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Muitos mundos, muitas vidas

Os planetas estão na moda. Não faz muito tempo, eles chegaram


às manchetes dos meios de comunicação quando se noticiou que
a União Astronômica Internacional, órgão oficial encarregado
destes assuntos, “desclassificou” Plutão, retirando-o do elenco
dos principais astros do sistema solar e rebaixando-o à categoria
de figurante, um mero “planeta-anão”.Dentre os inúmeros
comentários que sempre aparecem nestas ocasiões, um fato
merece ser destacado: o Universo está ficando cada vez mais
povoado.

A nova divisão planetária surgiu da descoberta de um corpo


celeste em nosso sistema solar, semelhante e até um pouco maior
do que Plutão.

O Universo em expansão

Os astrônomos aproveitaram-se da novidade para reconhecer oficialmente o que vem


ocorrendo há algum tempo. Na verdade, com o uso de telescópios e sondas-robô cada vez
mais potentes (o telescópio espacial Hubble ainda à frente de todos eles, como símbolo desta
era) novos astros estão sendo descobertos e os que já eram conhecidos estão sendo
mapeados em detalhes nunca antes imaginados.

A família de satélites naturais continua crescendo sem parar. Júpiter, por exemplo, já tem mais
de 60 luas, e a contagem continua crescendo.

Mas não é só o nosso sistema solar que está ficando mais povoado. Mais de 200 planetas já
foram descobertos, circundando outras estrelas ou até mesmo “desgarrados” no espaço
interestelar.

O que virá em seguida?

A probabilidade de vida extraterrestre vem sendo admitida mais abertamente diante da


constatação de que há muito mais corpos celestes do que poderia imaginar a vã filosofia dos
mais céticos.

Para desagrado dos que acreditam ser a Terra o único planeta habitado, a esta reconhecida
superpopulação do Universo se junta outra certeza consumada: em nosso lar planetário a
diversidade de formas de vida – ainda que primitivas - é imensa. Seres vivos se espalham
teimosamente pelos lugares mais inóspitos e menos prováveis, como o interior das camadas
de gelo nos pólos, os desertos mais escaldantes ou as profundezas do mar, junto a
escoadouros de gases venenosos.

Discute-se a possibilidade de que para existir vida basta que haja água. Por isso os cientistas
buscam em outros planetas formações que indiquem existir, ou ter existido, alguma forma do
precioso líquido.

Com tudo isso, é possível falar em outros mundos e até mesmo em vida fora da Terra, ainda
que os mais renitentes ressalvem se tratar da vida em suas formas mais primitivas.

Caminhando com a ciência

É natural que surjam perguntas sobre a existência de seres inteligentes habitando outras
partes do universo.

Será que tais novas descobertas provam que existem outras humanidades? Sob o prisma da
Doutrina Espírita, este novo universo que se descortina, mais amplo, mais povoado de
planetas e, porque não dizer, fervilhante de vida, surge como conseqüência de um processo de
revelação contínua dos segredos da natureza.

A este processo se referiu ALLAN KARDEC, nas obras básicas da Codificação, especialmente
em A Gênese, livro que cuida da relação da ciência com a religião. É conhecida a sua
afirmação: “O Espiritismo, marchando com o progresso, jamais será ultrapassado porque, se
novas descobertas demonstrassem estar em erro sobre um certo ponto, ele se modificaria
sobre esse ponto; se uma nova verdade se revelar, ele a aceitará” (A Gênese, cap. I, n. 55).

Não se trata, pois, de esperar que a ciência venha a comprovar o Espiritismo e, sim, de
acompanhar a evolução do conhecimento humano para usá-lo como parâmetro do
pensamento crítico que estará presente na forma de ser, pensar e agir dos verdadeiros
seguidores dos ensinamentos de Jesus e dos Espíritos.

É sob este prisma que devemos acompanhar o progresso da ciência, até porque – é também
advertência que encontramos na Doutrina – não é de esperar que venham os Espíritos nos
revelar o que a nós, encarnados, em nossa jornada evolutiva, cabe conquistar.
O Hubble mostrou que o universo está recheado de galáxias,
bilhões delas, cada uma com outros bilhões de estrelas.
Quantos planetas? Quantas civilizações?

A multiplicidade de planetas e a reencarnação

Tendo sempre presentes estas observações nunca demasiadamente repetidas, pode-se então
destacar uma constatação que merece toda a atenção: ambas as doutrinas – a da pluralidade
dos mundos habitados e a da pluralidade de existências estão intimamente ligadas, sendo uma
decorrência da outra.

Sabe-se que GIORDANO BRUNO foi levado à fogueira por defender a existência de infinitos
mundos semelhantes à Terra e afirmar a imortalidade da alma. A exposição de suas idéias
conduz diretamente à idéia de pluralidade das existências. Não por acaso, uma das heresias
que condenaram o sábio italiano à fogueira foi a de que, admitida a sua forma de pensar, o
Cristo haveria de “reencarnar infinitas vezes”.

CAMILLE FLAMMARION, ecoando o pensamento de BRUNO, escreveu:

“Os seres que habitam todos os mundos do espaço são homens que partilham do nosso
destino e esses homens não nos são estranhos, nós os conhecemos ou conhecê-lo-emos um
dia. São da nossa família, pertencem à nossa humanidade. A vida eterna vós a conquistareis,
não pelos trabalhos de uma só existência, mas pelas de muitas vidas consecutivas umas às
outras. Pluralidade de mundos – pluralidade de existências; eis dois termos que se completam
e se iluminam”.
As afirmações do astrônomo francês foram destacadas por BEZERRA DE MENEZES,
que também acrescentou:

Seria indigno da Onipotência e da Onisciência limitar a criação viva e, portanto, o movimento e


a luz, a insignificantíssimo ponto do espaço ilimitado. O simples bom-senso repele essa
concepção e estabelece a oposta: a de haver luz e movimento e, conseguintemente, vida, por
todo o infinito espaço. (...) Também ele consigna a lei da constante e eterna criação de
mundos e a Ciência confirma este postulado, demonstrando que as nebulosas cospem
constantemente nos espaços núcleos de novos mundos. Cada um destes é mais uma habitação
acrescentada à casa do Pai, a qual precisa alargar-se constantemente, porque acontece com a
criação dos espíritos o que se dá com a dos mundos (Freitas Nobre, org.Bezerra de Menezes –
obras completas – vol. I – A Doutrina Espírita. São Paulo: Edicel, 1973, p. 61 e 99. Destaques
em negrito não constantes do original).

Tão belas palavras se mostram adequadas à atualidade, a mostrar a força das idéias
espíritas, podendo-se concluir com o raciocínio imortal de Giordano Bruno, diante da
notícia da descoberta de mundos que se multiplicam indefinidamente: se o Universo se
estende sem limites, “o mesmo se dá com a vida, que nele é abundante e se propaga
ao infinito”.

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