o mesmo efeito que a classificação dos animais da enciclopédia chinesa. (d) leitões. Sempre. “El idioma analítico de John Wilkins”. na classificação de Borges. tentando ser simultaneamente breve e extenso. encerrando o universo do pensamento foucaultiano na enclausurada gramática de um dicionário. 1974. O que nos faz rir é que no não lugar da linguagem se tenha podido justapor. E nada 13 . o que efetivamente carece de lugar comum. ainda que pareça que os “conceitos” estejam mais próximos das palavras e facilitem a operação. mas exaustivo. (n) que de longe parecem moscas” (Jorge Luis Borges. no Vocabulário de Foucault – Um percurso por seus temas. p. (g) cães em liberdade. (l) et cetera. 708). Supondo que os “inumeráveis”. tal como ela. os “fabulosos” ou os “et cetera” existam. (j) inumeráveis. (k) desenhados com um pincel muito fino de pelo de camelo. 9). Não pelo que nos pode sugerir o conteúdo de cada um de seus itens. Mas. (b) embalsamados. 708). sua recusa em elaborar teorias acabadas. assinalou o caráter fragmentário e hipotético de seu trabalho. seu horror à totalidade. Foucault refere-se àquela enciclopédia chinesa onde aparece uma inquietante classificação dos animais: “(a) pertencentes ao Imperador. conceitos e autores. poderia ser apenas o esforço para encontrar um lugar comum para o que parece não tê-lo. essa classificação provoca riso. como em um espaço comum. (e) sereias. De fato. então. mas pelo fato de que eles tenham sido ordenados alfabeticamente. claramente. este Vocabulário não só provocaria o mesmo efeito que essa estranha classificação de animais. trata-se de ordenar “seres”. analítico. o perigo não é menor. p. com certa frequência. Porque. (i) que se agitam como loucos. MC. de ordenar “conceitos”. segundo Foucault. apesar disso. somente a pretensão de querer pôr ordem e limites a seu pensamento. Borges. Provoca riso e inquietude a heterotopia que domina essa classificação (cf. cit. in Obras completas 1923-1972. Seria.-L.PREFÁCIO Guardadas as diferenças. (c) domesticados. Buenos Aires. recorrendo à simplicidade e finitude alfabéticas. (h) incluídos na presente classificação. (m) que acabam de quebrar a bilha. Mais ainda. op. porque..

também inquietude. no pior dos casos. provocar somente riso. então.Ah. Edgardo Castro 14 . no melhor. não venhamos a cair nessas autoimplicações (classificar os conteúdos mesmos da classificação. “(h) incluídos na presente classificação”) que só os labirintos da linguagem permitem construir. . bom. de novo como Foucault: “Eu não escrevo para um público. como Borges. não para leitores” (DE2. 524). finalmente. apresentar este Vocabulário se reduziria a dizer.Mas e se esse espaço comum existisse? . e. escrevo para usuários. E. com o afã de ordenar.nos assegura que.

este deveria estar acompanhado de uma bibliografia secundária que pudesse ser sugerida a propósito de cada termo. necessariamente.INTRODUÇÃO Nossa ideia inicial foi elaborar um índice completo da totalidade dos textos publicados de Foucault: os livros editados em vida. Por um lado. os autores estudados a propósito da análise da “Razão de Estado”. mas. Por exemplo. Não só faz referência a onde. O presente trabalho difere da nossa ideia original por vários motivos. Além do mais. nosso interesse pessoal ou. simplesmente. As limitações que. O convite está feito. torna-se impossível colocar um ponto final na tarefa de elaborar um vocabulário foucaultiano. de um vocabulário. mais exatamente. mas quer. no caso das expressões e dos termos gregos. Por todas essas razões. por isso. ademais. de uma exposição do pensamento de Foucault. Os únicos critérios que nos guiaram. mas de um instrumento de trabalho. no qual os critérios de seleção se multipliquem e sejam discutidos. pareceu-nos útil situá-los na obra de Foucault e também na história. a recopilação intitulada Dits et écrits e os cursos no Collège de France que apareceram até o momento. uma suposta utilidade para o leitor. mas. oferecer uma indicação (às vezes sucinta. Não se trata. foram: a importância que reconhecíamos em alguns termos valendo-nos da nossa leitura da obra de Foucault (o que poderíamos denominar sua “representatividade”). segundo a cronologia e a frequência. tentamos abster-nos o mais possível de nossa 15 . Por outro lado. não se trata de um índice. às vezes extensa) de seus usos e contextos. pois. nos escritos de Foucault. Outra tarefa a realizar seria estabelecer “a biblioteca de Foucault”. com base nele elaboramos este vocabulário. por serem autores menos conhecidos para o público em geral e. Por exemplo. surgem dessas opções só poderiam ser sanadas com um trabalho de equipe. A intenção era dispor de um instrumento de trabalho em estado “bruto”. a lista de obras citadas. Na redação dos verbetes. aparece cada termo. quisemos incluir o maior número possível. Por outro lado. Alguns autores foram incluídos não pela frequência com que são citados. necessariamente mais abrangente e mais rica. frequentes nos últimos escritos. no momento de escolher o que incluir e o que deixar de fora. sem nenhum tipo de seleção ou filtro dos dados. este trabalho deveria ser tomado como o ponto de partida para uma obra coletiva. Dada a sua extensão e à espera de encontrar o modo mais adequado para publicar este material. até que sejam publicados todos os cursos de Foucault no Collège de France. está constituído por uma seleção arbitrária de termos.

a fim de não nos estender demasiado. Algumas vezes o fizemos. 2002) [em português. com suas sugestões. Por isso. Várias pessoas me acompanharam. sobretudo. em outros. gostaria de agradecer especialmente aos Profs. Bárbara Steinman. em todo caso. seu entusiasmo na realização deste vocabulário. Guido Deufemia. simplesmente provocativas ou também apenas divertidas. ademais. Alfabeticamente. E por fim. só quisemos mostrar como e onde ele aparece. Na elaboração deste Vocabulário. tivemos presente o interessante trabalho de Judith Revel. às vezes citamos diretamente algumas expressões de Foucault. mas impossível não agradecer-lhes. Marcelo Boeri. 16 . da Universidade Nacional de La Plata e da Universidade Nacional de Rosário. já não (sobretudo quando o material corresponde à recompilação editada como Dits et écrits. São Carlos: Claraluz. Também a todos eles o meu reconhecimento. além de apresentar os contextos mais relevantes do termo abordado. ministrei vários cursos e seminários sobre o pensamento de Michel Foucault. María Luisa Femenías. A propósito de cada termo. em alguns verbetes se encontrará uma exposição mais ordenada. ademais. e não por temas. foi diferente. Também para controlar a extensão da exposição e evitar demasiadas duplicações. Mariana Sanjurjo teve a amabilidade de ler todo o texto e sugerir-me as correções necessárias. Com María Giannoni e Paula Fleisner. os mantivemos separados para facilitar a consulta por termos. pelo trabalho de revisão e de adaptação necessário. este vocabulário nunca teria vindo à luz. esclarecedoras. Mantivemos no idioma original o título das obras em francês por dois motivos: são facilmente compreensíveis para o leitor e nem sempre os títulos em francês coincidem com o das traduções. suas críticas e. mas apenas de uma apresentação do conteúdo. Leiser Madanes. Michel Foucault: conceitos essenciais. 2005]. Em certo sentido. pretendemos exibir seus sentidos mais relevantes. Pablo Pavesi e Yves Roussel.interpretação pessoal. Uma parte importante desta obra lhes pertence. Oscar Conde. discutimos alguns dos verbetes mais complexos. os textos que integram a compilação Dits et écrits estão parcialmente publicados em português com outra ordenação e formato. Sobretudo. Ariel Yoguel. Le vocabulaire de Foucault (Paris. Nosso objetivo. na medida em que os textos o permitiram. quisemos conservar a dispersão que caracteriza o trabalho de Foucault. Gerardo Fittipaldi. Por outro lado. Mas nem sempre os agrupamos. Um merecido reconhecimento de minha parte vai também para Ingrid Müller Xavier. Muitos termos talvez pudessem ter sido reunidos dentro de outro. outras. sobretudo quando nos pareceram particularmente relevantes. às vezes remetemos de um verbete para outro. Walter Omar Kohan e Alfredo Veiga-Neto pelo interesse que mostraram desde o primeiro momento. para que a leitura fosse mais fluida e a expressão mais correta desde o ponto de vista da língua. Por isso. É difícil distinguir o que pertence a cada um deles. Nos departamentos de filosofia da Universidade de Buenos Aires. em realizar a tradução brasileira desta obra. Esse interesse foi acompanhado. Sem o trabalho de discussão com os que participaram deles. Por exemplo. porque não se trata de uma exposição sistemática. É impossível expressar em poucas palavras o esforço realizado por ela. aqui a dispersão está quase imposta). multiplicamos as referências e mantivemos algumas repetições.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful