Universidade do Sul de Santa Catarina

História da Educação I
Disciplina na modalidade a distância

Palhoça UnisulVirtual 2006

Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina História da Educação I. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma, abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando uma linguagem que facilite seu estudo a distância. Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho. Não esqueça que sua caminhada nesta disciplina também será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade, seja por correio postal, fax, telefone, e-mail ou Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem - EVA. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois sua aprendizagem é nosso principal objetivo. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual.

Karen Christine Rechia Leonete Luzia Schmidt Rosmeri Schardong

História da Educação I
Livro didático

Design instrucional Viviani Poyer

Palhoça UnisulVirtual 2006

Copyright © UnisulVirtual 2006 N enhum a parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer m eio sem a prévia autorização desta instituição.

370.9 R24 Rechia, Karen Christine História da educação I : livro didático / Karen Christine Rechia, Leonete Luzia Schmidt, Rosmeri Schardong ; design instructional Viviani Poyer. – Palhoça : UnisulVirtual, 2006. 120 p. : il. ; 28 cm.

Inclui bibliografia. ISBN 85-60694-08-0 ISBN 978-85-60694-08-2

1. Educação – História. I. Schmidt, Leonete. II. Schardong, Rosmeri. III. Poyer, Viviani. IV. Título.
Ficha catalográf ica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul

Cr édi tos
Uni sul- Uni ver si dade do Sulde Santa Catar i na Uni sul Vi r tual- Educação Super i ora Di stânci a
Cam pusUni sul Vi r tual Rua João Pereira dos Santos, 303 Pal hoç a - SC- 88130-475 Fone/ f ax:( 48)3279-1541 e 3279-1542 E-mail :c ursovirtual @unisul . br Site:www. virtual . unisul . br Rei torUni sul Gerson LuizJoner da Sil veira Vi ce-Rei tore Pr ó-Rei tor Acadêm i co Sebastião Sal ésio Heerdt Chef e de gabi nete da Rei tor i a Fabian Martins de Castro Pr ó-Rei torAdm i ni str ati vo Marc us Viní c ius Anátol es da Sil va Ferreira Cam pusSul Diretor:Val ter Al ves Sc hmitzNeto Diretora adj unta:Al exandra Orsoni Cam pusNor te Diretor:Ail ton Nazareno Soares Diretora adj unta:Cibel e Sc huel ter Cam pusUni sul Vi r tual Diretor:João Vianney Diretora adj unta:Juc imara Roesl er Equi pe Uni sul Vi r tual Adm i ni str ação Renato AndréLuz Val mir Vení c io I nác io Bi bl i otecár i a Soraya Arruda W al tric k Coor denação dosCur sos Adriano Sérgio da Cunha Ana Luisa Mül bert Equi pe Di dáti co-Pedagógi ca Angel ita M arç alFl ores Carmen Maria Cipriani Pandini Carol ine Batista Carol ina Hoel l er da Sil va Boeing Cristina Kl ipp de Ol iveira Daniel a Erani Monteiro W il l Dênia Fal c ão de Bittenc ourt Enzo de Ol iveira Moreira Fl ávia Lumi Matuzawa Karl a Leonora Dahse Nunes Leandro Kingeski Pac hec o Ana Paul a Reusing Pachec o Cátia Mel issa S.Rodrigues ( Auxil iar) Charl es Cesc onetto Diva Marí l ia Fl emming I tamar Pedro Bevil aqua Janete El za Fel isbino Juc imara Roesl er Lil ian Cristina Pettres ( Auxil iar) Lauro JoséBal l oc k LuizGuil herme Buchmann Figueiredo LuizOtávio Botel ho Lento Marcel o Caval c anti Mauri LuizHeerdt Mauro Fac c ioni Fil ho Mic hel l e Denise DurieuxLopes Destri Moac ir Heerdt Nél io Herzmann Onei Tadeu Dutra Patrí c ia Al berton Patrí c ia Pozza Raul ino Jac ó Brüning Rose Cl ér E.Bec he Desi gn Gr áf i co Cristiano Neri Gonç al ves Ribeiro ( c oordenador) Adriana Ferreira dos Santos Al exSandro Xavier Evandro Guedes Mac hado Fernando Roberto Dias Zimmermann Higor Ghisi Luc iano Pedro Paul o Al ves Teixeira Raf aelPessi Vil son Martins Fil ho Ligia M aria Souf en Tumol o Márc ia Loc h Patrí c ia Meneghel Sil vana Denise Guimarães Tade-Ane de Amorim Vanessa de Andrade Manuel Vanessa Franc ine Corrêa Viviane Bastos Viviani Poyer Logí sti ca de Encontr osPr esenci ai s Marc ia Luzde Ol iveira ( Coordenadora) Arac el l i Aral di Grac iel e Marinês Lindenmayr JoséCarl os Teixeira Letí c ia Cristina Barbosa Kênia Al exandra Costa Hermann Prisc il a Santos Al ves Logí sti ca de M ater i ai s Jef erson Cassiano Al meida da Costa ( c oordenador) Eduardo Kraus M oni tor i a e Supor te Raf aelda Cunha Lara ( c oordenador) Adriana Sil veira Carol ine Mendonç a Dyego Rac hadel Edison Rodrigo Val im Franc iel l e Arruda Gabriel a Mal inverni Barbieri Gisl ane Frasson de Souza Josiane Conc eiç ão Leal Maria Eugênia Ferreira Cel eghin Simone Andréa de Castil ho Viní c ius Mayc ot Seraf im Pr odução I ndustr i ale Supor te Arthur EmmanuelF.Sil veira ( c oordenador) Franc isc o Asp Pr oj etosCor por ati vos Diane DalMago Vanderl ei Brasil Secr etar i a de Ensi no a Di stânci a Karine Augusta Zanoni ( sec retária de ensino) Ana Paul a Pereira Dj eime Sammer Bortol otti Carl a Cristina Sbardel l a Grasiel a Martins James MarcelSil va Ribeiro LamuniêSouza Liana Pampl ona Maira Marina Martins Godinho Marc el o Pereira Marc os Al c ides Medeiros Junior Maria I sabelAragon Ol avo Laj ús Prisc il l a Geovana Pagani Sil vana Henrique Sil va Secr etár i a Executi va Viviane Sc hal ata Martins Tecnol ogi a Osmar de Ol iveira BrazJúnior ( c oordenador) Ric ardo Al exandre Bianc hini Rodrigo de Barc el os Martins Edi ção -- Li vr o Di dáti co Pr of essor asConteudi stas Karen Christine Rec hia Leonete Luzia Sc hmidt Rosmeri Sc hardong Desi gn I nstr uci onal Viviani Poyer Pr oj eto Gr áf i co e Capa Equipe Unisul Virtual Di agr am ação Vil son Martins Fil ho Revi são Or togr áf i ca B2B

. . . . . . . . . . . . 03 Palavras das professoras conteudistas . . . . . . . . . . . . 17 41 65 89 Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . 111 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 09 Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . – A infância e a pedagogia moderna . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Sumário Apresentação . . . . . . 11 UNIDADE UNIDADE UNIDADE UNIDADE 1 2 3 4 – História da Educação: objetos. . . . . . . . . . . . . . . . . 113 Sobre as professoras conteudistas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . – As práticas educativas medievais . . . . – Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica . . . . 117 Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . abordagens e fontes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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começando pela Antiguidade. Os livros de História da Educação estão organizados de modo a abarcar o estudo dos tradicionais períodos históricos. apresentando alguns aspectos da trajetória histórica da infância. Iniciamos o presente livro apresentando um pouco das atuais discussões que permeiam o campo de estudos e pesquisas em História da Educação. Mesmo seguindo alguns desses períodos. os quais ajudarão a compreender muitas das atuais características de nossas instituições de ensino. Também enfatizamos a constituição de uma nova concepção de infância na modernidade e como esta derivou na pedagogização dos conhecimentos e no disciplinamento dos sujeitos. você irá conhecer o contexto histórico da chamada Idade Média Ocidental. como a educação feminina. Em seguida. acaba-se por fazer um estudo panorâmico. para situar e compreender algumas práticas educativas relacionadas a este período. Por tratar-se de um período extensivamente longo. optamos em fazer algumas escolhas. optamos por enfocar aspectos da cultura escolar presentes nos colégios modernos e na pedagogia jesuítica. Para finalizar. . discutiremos a infância e a pedagogia moderna. Quanto à época moderna. Veremos aí que é possível estudar a História da Educação sob diferentes abordagens e temas e a partir de diferentes fontes. a formação dos cavaleiros e a constituição das universidades.Palavras das professoras Caro estudante. passando pela Idade Média e Moderna e chegando à Idade Contemporânea. a educação nas corporações de ofícios.

acreditamos que. Boa aprendizagem! Professoras Karen. em outras disciplinas. você terá a oportunidade de discuti-las com mais propriedade. no decorrer do livro. indicar fontes extras de pesquisa para que você possa.Quanto às questões educacionais do período contemporâneo. Procuramos. na medida do seu interesse e disponibilidade. aprofundar os temas apresentados. século XIX e XX. Leonete e Rosmeri .

Carga Horária 60 horas – 4 créditos. Educação e infância na modernidade. As práticas educativas medievais. você encontrará elementos que esclarecerão o contexto da Disciplina e sugerirão formas de organizar o seu tempo de estudos.Plano de estudo O plano de estudos visa orientá-lo/la no desenvolvimento da Disciplina. as atividades de avaliação (complementares. „ „ Ementa História da educação: objetos.EVA. abordagens e fontes. o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem . São elementos desse processo: „ o livro didático. Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica. a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/ mediação. Nele. Assim. a distância e presenciais). O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam. .

Estes se referem aos resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de estudo. Identificar os sujeitos/grupos sociais que foram atingidos ou excluídos pelas instituições educacionais ao longo do tempo. assim como a ampliação e multiplicidade de temas ou objetos de pesquisa nas últimas décadas. „ „ „ „ „ „ Conteúdo programático/objetivos Veja. as unidades que compõem o Livro Didático desta Disciplina e os seus respectivos objetivos. Identificar as principais características da pedagogia jesuítica. Relacionar o panorama histórico com as idéias pedagógicas e suas aplicações educacionais. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua formação. „ Conhecer as práticas educativas medievais e modernas. Unidades de estudo: 4 12 .Objetivos Identificar as concepções de História que implicam em diferentes abordagens acerca da História da Educação. Analisar alguns modos de tratamento dispensados à infância em diferentes períodos históricos. Compreender o processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos na modernidade. a seguir. Reconhecer as diferenças entre as formas educacionais no tempo e em sociedades distintas. bem como analisar o uso de diferentes fontes de pesquisa nesta área.

bem como algumas práticas educativas desenvolvidas nesse período. você iniciará o estudo desta unidade vendo como a infância foi tratada em diferentes momentos históricos. Unidade 4 – A infância e a pedagogia moderna Nesta unidade. a educação dos cavaleiros e a educação nas corporações de ofícios. abordagens e fontes Nesta unidade. Verá que a partir do Renascimento institui-se uma nova concepção de infância que resultará num processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos. você verá as principais características que a pedagogia e a escola moderna adquiriram em função das novas concepções sobre a criança desenvolvidas no período. sistematizada a partir da Ratio Studiorum (1599). a formação das universidades medievais. idéias.IHistória da Educação: objetos. bem como a pedagogia jesuítica. Para entender a concepção de infância do período moderno. pretende-se discutir concepções de História que implicam em diferentes abordagens acerca da História da Educação.Nome da disciplina Unidade 1 . e sua influência na constituição de um determinado modelo de escola e sujeito. ainda. Também abordar-se-á o uso de diferentes fontes de pesquisa nesta área. como a educação das mulheres. 13 . Unidade 2 – As práticas educativas medievais O estudo desta unidade lhe proporcionará conhecer o contexto histórico da Idade Média. assim como a ampliação e multiplicidade de temas ou objetos de pesquisa nas últimas décadas. Unidade 3 – Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica Esta unidade iniciará discutindo a constituição e as características dos colégios modernos no século XVI. Você estudará.

Não perca os prazos das atividades. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura. da realização de análises e sínteses do conteúdo.Universidade do Sul de Santa Catarina Agenda de atividades/ Cronograma „ Verifique com atenção o EVA. „ „ 14 . com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA. organize-se para acessar periodicamente o espaço da Disciplina. Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da Disciplina. Registre no espaço a seguir as datas. e da interação com os seus colegas e tutor.

Nome da disciplina Atividades Avaliação a Distância 1 Avaliação a Distância 2 Avaliação Presencial 1 Avaliação Presencial 2 (2ª. chamada) Avaliação Final (caso necessário) Demais atividades (registro pessoal) 15 .

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UNIDADE 1 História da educação: objetos. Analisar o uso de diferentes fontes de pesquisa nesta área. „ Seções de estudo Seção 1 Concepções de História e de História da Educação. assim como a ampliação e multiplicidade de temas ou objetos de pesquisa nas últimas décadas. abordagens e fontes Objetivos de aprendizagem „ 1 Identificar as concepções de História que implicam em diferentes abordagens acerca da História da Educação. . Seção 2 Abordagens teórico-metodológicas para a escrita da História. Seção 3 Fontes e objetos para a História da Educação.

de algumas questões atuais que têm norteado sua discussão.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade introdutória.Concepções de História e de História da Educação Acreditamos que. contribuem para o avanço teórico-metodológico e para as novas possibilidades de investigação. nos últimos tempos. por outro. traçaremos um rápido perfil das principais tendências historiográficas que marcaram e têm marcado o campo da História da Educação. mas. SEÇÃO 1 . abordarmos a questão dos possíveis objetos e fontes a serem explorados pela área. Destacamos que a área da História da Educação ou o campo da História da Educação tem passado. Assim. a seguir. história e história da educação. seja interessante você refletir um pouco sobre os termos educação. mesmo que de forma aproximativa. dificultam. para iniciarmos nossas discussões. gostaríamos que nos espaços. pretende-se discutir com você algumas questões relacionadas ao debate contemporâneo em torno da História da Educação. em função das inúmeras questões que ficam em aberto. por um lado. por profundas discussões que. Em seguida. história e história da educação. na seqüência. para. Para isso iniciaremos analisando os “termos” educação. você registrasse seu conhecimento sobre: 18 . Acreditamos que é importante para o estudo da História da Educação situar-se.

portanto. Como diria Carlos Rodrigues Brandão. podemos dizer. ligados à prática social e. um processo que ocorre no decorrer da sua existência e em diferentes espaços formais e não formais. Quando realizamos essa atividade de sondagem com nossas turmas presenciais. é bastante comum relacionar-se o termo educação com escola e ensino e história com o estudo do passado. ou seja. Embora isso não seja incorreto. quanto à educação. Assim.História da Educação I O que é educação? O que é história? O que é história da educação? Não temos aqui a pretensão de esgotar a discussão sobre tais termos. já que esses termos/conceitos são historicamente construídos. Unidade 1 19 . “ninguém escapa da educação”. dentre inúmeras outras formas. Não pretendemos oferecer respostas prontas e acabadas. principalmente devido a seus múltiplos sentidos. é preciso ampliar essa compreensão. variáveis no tempo e no espaço histórico-social. que é o processo de formação do ser humano. mas apenas problematizá-los.

em nosso entender ela é construída cotidianamente pelos grupos humanos. Nesse sentido. Ghiraldelli Jr. ainda.Universidade do Sul de Santa Catarina Quanto à História. à pesquisa e ao relato estruturado desses processos humanos. “entre outros.” (1994. Ele se refere tanto aos processos de existência e vida real dos homens no tempo como ao estudo científico. o poema. do escritor alemão Bertold Brecht (1898-1956) nos dá um pouco essa dimensão e nos alerta para estarmos atentos a outras histórias e a outros sujeitos históricos. 11). p. na noite em que a Muralha da China ficou pronta? A grande Roma está cheia de arcos do triunfo Quem os ergueu? Sobre quem Triunfaram os Césares? A decantada Bizâncio Tinha somente palácios para os seus habitantes? Mesmo na lendária Atlântida Os que se afogavam gritaram por seus escravos Na noite em que o mar a tragou. PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ Quem construiu a Tebas de sete portas? Nos livros estão nomes de reis. Não levava sequer um cozinheiro? 20 . embora o ensino tradicional de história enfatize fatos isolados e apenas alguns indivíduos como promotores da história. de destacar que. O jovem Alexandre conquistou a Índia. Arrastaram eles os blocos de pedra? E a Babilônia várias vezes destruída Quem a reconstruiu tanta vezes? Em que casas Da Lima dourada moravam os construtores? Para onde foram os pedreiros. Gostaríamos. a seguir. dois significados básicos. Sozinho? César bateu os gauleses. num tempo e espaço determinados. componentes do que se chama o processo histórico. diz que há.

(disponível em <http://portal. Quem cozinhava o banquete? A cada dez anos um grande Homem. Para compreender melhor a trajetória deste conceito. observam que a historiografia que se consolidou no século XIX foi aquela caracterizada pela narrativa dos eventos políticos. 2003. Peter Burke diz que. (apud Veiga. acessar <http://eaprender. In: Dicionário de Conceitos Históricos. A idéia predominante na época era de que o conhecimento produzido a partir de fontes oficiais. ainda conforme Veiga. como verdade absoluta. naquele momento. entre outros. 20). pp. criados. 189193).mec. (verbete Historiografia. br/ensinar. Tantas questões. Anterior a esta data. há outra(s) forma (s) de escrevê-la? Segundo Veiga. Quem venceu além dele? Cada página uma vitória. a História como disciplina escolar foi organizada na perspectiva pragmática da formação do cidadão. Ninguém mais chorou? Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.br/seb/arquivos/pdf/bronze.ig. A Historiografia constituise num campo de estudo sobre a própria forma de se produzir e escrever a História. p. com base somente no conteúdo de documentos escritos. Isto porque. apesar de existirem outros estudos históricos que contemplassem outros objetos “a história política era considerada (ao menos no âmbito da profissão) mais real ou mais séria que o estudo da sociedade ou da cultura”. Esta forma está associada a quem escreve e. portanto. Neste contexto. muitos Estados/Nação estavam sendo constituídos. 2005. leva em conta a sociedade e época na qual o indivíduo está inserido. bem como na utilização dos registros oficiais para a escrita da História.asp?RegSel=15 0&Pagina=6#materia> O Brasil passa a ser constituído enquanto Estado/Nação a partir de 1822. Quem pagava a conta? Tantas histórias.pdf>) Mas se a História não é um conjunto de explicações e de certezas sobre fatos e acontecimentos do passado. assegurava a História. como critério de cientificidade.com. com a proclamação da independência.gov. quando sua Armada Naufragou. baseada na escrita dos historiadores. Unidade 1 21 .História da Educação I Filipe da Espanha chorou. ele era uma colônia pertencente e administrada por Portugal. historiadores como Jacques Le Goff e Peter Burke.

. 28) Reforça. antes de dar continuidade à leitura. ou seja. Lopes (2005. Isso não significa que a História factual e política tenham deixado de existir e nem mesmo que não tenham sua importância. O problema.Universidade do Sul de Santa Catarina Este tipo de História.Agora. No Brasil. p. voltada predominantemente para os fatos políticos e organizada de maneira cronológica.)essa associação com a Filosofia da Educação contribuiu para que uma das vertentes mais pesquisadas na História da Educação fosse exatamente a história das idéias pedagógicas e a fonte privilegiada para esse tipo de investigação fosse a obra dos grandes pensadores. (. ainda. diz respeito ao método ou a abordagem utilizada para escrever a História. reflita um pouco sobre a seguinte questão: História da educação é um campo que pertence à História ou à Educação? 22 . (2005. vai sendo questionada e dando lugar a outras concepções. p.. questão que você verá na seção 2. Segundo Lopes. Quanto à História da Educação. estando sempre acompanhada de perto pela Filosofia da Educação. na Europa. como uma disciplina dos Cursos Normais. tendo como sujeitos os “personagens ilustres” e os “heróis” eleitos de cada época (possivelmente aquela História que muitos de nós aprendemos na escola). dos cursos que formavam professores. desta unidade. também a disciplina História da Educação foi gerada no interior das escolas normais. 29) que “o fato de a trajetória da História da Educação estar relacionada à Pedagogia e ao ensino dificultou sua constituição como uma área de pesquisa propriamente dita. sugerimos que você. uma primeira questão a destacar é que ela surgiu no final do século XIX. conforme os historiadores.” .

essa ausência de diálogo dificulta o entendimento da educação como objeto de investigação da História e permite que ela continue a ser vista como sub-campo ou especialização da História. esse processo que retira a História da Educação do campo da História e que a inseriu entre as ciências da educação está associado ao processo que a transformou em disciplina escolar. colocada em segundo plano no campo da educação. De acordo com Veiga (2003. exista ainda pouco diálogo entre historiadores e historiadores da educação. para outros.6). “O que significou não ter sido instituída como especialização temática da História. a História da Educação tem-se consolidado. p. Unidade 1 23 . cada vez mais como um campo de estudos e pesquisas. talvez até em função disso. 19). O fato de ser transformada em disciplina escolar com objetivos institucionais e de formação de professores e pedagogos foi o que impediu. Nesse processo. a História da Educação foi retirada do campo da História e convertida em abordagem ou em enfoque.” (CARVALHO. como um sub-campo. até muito recentemente. temas e objetos. ao mesmo tempo. 1990. p. mas como ciência da educação ou como ciência auxiliar da educação” (WARDE. Para uns. para outros como um objeto.História da Educação I Existem diversos entendimentos entre os historiadores da educação sobre o lugar da História da Educação em relação à História. a constituição da História da Educação “como campo de investigação historiográfica capaz de se auto delimitar e de definir. É importante ressaltar que é muito recente a consolidação da História da Educação como campo de investigação científica no Brasil. e que. Segundo ela. dinâmicas de constituições de questões. ela é definida como uma especialização da História.3-11). nos cursos de formação de professores. ainda. apesar de se constituir historicamente e inicialmente como uma disciplina escolar. Para melhor compreender. 1997. a partir de sua própria prática disciplinar. nas duas últimas décadas. p. a partir dos anos 30. ela foi separada do campo da História e. Contudo.

Neste sentido. Portanto. na próxima seção. br/arte/mundoantigo/grecia Auguste Comte (1798-1857) nasceu em Montpellier. de família modesta ‘eminentemente católica e monárquica’. A primeira influência que destacamos é o Positivismo.litica. a explicação dos 24 . materiais escolares. processos e formas de aprendizagem. para a elaboração de leis gerais. nos últimos anos. devido à influência da Nova História.vilabol. julgamos importante discutir. de Diderot. o metafísico e o positivo. Figura: Pintura Grega Fonte: http://paginas. Assim. Doutrina surgida no século XIX e associada a Augusto Comte compreendia a ciência como domínio da natureza e sinônimo de progresso.Universidade do Sul de Santa Catarina Se durante muitos anos essas pesquisas restringiram-se à análise do pensamento pedagógico e das políticas educacionais. na forma de “contar” a História.com. ou seja. para demonstrar a evolução do homem na história da humanidade. entre tanto outros. discípulo e secretário (e depois decidido antagonista) de Saint-Simon. como a Antropologia e a Lingüística.terra. Veiga observa que a educação tem apresentado um campo muito vasto de temáticas e o papel da História da Educação deve ser o de investigar e tornar visível diferentes objetos: a escola.Abordagens teórico-metodológicas para a escrita da História Para você compreender melhor o que foi falado até agora. Ver mais sobre Comte e a lei dos três estágios em <http://socio.br/personalidades/ augustecomte. o professor. Os temas de pesquisa no âmbito da História da Educação acompanharam e acompanham diferentes correntes teóricometodológicas. d’Alambert. é necessário um breve panorama sobre principais influências na historiografia. devido também a grande influência da Filosofia. e à aproximação com outras áreas de conhecimento. uol. elabora a lei dos três estágios: o teológico. É o iniciador do positivismo francês e o pai oficial da sociologia. No primeiro estágio. os alunos.htm> Seção 2 . como veremos na próxima seção. o conhecimento científico deveria basear-se na observação dos fatos e na experimentação. outras temas de pesquisa têm sido investigados e ampliaram nosso conhecimento sobre a História da Educação. Turgot e Condorcet. Leitor dos empiristas ingleses.com. algumas das perspectivas que orientaram e têm orientado as pesquisas nesse campo.tropo.

Como Comte acreditava ser possível compreender a sociedade e os indivíduos que a compõem através da razão. atribuindo ao historiador os critérios de objetividade e neutralidade. realça sujeitos históricos como governantes.) tradicional é a característica de uma história de classe dominante (ou que em algum momento esteve no poder do Estado).. utilizados nas ciências físicas e naturais. p. para a projeção do futuro: “Assim. disponível em <http://www. a fim de concluir disso o que será. São Paulo: Contexto. Figura: Augusto Comte Fonte: www. acabou projetando lógica semelhante à da elaboração das leis naturais para a História. segundo o dogma geral da invariabilidade das leis naturais..rhr. seria possível compreender os fatos “como eles realmente aconteceram”.htm>). nesta perspectiva. a noção de História preconizada por esta doutrina enfatizava as fontes/documentos escritos. (BURKE). pois só eles portariam a verdade histórica. excluindo-se uma série de sujeitos. br/v2n2/cerri. Por História tradicional entende-se que “(. (org. 1983.” (CERRI.” (COMTE. Uma das características desta concepção de História é que muitas vezes possibilita um olhar de cima. 25 .net Assim.uepg. temas e grupos sociais que escapam a esta abordagem. Mas o que nos interessa aqui são algumas características do Positivismo que vão repercutir na forma de escrever a História. o verdadeiro espírito positivo consiste. Ou seja. conseqüentemente. a explicação foi legada a entidades abstratas e no terceiro e último – o positivo – a fonte para elucidar estes mesmos fenômenos passaria a ser a razão. devido ao tipo e à forma de trabalho. sobretudo. o conhecimento do passado torna-se fundamental para o entendimento do presente e. A História numa abordagem positivista ou tradicional. que por sua vez deveriam ser descritos com base numa leitura supostamente objetiva do documento. em ver para prever. Seguindo essa concepção.História da Educação I fenômenos era atribuída a elementos sobrenaturais. em estudar o que é. Os fatos históricos são colocados numa linha de tempo linear. 50). no segundo.si-educa. Grande parte desta documentação remete a fatos políticos. Então. Carla B. consultar PINSKY. a História da Educação estaria associada. grandes homens e “heróis” selecionados por uma elite política e econômica de cada época. 2005. bem como suas formas de abordagens ao longo do tempo. dividida por períodos políticos.) Fontes históricas. Unidade 1 Para conhecer os diferentes tipos de fontes/documentos e suas definições.

linearizada.. dinamizaram a produção industrial. 1998. a um panorama políticoinstitucional no tocante à legislação da política educacional. a divisão de duas classes sociais: os capitalistas e os proletários. que já havia consolidado seu poder econômico. no curso da Revolução Industrial.Universidade do Sul de Santa Catarina com as fontes/documentos. o século XIX. p. percebe-se que essa massa trabalhadora vivia em condições subumanas. almejava conquistar ou garantir também o poder político. foi perpassado por discussões acerca dos pressupostos da razão e do conhecimento científico. (VEIGA apud FARIA FILHO. ao pensamento pedagógico. etc: A maneira como a história se organizou enquanto ciência e disciplina escolar se confunde com a própria história da educação. a mecanização..br>. O estabelecimento das fábricas nas cidades. Por ser uma classe que se opunha à velha ordem ou ao Antigo Regime. XIX. ao menos no Ocidente. legitimava/legitima a ordem vigente. com jornadas de Para compreender melhor as definições sobre Antigo Regime. portanto. configurando o que se denomina como Imperialismo ou Neocolonialismo do séc. que durante muito tempo vinculou-se a uma interpretação essencialmente política.com. Na busca de matérias-primas e de mercado consumidor para tal produção. apresentava uma dicotomia básica. Mas qual é o seu contexto de surgimento? É importante conhecermos o contexto histórico para que compreendamos o significado e o crescimento de tais teorias. ou seja. Revolução Industrial e Imperialismo ou Neocolonialismo do séc. historianet. Voltando à sociedade européia. confundida com a história das idéias pedagógicas. A sociedade européia. 26 . acesse o site: <http://www. (. bem como a descoberta de novas fontes de energia. Conforme já falamos no início da seção. 7) Essa visão de História. promovendo uma concentração de mãode-obra nas cidades.). os países europeus expandem-se para a Ásia e África. A classe burguesa. XIX. possuía a simpatia de alguns pensadores e grupos.

Sua existência foi dedicada à luta da classe trabalhadora. porém do ponto de vista do trabalho e dos trabalhadores. É neste panorama que surge o Positivismo. assim como outra corrente teórica. antagônica na maior parte dos aspectos.) no lugar das idéias estão os fatos materiais: no lugar dos heróis. podemos compreender que a História é movimento. como dizia o Positivismo. p. a partir de certas condições materiais de vida. nem objetiva.htm>. Como explica Aranha (1996. 141): (. A teoria marxista é chamada de Materialismo histórico e dialético. Marx vai estudar profundamente a oposição das classes ao longo da História – que chamará de luta de classes – e a constituição do capitalismo. econômicos e técnicos que correspondem às condições em que os homens se reúnem para produzir sua existência no trabalho. br/personalidades/ karlmarx. que se percebe a superação de uma classe sobre a outra. que criaria a União Soviética (URSS). a revolução cubana de 1919 são alguns exemplos de revoluções que se diziam inspiradas em suas idéias. dessa forma. ou modo de produção sobre o outro.uol. a revolução chinesa de 1949. sem direitos trabalhistas. toma como objeto de estudo a sociedade burguesa. portanto. também é construída a partir dos interesses de uma classe. litica. o que nos interessa aqui. A imagem do passado. pois pressupõe a ação de indivíduos reais. É claro que estamos simplificando as idéias de tal teoria. é nas contradições entre as classes antagônicas e do desenvolvimento das próprias forças produtivas de cada época. A história se faz com os fatores materiais. é compreender a visão de História advinda de tal teoria.História da Educação I trabalho que poderiam chegar a 18 horas diárias. Figura: Karl Marx Fonte: www. no sentido de superá-las.tropo. a luta de classes. saúde e alimentação.com.com. A revolução russa de 1917. com a presença do trabalho infantil e feminino e precárias condições de moradia.. Disponível em <http://socio. no entanto. Portanto.vilabol.unificado. Por isso. a História não é neutra. Karl Marx (1818-1883) nasceu na Alemanha.br Unidade 1 27 .. de um modelo. com base nos estudos de Karl Marx. legitimando a ordem vigente.

levaria ao Comunismo (esta linearidade também está presente na lei dos três estágios de Comte). a partir desta teoria. portanto. a história de todas as atividades humanas e não apenas da história política. é a Nova História. Em terceiro 28 . No entanto. do historiador francês Jacques Le Goff (1978). Na década de 20. Assim. ou de modos de produção. A última corrente que abordaremos aqui. a História da Educação.Universidade do Sul de Santa Catarina Tal noção de História. A Nova História e suas derivações. desloca-se o foco do político para o econômico e ao mesmo tempo. a educação pode ser vista como a reprodução da sociedade ou a sua superação. por ser calcada no desenvolvimento de processos materiais. no sentido de compreender as formas de escrever a História e. do século XX. uma “história vista de baixo”. a substituição da tradicional narrativa de acontecimentos por uma história-problema. ao considerar a classe trabalhadora como fundamental. como a História da Educação. permite-se. um grupo de historiadores franceses promove uma espécie de reação à História excessivamente política e as suas principais propostas podem ser assim resumidas: Em primeiro lugar. a História Cultural – é uma corrente dentro da própria História. como falamos no início da seção. pois ela é fruto de todo um movimento anterior. Em segundo lugar. é necessário que voltemos no tempo. a História. também constituiu outros campos de estudo e conhecimento da realidade. diferente das duas anteriores. através da conscientização de uma classe oprimida. De qualquer forma. Nessa linha. traduz-se numa visão economicista e linear. que são muitas e trataremos apenas de uma delas. pois a “linha da História”. numa sucessão de superação dos modos de produção. A expressão Nova História passou a ser amplamente conhecida através da obra “La nouvelle historie”.

„ „ „ Unidade 1 29 . (BURKE. a colaboração com outras disciplinas.com. Essa geração pode ser vista como uma continuidade. desconhecidas. o corpo. objetos.br/conteudo/default. a lingüística. tais como a geografia.htm> e também <http://www. aspx?codigo=607> Veja a seguir: „ Se a História deve considerar todas as atividades humanas. novos temas foram incorporados à historiografia. pp. a família etc. portanto. Muitos são os registros necessários se pensarmos nas atividades e experiências humanas. Uma “história vista de baixo”.ig. pode ser percebido em três gerações e a última seria a dos anos 70. tendo a frente Marc Bloch e Lucien Febvre. este movimento. a antropologia social e tantas outras. tudo tem história. mas também como ruptura com as anteriores. 11-12). a economia. a psicologia. com. visando completar os dois primeiros objetivos.não só os escritos – como fotografias. Portanto. as festas. a infância. segundo o historiador Peter Burke. ohistoriador. 1992. etc.hpg. os odores. pinturas.historianet.História da Educação I lugar. A História é construída a partir do ponto de vista de quem a escreve e das fontes selecionadas ou disponíveis no momento. a alimentação. histórias orais. acesse: <http://www. a sociologia.br/ annales. em seu contexto de tempo e espaço. que leve em conta as pessoas comuns. como: a morte. Ao privilegiar a História econômica e social. Muitas destas propostas foram apresentadas numa publicação criada em 1929. não é possível contar a História como ela realmente aconteceu. chamada Revista dos Annales. Quais características são fundamentais nesta nova forma de ver e escrever a História? Para saber mais sobre o movimento dos Annales e seus desdobramentos. A abertura para outros documentos e fontes . em certos aspectos.

multirio. Nesta concepção. da literatura. esta tendência da História está expressa em recentes pesquisas na área. Dentre estes campos de investigação. até mesmo. p. as mentalidades. Para saber mais acerca das idéias e pesquisas deste historiador que tem influenciado muitos trabalhos em História da Educação no Brasil. como o cotidiano.br/tropico/html/ textos/2479. Seção 3 . a historia social e.Fontes e objetos para a História da Educação O que vem a sua mente quando aparece a palavra fonte? Registre a seguir: Se lhe veio à cabeça a palavra nascente ou. ou se você pensou em algo referente ao mencionado. No campo educacional.asp?idio ma=1&idMenu=4&label=Entrevist as&v_nome_area=Entrevistas&v_ id_conteudo=51218>. a partir das discussões acerca da cultura no campo historiográfico e principalmente metodológico. Um dos historiadores da História Cultural que tem sido muito utilizada na História da Educação é Roger Chartier devido as suas pesquisas sobre a História da leitura e dos impressos. 2003.rj.Universidade do Sul de Santa Catarina Não há uma única verdade em um contexto histórico. da memória e da historiografia.com. Pesavento aponta a História das cidades. brota ou emerge a água. leia estas duas entrevistas: http:// pphp.br/portal/riomidia/ rm_entrevista_conteudo. 53). como veremos na seção a seguir. o lugar onde nasce. como a História Cultural. Fonte é o lugar de onde sai algo.shl e <http://www. não está errado(a). renovar os objetos e abordagens nesta área. você já percebeu que a História Cultural vai influenciar e.uol. da imagem das identidades. vários objetos e abordagens conquistam espaço. assim como também o historiador não é neutro e detém um ponto de vista (relacionado às idéias de sua época e ao lugar que ocupa). fonte é a origem 30 . do tempo presente.gov.1. (apud FONSECA. ou melhor dizendo. Neste sentido. até mesmo. atualmente.

já se liga a um repositório abundante de elementos que atendem à determinada necessidade. (SAVIANI. o ponto de apoio da construção historiográfica que é a reconstrução. não é delas que brota e flui a história. no caso da História. a rigor. a palavra nascente. a base. E é por isso que o conhecimento produzido sobre a História da Educação também sai de alguma fonte. buscamos junto a alguns autores que vêm estudando a História da Educação nas últimas décadas. o lugar onde brota algo que se projeta e se desenvolve indefinidamente e inesgotavelmente. Outra indica a base. 2004. entretanto.História da Educação I de alguma coisa. isto é. por definição. é usada apenas para se referir ao ponto de origem de um curso ou corrente de água. a palavra fonte é usada em História com sentido analógico. também tem origem. o qual. Para deixar mais clara esta questão. Ou seja. o repositório dos elementos que definem os fenômenos cujas características busca-se compreender. Elas enquanto registros. no plural. constituem o ponto de partida. algumas contribuições sobre seu entendimento sobre fontes. é preciso considerar que. Ele observa que. bem como exemplos de fontes por eles utilizados para produção da historiografia educacional. ou seja. Saviani (2004. não se trata de considerar as fontes como origem do fenômeno histórico considerado. não se pode falar em fontes naturais já que todas as fontes históricas.5) Unidade 1 31 . duas conotações. são a fonte do nosso conhecimento histórico. O mesmo autor observa que. o ponto de apoio. pp. p. como ponto de origem. assim como manancial. enquanto testemunhos dos atos históricos. são produções humanas (salvo quando a questão for relativa a uma possível História natural. Com relação à palavra ‘fonte’. 5-7) diz que ela apresenta. são construídas. Uma significa ponto de origem. via de regra. no plano do conhecimento. Além disso. No entanto. do objeto histórico estudado. Assim as fontes históricas não são a fonte da história. que não é o caso aqui – observação do autor). fonte é sinônimo de nascente que corresponde também à manancial. As fontes estão na origem.

As primeiras são aquelas que encontramos nos vários tipos de acervos com as mais diferentes formas. É importante relembrar.. sempre que a elas retornamos. p. também o caráter de inesgotabilidade transpõe-se analogicamente para a historiografia. Ou seja. novas informações que nos tinham escapado nas vezes anteriores. nos quais nos apoiamos em nossa investigação.Universidade do Sul de Santa Catarina Ainda segundo Saviani. por exemplo. indícios que foram acumulando ou que foram guardados. no futuro. dentre muitos outros objetos que adquirem o estatuto de fonte diante do historiador. podemos distinguir as fontes entre aquelas que se constituem de modo espontâneo e aquelas que produzimos intencionalmente. De acordo com ele. Falando de História de instituições escolares. a analogia não se limita apenas ao caráter de origem. novos significados. Mas nem sempre foi assim. há ainda as fontes produzidas a partir de registros de testemunhos orais. que a História da Educação configurouse primeiramente como disciplina escolar e. Além disso.14) diz que seus conteúdos resultam. vestígios.. As segundas são aquelas que os educadores ou historiadores preservam para que. novos pesquisadores possam compreender seu passado que é o nosso presente. na medida em que estes buscam neles respostas às questões levantadas. tendemos a encontrar novos elementos.) teve sua trajetória marcada pelas relações estabelecidas com o conhecimento produzido em outros 32 . da descoberta do pesquisador junto aos arquivos e outras formas de apropriação obtidas através de depoimentos orais ou escritos e de outros meios de expressão. Entre eles estão a multidão de papéis existentes nas bibliotecas e nos arquivos públicos ou privados. Entre estas fontes encontram-se tanto materiais de trabalho como de pesquisa. como já vimos na primeira seção. São documentos. como nos coloca Fonseca: (. as inúmeras peças guardadas nos museus. em parte. Werle (2004.

(In: VEIGA.História da Educação I campos. como a fi losofia e a Psicologia. quanto da marxista. aponta que nos anos 80. Alguns historiadores. que é a organização dos sistemas de ensino associada às políticas educacionais do Estado.) ora eram construídos a partir de uma visão determinada. notadamente a evolução da legislação educacional. 2003. mas na mesma concepção. Ghiraldelli jr. fazem questionamentos à condução dos planos e do campo de pesquisa da História da Educação: (. ora seguiam um ecletismo em que passava-se em revista as instituições educacionais e/ou doutrinas pedagógicas da Grécia Antiga até a época contemporânea.. a escolarização.) A trajetória da História da Educação é marcada pelas concepções que esboçamos na seção anterior. Tratava-se de elaborar um conjunto de saberes sobre a história das idéias pedagógicas que tivesse função prática na formação dos professores e pedagogos. p. tanto da tradição positivista. ocupa lugar de destaque em obras de História da Educação no Brasil. A fonte ou documento utilizado por esta abordagem era unicamente o registro escrito. dentre eles Pierre Nora e Roger Chartier (que já citamos anteriormente). Unidade 1 33 . por exemplo. entre outros. 242. 56) O estudo das idéias pedagógicas acabou caracterizando as pesquisas nesta área. p. numa perspectiva marxista. como campo de investigação e muitas vezes é vista como uma dimensão do universo cultural em estudo. Lembre-se do que já vimos sobre a concepção positivista e perceba as semelhanças! Ainda no Brasil. numa abordagem diferente.. Um outro tipo de análise. pesquisaram temas relacionados a este campo como os livros e a leitura. (GHIRALDELLI Jr. Dermeval Saviani e seu grupo na Unicamp. Aproxima-se atualmente da História Cultural. 2003.

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Como exemplos de fontes que os historiadores da educação vêm se apoiando nos últimos tempos para produzir o conhecimento sobre a área podem ser citados:
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documentos (oficiais ou não); legislação; arquivos institucionais públicos e privados dentre eles os escolares; arquivos pessoais (como baú de memórias, ou seja, informações que uma pessoa guarda como fotos, diários, correspondências, dentre outros); dados estatísticos; literatura; produção bibliográfica; livros didáticos; pinturas e outras obras de arte; fotografia; memórias (entrevistas e histórias de vida); arquitetura de prédios escolares; objetos escolares (desde tinteiros até cadernos e mobílias existentes no interior de uma escola).

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Para saber mais sobre os jesuítas e sua atuação no Brasil, acesse: <http://www.pedagogiaemfoco. pro.br/heb02.htm> e <http:// www.cimi.org.br/?system=news&a ction=read&id=1643&eid=259>.

„ „ „ „ „

Marquês de Pombal é o nome com que ficou conhecido Sebastião José de Carvalho e Melo, político e verdadeiro dirigente de Portugal durante o reinado de José I, como 1º. Ministro. A partir de 1756, realizou um programa político de acordo com os princípios do Iluminismo, porém às suas reformas opuseram-se os jesuítas e a aristocracia. Num atentado contra a vida do rei em 1758, conseguiu implicar os jesuítas, expulsos em 1759. Disponível em <http://www.netsaber.com. br/biografias/ver_biografia. php?c=891>.

Conforme Fonseca, na História da Educação no Brasil, por exemplo, novos temas têm sido considerados, como a História da leitura e dos impressos escolares, “a história da profissão docente, os processos de escolarização, a cultura escolar e as práticas educativas e pedagógicas.” (FONSECA, 2003, p.61) Em alguns casos, antigos temas ou pesquisas, como as idéias pedagógicas e o sistema escolar têm sido revistos. Um exemplo disto são alguns estudos atuais sobre o período colonial que, ao invés de focarem apenas na escolarização formal relacionada à presença dos jesuítas e depois à administração pombalina, levam em conta outros processos educativos. Estes processos educativos, que podemos chamar de não formais, geralmente abarcavam uma população que estava à margem da escola, por condições financeiras ou preconceito.

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História da Educação I

Este tipo de estudo, ao invés de considerar apenas os escolarizados formalmente, permite-nos vislumbrar outras formas educativas relacionadas aos indígenas, mestiços, brancos pobres e aos negros escravos ou livres. Neste caminho, são trazidas à tona informações sobre o aprendizado profissional, a circulação de artistas e artesãos que traziam consigo saberes e técnicas. A pesquisa sobre este período amplia-se, levando em conta as especificidades e as culturas que circulavam naquele momento histórico. Um outro objeto de investigação tem sido ressaltado, referese à própria História da infância. Um dos trabalhos pioneiros e marcantes neste sentido é o do historiador francês Philippe Ariès, “História Social da Criança e da Família”. (1981). Neste trabalho, ele analisa a trajetória da construção da noção moderna de infância. Mostra a criação de um “sentimento de infância”, voltado à proteção e diferenciação em relação ao adulto, o que antes não ocorria. Ele inova não só na temática, como também na escolha das fontes. Ao contrário de outras tendências, utiliza a iconografia (imagens), diários, inscrições de túmulos, etc.

Figura: Livro de Philippe Áries – História Social da Criança e da Família Fonte: www. livrariacultura.com.br

Apesar de algumas críticas, pois o trabalho centrou-se nesta construção a partir das elites, contribuiu para chamar a atenção para o conceito de infância e para a ampliação das fontes e da análise.

Outros livros organizados nesta temática como “História das crianças no Brasil (PRIORE, 1991), “História social da infância no Brasil” (FREITAS, 1997) e “Infância e educação infantil” (Kuhlmann, 1998), nos mostram os mais diferentes objetos e fontes para a História da Educação. Em todos estão presentes diversas visões sobre a infância e os lugares atribuídos às crianças em cada contexto histórico. Como exemplo de trabalho com fontes orais, mais especificamente com histórias de vida de professoras aposentadas, temos o trabalho organizado por Maria Teresa de Assunção Freitas, “Memórias de professoras: história e histórias” (2000). Neste projeto, as histórias de vida foram cruzadas com uma

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história maior, trazendo elementos para a compreensão da História da Educação local (Juiz de Fora) e nacional. Assim, os objetos de análise relacionam-se à formação de professores, à prática pedagógica, à leitura e à escrita, às bibliotecas e às políticas públicas e à própria vida cultural da cidade. Os objetos foram definidos a partir de suas falas e recordações. Um outro componente que tem sido transformado em objeto de investigação são os manuais didáticos. Ao invés de serem utilizados só como fonte para a compreensão de outras questões, como os processos de escolarização, a construção de culturas escolares, a história de uma disciplina, têm sido analisado em seu processo de produção, sua circulação, seu uso e também nas apropriações que os diferentes grupos sociais faziam deles. Para estudar a escolarização no século XIX no Brasil, por exemplo, quando utilizávamos somente as fontes tradicionais, como a legislação da época, tudo nos levava a crer que havia uma ausência do Estado, através da falta de políticas públicas para a educação e infância. No entanto, quando levamos em conta outras fontes, como cadernos escolares, mapas de matrícula, relatórios de profissionais envolvidos nesta organização escolar, percebemos que havia uma tentativa de viabilizar um sistema público de ensino, ao menos para a população livre.
Você deve ter percebido, até agora, que estes novos olhares sobre a História da Educação, relacionados à renovação da historiografia, mas também à aproximação com outras áreas, como a Antropologia e a Sociologia (só para citar duas áreas) têm contribuído com novas fontes e objetos de estudo, até então desconsiderados. Por isso, podemos visualizar a educação num contexto mais amplo, também relacionada a temas que, anteriormente, não apareciam.

É nesta perspectiva que estaremos conduzindo as demais unidades deste livro. Agora, para praticar os conhecimentos conquistados nesta unidade, realize, a seguir, as atividades propostas.

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Para melhor aproveitamento do seu estudo. 1) Referente ao conhecimento de História da Educação é correto afirmar: a) ( ) O conhecimento produzido a partir de fontes oficiais era visto. acompanhe as respostas e comentários a respeito. até muito recentemente. a História da Educação foi transformada em disciplina nos cursos de formação de professores e de pedagogos a partir de 1930. 2) Construa um quadro síntese com as informações da Seção 2: TENDÊNCIAS PRINCIPAIS REPRESENTANTES IDÉIAS CENTRAIS Unidade 1 37 . b) ( ) No Brasil. a seguir. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas.História da Educação I Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e. como forma de garantir a cientificidade. c) ( ) A fotografia e as obras de arte nunca foram consideradas fontes historiográficas.

acerca da sua vida escolar.Você pode perceber que podemos conceituar a Educação. „ Localize fontes iconográficas como fotos. História e História da Educação. também. cartilhas. que a noção de História sofreu mudanças ao longo do tempo: desde uma concepção baseada 38 . livros didáticos. um processo que ocorre no decorrer da sua existência e em diferentes espaços formais e não formais. com mais idade. como o processo de formação do ser humano. dentre inúmeras outras formas. „ Anote suas impressões nas linhas a seguir: Síntese Na primeira seção desta unidade.Universidade do Sul de Santa Catarina 3) Realize a atividade sugerida a seguir na sua cidade e depois socialize com o grupo na ferramenta Exposição no EVA: Visite uma biblioteca ou arquivo público e identifique alguma fonte/documento referente à educação em outras épocas: notícia de jornal. „ Realize uma entrevista com alguém que você conheça. desenhos e outras imagens relacionadas à sua vida escolar ou à da sua família. Podemos dizer. leis. você teve contato com termos como educação.

O Positivismo ao lançar um olhar de “cima para baixo”. dispostos de maneira linear e cronológica e com apenas alguns indivíduos como promotores da História. tem-se consolidado. compondo o que se chama de processo histórico. Nesta perspectiva. na Europa. cuja disciplina foi gerada no interior das Escolas Normais. você pode notar as principais diferenças entre elas e as contribuições na forma de olhar e escrever a História e a História da Educação. a História da Educação estaria associada. nas duas últimas décadas. Assumida esta imparcialidade na escrita da História.História da Educação I na ênfase aos fatos isolados. Unidade 1 39 . leva-se em conta a História dos grupos humanos. Você também aprendeu que a História da Educação. apesar de ser um campo ainda muito recente de estudos. através da conscientização de uma classe oprimida. como uma disciplina dos Cursos Normais. até uma outra perspectiva. em tempos e espaços determinados. Já no Marxismo. a História da Educação influencia e até mesmo renova os objetos e abordagens nesta área. No campo educacional. temas e grupos sociais que escapam a esta abordagem. notadamente da História Cultural. a um panorama político-institucional no tocante à legislação da política educacional e ao pensamento pedagógico. cada vez mais como um campo de estudos e pesquisas. No viés da Nova História. Assim como no Brasil. na qual ela pode ser entendida como uma construção de acordo com o ponto de vista de quem a escreve (o historiador). Na seção 2. a educação pode ser vista como a reprodução da sociedade ou a sua superação. ao apontarmos as correntes que influenciaram/ influenciam a História da Educação. devido ao tipo e à forma de trabalho com as fontes/ documentos. esta tendência da História está expressa em recentes pesquisas na área. devido à aproximação com as novas tendências da História e de outras áreas do conhecimento. surgiu no final do século XIX. exclui uma série de sujeitos. No entanto. dos cursos que formavam professores. ou seja. estando sempre acompanhada de perto pela Filosofia da Educação.

Universidade do Sul de Santa Catarina Por fim. Ed. fotos. etc. 40 . incluindo processos educativos e grupos sociais que. pinturas. Cynthia G. Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade. 2ª. VEIGA. as práticas educativas e pedagógicas. não eram mencionados. FONSECA. In: LOMBARDI. a partir destas novas fontes. entre outros. como a História da profissão docente. os processos de escolarização. você poderá pesquisar os seguintes livros: ARIÉS. Dessa forma. BURKE. a cultura escolar. Breves considerações sobre Fontes para a História da Educação. Belo Horizonte: Autêntica. 2003. como as entrevistas orais. Dermeval. José Claudinei e NASCIMENTO. Fontes. Peter. Maria Isabel Moura (org). Philippe. Campinas-SP: Autores Associados. Rio de Janeiro: Guanabara. A História Social da Criança e da Família. História e historiografia da educação. o conceito de infância. é possível levantar outros objetos de pesquisa. História e Historiografia da Educação no Brasil. 1991. a arquitetura escolar. a História da Educação constitui-se como um campo vasto de pesquisas. Também descobriu que. na maior parte das vezes. SAVIANI. 1929-1989. Thais Nívia de L. 1981. A Revolução Francesa da historiografia: a Escola dos Annales. diários pessoais. 2004. além dos documentos oficiais e da legislação.. você descobriu que há muitas fontes possíveis de serem utilizadas nas novas pesquisas em História da Educação. São Paulo: UNESP.

Seção 4 A educação nas corporações de ofício. Seção 3 A educação dos cavaleiros medievais. que foram atingidos ou excluídos pelas instituições ou associações educativas.UNIDADE 2 As práticas educativas medievais Objetivos de aprendizagem „ 2 Compreender o contexto histórico das práticas educativas medievais. Seção 2 A educação das mulheres. . „ „ „ Seções de estudo Seção 1 Idade Média: um breve contexto histórico. Seção 5 A educação nas Universidades. Estabelecer critérios de comparação entre as formas educacionais do período medieval e as atuais. Compreender o significado e a importância de situações pedagógicas não formais. Identificar os sujeitos e grupos sociais.

Você conhecerá lugares e sujeitos das práticas educativas. entre diferentes sujeitos e grupos sociais. no entanto.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo O estudo desta unidade lhe proporcionará conhecer o contexto histórico da chamada Idade Média Ocidental. através de diferentes fontes e objetos como você já viu na primeira unidade . como é o caso da maioria das mulheres e dos aprendizes nas corporações de ofício. Muitas vezes. muitas vezes elas estavam juntas. nas corporações de ofícios. como no caso das escolas monásticas e das universidades. entre métodos e materiais pedagógicos. na formação de cavaleiros e na constituição das universidades. por exemplo. Assim. também.esperamos que você entre em contato e também construa um conhecimento acerca das práticas educacionais neste período. no campo educacional. não é escolarizada. É o caso. 42 . da educação feminina. Você perceberá. ou melhor. a educação abrange espaços não formais. para situar e compreender as práticas educativas relacionadas a este período. que havia uma definição das classes sociais bastante rígida e hierarquizada.

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SEÇÃO 1 - Idade Média: um breve contexto histórico
Foi no século IV a.C. que a educação se institucionalizou com a fundação das primeiras escolas: Isócrates abriu a sua escola em 393 a.C. e Platão fundou a Academia em 387 a.C. Ao conquistarem o mundo da Antiga Grécia, os romanos “absorveram” o melhor da sua cultura, acrescentando-lhe a disciplina e o respeito pela lei (tipicamente romana). Construíram escolas de influência grega (o ginásio, a escola de cálculo e de gramática) e escolas de direito. A partir dos finais do século II da nossa era, o Império Romano, então cristianizado, entrou em decadência devido a vários fatores (tais como as crises na sucessão imperial, a crise econômica e social e o “perigo bárbaro”). Quando, em 476, a autoridade imperial deixou de existir no Ocidente, os “bárbaros” já se haviam fi xado nas regiões da Europa que antes devastaram. Estes povos eram, na sua maioria, pagãos, mas os seus chefes acabaram por se converter ao catolicismo.
Tendo sido a única que resistiu e sobreviveu às grandes invasões, mantendo a sua organização e servindo de apoio às populações aterradas, a Igreja Católica tornou-se a instituição mais importante da Idade Média.
Figura: Mural de Palau – Calades Barcelona Fonte: www.odesenho. no.sapo.pt

Os romanos chamavam de bárbaros todos os povos que não possuíam a mesma língua, os mesmos costumes e organização política, social e econômica que eles. Estas diferenças podem ser observadas no filme “Asterix e Obelix contra César”.

Certamente você já ouviu falar no termo Idade Média, e deve lembrar de ter estudado na escola, nas aulas de História, ou talvez por cenas de filmes, com cavaleiros, castelos e donzelas na torre. Além disso, você pode ter lido sobre a influência e os desmandos da Igreja Católica neste período,

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Independente da sua fonte de informação, você é convidado a registrar no espaço, a seguir, suas impressões sobre o período histórico em questão. Esse é o momento para fazer uma pausa e refletir sobre o assunto!

Considera-se o eurocentrismo como uma visão de mundo que tende a colocar a Europa (assim como sua cultura, seu povo, suas línguas, etc.) como o elemento fundamental na constituição da sociedade moderna, sendo necessariamente a protagonista da história do homem. <http://pt.wikipedia.org/wiki/ Eurocentrismo>

Você deve ter percebido que muitas das referências que registrou acima dizem respeito à história européia, não abarcam o Brasil, por exemplo, ou outros lugares do mundo. Pois bem, esta expressão “Idade Média” é bastante eurocêntrica e leva em conta uma periodização política, conforme a história positivista, que é uma das formas de escrever a história, como você viu na Unidade 1 desta disciplina. Dentro desta concepção de História, os marcos cronológicos do período conhecido como Idade Média, são os seguintes:
„

Início: 476 d.C. - Queda do Império Romano do Ocidente, com sede em Roma. Final: 1453 d.C. – Queda do Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla, tomada pelos turcos.

„

Ainda dentro desta classificação, há mais duas divisões, que muitas vezes são utilizadas: a Alta Idade Média, que compreenderia a formação dos povos germânicos até a estruturação do Feudalismo e a Baixa Idade Média, comumente descrita a partir do movimento das cruzadas, caracterizadas pelo ressurgimento e expansão das cidades e do comércio. – Gostaríamos de deixar claro que este recorte cronológico de “mil anos”, bem como o espaço geográfico (Europa) será levado em conta nesta unidade, devido às pesquisas e ao material bibliográfico
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História da Educação I

para os estudos em Educação. No entanto, não nos ateremos a uma seqüência cronológica para abordarmos as demais seções desta unidade e sim, às práticas educativas associadas a temas, como a educação monástica, nas corporações de ofícios, a educação das mulheres, dos cavaleiros medievais e a formação das universidades. Dito isto, vamos compreender melhor o panorama histórico deste período. Tomando o Século V como ponto de partida e a Europa como espaço geográfico, identificamos a crise do sistema escravista como um dos principais fatores da fragilidade econômica e social em que se encontrava o Império Romano do Ocidente naquele momento:
A divisão do Império em duas partes no final do século IV também contribuiu para esse processo: O Império Romano do Oriente, com capital em Constantinpla ainda conseguiu manter uma atividade comercial com outras regiões do Oriente, enquanto que o Império Romano do Ocidente, com capital em Milão, vivenciou o aprofundamento constante da crise. (disponível em http://www.historianet.com.br/conteudo/default. aspx?codigo=144)

Algumas medidas administrativas foram empreendidas, como o estabelecimento das Villae, no entanto, estas unidades eram voltadas à autosuficência, o que contribuiu ainda mais para a fragmentação do território do Império e para a ruralização. Devido a estes fatores, entre outros, a presença dos “povos bárbaros” constante nas fronteiras do Império Ocidental, acentuou-se, constituindo-se num movimento migratório de invasão, até o coração do Império. Dentre os “invasores bárbaros”, destacamos os povos germânicos (vândalos, ostrogodos, visigodos, anglo-saxões e francos), devido à formação de reinos - dentro do que era a área do Império Romano - e da própria organização econômica e social, que transplantaram para as áreas ocupadas, mesclando com outros costumes vigentes. Dentre estes povos, ressaltamos os francos, por sua importância na formação do Feudalismo e na aliança com a Igreja Católica, como você verá a seguir.

Villae eram grandes residências senhoriais que possuíam termas para os banhos, habitações para os trabalhadores (com os seus próprios banhos), e todos os edifícios essenciais ao funcionamento da exploração (lagares, olarias, tecelagens, forjas, estábulos, e mesmo templos). O ideal deste tipo de exploração era a auto-suficiência. <http://www.geocities. com/alex221166/h_a_ 10_por.html>

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O que é feudalismo? Figura: Fases do Feudalismo Fonte: www. já que os francos dividiam suas propriedades entre os filhos sobreviventes. Durante a Dinastia Carolíngea. várias regiões da Europa passaram a apresentar baixa densidade populacional e baixo desenvolvimento urbano. Consolidando-se. por volta do século V d. (de 401 a 500). deste modo. às doenças e à insegurança existentes logo após o fim do Império Romano. A conversão ao Cristianismo. Tem suas origens na desintegração da escravidão romana. é coroado pelo papa e defende o território europeu do avanço dos muçulmanos árabes (“os inféis”). O reino franco passou por várias partilhas e repartições. Isso ocorria devido às mortes provocadas pelas guerras. que ocupou a região da Gália (aproximadamente a atual França). principalmente.C. Os francos formavam uma das várias tribos germânicas que adentraram o espaço do império romano. pelas doações de terra.br O feudalismo foi um modo de produção baseado nas relações servo-contratuais (servis) de produção. facilita a consolidação do Reino Franco e a ascenção da Igreja Católica. Com a decadência e a destruição do Império Romano do Ocidente. O fortalecimento da relação entre a Igreja e o Reino caracterizou-se.Universidade do Sul de Santa Catarina Quem eram os francos? A palavra franco significava “livre” na língua franca. como conseqüência das inúmeras invasões dos povos bárbaros e das más políticas econômicas dos imperadores. e concebiam o reino como uma grande extensão de uma propriedade privada. o rei franco Carlos Magno (séc. mas o sistema feudal somente passa a vigorar em 46 .C. de um dos reis da Dinastia Merovíngia.pro. X).. entra-se na chamada Idade Média.culturabrasil. já no século V. a aliança com a Igreja Católica. conversões e proteção. Era um grupo oriundo do oeste da Europa. A partir do século V d.

eram as moradias dos nobres e os locais onde essas poderosas famílias se alimentavam. ao clero e aos visitantes de regiões distantes toda a sua riqueza e influência. construído no século XVI . Surge uma classe social caracterizada como a nobreza feudal. principalmente na Europa Ocidental. que eram donos de pequenos agrupamentos de terra. e que alteram completamente o sistema de propriedade e de produção característicos da Antigüidade. para os moradores das vilas ou feudos. Os castelos eram fortalezas que serviam como quartel-general para cavaleiros antes de seus ataques aos inimigos. Assim. cobrança de impostos e justiça. planetaeducacao. na Grãbretanha. Além disso. Para seus senhores. Em grandes propriedades de terra os senhores feudais estabeleciam-se em locais estratégicos. foi da “mistura” de instituições romanas e instituições “bárbaras” que surgiu o Feudalismo. com. representavam. e quem recebia era chamado de vassalo. asp?id=167> Unidade 2 47 . com a decadência do Império Romano e as invasões bárbaras. com vários povos dominando a Europa Medieval. Além de tudo. mas também Figura: Castelo de Dromoland. um centro de decisões políticas. era uma forma de apresentar aos demais nobres. muitas vezes em troca de proteção. O esfacelamento do Império Romano do Ocidente e as invasões bárbaras em diversas regiões da Europa favoreceram sensivelmente as mudanças econômicas e sociais que vão sendo introduzidas.História da Educação I alguns países da Europa Ocidental a partir do século IX d. se divertiam e recebiam seus convidados. Fonte: <http://www. Todo sistema de tributos era organizado em função do uso da terra pelos servos. Em suma. No entanto. Já na Idade Média.. foi impossível unirem-se entre si e entre os descendentes de nobres romanos. os nobres romanos começaram a se afastar das cidades levando consigo camponeses (com medo de serem saqueados ou escravizados). detentora de terras – a terra representa a riqueza – cuja manutenção consistia na concessão de terras a outros senhores. os que concediam a terra eram chamados de suseranos.br/new/colunas2.C. aproximadamente.

br/idademedia/feudalismo) Os vilões eram homens livres que viviam no feudo. Antioquia. Os servos deviam várias obrigações como a talha. o servo devia uma parte da sua produção ao senhor feudal. historiadomundo. historiadomundo. Os pagamentos que os servos faziam aos senhores pelo uso do forno. do uso das ferramentas e dos locais como os moinhos. militar e jurídico. O fator que mais contribuiu para o declínio do sistema feudal foi o ressurgimento das cidades e do comércio. as banalidades. Constantinopla e Roma. No livro de Paulo Miceli. muitas vezes se estabeleciam. O Bispo de Roma era tido pelos outros Patriarcas como “o primeiro entre iguais”. eram obrigados a permanecer nela. Constantinopla tornava-se a residência do Imperador e do Senado. Uma série de dificuldades entre as partes divididas do Império (ocidente e oriente). Composta fundamentalmente pelos nobres. aqueles que tinham a posse legal da terra e do servo e que dominavam o poder político. embora o seu estatuto e influência tenham crescido quando Roma era a capital do império. carpintaria pertencente ao senhorio feudal. Não eram escravos. quando a capital se mudou para Constantinopla. a corvéia e as banalidades. Muitos camponeses passaram a comercializar produtos nas feiras e cidades. Entretanto. do celeiro. pois não podiam ser vendidos. chamavam-se banalidades. podendo sair dela quando o desejassem. A corvéia consistia no trabalho nas terras do senhor (manso senhorial). deviam algumas obrigações aos senhores.Universidade do Sul de Santa Catarina Pela talha. (disponível em: http://www. A base do sistema feudal eram estas relações servis de produção.com. Concílios disputados. havia também os vilões. em alguns dias por semana. com as disputas doutrinárias ou procedimentais a serem freqüentemente remetidos a Roma para obter uma opinião. No entanto. Nas camadas pobres. em busca de melhores condições de vida. Os servos não tinham a propriedade da terra. mas não estavam presos à terra. entre outras. “O Feudalismo”. a evolução de ritos separados 48 . observamos que a nobreza e o clero compunham a camada dominante dos senhores feudais. serrarias. do moinho. no tocante à religião como disputas doutrinárias. como por exemplo. Alexandria. Era uma sociedade dividida em grupos com pouca mobilidade entre eles. ou seja. (disponível em: http://www.com. E o papel da Igreja Católica? A igreja cristã primitiva na região do Mediterrâneo foi organizada sob cinco patriarcas: os bispos de Jerusalém. clero e servos. a sua influência diminuiu. nas quais.br/idademedia/feudalismo).

Suíça. desde muito cedo. asp?title=Grande_ Cisma_do_Oriente Essas questões afetaram o sistema de educação.com/ enciclopedia/enciclopedia. pois promoveu a fundação de outras igrejas ocorreu no século XVI com a Reforma Protestante. acesse: http:// enciclopedia.e talvez a mais significativa. Por volta dos séculos X e XI.com. O período medieval caracterizou-se pela predominância da Igreja como a maior instituição feudal do Ocidente europeu. Com o ressurgimento do comércio e o crescimento das cidades. a não ser as escolas episcopais. estabeleceu normas.). A Igreja dividiu-se entre a Igreja Católica Apostólica Romana no Ocidente e a Igreja Ortodoxa Oriental no Leste (Grécia. a criança era colocada em contato com os textos sagrados. etc. levaram à divisão em 1054.html ou assista ao filme Lutero. abusos financeiros e despreparo do clero. teve início a Reforma Protestante. br/reform. a Igreja enfrentou movimentos contestadores de sua doutrina. Dessa forma. Egipto. Acesse o site http://www. tendo o clero como a elite intelectual e suas escolas como as únicas instituições culturais atuantes. mantidas pelos bispos. Várias Igrejas reformadas surgiram na Alemanha. movimento religioso liderado pelo monge alemão Martinho Lutero que rompeu a unidade da Igreja Católica na Europa. Rússia e muitas das terras eslavas. estas passam a depender dos banqueiros e dos mercadores. Se. durante a qual se formaram muitas outras religiões no Ocidente. assiste-se às transformações econômicas e políticas associadas ao renascimento comercial e urbano. hystoria. Durante a Idade Média. Durante muito tempo não houve nenhuma instituição educacional. a Igreja adquiriu o controle da educação. Síria.ig.História da Educação I e se a posição do Papa de Roma era ou não de real autoridade ou apenas de respeito. orientou comportamentos e soube imprimir nos homens e mulheres deste período uma cultura religiosa. exercendo hegemonia ideológica e cultural na época. No início do século XVI. A grande divisão seguinte da Igreja Católica . a educação era privilégio dos clérigos 49 Unidade 2 . até então. Para saber mais sobre o Grande Cisma. cuja referência está na atividade de autoavaliação 1. Anatólia.hpg. França e Inglaterra com seguidores entre todas as camadas da sociedade européia. A esta divisão chama-se o Grande Cisma. O propósito da maioria das escolas era formar monges e clérigos e.tiosam. Atuando em todos os níveis da sociedade.

precisamos. Quanto às mulheres da burguesia. são algumas das constatações que permitem identificar uma educação informal direcionada para os homens e mulheres destas classes. a utilização da poesia e da música (canções populares) cujo enfoque é os temas religiosos. Os burgueses (habitantes das cidades) queriam uma escola voltada a seus reais interesses e dificuldades. Aos poucos. Além dos trabalhos manuais. Ainda que a Igreja continuasse direcionando e conduzindo a vida social e religiosa. música e artes. As moças das classes mais abastadas poderiam receber aulas domiciliares. ascendem à educação escolar. As escolas seculares significavam escolas do mundo. além de filosofia e teologia. a Igreja exerce um forte papel pedagógico ao formar cristãos. A mulher das classes populares não tinha acesso à educação formal. assim como os homens destes grupos. as inúmeras festas de santos do calendário anual. antes. 50 . SEÇÃO 2 – A educação das mulheres Para falarmos de educação feminina. nos mosteiros. o crescimento das cidades. A catequização por meio de livros ilustrados. mais ao final deste período. Ali aprendiam a ler e escrever e estudavam línguas como o latim e o grego. Apenas na formação das mulheres religiosas. exigia uma formação. observavam-se diferentes segmentos sociais. as cidades passaram a ter importância como centros irradiadores dos novos valores culturais. as vilas se transformam em cidades livres. libertando-se pouco a pouco dos domínios religiosos. o interior das igrejas com suas pinturas sacras e vitrais. contribuindo para uma vida menos subordinada aos “desígnios divinos’. O conhecimento passou a ser indispensável à realização de seus negócios. esclarecer de que mulheres estamos falando. as aulas centravamse em conteúdos de religião.Universidade do Sul de Santa Catarina e se restringia à formação religiosa. Neste sentido. quando do surgimento das escolas seculares. a partir dos seis anos de idade. não religiosas.

que era astrônomo na corte de Carlos V . Nasceu em Veneza. foi somente no final da Idade Média que as mulheres tiveram acesso aos manuscritos e às universidades. “conteúdos” que não faziam parte da educação de uma mulher.) É nesta relação entre Igreja. (Quotidiano da Mulher no Final da Idade Média. a humildade. que Unidade 2 Para saber mais sobre a vida e obra desta escritora. A obra que nos chama a atenção é um manual de educação moral. Isso representou uma grande conquista apesar dos estudos de cunho oficial continuarem a ser monopólio masculino. em um universo masculino. Estavam fortemente vinculados ao casamento e às relações familiares. em 1364. pois. cfm?tb=alunos&id=35> Figura: Christine de Pisan. p. de mercadores. destacou-se. porém os discursos também eram dirigidos às mulheres. consulte <http://www. na lógica da obediência e do controle social.História da Educação I As opiniões acerca da educação feminina dividiam-se.br 51 . de nobres. tornou-se viúva aos 25 anos de idade e responsável pelo sustento da família com a escrita. os discursos eram enunciados por vozes masculinas como os pais. Direito e família que a “educação” feminina vai se configurando. In: DUBY. segundo os ensinamentos morais da Igreja.br/materia. Exaltavam a castidade. A escritora procurou concentrar a sua atenção em mulheres de diversos níveis sociais. clérigos e mestres. artesãos e trabalhadores. Michelle.aprendeu o latim e a filosofia.com. História das Mulheres: A Idade Média. Via de regra. ele só era realmente bom quando o homem ‘governava’ e a mulher obedecia incondicionalmente. a escritora francoitaliana Cristine de Pisan. historiaehistoria. George e PERROT. e com o pai . no campo das letras. Um bom casamento era a comunhão entre o homem e a mulher mas. Desta forma.. De acordo com Opitz: A doutrina do casamento por consenso defendida pela Igreja não podia opor-se às relações de poder vigentes na sociedade-e no fundo também não o queria: a relação entre marido e mulher não podia doravante ser de amizade e pressupor a igualdade de direitos (. ela escreveu vários livros e manuscritos sobre e para as mulheres. historiaehistoria. com.356. Nesta fase. Chamamos atenção para esta escritora..2. v. chamado de “O Espelho de Cristina”. o silêncio. Fonte: http://www. ou seja. o trabalho entre outros temas. no qual procura mostrar a situação da mulher no final da Idade Média.). Casou-se aos quinze anos de idade (algo comum para a época). mulheres que viviam ao lado de reis.

que elas eram participantes ativas na criação dos filhos e na administração do reino e de suas terras. „ visitar os doentes para lhes dar nova esperança.htm Você pode perceber que os conselhos estão atrelados ao seu papel de submissão ao marido e aos costumes da época.br/ nova_pagina_156. a partir destas prescrições.com.hpg. o valor de suas contas e o andamento de tudo na sua casa. cultas ou iletradas. danças. a qual fica para sempre a seus filhos. vestir e falar. falando pouco e mantendo o olhar honesto e baixo. „ ter cuidado com as suas rendas e despesas e saber a soma de suas rendas e possessões. „ manter distância de jogos. „ toda princesa e toda mulher deve ser cobiçosa de buscar honra e bom nome mais do que qualquer outro tesouro por que a faz reluzir em boa nomeada. como a prudência no agir e no gastar os bens do seu marido. a seguir. Fonte: http://www. „ rir baixo e não sem motivo. pois deviam se preocupar com a sua educação e com as suas posses. 1314. ricas ou pobres. „ <disponível em http://www. „ deve usar roupas e toucados ricos. Inglaterra. „ nunca se mostrar áspera nem má para suas mulheres e servidores. „ mostrar-se séria e contida em público. 52 . „ temperada em tudo: no comer. mas também pode vislumbrar. Veja. caçadas.historiahistoria. saberhistoria.com. cfm?tb=alunos&id=34> Figura: Execução na fogueira por ordem do tribunal da inquisição.br/materia. Para as mulheres do povo também são direcionados conselhos semelhantes aos da nobreza. „ dar esmolas e ser caridosa e sem cobiça. „ não contrair dívidas maiores do que pode pagar.Universidade do Sul de Santa Catarina trabalhavam dentro e fora do espaço da casa.ig. alguns atributos que a escritora considerou como importantes para as mulheres da nobreza ser devota a Deus. reafirmando que a mulher deve conhecer os seus direitos para que não a enganem. pois fazem parte do seu estado.

Assim. Acompanhe no filme O nome da Rosa a atuação do inquisidor dominicano Bernardo Gui. tomando como base os valores morais da Igreja. pois havia conhecimento feminino e um aprendizado a ser compartilhado. define suas condutas e ideais. A cavalaria tem suas origens em grupos armados. SEÇÃO 3: A educação dos cavaleiros medievais A formação das cavalarias medievais dizia respeito às classes nobres. o religioso da Inquisição contava sempre com o apoio de outros clérigos preparados para a função e utilizava instrumentos que causavam dor. como a maneira de vestir. Os processos de bruxaria incluíam homens e mulheres.como a realização de partos. aprender montaria e participar de torneios e combates. Como já vimos. então. com códigos de honra relacionados à fidelidade e ao exercício da guerra. Neste momento. Paralelamente a este aprendizado. quando era enviado a outro castelo para servir de pajem. em relação à educação feminina. a Cavalaria institucionaliza-se e. que. Unidade 2 53 . Para obter a confissão. com reconhecido poder pela Igreja Católica. que passam a compor exércitos de defesa. esses interrogatórios se encerravam em função da morte do inquirido. Em muitos casos.História da Educação I As especificidades da sua condição social são tratadas em outros capítulos. por meio da sua cristianização. porém as mulheres representavam a maioria dos réus e sentenciados dos processos inquisitoriais. a partir do século X. Podemos observar. esta também se revestia de um caráter não formal. é importante ressaltar que os Tribunais do Santo Ofício da Inquisição tiveram um papel fundamental ao promover o afastamento das mulheres das universidades e a proibição de exercerem saberes populares específicos ou práticas referentes à medicina . medo e grande sofrimento. abortos e processos curativos em geral através da utilização de plantas. A trajetória educacional na formação de um cavaleiro iniciava-se aos sete anos de idade. a Igreja possuía forte influência no ordenamento desta sociedade. a administração do seu lar e do seu trabalho.

como as vestes brancas e vermelhas (passagem).com/ idademedia/ Figura: Um cruzado ajoelhado em prece.ig. preparando-se para as guerras. Ao retornarem para a Europa. acessar http:// www2. saberhistoria. Batalhas entre católicos e muçulmanos duraram cerca de dois séculos. Assim. Fonte: http://www.suapesquisa. Disponível em: http://www. mais especificamente na obra Tristão e Isolda. Com o passar do tempo. aliadas a uma formação religiosa e cortês.htm 54 . até o juramento em público. Os significados e os valores da Cavalaria podem ser encontrados nas fontes literárias da época. saqueavam cidades árabes e vendiam produtos nas estradas. do código de honra. dos torneios. Uma outra etapa educativa inicia-se quando o aprendiz é alçado à condição de escudeiro. ou seja. como um “iniciado”. o banho purificador.htm iniciava-se a educação das boas maneiras. uma educação cortês. o papa Urbano II convocou a Primeira Cruzada (1096).Universidade do Sul de Santa Catarina Sobre o amor cortês na literatura da época.hpg. foram incorporados outros ritos. A formação estava completa mais ou menos aos vinte anos de idade com uma cerimônia que culminava com a entrega das armas e a sua sagração como cavaleiro. ele inicia-se no exercício das armas. do amor personificado na mulher idealizada. os muçulmanos conquistaram a cidade sagrada de Jerusalém.br/ nova_pagina_142. Talvez os feitos mais conhecidos que envolveram os cavaleiros medievais e suas ordens foram as Cruzadas. o Mar Mediterrâneo foi aberto para os contatos comerciais. contribuíram para o renascimento urbano e comercial a partir do século XIII. Assim.com. nas chamadas feiras e rotas de comércio. viravam canções de grande disseminação e apelo popular. Você sabia? No século XI. por sua vez. Após as Cruzadas. Com o objetivo de expulsar os “infiéis” (árabes) da Terra Santa.ufpa. Tornava-se cavaleiro participante de uma sociedade que comungava os ideais cristãos. também possuíam caráter econômico. O seu mestre é um cavaleiro a quem deve servir. Ao mesmo tempo em que eram marcadas por diferenças religiosas. das caçadas. que. a vigília de oração. Como você viu. os cavaleiros desenvolviam as habilidades relacionadas às lutas e às guerras.br/ceg2005/webceg/ tc20000116.

Pelo menos em teoria. contra a injustiça e contra o mal. VIII – Nunca mentirás e serás fiel à palavra empenhada. bem como ao combate aos não-cristãos. IV – Amarás o país onde nasceste. X – Serás o defensor do direito e do bem. VII – Cumprirás com teus deveres feudais.vilabol. Unidade 2 55 . se estes não forem contrários à lei de Deus. V – Jamais retrocederás ante o inimigo. estas eram as diretrizes “pedagógicas” na formação desta classe. associada aos princípios cristãos.uol.br/medieval_knights. (Extraído de : http://marged. pode ser sintetizada nos mandamentos a seguir: I . IX – Serás liberal e generoso com todos.com. com reflexos diretos no renascimento comercial e urbano europeu.História da Educação I A partir dos movimentos conhecidos como Cruzadas.html) Você pode identificar a observância a um código de conduta e de honra. II – Protegerás a Igreja. foram fundadas várias ordens cavalheirescas destinadas a combater os “infiéis” (muçulmanos). Esta formação do cavaleiro. a proteção e defesa da Igreja e aos seus princípios cristãos e institucionais. III – Defenderás todos os fracos. VI – Farás guerra aos infiéis até exterminá-los.Acreditarás em tudo o que a Igreja ensina e observarás todos os seus mandamentos.

margem de lucro. saberhistoria. As corporações de ofício foram associações que surgiram a partir do século XII para regulamentar o processo produtivo artesanal nas cidades. do aprendizado na corporação. e agir de forma rebelde para com ele. anteriormente. elas determinavam a matéria-prima a ser utilizada.hpg. que se estendiam ao comportamento social e individual.br/ nova_pagina_144. quantidade da produção. organizavam-se em associações. 1985. o preço do produto. (BLAND. aprendizado e hierarquia de trabalho. até que tenha feito as reparações perante o Alcaide e os Intendentes. As corporações disseminaram-se em toda a Europa. que detinham as técnicas de trabalho de tal atividade.ig. 65). ninguém do dito ofício lhe dará trabalho. denominadas corporações de ofício. O aprendizado constitui-se no aprendizado técnico. cujo objetivo era defender os interesses de mercadores de um grupo de cidades. com também na vivência da corporação. chamadas hansas. entre outras coisas. poderá exercer o mesmo.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 4: A educação nas corporações de ofício A educação das classes menos abastadas era fundamentalmente constituída pelo trabalho. diferentemente do que já vimos sobre as condições servis nos feudos. Existiam também corporações intermunicipais. Veja dois artigos do estatuto dos “curtidores de couro branco”.com. do século XIV: [4] E se qualquer aprendiz se comportar impropriamente para com seu mestre. o processo de fabricação. obrigatoriamente. [6] Ninguém que não tenha sido aprendiz e não tenha concluído seu termo de aprendizado do dito ofício. desempenhando um papel educativo importante junto aos habitantes das cidades. Agregavam pessoas que exerciam o mesmo ofício e eram responsáveis por determinar preço. Os profissionais dedicados às atividades artesanais nas cidades medievais. as regras disciplinares à sua condição de aprendiz. p. como também o horário de trabalho. no respeito aos estatutos e às regras. tanto das habilidades técnicas quanto das classes e Figura: Oficina de alfaiate Fonte: http://www. configurando-se também como espaços educativos de formação profissional. BROWN E TAWNEY apud HUBERMAN. as condições necessárias à aprendizagem. qualidade. Para se ter uma idéia do poder destas associações. assim como a legitimidade da formação profissional a partir.htm 56 . cuja educação era pautada na reprodução. Observam-se.

estes centros de saber firmavam sua autonomia através da formação de associações corporativas de mestres. Envolveu-se com Heloísa. Por fim. podendo empregar-se por conta própria. determinado pelo mestre. para tornarem-se oficiais ou companheiros. No entanto. sendo educados tanto em conhecimento quanto em valores morais. SEÇÃO 5: A educação nas Universidades Os alunos mais capazes. obtendo o título de mestre e a licença para abrir o seu negócio. dirigiam-se às universidades. renovando os estudos da Sagrada Escritura. tendo como pano de fundo a educação medieval. Sobre esta história de amor. Os mestres possuíam suas especialidades e os alunos recorriam a eles de acordo com seus interesses intelectuais. famoso por sua oratória e por promover a aliança entre fé e razão. A maioria das universidades surgiu de escolas monásticas. como Pedro Abelardo. originadas a partir dos saberes oferecidos pelas corporações de ofício intelectual. através das missas. Unidade 2 57 . dos ritos e das festas. assista ao filme Em nome de Deus. recebendo gratuitamente a estadia e a alimentação. O passo seguinte. voltadas para a formação do clero. era a submissão a um exame. Pedro Abelardo (10791142) era mestre livre. Mediante aprovação. os aprendizes ficavam na casa do mestre. sobrinha do Cônego Fulbert. Os alunos viviam em regime de internato. se quisesse ser dono de uma oficina. não sacerdote. incluindo a sua castração. ele pagava uma taxa. do ponto de vista dos seus mestres. Eram as universitas. Muitos destes mestres eram clérigos nãoordenados.História da Educação I relações sociais. associada a uma pedagogia religiosa. através de um exame prático na sua corporação. sofrendo várias perseguições e punições. Em que condições dava-se este aprendizado? Durante todo o aprendizado. precisava ter algum capital e mostrar habilidade em seu ofício. mas não somente.

Para saber mais sobre São Tomás de Aquino e sua importância para a filosofia medieval. debatendo proposições controversas. Franciscanos e Dominicanos. mesmo quando não se destinam ao sacerdócio e alguns recebem a tonsura. Música. as chamadas artes liberais funcionavam como um estudo preparatório para cursos mais especializados como Teologia. como o documento de fundação da Universidade medieval. todos deveriam falar uma língua comum: o latim.com.Universidade do Sul de Santa Catarina Como tornaram-se associações de grande importância. os colégios vão assumindo o ensino das artes liberais. estas regidas pelos bispos. música e disciplinas relacionadas às ciências e Filosofia. Destacam-se as mais antigas como a de Paris (França). acesse http://www. como nos coloca Régine Pernoud: (. tornando-se São Tomás de Aquino um de seus principais seguidores e cujos estudos associaram fé e razão.abril. no entanto. Todos os alunos são chamados de clérigos.br/edicoes/0183/aberto/mt_ 74923. Os alunos vinham de vários lugares. (Disponível em http://www. a de Bolonha (Itália). entre outras. Tomás de Aquino nasceu em 1224 ou 1225 num castelo perto da cidade de Aquino. Tal método tem fundamento nas idéias de Aristóteles. tiveram seu controle disputado pela Igreja. ligavam-se às escolas monásticas e episcopais.org. Muitos historiadores consideram a bula Parens Scientiarum lançada pelo Papa Gregório IX. para os que queriam seguir o sacerdócio ou Medicina e Direito. Gramática latina. A partir do século XV. gramática. htm e http://revistaescola. em 1231. Em 1215. em cujos procedimentos os estudantes exercitavam a dialética. Astronomia (Quadrivium). ficando as universidades com a formação profissional mais especializada.htm) As chamadas artes liberais compreendiam Retórica. ensinava-se dialética. no Papado de Inocêncio III. com um São Boaventura e um São Tomás de Aquino. geometria. Estas instituições disseminaram-se na Europa Ocidental. no reino da Sicília (hoje parte da Itália). em meio a esta diversidade. assim como seus professores.br/aquino. permanencia. Institucionalizadas pelo papado. Estas instituições possuíam características eclesiásticas. o qual facilitava a comunicação e o acesso ao conhecimento. como as universidades pelo Papa. a princípio. conheceram aí grandes glórias. e as duas grandes Ordens religiosas que a iluminam no século XIII.. Dialética (Trivium) e Geometria. A organização curricular foi sofrendo mudanças ao longo do tempo. mas. Além de Teologia. o caráter de associação é reconhecido por estudantes e mestres. mundodosfilosofos.) os professores pertencem todos à Igreja. Aritmética. Salamanca (Espanha). com.shtml Os métodos de ensino baseavam-se na Escolástica..br/revista/historia/luz2. Oxford e Cambridge 58 .

a partir da lição (sempre em latim). saberhistoria. Não havia séries e classes e todos estudavam nas classes de mestres até que pudessem obter a titulação. Maria Lúcia Hilsdorf.com. intensificava as atividades sociais e econômicas da cidade nascente. o mundo letrado era um mundo itinerante. mestres e alunos debatiam os temas.hpg. juntamente com os comerciantes e os peregrinos religiosos.História da Educação I (Inglaterra).” E como seria o ambiente universitário nesta época? Segundo Pernoud. Em cartas endereçadas à família. que. Havia alunos a partir de 12 anos no mesmo espaço que alunos mais velhos. br/nova_pagina_161. Figura: A educação na Idade Média estava diretamente ligada aos estudos junto às igrejas. seguiam mestres de renome ou disciplinas oferecidas somente em outras cidades. Numa entrevista. Estes locais de saber movimentavam as cidades. Fonte: http://www. afirma: “a atuação deles atraía estudantes e. a professora da USP e pesquisadora. mantinham o interesse pelas atividades docentes. Como funcionava a organização didático-pedagógica? Geralmente.ig. às provas. as preocupações relacionavam-se aos estudos. Teologia) aos 15 anos e alcançarem a titulação de mestre e a licença com 20 anos. Medicina. muitas vezes como copista ou encadernador de livros. pela movimentação nas estradas medievais. Eram responsáveis. Unidade 2 59 . Os mais novos poderiam passar da Faculdade de Artes para as formações específicas (Direito. por exemplo. à necessidade de dinheiro e de comida. consequentemente. as aulas eram expositivas e. Os estudantes partiam para as universidades escolhidas. por sua vez.htm) Percebeu alguma semelhança com a realidade atual? Os estudantes com poucos recursos pediam isenção das taxas de matrícula nas universidades e trabalhavam para manter os estudos.

seus cursos esparsos. sua ausência de graduação sistemática e de exames metódicos.. Fonte: http://pt.org/wiki/ Universidade_de_Paris Agora. (.Universidade do Sul de Santa Catarina Como diz André Petitat: Com sua pedagogia oral. a seguir. realize. 60-61). Figura: Universidade de Oxford.wikipedia. pp.) Estamos assistindo ao nascer de uma nova pedagogia e de uma nova instituição. Fonte: http://pt. (1994. as atividades propostas. XI. 60 . A seguir veja as imagens de duas universidades criadas durante o período medieval. XII. no século XVI. para praticar os conhecimentos adquiridos nesta unidade. do séc. o ensino universitário da Idade Média guarda poucas semelhanças com o colégio que se seguirá. sua mistura de idades.wikipedia. do séc..org/wiki/ Universidade_de_Oxford Figura: Universidade de Paris.

„ Em nome de Deus (Iugoslávia/Grã-Bretanha. O feitiço de Áquila (EUA.: Clive Donner). Dir. „ Unidade 2 61 . 90 min. Dir..História da Educação I Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e acompanhe as respostas e comentários no final do livro didático. Dir.: Richard Donner). „ Cruzada (EUA. 144 min. Dir.. 1988. Para melhor aproveitamento do seu estudo. Direção: Antoine Fuqua).: Mário Monicelli). 2004.: Jean Jacques Annaud). „ Rei Arthur (EUA.. 130 min... „ O nome da rosa (ALE/FRA/ITA. 144 minutos Dir.: Ridley Scott). 2005. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas. 117 min. 115 min. 1986. 1985. 1) Escolha um dos filmes sugeridos registre os aspectos relacionados ao tema da Unidade e comente com seus colegas na ferramenta Exposição. „ O incrível exército de Brancaleone (ITA. 1965.

62 . b) Identifique a forma de aprendizado. qual lhe chamou mais a atenção? a) Indique características deste grupo ou classe.Universidade do Sul de Santa Catarina 2) Em relação às práticas educativas das classes e grupos sociais que você viu nesta unidade.

que se estendiam ao comportamento social e individual. A organização didático-pedagógica centrava-se mais no mestre que no aluno. Pensamos que. exercidas durante a Idade Média. porém firmaram sua autonomia através da formação de associações corporativas de mestres.História da Educação I Síntese No estudo desta unidade. mostrando que a mulher das classes populares não tinha acesso à educação formal. foram apresentados alguns elementos que. Nas corporações de ofício. dos cavaleiros. Procuramos abranger desde o contexto histórico medieval. o aprendizado constitui-se na aprendizagem técnica. A maioria das universidades surgiu de escolas monásticas. das corporações de ofício. como também na vivência da corporação. no respeito aos estatutos e às regras. Os princípios educativos eram enunciados por instituições masculinas e voltados para as mulheres da burguesia e da nobreza. lhe possibilitaram compreender a forma e os métodos gerais das práticas educativas formais e não-formais. Unidade 2 63 . pontuamos as diferenças entre as classes sociais. A formação das cavalarias medievais dizia respeito às classes nobres. A Igreja exerce forte influência nesta formação. assim como os homens destes grupos. Ao falarmos de educação feminina. instrumentalizando-se para fazer algumas comparações com a realidade atual. acreditamos. você pode construir um conhecimento significativo sobre este assunto. passando pela educação das mulheres. com códigos de honra relacionados à fidelidade e ao exercício da guerra. assim. A cavalaria tem suas origens em grupos armados. que passam a compor exércitos de defesa. até a educação nas universidades.

1985. 1994.Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade. A história da riqueza do homem. Paulo. Régine. São Paulo: Atual. Franco. História da Pedagogia. 1998. 1999. Claudia.org. 20 ed. Volume 2. PERNOUD. você poderá pesquisar os seguintes livros: CAMBI. MICELI. HUBERMAN.htm PETITAT. André. Rio de Janeiro: Zahar Editores.: Eunice Gruman. O quotidiano da mulher no final da Idade Média (1250-1500) In: DUBY. 1994. Porto: Afrontamento. Disponível em: http://www. Georges e PERROT. O Feudalismo. São Paulo: UNESP. Trad. O ensino na Idade Média. 64 . História das Mulheres. (Org. Porto Alegre: Artes Médicas.br/revista/historia/luz2.).permanencia. Produção da escola / produção da sociedade: análise sócio-histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente. Leo. Michelle. OPTIZ.

Conhecer aspectos da ordem religiosa da Companhia de Jesus e de suas ações referentes à educação. Seção 4 A Ratio Studiorum (a pedagogia jesuítica). Seção 3 O surgimento da Companhia de Jesus.UNIDADE 3 Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica Objetivos de aprendizagem „ 3 Compreender a constituição dos colégios modernos. Identificar as principais características da pedagogia jesuítica. „ „ „ Seções de estudo Seção 1 A secularização do pensamento. Seção 5 A ação dos jesuítas no Brasil colonial. . Seção 2 Os colégios modernos. Conhecer a ação dos jesuítas no Brasil colonial.

você estudará alguns elementos referentes aos colégios modernos e. O Teocentrismo dá lugar ao Antropocentrismo. É o período do Humanismo. novas formas econômicas. <Fonte: http://www. SEÇÃO 1 – A secularização do pensamento O período compreendido entre o final do século XIV e o fim do século XVI é marcado pelo movimento do Renascimento. você pode ver algumas de suas características. da chegada à América. decorrentes de acontecimentos em diferentes áreas. embora os valores religiosos e morais continuem com força. da Reforma Protestante e da Contra-reforma. Além disso. Você verá. historianet. Renascimento é o nome que se dá a um grande movimento de mudanças culturais. ou seja. Muitos autores situam nos séculos XVI e XVII o berço do modelo de escola atual. isto 66 . caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana. em contraposição às concepções predominantemente teológicas da Idade Média” (ARANHA. Esse momento é considerado como um importante período de transição envolvendo as estruturas feudo capitalistas. da cultura clássica. Foi o período das grandes navegações. Por isso. representam bem esse novo tipo de escola. políticas. da formação dos Estados Nacionais. 1996. criados nessa época. 87). mais especificamente. como surgiu a Companhia de Jesus e quais as principais características da pedagogia jesuítica. “que significa a procura de uma imagem do homem e da cultura.com. Segundo Aranha (1995. Os colégios jesuítas. que atingiu as camadas urbanas da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI. verá um pouco da ação dos jesuítas no Brasil no período colonial. Essas mudanças geraram.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade. da bússola. 86).br> No caderno de Fundamentos Filosóficos. busca-se a “secularização do saber. da Revolução Comercial. quando da criação dos colégios modernos. artísticas. da invenção da pólvora. da imprensa e do papel. ainda nessa unidade. portanto. você verá nessa unidade alguns pensadores dessa época e a organização desses colégios. p. p. a educação jesuítica. expressas em um documento lançado em 1599 e denominado Ratio Studiorum. religiosas e educacionais.

as idéias de pensadores como Vives. Percebe-se. Defendia o estudo das ciências. Destaca-se. Criticava o uso dos castigos e o ensino livresco e propunha uma educação onde o aluno participasse ativamente. ainda. humanista espanhol. naturais. viajou por vários países europeus e dedicou inúmeros de seus trabalhos à educação. O francês François Rabelais (1494-1553) é considerado o precursor do realismo e do naturalismo na pedagogia. 1985. deu particular atenção aos aspectos psicológicos do ensino. Os principais interessados nesses novos valores são oriundos da nascente burguesia. holandês. não através de livros. nesse período. Erasmo de Rotterdam. francês. 102). Para ele a educação sistematizada deveria começar desde o terceiro ano de vida respeitando-se as características naturais da criança e utilizandose do jogo. p. Defendia as línguas clássicas.História da Educação I é. Michel de Montaigne (1533-1592). 105-6). diferentemente de seus contemporâneos. Erasmo de Rotterdam (1465-1536). nos escritos destes autores. Em termos pedagógicos. 1985. para chegar às idéias”. uma crítica à educação predominante até então e a defesa de uma pedagogia mais humana. destacam-se. também pregava o realismo e o naturalismo. a preocupação com a moralização dos comportamentos infantis e prevêem-se roteiros de civilidade para orientar as ações das 67 Unidade 3 . em linhas gerais. desde que não reduzidas ao estudo da gramática. com métodos intuitivos e ativos (LUZURIAGA. para torná-lo mais propriamente humano”. Recomendava também que o ensino das línguas clássicas fosse realizado na língua materna (LUZURIAGA. latim e grego. Rabelais e Montaigne. onde as disposições naturais da criança fossem respeitadas. a questão da língua nacional. Este ensino deveria “partir das impressões ou sensações para chegar à imaginação e desta à razão” ou dizendo de outra forma. p. Juan Luiz Vives (1492-1540). Não fez referência em seus textos. desvesti-lo da parcialidade religiosa. mas na natureza e pregava que o ambiente educativo fosse de liberdade e atraente. defendia que devia-se “partir dos objetos sensíveis.

p. Essa nova civilidade tem a ver com os valores almejados pela nova classe burguesa que busca se diferenciar dos trabalhadores e se aproximar da aristocracia. a terceira. portanto que um homem preste atenção à sua aparência.. que esse se habitue. (FREITAS e KUHLMANN Jr. de 1530: A arte de educar as crianças divide-se em diversas partes.) “a um modelo de distinção”. a moralidade e também uma educação clássica. a segunda.. (ERASMO. a fala de Erasmo.. E os colégios. serão necessárias (. 18). Veja-se. enciclopédica que formaria os filhos da burguesia e da aristocracia renascentista. e que constituem feixes encadeados de conduta para com os outros específicos da vida civil (civilidade).) práticas de controles minuciosos e ordenados sobre o corpo: controles que visam a obtenção de autocontroles.) Convém. que retomam a cordialidade da antiga polis (polidez). receba os germes da piedade. como veremos a seguir. que ele se entregue às belas-artes e nelas mergulhe profundamente.Universidade do Sul de Santa Catarina famílias e dos educadores. (. (. a quarta. que ele se inicie nos deveres da vida. aos seus gestos e à sua maneira de vestir. Seria assim essa conduta refinada. 2002. censuras internalizadas e automação de gestos para o convívio público. tanto quanto à sua inteligência. Para isso. Busca-se adequar os sujeitos a “padrões de urbanidade”. que preparam as regras de convívio das multidões das cidades (urbanidade). às regras de civilidade. São padrões da corte (cortesia). desde muito cedo. 2002...... de tal maneira que se passa a ensaiar um roteiro supostamente universal de como se comportar. serão a “moderna expressão de como tratar as crianças mediante códigos das boas maneiras 68 . p. ainda brando. 22). a seguir. a polidez. É neste contexto que ocorre a “extensão da freqüência escolar” e crianças são transformadas em alunos. das quais a primeira e a mais importante é que o espírito. o bom comportamento. apud FREITAS e KUHLMANN Jr.

os alunos externos eram em grande número. Mas ambos. 78). a predominância do latim e o recurso aos castigos físicos. os colégios eram asilos para estudantes pobres. por exemplo. Os autores anteriormente citados (Vives. p. defende “que se deve agrupar em classes os alunos grandes e sujeitá-los Unidade 3 69 .História da Educação I requeridos pela cultura moderna”. os colégios vão sendo organizados em torno de seis ou sete classes sucessivas. ficavam sujeitos ao espírito de isolamento e controle dessas instituições. (FREITAS e KUHLMANN Jr. Contudo. Se na Idade Média misturavam-se. (. em pequenos grupos. teremos um número maior de colegiais. aos poucos. esses colégios tornaram-se instituições destinadas ao ensino. nem todos esses ideais foram de imediato incorporados nas práticas escolares. 2002. Mas. com um mestre para cada uma e os exames são instituídos para estabelecer a aprovação ou reprovação. 22-23). 1994. diretor de um colégio no século XVI. a partir do século XV... p. (PETITAT. Claude Baduel. a partir da constituição dos colégios modernos.) Não se ensinava nos colégios”. jovens e adultos de diferentes idades. no estudo dos colégios. Como veremos na próxima seção. p. SEÇÃO 2 – Os colégios modernos Segundo Ariès (1981. 110) “no século XIII. permanecem por longo período. Erasmo Rabelais e Montaigne) expressam em suas teorias ideais educativos decorrentes de uma nova maneira de compreender a educação e a criança. Embora muitos desses colégios se organizassem na forma de internatos. Assim. fundados por doadores. crianças. internos e externos. nas escolas e colégios. agrupados por idades mais próximas. organizados em classes ordenadas com graduação nos estudos e sujeitos a uma disciplina rígida..

p. aula mais longa ou menos longa conforme fosse verão ou inverno. oração. Fonte: Petitat. oração. É o princípio dos prêmios pelo desempenho escolar. (PETITAT. canto de salmos até ao meio-dia. Relógios e sinetas. oração. às 16 horas. Vêem-se aqui algumas formas de controle que permanecem até hoje em nossas instituições de ensino. castigos públicos e “admoestações” para os “delitos notáveis”. à tarde: retorno à classe às 11 horas. 1994.Universidade do Sul de Santa Catarina a um maior respeito pelos professores e a uma maior docilidade em tudo o que se refere aos seus estudos. oração dominical e breve ação de graças. 1994. (. da confissão de fé e dos dez mandamentos.79). punições dos retardatários. desjejum em aula. 70 . uma hora de aula. Pela manhã. já presentes no século XV e muito difundidos no século XVI. lanche. Os alunos dispõem de um tempo limitado para assimilar determinadas matérias.. leitura da oração. oração e tempo livre para estudos até às 14 horas. oração. Vê-se que o espaço e o tempo escolar passam a ser amplamente controlados. Já nos colégios modernos. reunião de todos os alunos na sala comum. Petitat destaca que nas escolas medievais “o tempo do aluno dividia-se em largos períodos”. Exemplo de um dia de estudos num colégio protestante do século XVI Ele principia às seis horas no verão e às sete horas no inverno. p. das censuras e das recompensas. aula durante uma hora e meia. 1994. para entregar os temas e para apresentar-se aos exames.. (.. Quanto ao tempo. aula durante duas horas. dos alunos brilhantes e dos preguiçosos.103.) Deve-se ter uma lista com os nomes dos alunos e proceder a uma chamada na abertura das aulas” (apud PETITAT. marcam agora as atividades escolares.) este tempo é repartido em períodos anuais. p. chamada.. 79). os alunos são reconduzidos aos respectivos alojamentos para a refeição (às 10 horas). horários estritos e bem carregados dividem as matérias pelos dias e horas. dispensa acompanhada de benção.

dos clientes. Diferentemente da oficina artesanal medieval. sincronizado. está concomitantemente afastado da família. em grande parte. comerciantes. “a separação entre o mundo dos adultos e do das crianças e adolescentes está na base da pedagogia moderna”. que a maioria dos colegiais não termina os estudos. de eloqüência e boas maneiras. O aluno se vê distante dos locais de socialização espontânea e privado. presença variável. p. Poderíamos perguntar. o estudo do latim e do grego. a manufatura acentua as rupturas no interior das atividades sociais. entre outros. como o colégio. também. o que restringe a vida do bairro e reduz as funções da família. onde o artesão produz no seu próprio ritmo. 93). Assim. ditada pelo relógio mecânico. também. p. da gramática. qual a origem dos alunos que freqüentavam os colégios e qual o conteúdo essencial aí aprendido. de acordo com Petitat. de obras literárias e filosóficas da Antiguidade. Assim como os colégios controlam o espaço e o tempo dos alunos. burgueses e nobres”. a manufatura impõe um outro tempo de trabalho. 1994. Quanto ao conteúdo. Essa nova forma de organização e funcionamento dos colégios está ligada a uma nova maneira de conceber a infância e a adolescência. ainda. subdividido e vigiado. O artesão. (PETITAT. 90). ou seja. despojado de sua lojinha.História da Educação I Há. destacam-se. p. portanto. 88). de suas relações com a vida adulta usual. a aquisição Unidade 3 71 . Segundo Petitat (1994. Enfatiza. o “tempo da ciência”. uma “nova temporalidade”. visando gerir a vida dos mesmos. Estas precisam ser afastadas do mundo adulto. há poucos trabalhos ainda sobre a questão da origem social dos colegiais e destaca ainda que esta origem “apresenta uma face mais ou menos heterogênea de acordo com as cidades: minoria mais considerável ou menos importante de filhos de artesãos. as manufaturas da época. Segundo Petitat (1994. embora sempre majoritária de funcionários. organizam-se de forma a controlar o assalariado. dos vizinhos.

Universidade do Sul de Santa Catarina de uma cultura geral. 72 . de enraizamento e de distinção.. serve de referência. uniformizada. você irá se deter nos últimos colégios citados. mais do que contribuir para a ascensão social dos que freqüentam os colégios. . Essa cultura escrita escolarizada foi difundida nos diversos colégios que surgiram e se consolidaram nesse período. como os oratorianos. Seção 3 – O surgimento da Companhia de Jesus A criação da Companhia de Jesus por Inácio de Loyola (14911556) ocorreu em 1534. Essa cultura geral. mas também a religião. Antes de você conhecer a prática pedagógica jesuítica. para as quais a cultura escrita escolarizada. você é convidado a conhecer como surgiu essa ordem religiosa. A mesma foi reconhecida pelo papa Paulo III em 1540. onde os exercícios escritos substituem cada vez mais os orais. é produto de uma estrutura de conjunto das relações de força e de sentido dentro da sociedade e de um nível elevado de trocas econômicas. é preciso lembrar que os novos ares oriundos do movimento renascentista afetaram não somente as artes e a ciência. p.Nesta disciplina. os doutrinários e os jesuítas. 100) conclui que (. Colégios criados por diferentes iniciativas e congregações religiosas. para consolidar uma determinada posição social. Petitat (1994. Para compreender melhor o seu surgimento. servia antes para manter as diferenças de classe. por causa da influência que tiveram na educação brasileira. Companhia de Jesus é a denominação de uma ordem religiosa da igreja católica e os membros dessa ordem são denominados jesuítas. embora particularmente destinado a certas camadas.) o colégio..

dando origem à Reforma Protestante. 95 proposições onde. Cristo viera para salvar os pecadores. Alemanha. onde era mestre e pregador. peregrinações ou contribuições. Figura – MARTINHO LUTERO. o culto dos santos e de suas relíquias e a venda de indulgências. Como a Igreja Católica perdeu muitos fiéis com esse movimento de protesto (daí o termo “protestante”) liderado por Lutero pela Reforma da Igreja Católica. mas com a fé no próprio Deus. podemos destacar: Unidade 3 73 . De acordo com Pedro. Martinho Lutero lidera um movimento de crítica a estrutura da Igreja Católica.ig. Lutero protestou violentamente contra as indulgências a ponto de. Entre as ações desencadeadas pela hierarquia católica para combater esse movimento. Apesar de dedicado à Igreja. 1995).hpg. alguns integrantes da igreja católica manifestam posições contrárias ao monopólio da Igreja sobre a religiosidade e contra o comportamento imoral do clero. br/nova_pagina_104. sem o apoio do pai. posteriormente. Deus não era como um contador com quem devia barganhar ou um juiz severo a ser aplacado com boas ações. htm> A reação da Igreja Católica a esse movimento protestante é conhecida como Contra-reforma. tendo ele recusado. entre outras coisas. saberhistoria. sempre esteve atormentado por duas grandes dúvidas: o poder da salvação atribuído a lugares santos e. condenava a prática vergonhosa da venda de indulgências. Tornou-se monge e depois padre. em 1517. trocando-os pela vida religiosa. muitos dos princípios da Igreja pareceram irrelevantes e blasfemos a Lutero. a venda de indulgências. A. iniciou outro movimento que ficou conhecido como Contra-reforma. afi xar na porta da igreja de Wittenberg.História da Educação I Neste período. Para ele. Fonte: <http://www. Assim. a salvação não seria alcançada com esforços insignificantes. na cidade de Eisleben. O papa Leão X exigiu uma retratação e. As 95 proposições mencionadas são. afirmações ou idéias defendidas por Martinho Lutero e seus seguidores contra práticas ou determinações da igreja católica naquele momento. Iniciou os estudos de direito em 1505 e os abandonou no mesmo ano. foi expulso da Igreja.com. Martinho Lutero Nasceu em 1483. Também são conhecidas como as 95 teses de Martinho Lutero. (Pedro. Especialmente suspeitos eram: a noção de que Deus recompensa um cristão na proporção das orações. na verdade.

Esta perseguição aos hereges e protestantes foi finalizada somente no início do século XIX. Em 1551. realizado de 1545 a 1563. Assim. Ela era composta por tribunais que julgavam todos aqueles considerados uma ameaça às doutrinas (conjunto de leis) desta instituição. Uma boa opção para compreender melhor o período e a Santa Inquisição é assistir o filme O Nome da Rosa.Universidade do Sul de Santa Catarina Concílio de Trento O Concílio de Trento. Todos os suspeitos eram perseguidos e julgados. e aqueles que eram condenados. Acirramento das ações da Inquisição A Inquisição foi criada na Idade Média (século XIII) e era dirigida pela Igreja Católica Romana. Com muita rapidez os jesuítas se espalham pela Europa. é nesse contexto que Inácio de Loyola. militar espanhol.saberhistoria. A sua convocação surge no contexto da reação da Igreja Católica à Reforma Protestante. onde os condenados eram queimados vivos em plena praça pública. de Umberto Eco. cria a Companhia de Jesus. Figura: Venda de indulgências Fonte: <http://www. foi o primeiro a recebê-los. hpg. pregando a fé e combatendo heresias. como reação à reforma protestante e ao Iluminismo. África e América (chegam ao Brasil em 1549). cumpriam as penas que podiam variar desde prisão temporária ou perpétua até a morte na fogueira. em Roma. O Colégio de Messina. em 1548. a censura eclesiástica se tornou uma instituição em 1571 e intensificou seus trabalhos nos séculos seguintes. onde seriam 74 . O Concílio de Trento foi o mais longo da história da Igreja: é chamado Concílio da Contra-Reforma. foi o fundado o Colégio Romano. à necessidade de formar os futuros quadros da congregação. logo eles passaram a dedicar-se à criação de escolas devido.ig.br/nova_pagina_104. O objetivo era assegurar a unidade de fé e a disciplina eclesiástica. Embora não fosse o intento inicial dos jesuítas. Esses colégios passaram a receber também alunos externos. principalmente. Ásia. foi convocado pelo Papa Paulo III.com. htm> Lista de livros proibidos (Index) Segundo o historiador alemão Hubert Wolf.

Finalmente. é de fundamental importância conhecermos um pouco de sua prática pedagógica para compreendermos o processo de escolarização desenvolvido no país. 2001. desencadeiam um processo para elaboração de um Plano de Estudos a ser adotado em todos os colégios. inicialmente. conseguir informações das práticas efetivadas em todos os Colégios e. o grupo de doze padres não levou o projeto adiante. os jesuítas. Este grupo tinha como compromisso.História da Educação I realizadas as principais experiências educativas que se tornariam modelares para os demais colégios inacianos. visando assegurar uma uniformização das práticas educativas desenvolvidas nos colégios jesuítas espalhados pelo mundo todo. mandou para toda a companhia uma versão da Ratio que tinha em conta as críticas e sugestões recebidas das diferentes instituições existentes. Sendo assim. composta por padres de vários países. Hansen coloca ainda que.16). nomeado outra comissão de seis membros. partir dessas informações. O mesmo autor coloca que. através de cartas. Em 1591. elaborar os Planos de Estudos. Acquaviva. contendo 466 regras e estabelecia que ficasse em experiência durante três anos. em 1599. liderados pelo Superior Geral da Companhia. no ano de 1581. Pe. Sendo os jesuítas precursores da educação institucional no Brasil.14). foi publicada a edição definitiva da Ratio Studiorum que regula com grande detalhe o modelo de ensino praticado durante séculos pela Companhia de Jesus. Cláudio Acquaviva. por causa de vários problemas. Isto para que as determinações e práticas fossem iguais em todas as instituições da companhia. p. tendo Acquaviva. p. Segundo HANSEN (2001. em dezembro de 1584. Acquaviva nomeou uma comissão composta de doze padres para “formular a ordem de estudos que se deva guardar a Companhia”. sendo todos eruditos e experientes no ensino (HANSEN. convidamos Unidade 3 75 .

orienta o ensino das letras. método e as disciplinas escolares. p. 2001. planos de estudos. Esse conjunto de regras trata de questões administrativas. essas intervenções na prática cotidiana não poderiam estar dissociadas das práticas das virtudes cristãs. Considerando o momento contra-reformista daquele momento.. evita as interpretações averroísticas de Aristóteles. é um regulamento interno da Ordem Jesuítica. agrupadas em 30 conjuntos. a Ratio Studiorum. p. publicada em 1599. modéstia. 76 . Para cumprir estas determinações a Ratio Prescreve Santo Tomás de Aquino em teologia escolástica. 2001. Hansen observa que o sentido final das normas e das práticas da Ratio Studiorum “é o da ortodoxia. simplicidade e outras virtudes cristãs (HANSEN. transferir e aplicar conhecimentos como intervenções nas questões do presente.Universidade do Sul de Santa Catarina você para conhecer aspectos dessa pedagogia através da leitura de alguns componentes estabelecidos na Ratio Studuorum.. como a maioria das ordens religiosas da época.18). Nesse sentido. ao contrário. sempre cuidando (. seguindo-se com a máxima fidelidade a tradição e os textos canônicos autorizados pela Igreja a partir do Concílio de Trento” (HANSEN. segue em teologia positiva os doutores aprovados pelas universidades católicas. das artes e teologia no sentido de desenvolver nos educandos as capacidades de assimilar. que viviam recolhidas em mosteiros. de 1599. dirigidas aos agentes e instituições escolares dos colégios jesuítas. à humildade. composto por 467 regras. A Ratio Studiorum.18). Seção 4 – A Ratio Studiorum (a pedagogia jesuítica) Sendo a Companhia de Jesus uma ordem religiosa não contemplativa.) (não ser nem curioso nem temerário nos estudos nem defensor de opinião própria) mas visando.

139). Fonte: <http:// en.História da Educação I As mesmas regras são válidas para todos os cursos que eram divididos em Estudos Inferiores (retórica humanidades e gramática) e Faculdades Superiores (filosofia e teologia). Os estudos inferiores eram divididos em séries: Retórica. A regra número 34. A Ratio determinava que as cinco séries (Retórica. mas nas classes de gramática somente quando o aluno demonstrasse domínio do conhecimento estipulado (DALLABRIDA. enquanto não forem expurgados dos fatos e Unidade 3 77 . A maior preocupação dos jesuítas era em eliminar qualquer possibilidade de contato dos alunos com livros que continham “escritos impuros” e os “perniciosos e inúteis”. org/wiki/Image: Ratiostudiorum. O objetivo central das classes inferiores era proporcionar ao estudante jesuíta um sólido conhecimento gramatical.jpg Mas todo o ensinamento deveria ser trabalhado de forma descontextualizada da mentalidade pagã das sociedades antigas. 2001.de livros de poetas ou outros. que de modo algum se sirvam os nossos. Segundo Dallabrida. aproximadamente um terço das regras da Ratio normatizavam os conteúdos e as práticas escolares dos estudos inferiores. que eram ministradas em todas as classes em grau crescente de complexidade e aperfeiçoamento (DALLABRIDA. p. p.Ratio Studiorum Societatis IESU. dizia: Tome todo o cuidado. média e superior. e considere este ponto como da maior importância. Figura . Gramática média e Gramática Superior) não deveriam misturar-se e que as promoções de uma série para outra deveriam ser realizadas anualmente. 2001. intitulada de “Proibição de livros inconvenientes”. sendo que esta era subdividida em inferior. nas aulas. Humanidades e Gramática. Humanidades. que possam ser prejudiciais à honestidade e aos bons costumes. como auxílio e fundamento para os estudos de filosofia e principalmente de teologia. 1598. Gramática inferior. O núcleo central do currículo das classes inferiores fi xado pela Ratio era o ensino das línguas e literaturas clássicas. Para este autor.wikipedia.138).

durante as cinco séries dos Estudos inferiores. A predominância da língua latina sobre as demais está relacionada ao seu caráter utilitário. Para Dallabrida (2001). era preciso absoluto controle sobre o tempo e o espaço. de forma progressiva. que deveria ser. a partir de alguns escritores romanos. ela era a língua oficial da Igreja Católica e dos Estados absolutistas. recomendada às classes de gramática. o aluno devia ter todo o tempo ocupado com atividades propostas pelos professores. De acordo com a Ratio (apud. ou seja. sendo uma forma das elites cortesãs e burguesas distanciarem-se tanto da antiga nobreza guerreira como das classes populares. 2001. onde predominava a mentalidade católico-tridentina. não somente aprendido. como imitado. 139). Deveriam realizar atividades escritas todos os dias. Para isso. como Terêncio. é preferível que não leiam para que a natureza do conteúdo não ofenda a pureza da alma (apud Dallabrida. que era dia da sabatina.Universidade do Sul de Santa Catarina palavras inconvenientes. o que requeria uma metodologia que incluísse estratégias e táticas voltadas para este fim dentro e fora da sala de aula. o ideal a ser perseguido era o domínio oral e escrito do latim clássico. e se de todo modo não puderem ser expurgados. com exceção de sábado. 141) era preciso “moldar a alma plástica da juventude no serviço e no amor a Deus”. DALLABRIDA 2001. como a Gramática do Padre Manuel Álvares. p. inclusive sobre o grego. de preferência Cícero. durante o período em que o educando permanecia no colégio. tinha a função de distinção social. bem como definição de horários e lugares para cada atividade. língua preferida sobre as demais. Os alunos ao final dos Estudos inferiores deveriam dominar perfeitamente o Latim. p. os jesuítas também produziam obras didáticas próprias. 78 . Além de afastar obras e escritos pagãos dos educandos. Além disso. já que nas estruturas políticas e culturais do Antigo Regime.

Segundo Dallabrida. os professores e os alunos. hebreu. Unidade 3 79 . p. “somente podiam ensinar os padres que tinham demonstrado conhecimento pleno de Santo Tomás de Aquino” (HANSEN. estudava-se a lógica. além de finalizar todos os cursos anteriores. 2001. assessorados pelos Prefeitos Gerais dos Estudos a quem estavam submetidos os Prefeitos de Estudos inferiores. análise sintética do texto. Os Reitores dirigiam os colégios. que propunha uma rígida hierarquia escolar. Sagrada Escritura. avaliação. seguia o sistema de Santo Tomás de Aquino: teologia patrística ou positiva. de acordo com Hansen. classificação e premiação dos alunos. Instituições canônicas. p. estudava-se cosmologia e outras ciências e no terceiro ano. leitura detalhada de cada período e. metafísica geral e matemáticas elementares. teodicéia e ética.143). os passos da preleção (lição) para todos os professores das classes inferiores: leitura do texto. astrologia e matemáticas superiores. Já o Curso de Teologia.22). apresentação de observações detalhadas a cada classe (DALLABRIDA. Outro componente da metodologia jesuítica previsto na Ratio era a emulação e a competição entre alunos. teologia escolástica moral. à semelhança do que ocorria na estrutura da própria Companhia de Jesus. No curso de teologia. o Curso de Filosofia era dividido em três anos: no primeiro. 2001. a emulação estava conjugada a um sistema individualizado de controle. Esta hierarquia estava pautada na autoridade e na obediência. Nos estudos superiores. grupos e classes.História da Educação I A Ratio detalhava ainda. No segundo. por último. siríaco e outras línguas bíblicas. dividido em quatro anos. Esta era considerada uma forma de manter os educandos em permanente estado de alerta e desafiados a provar sua maior capacidade em relação ao outro.

para manterem-se financeiramente. brancas (filhas de colonos e da elite portuguesa). 1994. liderados pelo Pe. retirando os indígenas da selva e impondo-lhes um outro modo de vida. Tendo em vista algumas dificuldades no projeto de catequização e conversão dos índios. mamelucas. deu lugar à vida regrada imposta pelos jesuítas. escrever e contar. (XAVIER. Iniciaram criando escolas de primeiras letras. Manoel da Nóbrega. onde ensinavam a ler e escrever. faremos um breve relato sobre a ação dos jesuítas no Brasil. À indiferença da oca. apenas nove anos após a criação oficial da Companhia de Jesus. os jesuítas reivindicaram terras (sesmarias) que foram transformadas em fazendas altamente produtivas. como a dispersão e mobilidade de muitas tribos. p. já havia cinco escolas 80 . ser tema bastante detalhado. no Brasil.Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 5 – A ação dos jesuítas no Brasil Nesta seção. de Roland Joffé. as práticas escolares jesuítas destinavam-se a crianças de várias origens raciais: indígenas. Já em 1549. 43) Segundo Ferreira Jr. as refeições e as diversões. ou seja. Assim. chegaram ao Brasil os primeiros padres jesuítas. Em 1570. devido às dificuldades em receber as verbas repassadas pela coroa portuguesa. da 2ªfase. assista o filme A Missão. a fim de facilitar o trabalho de catequese. e Bittar (1999). Nestas empregava-se o trabalho escravo negro. desde sua chegada em 1549 até sua expulsão em 1759. Para maior conhecimento sobre aldeamentos e missões dos jesuítas no Brasil. Além das escolas elementares de ler. Dedicaram-se desde cedo à divulgação da fé cristã e ao trabalho educativo. onde as famílias realizavam. Havia que ter lugar e tempo próprios para o sono. mulatas e negras (filhas dos escravos das fazendas). as suas atividades de trabalho e de lazer. A introdução dessa racionalidade na vida dos nativos sem dúvida revolucionava os seus hábitos e reorganizava o seu cotidiano. sem qualquer privacidade. assim como lugar e tempo adequados para o trabalho e para a devoção. pelo fato de na disciplina de História da Educação II. a prática pedagógica dessa ordem religiosa. onde havia tempo determinado para cada atividade cotidiana. os jesuítas implantaram também colégios. os jesuítas criaram os aldeamentos ou missões.

nestas escolas e colégios. dando preferência ao português e às línguas nativas (inúmeras orações e músicas católicas foram traduzidas para a “língua geral” (tupi). em 1773. utilizou-se menos o latim. o que estaria gerando atrasos para a cultura portuguesa. o teatro e a música. foram necessárias algumas concessões devido à realidade brasileira apresentar características bastante diferenciadas da realidade européia. principalmente políticos e econômicos. sendo que os primeiros jesuítas retornaram ao Brasil na década de 1840. que a razão principal decorre da perspectiva conservadora do ensino jesuítico. abrindo. aprendemos. foram amplamente utilizados como estratégias pedagógicas para a catequização e moralização dos nativos. 25 residências. Quanto à expulsão dos jesuítas de Portugal e de seus domínios pelo Marquês de Pombal. principalmente. o papa Clemente XIV extinguiu a Companhia de Jesus. o que estava prescrito na Ratio Studiorum. há outros motivos. podemos destacar que a política administrativa de Pombal se contrapunha ao Unidade 3 81 . Espírito Santo e São Paulo de Piratininga e três colégios localizados na Bahia. em 1845. ela foi novamente restabelecida. dando prosseguimento à sua ação educacional. Toleraram-se alguns hábitos indígenas. até que. Entre eles. Em 1814.História da Educação I de instrução elementar localizadas em Porto Seguro. Pernambuco e Rio de Janeiro. como um vestuário mais tropical. primeiro ministro português. 36 missões e 17 colégios e seminários. Ilhéus. Ao final dos 210 anos (1549-1759). de modo geral. conforme indicação de alguns autores. um colégio em Desterro. Buscava-se seguir. a Companhia de Jesus possuía em território brasileiro além de inúmeras escolas elementares. de predomínio educacional jesuítico quase exclusivo. São Vicente. que desencadearam a expulsão. Contudo. bem como se elaboraram gramáticas nessa língua). atual Florianópolis. Contudo. Os jesuítas foram expulsos de Portugal e de seus domínios em 1759 e dos demais países europeus nos anos seguintes.

Os jesuítas também haviam adquirido um considerável poder econômico que ameaçava os interesses de Pombal que defendia a criação de Companhias de Comércio. Agora. por exemplo.Universidade do Sul de Santa Catarina poder temporal (civil) exercido pelos jesuítas nos territórios guaraníticos. brevemente. as atividades propostas. é bom deixar claro que não há de um lado apenas heróis e de outro apenas vilões. realize. Tanto a imagem heróica ou vilã do Marquês de Pombal. Como mencionamos no início dessa seção. na 2ª. quanto dos jesuítas. bem como conhecer inúmeros outros aspectos da ação jesuítica no Brasil e das razões para a sua expulsão. a seguir. você terá oportunidade de aprofundar algumas questões aqui expostas. fase do curso. a título de contextualização. para praticar os conhecimentos conquistados nesta unidade. visando controlar as relações comerciais. são imagens historicamente construídas que atendem a determinados fins. nessa história. De qualquer modo. 82 . Pombal queria reduzir o poder dos jesuítas ao plano espiritual.

História da Educação I Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e. 1) A que classe social os colégios modernos atenderam e ajudaram o forjar? 2) Quais os objetivos principais dos jesuítas ao elaborar um Plano de Estudos (Ratio Studiorum) que deveria ser seguido em todas as instituições de ensino jesuíticas? Unidade 3 83 . a seguir. Para melhor aproveitamento do seu estudo. acompanhe as respostas e comentários a respeito. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas.

é resultado do trabalho da comissão de seis membros. nomeados pelo Padre Acquaviva. f) ( ) Cada instituição da Companhia de Jesus poderia elaborar seus próprios planos de estudos. método e as disciplinas escolares. composta por padres de vários países. em dezembro de 1584. 84 . d) ( ) A Ratio era um conjunto de regras com determinações diferentes para cada instituição de ensino da Companhia de Jesus. ainda permanecem resquícios da pedagogia jesuítica nas nossas instituições educativas? Justifique sua resposta. planos de estudos. e) ( ) O núcleo central do currículo das classes inferiores era o ensino das línguas e literaturas clássicas. ministradas em todas as classes em grau crescente de complexidade e aperfeiçoamento.Universidade do Sul de Santa Catarina 3) Para você. 4) Coloque (V) para Verdadeira e (F) para Falso: a) ( ) A Ratio Studiorum constitui-se num conjunto de regras que trata de questões administrativas. publicado em 1599. b) ( ) A elaboração do texto da Ratio Studiorum.

artísticas. políticas. as concepções predominantemente teológicas da Idade Média. publicada em 1599. organizados em classes ordenadas com graduação nos estudos e sujeitos a uma disciplina rígida.História da Educação I Síntese Na primeira seção desta unidade. você aprendeu que a Ratio Studiorum. composto por 467 regras. Entre os conteúdos destacam-se. entre outros. a preocupação com a moralização dos comportamentos infantis e prevêem-se roteiros de civilidade para orientar as ações das famílias e dos educadores. onde os exercícios escritos substituem cada vez mais os orais. ou seja. É do período do Humanismo. Percebe-se. em linhas gerais. Movimento este que gerou novas formas econômicas. religiosas e educacionais. você pôde verificar o surgimento dos colégios modernos onde os alunos passam a ser agrupados por idades mais próximas. nos escritos destes autores. da gramática. de eloqüência e boas maneiras. de obras literárias e filosóficas da Antiguidade. o estudo do latim e do grego. é um regulamento interno da Ordem Jesuítica. Destaca-se ainda. Na seção 2. a aquisição de uma cultura geral. embora os valores religiosos e morais continuem com força. você pôde perceber que a criação da Companhia de Jesus ocorreu em meio aos protestos liderados por Martinho Lutero contra algumas práticas da Igreja Católica do período e que as ações dos jesuítas fizeram parte do movimento da igreja católica contra a reforma protestante. O teocentrismo dá lugar ao antropocentrismo. agrupadas em 30 conjuntos. em contraposição. Na seção 3. Na seção 4. O tempo e o espaço passam a ser totalmente controlados. uma crítica à educação predominante até então e a defesa de uma pedagogia mais humana. você teve oportunidade de conhecer características do período marcado pelo movimento do Renascimento. planos de Unidade 3 85 . dirigidas aos agentes e instituições escolares dos colégios jesuítas e que esse conjunto de regras trata de questões administrativas.

a obediência e disciplina. a realização dos exames levando-o à premiação ou reprovação.Universidade do Sul de Santa Catarina estudos. na época. ao bom comportamento. aprendeu que as mesmas regras são válidas para todos os cursos que eram divididos em Estudos Inferiores (retórica humanidades e gramática) e Faculdades Superiores (filosofia e teologia). Além disso. Por último. José. por último. seguido da memorização. à civilidade. Ministro de D. que. Você aprendeu ainda. à moralidade. pelo Marquês de Pombal. você tomou conhecimento que os jesuítas chegaram ao Brasil logo após o descobrimento e que aqui. era rei de Portugal. nesse processo. que o processo de aquisição de conhecimento pelo método jesuítico ocorria da seguinte forma: o primeiro passo consistia na repetição do texto. E que. criaram escolas de primeiras letras e colégios e que foram expulsos em 1759. aliadas às boas maneiras. 86 . eram valores a serem incorporados pelos alunos. que colocava o aluno em condições de competição e. além de trabalhar na conquista de novos fiéis para igreja católica através das missões e aldeamentos. método e as disciplinas escolares.

ampl. Produção da escola/produção da sociedade: análise sócio-histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente. 2001. Porto Alegre: Artes Médicas..org/wiki/Renascimento_(movimento_ cultural) ARANHA. São Paulo: Moderna.História da Educação I Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade.ig. João Adolfo. 2001. 5. Maria Lúcia Spedo (Org. 1995. DALLABRIDA. p.Ed.). PEDRO. Moldar a alma plástica da juventude: a Ratio Studiorum e a manufatura de sujeitos letrados e católicos.8. Diana Gonçalves e HILSDORF. você poderá pesquisar os seguintes livros e sites: http://pt.htm> PETITAT. São Paulo: Ed USP. vol. Ratio Studiorum e Política Católica Ibérica no Século XVII. Norberto. e renovada. História da Educação. Texto on-line disponível em <http://www. Brasil 500 anos: Tópicos em história da educação. Educação Unisinos. Antônio. HANSEN.br/nova_ pagina_105. 1994. A.com. Unidade 3 87 .wikipedia. São Paulo: FTD. In: VIDAL.saberhistoria. Atual. n. 2º Grau . História: Compacto. 1996.hpg. 133-150. Maria Lúcia de Arruda.

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UNIDADE 4 A infância e a pedagogia moderna Objetivos de aprendizagem „ 4 Identificar alguns modos de tratamento dispensados à infância em diferentes períodos históricos. „ „ „ Seções de estudo Seção 1 A infância na Antiguidade Seção 2 A infância na Idade Média Seção 3 A infância a partir do Renascimento Seção 4 A pedagogização dos conhecimentos e o disciplinamento dos sujeitos . Conhecer aspectos do processo de redefinição do espaço da criança na família e na sociedade a partir do Renascimento. Compreender o processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos na modernidade. Identificar as principais características da pedagogia moderna.

nas civilizações ocidentais. Quanto às crianças abandonadas. Na sociedade romana. por exemplo. ao abandono de Moisés e na mitologia grega destaca o 90 . as crianças estavam totalmente subjugadas ao poder do pai e era comum abandoná-las. Verá que a partir do Renascimento institui-se uma nova concepção de infância que resultará num processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Como as crianças foram vistas e tratadas em outras épocas? O mundo infantil sempre se diferenciou do mundo adulto? Que tipo de escola/pedagogia foi organizada para as crianças e adolescentes na modernidade? Estas são algumas das questões que nortearam a elaboração desta unidade. fazendo referência. desde longa data. por exemplo. conforme veremos com mais detalhes na próxima seção. O objetivo primordial desta unidade é destacar as principais características que a pedagogia e a escola moderna adquiriram em função das novas concepções sobre a criança desenvolvidas no período. você iniciará o estudo desta unidade vendo como a infância foi tratada em diferentes momentos históricos. Para entender a concepção de infância do período moderno. A autora inicia destacando a situação de abandono de bebês na tradição judaica. SEÇÃO 1 . Maria Luiza Marcílio destaca que a prática de abandonar bebês é bastante comum. Apresentaremos aqui breves considerações encontradas esparsamente em algumas obras.A infância na Antiguidade Ainda são poucas as pesquisas históricas voltadas para analisar a infância nas sociedades da Antiguidade. em seu livro “História social da criança abandonada”.

ainda. Para Costa (2003) “a tradição cristã abriu. ao menos no Ocidente. Unidade 4 91 . expunham-nos.. (MARCÍLIO. uma nova perspectiva à criança”.. portanto. ou porque tinham dúvidas sobre a fidelidade de suas esposas ou porque já teriam tomado decisões sobre a distribuição de seus bens entre os herdeiros já existentes. à ausência de fontes para a pesquisa deste tema. p. logo entrando no mundo do trabalho. vários concílios e patriarcas da Igreja.. E quanto mais pobres. Em Roma essas práticas também eram comuns. bastante curta. ou melhor. Na Grécia “a deformidade da criança ou a pobreza da família bastavam para que a justiça doméstica decretasse sua morte ou seu abandono. por não terem condições de criar os filhos. à ausência da criança. faziam a “apologia da caridade em relação ao enjeitado”.A infância na Idade Média Por muito tempo. A infância era. nas fontes pesquisadas. inclusive alguns deles que haviam sido abandonados pelos pais. (MARCÍLIO. enquanto a grande maioria era educada no espaço doméstico e coletivo. abandonado pelo pai. principalmente. 1998.História da Educação I caso de Édipo. esperando que um benfeitor recolhesse o infeliz bebê. 1998. SEÇÃO 2 . Ricos e pobres abandonavam filhos na Roma Antiga. As causas eram variadas: enjeitavam-se ou afogavamse as crianças malformadas. Isto se deve. como Platão e Aristóteles defendiam o abandono. segundo Marcílio (1998. 23). De modo geral. e as da elite iam para escola por volta dos sete anos. p. mais cedo isto ocorria. os ricos. acreditou-se na ausência de uma noção de infância no período medieval. é possível dizer que as crianças gregas e romanas que sobreviviam tinham seus brinquedos e brincadeiras. O aborto era legítimo. os pobres. Aponta. Vários mosteiros abriram suas portas para receber crianças abandonadas. e o infanticídio admitido”. p. Também.28). 25).

tem um envolvimento amoroso com Cleópatra. as crianças tinham uma educação comum até certa idade. o autor demonstra que as crianças participam ativamente de todas as atividades sociais. podemos identificar um poder patriarcal 92 .com/ historia/contextos/1334. Não havia a prática do infanticídio.Universidade do Sul de Santa Catarina Philippe Ariès. o pai poderia reconhecê-lo ou rejeitá-lo. em que todo poder e as decisões eram legadas ao pai. Como você já viu na Unidade 2. a partir da constituição das cidades e da classe burguesa. a Idade Média Ocidental é forjada a partir de duas grandes referências culturais: a Romana e a Germânica. entre os germanos as mulheres também possuíam papel de destaque. a rejeição significava. diferentemente dos romanos. levanta a criança. Neste estudo. Por outro lado.htm Neste sentido. imperador romano. No entanto. pois os rejeitados eram assumidos pela linhagem materna. das mesmas festas. os germanos apresentavam algumas diferenças. a Baixa Idade Média (de acordo com a divisão referente aos períodos históricos apresentados na Unidade 2). analisa obras iconográficas e identifica a não presença da criança ou uma representação que mostrava os pequenos como “adultos em miniatura”. as mulheres amamentavam as crianças. Figura: Mulher nobre com filho Fonte: www. Suas vestimentas também não se diferenciavam muito da dos adultos. encontrou algumas evidências sobre a infância em período anterior ao pesquisado por Ariès (Alta Idade Média). Por isto. É importante lembrarmos que. Cleópatra dá à luz um filho do Imperador e este. historiador francês. na maioria dos casos. Mesmo sendo filho legítimo (de sangue). há uma cena no filme “Cleópatra” que ilustra bem esta questão: Júlio César. em seu estudo “A História Social da criança e da família”. Em relação às crianças. Assim. em suas pesquisas sobre esse período. e as publicou em seu artigo “A Educação Infantil na Idade Média”. Ariès relaciona a emergência de um olhar para a infância. a rainha do Egito (apesar de ter uma esposa em Roma). o professor e pesquisador Ricardo da Costa.artehistoria. num gesto que simboliza o reconhecimento como filho legítimo. correspondendo ao segundo momento do período medieval. após o parto. os romanos legavam ao pai (pater familias) o poder de vida ou de morte. a morte. dos mesmos jogos e das mesmas brincadeiras. Caso o pai não o reconhecesse publicamente.

htm) No entanto. eis que as lágrimas dos pobres.. é o cristianismo que traz novos elementos às relações familiares.História da Educação I relacionado à política e à organização social e um poder matriarcal em relação à família. assim como crianças de vários grupos sociais.]Nós perdemos agora os nossos fi lhos. De toda forma. segundo os estudos de Costa. carregado em nossos braços ou nutrido por nossa própria mão. a quem nós havíamos aquecido em nosso peito. alguns cuidados. Nós perdemos algumas criancinhas encantadoras e que nos eram queridas. Um dos principais conjuntos de normas era a Regra de São Bento. naquela época. com/videtur17/ricardo. no entanto. O que podemos salientar é que a falta de reconhecimento de algumas especificidades da infância não necessariamente eliminava o afeto para com as crianças e. como esta citação de Fredegunda. que lá podiam permanecer até os quinze anos de idade. Nós entesouramos sem ter para quem deixar. havia condutas disciplinares que incluíam castigos.. Alguns autores como Gélis afirmam que houve certa individualização da criança.hottopos. as lamentações das viúvas e os suspiros dos órfãos os matam e não nos resta esperança de deixar os bens para ninguém. É na educação preconizada nos mosteiros que encontramos práticas pedagógicas para além dos ensinamentos da guerra. (Disponível em: http://www. a partir de uma relação entre público Unidade 4 93 . de acordo com o caso. lhes administrando os alimentos com um cuidado delicado [. tópico visto na Unidade 2. por outro prescrevia castigos como jejuns ou pancadas com varas. Por um lado pedia cuidado na aplicação de castigos. nem mesmo. esposa do rei franco Chilperico: Esta epidemia que começou no mês de agosto atacou em primeiro lugar a todos os jovens e adolescentes e provocou sua morte. as taxas de mortalidade infantil eram altíssimas. É certo que. Costa diz que isto não impedia que os pais chorassem a morte de seus filhos.

Ele afirma a existência de uma dependência em relação à linhagem e à solidariedade de sangue: (. Para o mesmo autor. através da análise de inventários da época. Já nas famílias humildes.Universidade do Sul de Santa Catarina e privado.. o autor afirma. Duby destaca que havia um vestuário variado e abundante para as crianças das famílias abastadas. assim. o autor exemplifica que. a criança era considerada um rebento do tronco comunitário. participando com todos os seus membros dos eventos sociais e das festas “até a morte”. Dessa forma. a família medieval tem como extensão a vida social. (1999. bem como do grupo familiar. como já dissemos anteriormente. Exemplo disso é a ausência de representações de cenas domésticas nas imagens do período. transcendia o tempo. p. a educação em comum deveria direcionar a criança às funções dentro de uma hierarquia familiar e social. 312). formando indivíduos para o papel que deveriam ocupar na sociedade. este acontecia na presença de um grupo de parentes e vizinhas que transformavam o nascimento em ato público. Quanto aos trajes. uma parte do grande corpo coletivo que. usando os mesmos trajes ou os mesmos brinquedos. este vestuário era bastante restrito: 94 . pertencendo.) Nesse imaginário. à linhagem tanto quanto aos pais: a criança era uma criança pública. 176). Levando em conta esta associação entre público e privado. De acordo com Franco Cambi. Cambi infere que as crianças eram representadas como “pequenos homens”. que a criança não está no centro da vida familiar. pelo engaste das gerações. p. se o seu nascimento ocorria num local privado (quarto). participando das mesmas festas.. (1991. com base também no trabalho de Ariès.

duas túnicas simples e uma pequena saia. interessam-nos os estudos de Ariès para compreendermos o surgimento de um sentimento da infância. principalmente. pela preocupação com a mortalidade infantil. tudo de lã muito comum. devemos lembrar do papel do Estado. (1999. incluída aí. Sobre as práticas educativas medievais Cambi diz: A educação da criança era depois confiada à oficina e ao aprendizado ou à Igreja e às suas práticas de vida religiosa: a primeira ensinava uma técnica e um ofício. Ao final do período medieval percebe-se uma crescente valorização da criança em si mesma. 1990. Quanto ao reconhecimento da infância.História da Educação I Um peteleiro. numa nova forma de tratá-las e educá-las. p. Assim. segundo seu inventário. Uma nova sensibilidade em relação às crianças vai implicar também. 177). a escola. senão de um manto e de quatro túnicas pretas. Também. 225). não dispõe para os dois fi lhos. das quais apenas uma forrada. (DUBY. p. uma visão do mundo e um código moral. movidos. este se manifestou a partir do Renascimento. uma reorganização do modelo de família e o estabelecimento de outros vínculos afetivos entre os familiares. a segunda. que passa a se interessar pela formação das crianças dentro e fora da família. com a consolidação das monarquias nacionais. Unidade 4 95 . consolidando-se na Modernidade. principalmente a partir do século XVII. por exemplo. criando instituições que têm como objetivos separá-las do mundo adulto. além de quatro camisas. um vestido de interior. e a filha de um oficial público comum só tem em seu guarda-roupa. no qual a criança passa a ser o centro das atenções na família que aos poucos se organiza em seu entorno.

No entanto. 90% (noventa por cento) morriam antes do final da adolescência. tanto o empobrecimento da nação. Estes estudos giram em torno de três questões relacionadas aos cuidados com as crianças naquele momento: a prática dos hospícios de menores abandonados. da Unidade 3. em seu livro sobre “A polícia das famílias”. p. Para o autor “essas três técnicas engendrariam. que a família começa a assumir uma feição mais privada onde a criança torna-se o centro. começou-se a questionar os gastos empreendidos com estas instituições e o pouco retorno que o Estado retirava. a criação dos filhos por amas-de-leite. também. essas produções resultavam de observações e registros que médicos vinham realizando sobre o alto índice de mortalidade infantil e suas possíveis causas. Além disso. e a criação artificial das crianças ricas. Alegava-se que a conservação ou salvação destes “bastardos” seria muito útil. como o enfraquecimento de sua elite” (Donzelot. 1986.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 3 . Neste sentido. Em conseqüência disto. estudos de administradores e de militares. diz que. inicialmente. Logo em seguida aparecem. começa a ser produzida na Europa uma série de estudos sobre o problema da conservação das crianças. Esses estudos mostram que os menores abandonados naquele período eram alojados em locais denominados de hospícios que eram mantidos.A infância a partir do Renascimento Vimos. 15). assim como. pelo menos em parte. pois o Estado poderia designá-los a 96 . a partir da segunda metade do século XVIII (1750 em diante). em função dos cuidados oferecidos. com recursos vindos do Estado.16). Donzelot (1986. tanto na seção 1 como na 2. nos últimos parágrafos da seção anterior. p. que é neste período que a criança começa a ser valorizada no meio social. que com o Renascimento difunde-se uma literatura humanista e moralista preocupada com a família e a infância.

As crianças ricas contavam com uma nutriz exclusiva. milícia. “a mortalidade das crianças colocadas em nutriz era enorme: por volta de dois terços no que diz respeito as nutrizes distantes e um quarto quanto às mais próximas” (Donzelot. era comum as crianças serem criadas por nutrizes. Outros médicos também chegaram a essa conclusão de que.16). com a conivência do agenciador. apud Donzelot. p. nutria geralmente um sentimento de ódio.17). pela sua má vontade e incompetência. pela amamentação. o alto índice de mortalidade ocorria pela dificuldade da administração encontrar nutrizes. Buch em seu livro sobre medicina doméstica. modelagem do corpo com ataduras com vistas à estética. de acordo com esses estudos médicos. Incluíam certas práticas de educação corporal como. pela condição de sujeição a que era submetida. é nesta relação que está a explicação das manifestações. “tarefas para as quais eles estariam perfeitamente adaptados.História da Educação I cumprir tarefas nacionais como colonização. diz que “não há dúvida de que essas crianças tiram todos os seus vícios de suas nutrizes. Na época. já no período de amamentação. desconsiderando os males que estas poderiam causar. e para as crianças pobres ficavam as nutrizes de aldeias mais distantes. Donzelot observa ainda que Nutrizes eram as mulheres responsáveis pela amamentação e demais cuidados das crianças. o que não assegurava carinho ou bondade para com as crianças. as crianças ricas confiadas às serviçais recebiam uma educação resultante de opressões e de intimidades impróprias para assegurar seu desenvolvimento. Unidade 4 97 . muitas destas. Nessas condições. a nutriz passaria todos os seus sentimentos para as crianças. Para garantir o recebimento e maior remuneração. p. As que moravam em aldeias próximas das cidades eram contratadas pelos ricos para amamentar e cuidar de seus filhos. 1986. pelo fato de não possuírem vínculos de obrigações familiares” (Donzelot (1986. p. Donzelot observa que. Eles teriam sido honestos se suas mães os tivessem amamentado” (Buch.1986. segundo estes estudos. Além disso. de comportamentos de baixeza e maldade em crianças de pais honestos e virtuosos. assumiam várias crianças ao mesmo tempo. marinha.17). e como estava quase sempre arrasada pelo cansaço do trabalho. Para este autor. desde os primeiros anos de vida.

percebe-se que toda uma discussão em torno da criança começa a se fazer presente no período. o século XVIII é considerado como um período de revalorização das tarefas educativas. “Trata-se. com isto. por um lado. p.. conforme Donzelot. na extremidade mais rica. freqüentemente.18).) para as adolescentes acrescenta-se a isso o confinamento debilitante em que são mantidas até a idade de sua primeira entrada no mundo. que “a imagem da infância mudou”. é denunciada a má administração dos hospícios e o pouco benefício do Estado em função da alta mortalidade das crianças. da ausência da ‘economia do corpo’”. “Trata-se.. Nesse sentido.) conservar as crianças significará por fim aos malefícios da criadagem. p.. torna-as inaptas para as tarefas da maternidade reproduzindo. Nessas publicações resultantes dos estudos médicos. promover novas condições de educação que. mudando. No lado oposto. ou seja. (. fazer com que todos os indivíduos que tem tendência a entregar seus filhos à solicitude do Estado ou à indústria mortífera das nutrizes voltem a educá-los (DONZELOT. 1986. organizar a vida dos pobres de modo 98 . a ponto de se dizer. e o segundo diz respeito à filantropia ou “economia social”. o que ocorre nesta época “é uma reorganização dos comportamentos educativos em torno de dois pólos bem distintos cada qual com estratégias bem diferentes”: o primeiro diz respeito às discussões sobre a medicina doméstica e as possibilidades de retirada das crianças das influências negativas das serviçais. No entendimento desse autor sobre a extremidade mais pobre do corpo social.. da ausência de uma ‘economia social’”. neste caso. ou seja.Universidade do Sul de Santa Catarina (. De acordo com Donzelot. 1986. possam fazer frente à nocividade e seus efeitos sobre as crianças que lhes são confiadas e. assim. a crítica maior recai sobre a educação do corpo a que as crianças são submetidas através das nutrizes e/ou serviçais. De acordo com este autor. reclusão enfraquecedora que. neste caso. a necessidade de serviçais (Donzelot. o sentimento em relação à infância.21). por outro lado.

Segundo Donzelot (1986. considerados Unidade 4 99 . entre o final do século XVIII e o fim do XIX. 23). o risco de depravação das crianças pela criadagem. „ 3.História da Educação I que diminuísse os custos sociais e produzisse trabalhadores com o mínimo de gastos públicos (DONZELOT. a utilização da família pelo médico contra as antigas estruturas de ensino.22). a educação e a medicação das crianças. ao mesmo tempo em que estabelecem uma nova relação com a família. essa ligação entre o médico e a família mexeu profundamente na vida familiar induzindo sua reorganização em pelo menos três dimensões: 1. a disciplina religiosa. a ausência de exercícios. nos colégios. Esse mesmo autor coloca que. os programas excessivos. também chamam atenção para os problemas na esfera pública. contra os efeitos das promiscuidades sociais. „ 2. o hábito do internato. ou seja. a promiscuidade nos dormitórios. p. em casa. os médicos elaboraram para as famílias burguesas uma série de livros sobre a criação. ou seja. Da mesma forma. Assim como nas casas o amontoamento de crianças. uma série de publicações foram impressas. o fechamento da família contra as influências negativas do antigo meio educativo. „ Os médicos. informando de modo especial às mães sobre a arte de cuidar de crianças na primeira infância. também nos internatos havia estes problemas. portadora de uma promoção da mulher por causa deste reconhecimento de sua utilidade educativa. contra os métodos e os preconceitos dos serviçais. assim como guias e dicionários de higiene para uso das famílias. além dos regulamentos conventuais dos liceus. a má ventilação dos cômodos. 1986. p. no sentido de modificar a educação e os sujeitos envolvidos na educação das crianças na esfera privada. a constituição de uma aliança privilegiada com a mãe.

a primeira Roda dos Expostos da cristandade. estava instalada em toda a Europa. Com esse movimento. inicialmente. In: MARCÍLIO. Esta foi. “onde os pais preparam a criança a aceitar a disciplina escolar. p. sem ser reconhecido. 57. até o século XIX. é que surge gradativamente a educação mista (escolar e familiar). De forma cilíndrica e com uma divisória no meio. girava a Roda e puxava um cordão com uma sineta para avisar à vigilante – ou Rodeira . velam pelas boas condições da educação pública” (1986. retirando-se furtivamente do local.megagaleria. fora do hospital do Santo Espírito in Saxia (ao lado do Vaticano) “em seu longo muro lateral. com um pequeno colchão. Segundo Marcílio (1998. p. tratava-se igualmente da preocupação de garantir a conservação das crianças e de estender os mesmos preceitos higiênicos. já que as crianças pobres teriam seus gastos custeados pelo Estado.Universidade do Sul de Santa Catarina como ‘educação homicida’. que serviu de modelo para as que surgiram posteriormente”.que um bebê acabara de ser abandonado. 1998. É sobre estes que os médicos alertam os pais e propõem uma cruzada contra tais modelos. as crianças aprendiam a ler e recebiam uma formação moral. com economia social (1986. p. O nome Roda – dado por extensão à casa dos expostos – provém do dispositivo de madeira onde se depositava o bebê. para receber os bebês. p. Aparentemente. Donzelot afirma que nada mais exemplar nessa reviravolta da relação Estado-família do que a história dos hospícios para menores abandonados. mesmo em pleno dia. estando rigorosamente vedada a busca de informações sobre quem os havia trazido”. de forma que. porém.27). No tabuleiro inferior da parte externa. 26). em 1203. A Roda foi criada. a retomada da Roda merece destaque. Figura: Casa da roda dos expostos Fonte: www. segundo Donzelot. mas ao mesmo tempo. chegando ao Brasil durante esse mesmo século. seguramente. foi instalada uma ‘Roda’. Todavia. esse dispositivo era fixado no muro ou na janela da instituição. a educação para as crianças pobres não ocorria desta maneira. 51). por volta do século XII e retomada a partir do século XVII. Nestas instituições. principalmente nos países católicos. religiosa e 100 . o expositor colocava a criancinha que enjeitava. E com a preocupação em unir respeito à vida e respeito à honra familiar.com/ pictures/pic O sistema de Rodas ou Casas de expostos difundiu-se praticamente por todo território europeu. em pouco tempo.

séc XIII Fonte: http://www. 101 Unidade 4 . pois entre as classes humildes ela demorará mais a se efetivar. por algum tempo ainda. dos mesmos jogos e das mesmas brincadeiras. essencialmente religiosa. p. da Virgem Maria e do nascimento e infância de alguns santos. a criança. Segundo Ariès (1981. a iconografia renascentista começa a representar mais as crianças junto de suas famílias e não apenas no espaço público. “cuidando-se” do seu corpo e da sua educação. para atenderem as crianças abandonadas e pobres. Além do sistema de Rodas. mas também no interior das casas. Esta separação é maior e mais imediata nas classes abastadas. e permaneciam até completarem em torno de 12 a 15 anos. Temos assim. essa diferenciação entre o vestuário adulto e infantil ocorrerá inicialmente com os meninos. historiedade. Neste sentido. Ou seja. se até o século XIV era bastante comum a criança se vestir como o adulto (usando inclusive perucas e sapatos de salto).com.br/ idademedia. a partir do século XVII haverá trajes cada vez mais definidos e apropriados para cada idade. gerando gradativamente uma separação maior entre o mundo dos adultos e o das crianças. se a iconografia medieval. Além destas questões apontadas nesta seção. imagens essas assexuadas e de crianças com feições de adultos. por exemplo. sendo vestidas. se restringe a expor imagens infantis do Menino Jesus.htm Quanto ao vestuário infantil. como “mulherzinhas”. principalmente. uma nova concepção da infância.História da Educação I “profissional”. tanto a rica (nos colégios e escolas) como a pobre (nas instituições de caridade e filantrópicas). a partir do período renascentista começarão a haver diferenças. Se na Idade Média as crianças participam ativamente de todas as atividades sociais. no decorrer da Idade Moderna. desde cedo. de Duccio di Buoninsegna National Gallery. nas classes favorecidas. Londres. As meninas continuarão. passa a ser alvo de proteção e controle. Figura: Madona e Santos. a partir do Renascimento. a iconografia também revela importantes fatos sobre a vida das crianças naquele período. 71). não se diferenciando muito dos adultos. participando das mesmas festas. outras instituições de caráter caritativo e filantrópico foram criadas.

e as instituições de caridade e filantropia para a segunda. Os colégios. p. as crianças e os adolescentes passam a ser educados em espaços cada vez mais fechados e os saberes são controlados e organizados para se adequarem às capacidades infantis. há todo um processo de percepções e questionamentos por parte de alguns membros da sociedade na época que provocam gradativas alterações no modo de entender. o que Varella chama de pedagogização dos conhecimentos. tanto a rica como a pobre. 89) indaga em seu texto sobre “quais foram os efeitos mais visíveis desta pedagogização dos conhecimentos que surgiram e se aperfeiçoaram nos colégios jesuítas e que. entre elas a escola. SEÇÃO 4 . Mas estas mudanças não ocorrem num passe de mágica. através de transformações e reinterpretações.Universidade do Sul de Santa Catarina Para essa nova infância. o sentimento da família em relação à infância muda. Na próxima seção. no final da Idade Média a criança começa a ser valorizada. para a primeira. A seguir. transcrevemos os três efeitos apontados pela autora: 102 . serão criadas novas formas e espaços de educação. estenderam-se a outras instituições educacionais de sua época e de épocas posteriores”. A partir do Renascimento. por exemplo. como vimos em outros momentos desta disciplina. e o Estado passa a se ocupar também da educação das crianças com a criação de diferentes instituições. Varella (1994. educar e cuidar a criança. você verá outras conseqüências dessa nova forma de ver as crianças e os adolescentes.A pedagogização dos conhecimentos e a disciplinarização dos sujeitos Como você pôde ver na seção anterior.

História da Educação I 1. Michel Foucault observa que. 3. que tinham por função realizar Ascese. à plenitude da vida moral. Unidade 4 103 . dos problemas sociais. mas a outros saberes. é exercício prático que leva à efetiva realização da virtude. em seres virtuosos. no decorrer dos séculos XVII e XVIII. segundo o dicionário Aurélio. Os saberes que possuíam os professores jesuítas eram saberes verdadeiros. diferentemente das disciplinas de tipo monástico. uma cultura que. 2. as disciplinas se tornaram fórmulas gerais de dominação. converteu-se na cultura dominante e reclamou para si o monopólio da verdade e da neutralidade. de um aparato disciplinar de penalização e de moralização dos colegiais. os saberes ligados ao mundo do trabalho. este processo de pedagogização dos saberes implicou a instauração. Com referência a este processo de disciplinarização que vai sendo implantado nas instituições. transmitidos por seus professores para convertê-los. a aquisição desses saberes moralizados não exigia uma cooperação – como acontecia. com o passar do tempo. Em primeiro lugar. destinada a materializarse numa obra bem feita. Os mestres passaram a ser os únicos detentores do saber e os estudantes viram-se relegados a uma posição de subordinação. Por último. sempre em consonância com a reta doutrina na Igreja e a tradição católica. que não remetiam a processos sociais. começaram a ficar marcados pelo estigma do erro e da ignorância. às lutas sociais. converteramse em sujeitos destinados a adquirir os ensinamentos dosificados. por exemplo. Deste modo. que ligou a aquisição da verdade e da virtude à ascese e renúncia de si mesmo. Foi deste modo que a disciplina e a manutenção da ordem nas salas de aula passaram a ocupar um papel central no interior do sistema de ensino até chegar praticamente a eclipsar a própria transmissão de conhecimento. saberes que se pretendiam neutros e imparciais. às culturas de determinados grupos ou classes sociais. com a aprendizagem de ofícios – entre mestres e aprendizes. como também a eles próprios . Eles viram-se desterrados do recinto sagrado da cultura culta. progressivamente aperfeiçoada. Eram saberes desvinculados das urgências materiais.

nem tampouco aprofundar sua sujeição. 104 . nos corredores. no século XVIII. mais tarde. ainda. treinados para transformarem-se em corpos “dóceis” e submissos.. das questões tratadas segundo uma ordem de dificuldade crescente (1989. 134). começa a definir a grande forma de repartição dos indivíduos na ordem escolar: filas de alunos na sala. colocação que ele obtém de semana a semana. ela agora só se compõe de elementos individuais que são colocados uns ao lado dos outros sob o olhar atento do mestre. (. p. e inversamente. uma manipulação calculada de seus elementos. mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mais útil.127). que visa não unicamente o aumento de suas habilidades. nos pátios. Com uma nova organização do tempo e do espaço. passa também para as escolas primárias. para o espaço hospitalar e. que a determinação de lugares individuais. o espaço escolar se desdobra.) esse momento histórico é o momento que nasce uma arte do corpo humano. de seus comportamentos (1989. mas também de vigiar. colocação atribuída a cada um em relação a cada tarefa e cada prova. de ano a ano. tornou possível o controle de cada criança individualmente e o trabalho simultâneo de todos. enfim todos passam a ser disciplinados. alinhamento das classes de idade umas depois das outras. para o militar. que a disciplina inicialmente presente nos colégios. a escola passa a funcionar como “uma máquina de ensinar.. A ordenação por fileiras. no entanto. Temos que ter presente. de mês a mês. de hierarquizar. sucessão dos assuntos ensinados.Universidade do Sul de Santa Catarina renúncias e como fim principal um aumento de domínio de cada um sobre seu próprio corpo. Foucault diz. p. Forma-se então uma política de coerções que são um trabalho sobre o corpo. de seus gestos. a partir de 1762. a classe torna-se homogênea. Mas como esta disciplina se manifesta ou é constituída numa classe escolar? Segundo Foucault.

Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e. Agora. Sendo assim. a seguir. para praticar os conhecimentos conquistados nesta unidade. Ou seja. realize. enfim toda a organização. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas. a seguir. regras. 1) Aponte uma razão para que. na Idade Média. os mosteiros abrissem suas portas para as crianças abandonadas. p. a escola com seus horários. conteúdos. o autor afirma que “a primeira das grandes operações da disciplina é então a constituição de quadros vivos que transformam as multidões confusas. Para melhor aproveitamento do seu estudo. incute virtudes e valores a serem seguidos na sociedade.135). as atividades propostas. acompanhe as respostas e comentários a respeito. p.134). inúteis e perigosas em multiplicidades organizadas” (1989.História da Educação I de recompensar” (1989. Unidade 4 105 .

Aponte uma mudança que ocorreu em relação ao modo de educar as crianças. Romanos Germanos 3) Durante o século XVII.Universidade do Sul de Santa Catarina 2) A civilização germânica e a civilização romana possuíam modos distintos de tratar a criança. Com base no texto da seção 2. surgiram estudos sobre a infância que provocaram uma reorganização nos costumes das famílias sobre o modo de cuidar e de educar as crianças. 106 . construa um quadro síntese a respeito do entendimento/tratamento de cada uma sobre a criança.

a prática de abandonar crianças pequenas era bastante comum nas civilizações ocidentais. você teve oportunidade de entrar em contato com informações sobre a infância em diferentes períodos históricos. que agiam de forma diferenciada com suas crianças. Na seção 2. muito cedo eram iniciadas na vida do trabalho. Viu. a “apologia da caridade em relação ao enjeitado”. também. na Antiguidade. com isto. Na primeira seção. você teve oportunidade de conhecer duas grandes referências culturais. vários mosteiros abriram suas portas para receber crianças abandonadas e se inicia. Mesmo sendo filho legítimo (de Unidade 4 107 . também.História da Educação I 4) Quais as principais características presentes nas práticas escolares para disciplinar os sujeitos e torná-los dóceis e submissos? Síntese Nesta unidade. principalmente as pobres. Neste período. a romana e a germânica. que as crianças que sobreviviam. Os romanos legavam ao pai (pater familias) o poder de vida ou de morte sobre as crianças. você pôde perceber que.

as taxas de mortalidade infantil eram altíssimas. o pai poderia reconhecê-lo ou rejeitá-lo. seu espaço. Os germanos não praticavam o infanticídio. você pôde perceber como a disciplina. A escola. a definição de modos de conduta. principalmente nas famílias mais ricas. pois os rejeitados eram assumidos pela linhagem materna.Universidade do Sul de Santa Catarina sangue). Nesta época. que passa a fazer parte das práticas dos colégios e das escolas primárias. a morte. no entanto. já havia sentimento em relação às crianças tanto que os pais choravam a morte de seus filhos. Na seção 3. você pôde perceber que com o Renascimento difunde-se uma literatura humanista e moralista. provocando. uma reorganização nos costumes e modos de educar as crianças. com isto. buscava a formação de um sujeito disciplinado. preocupada com a família e a infância. A preocupação com o alto índice de mortalidade infantil e com o modo como as crianças eram educadas fez com que Família e Estado passassem a conduzir os processos educativos tanto na vida privada (na casa) como na pública (colégios). a rejeição significava. as mulheres amamentavam as crianças e as crianças tinham uma educação comum até certa idade. A introdução da medicina doméstica é a responsável por grande parte das modificações desses costumes. Na seção 4. busca formar um sujeito dócil e submisso. com sua organização. na maioria dos casos. 108 . Caso o pai não o reconhecesse publicamente. o controle dos saberes e do tempo.

. Disponível em: http://www. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. 1989. Jacques. T. A polícia das famílias. Tradução de Ligia M. Philippe. FEIST. 2004. 7. você poderá realizar leituras nos seguintes livros e sites: ARIÈS. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. CAMBI. R. 1981. 1986. São Paulo: Ed. Pondré Vassalo. Do topo de uma montanha temos um ótimo ângulo de visão das coisas.História da Educação I Saiba mais Para ampliar seus conhecimentos sobre as questões abordadas nesta unidade.br/~revispsi/v5n1/ artigos/a03. Colin.htm Unidade 4 109 . Ivone Garcia. 1991. HEYWOOD.. Uma história da infância: da Idade Média a época contemporânea.hottopos. FOUCAULT. BARBOSA. História da Pedagogia. J. ed.. Petrópolis: Vozes. F. ed. História social da criança e da família. A individualização da criança. H. Ricardo. GÉLIS.. ed. Rio de Janeiro: Edições Graal Ltda. São Paulo: Companhia das Letras. da Costa Albuquerque. 2000. A Educação Infantil na Idade Média. da UNESP. Disponível em: http://www2. COSTA. História da Vida Privada 3: da Renascença ao Século das Luzes.com/videtur17/ricardo. In: CHARTIER. MAGALHÃES.uerj. Porto Alegre: Artmed. Tradução de M. 1991.htm DONZELOT. Michel. Solange Martins de Oliveira. mas será que podemos ver tudo? Uma reflexão sobre as políticas públicas para a educação da infância. 2. 2.

Petrópolis: Vozes. 1994. São Paulo: Hucitec. O sujeito da educação: estudos foucaultianos. O estatuto do saber pedagógico. 110 .). Maria Luiza. Julia.Universidade do Sul de Santa Catarina MARCÍLIO. 1998. VARELA. In: SILVA. História social da criança abandonada. Tomaz Tadeu da (Org.

evidenciar como cada época (tempo/espaço) construiu suas idéias pedagógicas e. Quanto ao período contemporâneo. de onde se origina e se constitui. outros sujeitos. a partir destes. na disciplina de História da Educação II. suas práticas educativas. Mesmo dentro dos períodos priorizados para análise. outras fontes. que tratará da educação no Brasil. principalmente. Por exemplo. o recorte espacial e temporal remeteu ao contexto europeu. foram escolhidos determinados temas que julgamos serem fundamentais para sua formação como pedagoga(o). . compreendendo os séculos XIX. Esperamos que você tenha sido provocado a desvelar outras histórias.Para concluir o estudo Tendo em vista a impossibilidade de abarcar todos os tradicionais períodos históricos. mas poderiam ter sido outras. você poderá ver como vários aspectos aqui pontuados se desenvolveram na realidade brasileira. optamos em focar certos elementos de alguns desses períodos e. são muitas as histórias e muitas as questões a serem formuladas. não o tomamos como foco de análise. Retomando Bertold Brecht. pois as demais disciplinas do curso trarão discussões pertinentes e direcionadas a estes contextos educativos. em muitos aspectos. o nosso modelo escolar. outras questões. como foram tratadas as crianças no nosso contexto e como se constituíram as instituições educativas e as idéias pedagógicas em nosso país. Procuramos aqui levantar algumas delas. Contudo. Sem dúvida. XX e XXI.

Embora você tenha estudado o quanto as instituições até hoje disciplinaram os saberes e os sujeitos. que colaborem na formação de pessoas. Sucesso na continuidade dos estudos! Professoras Karen. Leonete e Rosmeri . gostaríamos de deixar claro que é possível constituir instituições com outras configurações.

2ª ed. Educação jesuítica e crianças negras no Brasil colonial. Belo Horizonte. dez/1997.Referências ARANHA. São Paulo: UNESP. Discurso sobre o Espírito Positivo (e outros). Marisa. Educação modernidade e civilização: fontes e perspectivas de análise para a história da educação oitocentista. 2003. História da privada. (Coleção Os Pensadores). Brasília. CAMBI. ARIÈS. Peter. T. São Paulo: UNESP. Maria Lúcia de Arruda. 1986. BURKE. Tradução por José Arthur Gianotti. São Paulo: UNESP. COSTA. ed. CARVALHO.. 1992. Jacques. História da Pedagogia. set/dez. FONSECA. 1999. A Educação Infantil na Idade Média. 1996. 2. no. VEIGA. Espaço em Revista. São Paulo: Companhia das Letras. Thais Nívia de L. São Paulo: UNESP. Georges (Org. História da Educação. 1983. Peter. A. n. v. FERREIRA Jr. COMTE. Peter (Org. 1929-1989. 2002. FARIA FILHO. Disponível em: http://www. BURKE. BURKE. Amarildo e BITTAR.hottopos. Marta Maria Chagas de. Philippe. 2. A polícia das famílias. História social da criança e da família.). p. Ricardo. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 1991. .. Luciano Mendes de (org. 1990. 1998. 1999. São Paulo. São Paulo: Moderna. ed. História e Historiografia da Educação no Brasil. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos.) A escrita da história: novas perspectivas. Rio de Janeiro: Edições Graal Ltda. 1981. Tradução de M. História e teoria social. Abril Cultural. Belo Horizonte: Autêntica.htm DONZELOT. da Costa Albuquerque.26. Tradução Maria Lucia Machado. Cynthia G.472-482. DUBY. Franco. História da Educação: notas em torno de uma questão de fronteiras.com/videtur17/ricardo. 80.).. Belo Horizonte: Autêntica. 196. A Revolução Francesa da historiografia: a Escola dos Annales. 2: da Europa feudal à Renascença.

História da Educação. Jr. Paulo. PERROT.) História: novos objetos. OPTIZ.. Nacional. História social da infância no Brasil. Paulo. Filosofia e história da educação brasileira. Porto Alegre: Artmed. 2002. Disponível em: http://www. O ensino na Idade Média. Ivone Garcia. 2ª. 1991. FREITAS. br/~revispsi/v5n1/artigos/a03. História social da criança abandonada. ed.htm ..FOUCAULT. PERNOUD. In: CHARTIER.br/revista/historia/luz2. GÉLIS. Jacques e NORA. 1989. ed. Moysés. 2003.. São Paulo: Cortez. Marcos Cezar de (Org. 1998. mas será que podemos ver tudo? Uma reflexão sobre as políticas públicas para a educação da infância. 1997. LE GOFF. FEIST. A individualização da criança. Eliane Marta Teixeira. Tradução de Ligia M.. Maria Luiza. Barueri. Colin. Do topo de uma montanha temos um ótimo ângulo de visão das coisas. MAGALHÃES. Georges.uerj.org.. 1998. São Paulo: Cortez. ed. Michelle. SP: Manole. Vigiar e Punir: nascimento da prisão.). 1998.. 7. 1991.). ed. 3ª. Disponível em: http://www2. R.. Rio de Janeiro: Zahar Editores. (Org. Os intelectuais na história da infância. H. A história da riqueza do homem. ed. Porto: Afrontamento. São Paulo: Hucitec. Solange Martins de Oliveira. História da educação e da pedagogia. J. 1985. Marcos Cezar de e KUHLMANN Jr. Infância e educação infantil: uma abordagem histórica. Lorenzo. São Paulo: Cortez. Porto Alegre: Mediação. Moysés (Orgs. HEYWOOD.. ed. 2005. História das Mulheres.). 20. Uma história da infância: da Idade Média a época contemporânea. História da Educação. Leo. Rio de Janeiro: DP&A. Régine. KUHLMANN. 2004. 2ª. GHIRALDELLI Jr. Pierre (Orgs. São Paulo: Ed. Volume 2. Claudia. GHIRARDELLI Jr. 1985. FREITAS. 1994. permanencia. LUZURIAGA. Pondré Vassalo.. O quotidiano da mulher no final da Idade Média (12501500) In: DUBY. Rio de Janeiro: Francisco Alves. HUBERMAN. Michel..htm MARCÍLIO. 16ª. Petrópolis: Vozes. BARBOSA. História da Vida Privada 3: da Renascença ao Século das Luzes. São Paulo: Companhia das Letras. LOPES. 1976.

2004. XAVIER. História e historiografia da educação. Breves considerações sobre Fontes para a História da Educação. Em Aberto. O estatuto do saber pedagógico. Porto Alegre: Artes Médicas. Maria Isabel Moura (org). 1994. In: SILVA. História das crianças no Brasil. História e historiografia da educação. Fontes. André. 2004. Contribuições da história para a educação. Julia. Fontes. Mirian Jorge. VARELA. Tomaz Tadeu da (Org. Produção da escola / produção da sociedade: análise sócio-histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente. In: LOMBARDI.). In: LOMBARDI. José Claudinei e NASCIMENTO. Mary Del (org. Ano 9. O sujeito da educação: estudos foucaultianos. 47. Trad. WERLE. 1994.PETITAT. Campinas-SP: Autores Associados. WARDE. Flávia Obino Corrêa. Petrópolis: Vozes.: Eunice Gruman. P. 1999.). José Claudinei e NASCIMENTO. São Paulo: FTD. Maria Elisabete S. CampinasSP: Autores Associados. 1990. História das instituições escolares: de que se fala?. Dermeval. n. História da Educação: a escola no Brasil. 1994. São Paulo: Contexto. PRIORE. Brasília. INEP. Maria Isabel Moura (org). . SAVIANI.

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História das Mulheres de Santa Catarina e na revista Perspectiva (CED-UFSC). Atuou como professora de nível superior na UNIVILLE. É doutoranda do programa de Pós-Graduação em Educação: História. Atuou como professora de séries iniciais nas redes municipal de Florianópolis e estadual de Santa Catarina e em instituições particulares e no ensino superior da UDESC e UFSC. Leonete Luzia Schmidt Formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestre em Educação também pela UFSC. História para as Séries Iniciais. lecionando as disciplinas de História da Educação. onde defendeu dissertação intitulada “A constituição da rede pública de ensino elementar em Santa Catarina – 1830/1859”. Foi professora da rede pública e privada de ensino. Rosmeri Schardong Formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestre em Educação também . Geografia para as Séries Iniciais e Fundamentos Sociológicos. Política e Sociedade. da PUC/SP. Estágio Supervisionado e Pesquisa e Prática Pedagógica. lecionando as disciplinas de História da Educação. nos níveis fundamental e médio. Há dez anos é professora do curso de Pedagogia da Unisul. e na Educação de Jovens e Adultos. UDESC e UFSC. É professora do curso de Pedagogia e Letras da Unisul desde 2001.Sobre as professoras conteudistas Karen Christine Rechia Graduada e Mestre em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). É autora de artigos nos livros: História de Santa Catarina: estudos contemporâneos.

118 . Atuou como professora das séries iniciais na rede estadual catarinense durante dez anos. onde defendeu dissertação intitulada “A instrução pública secundária em Desterro – o Atheneu Provincial (18741883)”. É professora do curso de Pedagogia da Unisul desde 1998.Universidade do Sul de Santa Catarina pela UFSC. lecionando as disciplinas de História da Educação e Estágio Supervisionado.

. De maneira geral é importante observar as práticas educativas. o papel das mulheres. a relação entre as classes sociais. Unidade 2 1) Sobre os filmes: Os aspectos relacionados a Unidade dependem do filme. Caso tenha dúvidas como realizar as atividades você poderá obter maiores informações com o tutor da disciplina. as formas de trabalho. o ambiente social etc 2) Nesta questão os dois tópicos já indicam o que se quer atingir. como esta pode ser escrita e que temas e fontes prioriza.Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação Unidade 1 1) Itens A e B são verdadeiros. na coluna Principais Representantes você deve escrever o nome dos autores que escreveram/ escrevem sobre cada tendência. 3) Resposta subjetiva. na coluna Idéias Centrais você deverá pontuar as principais idéias de como cada tendência entende a história. 2) Orientações para elaboração do quadro: na coluna Tendências você deve indicar o nome das três tendências e /ou teorias abordadas na seção 2. Item C é falso. o papel da Igreja e da religiosidade.

que possuía poder aquisitivo. as crianças colocadas umas ao lado das outras sob o olhar atento do mestre.Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 3 1) Em linhas gerais. B e E são Verdadeiros. também filhos de Deus. Ou a mãe passa a participar mais da educação dos filhos. nos corredores. mas carecia dos conhecimentos clássicos que a nobreza até então detinha. 4) Itens A. 2) Garantir a uniformização que facilitaria o controle sobre as práticas e conteúdos desenvolvidos e evitaria desvios dos princípios defendidos pela Ordem Jesuítica. pode-se dizer que os colégios atenderam aos interesses de uma burguesia nascente/renascentista. 3) Resposta subjetiva. Ordenação por fileiras: filas de alunos na sala. das questões tratadas segundo uma ordem de dificuldade crescente. Unidade 4 1) Muitos membros da Igreja haviam sido abandonados pelos pais e por isso buscavam abrigar os que passavam pela mesma situação. 2) Resposta livre. 3) A educação passa a ser mista. 120 . Alinhamento das classes de idade umas depois das outras. 4) A classe torna-se homogênea. Família e Estado assumem a educação das crianças. no pátios. um padrão de civilidade e polidez que os distinguiria dos trabalhadores. Os colégios forneceriam a seus alunos. além dessa cultura geral clássica. além disso a Igreja passa a pregar a caridade para com os abandonados. Sucessão dos assuntos ensinados. Itens D e F são Falsos. Colocação atribuída a cada um em relação a cada tarefa e cada prova.

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