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A DOCÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR: “DO ENSINAR Á ENSINAGEM” DE Selma Garrido PIMENTA e Léa das Graças Camargo ANASTASIOU- São Paulo:

Cortez, 2002;

RESUMO:

Alberto Silva i

O refletir sobre a docência no ensino superior tem permitido a percepção sobre

necessidade de estabelecer a identidade do professor do ensino superior tanto no âmbito

do ensino, quanto da pesquisa e da extensão, uma vez que os mesmos são intrincados.

Objetivando rever a formação do professor, suas qualificações acadêmicas, pedagógicas e interpessoais. A responsabilidade com a Docência na aplicação da Didática permitindo a Pesquisa livre na geração do conhecimento aplicado na Extensão.

PALAVRAS-CHAVE: docência no ensino superior; competência didática; extensão; conhecimento compartilhado.

INTRODUÇÃO:

Singrando os olhares das autoras DO ENSINAR À ENSINAGEM, ser professor não é fácil, e no presente contexto de desrespeito à docência, não é diferente. É cobrança

dentro e fora do exercício da docência, são exigidas do professor algumas qualificações

e, especificamente no ensino superior, observamos a valorização das qualificações

acadêmicas, pesquisas e titulações, em detrimento das qualificações pedagógicas e interpessoais. PIMENTA e ANASTASIOU abordam primeiramente a problemática profissional do docente no ensino superior, quanto à afirmação de sua identidade e as condições do exercício profissional resultantes da ausência de formação inicial e continuada que capacite o professor, constatada como insuficiente frente ao novo modelo de sociedade e seus paradigmas emergentes focados nas diversidades. Considerando a importância da universidade em investir na formação continuada embasada no conhecimento, pesquisa e extensão, conforme as metas e objetivos do projeto pedagógico. Esta ação levanta a discussão em torno da importância das relações interpessoais entre professores e alunos no processo ensino aprendizagem, ressaltando o contexto afetivo e emocional na interação em sala de aula, a humanização do ensino. Aos desafios contemporâneos da profissão de professor é necessária uma prática reflexiva tanto, da dimensão pessoal, quanto da dimensão social, pois nas profissões que lidam diretamente com pessoas é preciso aceitar que haverá fracassos, mas que o professor, como ator social insubstituível da relação pedagógica parafraseando LIBÂNEO. Há de autoavaliar-se com constância revendo sua didática. DO ENSINAR À ENSINAGEM no contexto didático de amplo debate acerca da formação do professor universitário e as condições pelas quais esses profissionais ingressam na vida acadêmica, surgem reflexões sob os diferentes paradigmas relativos aos saberes pedagógicos e epistemológicos, que mobilizam a docência nas Universidades, que cada vez mais tem recebido professores sem a experiência

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Cortez, 2002;

necessária ao exercício da função docente no ensino superior, além dos diversos professores que, apesar de esboçarem um excelente referencial teórico, necessitam, entretanto, rever sua prática pedagógica. A essência da didática De Cumênios” remetia-se ao ato de ensinar sobre o como aprender. Houve tempos em que, apontavam- se acentuadamente nos métodos, recursos e no professor como centro das atenções. Já a vertente da “Herbatianatraçou-se num modelo formal de passos metodológicos de ensinar. Hoje, a didática busca na força das tecnologias como ferramenta eficaz no auxílio da aprendizagem. A pesar de ser considerado um fenômeno, a ensinagem envolve outras áreas do conhecimento para desvendá-la, como a psicologia, sob o prisma de aperfeiçoamento profissional da docência, é notório percebermos a influência do aprendizado na vida social, que traz ensinamentos mútuos e contribua para a humanização e, consequente redução das desigualdades social, hoje a educação tem sido

o instrumento de manutenção do status quo. Assim DO ENSINAR À ENSINAGEM

FINALIDADES DA DOCÊNCIA- Ao analisarmos a docência universitária, percebemos

a necessidade de compreender a complexidade do funcionamento do ensino, do ponto

de vista das práticas sociais desenvolvidas no ato da Docência. A pesquisa como novo direcionamento conduz o discente não apenas ao aprendizado de área especifica, mas além da socialização até o reflexo de outras áreas correlatas do conhecimento, desta forma, prepara-se o profissional crítico, capaz de perceber e refletir a multidisciplinaridade forjada pelo conhecimento, pesquisa e extensão. Em alguns processos de ensinamento, o produto dessa relação que é o aprendizado fica prejudicado pelo excesso de teoria sem prática que a sustente, como nos casos das palestras universitárias, obrigatoriamente pontuadas, “em que uma pessoa fala e uma multidão dorme; e nada ou quase nada provoca aproveitamento, inexiste debate não ocorre o compartilhamento de saberes. No olhar das autoras urge mudanças. O Aprender não é um processo mágico. (PILETTI 2007 p.61) diz “O planejamento é, hoje, uma necessidade em todos os campos da atividade humana”. Necessidade bem formar, exige do professor competência para uma docência de melhor qualidade, capaz de planejar e efetivar um processo contínuo de ações que condicionem os alunos aprenderem a construir, agarrando, prendendo-se no teórico-prático em momentos oportunos e de complexidade crescentes, enveredando pela pesquisa. É um desafio. Superar esse modelo centralizado na fala do professor: “modelo tradicional do professor palestrante e aluno ouvinte”. A nova dinâmica reside na essência da ciência. Na ótica das autoras, ao docente cabem às atividades de ensino e de aprendizagem e autoavaliação constante e revendo metodologia. “Ensinagem” é justamente esse processo compartilhado de trabalhar os conhecimentos, concorrentemente, o conteúdo, a forma de ensinar é resultados mutuamente dependentes em que o professor e aluno têm responsabilidade em sua conquista. Buscando planejadamente resultados num processo mútuo de troca. A análise epistemológica do conhecimento escolar revela um conhecimento diferente dos conhecimentos comum e científico. Está inserido no universo pedagógico como o seu espaço próprio, onde se faz o encontro dos conhecimentos cotidiano e científico reflexões necessárias para novos saberes. Os saberes se apresentam, em primeiro lugar, como incomparáveis e irrefutáveis, por estarem presos nas significações concretas da vida coletiva e olhados como corpo cultural da sociedade. Nesse sentido, sabemos que a sala de aula não pode apenas ser um lugar de transmissão de conteúdos científicos isolados, pois não se faz ciência sem devida interdisciplinaridade de conteúdos onde a ciência deixa de ser “status” e passe a fazer parte de uma visão homogênea e entrelaçada entre si que produza a partir do censo comum um novo código de leitura da realidade construindo um novo universo de

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Cortez, 2002;

desafio de confrontar a realidade e possibilitem a compreensão e transformação desse mesmo mundo de forma humanística. No ato de pesquisar, por si só, se descobre os elementos desse processo, pois o professor tem a características de autoconhecimento, necessidade de dialogar com outras formas de conhecimentos, socialização dos resultados obtidos; e a busca de métodos de pesquisas, enfim, de tornar o dinamismo da realidade impregna por sua vivência interdisciplinar seja trazidas ao nível de apreensão dos alunos e efetivadas em práticas pedagógicas, que garantam a aprendizagem de forma ampla respeitando o tempo de aprendizagem de cada indivíduo. Na universidade a realidade onde está inserida no tempo e no espaço; dos professores entre si, na sua profissionalidade, e com seus alunos envolvidos; e os alunos entre si- num compromisso com a realidade (pesquisa) e o método de ensinar conduzido pela docência. Infelizmente as concepções deixadas pelos jesuítas mantém aceso o Ratio Studiorium, que são práticas atuantes até os dias de hoje, principalmente na universidade que castram a reflexão impedindo novos conhecimentos. Nesta ótica, o professor competente era o que conseguia expor e explicar seu conteúdo, com clareza e propriedade, e ainda manter o aluno atento. A premissa se subsidia em uma copia fiel do que foi passado e o que o aluno consegue passar para o papel. Esse tradicionalismo era tido como “ciência escolar”. Falta de interesse, motivação ou de comprometimento com a própria aprendizagem; Passividade; individualismo (interesse na nota e em passar de ano ou disciplina); Falta de disciplina (hábito de estudo); e o pior, o aluno é numero numa estatística perversa indo de encontro ao livre pensamento. Outra questão. Quem são os alunos que chegam à universidade? São oriundos de modelos de memorização, onde se ensinava a gravar para passar no vestibular, sem a criticidade exigida pela evolução. Diante do exposto, a relação professor-aluno pode tanto produzir resultados positivos quanto negativos, pois professor e aluno formam um par complementar complexo e dinâmico. As dificuldades acadêmicas não podem ser focalizadas apenas no aluno, é preciso investir tanto no aluno quanto no professor para que não se instale um círculo vicioso: professor-problema, aluno problema, pois diante de tudo o grande prejudicado normalmente é o aluno. São essas incógnitas que desafiam a atividade profissional do professor, muitas vezes esses fatores são pistas de mudança de mentalidade que vai além do docente concentrando-se numa estrutura institucional no sentido de criar ações modificadoras centradas nos currículos dos cursos e em sala de aulas. O trabalho exposto por PIMENTA e ANASTASIOU, trás luz sobre a Universidade que queremos e a que permitimos acontecer à escolha que fazemos enquanto discente ao optar pelo pacto da mediocridade; quando docentes entendemos o dever a repetir. As autoras buscam paradigmas, propõem audácia e compromisso no enfrentamento ao status quo acadêmico. A proposta de desconstruir para reconstruir a partir de verdades não absolutas, que norteiam todos os questionadores, espíritos que deveriam habitar todos da Academia. Reconstruir, repensar, renovar num processo de ensinagem provocador e libertador.

Pedagogo UNINORTE- Pós-graduando em LIBRAS- Galileo Business School.