Alguns Poemas de um Velho Pescador

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Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Alguns Poemas
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de um

Velho Pescador

Elio Roldan Anderson

2013

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Apresentação
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Este livro nasceu sem que eu planejasse. Comecei a postar meus escritos no site http://www.lusopoemas.net e descobri que ali havia um criador de PDF, que gerava uma apresentação bem interessante. Aproveitando a aparência agradável daquele material, me atrevi a apresentá-lo como um livro. Espero que você goste. Quase todos os escritos aqui apresentados, encontram-se também no blog do Velho Pescador.

Grande abraço. Elio

Elio Roldan Anderson

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Índice
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Apresentação Índice O Barulho dos Trovões ao Longe O Barulho dos Trovões ao Longe – II O Barulho dos Trovões ao Longe – III Sublime amor Vida Preito: Ao meu pai O herói Portugal Amar uma mulher Menina, eu te amo Eu prometi A felicidade Não havia lugar Armadura O idoso e seu jardim Esperando o elevador Politicamente correto O guaraná A serenata Sexta-feira Vendedor de mel A roda da carroça caiu O coração A mente O olhar O sertão chora Pescaria inusitada – Sem mentira Viver de peixes?

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Pescar O Caminhoneiro Epitáfio A pedra no caminho do poeta Hoje eu não quero escrever
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Estou em greve O lugar onde vivo Cabral, em 1500 Dedo inchado / Nariz quebrado Decisão Minha frô Giselda, a galinha que virou canja Biliscão é um doce bão Um docinho Poetando Namoro de idosos Um doce sonho A elasticidade dos peixes Por favor, doutor Adamastor e Hermenegilda A Lua não se quebrou

Elio Roldan Anderson

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O barulho dos trovões, ao longe
O barulho dos trovões, ao longe, Despertou a minha amada, que dormia.
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E, dos doces sonhos que ela tinha, Acordou para a vida, assustada. O barulho dos trovões, ao longe, Fez com que ela empalidecesse... O medo ardendo em sua mente E o barulho prosseguia, indiferente. Em um momento, ei-la a gritar Desesperada, grito de sofrimento E eu corri, então, a abraçar Pronto para ouvir o seu lamento Ao barulho dos trovões, ao longe, Trouxe-a para junto do coração. E pude ver quão frágil ela estava. Com o simples ribombo do trovão. Abraçou-se a mim, trêmula, abalada. Contou-me os sonhos que sonhara... E, o pesadelo que lhe acometeu. Beijou-me, então, a minha amada, E, pelo barulho da chuva, embalada. Acalmou-se, abraçou-me, adormeceu.

Elio Roldan Anderson

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O barulho dos trovões, ao longe II
O barulho dos trovões, ao longe Acordou aquela mãe, que assustada,
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Dobrou os seus joelhos, junto ao leito E orou pelo filho amado: Onde estava? Desde que se envolvera com o vício Já não era meigo, amigo, orientado. Aparecia, às vezes, lá no pátio, Abatido, mentindo, esfomeado. Ah, as amizades ajudaram A levá-lo ao caminho quase sem volta... Deixou de ser o homem de futuro Tornou-se joão-ninguém, pedindo às portas. Cracolândia! Será que lá estaria, Em algum canto sujo, esparramado? Estaria cometendo alguns crimes, Para conseguir o dinheiro desejado? E aqui, de joelhos, a mãe ora Pedindo de Deus, pelo filho, “Misericórdia! Não deixe que o pior lhe aconteça, Não deixe que no vício ele pereça”. Ele é tão bom, tão meigo e amado... Está apenas perdido, dependente De uma pedra pra fumar... Vive drogado. Já nem sabe que ainda é jovem, que é gente.

Elio Roldan Anderson

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Se tu podes... Me perdoe, eu sei que podes... Tira-o agora, inda agora, neste instante, Dos horrores do vício que o domina, Livra-o das mãos dos traficantes.
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Traze-o de volta à casa, ao meu seio, Ao lar, que sem querer, abandonou. E eu o receberei com meu carinho, O ajudarei a vencer, com meu amor. E quando, de novo, ouvir soar Ao longe, o barulho do trovão. Hinos de louvor irei cantar Dar graças, pela tua salvação." NOTA DO AUTOR
VOCÊ CONSEGUE CALCULAR O DESESPERO DE UMA MÃE, OU ESPOSA, QUE SABE QUE O SEU AMADO
ESTÁ JOGADO PELAS RUAS?

TENHO VISTO COM FREQUÊNCIA VICIADOS, INCLUSIVE DO CRAQUE, SE LIBERTAREM DA
DEPENDÊNCIA, VOLTAREM AO CONVÍVIO DAS FAMÍLIAS, AO TRABALHO, RETOMAREM O INTERESSE PELA VIDA.

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Elio Roldan Anderson

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O barulho dos trovões ao longe III
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA O barulho dos trovões, ao longe
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E a chuva que caia lá fora, Trouxeram-me, novamente, à memória, A vida que levava, e não me foge. Lembrei-me do almoço aos domingos Mamãe, papai, irmãos, todos à mesa Várias visitas, todos eram bem-vindos. Uma família, bem feliz, tenha a certeza Mamãe, ao fogão, era uma artista Criando formas, aromas e sabores, Cozidos, assados, mil quitutes. Deliciosos, que enchiam nossa vista Após a refeição, inda à mesa, Papai, ao bandolim, tocava hinos Que juntos cantávamos, alegres... Assim era o almoço, aos domingos. Depois, nos levantávamos, devagar, E para a sombra, papai nos convidava. Idéias, opiniões, compartilhar... Assim a nossa tarde se passava. Irmãos maravilhosos, sempre juntos, Tudo era motivo para brincar... Um ao outro, chamando por apelidos Que nos uniam, ao invés de afastar.

Elio Roldan Anderson

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Momentos de ternura, inesquecíveis, Eu não sabia, não podia imaginar Que eu, por motivos tão incríveis Um dia abandonaria aquele lar (*)
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Andei fugindo, me afastei, na juventude; Perdido nos meandros do alcoolismo... Magoei a todos que me amavam... Eu hoje me arrependo... Como pude? Andei tão longe, imerso em mim mesmo. Sem ter ninguém me esperando, onde ir? Pensei que a morte fosse a única saída, E que fugir da vida fosse o termo. Nesse tempo eu só pensava na morte, A depressão calara muito fundo em mim. Jesus mudou para melhor a minha sorte. Fez um milagre! Recuperou-me, eis me aqui NOTA DO AUTOR
A CONTINUAÇÃO DESTA HISTÓRIA VOCÊ PODE LER NA

BIOGRAFIA EM

http://elio.anderson.pro.br/

Elio Roldan Anderson

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Sublime amor
Os meus olhos choram sem querer Quando sentem tua presença maravilhosa
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E eu, mesmo morto, volto a viver Através da tua palavra, poderosa. Sonhos renascem, tenho um novo recomeço Vejo as belezas de tudo que criaste Oh, não permitas, jamais, que eu me afaste De tua presença, benfazeja, eu te peço É grande o amor que me vai, aqui no peito, É grande o amor que vem de ti, e me refaz Eu decidi, vou viver sempre do teu jeito Eu vou viver, e espalhar a tua Paz Que minha vida, ao teu nome, seja um preito Até a morte, pois a vida é fugaz

Elio Roldan Anderson

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Vida
Derreado pelo tempo de labuta Afadigo-me ainda, por um tempo.
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Não sei por que ainda me apoquento se um dia, talvez breve, acaba a luta. Se o Senhor me chama, eis-me, pronto Mesmo com a tarefa incompleta. Quanto tempo eu gastei, como um tonto Ao invés de cumprir a minha meta. Agora, ainda é dia, vou falar Da salvação em Cristo, o meu Senhor Hinos de louvor eu vou cantar Contar do Evangelho de amor. Falar de alguém que um dia, numa cruz Mesmo sendo Deus, se entregou E ali, no meu lugar, o bom Jesus A sua grande obra completou. Eu sei, sou salvo, com certeza. Não vivo mais eu para o pecado. Jesus Cristo mudou minha natureza Pelo Espírito Santo fui selado Agora, é viver em alegria, Vivendo a cada dia, sem temor. Pregar o Evangelho, enquanto é dia. Ansiando pela volta do Senhor.

Elio Roldan Anderson

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Preito: Ao meu pai
Pai Obrigado por ter-me dado a vida,
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Por ter trazido o sustento. Mesmo com tantas dificuldades, Nunca nos faltou o pão, Obrigado por ter me dado um nome honrado. Mesmo com tantas lutas, você sempre nos ensinou não desistir, para não desonrar esse nome. Pai Obrigado, porque quando eu comecei a crescer, a me sentir grande, quero dizer, E achava que você não sabia nada, Você, homem sábio, continuou me amando, Cuidando e orando por mim, E me dando o exemplo de vida. Pai! Eu sei que você já errou (pois você é homem, e, que homem não erra?). e eu te perdoei os erros, porque te amo, como você sempre me perdoou, porque me amava! Pai! Hoje você não está mais conosco, pois a morte nos separou, mas você continua existindo em mim, Através das boas coisas que me ensinou, Através da melhor herança que nos deixou: - O amor uns pelos outros.

Elio Roldan Anderson

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Pai! Você é um sujeito muito importante, sabia? Teus netos, que não chegaram a te ver, sabem o herói que você foi, e o teu nome continua sendo honrado,
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em nós e através de nós, e vai seguir assim pelas gerações. E assim, Continuo te amando, E sou grato por ser teu filho

Elio Roldan Anderson

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O Herói
Me perguntaram: Qual o maior herói de todos os tempos? Pensei um pouco, e respondi assim:
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Durante um tempo, eu achava que o meu pai era um super-heroi. Grandão, fortão, sabidão... Mas, eu fui crescendo, e descobrindo outros heróis, pois o meu pai já não era tão grandão ou fortão. Ele ainda era o sabidão, mas só isso. Depois eu fui ficando malandro, e comecei a achar que meu pai era um babaca. Achava que o sabido era eu. Super-herói fortão mesmo, era o Superman. Passei um montão de problemas, me perdi pela vida, Esqueci esse negócio de herói, mas, quando meu pai estava velhinho, eu comecei a ver que ele era grandão, pois conseguiu passar por cima das montanhas de problemas. E ele era fortão, também, pois havia encarado inimigos ferozes, como um mau-patrão, as dificuldades financeiras, e sempre trouxe as sacolas cheias de comida boa para casa. E o meu pai era o maior sabidão. Sabia de tudo, tinha muita sabedoria. Quando eu chegava para conversar com ele, ele estava calmo, tranquilo, e dava cada conselho jóia, que só os pais idosos conseguem dar.

Elio Roldan Anderson

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Taí. Ele acabou vencendo o Superman. Ganhou em tudo. Nem kriptonita acabava com o "meu velho".
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Só a morte o venceu! Ela conseguiu tirar ele de perto de nós, mas, na lembrança ele ainda permanece! Depois eu descobri um herói, muito mais poderoso, em todos os sentidos. Um que sabe todas as coisas, Um que é grandão, fortão... E ninguém pode com ele Nem a morte! E ele não é metido, mas humilde. O nome dele? Jesus Cristo. Imagine você que um dia o mataram, mas, antes, ele tinha dito: "Ninguém tira a minha vida. Eu a dou para tornar a tomá-la", e não deu outra. Ressuscitou! Sabe? Um dia eu vou viver lá com ele, numa casa jóia que ele está fazendo para mim. Ele prometeu, e sei que vai cumprir!.

Elio Roldan Anderson

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Portugal
Ah, como é grande a vontade De visitar Portugal,
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Terra amada, Encantada, Ideal.

De lá nos vieram valores De um povo tão gentil. Impávido Culto, Varonil

Some-se a isso a história Do seu passado de glória Heroismo Erudição Vitória!

E ainda temos o que aprender Com a personalidade e firmeza Constância Persistencia Fortaleza!

Elio Roldan Anderson

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Amar uma mulher
Amar uma mulher, uma só mulher, Não é para um homem qualquer,
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mas é para um homem de verdade. Não é se apaixonar, é mais que isso, É saber se dar, e recebê-la. É compreender, mesmo não entendendo, É apoiar, é ser cúmplice. É locupletá-la e locupletar-se É interagir, e se doar É vê-la sofrer porque lhe falta um par de sapatos que combine com aquela blusa, ou bolsa, Com que nenhum dos quatrocentos outros pares combina... É vê-la, ao vestir-se, trocar dezenove vezes a roupa para ver qual cai melhor, e saber dizer-lhe, com carinho e seriedade, que aquela última está perfeita, É sorrir, satisfeito, mesmo insatisfeito, pelo enorme atraso. É responder com outro assunto, diante da pergunta, “Você acha que estou gorda?”, e reafirmar a sua beleza. É ceder a prioridade no banho e banheiro, É ceder a prioridade no carro, É usar aquela roupa que você não gosta, mas ela sim. É ficar alerta às suas idas ao cabeleireiro, e, Mesmo que ela mantenha o corte e cor, dizer-lhe Como ela está linda! Elogiar o seu cabelo, o penteado É levantar-se a cada manhã, Decidido a ser feliz e fazê-la feliz naquele dia. Amar uma mulher é, sobretudo, amar-se a si próprio, Pois, infeliz é o homem que não sabe amar uma mulher!

Elio Roldan Anderson

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Menina, eu te amo!
Falando, ou andando, ou parado, ou calado,
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estou sempre pensando, estou sempre lembrando que estás sempre ao meu lado. E assim, vou vivendo a felicidade de saber que te tenho! Por saber que te tenho, para sempre, ao meu lado já não me preocupo, já não me entristeço, pois eu sei que te tenho! Se estás sempre ao meu lado, e eu, ao teu lado, seremos felizes E, andando, ou falando, ou parado, (até mesmo calado !) estou sempre dizendo: Menina, eu te amo !

Elio Roldan Anderson

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Eu prometi?
Você diz que eu prometi voltar, mas... voltar para quem?
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voltar para onde? voltar para quê? Já não existe mais a menina, de olhos brilhantes e lábios carnudos, tão meiga, sincera, amável... A casa também já não existe. Ali, agora, passa uma avenida, tão larga, tão movimentada, tão feia... E o motivo acabou! Hoje, você me olha tão fria... talvez nem se lembre que um dia me prometeu tanto amor. Eu prometi, é verdade, mas Voltar pra onde? eu ainda existo, mas onde está ela? Como eu posso cumprir?

Elio Roldan Anderson

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A felicidade
Me perguntaram: Onde está a felicidade? E eu respondi:
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A felicidade está aqui, E no meu local de trabalho. Está onde eu vou passear, E está no lugar onde eu oro. Está naquilo que olho, e está naquilo que penso Ela está em minha mente, e em minha mão, que ajuda ao próximo E ela está no meu peito, batendo forte, E alegrando o meu coração. Ela está nos detalhes pequenos Como no papel em que escrevo, Na mesa em que me alimento Até nas ruas por onde passo No sorriso de minha amada, E no rosto do meu filho, E na vida do meu irmão Felicidade é uma escolha, uma opção! Mas ela também está Na cura do meu inimigo Que vai se tornar meu amigo, E que vai se tornar meu irmão,

Elio Roldan Anderson

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Não havia lugar!
Não havia lugar para ele naquela noite, em Belém E não há lugar inda hoje em muitas vidas, também
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Alguma vaga em pousada, ou alguma hospedaria? Em Belém José procurava um bom lugar para Maria “Estamos lotados, sentimos! Procure em outro lugar, há, talvez, alguma família que os possa alojar” José, penalizado, olhava a sua bela Maria O único lugar que encontrara era uma estrebaria... Recolheu-a ali, com amor pois ele mesmo sabia Que nasceria o filho ainda naquele dia O lugar ele arrumou, limpou o melhor que podia! Um leito de palha formou para sua amada Maria Logo o bebê nasceu... E era um lindo menino, Que logo adormeceu embalado por um hino Que os anjos cantavam, nos céus, e na terra, com muita euforia “Hoje nasceu o Salvador que consta das profecias” Era o Senhor de tudo, mas luxo nenhum queria E nasceu de uma virgem em uma mera estrebaria Cresceu, e em todo o tempo om ótimo filho seria Aprendeu a profissão em uma carpintaria Um dia, aos doze anos estando em Jerusalém Conversava com os doutores, pois era um Doutor, também Todos ali estranhavam a sua sabedoria Quem era aquele menino? De onde será que viria?

Elio Roldan Anderson

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Onde aprendera as leis e aquela aplicação? (Ele era Mestre nas leis e o autor da Salvação!) Adulto, um homem sábio! Aos trinta anos, no Jordão O Mestre foi batizado, Recebendo a confirmação
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João Batista, o profeta, batizava no Jordão E, ao ver Jesus chegar inclinou-se até o chão “Tu és maior do que eu, ou que qualquer predicado. Tu és o Cordeiro de Deus que nos livra dos pecados!” “Tu vens a mim... Quem sou eu para tirar os teus sapatos? Tu és o Cordeiro de Deus Que nos livra dos pecados!” Obedecendo, batizou-, então ouvi-se Deus a dizer Este é o Meu Filho amado E nele eu tenho prazer! Ao deserto ele foi levado, em jejum, por quarenta dias O diabo veio tentá-lo pensando que o venceria. Jesus logo o derrotou, fê-lo sair envergonhado Pois o prometido Messias estava bem preparado Começou a fazer milagres, a curar, a ressuscitar Multiplicar pães e peixes, e muita gente salvar Durante três anos e meio entre nós ele viveu E ao final de tudo isso, sua vida ele deu Morreu numa cruz infame para trazer-nos perdão E com o seu próprio sangue proporcionou salvação Ele era a luz do mundo, que veio para salvar Porém será como Juiz que um dia irá voltar O Natal foi só um dia, dentro da eternidade Porém foi a morte na cruz que nos trouxe a liberdade. Hoje, não resista, não! quando à porta ele bater Para te dar salvação e muito feliz te fazer.

Elio Roldan Anderson

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Armadura
Eu vou usar uma armadura e jamais serei vencido Pois sei onde buscar força, onde ser fortalecido
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Sofrer à toa, para que? Estragar a minha vida? Eu já sei o que passei quando passei da medida! Vou usar o cinto da verdade, para a calça não cair Eu escolhi nunca mentir, ter a minha identidade Eu não passarei a vergonha de ver alguém rir de mim A mentira tem pernas curtas, isso todo o mundo sabe Vou buscar em todo o tempo, ser sábio, agir com justiça Que, sempre, como couraça, me livrará da malícia Os maldosos e faladores não poderão me acusar Se eu for verdadeiro e justo, protegido vou estar Vou andar firme e feliz, falando só o que é bom Entre tantas notícias ruins espalhadas pelo vento Há saída para todos, direi em alto e bom som Só depende da escolha, mundo de paz ou turbulento? Viverei tranquilamente, conhecendo a Verdade, Sabendo que no final só terei felicidade Mesmo que alguém me acuse, ou tente me derrotar A certeza é um escudo, para que me preocupar? A mentira cairá por terra, cadê meu acusador? Se eu sei, e vivo, o bem, sempre serei vencedor Minha mente estará em paz, na presença do meu Deus Nenhum mal vai me afastar de todos os projetos seus

Elio Roldan Anderson

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Quando alguém me atacar, terei como me defender Pois conheço bem a Lei, e não tenho o que temer Vou levar a vida a sério, e farei o que é melhor Orando em todo o tempo, e nunca temer o pior.
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Inspirado na carta de Paulo aos Efésios 6.10-18

Elio Roldan Anderson

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O idoso e seu jardim
Naquela casa da esquina há um bem cuidado jardim que está sempre florido, encanta o olhar de quem vê
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Há flores bonitas, ali! Rosas, jacintos, jasmins Com a beleza e o perfume que me fazem lembrar de você Aquele é o meu caminho, sempre paro para olhar O trabalho caprichoso daquele idoso educado Que sempre vem para me cumprimentar Porém, ele me parece triste, quase como abandonado... Será que ninguém tem cuidado daquele senhor educado? Eu sempre me pego a pensar. São tantas famílias assim, que tem o idoso no lar E os mantém solitário, por falta de conversar Essas pessoas se esquecem, que um dia, mal ou bem, Vão seguir o seu destino... Serão idosos também

Elio Roldan Anderson

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Esperando o elevador
Poemas

Eu estava sentado num banco quadrado, fixado ao lado do elevador
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Chegou a menina de perna fininha, ainda criança, e o botão apertou Enquanto esperava, com sua afinada voz infantil, a menina cantou Um homem bem alto chegou por ali, e se pôs a cantar com voz de tenor. E o povo parava para ver e ouvir, a música linda que se cantava ali E logo outro mais, mais outro a cantar, e mais povo chegava para participar E, ora eu ouvia, ora eu cantava, era um coro de anjos aquilo que vi E sentado no banco, aplaudia aquilo, e, muito feliz, ajudava a cantar. O elevador chegou, e a menina partiu, porém quem a viu se emocionou E o homem bem alto, com voz de tenor, naquele momento se retirou E o povo ficou por ali a sorrir, todos felizes, cheios de emoção Eu agradeci por aqueles momentos, foi um refrigério pro meu coração.

Elio Roldan Anderson

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Politicamente correto?
Atenção, atenção, poetas Vamos mudar os poemas Porque, nós iremos, apenas
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Escrever o que querem de nós Jamais derrubar as pétalas Das flores, e o que é pior Devemos frisar os espinhos Como se fossem o melhor Politicamente correto É o que exigem de nós Escrever só o que querem Seremos poetas sem voz A loucura dessa gente Que inverte os valores E cala o vate, indiferente Proíbe de citar as dores Não falem de casamento, De romance ou namorados O amor está proibido Há quem se sinta ofendido Serão só mal-educados? Querem proibir o bem Cercear a liberdade Criticam o que eu escrevo Me acusam de preconceito Me querem amordaçado?

Elio Roldan Anderson

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O Guaraná
O que será essa fruta Que deixa o sujeito animado,
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Que mesmo estando cansado, O homem não quer dormir? Chama a patroa para perto Dá-lhe um abraço gostoso. Pois ele ficou muito esperto E se sente vigoroso Inda agora estava cansado Se sentia derreado e nem conseguia andar Quando apeou do barco, voltando da pescaria, Estava deveras cansado, já nem conseguia remar A patroa deu-lhe, num copo, um pó preto bem ralado com a água, misturado, era o pó do guaraná.

Elio Roldan Anderson

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A serenata
A moça bonita escutava Por detrás de sua janela
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Uma linda serenata Queria que fosse pra ela Estava preocupada (pois não se achava tão bela) E a serenata seguia Do outro lado da janela A madrugada avançava Seu coração disparava E a bela moça sonhava Por detrás de sua janela.

Elio Roldan Anderson

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Sexta feira
No calendário, à minha frente, quem olha nunca se engana...
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Eu pintei a sexta-feira como início do fim de semana. Talvez pesca, talvez festa, Só vai depender do clima. Seja lá o que vier, Segunda feira, estou por cima. Sábado e Domingo, descanso... Passeio com a família, Igreja, eu sirvo ao Senhor, E depois, volto à lida. Semana que vem, começa com trabalho bom e feliz, Logo, outra sexta-feira para compensar o que fiz.

Elio Roldan Anderson

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Vendedor de mel
Você quer comprar mel meu senhor? Mel é um ótimo remédio,
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Que limpa os seus pulmões Da fumaça do cigarro Compre um pote de mel, professor O mel é um ótimo remédio, que livra tua garganta dessa pigarra terrível Compre mel, meu amiguinho O mel é um ótimo alimento Que completa a cota de alimentos que o teu organismo precisa Compre mel, minha amiguinha O Mel é um alimento gostoso, Bem melhor que um pirulito, E serve para adoçar a vida Compre um pote de mel, linda jovem Ele é um alimento forte Trazido pelas abelhas Das flores do teu jardim Tua pele vai ficar mais bonita O teu hálito, perfumado Os teus olhos, mais brilhantes... ... Hmmmm... ... Compre o mel, e vem para mim!

Elio Roldan Anderson

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A roda da carroça
(HISTORINHA BOBA!)

A roda da carroça caiu!
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A carroça quase tombou O cavalo se assustou O carroceiro xingou, Quando a roda caiu. Estava perto do rio Quando a carroça travou. O leite se estragou E o carroceiro se irritou Porque a roda caiu Ele ia pelo relvado A caminho do mercado Distraído, despreocupado. Não lubrificou o eixo E agora se sente um coitado Brigou com sua mulher, E também com seu cãozinho, Brigou até com o afilhado Seu filho saiu de fininho Com medo de ser apanhado Porém, só ele não viu Que, se aquela roda caiu, Foi por falta de cuidado Tudo isso ele aprontou Tanta gente magoou, O carroceiro estressado.

Elio Roldan Anderson

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Ele não tinha razão, Arrumou a confusão Jogou toda a gente nisso
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O problema era só seu Porque ele se esqueceu De fazer, e bem, seu serviço.

Elio Roldan Anderson

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O coração
Como está o teu coração? Cheio de paz ou sofrendo?
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O ódio nele está ardendo? Cuida do teu coração! Encha-o de boas coisas... De esperança, de alegria, De projetos para um dia Fazer aquilo que é bom Mantenha-o limpo, por que É o que vai aparecer Quando olharem para você A depressão? Mande embora! E também a infelicidade. Não permita que a maldade Venha morar em você Se ele estiver cheinho de amor Com um pouco de saudades Sei que a felicidade Fará morada em você
“SOBRE TUDO O QUE SE DEVE GUARDAR, GUARDA O TEU CORAÇÃO, PORQUE DELE PROCEDEM AS
FONTES DA VIDA.“

PROVÉRBIOS 4:23

Elio Roldan Anderson

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A Mente
Como está a tua mente? Está limpa, ou poluída?
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Com que você a ocupa? Com coisas de morte ou de vida? Depende do que você olha, Depende do que você lê E daquilo que você pensa, Quem ganha, ou perde, é você Pense somente o que é bom Use melhor o teu tempo Não jogue fora teus dons Não jogue o que é bom ao vento Honra tua mãe e teu pai, Respeite a família, os amigos Dedique-se ao teu trabalho E tudo irá bem contigo Ame a Deus sobre todas as coisas, E ao próximo, como a ti mesmo. Tenha um alvo para tua vida Não fiques andando a esmo
E NÃO SEDE CONFORMADOS COM ESTE MUNDO, MAS SEDE TRANSFORMADOS PELA RENOVAÇÃO DO
VOSSO ENTENDIMENTO, PARA QUE EXPERIMENTEIS QUAL SEJA A BOA, AGRADÁVEL, E PERFEITA VONTADE DE

DEUS. ROMANOS 12:2

Elio Roldan Anderson

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O olhar
Com que olhos você me olha? Explica-me, quero saber, Quero tentar aprender a reconhecer teu olhar
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Olhos de bem, ou de mal? De críticas, ou de apoio? Só depende do teu olho, e de como prefere enxergar Se me olhas com carinho, um olhar de amizade, Da minha felicidade você vai compartilhar Se o olhar é duro, porém, encontrarás mil defeitos em mim, e esse meu jeito, você não vai me entender Com que olhos você me olha? Como quer me enxergar? Basta olhar, e já fui julgado, ou irei me defender? E, que tal pesar as palavras versus minha atitude? Qual delas fala mais alto? Qual delas você vai pesar? Mas, convivendo comigo, você muda o julgamento, Pois não é só no momento, que vamos nos conhecer Você será meu amigo, depende do teu olhar. Só um olhar sem maldade é que me julga direito Há gente vivendo enganado, por ter os olhos malvados E só olham para o outro buscando achar um defeito. Quem julga assim é infeliz, não pode viver em paz Pois a vitória do próximo consegue lhe machucar Eu procuro olhar com amor, buscando as qualidades, Para não julgar, na verdade, eu olho buscando amar

Elio Roldan Anderson

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Amar nem sempre é fácil, em se tratando de gente Pois, mesmo sendo diferente, nós somos muito iguais Todos temos qualidades, e também muitos defeitos, Sem contar os preconceitos que nos levam a julgar
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Precisamos reaprender, vamos treinar nosso olhar, Assim vamos exercer o amor que nos vai no peito Não julgue ao próximo, ame-o, isso é parte da vida Não pelo que ele merece, mas porque ele precisa. A vida é como um espelho, reflete o que eu fizer O bem ou o mal que eu faço, é o que eu vou receber Olhe ao próximo com amor, como Jesus ensinou pois ele também tem valor aos olhos do nosso Senhor.

“A CANDEIA DO CORPO É O OLHO. SENDO, POIS, O TEU OLHO SIMPLES, TAMBÉM TODO O TEU
CORPO SERÁ LUMINOSO; MAS, SE FOR MAU, TAMBÉM O TEU CORPO SERÁ TENEBROSO”

LUCAS

11:34

Elio Roldan Anderson

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O sertão chora
O sertão chora sem lágrimas, como já disse o poeta E o povo, que tanto reza, ainda não recebeu chuva
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O gado está morrendo, como a lavoura morreu Seco, estorricado, tudo porque não choveu O sol constante, inclemente, Derrete a esperança da gente Que vive no nosso sertão A chuva, faz tanto tempo! Ficou de vir, e não veio Resolver a situação Deus não ouviu? Eu duvido Ele, sempre, ouve os seus Porém, esse povo sofrido Que anda muito iludido, É que não quer ouvir Deus Rezam para um e para outro Lá, na caatinga, são tantos Santos e santas de pau oco E agora está um sufoco, O sofrimento é muito Mas a chuva, nem um pouco.

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Pescaria inusitada - Sem mentira!
Logo de madrugada, com o dia ainda escuro Comecei minha jornada rumo ao rio, para pescar
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Tão logo peguei a estrada, com o equipamento todo O céu, quase sem nuvens, começou a clarear Raios de sol surgiam com uma beleza sem par Uma ou outra nuvem brilhava, a manhã a anunciar Logo, muitos passarinhos começavam a cantar Outras aves iam surgindo no céu a esvoaçar Nas baixadas, uma leve bruma, de longe eu percebia Mas, ao chegar perto, interessante, a bruma desaparecia O sol despontou no horizonte, vermelho ele se mostrava Mas, à medida em que subia, a sua cor amarelava Chegando à beira do rio, preparei o acampamento Organizei minha tralha, tudo em um breve momento Anzóis iscados na água, uma ceva generosa Fiquei esperando os peixes, expectativa gostosa. Logo, um curimbatá, de dois quilos, com certeza, Foi fisgado, lutou bastante, aproveitando a correnteza Mas eu venci aquela luta, e o peixe logo peguei Tirei-o da água então, e no meu covo o coloquei Depois, as piaparas, começaram a beliscar Uma ou outra eu fisgava, alguma conseguiu escapar Piaus, piauçus, piranhas, lambaris e sagüirus Pintados, piraputangas, dourados, cacharas, pacus

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Tantos peixes diferentes, eu fisguei naquele dia Peixes pequenos e grandes, fizeram a minha alegria Porém, às sete horas, eu fiquei muito tristonho Descobri que a pescaria não passara de um sonho.
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Fiquei tão injuriado que briguei com minha filha Que pegara o despertador e lhe tirara as pilhas Agora já era tarde para pensar em pescar Então, deitei-me de novo, e continuei a sonhar

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Viver de peixes?
Se fosse viver de peixes, eu seria um bom pescador Mas peixe é só diversão, pois eu sou um amador.
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Trabalho para ganhar a vida, Nem sempre é fácil a lida, mas do meu trabalho dou conta. Há gente que, talvez, pense que eu tenho obrigação De voltar da pescaria, sempre lhes trazendo um peixão E mais peixes, para lhes dar, após cada pescaria. Querem peixes, de montão. Vejam que idéia tonta! Escolho os melhores peixes, os pequenos eu solto na hora Separo dois dos maiores, e com estes eu venho embora. Peixarias? Há diversas... Eles que comprem os peixes Se querem a comida pronta. Eu protejo a natureza, pescando dessa maneira. Pescando assim me divirto, é a melhor brincadeira. Me disponho a ajudar, até ensino a pescar Não receba como afronta Dar aulas de pescaria? Quem sou eu dona Maria? Quando quero comer peixes, os compro na peixaria! Para pescar, compre um caniço, com linha, anzol e bóia, Tenha sempre a tralha pronta!

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Pescar
Quando me ponho a pensar, logo penso em pescar.
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Mas é bom ficar pescando pois, enquanto pesco, dá para meditar. Sentir o peixe pegando, sentí-lo comendo a isca... É um prazer maravilhoso, Sei que não há quem resista. No final do dia, cansado, com vários peixes no covo, já estou desestressado, pronto pro trabalho, de novo.

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

O caminhoneiro
Nesta longa estrada da vida, Com seu caminhão, com excesso de carga,
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Detona o asfalto, foge de assaltos, E vai destruindo nossas estradas Evitando pedágios, pagando os pecados. Pagando impostos, o quê vai fazer? O frete pequeno, tantas despesas Cadê dinheiro para abastecer? Se furar um pneu, adeus sustento... Os pneus novos tem que financiar E o caminhoneiro, tão destemido Ainda insiste em trabalhar. Chegando em casa, depois dessa lida Viagem longa, que não rendeu nada. Matar saudades de sua esposa querida E sair à procura de uma nova carga O filho cresceu, e ele nem viu Quando é que foi que o filho cresceu? Tão entretido com os fretes e a vida Ele estava na estrada, não percebeu O caminhão desgastado, ele envelhecido O sonho que tinha já foi esquecido Chegada a hora de se aposentar E pra estrada querida nunca mais voltar O coração está machucado Agora não sabe mais o que fazer O seu caminhão, sempre bem cuidado, Ele, aposentado, teve que vender
Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Epitáfio
Escrevi este Epitáfio quando da morte do cãozinho de meu amigo, há alguns anos, e reencontrei-o agora.
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Nasci Mamei Comi Cresci Brinquei Lati Vivi! Amei! Morri! Junior “Au-Au” Sabbag

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

A pedra no caminho do poeta
Um famoso poeta, andando por uma estrada Viu uma pedra no caminho, e olhou-a até cansar.
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Não se interessava, já, por mais nada O importante, agora, era explicar Que no meio do caminho tinha uma pedra, Uma pedra no meio do caminho... Ele nunca se esqueceu, que no caminho havia a pedra E eu aprendi que havia uma pedra no meio do caminho. Porque essa pedra neste caminho? Porque é que ele foi passar por ali? O outro caminho,talvez, não tivesse a pedra... E..., porque ele foi passar por ali? Só ficou pensando na pedra, o poeta, E escrevendo, não saia do lugar. E a frase escrita pelo poeta Foi repetida, mil vezes, sem cansar. Havia uma pedra no meio do caminho... Mais à frente, no caminho do poeta, havia uma flor, a desabrochar Se ele seguisse em frente, e prestasse atenção A poesia era diferente, não seria de pedra, não.

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Mas o Carlos Drummond de Andrade Me ensinou uma lição: O poeta tem liberdade, E precisa ter ambição
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Fazer versos à vontade Escrever com a opção De enxergar o que agrade Ou que lhe vai no coração. Velho Pescador

No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra. Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra. Carlos Drummond de Andrade

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Hoje eu não quero escrever
Eu hoje não quero escrever Talvez por estar irritado,
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Talvez por estar cansado Eu hoje, não quero escrever! Hoje, já é sexta-feira, Final de semana chegando Muita gente viajando E eu aqui, no trabalho Mesmo cansado, confesso, Não tenho por que reclamar! Meu trabalho é o meu sucesso Eu gosto de trabalhar Se eu fosse, deveras, poeta, Inspiração não faltava Estaria aqui, bem disposto, A rima fluiria com gosto Mas, amanhã, já e sábado E não vou poder pescar Então fiquei irritado, E decidi não rimar!

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Estou em Greve
Decidi entrar em greve, pois estou muito irritado Mas eu seu que sou culpado por essa irritação
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Quando acordei, estava alegre, e muito bem humorado Mas fui ler o noticiário, e doeu o meu coração Só más notícias eu li. Nenhuma notícia boa. E coisa ruim me magoa, me faz perder a razão. Corruptos roubando dinheiro, os governos, só mentindo Os valores estão invertidos... Pobre população A mídia só noticia o que interessa ao governo E verbas, vão recebendo, para essa embromação Decidi entrar em greve. Eu não vou mais ler jornal Só livros bons, que me alegrem, e eduquem a nossa nação.

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

O lugar onde vivo
O lugar onde vivo é lugar muito bom, Muitas pessoas com quem posso conversar.
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Encontro gente nova todos os dias, poucos deles eu torno a encontrar. Eu vejo o mundo, viajo para todos os lados, Vejo as montanhas, as cidades, os grandes lagos. Vejo a praia, linda, com banhistas, Vejo os navios, as gaivotas, os surfistas. No lugar onde vivo, a segurança é relativa... Estou guardado da chuva e do calor. Na minha casa, esta cadeira é cativa. Vivo sentado frente ao computador. Um antivirus atualizado é importante para garantir a segurança desejada. Se entrar virus, derrepente, num instante a minha máquina poderá ficar travada. As horas passam, e eu permaneço aqui sentado olhando a tela, usando o teclado, A webcam ligada, mandando a minha imagem para outros, que me vêem só de passagem. Há um incômodo, quando chega a minha mãe dando uma bronca, mandando-me estudar. Então levanto-me, pego logo um ou dois pães, um refrigerante, e torno a me sentar. Resumo da vida de muitos adolescentes

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Cabral, em 1500
Pedro Álvares Cabral estava um tempo folgado 1500, a começar, encontrou-se com seu cunhado
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Estavam andando na praia, sem ter o que decidir Que tal velejar, ó Pedroca? Vamos nos divertir? Como ele andava livre, e não tinha o que fazer Respondeu depressa: Vamos! Velejar é um prazer! Convidemos os amigos que estejam entediados E vamos aproveitar esses dias de feriados Pegaram logo treze naus, só os homens, nenhuma menina Mas o mar estava sem ondas, parecia uma piscina... Ele ficou preocupado com aquela calmaria, Acessou a internet para ver como ia o clima Sua esposa perguntou-lhe para onde ele iria, E ele respondeu sério, que a vontade do rei, faria. Vou buscar especiarias, na Índia, e algum figo Fico fora um mês ou dois, qualquer coisa eu te ligo Feliz, carregaram as naus com muito rum e bom vinho Recolheram logo as âncoras colocando-se a caminho Cada um deles levava facão, carabina e fuzil Com bijuterias e espelhos, rumaram ao Brasil Chegaram lá pela tarde, todos ébrios e alegres Viram algumas capivaras e as confundiram com lebres Falaram com um cacique, que era um dos homens mais velhos Arruma-nos algum ouro em troca de nossos espelhos

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Negociaram, nadaram, pescaram no rio Havia muita coisa boa lá na terra do Brasil Voltaram a Portugal, depois de toda a farra Passaram pelas Índias, antes, com medo de chegar em casa.
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Ficaram alguns meses fora, e voltaram preocupados Eles já não se agüentavam de tanta saudade dos fados. Trouxeram ervas, riquezas, histórias de bom final Que impressionaram a todos do querido Portugal

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Dedo inchado/Nariz quebrado
Coitadinho do Augustinho, meu amigo lutador Estava treinando boxe e machucou o indicador
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O seu dedo ficou inchado, vermelho, arredondado... Se ficar imobilizado, como fará pra lutar? Se não parar de doer, se permanecer inchado, Meu amigo arredondado tão logo não vai treinar Se não treinar, o Augustinho vai ficar inda mais inchado Dormindo, e comendo adoidado... Onde é que ele vai parar? Além disso, tem aquilo que ele faz, lá no barzinho. Pega um copo bem cheinho e entorna, sem piscar Bate papo e toma outro, toma mais um, logo mais outro, Enquanto conversa um pouco, e não vê a hora passar. Chega em casa, come de novo, nem que seja só um ovo Para não desacostumar. Dorme um pouco, logo desperta, eis a geladeira aberta, E ele a investigar. Depois, de barriga cheia, ele liga a TV Esparramado no sofá, roncando e babando bastante! Com a mamadeira cheia, que ele mama num instante Sonha de novo, o safado, e a programação não vê! Agora estou de saída, tomando bastante cuidado Pois o Augusto, zangado, eu não consigo segurar Vou ficar com os olhos inchados, o nariz, talvez quebrado, É capaz de sangrar um bocado até conseguir estancar.

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Quem mandou mexer com ele, escrever estas besteiras? Deixar meu amigo bravo, com isto que escrevi. Eu vou embora mais cedo... Estou tremendo de medo! Pois ele vai me moer inteiro se me pegar por aqui.
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PS.: Quase consegui derrubar o Augusto, de tanto que ele riu!

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Decisão
Ah, chega de ódio, pois a vida é muito curta, E, chega de mentiras, que fazem tanto mal.
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E, chega de farras, que destroem nossas idéias, E destroem compromissos, e destroem a nossa paz. Eu sei! É melhor o amor, pois a vida é muito curta. É melhor o amor, porque ele nos faz bem O amor que me enche, e que me leva à luta Para vencer a mim mesmo, para conquistar o bem. Chega! Ah, chega de traições, que ferem quem nos ama, E, chega de malícia, que nos levam a trair E, chega do pecado, e dos vícios, que nos matam, E destroem nosso futuro, e destrói o nosso lar. Decidi Assumir um compromisso de mudança para minha vida Vou cuidar do meu lar, enchê-lo ainda mais de amor Vou levar a vida a sério, nisso estou comprometido E procurar amar ao próximo, como Cristo ensinou

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Minha frô
Faiz tempo qui eu quiria ti falá Tantas coisa bunita qui ando pensano
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Eu penso nocê, somente nocê E assim o tempo vai passano, E ele passa sem ocê se apercebê O tempo passa, e o amor só cresce Enquanto o meu coração só vai sofreno Purque num tem a carma i a paz Di tê o amor qui ele ta quereno I dessi amor, só ocê qui é capaiz Mais vai chega a hora qui eu vo te dizê tudo Ocê pode assustá, pode assuntá vô insisti inté ocê mi aceitá Cê aceitano, sou capais di indoidá Pulá de um lado, para outro, i di cantá Purquê eu vô mi acha o home mais sortudo.

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Giselda, a galinha que virou canja
Giselda, ainda era uma franga quando eu trouxe para cá
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Com uma prima, e um galo, soltei-a no meu quintal Lá ela comia as formigas e o matinho que brotava Fora os grãos de milho seco que pra ela eu jogava

Meu filho pequenino a olhava encantado E com seus passos pequenos a seguia para todo lado E no quintal, a Giselda, andando devagarinho, Ciscava pra lá e pra cá comendo muitos bichinhos

A Giselda punha ovos, mas não conseguia chocar Só uma vez nasceram dois pintos que não conseguiram viver Os demais ovos, confesso, resolvi aproveitar. Foram usados na cozinha, os peguei para comer.

A Giselda engordou, eu me lembro, coitadinha... Minha esposa a olhou e a quis lá na cozinha Não teve negociação, outra saída não tinha Com quanta pena eu fiquei daquela pobre galinha

Alí ficou decidido o destino da Giselda Que provou ser boa galinha até mesmo na panela. Foi assim que a Giselda desapareceu de cena Daquela galinha simpática só sobrou um monte de penas.

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

E o Samuel, já grandinho, que o desenlace não viu Comeu um pouco da canja, e então é que descobriu Que a galinha Giselda, aquela presença constante Estava agora no prato, e ele gostava bastante.
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Giselda, pobre galinha que andava sempre a ciscar Quem nunca teve galinha não consegue avaliar Como é gostosa a canja, e o cozido de galinha. (Eu ainda tenho penas da Giselda, coitadinha)

PS.: As penas que eu tenho são as que transformei em bóias, para pesca de corimbas.

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Biliscão é um doce bão
A Betinha é uma beleza, nunca vi muié iguá. Ela trabaia cum presteza, sem nunca recramá.
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Se alevanta beeeem cedinho, se ajueia pra orá Dispois toma o seu chazinho e já sai pra trabaiá Trabaia cuidano dos véi, e dirigindo o pessoá, Vê si ta tuuudo completo, si num farta materiá. Quando dá o seu horário, seu fiinho vai buscá Pruqui ele ta na iscola, onde foi pra istudá. Chega em casa, faiz armoço, tem ropa pra lavá Dá cumida pro Samuca, num tem tempo pra pará Liga pra suas maninha, liga pro seu papai Qui ta véio, o meu sogrinho, ela pricisa cuidá Quando já ta tudo prontinho, ela começa a inventá Põe treiz ovo na tigela, uma cuié pra misturá Pega o sar, pega a farinha, o açúca prá porvilhá Abre a massa beeem fininha, e já começa a cortá Põe uma goiabadinha no meio, dobra pra segurá Leva pruma forma graaande, e põe no forno prá assá. Quando eu chego em casa, à tarde, eu me sento pra jantá Dispois é que nóis cunversa, pra sabê cume qui tá Tomo as matéria do filho, a cachorra vem cumprimentá Mexo c´a calopsita, qui já começô subiá Despois disso, abro o armário, só pra mó di ispiá Lá eu vejo os biliscão, qui ela feiz pra mi agradá

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Dô um bejo nessa gata, i nóis cumeça a namorá Eu falo qui ela é bunita, pregunto si qué casá... Essas brincadera boba, faiz nóis ficá mais feliz Olho bem nos zóio dela, e dô um bejo em seu nariz.
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Eita vida boa, a nossa, tendo essa união A famía é um presente que alegra o coração Como Deus gosta di nóis, eu falo com devoção. Eu gosto taaaanto da Betinha, qui mi faiz us biliscão. Como é bão!

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Um docinho
Fiz um doce diferente, vou trazer procê provar Ele mexe com as idéias da gente, isso não dá pra negar
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Inventei ingredientes na hora de preparar O resultado espantou quem dele experimentou Mas ninguém quis reclamar. Usei cebola, pepino, goiabas, maracujá... Berinjela bem madura, moranga, e um cajá. Melão caipira, duas mangas, melancia fatiada, Casca de jabuticaba, e botei pra cozinhar Deixei umas horas no fogo, aí é que fui me lembrar Não tinha posto açúcar, e aquilo já ia queimar... Joguei caldo de laranja, aí pude adoçar Porém, não seja indiscreto. Pus um ingrediente secreto, que eu não quero contar. Fui mexendo, fui mexendo, até aquilo apurar Na pedra eu derramei, então aquilo cortei (Em pedacinho, é melhor!) Passei no açúcar cristal e na canela em pó. Guardei na tigela tampada, que é para bem conservar. O gostinho do jiló e o cheiro do jatobá Ah, A cor não ficou muito boa. Nem a consistência, também. O sabor? Ninguém aguenta! Quer provar?

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Poetando
Um dia destes, menina, eu estava poetando, poetei uns versos lindos, e então fiquei recitando.
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Os versos falavam das flores, (aquelas que você tem) e comparavam as flores, menina, você adivinha com quem? Comparavam teus lábios à rosa, menina, e o teu rosto ao jasmim. (Se você lesse estes versos você corria para mim) Mesmo não sendo poeta, eu me pego a poetar, pois todo homem poeta, menina, quando começa a amar. Você também tem poetado, menina, poesias só para mim. (Poemas são tuas palavras... teus beijos... você, enfim Você me poeta e eu te poeto sobre todos os assuntos. O amor e a poesia farão, menina, que estejamos sempre juntos. E juntos poetaremos, menina, da noitinha ao amanhecer. E ensinaremos poesias, para o filho que nos nascer.

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Namoro de idosos
O idoso Garboso
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Guloso Glutão

Viu a idosa Bondosa Vaidosa Paixão!

No olhar, Decisão No falar, Emoção Das tripas Coração

Novos méritos Novos métodos Novos médicos Descobriu

De dietas, De regimes, De remédios Ouviu

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

O idoso Nervoso Explodiu A idosa, Esperançosa,
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Desistiu! Ele só, Ela só... ...e foi só!

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Um doce sonho
Eu estava pensando no sonho que tive Um sonho bem doce, igual, nunca vi”
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Há sonhos e sonhos, e muitos eu tive, Porém, esse sonho, eu depressa comi Quando vi esse sonho na confeitaria, Recheado, fresquinho, o aroma eu sentia E, muito guloso disse que o comeria Eu logo, comprei, e em seguida, paguei Tão depressa comi, quase me engasguei A receita eu pedi, e postei-a aqui Eis a receita do Sonho Ingredientes: 700 gramas de farinha de trigo 4 colheres de (sopa) de açúcar 2 colheres de (sopa) de manteiga ou margarina 3 ovos 250 ml de leite 3 tabletes de fermento para pão óleo para fritar, e açúcar para polvilhar. Recheio 1/2 litro de leite 2 colheres de (sopa) de manteiga 4 gemas 150 gramas de açúcar 3 colheres (sopa) de farinha de trigo essência de baunilha ou raspas de limão

Elio Roldan Anderson

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Modo de fazer: Recheio: em uma panela coloque o leite (reserve um pouco), o açúcar, a manteiga, a farinha dissolvida no leite reservado, as gemas e as raspas de limão ou essência de baunilha. Mexa até engrossar, reserve.
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Massa: em um recipiente esfarele o fermento e adicione uma pitada de açúcar. Mexa até obter um líquido. Adicione o leite morno. Reserve. Em um recipiente coloque a farinha (reserve um pouco), açúcar, manteiga, ovos levemente batidos e o fermento reservado. A seguir, sove sobre uma superfície enfarinhada e a deixe descansar. Após, abra porções com o rolo (deixe com uma espessura de mais ou menos 1 dedo). Modele. Acomode em uma assadeira retangular polvilhada com farinha. Deixe dobrar de volume. Frite em óleo quente. Deixe escorrer. Abra com auxílio de uma tesoura, recheie e polvilhe com açúcar. Convide um Velho Pescador para comer!

Elio Roldan Anderson

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A Elasticidade dos Peixes
Ou chamo de “efeito-sanfona”? Dizem que pescador é mentiroso, e há muitos que o são, mas, se há
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um bicho que aumenta e diminui de tamanho e de peso, é o peixe. Nunca vi coisa igual! O tamanho do peixe continua variando, independentemente do tempo em que foi a pescaria. Quando você fisga o bicho, calcula que ele tem uns quatro quilos. Ao vê-lo se aproximar, ainda na água, acha que deva ter uns seis quilos. Se você está em um pesqueiro particular, na hora de pagar, você acha que tem um quilo e meio, mas paga por sete quilos. Chegando em casa percebe que ele mal alcança os dois quilos e meio. Será que desidratou? Mas não, não para por aí, não... Nos dias seguintes, quando o pescador vai contar aos amigos, o peixe já está crescendo de novo. Quinze... dezesseis, vinte quilos... E assim vai. Essa variação se aplica também ao tamanho. Eu já vi sujeitos contando que fisgaram lambaris deeesse tamanho, com dois, três quilos, e não duvido, pois tenho experiência, e sei que peixe varia muito de tamanho e peso... Ou não, como diria o meu amigo Aurélio. Conforme o Professor Doutor O R Anderson*, "essa variação de peso e tamanho dos peixes está de acordo com a "TEORIA DA RELATIVIDADE DOS PESCADORES", enquanto o Professor Doutor C R Anderson*, sugeriu uma nova unidade de medida, o KgE, que nos coube definir, e você passa a conhecer agora: KGE = QUILOGRAMA EMOÇÃO KgE = É uma Unidade de peso relativa, imensurável, correspondente ao Kg em condições especiais, variável de forma inconstante e

Elio Roldan Anderson

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ilimitada, para mais ou para menos, dependendo de circunstâncias específicas ou não. Usa-se esta Medida de Massa para evitar constrangimentos aos Pescadores, Caçadores e Contadores de Causos, e explicar diversos outros acontecimentos especiais.
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Equivalências: Algumas pessoas substituem o KgE pelos termos equivalentes “tamanhinho” e “tamanhão”, que podem ser explicados da seguinte forma: Tamanhinho: Pode, ou não, equivaler a 1g, 10g, 100g, 1kg, seus múltiplos ou submúltiplos. Tamanhão: Pode, ou não, equivaler a 1g, 10g, 100g, 1kg, seus múltiplos ou submúltiplos. KGE = QUILOGRAMA EMOÇÃO Na continuação do estudo, vamos definir o Kgf+E KgfE - Quilograma-força + Emoção: Aplicando-se a Teoria da Inconsistência, de Roldan (este que digita!), em conjunto com a Especificidade incongruente, temos X = Kgf+T . Peixe, ou X = Kgf-T . Peixe, onde X (Emoção) continua sendo incógnita variável, indiferentemente do resultado da Equação, para mais ou para menos. Aplica-se também a abreviatura KgE. NOTA DE AUTOR * OS "DOUTORES" CITADOS NO TEXTO, SÃO, NA VERDADE, OS MEUS QUERIDOS
IRMÃOS

OSMAR E CARLOS.

Elio Roldan Anderson

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Por favor, doutor...
Pois é, seu doutor. Nós era da roça, não aprendeu falá bonito. Nós até atropela as concordância...
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Nós pode não ter muito estudo, mas sempre fizemos o bem. Uns de nós morava nos sítio, outros nas fazenda. Nós era colono, roceiro, campeador, derriçava café... Isso antes da implantação das usina de álcool, que fez o nosso interior virar um canavial sem fim, e também antes das leis que obrigava os fazendeiro a registrar os colono. Naquele tempo não tinha esse mundaréu de terra parada, que não produz nada, que tem uns boizinho pra dizer que é produtiva, para não ter o perigo de invasão. Também não tinha esses movimento de sem terra. Eu fui convidado para participar disso, mas tinha que ficar morando na barraca de lona preta, fazer movimento, viver de esmola, e depois dividir o que ganhasse com aquele povo safado. Não é isso que nós quer, doutor. É só política, e nós quer é trabalhar. Naquela época, não se falava da tal globalização, do tal MERCOSUL Televisão, só com bateria, uma poucas horas que tinha, só nas fazenda. Nem antena parabólica existia. Nós sempre agiu direito. Nós respeitava até algumas leis que não estavam escrita, como a da-oferta-e-da-procura, que a gente descobriu, era para acertar os preço. Mas essa lei estava nas mão dos atravessador. Quando nós produzia bastante, os preços baixava. Quando a produção era pequena, o atravessador pagava pouco também. Naquele tempo a vida não era fácil, e nunca foi, né, seu doutor? Nós levantava cedo, trabalhava até o sol se por, inclusive de sábado, e, nos domingo também, quando era época de colheita. Uns de nós trabalhava de-a-meia, outros era empregado do sítio, outros pegava o serviço de empreita. Mas todos trabalhava. Nós vivia bem!

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

As criança ia para as escola, escola da fazenda mesmo. Passava de ano até tirar diploma de 4ª série. Depois tinha que ir para a cidade fazer o ginásio, o colégio, até faculdade. Alguns até formou seus filho nas faculdade, sim senhor. Tudo às custas do trabalho, que naquele tempo não faltava não, doutor!
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Vieram essas medidas econômica, essas coisa que vocês fazem em Brasília (ou será que é porque não fazem?), e a vida ficou complicada. O sitiante parou de produzir, foi à falência, o coitado, que não conseguiu pagar os financiamento, os empregado. Os fazendeiro grande não tem mais empregado nenhum. As pessoas que produz não tem mais empregado. Só contrata bóia-fria, assim nós foi tudo pras cidade, pois nem lugar para morar nós tem mais, lá na roça. Naqueles tempo, nós tinha lugar para morar, criar umas criação caseira, fazer uma hortinha, ter uns pezinho de fruta... Agora, morar só se for na cidade, na favela, e se alguém quer trabalhar, só acha de bóia-fria. Trabalhar de bóia-fria não seria tão ruim se tivesse serviço sempre. Na cidade nós tem que pagar aluguel, contas de luz e água, imposto, passagem nos ônibus, etc., e, quando está fora de época de colher ou plantar, nós não ganha nada. Aí não dá mesmo para pagar isso tudo. Logo, mesmo na safra de cana não vai ter mais contratação, pois as usina já estão colocando colheitadeira, que tira o serviço de um montão de gente. Igual aos produtor de café, de soja... Não tem mais trabalho, doutor. Explico tudo isso para o senhor saber que nós é pobre mas nunca foi bandido. Faz um tempo, criaram um tal de Estatuto das criança e adolescente, que proíbe as criança de trabalhar. Só pode trabalhar quando tem dezesseis ano, se conseguir, e quase nunca consegue. Aí, acabou a escola, e eles fica na rua, pensando bobage. Meu filho, o Nirto, ta com quinze anos agora, mas sumiu de casa, depois de pegar e vender as roupa que ele tinha, pra comprar um tal de crack. Não sei onde ele anda, doutor, mas sei que ele precisa de ajuda.

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Ele sempre foi um menino bom, sempre foi obediente. Acho que é com essas companhia, que ele aprendeu a usar isso e a roubar. Só ele, porque os outros irmão não usam, não. Ele já foi preso, ficou uns tempo, e nós achava que ele não ia usar
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mais, mas ele não conseguiu. A gente conversava com ele, e ele até chorava, mas não consegue se livrar desse vício, e nós não tem como pagar um lugar para ele se tratar. Estou contando isso para pedir pro senhor, doutor. Se vocês descobrir onde ele está, traz ele de volta. Não deixe os traficante matar ele não, doutor, porque ele é nosso filho e nós ama ele. Nós vai fazer o possível para ele se recuperar, e vamos correr o mundo para conseguir internar ele para ele se livrar disso. Viu, doutor. Ele é um bom menino! Não deixa matarem ele, não.

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Adamastor e Hermenegilda
Pois é! Quem diria? Adamastor, conhecido por sua vontade de arrumar uma namorada
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bonita, rica, elegante, simpática e discreta, já andava meio desanimado por tanto tempo passado sem conseguir seu intento. A esta altura, ele já estava achando que a namorada não precisava mais ser tããããão bonita, ou rica, ou elegante, ou simpática, muito menos tããããão discreta. Sendo uma moça, mesmo que não tãããão moça, já serve, pois a idade vem, os cabelos se vão... Pobre Adamastor. Acontece que, dia destes, chamado a participar de um simpósio sobre o sistema pelo qual ele responde em seu município, que se daria em cidade próxima, acordou atrasado, mas bem disposto, como sempre. Tomou um banho rápido, passou o desodorante, a colônia, vestiu-se primorosamente, como é o seu jeito, apressadamente, mas não tããããão apressadamente. Pegou o seu carro e dirigiu até à o trabalho, donde seguiu viagem, em companhia de algumas jovens senhoras, ou quiçá, senhoritas. Todas mostraram-se encantadas com a gentileza, o sorriso cativante e o perfume inebriante do nosso querido amigo. Chegados ao destino, mal tem início o simpósio, Adamastor percebeu que a prócer daquela área estava mancomunada com um esbirro, preparando armadilhas a fim de diminuí-lo aos olhos dos demais, desgostosa que estava de sabê-lo ali, já que o mesmo era quem mais profundamente conhecia aquele trabalho, talvez quem deveria dirigir os trabalhos. Consternado, tentando manter-se calmo, aplicava-se a cada momento em se livrar dos laços armados, pois, instintivamente, sentia que o queriam derrubar. Em dado momento, ao virar-se para a direita, viu o olhar de Hermenegilda. Viu muito mais que isso. Ah, Hermenegilda...

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Como não a percebera antes? Ela que, em todas as oportunidades, mostrava-se solícita, figura benfazeja... Ruborizou-se ao perceber a simpatia e carinho explicitados naquele olhar. Sorriu. Viu-a como nunca havia visto alguém...
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Tentou voltar ao tema em discussão, mas quê? Como ouvir outra coisa senão seu coração, que, agora estava aos pulos, fazendo-o olhar mais uma vez, mais outra, para aquela que o despertara para o amor? Pela primeira vez percebera o brilho dos olhos, o frescor dos lábios, o olhar carinhoso... Hermenegilda... HER... ME... NE... GIL... DAAAAA... (É assim que ele fala!) Ela estava linda... ooooo HERMENEGILDA E ADAMASTOR Hermenegilda era uma mulher simples e bonita, inteligente, bem formada, mas praticamente deixara de viver, desde que seu noivo a abandonara no altar. Jurara a si mesma nunca mais confiar, nunca mais se entregar a alguém. Seu coração se fechara, e ela deixara de considerar a hipótese de ter um namorado, de se casar, ter filhos... Os anos foram se passando e ela ia se dedicando mais e mais ao trabalho, tentando afogar aquela frustração. A vaidade se fora. Deixara de se cuidar. Os cabelos, loiros e lisos, outrora tão lindos, eram agora amarrados de um modo simples, formando um pequeno rabo, quando não os cortava bem curtos. Suas roupas não deixavam ver a harmonia de suas linhas. Pareciase mais com uma austera professora, do que com a jovenzinha gentil e sonhadora de anos atrás. Curiosamente, com tudo isso, não se tornara amarga, mas indiferente. A vida passava e ela não percebia, imersa em seu trabalho.

Elio Roldan Anderson

Alguns Poemas de um Velho Pescador

Acordou, naquela manhã, muito cedo, como era seu costume. Neste dia participaria de mais um seminário sobre o sistema de que era responsável em seu município, e que ocorreria em uma cidade próxima. Ela gostava daqueles momentos, pois a tiravam da mesmice de sua repartição, e ela podia discutir os assuntos que
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tanto gostava, com pessoas que faziam parte daquele mundo à parte. Tomou um rápido banho, maquiou-se levemente, vestiu-se. Há tempos não usava um perfume. Perfumar-se lhe parecia algo despropositado, pois, inconscientemente, temia que algum homem pudesse reparar nela, e era isso que ela evitava, mas, não sabia por que, pegou de uma colônia que ganhara de uma colega, e ousou sonhar, ao sentir aquela inebriante fragrância. Na condução que viera buscá-la, passou a olhar a paisagem, vislumbrando aqui e ali uma árvore que se destacava, ou uma pessoa que trabalhava. Viu crianças brincando em uma pequena praça e permitiu-se sorrir. Ah, há quanto tempo não sorria? Como era bom aquilo. Viu o balanço indo-e-vindo, meninos correndo, uma bola parada... Passou a recordar os momentos felizes de sua infância, e, imersa em si mesma, chegou ao local do seminário, com pequeno atraso. Desceu tranquila, leve, sorrindo para todos, sem mesmo perceber, feliz que estava, e entrou para o simpósio, percebendo que o assunto discorrido era já conhecido, simplesmente uma atualização das normas. Sem querer, sorrindo ainda, seus olhos encontraram-se com os dele... ADAMASTOR! Ele sempre lhe parecera muito esquisito, cheio de manias, metódico ao extremo, mas alguém que realmente entendia aquele trabalho, e com quem, algumas ocasiões, discutira detalhes importantes.

Elio Roldan Anderson

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Naquele momento, percebeu no olhar do Adamastor a solidão que existia em si própria, e conscientizou-se de estar tão sozinha há tanto tempo. Ruborizou levemente, o que a deixou ainda mais bonita, e então, virou-se para ele, e ...
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... sem querer, pela primeira vez em suas vidas, Hermenegilda e Adamastor deixaram de participar do seminário, mesmo continuando presentes naquela sala. Ela só pensava nele, e ele só pensava nela. -----------Explicações do Velho Pescador. Os personagens acima não são apenas ficção, mas retratam pessoas conhecidas. Vamos aguardar o desenrolar para dar prosseguimento a este romance. Ou não!

Elio Roldan Anderson

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A Lua não se quebrou
Estávamos em Julho de 1969, e, no dia 19, meu aniversário, a atenção de todo o povo se concentrava na viagem à Lua, pois a
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missão Apollo se propunha a pousar, permitindo que o homem passeasse no solo lunar. O pouso estava marcado para o dia seguinte, 20 de Julho. Eu estava encantado com a idéia, nos meus dezenove anos de idade, maravilhado com o desenvolvimento científico-tecnológico que possibilitava essa viagem. Noticiários de rádio, TV, revistas e jornais, não paravam de falar do assunto, mostrando, em preto e branco, as imagens do nosso satélite, as fotos dos astronautas e do foguete que os levaria até lá. Ocorre que um vizinho nosso, o Sr. José, com seus 65 anos, aproximadamente, estava por demais preocupado. Ele, mineiro de Itajubá, humilde ascensorista, não aceitava a idéia da viagem, e ficava esbravejando “com esse povo que pensa poder ir à Lua. Os homens não podem ir à lua”, ele dizia. Eu, já acostumado a conversar com ele, fui explicando em uma linguagem mais simples para que ele entendesse, mas estava difícil. Em determinado momento, ele foi peremptório: - “O homem não conseguirá entrar na Lua! Por onde ele vai entrar”? Eu pensei um pouco, e, mostrando em uma revista a foto da Lua, e, pensando ter encerrado o assunto, mostrei-lhe as várias crateras e disse: - “Eles vão entrar por um desses buracos...” Ao que ele respondeu: - “Se eles entrarem, a Lua vai se quebrar e cair na Terra!” Apavorado, foi rezar mais um pouco e eu, desistindo de explicar qualquer outra coisa, fui curtir o meu aniversário, esperando que a missão Apollo 11 tivesse êxito e os astronautas voltassem em segurança à sua base. No dia 20 foi a maior festa! Afinal, a Lua não se quebrou, e a missão foi um sucesso!

Elio Roldan Anderson

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Fim

Para falar comigo: elio_roldan@yahoo.com.br

Que Deus o abençoe!
Elio Roldan Anderson

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