Universidade do Sul de Santa Catarina

História da Educação I
Disciplina na modalidade a distância

Palhoça UnisulVirtual 2006

Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina História da Educação I. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma, abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando uma linguagem que facilite seu estudo a distância. Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho. Não esqueça que sua caminhada nesta disciplina também será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade, seja por correio postal, fax, telefone, e-mail ou Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem - EVA. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois sua aprendizagem é nosso principal objetivo. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual.

Karen Christine Rechia Leonete Luzia Schmidt Rosmeri Schardong

História da Educação I
Livro didático

Design instrucional Viviani Poyer

Palhoça UnisulVirtual 2006

Copyright © UnisulVirtual 2006 N enhum a parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer m eio sem a prévia autorização desta instituição.

370.9 R24 Rechia, Karen Christine História da educação I : livro didático / Karen Christine Rechia, Leonete Luzia Schmidt, Rosmeri Schardong ; design instructional Viviani Poyer. – Palhoça : UnisulVirtual, 2006. 120 p. : il. ; 28 cm.

Inclui bibliografia. ISBN 85-60694-08-0 ISBN 978-85-60694-08-2

1. Educação – História. I. Schmidt, Leonete. II. Schardong, Rosmeri. III. Poyer, Viviani. IV. Título.
Ficha catalográf ica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul

Cr édi tos
Uni sul- Uni ver si dade do Sulde Santa Catar i na Uni sul Vi r tual- Educação Super i ora Di stânci a
Cam pusUni sul Vi r tual Rua João Pereira dos Santos, 303 Pal hoç a - SC- 88130-475 Fone/ f ax:( 48)3279-1541 e 3279-1542 E-mail :c ursovirtual @unisul . br Site:www. virtual . unisul . br Rei torUni sul Gerson LuizJoner da Sil veira Vi ce-Rei tore Pr ó-Rei tor Acadêm i co Sebastião Sal ésio Heerdt Chef e de gabi nete da Rei tor i a Fabian Martins de Castro Pr ó-Rei torAdm i ni str ati vo Marc us Viní c ius Anátol es da Sil va Ferreira Cam pusSul Diretor:Val ter Al ves Sc hmitzNeto Diretora adj unta:Al exandra Orsoni Cam pusNor te Diretor:Ail ton Nazareno Soares Diretora adj unta:Cibel e Sc huel ter Cam pusUni sul Vi r tual Diretor:João Vianney Diretora adj unta:Juc imara Roesl er Equi pe Uni sul Vi r tual Adm i ni str ação Renato AndréLuz Val mir Vení c io I nác io Bi bl i otecár i a Soraya Arruda W al tric k Coor denação dosCur sos Adriano Sérgio da Cunha Ana Luisa Mül bert Equi pe Di dáti co-Pedagógi ca Angel ita M arç alFl ores Carmen Maria Cipriani Pandini Carol ine Batista Carol ina Hoel l er da Sil va Boeing Cristina Kl ipp de Ol iveira Daniel a Erani Monteiro W il l Dênia Fal c ão de Bittenc ourt Enzo de Ol iveira Moreira Fl ávia Lumi Matuzawa Karl a Leonora Dahse Nunes Leandro Kingeski Pac hec o Ana Paul a Reusing Pachec o Cátia Mel issa S.Rodrigues ( Auxil iar) Charl es Cesc onetto Diva Marí l ia Fl emming I tamar Pedro Bevil aqua Janete El za Fel isbino Juc imara Roesl er Lil ian Cristina Pettres ( Auxil iar) Lauro JoséBal l oc k LuizGuil herme Buchmann Figueiredo LuizOtávio Botel ho Lento Marcel o Caval c anti Mauri LuizHeerdt Mauro Fac c ioni Fil ho Mic hel l e Denise DurieuxLopes Destri Moac ir Heerdt Nél io Herzmann Onei Tadeu Dutra Patrí c ia Al berton Patrí c ia Pozza Raul ino Jac ó Brüning Rose Cl ér E.Bec he Desi gn Gr áf i co Cristiano Neri Gonç al ves Ribeiro ( c oordenador) Adriana Ferreira dos Santos Al exSandro Xavier Evandro Guedes Mac hado Fernando Roberto Dias Zimmermann Higor Ghisi Luc iano Pedro Paul o Al ves Teixeira Raf aelPessi Vil son Martins Fil ho Ligia M aria Souf en Tumol o Márc ia Loc h Patrí c ia Meneghel Sil vana Denise Guimarães Tade-Ane de Amorim Vanessa de Andrade Manuel Vanessa Franc ine Corrêa Viviane Bastos Viviani Poyer Logí sti ca de Encontr osPr esenci ai s Marc ia Luzde Ol iveira ( Coordenadora) Arac el l i Aral di Grac iel e Marinês Lindenmayr JoséCarl os Teixeira Letí c ia Cristina Barbosa Kênia Al exandra Costa Hermann Prisc il a Santos Al ves Logí sti ca de M ater i ai s Jef erson Cassiano Al meida da Costa ( c oordenador) Eduardo Kraus M oni tor i a e Supor te Raf aelda Cunha Lara ( c oordenador) Adriana Sil veira Carol ine Mendonç a Dyego Rac hadel Edison Rodrigo Val im Franc iel l e Arruda Gabriel a Mal inverni Barbieri Gisl ane Frasson de Souza Josiane Conc eiç ão Leal Maria Eugênia Ferreira Cel eghin Simone Andréa de Castil ho Viní c ius Mayc ot Seraf im Pr odução I ndustr i ale Supor te Arthur EmmanuelF.Sil veira ( c oordenador) Franc isc o Asp Pr oj etosCor por ati vos Diane DalMago Vanderl ei Brasil Secr etar i a de Ensi no a Di stânci a Karine Augusta Zanoni ( sec retária de ensino) Ana Paul a Pereira Dj eime Sammer Bortol otti Carl a Cristina Sbardel l a Grasiel a Martins James MarcelSil va Ribeiro LamuniêSouza Liana Pampl ona Maira Marina Martins Godinho Marc el o Pereira Marc os Al c ides Medeiros Junior Maria I sabelAragon Ol avo Laj ús Prisc il l a Geovana Pagani Sil vana Henrique Sil va Secr etár i a Executi va Viviane Sc hal ata Martins Tecnol ogi a Osmar de Ol iveira BrazJúnior ( c oordenador) Ric ardo Al exandre Bianc hini Rodrigo de Barc el os Martins Edi ção -- Li vr o Di dáti co Pr of essor asConteudi stas Karen Christine Rec hia Leonete Luzia Sc hmidt Rosmeri Sc hardong Desi gn I nstr uci onal Viviani Poyer Pr oj eto Gr áf i co e Capa Equipe Unisul Virtual Di agr am ação Vil son Martins Fil ho Revi são Or togr áf i ca B2B

. . . . . . . abordagens e fontes .Sumário Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 09 Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . – Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 03 Palavras das professoras conteudistas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 Referências . . . . . . . . . 119 . . . . . . . . . . . . . . . . 113 Sobre as professoras conteudistas . . . . . – As práticas educativas medievais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . – A infância e a pedagogia moderna . . . . . 117 Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 41 65 89 Para concluir o estudo . 11 UNIDADE UNIDADE UNIDADE UNIDADE 1 2 3 4 – História da Educação: objetos. . . . . .

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a educação nas corporações de ofícios. começando pela Antiguidade. como a educação feminina. Quanto à época moderna. Para finalizar.Palavras das professoras Caro estudante. para situar e compreender algumas práticas educativas relacionadas a este período. a formação dos cavaleiros e a constituição das universidades. optamos em fazer algumas escolhas. optamos por enfocar aspectos da cultura escolar presentes nos colégios modernos e na pedagogia jesuítica. Por tratar-se de um período extensivamente longo. Mesmo seguindo alguns desses períodos. você irá conhecer o contexto histórico da chamada Idade Média Ocidental. apresentando alguns aspectos da trajetória histórica da infância. . Iniciamos o presente livro apresentando um pouco das atuais discussões que permeiam o campo de estudos e pesquisas em História da Educação. Veremos aí que é possível estudar a História da Educação sob diferentes abordagens e temas e a partir de diferentes fontes. passando pela Idade Média e Moderna e chegando à Idade Contemporânea. Os livros de História da Educação estão organizados de modo a abarcar o estudo dos tradicionais períodos históricos. os quais ajudarão a compreender muitas das atuais características de nossas instituições de ensino. acaba-se por fazer um estudo panorâmico. Em seguida. Também enfatizamos a constituição de uma nova concepção de infância na modernidade e como esta derivou na pedagogização dos conhecimentos e no disciplinamento dos sujeitos. discutiremos a infância e a pedagogia moderna.

em outras disciplinas. século XIX e XX.Quanto às questões educacionais do período contemporâneo. no decorrer do livro. na medida do seu interesse e disponibilidade. indicar fontes extras de pesquisa para que você possa. você terá a oportunidade de discuti-las com mais propriedade. Leonete e Rosmeri . aprofundar os temas apresentados. acreditamos que. Boa aprendizagem! Professoras Karen. Procuramos.

Carga Horária 60 horas – 4 créditos. O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam. As práticas educativas medievais. você encontrará elementos que esclarecerão o contexto da Disciplina e sugerirão formas de organizar o seu tempo de estudos.EVA. Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica. abordagens e fontes. a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/ mediação. „ „ Ementa História da educação: objetos. as atividades de avaliação (complementares.Plano de estudo O plano de estudos visa orientá-lo/la no desenvolvimento da Disciplina. Educação e infância na modernidade. a distância e presenciais). São elementos desse processo: „ o livro didático. Nele. . o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem . Assim.

„ „ „ „ „ „ Conteúdo programático/objetivos Veja. Estes se referem aos resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de estudo. Identificar os sujeitos/grupos sociais que foram atingidos ou excluídos pelas instituições educacionais ao longo do tempo. „ Conhecer as práticas educativas medievais e modernas. Relacionar o panorama histórico com as idéias pedagógicas e suas aplicações educacionais. as unidades que compõem o Livro Didático desta Disciplina e os seus respectivos objetivos. Unidades de estudo: 4 12 . bem como analisar o uso de diferentes fontes de pesquisa nesta área. Analisar alguns modos de tratamento dispensados à infância em diferentes períodos históricos. Compreender o processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos na modernidade. a seguir. assim como a ampliação e multiplicidade de temas ou objetos de pesquisa nas últimas décadas.Objetivos Identificar as concepções de História que implicam em diferentes abordagens acerca da História da Educação. Identificar as principais características da pedagogia jesuítica. Reconhecer as diferenças entre as formas educacionais no tempo e em sociedades distintas. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua formação.

Para entender a concepção de infância do período moderno. 13 . assim como a ampliação e multiplicidade de temas ou objetos de pesquisa nas últimas décadas. idéias. Verá que a partir do Renascimento institui-se uma nova concepção de infância que resultará num processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos. você iniciará o estudo desta unidade vendo como a infância foi tratada em diferentes momentos históricos. você verá as principais características que a pedagogia e a escola moderna adquiriram em função das novas concepções sobre a criança desenvolvidas no período. sistematizada a partir da Ratio Studiorum (1599). bem como algumas práticas educativas desenvolvidas nesse período. Também abordar-se-á o uso de diferentes fontes de pesquisa nesta área. Unidade 3 – Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica Esta unidade iniciará discutindo a constituição e as características dos colégios modernos no século XVI. Unidade 2 – As práticas educativas medievais O estudo desta unidade lhe proporcionará conhecer o contexto histórico da Idade Média. Você estudará. ainda.IHistória da Educação: objetos. Unidade 4 – A infância e a pedagogia moderna Nesta unidade. abordagens e fontes Nesta unidade. pretende-se discutir concepções de História que implicam em diferentes abordagens acerca da História da Educação.Nome da disciplina Unidade 1 . como a educação das mulheres. a educação dos cavaleiros e a educação nas corporações de ofícios. bem como a pedagogia jesuítica. a formação das universidades medievais. e sua influência na constituição de um determinado modelo de escola e sujeito.

e da interação com os seus colegas e tutor. da realização de análises e sínteses do conteúdo. Registre no espaço a seguir as datas. Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da Disciplina. Não perca os prazos das atividades. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura. „ „ 14 . organize-se para acessar periodicamente o espaço da Disciplina.Universidade do Sul de Santa Catarina Agenda de atividades/ Cronograma „ Verifique com atenção o EVA. com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA.

Nome da disciplina Atividades Avaliação a Distância 1 Avaliação a Distância 2 Avaliação Presencial 1 Avaliação Presencial 2 (2ª. chamada) Avaliação Final (caso necessário) Demais atividades (registro pessoal) 15 .

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Seção 3 Fontes e objetos para a História da Educação.UNIDADE 1 História da educação: objetos. . Seção 2 Abordagens teórico-metodológicas para a escrita da História. assim como a ampliação e multiplicidade de temas ou objetos de pesquisa nas últimas décadas. Analisar o uso de diferentes fontes de pesquisa nesta área. „ Seções de estudo Seção 1 Concepções de História e de História da Educação. abordagens e fontes Objetivos de aprendizagem „ 1 Identificar as concepções de História que implicam em diferentes abordagens acerca da História da Educação.

você registrasse seu conhecimento sobre: 18 . por outro. para iniciarmos nossas discussões. nos últimos tempos. pretende-se discutir com você algumas questões relacionadas ao debate contemporâneo em torno da História da Educação.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade introdutória. em função das inúmeras questões que ficam em aberto. Em seguida. mesmo que de forma aproximativa. de algumas questões atuais que têm norteado sua discussão. para. mas. a seguir. história e história da educação. história e história da educação. contribuem para o avanço teórico-metodológico e para as novas possibilidades de investigação. Acreditamos que é importante para o estudo da História da Educação situar-se. dificultam. por profundas discussões que.Concepções de História e de História da Educação Acreditamos que. Destacamos que a área da História da Educação ou o campo da História da Educação tem passado. Para isso iniciaremos analisando os “termos” educação. gostaríamos que nos espaços. na seqüência. abordarmos a questão dos possíveis objetos e fontes a serem explorados pela área. traçaremos um rápido perfil das principais tendências historiográficas que marcaram e têm marcado o campo da História da Educação. SEÇÃO 1 . seja interessante você refletir um pouco sobre os termos educação. Assim. por um lado.

Embora isso não seja incorreto. um processo que ocorre no decorrer da sua existência e em diferentes espaços formais e não formais. variáveis no tempo e no espaço histórico-social. ou seja. é bastante comum relacionar-se o termo educação com escola e ensino e história com o estudo do passado.História da Educação I O que é educação? O que é história? O que é história da educação? Não temos aqui a pretensão de esgotar a discussão sobre tais termos. ligados à prática social e. é preciso ampliar essa compreensão. “ninguém escapa da educação”. Não pretendemos oferecer respostas prontas e acabadas. mas apenas problematizá-los. Quando realizamos essa atividade de sondagem com nossas turmas presenciais. podemos dizer. Assim. portanto. já que esses termos/conceitos são historicamente construídos. Unidade 1 19 . dentre inúmeras outras formas. principalmente devido a seus múltiplos sentidos. Como diria Carlos Rodrigues Brandão. quanto à educação. que é o processo de formação do ser humano.

11). embora o ensino tradicional de história enfatize fatos isolados e apenas alguns indivíduos como promotores da história. p. Arrastaram eles os blocos de pedra? E a Babilônia várias vezes destruída Quem a reconstruiu tanta vezes? Em que casas Da Lima dourada moravam os construtores? Para onde foram os pedreiros. Gostaríamos. “entre outros. Nesse sentido. Ghiraldelli Jr. diz que há. Ele se refere tanto aos processos de existência e vida real dos homens no tempo como ao estudo científico.” (1994. Sozinho? César bateu os gauleses. O jovem Alexandre conquistou a Índia. do escritor alemão Bertold Brecht (1898-1956) nos dá um pouco essa dimensão e nos alerta para estarmos atentos a outras histórias e a outros sujeitos históricos. PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ Quem construiu a Tebas de sete portas? Nos livros estão nomes de reis. componentes do que se chama o processo histórico. a seguir. de destacar que. em nosso entender ela é construída cotidianamente pelos grupos humanos. à pesquisa e ao relato estruturado desses processos humanos. na noite em que a Muralha da China ficou pronta? A grande Roma está cheia de arcos do triunfo Quem os ergueu? Sobre quem Triunfaram os Césares? A decantada Bizâncio Tinha somente palácios para os seus habitantes? Mesmo na lendária Atlântida Os que se afogavam gritaram por seus escravos Na noite em que o mar a tragou. ainda. o poema. dois significados básicos. Não levava sequer um cozinheiro? 20 .Universidade do Sul de Santa Catarina Quanto à História. num tempo e espaço determinados.

assegurava a História. 2005. a História como disciplina escolar foi organizada na perspectiva pragmática da formação do cidadão. naquele momento. com base somente no conteúdo de documentos escritos. Neste contexto. ainda conforme Veiga. apesar de existirem outros estudos históricos que contemplassem outros objetos “a história política era considerada (ao menos no âmbito da profissão) mais real ou mais séria que o estudo da sociedade ou da cultura”. criados.asp?RegSel=15 0&Pagina=6#materia> O Brasil passa a ser constituído enquanto Estado/Nação a partir de 1822. Tantas questões. A Historiografia constituise num campo de estudo sobre a própria forma de se produzir e escrever a História.br/seb/arquivos/pdf/bronze. portanto. pp.com.ig.gov. bem como na utilização dos registros oficiais para a escrita da História. como verdade absoluta. Quem venceu além dele? Cada página uma vitória. Quem pagava a conta? Tantas histórias. há outra(s) forma (s) de escrevê-la? Segundo Veiga. historiadores como Jacques Le Goff e Peter Burke. baseada na escrita dos historiadores. entre outros. 2003. A idéia predominante na época era de que o conhecimento produzido a partir de fontes oficiais. (disponível em <http://portal. 20). p. acessar <http://eaprender.mec. Peter Burke diz que. leva em conta a sociedade e época na qual o indivíduo está inserido. Ninguém mais chorou? Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos. (verbete Historiografia. quando sua Armada Naufragou. br/ensinar. In: Dicionário de Conceitos Históricos. 189193). Esta forma está associada a quem escreve e. muitos Estados/Nação estavam sendo constituídos. Para compreender melhor a trajetória deste conceito. Anterior a esta data. com a proclamação da independência. Quem cozinhava o banquete? A cada dez anos um grande Homem.História da Educação I Filipe da Espanha chorou. Unidade 1 21 .pdf>) Mas se a História não é um conjunto de explicações e de certezas sobre fatos e acontecimentos do passado. observam que a historiografia que se consolidou no século XIX foi aquela caracterizada pela narrativa dos eventos políticos. ele era uma colônia pertencente e administrada por Portugal. (apud Veiga. Isto porque. como critério de cientificidade.

29) que “o fato de a trajetória da História da Educação estar relacionada à Pedagogia e ao ensino dificultou sua constituição como uma área de pesquisa propriamente dita.. (. conforme os historiadores. vai sendo questionada e dando lugar a outras concepções. O problema. p. estando sempre acompanhada de perto pela Filosofia da Educação. tendo como sujeitos os “personagens ilustres” e os “heróis” eleitos de cada época (possivelmente aquela História que muitos de nós aprendemos na escola). Lopes (2005. como uma disciplina dos Cursos Normais. reflita um pouco sobre a seguinte questão: História da educação é um campo que pertence à História ou à Educação? 22 . dos cursos que formavam professores. sugerimos que você. Isso não significa que a História factual e política tenham deixado de existir e nem mesmo que não tenham sua importância. Quanto à História da Educação. na Europa. questão que você verá na seção 2. p. No Brasil. ainda. diz respeito ao método ou a abordagem utilizada para escrever a História.)essa associação com a Filosofia da Educação contribuiu para que uma das vertentes mais pesquisadas na História da Educação fosse exatamente a história das idéias pedagógicas e a fonte privilegiada para esse tipo de investigação fosse a obra dos grandes pensadores. antes de dar continuidade à leitura. uma primeira questão a destacar é que ela surgiu no final do século XIX. também a disciplina História da Educação foi gerada no interior das escolas normais. voltada predominantemente para os fatos políticos e organizada de maneira cronológica.Agora.Universidade do Sul de Santa Catarina Este tipo de História..” . 28) Reforça. desta unidade. (2005. ou seja. Segundo Lopes.

colocada em segundo plano no campo da educação. talvez até em função disso. 1997. É importante ressaltar que é muito recente a consolidação da História da Educação como campo de investigação científica no Brasil.” (CARVALHO. Contudo. Nesse processo. esse processo que retira a História da Educação do campo da História e que a inseriu entre as ciências da educação está associado ao processo que a transformou em disciplina escolar. p. p. Unidade 1 23 . a partir de sua própria prática disciplinar. a História da Educação tem-se consolidado. a História da Educação foi retirada do campo da História e convertida em abordagem ou em enfoque.História da Educação I Existem diversos entendimentos entre os historiadores da educação sobre o lugar da História da Educação em relação à História. ela é definida como uma especialização da História. Para uns. Para melhor compreender. De acordo com Veiga (2003. essa ausência de diálogo dificulta o entendimento da educação como objeto de investigação da História e permite que ela continue a ser vista como sub-campo ou especialização da História. apesar de se constituir historicamente e inicialmente como uma disciplina escolar. até muito recentemente. como um sub-campo. p. ela foi separada do campo da História e. para outros. nos cursos de formação de professores. 1990. Segundo ela. cada vez mais como um campo de estudos e pesquisas. 19). dinâmicas de constituições de questões.6). O fato de ser transformada em disciplina escolar com objetivos institucionais e de formação de professores e pedagogos foi o que impediu. exista ainda pouco diálogo entre historiadores e historiadores da educação. nas duas últimas décadas. ao mesmo tempo. para outros como um objeto. “O que significou não ter sido instituída como especialização temática da História. a partir dos anos 30.3-11). mas como ciência da educação ou como ciência auxiliar da educação” (WARDE. e que. a constituição da História da Educação “como campo de investigação historiográfica capaz de se auto delimitar e de definir. ainda. temas e objetos.

Turgot e Condorcet. como veremos na próxima seção.htm> Seção 2 . Ver mais sobre Comte e a lei dos três estágios em <http://socio. Assim. discípulo e secretário (e depois decidido antagonista) de Saint-Simon. d’Alambert. Leitor dos empiristas ingleses. na forma de “contar” a História. Doutrina surgida no século XIX e associada a Augusto Comte compreendia a ciência como domínio da natureza e sinônimo de progresso. A primeira influência que destacamos é o Positivismo. processos e formas de aprendizagem. br/arte/mundoantigo/grecia Auguste Comte (1798-1857) nasceu em Montpellier.Abordagens teórico-metodológicas para a escrita da História Para você compreender melhor o que foi falado até agora. julgamos importante discutir. outras temas de pesquisa têm sido investigados e ampliaram nosso conhecimento sobre a História da Educação. na próxima seção. materiais escolares. devido à influência da Nova História.tropo. algumas das perspectivas que orientaram e têm orientado as pesquisas nesse campo.litica. Veiga observa que a educação tem apresentado um campo muito vasto de temáticas e o papel da História da Educação deve ser o de investigar e tornar visível diferentes objetos: a escola. para demonstrar a evolução do homem na história da humanidade. Os temas de pesquisa no âmbito da História da Educação acompanharam e acompanham diferentes correntes teóricometodológicas. de Diderot. Figura: Pintura Grega Fonte: http://paginas.com.vilabol. devido também a grande influência da Filosofia. ou seja. os alunos. para a elaboração de leis gerais. Portanto. a explicação dos 24 . É o iniciador do positivismo francês e o pai oficial da sociologia. é necessário um breve panorama sobre principais influências na historiografia.br/personalidades/ augustecomte. o professor. No primeiro estágio. entre tanto outros. e à aproximação com outras áreas de conhecimento. Neste sentido. o metafísico e o positivo.com.terra. uol. nos últimos anos. de família modesta ‘eminentemente católica e monárquica’. elabora a lei dos três estágios: o teológico. o conhecimento científico deveria basear-se na observação dos fatos e na experimentação.Universidade do Sul de Santa Catarina Se durante muitos anos essas pesquisas restringiram-se à análise do pensamento pedagógico e das políticas educacionais. como a Antropologia e a Lingüística.

em estudar o que é. Seguindo essa concepção. no segundo. 2005.) Fontes históricas. a explicação foi legada a entidades abstratas e no terceiro e último – o positivo – a fonte para elucidar estes mesmos fenômenos passaria a ser a razão. dividida por períodos políticos. seria possível compreender os fatos “como eles realmente aconteceram”. em ver para prever. que por sua vez deveriam ser descritos com base numa leitura supostamente objetiva do documento. Grande parte desta documentação remete a fatos políticos. Os fatos históricos são colocados numa linha de tempo linear. a História da Educação estaria associada. 25 .História da Educação I fenômenos era atribuída a elementos sobrenaturais.rhr. br/v2n2/cerri. a noção de História preconizada por esta doutrina enfatizava as fontes/documentos escritos.” (COMTE. Por História tradicional entende-se que “(.” (CERRI. 1983. Carla B. Mas o que nos interessa aqui são algumas características do Positivismo que vão repercutir na forma de escrever a História.. atribuindo ao historiador os critérios de objetividade e neutralidade. o conhecimento do passado torna-se fundamental para o entendimento do presente e. segundo o dogma geral da invariabilidade das leis naturais. devido ao tipo e à forma de trabalho. utilizados nas ciências físicas e naturais. São Paulo: Contexto. grandes homens e “heróis” selecionados por uma elite política e econômica de cada época. a fim de concluir disso o que será. excluindo-se uma série de sujeitos. (BURKE). consultar PINSKY. realça sujeitos históricos como governantes. bem como suas formas de abordagens ao longo do tempo. temas e grupos sociais que escapam a esta abordagem. conseqüentemente. Então. sobretudo. Unidade 1 Para conhecer os diferentes tipos de fontes/documentos e suas definições. nesta perspectiva. Uma das características desta concepção de História é que muitas vezes possibilita um olhar de cima. Ou seja. (org. disponível em <http://www.htm>). acabou projetando lógica semelhante à da elaboração das leis naturais para a História. 50).si-educa. para a projeção do futuro: “Assim.net Assim. Figura: Augusto Comte Fonte: www. Como Comte acreditava ser possível compreender a sociedade e os indivíduos que a compõem através da razão. A História numa abordagem positivista ou tradicional. o verdadeiro espírito positivo consiste. p.. pois só eles portariam a verdade histórica.uepg.) tradicional é a característica de uma história de classe dominante (ou que em algum momento esteve no poder do Estado).

). legitimava/legitima a ordem vigente. Por ser uma classe que se opunha à velha ordem ou ao Antigo Regime. ao pensamento pedagógico. etc: A maneira como a história se organizou enquanto ciência e disciplina escolar se confunde com a própria história da educação. (. historianet. Revolução Industrial e Imperialismo ou Neocolonialismo do séc. dinamizaram a produção industrial. promovendo uma concentração de mãode-obra nas cidades. XIX. A classe burguesa.Universidade do Sul de Santa Catarina com as fontes/documentos. Voltando à sociedade européia. p. apresentava uma dicotomia básica. configurando o que se denomina como Imperialismo ou Neocolonialismo do séc. que durante muito tempo vinculou-se a uma interpretação essencialmente política.. ao menos no Ocidente. no curso da Revolução Industrial. 1998. o século XIX. foi perpassado por discussões acerca dos pressupostos da razão e do conhecimento científico. confundida com a história das idéias pedagógicas. portanto. com jornadas de Para compreender melhor as definições sobre Antigo Regime. bem como a descoberta de novas fontes de energia. 26 . 7) Essa visão de História.com. almejava conquistar ou garantir também o poder político. os países europeus expandem-se para a Ásia e África.. a divisão de duas classes sociais: os capitalistas e os proletários. percebe-se que essa massa trabalhadora vivia em condições subumanas. O estabelecimento das fábricas nas cidades. A sociedade européia. linearizada.br>. (VEIGA apud FARIA FILHO. ou seja. possuía a simpatia de alguns pensadores e grupos. Mas qual é o seu contexto de surgimento? É importante conhecermos o contexto histórico para que compreendamos o significado e o crescimento de tais teorias. Conforme já falamos no início da seção. acesse o site: <http://www. a mecanização. que já havia consolidado seu poder econômico. XIX. a um panorama políticoinstitucional no tocante à legislação da política educacional. Na busca de matérias-primas e de mercado consumidor para tal produção.

a revolução cubana de 1919 são alguns exemplos de revoluções que se diziam inspiradas em suas idéias. de um modelo. Sua existência foi dedicada à luta da classe trabalhadora. nem objetiva. legitimando a ordem vigente. no entanto. 141): (.uol. o que nos interessa aqui. br/personalidades/ karlmarx. porém do ponto de vista do trabalho e dos trabalhadores. Como explica Aranha (1996. é nas contradições entre as classes antagônicas e do desenvolvimento das próprias forças produtivas de cada época.) no lugar das idéias estão os fatos materiais: no lugar dos heróis. também é construída a partir dos interesses de uma classe. sem direitos trabalhistas.htm>. com base nos estudos de Karl Marx. Portanto. com a presença do trabalho infantil e feminino e precárias condições de moradia.unificado. a revolução chinesa de 1949. no sentido de superá-las. p. dessa forma. que criaria a União Soviética (URSS).br Unidade 1 27 . Karl Marx (1818-1883) nasceu na Alemanha. A revolução russa de 1917..tropo.vilabol. Disponível em <http://socio. A imagem do passado.História da Educação I trabalho que poderiam chegar a 18 horas diárias. Figura: Karl Marx Fonte: www. A história se faz com os fatores materiais. podemos compreender que a História é movimento. a luta de classes. a História não é neutra. assim como outra corrente teórica.. ou modo de produção sobre o outro. como dizia o Positivismo. pois pressupõe a ação de indivíduos reais. que se percebe a superação de uma classe sobre a outra.com. econômicos e técnicos que correspondem às condições em que os homens se reúnem para produzir sua existência no trabalho. A teoria marxista é chamada de Materialismo histórico e dialético. portanto. É claro que estamos simplificando as idéias de tal teoria. Por isso. a partir de certas condições materiais de vida. É neste panorama que surge o Positivismo. toma como objeto de estudo a sociedade burguesa. saúde e alimentação.com. litica. antagônica na maior parte dos aspectos. é compreender a visão de História advinda de tal teoria. Marx vai estudar profundamente a oposição das classes ao longo da História – que chamará de luta de classes – e a constituição do capitalismo.

como falamos no início da seção. ao considerar a classe trabalhadora como fundamental. a educação pode ser vista como a reprodução da sociedade ou a sua superação. De qualquer forma. a história de todas as atividades humanas e não apenas da história política. diferente das duas anteriores. a História da Educação. a substituição da tradicional narrativa de acontecimentos por uma história-problema. a História. permite-se. a partir desta teoria. é a Nova História. Em terceiro 28 . numa sucessão de superação dos modos de produção. traduz-se numa visão economicista e linear. pois a “linha da História”. um grupo de historiadores franceses promove uma espécie de reação à História excessivamente política e as suas principais propostas podem ser assim resumidas: Em primeiro lugar.Universidade do Sul de Santa Catarina Tal noção de História. como a História da Educação. também constituiu outros campos de estudo e conhecimento da realidade. do historiador francês Jacques Le Goff (1978). que são muitas e trataremos apenas de uma delas. por ser calcada no desenvolvimento de processos materiais. é necessário que voltemos no tempo. levaria ao Comunismo (esta linearidade também está presente na lei dos três estágios de Comte). Na década de 20. do século XX. pois ela é fruto de todo um movimento anterior. Em segundo lugar. No entanto. A expressão Nova História passou a ser amplamente conhecida através da obra “La nouvelle historie”. portanto. Nessa linha. no sentido de compreender as formas de escrever a História e. uma “história vista de baixo”. através da conscientização de uma classe oprimida. A última corrente que abordaremos aqui. A Nova História e suas derivações. ou de modos de produção. desloca-se o foco do político para o econômico e ao mesmo tempo. Assim. a História Cultural – é uma corrente dentro da própria História.

11-12). em seu contexto de tempo e espaço. mas também como ruptura com as anteriores. etc. Essa geração pode ser vista como uma continuidade. acesse: <http://www.hpg. pinturas. Ao privilegiar a História econômica e social. a economia. como: a morte. objetos.História da Educação I lugar.br/ annales.htm> e também <http://www. os odores. a família etc.com. 1992. pp. que leve em conta as pessoas comuns.historianet. Muitas destas propostas foram apresentadas numa publicação criada em 1929. a infância.ig. histórias orais. ohistoriador. a colaboração com outras disciplinas. Portanto. aspx?codigo=607> Veja a seguir: „ Se a História deve considerar todas as atividades humanas. a sociologia. (BURKE. desconhecidas. novos temas foram incorporados à historiografia. Muitos são os registros necessários se pensarmos nas atividades e experiências humanas. as festas. este movimento. Quais características são fundamentais nesta nova forma de ver e escrever a História? Para saber mais sobre o movimento dos Annales e seus desdobramentos. A abertura para outros documentos e fontes . Uma “história vista de baixo”. A História é construída a partir do ponto de vista de quem a escreve e das fontes selecionadas ou disponíveis no momento. portanto. com. visando completar os dois primeiros objetivos. tudo tem história. o corpo. tais como a geografia. a antropologia social e tantas outras. segundo o historiador Peter Burke. em certos aspectos. a lingüística.não só os escritos – como fotografias. pode ser percebido em três gerações e a última seria a dos anos 70. a alimentação.br/conteudo/default. tendo a frente Marc Bloch e Lucien Febvre. a psicologia. chamada Revista dos Annales. „ „ „ Unidade 1 29 . não é possível contar a História como ela realmente aconteceu.

53).uol.br/portal/riomidia/ rm_entrevista_conteudo. Nesta concepção. leia estas duas entrevistas: http:// pphp. da literatura. da imagem das identidades. Pesavento aponta a História das cidades. Para saber mais acerca das idéias e pesquisas deste historiador que tem influenciado muitos trabalhos em História da Educação no Brasil. (apud FONSECA. do tempo presente. esta tendência da História está expressa em recentes pesquisas na área.1. fonte é a origem 30 . assim como também o historiador não é neutro e detém um ponto de vista (relacionado às idéias de sua época e ao lugar que ocupa).Fontes e objetos para a História da Educação O que vem a sua mente quando aparece a palavra fonte? Registre a seguir: Se lhe veio à cabeça a palavra nascente ou. até mesmo.shl e <http://www. como a História Cultural. Um dos historiadores da História Cultural que tem sido muito utilizada na História da Educação é Roger Chartier devido as suas pesquisas sobre a História da leitura e dos impressos. a historia social e. a partir das discussões acerca da cultura no campo historiográfico e principalmente metodológico. da memória e da historiografia. atualmente. até mesmo.gov. Fonte é o lugar de onde sai algo. o lugar onde nasce. as mentalidades. ou se você pensou em algo referente ao mencionado.asp?idio ma=1&idMenu=4&label=Entrevist as&v_nome_area=Entrevistas&v_ id_conteudo=51218>. você já percebeu que a História Cultural vai influenciar e. No campo educacional. não está errado(a).rj.br/tropico/html/ textos/2479. Dentre estes campos de investigação. brota ou emerge a água. renovar os objetos e abordagens nesta área. Neste sentido. vários objetos e abordagens conquistam espaço.com. como o cotidiano. Seção 3 . multirio. 2003. ou melhor dizendo. p.Universidade do Sul de Santa Catarina Não há uma única verdade em um contexto histórico. como veremos na seção a seguir.

duas conotações. o qual. é preciso considerar que. Para deixar mais clara esta questão. no plural. entretanto. via de regra. a palavra fonte é usada em História com sentido analógico. são produções humanas (salvo quando a questão for relativa a uma possível História natural. no caso da História. Elas enquanto registros. 5-7) diz que ela apresenta. já se liga a um repositório abundante de elementos que atendem à determinada necessidade. bem como exemplos de fontes por eles utilizados para produção da historiografia educacional. do objeto histórico estudado. Outra indica a base. Saviani (2004. não se pode falar em fontes naturais já que todas as fontes históricas. como ponto de origem. Ou seja. a rigor. que não é o caso aqui – observação do autor). p. O mesmo autor observa que. 2004. As fontes estão na origem. no plano do conhecimento. o ponto de apoio da construção historiográfica que é a reconstrução. No entanto.História da Educação I de alguma coisa. Assim as fontes históricas não são a fonte da história. não se trata de considerar as fontes como origem do fenômeno histórico considerado. o ponto de apoio. Uma significa ponto de origem. são construídas. isto é. pp. (SAVIANI. também tem origem. a palavra nascente. Além disso. não é delas que brota e flui a história. por definição. assim como manancial. a base. ou seja. constituem o ponto de partida. Com relação à palavra ‘fonte’. o repositório dos elementos que definem os fenômenos cujas características busca-se compreender. fonte é sinônimo de nascente que corresponde também à manancial. o lugar onde brota algo que se projeta e se desenvolve indefinidamente e inesgotavelmente. Ele observa que. algumas contribuições sobre seu entendimento sobre fontes. E é por isso que o conhecimento produzido sobre a História da Educação também sai de alguma fonte. são a fonte do nosso conhecimento histórico.5) Unidade 1 31 . buscamos junto a alguns autores que vêm estudando a História da Educação nas últimas décadas. é usada apenas para se referir ao ponto de origem de um curso ou corrente de água. enquanto testemunhos dos atos históricos.

Entre eles estão a multidão de papéis existentes nas bibliotecas e nos arquivos públicos ou privados. que a História da Educação configurouse primeiramente como disciplina escolar e. por exemplo. no futuro. tendemos a encontrar novos elementos. Ou seja. da descoberta do pesquisador junto aos arquivos e outras formas de apropriação obtidas através de depoimentos orais ou escritos e de outros meios de expressão.) teve sua trajetória marcada pelas relações estabelecidas com o conhecimento produzido em outros 32 . De acordo com ele. p. vestígios. nos quais nos apoiamos em nossa investigação. As primeiras são aquelas que encontramos nos vários tipos de acervos com as mais diferentes formas. as inúmeras peças guardadas nos museus.. Mas nem sempre foi assim. As segundas são aquelas que os educadores ou historiadores preservam para que. É importante relembrar. em parte. como nos coloca Fonseca: (. Entre estas fontes encontram-se tanto materiais de trabalho como de pesquisa. novos significados. novas informações que nos tinham escapado nas vezes anteriores. como já vimos na primeira seção. na medida em que estes buscam neles respostas às questões levantadas.Universidade do Sul de Santa Catarina Ainda segundo Saviani. também o caráter de inesgotabilidade transpõe-se analogicamente para a historiografia. Falando de História de instituições escolares. podemos distinguir as fontes entre aquelas que se constituem de modo espontâneo e aquelas que produzimos intencionalmente. a analogia não se limita apenas ao caráter de origem. sempre que a elas retornamos. novos pesquisadores possam compreender seu passado que é o nosso presente. dentre muitos outros objetos que adquirem o estatuto de fonte diante do historiador.14) diz que seus conteúdos resultam. indícios que foram acumulando ou que foram guardados. São documentos. há ainda as fontes produzidas a partir de registros de testemunhos orais. Werle (2004. Além disso..

mas na mesma concepção. Dermeval Saviani e seu grupo na Unicamp. Ghiraldelli jr. a escolarização. entre outros. Unidade 1 33 . ora seguiam um ecletismo em que passava-se em revista as instituições educacionais e/ou doutrinas pedagógicas da Grécia Antiga até a época contemporânea. pesquisaram temas relacionados a este campo como os livros e a leitura. que é a organização dos sistemas de ensino associada às políticas educacionais do Estado.História da Educação I campos. quanto da marxista. p. 2003. Um outro tipo de análise. como a fi losofia e a Psicologia. fazem questionamentos à condução dos planos e do campo de pesquisa da História da Educação: (. dentre eles Pierre Nora e Roger Chartier (que já citamos anteriormente). aponta que nos anos 80. (In: VEIGA. 56) O estudo das idéias pedagógicas acabou caracterizando as pesquisas nesta área. Alguns historiadores.. A fonte ou documento utilizado por esta abordagem era unicamente o registro escrito. p. ocupa lugar de destaque em obras de História da Educação no Brasil. (GHIRALDELLI Jr. numa perspectiva marxista.. Lembre-se do que já vimos sobre a concepção positivista e perceba as semelhanças! Ainda no Brasil.) A trajetória da História da Educação é marcada pelas concepções que esboçamos na seção anterior. notadamente a evolução da legislação educacional.) ora eram construídos a partir de uma visão determinada. Tratava-se de elaborar um conjunto de saberes sobre a história das idéias pedagógicas que tivesse função prática na formação dos professores e pedagogos. 2003. tanto da tradição positivista. por exemplo. numa abordagem diferente. como campo de investigação e muitas vezes é vista como uma dimensão do universo cultural em estudo. 242. Aproxima-se atualmente da História Cultural.

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Como exemplos de fontes que os historiadores da educação vêm se apoiando nos últimos tempos para produzir o conhecimento sobre a área podem ser citados:
„ „ „

documentos (oficiais ou não); legislação; arquivos institucionais públicos e privados dentre eles os escolares; arquivos pessoais (como baú de memórias, ou seja, informações que uma pessoa guarda como fotos, diários, correspondências, dentre outros); dados estatísticos; literatura; produção bibliográfica; livros didáticos; pinturas e outras obras de arte; fotografia; memórias (entrevistas e histórias de vida); arquitetura de prédios escolares; objetos escolares (desde tinteiros até cadernos e mobílias existentes no interior de uma escola).

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Para saber mais sobre os jesuítas e sua atuação no Brasil, acesse: <http://www.pedagogiaemfoco. pro.br/heb02.htm> e <http:// www.cimi.org.br/?system=news&a ction=read&id=1643&eid=259>.

„ „ „ „ „

Marquês de Pombal é o nome com que ficou conhecido Sebastião José de Carvalho e Melo, político e verdadeiro dirigente de Portugal durante o reinado de José I, como 1º. Ministro. A partir de 1756, realizou um programa político de acordo com os princípios do Iluminismo, porém às suas reformas opuseram-se os jesuítas e a aristocracia. Num atentado contra a vida do rei em 1758, conseguiu implicar os jesuítas, expulsos em 1759. Disponível em <http://www.netsaber.com. br/biografias/ver_biografia. php?c=891>.

Conforme Fonseca, na História da Educação no Brasil, por exemplo, novos temas têm sido considerados, como a História da leitura e dos impressos escolares, “a história da profissão docente, os processos de escolarização, a cultura escolar e as práticas educativas e pedagógicas.” (FONSECA, 2003, p.61) Em alguns casos, antigos temas ou pesquisas, como as idéias pedagógicas e o sistema escolar têm sido revistos. Um exemplo disto são alguns estudos atuais sobre o período colonial que, ao invés de focarem apenas na escolarização formal relacionada à presença dos jesuítas e depois à administração pombalina, levam em conta outros processos educativos. Estes processos educativos, que podemos chamar de não formais, geralmente abarcavam uma população que estava à margem da escola, por condições financeiras ou preconceito.

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História da Educação I

Este tipo de estudo, ao invés de considerar apenas os escolarizados formalmente, permite-nos vislumbrar outras formas educativas relacionadas aos indígenas, mestiços, brancos pobres e aos negros escravos ou livres. Neste caminho, são trazidas à tona informações sobre o aprendizado profissional, a circulação de artistas e artesãos que traziam consigo saberes e técnicas. A pesquisa sobre este período amplia-se, levando em conta as especificidades e as culturas que circulavam naquele momento histórico. Um outro objeto de investigação tem sido ressaltado, referese à própria História da infância. Um dos trabalhos pioneiros e marcantes neste sentido é o do historiador francês Philippe Ariès, “História Social da Criança e da Família”. (1981). Neste trabalho, ele analisa a trajetória da construção da noção moderna de infância. Mostra a criação de um “sentimento de infância”, voltado à proteção e diferenciação em relação ao adulto, o que antes não ocorria. Ele inova não só na temática, como também na escolha das fontes. Ao contrário de outras tendências, utiliza a iconografia (imagens), diários, inscrições de túmulos, etc.

Figura: Livro de Philippe Áries – História Social da Criança e da Família Fonte: www. livrariacultura.com.br

Apesar de algumas críticas, pois o trabalho centrou-se nesta construção a partir das elites, contribuiu para chamar a atenção para o conceito de infância e para a ampliação das fontes e da análise.

Outros livros organizados nesta temática como “História das crianças no Brasil (PRIORE, 1991), “História social da infância no Brasil” (FREITAS, 1997) e “Infância e educação infantil” (Kuhlmann, 1998), nos mostram os mais diferentes objetos e fontes para a História da Educação. Em todos estão presentes diversas visões sobre a infância e os lugares atribuídos às crianças em cada contexto histórico. Como exemplo de trabalho com fontes orais, mais especificamente com histórias de vida de professoras aposentadas, temos o trabalho organizado por Maria Teresa de Assunção Freitas, “Memórias de professoras: história e histórias” (2000). Neste projeto, as histórias de vida foram cruzadas com uma

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história maior, trazendo elementos para a compreensão da História da Educação local (Juiz de Fora) e nacional. Assim, os objetos de análise relacionam-se à formação de professores, à prática pedagógica, à leitura e à escrita, às bibliotecas e às políticas públicas e à própria vida cultural da cidade. Os objetos foram definidos a partir de suas falas e recordações. Um outro componente que tem sido transformado em objeto de investigação são os manuais didáticos. Ao invés de serem utilizados só como fonte para a compreensão de outras questões, como os processos de escolarização, a construção de culturas escolares, a história de uma disciplina, têm sido analisado em seu processo de produção, sua circulação, seu uso e também nas apropriações que os diferentes grupos sociais faziam deles. Para estudar a escolarização no século XIX no Brasil, por exemplo, quando utilizávamos somente as fontes tradicionais, como a legislação da época, tudo nos levava a crer que havia uma ausência do Estado, através da falta de políticas públicas para a educação e infância. No entanto, quando levamos em conta outras fontes, como cadernos escolares, mapas de matrícula, relatórios de profissionais envolvidos nesta organização escolar, percebemos que havia uma tentativa de viabilizar um sistema público de ensino, ao menos para a população livre.
Você deve ter percebido, até agora, que estes novos olhares sobre a História da Educação, relacionados à renovação da historiografia, mas também à aproximação com outras áreas, como a Antropologia e a Sociologia (só para citar duas áreas) têm contribuído com novas fontes e objetos de estudo, até então desconsiderados. Por isso, podemos visualizar a educação num contexto mais amplo, também relacionada a temas que, anteriormente, não apareciam.

É nesta perspectiva que estaremos conduzindo as demais unidades deste livro. Agora, para praticar os conhecimentos conquistados nesta unidade, realize, a seguir, as atividades propostas.

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realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas. até muito recentemente. como forma de garantir a cientificidade. 2) Construa um quadro síntese com as informações da Seção 2: TENDÊNCIAS PRINCIPAIS REPRESENTANTES IDÉIAS CENTRAIS Unidade 1 37 . c) ( ) A fotografia e as obras de arte nunca foram consideradas fontes historiográficas. b) ( ) No Brasil. Para melhor aproveitamento do seu estudo.História da Educação I Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e. acompanhe as respostas e comentários a respeito. 1) Referente ao conhecimento de História da Educação é correto afirmar: a) ( ) O conhecimento produzido a partir de fontes oficiais era visto. a História da Educação foi transformada em disciplina nos cursos de formação de professores e de pedagogos a partir de 1930. a seguir.

leis. „ Realize uma entrevista com alguém que você conheça. como o processo de formação do ser humano. desenhos e outras imagens relacionadas à sua vida escolar ou à da sua família. Podemos dizer. acerca da sua vida escolar.Você pode perceber que podemos conceituar a Educação. História e História da Educação. com mais idade. também. livros didáticos. cartilhas. que a noção de História sofreu mudanças ao longo do tempo: desde uma concepção baseada 38 . dentre inúmeras outras formas. um processo que ocorre no decorrer da sua existência e em diferentes espaços formais e não formais. „ Anote suas impressões nas linhas a seguir: Síntese Na primeira seção desta unidade.Universidade do Sul de Santa Catarina 3) Realize a atividade sugerida a seguir na sua cidade e depois socialize com o grupo na ferramenta Exposição no EVA: Visite uma biblioteca ou arquivo público e identifique alguma fonte/documento referente à educação em outras épocas: notícia de jornal. „ Localize fontes iconográficas como fotos. você teve contato com termos como educação.

No campo educacional. a educação pode ser vista como a reprodução da sociedade ou a sua superação. Assumida esta imparcialidade na escrita da História. devido à aproximação com as novas tendências da História e de outras áreas do conhecimento. na Europa. em tempos e espaços determinados. a História da Educação influencia e até mesmo renova os objetos e abordagens nesta área. ao apontarmos as correntes que influenciaram/ influenciam a História da Educação. compondo o que se chama de processo histórico. leva-se em conta a História dos grupos humanos. Unidade 1 39 . No entanto. Assim como no Brasil. temas e grupos sociais que escapam a esta abordagem. através da conscientização de uma classe oprimida. exclui uma série de sujeitos. na qual ela pode ser entendida como uma construção de acordo com o ponto de vista de quem a escreve (o historiador). estando sempre acompanhada de perto pela Filosofia da Educação. ou seja. nas duas últimas décadas. cada vez mais como um campo de estudos e pesquisas. a História da Educação estaria associada. devido ao tipo e à forma de trabalho com as fontes/ documentos. No viés da Nova História. apesar de ser um campo ainda muito recente de estudos. Nesta perspectiva.História da Educação I na ênfase aos fatos isolados. até uma outra perspectiva. O Positivismo ao lançar um olhar de “cima para baixo”. dos cursos que formavam professores. você pode notar as principais diferenças entre elas e as contribuições na forma de olhar e escrever a História e a História da Educação. Na seção 2. Você também aprendeu que a História da Educação. esta tendência da História está expressa em recentes pesquisas na área. cuja disciplina foi gerada no interior das Escolas Normais. tem-se consolidado. Já no Marxismo. surgiu no final do século XIX. notadamente da História Cultural. como uma disciplina dos Cursos Normais. dispostos de maneira linear e cronológica e com apenas alguns indivíduos como promotores da História. a um panorama político-institucional no tocante à legislação da política educacional e ao pensamento pedagógico.

VEIGA. além dos documentos oficiais e da legislação. 1981. não eram mencionados. História e historiografia da educação. fotos. pinturas. as práticas educativas e pedagógicas. José Claudinei e NASCIMENTO. Também descobriu que. Belo Horizonte: Autêntica. Philippe. você descobriu que há muitas fontes possíveis de serem utilizadas nas novas pesquisas em História da Educação.. como a História da profissão docente. Rio de Janeiro: Guanabara. BURKE. entre outros. a arquitetura escolar. é possível levantar outros objetos de pesquisa. Ed. 2004. você poderá pesquisar os seguintes livros: ARIÉS. como as entrevistas orais. A História Social da Criança e da Família. História e Historiografia da Educação no Brasil. Dessa forma. SAVIANI. incluindo processos educativos e grupos sociais que. Fontes. Cynthia G. a partir destas novas fontes. São Paulo: UNESP.Universidade do Sul de Santa Catarina Por fim. 2ª. 1929-1989. na maior parte das vezes. A Revolução Francesa da historiografia: a Escola dos Annales. Maria Isabel Moura (org). Peter. Campinas-SP: Autores Associados. diários pessoais. Thais Nívia de L. In: LOMBARDI. Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade. etc. 1991. a cultura escolar. 40 . os processos de escolarização. Dermeval. o conceito de infância. Breves considerações sobre Fontes para a História da Educação. 2003. a História da Educação constitui-se como um campo vasto de pesquisas. FONSECA.

Compreender o significado e a importância de situações pedagógicas não formais. „ „ „ Seções de estudo Seção 1 Idade Média: um breve contexto histórico. Seção 3 A educação dos cavaleiros medievais. Seção 4 A educação nas corporações de ofício. Identificar os sujeitos e grupos sociais. . Seção 2 A educação das mulheres. Estabelecer critérios de comparação entre as formas educacionais do período medieval e as atuais.UNIDADE 2 As práticas educativas medievais Objetivos de aprendizagem „ 2 Compreender o contexto histórico das práticas educativas medievais. Seção 5 A educação nas Universidades. que foram atingidos ou excluídos pelas instituições ou associações educativas.

como é o caso da maioria das mulheres e dos aprendizes nas corporações de ofício. no entanto. Você perceberá. que havia uma definição das classes sociais bastante rígida e hierarquizada. como no caso das escolas monásticas e das universidades. entre diferentes sujeitos e grupos sociais. Assim. ou melhor. entre métodos e materiais pedagógicos.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo O estudo desta unidade lhe proporcionará conhecer o contexto histórico da chamada Idade Média Ocidental. É o caso. não é escolarizada. nas corporações de ofícios.esperamos que você entre em contato e também construa um conhecimento acerca das práticas educacionais neste período. muitas vezes elas estavam juntas. também. da educação feminina. Você conhecerá lugares e sujeitos das práticas educativas. Muitas vezes. por exemplo. na formação de cavaleiros e na constituição das universidades. 42 . a educação abrange espaços não formais. para situar e compreender as práticas educativas relacionadas a este período. no campo educacional. através de diferentes fontes e objetos como você já viu na primeira unidade .

História da Educação I

SEÇÃO 1 - Idade Média: um breve contexto histórico
Foi no século IV a.C. que a educação se institucionalizou com a fundação das primeiras escolas: Isócrates abriu a sua escola em 393 a.C. e Platão fundou a Academia em 387 a.C. Ao conquistarem o mundo da Antiga Grécia, os romanos “absorveram” o melhor da sua cultura, acrescentando-lhe a disciplina e o respeito pela lei (tipicamente romana). Construíram escolas de influência grega (o ginásio, a escola de cálculo e de gramática) e escolas de direito. A partir dos finais do século II da nossa era, o Império Romano, então cristianizado, entrou em decadência devido a vários fatores (tais como as crises na sucessão imperial, a crise econômica e social e o “perigo bárbaro”). Quando, em 476, a autoridade imperial deixou de existir no Ocidente, os “bárbaros” já se haviam fi xado nas regiões da Europa que antes devastaram. Estes povos eram, na sua maioria, pagãos, mas os seus chefes acabaram por se converter ao catolicismo.
Tendo sido a única que resistiu e sobreviveu às grandes invasões, mantendo a sua organização e servindo de apoio às populações aterradas, a Igreja Católica tornou-se a instituição mais importante da Idade Média.
Figura: Mural de Palau – Calades Barcelona Fonte: www.odesenho. no.sapo.pt

Os romanos chamavam de bárbaros todos os povos que não possuíam a mesma língua, os mesmos costumes e organização política, social e econômica que eles. Estas diferenças podem ser observadas no filme “Asterix e Obelix contra César”.

Certamente você já ouviu falar no termo Idade Média, e deve lembrar de ter estudado na escola, nas aulas de História, ou talvez por cenas de filmes, com cavaleiros, castelos e donzelas na torre. Além disso, você pode ter lido sobre a influência e os desmandos da Igreja Católica neste período,

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Independente da sua fonte de informação, você é convidado a registrar no espaço, a seguir, suas impressões sobre o período histórico em questão. Esse é o momento para fazer uma pausa e refletir sobre o assunto!

Considera-se o eurocentrismo como uma visão de mundo que tende a colocar a Europa (assim como sua cultura, seu povo, suas línguas, etc.) como o elemento fundamental na constituição da sociedade moderna, sendo necessariamente a protagonista da história do homem. <http://pt.wikipedia.org/wiki/ Eurocentrismo>

Você deve ter percebido que muitas das referências que registrou acima dizem respeito à história européia, não abarcam o Brasil, por exemplo, ou outros lugares do mundo. Pois bem, esta expressão “Idade Média” é bastante eurocêntrica e leva em conta uma periodização política, conforme a história positivista, que é uma das formas de escrever a história, como você viu na Unidade 1 desta disciplina. Dentro desta concepção de História, os marcos cronológicos do período conhecido como Idade Média, são os seguintes:
„

Início: 476 d.C. - Queda do Império Romano do Ocidente, com sede em Roma. Final: 1453 d.C. – Queda do Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla, tomada pelos turcos.

„

Ainda dentro desta classificação, há mais duas divisões, que muitas vezes são utilizadas: a Alta Idade Média, que compreenderia a formação dos povos germânicos até a estruturação do Feudalismo e a Baixa Idade Média, comumente descrita a partir do movimento das cruzadas, caracterizadas pelo ressurgimento e expansão das cidades e do comércio. – Gostaríamos de deixar claro que este recorte cronológico de “mil anos”, bem como o espaço geográfico (Europa) será levado em conta nesta unidade, devido às pesquisas e ao material bibliográfico
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História da Educação I

para os estudos em Educação. No entanto, não nos ateremos a uma seqüência cronológica para abordarmos as demais seções desta unidade e sim, às práticas educativas associadas a temas, como a educação monástica, nas corporações de ofícios, a educação das mulheres, dos cavaleiros medievais e a formação das universidades. Dito isto, vamos compreender melhor o panorama histórico deste período. Tomando o Século V como ponto de partida e a Europa como espaço geográfico, identificamos a crise do sistema escravista como um dos principais fatores da fragilidade econômica e social em que se encontrava o Império Romano do Ocidente naquele momento:
A divisão do Império em duas partes no final do século IV também contribuiu para esse processo: O Império Romano do Oriente, com capital em Constantinpla ainda conseguiu manter uma atividade comercial com outras regiões do Oriente, enquanto que o Império Romano do Ocidente, com capital em Milão, vivenciou o aprofundamento constante da crise. (disponível em http://www.historianet.com.br/conteudo/default. aspx?codigo=144)

Algumas medidas administrativas foram empreendidas, como o estabelecimento das Villae, no entanto, estas unidades eram voltadas à autosuficência, o que contribuiu ainda mais para a fragmentação do território do Império e para a ruralização. Devido a estes fatores, entre outros, a presença dos “povos bárbaros” constante nas fronteiras do Império Ocidental, acentuou-se, constituindo-se num movimento migratório de invasão, até o coração do Império. Dentre os “invasores bárbaros”, destacamos os povos germânicos (vândalos, ostrogodos, visigodos, anglo-saxões e francos), devido à formação de reinos - dentro do que era a área do Império Romano - e da própria organização econômica e social, que transplantaram para as áreas ocupadas, mesclando com outros costumes vigentes. Dentre estes povos, ressaltamos os francos, por sua importância na formação do Feudalismo e na aliança com a Igreja Católica, como você verá a seguir.

Villae eram grandes residências senhoriais que possuíam termas para os banhos, habitações para os trabalhadores (com os seus próprios banhos), e todos os edifícios essenciais ao funcionamento da exploração (lagares, olarias, tecelagens, forjas, estábulos, e mesmo templos). O ideal deste tipo de exploração era a auto-suficiência. <http://www.geocities. com/alex221166/h_a_ 10_por.html>

Unidade 2

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O reino franco passou por várias partilhas e repartições. O que é feudalismo? Figura: Fases do Feudalismo Fonte: www. o rei franco Carlos Magno (séc. entra-se na chamada Idade Média. que ocupou a região da Gália (aproximadamente a atual França). conversões e proteção.br O feudalismo foi um modo de produção baseado nas relações servo-contratuais (servis) de produção. às doenças e à insegurança existentes logo após o fim do Império Romano. deste modo. várias regiões da Europa passaram a apresentar baixa densidade populacional e baixo desenvolvimento urbano. de um dos reis da Dinastia Merovíngia. Isso ocorria devido às mortes provocadas pelas guerras. a aliança com a Igreja Católica. A partir do século V d.culturabrasil.C.pro. já no século V.. Com a decadência e a destruição do Império Romano do Ocidente. Tem suas origens na desintegração da escravidão romana. Durante a Dinastia Carolíngea. mas o sistema feudal somente passa a vigorar em 46 . facilita a consolidação do Reino Franco e a ascenção da Igreja Católica.Universidade do Sul de Santa Catarina Quem eram os francos? A palavra franco significava “livre” na língua franca.C. pelas doações de terra. Os francos formavam uma das várias tribos germânicas que adentraram o espaço do império romano. A conversão ao Cristianismo. Era um grupo oriundo do oeste da Europa. X). e concebiam o reino como uma grande extensão de uma propriedade privada. como conseqüência das inúmeras invasões dos povos bárbaros e das más políticas econômicas dos imperadores. principalmente. (de 401 a 500). é coroado pelo papa e defende o território europeu do avanço dos muçulmanos árabes (“os inféis”). por volta do século V d. Consolidando-se. O fortalecimento da relação entre a Igreja e o Reino caracterizou-se. já que os francos dividiam suas propriedades entre os filhos sobreviventes.

cobrança de impostos e justiça. um centro de decisões políticas. Todo sistema de tributos era organizado em função do uso da terra pelos servos. aproximadamente. Já na Idade Média. se divertiam e recebiam seus convidados. Além disso. era uma forma de apresentar aos demais nobres. que eram donos de pequenos agrupamentos de terra. detentora de terras – a terra representa a riqueza – cuja manutenção consistia na concessão de terras a outros senhores. para os moradores das vilas ou feudos. No entanto. Em suma. e quem recebia era chamado de vassalo. e que alteram completamente o sistema de propriedade e de produção característicos da Antigüidade. mas também Figura: Castelo de Dromoland. foi impossível unirem-se entre si e entre os descendentes de nobres romanos. ao clero e aos visitantes de regiões distantes toda a sua riqueza e influência. planetaeducacao. Em grandes propriedades de terra os senhores feudais estabeleciam-se em locais estratégicos. Assim. asp?id=167> Unidade 2 47 . com.C. na Grãbretanha. foi da “mistura” de instituições romanas e instituições “bárbaras” que surgiu o Feudalismo. eram as moradias dos nobres e os locais onde essas poderosas famílias se alimentavam. os nobres romanos começaram a se afastar das cidades levando consigo camponeses (com medo de serem saqueados ou escravizados). os que concediam a terra eram chamados de suseranos. Fonte: <http://www. representavam. Os castelos eram fortalezas que serviam como quartel-general para cavaleiros antes de seus ataques aos inimigos.. Para seus senhores. construído no século XVI . muitas vezes em troca de proteção. principalmente na Europa Ocidental.br/new/colunas2. com vários povos dominando a Europa Medieval. com a decadência do Império Romano e as invasões bárbaras.História da Educação I alguns países da Europa Ocidental a partir do século IX d. Além de tudo. Surge uma classe social caracterizada como a nobreza feudal. O esfacelamento do Império Romano do Ocidente e as invasões bárbaras em diversas regiões da Europa favoreceram sensivelmente as mudanças econômicas e sociais que vão sendo introduzidas.

A base do sistema feudal eram estas relações servis de produção. Não eram escravos. Os servos não tinham a propriedade da terra. ou seja. as banalidades. do moinho. havia também os vilões. Os servos deviam várias obrigações como a talha. chamavam-se banalidades.com. observamos que a nobreza e o clero compunham a camada dominante dos senhores feudais. carpintaria pertencente ao senhorio feudal. nas quais. O fator que mais contribuiu para o declínio do sistema feudal foi o ressurgimento das cidades e do comércio. deviam algumas obrigações aos senhores. podendo sair dela quando o desejassem.com. aqueles que tinham a posse legal da terra e do servo e que dominavam o poder político. embora o seu estatuto e influência tenham crescido quando Roma era a capital do império. a corvéia e as banalidades. Constantinopla e Roma. a evolução de ritos separados 48 . Entretanto. historiadomundo.br/idademedia/feudalismo). E o papel da Igreja Católica? A igreja cristã primitiva na região do Mediterrâneo foi organizada sob cinco patriarcas: os bispos de Jerusalém. Composta fundamentalmente pelos nobres. serrarias. “O Feudalismo”. clero e servos. (disponível em: http://www. como por exemplo. no tocante à religião como disputas doutrinárias. Constantinopla tornava-se a residência do Imperador e do Senado. mas não estavam presos à terra. Era uma sociedade dividida em grupos com pouca mobilidade entre eles. o servo devia uma parte da sua produção ao senhor feudal. a sua influência diminuiu. historiadomundo. eram obrigados a permanecer nela. O Bispo de Roma era tido pelos outros Patriarcas como “o primeiro entre iguais”. A corvéia consistia no trabalho nas terras do senhor (manso senhorial). Uma série de dificuldades entre as partes divididas do Império (ocidente e oriente). muitas vezes se estabeleciam.br/idademedia/feudalismo) Os vilões eram homens livres que viviam no feudo. Nas camadas pobres. (disponível em: http://www. quando a capital se mudou para Constantinopla. Concílios disputados. do uso das ferramentas e dos locais como os moinhos. do celeiro. pois não podiam ser vendidos. em busca de melhores condições de vida. Antioquia. com as disputas doutrinárias ou procedimentais a serem freqüentemente remetidos a Roma para obter uma opinião. No livro de Paulo Miceli. Muitos camponeses passaram a comercializar produtos nas feiras e cidades. entre outras. Alexandria. em alguns dias por semana. No entanto. Os pagamentos que os servos faziam aos senhores pelo uso do forno.Universidade do Sul de Santa Catarina Pela talha. militar e jurídico.

abusos financeiros e despreparo do clero. Se.tiosam.html ou assista ao filme Lutero. Para saber mais sobre o Grande Cisma. teve início a Reforma Protestante. Durante muito tempo não houve nenhuma instituição educacional. levaram à divisão em 1054. até então. cuja referência está na atividade de autoavaliação 1. Síria. estabeleceu normas. O propósito da maioria das escolas era formar monges e clérigos e. acesse: http:// enciclopedia. Anatólia. Egipto.). França e Inglaterra com seguidores entre todas as camadas da sociedade européia. etc.com. a não ser as escolas episcopais. pois promoveu a fundação de outras igrejas ocorreu no século XVI com a Reforma Protestante. Durante a Idade Média. durante a qual se formaram muitas outras religiões no Ocidente. A esta divisão chama-se o Grande Cisma. a Igreja adquiriu o controle da educação. estas passam a depender dos banqueiros e dos mercadores. hystoria. Com o ressurgimento do comércio e o crescimento das cidades. Por volta dos séculos X e XI. Atuando em todos os níveis da sociedade. br/reform.História da Educação I e se a posição do Papa de Roma era ou não de real autoridade ou apenas de respeito.com/ enciclopedia/enciclopedia. movimento religioso liderado pelo monge alemão Martinho Lutero que rompeu a unidade da Igreja Católica na Europa. mantidas pelos bispos. tendo o clero como a elite intelectual e suas escolas como as únicas instituições culturais atuantes. Várias Igrejas reformadas surgiram na Alemanha. No início do século XVI. O período medieval caracterizou-se pela predominância da Igreja como a maior instituição feudal do Ocidente europeu. A Igreja dividiu-se entre a Igreja Católica Apostólica Romana no Ocidente e a Igreja Ortodoxa Oriental no Leste (Grécia.ig. a educação era privilégio dos clérigos 49 Unidade 2 .hpg. Rússia e muitas das terras eslavas.e talvez a mais significativa. assiste-se às transformações econômicas e políticas associadas ao renascimento comercial e urbano. exercendo hegemonia ideológica e cultural na época. A grande divisão seguinte da Igreja Católica . a criança era colocada em contato com os textos sagrados. Dessa forma. desde muito cedo. Acesse o site http://www. orientou comportamentos e soube imprimir nos homens e mulheres deste período uma cultura religiosa. Suíça. a Igreja enfrentou movimentos contestadores de sua doutrina. asp?title=Grande_ Cisma_do_Oriente Essas questões afetaram o sistema de educação.

o crescimento das cidades. Ali aprendiam a ler e escrever e estudavam línguas como o latim e o grego. além de filosofia e teologia. são algumas das constatações que permitem identificar uma educação informal direcionada para os homens e mulheres destas classes. A mulher das classes populares não tinha acesso à educação formal. Ainda que a Igreja continuasse direcionando e conduzindo a vida social e religiosa. esclarecer de que mulheres estamos falando. observavam-se diferentes segmentos sociais. a partir dos seis anos de idade. o interior das igrejas com suas pinturas sacras e vitrais. As moças das classes mais abastadas poderiam receber aulas domiciliares. ascendem à educação escolar. libertando-se pouco a pouco dos domínios religiosos. Quanto às mulheres da burguesia. Os burgueses (habitantes das cidades) queriam uma escola voltada a seus reais interesses e dificuldades. a Igreja exerce um forte papel pedagógico ao formar cristãos. O conhecimento passou a ser indispensável à realização de seus negócios. contribuindo para uma vida menos subordinada aos “desígnios divinos’. Aos poucos.Universidade do Sul de Santa Catarina e se restringia à formação religiosa. exigia uma formação. A catequização por meio de livros ilustrados. precisamos. As escolas seculares significavam escolas do mundo. SEÇÃO 2 – A educação das mulheres Para falarmos de educação feminina. Além dos trabalhos manuais. música e artes. Apenas na formação das mulheres religiosas. não religiosas. nos mosteiros. mais ao final deste período. assim como os homens destes grupos. quando do surgimento das escolas seculares. as aulas centravamse em conteúdos de religião. antes. 50 . Neste sentido. as inúmeras festas de santos do calendário anual. as cidades passaram a ter importância como centros irradiadores dos novos valores culturais. as vilas se transformam em cidades livres. a utilização da poesia e da música (canções populares) cujo enfoque é os temas religiosos.

356. com.br 51 .. a escritora francoitaliana Cristine de Pisan. Estavam fortemente vinculados ao casamento e às relações familiares. segundo os ensinamentos morais da Igreja. Exaltavam a castidade. A escritora procurou concentrar a sua atenção em mulheres de diversos níveis sociais.História da Educação I As opiniões acerca da educação feminina dividiam-se. Casou-se aos quinze anos de idade (algo comum para a época). a humildade. na lógica da obediência e do controle social.que era astrônomo na corte de Carlos V . em 1364. George e PERROT. tornou-se viúva aos 25 anos de idade e responsável pelo sustento da família com a escrita.br/materia. Chamamos atenção para esta escritora. Nasceu em Veneza. porém os discursos também eram dirigidos às mulheres. Michelle. clérigos e mestres. em um universo masculino. Isso representou uma grande conquista apesar dos estudos de cunho oficial continuarem a ser monopólio masculino. chamado de “O Espelho de Cristina”. ele só era realmente bom quando o homem ‘governava’ e a mulher obedecia incondicionalmente.).com. de nobres.aprendeu o latim e a filosofia. no campo das letras. A obra que nos chama a atenção é um manual de educação moral. In: DUBY. foi somente no final da Idade Média que as mulheres tiveram acesso aos manuscritos e às universidades.) É nesta relação entre Igreja. ela escreveu vários livros e manuscritos sobre e para as mulheres. os discursos eram enunciados por vozes masculinas como os pais. De acordo com Opitz: A doutrina do casamento por consenso defendida pela Igreja não podia opor-se às relações de poder vigentes na sociedade-e no fundo também não o queria: a relação entre marido e mulher não podia doravante ser de amizade e pressupor a igualdade de direitos (. mulheres que viviam ao lado de reis. ou seja. destacou-se. História das Mulheres: A Idade Média.2. Nesta fase. consulte <http://www. de mercadores. Via de regra. Um bom casamento era a comunhão entre o homem e a mulher mas. no qual procura mostrar a situação da mulher no final da Idade Média.. (Quotidiano da Mulher no Final da Idade Média. pois. e com o pai . Direito e família que a “educação” feminina vai se configurando. p. v. historiaehistoria. Desta forma. artesãos e trabalhadores. que Unidade 2 Para saber mais sobre a vida e obra desta escritora. o silêncio. historiaehistoria. cfm?tb=alunos&id=35> Figura: Christine de Pisan. “conteúdos” que não faziam parte da educação de uma mulher. o trabalho entre outros temas. Fonte: http://www.

htm Você pode perceber que os conselhos estão atrelados ao seu papel de submissão ao marido e aos costumes da época. a qual fica para sempre a seus filhos. caçadas. „ toda princesa e toda mulher deve ser cobiçosa de buscar honra e bom nome mais do que qualquer outro tesouro por que a faz reluzir em boa nomeada. „ rir baixo e não sem motivo. 52 . reafirmando que a mulher deve conhecer os seus direitos para que não a enganem. Inglaterra.br/ nova_pagina_156. pois fazem parte do seu estado. a seguir. Veja. que elas eram participantes ativas na criação dos filhos e na administração do reino e de suas terras. „ dar esmolas e ser caridosa e sem cobiça. „ visitar os doentes para lhes dar nova esperança. pois deviam se preocupar com a sua educação e com as suas posses.ig. danças.br/materia. falando pouco e mantendo o olhar honesto e baixo. cultas ou iletradas.Universidade do Sul de Santa Catarina trabalhavam dentro e fora do espaço da casa. mas também pode vislumbrar. Para as mulheres do povo também são direcionados conselhos semelhantes aos da nobreza. „ temperada em tudo: no comer. cfm?tb=alunos&id=34> Figura: Execução na fogueira por ordem do tribunal da inquisição. „ nunca se mostrar áspera nem má para suas mulheres e servidores.hpg. 1314. ricas ou pobres.com. vestir e falar. alguns atributos que a escritora considerou como importantes para as mulheres da nobreza ser devota a Deus. „ <disponível em http://www. o valor de suas contas e o andamento de tudo na sua casa. como a prudência no agir e no gastar os bens do seu marido.com. „ não contrair dívidas maiores do que pode pagar. „ mostrar-se séria e contida em público. „ ter cuidado com as suas rendas e despesas e saber a soma de suas rendas e possessões. Fonte: http://www. saberhistoria. a partir destas prescrições. „ manter distância de jogos.historiahistoria. „ deve usar roupas e toucados ricos.

medo e grande sofrimento. porém as mulheres representavam a maioria dos réus e sentenciados dos processos inquisitoriais. SEÇÃO 3: A educação dos cavaleiros medievais A formação das cavalarias medievais dizia respeito às classes nobres. a Igreja possuía forte influência no ordenamento desta sociedade. a partir do século X. A cavalaria tem suas origens em grupos armados. quando era enviado a outro castelo para servir de pajem. Como já vimos. Neste momento. pois havia conhecimento feminino e um aprendizado a ser compartilhado.História da Educação I As especificidades da sua condição social são tratadas em outros capítulos. define suas condutas e ideais. tomando como base os valores morais da Igreja. abortos e processos curativos em geral através da utilização de plantas. em relação à educação feminina. como a maneira de vestir. o religioso da Inquisição contava sempre com o apoio de outros clérigos preparados para a função e utilizava instrumentos que causavam dor. por meio da sua cristianização. A trajetória educacional na formação de um cavaleiro iniciava-se aos sete anos de idade. Acompanhe no filme O nome da Rosa a atuação do inquisidor dominicano Bernardo Gui. que. Em muitos casos. então. é importante ressaltar que os Tribunais do Santo Ofício da Inquisição tiveram um papel fundamental ao promover o afastamento das mulheres das universidades e a proibição de exercerem saberes populares específicos ou práticas referentes à medicina . Podemos observar. Para obter a confissão. a administração do seu lar e do seu trabalho. esta também se revestia de um caráter não formal. esses interrogatórios se encerravam em função da morte do inquirido. Os processos de bruxaria incluíam homens e mulheres. com reconhecido poder pela Igreja Católica. com códigos de honra relacionados à fidelidade e ao exercício da guerra.como a realização de partos. Paralelamente a este aprendizado. a Cavalaria institucionaliza-se e. aprender montaria e participar de torneios e combates. que passam a compor exércitos de defesa. Unidade 2 53 . Assim.

htm 54 . ou seja. das caçadas. Talvez os feitos mais conhecidos que envolveram os cavaleiros medievais e suas ordens foram as Cruzadas. por sua vez. acessar http:// www2. saberhistoria. a vigília de oração. os cavaleiros desenvolviam as habilidades relacionadas às lutas e às guerras. nas chamadas feiras e rotas de comércio. preparando-se para as guerras. ele inicia-se no exercício das armas. Tornava-se cavaleiro participante de uma sociedade que comungava os ideais cristãos. Batalhas entre católicos e muçulmanos duraram cerca de dois séculos. contribuíram para o renascimento urbano e comercial a partir do século XIII. Com o objetivo de expulsar os “infiéis” (árabes) da Terra Santa. Assim. o banho purificador.Universidade do Sul de Santa Catarina Sobre o amor cortês na literatura da época. Ao mesmo tempo em que eram marcadas por diferenças religiosas. que. Uma outra etapa educativa inicia-se quando o aprendiz é alçado à condição de escudeiro.suapesquisa. mais especificamente na obra Tristão e Isolda. Disponível em: http://www. uma educação cortês. foram incorporados outros ritos. dos torneios. Ao retornarem para a Europa. também possuíam caráter econômico. Fonte: http://www. como as vestes brancas e vermelhas (passagem). até o juramento em público. O seu mestre é um cavaleiro a quem deve servir. Você sabia? No século XI.ufpa. viravam canções de grande disseminação e apelo popular. Como você viu. o papa Urbano II convocou a Primeira Cruzada (1096). Após as Cruzadas. do código de honra.br/ nova_pagina_142.com/ idademedia/ Figura: Um cruzado ajoelhado em prece. o Mar Mediterrâneo foi aberto para os contatos comerciais. Assim. os muçulmanos conquistaram a cidade sagrada de Jerusalém.br/ceg2005/webceg/ tc20000116.com. Os significados e os valores da Cavalaria podem ser encontrados nas fontes literárias da época. A formação estava completa mais ou menos aos vinte anos de idade com uma cerimônia que culminava com a entrega das armas e a sua sagração como cavaleiro. saqueavam cidades árabes e vendiam produtos nas estradas. do amor personificado na mulher idealizada.hpg. aliadas a uma formação religiosa e cortês. como um “iniciado”.ig.htm iniciava-se a educação das boas maneiras. Com o passar do tempo.

III – Defenderás todos os fracos. Pelo menos em teoria. VII – Cumprirás com teus deveres feudais.html) Você pode identificar a observância a um código de conduta e de honra. VIII – Nunca mentirás e serás fiel à palavra empenhada.br/medieval_knights. estas eram as diretrizes “pedagógicas” na formação desta classe. foram fundadas várias ordens cavalheirescas destinadas a combater os “infiéis” (muçulmanos). com reflexos diretos no renascimento comercial e urbano europeu. IV – Amarás o país onde nasceste. Unidade 2 55 .História da Educação I A partir dos movimentos conhecidos como Cruzadas.uol. IX – Serás liberal e generoso com todos.vilabol. Esta formação do cavaleiro. pode ser sintetizada nos mandamentos a seguir: I . VI – Farás guerra aos infiéis até exterminá-los. X – Serás o defensor do direito e do bem. contra a injustiça e contra o mal. a proteção e defesa da Igreja e aos seus princípios cristãos e institucionais. associada aos princípios cristãos. V – Jamais retrocederás ante o inimigo. se estes não forem contrários à lei de Deus. II – Protegerás a Igreja.com.Acreditarás em tudo o que a Igreja ensina e observarás todos os seus mandamentos. (Extraído de : http://marged. bem como ao combate aos não-cristãos.

saberhistoria. entre outras coisas. Agregavam pessoas que exerciam o mesmo ofício e eram responsáveis por determinar preço. que detinham as técnicas de trabalho de tal atividade. 1985. como também o horário de trabalho. desempenhando um papel educativo importante junto aos habitantes das cidades. poderá exercer o mesmo. O aprendizado constitui-se no aprendizado técnico. ninguém do dito ofício lhe dará trabalho.br/ nova_pagina_144. Existiam também corporações intermunicipais. as regras disciplinares à sua condição de aprendiz. o preço do produto. o processo de fabricação. BROWN E TAWNEY apud HUBERMAN. cujo objetivo era defender os interesses de mercadores de um grupo de cidades. Observam-se. chamadas hansas. cuja educação era pautada na reprodução. denominadas corporações de ofício. do século XIV: [4] E se qualquer aprendiz se comportar impropriamente para com seu mestre. que se estendiam ao comportamento social e individual. Para se ter uma idéia do poder destas associações. p.com. margem de lucro. anteriormente. tanto das habilidades técnicas quanto das classes e Figura: Oficina de alfaiate Fonte: http://www. do aprendizado na corporação. aprendizado e hierarquia de trabalho. [6] Ninguém que não tenha sido aprendiz e não tenha concluído seu termo de aprendizado do dito ofício. até que tenha feito as reparações perante o Alcaide e os Intendentes. (BLAND.hpg. configurando-se também como espaços educativos de formação profissional. diferentemente do que já vimos sobre as condições servis nos feudos. as condições necessárias à aprendizagem. Veja dois artigos do estatuto dos “curtidores de couro branco”. organizavam-se em associações.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 4: A educação nas corporações de ofício A educação das classes menos abastadas era fundamentalmente constituída pelo trabalho. com também na vivência da corporação. qualidade.htm 56 . 65). assim como a legitimidade da formação profissional a partir. Os profissionais dedicados às atividades artesanais nas cidades medievais. obrigatoriamente.ig. quantidade da produção. As corporações disseminaram-se em toda a Europa. no respeito aos estatutos e às regras. e agir de forma rebelde para com ele. elas determinavam a matéria-prima a ser utilizada. As corporações de ofício foram associações que surgiram a partir do século XII para regulamentar o processo produtivo artesanal nas cidades.

Em que condições dava-se este aprendizado? Durante todo o aprendizado. Mediante aprovação. associada a uma pedagogia religiosa. através das missas. os aprendizes ficavam na casa do mestre.História da Educação I relações sociais. O passo seguinte. Envolveu-se com Heloísa. Sobre esta história de amor. se quisesse ser dono de uma oficina. era a submissão a um exame. originadas a partir dos saberes oferecidos pelas corporações de ofício intelectual. dos ritos e das festas. Os alunos viviam em regime de internato. para tornarem-se oficiais ou companheiros. Eram as universitas. do ponto de vista dos seus mestres. determinado pelo mestre. não sacerdote. mas não somente. Pedro Abelardo (10791142) era mestre livre. famoso por sua oratória e por promover a aliança entre fé e razão. voltadas para a formação do clero. Por fim. assista ao filme Em nome de Deus. precisava ter algum capital e mostrar habilidade em seu ofício. através de um exame prático na sua corporação. Muitos destes mestres eram clérigos nãoordenados. como Pedro Abelardo. dirigiam-se às universidades. obtendo o título de mestre e a licença para abrir o seu negócio. sofrendo várias perseguições e punições. incluindo a sua castração. Os mestres possuíam suas especialidades e os alunos recorriam a eles de acordo com seus interesses intelectuais. SEÇÃO 5: A educação nas Universidades Os alunos mais capazes. No entanto. ele pagava uma taxa. recebendo gratuitamente a estadia e a alimentação. sobrinha do Cônego Fulbert. podendo empregar-se por conta própria. A maioria das universidades surgiu de escolas monásticas. estes centros de saber firmavam sua autonomia através da formação de associações corporativas de mestres. tendo como pano de fundo a educação medieval. renovando os estudos da Sagrada Escritura. sendo educados tanto em conhecimento quanto em valores morais. Unidade 2 57 .

como o documento de fundação da Universidade medieval. a de Bolonha (Itália). mesmo quando não se destinam ao sacerdócio e alguns recebem a tonsura. mundodosfilosofos. com.br/aquino. no reino da Sicília (hoje parte da Itália). debatendo proposições controversas. Em 1215. Tal método tem fundamento nas idéias de Aristóteles. e as duas grandes Ordens religiosas que a iluminam no século XIII. mas. a princípio.com. no entanto. Gramática latina. em cujos procedimentos os estudantes exercitavam a dialética. htm e http://revistaescola. em meio a esta diversidade.) os professores pertencem todos à Igreja.. ensinava-se dialética.abril.. acesse http://www. conheceram aí grandes glórias. as chamadas artes liberais funcionavam como um estudo preparatório para cursos mais especializados como Teologia. Música. Muitos historiadores consideram a bula Parens Scientiarum lançada pelo Papa Gregório IX. para os que queriam seguir o sacerdócio ou Medicina e Direito. assim como seus professores. música e disciplinas relacionadas às ciências e Filosofia. (Disponível em http://www. Dialética (Trivium) e Geometria. Todos os alunos são chamados de clérigos. Tomás de Aquino nasceu em 1224 ou 1225 num castelo perto da cidade de Aquino.org. permanencia. Salamanca (Espanha). Os alunos vinham de vários lugares. Além de Teologia. Destacam-se as mais antigas como a de Paris (França).br/edicoes/0183/aberto/mt_ 74923. o qual facilitava a comunicação e o acesso ao conhecimento. Franciscanos e Dominicanos. geometria. Para saber mais sobre São Tomás de Aquino e sua importância para a filosofia medieval. o caráter de associação é reconhecido por estudantes e mestres. os colégios vão assumindo o ensino das artes liberais. ligavam-se às escolas monásticas e episcopais.Universidade do Sul de Santa Catarina Como tornaram-se associações de grande importância. Oxford e Cambridge 58 .br/revista/historia/luz2. tiveram seu controle disputado pela Igreja. Aritmética. A organização curricular foi sofrendo mudanças ao longo do tempo. Institucionalizadas pelo papado. ficando as universidades com a formação profissional mais especializada. estas regidas pelos bispos.shtml Os métodos de ensino baseavam-se na Escolástica. tornando-se São Tomás de Aquino um de seus principais seguidores e cujos estudos associaram fé e razão. A partir do século XV. todos deveriam falar uma língua comum: o latim.htm) As chamadas artes liberais compreendiam Retórica. entre outras. Estas instituições possuíam características eclesiásticas. Astronomia (Quadrivium). com um São Boaventura e um São Tomás de Aquino. no Papado de Inocêncio III. como nos coloca Régine Pernoud: (. Estas instituições disseminaram-se na Europa Ocidental. gramática. em 1231. como as universidades pelo Papa.

Figura: A educação na Idade Média estava diretamente ligada aos estudos junto às igrejas. que. intensificava as atividades sociais e econômicas da cidade nascente. pela movimentação nas estradas medievais. Como funcionava a organização didático-pedagógica? Geralmente.htm) Percebeu alguma semelhança com a realidade atual? Os estudantes com poucos recursos pediam isenção das taxas de matrícula nas universidades e trabalhavam para manter os estudos.com. Fonte: http://www. muitas vezes como copista ou encadernador de livros.hpg. Medicina. consequentemente. Não havia séries e classes e todos estudavam nas classes de mestres até que pudessem obter a titulação. Os estudantes partiam para as universidades escolhidas.História da Educação I (Inglaterra). mestres e alunos debatiam os temas. as preocupações relacionavam-se aos estudos. Os mais novos poderiam passar da Faculdade de Artes para as formações específicas (Direito. por sua vez. à necessidade de dinheiro e de comida. br/nova_pagina_161. Maria Lúcia Hilsdorf. Estes locais de saber movimentavam as cidades. o mundo letrado era um mundo itinerante.ig. por exemplo. a professora da USP e pesquisadora.” E como seria o ambiente universitário nesta época? Segundo Pernoud. afirma: “a atuação deles atraía estudantes e. Numa entrevista. Eram responsáveis. seguiam mestres de renome ou disciplinas oferecidas somente em outras cidades. Teologia) aos 15 anos e alcançarem a titulação de mestre e a licença com 20 anos. saberhistoria. mantinham o interesse pelas atividades docentes. as aulas eram expositivas e. juntamente com os comerciantes e os peregrinos religiosos. às provas. Unidade 2 59 . Em cartas endereçadas à família. Havia alunos a partir de 12 anos no mesmo espaço que alunos mais velhos. a partir da lição (sempre em latim).

XI. Figura: Universidade de Oxford. seus cursos esparsos. 60-61).wikipedia. sua ausência de graduação sistemática e de exames metódicos. o ensino universitário da Idade Média guarda poucas semelhanças com o colégio que se seguirá. as atividades propostas. 60 . do séc. para praticar os conhecimentos adquiridos nesta unidade.wikipedia. (. do séc. XII.. realize.) Estamos assistindo ao nascer de uma nova pedagogia e de uma nova instituição.. a seguir.org/wiki/ Universidade_de_Paris Agora. Fonte: http://pt.Universidade do Sul de Santa Catarina Como diz André Petitat: Com sua pedagogia oral. (1994. A seguir veja as imagens de duas universidades criadas durante o período medieval. pp. sua mistura de idades. Fonte: http://pt.org/wiki/ Universidade_de_Oxford Figura: Universidade de Paris. no século XVI.

115 min. 117 min. 130 min.. 1985.História da Educação I Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e acompanhe as respostas e comentários no final do livro didático. „ Em nome de Deus (Iugoslávia/Grã-Bretanha. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas. „ Unidade 2 61 . 1965.. 90 min.: Clive Donner).: Richard Donner). Dir. Direção: Antoine Fuqua). 1986. „ Cruzada (EUA. Dir. „ O nome da rosa (ALE/FRA/ITA.. 1) Escolha um dos filmes sugeridos registre os aspectos relacionados ao tema da Unidade e comente com seus colegas na ferramenta Exposição.: Jean Jacques Annaud).: Mário Monicelli).: Ridley Scott)... 2005. 1988. O feitiço de Áquila (EUA. Dir. Dir. „ O incrível exército de Brancaleone (ITA. 144 min. „ Rei Arthur (EUA. Para melhor aproveitamento do seu estudo. 2004. 144 minutos Dir.

62 . qual lhe chamou mais a atenção? a) Indique características deste grupo ou classe. b) Identifique a forma de aprendizado.Universidade do Sul de Santa Catarina 2) Em relação às práticas educativas das classes e grupos sociais que você viu nesta unidade.

acreditamos. passando pela educação das mulheres. instrumentalizando-se para fazer algumas comparações com a realidade atual. Pensamos que. A maioria das universidades surgiu de escolas monásticas. Unidade 2 63 . que se estendiam ao comportamento social e individual. A formação das cavalarias medievais dizia respeito às classes nobres. exercidas durante a Idade Média. como também na vivência da corporação. das corporações de ofício. Procuramos abranger desde o contexto histórico medieval. com códigos de honra relacionados à fidelidade e ao exercício da guerra. que passam a compor exércitos de defesa. Ao falarmos de educação feminina. você pode construir um conhecimento significativo sobre este assunto. Os princípios educativos eram enunciados por instituições masculinas e voltados para as mulheres da burguesia e da nobreza. lhe possibilitaram compreender a forma e os métodos gerais das práticas educativas formais e não-formais. porém firmaram sua autonomia através da formação de associações corporativas de mestres. assim. dos cavaleiros. pontuamos as diferenças entre as classes sociais. A cavalaria tem suas origens em grupos armados. A Igreja exerce forte influência nesta formação. foram apresentados alguns elementos que. até a educação nas universidades. no respeito aos estatutos e às regras. mostrando que a mulher das classes populares não tinha acesso à educação formal.História da Educação I Síntese No estudo desta unidade. Nas corporações de ofício. A organização didático-pedagógica centrava-se mais no mestre que no aluno. o aprendizado constitui-se na aprendizagem técnica. assim como os homens destes grupos.

htm PETITAT. Paulo. PERNOUD. 1994. André. HUBERMAN. Rio de Janeiro: Zahar Editores. Produção da escola / produção da sociedade: análise sócio-histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente.br/revista/historia/luz2. Régine. 64 . São Paulo: UNESP. você poderá pesquisar os seguintes livros: CAMBI. 20 ed. 1998. Georges e PERROT. História da Pedagogia. (Org. Porto Alegre: Artes Médicas. Trad. O Feudalismo. Franco. Volume 2. Porto: Afrontamento.). Michelle. O quotidiano da mulher no final da Idade Média (1250-1500) In: DUBY. Disponível em: http://www. A história da riqueza do homem. O ensino na Idade Média.: Eunice Gruman. 1999.Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade. História das Mulheres. Leo. Claudia. MICELI.org. OPTIZ. 1994. 1985. São Paulo: Atual.permanencia.

Conhecer a ação dos jesuítas no Brasil colonial. „ „ „ Seções de estudo Seção 1 A secularização do pensamento. Seção 4 A Ratio Studiorum (a pedagogia jesuítica).UNIDADE 3 Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica Objetivos de aprendizagem „ 3 Compreender a constituição dos colégios modernos. Conhecer aspectos da ordem religiosa da Companhia de Jesus e de suas ações referentes à educação. Seção 3 O surgimento da Companhia de Jesus. . Seção 5 A ação dos jesuítas no Brasil colonial. Seção 2 Os colégios modernos. Identificar as principais características da pedagogia jesuítica.

da Reforma Protestante e da Contra-reforma. Essas mudanças geraram. da imprensa e do papel. historianet. representam bem esse novo tipo de escola. artísticas. da chegada à América. da formação dos Estados Nacionais. em contraposição às concepções predominantemente teológicas da Idade Média” (ARANHA. da bússola. Os colégios jesuítas. Muitos autores situam nos séculos XVI e XVII o berço do modelo de escola atual. Renascimento é o nome que se dá a um grande movimento de mudanças culturais. da cultura clássica. como surgiu a Companhia de Jesus e quais as principais características da pedagogia jesuítica. Segundo Aranha (1995. ainda nessa unidade. p. religiosas e educacionais. verá um pouco da ação dos jesuítas no Brasil no período colonial. da invenção da pólvora. criados nessa época. É o período do Humanismo. você verá nessa unidade alguns pensadores dessa época e a organização desses colégios. busca-se a “secularização do saber. da Revolução Comercial. Você verá. portanto. Esse momento é considerado como um importante período de transição envolvendo as estruturas feudo capitalistas. embora os valores religiosos e morais continuem com força. que atingiu as camadas urbanas da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI. p.br> No caderno de Fundamentos Filosóficos. <Fonte: http://www. Além disso. 1996. Por isso. SEÇÃO 1 – A secularização do pensamento O período compreendido entre o final do século XIV e o fim do século XVI é marcado pelo movimento do Renascimento. quando da criação dos colégios modernos. Foi o período das grandes navegações. isto 66 . caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana. novas formas econômicas. 87).Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade. a educação jesuítica. 86). você pode ver algumas de suas características. “que significa a procura de uma imagem do homem e da cultura. políticas.com. você estudará alguns elementos referentes aos colégios modernos e. expressas em um documento lançado em 1599 e denominado Ratio Studiorum. mais especificamente. ou seja. decorrentes de acontecimentos em diferentes áreas. O Teocentrismo dá lugar ao Antropocentrismo.

Erasmo de Rotterdam (1465-1536). Erasmo de Rotterdam. naturais. com métodos intuitivos e ativos (LUZURIAGA. 102). para torná-lo mais propriamente humano”.História da Educação I é. para chegar às idéias”. Rabelais e Montaigne. defendia que devia-se “partir dos objetos sensíveis. Defendia as línguas clássicas. ainda. as idéias de pensadores como Vives. 1985. Este ensino deveria “partir das impressões ou sensações para chegar à imaginação e desta à razão” ou dizendo de outra forma. Os principais interessados nesses novos valores são oriundos da nascente burguesia. Recomendava também que o ensino das línguas clássicas fosse realizado na língua materna (LUZURIAGA. viajou por vários países europeus e dedicou inúmeros de seus trabalhos à educação. também pregava o realismo e o naturalismo. desde que não reduzidas ao estudo da gramática. Criticava o uso dos castigos e o ensino livresco e propunha uma educação onde o aluno participasse ativamente. francês. Percebe-se. Michel de Montaigne (1533-1592). diferentemente de seus contemporâneos. 1985. mas na natureza e pregava que o ambiente educativo fosse de liberdade e atraente. Para ele a educação sistematizada deveria começar desde o terceiro ano de vida respeitando-se as características naturais da criança e utilizandose do jogo. Defendia o estudo das ciências. nos escritos destes autores. a questão da língua nacional. Não fez referência em seus textos. desvesti-lo da parcialidade religiosa. p. em linhas gerais. Destaca-se. Em termos pedagógicos. p. nesse período. 105-6). Juan Luiz Vives (1492-1540). destacam-se. O francês François Rabelais (1494-1553) é considerado o precursor do realismo e do naturalismo na pedagogia. a preocupação com a moralização dos comportamentos infantis e prevêem-se roteiros de civilidade para orientar as ações das 67 Unidade 3 . onde as disposições naturais da criança fossem respeitadas. não através de livros. uma crítica à educação predominante até então e a defesa de uma pedagogia mais humana. deu particular atenção aos aspectos psicológicos do ensino. humanista espanhol. holandês. latim e grego.

a seguir. como veremos a seguir. (FREITAS e KUHLMANN Jr.. p. a terceira.. 2002. tanto quanto à sua inteligência. Essa nova civilidade tem a ver com os valores almejados pela nova classe burguesa que busca se diferenciar dos trabalhadores e se aproximar da aristocracia. desde muito cedo. que esse se habitue. É neste contexto que ocorre a “extensão da freqüência escolar” e crianças são transformadas em alunos. que ele se inicie nos deveres da vida.. ainda brando.. a polidez. censuras internalizadas e automação de gestos para o convívio público. apud FREITAS e KUHLMANN Jr. portanto que um homem preste atenção à sua aparência.) “a um modelo de distinção”. (. p.. de 1530: A arte de educar as crianças divide-se em diversas partes. que ele se entregue às belas-artes e nelas mergulhe profundamente. das quais a primeira e a mais importante é que o espírito. receba os germes da piedade.) Convém. às regras de civilidade.. a segunda. que preparam as regras de convívio das multidões das cidades (urbanidade). serão necessárias (. e que constituem feixes encadeados de conduta para com os outros específicos da vida civil (civilidade).. Para isso. Busca-se adequar os sujeitos a “padrões de urbanidade”. 18). São padrões da corte (cortesia). Veja-se. (. a fala de Erasmo.) práticas de controles minuciosos e ordenados sobre o corpo: controles que visam a obtenção de autocontroles. a moralidade e também uma educação clássica. Seria assim essa conduta refinada.Universidade do Sul de Santa Catarina famílias e dos educadores. que retomam a cordialidade da antiga polis (polidez). enciclopédica que formaria os filhos da burguesia e da aristocracia renascentista. E os colégios.. 2002. de tal maneira que se passa a ensaiar um roteiro supostamente universal de como se comportar. aos seus gestos e à sua maneira de vestir. o bom comportamento. (ERASMO. serão a “moderna expressão de como tratar as crianças mediante códigos das boas maneiras 68 . 22). a quarta.

Claude Baduel. defende “que se deve agrupar em classes os alunos grandes e sujeitá-los Unidade 3 69 . 78). (FREITAS e KUHLMANN Jr. no estudo dos colégios. a partir do século XV. diretor de um colégio no século XVI. os alunos externos eram em grande número. Os autores anteriormente citados (Vives. (. nas escolas e colégios. p. teremos um número maior de colegiais. crianças. internos e externos. 22-23). Mas ambos... com um mestre para cada uma e os exames são instituídos para estabelecer a aprovação ou reprovação. Como veremos na próxima seção. 1994. os colégios eram asilos para estudantes pobres. em pequenos grupos. ficavam sujeitos ao espírito de isolamento e controle dessas instituições. nem todos esses ideais foram de imediato incorporados nas práticas escolares. SEÇÃO 2 – Os colégios modernos Segundo Ariès (1981. Assim.) Não se ensinava nos colégios”. 110) “no século XIII. organizados em classes ordenadas com graduação nos estudos e sujeitos a uma disciplina rígida. esses colégios tornaram-se instituições destinadas ao ensino.História da Educação I requeridos pela cultura moderna”. Embora muitos desses colégios se organizassem na forma de internatos. Erasmo Rabelais e Montaigne) expressam em suas teorias ideais educativos decorrentes de uma nova maneira de compreender a educação e a criança. os colégios vão sendo organizados em torno de seis ou sete classes sucessivas. agrupados por idades mais próximas. Se na Idade Média misturavam-se. Contudo. 2002. aos poucos. a partir da constituição dos colégios modernos. Mas. por exemplo. (PETITAT. p. fundados por doadores.. a predominância do latim e o recurso aos castigos físicos. p. permanecem por longo período. jovens e adultos de diferentes idades.

Já nos colégios modernos. p. Vê-se que o espaço e o tempo escolar passam a ser amplamente controlados.. (PETITAT. dispensa acompanhada de benção. para entregar os temas e para apresentar-se aos exames. uma hora de aula.) Deve-se ter uma lista com os nomes dos alunos e proceder a uma chamada na abertura das aulas” (apud PETITAT. já presentes no século XV e muito difundidos no século XVI. Vêem-se aqui algumas formas de controle que permanecem até hoje em nossas instituições de ensino.79). p. oração. p. 79). oração dominical e breve ação de graças. castigos públicos e “admoestações” para os “delitos notáveis”. aula durante duas horas. aula mais longa ou menos longa conforme fosse verão ou inverno. dos alunos brilhantes e dos preguiçosos. 1994. Exemplo de um dia de estudos num colégio protestante do século XVI Ele principia às seis horas no verão e às sete horas no inverno.. Fonte: Petitat. horários estritos e bem carregados dividem as matérias pelos dias e horas. aula durante uma hora e meia. É o princípio dos prêmios pelo desempenho escolar. oração. oração.. Quanto ao tempo. 70 . Petitat destaca que nas escolas medievais “o tempo do aluno dividia-se em largos períodos”. punições dos retardatários. às 16 horas. Pela manhã. reunião de todos os alunos na sala comum. Os alunos dispõem de um tempo limitado para assimilar determinadas matérias. leitura da oração.103. (. os alunos são reconduzidos aos respectivos alojamentos para a refeição (às 10 horas).. Relógios e sinetas. 1994. à tarde: retorno à classe às 11 horas. oração. chamada. 1994. lanche. (. desjejum em aula. oração e tempo livre para estudos até às 14 horas.) este tempo é repartido em períodos anuais. da confissão de fé e dos dez mandamentos. canto de salmos até ao meio-dia.Universidade do Sul de Santa Catarina a um maior respeito pelos professores e a uma maior docilidade em tudo o que se refere aos seus estudos. marcam agora as atividades escolares. das censuras e das recompensas.

comerciantes. as manufaturas da época. embora sempre majoritária de funcionários. (PETITAT. Estas precisam ser afastadas do mundo adulto. burgueses e nobres”. de suas relações com a vida adulta usual. Quanto ao conteúdo. de acordo com Petitat. de eloqüência e boas maneiras. despojado de sua lojinha. 90). Assim como os colégios controlam o espaço e o tempo dos alunos. portanto. Diferentemente da oficina artesanal medieval. há poucos trabalhos ainda sobre a questão da origem social dos colegiais e destaca ainda que esta origem “apresenta uma face mais ou menos heterogênea de acordo com as cidades: minoria mais considerável ou menos importante de filhos de artesãos. subdividido e vigiado. O aluno se vê distante dos locais de socialização espontânea e privado. Assim. dos vizinhos. qual a origem dos alunos que freqüentavam os colégios e qual o conteúdo essencial aí aprendido. a manufatura impõe um outro tempo de trabalho. “a separação entre o mundo dos adultos e do das crianças e adolescentes está na base da pedagogia moderna”. Poderíamos perguntar. p. presença variável. dos clientes. 88). p. a manufatura acentua as rupturas no interior das atividades sociais. uma “nova temporalidade”. em grande parte. a aquisição Unidade 3 71 . o estudo do latim e do grego. também. como o colégio. ou seja. da gramática. sincronizado. O artesão. ditada pelo relógio mecânico. onde o artesão produz no seu próprio ritmo. Enfatiza. visando gerir a vida dos mesmos. Segundo Petitat (1994. entre outros. Segundo Petitat (1994. 1994. de obras literárias e filosóficas da Antiguidade. que a maioria dos colegiais não termina os estudos. Essa nova forma de organização e funcionamento dos colégios está ligada a uma nova maneira de conceber a infância e a adolescência. destacam-se.História da Educação I Há. o “tempo da ciência”. p. organizam-se de forma a controlar o assalariado. ainda. está concomitantemente afastado da família. 93). também. o que restringe a vida do bairro e reduz as funções da família.

Essa cultura geral.. como os oratorianos. é produto de uma estrutura de conjunto das relações de força e de sentido dentro da sociedade e de um nível elevado de trocas econômicas. onde os exercícios escritos substituem cada vez mais os orais. por causa da influência que tiveram na educação brasileira. serve de referência. Antes de você conhecer a prática pedagógica jesuítica. você irá se deter nos últimos colégios citados. 100) conclui que (. para as quais a cultura escrita escolarizada. .. A mesma foi reconhecida pelo papa Paulo III em 1540. Colégios criados por diferentes iniciativas e congregações religiosas. Petitat (1994. Seção 3 – O surgimento da Companhia de Jesus A criação da Companhia de Jesus por Inácio de Loyola (14911556) ocorreu em 1534. 72 . você é convidado a conhecer como surgiu essa ordem religiosa.Universidade do Sul de Santa Catarina de uma cultura geral.) o colégio. para consolidar uma determinada posição social. mais do que contribuir para a ascensão social dos que freqüentam os colégios. é preciso lembrar que os novos ares oriundos do movimento renascentista afetaram não somente as artes e a ciência. mas também a religião. embora particularmente destinado a certas camadas.Nesta disciplina. os doutrinários e os jesuítas. servia antes para manter as diferenças de classe. Essa cultura escrita escolarizada foi difundida nos diversos colégios que surgiram e se consolidaram nesse período. Para compreender melhor o seu surgimento. de enraizamento e de distinção. Companhia de Jesus é a denominação de uma ordem religiosa da igreja católica e os membros dessa ordem são denominados jesuítas. p. uniformizada.

Lutero protestou violentamente contra as indulgências a ponto de. Fonte: <http://www. saberhistoria. 95 proposições onde. na cidade de Eisleben. condenava a prática vergonhosa da venda de indulgências. Figura – MARTINHO LUTERO. trocando-os pela vida religiosa. Cristo viera para salvar os pecadores. sempre esteve atormentado por duas grandes dúvidas: o poder da salvação atribuído a lugares santos e. na verdade. Martinho Lutero lidera um movimento de crítica a estrutura da Igreja Católica. dando origem à Reforma Protestante. (Pedro. O papa Leão X exigiu uma retratação e. entre outras coisas. Iniciou os estudos de direito em 1505 e os abandonou no mesmo ano. Apesar de dedicado à Igreja. em 1517. peregrinações ou contribuições. alguns integrantes da igreja católica manifestam posições contrárias ao monopólio da Igreja sobre a religiosidade e contra o comportamento imoral do clero. De acordo com Pedro. iniciou outro movimento que ficou conhecido como Contra-reforma.ig. Alemanha.com. a venda de indulgências. onde era mestre e pregador. Assim. Martinho Lutero Nasceu em 1483. mas com a fé no próprio Deus. muitos dos princípios da Igreja pareceram irrelevantes e blasfemos a Lutero. Especialmente suspeitos eram: a noção de que Deus recompensa um cristão na proporção das orações. A. htm> A reação da Igreja Católica a esse movimento protestante é conhecida como Contra-reforma. Entre as ações desencadeadas pela hierarquia católica para combater esse movimento. foi expulso da Igreja. Tornou-se monge e depois padre. 1995). posteriormente.História da Educação I Neste período. br/nova_pagina_104. sem o apoio do pai. afirmações ou idéias defendidas por Martinho Lutero e seus seguidores contra práticas ou determinações da igreja católica naquele momento. Também são conhecidas como as 95 teses de Martinho Lutero. Deus não era como um contador com quem devia barganhar ou um juiz severo a ser aplacado com boas ações. tendo ele recusado. Como a Igreja Católica perdeu muitos fiéis com esse movimento de protesto (daí o termo “protestante”) liderado por Lutero pela Reforma da Igreja Católica. podemos destacar: Unidade 3 73 . a salvação não seria alcançada com esforços insignificantes. As 95 proposições mencionadas são. Para ele. afi xar na porta da igreja de Wittenberg. o culto dos santos e de suas relíquias e a venda de indulgências.hpg.

em Roma. hpg. a censura eclesiástica se tornou uma instituição em 1571 e intensificou seus trabalhos nos séculos seguintes. htm> Lista de livros proibidos (Index) Segundo o historiador alemão Hubert Wolf. militar espanhol. África e América (chegam ao Brasil em 1549). onde seriam 74 .saberhistoria. foi o fundado o Colégio Romano. à necessidade de formar os futuros quadros da congregação. Esta perseguição aos hereges e protestantes foi finalizada somente no início do século XIX. Todos os suspeitos eram perseguidos e julgados. O Concílio de Trento foi o mais longo da história da Igreja: é chamado Concílio da Contra-Reforma. em 1548. Ásia. cria a Companhia de Jesus. Figura: Venda de indulgências Fonte: <http://www. Assim. de Umberto Eco. A sua convocação surge no contexto da reação da Igreja Católica à Reforma Protestante. cumpriam as penas que podiam variar desde prisão temporária ou perpétua até a morte na fogueira. logo eles passaram a dedicar-se à criação de escolas devido.br/nova_pagina_104. Com muita rapidez os jesuítas se espalham pela Europa. foi o primeiro a recebê-los. realizado de 1545 a 1563. como reação à reforma protestante e ao Iluminismo. O Colégio de Messina. é nesse contexto que Inácio de Loyola. Em 1551. Esses colégios passaram a receber também alunos externos.com. Ela era composta por tribunais que julgavam todos aqueles considerados uma ameaça às doutrinas (conjunto de leis) desta instituição. pregando a fé e combatendo heresias. Uma boa opção para compreender melhor o período e a Santa Inquisição é assistir o filme O Nome da Rosa. onde os condenados eram queimados vivos em plena praça pública. e aqueles que eram condenados. foi convocado pelo Papa Paulo III. Acirramento das ações da Inquisição A Inquisição foi criada na Idade Média (século XIII) e era dirigida pela Igreja Católica Romana. Embora não fosse o intento inicial dos jesuítas.Universidade do Sul de Santa Catarina Concílio de Trento O Concílio de Trento. O objetivo era assegurar a unidade de fé e a disciplina eclesiástica. principalmente.ig.

Hansen coloca ainda que. os jesuítas. mandou para toda a companhia uma versão da Ratio que tinha em conta as críticas e sugestões recebidas das diferentes instituições existentes. desencadeiam um processo para elaboração de um Plano de Estudos a ser adotado em todos os colégios. por causa de vários problemas. Segundo HANSEN (2001. liderados pelo Superior Geral da Companhia. Isto para que as determinações e práticas fossem iguais em todas as instituições da companhia. Sendo os jesuítas precursores da educação institucional no Brasil. nomeado outra comissão de seis membros. visando assegurar uma uniformização das práticas educativas desenvolvidas nos colégios jesuítas espalhados pelo mundo todo.História da Educação I realizadas as principais experiências educativas que se tornariam modelares para os demais colégios inacianos. 2001. é de fundamental importância conhecermos um pouco de sua prática pedagógica para compreendermos o processo de escolarização desenvolvido no país. Sendo assim. p. O mesmo autor coloca que. Acquaviva nomeou uma comissão composta de doze padres para “formular a ordem de estudos que se deva guardar a Companhia”. inicialmente. composta por padres de vários países. Em 1591. sendo todos eruditos e experientes no ensino (HANSEN. Cláudio Acquaviva. partir dessas informações. através de cartas. foi publicada a edição definitiva da Ratio Studiorum que regula com grande detalhe o modelo de ensino praticado durante séculos pela Companhia de Jesus. o grupo de doze padres não levou o projeto adiante. tendo Acquaviva. p. Acquaviva. contendo 466 regras e estabelecia que ficasse em experiência durante três anos. Este grupo tinha como compromisso. em 1599. no ano de 1581. elaborar os Planos de Estudos. Pe. em dezembro de 1584. convidamos Unidade 3 75 .14). conseguir informações das práticas efetivadas em todos os Colégios e.16). Finalmente.

18). seguindo-se com a máxima fidelidade a tradição e os textos canônicos autorizados pela Igreja a partir do Concílio de Trento” (HANSEN. composto por 467 regras. p. é um regulamento interno da Ordem Jesuítica. A Ratio Studiorum. 2001. agrupadas em 30 conjuntos. publicada em 1599.. Seção 4 – A Ratio Studiorum (a pedagogia jesuítica) Sendo a Companhia de Jesus uma ordem religiosa não contemplativa. transferir e aplicar conhecimentos como intervenções nas questões do presente. evita as interpretações averroísticas de Aristóteles. que viviam recolhidas em mosteiros. à humildade.) (não ser nem curioso nem temerário nos estudos nem defensor de opinião própria) mas visando. 2001. orienta o ensino das letras. simplicidade e outras virtudes cristãs (HANSEN.18). modéstia. p. método e as disciplinas escolares.. Para cumprir estas determinações a Ratio Prescreve Santo Tomás de Aquino em teologia escolástica. ao contrário. Nesse sentido. planos de estudos. essas intervenções na prática cotidiana não poderiam estar dissociadas das práticas das virtudes cristãs. sempre cuidando (. 76 . segue em teologia positiva os doutores aprovados pelas universidades católicas. Considerando o momento contra-reformista daquele momento. das artes e teologia no sentido de desenvolver nos educandos as capacidades de assimilar. a Ratio Studiorum. Esse conjunto de regras trata de questões administrativas. dirigidas aos agentes e instituições escolares dos colégios jesuítas. de 1599. Hansen observa que o sentido final das normas e das práticas da Ratio Studiorum “é o da ortodoxia.Universidade do Sul de Santa Catarina você para conhecer aspectos dessa pedagogia através da leitura de alguns componentes estabelecidos na Ratio Studuorum. como a maioria das ordens religiosas da época.

Fonte: <http:// en. sendo que esta era subdividida em inferior. Os estudos inferiores eram divididos em séries: Retórica. Segundo Dallabrida.jpg Mas todo o ensinamento deveria ser trabalhado de forma descontextualizada da mentalidade pagã das sociedades antigas. enquanto não forem expurgados dos fatos e Unidade 3 77 . Humanidades.de livros de poetas ou outros. como auxílio e fundamento para os estudos de filosofia e principalmente de teologia.wikipedia. 2001. A regra número 34. A Ratio determinava que as cinco séries (Retórica. que de modo algum se sirvam os nossos. 1598. mas nas classes de gramática somente quando o aluno demonstrasse domínio do conhecimento estipulado (DALLABRIDA. O núcleo central do currículo das classes inferiores fi xado pela Ratio era o ensino das línguas e literaturas clássicas. p. 2001. nas aulas. A maior preocupação dos jesuítas era em eliminar qualquer possibilidade de contato dos alunos com livros que continham “escritos impuros” e os “perniciosos e inúteis”. Para este autor. intitulada de “Proibição de livros inconvenientes”. org/wiki/Image: Ratiostudiorum.138). Gramática média e Gramática Superior) não deveriam misturar-se e que as promoções de uma série para outra deveriam ser realizadas anualmente. que possam ser prejudiciais à honestidade e aos bons costumes. O objetivo central das classes inferiores era proporcionar ao estudante jesuíta um sólido conhecimento gramatical.História da Educação I As mesmas regras são válidas para todos os cursos que eram divididos em Estudos Inferiores (retórica humanidades e gramática) e Faculdades Superiores (filosofia e teologia). Figura . Gramática inferior. dizia: Tome todo o cuidado. 139).Ratio Studiorum Societatis IESU. média e superior. aproximadamente um terço das regras da Ratio normatizavam os conteúdos e as práticas escolares dos estudos inferiores. que eram ministradas em todas as classes em grau crescente de complexidade e aperfeiçoamento (DALLABRIDA. e considere este ponto como da maior importância. p. Humanidades e Gramática.

Para Dallabrida (2001). o aluno devia ter todo o tempo ocupado com atividades propostas pelos professores. bem como definição de horários e lugares para cada atividade. não somente aprendido. p. durante o período em que o educando permanecia no colégio. Deveriam realizar atividades escritas todos os dias. e se de todo modo não puderem ser expurgados. 78 . a partir de alguns escritores romanos. inclusive sobre o grego. Além de afastar obras e escritos pagãos dos educandos. sendo uma forma das elites cortesãs e burguesas distanciarem-se tanto da antiga nobreza guerreira como das classes populares. é preferível que não leiam para que a natureza do conteúdo não ofenda a pureza da alma (apud Dallabrida. 2001. onde predominava a mentalidade católico-tridentina. recomendada às classes de gramática. o que requeria uma metodologia que incluísse estratégias e táticas voltadas para este fim dentro e fora da sala de aula. De acordo com a Ratio (apud. com exceção de sábado. A predominância da língua latina sobre as demais está relacionada ao seu caráter utilitário. Os alunos ao final dos Estudos inferiores deveriam dominar perfeitamente o Latim. que deveria ser. como a Gramática do Padre Manuel Álvares. os jesuítas também produziam obras didáticas próprias. Para isso. p. durante as cinco séries dos Estudos inferiores. Além disso. era preciso absoluto controle sobre o tempo e o espaço. DALLABRIDA 2001. ou seja. que era dia da sabatina. de preferência Cícero. 141) era preciso “moldar a alma plástica da juventude no serviço e no amor a Deus”. 139). como Terêncio.Universidade do Sul de Santa Catarina palavras inconvenientes. língua preferida sobre as demais. tinha a função de distinção social. já que nas estruturas políticas e culturais do Antigo Regime. como imitado. o ideal a ser perseguido era o domínio oral e escrito do latim clássico. de forma progressiva. ela era a língua oficial da Igreja Católica e dos Estados absolutistas.

dividido em quatro anos. Sagrada Escritura. apresentação de observações detalhadas a cada classe (DALLABRIDA.143). classificação e premiação dos alunos. grupos e classes. Unidade 3 79 . o Curso de Filosofia era dividido em três anos: no primeiro. astrologia e matemáticas superiores. Esta hierarquia estava pautada na autoridade e na obediência. que propunha uma rígida hierarquia escolar. Os Reitores dirigiam os colégios. “somente podiam ensinar os padres que tinham demonstrado conhecimento pleno de Santo Tomás de Aquino” (HANSEN. assessorados pelos Prefeitos Gerais dos Estudos a quem estavam submetidos os Prefeitos de Estudos inferiores. estudava-se a lógica. seguia o sistema de Santo Tomás de Aquino: teologia patrística ou positiva. Já o Curso de Teologia. de acordo com Hansen.22). por último. hebreu. teodicéia e ética. Nos estudos superiores. siríaco e outras línguas bíblicas. teologia escolástica moral. No segundo. além de finalizar todos os cursos anteriores. Instituições canônicas. p. 2001. análise sintética do texto. a emulação estava conjugada a um sistema individualizado de controle.História da Educação I A Ratio detalhava ainda. 2001. Segundo Dallabrida. metafísica geral e matemáticas elementares. à semelhança do que ocorria na estrutura da própria Companhia de Jesus. estudava-se cosmologia e outras ciências e no terceiro ano. No curso de teologia. leitura detalhada de cada período e. Outro componente da metodologia jesuítica previsto na Ratio era a emulação e a competição entre alunos. os professores e os alunos. p. Esta era considerada uma forma de manter os educandos em permanente estado de alerta e desafiados a provar sua maior capacidade em relação ao outro. avaliação. os passos da preleção (lição) para todos os professores das classes inferiores: leitura do texto.

os jesuítas reivindicaram terras (sesmarias) que foram transformadas em fazendas altamente produtivas. assim como lugar e tempo adequados para o trabalho e para a devoção. Já em 1549. Assim. (XAVIER. como a dispersão e mobilidade de muitas tribos. e Bittar (1999). de Roland Joffé. apenas nove anos após a criação oficial da Companhia de Jesus. A introdução dessa racionalidade na vida dos nativos sem dúvida revolucionava os seus hábitos e reorganizava o seu cotidiano.Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 5 – A ação dos jesuítas no Brasil Nesta seção. da 2ªfase. para manterem-se financeiramente. a fim de facilitar o trabalho de catequese. Em 1570. assista o filme A Missão. no Brasil. chegaram ao Brasil os primeiros padres jesuítas. À indiferença da oca. liderados pelo Pe. Tendo em vista algumas dificuldades no projeto de catequização e conversão dos índios. os jesuítas criaram os aldeamentos ou missões. pelo fato de na disciplina de História da Educação II. deu lugar à vida regrada imposta pelos jesuítas. faremos um breve relato sobre a ação dos jesuítas no Brasil. escrever e contar. as suas atividades de trabalho e de lazer. retirando os indígenas da selva e impondo-lhes um outro modo de vida. Iniciaram criando escolas de primeiras letras. 43) Segundo Ferreira Jr. os jesuítas implantaram também colégios. ser tema bastante detalhado. já havia cinco escolas 80 . devido às dificuldades em receber as verbas repassadas pela coroa portuguesa. p. desde sua chegada em 1549 até sua expulsão em 1759. a prática pedagógica dessa ordem religiosa. onde havia tempo determinado para cada atividade cotidiana. ou seja. as práticas escolares jesuítas destinavam-se a crianças de várias origens raciais: indígenas. Nestas empregava-se o trabalho escravo negro. Manoel da Nóbrega. Dedicaram-se desde cedo à divulgação da fé cristã e ao trabalho educativo. mulatas e negras (filhas dos escravos das fazendas). as refeições e as diversões. onde as famílias realizavam. brancas (filhas de colonos e da elite portuguesa). sem qualquer privacidade. Para maior conhecimento sobre aldeamentos e missões dos jesuítas no Brasil. mamelucas. onde ensinavam a ler e escrever. Havia que ter lugar e tempo próprios para o sono. Além das escolas elementares de ler. 1994.

36 missões e 17 colégios e seminários. até que. São Vicente. dando preferência ao português e às línguas nativas (inúmeras orações e músicas católicas foram traduzidas para a “língua geral” (tupi). dando prosseguimento à sua ação educacional. aprendemos.História da Educação I de instrução elementar localizadas em Porto Seguro. Toleraram-se alguns hábitos indígenas. que a razão principal decorre da perspectiva conservadora do ensino jesuítico. nestas escolas e colégios. um colégio em Desterro. bem como se elaboraram gramáticas nessa língua). Entre eles. 25 residências. utilizou-se menos o latim. há outros motivos. conforme indicação de alguns autores. em 1773. a Companhia de Jesus possuía em território brasileiro além de inúmeras escolas elementares. foram amplamente utilizados como estratégias pedagógicas para a catequização e moralização dos nativos. principalmente políticos e econômicos. como um vestuário mais tropical. o que estaria gerando atrasos para a cultura portuguesa. Espírito Santo e São Paulo de Piratininga e três colégios localizados na Bahia. de modo geral. Buscava-se seguir. Contudo. Ilhéus. podemos destacar que a política administrativa de Pombal se contrapunha ao Unidade 3 81 . Quanto à expulsão dos jesuítas de Portugal e de seus domínios pelo Marquês de Pombal. Pernambuco e Rio de Janeiro. principalmente. o papa Clemente XIV extinguiu a Companhia de Jesus. atual Florianópolis. o que estava prescrito na Ratio Studiorum. Os jesuítas foram expulsos de Portugal e de seus domínios em 1759 e dos demais países europeus nos anos seguintes. sendo que os primeiros jesuítas retornaram ao Brasil na década de 1840. em 1845. Contudo. Em 1814. o teatro e a música. foram necessárias algumas concessões devido à realidade brasileira apresentar características bastante diferenciadas da realidade européia. primeiro ministro português. de predomínio educacional jesuítico quase exclusivo. que desencadearam a expulsão. Ao final dos 210 anos (1549-1759). ela foi novamente restabelecida. abrindo.

é bom deixar claro que não há de um lado apenas heróis e de outro apenas vilões. bem como conhecer inúmeros outros aspectos da ação jesuítica no Brasil e das razões para a sua expulsão.Universidade do Sul de Santa Catarina poder temporal (civil) exercido pelos jesuítas nos territórios guaraníticos. na 2ª. para praticar os conhecimentos conquistados nesta unidade. quanto dos jesuítas. são imagens historicamente construídas que atendem a determinados fins. Agora. as atividades propostas. 82 . por exemplo. brevemente. Os jesuítas também haviam adquirido um considerável poder econômico que ameaçava os interesses de Pombal que defendia a criação de Companhias de Comércio. nessa história. realize. De qualquer modo. Tanto a imagem heróica ou vilã do Marquês de Pombal. visando controlar as relações comerciais. fase do curso. Pombal queria reduzir o poder dos jesuítas ao plano espiritual. você terá oportunidade de aprofundar algumas questões aqui expostas. a título de contextualização. a seguir. Como mencionamos no início dessa seção.

História da Educação I Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas. Para melhor aproveitamento do seu estudo. acompanhe as respostas e comentários a respeito. a seguir. 1) A que classe social os colégios modernos atenderam e ajudaram o forjar? 2) Quais os objetivos principais dos jesuítas ao elaborar um Plano de Estudos (Ratio Studiorum) que deveria ser seguido em todas as instituições de ensino jesuíticas? Unidade 3 83 .

4) Coloque (V) para Verdadeira e (F) para Falso: a) ( ) A Ratio Studiorum constitui-se num conjunto de regras que trata de questões administrativas.Universidade do Sul de Santa Catarina 3) Para você. planos de estudos. b) ( ) A elaboração do texto da Ratio Studiorum. nomeados pelo Padre Acquaviva. ministradas em todas as classes em grau crescente de complexidade e aperfeiçoamento. e) ( ) O núcleo central do currículo das classes inferiores era o ensino das línguas e literaturas clássicas. é resultado do trabalho da comissão de seis membros. composta por padres de vários países. d) ( ) A Ratio era um conjunto de regras com determinações diferentes para cada instituição de ensino da Companhia de Jesus. em dezembro de 1584. f) ( ) Cada instituição da Companhia de Jesus poderia elaborar seus próprios planos de estudos. publicado em 1599. método e as disciplinas escolares. ainda permanecem resquícios da pedagogia jesuítica nas nossas instituições educativas? Justifique sua resposta. 84 .

onde os exercícios escritos substituem cada vez mais os orais. em contraposição. dirigidas aos agentes e instituições escolares dos colégios jesuítas e que esse conjunto de regras trata de questões administrativas. Destaca-se ainda. Na seção 3. uma crítica à educação predominante até então e a defesa de uma pedagogia mais humana. Na seção 2. as concepções predominantemente teológicas da Idade Média. É do período do Humanismo. O teocentrismo dá lugar ao antropocentrismo. é um regulamento interno da Ordem Jesuítica. O tempo e o espaço passam a ser totalmente controlados. a preocupação com a moralização dos comportamentos infantis e prevêem-se roteiros de civilidade para orientar as ações das famílias e dos educadores. você pôde perceber que a criação da Companhia de Jesus ocorreu em meio aos protestos liderados por Martinho Lutero contra algumas práticas da Igreja Católica do período e que as ações dos jesuítas fizeram parte do movimento da igreja católica contra a reforma protestante. de eloqüência e boas maneiras. planos de Unidade 3 85 . Na seção 4. Entre os conteúdos destacam-se. em linhas gerais. nos escritos destes autores. organizados em classes ordenadas com graduação nos estudos e sujeitos a uma disciplina rígida. embora os valores religiosos e morais continuem com força. Movimento este que gerou novas formas econômicas. você teve oportunidade de conhecer características do período marcado pelo movimento do Renascimento. o estudo do latim e do grego. Percebe-se. da gramática. políticas. religiosas e educacionais. artísticas.História da Educação I Síntese Na primeira seção desta unidade. agrupadas em 30 conjuntos. de obras literárias e filosóficas da Antiguidade. entre outros. a aquisição de uma cultura geral. você aprendeu que a Ratio Studiorum. você pôde verificar o surgimento dos colégios modernos onde os alunos passam a ser agrupados por idades mais próximas. publicada em 1599. ou seja. composto por 467 regras.

na época. que colocava o aluno em condições de competição e. ao bom comportamento. que. aliadas às boas maneiras. criaram escolas de primeiras letras e colégios e que foram expulsos em 1759. à moralidade. era rei de Portugal. você tomou conhecimento que os jesuítas chegaram ao Brasil logo após o descobrimento e que aqui. que o processo de aquisição de conhecimento pelo método jesuítico ocorria da seguinte forma: o primeiro passo consistia na repetição do texto. Você aprendeu ainda. a realização dos exames levando-o à premiação ou reprovação. a obediência e disciplina. além de trabalhar na conquista de novos fiéis para igreja católica através das missões e aldeamentos. por último. aprendeu que as mesmas regras são válidas para todos os cursos que eram divididos em Estudos Inferiores (retórica humanidades e gramática) e Faculdades Superiores (filosofia e teologia). eram valores a serem incorporados pelos alunos. pelo Marquês de Pombal. nesse processo. 86 . José. método e as disciplinas escolares. Ministro de D. seguido da memorização. Por último. E que. à civilidade.Universidade do Sul de Santa Catarina estudos. Além disso.

com.8. 2001.. Texto on-line disponível em <http://www. História: Compacto.org/wiki/Renascimento_(movimento_ cultural) ARANHA.Ed. João Adolfo.hpg. você poderá pesquisar os seguintes livros e sites: http://pt.htm> PETITAT. Diana Gonçalves e HILSDORF. 1996. HANSEN.).br/nova_ pagina_105. 1995. 1994.História da Educação I Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade. São Paulo: Ed USP. Maria Lúcia Spedo (Org. 133-150. Atual. PEDRO.wikipedia. 5. Produção da escola/produção da sociedade: análise sócio-histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente. In: VIDAL. n. p.ig. Brasil 500 anos: Tópicos em história da educação. Unidade 3 87 . Ratio Studiorum e Política Católica Ibérica no Século XVII. 2001. Educação Unisinos.saberhistoria. História da Educação. DALLABRIDA. 2º Grau . e renovada. Antônio. Maria Lúcia de Arruda. São Paulo: FTD. Norberto. vol. Porto Alegre: Artes Médicas. A. São Paulo: Moderna. Moldar a alma plástica da juventude: a Ratio Studiorum e a manufatura de sujeitos letrados e católicos. ampl.

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UNIDADE 4 A infância e a pedagogia moderna Objetivos de aprendizagem „ 4 Identificar alguns modos de tratamento dispensados à infância em diferentes períodos históricos. Conhecer aspectos do processo de redefinição do espaço da criança na família e na sociedade a partir do Renascimento. Identificar as principais características da pedagogia moderna. Compreender o processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos na modernidade. „ „ „ Seções de estudo Seção 1 A infância na Antiguidade Seção 2 A infância na Idade Média Seção 3 A infância a partir do Renascimento Seção 4 A pedagogização dos conhecimentos e o disciplinamento dos sujeitos .

Quanto às crianças abandonadas. por exemplo. Verá que a partir do Renascimento institui-se uma nova concepção de infância que resultará num processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos. conforme veremos com mais detalhes na próxima seção. A autora inicia destacando a situação de abandono de bebês na tradição judaica. em seu livro “História social da criança abandonada”. Para entender a concepção de infância do período moderno. Apresentaremos aqui breves considerações encontradas esparsamente em algumas obras. Maria Luiza Marcílio destaca que a prática de abandonar bebês é bastante comum. nas civilizações ocidentais. ao abandono de Moisés e na mitologia grega destaca o 90 .A infância na Antiguidade Ainda são poucas as pesquisas históricas voltadas para analisar a infância nas sociedades da Antiguidade. Na sociedade romana. por exemplo.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Como as crianças foram vistas e tratadas em outras épocas? O mundo infantil sempre se diferenciou do mundo adulto? Que tipo de escola/pedagogia foi organizada para as crianças e adolescentes na modernidade? Estas são algumas das questões que nortearam a elaboração desta unidade. desde longa data. SEÇÃO 1 . fazendo referência. O objetivo primordial desta unidade é destacar as principais características que a pedagogia e a escola moderna adquiriram em função das novas concepções sobre a criança desenvolvidas no período. você iniciará o estudo desta unidade vendo como a infância foi tratada em diferentes momentos históricos. as crianças estavam totalmente subjugadas ao poder do pai e era comum abandoná-las.

(MARCÍLIO. As causas eram variadas: enjeitavam-se ou afogavamse as crianças malformadas. bastante curta. ou melhor. ou porque tinham dúvidas sobre a fidelidade de suas esposas ou porque já teriam tomado decisões sobre a distribuição de seus bens entre os herdeiros já existentes. p. Aponta. Ricos e pobres abandonavam filhos na Roma Antiga. e o infanticídio admitido”.. abandonado pelo pai. à ausência de fontes para a pesquisa deste tema. portanto. ainda.. Em Roma essas práticas também eram comuns. uma nova perspectiva à criança”. enquanto a grande maioria era educada no espaço doméstico e coletivo. 1998. 23). De modo geral. segundo Marcílio (1998. expunham-nos. p. 25). Vários mosteiros abriram suas portas para receber crianças abandonadas. Para Costa (2003) “a tradição cristã abriu. Também. Unidade 4 91 . principalmente. é possível dizer que as crianças gregas e romanas que sobreviviam tinham seus brinquedos e brincadeiras. 1998. mais cedo isto ocorria. SEÇÃO 2 . como Platão e Aristóteles defendiam o abandono. os ricos. inclusive alguns deles que haviam sido abandonados pelos pais.. à ausência da criança. logo entrando no mundo do trabalho. por não terem condições de criar os filhos. (MARCÍLIO.História da Educação I caso de Édipo. O aborto era legítimo.28). Isto se deve. os pobres. A infância era. E quanto mais pobres. Na Grécia “a deformidade da criança ou a pobreza da família bastavam para que a justiça doméstica decretasse sua morte ou seu abandono. vários concílios e patriarcas da Igreja. esperando que um benfeitor recolhesse o infeliz bebê. p. nas fontes pesquisadas.A infância na Idade Média Por muito tempo. ao menos no Ocidente. faziam a “apologia da caridade em relação ao enjeitado”. acreditou-se na ausência de uma noção de infância no período medieval. e as da elite iam para escola por volta dos sete anos.

pois os rejeitados eram assumidos pela linhagem materna. Suas vestimentas também não se diferenciavam muito da dos adultos. o pai poderia reconhecê-lo ou rejeitá-lo. há uma cena no filme “Cleópatra” que ilustra bem esta questão: Júlio César. tem um envolvimento amoroso com Cleópatra. podemos identificar um poder patriarcal 92 . No entanto. a Baixa Idade Média (de acordo com a divisão referente aos períodos históricos apresentados na Unidade 2). a Idade Média Ocidental é forjada a partir de duas grandes referências culturais: a Romana e a Germânica. Figura: Mulher nobre com filho Fonte: www. Neste estudo. a rejeição significava. os romanos legavam ao pai (pater familias) o poder de vida ou de morte. na maioria dos casos. em que todo poder e as decisões eram legadas ao pai. Ariès relaciona a emergência de um olhar para a infância. imperador romano.artehistoria. encontrou algumas evidências sobre a infância em período anterior ao pesquisado por Ariès (Alta Idade Média).com/ historia/contextos/1334. após o parto. a partir da constituição das cidades e da classe burguesa. o autor demonstra que as crianças participam ativamente de todas as atividades sociais. É importante lembrarmos que. entre os germanos as mulheres também possuíam papel de destaque. Cleópatra dá à luz um filho do Imperador e este.htm Neste sentido. a rainha do Egito (apesar de ter uma esposa em Roma). Em relação às crianças.Universidade do Sul de Santa Catarina Philippe Ariès. o professor e pesquisador Ricardo da Costa. Por isto. Mesmo sendo filho legítimo (de sangue). num gesto que simboliza o reconhecimento como filho legítimo. levanta a criança. e as publicou em seu artigo “A Educação Infantil na Idade Média”. em suas pesquisas sobre esse período. correspondendo ao segundo momento do período medieval. dos mesmos jogos e das mesmas brincadeiras. diferentemente dos romanos. Como você já viu na Unidade 2. das mesmas festas. analisa obras iconográficas e identifica a não presença da criança ou uma representação que mostrava os pequenos como “adultos em miniatura”. Por outro lado. os germanos apresentavam algumas diferenças. em seu estudo “A História Social da criança e da família”. Assim. historiador francês. Não havia a prática do infanticídio. Caso o pai não o reconhecesse publicamente. as mulheres amamentavam as crianças. a morte. as crianças tinham uma educação comum até certa idade.

É na educação preconizada nos mosteiros que encontramos práticas pedagógicas para além dos ensinamentos da guerra. as lamentações das viúvas e os suspiros dos órfãos os matam e não nos resta esperança de deixar os bens para ninguém. havia condutas disciplinares que incluíam castigos. Por um lado pedia cuidado na aplicação de castigos. lhes administrando os alimentos com um cuidado delicado [.htm) No entanto. de acordo com o caso. naquela época.]Nós perdemos agora os nossos fi lhos. é o cristianismo que traz novos elementos às relações familiares. assim como crianças de vários grupos sociais. no entanto. esposa do rei franco Chilperico: Esta epidemia que começou no mês de agosto atacou em primeiro lugar a todos os jovens e adolescentes e provocou sua morte. carregado em nossos braços ou nutrido por nossa própria mão. tópico visto na Unidade 2. com/videtur17/ricardo. Nós perdemos algumas criancinhas encantadoras e que nos eram queridas..hottopos. por outro prescrevia castigos como jejuns ou pancadas com varas. Costa diz que isto não impedia que os pais chorassem a morte de seus filhos. as taxas de mortalidade infantil eram altíssimas.História da Educação I relacionado à política e à organização social e um poder matriarcal em relação à família. Nós entesouramos sem ter para quem deixar. como esta citação de Fredegunda. a quem nós havíamos aquecido em nosso peito. O que podemos salientar é que a falta de reconhecimento de algumas especificidades da infância não necessariamente eliminava o afeto para com as crianças e. (Disponível em: http://www. segundo os estudos de Costa. a partir de uma relação entre público Unidade 4 93 . Alguns autores como Gélis afirmam que houve certa individualização da criança. É certo que. Um dos principais conjuntos de normas era a Regra de São Bento. De toda forma.. eis que as lágrimas dos pobres. que lá podiam permanecer até os quinze anos de idade. nem mesmo. alguns cuidados.

Cambi infere que as crianças eram representadas como “pequenos homens”. a família medieval tem como extensão a vida social. formando indivíduos para o papel que deveriam ocupar na sociedade. uma parte do grande corpo coletivo que.. Exemplo disso é a ausência de representações de cenas domésticas nas imagens do período. através da análise de inventários da época. (1991. Levando em conta esta associação entre público e privado. bem como do grupo familiar. Para o mesmo autor. se o seu nascimento ocorria num local privado (quarto). a educação em comum deveria direcionar a criança às funções dentro de uma hierarquia familiar e social. assim. a criança era considerada um rebento do tronco comunitário. com base também no trabalho de Ariès. à linhagem tanto quanto aos pais: a criança era uma criança pública. este vestuário era bastante restrito: 94 . p. o autor exemplifica que. Dessa forma. p. 312). De acordo com Franco Cambi. participando das mesmas festas. pelo engaste das gerações. Quanto aos trajes. Ele afirma a existência de uma dependência em relação à linhagem e à solidariedade de sangue: (. 176).) Nesse imaginário. este acontecia na presença de um grupo de parentes e vizinhas que transformavam o nascimento em ato público. (1999. o autor afirma. usando os mesmos trajes ou os mesmos brinquedos. Já nas famílias humildes. como já dissemos anteriormente. pertencendo. que a criança não está no centro da vida familiar. Duby destaca que havia um vestuário variado e abundante para as crianças das famílias abastadas.Universidade do Sul de Santa Catarina e privado. transcendia o tempo.. participando com todos os seus membros dos eventos sociais e das festas “até a morte”.

(DUBY. principalmente. uma visão do mundo e um código moral. 1990.História da Educação I Um peteleiro. Ao final do período medieval percebe-se uma crescente valorização da criança em si mesma. um vestido de interior. das quais apenas uma forrada. 177). devemos lembrar do papel do Estado. p. e a filha de um oficial público comum só tem em seu guarda-roupa. a segunda. Sobre as práticas educativas medievais Cambi diz: A educação da criança era depois confiada à oficina e ao aprendizado ou à Igreja e às suas práticas de vida religiosa: a primeira ensinava uma técnica e um ofício. por exemplo. Também. duas túnicas simples e uma pequena saia. que passa a se interessar pela formação das crianças dentro e fora da família. Assim. com a consolidação das monarquias nacionais. Uma nova sensibilidade em relação às crianças vai implicar também. 225). não dispõe para os dois fi lhos. p. tudo de lã muito comum. (1999. consolidando-se na Modernidade. criando instituições que têm como objetivos separá-las do mundo adulto. pela preocupação com a mortalidade infantil. interessam-nos os estudos de Ariès para compreendermos o surgimento de um sentimento da infância. senão de um manto e de quatro túnicas pretas. movidos. no qual a criança passa a ser o centro das atenções na família que aos poucos se organiza em seu entorno. este se manifestou a partir do Renascimento. numa nova forma de tratá-las e educá-las. a escola. incluída aí. uma reorganização do modelo de família e o estabelecimento de outros vínculos afetivos entre os familiares. Quanto ao reconhecimento da infância. segundo seu inventário. Unidade 4 95 . principalmente a partir do século XVII. além de quatro camisas.

estudos de administradores e de militares. em seu livro sobre “A polícia das famílias”. tanto o empobrecimento da nação. 90% (noventa por cento) morriam antes do final da adolescência.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 3 . assim como. 15). Esses estudos mostram que os menores abandonados naquele período eram alojados em locais denominados de hospícios que eram mantidos. Em conseqüência disto. Alegava-se que a conservação ou salvação destes “bastardos” seria muito útil. Donzelot (1986. pois o Estado poderia designá-los a 96 . Para o autor “essas três técnicas engendrariam. e a criação artificial das crianças ricas. 1986. com recursos vindos do Estado. p. em função dos cuidados oferecidos. a criação dos filhos por amas-de-leite. essas produções resultavam de observações e registros que médicos vinham realizando sobre o alto índice de mortalidade infantil e suas possíveis causas. começou-se a questionar os gastos empreendidos com estas instituições e o pouco retorno que o Estado retirava.A infância a partir do Renascimento Vimos. No entanto. da Unidade 3. diz que.16). que a família começa a assumir uma feição mais privada onde a criança torna-se o centro. como o enfraquecimento de sua elite” (Donzelot. começa a ser produzida na Europa uma série de estudos sobre o problema da conservação das crianças. nos últimos parágrafos da seção anterior. a partir da segunda metade do século XVIII (1750 em diante). pelo menos em parte. também. Neste sentido. que com o Renascimento difunde-se uma literatura humanista e moralista preocupada com a família e a infância. que é neste período que a criança começa a ser valorizada no meio social. tanto na seção 1 como na 2. inicialmente. p. Além disso. Logo em seguida aparecem. Estes estudos giram em torno de três questões relacionadas aos cuidados com as crianças naquele momento: a prática dos hospícios de menores abandonados.

é nesta relação que está a explicação das manifestações. p. pelo fato de não possuírem vínculos de obrigações familiares” (Donzelot (1986. Além disso. o alto índice de mortalidade ocorria pela dificuldade da administração encontrar nutrizes. de comportamentos de baixeza e maldade em crianças de pais honestos e virtuosos.1986. e para as crianças pobres ficavam as nutrizes de aldeias mais distantes. Donzelot observa que. modelagem do corpo com ataduras com vistas à estética. Para garantir o recebimento e maior remuneração. o que não assegurava carinho ou bondade para com as crianças. Para este autor. marinha. Outros médicos também chegaram a essa conclusão de que. pela sua má vontade e incompetência. as crianças ricas confiadas às serviçais recebiam uma educação resultante de opressões e de intimidades impróprias para assegurar seu desenvolvimento. 1986. com a conivência do agenciador. assumiam várias crianças ao mesmo tempo. Unidade 4 97 . era comum as crianças serem criadas por nutrizes. Nessas condições. a nutriz passaria todos os seus sentimentos para as crianças. pela amamentação. “a mortalidade das crianças colocadas em nutriz era enorme: por volta de dois terços no que diz respeito as nutrizes distantes e um quarto quanto às mais próximas” (Donzelot. pela condição de sujeição a que era submetida. p. diz que “não há dúvida de que essas crianças tiram todos os seus vícios de suas nutrizes. desde os primeiros anos de vida.17). Buch em seu livro sobre medicina doméstica. p.17). As crianças ricas contavam com uma nutriz exclusiva. desconsiderando os males que estas poderiam causar. Eles teriam sido honestos se suas mães os tivessem amamentado” (Buch. apud Donzelot. Na época. milícia. muitas destas. “tarefas para as quais eles estariam perfeitamente adaptados. e como estava quase sempre arrasada pelo cansaço do trabalho. de acordo com esses estudos médicos. já no período de amamentação. segundo estes estudos. Incluíam certas práticas de educação corporal como.16). nutria geralmente um sentimento de ódio.História da Educação I cumprir tarefas nacionais como colonização. Donzelot observa ainda que Nutrizes eram as mulheres responsáveis pela amamentação e demais cuidados das crianças. As que moravam em aldeias próximas das cidades eram contratadas pelos ricos para amamentar e cuidar de seus filhos.

De acordo com Donzelot. p. “Trata-se. na extremidade mais rica. neste caso. Nesse sentido. No entendimento desse autor sobre a extremidade mais pobre do corpo social.21). a crítica maior recai sobre a educação do corpo a que as crianças são submetidas através das nutrizes e/ou serviçais. conforme Donzelot. “Trata-se. p. percebe-se que toda uma discussão em torno da criança começa a se fazer presente no período. e o segundo diz respeito à filantropia ou “economia social”..) para as adolescentes acrescenta-se a isso o confinamento debilitante em que são mantidas até a idade de sua primeira entrada no mundo. reclusão enfraquecedora que.. que “a imagem da infância mudou”. possam fazer frente à nocividade e seus efeitos sobre as crianças que lhes são confiadas e.18).) conservar as crianças significará por fim aos malefícios da criadagem. o século XVIII é considerado como um período de revalorização das tarefas educativas. Nessas publicações resultantes dos estudos médicos.. 1986. No lado oposto. torna-as inaptas para as tarefas da maternidade reproduzindo. mudando. da ausência da ‘economia do corpo’”.. fazer com que todos os indivíduos que tem tendência a entregar seus filhos à solicitude do Estado ou à indústria mortífera das nutrizes voltem a educá-los (DONZELOT. por um lado.Universidade do Sul de Santa Catarina (. o sentimento em relação à infância. 1986. ou seja. a necessidade de serviçais (Donzelot. ou seja. neste caso. organizar a vida dos pobres de modo 98 . é denunciada a má administração dos hospícios e o pouco benefício do Estado em função da alta mortalidade das crianças. por outro lado. freqüentemente. da ausência de uma ‘economia social’”. a ponto de se dizer. assim. o que ocorre nesta época “é uma reorganização dos comportamentos educativos em torno de dois pólos bem distintos cada qual com estratégias bem diferentes”: o primeiro diz respeito às discussões sobre a medicina doméstica e as possibilidades de retirada das crianças das influências negativas das serviçais. com isto. promover novas condições de educação que. De acordo com este autor. (.

História da Educação I que diminuísse os custos sociais e produzisse trabalhadores com o mínimo de gastos públicos (DONZELOT. contra os efeitos das promiscuidades sociais. „ Os médicos. o risco de depravação das crianças pela criadagem. Esse mesmo autor coloca que. os programas excessivos. em casa. portadora de uma promoção da mulher por causa deste reconhecimento de sua utilidade educativa. a utilização da família pelo médico contra as antigas estruturas de ensino. também chamam atenção para os problemas na esfera pública. contra os métodos e os preconceitos dos serviçais. Da mesma forma. 23). ou seja. a má ventilação dos cômodos. „ 2. Assim como nas casas o amontoamento de crianças. além dos regulamentos conventuais dos liceus. a disciplina religiosa. Segundo Donzelot (1986. essa ligação entre o médico e a família mexeu profundamente na vida familiar induzindo sua reorganização em pelo menos três dimensões: 1. nos colégios. entre o final do século XVIII e o fim do XIX. considerados Unidade 4 99 . 1986. p. também nos internatos havia estes problemas. a educação e a medicação das crianças. a promiscuidade nos dormitórios. o hábito do internato. „ 3. a constituição de uma aliança privilegiada com a mãe. assim como guias e dicionários de higiene para uso das famílias. ao mesmo tempo em que estabelecem uma nova relação com a família. o fechamento da família contra as influências negativas do antigo meio educativo.22). no sentido de modificar a educação e os sujeitos envolvidos na educação das crianças na esfera privada. a ausência de exercícios. os médicos elaboraram para as famílias burguesas uma série de livros sobre a criação. p. informando de modo especial às mães sobre a arte de cuidar de crianças na primeira infância. ou seja. uma série de publicações foram impressas.

girava a Roda e puxava um cordão com uma sineta para avisar à vigilante – ou Rodeira . inicialmente. com um pequeno colchão. fora do hospital do Santo Espírito in Saxia (ao lado do Vaticano) “em seu longo muro lateral. Esta foi. Todavia. a primeira Roda dos Expostos da cristandade. a retomada da Roda merece destaque. de forma que. De forma cilíndrica e com uma divisória no meio. O nome Roda – dado por extensão à casa dos expostos – provém do dispositivo de madeira onde se depositava o bebê. que serviu de modelo para as que surgiram posteriormente”. em 1203.27). 57. p. até o século XIX. mas ao mesmo tempo. In: MARCÍLIO. as crianças aprendiam a ler e recebiam uma formação moral. chegando ao Brasil durante esse mesmo século. Figura: Casa da roda dos expostos Fonte: www. para receber os bebês.Universidade do Sul de Santa Catarina como ‘educação homicida’. p. “onde os pais preparam a criança a aceitar a disciplina escolar. por volta do século XII e retomada a partir do século XVII. retirando-se furtivamente do local. segundo Donzelot. mesmo em pleno dia. já que as crianças pobres teriam seus gastos custeados pelo Estado. a educação para as crianças pobres não ocorria desta maneira. velam pelas boas condições da educação pública” (1986. p. seguramente. o expositor colocava a criancinha que enjeitava. principalmente nos países católicos. sem ser reconhecido. A Roda foi criada. tratava-se igualmente da preocupação de garantir a conservação das crianças e de estender os mesmos preceitos higiênicos. é que surge gradativamente a educação mista (escolar e familiar). É sobre estes que os médicos alertam os pais e propõem uma cruzada contra tais modelos. No tabuleiro inferior da parte externa. Donzelot afirma que nada mais exemplar nessa reviravolta da relação Estado-família do que a história dos hospícios para menores abandonados. esse dispositivo era fixado no muro ou na janela da instituição.com/ pictures/pic O sistema de Rodas ou Casas de expostos difundiu-se praticamente por todo território europeu. Aparentemente. 26). E com a preocupação em unir respeito à vida e respeito à honra familiar. Com esse movimento. com economia social (1986. 51). em pouco tempo. foi instalada uma ‘Roda’. Nestas instituições.megagaleria. p. estando rigorosamente vedada a busca de informações sobre quem os havia trazido”.que um bebê acabara de ser abandonado. Segundo Marcílio (1998. porém. 1998. estava instalada em toda a Europa. religiosa e 100 .

dos mesmos jogos e das mesmas brincadeiras. nas classes favorecidas. outras instituições de caráter caritativo e filantrópico foram criadas. se a iconografia medieval. da Virgem Maria e do nascimento e infância de alguns santos.com. a iconografia também revela importantes fatos sobre a vida das crianças naquele período. essencialmente religiosa. gerando gradativamente uma separação maior entre o mundo dos adultos e o das crianças. por algum tempo ainda. principalmente. desde cedo. uma nova concepção da infância. As meninas continuarão. Ou seja. Além destas questões apontadas nesta seção. a criança. no decorrer da Idade Moderna. “cuidando-se” do seu corpo e da sua educação. imagens essas assexuadas e de crianças com feições de adultos. 71). para atenderem as crianças abandonadas e pobres. a iconografia renascentista começa a representar mais as crianças junto de suas famílias e não apenas no espaço público. séc XIII Fonte: http://www.htm Quanto ao vestuário infantil. p. sendo vestidas. pois entre as classes humildes ela demorará mais a se efetivar. passa a ser alvo de proteção e controle.br/ idademedia. a partir do período renascentista começarão a haver diferenças.História da Educação I “profissional”. se até o século XIV era bastante comum a criança se vestir como o adulto (usando inclusive perucas e sapatos de salto). mas também no interior das casas. Temos assim. por exemplo. Segundo Ariès (1981. Neste sentido. essa diferenciação entre o vestuário adulto e infantil ocorrerá inicialmente com os meninos. e permaneciam até completarem em torno de 12 a 15 anos. Londres. se restringe a expor imagens infantis do Menino Jesus. Esta separação é maior e mais imediata nas classes abastadas. Além do sistema de Rodas. 101 Unidade 4 . participando das mesmas festas. não se diferenciando muito dos adultos. a partir do Renascimento. Se na Idade Média as crianças participam ativamente de todas as atividades sociais. como “mulherzinhas”. historiedade. tanto a rica (nos colégios e escolas) como a pobre (nas instituições de caridade e filantrópicas). Figura: Madona e Santos. a partir do século XVII haverá trajes cada vez mais definidos e apropriados para cada idade. de Duccio di Buoninsegna National Gallery.

Na próxima seção. há todo um processo de percepções e questionamentos por parte de alguns membros da sociedade na época que provocam gradativas alterações no modo de entender. educar e cuidar a criança. para a primeira. você verá outras conseqüências dessa nova forma de ver as crianças e os adolescentes. estenderam-se a outras instituições educacionais de sua época e de épocas posteriores”. p. o que Varella chama de pedagogização dos conhecimentos. as crianças e os adolescentes passam a ser educados em espaços cada vez mais fechados e os saberes são controlados e organizados para se adequarem às capacidades infantis. como vimos em outros momentos desta disciplina. através de transformações e reinterpretações. 89) indaga em seu texto sobre “quais foram os efeitos mais visíveis desta pedagogização dos conhecimentos que surgiram e se aperfeiçoaram nos colégios jesuítas e que. no final da Idade Média a criança começa a ser valorizada. transcrevemos os três efeitos apontados pela autora: 102 . entre elas a escola. A seguir. Os colégios. A partir do Renascimento. e as instituições de caridade e filantropia para a segunda. por exemplo. tanto a rica como a pobre. e o Estado passa a se ocupar também da educação das crianças com a criação de diferentes instituições. Mas estas mudanças não ocorrem num passe de mágica.Universidade do Sul de Santa Catarina Para essa nova infância. Varella (1994. o sentimento da família em relação à infância muda. serão criadas novas formas e espaços de educação. SEÇÃO 4 .A pedagogização dos conhecimentos e a disciplinarização dos sujeitos Como você pôde ver na seção anterior.

os saberes ligados ao mundo do trabalho. converteramse em sujeitos destinados a adquirir os ensinamentos dosificados. é exercício prático que leva à efetiva realização da virtude. Unidade 4 103 . que tinham por função realizar Ascese. as disciplinas se tornaram fórmulas gerais de dominação. 3. Por último. este processo de pedagogização dos saberes implicou a instauração. como também a eles próprios . Eram saberes desvinculados das urgências materiais. mas a outros saberes.História da Educação I 1. em seres virtuosos. às lutas sociais. diferentemente das disciplinas de tipo monástico. Os saberes que possuíam os professores jesuítas eram saberes verdadeiros. por exemplo. começaram a ficar marcados pelo estigma do erro e da ignorância. destinada a materializarse numa obra bem feita. saberes que se pretendiam neutros e imparciais. Michel Foucault observa que. à plenitude da vida moral. com o passar do tempo. que não remetiam a processos sociais. uma cultura que. Deste modo. que ligou a aquisição da verdade e da virtude à ascese e renúncia de si mesmo. Os mestres passaram a ser os únicos detentores do saber e os estudantes viram-se relegados a uma posição de subordinação. converteu-se na cultura dominante e reclamou para si o monopólio da verdade e da neutralidade. progressivamente aperfeiçoada. transmitidos por seus professores para convertê-los. Eles viram-se desterrados do recinto sagrado da cultura culta. no decorrer dos séculos XVII e XVIII. às culturas de determinados grupos ou classes sociais. 2. segundo o dicionário Aurélio. dos problemas sociais. Foi deste modo que a disciplina e a manutenção da ordem nas salas de aula passaram a ocupar um papel central no interior do sistema de ensino até chegar praticamente a eclipsar a própria transmissão de conhecimento. com a aprendizagem de ofícios – entre mestres e aprendizes. de um aparato disciplinar de penalização e de moralização dos colegiais. Com referência a este processo de disciplinarização que vai sendo implantado nas instituições. Em primeiro lugar. a aquisição desses saberes moralizados não exigia uma cooperação – como acontecia. sempre em consonância com a reta doutrina na Igreja e a tradição católica.

nos pátios. 104 . colocação que ele obtém de semana a semana. e inversamente. Forma-se então uma política de coerções que são um trabalho sobre o corpo.127). mas também de vigiar. o espaço escolar se desdobra. mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mais útil. tornou possível o controle de cada criança individualmente e o trabalho simultâneo de todos. a partir de 1762. treinados para transformarem-se em corpos “dóceis” e submissos. de ano a ano. de seus gestos. no entanto. a escola passa a funcionar como “uma máquina de ensinar. nem tampouco aprofundar sua sujeição.. Foucault diz. a classe torna-se homogênea. sucessão dos assuntos ensinados. no século XVIII. para o espaço hospitalar e. ela agora só se compõe de elementos individuais que são colocados uns ao lado dos outros sob o olhar atento do mestre. (. Com uma nova organização do tempo e do espaço. Mas como esta disciplina se manifesta ou é constituída numa classe escolar? Segundo Foucault. de hierarquizar. que visa não unicamente o aumento de suas habilidades. Temos que ter presente. A ordenação por fileiras. enfim todos passam a ser disciplinados. mais tarde. que a determinação de lugares individuais. de seus comportamentos (1989. nos corredores. p. começa a definir a grande forma de repartição dos indivíduos na ordem escolar: filas de alunos na sala. ainda. colocação atribuída a cada um em relação a cada tarefa e cada prova. das questões tratadas segundo uma ordem de dificuldade crescente (1989. alinhamento das classes de idade umas depois das outras. para o militar. de mês a mês..Universidade do Sul de Santa Catarina renúncias e como fim principal um aumento de domínio de cada um sobre seu próprio corpo. que a disciplina inicialmente presente nos colégios. 134). uma manipulação calculada de seus elementos.) esse momento histórico é o momento que nasce uma arte do corpo humano. p. passa também para as escolas primárias.

o autor afirma que “a primeira das grandes operações da disciplina é então a constituição de quadros vivos que transformam as multidões confusas. regras. Para melhor aproveitamento do seu estudo. os mosteiros abrissem suas portas para as crianças abandonadas.135). Sendo assim. as atividades propostas. enfim toda a organização.História da Educação I de recompensar” (1989. a seguir. p. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas. Unidade 4 105 . Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e. acompanhe as respostas e comentários a respeito. na Idade Média. 1) Aponte uma razão para que. a seguir. para praticar os conhecimentos conquistados nesta unidade. inúteis e perigosas em multiplicidades organizadas” (1989.134). p. realize. Ou seja. Agora. incute virtudes e valores a serem seguidos na sociedade. conteúdos. a escola com seus horários.

surgiram estudos sobre a infância que provocaram uma reorganização nos costumes das famílias sobre o modo de cuidar e de educar as crianças. Aponte uma mudança que ocorreu em relação ao modo de educar as crianças.Universidade do Sul de Santa Catarina 2) A civilização germânica e a civilização romana possuíam modos distintos de tratar a criança. Com base no texto da seção 2. Romanos Germanos 3) Durante o século XVII. 106 . construa um quadro síntese a respeito do entendimento/tratamento de cada uma sobre a criança.

principalmente as pobres. que as crianças que sobreviviam. na Antiguidade. a prática de abandonar crianças pequenas era bastante comum nas civilizações ocidentais. Mesmo sendo filho legítimo (de Unidade 4 107 . também. Na primeira seção. também. você pôde perceber que. com isto. você teve oportunidade de entrar em contato com informações sobre a infância em diferentes períodos históricos. Os romanos legavam ao pai (pater familias) o poder de vida ou de morte sobre as crianças. você teve oportunidade de conhecer duas grandes referências culturais. Na seção 2. vários mosteiros abriram suas portas para receber crianças abandonadas e se inicia. que agiam de forma diferenciada com suas crianças.História da Educação I 4) Quais as principais características presentes nas práticas escolares para disciplinar os sujeitos e torná-los dóceis e submissos? Síntese Nesta unidade. muito cedo eram iniciadas na vida do trabalho. Neste período. a “apologia da caridade em relação ao enjeitado”. Viu. a romana e a germânica.

Os germanos não praticavam o infanticídio. A preocupação com o alto índice de mortalidade infantil e com o modo como as crianças eram educadas fez com que Família e Estado passassem a conduzir os processos educativos tanto na vida privada (na casa) como na pública (colégios). uma reorganização nos costumes e modos de educar as crianças. que passa a fazer parte das práticas dos colégios e das escolas primárias. provocando. Na seção 3. preocupada com a família e a infância. busca formar um sujeito dócil e submisso. 108 . você pôde perceber que com o Renascimento difunde-se uma literatura humanista e moralista. no entanto. na maioria dos casos. Caso o pai não o reconhecesse publicamente. com sua organização.Universidade do Sul de Santa Catarina sangue). com isto. você pôde perceber como a disciplina. buscava a formação de um sujeito disciplinado. as mulheres amamentavam as crianças e as crianças tinham uma educação comum até certa idade. as taxas de mortalidade infantil eram altíssimas. o pai poderia reconhecê-lo ou rejeitá-lo. a definição de modos de conduta. A introdução da medicina doméstica é a responsável por grande parte das modificações desses costumes. Na seção 4. A escola. seu espaço. pois os rejeitados eram assumidos pela linhagem materna. já havia sentimento em relação às crianças tanto que os pais choravam a morte de seus filhos. Nesta época. principalmente nas famílias mais ricas. a rejeição significava. a morte. o controle dos saberes e do tempo.

F. 1991.. A individualização da criança. 1989.. A Educação Infantil na Idade Média. Uma história da infância: da Idade Média a época contemporânea. Tradução de Ligia M. você poderá realizar leituras nos seguintes livros e sites: ARIÈS. Ivone Garcia. 1981. FOUCAULT. Tradução de M. COSTA. ed. BARBOSA. T. 7. ed. Philippe. Jacques.br/~revispsi/v5n1/ artigos/a03. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Disponível em: http://www2. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan..uerj. A polícia das famílias.htm DONZELOT. História da Pedagogia. da UNESP. J. 1991.. 2004. MAGALHÃES. CAMBI. História da Vida Privada 3: da Renascença ao Século das Luzes. FEIST. Do topo de uma montanha temos um ótimo ângulo de visão das coisas. GÉLIS. Porto Alegre: Artmed. mas será que podemos ver tudo? Uma reflexão sobre as políticas públicas para a educação da infância.hottopos. São Paulo: Ed. Disponível em: http://www. 1986. Michel. Colin. 2.com/videtur17/ricardo. História social da criança e da família. In: CHARTIER. Rio de Janeiro: Edições Graal Ltda. H. Petrópolis: Vozes. HEYWOOD.htm Unidade 4 109 . Ricardo. São Paulo: Companhia das Letras. Pondré Vassalo.História da Educação I Saiba mais Para ampliar seus conhecimentos sobre as questões abordadas nesta unidade. 2000. ed. Solange Martins de Oliveira. da Costa Albuquerque. R. 2.

Julia. São Paulo: Hucitec. 1998. VARELA. O sujeito da educação: estudos foucaultianos. História social da criança abandonada. 1994. O estatuto do saber pedagógico. In: SILVA.Universidade do Sul de Santa Catarina MARCÍLIO. Tomaz Tadeu da (Org. 110 .). Maria Luiza. Petrópolis: Vozes.

mas poderiam ter sido outras.Para concluir o estudo Tendo em vista a impossibilidade de abarcar todos os tradicionais períodos históricos. Retomando Bertold Brecht. de onde se origina e se constitui. Quanto ao período contemporâneo. como foram tratadas as crianças no nosso contexto e como se constituíram as instituições educativas e as idéias pedagógicas em nosso país. principalmente. Mesmo dentro dos períodos priorizados para análise. a partir destes. . outras questões. que tratará da educação no Brasil. pois as demais disciplinas do curso trarão discussões pertinentes e direcionadas a estes contextos educativos. evidenciar como cada época (tempo/espaço) construiu suas idéias pedagógicas e. em muitos aspectos. o nosso modelo escolar. Por exemplo. compreendendo os séculos XIX. Sem dúvida. XX e XXI. suas práticas educativas. na disciplina de História da Educação II. optamos em focar certos elementos de alguns desses períodos e. não o tomamos como foco de análise. foram escolhidos determinados temas que julgamos serem fundamentais para sua formação como pedagoga(o). você poderá ver como vários aspectos aqui pontuados se desenvolveram na realidade brasileira. são muitas as histórias e muitas as questões a serem formuladas. Esperamos que você tenha sido provocado a desvelar outras histórias. outros sujeitos. Procuramos aqui levantar algumas delas. outras fontes. o recorte espacial e temporal remeteu ao contexto europeu. Contudo.

que colaborem na formação de pessoas. Sucesso na continuidade dos estudos! Professoras Karen. gostaríamos de deixar claro que é possível constituir instituições com outras configurações.Embora você tenha estudado o quanto as instituições até hoje disciplinaram os saberes e os sujeitos. Leonete e Rosmeri .

Thais Nívia de L. FONSECA. 1986. Tradução Maria Lucia Machado. 1991. 2: da Europa feudal à Renascença. São Paulo: Moderna. 80. São Paulo: UNESP. 2ª ed. Peter.) A escrita da história: novas perspectivas. Belo Horizonte: Autêntica. n. Tradução de M. CAMBI. ed. Espaço em Revista. A Educação Infantil na Idade Média. ARIÈS. Franco. FERREIRA Jr. Amarildo e BITTAR. dez/1997. COSTA. 1981. 1999. set/dez. Philippe. Peter (Org. Tradução por José Arthur Gianotti. 1996. 2002. 1990. no. 1992. Maria Lúcia de Arruda. Belo Horizonte. 1983. Rio de Janeiro: Edições Graal Ltda. Ricardo. História e teoria social. Luciano Mendes de (org. . Educação modernidade e civilização: fontes e perspectivas de análise para a história da educação oitocentista. Belo Horizonte: Autêntica. Marisa. História da Educação: notas em torno de uma questão de fronteiras. Georges (Org.). 1999.hottopos. Abril Cultural. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. Peter. BURKE. CARVALHO. p. Cynthia G. 1998. 2. (Coleção Os Pensadores). VEIGA.26. História da Educação.htm DONZELOT. São Paulo: UNESP. A Revolução Francesa da historiografia: a Escola dos Annales. da Costa Albuquerque. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. São Paulo: UNESP.472-482. História da Pedagogia. História e Historiografia da Educação no Brasil. São Paulo.Referências ARANHA. São Paulo: Companhia das Letras.com/videtur17/ricardo. T. São Paulo: UNESP. Educação jesuítica e crianças negras no Brasil colonial. Disponível em: http://www.).. BURKE. FARIA FILHO. Discurso sobre o Espírito Positivo (e outros). ed. A.. COMTE. DUBY. História da privada. 2. 196. A polícia das famílias. Brasília. Marta Maria Chagas de. Jacques. 2003. v. BURKE.. 1929-1989. História social da criança e da família.

ed. 1998. O quotidiano da mulher no final da Idade Média (12501500) In: DUBY.). BARBOSA. Petrópolis: Vozes. br/~revispsi/v5n1/artigos/a03. São Paulo: Ed. São Paulo: Cortez. Claudia. LUZURIAGA. mas será que podemos ver tudo? Uma reflexão sobre as políticas públicas para a educação da infância. Moysés (Orgs. Infância e educação infantil: uma abordagem histórica. HUBERMAN. 20. Paulo. 2ª. FREITAS.).org. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Disponível em: http://www. ed.. Nacional.uerj. Leo. Georges. 1994. J. 1991. OPTIZ.. Paulo. 3ª. História das Mulheres. FREITAS. 1998. In: CHARTIER. Moysés.htm MARCÍLIO. PERNOUD. Rio de Janeiro: DP&A.. História da Educação. Marcos Cezar de e KUHLMANN Jr. Disponível em: http://www2. Jr. HEYWOOD. 1989. Barueri. ed. Pierre (Orgs. Michel. Marcos Cezar de (Org. 2ª. Rio de Janeiro: Francisco Alves. 2004. 2003. Colin.. 16ª.htm . ed.. permanencia... Porto: Afrontamento. Eliane Marta Teixeira. Maria Luiza. História social da criança abandonada. MAGALHÃES. 2005. 1985. São Paulo: Cortez. GÉLIS. GHIRARDELLI Jr. Jacques e NORA. Michelle.br/revista/historia/luz2. Rio de Janeiro: Zahar Editores. História social da infância no Brasil. História da Educação. Porto Alegre: Mediação. Volume 2. São Paulo: Companhia das Letras. Solange Martins de Oliveira. PERROT. GHIRALDELLI Jr. 7. A história da riqueza do homem. R. H.). Filosofia e história da educação brasileira. São Paulo: Hucitec. LE GOFF.FOUCAULT. Régine. Porto Alegre: Artmed. 1998. (Org. ed. Pondré Vassalo. São Paulo: Cortez. KUHLMANN. O ensino na Idade Média. LOPES. Tradução de Ligia M. Os intelectuais na história da infância. Uma história da infância: da Idade Média a época contemporânea. Do topo de uma montanha temos um ótimo ângulo de visão das coisas. FEIST. SP: Manole.. História da educação e da pedagogia.. 1985. História da Vida Privada 3: da Renascença ao Século das Luzes. 2002. Ivone Garcia. 1991. ed. 1976. A individualização da criança.) História: novos objetos.. Lorenzo. 1997.

O estatuto do saber pedagógico. PRIORE. Flávia Obino Corrêa. André. Mirian Jorge. In: SILVA. História das instituições escolares: de que se fala?. Fontes. Breves considerações sobre Fontes para a História da Educação.: Eunice Gruman. VARELA. 47. Ano 9. 2004. XAVIER. 2004. In: LOMBARDI. José Claudinei e NASCIMENTO. 1994. Tomaz Tadeu da (Org.). WERLE. .PETITAT. História das crianças no Brasil. Campinas-SP: Autores Associados. 1990. Brasília. Contribuições da história para a educação. Petrópolis: Vozes. Maria Isabel Moura (org). Julia. São Paulo: FTD. O sujeito da educação: estudos foucaultianos. WARDE. Produção da escola / produção da sociedade: análise sócio-histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente. José Claudinei e NASCIMENTO. 1999. História e historiografia da educação. 1994. n. História da Educação: a escola no Brasil.). Maria Isabel Moura (org). São Paulo: Contexto. Trad. Mary Del (org. P. Maria Elisabete S. CampinasSP: Autores Associados. In: LOMBARDI. SAVIANI. INEP. Porto Alegre: Artes Médicas. História e historiografia da educação. Fontes. Dermeval. 1994. Em Aberto.

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É autora de artigos nos livros: História de Santa Catarina: estudos contemporâneos. Atuou como professora de séries iniciais nas redes municipal de Florianópolis e estadual de Santa Catarina e em instituições particulares e no ensino superior da UDESC e UFSC.Sobre as professoras conteudistas Karen Christine Rechia Graduada e Mestre em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). da PUC/SP. Atuou como professora de nível superior na UNIVILLE. Há dez anos é professora do curso de Pedagogia da Unisul. História para as Séries Iniciais. Foi professora da rede pública e privada de ensino. Política e Sociedade. UDESC e UFSC. onde defendeu dissertação intitulada “A constituição da rede pública de ensino elementar em Santa Catarina – 1830/1859”. lecionando as disciplinas de História da Educação. É doutoranda do programa de Pós-Graduação em Educação: História. É professora do curso de Pedagogia e Letras da Unisul desde 2001. Estágio Supervisionado e Pesquisa e Prática Pedagógica. História das Mulheres de Santa Catarina e na revista Perspectiva (CED-UFSC). Geografia para as Séries Iniciais e Fundamentos Sociológicos. e na Educação de Jovens e Adultos. Leonete Luzia Schmidt Formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestre em Educação também pela UFSC. lecionando as disciplinas de História da Educação. nos níveis fundamental e médio. Rosmeri Schardong Formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestre em Educação também .

onde defendeu dissertação intitulada “A instrução pública secundária em Desterro – o Atheneu Provincial (18741883)”. lecionando as disciplinas de História da Educação e Estágio Supervisionado. 118 . Atuou como professora das séries iniciais na rede estadual catarinense durante dez anos. É professora do curso de Pedagogia da Unisul desde 1998.Universidade do Sul de Santa Catarina pela UFSC.

2) Orientações para elaboração do quadro: na coluna Tendências você deve indicar o nome das três tendências e /ou teorias abordadas na seção 2. o ambiente social etc 2) Nesta questão os dois tópicos já indicam o que se quer atingir. De maneira geral é importante observar as práticas educativas. Item C é falso. o papel da Igreja e da religiosidade. o papel das mulheres. na coluna Principais Representantes você deve escrever o nome dos autores que escreveram/ escrevem sobre cada tendência. 3) Resposta subjetiva. Caso tenha dúvidas como realizar as atividades você poderá obter maiores informações com o tutor da disciplina. Unidade 2 1) Sobre os filmes: Os aspectos relacionados a Unidade dependem do filme. . na coluna Idéias Centrais você deverá pontuar as principais idéias de como cada tendência entende a história. a relação entre as classes sociais.Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação Unidade 1 1) Itens A e B são verdadeiros. as formas de trabalho. como esta pode ser escrita e que temas e fontes prioriza.

Família e Estado assumem a educação das crianças. nos corredores. 2) Garantir a uniformização que facilitaria o controle sobre as práticas e conteúdos desenvolvidos e evitaria desvios dos princípios defendidos pela Ordem Jesuítica. Ordenação por fileiras: filas de alunos na sala. as crianças colocadas umas ao lado das outras sob o olhar atento do mestre. Sucessão dos assuntos ensinados. mas carecia dos conhecimentos clássicos que a nobreza até então detinha. B e E são Verdadeiros. além dessa cultura geral clássica. Unidade 4 1) Muitos membros da Igreja haviam sido abandonados pelos pais e por isso buscavam abrigar os que passavam pela mesma situação. Itens D e F são Falsos.Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 3 1) Em linhas gerais. das questões tratadas segundo uma ordem de dificuldade crescente. além disso a Igreja passa a pregar a caridade para com os abandonados. um padrão de civilidade e polidez que os distinguiria dos trabalhadores. no pátios. Alinhamento das classes de idade umas depois das outras. Colocação atribuída a cada um em relação a cada tarefa e cada prova. Os colégios forneceriam a seus alunos. Ou a mãe passa a participar mais da educação dos filhos. também filhos de Deus. 3) Resposta subjetiva. 120 . pode-se dizer que os colégios atenderam aos interesses de uma burguesia nascente/renascentista. 3) A educação passa a ser mista. 4) Itens A. que possuía poder aquisitivo. 2) Resposta livre. 4) A classe torna-se homogênea.

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