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Hora Absurda
Livro I

Marquês de TNT (Henrique Sousa)


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O tempo não existe?
2005-05-22
Em seguida, para ser discutido após os assuntos referidos, há o Tempo. O
melhor será começar a trabalhar as dificuldades com ele ligadas, empregando
argumentos correntes. Primeiramente, pertence à classe das coisas que existem
ou à das coisas que não existem? Em segundo lugar, qual a sua natureza? Para
começar, então: as seguintes considerações fariam suspeitar que ele não existe
de todo ou existe apenas de uma forma obscura. Uma porção dele passou e já
não existe, enquanto a outra acontecerá e ainda não existe. Contudo o tempo
"tempo infinito ou a porção dele que se queira examinar" é composto daqueles.
Supor-se-ia naturalmente que o que é composto de coisas que não existem não
poderia ter qualquer papel na realidade.1

Principia
2005-05-23
Eu não defino o tempo, espaço, lugar, e movimento, como coisas que são
bem conhecidas de todos. Somente devo observar, que as pessoas comuns con-
cebem aquelas quantidades sem qualquer outra noção do que a relação que elas
têm com os objectos sensíveis. E levantam-se então determinados preconceitos,
para a remoção dos quais será conveniente distingui-los entre absoluto e relati-
vo, verdadeiro e aparente, matemático e comum.2
Os Principia de Newton são a obra fundamental da Física.
Não existe em tradução portuguesa, mas pode ser adquirido na Ama-
zon, em inglês, por cerca de 10 euros, da colecção Great Minds Series.

Tempo biológico
2005-05-24
Sabe-se hoje que todo ser vivo tem a capacidade de sincronizar funções
internas ao meio externo. Isso é observado em todas as formas de vida e em
todos os níveis de organização. A presença dessa capacidade, desde o início da
vida na Terra, revela que a evolução se processou dando aos seres vivos uma
estrutura temporal com ritmos variados.

1
Aristóteles, Física
2
Newton, Principia Mathematica
5
Existem três grandes categorias de ritmos biológicos. O mais poderoso é
o ritmo circadiano, que envolve ciclos de cerca de 24 horas (média freqüência).
Os outros são o infradiano, que exibe intervalos de dias, meses e até anos (bai-
xa freqüência) e o ultradiano, com ciclos que vão de frações de segundo a horas
(alta freqüência).
Nos humanos, por exemplo, a atividade dos neurônios ocorre a intervalos
de milésimos de segundo, a atividade do córtex cerebral a intervalos de centé-
simos de segundo, os batimentos cardíacos a cada segundo e os movimentos
respiratórios a cada três ou cinco segundos.
Existem muitos cronômetros internos às custas dos quais nós sobrevive-
mos, como o ciclo de vigília e sono e a variação periódica da temperatura cor-
poral (e de processos químicos internos), entre muitos outros.3

Ernst Pöppel
2005-05-29
Comprei hoje na Festa do Livro, Taveiro (Coimbra), entre outros, o
excelente livro do autor em epígrafe, Fronteiras da Consciência, por
2,50 €. Valeu a pena ter lá ido.

O livro do ano
2005-05-31
Nas minhas pesquisas em relação ao tempo descobri um livro que
promete vir a ser um verdadeiro best seller.
Dou a seguir um excerto do prefácio:
Confesso que o Tempo sempre me deu também muito que pensar, por
várias razões: a principal delas é não dispor ainda de Tempo suficiente, apesar
do muito que já tenho. Tempo é dinheiro! E creio que não sou o único a conhe-
cer este segredo, tanto quanto me é dado perceber.
Os tios todos sabem-no e é possível que as outras pessoas venham um dia
a compreendê-lo, depois de terem perdido muito tempo a estudar ou a traba-
lhar… para nada! Embora o autor deste livrinho não tenha chegado a nenhuma
conclusão bombástica como Dan Brown, consegue arengar umas coisas acerca

3
Extracto de um artigo de Eliane S. Azevêdo e e Eneida de Moraes Marcílio Cerqueira, de
que pode fazer download directo neste endereço:
http://ich.unito.com.br/controlPanel/materia/resource/download/261
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de um tempo que nada tem a ver com o meu, nem com aquele tempo de que
todos falam quando não têm mais nada sobre o que conversar: escândalos
nacionais, jogos de futebol da véspera, notícias sobre qualquer coisa anormal,
desgraças, tsunamis, quinta dos porcos, pedofilia e política.
O autor refere-se, tão-somente, àquele tempo que os meus Rolex marcam
e que nos faz desesperar de tanto esperar. Sim, esse mesmo! O tempo, com letra
minúscula.

O Código Dá Milhões
2005-06-03
A eterna e inútil indagação sobre a natureza do tempo requer a
demanda de novas e ousadas pistas de investigação, embora nos pare-
ça que já quase todas tenham sido seguidas por enigmatistas famosos,
cujas obras em tradução portuguesa são, porém, quase inexistentes.
Como é possível que não estejam disponíveis, só para citar dois
exemplos flagrantes, o Livro de Notas de Leonardo Da Vinci e os
Principia de Newton em português? Os editores portugueses não
sabem o que perdem por não providenciar a tradução urgente destes
best-sellers de todos os tempos.
Paciência, ao menos temos O Código Da Vinci e os livros-ecos
daqueles autores e editores que se aproveitaram da maré cheia para
vender peixe miúdo, o que já não é nada mau.
É possível que Dan Brown, ao ler este livro do meu protegido, se sinta
também inspirado para escrever um best seller chamado “Os Demó-
nios do Tempo”, do qual se poderá vender ainda mais exemplares do
que os telemóveis e CD’s piratas que se vendem nas feiras do país.
Porque tempo é dinheiro, neste romance poder-se-ia inventar uma his-
tória de tios endinheirados que passam o tempo todo à procura de mais
riqueza para, quando largarem este mundo, irem de consciência ainda
mais tranquila que a dos donos das petrolíferas, do George W. Bush ou
do Bin Laden.

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Ilya Prigogine
2005-06-04
Our own point of view is that the laws of physics, as formulated in the
traditional way, describe an idealized, stable world that is quite different from
the unstable, evolving world in which we live.4

TGV
2005-06-04
O Train a Grande Vitesse, comboio de grande velocidade, vai permi-
tir aos portugueses poupar Tempo. Mas como Tempo é Dinheiro, o
TGV requer que comecemos, desde já, a poupar dinheiro para investir
no Tempo.
É por isso que os novos tios estão a tomar as medidas de poupança
necessárias como o aumento da idade para a reforma, aumento do
IVA, aumento da produtividade dos pobres, aumento do desemprego,
aumento dos salários dos políticos e de seus protegidos, aumento do
corte nos vencimentos dos pobres, aumento de tudo.
É mais que óbvio que o TGV é um sinal de progresso extraordinário,
que só poderia ser suplantado pela construção de mais estádios de
futebol ou pela compra, não de submarinos pequenos, que nem se vêm
porque andam debaixo de água, mas de grandes porta-aviões que vão
ser necessários para combater o desemprego dos jovens.
Acho até preferível comprar porta-aviões que dêem emprego aos
jovens do que um TGVezinho que apenas reduz a duração da viagem
Lisboa-Porto de 4 para 3 horas. Até porque os utilizadores de TGV
devem preferir ir de avião porque o Zé tem tempo de sobra e não tem
dinheiro para TGVesices.
Como é muito provável que o mundo ocidental se venha a envolver
numa III Grande Guerra para prestar culto à Deusa da Economia, o
investimento na compra de armamento faz todo o sentido. Vai permitir
limpar o sebo aos jovens desempregados de uma forma rápida mas

4
The End of Certainty, Ilya Prigogine
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dolorosa, quando o inimigo mandar o porta-aviões para o “escamba-
lo”.
Notícia de última hora (absurda):
O TGV virá acelerar a corrida para o abismo encetada pelos tios por-
tugueses. Pelo contrário, retardará a corrida dos franceses, do FMI e
dos grandes tios. Pela primeira vez, Portugal alcançará a primeira
posição numa competição mundial e global. Já podemos pôr mais
bandeiras à janela em sinal de despedida do que foi uma Nação.

Tá-se bem, mabecos!


2005-06-06
Fiz uma viagem no tempo, para o futuro, com a máquina de H. G.
Wells. Estou em 2010, tudo muito mais evoluído, finalmente o povo
vive bem. Falei com um cidadão anónimo e feliz sobre a razão de
semelhante transformação da sociedade, imprevisível no ano de 2005
quando as medidas de contenção tomadas pelo governo socialista
geraram uma grande celeuma. O cidadão não se fez rogado na sua
resposta:
- Isto agora está uma maravilha! Somos todos livres de furtar o
que bem entendermos porque os polícias são todos velhos e não dão
conta do recado na perseguição dos cidadãos. O povo conquistou
direitos iguais aos dos políticos e dos grandes empresários, já se pode
furtar sem temer as consequências. Por outro lado, já não há uma
carga fiscal tão grande porque a malta declara o que quiser. O pes-
soal das finanças, que já não vê, deixa passar tudo, estão todos na
terceira idade. Nos poucos casos de infracção à lei que sobem aos tri-
bunais, os juízes absolvem os delinquentes porque a idade abriu-lhes
o espírito e deixaram de seguir à risca as leis repressivas de outrora.
Tá-se bem!
Notícia de última hora (absurda):
A produtividade marginal do trabalho, em 2010, subiu 1000%: os pro-
fessores deixam passar todos os alunos, os médicos até dão alta aos
mortos, os juízes absolvem todos os arguidos, o sucesso é global e
universal em todas as profissões.

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Barragem no Baixo Sabor
2005-06-06
A Europa, apesar de aconselhar Portugal a satisfazer, até 2010, 39%
das suas necessidades energéticas com energias renováveis, vota con-
tra a barragem do Baixo Sabor com a desculpa "credível" de ser anti-
ecológica.
Mas será que votaria contra uma termoeléctrica com tecnologia Sie-
mens? Claro que não!!! Uma termoeléctrica polui muito menos que
uma hidroeléctrica, especialmente se for fornecida pela Siemens!!!
Estamos no bom caminho, como documentado em baixo num gráfico
que eu fiz com dados obtidos no site da REN (rede eléctrica nacional):

Ladrões do Tempo
2005-06-07
Os tios não são Vendilhões do Templo, são Ladrões do Tempo alheio.
Para se apropriarem Dele, são capazes de vender tudo, inclusive as
suas mãezinhas. Há por aí um movimento de massas anónimas que
visa expulsar os Ladrões do Tempo. Mas andam muito equivocadas,
as massas; os ditos Ladrões não se deixam expulsar com facilidade,
têm uma incrível capacidade de disfarce. Conseguem camuflar-se,
temporariamente, em benfeitores; e as massas, invariavelmente, dei-
xam-se ludibriar. Seria necessário que o Zé "os" tivesse no sítio e,

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finalmente, aprendesse alguma coisa ensinada por esse grande Prome-
teu que foi J. C.

Richard Feynman
2005-06-07
Tempo é aquilo que sempre acontece, mesmo quando nada acontece.

Declaro aberta a estação!


2005-06-07
Chegou o tempo do calor! Calor, falta de água, seca, incêndios.
Declaro aberta a estação dos incêndios!
Felizmente os submarinos do Paulo Portas não tardam a chegar e vão
ajudar no combate aos incêndios. O TGV já não virá a tempo mas cal-
culo que, se viesse, ajudaria a apagar o fogo em alta velocidade.
Por outro lado, penso que será benéfico para a Santa Economia (suce-
dânea da Inquisição) deixar arder tudo até que o território fique com-
pletamente careca. Já viram o que se poupa em desflorestação nos
novos empreendimentos que se adivinham? Qualquer dia temos o país
todo coberto de estradas, auto-estradas, IP’s 5, pontes, viadutos e mais
pontes.
Em Coimbra, por exemplo, a Ponte Santa Isabel, ainda antes de estar
concluída, já estava subdimensionada… Por isso foi dotada de vários
acessos, alguns deles para nenhures mas, quem sabe, um dia virão a
servir de tecto e a dar acesso a muitos bairros que se prevê virem a
florescer debaixo das pontes.
A terra é p’a quem n’a trabalha, lá diz o alentejano e com razão.
Notícias de última hora (absurda):
Mal declarei aberta a estação, o fogo não se fez rogado. Como podem
ver nos jornais, os meios para combate ao fogo são escassos. Sem
submarinos e sem TGV, a guerra contra o fogo é francamente desleal.

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Aumento de produtividade
2005-06-08
Carta de um professor anónimo, de 53 anos de idade:
Caro Sr. do Tempo!
Ontem, o Sindicato dos Professores afixou na sala dos ditos uma nota da
qual consta a informação sobre mais uma medida deste nosso (des)governo:
Em caso de baixa por motivo de doença (ou de saúde), o vencimento é
reduzido a 65%.
Será que agora vamos ter que trabalhar, mesmo quando estamos doentes?
Tudo bem, só espero não ter nenhuma diarreia nos tempos mais próximos, os
alunos hão-de compreender que não posso faltar. 35% do vencimento faz-me
imensa falta para o sustento dos meus filhos licenciados e desempregados, a
rondar os trinta anos de idade.
O mau cheiro dos políticos é bem pior que o da m****. Não acha?
Peço desculpas por não responder já.
Mas volto.

Tic-tac, tic-tac, tic-tac .

(passagem do tempo, mijei nas calças).
...
Pronto! Voltei!
Caro Sr. Doutor, Engenheiro ou Arquitecto (ou será que não é? Bem,
creio que hoje já todos são licenciados e merecem o título académico
de Sr. Doutor ou Sr. Engenheiro ou Sr. Arquitecto; mas não o trato por
Sr. Professor, porque esse tratamento foi reservado aos professores do
ensino primário não licenciados; tão-pouco o tratarei por Sr. Professor
Doutor porque esse título aplica-se a professores do Ensino Superior e
não creio que este tugúrio mereça ser honrado com tal honraria; mui-
to menos direi S’tôr como os seus alunos e alguns funcionários da sua
escola)!
No que se refere ao assunto da sua missiva, devo prevenir V. Ex.cia
que o governo dos tios é, antes de mais, um telegoverno. Os tios fin-
12
gem, perante aqueles de que se dizem representantes, que é o povo
quem mais ordena. Sabem perfeitamente que apenas estão no poder
para executar as medidas que os seus verdadeiros patrões (os empresá-
rios) quiserem. Se não fizerem o que lhes for mandado, rua!!!!
Julgo mesmo que o tio Santana foi para a rua por causa disso mesmo.
Não que ele não tenha tentado, até pôs uma ministra tesa (ops!, essa
era do tio Durão) que nem um carapau, a implementar medidas impo-
pulares. Mesmo assim, os empresários não gostaram das medidas
frouxas e foram fazer queixinhas ao banana do Presidente que logo
tratou de o pôr na rua. Agora temos um governo disposto a seguir à
risca o que os seus patrões mandarem: facilitar a vida às empresas e
dificultar a vida à plebe.
Não se pode adorar dois deuses em simultâneo.
Os empresários querem a mão-de-obra o mais barato possível, se for
de graça ainda é melhor. E o estado tem que dar o exemplo. Os vossos
colegas estagiários já nem têm direito a nada, e têm que dar umas auli-
tas só para fazer de conta. Os pais que aguentem! Quanto a ter que dar
aulas com diarreia, não se preocupe. Mais vale uma diarreia física do
que a diarreia mental que por aí se vê nas televisões, na rádio, na
Assembleia e, principalmente, na Net, nos blogs de alguns políticos e
outros mentecaptos, explorados mas convencidos que, se forem bem
comportados e defenderem os valores dos tios, lhes pode calhar algum
benefício também.
Mal sabem que os tios estão mais mortinhos que o Zé por se verem
livres deles. O peixe morre pela boca. Neste caso, pelas bocas seden-
tas daqueles que pensam que se podem conluiar com o verdadeiro
poder.

Gosto pela leitura


2005-06-08
Um site onde pode obter livros electrónicos gratuitos e muito interes-
santes:
http://www.wwiuma.org.br/

13
Estamos todos condenados à morte
2005-06-09
A maior certeza que possuímos é que a “seta” biológica do tempo atinge,
mais cedo ou mais tarde, toda a gente. Todos têm plena consciência desse facto,
embora alguns prefiram ignorá-lo e viver como se estivessem cá (agora) de
pedra e cal.
A mentalidade daqueles cujo objectivo principal é arrecadar, em vida,
uma grande fortuna pessoal à custa da exploração dos outros ou através de prá-
ticas ilegítimas, só pode encontrar justificação no facto de julgarem que, desse
modo, conseguem escapar ao tempo e viver muito mais que os seus congéneres.
Se não fosse essa a sua ilusão, de que lhes valeria juntar tantas riquezas?
A “seta” biológica está intimamente ligada ao facto, incontestável, de
haver uma duração limitada para os organismos vivos, dos mais simples aos
mais complexos. A célula não dura eternamente, é uma estrutura que se forma,
mantém-se por um determinado tempo e acaba por se desfazer.
Contudo, os organismos vivos reproduzem-se, isto é, transmitem o segre-
do da sua existência temporária numa sucessão que se nos apresenta como ili-
mitada no tempo. A existência de uma espécie dá-se num tempo que é muito
mais dilatado que o tempo do indivíduo, requerendo, porém, um habitat ade-
quado e a presença de recursos orgânicos também adequados.
Supõe-se que nos organismos vivos funcionam, em oposição, duas ordens
de fenómenos, a catagénese e a anagénese que actuam de modo semelhante à
tendência para a desordem e para a ordem dos sistemas inertes. A anagénese
será o fenómeno responsável pela conversão de substâncias inertes em substân-
cias orgânicas por elevação do nível de energia; a catagénese, pelo contrário,
está ligada ao processo inverso, isto é, à degradação da energia e à morte.
Retirei o texto anterior de um ensaio sobre o tempo que ando a escre-
ver5. Este excerto é dirigido a muitos senhores deste país que se jul-
gam importantes e invulneráveis à seta do tempo.
Há uma geração de tios entre nós, exactamente a dos que mais bene-
ficiou com a revolução dos cravos e com os fundos europeus – os que
saquearam para construir os seus castelos e passear por esse mundo
fora -, que não vai abrir mão dos privilégios roubados ao Zé. Os tios
dessa geração julgam-se eternos.

5
O Implacável Tempo, www.lulu.com/tempo
14
Por vezes também penso que assim é. Ele há tios que parecem de
pedra e cal: veja-se o pinto Balsemão, o asno Belmiro, o fritas Amare-
lo, a bolacha maria Soares, a árvore Cunhal, o Jorge Sem Paio, etc.
etc..
Pior ainda que estes são os tios protegidos dos políticos dos partidos,
que têm, por esse país fora, as suas máfias que se ocupam dos negó-
cios que dão mais dinheiro: as câmaras, as universidades, os tachos e
tachinhos e tudo que lhes possa proporcionar mais “Tempo” com a
corrupção e os negócios escuros (ou claros). Tempo é Dinheiro. Os
excluídos das máfias dos tios, a grande maioria, têm que se confrontar
com o desemprego e a miséria.
Os primeiros a serem excluídos são os mais jovens; já é quase impos-
sível aos jovens arranjar empregos decentes (compatíveis com as suas
habilitações), apesar do investimento que os pais neles fizeram e
fazem, mantendo-os a estudar (actividade que engorda muitos tios das
universidades privadas). Os segundos a serem excluídos são os pais
dos desempregados que, além de terem de suportar os seus desempre-
gados, digo, filhos, vão ter que trabalhar até ao fim do seu tempo de
vida.
Francamente, que raio de política de merda é esta dos imbecis que
mandam neste país? Apesar de haver muito onde ir buscar dinheiro
para tapar o défice - bancos, seguros, grandes empresas e grandes for-
tunas -, esses bastardos preferem apertar o cerco aos miseráveis que,
estupidamente, os elegeram para serem os donos de tudo.
Fora com eles! Rua, seus paspalhos!

Banca e Estado
2005-06-09
A Banca é a parte do Estado que dá lucro.
O Estado é a parte da Banca que dá prejuízo.

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Einstein@Home
2005-06-10
Se quiser pôr o seu computador ao serviço da ciência, tem agora uma
oportunidade de o fazer. Pode colaborar na detecção das ondas gravi-
tacionais previstas pela teoria da relatividade geral de Einstein.
O seu computador pode fazer parte de uma rede de computadores com
capacidade de cálculo muito superior a qualquer super-computador.
Mais pormenores sobre este projecto em:
http://www.hysics2005.rg/events/einsteinathome/
Parece-me ser uma coisa séria. Mas convém verificar se não implica
"down- e up-loads" que podem sair caro.

APOSENTAÇÃO
2005-06-10
Os cidadãos passam a reformar-se com a idade mínima de 75 anos de
idade, ajustando-se a idade de reforma à esperança média de vida.
1. A partir de agora, as pessoas devem morrer no dia da sua reforma.
2. Se não o fizerem de livre e espontânea vontade, recorrer-se-á à
eutanásia.
No entanto, torna-se necessário adequar todos os serviços e empresas a
este nova idade de reforma. Assim, sugerimos que sejam tomadas algumas
medidas para o regular funcionamento de todos os serviços:
1. Transformação das escadas existentes nos locais de trabalho em
rampas com corrimão não escorregadio;
2. Colocação de suportes de apoio nas casas de banho, após a
necessária ampliação para as cadeiras de rodas;
3. Substituição dos telefones por aparelhos mais modernos que
possibilitem compensar a perda de audição;
4. Aumento de tamanho de todas as fontes de impressão dos docu-
mentos emitidos a partir desta data, possibilitando a sua leitura
num futuro próximo;
5. Compra de lupas para distribuição aos funcionários;
6. Aumento do tamanho dos monitores dos computador para 27
polegadas;
16
7. Permitir os seguintes tipos de faltas sem desconto:
a. Esquecimento do local de trabalho;
b. Esquecimento de como se faz o trabalho;
c. Falta de ar;
d. Incontinência urinária;
e. Dor nas costas;
f. Comparência em funerais de colegas que estavam prestes
a aposentar-se.
8. Colocação de porta bengalas em todas as mesas de trabalho;
9. Despertador individual para os casos de sono diurno;
10.Instalação de uma Urgência Geriátrica de última geração;
11.Aumento do tempo de espera para o encerramento das portas
dos elevadores, tendo em vista a agilidade de locomoção dos
funcionários ainda existentes;
12.Aquisição de armários para fraldas e remédios para uso dos
funcionários;
13.Proibição de vestuário dos funcionários mais novos que possa
provocar ataque cardíaco ou perturbação do pace maker do
colega já próximo da idade de reforma em questão;
14.Prever tempo para exercícios físicos voltados para a terceira e
quarta idades;
15.Revisão da avaliação de desempenho do funcionário, incluindo
o item "Lembrança da Senha", sendo que o funcionário, prestes
a aposentar-se nos termos da lei e que ainda se lembre da sua
senha, tenha a nota máxima neste item;
16.Alteração da documentação nos pedidos de aposentação anteci-
pada: Incluir Atestado de Óbito.
«Recebido por email», mas completado por mim.

Citando Einstein
2005-06-11
É curioso ver como a gente aparece aos olhos dos outros. Foi meu destino
que as minhas realizações fossem sobreavaliadas além de todos os limites, por
razões incompreensíveis. A humanidade necessita de alguns poucos ídolos

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românticos como spots de luz no campo da existência humana. Eu me tornei um
tal spot de luz.
Mas há gajos que não são spots, parecem-se mais com um milhão de
sóis a encandear tudo e todos.

O Futuro está a chegar


2005-06-11
Os cidadãos já estão a adquirir direitos iguais aos dos políticos, dos
banqueiros, das multinacionais e grandes empresas, isto é, já podem
roubar sem hipocrisias. Afinal não era necessário eu ter gasto tanto
dinheiro na minha viagem para o Futuro. Mal sabia que, dias depois, o
Futuro chegaria:
Veja-se nos jornais a notícia do arrastão em Carcavelos.

Sim, senhores!
2005-06-12
Tudo bem, vamos admitir que, de facto, eram necessárias medidas
para reduzir o défice. Mas o que ninguém explica, nem pode explicar
– sob pena de ser reduzido ao silêncio –, é o porquê das medidas espe-
cíficas que foram tomadas. Sim, havia muitos sítios onde ir buscar o
dinheiro, e muitos onde se poderia poupar.
Entendendo que um défice é uma diferença entre o que se gasta e o
que se arrecada, quando se exprime em percentagem possivelmente
será em relação ao PIB. O governo optou por aumentar as receitas
com o aumento de impostos e optou por reduzir as despesas, cortando
benefícios aos funcionários. Mas não vai cortar nas despesas com
investimentos, isto é, vai continuar a esbanjar em estádios de futebol,
submarinos e TGV’s (tal como outros governos anteriores), e não vai
aumentar as receitas com a tributação dos ricos. Por aqui se vê quem
manda: os tios ricos, que têm interesse nesses investimentos.
Não posso deixar de reconhecer que o conjunto de medidas tomadas
pelo governo denota, no seu conjunto, uma elevada competência por-
que prevê todas as hipóteses de fuga dos cidadãos. Sabendo que os
políticos são uns incompetentes, é de supor que as medidas nem

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sequer tenham sido tomadas por eles. Foram, possivelmente, impostas
pelos tios mais competentes, quiçá os empresários, tais como o TIO
BELMIRO que não dorme na formatura e cuja fortuna é, de certo,
muito superior ao PIB.
Nota de última hora (absurda):
De resto, o actual governo prometeu 1500 empregos para licenciados
em Gestão e Tecnologias. Como pode um governo fazer uma promes-
sa tão específica? Por acaso foi alguma ideia do Tio Belmiro? Vendi-
dos!

Produtividade no trabalho?
2005-06-12
De há uns tempos a esta parte, só se ouve falar no aumento da produ-
tividade e em contenção de despesas públicas.
O funcionalismo público e os agentes do estado, nomeadamente juí-
zes, médicos, professores (sobretudo os do ensino básico e secundá-
rio) e outros, são os alvos predilectos dos (des)governos no que toca à
contracção da despesa e ao aumento da produtividade.
O combate ao défice deve passar por um sacrifício de toda a popula-
ção em geral e, em particular, da que depende directamente do estado,
ou seja, a população empregada pelo estado. Aqui, cabe referir as glo-
riosas forças armadas, a quem cabe um papel notório de exemplo
patriótico. Se estão dispostos a dar a vida pela Pátria, muito prova-
velmente estarão mais dispostos ainda a fazer reduzir a parcela das
despesas públicas que lhes cabe e, ao mesmo tempo, zelar pelo
aumento de produtividade nos serviços que prestam à Pátria.
Julgo que é essencial haver um aumento de produtividade no trabalho
dos militares, nomeadamente, devem aprender a matar o inimigo mais
depressa. O que faz um general, ou mesmo um sargento, para merecer
o vencimento que aufere? Qual a diferença entre o vencimento (e
mordomias) de um militar e de um civil com as mesmas habilitações
académicas e o mesmo tempo de serviço? O militar não deveria pro-
duzir ainda mais? Produzir, não é a palavra mais certa neste caso. Fica
melhor destruir. Então, não se devia exigir ao militar aumento de pro-
dutividade, mas sim de destrutividade.
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Pretos dum caraças
2005-06-13
Eu até nem sou racista, mas acho que realmente tudo se deve, única e
exclusivamente, à cor da pele.
A maior parte desses tipos que provocaram estes medonhos desacatos
em Carcavelos e na Quarteira, fizeram-no graças à maldita cor da
pele. Conheço-os quase a todos, vivem em brutas mansões na Quinta
da Marinha e na Quinta da Beloura; os pais são ministros, secretários
de estado, gestores de grandes empresas, empresários, generais, coro-
néis, etc.. Frequentam o Ensino Privado e têm mesadas de se lhes tirar
o chapéu. Passeiam-se em carros desportivos ou brutas motos; andam
vestidos com roupas de marca, relógios Rolex e telemóveis da terceira
ou quarta gerações, enfim, são a fina-flor do concelho e arredores.
Não tiveram outra motivação do que mostrar a sua revolta contra a
discriminação racial.
Por isso, devem ser violentamente reprimidos, sendo poucas e suaves
todas as medidas que forem tomadas nesse sentido.

Blaise Pascal
2005-06-13
Não sei quem me pôs no mundo nem o que é o mundo, nem mesmo o que
sou. Estou numa ignorância terrível de todas as coisas. Não sei o que é o meu
corpo, nem o que são os meus sentidos, nem o que é a minha alma, e até esta
parte do meu ser que pensa o que eu digo, reflectindo sobre tudo e sobre si pró-
pria, não se conhece melhor do que o resto.
Vejo-me encerrado nestes medonhos espaços do universo e me sinto liga-
do a um canto da vasta extensão, sem saber porque fui colocado aqui e não em
outra parte, nem porque o pouco tempo que me é dado para viver me foi confe-
rido neste período, de preferência a outro de toda a eternidade que me precedeu
e de toda a que me segue. Só vejo o infinito em toda parte, encerrando-me como
um átomo e como uma sombra que dura apenas um instante que não volta.
Tudo o que sei é que devo morrer breve.
O que, porém, mais ignoro é essa morte que não posso evitar. Assim como
não sei de onde venho, também não sei para onde vou. Sei, apenas, que, ao sair
deste mundo, cairei para sempre no nada ou nas mãos de um Deus irritado,
sem saber em qual dessas duas situações deverei ficar eternamente.

20
Eis a minha condição, cheia de miséria, de fraqueza, de obscuridade.
Concluo, de tudo isso, que devo passar todos os dias da minha vida sem pensar
em descobrir o que me deve acontecer. Talvez pudesse encontrar algum esclare-
cimento nas minhas dúvidas, mas não quero dar-me a esse trabalho, nem dar
um passo nesse sentido.
Tratando com desprezo os que com isso se preocupam, quero experimen-
tar esse grande acontecimento sem previdência e sem temor, deixando-me passi-
vamente conduzir à morte, na incerteza da eternidade da minha condição futu-
ra. 6

Socialistas combatem
o desemprego e a miséria
2005-06-14
J. Fócrates anunciou hoje no Parlamento que a idade de reforma dos fun-
cionários públicos vai diminuir seis meses por ano a partir de 2006, para que
no prazo de uma década seja de 55 anos. Para equiparar o regime do sector
privado ao da função pública, naquele a diminuição será de um ano por ano.
J. Fócrates revelou ter "too much", ao não se deixar intimidar pelas
pressões exercidas pelos detentores do grande capital, e ao avançar
com verdadeiras políticas sociais. O desemprego, essa praga social,
será ferozmente combatido por J. Fócrates e seus acólitos. A crimina-
lidade e a mendicidade dos cidadãos comuns será, muito provavel-
mente, banida.
No final da sessão, J. Fócrates foi vaiado pelo hemiciclo em peso por,
em defesa da justiça, ter fixado o mesmo regime para os deputados e
detentores de cargos públicos.

O Fim das Certezas


2005-06-14
Não, não sou o tal de Prigogine. Ao contrário de tantos que por aí se
manifestam, a minha única certeza é a morte. De tudo o resto não
tenho a mesma certeza.

6
Pascal, Pensamentos
21
In memoriam
2005-06-14
No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece
De balas trespassado
Duas, de lado a lado,
Jaz morto e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue.


De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com o olhar ledo e cego
Os céus perdidos.

Tão jovem. Que jovem era.


(Agora, que idade tem?)
Filho único a mãe lhe dera
Um nome, e o mantivera:
O menino da sua mãe.

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe.
Está inteira e boa, a cigarreira.
Ele, é que já não serve.

Da outra algibeira,
Alada a ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada de um lenço.
Deu-lho a criada velha
Que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:


Que volte cedo e bem.
Malhas que o Império tece.
Jaz morte e apodrece,
O menino da sua mãe.

Fernando Pessoa

22
Porra, comprem-me os livros!
2005-06-15
Eu não me importo com a utilização jornalística dos dados e das interpre-
tações contidos nos meus livros sobre Cunhal. É normal que isso aconteça e
mais vale que se utilizem informações que foram verificadas, do que a lista
habitual de imprecisões e erros. Para além disso, os factos são os factos e per-
tencem a todos e não são propriedade de ninguém.
Mas já é inaceitável, para não dizer outra coisa, trabalhos jornalísticos
de todo o tipo, feitos quase exclusivamente a partir dos livros, a que se acres-
centa um ou outro depoimento, e às vezes nem isso, seguindo estritamente a
interpretação e nalguns casos as palavras e afirmações, sem pelo menos os
citar, ou nomear como fonte. Isso é inaceitável e pouco honesto. 7
Ele há tios visionários!! Quem poderia prever que Cunhal iria morrer?
Afinal, sempre há tios que morrem! Nem todos são imortais.

O meu livro já está à venda


2005-06-15
Eu também não me importo com a utilização jornalística dos dados e
das interpretações existentes nos meus livros sobre: Aristóteles, Pla-
tão, Cícero, Leonardo da Vinci, Newton, D. Quixote de la Mancha,
Pedro Nunes, Pascal, Robert Boyle, Descartes, Kepler, Copérnico,
Einstein, Max Planck, Niels Bohr, Egas Moniz, David Hume, Darwin,
Sá Carneiro, Álvaro Cunhal, etc. etc..
Todos eles já morreram, sabiam? Mas tenham a honestidade de referir
que nunca tinham lido nada sobre eles, e que só passaram a saber da
sua existência depois de ler os meus livros! Principalmente em relação
a Álvaro Cunhal.
Óvistes, JPP?

7
http://abrupto.blogspot.com
23
Malandros, vocês não querem é trabalhar!
2005-06-16
Sim, é isso mesmo! E refiro-me aos professores, polícias e funcioná-
rios públicos! Uma cambada de preguiçosos. Agora, só porque o
governo decidiu aumentar as vossas regalias, a de poderem trabalhar
mais e durante mais tempo, vêm para a rua manifestar-se? Vão mas é
trabalhar, malandros! Além disso, deviam estar gratos por terem traba-
lho, ao contrário dos jovens que nunca vão ter a mesma sorte.
E, não havendo jovens a trabalhar e a descontar para as vossas refor-
mas, têm que ser vocês (os velhos) a garantir a vossa subsistência. O
quê? O dinheiro que vocês já descontaram? Isso já os políticos esban-
jaram no Euro 2004, nas estradas, nos submarinos, nos seus Mercedes
Benz, BMW’s, casarões e outros investimentos altamente rentáveis
para eles.
Eles comem tudo, eles comem tudo…

Não há racismo.
Tudo treta.
2005-06-16
Ontem vi passar um preto num bruto Mercedes.
Primeiro pensei que seria o motorista de algum ministro e disse cá
para os meus botões: "Com tanta falta de emprego e esses paspalhos
dão os empregos aos pretos!!!" Mas depois reparei que afinal o gajo
vinha com um fato Hugo Boss (reconheço-os à distância), e tornou-se-
me claro que não era motorista.
"Querem ver que o gajo é mesmo o dono do carro!!!" E era! Então,
topei logo do que se tratava. Como a matrícula era de veículo particu-
lar, e não de uma qualquer embaixada africana, telefonei imediata-
mente para a PJ:
"Anda por aí um traficante de droga num Mercedes de 20.000 contos".
E forneci-lhes o número da matrícula.

24
Cortes na defesa, já! Cagarolas!
2005-06-16
Comentário de um anónimo no blog Cabalas8:
Creio que vivemos num tremendo obscurantismo, ao contrário do que se
possa supor. As informações são devidamente filtradas para (de)formar a opi-
nião pública.
Em nome do défice do OGE, o governo vai tomando as medidas que mais
convêm às grandes empresas; quem necessita de vender a força de trabalho
para sobreviver é que vai ficando sempre e cada vez mais espoliado da sua
energia e do seu poder de compra. Os governos deveriam ter a coragem e a
hombridade de dizer toda a verdade e revelar aos cidadãos a verdadeira causa
para a existência dos défices!
As empresas exercem pressão junto dos governos (com ameaças de trans-
ferência para os "paraísos fiscais") para poderem gozar de isenção fiscal par-
cial ou total (veja-se o exemplo da banca) ou, até, para serem agraciadas com
benefícios fiscais e, não satisfeitas com tal resultado, ainda exigem (sob a mes-
ma ameaça) que se combata o défice que provocam!
Os governos, este em particular, tentam reduzir as despesas, aniquilando
toda a política social, sendo, contudo, o sector da defesa absolutamente intocá-
vel! Claro que em tempo de crise, as empresas até promovem as despesas com a
defesa.
Estas abrangem não só os vencimentos, mas também o consumo de um
ror de bens - inclusive armamento, como é óbvio - e de serviços!"
Os realces a negrito são meus
CORTES NA DEFESA, JÁ!
Têm medo dos militares? Têm medo de um golpe de estado?

Alban Krailsheimer
2005-06-17
Natural de Londres, onde nasceu em 1921, Alban John Krailsheimer
foi professor em Oxford. Conceituado especialista de Pascal, traduziu
para inglês as suas Lettres Provenciales e Les Pensées.

8
http://cabalas.blogspot.com
25
Comprei, por 1,50 €, na Festa do Livro no Taveiro, Coimbra, um livri-
nho de Krailsheimer com o título singelo de "Pascal" - Publicações D.
Quixote. Simplesmente, fantástico! Valeu a pena e não percebo porque
é que livros como este não têm qualquer aceitação, sendo, depois,
liquidados nas feiras.

A reforma dos burros


2005-06-17
Esta é a conclusão a que se chega se as medidas do governo forem
implementadas. Burros serão os que, de acordo com esta realidade, e
tendo 58 anos ou mais, não pedirem já a sua reforma. Burros são
também os restantes porque as coisas nunca vão melhorar, a globali-
zação não o permite.
Será que as sábias medidas do governo vão sair pela culatra?
Nota de última hora (absurda):
Como as subidas de escalão estão congeladas, 80% significa 80% do
ordenado actual. Não vale a pena esperar pela reforma daqui a alguns
anos. Tudo vai piorar, inclusive os 80% podem baixar para menos.

Uma árdua tarefa


2005-06-20
Já viram o molho de brócolos em que me encontro metido? Montei
este blog com o intuito de falar do Tempo. Tempo é Dinheiro! Mas
estou a perder o meu rico tempo a defender os desempregados, os
reformados, os pretos, os indianos, os arrumadores de carros, os ciga-
nos, os pedintes, as crianças, os miseráveis, etc.
Pareço um político em campanha eleitoral. Por isso, há que desconfiar
das minhas intervenções. Ainda não vi um único político que tenha
mantido o seu discurso depois de ganhar as eleições. Mal ganham as
eleições, algo imprevisto vem perturbar a sua consciência, provocando
mudanças de 180º no rumo traçado.
O actual governo, por exemplo, antes das eleições propunha-se reduzir
o desemprego porque não sabia (santa ignorância!) que o défice orça-
mental previsto era de 6, 8312789%. Mal ganharam as eleições, solici-
26
taram logo ao camarada Constâncio uma estimativa rigorosa do défice
previsto. O coitado quase morria de susto quando reparou que o défice
previsto ainda era maior que 6,83%.
O governo, que queria embarcar no TGV e noutras compras (submari-
nos, porta-aviões, pontes Santa Isabel, estádios de Futebol, tanques de
guerra, Olimpíadas e outras coisas que nos dão estatuto e impõem res-
peito mas que infelizmente não são comestíveis nem se podem
semear), ficou desapontado.
O camarada Constâncio aconselhou o governo a tomar medidas para
reduzir o défice previsto (como se alguém o obrigasse a ser astrólogo).
Mas os verdadeiros governantes (os tios do papel) não deixam o
governo reduzir nas despesas prometidas pelo PS para que o apoias-
sem nas eleições - os tais TGV’s e porta-aviões - o governo resolveu
roubar aos pobres para dar aos ricos.
É caso para se dizer que este governo é um Robin dos Bosques pane-
leiro. Será uma moda?

Maldita classe!
2005-06-21
Sim! Refiro-me à classe dos professores.
Bandalhos! – é o mínimo que se pode dizer destes senhores que vivem
à grande e à francesa e a quem confiamos os nossos filhos para que
nada lhes ensinem. Do 25 de Abril para cá, o Ensino passou a ser
apenas uma alternativa de emprego para os muitos licenciados (e
menos licenciados) que não conseguiram um emprego de acordo com
as expectativas criadas ao longo do seu curso superior.
Apenas alguns médicos, juízes e poucos mais viram as suas expectati-
vas tornarem-se realidade. Alguns engenheiros e economistas não
tiveram menos sorte, mas a grande maioria dos "doutores", que passa-
ram a sair em fornadas cada vez maiores das universidades, era absor-
vida pelo Ensino Primário-Secundário que passou a funcionar como
Caixa de Previdência dos Licenciados.
O professor, a quem sempre se reconheceu o direito de trabalhar ape-
nas meio-dia (24 horas/semana) a dar aulas – porque tinha o dever

27
preparar as aulas em casa, elaborar apontamentos, testes e manter-se
actualizado –, passou a poder dar menos que 24 horas de aulas porque
o Estado, para não pagar melhor, inventou o chamado serviço não-
docente para docentes, também conhecido por serviço in-docente.
Os professores, conscientes da grave situação da falta de emprego
para licenciados num país em que se aposta no desemprego para man-
ter a mão-de-obra barata, aceitaram o serviço in-docente e a redução
do serviço docente, porque isso iria dar mais emprego aos jovens. O
resultado é que o Ensino está a abarrotar de gente, e funciona hoje,
mais e mais, como Caixa de Previdência dos Licenciados.
No entanto, os professores são alvo de muita inveja por parte de
outros trabalhadores que acham que eles até ganham muito bem em
comparação com os pedreiros, mulheres-a-dias, motoristas, secretárias
não- licenciadas, contínuos, jardineiros, polícias, bombeiros, soldados,
camponeses e outros “camaradas”.
Mas ser professor é sinónimo de insucesso na vida, o próprio profes-
sor sente-se como a "escumalha" da sociedade, uns fracassados, que
não conseguiram competir na sociedade liberal onde poderiam ter
chegado a gerentes de empresas públicas ou privadas, a políticos, a
deputados, a presidentes de câmara, a gestores hospitalares, a minis-
tros ou secretários de estado; ter uma bela mansão, um bom carro, ter
viagens gratuitas pagas pelo Estado, etc. etc..
Mas estou a referir-me principalmente aos licenciados-pais. As classes
reproduzem-se, filho de licenciado normalmente é licenciado. Só que
estes filhos-de-licenciados estão, na sua grande maioria, desemprega-
dos porque não querem trabalhar – todos sabem que numa sociedade
liberal basta querer e ser-se competitivo, pelo menos é o que dizem
nos filmes americanos –, e preferem concorrer aos magotes para os
lugares dos pais (que não deviam tê-los parido; mas o aborto ainda era
proibido, não havia internet e só havia 2 canais de televisão), e estes
pais, que de bom grado cederiam o seu lugar de beneficiários da Caixa
de Previdência aos filhos, e passar a receber menos da Caixa de Pen-
sões (de qualquer modo têm que sustentar os filhos até aos 40 anos no
mínimo), estão agora obrigados a ficar na sua “Caixa” até aos 65 anos.
Parece que os trabalhadores da privada são mais espertos e não têm
filhos. É que eles acham muito bem que os professores devam ter o
28
mesmo dever do que eles, de trabalhar até aos 65 anos, e receber
menos quando estão doentes, e reformar-se com 80% do vencimento
ou menos, e... Em vez de lutarem pelo mesmo direito que os funcioná-
rios públicos já têm, de se reformar mais cedo, fazem coro com o
governo nas suas medidas de redução dos benefícios das “Caixas de
Previdência dos Licenciados”. Está certo, certíssimo!
Eu também, quando vejo um vizinho a prosperar, acho que é ele que
está a ganhar demais. Nunca penso que eu é que estou a ganhar pou-
co e a trabalhar muito.
Os professores são a classe mais bem paga do país. Tão bem que
nenhum deles trocaria o seu lugar por nenhum outro em que fosse
necessário ter a mesma habilitação académica e trabalhar mais
horas. Por exemplo, ser gestor hospitalar, administrador da Galp, ou
até um simples emprego compatível na Optimus ou na Telecom. Não
digo no call center, refiro-me aos empregos de gestores, engenheiros
de marketting, etc..

Valha-nos Santo António (de Oliveira Salazar)


2005-06-22
CE considera medidas do Governo insuficientes para combate ao
défice. Notícia dada hoje em O Público. Valha-nos Santo António.

Um erro estratégico de jumento!


2005-06-22
Numa época em que muitos portugueses andam à cata de situações ilógi-
cas e abusivas foi um erro a estratégia de terra queimada adoptada pela
FENPROF; os sindicalistas dos professores sabem muito bem quantas horas de
aulas dão muitos professores, como são feitos os horários, como são feitas as
turmas e quantas horas semanais trabalham a maioria dos professores.
O resultado foi o que tiveram de ouvir do Presidente da República e o fac-
to de muitos portugueses apontarem o dedo aos professores devido ao vantajoso
estatuto, sendo inevitável a sua associação à má qualidade do ensino e ao insu-
cesso escolar.
Muitos dos professores dos ensino básico e secundário portam-se como
professores universitários, vão às escolas dois ou três dias, dão umas quantas

29
aulas e seguem para as suas vidas à espera que cheguem as suas férias prolon-
gadas.9
A tratar assim os professores, o jumento não deve ter crias. Tem o
lombo quente e, como já foi professor, deve estar ressabiado por não
ter podido continuar a boa vida que levaria se continuasse no Ensino.
A classe dos professores é, como já disse em post anterior, a classe
que ganha melhor no país inteiro, incluindo Madeira, Açores, Berlen-
gas e arredores. É incrível que um professor que, para lá chegar, ape-
nas gastou mais uma meia dúzia de anos que outros para conseguir
uma licenciatura puramente académica e depois andou vários anos a
concorrer para cascos de rolha (Madeira, Açores, Berlengas e arredo-
res), sujeitou-se a viver em quartos arrendados, adiou a constituição de
família por motivos óbvios, conheceu quase todas as escolas do país
como professor provisório de horário incompleto e ordenado micros-
cópico e, um dia, por um bambúrrio da sorte, conseguiu fazer um
estágio que lhe garantiu o tão almejado vínculo ao Estado, consiga
ganhar mais do que um empregado de balcão, um ajudante de electri-
cista ou até mesmo quase como um jornalista de um jornal da provín-
cia (da Madeira, Açores, Berlengas ou arredores).
Verdadeiramente escandaloso!

O estatuto dos professores dos ensinos básico


e secundário:
Ocorre-me uma história que se passou numa certa escola do país com
um professor de um dos meus filhos.
Uma senhora humilde, encarregada de educação do seu próprio filho,
contactou esse professor, que era o director de turma, no sentido deste
fazer os possíveis e os impossíveis para que o seu educando comple-
tasse pelo menos o nono ano. O professor, perante as informações que
recolhera do aluno, tentou fazer ver à senhora que seria difícil ao seu
educando alcançar a meta pretendida.

9
http://jumento.blogdrive.com/
30
A senhora, depois de ter tomado consciência das fracas capacidades
demonstradas pelo filho, que nem o nono ano conseguia fazer, pergun-
ta ao director de turma:
– Mas ele é assim tão mau estudante? Será que nem para professor ele
serve?

A culpa do défice é dos professores


2005-06-22
Quem gerou o défice? Obviamente, foram os professores. Se não
tivessem deixado passar o Santana, o Sócrates, o Sampaio e tantos
outros tios, nada disto estaria a acontecer. Nos lugares deles haveria
gente mais competente. Os medíocres geram mais medíocres. Acho,
pois, muito bem que sejam os professores a pagar o défice.
Malditos professores!

Coronéis e jagunços
2005-06-23
Segundo ouvi, da boca de um político, o governo não irá ceder quanto
às reivindicações sociais dos polícias, mas vai dotar os mesmos de
meios adequados para reprimir a onda de vandalismo que começou a
varrer o país, ou seja, armas e sistemas de vigilância caríssimos. Uma
questão de prioridades que traduz a opção do governo. Afinal não se
trata de economizar, mas sim de saber onde gastar o dinheiro.
Claro que as armas e a vigilância são mais importantes que a motiva-
ção dos polícias. Os ricos coronéis preferem ter os seus jagunços bem
armados, mesmo que sejam velhos e doentes.

A Terra é p’a quem n’a trabalha


2005-06-23
Carta recebida de um alentejano:
Camarada do Tempo:
Tenho ouvido dizer ben do camarada. Uma das coisas que eu gostaria de
d'zer tamben ê que os camaradas professores fazen a grêve e muito ben. Dizen

31
que eles nã’ trabálhã nada, mas trabálhã sim senhore qu'ê cá sê. Trabálhã muito
mais que nôs, alent'janos.
Se nã’ trabalhassen, donde vinhã esses dotôres todos da p'lít'ca? Ê tudo
mentira porque tambên dizen que nôs alent'janos trabalhamos pôco mas, en
todo o país, côme-se e bêbe-se â nôssa custa.
O qu'ê nã’ compreendo lá muito bên ê o que fazen os camaradas militares.
Dizen qu'agora no Verã vã’ ajudar a apagar fogos, ao contrário dos professores
que tentam atear o Fogo nas cabeças no rêsto do ano. Mas ele hâ cabeças que
nã’ arden, por más Fogo que se ponha, como ê o caso dos camaradas militares e
p'lít'cos.
Já estou cansado de tanto escrever a ensinar-lhe umas coisitas. Essa coi-
sa de ensinar é mesmo difícil.
Está na hora da sêsta.
Fique bên.

O manjarico estava bom!


2005-06-24
Ex.mo Sr. Professor Doutor Jubilado,
Ao contrário de Vossa Excelência, fui comer sardinhas regadas com
vinho "risante" da região de Coimbra, tradicionalmente a terra dos
doutores.
É triste constatar que a maioria dos doutores que nela se forma se des-
tina a engrossar os dados estatísticos do desemprego, sobre o qual
alguns académicos fazem estudos socio-economico-políticos, sem
compreender que atrás dos números estão pessoas de carne e osso.
As referidas pessoas sentem-se tremendamente ofendidas com o
pedantismo daqueles que, esquecendo, ou melhor, fazendo ouvidos e
olhos de mercador à brutal realidade de desemprego dos licenciados,
ostentam o seu sucesso, tal como os novos-ricos ostentam as suas
riquezas extraídas do labor de outrem.
Constrange, e provoca uma certa revolta esta constatação, a de que
muitos dos que não conseguem um lugar ao sol têm capacidades mui-
to superiores às de alguns professores doutores.
Enquanto Erasmo de Roterdão fazia o elogio da loucura, sou forçado a
fazer o elogio da mediocridade. Pascal, nos seus Pensamentos, refere:
32
Mas mesmo que o universo o fosse esmagar, o homem continuaria ainda a
ser mais nobre que o seu assassino, porque sabe que vai morrer e sabe a vanta-
gem que o universo tem sobre ele. O universo não sabe nada disto.
Assim, toda a nossa dignidade consiste no pensamento.10
Pensem, Sr.s Professores, pensem porque a humildade que Pascal pro-
curou cultivar é uma consequência do pensar.
E, para colmatar, as sardinhas foram um rico manjar, um óptimo man-
jarico!

Acabar com as regalias dos setôres.


2005-06-25
Decreto do Governo:
NENHUMA DESTAS MEDIDAS É CONTRA OS PROFESSORES,
APENAS SE PRETENDE PREMIAR AS PROFESSORAS BOAS.
NÃO SE PRETENDE TAMBÉM FAVORECER O ENSINO
PRIVADO, LONGE DE MIM TAL IDEIA.
TAMBÉM NÃO HÁ QUALQUER MÁ VONTADE CONTRA UMA
PROFISSÃO ESSENCIALMENTE FEMININA.
É APENAS UMA COINCIDÊNCIA QUE A MAIOR PARTE DOS
PROFESSORES SEJAM PROFESSORAS.
TAMBÉM NÃO SIGNIFICA QUE EU TENHA ALGUMA COISA
CONTRA AS MULHERES.
EU ATÉ TENHO UMA NAMORADA EM LEIRIA.
Para acabar com o desemprego de licenciados, os professores e pro-
fessoras (peço desculpas por não as ter incluído antes, apesar de serem
a maioria e, para mais, donas de casa!), vão passar a trabalhar mais e a
produzir mais. Claro que temos que acabar com os privilégios desta
maldita classe.
Assim, e atendendo a que a maioria dos professores são professoras,
determino:

10
Pascal, Pensamentos
33
1. As professoras (e os professores) vão passar a reformar-se aos
75 anos, porque a esperança de vida média das mulheres é supe-
rior à dos homens.
2. O horário de trabalho das professoras (e professores) passa a ser
de 35 horas semanais de componente lectiva.
3. O restante trabalho deve ser feito fora do horário laboral, em
casa e em simultâneo com as tarefas domésticas.
4. Uma escola que tenha, agora, 100 professoras (e professores)
que dão, em média, 17,5 horas de aulas por semana, passará a
precisar de apenas 50 professoras - mas os professores (homens)
serão gradualmente banidos por serem menos trabalhadores.
5. Cada professora deve ser capaz de leccionar disciplinas de duas
áreas disciplinares (por exemplo, Economia e Física, História e
Matemática, Filosofia e Electricidade, Mecânica e Educação
física, Religião e Moral e Geometria Descritiva, etc., podendo
qualquer professora ou professor leccionar a disciplina de Edu-
cação Sexual.
6. O trabalho das professoras (e professores) será avaliado no final
do ano através de exames nacionais em todas as disciplinas de
todos os anos; e o sucesso da professora (e do professor) passa a
ser medido também pelo sucesso dos seus alunos que não terão
que fazer mais exames devido ao aumento da qualidade das
aulas das professoras (e professores).
7. As professoras (e professores) cujos alunos apresentem resulta-
dos com um desvio superior a 5% em relação a uma média defi-
nida pelo Ministério, serão despedidas(os), quer por terem ensi-
nado pouco, quer por terem ensinado demais.
8. O período de aulas passa a ser de 11 meses por ano para que as
professoras possam gozar as suas férias a limpar a casa que os
filhos e o marido (se o tiver ainda) sujaram durante o ano e não
teve tempo de limpar.
9. Os professores apanham férias por tabela, embora não as mere-
çam, nem tenham qualquer actividade para os ocupar durante o
referido período. Deste modo, farei por tirar também as minhas
férias neste período em que haverá muitos homens desocupados.
34
10.No mês dos exames, todas as professoras (e professores) são
obrigadas(os) a comparecer nas escolas.
11.Se não forem necessárias(os) para vigiar os seus próprios exa-
mes, que limpem a escola, porque vai ser proibido arranjar as
unhas durante o serviço, e o tempo na casa de banho não conta
para a reforma.
12.Aliás, só conta para a reforma o tempo decorrido dentro da sala
de aula e com alunos.
13.Para progredir na carreira, a professora tem que estar inscrita
numa universidade privada, a frequentar (em regime diurno)
uma pós-licenciatura, um mestrado, um doutoramento ou um
pós-doutoramento, e fazer prova anual do facto.
14.Esta medida é necessária para dar emprego aos professores uni-
versitários (aqui não ponho professoras porque a maioria ainda é
macha, recebe melhor e trabalha menos, ainda bem).
15.As faltas dadas para tratar de assuntos relativos à frequência da
universidade (defender teses, apresentar trabalhos, etc., descon-
tam, porém, um dia de vencimento por cada aula não dada, não
contando também para a reforma.

Como se manifestam os complexos


2005-06-25
Sob uma capa de "justiça" em relação aos outros trabalhadores, os
detentores de conhecimentos são o alvo predilecto do ódio das massas
ignaras. Se a nossa sociedade valorizasse o conhecimento, a situação
dos professores não seria vista como uma situação de privilégio, antes
pelo contrário.
Considera-se que um magistrado deva ganhar bem, que um médico
deva ganhar melhor, que um primeiro-ministro deva ganhar muito
bem, que um apresentador de TV deva ganhar muitíssimo bem, que
um "contador de anedotas porcas" deva ser milionário, um "chutador
de bolas" deva ser trilionário e um empresário de sucesso deva ser
podre de rico, mas que um professor só deva ganhar tanto como um
escriturário; a função que exerce é uma função menor que pode ser

35
desempenhada sem qualquer esforço e que produz uma mais-valia
perigosa, pois, se bem canalizada, pode impedir que todas as mais-
valias sejam capitalizadas e aproveitadas por gente sem escrúpulos.
Imagine-se que os detentores de conhecimentos resolviam unir-se, e
só prestar serviços quando estes lhes fossem pagos pelo valor justo
face ao investimento que fizeram? Talvez assim, os mentecaptos que
menosprezam o trabalho intelectual passassem a venerar os professo-
res tal como hoje veneram um barnabé que sabe dar dois chutos na
merda de uma bola ou um "mânfio" que fode a Quicas ou um "pane-
leiro" famoso, merecedores de fotografia nas capas das revistas tão
apreciadas pela populaça estúpida e maldosa.
Mando-os todos à bardamerda!
Os professores, de agora em diante, só deviam deixar passar quem
revelasse ter aprendido a dar valor ao conhecimento, e a reconhecer
que a grandeza do ser humano está longe de ser aquilo que esta socie-
dade da merda (os valores dominantes fedem) enaltece.
As crianças e os jovens devem desenvolver um espírito crítico para
poderem rejeitar o condicionamento a que são constantemente subme-
tidos pelos merdia, condicionamento que os induz à perda do seu valor
intrínseco e que permite que venham a ser explorados em conformida-
de.

Diminuição do desemprego
2005-06-27
Notícia de última hora (absurda):
O desemprego está, finalmente, a diminuir.
Mas porque será? Terá aumentado a mortalidade juvenil?

36
Do Tempo
2005-06-28
Tirado do primeiro capítulo do meu livro OIT11 (TIO às avessas).
O tempo é a nossa dimensão existencial básica.
Ilya Prigogine
O verdadeiro segredo guardado no tempo é a sua própria natureza que
constitui uma das preocupações dominantes dos homens do presente e
do passado. Do tempo não temos qualquer evidência sensível racional
e imediata. É um dos maiores enigmas do nosso mundo e, talvez por
isso mesmo, o tema predilecto de filósofos e cientistas de todos os
lugares e de todas as épocas.
Questiono-me, frequentemente, se todo o conhecimento não resultará,
ao fim e ao cabo, de coisas que a humanidade “inventou” para ter com
que se atormentar, sendo o tempo uma delas.
O filósofo Immanuel Kant (1724-1804) considera que nós emprega-
mos aquilo a que ele chama de «antinomia da razão pura que consiste
em usar ideias transcendentes com o fim de obter conhecimentos rela-
tivos ao mundo» .
A partir de que conceitos transcendentes construímos todo o nosso
saber? Quais os enigmas fundamentais deste nosso mundo?
Sinto que, se concentrássemos a nossa atenção apenas nos conceitos
principais, isto é, se nos déssemos ao cuidado de dispor de tempo para
pensar sobre coisas que, possivelmente, nunca entenderemos (!?),
ficaríamos reduzidos a um pequeno número delas (ou talvez não), uma
das quais é, sem dúvida, o tempo, cujo segredo se encontra ainda mais
bem guardado que o dos Templários, que nem Dan Brown conseguiu
desvendar! Não é por acaso que os filósofos e cientistas consideram o
segredo do tempo como “algo” sobre o qual se devem pronunciar para
granjearem alguma popularidade.
Por isso, Kant, na primeira das suas quatro antinomias, refere-se,
como não podia deixar de ser, ao tempo e ao espaço:

11
“O Implacável Tempo”, vide www.lulu.com/tempo
37
Tese: «O mundo tem um começo no tempo e é também limitado no espa-
ço.
Antítese: «O mundo não tem começo nem limites no espaço; é infinito
tanto no tempo como no espaço.
Apesar da existência do tempo se me afigurar inquestionável, não
consigo (tão-pouco espero vir a conseguir) ter uma noção exacta do
que ele seja. Logo, só vos posso asseverar que o tempo é “algo” que
considero um enigma e de cuja realidade nem sequer tenho a certeza.
Sim, a hipótese da inexistência pura e simples do tempo já fora, de
resto, há muito tempo, aventada por Aristóteles (384-322 a.C.), que
começa, deste modo, as suas explanações sobre o tempo:
Em seguida, para ser discutido após os assuntos referidos, há o Tempo. O
melhor será começar a trabalhar as dificuldades com ele ligadas, empregando
argumentos correntes. Primeiramente, pertence à classe das coisas que existem
ou à das coisas que não existem? Em segundo lugar, qual a sua natureza? Para
começar, então: as seguintes considerações fariam suspeitar que ele não existe
de todo ou existe apenas de uma forma obscura. Uma porção dele passou e já
não existe, enquanto a outra acontecerá e ainda não existe. Contudo o tempo –
tempo infinito ou a porção dele que se queira examinar – é composto daqueles.
Supor-se-ia naturalmente que o que é composto de coisas que não existem não
poderia ter qualquer papel na realidade.
Sendo, no entanto, o tempo, tal como o espaço, uma condição da pró-
pria existência das coisas, não me parece muito legítimo discutir a sua
existência ou não existência. Porque, ao afirmar a inexistência do
tempo, afirmamos, por arrasto, a inexistência da própria existência.
Um absurdo bem ao gosto dos filósofos e não só.
O tempo não constitui “algo” completamente distinto de outros tantos
enigmas como o espaço e a matéria, sendo estes apenas mais eviden-
tes: podemos vê-los, cheirá-los, pontapeá-los. Mas, por infelicidade
minha e de muita gente, o tempo não se pode pontapear!
O tempo tem, deste modo, características mais próximas de um senti-
mento do que de uma “coisa” física, mas consegue durar mais que
qualquer sentimento e estar quase sempre presente, excepto, talvez,
quando estamos inconscientes ou distraídos.
E pode acontecer que aquele tempo que é considerado “coisa” física e
que se mede, seja, esse sim, apenas algo “inventado” pela mente
humana e não corresponda a nenhum enigma com evidência sensível;
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o que é, talvez, um pouco diferente de negar a existência do tempo em
si, segundo creio.
Do mesmo modo que não posso negar a existência do pensamento ou
dos sentimentos, também não posso negar a existência do tempo.
Embora ele constitua um enigma, deve corresponder a alguma coisa
ligada também à realidade sensível.
O tempo corresponde, sem dúvida, a “algo” sentido pela nossa mente!
Ou não estaríamos, tão-pouco, a falar dele com palavras dispostas por
uma ordem tal que “sabemos” qual a que vem “antes” e qual a que
vem “depois”. O tempo, como “sentimento” da mente, é, possivel-
mente, a imagem de “algo” físico do qual se pode "construir" um con-
ceito.
No que respeita aos conceitos, de acordo com a opinião de Albert
Einstein (1879-1955):
A única justificação que podemos dar dos nossos conceitos e sistemas de
conceitos é a de que eles servem para representar o complexo das nossas expe-
riências; para além disto não têm a menor legitimidade.
Estou convencido que os filósofos têm tido uma acção prejudicial
sobre o progresso do pensamento científico nas suas tentativas de
afastar certos conceitos fundamentais do domínio do empirismo, em
que estão debaixo do nosso controlo, atirando-os para as alturas ina-
cessíveis do «a priori».
É possível que a referência à acção prejudicial dos filósofos tenha a
ver com a polémica entre Einstein e Henri Bergson (1859-1941) que
seria interessante conhecer . Vejam só, no entanto, sobre que assuntos
as pessoas são capazes de discutir quando não ligam nenhuma ao
futebol ou à política! Aqui, porém, o mais curioso é a piada de Eins-
tein a todos os que sustentam a opinião kantiana, segundo a qual:
O tempo é uma representação necessária que serve de base a todas as
intuições. Não se pode suprimir o tempo nos fenómenos em geral, ainda que se
possa separar, muito bem, estes daquele. O tempo, pois, é um dado “a priori”.
Só nele é possível toda a realidade dos fenómenos. Estes podem todos desapare-
cer; mas o tempo mesmo, como condição geral de sua possibilidade, não pode
ser suprimido.12

12
Kant, Crítica da Razão Pura
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“Dado a priori” foi o nome que Kant deu ao enigma do tempo, na
esperança, talvez, de se ver livre dele.
Se ele se viu, efectivamente, livre do tempo, também não sei (aliás,
sei, já morreu), mas pelos vistos não conseguiu convencer Einstein,
um dos melhores enigmatistas de todos as épocas, que não se atrapa-
lhou muito com a questão do tempo, inventando, ao invés, um tempo
muito especial que lhe granjeou renome internacional.
Seria pertinente, no entanto, verificar se o tempo, como “coisa” física,
corresponde também a um “dado a priori” como defendia Kant ou se
é, como já foi sugerido atrás, um conceito “inventado” pela mente
humana, possivelmente a partir de outro conceito mais “visível” do
que esse a que chamamos tempo.
Porém, se porventura se concluir que ele foi inventado a partir de
nada, na perspectiva de um outro filósofo do século passado, Willard
Van Orman Quine (1908-2000), seria preferível reconhecermos os
limites do nosso conhecimento do que “inventar” entidades fictícias
(enigmas) para atingir resultados igualmente fictícios.
A questão mais relevante seria, para muitos, tentar compreender como
e porque “inventámos”, então, esta entidade misteriosa, este enigma a
que chamamos tempo.
Segundo Ernst Pöppel (1940), investigador ligado a várias institui-
ções, entre elas a Universidade Ludwig-Maximilian de Munique:
Devíamos concentrar-nos antes na outra pergunta: «Como é que o
homem chega ao tempo?»
Para responder a esta pergunta, descrevemos a seguir uma classificação
hierárquica de vivências do tempo, que nos há-de levar finalmente ao ponto em
que talvez saibamos, no fim de todas as reflexões, por que é que temos tamanha
dificuldade em responder a perguntas do género «O que é o tempo?».
Ignorar por completo o tempo, como sugeriu Aristóteles, poderia ser
bastante sensato, mas não me parece viável de todo. Quer se queira
quer não, a nossa existência efémera é suficiente para provar a impor-
tância que tem, para nós, a questão do tempo.
É evidente que, se não existíssemos, isto é, na ausência de uma mente
consciente que pudesse sentir aquilo a que chamamos realidade (ou
conjunto de todos os enigmas), nem o tempo nem outro enigma qual-
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quer poderia, sequer, ser imaginado. A mente, que é a imagem da rea-
lidade em nós, parece-me ser a condição fundamental de toda a exis-
tência. É a mente que percebe o espaço, o tempo, a força e todos os
enigmas com que “representamos o complexo das nossas experiên-
cias”.
Ilya Prigogine (1917- 2003), referindo-se a John A. Wheeler (1911),
disse numa entrevista:
Um dos meus melhores amigos e colegas, John A. Wheeler, um eminente
físico muito conhecido, desenvolveu o conceito de «observer participanty des-
cription» do universo. Nesta descrição é o observador, o homem, a consciência,
que cria o tempo, que não existiria num universo sem homens e sem consciên-
cia.
Não existe qualquer conceito, sentimento ou seja o que for que se pos-
sa imaginar, sentir ou perceber, sem uma mente onde são imaginados,
sentidos ou percebidos.
Ao supormos também uma realidade exterior a nós, supomos, implici-
tamente, a existência de mentes em que essa realidade é percebida,
acreditamos na existência de mentes capazes de a entender, onde essa
realidade possa existir. Julgo que não há, mesmo, diferença alguma
entre uma existência sem mentes e o puro nada.
Confesso, porém, que já me sinto um pouco baralhado com estas con-
siderações sobre as condições de existência das coisas.
Se ao menos pudesse ter alguma certeza! Mas vejamos se me entendo
para que me possa fazer entender também: a mente é condição da
existência de tudo e do tempo em particular; o tempo é condição da
própria existência, tudo o que existe, existe no tempo; a mente existe
no tempo, donde se conclui que o tempo é também condição da exis-
tência da mente.
Então, se um é condição de existência do outro, será que não estamos
a falar do mesmo? Tempo e mente não serão uma e a mesma coisa?
Mas a mente parece não ser apenas tempo. A mente necessita do tem-
po para encadear o pensamento, tal como um computador precisa de
um relógio para executar os seus programas. A mente não pensa sem o
tempo e ela sabe que precisa do tempo; tem, por isso, consciência de

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si, ao passo que um computador não tem (ainda) essa mesma cons-
ciência acerca do seu relógio nem das partes de que é constituído.
O computador não deixa de ser uma realização que evidencia que a
mente humana adquiriu um certo conhecimento de si, mas não tem a
mesma capacidade de perceber as partes de si: o seu tempo, os seus
conceitos, a sua memória, a sua Unidade Lógica e Aritmética, etc.
Por isso, quando nos referimos à mente, queremos com isso significar
“algo” que se conhece e que percebe a existência de um mundo inte-
rior e exterior. Resta saber se tudo o que se sente no mundo interior
corresponde a “algo” exterior e vice-versa.
Podemos assumir que o tempo é a imagem interior de um tempo exte-
rior? Ou, por outras palavras, o tempo não será apenas a simples sen-
sação que temos de um relógio? Mas que relógio? De facto, a biologia
moderna identifica diversos relógios nos organismos vivos e nas suas
células.
O ritmo de reprodução das células humanas, por si só, é um relógio
capaz de trabalhar durante cerca de 120 anos no máximo, segundo
apurei. Traduzido em miúdos, não podemos (pelo menos nos tempos
mais próximos) esperar que, por métodos “naturais”, consigamos
viver mais do que esses 120 anos; a esperança de vida média, nos paí-
ses ditos civilizados, ronda os 70 e poucos anos.
Mas existem, com veremos mais tarde, vários relógios biológicos e
outros. Se o tempo é a sensação de um desses relógios, ou de todos
eles, como formamos nós essa imagem mental a que chamamos tempo
e que percebemos como um fluxo contínuo de qualquer coisa que não
conseguimos definir muito bem?
Nota de última hora (absurda):
Já muita gente me contactou (recebi dezenas de cartas electrónicas) a
perguntar se Tempologia (o tema do meu pós-doutoramento na Uni-
versidade de Figueiró dos Vinhos) não é o mesmo que Cronologia.
Santa Ignorância! Tanta iliteracia!

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Garfadas
2005-06-29
Com o passar dos anos, essas mentes académicas foram chegando à con-
clusão que embora os homens não fossem realmente necessários, eles exis-
tiam,..13

Dignidade e liberdade
2005-06-29
Um homem digno é um homem livre, e só se é livre quando se é digno.14

Jumentos à bardamerda!
2005-06-29
Lendo esta bosta15 do jumento, devo fazer o seguinte comentário:
Que não se pague ao reformado mais do que aquilo que descontou,
mas actualizado. De facto, na reforma só se deve receber aquilo que se
descontou. Os descontos para a reforma são uma poupança dos cida-
dãos que confiam dinheiro ao Estado e este tem o dever de investir
correctamente essa poupança e fazê-la render, tal como qualquer
representante legal.
Os 5$00 de há trinta anos (um litro de gasolina) são, hoje, 1,20 € +
juros, no mínimo (visto estes representarem o C.O.C.. Se os cidadãos
tivessem feito depósito desse desconto, hoje teriam uma pequena
(grande) fortuna.
Ou seja, se nos devolvessem a "gasolina" toda que descontámos, ficá-
vamos ricos. A verdade, porém, é que os políticos consomem a nossa
"gasolina" em vez de a poupar e fazer render.
Por isso, reduzir as reformas é FURTO! Vão furtar para a estrada, seus
asnos!

13
http://www.garfos.letrascomgarfos.net/
14
http://filhodo25deabril.blogspot.com
15
http://jumento.logdrive.com/archive/2421.html
43
Poeira para os olhos!
2005-06-30
Com o intuito de desviar a conversa, os merdia e os senhores da polí-
tica passaram a discutir o aborto, as centrais nucleares, o Isaltino e o
Exaltado. Continuam a não querer discutir e eliminar a p*** que pariu
toda esta merda! Convém guardar o lixo debaixo do tapete. Pode ser-
vir para atirar para os olhos do Zé.

Amor com amor se paga!


2005-06-30
Nuno Melo lamentou que o Governo se tenha juntado aos "cidadãos mal
informados que zurzem nos deputados" e advertiu igualmente que, sem regalias
especiais, "qualquer dia só vai para a política quem está disposto a trabalhar a
preço de saldo ou a ser enxovalhado".
In O Público, hoje
E eu lamento que os cidadãos se tenham juntado ao governo mal
informado que zurze os professores e advirto igualmente que, sem
quaisquer regalias, só vai para o ensino quem não está disposto a
trabalhar a preço de saldo e a ser enxovalhado. Mas que não tem
outra alternativa!

Deuses ou escravos?
2005-07-01
16
Comentário de Anastácia, no blog Filho do 25 de Abril :
Filho do 25 de Abril:
Em democracia, tal como a conhecemos, usa-se de uma hipocrisia tal
que, em tudo, faz crer que os legítimos representantes do povo exercem o poder
que lhes é delegado para defender os autênticos interesses desse povo.
No entanto, a realidade é bem diferente: o povo continua a ser oprimido
e tiranizado depois de se alienar do poder que entrega aos seus algozes; susten-
ta, à custa do seu suor, um número infindável de parasitas e incompetentes que,
ao invés de trabalharem para promover a justiça, a segurança e o bem-estar
desse povo – que lhes paga (comparativamente) elevadas remunerações com tal

16
http://filhodo25deabril.blogspot.com/2005/06/476-idade-da- reforma.html
44
finalidade –, aproveitam o facto de exercerem semelhantes funções para torna-
rem as suas próprias vidas e as dos que lhes são próximos o mais aprazíveis
possível.
Afinal, no exercício de tão importantes funções, tudo quanto fazem é
implementar e aplicar leis que favorecem o grande capital e trazem a miséria e
a agonia a um número crescente de pessoas que lhes conferem o poder para que
lhes destruam as suas vidas.
Perante um cenário de tanta hipocrisia, de corrupção, de incompetência e
parasitismo associados à ignorância, afigura-se muito possível que os avanços
científicos e as novas tecnologias que se lhes seguem, aliados à cada vez maior
influência da informação, possam conduzir-nos a uma opressão e manipulação
totais.
O ressurgimento de um Estado declaradamente totalitário não é um acon-
tecimento improvável de vir a ocorrer, pois não há qualquer impedimento sufi-
cientemente forte para o evitar; pelo contrário, tem uma elevada probabilidade
de suceder, atendendo ao crescimento do desemprego, da injustiça e da insegu-
rança que constituem uma séria ameaça para que tal fenómeno possa sobrevir.
O povo tem que pedir contas aos seus legítimos representantes e saber de
que modo têm esbanjado o seu (dele) dinheiro! Cada um deve arcar com as res-
pectivas responsabilidades e os governantes devem responder pelas péssimas
políticas económicas que têm prosseguido.
Ao Homem compete lutar pela liberdade e não pelo esclavagismo!

Anúncio
2005-07-01
Amanhã vou criticar ferozmente o programa de investimentos do
governo e mostrar que, mais uma vez, vai haver esbanjamento sem
retorno.
Nota de última hora (absurda):
Novos-ricos à bardamerda! Vampiros exploradores à bardamerda!
TGV à bardamerda, OTA à bardamerda, falso apoio às renováveis à
bardamerda, energia nuclear à grande bardamerda, Tróia à bardamer-
da, armamento à bardamerdíssima, ignorância à bardamerda, pedan-
tismo (cagança) à bardamerdaaaaaaa!

45
Desastroso empobrecimento!
2005-07-01
Continuar pelo caminho que estamos a seguir só pode levar ou ao desas-
tre ou, pelo menos, ao empobrecimento de grande parte da população portugue-
sa. 17
Concordo com o Raio, mas não percebo que o empobrecimento não
seja, também, um grande desastre.

TGV à bardamerda!
2005-07-01
Para, com seriedade, contestar o investimento no TGV, pergunto: a
quem vai ajudar esse investimento? Como é que o TGV nos fará sair
da merda?
Ponha-se, em alternativa, a construção de vários ramais que permitam
levar o caminho de ferro a mais localidades. Comparem. Que tal? Por
isso, repito: TGV à bardamerda porque, se não for para encher os bol-
sos de alguns, não serve para mais nada.
Na prática, o português pode ficar vaidoso por já ter também o TGV
(símbolo de "civilização", de status), mas quem o vai utilizar são os
mesmos senhores que se encheram à custa dele. Cagança, apenas!
Nota de última hora (absurda):
Investir no TGV é o mesmo que uma família da classe média-baixa
cortar nas despesas de bens essenciais para poder ostentar um Merce-
des. Mas infelizmente é o que acontece. Assim na terra como no céu,
amen! Este governo é fruto da sociedade que o pariu.

Palavra d'El-Rei
2005-07-01
Quando um tio como o Belmiro, por exemplo, diz que há que aumen-
tar a produtividade para podermos competir com os chineses e os de
Leste, a populaça estúpida e maldizente clama logo:

17
Autor do blog http://cabalas.blogspot.com/
46
"É isso mesmo, vamos trabalhar mais, vamos ser mais competitivos,
vamos mostrar aos chineses o que valemos, vamos mostrar aos de
Leste que não têm safa connosco, rebéubéubéu, pardalinhos ao ninho,
às armas, às armas, vamos a eles. Então o tio Belmiro não é um
homem de sucesso? Não é ele que sabe como se ganha dinheiro?".
Na prática, esse "às armas" significa: vamos cortar na Educação,
vamos cortar na Saúde, vamos cortar na Segurança Social, vamos cor-
tar na Agricultura, vamos cortar na Pesca, vamos cortar o
ca*****…(porra, isso não!); significa automatizar e despedir pessoal,
significa aumento da miséria, significa, ao fim e ao cabo, passarmos a
ter o mesmo nível de vida dos chineses e dos de Leste. Deixemo-nos
de tretas, não somos melhores nem piores que os chineses ou os de
Leste. Competir com eles só nos leva à mesma miséria. Não há guer-
ras sem mortos e feridos. E quem vai à guerra dá e leva.
Se tivermos as mesmas condições de vida dos chineses e dos de Leste,
seremos tão bons ou tão maus como eles. Querer competir economi-
camente com países onde o grau de exploração é muito superior ao
nosso é um suicídio. Mas somos uma merda de uns nacionalistas orgu-
lhosos e vamos competir. Em vez de fazermos ver aos chineses e aos
de Leste que não queremos essa competição, dificultando a entrada
dos seus produtos.
SALVE-SE QUEM PUDER!
Nota de última hora(absurda):
A verdadeira competição é em valores, sendo a SEGURANÇA um
valor fundamental. Bardamerda para os que exploram os chineses, os
indianos, os de Leste, de Oeste, do Norte ou do Sul.

47
Ms. Maria de Lurdes Reis Rodrigues
2005-07-01
Uma carta dirigida à ministra:

Ex.ma Senhora Ministra,


A Internacional de Educação que representa mais de 29 milhões de pro-
fessores e outros trabalhadores da educação, através de 348 organizações em
166 países, tem a FENPROF e a FNE como seus membros.
A Internacional de Educação tem seguido com preocupação os argumen-
tos utilizados pela Ministra relacionados com a questão do direito à greve no
sector da educação. Os organismos supervisores da OIT (Organização Interna-
cional do Trabalho) têm uma noção precisa do conceito de "serviços mínimos".
Em 1983, a Comissão de Peritos definiu tais serviços como "a interrup-
ção daquilo que constitui perigo de vida, perigo para a segurança pessoal ou
perigo para a saúde de toda a população ou de parte da população". Esta defi-
nição foi adoptada pela Comissão de Liberdade de Associação logo a seguir.
A comissão exclui, especificamente, o sector da Educação da lista de
"serviços mínimos" onde o direito à greve pode ser sujeito a algumas restrições.
Por isso, a resposta do Governo à convocação conjunta de greve da FNE
e da FENPROF não está de acordo com os compromissos que Portugal assume
como membro da OIT (Organização Internacional do Trabalho). A IE acha
urgente que a Ministra estabeleça com os sindicatos da educação um diálogo
aberto e democrático. A IE expressa a sua solidariedade aos professores portu-
gueses e a todos os trabalhadores da educação e continuará a monitorizar a
situação.
Cumprimentos(assinado)
Fred Van Leeuwen
Secretário Geral
Nota de última hora (absurda):
O sublinhado é meu.
Será que Portugal já regressou à DITADURA?

48
Garfadas
2005-07-02
Se os neo-liberais tivessem uma "máquina do tempo", punham-nos todos
a competir com os escravos, nomeadamente os das roças do Brasil do século
dezoito!18

OTA à bardamerda!
2005-07-02
Uma das obras que o actual governo quer lançar – porque, possivel-
mente, tem de querer, por pressão de certos tios – é um novo aeroporto
para servir Lisboa, mas situado na Ota.
A justificação que se dá ao Zé é que Madrid, Londres, Paris, etc. têm
melhores instalações aeroportuárias que nós. Mais uma vez, a compe-
tição dos novos-ricos a que o Zé, estupidificado e condicionado, até é
sensível – vide o entusiasmo com que recebeu todas as obras de
fachada que foram feitas para elevar a sua auto-estima e encher os
bolsos dos espertos.
O meu vizinho também tem um Audi de 20.000 contos mas eu, que
não quero comprometer o futuro dos meus, opto por andar a pé e de
transportes públicos (que, por sinal, são uma merda porque são em
qualidade e quantidade insuficientes, além de caros) e faço sacrifícios
para dar estudos aos meus filhos (que já de pouco lhes servirá) e dei-
xar-lhes alguma segurança material com a compra de um apartamento
de cooperativa em que não posso viver por ter sido transferido para
Leiria.
Arrendei o apartamento mas o inquilino não paga a renda há dois
anos; a acção de despejo, que meti a tempo, não anda porque a Justiça
vai mal. Com tantas coisas essenciais a funcionar mal, tais como a
Justiça, uma das prioridades deste governo é um aeroporto para servir
melhor os senhores que vão a Bruxelas!!!???? Bardamerda das gran-
des!

18
http://www.garfos.letrascomgarfos.net/
49
Imaginem que o investimento que se pretende fazer na Ota era, em
alternativa, feito na melhoria dos transportes públicos, incluindo (por-
que não ?) pequenos aeroportos noutras localidades carenciadas e car-
reiras regulares de voos domésticos. Que tal?
O investimento nos transportes públicos é altamente compensador
porque reduz drasticamente a dependência em relação ao petróleo.
Mas quem está interessado em reduzir a dependência em relação ao
petróleo?
O investimento na OTA será feito à custa do Zé OTÁrio que continua-
rá a sofrer diariamente nos transportes públicos indecentes que tem.

Transportes de merda!
2005-07-02
Correspondência:
Ex.mo Sr. do Tempo!
Nas minhas deambulações forçadas, já passei pela situação de viver no
Entroncamento e ter que trabalhar em Paço d'Arcos!!! Tudo em nome da famí-
lia. Para chegar ao meu emprego, ia de comboio até Sta. Apolónia e aí apa-
nhava um autocarro para o Cais do Sodré. No Cais do Sodré, apanhava o com-
boio para Paço d’Arcos e depois, ou andava 1 km a pé ou, se fosse atrasado,
apanhava um táxi (quando encontrava algum!).
Ao fim de alguns meses nesta situação que me estava a levar à ruína eco-
nómica e à perda de saúde, fui a um psiquiatra que, confrontado com a minha
situação, não teve dúvidas em me prescrever uma baixa prolongada que me
permitiu ficar em casa, e dar mais assistência aos meus. Abençoado psiquiatra,
penso ainda hoje. O que mais me traumatizou na situação vivida, já lá vão uns
anos, foi o autocarro de Sta. Apolónia ao Cais do Sodré. Com a rua toda esbu-
racada e o autocarro numa correria louca, eu chegava ao Cais do Sodré como
se tivesse levado uma sova das grandes e, para mais, intoxicado pelo cheiro a
suor dos meus companheiros de viagem. Escusado será dizer que, no trabalho,
apenas queria que o tempo passasse depressa para regressar a casa e descan-
sar.
A produtividade que se f***! Uma coisa que me passou várias vezes pela
cabeça: "mas quando é que mandam arranjar a p*** desta estrada?". Outras
vezes pensava: "Mas será que custava assim tanto ligar a cabrona da linha de
comboio de Sta. Apolónia ao Cais do Sodré?"

50
Em vez de sonhos megalómanos de TGV’s e Ota’s, estes mandões da mer-
da não poderiam fazer aquelas pequenas obras de manutenção e melhoramento
que tanta qualidade de vida iriam trazer ao cidadão e, ao mesmo tempo, permi-
tiriam poupar uma pipa de massa em tempo (tempo é dinheiro!) e combustíveis
e davam emprego a mais gente?
Com os melhores cumprimentos,
Zé Parvónio

Pobreza envergonhada
2005-07-03
O mapa dado a seguir mostra quão pobres somos no tocante a linhas
férreas. O TGV só vai ligar Lisboa a Madrid e/ou a Vigo. Quantos
kilómetros de linhas férreas a ligar cidades e vilas deste país se pode-
riam construir com o dinheiro que se vai esbanjar no TGV?

51
52
A Energia é o fulcro da questão
2005-07-04
Falando à economista, a falta de energia, isto é, a importação de com-
bustíveis, é a causa do enorme défice da nossa balança comercial.
Tudo o resto, pode dizer-se, vem por arrasto.
Governo que se preze de ser governo não pode fingir que havemos de
conseguir pagar a factura do petróleo desenvolvendo o turismo, cons-
truindo a maior ponte da Europa para os “bifes” virem cá ver, fazendo
um Parque de Diversões do tamanho do défice para verem como
somos "capazes", desenvolvendo as novas tecnologias (na prática isto
significa comprar mais computadores de Taiwan ao Bill Gates) e reali-
zar Euros, Jogos Olímpicos, Jogos Sem Fronteiras, Congressos e bis-
cates diversos para sacar dinheiro ao "camone". Isto é mentalidade de
ciganos (sem ofensa para os ciganos!).
A verdade verdadeira é que nada disto resulta a curto, médio ou longo
prazo. A realidade é que só podemos contar com o que resulta do suor
do nosso rosto: pesca, agricultura, vestuário, calçado, indústria pesada,
construção civil, etc.. Para tal, precisamos de energia para produzir,
mas não temos fontes endógenas convenientemente aproveitadas.
Também as nossas exportações revelam-se insuficientes para pagar a
energia importada. Logo, devíamos concentrar os nossos esforços no
aproveitamento de fontes de energia endógena alternativas.
O principal investimento a fazer-se é nas energias eólicas e hidráulica,
únicas energias de que podemos dispor no imediato, sem correr riscos
desnecessários com a energia nuclear. O governo, a título de propa-
ganda apenas, propõe dar apoio às energias renováveis. Conheço esse
discurso. Lutei durante anos para promover a energia eólica na Madei-
ra; todos os "apoios" visavam principalmente a propaganda política.
A energia eólica está, porém, a impor-se contra a vontade dos políti-
cos, que não fazem a mínima ideia da sua importância na economia do
país. Mas o ritmo a que se desenvolve é inferior ainda ao do aumento
da procura de energia eléctrica.
Recentemente a UE chumbou o projecto da barragem do Baixo Sabor
com a mesma desculpa dos falsos ambientalistas (Quercus e Sabor

53
Livre) que levantam objecções à sua construção. Um grupo de empre-
sários aproveitou-se para avançar agora com uma proposta de constru-
ção de centrais nucleares (naturalmente de fissão), centrais cujos peri-
gos já levam outros países a querer desmantelar as suas, construídas
precipitadamente para se livrarem da dependência do petróleo o que,
de facto, conseguiram.
Se se tivesse optado pelo nuclear há 50 anos, estaríamos agora a pre-
tender livrarmo-nos dele, como os países que o instalaram. O nosso
atraso resulta assim em vantagem, pois podemos passar directamente à
era das energias renováveis, alternativa que, aliás, foi desenvolvida
pelos países que se querem libertar do nuclear: “o lixo nuclear que já
se enterrou nos mares, voltará um dia, servido à mesa”.
Mas não tenho dúvidas que o projecto do nuclear para Portugal seja do
agrado da UE (Alemanha & França principalmente) e dos EUA, e que
eles estariam dispostos a mexer os cordelinhos para fazer avançar o
projecto, subornando meio mundo (mas só tios!) se necessário fosse.
Além do mais, a maior parte do petróleo que se consome nem é usado
na produção de energia eléctrica, apenas 20% do petróleo (ou nem
tanto) é consumido com esse propósito. Mas usa-se o gás e o carvão,
também importados. Logo, as poupanças (todas são bem-vindas, cla-
ro) que a produção de energia eléctrica através de fontes alternativas
pode proporcionar não irão reduzir substancialmente a dependência do
petróleo.
O sector dos transportes é o grande consumidor do petróleo (gasolinas
e gasóleo). Só uma política de promoção do transporte público (com-
boios, autocarros, eléctricos, troleys) pode trazer uma poupança signi-
ficativa de petróleo ao país.

hora absurda ...


2005-07-04
É preciso destruir o propósito de todas as pontes,
Vestir de alheamento as paisagens de todas as terras,
Endireitar à força a curva dos horizontes,
E gemer por ter de viver, como um ruído brusco de serras...

Fernando Pessoa
54
Anastácia
2005-07-04
Anastácia não tem blog, isto é, tem19. Mas Anastácia tem comentários
excelentes. Já pensou em escrever um livro? Ou já terá escrito algum?
Nesse caso, gostaria de ser um dos leitores.
Último comentário de Anastácia no Filho do 25 de Abril20:
A educação é a base, o alicerce, de uma sociedade que se quer livre e
próspera ou, pelo contrário, de uma sociedade que se quer esclavagista.
Nietzsche descreveu as grandes linhas de uma sociedade futura (agora
presente?) como uma ressurreição da sociedade esclavagista antiga e afirmou
que «quem quer os fins quer também os meios. Se queremos escravos, é insensa-
to dar-lhes uma educação de senhores».
Os melhores alunos são os que interiorizam mais facilmente os valores e
os comportamentos que servem os interesses dos grupos dominantes, precisa-
mente por serem incapazes de os pôr em causa; servem os "amos" de uma forma
eficiente, ou seja, os melhores são, precisamente, os medíocres.
Como salienta Erich Fromm, «os alardeados alunos excelentes são os que
conseguem repetir com maior exactidão as afirmações que lhes foram transmi-
tidas. O que não aprendem é a questionar essas afirmações, ver contradições,
omissões ou valores».
Hoje, ao contrário do que se possa supor, inventa-se formas para prorro-
gar o prazo do confronto com a realidade e submete-se os jovens a cursos e
mais cursos: licenciaturas, cursos de formação, cursos de pós-graduação, mes-
trados, doutoramentos, pós-doutoramentos… quando a verdadeira questão não
reside na intenção de conferir uma mais profunda e mais útil qualificação e
competência, mas, outrossim, em proteger certos lobbies e na falta de empregos
decentes!
O famigerado "exército de reserva" de licenciados serve, precisamente,
para fazer desvalorizar o trabalho intelectual e, pelas leis da oferta e da procu-
ra, fixar o seu preço a um nível mínimo. O maior inimigo do poder instituído
reside na combinação da inteligência e do conhecimento! Logo, é envidado todo
um esforço para que o número de indivíduos que reunem estas condições seja
muito limitado!...

19
http://afixe.blogspot.com
20
http://filhodo25deabril.blogspot.com
55
A sociedade tem que ser vista como um todo e a Escola faz parte do apa-
relho ideológico do Estado.
Nota de última hora (absurda):
Se a Anastácia fosse "tia", já tinha editado um livro há muito tempo. E
nem precisava de dizer "porra" alguma. Ou, aliás, tinha que dizer
"porra" e outros palavrões mais. Eu digo “porra” porque sou um tio.

Uma carta da Madeira


2005-07-05
Ex.mo Sr do Tempo:
Fala-se muito em aumentar a produtividade. Tudo bem, vamos supor que
eu concordo com o aumento da produtividade. O que é que querem que eu faça,
então? Que trabalhe mais horas por dia? Ou vão dar-me meios para eu produ-
zir mais no mesmo tempo? O que é a produtividade?
Na fábrica onde trabalho produzimos fraldas para idosos e somos 300
trabalhadores. Se cada um de nós produzir mais fraldas em menos tempo, a
produção da fábrica vai aumentar e ela tem que fazer escoar a produção. Mas,
se os reformados vão ganhar menos, temos que vender tudo muito mais barato e
o valor da produção vai ser ainda menor do que era antes do aumento da pro-
dutividade.
Os meus patrões não vão nessa! Será que vamos, então, passar a traba-
lhar menos horas por dia (e receber menos) para manter ou reduzir a produ-
ção? Ou será que vão despedir pessoal?
Como o Sr. é que entende dessas coisas do Tempo (tempo é dinheiro), por
favor, elucide o pessoal cá da fábrica para sabermos o que é que esses senhores
do Continente – mas que um dia serão também «incontinentes», e vão também
precisar de fraldas – querem dizer com o aumento da produtividade.
Será por isso que o nosso presidente não os quer na Madeira? Nem aos
cubanos, indianos e chineses?

O meu orçamento
2005-07-05
Ganho 1000 euros por mês e vou gastá-los assim:
• 150 euros para uma pistola à Cobói
• 150 euros para um comboio de brincar modelo TGV
56
• 150 euros para uma pista de aviões tipo Ota
• 150 euros para uma pista de carros à IP5
• 400 deve dar para a renda de casa, para o petróleo, para comer,
para vestir, para calçar, etc., etc.
Eh pá, mas só a renda já te leva os 400 euros!!!!
Não faz mal, vou fazer uma lei que fará baixar a renda para 200 euros.
Será que o este governo anda a governar ou a reinar???? A monarquia
já está de volta????
Nota posterior: Congelar salários, despedir funcionários e tirar rega-
lias, ao mesmo tempo que se pensa em comboios e aviões, é reinação.

Criminosos à solta?
2005-07-07
Não há palavras que consigam exprimir o que se sente ao ler este post
de O Velho da Montanha:
http://ovelhodamontanha.blogs.sapo.pt/arquivo/694301.html

A riqueza asquerosa
2005-07-07
Ontem dei uma volta pela cidade e constatei a existência de muitos
novos bairros com casas chiquérrimas. Nalguns deles fui indagar o
preço das casas ou dos apartamentos. Os preços eram de se lhes tirar o
chapéu, o mais barato era um bruto T0 que nem se chamava T0, acho
que o vendedor disse que era uma "xuite" e custava 50.000 contos.
Falei com um dos vendedores a quem disse:
- Oiça! Eu sou uma pessoa da classe merdia e estou a ver que, aqui,
nem uma casota de cão conseguirei comprar. E eu que gostava de
mudar para um bairro de gente do meu nível!!!!
O vendedor olhou para mim e perguntou:
- Qual é a sua profissão?
- Professor.

57
- Então, Sr. Doutor…
- Engenheiro…
- Pois, Sr. Engenheiro, está muito enganado quanto ao nível das pes-
soas que cá vivem. A grande maioria dos compradores é gente corrup-
ta que se dedica a negócios escuros: droga, prostituição, televisão,
política, futebol, petróleo, coca-cola, tráfico de armas, diamantes,
café, tabaco, álcool, etc.
Fiquei mais tranquilo e regressei ao meu bairro onde moram pessoas
pobres, mas honestas: pequenos comerciantes, ciganos, operários, pro-
fessores, emigrantes, imigrantes e outra gente honrada que apenas
quer viver à custa do seu trabalho.
Nota de última hora (absurda):
E donde virá a riqueza dos G8?
Comentário de Anastácia em O Velho da Montanha21:
Se, ao invés de sentirmos orgulho na ostentação de determinados símbo-
los – que ora são vistos como sinal de sucesso –, passarmos a sentir vergonha
porque revelam uma aceitação e legitimação do primado do ter... Se, usando as
palavras de Céline, deixarmos de «admirar todos os dias inúmeros bandidos a
quem o mundo inteiro venera (e nós também) a opulência, e cuja existência se
mostra, (...), como um longo crime em cada dia renovado». Se compreendermos
que a pobreza é um subproduto da riqueza… Se...
Então, talvez consigamos ascender à condição de raça HUMANA!

Tragédia em Londres
Entrevistando BLAIR
2005-07-07
Tem ideia sobre o que aconteceu?
It’s reasonably clear that there have been a series of terrorist attacks in
London.
Bruxo! E houve danos?

21
http://blogs.sapo.pt/comentar?entry_id=694301
58
There are obviously casualties, both people that have died and people se-
riously injured and our thoughts and prayers, of course, are with victims and
their families.
It’s my intention to leave the G8 within the next couple of hours and go
down to London and get a report face-to-face with the police and emergency
services and the ministers that have been dealing with this, and then to return
later this evening. It is the will of all the leaders of the G8, however, that the
meeting should continue in my absence, that we should continue to discuss the
issues that we were going to discuss and reach the conclusions that we were go-
ing to reach.
Será que o atentado foi planeado ou foi espontâneo? Terá sido um gru-
po de muçulmanos que saiu numa paródia (sem álcool) e resolveram brincar
com umas bombas que encontraram por aí? O que acha?
Each of the countries round that table have some experience of the effects
of terrorism and all the leaders, as they will indicate later, share our complete
resolution to defeat this terrorism.
Vai haver restrições de liberdade? Porque não expulsam de vez os
muçulmanos?
It’s particularly barbaric that this has happened on a day when people are
meeting to try to help the problems of poverty in Africa and the long-term prob-
lems of climate change and the environment.
Vitimizando os ricos? E no que é que África e ambiente são culpados,
mesmo que tenha sido a Al-Qaeda? E a Al- Qaeda trabalha para quem? Para
os africanos e para o Green Peace?
Just as it is reasonably clear that this is a terrorist attack or a series of
terrorist attacks, it is also reasonably clear that it is designed and aimed to co-
incide with the opening of the G8.
Será que eles já sabiam do G8?
There’ll be time to talk later about this.
As bombas vão começar a cair sobre africanos, árabes, e outros?
It’s important however that those engaged in terrorism realise that our de-
termination to defend our values (petróleo?) and our way of life is greater than
their determination to cause death and destruction to innocent people in a desire
to impose extremism on the world.
Por falar em valores, porque não deixam de tentar impor o neo-
liberalismo também? Você e o Bush.
Whatever they do, it is our determination that they will never succeed in
destroying what we hold dear in this country (as riquezas extorquidas ao ter-
59
ceiro mundo?) and in other civilised nations (onde estão os civilizados? Não os
vejo em parte alguma. Queres dizer bárbaros ricos?) throughout the world.
_________________
Nota posterior: Este post foi revisto, dele apenas constava a declara-
ção de Blair e poucos comentários meus. Não tenho a menor dúvida
que existe uma máfia que fomenta o terrorismo, que utiliza um antigo
conflito religioso para disfarçar os seus verdadeiros objectivos, liga-
dos ao poderio económico, poderio esse inevitavelmente ligado ao
petróleo. E lamento imenso que vidas de pessoas inocentes estejam a
ser impiedosamente ceifadas.

Gatos que ladram


José Eduardo Agualusa in O Público, 26-6-06
2005-07-07

lembrei-me de tudo isto a propósito da recente marcha, ou marchinha, de
duas ou três centenas de cabeças capadas, entre o Martim Moniz e o Rossio.
Os referidos cabeças ratadas, alguns dos quais exibindo músculos tatua-
dos com suásticas, gritaram palavras de ordem contra os imigrantes, cantaram
o hino nacional e fizeram a saudação nazi. Aquilo impressionou-me – estupidez
impressiona-me sempre.
Os portugueses não são outra coisa senão um bom fruto mulato do impe-
rialismo romano, somado ao imperialismo africano, através dos árabes, somado
ainda, mais tarde, a todos os encontros resultantes da grande aventura maríti-
ma. Um português racista é um português em confusa luta contra si mesmo - é
um antiportuguês…
Os irados rapazes morenos - expressão que, aliás, vem de mouro - que se
passearam em Lisboa, entre o Martim Moniz e o Rossio, gritando palavras de
ordem contra os imigrantes, e em defesa da raça branca, seriam corridos à
pedrada, em Berlim, pelos seus companheiros de cabeça rapada.
Em Berlim qualquer português é preto. Se não for preto não é português.
Na época do apartheid, na África do Sul, os boéres chamavam aos portugueses
os cafres brancos. Para um genuíno neonazi qualquer moreno é um cafre.

60
Cum mula peperit
2005-07-07
Sono Consciente sugere, no seu último post este link:
http://www.cientic.com/tema_evoluc_jorn11.html ,
donde aproveitei este excerto:
Ao todo, a História registou apenas umas dezenas de mulas férteis, no
mundo inteiro. Os partos comprovados cientificamente não chegam à meia
dúzia. Em Portugal, uma mula teve uma cria - fizeram-lhe análises citológicas,
de ADN, testes de fertilidade e ganhou um lugar no pódio das raridades.
Actualmente, vive em Vila Real, mas está de alforges aviados para Lis-
boa, onde os especialistas vão tentar que repita a façanha. Afinal, uma mula é
um ponto final na biologia dos equídeos, um híbrido estéril que resulta do cru-
zamento entre duas espécies diferentes - os cavalos e os burros.
Os romanos tinham mesmo um ditado a propósito de acontecimentos
impossíveis: cum mula peperit, que é como quem diz, «quando a mula parir».
Pois esta pariu e isso foi apenas o começo da história.
Grande novidade! Assistimos, todos os dias, a coisas muito mais
incríveis: Portugal já pariu estádios, vai parir o TGV (vindo de França
e tudo), já pariu a maior ponte da Europa, etc.
Nota de última hora (absurda):
Será que outros híbridos estéreis vão começar também a parir?

Another Blair?
Assim, sim!
2005-07-08
Sabemos que a imensa maioria dos muçulmanos aqui e no estrangeiro
são pessoas de bem, que respeitam a lei, e que abominam tanto quanto nós os
que cometem estes atentados.
Claro, é preciso não confundir terroristas – porque os traficantes de
droga e outros bastardos que temos também são terroristas – com
muçulmanos em geral. Apoiado, Blair, é necessário conquistar a sim-
patia dos bons muçulmanos e unirmo-nos na luta contra o terrorismo.

61
Sobre o terrorismo
2005-07-08
Comentário colocado por alguém que assina Despegado no blog
Terapia22:
As origens destes actos são sempre várias, não apenas uma. E já não inte-
ressa quais são. Todos os povos têm os seus ódios e humilhações acumulados, já
para não falar dos que se defrontam, no dia a dia, com a luta pela sobrevivência
física. Saber quem começou primeiro? Agora, é irrelevante. Duma coisa pode-
remos estar certos: a lei, nestes casos, será sempre a do olho por olho, dente
por dente. Daí a legitimidade sentida por quem executa estes atentados, contra
populações "civis".
O fechar de olhos e a indiferença por situações gritantes, em favor de
benefícios políticos e económicos dos grupos que, em cada momento, controlam
o poder das nações mais poderosas, será um dos denominadores comuns no
despoletar destas situações. Outro denominador comum residirá na cumplicida-
de do cidadão comum, que prefere ignorar o mais infame dos actos dos seus
governantes, desde que não seja posto em causa o seu nível de vida. Ou seja,
em maior ou menor grau, acabamos por ser todos responsáveis.
Estou a falar de NÓS.
É claro que não queremos ficar sem o petróleo e voltar à idade das trevas,
mesmo que isso custe a vida a milhares por esse mundo fora. É mais cómodo
chorarmos criancinhas que morrem à fome e fazer grandes espectáculos televi-
sivos de solidariedade, do que questionarmos o poder político, das formas mais
puras e duras, sobre o que andam a provocar por esse mundo fora.
Assim, ficamos todos desculpabilizados. E quando estes atentados acon-
tecem, pomo-nos a gritar para nós mesmos (será que para acreditarmos
melhor?) que se tratam de actos vis e cobardes, perpetrados por psicopatas
cobardes e fanáticos os quais, sabe-se lá porquê, decidiram não gostar de nós.
Agora, que estamos encostados à parede, não nos resta senão continuar
neste jogo do "sei mas finjo que não sei", porque há muito declarámos - nós, o
cidadão comum e os seus governantes –, esta guerra. Só que, agora, não apenas
em nome do nosso estilo e nível de vida, mas também no da sobrevivência física
dos nossos filhos e crianças, iremos ser mais uma vez cúmplices da hipocrisia e
da injustiça, porque não temos outra saída.
Já agora, revíamos a democracia existente. Não tenhamos, no entanto, o
despudor de julgar seja o que for, depois disto.

22
http://aterapia.blogspot.com/2005/07/insanidade-como-lgica.html#comments
62
Afinal, a moral custa bem-estar e conforto.
Nota de última hora (absurda):
Cada cabeça, sua sentença! Concordo com o comentário anterior.

O terrorismo e a riqueza
2005-07-09
Se o terrorismo tivesse como causa a pobreza, os africanos seriam o ter-
ror do mundo; e não são.23
Meu comentário:
O verdadeiro terrorismo nada tem a ver, de facto, com a pobreza. Tem
mais a ver com a riqueza. A pobreza é um sub-produto da riqueza.

CARTA ABERTA
AO ENGENHEIRO JOSÉ SÓCRATES
Esta é a terceira carta que lhe dirijo. As duas primeiras motivadas por um
convite que formulou mas não honrou, ficaram descortesmente sem resposta. A
forma escolhida para a presente é obviamente retórica e assenta NUM
DIREITO QUE O SENHOR AINDA NÃO ELIMINOU: o de manifestar publi-
camente indignação perante a mentira e as opções injustas e erradas da gover-
nação.
Por acção e omissão, o Senhor deu uma boa achega à ideia, que ultima-
mente ganhou forma na sociedade portuguesa, segundo a qual os funcionários
públicos seriam os responsáveis primeiros pelo descalabro das contas do Estado
e pelos malefícios da nossa economia. Sendo a administração pública a própria
imagem do Estado junto do cidadão comum, é quase masoquista o seu compor-
tamento.
Desminta, se puder, o que passo a afirmar:
1.º Do Statics in Focus n.º 41/2004, produzido pelo departamento oficial
de estatísticas da União Europeia, retira-se que a despesa portuguesa com os
salários e benefícios sociais dos funcionários públicos é inferior à mesma des-
pesa média dos restantes países da Zona Euro.
2.º Outra publicação da Comissão Europeia, L´Emploi en Europe 2003,
permite comparar a percentagem dos empregados do Estado em relação à tota-

23
http://www.garfos.letrascomgarfos.net/archives/2005/07/09/o-terrorismo-islamico-e-a-pobreza-no-mundo/

63
lidade dos empregados de cada país da Europa dos 12. E o que vemos? Que em
média nessa Europa 25,6 por cento dos empregados são empregados do Estado,
enquanto em Portugal essa percentagem é de apenas 18 por cento. Ou seja, a
mais baixa dos 12 países, com excepção da Espanha.
As ricas Dinamarca e Suécia têm quase o dobro, respectivamente 32 e
32,6 por cento. Se fosse directa a relação entre o peso da administração pública
e o défice, como estaria o défice destes dois países?
3º. Um dos slogans mais usados é do peso das despesas da saúde. A
insuspeita OCDE diz que na Europa dos 15 o gasto médio por habitante é de
1458.
Em Portugal esse gasto é ... 758.
Todos os restantes países, com excepção da Grécia, gastam mais que nós.
A França 2730, a Austria 2139, a Irlanda 1688, a Finlândia 1539, a Dinamarca
1799, etc.
Com o anterior não pretendo dizer que a administração pública é um
poço de virtudes. Não é.
Presta serviços que não justificam o dinheiro que consome.
Particularmente na saúde, na educação e na justiça.
É um santuário de burocracia, de ineficiência e de ineficácia.
Mas infelizmente os mesmos paradigmas são transferíveis para o sector
privado. Donde a questão não reside no maniqueísmo em que o Senhor e o seu
ministro das Finanças caíram, lançando um perigoso anátema sobre o funciona-
lismo público.
A questão reside em corrigir o que está mal, seja público, seja privado. A
questão reside em fazer escolhas acertadas. O Senhor optou pelas piores.
De entre muitas razões que o espaço não permite, deixe-me que lhe apon-
te duas:
1.º Sobre o sistema de reformas dos funcionários públicos têm-se dito
barbaridades . Como é sabido, a taxa social sobre os salários cifra-se em 34,75
por cento (11 por cento pagos pelo trabalhador, 23,75 por cento pagos pelo
patrão ).
OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS PAGAM OS SEUS 11 POR CENTO.
Mas O SEU PATRÃO ESTADO NÃO ENTREGA MENSALMENTE À
CAIXA GERAL DE APOSENTAÇÕES, COMO LHE COMPETIA E EXIGE AOS
DEMAIS EMPREGADORES, os seus 23,75 por cento.

64
E é assim que as "transferências" orçamentais assumem perante a opi-
nião pública não esclarecida o odioso de serem formas de sugar os dinheiros
públicos.
Por outro lado, todos os funcionários públicos que entraram ao serviço
em Setembro de 1993 já verão a sua reforma ser calculada segundo os critérios
aplicados aos restantes portugueses.
Estamos a falar de quase metade dos activos. E o sistema estabilizará
nessa base em pouco mais de uma década.
Mas o seu pior erro, Senhor Engenheiro, foi ter escolhido para artífice
das iniquidades que subjazem á sua política o ministro Campos e Cunha, que
não teve pruridos políticos, morais ou éticos por acumular aos seus 7.000 Euros
de salário, os 8.000 de uma reforma conseguida aos 49 anos de idade e com 6
anos de serviço.
E com a agravante de a obscena decisão legal que a suporta ter origem
numa proposta de um colégio de que o próprio fazia parte.
2.º Quando escolheu aumentar os impostos, viu o défice e ignorou a eco-
nomia. Foi ao arrepio do que se passa na Europa. A Finlândia dos seus encan-
tos, baixou-os em 4 pontos percentuais, a Suécia em 3,3 e a Alemanha em 3,2.

3º Por outro lado, fala em austeridade de cátedra, e é apologista junta-


mente com o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, da implosão
de uma torre ( Prédio Coutinho ) onde vivem mais de 300 pessoas. Quanto vão
custar essas indemnizações, mais a indemnização milionária que pede o arqui-
tecto que a construiu, além do derrube em si?
4º Por que não defende V. Exa a mesma implosão de uma outra torre, na
Covilhã ( ver ' Correio da Manhã ' de 17/10/2005 ) , em tempos defendida pela
Câmara, e que agora já não vai abaixo? Será porque o autor do projecto é o
Arquitecto Fernando Pinto de Sousa, por acaso pai do Senhor Engenheiro, Pri-
meiro Ministro deste país?
Por que não optou por cobrar os 3,2 mil milhões de Euros que as empre-
sas privadas devem à Segurança Social ?
Por que não pôs em prática um plano para fazer a execução das dívidas
fiscais pendentes nos tribunais Tributários e que somam 20 mil milhões de
Euros ?
Por que não actuou do lado dos benefícios fiscais que em 2004 significa-
ram 1.000 milhões de Euros ?
Por que não modificou o quadro legal que permite aos bancos , que
duplicaram lucros em época recessiva, pagar apenas 13 por cento de impostos ?

65
Por que não renovou a famigerada Reserva Fiscal de Investimento que
permitiu à PT não pagar impostos pelos prejuízos que teve no Brasil, o que, por
junto, representará cerca de 6.500 milhões de Euros de receita perdida ?
A Verdade e a Coragem foram atributos que Vossa Excelência invocou
para se diferenciar dos seus opositores.
QUANDO SUBIU OS IMPOSTOS, QUE PERANTE MILHÕES DE
PORTUGUESES GARANTIU QUE NÃO SUBIRIA, FICÁMOS TODOS
ESCLARECIDOS SOBRE A SUA VERDADE.
QUANDO ELEGEU OS DESEMPREGADOS, OS REFORMADOS E OS
FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS COMO PRINCIPAIS INSTRUMENTOS DE
COMBATE AO DÉFICE, PERCEBEMOS DE QUE TEOR É A SUA
CORAGEM.
Santana Castilho (Professor Ensino Superior)

Era uma vez um rei


2005-07-10
Era uma vez um rei
Com uma grande barriguinha
Comia, comia
E mais fome tinha…

O PAPALAGUI NÃO TEM TEMPO


2005-07-11
O Papalagui gosta do metal redondo e do papel pesado; gosta de meter
para dentro da barriga muitos líquidos que saem das frutas mortas, além da
carne do porco e da vaca, e de outros animais horríveis; mas ele gosta, princi-
palmente, daquilo que não se pode pegar e que, no entanto, existe: o tempo.
Fala muito no tempo, diz muita tolice a respeito do tempo.
Nunca existe mais tempo do que aquele que vai do nascer ao pôr do sol e,
no entanto, isto nunca é suficiente para o Papalagui.
O Papalagui nunca está satisfeito com o tempo que tem; e acusa o Gran-
de Espírito por não ter lhe dado mais.
Chega a blasfemar contra Deus, contra a sua grande sabedoria, dividin-
do e subdividindo em pedaços cada dia que se levanta de acordo com um plano
muito exacto.

66
Divide o dia, tal qual um homem partiria um coco mole com uma faca em
pedaços cada vez menores.
Todos os pedaços têm nome: segundo, minuto, hora.
O segundo é menor do que o minuto, este é menor do que a hora; juntos,
minutos e segundos formam a hora e são precisos sessenta minutos e uma quan-
tidade maior de segundos para fazer o que se chama hora.
É uma coisa complicada que nunca entendi porque faz mal, estar pensan-
do mais do que é necessário em coisas assim pueris.
Mas o Papalagui faz disso uma ciência importante : os homens, as mulhe-
res, até as crianças que mal se têm nas pernas usam tanga, e correntes grossas
de metal, ou pendurada no pescoço, ou atadas com tiras de couro no pulso, cer-
ta pequena máquina, redonda, na qual lêem o tempo, leitura que não é fácil, que
se ensina às crianças, aproximando-lhes do ouvido a máquina para diverti-las.
Esta máquina fácil de carregar em dois dedos, parece-se por dentro com
as máquinas que existem dentro dos grandes navios, que todos vós conheceis.
Mas também existem máquinas do tempo grandes e pesadas, que se colocam
dentro das cabanas, ou se suspendem bem alto para serem vistas de longe. Para
indicar que se passou uma parte do tempo, há do lado de fora da máquina uns
pequenos dedos; ao mesmo tempo, a máquina grita e um espírito bate no ferro
que está do lado de dentro. Sim, produz-se muito barulho, um grande estrondo
nas cidades europeias quando uma parte do tempo passa.
Ao escutar este barulho, o Papalagui queixa-se : "Que tristeza que mais
uma hora tenha se passado". O Papalagui faz, então uma cara feia, como um
homem que sofre muito; e no entanto, logo depois, vem outra hora novinha. Só
consigo entender isso pensando que se trata de doença grave. " O Tempo voa!
"; " O Tempo corre feito um corcel! "; " Dêem um pouco mais de tempo": são as
queixas do Branco.
Digo que deve ser uma espécie de doença porque, supondo que o Branco
queira fazer alguma coisa, que seu coração queime de desejo, por exemplo, de
sair para o sol, ou passear de canoa no rio, ou namorar sua mulher, o que
acontece? Ele quase sempre estraga boa parte do seu prazer pensando, obsti-
nado : " Não tenho tempo de me divertir ". O tempo que ele tanto quer está ali,
mas ele não consegue vê-lo. Fala em uma quantidade de coisas que lhe tomam o
tempo, agarra-se, taciturno, queixoso, ao trabalho que não lhe dá alegria, que
não o diverte, ao qual ninguém o obriga se não ele próprio. Mas, se de repente
vê que tem tempo, que o tempo está ali mesmo, ou quando alguém lhe dá um
tempo - os Papalaguis estão sempre dando tempo uns aos outros, é uma das
acções que mais se aprecia - aí não se sente feliz, ou porque lhe falta o desejo,
ou está cansado do trabalho sem alegria. E está sempre querendo fazer amanhã
o que tem tempo para fazer hoje.

67
Certos Papalaguis dizem que nunca têm tempo : correm feito loucos de
lado para o outro; como se estivessem possuídos pelo aitu; e por onde passam
levam a desgraça e o pavor por terem perdido o seu tempo. É um estado horrí-
vel, esta possessão que não há médico que cure, que contagia muitos homens e
os faz desgraçados.
Todo Papalagui é possuído pelo medo de perder seu tempo. Por isso todos
sabem exactamente ( e não só os homens, mas as mulheres e as crianças ),
quantas vezes a Lua e o Sol saíram desde que, pela primeira vez viram a grande
luz. De fato, isso é tão sério que, a certos intervalos de tempo, se fazem festa
com flores e comes e bebes. Muitas vezes percebi que achavam esquisito eu
dizer, rindo, quando me perguntavam quantos anos tinha : " Não sei..." " Mas
devias saber ". Calava-me e pensava que era melhor não saber.
Ter tantos anos significa ter vivido um número preciso de Luas. É perigo-
sa essa maneira de indagar e contar o número das luas porque assim se chega
a saber quantas Luas dura a vida da maior parte dos homens. Todos prestam
muita atenção nisso e, passando um número muito grande de Luas, dizem : "
Agora, não vou demorar a morrer ". E então essas pessoas perdem a alegria e
morrem mesmo dentro de pouco tempo.
Pouca gente há na Europa que tenha tempo, de fato; talvez ninguém
mesmo. É por isto que quase todos levam a vida correndo com a velocidade de
pedras atiradas por alguém. Quase todos andam olhando e balançando com os
braços para caminhar o mais depressa possível. Se alguém o faz parar, dizem,
mal-humorados : " Não me aborreças, não tenho tempo, vê se aproveitas melhor
o teu. ". Dá a impressão de que aquele que anda depressa, vale mais e é mais
valente do que aquele que anda devagar.
Vi um homem com a cabeça estourando, os olhos virados, a boca aberta
feito a de um peixe agonizante, a cara passando de vermelha a verde, batendo
com as mãos e os pés, porque um criado tinha chegado um pouquinho mais tar-
de do que prometera. Esse pouquinho era para ele um grande prejuízo, prejuízo
irreparável. O criado teve de ir-se embora, o Papalagui expulsou-o e recrimi-
nou-o : " Roubaste-me tempo demais ! Quem não presta atenção ao tempo, não
merece o tempo que tem ! ".
Só uma vez é que deparei com um homem que tinha muito tempo, que
nunca se queixava de não tê-lo, mas era pobre; sujo, e desprezado. Os outros
passavam longe dele, ninguém lhe dava importância. Não compreendi essa ati-
tude porque ele andava sem pressa, com os olhos sorrindo, mansa, suavemente.
Quando lhe falei, fez uma careta e disse, tristemente : " Nunca soube aproveitar
o tempo; por isto, sou pobre, sou um bobalhão ". Tinha tempo, mas não era
feliz.
O Papalagui emprega todas as forças que tem tentando alongar o tempo
o mais possível. Serve-se da água e do fogo, da tempestade e dos relâmpagos
68
que brilham no céu, para fazer parar o tempo. Põe rodas de ferro nos pés, dá
asas às palavras que diz para ter mais tempo. Mas para que todo este esforço ?
O que é que o Papalagui faz com o tempo ? Nunca compreendi bem, pelos seus
gestos e suas palavras, ele sempre me tenha dado a impressão de alguém a
quem o Grande Espírito convidou para um fono.
Acho que o tempo lhe escapa tal qual a cobra na mão molhada, justamen-
te porque a segura com força demais. O Papalagui não espera que o tempo
venha até ele, mas sai ao seu alcance, sempre, sempre com as mãos estendidas
e não lhe dá descanso, não deixa que o tempo descanse ao Sol. O tempo é quie-
to, pacato, gosta de descansar, de deitar-se à vontade na esteira. O Papalagui
não sabe perceber onde está o tempo, não o entende e é por isto que o maltrata
com os seus costumes rudes.
Ó amados irmãos! Nunca nos queixamos do tempo; amamo-lo conforme
vem, nunca corremos atrás dele, nunca pensamos em ajuntá-lo nem em parti-lo.
Nunca o tempo nos falta, nunca nos enfastia. Adianta-se aquele dentre nós que
não tem tempo! Cada um de nós tem tempo em quantidade e nos contentamos
com ele. Não precisamos de mais tempo do que temos e, no entanto, temos tem-
po que chega. Sabemos que no devido tempo havemos de chegar ao nosso fim e
que o Grande Espírito nos chamará quando for sua vontade, mesmo que não
saibamos quantas Luas nossas passaram. Devemos livrar o pobre Papalagui,
tão confuso, da sua loucura! Devemos devolver-lhe o verdadeiro sentido do
tempo que perdeu. Vamos despedaçar a sua pequena máquina de contar o tempo
e lhes ensinar que, do nascer ao pôr do Sol, o homem tem muito mais tempo do
que é capaz de usar.
In Papalagui, autor desconhecido
Nota posterior: Recomendo este livro aos jovens deste país, embora
não seja de levar ao pé da letra, sob pena de ser mal entendido, ou
deturpado e poder funcionar como apelo ao desleixo e à preguiça.
Veja-se nele, antes, uma crítica aos nossos valores ocidentais.

Água, o combustível do futuro


2005-07-11
Muitas pessoas acreditam que já há motores que funcionam a água
mas que a máfia do petróleo impede o desenvolvimento desta tecnolo-
gia.
De facto, pode produzir-se energia a partir da água, da forma que aqui
se explica:
http://www.esi-africa.com/archive/esi_3_2004/58_1.php
69
O "mistério que rodeia esta tecnologia" – há muito do conhecimento
dos técnicos –, é que ninguém se atreve a mexer nela, porque a máfia
do petróleo, pura e simplesmente, não hesitará em matar quem o fizer.

Temos um governo mariquinhas pé-de-salsa


2005-07-11
Na discussão actual do défice do OE (receitas do estado menos despe-
sas do estado) ignora-se o défice da balança comercial (exportações
menos importações).
Mas é aí que reside o " verdadeiro problema".
Porque o dinheiro do superavit geraria mais dinheiro e mais receitas
para o Estado, que não precisaria de ir roubar aos pobres para dar aos
ricos, armado em Robin dos Bosques paneleiro (invertido).

Os muçulmanos não são os terroristas


2005-07-12
Alertado por Letras com Garfos24, fui ver este protesto de muçulma-
nos:
http://chanad.weblogs.s/?p=396
Faça-se luz para que acabe todo o tipo de terrorismo!

Assimetrias
2005-07-12
Através do blog Universos Assimétricos25, descobri este site,
http://www.krysstal.com/index.html ,
muito informativo. Até fala de futebol (ehehehe!). Particularmente
interessante é a explicação do anti-americanismo e o apelo ao boicote
às empresas americanas. América, América!
http://www.krysstal.com/democracy_whyusa.html

24
http://www.garfos.letrascomgarfos.net/archives/2005/07/11/muculmanos- contra-o-terrorismo/
25
http://universosassimetricos.blogspot.com/
70
http://www.krysstal.om/democracy_whyusa_boycott.html
http://www.greenpeace.org.uk/climate/climatecriminals/esso/index.cfm

"Boicote à ESSO"
2005-07-13
Quer queiramos, quer não, a imagem mais comum que muitos euro-
peus conservam da América (Estados Unidos) é a da Terra Prometida.
Quantos e quantos europeus, fartos da miséria que por cá havia, não se
aventuraram na descoberta do paraíso da liberdade, do sucesso fácil,
da abundância, da felicidade? Não podemos retirar aos americanos o
mérito de se servirem dessa "boa" imagem para tirar dividendos. Mas
atentemos no seguinte absurdo:
Os produtos americanos exercem, pelos sentimentos que despertam,
um enorme fascínio sobre as pessoas. Algumas até sentem orgulho em
ostentar a bandeira americana nas suas camisas, o que normalmente
não fazem com a bandeira nacional - credo, que pirosidade! Só se for
para ir apoiar a selecção. Mas, se alguém pensa que os artigos ameri-
canos vêm da América, desengane-se. As empresas americanas apenas
recebem "royalties".
A maior parte desses artigos é produzida sob licença no próprio país a
que se destinam, ou nos paraísos de Leste e Pacífico. Além disso, a
qualidade de muitos desses artigos é duvidosa no que toca à saúde, à
segurança e à ética de produção. Mas que é um excelente negócio para
as empresas americanas, sem dúvida! Imaginem só! Invento um nome
(p.e. Maike, Fudidas, Bola-Cola, H+A) e cobro uma "comissão" a
quem produzir uma mercadoria a que ponha esse nome.
A máfia italiana também enriqueceu cobrando "protecção" aos comer-
ciantes; se algum não pagasse, aplicava a Lei da Bala.
Será que a máfia teve assim tanta influência na construção dos
actuais valores das empresas americanas?

A melhor estratégia
2005-07-13
There is no better way to enhance our energy security, and thus to in-
crease our ability to pursue our broader foreign policy objectives, than by find-
71
ing innovative and cost-effective ways to reduce our dependence on oil as a
transport fuel.
Doing so would also have the added benefit of boosting other domestic
and foreign policy objectives, particularly those on air quality and climate
change.
Speech at Energy Security Symposium, Royal United Services In-
stitute, October 17 2002.

O COBRADOR DE IMPOSTOS
2005-07-13
O "cobrador de impostos" é, desde tempos imemoriais, uma figura
odiada por todos, pobres e alguns ricos. A fuga ao pagamento de
impostos, quando praticada por quem tem pouco ou por quem acha
que lhe sai do pelo, é considerada justa por muitos, um delito de cava-
lheiro. Se, porém, forem os que têm muito e que "O" ganham com
relativa facilidade a fugir aos impostos, já o acto é considerado crimi-
noso pela população em geral.
Bom, mas para a lei vigente, todos os que fogem ao fisco são crimino-
sos, qualquer que seja a motivação. Existe, quanto mim, uma situação
altamente atentatória da liberdade individual em Portugal: a liberdade
de se ser criminoso (ironia!). Há pessoas que podem cometer crimes e
outras que não podem. Por isso, ou se acaba com o crime, ou com a
falta de liberdade. Quem pode garantir que, se pudéssemos, não
seríamos todos criminosos? Refiro-me à questão dos impostos.
Duas medidas estúpidas foram implementadas pelo Estado, visando,
alegadamente, uma maior justiça social:
Funcionários do Estado a pagar IRS. Onde há aqui mais justiça? O
que eles queriam, os esquerdalhos, era a completa igualdade. Não
seria mais lógico, então, que todos ganhassem também o mesmo?
Apesar disso, haveria alguma justiça?
A desejada (?) justiça social pode ser obtida de outras formas, nomea-
damente através de um abono de família decente. Faz algum sentido
que a mesma entidade que paga, esteja a retirar imposto para o redis-
tribuir? Porque é que a redistribuição não é feita logo no valor do
ordenado, acabando-se com uma burocracia desnecessária?
72
A segunda medida é a cobrança de IRS aos profissionais liberais. Os
profissionais liberais só pagam o imposto em teoria, na prática fogem
sempre que podem, não há justiça alguma. O IRS só faz, pois, sentido
para os trabalhadores privados por conta de outrem, que não podem
declarar falsos rendimentos. Mesmo assim, seria dispensável, se o
abono de família zelasse pela redistribuição.
A razão de ser do IRS não é gerar receitas para o Estado, o Estado não
devia contar com o IRS como receita. E onde é que o Estado vai bus-
car dinheiro para as suas despesas? Ao IVA, ao IRC, ao ISP, ao IA,
etc., ao consumo em geral. Quem mais consumir, mais contribui. Con-
sumindo luxo, paga ainda mais. Deste modo, os ricos pagam mais
impostos. Que melhor forma de redistribuir?
Notas de última hora (absurda):
Será que se paga imposto a dobrar? Vou deixar de ser consumidor.
Greve de fome! Precisaremos de um outro "Ministro das Finanças"
para pôr ordem nesta capoeira financeira?

Bombástico!
2005-07-13
Alguns bombistas eram cidadãos britânicos. Lido aqui:
http://news.bbc.co.uk/
Blair apela para que se expurgue o demónio que se infiltrou entre os
muçulmanos e se reabilite o islamismo.
Nota de última hora (absurda):
Irá a retaliação recair sobre os próprios londrinos?

Um coice alentejano!
2005-07-13
Quando fui professor e perguntei a um aluno porque é que ele não
estudava, ele respondeu-me no seu melhor alentejano:

73
“Então vô estudá paquê? O mê pai tem dinhêro!”26
Pois é, vejam quais são os nossos modelos de sucesso e depois digam-
-me se estudar é a via do sucesso em Portugal…

Eu nunca disse nada de mal


2005-07-14
Entre as medidas preconizadas conta-se o armazenamento de dados res-
peitantes às chamadas telefónicas e ao correio electrónico trocado, uma medida
que o ministro da Justiça português admite ser "sensível" mas que considera
"importante", pois "tem-se revelado da maior importância em numerosos países
para descobrir os responsáveis de atentados.
In O Público.
Todos os que lêem os meus posts sabem que eu nunca disse mal de
ninguém.
Acho até todos muito bons, Bush, Blair, Berlusconi, Aznar, Durão,
Sócrates, Sampaio, Maria de Lurdes, Belmiro, Bin Laden, Coca-cola,
Mc’Donalds, Siemens, OTA, TGV, EU, submarinos, aviões e tanques,
tudo gente simpática e bem-intencionada. E é o que eu digo sempre
aos meus amigos nos emails e telefonemas. Juro!
Ando apenas farto da merda do petróleo, e do nosso "way of life".

Pois claro que aprecio obras de arte


Ponte Europa
2005-07-14
Se alguém quiser comprar esta ponte (ex-ponte europa) para pôr no
seu quintal, acho que conseguirá um bom preço.
Com os casarões que por aí se constroem com dinheiros públicos (e
não só), julgo que alguém pode querer ter este elefantinho branco para
exibir aos amigalhaços. Já imaginaram o respeito que podem incutir
aos vossos amigos por serem possuidores de obras de arte que custa-
ram mais do que um hospital, uma escola ou um instituto de pesquisa?
Nem toda a gente sabe dar o devido valor às obras de arte.

26
http://jumento.blogdrive.com/archive/2461.html
74
O tio Champalimaud, esse sim, era apreciador de arte e tinha uma
grande colecção que vai ser leiloada em Londres pela… esqueci-me
do nome da casa leiloeira.

Esta é para ajudar o tio Bill


2005-07-14
Há uma alternativa não comercial ao Windows: o sistema operativo
Linux. Gratuito, aberto e muito mais estável que o Windows. Hoje em
dia, o Linux é tão fácil de operar, e tem tantas opções de software uti-
litários quanto o Windows ou o Apple.
Passe por:
www.linux.org
www.linux.(código do seu país),
ou utilize o distribuidor
www.mandrake.com
Se você prefere não se descartar da Microsoft, experimente alguns
softwares gratuitos que correm em windows:
www.openoffice.org
é semelhante ao MS Office e é compatível com ele,
www.mozilla.org
é uma boa alternativa ao Internet Explorer e
www.gimp.org
é tão bom quanto o Photoshop.
Downloads grátis.
Veja ainda o site:
www.eurolinux.org

75
A globalização promove a guerra (I)
2005-07-14
Diferenças étnicas e religiosas sempre serviram para mascarar as cau-
sas económicas de quase todas as guerras do mundo.
O comércio livre acaba sempre por gerar desigualdades na disputa dos
recursos endógenos, ao mesmo tempo que produz a degradação
ambiental e social que fazem, por seu turno, despoletar os conflitos
armados.
A globalização retira aos governos a possibilidade de regular e miti-
gar os efeitos danosos do mercado, o que conduz a uma intensificação
de todas as causas económicas das guerras.

A Ameaça: A Espanha
2005-07-15
Apesar das relações amistosas que, de há muito, se vêm verificando entre
os dois países, a Espanha nunca compreendeu, nem aceitou, no âmago dos seus
sentimentos, a existência de um pequeno país, agora realmente pequeno, Portu-
gal, independente, com plena soberania, cujo território se integra numa indiscu-
tível unidade geo-física que é a Península Ibérica , onde ela, a grande Espanha
e segundo ela, predomina ou deveria predominar.
E a ideia, talvez em marcha, da Espanha constituir um Estado-Federal,
com base nas autonomias já concedidas a certas regiões, apenas confere acui-
dade à questão, pois os espanhóis menos compreenderiam e menos aceitariam
que Portugal não fosse um dos Estados dessa Federação.
Por outro lado, surge a formação da União Europeia, com um mercado
comum que, como dizia o Embaixador Alberto Franco Nogueira, é, primeiro
que tudo, um mercado comum ibérico, no qual a economia espanhola, mais for-
te, dominará.
Na verdade, a Espanha, em relação a Portugal, está já a investir em ter-
mos financeiros, a adquirir em imobiliário e a prevalecer em trocas comerciais,
em tão grande escala, que faz pensar na conquista económica, bem mais suave,
mas não menos dominante, do que a conquista militar.
E o Mundo começa a deixar de considerar dois espaços económicos, o
português e o espanhol, para admitir apenas um espaço económico, o ibérico.

76
Note-se o exemplo das grandes empresas multinacionais que estão a
transferir os seus centros de comando em Lisboa para Madrid, fundindo-os com
os desta cidade, de onde actuarão em toda a Península Ibérica.
E notem-se, também, as tentativas de alguns países, por enquanto poucos,
de encerrarem as suas embaixadas em Lisboa, fazendo acreditar, nesta cidade,
os seus Embaixadores em Madrid.
Esta ameaça – a ameaça espanhola –, por agora apenas económica, mas
com as inerentes repercussões gerais, está factualmente em curso, havendo que
fazer-lhe frente.
Gen. Kaúlza de Arriaga
Fontes:
http://www.cidadevirtual.pt/k-arriaga/index.html
Página pessoal de K.A.
http://www.cidadevirtual.pt/k-arriaga/ameca.html
Nota de última hora (absurda):
Obviamente, não perfilho desta opinião de K.A. porque não sou da
ultra-direita. Mas que ele tem razão, tem.

Segurança
2005-07-15
http://www.geos.tm.fr/17.php
Segurança dos grandes projectos. As multi- ou transnacionais não
brincam em serviço.

A globalização promove a guerra (II)


2005-07-15
As "excepções para a segurança" dos tratados comerciais e dos
empréstimos do FMI, Banco Mundial e BCE, permitem "mão-livre" às
despesas militares mas impõem limites e cortes nas despesas de edu-
cação, saúde e segurança social.
As opções do nosso OE e as medidas do nosso governo são um exem-
plo recente. O Zé, ignorante como é, não sabe destas manobras.
Assim, os governos "amarrados por tratados comerciais" utilizam as
77
despesas militares para conseguir objectivos não-millitares, tal como o
combate ao desemprego através de recrutamento militar e encomendas
de fornecimentos a empresas locais, destinadas à defesa.
Desde 1990 que as despesas mundiais para a "defesa" estão a aumen-
tar, tendo já atingido um número fabuloso: "one trillion US$ a year",
seja lá o que for o trillion. Metade desse valor representa as despesas
na defesa dos USA.
Nota de última hora (absurda):
Proponho que o Governo compre um super-porta-aviões USAdo.
Já viram a quantidade de desempregados que ali se podem armazenar?

Garfadas
2005-07-15
Vale a pena ler As Leis Fundamentais da Estupidez Humana de
Cipolla em Letras Com Garfos27.

Ocorreu-me...
2005-07-15
Pelo que tenho observado desta democracia invadida por oportunistas,
um dos únicos políticos honestos que temos, senão o único, é o José
Pacheco Pereira. Devo penitenciar-me por, no passado, tê-lo confun-
dido com os "mabecos" todos. Apoiaria, sinceramente, uma candidatu-
ra de JPP à Presidência da República28.
Nota de última hora (absurda):
Pode ser que assim ele não tenha tanto tempo para o blog. Ou talvez
até tenha mais tempo porque o Presidente nem faz nada... Só ir ver o
fogo de vez em quando, no Verão, não tira assim tanto tempo.

27
http://www.garfos.letrascomgarfos.net/archives/2005/07/14/recordando- cipolla-2/
28
http://www.abrupto.blogspot.com/2005_07_01_abrupto_archive.html#112142364932971139

78
O preço da liberdade?
Ou o nosso “way of life”?
2005-07-15
Esta é a história dos nossos aliados:
http://americanhistory.si.edu/militaryhistory/exhibition/flash.html
Nota de última hora (absurda):
Nunca tantos brigaram tanto em tão pouco tempo.

Os nobres e fleumáticos ingleses


2005-07-16
As the Great War neared its end in 1918, Sir Maurice Hankey, Secre-
tary of the War Cabinet, wrote in a letter to Foreign Secretary Arthur
Balfour:
“Oil in the next war will occupy the place of coal in the present war, or at
least a parallel place to coal.
The only big potential supply that we can get under British control is the
Persian and Mesopotamian supply… Control over these oil supplies becomes a
first class British war aim”
Indeed as early as 1914, Britain was fighting for control over oil reserves,
as it undertook the invasion of Mesopotamia – present day Iraq.
A campaign to attack the soft under-belly of the Ottoman Empire and to
secure the prospective reserves around Kirkuk, over which Anglo-Persian (BP)
and Shell had gained a concession in June 1914.
Fonte:
http://www.carbonweb.org/documents/uk_petro_state.pdf
Causas próximas da guerra contra o Iraque:
Ver aqui:
http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/middle_east/737483.htm
e aqui:
http://bbc.co.uk/1/hi/world/middle_east/1916755.htm
Em 1972 o Iraque nacionalizou a IPC (Iraq Petroleum Company).

79
Em Abril de 2002, Saddam suspende as exportações de petróleo do
Iraque que representam cerca de 30% das necessidades mundiais. Não
é natural que alguns países tenham ficado em pulgas?
Acreditam ainda que os EUA/UK apenas quisessem derrubar um dita-
dor, impor a democracia e zelar pelos direitos humanos?
Nota de última hora (absurda):
Os verdadeiros terroristas são: SHELL, BP e ESSO, para quem os
governos dos USA e UK trabalham.

Pronto pá, já não apoio a tua candidatura


2005-07-16
A dizer coisas destas29, não posso manter a minha disposição em pro-
mover a campanha da tua candidatura a Vedor de Fogos.
Tu mais pareces um incendiário do que um vedor.
Bardamerda para a guerra!

Anastácia (II)
2005-07-17
Novo comentário excepcional de Anastácia no Filho do 25 de Abril30.
Desde os tempos mais remotos, e em todas as épocas, têm surgido alguns
indivíduos com uma percepção extraordinária, que chamaram a si a responsabi-
lidade de denunciar a forma injusta como se veio a organizar o mundo.
O seu firme propósito tem sido o de arrancar a humanidade à ignorância
a que tem estado votada, isto porque têm considerado, muito justamente, ser a
ignorância a causa da submissão e, porque não dizê- lo, da escravidão a que a
esmagadora maioria tem sido sujeita.
Todos eles têm sido unânimes em cuidar que uma tal tomada de consciên-
cia, continuada por uma educação adequada, é condição necessária e indispen-
sável para que se possa dar a emancipação, única via para atingir a liberdade
que é um valor irrefragável da verdadeira condição humana.

29
http://www.abrupto.blogspot.com/2005_07_01_abrupto_archive.html#112142364932971139
30
http://filhodo25deabril.blogspot.com/2005/07/499-os-degradados-valores- ocidentais.html#comments

80
Quiseram expor os seus semelhantes ao esplendor da verdade, de forma a
erradicar a falsidade e a hipocrisia que sempre foram utilizadas para implantar,
sob a máscara da protecção e do auxílio mútuo, o domínio do terror e da escra-
vatura. Contudo, a forma mais perniciosa do exercício da violência, porque é
dissimulada e permanente, é a violência simbólica levada a cabo pelo aparelho
ideológico do Estado: a família, a escola, a igreja e os meios de comunicação
social. O mesmo é dizer que o sistema social «serve para a domesticação dos
dominados», tal como afirmou Max Weber.
O excerto do Principezinho foi muito bem escolhido, parabéns! Torna-se
necessário que a Educação se debruce sobre a literacia emocional, que se edu-
que o afecto, como propõe Coleman. São as capacidades da inteligência emo-
cional que formam o carácter dos indivíduos.
O “intelectual” dos nossos dias está muito longe de ser um Homem inte-
gral, isto é, harmonioso, equilibrado e feliz, mesmo quando segue a sua vocação
e se pode libertar da servidão material que deforma ou violenta o espírito ou a
consciência.
A democracia só poderá ser construída numa sociedade em que se aposte
na formação do carácter das pessoas. Estas devem ser capazes de se auto-
motivar e guiar-se por si próprias, bem como desenvolver a autodisciplina e o
auto-controlo; ou, dito de outro modo, devem atingir a maturidade e deixar de
precisar de alguém que lhes diga o que devem ou não fazer e que, de um modo
geral, é contra o seu verdadeiro interesse.
Supor que a humanidade já atingiu um elevado estádio de desenvolvimen-
to pelo facto de existirem muitas e sofisticadas inovações tecnológicas é estar
alheio ao sofrimento em que vivem milhares de milhões de pessoas que experi-
mentam uma multiplicidade de carências e tratos de extrema crueldade; é olvi-
dar a violência e as atrocidades desferidas em qualquer conflito armado; é abs-
trair-se da exploração e da dominação a que se sujeita um elevadíssimo núme-
ro de pessoas.
Encarar o progresso de uma forma tão redutora é já um sinal inequívoco
das graves deficiências humanas de que se padece: denota uma enorme falha a
nível da inteligência emocional e, por isso, uma certa dose de inumanidade.

81
Acesa tertúlia
2005-07-17
Uma intensa troca de pontos de vista sobre o nosso Portugal em Letras
com Garfos31.
O rastilho foi aceso por Orlando32, ao criticar Vítor33 quanto à sua
mundividência.
A minha contribuição foi muito modesta e prometi elaborar um post
sobre a possibilidade de podermos escapar a uma anexação a Espanha,
possibilidade essa que decorre de estarmos integrados na EU, e não
só!

Regra de Ouro
2005-07-17
Uma pessoa estúpida é aquela que causa um dano a outra pessoa ou
grupo de pessoas, sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou
podendo até vir a sofrer um prejuízo.
A consideração desta lei de Cipolla na análise do terrorismo, leva à
seguinte antinomia:
Tese – O terrorismo da Al-Qaeda não traz benefício aos que o fomentam.
Antítese – O terrorismo da Al-Qaeda traz benefício aos que o fomentam.
No primeiro caso, que é o que nos pretendem fazer crer, o terrorismo
seria praticado por gente estúpida.
No segundo, por bandidos.
Segundo a Primeira Lei de Cipolla, subestima-se sempre a quantida-
de de estúpidos em circulação. Sendo a estupidez mais provável que o
banditismo, a antítese não se pode, porém, excluir.
O combate à estupidez faz-se com bombas sobre a cabeça de inocen-
tes tal como no Afeganistão e no Iraque, ou através de diálogo, per-
suasão e educação? Devemos tratar os estúpidos como se fossem ban-

31
http://www.garfos.letrascomgarfos.net/archives/2005/07/16/portugal-sempre/
32
http://www.garfos.letrascomgarfos.net/
33
http://estrangeiros.blogspot.com/
82
didos? E quem ganha alguma coisa com guerras onde se gastam (e
ganham) milhões?
Na segunda hipótese, o terrorismo traria benefício aos que o fomen-
tam e estes só poderiam ser a SHELL, a BP e a ESSO. Mas estes são
os que nos vendem o petróleo. Estaremos a sustentar bandidos?
Imagine-se, porém, que a tese estava certa. Se deixássemos de precisar
de petróleo, os estúpidos deixariam de o ser? Não, eles continuariam,
estupidamente, a pôr bombas em todo o lado. Por quê? Por estupidez.
Porém, se sempre subestimamos a quantidade de estúpidos, mesmo
que dizimemos alguns (os muçulmanos), outros virão. Quiçá a IURD
ou os NEONAZIS? A História sempre nos ensinou que o verdadeiro
móbil das guerras é a luta por recursos, há sempre uma razão econó-
mica. Mesmo quando vem mascarada com ideologias (democracia) ou
fanatismos (Islão). Quando é que deixamos de acreditar em tretas?
Somos todos estúpidos e imbecis? Ou querem fazer de nós imbecis,
como é o caso deste esperto34?

A globalização promove a guerra (III)


2005-07-17
OMC (WTO):
http://www.wto.rg/english/thewto_e/whatis_e/whatis_e.htm
A imposição das regras de comércio internacional levada a cabo pelas
multi- e transnacionais, requer a protecção militar e policial dos inte-
resses das corporações.
Demonstrações anti-WTO são ignoradas e reprimidas pelas forças
policiais dos estados – os palhaços dos ricos.
The World Trade Organization (WTO) is the only global international or-
ganization dealing with the rules of trade between nations.
At its heart are the WTO agreements, negotiated and signed by the bulk of
the world’s trading nations and ratified in their parliaments.
The goal is to help producers of goods and services, exporters, and im-
porters conduct their business.

34
http://abrupto.blogspot.com
83
Vide http://www.nodo50.org/home.php
Os USA, UK, UE, armados de novas leis anti-terroristas (Patriot Act,
p.e.), podem utilizar estas mesmas leis totalitárias para investigar e
deter pessoas cujo único "crime" consista em pleitear por relações
económicas justas que sirvam os interesses das pessoas comuns.
Entretanto o Pentágono trata de realinhar e expandir a sua vasta rede
internacional de bases ao longo das fronteiras globais, tal como na
Ásia Central.
E em países como a Colômbia os USA concentram tropas e armas
para proteger os investimentos das corporações económicas.
Veja:
http://www.poorbuthappy.com/colombia/node/9233
Nota de última hora (absurda):
Se quiser colaborar na defesa dos interesses das corporações,
http://www.geos.tm.fr/recrutement_index.php
aliste-se.
Portugal e todos os 25 países da UE são membros da WTO.
Vide aqui:
http://www.wto.org/english/thewto_e/countries_e/portugal_e.htm
Se quiser ir como turista à Colômbia siga estas recomendações,
nomeadamente, evite aproximar-se de certas zonas, as empresas de
petróleo, pois pode ser raptado:
http://poorbuthappy.com/colombia/node/7315

Anastácia (III)
2005-07-17
Peço desculpas ao feliz Filho do 25 de Abril35, por possuir tão insigne
comentadora, mas roubei mais um comentário da Anastácia, resposta
a C. Indico:

35
http://filhodo25deabril.blogspot.com/2005/07/499-os-degradados-valores-ocidentais.html#comments

84
Tens toda a razão, todas as revoluções feitas em nome do povo foram fei-
tas pela burguesia. São os valores desta que se mantêm. Quem detém o poder
não quer, de forma alguma, que o povo seja esclarecido e, portanto, livre!
O sistema social sujeita as pessoas a pensamentos e comportamentos
condicionados, tal como fazia Pavlov com os cães que lhe serviam de cobaias.
Quão difícil, para não dizer impossível, se tornou tomar consciência da falta de
liberdade. A humanidade habituou-se à mentira e parece recear assumir a res-
ponsabilidade que acarreta a liberdade. A salvação e a condução da sua vida
passaram a vir sempre do exterior, eis porque, no século XX, os regimes totalitá-
rios e sanguinários foram acolhidos com um grande fanatismo.
E, note- se, não se pode dizer que os entusiastas eram todos analfabetos e
incultos. As grandes massas que permaneciam num mar de ignorância foram, de
forma bem calculada, persuadidas por indivíduos que possuíam conhecimentos
profundos e que lhes prometeram a salvação.
Hitler foi deificado por salvar o povo do desemprego e procurar novos
mercados que salvariam a Alemanha da miséria. A burguesia apoiou as suas
ideias que lhes facultava mais e melhores hipóteses de acumular riqueza e lhe
garantia o afastamento, a todo o custo, do seu maior e mais temível inimigo, o
comunismo. Estaline, o salvador do proletariado, responsável por milhões de
mortes com execução sumária, foi chorado e deificado aquando da sua morte,
pois o povo acabava de perder o seu “paizinho”. A teologia da salvação está
enraizada no inconsciente colectivo de cada povo e surge à luz do dia em dife-
rentes períodos da sua história.
Ao contrário do que se possa pensar, não desaparece, apenas permanece
em estado latente até ser despoletada quando estão reunidas as condições
necessárias e suficientes para que tal aconteça.
Contudo, C. Jung alerta, de um modo enérgico e sem peias, para o perigo
que ela encerra.
Nota da hora + absurda:
Não tarda nada, haverá muitas vozes a gritar em uníssono:
"Volta Salazar!"; "Volta Hitler!"; "Volta Estaline!"; "Volta Saddam!";
"Volta Mussolini!"; "Volta Komeini"; "Volta Pol Pot"; "Volta Mao";
"Volta ETC. e tal"; "Volta TNT".

85
Portugal não sucumbirá
2005-07-17
Prometi fornecer ao Vítor36 a minha versão de como evitar que Portu-
gal venha a ser um estado federado da Espanha, tal como receava
Kaúlza de Arriaga.
Em primeiro lugar, Portugal teria que abandonar a WTO por causa da
sua fraca competitividade. Para abandonar a WTO, teria que deixar a
UE. Ao deixar a UE, teria que restabelecer o controle de fronteiras, a
Espanha faria o mesmo. Já estou a ouvir a vozearia:
Mas isso não é possível, então vamos andar para trás? Para trás mija a
burra. Isso é voltar ao salazarismo, ao "orgulhosamente sós", bla-bla, bla- bla,
bla-bla. Além disso nem a UE nem os EUA permitiriam.
Ahhhhhh! Com que então não permitiriam! Somos ou não somos
donos e senhores do nosso futuro como Nação? Mas têm razão, sería-
mos, possivelmente, alvo de boicotes tais, que acabaríamos por
sucumbir. Mas não sucumbiremos. A estratégia a seguir, não só por
Portugal, mas também por outros estados da UE que queiram sair,
quiçá a França, a Holanda, etc. poderia ser ao contrário:
Boicotar as corporações dos EUA.
Estamos, não tenhamos qualquer dúvida sobre isso, nas mãos dos
EUA. São eles que controlam o mundo inteiro, a UE inclusive. Não há
nada a fazer, a não ser que todos se unam no objectivo de matar o pol-
vo à fome.
BOICOTE!
Nota:
Este post é baseado na matéria tratada nos posts "A globalização pro-
move a guerra I, II e III", que se encontram nos links da barra à
esquerda, para consulta.

36
http://estrangeiros.blogspot.com
86
A globalização promove a guerra (IV)
2005-07-18
Os governos das nações, sob a desculpa da "defesa dos superiores
interesses da nação" (assegurar postos de trabaho para os escravos),
promovem a "fixação" de filiais de multi-nacionais nos seus territó-
rios. Estas exigem condições de segurança para os seus "investimen-
tos", exigem que o país seja membro da WTO, exigem contenção sala-
rial para terem mão-de-obra barata, exigem paz social, isto é, escravos
dóceis; enfim, pretendem apenas fixar-se em verdadeiros "paraísos" na
Terra.
Para além disso, domesticam os escravos com a publicidade, para que
estes vivam apenas em função do consumo e da ilusão que um dia
podem alcançar o mesmo paraíso em que elas, multinacionais, vivem.
É para isso que se promove meia-dúzia de postos de trabalho de pro-
fissões bem pagas, para que milhões de pessoas sonhem que podem,
um dia, "lá" chegar. Assim, quase todas as adolescentes sonham ser
modelos, quase todos os adolescentes gostariam de ser futebolistas
bem pagos. Mas acabam invariavelmente nas caixas dos supermerca-
dos, no desemprego, na droga, na prostituição, etc.
Todas as manifestações das populações que indiciem uma "revolta dos
escravos" são barbaramente reprimidas e, pior do que isso, os meios
de comunicação, onde comentadores bem inseridos no sistema se
encontram "de pedra e cal" (Marcelos, JPP’s, Metelos e outros), lan-
çam campanhas pro-sistema, e conseguem dividir o povo com pala-
vreado oco e chavões que se resumem a um "eles não querem é traba-
lhar!", mas dito de mil e uma formas diferentes: “produtividade, eco-
nomia, reformas, bla-bla-bla…”
Lembro-me de ter ouvido, na rádio, um conhecido comentador eco-
nómico (que deve ser muito bem pago), a defender o aumento da pro-
dutividade dos escravos portugueses, sob pena das empresas irem pro-
duzir para a Índia, onde a produtividade é maior. Esse comentador
esquece-se que na Índia também há pessoas tão ou mais capazes do
que ele para produzir comentários económicos, de melhor qualidade e
muito mais baratos.
A estupidez é perigosíssima!

87
Palpites
2005-07-18
O Abrupto já dá palpites sobre energia eólica37.
Não deixe de ler uma opinião tão sacrossanta, pelo menos para os
meios de propaganda das corporações económicas.

A globalização promove a guerra (V)


2005-07-18
O povo americano também não é estúpido, como se pretende fazer
crer nos meios da esquerda facciosa. Os povos são todos feitos da
mesma massa, embora o "inconsciente colectivo" apresente as suas,
vou usar um palavrão moderno, idiossincrasias específicas. A do povo
americano será a de terem uma história recente cheia de atrocidades.
Independentemente dos complexos que possam ter (quem os não
tem?), no dia-a-dia o povo é sujeito à mesma exploração (possivel-
mente não tão bárbara) que os outros povos sob a égide da única
potência mundial: as corporações económicas, a maior parte delas
sediada nos EUA, mas não só. A Siemens e a Mitsubishi também têm
filiais na América.
Como tal, o povo americano também se sente oprimido pelo poder das
multinacionais, e é natural que crie dificuldades ao seu governo, que
defende os "superiores interesses da nação", que são os interesses das
grandes corporações económicas.
O governo americano, para suster a revolta dos seus escravos, trata de
os distrair com guerras que servem, ao mesmo tempo, para a conquista
dos recursos estrangeiros que permitem manter o preço de certos pro-
dutos baixos, nomeadamente do petróleo. Os americanos, 5% da
população mundial, consomem 25% do petróleo mundial.
Sabem quanto custa um galão de gasolina nos EUA? Menos que 2
dólares.

37
http://www.abrupto.blogspot.com/2005_07_01_abrupto_archive.html#112169381813509626

88
Um galão são 3,785 litros, ou seja, um litro custa 0.52 USD. Menos
que 50 cêntimos. Nós pagamos mais do dobro.
Nota de última hora (absurda):
Se quiserem ver os americanos a brincar às guerras, vejam isto:
http://www.globalresearch.ca/audiovideo/apachehit.mpg
Trata-se de um helicóptero apache a caçar iraquianos.

Michel Chossudovsky
2005-07-19
Michel Chossudovsky é Professor de Economia na Universidade de
Ottawa e Director do Centro de Pesquisa e Globalização (CRG), onde
está hospedado o seu polémico "website" Global Research,
http://www.globalresearch.ca
donde "linkei" o filme do post anterior.
Colabora com a Enciclopédia Britânica e os seus escritos foram tradu-
zidos em mais de 20 línguas.
http://globalresearch.ca/globaloutlook/GofP.html
A Globalização da Pobreza, o mais conhecido dos seus livros, teve
vendas muito inferiores às de "O Código Da Vinci", ou seja, apenas
100.000 exemplares foram vendidos em todo o mundo.
Em Portugal, há quem escreva sobre estes temas e fique um ror de
meses à espera que as editoras se dignem dar uma resposta. Que
pobreza, a nossa! Terá sido globalizada também?

Respondam com sinceridade


2005-07-19
Acham que alguma vez ficaremos a saber se a Al-Qaeda é um movi-
mento islâmico ou um braço armado da SHELL, BP e ESSO?
Porque razão as maiores reservas de petróleo estão em países que não
respeitam os direitos humanos? Mera coincidência.

89
A Matemática
2005-07-19
Um português obteve uma menção honrosa nas Olimpíadas de Mate-
mática. A notícia vem dada aqui:
http://www.Publico.Clix.Pt/shownews.Asp?id=1228493&idCanal=74
Correcção à notícia:
A Escola Secundária de Domingos Sequeira fica em Leiria, o aluno é
que mora a 30 km de Leiria.

Terrorismo nos merdia


2005-07-19
Vão até lá, ao blog; para apreciarem a nova personagem assumida pelo
nosso "idiota útil" (Pacheco Pereira). Sempre com a mesma cretinice ras-
teira e abjecta, a negar as evidências e a colaborar com a manipulação e
a mentira…
É preciso expor os verdadeiros terroristas, para acabar com o terrorismo
e a chacina!38

Kaúlza de Arriaga
2005-07-19
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades".
Kaúlza de Arriaga, nos tempos que correm, seria considerado um esquer-
dista e, quiçá, um terrorista anti-americano, chauvinista, maníaco, etc.,
etc. As suas manias estão a revelar-se, porém, proféticas. 39
Orlando40 publicou o texto completo da Ameaça de Kaúlza de Ariaga.

38
http://sociocracia.Blogspot.Com/2005/07/ainda-os-atentados-terroristas-em.Html
39
http://www.Garfos.Letrascomgarfos.Net/archives/2005/07/19/kaulza-de-arriaga/
40
http://www.Garfos.Letrascomgarfos.Net/
90
A globalização fomenta a guerra
(resumo dos posts)
As diferenças étnicas e religiosas sempre serviram para mascarar as
causas económicas de quase todas as guerras do mundo. As guerras
não se fazem por não se concordar com a forma de estar dos outros,
mas porque essa forma de estar é, de qualquer forma, lesiva dos nos-
sos interesses económicos.
Ora, o comércio livre acaba sempre por gerar desigualdades na disputa
dos recursos endógenos, ao mesmo tempo que produz a degradação
ambiental e social que fazem, por seu turno, despoletar os conflitos
armados. Porém, a globalização retira aos governos a possibilidade de
regular e mitigar os efeitos danosos do mercado, o que conduz a uma
intensificação de todas as causas económicas das guerras.
As “excepções para a segurança” dos tratados comerciais e dos
empréstimos do FMI, Banco Mundial e BCE, dão carta branca às des-
pesas militares mas impõem limites e cortes nas despesas de educa-
ção, saúde e segurança social. As opções do nosso Orçamento de esta-
do e as medidas tomadas pelo nosso governo são um exemplo recente
de implementação desta política anti-social a que a globalização obri-
ga. O povo, deliberadamente mantido na ignorância pelos governan-
tes, não conhece estas imposições dos empréstimos.
Por isso, os governos “amarrados por tratados comerciais” utilizam as
despesas militares para conseguir objectivos não-millitares, tal como o
combate ao desemprego através de recrutamento militar e encomendas
de fornecimentos a empresas locais, destinadas à defesa.
Desde 1990 que as despesas mundiais para a “defesa” têm vindo a
aumentar; e já atingiram um número fabuloso: “one trillion US$ a
year”, seja lá o que for o trillion. Metade desse valor representa as
despesas na defesa dos USA.
A imposição das regras de comércio internacional levada a cabo pelas
multi- e transnacionais, requer a protecção militar e policial dos inte-
resses das corporações. Demonstrações anti-WTO são ignoradas e
reprimidas pelas forças policiais dos estados, os palhaços dos ricos.
No site da WTO, lê-se à entrada o seguinte:

91
The World Trade Organization (WTO) is the only global international or-
ganization dealing with the rules of trade between nations. At its heart are the
WTO agreements, negotiated and signed by the bulk of the world’s trading na-
tions and ratified in their parliaments. The goal is to help producers of goods
and services, exporters, and importers conduct their business.
Portugal e todos os 25 países da UE são membros da WTO.
Os USA, UK, UE, armados de novas leis anti-terroristas (Patriot Act,
p.e.), podem utilizar estas mesmas leis totalitárias para investigar e
deter pessoas cujo único “crime” consista em pleitear por relações
económicas justas, que sirvam os interesses das pessoas comuns.
Entretanto o Pentágono trata de realinhar e expandir a sua vasta rede
internacional de bases ao longo das fronteiras globais, tal como na
Ásia Central. E em países como a Colômbia os USA concentram tro-
pas e armas para proteger os investimentos das corporações económi-
cas.
Quem for como turista à Colômbia, é aconselhado a tomar as devidas
precauções , nomeadamente, evitar aproximar-se de certas zonas e evi-
tar ser confundido com o pessoal das empresas que exploram petróleo.
Existem, para além dos militares e polícias, empresas especializadas
na defesa dos interesses das corporações, ou seja, mercenários.
Os governos das nações, sob a desculpa da “defesa dos superiores
interesses da nação” (assegurar postos de trabalho para os seus cida-
dãos), promovem a “fixação” de filiais de multi-nacionais nos seus
territórios. Estas exigem condições de segurança para os seus “inves-
timentos”, exigem que o país seja membro da WTO, exigem conten-
ção salarial para terem mão-de-obra barata, exigem paz social, isto é,
escravos dóceis; enfim, pretendem apenas fixar-se em verdadeiros
“paraísos” na Terra.
Para além disso, domesticam os escravos com a publicidade, para que
estes vivam apenas em função do consumo e da ilusão de que podem,
se se esforçarem, alcançar o mesmo paraíso em que elas, multinacio-
nais, vivem. É para isso que se promove meia dúzia de postos de tra-
balho de profissões bem pagas, para que milhões de pessoas sonhem
que podem, um dia, “lá” chegar. Quase todas as adolescentes sonham
ser modelos, quase todos os adolescentes gostariam de ser futebolistas

92
bem pagos. Acabam todos nas caixas dos supermercados, no desem-
prego, na droga, na prostituição, etc..
Todas as manifestações das populações que indiciem uma "revolta dos
escravos" são barbaramente reprimidas e, pior do que isso, os meios
de comunicação, onde comentadores bem inseridos no sistema se
encontram "de pedra e cal" (Marcelos, JPP’s, Metelos e outros), lan-
çam campanhas pro-sistema, e conseguem dividir o povo com pala-
vreado oco e chavões que se resumem a um "eles não querem é traba-
lhar!", mas dito de mil e uma formas diferentes: “produtividade, eco-
nomia, reformas, bla-bla-bla…”
Lembro-me de ter ouvido, na rádio, um conhecido comentador eco-
nómico, que deve ser muito bem pago, a defender o aumento da pro-
dutividade dos escravos portugueses, sob pena das empresas irem pro-
duzir para a Índia, onde a produtividade é maior. Esse comentador
esquece-se que na Índia também há pessoas tão ou mais capazes que
ele para produzir comentários económicos, de melhor qualidade e
mais baratos. A estupidez é perigosíssima.
O povo americano não é estúpido como pretendem fazer crer os anti-
americanos primários. Os povos são feitos todos da mesma massa,
embora o “inconsciente colectivo” apresente as suas (vou usar um
palavrão moderno) idiossincrasias específicas. A do povo americano
será a de terem uma história recente, cheia de guerras e de atrocidades.
Independentemente dos complexos que possam ter (quem os não
tem?), no dia-a-dia o povo é sujeito ao mesmo tipo de exploração que
os outros povos, possivelmente não tão bárbara, sob a égide da única
potência mundial: as corporações económicas, a maior parte delas
sediada nos EUA, mas não só. Existem muitas outras multi-nacionais
nos países ditos civilizados como a UK, Canadá, Alemanha, Japão,
França, Suécia, etc..
Como tal, também o povo americano pode revoltar-se se as suas con-
dições de existência piorarem devido à exploração das multinacionais;
é natural que possa, pois, criar dificuldades ao seu governo, responsá-
vel pela defesa dos “superiores interesses da nação”, os interesses das
corporações económicas. O governo americano (e os de outros de paí-
ses “civilizados”), para suster a revolta dos seus escravos, trata de os
distrair com guerras que cumprem, ao mesmo tempo, o objectivo da
93
conquista de mercados e de recursos estrangeiros. Deste modo, podem
manter o preço de certos produtos baixos, nomeadamente do petróleo.
Um litro de gasolina nos EUA custa, actualmente, cerca de meio dólar.

Triste figura
2005-07-20
Como é possível que, numa paisagem de montes pelados e cinzentos,
haja alguma voz que se manifeste contra a fealdade provocada pelos
moinhos de vento? Isto só pode ser uma tentativa de atirar com areia
para os olhos dos basbaques que, para além de revelarem muita igno-
rância, parece que sofrem de cegueira. Aparentemente, os incêndios
não causam grande mossa aos defensores da beleza paisagística.
Porque não se fazem estudos de impacte ambiental dos incêndios? Por
acaso saberão, os que falam contra os moinhos de vento, que estes
podem ser desmontados quando estiverem obsoletos, sem deixar
quaisquer vestígios? Prefeririam uma central a petróleo ou nuclear que
deixam marcas por muitos e muitos anos? Força, JPP!

A barreira mental do petróleo


2005-07-23
Já devo ter escrito sobre este tema em anteriores blogs meus. Mas vol-
to a falar, é possível que ninguém tenha prestado a devida atenção
nessa altura, nem espero ter melhor sorte agora. Mas aqui vai…
A energia eólica (e as renováveis em geral) tinha um estatuto exótico e
sempre fora vista como coisa de “maluquinhos”. Energia a valer é a
energia do petróleo ou, quiçá, a energia nuclear, as “drogas duras”.
Esquece-se, por outro lado, que as centrais hidroeléctricas, esses
monstros horríveis, pertencem à categoria das "energias renováveis".
A principal diferença entre o aproveitamento das energias renováveis e
o das energias de origem fóssil ou nuclear, é que estas são energias
que estão concentradas em volumes pequenos, estão “armazenadas”, e
podem ser transformadas em energia útil por meio de conversores que,
dimensionados para uma certa potência (potência nominal), conse-
guem trabalhar sempre àquela potência, se não lhes faltar combustível.

94
No aproveitamento das energias renováveis é obvio que não se pode
pedir que haja sempre vento, ou água, ou radiação solar. Dizer que isto
possa constituir uma desvantagem das renováveis é, porém, falso. O
que interessa, em termos económicos, é o custo do kWh produzido e a
poupança de divisas na importação de combustíveis que não temos.
Também é fácil de compreender que, não havendo sistemas de arma-
zenamento de energia numa rede, torna-se impossível, apenas com um
tipo de energia renovável, abastecer os consumidores que pretendem
poder dispôr da energia eléctrica quando entenderem, e não só quando
faz sol ou venta.
Antigamente, os moleiros só moíam o grão quando havia vento. As
fábricas de moagem modernas têm horários de trabalho rígidos e utili-
zam a energia eléctrica. Ao ligar-se o interruptor, o moinho tem que
moer, a empresa que vende energia eléctrica tem que satisfazer o con-
sumo – desde que as facturas de electricidade sejam pagas, claro.
É evidente que o fornecimento de energias renováveis tem que se
adaptar ao consumo, ficando reservada para a base do chamado "dia-
grama de carga". Por isso, a potência de energias renováveis que se
pode instalar numa rede não deveria, em princípio, crescer sem limite,
ultrapassando a base do diagrama. Estamos, porém, muito longe desse
limite, felizmente para uns e infelizmente para outros.
Mas mesmo que, absurdamente, tivéssemos energia eléctrica em
excesso, esta poderia ser convertida em hidrogénio; o hidrogénio,
energia altamente concentrada, pode ser armazenado, como outro gás
combustível qualquer, para posterior reconversão em electricidade,
quando for necessário. Este hidrogénio também poderia ser usado
como combustível para os veículos.
Como se vê, um bom aproveitamento das energias renováveis é sem-
pre possível e desejável. Só temos que vencer a barreira mental do
petróleo. Existe tecnologia suficiente para ultrapassarmos essa barrei-
ra. Haja vontade política que os “maluquinhos” inventarão as solu-
ções.

95
Falar, para quê?
2005-07-23
O que eu me irritei com os estádios de futebol e com o fogo! E para
quê? São dados adquiridos. Entrou na rotina. As Câmaras e o Governo
que paguem os prejuízos. O dinheiro nem é meu. Porque me hei-de
aborrecer? (Ironia, é bom que eu previna).

A Democracia dos anti-democratas


2005-07-23
O grande mal das democracias é que o poder acaba por ser conquista-
do, precisamente, por anti-democratas. Como? Então não há eleições
livres?
Não! Decididamente, não há eleições livres. O povo vota naqueles que
conseguem, mediante uma campanha bem organizada, convencer que
são capazes de fazer melhor que o governo anterior. Para fazer uma
boa campanha é necessário dispor de muito dinheiro. O que nos leva a
concluir que as eleições são ganhas pelo poder económico. Este, longe
de visar o bem-estar de todos, pretende, tão-somente, uma economia
favorável aos seus interesses.
Os políticos, que acabam por – graças ao poder do dinheiro – con-
quistar o poder, só podem ser pessoas sem escrúpulos, que se sujeitam
a pactos com o poder económico afim de garantirem para si, e para um
séquito de oportunistas que sabem tomar o devido partido a tempo, um
lugarzinho ao Sol.
As atitudes "chupistas" desses políticos, a soldo dos interesses das
corporações económicas, levam o povo a deixar de acreditar na demo-
cracia quando este vê a sua situação a deteriorar-se dia a dia. A eleva-
da abstenção mostra, exactamente, o descrédito do poder político.
Algumas pessoas, face aos desmandos da democracia, até prefeririam
o regresso a uma ditadura, não porque aprovem a ditadura, mas por ser
um mal menor quando comparado com esta democracia.
O procedimento dos políticos desacredita, pois, a democracia. Portan-
to, os verdadeiros anti-democratas são eles. Se se pretendesse salvar a
democracia – de certeza os actuais políticos não querem –, ela teria

96
que ser revista de modo a permitir que o poder fosse realmente exerci-
do de acordo com os interesses populares, e não com os das corpora-
ções económicas.

Cântico Negro
2005-07-23
Considero José Régio, em todos os sentidos, primus inter pares
Fernando Pessoa.
José Maria dos Reis Pereira (José Régio era um pseudónimo), nasceu
em Vila do Conde em 1901. Um dos fundadores da revista "Presença"
e o seu principal animador. "Poemas de Deus e do Diabo" (1925) foi a
sua obra poética mais marcante.
Em consonância com Estranho Estrangeiro41, publico também esta
obra-prima da língua, a nossa pátria.

Cântico Negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces


Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

41
http://estrangeiros.Blogspot.Com/
97
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós


Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,


Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,


Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

98
Dois Salazares
2005-07-24
Ontem fui fazer umas compritas a um desses armazéns espalhados
pelo país, e a que chamam supermercados. Normalmente, compro
tudo o que me faz falta ao Ti Manel que tem uma mercearia aqui na
esquina. Mas ontem, já depois das sete, porque não me lembrei a tem-
po e ao Domingo o Ti Manel está fechado, tive que ir ao supermerca-
do. Mal cheguei, veio um rapaz, em idade de poder trabalhar, ter
comigo, solicitando uma contribuição monetária para uma instituição
de apoio a pessoas infectadas com o HIV. Ele também, segundo afir-
mou, era seropositivo, já há alguns anos.
Virei-me para ele e disse:
– Mas porque não pedes ao Estado? Julgo que é para isso que os cida-
dãos pagam impostos. Se o Estado tem tanto dinheiro para fazer está-
dios, pontes Europas e Vascos da Gama, redes integradas e derivadas,
aeroportos e TGV's para dar de bandeja aos privados, assim como dá
as escolas e os hospitais aos grupos de chulos de Mellos & Cia, por-
que será que não há dinheiro para apoiar as instituições que visam o
bem-estar da população? A função do Estado e a sua razão de existir é
gerir a verba (impostos) que os cidadãos lhe entregam de modo a ser-
vir, o melhor possível, esses mesmos cidadãos. Os cidadãos ficam
enfurecidos quando vêem que o dinheiro que são obrigados a pagar
não é utilizado da melhor forma. Se assim acontecesse, não haveria
pobres a pedir na rua. A primeira prioridade do governo seria satisfa-
zer as necessidades sociais, só depois estaria autorizado a gastar o
dinheiro em projectos de rendimento duvidoso. Enquanto os gover-
nantes não perceberem esta questão simples, vão ter que se haver com
a insatisfação dos contribuintes, que tudo farão para fugir ao fisco.
O rapaz deu-me razão e disse que faziam falta "dois" Salazares para
pôr ordem nisto. Estranhei, e perguntei-lhe porquê dois; então não
bastaria um só?
- Não pá! Eram necessários dois. Um, encostava os tios todos à pare-
de; e o outro disparava. Ditadura por ditadura, mais vale dois Salaza-
res do que um Hitler – acrescentou ainda o rapaz –, um Hitler resolve-
ria o problema mandando matar os seropositivos, os pobres, os pane-

99
leiros, os pretos, os morenos, os chineses e tantos outros. Só sobrariam
por aí uns 500. Tios de raça pura – acrescentei eu.

Autoridade moral
2005-07-26
Que este homem, com a sua simplicidade, tenacidade, capacidade de
sofrimento e aplicação ao trabalho, seja um exemplo para todos nós e que fruti-
fique, mostrando que a via do exemplo é a que nos dá a autoridade moral para
exigir um mundo melhor e mais justo.42

O Fundamentalismo Árabe
2005-07-26
O Fundamentalismo Árabe, de há muito existente mas durante largo
período travado pelo Xá da Pérsia, hoje Irão, bom aliado do Ocidente, adquiriu
novo ímpeto com a sua queda.
Queda na qual teve interferência a França , mas cuja responsabilidade
decisiva cabe à Administração Norte-Americana do Presidente Carter.
E, com baixos e altos, esse fundamentalismo constitui na actualidade
perigo significativo.
Naturalmente, que o seu objectivo geral é todo o Ocidente, até agora,
com prioridade para quem nele predomina.
Recentemente uma acção, que pretendia desenvolver-se em grande esca-
la, foi tentada contra os EUA, com a destruição, planeada e iniciada, de parte
importante da cidade de Nova Iorque.
Contudo, os serviços norte-americanos depressa conseguiram deter essa
acção.
Tal conduzirá provavelmente aquele Fundamentalismo, o que seria inteli-
gente, a optar por acções prioritárias sobre países mais vulneráveis do Ociden-
te.
E, entre estes, pode vir a incluir-se Portugal, bastando para tanto que o
Reino de Marrocos acabe por ser obrigado a ceder ao mesmo Fundamentalis-
mo.
A fronteira Sul de Portugal passaria a ser com o Fundamentalismo Ára-
be.

42
http://ovelhodamontanha.Blogs.Sapo.Pt/arquivo/717584.Html
100
E uma nova acção contra o Ocidente poderia começar por infiltrações
terroristas e guerrilheiras no Algarve e no Alentejo.
Mesmo antes da queda do Xá da Pérsia, já as Autoridades Portuguesas se
preocupavam com esse perigo.
A Base Aérea de Beja, no centro geográfico do sul de Portugal, foi, por
mim próprio, no final dos anos 50 e começo dos anos 60, mandada construir, e
construiu-se, para permitir a acção de forças aéreas e o afluxo rápido de forças
terrestres, nesse e para esse Sul de Portugal, prevenindo infiltrações semelhan-
tes às referidas.
Hoje, parece que preocupações idênticas estão, para os nossos Dirigen-
tes, muito minimizadas, como se pode deduzir da colocação nas mãos da Argé-
lia, facilmente dominável pelo Fundamentalismo em causa, da nossa principal
futura fonte de energia – o gás natural dessa mesma Argélia.
No plano geral, o Fundamentalismo Árabe possui, além do seu drástico
fanatismo e métodos terroristas, as grandes armas do petróleo e das quintas-
colunas já instaladas em alguns países ocidentais, como a França.
E é de admitir que venha, mesmo, a possuir armas nucleares.
Esta ameaça – a ameaça fundamentalista árabe – é, presentemente, de
novo apenas potencial, mas pode rapidamente tornar-se efectiva, sendo dever
indeclinável preveni-la.
In “A Ameaça” de Kaúlza de Arriaga
http://www.Cidadevirtual.Pt/k-arriaga/ameca.Html
Nota da hora absurda:
Os EUA sempre foram especialistas em derrubar governos que não
lhes interessam. Neste momento estão mais interessados em se apro-
veitar do terrorismo do que em evitá-lo.
Essa é que é essa!

Sociedade da abundância
2005-07-27
Na sociedade em que vivemos, há tudo em abundância. Telemóveis,
televisões, carros, poluição, pobres, desempregados, licenciados, etc..
Mas ainda há quem considere que há poucos licenciados:
http://www.Publico.Clix.Pt/shownews.Asp?id=1229173&idCanal=58

101
E justificam a necessidade de haver mais licenciados porque estes
mais facilmente arranjam emprego nos supermercados que os não
licenciados. Afinal o que é essa treta do progresso? Haver trabalho a
mais para alguns que se fartam de produzir coisas para vender aos
pobres e desempregados? Para aqueles que os próprios miseráveis sus-
tentam com os impostos que lhes são impostos? Ponham mas é juízo
nessas cabeças.
Quando é que o progresso passa a reverter em maior liberdade para as
pessoas? Quando acabar a ganância, ou seja, nunca. Progresso signifi-
ca ser-se cada vez mais escravo do trabalho e aumentar a produtivida-
de?
Vocês não querem é trabalhar, dizem alguns com os olhos doces, carregar
sacos de cimento, vergar a mola, e seguros de que seria bom que os ouvíssemos.
Tudo bem, dizem outros, com olhos lassos (têm nos seus olhos ironias e cansa-
ços), mas será preciso tirar um doutoramento? Ao que lhes respondem: corre
nas vossas veias sangue velho dos vossos avós. Vós amais o que é fácil. Toca a
estudar, toca a trabalhar. E depois, para a estiva.
E os escravos deviam responder:
Uma ova! Tendes estradas, tendes aeroportos, tendes TGV’s, tendes
pátria, tendes tectos, e tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios. Nós temos
a nossa licenciatura, arranjem-nos trabalho condigno, esclavagistas do cara-
lho!

Como se fabricam terroristas


2005-07-27
Só lido:
http://www.Cbsnews.Com/stories/2005/03/04/60minutes/main678155.Shtml
A CIA captura muçulmanos, tortura-os ao ponto de passarem a odiar
os americanos, e depois solta-os. O ódio que despertam nos torturados
é depois aproveitado para fazer deles assassinos fanáticos de grupos
terroristas da própria CIA.
Por mais que Letras com Garfos43 queira, é preciso ter-se um ódio de
morte contra os ocidentais – e o Islão não é, supostamente, uma reli-

43
http://www.Garfos.Letrascomgarfos.Net/
102
gião de morte –, para se ser um homem-bomba. Os EUA precisam do
terrorismo, como do pão, digo, petróleo para os carros.

Apoio ao manifesto
2005-07-27
Por fim, porque os portugueses não poderão compreender que lhes este-
jam a ser pedidos sacrifícios com impacto no seu nível de vida, quando o Estado
se dispõe a gastar dinheiro em projectos sem comprovada rendibilidade eco-
nómica e social.
Retirado do DN, 27/07/2005.
http://dn.Sapo.Pt/2005/07/27/tema/o_investimento_publico_faz_milagres.Html

Surrealismo ou pesadelo?
2005-07-28
Francamente, já não sei o que deva mais dizer da corja que nos
(des)governa. Vou pela estrada fora a ouvir as notícias da situação
calamitosa de falta de água no Alentejo e Algarve, agricultores que
pedem auxílio financeiro ao governo, governo que pede a intervenção
da comissária da UE, etc., etc..
De repente, deparo-me com esta notícia:
http://www.Publico.Clix.Pt/shownews.Asp?id=1229248
Como cidadão comum que sou, penso cá para comigo: andam todos
ao mesmo. Governo, UE, agricultores, todos querem uma só coisa:
PILIM. Já nem me preocupo com o que possa acontecer a este país.
Se as florestas ardem, pilim, se o défice aumenta, pilim, se a balança
comercial é deficitária, pilim, pilim mas sempre para os mesmos. Os
outros que trabalhem para lhes dar pilim. Bardamerda para tanta mer-
da. Outra coisa que me faz uma confusão danada é o conluio entre os
governos e a iniciativa privada. Li hoje algures (leio tanta merda!),
que a BRISA, que foi entregue a um grupo de Melros, teve um
aumento significativo nos lucros, apesar da diminuição do tráfego.
Mas as auto-estradas não foram feitas com dinheiros da CEE-UE que
nós vamos ter que pagar? Mas com que direito é que o grupo de Mel-
ros arrecada os lucros do Zé pacóvio? Afinal o que é feito da minha
103
quota? Bardamerda para os Melros e para os seus lacaios. Se preten-
dem uma sociedade liberal, tudo bem. Mas que sejam os liberais a
investir. O estado (todos nós) a pagar impostos para se fazer obras que
depois se entrega de bandeja aos nossos chulos super-liberais...
Bardamerda para o Zé pacóvio que não se revolta com tanta chulice,
porra! Vive-se, de facto, uma situação caricata em Portugal: os bancos
dão muito lucro, as telecomunicações, os transportes, as superfícies
comerciais, idem. Todos os grandes grupos económicos dão muito
lucro. Mas as fábricas fecham, o desemprego aumenta, aumenta-se a
idade de reforma, os jovens entregam-se ao desânimo e à droga, a
sociedade civil degrada-se cada vez mais, há cada vez mais circo para
entreter a malta.
"Se isto é o que chamam de democracia, antes a ditadura", isto pensa o
Zé Pacóvio que se deixa enganar pelos falsos democratas, eleitos por
60% do povo. A democracia representativa não está a representar o Zé,
até porque já quase 40% do Zé não vota. Quando um partido tem 50%
dos votos, tem, na verdade, 30% dos eleitores a favor dele, exacta-
mente os 30% que ainda se vão safando. Se isto é democracia, que
venha a ditadura.

Onde estão as maiores reservas de petróleo?


2005-07-28
Dois terços das reservas mundiais de petróleo concentram-se em 5
países do Médio Oriente: Arábia Saudita, Irão, Iraque, Kuwait e Emi-
ratos Árabes Unidos. Um pouco menos de 15% encontra-se na Vene-
zuela e na Rússia o que faz com que 80% das reservas mundiais este-
jam concentradas em sete países.
Qual destes sete países será o próximo alvo da intervenção dos "olea-
dos"? Segundo as previsões do Professor Anicavahsil, será o Irão.

Bardamerda para toda a vida como a nossa!…


2005-07-28
Ah! a selvajaria desta selvajaria! Merda
Pra toda a vida como a nossa, que não é nada disto!

104
Eu pr’àqui engenheiro, prático à força, sensível a tudo,
Pr’àqui parado, em relação a vós, mesmo quando ando;
Mesmo quando ajo, inerte; mesmo quando me imponho, débil;
Estático, quebrado, dissidente cobarde da vossa Glória,
Da vossa grande dinâmica estridente, quente e sangrenta!

Arre! por não poder agir d’acordo com o meu delírio!


Arre! por andar sempre agarrado às saias da civilização!
Por andar com a «douceur des moeurs» às costas, como um fardo de ren-
das!
Moços de esquina – todos nós o somos – do humanitarismo moderno!
Estupores de tísicos, de neurasténicos, de linfáticos,
Sem coragem para ser gente com violência e audácia,
Com a alma como uma galinha presa por uma perna!

In "Ode Marítima" de Álvaro de Campos

Poupança e gamanço
2005-07-28
O governo vai poupar. Poupar vem do latim palpare, apalpar, gamar.
Em economia, poupança é a parte do rendimento que não é destinada
a consumo imediato, ou seja, destina-se a um consumo diferido no
tempo. Entretanto a poupança rende juros e os "apalpados" deveriam
vir a ter reformas superiores às que aufeririam sem gamanço.44

Jesus e os terroristas
2005-07-29
«Ouvistes o que foi dito:Olho por olho e dente por dente*.
Eu, porém, digo-vos: Não oponhais resistência ao mau.
Mas, se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra.

44
http://www.publico.clix.pt/shownews.Asp?id=1229324&?idCanal=22
105
Se alguém quiser pleitear contigo para te tirar a túnica, dá-lhe também a
capa.
E se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha, caminha com
ele duas.
Dá a quem te pede e não voltes as costas a quem te pedir emprestado.
* Jesus refere-se aos ensinamentos do Antigo Testamento.
Logo, ele contrariou a lei antiga, conhecida por lei de talião. Poder-se-
á daqui inferir que quem pratica a retaliação, não é cristão, não segue
os ensinamentos de Cristo.
De facto, quem lê os ensinamentos de Cristo, apercebe-se rapidamente
da hipocrisia de muitos que se dizem cristãos. Quanto a mim, bastou
uma simples leitura do seu celebérrimo sermão, As Bem-
Aventuranças, mais conhecido por "O Sermão da Montanha", para me
confrontar com esta verdade indesmentível.
Fonte: Nova Bíblia dos Capuchinhos, Difusora Bíblica, Lisboa, 1998

A defesa dos americanos


2005-07-29
Mas, se este factor, quase de repulsa por poder ter um estranho na “sua”
casa, o motiva, ainda mais o motiva poder pôr na ordem o PS e encaminha-lo
para uma esquerda mais radical, “social” no sentido anti-capitalista, anti-
globalizadora, anti-americana e gaullista-europeista extremada, que é o núcleo
duro do seu pensamento actual.
Ironicamente, para quem meteu o socialismo na “gaveta”, o seu pensa-
mento económico, ou melhor, a sua ideologia económica, é hoje claramente
anti-capitalista e o apoio que dá aos movimentos anti-globalização, simboliza-
dos no fórum de Porto Alegre, e que representam hoje o “socialismo terceiro-
mundista” que combateu no passado, tem poucas nuances.
Soares é hostil às políticas de liberalização da OMC, combateria aquilo a
que chama “capitalismo selvagem” e a “dominação” do globo pelo “pensa-
mento único”, pelo “neo-liberalismo”, ou seja, a mundialização da economia
de mercado que o fim do “socialismo real” permitiu.45

45
http://www.Abrupto.Blogspot.Com/2005_07_01_abrupto_archive.Html#112262692342885481

106
Quando não há argumentos válidos para apoiar o terrorismo america-
no, pode sempre rotular-se o adversário com chavões, chavinhos e
chavelhos, tais como os tão do agrado de JPP.
Porque é que o arauto dos merdia, em vez de usar a adjectivação ater-
rorizante "social", anti-capitalista, anti-globalizadora, anti-americana,
gaullista-europeísta, não explica, a quem o lê, porque é que os defen-
sores da nova ditadura global, a querem impor à força?
Não é óbvio que estamos perante uma lavagem de cérebros de uma
ditadura dos merdia, e que caminhamos, a passos largos, para formas
ainda mais explícitas de ditadura, sempre com a desculpa da defesa
das liberdades? Poderá castrar-se a liberdade em defesa da liberdade?
Será que as ditaduras não passam de um subproduto da democracia
representativa, que elege os políticos profissionais, ou seja, aqueles
que têm o apoio massivo das corporações económicas e dos merdia,
títeres do poder económico que tratam de sacar o máximo antes de
serem, eles próprios, despedidos?
Despeço-me com o habitual "Bardamerda para os políticos e para os
merdia", seja qual for o partido em que militem. Porque militar é usar
violência. Sou contra a violência, mas às vezes apetece.

Ladroagem e macdonaldização
2005-07-29
Quando a miséria começou a invadir-nos de forma mais escandalosa,
surgiu uma nova casta de gente excluída: a dos arrumadores de carros.
Eram insultados por uns e apoiados por outros. Havia ainda os que,
com receio de retaliações sobre o "carrinho", davam esmola sem con-
vicção, sabendo que estavam a alimentar "drogados". Ficavam de
consciência pesada, mas sossegados quanto à segurança do seu tesou-
ro, comprado a suaves prestações.
As Câmaras, vendo que o negócio dos arrumadores era bom, trataram
logo de, valendo-se do poder, roubar o negócio aos excluídos. Criaram
assim parqueamentos "civilizadamente selvagens", com máquinas
caça-moedas que dão recibo aos utentes e dores de cabeça aos arru-
madores de carros, com a sua vida dificultada.

107
Os "incluídos" não protestaram contra este "progresso", julgando tal-
vez que esse dinheiro iria servir para dar trabalho condigno aos mise-
ráveis, e proporcionar mais bem-estar aos cidadãos. O roubo foi con-
sumado, os excluídos ficaram mais pobres ainda, e continuam a ocu-
par as poucas brechas existentes no negócio. A criminalidade, obvia-
mente, aumentou – a "droga" escolhe sempre os excluídos como pri-
meiras vítimas. Mas há-de chegar a todos.
Outros pobres, como vendedores diversos, confrontam-se com a des-
leal concorrência de enormes centros comerciais, autênticos sorvedou-
ros de dinheiro das massas que se julgam mais favorecidas. Mas os
centros comerciais limitam-se a “macdonaldizar” os negócios de gente
pobre, e servem-se da "pobreza envergonhada" para enriquecer.
No ramo alimentar, a Mac'Donalds fornece comida sem qualidade
(típica de qualquer barraca de rua) a gente que pensa (ditadura dos
merdia) que ir ao Mac é mais fino, não só fino mas denota um poder
de compra superior ao vizinho, igualmente pobre. Sopas & Sopas
vende uma sopa, que custaria 70 cêntimos numa barraca, por 2,50
euros, e todos se atropelam para tomar a "sopa dos ricos".
Estou a ficar parvo com tanta estupidez do Zé pacóvio. Estúpido que
nem uma porta! Então o que é feito dos nossos saudáveis hábitos de
alimentação mediterrânica e dos restaurantes caseiros onde se comia
bem e barato, as nossas célebres tasquinhas? Agora, só se forem as
barracas a recuperar a alimentação saudável.
E assim por diante, vamos assistindo, impassíveis, ao desmantelamen-
to da nossa cultura e ao roubo dos negócios dos pobres.
Não admira que também, um dia destes, em cada semáforo se ponha
uma mãe-automática com um bébé esfomeado ao colo, e se apliquem
multas a quem não meter a moeda na mãe (não, não é essa do Jumbo).
Não admira ainda que a prostituição se torne, cada vez mais, negócio
de ricos, e se crie o Instituto de Pesquisa dos Negócios dos Pobres (ele
há tantos), para que os ricos aprendam a roubar mais depressa. Como
sempre, aos pobres.
Quando é que os ricos começam a ter vergonha perante os pobres, por
passarem por ladrões? Quando é que ter um carrão passará a ser sinó-

108
mimo de "negócios escuros e corrupção"? Sim, porque não é possível,
honestamente, ter esses luxos só à custa do trabalho.
Acorda, ó Zé!

Dança e contradança
2005-07-30
Dizem por aí que vivemos no melhor dos regimes políticos, a demo-
cracia representativa. Certamente imperfeita mas, mesmo assim, o
melhor que se pôde arranjar até agora.
Mas as ditaduras, salvo erro, aparecem quando as democracias entram
em decadência, transformando-se em autênticas demonocracias por
culpa de gente que julga que, pelo facto de ter sido eleita, pode fazer o
que lhe dá na real gana, sem ter que dar satisfações aos governados.
Isto é bem patente nas decisões sobre opções do OE como o TGV e a
Ota, sobre as quais o governo se recusa a prestar esclarecimentos aos
cidadãos escaldados de tanto dinheiro mal gasto em recentes "apostas"
de governos anteriores. Julgam-se estes "senhores" do governo no
direito de mandar o cidadão comum apertar o cinto e irem apostar com
o seu dinheiro, sendo eles, governantes, sócios dos donos do jogo!
Ora, são actuações destas (e não só) que desacreditam a democracia e
a transformam em demonocracia. O povo começa a lembrar-se das
coisas boas que havia na ditadura: de corrupção nem se ouvia sequer
falar, a liberdade de falar não beneficia sequer ninguém (palavras não
enchem a barriga), não havia a pouca-vergonha que se vê nos merdia,
etc., etc..
E a tentação para a ditadura começa a ganhar forma. Basta, então, que
apareça uma figura carismática (um ídolo), devidamente apoiada, e
zás, aí temos um golpe de estado. O "salvador", legitimado pela força
das armas ou pela revolta popular, desata a pôr ordem no país. Acaba
com as liberdades, persegue os "democratas", impõe a lei marcial, e a
pobre demonocracia acaba numa rica diabrura.
Coitado do Zé, se não é tentado por demónios é fustigado pelo Diabo.

109
FIM DA PRIMEIRA PARTE, de final de Maio de 2005 (recomeço do
hora absurda, após uma pausa de cerca um ano) a final de Julho do
mesmo ano.

110
ÍNDICE
O tempo não existe? .............................................................................. 5
Principia ................................................................................................ 5
Tempo biológico.................................................................................... 5
Ernst Pöppel .......................................................................................... 6
O livro do ano........................................................................................ 6
O Código Dá Milhões ........................................................................... 7
Ilya Prigogine ........................................................................................ 8
TGV....................................................................................................... 8
Tá-se bem, mabecos!............................................................................. 9
Barragem no Baixo Sabor ................................................................... 10
Ladrões do Tempo............................................................................... 10
Richard Feynman ................................................................................ 11
Declaro aberta a estação! .................................................................... 11
Aumento de produtividade.................................................................. 12
Gosto pela leitura ................................................................................ 13
Estamos todos condenados à morte .................................................... 14
Banca e Estado .................................................................................... 15
Einstein@Home .................................................................................. 16
APOSENTAÇÃO................................................................................ 16
Citando Einstein .................................................................................. 17
O Futuro está a chegar ........................................................................ 18
Sim, senhores! ..................................................................................... 18
Produtividade no trabalho? ................................................................. 19
Pretos dum caraças.............................................................................. 20
Blaise Pascal........................................................................................ 20
Socialistas combatem o desemprego e a miséria................................ 21
O Fim das Certezas ............................................................................. 21
In memoriam ....................................................................................... 22
Porra, comprem-me os livros!............................................................. 23
O meu livro já está à venda................................................................. 23
Malandros, vocês não querem é trabalhar! ......................................... 24
Não há racismo. Tudo treta. ................................................................ 24
Cortes na defesa, já! Cagarolas!.......................................................... 25
Alban Krailsheimer ............................................................................. 25
A reforma dos burros........................................................................... 26
Uma árdua tarefa ................................................................................. 26
111
Maldita classe!..................................................................................... 27
Valha-nos Santo António (de Oliveira Salazar) .................................. 29
Um erro estratégico de jumento!......................................................... 29
O estatuto dos professores dos ensinos básico e secundário: ............. 30
A culpa do défice é dos professores .................................................... 31
Coronéis e jagunços ............................................................................ 31
A Terra é p’a quem n’a trabalha .......................................................... 31
O manjarico estava bom! .................................................................... 32
Acabar com as regalias dos setôres..................................................... 33
Como se manifestam os complexos .................................................... 35
Diminuição do desemprego................................................................. 36
Do Tempo ............................................................................................ 37
Garfadas............................................................................................... 43
Dignidade e liberdade.......................................................................... 43
Jumentos à bardamerda!...................................................................... 43
Poeira para os olhos! ........................................................................... 44
Amor com amor se paga! .................................................................... 44
Deuses ou escravos?............................................................................ 44
Anúncio ............................................................................................... 45
Desastroso empobrecimento! .............................................................. 46
TGV à bardamerda!............................................................................. 46
Palavra d'El-Rei................................................................................... 46
Ms. Maria de Lurdes Reis Rodrigues.................................................. 48
Garfadas............................................................................................... 49
OTA à bardamerda! ............................................................................. 49
Transportes de merda! ......................................................................... 50
Pobreza envergonhada......................................................................... 51
A Energia é o fulcro da questão .......................................................... 53
hora absurda ... .................................................................................... 54
Anastácia ............................................................................................. 55
Uma carta da Madeira ......................................................................... 56
O meu orçamento ................................................................................ 56
Criminosos à solta? ............................................................................. 57
A riqueza asquerosa............................................................................. 57
Tragédia em Londres........................................................................... 58
Gatos que ladram................................................................................. 60
Cum mula peperit ................................................................................ 61

112
Another Blair? ..................................................................................... 61
Sobre o terrorismo............................................................................... 62
O terrorismo e a riqueza...................................................................... 63
CARTA ABERTA AO ENGENHEIRO JOSÉ SÓCRATES............... 63
Era uma vez um rei ............................................................................. 66
O PAPALAGUI NÃO TEM TEMPO ................................................. 66
Água, o combustível do futuro............................................................ 69
Temos um governo mariquinhas pé-de-salsa...................................... 70
Os muçulmanos não são os terroristas................................................ 70
Assimetrias .......................................................................................... 70
"Boicote à ESSO" ............................................................................... 71
A melhor estratégia ............................................................................. 71
O COBRADOR DE IMPOSTOS ....................................................... 72
Bombástico! ........................................................................................ 73
Um coice alentejano! .......................................................................... 73
Eu nunca disse nada de mal ................................................................ 74
Pois claro que aprecio obras de arte.................................................... 74
Esta é para ajudar o tio Bill................................................................. 75
A globalização promove a guerra (I) .................................................. 76
A Ameaça: A Espanha ......................................................................... 76
Segurança ............................................................................................ 77
A globalização promove a guerra (II) ................................................. 77
Garfadas .............................................................................................. 78
Ocorreu-me... ...................................................................................... 78
O preço da liberdade? Ou o nosso “way of life”? .............................. 79
Os nobres e fleumáticos ingleses ........................................................ 79
Pronto pá, já não apoio a tua candidatura ........................................... 80
Anastácia (II)....................................................................................... 80
Acesa tertúlia....................................................................................... 82
Regra de Ouro ..................................................................................... 82
A globalização promove a guerra (III)................................................ 83
Anastácia (III) ..................................................................................... 84
Portugal não sucumbirá....................................................................... 86
A globalização promove a guerra (IV) ............................................... 87
Palpites ................................................................................................ 88
A globalização promove a guerra (V)................................................. 88
Michel Chossudovsky ......................................................................... 89

113
Respondam com sinceridade............................................................... 89
A Matemática ...................................................................................... 90
Terrorismo nos merdia ........................................................................ 90
Kaúlza de Arriaga................................................................................ 90
A globalização fomenta a guerra (resumo dos posts) ......................... 91
Triste figura ......................................................................................... 94
A barreira mental do petróleo.............................................................. 94
Falar, para quê? ................................................................................... 96
A Democracia dos anti-democratas..................................................... 96
Cântico Negro...................................................................................... 97
Dois Salazares ..................................................................................... 99
Autoridade moral............................................................................... 100
O Fundamentalismo Árabe ............................................................... 100
Sociedade da abundância .................................................................. 101
Como se fabricam terroristas ............................................................ 102
Apoio ao manifesto ........................................................................... 103
Surrealismo ou pesadelo?.................................................................. 103
Onde estão as maiores reservas de petróleo?.................................... 104
Bardamerda para toda a vida como a nossa!…................................. 104
Poupança e gamanço ......................................................................... 105
Jesus e os terroristas .......................................................................... 105
A defesa dos americanos ................................................................... 106
Ladroagem e macdonaldização ......................................................... 107
Dança e contradança.......................................................................... 109

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