Universidade do Sul de Santa Catarina

História da Educação I
Disciplina na modalidade a distância

Palhoça UnisulVirtual 2006

Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina História da Educação I. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma, abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando uma linguagem que facilite seu estudo a distância. Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho. Não esqueça que sua caminhada nesta disciplina também será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade, seja por correio postal, fax, telefone, e-mail ou Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem - EVA. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois sua aprendizagem é nosso principal objetivo. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual.

Karen Christine Rechia Leonete Luzia Schmidt Rosmeri Schardong

História da Educação I
Livro didático

Design instrucional Viviani Poyer

Palhoça UnisulVirtual 2006

Copyright © UnisulVirtual 2006 N enhum a parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer m eio sem a prévia autorização desta instituição.

370.9 R24 Rechia, Karen Christine História da educação I : livro didático / Karen Christine Rechia, Leonete Luzia Schmidt, Rosmeri Schardong ; design instructional Viviani Poyer. – Palhoça : UnisulVirtual, 2006. 120 p. : il. ; 28 cm.

Inclui bibliografia. ISBN 85-60694-08-0 ISBN 978-85-60694-08-2

1. Educação – História. I. Schmidt, Leonete. II. Schardong, Rosmeri. III. Poyer, Viviani. IV. Título.
Ficha catalográf ica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul

Cr édi tos
Uni sul- Uni ver si dade do Sulde Santa Catar i na Uni sul Vi r tual- Educação Super i ora Di stânci a
Cam pusUni sul Vi r tual Rua João Pereira dos Santos, 303 Pal hoç a - SC- 88130-475 Fone/ f ax:( 48)3279-1541 e 3279-1542 E-mail :c ursovirtual @unisul . br Site:www. virtual . unisul . br Rei torUni sul Gerson LuizJoner da Sil veira Vi ce-Rei tore Pr ó-Rei tor Acadêm i co Sebastião Sal ésio Heerdt Chef e de gabi nete da Rei tor i a Fabian Martins de Castro Pr ó-Rei torAdm i ni str ati vo Marc us Viní c ius Anátol es da Sil va Ferreira Cam pusSul Diretor:Val ter Al ves Sc hmitzNeto Diretora adj unta:Al exandra Orsoni Cam pusNor te Diretor:Ail ton Nazareno Soares Diretora adj unta:Cibel e Sc huel ter Cam pusUni sul Vi r tual Diretor:João Vianney Diretora adj unta:Juc imara Roesl er Equi pe Uni sul Vi r tual Adm i ni str ação Renato AndréLuz Val mir Vení c io I nác io Bi bl i otecár i a Soraya Arruda W al tric k Coor denação dosCur sos Adriano Sérgio da Cunha Ana Luisa Mül bert Equi pe Di dáti co-Pedagógi ca Angel ita M arç alFl ores Carmen Maria Cipriani Pandini Carol ine Batista Carol ina Hoel l er da Sil va Boeing Cristina Kl ipp de Ol iveira Daniel a Erani Monteiro W il l Dênia Fal c ão de Bittenc ourt Enzo de Ol iveira Moreira Fl ávia Lumi Matuzawa Karl a Leonora Dahse Nunes Leandro Kingeski Pac hec o Ana Paul a Reusing Pachec o Cátia Mel issa S.Rodrigues ( Auxil iar) Charl es Cesc onetto Diva Marí l ia Fl emming I tamar Pedro Bevil aqua Janete El za Fel isbino Juc imara Roesl er Lil ian Cristina Pettres ( Auxil iar) Lauro JoséBal l oc k LuizGuil herme Buchmann Figueiredo LuizOtávio Botel ho Lento Marcel o Caval c anti Mauri LuizHeerdt Mauro Fac c ioni Fil ho Mic hel l e Denise DurieuxLopes Destri Moac ir Heerdt Nél io Herzmann Onei Tadeu Dutra Patrí c ia Al berton Patrí c ia Pozza Raul ino Jac ó Brüning Rose Cl ér E.Bec he Desi gn Gr áf i co Cristiano Neri Gonç al ves Ribeiro ( c oordenador) Adriana Ferreira dos Santos Al exSandro Xavier Evandro Guedes Mac hado Fernando Roberto Dias Zimmermann Higor Ghisi Luc iano Pedro Paul o Al ves Teixeira Raf aelPessi Vil son Martins Fil ho Ligia M aria Souf en Tumol o Márc ia Loc h Patrí c ia Meneghel Sil vana Denise Guimarães Tade-Ane de Amorim Vanessa de Andrade Manuel Vanessa Franc ine Corrêa Viviane Bastos Viviani Poyer Logí sti ca de Encontr osPr esenci ai s Marc ia Luzde Ol iveira ( Coordenadora) Arac el l i Aral di Grac iel e Marinês Lindenmayr JoséCarl os Teixeira Letí c ia Cristina Barbosa Kênia Al exandra Costa Hermann Prisc il a Santos Al ves Logí sti ca de M ater i ai s Jef erson Cassiano Al meida da Costa ( c oordenador) Eduardo Kraus M oni tor i a e Supor te Raf aelda Cunha Lara ( c oordenador) Adriana Sil veira Carol ine Mendonç a Dyego Rac hadel Edison Rodrigo Val im Franc iel l e Arruda Gabriel a Mal inverni Barbieri Gisl ane Frasson de Souza Josiane Conc eiç ão Leal Maria Eugênia Ferreira Cel eghin Simone Andréa de Castil ho Viní c ius Mayc ot Seraf im Pr odução I ndustr i ale Supor te Arthur EmmanuelF.Sil veira ( c oordenador) Franc isc o Asp Pr oj etosCor por ati vos Diane DalMago Vanderl ei Brasil Secr etar i a de Ensi no a Di stânci a Karine Augusta Zanoni ( sec retária de ensino) Ana Paul a Pereira Dj eime Sammer Bortol otti Carl a Cristina Sbardel l a Grasiel a Martins James MarcelSil va Ribeiro LamuniêSouza Liana Pampl ona Maira Marina Martins Godinho Marc el o Pereira Marc os Al c ides Medeiros Junior Maria I sabelAragon Ol avo Laj ús Prisc il l a Geovana Pagani Sil vana Henrique Sil va Secr etár i a Executi va Viviane Sc hal ata Martins Tecnol ogi a Osmar de Ol iveira BrazJúnior ( c oordenador) Ric ardo Al exandre Bianc hini Rodrigo de Barc el os Martins Edi ção -- Li vr o Di dáti co Pr of essor asConteudi stas Karen Christine Rec hia Leonete Luzia Sc hmidt Rosmeri Sc hardong Desi gn I nstr uci onal Viviani Poyer Pr oj eto Gr áf i co e Capa Equipe Unisul Virtual Di agr am ação Vil son Martins Fil ho Revi são Or togr áf i ca B2B

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 03 Palavras das professoras conteudistas . . . . . . . . – As práticas educativas medievais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 Referências . . . . . . 09 Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . – Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica . . . . . . . . . . . . 113 Sobre as professoras conteudistas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . – A infância e a pedagogia moderna . . . . 17 41 65 89 Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 UNIDADE UNIDADE UNIDADE UNIDADE 1 2 3 4 – História da Educação: objetos. . . abordagens e fontes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119 .Sumário Apresentação . . . . . . . . . . . . . . 117 Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação . . . . . . . . . . .

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Palavras das professoras Caro estudante. Mesmo seguindo alguns desses períodos. apresentando alguns aspectos da trajetória histórica da infância. acaba-se por fazer um estudo panorâmico. Iniciamos o presente livro apresentando um pouco das atuais discussões que permeiam o campo de estudos e pesquisas em História da Educação. Veremos aí que é possível estudar a História da Educação sob diferentes abordagens e temas e a partir de diferentes fontes. Para finalizar. passando pela Idade Média e Moderna e chegando à Idade Contemporânea. Os livros de História da Educação estão organizados de modo a abarcar o estudo dos tradicionais períodos históricos. para situar e compreender algumas práticas educativas relacionadas a este período. Quanto à época moderna. optamos em fazer algumas escolhas. a formação dos cavaleiros e a constituição das universidades. os quais ajudarão a compreender muitas das atuais características de nossas instituições de ensino. começando pela Antiguidade. Por tratar-se de um período extensivamente longo. optamos por enfocar aspectos da cultura escolar presentes nos colégios modernos e na pedagogia jesuítica. discutiremos a infância e a pedagogia moderna. Em seguida. . como a educação feminina. Também enfatizamos a constituição de uma nova concepção de infância na modernidade e como esta derivou na pedagogização dos conhecimentos e no disciplinamento dos sujeitos. você irá conhecer o contexto histórico da chamada Idade Média Ocidental. a educação nas corporações de ofícios.

aprofundar os temas apresentados. acreditamos que. Boa aprendizagem! Professoras Karen. século XIX e XX. Procuramos. Leonete e Rosmeri . em outras disciplinas.Quanto às questões educacionais do período contemporâneo. na medida do seu interesse e disponibilidade. indicar fontes extras de pesquisa para que você possa. no decorrer do livro. você terá a oportunidade de discuti-las com mais propriedade.

Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica.Plano de estudo O plano de estudos visa orientá-lo/la no desenvolvimento da Disciplina.EVA. você encontrará elementos que esclarecerão o contexto da Disciplina e sugerirão formas de organizar o seu tempo de estudos. O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam. Nele. „ „ Ementa História da educação: objetos. Educação e infância na modernidade. o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem . Assim. Carga Horária 60 horas – 4 créditos. as atividades de avaliação (complementares. a distância e presenciais). a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/ mediação. São elementos desse processo: „ o livro didático. . As práticas educativas medievais. abordagens e fontes.

as unidades que compõem o Livro Didático desta Disciplina e os seus respectivos objetivos. „ Conhecer as práticas educativas medievais e modernas. Reconhecer as diferenças entre as formas educacionais no tempo e em sociedades distintas. Relacionar o panorama histórico com as idéias pedagógicas e suas aplicações educacionais. bem como analisar o uso de diferentes fontes de pesquisa nesta área. Estes se referem aos resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de estudo. „ „ „ „ „ „ Conteúdo programático/objetivos Veja. Identificar as principais características da pedagogia jesuítica. a seguir. Identificar os sujeitos/grupos sociais que foram atingidos ou excluídos pelas instituições educacionais ao longo do tempo. assim como a ampliação e multiplicidade de temas ou objetos de pesquisa nas últimas décadas. Unidades de estudo: 4 12 . Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua formação. Analisar alguns modos de tratamento dispensados à infância em diferentes períodos históricos. Compreender o processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos na modernidade.Objetivos Identificar as concepções de História que implicam em diferentes abordagens acerca da História da Educação.

ainda. Você estudará.Nome da disciplina Unidade 1 . sistematizada a partir da Ratio Studiorum (1599). a educação dos cavaleiros e a educação nas corporações de ofícios. Para entender a concepção de infância do período moderno. Unidade 4 – A infância e a pedagogia moderna Nesta unidade. a formação das universidades medievais. idéias.IHistória da Educação: objetos. você verá as principais características que a pedagogia e a escola moderna adquiriram em função das novas concepções sobre a criança desenvolvidas no período. como a educação das mulheres. Verá que a partir do Renascimento institui-se uma nova concepção de infância que resultará num processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos. bem como algumas práticas educativas desenvolvidas nesse período. você iniciará o estudo desta unidade vendo como a infância foi tratada em diferentes momentos históricos. Unidade 2 – As práticas educativas medievais O estudo desta unidade lhe proporcionará conhecer o contexto histórico da Idade Média. e sua influência na constituição de um determinado modelo de escola e sujeito. pretende-se discutir concepções de História que implicam em diferentes abordagens acerca da História da Educação. Também abordar-se-á o uso de diferentes fontes de pesquisa nesta área. 13 . assim como a ampliação e multiplicidade de temas ou objetos de pesquisa nas últimas décadas. abordagens e fontes Nesta unidade. bem como a pedagogia jesuítica. Unidade 3 – Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica Esta unidade iniciará discutindo a constituição e as características dos colégios modernos no século XVI.

Registre no espaço a seguir as datas. Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da Disciplina. Não perca os prazos das atividades. „ „ 14 . e da interação com os seus colegas e tutor. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura.Universidade do Sul de Santa Catarina Agenda de atividades/ Cronograma „ Verifique com atenção o EVA. organize-se para acessar periodicamente o espaço da Disciplina. com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA. da realização de análises e sínteses do conteúdo.

Nome da disciplina Atividades Avaliação a Distância 1 Avaliação a Distância 2 Avaliação Presencial 1 Avaliação Presencial 2 (2ª. chamada) Avaliação Final (caso necessário) Demais atividades (registro pessoal) 15 .

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abordagens e fontes Objetivos de aprendizagem „ 1 Identificar as concepções de História que implicam em diferentes abordagens acerca da História da Educação. Analisar o uso de diferentes fontes de pesquisa nesta área. „ Seções de estudo Seção 1 Concepções de História e de História da Educação. Seção 3 Fontes e objetos para a História da Educação. . assim como a ampliação e multiplicidade de temas ou objetos de pesquisa nas últimas décadas.UNIDADE 1 História da educação: objetos. Seção 2 Abordagens teórico-metodológicas para a escrita da História.

mas. você registrasse seu conhecimento sobre: 18 . Destacamos que a área da História da Educação ou o campo da História da Educação tem passado. dificultam. Acreditamos que é importante para o estudo da História da Educação situar-se. por outro.Concepções de História e de História da Educação Acreditamos que. abordarmos a questão dos possíveis objetos e fontes a serem explorados pela área. pretende-se discutir com você algumas questões relacionadas ao debate contemporâneo em torno da História da Educação. na seqüência. seja interessante você refletir um pouco sobre os termos educação. de algumas questões atuais que têm norteado sua discussão. nos últimos tempos. Para isso iniciaremos analisando os “termos” educação. Assim. contribuem para o avanço teórico-metodológico e para as novas possibilidades de investigação. por um lado. Em seguida. por profundas discussões que. em função das inúmeras questões que ficam em aberto. traçaremos um rápido perfil das principais tendências historiográficas que marcaram e têm marcado o campo da História da Educação. para. história e história da educação. para iniciarmos nossas discussões. gostaríamos que nos espaços. SEÇÃO 1 .Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade introdutória. a seguir. história e história da educação. mesmo que de forma aproximativa.

ou seja. Não pretendemos oferecer respostas prontas e acabadas. mas apenas problematizá-los. podemos dizer. dentre inúmeras outras formas. é preciso ampliar essa compreensão. “ninguém escapa da educação”. é bastante comum relacionar-se o termo educação com escola e ensino e história com o estudo do passado. Unidade 1 19 . Assim. que é o processo de formação do ser humano. principalmente devido a seus múltiplos sentidos. quanto à educação. variáveis no tempo e no espaço histórico-social. já que esses termos/conceitos são historicamente construídos. Como diria Carlos Rodrigues Brandão. Quando realizamos essa atividade de sondagem com nossas turmas presenciais. portanto.História da Educação I O que é educação? O que é história? O que é história da educação? Não temos aqui a pretensão de esgotar a discussão sobre tais termos. Embora isso não seja incorreto. ligados à prática social e. um processo que ocorre no decorrer da sua existência e em diferentes espaços formais e não formais.

Arrastaram eles os blocos de pedra? E a Babilônia várias vezes destruída Quem a reconstruiu tanta vezes? Em que casas Da Lima dourada moravam os construtores? Para onde foram os pedreiros. ainda. Nesse sentido. na noite em que a Muralha da China ficou pronta? A grande Roma está cheia de arcos do triunfo Quem os ergueu? Sobre quem Triunfaram os Césares? A decantada Bizâncio Tinha somente palácios para os seus habitantes? Mesmo na lendária Atlântida Os que se afogavam gritaram por seus escravos Na noite em que o mar a tragou. de destacar que. o poema. 11). a seguir.Universidade do Sul de Santa Catarina Quanto à História. num tempo e espaço determinados. Não levava sequer um cozinheiro? 20 . componentes do que se chama o processo histórico.” (1994. Ghiraldelli Jr. à pesquisa e ao relato estruturado desses processos humanos. Sozinho? César bateu os gauleses. em nosso entender ela é construída cotidianamente pelos grupos humanos. do escritor alemão Bertold Brecht (1898-1956) nos dá um pouco essa dimensão e nos alerta para estarmos atentos a outras histórias e a outros sujeitos históricos. PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ Quem construiu a Tebas de sete portas? Nos livros estão nomes de reis. O jovem Alexandre conquistou a Índia. p. Gostaríamos. Ele se refere tanto aos processos de existência e vida real dos homens no tempo como ao estudo científico. diz que há. “entre outros. embora o ensino tradicional de história enfatize fatos isolados e apenas alguns indivíduos como promotores da história. dois significados básicos.

A idéia predominante na época era de que o conhecimento produzido a partir de fontes oficiais. assegurava a História. Peter Burke diz que. como verdade absoluta. leva em conta a sociedade e época na qual o indivíduo está inserido. 2005. bem como na utilização dos registros oficiais para a escrita da História. 20). criados.ig. como critério de cientificidade. Anterior a esta data. Quem pagava a conta? Tantas histórias. Tantas questões. Para compreender melhor a trajetória deste conceito. apesar de existirem outros estudos históricos que contemplassem outros objetos “a história política era considerada (ao menos no âmbito da profissão) mais real ou mais séria que o estudo da sociedade ou da cultura”. com base somente no conteúdo de documentos escritos. acessar <http://eaprender. com a proclamação da independência.História da Educação I Filipe da Espanha chorou. A Historiografia constituise num campo de estudo sobre a própria forma de se produzir e escrever a História. Quem cozinhava o banquete? A cada dez anos um grande Homem. pp. a História como disciplina escolar foi organizada na perspectiva pragmática da formação do cidadão.com. ele era uma colônia pertencente e administrada por Portugal. 189193). Quem venceu além dele? Cada página uma vitória.asp?RegSel=15 0&Pagina=6#materia> O Brasil passa a ser constituído enquanto Estado/Nação a partir de 1822. ainda conforme Veiga. (verbete Historiografia. 2003. entre outros. Isto porque. muitos Estados/Nação estavam sendo constituídos. Neste contexto. Esta forma está associada a quem escreve e. historiadores como Jacques Le Goff e Peter Burke.gov.mec. (disponível em <http://portal. naquele momento. quando sua Armada Naufragou. p. In: Dicionário de Conceitos Históricos. há outra(s) forma (s) de escrevê-la? Segundo Veiga. baseada na escrita dos historiadores. br/ensinar. Unidade 1 21 . (apud Veiga. observam que a historiografia que se consolidou no século XIX foi aquela caracterizada pela narrativa dos eventos políticos. Ninguém mais chorou? Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.br/seb/arquivos/pdf/bronze. portanto.pdf>) Mas se a História não é um conjunto de explicações e de certezas sobre fatos e acontecimentos do passado.

estando sempre acompanhada de perto pela Filosofia da Educação. (2005. Quanto à História da Educação. sugerimos que você. reflita um pouco sobre a seguinte questão: História da educação é um campo que pertence à História ou à Educação? 22 . na Europa. O problema. questão que você verá na seção 2.. voltada predominantemente para os fatos políticos e organizada de maneira cronológica. como uma disciplina dos Cursos Normais. desta unidade. tendo como sujeitos os “personagens ilustres” e os “heróis” eleitos de cada época (possivelmente aquela História que muitos de nós aprendemos na escola). também a disciplina História da Educação foi gerada no interior das escolas normais. antes de dar continuidade à leitura. conforme os historiadores. diz respeito ao método ou a abordagem utilizada para escrever a História.” . Segundo Lopes..Universidade do Sul de Santa Catarina Este tipo de História. ainda. 29) que “o fato de a trajetória da História da Educação estar relacionada à Pedagogia e ao ensino dificultou sua constituição como uma área de pesquisa propriamente dita. ou seja.)essa associação com a Filosofia da Educação contribuiu para que uma das vertentes mais pesquisadas na História da Educação fosse exatamente a história das idéias pedagógicas e a fonte privilegiada para esse tipo de investigação fosse a obra dos grandes pensadores. (. p.Agora. 28) Reforça. Isso não significa que a História factual e política tenham deixado de existir e nem mesmo que não tenham sua importância. No Brasil. Lopes (2005. p. vai sendo questionada e dando lugar a outras concepções. uma primeira questão a destacar é que ela surgiu no final do século XIX. dos cursos que formavam professores.

e que.6). temas e objetos. 19). O fato de ser transformada em disciplina escolar com objetivos institucionais e de formação de professores e pedagogos foi o que impediu.” (CARVALHO. Contudo.3-11). mas como ciência da educação ou como ciência auxiliar da educação” (WARDE. Segundo ela. a partir de sua própria prática disciplinar. p. nos cursos de formação de professores. ainda. ao mesmo tempo. essa ausência de diálogo dificulta o entendimento da educação como objeto de investigação da História e permite que ela continue a ser vista como sub-campo ou especialização da História. para outros. Unidade 1 23 . De acordo com Veiga (2003. a História da Educação tem-se consolidado. Nesse processo. dinâmicas de constituições de questões. ela foi separada do campo da História e. colocada em segundo plano no campo da educação. a partir dos anos 30. nas duas últimas décadas. a História da Educação foi retirada do campo da História e convertida em abordagem ou em enfoque. 1990. Para melhor compreender.História da Educação I Existem diversos entendimentos entre os historiadores da educação sobre o lugar da História da Educação em relação à História. apesar de se constituir historicamente e inicialmente como uma disciplina escolar. 1997. ela é definida como uma especialização da História. p. É importante ressaltar que é muito recente a consolidação da História da Educação como campo de investigação científica no Brasil. cada vez mais como um campo de estudos e pesquisas. p. até muito recentemente. para outros como um objeto. a constituição da História da Educação “como campo de investigação historiográfica capaz de se auto delimitar e de definir. exista ainda pouco diálogo entre historiadores e historiadores da educação. talvez até em função disso. como um sub-campo. Para uns. “O que significou não ter sido instituída como especialização temática da História. esse processo que retira a História da Educação do campo da História e que a inseriu entre as ciências da educação está associado ao processo que a transformou em disciplina escolar.

Assim. o professor. é necessário um breve panorama sobre principais influências na historiografia.terra. Figura: Pintura Grega Fonte: http://paginas. devido também a grande influência da Filosofia. br/arte/mundoantigo/grecia Auguste Comte (1798-1857) nasceu em Montpellier. de Diderot.Abordagens teórico-metodológicas para a escrita da História Para você compreender melhor o que foi falado até agora.htm> Seção 2 . algumas das perspectivas que orientaram e têm orientado as pesquisas nesse campo. a explicação dos 24 .br/personalidades/ augustecomte. d’Alambert. e à aproximação com outras áreas de conhecimento. nos últimos anos.vilabol. como a Antropologia e a Lingüística. É o iniciador do positivismo francês e o pai oficial da sociologia. julgamos importante discutir. o metafísico e o positivo. de família modesta ‘eminentemente católica e monárquica’. uol. Neste sentido. Ver mais sobre Comte e a lei dos três estágios em <http://socio. para a elaboração de leis gerais. na próxima seção.tropo. outras temas de pesquisa têm sido investigados e ampliaram nosso conhecimento sobre a História da Educação. como veremos na próxima seção. entre tanto outros. Veiga observa que a educação tem apresentado um campo muito vasto de temáticas e o papel da História da Educação deve ser o de investigar e tornar visível diferentes objetos: a escola. na forma de “contar” a História. para demonstrar a evolução do homem na história da humanidade. Os temas de pesquisa no âmbito da História da Educação acompanharam e acompanham diferentes correntes teóricometodológicas. o conhecimento científico deveria basear-se na observação dos fatos e na experimentação.com.com. discípulo e secretário (e depois decidido antagonista) de Saint-Simon. elabora a lei dos três estágios: o teológico. A primeira influência que destacamos é o Positivismo. Leitor dos empiristas ingleses. Turgot e Condorcet. No primeiro estágio. devido à influência da Nova História. processos e formas de aprendizagem. materiais escolares.Universidade do Sul de Santa Catarina Se durante muitos anos essas pesquisas restringiram-se à análise do pensamento pedagógico e das políticas educacionais. ou seja. Portanto. os alunos. Doutrina surgida no século XIX e associada a Augusto Comte compreendia a ciência como domínio da natureza e sinônimo de progresso.litica.

o conhecimento do passado torna-se fundamental para o entendimento do presente e. seria possível compreender os fatos “como eles realmente aconteceram”.rhr. pois só eles portariam a verdade histórica. sobretudo. que por sua vez deveriam ser descritos com base numa leitura supostamente objetiva do documento. 1983.si-educa. utilizados nas ciências físicas e naturais. para a projeção do futuro: “Assim. acabou projetando lógica semelhante à da elaboração das leis naturais para a História. consultar PINSKY. 2005. Por História tradicional entende-se que “(.. em estudar o que é. Então. 25 . grandes homens e “heróis” selecionados por uma elite política e econômica de cada época. br/v2n2/cerri.História da Educação I fenômenos era atribuída a elementos sobrenaturais. atribuindo ao historiador os critérios de objetividade e neutralidade. em ver para prever. Carla B. A História numa abordagem positivista ou tradicional. nesta perspectiva. a explicação foi legada a entidades abstratas e no terceiro e último – o positivo – a fonte para elucidar estes mesmos fenômenos passaria a ser a razão. no segundo. Uma das características desta concepção de História é que muitas vezes possibilita um olhar de cima. excluindo-se uma série de sujeitos.” (CERRI. a fim de concluir disso o que será. Ou seja. temas e grupos sociais que escapam a esta abordagem. Unidade 1 Para conhecer os diferentes tipos de fontes/documentos e suas definições. (BURKE).net Assim. segundo o dogma geral da invariabilidade das leis naturais. (org. Seguindo essa concepção. o verdadeiro espírito positivo consiste. Mas o que nos interessa aqui são algumas características do Positivismo que vão repercutir na forma de escrever a História..uepg.htm>). 50). a noção de História preconizada por esta doutrina enfatizava as fontes/documentos escritos. p. Grande parte desta documentação remete a fatos políticos. Como Comte acreditava ser possível compreender a sociedade e os indivíduos que a compõem através da razão.) Fontes históricas. devido ao tipo e à forma de trabalho. Os fatos históricos são colocados numa linha de tempo linear. São Paulo: Contexto. disponível em <http://www. a História da Educação estaria associada. realça sujeitos históricos como governantes. conseqüentemente. dividida por períodos políticos. Figura: Augusto Comte Fonte: www.) tradicional é a característica de uma história de classe dominante (ou que em algum momento esteve no poder do Estado). bem como suas formas de abordagens ao longo do tempo.” (COMTE.

ao menos no Ocidente. com jornadas de Para compreender melhor as definições sobre Antigo Regime. 7) Essa visão de História. etc: A maneira como a história se organizou enquanto ciência e disciplina escolar se confunde com a própria história da educação.).. A sociedade européia.br>. legitimava/legitima a ordem vigente.Universidade do Sul de Santa Catarina com as fontes/documentos. p. portanto. Na busca de matérias-primas e de mercado consumidor para tal produção. ao pensamento pedagógico. os países europeus expandem-se para a Ásia e África. que já havia consolidado seu poder econômico. promovendo uma concentração de mãode-obra nas cidades. XIX. Mas qual é o seu contexto de surgimento? É importante conhecermos o contexto histórico para que compreendamos o significado e o crescimento de tais teorias. acesse o site: <http://www. percebe-se que essa massa trabalhadora vivia em condições subumanas. XIX. possuía a simpatia de alguns pensadores e grupos. Voltando à sociedade européia. a mecanização. a divisão de duas classes sociais: os capitalistas e os proletários. (VEIGA apud FARIA FILHO.com. linearizada. Conforme já falamos no início da seção. que durante muito tempo vinculou-se a uma interpretação essencialmente política.. no curso da Revolução Industrial. 26 . apresentava uma dicotomia básica. a um panorama políticoinstitucional no tocante à legislação da política educacional. o século XIX. almejava conquistar ou garantir também o poder político. bem como a descoberta de novas fontes de energia. (. foi perpassado por discussões acerca dos pressupostos da razão e do conhecimento científico. O estabelecimento das fábricas nas cidades. historianet. 1998. Revolução Industrial e Imperialismo ou Neocolonialismo do séc. dinamizaram a produção industrial. ou seja. confundida com a história das idéias pedagógicas. Por ser uma classe que se opunha à velha ordem ou ao Antigo Regime. configurando o que se denomina como Imperialismo ou Neocolonialismo do séc. A classe burguesa.

Portanto. com a presença do trabalho infantil e feminino e precárias condições de moradia. A revolução russa de 1917. legitimando a ordem vigente. litica. A imagem do passado.) no lugar das idéias estão os fatos materiais: no lugar dos heróis. Figura: Karl Marx Fonte: www.. o que nos interessa aqui. 141): (. a revolução chinesa de 1949. Como explica Aranha (1996.htm>. É neste panorama que surge o Positivismo. Disponível em <http://socio. A história se faz com os fatores materiais. Karl Marx (1818-1883) nasceu na Alemanha.História da Educação I trabalho que poderiam chegar a 18 horas diárias. saúde e alimentação. no entanto. também é construída a partir dos interesses de uma classe. A teoria marxista é chamada de Materialismo histórico e dialético. Marx vai estudar profundamente a oposição das classes ao longo da História – que chamará de luta de classes – e a constituição do capitalismo. é nas contradições entre as classes antagônicas e do desenvolvimento das próprias forças produtivas de cada época.. econômicos e técnicos que correspondem às condições em que os homens se reúnem para produzir sua existência no trabalho. É claro que estamos simplificando as idéias de tal teoria. a partir de certas condições materiais de vida. ou modo de produção sobre o outro. antagônica na maior parte dos aspectos. sem direitos trabalhistas. a revolução cubana de 1919 são alguns exemplos de revoluções que se diziam inspiradas em suas idéias. é compreender a visão de História advinda de tal teoria. Sua existência foi dedicada à luta da classe trabalhadora.tropo. a História não é neutra. pois pressupõe a ação de indivíduos reais. com base nos estudos de Karl Marx. toma como objeto de estudo a sociedade burguesa. nem objetiva. assim como outra corrente teórica.com.vilabol. como dizia o Positivismo. de um modelo.com. que se percebe a superação de uma classe sobre a outra. Por isso. br/personalidades/ karlmarx. dessa forma. p. porém do ponto de vista do trabalho e dos trabalhadores. portanto. a luta de classes. que criaria a União Soviética (URSS).unificado. podemos compreender que a História é movimento.br Unidade 1 27 .uol. no sentido de superá-las.

a História. como a História da Educação. uma “história vista de baixo”. Assim. um grupo de historiadores franceses promove uma espécie de reação à História excessivamente política e as suas principais propostas podem ser assim resumidas: Em primeiro lugar. como falamos no início da seção. no sentido de compreender as formas de escrever a História e. a história de todas as atividades humanas e não apenas da história política. através da conscientização de uma classe oprimida. do século XX. A expressão Nova História passou a ser amplamente conhecida através da obra “La nouvelle historie”. A última corrente que abordaremos aqui. ou de modos de produção. por ser calcada no desenvolvimento de processos materiais. ao considerar a classe trabalhadora como fundamental. A Nova História e suas derivações. pois a “linha da História”. Em terceiro 28 . Em segundo lugar. No entanto. desloca-se o foco do político para o econômico e ao mesmo tempo. permite-se. portanto. a História Cultural – é uma corrente dentro da própria História. Nessa linha. traduz-se numa visão economicista e linear. numa sucessão de superação dos modos de produção. pois ela é fruto de todo um movimento anterior. Na década de 20. diferente das duas anteriores. também constituiu outros campos de estudo e conhecimento da realidade.Universidade do Sul de Santa Catarina Tal noção de História. a História da Educação. De qualquer forma. a partir desta teoria. do historiador francês Jacques Le Goff (1978). a substituição da tradicional narrativa de acontecimentos por uma história-problema. levaria ao Comunismo (esta linearidade também está presente na lei dos três estágios de Comte). que são muitas e trataremos apenas de uma delas. é a Nova História. é necessário que voltemos no tempo. a educação pode ser vista como a reprodução da sociedade ou a sua superação.

ig. pp. pode ser percebido em três gerações e a última seria a dos anos 70. a alimentação. segundo o historiador Peter Burke. o corpo. pinturas. histórias orais. Essa geração pode ser vista como uma continuidade. tendo a frente Marc Bloch e Lucien Febvre.br/ annales.não só os escritos – como fotografias. a economia. a antropologia social e tantas outras. que leve em conta as pessoas comuns. com. tais como a geografia. „ „ „ Unidade 1 29 . etc. as festas. tudo tem história. em certos aspectos. a sociologia. em seu contexto de tempo e espaço. aspx?codigo=607> Veja a seguir: „ Se a História deve considerar todas as atividades humanas.com. a colaboração com outras disciplinas.htm> e também <http://www. (BURKE. A abertura para outros documentos e fontes . a psicologia. a infância. os odores. Quais características são fundamentais nesta nova forma de ver e escrever a História? Para saber mais sobre o movimento dos Annales e seus desdobramentos. portanto. novos temas foram incorporados à historiografia. acesse: <http://www.História da Educação I lugar. Muitos são os registros necessários se pensarmos nas atividades e experiências humanas. Uma “história vista de baixo”. 1992. 11-12).historianet. mas também como ruptura com as anteriores.hpg. como: a morte.br/conteudo/default. A História é construída a partir do ponto de vista de quem a escreve e das fontes selecionadas ou disponíveis no momento. não é possível contar a História como ela realmente aconteceu. Ao privilegiar a História econômica e social. chamada Revista dos Annales. este movimento. a família etc. visando completar os dois primeiros objetivos. desconhecidas. Muitas destas propostas foram apresentadas numa publicação criada em 1929. a lingüística. objetos. Portanto. ohistoriador.

da memória e da historiografia. ou melhor dizendo.uol. a partir das discussões acerca da cultura no campo historiográfico e principalmente metodológico. 53).br/portal/riomidia/ rm_entrevista_conteudo. da literatura. do tempo presente. as mentalidades.br/tropico/html/ textos/2479. a historia social e. brota ou emerge a água. você já percebeu que a História Cultural vai influenciar e. Fonte é o lugar de onde sai algo. ou se você pensou em algo referente ao mencionado. até mesmo. leia estas duas entrevistas: http:// pphp. Pesavento aponta a História das cidades. renovar os objetos e abordagens nesta área. multirio. No campo educacional. como o cotidiano. vários objetos e abordagens conquistam espaço. atualmente. da imagem das identidades. p.com.asp?idio ma=1&idMenu=4&label=Entrevist as&v_nome_area=Entrevistas&v_ id_conteudo=51218>. até mesmo. esta tendência da História está expressa em recentes pesquisas na área.Universidade do Sul de Santa Catarina Não há uma única verdade em um contexto histórico. fonte é a origem 30 . o lugar onde nasce. assim como também o historiador não é neutro e detém um ponto de vista (relacionado às idéias de sua época e ao lugar que ocupa). Seção 3 .shl e <http://www.Fontes e objetos para a História da Educação O que vem a sua mente quando aparece a palavra fonte? Registre a seguir: Se lhe veio à cabeça a palavra nascente ou. Dentre estes campos de investigação.rj. 2003. não está errado(a).gov. como veremos na seção a seguir. (apud FONSECA. Nesta concepção. Para saber mais acerca das idéias e pesquisas deste historiador que tem influenciado muitos trabalhos em História da Educação no Brasil.1. Um dos historiadores da História Cultural que tem sido muito utilizada na História da Educação é Roger Chartier devido as suas pesquisas sobre a História da leitura e dos impressos. como a História Cultural. Neste sentido.

no plural. no caso da História. O mesmo autor observa que. via de regra. não se pode falar em fontes naturais já que todas as fontes históricas. a base. pp. são construídas. Além disso. são produções humanas (salvo quando a questão for relativa a uma possível História natural. Elas enquanto registros. Para deixar mais clara esta questão. são a fonte do nosso conhecimento histórico. entretanto. bem como exemplos de fontes por eles utilizados para produção da historiografia educacional. buscamos junto a alguns autores que vêm estudando a História da Educação nas últimas décadas. constituem o ponto de partida. o ponto de apoio. 5-7) diz que ela apresenta. 2004. é preciso considerar que. do objeto histórico estudado. Outra indica a base. isto é. o lugar onde brota algo que se projeta e se desenvolve indefinidamente e inesgotavelmente. Saviani (2004. a palavra fonte é usada em História com sentido analógico. como ponto de origem. também tem origem. Ou seja. a rigor. não se trata de considerar as fontes como origem do fenômeno histórico considerado. a palavra nascente. ou seja. é usada apenas para se referir ao ponto de origem de um curso ou corrente de água. (SAVIANI. o ponto de apoio da construção historiográfica que é a reconstrução. No entanto. já se liga a um repositório abundante de elementos que atendem à determinada necessidade. assim como manancial. duas conotações.História da Educação I de alguma coisa. no plano do conhecimento. que não é o caso aqui – observação do autor). p. E é por isso que o conhecimento produzido sobre a História da Educação também sai de alguma fonte. Com relação à palavra ‘fonte’. o qual. fonte é sinônimo de nascente que corresponde também à manancial. enquanto testemunhos dos atos históricos. Uma significa ponto de origem.5) Unidade 1 31 . As fontes estão na origem. Assim as fontes históricas não são a fonte da história. algumas contribuições sobre seu entendimento sobre fontes. por definição. não é delas que brota e flui a história. Ele observa que. o repositório dos elementos que definem os fenômenos cujas características busca-se compreender.

as inúmeras peças guardadas nos museus. tendemos a encontrar novos elementos. podemos distinguir as fontes entre aquelas que se constituem de modo espontâneo e aquelas que produzimos intencionalmente.. há ainda as fontes produzidas a partir de registros de testemunhos orais. As primeiras são aquelas que encontramos nos vários tipos de acervos com as mais diferentes formas. também o caráter de inesgotabilidade transpõe-se analogicamente para a historiografia. As segundas são aquelas que os educadores ou historiadores preservam para que. São documentos. novas informações que nos tinham escapado nas vezes anteriores. Além disso. no futuro. Entre estas fontes encontram-se tanto materiais de trabalho como de pesquisa. É importante relembrar. Werle (2004.14) diz que seus conteúdos resultam. que a História da Educação configurouse primeiramente como disciplina escolar e.) teve sua trajetória marcada pelas relações estabelecidas com o conhecimento produzido em outros 32 .. vestígios. Falando de História de instituições escolares. Mas nem sempre foi assim. em parte. indícios que foram acumulando ou que foram guardados.Universidade do Sul de Santa Catarina Ainda segundo Saviani. da descoberta do pesquisador junto aos arquivos e outras formas de apropriação obtidas através de depoimentos orais ou escritos e de outros meios de expressão. como já vimos na primeira seção. como nos coloca Fonseca: (. De acordo com ele. novos significados. sempre que a elas retornamos. Ou seja. a analogia não se limita apenas ao caráter de origem. Entre eles estão a multidão de papéis existentes nas bibliotecas e nos arquivos públicos ou privados. novos pesquisadores possam compreender seu passado que é o nosso presente. na medida em que estes buscam neles respostas às questões levantadas. p. dentre muitos outros objetos que adquirem o estatuto de fonte diante do historiador. por exemplo. nos quais nos apoiamos em nossa investigação.

) A trajetória da História da Educação é marcada pelas concepções que esboçamos na seção anterior. Alguns historiadores. ocupa lugar de destaque em obras de História da Educação no Brasil. a escolarização. 2003. numa abordagem diferente.) ora eram construídos a partir de uma visão determinada. aponta que nos anos 80. 2003. dentre eles Pierre Nora e Roger Chartier (que já citamos anteriormente). Dermeval Saviani e seu grupo na Unicamp. pesquisaram temas relacionados a este campo como os livros e a leitura. 56) O estudo das idéias pedagógicas acabou caracterizando as pesquisas nesta área. (GHIRALDELLI Jr. Um outro tipo de análise. ora seguiam um ecletismo em que passava-se em revista as instituições educacionais e/ou doutrinas pedagógicas da Grécia Antiga até a época contemporânea.História da Educação I campos. quanto da marxista. mas na mesma concepção. p. tanto da tradição positivista.. notadamente a evolução da legislação educacional.. p. como campo de investigação e muitas vezes é vista como uma dimensão do universo cultural em estudo. fazem questionamentos à condução dos planos e do campo de pesquisa da História da Educação: (. Lembre-se do que já vimos sobre a concepção positivista e perceba as semelhanças! Ainda no Brasil. que é a organização dos sistemas de ensino associada às políticas educacionais do Estado. Tratava-se de elaborar um conjunto de saberes sobre a história das idéias pedagógicas que tivesse função prática na formação dos professores e pedagogos. Unidade 1 33 . A fonte ou documento utilizado por esta abordagem era unicamente o registro escrito. numa perspectiva marxista. por exemplo. (In: VEIGA. entre outros. Ghiraldelli jr. como a fi losofia e a Psicologia. Aproxima-se atualmente da História Cultural. 242.

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Como exemplos de fontes que os historiadores da educação vêm se apoiando nos últimos tempos para produzir o conhecimento sobre a área podem ser citados:
„ „ „

documentos (oficiais ou não); legislação; arquivos institucionais públicos e privados dentre eles os escolares; arquivos pessoais (como baú de memórias, ou seja, informações que uma pessoa guarda como fotos, diários, correspondências, dentre outros); dados estatísticos; literatura; produção bibliográfica; livros didáticos; pinturas e outras obras de arte; fotografia; memórias (entrevistas e histórias de vida); arquitetura de prédios escolares; objetos escolares (desde tinteiros até cadernos e mobílias existentes no interior de uma escola).

„

„ „

Para saber mais sobre os jesuítas e sua atuação no Brasil, acesse: <http://www.pedagogiaemfoco. pro.br/heb02.htm> e <http:// www.cimi.org.br/?system=news&a ction=read&id=1643&eid=259>.

„ „ „ „ „

Marquês de Pombal é o nome com que ficou conhecido Sebastião José de Carvalho e Melo, político e verdadeiro dirigente de Portugal durante o reinado de José I, como 1º. Ministro. A partir de 1756, realizou um programa político de acordo com os princípios do Iluminismo, porém às suas reformas opuseram-se os jesuítas e a aristocracia. Num atentado contra a vida do rei em 1758, conseguiu implicar os jesuítas, expulsos em 1759. Disponível em <http://www.netsaber.com. br/biografias/ver_biografia. php?c=891>.

Conforme Fonseca, na História da Educação no Brasil, por exemplo, novos temas têm sido considerados, como a História da leitura e dos impressos escolares, “a história da profissão docente, os processos de escolarização, a cultura escolar e as práticas educativas e pedagógicas.” (FONSECA, 2003, p.61) Em alguns casos, antigos temas ou pesquisas, como as idéias pedagógicas e o sistema escolar têm sido revistos. Um exemplo disto são alguns estudos atuais sobre o período colonial que, ao invés de focarem apenas na escolarização formal relacionada à presença dos jesuítas e depois à administração pombalina, levam em conta outros processos educativos. Estes processos educativos, que podemos chamar de não formais, geralmente abarcavam uma população que estava à margem da escola, por condições financeiras ou preconceito.

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História da Educação I

Este tipo de estudo, ao invés de considerar apenas os escolarizados formalmente, permite-nos vislumbrar outras formas educativas relacionadas aos indígenas, mestiços, brancos pobres e aos negros escravos ou livres. Neste caminho, são trazidas à tona informações sobre o aprendizado profissional, a circulação de artistas e artesãos que traziam consigo saberes e técnicas. A pesquisa sobre este período amplia-se, levando em conta as especificidades e as culturas que circulavam naquele momento histórico. Um outro objeto de investigação tem sido ressaltado, referese à própria História da infância. Um dos trabalhos pioneiros e marcantes neste sentido é o do historiador francês Philippe Ariès, “História Social da Criança e da Família”. (1981). Neste trabalho, ele analisa a trajetória da construção da noção moderna de infância. Mostra a criação de um “sentimento de infância”, voltado à proteção e diferenciação em relação ao adulto, o que antes não ocorria. Ele inova não só na temática, como também na escolha das fontes. Ao contrário de outras tendências, utiliza a iconografia (imagens), diários, inscrições de túmulos, etc.

Figura: Livro de Philippe Áries – História Social da Criança e da Família Fonte: www. livrariacultura.com.br

Apesar de algumas críticas, pois o trabalho centrou-se nesta construção a partir das elites, contribuiu para chamar a atenção para o conceito de infância e para a ampliação das fontes e da análise.

Outros livros organizados nesta temática como “História das crianças no Brasil (PRIORE, 1991), “História social da infância no Brasil” (FREITAS, 1997) e “Infância e educação infantil” (Kuhlmann, 1998), nos mostram os mais diferentes objetos e fontes para a História da Educação. Em todos estão presentes diversas visões sobre a infância e os lugares atribuídos às crianças em cada contexto histórico. Como exemplo de trabalho com fontes orais, mais especificamente com histórias de vida de professoras aposentadas, temos o trabalho organizado por Maria Teresa de Assunção Freitas, “Memórias de professoras: história e histórias” (2000). Neste projeto, as histórias de vida foram cruzadas com uma

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história maior, trazendo elementos para a compreensão da História da Educação local (Juiz de Fora) e nacional. Assim, os objetos de análise relacionam-se à formação de professores, à prática pedagógica, à leitura e à escrita, às bibliotecas e às políticas públicas e à própria vida cultural da cidade. Os objetos foram definidos a partir de suas falas e recordações. Um outro componente que tem sido transformado em objeto de investigação são os manuais didáticos. Ao invés de serem utilizados só como fonte para a compreensão de outras questões, como os processos de escolarização, a construção de culturas escolares, a história de uma disciplina, têm sido analisado em seu processo de produção, sua circulação, seu uso e também nas apropriações que os diferentes grupos sociais faziam deles. Para estudar a escolarização no século XIX no Brasil, por exemplo, quando utilizávamos somente as fontes tradicionais, como a legislação da época, tudo nos levava a crer que havia uma ausência do Estado, através da falta de políticas públicas para a educação e infância. No entanto, quando levamos em conta outras fontes, como cadernos escolares, mapas de matrícula, relatórios de profissionais envolvidos nesta organização escolar, percebemos que havia uma tentativa de viabilizar um sistema público de ensino, ao menos para a população livre.
Você deve ter percebido, até agora, que estes novos olhares sobre a História da Educação, relacionados à renovação da historiografia, mas também à aproximação com outras áreas, como a Antropologia e a Sociologia (só para citar duas áreas) têm contribuído com novas fontes e objetos de estudo, até então desconsiderados. Por isso, podemos visualizar a educação num contexto mais amplo, também relacionada a temas que, anteriormente, não apareciam.

É nesta perspectiva que estaremos conduzindo as demais unidades deste livro. Agora, para praticar os conhecimentos conquistados nesta unidade, realize, a seguir, as atividades propostas.

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como forma de garantir a cientificidade. a seguir. b) ( ) No Brasil. acompanhe as respostas e comentários a respeito.História da Educação I Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e. 2) Construa um quadro síntese com as informações da Seção 2: TENDÊNCIAS PRINCIPAIS REPRESENTANTES IDÉIAS CENTRAIS Unidade 1 37 . realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas. Para melhor aproveitamento do seu estudo. até muito recentemente. a História da Educação foi transformada em disciplina nos cursos de formação de professores e de pedagogos a partir de 1930. 1) Referente ao conhecimento de História da Educação é correto afirmar: a) ( ) O conhecimento produzido a partir de fontes oficiais era visto. c) ( ) A fotografia e as obras de arte nunca foram consideradas fontes historiográficas.

cartilhas. acerca da sua vida escolar. desenhos e outras imagens relacionadas à sua vida escolar ou à da sua família. „ Realize uma entrevista com alguém que você conheça. que a noção de História sofreu mudanças ao longo do tempo: desde uma concepção baseada 38 . também. com mais idade. „ Localize fontes iconográficas como fotos. você teve contato com termos como educação. „ Anote suas impressões nas linhas a seguir: Síntese Na primeira seção desta unidade. livros didáticos. Podemos dizer. como o processo de formação do ser humano.Você pode perceber que podemos conceituar a Educação. História e História da Educação. dentre inúmeras outras formas. um processo que ocorre no decorrer da sua existência e em diferentes espaços formais e não formais. leis.Universidade do Sul de Santa Catarina 3) Realize a atividade sugerida a seguir na sua cidade e depois socialize com o grupo na ferramenta Exposição no EVA: Visite uma biblioteca ou arquivo público e identifique alguma fonte/documento referente à educação em outras épocas: notícia de jornal.

Unidade 1 39 . leva-se em conta a História dos grupos humanos. Assumida esta imparcialidade na escrita da História. tem-se consolidado. a História da Educação influencia e até mesmo renova os objetos e abordagens nesta área. na Europa. temas e grupos sociais que escapam a esta abordagem. exclui uma série de sujeitos. apesar de ser um campo ainda muito recente de estudos. Assim como no Brasil. dos cursos que formavam professores. Já no Marxismo. notadamente da História Cultural. até uma outra perspectiva. através da conscientização de uma classe oprimida. nas duas últimas décadas. No campo educacional. ou seja. compondo o que se chama de processo histórico. devido à aproximação com as novas tendências da História e de outras áreas do conhecimento. surgiu no final do século XIX. esta tendência da História está expressa em recentes pesquisas na área. No viés da Nova História. cada vez mais como um campo de estudos e pesquisas. cuja disciplina foi gerada no interior das Escolas Normais. O Positivismo ao lançar um olhar de “cima para baixo”. Você também aprendeu que a História da Educação. na qual ela pode ser entendida como uma construção de acordo com o ponto de vista de quem a escreve (o historiador). como uma disciplina dos Cursos Normais. Na seção 2. a um panorama político-institucional no tocante à legislação da política educacional e ao pensamento pedagógico. estando sempre acompanhada de perto pela Filosofia da Educação. a História da Educação estaria associada. Nesta perspectiva. dispostos de maneira linear e cronológica e com apenas alguns indivíduos como promotores da História. em tempos e espaços determinados. devido ao tipo e à forma de trabalho com as fontes/ documentos. a educação pode ser vista como a reprodução da sociedade ou a sua superação. No entanto. você pode notar as principais diferenças entre elas e as contribuições na forma de olhar e escrever a História e a História da Educação.História da Educação I na ênfase aos fatos isolados. ao apontarmos as correntes que influenciaram/ influenciam a História da Educação.

São Paulo: UNESP. na maior parte das vezes. FONSECA. pinturas. você poderá pesquisar os seguintes livros: ARIÉS. Campinas-SP: Autores Associados. Dermeval. BURKE. os processos de escolarização. 2ª. Rio de Janeiro: Guanabara. Também descobriu que. você descobriu que há muitas fontes possíveis de serem utilizadas nas novas pesquisas em História da Educação. Thais Nívia de L. etc. Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade. Fontes. a cultura escolar. História e Historiografia da Educação no Brasil. A Revolução Francesa da historiografia: a Escola dos Annales. a arquitetura escolar. é possível levantar outros objetos de pesquisa. 1991.. História e historiografia da educação. Ed. Dessa forma. 1981. não eram mencionados. a História da Educação constitui-se como um campo vasto de pesquisas. In: LOMBARDI. o conceito de infância. Philippe. SAVIANI. fotos. 2004. Breves considerações sobre Fontes para a História da Educação. Cynthia G. como a História da profissão docente. 2003. incluindo processos educativos e grupos sociais que. 1929-1989. 40 . Maria Isabel Moura (org). a partir destas novas fontes.Universidade do Sul de Santa Catarina Por fim. além dos documentos oficiais e da legislação. entre outros. diários pessoais. como as entrevistas orais. José Claudinei e NASCIMENTO. Peter. A História Social da Criança e da Família. Belo Horizonte: Autêntica. as práticas educativas e pedagógicas. VEIGA.

Seção 4 A educação nas corporações de ofício. que foram atingidos ou excluídos pelas instituições ou associações educativas. Seção 2 A educação das mulheres. Seção 3 A educação dos cavaleiros medievais. Seção 5 A educação nas Universidades. Compreender o significado e a importância de situações pedagógicas não formais. „ „ „ Seções de estudo Seção 1 Idade Média: um breve contexto histórico. Estabelecer critérios de comparação entre as formas educacionais do período medieval e as atuais. .UNIDADE 2 As práticas educativas medievais Objetivos de aprendizagem „ 2 Compreender o contexto histórico das práticas educativas medievais. Identificar os sujeitos e grupos sociais.

também. Muitas vezes. por exemplo. muitas vezes elas estavam juntas. que havia uma definição das classes sociais bastante rígida e hierarquizada. a educação abrange espaços não formais.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo O estudo desta unidade lhe proporcionará conhecer o contexto histórico da chamada Idade Média Ocidental. Assim. É o caso. entre métodos e materiais pedagógicos. na formação de cavaleiros e na constituição das universidades. através de diferentes fontes e objetos como você já viu na primeira unidade . ou melhor. entre diferentes sujeitos e grupos sociais. da educação feminina. nas corporações de ofícios. como no caso das escolas monásticas e das universidades. como é o caso da maioria das mulheres e dos aprendizes nas corporações de ofício. 42 . não é escolarizada. no entanto. no campo educacional. Você conhecerá lugares e sujeitos das práticas educativas. Você perceberá.esperamos que você entre em contato e também construa um conhecimento acerca das práticas educacionais neste período. para situar e compreender as práticas educativas relacionadas a este período.

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SEÇÃO 1 - Idade Média: um breve contexto histórico
Foi no século IV a.C. que a educação se institucionalizou com a fundação das primeiras escolas: Isócrates abriu a sua escola em 393 a.C. e Platão fundou a Academia em 387 a.C. Ao conquistarem o mundo da Antiga Grécia, os romanos “absorveram” o melhor da sua cultura, acrescentando-lhe a disciplina e o respeito pela lei (tipicamente romana). Construíram escolas de influência grega (o ginásio, a escola de cálculo e de gramática) e escolas de direito. A partir dos finais do século II da nossa era, o Império Romano, então cristianizado, entrou em decadência devido a vários fatores (tais como as crises na sucessão imperial, a crise econômica e social e o “perigo bárbaro”). Quando, em 476, a autoridade imperial deixou de existir no Ocidente, os “bárbaros” já se haviam fi xado nas regiões da Europa que antes devastaram. Estes povos eram, na sua maioria, pagãos, mas os seus chefes acabaram por se converter ao catolicismo.
Tendo sido a única que resistiu e sobreviveu às grandes invasões, mantendo a sua organização e servindo de apoio às populações aterradas, a Igreja Católica tornou-se a instituição mais importante da Idade Média.
Figura: Mural de Palau – Calades Barcelona Fonte: www.odesenho. no.sapo.pt

Os romanos chamavam de bárbaros todos os povos que não possuíam a mesma língua, os mesmos costumes e organização política, social e econômica que eles. Estas diferenças podem ser observadas no filme “Asterix e Obelix contra César”.

Certamente você já ouviu falar no termo Idade Média, e deve lembrar de ter estudado na escola, nas aulas de História, ou talvez por cenas de filmes, com cavaleiros, castelos e donzelas na torre. Além disso, você pode ter lido sobre a influência e os desmandos da Igreja Católica neste período,

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Independente da sua fonte de informação, você é convidado a registrar no espaço, a seguir, suas impressões sobre o período histórico em questão. Esse é o momento para fazer uma pausa e refletir sobre o assunto!

Considera-se o eurocentrismo como uma visão de mundo que tende a colocar a Europa (assim como sua cultura, seu povo, suas línguas, etc.) como o elemento fundamental na constituição da sociedade moderna, sendo necessariamente a protagonista da história do homem. <http://pt.wikipedia.org/wiki/ Eurocentrismo>

Você deve ter percebido que muitas das referências que registrou acima dizem respeito à história européia, não abarcam o Brasil, por exemplo, ou outros lugares do mundo. Pois bem, esta expressão “Idade Média” é bastante eurocêntrica e leva em conta uma periodização política, conforme a história positivista, que é uma das formas de escrever a história, como você viu na Unidade 1 desta disciplina. Dentro desta concepção de História, os marcos cronológicos do período conhecido como Idade Média, são os seguintes:
„

Início: 476 d.C. - Queda do Império Romano do Ocidente, com sede em Roma. Final: 1453 d.C. – Queda do Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla, tomada pelos turcos.

„

Ainda dentro desta classificação, há mais duas divisões, que muitas vezes são utilizadas: a Alta Idade Média, que compreenderia a formação dos povos germânicos até a estruturação do Feudalismo e a Baixa Idade Média, comumente descrita a partir do movimento das cruzadas, caracterizadas pelo ressurgimento e expansão das cidades e do comércio. – Gostaríamos de deixar claro que este recorte cronológico de “mil anos”, bem como o espaço geográfico (Europa) será levado em conta nesta unidade, devido às pesquisas e ao material bibliográfico
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História da Educação I

para os estudos em Educação. No entanto, não nos ateremos a uma seqüência cronológica para abordarmos as demais seções desta unidade e sim, às práticas educativas associadas a temas, como a educação monástica, nas corporações de ofícios, a educação das mulheres, dos cavaleiros medievais e a formação das universidades. Dito isto, vamos compreender melhor o panorama histórico deste período. Tomando o Século V como ponto de partida e a Europa como espaço geográfico, identificamos a crise do sistema escravista como um dos principais fatores da fragilidade econômica e social em que se encontrava o Império Romano do Ocidente naquele momento:
A divisão do Império em duas partes no final do século IV também contribuiu para esse processo: O Império Romano do Oriente, com capital em Constantinpla ainda conseguiu manter uma atividade comercial com outras regiões do Oriente, enquanto que o Império Romano do Ocidente, com capital em Milão, vivenciou o aprofundamento constante da crise. (disponível em http://www.historianet.com.br/conteudo/default. aspx?codigo=144)

Algumas medidas administrativas foram empreendidas, como o estabelecimento das Villae, no entanto, estas unidades eram voltadas à autosuficência, o que contribuiu ainda mais para a fragmentação do território do Império e para a ruralização. Devido a estes fatores, entre outros, a presença dos “povos bárbaros” constante nas fronteiras do Império Ocidental, acentuou-se, constituindo-se num movimento migratório de invasão, até o coração do Império. Dentre os “invasores bárbaros”, destacamos os povos germânicos (vândalos, ostrogodos, visigodos, anglo-saxões e francos), devido à formação de reinos - dentro do que era a área do Império Romano - e da própria organização econômica e social, que transplantaram para as áreas ocupadas, mesclando com outros costumes vigentes. Dentre estes povos, ressaltamos os francos, por sua importância na formação do Feudalismo e na aliança com a Igreja Católica, como você verá a seguir.

Villae eram grandes residências senhoriais que possuíam termas para os banhos, habitações para os trabalhadores (com os seus próprios banhos), e todos os edifícios essenciais ao funcionamento da exploração (lagares, olarias, tecelagens, forjas, estábulos, e mesmo templos). O ideal deste tipo de exploração era a auto-suficiência. <http://www.geocities. com/alex221166/h_a_ 10_por.html>

Unidade 2

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Universidade do Sul de Santa Catarina Quem eram os francos? A palavra franco significava “livre” na língua franca.br O feudalismo foi um modo de produção baseado nas relações servo-contratuais (servis) de produção. por volta do século V d. às doenças e à insegurança existentes logo após o fim do Império Romano. Os francos formavam uma das várias tribos germânicas que adentraram o espaço do império romano. várias regiões da Europa passaram a apresentar baixa densidade populacional e baixo desenvolvimento urbano. deste modo. de um dos reis da Dinastia Merovíngia. a aliança com a Igreja Católica.C. o rei franco Carlos Magno (séc.culturabrasil. e concebiam o reino como uma grande extensão de uma propriedade privada. A conversão ao Cristianismo. Consolidando-se. Com a decadência e a destruição do Império Romano do Ocidente. pelas doações de terra. entra-se na chamada Idade Média. mas o sistema feudal somente passa a vigorar em 46 . (de 401 a 500). A partir do século V d. X). principalmente. O fortalecimento da relação entre a Igreja e o Reino caracterizou-se. Tem suas origens na desintegração da escravidão romana. O reino franco passou por várias partilhas e repartições. O que é feudalismo? Figura: Fases do Feudalismo Fonte: www. Era um grupo oriundo do oeste da Europa.C. Isso ocorria devido às mortes provocadas pelas guerras. Durante a Dinastia Carolíngea. é coroado pelo papa e defende o território europeu do avanço dos muçulmanos árabes (“os inféis”). facilita a consolidação do Reino Franco e a ascenção da Igreja Católica. como conseqüência das inúmeras invasões dos povos bárbaros e das más políticas econômicas dos imperadores. conversões e proteção. já no século V.pro. já que os francos dividiam suas propriedades entre os filhos sobreviventes. que ocupou a região da Gália (aproximadamente a atual França)..

Já na Idade Média. foi impossível unirem-se entre si e entre os descendentes de nobres romanos. Todo sistema de tributos era organizado em função do uso da terra pelos servos. principalmente na Europa Ocidental. os que concediam a terra eram chamados de suseranos.História da Educação I alguns países da Europa Ocidental a partir do século IX d. mas também Figura: Castelo de Dromoland. No entanto. Em suma. Surge uma classe social caracterizada como a nobreza feudal. e quem recebia era chamado de vassalo. Além de tudo. detentora de terras – a terra representa a riqueza – cuja manutenção consistia na concessão de terras a outros senhores. Fonte: <http://www. Assim. asp?id=167> Unidade 2 47 . muitas vezes em troca de proteção. aproximadamente. foi da “mistura” de instituições romanas e instituições “bárbaras” que surgiu o Feudalismo.C. com. Para seus senhores. era uma forma de apresentar aos demais nobres. ao clero e aos visitantes de regiões distantes toda a sua riqueza e influência. Os castelos eram fortalezas que serviam como quartel-general para cavaleiros antes de seus ataques aos inimigos. com a decadência do Império Romano e as invasões bárbaras. Além disso.. O esfacelamento do Império Romano do Ocidente e as invasões bárbaras em diversas regiões da Europa favoreceram sensivelmente as mudanças econômicas e sociais que vão sendo introduzidas. planetaeducacao. Em grandes propriedades de terra os senhores feudais estabeleciam-se em locais estratégicos. com vários povos dominando a Europa Medieval. eram as moradias dos nobres e os locais onde essas poderosas famílias se alimentavam. na Grãbretanha. se divertiam e recebiam seus convidados. cobrança de impostos e justiça. representavam. construído no século XVI . e que alteram completamente o sistema de propriedade e de produção característicos da Antigüidade. para os moradores das vilas ou feudos. um centro de decisões políticas. que eram donos de pequenos agrupamentos de terra. os nobres romanos começaram a se afastar das cidades levando consigo camponeses (com medo de serem saqueados ou escravizados).br/new/colunas2.

mas não estavam presos à terra. em alguns dias por semana. E o papel da Igreja Católica? A igreja cristã primitiva na região do Mediterrâneo foi organizada sob cinco patriarcas: os bispos de Jerusalém. historiadomundo. clero e servos. (disponível em: http://www. do celeiro. carpintaria pertencente ao senhorio feudal. Constantinopla tornava-se a residência do Imperador e do Senado. a sua influência diminuiu. Constantinopla e Roma. do uso das ferramentas e dos locais como os moinhos. Era uma sociedade dividida em grupos com pouca mobilidade entre eles. O Bispo de Roma era tido pelos outros Patriarcas como “o primeiro entre iguais”. as banalidades. A base do sistema feudal eram estas relações servis de produção. A corvéia consistia no trabalho nas terras do senhor (manso senhorial). historiadomundo. Antioquia. eram obrigados a permanecer nela. havia também os vilões. do moinho. No livro de Paulo Miceli. militar e jurídico. como por exemplo.Universidade do Sul de Santa Catarina Pela talha. muitas vezes se estabeleciam. Concílios disputados. no tocante à religião como disputas doutrinárias. embora o seu estatuto e influência tenham crescido quando Roma era a capital do império. Os pagamentos que os servos faziam aos senhores pelo uso do forno.com.br/idademedia/feudalismo). Entretanto. Composta fundamentalmente pelos nobres. o servo devia uma parte da sua produção ao senhor feudal. Nas camadas pobres. pois não podiam ser vendidos. O fator que mais contribuiu para o declínio do sistema feudal foi o ressurgimento das cidades e do comércio. podendo sair dela quando o desejassem. entre outras. a corvéia e as banalidades. quando a capital se mudou para Constantinopla. “O Feudalismo”. Alexandria. No entanto. chamavam-se banalidades. Não eram escravos. Os servos não tinham a propriedade da terra. serrarias. em busca de melhores condições de vida. Muitos camponeses passaram a comercializar produtos nas feiras e cidades. a evolução de ritos separados 48 . Os servos deviam várias obrigações como a talha. nas quais. observamos que a nobreza e o clero compunham a camada dominante dos senhores feudais. aqueles que tinham a posse legal da terra e do servo e que dominavam o poder político. Uma série de dificuldades entre as partes divididas do Império (ocidente e oriente).br/idademedia/feudalismo) Os vilões eram homens livres que viviam no feudo. com as disputas doutrinárias ou procedimentais a serem freqüentemente remetidos a Roma para obter uma opinião. ou seja. (disponível em: http://www. deviam algumas obrigações aos senhores.com.

acesse: http:// enciclopedia. hystoria. até então. a Igreja adquiriu o controle da educação. asp?title=Grande_ Cisma_do_Oriente Essas questões afetaram o sistema de educação. a criança era colocada em contato com os textos sagrados. Egipto. Durante a Idade Média. pois promoveu a fundação de outras igrejas ocorreu no século XVI com a Reforma Protestante.com/ enciclopedia/enciclopedia. Acesse o site http://www.ig. Atuando em todos os níveis da sociedade. Síria. abusos financeiros e despreparo do clero. teve início a Reforma Protestante. a Igreja enfrentou movimentos contestadores de sua doutrina. A Igreja dividiu-se entre a Igreja Católica Apostólica Romana no Ocidente e a Igreja Ortodoxa Oriental no Leste (Grécia. mantidas pelos bispos. br/reform. França e Inglaterra com seguidores entre todas as camadas da sociedade européia. orientou comportamentos e soube imprimir nos homens e mulheres deste período uma cultura religiosa. estas passam a depender dos banqueiros e dos mercadores. Suíça. O período medieval caracterizou-se pela predominância da Igreja como a maior instituição feudal do Ocidente europeu. cuja referência está na atividade de autoavaliação 1. Por volta dos séculos X e XI. tendo o clero como a elite intelectual e suas escolas como as únicas instituições culturais atuantes. Com o ressurgimento do comércio e o crescimento das cidades.). desde muito cedo.e talvez a mais significativa.com. a não ser as escolas episcopais. Rússia e muitas das terras eslavas.html ou assista ao filme Lutero. Anatólia. assiste-se às transformações econômicas e políticas associadas ao renascimento comercial e urbano. estabeleceu normas. a educação era privilégio dos clérigos 49 Unidade 2 . Se. movimento religioso liderado pelo monge alemão Martinho Lutero que rompeu a unidade da Igreja Católica na Europa. exercendo hegemonia ideológica e cultural na época.hpg. Várias Igrejas reformadas surgiram na Alemanha. Dessa forma. No início do século XVI. Para saber mais sobre o Grande Cisma. etc. A grande divisão seguinte da Igreja Católica . durante a qual se formaram muitas outras religiões no Ocidente. Durante muito tempo não houve nenhuma instituição educacional.História da Educação I e se a posição do Papa de Roma era ou não de real autoridade ou apenas de respeito.tiosam. levaram à divisão em 1054. O propósito da maioria das escolas era formar monges e clérigos e. A esta divisão chama-se o Grande Cisma.

50 . Ainda que a Igreja continuasse direcionando e conduzindo a vida social e religiosa. assim como os homens destes grupos.Universidade do Sul de Santa Catarina e se restringia à formação religiosa. o interior das igrejas com suas pinturas sacras e vitrais. nos mosteiros. A catequização por meio de livros ilustrados. as vilas se transformam em cidades livres. antes. esclarecer de que mulheres estamos falando. além de filosofia e teologia. Ali aprendiam a ler e escrever e estudavam línguas como o latim e o grego. quando do surgimento das escolas seculares. não religiosas. As moças das classes mais abastadas poderiam receber aulas domiciliares. as aulas centravamse em conteúdos de religião. a Igreja exerce um forte papel pedagógico ao formar cristãos. música e artes. Apenas na formação das mulheres religiosas. Os burgueses (habitantes das cidades) queriam uma escola voltada a seus reais interesses e dificuldades. as inúmeras festas de santos do calendário anual. Neste sentido. observavam-se diferentes segmentos sociais. são algumas das constatações que permitem identificar uma educação informal direcionada para os homens e mulheres destas classes. libertando-se pouco a pouco dos domínios religiosos. as cidades passaram a ter importância como centros irradiadores dos novos valores culturais. a partir dos seis anos de idade. exigia uma formação. SEÇÃO 2 – A educação das mulheres Para falarmos de educação feminina. O conhecimento passou a ser indispensável à realização de seus negócios. Além dos trabalhos manuais. mais ao final deste período. contribuindo para uma vida menos subordinada aos “desígnios divinos’. a utilização da poesia e da música (canções populares) cujo enfoque é os temas religiosos. As escolas seculares significavam escolas do mundo. Quanto às mulheres da burguesia. Aos poucos. o crescimento das cidades. A mulher das classes populares não tinha acesso à educação formal. precisamos. ascendem à educação escolar.

a humildade. Nesta fase. artesãos e trabalhadores.. porém os discursos também eram dirigidos às mulheres. (Quotidiano da Mulher no Final da Idade Média. no campo das letras. com.aprendeu o latim e a filosofia. História das Mulheres: A Idade Média.que era astrônomo na corte de Carlos V . segundo os ensinamentos morais da Igreja.356. no qual procura mostrar a situação da mulher no final da Idade Média.História da Educação I As opiniões acerca da educação feminina dividiam-se. “conteúdos” que não faziam parte da educação de uma mulher. George e PERROT. que Unidade 2 Para saber mais sobre a vida e obra desta escritora.com. foi somente no final da Idade Média que as mulheres tiveram acesso aos manuscritos e às universidades. o silêncio. Um bom casamento era a comunhão entre o homem e a mulher mas.br 51 . historiaehistoria. A escritora procurou concentrar a sua atenção em mulheres de diversos níveis sociais. a escritora francoitaliana Cristine de Pisan. destacou-se. historiaehistoria. Nasceu em Veneza. Desta forma. In: DUBY. os discursos eram enunciados por vozes masculinas como os pais. Casou-se aos quinze anos de idade (algo comum para a época). em um universo masculino. de nobres.) É nesta relação entre Igreja. mulheres que viviam ao lado de reis. ou seja.br/materia. e com o pai . Isso representou uma grande conquista apesar dos estudos de cunho oficial continuarem a ser monopólio masculino. Exaltavam a castidade. A obra que nos chama a atenção é um manual de educação moral.2. pois. Chamamos atenção para esta escritora. ela escreveu vários livros e manuscritos sobre e para as mulheres. De acordo com Opitz: A doutrina do casamento por consenso defendida pela Igreja não podia opor-se às relações de poder vigentes na sociedade-e no fundo também não o queria: a relação entre marido e mulher não podia doravante ser de amizade e pressupor a igualdade de direitos (. na lógica da obediência e do controle social. de mercadores. tornou-se viúva aos 25 anos de idade e responsável pelo sustento da família com a escrita. o trabalho entre outros temas. Estavam fortemente vinculados ao casamento e às relações familiares. Fonte: http://www. clérigos e mestres. Via de regra. Michelle.). consulte <http://www. Direito e família que a “educação” feminina vai se configurando. em 1364.. ele só era realmente bom quando o homem ‘governava’ e a mulher obedecia incondicionalmente. v. p. cfm?tb=alunos&id=35> Figura: Christine de Pisan. chamado de “O Espelho de Cristina”.

com. a partir destas prescrições. „ ter cuidado com as suas rendas e despesas e saber a soma de suas rendas e possessões. „ <disponível em http://www.ig. „ mostrar-se séria e contida em público. o valor de suas contas e o andamento de tudo na sua casa. Para as mulheres do povo também são direcionados conselhos semelhantes aos da nobreza. caçadas.historiahistoria.br/materia. 1314. „ toda princesa e toda mulher deve ser cobiçosa de buscar honra e bom nome mais do que qualquer outro tesouro por que a faz reluzir em boa nomeada. „ temperada em tudo: no comer. „ dar esmolas e ser caridosa e sem cobiça. 52 . vestir e falar. danças.Universidade do Sul de Santa Catarina trabalhavam dentro e fora do espaço da casa.com. pois fazem parte do seu estado. Fonte: http://www. Veja. pois deviam se preocupar com a sua educação e com as suas posses. que elas eram participantes ativas na criação dos filhos e na administração do reino e de suas terras. „ manter distância de jogos. mas também pode vislumbrar. cultas ou iletradas. „ não contrair dívidas maiores do que pode pagar. „ deve usar roupas e toucados ricos. reafirmando que a mulher deve conhecer os seus direitos para que não a enganem. cfm?tb=alunos&id=34> Figura: Execução na fogueira por ordem do tribunal da inquisição.br/ nova_pagina_156. „ nunca se mostrar áspera nem má para suas mulheres e servidores.hpg. falando pouco e mantendo o olhar honesto e baixo. saberhistoria.htm Você pode perceber que os conselhos estão atrelados ao seu papel de submissão ao marido e aos costumes da época. alguns atributos que a escritora considerou como importantes para as mulheres da nobreza ser devota a Deus. „ rir baixo e não sem motivo. como a prudência no agir e no gastar os bens do seu marido. Inglaterra. ricas ou pobres. a seguir. „ visitar os doentes para lhes dar nova esperança. a qual fica para sempre a seus filhos.

Como já vimos. Podemos observar. SEÇÃO 3: A educação dos cavaleiros medievais A formação das cavalarias medievais dizia respeito às classes nobres. Paralelamente a este aprendizado. A cavalaria tem suas origens em grupos armados. A trajetória educacional na formação de um cavaleiro iniciava-se aos sete anos de idade. a partir do século X. com códigos de honra relacionados à fidelidade e ao exercício da guerra. a Cavalaria institucionaliza-se e. define suas condutas e ideais. Para obter a confissão. o religioso da Inquisição contava sempre com o apoio de outros clérigos preparados para a função e utilizava instrumentos que causavam dor. Unidade 2 53 . Assim. medo e grande sofrimento. pois havia conhecimento feminino e um aprendizado a ser compartilhado. que. por meio da sua cristianização. Os processos de bruxaria incluíam homens e mulheres. aprender montaria e participar de torneios e combates. esses interrogatórios se encerravam em função da morte do inquirido. é importante ressaltar que os Tribunais do Santo Ofício da Inquisição tiveram um papel fundamental ao promover o afastamento das mulheres das universidades e a proibição de exercerem saberes populares específicos ou práticas referentes à medicina . em relação à educação feminina. com reconhecido poder pela Igreja Católica. esta também se revestia de um caráter não formal. como a maneira de vestir. a administração do seu lar e do seu trabalho.História da Educação I As especificidades da sua condição social são tratadas em outros capítulos. Em muitos casos. Neste momento.como a realização de partos. quando era enviado a outro castelo para servir de pajem. a Igreja possuía forte influência no ordenamento desta sociedade. porém as mulheres representavam a maioria dos réus e sentenciados dos processos inquisitoriais. Acompanhe no filme O nome da Rosa a atuação do inquisidor dominicano Bernardo Gui. que passam a compor exércitos de defesa. então. tomando como base os valores morais da Igreja. abortos e processos curativos em geral através da utilização de plantas.

a vigília de oração. que. Como você viu. foram incorporados outros ritos.br/ nova_pagina_142.br/ceg2005/webceg/ tc20000116. acessar http:// www2. por sua vez.htm iniciava-se a educação das boas maneiras. os muçulmanos conquistaram a cidade sagrada de Jerusalém. uma educação cortês. os cavaleiros desenvolviam as habilidades relacionadas às lutas e às guerras. o banho purificador. mais especificamente na obra Tristão e Isolda. ele inicia-se no exercício das armas.com. do amor personificado na mulher idealizada. Assim. saberhistoria. A formação estava completa mais ou menos aos vinte anos de idade com uma cerimônia que culminava com a entrega das armas e a sua sagração como cavaleiro.htm 54 .ig. como um “iniciado”.suapesquisa.Universidade do Sul de Santa Catarina Sobre o amor cortês na literatura da época. Você sabia? No século XI. preparando-se para as guerras. saqueavam cidades árabes e vendiam produtos nas estradas. Com o objetivo de expulsar os “infiéis” (árabes) da Terra Santa. viravam canções de grande disseminação e apelo popular.hpg. Após as Cruzadas. Os significados e os valores da Cavalaria podem ser encontrados nas fontes literárias da época. do código de honra. ou seja. Fonte: http://www. Com o passar do tempo. até o juramento em público. também possuíam caráter econômico. Ao retornarem para a Europa. Tornava-se cavaleiro participante de uma sociedade que comungava os ideais cristãos.com/ idademedia/ Figura: Um cruzado ajoelhado em prece. das caçadas. contribuíram para o renascimento urbano e comercial a partir do século XIII. O seu mestre é um cavaleiro a quem deve servir.ufpa. Disponível em: http://www. Talvez os feitos mais conhecidos que envolveram os cavaleiros medievais e suas ordens foram as Cruzadas. o papa Urbano II convocou a Primeira Cruzada (1096). Assim. como as vestes brancas e vermelhas (passagem). Ao mesmo tempo em que eram marcadas por diferenças religiosas. dos torneios. nas chamadas feiras e rotas de comércio. aliadas a uma formação religiosa e cortês. o Mar Mediterrâneo foi aberto para os contatos comerciais. Batalhas entre católicos e muçulmanos duraram cerca de dois séculos. Uma outra etapa educativa inicia-se quando o aprendiz é alçado à condição de escudeiro.

contra a injustiça e contra o mal. Pelo menos em teoria. X – Serás o defensor do direito e do bem.html) Você pode identificar a observância a um código de conduta e de honra. pode ser sintetizada nos mandamentos a seguir: I . VII – Cumprirás com teus deveres feudais. bem como ao combate aos não-cristãos. estas eram as diretrizes “pedagógicas” na formação desta classe. Unidade 2 55 . (Extraído de : http://marged.br/medieval_knights.Acreditarás em tudo o que a Igreja ensina e observarás todos os seus mandamentos. IV – Amarás o país onde nasceste. foram fundadas várias ordens cavalheirescas destinadas a combater os “infiéis” (muçulmanos). associada aos princípios cristãos. se estes não forem contrários à lei de Deus. IX – Serás liberal e generoso com todos.História da Educação I A partir dos movimentos conhecidos como Cruzadas.uol. VIII – Nunca mentirás e serás fiel à palavra empenhada.vilabol.com. a proteção e defesa da Igreja e aos seus princípios cristãos e institucionais. II – Protegerás a Igreja. Esta formação do cavaleiro. com reflexos diretos no renascimento comercial e urbano europeu. III – Defenderás todos os fracos. VI – Farás guerra aos infiéis até exterminá-los. V – Jamais retrocederás ante o inimigo.

Observam-se. margem de lucro. Os profissionais dedicados às atividades artesanais nas cidades medievais. O aprendizado constitui-se no aprendizado técnico.br/ nova_pagina_144.htm 56 . Veja dois artigos do estatuto dos “curtidores de couro branco”. denominadas corporações de ofício. 65). [6] Ninguém que não tenha sido aprendiz e não tenha concluído seu termo de aprendizado do dito ofício.ig. o preço do produto. (BLAND. com também na vivência da corporação.com. qualidade. chamadas hansas. organizavam-se em associações. diferentemente do que já vimos sobre as condições servis nos feudos. As corporações de ofício foram associações que surgiram a partir do século XII para regulamentar o processo produtivo artesanal nas cidades. até que tenha feito as reparações perante o Alcaide e os Intendentes. aprendizado e hierarquia de trabalho. cujo objetivo era defender os interesses de mercadores de um grupo de cidades. o processo de fabricação. Agregavam pessoas que exerciam o mesmo ofício e eram responsáveis por determinar preço. tanto das habilidades técnicas quanto das classes e Figura: Oficina de alfaiate Fonte: http://www. no respeito aos estatutos e às regras. do século XIV: [4] E se qualquer aprendiz se comportar impropriamente para com seu mestre. BROWN E TAWNEY apud HUBERMAN. assim como a legitimidade da formação profissional a partir. entre outras coisas. poderá exercer o mesmo. do aprendizado na corporação. Existiam também corporações intermunicipais. e agir de forma rebelde para com ele.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 4: A educação nas corporações de ofício A educação das classes menos abastadas era fundamentalmente constituída pelo trabalho. que se estendiam ao comportamento social e individual. cuja educação era pautada na reprodução. obrigatoriamente. anteriormente.hpg. As corporações disseminaram-se em toda a Europa. quantidade da produção. que detinham as técnicas de trabalho de tal atividade. elas determinavam a matéria-prima a ser utilizada. 1985. ninguém do dito ofício lhe dará trabalho. Para se ter uma idéia do poder destas associações. desempenhando um papel educativo importante junto aos habitantes das cidades. saberhistoria. p. como também o horário de trabalho. as condições necessárias à aprendizagem. as regras disciplinares à sua condição de aprendiz. configurando-se também como espaços educativos de formação profissional.

SEÇÃO 5: A educação nas Universidades Os alunos mais capazes. os aprendizes ficavam na casa do mestre. mas não somente. como Pedro Abelardo. Em que condições dava-se este aprendizado? Durante todo o aprendizado.História da Educação I relações sociais. famoso por sua oratória e por promover a aliança entre fé e razão. não sacerdote. Envolveu-se com Heloísa. voltadas para a formação do clero. assista ao filme Em nome de Deus. precisava ter algum capital e mostrar habilidade em seu ofício. ele pagava uma taxa. obtendo o título de mestre e a licença para abrir o seu negócio. através de um exame prático na sua corporação. através das missas. se quisesse ser dono de uma oficina. Sobre esta história de amor. tendo como pano de fundo a educação medieval. determinado pelo mestre. para tornarem-se oficiais ou companheiros. renovando os estudos da Sagrada Escritura. Unidade 2 57 . sofrendo várias perseguições e punições. A maioria das universidades surgiu de escolas monásticas. O passo seguinte. Os alunos viviam em regime de internato. recebendo gratuitamente a estadia e a alimentação. Eram as universitas. Os mestres possuíam suas especialidades e os alunos recorriam a eles de acordo com seus interesses intelectuais. era a submissão a um exame. originadas a partir dos saberes oferecidos pelas corporações de ofício intelectual. do ponto de vista dos seus mestres. Pedro Abelardo (10791142) era mestre livre. Muitos destes mestres eram clérigos nãoordenados. Mediante aprovação. sendo educados tanto em conhecimento quanto em valores morais. estes centros de saber firmavam sua autonomia através da formação de associações corporativas de mestres. associada a uma pedagogia religiosa. podendo empregar-se por conta própria. incluindo a sua castração. Por fim. No entanto. sobrinha do Cônego Fulbert. dos ritos e das festas. dirigiam-se às universidades.

org. Institucionalizadas pelo papado. ficando as universidades com a formação profissional mais especializada. permanencia. acesse http://www. Estas instituições possuíam características eclesiásticas. Tal método tem fundamento nas idéias de Aristóteles. ensinava-se dialética. debatendo proposições controversas.br/revista/historia/luz2. a princípio. Gramática latina. Salamanca (Espanha). Destacam-se as mais antigas como a de Paris (França)..abril. no reino da Sicília (hoje parte da Itália).com. gramática. o caráter de associação é reconhecido por estudantes e mestres. tiveram seu controle disputado pela Igreja. Todos os alunos são chamados de clérigos. Além de Teologia. Em 1215.) os professores pertencem todos à Igreja. assim como seus professores. Tomás de Aquino nasceu em 1224 ou 1225 num castelo perto da cidade de Aquino. Música. música e disciplinas relacionadas às ciências e Filosofia. A partir do século XV. Para saber mais sobre São Tomás de Aquino e sua importância para a filosofia medieval.. Astronomia (Quadrivium). no Papado de Inocêncio III. os colégios vão assumindo o ensino das artes liberais.htm) As chamadas artes liberais compreendiam Retórica. (Disponível em http://www. Oxford e Cambridge 58 . mesmo quando não se destinam ao sacerdócio e alguns recebem a tonsura. Os alunos vinham de vários lugares. Dialética (Trivium) e Geometria. com. Muitos historiadores consideram a bula Parens Scientiarum lançada pelo Papa Gregório IX.shtml Os métodos de ensino baseavam-se na Escolástica.br/edicoes/0183/aberto/mt_ 74923. como as universidades pelo Papa. no entanto. em meio a esta diversidade. em cujos procedimentos os estudantes exercitavam a dialética. geometria. mas. entre outras. para os que queriam seguir o sacerdócio ou Medicina e Direito. Franciscanos e Dominicanos. todos deveriam falar uma língua comum: o latim. e as duas grandes Ordens religiosas que a iluminam no século XIII. estas regidas pelos bispos. Aritmética. tornando-se São Tomás de Aquino um de seus principais seguidores e cujos estudos associaram fé e razão. como nos coloca Régine Pernoud: (. em 1231. conheceram aí grandes glórias. com um São Boaventura e um São Tomás de Aquino. mundodosfilosofos. a de Bolonha (Itália).Universidade do Sul de Santa Catarina Como tornaram-se associações de grande importância. Estas instituições disseminaram-se na Europa Ocidental. o qual facilitava a comunicação e o acesso ao conhecimento. as chamadas artes liberais funcionavam como um estudo preparatório para cursos mais especializados como Teologia. ligavam-se às escolas monásticas e episcopais.br/aquino. htm e http://revistaescola. A organização curricular foi sofrendo mudanças ao longo do tempo. como o documento de fundação da Universidade medieval.

Em cartas endereçadas à família. Unidade 2 59 . Eram responsáveis.hpg. por sua vez. seguiam mestres de renome ou disciplinas oferecidas somente em outras cidades. pela movimentação nas estradas medievais. que. Os estudantes partiam para as universidades escolhidas. Numa entrevista. Maria Lúcia Hilsdorf. por exemplo. o mundo letrado era um mundo itinerante.” E como seria o ambiente universitário nesta época? Segundo Pernoud. Os mais novos poderiam passar da Faculdade de Artes para as formações específicas (Direito. às provas.História da Educação I (Inglaterra). Teologia) aos 15 anos e alcançarem a titulação de mestre e a licença com 20 anos. Figura: A educação na Idade Média estava diretamente ligada aos estudos junto às igrejas. a professora da USP e pesquisadora. mestres e alunos debatiam os temas.com. Como funcionava a organização didático-pedagógica? Geralmente. as preocupações relacionavam-se aos estudos. Estes locais de saber movimentavam as cidades.ig. Havia alunos a partir de 12 anos no mesmo espaço que alunos mais velhos. à necessidade de dinheiro e de comida. consequentemente. saberhistoria.htm) Percebeu alguma semelhança com a realidade atual? Os estudantes com poucos recursos pediam isenção das taxas de matrícula nas universidades e trabalhavam para manter os estudos. Fonte: http://www. a partir da lição (sempre em latim). as aulas eram expositivas e. Não havia séries e classes e todos estudavam nas classes de mestres até que pudessem obter a titulação. muitas vezes como copista ou encadernador de livros. mantinham o interesse pelas atividades docentes. afirma: “a atuação deles atraía estudantes e. intensificava as atividades sociais e econômicas da cidade nascente. juntamente com os comerciantes e os peregrinos religiosos. Medicina. br/nova_pagina_161.

do séc.org/wiki/ Universidade_de_Oxford Figura: Universidade de Paris. para praticar os conhecimentos adquiridos nesta unidade. Fonte: http://pt. sua ausência de graduação sistemática e de exames metódicos.. do séc. (1994. sua mistura de idades. no século XVI. XII.wikipedia. a seguir. pp. (. 60-61). as atividades propostas. o ensino universitário da Idade Média guarda poucas semelhanças com o colégio que se seguirá.Universidade do Sul de Santa Catarina Como diz André Petitat: Com sua pedagogia oral. 60 . Fonte: http://pt. XI. Figura: Universidade de Oxford.wikipedia.org/wiki/ Universidade_de_Paris Agora.) Estamos assistindo ao nascer de uma nova pedagogia e de uma nova instituição. seus cursos esparsos. realize.. A seguir veja as imagens de duas universidades criadas durante o período medieval.

O feitiço de Áquila (EUA. „ Em nome de Deus (Iugoslávia/Grã-Bretanha. Dir. 1985... Direção: Antoine Fuqua). realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas. „ O nome da rosa (ALE/FRA/ITA.: Mário Monicelli). 2005. 1988.: Jean Jacques Annaud). 144 minutos Dir..História da Educação I Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e acompanhe as respostas e comentários no final do livro didático. 90 min.: Ridley Scott). „ Cruzada (EUA. Para melhor aproveitamento do seu estudo.: Richard Donner). 117 min. 1) Escolha um dos filmes sugeridos registre os aspectos relacionados ao tema da Unidade e comente com seus colegas na ferramenta Exposição... 1965.: Clive Donner). „ Unidade 2 61 . 144 min. 115 min. Dir. „ O incrível exército de Brancaleone (ITA. Dir. 1986. 130 min. Dir. „ Rei Arthur (EUA. 2004.

qual lhe chamou mais a atenção? a) Indique características deste grupo ou classe. 62 .Universidade do Sul de Santa Catarina 2) Em relação às práticas educativas das classes e grupos sociais que você viu nesta unidade. b) Identifique a forma de aprendizado.

no respeito aos estatutos e às regras. dos cavaleiros. assim como os homens destes grupos. Os princípios educativos eram enunciados por instituições masculinas e voltados para as mulheres da burguesia e da nobreza. Ao falarmos de educação feminina. acreditamos. A cavalaria tem suas origens em grupos armados. Procuramos abranger desde o contexto histórico medieval. que se estendiam ao comportamento social e individual. assim. Pensamos que. até a educação nas universidades. A maioria das universidades surgiu de escolas monásticas. A Igreja exerce forte influência nesta formação. você pode construir um conhecimento significativo sobre este assunto. como também na vivência da corporação. Unidade 2 63 . pontuamos as diferenças entre as classes sociais. foram apresentados alguns elementos que.História da Educação I Síntese No estudo desta unidade. que passam a compor exércitos de defesa. instrumentalizando-se para fazer algumas comparações com a realidade atual. mostrando que a mulher das classes populares não tinha acesso à educação formal. o aprendizado constitui-se na aprendizagem técnica. Nas corporações de ofício. A formação das cavalarias medievais dizia respeito às classes nobres. passando pela educação das mulheres. das corporações de ofício. A organização didático-pedagógica centrava-se mais no mestre que no aluno. exercidas durante a Idade Média. com códigos de honra relacionados à fidelidade e ao exercício da guerra. lhe possibilitaram compreender a forma e os métodos gerais das práticas educativas formais e não-formais. porém firmaram sua autonomia através da formação de associações corporativas de mestres.

História das Mulheres.org. O Feudalismo. O quotidiano da mulher no final da Idade Média (1250-1500) In: DUBY. HUBERMAN. 1999. O ensino na Idade Média. MICELI. Trad. São Paulo: UNESP. OPTIZ. 1985. Porto Alegre: Artes Médicas. você poderá pesquisar os seguintes livros: CAMBI. Leo. 1998. Produção da escola / produção da sociedade: análise sócio-histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente. A história da riqueza do homem. 64 .: Eunice Gruman. Régine. Porto: Afrontamento. São Paulo: Atual. Paulo. PERNOUD.). André. Franco. 1994. Georges e PERROT. Volume 2.htm PETITAT. História da Pedagogia. Disponível em: http://www.br/revista/historia/luz2. 20 ed. (Org. Rio de Janeiro: Zahar Editores.Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade. Michelle.permanencia. 1994. Claudia.

„ „ „ Seções de estudo Seção 1 A secularização do pensamento. Conhecer aspectos da ordem religiosa da Companhia de Jesus e de suas ações referentes à educação. Seção 4 A Ratio Studiorum (a pedagogia jesuítica). . Seção 5 A ação dos jesuítas no Brasil colonial. Conhecer a ação dos jesuítas no Brasil colonial. Seção 3 O surgimento da Companhia de Jesus.UNIDADE 3 Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica Objetivos de aprendizagem „ 3 Compreender a constituição dos colégios modernos. Seção 2 Os colégios modernos. Identificar as principais características da pedagogia jesuítica.

políticas. em contraposição às concepções predominantemente teológicas da Idade Média” (ARANHA. 87). portanto. que atingiu as camadas urbanas da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI. Renascimento é o nome que se dá a um grande movimento de mudanças culturais. p. expressas em um documento lançado em 1599 e denominado Ratio Studiorum. p. Esse momento é considerado como um importante período de transição envolvendo as estruturas feudo capitalistas. embora os valores religiosos e morais continuem com força. historianet. quando da criação dos colégios modernos. isto 66 . da invenção da pólvora. “que significa a procura de uma imagem do homem e da cultura.br> No caderno de Fundamentos Filosóficos. criados nessa época. da imprensa e do papel. Foi o período das grandes navegações. Você verá.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade. Os colégios jesuítas. SEÇÃO 1 – A secularização do pensamento O período compreendido entre o final do século XIV e o fim do século XVI é marcado pelo movimento do Renascimento. ainda nessa unidade. Por isso. da Revolução Comercial. novas formas econômicas. você verá nessa unidade alguns pensadores dessa época e a organização desses colégios. Além disso. representam bem esse novo tipo de escola. caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana. mais especificamente.com. você pode ver algumas de suas características. 1996. artísticas. você estudará alguns elementos referentes aos colégios modernos e. a educação jesuítica. ou seja. como surgiu a Companhia de Jesus e quais as principais características da pedagogia jesuítica. decorrentes de acontecimentos em diferentes áreas. da formação dos Estados Nacionais. da cultura clássica. busca-se a “secularização do saber. 86). da Reforma Protestante e da Contra-reforma. da chegada à América. <Fonte: http://www. religiosas e educacionais. O Teocentrismo dá lugar ao Antropocentrismo. Essas mudanças geraram. Segundo Aranha (1995. da bússola. verá um pouco da ação dos jesuítas no Brasil no período colonial. É o período do Humanismo. Muitos autores situam nos séculos XVI e XVII o berço do modelo de escola atual.

mas na natureza e pregava que o ambiente educativo fosse de liberdade e atraente. diferentemente de seus contemporâneos. p. Percebe-se. Este ensino deveria “partir das impressões ou sensações para chegar à imaginação e desta à razão” ou dizendo de outra forma.História da Educação I é. destacam-se. Destaca-se. Recomendava também que o ensino das línguas clássicas fosse realizado na língua materna (LUZURIAGA. naturais. Não fez referência em seus textos. também pregava o realismo e o naturalismo. nesse período. holandês. 102). desde que não reduzidas ao estudo da gramática. 1985. Para ele a educação sistematizada deveria começar desde o terceiro ano de vida respeitando-se as características naturais da criança e utilizandose do jogo. 1985. Erasmo de Rotterdam (1465-1536). humanista espanhol. defendia que devia-se “partir dos objetos sensíveis. nos escritos destes autores. desvesti-lo da parcialidade religiosa. Em termos pedagógicos. onde as disposições naturais da criança fossem respeitadas. para chegar às idéias”. a questão da língua nacional. O francês François Rabelais (1494-1553) é considerado o precursor do realismo e do naturalismo na pedagogia. Michel de Montaigne (1533-1592). latim e grego. francês. Juan Luiz Vives (1492-1540). com métodos intuitivos e ativos (LUZURIAGA. ainda. viajou por vários países europeus e dedicou inúmeros de seus trabalhos à educação. Rabelais e Montaigne. Defendia as línguas clássicas. as idéias de pensadores como Vives. Criticava o uso dos castigos e o ensino livresco e propunha uma educação onde o aluno participasse ativamente. p. deu particular atenção aos aspectos psicológicos do ensino. em linhas gerais. 105-6). Defendia o estudo das ciências. Erasmo de Rotterdam. uma crítica à educação predominante até então e a defesa de uma pedagogia mais humana. para torná-lo mais propriamente humano”. Os principais interessados nesses novos valores são oriundos da nascente burguesia. a preocupação com a moralização dos comportamentos infantis e prevêem-se roteiros de civilidade para orientar as ações das 67 Unidade 3 . não através de livros.

de tal maneira que se passa a ensaiar um roteiro supostamente universal de como se comportar.. serão necessárias (. a segunda.. que ele se entregue às belas-artes e nelas mergulhe profundamente. a polidez... serão a “moderna expressão de como tratar as crianças mediante códigos das boas maneiras 68 . ainda brando. São padrões da corte (cortesia). receba os germes da piedade. 2002. portanto que um homem preste atenção à sua aparência. apud FREITAS e KUHLMANN Jr. a fala de Erasmo.) “a um modelo de distinção”. a moralidade e também uma educação clássica. Para isso. aos seus gestos e à sua maneira de vestir. que esse se habitue.Universidade do Sul de Santa Catarina famílias e dos educadores. Veja-se. desde muito cedo.. tanto quanto à sua inteligência. que ele se inicie nos deveres da vida. (FREITAS e KUHLMANN Jr. a seguir. p. que retomam a cordialidade da antiga polis (polidez). como veremos a seguir. (. p.) práticas de controles minuciosos e ordenados sobre o corpo: controles que visam a obtenção de autocontroles. das quais a primeira e a mais importante é que o espírito. a terceira. e que constituem feixes encadeados de conduta para com os outros específicos da vida civil (civilidade). o bom comportamento.. (ERASMO. É neste contexto que ocorre a “extensão da freqüência escolar” e crianças são transformadas em alunos. censuras internalizadas e automação de gestos para o convívio público. 2002. Seria assim essa conduta refinada. E os colégios. 18). a quarta. que preparam as regras de convívio das multidões das cidades (urbanidade).) Convém. Essa nova civilidade tem a ver com os valores almejados pela nova classe burguesa que busca se diferenciar dos trabalhadores e se aproximar da aristocracia. (. Busca-se adequar os sujeitos a “padrões de urbanidade”. às regras de civilidade.. enciclopédica que formaria os filhos da burguesia e da aristocracia renascentista.. 22). de 1530: A arte de educar as crianças divide-se em diversas partes.

a predominância do latim e o recurso aos castigos físicos. no estudo dos colégios. Erasmo Rabelais e Montaigne) expressam em suas teorias ideais educativos decorrentes de uma nova maneira de compreender a educação e a criança. (PETITAT. p. p. esses colégios tornaram-se instituições destinadas ao ensino. jovens e adultos de diferentes idades. crianças. por exemplo.História da Educação I requeridos pela cultura moderna”. Mas. 110) “no século XIII. aos poucos. em pequenos grupos. 2002. Como veremos na próxima seção. (.. Embora muitos desses colégios se organizassem na forma de internatos. a partir do século XV. Se na Idade Média misturavam-se. agrupados por idades mais próximas. Contudo. (FREITAS e KUHLMANN Jr. 78). Mas ambos. nem todos esses ideais foram de imediato incorporados nas práticas escolares. Assim. SEÇÃO 2 – Os colégios modernos Segundo Ariès (1981. diretor de um colégio no século XVI. fundados por doadores. a partir da constituição dos colégios modernos. defende “que se deve agrupar em classes os alunos grandes e sujeitá-los Unidade 3 69 . 22-23). com um mestre para cada uma e os exames são instituídos para estabelecer a aprovação ou reprovação. os colégios vão sendo organizados em torno de seis ou sete classes sucessivas. nas escolas e colégios. os alunos externos eram em grande número. permanecem por longo período. Claude Baduel. ficavam sujeitos ao espírito de isolamento e controle dessas instituições. organizados em classes ordenadas com graduação nos estudos e sujeitos a uma disciplina rígida.. teremos um número maior de colegiais. Os autores anteriormente citados (Vives. os colégios eram asilos para estudantes pobres.) Não se ensinava nos colégios”. p. internos e externos. 1994..

canto de salmos até ao meio-dia. 1994. aula durante duas horas. Relógios e sinetas.) este tempo é repartido em períodos anuais. p. aula mais longa ou menos longa conforme fosse verão ou inverno. Quanto ao tempo. 79). oração dominical e breve ação de graças. já presentes no século XV e muito difundidos no século XVI. às 16 horas.. (. Os alunos dispõem de um tempo limitado para assimilar determinadas matérias. das censuras e das recompensas.) Deve-se ter uma lista com os nomes dos alunos e proceder a uma chamada na abertura das aulas” (apud PETITAT. oração. p. oração e tempo livre para estudos até às 14 horas. os alunos são reconduzidos aos respectivos alojamentos para a refeição (às 10 horas). da confissão de fé e dos dez mandamentos. oração. marcam agora as atividades escolares. Já nos colégios modernos. lanche. Vêem-se aqui algumas formas de controle que permanecem até hoje em nossas instituições de ensino. 1994. Exemplo de um dia de estudos num colégio protestante do século XVI Ele principia às seis horas no verão e às sete horas no inverno. leitura da oração. desjejum em aula. uma hora de aula. Fonte: Petitat.. oração.. aula durante uma hora e meia.79). Vê-se que o espaço e o tempo escolar passam a ser amplamente controlados.103. É o princípio dos prêmios pelo desempenho escolar. castigos públicos e “admoestações” para os “delitos notáveis”. reunião de todos os alunos na sala comum. chamada. punições dos retardatários. (. horários estritos e bem carregados dividem as matérias pelos dias e horas. 70 . p.. para entregar os temas e para apresentar-se aos exames. oração. (PETITAT. dispensa acompanhada de benção. 1994.Universidade do Sul de Santa Catarina a um maior respeito pelos professores e a uma maior docilidade em tudo o que se refere aos seus estudos. Petitat destaca que nas escolas medievais “o tempo do aluno dividia-se em largos períodos”. dos alunos brilhantes e dos preguiçosos. Pela manhã. à tarde: retorno à classe às 11 horas.

o que restringe a vida do bairro e reduz as funções da família. 1994. de obras literárias e filosóficas da Antiguidade. presença variável. O artesão. embora sempre majoritária de funcionários. Assim como os colégios controlam o espaço e o tempo dos alunos. subdividido e vigiado. em grande parte. O aluno se vê distante dos locais de socialização espontânea e privado. ainda. qual a origem dos alunos que freqüentavam os colégios e qual o conteúdo essencial aí aprendido. de eloqüência e boas maneiras. sincronizado. também. comerciantes. destacam-se. 90). Enfatiza. uma “nova temporalidade”. burgueses e nobres”. visando gerir a vida dos mesmos. p. Segundo Petitat (1994. Estas precisam ser afastadas do mundo adulto. as manufaturas da época. Quanto ao conteúdo. a aquisição Unidade 3 71 . (PETITAT. dos vizinhos. está concomitantemente afastado da família. “a separação entre o mundo dos adultos e do das crianças e adolescentes está na base da pedagogia moderna”. 93). que a maioria dos colegiais não termina os estudos. o estudo do latim e do grego. 88). p. organizam-se de forma a controlar o assalariado. ditada pelo relógio mecânico. como o colégio. há poucos trabalhos ainda sobre a questão da origem social dos colegiais e destaca ainda que esta origem “apresenta uma face mais ou menos heterogênea de acordo com as cidades: minoria mais considerável ou menos importante de filhos de artesãos. de acordo com Petitat. onde o artesão produz no seu próprio ritmo. Essa nova forma de organização e funcionamento dos colégios está ligada a uma nova maneira de conceber a infância e a adolescência. a manufatura acentua as rupturas no interior das atividades sociais. também. de suas relações com a vida adulta usual. portanto. da gramática. entre outros. Diferentemente da oficina artesanal medieval. dos clientes. Segundo Petitat (1994. despojado de sua lojinha. a manufatura impõe um outro tempo de trabalho. o “tempo da ciência”.História da Educação I Há. Assim. p. Poderíamos perguntar. ou seja.

servia antes para manter as diferenças de classe. você irá se deter nos últimos colégios citados. por causa da influência que tiveram na educação brasileira. onde os exercícios escritos substituem cada vez mais os orais. . Seção 3 – O surgimento da Companhia de Jesus A criação da Companhia de Jesus por Inácio de Loyola (14911556) ocorreu em 1534. é preciso lembrar que os novos ares oriundos do movimento renascentista afetaram não somente as artes e a ciência. mas também a religião. Antes de você conhecer a prática pedagógica jesuítica. Essa cultura escrita escolarizada foi difundida nos diversos colégios que surgiram e se consolidaram nesse período. Colégios criados por diferentes iniciativas e congregações religiosas. os doutrinários e os jesuítas. para as quais a cultura escrita escolarizada. como os oratorianos. Companhia de Jesus é a denominação de uma ordem religiosa da igreja católica e os membros dessa ordem são denominados jesuítas.. Essa cultura geral. uniformizada. é produto de uma estrutura de conjunto das relações de força e de sentido dentro da sociedade e de um nível elevado de trocas econômicas. você é convidado a conhecer como surgiu essa ordem religiosa. 72 . serve de referência.. mais do que contribuir para a ascensão social dos que freqüentam os colégios.Nesta disciplina. 100) conclui que (. Para compreender melhor o seu surgimento. A mesma foi reconhecida pelo papa Paulo III em 1540. embora particularmente destinado a certas camadas.Universidade do Sul de Santa Catarina de uma cultura geral. p. para consolidar uma determinada posição social. Petitat (1994. de enraizamento e de distinção.) o colégio.

sem o apoio do pai. Alemanha. Assim. na verdade. condenava a prática vergonhosa da venda de indulgências. peregrinações ou contribuições. Entre as ações desencadeadas pela hierarquia católica para combater esse movimento. foi expulso da Igreja. Cristo viera para salvar os pecadores. em 1517. As 95 proposições mencionadas são. alguns integrantes da igreja católica manifestam posições contrárias ao monopólio da Igreja sobre a religiosidade e contra o comportamento imoral do clero. br/nova_pagina_104. trocando-os pela vida religiosa. (Pedro. Especialmente suspeitos eram: a noção de que Deus recompensa um cristão na proporção das orações.com. posteriormente. Martinho Lutero Nasceu em 1483. Fonte: <http://www. Martinho Lutero lidera um movimento de crítica a estrutura da Igreja Católica.hpg. Para ele. onde era mestre e pregador. Como a Igreja Católica perdeu muitos fiéis com esse movimento de protesto (daí o termo “protestante”) liderado por Lutero pela Reforma da Igreja Católica. a salvação não seria alcançada com esforços insignificantes. Figura – MARTINHO LUTERO. podemos destacar: Unidade 3 73 . Apesar de dedicado à Igreja. afi xar na porta da igreja de Wittenberg. Também são conhecidas como as 95 teses de Martinho Lutero. mas com a fé no próprio Deus. O papa Leão X exigiu uma retratação e. Tornou-se monge e depois padre. Iniciou os estudos de direito em 1505 e os abandonou no mesmo ano. dando origem à Reforma Protestante. Deus não era como um contador com quem devia barganhar ou um juiz severo a ser aplacado com boas ações. entre outras coisas. De acordo com Pedro. iniciou outro movimento que ficou conhecido como Contra-reforma. a venda de indulgências. 1995). 95 proposições onde. afirmações ou idéias defendidas por Martinho Lutero e seus seguidores contra práticas ou determinações da igreja católica naquele momento. saberhistoria. htm> A reação da Igreja Católica a esse movimento protestante é conhecida como Contra-reforma. muitos dos princípios da Igreja pareceram irrelevantes e blasfemos a Lutero. Lutero protestou violentamente contra as indulgências a ponto de. sempre esteve atormentado por duas grandes dúvidas: o poder da salvação atribuído a lugares santos e. tendo ele recusado.História da Educação I Neste período. A.ig. na cidade de Eisleben. o culto dos santos e de suas relíquias e a venda de indulgências.

onde os condenados eram queimados vivos em plena praça pública. O Concílio de Trento foi o mais longo da história da Igreja: é chamado Concílio da Contra-Reforma. Embora não fosse o intento inicial dos jesuítas. militar espanhol. Ásia.br/nova_pagina_104. Em 1551. Com muita rapidez os jesuítas se espalham pela Europa. hpg. em 1548. cria a Companhia de Jesus. O Colégio de Messina. foi o fundado o Colégio Romano. O objetivo era assegurar a unidade de fé e a disciplina eclesiástica.Universidade do Sul de Santa Catarina Concílio de Trento O Concílio de Trento. realizado de 1545 a 1563. onde seriam 74 . htm> Lista de livros proibidos (Index) Segundo o historiador alemão Hubert Wolf. em Roma. principalmente. como reação à reforma protestante e ao Iluminismo. Esses colégios passaram a receber também alunos externos. Uma boa opção para compreender melhor o período e a Santa Inquisição é assistir o filme O Nome da Rosa. é nesse contexto que Inácio de Loyola. foi o primeiro a recebê-los.ig. foi convocado pelo Papa Paulo III. logo eles passaram a dedicar-se à criação de escolas devido. Ela era composta por tribunais que julgavam todos aqueles considerados uma ameaça às doutrinas (conjunto de leis) desta instituição. A sua convocação surge no contexto da reação da Igreja Católica à Reforma Protestante. à necessidade de formar os futuros quadros da congregação. pregando a fé e combatendo heresias. e aqueles que eram condenados. de Umberto Eco. Assim. a censura eclesiástica se tornou uma instituição em 1571 e intensificou seus trabalhos nos séculos seguintes. cumpriam as penas que podiam variar desde prisão temporária ou perpétua até a morte na fogueira.saberhistoria.com. África e América (chegam ao Brasil em 1549). Figura: Venda de indulgências Fonte: <http://www. Esta perseguição aos hereges e protestantes foi finalizada somente no início do século XIX. Acirramento das ações da Inquisição A Inquisição foi criada na Idade Média (século XIII) e era dirigida pela Igreja Católica Romana. Todos os suspeitos eram perseguidos e julgados.

contendo 466 regras e estabelecia que ficasse em experiência durante três anos. inicialmente. foi publicada a edição definitiva da Ratio Studiorum que regula com grande detalhe o modelo de ensino praticado durante séculos pela Companhia de Jesus. Sendo os jesuítas precursores da educação institucional no Brasil. os jesuítas. sendo todos eruditos e experientes no ensino (HANSEN. Finalmente. liderados pelo Superior Geral da Companhia. Acquaviva. o grupo de doze padres não levou o projeto adiante. visando assegurar uma uniformização das práticas educativas desenvolvidas nos colégios jesuítas espalhados pelo mundo todo. por causa de vários problemas. conseguir informações das práticas efetivadas em todos os Colégios e. mandou para toda a companhia uma versão da Ratio que tinha em conta as críticas e sugestões recebidas das diferentes instituições existentes. Segundo HANSEN (2001. em 1599. nomeado outra comissão de seis membros. O mesmo autor coloca que. Em 1591. Pe. Hansen coloca ainda que. composta por padres de vários países. Acquaviva nomeou uma comissão composta de doze padres para “formular a ordem de estudos que se deva guardar a Companhia”. 2001. convidamos Unidade 3 75 . elaborar os Planos de Estudos. desencadeiam um processo para elaboração de um Plano de Estudos a ser adotado em todos os colégios. em dezembro de 1584. Isto para que as determinações e práticas fossem iguais em todas as instituições da companhia. Cláudio Acquaviva.História da Educação I realizadas as principais experiências educativas que se tornariam modelares para os demais colégios inacianos. partir dessas informações. tendo Acquaviva.14). é de fundamental importância conhecermos um pouco de sua prática pedagógica para compreendermos o processo de escolarização desenvolvido no país. através de cartas. Este grupo tinha como compromisso. p. p. Sendo assim. no ano de 1581.16).

evita as interpretações averroísticas de Aristóteles. Nesse sentido. segue em teologia positiva os doutores aprovados pelas universidades católicas. simplicidade e outras virtudes cristãs (HANSEN.Universidade do Sul de Santa Catarina você para conhecer aspectos dessa pedagogia através da leitura de alguns componentes estabelecidos na Ratio Studuorum. sempre cuidando (. de 1599. transferir e aplicar conhecimentos como intervenções nas questões do presente. p.) (não ser nem curioso nem temerário nos estudos nem defensor de opinião própria) mas visando. 2001. dirigidas aos agentes e instituições escolares dos colégios jesuítas. Hansen observa que o sentido final das normas e das práticas da Ratio Studiorum “é o da ortodoxia. 76 . agrupadas em 30 conjuntos.18). seguindo-se com a máxima fidelidade a tradição e os textos canônicos autorizados pela Igreja a partir do Concílio de Trento” (HANSEN.. p. à humildade. planos de estudos. composto por 467 regras. essas intervenções na prática cotidiana não poderiam estar dissociadas das práticas das virtudes cristãs. Para cumprir estas determinações a Ratio Prescreve Santo Tomás de Aquino em teologia escolástica. publicada em 1599. a Ratio Studiorum. das artes e teologia no sentido de desenvolver nos educandos as capacidades de assimilar. orienta o ensino das letras.. que viviam recolhidas em mosteiros. Esse conjunto de regras trata de questões administrativas. modéstia. método e as disciplinas escolares. 2001. Seção 4 – A Ratio Studiorum (a pedagogia jesuítica) Sendo a Companhia de Jesus uma ordem religiosa não contemplativa.18). ao contrário. é um regulamento interno da Ordem Jesuítica. Considerando o momento contra-reformista daquele momento. como a maioria das ordens religiosas da época. A Ratio Studiorum.

mas nas classes de gramática somente quando o aluno demonstrasse domínio do conhecimento estipulado (DALLABRIDA. sendo que esta era subdividida em inferior. Gramática média e Gramática Superior) não deveriam misturar-se e que as promoções de uma série para outra deveriam ser realizadas anualmente. Humanidades.Ratio Studiorum Societatis IESU. nas aulas. Humanidades e Gramática. Os estudos inferiores eram divididos em séries: Retórica.138). dizia: Tome todo o cuidado. Figura . p. 139). A Ratio determinava que as cinco séries (Retórica. que possam ser prejudiciais à honestidade e aos bons costumes. 2001. Fonte: <http:// en. como auxílio e fundamento para os estudos de filosofia e principalmente de teologia. que eram ministradas em todas as classes em grau crescente de complexidade e aperfeiçoamento (DALLABRIDA. A regra número 34. A maior preocupação dos jesuítas era em eliminar qualquer possibilidade de contato dos alunos com livros que continham “escritos impuros” e os “perniciosos e inúteis”. Para este autor. média e superior. p. que de modo algum se sirvam os nossos. 1598. enquanto não forem expurgados dos fatos e Unidade 3 77 . O núcleo central do currículo das classes inferiores fi xado pela Ratio era o ensino das línguas e literaturas clássicas. Gramática inferior.História da Educação I As mesmas regras são válidas para todos os cursos que eram divididos em Estudos Inferiores (retórica humanidades e gramática) e Faculdades Superiores (filosofia e teologia). org/wiki/Image: Ratiostudiorum. 2001. e considere este ponto como da maior importância. intitulada de “Proibição de livros inconvenientes”. aproximadamente um terço das regras da Ratio normatizavam os conteúdos e as práticas escolares dos estudos inferiores. Segundo Dallabrida.jpg Mas todo o ensinamento deveria ser trabalhado de forma descontextualizada da mentalidade pagã das sociedades antigas. O objetivo central das classes inferiores era proporcionar ao estudante jesuíta um sólido conhecimento gramatical.de livros de poetas ou outros.wikipedia.

Deveriam realizar atividades escritas todos os dias. durante as cinco séries dos Estudos inferiores. e se de todo modo não puderem ser expurgados. que deveria ser.Universidade do Sul de Santa Catarina palavras inconvenientes. inclusive sobre o grego. Além disso. A predominância da língua latina sobre as demais está relacionada ao seu caráter utilitário. De acordo com a Ratio (apud. 2001. ela era a língua oficial da Igreja Católica e dos Estados absolutistas. língua preferida sobre as demais. DALLABRIDA 2001. 141) era preciso “moldar a alma plástica da juventude no serviço e no amor a Deus”. p. Além de afastar obras e escritos pagãos dos educandos. Os alunos ao final dos Estudos inferiores deveriam dominar perfeitamente o Latim. com exceção de sábado. sendo uma forma das elites cortesãs e burguesas distanciarem-se tanto da antiga nobreza guerreira como das classes populares. o que requeria uma metodologia que incluísse estratégias e táticas voltadas para este fim dentro e fora da sala de aula. de forma progressiva. era preciso absoluto controle sobre o tempo e o espaço. 78 . de preferência Cícero. como a Gramática do Padre Manuel Álvares. o aluno devia ter todo o tempo ocupado com atividades propostas pelos professores. que era dia da sabatina. tinha a função de distinção social. não somente aprendido. onde predominava a mentalidade católico-tridentina. Para isso. bem como definição de horários e lugares para cada atividade. 139). já que nas estruturas políticas e culturais do Antigo Regime. a partir de alguns escritores romanos. os jesuítas também produziam obras didáticas próprias. ou seja. como imitado. é preferível que não leiam para que a natureza do conteúdo não ofenda a pureza da alma (apud Dallabrida. Para Dallabrida (2001). recomendada às classes de gramática. como Terêncio. o ideal a ser perseguido era o domínio oral e escrito do latim clássico. durante o período em que o educando permanecia no colégio. p.

estudava-se a lógica. apresentação de observações detalhadas a cada classe (DALLABRIDA. assessorados pelos Prefeitos Gerais dos Estudos a quem estavam submetidos os Prefeitos de Estudos inferiores.143). grupos e classes. leitura detalhada de cada período e. Nos estudos superiores. 2001. Sagrada Escritura. os professores e os alunos. hebreu. Unidade 3 79 . os passos da preleção (lição) para todos os professores das classes inferiores: leitura do texto. de acordo com Hansen. Já o Curso de Teologia. o Curso de Filosofia era dividido em três anos: no primeiro. análise sintética do texto. astrologia e matemáticas superiores. teodicéia e ética. No segundo. No curso de teologia. Esta hierarquia estava pautada na autoridade e na obediência. siríaco e outras línguas bíblicas. à semelhança do que ocorria na estrutura da própria Companhia de Jesus. seguia o sistema de Santo Tomás de Aquino: teologia patrística ou positiva. a emulação estava conjugada a um sistema individualizado de controle. dividido em quatro anos. Instituições canônicas. Outro componente da metodologia jesuítica previsto na Ratio era a emulação e a competição entre alunos. “somente podiam ensinar os padres que tinham demonstrado conhecimento pleno de Santo Tomás de Aquino” (HANSEN. 2001.22). p. por último. estudava-se cosmologia e outras ciências e no terceiro ano. metafísica geral e matemáticas elementares. Segundo Dallabrida. que propunha uma rígida hierarquia escolar. além de finalizar todos os cursos anteriores. avaliação. teologia escolástica moral. classificação e premiação dos alunos. Os Reitores dirigiam os colégios. Esta era considerada uma forma de manter os educandos em permanente estado de alerta e desafiados a provar sua maior capacidade em relação ao outro. p.História da Educação I A Ratio detalhava ainda.

a prática pedagógica dessa ordem religiosa. para manterem-se financeiramente. Em 1570. onde ensinavam a ler e escrever. onde as famílias realizavam. mulatas e negras (filhas dos escravos das fazendas). pelo fato de na disciplina de História da Educação II. ser tema bastante detalhado. retirando os indígenas da selva e impondo-lhes um outro modo de vida. Dedicaram-se desde cedo à divulgação da fé cristã e ao trabalho educativo. Iniciaram criando escolas de primeiras letras. Nestas empregava-se o trabalho escravo negro. as suas atividades de trabalho e de lazer. onde havia tempo determinado para cada atividade cotidiana. escrever e contar. deu lugar à vida regrada imposta pelos jesuítas. no Brasil. devido às dificuldades em receber as verbas repassadas pela coroa portuguesa. e Bittar (1999). assista o filme A Missão. faremos um breve relato sobre a ação dos jesuítas no Brasil. Manoel da Nóbrega. À indiferença da oca.Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 5 – A ação dos jesuítas no Brasil Nesta seção. os jesuítas reivindicaram terras (sesmarias) que foram transformadas em fazendas altamente produtivas. brancas (filhas de colonos e da elite portuguesa). os jesuítas criaram os aldeamentos ou missões. como a dispersão e mobilidade de muitas tribos. Para maior conhecimento sobre aldeamentos e missões dos jesuítas no Brasil. p. mamelucas. Havia que ter lugar e tempo próprios para o sono. desde sua chegada em 1549 até sua expulsão em 1759. já havia cinco escolas 80 . Além das escolas elementares de ler. (XAVIER. 1994. 43) Segundo Ferreira Jr. as práticas escolares jesuítas destinavam-se a crianças de várias origens raciais: indígenas. os jesuítas implantaram também colégios. liderados pelo Pe. as refeições e as diversões. ou seja. assim como lugar e tempo adequados para o trabalho e para a devoção. Já em 1549. Tendo em vista algumas dificuldades no projeto de catequização e conversão dos índios. sem qualquer privacidade. A introdução dessa racionalidade na vida dos nativos sem dúvida revolucionava os seus hábitos e reorganizava o seu cotidiano. da 2ªfase. chegaram ao Brasil os primeiros padres jesuítas. a fim de facilitar o trabalho de catequese. apenas nove anos após a criação oficial da Companhia de Jesus. de Roland Joffé. Assim.

que desencadearam a expulsão. atual Florianópolis. a Companhia de Jesus possuía em território brasileiro além de inúmeras escolas elementares. que a razão principal decorre da perspectiva conservadora do ensino jesuítico. primeiro ministro português. utilizou-se menos o latim. sendo que os primeiros jesuítas retornaram ao Brasil na década de 1840. bem como se elaboraram gramáticas nessa língua). Contudo. Buscava-se seguir. Contudo. foram necessárias algumas concessões devido à realidade brasileira apresentar características bastante diferenciadas da realidade européia. Quanto à expulsão dos jesuítas de Portugal e de seus domínios pelo Marquês de Pombal. Toleraram-se alguns hábitos indígenas.História da Educação I de instrução elementar localizadas em Porto Seguro. Pernambuco e Rio de Janeiro. Ao final dos 210 anos (1549-1759). de modo geral. de predomínio educacional jesuítico quase exclusivo. Ilhéus. 25 residências. abrindo. o que estaria gerando atrasos para a cultura portuguesa. Os jesuítas foram expulsos de Portugal e de seus domínios em 1759 e dos demais países europeus nos anos seguintes. como um vestuário mais tropical. o papa Clemente XIV extinguiu a Companhia de Jesus. dando prosseguimento à sua ação educacional. principalmente. podemos destacar que a política administrativa de Pombal se contrapunha ao Unidade 3 81 . Em 1814. até que. em 1773. São Vicente. o que estava prescrito na Ratio Studiorum. Entre eles. foram amplamente utilizados como estratégias pedagógicas para a catequização e moralização dos nativos. aprendemos. principalmente políticos e econômicos. conforme indicação de alguns autores. dando preferência ao português e às línguas nativas (inúmeras orações e músicas católicas foram traduzidas para a “língua geral” (tupi). um colégio em Desterro. em 1845. há outros motivos. nestas escolas e colégios. o teatro e a música. ela foi novamente restabelecida. Espírito Santo e São Paulo de Piratininga e três colégios localizados na Bahia. 36 missões e 17 colégios e seminários.

Agora. a título de contextualização. é bom deixar claro que não há de um lado apenas heróis e de outro apenas vilões. quanto dos jesuítas. fase do curso. a seguir. você terá oportunidade de aprofundar algumas questões aqui expostas. Como mencionamos no início dessa seção. por exemplo. Pombal queria reduzir o poder dos jesuítas ao plano espiritual. bem como conhecer inúmeros outros aspectos da ação jesuítica no Brasil e das razões para a sua expulsão. na 2ª. 82 . realize. são imagens historicamente construídas que atendem a determinados fins. De qualquer modo. Tanto a imagem heróica ou vilã do Marquês de Pombal. Os jesuítas também haviam adquirido um considerável poder econômico que ameaçava os interesses de Pombal que defendia a criação de Companhias de Comércio. nessa história. para praticar os conhecimentos conquistados nesta unidade. brevemente.Universidade do Sul de Santa Catarina poder temporal (civil) exercido pelos jesuítas nos territórios guaraníticos. as atividades propostas. visando controlar as relações comerciais.

a seguir. acompanhe as respostas e comentários a respeito. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas.História da Educação I Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e. 1) A que classe social os colégios modernos atenderam e ajudaram o forjar? 2) Quais os objetivos principais dos jesuítas ao elaborar um Plano de Estudos (Ratio Studiorum) que deveria ser seguido em todas as instituições de ensino jesuíticas? Unidade 3 83 . Para melhor aproveitamento do seu estudo.

b) ( ) A elaboração do texto da Ratio Studiorum. 4) Coloque (V) para Verdadeira e (F) para Falso: a) ( ) A Ratio Studiorum constitui-se num conjunto de regras que trata de questões administrativas. e) ( ) O núcleo central do currículo das classes inferiores era o ensino das línguas e literaturas clássicas. em dezembro de 1584. f) ( ) Cada instituição da Companhia de Jesus poderia elaborar seus próprios planos de estudos. é resultado do trabalho da comissão de seis membros. nomeados pelo Padre Acquaviva. 84 .Universidade do Sul de Santa Catarina 3) Para você. ministradas em todas as classes em grau crescente de complexidade e aperfeiçoamento. planos de estudos. método e as disciplinas escolares. d) ( ) A Ratio era um conjunto de regras com determinações diferentes para cada instituição de ensino da Companhia de Jesus. publicado em 1599. ainda permanecem resquícios da pedagogia jesuítica nas nossas instituições educativas? Justifique sua resposta. composta por padres de vários países.

Percebe-se. Na seção 2. nos escritos destes autores. Na seção 3. composto por 467 regras. planos de Unidade 3 85 . Entre os conteúdos destacam-se. Destaca-se ainda. Na seção 4. publicada em 1599. de eloqüência e boas maneiras. em contraposição. O teocentrismo dá lugar ao antropocentrismo. o estudo do latim e do grego. em linhas gerais. entre outros. você pôde verificar o surgimento dos colégios modernos onde os alunos passam a ser agrupados por idades mais próximas. Movimento este que gerou novas formas econômicas. a preocupação com a moralização dos comportamentos infantis e prevêem-se roteiros de civilidade para orientar as ações das famílias e dos educadores. uma crítica à educação predominante até então e a defesa de uma pedagogia mais humana. ou seja. da gramática. você pôde perceber que a criação da Companhia de Jesus ocorreu em meio aos protestos liderados por Martinho Lutero contra algumas práticas da Igreja Católica do período e que as ações dos jesuítas fizeram parte do movimento da igreja católica contra a reforma protestante. você teve oportunidade de conhecer características do período marcado pelo movimento do Renascimento. as concepções predominantemente teológicas da Idade Média.História da Educação I Síntese Na primeira seção desta unidade. dirigidas aos agentes e instituições escolares dos colégios jesuítas e que esse conjunto de regras trata de questões administrativas. artísticas. É do período do Humanismo. O tempo e o espaço passam a ser totalmente controlados. você aprendeu que a Ratio Studiorum. é um regulamento interno da Ordem Jesuítica. organizados em classes ordenadas com graduação nos estudos e sujeitos a uma disciplina rígida. onde os exercícios escritos substituem cada vez mais os orais. de obras literárias e filosóficas da Antiguidade. a aquisição de uma cultura geral. religiosas e educacionais. políticas. embora os valores religiosos e morais continuem com força. agrupadas em 30 conjuntos.

Universidade do Sul de Santa Catarina estudos. à moralidade. método e as disciplinas escolares. a realização dos exames levando-o à premiação ou reprovação. Ministro de D. Você aprendeu ainda. aprendeu que as mesmas regras são válidas para todos os cursos que eram divididos em Estudos Inferiores (retórica humanidades e gramática) e Faculdades Superiores (filosofia e teologia). era rei de Portugal. criaram escolas de primeiras letras e colégios e que foram expulsos em 1759. que o processo de aquisição de conhecimento pelo método jesuítico ocorria da seguinte forma: o primeiro passo consistia na repetição do texto. aliadas às boas maneiras. que. E que. José. nesse processo. seguido da memorização. Por último. pelo Marquês de Pombal. eram valores a serem incorporados pelos alunos. na época. a obediência e disciplina. 86 . que colocava o aluno em condições de competição e. por último. Além disso. além de trabalhar na conquista de novos fiéis para igreja católica através das missões e aldeamentos. à civilidade. você tomou conhecimento que os jesuítas chegaram ao Brasil logo após o descobrimento e que aqui. ao bom comportamento.

).Ed. Ratio Studiorum e Política Católica Ibérica no Século XVII. Produção da escola/produção da sociedade: análise sócio-histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente. Maria Lúcia de Arruda. 2001. Unidade 3 87 . DALLABRIDA.História da Educação I Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade. São Paulo: Ed USP. 5.org/wiki/Renascimento_(movimento_ cultural) ARANHA. 2º Grau . Texto on-line disponível em <http://www.br/nova_ pagina_105. Atual.. São Paulo: FTD. Educação Unisinos.8. vol.ig.htm> PETITAT. ampl. e renovada. In: VIDAL. HANSEN. Moldar a alma plástica da juventude: a Ratio Studiorum e a manufatura de sujeitos letrados e católicos. 1996. Diana Gonçalves e HILSDORF.hpg. 133-150. Brasil 500 anos: Tópicos em história da educação. Antônio. Maria Lúcia Spedo (Org. n. 1995.saberhistoria. 1994. Porto Alegre: Artes Médicas. você poderá pesquisar os seguintes livros e sites: http://pt. História: Compacto. 2001. História da Educação. p.wikipedia. São Paulo: Moderna. PEDRO. João Adolfo. Norberto.com. A.

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Identificar as principais características da pedagogia moderna. „ „ „ Seções de estudo Seção 1 A infância na Antiguidade Seção 2 A infância na Idade Média Seção 3 A infância a partir do Renascimento Seção 4 A pedagogização dos conhecimentos e o disciplinamento dos sujeitos . Conhecer aspectos do processo de redefinição do espaço da criança na família e na sociedade a partir do Renascimento. Compreender o processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos na modernidade.UNIDADE 4 A infância e a pedagogia moderna Objetivos de aprendizagem „ 4 Identificar alguns modos de tratamento dispensados à infância em diferentes períodos históricos.

Maria Luiza Marcílio destaca que a prática de abandonar bebês é bastante comum. por exemplo.A infância na Antiguidade Ainda são poucas as pesquisas históricas voltadas para analisar a infância nas sociedades da Antiguidade. SEÇÃO 1 . O objetivo primordial desta unidade é destacar as principais características que a pedagogia e a escola moderna adquiriram em função das novas concepções sobre a criança desenvolvidas no período. por exemplo. A autora inicia destacando a situação de abandono de bebês na tradição judaica. você iniciará o estudo desta unidade vendo como a infância foi tratada em diferentes momentos históricos. Para entender a concepção de infância do período moderno. nas civilizações ocidentais. Na sociedade romana. em seu livro “História social da criança abandonada”. ao abandono de Moisés e na mitologia grega destaca o 90 . as crianças estavam totalmente subjugadas ao poder do pai e era comum abandoná-las. Verá que a partir do Renascimento institui-se uma nova concepção de infância que resultará num processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos. Quanto às crianças abandonadas. conforme veremos com mais detalhes na próxima seção.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Como as crianças foram vistas e tratadas em outras épocas? O mundo infantil sempre se diferenciou do mundo adulto? Que tipo de escola/pedagogia foi organizada para as crianças e adolescentes na modernidade? Estas são algumas das questões que nortearam a elaboração desta unidade. Apresentaremos aqui breves considerações encontradas esparsamente em algumas obras. desde longa data. fazendo referência.

e as da elite iam para escola por volta dos sete anos. 23). ainda. faziam a “apologia da caridade em relação ao enjeitado”. ao menos no Ocidente. inclusive alguns deles que haviam sido abandonados pelos pais. Em Roma essas práticas também eram comuns. esperando que um benfeitor recolhesse o infeliz bebê. à ausência de fontes para a pesquisa deste tema. logo entrando no mundo do trabalho.História da Educação I caso de Édipo. principalmente. como Platão e Aristóteles defendiam o abandono. enquanto a grande maioria era educada no espaço doméstico e coletivo. abandonado pelo pai. os pobres. 1998.. Aponta. acreditou-se na ausência de uma noção de infância no período medieval. Unidade 4 91 . por não terem condições de criar os filhos. os ricos.A infância na Idade Média Por muito tempo. nas fontes pesquisadas. bastante curta.. segundo Marcílio (1998. p. p. Ricos e pobres abandonavam filhos na Roma Antiga. Vários mosteiros abriram suas portas para receber crianças abandonadas. Para Costa (2003) “a tradição cristã abriu. De modo geral. As causas eram variadas: enjeitavam-se ou afogavamse as crianças malformadas. Também. expunham-nos. (MARCÍLIO. (MARCÍLIO.. A infância era. ou porque tinham dúvidas sobre a fidelidade de suas esposas ou porque já teriam tomado decisões sobre a distribuição de seus bens entre os herdeiros já existentes. mais cedo isto ocorria. Na Grécia “a deformidade da criança ou a pobreza da família bastavam para que a justiça doméstica decretasse sua morte ou seu abandono. O aborto era legítimo. p. uma nova perspectiva à criança”. E quanto mais pobres. vários concílios e patriarcas da Igreja. Isto se deve. à ausência da criança.28). SEÇÃO 2 . portanto. 25). e o infanticídio admitido”. é possível dizer que as crianças gregas e romanas que sobreviviam tinham seus brinquedos e brincadeiras. 1998. ou melhor.

Assim.com/ historia/contextos/1334. as mulheres amamentavam as crianças. a rainha do Egito (apesar de ter uma esposa em Roma). os romanos legavam ao pai (pater familias) o poder de vida ou de morte. No entanto. o pai poderia reconhecê-lo ou rejeitá-lo. em seu estudo “A História Social da criança e da família”. as crianças tinham uma educação comum até certa idade.artehistoria. Como você já viu na Unidade 2. os germanos apresentavam algumas diferenças. das mesmas festas. a morte. num gesto que simboliza o reconhecimento como filho legítimo. imperador romano. Figura: Mulher nobre com filho Fonte: www. Por outro lado. o professor e pesquisador Ricardo da Costa. historiador francês. a partir da constituição das cidades e da classe burguesa. entre os germanos as mulheres também possuíam papel de destaque. Em relação às crianças. Cleópatra dá à luz um filho do Imperador e este. na maioria dos casos. Mesmo sendo filho legítimo (de sangue). podemos identificar um poder patriarcal 92 . tem um envolvimento amoroso com Cleópatra. encontrou algumas evidências sobre a infância em período anterior ao pesquisado por Ariès (Alta Idade Média). diferentemente dos romanos. a rejeição significava. dos mesmos jogos e das mesmas brincadeiras.Universidade do Sul de Santa Catarina Philippe Ariès. e as publicou em seu artigo “A Educação Infantil na Idade Média”.htm Neste sentido. Suas vestimentas também não se diferenciavam muito da dos adultos. após o parto. pois os rejeitados eram assumidos pela linhagem materna. correspondendo ao segundo momento do período medieval. o autor demonstra que as crianças participam ativamente de todas as atividades sociais. Ariès relaciona a emergência de um olhar para a infância. Por isto. Caso o pai não o reconhecesse publicamente. analisa obras iconográficas e identifica a não presença da criança ou uma representação que mostrava os pequenos como “adultos em miniatura”. há uma cena no filme “Cleópatra” que ilustra bem esta questão: Júlio César. em suas pesquisas sobre esse período. a Baixa Idade Média (de acordo com a divisão referente aos períodos históricos apresentados na Unidade 2). a Idade Média Ocidental é forjada a partir de duas grandes referências culturais: a Romana e a Germânica. Não havia a prática do infanticídio. em que todo poder e as decisões eram legadas ao pai. levanta a criança. Neste estudo. É importante lembrarmos que.

eis que as lágrimas dos pobres.. as lamentações das viúvas e os suspiros dos órfãos os matam e não nos resta esperança de deixar os bens para ninguém. no entanto.htm) No entanto.. esposa do rei franco Chilperico: Esta epidemia que começou no mês de agosto atacou em primeiro lugar a todos os jovens e adolescentes e provocou sua morte. havia condutas disciplinares que incluíam castigos. (Disponível em: http://www.hottopos. Alguns autores como Gélis afirmam que houve certa individualização da criança. como esta citação de Fredegunda. tópico visto na Unidade 2. lhes administrando os alimentos com um cuidado delicado [. carregado em nossos braços ou nutrido por nossa própria mão. É certo que.]Nós perdemos agora os nossos fi lhos. É na educação preconizada nos mosteiros que encontramos práticas pedagógicas para além dos ensinamentos da guerra. O que podemos salientar é que a falta de reconhecimento de algumas especificidades da infância não necessariamente eliminava o afeto para com as crianças e.História da Educação I relacionado à política e à organização social e um poder matriarcal em relação à família. com/videtur17/ricardo. Um dos principais conjuntos de normas era a Regra de São Bento. naquela época. as taxas de mortalidade infantil eram altíssimas. Por um lado pedia cuidado na aplicação de castigos. De toda forma. é o cristianismo que traz novos elementos às relações familiares. alguns cuidados. segundo os estudos de Costa. a partir de uma relação entre público Unidade 4 93 . por outro prescrevia castigos como jejuns ou pancadas com varas. que lá podiam permanecer até os quinze anos de idade. de acordo com o caso. Costa diz que isto não impedia que os pais chorassem a morte de seus filhos. Nós entesouramos sem ter para quem deixar. Nós perdemos algumas criancinhas encantadoras e que nos eram queridas. assim como crianças de vários grupos sociais. nem mesmo. a quem nós havíamos aquecido em nosso peito.

à linhagem tanto quanto aos pais: a criança era uma criança pública. Exemplo disso é a ausência de representações de cenas domésticas nas imagens do período. bem como do grupo familiar.. pertencendo.) Nesse imaginário. assim. Já nas famílias humildes. participando com todos os seus membros dos eventos sociais e das festas “até a morte”. (1999. p. como já dissemos anteriormente. 312). Dessa forma. este acontecia na presença de um grupo de parentes e vizinhas que transformavam o nascimento em ato público. o autor exemplifica que. participando das mesmas festas. p. se o seu nascimento ocorria num local privado (quarto). com base também no trabalho de Ariès. o autor afirma. 176).. Duby destaca que havia um vestuário variado e abundante para as crianças das famílias abastadas. Para o mesmo autor. (1991. através da análise de inventários da época. a criança era considerada um rebento do tronco comunitário. Ele afirma a existência de uma dependência em relação à linhagem e à solidariedade de sangue: (. Levando em conta esta associação entre público e privado. a família medieval tem como extensão a vida social. Cambi infere que as crianças eram representadas como “pequenos homens”. que a criança não está no centro da vida familiar. transcendia o tempo. Quanto aos trajes. a educação em comum deveria direcionar a criança às funções dentro de uma hierarquia familiar e social. este vestuário era bastante restrito: 94 .Universidade do Sul de Santa Catarina e privado. formando indivíduos para o papel que deveriam ocupar na sociedade. uma parte do grande corpo coletivo que. usando os mesmos trajes ou os mesmos brinquedos. pelo engaste das gerações. De acordo com Franco Cambi.

principalmente. principalmente a partir do século XVII. (DUBY. consolidando-se na Modernidade. a escola. Quanto ao reconhecimento da infância. Também. no qual a criança passa a ser o centro das atenções na família que aos poucos se organiza em seu entorno. pela preocupação com a mortalidade infantil. Assim. p. e a filha de um oficial público comum só tem em seu guarda-roupa. 225). interessam-nos os estudos de Ariès para compreendermos o surgimento de um sentimento da infância. criando instituições que têm como objetivos separá-las do mundo adulto. incluída aí. movidos. Ao final do período medieval percebe-se uma crescente valorização da criança em si mesma. segundo seu inventário. a segunda. com a consolidação das monarquias nacionais. 177). uma visão do mundo e um código moral. uma reorganização do modelo de família e o estabelecimento de outros vínculos afetivos entre os familiares. (1999. Uma nova sensibilidade em relação às crianças vai implicar também. p. Sobre as práticas educativas medievais Cambi diz: A educação da criança era depois confiada à oficina e ao aprendizado ou à Igreja e às suas práticas de vida religiosa: a primeira ensinava uma técnica e um ofício. das quais apenas uma forrada. por exemplo. não dispõe para os dois fi lhos. senão de um manto e de quatro túnicas pretas. este se manifestou a partir do Renascimento.História da Educação I Um peteleiro. tudo de lã muito comum. além de quatro camisas. Unidade 4 95 . devemos lembrar do papel do Estado. duas túnicas simples e uma pequena saia. que passa a se interessar pela formação das crianças dentro e fora da família. 1990. numa nova forma de tratá-las e educá-las. um vestido de interior.

p. inicialmente. No entanto. Além disso. tanto na seção 1 como na 2. da Unidade 3. Logo em seguida aparecem.A infância a partir do Renascimento Vimos. como o enfraquecimento de sua elite” (Donzelot. estudos de administradores e de militares. 1986.16). assim como. Donzelot (1986. diz que. com recursos vindos do Estado. p. Esses estudos mostram que os menores abandonados naquele período eram alojados em locais denominados de hospícios que eram mantidos. 90% (noventa por cento) morriam antes do final da adolescência. a criação dos filhos por amas-de-leite. tanto o empobrecimento da nação. essas produções resultavam de observações e registros que médicos vinham realizando sobre o alto índice de mortalidade infantil e suas possíveis causas. pois o Estado poderia designá-los a 96 . Estes estudos giram em torno de três questões relacionadas aos cuidados com as crianças naquele momento: a prática dos hospícios de menores abandonados. Para o autor “essas três técnicas engendrariam. em função dos cuidados oferecidos. Em conseqüência disto. começa a ser produzida na Europa uma série de estudos sobre o problema da conservação das crianças. pelo menos em parte. Alegava-se que a conservação ou salvação destes “bastardos” seria muito útil. e a criação artificial das crianças ricas. nos últimos parágrafos da seção anterior. em seu livro sobre “A polícia das famílias”.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 3 . que com o Renascimento difunde-se uma literatura humanista e moralista preocupada com a família e a infância. 15). também. que é neste período que a criança começa a ser valorizada no meio social. Neste sentido. que a família começa a assumir uma feição mais privada onde a criança torna-se o centro. começou-se a questionar os gastos empreendidos com estas instituições e o pouco retorno que o Estado retirava. a partir da segunda metade do século XVIII (1750 em diante).

17). nutria geralmente um sentimento de ódio. pela sua má vontade e incompetência. marinha. p. pela condição de sujeição a que era submetida. Unidade 4 97 . o que não assegurava carinho ou bondade para com as crianças. Na época. muitas destas. p. Donzelot observa que. Para garantir o recebimento e maior remuneração.1986. Eles teriam sido honestos se suas mães os tivessem amamentado” (Buch. era comum as crianças serem criadas por nutrizes. o alto índice de mortalidade ocorria pela dificuldade da administração encontrar nutrizes. “a mortalidade das crianças colocadas em nutriz era enorme: por volta de dois terços no que diz respeito as nutrizes distantes e um quarto quanto às mais próximas” (Donzelot. As que moravam em aldeias próximas das cidades eram contratadas pelos ricos para amamentar e cuidar de seus filhos. de acordo com esses estudos médicos. assumiam várias crianças ao mesmo tempo. pela amamentação. já no período de amamentação. As crianças ricas contavam com uma nutriz exclusiva. p.17). e como estava quase sempre arrasada pelo cansaço do trabalho. Outros médicos também chegaram a essa conclusão de que.História da Educação I cumprir tarefas nacionais como colonização. é nesta relação que está a explicação das manifestações. segundo estes estudos. Incluíam certas práticas de educação corporal como. Além disso. pelo fato de não possuírem vínculos de obrigações familiares” (Donzelot (1986. e para as crianças pobres ficavam as nutrizes de aldeias mais distantes. 1986. as crianças ricas confiadas às serviçais recebiam uma educação resultante de opressões e de intimidades impróprias para assegurar seu desenvolvimento. modelagem do corpo com ataduras com vistas à estética. Nessas condições. apud Donzelot.16). diz que “não há dúvida de que essas crianças tiram todos os seus vícios de suas nutrizes. milícia. a nutriz passaria todos os seus sentimentos para as crianças. Buch em seu livro sobre medicina doméstica. Donzelot observa ainda que Nutrizes eram as mulheres responsáveis pela amamentação e demais cuidados das crianças. desconsiderando os males que estas poderiam causar. desde os primeiros anos de vida. com a conivência do agenciador. “tarefas para as quais eles estariam perfeitamente adaptados. de comportamentos de baixeza e maldade em crianças de pais honestos e virtuosos. Para este autor.

“Trata-se. No lado oposto. da ausência de uma ‘economia social’”. freqüentemente. que “a imagem da infância mudou”.. por um lado. fazer com que todos os indivíduos que tem tendência a entregar seus filhos à solicitude do Estado ou à indústria mortífera das nutrizes voltem a educá-los (DONZELOT. possam fazer frente à nocividade e seus efeitos sobre as crianças que lhes são confiadas e. organizar a vida dos pobres de modo 98 . 1986. neste caso. da ausência da ‘economia do corpo’”. (.Universidade do Sul de Santa Catarina (. p.) para as adolescentes acrescenta-se a isso o confinamento debilitante em que são mantidas até a idade de sua primeira entrada no mundo. e o segundo diz respeito à filantropia ou “economia social”.) conservar as crianças significará por fim aos malefícios da criadagem. ou seja. percebe-se que toda uma discussão em torno da criança começa a se fazer presente no período. “Trata-se.21). o sentimento em relação à infância. 1986. por outro lado. neste caso. promover novas condições de educação que. torna-as inaptas para as tarefas da maternidade reproduzindo. ou seja. No entendimento desse autor sobre a extremidade mais pobre do corpo social.. De acordo com Donzelot. o século XVIII é considerado como um período de revalorização das tarefas educativas. Nesse sentido. Nessas publicações resultantes dos estudos médicos. reclusão enfraquecedora que. mudando. a necessidade de serviçais (Donzelot.. De acordo com este autor.. na extremidade mais rica. é denunciada a má administração dos hospícios e o pouco benefício do Estado em função da alta mortalidade das crianças. conforme Donzelot. o que ocorre nesta época “é uma reorganização dos comportamentos educativos em torno de dois pólos bem distintos cada qual com estratégias bem diferentes”: o primeiro diz respeito às discussões sobre a medicina doméstica e as possibilidades de retirada das crianças das influências negativas das serviçais. com isto. a crítica maior recai sobre a educação do corpo a que as crianças são submetidas através das nutrizes e/ou serviçais. a ponto de se dizer.18). assim. p.

também chamam atenção para os problemas na esfera pública. a educação e a medicação das crianças.22). „ 2. „ 3. a constituição de uma aliança privilegiada com a mãe. essa ligação entre o médico e a família mexeu profundamente na vida familiar induzindo sua reorganização em pelo menos três dimensões: 1. os médicos elaboraram para as famílias burguesas uma série de livros sobre a criação. „ Os médicos. Da mesma forma. no sentido de modificar a educação e os sujeitos envolvidos na educação das crianças na esfera privada. nos colégios. Assim como nas casas o amontoamento de crianças. também nos internatos havia estes problemas. a ausência de exercícios. além dos regulamentos conventuais dos liceus. a disciplina religiosa. considerados Unidade 4 99 . informando de modo especial às mães sobre a arte de cuidar de crianças na primeira infância. ou seja. 1986. o fechamento da família contra as influências negativas do antigo meio educativo. a má ventilação dos cômodos. contra os métodos e os preconceitos dos serviçais. Segundo Donzelot (1986. a promiscuidade nos dormitórios. uma série de publicações foram impressas. 23). o risco de depravação das crianças pela criadagem. em casa.História da Educação I que diminuísse os custos sociais e produzisse trabalhadores com o mínimo de gastos públicos (DONZELOT. ao mesmo tempo em que estabelecem uma nova relação com a família. assim como guias e dicionários de higiene para uso das famílias. p. portadora de uma promoção da mulher por causa deste reconhecimento de sua utilidade educativa. o hábito do internato. ou seja. entre o final do século XVIII e o fim do XIX. a utilização da família pelo médico contra as antigas estruturas de ensino. p. Esse mesmo autor coloca que. os programas excessivos. contra os efeitos das promiscuidades sociais.

fora do hospital do Santo Espírito in Saxia (ao lado do Vaticano) “em seu longo muro lateral. até o século XIX. estava instalada em toda a Europa. o expositor colocava a criancinha que enjeitava. 1998. velam pelas boas condições da educação pública” (1986. E com a preocupação em unir respeito à vida e respeito à honra familiar. p. que serviu de modelo para as que surgiram posteriormente”. com um pequeno colchão. as crianças aprendiam a ler e recebiam uma formação moral. girava a Roda e puxava um cordão com uma sineta para avisar à vigilante – ou Rodeira .com/ pictures/pic O sistema de Rodas ou Casas de expostos difundiu-se praticamente por todo território europeu. Segundo Marcílio (1998. A Roda foi criada. de forma que. com economia social (1986. Com esse movimento. p. principalmente nos países católicos. “onde os pais preparam a criança a aceitar a disciplina escolar. em pouco tempo. 51). esse dispositivo era fixado no muro ou na janela da instituição. Todavia. religiosa e 100 . mas ao mesmo tempo. No tabuleiro inferior da parte externa. porém. para receber os bebês. De forma cilíndrica e com uma divisória no meio. Donzelot afirma que nada mais exemplar nessa reviravolta da relação Estado-família do que a história dos hospícios para menores abandonados. retirando-se furtivamente do local. chegando ao Brasil durante esse mesmo século. Nestas instituições. a primeira Roda dos Expostos da cristandade. em 1203. estando rigorosamente vedada a busca de informações sobre quem os havia trazido”.27).que um bebê acabara de ser abandonado. Esta foi. É sobre estes que os médicos alertam os pais e propõem uma cruzada contra tais modelos. p. O nome Roda – dado por extensão à casa dos expostos – provém do dispositivo de madeira onde se depositava o bebê. segundo Donzelot. 57. já que as crianças pobres teriam seus gastos custeados pelo Estado. a educação para as crianças pobres não ocorria desta maneira. a retomada da Roda merece destaque. In: MARCÍLIO.Universidade do Sul de Santa Catarina como ‘educação homicida’. 26). foi instalada uma ‘Roda’. inicialmente. Figura: Casa da roda dos expostos Fonte: www. por volta do século XII e retomada a partir do século XVII. Aparentemente.megagaleria. sem ser reconhecido. é que surge gradativamente a educação mista (escolar e familiar). seguramente. tratava-se igualmente da preocupação de garantir a conservação das crianças e de estender os mesmos preceitos higiênicos. mesmo em pleno dia. p.

por algum tempo ainda. desde cedo. nas classes favorecidas.com. gerando gradativamente uma separação maior entre o mundo dos adultos e o das crianças. a iconografia renascentista começa a representar mais as crianças junto de suas famílias e não apenas no espaço público. Além destas questões apontadas nesta seção. principalmente. da Virgem Maria e do nascimento e infância de alguns santos. imagens essas assexuadas e de crianças com feições de adultos. “cuidando-se” do seu corpo e da sua educação. se até o século XIV era bastante comum a criança se vestir como o adulto (usando inclusive perucas e sapatos de salto). Londres. 101 Unidade 4 . essencialmente religiosa. como “mulherzinhas”. a partir do século XVII haverá trajes cada vez mais definidos e apropriados para cada idade. As meninas continuarão. uma nova concepção da infância. e permaneciam até completarem em torno de 12 a 15 anos. passa a ser alvo de proteção e controle. a partir do Renascimento. Figura: Madona e Santos. séc XIII Fonte: http://www. essa diferenciação entre o vestuário adulto e infantil ocorrerá inicialmente com os meninos. a iconografia também revela importantes fatos sobre a vida das crianças naquele período. Temos assim. para atenderem as crianças abandonadas e pobres. não se diferenciando muito dos adultos. historiedade. participando das mesmas festas. p.br/ idademedia. a partir do período renascentista começarão a haver diferenças. no decorrer da Idade Moderna. Segundo Ariès (1981. sendo vestidas. se a iconografia medieval. 71). dos mesmos jogos e das mesmas brincadeiras. por exemplo. outras instituições de caráter caritativo e filantrópico foram criadas. a criança.htm Quanto ao vestuário infantil. Se na Idade Média as crianças participam ativamente de todas as atividades sociais. de Duccio di Buoninsegna National Gallery. Esta separação é maior e mais imediata nas classes abastadas. pois entre as classes humildes ela demorará mais a se efetivar.História da Educação I “profissional”. tanto a rica (nos colégios e escolas) como a pobre (nas instituições de caridade e filantrópicas). se restringe a expor imagens infantis do Menino Jesus. Ou seja. Além do sistema de Rodas. mas também no interior das casas. Neste sentido.

89) indaga em seu texto sobre “quais foram os efeitos mais visíveis desta pedagogização dos conhecimentos que surgiram e se aperfeiçoaram nos colégios jesuítas e que. A seguir. e as instituições de caridade e filantropia para a segunda. Os colégios. tanto a rica como a pobre. estenderam-se a outras instituições educacionais de sua época e de épocas posteriores”. Varella (1994. Na próxima seção. e o Estado passa a se ocupar também da educação das crianças com a criação de diferentes instituições. Mas estas mudanças não ocorrem num passe de mágica. há todo um processo de percepções e questionamentos por parte de alguns membros da sociedade na época que provocam gradativas alterações no modo de entender. p.A pedagogização dos conhecimentos e a disciplinarização dos sujeitos Como você pôde ver na seção anterior.Universidade do Sul de Santa Catarina Para essa nova infância. o sentimento da família em relação à infância muda. para a primeira. o que Varella chama de pedagogização dos conhecimentos. você verá outras conseqüências dessa nova forma de ver as crianças e os adolescentes. transcrevemos os três efeitos apontados pela autora: 102 . no final da Idade Média a criança começa a ser valorizada. entre elas a escola. educar e cuidar a criança. serão criadas novas formas e espaços de educação. SEÇÃO 4 . A partir do Renascimento. como vimos em outros momentos desta disciplina. as crianças e os adolescentes passam a ser educados em espaços cada vez mais fechados e os saberes são controlados e organizados para se adequarem às capacidades infantis. por exemplo. através de transformações e reinterpretações.

no decorrer dos séculos XVII e XVIII. em seres virtuosos. começaram a ficar marcados pelo estigma do erro e da ignorância. este processo de pedagogização dos saberes implicou a instauração. Eles viram-se desterrados do recinto sagrado da cultura culta. as disciplinas se tornaram fórmulas gerais de dominação. Com referência a este processo de disciplinarização que vai sendo implantado nas instituições. 2. sempre em consonância com a reta doutrina na Igreja e a tradição católica. dos problemas sociais. Foi deste modo que a disciplina e a manutenção da ordem nas salas de aula passaram a ocupar um papel central no interior do sistema de ensino até chegar praticamente a eclipsar a própria transmissão de conhecimento. que tinham por função realizar Ascese. com o passar do tempo. com a aprendizagem de ofícios – entre mestres e aprendizes. Por último. converteu-se na cultura dominante e reclamou para si o monopólio da verdade e da neutralidade. às lutas sociais. os saberes ligados ao mundo do trabalho. Os saberes que possuíam os professores jesuítas eram saberes verdadeiros. uma cultura que. diferentemente das disciplinas de tipo monástico. de um aparato disciplinar de penalização e de moralização dos colegiais.História da Educação I 1. Michel Foucault observa que. progressivamente aperfeiçoada. à plenitude da vida moral. segundo o dicionário Aurélio. que ligou a aquisição da verdade e da virtude à ascese e renúncia de si mesmo. Os mestres passaram a ser os únicos detentores do saber e os estudantes viram-se relegados a uma posição de subordinação. é exercício prático que leva à efetiva realização da virtude. Em primeiro lugar. Unidade 4 103 . mas a outros saberes. destinada a materializarse numa obra bem feita. como também a eles próprios . Deste modo. transmitidos por seus professores para convertê-los. converteramse em sujeitos destinados a adquirir os ensinamentos dosificados. por exemplo. saberes que se pretendiam neutros e imparciais. que não remetiam a processos sociais. Eram saberes desvinculados das urgências materiais. a aquisição desses saberes moralizados não exigia uma cooperação – como acontecia. 3. às culturas de determinados grupos ou classes sociais.

Universidade do Sul de Santa Catarina renúncias e como fim principal um aumento de domínio de cada um sobre seu próprio corpo. sucessão dos assuntos ensinados. mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mais útil. 134). ela agora só se compõe de elementos individuais que são colocados uns ao lado dos outros sob o olhar atento do mestre.) esse momento histórico é o momento que nasce uma arte do corpo humano. 104 . passa também para as escolas primárias. para o espaço hospitalar e. no entanto. o espaço escolar se desdobra.127).. Com uma nova organização do tempo e do espaço. mas também de vigiar. começa a definir a grande forma de repartição dos indivíduos na ordem escolar: filas de alunos na sala. (. de seus gestos. e inversamente. das questões tratadas segundo uma ordem de dificuldade crescente (1989. p. uma manipulação calculada de seus elementos. de mês a mês. Foucault diz. tornou possível o controle de cada criança individualmente e o trabalho simultâneo de todos. nem tampouco aprofundar sua sujeição. Temos que ter presente. alinhamento das classes de idade umas depois das outras. que a determinação de lugares individuais. de ano a ano. colocação atribuída a cada um em relação a cada tarefa e cada prova. a partir de 1762. no século XVIII. para o militar. a escola passa a funcionar como “uma máquina de ensinar. enfim todos passam a ser disciplinados. A ordenação por fileiras. treinados para transformarem-se em corpos “dóceis” e submissos.. mais tarde. Forma-se então uma política de coerções que são um trabalho sobre o corpo. de hierarquizar. que visa não unicamente o aumento de suas habilidades. p. nos corredores. de seus comportamentos (1989. nos pátios. a classe torna-se homogênea. que a disciplina inicialmente presente nos colégios. Mas como esta disciplina se manifesta ou é constituída numa classe escolar? Segundo Foucault. colocação que ele obtém de semana a semana. ainda.

Sendo assim. Unidade 4 105 . a seguir. conteúdos. o autor afirma que “a primeira das grandes operações da disciplina é então a constituição de quadros vivos que transformam as multidões confusas. acompanhe as respostas e comentários a respeito. realize. 1) Aponte uma razão para que. enfim toda a organização. inúteis e perigosas em multiplicidades organizadas” (1989. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas. Ou seja. p. Para melhor aproveitamento do seu estudo. Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e. para praticar os conhecimentos conquistados nesta unidade. na Idade Média. Agora. incute virtudes e valores a serem seguidos na sociedade. a escola com seus horários.134). as atividades propostas. os mosteiros abrissem suas portas para as crianças abandonadas. p. a seguir.135). regras.História da Educação I de recompensar” (1989.

Com base no texto da seção 2.Universidade do Sul de Santa Catarina 2) A civilização germânica e a civilização romana possuíam modos distintos de tratar a criança. 106 . construa um quadro síntese a respeito do entendimento/tratamento de cada uma sobre a criança. surgiram estudos sobre a infância que provocaram uma reorganização nos costumes das famílias sobre o modo de cuidar e de educar as crianças. Romanos Germanos 3) Durante o século XVII. Aponte uma mudança que ocorreu em relação ao modo de educar as crianças.

que agiam de forma diferenciada com suas crianças. também. Mesmo sendo filho legítimo (de Unidade 4 107 . na Antiguidade. Na seção 2. principalmente as pobres. que as crianças que sobreviviam. você teve oportunidade de conhecer duas grandes referências culturais. muito cedo eram iniciadas na vida do trabalho. Viu. Os romanos legavam ao pai (pater familias) o poder de vida ou de morte sobre as crianças. a prática de abandonar crianças pequenas era bastante comum nas civilizações ocidentais. com isto. Na primeira seção. você pôde perceber que.História da Educação I 4) Quais as principais características presentes nas práticas escolares para disciplinar os sujeitos e torná-los dóceis e submissos? Síntese Nesta unidade. a romana e a germânica. também. a “apologia da caridade em relação ao enjeitado”. Neste período. vários mosteiros abriram suas portas para receber crianças abandonadas e se inicia. você teve oportunidade de entrar em contato com informações sobre a infância em diferentes períodos históricos.

Caso o pai não o reconhecesse publicamente. as taxas de mortalidade infantil eram altíssimas. principalmente nas famílias mais ricas. A introdução da medicina doméstica é a responsável por grande parte das modificações desses costumes. provocando. Nesta época. as mulheres amamentavam as crianças e as crianças tinham uma educação comum até certa idade. uma reorganização nos costumes e modos de educar as crianças. a definição de modos de conduta. o controle dos saberes e do tempo. o pai poderia reconhecê-lo ou rejeitá-lo. buscava a formação de um sujeito disciplinado. 108 . seu espaço. que passa a fazer parte das práticas dos colégios e das escolas primárias. no entanto. com sua organização. Os germanos não praticavam o infanticídio. A preocupação com o alto índice de mortalidade infantil e com o modo como as crianças eram educadas fez com que Família e Estado passassem a conduzir os processos educativos tanto na vida privada (na casa) como na pública (colégios). preocupada com a família e a infância. a morte. busca formar um sujeito dócil e submisso. na maioria dos casos. Na seção 4. pois os rejeitados eram assumidos pela linhagem materna. Na seção 3. com isto. você pôde perceber como a disciplina. A escola.Universidade do Sul de Santa Catarina sangue). já havia sentimento em relação às crianças tanto que os pais choravam a morte de seus filhos. você pôde perceber que com o Renascimento difunde-se uma literatura humanista e moralista. a rejeição significava.

Solange Martins de Oliveira. 2000.. A polícia das famílias.com/videtur17/ricardo. São Paulo: Companhia das Letras. 1981. Tradução de M. História da Vida Privada 3: da Renascença ao Século das Luzes. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. você poderá realizar leituras nos seguintes livros e sites: ARIÈS. 1991. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.História da Educação I Saiba mais Para ampliar seus conhecimentos sobre as questões abordadas nesta unidade. J. BARBOSA. mas será que podemos ver tudo? Uma reflexão sobre as políticas públicas para a educação da infância. R. ed. FEIST. 2004. H. Philippe. Do topo de uma montanha temos um ótimo ângulo de visão das coisas. Petrópolis: Vozes. FOUCAULT. Disponível em: http://www2. da UNESP. São Paulo: Ed. 1991. HEYWOOD. Uma história da infância: da Idade Média a época contemporânea. Ricardo. 2. 1986.. Rio de Janeiro: Edições Graal Ltda.htm Unidade 4 109 . A individualização da criança. MAGALHÃES. COSTA. História da Pedagogia. História social da criança e da família.br/~revispsi/v5n1/ artigos/a03. 2. Disponível em: http://www.hottopos. Porto Alegre: Artmed. Jacques. Pondré Vassalo. A Educação Infantil na Idade Média.. Ivone Garcia. 7. da Costa Albuquerque. GÉLIS. CAMBI. ed.. Michel. T. In: CHARTIER.htm DONZELOT. Colin. 1989.uerj. F. Tradução de Ligia M.

O estatuto do saber pedagógico. Petrópolis: Vozes. 1994. 1998. Julia. VARELA. O sujeito da educação: estudos foucaultianos. Tomaz Tadeu da (Org. São Paulo: Hucitec. Maria Luiza. In: SILVA.Universidade do Sul de Santa Catarina MARCÍLIO.). 110 . História social da criança abandonada.

foram escolhidos determinados temas que julgamos serem fundamentais para sua formação como pedagoga(o). Quanto ao período contemporâneo. evidenciar como cada época (tempo/espaço) construiu suas idéias pedagógicas e.Para concluir o estudo Tendo em vista a impossibilidade de abarcar todos os tradicionais períodos históricos. XX e XXI. compreendendo os séculos XIX. optamos em focar certos elementos de alguns desses períodos e. você poderá ver como vários aspectos aqui pontuados se desenvolveram na realidade brasileira. Sem dúvida. que tratará da educação no Brasil. outros sujeitos. outras questões. a partir destes. o nosso modelo escolar. suas práticas educativas. Mesmo dentro dos períodos priorizados para análise. mas poderiam ter sido outras. de onde se origina e se constitui. Contudo. na disciplina de História da Educação II. em muitos aspectos. principalmente. o recorte espacial e temporal remeteu ao contexto europeu. Por exemplo. . como foram tratadas as crianças no nosso contexto e como se constituíram as instituições educativas e as idéias pedagógicas em nosso país. Procuramos aqui levantar algumas delas. Retomando Bertold Brecht. pois as demais disciplinas do curso trarão discussões pertinentes e direcionadas a estes contextos educativos. Esperamos que você tenha sido provocado a desvelar outras histórias. são muitas as histórias e muitas as questões a serem formuladas. não o tomamos como foco de análise. outras fontes.

Embora você tenha estudado o quanto as instituições até hoje disciplinaram os saberes e os sujeitos. que colaborem na formação de pessoas. Leonete e Rosmeri . Sucesso na continuidade dos estudos! Professoras Karen. gostaríamos de deixar claro que é possível constituir instituições com outras configurações.

. A. (Coleção Os Pensadores). dez/1997. Marisa. 1929-1989. Thais Nívia de L. Belo Horizonte: Autêntica. T. 80. DUBY. 1991. 1999.472-482. Educação jesuítica e crianças negras no Brasil colonial. História da Educação: notas em torno de uma questão de fronteiras.. CAMBI. Brasília. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. p. Peter. 196. Rio de Janeiro: Edições Graal Ltda. ed.hottopos. FERREIRA Jr.. Cynthia G. Tradução por José Arthur Gianotti. História social da criança e da família. Philippe. COMTE. História e teoria social. 1998. Belo Horizonte: Autêntica. História da Pedagogia. 1996. História da Educação.).26. BURKE. História da privada. São Paulo: UNESP. 1992. Peter. Tradução Maria Lucia Machado. 2: da Europa feudal à Renascença. FONSECA. 1999. Amarildo e BITTAR. A polícia das famílias. São Paulo: Companhia das Letras. da Costa Albuquerque. 2. VEIGA. São Paulo: UNESP. 2ª ed. Jacques. História e Historiografia da Educação no Brasil.) A escrita da história: novas perspectivas. São Paulo. 1990. Tradução de M. COSTA. Ricardo. set/dez. Disponível em: http://www. Luciano Mendes de (org. São Paulo: UNESP. BURKE. Franco. A Revolução Francesa da historiografia: a Escola dos Annales. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Marta Maria Chagas de. Educação modernidade e civilização: fontes e perspectivas de análise para a história da educação oitocentista.). FARIA FILHO. . São Paulo: UNESP. 1983. 2002. no.htm DONZELOT. São Paulo: Moderna. Peter (Org. 2. A Educação Infantil na Idade Média. Discurso sobre o Espírito Positivo (e outros). Belo Horizonte. Maria Lúcia de Arruda. 1981. ARIÈS. BURKE. 1986. CARVALHO. Abril Cultural. Espaço em Revista. v.com/videtur17/ricardo. n. 2003. ed.Referências ARANHA. Georges (Org.

2ª. SP: Manole. 7. Do topo de uma montanha temos um ótimo ângulo de visão das coisas. Pierre (Orgs. FREITAS. ed.). GHIRARDELLI Jr.FOUCAULT. Ivone Garcia. ed. Disponível em: http://www2. Régine.. O quotidiano da mulher no final da Idade Média (12501500) In: DUBY. São Paulo: Cortez. Rio de Janeiro: Francisco Alves. Jr. História da educação e da pedagogia. H. História da Educação. Disponível em: http://www.. MAGALHÃES. BARBOSA. São Paulo: Cortez. Porto Alegre: Artmed. Marcos Cezar de (Org. 1991. (Org. br/~revispsi/v5n1/artigos/a03. 20. Filosofia e história da educação brasileira. FREITAS. Lorenzo. Pondré Vassalo. Moysés (Orgs. Porto: Afrontamento. 2004. LOPES. A individualização da criança.. In: CHARTIER. HUBERMAN.. OPTIZ. 1997. PERROT. PERNOUD. Georges. Claudia. HEYWOOD.). ed. 2005. São Paulo: Cortez.. 3ª. ed. mas será que podemos ver tudo? Uma reflexão sobre as políticas públicas para a educação da infância. J.). 2002. ed. R.br/revista/historia/luz2. Paulo.. Porto Alegre: Mediação. GÉLIS. FEIST. Moysés. 1991. 2ª. O ensino na Idade Média. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Os intelectuais na história da infância. Tradução de Ligia M. LUZURIAGA.. História da Educação. A história da riqueza do homem.htm MARCÍLIO. 2003. 16ª. 1994. Michelle. Volume 2.. GHIRALDELLI Jr. Solange Martins de Oliveira. História social da infância no Brasil. Rio de Janeiro: Zahar Editores. Infância e educação infantil: uma abordagem histórica. Rio de Janeiro: DP&A. 1985. 1985.uerj. Eliane Marta Teixeira. Michel. Petrópolis: Vozes. 1989. São Paulo: Companhia das Letras. Paulo. 1998. Marcos Cezar de e KUHLMANN Jr. Colin. Leo.) História: novos objetos.. 1998. Uma história da infância: da Idade Média a época contemporânea.htm . Maria Luiza. Barueri. LE GOFF. permanencia. História da Vida Privada 3: da Renascença ao Século das Luzes. História das Mulheres.org. KUHLMANN.. São Paulo: Hucitec. 1998. São Paulo: Ed. ed. Nacional. 1976. História social da criança abandonada. Jacques e NORA.

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Estágio Supervisionado e Pesquisa e Prática Pedagógica. lecionando as disciplinas de História da Educação. Geografia para as Séries Iniciais e Fundamentos Sociológicos. É autora de artigos nos livros: História de Santa Catarina: estudos contemporâneos. Foi professora da rede pública e privada de ensino. Atuou como professora de nível superior na UNIVILLE. História das Mulheres de Santa Catarina e na revista Perspectiva (CED-UFSC). É professora do curso de Pedagogia e Letras da Unisul desde 2001. Atuou como professora de séries iniciais nas redes municipal de Florianópolis e estadual de Santa Catarina e em instituições particulares e no ensino superior da UDESC e UFSC. onde defendeu dissertação intitulada “A constituição da rede pública de ensino elementar em Santa Catarina – 1830/1859”.Sobre as professoras conteudistas Karen Christine Rechia Graduada e Mestre em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). e na Educação de Jovens e Adultos. Rosmeri Schardong Formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestre em Educação também . nos níveis fundamental e médio. História para as Séries Iniciais. da PUC/SP. Leonete Luzia Schmidt Formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestre em Educação também pela UFSC. Há dez anos é professora do curso de Pedagogia da Unisul. UDESC e UFSC. Política e Sociedade. lecionando as disciplinas de História da Educação. É doutoranda do programa de Pós-Graduação em Educação: História.

Universidade do Sul de Santa Catarina pela UFSC. É professora do curso de Pedagogia da Unisul desde 1998. 118 . onde defendeu dissertação intitulada “A instrução pública secundária em Desterro – o Atheneu Provincial (18741883)”. lecionando as disciplinas de História da Educação e Estágio Supervisionado. Atuou como professora das séries iniciais na rede estadual catarinense durante dez anos.

como esta pode ser escrita e que temas e fontes prioriza.Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação Unidade 1 1) Itens A e B são verdadeiros. Unidade 2 1) Sobre os filmes: Os aspectos relacionados a Unidade dependem do filme. na coluna Principais Representantes você deve escrever o nome dos autores que escreveram/ escrevem sobre cada tendência. Caso tenha dúvidas como realizar as atividades você poderá obter maiores informações com o tutor da disciplina. Item C é falso. o papel das mulheres. De maneira geral é importante observar as práticas educativas. a relação entre as classes sociais. 3) Resposta subjetiva. 2) Orientações para elaboração do quadro: na coluna Tendências você deve indicar o nome das três tendências e /ou teorias abordadas na seção 2. as formas de trabalho. . o ambiente social etc 2) Nesta questão os dois tópicos já indicam o que se quer atingir. na coluna Idéias Centrais você deverá pontuar as principais idéias de como cada tendência entende a história. o papel da Igreja e da religiosidade.

2) Garantir a uniformização que facilitaria o controle sobre as práticas e conteúdos desenvolvidos e evitaria desvios dos princípios defendidos pela Ordem Jesuítica. Ou a mãe passa a participar mais da educação dos filhos. Ordenação por fileiras: filas de alunos na sala. pode-se dizer que os colégios atenderam aos interesses de uma burguesia nascente/renascentista. B e E são Verdadeiros. mas carecia dos conhecimentos clássicos que a nobreza até então detinha. 4) Itens A. 2) Resposta livre. no pátios. nos corredores. também filhos de Deus. das questões tratadas segundo uma ordem de dificuldade crescente. um padrão de civilidade e polidez que os distinguiria dos trabalhadores. 3) A educação passa a ser mista. Unidade 4 1) Muitos membros da Igreja haviam sido abandonados pelos pais e por isso buscavam abrigar os que passavam pela mesma situação. que possuía poder aquisitivo. 4) A classe torna-se homogênea. Família e Estado assumem a educação das crianças. Os colégios forneceriam a seus alunos. 120 . Alinhamento das classes de idade umas depois das outras. Colocação atribuída a cada um em relação a cada tarefa e cada prova. as crianças colocadas umas ao lado das outras sob o olhar atento do mestre. Itens D e F são Falsos. além dessa cultura geral clássica. Sucessão dos assuntos ensinados. além disso a Igreja passa a pregar a caridade para com os abandonados.Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 3 1) Em linhas gerais. 3) Resposta subjetiva.