AÇÃO RESCISÓRIA NA JUSTIÇA DO TRABALHO Súmula 194 do TSR = As ações rescisórias ajuizadas na Justiça do Trabalho serão admitidas, instruídas

e julgadas conforme os artigos 485 usque 495 do Código de Processo Civil de 1973, sendo, porém, desnecessário o depósito prévio a que aludem respectivos arts. 488, II, e 494. Com efeito, a ação rescisória é uma ação autônoma de natureza especial, destinada a desconstituir ou anular decisão de mérito transitada em julgado, em razão da existência de vícios insanáveis. Portanto, a ação rescisória pressupõe uma sentença de mérito transitada em julgado. Urge salientar que não se exige exaurimento de recursos. Deverá ser ajuizada na localidade onde se situar-se o Tribunal, ao qual se subordina o juízo prolator da sentença ou acórdão que se pretende desconstituir. Ou seja, a ação rescisória é de competência originaria dos Tribunais. Embora se trate de sentenças de mérito, o vicio pode ser de natureza procedimental. Além disso, no dizer de Theodoro Junior, quando a sentença é de carência de ação por falta de pressuposto processual ou condição da ação, mas extingue o próprio direito material objeto da lide, ela equivale a uma sentença de improcedência, permitindo assim, o cabimento da rescisória. A natureza jurídica da ação rescisória é de ação de natureza constitutiva negativa, (desconstitutiva) quando julgada procedente, e, de natureza declaratória, quando julgada improcedente. Nos termos do art. 495 do CPC, a rescisória deve ser ajuizada no prazo de dois anos, contados do trânsito em julgado. Como a rescisória é uma ação de natureza constitutiva com prazo de exercício previsto em lei, tal prazo é de decadência, que não se interrompe ou se suspende, devendo o autor ajuizá-la até o ultimo dia do prazo. A prescrição extingue a ação e a decadência extingue o direito. Critério segundo as duas grandes categorias de direito subjetivo. Na primeira categoria encontram-se as pretensões de natureza condenatória (direitos subjetivos stricto sensu). Na segunda categoria estão as chamadas pretensões constitutivas, que modificam uma situação

nº 101168/2012. Correta a decisão monocrática que extingue a ação rescisória. sem resolução de mérito. a prova do transito em julgado da decisão rescindenda é condição que deve ser demonstrada de plano. ao respectivo valor atribuído à condenação. além dos pedidos com suas especificações. o prazo será prescricional. Nas ações condenatórias. para efeito de quantificação do depósito prévio. na petição inicial. já no caso de acolhimento. o prazo será decadencial. Na atribuição de valor da causa em ação rescisória. DJ 29/06/2012.º 31 do Colendo TST. o novo julgamento. o valor da causa será o apurado em liquidação de sentença. entre os quais a apresentação inteligível dos fatos e dos fundamentos jurídicos. Urge Salientar que no processo de execução. 836 da CLT que a ação rescisória esta sujeita ao deposito prévio de 20% (vinte por cento) do valor da causa.0000 AgR. ao valor dado à causa no processo originário ou aquele fixado pelo juiz. total ou parcial do pedido. AGRAVO REGIMENTAL. no caso da ação rescisória vir a ser julgada procedente. se.5. AÇÃO RESCISÓRIA. em lugar da sentença rescindida. Relatora Desembargadora MARIZETE MENEZES . ac. por não atendido o pressuposto processual objetivo consistente no depósito prévio da importância correspondente a 20% do valor da causa previsto no artigo 836 da CLT e na Instrução Normativa n. . É dever de o autor cumular o pedido de rescisão com o novo julgamento. Portanto. a simples anulação da sentença não for suficiente para garantir-lhe a tutela jurisdicional.jurídica então existente (direitos potestativos). o valor da causa corresponderá: no caso de rejeição do pedido. O artigo 488 do CPC exige que a petição inicial da rescisória preencha os requisitos do artigo 282 do mesmo diploma.2011. SUBSEÇÃO I DA SEDI.05. Processo 0001092-67. daí se observa que o autor tanto pode ser o empregado quanto o empregador. salvo prova de miserabilidade jurídica do autor. Nas ações constitutivas. devem-se considerar os parâmetros estabelecidos na Instrução Normativa do TST. Diz o art. e se o tribunal for o órgão competente para proferir. Agravo a que se nega provimento.

(situações tipificadas. do CPC. Mesmo o fato de não ter sido acolhido o impedimento. à rescisória para ser admitida pressupõe dois fatos básicos indispensáveis: a) uma sentença de mérito transitada em julgado. a idéia de que a parte sucumbente sofreu impedimento ou gravame em sua atuação processual”. pode ser rescindida quando: I . qualquer das hipóteses autorizadoras. Decidiu-se o STJ que: “a noção de dolo traz ínsita. próprio do litigante de má-fé. Portanto. Nesse caso é irrelevante “que a exceção de impedimento haja sido oferecida no processo em que se proferiu a decisão rescindenda. sem prejuízo da condenação as custas processuais a honorários advocatícios. Cabe ação rescisória contra sentença proferida por juízo absolutamente incompetente.proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente.316 e 317 do código penal). ou de colusão entre as partes. constantes do art. “em sede de execução de título judicial não é dado ao devedor alegar a incompetência do juízo do processo de conhecimento”. A decisão de mérito é rescindível quando proferida por prevaricação. não procede ao corte rescisório quando não configurada.A sentença de mérito. o deposito feito pelo autor deverá ser revestido ao réu. não inibe a propositura da rescisória”. b) a invocação de algum dos motivos de rescindibilidade dos julgados taxativamente previstos no art. ainda.485 do CPC. nos arts 319. . a fim de fraudar a lei. Art. É rescindível a sentença proferida por juiz impedido. respectivamente. 494 do CPC. no caso concreto. transitada em julgado. O vício deve ser argüido em rescisória.resultar de dolo da parte vencedora em detrimento da parte vencida.Sendo a ação rescisória inadmissível. 485. aqui se trata de dolo processual. Além dos pressupostos comuns para qualquer ação. e não em impugnação à execução de sentença. concussão ou corrupção do juiz. concussão ou corrupção do juiz.se verificar que foi dada por prevaricação. em via de exceção. nos termos da 2ª parte do art. III . 485 . II . Assim. Cabe ação rescisória quando há dolo da parte vencedora e colusão entre as partes.

é rescindível a sentença se aplicado princípio inadequado ou se não aplicado princípio que deveria ter incidido. a qual somente se revela depois da atividade intelectual do aplicador do Direito. ac. V .2011. SUBSEÇÃO I DA SEDI. provada na própria ação rescisória. desistência ou transação. segunda parte. Considera-se documento novo aquele que existia à época do proferimento da decisão rescindenda.depois da sentença. DJ 10/04/2013. 485. é necessário haver nexo causal entre a prova falsa e a decisão rescindenda. FRAUDE À LEI. aquele que tenha sido produzido após a prolação da sentença rescindenda. VI . . de lhe assegurar pronunciamento favorável.ofender a coisa julgada.5. 485. Não se considera documento novo. III. rescindível. Relator Desembargador HUMBERTO JORGE LIMA MACHADO. VIII . portanto. nº 140993/2013. mas que.AÇÃO RESCISÓRIA. A exegese relativa à letra pura da lei não coincide com o conceito de norma. COLUSÃO ENTRE AS PARTES. ou de que não pôde fazer uso. com o claro intuito de fraudar a lei. o autor obtiver documento novo. ou seja. Para configuração da hipótese prevista no art. A sentença que julga pedido que já pesa autoridade de coisa julgada (pressuposto processual negativo) pode ser tida como nula e.se fundar em prova. isto é.05. cuja existência ignorava. em que se baseou a sentença.violar literal disposição de lei: Deve ser admitida ação rescisória contra decisão de mérito que manifestantemente viola a norma jurídica. Processo 0000348-72. a demonstração de que sem a prova falsa a decisão teria sido em outro sentido. na esteira que professam os doutos. devendo assim ser compreendida a expressão “violar literal disposição de lei”. IV . Assim. cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal. do CPC. por si só. na hipótese prevista no art.houver fundamento para invalidar confissão.VI. é necessária prova robusta do prévio ajuste entre as partes litigantes. não pôde ser juntada aos autos da ação original. capaz. portanto. VII . Com efeito. por motivo alheio a vontade do autor da ação rescisória.0000 AR.

não se pronunciado sobre ele” (STJ.Cabe ação rescisória quando.fundada em erro de fato. 23. desistência. J. Humberto Martins). resultante de atos ou de documentos da causa.2010 rel Min.05. Registre-se que o erro de fato a que alude o art. sem nunca ter ocorrido. IX do Código de Ritos diz respeito àquele elemento que. .06. AR 3. Processo 0000594-34. tendo este deixado de perceber ou se omitindo em analisá-lo. já existente nos autos. "Há erro. impondo-se a improcedência da ação rescisória. 485 do CPC. interpretando confissão. Há erro de fato “quando o órgão julgador imagina ou supõe que um fato existiu. ERRO DE FATO.2012.5. quando a sentença admitir um fato inexistente. AÇÃO RESCISÓRIA. IX . 485. o juiz julga o pedido procedente ou improcedente. ou quando considerar inexistente um fato efetivamente ocorrido" Inteligência do § 1º do art. escapa ao conhecimento do Julgador. nº 138498/2013. SUBSEÇÃO I DA SEDI. ou transação realizada pelas partes.0000 AR. ac. 1ª Seção. Relator Desembargador NORBERTO FRERICHS . DJ 26/03/2013. ou quando simplesmente ignora fato existente.394/RJ. No caso em análise não se configurou o erro de fato.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful