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GRAVAÇÃO DE REDES DE PERIODO LONGO ATRAVES DA TÉCNICA PONTO A PONTO COM RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA

GRAVAÇÃO DE REDES DE PERIODO LONGO ATRAVES DA TÉCNICA PONTO A PONTO COM RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA

Pablo Ubiratan Pereira Macedo [PIBIC/Fundação Araucária] 1 Rita Zanlorensi Visneck Costa [orientador] 2

1 Aluno da graduação em engenharia elétrica

2 Mestrado em Ensino de Ciências Modalidade Física pela Universidade de São Paulo (1997), doutorado em Engenharia Elétrica e Informática Industrial pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Campus Curitiba Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR Av. Sete de Setembro, 3165 - Rebouças CEP 80230-901 - Curitiba - PR - Brasil

ubiratan.pablo@gmail.com, ritazvc@utfpr.edu.br

Resumo -Este artigo apresenta o processo de gravações de redes de período longo, que são estruturas de fibra ótica cuja aplicação prática se dá na área sensoriamento. Valendo se da técnica de gravação ponto a ponto, com incidência de radiação ultravioleta sobre o núcleo de fibras óticas, foram gravadas ao longo desse estudo cinco redes, as quais seus resultados serão apresentados.

Palavras-chave: Fibra Ótica; Rede de Período Longo; LPG.

Abstract - This paper shows the engraving process of long period gratings, which are structures of optical fiber employed how sensors. Using of the point-by-point technique, with ultra violet radiation incidence over the optical fibers, was engraved during this study five gratings, which their results will be shown. Keywords: Optical Fiber; Long Period Gratings; LPG.

INTRODUÇÃO

As fibras óticas são estruturas em forma de fio, constituídas de sílica, cuja finalidade é guiar a luz ao longo do seu comprimento. Seu papel é importante no meio científico e atualmente é responsável pela transmissão de uma gigantesca quantidade de informações que circulam pelo mundo. Embora o principal foco das pesquisas dessas estruturas seja o desenvolvimento de tecnologias que aperfeiçoem esse processo de transmissão de informações, atualmente ela é objeto de largas pesquisas na área de sensores [1]. Disso vê-se a importância desse trabalho, cujo foco é apresentar um dos métodos de promover sensoriamento com fibras óticas. Será abordado neste trabalho o procedimento de gravação de redes de período longo (LPGs) com o uso da técnica de gravação ponto a ponto através da incidência de radiação ultravioleta (UV). Redes de período longo são modulações periódicas no índice de refração do núcleo de uma fibra ao longo em um trecho de seu comprimento. Supondo que um espectro luminoso viaje ao longo da fibra tais modulações serão responsáveis por acoplar ao modo de copropagação da casca determinados comprimentos de onda específicos que serão em parte dissipados para

o meio. Consequentemente a fibra apresentará uma atenuação seletiva, que pode ser determinada equacionalmente e que dependerá do período da rede e do índice de refração efetivo no núcleo da mesma e do meio, tornando-as excelentes para aplicação em

sensoriamento[2].

O objetivo geral do trabalho é apresentar uma metodologia aplicada nas gravações de LPGs bem como apresentar o resultado característico do espectro de cada uma das cinco redes gravadas.

METODOLOGIA

O processo de gravação de Redes de Período Longo pode ser dividido ao todo em duas etapas, a primeira consiste na etapa responsável por aumentar a foto sensibilidade do núcleo da fibra à radiação UV, tonando possível que o feixe do laser altere o índice de refração do núcleo. A segunda etapa consiste na gravação da rede. Neste trabalho o método utilizado nessa etapa foi a gravação ponto a ponto com incidência de radiação UV.

Hidrogenação: A hidrogenação é um processo, que visa aumentar a sensibilidade da fibra ótica à radiação UV. Um processo químico que ocorre entre a sílica (SiO) e o hidrogênio (H) quando submetidos à radiação UV no interior do núcleo da fibra permite que ocorram mudanças permanentes no índice de refração ao longo dos pontos nos quais incide-se o laser

[3].

Na hidrogenação a fibra é submetida a altas pressões e imersa em atmosfera de hidrogênio. O processo pode ser a frio ou quente, e o tempo de exposição da fibra ao hidrogênio depende da temperatura. Nos experimentos que fazem parte deste trabalho foi utilizado o processo de hidrogenação à temperatura ambiente, no qual as fibras ficaram aproximadamente 2 semanas em atmosfera de hidrogênio, em torno de pressão de 100 atm.

Gravação da rede: A técnica de gravação utilizada foi a ponto-a-ponto com radiação UV. O Laser utilizado foi o Excímero (Coherent Xantos XS, KrF , operando em 248nm). A técnica consiste em modular periodicamente o índice de refração do núcleo da fibra ótica hidrogenada, incidindo feixes controlados e periódicos de radiação UV ao logo do comprimento de sua casca, que é praticamente transparente à radiação UV. Com o auxílio de um suporte, a fibra é fixada de forma que o laser incida perpendicularmente à casca da mesma (na região em que a fibra foi desencapada). O sistema de instrumentos utilizados, para que ao longo da trajetória do feixe do laser haja a menor dispersão possível, é constituído de um conjunto de três espelhos e de uma lente convergente de distância focal de 50 cm, bem como uma iris, calibrada para deixar passar um feixe com o menor raio possível (0,8 mm). A Figura 1 apresenta o esquema de montagem da gravação.

Figura 1 - Laboratório Lanoe - Laser Xantos XS, e demais instrumentos óticos, a trajetória

Figura 1 - Laboratório Lanoe - Laser Xantos XS, e demais instrumentos óticos, a trajetória do laser segue representada em vermelho.

Antes de iniciar a gravação, os equipamentos são ligados e são iniciados os softwares que regulam o funcionamento do laser. É feita a troca do gás do laser para que no mesmo seja utilizada uma alta fluência de emissão de UV. Também é ativado o servomotor (Thorlabs TDC001) responsável pelo deslocamento do feixe após a gravação de cada ponto. Os parâmetros utilizados nas gravações estão apresentados na Tabela 1. Durante o processo de gravação, em cada ponto o feixe emitido foi refletido por dois espelhos até a iris. Esta selecionou a melhor porção do feixe emitido. Este foi refletido para uma lente convergente, que focalizou o feixe de UV diretamente sobre a fibra. Decorrido o tempo de incidência sobre o ponto, o laser deixou de emitir o feixe de UV, e um estágio de translação se iniciou. Movida por um servomotor controlado por computador, a lente se deslocou por uma distância igual ao período da rede, que foi determinado para ser de m. Ao longo do método o processo supracitado ocorreu 60 vezes. Portanto, a gravação de 60 pontos na fibra, na qual o período foi de 400 m, gerou uma rede com comprimento de 2,4 cm. O segmento gravado na fibra ótica era uma LPG.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram gravadas cinco redes nas quais os parâmetros utilizados estão apresentados na Tabela

1.

Tabela 1 Parâmetros das LPGs gravadas

 
   

N.º de

       

Rede

N.º de

pontos

pulsos

por

Comprimento da rede (cm)

Fluência

do Laser

Período

(m)

Frequência

(Hz)

ponto

(mJ/cm²)

LPG01

60

18000

2,4

9,00

400

300

LPG02

60

18000

2,4

8,00

400

300

LPG03

60

18000

2,4

9,00

400

300

LPG04

60

18000

2,4

9,00

400

300

LPG05

60

18000

2,4

8,00

400

300

Após a gravação cada uma das redes foi submetida ao processo de leitura do espectro luminoso, cujo resultado é mostrado na Figura 2.

Em todas as redes gravadas, com os parâmetros apresentados na Tabela 1, as fibras utilizadas foram do mesmo tipo (Standard Monomode Fiber SMF, Draktel). No entanto, como se pode verificar, cada rede apresentou uma diferente atenuação quando submetida à leitura do espectro luminoso emitido pelo LED. Isso provavelmente se deu por variáveis que não foram levadas em conta no experimento, tais como o intervalo de tempo decorrido, desde o momento em que a fibra foi retirada da hidrogenação até ser submetida à radiação do laser, e/ou possíveis irregularidades nas emendas dos pigtails. É importante que a fibra assim que retirada da hidrogenação seja imediatamente desencapada e submetida à gravação, para evitar que o hidrogênio (responsável pela alta sensibilidade foto sensitiva da fibra) se difunda na atmosfera. No entanto por diversos fatores nem sempre foi possível fazer esse processo imediatamente. Em geral cada emenda apresentou baixíssima atenuação, no entanto é possível que fragilidades na mesma comprometam a leitura do espectro da rede apresentando ruídos em seu espectro.

do espectro da rede apresentando ruídos em seu espectro. Figura 2 - Razão espectral das LPGs

Figura 2 - Razão espectral das LPGs

Pelos resultados apresentados nota-se que a rede com as melhores características de uma LPG é LPG03, uma vez que seu vale de atenuação é o mais acentuado (com aproximadamente -6,70 dB) para um comprimento de onda específico (centrado aproximadamente em 1517 nm). Embora graficamente a atenuação fique bem evidente, o ideal para aplicações de sensoriamento são LPGs com atenuações na faixa de 30 dB, o que torna a LPG03 inviável para sensoriamento especialmente de altas temperaturas, já que existe significativa perda de eficiência das redes submetidas a tratamentos de estabilização térmica em altas temperaturas [4]. As demais redes gravadas no experimento não possuem a atenuação ideal de uma LPG, algumas possuem altas taxas de ruídos em suas escritas, vales poucos acentuados ou não possuem vales bem definidos. Para a gravação de cada fibra foram utilizados rigorosamente cada um dos parâmetros indicados na Tabela 1. Portanto pode-se concluir que essa discrepância nos resultados se deu por variáveis desprezadas ao longo do procedimento, as quais já foram citadas.

CONCLUSÕES

As LPG’s são a grande promessa do sensoriamento de alta precisão, por conta do seu baixo custo e facilidade de fabricação. Isso foi verificado no experimento, embora nem todas as fibras tenham apresentado a resposta ideal de uma LPG a LPG03 pode ser aplicada como um sensor, embora um sensor aquém de uma LPG com uma vale mais acentuado como já mencionado.

REFERÊNCIAS

[1] UFRJ: Disponível em: http://www.gta.ufrj.br/grad/08_1/wdm1/Aplicaesdasfibras.html . Acesso em 03/09/2012 [2] KAWANO, Marianne Sumie. “Transdutor a Fibra Ótica para Análise de Biodisel”, 2010. Dissertação (Curso de Pós Graduação em Engenharia Elétrica e Informática Industrial) - UTFPR, (Orientadora) Marcia Muller [3] COSTA, Rita Zanlorensi Visneck. “Produção, Estabilização e Caracterização de Redes Fotorrefrativas de Período Longo em Fibras Óticas para Sensores”, 2009. Tese (Curso de Pós Graduação em Engenharia Elétrica e Informática Industrial) UTFPR, (Orientador) José Luís Fabris. [4] COSTA, R. Z. V., KAMIKAWACHI, R. C., MULLER, M. and FABRIS, J. L. Thermal characteristics of long-period gratings 266 nm UV-point-by-point induced. Optics Communications, v. 282, p. 816-823, 2009. [5] BHATIA, V. and VENGSARKAR, A. M. Optical fiber long-period grating sensors. Optics Letters, v. 21, n. 9, 1 May 1996. [5] OTHONOS, A. Fiber Bragg Grattings. Review of Scientific Instruments, v. 68, p. 4309- 4341, 1997. [6] VENGSARKAR, A. M. LEMAIRE, P. J., JUDKINS, J. B., BHATIA, V., ERDOGAN, T., SIPE, J. E. Long-Period Fiber Gratings as Band-Rejection Filters. Journal of Lightwave Technology, v. 14, n. 1, p. 58-65, January 1996.