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1 Apostila de Língua Portuguesa I Profa. Adriani Aparecida Marcomini Engenharia de Agrimensura Engenharia de Computação

Apostila de Língua Portuguesa I

Profa. Adriani Aparecida Marcomini

Engenharia de Agrimensura Engenharia de Computação Engenharia Ambiental Engenharia Elétrica Engenharia Civil

2007

1º Semestre

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Tópicos Desenvolvidos

  • 1. Processo de Comunicação

...................................................................................

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  • 2. Variação e Competência Lingüística

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  • 3. Noção de Texto

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  • 4. Diretrizes para Leitura: Análise e Interpretação de Textos

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  • 5. Interpretação de Textos: Ambigüidade

17

  • 6. Coesão Textual

20

  • 7. Coerência Textual

24

  • 8. Redação Técnica

26

  • 9. Referências Bibliográficas

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Processo de Comunicação

“Um texto pode ser considerado ótimo quando atinge o resultado programado; mau, quando não atinge; péssimo, quando atinge o resultado oposto.”

Quando um poeta descreve a Lua, suas impressões se dispõem de maneira especial, conforme a subjetividade de suas sensações. Quando um cientista descreve o mesmo objeto, submete-o à interpretação informativa, impessoal e científica. Assim, a Lua, que para o poeta seria “uma inspiração romântica”, para o cientista é “o satélite da Terra”. Dessa forma, temos as funções da linguagem que apontam o direcionamento da mensagem para um ou mais elementos do circuito da comunicação e, qualquer produção oral, escrita, pintura, música, fotografia, propaganda, teatro, cinema etc., apresentam essas funções da linguagem.

Elementos da comunicação

Todo ato de comunicação constitui um processo que tem por objetivo a transmissão de uma mensagem e, como todo processo, apresenta alguns elementos fundamentais. São seis os elementos envolvidos no processo de comunicação, seja ele oral ou escrito. Ao elaborar um texto, precisamos ter em mente que o estamos produzindo para alguém, sendo texto literário, escolar ou informativo sempre apresenta alguém que o escreve (emissor) e alguém que o lê (receptor). O que o emissor escreve é a mensagem. O elemento que conduz o discurso para o receptor é o canal (voz, papel, lousa). Os fatos, objetos, imagens, raciocínios que o emissor expõe ou sobre os quais discorre, constituem o referente. A língua que o emissor utiliza (língua portuguesa) constitui o código. Dessa forma temos seis elementos envolvidos no processo de comunicação, como pode ser observado a seguir:

emissor ou destinador é quem transmite a mensagem.

receptor ou destinatário é aquele que recebe a mensagem.

mensagem é tudo aquilo que o emissor transmite ao receptor; é o objeto da comunicação. Toda a

mensagem é transmitida através de um canal de comunicação. canal ou contato é o meio físico, o veículo por meio do qual a mensagem é levada do emissor ao

receptor. As mensagens circulam por meio de dois meios principais: sonoros (sons, palavras, músicas etc.) e visuais (escrita, desenhos, fotografias etc.) código é um conjunto de signos e suas regras de comunicação. Esses signos podem ser verbais ou não-

verbais. referente é o assunto da comunicação, o conteúdo da mensagem

A comunicação só se realiza quando todos os seus elementos funcionam adequadamente. Se o receptor não capta ou não compreende a mensagem, não pode haver comunicação. Qualquer problema com o canal impedirá que a mensagem chegue ao receptor; neste caso, também não há comunicação, e sim ruído, que é um obstáculo à comunicação. O papel do código é de suma importância, pois emissor e receptor devem possuir pleno conhecimento do código utilizado para que a comunicação se realize; caso contrário, a comunicação será parcial ou inexistente.

Funções da Linguagem

A ênfase dada a cada um dos elementos da comunicação determina a função da linguagem que lhe corresponde, ou seja, a função do texto produzido. A classificação das funções da linguagem depende das relações que estabelecem com os elementos que proporcionam a comunicação. Assim, temos:

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Esquema da Comunicação

 

CONTEXTO

(referencial) - assunto

 

EMISSOR

MENSAGEM

RECEPTOR

(emotiva)

(poética)

(conativa)

CANAL

(fática) - (voz, papel)

CÓDIGO

(metalingüística) - (Língua Portuguesa)

  • - Função referencial, denotativa ou informativa: destina-se a transmitir a informação objetiva, sem

comentários nem juízos de valor. Seu objetivo é a notícia, expor uma informação, sem comentários ou julgamentos por parte do emissor. Esse tipo de função é usada nos manuais técnicos, fichas informativas, instruções sobre instalação e funcionamento de aparelhos, jornais, textos científicos etc.

Álcool prejudica o feto até no início da gravidez

Pesquisa realizada no Instituto de Ciências Biomédicas da USP mostra que o consumo de álcool antes ou durante a gravidez pode interferir no desenvolvimento do sistema nervoso da prole. As conseqüências podem ser dificuldades de aprendizagem, deficiências na memória e no desenvolvimento motor, além de alterações comportamentais. Na pesquisa, realizada com ratos, o álcool foi introduzido na dieta das fêmeas em diferentes estágios – antes da gravidez e durante toda a gestação. Segundo Gerson Chadi, coordenador da pesquisa, nos dois casos, as fêmeas apresentam em sua prole alguns ratos com problemas de degeneração neural. Em outro grupo de animais em que foi testada uma dieta alcoólica baixa (37%), também ocorreram problemas no desenvolvimento do sistema nervoso. Relacionando os dados de sua pesquisa ao organismo humano, Chadi diz que a mulher que bebeu, mesmo socialmente, no primeiro mês de gestação pode gerar um feto com problemas neuronais, mesmo que Elza pare de beber a partir da confirmação da gravidez. Isso porque o primeiro mês de gestação é um período importante no desenvolvimento do sistema nervoso central. (Ciência Hoje, vol. 25, pág. 56)

  • - Função emotiva ou expressiva: traduz opiniões e sentimentos do emissor da mensagem. Usa uma linguagem subjetiva, predominam as sensações, opiniões, reflexões pessoais, ou seja, possui uma carga emocional

enfocando a 1ª pessoa verbal. Essa função predomina na poesia, depoimentos, autobiografia , diários íntimos etc.

“Vivi momentos de intensa beleza à noite, quando fazia passeios à proa do navio. Numa dessas noites, assisti pela primeira vez na vida a um espetáculo quase irreal, que muitos velhos marujos ainda não tiveram a felicidade de ver: um arco-íris de lua. Em plena noite de lua cheia, chovendo ao sul, um fantástico arco-íris no céu ” ...

“Te pego na escola / E encho a tua bola / Com todo o meu amor / Te levo pra festa / E texto teu sexo / Com ar de professor // Faço promessas malucas / Tão curtas quanto um sonho bom / Se te escondo a verdade, Baby / É pra te proteger da solidão ” ...

  • - Função fática: instaura e facilita a comunicação, procurando assegurar a eficiência do processo

comunicativo, é aquela que tem por objetivo abrir, prolongar, testar ou interromper um canal de contato entre

emissor e receptor.

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Ser adolescente é ficar assim sem saber o que fazer, né? A gente tem idéia do que quer nem do que é, você tá entendendo? A gente tá meio suspenso, meio que do lado, você concorda? Ser adolescente é isso aí, não acha?

- Função conativa, apelativa: tem por objetivo influir no comportamento do receptor da mensagem, por meio de um apelo, uma sugestão, uma súplica ou uma ordem. É freqüente o emprego de verbos no imperativo e dos pronomes tu e você. É a linguagem dos textos publicitários, dos sermões, discursos, orações etc.

“Beba Cola Cola”

“Que aurora! Que sol! Que vida! / Vai já guardar os brinquedos! / Menina, não chupe os dedos! / Não pode brincar na lama! / Vai já botar o agasalho! / Vai fazer a lição! / Vai fazer a lição! / Criança não tem razão! / É tarde, vai já pra cama!”

- Função metalingüística: utiliza o código como assunto ou como explicação do próprio código. A linguagem fala da própria linguagem, como nos textos explicativos e nas definições. Isso pode ser observado nos dicionários, nas definições científicas, enciclopédias, poesias, quadros, cinema etc.

Adolescência. [Do latim adolescentia.] S.f. O período da vida humana que sucede à infância, começa com a puberdade, e se caracteriza por uma série de mudanças corporais e psicológicas (estende-se aproximadamente dos 12 aos 20 anos).

“Assim eu quereria o meu último poema / Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais / Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas / Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume / A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos / A paixão

dos suicidas que se matam sem explicação.”

(Manuel Bandeira)

Função poética: valoriza a comunicação pela forma da mensagem, preocupa-se com a beleza do texto, enfatiza a elaboração da mensagem, de modo a ressaltar o seu significado, produzindo assim a mensagem artística. A linguagem é criativa e recorre a figuras, ornatos, ritmo e sonoridade.

Balada das duas mocinhas de Botafogo

(Vinícius de Moraes)

Eram duas menininhas Filhas de boa família:

Uma chamada Marina A outra chamada Marília.

Os dezoito da primeira Eram brejeiros e finos Os vinte da irmã cabiam Numa mulher pequenina.

Sem terem nada de feias Não chegam a ser bonitas Mas eram meninas moças De pele fresca e macia.

“É melhor um cachorro amigo / Que um amigo cachorro”

“Deve ser legal ser negão no Senegal” (Chico César – Mamma África)

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Variação e Competência Lingüística

“A língua

é,

ao

mesmo

tempo, um produto

social, a faculdade

de

linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos.” (Saus

sure, Curso de Lingüística Geral)

Para o lingüista, a língua, ao mesmo tempo em que possui uma dimensão social, constitui um sistema de signos que permite a comunicação. Em outros termos, podemos dizer que a língua é um código e um fato social. Enquanto código, a língua deve ser entendida como algo que – recorrendo a Saussure – “não existe senão em virtude duma espécie de contrato estabelecido entre os membros de uma comunidade”. Como fato social, podemos ir mais longe e dizer que a língua está impregnada de valores sociais. Dessa foram, para escrever um texto, não basta conhecer o conjunto de todas as regras (fonológicas, morfológicas, sintáticas e semânticas) que determinam o emprego dos sons, formas e relações sintáticas, necessárias para a produção dos significados da língua como código. É preciso que se compreenda que esse código oferece várias possibilidades aos usuários da língua e que, muitas vezes, essas possibilidades não possuem o mesmo prestígio, a mesma eficiência comunicativa e a mesma capacidade de persuasão, pois a língua é um fato social. A língua escrita e a língua falada não têm o mesmo vocabulário, a mesma gramática, a não ser que seja a expressão oral de um texto da língua escrita. Não se fala como se escreve nem se escreve como se fala.Os recursos de sonoridade, expressão facial e gestos são próprios da fala. A língua escrita registra a comunicação superando os limites de espaço e tempo. Sendo o escrito um documento, a tendência é de a elaboração ser mais cuidadosa e formal que a da língua oral, de acordo com os elementos envolvidos na informação e de sua finalidades. Tanto na língua escrita quanto na falada, é importante o remetente escolher a modalidade lingüística adequada e expressar-se no nível conveniente.

No diálogo transcrito a seguir, um dos interlocutores é falante de uma variedade do português, que apresenta uma série de diferenças com relação ao português culto. Identifique, na fala desse interlocutor, as marcas formais dessas diferenças e transcreva-as. Faça, a seguir, uma hipótese sobre quem poderia ser essa pessoa (sua classe social ou grau de escolaridade).

Interlocutor 1: Por que o senhor acha que o pessoal não está mais querendo tocar?

Interlocutor 2: É

a rapaziada nova agora não são mais como era quando nós ia, não senhora. Quando nós saía

... com o Congo nós levava aquele respeito com o mestre que saía com nós, né? Então nós ficava ali, se fosse tomar arguma bebida só tomava na hora que nós vinhesse embora.

Leia o texto de Plínio Marcos apresentado na Casa de Detenção, em São Paulo.

“Aqui é bandido, Plínio Marcos! Atenção, malandrage! Eu num vô pedir nada, vô te dá um alô! Te liga aí: Aids é uma praga que rói até os mais fortes, e rói devagarinho. Deixa o corpo sem defesa contra a doença. Quem pegá essa praga está ralado de verde e amarelo, do primeiro ao quinto, e sem vaselina. Num tem dotô que dê jeito, nem reza brava, nem choro, nem vela, nem ai, Jesus. Pegou Aids, foi pro brejo! Agora sente o aroma da perpétua: Aids passa pelo esperma e pelo sangue, entendeu?, pelo esperma e pelo sangue! Eu num tô te dando esse alô pra te assombra, então se toca! Não é porque tu tá na tranca que virou anjo. Muito pelo contrário, cana deixa o cara ruim! Mas é preciso que cada um se cuide, ninguém pode valê pra ninguém nesse negócio de Aids! Então, já viu: transá, só de acordo com o parceiro, e de camisinha! Agora, tu aí que é metido a esculacha os outros, metido a ganha o companheiro na força bruta, na congesta! Pára com isso, tu vai acabá empesteado! Aids num toma conhecimento de macheza, pega pra lá e pega pra cá, pega em home, pega em bicha, pega em mulhé, pega em roçadeira! Pra essa peste num tem bom! Quem bobeia fica premiado. E fica um tempão sem sabê. Daí, o mais malandro, no dia da visita, recebe mamão com açúcar

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da família e manda pra casa o Aids! E num é isto que tu qué, né, vago mestre? Então te cuida! Sexo, só com camisinha. Quem descobre que pegô a doença se sente no prejuízo e quer ir à forra, passando pros outros. Sexo, só com camisinha! Num tem escolha, transá, só com camisinha. Quanto a tu, mais chegado ao pico, eu tô sabendo que ninguém corta o vício só por ordem. Mas escuta bem, vago mestre, a seringa é o canal pro Aids. No desespero, tu não se toca, num vê, num qué nem sabê que, às vezes, a seringa vem até com um pingo de sangue, e tu mete ela direta em ti. Ás vezes, ela parece que vem limpona, e vê, com a praga! E tu, na afobação, mete ela direto na veia. Aí tu dança. Tu, que se diz mais tu, mas que diz que não pode agüentá a tranca sem pico, se cuida. Quem gosta de tu é tu mesmo. E a farinha que tu cheira, e a erva que tu barrufa enfraquece o corpo e deixa tu chué da cabeça e dos peitos. E aí tu fica moleza pro Aids! Mas o pico é o canal direto pra essa praga que está aí. Então, malandro, se cobre! Quem gosta de tu é tu mesmo. A saúde é como a liberdade. A gente só dá valor pra ela quando ela já era!”

  • 1. Um texto só é produzido apenas para transmitir informações, mas para convencer o leitor/receptor a aceitar como verdade o que nele se diz e a fazer o que ele propõe. Quem produz um texto/mensagem pretende atingir certos resultados. Com base nisso, responda:

    • a) está evidente ao longo do texto a preocupação central do seu autor, Plínio Marcos. Qual é ela?

    • b) que procedimentos o autor propõe aos detentos para a obtenção desse resultado?

  • 2. Um dos recursos que confere credibilidade ao autor/emissor e a seu texto é a demonstração de possuir informações precisas sobre o tema de que está tratando. Cite passagens do texto em que o autor se revele conhecedor da vida nos presídios e da realidade dos detentos.

  • 3. Concorre também para a credibilidade do texto a demonstração de que o autor/emissor tem conhecimento daquilo que a sociedade inteira aceita como verdade a respeito da questão posta em debate. Cite duas passagens em que o emissor/autor dá mostras de possuir esse tipo de saber.

  • 4. A variante lingüística usada pelo emissor/autor distancia-se nitidamente da variante culta. A escolha dessa forma de linguagem também pode ser encarada como um recurso de construção textual? Explique sua resposta.

  • Para trabalhar!

    • 5. Redija o mesmo relato dentro das normas da língua culta, adequada ao tema e à publicação em um jornal.

    Agora leia um trecho do texto “Gerundismo” de Ricardo Freire.

    “Aqui vai a última flor do Lácio: Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando e possa estar deixando discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando sem estar espalhando essa praga terrível da comunicação moderna, o gerundismo. Você pode também estar passando por fax, estar mandando pelo correio ou estar enviando pela Internet.

    O importante é estar garantindo que a pessoa em questão vá estar recebendo esta ,mensagem, de modo que ela possa estar lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta da maneira como tudo o que ela

    costuma estar falando deve estar soando nos ouvidos de quem precisa estar escutando. (

    ...

    )

    Deus, o que a

    gente pode tá fazendo pra que as pessoas tejam entendendo o que esse negócio pode tá provocando no

    cérebro das novas gerações? A única solução vai estar sendo submeter o gerundismo à mesma campanha de desmoralização à qual precisaram estar sendo expostos seus coleguinhas contagiosos, como o “a nível de”, o “enquanto”, o “pra se ter uma idéia” e outros menos votados. A nível de linguagem, enquanto pessoa, o que você acha de tá insistindo em tá falando desse jeito?” (O Estado de S.Paulo, coluna “Xongas”)

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    Ainda sobre esse assunto leia um artigo de Ricardo Freire, publicado na Revista Época, na coluna “Xongas”.

    Em 2004, gerundismo zero!”

    As reformas passaram. Os juros começam a cair. A indústria voltou a contratar. As vendas melhoraram um pouquinho. Já dá para comemorar? Não. Existe um grande perigo por trás de tudo isso. O quê? Não, não é a volta da inflação. Refiro-me à bolha do gerundismo. Pense bem: quanto maior é a atividade econômica, mais negócios são fechados. Mais telefonemas são dados. Como conseqüência, mais gente tem a oportunidade de dizer coisas como: “Nós vamos estar analisando os seus dados e vamos estar dando um retorno assim que possível”. Ou: “Pra sua encomenda tá podendo tá sendo entregue, o senhor precisa tá deixando o nome de uma pessoa pra tá recebendo pelo senhor.” Pára! Pára tudo! Não é para isso que a gente se sacrificou este ano inteiro. Crescimento, sim. Gerundismo, não” Mais do que nunca, precisamos nos mobilizar. Cada um de nós deve ser um agente sanitário eternamente a postos para exterminar essa terrível praga que se propaga pelo ar, pelas ondas de TV e pelas redes telefônicas. E só existe uma forma de descontaminar um gerundista crônico: corrigindo o cotidiano. Na chincha. Com educação, claro. Por incrível que pareça, ninguém usa o gerundismo para irritar. Quando a teleatendente diz “O senhor pode estar aguardando na linha, que eu vou estar transferindo a sua ligação”, ela pensa que está falando bonito. Por sinal, ela não entende por que “eu vou estar transferindo“ é errado e “ela está falando bonito” é certo. O que só aumenta a nossa responsabilidade como vigilante e educadores. O importante é nunca deixar barato. Se alguém vier com gerundismo para cima de você, respire fundo – e eduque a criatura. “Não, eu não posso TÁ ASSINANDO aqui. Mas, se você quiser, eu posso ASSINAR aqui, com o maior prazer.” “Não, minha filha. Eu não vou TÁ EXPERIMENTANDO nada em provador nenhum. Eu vou é trocar de loja!” Se você tiver habilidades de professor, pode ir mais fundo: “Desculpa. Não é ‘a gente pode ta liberando o seu carro no sábado’. Você não deve usar nunca o verbo estar, no infinitivo, combinado com um verbo no gerúndio. O certo é ‘a gente pode liberar o seu carro no sábado’. Entendeu?” O sujeito vai continuar sem entender nada, e depois dessa provavelmente o seu carro nem fique pronto no sábado – mas é um preço que vale a pena pagar por uma sociedade sem gerundismo. Toda atenção é pouca. Nesse período de tolerância zero com o gerundismo, precisamos evitar até mesmo os casos em que o “vou estar fazendo” esteja certo. Por exemplo: em vez de dizer “Não ligue agora para o seu tio, porque ele deve estar jantando” – o que é perfeitamente correto -, diga: “Não ligue para o seu tio, porque é hora do jantar”. O governo poderia fazer de 2004 o Ano Oficial de Combate ao Gerundismo. Um bom começo seria proibir o gerundismo em todas as declarações do Executivo (presidente: metáfora, tudo bem. Gerundismo, não!) Gerundismo poderia dar pontos na carteira do motorista. Poderia aumentar a alíquata do Imposto de Renda do infrator. As universidades públicas poderiam inovar o sistema de cotas. Que tal: 100% das vagas para não-gerundistas?!! Ainda estamos longe da erradicação do analfabetismo. Mas o fim do gerundismo só depende de nós. Não vamos nos dispersar!

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    Noções de Texto

    “Qualquer

    um

    de

    nós, senhor

    de um assunto,

    é,

    em

    princípio, capaz de escrever sobre ele. Não há um jeito

    especial para a redação,

    ao

    contrário do que

    muita

    gente pensa. Há apenas uma falta de preparação inicial,

    que

    o

    esforço

    e

    a

    prática vencem.”

    (J. Mattoso)

     

    O ato de escrever que para alguns parece fácil e agradável, para outros representa um sacrifício sem perspectivas favoráveis, pois além de uma construção organizada da língua (gramaticalidade) é necessário um pensamento organizado, preciso e bem-concatenado, ao qual se soma a capacidade de aproveitar os recursos expressivos da língua e a interpretação da realidade. Qualquer que seja a modalidade redacional (narração, descrição e dissertação), sua finalidade é concretizar a comunicação de idéias (conteúdo), valorizadas por uma expressão estética da linguagem (forma). Não basta, pois, saber o que escrever, mas como escrever. Escrever não é dom que nasce com a pessoa, mas também não é algo mecânico, que se aprende depois de ler um série de regras, pois cada texto apresenta uma estrutura, de acordo com as intenções que o seu escritor possui. É expressar idéias, opiniões, seguindo uma estrutura textual adequada para cada tipo de texto.Para escrever é necessário o uso de técnicas, conhecimento do assunto, paciência e determinação. Sentimo-nos à vontade quando nos expressamos oralmente, mas nos embaraçamos no momento de ordenarmos as idéias textualmente. É na escrita que a comunicação revela nossa condição intelectual, porque através do aprimoramento da linguagem temos o instrumento eficaz para expressarmos o pensamento. A habilidade com que a usamos permite-nos apreender o mundo e agir sobre ele. Ao escrevermos, fazemos da linguagem nossa conquista maior, combinando as impressões dos sentidos, a vivência pessoal e o pensamento crítico. Para aperfeiçoar o exercício redacional devemos aguçar a capacidade de interpretação, o espírito questionador e analítico, bem como o desprendimento para criar e inovar.

    Assim, a produção textual é um produto de um saber lingüístico, da ordenação dos pensamentos e da imaginação criadora, num contínuo e diletante processo de aprendizagem, não só de regras, mas de todo um mundo.

    Somente o indivíduo capaz de instalar-se dentro da sociedade em que vive, com um discurso próprio, é que poderá considerar-se parte dessa mesma sociedade, e, portanto, reivindicar seus direitos e lutar para que ela seja realmente democrática.” (Maria Thereza F.Rocco)

    O texto é um todo construído artesanalmente, a partir da seleção e combinação das palavras, frases e parágrafos concatenados com logicidade. As palavras combinam-se para formar a frase; as frases agrupam-se em parágrafos; os parágrafos, por sua vez, sucedem-se numa seqüência lógica para formar o texto. Este normalmente apresenta introdução, desenvolvimento e conclusão. As características do texto são determinadas pelas modalidades de construção textual.

    Mas qual é a noção de texto?

    Antes propriamente de entrarmos em considerações teóricas, vamos ler o texto abaixo para observar a relação entre as partes de um texto.

    Os desastres de Sofia

    Qualquer que tivesse sido o seu trabalho anterior, ele o abandonara, mudara de profissão e passara pesadamente a ensinar no cursos primário: era tudo o que sabíamos dele. O professor era gordo, grande e silencioso, de ombros contraídos. Em vez de nó na garganta, tinha ombros contraídos. Usava paletó curto demais, óculos sem aro, com um fio de ouro encimando o nariz grosso e

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    romano. E eu era atraída por ele. Não amor, mas atraída pelo seu silêncio e pela controlada impaciência que ele tinha em nos ensinar e que, ofendida, eu adivinhava. Passei a me comportar mal na sala. Falava muito alto, mexia com os colegas, interrompia a lição com piadinhas, até que ele dizia, vermelho:

    - Cale-se ou expulso a senhora da sala. Ferida, triunfante, eu respondia em desafio: pode me mandar! Ele não mandava, senão estaria me

    obedecendo. Mas eu o exasperava tanto que se tornara doloroso para mim ser o objeto do ódio daquele homem que de certo modo eu amava. Não o amava como a mulher que eu seria um dia, amava-o como uma criança que tenta desastrosamente proteger um adulto, com a cólera de quem ainda não foi covarde e vê um

    homem tão forte de ombros tão curvos. (

    )

    ... Lispector, Clarice. A legião estrangeira. São Paulo, Ed. Ática, 1977, p.11.

    Pense!

    No início do segundo parágrafo, o narrador afirma que o professor tinha “ombros contraídos”. Essa característica, fora do contexto em que estará inserida, pode sugerir várias interpretações. Quais? E no contexto, o que significa?

    Primeira consideração sobre texto

    O texto não é um aglomerado de frases. No texto, o significado das partes (frases) depende da correlação que elas mantém entre si. Isso nos leva a observar que, para entender qualquer passagem de um texto, é necessário confrontá-la com as demais partes que o compõem, sob pena de dar-lhe significado oposto ao que ela de fato tem.

    “Na sua posse como secretário de Indústria e Comércio, Otávio Ceccato, nervoso, foi infeliz ao rebater as denúncias. “Como São Pedro, nego, nego, nego”, disse a um grupo de repórteres, referindo-se à conhecida passagem em que São Pedro negou conhecer Jesus Cristo três vezes na mesma noite. Esqueceu-se de que São Pedro, naquele episódio, disse talvez a única mentira de sua vida.” (Revista Veja)

    Como se pode notar, a defesa do secretário foi infeliz e desastrosa, produzindo um efeito contrário ao que ele tinha em mente. A citação, no caso, ao invés de inocentá-lo, acabou por comprometê-lo.

    Pense! Sob o ponto de vista da análise do texto, qual teria sido a razão do equívoco lamentável cometido pelo secretário?

    Segunda consideração sobre texto

    Todo o texto possui um pronunciamento dentro de um debate de escala mais ampla. Nenhum texto é uma unidade isolada, nem a manifestação da individualidade de quem o produziu. De uma forma ou de outra, constrói-se um texto para, através dele, marcar uma posição ou participar de um debate de escala mais ampla que está sendo travado na sociedade. Até mesmo uma simples notícia de jornal, sob a aparência de neutralidade, tem sempre uma intenção por trás.

    Crime Tiro certeiro (Estado Americano limita porte de armas)

    “No começo de 1981, um jovem de 25 anos chamado John Hinckley Jr., entrou numa loja de armas de Dallas, no Texas, preencheu um formulário do governo com endereço falso e, poucos minutos depois, saiu com um Saturday Night Special – nome criado na década de 60 para chamar um tipo de revólver pequeno, barato e de baixa qualidade. Foi com essa arma que Hinckley, no dia 30 de março daquele ano, acertou uma bala no pulmão do presidente Ronald Reagan e outro na cabeça de seu porta-voz, James Brady. Reagan recuperou-se

    totalmente, mas Brady desde então está preso a uma cadeira de rodas.(

    ...

    )”

    Seguramente, por trás da notícia, existe, como pressuposto um pronunciamento contra o risco de vender arma para qualquer pessoa, indiscriminadamente. Esse exemplo deixa claro que qualquer texto, por mais objetivo e neutro que pareça, manifesta sempre um posicionamento frente a uma questão qualquer posta

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    em debate.

    “Televisão é questão de hábito, não de julgamento crítico. As novelas dão prazer pelo fato de serem repetitivas; inscrevem-se na rotina do espectador à medida que encenam a rotina dos outros. Há algo de mágico nesse efeito: pessoas dentro de casa vêem, através de uma caixa, outras pessoas dentro de casa. Refeições, conversas banais, tiques de linguagem, personagens estereotipadas, tudo é uma grande homenagem à rotina, ao hábito, e desconfio que à intriga propriamente dita, os lances folhetinescos não interessam ao espectador tanto quanto ele pensa.( ) ... É que domingo é um dia bem depressivo. Imagino que as taxas de suicídio sejam maiores nos fins de semana. Aquele rumor distante do jogo de futebol no rádio, os movimentos de Faustão e Sílvio Santos, a tarde caindo e ainda é cedo para pedir a pizza, tudo denuncia o vazio de uma vida que poderia ser mais aventurosa, mais criativa, mais livre e entretanto se resume em simples passar de tempo. O “Fantástico” é bem sintomático dessa depressão geral. Inventam-se histórias palpitantes, descobertas e milagres, desafios, esportes radicais, enigmas e goleadas, num esforço patético para nos convencer de que a vida vale a pena. Só que é a vida dos outros, e ficamos reduzidos, sem saber, mas sabendo, ao papel de figurantes num épico Cecil B. de Mille, de basbaques em briga de rua, de inúteis num domingo inútil.” (Marcelo Coelho, Folha de São Paulo)

    • 1. Preste atenção na frase inicial do texto. “Televisão é questão de hábito, não de julgamento crítico” Que idéia o leitor depreende dela, se a isolar do texto?

    • 2. A partir da declaração acima o enunciador (emissor) do texto faz uso de uma série de termos que, de certa forma, ajudam a ilustrar a idéia de que “televisão é questão de hábito”. Transcreva palavras e expressões do texto que justifiquem o hábito de ver TV.

    • 3. Agora que o texto foi lido na sua totalidade é possível perceber que essa frase inicial do texto admite duas leituras. Quais?

    • 4. A que(m) o enunciador remete sua crítica ao afirmar que a televisão é uma questão de hábito e ao exemplificar o que a torna verdadeiramente uma rotina?

    Para Trabalhar!!

    • 5. Faça um resumo em que as idéias principais desse fragmento estejam presentes. No resumo utilize somente as idéias do texto, não copie trechos, usando as suas próprias palavras. Lembre-se de que todo texto escrito pede o uso do padrão culto da língua.

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    Diretrizes para Leitura análise e interpretação de textos

    “O verdadeiro significado das coisas é encontrado ao se dizer as mesmas coisas com outras palavras.” (Charles Chaplin)

    A análise textual é a primeira abordagem do texto com vistas à preparação para a análise aprofundada do mesmo. Leitura atenta, mas sem buscar esgotar toda a compreensão do texto. A primeira leitura do texto é somente para tomar contato com toda a unidade, buscando uma visão panorâmica, uma visão de conjunto do raciocínio do autor e dos elementos básicos para a devida compreensão do texto. Essa análise textual pode ser encerrada com um resumo que apresentará uma visão de conjunto da unidade, pois enfocará as idéias mais relevantes do texto, permitindo uma visualização global. Nessa etapa o leitor não deve intervir no conteúdo da mensagem. Em primeiro lugar, na leitura, busca-se saber do que fala o texto, ou seja, o tema ou assunto com o qual o autor aborda relações variadas entre os vários elementos que o formam. Mas, além disso, é preciso captar a perspectiva de abordagem do autor, pois ela, define o âmbito dentro do qual o tema é tratado. Depois, avançando na tentativa de apreensão da mensagem do autor, capta-se a problematização do tema, porque não se pode falar coisa alguma a respeito de um tema se ele não se apresentar como um problema para aquele que discorre sobre ele. Mas a formulação do problema nem sempre é clara e precisa no texto, em geral é implícita, cabendo ao leitor explicitá-la. Em geral, os textos logicamente estruturados têm sempre uma única idéia central, todas as demais idéias estão vinculadas a ela ou são apenas paralelas ou complementares. No entanto, estruturam a argumentação, ou seja, o conjunto de idéias e proposições encadeadas, mediante os quais o autor demonstra sua posição ou raciocínio. A análise do tema serve de base para o resumo de um texto. Quando se pede o resumo de um texto, o que se tem em vista é a síntese das idéias do raciocínio e não a mera redução dos parágrafos. Daí poder o resumo ser escrito com outras palavras, desde que as idéias sejam as mesmas do texto. Mas para uma análise interpretativa do texto tem-se, além de uma síntese das idéias do raciocínio, também a compreensão profunda do texto. Interpretar, dessa forma, é tomar uma posição própria a respeito das idéias enunciadas, é ler nas entrelinhas do texto, é explorar toda a fecundidade das idéias expostas. A interpretação leva o leitor a fazer uma comparação com idéias temáticas afins, levando o leitor à reflexão e, conseqüentemente, à escrita. Essa crítica pode ser construída com base em dois aspectos: (a) até que ponto o tratamento dado ao tema pelo autor é profundo e não superficial; (b) crítica pessoal às posições defendidas no texto. E é a partir desses aspectos que se formulam as resenhas.

    Técnicas de Elaboração de Textos

    1. Paráfrase

    Parafrasear significa reescrever um texto com a nossa própria linguagem. A técnica empregada é simples: após a leitura atenta do texto sugerido, devem-se buscar palavras que reproduzam adequadamente as idéias originais, sem nada acrescentar ou omitir em seu conteúdo. As modificações deverão limitar-se, portanto, a uma nova organização de frases. Não se deve confundir paráfrase com resumo: a paráfrase preserva todo o conteúdo do texto original, enquanto o resumo consiste numa síntese do texto.

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    Texto

    “Eram vinte e cinco homens espremidos, empilhados, esmagados de corpo e alma, mais o desespero, o tédio, a desesperança e o tenebroso ócio, numa imunda cela onde mal cabiam oito pessoas, entre grades de ferro e

    úmidas e frias paredes. Vinte e cinco homens que nunca foram os mais bonitos, nem os mais fortes, nem os mais sabidos, nem os mais furiosos. Eram vinte e cinco homens que ocuparam espaços que não lhes pertenciam,

    que comeram o pão que não lhes pertencia. (

    )

    Todos, entre os vinte e cinco, eram homens. Homens. Homens.

    Homens. Homens violentados nos seus mais ternos sentimentos. Homens que nunca tiveram as alegrias do

    espírito. Mas ainda assim, eram homens. (

    )

    Aquele cubículo nojento não era lugar para homens. (

    )

    ... cinco homens em silêncio, com os olhos raiados de sangue, e ardidos, e fixos na maldita porta de ferro.”

    ...

    Vinte e

    2. Resumos

    O resumo é uma técnica que auxilia a reter as informações básicas de um texto. Através dele, o leitor poderá testar o seu grau de assimilação, sua capacidade de síntese e, mais que isso, utilizar essas informações para apresentar juízos, uma apreciação sobre seu objeto de estudo. É um tipo de trabalho didático comumente exigido em cursos superiores, seja de toda uma obra, de um único capítulo ou de um artigo. Não se trata propriamente de um trabalho de elaboração, mas sim de um trabalho de extração de idéias, de um exercício de leitura e entendimento. Resumo é a apresentação concisa e freqüentemente seletiva do texto, destacando-se os elementos de maior interesse e importância, isto é, deve apresentar as principais idéias do autor da obra com fidelidade. É uma prática de análise e síntese. Consiste na seleção dos pontos mais importantes de um texto e na eliminação do que é secundário. O resumo do texto é, na realidade, uma síntese das idéias e não das palavras do texto. Não se trata de uma “miniaturização” do texto, mas sim de todo um processo de entendimento das suas idéias centrais.

    Há alguns tipos de resumos, cada qual indicado para uma finalidade específica:

    • a) Indicativo ou descritivo : quando faz referência às partes mais importantes que compõem o texto, utilizando-se de frases curtas, que correspondem a um elemento importante do texto. Apenas apresenta um sumário dos aspectos relevantes do texto (tópicos), não dispensando a leitura do texto original.

    • b) Informativo ou analítico : quando contém todas as informações principais apresentadas no texto e permite dispensar a leitura do texto original. Tem a finalidade de informar o conteúdo e as principais idéias do autor (objetivos e assunto; resultados e conclusões). É uma apresentação condensada do texto, por meio das próprias palavras de quem faz o resumo, e quando cita as do autor, apresenta-as entre aspas. Deve ser composto por uma seqüência de frases concisas. Nesse tipo elimina-se os gráficos, as citações, exemplificações excessivas, mantendo-se somente os pontos essenciais.

    A ordem das idéias e a seqüência dos fatos não devem ser modificadas na elaboração de um resumo. Também a opinião e os pontos de vista do autor devem ser respeitados, sem acréscimo de qualquer comentário ou julgamento pessoal de quem elabora o resumo. Exige-se fidelidade ao texto, mas não é necessário copiar frases ou trechos do original; ao contrário, deve-se empregar frases pessoais, com palavras do vocabulário que se costuma usar.

    • c) crítico : quando se formula, além das idéias centrais do texto, também um julgamento crítico a respeito do assunto abordado, ou seja, permite um julgamento de valor e opiniões de quem o elabora. Como nos tipos anteriores, não se deve fazer citações do original. O resumo crítico difere da resenha, que é um trabalho crítico mais amplo e elaborado.-

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    Um resumo bem elaborado deve obedecer aos seguintes itens:

    • 1. apresentar, de maneira sucinta, o assunto da obra (nunca ultrapasse 20% da extensão do texto original);

    • 2. não apresentar juízos críticos ou comentários pessoais, deve-se apenas registrar o que o autor escreveu, sem usar expressões como “segundo o autor”, “o autor afirmou que”;

    • 3. respeitar a ordem das idéias e fatos apresentados;

    • 4. empregar linguagem clara e objetiva;

    • 5. evitar a transcrição de frases do original;

    • 6. apontar as conclusões do autor;

    • 7. dispensar consulta ao original para a compreensão do assunto.

    Para trabalhar!

    Ao resumir, atente para a escolha de um vocabulário apropriado, de padrão equivalente ao texto original (padrão culto da língua, pois você sempre estará trabalhando com textos científicos), e organize as idéias selecionadas de forma clara e coerente:

    • - mantenha o título original;

    • - leia atentamente o texto;

    • - delimite o assunto e as idéias principais do texto;

    • - defina o objetivo do texto;

    • - observe as conclusões do autor do texto;

    • - use linguagem objetiva;

    • - evite repetições de frases do texto original;

    • - respeite a ordem em que as idéias e os fatos são apresentados

    Agora tente fazer um resumo do texto apresentado abaixo.

    Caça ao rato

    (Teles Alvarenga) Correu mundo a notícia de que a Inglaterra discute se proíbe ou não a caça à raposa. Ah, os ingleses! São encantadores em seu esnobismo e imbatíveis no senso de humor. Também são mestres em marketing. Aquele homem vestido de Batman que subiu a um parapeito do Palácio de Buckingham para defender os direitos dos pais divorciados conseguiu mais visibilidade num dia do que o primeiro-ministro Tony Blair em seis meses.

    Se queremos ser um país tão charmoso como a Inglaterra, devemos imitar alguns traços dos ingleses. Sugiro que, ao estilo britânico, comecemos com um golpe de marketing contra a corrupção. Precisamos desmascarar de uma vez por todas a roubalheira. Minha sugestão é instituir a semana da caça ao rato para dar maior visibilidade às denúncias. Uma ONG seria fundada para atirar em notórios corruptos com aquelas armas que lançam bolsas de tinta em vez de chumbo. Os integrantes dessas ONG procurariam os corruptos notórios e – plá – pintariam a camisa do distinto com um borrão vermelho. Entre os homens integrantes do governo, do Congresso, dos tribunais, das delegacias, das carreatas eleitorais e das concorrências públicas, há um bom número de ratos infiltrados. Plá. Plá. Plá. Lá se foram três para casa, trocar de roupa. Isso explodiria nas manchetes do dia seguinte. Nos últimos anos, o Brasil tomou novas medidas contra a corrupção, e elas estão funcionando. O Ministério Público colocou criminosos de colarinho branco na cadeia. O Congresso aprovou a Lei de Responsabilidade Fiscal, instrumento que leva à prisão o administrador público irresponsável com o dinheiro do contribuinte. Há CPIs a plena carga. A boa notícia é que existem instrumentos mais eficientes à disposição do poder público para coibir os ladrões. A má é que, por falta de conscientização da sociedade e dos próprios criminosos, a roubalheira continua ativa. A semana da caça ao rato seria uma espécie de ratoeira moral. Os militantes da ONG agiriam de maneira espetacular e meio suicida, como fazem os integrantes do movimento ecológico Greenpeace, que se

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    penduram perigosamente em barcos de pesca para evitar a matança de alguma espécie. Não é apenas por uma questão moral que devemos nos preocupar com a caça ao rato. O combate à corrupção aumenta a riqueza dos países e diminui a miséria das classes excluídas. Veja esta comparação. Em um levantamento do Banco Mundial, o Brasil aparece em septuagésimo lugar numa lista de países classificados por ordem de honestidade. No índice de desenvolvimento humano da ONU, o Brasil ocupa o septuagésimo segundo lugar. Como se vê, corrupção e atraso andam lado a lado. É fácil entender por quê. Como metade da economia brasileira vive na informalidade, isto é, não paga impostos, falta dinheiro público para investir em educação, saúde, Justiça, polícia. As empresas que cumprem corretamente suas obrigações para o Fisco têm de arcar com impostos insuportáveis e com a concorrência desleal daqueles que atuam na clandestinidade. Nem estrangeiros nem brasileiros se animam a investir num país onde é preciso pagar propina para instalarem um negócio e, depois, fazer desembolsos ilegais periódicos para mantê-lo funcionando. A corrupção, porém, é apenas um traço cultural. É possível mudar essa herança. Um pouco de marketing não faria mal.

    3. Resenhas

    As resenhas têm papel importante na vida científica de qualquer estudante, pois é através delas que se toma conhecimento prévio do conteúdo e do valor de um livro, textos, filmes etc, porque é a sua descrição minuciosa. Elas podem ser puramente informativas, quando apenas expõem o conteúdo do texto; críticas, quando se manifestam sobre o valor e o alcance do texto analisado; ou crítico-informativas, quando expõem o conteúdo e tecem comentários sobre o texto analisado. A resenha estrutura-se em várias partes lógico-redacionais. Abre-se com um cabeçalho, no qual são transcritos os dados bibliográficos completos da publicação resenhada; uma pequena informação sobre o autor do texto; uma exposição sintética do conteúdo do texto, que deve ser objetiva e conter os pontos principais e mais significativos da obra. Deve passar ao leitor uma visão precisa do conteúdo do texto de acordo com a análise temática, destacando o assunto, os objetivos, a idéia central, os principais passos do raciocínio do autor. Finalmente deve conter um comentário crítico. Trata-se da avaliação que o resenhista faz do texto que leu e sintetizou. Essa avaliação crítica pode assinalar tanto os aspectos positivos quanto os aspectos negativos do mesmo. Esse comentário é normalmente feito como último momento da resenha, após a exposição do conteúdo. Mas também pode ser distribuído difusamente, junto com os momentos anteriores, ou seja, expõe-se e comenta-se simultaneamente as idéias do autor. Na medida em que o resenhista expõe e aprecia as idéias do autor, ele estabelece um diálogo com o mesmo. Nesse sentido, o resenhista pode até mesmo expor suas próprias idéias, defendendo seus pontos de vista, coincidentes ou não com aqueles do autor resenhado.

    Uma resenha serve a seus propósitos quando desperta a atenção do leitor para o livro em questão, situando-o quanto à importância de tal lançamento editorial na área a que se destina (literatura, filosofia, psicologia etc.). Para que isso ocorra é necessário um texto fluente contendo as seguintes informações:

    * o título do livro resenhado, o nome completo do seu autor e editora; * uma pequena biografia do autor, contendo aspectos relevantes de sua vida e de sua obra; * um resumo das principais idéias do livro; * comentários críticos sobre o conteúdo e o estilo formal do livro.

    Modelo de Resenha

    I – Obra

    • a) autoria

    II – Credenciais da Autoria

    • b) título

    • a) nacionalidade

    • c) onde foi publicada

    • b) formação

    • d) ano de publicação e edição

    • c) outras obras

    • e) número de páginas

    III – Digesto

    • a) resumo das principais idéias expressas pelo

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    autor

    • b) descrição sintetizada do conteúdo

    IV – Quadro de Referência da Autoria

    • a) corrente de pensamento ou modelos teóricos

    V – Crítica do Resenhista

    • a) julgamento metodológico da obra

    • b) mérito da obra (originalidade, contribuição para a ciência por apresentar idéias e/ou resultados)

    Ao construir uma resenha, atente para a escolha de um vocabulário apropriado, de padrão equivalente ao texto original (padrão culto da língua, pois você sempre estará trabalhando com textos científicos), e organize as idéias selecionadas de forma clara e coerente. Agora veja a construção de uma resenha.

    Hackers expostos: segredos e soluções para a segurança de redes. Stuart McClure, Joel Scambray e George Kurtz. Makron Books, 2000.

    Stuart McClure é gerente-sênior do grupo eSecurity Solutions, da Ernest & Young. Ele é co-autor da Security Watch da revista InfoWorld, uma coluna que trata de assuntos atuais relativos à segurança eletrônica, bem como invasões e vulnerabilidade de sistemas de computadores. Além disso, possui uma vasta experiência em software e hardware de segurança de redes (firewall, sistemas de detecção de intrusos, entre outros). Joel Scambray é gerente do grupo eSecurity Solutions, onde fornece serviços de consultoria de segurança em sistemas de informação para diversos tipos de organizações. Também é co-autor da Security Watch. George Kurtz é gerente-sênior do grupo eSecurity Solutions e diretor nacional de "Ataque e Penetração da linha de serviços Profiling" da Ernest & Young. Como consultor, executou centenas de avaliações em firewalls, redes e sistemas de comércio eletrônico ao longo dos anos. É um dos principais instrutores do aclamado curso "Extreme Hacking - Defending Your Site". Hackers expostos, apesar do nome, trata única e exclusivamente de segurança de redes e sistemas. Com uma enorme quantidade de detalhes, o livro é uma espécie de manual, já que serve de alerta para todos os administradores de sistemas e usuários, para que percebam o quão vulnerável seus preciosos dados podem estar, trafegando livremente pela Internet. Para que a leitura e a compreensão fossem facilitadas, o livro foi todo estruturado em pequenos módulos, como em um guia de referências, onde o leitor não precisa ler tudo para encontrar a resposta para a sua dúvida sobre um determinado assunto. Todos os assuntos estão agrupados por área de interesse: a "Identificação do Alvo" trata de como fazer o footprint (espécie de planta-baixa da rede de computadores utilizados por um determinado domínio) e a varredura, onde são identificados e verificados todos os serviços que estão disponíveis no sistema, e a sua enumeração. O segundo módulo trata de "Hacking de sistemas", trazendo as características e as falhas, comuns ou não, dos principais sistemas operacionais utilizados em estações de trabalho e servidores, sempre focalizando o grau de dificuldade para o atacante obter sucesso em sua empreitada de quebrar o sistema (uso de exploits), além de sugestões para a correção ou minimização das chances dessas empreitadas ocorrerem. O terceiro trabalha com "Hacking de rede", onde são vistas formas de proteger os dados da empresa do acesso indevido através de exploits, como os encontrados em sistemas de firewall, roteadores, dial-up's e falhas nos protocolos de rede. É dada uma maior ênfase para a prevenção aos Ataques de Recusa de Serviço (DoS - Denial Of Service) que nos últimos anos tem tirado muitos websites do ar (por exemplo o UOL). No último módulo se enfoca "Hacking de software". É nesse campo que entram os softwares de administração remota (autorizada ou não), os "cavalos de tróia", conhecidos como trojans, que são os maiores causadores das noites de insônia de muitos administradores de sistemas, porque permitem, através de programas aparentemente inofensivos, a instalação de servidores de acesso remoto, facilitando o roubo de informações, entre muitas outras possibilidades de prejuízo. Houve uma grande preocupação dos autores em detalhar os ataques mais comuns às redes e sistemas operacionais, baseando-se em suas próprias vivências como consultores e em sites/newsgroups especializados, de forma a exibir uma visão mais abrangente do problema: a visão do atacante (cracker) que não tem nada a perder. Como os autores citam nos agradecimentos, "Conhecimento e informação os libertará", referindo-se aos nobres hackers que, no sentido literal e correto da palavra, têm-se preocupado em expôr e solucionar esses problemas. É uma obra que não pode faltar na bibliografia de qualquer administrador de sistemas preocupado em garantir a paz e a tranqüilidade de sua empresa e que quer proteger os dados vitais da mesma do acesso não-autorizado e, dessa forma, garantir por mais tempo o seu emprego e o desenvolvimento de sua

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    organização.

    (Fábio Júnior Beneditto)

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    Interpretação de Textos ambigüidade

    Ambigüidade significa "duplicidade de sentido". Uma frase com duplo sentido é imprecisa, o que atenta contra a clareza, uma vez que pode levar o leitor a atribuir-lhe um sentido diferente daquele que o autor procurou lhe dar. Ocorre geralmente por má pontuação ou mau emprego de palavras ou expressões.

    João ficou com Mariana em sua casa. Alice saiu com sua irmã.

    Nesses exemplos, a ambigüidade decorre do fato de o pronome possessivo sua poder se referir a mais de um elemento. Portanto, deve-se tomar muito cuidado no emprego desse pronome. A ambigüidade pode ser evitada com a substituição por dele(s) ou dela(s). Observe outros exemplos:

    Matou o tigre o caçador.

    Pela quebra da ordem direta da oração, não se sabe qual é o sujeito e qual é o objeto. Quem matou quem? O tigre matou o caçador ou o caçador matou o tigre?

    Visitamos o teatro do vilarejo, que foi fundado no século XVIII.

    Nessa construção, temos dois antecedentes que podem ser retomados pelo pronome relativo que. O que foi fundado no século XVIII: o teatro ou o vilarejo?

    Nem sempre, porém, a ambigüidade é um defeito. A linguagem literária, sobretudo a da poesia, explora muito a ambigüidade como recurso expressivo. Textos humorísticos ou irônicos se valem também da ambigüidade para alcançar o humor. Portanto, só se deve considerar a ambigüidade um defeito quando ela atenta contra a clareza do texto, ou quando esse texto possui caráter meramente informativo.

    Exercícios 1. Observe o outdoor abaixo para responder as questões:

    18 Interpretação de Textos ambigüidade Ambigüidade significa "duplicidade de sentido". Uma frase com duplo sentido é
    • a) O que se deduz da leitura do outdoor?

    • b) Analise a mensagem dos dois emissores: Freud (“pai da psicanálise”) e o motorista.

    • c) Com base nas respostas dadas justifique por que o Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) que coibir esse tipo de propaganda.

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    • 2. Observe a ilustração abaixo

    19 2. Observe a ilustração abaixo a) Tapando com um papel o A e o C,
    • a) Tapando com um papel o A e o C, como se lêem os elementos dispostos na linha vertical?

    • b) Tapando, agora, os números 12 e 14, como se lêem os elementos dispostos na horizontal?

    • c) Tente explicar por que um mesmo elemento pode ser interpretado como um algarismo ou como uma letra?

    _________________________________________________________________________________

    • 3. Na propaganda a seguir não foi usada nenhuma palavra difícil. No entanto, há um dado cultural que, se não

    for conhecido, impede a compreensão da mensagem.

    19 2. Observe a ilustração abaixo a) Tapando com um papel o A e o C,
    • a) Qual é esse dado cultural?

    • b) Qual é a mensagem dessa publicidade?

    • c) Qual é o grande argumento usado para reforçar essa mensagem?

    • 4. “Áreas de instabilidade aparecem sobre o Norte, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil.” Se trocássemos a

    forma aparecem por podem aparecer aumentaríamos a autoridade da informação? Explique sua resposta.

    • 5. Numa publicidade do Itaú Seguros, vinha o seguinte texto:

    “Se ladrão sai de prisão de segurança máxima, você acha que vai ter dificuldade em entrar na sua casa?” É possível dizer que o possessivo sua tem significado ambíguo nesse trecho?. Explique sua resposta.

    • 6. Compare os dois trechos que seguem:

    I – A fotografia do satélite mostra uma nova frente fria sobre o litoral da Argentina, avançando para o Uruguai.

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    II - Uma nova frente fria está se deslocando na Região Sul.

    Qual das duas redações inspira mais confiança, dando mais impressão de corresponder aos fatos relatados? Justifique sua resposta.

    • 7. Observe o trecho abaixo:

    “Para salvar banqueiros amigos, parentes banqueiros, ou o apoio de algum senador e seu clã, R$ 4,5 bilhões são

    muito pouco. Mas R$ 4,5 bilhões sacados da poupança, em apenas 180 dias, para girar, são uma massa respeitável de dinheiro. Ou massa de dinheiro respeitável: o dinheiro de milhões de pessoas que, além de não poderem poupar alguma coisa, como faziam antes, têm que raspar a poupança pequena.” (Jânio de Freitas, Folha de S.Paulo)

    • a) Construa um parágrafo explicando a diferença de significado entre as expressões em destaque.

    • b) Há um erro de concordância no texto. Identifique-a, faça a devida correção, justificando sua resposta.

    • 8. O seguinte trecho de uma reportagem do Jornal Estado de Minas permite duas interpretações:

    “Uma família paranaense, há cerca de dez anos, desafia a polícia do Sudeste brasileiro, acusada de cometer

    repetidos seqüestros ” ...

    • a) Dê as duas interpretações possíveis.

    • b) Reescreva o trecho, desfazendo a ambigüidade (ou seja, a dupla interpretação).

    Para Trabalhar!!

    • 1. “Ângela recebeu com verdadeira satisfação a notícia de que ia para a casa de seu pai.” (Machado de Assis)

    O pronome seu, nesse trecho, produz ambigüidade. Quais os dois sentidos que podem atribuir a ele?

    • 2. Leia a frase abaixo e responda:

    “Nossa indústria aposta em qualidade e preços baixos.”

    Levando em conta o fato de que, em geral, a publicidade não tem a menor intenção de desvalorizar um

    produto, essa frase produz um significado contrário ao pretendido pelo redator.

    • a) o que o redator pretendia dizer?

    • b) O que ele realmente disse?

    • c) Reconstrua a frase da forma que desfaça essa ambigüidade.

      • 3. As frases abaixo apresentam ambigüidade. Cabe a você descobrir qual é essa ambigüidade, explicar por que

    ela ocorre e depois reconstruir a frase de duas formas diferentes que elimine a ambigüidade.

    • a) Ele me ouviu discursar entusiasmado.

    • b) “O Campeonato de Fórmula 1 chega na metade com oito corridas disputadas aqui na Inglaterra.”

    • c) Em verdade te digo hoje estarás comigo no paraíso.

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    Coesão Textual

    “Pra escrever bem não é preciso muitas palavras, só saber como

    combiná-las. Pense no xadrez.”

    (Millôr Fernandes)

    “Palavras desconexas são como fragmentos de um jarro de porcelana. É preciso ‘colá-las’ interligá-las para se obter uma unidade de comunicação eficaz.” (Othon M. Garcia)

    Entende-se por coesão a conexão entre os vários enunciados de um texto. Idéias bem articuladas e concatenadas resultam num texto bem construído e compreensível. Um texto para estar bem redigido precisa necessariamente apresentar perfeita articulação entre as idéias que apresenta. Para obtê-la, é necessário promover o encadeamento semântico (significado, idéias) e o encadeamento sintático (mecanismos que ligam uma oração à outra). A coesão (elemento da frase A retomado na frase B) é obtida, principalmente, através dos elementos de ligação que proporcionam as relações necessárias à integração harmoniosa de orações e parágrafos em torno de um mesmo assunto. Assim sendo, a coesão compreende todos os recursos lingüísticos que servem para estabelecer a ligação, a relação, a conexão entre as palavras, as expressões ou frases do texto. Entre esses recursos estão, por exemplo, o uso da elipse, dos sinônimos, dos conectivos e pronomes referenciais.

    Vejamos o texto abaixo de João Baptista Villela:

    Um argumento cínico

    (1) Certamente nunca terá faltado aos sonegadores de todos os tempos e lugares o confortável pretexto de que o seu dinheiro não deve ir parar nas mãos de administradores incompetentes e desonestos. (2) Como pretexto, a invocação é insuperável e tem mesmo a cor e os traços do mais acendrado civismo. (3) Como argumento, no entanto, é cínica e improcedente. (4) Cínica porque a sonegação, que nesse caso se pratica, não é compensada por qualquer sacrifício ou contribuição que atenda ‘a necessidade de recursos imanentes a todos os erários, sejam eles bem ou mal administrados. (5) Ora, sem recursos obtidos da comunidade não há policiamento, não há transportes, não há escolas ou hospitais. (6) E sem serviços públicos essenciais, não há Estado e não pode haver sociedade política. (7) Improcedente porque a sonegação, longe de fazer melhores os maus governos, estimula-os à prepotência e ao arbítrio, além de agravar a carga tributária dos que não querem e dos que, mesmo querendo, não tem como dela fugir – os que vivem de salário, por exemplo. (8) Antes, é preciso pagar, até mesmo para que não faltem legitimidade e força moral às denúncias de malversação. (9) É muito cômodo, mas não deixa de ser no fundo, uma hipocrisia, reclamar contra o mau uso dos dinheiros públicos para cuja formação não tenhamos colaborado. (10) Ou não tenhamos colaborado na proporção da nossa renda.

    Observe esse outro texto:

    “John Lenon chegou mais tarde em casa na noite do dia 8 de dezembro de 1980, contrariando hábitos que adquirira em anos anteriores. Depois de ter ocupado o trono de maior astro da música pop internacional, o ex-Beatle havia se transformado num pacato homem doméstico. Cuidava do filho Sean, então com 5 anos, e

    preparava-se para lançar o álbum ‘Double Fantasy’, com sua mulher Yoko Ono. Naquela noite, chegou à uma hora da manhã. Não chegou a entrar no edifício Dakota, em Nova York, onde morava; foi recebido com cinco tiros, disparados por um desconhecido, que saltou do crime para a fama e a

    prisão. Chamava-se Mark Chapman.”

    (Folha de S.Paulo)

    Depois de examinar os dois textos anteriores, busque compará-los com o apresentado na seqüência.

    “O futebol é o esporte mais popular do planeta. Os praticantes do futebol aumentam a cada ano. Considerando o sucesso da última Copa do Mundo de futebol, tudo indica que futebol continuará a ser praticado e admirado por bilhões de pessoas. No entanto é lamentável que os sucessos que certas seleções

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    conseguem nos campos de futebol não sejam compatíveis com os índices sociais desses países. Parece que o futebol e a justiça social andam, muitas vezes, bem distantes.”

    Por meio desses pequenos exemplos é possível enumerar alguns mecanismos de coesão, que – empregados com propriedade - podem evitar as repetições de palavras presentes em todos os tipos de produções textuais.

    Mecanismos de Coesão

    • 1. Epítetos: é a palavra ou frase que qualifica pessoa ou coisa.

    “Glauber Rocha fez filmes memoráveis. Pena que o cineasta mais famoso do cinema brasileiro tenha morrido

    tão cedo.”

    • 2. Nominalizações: é usado quando se emprega um substantivo que remete a um verbo enunciado

    anteriormente. “Eles foram testemunhar sobre o caso. O juiz disse, porém, que tal testemunho não era válido por serem parentes do assassino.”

    • 3. Palavras ou expressões sinônimas ou quase-sinônimas

    “Os quadros de Van Gogh não tinham nenhum valor em sua época. Houve telas que serviram até de porta de galinheiro.”

    • 4. Repetição de uma palavra: podemos repetir uma palavra quando não for possível substituí-la por outra

    “A propaganda, seja ela comercial ou ideológica, está sempre ligada aos objetivos e aos interesses da classe dominante. Essa ligação, no entanto, é ocultada por uma inversão: a propaganda sempre mostra que quem sai ganhando com o consumo de tal ou qual produto ou idéia não é dono da empresa, nem os representantes do sistema, mas, sim, o consumidor. Assim, a propaganda é mais um veículo da ideologia dominante.”

    • 5. Um termo-síntese

    “O país é cheio de entraves burocráticos. É preciso preencher um sem-número de papéis. Depois, pagar uma infinidade de taxas. Todas essas limitações acabam prejudicando o importador.” (a palavra limitações sintetiza o que foi dito antes)

    • 6. Pronomes

      • - Vitaminas fazem bem à saúde. Mas não devemos tomá-las ao acaso.

      • - O colégio é um dos melhores da cidade. Seus dirigentes se preocupam muito com a educação integral.

      • - Aquele político deve ter um discurso muito convincente. Ele já foi eleito seis vezes.

      • - Há uma grande diferença entre Paulo e Maurício. Este guarda rancor de todos, enquanto aquele tende a perdoar.

  • 7. Numerais

    • - Não se pode dizer que toda a turma esteja mal preparada. Um terço pelo menos parece estar dominado o assunto.

    • - Recebemos dois telegramas. O primeiro confirmava a sua chegada; o segundo dizia justamente o contrário, que não chegaria mais naquela data.

  • 8. ... “Não podíamos deixar de ir ao Louvre. está a obra-prima de Leonardo da Vince: a “Nona Lisa”.”

  • Advérbios pronominais (aqui, ali, lá, aí

    )

    • 9. Elipse

    “O ministro foi o primeiro a chegar. (Ele) Abriu a sessão às oito em ponto e (ele) fez então seu discurso

    emocionante.”

    10. Repetição do nome próprio (ou parte dele) Lygia Fagundes Telles é uma das principais escritoras brasileiras da atualidade. Lygia é autora de Antes do baile verde, um dos melhores livros de contos da nossa literatura.”

    23

    • 11. Metonímia: substituição de uma palavra por outra, com relação de contigüidade semântica.

    “O governo tem-se preocupado com os índices de inflação. O Planalto diz que não aceita qualquer remarcação

    de preço.”

    • 12. Associação: uma palavra retoma outra porque mantém com ela, em determinado contexto vínculos

    precisos de significação.

    “São Paulo é sempre vítima das enchentes de verão. Os alagamentos prejudicam o trânsito provocando

    engarrafamentos de até 200 quilômetros” . (a palavra alagamento surgiu por estar associada a enchentes, mas

    poderia também ser substituída por: transtornos, acidentes transbordamento do Tietê )

    ...

    Abaixo estão relacionados alguns elementos de ligação empregados na construção de textos para ligar

    de maneira adequada palavras, frases e parágrafos. Os conectivos , como o próprio nome sugere, são palavras

    que servem para estabelecer conexões entre outras palavras, para ligar orações e assim construir parágrafos

    interligados e, conseqüentemente, construir textos.

    Esses conectivos tratam-se das conjunções, que, segundo as gramáticas, têm a propriedade de

    relacionar os termos de acordo com o conteúdo significativo do texto no qual estão inseridos. Podem

    estabelecer diversas relações de sentidos entre as orações que são ligadas por eles. Para observarmos esse

    fato melhor, analisemos as seqüências abaixo:

    I.

    À medida que a gasolina aumenta, cai a venda de carros.

    II.

    Como a gasolina aumentou muito, caiu a venda de carros.

    III.

    A gasolina aumentou tanto que caiu a venda de carros.

    Elementos de Coesão

    • 1. Prioridade, relevância: em primeiro lugar, primeiramente, acima de tudo, principalmente, sobretudo.

    • 2. Tempo (freqüência, duração, ordem, sucessão, anterioridade, posterioridade): então, enfim, logo, depois, imediatamente, logo após, a princípio, pouco antes, pouco depois, anteriormente, posteriormente, em seguida, afinal, finalmente, agora, atualmente, hoje, freqüentemente, às vezes, sempre, ao mesmo tempo, enquanto, quando, antes que, depois que, logo que, sempre, assim que, todas as vezes que, apenas.

    • 3. Semelhança, comparação, conformidade: igualmente, da mesma forma, assim também, do mesmo modo, de maneira idêntica, de conformidade com, de acordo com, segundo, conforme, sob o mesmo ponto de vista, tal qual, tanto quanto, como, assim como, etc.

    • 4. Condição, hipótese: se, caso, eventualmente.

    • 5. Adição: além disso, demais, ainda mais / por cima, por outro lado, também, e, nem, não só, mas também.

    • 6. Dúvida: talvez, provavelmente, possivelmente, é provável, não é certo, se é que.

    • 7. Certeza, ênfase: (marca muito a opinião) de certo, por certo, certamente, inquestionavelmente, sem dúvida, com toda certeza.

    • 8. Surpresa, imprevisto: inesperadamente, de súbito, imprevisivelmente, surpreendentemente.

    • 9. Ilustração, esclarecimento: por exemplo, isto é, em outras palavras, ou por outra, a saber.

      • 10. Propósito, intenção, finalidade: com o fim de, a fim de, com o propósito de.

      • 11. Lugar, proximidade, distância: perto de, próximo a ou de, dentro, fora, mais adiante, além, lá, ali.

      • 12. Resumo, recapitulação, conclusão: (expressões que finalizam texto) por conseqüência, por isso, como resultado, por causa de, assim, de fato, porque, porquanto, pois, já que, uma vez que, como, portanto, logo.

      • 13. Contraste, oposição, restrição: pelo contrário, em contraste com, salvo, exceto, mesmo, mas, contudo, todavia, entretanto, embora, apesar de, ainda que, ainda assim, posto que.

    24

    Exercícios

    1. Resuma, num único período, de forma bem concisa, a idéia de cada um dos trechos a seguir, mantendo a

    relação de oposição. Substitua o conectivo por outro de mesmo valor semântico

    • a) Racismo envergonhado

    Alguns sinônimos ou definições registradas no “Aurélio”. Para “branco” há: alvo, cândido, transparente, sem

    mácula, inocente, puro, patrão. Para “negro”, contudo, consta: sujo, encardido, muito triste, lúgubre,

    melancólico, funesto, lutuoso, maldito, sinistro, perverso, nefando.

    • b) Realidade supera ficção

    (Editorial, Folha de S.Paulo)

    Nos romances policiais, todo pormenor foi “plantado” antes pelo escritor. Tudo faz necessariamente sentido

    nas páginas finais do livro, porque existe um autor encarregado de dar satisfação dos detalhes que inventou.

    Na vida real, isso não ocorre. Detalhes podem ter aparecido, pormenores suspeitos vieram à luz, mas nada

    garante que tenham qualquer explicação final.

    • c) Saberes

    As pessoa hoje investem seu tempo de atividade intelectual quase unicamente em sua área de atuação, o que

    não deixa de fazer sentido, diante da estonteante velocidade com que os conhecimentos têm de ser

    reciclados para manter-se atuais.

    O grave, porém, é que a cultura geral é patrimônio precioso da humanidade. Se saber ou não quem foi

    Churchill nada muda no bolso das pessoas, corre-se o risco de esquecer o que foi a 2 a Guerra, o nazismo e o

    holocausto. Esse esquecimento pode levar à repetição de erros pelos quais a humanidade já pagou elevado

    demais.

    2. Tome as orações do trecho apresentado abaixo e uma-as de modo a que formem apenas três períodos. Faça

    as adaptações necessárias, mas mantenha todas as informações.

    “A atmosfera terrestre é diariamente bombardeada por toneladas de corpos celestes. A maior parte deles se

    desintegra no ar. Alguns conseguem alcançar as superfícies. Estes geram um impacto de magnitude

    considerável. A freqüência com que impactos desse tipo ocorrem é de milhões de anos. O risco de

    acontecerem agora ou em um futuro próximo é pequeno.”

    (Ciência Hoje)

    3. O texto abaixo reproduz a fala de um professor universitário em uma aula sobre administração de

    empresas. Mantendo todas as informações dadas, transforme essa fala em um texto adequado à modalidade

    escrita, em registro formal.

    “[

    ...

    ]

    Tem uma distinção hoje

    ...

    bastante grande

    ...

    entre a figura do proprietário e a figura

    ...

    ...

    do

    administrador

    ...

    não significa que o proprietário não

    ...

    possa administrar sua empresa

    ...

    ...

    mas ele deve

    administrar ela de acordo com técnicas gerenciais [

    ...

    ]”

    25

    Coerência Textual

    “Cada um com suas armas. A nossa é essa: esclarecer o pensamento

    e pôr ordem nas idéias”

    (Antônio Cândido)

    Texto (do latim textu, tecido) significa, de acordo com o dicionário Aurélio, “um conjunto de palavras,

    de frases escritas”. Com base nisso, é preciso que se promova entre as partes do texto uma relação de

    dependência (as idéias ganham sentido de acordo com as relações que mantêm entre si e o texto), desta

    forma a unidade textual é indispensável à coerência.

    A coerência (do latim cohaerentia, o que está junto ou ligado) consiste em ordenar e interligar as

    idéias de maneira clara e lógica. Sem a presença da coerência é praticamente impossível obter-se, ao mesmo

    tempo, a unidade e a clareza que são necessárias para a construção textual. Ela está entre os critérios de

    construção de qualquer tipo de texto, desde os escolares até os usados no desempenho de sua carreira

    profissional. Textos coerentes são o resultado de um plano definido, que requer idéias ordenadas e ligadas de

    maneira clara e lógica. Sem coerência torna-se impossível alcançar unidade: é preciso que as idéias se ajustem

    e se completem de maneira harmoniosa.

    Existem alguns obstáculos para a construção de um texto coerente e, por isso, precisam ser evitados.

    • 1. Compatibilidade das informações do texto com os dados da realidade: todo texto deve apresentar

    informações que podem ser comprovadas pelo nosso conhecimento de mundo, pois se elas forem incompatíveis

    com esse conhecimento, provocarão uma contradição entre as afirmações do texto e os dados da realidade.

    Esse tipo de incoerência desqualifica totalmente o enunciador do texto, pois denuncia que ele tem um

    repertório cultural muito restrito.

    “A Sexta-Feira Santa é a data em que se comemora o enforcamento de Jesus Cristo.”

    • 2. Presença de contradições entre frases ou entre parágrafos: a coerência depende da compatibilidade

    de sentido entre as partes do texto, que não podem chocar-se. Jamais poderemos afirmar algo e, em seguida,

    negar o que se afirmou anteriormente.

    Em um texto em que se defende a total liberdade de expressão, não caberia apoiar qualquer tipo de censura,

    o que resultaria em patente contradição.

    • 3. Falta de encadeamento argumentativo: os argumentos precisam estar em harmonia entre si. Para

    garantir isso, você deverá selecionar adequadamente evidências e justificativas a serem integrados em seu

    texto. Não há sentido, portanto, em confrontar argumentos – isso resulta em contradições que impedirão o

    leitor do texto conhecer o seu real posicionamento.

    • 4. Circularidade ou quebra de progressão discursiva: a falta de idéias não raro leva à redundância – recurso

    que consiste em apresentar as mesmas idéias, mudando apenas as palavras. Dessa forma, o texto não

    progride, não avança. Deve-se, ainda, evitar o “vai-e-vem” (abordar um enfoque, interrompê-lo e voltar a

    abordar noutro parágrafo). Esgote cada enfoque antes de passar para o seguinte.

    • 5. Equilíbrio entre as informações conhecidas e novas: um texto deve fazer uso equilibrado de informações

    conhecidas e novas. As informações conhecidas servem de base para que o leitor decodifique as informações

    novas. Estas, por sua vez, mostram que o enunciador tem conhecimento do assunto sobre que está expondo.

    • 6. Conclusão não decorrente do que foi exposto: é importante ordenar logicamente as idéias, encadeá-las

    coerentemente. Para tanto, não se pode perder de vista a idéia central do texto (em torno da qual todos os

    argumentos devem girar). Assim, à introdução segue-se o desenvolvimento, que por sua vez conduzirá a uma

    conclusão que esteja em consonância com o que foi defendido ao longo do texto.

    26

    Recomendações para garantir a coerência textual:

    • 1. organize suas idéias de forma lógica;

    • 2. preocupe-se em combinar (relacionar) as partes do texto;

    • 3. evite repetir palavras e idéias – isso denota falta de reflexão e de domínio sobre o que se está escrevendo.

    O texto apresentado abaixo, que foi adaptado de um texto redigido por Gilson Schwartz (Folha de S.Paulo),

    apresenta diversas falhas de coerência. Após identificá-las, reescreva o texto na devida seqüência para

    torná-lo coerente. Mantenha o título original.

    Nova guerra mundial já começou na Internet

    O efeito mais destrutivo, no entanto, não é a paralisação temporária de serviços oferecidos pela

    internet. É o impacto na confiança que cada indivíduo tem na segurança de pegar um avião ou mandar um e-

    mail.

    Uma das mensagens do 11 de setembro é que as armas usadas para a destruição do inimigo infiel

    podem ser as que estão sob o controle do próprio inimigo. Mais ainda, podem ser coisas ou objetos que

    parecem pacíficos e familiares, mas que subitamente assumem claros confrontos militares e de segurança

    global.

    Enquanto a mídia joga o facho sobre o ataque ao Iraque e sobre atentados terroristas, uma guerra em

    escala global e que atinge níveis crescentes de violência passa quase ao largo, por enquanto olimpicamente

    despercebida.

    Mas as principais autoridades da internet mundial temem também que algo mais sério possa estar em

    jogo.

    Atingir essas infra-estruturas não é apenas uma questão tecnológica. Os operadores da rede global

    são empresas como a WorldCom, que apenas em uma de suas unidades processa praticamente metade de todo

    o tráfego mundial da internet.

    Trata-se de um tipo de ataque em que as redes são bombardeadas com quantidades tão grandes de

    informação que ocorre um congestionamento ou estrangulamento, levando à paralisação da rede de

    computadores.

    Cada vez mais, tais ataques são perpetrados por grupos. São ataques múltiplos em que, por exemplo,

    os ataques combinam o poder de vários computadores para inundar de informação uma determinada rede.

    Tudo isso pode ser obra de um punhado de hackers adolescentes que não têm mais o que fazer.

    Em suma, as escaramuças na internet talvez sejam mais um exemplo de uma perda global de confiança

    na capacidade humana de se comunicar e cooperar.

    Essa regra se aplica aos aviões. E cai como uma luva sobre a própria internet: um veículo que

    transporta informação e que também pode ser usado como uma bomba informacional.

    27

    Redação Técnica

    I – O que é redação técnica?

    A redação técnica segue os mesmos princípios básicos que rege a construção de qualquer tipo de

    texto (clareza, correção, coerência,objetividade, ordenação lógica etc.), embora sua estrutura e seu estilo

    apresentem características próprias.

    A redação técnica é qualquer espécie de linguagem escrita que trate de fatos ou assuntos técnicos e

    científicos, e cujo estilo não deve ser diferente de outros tipos de composição, mas deve-se ressaltar a

    relevância da clareza, da lógica e da precisão, qualidades que não excluem a imaginação. No entanto, precisa

    ser objetiva quanto ao ponto de vista, uma objetividade completamente isenta de sentimento, sem marcas da

    personalidade do redator, pois deve preocupar-se unicamente com a objetividade, eficácia e exatidão da

    comunicação para atingir os objetivos desse tipo de texto. Dessa forma, a redação oficial, a correspondência

    comercial e bancária, os papéis e documentos notariais e forenses constituem esse tipo de texto.

    II – Tipos de redação técnica ou científica.

    Há diversos tipos de redação técnica: as descrições, narrações, os manuais de instrução, os

    pareceres, os relatórios, as teses, as dissertações científicas (monografias, dissertações, teses), os abaixo-

    assinados, requerimentos, entre muitos outros. O que devemos salientar é que cada um desses tipos de

    redação busca uma precisão vocabular, exatidão dos pormenores e sobriedade da linguagem, deve esclarecer

    e convencer.

    (a)

    Abaixo-assinado

    (b)

    Requerimento

    (c)

    Atestado

    (d)

    Procuração

    (e)

    Autorização

    (f)

    Aviso

    (g)

    Certificado

    (h)

    Convite

    (i)

    Curriculum Vitae

    (j)

    Recibo

    (l)

    Relatório

    28

    (a) - Abaixo-assinado

    Abaixo-assinado é um requerimento coletivo, em que não se colocam, no início, os nomes dos requerentes, mas apenas uma referência para indicá-los. O nome dos requerentes aparecerá no final do texto, acompanhado da assinatura e, quando necessário o número do RG.

    ABAIXO-ASSINADO

    Ilma. Sra. Professora de Português

    Os abaixo-assinados, alunos regularmente matriculados nos cursos de Engenharia Elétrica e Engenharia de Computação, das Faculdades Integradas Logatti, vêm, respeitosamente, requer a Vossa Senhoria que seja transferida a prova marcada no dia 25 de março de 2004 para uma nova data, a ser combinada.

    Araraquara, 20 de março de 2004.

    Nome, assinatura, número do RG (jamais poderá aparecer digitado)

    29

    (b) – Requerimento

    Requerimento

    é

    o documento mediante o qual

    se

    pede ou

    se

    solicita, a uma autoridade

    pública, a feitura ou a execução de alguma coisa ou a satisfação de alguma pretensão.

    Estrutura do Requerimento:

    • a) Vocativo ou destinatário - cargo ou função e, às vezes, se necessário, endereço da autoridade destinatária. Não se coloca o nome civil da autoridade.

    • b) Identificação e qualificação do requerente - se pessoa física, nome (todo em caracteres maiúsculos) e outros dados (pessoais, profissionais) do requerente, de acordo com a natureza da solicitação e as exigências da repartição a que se dirige o documento. Se pessoa jurídica, nome e outros dados (endereço, ramo de atividades) da entidade requerente. O requerimento sempre deve ser feito na terceira pessoa: FULANO DE TAL requer ...

    • c) Texto - exposição do pedido, podendo-se fundamentá-lo (em leis, decretos, portarias), bem como dar seu motivo e finalidade, tudo em linguagem clara, precisa e concisa.

    • d) Fecho - compreende uma das costumeiras fórmulas de cortesia, que aliás, tendem a ser abolidas: Nestes termos, pede deferimento.

    • e) Local e data.

    • f) Assinatura. Entre o vocativo e o texto, deve-se manter sete a dez espaços duplos, que serão destinados

    ao protocolo e despacho da autoridade competente.

    REQUERIMENTO

    Ilmo. Sr. Professor de Matemática Geraldo da Silva Sobrinho

    MARIO SILVA SANTINE COSTA, casado, auxiliar de escritório, residente em Araraquara, à rua das Flores, nº21, portador do RG. 11777555-1, CIC. 100100100-11, aluno regularmente matriculado neste estabelecimento de ensino, no segundo período, no turno da noite, vem respeitosamente requerer a Vossa Senhoria, permissão para fazer prova substitutiva de Matemática, visto que o referente não pôde fazê-la na data prevista, por motivo de saúde. Segue anexo o atestado médico.

    Nestes termos, Pede deferimento.

    Araraquara, 24 de março de 2004.

    Assinatura

    30

    (c) – Atestado

    Atestado é um documento emitido por autoridade, através do qual é comprovado um fato ou situação de que tenha conhecimento, em função de um cargo ou ofício que exerce. O atestado prova fatos transitórios; a certidão, refere-se a fatos permanentes. Partes do atestado:

    • título - ATESTADO; • texto - exposição da finalidade da atestação. - Em geral, este documento é expedido para comprovar: efetividade, idoneidade, horário, cargo ou função, vencimentos etc; • local e data - cidade, dia, mês e ano da emissão do documento, bem como o nome do órgão onde a autoridade que assim o atestar exerce suas funções; • assinatura - nome e cargo ou função da autoridade que atesta. Deve-se arquivar, sempre, uma cópia de todo atestado que é fornecido.

    Atestado

    ATESTO, a pedido da parte interessada, que João dos Santos, no presente momento, goza de sanidade física e mental.

    Araraquara, 14 de agosto de 2004.

    Fulano de Tal médico

    Atestado

    Para os fins de direito, atesto que João dos Santos foi aluno regularmente matriculado neste estabelecimento de ensino, nos anos de 1997 e 1998, não tendo praticado nenhum ato desabonatório à sua conduta.

    Araraquara, 14 de agosto de 2004.

    Fulano de Tal diretor

    31

    (d) – Procuração

    Procuração é o documento, através do qual, a pessoa física ou jurídica outorga poderes a outra para agir em seu nome. A procuração pode ser pública, quando lavrada em cartório, em livro próprio, ou particular, quando é escrita de próprio punho pela pessoa que a passa ou datilografada. Nesse caso, é indispensável o reconhecimento da firma do outorgante. A procuração pode ser geral, quando o constituinte, o mandante ou o outorgante declara que os poderes concedidos, através do documento, são amplos, gerais, ilimitados; a procuração será especial, quando o outorgante determinar, no instrumento, quais são os poderes que ele está passando outorgado ou procurador.

    Estrutura da procuração:

    Título: PROCURAÇÃO, escrito no centro da primeira linha útil da folha; Texto: constitui-se de:

    • qualificação: nome, nacionalidade, estado civil, profissão, CPF e residência do outorgante; • declaração: o outorgante declara quem é o procurador e o identifica, registrando os mesmos dados anteriormente citados; • finalidade e poderes: parte em que o constituinte estabelece a finalidade e os poderes que são concedidos: gerais ou especiais; Localidade e data; Assinatura do constituinte:

    Suas respectivas identificações (endereço, cédula de identidade, ou CPF). As assinaturas devem ser reconhecidas em cartório.

    P R O C U R A Ç Ã O

    Pelo presente instrumento particular de procuração, o Sr.

    Fulano

    ...

    ,

    brasileiro, (estado civil

    ...

    ),

    (profissão

    ...

    ),

    RG.

    n.

    ...

    ,

    CPF/MF.

    n.

    ...

    ,

    residente e

    domiciliado nesta cidade, na (endereço

    ...

    ),

    nomeia e constitui sua bastante procuradora a

    Sra. (qualificação completa

    ),

    a quem confere os mais amplos e gerais poderes com a

    ... finalidade específica de representá-lo perante [órgão perante o qual será representado], para tratar de todos os assuntos de interesse do outorgante relativos a [especificar o assunto]. Poderá para tanto, referida procuradora, assinar, juntar, apresentar e retirar documentos; fazer e assinar termos, declarações, justificações e requerimentos; produzir provas e apresentá-las; pagar guias, taxas, custas e emolumentos; receber quitações e recibos; enfim, praticar todos os demais atos que se fizerem necessários ao bom, fiel e completo desempenho deste mandato, dando tudo por bom, firme e valioso.

    Araraquara, (data ) ...

    (assinatura ) ...

    32

    PROCURAÇÃO

    , residente e domiciliado em São Leopoldo/RS, Prefeito Municipal.

    ________________________

    OUTORGANTE:

    separado

    consensualmente,

    OUTORGADO:

    residente e domiciliada em

    ,

    PODERES:

    Representar o Município de São Leopoldo, em Porto Alegre, no

    repasse de recursos financeiros do PROGRAMA PIÁ 2000 – PROJETO TODOS NA ESCOLA, para custeio de transporte escolar de alunos carentes e aquisição de kits pedagógicos para alunos e professores.

    São Leopoldo, 09 de março de 2004.

    ___________________________

    PREFEITO

    33

    (e) – Autorização

    Autorização é a denominação de um documento que dá permissão para a realização de uma atividade especial, no qual devem constar a assinatura de uma autoridade, o nome da pessoa credenciada e a tarefa ou ação que será por ela realizada. A autorização deverá ser numerada, datada e terá uma cópia arquivada no setor que a expediu.

    AUTORIZAÇÃO Nº1

     

    Autorizamos

    senhor

    o

     

    a

     

    ________________

     

    retirar, da Secretaria desta Escola, para fins de conserto:

     
    • - um mimeógrafo, marca

    ,

    ,

    série

    ,

    ano

    .

    • - uma máquina de xérox, marca _______

    ,

    nº _______

    ,

    série _______

    ,

    ano

    _______.

    São Paulo, 26 de julho de 2004.

    Nome

    Cargo ou função

    34

    (f) – Aviso

    O aviso é um instrumento de comunicação que, pode ser "unidirecional ou multidirecional", publicado em órgãos oficiais ou através da imprensa comum, ou fixado em local público. Este tipo de correspondência admite várias estruturas. Uma delas pode ser assim:

    • título: AVISO; • local e data; • ementa - resumo da informação - de uso facultativo; • texto - podendo constar de: introdução - referência do assunto tratado; esclarecimentos; conclusão;assinatura.

    AVISO

    Araraquara, 22 de julho de 2004.

    Alterações no horário de atendimento da Biblioteca.

    No período de 23 a 27 de agosto, a Biblioteca Municipal “Mário de Andrade” estará aberta somente no turno da manhã, no horário das 08h30min às 10h, em virtude da necessidade urgente de realização de reformas.

    Nome, Cargo ou função.

    35

    (g) – Certificado

    Documento em que se certifica alguma coisa. Na prática, confunde-se com a certidão, se bem

    que aproximado, redacionalmente, mais do atestado, como podemos ver neste exemplo:

    CERTIFICADO N.º

    /

    ................... ..................

    São Carlos, 29 de janeiro de 2004.

    Certifico que a professora

    ............................................

    está ministrando a disciplina de

    Técnicas Comerciais e supervisionará o Estágio no Curso de Licenciatura de Curta

    Duração em Técnicas Comerciais, promovido pelo Convênio PREMEN/USP/SEC - 5ª

    etapa.

    ..........................................................

    Coordenadora Geral dos Cursos do Convênio ..

    36

    (h) – Convite

    Convite é um tipo de correspondência, em forma de cartão ou carta, pelo qual se solicita a

    presença de alguém, em algum lugar, com determinada finalidade. Embora não tenha uma estrutura

    rígida, o convite deve apresentar alguns elementos mínimos, que são:

    • título;

    • pessoa ou entidade/instituição que convida;

    • finalidade;

    • local, data, horário;

    • fecho - fórmula de cortesia.

    Araraquara,

    _____

    de

    ______________

    de ______.

    CONVITE

    Sr(a) Professor(a) ____________________________

    Temos a satisfação de convidá-lo(a) a participar do I SEMINÁRIO

    ESTADUAL DE LITERATURA INFANTO-JUVENIL, a realizar-se no Salão de Atos da

    Universidade _________________________________

    ,

    sito

    na

    Avenida

    ___________________

    ,

    n.º

    ______

    ,

    no período de 08 a 10 de setembro de 2004, no

    seguinte horário: manhã, das 08h30min às 11h30min; tarde das 14h30min às 17h30min.

    Saudações,

    Nome,

    Cargo ou função.

    37

    (i) – Curriculum Vitae

    É o documento que fornece dados e informações a respeito de alguém, quanto a sua

    formação intelectual, profissional, especificando todos os cursos que tenha realizado, experiências

    profissionais, interesses pessoais, objetivos e planos de trabalho. Esse documento, usualmente, é

    encaminhado através de um ofício, de uma carta de apresentação ou por uma resposta de anúncio.

    Os dados contidos no Curriculum devem ser sintéticos, dispostos em itens, em seqüência

    ordenada, obedecendo uma ordem cronológica ou dividindo-se por áreas. As informações devem ser

    comprováveis documentalmente. É conveniente evitar o uso de abreviaturas de órgãos, entidades,

    empresas ou associações no texto. A sua é flexível, podendo variar de acordo com a sua finalidade.

    Basicamente constam desse documento elementos como:

    • 1 - Dados de identificação

      • 1.1 Nome completo (em maiúsculas).

      • 1.2 Sexo.

      • 1.3 Data de nascimento.

      • 1.4 Local de nascimento (naturalidade).

      • 1.5 Filiação.

      • 1.6 Estado civil.

      • 1.7 Carteira de identidade (origem e número).

      • 1.8 Carteira de trabalho (número e série).

      • 1.9 Registro em órgão de classe (número).

        • 1.10 Inscrição no CPF (número e controle).

        • 1.11 Título eleitoral (número e zona).

        • 1.12 Residência atual.

        • 1.13 Endereço profissional.

        • 1.14 Endereço para correspondência e telefone.

          • 2 – Escolaridade

            • 2.1 Curso(s) de nível médio.

            • 2.2 Curso(s) de graduação (nível universitário).

            • 2.3 Curso(s) de pós-graduação.

            • 2.4 Curso(s) específico(s) de língua estrangeira.

            • 2.5 Curso(s) de aperfeiçoamento profissional.

            • 2.6 Curso(s) de extensão universitária.

            • 2.7 Estágio(s) supervisionado(s).

              • 3 - Experiência profissional.

                • 3.1 Atual (cargo/cargos, função/funções e/ou emprego/empregos).

                • 3.2 Anterior (idem).

                  • 4 - Concursos e provas de Habilitação

                  • 5 - Trabalhos publicados

                    • 5.1 Livro(s).

                    • 5.2 Artigo(s).

    6. Participação em congressos, seminários, simpósios, etc.

    Local e data.

    Assinatura.

    38

    CURRICULUM VITAE

    Empresa __________________________________________________________

    Candidato ao Cargo de ______________________________________________

    DADOS PESSOAIS

    Nome: ___________________________________________________________

    Endereço: ________________________________________________________

    Bairro:

    _________________

    Cidade:

    _______________________

    CEP ________

    Telefone: _________________

    Data de Nascimento : ____

    /

    ____

    /

    ____

    Naturalidade: _______________________

    Nome do Pai: ______________________________________________________

    Nome da Mãe: _____________________________________________________

    Estado Civil:

    _______________

    Nome do Cônjuge: ________________________

    Dependentes: __________________

    DOCUMENTOS

    Carteira de Identidade: ___________________

    Órgão Emissor _________

    U.F.

    ____________

    Expedida em ___

    /

    ___

    /

    ___

    CPF:

    ____________________

    Título de Eleitor:

    _________________

    Zona ____

    Carteira Profissional:

    _______________

    Série: ____________

    Cadastro PIS/PASEP: ______________________

    ESCOLARIDADE

    Curso 1º Grau

    Escola ____________________________

    Cidade:

    Estado ________

    Período ____________

    Curso 2º Grau

    Escola _____________________________

    Cidade:

    Estado ________

    Período:

    Habilitação em ________________________

    Curso Superior

    Universidade ___________________

    Cidade:

    Estado ________

    Período

    Curso: ________________________________

    39

    ATIVIDADES PROFISSIONAIS

    Empresa: ____________________

    Endereço:

    Cidade:

    Estado: ____

    Telefone: ________________

     

    Ramo de Atividade:

    Cargo Ocupado: _________________

    Data da Admissão: ____

    /

    ____

    /

    ____

    Data Demissão: ____

    /

    ____

    /

    ____

    Motivo da Demissão: _______________________________________________

    Breve Descrição das funções desempenhadas: _________________________

    ________________________________________________________________

    Empresa: ____________________

    Endereço:

    Cidade:

    Estado: ____

    Telefone: ________________

     

    Ramo de Atividade:

    Cargo Ocupado: _________________

    Data da Admissão: ____

    /

    ____

    /

    ____

    Data Demissão: ____

    /

    ____

    /

    ____

    Motivo da Demissão: _______________________________________________

    Breve Descrições das funções desempenhadas: _________________________

    ________________________________________________________________

    CURSOS DE APERFEIÇOAMENTO

    Entidade:

    ___________________

    Cidade:

    ____________________

    Estado: ____

    Período: ____________

    Curso: ____________________________________________________________

    Entidade:

    ___________________

    Cidade:

    ____________________

    Estado: ____

    Período: ____________

    REFERÊNCIAS PARTICULARES

    Nome: ____________________________________________________________

    Endereço:

    __________________________________

    Telefone: ______________

    REFERÊNCIAS BANCÁRIAS

    Banco

    Agência

    Tipo de Operação ____________

    Endereço:

    Cidade:

    Estado: ___

    PRETENSÃO SALARIAL _______________________________

    LOCAL / DATA ______________________________________________

    Nome/Assinatura

    40

    (j) – Recibo

    O recibo é um documento escrito em que uma pessoa, um órgão ou uma empresa declaram ter

    recebido alguma coisa. Constitui-se, usualmente, das seguintes partes:

    título: RECIBO, escrito no centro da folha. Se o papel for timbrado, escreve-se a palavra a cerca

    de duas linhas abaixo do timbre;

    número: à margem esquerda, o número do recibo pode vir antecido do código do setor que o expede

    e seguido dos dois últimos algarismos do ano, assim: N.º DRH - 18/99.;

    valor: na mesma linha do número, à direita, menciona-se o valor do recibo;

    texto: a cerca de três a oito linhas do número, registra-se o texto, contendo:

    • declaração de recebimento (Recebi ou Recebemos de

    ...

    );

    • identificação do pagador: nome, endereço, CPF ou CGC;

    • especificação do que recebeu e características: quantia - em algarismo e por extenso;

    • motivo do recebimento: venda, prestação de serviços, salário, gratificação, etc.;

    data: a cerca de três linhas do texto, escreve-se o nome da localidade, dia, mês e ano;

    assinatura: a cerca de duas linhas da data, assina o recebedor. Logo abaixo de sua assinatura, seu

    nome e cargo são datilografados. Se necessário, pode-se indicar, ainda, o seu endereço, CPF ou CGC;

    Testemunhas: este item, quando necessário, pode ser colocado logo abaixo da assinatura do

    recebedor, antecedido pelo termo: testemunhas. Cada testemunha assina logo acima de seu nome

    datilografado, com a especificação, quando se julgar conveniente, do endereço e CPF.

    N.º 10/99

    RECIBO

    R$ 340,00

    Recebi da Senhora LAURINDA PIMENTA DA SILVA residente nesta cidade na Rua

    Silveira Dico, 274, inscrita no CPF 444444444/55 a quantia supra de R$ 340,00

    (trezentos e quarenta reais), referente ao pagamento de serviços de jardinagem prestados

    no mês de setembro.

    Araraquara, 28 de outubro de 2004.

    Euclides Salgado da Silva

    41

    (l) – Relatório

    Relatório é o documento oficial, através do qual alguém expõem os resultados de atividades

    de uma repartição e/ou presta conta de seus atos a seu superior imediato.

    Estrutura do Relatório

    • a) Apresentação:

    • cabeçalho - lugar e data;

    • remetente - autor do relatório (nome, função );

    ...

    • destinatário (nome, função );

    ...

    • assunto - síntese do conteúdo.

    • b) Texto:

    • exposição do(s) fato(s);

    • apreciação do(s) fato(s);

    • conclusões e sugestões.

    • c) Fecho:

    • assinatura do remetente antecedida de uma forma de cortesia

    (Atenciosamente, Atenciosas saudações)

    • d) Anexos:são usados para não perturbar o fluxo das idéias na leitura:

    • quadros;

    • esquemas;

    • tabelas;

    • fotos;

    • informações complementares.

    Tipos de Relatório:

    • de acidente;

    • de visita técnica;

    • de estágio;

    • de pesquisa;

    • técnico;

    • administrativo;

    • econômico:

    • científico:

    • jurídico.

    O relatório pode ser individual ou coletivo, periódico ou eventual e conforme a finalidade a

    que se destina.

    42

    Bibliografia

    ABREU, Antônio Suárez. Curso de Redação. 22ª edição, São Paulo: Editora Ática, 2002.

    ANDRADE, Maria Margarida. Língua Portuguesa: noções básicas para cursos superiores. 6ª edição,

    São Paulo: Atlas, 1999.

    BORBA, Francisco da Silva. Teoria Sintática. São Paulo: T.A. Queiroz, Biblioteca Universitária de

    língua e lingüística, 1979.

    CHALHUB, Samira. A Metalinguagem. São Paulo: Editora Ática, Série Princípios, 1988.

    CITELLI, Adilson. O texto argumentativo. São Paulo: Scipione, 1994. – (Ponto de Apoio)

    CUNHA, Celso & CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português. 2ª edição, Rio de Janeiro: Editora

    Nova Fronteira, 1985.

    FERREIRA, Aurélio Buarque de Rolanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova

    Fronteira, 1986, 2ª edição.

    GARCIA, Othon M

    ..

    Comunicação em Prosa Moderna. 7ª edição, Rio de Janeiro: Editora da Fundação

    Getúlio Vargas, 1978.

    KOCH, Ingedore G. V. & TRAVAGLIA, Luiz Carlos. A coerência textual. 11ª edição, São Paulo:

    Contexto, 2001. – (Repensando a Língua Portuguesa)

    KOCH, Ingedore G. V. A coesão textual. 15ª edição, São Paulo: Contexto, 2001. – (Repensando a

    Língua Portuguesa)

    LAKATOS, Eva Maria & MARCONI, Matina de Andrade. Fundamentos de Metodologia Científica.,

    3ª edição, São Paulo: Editora Atlas, 1991.

    LIMA, Carlos Henrique da Rocha. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: J.

    Olympio, 1973.

    MARTINS, Dileta Silveira & ZILBERKNOP, Lúbia Scliar. Português Instrumental. 22ª edição, Porto

    Alegre: Editora Sagra Luzzatto, 2001.

    PACHECO, Agnelo de Carvalho. A dissertação. 19ª edição, São Paulo: Atual, 1988. – (Tópicos de

    Linguagem)

    PASQUALE & ULISSES. Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Editora Scipione, 1998.

    PLATÃO, Francisco & FIORIN, José Luiz. Para Entender o Texto: leitura e redação. São Paulo:

    Editora Ática, 1993.