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DISCURSOS

PROFERIDOS

.KA

/ CA.MARA DOS SE3HOIlES DXPWADOS

1 POR

1
I
IOIUUIQ
~ i i R I I I U L SPRADBSSO DA SXLVEIItA
Deputado pelo circulo de Andia
i NAS

SESSÕES DE 23 E 26 DE tZBRIL DE 1870


OS ARROLAMENTOS

CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

1 ~ ~ PORTUGUEZA
x0
POR

JOAQlJIM IIEXRIQUES FRADESSO DA SILVEIRA


Deputado pelo circulo de Anadia
%AS

S E S S ~ E SDE: 2; E 40 DE ABRIL DE 1870

LISBOA
IWRENBA NACIONAL

1810
Dwejo entrar na discuisão d'este assumpto friamente e
aem paixHo. Ao discurso repassado de poesia do illustre de-
putado, que me precedeu, responderei eu prosaicamente.
Nem o assumpto, na parte que me parece mais necessario
discutir agora, se presta a outra cousa, nem eu tenho dis-
posiçgo para de outra maneira orar.
A questão de que se trata, e que tem uma grandissirna
importancia, não B apenas relativa a esse decreto de que
têem fallado os illustres deputados ; p6de bem dizer-se que
6 a questh do imposto.
Necessitâmos entrar n'essa questão. Poderiamos entrar
n'ella por um modo ou por outro; entraremos pelo estudo
d'este primeiro decreto, a que os illustres deputados se têem
referido.
Tomo eu a discussão n'este sentido, e parece-me que a
devo aceitar assim. Assim a aceito Bem paixão, assim quero
aceita-la para as minhas apreciações; e desde j6 declaro que
não prometto ser muito breve, pedindo B camara que m'o
desculpe.
NBo 86 o aesumpto B grave e exige um certo desenvol-
vimento (apiudos), mas por outra parte parece-me que não
se perderá com emse desenvolvimento, indirpemavsl para
que nada fique obscuro, pua que tudo se poua d a r , e
para que nenhuma duvida pesa restar no pais, porque
6 naiaesario que todas ae duvida8 se desvaneçam (apoia-
dw).
Eu quero crer que nenhum dos illustres deputados, que
fireram esta interpellnção, se apresentou com animo de aggre-
dir algiiem. Deolaro que e&n convencido de que S. exeU
hinesta inter@Irr#b unicamente no interesse da a m a
publica, que a fizeram aproveitando a posigao que tbem
aqui, para levantarem a voz, a fim de sustentarem o que lbea
parece rasoavel e justo. Aos illustres deputados respondo
eu, contrariando uma parte das suas doutrinas; respondo,
Bem que na minha resposta haja nem o mais remoto desejo
de fazer aggressaes a quem quer que seja. Ngo tenho esses
desejos, não Q isso d a minha indole, e quando fosse, havia
de modifica Ia n'eate logar, para evitar o que me parece que
nào p6de nunca ser proveitoso ao paiz. (Vozes: -Muito
bem.)
Estudando eata questão, a primeira necessidade que nbs
temos 6 apreciar quaes eram as circumstancias em que es-
tava o governo quando subiu ao poder em agosto de 1869.
Começam n'este ponto os primeiros trabalhos, que deram
o r i g ~ mao decreto de 30 de.dezembro.
E preciao estudar a questão desde o principio, Q preciso
ver como as cou~asestavam jB dispostas, 8 preciao indagar
como se encontrou o terreno preparado, 6 preciso saber
quaes eram na disposições, que antes se tinham tomado,
para poder apreciar com justiga o procedimento do go-
verno.
Que eram mlls as matrizes, dizia-o n'esse tempo o par-
lamento, diziam-n'o as juntas geraea dos districtos, dizia-o
a imprensa, diziam-n'o todos os empregados fiscaes do esta-
do. Era untmime a opinião r este respeito, não havia uma
d voz para defeade-las, estavam todos de accordo, quando
o governo subiu ao poder em agosto' de 1869.
Por ema epocha um illustre deputado, que foi aqui meu
collega, que foi 14 f6ra meu discipulo, de quem tenho sido
rempre amigo, e que reepeito muito pelo seu talento e pelas
mas qualidades, levantava-se n'ests oasa, e dizia verdades
i regppito das matriees, verdades que eu devo repetir
agora.
E perdoe-me a camara se eu, no intento de ser breve,
apenas cito a opinigo d'esae illustre deputado ;permitta-me
que, por esse motivo, cite uma a6 opiniilo, ou apenas apre-
sento um s6 documento em objecto a respeito do qual po-
deria apresentar muitas opiniões e muitos documentos.
A csmara sabe perfeitamente que para apresentar no
parlamento opinices a renpeito das matrizes n6s poderiamos
ir busca-las aos tempos mais remotos. NSo me refiro s eras
que j B 18 vHo, ha muito, como fez o nobre deputado que me
precedeu, que foi procurar esses tempos; refiro-me ao que
se passou aqui ha dez ou quinze annos; e parece-me que
n'este periodo temos bastante materia. para o estudo $as
questães que devemos debater deste logar sobre o aasumpto
de que se trata.
Como ia dizendo, poderia apresentar, recorrendo h8 dis-
cuss8es parlamentares, muitas opiniíjes e muito auctori~adas,
todas ellas contrarias ás matrizes, como estavam e estiKo
no seu estado actual. Limito-me p o r h a apresentar u m a
s6 para ser breve. Peço A csinnra licença para lh'a ler.
Quando m e referi ha pouco a um antigo eollega, ciijo
merito reconheço e respeito, faltava do sr. Henrique de B ~ I - -
ros Gomeri, pessoa digna da consideraçlio de todos (apoia-
dos).
O Sr. Henrique de Barros Gomes disse n'euts casa, crn
sessão de 10 de julho de 1869, o seguinte:
r A distribuiçbo\ baseada exclusivamente sobre o rendi-
mento collectavcl agravaria os factos, que todos reconhe-
cemos e Ismentâmos, carregando o pobre com quasi todo
o peso do imposto, o havendo de concelho para concelho,
de freguesia para freguesia e de vizinho para vizinho, o
que 6 mais terrivel, porque p6de ser mais immediatamente
apreciado, as injustipas e as iniquidades mais fragrantes e
rnaoifestae. B
* * . . . * . . . * . * . . . . . . * . e . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . * . . . . .

( $ 0 podemos inferir de tudo isto ser impossivel por em-


quanto reformar a má distribuição do imposto predial, de-
vemos por isso mesmo insistir, e insistir firmemente, junto
ao sr. d n i s t r o da fazenda, e todos n6s concorreremos, nos
limites dos nossos recursos, e segundo a nossa posição, para
que esta origem de inju%tiças, contra a qual reclamam to-
dos, ce~88,e cesse p n t o asztss. D
.**...*....**.*..*** * . * * * , . * * * . * * * . . . * . * e . . * * . . *

aQuero que as matrizes deixem de ser uma mentira, dei-


xem de ser o resultado de influencias eleitoraes, de m8s
e funestas pressões locaes. Quero que cessem as JIagrantis-
rimas injustigas, contra, as quwes todos n6s nos revoItâmos ;
n80 s6 B conveniente, 6 indispensavel, que desde jtt se prp-
mda ao melhoramento daa matrizes. x,
Eeta era a, opinião apresentada aqui por aqnelle illuri-
tre deputado em sessgo de 10 de julho de 1869. E note
çamara, que o actual governo subiu ao poder em agosto de
1869.
A opiniEo da camara manifestou-se então applaudindo
estas idbas. Todoe os deputados apoiaram; ninguem se er-
gneo para combater esta dontrina.
As juntes geraes de diatricto sã? geralmente conformes
n'esta opinigo, e sempre qut ae tem tratado de repartir o
contingente predial, não podendo recorrer a o rendimento
collectavel, recorrem ao prudente arbitrio, o que quer di-
ser-fazem o que entendem, para que seja menos grave a
injustiça.
Eu apresentar os pareceres de todas as juntas
gernes de distric:o, mas limitar-me-hei a apresentar s6 a
do districto de Areiro, por se ter í'allndo tanto ha dias nos
Reontccinlent~sque tiveram l o p r n'aquclle districto.
A iuotn geral CIOdistricto de Aveiro dizia O seguinte:
SZo tZo notaveis 8s desigualdades quc se observam no
collectnvel de uns para outros concelhos, se-
yndo as matrizes ultimamente orglinisadas, teem eido tão
iniquas algumas distribuiqões d e contingen-
tes, a que essas matrizes têem servido de base, que o go-
verno de Voasa Magestade, ao bre consulto do conselho d'es-
trido, tem por vezes feito alterar o resultado de tal opera-
*o, attendendo 4s reclamaçòes dos povos prejudicados.
Eis a conderm~çdoo$Ecial e sotemna das mat~izesactuaes.
Parece s esta junta que uma ou mais commissOes de ho-
mens competentes, mandados para ePse fim, estabelecendo
bases uniformes para ~irnilhantetrabalho, e procedendo á
divisiio, mediçzo e claesificagKo das propriedades, daria va-
liosos elementos para a justa avalia930 do seu rendimelito
collectarel, e prodiiziria resultados q i ~ ccompensariam a,
despeza de tal processo.,
0 voto da imprensa todos n6s o conhecemos. k escuaado
estar aqui a citar esta ou aquella opiniiio de um ou de ou-
tro jornal. A imprensa queixou-se unanimemente e sempre
das matrizes. Nuncavi, ou ngo me lembra. que jornal algum
se apresentasse n tomar a defeza d'essas matrizes (&po.in-
doe).
7oaes:-8 verdade.
Os empregados fiscaes -easee em quantas representaçoes
fizeram ao governo, umas vezes espontaneaa, outras vezes
para satisfazerem 6s ordens superiores, dizem pela maneira
mais clara, que C: necessasio olhar para o modo de fazer aa
matrizes, porque continuando a ser feitas d a mesma ma-
neira os resultados haviam de continuar a ser fataes. Esta
era a opinijo de todos. Mas n3o 6 s6 isto. O governo ante-
rior twr? tanta consciencia de que esta era R verdadeira
doutrina, que publicoti um decreto com f o r p de lei, no qual
introduziu novas regras para a formação das matrizes. O
governo de 1868 disse no artigo 7." do decreto de 7 de
abril, que =para se fazerem as matrizcu se devia recorrer
rendimento inscripto, ao registo das conser~.atorias,aos
limoa da receita eventual, aos inventarios judiciaea, ds e*
cripturas de contratos, As notas dos tabelliges, aos processos
de expropriaçzo, As declaraçges voluntarias dos contribuintes,
e emfim a quaesquer outros elementos que os empregados
fiscaes julgassem precisos para verificar o rendimento colle-
ctavel==. CJuer dizer, o governo anterior a este abriu as por-
tas pnrn fazer todas as indagações poesiveis. Decretou isto,
n não houve cm parte alguma uma sG reclamaçZo. Ncnhu-
ma camarn municipal representou. Nenhum povo reclamou
para dizer que n'aquelln. dispooiç?to l ~ e l aqiinl os empregados
fiscaes ernixi auctorisadon a recorrer a todos os meios para
verificar o verdadeiro rendimento collectavel, alguma couea
havia de ii~justo,desagradavel o doloroso para elle ;ninguem
se apresentou a reclamar. O decreto de 7 de abril appareceu,
vjgoro~,foi respeitado por todos, e at8 applnudido por mui-
tos individiios. E digo, para que não fiquem escnipslos, digo
que fui um d'estes, fazendo, como fazia, opposição ao governo
passado. Porque, segundo o meu systema, combatendo ou
apoiando qualquer governo, approvo o que B justo. E pa-
rece-me que não devemos fazer outra cousa (apoiadoo). Nas
circumstancias graves em q11e este paiz está, quando as
questões sBo tão oerias, como esta, 6 um grande erro des-
yiar a attengão publica com intentos facciosos (apoiados).
E um grande erro desvairar o espirito dos povos (apoia-
dos). h um grande erro propagar e espalhar noticias falsas,
tornando a governação difficil... para todos, para os minis-
tros, que actualmente governam, como para os outros, que
terao de vir depois d'elles.
Nenhuma opposi@o appareceu; ninguem então preten-
deu incutir a desconfiança no animo do povo. Aceitou-se o
systema, e quando se trata de o desenvolver, apparece a
opposição clamando contra o principio que se tinha adoptado
e pouco antes applaudido (apoiados).
E m toda a parte apparecem documentos provando que
as inatrizes eutão mds. Querem factos? Precisa a carnara
d'elles depois de todas essas reclamaç8es? Facil ser8 apre-
sentar alguns. E peço licença A camara para declarar 86-
mente alguns (apoiados), occultando nomes de logares e
pessoas.
Ainda n%o ha muito tempo, não ha muitos dias, exami-
nando eu cz inatria de uma fregilezia, n'essa matriz estava
lançado o rendimento collcctavel de uma propriedade com-
pleta, abrangendo toda a sua producçào, e esse rendimento
era de 28040t:O rdis annuaes.
A propriedade tinha diveraas producplJen, entre ellnri vi-
d o e azeite. O vinho e o azeite estavam comprehendidos
no rendimento de 280Q000 reis.
Constou-me que a propriedade estava arrendada. Disse-
ram-me qual era o tabellião que tiolia a riota da escriptura.
Mandei pedir a copia da eacriptuia. Sabem v. ex .L e a ca-
mara qual era a renda? De l:lOO'r000 reis, e figurava na
matria por 2808000 rbis !
Mas note a camara mais algumsi cousit, que do arrenda-
mento por 1:100@00 reis estava excluida a yroducção do
vinho e azeite!
Procurando mais adiante, no mesmo coricelho, achei ren-
dimento collectavel de propriedades que figuravam na ma-
triz por 1:000~000 r&, e figuravam nas escripturas de ar-
rendamento por 3:0006000 r6is!
Estes silo os factos. Como estes ha muitos.
O que se não póde contestar, o que ninguem hoje contesta,
o que nem de um lado politico, nem de outro se p6de negar
Q que as matrizes esta0 mirs (apoiados). As liiatrizes est5.0
falsas (apoiados). N'uni system;~tributario qualquer, qiie
tenha por base a matriz, ha de exigir-se que ella seja nie-
lhorada e aperfeiçoada. E digo um sy stema qualquer tribii-
tario, que tenha por base a matriz, porque desde muito tempo
provoco a discusdo, e desejo que appareya, e que se nus-
tente com solidos arguiilento~.,~ I g u r noiitro systelria.
Se ha um syetema diverso, que clisperise as matrizes, fie
o ha, deve apparecer, deve-se sustentar. Se esidtc, c póde
ser efficaz, quem o apresentar farA ao pai,: uin graiidiasiilio
serviço.
Peço que eile venha, regular, siistentavul, axequivel,
praticamente aceitavel; mas cniquantci n.30 vier, emquxuto
o aystema tributario na contribuiçSo predial tiver por base
a matriz, declaro que iapprovo os meios tendentes a melho-
rar essa matriz, e que não quero que o governo adie il sa-
tisfago de uma necessidade impreterivel de administraç80
ublica. Quando no principio da sua administração tratou
rogo d'este assumpto, como procedeu o governo? Peço A ca-
mara que se ngo enfade, porque a historia tem de ser mi-
nuciosa (apoiados). NHo teria de o ser, se o governo em-
quanto prestava este serviço ao paiz, fosse cond,juvado por
uma imprensa benevola; mas nBo succedeu assim, porque
tivemos imprensa, que formou, e logo direi como, opinizo
contraria, e promoveu tudo quanto entendeu podia haver
de mau para o syJema. E se alguem ajudava, era logo con-
trariado pelos meios mais irregulares e violcntoa.
Mas como procedeu o governo? Começou por nomear
uma commissZo para a reforma das matrizes. Encarregada
a commiss%ode um tal serviço, entendeu que era preciso
estudar a questgo, não só dentro de Lisboa, mas em outros
pontos do reino ; que era necessario verificar o mal em toda
a parte; que era preciso ver quaes OR defeitos e qual o
modo de os remediar; que era necessario consultar a opi-
nião de todos, e n'este caso creio que estou de accordo
com o parecer d'aquelles que mais agora combatem os ar-
rolamentos (apoiados).
Mas o governo, repito, entendeu que devia nomear aquella
commissão, e a commiss%oentendeu que devia delegar em
dois dos seus membros, que percorressem uma parte de pais,
e, examinando as diversas matrizes, estudassem os meios,
não sd de verificar os inconvenientes do systema actual,
mas o modo de o melhorar (apoiadoa).
Sabe a camara como foi annunciado o primeiro passo?
Disse-se que o governo ia gastar a enorme quantia de 60
libras para pagar este serviço de inforrnaçiies! Questão gra-
ve de que dependia a distribui@o equitativa do imposto
actual, e a facilidade para futuros augmentos, queriam que
o governo a sacrificasee, perante uma economia de 300fi000
rhis !
Quereis saber como a imprensa benevols entendeu que
era conveniente formar a opini5o'r' Entendeu que o primeiro
passo era annunciar que n'aquelle momento, quando era pre-
ciso fazer economias, o governo ia esbanjar 60 libras para to-
mar informações, que não eram precisas ;entendeu que a me-
lhor maneira d e formar a opinigo, era desacreditar os encar-
regados d'aquelle serviço, insulta-los, injuria-los, promover
contra elles a animadversão; era emfim dizer que o governo
ia completar a sua obra de esbanjamento, lançando á rua mais
sessenta soberanos! ! (Apoiados.) Acompanhou-os por toda
a parta uma tal dcmonstração de patriotismo, uma tal ma-
nifestaçlo d e benevolencia, uma tal demonstração de ama-
bilidade, e atC! de cortezia ! (Apoiados.)
A commissão partiu, cada um dos seas membros tratou,
nos concelhos de varios districtos, de recolher os dados, esses
dados serviram de base aos trabalhos da commissão cen-
tral; e para que o estudo fosse mais eficaz, para que não
faltasse nenhum elemento indispenssvel para esse eatudo,
entendeu a commissão que se devia fazer um ensaio sobre
a maneira de melhorar a matriz.
Tambem foi mal recebida esta novidade.
E o ensaio n8o era um trabalho typo -não era, n%opo-
dia ser, um modelo de perfeição no arrolamento- era um
esisb, e maiis nada. Ninguem quiz que outra eoaaa elle
fc)&~@.
Costumados provavelmente a vir dictar Xeia, sem pro-
curar para fundamento d'ellas a experiencia e o conheci-
mento dos factos, acharam talvez caso estranho, reprehen-
sivel e mau, que um goveruo tivesse a audacia de dizer a
alguem : a V& ver o que se póde fazer, e ensaie o meio pra-
tico de remediar eeseu- males n.
O governo teve o merito de, apegar d'rssas benevolas
ubservnç0es, ordenar que se fiaeese o trabalho ;o trabalho foi
feito n'uma freguesia do concei.ho de Ovar, e d'ahi iesultarzm
uou arrolamentos primitivos, que forain aprescntadcs pela
delegação da comimias2o central, a essa ccmmissZo, e que
elia tomou por base na proposta que dirigiu ao governo.
Aqui tem a camara a hiptoris fiel dos acontecimentos. E m
primeiro logar apparece a opinigo a pronunciar-se, aquella
opiniào que eu respeito e que todos devem respeitar, n, opi-
niao do parlamento. Apparece a pronunciar-se a imprensa,
mas a imprensa aeria e, digna (apoiados). Apparece a pro-
nunciar-se tambem a opinilo dos empregados fiscses com-
petentes. De todos O A lados se diz que as matrizes estão mas
e se aconselha &e devem ser reformadas e inelhoradaa ; e
o governo entso entendeu- e n%o se demorou muito a re-
eolver, porque subiu ao poder em agosto do aono passado,
e em setembro do mesmo anno decretou a nomeação d e uma
commisslo -entendeu, digo, que devia nomear esta com-
missão.
No nopiao paiz, qiiando ee nomeia uma comrni~sgoé cos-
tume dizer-se : r Não faz nada 9 . Infelizmente, porbm, para
os prophetas, porque ha prophetae iafelizee, a commissao
teve a pesairna tendencia de trabalhar, e os delegados d a
comrnissi'io tainbem tomarxm sohre ei o encargo de trabalhar,
apesar das amabilidades, que diariamente se Ihes dirigiam,
de certo xiara os DOVOS os acolherem melhor!
I L
Empregaram-se esses meios, mae a commissZo fez a pro-
posta e o governo aceitou-a. A proposta da commisslo d e u
logar an decreto de 30 d e dezembro do a n o passado, e não
foi portanto esse decreto um acto impensado, mas sim um
acto para o qual o governo colheu todos os elementos q u e
raeoavelmen te podia colher.
Eete. decreto, segritido disse ha pouco o meu collega, o
ur. Francisco do Albuqu~rqur,é ixlutil; ..
O sr. Francisco de A7bzlquergue :-E mais do que isso,
O 0rado~:-V. e ~ t e.r i ~a bondade de indicar outro
oyithcto para eu fazer u s d'elle.
~
0 sr. Francisco de Albuquerpue : -Prejudicial.
0 Orador:-Fique a camara sabenào, pelo que dieee
agora o meti illustre collega, que o decreto 6 inutil e pre-
judicial; e como eu n%o concordo, ha de 0 . ex.. perinittir-
me que analyse as rasões que hn pouco apresentou e que
dê as minhas.
Em primeiro Iogar Q preciso dizer ,que os arrolamentos
na0 szo u m a inutilidade (apoiados). E preeieo dizer i6to.
Tem-se dito e repetido que o governo inventou os arro-
lanientos, que os inventou o sr. minifitro da fazenda. (Irhtey-
rupeão.) E r a a iroprensn que dizia isto.
Deixem-mo continuar no ineu camiiiho, auxiliando-me
de vez em quando com os seus Apartes.
Dizia-se, scgiindo certas opiniões, que o sr. ministro da
fazenda tinha o privilegio da invenção. Sinto despojar S. ex."
d'esta gloria. Não foi. Os arrolamentos são da lei de 1852 ;
sAo a base das matrizes.
O Sr. Mariano de Carvalho: -J& os havia anteriormente.
O Orador :-Já os havia, anteriormente. Muito bem.
Eri tenho grande repugnanoia a duas cousm: ir buscar
as minha8 rasões h creação do mundo; c a outra B trazer
para as questges de Portugal o que se faz na Europa.
(InterrupgZo que su niLo ouviu.)
Muito tiem ; temos diaposigões mais antigas, anteriores a
1832; mais alguma gente errou : temos mais companheiroq.
Eu bem o sabia.
Ma!: se me permittem continuar vamos a tratar a qt:c.s-
t.ao do arrolamento, o vamos saber se ellc ser& preciso o11
n h , ou se deverá continuar pela fórma por qiie até agora
havia sido feito.
Tenho pena de não me ter lembrado de trazer para a
camara, para lhe mostrar, os arrolamentos primitivos que
serviram de base 4s niatrizes. Mas peço ao illustre depu-
tado, e meu amigo, o sr. Boaventura José Vieira, que tem
uma boa collee~ãod:psses arrolamentos, que n5o deixe de
os trazer 4 camara. E preci~oque seja vi5to o que era e va-
lia o arrolamento primitivo.
Sabe v. ex." como eram fcitos os arrolamentos pelos an-
..
tigos arroladores? Eram. peço 6 carnara que me dispense
da qualifica@o; nLo faz a rninirna idEa do qac eram.
Mas o que poseo asseverar é que a inspecção directa niio
servia de base ds matrizes, nem & inforinaçso.
Sabe a carnara como se faziam atl matrizes? O escrivgo
de fazenda mandava chamar os informadores loiivados, que
eram ao mesmo tempo informadores o louvados. Passava-se
emna longe do terreno, longe do predio que se preten-
dia descrever, 4s vezes a 40 kilometros. O escrivi30 de fa-
zenda dirigia s sua interrogação ao louvado : a qual era,
pouco mais ou menos, o rendimento da propriedade?, Co-
meçava o erro ns designaçzo do nome da propriedade,
continuava na designação do nome do doilo, seguia-se n a
designação do nome do rendeiro, e acabava o engano
pelo rendimento collectavcl! Iiavia erros desde o priii-
cipio ao fim, cujas consequencins se estâo sentindo agora
(apo;ados).
As propriedades estão descriptas de tal modo, que os pro-
prietarios, indo ver as matrizes, negam que as propriedades
sejam suas; não as conhecem em consequencis da maneira
por que esta0 descriptas (apoiados).
Este era o trabalho dos informadores louvados. E não
censuremos. Eu nZo sei se os informadores louvados eram
barbeiros, cozinheiros, boticarios ou photographoe. Eu niio sei
nada d'isso. Digo francamente Q camara urna cousa. Tenlio
pena que uma questzo como esta, a questão do imposto, t8o
alta, tenha chegado a ser tâo baixa (apoiados).
Discutamos se o principio 6 bom ou nbo. Se na applica-
çEo d'elle houver erros, emendam-se; mas estejamos acima
d'esses negocios de senhoras vizinhns, que nXo se trazem,
ri80 ae devem trazer, ao parlamento (apoiados).
O que disse o illustre deputado, que me precedeu, em re-
laça0 a um facto de que se fallou aqui, e em que exístem
duvidas, 6 falso, não é verdadeiro.
Nâo digo mais nada, porque nTio vale s pena.
O er. F~ane.iscode A2buquerque:-Mas o que é falso?
O Orador:-O facto a que S. ex.. se referiu, e do qual
r e s o l ~ uuma interrupçgo. NBo digo mais, porque estou dis-
posto n manter a dignidade d'esta tribuna quanto me for
possivel (apoiados).
O sr. Francisco de Albuprpue: -Mas a que facto se re-
fere v. e ~ . ~ ?
O Orador :-O illustre deputado começou a classificar
a profissão de cada urn dos homens empregados no serviço.
Eu declaro-me inhabilitado para descrever qual foi, desde
o principio da sua existencia, o modo de viver de cada um
dos individuos empregados n'esse serviço; não estou habi-
litado, ou niio estou disposto, para dar umas certas infornia-
çòes, que segundo parece alguem desejava ver aqui spre-
ientadas; mas referindo-me a um facto, que por excepçgo se
apresentou, digo que 6 falso.
A respeito do nome que S. ex.' citou, leia as notas do
seu discurso, e 14 ver4 quando foi interrompido, para aaber
rtquem me refiro.
O ar. Francisco d ue :-Eu atB prescindo d'ea-

digo mais nada a ess


outra cousa; o paiz
tros assumptos, e de
O sr. Francz'sco e :-Este é dos mais im-

rtante, mas peço a 0. ex."


que faça justiça a todos. S. ex.' foi muito injusto dizendo
que um pobre boticario nAo podia ser arrolador. Porque?
Pois nZo B boticario o ar. Mariano de Carvalho, não d elle
pharmaceutico, não E deputado, não podia ser arrolador ?
Pois S. ex.' quer negar a competencia do seu collega que
tem ao seu lado? Nao 6 elle pharmaceutico tambem?
Desde o momento em que se contesta a um homem, por ser
boticario, photographo, a possibilidade de eer arrolador,
parece-me que se n l o 6 muito rasoatel, nem muito justo.
Mas eu jS. disse que desejava terminar esta queetão, porque
realmente nSo vale a pena.
Aqui estiio os argumentos que apresentou o sr. Albu-
querque.
S. ex.. acha que as confrontaçaes são uma inutilidade;
tudo B inutil, o desde que o decreto Q todo inutil, realmen-
te escusâmos de estar a discutir se um dos artigos o ser&.
Até um certo tempo estive eu convencido de que um
predio não confrontado nPo era um predio bem definido;
porque póde um predio ser medido, e a medição não basta
para o definir. Se eu disser que um predio tem a Area da
100 metros quadrados, não tenho com isso demonstrado
qual B a posi@o do predio.
Eu estou cheio de desejos de concordar com e. ex?, e
nlo posso, porque estas confrontaçõesdesde muito tempo me
ensinaram a dizer que ellas eram iim elemento preciso para a
descripç30 de um predio, e o illustre deputado diz-nos que
estas confrontações s20 uma inutilidade !
O Rr. Francisco de Alòupuerque :-São uma inutilidade.
O Orador :-E eri tomei nota d'isso. Depois disse-no8
que a jnforma~ãolocal não servia.
I'ergunto, as informaçõee servem ou nEo servem?
NEo sei qual deva ser a resposta, segundo a opinizo do
illustre deputado. E u sei qual B a opinião do governo e a
minha.
O governo entendeu que, escolhendo louvados de fora,
habeis, com a sua pratica, com os seus conhecimentos espe-
ciaes, estariam elles habilitados para as avaliapões, com o
auxilio da informação local na parte que desconhecessem.
E entendendo isto o governo, de certo entendeu bem, a
meu vos.
O louvado de fóra n30 conhece a localidade em que en-
tra, mas tem pratica, e os necessarios conhecimentos da cul-
tura. h'go vem de muito longe, vem de uma comarca pro-
xima, e é escolhido de entre aquelles que mais distinctor
foram c mais conhecidos como avaliadores na sua comarca.
Apparece junto ao terreno, segue-o ahi o informador lou-
vado, e dá-lhe as indicações que lhe faltam. *Este predio
pertence a fulano, confronta com outros que pertencem s
fulano e a sicrano, e produz tal artigo em tal quantidade. ;
e elle, que tem pratica, e que examina o terreno, adie se
850 exactas as informaqiies que me deram, o rendimento
bruto d'este predio é tanto^.
Mas se o louvado n3o p6de ser de fóra da localidade,
tambem o juiz n30 poderia ser de fóra da terra onde jul-
gasse, porque o mais conveniente seria que slle conhecegae
os individuos desde pequenos, para saber quaes as suas ten-
dencias, educação e comportamento. Seria assim mais se-
guro o seu juizo, e mais fundada a sua sentença.
E se fossemos applicar este principio em muitos outros
casoe? Poderiamos chegar a um resultado pouco agradavel.
N&o me parece um grande erro nomear os louvados de
fora da localidade.
Se a escolha 8 mA, temos remedio para isso : B faze-la
boa.
Mas o illustre deputado nHo esth perfeitamente ao facto
d'esta questão, perdoe-me que lh'o diga, não est8 sufficien-
temente informado; e apresentou ha pouco uma idka, que
deveria produzir um grande effeito no pais, se eu não a re.
batesse desde jii, o que me apresso a fazer.
S. ex." disse que =ambicionando o povo economias, o meio
de vencer-lhe as resistencias, e adquirir grande popularida-
de, era fazer o servipo de graça=. E m outro tempo o servi90
gratuito era condemnado, mas isso acabou, e hoje quanto
mais barato Q o serviço melhor! E acrescentou R. ex.' que
= o serviço dos louvadoil outr'ora era de graça=.
Ora, como eu n2o desejo que algum ingenuo acredite
isso, vejo-me obrigado a dizer que o serviço dos louvados
foi sempre pago (muitos apoiados).
O sr. F~awiscode Albuquerpue: -Ngo como agora.
O Orador: -Que pasição ti entfio a do governo n'asho
circumstancias ?
De um lado o sr. Ferreira de Mello a dizer que o ser-
viço 8 imposciivel, porque se paga miseravelmente aos em-
pregados; do o~itrolado o sr. Albuquerque n dizer que a
paga que se dê. aos empregados 6 exorbitante, uma cousa
de espantar! Que posiç2o é a do governo ? D e um lado
acusam-n'o por miseravel, do outro p w esbanjador !
Disse o illustre deputado qtie =se cercearam as attribui-
ç8es aos escrivzes de fazenda=. E u respondo a S. ex.&que,
pelo decreto de 30 de deecnibro, os escrivíies de fazenda
ficaram com todas as attribuições que tinham. Basta dimr
isto para se ver que se lhea niio cerceou attribaiçEo alguma.
Nas vejamos o que diz o decreto no artigo 7 . O (leu).
De modo que o decreto, cerceando as attribuições nos
escriv"as de fazenda, deixou-lhes ficar as que tinham e en-
tregou-lhes mais. Para mim, como para todos, a contradic-
ção formal, irrecusavel e peremptoria de tudo quanto diese
o illustre deputado esti no artigo 7 . O do decreto.
O sr. Francisco de Atbupuerpe :-Pelo decreto tiraram-
ae as attribuições aos sscrivães de fazenda.
O 0~ador:-Temos o caso aé de pau e bem bonito,
(riso). NBo póde ser.a Diz o illustre deputado que se cer-
cearam as attribuicões aos escrivZes de fazenda, eu digo
que se lhes não tirou attribuiçzo alguma, e portanto nno
se cercearam. Digo que alem d'isto o decreto incumbiu aer-
viços novos ao escrivão de fazenda, e não posso saber co-
mo é que os escrivzes de fazenda ficaram com menores
attribuições do que as que tinham, tendo-as agora maioree.
O Sr. Fmncisco de A2bup~que:-Então a commisdo
não é nada.
O orado^: -A commissb é para informar.
O governo passado, no decreto de 7 de abril de 1869,
quiz dar aos escrivães de fazenda todas as informaçùes e
todos os elementos para fazer se matrizes, visto que elles
não tinham todos os meios para bem as fazer. O governo
disse-lhes por isso aconsultae os livros das cotiservatoriss,
e os inventarios judiciaes ; recorrei Rs avaliaç5es para ex-
propriações; procurae todos os elementos lios registos yubli-
cos, e tudo quanto podér concorrer para que a matriz seja
bem feita^. O decreto de 7 de abril dizia isto, e no § unico
do artigo 7.' acrescentou mais uma cousa, qoe foi resolver
uma grande difEculdade. Os laudos eram obngatorios, e
os escrivães de fazenda tinham de se sujei* ao que e l l e ~
davam ;e quando os escrivges n h punham na matril o ver-
dadeiro rendimento, diziam que era porque os louvados
ajuramentados lhes haviam dado a unica louvação que po-
diam ter como legal. O decreto de 7 de abril, decreto que
eu louvo, porque hei de louvar sempre qualquer medida util
que se apresente, acabou com isto.
D'antes o informador louvado dava as informações de c6r,
e se não mentia sempre, mentia muitas vezes, ou engana-
va-se, porque tinha de fazer a sua declaraçiio sem que ti-
vesse o predio ao pB; e 6 difficil, em um concelho que tem
seis mil predios ou mais, chamar os informadores para di-
zerem de longe, e por esforço de memoria, raquelle pre-
dio 6 de fulano, e produz tanto)).
Sei que deu a hora, e como não posso terminar hoje o
que tenho n dizer, pego d camara que me permitta cha-
mar ainda a sua attenção por dois minutos para, sem alte-
rar o meu plano, fazer algumas observações Acerca de uma
representaçzo que se apresentou na camara. Apresentou-se
aqui ha dias uma representaçzo da camara municipal de Ama-
rante contra o decreto dos arrolamentos. E u tinha vontade
de responder 4 representação d'esta camara municipal com
outra representação da mesma camara municipal, e desejo
que todos os srs. deputados confrontem a representação de
hontem com outra a que me vou referir, e que vejam o
modo por que a camara municipal de Amarante pensava
ha pouco tempo sobre este grave assumpto, e o modo por
que pensa hoje sobre o mesmo assumpto. A mesma ca-
mara municipal, que representou agora contra o decreto de
30 de dezembro, representoii tambem ha tempo contra uma
lei, que foi objecto das iras do illustre deputado, represen-
tante de Fafe, isto é, contra a lei de 30 d e agoato. A ca-
mara municipal de Amarante diz o seguinte (leu).
P e p a v. ex." que me reserve a palavra para z€manhi%.

Sr. presidente, na sessão passada tive a honra de refo-


rir & camara qual foi o procedimento do governo attenden-
do á opinião geralmente manifestada Acerca das matrizes.
Disse então a opinião que n'este assumpto se tinha ma-
nifestado no parlamento, disse como as juntas geraes de
districto tinham tambem apresentado o0 seus pareceres, re-
feri como a imprensa se tinha pronunciado contra o estado
deploravel das matrizes, e finalmente indiquei quaes haviam
sido as disposiç0es ordenadas pelo governo anterior para
que estas se melhorassem.
Ngo me pareceu intempestivo, nHo me pareceu inoppor-
tuno, nzo me pareceu inconveniente, a respeito do estado
das matrizes, fazer as considerações que fiz.
Sabem toclos que ellas esta0 mhs, concordam todos em
que o seu estado exige prompto remedio ; inas para justi-
ficar o procedimento do governo era indispensavel que eii
apresentasse a maneira como se liaviaiii pronunci;ido aquel-
les que mais competentes me parecem para dnreiu opiiii3o
sobre o assumpto.
Antes íle entrar na qtlestao dos arrolriiliç?ritos propria-
mente dita, era-me preciso dizer alguma cousn :icei.cs das
causas que poderam de a l g u m fdrma actuar sobre o arii-
mo do governo, para comparar o procedimerito cl'elle corn
o procedimento de todos.
IIa jd algiins dias que se insiate em que o governo de-
vêra ter preparado a opinizo publica ante3 de ter publicado
o decreto de S O de dezeinlro iiltirno, e, porque se diz isto,
ri que eu era e mc considero ainda hoje obrigado a itisistir
nas causas que levaram o governo a promulgar case dc-
creto. Por cesc motivo tambem me considero obrigado a
dizer como 6 que a opinião se preparoii lú. fGra.
Todos tCem a sua responsabilidade, governo e n6s, todos
têem a sua repponuabilidade, e é preciso que fique claramen-
te definida. E preciso que cada um responda pelo que faz
(apoiados).
JA hontem fallei Acerca do primeiro ensaio que o governo
mandou fazer, e disse que se tinha preparado a opinizo
desacreditando os delegados do governo ; preparou-se a opi-
ni3o assim quando era apenas um ensaio de que se tratava.
Vamos a ver o que se fezi depois.Vamos a ver como se
procedeu mais tarde, quando jii estavam decretados os ar-
rolamentos. E permitts-me a eamars que eu a fatigue com
citayGen, que farei poucas das muitissimas que podia fazer.
Talvez a c a m r a , pclos exemplos que lhe vou apresentar,
possa bem conhecer como é que a opini3o se preparou. Para
o governo a opinizo a respeito das matrizes estava forma-
da, corn~letarnenteformada. O processo de que devia lan-
çar n ~ z oestava indicado na lei. Era sem duvida o arrola-
inento.Vamos a vor por outra parte como a opinizo se formou.
O decreto foi publicado em 30 de dezembro de IsG!), o
a 11 de janeiro de 1870 dizia-se o seguinte. Alas antes de
ler peço d camara que desculpe alguiiia palavra ou pliruse
menos conveniente que eu proferir, porque nao serh nii-
nha, estard no escripto que vou ler. Dizia-se pois em 11
de janeiro de 1870 o seguinte :
aA final os arrolamentos são uma peta que vae custar
2
300:000#000 r&, e ha de dar os mesmos ou peiores re
sultados que as actuaes matrizes.
autopia e peta B isto ttido, mas ciista infelizmente rbis
300:000$000, e faz-se esta enorme despem n'uma epocha
em que 6 neccssario pedir eaerificios ao povo. Deiis queira
riio tragam estas tresloucadas idéas algum rceultarlo funesto.
A paciencia do paiz p6de ranaar-sc conr tantas loucuras r?
tamanhos escrindalos. Cautela, 1845 n3o está 1orige.i)
Aqui e~tZoos primeiros ensaios para preparar a opinizo
publica. Ko dia seguinte dizia-se mais:
NOministcrio actual tem contentado quem tem querido
c a p r emprego, pequeno ou grande, e se alguem lhe fal-
tasse ent:uria na r e l a ç b dos 41 1 empregados necessarios
para os arrolamentos. S;>o Sr. Firidesso j;i tem mais réia
2:190$000 por anno, aletu de 1:210@0O rAis que tinha
quando este gabinete subiu ao poder. E abaixo do patriar-
cha o funccionario mais bem retribuido. Os seus tres ames-
sores ganham, alem dos seus ordenados, mais 1:095&MlO
rkis cada um. Agora falta nomear 41 1 empregados para as
comarcas, e alguns para Lisboa.
aEm cornpensaçto os famosos arrolamentos custar30 r é i s
300:000~000ao paiz, e o povo será sobrecarregado c o m
mais dois mil e tantos contos de impostos, alem dos que
j A paga. Vergo o desfecho de tudo i s t o . ~
Empregados. Sempre empregados. Louvados existiram
sempre. Havia louvados ou avaliadores n'oiit1.0 tempo. &Ias
era preciso preparar a opini?io p:ira desacreditai. o bystems
decretado, elevou-se o loiivado n empregado.
Mas continua (leu).
& asaim que ae prepara a opiniHo.
Deixando de parte o que se passou durante os mezes de
janeiro, fevereiro e marpo, todos os dias apparecia a mesma,
ou maior somma a figurar; todos os dias os 300:000#000
réis; todos os dias se incitavam os povos contra os homens
encarregados de executar o decreto, e fazer o serviço que
por elle Ihes competia. E r a preciso iato que estava no pla-
no,, que era parte integrante do proprarnma, era um dos
meio8 de formar a opiniâo. Tornou-se indispensavel forniar
assim a opinião publica. Eis-aqui um modelo de cortezia,
de boa argumentação e de leal patriotismo para lerar Avante
oa melhoramentos de que o paiz carece (apoiados).
Vamos a epochas mais recentes. Começam a apparecer os
reeultados, começam a colher-se os fructos. São tantos os
documentos, que me parece que não vale a pena estar a
citar muitos d'elles,
Mas fal1arei dos suceessos de Castro Daire, que por si-
gnal nBo têem nada com os arrointnentos (apoiados); e note
a camara por que modo se prepnroii a opinizo. Creio que
ngo 8 tempo perdido o tempo que sc dospende em dar at-
t e n ~ ã oá maneira por qiic se insinuarn umas certas idéas.
Quanto aos successos de Castro Daire diz rm! jornal o
seguinte :
r E m Castro Daire reuniram-se alguns proprictnrios dos
mais abastados d'apuelle concelho, e dirigindo-se aos emprn-
gados do governo, aconselharam-lhes que se retirassem,
pois que n%o podiam consentir que se lhes entrasse nas suas
propriedades sem que o exemplo partisse de Lishoa ou d o
Porto. D
Note bem a camara que são os proprietsrios mais abas-
tados d'squelle concelho, que tal regra estabelecem para a
execução do serviço.
.Retiraram-se estes louvados, porém apresentando-se ali
de novo ante-hontenz, os habitantes reuniram-se immediata-
mente no logar mais publico, e chamando em seu apoio os
povos limitrophes, accordaram em reagir contra a medida
e m questzo. Obrigaram os arroludores n retirarem-se, e
conseguindo isto dirigiram-se A repartição de fazenda onde
pueimaram todos os papeis que encontraram! D'ali passa-
ram 4 conservatoria e proseguiram na mesma operação!
Findo isto percorreram todos os povos do concelho, dando
morras ao governo, tocando sinos e amotinando sempre
gente.
a N'esta occaaiZo passava o estafeta que conduzia as ma-
las do correio de Vizeu para Lamego : correram sobre elle
para lhe subtrahirem a correspondencia; por8m este, que
lhes conheceu a intensão, estimulou o cavallo para se pôr
a salvo, o que todavia n%oconseguiu sem primeiro ser con-
templado c9m uma foaçada em um pB.»
.....................**.........................
aConfirma-se tudo o que hontem dissemos relativamente
d alteração d a ordem em Castro Daire, occorrendo poste-
riormente mais o seguinte:
a Quando a noite passada o cstafeta que acompanhava as
malas do correio de Vizeu se approximava da referida villa,
foi surprehendido por uma ehusma de aniotinsdorea, que
sem mais preambulos o desmontaram do cavsllo em que
vinha, apoderaram-se das malas, rasgaram-nas, e e m seguida
reduziram a cinza toda a correspondencia que ellas conti-
nham !B
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . o . , , . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
((Consta mais que os turbulentos tentaram na noite de
hontem incendiar a casa de u m a auctoridade.))
... . . .. . . . .. . . . . . . . . . . . ... . . . . .. . . . . . . .. . . . ....
.Alguns deputados bisudos que j k previam o que estS,
succedendo, observarara ao sr. Lobo de Aviln a convenien-
cia de fazer suspender os celeberrirnos a ~ r o l u ~ ~ z e natO
t o s OC-
<:asi.*lo mais opportunn; porem o nobre niinistro nZo levou
n bem esta observaçno, em consequcncia d'clla haver par-
tido de drputados pertencentes :í opposi<;,zo!
«Fizeram aqui dvsagradal-e1 impressho as novas propos-
tas de fazenda que este jornal pu\~licouna folha de hontem
por vermos um augmonto de 3.200:000*1000rQis n a s pe-
sadas contribuiçijes que jd pagavamos, sem uma promessa
sequer de que se farzo reducções profundas nos fabulosos
ordenados de muitos dos altos servidores do estado, como
o paiz dcsde ha muito reclama ! ! 1)
Aqui esth uma narraçzo insuspeita. 0 s proprietarios mais
abastados do concelho de Castro Daire dizem ao governo
que vA fazer os arrolamentos por este modo que elles que-
rem. A lei Q a vontade d'estes abastados proprietarios ! Ora
aqui esta, como as cousas se passaram em marqo. A esta
noticia devo eu acrescentar a maneira por que *
eram con-
vidados e aconselhados os empregados a retirarem-se.
Os abastados proprietarios do concelho de Castro Daire
dirigiram-se 4s èstaiagens. Disseram aos donos das estala-
gens que lhes queimariam as casas se l á abrigassem os lou-
vados, que não tinham começado o serviço dos arrolamem
tos, que não tinham começado o servi90 para que iam ali,
não podendo ninguem portanto queixar-se das suas exage-
radas louvações.
6 s empregados tiveram de se retirar. E retiraram-se por
uma rasão muito simples, porque nTio tinham abrigo, por-
que não tinham casas aonde se recolhessem, visto que o~
donos das estalagens, temendo as influencias e as ameaças
dos proprietarios mais abastados do concelho de Caatro
Daire, lhes negaram as casas (leu).
Ora aqui ha sdmente urna pequena inexactidgo. Os taes
homens não foram 16. Pequonisairns inexactidzo. Tinham-
se retirado os primeiros em marCo, nenhum foi em abril;
e os proprietai-ios abastados sonharam que tinham appare-
eido ali aquelles homena, reuniram-se, convocaram os po-
vos, e estes trataram de reagir contra o que se n" ao estava
fazendo, obrigando os arroladores a retirarem-se, quando
de facto não estavam Iá! -
E conseguido isto, não parou aqui. Depois de rcalisada
esta grande e ostentosa manifestaçgo, depois de terem
fugido os homens que I& não estavam, que fizeram aquel-
les abastados proprietarios, esses homens respeitaveis a
dignos 3
Dirigiram-se ii repartiçzo de fazenda aonde queimaram
os papeis, que encontraram, p.or causa das exagerações das
louvações que se ngo tinham feito, para reagir contra os actos
dos homens que I& nno estavam.
D'ali passaram B consorvntoris. Scguiii-se a mesma opc-
raça0 (leu). Depois feriram um homein com uma fou9nd:i,
acto praticado por um dos propriotnrios abastadoo d'aquelle
concelho.
Mais adiante diz-se (leu).
Provavelmente os arrolamentos futuros (leu).
E conclue o correspondente (leu).
Aqui está como a opinião publica se preparou. V6 a ca-
mara como ella se preparou em outubro, quando o governo
começa a apresentar um ensaio e a estudar-se a questão, e
vê depois como continua a preparar-se a opiniHo, annun-
ciando-se j6 um acontecimento ; mas esse annuncio n3o era
seniio uma instigação. Veja-se como depois se continua a
considerar celeberrimos os arrolamentos.
Convidados a provar se isto era inconveniente, ninguem
discutia - provocados por todos os modos, niio quizeram
nunca aceitar o combate n'estc campo.
Mais adiante, uma correspondencia de Larnego conta as
c o u s ~ sdo seguinte modo. Esta í? mais f~franca.
a Acerca dos tixmultos dc Castro Daire, eis as uItimas
noticias até hoje (21).
a No dia 19 de tarde, amotinaram-se os povos das aldeias
circumvizinhas, e entraram na villa com grandes alaridos,
e dando gritos subversivos. Dirigiram-se á casa do tribu-
nal, edificio ha pouco ,construido, e aonde estgo alojadas
todas as repartições, e queimaram os papeis da conserva-
toria, tribunal, administração e camara. Nada, segundo con-
sta escapou ao seu furor. Depois retiraram-se. Quando retira-
vam j&de noite, encontraram o correio que vinha de Vizeu
para Lamego, a quem quizel+am assassinar. ??'%O lograram
porém o seu intento, graças S agilidade do estafeta que fu-
giu para o meio dos pinhaes onde esteva escondido, entran-
do na villa s6 As sete horas da manhã de hontem.
aHoje marchou para ali o administrador e escrivzo de
fazenda d'este concelho com quatro soldados de cavallaria.
((Até esta hora (onze da manhã) nada mais se sabe.
aSuppõe-se que a principal causa dos tz~mulfos f o i a des-
proporção das loitvaç2ies e incompetencia dos louvados, por
nüo serem da locnlidrtds.
.Esta occorrencia foi provocada pelos agentes do ar. Fra-
desso, diz outro jornal. »
0 s loiivaclos nZo estavam 18, as loura$Ões não s e tize-
ram, e as wusas dos tumultos foram a incompetencia dos
Iouv~dos,a exagera980 das loiivações, e o sr. Fradesso!
Julgue-se tudo por aqui.
Depois continua a formar-se a opinião. Faltam recursos.
necesssrio desacreditar alguem. Este recurso B p d e r o -
sissimo, é valiosissirno. Quando faltam argumentos, quando
nao ha iasões, quando se ri30 sabe o que se ba de dizer,
quando se nRo acha o que se poderil fazer, que resta'?
Desacreditar alguem. O deucredito do chefe do serviso não
bastava, era necessaric, desacreditar todos yuantos ali es-
tavam (leu).
Tenho muita pena de que se seguisse este systerna, e eu
vou já dizer d camara porquê. hlas antes de o fazer, per-
mitta-me que lhe diga ainda como a opinião se preparou.
U m jor~ialde h ~ j e ,de Lisboa, referindo-se a uma folha
do Porto, diz o ueguirite:
.Diz uma folha do Porto que houve tumultos no Sabu-
gal, pnr czusa (10s arrolamentos, que o povo apedrejou os
empregados, ficando um arrolador gravemente ferido. r
Eu explico o facto, porque na repetição d'eata noticia
vejo a seria ameaça de uma chuva de pedras no fim do mez,
se continuam os jornaes n'esta copia teimosa, n'este vae-
vem importuno.
Esta noticia veiu do Porto. Foi ha diae de Lisboa para
o Porto, d'onde tinha vindo. Veiu depois do Porto para Lis-
bca. Tem andado de c4 para lB, e de lá para c4.
No dia 9 de abril, ha mais de quinze dias, houve alguem
que praticou u imprudencia, porque eu não posso qualifi-
car este acto seriBo como imprudencia; que praticou a im-
prudencia, digo, por occasi8o de um pequeno tumulto, de
atirar uma pedra, que ri30 produziu ferimelitos graves ; po.
r6m depois disseram os jorriaes que tinha havido t ~ ~ r n u l t o s
no Sabugal, e falla-se n'glles todos os dias, talvez por bem
da patria, talvez por amor da ordem, talvez para manter a
paz (apoiados). Pois o caso do Sabugal passou-se em 9 de
abril, e desde então at8 hoje, data do telegramma que te-
nho A vista, não me consta que tenha havido algum acon-
tecimento.
l l a ~ ,caso maie singular ainda, que eu tenho visto an-
nucianh em letra grande nos jornazs : ~Rebisteucias em
Elvaa !D Pois saiba-se que estas reaistencias, que se diz ti-
veram logar em Elvas no dia 24, foram annunciadas em
França no Gaulois no dia 22 !! Qye dedicação, que gran-
des meios de formar a opiniho! E necessario forma-la, e
forma-se no mundo inteiro ; t': necescario sobretudo que a
Europa saiba que estc paiz reage contra os arrolsrnentos,
o reagir, é preciso dizer que a reacçgo appa-
e q ~ ~ a n dnão
receu ! (Apoiados.)
A camara quer saber as noticias que tenho a reapeito
dae resistencias de Elvas? Vou ler utn telrgramma oficial
qiie recebi agora, ás onze horas da manhã.
PPOSSO assegurar a v. que por ora não ha nenhuma
resistencia aos arrolarneiitos. -Elvas, 26 de abril, hs dez
horas e cincoenta minutos da rnanhz.))
Não digo que me indignam estes manejos, mas causa~a-
ine re pugnancia (apoiados). (Unza voz :- Causam nojo !)
(Interrupçit"o.)- O orador recebe e 12 alguns telegramnzas.
Tenho aqui, n'este momento as recebo, noticias agrada-
veis d e varios distrietos do reino.
Os srs. representantes de Vizeu julgo que estzo empenha-
dos ein saber, como todos 1-168, qual o estado das cousas uo
seu diutricto.
Ali, em S. Pedro do Sul, como no concelho de Castro
Daire, não houve trabalho de arrolamentos. O governo
quando ordenou este serviço, destinou u m certo numero de
comarcas para estc anno economico, e outras para o anno
segiiinte. E m S. Pedro do Sul, como todos sabem, deve co-
meqar em julho d'este anno, e naturalmente quaesquer tu-
multos que ali appareçam agora não podem ser causados
pelas avaliaçges a qiie se ha de proceder em julho (leu).
Tcriho muita s a t i s f a ~ ~em
o ler h camara estas noticias,
como compensag3o d'aquellas tantas dssagradaveis que re-
cebemos todos os dias pela manhã quando apparecem os
jornaes. Parece-me que eatão fazendo um mau serviço ao
publico (npoiados).
Voltando ao assumpto, lamentava eu que se rebaixassem
tratando de desacreditar aquelles que nAo se importam com
a calumnia nem com os calamniadores e que os desprezam,
e mais ainda promovendo o descredito dos pobres e humil-
des, que talvez soffrarn, e soffram muito, em conseqireneia
do que ae tem erpalhado (apoiados).
E u digo de urna vez por todas que na escolha de um pes-
soal numeroso e: na occasi2io em que ha difficuldades de
toda a ordem, p6da muitas vezes haver erro sem vontade
de quem rege o seruipo geral (muitos apoiados).
Mas eu digo tambem que 6 da maior conveniencia não
propalar como verdadeiras todas, as noticias, e não ceder 4
presa50 das paix0es partidarias. E preciso igualmente atten-
der d incontestavel repugnancia que vem dos povos que
ignoram o valor das medidas que se promulgam, e B mh
vontade dos homens que não desejam ver executada esta
lei, para nilo pagarem ao paiz o que lhe devem (mu,itos
apoiados).
Peço licensa 4 camara para ler uma correspondencin, qite
vem publicada n'um jornal do Porto, em que sc deenf-
fronta um homem quo se julga injuriado.
Diz-se que presidiu $ commissão em Amarante um 110-
mem que tinha sido sargento, a quem tinham sido arran-
cadas as divisas na frente do corpo. Sobre este ponto diz
o interessado :
((Sr. redactor. - Xo n.O 85 do seu muito lido c acreditado
jornal O Primeiro de Janeiro, li um commiinicado de Ama-
rante, no qual sou injustamente calumniado, porque se me
attribuem factos que estão longe da verdade.
a Assevera-se ali que me foram arrancadas as divisas:do posto
de sargento na frente do corpo dc que fiz parte! Isto não
4 verdade. Custa 3 crer como haja quem, sem informações
exactas, G tanto de leve, denuncie ao publico falsamente um
facto de similhante ordem ; O preciso que seja ou um mal-
vado ou um leviano !!
«Fui furriel de infanteria 3, c tive, sim, baixa d'este
posto, por uma ordem regimental, o que 6 muito diffe-
rente.
a o s motivos que deram causa Aquella baixa fazem honra
aos meus brios: foi a mera desobediencia a um meu supe-
rior, depois de haver sido por elle, mais do que uma vez,
provocado; e a prova de que n8o me deshonra aquella bai-
xa, que só foi filha do rigor dos regulamentos militares,
que e mister manter, O que, passando ao regimento d e in-
fantcria 6 em simples soldado, fui promovido ao posto de
sargexrto no periodo de nove mezes.
uDepois d'isto desempenhei commissões da dependencia
da 3.' divis.?o milit~r,escrevendo na propria secretaria.
.Ora ahi ficam os factos taes quaes são com r e l a ç b R
minha vida militar; e fica cvidente e claro que fiii atroz-
mente calumniado no communicndo a que me refiro; e v. ?
que se preza de ser justo e zeloso pelo credito do seu jor-
nal, de certo ha de querer que o auctor d'aquelle commu-
nicado nos diga agora, em vista do que levo dito e das in-
formaç8es que mais tenha e possa haver, se confirma o que
disse ou se se convence que estava em erro.
aUma reputação n8o 6 qualquer cousa de pequeno valor
com que se brinque, ou com que se jogue paya j n s ddiver-
80s.
aSe o auctor do communicado quer combater o systema
dos arrolamentos, e aquelles a quem elle se deve, lembre-sc
que eu nno tomei parte na creaç3o do dito systema, nem a
podia tomar, porque não estou na altura devida.
aSe o aixctor do comrnunicado vC nos arrolamentos o
meio de igualar a contribuição, tornando-se por elles essa
contribuição mais justa e equitativa, a favor do pequeno
proprietario, que a3tualmente paga duas, tres e quatro vc-
zes mais relativamente do que o grande proprietario, como
eu observei em poaco tempo, lembre-se que n8o i? calu-
mniando-me que consegue a revogação dos arrolamentos.
aVou concluir, Sr. redactor, rogando a v. que convide o
auctor do communicado de que se trata, a declarar-se mal
informado sobre o que avançou; e se o não fizer, ou nXo
apresentar provas, que as n%op6de ter, do que escreveu, em
tal caso resta-me a escolha dos meios de que se costumam
servir os homens de bem quando feridos injustamente na sua
honra.
((Digo isto, porque com quanto o comrnunicado não es-
teja assignado, não me B desconhecido o seu auctor. -De
v. etc. =Narcizo da Cunha Oliveira. =Porto, 22 de abril
de 1870.~
Ora ahi estA por que digo que lamento que estas ques-
toes cheguem at6 este ponto; lamento, digo, com relapão
ao procedimento que póde haver por se asseverarem cou-
sas que n8o são verdadeiras.
Desejo muito, e creio que a camara me acompanha n'este
desejo, que as questões se elevem á altura que devem ele-
var-se ; que se deixem as questões pequenas, para outras oc-
casiões e para outros logares.
O sr. Mariano de Carvalho:- - A que jornal 6 dirigida
essa carta?
O 0radov:-Vou responder ao illustre deputado, 6 di-
rigida ao Primeiro de Janeiro.
Todos os doc~imentosque tenho lido, infelizmente estzo
publicados.
Pelo facto do apparecimento de noticias de rcsistencias em
Elvas, que se nno deram, annunciadss em Paris no Gau-
b i s do dia 22, e de todas estas varias noticias falsas que
chegam todos os dias de diversos pontos, sou levado a crer
ue atr4s de tudo isto ha um certo plano, com uns certos
8ns que nào me parecem muito pstrioticos (apfiiadoe).
Como tinha dito no principio das minhas observações,
e governo procedeu bem, em vista das informaçoes que ti-
nha, quando mandou fazer os arrolamentos.
O paiz dirh se procedeu bem quem IA fora preparava
traiçoeiramente uma opiniilo infundada e falsa.
Passemos agora a entrar na quest3lo do decreto de 30 de
dezembro.
Qual era a primeira obrigago de quem regia o serviço?
Cuidar na escolha do pessoal.
No dia em que este serviço teve um cbefe, posso agsegurar
icamara que esse chefe expediu ordeng termos nos seguin-
te8 :

8InspecçBo geral dos arrolamentos predial e peasoal-


Iil.mOsr. -Tendo eu sido, na data de ho-je, nomeado in-
epector geral doe arrolamentos, e competindo-ic)e n'esta
qualidade a superin tendencia do serviço, nos districtos do
reino e ilhas, devo communicar a v. , que sendo urgen-
tissimo dar principio ao dito serviço, esta0 determinadas as
providencias neeesearitis para a execução do 9 2.0 do ar-
tigo 2.0 do decreto de 30 de dezembro ultimo, publicado
no Diavio n,O 4 d'este anno.
<Com o fim de que não haja perda de tempo, emquanto
eu nBo posso remetter oa cadernos e mappas, queira v. pre-
parar trabalhos para a execução do 9 1 .O do m e m artigo.
Antes das proporlor para nmneaç80, parece-me conveniente
que v. BC digne enviar-me dgumas infomaç8es prelimi-
nurer. Assiin procederemos ma& segummente, e mais facil
se tornará nos districtos a direcçilo do serviço.
a Dirigindo-me por primeira vez a v. ,na qualidade of-
ficial que tenho actualmente, esprro do seu provado 2610
todo o arixilio necessario para a plena execuçfio do que foi
disposto no de1:reto a que me refiro.
deus guarde a v. -Inspecção geral dos arrolamentos
predial e pessoal, em 7 de janeiro de 1870..
Parece-me que nlio podia ser accusado o governo, neui
quem n'este caso o representava, de se ter descuidado na
escolha do pessoal. E digo francamente ti camara qual 6 o
meio offieial de que dispae hoje o governo, qualquer que
elle seja, quando quer. proceder & escolha do pessoal que
trate do servigo da fazenda. Dirige-se aos seus delegados
dos districtos, dil-lhes ordena, elles dirigem-se aos escri-
vães de fazenda dos concelhos, esses tomam as informa-
ções necessarias, e sobre essas informagões de todos, e
sobre inforinaç8es particulares que p6de obter, resolve.
Este meio tem sido sempre eficaz, tem satisfeito em toda
a parte. Não vejo outro que seja regular.
Ninguem diril que n'este paiz ou, em outro, ha direito de
ir buscar 5, 6 o11 10 factos isolados n'um serviço, que tem
de se fazer em 6 0 comarcas, para vir depois impugnar o
serviço e dizer -suspenda-se a operação porque nua é
preciss-. Todavia não me devo demorar sobre este ponto,
porque nos levaria muito longe; basta dizer que todas a s
instrucçães dadas eram tendentes a que se escolhesse bom
pessoal habilitado e digno. Desejava o governo escolher
agriaiensores, theoricamente e praticamente habilitados em
agrimensura; mas a escassez de pessoal assim habilitado
-por motivos, que direi algum dia n'esta casa, e que não
digo agora para não complicar a questao-a certeza d e que
não sendo, como não é, obrigatoria a medição, por agora
tal habilitação especial se poderia dispensar, -a necessi-
dade absoluta e impreterivel, de attender immediatamente
ao trabalho de inscripçgo, determinado pelo artigo 2. -
levou a inspecção geral a escolher arroladores, prescindin-
do em muitos casos da habilitação technica, que para os
agrimensores se deve exigir.
E r a preciso fazer um serviço immediato, urgente. Podia
sem risco preterir-se o que n'este caso teria sido pura for-
malidade e exagerada exigencia.
Para a escolha de louvados, que havia a fazer? Havia
ou não havia homens habilitados? Havia ou não louvados?
Havia 5:000.
Se tivessemos desejo de polemica esteril, de comparar
numero de empregados a numero de empregados, quando
uma opposiçzo se levantasse a dizer que havia 400 e m p r e
gados, podia-se responder que os 400 empregados, substi-
tuiam 5:000.
Se os 400 louvados actuaes, de que fallam, silo empre-
gados, empregados tambem teriam sido os antigos 5:000,
e n'esta epoca de guerra ao funccionalismo, ganharia gloria
o governo matando 4:600!
Agora vamos a contas.
Os louvados actualmente são pagos, diz o meu illustre
collega o sr. Albuquerque.
Antigamente eram pagos os louvados, são pagos os lou-
vados de hoje; serviam temporariamente os louvados de
outro tempo, aervem temporariamente os de hoje; mas eon-
vinha aos fins de quem impugnava o decreto dizer ao paiz,
que se ia gastar mais tanto cada anno. E m vez de se fazer
o calculo em relação a salarios, pelo serviço de quinze dias,
vinte ou um mez, e ás vezes de tres ou quatro dias, con-
vinha fazer eese calculo por anno, e dizia-se gasta-se tanto
por anno. Ao serviço diario dava-se-lhe logo as honras de
permanente; era um novo ericargo para o thesouro, que ia
~obrccarregaro orçamento do estado em alguns contos an-
nualmente ! Podia isto ser conveniente para os interesses d e
q11em impugnava, eu sou obrigado a contradize-los, por-
que n8o k conveniente para os interesse8 do paiz.
Dos cinco mil louvados existente8 escolheram-se alguns,
porque as instrucções foram todas dadas para que quanto
poirsivel de entre elles se escolhessem os melhores, uma vez
ue se quizessem prestar, porque o serviço de ir para fora
%a comarca n3o podia ser um serviço obrigatorio.
Foram portanto convidados os melhores d'elles, os que
tinham pratica d'aquelle serviço. E 6 a historia do que se
fez.
Mas o que faziam esses inspectores que passeavam? O
que fazia esse pessoal euperior, contra o qual se levantava
um clamor enorme?
Era porventura precisa a inspecçzo?
X'Zo estavam IA os empregados do districto e os empre-
gados do concelho? M o eetavam 1á as matrizes? Nrto es-
tava 1 a obra que se tinha feito atO entzo'? N2o sabem
todos que o serviço das repartiçzes de fazenda, deixa aos
empregados muitos dias livres para o exame directo dos
predioe?
Quer a camara fazer id6a do que k o serviço de um in-
rpector? Como tenho apresentado exemplos de tudo, von-
Ibes ler a nota do serviço por dias, da um inspector:
Serviço do inspector districtal da 3.' divisão
So dia 13 de março partiu de Lisboa para Faro, depois
de ter dado instruc'o para o serviço districtal em Aveiro,
Vizeu e na Guarda,
No dia 2 1 de março escrevia de Beja, participando que
mira do districto de Faro, depoii de haver assistido Q in-
etallação das commiss0es de Silves e Tavira.
h'o dia 30 de março preparava trabalhos na Guarda.
No dia 31 de março assistia ao serviço da commiss3o
comarcà, na freguezia de Naçainhas do concelho da Guar-
da.
No dia 4 de abril presidia aos trabalhos da commiss20
comarcã do Sabugal.
Ko dia 7 de abril marcliava para Celorico da Beira com
o fim de ir-istallar a coinrniss%ocl'esta cornarca.
Seguiu depois para Trancoso, e d'ali para Aveiro e Ovar,
d'onde saiu no dia 21, deixando ein actividade os trabn-
lhos de arrolamento na frsguezia de Arada.
Por estas simples i~idicações,Icerca dos trabalhos de iim
funccionario dignissimo, púde a camara fazer idéa do que
6 o serviço do inspector, que deveria ser gratuito, para sa-
tisfazer As indicasUes que vogain agora.
N3o 6 para admirar que, tratando-se do serviço dos in-
spectores, eu passe muito ligeiramente pelo trabalho a cargo
do chefe de todo o arrolamento.
Fez grande effeito no reino a noticia de que o governo
havia arbitrado um venciinento; que se dizia extraordiue-
riamente grande, ao funccionario superior encarregado da
direc~8odo serviço; e fez grande effeito, porque os encar-
regados d e preparar a opinião, sem se fatigarem com esse
esforgo, com essa diligencia de todos os dias, diligencia
muito louvavel no sentido do maior interesse publico, quo-
tidianamente repetiam, ao principio uma verba, depois ou-
tra, procurando a aomma por semestre, ppr anno, e n%osei
ate se por seculos; indagando quaes seriam os interesses,
e houve quem chegasse a dizer, que este tinha sido o meio
descoberto para ser rico em pouco tempo ; para ser rico tal-
vez sem trabalhar e & custa do paiz.
Isto est& escripto; refiro o que toda a gente sabe, e
como produziu um grande effeito, B natural que eu deae-
je associar-me ao esforpo de quem promoveu o conheci-
mento geral d'este facto, ajudando-o, para que todos co-
nheçam beni a verdade; é preciso que não fique isolado;
quem diz isto deve prova-lo, e como convem que o prove,
SOU eu mesmo que me promptifico a offerecer-lhe provas, e
a apresenta-las aqui na camara dos representantes do paiz,
que 8 o logar mais solemne para essa apresentaçxo.
O governo fez um calculo, approvou um or~amcnto,deter-
minou qual a verba a gastar com a inspecç3o districtal,
estabelecida para os cinco districtos de Lisboa, Porto, Coirn-
bra, Santarem e Castello Branco; arbitrou esta verba em
493$300 r6is para as despezas da inspeeçzo districtal d'es-
tes cinco districtos no 1." trimestre do anno em que estâ-
mos.
Ora, quem procede n'estas questòes com prudencia tem
o cuidado de nHo confundir o orçamento com a despesa, e
este cuidado 8 salutar, porque muitas vezes quem discute,
e julga pelo orçamento engana-ae, sobretudo quando ba de-
sejo de achar n'essa discussão alguma cousa que possa ser
desagradavel para alguem (apoiados).
A despeza feita com a inspecção districtal foi, não de r&
4936500, mas de 2984000 r&, quasi metade da deaigna-
da no orçamento.
Mas resta fallar do maior de todos os escaodalos, que C
da verba votada para a inspecçzo geral, essa quantia dea-
tinada ti enriquecer quem não trabalha. Esta verba foi fi-
xada em 1:106@00 r&, p,ara todas as despezas de in-
specçào, fiscalisaçAo e expediente, no 1 . O trimestre de 1870,
em todos os districtos do reino. Quer a camara saber quan-
to se gastou d'esta verba? 1898600 r&. Sobrou s6 s in-
significante quantia de 9174000 r8is !
Se tivesse havido menos pressa de calumniar e de indis-
por, e menos proposito de desacreditar; se n?io houvesae
nas mãos de certa gente, em logar de penna, um punhal
para assassinar e perder a reputação de um homem, que
precisa de toda a força para levar ao fim um certo s e r v i p
publico importante para o paiz, não se escreveria como ae
ebcreve.
Com esta documento respondo 4 imprenss que propala
calumnias :
ComparaçEEo da quantia auctorisada para ajudas de custo, e para to-
das as despezas do expediente, fiscalisa$io e inspecçfo a cargo da
inapecçlo geral dos arrolamentos, com a quantia abonada, no 1.
trimestre de 1870.
Quantia auctorisada no orçamento approvado
pelo governo (para o trimestre). .........
1:106#000
Quantia abonada até 31 de março.. ........
18961600
Differença ...... 9 16d400
ComparaçlPo da quantia auctorisada para ajudas de custo, e para to-
das as despezae do expediente, fiscalisaçlo e inspecçlo a cargo da
inspecçiio dietrictal dos cinco districtos de Lisboa, Porto, Coim-
bra, Gantarem e Castello Branco, no 1.0 trimestre de 1870.,
Quantia auctorisada no orçamento approvado
pelo governo (para o trimestre). ......... 4936500
Quantia abonada até 31 de março.. ........ 2986000
aN80 ha gratificação arbitrada. Os abonos foram feitos
para o pagamento de todas as despezas da inspecçiro ge-
ral em todo o reino, e da diatrictal nos respectivos distri-
ctos.
Deixo isto, porque nHo vale a pena, mas era preciso di-
zer alguma cousa; e não se podia responder logo de priii-
cipio, porque o governo, quando manda organisar o orça-
mento da despeza de qualquer serviço, calcrila o que se
póde gastar; mas n'um serviço d'esta ordem, serviço novo,
que se ia fazer pela primeira vez, n8o era possivel calcu-
lar com exactidão a despeza a fazer, e convinha fazer o
calculo com certa largueza, para evitar interrupçóes de
trabalho.
Passemos agora ao trabalho das commissões comarc%s,
e vamos a ver o que este trabalho d4.
Niio estranhe a camara que eu falle com calor n'estas
cousas; aeria até para estranhar que fallasse de outro mo-
do. Note a camara que eu estive calado alguns mezes, e
que arrisquei a minha vida; note a camara que se procu-
rava por todos os modos excitar os animos, e que se de-
sejava que tocassem os sinos A minha chegada a qualquer
localidade, e que sd faltava pôr-se-me o bacamarte ao pei-
to, n%o havendo nenhum escrupulo em promover a desor-
dem. A questão toda era conseguir-se um certo resultado,
desacreditasse-se quem se desacreditasse. O caso era per-
der no conceito publico o serviço e o homem que o desetn-
penhava. O caso era fazer um grande mal a este paiz, pri-
vando-o de ter os recursos que deve ter, para que nEo con-
tinue a viver de emprestimos (apoiado$), tendo n6a meios
sufficientes para viver, e tendo n6s os elementos necessarios
para o cumprimento das nossas obrigações, a satisfaçTio das
nossas necessidades como naç2lo (apoiados). Mas isto 8 que
não convem a alguem que se faça; o governo, porbm, tem
obrigaçto de passar por cima d'estas reaistencias, e deve
trabalhar (apoiados).
Vamos a provar se realmente esta B a causa da resisten-
cia, se o desejo de nzo pagar 8 a principal origem do mal.
Vamos ao trabalho das commissões comarcãs. E u vou
apresentar alguns documentos a respeito d'este servigo, do-
cumentos que sHo curiosos.
No primeiro mappa notarei aIgumas verbas, e a camara
depoia avaliará o resto.
No mappa que apresento encontra-se o seguinte:
Tabella de comparação do rendimento collectavel dos predios
abaixo mencionados, inscriptos na matriz predial de 1869, com
o rendimento obtido pelo arrolamento.

Niimeros ( a )
- Hendiniento total dos prrdios

Ka matriz predial
de 1869
P ~ l onovo
arrolame~ito( b )
Differeoya
a mais

1 .................. G~bg00 f,ll,$T00 5473800


2 .................. 236600 ~128~100 30-16500
3 .................. 563400 2926120 235&720
4 .................. 1888399 754;5100 5656701
5 ................. 1208500 4158200 294$700
(; .................. 123200 36;8000 23$800
7 .................. 128600 886720 765120
)-.................. 98200 4(;5100 3í.6900
9 ......,........... 49d040 1388780 896'i40
10 .................. 55600 35J400 298800
11 .................. 33200 1~a~ioo 155700
12 .................. 7a.100 4 2$OC)O 34 $600
13 .................. 4 3000 130000 94000
14 .................. 576200 2108800 153,$600
614 $239 3:031$900 2:417$3681

( a ) Cada numero representa a somma dos rendimentos collecta-


veis dos predios urbanos de uma rua ou praça.
(b) O rendimento collectavel do arrolamerito representa as ren-
das, segundo as informaçces regularmente obtidas, ou os valores 10-
cativos calculados sobre as rendas dos predioa alugados, servi~ido
estes coino typos, com as devidas reservas.

A camara h a de permittir que, apresentando estes map-


pas, diga uma cousa, e t! que n'estes documentos n7ro se
p6e os pontos nos i i.
N'estes documentos niio digo quaes siio os concelhos a que
me refiro, nem de que individuos trata; mas o governo res-
ponde pelo que está aqui, e eu creio que o Sr. ministro
da fazenda ngo contraria o que estou a dizer. O gover-
no tein os documentos regulares, e o que est4 aqui pro-
va-se.
O mappa seguinte, por exemplo, diz respeito ao rendimento
de alguns predios de uma freguezia, descriptos na matriz de
1869, c comparado com este arrolamento, o predio que Ih
estU na matriz com o n.O 1 tem o n.O 7 no arrolamento; e
tendo de rendimento collectavel na matriz dr 506000 rdis
deve ter o rendimento collectavel de 110:YOOO r6is. Outro
tanto podia dizer de muitos outros predios; mas como este
mappa se publica, e é necessario que se publique para que
o paiz todo melhor fique conhecendo o que ha n'esta ma-
teria, eu ngo canso a camara a ler-lhe outras verbas.

CONCELHO DE ...-FREGUEZIA DE ...


Mappa do rendimento de alguns predios da dita freguezia, inscri-
ptos na matriz de 1869, comparado com o rendimento dos mes-
mos no arrolamento.

Niimero Rendimento bruto medio e ~ i igeneros


da

-
e liquido em dinheiro
inscripy ão

.2
Designsy80
das prol~riedades
- A, -
e 50
:fi
z z-
Na matriz No arrolamento

-
1 7 Casa nobre e quin- 504000 réis ...... 1105000 réis.
tal
--
6 896 Quinta da Atalaia, Milho 100 alqueires Centeio 150 alq.
com sobreiras, Bolota 24a000 réis Pastos 84000 réis.
terra de cultura Cortiga '54000 réis Fructas 24000 reis.
(3.aclasse)
-- (a)
81 519 Couto e terras de Centeio 1162/3 alq.. Centeio 278 alq.
cultura Pastos 23fi400 réis Pastos 16$000 réis.
--
82 564 Couto.. ......... Centeio 60 alq. ... Centeio 150 alq.
Pastos 64670 réis.. Pastos 106000 réis.
Azeite 1 alq.
--
83 566 Couto.. ......... Centeio 100 alq. .. Centeio 110 alq.
Pastos 108000 réis Pastos 204000 r&.
Azeite 1 alq.
--
84 562 Couto. .......... Centeio 150 slq. .. Centeio 2 12 alq.
Pastos 10,4000 réis Pastos 18f700 réis.
--
98 373 Couto. .......... Centeio 300 alq. .. Centeio 1:097 alq.
Pastos 734340 réis Pastos 834400 réis.
--
.. 15,$i000 róis. ......\80K)B000
-1
130i Casa e quintal.
133 ( l7 Lagar de azeite.
--
. 8Q000rhis. ....... reis.

142 433 Vinha e riggrega- Vinho 30 illrnudes,. Vinho 30 aliniides.


dos de cultura Milho 120 alq. .... Milho 150 alq.
Centeio 100 alq. .. Centeio 150 alq.
Bolota e paatos réis Bolota e pastos réis
306000 508400.
Numero Rendimento bruto medio em generos
da e liquido em dlnheiro
-
inecripçâo
Designação
dna propriedade0
A

2 &
!i $2 Xa matriz No arrolamento
2 -
-
617 '
618/659 Tapada.. ....... 108000 r6ia ...... Centeio 150 a b
v -
....... Pastos 9$000 réis.
68000 r6is
661 938 Um chEto. ....... 106000 rbis ...... Milho 50 alq.
As sobreiraa 16500
réis.
1-

697 522 Vinha .......... Vinho 60 alrnudes.. Vinho 150 almudea.


- -
Centeio 331l3 alq.. .
........ Pastos
--
63000 réis.. Centeio 214 alq.
325 1 Tapada. ........1pastos 58000 r8is..
Centeio 108000réís Pastos 9$540 r&.

514 526 Vinha, sobreiraa, 104000 r6is ...... 206000 réis.


I
-- terra, etc.
616 568 Tapada ou couto.. 86000 rkis ....... Centeio 160 alq.
--
846 864 Tapada.. ....... Pastos
Pastos 84000 réis.
Centeio 67 dq. ... Centeio 210 nlq.
135340 réis Pastos 8d67O reis.
680 864 Tapada.. ....... 86000 réia .......Pastos
Centeio 60 alq.
2&000réis.
L-

661 866 Tapada.. ....S..86000 réis ....... Centeio 21 alq.


-- Pastos 500 réis.
98600 réis ....... Centeio 21 d q .
Psstos 500 r61s.
--
203000 r6is ...... 403000 réis.
--
6fi000 réis ....... Azeite 4 alq*
Centeio 1 alq.
Cortiça e
Pastos

(fl) fa matriz comprehen&.se nAo ai> s. quinta, como um3 das duas tapadas de SO-
hrciras ]~roxiriinsA mesma qu jnts, 9 arios tprrrnos do sitio da Atalaia. ~ I I Rno arrola-
mrnto v50 itlscrfpto~em separ~da,se, ido niguns d'eliea de rciitlimeuto colisideruvel.
Outro mappa diz respeito ao rendimento bruto, relativo
a uma frleguezia: fez-se o calculo do rendimento bruto an-
nual em relação a certos generos de cultura.
...
DISTRICTO DE -FREGUEZIA DE .e

Mappa do rendimento bruto medio annual, em generos, e liquido


em dinheiro, dos predios rusticos e urbanos da dita freguezia,
no arrolamento a que se procedeu em 1870.
Prrqo Ilendimentc
Gcneros Rciidimerito bruto (Ie O' p-
Licl'iido por collnctavel
Be cultura mcdio annual P""" deapezne iiiiiiladc artuiinl
de em rAis oni rkie

Centeio ....... 7:980 alqueires 3:990 alqucires 500 1:995&)00


Milho. ........ 1:224 B 612 D 470 2873640
Feijão ........ 101 D 50,5 D 500 2518250
Azeite ........ 242 121 a 24300 278$300
Vinho ......... 621 aImudes 310,s I4740 5403270
Bolota e cortiça - -- s
-
- 477$320
Pastos ........ 5614250
Culturas avalia-
das a dinheiro - ..- 4596070
Rendimento liquido dos predios urbaiios ............... C248900
Total do rendimento collectavel pelo arrolamento.. ..... 5:249$000
Rendimento collectavel na matriz de 1869.. ........... 3:3884000
Differença para mais 54,9........................... 1:8614000
.
Escolhi estes exemplos para se ver que em algumas par-
tes o arrolamento fez duplicar e triplicar o rendimento col-
lectavel, e ha tarnbem concelhos inteiros em que o rendi-
mento collectavel poderá descer em virtude do arrolamento.
E este mais um argumento que servirá para mostrar ao pai.
que esta operaçzo lhe é precisa (üpoiadoe), porque ha muita
gente que se queixa com rasgo que paga mais do que deve
(apoiados), e ha outros que ae não queixam de pagar menos
do q u e devem (riso). Pois bem, 8 preciso que n6s nos quei-
xemos por elles.
O sr. Ferreira de Dle1lo:-Tambem ae publica o mappa
dos concelhos onde o rendimento collectavel desce?
O Orador :-Sim, senhor. Se essa pergunta manifesta
uma duvida, que n5o esperava que saísse da iniciativa do
meu nobre amigo, o sr. Ferreirn de Mello (apoiados), eu
entendo que lhe devo responder lendo um exemplo, 6 o
n.O 497 (leu) da matriz que tenho á vista, o que ponho á
disposição do illustre deputado.
-
O ar. Ferreira de Mello: Eu 86 perguntava se ae publi-
cavam esses exemplos, mas n8o duvido nada de que existam.
-
O OrMEw : Creio que a camara nao quererá que eu es-
teja agora a consultar matrizes, porque de certo isso a enfada.
E preciso que eu note B camara, que por mais que os
factos queiram convencer-me do contrario, retendo sem-
pre acreditar que ninguem impugna a execução do de-
creto, de mh f6; pretendo sempre acreditar que a impugnam
sinceramente, e que a exaltaçllo com que se faz a impugna-
$30, e o emprego de certos meios, na0 sào mais do que o de-
sejo de bem aervir o paiz; mas como, caminhando por este
modo, se tem dito alguma cousa que nEo 8 exacta, preciso
absolutamente provar o contrario.
Queixam-se de que os contribuintes não são ouvidos.
Comparemos o antigo systema com o novo. Havia arrola-
mentos e temos agora arrolamentos.
Eram os contribuintes ouvidos nos arrolamentos antigos.
F6ra de Lisboa e Porto nHo me consta que o fossem.
O Sr. MaIviano de Carvalho: O s de Almeirim eram
ouvidos.
O Orador :-Eram ouvidos os contribuintee de Almeirim
creio que por dedicação e amor de arte do escrivão de fa-
zenda, porque nPo havia lei alguma que o estabelecesse.
O concelho de Almeirim, portanto, era uma excep~goa eeste
respeito. Folgo de saber isto, mas peço licença para dizer
o que mandava a lei, porque n6s devemos suppor que a lei
se cumpria, e não devemos estar confiando na extrema de-
dica@~e e610 muito louvavel de um ou outro escrivão de
fazenda (apoiados).
Quando eu perguntava se em algum concelho do reino
eram consultados os contribointea para o arrolamento, per-
guntava-o em face da lei (apiadoa). E como se fazia o ar-
rolamento em face da lei? Os informadores davam o seu
laudo no cartorio do escrivão de fazenda. Quaes eram as
garantias do contribuinte n'ests operaçHo?
Que sabia elle n'esta occasião a respeito do assumpto?
Que noticias tinha Acerca da informação dada com relaçllo
ao seu predio, em segredo, mysteriosamente, no interior de
uma secretaria? Nenhuma.
Tinha-as o contribuinte de Almeirim por fortuna ; mas
Almeirim não 6 o paiz.
O contribuinte, que não era de Almeirim, porque eu fallo
de todo o paiz, tinha a certeza de que, para se fazer a ma-
triz, o escriviro de fazenda tirava umas certas informações ;
ninguem sabia quaes eram essas informações, ninguem ha-
via que lhe dissesse os motivos por que lhe era diminuido
ou augmentado o rendimento collectavel do seu predioí e
conio assim era nRo podia reclamar; esperava pela matriz
e reclamava na occasilo em que a matriz se apresentava
para as rec1,zma~Ões.Era essa a unica occasizo ern que po-
dia reclamar.
Este decreto dnmninho, prejudicial ao paiz, inconveniente
e inutil veiu incommodar o contribuinte, obrigando-o a ter
conhecimento d'aquillo que at8 aqui nZo aabia; e o con-
tribuinte não s6 sabe agora qual o laudo dado ao seu pre-
dio, mas é chamado a intervir na informaçiio, auxiliando
a pessoa que a faz.
E, posto que não deva ser sabida a avaliação emquanto
d o se concluir o servi90 na parochia, quando elle termina
é publicado um mappa no qual estào descriptas essas ava-
liações; e são dados ao contribuinte cinco dias para o exa-

*
minar e poder reclamar.
evidente que, nttendendo a estas circumstancias, nin-
guein p6de pensar que o contribuinte esth agora peior do
que estava.
Antigamente, antes de formada a matriz nada tinha com
ella; o escrivão de fazenda recolbia as informações, e so-
b r e essas informações fazia o seu trabalho. Agora A cha-
mado a assistir á informação, dá informações elle proprio,
ou manda-as dar pelo seu caseiro; vae ver o resultado da
informação, qual o laudo ; e, antes de feita a matriz, p6de
reclamar.
Mas isto que se deduz do decreto, vem expresso nas con-
dições mencionadas nos editaes publicados.
Eu leio 4 camara um edita1 d'estes publicados em con-
formidade com a disposição do decreto que mandou que se
fizesse constar que o servi90 ia começar.
. . ...
aDistricto de.. Comarca de.. Concelho d e A com-
missão nomeada em virtude do artigo 2 . O § 1."do decreto
de 30 de dezembro ultimo ha de começar o servi90 do ar-
..
rolamento predial e pessoal d a freguezia de.. . no dia.. . de..
((Os contribuintes poderão apresentar á commissto dire-
ctamente ou por interven~godo regedor da parochia, as
declarações e informaçges verbaes ou escriptas antes do
arrolamento, ou durante o serviço da inscrippão, assim como
a s suas reclamações, depois de concluido o dito arrolamento.
aAs declarações e informaçges deverão referir-se á des-
cripção, ao rendimento, aos encargos de seus predios, e
'

tambeni 4s profissões ou industrias dos contribuintes, aos


vehiculos, ao numero de creados, cavalgaduras, etc. Ser-
vem estas informações para facilitar o servi90 do arrola-
mento.
aConcluido o servi90 ser:t patente durante cinco dias, na
freguezia, o mappa do arrolamento predial. Os contribuin-
tes, n'esse praso poderao apresentar as suas reclamac8es
contra qualquer inexactidao. r)
Ora 6 realmente para lamentar e ~ t severidade
n do governo !
Pois o contribuinte estava socegado em sua casa, ninguem
o incornmodava a pedir-lhe informações, relativamente ao
seu predio, ninguem ia perturbar-lhe o animo com a noticia
de que o informador tinha declarado o rendimento collecta-
vel do predio maior do que figurava na matriz, vivia Lento
de todos os cuidados, sem ter conhecirricnto d'cssas cousas
que podem ser desagradaveis, e o governo tem a barbari-
dade de ir incommoda-10, chama-o para que assista S ava-
liação, e dê informações para o resultado da louva$io, e per-
mitte que elle na propria freguezia, dispeneando-se de ir d
cabeça do concelho, faça as suas primeiras reclamações ! Se
ha maior barbaridade !
Este 8 o resultado dos sentimentos pouco benevolos do
ar. ,ministro da fazenda.
E elle quem tem a culpa d'isto, porque levou a barbarida-
de ao ponto cie dar aos povos todas estas garantias, que
ngo tinham. E verdade que lhes deixa todos os recursos de
ue elles jtl dispunham a respeito das matrizes, porque o
Iecreto de 30 de dezembro nno Ihes tirou nenhum d'esses
recursos !
Por consequencia o contribuinte p6de reclamar se se jul-
gar lesado; e se entenderem que o praso de cinco dias B pe-
queno para as reclamaçaes, concedam-se-lhe dez ou quinze
dias, porque me parece que não póde haver n'isso duvida.
Pondo de lado agora o contribuinte, que me parece que
jh fica assás*maguado com todas estas tyrannias, que lhe faz
o decreto de 30 de dezembro, vamos ver esta questào sob
um outro ponto de vista.
Disse-se que este serviço n?Eo se podia fazer em dezoito
mezes. Por ora nlio me consta que haja documento algum
official marcando o praso para a conclus8o d'este serviço;
mas disse-se, não se póde fazer em dezoito mezes, nem em
dezoito annos, nem em cincoenta annos, talvez se não possa
fazer em um seculo.
Sejamos francos. Eu assevero 9. camara que se as cousas
continuam como n'estes dias, este serviço não se fará de
certo em um seculo ; e a rasa0 B simples, Q porque os ho-
mens que o devem í'nzer e dirigir estão 4 espera de que
acabe esta serie de irnproperios contra o systema admit-
tido e contra quem tem de o executar.
É necessario pois que este estado de cousas acabe, por-
que em serviço de tal ordem são causa de perturbação to-
dos os meios que se estão empregando para satisfazer nllo
sei que fim politico (apoiados).
NZo se póde fazer oin dezoito inezes, nem em dezoito an-
nos. E a experiencia?
Ora eu j b fui.. . e continuo n ser rebelde 4s suggestaes
de quem me diz que n80 appelle para ella.
NEo sei se o illustre deputado interpellantc, e os outros meus
collegas, qiie tomam parte n a interpellaçno, toem uma grande
pratica do serviso das repartiç.Ses de fazenda, nem sei mesino
se acaso dirigiram jA algum trabalho d'esta ordem, mas
creio que não, e psrecc-me que por mais humildes que
fossem as pessoas encarregadas d'este serviço, haveria uma
certa vantagem em se ter em consideraçzo o que ellas dis-
sessem, e em se dar algum valor aos factos que se apresen-
tam patentes. Para saber qual o serviço, d'este genero, que
se ha de fazer, basta dividir o numero de predios pelo nu-
mero das comarcns e depois dividir o quociente pelo nu-
mero de dias de trabalho. Para saber o que se póde fazer,
pergunta-se o que se tem feito.
Esta operação 8 facil, mas o essencial para a levar a ef-
feito è ter conhecimento dos factos, como eu poderia pro-
var il camara por meio de numerosos documentos, que fa-
tigaria muito apresentar aqui n'este momento.
Airida não ha muitos dias interrompeu-se o serviço n'uma
localidacle, por uma circumstancia extraordinaria. Fugiu o
regedor.
O regedor fugiu ; nEo lhe agradou o serviço, e evadiu-se.
P o r este motivo, como podia ser por outro qualquer, inter-
rompeu-se o serviço. Veiu a participação, e n'e~sapartici-
pação queixava-se a commissão de ter tido apenas quatro
horas de trabalho e de não ter podido arrolar, tanto por
isso como em virtude de certas difficuldades de informapão,
mais de trinta e cinco predios.
E u devo ter assistido a este serviço, e naturalmente a
camara crê que tenho assistido a elle. Não falla aqui o
funccionario publico; falla o representante do paiz, mas
esse representante do paiz p6de ter assistido aos trabalhos
Cestas cornmisscies.
Tenho assistido a este serviço, e posso afiançar á camara,
coni n minha palavra de honra, que tenho visto arrolar
cento e quarenta e sete predios n'uin dia, e que tenho tain-
bem visto trabalhos de um dia que não dtlo mais de dez
arrolamentos.
Tudo isto dependo de muitas circutnstancias.
E m primeiro logar 8 preciso saber o que sHo os traba-
lhos mas nâo se quer saber d'isto, nRo se
trata de estudar a questzo, e discute-se sem procurar os
necessarios elementos.
Ha um certo numero de trabalhos preparatorios, que pq-
dem fazer-se nas repartiç0es de fazenda, porque as matn-
zes sendo todas más, umas são melhores, outras são peiores,
e das melhores p6de tirar-se proveito para certos fins, como,
por exemplo, para esses trabalhos preparatorios, que se C-
zem assim facilmente.
Quando se trata de um povoado, de uma agglomeração
de cesas, facilmente se obtem as informações sobre os rendi-
mento~e as condições d'essas casas, e fazem-se os arrola-
mentos dos predios em menos dias de trabalho, o que de
certo compensa os dias que ha para mais de trabalho quan-
do se ngo dão estas circumstancias.
Quando se falla de um predio 6 preciso tambem notar
que nem sempre se falla de uma casa ou de uma quinta. H a
districtos em que a propriedade est8 muitissimo dividida,
em que não 6 raro encontrarem-se 50 prcdios que todos
juntos têem uma area pouco maior do que esta casa (apeia-
doa); mas como os districtos em que a propriedade está
muito dividida dão para os districtos em que o está me-
nos, temos a compensa@o, e d'ahi resulta ser possivel o
que sempre tenho affirmado.
No districto de Vizeu, por exemplo, ha talvez 12:000
predios, de muito facil e breve arrolamento; mas quer a
camara saber o que são esses 12:OOO predios? SZo 12:000
arvores, e j4 se vê que não 6 nada difficil arrolar estas
1 2 : O arvores. Aqui tem pois a camara 12:000 predíos
que se podem arrolar em muito poucos dias.
O trabalho de escripta, o trabalho que se faz dentro d a
repartição i5 maior, mas ainda aqui temos uma compensa~80.
Para não fatigar não cito mais exemplos, o que posso
assegurar 9, camara é que o serviço era possivel em dezoito
meses, se não fossem os obstaculos que lhe estão levantan-
do a toda a hora. Se querem continuar assim, o resultado
ser&ficarem as matrizes no estado em que estzo. Se querem
conseguir imo, podem consegui-lo facilmente.
Esta discussgo Q do dominio de toda a gente, e eu es-
tou em frente dos individuos que combatem a medida, e
devo classifica-los. Aos que lealmente combatem com boas
rasges, sinceramente, com o fim de acertar, de encontrar a
verdade, offerqo todos os elementos de discussão; aos ou-
trns que deslealmente me aggridem, que não merecem con-
sideração de nenhuma especie, nso respondo porque não que-
ro, e a camara ha de perrnittir-me que eu diga positiva-
mente não quero responder, porque não faço caso d'elles,
porque os desprezo, porque são uns miseraveis.
Estes documentos, que eu mando para a mesa, têem o
numero dos predios, e o calculo que se póde fazer a res-
peito do serviço, para provar que elle se póde fazer n'um
certo praso.
Mas, e n'este ponto desejo eu insistir, A preciso fazer este
serviço mais depressa ainda.
Um illustre deputado, ha pouco, fallando sobre um as-
sumpto gravissimo, disse que a responsabilidade era sua
e não do governo, e disse o que entendeu, e acho que fez
muito bem. A responsabilidade no negocio em questiio tam-
bem é minha, não A do governo. Digo portanto o que en-
tendo, e digo lealmente o que me parece que nas circum-
stancias actuaes é preciso fazer.
Dizem os illustres deputados, que combatem esta provi-
dencia, que ella de mais a mais nào serve nem para este
governo nem mesmo para os proximos successores d'elle,
porque s6 d'aqui a cincoenta annos poderS. estar o trabalho
concluido.
E u digo que se p6de fazer o trabalho em dezoito mezes;
mas acrescento que se deve fazer em seis, que í! preciso
faze-10 immediatamente, que B necessario que dê resultado
para o anno de 1870, que 8 necessai~ioque o resultado d'esta
medida venha a sommar-se com os recursos de que o go-
verno disponha para o anno economico futuro.
Esta d a primeira necessidade das nossas finanças, e 6
indiapensavel satisfaze-Ia. Nlo sei se o governo tem ou nHo
esta intençgo; mas declaro formalmente que esta 6 a minha
idha, e não desisto d'ella. Em seis meees faz-se o trabalho,
para isso basta dividir o numero dos predios pelo numero
das commissões. SEo cento e trinta commissões comarcã~i,
pois procedam B formação de commissões de concelho em
logar d e commiss8es de comarca, e B formaç8o de mais de
uma commissão em cada concelho, v30 at(! onde se póde ir
n'esta subdivisão de trabalho, e o serviço ir4 mais de-
pressa; augmentem o numero das commissões, nilo haja
s6 commissõeo de concelhos, haja tambem commissões de
freguezias, e o trabalho p6de chegar a concluir-se no praso
que quizerem.
Faça-se isto, e não haja receio de augmento de despem,
como vou explicar. Pequena sem duvida ser&.
Em primeiro logar esta questzo da despeza, que se
levantou como primeira difliculdade, háo de ~ermittir-
me que lhes diga, que foi inopportunamente levantada.
A nossa questao C; de saldo, n%o é de despezas. Se este
processo deve dar em resultado um augmento de receita,
faça-se a despeza que for precisa, porque d a receita que
vier deduz-se a despeza. A despeza faz-se uma vez, e O
aupmento da receita fica.
Dizia eii que n8o se receiasse o aiigrnento de despeza,
e effectiramente esse aiiprnento de clespeza nZo lia de ser
consideravel. O serviço C pago aos dias, e estes emprega-
dos,. que muita gente imagina já ver encartndos, p g a n d o
direitos de mercê, emolumentos e sêllo, estes empregados
sào despedidos logo que o serviço acaba.
Que irnpoista ter uma cornmiss~oem cada concelho, duas
ou tres nos concelhos grandes? Sejain ent8o os louvados de
fhra da freguezia. fi preciso que sejam de fora da fregue-
zia; mas podeni nAo ser de fóra do concellio (apoiados).
Não ha contradicção nenhuma com o que ost& decretado,
em relaçzo ao estado actual das cousas.
O louvado do concelho é preciso que niro o considerem
como homem venal. Tenho muita. repugoancia em qualifioar
qualquer desagradavelmente; o louvado do concelho de
quem se poderh dizer que alguma vez cede a interesses pes-
soaes, poder& ter feito, ou far& nvaliaç8es irregulares do
rendimento collectavel; mas se ern certos casos essas ava-
liaçaes revelam tendencias reyrehensiveis e m8s, em outros
poderno denunciar apenas o desejo de favorecer o conce-
lho na repartição do contingente predial.
Ora, perante a lei actual da contribuição é perigosissimo
substituir o louvado da comarca pelo louvado do concelho.
Perante a lei actual do contingente havia uma causa per-
manente que levava os louvados de concelho a procurar
diminuir o rendimento collectavel dos seus respectivos con-
celhos ; era uma questiio de interesse do concelho. Agora
o governo acaba de apresentar n proposta de quota. N9es-
te caso creio que não ha nenhuma especie d e opposiçno
OU contradic$o em substituir o louvado da comarca pelo
louvado do concelho. Dado o caso de se fazer o serviço
como se propae, visto que o interesse do concelho desappa-
rece, resta s6 o interesse do contribuinte. Quero crer
que na escollia, pela maneira por que póde ser feita, ngo ha
perigo de veiialidade, porque n8o serão chamados, como
at4 aqui, cincoenta ou sessenta louvados do concelho, mas
cinco ou seis para fazer o serviço que d'elles se exige.
Esta k a minha id8a. N8o tenho a responsabilidade do
governo. Ni'io tenho nenhuma neceosidade de formar a mi-
nha opinigo de accordo inteiramente com as opiniões do0
ars. ministros, que respeito muito. Tenho de dizer qual a
minha id6a, digo-a com franqueza, o governo faça o que
entender.
A minha id8a d que na occasião em que se diz que 6
impossivel fazer os arrolamentos em dezoito mezes, ser4
preciso determinar que sejam feitos em seis. O governo dá,
a maior demonstraçào de amor ao seu paiz, e pratica um acto
de que lhe p6de vir a maior gloria e para o thesouro publico
o maior interesse, tomando todas as providencias que forem
precisas para que se conclua em seis inezes o servipo que, se-
gundo affirmam, em cincoenta anoos fie nHo poderia ter feito.
O seguinte documento forneceu os elementos convenien-
tes para calcular o tempo necessario para o serviço nas diver-
sos districtos.
Numero de predios no continente
Numero de predia

i
Inscriptos Manifestados
antea do depoia do , Total
encerramento encerramento
das matrizes das matrizes
para 1869 para 1869

Aveiro .....................
Beja. ......................
Rrrtga .....................
Bragnnça ..................
Castello Branco.............
Coimbra ...................
Evom .....................
Faro ......................
Guarda ....................
Leiria .....................
Lisboa. ....................
Portalegre .................
Porto ......................
Santarem ..................
.........
Vianna do Castello..
Villa Real .................
Vizeu ......................

Calculando em 6.000:000 approximadamente o numero total doe


predios rio continente e ilhas, e notando que muitos milhares d'elleri
são outras tantas arvores, o que simplifica extraordinariamente o ex-
pediente, acha-se que 6.000:000 : 130 = 46:153. Sendo 130 as com-
rnissges, a cada uma corresponderá pois o serviço de 46:153 predioe.
Dividindo este numero por 540 dias (dezoito mezes), acha-se
arrolamento medio dever4 ser de 85 predios, o que se p6de !,"te:
porque se tem feito, recorrendo a varios meios pratieos de simplifi-
caz o trabalho.
Se parecer ainda aseim difficil obter esta media, ou em praao maia
curto se pretender o arrolamento, augmenta-se o numero das com-
miss0es nau grandee, aproveitando pessoal habilitado nas comarcas
pe umas,
&e 147 predios urbanos agglomerados jA @etem obtido o arrole-
mento em um dia, aproveitando valiosos trabalhos preliminares.
De 100 predios rusticos em districtos, nos quaes a propriedade B
muito dividida, jB se tem obtido o arrolamento em um dia, aprovei-
tando os trabalhos preparatorios.
Onde é grande a propriedade, e sccideutado o terreno, o trabalho 6
maie demorado e difficil. Em todo o caso, conhecido o numero e cir-
cnmstanciae doe predios, a duragiio do trabalho depende do numero
dse commiss0es.
Oa trabalhos reliminares são tanto mais importantes e aproveita-
veis quanto melpores silo as matrizes. Um districto, por exemplo, o
de Vizeu, aervir4 para indicar a ordem adoptada para a inscripçb.
Os trabalhos preparatorios e preliminares facilitam mais o arrola-
mento, quando a ordem das matrizes A a topographica.
DISTRICTO DE VJZEU
Nota demonstrativa da ordem da descripção dos predios
em cada um dos concelhos d'este districto
Concelhos I
--.-
, Ordem da de8erlpçio dos predin
--- -

Armamar
Carrega1
........
......... Topographica.
Mixta.
Caatro Daire ..... Por grupos de predios pertencentes a cada indi-
vidao em cada freguezia.
8anta Comba DLlo.. Idem idem.
Fragnae .........
S. J& de Areias..
Idem idem.
Idem idem.
Lsmego ..........
Mangualde ....... Topographica.
Por grupos (na fórma acima).
Moimenta da Beira Alphabetica,
Mondii .......... Topographica.
Mort8gua
Nellae
........
........... Por grupos (na fórma acima).
Idem idem.
Oliveira de Frades Idem idem.
8. Pedro do Sul. .. Idem idem.
Penalva do Castello Topographica.
Penedono
Pesqueira
........
........ Por grupos (na fórma acima).
Idem idem.
Rezende ......... Idem idem.
kttam ..........
Sernancelhe ...... Idem idem.
Idem idem.
Sinfhs .......... Idem idem.
Tabuaço
Tarouca
.........
.........
Mixta.
Alphabetica.
Tondella
Vizeu
.........
............ Por grupos (na fórma acima).
Mixta.
Vouzella ......... Por grupos (na fórma acima).
Passo a outro ponto. Quando se considera a quesso dos
arrolamentos, esquecem-se inteiramente as matrizes quanto
4s despezas, e o pais provavelmente acredita que nno havia
despezas ; acredita que air matrizes não custavam dinheiro,
que os trabalhos preliminares dos arrolamentos nfio se pa-
gavam, que eram de graça. Declaro formalmente que o
serviço nunca se fez de graça, nem creio no serviço feito '

de graça. Estou persuadido que muitos proprietarios d'este


reino, abastados, importantissimos, homens de uma elevada
posição, se fossem convidados para louvados, iriam e dis-
pensariam todo o salario. Mas eu perguntarei d camara se
lhe convem estes louvados. Perguntarei 4 camara quaes se-
riam os resultados da louvaç30. Por consequencia parece-
me que o mais regular é manter o serviço como elle se tem
mantido em todo o tempo, pagando e pagando melhor e
mais regularmente, e escolhendo mais escrupulosamente o
pessoal, que antes do decreto de 30 de dezembro n%oera
escolhido com grande cuidado.
Para mostrar d carnara como este serviço era retribuido,
citarei apenas dois exemplos, por isso que não quero mul-
tiplicar muito o numero dos exemplos, nem augmentar a
massa de documentos, que desejo juntar 4s consideraçllea
que estou fazendo ligeiramente.
Aqui est4 um districto que merece muito ser considera-
do, e em que o trabalho tem sido bem feito.
Sabem bem S. exeasquanto se tem gasto nas matrizes no
districto de Santarem? De gratificaçges certas 2:929#000
rdis; de gratificações incertas 22:399&KM3réis; de gratifica-
ções extraordinarias 1:279191000 réis. Note-se bem que tudo
isto Q anterior aos arrolamentos, tudo isto náo 8 dos arrola-
mentos. Preciso notar que estas verbas todas são do servi-
ço anterior aos arrolamentos, e juntas formam a quantia de
26:607$000 rkis. Salarios aos louvados,que servem de gra-
ça, 7:417#835 r&. (Voíes :-Ouçam,Ouçam.) Totalidade
geral 34:025#747 r&. Isto Q n'um districto. Isto B quanto
custaram as matrizea em diversos annos de 1854 a 1868.
DILJTRICTO DE SANTAREM
Nota da despeza feita com a liquidação das ctontribuições predial, industrial e pessoal nos annoa de i854 a i868
Quanto reapeil r a cada uma d
Annos civis -I

Certas Predial Industrial Pessoal

N. B. Tanto os escriv&es de fazenda como os louvados teem sido remuiieradori pelo seiviso das contribuiq0es pessoal e
i duatrial sem distincgiio da parte respectiva a cada uma daa mesmaa contribuiqOes.
Agora outro exemplo. Vamos a outro districto. Vejamos
quanto custou a reforma da matriz n'um anno. Note-se que
muitas vezes a matriz, que muito custa, nào 8 senão a co-
pia da matriz anterior (apoiados), segundo diz s camara
municipal de Amarante.
No districto de Coimbra gastou-se n'um anno, e não cito
este exemplo para dizer que se gastava muito, mas para
provar que se gastava, 5:1374000 r8is e com os louvados
1:5866540 réis.
DISTRICTO DE COIMBRA
Nota das gratificacões e salarios pelo serviço das matriees grediaes
no anno de 1866

II
Gratificações
Concelhos
I
OldiDariP Extraordi-
narie
1 Total

Arganil.. .
Cantanhede.
...... 160,&572 848010
213b592 1026880
2448582 112$600 367&182
3168472 188700 3356172
Coimbra. .. ... 4654020 828740 547&760 808300 6288060
Condeixa. .... 1115771 358780 147565551 465200 1936751
Figueira ..... 3413400 764970 4186370 124a920 S43C290
Goes. .. ...... 563480 47$710 1045190 108&330 212&700
Lotizã.. . . . ... 758200 264950 102$050 96&900 198$950
M i r a . . ....;. . 56J555 228740 79$295 32i200 82iZ495
. .
Miranda .. . 725050 293760 101565810 226200 124$010
.. .
lvlontemór . 2863468 613170 3474638 60$600 408d288
Oliveira doHos-
..
pital. . ... 1814749 436740 2258489 2338640 4591129
Pampilhosa.. . 516287 348560 856847 396800 1258647
..
Penacova . .
... .
Penella . .
706380
674078
'i24970 1438350 1435700 287$050
40Ji940 108$015 444700 158&718
Poiares ..... . 336618 206S60 548 178 85$600 1394778
Soure ........ 2416506 738720 315822G 898880 4038106
Tábua.. ..... 1508049 598550 2094599 2748700 484t209
2:6349675 9164750 3:5516425 1:5866240 5:137#665

Um illustre deputado nota a insiifficiencia da verba em


alguns concelhos. Digo francamente, que informações se
podiam obter e que serviço se podia faeer com essa pe-
quena verba?
No concelho de Mira, por exemplo, em que a camara
fixa muito as suas attenções, sabe quanto ganharam os lou-
vados em 18661 Quanto se pagou pelas informações que
deram para verificar o rendimento collectivel? 3J200 r6isl
NZo deeejava de certo fatigar a camara, mas B do meu
dever responder agora ao illustre deputado, o sr. Ferreira
de Mello, que n3o vejo presente.
Vwes:-Eat4 presente.
O meu illustre collega, como membro da humanidade, e
como deputado da naçf o, lamentou os acontecimentos, que
todos lastim&mos, e discutiu a questão dos arrolamentos.
Ha de permittir-me S. e ~que. eu~ não me refira & parte do
seu discurso, que dizia respeito & questzo dos acontecimen-
tos de Arada, porque o nobre ministro do reino deu a res-
posta que podia e devia dar, e porque sobre este assumpto
entendo eu que 8 inconvenientissimo fallar desde que está
sujeito a um poder independente (apoiados). Creio ate que
haverS. grande vantagem em que se não trate d'elle em-
quanto se n3o resolver o que tem a resolver outro po-
der.
Mas o meu illustre collega, que sabe peiieitamente que
o respeito muito, e de certo niio duvida dos sentimentos de
sympathia e benevolencia, que me animam sempre que
tenho a tratar com S. ex.l, ha de permittir-me que de al-
gum modo lamente que me collocasse n'um terreno um pouco
desfavoravel ás minhas intenpões. Disse S. e ~ . com ~ , um
certo desabrimento, que n6s lhe não merecemos, que todos
quantos acreditavam no decreto de 30 de dezembro fica-
vam sujeitos d irrisão publica.
Nem o governo de certo aceita isso, nem eu.
O sr. Ferreira de Mel10:-Peço perdso, eu não disse
íseo.
O O~ado~:-Desde o momento em que S. e ~ diz. que ~
o não disse, tarnbem eu não digo que o disse.
O sr. Femira de MeZlo :E u disse aue. com o conheci-
mento que tenho d'eate genero de trabalhó, se acreditasse
que se podia fazer em tito curto espaço de tempo me con-
siderava exposto, pelo meu proprio facto, & irrisão publica.
Fallci de mim.
O O~udor:-Emfim passemos adiante. Eu tinha ouvi-
do, ou pareceu-me ter ouvido, dizer que ficavamos sujeitos
4 irrisão publica.
A camâra fica sabendo que se fosse exacta a asserção me
pia obrigado a responder, n3o respondo porque S. ex.' de-
clarou que o não disse. Mas dizendo que, se acreditasse, se
expunha 4 irris80 publica, ainda assim mesmo não nos fez
justitiça. Foi isto talvez devido a um d'aquelles desvios que
não permittem que o orador diga exactamente o que preten-
de &er.
O sr. Ferreira de Me2lo:-Se v. ex.. me dá licença eu
leio a parte do meu discurso s que v. exa3se referiu.
O Orador :P o i s não.
O Sr. Ferreira de I).leilo:- O que eu disse foi o seguin-
te :
aSe eu podesse acreditar, ou fingir que acreditava, na
realisa$o d'este impossivel, e em que alguem havia de fa-
zer em dezoito mezes a inspecção ocular e descripç30 por
esta fórma de cada parcelln de terra em todas as fregue-
zias (ic todo o paiz; eu, Sr. presidente, digo a v. ex." fran-
camente que, desde o momento em quc eu desse prova de
tão pueril credulidade, perante o tribunal da minha con-
sciencia, considerava-mc exposto pelo meu proprio facto á
irrisão publica. ),

O 0;ador :- as pondo dc parte esta questão, que estd


prejudicada, declarou o illustre deputado que entre o de-
creto dos arrolamentos e o sei1 projecto de registo predial
havia uni ahvsmo. Esta 6 tambem a minha o~inigo.
J A

Effcctivamcntc cntre um c: outro ha um abysmo.


Permitta S. CX." que PU f a p uma breve indicaçzo A cn-
mara do qirc tí: o PPU projecto, porque n'esta occasião gra-
vissima, em qiiè um assiimpto d'esta ordem se debate, con-
vem que appareeçam todas as idbas (apoiados), que todas
as propostas sejam conhecidas. Vou fazer uma agrcciaçãc
desfavoravel ao projecto do illustrc deputado; mas é muito
possivel que qualquer outra pcssua a faça em sentido fa-
voravel, entretanto entendo que é conveniente que sobre
elle recáia u m a tlisciiss?io, iriesmo porque é chegada a oc-
casizo de dizer tudo francamente. M o tenhamos receio.
Para que? Tem-se dito 16 fora o que 6 preciso dizer; di-
gamos n6s tambem aqui o que 6 preciso que se diga, para
que a questão fiquo completamente esclarecida. Não se di-
ga que queremos passar de leve por cima de uma boa
idBa. Declaro francamente que se as rasoes do illustre de-
putado podessem convencer-me que o registo predial seja
um meio efficaz do conseguir o resultado que se deseja, vi-
ria dize-10 :i camara. Não tinha vergonha d'isso; porque
entendo que nas lutas da intelligencia, o ser derrotado niIo
B vergonha quaiido se procede com sinceridade (apoiados).
H a uma parte do projecto do illustre deputado, com a
qual eu concordo perfeitamente, e estimaria muito que em
todas as circumstancias solernnes, e sempre que ta trata de
actos de certa irn portancia, si! adoptassem as providencias
que o illnstrr deputado propoz, porque B preciso formar
opinião ; 6 preciso propalar certas idbas, para que depois sr-
jam bem aceitas.
O illustre deputado começa o seu projecto dizendo que B
neceesario qu0 o governo mande publicar uma exposiçlto
das vantagens que resultam do registo predial. No formn-
lario do artigo 1 . O d'esse projecto tomou S. e ~ como
. ~ base
em toda a occasião a larga publicidade em tima especie de
manifesto, deatinado a fazer conhecer a todos quaes os in-
tuitos do governo decretando o 'egieto predial. Concordo
perfeitamente com esta idéa.
NHo sou dos que entendem que o governo n% deve ter
imprensa ao seu serviço. Tenho mais esse defeito. Não
quero um governo com imprensa facciosa (apoiados), m a s
quero que elle tenha imprensa para defender e siistentar as
suas idéas, para as propalar e fazer com que os povos as
comprehendam, para que chegue a toda a parte o sentido
verdadeiro e genuino das providencias que o governo pre-
tende adoptar (apoiados), ou tiver adoptado, porqlre de ou-
tro modo o governo niXo sabe como ha de lutar com a OU-
tra imprensa que inverte tudo, e que em todos os planos
que elle apreaonta acha defeito (apoiados).
Aceito portanto o principio do rnanifesio, e tanto o aceito
hoje quanto o aceitei jd, porque o illustie deputado ha de
concordar que teve em mim um bom discipelo. Tanto O
aceitei, que uma das primeiras cousas que eu entendi que
ee devia fazer era o manifesto, que se fez e que se espa-
lhou pelo paiz, propagando um certo numero de principios
e dando As questaes um certo de,scnvolvimcnto. Na OCC8-
ai80 em que todas as paixaes estavam agitadas, quando as
aggressões e as insinuações desagradaveis choviam por to-
da tr parte, foi então que o homem encarregado de dirigir
este servipo, sem injuriar ninguem, tomando sobro si todo
o peso dos aleives que se levantavam contra a sua pessoa,
entendeu que era preciso e indispensavel explicar em que
oonsietia o serviço.
E sabe v. o resultado? E aquelle que se podia pre-
ver. Ninguem discutiu, e j4 1 vão doia meees. Nem era
preciso discutir.
Desde que se chamava a questão para o verdadeiro ter-
reno, desde que se apresentavam principios, havia necesai-
dade de fugir.
Mas pondo de lado s primeira parte do projecto do il-
lustre deputado, com o resto nao estou muito de accordo.
Ora francamente o illustre deputado, em boa paz, ha de
confessar que o seu intento quando fez o projecto nElo
foi de certo descobrir o rendimento collectavel; eram ou-
tras as suas vistas. (O sr. Ferveira de Mello : claro.)
O S ~ Uregisto predial tinha por fim conseguir a inseri-
B Ç ~ O e a descripçgo da propnedade, podia ser adaptado
depois ao serviço da descripção do rendimento collectavel;
mas como estava, do modo por que se apresentoil, não ser-
via, nEo podia gervir.
Naturalmente quando se formula um pro,jecto, com uma
certa iotenc3o e para uin certo fim, n30 6 facil adapta-lo a
outro sem ruodifica~c"iesprofunct~xs,
Ora, vc:janios em qiie consiste o systema, porqiic vou di-
zer em que concordo. Kós preciaâmos da descripção por
inspeccão directa, c toda a questgo estii n'este ponto. As
descripções feitas de cOr, feitas por um individuo qualquer
chamado a uma repartiçao publica, para dar conta do que
é, c do que póde produzir, uma propriedade, P%O sempre
defeituosissimas. Quizemos substituir isto pelas informagões
directas, que dêem em resiiltado uma descripçno mais facil.
Supponbemos j á como cousa assentada e certa, para não
failarnios oiitra vez no cadastro de F r a n ~ a da
, Belgica, nem
da Italia, porque costunio pouco aferir as nossas praticas
pelas praticas estranhas, que o que se pretende apenas con-
seguir, é o melhoramento da descripçso, e n?do o cadastro,
ninguem pensou n'elle; o decreto é muito mais modesto,
pensou a6 em realisar o arrolamento por um modo mais se-
guro e maia proficuo. Como pretendeu o illustre deputado
fazer a descripçao? Mandou constituir commissões de co-
marca, e estarnos de accordo. E m cada comarca constituiu
uma commissão, e depoiei mandou constituir commissões nas
parochias. A commiss5o de comarca funcciona superiormen-
te, e resolve as difficuldades e as duvidas ; a commissão de
parochia é quem inspecciona os predios, B quem os exami-
na, quem percorre a, localidade e faz o arrolamento topo-
graphico dos predios. At6 aqui perfeitamente d e sccordo;
o numero de commissGes é maior, mas pelo principio, que
ainda agora apresentei, não ha duvida, porque aendo O nu-
mero de commies8es maior, deve fazer-se o serviço mais
rapidamente. Mas o illustre deputado estabelece uma re-
gra para a nomeag8o de commissões, regra que me não
agrada muito.
A commissão (te parochia B nomeada pelo escrivão de
fazenda. Ora, no systema que nós temos adoptado pelo de-
creto de 30 de dezembro, se se levantam queixumes, sendo
a eleição feita pelo delegado do thesouro, sob inspecçxo do
encriv2io de fazenda, e depois com a superior approvação
do inspector geral; se contra esta commissllo se levantam
queixas; se o serviço póde não ser bom, as commissões de
parochia que o illustre deputado propõe, apesar de melhor
retribuidas, deixarno o serviço ainda mais defeituoso. Se
ha perigos agora na escolha, maiores seriam esses perigos
contiada a nomeação aos escrivães de fazenda.
O illustre deputado quer o serviço gratuito, o que tam-
bem B difficil; mas estabelece uma regra que de certa ma-
neira compensa os incommodos dos individuos que fazem
parte das commissões, e 6 dar-lhes condecoraçóes.
As condecorações valeram em outro tempo, e já não va-
lem tanto .,.
O Sr. Ferreira de Mello :-Essa agora !
O Orador: -Eu desconfio muito de que jii n2o valem.
Podemos dize-10 com certa franqueza., .
O Sr. Ferrei9.a de Mello :-Eu nHo sei dizer, que não
tenho.
O Orador :- E menos valerão, se nGs fizermos com q u e
as cousas cheguem a esse ponto.
Em 130 comarcas, tendo cada uma a sua commissão de
5 membros, o que emprega 650 individuos, vem a haver
650 commendadores ...
O Rr. Ferreira de 1Mello:-Sr. presidente, peço a pala-
vra. E, se no regimento nlo ha prescripçlo que garanta
ao deputado interpellante o direito de responder em qual-
quer occasi30 4s pesssoas interpelladas, peço a v. ex.. que
me inscreva na altura que me tocar.
O O~ador:-Se o illustre deputado deseja interromper-
me, obsequeia-me, porqiie eu, estando fatigado, descansa-
ria com a interrupçzo...
C) sr. Fmeira de Mello :-Agradeço muito. Mandei
buecar o projecto.
O Orador :-Eu n30 preciso mandar buscar o projecto.
isto, ou commeodas ou habitos.
Com estas palavras não pretendo fazer offensa nenhuma
.
ao illustre deputado..
O Sr. Ferreira de Mello: N e m eu estou offendido.
O Orador :-Estou comparando os systemas.
Eu pago o serviço a dinheiro, e o illustre deputado quer
paga-lo com titulos honorificos, ou condecorações, sendo
dispensados do pagamento dos respectivos direitos de mer-
cê os individuos a quem forem concedidas. E d'aqui re-
sultam 650 condecorados.
Alem d'iato, o illustre deputado paga ainda aos mem-
bros das commisa0es parochiaes dispensando-os do servi90
do jury, e permittindo-lhes isentar um recruta do serviço
militar, o que deve produzir a isenção de 10:000 recrutas
pelo menos.
Todos n6s vemos a differença.
Eu nào quero dirigir a menor censura ao illustre depu-
tado, repito; estou apenas a comparar os systemas.
E u pago o serviço a dinheiro, e o illustre deputado pa-
ga-o por meio d'estas concessGes.
E m 3:000 freguezias, tendo cada um dos membros das
commiss6es a faculdade de salvar um recruta, devem ger
isentos do serviço militar, pelo menos, 10:000 recrutas.
E verdade que o servit:o militar ngo 8 prejudicado, por-
q u e o illustre deputado explica mais adiante que v50 fa-
ze-lo os immediatos.
NRo me parece que a paga n'este genero seja a melhor;
mas ponhamos isto de parte ...
O Sr. Ferreira de Mello :- Peso a palavra sobre a ordem.
O Orador: - O illustre deputado incommoda-se com
isto.
O ar. Ferreira de Bletlo: -N80, senhor.
O Orador: -&Ias pediu a palavra já mais de uma vez,
quando eu não faqo mais do que ser um narrador fiel do
que leio no Diario da camara,
O que li foi que os membros das commissões seriam pa-
g o s com condecoragaes, com a isenç8o do jury, e com re-
crutas. E não f a ~ oobjecções nem commentarios. Não pre-
tendo oppor-me a isso. P6de pagar em recrutas, como
queira (riso).
Mas com isto na0 quero dizer cousas desagradaveis a
a. e ~ . porque~ , de mais tenho a maior sympathia pelo Sr.
F e r r e i r a de Mello, cujo merecimento reconheço e admiro.
Nao tenho idéa de collocar S. ex." em mB posiçgo. Entre-
tanto, parece-me que é inquestionavel o direito que me as-
siste, e que igualmente tem qualquer membro d'esta ca-
m e r a , de discutir pacificamente qualquer assumpto (apeia-
dos).
Vamos agora aos trabalhos das commissões habilitadas,
e por este modo e maneira pagas para o serviço da des-
cripção dos predios.
O Sr. Pereira Dias: -Peço a v. ex.' a palavra para
u m a questão previa.
O Orador: -O illustre deputado apresentou no fim do
seu projecto uns mappas em que a propriedade se des-
creve, e eu devo confessar que os mappas d e registo taes
como agora estão, eatisfazem completamente para a descri-
pçzo*
NZo creio nas commissões aesim nomeadas, não creio nas
commissões assim pagas, maa creio nos trabalhos que se
e x i g e m das commisaões.
Creio que o projecto convenientemente alterado poderlz
dar em resultado a descripçiio dos predius, e concordo com
o aystema da deacripqào, mas é necessario discriminar d7esse
projecto a parte que n a minha opiiiiZo deve ser considerada
e a que não p6de de forma alguma rier acrita~el.
Ko projecto do illustre deputado ba uina psrtc que eu
considero aceitavel, comecando pelo ai tign 1. O cili q u e se
declara o pensamcrito do projecto ; p:ii.Cn~ depois qitnildo os
registos appareccni ou quando se descjs que clles aírpare-
gam, falta uma condic$o essencirilissirna, que 6 n rendi-
mento collcctavel; e a falta d'este rcndirnento rio 11;~lIode
todas as regrae que l i estxo, é, repito, uma falta muito es-
sencial ; e n%oadmira que esta omissao se encontre, porque
ease projecto nilo era fiscal.
Sr. presidente, sem que appareça o rendimento collectavel,
eu posso definir um predio, confronta-lo e saber perfeita-
mente como elle fica designado at6 chegar ao ponto em
que não posra haver contestaçiio. Entretar'to o predio está
definido, mas n3o e s t j avaliado (czpoiados), nao está desi-
gnado o seu rendimento, e nJs iiho podemos saber o que
deve servir de base para o imposto, purqire cllc tam de as-
sentar sobre o rendimento coliectavel (apoicrdos,).
Aqui vem a proposito repetir o que o iilust~ed<iputado
disse sobre o imposto lariçado no capital c no rcridirnento.
Ninguem fallou em se ir lançar imposto sobre o capital,
e o decreto de 7 de abril de 1869 declara pcrfcltanentc
que se tem de pracurar o rendimento da prupricdada.
No registo da conservatoria o que sc l;r~cur.;:i: um vx-
lor e esee valor in~creve-see faculta elementos a que Q pre-
ciso attender para fornecer a matriz.
E necessario colligir quantas informaçiias se possam nl-
cançar para se acertar com o lendimento collectavel, e pa-
ra se chegar a isso é precieo ter quanto po possa recolher
em rclaçiio ao valor venal, aos encargos ci'easa proprieda-
de e relativamente n todas cio outras coiidis5es para bem
determinar quanto ella reiido (apoiados).
O illuetre deputrdo tem perfeitamente rasgo quardo diz
que =se attenderrnos iboladamente qualquer d'essas coa-
dições, seremos induzidos era ewo ; que, t;a seguirruns as in-
dicasues que r e m no r~gistoda (:onsrrrutoria quando o
individuo que vier registar pretender obter dirlheiro cobre
o seu predio, que coniiaii~nmerece o valor qiie IA esiá? Ne-
nhuma-.
Que confiança póde aeiecrr a iriforiuui,20, :e acaso for-
mos buscar uma ou outra indicado, que nem sempre ~ e i . 8
segura? A vantagem estii em i r procurar todas e deduzir
do complexo de todas as consequencias que desejâmos tirar.
O illiistre deputado queixou-se de qiie n5o tinham che-
gado ao seu conhecimento os mappas c modelos que esta-
vam appenslbs ao decreto, porque não furam publicados no
D ~ c L Peco I * ~ l~i c.c n ~ aao illustre Ecputndo para dizer que
nie p::rri::c que S. es.", oii nquc!llrts pesioas quc tivcssein o
menor '21p-,"lio ciii obter cb::jes i~iodelos. que pelas suas
6ispsisGes ii~tiii~ucs 1120 podialu. vir n o 1)iíi.rio seiii occu-
par grande esp;i~o,e i v a P ~ F Cattendcr ILO :i economia ; digo,
se hoiivesge qualquer cinpcnho em obter esses modeios, era
iseo coiisa fhciiin:n, porque estavam espalbados por todo o
paiz, existiam em todas os concelhos e em todas as repar-
tiçcies de Lisboa. L6 estavam tambem no circulo que S. ex.'
representa.
D o modelo A havia nada menos do que 464:000 exem-
plares ; do modelo B (lezc).
Nota dos impressos, em conformidade dos modelos a que se re-
fere o decreto de 30 de dezembro de 1869, que, ate i data de
hoje, têem sido remettidos para os districtos administrativos
do continente do reino e ilhas adjacentes
- - -- - -

Numero de folhas dos modelos


-- -C1 --.
A B C D E

464:13'2 83:566 6:775 19:722 100

Não ' ha portaiito difficuldade alguma em obter algum


exemplar, mas os modelos nXo podiam senão satisfazer aos
preceitos do decreto. Os mappas estavam em branco todos.
E u digo isto, .porque s. es.. queixou-se de não ver os
mappas no Diarzo; desejo dar a rasão por que nso vieram,
e sem isso não fallaria de tal. As economias não permit-
tiam pôr no Diario os modelos e mappas, e alem d'isao
essa publioagão no Diario tornava-se desnecessaria, desde
que a distribuiç80 dos mesmos modelos se fazia chegar a
toda a parte.
Associou-se ao sr. Ferreira de T\Iellci o Sr. Cnrlos Bento.
8. es." colloca se seiupre i1'11ma posi@o, que é extrema-
mente vantajosa para si e desfavoravel para quem tem de
o combater. Este illustre deputado tem uma certa tenrlen-
cia para deixar incertos, vagos, mal definidos os seus pen-
samentos, n%o por falta que se possa attribuir a uma in-
telligencia tiio elevada, como é a do illustre deputado; mas
porque se expressa de tal modo, cotn tal calculo e com tal
habilidade politica, que difficilmente os seus adverearios o
podem atacar.
De modo que eu, tendo de tazer algumai corisideraçùes
ao que S. ex." disse, apenas me referirei r< dnis pontos, em
que me parece que S. mais claramente deixou definido
o seu pensamento.
Disse-nos S. ex." que -=lhe parecia que aos proprieta-
rios faltavam garantias-, e 6 a reapeito d'essa talta de ga-
rantias, de que elle se queixou, que eu preciso fazer agora
varias considerações.
Se o proprietario nZo era chamado, coiiio 8 hoje ; se nâo
era consultado no scto das avaliações, e hoje é ; e se tem
a faculdade de reclamar contra o arrolamento, parece-me
que S. ex.. nilo tem rasão, e que este seu receio provbrn
talvez de não ter considerado tão attentainentc como podia
alguns dos artigos do decreto.
Mas o illustre deputado fez çonaideraçCes sobre uma lei
cuja revogaçao, em parte, acaba de ser proposta pelo go-
verno, e que tambem j&o sr. Ferreira de Mel10 yropoz que
fosse revogada.
E u devo dizer francamente ti camara que niio tenho ne-
nhuma responsabilidade n'assa lei ; quando ella foi discutida
n'esta casa, e bem pouco discutida o foi, quando foi sppro-
vada nas camaras, eu nAo fazia parte da representa~ilona-
cional, nZo tinha logar aqui dentro; mas pareceu-me entao
IA fGra que se tinha invertido ;i ordem iiatural, e que as
disposiçóes d'aquella lei nào podiam eer cumpridas.
A experiencia veiu depois confirmar o que eu previa.
Ngo se illuda ninguem com esae algarismo que appare-
ceu para designar o numero dos predios manifestados, Re-
correndo aos mappas, acha-se que foram manifestados no
continente do reino 577: 119 predios, sO no reino ; quer di-
zer, que entre continente e ilhas temos approximadamente
no manifesto 600:000 predios.
Nno se illuda ninguem com esta elevada somrna. Parece
á primeira vista que em presença d'este resultado, a lei
era uma lei efficaz e boa, e não é assim.
O governo propoz a revoga$io de um artigo d'esta lei,
e eu direi á camara que me parece que a revogaçao devia
ir mais longe.
Este trabalho da descoberta dos predios sonegados não
se faa como se quiz fazer. E preciso saber a historia das
matrizes e como foram feitas as que regulam agora, para
bem apreciar como póde ser cumprida a lei de 30 de agosto
de 1869. É preciso saber que as juntas dos repartidom
quando organisaram as matrizes, estavam impacientes por
acabar um trabalho fastidioso e n8o remunerado ; e por esse
motivo desprezavam muitas veees os esclarecimentos e de-
clarações dos contribuintes.
H a um pequeno concelho n'este reino, que tinha na ma-
triz 9:000 predios descriptos, e pela lei de 30 de agosto de
1869 foram descriptos na mesma matriz mais 10:000 pre-
dios !
Ora em um pequeno concelho quem 8 que póde acredi-
tar que andassem 10:000 predios sonegados? ! ...
H a muitos concelhos assim. Ha um districto em que es-
tavam 188:OOO predios sonegados. E o districto de Vizeu.
E isto fundamento bastante para se considerar que havia
sonegadores criminosos, proprietarios que pretendiam de-
fraudar a fazenda, evitando que os seus predios fossem A
matriz? h'ão se deve concluir tal. h verdade que muitos
predios estão fóra da matriz, mas, pelo amor de Deus, nPo
exageremos as cousas, não vamos considerar que todos os
proprietarios dos 600:OOO predios procuravam defraudar a
fazenda, e que esses predios não estavam na matriz por sua
vontade.
Mas eu digo a rasão por que tal acontecia.
As juntas dos repartidoree, que estavam impacientes por
terminar este serviço que era gratuito e nem mesmo para
elle havia condecoraç8es, n%ohavia nada, recebiam a s de-
clarações, que verbalmente Ihes iam fazer os contribuintes,
porque todos n6s os que bem conhecemos as provineias, e
sabemos como as cousas 1á se passam, temos noticia de que
o contribuinte n8o é sempre muito muito apto para dar de-
clarações por eecripto.
Vinha um proprietario de uma ordem mais ou menos ele-
vada e fazia a sua declaração verbal; tinha, por exemplo,
trinta predios n'uma freguesia, descrevia quatro ou cinco,
faziam-n'o parar e diziam-lhe-basta, n8o B preciso descre-
v e r mais predios. Qual 6 o seu rendimento total n'essa fre-
guezia? Tanto. Pois bem, n6s aceitâmos esse rendimento.
O resultado era que de trinta predios ficavam f6ra da ma-
triz vinte e cinco, e não obstante o contribuinte pagava em
relsçgo a todos elles. II o que aconteceu no tal concelho
onde os 9:000 predios foram elevados a 19:OOO.
E Q isto mesmo o que acabo de saber de outros contri-
buintes com quem fallei, porque eu, n'eatespasseios de re-
m e i o a que o governo me tem mandado, aproveito a occa-
siao de fslllar com os contribuintes, assim como fallo com
as luaccionarios publicos, e com todos aquelles que me p-
dem esclarecer.
Por conversações que tive com os contribuintes vim a
saber que estas declaraç6es não recebidas, ou recebidas in-
completamente, deram origem ao que se chama sonegados,
que iiiio sào verdadeiros sonegados, quer dizer, ?:e são
predios que ficaram fdra da matriz, mas cujo rciidimento
lá estava coIlectado.
As juntas dos repartidurea tomavam nota de uiis e dei-
xavam outros de fóra. E u sei, por exemplo, de um prazo
que se compunha de vinte predios ; aceitaram a declara-
950 do prazo e nilo se descreveram oa predios: agora ap-
parecem vinte declara~aes. Por consequencia, cumprida a
lei, devia dar logar a grandes injustiças, e por isso talvez
eu não quizesse a revogação de um artigo da lei, mas de
toda ella (apoiados). Perdoe-me a camara que o diga. 3450
quero qualificar de modo nenhum desagradavel o acto pelo
qual essa lei foi approvada. Acredito que houve as rnelho-
res intençaes. O relatorio que precedia a primitiva pro-
posta do governo era seguramente fundado no&melhores
desejoa de acertar, mas o resultndo não eorrespondeu, e
nâo correspondeu porque não podia corresponder.
Sabia-se que havia predios sonegados, e eu declaro 4
camara uma cousa : A que todas as 600:000 declarações
ngo trouxeram os verdadeiros sonegados; os principaes, o s
mais importantes sonegados, não vieram aqui. Foram so-
negadoe apesar de tudo ; e como se descobrem os predios
sonegados ? k pela inspecção directa; A pelos arrolamentos
topographicos, e por aquellae confrontações inuteis de que
nos fallou aqui o ar. Albuquerque.
Eu acho de grande vantagem os arrolamentos topogra-
phicos, porque os predios que estavam fóra da matriz en-
tram n'ella pela nota da eonfronta@o. Este pobre arrola-
mento, eete desgraçado arrolamento que se esth fazendo,
tem algumali vantagens; basta dizer que elle tem dado Io-
gar á descoberta de predios que tinham ficado sonegados,
apesar da lei de 30 de agosto,
Mas, sr. preeidente, ha, outros casos em que os predios
têern ficado fora da8 matrizes, sem que o proprietario tenha
tido culpa de que elles ficassem fdra.
Entretanto não é a occasi%o para insistir muito n'este
ponto, porque d'elle nos occuparemos talvez um dia pro-
ximo, quando se tratar da discuss50 de outra lei; mas 4
bom que uo espirito publico fique esta idéa, é bom que se
saiba 14 fóra que n6s estamos convencidos de que a lei não
deu tudo quanto podia dar, e deu resultados que nilo se de-
viam esperar.
Bem fez a camara municipal de Amarante quando repre-
sentou contra ella, porque n'essa representação ella diz ver-
dades, e verdades muito attendiveis. A camara municipal
de Amarante representou contra esta lei de 30 d e agosto,
e na sua representa$o diz o seguinte:'
((As matrizes de 1861, de que eiio quasi copia as de 1866,
foram feitas por louvados da locaiidade, que fizeram uni
arrolz meu to arbitrario e incompleto.
Affirma que os contribuintes d o inter~ieramna de::-
cripção de seus predios.
E pede que ee suspenda a execução da lei at6 que nas
novas matrizes, decretadas pelo decreto de 30 de dezembro,
se descreva cada predio com o ?*endimento que lhe res-
peite.
A cainara municipal de Amarants em fevereiro d'este
anno pediu que se lhe suspendesse uma lei, porque lhe parecia
que a doutrina do decreto eiitno era mB, e servia-lhe para
esta causa invocar o decreto de 30 de clezembro.
A camara tinha bons argumentos para coiilbater a lei de
30 d e agosto.
O Sr. Nogueira Soares :-A camara ~riunicipalde Ama-
rante, na reprcsentasalo que apresentou, ri20 se o p p k aos ar-
rolnmeiitos, pelo contrario, coiicorda com elles.
O Orador :-Se acaso se apresentam, como disse, á ca-
mar&, rasões, e rasoes valiosas, contra o decreto cle 30 dc dc-
zembro, essas rasões já lá estavam cm fevereiro.
Pois se o louvado de f6ra era de taiiianlia inconveniencia,
o que B camara municipal de Amurante sabia, e não pre-
cisava d e fazer experiencias para o sabor, porque n%odisse
logo, para que pediu pura e simplesmente n esecuçEo do
decreto?
O quo i? preciso que a camara saiba é que a camsra muni-
cipal reconhece que as descrip~õescstao mal feitas, é que a
curnara municipal confessa que as matrizes estito milito de-
fcit~iosas,Q que a cainara municipal declara que a culpa O
dos in'i'orrnadores de casa, e é finctlmerite que a cainara n u -
nicipal n'estn representa@o, dizendo nial dos informadores
de cam, n3o diz mal dos inhm:;dorc;; t?c f h a .
O qiic é preciso notar tambem B que u cariiara iiiunicipal
rle Ainaranto apli(illa pnra o dccreto de 30 dc dezeinbro,
quando não llie convrni a lei de 30 de agosto; e que re-
presenta contra o decreto de 30 de dezembro agora, quan-
do jb ost& proposta a revoga@o, que pedira! Sb isto.
E diga-se entretanto, com justiça, que era bem que pro-
cedessem todos em toda a parte como se procedeti em Ama-
rante. Repita-se isto aqui; faça-se justisa á maneira por que
em Amarante se procedeu, porque é assim que se deve pro-
ceder (apoiados).
Quando uma providencia do governo vae de algum modo
affcctar desagradavelmente os povos, a maneira regular de
proceder 6 dirigir aos poderes publicos as representacões
convenientes (apoiados). Os poderes publicos consideram e
nào teimam, porque têem obrigação de nAo teimar, e por-
que teimando n?lo B que se governa, mas podem resolver
como entendam que 8 de justiça resolver, deferindo ou in-
deferindo essas petições.
Ngo k queimando matrizes que se resolve a questgo doa
arrolamentos ~apoiados).
O que me parece, em resumo, no fim de tudo isto, é que
ha uma certa conveniencia em estudar ae questoes.
Creio que não cheguei a uma conclusão que v4 aer de
grande gloria para mim. Creio que n3o cheguei a uma
conclus~oque deva trazer para mim os louvores de toda a
gente e a admiração do publico.
Acho que se devem estudar as questões. Parece-me que
muito convem estudar as queetões. Parece-me que ha uma
grande utilidade em discutir estudando. Parece-me que o paiz
ganha muito quando, para se chegar a uma certa eonclus80,
se examinam os factos, se vê imparcialmente conlo é que
o governo procedeu, e se resolve a final approvando ou re-
provando, mas indicando cada um as suas idéas.
Estes eternos commentadores da obra alheia são os ho-
mens mais notaveie que eu conheço (riso); nito ha meio
de os combater nas suas obras, porque nunca fizerem cousa
que se visse.
Ora, quando nilo se apresentam trabalhos a censura B
difficil, nem eu sei como póde elguem censurar os traba-
lhos de quem os não faz. A luta, pelo menos, torna-se ar-
dua e desagradavel.
Quando cada um apresenta as suas idkas, quando cada
um tem o seu pensamento, quando sinceramente todoe
nos empenhâmos na luta, sustentando cada qual aquellas
doutrinas que lhe parecem mais rasoaveis, chegam os ad-
versarios naturalmente a combinar-se, ou se isto não aconte-
ce e se discordam, vence o mais forte, isto C., n'uma sssem-
bl6a venm o que tem maioria, o que tem a seu favor maior
numero de opiniões, mas vencendo um d'elles, fica sempre
um bom resultado da luta, debateu-se a questão completa-
mente. Mas de outra maneira, quando nao hs doutrina con-
tra doutrina, a luta 6 muito mais desagradavel, mais diffi-
e mais perigosa.
No caso de que se trata não apparece doutrina contra
doutrina, o que apparece é um certo desgosto, uma certa
repugnancia, uma certa repulsão a respeito da execuçHo
de um decreto que ao governo pareceu conveniente, e não
nos ensinam a maneira de remediar o mal, e d'isto 6 que
eu me queixo (apoiados).
N6s cstamos realmente n'uma difficuldade enormissima .
O problema financeiro de um paiz, uma questão como 6 a
iiossa questão de fazenda, tem uma gravidade tal que vale
bem a pena de que, assim como dizia espirituosamente o meu
amigo o SI;. Carlos Bento da Silva, todos sejam ministro8 da
fazenda. E preciso que todos o sejam, 8 preciso que todos
estudem a questgo.
Mas estudar a questão não 6 estar qualquer d espera de
que outro tenha uma idéa para saltar sobre elle, para o
maguar, para tornar-lhe desagradavel a vida, e não apre-
sentar ao menos, ao pB d'essa idka, uma outra que pa-
reça melhor (apoiados). Peço pois que 4 doutrina se oppo-
nha a doutriu:~, aos argumentos os argumentos, e ao sys-
tema que se julga mau um systema util, vantajoso, e que
ao paiz traga todos os bens que elle deve desejar.
O illustre deputado, que me precedeu, e que sinto não ver
presente, tirou um certo numero de conclusões, e eu n%o
tenho remedio sengo referir-me a ellas. A sua ausencia
prende-me um pouco ; mas como nilo posso dizer cousae que
o offendam, recopilarei o que me parece que do seu dis-
curso A necessario reunir agora, para manifestar Q camara
qual B a minha id0a e qual é a sua.
Eu tomei nota das conclus5es do discurso do illtlstre de-
putado, e 6 necessario que ellas se formulem rigorosamen-
te, para seguir sempre o systema que desejo seguir, isto C,
o systema de apresentar cada um a sua idda e responder
por ella. E u respondo pela minha e quero que os outros
respondam pela sua. Parece-me pois que nas notas que to-
mei estto formuladas exactamente, fielmente, com a mais
escrupulosa fidelidade, as concluaóes a que s. ex.* chegou
no fim do aeu discurso.
Disse R. ex.. que =o decreto de 30 de dezembro era pre-
judicial e inutil, que as confrontações eram inuteis, que os
louvados eram gratuitos, que foram cerceadas as attribui
.
ções dos escrivães iIe faaenda.. =
Uma vos: -Se v. exOapermitte, direi que o illustre de-
putado que o precedeu náo dirise que os louvados eram gra-
tditos.
O Orador :- Bern, c n t h não me farei cargí, d'easa as-
ser~ko.
(Entrou na sala o sr. Francisco de dlbuquerqae.)
Estimo muito a presenqa do illustre deputado. Estava
resumindo o que S. es.* tinha dito na sessho pas,~adapara
concluir.
Tinha começado respondendo ao discurso de S. ex.", devo
acabar referindo-me tarnbeicn ao sou discureo.
O illuntre deputado concluira que a decreto era prejudi-
cial e inutil, que foram cerceadas as attribuicões dos escri-
vaes de fa%enda, que foram dimínuidos os prasos doa re-
curslis, que o arrolamento não se p6de fazer no praso mar-
cado, que náo se podem fazer mais de vinte arrolamentos
por dia, para serem bem feitos, e que ee fez mal em não
conaaltar a opinilo c10 paiz...
O sr. Francisco de Albitpuerpue :-Eu n3o disse que o
governo consultasse a opinigo publica, disse que era neceasa-
rio que o governo desse publicidade 6s medidas que decreta.
O Olladm: -O decreto foi publicado logo, immedierta-
mentd (apoiados).
Não comprehendo o systema de governar determinando
que o governo quando tenha de fazer qualquer couaa, o mande
declarar previamente, que manda pôr editaes, ou publicar
nos periodicos as mediàas que tenciona propor ou decretar.
Nla comprehendo este systema de governar (apoiadoa).
Entende o illustre deputado, que os arrolamentos d o
prejudiciaes e inuteia. Eu entendo que sBo convenientes e
indispensaveis (apoiadoo), e que se podem melhorar no sen-
tido que ha pouco indiquei.
Entende o illustre deputado, que as confrontagóes sito in-
utds, e que se nHo devem fazer. E u digo que são uteis,
que se podem e devem fazer (apoiadoa).
Disse o illustre deputado, que as attribuições dos eseri-
vles de fazenda foram cerceadas. Eu declaro que as attrí-
buiçaes dos escrivães de fazenda não foram cerceadas pelo
decreto de 30 de dezembro: este decreto manteve áquelles
empregados todas as funcgões que tinham e, alem d'ellss,
conferiu-lhes a direcgão de todo o serviço dos arrolamentos
nos seus respectivos concelhos.
Disse o illustre deputado, que os prasos dos recursos fo-
ram diminuidos. E u digo que dos recursoa ficaram os que
estavam, e que se acrescentou a quantos eram o W a re-
curso &latim ms arrolamentos.
D i s ~ eo illustre deputado que =era impoeaivel fazer mais
arrolamentos alem do pequeno numero que indicou=. EU
digo que o numero se póde elevnr a muito mais.
.
Emquanto a consiclfar... 1130 direi consultar.. conhecer,
procurar saber qual a opinizo publica, estou ronvencido d~
que o governo procurou saber a opiniiio do paiz. O gover-
no sabia perfeitamente qual era a opinião do pais, p x q u e
estava formalmente manifestada no parlamento (apotados).
Ainda boatem citei as palavras do Sr. Barros Gomes, que
dizia. cE necessario nãú deixarmos o ministro da fazenda
até qiio elle trate de melhorar as matrizes D.
Digo, a opinião do paiz estava conhecida, porque estava
formalmente manifestada no parlamento ; sabia-se qual era
a opinilo do governo anterior; sabia-se qual era a opinião
da imprensa, clamando constantemente cnntra as matrizes
(apoiad 08).
Agora quanto aos regulamento^. NHo 8 possivel mandar
o governo affixar editaes para o publico saber quaes não
os regulamentos que o governo vae organisar e publicar
(apoiados).
Tendo dado a .hora, digse o orador:
Não quero pedir a palavra para &manha. N#o desejo que
a camara por mais tempo se: fatigue, ouvindo-me, c por isso
do11 por concluido o que tinha a dizer.
Vozes :-Muito bem, muito bem.
(O orador, ao descer da tribuna, e depois, foi cornpri-
mentado por muitos ars. deputados.)

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