QUESTÕES APLICATIVAS DE DIREITO PENAL I

I – Introdução ao estudo do Direito Penal e Evolução do Direito Penal: 1- O que vem a ser Direito Penal? Conceito de Direito Penal – 'é o conjunto de normas jurídicas voltado à fixação dos limites do poder punitivo do Estado, instituindo infrações penais e as sanções correspondentes, bem como as regras atinentes à sua aplicação' Guilherme de Souza Nucci. É o segmento do ordenamento jurídico que detém a função de selecionar comportamentos humanos mais graves e perniciosos à coletividade, capazes de colocar em risco valores fundamentais para a convivência social, descrevê-los como infrações penais, cominando-lhes as respectivas sanções e as regras necessárias à correta aplicação. Fernando Capez 2- Quais as principais funções desempenhadas pelo Direito Penal? A primeira delas é a indispensável proteção de bens jurídicos essenciais , protegendo de modo legítimo e eficaz os bens jurídicos fundamentais do indivíduo e da sociedade. A segunda função do Direito Penal é a função garantidora ou de garantia. A garantia se expressa na proteção da dignidade do indivíduo supostamente autor de um delito frente ao Estado, ficando este adstrito a atuar somente de acordo com a legalidade e a cumprir os princípios garantidores do Direito Penal elencados na Carta Constitucional e legislação inferior. 3- Diferencie Direito Penal Objetivo e Direito Penal Subjetivo. Direito Penal Objetivo - conjunto de normas jurídicas que definem os crimes, cominam as penas, e disciplinam as demais normas de natureza penal. Direito subjetivo - é o ius puniendi, o direito de punir o infrator da norma penal cuja titularidade é exclusiva do Estado.

4- Discorra sobre os caracteres do Direito Penal. Público - por regular as relações do indivíduo com a sociedade. Normativo – estudo das normas e suas consequências pelo descumprimento. Valorativo - atua na defesa dos valores mais relevantes. Finalista - porque atua em defesa da sociedade. Sancionador - ao cominar sanção protege outra norma jurídica de natureza extra penal. 5- Fale sobre o Direito Penal fundamentado na dignidade humana:

que deve ser modificado e limitado pela lei moral. somente estabelecer as penas para as várias espécies de delitos. Para Carrara . o delito é um "ente jurídico" impelido por duas .Faça um paralelo entre a escola clássica e a escola positiva. César Bonesana. Proclama ainda: só a lei pode fixar a pena para cada delito. maiores expoentes e princípios: Escola Clássica Nessa escola nasce a preocupação com a execução da pena: as leis penais que precederam o Iluminismo previam o encarceramento por tempo indeterminado.com.Princípio da Dignidade da Pessoa Humana – Princípio maior que determina o respeito ao sujeito. além de prescrever penas para quem nelas incorrer. tanto na criação de delitos como ao aplicar a lei. Marquês de Beccaria.ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. b) Jurídico ou prático: seu maior expoente foi Francesco Carrara. podemos distinguir dois grandes períodos: a) filosófico ou teórico: destaca-se Cesare Beccaria. inciso III. a lei não deve considerar nenhum caso especial. utilitário. A sociedade é o fruto de um pacto livre estabelecido pelos cidadãos com o soberano. como a tortura e a pena de morte. publicou “Dos Delitos e Das Penas” que criticava as leis penais vigentes. O fundamento constitucional da humanização da pena está no art. III . político. sem interromper o espírito da lei. Depois da publicação de Montesquieu. abolição da tortura para obter confissão. no contratualismo e no jusnaturalismo.” em nenhuma situação o condenado poderá ser tratado com crueldade. a pena é tanto mais justa quanto menos exceda os limites do estritamente necessário e quanto mais se concilie com a máxima liberdade dos cidadãos. A Escola Clássica de Direito Penal tem origem na filosofia grega.netsaber. da Constituição Federal de 1988: “Art. Dignidade Da Pessoa Humana E Direito Penal por Ana Silvia Marcatto Begalli - http://artigos. fundamentos. abolição da pena de morte. “O Espírito das Leis”. Esse princípio é a origem dos direitos humanos consagrados em nossa Lei Maior: o direito penal possui a função de descrever as condutas que são definidas como crime. destacando as suas origens. que sustentava ser o Direito afirmação da justiça. e nenhum tipo de barbaridade é admitido em nosso ordenamento jurídico. ao juiz corresponde unicamente ajustar o caso à letra da lei. poderes ilimitados aos juízes e tortura como meio de obtenção de confissão. como a Legalidade. Estabelece limites à liberdade de seleção típica do legislador. diversos de seus ensinamentos constituem ponto de partida obrigatório para o estudo e a compreensão de institutos jurídicos penais. autor de Programa Del corso di diretto criminale (1859). Os sistemas contratual e natural dispensam hoje maiores comentários e explicações. mas se apresentam como uma conquista capital em relação ao Estado absoluto até então dominante. 5º. as penas excessivas e cruéis devem ser abolidas. Nesta escola. Ocorre que é necessário também frear o Estado em seu afã de punir. que proclama a necessidade de se atribuir um novo fundamento à justiça penal. a Presunção da inocência e o Propósito da pena.br/artigos_de_ana_silvia_marcatto_begalli 6. 5ª. Além disso. defendia ideias que hoje chamamos de Princípios Basilares Do Direito.

e a moral. f) o delinqüente é. consoante a lei da evolução. já que constitui a violação de um direito. . O movimento criminológico do direito penal teve como seu pioneiro o médico psiquiatra. a pena e o processo. resultante de um ato externo do homem.o criminoso apresenta sinais físicos e morfológicos específicos. b) o delito é um ente jurídico.a causa de degeneração que conduz ao nascimento do criminoso é a epilepsia. publica. O método que deve ser utilizado no seu estudo é o experimental. Criou a Antropologia Criminal e a figura do criminoso nato. promulgada para proteger a segurança dos cidadãos.o criminoso é um ser atávico e representa uma regresso do homem ao primitivismo. ele é o resultado da vida em sociedade e sujeito variações no tempo e no espaço. porém suprime o senso moral. influenciando no direito penal. Foi um movimento naturalista do séc. segundo Regis Prado: a) o Direito tem uma natureza transcendente. Ele já nasce delinqüente. célere e justa.existe a “loucura moral”.o crime é um fenômeno biológico. como outros nascem sábios ou enfermos. que pregava a supremacia da investigação experimental em oposição à indagação puramente racional. moralmente imputável e politicamente danoso". A sanção penal deve ser aflitiva. italiano. e) o método utilizado é o dedutivo ou lógico-abstrato. positivo ou negativo. certa. em regra. Escola Positiva A Escola Positiva se dizia socialista e proclamava outra concepção de direito: para os positivistas. . g) os objetos de estudo do Direito Penal são o delito. segundo o qual. a vontade consciente do criminoso. não um ente jurídico. A causa dessa regressão é o processo conhecido em biologia como degeneração. que aparentemente deixa íntegra a inteligência. e preferiu o último. só é crime o fato que infringe a lei penal. Suas ideias: . . que estudou o delinqüente do ponto de vista biológico e considerou o crime como uma manifestação da personalidade e produto de várias causas. Linhas basilares dessa escola. O Direito Penal tem sua gênese e fundamento na lei eterna da harmonia universal. e não o lógico-dedutivo.forças: a física. Consagra com isso o princípio da reserva legal ou da legalidade. e professor de Turim César Lombroso. um homem normal que se sente livre para optar entre o bem e o mal. . ao . XVIII. exemplar. que é o movimento corpóreo e o dano do crime. c) a responsabilidade penal é lastreada na imputabilidade moral e no livre-arbítrio humano d) a pena é vista como meio de tutela jurídica e como retribuição de culpa moral comprovada pelo crime. Carrara define o crime como "a infração da lei do Estado. proporcional ao crime. segue a ordem imutável da lei natural.

depois de mencionar expressamente uma hipótese . Para ele. Discípulo de Lombroso. quando esta utiliza expressões genéricas. Procurou um conceito uniforme de crime. omissões e aplicando-se norma existente a caso semelhante.É possível o uso da analogia em Direito Penal? E da interpretação analógica? Explique: Analogia – processo de integração do sistema normativo. A pena tem por escopo a defesa social. mas. Habitual. são referentes à divulgação e conhecimento. A pena tendo por fim a defesa social e não a tutela jurídica: a pena é medida de defesa social. que é a "ofensa feita" à parte do senso moral formada pelos sentimentos altruístas de piedade e justiça. enquan to fontes formais mediatas são os costumes e os princípios gerais de direito. 8 . Louco. A Escola Positiva tem a sua maior figura em Henrique Ferri. físicas e sociais : o crime é um fenômeno sujeito às influências do meio e de múltiplos fatores. a piedade e a justiça. oriundo de causas biológicas. A interpretação analógica é uma operação intelectual consistente em revelar o conteúdo da lei. Não há criação de norma. exclusivamente. mas um fato humano. A responsabilidade social como decorrência do determinismo e da periculosidade : a responsabilidade penal é responsabilidade social. http://monografias. no homicídio qualificado por motivo torpe: “Mediante paga ou promessa de recompensa. No Direito Penal brasileiro é somente admitida 'in bonam partem'. O delito não é um ente jurídico. por viver o criminoso em sociedade. Assim. suprindo-se lacunas. Divi dem-se em imediatas e mediatas. ressaltava a importância de um trinômio causal do delito: fatores antropológicos.Passional. sociais e físicos. e que o delito é uma lesão desses sentimentos. Fonte formal imediata é a lei ou norma penal. Sustentava que existe no homem dois sentimentos básicos. mas portador de anomalia no sentido moral. exigindo o estudo pelo método experimental.Ocasional. O iniciador do positivismo italiano foi Rafael Garófalo. não havendo correspondência entre ela e o crime.lado da explicação biológica do crime. Distinguiu os criminosos em cinco categorias: Nato. por sua vez. e tem por base a sua periculosidade. visando à recuperação do criminoso ou a sua neutralização. Buscou criar o delito natural. ou por outro motivo torpe”. O crime é fenômeno natural e social. resultante de fatores endógenos e exógenos. criador da Sociologia Criminal.com/direito/a-historia-as-ideias-direito-penal. As características Escola Positiva: Método indutivo: o crime e o criminoso devem ser expostos à observação e à análise experimental. a pesquisa de sua extensão.brasilescola. O legislador. delinqüente não é um ser normal.htm II – Fontes do Direito Penal e Interpretação do Direito Penal: 7 O que são e quais são as fontes mediatas e imediatas do Direito Penal? As fontes formais. vinculadas a especificações. A sanção pode ser aplicada antes da prática delituosa.

com o que fica abrangido. III. utiliza expressão genérica. 2003. estamos diante de uma norma penal em branco heterogênea. restritiva e extensiva.O que são normas penais em branco? Diferencie normas penais em branco em sentido lato e em sentido abstrato: Normas penais em branco são aquelas em que há uma necessidade de complementação para que se possa compreender o âmbito da aplicação de seu preceito primário. explique o que se dá a interpretação declaratória.blogspot.Indique e comente as características da norma penal: Exclusividade somente a lei em sentido formal (art. Paulo: Saraiva. se qualquer dos crimes é cometido: . Geralidade (“erga omnes”) . 11 .html http://estudosdedireitopenalpartegeral. S.br branco. 28 da Lei de Entorpecentes.com.declaratória: há perfeita correspondência entre a palavra da lei e a sua vontade. presidente da ABA – Associação Brasileira de Advogados – www. nula poena sine lege”. por exemplo. Imperatividade impõe-se coativamente a todos. quando o seu complemento é oriundo da mesma fonte legislativa que editou a norma que necessita desse complemento. Parte Geral. ou em sentido estrito.No que se refere a interpretação do Direito Penal quanto ao resultado. p.343/2006. Fonte: Damásio (Direito Penal. Normas penais em branco homogêneas (em sentido lato). pela norma. 141.br/2009/06/normas-penais-em- 10 . No caso do art. As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço. de observância obrigatória. Exemplifique: . foi editada pelo Congresso Nacional (Poder Legislativo).adv. qualquer caso estigmatizado pela torpeza. Exs: Art. Impessoalidade impessoal e indistintamente a todos. CF) pode criar preceitos e sanções: “Nulum crimen. é quando o seu complemento é oriundo de fonte diversa daquela que a editou.aba.dirigem-se a todos.de torpeza (paga ou promessa de recompensa). 46) 9 . Anterioridade a lei que tem que ser anterior ao fato. . Professor Esdras Dantas de Souza. 59. uma vez que o complemento necessário ao referido artigo foi produzido por uma autarquia (ANVISA) veiculada ao Ministério da Saúde (Poder Executivo) e a Lei 11. normas penais em branco heterogênea .

a interpretação deve ser sempre restritiva quando a norma for prejudicial ao réu. [7] 12 . a linguagem utilizada na lei é mais ampla que o significado da norma. diz que a emoção e a paixão não excluem a imputabilidade. por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso. Sem mandado para tanto. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. Art. que limita o alcance das palavras da lei até o seu sentido real. quebraram a golpes de cacetete o aparelho de som do acusado e o espancaram até a morte Graças à grande repercussão do caso na imprensa. de 1 (um) a 3 (três) anos.Discorra sobre a possibilidade do emprego de argumento analógico no que tange às normas penais não incriminadoras gerais e excepcionais. entraram na casa. da difamação ou da injúria. ou por duas ou mais pessoas: Art.extensiva: a letra da lei ficou aquém da sua vontade. 11. Surge. (se a exposição já é crime. de 28-3-2005. I – de quarta parte. ou seja. 226. ou por meio que facilite a divulgação da calúnia. então. de que sabe ou deve saber que está contaminado: Pena – detenção. à noite. um cidadão negro e pobre foi espancado dentro de sua casa por policiais que foram atender a ocorrência. é lógico que o contato também será) Restritiva: algumas vezes. os citados policiais foram punidos com prisão.III – na presença de várias pessoas. De acordo com o STJ. se o crime é cometido com o concurso de 2 (duas) ou mais pessoas. haverá a exclusão se a emoção ou paixão deixar a pessoa louca. portanto.º Se o crime é cometido durante a noite. clandestina ou astuciosamente. a contágio de moléstia venérea. ou multa. Entrar ou permanecer. . Diz menos do que pretendia dizer. do CP. 150. Acusado de perturbação do sossego público por promover uma festa com música em alto volume no horário noturno. a interpretação restritiva. Art.106. 28. por exemplo. ou em lugar ermo. para o fim de cometer crimes: Pena – reclusão. I. A pena é aumentada: •• Caput com redação determinada pela Lei n. Expor alguém. O art. ou com o emprego de violência ou de arma. em quadrilha ou bando. 130. A interpretação deve ampliar o seu significado. ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito. Art. diz mais do que se desejava dizer. inimputável. Porém. Associarem-se mais de três pessoas. 288. em casa alheia ou em suas dependências: § 1. .

nos termos do artigo 42 do Decreto-lei 3688/41. A lei penal e os "excluídos": as meta-regras do rigor. Note-se que. 128. Regis Prado. II. de modo que como se trata de jus singulare. que deve ser interpretada restritivamente. p. n. que determina que a invasão do domicílio é lícita quando ocorrer "a qualquer hora do dia ou da noite.23. segundo Luiz Regis Prado [06]: Apesar de defendido. tal dispositivo. como se trata de jus singulare. ainda que in bonam partem" (Curso de direito penal brasileiro: parte geral. 2006 . CP). p. por sinal. afirma que a norma penal não-incriminadora excepcional. que diz respeito à invasão de domicílio (neste caso. contudo.: atentado violento ao pudor). Acesso em: 10 abr. por duas ou mais pessoas). inclusive na área jurídico-penal. 1123. 88).com. em opinião singular. o art. o emprego do argumento analógico. Yvana Savedra de Andrade. por analogia a outros casos em que a gravidez seja decorrente de delito sexual (ex. em princípio. ainda na edição de 1985. Teresina.br/revista/texto/10130/interpretacao-e-analogia-em-face-da-lei-penal- brasileira/3#ixzz2Q5htX4jB . Se considerado o artigo 150 do Código Penal. discorda. concorda com ele. 29 jul. A grande maioria dos penalistas. in casu. 1985. do Código Penal. é norma penal nãoincriminadora excepcional ou singular em relação à norma não incriminadora geral (art. II.23. em princípio. não é de ser aplicado o procedimento analógico. cabe advertir que é vedado o recurso analógico diante de norma penal não-incriminadora excepcional ou singular em relação à norma não-incriminadora geral (art. Pelo que. Jus Navigandi.br/revista/texto/8711>. Assim. não é de ser aplicado o procedimento analógico. São Paulo: RT. 2000. do CP. à noite e com emprego de violência. quando algum crime está ali sendo praticado ou na iminência de o ser" (sem grifo no original). nos apontava um impedimento de ordem técnica. Coisas do passado? Nem sempre. a fim de tornar lícita a intervenção em caso de prática de contravenção penal [sem grifo no original]. relacionado com o caráter excepcional da regra do artigo 128. ainda que in bonam partem. Leia mais: http://jus. II ( Lições de direito penal: a nova parte geral . 2ª ed. 128. 2013. Luiz Regis Prado entende "que a regra do art. ao estabelecer a impunidade do aborto se a gravidez é resultante de estupro não seria aplicável.com. Por exemplo: cabe ou não cabe analogia in bonam partem na hipótese de aborto praticado por médico em mulher cuja gravidez é derivada de violência diversa do estupro? Já vimos que Magalhães Noronha opinava pela afirmativa. CP).Perturbar o sossego público é uma contravenção penal. Servindo-se de especialistas em hermenêutica. ano 11. BARREIROS. Rio de Janeiro: Forense. 103). poderia ser analisado a partir do seu parágrafo terceiro. não se aplica por analogia a outros casos. inciso segundo. Disponível em: <http://jus. A maioria da doutrina. Mas Heleno Cláudio Fragoso.

o princípio de legalidade e de reserva legal representam a garantia política de que nenhuma pessoa poderá ser submetida ao poder punitivo estatal. Além disso. 2012 14 – Diferencie: a – princípios da individualização e da personalidade das penas. nenhum fato pode ser considerado crime e nenhuma pena criminal pode ser aplicada sem que antes da ocorrência desse fato exista uma lei definindo-o como crime e cominando-lhe a sanção correspondente. da Constituição Federal . a exemplo da brasileira. estão organizadas por meio de um sistema político democrático. 5º . a elaboração de normas incriminadoras é função exclusiva da lei. XXXIX. art. A lei deve definir com precisão e de forma cristalina a conduta proibida. indique o seu fundamento de ordem pública. O Direito Penal moderno se assenta em determinados princípios fundamentais. A sua dicção legal tem sentido amplo: não há crime (infração penal). nem pena sem prévia cominação legal”. Desta feita. podemos perceber que a responsabilidade deve ser individual. fundamentar ou agravar penas (nullum crimen nulla poena sine lege stricta). 5º. que tem base constitucional expressa. d) Proibir incriminações vagas e indeterminadas (nullum crimen nulla poena sine lege certa). Assim. para aquelas sociedades que. 1º). seu objetivo e suas conseqüências jurídicas: a) Princípio da Legalidade ou da reserva legal: Não há crime sem lei anterior que o defina. da reserva legal ou da intervenção legalizada. No que diz respeito a este princípio. entre os quais sobreleva o da legalidade dos delitos e das penas. o princípio da legalidade tem quatro funções fundamentais:a) Proibir a retroatividade da lei penal (nullum crimen nulla poena sine lege praevia). ao proteger os direitos e garantias fundamentais. XXXIX e Código Penal (CP) art. até o limite do valor do patrimônio transferido".c) Proibir o emprego da analogia para criar crimes.Cezar Roberto Bitencourt. →Princípio da Personalidade – a pena deve ser atribuída à pessoa do réu. determina que “não haverá crime sem lei anterior que o defina. isto é. a Constituição brasileira de 1988. posto que ninguém pode .b) Proibir a criação de crimes e penas pelo costume (nullum crimen nulla poena sine lege scripta). inc. que somente os regimes totalitários o têm negado4.É personalíssima. próprios do Estado de Direito democrático.O princípio da legalidade das penas e das normas é norteador do Direito Penal pátrio. XLV . 5º. nos termos da lei. que assim dispõe: "nenhuma pena passará da pessoa do condenado. Assim. nem pena sem prévia cominação legal (CF/88. O princípio da legalidade constitui uma efetiva limitação ao poder punitivo estatal. Tal princípio está previsto no art. O princípio da legalidade é um imperativo que não admite desvios nem exceções e representa uma conquista da consciência jurídica que obedece a exigências de justiça. Tratado de Direito Penal 1 . se não com base em leis formais que sejam fruto do consenso democrático. podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser. nem pena ou medida de segurança (sanção penal) sem prévia lei (stricto sensu). estendidas aos sucessores e contra eles executadas.III – Princípios de Direito Penal: 13 . seguindo a orientação moderna. em seu art.Parte Geral .

5º. ou não haverá adequação típica. decorrendo daí o seu caráter fragmentário. devendo cada qual receber apenas a punição que lhe é devida. A tipicidade exige um mínimo de lesividade ao bem jurídico protegido. II da LEP Art. XLVI da CF Arts. 34 do CP b – princípios da intervenção mínima e da insignificância. O Direito Penal limita-se a castigar as ações mais graves praticadas contra os bens jurídicos mais importantes. parágrafo único.responder criminalmente além dos limites da própria culpabilidade. em detrimento de condutas efetivamente danosas e que provocam desequilíbrio efetivo nas relações jurídicas em sociedade. Pelo princípio da intervenção mínima. 41.Por que o Direito Penal é considerado a “ultima ratio”? . É o princípio que garante que as penas dos infratores não sejam igualadas. Cada réu recebe a pena de acordo com a sua culpabilidade. A fragmentariedade e a subsidiariedade são duas características do Direito Penal que se relacionam com o princípio da intervenção mínima. o Direito Penal deve se abster de intervir em condutas irrelevantes e só atuar quando estritamente necessário.para condutas incapazes de lesar o bem jurídico. Fundamentação: • • • Art. XII e 92. Em síntese funciona como uma recomendação geral aos operadores do direito e em especial aos membros do Ministério Público e aos julgadores em todas as instâncias para que não se detenham na dedicação de incriminar condutas de pouca ou nenhuma expressão econômica ou social. 8º. que não causam maiores danos sociais ou materiais. O princípio da insignificância tem suporte na premissa de que o Direito Penal não deve se ater às condutas de pequena monta. independente da prática de mesma conduta. (não reconhecido quando há ameaça à pessoa). Cezar Roberto Bitencourt (2003. Isto porque. 15 . mesmo que tenham praticado crimes idênticos. Cezar Roberto Bitencourt explica sobre a primeira característica:Nem todas as ações que lesionam bens jurídicos são proibidas pelo Direito Penal. →Príncípio da Individualização – a pena deve ser individualizada. 5º. 11) afirma que o princípio da intervenção mínima é aquele que orienta e limita o poder penal violento do Estado. cada indivíduo possui um histórico pessoal. uma vez que se ocupa somente de uma parte dos bens jurídicos protegidos pela ordem jurídica → Princípio da Insignificância ou Bagatela . Para que este último seja aplicado faz-se necessário o esgotamento de todos os meios extrapenais de controle social existentes. p. como nem todos os bens jurídicos são por ele protegidos. mantendo-se subsidiário e fragmentário. Não se pode aplicar uma pena a um grupo de pessoas.

quero dizer que o Direito Penal somente deve intervir nos casos de ataques muito graves aos bens jurídicos mais importantes. são estas que devem ser empregadas e não as penais. preconizando que a criminalização de uma conduta só se legitima se constituir meio necessário para a proteção de determinado bem jurídico. por sua pertinência. A abolitio criminis configura uma situação de lei penal posterior mais benigna. visa-se tutelar todos os bens que.O que vem a ser a “abolitio criminis”? Qual a sua natureza jurídica e os seus efeitos? a) Abolitio criminis — Ocorre abolitio criminis quando a lei nova deixa de considerar crime fato anteriormente tipificado como ilícito penal. recorrendo-se apenas quando não seja possível a aplicação de outro tipo de direito. CONDE: Penal necessário. mesmo em fase de execução. isto é. o Direito Penal deve ser a ultima ratio.IDECRIM http://www. que deve atingir. e de que o Estado não tem mais interesse na punição dos autores de tais condutas. não sob o ponto de vista econômico. partindo da presunção de que a lei nova é a mais adequada. Diz-se que o Direito Penal é a ultima ratio.br/index. fatos definitivamente julgados. Instituto Jurídico Roberto Parentoni . etc. é o último recurso ou último instrumento a ser usado pelo Estado em situações de punição por condutas castigáveis. "O poder punitivo do Estado deve estar regido e limitado pelo princípio da intervenção mínima. deve atuar somente quando os demais ramos do Direito revelarem-se incapazes de dar tutela devida a bens relevantes na vida do indivíduo e da própria sociedade. administrativo. permanecendo os civis. por exemplo. Se para o restabelecimento da ordem jurídica violada forem suficientes medidas civis ou administrativas. a sua criminalização será inadequada e desnecessária. trabalhista. também conhecido como ultima ratio. A lei nova retira a característica de ilicitude penal de uma conduta precedentemente incriminada. ou seja. A abolitio criminisfaz desaparecer todos os efeitos penais. Com efeito. merecem fazer parte daquele pequeno círculo que. segundo um critério político. pedimos venia para transcrever: “O inquérito policial . Bonfim e Capez elencam os efeitos práticos da abolitio criminis.com. inclusive. que varia de acordo com as mutações experimentadas pela própria sociedade. aquela retroage para afastar as consequências jurídico-penais a que estariam sujeitos os autores (art. 2º do CP).php/direito/13-direito-penal IV – Lei Penal no Tempo e Conflito Aparente de Leis 16 . Com isto. o princípio da intervenção mínima . Sobre não o podem Direito ser suficientemente Mínimo e protegidos pelos demais leciona ramos MUNÕZ do Direito. Com o Direito Penal. orienta e limita o poder incriminador do Estado. É uma expressão com origem no Latim e frequentemente empregada no Direito. mas sim sob o enfoque político.idecrim. Se outros meios de controle social revelarem-se suficientes para a tutela desse bem. Por isso. As perturbações mais leves do ordenamento jurídico são objeto jurídico de outros ramos do Direito". civil.O que é Ultima ratio: Ultima ratio significa “última razão” ou “último recurso”. Nessa hipótese. por serem extremamente valiosos.

Inquérito Policial e Penal – trancados e extintos. 2º. exterioriza a consciência geral sobre aquele fato. Revoga tipo penal incriminador. no entanto. segundo o qual cessam apenas os efeitos penais da condenação”9.Em que consiste a extratividade da lei penal mais benéfica? O fenômeno jurídico pelo qual a lei regula todas as situações durante seu período de vida.ou o processo são imediatamente trancados e extintos. Na hipótese de abolitio criminis não subsiste. do Código Penal. A 'lex gravior' não retroage. Aliás. Tratado de Direito Penal 1 . Quando a lei regula situações passadas.Lei posterior que agrava a situação do agente no caso concreto. inclusive. http://www. se o condenado já tiver cumprido a pena. ocorridas antes do início de sua vigência. Aspecto que merece também pequena consideração é a situação da lex mitior durante o período de vacatio legis: afinal. demonstra renúncia ao direito de aplicá-la.Na “novatio legis in pejus”a nova lei retroagirá? Explique: “Novatio legio in pejus” .com/site/index. denomina-se atividade. mesmo transitada em julgado. ocorre a chamada extra-atividade. aos processos com decisão condenatória já transitada em julgado. para dela afastar a condenação que existiu. isto é. em face do disposto no art. Não cessam os extrapenais. isto é. a 'lex mitior' é a lei anterior. que á a exceção. a que impõe mais restrições à liberdade do acusado. se já houve sentença condenatória. A lei nova. de vigência.php?p=concurso&id=9 A lex mitior — seja abolitio criminis. por fato que não é mais crime. havendo necessidade de atenuá-la. na verdade. nem a execução da pena. pelo princípio da irretroatividade da lei mais severa. aos fatos delituosos cujos processos ainda não foram iniciados e. Por outro lado. “Abolitio criminis” . cessam imediatamente sua execução e todos os seus efeitos penais. os efeitos extrapenais ( sic). caput. a extra-atividade denomina-se retroatividade.Cezar Roberto Bitencourt.Lei posterior deixa de considerar um fato como criminoso. Se o próprio Estado reconhece que a pena antiga era muito severa.Parte Geral . seja qualquer alteração in mellius — retroage e aplica-se imediatamente aos processos em andamento. A extra-atividade pode ocorrer com situações passadas ou futuras. subsistem. que é seu efeito principal. 18 . mais benigna. aplica-se retroativamente . A lei só poderá retroagrir em benefício do réu. A atividade da lei é a regra. terá sua folha de antecedentes inteiramente corrigida. inclusive. Retroatividade e ultratividade da lei penal mais benéfica O princípio da irretroatividade vige somente em relação à lei mais severa. isto é. quando se aplica mesmo após a cessação de sua vigência. Cessa a execução da sentença e os efeitos penais principais e secundários. 6. Nesse caso. Quando a lei regula situações fora do seu período de vigência. principais e secundários. a extra-atividade será chamada de ultraatividade. entendendo que a sua punição deve ser mais branda. uma vez que não há mais razão de existir. 2012 17 .alexandremagno.

por exemplo. representa o novo pensamento do legislador sobre o tema de que se ocupa. em razão de o resultado vir a produzir-se sob o império de outra lei incriminadora. mesmo que ainda se encontre em vacatio legis. pois é nesse momento que o indivíduo exterioriza a sua vontade violando o preceito proibitivo. praticada licitamente sob o império de uma lei. assim. Logo. a seu tempo. 20 – Indique e explique qual a teoria acolhida pelo atual Código Penal quanto ao tempo do crime e suas principais implicações jurídicas. 4º Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão. Seguindo a orientação do Código Penal português. evidentemente. poder ser considerada crime. implicitamente. Assim. nos crimes permanentes. O Código. as leis temporárias e excepcionais serão aplicadas aos fatos ocorridos enquanto estava em vigor. Isso evita o absurdo de uma conduta. Silva Franco 12 corrobora esse entendimento: “O efeito retroativo da norma penal benévola. como ocorre. ser aplicada. visa atender a situações de anormalidade social ou de emergência. parte. adota algumas exceções à teoria da atividade. mesmo esgotada sua vigência. bem como as transformações que ele representa no ordenamento jurídico-penal. se mais favorável ao réu”11. Hungria. portanto. Adota-se. devendo. e nos de bigamia. a sua imediata eficácia é inegável. da data em que o fato se torna conhecido (art.Cezar Roberto Bitencourt. produto. por sua vez. A lei excepcional. Não possui prazo pré-estabelecido.Parte Geral . o ordenamento jurídico concede a essas leis ultratividade gravosa. na mesma linha. não sendo possível ignorar a existência do novo diploma legal. este passa a existir no mundo jurídico. já sustentava orientação nesse sentido: “A lei em período de vacatio não deixa de ser lei posterior. determinado em nível constitucional. por exemplo: o marco inicial da prescrição abstrata começa a partir do dia em que o crime se consuma. ainda que outro seja o momento do resultado”. Modernamente. Sua edição visa controlar uma situação sui generis. para que tenham a força intimidativa buscada pelo poder legiferante. 2012 19 . que foge aos padrões corriqueiros. de falsificação e alteração de assentamento do registro civil. a Reforma Penal de 1984 define expressamente o tempo do crime: “Art. no estado de sítio. Essas duas espécies de lei possuem uma característica em comum: ambas são editadas em situações extraordinárias. lei essa que está desde então. 111). do dia em que cessa a permanência. Sua edição ocorre em situações transitórias de emergência. e não pode ser obstaculizada a sua aplicação retroativa quando configurar lei penal mais benéfica. . dotada de imediata eficácia e que não pode ser obstaculizada por nenhum outro motivo” Tratado de Direito Penal 1 . porque existente no mundo jurídico.Qual o significado da ultratividade gravosa das leis penais excepcionais ou temporárias? A lei temporária é aquela em que o prazo de sua vigência é pré-estabelecido. a teoria da atividade. da publicação da lei sucessiva ao fato criminoso. como. de novas valorações sociais. pois. vigendo enquanto não cessar o fato que motivou sua edição. desde logo. Portanto.ou não? No momento em que é publicado um novo texto legal.

outro em 20/02/02 e o último em 15/03/02. que permite a combinação de duas leis. nada impede que se possa selecionar parte de um todo e parte de outro. nosso Código Penal . Por princípio excepcional. 2925). que é a mais favorável. Curso de direito penal . em 14/03/02 houve mudança legislativa a pena de estelionato deixou de ser de 1 a 5 anos de reclusão. Fernando Capez. é possível conjugar os aspectos favoráveis da lei anterior com os aspectos favoráveis da lei posterior? Bustos Ramirez.No crime continuado (art. para 2 a 8 anos de reclusão. qual a dominante? de acordo com os princípios gerais do Direito Penal intertemporal. como afirma. 71). acompanhando a doutrina majoritária. mais rigorosa.É possível a conjugação de leis? Havendo mais de uma posição. o agente pratica três estelionatos (art. . 13 mar. Um em 10/02/02. Fernando. como também não pode ser aplicada a lei da época do fato. que. só poderá ser aplicada a lei intermediária. como é o caso da norma penal em branco. favorável ao réu. não passa de simples interpretação integrativa. deve-se aplicar a lei mais favorável. consequentemente. p. a lei intermediária tem dupla extra-atividade: é. Marco Aurélio. mas tratados como se fosse crime único (tratamento próprio do concurso formal). abraçou a teoria da atividade. A nosso juízo. o Supremo Tribunal Federal. o juiz sempre está configurando uma terceira lei. Volume I. Assim. 171 do CP). DJU. quanto ao momento do crime. e atual. se é permitido escolher o “todo” para garantir tratamento mais favorável ao réu. editou a súmula 711. ao mesmo tempo. Rel. 1992. para atender a uma regra constitucional que deve estar acima de pruridos de lógica formal17. (CAPEZ. pois. não pode ser aplicada pelo princípio geral da irretroatividade. com o seguinte teor: “a lei penal mais grave aplica-se ao crime . Neste período.parte geral. segundo o qual. admite a combinação de leis no campo penal. atendendo a conveniência político-criminal (CP. No mesmo sentido era o entendimento de Frederico Marques.Cezar Roberto Bitencourt. aplicandose sempre os dispositivos mais benéficos. que tem como conseqüência primordial a imputabilidade do agente que deve ser aferida no exato momento da prática do delito. Tratado de Direito Penal 1 . O Supremo Tribunal Federal teve oportunidade de examinar essa matéria e decidiu pela possibilidade da conjugação de leis para beneficiar o acusado (HC 69. admissível na atividade judicial. Se a lei intermediária for a mais favorável. p. uma outra questão tormentosa a ser analisada no conflito intertemporal: na busca da lei mais favorável. 67). a rigor. esse é o melhor entendimento.São Paulo: Saraiva. 71 do CP). mais rigorosa. 21 . Nessa hipótese. deverá ser aplicada. 2007. 2012 22 . Nesta situação qual a lei que deve ser aplicada? Explique: Não sei qual posição tomar. Min.Segundo o aplaudido Prof. De acordo com Súmula 711 do STF Quanto aos crimes continuados. nunca há uma lei estritamente completa. na mesma cidade. pouco importando a data em que o resultado venha se efetivar. art. que em verdade são vários crimes (concurso material de crimes).Parte Geral . a lei posterior.033-5. retroativa e ultra-ativa! Finalmente. 11ª Edição rev. enquanto há leis especialmente incompletas.

antes de cessar a sua execução. mesmo mais grave. 119 do Código Penal determina que. Não se pretenderá. cada uma em si mesma criminosa. a continuação delitiva será regida. em sua integralidade. tão somente para efeitos de dosimetria penal. e é exatamente essa característica. como um crime único. convém destacar. é inconstitucional a Súmula 711. não só viola o secular princípio da irretroatividade da lei penal. É necessário. . são consideradas crime único. que. realizando-se no plano fático (e esse fato exige a mantença do elemento subjetivo. não pela lei que vigora à época do primeiro crime. O texto da Súmula 711. na medida em que não se pode confundir alhos com bugalhos: nunca se poderá perder de vista que o instituto do crime continuado é integrado por diversas ações. se o agente comete crime continuado durante meses seguidos. 5º. mas do último. Por outro lado. apresentamos seriíssimas restrições à indigitada Súmula 711. Não se pode esquecer. razão pela qual passaram a ter tratamento idêntico ao dos crimes permanentes. isto é. como o da irretroatividade da lei penal mais grave . determinando a aplicação retroativa de lei penal mais grave . em se tratando de concurso de crimes. Essa previsão resta prejudicada se for dada eficácia plena à indigitada Súmula 711. certamente. por outro lado. especialmente para ampliar a punibilidade de ambos. a nosso juízo. que entre em vigor o novo diploma legal mais grave antes de cessar a permanência da infração penal. salvo para beneficiar o infrator. isto é. praticadas em momentos. editada pelo STF. ferindo princípios sagrados. por motivos de política criminal. ninguém ignora que o crime continuado é composto por mais de uma ação em si mesmas criminosas. estabelecendo. Contudo. venia concessa. a extinção da punibilidade incidirá em cada um dos crimes. pois o fato. de acordo com Cezar Roberto Bitencourt Considerando que crime continuado e crime permanente são institutos distintos. Admitir. no que se refere ao crime continuado. estará impondo pena (mais grave) inexistente na data do crime para aqueles fatos cometidos antes de sua vigência. locais e formas diversas. da Constituição Federal: a lei penal não retroagirá. Enfim. isto é. tenha aplicação imediata. XL. ou seja. como ignora o fundamento da origem do instituto do crime continuado. como pretende a Súmula 711 do STF. em outros termos. equipará-los. que se justificaque sobrevindo lei nova. se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência”. Porém. da cessação da continuidade. um tratamento unitário a uma pluralidade de atos delitivos. que considera que os crimes subsequentes devem ser tidos como continuação do primeiro. O crime permanente é uma entidade jurídica única. a retroatividade de lei penal mais grave para atingir fatos praticados antes de sua vigência. é uma opção de alto risco. ainda que seja a mais gravosa. foi exatamente esse mesmo fundamento que justificou o disposto no art. do dolo). relativamente à entidade crime continuado. cuja execução alonga-se no tempo. Assim. isoladamente. que “o crime continuado é uma ficção jurídica concebida por razões de política criminal. determinando uma forma especial de puni-los” 28. que a lei considera. por ficção jurídica. insinuar que o enunciado da Súmula 711 do STF relativamente ao crime continuado beneficia o infrator! Por certo. convém destacar que o art.continuado ou ao permanente. manter-se por algum período mais ou menos longo. no caso de sucessão de normas. para a hipótese de crime continuado. ainda está sendo executado. mesmo no Brasil de hoje.

Curso de Direito Penal. Alberto Silva – Código Penal e sua Interpretação Jurisprudencial Mirabete. Fernando. Celso – Código Penal Comentado Franco. . Julio Fabrini – Manual de Direito Penal. volume I. Cezar Roberto – Manual de Direito Penal – Parte Geral Prado. RT. Sairava. José Frederico. Vol. Cezar Roberto – Lições de Direito Penal – Parte Geral Bitencourt. 1. Eduardo Magalhães – Direito Penal. Millennium. Saraiva. I Zaffaroni. Vol. I . volume I Mirabete.999 Toledo. volume I Marques. Tratado de Direito Penal. Eugenio Raúl – Manual de Direito Penal. Costa Júnior. Paulo José – Curso de Direito Penal. Julio Fabrini – Código Penal Interpretado b) Doutrina: Jesus. Francisco de Assis – Princípios Básicos do Direito Penal Bitencourt. Damásio Evangelista – Direito Penal. Damásio Evangelista – Código Penal Anotado Delmanto. Luiz Regis – Curso de Direito Penal Brasileiro – Parte Geral Noronha.BIBLIOGRAFIA BÁSICA: a) Códigos: Jesus. Parte Geral. Capez.

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