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Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca - CEFET/RJ - Maracanã Sociologia: 1ª série - 4º Bimestre 2012 Professor: Mesalas Santos Material de leitura para avaliação

1. Modo de Produção Capitalista

Começamos diante de um fato: vivemos em uma sociedade capitalista. Mas o que isto

significa?

Afirmar que a sociedade é capitalista significa dizer que vivemos sob um sistema político,

econômico e social que teve início no ocidente, sobretudo na Europa do século XVI com o advento

do comércio marítimo. Ao longo dos séculos este sistema sofreu significativas transformações, se

aperfeiçoou, passou por fases e transições, mas o sistema capitalista tal qual o conhecemos, teve

início de fato, com a Primeira Revolução Industrial, na segunda metade do século XVIII e o

advento do modo de produção capitalista.

Modo de produção é a forma como os homens produzem os bens materiais necessários à sua

existência, ou seja, a partir de suas necessidades, os homens passam a criar e produzir coisas úteis à

vida humana.

Conhecemos ao longo da história os modos de produção de tipo asiático, escravista, feudal e

capitalista. O que irá caracterizar uma determinada sociedade não é o que ela produz, mas sim a

maneira como ela produz, ou seja, é o modo de produção que irá especificar como se estrutura uma

sociedade, suas relações sociais, o tipo de dominação (entre as classes), entre outros fatores. Sendo

assim, a partir do surgimento do modo de produção capitalista, este prevaleceu sobre os demais,

trazendo consigo grandes mudanças históricas e a conseqüente transição para o regime social

denominado capitalismo.

Mas o que diferencia o modo de produção capitalista dos demais, como por exemplo o

feudal? Enquanto no feudalismo as relações giravam em torno do senhor feudal, que oferecia

proteção militar e terras aos servos em troca do que estes produziam, os servos, por sua vez, deviam

obediência ao senhor feudal em troca de comida, segurança e terras para morar e produzir.

No capitalismo há também dois pólos na estrutura social, por assim dizer, mas que possuem

diferenças em relação aos senhores feudais e servos. Temos a classe dominante ou burguesia e a

classe trabalhadora. Ambas participam das relações sociais de produção, ou seja, das relações que

os homens estabelecem para realizar trabalho e atender suas necessidades materiais básicas. Tais

relações constituem o que chamamos de relações de classes.

Se no feudalismo os servos, de certa forma, pertenciam ao senhor feudal, pois, como dissemos, dependiam da segurança que este lhes garantia e de suas terras para produzir e sobreviver, no capitalismo o trabalhador é livre em relação ao capitalista, o que irá os vincular é o contrato de trabalho, comumente, de tipo assalariado. Vamos compreender melhor esta complexa relação. Atente, inicialmente, para o seguinte quadro, que trata de uma possível distribuição dos indivíduos por classe social na sociedade brasileira.

dos indivíduos por classe social na sociedade brasileira. (RIBEIRO, Darcy. Os Brasileiros . Petrópolis, Vozes,

(RIBEIRO, Darcy. Os Brasileiros. Petrópolis, Vozes, 1978, p.92)

2. Relação entre as Classes

Comecemos pela classe trabalhadora. A primeira condição para que um indivíduo seja pertencente à classe trabalhadora é o fato de ter como seu apenas sua força de trabalho para vendê- la no mercado de trabalho em troca de um salário, em outras palavras, ele irá vender o seu trabalho, seja ele físico ou intelectual. A força de trabalho é o elemento humano (homem) que se torna mercadoria sob o capitalismo. Mais adiante falaremos do salário.

Agora, passemos para a burguesia. O princípio básico que irá caracterizar esta classe é a posse dos meios de produção. Os meios de produção compreendem os instrumentos com os quais se torna possível um determinado tipo de produção e incluem os instrumentos de trabalho máquinas, ferramentas, etc. Sob o capitalismo, os meios de produção servirão, essencialmente, para ampliação da riqueza inicial, ou seja, serão utilizados, principalmente, para gerar lucros para seus proprietários. Portanto, a burguesia que detêm os meios de produção possui poder econômico advindo de sua posição social. Noutros termos, o fato de a burguesia possuir meios para ampliar suas riquezas, sejam elas materiais ou não (no caso dos investidores de bolsas de negócios, que detêm o capital financeiro) a coloca em uma posição privilegiada na sociedade, pois seu poder e influência social são ampliados em conseqüência de sua condição financeira. Então, qual a relação estabelecida entre estas duas classes? A relação entre estas se dá, em primeira instância, como uma relação estritamente econômica: a burguesia, proprietária dos meios de produção é quem compra a força de trabalho e paga por ela um salário. A classe trabalhadora, não possuindo mais que sua força de trabalho, se submete à condição de exploração. E por que “exploração”? Entendamos: como já foi dito, o trabalhador vende sua força de trabalho no mercado em troca de um salário, que, por sua vez, é determinado pelo tempo de jornada de trabalho. Mas o salário não é apenas o pagamento pelo trabalho realizado, ele é também uma das fontes da exploração sob a forma de extração de mais-valia na esfera da produção. É exatamente o fato de o trabalho executado pelo trabalhador não ser pago integralmente o que possibilita a extração do que denominamos mais-valia. Mas o que de fato ela significa?

3. Mais-valia

A mais-valia é a parte do que é produzido pelo trabalhador e apropriado pelo capitalista. É, portanto, o fruto do trabalho não pago ao trabalhador e convertido em valor novo, apropriado pelo capitalista sob a forma de lucro. Temos então que a maior parte da riqueza que é produzida não fica para quem a produz, mas sim para os proprietários dos meios materiais com os quais se torna possível a produção. Vejamos um exemplo:

Podemos supor um trabalhador de uma fábrica de sapatos que cumpre uma jornada diária de oito horas e produz vinte sapatos. Cada sapato custa para a fábrica R$ 30,00 e é vendido a R$ 50,00. Portanto, este trabalhador produz diariamente, em valores, R$ 1.000,00. Ao fim de um mês com vinte dias de trabalho ele produz 400 sapatos, o que equivale a R$ 20.000,00. Subtraindo os gastos que a fábrica tem em relação à produção deste trabalhador, que iremos supor ser de R$ 5.000,00

entre o salário, manutenção da fábrica e impostos e também subtraindo o custo de produção dos sapatos que poderia ser de R$ 12.000,00 ao mês, sobram R$ 3.000,00. Considerando que o detentor dos meios de produção também necessita de uma quantia para si, como remuneração do seu trabalho no negócio, que estimamos em torno de R$ 1.000,00, e lembrando que a fábrica é constituída de vários empregados, ainda há um valor excedente de R$ 2.000,00, podemos questionar: quem fica com este excedente? Obviamente o capitalista. Trata-se de um valor novo que pode ou não ser convertido em salário e/ou investido na produção. É fruto do trabalho excedente realizado pelo trabalhador, é um trabalho não pago e que denominamos mais- valia.

Para ficar mais claro, entendamos o fenômeno a partir da jornada de trabalho. Para que o trabalhador produza o suficiente para pagar seu salário e os demais custos, ele não precisaria cumprir a jornada de oito horas diárias, bastariam seis horas. Em outras palavras, ele não precisaria produzir 400 sapatos mensalmente, e sim, 300, ou seja, ele trabalha duas horas diárias gratuitamente para o capitalista, independente da quantidade de sapatos que o empregado produz seu salário será o mesmo.

A extração e realização de mais-valia ocorre tanto no espaço da produção, como o que

acabamos de citar, quanto em outros setores como comércio e serviços. Vejamos as diferenças:

Podemos observar que para existir a mais-valia é necessário que haja produção de mercadorias e exploração da força de trabalho assalariada. Uma parte da jornada de trabalho serve para pagar os

custos da produção, salário e demais encargos, enquanto a outra parte da jornada não é paga ao trabalhador, seus frutos são apropriados pelo capitalista sob a forma de valor novo. E nos demais setores como este valor novo é criado e apropriado pelo capitalista? Façamos uma distinção: no comércio - setor de circulação de mercadorias - ou no setor de prestação de serviços, não há criação de valor novo, o qual denominamos mais-valia, pois o que vemos é a sua realização, ou seja, através da exploração do trabalho e do lucro, o comerciante se apropria da mais-valia global, aquela criada ainda no espaço da produção que é repassada aos demais setores.

O Estado também se apropria da mais-valia sob a forma de impostos diretos (aqueles

cobrados diretamente aos cidadãos) e indiretos (que são acrescentados aos preços das mercadorias). A apropriação da riqueza de forma desigual, seja pela apropriação da mais-valia, pela exploração etc, é um dos fatores mais significativos para a existência das desigualdades sociais. Sendo assim, a

divisão da sociedade em classes existe tanto na sociedade capitalista, quanto em outras sociedades onde as relações sociais de produção são determinadas pela exploração de um grupo sobre outro. Voltemos então à indagação feita no início do texto: o que diferencia o modo de produção capitalista dos demais? Já conhecemos os elementos que o distingue: são basicamente o trabalho

assalariado e a exploração via extração de mais-valia. As classes possuem interesses diversos, fazendo com que se relacionem de maneira conflituosa, o que gera a luta de classes.

4. Luta de Classes

Estes grupos que denominamos classes sociais, realizam-se concretamente na sociedade enquanto grupos opostos e conflituosos na medida em que seus interesses são divergentes e a parcela de poder e influência que cada uma possui é desigual, o que acaba por gerar a luta entre as classes.

A luta de classes nada mais é do que o conflito cotidiano no qual os diferentes grupos sociais atuam com a finalidade de realizar seus interesses. Enquanto a classe dominante cria mecanismos para se manter em sua posição, os interesses da classe trabalhadora circulam em torno da tentativa de melhoria de sua condição material de existência. Esse cenário nos leva, também, a refletir a respeito das classes médias. Convencionou-se no transcorrer da história, denominar classe média como aquela parcela da população que possui poder aquisitivo razoável, ou seja, capaz de não apenas suprir suas necessidades de sobrevivência como também se permitir formas variadas de lazer e cultura, assim como uma capacidade de aquisição de bens de consumo mais favorável do que a da classe trabalhadora. Sendo assim, a classe média, ora se vê na condição de classe dominante, ora na condição de classe subalterna. De acordo com o segmento a que pertence, ou seja, de acordo com o poder aquisitivo e influência social, estará de um lado ou outro. Na sociedade atual nos deparamos com alguns órgãos representantes de diferentes interesses de classes, por exemplo, os partidos políticos que lutam pelas causas operárias, os partidos representantes dos interesses dominantes, as Centrais Sindicais, o Movimento dos Sem-Terra, entre outros. A partir desta exposição já compreendemos o que são e o que representam as classes sociais? Vamos refletir um pouco mais. As classes, como constatamos, são efeitos de determinados modos de produção. No capitalismo, por exemplo, elas possuem algumas especificidades: geram e são efeitos da infra- estrutura, que é, por sua vez, a base econômica, o alicerce de toda a atividade social de produção (as forças produtivas e as relações de produção) e também da base jurídico-política, que compreende as organizações e instituições sociais (como o Estado, a escola, etc.). A infra-estrutura influencia a instância ideológica, que denominamos superestrutura, que é o conjunto de idéias e representações sociais (religião, Direito, moral, arte, linguagem, etc). As classes são legitimadas pela superestrutura. Diferentemente de outras sociedades, como a feudal onde a Igreja, que faz parte da instância ideológica, possuía um papel significativo na fixação da

classe senhorial como dominante, no capitalismo a instância ideológica não interfere diretamente na fixação das classes, pois, o que possibilita a fixação de uma ou outra classe é a condição econômica. As idéias e representações têm um papel auxiliar, de legitimação das posições sociais, papel este certamente significativo, mas não determinante. Na sociedade capitalista atual, podemos visualizar o modo de produção que caracteriza tal sociedade em diversos setores, como: indústria siderúrgica, têxtil, de alimentos, de automóveis, entre outras. A estruturação básica do modo de produção influencia a organização da sociedade, ou seja, se no âmbito da indústria temos uma hierarquia de indivíduos, pelo status que a ocupação lhe confere, e, sobretudo, pela apropriação da parcela de riqueza produzida, em geral podemos encontrar essa mesma divisão na sociedade. Em outras palavras, a distinção entre operários, gerentes, supervisores, empresários, industriais, etc. não se restringe à esfera do trabalho, mas se estabelece também nas relações que permeiam a sociedade.

5. A alienação A alienação é um conceito central na obra de Marx. Esse conceito apresenta-se como um complemento ao seu entendimento sobre o homem, a história e o trabalho. Para ele, existem diferentes tipos de alienação: a religiosa, a filosófica, a política e a econômica, que tornam o homem submisso a entidades (pessoa ou coisa), não lhes permitindo o direito de controlar suas próprias atividades, direito exclusivamente seu.

Nesse sentido, as ideologias são o reflexo na vida real da alienação, construindo leituras da realidade que camuflam as verdades, buscando com isso tirar do homem a condição de sujeito de sua existência e do desenvolvimento da sociedade. No capitalismo, principalmente por meio da divisão do trabalho, os produtos, os objetos, as mercadorias comandam a vida dos homens; enquanto quem os cria, o trabalhador transforma-se em alguém sem objetos. Assim, a propriedade privada é consequência necessária desse sistema, do próprio trabalho alienado, na medida em que a posse de um, não significa a não-posse do outro. A divisão capitalista do trabalho é fonte de todas as alienações.” (GORZ, 1996, p. 9).

Por outro lado, Marx argumenta que para abolir a alienação seria preciso eliminar do capital todas as formas de propriedade, além de extinguir a divisão do trabalho, responsável pela redução das potencialidades do homem e da criação dos impedimentos para a sua plena realização como ser humano. Esta “alienação” para usar um termo compreensível aos filósofos pode ser superada, naturalmente,

apenas sob dois pressupostos práticos. Para que ela se torne um poder „insuportável‟, isto é, um poder contra o qual se faz uma revolução, é necessário que tenha produzido a massa da humanidade como massa totalmente “destituída de propriedade”: e que se encontre, ao mesmo tempo, em contradição com

um mundo de riquezas e de cultura existente de fato ( ENGEL, 1979, p. 50).

),

um alto grau de desenvolvimento (MAX &