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1

BRUNO LUIZ SANTANA VICENTIN

CONCENTRAÇÃO DE EMARANHAMENTO DE ESTADOS QUÂNTICOS DE

DOIS QUBITS

Trabalho de Conclusão de Curso em Física, da Universidade Estadual de Londrina, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel

Orientador: Profª. Dra. Santosh Shelly Sharma

Londrina

2008

2

BRUNO LUIZ SANTANA VICENTIN

CONCENTRAÇÃO DE EMARANHAMENTO DE ESTADOS QUÂNTICOS DE

DOIS QUBITS

Trabalho de Conclusão de Curso em Física, da Universidade Estadual de Londrina, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel

COMISSÃO EXAMINADORA

Profª. Drª. Santosh Shelly Sharma

Universidade Estadual de Londrina

Prof. Dr. Antônio Edson Gonçalves

Universidade Estadual de Londrina

Prof. MSc. Sérgio A. Carias de Oliveira

Universidade Estadual de Londrina

Londrina,

de

de 2008

3

A Deus, meus pais, e à minha namorada companheiros de todas as horas

4

AGRADECIMENTOS

A Profª. Dra. S. Shelly Sharma, pela paciência, dedicação e amizade.

Aos meus pais, Wilson e Marli, e meu irmão Denis, todos fonte de incentivo e sustento moral. Nada foi em vão!

À minha namorada, Fernanda, por me promover amadurecimento e apoio nas horas

mais difíceis, com todo carinho.

A Deus. Sem justificativa, por que tudo devo a Ele.

Aos professores e amigos de departamento, que me fizeram crescer e aprender.

5

“Anybody who is not shocked by quantum mechanis has not understood it.”

Niels Bohr.

6

VICENTIN, Bruno L. S. Concentração de emaranhamento de estados quânticos de dois qubits. 2008. 56 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Física) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina

RESUMO

Primeiramente são introduzidos os conceitos necessários ao entendimento da Mecânica Quântica, como tópicos de Álgebra Linear, formalismo quântico e os postulados fundamentais da Física Quântica. Apresenta-se uma noção sobre estados quânticos, representação e suas propriedades, como o emaranhamento. São descritas algumas medidas de emaranhamento, e, logo depois, efetuados processos de medida em estados quânticos particulares à fim de solidificação dos conceitos aprendidos. Feito isto, é discutida a possibilidade e utilidade de processos de concentração do emaranhamento, onde o emaranhamento presente no sistema como um todo é concentrado em determinados estados, ao mesmo tempo que o emaranhamento de outros subsistemas é sacrificado. São estudados também protocolos para obtenção de Estados Maximamente Emaranhados (MES), dois dos quais para estados puros (projeção de Schmidt e concentração por qubit assistente) e um para estado misto (BBPSSW96), todos para estados de dois qubits. Como aplicação do conceito de MES, é descrito um processo de teletransporte, onde são solidificados os conceitos aprendidos.

Palavras-chave:

emaranhamento, Teletransporte.

Estados

quânticos,

Emaranhamento,

Concentração

de

7

Entanglement Concentration of two qubits quantum

states. 2008. 56 p. Final Course Paper (Physics Bachelor) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina

VICENTIN, Bruno L. S

ABSTRACT

First are introduced the necessary concepts to understand Quantum Mechanics, like Linear Algebra and fundamental postulates of Quantum Physics. A short notion of quantum states is shown, together its properties like quantum entanglement. It’s described some entanglement measurement procedures and soon evaluated works on particularly chosen entangled states, to solidify the concepts that have been learning. Done that, it’s discussed the possibility and utility of the entanglement concentration process, where the entanglement in an ensemble is concentrate in a less number of states, while it’s sacrificed by other ones. Than, we study some protocols, which gives us the way to get Maximally Entangled States (MES), first to pure states (Schmidt projection and qubit assistant method), and later a procedure to mixed states (BBPSSW96), all the protocols are made to two qubit quantum states. As an application of the concept and importance of having MES, it’s described a teleportation procedure.

Key-words:

Quantum

states,

Entanglement,

Entanglement

concentration,

Teleportation.

8

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

10

2 FORMALISMO QUÂNTICO

12

2.1 ÁLGEBRA NOTAÇÃO DE DIRAC

12

2.2 POSTULADOS DE MECÂNICA QUÂNTICA

14

2.3 CONCEITOS DE COMPUTAÇÃO QUÂNTICA

16

3

ESTADOS QUÂNTICOS

18

3.1 ÁLGEBRA DE SPINS

18

3.2 ESTADOS QUÂNTICOS PUROS E MISTOS

19

3.2.1 Estados quânticos puros

19

3.2.2 Estados quânticos mistos

19

 

3.3

MEDIDA DE PUREZA DE ESTADOS QUÂNTICOS – ENTROPIA LINEAR

20

4

EMARANHAMENTO

21

4.1 CRITÉRIO DE SEPARABILIDADE

21

4.2 MEDIDAS DE EMARANHAMENTO

22

4.2.1 Negatividade Global

23

4.2.2 Decomposição de Schmidt

25

5

ESTUDO DO EMARANHAMENTO DE ESTADOS QUÂNTICOS

26

5.1 ESTADO QUÂNTICO PURO DE DOIS QUBITS

26

5.2 ESTADO QUÂNTICO MISTO DE DOIS QUBITS

29

5.2.1 O caso F=0

32

5.2.2 O caso F=1

33

5.2.3 Caso geral

33

9

6.1 CONCENTRAÇÃO DE EMARANHAMENTO DE ESTADO PURO DE DOIS QUBITS

38

6.1.1 Projeção de Schmidt

38

6.1.2 Concentração por qubit assistente

40

CONCENTRAÇÃO DE EMARANHAMENTO DE ESTADO DE DOIS QUBITS – PROTOCOLO BBPSSW96

7

44

8 TELETRANSPORTE DE PARTÍCULAS QUÂNTICAS

50

9 CONCLUSÕES

53

REFERÊNCIAS

54

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

56

10

1 INTRODUÇÃO

A utilidade dos computadores em qualquer tipo de serviço é mais que bem estabelecida no agitado mundo moderno, onde tudo deve ser rápido, prático e seguro. Dos grandes mercados de ações ao sistema de bibliotecas de sua universidade pode-se notar a informatização. Com a crescente demanda por rapidez, agilidade e maior fluxo de informação é quase inevitável não pensar na tecnologia que evolve toda essa estrutura, e mais ainda, nos avanços que podem ser alcançados com objetivo de tornar o processamento de informação mais eficiente. A nova tecnologia proposta para dar suporte ao mundo moderno não é apenas baseada nos bits de um computador, ou no software a ser utilizado, mas vai bem além: transcende ao mundo microscópico. Um computador é uma máquina fundamentada nas leis clássicas da física que processa informação. Mas, o que é o misterioso computador quântico? Nada mais é que uma “máquina” que usa as leis da Mecânica Quântica para processar informação. Feynman [1] apontou, que os sistemas clássicos não seriam satisfatórios para modelar sistemas quânticos com eficiência, e que tais sistemas só poderiam ser modelados por sistemas também quânticos, ou seja, apenas computadores quânticos seriam capazes de processar informação quântica. Deutsch [2] foi um dos primeiros a levantar a questão da maior capacidade de processamento de um computador quântico com a Máquina Quântica de Turing, publicando também o primeiro algoritmo quântico. Por um bom tempo a computação quântica era apenas uma curiosidade, até que em meados dos anos noventa Shor [3] apresentou um algoritmo que solucionava o problema de fatoração de números inteiros muito grandes, que é a base de sistemas criptográficos como o RSA. Com este algoritmo, um computador quântico seria capaz de resolver um problema de 400 dígitos em aproximadamente um ano, enquanto que uma máquina clássica precisaria ficar rodando por bilhões de anos. Estruturas básicas formadoras da matéria como elétrons, ou até mesmo partículas de luz, podem ser utilizadas para troca de informação através de interações, operações locais e do conhecimento de uma propriedade absolutamente incompreensível ao mundo clássico: o emaranhamento. O emaranhamento foi

11

primeiro proposto por Schrödinger [4] e é uma fundamental e indispensável propriedade física para a comunicação e computação quânticas, assim como processamento de informação. Certo é que esta é uma propriedade de sistemas quânticos compostos, no sentido de possuir vários subsistemas. Assim, pode haver emaranhamento entre dois átomos, entre spins de elétrons, polarização de dois fótons, etc. Como um recurso físico, esta propriedade pode ser medida e quantificada. As técnicas de medida e quantificação de emaranhamento são importantes ferramentas, já que os protocolos de comunicação quântica levam em conta o grau de emaranhamento entre as partes envolvidas. Além de medir o emaranhamento, podemos também fazer operações locais sobre o sistema, de modo a manipular o emaranhamento em processos de concentração e destilação, de acordo com os fins específicos propostos. Por exemplo, para uma variada gama de utilidades do processamento de informação quântica é necessário que o sistema esteja o mais entrelaçado possível, ou seja, tenha um máximo grau de emaranhamento. Obter um Estado Maximamente Emaranhado (MES) a partir de um estado inicial com emaranhamento arbitrário é o processo chamado Concentração de Emaranhamento, onde o emaranhamento do sistema como um todo pode ser concentrado em determinados subsistemas. Sua importância se dá devido à dificuldade em criar-se sistemas com tal configuração em laboratório, uma vez que são requeridos estes estados para diversos tipos de aplicações. Neste trabalho estudamos três processos de concentração de emaranhamento: O primeiro, estudado com base na ref. [21], é a Projeção de Schmidt, junto do qual utiliza-se o Método de Procrustean para colocar o estado numa forma padronizada de MESs. O segundo, encontrado na ref. [22], é um processo probabilístico, junto do qual se estuda como otimizar a probabilidade de obterem-se MESs. O Terceiro protocolo opera sobre estados mistos, e é estudado com base na ref. [24]. Para fixar o conceito e importância de se obter MESs, é efetuado um protocolo de teletransporte.

12

2 FORMALISMO QUÂNTICO

2.1 ÁLGEBRA LINEAR E NOTAÇÃO DE DIRAC

Para estudar a Mecânica Quântica, usa-se como ferramenta a Álgebra

Linear. Aqui, os objetos básicos são os Espaços Vetoriais, onde elementos de um

conjunto em um espaço vetorial são chamados vetores, os quais podem ser

descritos por matrizes colunas [5]:

v

z

 

1

  z

n

.

(2.1)

Na mecânica quântica, porém, existe uma notação padrão, a notação de

Dirac [6], que simplifica e auxilia o estudo de um sistema quântico. A Notação para

um vetor em um espaço vetorial complexo é o vetor ket

(r, t)

,

(2.2)

onde representa a função de onda complexa que rege o sistema quântico, e cujo

conjugado complexo é o vetor bra

(r, t)

.

(2.3)

Usando esta notação, pode-se dizer que um conjunto gerador de um espaço

tal que qualquer vetor naquele

vetorial é qualquer conjunto de vetores

v v

1

,

2

v

n

,

espaço pode ser escrito na forma de uma combinação linear dos vetores do

conjunto, ou seja

v

i

a

i

v

i

(2.4)

13

Uma base de um espaço vetorial é formada por vetores Linearmente

Independentes. Uma base para

C

2

v

1

é:

 

 

0

1

;

v

2

 

 

1

0

.

(2.5)

Definindo

linear dos vetores

v

v

1

e

a

v

, este vetor por ser escrito como uma combinação

a

2

2

, da seguinte forma:

1

v

a

1

v

1

a

2

v

2

.

(2.6)

A seguir, são apresentados e definidos conceitos que proporcionam uma

base para o entendimento da Mecânica Quântica, e, na seção seguinte,

apresentados os postulados que dão fundamento à Teoria Quântica.

Definição 2.1. Produto interno: Um produto interno no espaço complexo onde atua

a função de onda é uma função que toma dois vetores de entrada, v e w , e

produz um número complexo de saída:

v

w

i

v w

i

i

.

(2.7)

Definição 2.2. Normalização de vetores: A norma de um vetor é definida por

de vetores: A norma de um vetor é definida por   v   1

v 1, e um vetor unitário é um vetor normalizado. A normalização de um

vetor é feita dividindo-se o vetor por sua norma.

14

Definição 2.3. Ortogonalidade: Dois vetores de índice i e j são ortogonais se for

satisfeita a relação:

i

j

i

,

j

0 

i

j

1 

i

j

.

(2.8)

Definção 2.4. Ortonormalidade: Um conjunto de vetores é ortonormal se todos os

vetores do conjunto forem unitários e ortogonais.

2.2 POSTULADOS DE MECÂNICA QUÂNTICA.

Os postulados apresentados nesta seção são resultados de intensos

estudos dos físicos do início do século XX, ao tentar entender o que se passa nas

estruturas elementares da matéria e alguns fenômenos não explicáveis até então,

como o padrão de difração apresentado por elétrons ao atravessar uma dupla fenda.

Talvez o principal resultado encontrado seja a equação de ondas cuja solução

fornece as informações do sistema quântico tratado, que é a Eq. de Schrödinger [4]

2

2

m

2

r

,

t

V

(

r

,

t

)

r

,

t

i

t

r t

,

,

(2.8)

onde V(r,t) é potencial ao qual o sistema quântico está submetido.

Postulado 2.1. Espaço das funções de onda: A todo sistema quântico está

associado um espaço vetorial complexo, chamado espaço de Hillbert, onde atuam

os operadores e vetores complexos que representam o estado físico do sistema. A

evolução de um sistema quântico fechado é descrita por uma transformação unitária.

Isto é, o estado

(

r

,

t 1

)

do sistema no tempo

t 1 é relacionado ao estado

´( ,

r

t

2 )

no tempo

t

2

por um operador unitário U da forma

15

´( ,

r

t

2

)

U

(

r

,

t

1

)

(2.9)

Postulado 2.2. Densidade de probablidades: O módulo quadrado da função de

onda r,t, quando multiplicado por um elemento infinitesimal de volume dv, resulta

em uma quantidade infinitesimal interpretada como a probabilidade de se encontrar

o sistema descrito pela função de onda em um volume infinitesimal dv.

Postulado 2.3. Observáveis e operadores: A cada grandeza física mensurável F

(observável) do sistema quântico associa-se um operador F que atua no espaço de

Hillbert do sistema.

A

cada

observável

pode

ser

associado

autofunções e autovalores correspondentes

FF

n

n

n

um

conjunto

completo

de

, onde

n é a autofunção do

estado quântico e

Mecânica Quântica, obtemos como resultado um dos autovalores de F, e o valor

F

n

o autovalor. Ao efetuar-se a medida de um observável F em

esperado para a medida de

^

F é  F 
F
é
F 
 

(

r

,

t

)

F

(

r

,

t

)

dr

 

(

r

,

t

)

(

r

,

t

)

dr

.

(2.10)

O estado do sistema após o processo de medida é dado por

M m  m  p(m)
M
m 
m 
p(m)

.

(2.11)

onde

probabilidade de que o resultado m seja obtido.

M

m é um operador de medida, m o valor possível para a medida, e p(m) a

16

Postulado 2.4: Princípio da superposição. Dada a linearidade da equação de Schrödinger, qualquer combinação linear de suas soluções também representará um estado físico do sistema quântico.

Postulado 2.5. Estados compostos: Os elementos do espaço de Hillbert de um sistema quântico composto AB são formados pelo produto tensorial dos vetores de base dos espaços individuais,

A B

,

dos vetores de base dos espaços individuais,  A B ,     A

A

B

.

(2.12)

Esta regra pode ser estendida para N subsistemas.

2.3 CONCEITOS DE COMPUTAÇÃO QUÂNTICA

Na computação clássica, a estrutura elementar de informação é o Bit, que nada mais é que a interpretação de sinais elétricos num circuito, que podem assumir apenas dois valores nesta interpretação: 0 e 1. Para a computação quântica a unidade fundamental para transmissão de informação quântica é o quantum-bit, ou qubit [7]. Um qubit é qualquer sistema quântico de dois estados, por exemplo uma

partícula de spin-

1 2
1
2

(férmions). Se dois estados ortogonais de um sistema podem

ser usados para representar os valores clássicos 0 e 1, entretanto um qubit difere do bit clássico pelo fato de que aquele pode existir em superposições complexas

arbitrárias dos valores 0 e 1, 0 1 , onde os coeficientes são números

complexos, e podemos observar que o estado total é uma superposição dos estados

fundamentais, 0 e 1 . Cada estado forma uma base no espaço vetorial complexo

de duas dimensões chamado de Espaço de Hillbert, onde atuam os operadores na função de onda.

uma

partícula. Considere um férmion que tem seu spin intrínseco

, e projeção da

Um exemplo de bit quântico

pode ser o estado

S

de

1 2
1
2

spin de

17

componente Z do spin, m

S  

S

. Com isto, podemos ter dois estados diferentes para

uma partícula: um com

S

1 2
1
2

e m

S

( que interpretaremos como estado 1), epara uma partícula: um com S  1 2 e m  S outro com S

outro com

S

1 2
1
2

e m 

S

Dirac, pode se escrever

(que será interpretado como estado 0). Na notação deoutro com S  1 2 e m  S Dirac, pode se escrever S ,

S

, m

s

1 1  , 2 2
1
1
,
2
2

1

;

S

, m

s

1 1  ,  2 2
1 1
,
2 2

0

Partindo disto, um estado de um qubit é escrito como

a

b b

1 1 ,  2 2
1
1
,
2
2

a b

1

0

,

.

(2.14)

(2.15)

onde a e b são as amplitudes de probabilidade de se encontrar a partícula em cada estado.

18

3 ESTADOS QUÂNTICOS

3.1 ÁLGEBRA DE SPINS

Os estados quânticos fornecem toda a informação possível sobre as propriedades de um sistema, assim como sua evolução temporal e, ainda, possíveis resultados de medições efetuadas no sistema. Um estado quântico pode ser

representado por sua função de onda (estado puro), ou por um Operador

Densidade (estado misto). Qualquer sistema quântico com dois estados possíveis

pode ser representado por Álgebra de Spins, por exemplo:

Átomo de dois níveis.

e

- (excitado) e 1

g

(estado fundamental)

g

0

Tais sistemas são chamados qubits (quantum bits). Um estado quântico do átomo pode ser escrito da maneira geral como

0 1 .

(2.16)

Se no sistema há dois átomos de dois níveis, a dimensão do espaço de Hilbert associado aos dois átomos é 2 2 4 , representado pelos vetores de base

00 , 10 , 01 e 11 . Com estes vetores de base, representa-se o estado geral da

seguinte forma:

a 00

b 10

c 01

d 11

.

(2.17)

19

3.2 ESTADOS QUÂNTICOS PUROS E MISTOS

3.2.1 Estados quânticos puros

Quando se conhece o vetor de estado do sistema, diz-se que este é descrito por um estado puro. Por exemplo:

diz-se que este é descrito por um estado puro. Por exemplo: . pode exibir efeitos de

.

pode exibir efeitos de interferência (termos cruzados). De fato,

(3.1)

(3.2)

, está

(termos cruzados). De fato, (3.1) (3.2) , está Observe que É comum dizer que , descrito

Observe que

cruzados). De fato, (3.1) (3.2) , está Observe que É comum dizer que , descrito pela

É comum dizer que

(3.1) (3.2) , está Observe que É comum dizer que , descrito pela equação . numa

, descrito pela equação

.

Observe que É comum dizer que , descrito pela equação . numa superposição coerente dos estados

numa superposição coerente dos estados

pela equação . numa superposição coerente dos estados e . 3.2.2 Estados quânticos mistos Existem situações

e

.
.

3.2.2 Estados quânticos mistos

Existem situações nas quais não se sabe em que estado o sistema se

do sistema ser encontrado no

encontra, existe apenas uma probabilidade

P

estado

. Mais precisamente, suponha que um sistema quântico esteja em algumestado

estado

de um conjunto de estados, com respectiva probabilidade . Chama-seestado

de um conjunto de estados, com respectiva probabilidade . Chama-se

o conjunto

p

i

i

probabilidade . Chama-se o conjunto  p  i i  um conjunto de estados puros.

um conjunto de estados puros. O operador densidade para o

sistema é definido como:

20

20 , (3.3) onde , como esperado para os pesos probabilísticos, e o estado será puro

,

(3.3)

20 , (3.3) onde , como esperado para os pesos probabilísticos, e o estado será puro

onde , como esperado para os pesos probabilísticos, e o estado será puro se a soma dos elementos da diagonal principal do quadrado do operador densidade é um, ou seja,

tr

(

2

)

1

.

(3.4)

3.3 MEDIDA DE PUREZA DE ESTADOS QUÂNTICOS – ENTROPIA LINEAR

Descreveu-se há pouco como detectar se um estado é puro ou misto.

No

entanto, não é suficiente fazer apenas essa distinção, mas também saber quão puro

ou misto é o estado que se está trabalhando.

Um bom quantificador do grau de

pureza de um estado quântico é a Entropia Linear [8],

S , que é dada pela relação

l

S

l

d

d 1

1

tr

(

)

2

,

(3.5)

onde é simplesmente a matriz densidade, e d é a dimensão desta matriz.

O operador

densidade

de

um

estado

puro

é

obtido

fazendo-se

( A, B) ( A, B) , enquanto o operador densidade de um estado misto é dado

pela Eq. (3.3)

Se a Entropia Linear for zero, o estado é dito puro. Se o resultado for

qualquer maior que zero e menor que um, diz-se que o que estado é misto, e tem

máximo grau de mistura quando sua Entropia Linear é igual a um.

21

4 EMARANHAMENTO

Emaranhamento é um recurso para implementação de processos computacionais e comunicação, capaz de transformar a teoria de informação quantitativa e qualitativamente. O conceito é genuinamente quântico, o que permite estender a teoria de informação além de suas limitações clássicas. Formulado teoricamente na década de 30 e comprovado experimentalmente nos anos 60, o emaranhamento é um fenômeno misterioso para as pessoas acostumadas com as leis da física newtoniana. Essa propriedade de sistemas quânticos compostos foi pela primeira vez descrita Schrödinger [4] e questionada por Einstein, Podolsky e Rosen [9], atravéz de um experimento ideológico que ficou conhecido como paradoxo EPR, onde o resultado de uma medida feita em uma das partes do sistema quântico afeta imediatamente o resultado de uma medida feita em outra parte do sistema, não importando a distância entre elas.

4.1 CRITÉRIO DE SEPARABILIDADE

Suponha um sistema composto formado por dois (ou mais) sistemas físicos

distintos. O espaço de estados de um sistema físico composto é o produto tensorial

dos espaços de estados dos sistemas individuais. Se os sistemas forem numerados

de 1 até n, e o sistema i for preparado no estado

o estado do sistema composto será

1

2

i , decorre do Postulado 2.6 que

n

.

Um sistema quântico composto é dito emaranhado se ele não puder ser decomposto em produtos tensoriais de estados individuais, da seguinte forma:

1

2

n

.

(4.1)

22

No caso mais geral pode-se verificar que um sistema é emaranhado quando o operador densidade de um sistema bipartido não pode ser escrito como uma soma de estados puros separáveis

i

a

(i)

b

(i)

,

(4.2)

onde

Assim, um sistema é emaranhado se for composto de subsistemas não separáveis. O grau de entrelaçamento entre as partes pode ser variável, e como recurso físico pode-se medir o emaranhamento. Para isso foram desenvolvidas medidas de emaranhamento, uma das quais será apresentada a seguir.

a

e

b são os operadores densidade para os sistemas a e b.

4.2. MEDIDAS DE EMARANHAMENTO

No Capítulo 3, foram discutidos os estados quânticos, puros e mistos, os quais podem estar ou não emaranhados. Discutiram-se também os métodos de detecção e quantificação da pureza dos estados quânticos. A proposta agora é apresentar métodos que não apenas detectam se o emaranhamento está ou não presente, mas também medi-lo, ou seja, ter informação de quão emaranhado está o sistema quântico. O conceito de medida de emaranhamento é bastante complicado, mas possui alta relevância no sentido de que, ao se saber a quantidade de emaranhamento presente nos diversos subsistemas, pode se manipular os estados de tal maneira a transferir o emaranhamento de alguns subsistemas para outros, obtendo, assim, estados finais com maior grau de emaranhamento que os inicias. Suponha uma dada medida de emaranhamento E. Um quantificador de emaranhamento deve satisfazer às seguintes propriedades [10]:

23

(ii)

Normalização

(iii)

Não crescente por Operações Locais e Comunicação Clássica (LOCC)

(iv)

Continuiade

(v)

Aditividade parcial

(vi)

Subaditividade

(vii)

Convexidade

Encontrar uma medida que satisfaça a todas essas propriedades é algo difícil, então G. Vidal [11] propôs que um bom quantificador de emaranhamento é aquele que satisfaz apenas, em média, a propriedade de não crescimento por LOCC, definindo assim o monótono de emaranhamento. A quantificação de emaranhamento de estados mistos é ainda um grande problema em aberto, constituindo parte de bons trabalhos em Computação Quântica e criptografia quântica. A seguir, descrevem-se algumas medidas mais utilizadas para quantificar o emaranhamento e que serão usados ao longo do trabalho para análise dos estados propostos adiante, com intuito de concentração do emaranhamento detectado nos mesmos.

4.2.1 Negatividade Global

A

Negatividade

Global

[12]

é

uma

versão

quantitativa do

separação de Peres [13], e é definida por:

N

n

G

Tn

1

,

critério

de

(4.3)

onde

Tn

é o traço da norma da matriz densidade parcialmente transposta com

relação o n-ésimo subsistema, de um sistema formado por m subsistemas. O operador densidade para um sistema composto de dois subsistemas respectivamente nomeados por A e B é dado por:

   im  jn im jn i m , , j n ,
 
im
jn
im
jn
i m
,
,
j n
,

,

(4.4)

24

onde os índices i e j se referem aos estados do subsistema A, e m e n aos do

subsistema B. Quando se transpõe parcialmente este operador com relação a A, a

equação (2) se altera para

  T A   jm  in im jn . i m ,
T A
 
jm
in
im
jn
.
i m
,
,
j n
,

Sendo

e

os autovalores positivos e negativos de

ser escrito da seguinte forma:

Tr

TA

  1

A norma do traço de

m

m

n

n

m

m

m

 

1

n

n

n

1

n

.

n

.

m

TA

é definida como

TA

m

m

n

1

Assim, substituindo a equação (4.7) em (4.8)

TA

2

n

n

1

.

Substituindo na definição de negatividade,

N

A

G

2

n

n

,

 

(4.5)

T

A

, o traço pode

(4.6)

(4.7)

(4.8)

(4.9)

(4.10)

onde se resultado for 1, o estado é maximamente emaranhando, enquanto que 0

implica em um estado separável.

25

4.2.2 Decomposição de Shcmidt

O Teorema de Schmidit [14] diz que qualquer estado puro de um sistema quântico bipartido pode ser escrito na forma de uma soma,

 

i

i i A B
i
i
A
B

i

(4.11)

onde

i

determinam o nível de emaranhamento do sistema. Para encontrar estes valores, é

i

é

um

número real tal que

i

1

. Os valores dos coeficientes

i

 

preciso calcular a matriz densidade (

  

  

) e fazer o traço parcial em relação

aos qubits A e B, para determinar as matrizes densidade reduzidas em B e em A, respectivamente.

então

 

Tr

A (

)

(red)

 

 

Tr

B (

)

(red)

B

A

(

red

)

A

2

i

i

i i A A
i
i
A
A
 

(4.12)

,

(4.13)

onde os autovalores (coeficientes de Schmidt) serão os

sobre o grau de emaranhamento do sistema composto. Um estado separável (ou seja, não emaranhado) tem somente um coeficiente de Schmidt.

i 2 , os quais dão informação

26

5 ESTUDO DE EMARANHAMENTO DE ESTADOS QUÂNTICOS.

Neste capítulo estudamos alguns estados quânticos, onde serão utilizados

os conceitos dos capítulos anteriores.

5.1 ESTADO QUÂNTICO PURO DE DOIS QUBITS.

Considere o seguinte estado quântico [15]:

onde

a b

 0 0  1 1 2 2 e   
 0
0
 1 1
2
2
e
 

,

(5.1)

 

1

.

(5.2)

Verificar-se-á se este é um estado emaranhado, tentando escreve-lo sob a forma de um produto tensorial de estados individuais. Assim, considere os vetores:

e

onde

1

2

a

b

1

0

1

2

0

2

1

1

1

2

2

2

2

,

,

2

1

.

Fazendo o produto tensorial:

a

b  

1

2

00

 

1

2

11

 

1

2

01

 

2

1

 

(5.3)

(5.4)

(5.6)

10

.

(5.7)

Qualquer escolha feita para colocar a equação na forma do estado original de dois qubits, levará à anulação do produto. Assim, como não é possível escrever o

27

estado total como produto de estados individuais, temos um estado emaranhado.

Para verificar a quantidade de emaranhamento deste sistema, será utilizada a

Entropia Linear, e com o resultado é possível obter um gráfico para visualizar o

comportamento do emaranhamento.

Considere a Eq. (3.5), que define a Entropia Linear,

S

l

d

d 1

1

(

Tr

)

2

.

Escrevendo a Eq. (5.1) na forma

a b

00 11 ,

ab

ab

o operador densidade é

  00 ab 2    00 00   00 b Como
 
00
ab
2
 
00
00
 
00
b
Como
Tr (
  
)
0
0
1
a
(
red
)
a
a
a
Neste caso, é fácil ver que
   11  00  11 ab ab ab 2  11 

11
00

11
ab
ab
ab
2
11
 
11
11
 
11
00
.
1
.
a

Tr ()

a

b

(

red

)

2

0

0

2

1

1

.

Logo,

b

(

red

)

0

2

0 (

b

red

)

2

(

)

2

0

4

A dimensão é d=2, e então

0

 

4

2

x 2

.

(5.8)

(5.9)

(5.10)

(5.11)

(5.12)

28

L in e a r

t r o p i a

n

E

4

4

S 2144

l

4

2

(5.13)

 

.

E n tr o p ia

o

m

e d id a

d e

e m

e n to

c o m

a r a n h a m e n to

p o n to

d e

á x im

o

e m

a r a n h a m

0

M

x = 0 ,7 0 7 , 0 0 , 2 0 , 4 0
x = 0 ,7 0 7
, 0
0
, 2
0
, 4
0
, 6
0
, 8
1
, 0

1 , 0

0 , 8

0 , 6

0 , 4

0 , 2

0 , 0

x

Figura 1: Curva da entropia linear do sistema puro.

O gráfico da Fig 1. mostra que o emaranhamento do sistema cresce até um

determinado valor limite para o qual S = 1. Pela definição de Entropia Linear, tem-se

um estado com máximo grau de emaranhamento para

X

1 . 2
1
.
2

29

ESTADO QUÂNTICO MISTO DE DOIS QUBITS

Analisaremos agora o emaranhamento de um estado de Werner [16],

1 3
1
3

W F  

F

1

F      

,

(5.14)

que é um estado misto com emaranhamento em função de uma variável, a

Fidelidade [17]. Primeiramente, é preciso trabalhar algumas relações que serão úteis

para estudo. Definindo os estados singleto.

00  11    2 00  11    2
00
 11
2
00
 11
  
2

,

,

i 10  i 01    2 i 10  i 01 
i 10
 i 01
 
2
i 10
 i 01
 
2

Lembrando das matrizes de Pauli, considere as operações:

 0  i   1 0   00  11  
0
 i   1 0  
00
11
(
 I )  
 
y
i
0
0
1
2
Analogamente;
i
10
 i
01
(
  
I
)
.
y
2
i 10  i 01    2
i
10
 i
01
 
2
 

(5.15)

(5.16)

,

(5.17)

(5.18)

Considere agora a representação matricial da função de onda genérica de

dois qubits:

 

a 00

b 01

c 10

d 11 ,

(5.19)

como sendo

30

a

b

c

 

 

d

.

(5.20)

Utilizando esta representação, e sabendo que a conjugada complexa é um

vetor linha, o operador densidade, definido como

, é escrito como

aa

ab

De posse então dos estados

ad

ac

 

representações:

 

1 0 0   1  2 0 0 0 0 2  
1
0
0
  1
2
0
0
0
0
2  
0
0
0
0
1
1
0
0
2
2 

*

*

*

*

;

ba

bb

bc

bd

*

*

*

*

ca

cb

cc

cd

*

*

*

*

da

db

dc

dd

*

*

*

*

.

(5.21)

    ,  ,  e   , chega-se às seguintes
 ,  , 
e
  , chega-se às seguintes
1
 1
0
0
 
2
0
0
0
0
2  
 
;
0
0
0
0
  1
1
0
0
2
2 

 

0


0

0

0

0 0 1  1 2 2  1 1 2 2 0 0
0
0
1
 1
2
2
 1
1
2
2
0
0

0


0

0

0

;

 

0


0

0

0

0 0 1 1 2 2 1 1 2 2 0 0
0
0
1
1
2
2
1
1
2
2
0
0

0


0

0

0

.

as quais são necessárias para estudar o estado misto de Werner

W

F

F

1 3
1
3

1

F      

 

(5.22)

,

(5.23)

Suponha que tenhamos em um sistema emaranhado dois subsistemas,

onde um dos quais está no laboratório Alice e o outro no laboratório Bob, cada um

no estado da Eq. (5.23). Ambas as partes querem destilar o emaranhamento em

31

termos de estados singleto

de dados pares emaranhados compartilhados em

um estado misto bipartido arbitrário . Uma medida da probabilidade de encontrar o

estado

no estado é feita em termos da Fidelidade

 
 

F   

.

(5.24)

 

F

é uma medida da probabilidade com que um canal de saída passe uma

informação que seja a mesma do canal de entrada, conduzida por alguém que

conheça a entrada. Se um estado puro enviado por uma canal quântico emerge

como um estado misto de matriz densidade definida por w, a fidelidade da

transmissão é definida por F w. Um canal Quântico será considerado “fiel”

se num limite apropriado a fidelidade se aproximar da unidade.

Usando os resultados da Eq. (5.22), temos

 

 

 

e a equação (5.23) tem a forma

W

F

F

 1 1 0 0   2  0 0 0 0 2 
1
1
0
0
2
0
0
0
0
2  
0
0
0
0
1
1
0
0
2
2

  1



 

1

3

2
2

0

0

1 2
1
2

1

,    1 3 2 0 0 1 2  1  F 

F

  1 2  0   0   1  2
  1
2
0
0
1
2

0 0

0

0

1

1

0 0

2    


2 

0

0

.

(5.25)

(5.26)

A Eq. (5.26) é uma equação matricial em função de um parâmetro F, que

pode ser simplificada se F=1, ou F=0.

32

F

F

0

 

1

W

F 1

W

F 2

;32   F F 0    1  W F 1 W F

 1 1 0 0   2  0 0 0 0 2 
1
1
0
0
2
0
0
0
0
2  
0
0
0
0
1
1
0
0
2
2

.

(5.27)

(5.28)

5.2.1 O caso F=0

O processo a ser seguido é o seguinte: toma-se o estado quântico dado,

escrevendo-o na base computacional. Em seguida, toma-se a transposta parcial em

relação ao Qubit A, como definido na Eq. (3). Obtendo então

matricial, calculam-se os autovalores negativos desta matriz, e por último, substitui-

se o resultado na fórmula da Negatividade.

em sua forma

TA

W

F

O estado

W F1

na base computacional tem a forma:

T A

W

F 1

1

6

00

1  00  10 01  01 10  11 11  3
1
00
10
01
01
10
11
11
3

T

W

A

F 1

0 0 0    1 6   1 1  0 0
0
0
0
  1
6
1
1
0
0
3
6
1
1
0
0
6
3
1
0
0
0
6 

.

01

01  10 10 
01
10
10 

,

(5.29)

(5.30)

Agora é preciso diagonalizar a matriz para encontrar seus autovalores

negativos. Como os termos

simplificado sendo necessário apenas fazer

a

11

e

a

44 não conectam a nenhum outro, o trabalho é

33

det

 1   3  1  6
 1
3
1
6

1  6  1    3 
1
6
1
3

0

1

1

1

e

2 6

2

.

(5.31)

Como os dois autovalores encontrados são maiores que zero, o estado é separável!

O caso F=1

Seguindo o mesmo procedimento do item anterior, obtém-se como auto-

valores



1

1

2

e

2

1

2

.

Substituindo este resultado na fórmula da negatividade

N

A

G

2

n

n

1 2
1
2

2   1

.

Pela definição de Negatividade Global o estado

emaranhado.

5.2.3 Caso Geral

W f 2

(5.32)

é maximamente

Será feito agora um estudo do estado do emaranhamento para 0 F 1 do estado de Werner e assim será possível verificar como varia o emaranhamento em função da Fidelidade em um gráfico. A Eq. (5.26) pode ser reescrita como

34

W F

ou ainda

 1  F    6 F F  0 0  
 1 
F
6
F
F
0
0
 
2
2  
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
F
F
0
0
2
2 
 1 
F
6

0

1 F

3

0

0

0

0

1 F

3

0

1 F

6

0

0

1 F

6

,

(5.33)

 2 F  1 1  4 F    0 0 6
2 F
 1
1
4
F 
0 0
6
6
1  F
0
0
0
3
W
.
(5.34)
F
1  F
0
0
3
0 
1  4
F
2
F
1
 
0 0
6
6
Escrevendo a Eq. (5.33) na base computacional, fica
2
F 
1
1
4
F
1
F
00 00
11 11
00 11
11 00
 01 01 10 10
. (5.35)
W F
6
6
3

A transposta parcial em relação ao qubit A é

T A

W

F

2 F  1 1  4 F  1  F   
2
F 
1
1
4
F
1
F
00 00
11 11
10 01
01 10
 01 01 10 10
6
6
3

Na representação matricial

T

W

F

A

2

F

1

6

0

0

0

0

1

F

3

1 4

F

6

0

1

0

4

F

1

6

F

3

0

2

0

0

0

F

1

6

.

. (5.36)

(5.37)

35

Como nos problemas anteriores, é necessário encontrar os autovalores da

matriz obtida. Analisando a Eq. (5.36), dois dos quatro autovalores são facilmente

obtidos, que são os elementos da diagonal principal que não se conectam a nenhum

outro, os quais são positivos e iguais a

2F 1 .

6

obtidos ao efetuar a diagonalização da matriz

TA

W

F

´

 

  

1

F

1

4

F


3

1 4

F

6

1

F

6

3

.

Usando a condição de diagonalização

Os outros dois autovalores são

(5.38)

temos

det



1

F

1

4

F

1

6

F



4 F

3

1

6 3

0

,

2

3

1

3

  

1

2
3

1

3

F

2

1

9

1

1

1

F

F

2

F

  1   1  F F    2  F 

4

1 4 F

36

2

1

F

 

2

1 2

3

2

 

1 4 F  

6

 

2

1 4 F


6

 

2

0

1

F

2

6

1 4

F

0


.

(5.39)

(5.40)

(5.41)

(5.42)

1

Assim,

,
2

1 F

F

3

1 . 2
1
.
2

2

F

1

3

, que não vale para cálculo de Negatividade Global, e

Da definição de Negatividade Global

36

N

A

G

2

1 1  F , F  . 2 2
1
1
F
,
F 
.
2
2

(5.43)

Com este resultado, podemos plotar um gráfico da Negatividade Global do sistema em função da Fidelidade

da Negatividade Global do sistema em função da Fidelidade Figura 2 : Gráfico da variação da

Figura 2: Gráfico da variação da negatividade global N do estado de Werner em função de sua fidelidade F.

Pode-se ver que se

1

0 F , o autovalor não será negativo, então o estado

2

é separável. Somente haverá autovalores negativos para

F

1

2

. Como obtido

anteriormente, se

emaranhado.

F

1

N

A

G

1 1

, e então o estado se torna maximamente

37

6 CONCENTRAÇÃO DE EMARANHAMENTO

Já foi dito que o emaranhamento é um recurso físico muito útil para o processamento de informação quântica, e alguns destes processos, como o teletransporte [18], requerem estados maximamente emaranhados. Tais estados são necessários para garantir uma comunicação mais eficiente entre as partes e podem ser obtidos a partir de estados com emaranhamento parcial. A idéia é simples: o emaranhamento do sistema como um todo pode ser concentrado em determinados qubits, sacrificando o de outros [19]. Ao final do processo, obtém-se um Estado Maximamente Emaranhado (MES). Pode-se escrever estados maximamente emaranhados de dois qubits como estados de Bell [20], representado pelo singleto

Bell

0 1  1 0  2
0 1
 1 0
2

.

(6.1)

Conforme estudado, existem duas classes básicas de estados quânticos:

puros e mistos. A partir dessas classes define-se Concentração de Emaranhamento quando se obtém um MES a partir de um estado puro, e Purificação, ou Destilação de emaranhamento, quando um MES é obtido a partir de um estado inicial misto

[18].

38

6.1 CONCENTRAÇÃO DE EMARANHAMENTO DE ESTADO PURO DE DOIS QUBITS

6.1.1 Projeção de Schmidt

O emaranhamento presente em uma fonte de n pares de partículas de dois níveis parcialmente emaranhadas pode ser concentrado em um menor número de singletos perfeitos através de medidas locais, as quais projetam o estado de n pares de partículas em um subespaço gerado por estados que compartilham o mesmo Coeficiente de Schmidt. Este processo, descrito por Bennett et. al. [21], é chamado Projeção de Schmidt. Suponha que Alice e Bob compartilhem um par de partículas emaranhadas, de forma que o estado inicial do sistema é encontrado na forma

A