Universidade do Sul de Santa Catarina

História da Educação I
Disciplina na modalidade a distância

Palhoça UnisulVirtual 2006

Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina História da Educação I. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma, abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando uma linguagem que facilite seu estudo a distância. Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho. Não esqueça que sua caminhada nesta disciplina também será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade, seja por correio postal, fax, telefone, e-mail ou Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem - EVA. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois sua aprendizagem é nosso principal objetivo. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual.

Karen Christine Rechia Leonete Luzia Schmidt Rosmeri Schardong

História da Educação I
Livro didático

Design instrucional Viviani Poyer

Palhoça UnisulVirtual 2006

Copyright © UnisulVirtual 2006 N enhum a parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer m eio sem a prévia autorização desta instituição.

370.9 R24 Rechia, Karen Christine História da educação I : livro didático / Karen Christine Rechia, Leonete Luzia Schmidt, Rosmeri Schardong ; design instructional Viviani Poyer. – Palhoça : UnisulVirtual, 2006. 120 p. : il. ; 28 cm.

Inclui bibliografia. ISBN 85-60694-08-0 ISBN 978-85-60694-08-2

1. Educação – História. I. Schmidt, Leonete. II. Schardong, Rosmeri. III. Poyer, Viviani. IV. Título.
Ficha catalográf ica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul

Cr édi tos
Uni sul- Uni ver si dade do Sulde Santa Catar i na Uni sul Vi r tual- Educação Super i ora Di stânci a
Cam pusUni sul Vi r tual Rua João Pereira dos Santos, 303 Pal hoç a - SC- 88130-475 Fone/ f ax:( 48)3279-1541 e 3279-1542 E-mail :c ursovirtual @unisul . br Site:www. virtual . unisul . br Rei torUni sul Gerson LuizJoner da Sil veira Vi ce-Rei tore Pr ó-Rei tor Acadêm i co Sebastião Sal ésio Heerdt Chef e de gabi nete da Rei tor i a Fabian Martins de Castro Pr ó-Rei torAdm i ni str ati vo Marc us Viní c ius Anátol es da Sil va Ferreira Cam pusSul Diretor:Val ter Al ves Sc hmitzNeto Diretora adj unta:Al exandra Orsoni Cam pusNor te Diretor:Ail ton Nazareno Soares Diretora adj unta:Cibel e Sc huel ter Cam pusUni sul Vi r tual Diretor:João Vianney Diretora adj unta:Juc imara Roesl er Equi pe Uni sul Vi r tual Adm i ni str ação Renato AndréLuz Val mir Vení c io I nác io Bi bl i otecár i a Soraya Arruda W al tric k Coor denação dosCur sos Adriano Sérgio da Cunha Ana Luisa Mül bert Equi pe Di dáti co-Pedagógi ca Angel ita M arç alFl ores Carmen Maria Cipriani Pandini Carol ine Batista Carol ina Hoel l er da Sil va Boeing Cristina Kl ipp de Ol iveira Daniel a Erani Monteiro W il l Dênia Fal c ão de Bittenc ourt Enzo de Ol iveira Moreira Fl ávia Lumi Matuzawa Karl a Leonora Dahse Nunes Leandro Kingeski Pac hec o Ana Paul a Reusing Pachec o Cátia Mel issa S.Rodrigues ( Auxil iar) Charl es Cesc onetto Diva Marí l ia Fl emming I tamar Pedro Bevil aqua Janete El za Fel isbino Juc imara Roesl er Lil ian Cristina Pettres ( Auxil iar) Lauro JoséBal l oc k LuizGuil herme Buchmann Figueiredo LuizOtávio Botel ho Lento Marcel o Caval c anti Mauri LuizHeerdt Mauro Fac c ioni Fil ho Mic hel l e Denise DurieuxLopes Destri Moac ir Heerdt Nél io Herzmann Onei Tadeu Dutra Patrí c ia Al berton Patrí c ia Pozza Raul ino Jac ó Brüning Rose Cl ér E.Bec he Desi gn Gr áf i co Cristiano Neri Gonç al ves Ribeiro ( c oordenador) Adriana Ferreira dos Santos Al exSandro Xavier Evandro Guedes Mac hado Fernando Roberto Dias Zimmermann Higor Ghisi Luc iano Pedro Paul o Al ves Teixeira Raf aelPessi Vil son Martins Fil ho Ligia M aria Souf en Tumol o Márc ia Loc h Patrí c ia Meneghel Sil vana Denise Guimarães Tade-Ane de Amorim Vanessa de Andrade Manuel Vanessa Franc ine Corrêa Viviane Bastos Viviani Poyer Logí sti ca de Encontr osPr esenci ai s Marc ia Luzde Ol iveira ( Coordenadora) Arac el l i Aral di Grac iel e Marinês Lindenmayr JoséCarl os Teixeira Letí c ia Cristina Barbosa Kênia Al exandra Costa Hermann Prisc il a Santos Al ves Logí sti ca de M ater i ai s Jef erson Cassiano Al meida da Costa ( c oordenador) Eduardo Kraus M oni tor i a e Supor te Raf aelda Cunha Lara ( c oordenador) Adriana Sil veira Carol ine Mendonç a Dyego Rac hadel Edison Rodrigo Val im Franc iel l e Arruda Gabriel a Mal inverni Barbieri Gisl ane Frasson de Souza Josiane Conc eiç ão Leal Maria Eugênia Ferreira Cel eghin Simone Andréa de Castil ho Viní c ius Mayc ot Seraf im Pr odução I ndustr i ale Supor te Arthur EmmanuelF.Sil veira ( c oordenador) Franc isc o Asp Pr oj etosCor por ati vos Diane DalMago Vanderl ei Brasil Secr etar i a de Ensi no a Di stânci a Karine Augusta Zanoni ( sec retária de ensino) Ana Paul a Pereira Dj eime Sammer Bortol otti Carl a Cristina Sbardel l a Grasiel a Martins James MarcelSil va Ribeiro LamuniêSouza Liana Pampl ona Maira Marina Martins Godinho Marc el o Pereira Marc os Al c ides Medeiros Junior Maria I sabelAragon Ol avo Laj ús Prisc il l a Geovana Pagani Sil vana Henrique Sil va Secr etár i a Executi va Viviane Sc hal ata Martins Tecnol ogi a Osmar de Ol iveira BrazJúnior ( c oordenador) Ric ardo Al exandre Bianc hini Rodrigo de Barc el os Martins Edi ção -- Li vr o Di dáti co Pr of essor asConteudi stas Karen Christine Rec hia Leonete Luzia Sc hmidt Rosmeri Sc hardong Desi gn I nstr uci onal Viviani Poyer Pr oj eto Gr áf i co e Capa Equipe Unisul Virtual Di agr am ação Vil son Martins Fil ho Revi são Or togr áf i ca B2B

. . . . . . . abordagens e fontes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 03 Palavras das professoras conteudistas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Sumário Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 41 65 89 Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 09 Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113 Sobre as professoras conteudistas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . – As práticas educativas medievais . . . . . 119 . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 UNIDADE UNIDADE UNIDADE UNIDADE 1 2 3 4 – História da Educação: objetos. . . . . . . . . . . . . . . . . . – Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica . . . – A infância e a pedagogia moderna . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Para finalizar. apresentando alguns aspectos da trajetória histórica da infância. Também enfatizamos a constituição de uma nova concepção de infância na modernidade e como esta derivou na pedagogização dos conhecimentos e no disciplinamento dos sujeitos. você irá conhecer o contexto histórico da chamada Idade Média Ocidental. optamos por enfocar aspectos da cultura escolar presentes nos colégios modernos e na pedagogia jesuítica. Veremos aí que é possível estudar a História da Educação sob diferentes abordagens e temas e a partir de diferentes fontes. a educação nas corporações de ofícios. começando pela Antiguidade. passando pela Idade Média e Moderna e chegando à Idade Contemporânea. Iniciamos o presente livro apresentando um pouco das atuais discussões que permeiam o campo de estudos e pesquisas em História da Educação. Em seguida. a formação dos cavaleiros e a constituição das universidades. acaba-se por fazer um estudo panorâmico. discutiremos a infância e a pedagogia moderna. como a educação feminina. optamos em fazer algumas escolhas. .Palavras das professoras Caro estudante. Quanto à época moderna. Por tratar-se de um período extensivamente longo. para situar e compreender algumas práticas educativas relacionadas a este período. os quais ajudarão a compreender muitas das atuais características de nossas instituições de ensino. Os livros de História da Educação estão organizados de modo a abarcar o estudo dos tradicionais períodos históricos. Mesmo seguindo alguns desses períodos.

aprofundar os temas apresentados. no decorrer do livro. Leonete e Rosmeri . século XIX e XX. acreditamos que. indicar fontes extras de pesquisa para que você possa. você terá a oportunidade de discuti-las com mais propriedade. Boa aprendizagem! Professoras Karen.Quanto às questões educacionais do período contemporâneo. Procuramos. em outras disciplinas. na medida do seu interesse e disponibilidade.

Assim. Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica. São elementos desse processo: „ o livro didático.EVA. o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem . Carga Horária 60 horas – 4 créditos. O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam. Educação e infância na modernidade. „ „ Ementa História da educação: objetos. abordagens e fontes. . As práticas educativas medievais. a distância e presenciais).Plano de estudo O plano de estudos visa orientá-lo/la no desenvolvimento da Disciplina. Nele. você encontrará elementos que esclarecerão o contexto da Disciplina e sugerirão formas de organizar o seu tempo de estudos. as atividades de avaliação (complementares. a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/ mediação.

bem como analisar o uso de diferentes fontes de pesquisa nesta área. Unidades de estudo: 4 12 . Reconhecer as diferenças entre as formas educacionais no tempo e em sociedades distintas. Compreender o processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos na modernidade. Identificar os sujeitos/grupos sociais que foram atingidos ou excluídos pelas instituições educacionais ao longo do tempo. Relacionar o panorama histórico com as idéias pedagógicas e suas aplicações educacionais. assim como a ampliação e multiplicidade de temas ou objetos de pesquisa nas últimas décadas. Estes se referem aos resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de estudo. Identificar as principais características da pedagogia jesuítica. Analisar alguns modos de tratamento dispensados à infância em diferentes períodos históricos. „ „ „ „ „ „ Conteúdo programático/objetivos Veja. „ Conhecer as práticas educativas medievais e modernas.Objetivos Identificar as concepções de História que implicam em diferentes abordagens acerca da História da Educação. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua formação. a seguir. as unidades que compõem o Livro Didático desta Disciplina e os seus respectivos objetivos.

Unidade 3 – Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica Esta unidade iniciará discutindo a constituição e as características dos colégios modernos no século XVI. Você estudará. ainda. sistematizada a partir da Ratio Studiorum (1599). Também abordar-se-á o uso de diferentes fontes de pesquisa nesta área. a educação dos cavaleiros e a educação nas corporações de ofícios. Unidade 2 – As práticas educativas medievais O estudo desta unidade lhe proporcionará conhecer o contexto histórico da Idade Média. Verá que a partir do Renascimento institui-se uma nova concepção de infância que resultará num processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos. você iniciará o estudo desta unidade vendo como a infância foi tratada em diferentes momentos históricos. e sua influência na constituição de um determinado modelo de escola e sujeito. abordagens e fontes Nesta unidade. idéias. assim como a ampliação e multiplicidade de temas ou objetos de pesquisa nas últimas décadas. a formação das universidades medievais. você verá as principais características que a pedagogia e a escola moderna adquiriram em função das novas concepções sobre a criança desenvolvidas no período. Para entender a concepção de infância do período moderno. como a educação das mulheres. pretende-se discutir concepções de História que implicam em diferentes abordagens acerca da História da Educação.IHistória da Educação: objetos. Unidade 4 – A infância e a pedagogia moderna Nesta unidade. bem como a pedagogia jesuítica. 13 . bem como algumas práticas educativas desenvolvidas nesse período.Nome da disciplina Unidade 1 .

Universidade do Sul de Santa Catarina Agenda de atividades/ Cronograma „ Verifique com atenção o EVA. „ „ 14 . O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura. e da interação com os seus colegas e tutor. com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA. Não perca os prazos das atividades. organize-se para acessar periodicamente o espaço da Disciplina. Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da Disciplina. Registre no espaço a seguir as datas. da realização de análises e sínteses do conteúdo.

chamada) Avaliação Final (caso necessário) Demais atividades (registro pessoal) 15 .Nome da disciplina Atividades Avaliação a Distância 1 Avaliação a Distância 2 Avaliação Presencial 1 Avaliação Presencial 2 (2ª.

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Seção 2 Abordagens teórico-metodológicas para a escrita da História. Seção 3 Fontes e objetos para a História da Educação. Analisar o uso de diferentes fontes de pesquisa nesta área. „ Seções de estudo Seção 1 Concepções de História e de História da Educação. . abordagens e fontes Objetivos de aprendizagem „ 1 Identificar as concepções de História que implicam em diferentes abordagens acerca da História da Educação. assim como a ampliação e multiplicidade de temas ou objetos de pesquisa nas últimas décadas.UNIDADE 1 História da educação: objetos.

traçaremos um rápido perfil das principais tendências historiográficas que marcaram e têm marcado o campo da História da Educação. Assim. na seqüência. para. a seguir. Para isso iniciaremos analisando os “termos” educação. história e história da educação. por um lado.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade introdutória. por profundas discussões que. para iniciarmos nossas discussões. em função das inúmeras questões que ficam em aberto. Acreditamos que é importante para o estudo da História da Educação situar-se. contribuem para o avanço teórico-metodológico e para as novas possibilidades de investigação. história e história da educação. abordarmos a questão dos possíveis objetos e fontes a serem explorados pela área. Em seguida. nos últimos tempos. por outro. SEÇÃO 1 . gostaríamos que nos espaços. seja interessante você refletir um pouco sobre os termos educação. Destacamos que a área da História da Educação ou o campo da História da Educação tem passado. de algumas questões atuais que têm norteado sua discussão. você registrasse seu conhecimento sobre: 18 . dificultam. mesmo que de forma aproximativa.Concepções de História e de História da Educação Acreditamos que. mas. pretende-se discutir com você algumas questões relacionadas ao debate contemporâneo em torno da História da Educação.

já que esses termos/conceitos são historicamente construídos. mas apenas problematizá-los. variáveis no tempo e no espaço histórico-social. que é o processo de formação do ser humano. é bastante comum relacionar-se o termo educação com escola e ensino e história com o estudo do passado. Quando realizamos essa atividade de sondagem com nossas turmas presenciais. Embora isso não seja incorreto. portanto. Unidade 1 19 . quanto à educação. é preciso ampliar essa compreensão. um processo que ocorre no decorrer da sua existência e em diferentes espaços formais e não formais. Assim. “ninguém escapa da educação”. dentre inúmeras outras formas. ou seja. ligados à prática social e. principalmente devido a seus múltiplos sentidos. Não pretendemos oferecer respostas prontas e acabadas. podemos dizer. Como diria Carlos Rodrigues Brandão.História da Educação I O que é educação? O que é história? O que é história da educação? Não temos aqui a pretensão de esgotar a discussão sobre tais termos.

PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ Quem construiu a Tebas de sete portas? Nos livros estão nomes de reis. embora o ensino tradicional de história enfatize fatos isolados e apenas alguns indivíduos como promotores da história.Universidade do Sul de Santa Catarina Quanto à História. Arrastaram eles os blocos de pedra? E a Babilônia várias vezes destruída Quem a reconstruiu tanta vezes? Em que casas Da Lima dourada moravam os construtores? Para onde foram os pedreiros. a seguir. de destacar que. “entre outros. Gostaríamos. em nosso entender ela é construída cotidianamente pelos grupos humanos. Nesse sentido. Não levava sequer um cozinheiro? 20 . 11). componentes do que se chama o processo histórico. O jovem Alexandre conquistou a Índia. num tempo e espaço determinados.” (1994. Sozinho? César bateu os gauleses. p. diz que há. do escritor alemão Bertold Brecht (1898-1956) nos dá um pouco essa dimensão e nos alerta para estarmos atentos a outras histórias e a outros sujeitos históricos. na noite em que a Muralha da China ficou pronta? A grande Roma está cheia de arcos do triunfo Quem os ergueu? Sobre quem Triunfaram os Césares? A decantada Bizâncio Tinha somente palácios para os seus habitantes? Mesmo na lendária Atlântida Os que se afogavam gritaram por seus escravos Na noite em que o mar a tragou. dois significados básicos. ainda. à pesquisa e ao relato estruturado desses processos humanos. o poema. Ele se refere tanto aos processos de existência e vida real dos homens no tempo como ao estudo científico. Ghiraldelli Jr.

br/ensinar. (apud Veiga. acessar <http://eaprender. A Historiografia constituise num campo de estudo sobre a própria forma de se produzir e escrever a História. quando sua Armada Naufragou. como critério de cientificidade. Quem cozinhava o banquete? A cada dez anos um grande Homem. 2005. historiadores como Jacques Le Goff e Peter Burke. Anterior a esta data. entre outros.pdf>) Mas se a História não é um conjunto de explicações e de certezas sobre fatos e acontecimentos do passado.ig. Tantas questões. ele era uma colônia pertencente e administrada por Portugal. baseada na escrita dos historiadores. observam que a historiografia que se consolidou no século XIX foi aquela caracterizada pela narrativa dos eventos políticos. criados. Quem venceu além dele? Cada página uma vitória. Quem pagava a conta? Tantas histórias. bem como na utilização dos registros oficiais para a escrita da História. assegurava a História. apesar de existirem outros estudos históricos que contemplassem outros objetos “a história política era considerada (ao menos no âmbito da profissão) mais real ou mais séria que o estudo da sociedade ou da cultura”.mec.História da Educação I Filipe da Espanha chorou. há outra(s) forma (s) de escrevê-la? Segundo Veiga.com. (disponível em <http://portal.asp?RegSel=15 0&Pagina=6#materia> O Brasil passa a ser constituído enquanto Estado/Nação a partir de 1822. portanto. Isto porque. a História como disciplina escolar foi organizada na perspectiva pragmática da formação do cidadão. como verdade absoluta. Ninguém mais chorou? Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos. ainda conforme Veiga. 20).gov. Esta forma está associada a quem escreve e. com base somente no conteúdo de documentos escritos. Peter Burke diz que. naquele momento. pp. Para compreender melhor a trajetória deste conceito. 189193). In: Dicionário de Conceitos Históricos. muitos Estados/Nação estavam sendo constituídos. leva em conta a sociedade e época na qual o indivíduo está inserido. com a proclamação da independência. 2003.br/seb/arquivos/pdf/bronze. Neste contexto. Unidade 1 21 . A idéia predominante na época era de que o conhecimento produzido a partir de fontes oficiais. (verbete Historiografia. p.

estando sempre acompanhada de perto pela Filosofia da Educação. 28) Reforça. uma primeira questão a destacar é que ela surgiu no final do século XIX. p. Isso não significa que a História factual e política tenham deixado de existir e nem mesmo que não tenham sua importância. Segundo Lopes. Quanto à História da Educação. ainda. na Europa.Universidade do Sul de Santa Catarina Este tipo de História. vai sendo questionada e dando lugar a outras concepções. tendo como sujeitos os “personagens ilustres” e os “heróis” eleitos de cada época (possivelmente aquela História que muitos de nós aprendemos na escola).)essa associação com a Filosofia da Educação contribuiu para que uma das vertentes mais pesquisadas na História da Educação fosse exatamente a história das idéias pedagógicas e a fonte privilegiada para esse tipo de investigação fosse a obra dos grandes pensadores. voltada predominantemente para os fatos políticos e organizada de maneira cronológica.. p. também a disciplina História da Educação foi gerada no interior das escolas normais. como uma disciplina dos Cursos Normais.” .Agora. (2005. 29) que “o fato de a trajetória da História da Educação estar relacionada à Pedagogia e ao ensino dificultou sua constituição como uma área de pesquisa propriamente dita. ou seja. Lopes (2005. antes de dar continuidade à leitura. questão que você verá na seção 2. conforme os historiadores. diz respeito ao método ou a abordagem utilizada para escrever a História. desta unidade. No Brasil. O problema. sugerimos que você. dos cursos que formavam professores. (.. reflita um pouco sobre a seguinte questão: História da educação é um campo que pertence à História ou à Educação? 22 .

Segundo ela. a partir dos anos 30. dinâmicas de constituições de questões. talvez até em função disso. cada vez mais como um campo de estudos e pesquisas.” (CARVALHO. 19). nas duas últimas décadas. a História da Educação tem-se consolidado. a partir de sua própria prática disciplinar.6). p. a constituição da História da Educação “como campo de investigação historiográfica capaz de se auto delimitar e de definir. Para uns. exista ainda pouco diálogo entre historiadores e historiadores da educação. 1990. para outros. colocada em segundo plano no campo da educação. mas como ciência da educação ou como ciência auxiliar da educação” (WARDE. e que. 1997. até muito recentemente. p. Para melhor compreender. “O que significou não ter sido instituída como especialização temática da História. De acordo com Veiga (2003. para outros como um objeto. nos cursos de formação de professores. esse processo que retira a História da Educação do campo da História e que a inseriu entre as ciências da educação está associado ao processo que a transformou em disciplina escolar. temas e objetos.História da Educação I Existem diversos entendimentos entre os historiadores da educação sobre o lugar da História da Educação em relação à História. essa ausência de diálogo dificulta o entendimento da educação como objeto de investigação da História e permite que ela continue a ser vista como sub-campo ou especialização da História. ela é definida como uma especialização da História. É importante ressaltar que é muito recente a consolidação da História da Educação como campo de investigação científica no Brasil. ainda. Contudo. apesar de se constituir historicamente e inicialmente como uma disciplina escolar. p. O fato de ser transformada em disciplina escolar com objetivos institucionais e de formação de professores e pedagogos foi o que impediu.3-11). a História da Educação foi retirada do campo da História e convertida em abordagem ou em enfoque. ela foi separada do campo da História e. Nesse processo. Unidade 1 23 . como um sub-campo. ao mesmo tempo.

é necessário um breve panorama sobre principais influências na historiografia. Ver mais sobre Comte e a lei dos três estágios em <http://socio. outras temas de pesquisa têm sido investigados e ampliaram nosso conhecimento sobre a História da Educação. na forma de “contar” a História. processos e formas de aprendizagem. a explicação dos 24 .br/personalidades/ augustecomte. como veremos na próxima seção. Figura: Pintura Grega Fonte: http://paginas. o conhecimento científico deveria basear-se na observação dos fatos e na experimentação. materiais escolares. julgamos importante discutir.litica.com. nos últimos anos.Abordagens teórico-metodológicas para a escrita da História Para você compreender melhor o que foi falado até agora. de família modesta ‘eminentemente católica e monárquica’. devido à influência da Nova História. Assim. para demonstrar a evolução do homem na história da humanidade. Neste sentido. elabora a lei dos três estágios: o teológico. devido também a grande influência da Filosofia. algumas das perspectivas que orientaram e têm orientado as pesquisas nesse campo. e à aproximação com outras áreas de conhecimento. uol. o metafísico e o positivo. de Diderot. Leitor dos empiristas ingleses. os alunos. o professor. No primeiro estágio.Universidade do Sul de Santa Catarina Se durante muitos anos essas pesquisas restringiram-se à análise do pensamento pedagógico e das políticas educacionais.vilabol.tropo. br/arte/mundoantigo/grecia Auguste Comte (1798-1857) nasceu em Montpellier.com. d’Alambert. discípulo e secretário (e depois decidido antagonista) de Saint-Simon. Veiga observa que a educação tem apresentado um campo muito vasto de temáticas e o papel da História da Educação deve ser o de investigar e tornar visível diferentes objetos: a escola. Portanto.htm> Seção 2 . Turgot e Condorcet. entre tanto outros. como a Antropologia e a Lingüística. para a elaboração de leis gerais. É o iniciador do positivismo francês e o pai oficial da sociologia. A primeira influência que destacamos é o Positivismo. Doutrina surgida no século XIX e associada a Augusto Comte compreendia a ciência como domínio da natureza e sinônimo de progresso. na próxima seção. ou seja.terra. Os temas de pesquisa no âmbito da História da Educação acompanharam e acompanham diferentes correntes teóricometodológicas.

pois só eles portariam a verdade histórica. utilizados nas ciências físicas e naturais.. consultar PINSKY.rhr.. a fim de concluir disso o que será. dividida por períodos políticos. Uma das características desta concepção de História é que muitas vezes possibilita um olhar de cima. Mas o que nos interessa aqui são algumas características do Positivismo que vão repercutir na forma de escrever a História. br/v2n2/cerri. no segundo.si-educa. para a projeção do futuro: “Assim.uepg. grandes homens e “heróis” selecionados por uma elite política e econômica de cada época. Carla B.” (CERRI. Figura: Augusto Comte Fonte: www. disponível em <http://www. 1983. seria possível compreender os fatos “como eles realmente aconteceram”. em estudar o que é. devido ao tipo e à forma de trabalho. a noção de História preconizada por esta doutrina enfatizava as fontes/documentos escritos. que por sua vez deveriam ser descritos com base numa leitura supostamente objetiva do documento. São Paulo: Contexto.História da Educação I fenômenos era atribuída a elementos sobrenaturais. bem como suas formas de abordagens ao longo do tempo. Ou seja. (BURKE). (org. o verdadeiro espírito positivo consiste. realça sujeitos históricos como governantes. 2005. Seguindo essa concepção. Então.htm>). 25 . sobretudo. p. segundo o dogma geral da invariabilidade das leis naturais.” (COMTE. 50).) Fontes históricas. em ver para prever. temas e grupos sociais que escapam a esta abordagem. atribuindo ao historiador os critérios de objetividade e neutralidade. Como Comte acreditava ser possível compreender a sociedade e os indivíduos que a compõem através da razão. Grande parte desta documentação remete a fatos políticos. a explicação foi legada a entidades abstratas e no terceiro e último – o positivo – a fonte para elucidar estes mesmos fenômenos passaria a ser a razão. o conhecimento do passado torna-se fundamental para o entendimento do presente e. A História numa abordagem positivista ou tradicional.) tradicional é a característica de uma história de classe dominante (ou que em algum momento esteve no poder do Estado).net Assim. conseqüentemente. Os fatos históricos são colocados numa linha de tempo linear. acabou projetando lógica semelhante à da elaboração das leis naturais para a História. a História da Educação estaria associada. Unidade 1 Para conhecer os diferentes tipos de fontes/documentos e suas definições. Por História tradicional entende-se que “(. excluindo-se uma série de sujeitos. nesta perspectiva.

Voltando à sociedade européia. no curso da Revolução Industrial. XIX. com jornadas de Para compreender melhor as definições sobre Antigo Regime. legitimava/legitima a ordem vigente. confundida com a história das idéias pedagógicas. almejava conquistar ou garantir também o poder político. historianet. p. possuía a simpatia de alguns pensadores e grupos. XIX. dinamizaram a produção industrial..).br>.Universidade do Sul de Santa Catarina com as fontes/documentos. acesse o site: <http://www. promovendo uma concentração de mãode-obra nas cidades. bem como a descoberta de novas fontes de energia. que já havia consolidado seu poder econômico. A classe burguesa.com. portanto. (VEIGA apud FARIA FILHO. 26 . Por ser uma classe que se opunha à velha ordem ou ao Antigo Regime. (. configurando o que se denomina como Imperialismo ou Neocolonialismo do séc. ao pensamento pedagógico. a um panorama políticoinstitucional no tocante à legislação da política educacional. percebe-se que essa massa trabalhadora vivia em condições subumanas. que durante muito tempo vinculou-se a uma interpretação essencialmente política. 7) Essa visão de História. foi perpassado por discussões acerca dos pressupostos da razão e do conhecimento científico. 1998. apresentava uma dicotomia básica. Revolução Industrial e Imperialismo ou Neocolonialismo do séc. etc: A maneira como a história se organizou enquanto ciência e disciplina escolar se confunde com a própria história da educação. a divisão de duas classes sociais: os capitalistas e os proletários. O estabelecimento das fábricas nas cidades. o século XIX. os países europeus expandem-se para a Ásia e África. ou seja. linearizada. Mas qual é o seu contexto de surgimento? É importante conhecermos o contexto histórico para que compreendamos o significado e o crescimento de tais teorias. Na busca de matérias-primas e de mercado consumidor para tal produção. Conforme já falamos no início da seção. A sociedade européia.. a mecanização. ao menos no Ocidente.

a revolução cubana de 1919 são alguns exemplos de revoluções que se diziam inspiradas em suas idéias. nem objetiva.uol. toma como objeto de estudo a sociedade burguesa. é compreender a visão de História advinda de tal teoria. de um modelo.tropo. A teoria marxista é chamada de Materialismo histórico e dialético. a História não é neutra.br Unidade 1 27 . Figura: Karl Marx Fonte: www. Disponível em <http://socio. a revolução chinesa de 1949. também é construída a partir dos interesses de uma classe. como dizia o Positivismo.com. podemos compreender que a História é movimento. com a presença do trabalho infantil e feminino e precárias condições de moradia. a luta de classes. o que nos interessa aqui. A história se faz com os fatores materiais. Sua existência foi dedicada à luta da classe trabalhadora. assim como outra corrente teórica. portanto. saúde e alimentação.vilabol.com. Portanto. litica. sem direitos trabalhistas. Karl Marx (1818-1883) nasceu na Alemanha. antagônica na maior parte dos aspectos.. Marx vai estudar profundamente a oposição das classes ao longo da História – que chamará de luta de classes – e a constituição do capitalismo. dessa forma. no sentido de superá-las. a partir de certas condições materiais de vida. no entanto. A imagem do passado. ou modo de produção sobre o outro.) no lugar das idéias estão os fatos materiais: no lugar dos heróis.htm>. é nas contradições entre as classes antagônicas e do desenvolvimento das próprias forças produtivas de cada época.História da Educação I trabalho que poderiam chegar a 18 horas diárias. É claro que estamos simplificando as idéias de tal teoria. legitimando a ordem vigente. A revolução russa de 1917. É neste panorama que surge o Positivismo.unificado.. 141): (. p. pois pressupõe a ação de indivíduos reais. econômicos e técnicos que correspondem às condições em que os homens se reúnem para produzir sua existência no trabalho. Como explica Aranha (1996. Por isso. porém do ponto de vista do trabalho e dos trabalhadores. br/personalidades/ karlmarx. com base nos estudos de Karl Marx. que se percebe a superação de uma classe sobre a outra. que criaria a União Soviética (URSS).

Universidade do Sul de Santa Catarina Tal noção de História. ao considerar a classe trabalhadora como fundamental. que são muitas e trataremos apenas de uma delas. Em terceiro 28 . desloca-se o foco do político para o econômico e ao mesmo tempo. A Nova História e suas derivações. é necessário que voltemos no tempo. a História Cultural – é uma corrente dentro da própria História. a História. como falamos no início da seção. do século XX. De qualquer forma. portanto. é a Nova História. Em segundo lugar. do historiador francês Jacques Le Goff (1978). A última corrente que abordaremos aqui. um grupo de historiadores franceses promove uma espécie de reação à História excessivamente política e as suas principais propostas podem ser assim resumidas: Em primeiro lugar. no sentido de compreender as formas de escrever a História e. a partir desta teoria. através da conscientização de uma classe oprimida. também constituiu outros campos de estudo e conhecimento da realidade. permite-se. a história de todas as atividades humanas e não apenas da história política. levaria ao Comunismo (esta linearidade também está presente na lei dos três estágios de Comte). uma “história vista de baixo”. como a História da Educação. por ser calcada no desenvolvimento de processos materiais. numa sucessão de superação dos modos de produção. diferente das duas anteriores. a educação pode ser vista como a reprodução da sociedade ou a sua superação. A expressão Nova História passou a ser amplamente conhecida através da obra “La nouvelle historie”. a substituição da tradicional narrativa de acontecimentos por uma história-problema. Na década de 20. No entanto. Assim. ou de modos de produção. pois a “linha da História”. Nessa linha. traduz-se numa visão economicista e linear. pois ela é fruto de todo um movimento anterior. a História da Educação.

novos temas foram incorporados à historiografia. chamada Revista dos Annales.hpg. Ao privilegiar a História econômica e social. visando completar os dois primeiros objetivos. a economia. aspx?codigo=607> Veja a seguir: „ Se a História deve considerar todas as atividades humanas. etc.br/ annales. a infância. pp. portanto.com. mas também como ruptura com as anteriores. a antropologia social e tantas outras. A História é construída a partir do ponto de vista de quem a escreve e das fontes selecionadas ou disponíveis no momento. as festas. tais como a geografia. Muitas destas propostas foram apresentadas numa publicação criada em 1929. ohistoriador. Portanto. segundo o historiador Peter Burke. os odores. Essa geração pode ser vista como uma continuidade. (BURKE.historianet. a sociologia.História da Educação I lugar. que leve em conta as pessoas comuns. Uma “história vista de baixo”.não só os escritos – como fotografias. „ „ „ Unidade 1 29 . Muitos são os registros necessários se pensarmos nas atividades e experiências humanas. a colaboração com outras disciplinas. 11-12). A abertura para outros documentos e fontes . pinturas. este movimento. com. em seu contexto de tempo e espaço. objetos. não é possível contar a História como ela realmente aconteceu.ig. desconhecidas. tudo tem história. 1992.htm> e também <http://www. a família etc. Quais características são fundamentais nesta nova forma de ver e escrever a História? Para saber mais sobre o movimento dos Annales e seus desdobramentos.br/conteudo/default. acesse: <http://www. o corpo. tendo a frente Marc Bloch e Lucien Febvre. a lingüística. histórias orais. em certos aspectos. a alimentação. pode ser percebido em três gerações e a última seria a dos anos 70. a psicologia. como: a morte.

atualmente. vários objetos e abordagens conquistam espaço. ou melhor dizendo. do tempo presente. você já percebeu que a História Cultural vai influenciar e. p. No campo educacional. não está errado(a).com. até mesmo. ou se você pensou em algo referente ao mencionado.1. até mesmo. leia estas duas entrevistas: http:// pphp. da imagem das identidades. como o cotidiano. multirio. brota ou emerge a água. a historia social e.br/tropico/html/ textos/2479. da literatura. Neste sentido. fonte é a origem 30 . Para saber mais acerca das idéias e pesquisas deste historiador que tem influenciado muitos trabalhos em História da Educação no Brasil. Pesavento aponta a História das cidades. 53). como veremos na seção a seguir. Seção 3 . renovar os objetos e abordagens nesta área.uol. Nesta concepção. Um dos historiadores da História Cultural que tem sido muito utilizada na História da Educação é Roger Chartier devido as suas pesquisas sobre a História da leitura e dos impressos. (apud FONSECA. Fonte é o lugar de onde sai algo. as mentalidades.Fontes e objetos para a História da Educação O que vem a sua mente quando aparece a palavra fonte? Registre a seguir: Se lhe veio à cabeça a palavra nascente ou. assim como também o historiador não é neutro e detém um ponto de vista (relacionado às idéias de sua época e ao lugar que ocupa).rj. da memória e da historiografia.Universidade do Sul de Santa Catarina Não há uma única verdade em um contexto histórico. o lugar onde nasce. como a História Cultural. a partir das discussões acerca da cultura no campo historiográfico e principalmente metodológico. esta tendência da História está expressa em recentes pesquisas na área.asp?idio ma=1&idMenu=4&label=Entrevist as&v_nome_area=Entrevistas&v_ id_conteudo=51218>.gov.br/portal/riomidia/ rm_entrevista_conteudo. 2003. Dentre estes campos de investigação.shl e <http://www.

constituem o ponto de partida. pp. 5-7) diz que ela apresenta. não é delas que brota e flui a história. o repositório dos elementos que definem os fenômenos cujas características busca-se compreender. Saviani (2004. entretanto. Para deixar mais clara esta questão. a rigor. já se liga a um repositório abundante de elementos que atendem à determinada necessidade. no plural. Elas enquanto registros.História da Educação I de alguma coisa. são a fonte do nosso conhecimento histórico. 2004. bem como exemplos de fontes por eles utilizados para produção da historiografia educacional. no plano do conhecimento. O mesmo autor observa que. a palavra nascente. via de regra. algumas contribuições sobre seu entendimento sobre fontes. não se pode falar em fontes naturais já que todas as fontes históricas. E é por isso que o conhecimento produzido sobre a História da Educação também sai de alguma fonte. o lugar onde brota algo que se projeta e se desenvolve indefinidamente e inesgotavelmente. isto é. buscamos junto a alguns autores que vêm estudando a História da Educação nas últimas décadas. duas conotações. enquanto testemunhos dos atos históricos. As fontes estão na origem. o qual. Uma significa ponto de origem. por definição. Ou seja. não se trata de considerar as fontes como origem do fenômeno histórico considerado. a base. Outra indica a base. o ponto de apoio. que não é o caso aqui – observação do autor). (SAVIANI.5) Unidade 1 31 . fonte é sinônimo de nascente que corresponde também à manancial. são produções humanas (salvo quando a questão for relativa a uma possível História natural. no caso da História. o ponto de apoio da construção historiográfica que é a reconstrução. como ponto de origem. a palavra fonte é usada em História com sentido analógico. assim como manancial. do objeto histórico estudado. é preciso considerar que. são construídas. p. No entanto. Além disso. é usada apenas para se referir ao ponto de origem de um curso ou corrente de água. ou seja. Ele observa que. Assim as fontes históricas não são a fonte da história. Com relação à palavra ‘fonte’. também tem origem.

em parte. indícios que foram acumulando ou que foram guardados. as inúmeras peças guardadas nos museus. vestígios. Entre eles estão a multidão de papéis existentes nas bibliotecas e nos arquivos públicos ou privados.14) diz que seus conteúdos resultam. novos significados.. como nos coloca Fonseca: (. p. da descoberta do pesquisador junto aos arquivos e outras formas de apropriação obtidas através de depoimentos orais ou escritos e de outros meios de expressão. São documentos. a analogia não se limita apenas ao caráter de origem. na medida em que estes buscam neles respostas às questões levantadas.Universidade do Sul de Santa Catarina Ainda segundo Saviani. Além disso. De acordo com ele. nos quais nos apoiamos em nossa investigação. no futuro. por exemplo. É importante relembrar.. Ou seja. Entre estas fontes encontram-se tanto materiais de trabalho como de pesquisa.) teve sua trajetória marcada pelas relações estabelecidas com o conhecimento produzido em outros 32 . dentre muitos outros objetos que adquirem o estatuto de fonte diante do historiador. tendemos a encontrar novos elementos. As segundas são aquelas que os educadores ou historiadores preservam para que. Falando de História de instituições escolares. As primeiras são aquelas que encontramos nos vários tipos de acervos com as mais diferentes formas. novos pesquisadores possam compreender seu passado que é o nosso presente. Werle (2004. também o caráter de inesgotabilidade transpõe-se analogicamente para a historiografia. como já vimos na primeira seção. que a História da Educação configurouse primeiramente como disciplina escolar e. novas informações que nos tinham escapado nas vezes anteriores. podemos distinguir as fontes entre aquelas que se constituem de modo espontâneo e aquelas que produzimos intencionalmente. sempre que a elas retornamos. Mas nem sempre foi assim. há ainda as fontes produzidas a partir de registros de testemunhos orais.

tanto da tradição positivista.. quanto da marxista. numa abordagem diferente. notadamente a evolução da legislação educacional. Unidade 1 33 . como a fi losofia e a Psicologia. por exemplo. Dermeval Saviani e seu grupo na Unicamp. Tratava-se de elaborar um conjunto de saberes sobre a história das idéias pedagógicas que tivesse função prática na formação dos professores e pedagogos. p. pesquisaram temas relacionados a este campo como os livros e a leitura. Um outro tipo de análise. Alguns historiadores. dentre eles Pierre Nora e Roger Chartier (que já citamos anteriormente). A fonte ou documento utilizado por esta abordagem era unicamente o registro escrito. ora seguiam um ecletismo em que passava-se em revista as instituições educacionais e/ou doutrinas pedagógicas da Grécia Antiga até a época contemporânea. (In: VEIGA. 242. entre outros. ocupa lugar de destaque em obras de História da Educação no Brasil.) A trajetória da História da Educação é marcada pelas concepções que esboçamos na seção anterior. a escolarização. numa perspectiva marxista. 56) O estudo das idéias pedagógicas acabou caracterizando as pesquisas nesta área. que é a organização dos sistemas de ensino associada às políticas educacionais do Estado.História da Educação I campos. 2003. Ghiraldelli jr. p. fazem questionamentos à condução dos planos e do campo de pesquisa da História da Educação: (. como campo de investigação e muitas vezes é vista como uma dimensão do universo cultural em estudo. mas na mesma concepção. Aproxima-se atualmente da História Cultural. (GHIRALDELLI Jr. aponta que nos anos 80. Lembre-se do que já vimos sobre a concepção positivista e perceba as semelhanças! Ainda no Brasil.. 2003.) ora eram construídos a partir de uma visão determinada.

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Como exemplos de fontes que os historiadores da educação vêm se apoiando nos últimos tempos para produzir o conhecimento sobre a área podem ser citados:
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documentos (oficiais ou não); legislação; arquivos institucionais públicos e privados dentre eles os escolares; arquivos pessoais (como baú de memórias, ou seja, informações que uma pessoa guarda como fotos, diários, correspondências, dentre outros); dados estatísticos; literatura; produção bibliográfica; livros didáticos; pinturas e outras obras de arte; fotografia; memórias (entrevistas e histórias de vida); arquitetura de prédios escolares; objetos escolares (desde tinteiros até cadernos e mobílias existentes no interior de uma escola).

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Para saber mais sobre os jesuítas e sua atuação no Brasil, acesse: <http://www.pedagogiaemfoco. pro.br/heb02.htm> e <http:// www.cimi.org.br/?system=news&a ction=read&id=1643&eid=259>.

„ „ „ „ „

Marquês de Pombal é o nome com que ficou conhecido Sebastião José de Carvalho e Melo, político e verdadeiro dirigente de Portugal durante o reinado de José I, como 1º. Ministro. A partir de 1756, realizou um programa político de acordo com os princípios do Iluminismo, porém às suas reformas opuseram-se os jesuítas e a aristocracia. Num atentado contra a vida do rei em 1758, conseguiu implicar os jesuítas, expulsos em 1759. Disponível em <http://www.netsaber.com. br/biografias/ver_biografia. php?c=891>.

Conforme Fonseca, na História da Educação no Brasil, por exemplo, novos temas têm sido considerados, como a História da leitura e dos impressos escolares, “a história da profissão docente, os processos de escolarização, a cultura escolar e as práticas educativas e pedagógicas.” (FONSECA, 2003, p.61) Em alguns casos, antigos temas ou pesquisas, como as idéias pedagógicas e o sistema escolar têm sido revistos. Um exemplo disto são alguns estudos atuais sobre o período colonial que, ao invés de focarem apenas na escolarização formal relacionada à presença dos jesuítas e depois à administração pombalina, levam em conta outros processos educativos. Estes processos educativos, que podemos chamar de não formais, geralmente abarcavam uma população que estava à margem da escola, por condições financeiras ou preconceito.

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História da Educação I

Este tipo de estudo, ao invés de considerar apenas os escolarizados formalmente, permite-nos vislumbrar outras formas educativas relacionadas aos indígenas, mestiços, brancos pobres e aos negros escravos ou livres. Neste caminho, são trazidas à tona informações sobre o aprendizado profissional, a circulação de artistas e artesãos que traziam consigo saberes e técnicas. A pesquisa sobre este período amplia-se, levando em conta as especificidades e as culturas que circulavam naquele momento histórico. Um outro objeto de investigação tem sido ressaltado, referese à própria História da infância. Um dos trabalhos pioneiros e marcantes neste sentido é o do historiador francês Philippe Ariès, “História Social da Criança e da Família”. (1981). Neste trabalho, ele analisa a trajetória da construção da noção moderna de infância. Mostra a criação de um “sentimento de infância”, voltado à proteção e diferenciação em relação ao adulto, o que antes não ocorria. Ele inova não só na temática, como também na escolha das fontes. Ao contrário de outras tendências, utiliza a iconografia (imagens), diários, inscrições de túmulos, etc.

Figura: Livro de Philippe Áries – História Social da Criança e da Família Fonte: www. livrariacultura.com.br

Apesar de algumas críticas, pois o trabalho centrou-se nesta construção a partir das elites, contribuiu para chamar a atenção para o conceito de infância e para a ampliação das fontes e da análise.

Outros livros organizados nesta temática como “História das crianças no Brasil (PRIORE, 1991), “História social da infância no Brasil” (FREITAS, 1997) e “Infância e educação infantil” (Kuhlmann, 1998), nos mostram os mais diferentes objetos e fontes para a História da Educação. Em todos estão presentes diversas visões sobre a infância e os lugares atribuídos às crianças em cada contexto histórico. Como exemplo de trabalho com fontes orais, mais especificamente com histórias de vida de professoras aposentadas, temos o trabalho organizado por Maria Teresa de Assunção Freitas, “Memórias de professoras: história e histórias” (2000). Neste projeto, as histórias de vida foram cruzadas com uma

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história maior, trazendo elementos para a compreensão da História da Educação local (Juiz de Fora) e nacional. Assim, os objetos de análise relacionam-se à formação de professores, à prática pedagógica, à leitura e à escrita, às bibliotecas e às políticas públicas e à própria vida cultural da cidade. Os objetos foram definidos a partir de suas falas e recordações. Um outro componente que tem sido transformado em objeto de investigação são os manuais didáticos. Ao invés de serem utilizados só como fonte para a compreensão de outras questões, como os processos de escolarização, a construção de culturas escolares, a história de uma disciplina, têm sido analisado em seu processo de produção, sua circulação, seu uso e também nas apropriações que os diferentes grupos sociais faziam deles. Para estudar a escolarização no século XIX no Brasil, por exemplo, quando utilizávamos somente as fontes tradicionais, como a legislação da época, tudo nos levava a crer que havia uma ausência do Estado, através da falta de políticas públicas para a educação e infância. No entanto, quando levamos em conta outras fontes, como cadernos escolares, mapas de matrícula, relatórios de profissionais envolvidos nesta organização escolar, percebemos que havia uma tentativa de viabilizar um sistema público de ensino, ao menos para a população livre.
Você deve ter percebido, até agora, que estes novos olhares sobre a História da Educação, relacionados à renovação da historiografia, mas também à aproximação com outras áreas, como a Antropologia e a Sociologia (só para citar duas áreas) têm contribuído com novas fontes e objetos de estudo, até então desconsiderados. Por isso, podemos visualizar a educação num contexto mais amplo, também relacionada a temas que, anteriormente, não apareciam.

É nesta perspectiva que estaremos conduzindo as demais unidades deste livro. Agora, para praticar os conhecimentos conquistados nesta unidade, realize, a seguir, as atividades propostas.

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acompanhe as respostas e comentários a respeito. Para melhor aproveitamento do seu estudo. b) ( ) No Brasil. 1) Referente ao conhecimento de História da Educação é correto afirmar: a) ( ) O conhecimento produzido a partir de fontes oficiais era visto.História da Educação I Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e. como forma de garantir a cientificidade. 2) Construa um quadro síntese com as informações da Seção 2: TENDÊNCIAS PRINCIPAIS REPRESENTANTES IDÉIAS CENTRAIS Unidade 1 37 . até muito recentemente. c) ( ) A fotografia e as obras de arte nunca foram consideradas fontes historiográficas. a seguir. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas. a História da Educação foi transformada em disciplina nos cursos de formação de professores e de pedagogos a partir de 1930.

com mais idade. „ Anote suas impressões nas linhas a seguir: Síntese Na primeira seção desta unidade. livros didáticos. como o processo de formação do ser humano. desenhos e outras imagens relacionadas à sua vida escolar ou à da sua família. Podemos dizer. que a noção de História sofreu mudanças ao longo do tempo: desde uma concepção baseada 38 . „ Localize fontes iconográficas como fotos. você teve contato com termos como educação.Você pode perceber que podemos conceituar a Educação. leis. cartilhas. „ Realize uma entrevista com alguém que você conheça.Universidade do Sul de Santa Catarina 3) Realize a atividade sugerida a seguir na sua cidade e depois socialize com o grupo na ferramenta Exposição no EVA: Visite uma biblioteca ou arquivo público e identifique alguma fonte/documento referente à educação em outras épocas: notícia de jornal. acerca da sua vida escolar. um processo que ocorre no decorrer da sua existência e em diferentes espaços formais e não formais. também. História e História da Educação. dentre inúmeras outras formas.

apesar de ser um campo ainda muito recente de estudos. Assim como no Brasil. Nesta perspectiva. Assumida esta imparcialidade na escrita da História. nas duas últimas décadas. dos cursos que formavam professores. No campo educacional. ao apontarmos as correntes que influenciaram/ influenciam a História da Educação. No viés da Nova História. Na seção 2. na qual ela pode ser entendida como uma construção de acordo com o ponto de vista de quem a escreve (o historiador). a educação pode ser vista como a reprodução da sociedade ou a sua superação. exclui uma série de sujeitos. devido à aproximação com as novas tendências da História e de outras áreas do conhecimento. através da conscientização de uma classe oprimida. a História da Educação influencia e até mesmo renova os objetos e abordagens nesta área. compondo o que se chama de processo histórico. O Positivismo ao lançar um olhar de “cima para baixo”. temas e grupos sociais que escapam a esta abordagem. Você também aprendeu que a História da Educação. surgiu no final do século XIX. a História da Educação estaria associada. na Europa. você pode notar as principais diferenças entre elas e as contribuições na forma de olhar e escrever a História e a História da Educação. cada vez mais como um campo de estudos e pesquisas. cuja disciplina foi gerada no interior das Escolas Normais. tem-se consolidado. Unidade 1 39 . leva-se em conta a História dos grupos humanos. até uma outra perspectiva.História da Educação I na ênfase aos fatos isolados. devido ao tipo e à forma de trabalho com as fontes/ documentos. No entanto. Já no Marxismo. ou seja. notadamente da História Cultural. em tempos e espaços determinados. estando sempre acompanhada de perto pela Filosofia da Educação. esta tendência da História está expressa em recentes pesquisas na área. a um panorama político-institucional no tocante à legislação da política educacional e ao pensamento pedagógico. como uma disciplina dos Cursos Normais. dispostos de maneira linear e cronológica e com apenas alguns indivíduos como promotores da História.

como as entrevistas orais. Philippe. A Revolução Francesa da historiografia: a Escola dos Annales. 2004.. Também descobriu que. BURKE. Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade. A História Social da Criança e da Família. Campinas-SP: Autores Associados. a cultura escolar. VEIGA. Maria Isabel Moura (org). 2003. a arquitetura escolar. Belo Horizonte: Autêntica. 1929-1989. a partir destas novas fontes. 40 . Dermeval. Dessa forma. é possível levantar outros objetos de pesquisa. Breves considerações sobre Fontes para a História da Educação. o conceito de infância. você descobriu que há muitas fontes possíveis de serem utilizadas nas novas pesquisas em História da Educação. Ed. Thais Nívia de L. fotos. entre outros. SAVIANI. Cynthia G. Peter. pinturas. 1991. São Paulo: UNESP. História e Historiografia da Educação no Brasil. In: LOMBARDI. a História da Educação constitui-se como um campo vasto de pesquisas. você poderá pesquisar os seguintes livros: ARIÉS. as práticas educativas e pedagógicas. Rio de Janeiro: Guanabara. incluindo processos educativos e grupos sociais que. além dos documentos oficiais e da legislação. etc. não eram mencionados. 1981. FONSECA. diários pessoais. na maior parte das vezes. como a História da profissão docente. José Claudinei e NASCIMENTO. Fontes. os processos de escolarização.Universidade do Sul de Santa Catarina Por fim. História e historiografia da educação. 2ª.

Estabelecer critérios de comparação entre as formas educacionais do período medieval e as atuais. Seção 3 A educação dos cavaleiros medievais.UNIDADE 2 As práticas educativas medievais Objetivos de aprendizagem „ 2 Compreender o contexto histórico das práticas educativas medievais. Seção 4 A educação nas corporações de ofício. Identificar os sujeitos e grupos sociais. Seção 2 A educação das mulheres. . „ „ „ Seções de estudo Seção 1 Idade Média: um breve contexto histórico. Compreender o significado e a importância de situações pedagógicas não formais. que foram atingidos ou excluídos pelas instituições ou associações educativas. Seção 5 A educação nas Universidades.

também. ou melhor. entre diferentes sujeitos e grupos sociais. como é o caso da maioria das mulheres e dos aprendizes nas corporações de ofício. através de diferentes fontes e objetos como você já viu na primeira unidade . Assim. na formação de cavaleiros e na constituição das universidades. Muitas vezes. Você perceberá. no entanto. para situar e compreender as práticas educativas relacionadas a este período.esperamos que você entre em contato e também construa um conhecimento acerca das práticas educacionais neste período.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo O estudo desta unidade lhe proporcionará conhecer o contexto histórico da chamada Idade Média Ocidental. É o caso. da educação feminina. no campo educacional. muitas vezes elas estavam juntas. que havia uma definição das classes sociais bastante rígida e hierarquizada. Você conhecerá lugares e sujeitos das práticas educativas. nas corporações de ofícios. entre métodos e materiais pedagógicos. 42 . não é escolarizada. por exemplo. a educação abrange espaços não formais. como no caso das escolas monásticas e das universidades.

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SEÇÃO 1 - Idade Média: um breve contexto histórico
Foi no século IV a.C. que a educação se institucionalizou com a fundação das primeiras escolas: Isócrates abriu a sua escola em 393 a.C. e Platão fundou a Academia em 387 a.C. Ao conquistarem o mundo da Antiga Grécia, os romanos “absorveram” o melhor da sua cultura, acrescentando-lhe a disciplina e o respeito pela lei (tipicamente romana). Construíram escolas de influência grega (o ginásio, a escola de cálculo e de gramática) e escolas de direito. A partir dos finais do século II da nossa era, o Império Romano, então cristianizado, entrou em decadência devido a vários fatores (tais como as crises na sucessão imperial, a crise econômica e social e o “perigo bárbaro”). Quando, em 476, a autoridade imperial deixou de existir no Ocidente, os “bárbaros” já se haviam fi xado nas regiões da Europa que antes devastaram. Estes povos eram, na sua maioria, pagãos, mas os seus chefes acabaram por se converter ao catolicismo.
Tendo sido a única que resistiu e sobreviveu às grandes invasões, mantendo a sua organização e servindo de apoio às populações aterradas, a Igreja Católica tornou-se a instituição mais importante da Idade Média.
Figura: Mural de Palau – Calades Barcelona Fonte: www.odesenho. no.sapo.pt

Os romanos chamavam de bárbaros todos os povos que não possuíam a mesma língua, os mesmos costumes e organização política, social e econômica que eles. Estas diferenças podem ser observadas no filme “Asterix e Obelix contra César”.

Certamente você já ouviu falar no termo Idade Média, e deve lembrar de ter estudado na escola, nas aulas de História, ou talvez por cenas de filmes, com cavaleiros, castelos e donzelas na torre. Além disso, você pode ter lido sobre a influência e os desmandos da Igreja Católica neste período,

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Independente da sua fonte de informação, você é convidado a registrar no espaço, a seguir, suas impressões sobre o período histórico em questão. Esse é o momento para fazer uma pausa e refletir sobre o assunto!

Considera-se o eurocentrismo como uma visão de mundo que tende a colocar a Europa (assim como sua cultura, seu povo, suas línguas, etc.) como o elemento fundamental na constituição da sociedade moderna, sendo necessariamente a protagonista da história do homem. <http://pt.wikipedia.org/wiki/ Eurocentrismo>

Você deve ter percebido que muitas das referências que registrou acima dizem respeito à história européia, não abarcam o Brasil, por exemplo, ou outros lugares do mundo. Pois bem, esta expressão “Idade Média” é bastante eurocêntrica e leva em conta uma periodização política, conforme a história positivista, que é uma das formas de escrever a história, como você viu na Unidade 1 desta disciplina. Dentro desta concepção de História, os marcos cronológicos do período conhecido como Idade Média, são os seguintes:
„

Início: 476 d.C. - Queda do Império Romano do Ocidente, com sede em Roma. Final: 1453 d.C. – Queda do Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla, tomada pelos turcos.

„

Ainda dentro desta classificação, há mais duas divisões, que muitas vezes são utilizadas: a Alta Idade Média, que compreenderia a formação dos povos germânicos até a estruturação do Feudalismo e a Baixa Idade Média, comumente descrita a partir do movimento das cruzadas, caracterizadas pelo ressurgimento e expansão das cidades e do comércio. – Gostaríamos de deixar claro que este recorte cronológico de “mil anos”, bem como o espaço geográfico (Europa) será levado em conta nesta unidade, devido às pesquisas e ao material bibliográfico
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História da Educação I

para os estudos em Educação. No entanto, não nos ateremos a uma seqüência cronológica para abordarmos as demais seções desta unidade e sim, às práticas educativas associadas a temas, como a educação monástica, nas corporações de ofícios, a educação das mulheres, dos cavaleiros medievais e a formação das universidades. Dito isto, vamos compreender melhor o panorama histórico deste período. Tomando o Século V como ponto de partida e a Europa como espaço geográfico, identificamos a crise do sistema escravista como um dos principais fatores da fragilidade econômica e social em que se encontrava o Império Romano do Ocidente naquele momento:
A divisão do Império em duas partes no final do século IV também contribuiu para esse processo: O Império Romano do Oriente, com capital em Constantinpla ainda conseguiu manter uma atividade comercial com outras regiões do Oriente, enquanto que o Império Romano do Ocidente, com capital em Milão, vivenciou o aprofundamento constante da crise. (disponível em http://www.historianet.com.br/conteudo/default. aspx?codigo=144)

Algumas medidas administrativas foram empreendidas, como o estabelecimento das Villae, no entanto, estas unidades eram voltadas à autosuficência, o que contribuiu ainda mais para a fragmentação do território do Império e para a ruralização. Devido a estes fatores, entre outros, a presença dos “povos bárbaros” constante nas fronteiras do Império Ocidental, acentuou-se, constituindo-se num movimento migratório de invasão, até o coração do Império. Dentre os “invasores bárbaros”, destacamos os povos germânicos (vândalos, ostrogodos, visigodos, anglo-saxões e francos), devido à formação de reinos - dentro do que era a área do Império Romano - e da própria organização econômica e social, que transplantaram para as áreas ocupadas, mesclando com outros costumes vigentes. Dentre estes povos, ressaltamos os francos, por sua importância na formação do Feudalismo e na aliança com a Igreja Católica, como você verá a seguir.

Villae eram grandes residências senhoriais que possuíam termas para os banhos, habitações para os trabalhadores (com os seus próprios banhos), e todos os edifícios essenciais ao funcionamento da exploração (lagares, olarias, tecelagens, forjas, estábulos, e mesmo templos). O ideal deste tipo de exploração era a auto-suficiência. <http://www.geocities. com/alex221166/h_a_ 10_por.html>

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Universidade do Sul de Santa Catarina Quem eram os francos? A palavra franco significava “livre” na língua franca. mas o sistema feudal somente passa a vigorar em 46 .C. Os francos formavam uma das várias tribos germânicas que adentraram o espaço do império romano. o rei franco Carlos Magno (séc. Tem suas origens na desintegração da escravidão romana. como conseqüência das inúmeras invasões dos povos bárbaros e das más políticas econômicas dos imperadores. principalmente. A conversão ao Cristianismo. Com a decadência e a destruição do Império Romano do Ocidente. Isso ocorria devido às mortes provocadas pelas guerras. e concebiam o reino como uma grande extensão de uma propriedade privada. conversões e proteção. deste modo. O fortalecimento da relação entre a Igreja e o Reino caracterizou-se. já no século V. de um dos reis da Dinastia Merovíngia.culturabrasil. às doenças e à insegurança existentes logo após o fim do Império Romano. facilita a consolidação do Reino Franco e a ascenção da Igreja Católica. X). várias regiões da Europa passaram a apresentar baixa densidade populacional e baixo desenvolvimento urbano.br O feudalismo foi um modo de produção baseado nas relações servo-contratuais (servis) de produção.. Consolidando-se. (de 401 a 500). A partir do século V d.C. O reino franco passou por várias partilhas e repartições. pelas doações de terra. é coroado pelo papa e defende o território europeu do avanço dos muçulmanos árabes (“os inféis”). a aliança com a Igreja Católica. já que os francos dividiam suas propriedades entre os filhos sobreviventes. entra-se na chamada Idade Média.pro. O que é feudalismo? Figura: Fases do Feudalismo Fonte: www. que ocupou a região da Gália (aproximadamente a atual França). por volta do século V d. Durante a Dinastia Carolíngea. Era um grupo oriundo do oeste da Europa.

. No entanto. Assim. Além de tudo. com. principalmente na Europa Ocidental.História da Educação I alguns países da Europa Ocidental a partir do século IX d. aproximadamente. muitas vezes em troca de proteção. com vários povos dominando a Europa Medieval. Todo sistema de tributos era organizado em função do uso da terra pelos servos. detentora de terras – a terra representa a riqueza – cuja manutenção consistia na concessão de terras a outros senhores. na Grãbretanha. Em suma. Os castelos eram fortalezas que serviam como quartel-general para cavaleiros antes de seus ataques aos inimigos. Para seus senhores. asp?id=167> Unidade 2 47 . mas também Figura: Castelo de Dromoland. representavam. O esfacelamento do Império Romano do Ocidente e as invasões bárbaras em diversas regiões da Europa favoreceram sensivelmente as mudanças econômicas e sociais que vão sendo introduzidas. um centro de decisões políticas. para os moradores das vilas ou feudos. que eram donos de pequenos agrupamentos de terra. ao clero e aos visitantes de regiões distantes toda a sua riqueza e influência. Fonte: <http://www. com a decadência do Império Romano e as invasões bárbaras. os que concediam a terra eram chamados de suseranos. Já na Idade Média. Além disso. eram as moradias dos nobres e os locais onde essas poderosas famílias se alimentavam. Surge uma classe social caracterizada como a nobreza feudal. construído no século XVI . e quem recebia era chamado de vassalo. cobrança de impostos e justiça. foi da “mistura” de instituições romanas e instituições “bárbaras” que surgiu o Feudalismo.C. e que alteram completamente o sistema de propriedade e de produção característicos da Antigüidade. se divertiam e recebiam seus convidados. os nobres romanos começaram a se afastar das cidades levando consigo camponeses (com medo de serem saqueados ou escravizados). foi impossível unirem-se entre si e entre os descendentes de nobres romanos. era uma forma de apresentar aos demais nobres. Em grandes propriedades de terra os senhores feudais estabeleciam-se em locais estratégicos.br/new/colunas2. planetaeducacao.

Não eram escravos. Nas camadas pobres. Os servos deviam várias obrigações como a talha. podendo sair dela quando o desejassem. a sua influência diminuiu.Universidade do Sul de Santa Catarina Pela talha. Muitos camponeses passaram a comercializar produtos nas feiras e cidades. Os pagamentos que os servos faziam aos senhores pelo uso do forno. “O Feudalismo”. nas quais. quando a capital se mudou para Constantinopla. historiadomundo. E o papel da Igreja Católica? A igreja cristã primitiva na região do Mediterrâneo foi organizada sob cinco patriarcas: os bispos de Jerusalém. pois não podiam ser vendidos. A base do sistema feudal eram estas relações servis de produção. Antioquia. em alguns dias por semana. deviam algumas obrigações aos senhores. com as disputas doutrinárias ou procedimentais a serem freqüentemente remetidos a Roma para obter uma opinião. carpintaria pertencente ao senhorio feudal. o servo devia uma parte da sua produção ao senhor feudal. observamos que a nobreza e o clero compunham a camada dominante dos senhores feudais. No entanto. embora o seu estatuto e influência tenham crescido quando Roma era a capital do império. ou seja. chamavam-se banalidades. entre outras. como por exemplo. eram obrigados a permanecer nela. (disponível em: http://www. O Bispo de Roma era tido pelos outros Patriarcas como “o primeiro entre iguais”. no tocante à religião como disputas doutrinárias. militar e jurídico.br/idademedia/feudalismo) Os vilões eram homens livres que viviam no feudo. (disponível em: http://www. a corvéia e as banalidades. clero e servos. as banalidades. Uma série de dificuldades entre as partes divididas do Império (ocidente e oriente). do uso das ferramentas e dos locais como os moinhos. Constantinopla e Roma. aqueles que tinham a posse legal da terra e do servo e que dominavam o poder político. historiadomundo. do moinho. Composta fundamentalmente pelos nobres. No livro de Paulo Miceli. Alexandria. em busca de melhores condições de vida. muitas vezes se estabeleciam.com. havia também os vilões. do celeiro. serrarias. O fator que mais contribuiu para o declínio do sistema feudal foi o ressurgimento das cidades e do comércio. Concílios disputados. mas não estavam presos à terra. a evolução de ritos separados 48 . Entretanto. Era uma sociedade dividida em grupos com pouca mobilidade entre eles.br/idademedia/feudalismo).com. Constantinopla tornava-se a residência do Imperador e do Senado. A corvéia consistia no trabalho nas terras do senhor (manso senhorial). Os servos não tinham a propriedade da terra.

Suíça. Por volta dos séculos X e XI. Durante muito tempo não houve nenhuma instituição educacional. França e Inglaterra com seguidores entre todas as camadas da sociedade européia. tendo o clero como a elite intelectual e suas escolas como as únicas instituições culturais atuantes.com. Acesse o site http://www.e talvez a mais significativa. No início do século XVI. a educação era privilégio dos clérigos 49 Unidade 2 . Com o ressurgimento do comércio e o crescimento das cidades. durante a qual se formaram muitas outras religiões no Ocidente. cuja referência está na atividade de autoavaliação 1. a não ser as escolas episcopais. a criança era colocada em contato com os textos sagrados. Dessa forma. levaram à divisão em 1054. A esta divisão chama-se o Grande Cisma. etc.). movimento religioso liderado pelo monge alemão Martinho Lutero que rompeu a unidade da Igreja Católica na Europa. abusos financeiros e despreparo do clero. teve início a Reforma Protestante. assiste-se às transformações econômicas e políticas associadas ao renascimento comercial e urbano.ig. desde muito cedo. mantidas pelos bispos. hystoria. a Igreja adquiriu o controle da educação. Se. Egipto. acesse: http:// enciclopedia.História da Educação I e se a posição do Papa de Roma era ou não de real autoridade ou apenas de respeito. br/reform. pois promoveu a fundação de outras igrejas ocorreu no século XVI com a Reforma Protestante.tiosam. Várias Igrejas reformadas surgiram na Alemanha. Para saber mais sobre o Grande Cisma. Atuando em todos os níveis da sociedade. exercendo hegemonia ideológica e cultural na época. orientou comportamentos e soube imprimir nos homens e mulheres deste período uma cultura religiosa.com/ enciclopedia/enciclopedia. Durante a Idade Média.hpg. estabeleceu normas. O propósito da maioria das escolas era formar monges e clérigos e. O período medieval caracterizou-se pela predominância da Igreja como a maior instituição feudal do Ocidente europeu. Anatólia. a Igreja enfrentou movimentos contestadores de sua doutrina. Rússia e muitas das terras eslavas. estas passam a depender dos banqueiros e dos mercadores. A Igreja dividiu-se entre a Igreja Católica Apostólica Romana no Ocidente e a Igreja Ortodoxa Oriental no Leste (Grécia. A grande divisão seguinte da Igreja Católica . Síria.html ou assista ao filme Lutero. até então. asp?title=Grande_ Cisma_do_Oriente Essas questões afetaram o sistema de educação.

não religiosas. antes. a partir dos seis anos de idade. o crescimento das cidades. as cidades passaram a ter importância como centros irradiadores dos novos valores culturais. mais ao final deste período. ascendem à educação escolar.Universidade do Sul de Santa Catarina e se restringia à formação religiosa. libertando-se pouco a pouco dos domínios religiosos. a utilização da poesia e da música (canções populares) cujo enfoque é os temas religiosos. nos mosteiros. As moças das classes mais abastadas poderiam receber aulas domiciliares. Ainda que a Igreja continuasse direcionando e conduzindo a vida social e religiosa. a Igreja exerce um forte papel pedagógico ao formar cristãos. SEÇÃO 2 – A educação das mulheres Para falarmos de educação feminina. exigia uma formação. as aulas centravamse em conteúdos de religião. o interior das igrejas com suas pinturas sacras e vitrais. música e artes. A mulher das classes populares não tinha acesso à educação formal. A catequização por meio de livros ilustrados. Os burgueses (habitantes das cidades) queriam uma escola voltada a seus reais interesses e dificuldades. precisamos. assim como os homens destes grupos. 50 . Aos poucos. As escolas seculares significavam escolas do mundo. esclarecer de que mulheres estamos falando. Ali aprendiam a ler e escrever e estudavam línguas como o latim e o grego. as inúmeras festas de santos do calendário anual. Apenas na formação das mulheres religiosas. contribuindo para uma vida menos subordinada aos “desígnios divinos’. quando do surgimento das escolas seculares. observavam-se diferentes segmentos sociais. Quanto às mulheres da burguesia. são algumas das constatações que permitem identificar uma educação informal direcionada para os homens e mulheres destas classes. Além dos trabalhos manuais. O conhecimento passou a ser indispensável à realização de seus negócios. as vilas se transformam em cidades livres. Neste sentido. além de filosofia e teologia.

2. destacou-se. Nasceu em Veneza.que era astrônomo na corte de Carlos V . e com o pai .).br/materia. Via de regra. consulte <http://www. ele só era realmente bom quando o homem ‘governava’ e a mulher obedecia incondicionalmente. Direito e família que a “educação” feminina vai se configurando. com. mulheres que viviam ao lado de reis. Exaltavam a castidade.com. historiaehistoria. artesãos e trabalhadores. Michelle. os discursos eram enunciados por vozes masculinas como os pais.br 51 . Nesta fase. p. foi somente no final da Idade Média que as mulheres tiveram acesso aos manuscritos e às universidades. História das Mulheres: A Idade Média. de mercadores. ou seja. a escritora francoitaliana Cristine de Pisan. George e PERROT. ela escreveu vários livros e manuscritos sobre e para as mulheres. Chamamos atenção para esta escritora.356. segundo os ensinamentos morais da Igreja. “conteúdos” que não faziam parte da educação de uma mulher. historiaehistoria. A escritora procurou concentrar a sua atenção em mulheres de diversos níveis sociais. porém os discursos também eram dirigidos às mulheres. de nobres.aprendeu o latim e a filosofia. Casou-se aos quinze anos de idade (algo comum para a época). v.. In: DUBY. tornou-se viúva aos 25 anos de idade e responsável pelo sustento da família com a escrita. A obra que nos chama a atenção é um manual de educação moral.História da Educação I As opiniões acerca da educação feminina dividiam-se. no qual procura mostrar a situação da mulher no final da Idade Média. pois. Um bom casamento era a comunhão entre o homem e a mulher mas. clérigos e mestres. Fonte: http://www. em um universo masculino. chamado de “O Espelho de Cristina”. em 1364. a humildade. De acordo com Opitz: A doutrina do casamento por consenso defendida pela Igreja não podia opor-se às relações de poder vigentes na sociedade-e no fundo também não o queria: a relação entre marido e mulher não podia doravante ser de amizade e pressupor a igualdade de direitos (.) É nesta relação entre Igreja. Estavam fortemente vinculados ao casamento e às relações familiares. que Unidade 2 Para saber mais sobre a vida e obra desta escritora. Isso representou uma grande conquista apesar dos estudos de cunho oficial continuarem a ser monopólio masculino. (Quotidiano da Mulher no Final da Idade Média. no campo das letras. Desta forma. na lógica da obediência e do controle social.. o silêncio. o trabalho entre outros temas. cfm?tb=alunos&id=35> Figura: Christine de Pisan.

hpg.htm Você pode perceber que os conselhos estão atrelados ao seu papel de submissão ao marido e aos costumes da época. como a prudência no agir e no gastar os bens do seu marido. Veja. o valor de suas contas e o andamento de tudo na sua casa. danças.br/ nova_pagina_156. falando pouco e mantendo o olhar honesto e baixo.Universidade do Sul de Santa Catarina trabalhavam dentro e fora do espaço da casa.com. „ toda princesa e toda mulher deve ser cobiçosa de buscar honra e bom nome mais do que qualquer outro tesouro por que a faz reluzir em boa nomeada. 52 . Fonte: http://www. caçadas. cfm?tb=alunos&id=34> Figura: Execução na fogueira por ordem do tribunal da inquisição. a partir destas prescrições.br/materia. „ dar esmolas e ser caridosa e sem cobiça. que elas eram participantes ativas na criação dos filhos e na administração do reino e de suas terras. reafirmando que a mulher deve conhecer os seus direitos para que não a enganem. 1314. „ ter cuidado com as suas rendas e despesas e saber a soma de suas rendas e possessões. a seguir. „ deve usar roupas e toucados ricos. Inglaterra. cultas ou iletradas. „ temperada em tudo: no comer. pois fazem parte do seu estado. „ rir baixo e não sem motivo. mas também pode vislumbrar. „ mostrar-se séria e contida em público. vestir e falar. „ manter distância de jogos. Para as mulheres do povo também são direcionados conselhos semelhantes aos da nobreza. „ <disponível em http://www. „ não contrair dívidas maiores do que pode pagar. „ visitar os doentes para lhes dar nova esperança.historiahistoria. pois deviam se preocupar com a sua educação e com as suas posses. a qual fica para sempre a seus filhos. alguns atributos que a escritora considerou como importantes para as mulheres da nobreza ser devota a Deus.ig.com. „ nunca se mostrar áspera nem má para suas mulheres e servidores. ricas ou pobres. saberhistoria.

esses interrogatórios se encerravam em função da morte do inquirido. define suas condutas e ideais.como a realização de partos. Para obter a confissão. então. é importante ressaltar que os Tribunais do Santo Ofício da Inquisição tiveram um papel fundamental ao promover o afastamento das mulheres das universidades e a proibição de exercerem saberes populares específicos ou práticas referentes à medicina . pois havia conhecimento feminino e um aprendizado a ser compartilhado. por meio da sua cristianização. Assim. quando era enviado a outro castelo para servir de pajem. medo e grande sofrimento. esta também se revestia de um caráter não formal. a Cavalaria institucionaliza-se e. a partir do século X. que.História da Educação I As especificidades da sua condição social são tratadas em outros capítulos. A cavalaria tem suas origens em grupos armados. com códigos de honra relacionados à fidelidade e ao exercício da guerra. Unidade 2 53 . Paralelamente a este aprendizado. como a maneira de vestir. tomando como base os valores morais da Igreja. Os processos de bruxaria incluíam homens e mulheres. Podemos observar. Em muitos casos. Acompanhe no filme O nome da Rosa a atuação do inquisidor dominicano Bernardo Gui. a Igreja possuía forte influência no ordenamento desta sociedade. que passam a compor exércitos de defesa. abortos e processos curativos em geral através da utilização de plantas. SEÇÃO 3: A educação dos cavaleiros medievais A formação das cavalarias medievais dizia respeito às classes nobres. o religioso da Inquisição contava sempre com o apoio de outros clérigos preparados para a função e utilizava instrumentos que causavam dor. porém as mulheres representavam a maioria dos réus e sentenciados dos processos inquisitoriais. com reconhecido poder pela Igreja Católica. a administração do seu lar e do seu trabalho. em relação à educação feminina. Neste momento. A trajetória educacional na formação de um cavaleiro iniciava-se aos sete anos de idade. Como já vimos. aprender montaria e participar de torneios e combates.

br/ nova_pagina_142. viravam canções de grande disseminação e apelo popular.suapesquisa.Universidade do Sul de Santa Catarina Sobre o amor cortês na literatura da época. Ao mesmo tempo em que eram marcadas por diferenças religiosas. ele inicia-se no exercício das armas. Ao retornarem para a Europa. acessar http:// www2. das caçadas. saberhistoria.ufpa. os cavaleiros desenvolviam as habilidades relacionadas às lutas e às guerras. como um “iniciado”. mais especificamente na obra Tristão e Isolda.htm 54 . até o juramento em público. saqueavam cidades árabes e vendiam produtos nas estradas. Como você viu. dos torneios. Assim. Assim. Com o passar do tempo.ig. O seu mestre é um cavaleiro a quem deve servir. que. o banho purificador. como as vestes brancas e vermelhas (passagem). o papa Urbano II convocou a Primeira Cruzada (1096). uma educação cortês.com. do código de honra. ou seja. do amor personificado na mulher idealizada. por sua vez. Após as Cruzadas. A formação estava completa mais ou menos aos vinte anos de idade com uma cerimônia que culminava com a entrega das armas e a sua sagração como cavaleiro. a vigília de oração. foram incorporados outros ritos. Tornava-se cavaleiro participante de uma sociedade que comungava os ideais cristãos. preparando-se para as guerras.htm iniciava-se a educação das boas maneiras. contribuíram para o renascimento urbano e comercial a partir do século XIII. Fonte: http://www. Uma outra etapa educativa inicia-se quando o aprendiz é alçado à condição de escudeiro. Os significados e os valores da Cavalaria podem ser encontrados nas fontes literárias da época.hpg. os muçulmanos conquistaram a cidade sagrada de Jerusalém. o Mar Mediterrâneo foi aberto para os contatos comerciais. Com o objetivo de expulsar os “infiéis” (árabes) da Terra Santa. Batalhas entre católicos e muçulmanos duraram cerca de dois séculos. Disponível em: http://www.br/ceg2005/webceg/ tc20000116.com/ idademedia/ Figura: Um cruzado ajoelhado em prece. aliadas a uma formação religiosa e cortês. Talvez os feitos mais conhecidos que envolveram os cavaleiros medievais e suas ordens foram as Cruzadas. também possuíam caráter econômico. Você sabia? No século XI. nas chamadas feiras e rotas de comércio.

VII – Cumprirás com teus deveres feudais. III – Defenderás todos os fracos. VI – Farás guerra aos infiéis até exterminá-los.História da Educação I A partir dos movimentos conhecidos como Cruzadas. a proteção e defesa da Igreja e aos seus princípios cristãos e institucionais. se estes não forem contrários à lei de Deus. IV – Amarás o país onde nasceste. V – Jamais retrocederás ante o inimigo. Pelo menos em teoria.vilabol. estas eram as diretrizes “pedagógicas” na formação desta classe. VIII – Nunca mentirás e serás fiel à palavra empenhada.uol.html) Você pode identificar a observância a um código de conduta e de honra. bem como ao combate aos não-cristãos. II – Protegerás a Igreja. IX – Serás liberal e generoso com todos. Esta formação do cavaleiro. X – Serás o defensor do direito e do bem. com reflexos diretos no renascimento comercial e urbano europeu. foram fundadas várias ordens cavalheirescas destinadas a combater os “infiéis” (muçulmanos). contra a injustiça e contra o mal.com. associada aos princípios cristãos.br/medieval_knights. pode ser sintetizada nos mandamentos a seguir: I . Unidade 2 55 .Acreditarás em tudo o que a Igreja ensina e observarás todos os seus mandamentos. (Extraído de : http://marged.

Agregavam pessoas que exerciam o mesmo ofício e eram responsáveis por determinar preço. o preço do produto. anteriormente. 1985. do século XIV: [4] E se qualquer aprendiz se comportar impropriamente para com seu mestre. chamadas hansas. como também o horário de trabalho. desempenhando um papel educativo importante junto aos habitantes das cidades. e agir de forma rebelde para com ele. assim como a legitimidade da formação profissional a partir.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 4: A educação nas corporações de ofício A educação das classes menos abastadas era fundamentalmente constituída pelo trabalho. que detinham as técnicas de trabalho de tal atividade. O aprendizado constitui-se no aprendizado técnico.ig. aprendizado e hierarquia de trabalho. poderá exercer o mesmo. até que tenha feito as reparações perante o Alcaide e os Intendentes. Para se ter uma idéia do poder destas associações. cuja educação era pautada na reprodução. que se estendiam ao comportamento social e individual. ninguém do dito ofício lhe dará trabalho. margem de lucro. As corporações disseminaram-se em toda a Europa. quantidade da produção.hpg. As corporações de ofício foram associações que surgiram a partir do século XII para regulamentar o processo produtivo artesanal nas cidades. Os profissionais dedicados às atividades artesanais nas cidades medievais. entre outras coisas. no respeito aos estatutos e às regras. elas determinavam a matéria-prima a ser utilizada. as condições necessárias à aprendizagem. denominadas corporações de ofício.com. cujo objetivo era defender os interesses de mercadores de um grupo de cidades. do aprendizado na corporação. o processo de fabricação. diferentemente do que já vimos sobre as condições servis nos feudos. qualidade. Veja dois artigos do estatuto dos “curtidores de couro branco”. p. organizavam-se em associações. as regras disciplinares à sua condição de aprendiz. com também na vivência da corporação. 65). (BLAND. tanto das habilidades técnicas quanto das classes e Figura: Oficina de alfaiate Fonte: http://www. Observam-se.br/ nova_pagina_144. Existiam também corporações intermunicipais. BROWN E TAWNEY apud HUBERMAN. saberhistoria. [6] Ninguém que não tenha sido aprendiz e não tenha concluído seu termo de aprendizado do dito ofício.htm 56 . configurando-se também como espaços educativos de formação profissional. obrigatoriamente.

mas não somente. precisava ter algum capital e mostrar habilidade em seu ofício. se quisesse ser dono de uma oficina. Unidade 2 57 . Os mestres possuíam suas especialidades e os alunos recorriam a eles de acordo com seus interesses intelectuais. através das missas. Eram as universitas. Sobre esta história de amor. incluindo a sua castração. Muitos destes mestres eram clérigos nãoordenados. não sacerdote. estes centros de saber firmavam sua autonomia através da formação de associações corporativas de mestres. ele pagava uma taxa.História da Educação I relações sociais. determinado pelo mestre. No entanto. Em que condições dava-se este aprendizado? Durante todo o aprendizado. famoso por sua oratória e por promover a aliança entre fé e razão. sendo educados tanto em conhecimento quanto em valores morais. dirigiam-se às universidades. recebendo gratuitamente a estadia e a alimentação. voltadas para a formação do clero. assista ao filme Em nome de Deus. Pedro Abelardo (10791142) era mestre livre. para tornarem-se oficiais ou companheiros. como Pedro Abelardo. tendo como pano de fundo a educação medieval. A maioria das universidades surgiu de escolas monásticas. Mediante aprovação. Envolveu-se com Heloísa. dos ritos e das festas. Por fim. SEÇÃO 5: A educação nas Universidades Os alunos mais capazes. sobrinha do Cônego Fulbert. podendo empregar-se por conta própria. os aprendizes ficavam na casa do mestre. O passo seguinte. obtendo o título de mestre e a licença para abrir o seu negócio. associada a uma pedagogia religiosa. do ponto de vista dos seus mestres. através de um exame prático na sua corporação. originadas a partir dos saberes oferecidos pelas corporações de ofício intelectual. era a submissão a um exame. Os alunos viviam em regime de internato. renovando os estudos da Sagrada Escritura. sofrendo várias perseguições e punições.

e as duas grandes Ordens religiosas que a iluminam no século XIII.Universidade do Sul de Santa Catarina Como tornaram-se associações de grande importância. como as universidades pelo Papa. assim como seus professores. ensinava-se dialética. mas. Além de Teologia. Franciscanos e Dominicanos. o caráter de associação é reconhecido por estudantes e mestres. as chamadas artes liberais funcionavam como um estudo preparatório para cursos mais especializados como Teologia. Estas instituições disseminaram-se na Europa Ocidental.. como nos coloca Régine Pernoud: (. com um São Boaventura e um São Tomás de Aquino.) os professores pertencem todos à Igreja. com. em 1231. ligavam-se às escolas monásticas e episcopais. Dialética (Trivium) e Geometria.org. a princípio. no reino da Sicília (hoje parte da Itália).br/revista/historia/luz2. Todos os alunos são chamados de clérigos. conheceram aí grandes glórias. Muitos historiadores consideram a bula Parens Scientiarum lançada pelo Papa Gregório IX. Em 1215. geometria. tiveram seu controle disputado pela Igreja. gramática. estas regidas pelos bispos.br/edicoes/0183/aberto/mt_ 74923. acesse http://www.htm) As chamadas artes liberais compreendiam Retórica. (Disponível em http://www. Institucionalizadas pelo papado.com. para os que queriam seguir o sacerdócio ou Medicina e Direito. A partir do século XV. em cujos procedimentos os estudantes exercitavam a dialética. permanencia. Oxford e Cambridge 58 . a de Bolonha (Itália). os colégios vão assumindo o ensino das artes liberais. no Papado de Inocêncio III. mesmo quando não se destinam ao sacerdócio e alguns recebem a tonsura. tornando-se São Tomás de Aquino um de seus principais seguidores e cujos estudos associaram fé e razão. em meio a esta diversidade. no entanto. htm e http://revistaescola. mundodosfilosofos. Gramática latina. Os alunos vinham de vários lugares. Salamanca (Espanha).br/aquino. entre outras. debatendo proposições controversas. Aritmética. todos deveriam falar uma língua comum: o latim. ficando as universidades com a formação profissional mais especializada. música e disciplinas relacionadas às ciências e Filosofia. Para saber mais sobre São Tomás de Aquino e sua importância para a filosofia medieval. A organização curricular foi sofrendo mudanças ao longo do tempo. Destacam-se as mais antigas como a de Paris (França). Música. como o documento de fundação da Universidade medieval. Tal método tem fundamento nas idéias de Aristóteles.abril. Astronomia (Quadrivium).. Tomás de Aquino nasceu em 1224 ou 1225 num castelo perto da cidade de Aquino.shtml Os métodos de ensino baseavam-se na Escolástica. o qual facilitava a comunicação e o acesso ao conhecimento. Estas instituições possuíam características eclesiásticas.

” E como seria o ambiente universitário nesta época? Segundo Pernoud. por exemplo. br/nova_pagina_161. mantinham o interesse pelas atividades docentes. que. a professora da USP e pesquisadora. Havia alunos a partir de 12 anos no mesmo espaço que alunos mais velhos.ig. consequentemente. o mundo letrado era um mundo itinerante. Não havia séries e classes e todos estudavam nas classes de mestres até que pudessem obter a titulação. às provas. as preocupações relacionavam-se aos estudos. à necessidade de dinheiro e de comida.htm) Percebeu alguma semelhança com a realidade atual? Os estudantes com poucos recursos pediam isenção das taxas de matrícula nas universidades e trabalhavam para manter os estudos. mestres e alunos debatiam os temas. Figura: A educação na Idade Média estava diretamente ligada aos estudos junto às igrejas. afirma: “a atuação deles atraía estudantes e. a partir da lição (sempre em latim). seguiam mestres de renome ou disciplinas oferecidas somente em outras cidades. as aulas eram expositivas e.História da Educação I (Inglaterra). Maria Lúcia Hilsdorf. Estes locais de saber movimentavam as cidades. pela movimentação nas estradas medievais.hpg. Fonte: http://www. juntamente com os comerciantes e os peregrinos religiosos. Medicina. intensificava as atividades sociais e econômicas da cidade nascente. saberhistoria. Numa entrevista. Teologia) aos 15 anos e alcançarem a titulação de mestre e a licença com 20 anos.com. Em cartas endereçadas à família. Unidade 2 59 . Como funcionava a organização didático-pedagógica? Geralmente. Os mais novos poderiam passar da Faculdade de Artes para as formações específicas (Direito. por sua vez. Eram responsáveis. muitas vezes como copista ou encadernador de livros. Os estudantes partiam para as universidades escolhidas.

Universidade do Sul de Santa Catarina Como diz André Petitat: Com sua pedagogia oral. XII. as atividades propostas. (1994. sua mistura de idades. sua ausência de graduação sistemática e de exames metódicos. realize.org/wiki/ Universidade_de_Paris Agora. do séc.. no século XVI. 60 .) Estamos assistindo ao nascer de uma nova pedagogia e de uma nova instituição. para praticar os conhecimentos adquiridos nesta unidade. do séc. a seguir. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/ Universidade_de_Oxford Figura: Universidade de Paris. seus cursos esparsos. XI.. A seguir veja as imagens de duas universidades criadas durante o período medieval. o ensino universitário da Idade Média guarda poucas semelhanças com o colégio que se seguirá. pp.wikipedia. 60-61). Figura: Universidade de Oxford. (. Fonte: http://pt.

. 144 min. „ O nome da rosa (ALE/FRA/ITA. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas. 115 min. „ O incrível exército de Brancaleone (ITA.: Richard Donner). 144 minutos Dir. Para melhor aproveitamento do seu estudo. 130 min..: Clive Donner). 1985. 2004.História da Educação I Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e acompanhe as respostas e comentários no final do livro didático. 117 min. „ Em nome de Deus (Iugoslávia/Grã-Bretanha.. 90 min. Dir.: Mário Monicelli). Dir. O feitiço de Áquila (EUA. Dir. Direção: Antoine Fuqua). „ Rei Arthur (EUA. 1) Escolha um dos filmes sugeridos registre os aspectos relacionados ao tema da Unidade e comente com seus colegas na ferramenta Exposição.: Ridley Scott).. 2005. 1986. „ Unidade 2 61 . 1965. 1988.: Jean Jacques Annaud).. „ Cruzada (EUA. Dir.

62 . b) Identifique a forma de aprendizado. qual lhe chamou mais a atenção? a) Indique características deste grupo ou classe.Universidade do Sul de Santa Catarina 2) Em relação às práticas educativas das classes e grupos sociais que você viu nesta unidade.

Unidade 2 63 . A cavalaria tem suas origens em grupos armados. das corporações de ofício. Nas corporações de ofício.História da Educação I Síntese No estudo desta unidade. como também na vivência da corporação. mostrando que a mulher das classes populares não tinha acesso à educação formal. o aprendizado constitui-se na aprendizagem técnica. A Igreja exerce forte influência nesta formação. acreditamos. A organização didático-pedagógica centrava-se mais no mestre que no aluno. foram apresentados alguns elementos que. você pode construir um conhecimento significativo sobre este assunto. porém firmaram sua autonomia através da formação de associações corporativas de mestres. dos cavaleiros. pontuamos as diferenças entre as classes sociais. passando pela educação das mulheres. que passam a compor exércitos de defesa. assim. Procuramos abranger desde o contexto histórico medieval. exercidas durante a Idade Média. Os princípios educativos eram enunciados por instituições masculinas e voltados para as mulheres da burguesia e da nobreza. Pensamos que. até a educação nas universidades. A formação das cavalarias medievais dizia respeito às classes nobres. Ao falarmos de educação feminina. no respeito aos estatutos e às regras. lhe possibilitaram compreender a forma e os métodos gerais das práticas educativas formais e não-formais. assim como os homens destes grupos. A maioria das universidades surgiu de escolas monásticas. que se estendiam ao comportamento social e individual. com códigos de honra relacionados à fidelidade e ao exercício da guerra. instrumentalizando-se para fazer algumas comparações com a realidade atual.

Régine. 20 ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores. Claudia. Porto: Afrontamento.htm PETITAT. MICELI.permanencia. Georges e PERROT. (Org. 1994. 64 .). Disponível em: http://www. 1985. História das Mulheres.: Eunice Gruman. A história da riqueza do homem. 1999. O Feudalismo. História da Pedagogia. Trad. O ensino na Idade Média. Volume 2. São Paulo: UNESP. O quotidiano da mulher no final da Idade Média (1250-1500) In: DUBY. Leo. São Paulo: Atual.Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade. André. PERNOUD. 1994.br/revista/historia/luz2.org. você poderá pesquisar os seguintes livros: CAMBI. Produção da escola / produção da sociedade: análise sócio-histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente. Porto Alegre: Artes Médicas. HUBERMAN. Michelle. 1998. Paulo. OPTIZ. Franco.

Conhecer aspectos da ordem religiosa da Companhia de Jesus e de suas ações referentes à educação. Conhecer a ação dos jesuítas no Brasil colonial. Seção 3 O surgimento da Companhia de Jesus. Identificar as principais características da pedagogia jesuítica. Seção 5 A ação dos jesuítas no Brasil colonial. „ „ „ Seções de estudo Seção 1 A secularização do pensamento. Seção 2 Os colégios modernos.UNIDADE 3 Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica Objetivos de aprendizagem „ 3 Compreender a constituição dos colégios modernos. Seção 4 A Ratio Studiorum (a pedagogia jesuítica). .

1996. artísticas. p. você estudará alguns elementos referentes aos colégios modernos e. da cultura clássica.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade. representam bem esse novo tipo de escola. expressas em um documento lançado em 1599 e denominado Ratio Studiorum. da invenção da pólvora. Essas mudanças geraram. você verá nessa unidade alguns pensadores dessa época e a organização desses colégios. Além disso. decorrentes de acontecimentos em diferentes áreas. novas formas econômicas. da formação dos Estados Nacionais. você pode ver algumas de suas características. da imprensa e do papel. Por isso.com. Muitos autores situam nos séculos XVI e XVII o berço do modelo de escola atual.br> No caderno de Fundamentos Filosóficos. Esse momento é considerado como um importante período de transição envolvendo as estruturas feudo capitalistas. historianet. busca-se a “secularização do saber. Segundo Aranha (1995. quando da criação dos colégios modernos. da bússola. ainda nessa unidade. 86). como surgiu a Companhia de Jesus e quais as principais características da pedagogia jesuítica. portanto. religiosas e educacionais. ou seja. da chegada à América. Você verá. criados nessa época. O Teocentrismo dá lugar ao Antropocentrismo. verá um pouco da ação dos jesuítas no Brasil no período colonial. em contraposição às concepções predominantemente teológicas da Idade Média” (ARANHA. que atingiu as camadas urbanas da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI. caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana. da Reforma Protestante e da Contra-reforma. da Revolução Comercial. 87). É o período do Humanismo. mais especificamente. políticas. SEÇÃO 1 – A secularização do pensamento O período compreendido entre o final do século XIV e o fim do século XVI é marcado pelo movimento do Renascimento. “que significa a procura de uma imagem do homem e da cultura. <Fonte: http://www. Renascimento é o nome que se dá a um grande movimento de mudanças culturais. a educação jesuítica. Foi o período das grandes navegações. isto 66 . Os colégios jesuítas. p. embora os valores religiosos e morais continuem com força.

destacam-se. nos escritos destes autores. desvesti-lo da parcialidade religiosa. 102). diferentemente de seus contemporâneos. Defendia as línguas clássicas. naturais. onde as disposições naturais da criança fossem respeitadas. francês. 105-6). defendia que devia-se “partir dos objetos sensíveis. em linhas gerais. Os principais interessados nesses novos valores são oriundos da nascente burguesia. nesse período. uma crítica à educação predominante até então e a defesa de uma pedagogia mais humana. viajou por vários países europeus e dedicou inúmeros de seus trabalhos à educação. O francês François Rabelais (1494-1553) é considerado o precursor do realismo e do naturalismo na pedagogia.História da Educação I é. p. latim e grego. holandês. mas na natureza e pregava que o ambiente educativo fosse de liberdade e atraente. para chegar às idéias”. também pregava o realismo e o naturalismo. Em termos pedagógicos. p. as idéias de pensadores como Vives. Este ensino deveria “partir das impressões ou sensações para chegar à imaginação e desta à razão” ou dizendo de outra forma. Percebe-se. 1985. para torná-lo mais propriamente humano”. não através de livros. humanista espanhol. Recomendava também que o ensino das línguas clássicas fosse realizado na língua materna (LUZURIAGA. Para ele a educação sistematizada deveria começar desde o terceiro ano de vida respeitando-se as características naturais da criança e utilizandose do jogo. com métodos intuitivos e ativos (LUZURIAGA. Defendia o estudo das ciências. desde que não reduzidas ao estudo da gramática. Criticava o uso dos castigos e o ensino livresco e propunha uma educação onde o aluno participasse ativamente. Não fez referência em seus textos. ainda. Erasmo de Rotterdam (1465-1536). deu particular atenção aos aspectos psicológicos do ensino. 1985. Destaca-se. Juan Luiz Vives (1492-1540). Michel de Montaigne (1533-1592). a questão da língua nacional. Erasmo de Rotterdam. Rabelais e Montaigne. a preocupação com a moralização dos comportamentos infantis e prevêem-se roteiros de civilidade para orientar as ações das 67 Unidade 3 .

p. como veremos a seguir. serão necessárias (. que ele se entregue às belas-artes e nelas mergulhe profundamente. aos seus gestos e à sua maneira de vestir. É neste contexto que ocorre a “extensão da freqüência escolar” e crianças são transformadas em alunos. de 1530: A arte de educar as crianças divide-se em diversas partes. às regras de civilidade. que esse se habitue... serão a “moderna expressão de como tratar as crianças mediante códigos das boas maneiras 68 . São padrões da corte (cortesia)..Universidade do Sul de Santa Catarina famílias e dos educadores.. Veja-se. Busca-se adequar os sujeitos a “padrões de urbanidade”.) “a um modelo de distinção”. 22). a polidez. (. a terceira. enciclopédica que formaria os filhos da burguesia e da aristocracia renascentista. 18). 2002. que retomam a cordialidade da antiga polis (polidez). a moralidade e também uma educação clássica. que ele se inicie nos deveres da vida.) Convém. p.. Seria assim essa conduta refinada.. censuras internalizadas e automação de gestos para o convívio público. Para isso. de tal maneira que se passa a ensaiar um roteiro supostamente universal de como se comportar. das quais a primeira e a mais importante é que o espírito. E os colégios. e que constituem feixes encadeados de conduta para com os outros específicos da vida civil (civilidade). (ERASMO. desde muito cedo. tanto quanto à sua inteligência. a quarta. que preparam as regras de convívio das multidões das cidades (urbanidade). portanto que um homem preste atenção à sua aparência. a fala de Erasmo.. (FREITAS e KUHLMANN Jr. a seguir.) práticas de controles minuciosos e ordenados sobre o corpo: controles que visam a obtenção de autocontroles. apud FREITAS e KUHLMANN Jr.. o bom comportamento. a segunda. (. Essa nova civilidade tem a ver com os valores almejados pela nova classe burguesa que busca se diferenciar dos trabalhadores e se aproximar da aristocracia. receba os germes da piedade. 2002. ainda brando.

Contudo. Mas ambos. Erasmo Rabelais e Montaigne) expressam em suas teorias ideais educativos decorrentes de uma nova maneira de compreender a educação e a criança. por exemplo. a predominância do latim e o recurso aos castigos físicos. Os autores anteriormente citados (Vives. (FREITAS e KUHLMANN Jr. esses colégios tornaram-se instituições destinadas ao ensino. Claude Baduel. internos e externos. Assim.História da Educação I requeridos pela cultura moderna”. 78). Embora muitos desses colégios se organizassem na forma de internatos. Mas. crianças. (PETITAT.. diretor de um colégio no século XVI.) Não se ensinava nos colégios”. 2002. 22-23). teremos um número maior de colegiais.. a partir da constituição dos colégios modernos. p. (. permanecem por longo período. os colégios eram asilos para estudantes pobres. organizados em classes ordenadas com graduação nos estudos e sujeitos a uma disciplina rígida. defende “que se deve agrupar em classes os alunos grandes e sujeitá-los Unidade 3 69 . 110) “no século XIII. p. aos poucos. p. os alunos externos eram em grande número. jovens e adultos de diferentes idades.. 1994. em pequenos grupos. com um mestre para cada uma e os exames são instituídos para estabelecer a aprovação ou reprovação. os colégios vão sendo organizados em torno de seis ou sete classes sucessivas. nem todos esses ideais foram de imediato incorporados nas práticas escolares. fundados por doadores. ficavam sujeitos ao espírito de isolamento e controle dessas instituições. nas escolas e colégios. SEÇÃO 2 – Os colégios modernos Segundo Ariès (1981. Como veremos na próxima seção. agrupados por idades mais próximas. no estudo dos colégios. Se na Idade Média misturavam-se. a partir do século XV.

.103.79). Petitat destaca que nas escolas medievais “o tempo do aluno dividia-se em largos períodos”. 1994. oração dominical e breve ação de graças. Fonte: Petitat. p.. da confissão de fé e dos dez mandamentos. Exemplo de um dia de estudos num colégio protestante do século XVI Ele principia às seis horas no verão e às sete horas no inverno. reunião de todos os alunos na sala comum. uma hora de aula.) este tempo é repartido em períodos anuais. marcam agora as atividades escolares. Pela manhã. oração e tempo livre para estudos até às 14 horas. leitura da oração. 1994. p. à tarde: retorno à classe às 11 horas. Vê-se que o espaço e o tempo escolar passam a ser amplamente controlados. Os alunos dispõem de um tempo limitado para assimilar determinadas matérias..) Deve-se ter uma lista com os nomes dos alunos e proceder a uma chamada na abertura das aulas” (apud PETITAT. Já nos colégios modernos. 70 . oração. (PETITAT. oração. às 16 horas. Vêem-se aqui algumas formas de controle que permanecem até hoje em nossas instituições de ensino. Relógios e sinetas. dispensa acompanhada de benção. É o princípio dos prêmios pelo desempenho escolar. horários estritos e bem carregados dividem as matérias pelos dias e horas. 1994. para entregar os temas e para apresentar-se aos exames. Quanto ao tempo. oração. aula mais longa ou menos longa conforme fosse verão ou inverno.Universidade do Sul de Santa Catarina a um maior respeito pelos professores e a uma maior docilidade em tudo o que se refere aos seus estudos.. já presentes no século XV e muito difundidos no século XVI. (. castigos públicos e “admoestações” para os “delitos notáveis”. punições dos retardatários. desjejum em aula. 79). lanche. (. os alunos são reconduzidos aos respectivos alojamentos para a refeição (às 10 horas). canto de salmos até ao meio-dia. oração. das censuras e das recompensas. aula durante uma hora e meia. p. aula durante duas horas. chamada. dos alunos brilhantes e dos preguiçosos.

visando gerir a vida dos mesmos. sincronizado. “a separação entre o mundo dos adultos e do das crianças e adolescentes está na base da pedagogia moderna”. O artesão. está concomitantemente afastado da família. comerciantes. 88). embora sempre majoritária de funcionários. de acordo com Petitat. (PETITAT. subdividido e vigiado. Segundo Petitat (1994. de suas relações com a vida adulta usual. em grande parte. p. destacam-se. onde o artesão produz no seu próprio ritmo.História da Educação I Há. organizam-se de forma a controlar o assalariado. despojado de sua lojinha. Essa nova forma de organização e funcionamento dos colégios está ligada a uma nova maneira de conceber a infância e a adolescência. a manufatura impõe um outro tempo de trabalho. também. o estudo do latim e do grego. ainda. burgueses e nobres”. de eloqüência e boas maneiras. p. Estas precisam ser afastadas do mundo adulto. Segundo Petitat (1994. Poderíamos perguntar. o “tempo da ciência”. da gramática. ditada pelo relógio mecânico. 90). como o colégio. presença variável. que a maioria dos colegiais não termina os estudos. o que restringe a vida do bairro e reduz as funções da família. entre outros. dos clientes. portanto. Diferentemente da oficina artesanal medieval. de obras literárias e filosóficas da Antiguidade. Enfatiza. Assim como os colégios controlam o espaço e o tempo dos alunos. p. a manufatura acentua as rupturas no interior das atividades sociais. 1994. uma “nova temporalidade”. as manufaturas da época. Quanto ao conteúdo. dos vizinhos. também. a aquisição Unidade 3 71 . ou seja. O aluno se vê distante dos locais de socialização espontânea e privado. Assim. há poucos trabalhos ainda sobre a questão da origem social dos colegiais e destaca ainda que esta origem “apresenta uma face mais ou menos heterogênea de acordo com as cidades: minoria mais considerável ou menos importante de filhos de artesãos. 93). qual a origem dos alunos que freqüentavam os colégios e qual o conteúdo essencial aí aprendido.

100) conclui que (. os doutrinários e os jesuítas. Essa cultura escrita escolarizada foi difundida nos diversos colégios que surgiram e se consolidaram nesse período. Essa cultura geral. serve de referência. como os oratorianos. Colégios criados por diferentes iniciativas e congregações religiosas. por causa da influência que tiveram na educação brasileira. A mesma foi reconhecida pelo papa Paulo III em 1540. servia antes para manter as diferenças de classe. Para compreender melhor o seu surgimento. uniformizada. Petitat (1994. . você irá se deter nos últimos colégios citados.Universidade do Sul de Santa Catarina de uma cultura geral. onde os exercícios escritos substituem cada vez mais os orais.. mais do que contribuir para a ascensão social dos que freqüentam os colégios.Nesta disciplina. de enraizamento e de distinção. para as quais a cultura escrita escolarizada. Antes de você conhecer a prática pedagógica jesuítica. é preciso lembrar que os novos ares oriundos do movimento renascentista afetaram não somente as artes e a ciência. é produto de uma estrutura de conjunto das relações de força e de sentido dentro da sociedade e de um nível elevado de trocas econômicas. Seção 3 – O surgimento da Companhia de Jesus A criação da Companhia de Jesus por Inácio de Loyola (14911556) ocorreu em 1534. você é convidado a conhecer como surgiu essa ordem religiosa. mas também a religião. 72 . p.) o colégio. embora particularmente destinado a certas camadas.. Companhia de Jesus é a denominação de uma ordem religiosa da igreja católica e os membros dessa ordem são denominados jesuítas. para consolidar uma determinada posição social.

afirmações ou idéias defendidas por Martinho Lutero e seus seguidores contra práticas ou determinações da igreja católica naquele momento. posteriormente. A. peregrinações ou contribuições. br/nova_pagina_104. podemos destacar: Unidade 3 73 . onde era mestre e pregador. 1995). afi xar na porta da igreja de Wittenberg. saberhistoria. Como a Igreja Católica perdeu muitos fiéis com esse movimento de protesto (daí o termo “protestante”) liderado por Lutero pela Reforma da Igreja Católica. Também são conhecidas como as 95 teses de Martinho Lutero. a venda de indulgências. Alemanha. 95 proposições onde. condenava a prática vergonhosa da venda de indulgências. Para ele. sempre esteve atormentado por duas grandes dúvidas: o poder da salvação atribuído a lugares santos e. As 95 proposições mencionadas são. dando origem à Reforma Protestante. Lutero protestou violentamente contra as indulgências a ponto de. Cristo viera para salvar os pecadores. iniciou outro movimento que ficou conhecido como Contra-reforma. Iniciou os estudos de direito em 1505 e os abandonou no mesmo ano. Figura – MARTINHO LUTERO. Martinho Lutero lidera um movimento de crítica a estrutura da Igreja Católica. De acordo com Pedro.com. Assim. trocando-os pela vida religiosa. Martinho Lutero Nasceu em 1483. Especialmente suspeitos eram: a noção de que Deus recompensa um cristão na proporção das orações. sem o apoio do pai. Apesar de dedicado à Igreja. tendo ele recusado. a salvação não seria alcançada com esforços insignificantes. (Pedro. mas com a fé no próprio Deus. Tornou-se monge e depois padre. Fonte: <http://www. htm> A reação da Igreja Católica a esse movimento protestante é conhecida como Contra-reforma. alguns integrantes da igreja católica manifestam posições contrárias ao monopólio da Igreja sobre a religiosidade e contra o comportamento imoral do clero.hpg. na cidade de Eisleben. foi expulso da Igreja. Entre as ações desencadeadas pela hierarquia católica para combater esse movimento. entre outras coisas. em 1517. o culto dos santos e de suas relíquias e a venda de indulgências. Deus não era como um contador com quem devia barganhar ou um juiz severo a ser aplacado com boas ações.História da Educação I Neste período.ig. O papa Leão X exigiu uma retratação e. muitos dos princípios da Igreja pareceram irrelevantes e blasfemos a Lutero. na verdade.

saberhistoria. Uma boa opção para compreender melhor o período e a Santa Inquisição é assistir o filme O Nome da Rosa. realizado de 1545 a 1563. militar espanhol. à necessidade de formar os futuros quadros da congregação. O Colégio de Messina. Embora não fosse o intento inicial dos jesuítas. Esses colégios passaram a receber também alunos externos. Todos os suspeitos eram perseguidos e julgados. O objetivo era assegurar a unidade de fé e a disciplina eclesiástica. a censura eclesiástica se tornou uma instituição em 1571 e intensificou seus trabalhos nos séculos seguintes. África e América (chegam ao Brasil em 1549). A sua convocação surge no contexto da reação da Igreja Católica à Reforma Protestante. foi convocado pelo Papa Paulo III.ig. e aqueles que eram condenados. O Concílio de Trento foi o mais longo da história da Igreja: é chamado Concílio da Contra-Reforma. foi o fundado o Colégio Romano. Acirramento das ações da Inquisição A Inquisição foi criada na Idade Média (século XIII) e era dirigida pela Igreja Católica Romana. Assim.Universidade do Sul de Santa Catarina Concílio de Trento O Concílio de Trento. Ásia. onde seriam 74 . cumpriam as penas que podiam variar desde prisão temporária ou perpétua até a morte na fogueira. é nesse contexto que Inácio de Loyola. Figura: Venda de indulgências Fonte: <http://www. foi o primeiro a recebê-los. de Umberto Eco. cria a Companhia de Jesus. onde os condenados eram queimados vivos em plena praça pública. como reação à reforma protestante e ao Iluminismo. Ela era composta por tribunais que julgavam todos aqueles considerados uma ameaça às doutrinas (conjunto de leis) desta instituição. logo eles passaram a dedicar-se à criação de escolas devido. hpg.com. Esta perseguição aos hereges e protestantes foi finalizada somente no início do século XIX. em Roma.br/nova_pagina_104. Com muita rapidez os jesuítas se espalham pela Europa. principalmente. pregando a fé e combatendo heresias. htm> Lista de livros proibidos (Index) Segundo o historiador alemão Hubert Wolf. em 1548. Em 1551.

Segundo HANSEN (2001. convidamos Unidade 3 75 . partir dessas informações. p. composta por padres de vários países. O mesmo autor coloca que. Cláudio Acquaviva. os jesuítas. Em 1591. por causa de vários problemas. liderados pelo Superior Geral da Companhia.História da Educação I realizadas as principais experiências educativas que se tornariam modelares para os demais colégios inacianos. Isto para que as determinações e práticas fossem iguais em todas as instituições da companhia. Sendo os jesuítas precursores da educação institucional no Brasil. Pe. sendo todos eruditos e experientes no ensino (HANSEN. em dezembro de 1584. desencadeiam um processo para elaboração de um Plano de Estudos a ser adotado em todos os colégios.14). em 1599. Hansen coloca ainda que. no ano de 1581. elaborar os Planos de Estudos. Acquaviva nomeou uma comissão composta de doze padres para “formular a ordem de estudos que se deva guardar a Companhia”. conseguir informações das práticas efetivadas em todos os Colégios e. Acquaviva. Finalmente. através de cartas. contendo 466 regras e estabelecia que ficasse em experiência durante três anos. p. 2001.16). foi publicada a edição definitiva da Ratio Studiorum que regula com grande detalhe o modelo de ensino praticado durante séculos pela Companhia de Jesus. tendo Acquaviva. visando assegurar uma uniformização das práticas educativas desenvolvidas nos colégios jesuítas espalhados pelo mundo todo. é de fundamental importância conhecermos um pouco de sua prática pedagógica para compreendermos o processo de escolarização desenvolvido no país. o grupo de doze padres não levou o projeto adiante. nomeado outra comissão de seis membros. Sendo assim. inicialmente. mandou para toda a companhia uma versão da Ratio que tinha em conta as críticas e sugestões recebidas das diferentes instituições existentes. Este grupo tinha como compromisso.

Esse conjunto de regras trata de questões administrativas. a Ratio Studiorum. 2001.Universidade do Sul de Santa Catarina você para conhecer aspectos dessa pedagogia através da leitura de alguns componentes estabelecidos na Ratio Studuorum. à humildade. orienta o ensino das letras. seguindo-se com a máxima fidelidade a tradição e os textos canônicos autorizados pela Igreja a partir do Concílio de Trento” (HANSEN. composto por 467 regras. agrupadas em 30 conjuntos. modéstia. planos de estudos.) (não ser nem curioso nem temerário nos estudos nem defensor de opinião própria) mas visando.18). de 1599. Hansen observa que o sentido final das normas e das práticas da Ratio Studiorum “é o da ortodoxia. Seção 4 – A Ratio Studiorum (a pedagogia jesuítica) Sendo a Companhia de Jesus uma ordem religiosa não contemplativa. evita as interpretações averroísticas de Aristóteles. sempre cuidando (..18). 2001. Para cumprir estas determinações a Ratio Prescreve Santo Tomás de Aquino em teologia escolástica. ao contrário. das artes e teologia no sentido de desenvolver nos educandos as capacidades de assimilar. publicada em 1599. como a maioria das ordens religiosas da época. que viviam recolhidas em mosteiros. p. transferir e aplicar conhecimentos como intervenções nas questões do presente. é um regulamento interno da Ordem Jesuítica. simplicidade e outras virtudes cristãs (HANSEN. método e as disciplinas escolares. Considerando o momento contra-reformista daquele momento. essas intervenções na prática cotidiana não poderiam estar dissociadas das práticas das virtudes cristãs. segue em teologia positiva os doutores aprovados pelas universidades católicas. dirigidas aos agentes e instituições escolares dos colégios jesuítas. Nesse sentido. p. 76 .. A Ratio Studiorum.

que possam ser prejudiciais à honestidade e aos bons costumes. que de modo algum se sirvam os nossos. 2001. mas nas classes de gramática somente quando o aluno demonstrasse domínio do conhecimento estipulado (DALLABRIDA. média e superior. dizia: Tome todo o cuidado. Gramática inferior. enquanto não forem expurgados dos fatos e Unidade 3 77 .138). que eram ministradas em todas as classes em grau crescente de complexidade e aperfeiçoamento (DALLABRIDA. p.wikipedia. como auxílio e fundamento para os estudos de filosofia e principalmente de teologia. Segundo Dallabrida.jpg Mas todo o ensinamento deveria ser trabalhado de forma descontextualizada da mentalidade pagã das sociedades antigas. O núcleo central do currículo das classes inferiores fi xado pela Ratio era o ensino das línguas e literaturas clássicas. Fonte: <http:// en. 1598. Para este autor.Ratio Studiorum Societatis IESU. org/wiki/Image: Ratiostudiorum.História da Educação I As mesmas regras são válidas para todos os cursos que eram divididos em Estudos Inferiores (retórica humanidades e gramática) e Faculdades Superiores (filosofia e teologia). 139). sendo que esta era subdividida em inferior. Figura . intitulada de “Proibição de livros inconvenientes”. Gramática média e Gramática Superior) não deveriam misturar-se e que as promoções de uma série para outra deveriam ser realizadas anualmente. O objetivo central das classes inferiores era proporcionar ao estudante jesuíta um sólido conhecimento gramatical. nas aulas. A maior preocupação dos jesuítas era em eliminar qualquer possibilidade de contato dos alunos com livros que continham “escritos impuros” e os “perniciosos e inúteis”. 2001. A Ratio determinava que as cinco séries (Retórica. Os estudos inferiores eram divididos em séries: Retórica. A regra número 34. p. e considere este ponto como da maior importância. Humanidades. Humanidades e Gramática.de livros de poetas ou outros. aproximadamente um terço das regras da Ratio normatizavam os conteúdos e as práticas escolares dos estudos inferiores.

recomendada às classes de gramática. 141) era preciso “moldar a alma plástica da juventude no serviço e no amor a Deus”. os jesuítas também produziam obras didáticas próprias. 139). 2001. de preferência Cícero. é preferível que não leiam para que a natureza do conteúdo não ofenda a pureza da alma (apud Dallabrida. já que nas estruturas políticas e culturais do Antigo Regime. bem como definição de horários e lugares para cada atividade. tinha a função de distinção social. como imitado. 78 . ou seja. com exceção de sábado. sendo uma forma das elites cortesãs e burguesas distanciarem-se tanto da antiga nobreza guerreira como das classes populares. durante as cinco séries dos Estudos inferiores. DALLABRIDA 2001. o ideal a ser perseguido era o domínio oral e escrito do latim clássico. e se de todo modo não puderem ser expurgados. De acordo com a Ratio (apud. Os alunos ao final dos Estudos inferiores deveriam dominar perfeitamente o Latim. p. o aluno devia ter todo o tempo ocupado com atividades propostas pelos professores. Para isso. língua preferida sobre as demais. durante o período em que o educando permanecia no colégio. p.Universidade do Sul de Santa Catarina palavras inconvenientes. inclusive sobre o grego. onde predominava a mentalidade católico-tridentina. como Terêncio. ela era a língua oficial da Igreja Católica e dos Estados absolutistas. que era dia da sabatina. como a Gramática do Padre Manuel Álvares. que deveria ser. era preciso absoluto controle sobre o tempo e o espaço. não somente aprendido. Deveriam realizar atividades escritas todos os dias. Para Dallabrida (2001). de forma progressiva. a partir de alguns escritores romanos. A predominância da língua latina sobre as demais está relacionada ao seu caráter utilitário. Além disso. o que requeria uma metodologia que incluísse estratégias e táticas voltadas para este fim dentro e fora da sala de aula. Além de afastar obras e escritos pagãos dos educandos.

dividido em quatro anos. hebreu. siríaco e outras línguas bíblicas. apresentação de observações detalhadas a cada classe (DALLABRIDA. p. No segundo. Os Reitores dirigiam os colégios. 2001. de acordo com Hansen. estudava-se a lógica. Esta era considerada uma forma de manter os educandos em permanente estado de alerta e desafiados a provar sua maior capacidade em relação ao outro. “somente podiam ensinar os padres que tinham demonstrado conhecimento pleno de Santo Tomás de Aquino” (HANSEN. estudava-se cosmologia e outras ciências e no terceiro ano. No curso de teologia. teologia escolástica moral. além de finalizar todos os cursos anteriores.22). grupos e classes.143). astrologia e matemáticas superiores. Outro componente da metodologia jesuítica previsto na Ratio era a emulação e a competição entre alunos. 2001. a emulação estava conjugada a um sistema individualizado de controle. análise sintética do texto. assessorados pelos Prefeitos Gerais dos Estudos a quem estavam submetidos os Prefeitos de Estudos inferiores. Esta hierarquia estava pautada na autoridade e na obediência. Segundo Dallabrida. por último. que propunha uma rígida hierarquia escolar. à semelhança do que ocorria na estrutura da própria Companhia de Jesus. Instituições canônicas. Nos estudos superiores. o Curso de Filosofia era dividido em três anos: no primeiro. seguia o sistema de Santo Tomás de Aquino: teologia patrística ou positiva. Já o Curso de Teologia. Unidade 3 79 . os passos da preleção (lição) para todos os professores das classes inferiores: leitura do texto.História da Educação I A Ratio detalhava ainda. os professores e os alunos. teodicéia e ética. leitura detalhada de cada período e. avaliação. metafísica geral e matemáticas elementares. Sagrada Escritura. p. classificação e premiação dos alunos.

os jesuítas implantaram também colégios. sem qualquer privacidade. assim como lugar e tempo adequados para o trabalho e para a devoção. À indiferença da oca. os jesuítas criaram os aldeamentos ou missões. mulatas e negras (filhas dos escravos das fazendas). Já em 1549. Em 1570. pelo fato de na disciplina de História da Educação II. Assim. como a dispersão e mobilidade de muitas tribos. desde sua chegada em 1549 até sua expulsão em 1759. as refeições e as diversões. liderados pelo Pe. Dedicaram-se desde cedo à divulgação da fé cristã e ao trabalho educativo. onde as famílias realizavam. já havia cinco escolas 80 . ou seja. de Roland Joffé. chegaram ao Brasil os primeiros padres jesuítas. devido às dificuldades em receber as verbas repassadas pela coroa portuguesa. mamelucas. e Bittar (1999). assista o filme A Missão. ser tema bastante detalhado. (XAVIER. os jesuítas reivindicaram terras (sesmarias) que foram transformadas em fazendas altamente produtivas. da 2ªfase. retirando os indígenas da selva e impondo-lhes um outro modo de vida. A introdução dessa racionalidade na vida dos nativos sem dúvida revolucionava os seus hábitos e reorganizava o seu cotidiano. 43) Segundo Ferreira Jr. as práticas escolares jesuítas destinavam-se a crianças de várias origens raciais: indígenas. faremos um breve relato sobre a ação dos jesuítas no Brasil. escrever e contar. as suas atividades de trabalho e de lazer. apenas nove anos após a criação oficial da Companhia de Jesus. a fim de facilitar o trabalho de catequese.Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 5 – A ação dos jesuítas no Brasil Nesta seção. Tendo em vista algumas dificuldades no projeto de catequização e conversão dos índios. onde ensinavam a ler e escrever. 1994. deu lugar à vida regrada imposta pelos jesuítas. p. brancas (filhas de colonos e da elite portuguesa). Iniciaram criando escolas de primeiras letras. Para maior conhecimento sobre aldeamentos e missões dos jesuítas no Brasil. Além das escolas elementares de ler. a prática pedagógica dessa ordem religiosa. Nestas empregava-se o trabalho escravo negro. Manoel da Nóbrega. no Brasil. Havia que ter lugar e tempo próprios para o sono. para manterem-se financeiramente. onde havia tempo determinado para cada atividade cotidiana.

de modo geral. como um vestuário mais tropical. Em 1814. Ilhéus. o que estaria gerando atrasos para a cultura portuguesa. o teatro e a música. Quanto à expulsão dos jesuítas de Portugal e de seus domínios pelo Marquês de Pombal. atual Florianópolis. principalmente. 36 missões e 17 colégios e seminários. conforme indicação de alguns autores. aprendemos. nestas escolas e colégios. abrindo. podemos destacar que a política administrativa de Pombal se contrapunha ao Unidade 3 81 . primeiro ministro português. dando preferência ao português e às línguas nativas (inúmeras orações e músicas católicas foram traduzidas para a “língua geral” (tupi). em 1773. foram necessárias algumas concessões devido à realidade brasileira apresentar características bastante diferenciadas da realidade européia. sendo que os primeiros jesuítas retornaram ao Brasil na década de 1840. há outros motivos. foram amplamente utilizados como estratégias pedagógicas para a catequização e moralização dos nativos. bem como se elaboraram gramáticas nessa língua). Espírito Santo e São Paulo de Piratininga e três colégios localizados na Bahia. São Vicente. um colégio em Desterro. Entre eles. Buscava-se seguir. o que estava prescrito na Ratio Studiorum. que desencadearam a expulsão. até que. em 1845. que a razão principal decorre da perspectiva conservadora do ensino jesuítico. Os jesuítas foram expulsos de Portugal e de seus domínios em 1759 e dos demais países europeus nos anos seguintes. Contudo. 25 residências. a Companhia de Jesus possuía em território brasileiro além de inúmeras escolas elementares. de predomínio educacional jesuítico quase exclusivo. dando prosseguimento à sua ação educacional. Contudo. o papa Clemente XIV extinguiu a Companhia de Jesus. Pernambuco e Rio de Janeiro. Ao final dos 210 anos (1549-1759). principalmente políticos e econômicos. ela foi novamente restabelecida. Toleraram-se alguns hábitos indígenas. utilizou-se menos o latim.História da Educação I de instrução elementar localizadas em Porto Seguro.

quanto dos jesuítas. a título de contextualização. bem como conhecer inúmeros outros aspectos da ação jesuítica no Brasil e das razões para a sua expulsão. fase do curso. na 2ª. Os jesuítas também haviam adquirido um considerável poder econômico que ameaçava os interesses de Pombal que defendia a criação de Companhias de Comércio. visando controlar as relações comerciais. você terá oportunidade de aprofundar algumas questões aqui expostas. as atividades propostas. é bom deixar claro que não há de um lado apenas heróis e de outro apenas vilões. brevemente.Universidade do Sul de Santa Catarina poder temporal (civil) exercido pelos jesuítas nos territórios guaraníticos. De qualquer modo. realize. a seguir. por exemplo. para praticar os conhecimentos conquistados nesta unidade. Tanto a imagem heróica ou vilã do Marquês de Pombal. Como mencionamos no início dessa seção. 82 . são imagens historicamente construídas que atendem a determinados fins. Agora. nessa história. Pombal queria reduzir o poder dos jesuítas ao plano espiritual.

1) A que classe social os colégios modernos atenderam e ajudaram o forjar? 2) Quais os objetivos principais dos jesuítas ao elaborar um Plano de Estudos (Ratio Studiorum) que deveria ser seguido em todas as instituições de ensino jesuíticas? Unidade 3 83 . a seguir. acompanhe as respostas e comentários a respeito.História da Educação I Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e. Para melhor aproveitamento do seu estudo. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas.

é resultado do trabalho da comissão de seis membros. f) ( ) Cada instituição da Companhia de Jesus poderia elaborar seus próprios planos de estudos. composta por padres de vários países. 84 . ainda permanecem resquícios da pedagogia jesuítica nas nossas instituições educativas? Justifique sua resposta. publicado em 1599. b) ( ) A elaboração do texto da Ratio Studiorum. e) ( ) O núcleo central do currículo das classes inferiores era o ensino das línguas e literaturas clássicas. d) ( ) A Ratio era um conjunto de regras com determinações diferentes para cada instituição de ensino da Companhia de Jesus.Universidade do Sul de Santa Catarina 3) Para você. ministradas em todas as classes em grau crescente de complexidade e aperfeiçoamento. nomeados pelo Padre Acquaviva. 4) Coloque (V) para Verdadeira e (F) para Falso: a) ( ) A Ratio Studiorum constitui-se num conjunto de regras que trata de questões administrativas. em dezembro de 1584. método e as disciplinas escolares. planos de estudos.

a aquisição de uma cultura geral. composto por 467 regras. Movimento este que gerou novas formas econômicas. ou seja. nos escritos destes autores. É do período do Humanismo. de eloqüência e boas maneiras. O teocentrismo dá lugar ao antropocentrismo. O tempo e o espaço passam a ser totalmente controlados. religiosas e educacionais. o estudo do latim e do grego. Percebe-se. você pôde perceber que a criação da Companhia de Jesus ocorreu em meio aos protestos liderados por Martinho Lutero contra algumas práticas da Igreja Católica do período e que as ações dos jesuítas fizeram parte do movimento da igreja católica contra a reforma protestante. da gramática.História da Educação I Síntese Na primeira seção desta unidade. planos de Unidade 3 85 . Destaca-se ainda. publicada em 1599. políticas. Na seção 3. em linhas gerais. organizados em classes ordenadas com graduação nos estudos e sujeitos a uma disciplina rígida. a preocupação com a moralização dos comportamentos infantis e prevêem-se roteiros de civilidade para orientar as ações das famílias e dos educadores. de obras literárias e filosóficas da Antiguidade. as concepções predominantemente teológicas da Idade Média. embora os valores religiosos e morais continuem com força. é um regulamento interno da Ordem Jesuítica. você aprendeu que a Ratio Studiorum. você teve oportunidade de conhecer características do período marcado pelo movimento do Renascimento. Na seção 4. artísticas. agrupadas em 30 conjuntos. onde os exercícios escritos substituem cada vez mais os orais. Entre os conteúdos destacam-se. entre outros. dirigidas aos agentes e instituições escolares dos colégios jesuítas e que esse conjunto de regras trata de questões administrativas. Na seção 2. você pôde verificar o surgimento dos colégios modernos onde os alunos passam a ser agrupados por idades mais próximas. uma crítica à educação predominante até então e a defesa de uma pedagogia mais humana. em contraposição.

à moralidade. que colocava o aluno em condições de competição e. seguido da memorização.Universidade do Sul de Santa Catarina estudos. Você aprendeu ainda. à civilidade. era rei de Portugal. você tomou conhecimento que os jesuítas chegaram ao Brasil logo após o descobrimento e que aqui. ao bom comportamento. a obediência e disciplina. Ministro de D. pelo Marquês de Pombal. que. a realização dos exames levando-o à premiação ou reprovação. método e as disciplinas escolares. E que. que o processo de aquisição de conhecimento pelo método jesuítico ocorria da seguinte forma: o primeiro passo consistia na repetição do texto. nesse processo. José. por último. na época. criaram escolas de primeiras letras e colégios e que foram expulsos em 1759. aprendeu que as mesmas regras são válidas para todos os cursos que eram divididos em Estudos Inferiores (retórica humanidades e gramática) e Faculdades Superiores (filosofia e teologia). eram valores a serem incorporados pelos alunos. além de trabalhar na conquista de novos fiéis para igreja católica através das missões e aldeamentos. aliadas às boas maneiras. Além disso. 86 . Por último.

Educação Unisinos. você poderá pesquisar os seguintes livros e sites: http://pt. 1995. 133-150. Moldar a alma plástica da juventude: a Ratio Studiorum e a manufatura de sujeitos letrados e católicos. In: VIDAL.. 1996.História da Educação I Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade. A. 2º Grau .ig.8. Diana Gonçalves e HILSDORF. 2001. São Paulo: Ed USP. História da Educação. História: Compacto. PEDRO. DALLABRIDA. e renovada. 1994. São Paulo: Moderna. vol. Unidade 3 87 .wikipedia. p. Maria Lúcia Spedo (Org.com. São Paulo: FTD. 2001. Produção da escola/produção da sociedade: análise sócio-histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente.br/nova_ pagina_105. HANSEN. Brasil 500 anos: Tópicos em história da educação. ampl. João Adolfo. Texto on-line disponível em <http://www. Antônio.org/wiki/Renascimento_(movimento_ cultural) ARANHA.). Maria Lúcia de Arruda. 5. Porto Alegre: Artes Médicas. Norberto. Atual.Ed.htm> PETITAT. n.hpg. Ratio Studiorum e Política Católica Ibérica no Século XVII.saberhistoria.

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Identificar as principais características da pedagogia moderna. Compreender o processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos na modernidade.UNIDADE 4 A infância e a pedagogia moderna Objetivos de aprendizagem „ 4 Identificar alguns modos de tratamento dispensados à infância em diferentes períodos históricos. „ „ „ Seções de estudo Seção 1 A infância na Antiguidade Seção 2 A infância na Idade Média Seção 3 A infância a partir do Renascimento Seção 4 A pedagogização dos conhecimentos e o disciplinamento dos sujeitos . Conhecer aspectos do processo de redefinição do espaço da criança na família e na sociedade a partir do Renascimento.

por exemplo. A autora inicia destacando a situação de abandono de bebês na tradição judaica. nas civilizações ocidentais. O objetivo primordial desta unidade é destacar as principais características que a pedagogia e a escola moderna adquiriram em função das novas concepções sobre a criança desenvolvidas no período. Maria Luiza Marcílio destaca que a prática de abandonar bebês é bastante comum. as crianças estavam totalmente subjugadas ao poder do pai e era comum abandoná-las. em seu livro “História social da criança abandonada”.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Como as crianças foram vistas e tratadas em outras épocas? O mundo infantil sempre se diferenciou do mundo adulto? Que tipo de escola/pedagogia foi organizada para as crianças e adolescentes na modernidade? Estas são algumas das questões que nortearam a elaboração desta unidade. você iniciará o estudo desta unidade vendo como a infância foi tratada em diferentes momentos históricos. Verá que a partir do Renascimento institui-se uma nova concepção de infância que resultará num processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos. conforme veremos com mais detalhes na próxima seção. ao abandono de Moisés e na mitologia grega destaca o 90 . por exemplo. SEÇÃO 1 . Para entender a concepção de infância do período moderno. desde longa data. fazendo referência.A infância na Antiguidade Ainda são poucas as pesquisas históricas voltadas para analisar a infância nas sociedades da Antiguidade. Apresentaremos aqui breves considerações encontradas esparsamente em algumas obras. Na sociedade romana. Quanto às crianças abandonadas.

(MARCÍLIO. abandonado pelo pai. Na Grécia “a deformidade da criança ou a pobreza da família bastavam para que a justiça doméstica decretasse sua morte ou seu abandono. p. ou melhor.. (MARCÍLIO. esperando que um benfeitor recolhesse o infeliz bebê. segundo Marcílio (1998.. A infância era. uma nova perspectiva à criança”. principalmente.28). os ricos. mais cedo isto ocorria.. p. p. Vários mosteiros abriram suas portas para receber crianças abandonadas. As causas eram variadas: enjeitavam-se ou afogavamse as crianças malformadas. Aponta. Unidade 4 91 . De modo geral. enquanto a grande maioria era educada no espaço doméstico e coletivo. Ricos e pobres abandonavam filhos na Roma Antiga. Para Costa (2003) “a tradição cristã abriu. como Platão e Aristóteles defendiam o abandono. 1998. faziam a “apologia da caridade em relação ao enjeitado”. inclusive alguns deles que haviam sido abandonados pelos pais. 23). e as da elite iam para escola por volta dos sete anos. logo entrando no mundo do trabalho. Em Roma essas práticas também eram comuns. à ausência da criança. à ausência de fontes para a pesquisa deste tema. e o infanticídio admitido”. os pobres. portanto. 25). O aborto era legítimo. é possível dizer que as crianças gregas e romanas que sobreviviam tinham seus brinquedos e brincadeiras. Isto se deve. bastante curta. expunham-nos. SEÇÃO 2 . por não terem condições de criar os filhos. vários concílios e patriarcas da Igreja. acreditou-se na ausência de uma noção de infância no período medieval. ou porque tinham dúvidas sobre a fidelidade de suas esposas ou porque já teriam tomado decisões sobre a distribuição de seus bens entre os herdeiros já existentes. Também.A infância na Idade Média Por muito tempo. ainda. ao menos no Ocidente. 1998. E quanto mais pobres. nas fontes pesquisadas.História da Educação I caso de Édipo.

Ariès relaciona a emergência de um olhar para a infância. Como você já viu na Unidade 2. há uma cena no filme “Cleópatra” que ilustra bem esta questão: Júlio César. Neste estudo. em suas pesquisas sobre esse período. e as publicou em seu artigo “A Educação Infantil na Idade Média”. Por isto.artehistoria. a partir da constituição das cidades e da classe burguesa. pois os rejeitados eram assumidos pela linhagem materna. em seu estudo “A História Social da criança e da família”. Suas vestimentas também não se diferenciavam muito da dos adultos. Em relação às crianças. após o parto. a Baixa Idade Média (de acordo com a divisão referente aos períodos históricos apresentados na Unidade 2). num gesto que simboliza o reconhecimento como filho legítimo. No entanto. É importante lembrarmos que. a morte. o autor demonstra que as crianças participam ativamente de todas as atividades sociais. diferentemente dos romanos. as mulheres amamentavam as crianças. podemos identificar um poder patriarcal 92 . imperador romano. o professor e pesquisador Ricardo da Costa. Não havia a prática do infanticídio. das mesmas festas. as crianças tinham uma educação comum até certa idade. na maioria dos casos.htm Neste sentido. Figura: Mulher nobre com filho Fonte: www. historiador francês. os germanos apresentavam algumas diferenças. tem um envolvimento amoroso com Cleópatra. entre os germanos as mulheres também possuíam papel de destaque. analisa obras iconográficas e identifica a não presença da criança ou uma representação que mostrava os pequenos como “adultos em miniatura”. encontrou algumas evidências sobre a infância em período anterior ao pesquisado por Ariès (Alta Idade Média). o pai poderia reconhecê-lo ou rejeitá-lo. Por outro lado. os romanos legavam ao pai (pater familias) o poder de vida ou de morte. levanta a criança. a Idade Média Ocidental é forjada a partir de duas grandes referências culturais: a Romana e a Germânica. dos mesmos jogos e das mesmas brincadeiras. correspondendo ao segundo momento do período medieval. Mesmo sendo filho legítimo (de sangue). a rejeição significava. Caso o pai não o reconhecesse publicamente. a rainha do Egito (apesar de ter uma esposa em Roma). em que todo poder e as decisões eram legadas ao pai. Cleópatra dá à luz um filho do Imperador e este.com/ historia/contextos/1334. Assim.Universidade do Sul de Santa Catarina Philippe Ariès.

de acordo com o caso. Nós perdemos algumas criancinhas encantadoras e que nos eram queridas. De toda forma. lhes administrando os alimentos com um cuidado delicado [. a partir de uma relação entre público Unidade 4 93 . por outro prescrevia castigos como jejuns ou pancadas com varas.]Nós perdemos agora os nossos fi lhos. eis que as lágrimas dos pobres. esposa do rei franco Chilperico: Esta epidemia que começou no mês de agosto atacou em primeiro lugar a todos os jovens e adolescentes e provocou sua morte. a quem nós havíamos aquecido em nosso peito. segundo os estudos de Costa. Nós entesouramos sem ter para quem deixar.História da Educação I relacionado à política e à organização social e um poder matriarcal em relação à família. carregado em nossos braços ou nutrido por nossa própria mão. Costa diz que isto não impedia que os pais chorassem a morte de seus filhos. É na educação preconizada nos mosteiros que encontramos práticas pedagógicas para além dos ensinamentos da guerra. É certo que. no entanto. Por um lado pedia cuidado na aplicação de castigos. que lá podiam permanecer até os quinze anos de idade. é o cristianismo que traz novos elementos às relações familiares. Alguns autores como Gélis afirmam que houve certa individualização da criança.. com/videtur17/ricardo. as taxas de mortalidade infantil eram altíssimas. alguns cuidados.htm) No entanto. (Disponível em: http://www. havia condutas disciplinares que incluíam castigos.. assim como crianças de vários grupos sociais. naquela época. O que podemos salientar é que a falta de reconhecimento de algumas especificidades da infância não necessariamente eliminava o afeto para com as crianças e.hottopos. tópico visto na Unidade 2. nem mesmo. Um dos principais conjuntos de normas era a Regra de São Bento. as lamentações das viúvas e os suspiros dos órfãos os matam e não nos resta esperança de deixar os bens para ninguém. como esta citação de Fredegunda.

Exemplo disso é a ausência de representações de cenas domésticas nas imagens do período. De acordo com Franco Cambi. a família medieval tem como extensão a vida social. formando indivíduos para o papel que deveriam ocupar na sociedade.) Nesse imaginário. o autor afirma. que a criança não está no centro da vida familiar. se o seu nascimento ocorria num local privado (quarto). assim. Para o mesmo autor. pelo engaste das gerações. pertencendo. p. Dessa forma. (1999. 176). à linhagem tanto quanto aos pais: a criança era uma criança pública. Duby destaca que havia um vestuário variado e abundante para as crianças das famílias abastadas.Universidade do Sul de Santa Catarina e privado. Levando em conta esta associação entre público e privado. transcendia o tempo. uma parte do grande corpo coletivo que. (1991. como já dissemos anteriormente. Ele afirma a existência de uma dependência em relação à linhagem e à solidariedade de sangue: (. Já nas famílias humildes. participando das mesmas festas. usando os mesmos trajes ou os mesmos brinquedos.. este acontecia na presença de um grupo de parentes e vizinhas que transformavam o nascimento em ato público. a criança era considerada um rebento do tronco comunitário.. p. Cambi infere que as crianças eram representadas como “pequenos homens”. a educação em comum deveria direcionar a criança às funções dentro de uma hierarquia familiar e social. participando com todos os seus membros dos eventos sociais e das festas “até a morte”. o autor exemplifica que. bem como do grupo familiar. 312). através da análise de inventários da época. Quanto aos trajes. com base também no trabalho de Ariès. este vestuário era bastante restrito: 94 .

uma visão do mundo e um código moral.História da Educação I Um peteleiro. duas túnicas simples e uma pequena saia. tudo de lã muito comum. senão de um manto e de quatro túnicas pretas. a segunda. numa nova forma de tratá-las e educá-las. pela preocupação com a mortalidade infantil. p. devemos lembrar do papel do Estado. um vestido de interior. uma reorganização do modelo de família e o estabelecimento de outros vínculos afetivos entre os familiares. 1990. 225). com a consolidação das monarquias nacionais. a escola. 177). e a filha de um oficial público comum só tem em seu guarda-roupa. criando instituições que têm como objetivos separá-las do mundo adulto. no qual a criança passa a ser o centro das atenções na família que aos poucos se organiza em seu entorno. das quais apenas uma forrada. consolidando-se na Modernidade. p. Unidade 4 95 . principalmente a partir do século XVII. principalmente. Também. este se manifestou a partir do Renascimento. Assim. Sobre as práticas educativas medievais Cambi diz: A educação da criança era depois confiada à oficina e ao aprendizado ou à Igreja e às suas práticas de vida religiosa: a primeira ensinava uma técnica e um ofício. além de quatro camisas. por exemplo. (DUBY. Ao final do período medieval percebe-se uma crescente valorização da criança em si mesma. interessam-nos os estudos de Ariès para compreendermos o surgimento de um sentimento da infância. que passa a se interessar pela formação das crianças dentro e fora da família. movidos. segundo seu inventário. incluída aí. não dispõe para os dois fi lhos. Uma nova sensibilidade em relação às crianças vai implicar também. (1999. Quanto ao reconhecimento da infância.

Para o autor “essas três técnicas engendrariam. Além disso. a partir da segunda metade do século XVIII (1750 em diante). nos últimos parágrafos da seção anterior. Esses estudos mostram que os menores abandonados naquele período eram alojados em locais denominados de hospícios que eram mantidos. que com o Renascimento difunde-se uma literatura humanista e moralista preocupada com a família e a infância. Em conseqüência disto. começou-se a questionar os gastos empreendidos com estas instituições e o pouco retorno que o Estado retirava. tanto na seção 1 como na 2. Logo em seguida aparecem. Estes estudos giram em torno de três questões relacionadas aos cuidados com as crianças naquele momento: a prática dos hospícios de menores abandonados. estudos de administradores e de militares. que é neste período que a criança começa a ser valorizada no meio social. 90% (noventa por cento) morriam antes do final da adolescência. em função dos cuidados oferecidos. começa a ser produzida na Europa uma série de estudos sobre o problema da conservação das crianças. tanto o empobrecimento da nação. assim como.16). em seu livro sobre “A polícia das famílias”. inicialmente. diz que. 15). da Unidade 3. Donzelot (1986. Alegava-se que a conservação ou salvação destes “bastardos” seria muito útil. p. que a família começa a assumir uma feição mais privada onde a criança torna-se o centro. No entanto. 1986.A infância a partir do Renascimento Vimos. e a criação artificial das crianças ricas. como o enfraquecimento de sua elite” (Donzelot. com recursos vindos do Estado. essas produções resultavam de observações e registros que médicos vinham realizando sobre o alto índice de mortalidade infantil e suas possíveis causas. pelo menos em parte. pois o Estado poderia designá-los a 96 . também. Neste sentido. p.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 3 . a criação dos filhos por amas-de-leite.

História da Educação I cumprir tarefas nacionais como colonização. Outros médicos também chegaram a essa conclusão de que.16). assumiam várias crianças ao mesmo tempo. marinha. As crianças ricas contavam com uma nutriz exclusiva. 1986. Buch em seu livro sobre medicina doméstica. pela amamentação. p. desconsiderando os males que estas poderiam causar. Para este autor. Incluíam certas práticas de educação corporal como. desde os primeiros anos de vida. nutria geralmente um sentimento de ódio. pela sua má vontade e incompetência. o que não assegurava carinho ou bondade para com as crianças. Na época. com a conivência do agenciador. e para as crianças pobres ficavam as nutrizes de aldeias mais distantes. Eles teriam sido honestos se suas mães os tivessem amamentado” (Buch. é nesta relação que está a explicação das manifestações. de acordo com esses estudos médicos. “a mortalidade das crianças colocadas em nutriz era enorme: por volta de dois terços no que diz respeito as nutrizes distantes e um quarto quanto às mais próximas” (Donzelot. Donzelot observa ainda que Nutrizes eram as mulheres responsáveis pela amamentação e demais cuidados das crianças. pelo fato de não possuírem vínculos de obrigações familiares” (Donzelot (1986. de comportamentos de baixeza e maldade em crianças de pais honestos e virtuosos. já no período de amamentação. Unidade 4 97 .1986. p. a nutriz passaria todos os seus sentimentos para as crianças. p. apud Donzelot. era comum as crianças serem criadas por nutrizes. Donzelot observa que. Além disso. pela condição de sujeição a que era submetida. diz que “não há dúvida de que essas crianças tiram todos os seus vícios de suas nutrizes. o alto índice de mortalidade ocorria pela dificuldade da administração encontrar nutrizes. Para garantir o recebimento e maior remuneração. segundo estes estudos. muitas destas. Nessas condições. As que moravam em aldeias próximas das cidades eram contratadas pelos ricos para amamentar e cuidar de seus filhos. “tarefas para as quais eles estariam perfeitamente adaptados. as crianças ricas confiadas às serviçais recebiam uma educação resultante de opressões e de intimidades impróprias para assegurar seu desenvolvimento. e como estava quase sempre arrasada pelo cansaço do trabalho. modelagem do corpo com ataduras com vistas à estética. milícia.17).17).

conforme Donzelot. com isto.18).) conservar as crianças significará por fim aos malefícios da criadagem. por outro lado.. De acordo com este autor. o sentimento em relação à infância. da ausência da ‘economia do corpo’”. é denunciada a má administração dos hospícios e o pouco benefício do Estado em função da alta mortalidade das crianças. neste caso. possam fazer frente à nocividade e seus efeitos sobre as crianças que lhes são confiadas e. fazer com que todos os indivíduos que tem tendência a entregar seus filhos à solicitude do Estado ou à indústria mortífera das nutrizes voltem a educá-los (DONZELOT. na extremidade mais rica. No entendimento desse autor sobre a extremidade mais pobre do corpo social. organizar a vida dos pobres de modo 98 . Nesse sentido.. a necessidade de serviçais (Donzelot. “Trata-se.21). reclusão enfraquecedora que.. torna-as inaptas para as tarefas da maternidade reproduzindo. mudando.Universidade do Sul de Santa Catarina (. promover novas condições de educação que. assim. que “a imagem da infância mudou”. percebe-se que toda uma discussão em torno da criança começa a se fazer presente no período. (. 1986.. “Trata-se. No lado oposto. o que ocorre nesta época “é uma reorganização dos comportamentos educativos em torno de dois pólos bem distintos cada qual com estratégias bem diferentes”: o primeiro diz respeito às discussões sobre a medicina doméstica e as possibilidades de retirada das crianças das influências negativas das serviçais. freqüentemente. neste caso. e o segundo diz respeito à filantropia ou “economia social”. por um lado. ou seja. a ponto de se dizer. De acordo com Donzelot. da ausência de uma ‘economia social’”. o século XVIII é considerado como um período de revalorização das tarefas educativas. a crítica maior recai sobre a educação do corpo a que as crianças são submetidas através das nutrizes e/ou serviçais. Nessas publicações resultantes dos estudos médicos.) para as adolescentes acrescenta-se a isso o confinamento debilitante em que são mantidas até a idade de sua primeira entrada no mundo. p. 1986. p. ou seja.

assim como guias e dicionários de higiene para uso das famílias. essa ligação entre o médico e a família mexeu profundamente na vida familiar induzindo sua reorganização em pelo menos três dimensões: 1. os programas excessivos. a promiscuidade nos dormitórios. „ Os médicos. 1986. „ 3.História da Educação I que diminuísse os custos sociais e produzisse trabalhadores com o mínimo de gastos públicos (DONZELOT. em casa. contra os métodos e os preconceitos dos serviçais. no sentido de modificar a educação e os sujeitos envolvidos na educação das crianças na esfera privada. p. a má ventilação dos cômodos. Da mesma forma. p. „ 2. o risco de depravação das crianças pela criadagem. contra os efeitos das promiscuidades sociais. a disciplina religiosa. portadora de uma promoção da mulher por causa deste reconhecimento de sua utilidade educativa. a utilização da família pelo médico contra as antigas estruturas de ensino. também nos internatos havia estes problemas. Esse mesmo autor coloca que. considerados Unidade 4 99 . ou seja. além dos regulamentos conventuais dos liceus. também chamam atenção para os problemas na esfera pública. a constituição de uma aliança privilegiada com a mãe. informando de modo especial às mães sobre a arte de cuidar de crianças na primeira infância. Assim como nas casas o amontoamento de crianças. ou seja. o hábito do internato. 23). a ausência de exercícios. ao mesmo tempo em que estabelecem uma nova relação com a família. nos colégios. os médicos elaboraram para as famílias burguesas uma série de livros sobre a criação.22). Segundo Donzelot (1986. uma série de publicações foram impressas. a educação e a medicação das crianças. entre o final do século XVIII e o fim do XIX. o fechamento da família contra as influências negativas do antigo meio educativo.

tratava-se igualmente da preocupação de garantir a conservação das crianças e de estender os mesmos preceitos higiênicos. a primeira Roda dos Expostos da cristandade. No tabuleiro inferior da parte externa. Todavia. principalmente nos países católicos. de forma que. as crianças aprendiam a ler e recebiam uma formação moral. para receber os bebês. In: MARCÍLIO. Figura: Casa da roda dos expostos Fonte: www.Universidade do Sul de Santa Catarina como ‘educação homicida’. E com a preocupação em unir respeito à vida e respeito à honra familiar. 57. porém. É sobre estes que os médicos alertam os pais e propõem uma cruzada contra tais modelos. mas ao mesmo tempo. é que surge gradativamente a educação mista (escolar e familiar). 1998. p. a educação para as crianças pobres não ocorria desta maneira. A Roda foi criada. em 1203. p. velam pelas boas condições da educação pública” (1986. Esta foi. O nome Roda – dado por extensão à casa dos expostos – provém do dispositivo de madeira onde se depositava o bebê. Com esse movimento.27). até o século XIX. “onde os pais preparam a criança a aceitar a disciplina escolar. religiosa e 100 . esse dispositivo era fixado no muro ou na janela da instituição. estava instalada em toda a Europa. De forma cilíndrica e com uma divisória no meio. Donzelot afirma que nada mais exemplar nessa reviravolta da relação Estado-família do que a história dos hospícios para menores abandonados. p. 51). sem ser reconhecido. foi instalada uma ‘Roda’.com/ pictures/pic O sistema de Rodas ou Casas de expostos difundiu-se praticamente por todo território europeu. a retomada da Roda merece destaque. o expositor colocava a criancinha que enjeitava. fora do hospital do Santo Espírito in Saxia (ao lado do Vaticano) “em seu longo muro lateral. Nestas instituições. com um pequeno colchão. Aparentemente. já que as crianças pobres teriam seus gastos custeados pelo Estado. em pouco tempo.que um bebê acabara de ser abandonado. Segundo Marcílio (1998. p. girava a Roda e puxava um cordão com uma sineta para avisar à vigilante – ou Rodeira . que serviu de modelo para as que surgiram posteriormente”. seguramente. por volta do século XII e retomada a partir do século XVII. segundo Donzelot. com economia social (1986. retirando-se furtivamente do local. chegando ao Brasil durante esse mesmo século. inicialmente. 26).megagaleria. mesmo em pleno dia. estando rigorosamente vedada a busca de informações sobre quem os havia trazido”.

historiedade. passa a ser alvo de proteção e controle. a partir do Renascimento. outras instituições de caráter caritativo e filantrópico foram criadas. Segundo Ariès (1981. Além destas questões apontadas nesta seção. por exemplo. se restringe a expor imagens infantis do Menino Jesus. pois entre as classes humildes ela demorará mais a se efetivar.htm Quanto ao vestuário infantil. participando das mesmas festas. se a iconografia medieval.br/ idademedia. Ou seja. por algum tempo ainda. e permaneciam até completarem em torno de 12 a 15 anos. uma nova concepção da infância. Além do sistema de Rodas. Neste sentido. Figura: Madona e Santos. não se diferenciando muito dos adultos. “cuidando-se” do seu corpo e da sua educação. imagens essas assexuadas e de crianças com feições de adultos. no decorrer da Idade Moderna. tanto a rica (nos colégios e escolas) como a pobre (nas instituições de caridade e filantrópicas). como “mulherzinhas”. sendo vestidas. a criança. séc XIII Fonte: http://www. de Duccio di Buoninsegna National Gallery. 71). para atenderem as crianças abandonadas e pobres. a iconografia também revela importantes fatos sobre a vida das crianças naquele período.História da Educação I “profissional”. 101 Unidade 4 . Se na Idade Média as crianças participam ativamente de todas as atividades sociais. se até o século XIV era bastante comum a criança se vestir como o adulto (usando inclusive perucas e sapatos de salto). Temos assim.com. a partir do século XVII haverá trajes cada vez mais definidos e apropriados para cada idade. desde cedo. mas também no interior das casas. nas classes favorecidas. dos mesmos jogos e das mesmas brincadeiras. Londres. p. gerando gradativamente uma separação maior entre o mundo dos adultos e o das crianças. As meninas continuarão. a partir do período renascentista começarão a haver diferenças. Esta separação é maior e mais imediata nas classes abastadas. a iconografia renascentista começa a representar mais as crianças junto de suas famílias e não apenas no espaço público. essencialmente religiosa. da Virgem Maria e do nascimento e infância de alguns santos. essa diferenciação entre o vestuário adulto e infantil ocorrerá inicialmente com os meninos. principalmente.

Na próxima seção.A pedagogização dos conhecimentos e a disciplinarização dos sujeitos Como você pôde ver na seção anterior. estenderam-se a outras instituições educacionais de sua época e de épocas posteriores”. transcrevemos os três efeitos apontados pela autora: 102 .Universidade do Sul de Santa Catarina Para essa nova infância. como vimos em outros momentos desta disciplina. tanto a rica como a pobre. Varella (1994. e o Estado passa a se ocupar também da educação das crianças com a criação de diferentes instituições. as crianças e os adolescentes passam a ser educados em espaços cada vez mais fechados e os saberes são controlados e organizados para se adequarem às capacidades infantis. entre elas a escola. serão criadas novas formas e espaços de educação. SEÇÃO 4 . por exemplo. no final da Idade Média a criança começa a ser valorizada. e as instituições de caridade e filantropia para a segunda. há todo um processo de percepções e questionamentos por parte de alguns membros da sociedade na época que provocam gradativas alterações no modo de entender. Os colégios. A partir do Renascimento. 89) indaga em seu texto sobre “quais foram os efeitos mais visíveis desta pedagogização dos conhecimentos que surgiram e se aperfeiçoaram nos colégios jesuítas e que. educar e cuidar a criança. p. através de transformações e reinterpretações. o sentimento da família em relação à infância muda. o que Varella chama de pedagogização dos conhecimentos. A seguir. para a primeira. Mas estas mudanças não ocorrem num passe de mágica. você verá outras conseqüências dessa nova forma de ver as crianças e os adolescentes.

como também a eles próprios . dos problemas sociais. progressivamente aperfeiçoada. Eram saberes desvinculados das urgências materiais. Com referência a este processo de disciplinarização que vai sendo implantado nas instituições. Os mestres passaram a ser os únicos detentores do saber e os estudantes viram-se relegados a uma posição de subordinação. diferentemente das disciplinas de tipo monástico. Por último. mas a outros saberes. converteramse em sujeitos destinados a adquirir os ensinamentos dosificados. 3. Em primeiro lugar. os saberes ligados ao mundo do trabalho. as disciplinas se tornaram fórmulas gerais de dominação. Eles viram-se desterrados do recinto sagrado da cultura culta. com a aprendizagem de ofícios – entre mestres e aprendizes. converteu-se na cultura dominante e reclamou para si o monopólio da verdade e da neutralidade. que tinham por função realizar Ascese. à plenitude da vida moral.História da Educação I 1. em seres virtuosos. Deste modo. a aquisição desses saberes moralizados não exigia uma cooperação – como acontecia. de um aparato disciplinar de penalização e de moralização dos colegiais. é exercício prático que leva à efetiva realização da virtude. Michel Foucault observa que. com o passar do tempo. uma cultura que. que ligou a aquisição da verdade e da virtude à ascese e renúncia de si mesmo. segundo o dicionário Aurélio. por exemplo. saberes que se pretendiam neutros e imparciais. às culturas de determinados grupos ou classes sociais. no decorrer dos séculos XVII e XVIII. Unidade 4 103 . que não remetiam a processos sociais. Os saberes que possuíam os professores jesuítas eram saberes verdadeiros. transmitidos por seus professores para convertê-los. sempre em consonância com a reta doutrina na Igreja e a tradição católica. este processo de pedagogização dos saberes implicou a instauração. 2. destinada a materializarse numa obra bem feita. Foi deste modo que a disciplina e a manutenção da ordem nas salas de aula passaram a ocupar um papel central no interior do sistema de ensino até chegar praticamente a eclipsar a própria transmissão de conhecimento. às lutas sociais. começaram a ficar marcados pelo estigma do erro e da ignorância.

alinhamento das classes de idade umas depois das outras. enfim todos passam a ser disciplinados. colocação atribuída a cada um em relação a cada tarefa e cada prova. (.127).. a escola passa a funcionar como “uma máquina de ensinar. começa a definir a grande forma de repartição dos indivíduos na ordem escolar: filas de alunos na sala. Temos que ter presente. para o espaço hospitalar e. de seus gestos. ela agora só se compõe de elementos individuais que são colocados uns ao lado dos outros sob o olhar atento do mestre. que a determinação de lugares individuais. treinados para transformarem-se em corpos “dóceis” e submissos. tornou possível o controle de cada criança individualmente e o trabalho simultâneo de todos. no entanto. colocação que ele obtém de semana a semana. a classe torna-se homogênea.) esse momento histórico é o momento que nasce uma arte do corpo humano. mais tarde. passa também para as escolas primárias. de ano a ano. que a disciplina inicialmente presente nos colégios. nos pátios. mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mais útil. de mês a mês. das questões tratadas segundo uma ordem de dificuldade crescente (1989.. de hierarquizar. e inversamente. ainda. de seus comportamentos (1989. Com uma nova organização do tempo e do espaço. 134). para o militar.Universidade do Sul de Santa Catarina renúncias e como fim principal um aumento de domínio de cada um sobre seu próprio corpo. Forma-se então uma política de coerções que são um trabalho sobre o corpo. Mas como esta disciplina se manifesta ou é constituída numa classe escolar? Segundo Foucault. p. que visa não unicamente o aumento de suas habilidades. Foucault diz. sucessão dos assuntos ensinados. o espaço escolar se desdobra. 104 . nos corredores. p. A ordenação por fileiras. a partir de 1762. nem tampouco aprofundar sua sujeição. mas também de vigiar. no século XVIII. uma manipulação calculada de seus elementos.

realize.História da Educação I de recompensar” (1989. acompanhe as respostas e comentários a respeito.135). p. a seguir. Para melhor aproveitamento do seu estudo. a escola com seus horários. a seguir. as atividades propostas. Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e. Agora. enfim toda a organização. na Idade Média. os mosteiros abrissem suas portas para as crianças abandonadas. Ou seja. incute virtudes e valores a serem seguidos na sociedade. p. 1) Aponte uma razão para que. inúteis e perigosas em multiplicidades organizadas” (1989. regras. Unidade 4 105 . o autor afirma que “a primeira das grandes operações da disciplina é então a constituição de quadros vivos que transformam as multidões confusas. conteúdos. Sendo assim.134). realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas. para praticar os conhecimentos conquistados nesta unidade.

construa um quadro síntese a respeito do entendimento/tratamento de cada uma sobre a criança. 106 .Universidade do Sul de Santa Catarina 2) A civilização germânica e a civilização romana possuíam modos distintos de tratar a criança. Romanos Germanos 3) Durante o século XVII. surgiram estudos sobre a infância que provocaram uma reorganização nos costumes das famílias sobre o modo de cuidar e de educar as crianças. Com base no texto da seção 2. Aponte uma mudança que ocorreu em relação ao modo de educar as crianças.

você teve oportunidade de conhecer duas grandes referências culturais. principalmente as pobres. Neste período.História da Educação I 4) Quais as principais características presentes nas práticas escolares para disciplinar os sujeitos e torná-los dóceis e submissos? Síntese Nesta unidade. Na seção 2. muito cedo eram iniciadas na vida do trabalho. vários mosteiros abriram suas portas para receber crianças abandonadas e se inicia. Viu. também. Os romanos legavam ao pai (pater familias) o poder de vida ou de morte sobre as crianças. que agiam de forma diferenciada com suas crianças. na Antiguidade. Na primeira seção. também. com isto. você teve oportunidade de entrar em contato com informações sobre a infância em diferentes períodos históricos. você pôde perceber que. Mesmo sendo filho legítimo (de Unidade 4 107 . a “apologia da caridade em relação ao enjeitado”. que as crianças que sobreviviam. a romana e a germânica. a prática de abandonar crianças pequenas era bastante comum nas civilizações ocidentais.

Os germanos não praticavam o infanticídio. já havia sentimento em relação às crianças tanto que os pais choravam a morte de seus filhos. buscava a formação de um sujeito disciplinado. busca formar um sujeito dócil e submisso. pois os rejeitados eram assumidos pela linhagem materna. principalmente nas famílias mais ricas. A introdução da medicina doméstica é a responsável por grande parte das modificações desses costumes. com isto. uma reorganização nos costumes e modos de educar as crianças. você pôde perceber que com o Renascimento difunde-se uma literatura humanista e moralista. Na seção 4. Nesta época. na maioria dos casos. A escola.Universidade do Sul de Santa Catarina sangue). no entanto. preocupada com a família e a infância. o controle dos saberes e do tempo. provocando. as taxas de mortalidade infantil eram altíssimas. as mulheres amamentavam as crianças e as crianças tinham uma educação comum até certa idade. a morte. você pôde perceber como a disciplina. que passa a fazer parte das práticas dos colégios e das escolas primárias. Caso o pai não o reconhecesse publicamente. a rejeição significava. o pai poderia reconhecê-lo ou rejeitá-lo. 108 . A preocupação com o alto índice de mortalidade infantil e com o modo como as crianças eram educadas fez com que Família e Estado passassem a conduzir os processos educativos tanto na vida privada (na casa) como na pública (colégios). a definição de modos de conduta. Na seção 3. seu espaço. com sua organização.

Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. mas será que podemos ver tudo? Uma reflexão sobre as políticas públicas para a educação da infância.htm DONZELOT. T. História da Vida Privada 3: da Renascença ao Século das Luzes. 2004.. ed. Solange Martins de Oliveira. A individualização da criança. Disponível em: http://www2..História da Educação I Saiba mais Para ampliar seus conhecimentos sobre as questões abordadas nesta unidade. Uma história da infância: da Idade Média a época contemporânea. História da Pedagogia. BARBOSA. História social da criança e da família. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. MAGALHÃES. Michel. Petrópolis: Vozes. 2. CAMBI. GÉLIS. HEYWOOD. Philippe. ed.br/~revispsi/v5n1/ artigos/a03. São Paulo: Ed.htm Unidade 4 109 . R. Pondré Vassalo. Jacques. 1991.uerj. 1981. Colin.. 2. 2000. F. da UNESP. Ricardo. A polícia das famílias. Tradução de Ligia M. 1991.. COSTA.com/videtur17/ricardo. você poderá realizar leituras nos seguintes livros e sites: ARIÈS. 1986. Tradução de M. Do topo de uma montanha temos um ótimo ângulo de visão das coisas. da Costa Albuquerque. A Educação Infantil na Idade Média. São Paulo: Companhia das Letras. Porto Alegre: Artmed. Rio de Janeiro: Edições Graal Ltda. 1989. Disponível em: http://www. FEIST. Ivone Garcia. 7. FOUCAULT.hottopos. In: CHARTIER. J. ed. H.

Julia. São Paulo: Hucitec. O sujeito da educação: estudos foucaultianos. 1994. O estatuto do saber pedagógico. In: SILVA. Maria Luiza. Tomaz Tadeu da (Org. História social da criança abandonada. 110 .). VARELA.Universidade do Sul de Santa Catarina MARCÍLIO. Petrópolis: Vozes. 1998.

o nosso modelo escolar. foram escolhidos determinados temas que julgamos serem fundamentais para sua formação como pedagoga(o). Retomando Bertold Brecht. Por exemplo. são muitas as histórias e muitas as questões a serem formuladas. suas práticas educativas. como foram tratadas as crianças no nosso contexto e como se constituíram as instituições educativas e as idéias pedagógicas em nosso país. Quanto ao período contemporâneo. Sem dúvida. outros sujeitos. compreendendo os séculos XIX. pois as demais disciplinas do curso trarão discussões pertinentes e direcionadas a estes contextos educativos. a partir destes. o recorte espacial e temporal remeteu ao contexto europeu. de onde se origina e se constitui. principalmente. na disciplina de História da Educação II.Para concluir o estudo Tendo em vista a impossibilidade de abarcar todos os tradicionais períodos históricos. Esperamos que você tenha sido provocado a desvelar outras histórias. XX e XXI. Mesmo dentro dos períodos priorizados para análise. Contudo. evidenciar como cada época (tempo/espaço) construiu suas idéias pedagógicas e. outras questões. optamos em focar certos elementos de alguns desses períodos e. Procuramos aqui levantar algumas delas. não o tomamos como foco de análise. . você poderá ver como vários aspectos aqui pontuados se desenvolveram na realidade brasileira. que tratará da educação no Brasil. mas poderiam ter sido outras. outras fontes. em muitos aspectos.

Embora você tenha estudado o quanto as instituições até hoje disciplinaram os saberes e os sujeitos. gostaríamos de deixar claro que é possível constituir instituições com outras configurações. que colaborem na formação de pessoas. Sucesso na continuidade dos estudos! Professoras Karen. Leonete e Rosmeri .

São Paulo: Companhia das Letras. n. 196.). BURKE. Ricardo. T. Marisa. 1983. 1929-1989. Tradução Maria Lucia Machado. . Amarildo e BITTAR. 1996. São Paulo: Moderna. ed. A. dez/1997.26. História social da criança e da família. 1981.472-482. no. A Educação Infantil na Idade Média. COSTA. Georges (Org. 1991. Peter (Org. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Franco. FONSECA. Luciano Mendes de (org. BURKE. 2: da Europa feudal à Renascença. Peter. COMTE.). Disponível em: http://www. 1986. p.. 1999.. CAMBI. 2ª ed. 80. Jacques. CARVALHO. Peter. A Revolução Francesa da historiografia: a Escola dos Annales. Belo Horizonte: Autêntica. 2. 1992. História da Educação. set/dez. FARIA FILHO. 1990. Thais Nívia de L. A polícia das famílias. São Paulo. Marta Maria Chagas de. Cynthia G.Referências ARANHA. FERREIRA Jr. 2003. ed. História e Historiografia da Educação no Brasil.htm DONZELOT. Espaço em Revista. 2. ARIÈS. Maria Lúcia de Arruda. da Costa Albuquerque. São Paulo: UNESP. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. História da Educação: notas em torno de uma questão de fronteiras. Belo Horizonte.. BURKE. 1999. Abril Cultural. 2002. História da privada. História e teoria social. VEIGA. 1998.com/videtur17/ricardo. São Paulo: UNESP. São Paulo: UNESP. (Coleção Os Pensadores). São Paulo: UNESP. Belo Horizonte: Autêntica.hottopos. v.) A escrita da história: novas perspectivas. Brasília. Educação modernidade e civilização: fontes e perspectivas de análise para a história da educação oitocentista. Tradução de M. Rio de Janeiro: Edições Graal Ltda. Tradução por José Arthur Gianotti. Discurso sobre o Espírito Positivo (e outros). História da Pedagogia. Philippe. DUBY. Educação jesuítica e crianças negras no Brasil colonial.

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onde defendeu dissertação intitulada “A constituição da rede pública de ensino elementar em Santa Catarina – 1830/1859”. É professora do curso de Pedagogia e Letras da Unisul desde 2001. nos níveis fundamental e médio. Atuou como professora de séries iniciais nas redes municipal de Florianópolis e estadual de Santa Catarina e em instituições particulares e no ensino superior da UDESC e UFSC. Leonete Luzia Schmidt Formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestre em Educação também pela UFSC. e na Educação de Jovens e Adultos. Estágio Supervisionado e Pesquisa e Prática Pedagógica. Política e Sociedade. Rosmeri Schardong Formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestre em Educação também . Geografia para as Séries Iniciais e Fundamentos Sociológicos. Foi professora da rede pública e privada de ensino. Atuou como professora de nível superior na UNIVILLE. lecionando as disciplinas de História da Educação.Sobre as professoras conteudistas Karen Christine Rechia Graduada e Mestre em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). História das Mulheres de Santa Catarina e na revista Perspectiva (CED-UFSC). UDESC e UFSC. História para as Séries Iniciais. lecionando as disciplinas de História da Educação. Há dez anos é professora do curso de Pedagogia da Unisul. É autora de artigos nos livros: História de Santa Catarina: estudos contemporâneos. da PUC/SP. É doutoranda do programa de Pós-Graduação em Educação: História.

Atuou como professora das séries iniciais na rede estadual catarinense durante dez anos. lecionando as disciplinas de História da Educação e Estágio Supervisionado. É professora do curso de Pedagogia da Unisul desde 1998. onde defendeu dissertação intitulada “A instrução pública secundária em Desterro – o Atheneu Provincial (18741883)”.Universidade do Sul de Santa Catarina pela UFSC. 118 .

2) Orientações para elaboração do quadro: na coluna Tendências você deve indicar o nome das três tendências e /ou teorias abordadas na seção 2. Unidade 2 1) Sobre os filmes: Os aspectos relacionados a Unidade dependem do filme. as formas de trabalho. o ambiente social etc 2) Nesta questão os dois tópicos já indicam o que se quer atingir. 3) Resposta subjetiva. o papel da Igreja e da religiosidade. Caso tenha dúvidas como realizar as atividades você poderá obter maiores informações com o tutor da disciplina.Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação Unidade 1 1) Itens A e B são verdadeiros. . a relação entre as classes sociais. na coluna Idéias Centrais você deverá pontuar as principais idéias de como cada tendência entende a história. na coluna Principais Representantes você deve escrever o nome dos autores que escreveram/ escrevem sobre cada tendência. como esta pode ser escrita e que temas e fontes prioriza. o papel das mulheres. De maneira geral é importante observar as práticas educativas. Item C é falso.

Sucessão dos assuntos ensinados. no pátios. Unidade 4 1) Muitos membros da Igreja haviam sido abandonados pelos pais e por isso buscavam abrigar os que passavam pela mesma situação. Alinhamento das classes de idade umas depois das outras. 4) A classe torna-se homogênea. B e E são Verdadeiros. além dessa cultura geral clássica. 3) A educação passa a ser mista. um padrão de civilidade e polidez que os distinguiria dos trabalhadores. Os colégios forneceriam a seus alunos. 2) Garantir a uniformização que facilitaria o controle sobre as práticas e conteúdos desenvolvidos e evitaria desvios dos princípios defendidos pela Ordem Jesuítica. Família e Estado assumem a educação das crianças. Colocação atribuída a cada um em relação a cada tarefa e cada prova. Itens D e F são Falsos. Ou a mãe passa a participar mais da educação dos filhos. 4) Itens A. 120 . Ordenação por fileiras: filas de alunos na sala. 3) Resposta subjetiva. nos corredores. 2) Resposta livre. as crianças colocadas umas ao lado das outras sob o olhar atento do mestre. mas carecia dos conhecimentos clássicos que a nobreza até então detinha. das questões tratadas segundo uma ordem de dificuldade crescente. pode-se dizer que os colégios atenderam aos interesses de uma burguesia nascente/renascentista. também filhos de Deus. que possuía poder aquisitivo.Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 3 1) Em linhas gerais. além disso a Igreja passa a pregar a caridade para com os abandonados.

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