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I SIMPÓSIOINTERNACIONAI

1

A

mesa do governador era um espaço espedal de encontro de convivas e de rewpçáa de visitantes que apodavam

ao porto. Nas relomendaç6es dadas em

1693 ao Governador D. Aniónio Jorge de Mello assinala-se a necessidade de ter uma mesagrande para comer, a pre- sença de um copeiro e de um cozin-

heiro. S6 assim seria psfvel assegurar a

imagem de excelência da sua mesa tão celebrada pelos estrangeiros que tiver- am oportunidade de a fruir. O requinte dominava muitas das

mesas -o que era notado por *e dos convidados estrangeiros. IsaWla de Rança insiste no aprumo dos criados

que serviam h mm, a finura da deco-

ra~b,dos guardanapos e flores. Até os pormenores das flores purificadoras

embebidas na ágt~a,pormenor realçado por D. Qrlota, imperatriz do Mbxico que ficou encantada com o uso "/de lavar as mãos, depois de jantar, em

bacias cheia de pétalas de rosas/".

A conbastar com esta ambiente esta- va a casa das famflias importantes do meio rural ou urbano e as quintas dos

D

A

inglesa. O fausto era evidente para os

forasteiras que não se cansam de o enunciar. A cozinha liga-se à fwtosa sala de jantar, Esta apresentava-se com um espaço amplo coberto por um tecto ricamente decorado com estuques pin- tadosou não. A maior na ilha, segundo

Isabelln de França em meados do stculo

XIXI era a do Morgado Nuno de Freitas

na Quinta do

Carvalhd nos Canhas.

No sbculo dezoito os ingleses trouxer- am para a ilha esta valorização deste

espaço com os estuques pintados. A

mesa estava sempre a conduzir com o ambiente. Loiças e porcelanas brason- adas, da companhia das índias, rival- izavam com os apetitosos conteiidos de acepipes, carne, peixe, doces e frutas. Tudo isto era rematado por toalhas de linho bordadas e de ramos de flores de garridas cores. Os testemunhos desta opulencia de algumas das mesas rnadeirenses repetem-se. A imperatriz do México ficou impressionada com todo este fausto: O jantar foi magnifico. Tudo quanto se encontrava sobre a toal- ha, candelabros, centro, desaparecia quase debaixo de uma profusão de fio- res, que substituiam graciosamente a riqueza metálica e hs quais serviam de complemento pães e açúcar com diver- sas bandeirinhas". Para muitos dos forasteiros que não tinha a oportunidade de fruir da hospi- talidade da mesa do rnadeirense ou estrangeiros residentes estavam sujeitos

aos poucos espaços públicos onde se

MADEIRA

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anexos para os criados. ~arnbém'muitas

ainda de restaurantes, mas a inforrnaçãcFGA'das quintas rnadeirenses eram alugadas

a estas forasteiros com louca. rouwa e

recolhemos das posturas municipais nos séculos XV e XVI falam-nos disse {iço feito por regateiras, vendeiras, raverneiras e estalajadeiras. No século I XVIII com o advento do turismo os

diversos hotéis começaram a disponibi- lizar alguns desses serviços. Mesmo assim parece que estávamos perante algo íncipiente uma vez que a maioria

L dos aristocratas que buscavam a ilha para a cura da tísica faziam-se acompan- har de cozinheira. Aliás, o primitivo Reid's Palace Hotel apresentava os quar- tos em sistema de aparthotel de hoje,

-.

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mob

.

Fora da cidade o único espaço de acolhimenta e apoio estava nas diversas vendas, estrategicamente colocadas nos caminhos principais da ilha que pas- savam pelas povoações. A venda foi durante muito tempo um espaço de convlvio. Era ai que acudiam os vian- dantes a procura de guarida e de uma ração de pão para matar a fome. Os primeiros restaurantes foram uma cri- ação do nosso século. Célebre ficou o Golden Gate que mereceu de Ferreira de Castro o epiteto da "esquina do

uma vez que dispunha de cozinha e

Mundo". A sua posição estratkgica A entrada da cidade, uma vez que primeiro se situou ao principio da Avenida Zarco e depois se transferiu para a actual situaçáo, da fazia-se com que fosse o ponto de encontro de todos os forasteirm. As casas de chá, como foi o caso da do Terreiro da Luta I19391, deram o mote para a mudanta no senti- do da restauração dos anos sessenta. A afirrnqão do turismo no após guerra conduziu ao aparecimento destas infra-

estruturas de serviços, como foi o caso

da Seta (19661, Cachalote no Porto Moniz (19691, Romana (q9691,o Galo (1970), o Facho (1973) e Cervejaria

Cora1(1972).

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ÃO 4 fád perceber o que caía diaria- mente na mesa do homem humilde ou aristocrata. Apenas temosalguns dados avulsos sobre a mesa do governador, estrangeiros e farnllias importantes. Mas, para além deste eventual encontro com a mesafdva, podemos acompan- har o quotidiano nos conventos e colé- gio dos jesuítas. O Cdtgo dor Imuk parece apre- sentar uma das mais fartas me= da iha, a que acolhiam divwsas mdades,

norneadamenhagõvernadw.O mesmo

detinha Lima impaptanteataguardacom

as mintas da nc~frias, do cardo e

Grande servidas de celeiros e adegas. No

século XVII a casa das quintas do Cardo e fria acolhia com frequ&ndao gover-

nomeadamente 0. Diogo de

nador,

Mendonça Furtado (1659-1665), que

pareua ser amante de doces, fruta e

queijos alentejanm e flamengos. A ementa & carnes era variada, sendo servida de galinha, peru, frangos, leitões coelhos, cabrii, não faltando a carne de porco e os presuntos. Através dos livros de receita e despesa podemos acompanhar o dia A dia da

mesa conventual. No eixo de Santa Clara As Mercê e Encarnação estava o melhor da dqaria madeirense. Para alem da doçatia t insistente a presença da carne e peixe, frescor ou salgados. A galinha assume um lugar de destaque em dias festivos, isto é, no Advento,

Quaresma, Natal, Páscoa e dia de Santa

Clara. Ambos eram servidos com pão, por norma demolhado. Ao nível dos cereais domina o trigo, em que as freiras contam com os proventos das suas ben- feitorias e por vezes socorrem-se da compra. O irigo era convertido em far- inha que estava na origem do pão, bolos, empadas, pastéis, doces e cusniz.

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No Convento da Encarnaçáo a mesa A mesa do mundo rural e da gente

dos séculos XVII e XVIII era farta. Diariamente as freiras reuniam-se para duas refeições: o jantar e a ceia. O pão corria todos os dias d mesa, e por isso

haviaduasamassaduias,aQuartaeao

Sdbado, acompanhado de carne ou

peixe. A carne era al mais abundante

pois a falta de peixe no

não o facilitava. Mesmo assim o peixe comia-se is quartas, sextas, sábados e dias prescritos pela Igreja. Isto poderia

ser bacalhau, atum sardinha, arenques, pargos e chicharros. Em dias festivos,

como o Natal, a Páscoa e Santa Clara, a

mesa era rica e recheada de doces, isto t, pão-de-leite, massapio, laranjada, cidrada, coscorões. Era notbria uma diferenciaçáo social da mesa das freiras e dos servos e trabalhadores. A carne de porco e o milho não ia i mesa das feiras mas estavam sempre presentes na dos

criados e trabalhadores. principal consumo na alimentação dc

pobre 4 pouco conhecida. O pouco que se sabe resulta do testemunho de alguns estrangeiros. Servia-se quase do que a terra dava, isto é, frutas, passas de uvas, figos passados e inhame. Na Primavera e no Verão dominavam as diversas qualidades de frutas, que pdi- am ir desde a laranja, ptra e maç& enquanto no Outono eram as castanha e as nozes. Consumia-se algum peixe fresco ou seco, pescado na costa, mas a carne e o pão parecemser uma raridade. Esta frugalidade esta presente em todos os testemunhos de autores estrangeiros. Arsim na segunda metade do dculo XVIII George F0~ierdestaca que "10s camponeses são excepcionalmente sóbrios e frugais; a alimentaçio consiste em pio, cebolas, vários tubérculos e pouca carne/", mais o milho americano, o inhame e a batata-doce. Esta era "/c

mercado local

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camponês/". A isto juntava-se o con- ::::i

sumo de peixe fumado ou em salmoura, importado pelos ingleses, que servia de conduto a inhame, batata e ao pão.

A mesa do povo a carne e o peixe

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eram escassas. O peixe era rnaioritaria-

mente importado, o que demonstra o

pouco desenvolvimento da pesca lmi, $2

baseando-se em bacalhau dos Estados Unidos e peixe seco, salgado ou em

salmoura do Morte da Europa. Destaca- se o arenque de fumo ou salmoura, muito apreciado pelo povo como con-

duto para o páo e batatas. No Norte

Europao arenque ficou conhecido como o trigo do mar. Ainda de acordo com lsabella de França o gaiado e o chichar- ro eram espécies "/raramente comidas por pessoas que não sejam pobres/". A situaçáo ainda perdurava na década de cinquenta do século XX, altura em que as capturas de pescado de cerca de duas toneladas eram ainda incipientes para

satisfazer o consumo e as indústrias de Não havia traditáo de criação de gado

conservas. E de notar que era pouco variado assentando em atum, peixe-

espada, chicharro, carapau e cavala. açougues, Isto foi uma dificuldade per-

manente dde o skulo XV o que levou algumas I~tuiçóesa solicitarem à coroa a p0ssitrilidade de disporem

açougue prbprio, como sucede com o

para engorda e abate o que provoca uma situação deficitária da oferta dos

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um ritual. Não havia casa onde pelo S.

João e Natal não acontecesse a célebre

matança do

se a carne salgada, os enchidos e a banha que tornavam mais rica a dieta alimentar. Era o principal tempero da ali- rnenta~áo A importância está bem

patente no recenseamento do gado. Em 1873 temos 23.510 suínos, que entram em queda no século vinte com 22.772 em 1928, descendo para 16.462 em 1940, para assumir a retoma em 1950 com 23.046 suínos. A manteiga tinha também lugar A

mesa dos funchalenses mais abastados. Desde a dlcada de setenta do shculo

XIX que ternos noticia da importação de

Londres, pois a produção comercial na ilha deverater-se iniciadoap65 a data. A primeira exportação acontece em 1881

com 129 kg que sobre para 48.124 em

1893.O final do século 4 o momento de

afirma~áoda pecubria, permitindo um melhor e mais alargado uso do leite e derivados na dieta aiimentar.

porco. Com ele conseguia-

A carne parte ser rara e, a ter em

conta alguns dos testemunhos de estrangeiros, de ma qualidade. Durante muito tempa a informago sobre o gado para engorda 4 escassa. Isto quer sig-

, nificar que não havia, o que fazia

Cabido da $4 do Funchal, o Colkgio dos lesuitas e os conventos. A situação per-

aumentar o preço de venda ao público mitia que o abastecimento fosse feito

da carne e reduzir a possibilidade de consumo por todw as estratos sociais. A partir de meados do século XIX 6 evi- dente o aumento da carne que se reper-

cute num aumento da capitaçáo mkdia câmara. O primeiro matadouro surgiu

do consumo. Em 1904 Anna Von em 1791 no Cabo do Calhau, sendo

transfeiido em 1825 paraa proximidade

comeu no Hotel Royal não se podia trin- da Ribeira de Santa Luzia. Este foi

car. f a mesma

Werner queixa-se que a carne que

com regularidade estando libertos das regulamenta$8es do mercado. Os asougues piiblicos existem desde o skculo W e estavam sob a alçada da

quem nos da conta do demolido em 1851 mas 56 em 1941 ter-

ambiente pouco salubre que rodeia a emos novo matadouro na margem da cozinha. Assim refere-nos numa casa Ribeira de S. João que se manteve atk a uma velhota que assa castanhas e frita actualidade.

Papel fundamental assumia o porco

~~~gf;;,.=;;L~íí:! na dieta familiar e em torno dele existia

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peixe ~O~LKQ fresco numa

frigideirinha

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I

identificadoscom determinadas regiões. A maça apela-nos i grande metrópole de

Nova M,enquanto o ananás nos recria as paradisíacas ilhas do Havai. Mas tudo terA mudadoa parhr do século XVlll. A alimen- tação progrediu e as ementas univer- salizaram-E. Os produtos perderam o selo de identidade de origem e entraram defini- tivamente no quotidiano. A mesa do mundo ddental 6 igual. As divergências e exoticidade sucedem como resultado do confronto com outras culhras, como o mundo árabe e asregiões orientais.

A Madeira está situada numa posi*

atratégica fundamental para acolher as rotas de migração de plantas e produtm.

No século XV foi a ilha que promoveu a expansáo das culturas europeias no mundo

atlAntico. E de novo a partir do século XVI a descoberta de novos produtos e frutos com valor alimentar lwou a que a ilha servisse de entreposto de expansão dos mesmos no velho continente. Tudo isto acontece porque a ilhacontinua a ser uma área charneira entre dois mundos e dis- punha de uma variedade de miaoclimas

propicias A fixação de novas plantas e

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i;:';;i:.t::;ii;;riij que nos séailm XVIII e XIX a ilha se trans- formasse num viveiro de adimatação de

Dos inúmerm produtos que che-

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garam ds ilhas dois hd que se afirmaram rapidamente na dieta alimentar. São eles a batata, o inhame e o milho, que no decur- so da segunda metade do século dezanove

destronaram rapidamente a hegemonia

:.!::i:i:::::!dos cereais na dieta alimentar. Em princípios

do século XX é ainda visivel a expansão dos produtm horb'das e dos tubCtculos em

a!,i:iiii:;i.ii~:desfavor dos cereais. Em 1908 a produção

média por hectare era de 15.000 quilos,

t dando a ilhavinte e cinco toneladas.

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A batata é originhria do Andes mas foi a

Irlanda o principal centro difusor do tulkr-

culo na Europa. A presençana Madeiraestá documentada a partir de 1760, mas a gen- eralização aconteceu em princípios do séculoXIX. A batata-doce, também oriun- da da America do suf aparece na Madeira no século XVII, sendo referenciada na década de setenta do skculo XVIII como o principal sustento do camponês. a bata- ta, dita semilha para o madeirense, s6 se generalizou no consumo desde 1845 com a introdução de uma nova variedade de Demerara. Em 1842 o míldio atacou a batata irlandesa, provocando uma das maiores mortandadesna populaçãoda ilha. O mais evidenteé que a situação teve eco noutrosespaços europeus, comofoi o caso da Madeira em 1846 e 1847. Tendo em conta que na ilha esta havia adquirido um lugar dominante na alimenta@ é fácil de adivinhar as dificuldades daqui resultantes. O prbprio governador, Jose Silvestre Ribeiro, testemunha a situação refere em 1847 que a batata era "/de longos anos

o aliinento principal dos camponeses, e quando as colheitaseram abundantes, vivi- am sofrivelmente/" isto, porquealém d~te produto tinham para comer "/algum inharne e pouco milho/" A crise da batata conduzira inevitavel- mente a uma outra revoluçio alimentar com a plena afirmaGo do milho O Milho,

na dieta popular. Çob a forma de pão ou de

farinha, transformou-se rapidamente na base da mesa madeirense na primeira metade do nosso skculo. O milho intro- duzido cedo conquistou a mesa do madeirense, tomando-se, de parceria mm

a batata, no sustento preferencial dos madeirenses. Em 1847a lha produziaape- nas vinte moios, tendo necessidade de

importaro restante. Em 1841 a ilhaimpor-

tava 9000 moios de milho e 8000 de trigo,

passando em 1852 para cerca de 10.000

de milho e 5500 de trigo. )i nas décadas de

setenta e oitenta o milho era a base da ali-

menta@~das populações mais pobres. Em

o o milho dominava a dieta alimentar,

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Pordiversasvezesaimpmsadokmp~~i;;~ e gum refere-nos que o milho em c$$$/ rincipal alimento do povo. E quase todo$cj;

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era importado do estrangeiro, ou das:.:?? dónias: a ilha produzia uma hfirna p& daquilo que coniumia. O milhoera

de

madeirenre: papas de milho, milho ed-!!~ dado e estroçoado. Com a farinha faziarn+G# se as papas de milho e com o milho

mm que faziam um ddo com carneiro ou boi, ou então umas papas leite. No "/Diário de Noticias/" de 4 Setembro de 1941 dizia-se: - "/o milho

diversas

formas

na

mera

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L muitos anos, um elemento fundam hi~-bW-hM&tl/

I da alimentação das nossas dasses remediadas. Barato, de f&l preparação e de forte poder alimentar, nenhum produto

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~mthm&&~&rkme&w-w

mw p@w.fv&w,

didio daquele pduto

cada dia."

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da terra o pode substituir ou sequer

igualar/". Dai, deverá ter resultado a

economia dodica ao consumo quase

numa terra onde Rodrigues, que em 1%2, no momento de

para o milttinho

o milho se dia chamar o pão-nosso de extinção, publicou uma membria sobre os

pela junta que presidiu.

cipalmente e&,

D.N. apelava em Agosto de 1943 is class- A Madeira tinha necessidade de impor- Por ai se ficou a saber das dificuldades sen-

tar anualmente 13.000 toneladas. Todavia neste ano de 1941 ainda eram grandes as

reservas de cereal e a frequkncia de embar-

das classes pobres e a ausgncia atingia prin-

I expreaáo popular: "/Vai-se

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/".0

ganhando

ha. FO/ &ponsdvel Rarnon Honorato

serviços prestados

tidas nos anos da guerra e da acção da Junta e Governador Ciil para solucionar a situaçáo por meio do racionamento do milho e da solicitação de carregamento i ordem do governo. Para temos uma ideia das dificuldades sentidas basta-nos aludir d capitaçáo estabelecida pelo racionamento e refau'ond-la com a média anterior i guer- ra: entre 1937-39 ela foi de 123 kglano, enquanto de 1942-44 passou para apenas 80 kg. Mas houve anm em que a situação agravou: por exemplo em Março e Abríl de 1945 a ração semanal por cabeça em de apenas 550 gramas de milho. A partir de 1941 o racionamento foi determinado por concelho de acordo com o niimero de cabeças de mal, varianVdoo quan~tivo

milho era o alimento

por isso o articulis'ta do

es mais abastadas, que lhe reservassem este privilégio: - "/Omilho 4 o alimento

das dasses pobres, das classes populares

. ( I

o milho, repetimos, é o ah'mento dos cações.Os problemas de abastecimento s6

começaram a surgir no Outono de 1943,

mas já no ano anterior comgou o raciona- mento e distribuição do milho. Mas aqui,

Regulador

do Comércio de Cereais, a situação não foi tão gravosa como havia sucedido no

decurso da primeira guerra. A pobca

intewencionisrno económico definida por Saiazar levou à aia@ em 1954 do grémio do milho colonial porCugu& e em 1938 surgiu a delegação madeirense da Junta de

de

mercê da iniaativa da Cwnissáo

pobres: assim aqueles que o podem dis- pensar, deixem-no aos pobres -porque para as Amas bem formadas, deve condi- tuir amargura, provocar, impensadamente, as faltas de dimentaçáo nos lares onde o dinheiro não abunda/". Mais tarde, no Inverno de 1945 em face de novas dificul- dada as páginas do mesmo jornal abri- rarn-se para expres'sar o grito plangente ecoado por todos os madeirenses em sur- dina. O Racionamentode 1 kg semanal por

1 dxxy propiciou o seguinte cornwitirio: - Exportaç60 dos Cereais, que passou a

"Mão era bastante para as necessidades

duma população que tinha

afeito a sua

coordenar todo o processo de abasteci-

mento e fixação de preços do grão e farin- conforme os st& disponlveis.

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@o, eM& fundamental da dieta ali-

w~B,qymtava-se sob a forma de ca@eq& @seira ou por padeiras & prdkísão. Em muitas das casas o forno

pre$tltlgio smial. E

ainda hoje podemos ver vestigios destes noi3airrode,SantaMaria e Corpo 5antd. Noutros aos havia CK fornos públicos, servidos por forneiros que cobravauma percentagem por cada aiqueire de Mo corido. no primeiro quartel do skulo XX a cidade estava servida de um mn- junto variado de padarias que dispun- ham de pão fresco pela manhã e tarde,

assume um lugar de

permitindo comer-se o pão fresco a todas as refeiçóes. Com a farinha dos

cereais fabricava-se, para aikm do pão, o cuscuz, uma espkcie de massa granula- da, que depois t cozida e acompanha a

carne. o bolo do caco. as mal-assadas

isto é] massa de farinha com ovos cozi-

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Temos ainda a escarpiada, uma massa de

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farinha de milho cozida em pedra de :iiiii;;iiiii.;;-

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barro, que se consumia no século XVIII ;i;ii;iiiíg:;::.-

no convento da Encarna@o e que hoje i!ii;;;:i;;iii:i;:

persiste no Porto Santo.

A venda dos produtos necesslios i:::;i:$%.! subristeticia das populaç&s fazia-se em E<gi@!~i:i ;:.- :

mercados e feiras que se realizavam

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$1 diariamente ou uma vez por semana em

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Poço, mais propriamente nas traseiras da

actual alfândega. Era o mercado de $íjj:produtos

venda de legumes, hortaliças, frutos e ;ii;;i:dava

O mercado apresentava por norma os

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da terra, enquanto a venda1

espaça determinados, onde se vendia fita, peixe e outros mais produtos. Na cidade o mercado desde o s6culo XV é um espap de permanente intervençáo

do rnuniclpio no sentido de facilitar a Dezembro de

livre concorr6ncia, salvaguardar a quali- dade dos produtos i venda e o seu justo valor. No século dezanove teste- munham-se três mercados na cidade. O primeiro de D. Pedro, também conheci- do como da feira velha, situava-se entre o Largo dos Lavradores e o Largo do

outros géneros alimentícios. Foi o princi-

pal mercado da cidade até que em 1 de gT: vendedores ambulantes ao domicílio. 1

Estes Úitimos vendiam liquidos, como

actual mercado dos lavradores. Juntam- Fi/il'azeite, vinagre e leite, hortaliças, aves,

lenha e carvão. A figura do leiteiro que

e o de São João, no sítio onde hoje está í$:\ ainda hoje sobrevive define também implantado o Teatro Municipal. A venda i!:,;'. ,. uma forma de venda de leite fresco ao

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i:i.i,dos

preferência aos de fora. A oferta

produtos completava-se com os

1940 abriu ao público o

se os da União, no actual Largo da Feira

dos produtos fazia-se e faz-se em barra-

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interessados podi-

cas arrematadas d câmara pelos chama- !:,ii:am ainda encontrar na cidade vacarias

onde se servia o leite fresco, ordenhado

dos barraqueiros.

ji:.tii: domicilio. Ademais os

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no momento. Era arsim na vacarieg Burnay no Largo da e da vacaria::iff",;;;;a Sousa na Rua de Joao Tavira. A ilhai- ' apresentava em -i928cento e setentá.'"k' mil vacas de ordenham que produziam vinte milhóes de litros. O ninchal con- sumia anualmente um miháo e quin- hentos mil litros de leite, o que equivale a cerca de quatro mil litros diários. O restante leite era usado no fabrico de manteiga e queijo. Em 1928 a produção de manteiga orçava as mil toneladas, sendo exportada mais de três quarta. Esta situação é demonstrativa do rápido incremento que teve a actividade na regiáo uma vez que em 1880 a expor- tação foi de apenas cento e vinte e nove kilogramas. O abastecimento local fazia-se a par- tir das mercearias e tabernas. vendia- se em simultâneo bebidas, nomeada- mente o vinho da produção local, gkneros atimentlcios e artefactos locais ou de importação. A abertura de um estabelecimento obrigava ao requeri- mento da licença que só poderia ocorrer da necessária autorização camarária depois do pagamento de uma taxa. Ao infractor era atribuida uma pesada multa. Acrescem ainda outros requisitos que foram regulamentados ao longo do tempo. Assim, em 1931 a sua localiza- ção deveria estar a mais de 500 metros de distância das escolas. E antes havia- se estabelecido padróes de higiene e sanidade no funcionamento. De acordo com regulamento de 1946 todos os estabelecimentos comerciais foram obri- gados, num prazo de noventadias, a ter Bgua canalizada e pia, caso se situassem a mais de 100 metros da canalização piiblica a obrigação revestia-se na pre- sença de um reservatório de barro com capacidade para 50 litros. Por outro lado

os géneros alimenticios deveriam ser guardados em prateleiras envidraçadas ou caixas fechadas. Depois foi a proibição a partir do dia I de Junho de vender no mesmo compartimento os gkneros alimentícios, tintas, Óleos, guanos, sulfato de cobre e substâncias tlixicas ou nocivas i saúde. A vereaçio estava acometida também a tarefa de estabelecer os preços de venda ao público dos diversos gkneros de produção local. Todos os anos entre Outubro e Janeiro eram estabelecidos prqos para todos os produtos colhidos no concelho: vinho, cereais, cebolas, fei- jao, favas, batata, carne, laranjas, limões, inhame, vimes, cana doce. As actas das vereaqões e as posturas municipais revelam-nos muitos dos problemas resultantes do abastecimento de bens alimentares e artefactos no mercado madeirense.

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Em todos os tempos existiram os espaços abertos ou fechados de venda públicados produtos. O correr dos anos apenas fez mudar os locais ou a desig- nação, bem como aperfeiçoou os hábitos de consumo. A par disso 6 de salientar na cidade e localidades circun- vizinhas outro tipo de venda ambulante que contemplava, não $6 o leite, como tambCrn, A . o azeite, petróleo, hortal- iças, aves, cebolas, mel, sorvetes e out- ros gelados, caivão vegetal. A década ,. de sessenta demarca um momento ' importante da evolução das estruturas de apoio h venda dos produtos ali- mentares. As vendas perderam actuali- dade dando lugar a novas formas de . apresentação e venda com os superme- rcados. Eles são o princípio da transição para x actuais grandes superfícies, q~re .' se iniciou em 1963 com o supermercado -: .

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