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CARÁTER

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CARDEAIS,

VIRTUDES

si

mesma; mas como limite é algo de congênito

imagem. Mas a pessoa não pode mudar.- por-

metafísico que ele atribui à pessoa, não encon-

o

C. distingue-se do temperamento (v.) porque

e,

em si mesmo, de imutável. Portanto, para Le

tanto, não pode ser afetada pelas mudanças de

Senne, a determinação devida ao C. não é necessitante, apesar de originária e relativa- mente imutável. Embora nesse ponto Le Senne se apoie num fundamento estabelecido por Adler (de que falaremos adiante), para ele a noção de C, é uma determinação ou complexo de determinações originárias e imodificáveis,

isto é, continua presa a um significado que não distingue C. de temperamento (v.). Esse concei- to de C. faz da liberdade e do determinismo na personalidade humana duas forças distintas e reciprocamente autônomas: uma reside no eu

C, assim como não é afetada pela doença psí- quica que somente a oculta (Formalismus, pp. 501 ss.). Essa separação nítida entre C. e pes- soa, que, em Scheler, se deve ao primado

tra equivalência na antropologia contemporâ- nea, cujos traços, mais comuns e importantes no que se refere à doutrina do C, podem ser assim recapitulados: I a o C. é a manifestação objetiva da personalidade humana ou é essa mesma personalidade no seu aspecto objetivo, da forma como é apreendida pela experiência

e

a outra no C. (ou no temperamento), repro-

humana comum ou pelas técnicas de investi-

duzindo, em linguagem diferente, o dualismo kantiano de C. inteligível e C. empírico.

gação da personalidade (v. PERSONALIDADE); 2-

A doutrina de Adler, porém, fugiu a esse dualismo. Para Adler, o C. é a manifestação

o

C. é um "conceito social", no sentido de que

não é um dado puramente orgânico como este último e porque não é um elemento imutável

objetiva, verificável através da experiência so-

e

necessitante, mas resultado das opções feitas

cial, da própria personalidade humana. Não só

por um indivíduo, consistindo nas constantes observáveis das suas opções; 3 Q tais opções

dinales-, ai. Kardinaltugenden; it. Virtú car-

e

fortaleza. S. Tomás procurou mostrar a opor-

só se pode falar de C. referindo-se à conexão de um homem com o seu ambiente, mas tam- bém os traços ou as disposições que consti- tuem o C. são verificáveis apenas socialmente. As manifestações do C. "são semelhantes a uma linha diretiva que adere ao homem como um esquema e lhe permite, sem muita refle- xão, exprimir a sua personalidade original em cada situação" (Menscbenkenntniss, 1926, II, 1; trad. it., pp. 150 ss.). Essas manifestações não exprimem nenhuma força ou substrato inato, mas são adquiridas, ainda que muito cedo. Substancialmente, o C. é o modo como o ho- mem toma posição diante do mundo natural e social; e Adler baseia sua avaliação em dois pontos de referência: a vontade de poder e o sentimento social, que, com sua ação recípro- ca, constituiriam os aspectos básicos do caráter. "Trata-se", diz ele, "de um jogo de forças, cuja forma de manifestação exterior caracteriza o que nós chamamos de C." (Ibid., 1926, II, 1;

trad. it., p. 176). Scheler, por sua vez, faz uma distinção radical entre pessoa e C. A pessoa é

não são absolutamente livres nem necessárias, mas condicionadas por elementos orgânicos, ambientais, sociais etc; e, em suas constantes observáveis, delineiam um projeto de compor- tamento no qual coincidem oC.e a personali- dade do homem. CARÁTER POÉTICO (it. Carattere poéti- co). Segundo Viço, os primeiros homens conce- beram as coisas inicialmente mediante "C. fan- tásticos de substâncias animadas e mudas", isto é, atos ou corpos que tivessem alguma relação com as idéias, e depois com "C. divinos e he- róicos", mais tarde explicados com palavras vulgares (Scienza nuova, YlAA, passim): nessas locuções obviamente a palavra "caráter" está por sinal ou símbolo. CARDEAIS, VIRTUDES (lat. Cardinales virtudes-, in. Cardinal virtues; fr. Vertues car-

dinalt). Assim foram chamadas por Sto. Am- brósio (Deoff. ministr., I, 34; De Par., III, 18; De sacr, III, 2) as quatro virtudes de que fala Platão em República e que estão entre as que

o

sujeito dos atos intencionais e, portanto, é o

Aristóteles chamava de virtudes morais ou

correlato de um mundo, mais precisamente do mundo em que ela vive. O C, ao contrário, é a

éticas, a saber: prudência, justiça, temperança

constante hipotética x que se assume para ex- plicar as ações particulares de uma pessoa. Por- tanto, se um homem age de forma não corres- pondente às deduções que tínhamos extraído da imagem hipoteticamente assumida do seu caráter, devemos estar dispostos a mudar essa

tunidade desse qualificativo, demonstrando que só as virtudes morais podem ser chamadas de C. ou principais, pois só elas exigem a disci- plina dos desejos (rectitudo appetitus), na qual consiste a virtude perfeita; por isso, devem ser assim denominadas as virtudes morais às quais