Universidade do Sul de Santa Catarina

História da Educação I
Disciplina na modalidade a distância

Palhoça UnisulVirtual 2006

Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina História da Educação I. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma, abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando uma linguagem que facilite seu estudo a distância. Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho. Não esqueça que sua caminhada nesta disciplina também será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade, seja por correio postal, fax, telefone, e-mail ou Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem - EVA. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois sua aprendizagem é nosso principal objetivo. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual.

Karen Christine Rechia Leonete Luzia Schmidt Rosmeri Schardong

História da Educação I
Livro didático

Design instrucional Viviani Poyer

Palhoça UnisulVirtual 2006

Copyright © UnisulVirtual 2006 N enhum a parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer m eio sem a prévia autorização desta instituição.

370.9 R24 Rechia, Karen Christine História da educação I : livro didático / Karen Christine Rechia, Leonete Luzia Schmidt, Rosmeri Schardong ; design instructional Viviani Poyer. – Palhoça : UnisulVirtual, 2006. 120 p. : il. ; 28 cm.

Inclui bibliografia. ISBN 85-60694-08-0 ISBN 978-85-60694-08-2

1. Educação – História. I. Schmidt, Leonete. II. Schardong, Rosmeri. III. Poyer, Viviani. IV. Título.
Ficha catalográf ica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul

Cr édi tos
Uni sul- Uni ver si dade do Sulde Santa Catar i na Uni sul Vi r tual- Educação Super i ora Di stânci a
Cam pusUni sul Vi r tual Rua João Pereira dos Santos, 303 Pal hoç a - SC- 88130-475 Fone/ f ax:( 48)3279-1541 e 3279-1542 E-mail :c ursovirtual @unisul . br Site:www. virtual . unisul . br Rei torUni sul Gerson LuizJoner da Sil veira Vi ce-Rei tore Pr ó-Rei tor Acadêm i co Sebastião Sal ésio Heerdt Chef e de gabi nete da Rei tor i a Fabian Martins de Castro Pr ó-Rei torAdm i ni str ati vo Marc us Viní c ius Anátol es da Sil va Ferreira Cam pusSul Diretor:Val ter Al ves Sc hmitzNeto Diretora adj unta:Al exandra Orsoni Cam pusNor te Diretor:Ail ton Nazareno Soares Diretora adj unta:Cibel e Sc huel ter Cam pusUni sul Vi r tual Diretor:João Vianney Diretora adj unta:Juc imara Roesl er Equi pe Uni sul Vi r tual Adm i ni str ação Renato AndréLuz Val mir Vení c io I nác io Bi bl i otecár i a Soraya Arruda W al tric k Coor denação dosCur sos Adriano Sérgio da Cunha Ana Luisa Mül bert Equi pe Di dáti co-Pedagógi ca Angel ita M arç alFl ores Carmen Maria Cipriani Pandini Carol ine Batista Carol ina Hoel l er da Sil va Boeing Cristina Kl ipp de Ol iveira Daniel a Erani Monteiro W il l Dênia Fal c ão de Bittenc ourt Enzo de Ol iveira Moreira Fl ávia Lumi Matuzawa Karl a Leonora Dahse Nunes Leandro Kingeski Pac hec o Ana Paul a Reusing Pachec o Cátia Mel issa S.Rodrigues ( Auxil iar) Charl es Cesc onetto Diva Marí l ia Fl emming I tamar Pedro Bevil aqua Janete El za Fel isbino Juc imara Roesl er Lil ian Cristina Pettres ( Auxil iar) Lauro JoséBal l oc k LuizGuil herme Buchmann Figueiredo LuizOtávio Botel ho Lento Marcel o Caval c anti Mauri LuizHeerdt Mauro Fac c ioni Fil ho Mic hel l e Denise DurieuxLopes Destri Moac ir Heerdt Nél io Herzmann Onei Tadeu Dutra Patrí c ia Al berton Patrí c ia Pozza Raul ino Jac ó Brüning Rose Cl ér E.Bec he Desi gn Gr áf i co Cristiano Neri Gonç al ves Ribeiro ( c oordenador) Adriana Ferreira dos Santos Al exSandro Xavier Evandro Guedes Mac hado Fernando Roberto Dias Zimmermann Higor Ghisi Luc iano Pedro Paul o Al ves Teixeira Raf aelPessi Vil son Martins Fil ho Ligia M aria Souf en Tumol o Márc ia Loc h Patrí c ia Meneghel Sil vana Denise Guimarães Tade-Ane de Amorim Vanessa de Andrade Manuel Vanessa Franc ine Corrêa Viviane Bastos Viviani Poyer Logí sti ca de Encontr osPr esenci ai s Marc ia Luzde Ol iveira ( Coordenadora) Arac el l i Aral di Grac iel e Marinês Lindenmayr JoséCarl os Teixeira Letí c ia Cristina Barbosa Kênia Al exandra Costa Hermann Prisc il a Santos Al ves Logí sti ca de M ater i ai s Jef erson Cassiano Al meida da Costa ( c oordenador) Eduardo Kraus M oni tor i a e Supor te Raf aelda Cunha Lara ( c oordenador) Adriana Sil veira Carol ine Mendonç a Dyego Rac hadel Edison Rodrigo Val im Franc iel l e Arruda Gabriel a Mal inverni Barbieri Gisl ane Frasson de Souza Josiane Conc eiç ão Leal Maria Eugênia Ferreira Cel eghin Simone Andréa de Castil ho Viní c ius Mayc ot Seraf im Pr odução I ndustr i ale Supor te Arthur EmmanuelF.Sil veira ( c oordenador) Franc isc o Asp Pr oj etosCor por ati vos Diane DalMago Vanderl ei Brasil Secr etar i a de Ensi no a Di stânci a Karine Augusta Zanoni ( sec retária de ensino) Ana Paul a Pereira Dj eime Sammer Bortol otti Carl a Cristina Sbardel l a Grasiel a Martins James MarcelSil va Ribeiro LamuniêSouza Liana Pampl ona Maira Marina Martins Godinho Marc el o Pereira Marc os Al c ides Medeiros Junior Maria I sabelAragon Ol avo Laj ús Prisc il l a Geovana Pagani Sil vana Henrique Sil va Secr etár i a Executi va Viviane Sc hal ata Martins Tecnol ogi a Osmar de Ol iveira BrazJúnior ( c oordenador) Ric ardo Al exandre Bianc hini Rodrigo de Barc el os Martins Edi ção -- Li vr o Di dáti co Pr of essor asConteudi stas Karen Christine Rec hia Leonete Luzia Sc hmidt Rosmeri Sc hardong Desi gn I nstr uci onal Viviani Poyer Pr oj eto Gr áf i co e Capa Equipe Unisul Virtual Di agr am ação Vil son Martins Fil ho Revi são Or togr áf i ca B2B

. . . . . . . . . – Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica . . . . . . . . 111 Referências . . . – As práticas educativas medievais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119 . . . 03 Palavras das professoras conteudistas . . . . . . . . 11 UNIDADE UNIDADE UNIDADE UNIDADE 1 2 3 4 – História da Educação: objetos. . . . . . 113 Sobre as professoras conteudistas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . abordagens e fontes . . . . . . . . . . . . .Sumário Apresentação . . . . . . . . 09 Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . – A infância e a pedagogia moderna . . . . . . . . 17 41 65 89 Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Iniciamos o presente livro apresentando um pouco das atuais discussões que permeiam o campo de estudos e pesquisas em História da Educação. Os livros de História da Educação estão organizados de modo a abarcar o estudo dos tradicionais períodos históricos.Palavras das professoras Caro estudante. a formação dos cavaleiros e a constituição das universidades. Também enfatizamos a constituição de uma nova concepção de infância na modernidade e como esta derivou na pedagogização dos conhecimentos e no disciplinamento dos sujeitos. você irá conhecer o contexto histórico da chamada Idade Média Ocidental. a educação nas corporações de ofícios. como a educação feminina. Para finalizar. . discutiremos a infância e a pedagogia moderna. optamos por enfocar aspectos da cultura escolar presentes nos colégios modernos e na pedagogia jesuítica. apresentando alguns aspectos da trajetória histórica da infância. Em seguida. os quais ajudarão a compreender muitas das atuais características de nossas instituições de ensino. optamos em fazer algumas escolhas. Mesmo seguindo alguns desses períodos. começando pela Antiguidade. Por tratar-se de um período extensivamente longo. passando pela Idade Média e Moderna e chegando à Idade Contemporânea. Veremos aí que é possível estudar a História da Educação sob diferentes abordagens e temas e a partir de diferentes fontes. Quanto à época moderna. para situar e compreender algumas práticas educativas relacionadas a este período. acaba-se por fazer um estudo panorâmico.

em outras disciplinas. Leonete e Rosmeri . aprofundar os temas apresentados. acreditamos que. indicar fontes extras de pesquisa para que você possa. século XIX e XX. Boa aprendizagem! Professoras Karen. você terá a oportunidade de discuti-las com mais propriedade. Procuramos.Quanto às questões educacionais do período contemporâneo. no decorrer do livro. na medida do seu interesse e disponibilidade.

o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem . „ „ Ementa História da educação: objetos. Carga Horária 60 horas – 4 créditos. Educação e infância na modernidade. Assim. abordagens e fontes. a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/ mediação. a distância e presenciais). O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam. As práticas educativas medievais.Plano de estudo O plano de estudos visa orientá-lo/la no desenvolvimento da Disciplina. . Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica. São elementos desse processo: „ o livro didático. você encontrará elementos que esclarecerão o contexto da Disciplina e sugerirão formas de organizar o seu tempo de estudos.EVA. Nele. as atividades de avaliação (complementares.

Identificar os sujeitos/grupos sociais que foram atingidos ou excluídos pelas instituições educacionais ao longo do tempo.Objetivos Identificar as concepções de História que implicam em diferentes abordagens acerca da História da Educação. a seguir. assim como a ampliação e multiplicidade de temas ou objetos de pesquisa nas últimas décadas. „ Conhecer as práticas educativas medievais e modernas. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua formação. bem como analisar o uso de diferentes fontes de pesquisa nesta área. Relacionar o panorama histórico com as idéias pedagógicas e suas aplicações educacionais. Reconhecer as diferenças entre as formas educacionais no tempo e em sociedades distintas. Compreender o processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos na modernidade. Unidades de estudo: 4 12 . as unidades que compõem o Livro Didático desta Disciplina e os seus respectivos objetivos. Estes se referem aos resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de estudo. „ „ „ „ „ „ Conteúdo programático/objetivos Veja. Analisar alguns modos de tratamento dispensados à infância em diferentes períodos históricos. Identificar as principais características da pedagogia jesuítica.

você verá as principais características que a pedagogia e a escola moderna adquiriram em função das novas concepções sobre a criança desenvolvidas no período. pretende-se discutir concepções de História que implicam em diferentes abordagens acerca da História da Educação. Unidade 4 – A infância e a pedagogia moderna Nesta unidade. bem como algumas práticas educativas desenvolvidas nesse período. sistematizada a partir da Ratio Studiorum (1599). Unidade 2 – As práticas educativas medievais O estudo desta unidade lhe proporcionará conhecer o contexto histórico da Idade Média. 13 . Também abordar-se-á o uso de diferentes fontes de pesquisa nesta área. Para entender a concepção de infância do período moderno. a formação das universidades medievais. bem como a pedagogia jesuítica. você iniciará o estudo desta unidade vendo como a infância foi tratada em diferentes momentos históricos. assim como a ampliação e multiplicidade de temas ou objetos de pesquisa nas últimas décadas. ainda. a educação dos cavaleiros e a educação nas corporações de ofícios. Você estudará. Verá que a partir do Renascimento institui-se uma nova concepção de infância que resultará num processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos. abordagens e fontes Nesta unidade. idéias.IHistória da Educação: objetos. como a educação das mulheres.Nome da disciplina Unidade 1 . e sua influência na constituição de um determinado modelo de escola e sujeito. Unidade 3 – Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica Esta unidade iniciará discutindo a constituição e as características dos colégios modernos no século XVI.

e da interação com os seus colegas e tutor. da realização de análises e sínteses do conteúdo. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura. organize-se para acessar periodicamente o espaço da Disciplina. Registre no espaço a seguir as datas. Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da Disciplina.Universidade do Sul de Santa Catarina Agenda de atividades/ Cronograma „ Verifique com atenção o EVA. Não perca os prazos das atividades. com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA. „ „ 14 .

chamada) Avaliação Final (caso necessário) Demais atividades (registro pessoal) 15 .Nome da disciplina Atividades Avaliação a Distância 1 Avaliação a Distância 2 Avaliação Presencial 1 Avaliação Presencial 2 (2ª.

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abordagens e fontes Objetivos de aprendizagem „ 1 Identificar as concepções de História que implicam em diferentes abordagens acerca da História da Educação. assim como a ampliação e multiplicidade de temas ou objetos de pesquisa nas últimas décadas. . Seção 3 Fontes e objetos para a História da Educação. Analisar o uso de diferentes fontes de pesquisa nesta área. Seção 2 Abordagens teórico-metodológicas para a escrita da História. „ Seções de estudo Seção 1 Concepções de História e de História da Educação.UNIDADE 1 História da educação: objetos.

para. Destacamos que a área da História da Educação ou o campo da História da Educação tem passado. na seqüência. pretende-se discutir com você algumas questões relacionadas ao debate contemporâneo em torno da História da Educação. história e história da educação. para iniciarmos nossas discussões. por profundas discussões que. Para isso iniciaremos analisando os “termos” educação. nos últimos tempos. seja interessante você refletir um pouco sobre os termos educação.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade introdutória. mesmo que de forma aproximativa. de algumas questões atuais que têm norteado sua discussão. SEÇÃO 1 . traçaremos um rápido perfil das principais tendências historiográficas que marcaram e têm marcado o campo da História da Educação. mas. contribuem para o avanço teórico-metodológico e para as novas possibilidades de investigação. abordarmos a questão dos possíveis objetos e fontes a serem explorados pela área. por um lado. em função das inúmeras questões que ficam em aberto. história e história da educação. gostaríamos que nos espaços. você registrasse seu conhecimento sobre: 18 .Concepções de História e de História da Educação Acreditamos que. Em seguida. por outro. a seguir. dificultam. Assim. Acreditamos que é importante para o estudo da História da Educação situar-se.

Quando realizamos essa atividade de sondagem com nossas turmas presenciais. é preciso ampliar essa compreensão. é bastante comum relacionar-se o termo educação com escola e ensino e história com o estudo do passado. podemos dizer. já que esses termos/conceitos são historicamente construídos. ou seja.História da Educação I O que é educação? O que é história? O que é história da educação? Não temos aqui a pretensão de esgotar a discussão sobre tais termos. Unidade 1 19 . Embora isso não seja incorreto. mas apenas problematizá-los. Não pretendemos oferecer respostas prontas e acabadas. portanto. “ninguém escapa da educação”. Como diria Carlos Rodrigues Brandão. quanto à educação. ligados à prática social e. dentre inúmeras outras formas. Assim. um processo que ocorre no decorrer da sua existência e em diferentes espaços formais e não formais. que é o processo de formação do ser humano. principalmente devido a seus múltiplos sentidos. variáveis no tempo e no espaço histórico-social.

diz que há. Ele se refere tanto aos processos de existência e vida real dos homens no tempo como ao estudo científico. Sozinho? César bateu os gauleses. na noite em que a Muralha da China ficou pronta? A grande Roma está cheia de arcos do triunfo Quem os ergueu? Sobre quem Triunfaram os Césares? A decantada Bizâncio Tinha somente palácios para os seus habitantes? Mesmo na lendária Atlântida Os que se afogavam gritaram por seus escravos Na noite em que o mar a tragou. à pesquisa e ao relato estruturado desses processos humanos. do escritor alemão Bertold Brecht (1898-1956) nos dá um pouco essa dimensão e nos alerta para estarmos atentos a outras histórias e a outros sujeitos históricos. a seguir. em nosso entender ela é construída cotidianamente pelos grupos humanos. 11). dois significados básicos. O jovem Alexandre conquistou a Índia. componentes do que se chama o processo histórico. Arrastaram eles os blocos de pedra? E a Babilônia várias vezes destruída Quem a reconstruiu tanta vezes? Em que casas Da Lima dourada moravam os construtores? Para onde foram os pedreiros. p.Universidade do Sul de Santa Catarina Quanto à História. embora o ensino tradicional de história enfatize fatos isolados e apenas alguns indivíduos como promotores da história. “entre outros. Ghiraldelli Jr. de destacar que. Não levava sequer um cozinheiro? 20 . Gostaríamos. ainda.” (1994. PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ Quem construiu a Tebas de sete portas? Nos livros estão nomes de reis. o poema. Nesse sentido. num tempo e espaço determinados.

observam que a historiografia que se consolidou no século XIX foi aquela caracterizada pela narrativa dos eventos políticos. Quem pagava a conta? Tantas histórias. Esta forma está associada a quem escreve e. como critério de cientificidade. leva em conta a sociedade e época na qual o indivíduo está inserido. Neste contexto. (apud Veiga. Ninguém mais chorou? Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos. muitos Estados/Nação estavam sendo constituídos. Quem cozinhava o banquete? A cada dez anos um grande Homem. Tantas questões. Para compreender melhor a trajetória deste conceito. apesar de existirem outros estudos históricos que contemplassem outros objetos “a história política era considerada (ao menos no âmbito da profissão) mais real ou mais séria que o estudo da sociedade ou da cultura”. baseada na escrita dos historiadores. naquele momento. bem como na utilização dos registros oficiais para a escrita da História.asp?RegSel=15 0&Pagina=6#materia> O Brasil passa a ser constituído enquanto Estado/Nação a partir de 1822. quando sua Armada Naufragou. ainda conforme Veiga.mec. portanto. assegurava a História.ig. pp. como verdade absoluta. br/ensinar. In: Dicionário de Conceitos Históricos. A idéia predominante na época era de que o conhecimento produzido a partir de fontes oficiais. Isto porque. criados. 2003. p. com base somente no conteúdo de documentos escritos. há outra(s) forma (s) de escrevê-la? Segundo Veiga. Unidade 1 21 . historiadores como Jacques Le Goff e Peter Burke. Peter Burke diz que. a História como disciplina escolar foi organizada na perspectiva pragmática da formação do cidadão. entre outros. 20).br/seb/arquivos/pdf/bronze. 189193). ele era uma colônia pertencente e administrada por Portugal. Anterior a esta data.com.gov. (disponível em <http://portal. acessar <http://eaprender. 2005. (verbete Historiografia.História da Educação I Filipe da Espanha chorou. A Historiografia constituise num campo de estudo sobre a própria forma de se produzir e escrever a História. com a proclamação da independência. Quem venceu além dele? Cada página uma vitória.pdf>) Mas se a História não é um conjunto de explicações e de certezas sobre fatos e acontecimentos do passado.

como uma disciplina dos Cursos Normais. estando sempre acompanhada de perto pela Filosofia da Educação.” . Isso não significa que a História factual e política tenham deixado de existir e nem mesmo que não tenham sua importância. (2005. antes de dar continuidade à leitura. vai sendo questionada e dando lugar a outras concepções. 29) que “o fato de a trajetória da História da Educação estar relacionada à Pedagogia e ao ensino dificultou sua constituição como uma área de pesquisa propriamente dita.. dos cursos que formavam professores. também a disciplina História da Educação foi gerada no interior das escolas normais. Lopes (2005. p. reflita um pouco sobre a seguinte questão: História da educação é um campo que pertence à História ou à Educação? 22 . desta unidade..Universidade do Sul de Santa Catarina Este tipo de História.)essa associação com a Filosofia da Educação contribuiu para que uma das vertentes mais pesquisadas na História da Educação fosse exatamente a história das idéias pedagógicas e a fonte privilegiada para esse tipo de investigação fosse a obra dos grandes pensadores. p. ou seja. uma primeira questão a destacar é que ela surgiu no final do século XIX. (. 28) Reforça. voltada predominantemente para os fatos políticos e organizada de maneira cronológica.Agora. Quanto à História da Educação. ainda. sugerimos que você. O problema. Segundo Lopes. tendo como sujeitos os “personagens ilustres” e os “heróis” eleitos de cada época (possivelmente aquela História que muitos de nós aprendemos na escola). diz respeito ao método ou a abordagem utilizada para escrever a História. No Brasil. na Europa. conforme os historiadores. questão que você verá na seção 2.

até muito recentemente. como um sub-campo. a constituição da História da Educação “como campo de investigação historiográfica capaz de se auto delimitar e de definir. Para melhor compreender. dinâmicas de constituições de questões. p. Nesse processo. Contudo. ainda. p. Segundo ela. ela foi separada do campo da História e. Unidade 1 23 .” (CARVALHO. mas como ciência da educação ou como ciência auxiliar da educação” (WARDE. a História da Educação foi retirada do campo da História e convertida em abordagem ou em enfoque. a partir dos anos 30. cada vez mais como um campo de estudos e pesquisas.3-11). É importante ressaltar que é muito recente a consolidação da História da Educação como campo de investigação científica no Brasil. p. De acordo com Veiga (2003. O fato de ser transformada em disciplina escolar com objetivos institucionais e de formação de professores e pedagogos foi o que impediu. 19). temas e objetos. ela é definida como uma especialização da História. Para uns. para outros. 1990. exista ainda pouco diálogo entre historiadores e historiadores da educação. talvez até em função disso. ao mesmo tempo. 1997. para outros como um objeto. apesar de se constituir historicamente e inicialmente como uma disciplina escolar. nas duas últimas décadas. nos cursos de formação de professores.História da Educação I Existem diversos entendimentos entre os historiadores da educação sobre o lugar da História da Educação em relação à História.6). a História da Educação tem-se consolidado. e que. colocada em segundo plano no campo da educação. esse processo que retira a História da Educação do campo da História e que a inseriu entre as ciências da educação está associado ao processo que a transformou em disciplina escolar. a partir de sua própria prática disciplinar. “O que significou não ter sido instituída como especialização temática da História. essa ausência de diálogo dificulta o entendimento da educação como objeto de investigação da História e permite que ela continue a ser vista como sub-campo ou especialização da História.

elabora a lei dos três estágios: o teológico. nos últimos anos. No primeiro estágio. Figura: Pintura Grega Fonte: http://paginas. na próxima seção. o professor. como veremos na próxima seção. Doutrina surgida no século XIX e associada a Augusto Comte compreendia a ciência como domínio da natureza e sinônimo de progresso.Abordagens teórico-metodológicas para a escrita da História Para você compreender melhor o que foi falado até agora. outras temas de pesquisa têm sido investigados e ampliaram nosso conhecimento sobre a História da Educação.br/personalidades/ augustecomte.com. entre tanto outros. algumas das perspectivas que orientaram e têm orientado as pesquisas nesse campo. É o iniciador do positivismo francês e o pai oficial da sociologia.Universidade do Sul de Santa Catarina Se durante muitos anos essas pesquisas restringiram-se à análise do pensamento pedagógico e das políticas educacionais. Turgot e Condorcet. materiais escolares. Ver mais sobre Comte e a lei dos três estágios em <http://socio. Neste sentido. de Diderot. e à aproximação com outras áreas de conhecimento.com. ou seja. Assim. A primeira influência que destacamos é o Positivismo. Veiga observa que a educação tem apresentado um campo muito vasto de temáticas e o papel da História da Educação deve ser o de investigar e tornar visível diferentes objetos: a escola. o metafísico e o positivo. Os temas de pesquisa no âmbito da História da Educação acompanharam e acompanham diferentes correntes teóricometodológicas. como a Antropologia e a Lingüística. julgamos importante discutir. o conhecimento científico deveria basear-se na observação dos fatos e na experimentação. d’Alambert. devido também a grande influência da Filosofia. os alunos. discípulo e secretário (e depois decidido antagonista) de Saint-Simon. é necessário um breve panorama sobre principais influências na historiografia. devido à influência da Nova História. uol.htm> Seção 2 . processos e formas de aprendizagem. Portanto. para demonstrar a evolução do homem na história da humanidade.vilabol. para a elaboração de leis gerais.tropo. de família modesta ‘eminentemente católica e monárquica’. br/arte/mundoantigo/grecia Auguste Comte (1798-1857) nasceu em Montpellier. na forma de “contar” a História. Leitor dos empiristas ingleses.terra. a explicação dos 24 .litica.

bem como suas formas de abordagens ao longo do tempo. dividida por períodos políticos. Carla B. São Paulo: Contexto.História da Educação I fenômenos era atribuída a elementos sobrenaturais. realça sujeitos históricos como governantes. Por História tradicional entende-se que “(. Grande parte desta documentação remete a fatos políticos. Ou seja. o verdadeiro espírito positivo consiste. 50). no segundo. p. Então. a explicação foi legada a entidades abstratas e no terceiro e último – o positivo – a fonte para elucidar estes mesmos fenômenos passaria a ser a razão. 25 . que por sua vez deveriam ser descritos com base numa leitura supostamente objetiva do documento.. acabou projetando lógica semelhante à da elaboração das leis naturais para a História. segundo o dogma geral da invariabilidade das leis naturais. consultar PINSKY.” (CERRI. br/v2n2/cerri.” (COMTE. (BURKE). A História numa abordagem positivista ou tradicional. sobretudo. a História da Educação estaria associada. Figura: Augusto Comte Fonte: www. devido ao tipo e à forma de trabalho. a noção de História preconizada por esta doutrina enfatizava as fontes/documentos escritos. atribuindo ao historiador os critérios de objetividade e neutralidade. a fim de concluir disso o que será. Uma das características desta concepção de História é que muitas vezes possibilita um olhar de cima. em ver para prever. utilizados nas ciências físicas e naturais.htm>). grandes homens e “heróis” selecionados por uma elite política e econômica de cada época. nesta perspectiva. 1983.si-educa. Unidade 1 Para conhecer os diferentes tipos de fontes/documentos e suas definições. 2005.rhr.) tradicional é a característica de uma história de classe dominante (ou que em algum momento esteve no poder do Estado)..) Fontes históricas.net Assim. Mas o que nos interessa aqui são algumas características do Positivismo que vão repercutir na forma de escrever a História. Os fatos históricos são colocados numa linha de tempo linear. pois só eles portariam a verdade histórica. seria possível compreender os fatos “como eles realmente aconteceram”. em estudar o que é. temas e grupos sociais que escapam a esta abordagem. Seguindo essa concepção. Como Comte acreditava ser possível compreender a sociedade e os indivíduos que a compõem através da razão. conseqüentemente. disponível em <http://www.uepg. para a projeção do futuro: “Assim. o conhecimento do passado torna-se fundamental para o entendimento do presente e. excluindo-se uma série de sujeitos. (org.

Mas qual é o seu contexto de surgimento? É importante conhecermos o contexto histórico para que compreendamos o significado e o crescimento de tais teorias.Universidade do Sul de Santa Catarina com as fontes/documentos. A sociedade européia. portanto. Por ser uma classe que se opunha à velha ordem ou ao Antigo Regime. p. os países europeus expandem-se para a Ásia e África.). bem como a descoberta de novas fontes de energia. almejava conquistar ou garantir também o poder político. 7) Essa visão de História.. XIX. acesse o site: <http://www. (.. que durante muito tempo vinculou-se a uma interpretação essencialmente política. Voltando à sociedade européia. ou seja. 26 . a divisão de duas classes sociais: os capitalistas e os proletários. O estabelecimento das fábricas nas cidades. configurando o que se denomina como Imperialismo ou Neocolonialismo do séc. (VEIGA apud FARIA FILHO. o século XIX. historianet. foi perpassado por discussões acerca dos pressupostos da razão e do conhecimento científico. ao menos no Ocidente. no curso da Revolução Industrial.br>. ao pensamento pedagógico. Revolução Industrial e Imperialismo ou Neocolonialismo do séc. apresentava uma dicotomia básica. XIX. percebe-se que essa massa trabalhadora vivia em condições subumanas. com jornadas de Para compreender melhor as definições sobre Antigo Regime. que já havia consolidado seu poder econômico.com. etc: A maneira como a história se organizou enquanto ciência e disciplina escolar se confunde com a própria história da educação. confundida com a história das idéias pedagógicas. promovendo uma concentração de mãode-obra nas cidades. Na busca de matérias-primas e de mercado consumidor para tal produção. dinamizaram a produção industrial. linearizada. Conforme já falamos no início da seção. legitimava/legitima a ordem vigente. a mecanização. A classe burguesa. 1998. a um panorama políticoinstitucional no tocante à legislação da política educacional. possuía a simpatia de alguns pensadores e grupos.

com base nos estudos de Karl Marx. ou modo de produção sobre o outro.htm>. no sentido de superá-las. também é construída a partir dos interesses de uma classe. econômicos e técnicos que correspondem às condições em que os homens se reúnem para produzir sua existência no trabalho. A história se faz com os fatores materiais. dessa forma.. no entanto. A revolução russa de 1917. É neste panorama que surge o Positivismo. A teoria marxista é chamada de Materialismo histórico e dialético.unificado.tropo. porém do ponto de vista do trabalho e dos trabalhadores. nem objetiva. é nas contradições entre as classes antagônicas e do desenvolvimento das próprias forças produtivas de cada época.com. portanto. como dizia o Positivismo.com. Por isso.) no lugar das idéias estão os fatos materiais: no lugar dos heróis.História da Educação I trabalho que poderiam chegar a 18 horas diárias. É claro que estamos simplificando as idéias de tal teoria. a revolução cubana de 1919 são alguns exemplos de revoluções que se diziam inspiradas em suas idéias. a revolução chinesa de 1949. Como explica Aranha (1996. br/personalidades/ karlmarx. o que nos interessa aqui.br Unidade 1 27 . p. 141): (. com a presença do trabalho infantil e feminino e precárias condições de moradia. A imagem do passado. a partir de certas condições materiais de vida.. antagônica na maior parte dos aspectos. Portanto. podemos compreender que a História é movimento. que se percebe a superação de uma classe sobre a outra. Figura: Karl Marx Fonte: www. a História não é neutra. a luta de classes. pois pressupõe a ação de indivíduos reais. litica. de um modelo.uol. Karl Marx (1818-1883) nasceu na Alemanha. sem direitos trabalhistas. é compreender a visão de História advinda de tal teoria. legitimando a ordem vigente. Sua existência foi dedicada à luta da classe trabalhadora. Disponível em <http://socio. saúde e alimentação. que criaria a União Soviética (URSS). assim como outra corrente teórica. Marx vai estudar profundamente a oposição das classes ao longo da História – que chamará de luta de classes – e a constituição do capitalismo.vilabol. toma como objeto de estudo a sociedade burguesa.

desloca-se o foco do político para o econômico e ao mesmo tempo. a partir desta teoria. ao considerar a classe trabalhadora como fundamental. pois ela é fruto de todo um movimento anterior. A Nova História e suas derivações. a substituição da tradicional narrativa de acontecimentos por uma história-problema. De qualquer forma. traduz-se numa visão economicista e linear. pois a “linha da História”. a História. A expressão Nova História passou a ser amplamente conhecida através da obra “La nouvelle historie”. que são muitas e trataremos apenas de uma delas. através da conscientização de uma classe oprimida.Universidade do Sul de Santa Catarina Tal noção de História. Em terceiro 28 . a história de todas as atividades humanas e não apenas da história política. como a História da Educação. Nessa linha. Assim. do século XX. portanto. numa sucessão de superação dos modos de produção. no sentido de compreender as formas de escrever a História e. uma “história vista de baixo”. a educação pode ser vista como a reprodução da sociedade ou a sua superação. levaria ao Comunismo (esta linearidade também está presente na lei dos três estágios de Comte). Na década de 20. No entanto. é a Nova História. a História Cultural – é uma corrente dentro da própria História. um grupo de historiadores franceses promove uma espécie de reação à História excessivamente política e as suas principais propostas podem ser assim resumidas: Em primeiro lugar. diferente das duas anteriores. ou de modos de produção. Em segundo lugar. A última corrente que abordaremos aqui. permite-se. também constituiu outros campos de estudo e conhecimento da realidade. por ser calcada no desenvolvimento de processos materiais. é necessário que voltemos no tempo. a História da Educação. como falamos no início da seção. do historiador francês Jacques Le Goff (1978).

a alimentação.com. portanto. Uma “história vista de baixo”.br/ annales. tendo a frente Marc Bloch e Lucien Febvre. a psicologia. que leve em conta as pessoas comuns. a colaboração com outras disciplinas. Muitas destas propostas foram apresentadas numa publicação criada em 1929. Essa geração pode ser vista como uma continuidade. chamada Revista dos Annales. acesse: <http://www.br/conteudo/default.História da Educação I lugar. A História é construída a partir do ponto de vista de quem a escreve e das fontes selecionadas ou disponíveis no momento. não é possível contar a História como ela realmente aconteceu. objetos. a lingüística. etc. a infância. tudo tem história.historianet. pp. a economia. as festas. desconhecidas. visando completar os dois primeiros objetivos. a família etc.htm> e também <http://www. em seu contexto de tempo e espaço. a antropologia social e tantas outras. Portanto. „ „ „ Unidade 1 29 . Ao privilegiar a História econômica e social.hpg. A abertura para outros documentos e fontes . aspx?codigo=607> Veja a seguir: „ Se a História deve considerar todas as atividades humanas. em certos aspectos. mas também como ruptura com as anteriores.ig. o corpo. ohistoriador. novos temas foram incorporados à historiografia. a sociologia. Muitos são os registros necessários se pensarmos nas atividades e experiências humanas. 1992. como: a morte. tais como a geografia. os odores. segundo o historiador Peter Burke. 11-12). pinturas.não só os escritos – como fotografias. este movimento. Quais características são fundamentais nesta nova forma de ver e escrever a História? Para saber mais sobre o movimento dos Annales e seus desdobramentos. histórias orais. (BURKE. pode ser percebido em três gerações e a última seria a dos anos 70. com.

Para saber mais acerca das idéias e pesquisas deste historiador que tem influenciado muitos trabalhos em História da Educação no Brasil.Fontes e objetos para a História da Educação O que vem a sua mente quando aparece a palavra fonte? Registre a seguir: Se lhe veio à cabeça a palavra nascente ou. você já percebeu que a História Cultural vai influenciar e.gov. p. assim como também o historiador não é neutro e detém um ponto de vista (relacionado às idéias de sua época e ao lugar que ocupa). leia estas duas entrevistas: http:// pphp. ou melhor dizendo. ou se você pensou em algo referente ao mencionado. Fonte é o lugar de onde sai algo. (apud FONSECA.shl e <http://www. brota ou emerge a água. No campo educacional.asp?idio ma=1&idMenu=4&label=Entrevist as&v_nome_area=Entrevistas&v_ id_conteudo=51218>. multirio. renovar os objetos e abordagens nesta área. Um dos historiadores da História Cultural que tem sido muito utilizada na História da Educação é Roger Chartier devido as suas pesquisas sobre a História da leitura e dos impressos. Seção 3 . 2003. Nesta concepção. 53). como a História Cultural.1.Universidade do Sul de Santa Catarina Não há uma única verdade em um contexto histórico. até mesmo. Neste sentido. Dentre estes campos de investigação.uol. atualmente. da imagem das identidades.com. a partir das discussões acerca da cultura no campo historiográfico e principalmente metodológico. fonte é a origem 30 . vários objetos e abordagens conquistam espaço. da literatura. até mesmo. como veremos na seção a seguir. como o cotidiano. Pesavento aponta a História das cidades. da memória e da historiografia.br/portal/riomidia/ rm_entrevista_conteudo. não está errado(a). esta tendência da História está expressa em recentes pesquisas na área.rj. o lugar onde nasce. as mentalidades.br/tropico/html/ textos/2479. a historia social e. do tempo presente.

que não é o caso aqui – observação do autor).História da Educação I de alguma coisa. buscamos junto a alguns autores que vêm estudando a História da Educação nas últimas décadas. No entanto. Elas enquanto registros. do objeto histórico estudado. p. a palavra nascente. o lugar onde brota algo que se projeta e se desenvolve indefinidamente e inesgotavelmente. entretanto. a palavra fonte é usada em História com sentido analógico. já se liga a um repositório abundante de elementos que atendem à determinada necessidade. algumas contribuições sobre seu entendimento sobre fontes. o qual. Uma significa ponto de origem. enquanto testemunhos dos atos históricos. Ele observa que. por definição. no plano do conhecimento. assim como manancial. Outra indica a base. são produções humanas (salvo quando a questão for relativa a uma possível História natural. no plural. são construídas. são a fonte do nosso conhecimento histórico. não se pode falar em fontes naturais já que todas as fontes históricas. Assim as fontes históricas não são a fonte da história. constituem o ponto de partida. não é delas que brota e flui a história. pp. também tem origem. a base. como ponto de origem. via de regra. 2004. ou seja. é preciso considerar que. é usada apenas para se referir ao ponto de origem de um curso ou corrente de água. bem como exemplos de fontes por eles utilizados para produção da historiografia educacional. no caso da História. isto é. duas conotações. Além disso. fonte é sinônimo de nascente que corresponde também à manancial. o ponto de apoio. Saviani (2004. a rigor.5) Unidade 1 31 . o ponto de apoio da construção historiográfica que é a reconstrução. Com relação à palavra ‘fonte’. (SAVIANI. E é por isso que o conhecimento produzido sobre a História da Educação também sai de alguma fonte. o repositório dos elementos que definem os fenômenos cujas características busca-se compreender. Ou seja. 5-7) diz que ela apresenta. O mesmo autor observa que. não se trata de considerar as fontes como origem do fenômeno histórico considerado. As fontes estão na origem. Para deixar mais clara esta questão.

dentre muitos outros objetos que adquirem o estatuto de fonte diante do historiador. novos pesquisadores possam compreender seu passado que é o nosso presente.14) diz que seus conteúdos resultam.Universidade do Sul de Santa Catarina Ainda segundo Saviani. novos significados. vestígios. no futuro. também o caráter de inesgotabilidade transpõe-se analogicamente para a historiografia. São documentos. da descoberta do pesquisador junto aos arquivos e outras formas de apropriação obtidas através de depoimentos orais ou escritos e de outros meios de expressão. indícios que foram acumulando ou que foram guardados. É importante relembrar. a analogia não se limita apenas ao caráter de origem. Werle (2004. Mas nem sempre foi assim. Entre eles estão a multidão de papéis existentes nas bibliotecas e nos arquivos públicos ou privados.) teve sua trajetória marcada pelas relações estabelecidas com o conhecimento produzido em outros 32 .. Além disso. novas informações que nos tinham escapado nas vezes anteriores. sempre que a elas retornamos.. Entre estas fontes encontram-se tanto materiais de trabalho como de pesquisa. As primeiras são aquelas que encontramos nos vários tipos de acervos com as mais diferentes formas. Falando de História de instituições escolares. na medida em que estes buscam neles respostas às questões levantadas. em parte. Ou seja. p. por exemplo. tendemos a encontrar novos elementos. as inúmeras peças guardadas nos museus. como nos coloca Fonseca: (. As segundas são aquelas que os educadores ou historiadores preservam para que. De acordo com ele. que a História da Educação configurouse primeiramente como disciplina escolar e. podemos distinguir as fontes entre aquelas que se constituem de modo espontâneo e aquelas que produzimos intencionalmente. como já vimos na primeira seção. há ainda as fontes produzidas a partir de registros de testemunhos orais. nos quais nos apoiamos em nossa investigação.

2003.) A trajetória da História da Educação é marcada pelas concepções que esboçamos na seção anterior.) ora eram construídos a partir de uma visão determinada. 2003. Unidade 1 33 . tanto da tradição positivista. ora seguiam um ecletismo em que passava-se em revista as instituições educacionais e/ou doutrinas pedagógicas da Grécia Antiga até a época contemporânea. (In: VEIGA.História da Educação I campos. p. quanto da marxista. que é a organização dos sistemas de ensino associada às políticas educacionais do Estado. numa perspectiva marxista. pesquisaram temas relacionados a este campo como os livros e a leitura. mas na mesma concepção. como a fi losofia e a Psicologia. p. Tratava-se de elaborar um conjunto de saberes sobre a história das idéias pedagógicas que tivesse função prática na formação dos professores e pedagogos. dentre eles Pierre Nora e Roger Chartier (que já citamos anteriormente). a escolarização. Ghiraldelli jr. entre outros. Lembre-se do que já vimos sobre a concepção positivista e perceba as semelhanças! Ainda no Brasil. 242. como campo de investigação e muitas vezes é vista como uma dimensão do universo cultural em estudo. fazem questionamentos à condução dos planos e do campo de pesquisa da História da Educação: (. Alguns historiadores. numa abordagem diferente. 56) O estudo das idéias pedagógicas acabou caracterizando as pesquisas nesta área. aponta que nos anos 80. Aproxima-se atualmente da História Cultural... Um outro tipo de análise. Dermeval Saviani e seu grupo na Unicamp. A fonte ou documento utilizado por esta abordagem era unicamente o registro escrito. (GHIRALDELLI Jr. por exemplo. notadamente a evolução da legislação educacional. ocupa lugar de destaque em obras de História da Educação no Brasil.

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Como exemplos de fontes que os historiadores da educação vêm se apoiando nos últimos tempos para produzir o conhecimento sobre a área podem ser citados:
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documentos (oficiais ou não); legislação; arquivos institucionais públicos e privados dentre eles os escolares; arquivos pessoais (como baú de memórias, ou seja, informações que uma pessoa guarda como fotos, diários, correspondências, dentre outros); dados estatísticos; literatura; produção bibliográfica; livros didáticos; pinturas e outras obras de arte; fotografia; memórias (entrevistas e histórias de vida); arquitetura de prédios escolares; objetos escolares (desde tinteiros até cadernos e mobílias existentes no interior de uma escola).

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Para saber mais sobre os jesuítas e sua atuação no Brasil, acesse: <http://www.pedagogiaemfoco. pro.br/heb02.htm> e <http:// www.cimi.org.br/?system=news&a ction=read&id=1643&eid=259>.

„ „ „ „ „

Marquês de Pombal é o nome com que ficou conhecido Sebastião José de Carvalho e Melo, político e verdadeiro dirigente de Portugal durante o reinado de José I, como 1º. Ministro. A partir de 1756, realizou um programa político de acordo com os princípios do Iluminismo, porém às suas reformas opuseram-se os jesuítas e a aristocracia. Num atentado contra a vida do rei em 1758, conseguiu implicar os jesuítas, expulsos em 1759. Disponível em <http://www.netsaber.com. br/biografias/ver_biografia. php?c=891>.

Conforme Fonseca, na História da Educação no Brasil, por exemplo, novos temas têm sido considerados, como a História da leitura e dos impressos escolares, “a história da profissão docente, os processos de escolarização, a cultura escolar e as práticas educativas e pedagógicas.” (FONSECA, 2003, p.61) Em alguns casos, antigos temas ou pesquisas, como as idéias pedagógicas e o sistema escolar têm sido revistos. Um exemplo disto são alguns estudos atuais sobre o período colonial que, ao invés de focarem apenas na escolarização formal relacionada à presença dos jesuítas e depois à administração pombalina, levam em conta outros processos educativos. Estes processos educativos, que podemos chamar de não formais, geralmente abarcavam uma população que estava à margem da escola, por condições financeiras ou preconceito.

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Este tipo de estudo, ao invés de considerar apenas os escolarizados formalmente, permite-nos vislumbrar outras formas educativas relacionadas aos indígenas, mestiços, brancos pobres e aos negros escravos ou livres. Neste caminho, são trazidas à tona informações sobre o aprendizado profissional, a circulação de artistas e artesãos que traziam consigo saberes e técnicas. A pesquisa sobre este período amplia-se, levando em conta as especificidades e as culturas que circulavam naquele momento histórico. Um outro objeto de investigação tem sido ressaltado, referese à própria História da infância. Um dos trabalhos pioneiros e marcantes neste sentido é o do historiador francês Philippe Ariès, “História Social da Criança e da Família”. (1981). Neste trabalho, ele analisa a trajetória da construção da noção moderna de infância. Mostra a criação de um “sentimento de infância”, voltado à proteção e diferenciação em relação ao adulto, o que antes não ocorria. Ele inova não só na temática, como também na escolha das fontes. Ao contrário de outras tendências, utiliza a iconografia (imagens), diários, inscrições de túmulos, etc.

Figura: Livro de Philippe Áries – História Social da Criança e da Família Fonte: www. livrariacultura.com.br

Apesar de algumas críticas, pois o trabalho centrou-se nesta construção a partir das elites, contribuiu para chamar a atenção para o conceito de infância e para a ampliação das fontes e da análise.

Outros livros organizados nesta temática como “História das crianças no Brasil (PRIORE, 1991), “História social da infância no Brasil” (FREITAS, 1997) e “Infância e educação infantil” (Kuhlmann, 1998), nos mostram os mais diferentes objetos e fontes para a História da Educação. Em todos estão presentes diversas visões sobre a infância e os lugares atribuídos às crianças em cada contexto histórico. Como exemplo de trabalho com fontes orais, mais especificamente com histórias de vida de professoras aposentadas, temos o trabalho organizado por Maria Teresa de Assunção Freitas, “Memórias de professoras: história e histórias” (2000). Neste projeto, as histórias de vida foram cruzadas com uma

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história maior, trazendo elementos para a compreensão da História da Educação local (Juiz de Fora) e nacional. Assim, os objetos de análise relacionam-se à formação de professores, à prática pedagógica, à leitura e à escrita, às bibliotecas e às políticas públicas e à própria vida cultural da cidade. Os objetos foram definidos a partir de suas falas e recordações. Um outro componente que tem sido transformado em objeto de investigação são os manuais didáticos. Ao invés de serem utilizados só como fonte para a compreensão de outras questões, como os processos de escolarização, a construção de culturas escolares, a história de uma disciplina, têm sido analisado em seu processo de produção, sua circulação, seu uso e também nas apropriações que os diferentes grupos sociais faziam deles. Para estudar a escolarização no século XIX no Brasil, por exemplo, quando utilizávamos somente as fontes tradicionais, como a legislação da época, tudo nos levava a crer que havia uma ausência do Estado, através da falta de políticas públicas para a educação e infância. No entanto, quando levamos em conta outras fontes, como cadernos escolares, mapas de matrícula, relatórios de profissionais envolvidos nesta organização escolar, percebemos que havia uma tentativa de viabilizar um sistema público de ensino, ao menos para a população livre.
Você deve ter percebido, até agora, que estes novos olhares sobre a História da Educação, relacionados à renovação da historiografia, mas também à aproximação com outras áreas, como a Antropologia e a Sociologia (só para citar duas áreas) têm contribuído com novas fontes e objetos de estudo, até então desconsiderados. Por isso, podemos visualizar a educação num contexto mais amplo, também relacionada a temas que, anteriormente, não apareciam.

É nesta perspectiva que estaremos conduzindo as demais unidades deste livro. Agora, para praticar os conhecimentos conquistados nesta unidade, realize, a seguir, as atividades propostas.

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c) ( ) A fotografia e as obras de arte nunca foram consideradas fontes historiográficas. Para melhor aproveitamento do seu estudo.História da Educação I Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e. 1) Referente ao conhecimento de História da Educação é correto afirmar: a) ( ) O conhecimento produzido a partir de fontes oficiais era visto. 2) Construa um quadro síntese com as informações da Seção 2: TENDÊNCIAS PRINCIPAIS REPRESENTANTES IDÉIAS CENTRAIS Unidade 1 37 . até muito recentemente. acompanhe as respostas e comentários a respeito. como forma de garantir a cientificidade. a seguir. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas. b) ( ) No Brasil. a História da Educação foi transformada em disciplina nos cursos de formação de professores e de pedagogos a partir de 1930.

que a noção de História sofreu mudanças ao longo do tempo: desde uma concepção baseada 38 . com mais idade. como o processo de formação do ser humano. Podemos dizer. acerca da sua vida escolar. também. „ Realize uma entrevista com alguém que você conheça. cartilhas. dentre inúmeras outras formas.Universidade do Sul de Santa Catarina 3) Realize a atividade sugerida a seguir na sua cidade e depois socialize com o grupo na ferramenta Exposição no EVA: Visite uma biblioteca ou arquivo público e identifique alguma fonte/documento referente à educação em outras épocas: notícia de jornal.Você pode perceber que podemos conceituar a Educação. „ Anote suas impressões nas linhas a seguir: Síntese Na primeira seção desta unidade. você teve contato com termos como educação. „ Localize fontes iconográficas como fotos. História e História da Educação. livros didáticos. leis. um processo que ocorre no decorrer da sua existência e em diferentes espaços formais e não formais. desenhos e outras imagens relacionadas à sua vida escolar ou à da sua família.

Assumida esta imparcialidade na escrita da História. Você também aprendeu que a História da Educação. Assim como no Brasil. na qual ela pode ser entendida como uma construção de acordo com o ponto de vista de quem a escreve (o historiador). como uma disciplina dos Cursos Normais. você pode notar as principais diferenças entre elas e as contribuições na forma de olhar e escrever a História e a História da Educação. nas duas últimas décadas. apesar de ser um campo ainda muito recente de estudos. a educação pode ser vista como a reprodução da sociedade ou a sua superação. estando sempre acompanhada de perto pela Filosofia da Educação. Nesta perspectiva. dos cursos que formavam professores. através da conscientização de uma classe oprimida. surgiu no final do século XIX. No viés da Nova História. devido ao tipo e à forma de trabalho com as fontes/ documentos. ou seja. No entanto. O Positivismo ao lançar um olhar de “cima para baixo”. Unidade 1 39 . cada vez mais como um campo de estudos e pesquisas. a História da Educação estaria associada.História da Educação I na ênfase aos fatos isolados. esta tendência da História está expressa em recentes pesquisas na área. dispostos de maneira linear e cronológica e com apenas alguns indivíduos como promotores da História. compondo o que se chama de processo histórico. ao apontarmos as correntes que influenciaram/ influenciam a História da Educação. Na seção 2. notadamente da História Cultural. exclui uma série de sujeitos. cuja disciplina foi gerada no interior das Escolas Normais. em tempos e espaços determinados. devido à aproximação com as novas tendências da História e de outras áreas do conhecimento. até uma outra perspectiva. tem-se consolidado. na Europa. Já no Marxismo. a um panorama político-institucional no tocante à legislação da política educacional e ao pensamento pedagógico. No campo educacional. a História da Educação influencia e até mesmo renova os objetos e abordagens nesta área. leva-se em conta a História dos grupos humanos. temas e grupos sociais que escapam a esta abordagem.

São Paulo: UNESP. pinturas. História e historiografia da educação. na maior parte das vezes. como as entrevistas orais. etc. como a História da profissão docente. Campinas-SP: Autores Associados. BURKE.. Rio de Janeiro: Guanabara. a arquitetura escolar. fotos. os processos de escolarização. Dessa forma. você descobriu que há muitas fontes possíveis de serem utilizadas nas novas pesquisas em História da Educação. 2ª. Philippe. José Claudinei e NASCIMENTO. Ed. incluindo processos educativos e grupos sociais que. Breves considerações sobre Fontes para a História da Educação. Dermeval. Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade. 40 . a partir destas novas fontes. o conceito de infância. você poderá pesquisar os seguintes livros: ARIÉS. A Revolução Francesa da historiografia: a Escola dos Annales. a cultura escolar. Fontes. Também descobriu que. não eram mencionados. FONSECA. 1991. VEIGA. 1929-1989. 2003.Universidade do Sul de Santa Catarina Por fim. Peter. Thais Nívia de L. as práticas educativas e pedagógicas. 1981. A História Social da Criança e da Família. é possível levantar outros objetos de pesquisa. entre outros. Belo Horizonte: Autêntica. diários pessoais. História e Historiografia da Educação no Brasil. além dos documentos oficiais e da legislação. In: LOMBARDI. SAVIANI. Cynthia G. 2004. Maria Isabel Moura (org). a História da Educação constitui-se como um campo vasto de pesquisas.

Compreender o significado e a importância de situações pedagógicas não formais. Seção 3 A educação dos cavaleiros medievais. . que foram atingidos ou excluídos pelas instituições ou associações educativas.UNIDADE 2 As práticas educativas medievais Objetivos de aprendizagem „ 2 Compreender o contexto histórico das práticas educativas medievais. „ „ „ Seções de estudo Seção 1 Idade Média: um breve contexto histórico. Seção 2 A educação das mulheres. Estabelecer critérios de comparação entre as formas educacionais do período medieval e as atuais. Seção 5 A educação nas Universidades. Identificar os sujeitos e grupos sociais. Seção 4 A educação nas corporações de ofício.

nas corporações de ofícios. por exemplo. também. no entanto. a educação abrange espaços não formais. Assim. Você conhecerá lugares e sujeitos das práticas educativas.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo O estudo desta unidade lhe proporcionará conhecer o contexto histórico da chamada Idade Média Ocidental. que havia uma definição das classes sociais bastante rígida e hierarquizada. como no caso das escolas monásticas e das universidades. no campo educacional. Você perceberá. É o caso. ou melhor. como é o caso da maioria das mulheres e dos aprendizes nas corporações de ofício. muitas vezes elas estavam juntas. na formação de cavaleiros e na constituição das universidades. 42 .esperamos que você entre em contato e também construa um conhecimento acerca das práticas educacionais neste período. para situar e compreender as práticas educativas relacionadas a este período. não é escolarizada. entre diferentes sujeitos e grupos sociais. entre métodos e materiais pedagógicos. da educação feminina. através de diferentes fontes e objetos como você já viu na primeira unidade . Muitas vezes.

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SEÇÃO 1 - Idade Média: um breve contexto histórico
Foi no século IV a.C. que a educação se institucionalizou com a fundação das primeiras escolas: Isócrates abriu a sua escola em 393 a.C. e Platão fundou a Academia em 387 a.C. Ao conquistarem o mundo da Antiga Grécia, os romanos “absorveram” o melhor da sua cultura, acrescentando-lhe a disciplina e o respeito pela lei (tipicamente romana). Construíram escolas de influência grega (o ginásio, a escola de cálculo e de gramática) e escolas de direito. A partir dos finais do século II da nossa era, o Império Romano, então cristianizado, entrou em decadência devido a vários fatores (tais como as crises na sucessão imperial, a crise econômica e social e o “perigo bárbaro”). Quando, em 476, a autoridade imperial deixou de existir no Ocidente, os “bárbaros” já se haviam fi xado nas regiões da Europa que antes devastaram. Estes povos eram, na sua maioria, pagãos, mas os seus chefes acabaram por se converter ao catolicismo.
Tendo sido a única que resistiu e sobreviveu às grandes invasões, mantendo a sua organização e servindo de apoio às populações aterradas, a Igreja Católica tornou-se a instituição mais importante da Idade Média.
Figura: Mural de Palau – Calades Barcelona Fonte: www.odesenho. no.sapo.pt

Os romanos chamavam de bárbaros todos os povos que não possuíam a mesma língua, os mesmos costumes e organização política, social e econômica que eles. Estas diferenças podem ser observadas no filme “Asterix e Obelix contra César”.

Certamente você já ouviu falar no termo Idade Média, e deve lembrar de ter estudado na escola, nas aulas de História, ou talvez por cenas de filmes, com cavaleiros, castelos e donzelas na torre. Além disso, você pode ter lido sobre a influência e os desmandos da Igreja Católica neste período,

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Independente da sua fonte de informação, você é convidado a registrar no espaço, a seguir, suas impressões sobre o período histórico em questão. Esse é o momento para fazer uma pausa e refletir sobre o assunto!

Considera-se o eurocentrismo como uma visão de mundo que tende a colocar a Europa (assim como sua cultura, seu povo, suas línguas, etc.) como o elemento fundamental na constituição da sociedade moderna, sendo necessariamente a protagonista da história do homem. <http://pt.wikipedia.org/wiki/ Eurocentrismo>

Você deve ter percebido que muitas das referências que registrou acima dizem respeito à história européia, não abarcam o Brasil, por exemplo, ou outros lugares do mundo. Pois bem, esta expressão “Idade Média” é bastante eurocêntrica e leva em conta uma periodização política, conforme a história positivista, que é uma das formas de escrever a história, como você viu na Unidade 1 desta disciplina. Dentro desta concepção de História, os marcos cronológicos do período conhecido como Idade Média, são os seguintes:
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Início: 476 d.C. - Queda do Império Romano do Ocidente, com sede em Roma. Final: 1453 d.C. – Queda do Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla, tomada pelos turcos.

„

Ainda dentro desta classificação, há mais duas divisões, que muitas vezes são utilizadas: a Alta Idade Média, que compreenderia a formação dos povos germânicos até a estruturação do Feudalismo e a Baixa Idade Média, comumente descrita a partir do movimento das cruzadas, caracterizadas pelo ressurgimento e expansão das cidades e do comércio. – Gostaríamos de deixar claro que este recorte cronológico de “mil anos”, bem como o espaço geográfico (Europa) será levado em conta nesta unidade, devido às pesquisas e ao material bibliográfico
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para os estudos em Educação. No entanto, não nos ateremos a uma seqüência cronológica para abordarmos as demais seções desta unidade e sim, às práticas educativas associadas a temas, como a educação monástica, nas corporações de ofícios, a educação das mulheres, dos cavaleiros medievais e a formação das universidades. Dito isto, vamos compreender melhor o panorama histórico deste período. Tomando o Século V como ponto de partida e a Europa como espaço geográfico, identificamos a crise do sistema escravista como um dos principais fatores da fragilidade econômica e social em que se encontrava o Império Romano do Ocidente naquele momento:
A divisão do Império em duas partes no final do século IV também contribuiu para esse processo: O Império Romano do Oriente, com capital em Constantinpla ainda conseguiu manter uma atividade comercial com outras regiões do Oriente, enquanto que o Império Romano do Ocidente, com capital em Milão, vivenciou o aprofundamento constante da crise. (disponível em http://www.historianet.com.br/conteudo/default. aspx?codigo=144)

Algumas medidas administrativas foram empreendidas, como o estabelecimento das Villae, no entanto, estas unidades eram voltadas à autosuficência, o que contribuiu ainda mais para a fragmentação do território do Império e para a ruralização. Devido a estes fatores, entre outros, a presença dos “povos bárbaros” constante nas fronteiras do Império Ocidental, acentuou-se, constituindo-se num movimento migratório de invasão, até o coração do Império. Dentre os “invasores bárbaros”, destacamos os povos germânicos (vândalos, ostrogodos, visigodos, anglo-saxões e francos), devido à formação de reinos - dentro do que era a área do Império Romano - e da própria organização econômica e social, que transplantaram para as áreas ocupadas, mesclando com outros costumes vigentes. Dentre estes povos, ressaltamos os francos, por sua importância na formação do Feudalismo e na aliança com a Igreja Católica, como você verá a seguir.

Villae eram grandes residências senhoriais que possuíam termas para os banhos, habitações para os trabalhadores (com os seus próprios banhos), e todos os edifícios essenciais ao funcionamento da exploração (lagares, olarias, tecelagens, forjas, estábulos, e mesmo templos). O ideal deste tipo de exploração era a auto-suficiência. <http://www.geocities. com/alex221166/h_a_ 10_por.html>

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e concebiam o reino como uma grande extensão de uma propriedade privada. principalmente. facilita a consolidação do Reino Franco e a ascenção da Igreja Católica. (de 401 a 500). já que os francos dividiam suas propriedades entre os filhos sobreviventes.pro. A partir do século V d. Tem suas origens na desintegração da escravidão romana. que ocupou a região da Gália (aproximadamente a atual França). Era um grupo oriundo do oeste da Europa.C. X). é coroado pelo papa e defende o território europeu do avanço dos muçulmanos árabes (“os inféis”).culturabrasil. deste modo. mas o sistema feudal somente passa a vigorar em 46 .br O feudalismo foi um modo de produção baseado nas relações servo-contratuais (servis) de produção. Com a decadência e a destruição do Império Romano do Ocidente. Os francos formavam uma das várias tribos germânicas que adentraram o espaço do império romano. Isso ocorria devido às mortes provocadas pelas guerras. já no século V. conversões e proteção. o rei franco Carlos Magno (séc. Durante a Dinastia Carolíngea. A conversão ao Cristianismo. como conseqüência das inúmeras invasões dos povos bárbaros e das más políticas econômicas dos imperadores. por volta do século V d. às doenças e à insegurança existentes logo após o fim do Império Romano. a aliança com a Igreja Católica. O reino franco passou por várias partilhas e repartições.Universidade do Sul de Santa Catarina Quem eram os francos? A palavra franco significava “livre” na língua franca.C. entra-se na chamada Idade Média.. O fortalecimento da relação entre a Igreja e o Reino caracterizou-se. Consolidando-se. pelas doações de terra. O que é feudalismo? Figura: Fases do Feudalismo Fonte: www. várias regiões da Europa passaram a apresentar baixa densidade populacional e baixo desenvolvimento urbano. de um dos reis da Dinastia Merovíngia.

asp?id=167> Unidade 2 47 . Já na Idade Média. Em grandes propriedades de terra os senhores feudais estabeleciam-se em locais estratégicos. mas também Figura: Castelo de Dromoland. e que alteram completamente o sistema de propriedade e de produção característicos da Antigüidade. eram as moradias dos nobres e os locais onde essas poderosas famílias se alimentavam. detentora de terras – a terra representa a riqueza – cuja manutenção consistia na concessão de terras a outros senhores.C.História da Educação I alguns países da Europa Ocidental a partir do século IX d. Além disso. ao clero e aos visitantes de regiões distantes toda a sua riqueza e influência. um centro de decisões políticas. representavam. com vários povos dominando a Europa Medieval.br/new/colunas2. cobrança de impostos e justiça. Para seus senhores. Em suma. construído no século XVI . Além de tudo. aproximadamente. os que concediam a terra eram chamados de suseranos. planetaeducacao. Todo sistema de tributos era organizado em função do uso da terra pelos servos. foi impossível unirem-se entre si e entre os descendentes de nobres romanos. com. para os moradores das vilas ou feudos. foi da “mistura” de instituições romanas e instituições “bárbaras” que surgiu o Feudalismo. se divertiam e recebiam seus convidados. muitas vezes em troca de proteção.. era uma forma de apresentar aos demais nobres. os nobres romanos começaram a se afastar das cidades levando consigo camponeses (com medo de serem saqueados ou escravizados). Surge uma classe social caracterizada como a nobreza feudal. Fonte: <http://www. que eram donos de pequenos agrupamentos de terra. Assim. e quem recebia era chamado de vassalo. O esfacelamento do Império Romano do Ocidente e as invasões bárbaras em diversas regiões da Europa favoreceram sensivelmente as mudanças econômicas e sociais que vão sendo introduzidas. com a decadência do Império Romano e as invasões bárbaras. No entanto. principalmente na Europa Ocidental. na Grãbretanha. Os castelos eram fortalezas que serviam como quartel-general para cavaleiros antes de seus ataques aos inimigos.

Entretanto. “O Feudalismo”.Universidade do Sul de Santa Catarina Pela talha. muitas vezes se estabeleciam. do uso das ferramentas e dos locais como os moinhos. Composta fundamentalmente pelos nobres. pois não podiam ser vendidos. eram obrigados a permanecer nela. observamos que a nobreza e o clero compunham a camada dominante dos senhores feudais. entre outras. No livro de Paulo Miceli. Nas camadas pobres. Alexandria. Os servos não tinham a propriedade da terra. quando a capital se mudou para Constantinopla. do celeiro. chamavam-se banalidades. como por exemplo. Não eram escravos. nas quais. Os pagamentos que os servos faziam aos senhores pelo uso do forno. do moinho. Concílios disputados. Era uma sociedade dividida em grupos com pouca mobilidade entre eles. embora o seu estatuto e influência tenham crescido quando Roma era a capital do império. O Bispo de Roma era tido pelos outros Patriarcas como “o primeiro entre iguais”. Os servos deviam várias obrigações como a talha. historiadomundo. o servo devia uma parte da sua produção ao senhor feudal. militar e jurídico. carpintaria pertencente ao senhorio feudal. deviam algumas obrigações aos senhores. a evolução de ritos separados 48 . ou seja. Uma série de dificuldades entre as partes divididas do Império (ocidente e oriente). A corvéia consistia no trabalho nas terras do senhor (manso senhorial). a corvéia e as banalidades. no tocante à religião como disputas doutrinárias. podendo sair dela quando o desejassem. Muitos camponeses passaram a comercializar produtos nas feiras e cidades. aqueles que tinham a posse legal da terra e do servo e que dominavam o poder político. mas não estavam presos à terra. havia também os vilões. O fator que mais contribuiu para o declínio do sistema feudal foi o ressurgimento das cidades e do comércio. (disponível em: http://www. No entanto. clero e servos.br/idademedia/feudalismo) Os vilões eram homens livres que viviam no feudo.com. em busca de melhores condições de vida. (disponível em: http://www. E o papel da Igreja Católica? A igreja cristã primitiva na região do Mediterrâneo foi organizada sob cinco patriarcas: os bispos de Jerusalém. historiadomundo.com. serrarias. Antioquia. Constantinopla tornava-se a residência do Imperador e do Senado. as banalidades. em alguns dias por semana. com as disputas doutrinárias ou procedimentais a serem freqüentemente remetidos a Roma para obter uma opinião.br/idademedia/feudalismo). Constantinopla e Roma. a sua influência diminuiu. A base do sistema feudal eram estas relações servis de produção.

até então. a educação era privilégio dos clérigos 49 Unidade 2 . estas passam a depender dos banqueiros e dos mercadores. acesse: http:// enciclopedia.tiosam. A Igreja dividiu-se entre a Igreja Católica Apostólica Romana no Ocidente e a Igreja Ortodoxa Oriental no Leste (Grécia. Várias Igrejas reformadas surgiram na Alemanha. Atuando em todos os níveis da sociedade. levaram à divisão em 1054. A esta divisão chama-se o Grande Cisma. pois promoveu a fundação de outras igrejas ocorreu no século XVI com a Reforma Protestante. Dessa forma. br/reform. orientou comportamentos e soube imprimir nos homens e mulheres deste período uma cultura religiosa. Com o ressurgimento do comércio e o crescimento das cidades. hystoria. movimento religioso liderado pelo monge alemão Martinho Lutero que rompeu a unidade da Igreja Católica na Europa. a Igreja adquiriu o controle da educação. a não ser as escolas episcopais.hpg.ig.). Se.História da Educação I e se a posição do Papa de Roma era ou não de real autoridade ou apenas de respeito. exercendo hegemonia ideológica e cultural na época. abusos financeiros e despreparo do clero. desde muito cedo. a Igreja enfrentou movimentos contestadores de sua doutrina. assiste-se às transformações econômicas e políticas associadas ao renascimento comercial e urbano. durante a qual se formaram muitas outras religiões no Ocidente. Rússia e muitas das terras eslavas. etc. tendo o clero como a elite intelectual e suas escolas como as únicas instituições culturais atuantes. A grande divisão seguinte da Igreja Católica .com. Durante muito tempo não houve nenhuma instituição educacional. cuja referência está na atividade de autoavaliação 1. mantidas pelos bispos.html ou assista ao filme Lutero. Anatólia. a criança era colocada em contato com os textos sagrados. O propósito da maioria das escolas era formar monges e clérigos e. asp?title=Grande_ Cisma_do_Oriente Essas questões afetaram o sistema de educação. Suíça. O período medieval caracterizou-se pela predominância da Igreja como a maior instituição feudal do Ocidente europeu. Por volta dos séculos X e XI. teve início a Reforma Protestante.com/ enciclopedia/enciclopedia. Para saber mais sobre o Grande Cisma. Durante a Idade Média. França e Inglaterra com seguidores entre todas as camadas da sociedade européia. Egipto.e talvez a mais significativa. No início do século XVI. Síria. estabeleceu normas. Acesse o site http://www.

Ainda que a Igreja continuasse direcionando e conduzindo a vida social e religiosa. A mulher das classes populares não tinha acesso à educação formal. As escolas seculares significavam escolas do mundo. mais ao final deste período. o interior das igrejas com suas pinturas sacras e vitrais. SEÇÃO 2 – A educação das mulheres Para falarmos de educação feminina. as vilas se transformam em cidades livres. observavam-se diferentes segmentos sociais. Aos poucos. Neste sentido. as cidades passaram a ter importância como centros irradiadores dos novos valores culturais. exigia uma formação. Os burgueses (habitantes das cidades) queriam uma escola voltada a seus reais interesses e dificuldades. a partir dos seis anos de idade. esclarecer de que mulheres estamos falando. Ali aprendiam a ler e escrever e estudavam línguas como o latim e o grego. libertando-se pouco a pouco dos domínios religiosos. assim como os homens destes grupos. não religiosas. contribuindo para uma vida menos subordinada aos “desígnios divinos’. além de filosofia e teologia. As moças das classes mais abastadas poderiam receber aulas domiciliares. Quanto às mulheres da burguesia. as inúmeras festas de santos do calendário anual. nos mosteiros. Além dos trabalhos manuais. 50 . precisamos. as aulas centravamse em conteúdos de religião. são algumas das constatações que permitem identificar uma educação informal direcionada para os homens e mulheres destas classes. a Igreja exerce um forte papel pedagógico ao formar cristãos. Apenas na formação das mulheres religiosas. quando do surgimento das escolas seculares. ascendem à educação escolar. a utilização da poesia e da música (canções populares) cujo enfoque é os temas religiosos. o crescimento das cidades.Universidade do Sul de Santa Catarina e se restringia à formação religiosa. música e artes. O conhecimento passou a ser indispensável à realização de seus negócios. A catequização por meio de livros ilustrados. antes.

p. e com o pai . consulte <http://www. Direito e família que a “educação” feminina vai se configurando. na lógica da obediência e do controle social. o silêncio.) É nesta relação entre Igreja. Desta forma. segundo os ensinamentos morais da Igreja.História da Educação I As opiniões acerca da educação feminina dividiam-se.aprendeu o latim e a filosofia. ou seja. In: DUBY. com. artesãos e trabalhadores. de nobres. porém os discursos também eram dirigidos às mulheres. ele só era realmente bom quando o homem ‘governava’ e a mulher obedecia incondicionalmente. “conteúdos” que não faziam parte da educação de uma mulher. destacou-se. historiaehistoria. tornou-se viúva aos 25 anos de idade e responsável pelo sustento da família com a escrita. historiaehistoria. Fonte: http://www. Chamamos atenção para esta escritora. em 1364. em um universo masculino.. a humildade. História das Mulheres: A Idade Média. George e PERROT. no qual procura mostrar a situação da mulher no final da Idade Média. de mercadores. A obra que nos chama a atenção é um manual de educação moral. no campo das letras.br 51 . Exaltavam a castidade. clérigos e mestres. (Quotidiano da Mulher no Final da Idade Média.). Michelle.br/materia. os discursos eram enunciados por vozes masculinas como os pais. pois. v. Nesta fase. cfm?tb=alunos&id=35> Figura: Christine de Pisan. ela escreveu vários livros e manuscritos sobre e para as mulheres.. Estavam fortemente vinculados ao casamento e às relações familiares. chamado de “O Espelho de Cristina”. Isso representou uma grande conquista apesar dos estudos de cunho oficial continuarem a ser monopólio masculino. foi somente no final da Idade Média que as mulheres tiveram acesso aos manuscritos e às universidades. Casou-se aos quinze anos de idade (algo comum para a época). Via de regra. que Unidade 2 Para saber mais sobre a vida e obra desta escritora.com. mulheres que viviam ao lado de reis.que era astrônomo na corte de Carlos V . A escritora procurou concentrar a sua atenção em mulheres de diversos níveis sociais. a escritora francoitaliana Cristine de Pisan. o trabalho entre outros temas. Nasceu em Veneza.2. De acordo com Opitz: A doutrina do casamento por consenso defendida pela Igreja não podia opor-se às relações de poder vigentes na sociedade-e no fundo também não o queria: a relação entre marido e mulher não podia doravante ser de amizade e pressupor a igualdade de direitos (.356. Um bom casamento era a comunhão entre o homem e a mulher mas.

caçadas. „ ter cuidado com as suas rendas e despesas e saber a soma de suas rendas e possessões. „ deve usar roupas e toucados ricos. „ temperada em tudo: no comer. Fonte: http://www. „ manter distância de jogos. „ dar esmolas e ser caridosa e sem cobiça.historiahistoria. „ não contrair dívidas maiores do que pode pagar. „ rir baixo e não sem motivo. „ mostrar-se séria e contida em público. Inglaterra. „ visitar os doentes para lhes dar nova esperança. o valor de suas contas e o andamento de tudo na sua casa. reafirmando que a mulher deve conhecer os seus direitos para que não a enganem.hpg. falando pouco e mantendo o olhar honesto e baixo.br/ nova_pagina_156. que elas eram participantes ativas na criação dos filhos e na administração do reino e de suas terras.br/materia.Universidade do Sul de Santa Catarina trabalhavam dentro e fora do espaço da casa. saberhistoria. „ <disponível em http://www. pois deviam se preocupar com a sua educação e com as suas posses. danças. cfm?tb=alunos&id=34> Figura: Execução na fogueira por ordem do tribunal da inquisição. 1314. 52 . ricas ou pobres. Para as mulheres do povo também são direcionados conselhos semelhantes aos da nobreza. Veja. pois fazem parte do seu estado. cultas ou iletradas.htm Você pode perceber que os conselhos estão atrelados ao seu papel de submissão ao marido e aos costumes da época.com. a partir destas prescrições. „ nunca se mostrar áspera nem má para suas mulheres e servidores. como a prudência no agir e no gastar os bens do seu marido.com. a qual fica para sempre a seus filhos. mas também pode vislumbrar.ig. vestir e falar. a seguir. alguns atributos que a escritora considerou como importantes para as mulheres da nobreza ser devota a Deus. „ toda princesa e toda mulher deve ser cobiçosa de buscar honra e bom nome mais do que qualquer outro tesouro por que a faz reluzir em boa nomeada.

Como já vimos. Neste momento. é importante ressaltar que os Tribunais do Santo Ofício da Inquisição tiveram um papel fundamental ao promover o afastamento das mulheres das universidades e a proibição de exercerem saberes populares específicos ou práticas referentes à medicina . com códigos de honra relacionados à fidelidade e ao exercício da guerra. a partir do século X. o religioso da Inquisição contava sempre com o apoio de outros clérigos preparados para a função e utilizava instrumentos que causavam dor. pois havia conhecimento feminino e um aprendizado a ser compartilhado. esses interrogatórios se encerravam em função da morte do inquirido. a Cavalaria institucionaliza-se e. a administração do seu lar e do seu trabalho.História da Educação I As especificidades da sua condição social são tratadas em outros capítulos. que passam a compor exércitos de defesa. a Igreja possuía forte influência no ordenamento desta sociedade. abortos e processos curativos em geral através da utilização de plantas. Assim. Em muitos casos. define suas condutas e ideais. que. com reconhecido poder pela Igreja Católica. por meio da sua cristianização. Acompanhe no filme O nome da Rosa a atuação do inquisidor dominicano Bernardo Gui. em relação à educação feminina. Paralelamente a este aprendizado. SEÇÃO 3: A educação dos cavaleiros medievais A formação das cavalarias medievais dizia respeito às classes nobres. Para obter a confissão. Podemos observar. Os processos de bruxaria incluíam homens e mulheres.como a realização de partos. Unidade 2 53 . A trajetória educacional na formação de um cavaleiro iniciava-se aos sete anos de idade. porém as mulheres representavam a maioria dos réus e sentenciados dos processos inquisitoriais. quando era enviado a outro castelo para servir de pajem. tomando como base os valores morais da Igreja. A cavalaria tem suas origens em grupos armados. medo e grande sofrimento. então. aprender montaria e participar de torneios e combates. como a maneira de vestir. esta também se revestia de um caráter não formal.

Ao mesmo tempo em que eram marcadas por diferenças religiosas. ou seja.suapesquisa.hpg.br/ nova_pagina_142. Uma outra etapa educativa inicia-se quando o aprendiz é alçado à condição de escudeiro. do amor personificado na mulher idealizada. por sua vez. das caçadas.ufpa. os cavaleiros desenvolviam as habilidades relacionadas às lutas e às guerras. os muçulmanos conquistaram a cidade sagrada de Jerusalém. ele inicia-se no exercício das armas. Como você viu. como as vestes brancas e vermelhas (passagem). Fonte: http://www. preparando-se para as guerras. Com o objetivo de expulsar os “infiéis” (árabes) da Terra Santa. Batalhas entre católicos e muçulmanos duraram cerca de dois séculos. Com o passar do tempo.br/ceg2005/webceg/ tc20000116. a vigília de oração. dos torneios. Tornava-se cavaleiro participante de uma sociedade que comungava os ideais cristãos. do código de honra. nas chamadas feiras e rotas de comércio. aliadas a uma formação religiosa e cortês. viravam canções de grande disseminação e apelo popular. como um “iniciado”. saberhistoria. Assim. acessar http:// www2. foram incorporados outros ritos. que. saqueavam cidades árabes e vendiam produtos nas estradas.Universidade do Sul de Santa Catarina Sobre o amor cortês na literatura da época. Ao retornarem para a Europa. contribuíram para o renascimento urbano e comercial a partir do século XIII.com. Os significados e os valores da Cavalaria podem ser encontrados nas fontes literárias da época.htm iniciava-se a educação das boas maneiras.com/ idademedia/ Figura: Um cruzado ajoelhado em prece. Após as Cruzadas. também possuíam caráter econômico. uma educação cortês. mais especificamente na obra Tristão e Isolda. Você sabia? No século XI.ig. o papa Urbano II convocou a Primeira Cruzada (1096). o Mar Mediterrâneo foi aberto para os contatos comerciais. O seu mestre é um cavaleiro a quem deve servir. até o juramento em público. Assim. o banho purificador. A formação estava completa mais ou menos aos vinte anos de idade com uma cerimônia que culminava com a entrega das armas e a sua sagração como cavaleiro. Disponível em: http://www. Talvez os feitos mais conhecidos que envolveram os cavaleiros medievais e suas ordens foram as Cruzadas.htm 54 .

VII – Cumprirás com teus deveres feudais. a proteção e defesa da Igreja e aos seus princípios cristãos e institucionais. estas eram as diretrizes “pedagógicas” na formação desta classe. se estes não forem contrários à lei de Deus. VIII – Nunca mentirás e serás fiel à palavra empenhada.uol. bem como ao combate aos não-cristãos. II – Protegerás a Igreja. III – Defenderás todos os fracos. IX – Serás liberal e generoso com todos.vilabol. associada aos princípios cristãos. contra a injustiça e contra o mal. Esta formação do cavaleiro. foram fundadas várias ordens cavalheirescas destinadas a combater os “infiéis” (muçulmanos). VI – Farás guerra aos infiéis até exterminá-los.br/medieval_knights. X – Serás o defensor do direito e do bem. Pelo menos em teoria. (Extraído de : http://marged.html) Você pode identificar a observância a um código de conduta e de honra. IV – Amarás o país onde nasceste.Acreditarás em tudo o que a Igreja ensina e observarás todos os seus mandamentos.História da Educação I A partir dos movimentos conhecidos como Cruzadas. Unidade 2 55 . com reflexos diretos no renascimento comercial e urbano europeu. pode ser sintetizada nos mandamentos a seguir: I . V – Jamais retrocederás ante o inimigo.com.

do aprendizado na corporação. Existiam também corporações intermunicipais. quantidade da produção. p. diferentemente do que já vimos sobre as condições servis nos feudos. Para se ter uma idéia do poder destas associações. O aprendizado constitui-se no aprendizado técnico. Os profissionais dedicados às atividades artesanais nas cidades medievais. margem de lucro.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 4: A educação nas corporações de ofício A educação das classes menos abastadas era fundamentalmente constituída pelo trabalho. obrigatoriamente. anteriormente. saberhistoria. até que tenha feito as reparações perante o Alcaide e os Intendentes. cuja educação era pautada na reprodução. com também na vivência da corporação. do século XIV: [4] E se qualquer aprendiz se comportar impropriamente para com seu mestre. [6] Ninguém que não tenha sido aprendiz e não tenha concluído seu termo de aprendizado do dito ofício. aprendizado e hierarquia de trabalho. chamadas hansas. que detinham as técnicas de trabalho de tal atividade. As corporações de ofício foram associações que surgiram a partir do século XII para regulamentar o processo produtivo artesanal nas cidades. as condições necessárias à aprendizagem. assim como a legitimidade da formação profissional a partir. denominadas corporações de ofício. tanto das habilidades técnicas quanto das classes e Figura: Oficina de alfaiate Fonte: http://www. 65). o processo de fabricação.com. configurando-se também como espaços educativos de formação profissional.ig. (BLAND. As corporações disseminaram-se em toda a Europa. BROWN E TAWNEY apud HUBERMAN. e agir de forma rebelde para com ele. poderá exercer o mesmo. 1985. no respeito aos estatutos e às regras. organizavam-se em associações.br/ nova_pagina_144. ninguém do dito ofício lhe dará trabalho. como também o horário de trabalho.hpg. o preço do produto.htm 56 . desempenhando um papel educativo importante junto aos habitantes das cidades. elas determinavam a matéria-prima a ser utilizada. entre outras coisas. Agregavam pessoas que exerciam o mesmo ofício e eram responsáveis por determinar preço. qualidade. Observam-se. Veja dois artigos do estatuto dos “curtidores de couro branco”. cujo objetivo era defender os interesses de mercadores de um grupo de cidades. que se estendiam ao comportamento social e individual. as regras disciplinares à sua condição de aprendiz.

determinado pelo mestre. se quisesse ser dono de uma oficina. O passo seguinte. Os mestres possuíam suas especialidades e os alunos recorriam a eles de acordo com seus interesses intelectuais. através de um exame prático na sua corporação. dirigiam-se às universidades. obtendo o título de mestre e a licença para abrir o seu negócio. ele pagava uma taxa. Muitos destes mestres eram clérigos nãoordenados. Eram as universitas. renovando os estudos da Sagrada Escritura. Por fim. originadas a partir dos saberes oferecidos pelas corporações de ofício intelectual. não sacerdote. através das missas. dos ritos e das festas. SEÇÃO 5: A educação nas Universidades Os alunos mais capazes. os aprendizes ficavam na casa do mestre. A maioria das universidades surgiu de escolas monásticas. precisava ter algum capital e mostrar habilidade em seu ofício.História da Educação I relações sociais. do ponto de vista dos seus mestres. Mediante aprovação. Envolveu-se com Heloísa. como Pedro Abelardo. associada a uma pedagogia religiosa. Os alunos viviam em regime de internato. No entanto. incluindo a sua castração. Pedro Abelardo (10791142) era mestre livre. sofrendo várias perseguições e punições. Sobre esta história de amor. estes centros de saber firmavam sua autonomia através da formação de associações corporativas de mestres. era a submissão a um exame. mas não somente. famoso por sua oratória e por promover a aliança entre fé e razão. Unidade 2 57 . podendo empregar-se por conta própria. sendo educados tanto em conhecimento quanto em valores morais. assista ao filme Em nome de Deus. para tornarem-se oficiais ou companheiros. recebendo gratuitamente a estadia e a alimentação. voltadas para a formação do clero. tendo como pano de fundo a educação medieval. sobrinha do Cônego Fulbert. Em que condições dava-se este aprendizado? Durante todo o aprendizado.

tornando-se São Tomás de Aquino um de seus principais seguidores e cujos estudos associaram fé e razão. Além de Teologia. mesmo quando não se destinam ao sacerdócio e alguns recebem a tonsura. Franciscanos e Dominicanos. Os alunos vinham de vários lugares. Estas instituições disseminaram-se na Europa Ocidental. no Papado de Inocêncio III. htm e http://revistaescola. no reino da Sicília (hoje parte da Itália).shtml Os métodos de ensino baseavam-se na Escolástica. acesse http://www. todos deveriam falar uma língua comum: o latim. geometria.. Aritmética. Destacam-se as mais antigas como a de Paris (França). ligavam-se às escolas monásticas e episcopais. Estas instituições possuíam características eclesiásticas. A partir do século XV. a princípio. Todos os alunos são chamados de clérigos. Muitos historiadores consideram a bula Parens Scientiarum lançada pelo Papa Gregório IX. no entanto. música e disciplinas relacionadas às ciências e Filosofia. como as universidades pelo Papa. em 1231. as chamadas artes liberais funcionavam como um estudo preparatório para cursos mais especializados como Teologia. o qual facilitava a comunicação e o acesso ao conhecimento.Universidade do Sul de Santa Catarina Como tornaram-se associações de grande importância. (Disponível em http://www. com. Tal método tem fundamento nas idéias de Aristóteles. gramática.org.br/revista/historia/luz2. para os que queriam seguir o sacerdócio ou Medicina e Direito. Gramática latina. mundodosfilosofos. Música.) os professores pertencem todos à Igreja. assim como seus professores. Oxford e Cambridge 58 . os colégios vão assumindo o ensino das artes liberais. em meio a esta diversidade.com. conheceram aí grandes glórias. Salamanca (Espanha). entre outras. ensinava-se dialética. com um São Boaventura e um São Tomás de Aquino. o caráter de associação é reconhecido por estudantes e mestres. ficando as universidades com a formação profissional mais especializada. permanencia. como o documento de fundação da Universidade medieval. tiveram seu controle disputado pela Igreja. e as duas grandes Ordens religiosas que a iluminam no século XIII.br/aquino. debatendo proposições controversas.htm) As chamadas artes liberais compreendiam Retórica. Astronomia (Quadrivium). A organização curricular foi sofrendo mudanças ao longo do tempo. Para saber mais sobre São Tomás de Aquino e sua importância para a filosofia medieval. Em 1215. como nos coloca Régine Pernoud: (. Institucionalizadas pelo papado. Tomás de Aquino nasceu em 1224 ou 1225 num castelo perto da cidade de Aquino.. a de Bolonha (Itália). em cujos procedimentos os estudantes exercitavam a dialética. Dialética (Trivium) e Geometria. estas regidas pelos bispos.abril. mas.br/edicoes/0183/aberto/mt_ 74923.

com. Figura: A educação na Idade Média estava diretamente ligada aos estudos junto às igrejas. Maria Lúcia Hilsdorf. mantinham o interesse pelas atividades docentes. as preocupações relacionavam-se aos estudos. às provas. Estes locais de saber movimentavam as cidades. a professora da USP e pesquisadora. Não havia séries e classes e todos estudavam nas classes de mestres até que pudessem obter a titulação. saberhistoria. intensificava as atividades sociais e econômicas da cidade nascente. Os mais novos poderiam passar da Faculdade de Artes para as formações específicas (Direito.ig. que. por sua vez. o mundo letrado era um mundo itinerante. Os estudantes partiam para as universidades escolhidas. br/nova_pagina_161. Medicina. afirma: “a atuação deles atraía estudantes e. à necessidade de dinheiro e de comida. Fonte: http://www. as aulas eram expositivas e. Em cartas endereçadas à família. Havia alunos a partir de 12 anos no mesmo espaço que alunos mais velhos. Unidade 2 59 . juntamente com os comerciantes e os peregrinos religiosos. Teologia) aos 15 anos e alcançarem a titulação de mestre e a licença com 20 anos. Numa entrevista. seguiam mestres de renome ou disciplinas oferecidas somente em outras cidades. a partir da lição (sempre em latim). Eram responsáveis.htm) Percebeu alguma semelhança com a realidade atual? Os estudantes com poucos recursos pediam isenção das taxas de matrícula nas universidades e trabalhavam para manter os estudos.hpg. muitas vezes como copista ou encadernador de livros.História da Educação I (Inglaterra). consequentemente. por exemplo. mestres e alunos debatiam os temas. Como funcionava a organização didático-pedagógica? Geralmente. pela movimentação nas estradas medievais.” E como seria o ambiente universitário nesta época? Segundo Pernoud.

Fonte: http://pt. sua ausência de graduação sistemática e de exames metódicos.wikipedia.) Estamos assistindo ao nascer de uma nova pedagogia e de uma nova instituição. do séc. Fonte: http://pt. seus cursos esparsos. para praticar os conhecimentos adquiridos nesta unidade. pp. as atividades propostas. realize. do séc.org/wiki/ Universidade_de_Oxford Figura: Universidade de Paris. a seguir.wikipedia. XII.Universidade do Sul de Santa Catarina Como diz André Petitat: Com sua pedagogia oral. XI. Figura: Universidade de Oxford. 60-61). (. sua mistura de idades. (1994. 60 .org/wiki/ Universidade_de_Paris Agora... A seguir veja as imagens de duas universidades criadas durante o período medieval. o ensino universitário da Idade Média guarda poucas semelhanças com o colégio que se seguirá. no século XVI.

„ Cruzada (EUA. Para melhor aproveitamento do seu estudo. Dir.: Clive Donner).: Jean Jacques Annaud). 115 min.História da Educação I Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e acompanhe as respostas e comentários no final do livro didático.: Richard Donner).: Ridley Scott).: Mário Monicelli). 2005. 130 min. O feitiço de Áquila (EUA. „ O incrível exército de Brancaleone (ITA. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas. 1986. „ Em nome de Deus (Iugoslávia/Grã-Bretanha. Dir. 1985. Direção: Antoine Fuqua). „ Unidade 2 61 .. Dir.. 144 minutos Dir.. 1) Escolha um dos filmes sugeridos registre os aspectos relacionados ao tema da Unidade e comente com seus colegas na ferramenta Exposição. Dir. 90 min. „ O nome da rosa (ALE/FRA/ITA.. 2004.. „ Rei Arthur (EUA. 1988. 1965. 144 min. 117 min.

qual lhe chamou mais a atenção? a) Indique características deste grupo ou classe. 62 . b) Identifique a forma de aprendizado.Universidade do Sul de Santa Catarina 2) Em relação às práticas educativas das classes e grupos sociais que você viu nesta unidade.

pontuamos as diferenças entre as classes sociais. A Igreja exerce forte influência nesta formação. acreditamos. que passam a compor exércitos de defesa. lhe possibilitaram compreender a forma e os métodos gerais das práticas educativas formais e não-formais. passando pela educação das mulheres. A organização didático-pedagógica centrava-se mais no mestre que no aluno. A formação das cavalarias medievais dizia respeito às classes nobres. até a educação nas universidades. assim como os homens destes grupos. Nas corporações de ofício. instrumentalizando-se para fazer algumas comparações com a realidade atual. foram apresentados alguns elementos que. dos cavaleiros.História da Educação I Síntese No estudo desta unidade. você pode construir um conhecimento significativo sobre este assunto. que se estendiam ao comportamento social e individual. Pensamos que. Procuramos abranger desde o contexto histórico medieval. como também na vivência da corporação. o aprendizado constitui-se na aprendizagem técnica. Os princípios educativos eram enunciados por instituições masculinas e voltados para as mulheres da burguesia e da nobreza. mostrando que a mulher das classes populares não tinha acesso à educação formal. Ao falarmos de educação feminina. com códigos de honra relacionados à fidelidade e ao exercício da guerra. porém firmaram sua autonomia através da formação de associações corporativas de mestres. Unidade 2 63 . A cavalaria tem suas origens em grupos armados. no respeito aos estatutos e às regras. exercidas durante a Idade Média. assim. A maioria das universidades surgiu de escolas monásticas. das corporações de ofício.

Trad. Disponível em: http://www. 1999. Leo. O quotidiano da mulher no final da Idade Média (1250-1500) In: DUBY.). Georges e PERROT. Porto: Afrontamento.org.htm PETITAT. Claudia. 1994. O ensino na Idade Média. 64 . A história da riqueza do homem. Produção da escola / produção da sociedade: análise sócio-histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente. você poderá pesquisar os seguintes livros: CAMBI. PERNOUD. André. 1994. OPTIZ.br/revista/historia/luz2. Volume 2. História das Mulheres. MICELI. 20 ed. O Feudalismo. HUBERMAN. Michelle. Régine.: Eunice Gruman. (Org. 1998. Rio de Janeiro: Zahar Editores. Porto Alegre: Artes Médicas.Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade.permanencia. Paulo. Franco. São Paulo: UNESP. 1985. História da Pedagogia. São Paulo: Atual.

Conhecer a ação dos jesuítas no Brasil colonial. Seção 4 A Ratio Studiorum (a pedagogia jesuítica).UNIDADE 3 Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica Objetivos de aprendizagem „ 3 Compreender a constituição dos colégios modernos. „ „ „ Seções de estudo Seção 1 A secularização do pensamento. Seção 2 Os colégios modernos. Seção 5 A ação dos jesuítas no Brasil colonial. . Identificar as principais características da pedagogia jesuítica. Seção 3 O surgimento da Companhia de Jesus. Conhecer aspectos da ordem religiosa da Companhia de Jesus e de suas ações referentes à educação.

da Revolução Comercial.br> No caderno de Fundamentos Filosóficos. 86). Renascimento é o nome que se dá a um grande movimento de mudanças culturais. da chegada à América. como surgiu a Companhia de Jesus e quais as principais características da pedagogia jesuítica. “que significa a procura de uma imagem do homem e da cultura. isto 66 . novas formas econômicas. Você verá. embora os valores religiosos e morais continuem com força. 87). Esse momento é considerado como um importante período de transição envolvendo as estruturas feudo capitalistas. ou seja. religiosas e educacionais. da imprensa e do papel. portanto. busca-se a “secularização do saber. p. artísticas.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade. decorrentes de acontecimentos em diferentes áreas. Foi o período das grandes navegações. SEÇÃO 1 – A secularização do pensamento O período compreendido entre o final do século XIV e o fim do século XVI é marcado pelo movimento do Renascimento. em contraposição às concepções predominantemente teológicas da Idade Média” (ARANHA.com. criados nessa época. Segundo Aranha (1995. É o período do Humanismo. Essas mudanças geraram. <Fonte: http://www. da cultura clássica. Por isso. p. quando da criação dos colégios modernos. Além disso. Os colégios jesuítas. verá um pouco da ação dos jesuítas no Brasil no período colonial. caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana. que atingiu as camadas urbanas da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI. ainda nessa unidade. da Reforma Protestante e da Contra-reforma. políticas. O Teocentrismo dá lugar ao Antropocentrismo. expressas em um documento lançado em 1599 e denominado Ratio Studiorum. Muitos autores situam nos séculos XVI e XVII o berço do modelo de escola atual. você estudará alguns elementos referentes aos colégios modernos e. você pode ver algumas de suas características. da formação dos Estados Nacionais. historianet. você verá nessa unidade alguns pensadores dessa época e a organização desses colégios. mais especificamente. 1996. da invenção da pólvora. da bússola. representam bem esse novo tipo de escola. a educação jesuítica.

História da Educação I é. deu particular atenção aos aspectos psicológicos do ensino. Michel de Montaigne (1533-1592). diferentemente de seus contemporâneos. p. uma crítica à educação predominante até então e a defesa de uma pedagogia mais humana. humanista espanhol. Não fez referência em seus textos. Erasmo de Rotterdam (1465-1536). Para ele a educação sistematizada deveria começar desde o terceiro ano de vida respeitando-se as características naturais da criança e utilizandose do jogo. 102). nos escritos destes autores. ainda. destacam-se. naturais. desvesti-lo da parcialidade religiosa. Percebe-se. francês. Defendia as línguas clássicas. p. defendia que devia-se “partir dos objetos sensíveis. Recomendava também que o ensino das línguas clássicas fosse realizado na língua materna (LUZURIAGA. holandês. 105-6). não através de livros. Erasmo de Rotterdam. para torná-lo mais propriamente humano”. para chegar às idéias”. Criticava o uso dos castigos e o ensino livresco e propunha uma educação onde o aluno participasse ativamente. a preocupação com a moralização dos comportamentos infantis e prevêem-se roteiros de civilidade para orientar as ações das 67 Unidade 3 . Em termos pedagógicos. as idéias de pensadores como Vives. O francês François Rabelais (1494-1553) é considerado o precursor do realismo e do naturalismo na pedagogia. viajou por vários países europeus e dedicou inúmeros de seus trabalhos à educação. latim e grego. 1985. Rabelais e Montaigne. onde as disposições naturais da criança fossem respeitadas. desde que não reduzidas ao estudo da gramática. Juan Luiz Vives (1492-1540). nesse período. 1985. Destaca-se. Os principais interessados nesses novos valores são oriundos da nascente burguesia. também pregava o realismo e o naturalismo. Defendia o estudo das ciências. Este ensino deveria “partir das impressões ou sensações para chegar à imaginação e desta à razão” ou dizendo de outra forma. mas na natureza e pregava que o ambiente educativo fosse de liberdade e atraente. a questão da língua nacional. em linhas gerais. com métodos intuitivos e ativos (LUZURIAGA.

aos seus gestos e à sua maneira de vestir. como veremos a seguir. É neste contexto que ocorre a “extensão da freqüência escolar” e crianças são transformadas em alunos. (FREITAS e KUHLMANN Jr. que ele se inicie nos deveres da vida.) Convém. que ele se entregue às belas-artes e nelas mergulhe profundamente. E os colégios. a quarta.. 2002. tanto quanto à sua inteligência. enciclopédica que formaria os filhos da burguesia e da aristocracia renascentista. que preparam as regras de convívio das multidões das cidades (urbanidade).) práticas de controles minuciosos e ordenados sobre o corpo: controles que visam a obtenção de autocontroles. 22). às regras de civilidade.Universidade do Sul de Santa Catarina famílias e dos educadores.. o bom comportamento. das quais a primeira e a mais importante é que o espírito. Essa nova civilidade tem a ver com os valores almejados pela nova classe burguesa que busca se diferenciar dos trabalhadores e se aproximar da aristocracia.) “a um modelo de distinção”. que retomam a cordialidade da antiga polis (polidez). a segunda.. (. p.. ainda brando. São padrões da corte (cortesia). portanto que um homem preste atenção à sua aparência. de 1530: A arte de educar as crianças divide-se em diversas partes. apud FREITAS e KUHLMANN Jr. que esse se habitue. a terceira. serão necessárias (. censuras internalizadas e automação de gestos para o convívio público. Para isso. a seguir. (. Busca-se adequar os sujeitos a “padrões de urbanidade”.. 2002. a fala de Erasmo.. Seria assim essa conduta refinada. de tal maneira que se passa a ensaiar um roteiro supostamente universal de como se comportar. receba os germes da piedade.. p. e que constituem feixes encadeados de conduta para com os outros específicos da vida civil (civilidade). a moralidade e também uma educação clássica. desde muito cedo.. (ERASMO. a polidez. Veja-se. serão a “moderna expressão de como tratar as crianças mediante códigos das boas maneiras 68 . 18).

esses colégios tornaram-se instituições destinadas ao ensino. 1994. p. Claude Baduel. 22-23). nas escolas e colégios.) Não se ensinava nos colégios”. organizados em classes ordenadas com graduação nos estudos e sujeitos a uma disciplina rígida. SEÇÃO 2 – Os colégios modernos Segundo Ariès (1981. Mas. Erasmo Rabelais e Montaigne) expressam em suas teorias ideais educativos decorrentes de uma nova maneira de compreender a educação e a criança. os colégios vão sendo organizados em torno de seis ou sete classes sucessivas. Embora muitos desses colégios se organizassem na forma de internatos. Como veremos na próxima seção... a predominância do latim e o recurso aos castigos físicos. a partir do século XV. a partir da constituição dos colégios modernos. por exemplo. p. Os autores anteriormente citados (Vives. os alunos externos eram em grande número. jovens e adultos de diferentes idades. diretor de um colégio no século XVI. fundados por doadores. Se na Idade Média misturavam-se. no estudo dos colégios. agrupados por idades mais próximas. defende “que se deve agrupar em classes os alunos grandes e sujeitá-los Unidade 3 69 . permanecem por longo período.História da Educação I requeridos pela cultura moderna”. internos e externos. 78). Mas ambos. (. (PETITAT. ficavam sujeitos ao espírito de isolamento e controle dessas instituições. teremos um número maior de colegiais. 110) “no século XIII. Contudo.. com um mestre para cada uma e os exames são instituídos para estabelecer a aprovação ou reprovação. aos poucos. p. os colégios eram asilos para estudantes pobres. em pequenos grupos. nem todos esses ideais foram de imediato incorporados nas práticas escolares. Assim. (FREITAS e KUHLMANN Jr. 2002. crianças.

p. Já nos colégios modernos.) Deve-se ter uma lista com os nomes dos alunos e proceder a uma chamada na abertura das aulas” (apud PETITAT. às 16 horas. das censuras e das recompensas. Pela manhã. aula durante uma hora e meia.. (.. chamada. oração. lanche. para entregar os temas e para apresentar-se aos exames. uma hora de aula. p. da confissão de fé e dos dez mandamentos. Vê-se que o espaço e o tempo escolar passam a ser amplamente controlados. Exemplo de um dia de estudos num colégio protestante do século XVI Ele principia às seis horas no verão e às sete horas no inverno. (. oração.79). desjejum em aula. 1994. p. marcam agora as atividades escolares. dos alunos brilhantes e dos preguiçosos. castigos públicos e “admoestações” para os “delitos notáveis”. 1994.103. horários estritos e bem carregados dividem as matérias pelos dias e horas. oração. aula durante duas horas. Quanto ao tempo. já presentes no século XV e muito difundidos no século XVI. 79).) este tempo é repartido em períodos anuais. Fonte: Petitat. aula mais longa ou menos longa conforme fosse verão ou inverno. dispensa acompanhada de benção. oração e tempo livre para estudos até às 14 horas.Universidade do Sul de Santa Catarina a um maior respeito pelos professores e a uma maior docilidade em tudo o que se refere aos seus estudos. Petitat destaca que nas escolas medievais “o tempo do aluno dividia-se em largos períodos”. oração dominical e breve ação de graças.. reunião de todos os alunos na sala comum. (PETITAT. Vêem-se aqui algumas formas de controle que permanecem até hoje em nossas instituições de ensino. canto de salmos até ao meio-dia. oração. Os alunos dispõem de um tempo limitado para assimilar determinadas matérias. 70 . 1994. Relógios e sinetas. à tarde: retorno à classe às 11 horas. É o princípio dos prêmios pelo desempenho escolar. os alunos são reconduzidos aos respectivos alojamentos para a refeição (às 10 horas).. leitura da oração. punições dos retardatários.

Assim. 88). onde o artesão produz no seu próprio ritmo. Quanto ao conteúdo. despojado de sua lojinha. há poucos trabalhos ainda sobre a questão da origem social dos colegiais e destaca ainda que esta origem “apresenta uma face mais ou menos heterogênea de acordo com as cidades: minoria mais considerável ou menos importante de filhos de artesãos. comerciantes. destacam-se. ou seja. burgueses e nobres”. uma “nova temporalidade”. em grande parte. que a maioria dos colegiais não termina os estudos. “a separação entre o mundo dos adultos e do das crianças e adolescentes está na base da pedagogia moderna”. entre outros. embora sempre majoritária de funcionários. ainda. ditada pelo relógio mecânico. (PETITAT. O aluno se vê distante dos locais de socialização espontânea e privado. da gramática. visando gerir a vida dos mesmos. de acordo com Petitat. a manufatura impõe um outro tempo de trabalho. organizam-se de forma a controlar o assalariado. presença variável. sincronizado. p. 90). dos vizinhos. p. Assim como os colégios controlam o espaço e o tempo dos alunos. Segundo Petitat (1994. a manufatura acentua as rupturas no interior das atividades sociais. Segundo Petitat (1994. o estudo do latim e do grego. as manufaturas da época. a aquisição Unidade 3 71 . de eloqüência e boas maneiras. p. qual a origem dos alunos que freqüentavam os colégios e qual o conteúdo essencial aí aprendido. Estas precisam ser afastadas do mundo adulto. Essa nova forma de organização e funcionamento dos colégios está ligada a uma nova maneira de conceber a infância e a adolescência. também. O artesão. portanto. subdividido e vigiado. de suas relações com a vida adulta usual. 93). também. de obras literárias e filosóficas da Antiguidade. está concomitantemente afastado da família. como o colégio. o “tempo da ciência”.História da Educação I Há. 1994. dos clientes. Enfatiza. Poderíamos perguntar. Diferentemente da oficina artesanal medieval. o que restringe a vida do bairro e reduz as funções da família.

você irá se deter nos últimos colégios citados. é preciso lembrar que os novos ares oriundos do movimento renascentista afetaram não somente as artes e a ciência. embora particularmente destinado a certas camadas. Colégios criados por diferentes iniciativas e congregações religiosas. Petitat (1994. os doutrinários e os jesuítas. por causa da influência que tiveram na educação brasileira. servia antes para manter as diferenças de classe.) o colégio. você é convidado a conhecer como surgiu essa ordem religiosa. Essa cultura escrita escolarizada foi difundida nos diversos colégios que surgiram e se consolidaram nesse período. uniformizada.. Para compreender melhor o seu surgimento. serve de referência. Companhia de Jesus é a denominação de uma ordem religiosa da igreja católica e os membros dessa ordem são denominados jesuítas. onde os exercícios escritos substituem cada vez mais os orais. A mesma foi reconhecida pelo papa Paulo III em 1540. como os oratorianos. p. 100) conclui que (. de enraizamento e de distinção.Nesta disciplina. 72 . é produto de uma estrutura de conjunto das relações de força e de sentido dentro da sociedade e de um nível elevado de trocas econômicas. mas também a religião.. mais do que contribuir para a ascensão social dos que freqüentam os colégios. Essa cultura geral.Universidade do Sul de Santa Catarina de uma cultura geral. para consolidar uma determinada posição social. Seção 3 – O surgimento da Companhia de Jesus A criação da Companhia de Jesus por Inácio de Loyola (14911556) ocorreu em 1534. Antes de você conhecer a prática pedagógica jesuítica. para as quais a cultura escrita escolarizada. .

De acordo com Pedro. Alemanha. a venda de indulgências.História da Educação I Neste período. Martinho Lutero Nasceu em 1483. na verdade. afirmações ou idéias defendidas por Martinho Lutero e seus seguidores contra práticas ou determinações da igreja católica naquele momento. Especialmente suspeitos eram: a noção de que Deus recompensa um cristão na proporção das orações. na cidade de Eisleben. o culto dos santos e de suas relíquias e a venda de indulgências. alguns integrantes da igreja católica manifestam posições contrárias ao monopólio da Igreja sobre a religiosidade e contra o comportamento imoral do clero. muitos dos princípios da Igreja pareceram irrelevantes e blasfemos a Lutero. Martinho Lutero lidera um movimento de crítica a estrutura da Igreja Católica.ig. onde era mestre e pregador. posteriormente. Assim. Para ele. saberhistoria. iniciou outro movimento que ficou conhecido como Contra-reforma. tendo ele recusado. Figura – MARTINHO LUTERO. 95 proposições onde. afi xar na porta da igreja de Wittenberg. Deus não era como um contador com quem devia barganhar ou um juiz severo a ser aplacado com boas ações. mas com a fé no próprio Deus. A. (Pedro. br/nova_pagina_104. O papa Leão X exigiu uma retratação e. peregrinações ou contribuições. trocando-os pela vida religiosa. 1995). Iniciou os estudos de direito em 1505 e os abandonou no mesmo ano. Como a Igreja Católica perdeu muitos fiéis com esse movimento de protesto (daí o termo “protestante”) liderado por Lutero pela Reforma da Igreja Católica.com. Lutero protestou violentamente contra as indulgências a ponto de. Também são conhecidas como as 95 teses de Martinho Lutero. htm> A reação da Igreja Católica a esse movimento protestante é conhecida como Contra-reforma.hpg. Tornou-se monge e depois padre. sem o apoio do pai. condenava a prática vergonhosa da venda de indulgências. podemos destacar: Unidade 3 73 . dando origem à Reforma Protestante. Cristo viera para salvar os pecadores. em 1517. foi expulso da Igreja. entre outras coisas. Apesar de dedicado à Igreja. sempre esteve atormentado por duas grandes dúvidas: o poder da salvação atribuído a lugares santos e. As 95 proposições mencionadas são. a salvação não seria alcançada com esforços insignificantes. Fonte: <http://www. Entre as ações desencadeadas pela hierarquia católica para combater esse movimento.

logo eles passaram a dedicar-se à criação de escolas devido. cria a Companhia de Jesus. Assim.com. Ela era composta por tribunais que julgavam todos aqueles considerados uma ameaça às doutrinas (conjunto de leis) desta instituição. A sua convocação surge no contexto da reação da Igreja Católica à Reforma Protestante. Ásia. cumpriam as penas que podiam variar desde prisão temporária ou perpétua até a morte na fogueira. hpg. O objetivo era assegurar a unidade de fé e a disciplina eclesiástica. Figura: Venda de indulgências Fonte: <http://www. militar espanhol. realizado de 1545 a 1563. Esses colégios passaram a receber também alunos externos. onde seriam 74 . é nesse contexto que Inácio de Loyola. em 1548. Embora não fosse o intento inicial dos jesuítas. foi o fundado o Colégio Romano. como reação à reforma protestante e ao Iluminismo. O Colégio de Messina. principalmente. pregando a fé e combatendo heresias. foi convocado pelo Papa Paulo III. onde os condenados eram queimados vivos em plena praça pública. htm> Lista de livros proibidos (Index) Segundo o historiador alemão Hubert Wolf. de Umberto Eco. Em 1551. Com muita rapidez os jesuítas se espalham pela Europa. Acirramento das ações da Inquisição A Inquisição foi criada na Idade Média (século XIII) e era dirigida pela Igreja Católica Romana. foi o primeiro a recebê-los.saberhistoria. em Roma.br/nova_pagina_104. Esta perseguição aos hereges e protestantes foi finalizada somente no início do século XIX.ig.Universidade do Sul de Santa Catarina Concílio de Trento O Concílio de Trento. Uma boa opção para compreender melhor o período e a Santa Inquisição é assistir o filme O Nome da Rosa. Todos os suspeitos eram perseguidos e julgados. África e América (chegam ao Brasil em 1549). e aqueles que eram condenados. à necessidade de formar os futuros quadros da congregação. O Concílio de Trento foi o mais longo da história da Igreja: é chamado Concílio da Contra-Reforma. a censura eclesiástica se tornou uma instituição em 1571 e intensificou seus trabalhos nos séculos seguintes.

em dezembro de 1584.História da Educação I realizadas as principais experiências educativas que se tornariam modelares para os demais colégios inacianos. Sendo assim. Segundo HANSEN (2001. inicialmente. Em 1591. o grupo de doze padres não levou o projeto adiante. elaborar os Planos de Estudos. contendo 466 regras e estabelecia que ficasse em experiência durante três anos.14). sendo todos eruditos e experientes no ensino (HANSEN. p. liderados pelo Superior Geral da Companhia. O mesmo autor coloca que. p. partir dessas informações. Cláudio Acquaviva. composta por padres de vários países. nomeado outra comissão de seis membros. Sendo os jesuítas precursores da educação institucional no Brasil. Acquaviva nomeou uma comissão composta de doze padres para “formular a ordem de estudos que se deva guardar a Companhia”. visando assegurar uma uniformização das práticas educativas desenvolvidas nos colégios jesuítas espalhados pelo mundo todo. Isto para que as determinações e práticas fossem iguais em todas as instituições da companhia. conseguir informações das práticas efetivadas em todos os Colégios e. convidamos Unidade 3 75 . os jesuítas. por causa de vários problemas. em 1599.16). Finalmente. Pe. 2001. foi publicada a edição definitiva da Ratio Studiorum que regula com grande detalhe o modelo de ensino praticado durante séculos pela Companhia de Jesus. Este grupo tinha como compromisso. mandou para toda a companhia uma versão da Ratio que tinha em conta as críticas e sugestões recebidas das diferentes instituições existentes. no ano de 1581. desencadeiam um processo para elaboração de um Plano de Estudos a ser adotado em todos os colégios. tendo Acquaviva. Hansen coloca ainda que. Acquaviva. através de cartas. é de fundamental importância conhecermos um pouco de sua prática pedagógica para compreendermos o processo de escolarização desenvolvido no país.

p. de 1599. é um regulamento interno da Ordem Jesuítica. 2001. publicada em 1599. Seção 4 – A Ratio Studiorum (a pedagogia jesuítica) Sendo a Companhia de Jesus uma ordem religiosa não contemplativa. transferir e aplicar conhecimentos como intervenções nas questões do presente. Nesse sentido. essas intervenções na prática cotidiana não poderiam estar dissociadas das práticas das virtudes cristãs. método e as disciplinas escolares.. orienta o ensino das letras. à humildade.18). Hansen observa que o sentido final das normas e das práticas da Ratio Studiorum “é o da ortodoxia. A Ratio Studiorum.Universidade do Sul de Santa Catarina você para conhecer aspectos dessa pedagogia através da leitura de alguns componentes estabelecidos na Ratio Studuorum. a Ratio Studiorum.18). das artes e teologia no sentido de desenvolver nos educandos as capacidades de assimilar. 76 .) (não ser nem curioso nem temerário nos estudos nem defensor de opinião própria) mas visando. Para cumprir estas determinações a Ratio Prescreve Santo Tomás de Aquino em teologia escolástica. 2001. dirigidas aos agentes e instituições escolares dos colégios jesuítas. evita as interpretações averroísticas de Aristóteles. segue em teologia positiva os doutores aprovados pelas universidades católicas. Considerando o momento contra-reformista daquele momento. ao contrário. simplicidade e outras virtudes cristãs (HANSEN. composto por 467 regras. sempre cuidando (. seguindo-se com a máxima fidelidade a tradição e os textos canônicos autorizados pela Igreja a partir do Concílio de Trento” (HANSEN. agrupadas em 30 conjuntos. p. que viviam recolhidas em mosteiros.. Esse conjunto de regras trata de questões administrativas. planos de estudos. modéstia. como a maioria das ordens religiosas da época.

Para este autor. enquanto não forem expurgados dos fatos e Unidade 3 77 . O núcleo central do currículo das classes inferiores fi xado pela Ratio era o ensino das línguas e literaturas clássicas. 1598. 2001. 139). Gramática inferior. dizia: Tome todo o cuidado.jpg Mas todo o ensinamento deveria ser trabalhado de forma descontextualizada da mentalidade pagã das sociedades antigas.wikipedia. p. nas aulas. como auxílio e fundamento para os estudos de filosofia e principalmente de teologia. Figura . A maior preocupação dos jesuítas era em eliminar qualquer possibilidade de contato dos alunos com livros que continham “escritos impuros” e os “perniciosos e inúteis”. aproximadamente um terço das regras da Ratio normatizavam os conteúdos e as práticas escolares dos estudos inferiores. média e superior. que eram ministradas em todas as classes em grau crescente de complexidade e aperfeiçoamento (DALLABRIDA. Humanidades. O objetivo central das classes inferiores era proporcionar ao estudante jesuíta um sólido conhecimento gramatical.de livros de poetas ou outros.138). mas nas classes de gramática somente quando o aluno demonstrasse domínio do conhecimento estipulado (DALLABRIDA. que de modo algum se sirvam os nossos. 2001. Segundo Dallabrida. org/wiki/Image: Ratiostudiorum. Gramática média e Gramática Superior) não deveriam misturar-se e que as promoções de uma série para outra deveriam ser realizadas anualmente. Fonte: <http:// en. intitulada de “Proibição de livros inconvenientes”.História da Educação I As mesmas regras são válidas para todos os cursos que eram divididos em Estudos Inferiores (retórica humanidades e gramática) e Faculdades Superiores (filosofia e teologia). sendo que esta era subdividida em inferior. A regra número 34. Os estudos inferiores eram divididos em séries: Retórica. A Ratio determinava que as cinco séries (Retórica.Ratio Studiorum Societatis IESU. e considere este ponto como da maior importância. que possam ser prejudiciais à honestidade e aos bons costumes. p. Humanidades e Gramática.

tinha a função de distinção social. Os alunos ao final dos Estudos inferiores deveriam dominar perfeitamente o Latim. os jesuítas também produziam obras didáticas próprias. ou seja. que era dia da sabatina. DALLABRIDA 2001. Para Dallabrida (2001). Além de afastar obras e escritos pagãos dos educandos. A predominância da língua latina sobre as demais está relacionada ao seu caráter utilitário. p. era preciso absoluto controle sobre o tempo e o espaço. bem como definição de horários e lugares para cada atividade. com exceção de sábado. como imitado. que deveria ser. sendo uma forma das elites cortesãs e burguesas distanciarem-se tanto da antiga nobreza guerreira como das classes populares. ela era a língua oficial da Igreja Católica e dos Estados absolutistas. como Terêncio. Para isso. o ideal a ser perseguido era o domínio oral e escrito do latim clássico. é preferível que não leiam para que a natureza do conteúdo não ofenda a pureza da alma (apud Dallabrida. recomendada às classes de gramática. como a Gramática do Padre Manuel Álvares. e se de todo modo não puderem ser expurgados. De acordo com a Ratio (apud. durante as cinco séries dos Estudos inferiores. o que requeria uma metodologia que incluísse estratégias e táticas voltadas para este fim dentro e fora da sala de aula. 141) era preciso “moldar a alma plástica da juventude no serviço e no amor a Deus”. onde predominava a mentalidade católico-tridentina. língua preferida sobre as demais. Além disso. não somente aprendido. 2001. p. o aluno devia ter todo o tempo ocupado com atividades propostas pelos professores. de preferência Cícero. inclusive sobre o grego.Universidade do Sul de Santa Catarina palavras inconvenientes. 139). Deveriam realizar atividades escritas todos os dias. a partir de alguns escritores romanos. já que nas estruturas políticas e culturais do Antigo Regime. durante o período em que o educando permanecia no colégio. de forma progressiva. 78 .

No segundo. a emulação estava conjugada a um sistema individualizado de controle. Sagrada Escritura.143). classificação e premiação dos alunos. análise sintética do texto. p. Esta era considerada uma forma de manter os educandos em permanente estado de alerta e desafiados a provar sua maior capacidade em relação ao outro. Já o Curso de Teologia. dividido em quatro anos. Unidade 3 79 . hebreu. 2001. metafísica geral e matemáticas elementares. grupos e classes. leitura detalhada de cada período e. por último.22). Os Reitores dirigiam os colégios. o Curso de Filosofia era dividido em três anos: no primeiro. à semelhança do que ocorria na estrutura da própria Companhia de Jesus. os professores e os alunos. de acordo com Hansen. No curso de teologia. Segundo Dallabrida. avaliação. Esta hierarquia estava pautada na autoridade e na obediência. apresentação de observações detalhadas a cada classe (DALLABRIDA. além de finalizar todos os cursos anteriores.História da Educação I A Ratio detalhava ainda. seguia o sistema de Santo Tomás de Aquino: teologia patrística ou positiva. siríaco e outras línguas bíblicas. assessorados pelos Prefeitos Gerais dos Estudos a quem estavam submetidos os Prefeitos de Estudos inferiores. Nos estudos superiores. teodicéia e ética. estudava-se a lógica. Instituições canônicas. 2001. teologia escolástica moral. os passos da preleção (lição) para todos os professores das classes inferiores: leitura do texto. que propunha uma rígida hierarquia escolar. Outro componente da metodologia jesuítica previsto na Ratio era a emulação e a competição entre alunos. astrologia e matemáticas superiores. p. estudava-se cosmologia e outras ciências e no terceiro ano. “somente podiam ensinar os padres que tinham demonstrado conhecimento pleno de Santo Tomás de Aquino” (HANSEN.

a prática pedagógica dessa ordem religiosa. mamelucas. Nestas empregava-se o trabalho escravo negro. Além das escolas elementares de ler.Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 5 – A ação dos jesuítas no Brasil Nesta seção. para manterem-se financeiramente. pelo fato de na disciplina de História da Educação II. brancas (filhas de colonos e da elite portuguesa). da 2ªfase. como a dispersão e mobilidade de muitas tribos. Assim. onde ensinavam a ler e escrever. Em 1570. os jesuítas criaram os aldeamentos ou missões. onde havia tempo determinado para cada atividade cotidiana. apenas nove anos após a criação oficial da Companhia de Jesus. Já em 1549. À indiferença da oca. Para maior conhecimento sobre aldeamentos e missões dos jesuítas no Brasil. ou seja. a fim de facilitar o trabalho de catequese. liderados pelo Pe. os jesuítas reivindicaram terras (sesmarias) que foram transformadas em fazendas altamente produtivas. Tendo em vista algumas dificuldades no projeto de catequização e conversão dos índios. mulatas e negras (filhas dos escravos das fazendas). já havia cinco escolas 80 . as suas atividades de trabalho e de lazer. e Bittar (1999). no Brasil. Havia que ter lugar e tempo próprios para o sono. 1994. as refeições e as diversões. onde as famílias realizavam. os jesuítas implantaram também colégios. 43) Segundo Ferreira Jr. deu lugar à vida regrada imposta pelos jesuítas. faremos um breve relato sobre a ação dos jesuítas no Brasil. (XAVIER. desde sua chegada em 1549 até sua expulsão em 1759. ser tema bastante detalhado. as práticas escolares jesuítas destinavam-se a crianças de várias origens raciais: indígenas. Dedicaram-se desde cedo à divulgação da fé cristã e ao trabalho educativo. assim como lugar e tempo adequados para o trabalho e para a devoção. sem qualquer privacidade. de Roland Joffé. assista o filme A Missão. Iniciaram criando escolas de primeiras letras. devido às dificuldades em receber as verbas repassadas pela coroa portuguesa. retirando os indígenas da selva e impondo-lhes um outro modo de vida. chegaram ao Brasil os primeiros padres jesuítas. p. A introdução dessa racionalidade na vida dos nativos sem dúvida revolucionava os seus hábitos e reorganizava o seu cotidiano. Manoel da Nóbrega. escrever e contar.

Pernambuco e Rio de Janeiro. aprendemos. principalmente. Em 1814. Contudo. utilizou-se menos o latim. Ao final dos 210 anos (1549-1759). foram amplamente utilizados como estratégias pedagógicas para a catequização e moralização dos nativos. a Companhia de Jesus possuía em território brasileiro além de inúmeras escolas elementares.História da Educação I de instrução elementar localizadas em Porto Seguro. dando preferência ao português e às línguas nativas (inúmeras orações e músicas católicas foram traduzidas para a “língua geral” (tupi). Espírito Santo e São Paulo de Piratininga e três colégios localizados na Bahia. um colégio em Desterro. Toleraram-se alguns hábitos indígenas. o papa Clemente XIV extinguiu a Companhia de Jesus. que a razão principal decorre da perspectiva conservadora do ensino jesuítico. até que. Ilhéus. nestas escolas e colégios. o que estava prescrito na Ratio Studiorum. 25 residências. bem como se elaboraram gramáticas nessa língua). dando prosseguimento à sua ação educacional. 36 missões e 17 colégios e seminários. Quanto à expulsão dos jesuítas de Portugal e de seus domínios pelo Marquês de Pombal. Contudo. principalmente políticos e econômicos. Os jesuítas foram expulsos de Portugal e de seus domínios em 1759 e dos demais países europeus nos anos seguintes. que desencadearam a expulsão. de predomínio educacional jesuítico quase exclusivo. em 1845. Entre eles. como um vestuário mais tropical. primeiro ministro português. há outros motivos. abrindo. sendo que os primeiros jesuítas retornaram ao Brasil na década de 1840. podemos destacar que a política administrativa de Pombal se contrapunha ao Unidade 3 81 . ela foi novamente restabelecida. de modo geral. o teatro e a música. o que estaria gerando atrasos para a cultura portuguesa. conforme indicação de alguns autores. São Vicente. atual Florianópolis. Buscava-se seguir. foram necessárias algumas concessões devido à realidade brasileira apresentar características bastante diferenciadas da realidade européia. em 1773.

você terá oportunidade de aprofundar algumas questões aqui expostas. Pombal queria reduzir o poder dos jesuítas ao plano espiritual. fase do curso. visando controlar as relações comerciais. Agora. na 2ª. Os jesuítas também haviam adquirido um considerável poder econômico que ameaçava os interesses de Pombal que defendia a criação de Companhias de Comércio. por exemplo. bem como conhecer inúmeros outros aspectos da ação jesuítica no Brasil e das razões para a sua expulsão. quanto dos jesuítas. Tanto a imagem heróica ou vilã do Marquês de Pombal.Universidade do Sul de Santa Catarina poder temporal (civil) exercido pelos jesuítas nos territórios guaraníticos. 82 . são imagens historicamente construídas que atendem a determinados fins. as atividades propostas. a seguir. é bom deixar claro que não há de um lado apenas heróis e de outro apenas vilões. nessa história. De qualquer modo. a título de contextualização. Como mencionamos no início dessa seção. para praticar os conhecimentos conquistados nesta unidade. realize. brevemente.

a seguir.História da Educação I Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas. 1) A que classe social os colégios modernos atenderam e ajudaram o forjar? 2) Quais os objetivos principais dos jesuítas ao elaborar um Plano de Estudos (Ratio Studiorum) que deveria ser seguido em todas as instituições de ensino jesuíticas? Unidade 3 83 . Para melhor aproveitamento do seu estudo. acompanhe as respostas e comentários a respeito.

d) ( ) A Ratio era um conjunto de regras com determinações diferentes para cada instituição de ensino da Companhia de Jesus. b) ( ) A elaboração do texto da Ratio Studiorum. método e as disciplinas escolares. 84 . ministradas em todas as classes em grau crescente de complexidade e aperfeiçoamento. 4) Coloque (V) para Verdadeira e (F) para Falso: a) ( ) A Ratio Studiorum constitui-se num conjunto de regras que trata de questões administrativas. f) ( ) Cada instituição da Companhia de Jesus poderia elaborar seus próprios planos de estudos. em dezembro de 1584. é resultado do trabalho da comissão de seis membros. nomeados pelo Padre Acquaviva. composta por padres de vários países.Universidade do Sul de Santa Catarina 3) Para você. e) ( ) O núcleo central do currículo das classes inferiores era o ensino das línguas e literaturas clássicas. publicado em 1599. ainda permanecem resquícios da pedagogia jesuítica nas nossas instituições educativas? Justifique sua resposta. planos de estudos.

dirigidas aos agentes e instituições escolares dos colégios jesuítas e que esse conjunto de regras trata de questões administrativas. publicada em 1599. embora os valores religiosos e morais continuem com força. composto por 467 regras. O teocentrismo dá lugar ao antropocentrismo. artísticas. você pôde verificar o surgimento dos colégios modernos onde os alunos passam a ser agrupados por idades mais próximas. nos escritos destes autores. a preocupação com a moralização dos comportamentos infantis e prevêem-se roteiros de civilidade para orientar as ações das famílias e dos educadores. em linhas gerais. Percebe-se. ou seja. você pôde perceber que a criação da Companhia de Jesus ocorreu em meio aos protestos liderados por Martinho Lutero contra algumas práticas da Igreja Católica do período e que as ações dos jesuítas fizeram parte do movimento da igreja católica contra a reforma protestante. de eloqüência e boas maneiras. O tempo e o espaço passam a ser totalmente controlados. uma crítica à educação predominante até então e a defesa de uma pedagogia mais humana. você aprendeu que a Ratio Studiorum. religiosas e educacionais. o estudo do latim e do grego. onde os exercícios escritos substituem cada vez mais os orais. em contraposição. Movimento este que gerou novas formas econômicas. políticas. Na seção 4. Entre os conteúdos destacam-se. as concepções predominantemente teológicas da Idade Média. Na seção 3. entre outros. da gramática. a aquisição de uma cultura geral. Destaca-se ainda. Na seção 2. é um regulamento interno da Ordem Jesuítica. você teve oportunidade de conhecer características do período marcado pelo movimento do Renascimento. de obras literárias e filosóficas da Antiguidade. agrupadas em 30 conjuntos.História da Educação I Síntese Na primeira seção desta unidade. organizados em classes ordenadas com graduação nos estudos e sujeitos a uma disciplina rígida. planos de Unidade 3 85 . É do período do Humanismo.

E que. Além disso. Ministro de D. a obediência e disciplina. por último. que. você tomou conhecimento que os jesuítas chegaram ao Brasil logo após o descobrimento e que aqui. que colocava o aluno em condições de competição e. Por último. método e as disciplinas escolares. que o processo de aquisição de conhecimento pelo método jesuítico ocorria da seguinte forma: o primeiro passo consistia na repetição do texto. na época. criaram escolas de primeiras letras e colégios e que foram expulsos em 1759.Universidade do Sul de Santa Catarina estudos. além de trabalhar na conquista de novos fiéis para igreja católica através das missões e aldeamentos. a realização dos exames levando-o à premiação ou reprovação. aprendeu que as mesmas regras são válidas para todos os cursos que eram divididos em Estudos Inferiores (retórica humanidades e gramática) e Faculdades Superiores (filosofia e teologia). nesse processo. eram valores a serem incorporados pelos alunos. ao bom comportamento. aliadas às boas maneiras. à moralidade. pelo Marquês de Pombal. Você aprendeu ainda. à civilidade. 86 . seguido da memorização. era rei de Portugal. José.

Educação Unisinos. 5. n. Texto on-line disponível em <http://www. Ratio Studiorum e Política Católica Ibérica no Século XVII. Produção da escola/produção da sociedade: análise sócio-histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente. Moldar a alma plástica da juventude: a Ratio Studiorum e a manufatura de sujeitos letrados e católicos. 2001. 2001.wikipedia.htm> PETITAT.ig. 2º Grau . Norberto. você poderá pesquisar os seguintes livros e sites: http://pt.). São Paulo: Moderna. 1996. 133-150. Maria Lúcia Spedo (Org.8.saberhistoria. vol. 1995. In: VIDAL. Brasil 500 anos: Tópicos em história da educação. HANSEN. 1994. p. História: Compacto. DALLABRIDA. História da Educação.. Porto Alegre: Artes Médicas.org/wiki/Renascimento_(movimento_ cultural) ARANHA. A.História da Educação I Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade. e renovada.com. Antônio. Atual.Ed. São Paulo: FTD. Diana Gonçalves e HILSDORF.hpg. João Adolfo. ampl.br/nova_ pagina_105. PEDRO. São Paulo: Ed USP. Unidade 3 87 . Maria Lúcia de Arruda.

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Conhecer aspectos do processo de redefinição do espaço da criança na família e na sociedade a partir do Renascimento. „ „ „ Seções de estudo Seção 1 A infância na Antiguidade Seção 2 A infância na Idade Média Seção 3 A infância a partir do Renascimento Seção 4 A pedagogização dos conhecimentos e o disciplinamento dos sujeitos .UNIDADE 4 A infância e a pedagogia moderna Objetivos de aprendizagem „ 4 Identificar alguns modos de tratamento dispensados à infância em diferentes períodos históricos. Identificar as principais características da pedagogia moderna. Compreender o processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos na modernidade.

fazendo referência. em seu livro “História social da criança abandonada”. por exemplo. Para entender a concepção de infância do período moderno. A autora inicia destacando a situação de abandono de bebês na tradição judaica. Maria Luiza Marcílio destaca que a prática de abandonar bebês é bastante comum. SEÇÃO 1 . Apresentaremos aqui breves considerações encontradas esparsamente em algumas obras. Quanto às crianças abandonadas. Verá que a partir do Renascimento institui-se uma nova concepção de infância que resultará num processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos. por exemplo. desde longa data. conforme veremos com mais detalhes na próxima seção. nas civilizações ocidentais. você iniciará o estudo desta unidade vendo como a infância foi tratada em diferentes momentos históricos. Na sociedade romana. O objetivo primordial desta unidade é destacar as principais características que a pedagogia e a escola moderna adquiriram em função das novas concepções sobre a criança desenvolvidas no período.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Como as crianças foram vistas e tratadas em outras épocas? O mundo infantil sempre se diferenciou do mundo adulto? Que tipo de escola/pedagogia foi organizada para as crianças e adolescentes na modernidade? Estas são algumas das questões que nortearam a elaboração desta unidade. as crianças estavam totalmente subjugadas ao poder do pai e era comum abandoná-las.A infância na Antiguidade Ainda são poucas as pesquisas históricas voltadas para analisar a infância nas sociedades da Antiguidade. ao abandono de Moisés e na mitologia grega destaca o 90 .

Ricos e pobres abandonavam filhos na Roma Antiga. O aborto era legítimo. os pobres. As causas eram variadas: enjeitavam-se ou afogavamse as crianças malformadas. expunham-nos.28). por não terem condições de criar os filhos. De modo geral. esperando que um benfeitor recolhesse o infeliz bebê. 1998. acreditou-se na ausência de uma noção de infância no período medieval. Vários mosteiros abriram suas portas para receber crianças abandonadas. é possível dizer que as crianças gregas e romanas que sobreviviam tinham seus brinquedos e brincadeiras. Para Costa (2003) “a tradição cristã abriu. p. p. os ricos. à ausência da criança.. ou porque tinham dúvidas sobre a fidelidade de suas esposas ou porque já teriam tomado decisões sobre a distribuição de seus bens entre os herdeiros já existentes.. portanto. principalmente. mais cedo isto ocorria. abandonado pelo pai. Na Grécia “a deformidade da criança ou a pobreza da família bastavam para que a justiça doméstica decretasse sua morte ou seu abandono. nas fontes pesquisadas. e as da elite iam para escola por volta dos sete anos. 1998.História da Educação I caso de Édipo. bastante curta. E quanto mais pobres. segundo Marcílio (1998. Isto se deve..A infância na Idade Média Por muito tempo. (MARCÍLIO. como Platão e Aristóteles defendiam o abandono. logo entrando no mundo do trabalho. enquanto a grande maioria era educada no espaço doméstico e coletivo. A infância era. p. e o infanticídio admitido”. inclusive alguns deles que haviam sido abandonados pelos pais. uma nova perspectiva à criança”. ainda. faziam a “apologia da caridade em relação ao enjeitado”. (MARCÍLIO. Em Roma essas práticas também eram comuns. ou melhor. 23). vários concílios e patriarcas da Igreja. ao menos no Ocidente. 25). à ausência de fontes para a pesquisa deste tema. Aponta. Unidade 4 91 . Também. SEÇÃO 2 .

tem um envolvimento amoroso com Cleópatra. os romanos legavam ao pai (pater familias) o poder de vida ou de morte. a morte.com/ historia/contextos/1334. historiador francês. em seu estudo “A História Social da criança e da família”. Neste estudo. correspondendo ao segundo momento do período medieval. levanta a criança. em que todo poder e as decisões eram legadas ao pai. a rejeição significava. a partir da constituição das cidades e da classe burguesa. Em relação às crianças.artehistoria. na maioria dos casos. as mulheres amamentavam as crianças. a rainha do Egito (apesar de ter uma esposa em Roma). podemos identificar um poder patriarcal 92 . Caso o pai não o reconhecesse publicamente. pois os rejeitados eram assumidos pela linhagem materna. diferentemente dos romanos. o professor e pesquisador Ricardo da Costa. analisa obras iconográficas e identifica a não presença da criança ou uma representação que mostrava os pequenos como “adultos em miniatura”. entre os germanos as mulheres também possuíam papel de destaque. dos mesmos jogos e das mesmas brincadeiras. Suas vestimentas também não se diferenciavam muito da dos adultos. a Idade Média Ocidental é forjada a partir de duas grandes referências culturais: a Romana e a Germânica. Mesmo sendo filho legítimo (de sangue). há uma cena no filme “Cleópatra” que ilustra bem esta questão: Júlio César. Por isto. Como você já viu na Unidade 2. o pai poderia reconhecê-lo ou rejeitá-lo. Assim.htm Neste sentido. os germanos apresentavam algumas diferenças. No entanto. em suas pesquisas sobre esse período. encontrou algumas evidências sobre a infância em período anterior ao pesquisado por Ariès (Alta Idade Média). imperador romano. as crianças tinham uma educação comum até certa idade. e as publicou em seu artigo “A Educação Infantil na Idade Média”. É importante lembrarmos que. Por outro lado. o autor demonstra que as crianças participam ativamente de todas as atividades sociais.Universidade do Sul de Santa Catarina Philippe Ariès. das mesmas festas. após o parto. Figura: Mulher nobre com filho Fonte: www. Ariès relaciona a emergência de um olhar para a infância. Cleópatra dá à luz um filho do Imperador e este. Não havia a prática do infanticídio. num gesto que simboliza o reconhecimento como filho legítimo. a Baixa Idade Média (de acordo com a divisão referente aos períodos históricos apresentados na Unidade 2).

História da Educação I relacionado à política e à organização social e um poder matriarcal em relação à família. que lá podiam permanecer até os quinze anos de idade. assim como crianças de vários grupos sociais. a partir de uma relação entre público Unidade 4 93 . as lamentações das viúvas e os suspiros dos órfãos os matam e não nos resta esperança de deixar os bens para ninguém. lhes administrando os alimentos com um cuidado delicado [.]Nós perdemos agora os nossos fi lhos.hottopos.htm) No entanto. Costa diz que isto não impedia que os pais chorassem a morte de seus filhos. eis que as lágrimas dos pobres. Por um lado pedia cuidado na aplicação de castigos. alguns cuidados. De toda forma. esposa do rei franco Chilperico: Esta epidemia que começou no mês de agosto atacou em primeiro lugar a todos os jovens e adolescentes e provocou sua morte. a quem nós havíamos aquecido em nosso peito. no entanto. como esta citação de Fredegunda.. naquela época.. é o cristianismo que traz novos elementos às relações familiares. as taxas de mortalidade infantil eram altíssimas. Um dos principais conjuntos de normas era a Regra de São Bento. por outro prescrevia castigos como jejuns ou pancadas com varas. É na educação preconizada nos mosteiros que encontramos práticas pedagógicas para além dos ensinamentos da guerra. com/videtur17/ricardo. É certo que. Nós perdemos algumas criancinhas encantadoras e que nos eram queridas. havia condutas disciplinares que incluíam castigos. Alguns autores como Gélis afirmam que houve certa individualização da criança. Nós entesouramos sem ter para quem deixar. (Disponível em: http://www. de acordo com o caso. segundo os estudos de Costa. tópico visto na Unidade 2. nem mesmo. O que podemos salientar é que a falta de reconhecimento de algumas especificidades da infância não necessariamente eliminava o afeto para com as crianças e. carregado em nossos braços ou nutrido por nossa própria mão.

este acontecia na presença de um grupo de parentes e vizinhas que transformavam o nascimento em ato público. Exemplo disso é a ausência de representações de cenas domésticas nas imagens do período. transcendia o tempo. este vestuário era bastante restrito: 94 . 312). o autor exemplifica que. assim. bem como do grupo familiar. (1999. participando com todos os seus membros dos eventos sociais e das festas “até a morte”.) Nesse imaginário..Universidade do Sul de Santa Catarina e privado. a criança era considerada um rebento do tronco comunitário. Levando em conta esta associação entre público e privado. que a criança não está no centro da vida familiar. participando das mesmas festas. (1991. p. Quanto aos trajes. o autor afirma.. com base também no trabalho de Ariès. Dessa forma. 176). Duby destaca que havia um vestuário variado e abundante para as crianças das famílias abastadas. Para o mesmo autor. uma parte do grande corpo coletivo que. pertencendo. Ele afirma a existência de uma dependência em relação à linhagem e à solidariedade de sangue: (. através da análise de inventários da época. a educação em comum deveria direcionar a criança às funções dentro de uma hierarquia familiar e social. p. Já nas famílias humildes. Cambi infere que as crianças eram representadas como “pequenos homens”. formando indivíduos para o papel que deveriam ocupar na sociedade. a família medieval tem como extensão a vida social. De acordo com Franco Cambi. como já dissemos anteriormente. à linhagem tanto quanto aos pais: a criança era uma criança pública. se o seu nascimento ocorria num local privado (quarto). usando os mesmos trajes ou os mesmos brinquedos. pelo engaste das gerações.

177). Assim. este se manifestou a partir do Renascimento. Ao final do período medieval percebe-se uma crescente valorização da criança em si mesma. Uma nova sensibilidade em relação às crianças vai implicar também. uma visão do mundo e um código moral. segundo seu inventário. principalmente. não dispõe para os dois fi lhos. e a filha de um oficial público comum só tem em seu guarda-roupa. Unidade 4 95 . numa nova forma de tratá-las e educá-las. p. que passa a se interessar pela formação das crianças dentro e fora da família. a escola.História da Educação I Um peteleiro. um vestido de interior. Também. no qual a criança passa a ser o centro das atenções na família que aos poucos se organiza em seu entorno. devemos lembrar do papel do Estado. interessam-nos os estudos de Ariès para compreendermos o surgimento de um sentimento da infância. Sobre as práticas educativas medievais Cambi diz: A educação da criança era depois confiada à oficina e ao aprendizado ou à Igreja e às suas práticas de vida religiosa: a primeira ensinava uma técnica e um ofício. consolidando-se na Modernidade. Quanto ao reconhecimento da infância. por exemplo. uma reorganização do modelo de família e o estabelecimento de outros vínculos afetivos entre os familiares. tudo de lã muito comum. criando instituições que têm como objetivos separá-las do mundo adulto. incluída aí. duas túnicas simples e uma pequena saia. 225). 1990. (1999. principalmente a partir do século XVII. (DUBY. p. pela preocupação com a mortalidade infantil. movidos. a segunda. com a consolidação das monarquias nacionais. além de quatro camisas. das quais apenas uma forrada. senão de um manto e de quatro túnicas pretas.

pois o Estado poderia designá-los a 96 . Alegava-se que a conservação ou salvação destes “bastardos” seria muito útil. assim como. começa a ser produzida na Europa uma série de estudos sobre o problema da conservação das crianças. pelo menos em parte. 90% (noventa por cento) morriam antes do final da adolescência. em função dos cuidados oferecidos. a partir da segunda metade do século XVIII (1750 em diante). essas produções resultavam de observações e registros que médicos vinham realizando sobre o alto índice de mortalidade infantil e suas possíveis causas.A infância a partir do Renascimento Vimos. p. como o enfraquecimento de sua elite” (Donzelot. que a família começa a assumir uma feição mais privada onde a criança torna-se o centro. com recursos vindos do Estado. em seu livro sobre “A polícia das famílias”. e a criação artificial das crianças ricas. tanto na seção 1 como na 2. p. diz que. começou-se a questionar os gastos empreendidos com estas instituições e o pouco retorno que o Estado retirava. Logo em seguida aparecem. nos últimos parágrafos da seção anterior. 15). Além disso. Em conseqüência disto. tanto o empobrecimento da nação. também. inicialmente.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 3 . Neste sentido. Esses estudos mostram que os menores abandonados naquele período eram alojados em locais denominados de hospícios que eram mantidos. Para o autor “essas três técnicas engendrariam. estudos de administradores e de militares. 1986. que é neste período que a criança começa a ser valorizada no meio social. da Unidade 3.16). que com o Renascimento difunde-se uma literatura humanista e moralista preocupada com a família e a infância. Estes estudos giram em torno de três questões relacionadas aos cuidados com as crianças naquele momento: a prática dos hospícios de menores abandonados. a criação dos filhos por amas-de-leite. Donzelot (1986. No entanto.

diz que “não há dúvida de que essas crianças tiram todos os seus vícios de suas nutrizes. de acordo com esses estudos médicos. Na época. Para este autor. Outros médicos também chegaram a essa conclusão de que.História da Educação I cumprir tarefas nacionais como colonização. as crianças ricas confiadas às serviçais recebiam uma educação resultante de opressões e de intimidades impróprias para assegurar seu desenvolvimento. p. o alto índice de mortalidade ocorria pela dificuldade da administração encontrar nutrizes. modelagem do corpo com ataduras com vistas à estética. pelo fato de não possuírem vínculos de obrigações familiares” (Donzelot (1986. pela amamentação. Donzelot observa ainda que Nutrizes eram as mulheres responsáveis pela amamentação e demais cuidados das crianças. assumiam várias crianças ao mesmo tempo. o que não assegurava carinho ou bondade para com as crianças. Buch em seu livro sobre medicina doméstica. é nesta relação que está a explicação das manifestações. pela sua má vontade e incompetência. As crianças ricas contavam com uma nutriz exclusiva. a nutriz passaria todos os seus sentimentos para as crianças. e para as crianças pobres ficavam as nutrizes de aldeias mais distantes. Para garantir o recebimento e maior remuneração.17). apud Donzelot. já no período de amamentação. era comum as crianças serem criadas por nutrizes. Donzelot observa que.16). de comportamentos de baixeza e maldade em crianças de pais honestos e virtuosos. desde os primeiros anos de vida. As que moravam em aldeias próximas das cidades eram contratadas pelos ricos para amamentar e cuidar de seus filhos. pela condição de sujeição a que era submetida. “tarefas para as quais eles estariam perfeitamente adaptados. segundo estes estudos. 1986. “a mortalidade das crianças colocadas em nutriz era enorme: por volta de dois terços no que diz respeito as nutrizes distantes e um quarto quanto às mais próximas” (Donzelot. nutria geralmente um sentimento de ódio. e como estava quase sempre arrasada pelo cansaço do trabalho. p. marinha. milícia. com a conivência do agenciador. Unidade 4 97 . desconsiderando os males que estas poderiam causar. muitas destas. Eles teriam sido honestos se suas mães os tivessem amamentado” (Buch.17). p. Nessas condições. Além disso. Incluíam certas práticas de educação corporal como.1986.

1986. a crítica maior recai sobre a educação do corpo a que as crianças são submetidas através das nutrizes e/ou serviçais.. organizar a vida dos pobres de modo 98 . o sentimento em relação à infância. ou seja. assim. 1986. (. neste caso. da ausência de uma ‘economia social’”. possam fazer frente à nocividade e seus efeitos sobre as crianças que lhes são confiadas e. a necessidade de serviçais (Donzelot.. que “a imagem da infância mudou”. torna-as inaptas para as tarefas da maternidade reproduzindo. da ausência da ‘economia do corpo’”. o século XVIII é considerado como um período de revalorização das tarefas educativas. percebe-se que toda uma discussão em torno da criança começa a se fazer presente no período.) para as adolescentes acrescenta-se a isso o confinamento debilitante em que são mantidas até a idade de sua primeira entrada no mundo. por um lado. ou seja. por outro lado. o que ocorre nesta época “é uma reorganização dos comportamentos educativos em torno de dois pólos bem distintos cada qual com estratégias bem diferentes”: o primeiro diz respeito às discussões sobre a medicina doméstica e as possibilidades de retirada das crianças das influências negativas das serviçais.. “Trata-se.. De acordo com este autor. é denunciada a má administração dos hospícios e o pouco benefício do Estado em função da alta mortalidade das crianças. De acordo com Donzelot. p. neste caso. No entendimento desse autor sobre a extremidade mais pobre do corpo social. fazer com que todos os indivíduos que tem tendência a entregar seus filhos à solicitude do Estado ou à indústria mortífera das nutrizes voltem a educá-los (DONZELOT. a ponto de se dizer. Nessas publicações resultantes dos estudos médicos. No lado oposto. e o segundo diz respeito à filantropia ou “economia social”.) conservar as crianças significará por fim aos malefícios da criadagem. freqüentemente.21). conforme Donzelot. na extremidade mais rica. mudando. “Trata-se. reclusão enfraquecedora que. p.18). com isto. Nesse sentido. promover novas condições de educação que.Universidade do Sul de Santa Catarina (.

além dos regulamentos conventuais dos liceus. portadora de uma promoção da mulher por causa deste reconhecimento de sua utilidade educativa. informando de modo especial às mães sobre a arte de cuidar de crianças na primeira infância. uma série de publicações foram impressas. ou seja. ao mesmo tempo em que estabelecem uma nova relação com a família. também nos internatos havia estes problemas. a promiscuidade nos dormitórios. assim como guias e dicionários de higiene para uso das famílias. „ 3.História da Educação I que diminuísse os custos sociais e produzisse trabalhadores com o mínimo de gastos públicos (DONZELOT. Da mesma forma. essa ligação entre o médico e a família mexeu profundamente na vida familiar induzindo sua reorganização em pelo menos três dimensões: 1. os médicos elaboraram para as famílias burguesas uma série de livros sobre a criação. a utilização da família pelo médico contra as antigas estruturas de ensino. entre o final do século XVIII e o fim do XIX. a educação e a medicação das crianças. contra os efeitos das promiscuidades sociais. p. a disciplina religiosa. Esse mesmo autor coloca que.22). „ Os médicos. considerados Unidade 4 99 . Segundo Donzelot (1986. „ 2. o risco de depravação das crianças pela criadagem. a má ventilação dos cômodos. p. o fechamento da família contra as influências negativas do antigo meio educativo. contra os métodos e os preconceitos dos serviçais. em casa. os programas excessivos. no sentido de modificar a educação e os sujeitos envolvidos na educação das crianças na esfera privada. também chamam atenção para os problemas na esfera pública. ou seja. Assim como nas casas o amontoamento de crianças. a constituição de uma aliança privilegiada com a mãe. 23). nos colégios. 1986. a ausência de exercícios. o hábito do internato.

de forma que. sem ser reconhecido. Esta foi. tratava-se igualmente da preocupação de garantir a conservação das crianças e de estender os mesmos preceitos higiênicos. porém. principalmente nos países católicos.megagaleria. esse dispositivo era fixado no muro ou na janela da instituição. estando rigorosamente vedada a busca de informações sobre quem os havia trazido”. 57. a retomada da Roda merece destaque. p. De forma cilíndrica e com uma divisória no meio. até o século XIX. segundo Donzelot. In: MARCÍLIO. 1998. com um pequeno colchão. estava instalada em toda a Europa.27). retirando-se furtivamente do local. por volta do século XII e retomada a partir do século XVII. mas ao mesmo tempo. seguramente.com/ pictures/pic O sistema de Rodas ou Casas de expostos difundiu-se praticamente por todo território europeu. foi instalada uma ‘Roda’.Universidade do Sul de Santa Catarina como ‘educação homicida’. o expositor colocava a criancinha que enjeitava. em pouco tempo. E com a preocupação em unir respeito à vida e respeito à honra familiar. velam pelas boas condições da educação pública” (1986. Com esse movimento. É sobre estes que os médicos alertam os pais e propõem uma cruzada contra tais modelos. chegando ao Brasil durante esse mesmo século. as crianças aprendiam a ler e recebiam uma formação moral. mesmo em pleno dia. é que surge gradativamente a educação mista (escolar e familiar). já que as crianças pobres teriam seus gastos custeados pelo Estado. religiosa e 100 . No tabuleiro inferior da parte externa. girava a Roda e puxava um cordão com uma sineta para avisar à vigilante – ou Rodeira . 26). p. Aparentemente. para receber os bebês. 51). Nestas instituições. Todavia. com economia social (1986. “onde os pais preparam a criança a aceitar a disciplina escolar. a primeira Roda dos Expostos da cristandade. em 1203. Figura: Casa da roda dos expostos Fonte: www. a educação para as crianças pobres não ocorria desta maneira. O nome Roda – dado por extensão à casa dos expostos – provém do dispositivo de madeira onde se depositava o bebê.que um bebê acabara de ser abandonado. p. Segundo Marcílio (1998. Donzelot afirma que nada mais exemplar nessa reviravolta da relação Estado-família do que a história dos hospícios para menores abandonados. que serviu de modelo para as que surgiram posteriormente”. A Roda foi criada. p. inicialmente. fora do hospital do Santo Espírito in Saxia (ao lado do Vaticano) “em seu longo muro lateral.

uma nova concepção da infância. tanto a rica (nos colégios e escolas) como a pobre (nas instituições de caridade e filantrópicas). sendo vestidas. da Virgem Maria e do nascimento e infância de alguns santos. não se diferenciando muito dos adultos. “cuidando-se” do seu corpo e da sua educação. dos mesmos jogos e das mesmas brincadeiras. e permaneciam até completarem em torno de 12 a 15 anos. no decorrer da Idade Moderna. Se na Idade Média as crianças participam ativamente de todas as atividades sociais. Figura: Madona e Santos. por exemplo.br/ idademedia. como “mulherzinhas”. séc XIII Fonte: http://www. mas também no interior das casas. passa a ser alvo de proteção e controle. por algum tempo ainda. se restringe a expor imagens infantis do Menino Jesus. 71). a partir do século XVII haverá trajes cada vez mais definidos e apropriados para cada idade. desde cedo. Segundo Ariès (1981. imagens essas assexuadas e de crianças com feições de adultos. Além destas questões apontadas nesta seção. se até o século XIV era bastante comum a criança se vestir como o adulto (usando inclusive perucas e sapatos de salto). essencialmente religiosa.htm Quanto ao vestuário infantil. a iconografia também revela importantes fatos sobre a vida das crianças naquele período. Além do sistema de Rodas. pois entre as classes humildes ela demorará mais a se efetivar. Ou seja.com.História da Educação I “profissional”. para atenderem as crianças abandonadas e pobres. 101 Unidade 4 . principalmente. p. a iconografia renascentista começa a representar mais as crianças junto de suas famílias e não apenas no espaço público. a partir do período renascentista começarão a haver diferenças. nas classes favorecidas. a criança. participando das mesmas festas. a partir do Renascimento. outras instituições de caráter caritativo e filantrópico foram criadas. essa diferenciação entre o vestuário adulto e infantil ocorrerá inicialmente com os meninos. de Duccio di Buoninsegna National Gallery. se a iconografia medieval. historiedade. Esta separação é maior e mais imediata nas classes abastadas. Londres. As meninas continuarão. Neste sentido. gerando gradativamente uma separação maior entre o mundo dos adultos e o das crianças. Temos assim.

tanto a rica como a pobre. e o Estado passa a se ocupar também da educação das crianças com a criação de diferentes instituições.A pedagogização dos conhecimentos e a disciplinarização dos sujeitos Como você pôde ver na seção anterior. estenderam-se a outras instituições educacionais de sua época e de épocas posteriores”. o que Varella chama de pedagogização dos conhecimentos. 89) indaga em seu texto sobre “quais foram os efeitos mais visíveis desta pedagogização dos conhecimentos que surgiram e se aperfeiçoaram nos colégios jesuítas e que. Mas estas mudanças não ocorrem num passe de mágica. entre elas a escola. A partir do Renascimento. para a primeira. as crianças e os adolescentes passam a ser educados em espaços cada vez mais fechados e os saberes são controlados e organizados para se adequarem às capacidades infantis. e as instituições de caridade e filantropia para a segunda. no final da Idade Média a criança começa a ser valorizada. educar e cuidar a criança. Na próxima seção. há todo um processo de percepções e questionamentos por parte de alguns membros da sociedade na época que provocam gradativas alterações no modo de entender. através de transformações e reinterpretações. por exemplo. o sentimento da família em relação à infância muda. A seguir. SEÇÃO 4 . p. Os colégios.Universidade do Sul de Santa Catarina Para essa nova infância. você verá outras conseqüências dessa nova forma de ver as crianças e os adolescentes. serão criadas novas formas e espaços de educação. como vimos em outros momentos desta disciplina. Varella (1994. transcrevemos os três efeitos apontados pela autora: 102 .

como também a eles próprios . Os saberes que possuíam os professores jesuítas eram saberes verdadeiros. os saberes ligados ao mundo do trabalho. Deste modo. Michel Foucault observa que. uma cultura que. diferentemente das disciplinas de tipo monástico. destinada a materializarse numa obra bem feita. Por último. Foi deste modo que a disciplina e a manutenção da ordem nas salas de aula passaram a ocupar um papel central no interior do sistema de ensino até chegar praticamente a eclipsar a própria transmissão de conhecimento. com a aprendizagem de ofícios – entre mestres e aprendizes. que tinham por função realizar Ascese. de um aparato disciplinar de penalização e de moralização dos colegiais. no decorrer dos séculos XVII e XVIII. às culturas de determinados grupos ou classes sociais. as disciplinas se tornaram fórmulas gerais de dominação. Unidade 4 103 . que ligou a aquisição da verdade e da virtude à ascese e renúncia de si mesmo. é exercício prático que leva à efetiva realização da virtude. que não remetiam a processos sociais. progressivamente aperfeiçoada. 3. saberes que se pretendiam neutros e imparciais. às lutas sociais.História da Educação I 1. converteramse em sujeitos destinados a adquirir os ensinamentos dosificados. Eram saberes desvinculados das urgências materiais. à plenitude da vida moral. a aquisição desses saberes moralizados não exigia uma cooperação – como acontecia. 2. este processo de pedagogização dos saberes implicou a instauração. sempre em consonância com a reta doutrina na Igreja e a tradição católica. Os mestres passaram a ser os únicos detentores do saber e os estudantes viram-se relegados a uma posição de subordinação. começaram a ficar marcados pelo estigma do erro e da ignorância. Eles viram-se desterrados do recinto sagrado da cultura culta. Com referência a este processo de disciplinarização que vai sendo implantado nas instituições. converteu-se na cultura dominante e reclamou para si o monopólio da verdade e da neutralidade. mas a outros saberes. com o passar do tempo. dos problemas sociais. transmitidos por seus professores para convertê-los. Em primeiro lugar. segundo o dicionário Aurélio. por exemplo. em seres virtuosos.

treinados para transformarem-se em corpos “dóceis” e submissos. mais tarde. de mês a mês. enfim todos passam a ser disciplinados. Mas como esta disciplina se manifesta ou é constituída numa classe escolar? Segundo Foucault. A ordenação por fileiras. Forma-se então uma política de coerções que são um trabalho sobre o corpo. de hierarquizar. mas também de vigiar. 104 . e inversamente. de ano a ano. nos pátios. no século XVIII. que a disciplina inicialmente presente nos colégios. Temos que ter presente.Universidade do Sul de Santa Catarina renúncias e como fim principal um aumento de domínio de cada um sobre seu próprio corpo. a partir de 1762. no entanto. a escola passa a funcionar como “uma máquina de ensinar. para o espaço hospitalar e. começa a definir a grande forma de repartição dos indivíduos na ordem escolar: filas de alunos na sala. nos corredores. uma manipulação calculada de seus elementos. Com uma nova organização do tempo e do espaço. p. (. sucessão dos assuntos ensinados. o espaço escolar se desdobra. colocação que ele obtém de semana a semana.) esse momento histórico é o momento que nasce uma arte do corpo humano. de seus gestos. para o militar. que a determinação de lugares individuais. mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mais útil. de seus comportamentos (1989. ela agora só se compõe de elementos individuais que são colocados uns ao lado dos outros sob o olhar atento do mestre. tornou possível o controle de cada criança individualmente e o trabalho simultâneo de todos..127). 134). passa também para as escolas primárias. alinhamento das classes de idade umas depois das outras. a classe torna-se homogênea. das questões tratadas segundo uma ordem de dificuldade crescente (1989. ainda. p. colocação atribuída a cada um em relação a cada tarefa e cada prova.. que visa não unicamente o aumento de suas habilidades. Foucault diz. nem tampouco aprofundar sua sujeição.

para praticar os conhecimentos conquistados nesta unidade. a escola com seus horários. inúteis e perigosas em multiplicidades organizadas” (1989. regras.História da Educação I de recompensar” (1989. Para melhor aproveitamento do seu estudo.135). incute virtudes e valores a serem seguidos na sociedade. Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e. Ou seja. realize. o autor afirma que “a primeira das grandes operações da disciplina é então a constituição de quadros vivos que transformam as multidões confusas. p.134). p. os mosteiros abrissem suas portas para as crianças abandonadas. a seguir. na Idade Média. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas. conteúdos. as atividades propostas. Agora. 1) Aponte uma razão para que. Sendo assim. acompanhe as respostas e comentários a respeito. enfim toda a organização. Unidade 4 105 . a seguir.

construa um quadro síntese a respeito do entendimento/tratamento de cada uma sobre a criança. surgiram estudos sobre a infância que provocaram uma reorganização nos costumes das famílias sobre o modo de cuidar e de educar as crianças.Universidade do Sul de Santa Catarina 2) A civilização germânica e a civilização romana possuíam modos distintos de tratar a criança. Aponte uma mudança que ocorreu em relação ao modo de educar as crianças. Com base no texto da seção 2. Romanos Germanos 3) Durante o século XVII. 106 .

você teve oportunidade de conhecer duas grandes referências culturais. você teve oportunidade de entrar em contato com informações sobre a infância em diferentes períodos históricos. muito cedo eram iniciadas na vida do trabalho. vários mosteiros abriram suas portas para receber crianças abandonadas e se inicia. você pôde perceber que. que as crianças que sobreviviam.História da Educação I 4) Quais as principais características presentes nas práticas escolares para disciplinar os sujeitos e torná-los dóceis e submissos? Síntese Nesta unidade. Mesmo sendo filho legítimo (de Unidade 4 107 . a prática de abandonar crianças pequenas era bastante comum nas civilizações ocidentais. Viu. Na seção 2. a “apologia da caridade em relação ao enjeitado”. a romana e a germânica. Na primeira seção. também. Os romanos legavam ao pai (pater familias) o poder de vida ou de morte sobre as crianças. que agiam de forma diferenciada com suas crianças. com isto. Neste período. principalmente as pobres. também. na Antiguidade.

A preocupação com o alto índice de mortalidade infantil e com o modo como as crianças eram educadas fez com que Família e Estado passassem a conduzir os processos educativos tanto na vida privada (na casa) como na pública (colégios). 108 . seu espaço. a morte. provocando. que passa a fazer parte das práticas dos colégios e das escolas primárias. uma reorganização nos costumes e modos de educar as crianças. a definição de modos de conduta. no entanto. com sua organização. já havia sentimento em relação às crianças tanto que os pais choravam a morte de seus filhos. com isto. as taxas de mortalidade infantil eram altíssimas. buscava a formação de um sujeito disciplinado. pois os rejeitados eram assumidos pela linhagem materna. Na seção 4. A introdução da medicina doméstica é a responsável por grande parte das modificações desses costumes. preocupada com a família e a infância.Universidade do Sul de Santa Catarina sangue). Os germanos não praticavam o infanticídio. o controle dos saberes e do tempo. principalmente nas famílias mais ricas. Caso o pai não o reconhecesse publicamente. a rejeição significava. A escola. você pôde perceber que com o Renascimento difunde-se uma literatura humanista e moralista. na maioria dos casos. busca formar um sujeito dócil e submisso. você pôde perceber como a disciplina. as mulheres amamentavam as crianças e as crianças tinham uma educação comum até certa idade. Na seção 3. o pai poderia reconhecê-lo ou rejeitá-lo. Nesta época.

mas será que podemos ver tudo? Uma reflexão sobre as políticas públicas para a educação da infância. da Costa Albuquerque. A polícia das famílias. Ricardo.br/~revispsi/v5n1/ artigos/a03.. 1986. COSTA. 7. Petrópolis: Vozes. São Paulo: Companhia das Letras. R.. História da Vida Privada 3: da Renascença ao Século das Luzes.História da Educação I Saiba mais Para ampliar seus conhecimentos sobre as questões abordadas nesta unidade. GÉLIS. HEYWOOD.com/videtur17/ricardo. Michel. Solange Martins de Oliveira. CAMBI. Uma história da infância: da Idade Média a época contemporânea. 1989. 1991. 2. 1991. 2. História da Pedagogia. História social da criança e da família. ed. da UNESP.hottopos. F. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. você poderá realizar leituras nos seguintes livros e sites: ARIÈS. ed. Porto Alegre: Artmed. Disponível em: http://www. MAGALHÃES. São Paulo: Ed..uerj. J. Pondré Vassalo. Do topo de uma montanha temos um ótimo ângulo de visão das coisas. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. BARBOSA. In: CHARTIER. 2000.htm Unidade 4 109 .htm DONZELOT. A individualização da criança. FOUCAULT. Rio de Janeiro: Edições Graal Ltda. Colin. A Educação Infantil na Idade Média. ed. 2004. Jacques. Disponível em: http://www2. FEIST. Ivone Garcia. 1981. Tradução de Ligia M. T. H.. Tradução de M. Philippe.

Maria Luiza. O estatuto do saber pedagógico. 1998. Tomaz Tadeu da (Org. O sujeito da educação: estudos foucaultianos. 110 . VARELA. 1994. Julia. História social da criança abandonada.Universidade do Sul de Santa Catarina MARCÍLIO. In: SILVA.). Petrópolis: Vozes. São Paulo: Hucitec.

Mesmo dentro dos períodos priorizados para análise. outras questões. a partir destes. Sem dúvida. mas poderiam ter sido outras. foram escolhidos determinados temas que julgamos serem fundamentais para sua formação como pedagoga(o). você poderá ver como vários aspectos aqui pontuados se desenvolveram na realidade brasileira. pois as demais disciplinas do curso trarão discussões pertinentes e direcionadas a estes contextos educativos. são muitas as histórias e muitas as questões a serem formuladas. evidenciar como cada época (tempo/espaço) construiu suas idéias pedagógicas e. o recorte espacial e temporal remeteu ao contexto europeu. Procuramos aqui levantar algumas delas. outros sujeitos. Contudo. optamos em focar certos elementos de alguns desses períodos e. Quanto ao período contemporâneo. o nosso modelo escolar. compreendendo os séculos XIX. Por exemplo. em muitos aspectos. principalmente. como foram tratadas as crianças no nosso contexto e como se constituíram as instituições educativas e as idéias pedagógicas em nosso país. Esperamos que você tenha sido provocado a desvelar outras histórias. suas práticas educativas. XX e XXI. .Para concluir o estudo Tendo em vista a impossibilidade de abarcar todos os tradicionais períodos históricos. na disciplina de História da Educação II. outras fontes. que tratará da educação no Brasil. não o tomamos como foco de análise. Retomando Bertold Brecht. de onde se origina e se constitui.

que colaborem na formação de pessoas.Embora você tenha estudado o quanto as instituições até hoje disciplinaram os saberes e os sujeitos. Leonete e Rosmeri . Sucesso na continuidade dos estudos! Professoras Karen. gostaríamos de deixar claro que é possível constituir instituições com outras configurações.

hottopos. 1998. Disponível em: http://www. n. Brasília. 2. BURKE. 2002. no. Georges (Org.). BURKE. Belo Horizonte: Autêntica. T. Educação modernidade e civilização: fontes e perspectivas de análise para a história da educação oitocentista. 196. FONSECA..) A escrita da história: novas perspectivas. Cynthia G. 1996. 2: da Europa feudal à Renascença. 1981. São Paulo: Companhia das Letras. (Coleção Os Pensadores). 1999. 2003. História da privada. FARIA FILHO. 1983. História da Pedagogia. História e Historiografia da Educação no Brasil. São Paulo. 1929-1989. Amarildo e BITTAR. Marta Maria Chagas de. 1991. . A Educação Infantil na Idade Média. FERREIRA Jr. Philippe. DUBY.26..Referências ARANHA. Marisa. Espaço em Revista. Ricardo. Luciano Mendes de (org. 1990. Franco. VEIGA. BURKE. Peter. Jacques.472-482. História social da criança e da família. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. da Costa Albuquerque. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. São Paulo: UNESP. dez/1997. ARIÈS. COSTA. História da Educação. v. 2. p. Peter. São Paulo: UNESP. set/dez. Tradução Maria Lucia Machado. 1986. Educação jesuítica e crianças negras no Brasil colonial.com/videtur17/ricardo. A polícia das famílias. Peter (Org. História e teoria social. História da Educação: notas em torno de uma questão de fronteiras. 1999. 2ª ed. Thais Nívia de L. São Paulo: UNESP.). São Paulo: UNESP. Discurso sobre o Espírito Positivo (e outros). Tradução de M. A Revolução Francesa da historiografia: a Escola dos Annales. CARVALHO. Rio de Janeiro: Edições Graal Ltda. A. Maria Lúcia de Arruda. ed.. Belo Horizonte: Autêntica. 1992.htm DONZELOT. COMTE. Abril Cultural. São Paulo: Moderna. 80. Belo Horizonte. ed. Tradução por José Arthur Gianotti. CAMBI.

ed. PERROT. (Org. 20. Rio de Janeiro: DP&A. HUBERMAN.FOUCAULT. 3ª.htm MARCÍLIO.. ed. PERNOUD. História da Educação. Tradução de Ligia M. 1998. São Paulo: Ed. Porto Alegre: Artmed.. OPTIZ. HEYWOOD. Rio de Janeiro: Zahar Editores. História das Mulheres. mas será que podemos ver tudo? Uma reflexão sobre as políticas públicas para a educação da infância. 1998. Marcos Cezar de (Org. 1997. KUHLMANN. J. O ensino na Idade Média. Petrópolis: Vozes..br/revista/historia/luz2. Michelle. Barueri. 1976. Marcos Cezar de e KUHLMANN Jr. 1985. FEIST.). História da Vida Privada 3: da Renascença ao Século das Luzes. ed. 2002. 2003. Colin. 2004. LOPES.htm . ed. Porto: Afrontamento. Moysés. Leo.) História: novos objetos.). SP: Manole.. Rio de Janeiro: Francisco Alves. Claudia. 1989. In: CHARTIER. São Paulo: Cortez. Nacional. A história da riqueza do homem. GÉLIS. São Paulo: Cortez. Paulo. Disponível em: http://www. Pierre (Orgs. 2ª. MAGALHÃES.. 2005. H. 16ª.). Michel. São Paulo: Companhia das Letras. Moysés (Orgs. Jacques e NORA. Paulo. O quotidiano da mulher no final da Idade Média (12501500) In: DUBY. Volume 2. 2ª. Eliane Marta Teixeira. ed.. 1994. br/~revispsi/v5n1/artigos/a03. Lorenzo. Os intelectuais na história da infância. Ivone Garcia. 1991.. R. História social da infância no Brasil. Do topo de uma montanha temos um ótimo ângulo de visão das coisas. permanencia. BARBOSA. 1985. GHIRARDELLI Jr. São Paulo: Hucitec. Régine. História da Educação.uerj. Porto Alegre: Mediação. Infância e educação infantil: uma abordagem histórica. 7. Pondré Vassalo. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. GHIRALDELLI Jr. História da educação e da pedagogia. Jr. LE GOFF. LUZURIAGA. História social da criança abandonada. Disponível em: http://www2. FREITAS.. Filosofia e história da educação brasileira. Georges. 1991. 1998. Maria Luiza.org. ed.. A individualização da criança.. Uma história da infância: da Idade Média a época contemporânea. FREITAS. São Paulo: Cortez. Solange Martins de Oliveira.

Contribuições da história para a educação. Flávia Obino Corrêa. São Paulo: Contexto. Produção da escola / produção da sociedade: análise sócio-histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente. Campinas-SP: Autores Associados. VARELA. Maria Elisabete S. n. CampinasSP: Autores Associados.PETITAT. História e historiografia da educação. WARDE. In: SILVA.). Trad. In: LOMBARDI. Maria Isabel Moura (org). Petrópolis: Vozes. História da Educação: a escola no Brasil. Maria Isabel Moura (org). . Em Aberto. Mirian Jorge. XAVIER. 2004. In: LOMBARDI. História e historiografia da educação. Fontes. 1994. O sujeito da educação: estudos foucaultianos. Porto Alegre: Artes Médicas. O estatuto do saber pedagógico. Breves considerações sobre Fontes para a História da Educação. História das crianças no Brasil. José Claudinei e NASCIMENTO. Julia. André. Tomaz Tadeu da (Org. Brasília. WERLE. São Paulo: FTD. Mary Del (org. P. PRIORE. José Claudinei e NASCIMENTO. 2004.). Dermeval.: Eunice Gruman. Ano 9. História das instituições escolares: de que se fala?. SAVIANI. 1990. Fontes. 47. INEP. 1999. 1994. 1994.

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História para as Séries Iniciais. lecionando as disciplinas de História da Educação. lecionando as disciplinas de História da Educação. onde defendeu dissertação intitulada “A constituição da rede pública de ensino elementar em Santa Catarina – 1830/1859”. Há dez anos é professora do curso de Pedagogia da Unisul. Rosmeri Schardong Formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestre em Educação também . É professora do curso de Pedagogia e Letras da Unisul desde 2001. Atuou como professora de nível superior na UNIVILLE. Política e Sociedade. Estágio Supervisionado e Pesquisa e Prática Pedagógica. Foi professora da rede pública e privada de ensino. e na Educação de Jovens e Adultos. É doutoranda do programa de Pós-Graduação em Educação: História. da PUC/SP. É autora de artigos nos livros: História de Santa Catarina: estudos contemporâneos. Geografia para as Séries Iniciais e Fundamentos Sociológicos.Sobre as professoras conteudistas Karen Christine Rechia Graduada e Mestre em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). nos níveis fundamental e médio. História das Mulheres de Santa Catarina e na revista Perspectiva (CED-UFSC). Atuou como professora de séries iniciais nas redes municipal de Florianópolis e estadual de Santa Catarina e em instituições particulares e no ensino superior da UDESC e UFSC. Leonete Luzia Schmidt Formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestre em Educação também pela UFSC. UDESC e UFSC.

Universidade do Sul de Santa Catarina pela UFSC. lecionando as disciplinas de História da Educação e Estágio Supervisionado. É professora do curso de Pedagogia da Unisul desde 1998. onde defendeu dissertação intitulada “A instrução pública secundária em Desterro – o Atheneu Provincial (18741883)”. 118 . Atuou como professora das séries iniciais na rede estadual catarinense durante dez anos.

na coluna Principais Representantes você deve escrever o nome dos autores que escreveram/ escrevem sobre cada tendência. Caso tenha dúvidas como realizar as atividades você poderá obter maiores informações com o tutor da disciplina. Unidade 2 1) Sobre os filmes: Os aspectos relacionados a Unidade dependem do filme. como esta pode ser escrita e que temas e fontes prioriza. as formas de trabalho. o papel das mulheres. o ambiente social etc 2) Nesta questão os dois tópicos já indicam o que se quer atingir. . 3) Resposta subjetiva.Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação Unidade 1 1) Itens A e B são verdadeiros. a relação entre as classes sociais. De maneira geral é importante observar as práticas educativas. 2) Orientações para elaboração do quadro: na coluna Tendências você deve indicar o nome das três tendências e /ou teorias abordadas na seção 2. Item C é falso. o papel da Igreja e da religiosidade. na coluna Idéias Centrais você deverá pontuar as principais idéias de como cada tendência entende a história.

as crianças colocadas umas ao lado das outras sob o olhar atento do mestre. 4) A classe torna-se homogênea. Unidade 4 1) Muitos membros da Igreja haviam sido abandonados pelos pais e por isso buscavam abrigar os que passavam pela mesma situação. 3) A educação passa a ser mista. que possuía poder aquisitivo. 120 . Alinhamento das classes de idade umas depois das outras. além dessa cultura geral clássica. no pátios. Sucessão dos assuntos ensinados. 2) Resposta livre. Família e Estado assumem a educação das crianças. das questões tratadas segundo uma ordem de dificuldade crescente. 3) Resposta subjetiva. Ou a mãe passa a participar mais da educação dos filhos. B e E são Verdadeiros. um padrão de civilidade e polidez que os distinguiria dos trabalhadores. Colocação atribuída a cada um em relação a cada tarefa e cada prova. também filhos de Deus. mas carecia dos conhecimentos clássicos que a nobreza até então detinha. 4) Itens A. além disso a Igreja passa a pregar a caridade para com os abandonados. nos corredores. Ordenação por fileiras: filas de alunos na sala. pode-se dizer que os colégios atenderam aos interesses de uma burguesia nascente/renascentista. Os colégios forneceriam a seus alunos. Itens D e F são Falsos.Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 3 1) Em linhas gerais. 2) Garantir a uniformização que facilitaria o controle sobre as práticas e conteúdos desenvolvidos e evitaria desvios dos princípios defendidos pela Ordem Jesuítica.

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