Você está na página 1de 21

Farmacovigilância

Ana Marta Anes

Pharm.D., MSc

Sessão Prática Farmacovigilância

Case Studies

Objectivos:

1 - Identificar RAM

2 - Notificar RAM

3 - Discutir as dúvidas e os problemas

que surgem na notificação

4 – Compreender a importância da correcta notificação

de RAM na obtenção de RPS (PSUR)

História 1

Ana Marta de Castro e Almeida 55 anos Funcionária Administrativa do Funcionalismo Público.

Recorreu ao Serviço de Urgência por vómitos na véspera. Após ter sido diagnosticada uma gastroenterite, foi medicada com Clebupride, e recomendada solução de hidratação oral. Regressa hoje dia 27/1/01 novamente ao serviço de urgência, por apresentar a "cara desviada para a direita", involuntariamente. Conta que isso aconteceu cerca de duas horas após ter tomado o comprimido que havia sido receitado na véspera no hospital. Após observação por colega de Neurologia, efectuou injecção de escopolamina intramuscular, para a qual se mostrava renitente por temer "ter penicilina" contra a qual se dizia "alérgica". Recuperou em 30 minutos de forma completa da alteração facial, embora passasse a referir "bôca seca e vista turva". Manteve-se completamente assintomática desde então, no que respeita à perturbação neurológica.

História 1

Nascida a 18.07.45 em Gôa

88 Kg 1,56 m Caucasóide

P. Urg. 3923001/98

Clebutec ® (Clebopride) 1 cp 3id, dia 26.1.01 Lote QD

457.02/00

Estracomb TTS 25 aplicação trisemanal, desde 7/97 para menopausa. Lote NV 056/96 Escopolamina 0,25 mg (ampola de 1ml).

Teve aos 28 anos reacção exantemática a injecção de Penadur 6-3-3 ® , prescrita para amigdalite; não se recorda de ter efectuado qualquer terapêutica para a reacção

História 2

Fernando Henriques Fonseca

70 anos

Reformado do Funcionalismo Público.

Doente hipertenso medicado desde Março de 2004 com Diovan ® (valsartan) 80 mg 1 cp/dia. Recorreu ao Serviço de Urgência no dia 07 de Julho de 2004 por mal-estar geral e coloração amarela da pele e mucosas que se iniciaram no dia 25 de Junho. Ficou sob internamento hospitalar com diagnóstico de icterícia e valores de provas hepáticas alteradas:

AST 178 UI/l, ALT - 246 UI/l, γ -GT 328 UI/l, FA 283 UI/l, Bil. Total 7,24 mg/dl e Bil. Directa 6,83 mg/dl. Durante o internamento suspendeu- se a medicação que o doente tomava, realizou-se ecografia abdominal que não apresentou alterações e pesquisa serológica de vírus hepatotropos com resultados negativos. O doente teve alta a 13-07-2004, com os valores das provas de função hepática dentro dos valores de referência.

História 2

Informação adicional

Nascido a 18.02.34 em Gôa

80 Kg

P. Urg. 3923001/05

1,70 m

Caucasóide

Diovan ® (valsartan) 1 cp/dia, Lote QD 457.02/06

Teve aos 38 anos reacção exantemática a injecção de Penadur 6-3-3 ® , prescrita para amigdalite; não se recorda de ter efectuado qualquer terapêutica para a reacção.

História 3

Brigite Marlene da Silva Pereira 14 anos Frequenta o sétimo ano de escolaridade

Adolescente com vida sexual activa e queixas de dismenorreia desde há 1 ano. Por conselho de colega inicia Trifene ® 200 1 cp 3id quando sente dôres, desde há cerca de 3 meses. A 12/4/00 nota diminuição da acuidade visual rapidamente progressiva à esquerda, sem outras queixas locais. Recorre à Farmácia onde comprou o medicamento para perguntar se é normal, referindo ter dismenorreia e ter tomado a medicação nos dois dias anteriores. É então orientada para o hospital.

No HSM é observada pelo oftalmologista de urgência, que detecta nevrite óptica à esquerda, na fundoscopia e com AVOE 6/10 AVOD 10/10 e remete para neurologista com indicação para regressar ao SU se piorasse, orientando para consulta de oftalmologia. O neurologista não encontra outros sintomas ou sinais além da nevrite óptica.

História 3(Continuação)

Brigite Marlene da Silva Pereira 14 anos

A TAC-CE não mostra alterações, pelo que inicia

terapêutica com prednisolona 3x20 mg po id durante 3 dias e orienta para consulta de Neurologia geral daí a 4 semanas. Melhora rapidamente e quando vai à consulta de oftalmologia (25/4/00), apesar de apresentar ainda sinais de nevrite, já tem AVOE 9/10 e está assintomática há 1 semana.

A 30/4/00, quando do reaparecimento da dismenorreia,

reinicia ibuprofeno (apesar de ter sido recomendada a suspensão da terapêutica até contra ordem), e tem novamente queixas de visão turva à esquerda, 6 horas após a toma do primeiro comprimido.

Regressada ao SU, é novamente observada pelos colegas de oftalmologia e neurologia, que reconfirmam o diagnóstico e é-lhe prescrita de novo a mesma medicação, e avisada da proscrição de tomar ibuprofeno. Na consulta de 15/5/00 apresenta discreta atrofia óptica à esquerda, sem outros sintomas ou sinais e com AVOE 9/10.

História 3

Nascida a 12.2.86 em Lisboa P HSM 999786

48Kg

1,55 m

Caucasóide

Trifene ® 200 caps. 3id, Lote MD 0056

Faz anticoncepção oral (sem o conhecimento da Mãe) desde há 1 ano: Gynera ® , Lote SL 67/99 estando em pausa no início das queixas visuais.

Lepicortinolo ® 20 mg 3 de manhã de 12/4/00 a 14/4/00 e de 30/4/00 a 2/5/00.

Sem antecedentes relevantes.

Follow-up a 22/6/00 mantém mesma situação clínica

História 4

Maria João Pereira 60 anos Engenheira química

Doente do sexo feminino com diagnóstico de artrite reumatóide desde os 37 anos de idade. Dada a resposta inadequada e intolerância a outros fármacos antirreumáticos modificadores da doença, incluindo terapêutica inibidora do fator de necrose tumoral (apresentou necrólise epidérmica tóxica a etanercept em 2007) é medicada a partir de 15-01-2009 com MabThera (Rituximab - 570 mg/mês, IV). Em Setembro de 2010, apresenta alteração da memória com agravamento progressivo e diagnóstico de Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LEMP - irreversível), documentada por ressonância magnética. A doente veio a falecer (morte com relação com a RAM) em Março de 2011 (não foi realizada autópsia).

Nota: O rituximab é um anticorpo monoclonal quimérico de ratinho/humano produzido por Engenharia Genética.

História 4

Nascida a 12.4.1950 em Lisboa

55Kg

1,57 m

Caucasóide

Vírus JC no Líquor – positivo (Outubro de 2010)

(JC Virus - A species of POLYOMAVIRUS, originally isolated from the brain of a patient with progressive multifocal leukoencephalopathy. The patient's initials J.C. gave the virus its name. Infection is not accompanied by any apparent illness but serious demyelinating disease can appear later, probably following reactivation of latent virus.Fonte: PUBMED Mesh)

Antecedentes clínicos:

-Fumadora

Antecedentes farmacológicos:

-Medicamentos concomitantes desde 2005, por via oral:

Naproxeno 500 mg em SOS Ácido fólico 5 mg/dia Metotrexato 20 mg/semana

-RAM grave a Etanercept/Enbrel® em 2007 (necrólise epidérmica tóxica com evolução favorável e resolução total).

RPS/PSUR Relatório Periódico de Segurança (Periodic Safety Update Report)

-Periodic safety update reports (PSURs) are pharmacovigilance documents intended to provide an evaluation of the risk-benefit balance of a medicinal product for submission by marketing authorisation holders at defined time points during the post-authorisation phase.

-It should be noted that detailed listings of individual cases shall not be included systematically (…). The PSUR should focus on summary information, scientific safety assessment and integrated benefit-risk evaluation.

-Recital 23 of Directive 2010/84/EU newly establishes that the obligations imposed in respect of PSURs should be proportionate to the risks posed by medicinal products. PSUR reporting should therefore be linked to the risk management plans (RMPs) of a medicinal product (see Module V).

-Competent authorities in the Member States shall assess PSURs to determine whether there are new risks or whether risks have changed or whether there are changes to the risk-benefit balance of medicinal products [DIR Art 107d].

1.Introduction

RPS/PSUR

Estrutura

2. Worldwide marketing authorisation status

3. Actions taken in the reporting interval for safety reasons

4. Changes to reference safety information

5. Estimated exposure and use patterns

5.1. Cumulative subject exposure in clinical trials

5.2. Cumulative and interval patient exposure from marketing experience

6. Data in summary tabulations

6.1. Reference information

6.2. Cumulative summary tabulations of serious adverse events from clinical trials

6.3. Cumulative and interval summary tabulations from post-marketing data

sources

7. Summaries of significant findings from clinical trials during the reporting interval

7.1. Completed clinical trials

7.2. Ongoing clinical trials

7.3. Long-term follow-up

7.4. Other therapeutic use of medicinal product

RPS/PSUR Estrutura

8. Findings from non-interventional studies

9. Information from other clinical trials and

sources

10. Non-clinical Data

11. Literature

12. Other periodic reports

13. Lack of efficacy in controlled clinical trials

RPS/PSUR

Estrutura

15. Overview of signals: new, ongoing or closed

16. Signal and risk evaluation

16.1. Summaries of safety concerns

16.2. Signal evaluation

16.3. Evaluation of risks and new information

16.4. Characterisation of risks

16.5. Effectiveness of risk minimisation (if applicable)

17. Benefit evaluation

17.1. Important baseline efficacy and effectiveness information

17.2. Newly identified information on efficacy and effectiveness

17.3. Characterisation of benefits

18. Integrated benefit-risk analysis for authorised indications

18.1. Benefit-risk context – Medical need and important alternatives

18.2. Benefit-risk analysis evaluation

19. Conclusions and actions

Muito obrigada pela vossa atenção!

Questões e dúvidas…