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CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES NA AGRICULTURA - CONTAG

SEMINÁRIO NACIONAL

“CAFÉS DA AGRICULTURA FAMILIAR:


DESAFIOS NA PRODUÇÃO E
COMERCIALIZAÇÃO DE CAFÉS”

Manhuaçu/MG
10 a 12 de Novembro de 2008
ÍNDICE

I - Apresentação .................................................................................................................................................................................... 5
II - Mesa de Abertura: Saudação dos representantes das Organizações ....................................................................... 6
III - MESA 1: DESAFIOS DA AGRICULTURA FAMILIAR NA COMERCIALIZAÇÃO DE CAFÉ CONFORME
EXIGÊNCIAS DOS MERCADOS, NACIONAL E INTERNACIONAL. ...................................................................................... 9
A) Sérgio Parreiras Pereira – Pesquisador do Instituto Agronômico IAC/SP – CBP&D/Café ........................ 9
B) Frederico de Almeida Daher – Superintendente do CETCAF ............................................................................. 11
C) Sjoerd Panhuysen – Tropical Commodity Coalition ............................................................................................... 13
D) Registros do Debate/Esclarecimentos:........................................................................................................................ 14
IV - MESA 2 – DESAFIOS NA ORGANIZAÇÃO DA PRODUÇÃO E BENEFICIAMENTO DE CAFÉS DA
AGRICULTURA FAMILIAR CONFORME AS DEMANDAS DOS MERCADOS ................................................................ 16
A) Marcos Moulin Teixeira – CETCAF/ES ......................................................................................................................... 16
B) Pieter Sijbrandij – Instituto Primeiro Plano .............................................................................................................. 18
1. Perguntas: ......................................................................................................................................................................... 18
2. Desafios:............................................................................................................................................................................. 18
3. Sonhos: ............................................................................................................................................................................... 19
C) Sérgio Parreiras Pereira – Pesquisador do Instituto Agronômico IAC/SP –CBP&D/Café ...................... 20
D) Debate e Esclarecimentos: ................................................................................................................................................ 21
V - MESA 3 – ALTERNATIVAS DE PRODUÇÃO E INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS PARA O BENEFICIAMENTO
DE CAFÉS DA AGRICULTURA FAMILIAR................................................................................................................................. 22
A) Valter Coffani – EMATER/FETAEP/PR ........................................................................................................................ 22
B) José Antônio Lani – INCAPER/ES ................................................................................................................................... 23
C) Rodrigo Moraes Haun - FETAG/BA ............................................................................................................................... 25
D) Debate e Esclarecimentos: ................................................................................................................................................ 26
VI. APRESENTAÇÃO DE EXPERIÊNCIA DE ORGANIZAÇÃO NA CAFEICULTURA ................................................... 27
A) Experiência 1 – COOFAMINAS (Julia Reis Torres – Presidente) ....................................................................... 27
VII - MESA 4 – PROPOSTAS DE POLÍTICA PÚBLICA ESPECÍFICA PARA A AGRICULTURA FAMILIAR NA
PRODUÇÃO, BENEFICIAMENTO E COMERCIALIZAÇÃO DE CAFÉ ................................................................................ 29
A) Vanderley Chilese - FETAEMG (Zona da Mata): ....................................................................................................... 29
B) Apresentação Elias David de Souza - FETAESP........................................................................................................ 30
C) Cilésio Abel Demoner - EMATER/PR ............................................................................................................................ 31
1. Caracterização da Cafeicultura no Estado do Paraná: .................................................................................... 31
2. O Plano de Revitalização da Cafeicultura - Objetivos: .................................................................................... 31
3. Programas do Estado do Paraná para a Cafeicultura: .................................................................................... 32
4. Concursos de “CAFÉ QUALIDADE PARANÁ”: ..................................................................................................... 32
5. Comentários e esclarecimentos: .............................................................................................................................. 32
VIII – PLANO DE METAS E AÇÕES PARA AGRICULTURA FAMILIAR NA CAFEICULTURA ................................. 34

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A) ORIENTAÇÃO PARA OS TRABALHOS EM GRUPOS:................................................................................................ 34
B) EIXOS E INDICATIVOS DE COMO FAZER (extraído dos debates e acúmulos anteriores): ..................... 34
1. GRUPO PRODUÇÃO: Como aumentar a renda da Agricultura Familiar na produção?...................... 34
2. GRUPO COMERCIALIZAÇÃO: Como as políticas públicas devem contribuir para o aumento da
renda na Agricultura Familiar? .......................................................................................................................................... 34
3. GRUPO POLITICAS PÚBLICAS: Como as políticas públicas devem contribuir para o aumento da
renda na Agricultura Familiar? .......................................................................................................................................... 34
C) RESULTADO DOS TRABALHOS DOS GRUPOS:.......................................................................................................... 35

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LISTA DE SIGLAS

ANC - Aliança Nacional do Café


ATER - Assistência Técnica e Extensão Rural
CBP&D/Café – Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café
CDPC – Conselho Deliberativo da Política Cafeeira
CETCAF-ES - Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café do Espírito Santo
CNA – Confederação Nacional da Agricultura
CNC - Conselho Nacional do Café
CONTAG - Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura
EMATER – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural
EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
FETAEMG – Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Minas Gerais
FETAES - Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Espírito Santo
FETAEP - Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Paraná
FETAESP - Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo
FETAG – Federação dos Trabalhadores na Agricultura
IAC – Instituto Agronômico
INCAPER – Instituto de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Espírito Santo
MAPA – Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento
MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário
MSTTR – Movimento Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais
STTR – Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais

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MEMÓRIA DO “SEMINÁRIO NACIONAL SOBRE CAFÉS DA AGRICULTURA FAMILIAR:
DESAFIOS NA PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE CAFÉS”
Manhuaçu/MG - 10 a 12 de Novembro de 2008

I - Apresentação

O “Seminário Nacional sobre Cafés da Agricultura Familiar” foi um evento realizado pela
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) e Federações Estaduais de
Trabalhadores na Agricultura (FETAGs) dos Estados BA, ES, MG, MT, PR e SP, com o apoio da Tropical
Commodity Coalition - TCC (ex Coalizão do Café da Holanda) e Aliança Nacional do Café (ANC-Brasil),
com o objetivo de:
Identificar os grandes desafios que a agricultura familiar tem na produção,
beneficiamento e comercialização de cafés nos mercados nacional e internacional.
Identificar as exigências atuais e tendências do mercado, para os cafés certificados
(orgânico, agroecológico) e cafés especiais (gourmet, etc);
Apresentar e discutir os pontos relevantes, positivos e negativos, da certificação de cafés
e da produção e comercialização de cafés especiais como forma de agregar valor ao produto e
melhorar a renda para os agricultores familiares;
Apresentar e discutir formas alternativas de produção e manejo de cafés e as inovações
tecnológicas no beneficiamento e comércio de cafés da Agricultura Familiar;
Elaborar propostas para políticas específicas para a produção, beneficiamento e
comercialização de cafés da Agricultura Familiar, tomando por base as recomendações apresentadas
na publicação Café Sustentável e Responsável, e as decorrentes deste Seminário; e,
Construir um Plano de Metas e Ações para a Aliança Nacional do Café (ANC), que aponte
para um trabalho conjunto da CONTAG e FETAGs com organizações parceiras, com o propósito de
implementar políticas específicas para a agricultura familiar com a perspectiva de melhorar as
condições de produção e de vida dos cafeicultores familiares.
Este seminário dá seqüência ao trabalho iniciado pela ANC em 2002, com a colaboração
da Coalizão do Café da Holanda, e tendo por base as propostas e desafios apontados pela ANC para
um Café Sustentável e Responsável, apresentadas e publicadas em setembro de 2007 no Seminário
sobre Responsabilidade Social Empresarial na Produção e Comercialização de Cafés.

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II - Mesa de Abertura: Saudação dos representantes das Organizações

1. Armindo Augusto dos Santos (Diretor de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na
Agricultura do Estado de Minas Gerais - FETAEMG) – Agradece a indicação da CONTAG e
FETAGs para realização do evento em Minas Gerais e fala da importância da Agricultura
Familiar na Cafeicultura Mineira e no Brasil, citando demais Estados presentes (PR, SP, ES, BA
e ES) e lamentando a ausência do Estado de Rondônia.

2. Natalino Cassaro (Presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do


Espírito Santo - FETAES e Coordenador Regional da CONTAG) – Pontuou com ênfase a
necessidade de uma Assistência Técnica e Extensão Rural - ATER compatível com as
necessidades da Agricultura Familiar para um Desenvolvimento Sustentável. Disse, ainda, que
o evento precisa apontar saídas concretas para garantir que este público esteja amparado por
tecnologias e conhecimentos que agreguem valor à sua produção e garanta a sua
continuidade na atividade com vida digna para todos os componentes da família;

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3. Paulo – Emater/MG – Técnico que atua na região de Manhuaçu/MG fez as honras da casa em
nome do Governo do Estado, recepcionou a todos dizendo estar muito contente pela
oportunidade de participar do evento pelo alto nível dos temas da programação. Por
conseqüência, apontou como expectativa possíveis resultados e encaminhamentos de grande
validade para o desenvolvimento da Agricultura Familiar, em especial, sobre melhorias da
Assistência Técnica e Extensão Rural;

4. Frederico Daher (Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café – CETCAF-ES) – Em sua fala


inicial apontou com foco das atenções “o equilíbrio da produção e da sustentabilidade sócio-
econômica e ambiental, tendo as pessoas o motivo central deste desenvolvimento”;

5. Sjoerd Panhuysen (Tropical Commodity Coalition – TCC Holanda) - Pela importância da


organização da Agricultura Familiar na cadeia produtiva do café, a TCC continua a prestar o
apoio a eventos que discutam as relações comerciais envolvendo populações como a
Agricultura Familiar brasileira, dentro da estratégia adotada pela CONTAG. Em especial,
antecipa o convite à CONTAG para participar de evento a realizar-se em março de 2009, na
Europa, onde serão discutidas as tendências da cafeicultura no mundo, com especial atenção
para o espaço da Agricultura Familiar no mundo.

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6. Antoninho Rovaris (Secretário de Política Agrícola da CONTAG) – Fala da necessidade de
avançar e qualificar o processo produtivo na cafeicultura, que passa pela Agricultura Familiar
no tocante à diferenciação e qualidade de produtos com valor agregado em todos os
momentos do processo produtivo. A cadeia da cafeicultura precisa ser vista pela Agricultura
Familiar como uma oportunidade de inserção qualificada aos mercados, o que poderá trazer
um diferencial com ações solidárias, com equidade e melhoria das condições de vida. Para
chegarmos a este nível é necessário que a qualidade seja o diferencial para o mercado. A
identificação pela origem do produto, com uma marca específica da Agricultura Familiar e a
rastreabilidade do produto devem ser vistas com atenção especial, pois a participação
diferenciada da Agricultura Familiar no processo produtivo, de beneficiamento,
transformação e comercialização da produção na cadeia produtiva do café depende
basicamente destes dois quesitos. Antoninho lembra os importantes trabalhos desenvolvidos
com assalariados rurais na cadeia do café, tendo proporcionado avanços importantes, em
especial com relação ao ambiente de trabalho, renda e capacitação para enfrentar os desafios
da tecnologia de produção e qualificação nas negociações coletivas.

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III - MESA 1: DESAFIOS DA AGRICULTURA FAMILIAR NA COMERCIALIZAÇÃO DE CAFÉ
CONFORME EXIGÊNCIAS DOS MERCADOS, NACIONAL E INTERNACIONAL.

Sob a coordenação do Secretário de Política Agrícola da CONTAG, Antoninho Rovaris, esta


mesa foi composta pelos seguintes Expositores/Debatedores: Sérgio Parreiras Pereira – Pesquisador
do Instituto Agronômico - IAC/SP – CBP&D/Café; Frederico de Almeida Daher – Superintendente do
CETCAF-ES e Sjoerd Panhuysen (Tropical Commodity Coalition – TCC Holanda). Os pontos centrais
foram registrados conforme segue:

Sérgio Parreiras Pereira – Pesquisador do Instituto Agronômico IAC/SP – CBP&D/Café


A )

a) Inicia a apresentação justificando a ausência do representante do Ministério da Agricultura,


Pecuária e Abastecimento - MAPA que esteve impossibilitado de participar do encontro. Declara
que o conteúdo da apresentação não expressa a visão do MAPA e sim a sua pessoal;
b) Comenta sobre a localização geográfica dos países que produzem café no mundo, localizados na
faixa tropical e em altitudes específicas, sendo produzidos por países em desenvolvimento;
c) Apresenta a geografia da cafeicultura no Brasil e o quanto o país ainda depende do sistema
agroindustrial do café. Estima-se que o café no Brasil seja produzido por trezentos e setenta mil
cafeicultores em mil e novecentos municípios de doze Estados da federação. São cerca de um
milhão de trabalhadores fixos na lavoura e cinco milhões de familiares dependentes da cultura,
mais um milhão de trabalhadores na indústria e comércio de café, totalizando oito milhões de
brasileiros dependentes da atividade agroindustrial. Cita ainda que o envolvimento de produtores
familiares na produção de café é muito elevado. De acordo com a Oxfam, em 2000, 70% da
produção mundial de café foram provenientes de propriedades com menos de 10 hectares, 15%
com tamanho médio (10-50 hectares) e 15% vieram de plantações com mais de 50 hectares;
d) Traça um paralelo entre a valorização de determinados produtos na sua origem e a agregação de
valor recebida até tornar-se um produto disponibilizado na gôndola dos supermercados ou nas
cafeterias dos Shoppings e fala da relação desfavorável entre a valorização do café e o aumento
nos preços dos insumos agrícolas, mostrando que há uma inflação em dólar na cadeia do café, que
a cada ano empobrece mais os agricultores;

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e) Aponta os altos custos de produção como o principal ponto de estrangulamento da Agricultura
Familiar, decisivo para uma renda sustentável; Apresenta dados da Sociedade Rural Brasileira que
demonstram que de 1994 a 2008 todos os insumos e serviços ligados à produção de café
apresentaram aumento em torno de 500%, e o café esse aumento foi da ordem de 20%.

f) Como perspectiva aponta: 1) a qualidade sócio-ambiental, com consumidores mais exigentes em


qualidade e identidade do produto; 2) busca de alimentos sadios e sem resíduos, respeito ao meio
ambiente, e outras relações necessárias a um negócio sustentável; 3) rastreabilidade da produção
a ser exigida pela Lei dos Alimentos, que contribui para o resgate da origem e a história do
produto até o consumo, possibilitando tomada de decisões imediatas no caso de identificação de
problemas; a importância da diferenciação de produtos, pois, atualmente 90% são cafés
convencionais, sendo 6% melhorados e 4% especiais; 4) Necessidade de avançar em Tipos de
Cafés (Raros; Especiais, Gourmet, orgânico, Fairtrade, PIC, ...), na Certificação da Origem
(Raiforest; TTZ; 4Cs, ...); e perda de mercados para Cafés sem Verificação (cafés comuns
(Commodities, Cafés sem verificação e com baixa qualidade). O Pesquisador apresentou o que
acredita ser o mercado de cafés para os próximos anos, conforme pode ser visto na figura abaixo:

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g) Olhando para o futuro questiona: Onde se localiza o café da Agricultura Familiar? Onde se está e
onde se quer chegar? É a Produção Orgânica uma possibilidade característica e possível na
agricultura familiar? Como inserir os cafeicultores Brasileiros no Comércio Justo e Solidário? Como
agregar valor à produção familiar?
h) Desafios: Identificação da participação qualificada da AF no Brasil: como saber a efetividade da
participação da Agricultura Familiar na cadeia do café? Como valorizar o produto e atores da
cafeicultura familiar brasileira?
i) Propostas: Ter um Plano de Metas e Ações para orientar os trabalhos no setor.

B) Frederico de Almeida Daher – Superintendente do CETCAF

Iniciou sua exposição fazendo menção e elogios ao palestrante anterior, Dr. Sérgio,
focando a perda de renda nas várias etapas da cadeia do café, sendo que apenas 8% do valor da
produção da cafeicultura do mundo ficam com os países produtores. Dizendo ser esta uma relação
injusta, apontou este como o principal desafio à Agricultura Familiar que precisa tomar providências
urgentes para mudar esta relação.
Afirmou haver nos últimos 44 anos uma crescente demanda mundial por cafés e aponta
um favorecimento para o Brasil, que poderá expandir sua produção para mais de 50 milhões de sacas
ao ano. Em sua reflexão tomou por base a produção mundial de 2007, de 124 milhões de sacas,
quando o Brasil produziu apenas 33 milhões de sacas. Afirmou que estamos perdendo mercado, pois
a demanda está praticamente empatada com a produção. Mostrou projeções de um consumo
mundial de 124 milhões de sacas e uma produção de 134 milhões de sacas, com uma reserva de
apenas 7 milhões de sacas;
Mostrou, também, que das 120 milhões de sacas consumidas atualmente, os países
consumidores demandam 87 milhões e os países produtores 33 milhões, e que o Brasil é o maior país
produtor-consumidor, ficando com a metade do consumo destes países.
Reforçando as informações do palestrante que o antecedeu, o Dr. Frederico mostrou a
importância de compreender o que realmente ocorre com os mercados. A valorização do Real não
significou valorização das relações comerciais, isto é, houve inflação em Dólar. A interferência dos
Fundos (Ex.: Fundos de Pensão), que compram nos mercados somente para especular, é um
problema que levou o mundo à catastrófica crise econômica. No mercado da cafeicultura não foi
diferente. Comprou-se e vendeu-se sem relação com os estoques, por pura especulação. Exemplo

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maior de especulação se deu com a maior economia do mundo – os EUA, com a chamada “bolha
especulativa” causando enormes prejuízos por todo o mundo, obrigando governos a recorrerem aos
recursos públicos para amenizar a crise ainda ameaçadora.

a) Possibilidades para mercados do café brasileiro para alcançar a exportação de 30 milhões de


sacas/ano: a China – se houver o consumo de apenas uma xícara por habitante não haverá
produto para absorver tal demanda; o mercado interno: atualmente, os EUA ocupam a posição
de maior consumidor mundial. Entretanto, este posto deverá ser ultrapassado em breve pelo
Brasil, que tendo cerca de 3% da população mundial consome 14% da produção mundial;
estoques mundiais: há cerca de 25 milhões de sacas, ou seja, o suficiente para atender o
consumo mundial de 2,5 meses, apenas; Tecnologia/produtividade: nos últimos 40 anos se
reduziu a área plantada pela metade, mas a produtividade foi ampliada em cerca de quatro vezes
– 6,55 sacas/hectare para cerca de 26 sacas/hectare;
b) Perspectivas: o consumo brasileiro é crescente desde 1986, que dobrou, desde então, para 18,4
milhões de sacas em 2008, com possibilidade de alcançar 21 milhões de sacas 2010; o Estado do
Espírito Santo é um estado tipicamente produtor de café com dupla vantagem: produz os dois
tipos de cafés (arábica e robusta) e o clima possibilita o cultivo em todos os municípios; entre
1996 para 2007, no Estado do Espírito Santo, a renda efetiva (nas mãos) do agricultor passou de
R$ 447 milhões para R$ 1,9 bilhão; preço de robusta e arábica se igualando em blends que
incorpora mais de 50% cada, chegando até a própria bebida pura com este produto (2004 e
2008);
c) Limitações: a concentração da distribuição da renda da cadeia do café em quatro grandes grupos
econômicos. Isto precisa ser alterado imediatamente; a fragilidade da organização de
agricultores familiares - este é o maior desafio atualmente existente, sendo que a maioria das
associações não reflete o processo organizativo necessário;
d) Tendências de médio e longo prazos: oferta e consumo equilibrados; consumo com tendência
de alta; demanda crescente de ;
b u s t a

r o

e) Palavras-Chave: PRODUTIVIDADE – QUALIDADE – SUSTENTABILIDADE.

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C) Sjoerd Panhuysen – Tropical Commodity Coalition

a) Coalizão do Café – ação iniciada em 2002 com objetivo de discutir os procedimentos de produção
e comercialização de cafés sustentáveis.
b) Fala da existência de quatro ou cinco grandes empresas que atuam no mundo, e o papel da
Coalizão no sentido de procurar estas empresas para construir caminhos mais sustentáveis com
relação aos mercados. Apresentou o quanto de seu mercado essas empresas destinam a cafés
sustentáveis, como pode ser observado na figura abaixo:

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c) Comentou os cinco principais esquemas de comercialização, comentando sobre a missão, História,
Produtores: Fairtrade, comentando sobre os tipos diferentes de mercados e da ação da Coalizão
na Holanda que possibilitou que entre 2000 e 2006 ampliasse de 2,9% para 27% o consumo de
cafés certificados;
d) Apresenta a participação das grandes empresas nos diferentes tipos de mercados certificados e
sustentáveis;
e) Mostrou que há uma rede mundial de lobistas internacionais atuando diretamente desde a
produção, beneficiamento e consumo.

D) Registros do Debate/Esclarecimentos:

a) Sobre qualidade e sustentabilidade na Cafeicultura Familiar, a mesa informa que o café tem
que ter qualidade para concorrer nos mercados certificados, reafirmando que só haverá café
certificado se as práticas forem realmente sustentáveis, e isso deve ser mensurável. Por si só, a
certificação é fundamental;
b) Sobre Custos de Produção e Qualidade, disse que não se pode pensar somente em custeio e sim
em investimentos de curto, médio e longo prazo, que articule os processos de produção na
unidade familiar;
c) Produção e Mercados: Sobre como aumentar a participação do Brasil no mercado internacional
sem comprometer a renda, a mesa responde que há tecnologias disponibilizadas e suficientes
para produzir cafés compatíveis com as exigências dos mercados internacionais. O que se
necessita é disponibilizar estas ferramentas e mudar a lógica do consumo interno, que não
estimula a produção de cafés com qualidade superior ou com atributos sócio-ambientais;
d) Participação dos altos custos dos fertilizantes e oscilação do dólar nos preços pagos com
prejuízos para agricultores familiares. A mesa informa que além da especulação dos mercados há
uma limitação das fontes de certos recursos naturais, a exemplo da fonte potássio (K) e que
custa muito ao Brasil. O mesmo ocorre com os nitrogenados (N), que demandam alta tecnologia
para sua produção. Entretanto, a mesa indica a possibilidade de outras práticas e tratos culturais
que podem minimizar o uso destes fertilizantes solúveis, com uma melhor utilização dos resíduos
das propriedades e aumento da eficiência da aplicação destes fertilizantes com análise química e
de fertilidade dos solos;
e) Sobre a capacidade da Agricultura Familiar para atender a demanda de qualidade dos
mercados: para a mesa, esta é uma função especial das organizações que devem proporcionar a
capacitação de seus quadros dirigentes, nos níveis de gestão da organização, bem como na
capacitação permanente dos sócios em relação à produção com qualidade. Cita várias fontes de
recursos financeiros e tecnológicos disponibilizados para este fim. A mesa aponta, ainda, que há
uma grande debilidade das organizações de agricultores/as familiares, sendo este o principal
motivo da dificuldade de avançar com relação a uma inserção mais qualificada nos mercados;
f) Sobre a renda na agricultura familiar e sua relação com o assalariamento na cafeicultura: como
produzir com renda e fazer qualidade? A mesa concorda que para uma produção sustentável é
necessário produzir e manter uma relação profissional com os trabalhadores contratados.
Comenta-se que, muito embora, na colheita se pague acima do Salário Mínimo é comum não se
encontrar mão-de-obra qualificada e nem disponível para os trabalhos na lavoura cafeeira. A
mesa concorda que esta é uma relação que precisa maior atenção - ‘é necessário pensar formas
de contratação que ampare os dois lados’. Antoninho Rovaris comenta a legislação que trata da
Contratação de Curto Prazo na Agricultura (Lei 11.710/08), ainda a ser regulamentada. Sobre o
tema, Dr. Frederico Daher diz que é preciso ter atenção com relação à renda na cadeia produtiva.
Mesmo que o agricultor pague um pouco melhor aos trabalhadores, o valor ainda é baixo e
precisa ser melhorado com a valorização do produto para que a renda da Agricultura Familiar

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não seja comprometida. Comenta a importante participação do em relação ao e
a b a

i l i

c o n o n r á c

fala da necessidade de encontrar formas de vender o produto, citando a campanha da Nestlé


para venda de chocolate. “A venda em saches foi uma nova experiência valiosíssima de acesso
aos mercados, vendidos em saches de porta-a-porta, com sabor bem definido e com larga
aceitação”;
g) Sobre dificuldades por retaliações dos cafés embarcados em Vitória/ES com desvalorização em
relação a outros Estados brasileiros, a mesa comenta que esta relação já não existe mais;
h) Sobre o aumento da produção do Brasil, com possíveis dificuldades de espaço no mercado com
renda, a mesa comenta que o aumento da produção não pode estar relacionado a aumento da
área, mas sim da produtividade. No entanto, não respondeu se há segurança em aumentar a
produção e garantir preços que absorvam os custos com alguma renda;
i) Quanto às exigência dos diferentes tipos de selos de qualidade, a mesa comenta que existem
muitos tipos de selos de qualidade na Europa, sendo uns mais exigentes que outros, referindo-se
a questões específicas. Os selos podem levar informações sobre a qualidade sócio-ambiental do
produto e outros como o 4Cs que não levam estas informações. É importante que os Agricultores
Familiares conheçam um pouco melhor os selos, caso queiram fazer opção por algum deles.

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IV - MESA 2 – DESAFIOS NA ORGANIZAÇÃO DA PRODUÇÃO E BENEFICIAMENTO DE
CAFÉS DA AGRICULTURA FAMILIAR CONFORME AS DEMANDAS DOS MERCADOS

Sob a coordenação de Natalino Cassaro, Presidente da Federação dos Trabalhadores na


Agricultura do Estado do Espírito Santo (FETAES), a mesa foi composta pelos seguintes
Expositores/Debatedores: Sérgio Parreiras Pereira - Pesquisador do Instituto Agronômico - IAC/SP e
CBP&D/Café; Marcos Moulin Teixeira – CETCAF/ES e Pieter Sijbrandij – Instituto Primeiro Plano. A
seguir estão os pontos centrais apresentados:

A) Marcos Moulin Teixeira – CETCAF/ES

Marcos Moulin iniciou a exposição comentando as várias etapas para garantir a qualidade
do produto, desde o preparo das mudas, nos tratos culturais da lavoura, na colheita, no
beneficiamento e armazenamento do produto, descrevendo cada uma destas etapas, conforme
segue:
a) Mudas: a qualidade de uma lavoura é iniciada no preparo das mudas - técnica de produção e
reprodução de mudas – e qualidade genética/agronômica (produtividade, porte, resistência a
doenças e pragas, uniformidade de maturação, etc.). São estes os dois quesitos que vão garantir
uma qualidade superior da planta na produção e resistência;
b) Limpeza: citou a limpeza do produto como essencial à boa aceitação dos mercados – ‘o produto
deve ser levado à mesa do consumidor sem quaisquer resíduos ou objetos que prejudiquem a
qualidade (fertilizante, pêlos de animais, insetos, combustível, adubos...)’. Indicou que para uma
qualidade superior se deve cuidar das máquinas e locais de trabalho para evitar contaminações
com estes tipos de produtos;
c) Colheita: a colheita deve ser feita quando o produto está com mais de 80% dos grãos totalmente
maduros. O café verde quando seco tem aspecto muito ruim, sendo depreciado, configurando
defeitos, o que prejudica em muito a qualidade do produto. O transporte e beneficiamento devem
ocorrer no mesmo dia em que é feita a colheita para evitar fermentações indesejadas;
d) Secagem em Secadores ao fogo direto: comentou sobre o que vem ocorrendo atualmente com a
queima do produto em secadores, sendo este um dos grandes problemas para a qualidade do
café. Além da queima, a exposição do produto à fumaça dos secadores o torna impregnado de

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fumaça. “Há uma prática comum de troca dos termômetros dos secadores sob a alegação que
queimam muito facilmente, sendo substituídos por outros de maior resistência, ou seja, que
permitem temperaturas de até 500 graus Celsius”. Aconselhou a secagem a fogo indireto, sob
temperaturas a 45 Graus Celsius, para conseguir cafés de melhor qualidade, comentando em
seguida sobre os vários tipos de bebida, sendo: estritamente mole; mole; apenas mole; dura;
riada; rio e rio zona.
e) A lavagem e separação dos grãos pré-secagem: a separação dos grãos defeituosos antes da
secagem proporciona maior ganho durante a pilagem e melhora em muito a qualidade do produto
final. Há no mercado separadores de preços acessíveis, móveis com grande utilidade na melhoria
da qualidade do produto beneficiado. Mostrou que há uma grande perda de peso por grãos
verdes (com 50% de grãos verdes se perde 13% do café em peso, maior que um café com 5% de
brocados, onde a perda é de cerca de 1,5%); com 5% de grãos ardidos (causado pela fermentação
indesejada de grãos maduros) perde-se 1,83% em peso; com 5% de grãos pretos (causado pela
fermentação indesejada de grãos verdes) perde-se 2,4% em peso. Com alguns cuidados é possível
evitar até 20% de perdas totais da produção. Um café classificado como Tipo 8, com 360 defeitos a
perda é de aproximadamente 18,62% em peso. Ao considerar a perda de peso, Marcos Moulin
mostrou que 1000 grãos normais pesam 122,5 gramas, enquanto, a mesma quantida de grãos
pretos pesa 64,2 gramas, grãos verdes 97,4 gramas e grãos ardidos 77,8 gramas.
f) Cereja Descascado (CD): Esta é outra técnica que pode valorizar o produto final em cerca de 20%.
Entretanto, é preciso ter cuidados com os resíduos, que devem ter destinação em favor ao meio
ambiente. Águas com resíduos de lavagem de cafés devem ser recicladas, ou reutilizadas para
irrigação de lavouras; também, deve-se respeitar a distância dos rios/córregos (30 m X 5 m de
profundidade);
g) Modalidades de secagem natural: Terreiro de terra batida, suspensos, estufas com coberturas
móveis, cimento, etc.;
h) Qualidades na degustação: O importante é avançar para se obter um café bebida dura ou melhor;
usar da criatividade para gerar novos tipos diferentes de bebidas de café;
i) Sobre a Organização de Agricultores/as Familiares na cafeicultura, Marcos Moulin comentou ser
ela muito frágil. A organização poderia facilitar a compra e venda de produtos conjuntamente,
com vantagens significativas. Disse que além da COABRIEL, no ES, a organização é baixíssima. Este
é um ponto de fundamental importância para o futuro dos cafeicultores, em especial, para acesso
aos mercados mais competitivos.

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B) Pieter Sijbrandij – Instituto Primeiro Plano

O senhor Pieter organizou sua apresentação “Pensando Café da Agricultura Familiar em


Voz Alta” em três tópicos, sendo: Perguntas, Desafios e Sonhos, conforme segue:
1

P e r g u n t a s :

a) O preço pago compensa o custo? Disse ser essa uma pergunta difícil de ser respondida
porque para o vendedor ele nunca é alto e para o comprador nunca é baixo. O que deve ser
analisado é para saber se está tomando prejuízo ou não. Apresenta
u a u s t u ç ã

q o c o d e p r o d o

o Hélio, de Colatina/ES como exemplo na anotação das informações diariamente com a


família, para saber ao final de cada mês o que gastou e o que sobrou. Mostrou graficamente
que entre o ano 1998 e maio de 2007, os preços do café se valorizaram em até 50%, enquanto
o Salário Mínimo e o os insumos variaram positivamente em 200%;
b) Juntos ou a Morte? Afirmou que a saída é baratear os custos de produção por meio de
aumento das escalas de produção, comercialização, beneficiamento. Certamente não será
fácil atingir a qualificação de cafés especialíssimos com Jacu, porém é preciso melhorar os
processos;
c) Certificar Vale à Pena? A certificação é uma saída. Informa que há vários modelos de
certificação que, inclusive, poder ser feita até em grupos, o que reduz os custos;
d) Quem Promove o bom café da Agricultura Familiar? A promoção do café da AF pode se dar
por meio de propaganda. Reclama dos restaurantes e outros estabelecimentos por não
servirem bons cafés. Quando o fazem, vendem mais açúcar que café.
2

D e s a f i o s :

a) Informação e Formação: Necessidade de maior conhecimento sobre gestão financeira dos


empreendimentos, em especial com relação a assistência financeira (AFER – uma referência à
política pública de ATER) com mais informação e capacitação da agricultura familiar;
b) Dar poder às Mulheres e filhos adultos: Mostrou que a família deve aproveitar melhor os
talentos que possui: jovens e mulheres – Alunos das EFAs/CAFs podem contribuir em muito
com a gestão dos empreendimentos da agricultura familiar, em especial na escrituração do
cotidiano da produção, beneficiamento e comercialização da produção, como fonte

18
fundamental de análise e projeções sócio-econômicas da AF. O mesmo deve se dar
oportunizando às mulheres;
c) Avançar na Cadeia Coletivamente: A organização é a mola mestra para avançar na renda da
agricultura familiar, seja no sentido de acesso a tecnologia, uso de equipamentos de
beneficiamentos e acesso aos mercados. Hoje é possível mercados pequenos para produtores
de pequenos volumes com alto valor agregado – pode ser encontrado por meio de internet.
Estes meios poderão proporcionar maior participação da agricultura familiar na renda da
cadeia. É preciso ter uma marca da Agricultura Familiar para os cafés e outros produtos e
enfrentar os desafios de abrir negócios para colocar a produção da agricultura familiar tanto
internamente (Estados não produtores de cafés) com externamente (mercados da China...);
d) Convencer o Governo: É preciso que os governos reconheçam a importância da AF, em
especial o MAPA. A exemplo da construção das plataformas de petróleo, o governo brasileiro
deveria criar mecanismos para ampliar e melhorar as condições de acesso da produção e
consumo internamente, promovendo a aquisição de produtos diretamente de quem produz e
não das grandes empresas. Estas têm melhores condições para atuar nos mercados, o que
não ocorre com a agricultura familiar.
3

S o n h o s :

a) Café da Agricultura Familiar virou uma marca: Disse que é preciso sonhar que em 2012 terá
uma marca e não somente como mercado solidário; Sonhar com uma melhor renda da
população brasileira para que melhore a remuneração do produto café. É preciso que seja
criado o no Brasil. Experiências assim poderão dar impulso aos mercados de cafés
a t a

F r r d e

da AF;
b) Existe uma rede Fair Trade Brasileira: Questiona porque não existe um sistema Fair Trade do
Brasil, dizendo ser uma estratégia fundamental para fazer deslanchar processos de
melhoramento da qualidade do produto internamente. Este sistema depende de um esforço
conjunto de Agricultores Familiares organizados e Governos, em especial com relação à
divulgação de regras claras sobre o produto;
c) Os governos reconhecem a importância da Agricultura Familiar: é preciso consolidar nos
governos Nacional, Estaduais e Municipais ações para consolidar a Agricultura Familiar como
estratégia de desenvolvimento e sustentabilidade.
d) A organização da Agricultura Familiar deu um salto: é preciso avançar em relação à
organização da agricultura familiar.

19
Sérgio Parreiras Pereira – Pesquisador do Instituto Agronômico IAC/SP –CBP&D/Café
C )

O Sr. Sérgio Parreiras Pereira justificou a ausência do representante da Cooperativa dos


Agricultores Familiares de Poço Fundo e Região (COOPFAM). Em nome desta o pesquisador
apresentou dados gerais do Município de Poço Fundo e sobre a origem da COOPFAM, que contou
com a ajuda da Comissão Pastoral da Terra, sendo esta a motivadora da criação da associação.
Apresentou um breve resgate das ações da Associação, conforme segue:

a) Década de 80 – Inicio das reflexões e auto-mobilização; 1991 - Associação dos Pequenos


Produtores de Poço Fundo; 1997 - Max Havelar e Associação de Agricultura Orgânica (AAO) 2002 -
BCS ÖKO – GARANTIE – Exportações; 2003 – Fundação da COOPFAM – 20 cooperados; 2004 –
Cerca de 200 cooperados; 2008 – Re-beneficio e Exportadora;
b) Assim como a Cooperativa Agropecuária dos Produtores Orgânicos de Nova Resende e Região
Ltda. – COOPERVITAE, participam de ações de comercialização da produção por meio de FairTrade
(Mercado Justo) atuando inclusive como exportadores;
c) Comenta sobre um DVD sobre organização de AF na cadeia café e de programa do Canal Futura -
programa especial sobre Comércio Justo e Solidário. Da mesma forma, comentou a apresentação
do programa Globo Rural do domingo anterior, sobre tipos especiais de café. Comentou, ainda,
sobre os festejos rurais envolvendo as famílias das comunidades no entorno da produção de café,
com brincadeiras e rodas de viola;
d) Cita como principais atividades da COOPFAM: prestação de serviços de comercialização,
exportação direta aos clientes parceiros; – processamento do produto (café orgânico e fair trade
convencional); facilitação da compra de insumos agrícolas às famílias cooperadas; certificação das
propriedades com os selos – orgânico (bcs – okö garantie, fair trade – flo); formação e capacitação
em gestão de propriedades e economia familiar; coleta de solo e interpretação de análise para os
cooperados; facilitação de crédito pra custeio da safra (pré-financiamento); compra antecipada
dos produtos dos cooperados; concurso de qualidade de café; inclusão digital de crianças de baixa
renda do município, agricultores(as) e filhos(as); assistência odontológica para cooperados e
crianças de baixa renda do município; atendimento nutricional para todas as famílias cooperadas;
parcerias com clínicas médicas e entidades governamentais e não governamentais;
e) Avalia a COOPFAM como exemplo de organização associativista e cooperativista, destacando que
sem a participação coletiva nos momentos de decisão fica difícil. O pesquisador acredita ser o
associativismo a única forma de atuação dos cafeicultores familiares no mercado de cafés
diferenciados, com alto valor agregado.

20
D) Debate e Esclarecimentos:

a) Sobre o uso de produtos inibidores de fermentação e resíduos – aconselha-se a não utilização


destes meios, porém a mesa não tinha informações sobre este sistema de tratamento;
b) A crise mundial tem afetado os negócios da cafeicultura e o que se pode fazer para evitar? Sobre o
tema, a mesa ponderou que, muito embora a crise deva afetar o consumo, é bem possível que o
nível de consumo de cafés não seja tão afetado, uma vez que sua expansão vem ocorrendo
lentamente. Infelizmente, não há receita para fazer com que seja revertida a tendência de menor
consumo;
c) Como fazer para que se tenha qualidade? Quem vai pagar pela qualidade? É preciso ter
consumidores conscientes de que estão bebendo um produto de baixíssima qualidade e que não
será vantajoso consumir mais qualidade sem que se pague mais por isso;
d) Certificação para o FairTrade: como fazer para reduzir os custos? Trabalhar de forma conjunta de
organizações para avançar em organizações mais amplas e com menor custo. Também é válida a
cobrança de uma melhor participação dos governos;
e) É importante divulgar melhor as experiências existentes, conforme é reivindicado por
Campestre/MG.

21
V - MESA 3 – ALTERNATIVAS DE PRODUÇÃO E INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS PARA O
BENEFICIAMENTO DE CAFÉS DA AGRICULTURA FAMILIAR

Sob a coordenação do Secretário de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na


Agricultura do Estado de Minas Gerais, Armindo Augusto dos Santos, a mesa foi composta pelos
seguintes Expositores/Debatedores: Valter Coffani – EMATER/FETAEP/PR, José Antônio Lani –
Pesquisador do INCAPER, Sérgio Parreiras Pereira - Pesquisador do Instituto Agronômico - IAC/SP –
CBP&D/Café. Seguem os pontos centrais das apresentações:

A) Valter Coffani – EMATER/FETAEP/PR

O Senhor Valter Coffani focou sua apresentação na experiência de Café Adensado da


Região Norte do Estado do Paraná.
a) No Paraná há cerca de 13 mil cafeicultores com 106 mil hectares de área plantada, abrangendo
212 municípios;
b) Vantagens: com uma média de 4.760 plantas/ha, o café adensado pode reduzir a mão-de-obra, os
custos com insumos e propiciar maior produtividade;
c) Fala da importância dos tratos culturais nos momentos corretos, com a possibilidade de redução
em mais de 43% de adubação química;
d) Reforçou o dito nas apresentações anteriores quanto aos cuidados com os tratos culturais,
colheita, beneficiamento e armazenagem na produção de café;
e) Adubação: componente que precisa ser melhor trabalhado na Agricultura Familiar,
experimentando-se orgânicos, convencional e ambas combinadas. Prova-se que a combinação de
ambas pode-se economizar cerca de 43% dos custos;
f) Espaçamento: o adensamento provoca a perca das saias, o que representa grande prejuízo a
partir da 3ª ou 4ª colheita; prática do esqueletamento alternado ou esqueletamento total (safra
zero);
g) Colheita e secagem: é um período em que se faz grande parte da qualidade do café, sendo que a
coleta seletiva de grãos é fundamental. Colheita do café maduro e transporte imediato ao
processo de secagem em leiras pouco espessas, para evitar a fermentação; atualmente se tem
utilizado máquinas manuais para derriçagem de café.

22
B) José Antônio Lani – INCAPER/ES

O apresentador desenvolveu sua exposição em cinco grandes tópicos, sendo:

a) Importância do Café - São duas as espécies comerciais (Arábica e Canephora) sendo produzidas
em 60 países; a cadeia do café emprega 100 milhões de pessoas, movimentando mais de 91
bilhões de dólares/ano. O quadro mostra, em percentuais, a produção de café no mundo. O Brasil
produz mais de 34%. No Estado do Espírito Santo, 77,5% das propriedades são de base familiar e
o café a principal fonte de renda.

A PRODUÇÃO DE CAFÉ NO MUNDO

Dentre os principais países


produtores, o principal
concorrente do Brasil é o Vietnã,
19,01
1,31
em especial por produzir café
2 ,72 34,32
.
b u s t a

r o

3,06

3,99

4,3
4,44
5,1 12 ,43
9,32

Brasil Vietnã Colômbia


Indonésia Etiópia Índia
México Guatemala Peru
Costa do Marfim outros

b) Breve panorama da cafeicultura no mundo, Brasil e Espírito Santo: É a principal fonte de renda
da Agricultura de Base Familiar Capixaba;
c) A evolução da ciência e tecnologia - “Caso café no Estado do Espírito Santo”: Cita a baixa
escolaridade como um fator limitante: mais de 72% da população tem ensino fundamental
incompleto. Mesmo influenciado pela nova geração, ainda há certo conservadorismo das famílias
com relação ao acesso a tecnologias e organização. Comenta, ainda, a necessidade de melhorar a

23
qualidade no uso de insumos: “Análise e Calagem passam a ser uma prática adotada por cerca de
50% dos agricultores; porém, ainda é baixa a utilização de adubação orgânica”;
d) Novo Pedeag (2007 – 2025): Expectativas do programa para a cafeicultura: Configura como forte
estratégia econômica do Estado, prevendo atingir 22,8 sacas/hectare no e 42, 9 sc/ha no
a b a

r á c

. Suas metas são: Atingir produtividade média de 42,9 sacas/ha; Atingir a produção
i l

c o n o n

aproximada de 13,6 milhões de sacas por ano; Melhoria da qualidade: produzir 2,7 milhões de
sacas por ano de café superior; e, implantar salas de provas em todos os municípios mais
representativos da cultura. Novas Variedades de Robusta: Entre 1985 e 2008 foram criadas 6
importantes variedades de café para facilitar sua introdução nos mais diversos tipos de
i l

c o n o n

solos, em especial. São elas: Emcapa 8111 – precoce; Emcapa 8121 – intermediária; Emcapa 8131
– tardia; Emcapa 8141 – Robustão Capixaba; Emcaper 8151 – Robusta Tropical; Incaper 8142 –
Conilon Vitória. Jardins Clonais: Atualmente há 190 Jardins Clonais em 50 municípios, o que dá
uma capacidade para renovar 10% do parque cafeeiro por ano (potencial: 80 milhões de
mudas/ano a partir de 2008); Metas para a cafeicultura Capixaba: Dobrar a produtividade média
do ES; Dobrar a produção do ES, para atingir 4 milhões de sacas; Triplicar a produção de cafés
superiores: 1 milhão de sacas/ano; Renovar e/ou revigorar 100% do Parque Cafeeiro usando as
Boas Práticas Agrícolas; e, Melhoria da qualidade por intermédio da ampliação das salas de Provas
e produção de CD. Principais ações: Recomendação de mais 3 novas variedades de ;
a b a

r á c

Renovar e/ou revigorar 5% (10.000 ha) por ano; Disponibilização aos viveiristas de 20 t
sementes/ano; Treinamentos: cursos de capacitação para técnicos, viveiristas e produtores;
Ampliar a assistência técnica aos produtores e viveiristas; Implantação e condução de 40 Unidades
Demonstrativas; Ampliar a rede de viveiros; Implantação, acompanhamento de 20 campos de
produção de sementes das variedades recomendadas; e, Publicações sobre as boas práticas
agrícolas; Estabelecimento de um programa mais efetivo de análise de solo e de folha, calagem e
adubação; Incentivar a participação de técnicos e produtores a eventos ligados a cafeicultura de
; Ampliar a pesquisa científica e a ATER; Ampliar o crédito de custeio e investimento;
a b a

r á c

Incentivar a organização dos cafeicultores;


e) Problemas citados: a seca; idade da lavoura (mais de 51% das lavouras têm idade acima de 11
anos, sendo que 23,3% mais de 18 anos), Variedades e mudas, Espaçamento, Poda, Correção do
solo; Adubações; Irrigação (a eficiência de uma lavoura depende destes tratos); Colheita e
beneficiamento (perdas já mencionadas anteriormente por Marcos Moulin; Crédito e Organização
dos produtores, tendo por conseqüências a Baixa produtividade média, Qualidade insatisfatória do
produto e Baixa rentabilidade.

Sérgio Parreiras Pereira - IAC/SP –CBP&D/Café

Em sua palestra abordou Alternativas de produção e inovações tecnológicas para o


beneficiamento de cafés da agricultura familiar comentou a importante ação do Consórcio Brasileiro
de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, que teve como fundadoras a EBDA, Embrapa, Epamig, IAC,
Incaper, Pesagro-Rio, Sarc/MAPA, Ufla e UFV, e hoje trabalha ao todo com mais de 40 instituições sob
coordenação da EMBRAPA Café.

a) Quanto ao processamento; Apresentou as duas possibilidades, por Via Seca e Úmida,


apresentando uma série de exemplos de equipamentos que podem ser utilizados pela agricultura
familiar (Abanadora mecânica; Lavadores fixos e portáteis; Carrinho esparramador de café;
Terreiro secador por meio de canaletas para secagem noturna; Terreiros coberto e suspenso;
carrinho de virar café; Rodo enleirador, Silo Secador com fornalha a carvão);
b) Alternativas de Produção: Apresentou uma pirâmide da qualidade do produto em função das
exigências de certificação, passando por: a) Cafés Sem Verificação (de má qualidade); b) Cafés sem

24
verificação ( ); c) 4C; Raniforest e Utz; d) Especiais, Gourmet, Orgânico, Faitrade, PIC e
t y
i

c o m m o d

Origem; e, e) Cafés raros;


c) Mercado Justo (Fairtrade): É voltado exclusivamente para grupos de produtores familiares; Inclui
alguns critérios de preservação ambiental; Direcionado ao sistema de comercialização; Assegura
aos produtores um preço mínimo acrescido de prêmio que deve ser utilizado para investimento
em projetos comunitários. É um espaço de mercado em franco crescimento, tendo passado de 26
toneladas, em 1997, para 150 toneladas, em 2005. Preço - Garantia de mais valor para produtores:
Normalmente no mercado tradicional os produtores ficam com apenas 10% da renda da cadeia.
Com a Max Havelar esta margem pode chegar a 21%. Há trabalhos de promoção do Comércio
Justo e Solidário no Brasil, que tem a necessidade de avançar qualitativamente;
d) Sugestão de ações: A Cafeicultura Familiar tem a necessidade de participar qualitativamente do
Conselho Deliberativo da Política Cafeeira - CDPC, com a inclusão do Ministério do
Desenvolvimento Agrário e da CONTAG. O Pesquisador lembra que o Conselho Nacional do Café –
CNC e a Confederação Nacional da Agricultura – CNA são os representantes da produção no
conselho e têm sido muito atuantes na luta pelo setor produtivo, mas que a inclusão da CONTAG e
do MDA no CDPC poderia ser essencial para a implementação de Políticas Públicas específicas para
a cafeicultura familiar.

C) Rodrigo Moraes Haun - FETAG/BA

O Representante da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado da Bahia


(FETAG/BA) informou que dentre a espécie plantada no Estado, 95% é da variedade Catuaí,
a b a

r á c

cultivada acima de 850 m de altitude, em regiões denominadas: a) Planalto da Conquista: Barra do


Choça, Vitória da Conquista, Planalto, Poções, Encruzilhada), b) Chapada Diamantina: Piatã, Bonito,
Ibicoara, Abaíra, e c) Sul da Bahia: Eunápolis, Arataca.
a) Produção: No Estado da Bahia, a produção em 2008 atingiu 2,18 milhões de sacas, com um
crescimento entre 13,9% e 21,3% sobre a safra anterior, sendo – 75,3%, com 1,6 milhões
b a

A r á c

de sacas e – 24,7%, com 530 mil sacas;


i l

C o n o n

b) Produtividade: Oeste, com café irrigado, chega a produzir 55 sacas/ha em média; Conilon, no sul
da Bahia, produz em média 50 sacas/ha. e, contudo a média baiana não ultrapassa 20 sacas/ha.;
c) Colheita: normalmente ocorre quando se tem a maioria dos grãos maduros, o que facilita a
colheita mecânica, utilizada em cerca de 80% das lavouras do Oeste Baiano;

25
d) Secagem: grande maioria ainda é feita em terreiros. Mas há propriedades em que o processo de
despolpamento já ocorre quase de forma integral da produção.

Alternativas importantes à Produção:


• Correção dos solos, controle de ervas daninhas, adubação, poda; Controle fitossanitário
Tecnologias Aplicadas ao Beneficiamento:
• Despolpador de café manual e motorizado;
• Abanadora mecânica;
• Estufas suspensas, Sady, tipo arco.
Outras questões importantes:
• Assistência técnica – a importância da negociação deste serviço público nos Estados e
Municípios;
• Intermediação na obtenção do crédito, principalmente pós-colheita – A prática da venda
do café ainda no pé é uma prática que precisa acabar. Este é o pior momento, onde o
agricultor perde por qualidade e pelo preço do produto ao mesmo tempo. É preciso
garantir recursos para a colheita;
• Colheita - buscam variedades que melhor se adaptam à região para maturação mais
uniforme; colheita em várias etapas; derriça no pano; secagem em terreiro batido – sem
estrutura. Faz uma distinção entre Agronegócio e Agricultura Familiar;
• Alternativas de produção: é importante partir do básico: correção de solos; ATER é
urgente para a região da BA pelas próprias condições da região e lavouras com mais de
sete anos com baixa produtividade; tratos culturais precisam ser melhor divulgados para
melhor apropriação da AF. Mesmo que a agricultura orgânica e agroecológica parecem
distantes, esta será a saída;
• Estufas: Informa vários modelos - SADY, Tipo Arco, com forro de plástico, piso irregular;
• Assistência Técnica – Estadual e Municipal.

D) Debate e Esclarecimentos:

a) No , a expectativa é de aumentar a produtividade. Entretanto, há estudos que questionam


i l

c o n o n

a produtividade pelo viés ambiental. A adoção de sistemas de produção como cafés sombreados
poderia contribuir para superar este problema? Em resposta, a mesa citou alguns exemplos de
consórcio de café com cedro e seringueiras, além de outras madeiras para constituir sistemas mais
sustentáveis. Outras iniciativas por parte de governos e municípios para promover sistemas de
produção que possibilitem maiores cuidados em relação ao meio ambiente, como programas de
distribuição de mudas para consórcio com café, em especial nativas;
b) Questionado o motivo da Fusão Pesquisa/Ater (INCAPER), se para seu enfraquecimento, a mesa
informou que os resultados são mais positivos do que o esperado. Hoje o INCAPER está avançando
na sua reestruturação para garantir um atendimento de qualidade, em especial sobre informações
em relação à disponibilidade de tecnologias, especialmente, para a agricultura familiar. Informa
que o Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (PEDEAG) condensa as
principais referências de ação para o desenvolvimento da Agricultura Familiar Capixaba.

26
VI. APRESENTAÇÃO DE EXPERIÊNCIA DE ORGANIZAÇÃO NA CAFEICULTURA
A) Experiência 1 – COOFAMINAS (Julia Reis Torres – Presidente)

Inicialmente a apresentadora fez uma abordagem geo-sócio-econômica da região de


abrangência da cooperativa, mostrando a importância da mesma se localizar na região sul de Minas
Gerais e divisa do Estado de São Paulo, numa altitude de 927 metros.
a) Informações do Município: Cabo Verde/MG, com 13.727 hab., sendo que este número pode
oscilar em até 3.500 para mais, por ocasião da migração temporária para colheita do café; a sede
do município foi fundada em 1866, por Veríssimo João de Carvalho, tendo atualmente cerca de
6.162 habitantes. O município é, predominantemente, agrícola tendo na cafeicultura sua principal
fonte de economia;
b) Os motivos que levaram a constituição de uma cooperativa: Instabilidade de preço no mercado;
Dificuldade de comercialização das demais culturas; Preços abusivos de insumos; Preocupação
com a qualidade dos produtos e com o meio – ambiente; Desvalorização do produto diferenciado
por parte dos compradores;
c) Histórico da constituição da COOFAMINAS: Criação em Outubro de 2008, com 28 fundadores,
sendo maioria agricultores familiares e que também possuem perfil de assalariados temporários;
obteve o apoio do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Cabo Verde; Três cooperados têm
propriedades certificadas pelo Certifica-Minas; A maioria dos cooperados já produz café bebida
mole e ecologicamente correto; integram a estratégia do SISCOP (Sistema CONTAG de
Organização da Produção);
d) Principal Problema: “O agricultor familiar é especialista em produzir, mas não o é para o mercado;
dependência de outras qualificações - ATER, comercialização, gestão da propriedade e do crédito;
Crédito: continua sendo problema não de acesso, mas de qualificação na sua aplicação (95% têm
acesso a crédito);
e) Conquistas: ATER em parceria com Escola Agrotécnica de Muzambinho; Comercialização: compra
de insumos em conjunto; Gestão: curso de capacitação para os cooperados;
f) Objetivos da COOFAMINAS: Conseguir um selo ou marca que garanta mercado e preço para os
produtos da agricultura familiar; Inserir os produtos no, mercado local; Diversificação de culturas
através do plantio consorciado; Agregação de valor através de beneficiamento adequado dos
produtos; Forma de subsídio para garantia de preço mínimo;

27
g) Preocupações: 1) Ambiental: Criação de um viveiro de mudas nativas para doação aos
agricultores, com o objetivo de revitalizar nascentes, inclusive com a participação de outras
empresas; 2) Sustentabilidade: Produto ecologicamente correto, com função social e
economicamente viável;
h) Certificação: Benefícios limitados – Certificação não garante mercado e nem preços. Para o
mercado local, a certificação é indiferente, não compensando para os agricultores familiares. Esta
realidade foi relatada em depoimento sobre a dificuldade de fazer com que o mercado pague pela
qualidade e não pela quantidade;

28
VII - MESA 4 – PROPOSTAS DE POLÍTICA PÚBLICA ESPECÍFICA PARA A AGRICULTURA
FAMILIAR NA PRODUÇÃO, BENEFICIAMENTO E COMERCIALIZAÇÃO DE CAFÉ

Sob a coordenação da Secretária de Política Agrícola e Meio Ambiente da FETAES, Jeane


Albani T. Trevizani, a mesa foi composta pelos seguintes Expositores/Debatedores: Vanderley Chilese
– FETAEMG, Elias David de Souza – FETAESP; e Cilésio Abel Demoner - EMATER/PR. Seguem os
pontos centrais das apresentações:

A) Vanderley Chilese - FETAEMG (Zona da Mata):

a) Caracterização da AF na Lei: “A Agricultura Familiar expressa um modo de vida que ultrapassa os


limites restritos de compreensão articulados apenas em torno de produto, produção, mercado e
negócio, como ocorre no caso do Agronegócio.” Utiliza trabalho familiar com ênfase na Segurança
Alimentar, diversificação da produção e na sustentabilidade sócio-ambiental;
b) A cafeicultura brasileira também é caracterizada pela produção familiar, responsável por 25% da
safra nacional (números contestados, pois acredita-se que sua participação seja muito maior). Esta
contradição de informações foi detectada quando informado que “A cafeicultura brasileira é
constituída, em sua maioria, por pequenos agricultores, que correspondem a 75% dos produtores
de café” (acreditando-se não ser apenas em números, mas numa maior participação efetiva na
produção);
c) Minas Gerais é o maior estado produtor de café – aproximadamente 51% da produção Nacional,
sendo que a cafeicultura exerce grande influência na economia do estado e em vários municípios
produtores e as suas economias locais são dependentes diretas desta atividade;
d) A utilização dos serviços de toda a família na cultura se torna relevante sobre ponto de vista
socioeconômico, determinando grande aumento da oferta de postos de trabalho e contribuindo
de certa forma para aliviar as pressões sociais estimuladas pelo êxodo rural;
e) Informações da EPAMIG/2005 mostram que a cafeicultura familiar emprega em torno de 1,8
milhões de pessoas/ano e prioriza o desenvolvimento de sistemas agroecológicos de produção;
f) Com exceção do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, em MG predomina a pequena propriedade,
sendo que 50% das propriedades produzem até 100 sacas de café beneficiado por ano e 83%
produzem menos de 500 sacas. A altitude média destes cafezais situa-se ente 600 e 1.100 metros,
sendo que 71,78% são de pequenas propriedades, 26,27% de médias propriedades e 1,54% de
grandes áreas cultivadas com café;

29
g) Dados recentes indicam que o aumento crescente da demanda por produtos livres de agrotóxicos
tem impulsionado a agricultura agroecológica e orgânica no Brasil, que privilegia a preservação
ambiental, a biodiversidade, os ciclos biológicos e a qualidade de vida do homem;
h) Sustentabilidade: Produto Ecologicamente correto, socialmente justo e economicamente viável;
i) A situação no Campo: de um lado, cresce a modernização da produção e avanços sociais
localizados, mas ainda há condições precárias de relações sociais e trabalhistas; Falta
conhecimento dos cafeicultores sobre os processos de industrialização, comercialização e acesso
ao mercado; Falta organização na comercialização para ofertar o café em escala conforme a
demanda do mercado; Grande quantidade de café com baixa qualidade; Crédito caro e existência
de dívidas com financiamentos passados elevados; Preço dos insumos em ascensão; Falta de
assistência técnica e capacitação insuficiente. Acesso precário às informações de mercado
(produção, preços, tecnologias, clima, varejo); Faltam pesquisas e geração de tecnologias
adequadas à realidade do agricultor familiar; Inexistência de políticas públicas de subsídios ao
crédito de custeio e investimento, e de preços mínimos de compra por parte do governo;
j) A situação no Campo – Assalariados: Na colheita do café, predomina o contrato informal da mão-
de-obra ou, quando existe, são contratos de curta duração, de 3 a 4 meses; A maioria dos
assalariados não possui registro em carteira de trabalho; As condições de transporte e alojamento
são precárias; A aplicação de produtos químicos tóxicos é feita sem proteção adequada;
k) Desafios: Na dimensão social da sustentabilidade e um dos principais desafios a ser superado pelo
setor cafeeiro. Outros desafios da produção na cafeicultura: altos custos de produção; falta
organização; carência de mão-de-obra qualificada; café de qualidade; agregação de valor; ATER;
subsídios à qualidade da produção. No beneficiamento: falta de infra-estrutura para estocagem e
comercialização; Tributação a cooperativas de produção e crédito da agricultura familiar; acesso
precário às informações de mercado (produção, preços, tecnologias, clima); Discriminação da
mulher e abandono do campo pela juventude.

B) Elias David de Souza - FETAESP

a) A capacidade do Estado de São Paulo na cadeia produtiva do café – Para 2008, o Instituto de
Economia Agrícola (IEA) e a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), prevêem uma
produção de 4 milhões de sacas beneficiadas de 60 quilos;
b) A organização da produção é um grande desafio, pois, historicamente, o cooperativismo deixou
uma herança muito complicada, mais recentemente, a Cooperativa de Garças – Garcafé;

30
c) Baixa destinação de recursos públicos à agricultura no Estado de São Paulo - registra-se a
destinação de 0,8% do PIB do Estado. Falta ATER, que funciona somente em nível de escritório,
com baixo nível de acompanhamento efetivo à agricultura familiar, chegando a menos de 15% nos
grandes estados;
d) Demanda: A CONTAG e FETAGs precisam fazer um planejamento para atuar de forma regional
dentro dos próprios Estados, que certamente apresentarão problemas parecidos. Não se pode
ficar apenas no nível das lideranças. É preciso chegar às famílias. Capacitar grupos de 40 a 50
famílias no máximo;
e) Das famílias que receberam crédito fundiário, 98 estão abandonadas. Há uma grande resistência
em participar de eventos de capacitação;
f) É preciso fazer mais propaganda da produção da Agricultura Familiar. Esta ação precisa ser
urgente e grande parte está nas mãos da própria agricultura familiar;
g) É preciso aproximar pesquisadores da agricultura familiar para que haja uma maior aceitação das
inovações tecnológicas.

C) Cilésio Abel Demoner - EMATER/PR

C a r a c t e r i z a ç ã o d a C a f e i c u l t u r a n o E s t a d o d o P a r a n á :

• Área Total: 105.500 há (374.800 mil pés); Área em Produção: 96.920 há (329.900 mil pés);
Área em Formação: 8.580 há (44.900 mil pés) e Produção estimada: 2,37 a 2,61 milhões sc.
• O sistema adensado de plantio: representa 55% Área com 66% da produção, tendo uma
média 31 sc/ha;
• A cafeicultura é desenvolvida em 13 mil propriedades, abrangendo 210 municípios, sendo
responsável por 70 mil empregos diretos;
• Há 130 Indústrias torrefação, sendo 02 de café solúvel.
2

O P l a n o d e R e v i t a l i z a ç ã o d a C a f e i c u l t u r a - O b j e t i v o s :

• 1ª ETAPA (1992): Elevar produtividade; reduzir custo médio de produção; Gerar


estabilidade econômica da atividade;
• 2ª ETAPA (1999): Obter maior volume café de boa qualidade; Conquistar imagem
compatível com a qualidade obtida.

31
3

P r o g r a m a s d o E s t a d o d o P a r a n á p a r a a C a f e i c u l t u r a :

• 1992 – Plano de Revitalização: Objetivos: elevar a produtividade, reduzir o custo médio de


produção e gerar estabilidade econômica da atividade; Métodos: tecnologia de café
adensado, unidades demonstrativas, capacitação e difusão; Resultados: produtividade
média de 7,0 sc para 26,0 sc/ha.;
• 1999 – Programa “Café Qualidade Paraná”: Objetivos: obter maior volume de café de
qualidade superior e conquistar imagem compatível com a qualidade obtida; Métodos:
Treinamentos de técnicos/produtores, centros de degustação e concursos de qualidade;
Resultados: Colheita em pano: 36% – 55%, conhece o produto: 30% - 60%, venda de
beneficiado: 14% - 55%, inserção de marketing Cafés do Brasil, com Campeão Nacional
Qualidade em 2006;
• 2007 – Plano de Apoio a Sustentabilidade nas Propriedades Familiares: Objetivos:
renovação e recuperação da área cafeeira – 40 mil ha em 04 anos; Recursos: Pronaf/Banco
Brasil e Governo do Paraná; Métodos: tecnologia do café adensado (econômica, social e
ambiental), capacitação de técnicos e produtores e difusão;
• 2007/08 – Programa de Apoio a Produção de Mudas.
É Q U

C o n c u r s o s d e “ C A F A L I D A D E P A R A N Á ” :

• Objetivos: selecionar e premiar o produtor; valorizar o potencial das regiões; Promover o


Marketing Cafés do Brasil e ser fator motivador da cadeia café;
• Qualidade – Definição: Conjunto de atributos físicos, químicos, sensoriais e de segurança
que atendam os gostos dos diversos tipos de consumidores. A importância da classificação
café: Tipo - Bebida – Peneira, sendo que as espécies, localização, variedades, cuidados pré-
colheita/colheita/pós-colheita, processamento, industrialização e preparo da bebida
interferem na qualidade da bebida;
• Café Qualidade Paraná: Puro arábica produzido em diferentes condições climáticas, de
tipo 6 p/ melhor e bebida dura superior; a terra roxa influi na qualidade aromática, na
acidez moderada e num produto encorpada. Solos de Arenito Caiuá promovem aroma leve,
baixa acidez e corpo moderado; estas são características atende os sabores dos melhores
cafés especiais do Brasil e do mundo;
• Temas de Campanhas: 2004 – “Nós Fazemos a Diferença”; 2005 – “A Diferença Depende
de Você”; 2006 - “Diferença no Preparo Conquista Mercado”; 2007 – “Mercado
Consumidor quer esta Diferença” e 2008 – “Comprar e Consumir o Nosso Produto é a
Diferença”;
• Programa de Irrigação Noturna: Estimular o uso da irrigação para o aumento da
produtividade e produção agrícola, promovendo o incremento de renda, geração de
empregos e melhoria da qualidade de vida do produtor rural do Estado do Paraná, por
meio do uso racional da água e de energia elétrica;
• Certificação da Produção: Referências ao Programa “Certifica Minas”, com elogios ao
Governo de Minas Gerais; Referências sobre a ação da PRONOVA (Cooperativa de
Cafeicultores das Montanhas do ES) sobre Selo de qualidade para os Cafés das Montanhas
do ES que atuam com as certificações para Fairtrade e UTZ Certified - Good Inside.
5

C o m e n t á r i o s e e s c l a r e c i m e n t o s :

a) “Pintinho que acompanha pato morre afogado”, com este dizer popular, participante diz que o
MSTTR precisa conhecer melhor o potencial de sua base. Isto é, os Sindicatos precisam de

32
dirigentes mais qualificados para responder com rapidez às demandas da Agricultura Familiar
na cafeicultura;
b) O aumento de produtividade precisa ser visto com cautela. Nem sempre maior produção por
área significa maior renda. É preciso verificar qual a receita que fica na agricultura familiar;
c) Sobre a qualidade da mão-de-obra: É preciso verificar a capacidade da agricultura familiar em
ampliar o tamanho da lavoura quando não há capacidade de arcar com uma mão-de-obra
qualificada;
d) Os pacotes repassados pelas vendedoras de adubo e veneno estão comprometendo a renda da
agricultura familiar. É preciso pensar ações estratégicas para garantir melhoria das condições
de vida. Hoje, já se está trocando uma saca de adubo por uma de café;
e) Registro de empreendimento industrial na área do café: Só é possível registrar como
cooperativa ou empresa (microempresa). A emissão de notas, que é obrigatória traz
dificuldade. A atual legislação tem padrões específicos que na maioria das vezes não são
compatíveis com as características e demandas da agricultura familiar;
f) O que é prostituir o PRONAF: É necessária maior atenção em relação aos desvios na aplicação
Pronaf Crédito. O endividamento, na maioria das vezes, é resultado da ineficiência dos projetos,
mas, há muito desvio de finalidade.

33
VIII – PLANO DE METAS E AÇÕES PARA AGRICULTURA FAMILIAR NA CAFEICULTURA

Esta última parte do evento foi organizada para que, sob a luz das apresentações e
debates realizados, os participantes pudessem expressar suas opiniões quanto às Metas e Ações
mais prementes que o Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR) e
organizações produtivas da Agricultura Familiar deverão ter em seus planos para os próximos anos.
Para isso, foram resgatadas orientações das Cartas de Salvador e de Belo Horizonte a fim de ampliar
os subsídios aos participantes, distribuídos em três grupos, que tiveram por tarefa apontar sugestões
de Como Fazer e Quem Faz cada uma das ações listadas por Grandes Metas Indicativas, extraídas do
acumulo do grupo no presente evento e em eventos e ações anteriormente realizadas, tendo por
foco principal a Renda Sustentável.

A) ORIENTAÇÃO PARA OS TRABALHOS EM GRUPOS:


a) OBJETIVO: CONSTRUIR UM PLANO DE METAS E AÇÕES PARA A ALIANÇA NACIONAL DO CAFÉ
(ANC);
b) AGENDAS/EIXOS: PRODUÇÃO, COMERCIALIZAÇÃO e POLÍTICAS PÚBLICAS.
c) MOTE CENTRAL: COMO AUMENTAR A RENDA DA AGRICULTURA FAMILIAR?

B) EIXOS E INDICATIVOS DE COMO FAZER (extraído dos debates e acúmulos anteriores):


1

U U Ç Ã

R P O P R O D O : C o m o a u m e n t a r a r e n d a d a A g r i c u l t u r a F a m i l i a r n a p r o d u ç ã o ?

• Aumentar a eficiência e reduzir as perdas na produção/benefiamento.


• Obter ganho de escala (na produção e beneficiamento e comercialização).
• Ter informação e capacitação.
• Alcançar a certificação.
U Ç Ã

2 G

R P O C O M E R C I A L I Z A O : C o m o a s p o l í t i c a s p ú b l i c a s d e v e m c o n t r i b u i r p a r a o

a u m e n t o d a r e n d a n a A g r i c u l t u r a F a m i l i a r ?

• Conquistar e manter canais de comercialização.


• Obter informação e capacitação para comercialização.
• Identificar e desenvolver novos mercados.
• Desenvolver uma identidade própria do café da Agricultura Familiar.
3

R P O P O L I T I C A S P Ú B L I C A S : C o m o a s p o l í t i c a s p ú b l i c a s d e v e m c o n t r i b u i r p a r a o

a u m e n t o d a r e n d a n a A g r i c u l t u r a F a m i l i a r ?

• Garantir a participação da AF com qualidade no CDPC.


• Acessar os recursos do FUNCAFÉ.
• O MDA deve implementar política específica para a produção, beneficiamento,
certificação e comercialização do café da AF.
• O MSTTR deve articular as políticas públicas para a AF na cadeia do café.

34
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES NA AGRICULTURA - CONTAG

C) RESULTADO DOS TRABALHOS DOS GRUPOS:


GRUPO PRODUÇÃO (I) - COMO AUMENTAR A RENDA DA AGRICULTURA FAMILIAR NA PRODUÇÃO?
O QUE FAZER? COMO FAZER? QUEM FAZ?
a) Assistência técnica eficiente e gratuita através de parcerias a) Empresas Públicas e Movimentos Sindicais;
entre Órgãos Públicos, Sindicato de Trabalhadores e
Trabalhadoras Rurais, INCRA e outros;
a) Aumentar a eficiência e
b) Organização dos Produtores através de Associações e b) Movimentos Sindicais em parceria com outros órgãos;
reduzir as perdas na
Cooperativas (coletividade);
produção e beneficiamento
c) Diversificar a produção de forma integrada para c) Movimentos Sindicais, Agricultores e outros órgãos de
compensação e minimização dos custos de produção; assistência técnica;
d) Planejamento da Cadeia Produtiva do Café. d) Agricultores e Organizações envolvidas.
a) Variedades adaptadas a cada região produtora; a) Entidades de pesquisa;
b) Estudo de mercado (direcionamento da produção em b) Entidades de pesquisa;
b) Obter ganho de escala (na
mercados mais exigentes);
produção, beneficiamento e
c) Acesso a novas técnicas agrícolas sustentáveis e tecnologias c) Empresas de Assistência técnica em parceria com
comercialização)
voltadas para a cafeicultura familiar. movimentos sindicais, entidades governamentais e não
governamentais.
a) Elaboração de Programa de Formação (capacitações) sobre a) Parceria entre: CONTAG, FETAGs , STTRs, Senar,
a cadeia Produtiva do Café; Sebrae e entidades de assistência técnica;
c) Ter informação e b) Assistência técnica localizada de acordo com demandas b) Movimento sindical e parceiros;
capacitação regionais;
c) Cursos de Capacitação dentro das comunidades na área de c) Associação de agricultores familiares, STTRs, Entidades
cafeicultura; de assistência técnica de acordo com a realidade local.
a) Para se alcançar a certificação de café dos agricultores a) Todas as instituições envolvidas;
familiares é necessário o cumprimento de todos os itens
anteriores, focando sempre as práticas sustentáveis;
d) Alcançar a certificação b) Subsídios aos agricultores familiares de acordo com as suas b) órgãos governamentais;
necessidades;
c) Certificação conjunta. c) Associações e/ou cooperativas juntamente com as
certificadoras.
APOIO: DANIELA E POLEZE

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GRUPO PRODUÇÃO (II) - COMO AUMENTAR A RENDA DA AGR. FAMILIAR POR MEIO DA COMERCIALIZAÇÃO?
O QUE FAZER? COMO FAZER? QUEM FAZ?
a) Conquistar e manter canais de a) Comercializar o produto torrado e moído no mercado a) e b) Cooperativa e Associação com apoio das
comercialização de café cru ou local (feiras); entidades sindicais locais;
torrado; e, b) Parceria com Conab, garantia de melhor preço;
c) Identificar e desenvolver novos c) Pesquisa de identificação de mercado e c) Escolas Técnicas Agrícolas, Universidades, IDEC, em
mercados. comercialização de acordo com a demanda; convênio com Cooperativas, Associações e STTRs;
d) Difundir experiências exitosas entre o conjunto d) Intercâmbio entre os pares. Criar um Centro de
produtor; inteligência do café na Contag para intercâmbio virtual
(mais rápido/prático e mais barato);
e) Promover e estimular participação de concursos de e) Entidades Sindicais;
qualidade.
b) Obter informação e a) os cafés que não se enquadram no padrão mínimo de a) Cooperativas e Associações;
capacitação para comercialização. qualidade serão comercializados sem o "selo"(definição
de linhas/faixas de padrão);
b) Capacitação sobre classificação e degustação do b) Movimento Sindical (criação de fundo para
próprio café (interface com políticas públicas). capacitação).
d) Desenvolver uma identidade a) Criação de Selo (nacional) e marca (local) da agricultura a) Ecojus, MTE e MDA, por intermédio da Contag;
própria do café da Agricultura familiar; b), c) e d)Criação de um grupo de Entidades
Familiar. b) Assegurar qualidade (livre de resíduos), para estabelecedoras do padrão de qualidade: Órgãos
comecializar e depois de comercializado (interface com estaduais de Assistência Técnica/Sebrae/STTRs/
política pública e produção); Federações/Contag/Cooperativas/Associações/Centro de
c) criação de órgão para fazer o "bland" (padrão) conilon comércio de café/Senar/Secretarias de Agricultura.
- arábica da associação (município/ micorregião/região)
para excluir atravessadores.
d) Desenvolver estratégia para padrão mínimo de
qualidade.
e) Marketing da Agriculura Familiar e) Recurso do Funcafé (CDPC) (IDEC) - Contag fazer um
evento para discutir o Marketing com especialistas no
assunto, com STTRs, Cooperativas, associações e
Agricultores.
APOIO: SÉRGIO E PIETER

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GRUPO PRODUÇÃO (III) - COMO AS POLÍTICAS PÚBLICAS DEVEM CONTRIBUIR PARA O AUMENTO DA RENDA NA AF?
O QUE FAZER? COMO FAZER? QUEM FAZ?
a) Garantir a participação da a) Retomar a participação como ouvinte no CDPC, até obtermos assento definitivo. CONTAG
Agricultura Familiar com b) Formalizar solicitação de assento com voz e voto no CDPC. CONTAG
qualidade no CDPC? c) Incluir a proposta na pauta do Grito da Terra Brasil, articulando e pressionar o Coletivo de Política Agrícola da
ministro da agricultura e o presidente da República para que na revisão da Contag
estrutura do conselho inclua o MSTTR, caso seja preciso.
d) Nomear representantes com capacidade política e técnica para uma intervenção CONTAG e FETAGs
qualificada (CONTAG e Federações envolvidas)
e) Constituir um grupo de trabalho com assessoria capacitada com conhecimento CONTAG e FETAGs
do funcionamento do CDPC, do contexto da cafeicultura em âmbito nacional e
internacional, para auxiliar os representantes do CDPC.
f) Apresentar propostas específicas a serem incluídas no CDPC, tais como: crédito, Representantes eleitos com o
assistência técnica, transferência de tecnologia, beneficamento, apoio técnico
comercialização, etc).
g) Buscar informação, discutir a agenda e apresentar posição política sobre os Representantes eleitos com o
temas (Representantes eleitos com o apoio técnico) apoio técnico
h) Reuniões periódicas para avaliação e correção de rumos. (CONTAG e CONTAG e FETAGs
Federações envolvidas com o apoio de organizações parceiras)

b) Acessar os recursos do a) Ajustamento da política e normativos para a AF acessar crédito de investimento


Funcafé? diferenciado, tendo por base os normativos do Pronaf;
b) Constituir uma equipe de trabalho para a elaboração de projetos de interesse da Grupo técnico do Café e
AF; representantes do MSTTR no
c) Identificação de meios de obter recursos a fundo perdido para projetos CDPC
específicos da AF, tais como: criação de marca, promoção de café, viagens de
intercâmbio, cursos de degustação, etc).
c) O MDA deve implementar a) Levar ao MDA as reivindicações apresentadas neste seminário para que se Contag e Federações
políticas para a produção, constitua uma política setorial para a AF;
beneficiamento, certificação b) Incentivar e cobrar a inclusão do MDA no CDPC; Contag e Federações
e comercialização do café da c) Criar grupo de monitoramento e avaliação das políticas existentes para que se MSTTR
Agricultura Familiar. possa propor melhorias;
d) Criar um grupo misto entre MSTTR e MDA para discussão e implementação de MSTTR e MDA

37
uma política setorial;
e) Promover um amplo debate nos estados produtores de café com o objetivo de Contag e MDA
construir propostas para uma política setorial no MDA.
d) O MSTTR deve articular as a) Planejamento de metas e ações para implementação das políticas cafeeiras para Federações e sindicatos
políticas públicas para a a AF e sua divulgação;
Agricultura Familiar na cadeia b) Sistematizar o conjunto de políticas existentes para o café da AF e sua Federações e sindicatos
do café? divulgação e orientação em linguagem adequada para promover o acesso dos
beneficiários (Federações e sindicatos);
c) Maior interação e gestão do MSTTR no planejamento, implementação e Federações e sindicatos
monitoramento das políticas públicas para a cafeicultura da AF (Contag,
Federações e sindicatos);
d) Qualificação dos dirigentes sindicais para a construção e implementação de CONTAG, Federações e
políticas públicas (capacidade de conhecimento, proposição, legislação e sindicatos
execução) - Contag, Federações e sindicatos.
APOIO: MARCO CICERO E LUIZ FACCO

Manhuaçu/MG, 12 de outubro de 2008

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