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Ubuntu África do Sul

Área de Integração

Ubuntu – África do Sul Área de Integração (APRESENTAÇÃO) “Uma pessoa com ubuntu está aberta e

(APRESENTAÇÃO) “Uma pessoa com ubuntu está aberta e disponível aos outros, não-preocupada em julgar os outros como bons ou maus, e tem consciência de que faz parte de algo maior e que é tão diminuída quanto seus semelhantes que são diminuídos ou humilhados, torturados ou oprimidos.”Arcebispo Desmond Tutu

(INTRODUÇÃO)

PORQUÊ UBUNTU?

Inicialmente não era para trabalhar a cultura Ubuntu, penso eu, pelo menos ainda não consegui adquirir a certeza de que a outra cultura em que eu desejaria desenvolver neste documento e a que na realidade vou apresentar serem a mesma cultura apesar de obterem algumas semelhanças uma vez que essa outra cultura é igualmente de origem africana . Assim sendo vou abordar esta cultura da melhor forma que conseguir, uma vez que a filtragem da vasta informação repetida sobre a mesma é inexplicavel.

Após ler uma publicação na internet relativamente a um caso de uma tribo na África do Sul chamada Ubuntu e que esta tribo praticava “um costume muito bonito”, apresentado pela jornalista e filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz em Floripa. Fiquei bastante curiosa e fez-me pensar em alternativas relativamente o modo de vida que levo assim chegando mesmo a questionar-me.

E assim escolhi a tribo Ubuntu.

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(DESENVOLVIMENTO)

Na organização desta pesquisa, formulei algumas questões para desta forma orientar a minha pesquisa. Fazendo deste trabalho a resposta às minhas dúvidas relativamente a origem desta tribo, e o seu conceito. Dividi da seguinte forma:

O QUE É UBUNTU E O QUE DEFENDE?

Palavra

“Ubuntu” é uma palavra de origem das línguas dos povos Banto, Zulo e Xhosa na África do Sul. E a partida não possui tradução na nossa língua. Mas segundo o bispo sul- africano Desmond Tutu, quando ganhou o prêmio Nobel da Paz, explicou que “ubuntu é a essência do ser humano. E que não se pode viver isoladamente, porque o ser humano não é só.” Defende ainda que a esta palavra poderá ter muitos significados: amizade, solidariedade, compaixão, perdão, irmandade, o amor ao próximo. Isto é capacidade de entender e aceitar o outro.

Conceito

“Ubuntu é um termo ético ou uma filosofia humanística, focando-se nas relações de lealdade entre as pessoas. é visto como um conceito tradicional da cultura africana”

E ainda há quem defenda que “Ubuntu” é uma visão unificante do mundo, expressada por exemplo por meio do provérbio zulu “Umuntu Ngumuntu Ngabantu” (“Uma pessoa é pessoa por intermédio das outras pessoas”). Este conceito é uma concepção da vida que encontra-se na base das sociedades africanas, e que contem em si o respeito, a partilha, a confiança, o altruísmo e a colaboração. Conceitua o homem enquanto “comunhão”, define a pessoa em analogia às suas relações com os outros. Uma pessoa com Ubuntu é aberta, disponível aos outros, solidária, sabe que é parte de um todo maior. Quando fala-se de Ubuntu entende-se um sentido mais forte de unidade nas relações sociais, para ser disponíveis a encontrar as diferenças presentes na humanidade do outro e enriquecer a nossa: “eu sou porque nós somos”.

E assim pode se dizer que “ubuntu” não é uma acção, pois não se pratica “Ubuntu” mas é se “Ubuntu”.

Dezasete princípios do Ubuntu

Ao longo da minha pesquisa encontrei um livro em que mencionava estes dezesete princípios, penso que foram passados de forma a ser aplicada a ideologia Ubuntu numa empresa.

1. Inventamos histórias a nós mesmos para justificar os conceitos da nossa vida. Estar ligado aos outros oferece uma oportunidade necessária de testar as

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2. Ubuntu quer dizer estamos juntos.

3. Estar ocupado não é desculpa para evitar as coisas mais importantes.

4. Envolver a outra pessoa de forma autêntica libera a energia mais poderosa do planeta.

5. Ubuntu é uma filosofia que leva em consideração o sucesso do grupo acima do sucesso do indivíduo.

6. O primeiro passo para fazer o Ubuntu nascer é descobrir-lo dentro do coração. Ubuntu vem a nossaenergia natural.

7. Com confiança e respeito as pessoas darão aos outros o benefício da dúvida. Sem confiança e respeito técnicas de motivação parecem manipulação.

8. O Ubuntu começa com o reconhecimento e a aceitação da humanidade, com a igualdade e com o valor de cada pessoa.

9. Não se pode simplesmente fazer Ubuntu. Tem de se ser o Ubuntu.

10. Ubuntu não quer dizerrespeitar o mau tranalho que alguém possa fazer. Mas sim respeitar a pessoa que está a fazer esse mesmo trabalho.

11. Ubuntu é uma filosofia de compaixão, mas não passivo. Quando o grupo se sente ameaçado pelo comportamento de uma pessoa ela deve se confrontada.

12. Se cada um de nós permitir que as diferenças definam um relacionamento, sempre ficará em desigualdade com as pessoas. O ubuntu pergunta: “O que temos em comum”, “Como podemos trabalhar juntos da melhor maneira?”

13. O espírito do Ubuntu é captado pela pelavra “comunidade”.

14. Dois níveis de reconhecimento:

O primeiro nivel dereconhecimento é valorizar as pessoas simplesmente pelo o que elas são. Essa é a essência do Ubuntu e deve vir sempre em primeiro lugar;

O segundo nível de reconhecimento é valorizar as pessoas pelo que elas alcançam. Esse tipo de reconhecimento é o que direciona grande parte do desempenho.

15.

Quando cada um de nós abandona o que no é confortável e familiar para

começar algo e interessante, é natural sentirmo-nos deslocados e até receosos.

E

é nesse pontoque o apoio e a colaboração dos colegas é mais importante.

16.

Enquanto existirem funcionários, por exemplo, que pensam em sim mesmo como “pessoas comuns”, o trabalho do Ubuntu não estará concluído.

17.

A

porta para o Ubuntu chama-se gratidão e estará sempre aberta.

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Área de Integração QUANDO SURGIU ESTA TRIBO E DE QUE FORMA? Apesar de conseguir encontrar muitas histórias com o objectivo de explicar o conceito desta cultura, foi bastante difícil de encontrar a origem desta tribo e assim como o seu funcionamento a nível prático. Para responder a este parametro de orientação de pesquisa encontrei num único site a seguinte informação:

Por volta de 2000 a.C., os primeiros povos chamados de bantos partiram do sudeste da atual Nigéria e se expandiram por todo o sul da África. Eram povos agricultores (exemplos de plantas de origem africana e que talvez tenham sido cultivadas pelos primeiros povos bantos são: o sorgo, a melancia, o jiló, o feijão-fradinho, o dendezeiro e o maxixe), caçadores, pescadores, coletores e criadores (por exemplo, de galinha d'angola). Conheciam a metalurgia do ferro. Praticavam religiões tribais, onde grande ênfase era dada no culto a seus antepassados. Nesse processo de expansão pelo continente africano, mataram, expulsaram ou se fundiram às populações nativas, que eram aparentadas aos atuais povos de línguas khoisan que habitam algumas regiões do sul da África, como a Namíbia. Como resultado, o sul da África quase inteiro fala hoje idiomas bantos.

Nesse processo de expansão, surgiram desenvolvidas civilizações de língua banta. A partir do século VII, o islamismo começou a se propagar pela costa leste africana, difundido por comerciantes árabes. Na região, o islamismo se fundiu aos costumes nativos bantos, gerando uma forma particular de islamismo, menos erudito e com a utilização de atabaques. A influência cultural árabe também determinou a formação da língua suaíli, língua banta com um quarto de seus vocábulos com origem árabe.

Entre os séculos IX e XIV, surgiu uma desenvolvida civilização de língua banta no norte da atual África do Sul, na região de Mapungubwe. Tal civilização construiu grandes muralhas de pedra, palácios e dominou o comércio entre a África austral e a Índia e os países árabes. Ela perdurou até ser destruída pela invasão de povos de língua sichona a partir do século XIV.

Na região do atual Zimbábue, surgiram palácios cercados por muralhas de pedra. Tais muralhas são atualmente chamadas pelos povos locais como Madzimbabawe. Este nome veio a influenciar a atual designação do Zimbábue e o nome pelo qual são conhecidas estas cidades de pedra: "grande Zimbábue". Tais cidades eram provavelmente habitadas por uma elite dirigente, que congregava em torno das muralhas de pedra uma massa de trabalhadores. Esta elite controlava o comércio de ouro, pedras preciosas, marfim e objetos de ferro desde o atual território sul-africano até o rio Zambeze e o litoral do Quênia, onde estes produtos eram trocados com mercadores árabes. Era um povo que falava a língua banta sichona. Seu apogeu foi entre 1250 e 1450. A partir desta época, foram dominados por um povo invasor também de língua sichona, que fundou o império chamado Mwenemutapa. Alguns pesquisadores, no entanto, defendem que o nome "Mwenemutapa" já era utilizado para nomear o império da grande Zimbábue antes dessa invasão.

Enquanto isso, outro império banto surgia a oeste, na bacia do Rio Congo. Era o Reino do Congo, que perdurou de 1395 a 1914. Abrangia territórios dos atuais Gabão, República do Congo, República Democrática do Congo e Angola. Falava a língua banta quicongo e era governado por um rei que detinha o título de mwene kongo, ou "rei do

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Área de Integração Congo". Seu exército praticava uma técnica de luta aparentada com a atual capoeira brasileira [2] .

A partir do século XV, a África negra começou a ter contato com os navegadores

europeus. Inicialmente com os portugueses, seguidos pelos espanhóis, ingleses, franceses e neerlandeses. As potências europeias procuravam riquezas na África, mas

a principal riqueza que encontraram revelou-se cruel para os povos nativos: era o

tráfico de escravos. Os escravos eram adquiridos pelos navios no litoral africano, em troca de aguardente, contas de vidro, argolas, pequenos pedaços de cobre e fumo. Muitas vezes, os escravos eram obtidos a partir de lutas entre os próprios reinos africanos. Os europeus introduziram uma nova religião na região, o cristianismo, bem como novas línguas, novos produtos agrícolas e novas formas de organização política. Na luta contra os invasores portugueses, destacou-se a rainha Nzinga, do reino de Ndongo, no atual território angolano. [3]

A dominação europeia intensificou-se até atingir o apogeu nos séculos XIX e XX,

quando quase toda a África estava sob domínio das potências europeias. Ocorreu um processo generalizado de aculturação das populações nativas segundo o modelo da cultura europeia. Isto significou uma grande difusão das línguas europeias em todo o continente africano. Porém as línguas locais do sul da África, majoritariamente pertencentes à família linguística banta, não desapareceram durante este processo e continuaram a ser faladas pelas populações. Em 1948, a segregação racial entre brancos e negros institucionalizou-se na África do Sul, com a adoção do apartheid.

Na segunda metade do século XX, as nações africanas conseguiram a sua autonomia política. E a sua cultura tornou-se um amálgama de influência europeias e africanas. Especificamente no sul do continente, a influência africana era basicamente de origem banto. Com a autonomia política, ocorreu um processo de resgate das influências africanas. Por exemplo, a renomeação da "Rodésia do Sul" (nome que homenageava o explorador britânico Cecil Rhodes) como "Zimbábue" (em homenagem à civilização banto do Grande Zimbábue) e a renomeação da "Rodésia do Norte" como "Zâmbia", em homenagem ao Rio Zambeze, que corta o país.

Ou a renomeação da moeda nacional moçambicana "escudo de Moçambique" para "metical", o mesmo nome da antiga moeda moçambicana de antes da dominação portuguesa, moeda esta constituída por um talo de pena de ave preenchido com ouro em pó. Ou a renomeação de cidades de nome europeu como "São Salvador do Congo", "Salisbury", "Lourenço Marques", "São Paulo de Luanda", "Santo António do Zaire" e "Léopoldville" para "M´Banza Kongo", "Harare", "Maputo", "Luanda", "Soyo" e "Kinshasa", respectivamente.

Ou a reformulação das bandeiras de alguns países, retirando elementos culturais europeus (como os símbolos do Reino Unido e de Portugal) e trocando-os por elementos nativos, como o pássaro de pedra encontrado nas ruínas da Grande Zimbábue ou a cor negra, representando a etnia negra, majoritária na região. Ou a oficialização das línguas nativas da África do Sul, que passaram a desfrutar do mesmo status do africâner e do inglês: o ndebele, o xhosa, o zulu, o soto do norte, o sessoto, o suazi, o tsonga, o setsuana e o venda, todas elas línguas banto. Ou o fim do regime do apartheid na África do Sul, em 1990 e a subida ao poder do líder negro Nelson Mandela, em 1994. Ou o fim do regime racista na Rodésia do Sul em 1979.

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Área de Integração Em 1994, estreou nas telas de cinema do mundo inteiro o desenho Rei Leão. O desenho fez bastante sucesso e tornou conhecido um termo em suaíli, hakuna matata, que significa "sem preocupação". No desenho, o termo se referia ao estilo de vida despreocupado adotado pelo suricato (Suricato suricatta) Timão e pelo javali (Phacochoerus africanus) Pumba.

O nome "ubuntu" refere-se a um tradicional conceito banto de solidariedade entre todas as pessoas.

ACTUALMENTE AINDA EXISTE? Actualmente a filosofia Ubuntu ainda é praticada, aliás como anteriormente foi referido esta filosofia influênciou a África do Sul deste dias através de por exemplo os “Princípios fundamentais da nova república da África do Sul(no Zimbabwe, por exemplo, Ubuntu tem sido usado como forma de resistência à opressão existente no país), que consite na ligação à ideia de uma Renascença Africana. Na esfera política, o conceito do Ubuntu é utilizado para enfatizar a necessidade da união e do consenso nas tomadas de decisão, bem como na ética humanitária envolvida nessas decisões.

Louw (1998) sugere que o conceito do Ubuntu define um indivíduo em termos de seus relacionamentos com os outros, e enfatiza a importância como um conceito religioso, assentando na máxima Zulu umuntu ngumuntu ngabantu (uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas) que aparentemente parece não ter conotação religiosa na sociedade ocidental. No contexto africano, isso sugere que o indivíduo se caracteriza pela humanidade com seus semelhantes e através da veneração aos seus ancestrais. Assim, aqueles que compartilham do princípio do Ubuntu no decorrer de suas vidas continuarão em união com os vivos após a sua morte.

Mas não só, o conceito Ubuntu é ulizidado por pessoas que lutam contra as desigualdades sociais Ou seja, Ubuntu vem sendo praticado e procurado cada vez mais a sua compreensão pelos ativistas que lutam em prol das causas sociais humanitárias. Ser ubuntu é deixar sua individualidade buscando uma nova forma de ver o mundo, procurando o bem da coletividade, é abraçar o mundo procurando acabar com o sofrimento da humanidade, socializando informações, minimizando a dor alheia, isto é, pensar num todo. A filosofia Ubuntu inspirou a nova República da África do Sul sendo Mandela um seguidor do Ubuntu e muitas outras celebridades tanto do mundo do cinema, quanto políticos internacionais buscam aplicar para si e em prol da humanidade princípios do Ubuntu, apoiandodesta forma causas humanitárias. Para ser um Ubuntu é necessário ter uma mente aberta para aceitar as diferenças, saber ouvir as opiniões contrárias, é saber que faz parte do mundo é ter consciência do seu papel social. É acima de tudo ser capaz de indignar com as injustiças praticada com o outro e principalmente usar esta indignação para dar um passo para modificar esta situação.”

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Anexos/Pesquisa

UBUNTU! : UMA TRADIÇÃO AFRICANA DE COLABORAÇÃO E TRABALHO DE EQUIPA livro

Google geral

Trabalho realizado por:

Filipa Costa

nº8

2ºTeatro

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