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PÁGINA 24

PÁGINA 24 ESTADO DE MINAS - SEXTA-FEIRA, 30 DE NOVEMBRO DE 2001

ESTADO DE MINAS - SEXTA-FEIRA, 30 DE NOVEMBRO DE 2001

GERAIS

ÁGUA BRANCA

APONTADOS COMO AUTORES DA MORTE DE QUATRO ADOLESCENTES EM CONTAGEM VOLTAM AO BANCO DOS RÉUS E SÃO INOCENTADOS. DEFESA QUESTIONOU A FRAGILIDADE DAS PROVAS PARA DERRUBAR CONDENAÇÃO ANTERIOR

Acusados de chacina absolvidos

TELMA GOMES E LANDERCY HEMERSON

Os desempregados Rogério Gomes da Silva, de 29 anos, o “Rogerão”, e Claudinei Paulo Ta- meirão, de 25, o “Neguinho”, fo- ram absolvidos da acusação de autoria na chacina do bairro Água Branca, que aconteceu no ano passado em Contagem, na Região Metropolitana de BH. Eles voltaram ontem ao banco dos réus, no fórum daquela cida- de e, com a tese de negativa de autoria, fundamentada na fragi- lidade das provas, seus advoga- dos reverteram a condenação do primeiro julgamento, de novem- bro de 2000. Na época, Rogério foi sentenciado a 76 anos de pri- são, e Claudinei, a 72. Ambos cumpriam pena no Centro de Remanejamento da Secretaria de Segurança Pública (Ceresp) de Betim. O terceiro condenado, o pedreiro Valdivino de Oliveira, de 42, mais conhecido como “Zangão”, que cumpre pena de dez anos no mesmo presídio, preferiu não participar do novo

julgamento. A chacina do Água Branca aconteceu no dia 26 de maio do ano passado e teve como ví- timas os estudantes Bruno Gonçalves de Araújo, de 16, Thiago Bruno Santana, de 15, Fernanda Paiva Miranda e Isa- bella de Souza Castro Assis, ambas de 16. Os quatro foram enforcados com cintos e cadar- ços dos próprios tênis, após fa- zerem uso de maconha, na Mata do Camargos. O novo julgamento teve início às 8h e terminou pouco antes das 23h. O juiz de Direito da 3.ª Vara Criminal, Derneval da Sil- va, presidiu o júri. A defesa de Rogério e Claudinei ficou a car- go do defensor público Valdir de Oliveira Santos, que teve o advo- gado Zanone Manoel de Oliveira como auxiliar. Durante o aparte da acusa- ção, o promotor Mário Antônio Conceição utilizou um telão pa- ra apresentar as fotos dos cor- pos dos estudantes, destacando os indícios de requintes de cru- eldade utilizados na chacina. Co- mo representante do Ministério Público, ele destacou a impor- tância do depoimento do preso

OBITUÁRIO

DIVULGAÇÃO GRATUITA

EZEQUIAS CLÁUDIO

52

anos natural de Humaitá, filho de

Ilzo Cláudio e Maria Martins de Carvalho. Era casado com Maria das Graças da Silva Cláudio e deixa os filhos Liliane, Aline, Andressa , Juliana e Maurício.

MARIA DAS NEVES ROLLA DOS REIS

68

anos, natural de Mariana, filha de

João Antônio Rodrigues Rolla e Carlinda Moll Rolla. Era viúva de Francisco Martins Reis e deixa os filhos Luis Paulo e Cynthia Beatriz.

JUVENTINO PEREIRA

64

anos, natural de Jaboticatubas,

filho de Francisco Xavier Pereira e Izabel de Freitas Pereira. Era casado com Leda Rocha Pereira e deixa os filhos Gurgel, Juventino, Izabel, Lilia e Mayron.

AUZINETE RAMOS DE ARAÚJO

19

anos, natural de Lucialva, filho de

Oliveira Ramos de Araújo e Alveeride Maria de Araújo. Deixa o filho, Lúcio.

ORLINDA SARMENTO GUSMÃO

83

anos, natural de Salinas, filha de

José Fernandes Sarmento e Maria Joana Sarmento. Era viúva de Geraldino Gusmão e deixa os filhos Júlio, Walderez, Waldette, Maria Neuza, Geralda, Wanda, Tânia, Letice, Maria Pompéia e Áurea.

JOSÉ MAURO DA COSTA

51

anos, natural de Dores do Indaiá,

filho de Marinho Alves Costa e Maria

Mercês da Costa. Era casado com Sônia Aparecida de Sousa Costa.

da Costa. Era casado com Sônia Aparecida de Sousa Costa. SIDNEY LOPES -13/11/2000 RÉUS Claudinei e
da Costa. Era casado com Sônia Aparecida de Sousa Costa. SIDNEY LOPES -13/11/2000 RÉUS Claudinei e

SIDNEY LOPES -13/11/2000

RÉUS

Claudinei e Rogério eram acusados pela morte brutal dos quatro jovens em Contagem, em maio de 2000

Carlos Alberto Giorgino, que de-

clarou ter ouvido do próprio Ro- gério a confissão do crime.

A falta de provas materiais foi

tese utilizada pela defesa. O de-

fensor alegou que a declaração

de Giorgino não deveria ser con- siderada suficiente para a con- denação dos réus. “Giorgino é um preso condenado por roubo a mão armada e ainda por este- lionato, que é um crime baseado na mentira. Trata-se de uma pessoa que não tem qualificação para servir de testemunha em um julgamento”, argumentou Valdir de Oliveira Santos

O defensor público destacou

ainda que o próprio Valdivino prestou depoimentos contraditó- rios durante todo o decorrer do inquérito policial, e também na fase do processo na Justiça. “Ele chegou a dizer que não estava no local do crime, e apontou Ro- gério e Claudinei como cúmpli- ces do crime devido à pressão que sofreu na delegacia.”

Mãe vai ao tribunal

e alega perseguição

Apenas os familiares dos réus compareceram ao fórum para acompanhar o novo julga- mento. Com uma bíblia na mão, Rogério permaneceu de cabeça baixa durante todo o julgamen- to, ao lado de Claudinei, que manteve a mesma postura. A mãe de Rogério, a roupei- ra Senhora Gomes da Silva, de

54 anos, estava esperançosa na absolvição do filho. Ela disse que ele era usuário de maconha e tinha sido preso apenas uma vez, acusado de envolvimento em um roubo. “Ele viu seu cole- ga Wellington, que também ti- nha sido detido, ser assassina- do pelos policiais. Desde então, passou a ser perseguido pela polícia, que jogou esta chacina

nas costas dele. Chegamos a pe- dir garantia de vida para ele na Justiça, mas não tivemos res- posta”, desabafou. A cozinheira Maria Apareci- da Tameirão, de 49, mãe de Claudinei, disse que o filho tam- bém era viciado em maconha e tinha sido preso por participar de um assalto a uma drogaria, no bairro Padre Eustáquio. “Ele me disse que realmente estava entre os assaltantes da droga- ria, mas garantiu que não teve nenhuma participação na mor- te dos quatro garotos do bairro Água Branca. Peço a Deus que hoje a verdade venha à tona. Se ele for inocente, que seja libera- do. Mas se for culpado, que pa- gue pelo crime.”

ENTENDA O CASO

26/05/2000

 

Quatro adolescentes - duas garotas

e dois rapazes - são assassinados em circunstâncias misteriosas na noite do domingo. Eles foram enforcados com cintos e cadarços dos próprios tênis.

28/05/2000

 

Os corpos são encontrados na Mata

do Camargos, divisa entre Contagem e Belo Horizonte. A mata é utilizada com freqüência por usuários de drogas, travestis, prostitutas e casais para relações sexuais. Os cadáveres são reconhecidos pelos familiares. São os estudantes Bruno Gonçalves de Araújo, de 16 anos, Thiago Bruno Santana, de 15, Fernanda Paiva Miranda, de 16, e Isabella de Souza Castro Assis, de 16.

MAIO DE 2000

 

Após interrogar mais de cinco

pessoas, incluindo dois travestis, a polícia de Contagem indicia apenas três pessoas: o pedreiro Valdivino de Oliveira, de 42 anos, o “Zangão”, e os desempregados Rogério Gomes da Silva, de 29, o “Rogerão”, e Claudinei Paulo Tameirão, de 25, o “Neguinho”.

NOVEMBRO DE 2000

 

Os réus são julgados. Valdivino é

condenado a 10 anos de prisão, devido à sua menor participação do crime. Rogério recebe sentença de 76 anos, devido aos agravantes da premeditação e requinte de crueldade. Claudinei é condenado a 72 anos. Os três são encaminhados ao Ceresp de Betim. Julgamento é anulado por “erro na votação de quesitos”.

NOVEMBRO DE 2001

 

Rogério Gomes da Silva e

 

Claudinei Paulo Tameirão voltam ao banco dos réus. A defesa de Valdivino preferiu não recorrer da sentença. O novo julgamento durou quase 15 horas e terminou com a absolvição dos réus.

quase 15 horas e terminou com a absolvição dos réus. GIRO POLICIAL BR-381 ACIDENTE MATA
quase 15 horas e terminou com a absolvição dos réus. GIRO POLICIAL BR-381 ACIDENTE MATA
quase 15 horas e terminou com a absolvição dos réus. GIRO POLICIAL BR-381 ACIDENTE MATA
quase 15 horas e terminou com a absolvição dos réus. GIRO POLICIAL BR-381 ACIDENTE MATA
quase 15 horas e terminou com a absolvição dos réus. GIRO POLICIAL BR-381 ACIDENTE MATA

GIRO

POLICIAL

BR-381

ACIDENTE MATA SUBPROCURADOR

O

subprocurador-geral do

Estado Nelcy Pereira Pena, de 54 anos, teve morte ins- tantânea ao bater com o Santana Quantum, placa

GPX 4422, contra a traseira

do caminhão Mercedes placa GLK 1232, dirigido por Ge- raldo Magela da Silva, de 46.

O

acidente aconteceu por

volta das 14h30 de ontem, no km 307 da BR-381, mu- nicípio de Nova Era, Vale do

Aço. Nelcy viajava sozinho em direção a Governador Valadares. Acredita-se que ele tenha se sentido mal an- tes de bater contra a traseira do caminhão, já que o aci- dente aconteceu numa reta, num trecho em subida, com três faixas. Nelcy Pena ga- nhou notoriedade no começo do governo Itamar Franco, ao garantir o afastamento dos “sócios estrangeiros” da direção da Cemig, em 1999. Seu corpo está no velório 2 do Cemitério do Bonfim, em

Belo Horizonte. Na mesma rodovia, km 234, em Cara- tinga, Elizabeth Carvalho também morreu, e Geraldo Lourenço ficou gravemente ferido numa batida entre um Opala e uma Kombi. O moto- rista da perua fugiu.

CARTÕES

A Polícia Civil prendeu

ontem uma quadrilha que atuava nos terminais do Banco 24 Horas no terminal

rodoviário de Belo Horizonte. Duas irmãs foram presas em flagrante no local. Simone Benedito Nascimento, de 39 anos, sacou R$ 400 com cartão bancário roubado, antes de ser abordada por policiais. Soraia Andrea do Nascimento a acompanhava

e

levava na bolsa quatro

cartões de terceiros. Segundo

a

polícia, um dos cartões

magnéticos pertence a uma mulher de 73 anos e foi furtado em julho deste ano. A terceira integrante do grupo, Odília Maria de Castro Filho, vai ser indiciada em inquérito. Simone, a mentora do golpe, segundo a polícia, confessou que elas atuavam

há três meses em BH. A polícia suspeita que as mulheres façam parte de um braço de uma quadrilha com ramificações no Rio de Janeiro e em outras capitais.

ESCOLA AMEAÇADA

A demora da Secretaria de

Estado da Educação em pedir reforço no policiamento está deixando professores e funcionários da Escola Estadual Princesa Isabel em clima de terror, desde que o diretor Manuel Morais foi espancado por um ex-aluno, na última terça- feira. A manifestação de apoio a Manuel, que havia sido programada para hoje, foi cancelada porque a equipe recebeu novas ameaças das gangues de invasores da escola. As aulas estão suspensas e as pessoas se recusam a retomar o curso normal até que sejam garantidos o policiamento e sua integridade física. Por um lado, os funcionários estão com receio de sofrer represálias da secretaria e por outro, sentem medo dos invasores.

VALE DO JATOBÁ

Cerca de 50 manifestantes impediram o trânsito na avenida Senador Levindo Coelho, número 3.990, no bairro Vale do Jatobá, na região do Barreiro, em Belo Horizonte, por volta das 9h20 da manhã de ontem. Segundo o Corpo de Bombeiros, eles colocaram fogo em pneus e madeira. O protesto exigia a construção de quebra molas no local. A Polícia Militar também foi chamada para controlar o tumulto.

ENTENDA O CASO
ENTENDA O CASO

ENTENDA O CASO

ENTENDA O CASO
ENTENDA O CASO
ENTENDA O CASO
ENTENDA O CASO
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ENTENDA O CASO
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PÁGINA 24

PÁGINA 24 ESTADO DE MINAS - SEXTA-FEIRA, 30 DE NOVEMBRO DE 2001

ESTADO DE MINAS - SEXTA-FEIRA, 30 DE NOVEMBRO DE 2001

GERAIS

ÁGUA BRANCA

APONTADOS COMO AUTORES DA MORTE DE QUATRO ADOLESCENTES EM CONTAGEM VOLTAM AO BANCO DOS RÉUS E SÃO INOCENTADOS. DEFESA QUESTIONOU A FRAGILIDADE DAS PROVAS PARA DERRUBAR CONDENAÇÃO ANTERIOR

Acusados de chacina absolvidos

TELMA GOMES E LANDERCY HEMERSON

Os desempregados Rogério Gomes da Silva, de 29 anos, o “Rogerão”, e Claudinei Paulo Ta- meirão, de 25, o “Neguinho”, fo- ram absolvidos da acusação de autoria na chacina do bairro Água Branca, que aconteceu no ano passado em Contagem, na Região Metropolitana de BH. Eles voltaram ontem ao banco dos réus, no fórum daquela cida- de e, com a tese de negativa de autoria, fundamentada na fragi- lidade das provas, seus advoga- dos reverteram a condenação do primeiro julgamento, de novem- bro de 2000. Na época, Rogério foi sentenciado a 76 anos de pri- são, e Claudinei, a 72. Ambos cumpriam pena no Centro de Remanejamento da Secretaria de Segurança Pública (Ceresp) de Betim. O terceiro condenado, o pedreiro Valdivino de Oliveira, de 42, mais conhecido como “Zangão”, que cumpre pena de dez anos no mesmo presídio, preferiu não participar do novo

julgamento. A chacina do Água Branca aconteceu no dia 26 de maio do ano passado e teve como ví- timas os estudantes Bruno Gonçalves de Araújo, de 16, Thiago Bruno Santana, de 15, Fernanda Paiva Miranda e Isa- bella de Souza Castro Assis, ambas de 16. Os quatro foram enforcados com cintos e cadar- ços dos próprios tênis, após fa- zerem uso de maconha, na Mata do Camargos. O novo julgamento teve início às 8h e terminou pouco antes das 23h. O juiz de Direito da 3.ª Vara Criminal, Derneval da Sil- va, presidiu o júri. A defesa de Rogério e Claudinei ficou a car- go do defensor público Valdir de Oliveira Santos, que teve o advo- gado Zanone Manoel de Oliveira como auxiliar. Durante o aparte da acusa- ção, o promotor Mário Antônio Conceição utilizou um telão pa- ra apresentar as fotos dos cor- pos dos estudantes, destacando os indícios de requintes de cru- eldade utilizados na chacina. Co- mo representante do Ministério Público, ele destacou a impor- tância do depoimento do preso

OBITUÁRIO

DIVULGAÇÃO GRATUITA

EZEQUIAS CLÁUDIO

52

anos natural de Humaitá, filho de

Ilzo Cláudio e Maria Martins de Carvalho. Era casado com Maria das Graças da Silva Cláudio e deixa os filhos Liliane, Aline, Andressa , Juliana e Maurício.

MARIA DAS NEVES ROLLA DOS REIS

68

anos, natural de Mariana, filha de

João Antônio Rodrigues Rolla e Carlinda Moll Rolla. Era viúva de Francisco Martins Reis e deixa os filhos Luis Paulo e Cynthia Beatriz.

JUVENTINO PEREIRA

64

anos, natural de Jaboticatubas,

filho de Francisco Xavier Pereira e Izabel de Freitas Pereira. Era casado com Leda Rocha Pereira e deixa os filhos Gurgel, Juventino, Izabel, Lilia e Mayron.

AUZINETE RAMOS DE ARAÚJO

19

anos, natural de Lucialva, filho de

Oliveira Ramos de Araújo e Alveeride Maria de Araújo. Deixa o filho, Lúcio.

ORLINDA SARMENTO GUSMÃO

83

anos, natural de Salinas, filha de

José Fernandes Sarmento e Maria Joana Sarmento. Era viúva de Geraldino Gusmão e deixa os filhos Júlio, Walderez, Waldette, Maria Neuza, Geralda, Wanda, Tânia, Letice, Maria Pompéia e Áurea.

JOSÉ MAURO DA COSTA

51

anos, natural de Dores do Indaiá,

filho de Marinho Alves Costa e Maria

Mercês da Costa. Era casado com Sônia Aparecida de Sousa Costa.

da Costa. Era casado com Sônia Aparecida de Sousa Costa. SIDNEY LOPES -13/11/2000 RÉUS Claudinei e
da Costa. Era casado com Sônia Aparecida de Sousa Costa. SIDNEY LOPES -13/11/2000 RÉUS Claudinei e

SIDNEY LOPES -13/11/2000

RÉUS

Claudinei e Rogério eram acusados pela morte brutal dos quatro jovens em Contagem, em maio de 2000

Carlos Alberto Giorgino, que de-

clarou ter ouvido do próprio Ro- gério a confissão do crime.

A falta de provas materiais foi

tese utilizada pela defesa. O de-

fensor alegou que a declaração

de Giorgino não deveria ser con- siderada suficiente para a con- denação dos réus. “Giorgino é um preso condenado por roubo a mão armada e ainda por este- lionato, que é um crime baseado na mentira. Trata-se de uma pessoa que não tem qualificação para servir de testemunha em um julgamento”, argumentou Valdir de Oliveira Santos

O defensor público destacou

ainda que o próprio Valdivino prestou depoimentos contraditó- rios durante todo o decorrer do inquérito policial, e também na fase do processo na Justiça. “Ele chegou a dizer que não estava no local do crime, e apontou Ro- gério e Claudinei como cúmpli- ces do crime devido à pressão que sofreu na delegacia.”

Mãe vai ao tribunal

e alega perseguição

Apenas os familiares dos réus compareceram ao fórum para acompanhar o novo julga- mento. Com uma bíblia na mão, Rogério permaneceu de cabeça baixa durante todo o julgamen- to, ao lado de Claudinei, que manteve a mesma postura. A mãe de Rogério, a roupei- ra Senhora Gomes da Silva, de

54 anos, estava esperançosa na absolvição do filho. Ela disse que ele era usuário de maconha e tinha sido preso apenas uma vez, acusado de envolvimento em um roubo. “Ele viu seu cole- ga Wellington, que também ti- nha sido detido, ser assassina- do pelos policiais. Desde então, passou a ser perseguido pela polícia, que jogou esta chacina

nas costas dele. Chegamos a pe- dir garantia de vida para ele na Justiça, mas não tivemos res- posta”, desabafou. A cozinheira Maria Apareci- da Tameirão, de 49, mãe de Claudinei, disse que o filho tam- bém era viciado em maconha e tinha sido preso por participar de um assalto a uma drogaria, no bairro Padre Eustáquio. “Ele me disse que realmente estava entre os assaltantes da droga- ria, mas garantiu que não teve nenhuma participação na mor- te dos quatro garotos do bairro Água Branca. Peço a Deus que hoje a verdade venha à tona. Se ele for inocente, que seja libera- do. Mas se for culpado, que pa- gue pelo crime.”

ENTENDA O CASO

26/05/2000

 

Quatro adolescentes - duas garotas

e dois rapazes - são assassinados em circunstâncias misteriosas na noite do domingo. Eles foram enforcados com cintos e cadarços dos próprios tênis.

28/05/2000

 

Os corpos são encontrados na Mata

do Camargos, divisa entre Contagem e Belo Horizonte. A mata é utilizada com freqüência por usuários de drogas, travestis, prostitutas e casais para relações sexuais. Os cadáveres são reconhecidos pelos familiares. São os estudantes Bruno Gonçalves de Araújo, de 16 anos, Thiago Bruno Santana, de 15, Fernanda Paiva Miranda, de 16, e Isabella de Souza Castro Assis, de 16.

MAIO DE 2000

 

Após interrogar mais de cinco

pessoas, incluindo dois travestis, a polícia de Contagem indicia apenas três pessoas: o pedreiro Valdivino de Oliveira, de 42 anos, o “Zangão”, e os desempregados Rogério Gomes da Silva, de 29, o “Rogerão”, e Claudinei Paulo Tameirão, de 25, o “Neguinho”.

NOVEMBRO DE 2000

 

Os réus são julgados. Valdivino é

condenado a 10 anos de prisão, devido à sua menor participação do crime. Rogério recebe sentença de 76 anos, devido aos agravantes da premeditação e requinte de crueldade. Claudinei é condenado a 72 anos. Os três são encaminhados ao Ceresp de Betim. Julgamento é anulado por “erro na votação de quesitos”.

NOVEMBRO DE 2001

 

Rogério Gomes da Silva e

 

Claudinei Paulo Tameirão voltam ao banco dos réus. A defesa de Valdivino preferiu não recorrer da sentença. O novo julgamento durou quase 15 horas e terminou com a absolvição dos réus.

quase 15 horas e terminou com a absolvição dos réus. GIRO POLICIAL BR-381 ACIDENTE MATA
quase 15 horas e terminou com a absolvição dos réus. GIRO POLICIAL BR-381 ACIDENTE MATA
quase 15 horas e terminou com a absolvição dos réus. GIRO POLICIAL BR-381 ACIDENTE MATA
quase 15 horas e terminou com a absolvição dos réus. GIRO POLICIAL BR-381 ACIDENTE MATA
quase 15 horas e terminou com a absolvição dos réus. GIRO POLICIAL BR-381 ACIDENTE MATA

GIRO

POLICIAL

BR-381

ACIDENTE MATA SUBPROCURADOR

O

subprocurador-geral do

Estado Nelcy Pereira Pena, de 54 anos, teve morte ins- tantânea ao bater com o Santana Quantum, placa

GPX 4422, contra a traseira

do caminhão Mercedes placa GLK 1232, dirigido por Ge- raldo Magela da Silva, de 46.

O

acidente aconteceu por

volta das 14h30 de ontem, no km 307 da BR-381, mu- nicípio de Nova Era, Vale do

Aço. Nelcy viajava sozinho em direção a Governador Valadares. Acredita-se que ele tenha se sentido mal an- tes de bater contra a traseira do caminhão, já que o aci- dente aconteceu numa reta, num trecho em subida, com três faixas. Nelcy Pena ga- nhou notoriedade no começo do governo Itamar Franco, ao garantir o afastamento dos “sócios estrangeiros” da direção da Cemig, em 1999. Seu corpo está no velório 2 do Cemitério do Bonfim, em

Belo Horizonte. Na mesma rodovia, km 234, em Cara- tinga, Elizabeth Carvalho também morreu, e Geraldo Lourenço ficou gravemente ferido numa batida entre um Opala e uma Kombi. O moto- rista da perua fugiu.

CARTÕES

A Polícia Civil prendeu

ontem uma quadrilha que atuava nos terminais do Banco 24 Horas no terminal

rodoviário de Belo Horizonte. Duas irmãs foram presas em flagrante no local. Simone Benedito Nascimento, de 39 anos, sacou R$ 400 com cartão bancário roubado, antes de ser abordada por policiais. Soraia Andrea do Nascimento a acompanhava

e

levava na bolsa quatro

cartões de terceiros. Segundo

a

polícia, um dos cartões

magnéticos pertence a uma mulher de 73 anos e foi furtado em julho deste ano. A terceira integrante do grupo, Odília Maria de Castro Filho, vai ser indiciada em inquérito. Simone, a mentora do golpe, segundo a polícia, confessou que elas atuavam

há três meses em BH. A polícia suspeita que as mulheres façam parte de um braço de uma quadrilha com ramificações no Rio de Janeiro e em outras capitais.

ESCOLA AMEAÇADA

A demora da Secretaria de

Estado da Educação em pedir reforço no policiamento está deixando professores e funcionários da Escola Estadual Princesa Isabel em clima de terror, desde que o diretor Manuel Morais foi espancado por um ex-aluno, na última terça- feira. A manifestação de apoio a Manuel, que havia sido programada para hoje, foi cancelada porque a equipe recebeu novas ameaças das gangues de invasores da escola. As aulas estão suspensas e as pessoas se recusam a retomar o curso normal até que sejam garantidos o policiamento e sua integridade física. Por um lado, os funcionários estão com receio de sofrer represálias da secretaria e por outro, sentem medo dos invasores.

VALE DO JATOBÁ

Cerca de 50 manifestantes impediram o trânsito na avenida Senador Levindo Coelho, número 3.990, no bairro Vale do Jatobá, na região do Barreiro, em Belo Horizonte, por volta das 9h20 da manhã de ontem. Segundo o Corpo de Bombeiros, eles colocaram fogo em pneus e madeira. O protesto exigia a construção de quebra molas no local. A Polícia Militar também foi chamada para controlar o tumulto.

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