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O MDL, A GESTÃO PUBLICA E A REVOLUÇÃO DA SUSTENTABILIDADE REGIONAL

Link: http://www.conpet.gov.br/artigos/artigo.php?segmento=empresa&id_artigo=29

Como as pequenas e médias prefeituras podem lucrar com projetos de vários perfis
autora: Denise de Mattos Gaudard (*)

Como se pode contribuir para o desenvolvimento sustentável regional e as políticas


públicas demandadas pelos gestores locais usando a oportunidade criada pelos projetos de
Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)?
Há tempos o poder público vem abrindo um “braço social” no qual a sociedade civil
lentamente se insere e participa ativamente de projetos de auto-gestão. Por todo o país surgem
exemplos de sucesso, nos quais predominam a criação de pequenos núcleos
desenvolvimentistas regionais geradores de emprego e renda, em que governos locais estão
fazendo parcerias com entidades, associações e grupos produtivos, todos unidos por atividades
cooperativistas e solidárias. Nos locais onde estas experiências foram implementadas, nota-se
mudanças positivas e um expressivo aumento de qualidade de vida.
Podemos citar vários exemplos nos quais a administração pública se aliou à população e
conseguiu vitoriosas parcerias com Projetos de MDL. É o caso do aterro sanitário do Projeto
Nova Gerar, no município de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, e do Projeto de Seqüestro de
Carbono da Ilha do Bananal, implementado dentro do Parque Nacional do Araguaia, em
Tocantins. Ambos os projetos, cada um em sua modalidade, estão se tornando referências
mundiais de projetos de MDL exeqüíveis e que também tiveram relevante contribuição para o
desenvolvimento local de seus municípios, pois agregaram vários projetos paralelos de emprego
e renda para as populações de baixa renda em seus entornos.
Constata-se que, tanto no Brasil quanto em boa parte dos países da América Latina, a
principal causa do subdesenvolvimento regional é a ausência (ou inadequação) de conhecimento
dos gestores regionais. O governo federal deveria estar mais atento a estas questões. Uma
administração mais qualificada, bem assessorada e fiscalizada por seus cidadãos por meio de
uma gestão mais participativa e partilhada acaba direcionando melhor os recursos e,
conseqüentemente, precisará recorrer menos aos permanentes aportes de recursos vindos de
seus estados e do governo federal.
A sociedade civil brasileira já demonstrou amadurecimento para usar os seus
conhecimentos de aplicabilidade prática, utilizando metodologias para captar aptidões, talentos
e lideranças regionais, além de incentivar iniciativas de projetos geridos em núcleos
comunitários associativos. Não importa onde nem o gênero associativo. Eles precisariam apenas
estar interligados numa rede consorciada. Estas lideranças assumiriam um papel protagonista
na solução dos problemas que ocorrem em suas cidades, sem esperar mais pelas respostas das
esferas governamentais superiores.
Os gestores públicos não deveriam recear tanto a gestão participativa. Se procurassem
mais parcerias com a sociedade auto-organizada, todos poderiam contribuir para um processo
decisório gerido dentro da própria cadeia comunitária. Assim, melhorariam a qualidade de vida
da população local, propiciariam mais justiça social, mais desenvolvimento sócio-econômico e,
conseqüentemente, harmonia com o meio ambiente. Se estas iniciativas e práticas se
desenvolvessem em todo o interior do Brasil, certamente poderíamos assistir à construção de
uma sólida revolução estrutural da qual toda a nação se beneficiaria.
É importante ressaltar que o MDL é mais um auspicioso instrumento que foi criado, não
só com o objetivo de reduzir os gases geradores do efeito estufa, mas para complementar
projetos e iniciativas geradoras de estruturas auto-sustentáveis de desenvolvimento regional.
Estas iniciativas deverão estar devidamente pontuadas pelos princípios do Anexo III do
Protocolo de Quioto.
A relação “Projetos x Certificados de Redução de Emissões (CREs)” continuará crescendo
bastante com as regras atuais, até porque estes projetos estão diretamente vinculados a um
mercado mundial de troca de contas-correntes de emissões. Portanto, haverá muitos projetos
de MDL enquanto existirem países e empresas emissoras de gases do efeito estufa interessados
em comprar créditos de carbono.
Porém, no momento em que houver uma forma de substituir tecnologicamente ou
metodologicamente esta relação de troca, veremos nossos compradores de CREs sumirem
repentinamente. Convém então criar estruturas de desenvolvimento que não dependam
totalmente do rendimento que estes certificados deverão trazer.
De qualquer forma, estes projetos de MDL certamente poderão ter expressiva
contribuição para viabilizar estas iniciativas de gestão partilhada com predominância de
participação popular, já que estas condições são exigidas pelo Anexo III do Protocolo de Quioto.
Precisamos investir cada vez mais no capital social regional, no indivíduo/cidadão diretamente
integrado por meio de iniciativas do poder público em projetos populares complementares aos
de MDL.
Entre em contato com a autora, enviando críticas, sugestões e colaborações no endereço
denisedemattos@gmail.com. Este artigo esta protegido pelas leis de direitos autorais e pode
ser reproduzido em seu todo desde que citada a fonte ou a autora seja comunicada

Leia também:

A origem do mercado de créditos de carbono

Gerenciamento do lixo em pauta

(*) Denise de Mattos Gaudard é consultora de Gestão Empresarial e Ambiental.


Formada em Administração de Gestão Empresarial pela Universidade Santa
Úrsula (USU-RJ); Pós Graduada em Economia pela Fundação Getúlio Vargas
(FGV-RJ) e Comércio Exterior pela Universidade Católica de Brasília (UCB). Tem
Especialização em Educação voltada para Meio Ambiente, na Universidade
Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Gestão de Projetos no Project Manegement
Institute (PMI-RJ). Participa do desenvolvimento de projetos de Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo (MDL) e gestão de resíduos junto a prefeituras e
empresas financiadoras parceiras

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