Universidade do Sul de Santa Catarina

História da Educação I
Disciplina na modalidade a distância

Palhoça UnisulVirtual 2006

Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina História da Educação I. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma, abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando uma linguagem que facilite seu estudo a distância. Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho. Não esqueça que sua caminhada nesta disciplina também será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade, seja por correio postal, fax, telefone, e-mail ou Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem - EVA. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois sua aprendizagem é nosso principal objetivo. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual.

Karen Christine Rechia Leonete Luzia Schmidt Rosmeri Schardong

História da Educação I
Livro didático

Design instrucional Viviani Poyer

Palhoça UnisulVirtual 2006

Copyright © UnisulVirtual 2006 N enhum a parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer m eio sem a prévia autorização desta instituição.

370.9 R24 Rechia, Karen Christine História da educação I : livro didático / Karen Christine Rechia, Leonete Luzia Schmidt, Rosmeri Schardong ; design instructional Viviani Poyer. – Palhoça : UnisulVirtual, 2006. 120 p. : il. ; 28 cm.

Inclui bibliografia. ISBN 85-60694-08-0 ISBN 978-85-60694-08-2

1. Educação – História. I. Schmidt, Leonete. II. Schardong, Rosmeri. III. Poyer, Viviani. IV. Título.
Ficha catalográf ica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul

Cr édi tos
Uni sul- Uni ver si dade do Sulde Santa Catar i na Uni sul Vi r tual- Educação Super i ora Di stânci a
Cam pusUni sul Vi r tual Rua João Pereira dos Santos, 303 Pal hoç a - SC- 88130-475 Fone/ f ax:( 48)3279-1541 e 3279-1542 E-mail :c ursovirtual @unisul . br Site:www. virtual . unisul . br Rei torUni sul Gerson LuizJoner da Sil veira Vi ce-Rei tore Pr ó-Rei tor Acadêm i co Sebastião Sal ésio Heerdt Chef e de gabi nete da Rei tor i a Fabian Martins de Castro Pr ó-Rei torAdm i ni str ati vo Marc us Viní c ius Anátol es da Sil va Ferreira Cam pusSul Diretor:Val ter Al ves Sc hmitzNeto Diretora adj unta:Al exandra Orsoni Cam pusNor te Diretor:Ail ton Nazareno Soares Diretora adj unta:Cibel e Sc huel ter Cam pusUni sul Vi r tual Diretor:João Vianney Diretora adj unta:Juc imara Roesl er Equi pe Uni sul Vi r tual Adm i ni str ação Renato AndréLuz Val mir Vení c io I nác io Bi bl i otecár i a Soraya Arruda W al tric k Coor denação dosCur sos Adriano Sérgio da Cunha Ana Luisa Mül bert Equi pe Di dáti co-Pedagógi ca Angel ita M arç alFl ores Carmen Maria Cipriani Pandini Carol ine Batista Carol ina Hoel l er da Sil va Boeing Cristina Kl ipp de Ol iveira Daniel a Erani Monteiro W il l Dênia Fal c ão de Bittenc ourt Enzo de Ol iveira Moreira Fl ávia Lumi Matuzawa Karl a Leonora Dahse Nunes Leandro Kingeski Pac hec o Ana Paul a Reusing Pachec o Cátia Mel issa S.Rodrigues ( Auxil iar) Charl es Cesc onetto Diva Marí l ia Fl emming I tamar Pedro Bevil aqua Janete El za Fel isbino Juc imara Roesl er Lil ian Cristina Pettres ( Auxil iar) Lauro JoséBal l oc k LuizGuil herme Buchmann Figueiredo LuizOtávio Botel ho Lento Marcel o Caval c anti Mauri LuizHeerdt Mauro Fac c ioni Fil ho Mic hel l e Denise DurieuxLopes Destri Moac ir Heerdt Nél io Herzmann Onei Tadeu Dutra Patrí c ia Al berton Patrí c ia Pozza Raul ino Jac ó Brüning Rose Cl ér E.Bec he Desi gn Gr áf i co Cristiano Neri Gonç al ves Ribeiro ( c oordenador) Adriana Ferreira dos Santos Al exSandro Xavier Evandro Guedes Mac hado Fernando Roberto Dias Zimmermann Higor Ghisi Luc iano Pedro Paul o Al ves Teixeira Raf aelPessi Vil son Martins Fil ho Ligia M aria Souf en Tumol o Márc ia Loc h Patrí c ia Meneghel Sil vana Denise Guimarães Tade-Ane de Amorim Vanessa de Andrade Manuel Vanessa Franc ine Corrêa Viviane Bastos Viviani Poyer Logí sti ca de Encontr osPr esenci ai s Marc ia Luzde Ol iveira ( Coordenadora) Arac el l i Aral di Grac iel e Marinês Lindenmayr JoséCarl os Teixeira Letí c ia Cristina Barbosa Kênia Al exandra Costa Hermann Prisc il a Santos Al ves Logí sti ca de M ater i ai s Jef erson Cassiano Al meida da Costa ( c oordenador) Eduardo Kraus M oni tor i a e Supor te Raf aelda Cunha Lara ( c oordenador) Adriana Sil veira Carol ine Mendonç a Dyego Rac hadel Edison Rodrigo Val im Franc iel l e Arruda Gabriel a Mal inverni Barbieri Gisl ane Frasson de Souza Josiane Conc eiç ão Leal Maria Eugênia Ferreira Cel eghin Simone Andréa de Castil ho Viní c ius Mayc ot Seraf im Pr odução I ndustr i ale Supor te Arthur EmmanuelF.Sil veira ( c oordenador) Franc isc o Asp Pr oj etosCor por ati vos Diane DalMago Vanderl ei Brasil Secr etar i a de Ensi no a Di stânci a Karine Augusta Zanoni ( sec retária de ensino) Ana Paul a Pereira Dj eime Sammer Bortol otti Carl a Cristina Sbardel l a Grasiel a Martins James MarcelSil va Ribeiro LamuniêSouza Liana Pampl ona Maira Marina Martins Godinho Marc el o Pereira Marc os Al c ides Medeiros Junior Maria I sabelAragon Ol avo Laj ús Prisc il l a Geovana Pagani Sil vana Henrique Sil va Secr etár i a Executi va Viviane Sc hal ata Martins Tecnol ogi a Osmar de Ol iveira BrazJúnior ( c oordenador) Ric ardo Al exandre Bianc hini Rodrigo de Barc el os Martins Edi ção -- Li vr o Di dáti co Pr of essor asConteudi stas Karen Christine Rec hia Leonete Luzia Sc hmidt Rosmeri Sc hardong Desi gn I nstr uci onal Viviani Poyer Pr oj eto Gr áf i co e Capa Equipe Unisul Virtual Di agr am ação Vil son Martins Fil ho Revi são Or togr áf i ca B2B

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . – Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica . . . . . . . . . . . . . 09 Plano de estudo . . . . . . . . . . 111 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Sumário Apresentação . . . . . 113 Sobre as professoras conteudistas . . . . . . . . . . . . . . . . 11 UNIDADE UNIDADE UNIDADE UNIDADE 1 2 3 4 – História da Educação: objetos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 03 Palavras das professoras conteudistas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . – As práticas educativas medievais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . abordagens e fontes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119 . . . . . . . . . – A infância e a pedagogia moderna . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 41 65 89 Para concluir o estudo .

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Quanto à época moderna. optamos em fazer algumas escolhas. a formação dos cavaleiros e a constituição das universidades. optamos por enfocar aspectos da cultura escolar presentes nos colégios modernos e na pedagogia jesuítica. os quais ajudarão a compreender muitas das atuais características de nossas instituições de ensino. Também enfatizamos a constituição de uma nova concepção de infância na modernidade e como esta derivou na pedagogização dos conhecimentos e no disciplinamento dos sujeitos. começando pela Antiguidade. . passando pela Idade Média e Moderna e chegando à Idade Contemporânea. acaba-se por fazer um estudo panorâmico. como a educação feminina. discutiremos a infância e a pedagogia moderna. Iniciamos o presente livro apresentando um pouco das atuais discussões que permeiam o campo de estudos e pesquisas em História da Educação. para situar e compreender algumas práticas educativas relacionadas a este período. Os livros de História da Educação estão organizados de modo a abarcar o estudo dos tradicionais períodos históricos. você irá conhecer o contexto histórico da chamada Idade Média Ocidental. Mesmo seguindo alguns desses períodos. Em seguida.Palavras das professoras Caro estudante. Por tratar-se de um período extensivamente longo. apresentando alguns aspectos da trajetória histórica da infância. Para finalizar. Veremos aí que é possível estudar a História da Educação sob diferentes abordagens e temas e a partir de diferentes fontes. a educação nas corporações de ofícios.

na medida do seu interesse e disponibilidade.Quanto às questões educacionais do período contemporâneo. século XIX e XX. Procuramos. Leonete e Rosmeri . no decorrer do livro. acreditamos que. você terá a oportunidade de discuti-las com mais propriedade. indicar fontes extras de pesquisa para que você possa. em outras disciplinas. Boa aprendizagem! Professoras Karen. aprofundar os temas apresentados.

abordagens e fontes. Carga Horária 60 horas – 4 créditos.EVA. a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/ mediação.Plano de estudo O plano de estudos visa orientá-lo/la no desenvolvimento da Disciplina. as atividades de avaliação (complementares. São elementos desse processo: „ o livro didático. Nele. Assim. Educação e infância na modernidade. O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam. Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica. você encontrará elementos que esclarecerão o contexto da Disciplina e sugerirão formas de organizar o seu tempo de estudos. a distância e presenciais). o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem . „ „ Ementa História da educação: objetos. As práticas educativas medievais. .

Estes se referem aos resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de estudo. Reconhecer as diferenças entre as formas educacionais no tempo e em sociedades distintas. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua formação. Identificar as principais características da pedagogia jesuítica. bem como analisar o uso de diferentes fontes de pesquisa nesta área. assim como a ampliação e multiplicidade de temas ou objetos de pesquisa nas últimas décadas. Identificar os sujeitos/grupos sociais que foram atingidos ou excluídos pelas instituições educacionais ao longo do tempo. a seguir.Objetivos Identificar as concepções de História que implicam em diferentes abordagens acerca da História da Educação. Relacionar o panorama histórico com as idéias pedagógicas e suas aplicações educacionais. „ „ „ „ „ „ Conteúdo programático/objetivos Veja. as unidades que compõem o Livro Didático desta Disciplina e os seus respectivos objetivos. Unidades de estudo: 4 12 . Compreender o processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos na modernidade. Analisar alguns modos de tratamento dispensados à infância em diferentes períodos históricos. „ Conhecer as práticas educativas medievais e modernas.

como a educação das mulheres. ainda. Você estudará. bem como a pedagogia jesuítica. pretende-se discutir concepções de História que implicam em diferentes abordagens acerca da História da Educação.IHistória da Educação: objetos. Verá que a partir do Renascimento institui-se uma nova concepção de infância que resultará num processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos. você verá as principais características que a pedagogia e a escola moderna adquiriram em função das novas concepções sobre a criança desenvolvidas no período. Unidade 3 – Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica Esta unidade iniciará discutindo a constituição e as características dos colégios modernos no século XVI. Unidade 4 – A infância e a pedagogia moderna Nesta unidade. você iniciará o estudo desta unidade vendo como a infância foi tratada em diferentes momentos históricos. a educação dos cavaleiros e a educação nas corporações de ofícios. sistematizada a partir da Ratio Studiorum (1599). Para entender a concepção de infância do período moderno. 13 . Unidade 2 – As práticas educativas medievais O estudo desta unidade lhe proporcionará conhecer o contexto histórico da Idade Média. e sua influência na constituição de um determinado modelo de escola e sujeito. idéias. a formação das universidades medievais.Nome da disciplina Unidade 1 . bem como algumas práticas educativas desenvolvidas nesse período. Também abordar-se-á o uso de diferentes fontes de pesquisa nesta área. abordagens e fontes Nesta unidade. assim como a ampliação e multiplicidade de temas ou objetos de pesquisa nas últimas décadas.

Universidade do Sul de Santa Catarina Agenda de atividades/ Cronograma „ Verifique com atenção o EVA. organize-se para acessar periodicamente o espaço da Disciplina. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura. Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da Disciplina. Registre no espaço a seguir as datas. Não perca os prazos das atividades. com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA. e da interação com os seus colegas e tutor. „ „ 14 . da realização de análises e sínteses do conteúdo.

Nome da disciplina Atividades Avaliação a Distância 1 Avaliação a Distância 2 Avaliação Presencial 1 Avaliação Presencial 2 (2ª. chamada) Avaliação Final (caso necessário) Demais atividades (registro pessoal) 15 .

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UNIDADE 1 História da educação: objetos. Analisar o uso de diferentes fontes de pesquisa nesta área. Seção 2 Abordagens teórico-metodológicas para a escrita da História. abordagens e fontes Objetivos de aprendizagem „ 1 Identificar as concepções de História que implicam em diferentes abordagens acerca da História da Educação. Seção 3 Fontes e objetos para a História da Educação. „ Seções de estudo Seção 1 Concepções de História e de História da Educação. assim como a ampliação e multiplicidade de temas ou objetos de pesquisa nas últimas décadas. .

você registrasse seu conhecimento sobre: 18 . por profundas discussões que. de algumas questões atuais que têm norteado sua discussão. por outro. na seqüência. SEÇÃO 1 . para iniciarmos nossas discussões. traçaremos um rápido perfil das principais tendências historiográficas que marcaram e têm marcado o campo da História da Educação. em função das inúmeras questões que ficam em aberto. Assim. seja interessante você refletir um pouco sobre os termos educação.Concepções de História e de História da Educação Acreditamos que. história e história da educação. Destacamos que a área da História da Educação ou o campo da História da Educação tem passado. Em seguida. contribuem para o avanço teórico-metodológico e para as novas possibilidades de investigação. Para isso iniciaremos analisando os “termos” educação. mesmo que de forma aproximativa. para. por um lado.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade introdutória. abordarmos a questão dos possíveis objetos e fontes a serem explorados pela área. gostaríamos que nos espaços. pretende-se discutir com você algumas questões relacionadas ao debate contemporâneo em torno da História da Educação. nos últimos tempos. mas. a seguir. Acreditamos que é importante para o estudo da História da Educação situar-se. história e história da educação. dificultam.

Unidade 1 19 . é bastante comum relacionar-se o termo educação com escola e ensino e história com o estudo do passado. podemos dizer. Assim. “ninguém escapa da educação”. dentre inúmeras outras formas.História da Educação I O que é educação? O que é história? O que é história da educação? Não temos aqui a pretensão de esgotar a discussão sobre tais termos. Não pretendemos oferecer respostas prontas e acabadas. já que esses termos/conceitos são historicamente construídos. ligados à prática social e. um processo que ocorre no decorrer da sua existência e em diferentes espaços formais e não formais. principalmente devido a seus múltiplos sentidos. Embora isso não seja incorreto. variáveis no tempo e no espaço histórico-social. é preciso ampliar essa compreensão. ou seja. Como diria Carlos Rodrigues Brandão. mas apenas problematizá-los. portanto. que é o processo de formação do ser humano. quanto à educação. Quando realizamos essa atividade de sondagem com nossas turmas presenciais.

p. num tempo e espaço determinados. de destacar que. componentes do que se chama o processo histórico. Nesse sentido. Ghiraldelli Jr. diz que há. Arrastaram eles os blocos de pedra? E a Babilônia várias vezes destruída Quem a reconstruiu tanta vezes? Em que casas Da Lima dourada moravam os construtores? Para onde foram os pedreiros. o poema. Ele se refere tanto aos processos de existência e vida real dos homens no tempo como ao estudo científico. Gostaríamos. embora o ensino tradicional de história enfatize fatos isolados e apenas alguns indivíduos como promotores da história. ainda. Sozinho? César bateu os gauleses.” (1994. a seguir. “entre outros.Universidade do Sul de Santa Catarina Quanto à História. 11). na noite em que a Muralha da China ficou pronta? A grande Roma está cheia de arcos do triunfo Quem os ergueu? Sobre quem Triunfaram os Césares? A decantada Bizâncio Tinha somente palácios para os seus habitantes? Mesmo na lendária Atlântida Os que se afogavam gritaram por seus escravos Na noite em que o mar a tragou. dois significados básicos. Não levava sequer um cozinheiro? 20 . à pesquisa e ao relato estruturado desses processos humanos. em nosso entender ela é construída cotidianamente pelos grupos humanos. do escritor alemão Bertold Brecht (1898-1956) nos dá um pouco essa dimensão e nos alerta para estarmos atentos a outras histórias e a outros sujeitos históricos. O jovem Alexandre conquistou a Índia. PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ Quem construiu a Tebas de sete portas? Nos livros estão nomes de reis.

observam que a historiografia que se consolidou no século XIX foi aquela caracterizada pela narrativa dos eventos políticos. quando sua Armada Naufragou. Isto porque. ainda conforme Veiga.ig. Anterior a esta data. Tantas questões. Quem venceu além dele? Cada página uma vitória. p. (disponível em <http://portal. com base somente no conteúdo de documentos escritos. (verbete Historiografia. muitos Estados/Nação estavam sendo constituídos. assegurava a História. como verdade absoluta. Esta forma está associada a quem escreve e. 2005. 20). há outra(s) forma (s) de escrevê-la? Segundo Veiga. historiadores como Jacques Le Goff e Peter Burke. naquele momento.gov.br/seb/arquivos/pdf/bronze. como critério de cientificidade. 189193). Para compreender melhor a trajetória deste conceito. apesar de existirem outros estudos históricos que contemplassem outros objetos “a história política era considerada (ao menos no âmbito da profissão) mais real ou mais séria que o estudo da sociedade ou da cultura”. ele era uma colônia pertencente e administrada por Portugal.mec. Peter Burke diz que. 2003. leva em conta a sociedade e época na qual o indivíduo está inserido. Quem cozinhava o banquete? A cada dez anos um grande Homem. Quem pagava a conta? Tantas histórias.pdf>) Mas se a História não é um conjunto de explicações e de certezas sobre fatos e acontecimentos do passado. criados. Ninguém mais chorou? Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.asp?RegSel=15 0&Pagina=6#materia> O Brasil passa a ser constituído enquanto Estado/Nação a partir de 1822. acessar <http://eaprender. Neste contexto.com. In: Dicionário de Conceitos Históricos. A Historiografia constituise num campo de estudo sobre a própria forma de se produzir e escrever a História.História da Educação I Filipe da Espanha chorou. pp. A idéia predominante na época era de que o conhecimento produzido a partir de fontes oficiais. bem como na utilização dos registros oficiais para a escrita da História. baseada na escrita dos historiadores. com a proclamação da independência. (apud Veiga. br/ensinar. a História como disciplina escolar foi organizada na perspectiva pragmática da formação do cidadão. entre outros. Unidade 1 21 . portanto.

Isso não significa que a História factual e política tenham deixado de existir e nem mesmo que não tenham sua importância. estando sempre acompanhada de perto pela Filosofia da Educação. antes de dar continuidade à leitura. (2005. ainda..)essa associação com a Filosofia da Educação contribuiu para que uma das vertentes mais pesquisadas na História da Educação fosse exatamente a história das idéias pedagógicas e a fonte privilegiada para esse tipo de investigação fosse a obra dos grandes pensadores. 28) Reforça. conforme os historiadores. voltada predominantemente para os fatos políticos e organizada de maneira cronológica. sugerimos que você. (.” . No Brasil. também a disciplina História da Educação foi gerada no interior das escolas normais.. ou seja. Lopes (2005.Agora. vai sendo questionada e dando lugar a outras concepções. uma primeira questão a destacar é que ela surgiu no final do século XIX. questão que você verá na seção 2. na Europa. 29) que “o fato de a trajetória da História da Educação estar relacionada à Pedagogia e ao ensino dificultou sua constituição como uma área de pesquisa propriamente dita. p. diz respeito ao método ou a abordagem utilizada para escrever a História. tendo como sujeitos os “personagens ilustres” e os “heróis” eleitos de cada época (possivelmente aquela História que muitos de nós aprendemos na escola). dos cursos que formavam professores. Segundo Lopes. como uma disciplina dos Cursos Normais. reflita um pouco sobre a seguinte questão: História da educação é um campo que pertence à História ou à Educação? 22 . O problema. p. desta unidade.Universidade do Sul de Santa Catarina Este tipo de História. Quanto à História da Educação.

a partir de sua própria prática disciplinar. a constituição da História da Educação “como campo de investigação historiográfica capaz de se auto delimitar e de definir. 1990. nos cursos de formação de professores. apesar de se constituir historicamente e inicialmente como uma disciplina escolar. De acordo com Veiga (2003. p. ela foi separada do campo da História e. Segundo ela.6). É importante ressaltar que é muito recente a consolidação da História da Educação como campo de investigação científica no Brasil. talvez até em função disso. mas como ciência da educação ou como ciência auxiliar da educação” (WARDE. ao mesmo tempo. temas e objetos. a História da Educação foi retirada do campo da História e convertida em abordagem ou em enfoque. p.História da Educação I Existem diversos entendimentos entre os historiadores da educação sobre o lugar da História da Educação em relação à História. para outros como um objeto. ainda. p. como um sub-campo. O fato de ser transformada em disciplina escolar com objetivos institucionais e de formação de professores e pedagogos foi o que impediu. 1997. colocada em segundo plano no campo da educação.” (CARVALHO. para outros. nas duas últimas décadas. Nesse processo. 19). cada vez mais como um campo de estudos e pesquisas. até muito recentemente. exista ainda pouco diálogo entre historiadores e historiadores da educação. a partir dos anos 30. esse processo que retira a História da Educação do campo da História e que a inseriu entre as ciências da educação está associado ao processo que a transformou em disciplina escolar. essa ausência de diálogo dificulta o entendimento da educação como objeto de investigação da História e permite que ela continue a ser vista como sub-campo ou especialização da História. Contudo. Unidade 1 23 . “O que significou não ter sido instituída como especialização temática da História. Para uns.3-11). dinâmicas de constituições de questões. a História da Educação tem-se consolidado. e que. Para melhor compreender. ela é definida como uma especialização da História.

devido também a grande influência da Filosofia.com. o conhecimento científico deveria basear-se na observação dos fatos e na experimentação.htm> Seção 2 . A primeira influência que destacamos é o Positivismo. como a Antropologia e a Lingüística. para a elaboração de leis gerais. julgamos importante discutir. entre tanto outros. É o iniciador do positivismo francês e o pai oficial da sociologia. nos últimos anos. No primeiro estágio. os alunos. é necessário um breve panorama sobre principais influências na historiografia.terra. de Diderot.com. algumas das perspectivas que orientaram e têm orientado as pesquisas nesse campo. Assim. e à aproximação com outras áreas de conhecimento. na próxima seção. uol. para demonstrar a evolução do homem na história da humanidade. na forma de “contar” a História. br/arte/mundoantigo/grecia Auguste Comte (1798-1857) nasceu em Montpellier. outras temas de pesquisa têm sido investigados e ampliaram nosso conhecimento sobre a História da Educação. ou seja. de família modesta ‘eminentemente católica e monárquica’. Portanto.litica. Neste sentido. como veremos na próxima seção. devido à influência da Nova História. processos e formas de aprendizagem. Figura: Pintura Grega Fonte: http://paginas.tropo. o professor. materiais escolares. Turgot e Condorcet. Leitor dos empiristas ingleses. Ver mais sobre Comte e a lei dos três estágios em <http://socio. a explicação dos 24 .br/personalidades/ augustecomte.vilabol. o metafísico e o positivo. Os temas de pesquisa no âmbito da História da Educação acompanharam e acompanham diferentes correntes teóricometodológicas.Abordagens teórico-metodológicas para a escrita da História Para você compreender melhor o que foi falado até agora. elabora a lei dos três estágios: o teológico. Doutrina surgida no século XIX e associada a Augusto Comte compreendia a ciência como domínio da natureza e sinônimo de progresso. d’Alambert.Universidade do Sul de Santa Catarina Se durante muitos anos essas pesquisas restringiram-se à análise do pensamento pedagógico e das políticas educacionais. Veiga observa que a educação tem apresentado um campo muito vasto de temáticas e o papel da História da Educação deve ser o de investigar e tornar visível diferentes objetos: a escola. discípulo e secretário (e depois decidido antagonista) de Saint-Simon.

excluindo-se uma série de sujeitos. nesta perspectiva. Unidade 1 Para conhecer os diferentes tipos de fontes/documentos e suas definições. Os fatos históricos são colocados numa linha de tempo linear. acabou projetando lógica semelhante à da elaboração das leis naturais para a História. p. no segundo. realça sujeitos históricos como governantes. (BURKE). a História da Educação estaria associada. br/v2n2/cerri.net Assim. pois só eles portariam a verdade histórica. que por sua vez deveriam ser descritos com base numa leitura supostamente objetiva do documento. A História numa abordagem positivista ou tradicional. a noção de História preconizada por esta doutrina enfatizava as fontes/documentos escritos. consultar PINSKY. Mas o que nos interessa aqui são algumas características do Positivismo que vão repercutir na forma de escrever a História. (org.) Fontes históricas. devido ao tipo e à forma de trabalho. em estudar o que é. atribuindo ao historiador os critérios de objetividade e neutralidade. Como Comte acreditava ser possível compreender a sociedade e os indivíduos que a compõem através da razão.” (CERRI. São Paulo: Contexto. para a projeção do futuro: “Assim. utilizados nas ciências físicas e naturais. Figura: Augusto Comte Fonte: www. Por História tradicional entende-se que “(. em ver para prever. sobretudo.História da Educação I fenômenos era atribuída a elementos sobrenaturais. Seguindo essa concepção.htm>).uepg. Carla B. 25 . o verdadeiro espírito positivo consiste. Grande parte desta documentação remete a fatos políticos. a fim de concluir disso o que será. Ou seja. a explicação foi legada a entidades abstratas e no terceiro e último – o positivo – a fonte para elucidar estes mesmos fenômenos passaria a ser a razão. Então. 50). disponível em <http://www.” (COMTE. seria possível compreender os fatos “como eles realmente aconteceram”. dividida por períodos políticos.. 1983. temas e grupos sociais que escapam a esta abordagem.. 2005.rhr. grandes homens e “heróis” selecionados por uma elite política e econômica de cada época. Uma das características desta concepção de História é que muitas vezes possibilita um olhar de cima.) tradicional é a característica de uma história de classe dominante (ou que em algum momento esteve no poder do Estado). segundo o dogma geral da invariabilidade das leis naturais.si-educa. o conhecimento do passado torna-se fundamental para o entendimento do presente e. conseqüentemente. bem como suas formas de abordagens ao longo do tempo.

XIX.com.Universidade do Sul de Santa Catarina com as fontes/documentos. legitimava/legitima a ordem vigente. com jornadas de Para compreender melhor as definições sobre Antigo Regime.. Por ser uma classe que se opunha à velha ordem ou ao Antigo Regime. Mas qual é o seu contexto de surgimento? É importante conhecermos o contexto histórico para que compreendamos o significado e o crescimento de tais teorias. almejava conquistar ou garantir também o poder político. apresentava uma dicotomia básica. Voltando à sociedade européia. Revolução Industrial e Imperialismo ou Neocolonialismo do séc. a um panorama políticoinstitucional no tocante à legislação da política educacional. linearizada. a mecanização. ao pensamento pedagógico. acesse o site: <http://www. 7) Essa visão de História. que durante muito tempo vinculou-se a uma interpretação essencialmente política. no curso da Revolução Industrial. etc: A maneira como a história se organizou enquanto ciência e disciplina escolar se confunde com a própria história da educação.. confundida com a história das idéias pedagógicas. ou seja.). percebe-se que essa massa trabalhadora vivia em condições subumanas. configurando o que se denomina como Imperialismo ou Neocolonialismo do séc. portanto. o século XIX. Conforme já falamos no início da seção. bem como a descoberta de novas fontes de energia. 1998. os países europeus expandem-se para a Ásia e África. (. que já havia consolidado seu poder econômico.br>. Na busca de matérias-primas e de mercado consumidor para tal produção. a divisão de duas classes sociais: os capitalistas e os proletários. promovendo uma concentração de mãode-obra nas cidades. O estabelecimento das fábricas nas cidades. possuía a simpatia de alguns pensadores e grupos. A classe burguesa. p. XIX. 26 . ao menos no Ocidente. (VEIGA apud FARIA FILHO. historianet. foi perpassado por discussões acerca dos pressupostos da razão e do conhecimento científico. A sociedade européia. dinamizaram a produção industrial.

141): (. a revolução cubana de 1919 são alguns exemplos de revoluções que se diziam inspiradas em suas idéias. nem objetiva. É neste panorama que surge o Positivismo. Sua existência foi dedicada à luta da classe trabalhadora. podemos compreender que a História é movimento. é nas contradições entre as classes antagônicas e do desenvolvimento das próprias forças produtivas de cada época.vilabol. A revolução russa de 1917.uol. de um modelo. sem direitos trabalhistas. a luta de classes. dessa forma. no sentido de superá-las. pois pressupõe a ação de indivíduos reais. saúde e alimentação. A imagem do passado. portanto. no entanto.História da Educação I trabalho que poderiam chegar a 18 horas diárias. é compreender a visão de História advinda de tal teoria. antagônica na maior parte dos aspectos. que criaria a União Soviética (URSS). com a presença do trabalho infantil e feminino e precárias condições de moradia.com. assim como outra corrente teórica. br/personalidades/ karlmarx.. p.. Como explica Aranha (1996. É claro que estamos simplificando as idéias de tal teoria.tropo.) no lugar das idéias estão os fatos materiais: no lugar dos heróis.br Unidade 1 27 . Disponível em <http://socio. A teoria marxista é chamada de Materialismo histórico e dialético. Marx vai estudar profundamente a oposição das classes ao longo da História – que chamará de luta de classes – e a constituição do capitalismo. a revolução chinesa de 1949. legitimando a ordem vigente. A história se faz com os fatores materiais.htm>. com base nos estudos de Karl Marx.unificado. Portanto. que se percebe a superação de uma classe sobre a outra. Por isso. o que nos interessa aqui.com. litica. ou modo de produção sobre o outro. a partir de certas condições materiais de vida. econômicos e técnicos que correspondem às condições em que os homens se reúnem para produzir sua existência no trabalho. como dizia o Positivismo. também é construída a partir dos interesses de uma classe. Figura: Karl Marx Fonte: www. porém do ponto de vista do trabalho e dos trabalhadores. a História não é neutra. toma como objeto de estudo a sociedade burguesa. Karl Marx (1818-1883) nasceu na Alemanha.

portanto. através da conscientização de uma classe oprimida. ou de modos de produção. Nessa linha. a História da Educação. um grupo de historiadores franceses promove uma espécie de reação à História excessivamente política e as suas principais propostas podem ser assim resumidas: Em primeiro lugar. Em terceiro 28 . do século XX. uma “história vista de baixo”. a História Cultural – é uma corrente dentro da própria História. Em segundo lugar. do historiador francês Jacques Le Goff (1978). no sentido de compreender as formas de escrever a História e. A Nova História e suas derivações. De qualquer forma. pois ela é fruto de todo um movimento anterior. No entanto. como falamos no início da seção. a História. a partir desta teoria. permite-se. A última corrente que abordaremos aqui. por ser calcada no desenvolvimento de processos materiais. traduz-se numa visão economicista e linear. é necessário que voltemos no tempo. a história de todas as atividades humanas e não apenas da história política. desloca-se o foco do político para o econômico e ao mesmo tempo. como a História da Educação. é a Nova História. pois a “linha da História”. a educação pode ser vista como a reprodução da sociedade ou a sua superação. diferente das duas anteriores. numa sucessão de superação dos modos de produção. levaria ao Comunismo (esta linearidade também está presente na lei dos três estágios de Comte). Na década de 20. ao considerar a classe trabalhadora como fundamental. A expressão Nova História passou a ser amplamente conhecida através da obra “La nouvelle historie”. a substituição da tradicional narrativa de acontecimentos por uma história-problema.Universidade do Sul de Santa Catarina Tal noção de História. que são muitas e trataremos apenas de uma delas. Assim. também constituiu outros campos de estudo e conhecimento da realidade.

chamada Revista dos Annales. etc. que leve em conta as pessoas comuns. Ao privilegiar a História econômica e social. A História é construída a partir do ponto de vista de quem a escreve e das fontes selecionadas ou disponíveis no momento. tendo a frente Marc Bloch e Lucien Febvre. pinturas.htm> e também <http://www.com. 1992. pp. com. a colaboração com outras disciplinas. Quais características são fundamentais nesta nova forma de ver e escrever a História? Para saber mais sobre o movimento dos Annales e seus desdobramentos. segundo o historiador Peter Burke. ohistoriador.historianet. tais como a geografia. a antropologia social e tantas outras. o corpo. em certos aspectos. visando completar os dois primeiros objetivos. a economia.História da Educação I lugar. pode ser percebido em três gerações e a última seria a dos anos 70. „ „ „ Unidade 1 29 . a sociologia. desconhecidas. as festas. a família etc. Muitos são os registros necessários se pensarmos nas atividades e experiências humanas.ig.br/ annales. A abertura para outros documentos e fontes . Portanto. em seu contexto de tempo e espaço.hpg. a psicologia. a alimentação.não só os escritos – como fotografias. objetos. tudo tem história. (BURKE. Uma “história vista de baixo”. acesse: <http://www. portanto. histórias orais.br/conteudo/default. mas também como ruptura com as anteriores. Muitas destas propostas foram apresentadas numa publicação criada em 1929. este movimento. 11-12). como: a morte. a infância. a lingüística. não é possível contar a História como ela realmente aconteceu. aspx?codigo=607> Veja a seguir: „ Se a História deve considerar todas as atividades humanas. os odores. Essa geração pode ser vista como uma continuidade. novos temas foram incorporados à historiografia.

ou se você pensou em algo referente ao mencionado. da literatura.uol.gov.br/portal/riomidia/ rm_entrevista_conteudo. Seção 3 . Nesta concepção. vários objetos e abordagens conquistam espaço. até mesmo. da imagem das identidades. Dentre estes campos de investigação. fonte é a origem 30 . Um dos historiadores da História Cultural que tem sido muito utilizada na História da Educação é Roger Chartier devido as suas pesquisas sobre a História da leitura e dos impressos.br/tropico/html/ textos/2479. leia estas duas entrevistas: http:// pphp. você já percebeu que a História Cultural vai influenciar e.com. até mesmo. Pesavento aponta a História das cidades. atualmente. como veremos na seção a seguir. Para saber mais acerca das idéias e pesquisas deste historiador que tem influenciado muitos trabalhos em História da Educação no Brasil. esta tendência da História está expressa em recentes pesquisas na área.rj. 53). No campo educacional. a partir das discussões acerca da cultura no campo historiográfico e principalmente metodológico. ou melhor dizendo.1. da memória e da historiografia. multirio. como a História Cultural.Fontes e objetos para a História da Educação O que vem a sua mente quando aparece a palavra fonte? Registre a seguir: Se lhe veio à cabeça a palavra nascente ou. 2003. assim como também o historiador não é neutro e detém um ponto de vista (relacionado às idéias de sua época e ao lugar que ocupa). (apud FONSECA. brota ou emerge a água. as mentalidades. Fonte é o lugar de onde sai algo. Neste sentido.shl e <http://www.asp?idio ma=1&idMenu=4&label=Entrevist as&v_nome_area=Entrevistas&v_ id_conteudo=51218>. p. não está errado(a). a historia social e. o lugar onde nasce. do tempo presente. como o cotidiano. renovar os objetos e abordagens nesta área.Universidade do Sul de Santa Catarina Não há uma única verdade em um contexto histórico.

o qual. constituem o ponto de partida. Ou seja. Outra indica a base. a palavra nascente. não se trata de considerar as fontes como origem do fenômeno histórico considerado. do objeto histórico estudado. que não é o caso aqui – observação do autor). via de regra. No entanto. pp. também tem origem. p. Elas enquanto registros. o repositório dos elementos que definem os fenômenos cujas características busca-se compreender. 2004. a rigor. o ponto de apoio da construção historiográfica que é a reconstrução. As fontes estão na origem.5) Unidade 1 31 . assim como manancial. duas conotações. algumas contribuições sobre seu entendimento sobre fontes. é usada apenas para se referir ao ponto de origem de um curso ou corrente de água. fonte é sinônimo de nascente que corresponde também à manancial. isto é. Ele observa que. Uma significa ponto de origem. (SAVIANI. são a fonte do nosso conhecimento histórico. são produções humanas (salvo quando a questão for relativa a uma possível História natural. não se pode falar em fontes naturais já que todas as fontes históricas. o lugar onde brota algo que se projeta e se desenvolve indefinidamente e inesgotavelmente. 5-7) diz que ela apresenta. por definição. como ponto de origem. Assim as fontes históricas não são a fonte da história. buscamos junto a alguns autores que vêm estudando a História da Educação nas últimas décadas. Além disso. O mesmo autor observa que. entretanto. Com relação à palavra ‘fonte’. no plano do conhecimento.História da Educação I de alguma coisa. a palavra fonte é usada em História com sentido analógico. já se liga a um repositório abundante de elementos que atendem à determinada necessidade. bem como exemplos de fontes por eles utilizados para produção da historiografia educacional. E é por isso que o conhecimento produzido sobre a História da Educação também sai de alguma fonte. o ponto de apoio. a base. enquanto testemunhos dos atos históricos. Saviani (2004. são construídas. não é delas que brota e flui a história. ou seja. é preciso considerar que. Para deixar mais clara esta questão. no caso da História. no plural.

que a História da Educação configurouse primeiramente como disciplina escolar e. novos significados. em parte.14) diz que seus conteúdos resultam. Werle (2004. novas informações que nos tinham escapado nas vezes anteriores. como já vimos na primeira seção.) teve sua trajetória marcada pelas relações estabelecidas com o conhecimento produzido em outros 32 . novos pesquisadores possam compreender seu passado que é o nosso presente. As primeiras são aquelas que encontramos nos vários tipos de acervos com as mais diferentes formas. Entre estas fontes encontram-se tanto materiais de trabalho como de pesquisa. De acordo com ele. no futuro. Mas nem sempre foi assim. É importante relembrar. também o caráter de inesgotabilidade transpõe-se analogicamente para a historiografia. por exemplo. Além disso. da descoberta do pesquisador junto aos arquivos e outras formas de apropriação obtidas através de depoimentos orais ou escritos e de outros meios de expressão. dentre muitos outros objetos que adquirem o estatuto de fonte diante do historiador. sempre que a elas retornamos. nos quais nos apoiamos em nossa investigação.Universidade do Sul de Santa Catarina Ainda segundo Saviani. indícios que foram acumulando ou que foram guardados. as inúmeras peças guardadas nos museus. a analogia não se limita apenas ao caráter de origem.. na medida em que estes buscam neles respostas às questões levantadas.. Ou seja. Falando de História de instituições escolares. p. vestígios. podemos distinguir as fontes entre aquelas que se constituem de modo espontâneo e aquelas que produzimos intencionalmente. Entre eles estão a multidão de papéis existentes nas bibliotecas e nos arquivos públicos ou privados. São documentos. há ainda as fontes produzidas a partir de registros de testemunhos orais. como nos coloca Fonseca: (. tendemos a encontrar novos elementos. As segundas são aquelas que os educadores ou historiadores preservam para que.

Um outro tipo de análise. aponta que nos anos 80. Dermeval Saviani e seu grupo na Unicamp. ora seguiam um ecletismo em que passava-se em revista as instituições educacionais e/ou doutrinas pedagógicas da Grécia Antiga até a época contemporânea. Lembre-se do que já vimos sobre a concepção positivista e perceba as semelhanças! Ainda no Brasil.) ora eram construídos a partir de uma visão determinada. Unidade 1 33 . mas na mesma concepção. a escolarização. que é a organização dos sistemas de ensino associada às políticas educacionais do Estado. (In: VEIGA. (GHIRALDELLI Jr. como campo de investigação e muitas vezes é vista como uma dimensão do universo cultural em estudo. 56) O estudo das idéias pedagógicas acabou caracterizando as pesquisas nesta área.História da Educação I campos. p. Tratava-se de elaborar um conjunto de saberes sobre a história das idéias pedagógicas que tivesse função prática na formação dos professores e pedagogos. Ghiraldelli jr. notadamente a evolução da legislação educacional. p. 2003. ocupa lugar de destaque em obras de História da Educação no Brasil. entre outros. dentre eles Pierre Nora e Roger Chartier (que já citamos anteriormente). numa abordagem diferente. por exemplo.. Alguns historiadores. 2003. Aproxima-se atualmente da História Cultural. A fonte ou documento utilizado por esta abordagem era unicamente o registro escrito. 242. pesquisaram temas relacionados a este campo como os livros e a leitura. fazem questionamentos à condução dos planos e do campo de pesquisa da História da Educação: (. tanto da tradição positivista. quanto da marxista.) A trajetória da História da Educação é marcada pelas concepções que esboçamos na seção anterior.. numa perspectiva marxista. como a fi losofia e a Psicologia.

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Como exemplos de fontes que os historiadores da educação vêm se apoiando nos últimos tempos para produzir o conhecimento sobre a área podem ser citados:
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documentos (oficiais ou não); legislação; arquivos institucionais públicos e privados dentre eles os escolares; arquivos pessoais (como baú de memórias, ou seja, informações que uma pessoa guarda como fotos, diários, correspondências, dentre outros); dados estatísticos; literatura; produção bibliográfica; livros didáticos; pinturas e outras obras de arte; fotografia; memórias (entrevistas e histórias de vida); arquitetura de prédios escolares; objetos escolares (desde tinteiros até cadernos e mobílias existentes no interior de uma escola).

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Para saber mais sobre os jesuítas e sua atuação no Brasil, acesse: <http://www.pedagogiaemfoco. pro.br/heb02.htm> e <http:// www.cimi.org.br/?system=news&a ction=read&id=1643&eid=259>.

„ „ „ „ „

Marquês de Pombal é o nome com que ficou conhecido Sebastião José de Carvalho e Melo, político e verdadeiro dirigente de Portugal durante o reinado de José I, como 1º. Ministro. A partir de 1756, realizou um programa político de acordo com os princípios do Iluminismo, porém às suas reformas opuseram-se os jesuítas e a aristocracia. Num atentado contra a vida do rei em 1758, conseguiu implicar os jesuítas, expulsos em 1759. Disponível em <http://www.netsaber.com. br/biografias/ver_biografia. php?c=891>.

Conforme Fonseca, na História da Educação no Brasil, por exemplo, novos temas têm sido considerados, como a História da leitura e dos impressos escolares, “a história da profissão docente, os processos de escolarização, a cultura escolar e as práticas educativas e pedagógicas.” (FONSECA, 2003, p.61) Em alguns casos, antigos temas ou pesquisas, como as idéias pedagógicas e o sistema escolar têm sido revistos. Um exemplo disto são alguns estudos atuais sobre o período colonial que, ao invés de focarem apenas na escolarização formal relacionada à presença dos jesuítas e depois à administração pombalina, levam em conta outros processos educativos. Estes processos educativos, que podemos chamar de não formais, geralmente abarcavam uma população que estava à margem da escola, por condições financeiras ou preconceito.

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História da Educação I

Este tipo de estudo, ao invés de considerar apenas os escolarizados formalmente, permite-nos vislumbrar outras formas educativas relacionadas aos indígenas, mestiços, brancos pobres e aos negros escravos ou livres. Neste caminho, são trazidas à tona informações sobre o aprendizado profissional, a circulação de artistas e artesãos que traziam consigo saberes e técnicas. A pesquisa sobre este período amplia-se, levando em conta as especificidades e as culturas que circulavam naquele momento histórico. Um outro objeto de investigação tem sido ressaltado, referese à própria História da infância. Um dos trabalhos pioneiros e marcantes neste sentido é o do historiador francês Philippe Ariès, “História Social da Criança e da Família”. (1981). Neste trabalho, ele analisa a trajetória da construção da noção moderna de infância. Mostra a criação de um “sentimento de infância”, voltado à proteção e diferenciação em relação ao adulto, o que antes não ocorria. Ele inova não só na temática, como também na escolha das fontes. Ao contrário de outras tendências, utiliza a iconografia (imagens), diários, inscrições de túmulos, etc.

Figura: Livro de Philippe Áries – História Social da Criança e da Família Fonte: www. livrariacultura.com.br

Apesar de algumas críticas, pois o trabalho centrou-se nesta construção a partir das elites, contribuiu para chamar a atenção para o conceito de infância e para a ampliação das fontes e da análise.

Outros livros organizados nesta temática como “História das crianças no Brasil (PRIORE, 1991), “História social da infância no Brasil” (FREITAS, 1997) e “Infância e educação infantil” (Kuhlmann, 1998), nos mostram os mais diferentes objetos e fontes para a História da Educação. Em todos estão presentes diversas visões sobre a infância e os lugares atribuídos às crianças em cada contexto histórico. Como exemplo de trabalho com fontes orais, mais especificamente com histórias de vida de professoras aposentadas, temos o trabalho organizado por Maria Teresa de Assunção Freitas, “Memórias de professoras: história e histórias” (2000). Neste projeto, as histórias de vida foram cruzadas com uma

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história maior, trazendo elementos para a compreensão da História da Educação local (Juiz de Fora) e nacional. Assim, os objetos de análise relacionam-se à formação de professores, à prática pedagógica, à leitura e à escrita, às bibliotecas e às políticas públicas e à própria vida cultural da cidade. Os objetos foram definidos a partir de suas falas e recordações. Um outro componente que tem sido transformado em objeto de investigação são os manuais didáticos. Ao invés de serem utilizados só como fonte para a compreensão de outras questões, como os processos de escolarização, a construção de culturas escolares, a história de uma disciplina, têm sido analisado em seu processo de produção, sua circulação, seu uso e também nas apropriações que os diferentes grupos sociais faziam deles. Para estudar a escolarização no século XIX no Brasil, por exemplo, quando utilizávamos somente as fontes tradicionais, como a legislação da época, tudo nos levava a crer que havia uma ausência do Estado, através da falta de políticas públicas para a educação e infância. No entanto, quando levamos em conta outras fontes, como cadernos escolares, mapas de matrícula, relatórios de profissionais envolvidos nesta organização escolar, percebemos que havia uma tentativa de viabilizar um sistema público de ensino, ao menos para a população livre.
Você deve ter percebido, até agora, que estes novos olhares sobre a História da Educação, relacionados à renovação da historiografia, mas também à aproximação com outras áreas, como a Antropologia e a Sociologia (só para citar duas áreas) têm contribuído com novas fontes e objetos de estudo, até então desconsiderados. Por isso, podemos visualizar a educação num contexto mais amplo, também relacionada a temas que, anteriormente, não apareciam.

É nesta perspectiva que estaremos conduzindo as demais unidades deste livro. Agora, para praticar os conhecimentos conquistados nesta unidade, realize, a seguir, as atividades propostas.

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até muito recentemente.História da Educação I Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e. Para melhor aproveitamento do seu estudo. a História da Educação foi transformada em disciplina nos cursos de formação de professores e de pedagogos a partir de 1930. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas. como forma de garantir a cientificidade. acompanhe as respostas e comentários a respeito. a seguir. 2) Construa um quadro síntese com as informações da Seção 2: TENDÊNCIAS PRINCIPAIS REPRESENTANTES IDÉIAS CENTRAIS Unidade 1 37 . 1) Referente ao conhecimento de História da Educação é correto afirmar: a) ( ) O conhecimento produzido a partir de fontes oficiais era visto. c) ( ) A fotografia e as obras de arte nunca foram consideradas fontes historiográficas. b) ( ) No Brasil.

como o processo de formação do ser humano. cartilhas. „ Localize fontes iconográficas como fotos. dentre inúmeras outras formas.Você pode perceber que podemos conceituar a Educação. desenhos e outras imagens relacionadas à sua vida escolar ou à da sua família.Universidade do Sul de Santa Catarina 3) Realize a atividade sugerida a seguir na sua cidade e depois socialize com o grupo na ferramenta Exposição no EVA: Visite uma biblioteca ou arquivo público e identifique alguma fonte/documento referente à educação em outras épocas: notícia de jornal. também. com mais idade. você teve contato com termos como educação. Podemos dizer. „ Anote suas impressões nas linhas a seguir: Síntese Na primeira seção desta unidade. que a noção de História sofreu mudanças ao longo do tempo: desde uma concepção baseada 38 . acerca da sua vida escolar. livros didáticos. História e História da Educação. leis. „ Realize uma entrevista com alguém que você conheça. um processo que ocorre no decorrer da sua existência e em diferentes espaços formais e não formais.

através da conscientização de uma classe oprimida. dos cursos que formavam professores. a História da Educação estaria associada. apesar de ser um campo ainda muito recente de estudos.História da Educação I na ênfase aos fatos isolados. compondo o que se chama de processo histórico. No viés da Nova História. esta tendência da História está expressa em recentes pesquisas na área. No campo educacional. Você também aprendeu que a História da Educação. Nesta perspectiva. Assumida esta imparcialidade na escrita da História. cada vez mais como um campo de estudos e pesquisas. a educação pode ser vista como a reprodução da sociedade ou a sua superação. exclui uma série de sujeitos. Unidade 1 39 . você pode notar as principais diferenças entre elas e as contribuições na forma de olhar e escrever a História e a História da Educação. Na seção 2. Já no Marxismo. No entanto. Assim como no Brasil. como uma disciplina dos Cursos Normais. na qual ela pode ser entendida como uma construção de acordo com o ponto de vista de quem a escreve (o historiador). a um panorama político-institucional no tocante à legislação da política educacional e ao pensamento pedagógico. notadamente da História Cultural. devido à aproximação com as novas tendências da História e de outras áreas do conhecimento. temas e grupos sociais que escapam a esta abordagem. ou seja. leva-se em conta a História dos grupos humanos. nas duas últimas décadas. devido ao tipo e à forma de trabalho com as fontes/ documentos. a História da Educação influencia e até mesmo renova os objetos e abordagens nesta área. cuja disciplina foi gerada no interior das Escolas Normais. em tempos e espaços determinados. tem-se consolidado. dispostos de maneira linear e cronológica e com apenas alguns indivíduos como promotores da História. ao apontarmos as correntes que influenciaram/ influenciam a História da Educação. surgiu no final do século XIX. na Europa. O Positivismo ao lançar um olhar de “cima para baixo”. até uma outra perspectiva. estando sempre acompanhada de perto pela Filosofia da Educação.

você descobriu que há muitas fontes possíveis de serem utilizadas nas novas pesquisas em História da Educação. Breves considerações sobre Fontes para a História da Educação. Rio de Janeiro: Guanabara. In: LOMBARDI. Campinas-SP: Autores Associados. Belo Horizonte: Autêntica. não eram mencionados. Peter. São Paulo: UNESP. incluindo processos educativos e grupos sociais que. as práticas educativas e pedagógicas. Philippe. José Claudinei e NASCIMENTO. fotos. pinturas. além dos documentos oficiais e da legislação. BURKE. Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade. o conceito de infância. Cynthia G. Thais Nívia de L. 1981. é possível levantar outros objetos de pesquisa. a História da Educação constitui-se como um campo vasto de pesquisas. na maior parte das vezes. História e Historiografia da Educação no Brasil. a cultura escolar. como as entrevistas orais.Universidade do Sul de Santa Catarina Por fim. entre outros. 1929-1989. a arquitetura escolar. Fontes. os processos de escolarização. a partir destas novas fontes. você poderá pesquisar os seguintes livros: ARIÉS. Ed. Dermeval. SAVIANI. Maria Isabel Moura (org). A História Social da Criança e da Família. A Revolução Francesa da historiografia: a Escola dos Annales. Dessa forma. História e historiografia da educação. 1991. FONSECA.. 2ª. VEIGA. 2004. 2003. como a História da profissão docente. 40 . Também descobriu que. diários pessoais. etc.

Estabelecer critérios de comparação entre as formas educacionais do período medieval e as atuais. Seção 4 A educação nas corporações de ofício. Identificar os sujeitos e grupos sociais. . Compreender o significado e a importância de situações pedagógicas não formais. Seção 5 A educação nas Universidades. Seção 2 A educação das mulheres. que foram atingidos ou excluídos pelas instituições ou associações educativas.UNIDADE 2 As práticas educativas medievais Objetivos de aprendizagem „ 2 Compreender o contexto histórico das práticas educativas medievais. „ „ „ Seções de estudo Seção 1 Idade Média: um breve contexto histórico. Seção 3 A educação dos cavaleiros medievais.

através de diferentes fontes e objetos como você já viu na primeira unidade . como é o caso da maioria das mulheres e dos aprendizes nas corporações de ofício. por exemplo. nas corporações de ofícios. a educação abrange espaços não formais.esperamos que você entre em contato e também construa um conhecimento acerca das práticas educacionais neste período. entre diferentes sujeitos e grupos sociais. muitas vezes elas estavam juntas. entre métodos e materiais pedagógicos. da educação feminina. Assim. na formação de cavaleiros e na constituição das universidades. no entanto. 42 . como no caso das escolas monásticas e das universidades. ou melhor. não é escolarizada. Você conhecerá lugares e sujeitos das práticas educativas.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo O estudo desta unidade lhe proporcionará conhecer o contexto histórico da chamada Idade Média Ocidental. É o caso. Muitas vezes. também. que havia uma definição das classes sociais bastante rígida e hierarquizada. Você perceberá. para situar e compreender as práticas educativas relacionadas a este período. no campo educacional.

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SEÇÃO 1 - Idade Média: um breve contexto histórico
Foi no século IV a.C. que a educação se institucionalizou com a fundação das primeiras escolas: Isócrates abriu a sua escola em 393 a.C. e Platão fundou a Academia em 387 a.C. Ao conquistarem o mundo da Antiga Grécia, os romanos “absorveram” o melhor da sua cultura, acrescentando-lhe a disciplina e o respeito pela lei (tipicamente romana). Construíram escolas de influência grega (o ginásio, a escola de cálculo e de gramática) e escolas de direito. A partir dos finais do século II da nossa era, o Império Romano, então cristianizado, entrou em decadência devido a vários fatores (tais como as crises na sucessão imperial, a crise econômica e social e o “perigo bárbaro”). Quando, em 476, a autoridade imperial deixou de existir no Ocidente, os “bárbaros” já se haviam fi xado nas regiões da Europa que antes devastaram. Estes povos eram, na sua maioria, pagãos, mas os seus chefes acabaram por se converter ao catolicismo.
Tendo sido a única que resistiu e sobreviveu às grandes invasões, mantendo a sua organização e servindo de apoio às populações aterradas, a Igreja Católica tornou-se a instituição mais importante da Idade Média.
Figura: Mural de Palau – Calades Barcelona Fonte: www.odesenho. no.sapo.pt

Os romanos chamavam de bárbaros todos os povos que não possuíam a mesma língua, os mesmos costumes e organização política, social e econômica que eles. Estas diferenças podem ser observadas no filme “Asterix e Obelix contra César”.

Certamente você já ouviu falar no termo Idade Média, e deve lembrar de ter estudado na escola, nas aulas de História, ou talvez por cenas de filmes, com cavaleiros, castelos e donzelas na torre. Além disso, você pode ter lido sobre a influência e os desmandos da Igreja Católica neste período,

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Independente da sua fonte de informação, você é convidado a registrar no espaço, a seguir, suas impressões sobre o período histórico em questão. Esse é o momento para fazer uma pausa e refletir sobre o assunto!

Considera-se o eurocentrismo como uma visão de mundo que tende a colocar a Europa (assim como sua cultura, seu povo, suas línguas, etc.) como o elemento fundamental na constituição da sociedade moderna, sendo necessariamente a protagonista da história do homem. <http://pt.wikipedia.org/wiki/ Eurocentrismo>

Você deve ter percebido que muitas das referências que registrou acima dizem respeito à história européia, não abarcam o Brasil, por exemplo, ou outros lugares do mundo. Pois bem, esta expressão “Idade Média” é bastante eurocêntrica e leva em conta uma periodização política, conforme a história positivista, que é uma das formas de escrever a história, como você viu na Unidade 1 desta disciplina. Dentro desta concepção de História, os marcos cronológicos do período conhecido como Idade Média, são os seguintes:
„

Início: 476 d.C. - Queda do Império Romano do Ocidente, com sede em Roma. Final: 1453 d.C. – Queda do Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla, tomada pelos turcos.

„

Ainda dentro desta classificação, há mais duas divisões, que muitas vezes são utilizadas: a Alta Idade Média, que compreenderia a formação dos povos germânicos até a estruturação do Feudalismo e a Baixa Idade Média, comumente descrita a partir do movimento das cruzadas, caracterizadas pelo ressurgimento e expansão das cidades e do comércio. – Gostaríamos de deixar claro que este recorte cronológico de “mil anos”, bem como o espaço geográfico (Europa) será levado em conta nesta unidade, devido às pesquisas e ao material bibliográfico
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História da Educação I

para os estudos em Educação. No entanto, não nos ateremos a uma seqüência cronológica para abordarmos as demais seções desta unidade e sim, às práticas educativas associadas a temas, como a educação monástica, nas corporações de ofícios, a educação das mulheres, dos cavaleiros medievais e a formação das universidades. Dito isto, vamos compreender melhor o panorama histórico deste período. Tomando o Século V como ponto de partida e a Europa como espaço geográfico, identificamos a crise do sistema escravista como um dos principais fatores da fragilidade econômica e social em que se encontrava o Império Romano do Ocidente naquele momento:
A divisão do Império em duas partes no final do século IV também contribuiu para esse processo: O Império Romano do Oriente, com capital em Constantinpla ainda conseguiu manter uma atividade comercial com outras regiões do Oriente, enquanto que o Império Romano do Ocidente, com capital em Milão, vivenciou o aprofundamento constante da crise. (disponível em http://www.historianet.com.br/conteudo/default. aspx?codigo=144)

Algumas medidas administrativas foram empreendidas, como o estabelecimento das Villae, no entanto, estas unidades eram voltadas à autosuficência, o que contribuiu ainda mais para a fragmentação do território do Império e para a ruralização. Devido a estes fatores, entre outros, a presença dos “povos bárbaros” constante nas fronteiras do Império Ocidental, acentuou-se, constituindo-se num movimento migratório de invasão, até o coração do Império. Dentre os “invasores bárbaros”, destacamos os povos germânicos (vândalos, ostrogodos, visigodos, anglo-saxões e francos), devido à formação de reinos - dentro do que era a área do Império Romano - e da própria organização econômica e social, que transplantaram para as áreas ocupadas, mesclando com outros costumes vigentes. Dentre estes povos, ressaltamos os francos, por sua importância na formação do Feudalismo e na aliança com a Igreja Católica, como você verá a seguir.

Villae eram grandes residências senhoriais que possuíam termas para os banhos, habitações para os trabalhadores (com os seus próprios banhos), e todos os edifícios essenciais ao funcionamento da exploração (lagares, olarias, tecelagens, forjas, estábulos, e mesmo templos). O ideal deste tipo de exploração era a auto-suficiência. <http://www.geocities. com/alex221166/h_a_ 10_por.html>

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Universidade do Sul de Santa Catarina Quem eram os francos? A palavra franco significava “livre” na língua franca. O reino franco passou por várias partilhas e repartições. entra-se na chamada Idade Média. já que os francos dividiam suas propriedades entre os filhos sobreviventes. Com a decadência e a destruição do Império Romano do Ocidente.pro. A conversão ao Cristianismo. e concebiam o reino como uma grande extensão de uma propriedade privada. Era um grupo oriundo do oeste da Europa. várias regiões da Europa passaram a apresentar baixa densidade populacional e baixo desenvolvimento urbano. conversões e proteção. mas o sistema feudal somente passa a vigorar em 46 . de um dos reis da Dinastia Merovíngia. é coroado pelo papa e defende o território europeu do avanço dos muçulmanos árabes (“os inféis”). O fortalecimento da relação entre a Igreja e o Reino caracterizou-se.br O feudalismo foi um modo de produção baseado nas relações servo-contratuais (servis) de produção. Consolidando-se.. (de 401 a 500).C. Tem suas origens na desintegração da escravidão romana. principalmente. a aliança com a Igreja Católica. que ocupou a região da Gália (aproximadamente a atual França). o rei franco Carlos Magno (séc. às doenças e à insegurança existentes logo após o fim do Império Romano. X). pelas doações de terra. deste modo. O que é feudalismo? Figura: Fases do Feudalismo Fonte: www. por volta do século V d.culturabrasil.C. como conseqüência das inúmeras invasões dos povos bárbaros e das más políticas econômicas dos imperadores. Os francos formavam uma das várias tribos germânicas que adentraram o espaço do império romano. A partir do século V d. Isso ocorria devido às mortes provocadas pelas guerras. Durante a Dinastia Carolíngea. facilita a consolidação do Reino Franco e a ascenção da Igreja Católica. já no século V.

e quem recebia era chamado de vassalo. Os castelos eram fortalezas que serviam como quartel-general para cavaleiros antes de seus ataques aos inimigos.. Além de tudo.História da Educação I alguns países da Europa Ocidental a partir do século IX d. foi impossível unirem-se entre si e entre os descendentes de nobres romanos. e que alteram completamente o sistema de propriedade e de produção característicos da Antigüidade. principalmente na Europa Ocidental. O esfacelamento do Império Romano do Ocidente e as invasões bárbaras em diversas regiões da Europa favoreceram sensivelmente as mudanças econômicas e sociais que vão sendo introduzidas. Para seus senhores. Assim. mas também Figura: Castelo de Dromoland. Todo sistema de tributos era organizado em função do uso da terra pelos servos. Em suma. se divertiam e recebiam seus convidados. representavam. Fonte: <http://www. muitas vezes em troca de proteção. cobrança de impostos e justiça.C. eram as moradias dos nobres e os locais onde essas poderosas famílias se alimentavam. era uma forma de apresentar aos demais nobres. aproximadamente. na Grãbretanha. construído no século XVI . para os moradores das vilas ou feudos. foi da “mistura” de instituições romanas e instituições “bárbaras” que surgiu o Feudalismo. detentora de terras – a terra representa a riqueza – cuja manutenção consistia na concessão de terras a outros senhores. com vários povos dominando a Europa Medieval. planetaeducacao. Já na Idade Média. No entanto. asp?id=167> Unidade 2 47 . os que concediam a terra eram chamados de suseranos. Surge uma classe social caracterizada como a nobreza feudal. os nobres romanos começaram a se afastar das cidades levando consigo camponeses (com medo de serem saqueados ou escravizados). Em grandes propriedades de terra os senhores feudais estabeleciam-se em locais estratégicos. com a decadência do Império Romano e as invasões bárbaras. ao clero e aos visitantes de regiões distantes toda a sua riqueza e influência. que eram donos de pequenos agrupamentos de terra. Além disso. com.br/new/colunas2. um centro de decisões políticas.

como por exemplo. muitas vezes se estabeleciam. Os servos não tinham a propriedade da terra. E o papel da Igreja Católica? A igreja cristã primitiva na região do Mediterrâneo foi organizada sob cinco patriarcas: os bispos de Jerusalém. as banalidades. A base do sistema feudal eram estas relações servis de produção. ou seja. Uma série de dificuldades entre as partes divididas do Império (ocidente e oriente). quando a capital se mudou para Constantinopla. embora o seu estatuto e influência tenham crescido quando Roma era a capital do império. Alexandria. observamos que a nobreza e o clero compunham a camada dominante dos senhores feudais. do moinho. O fator que mais contribuiu para o declínio do sistema feudal foi o ressurgimento das cidades e do comércio. do celeiro. Antioquia. chamavam-se banalidades. do uso das ferramentas e dos locais como os moinhos.br/idademedia/feudalismo) Os vilões eram homens livres que viviam no feudo. “O Feudalismo”. Não eram escravos. Muitos camponeses passaram a comercializar produtos nas feiras e cidades. Os pagamentos que os servos faziam aos senhores pelo uso do forno. O Bispo de Roma era tido pelos outros Patriarcas como “o primeiro entre iguais”. entre outras. mas não estavam presos à terra. o servo devia uma parte da sua produção ao senhor feudal. a corvéia e as banalidades. (disponível em: http://www. carpintaria pertencente ao senhorio feudal. aqueles que tinham a posse legal da terra e do servo e que dominavam o poder político. Era uma sociedade dividida em grupos com pouca mobilidade entre eles.com.com. a sua influência diminuiu. A corvéia consistia no trabalho nas terras do senhor (manso senhorial). Constantinopla tornava-se a residência do Imperador e do Senado. com as disputas doutrinárias ou procedimentais a serem freqüentemente remetidos a Roma para obter uma opinião. pois não podiam ser vendidos. Entretanto.Universidade do Sul de Santa Catarina Pela talha. podendo sair dela quando o desejassem. Nas camadas pobres. em alguns dias por semana. no tocante à religião como disputas doutrinárias. militar e jurídico. Constantinopla e Roma. a evolução de ritos separados 48 . Os servos deviam várias obrigações como a talha. No entanto. em busca de melhores condições de vida. clero e servos. historiadomundo. Concílios disputados. eram obrigados a permanecer nela. nas quais. historiadomundo. serrarias. havia também os vilões. Composta fundamentalmente pelos nobres. No livro de Paulo Miceli. deviam algumas obrigações aos senhores. (disponível em: http://www.br/idademedia/feudalismo).

Com o ressurgimento do comércio e o crescimento das cidades. O propósito da maioria das escolas era formar monges e clérigos e. Durante a Idade Média.com/ enciclopedia/enciclopedia.). a Igreja adquiriu o controle da educação. França e Inglaterra com seguidores entre todas as camadas da sociedade européia. assiste-se às transformações econômicas e políticas associadas ao renascimento comercial e urbano. orientou comportamentos e soube imprimir nos homens e mulheres deste período uma cultura religiosa. pois promoveu a fundação de outras igrejas ocorreu no século XVI com a Reforma Protestante. abusos financeiros e despreparo do clero. tendo o clero como a elite intelectual e suas escolas como as únicas instituições culturais atuantes. mantidas pelos bispos. br/reform. A grande divisão seguinte da Igreja Católica . No início do século XVI.História da Educação I e se a posição do Papa de Roma era ou não de real autoridade ou apenas de respeito. Várias Igrejas reformadas surgiram na Alemanha. O período medieval caracterizou-se pela predominância da Igreja como a maior instituição feudal do Ocidente europeu.hpg. Para saber mais sobre o Grande Cisma. a Igreja enfrentou movimentos contestadores de sua doutrina. Síria. Por volta dos séculos X e XI. etc.e talvez a mais significativa. Acesse o site http://www. Durante muito tempo não houve nenhuma instituição educacional. Dessa forma.ig. Egipto.html ou assista ao filme Lutero. durante a qual se formaram muitas outras religiões no Ocidente. cuja referência está na atividade de autoavaliação 1. A Igreja dividiu-se entre a Igreja Católica Apostólica Romana no Ocidente e a Igreja Ortodoxa Oriental no Leste (Grécia. Atuando em todos os níveis da sociedade. teve início a Reforma Protestante. desde muito cedo. Se. a não ser as escolas episcopais. a educação era privilégio dos clérigos 49 Unidade 2 . estabeleceu normas. Rússia e muitas das terras eslavas. estas passam a depender dos banqueiros e dos mercadores.com. asp?title=Grande_ Cisma_do_Oriente Essas questões afetaram o sistema de educação. até então. A esta divisão chama-se o Grande Cisma. Anatólia.tiosam. levaram à divisão em 1054. Suíça. a criança era colocada em contato com os textos sagrados. hystoria. exercendo hegemonia ideológica e cultural na época. acesse: http:// enciclopedia. movimento religioso liderado pelo monge alemão Martinho Lutero que rompeu a unidade da Igreja Católica na Europa.

ascendem à educação escolar. a partir dos seis anos de idade. as inúmeras festas de santos do calendário anual. A mulher das classes populares não tinha acesso à educação formal. Além dos trabalhos manuais. esclarecer de que mulheres estamos falando.Universidade do Sul de Santa Catarina e se restringia à formação religiosa. precisamos. além de filosofia e teologia. Quanto às mulheres da burguesia. são algumas das constatações que permitem identificar uma educação informal direcionada para os homens e mulheres destas classes. As escolas seculares significavam escolas do mundo. O conhecimento passou a ser indispensável à realização de seus negócios. Apenas na formação das mulheres religiosas. quando do surgimento das escolas seculares. mais ao final deste período. observavam-se diferentes segmentos sociais. As moças das classes mais abastadas poderiam receber aulas domiciliares. a Igreja exerce um forte papel pedagógico ao formar cristãos. SEÇÃO 2 – A educação das mulheres Para falarmos de educação feminina. as cidades passaram a ter importância como centros irradiadores dos novos valores culturais. Neste sentido. o interior das igrejas com suas pinturas sacras e vitrais. contribuindo para uma vida menos subordinada aos “desígnios divinos’. Aos poucos. não religiosas. A catequização por meio de livros ilustrados. 50 . as aulas centravamse em conteúdos de religião. Os burgueses (habitantes das cidades) queriam uma escola voltada a seus reais interesses e dificuldades. música e artes. Ainda que a Igreja continuasse direcionando e conduzindo a vida social e religiosa. libertando-se pouco a pouco dos domínios religiosos. a utilização da poesia e da música (canções populares) cujo enfoque é os temas religiosos. o crescimento das cidades. assim como os homens destes grupos. exigia uma formação. as vilas se transformam em cidades livres. antes. Ali aprendiam a ler e escrever e estudavam línguas como o latim e o grego. nos mosteiros.

) É nesta relação entre Igreja. historiaehistoria. A escritora procurou concentrar a sua atenção em mulheres de diversos níveis sociais. historiaehistoria.356. a humildade.). Exaltavam a castidade. p. e com o pai . In: DUBY.2. Isso representou uma grande conquista apesar dos estudos de cunho oficial continuarem a ser monopólio masculino. de mercadores. segundo os ensinamentos morais da Igreja. clérigos e mestres. Direito e família que a “educação” feminina vai se configurando. Estavam fortemente vinculados ao casamento e às relações familiares. o silêncio. Nesta fase.História da Educação I As opiniões acerca da educação feminina dividiam-se. de nobres. ou seja. cfm?tb=alunos&id=35> Figura: Christine de Pisan. “conteúdos” que não faziam parte da educação de uma mulher.aprendeu o latim e a filosofia. v. Chamamos atenção para esta escritora. destacou-se. no qual procura mostrar a situação da mulher no final da Idade Média.br/materia. Casou-se aos quinze anos de idade (algo comum para a época). Via de regra. que Unidade 2 Para saber mais sobre a vida e obra desta escritora. Fonte: http://www. Um bom casamento era a comunhão entre o homem e a mulher mas. George e PERROT. mulheres que viviam ao lado de reis. o trabalho entre outros temas. em um universo masculino. os discursos eram enunciados por vozes masculinas como os pais. A obra que nos chama a atenção é um manual de educação moral. tornou-se viúva aos 25 anos de idade e responsável pelo sustento da família com a escrita. Michelle. a escritora francoitaliana Cristine de Pisan. foi somente no final da Idade Média que as mulheres tiveram acesso aos manuscritos e às universidades.que era astrônomo na corte de Carlos V . porém os discursos também eram dirigidos às mulheres. consulte <http://www. artesãos e trabalhadores. Desta forma.com. com. na lógica da obediência e do controle social. De acordo com Opitz: A doutrina do casamento por consenso defendida pela Igreja não podia opor-se às relações de poder vigentes na sociedade-e no fundo também não o queria: a relação entre marido e mulher não podia doravante ser de amizade e pressupor a igualdade de direitos (. Nasceu em Veneza. pois. História das Mulheres: A Idade Média. ele só era realmente bom quando o homem ‘governava’ e a mulher obedecia incondicionalmente.. ela escreveu vários livros e manuscritos sobre e para as mulheres. em 1364. chamado de “O Espelho de Cristina”..br 51 . (Quotidiano da Mulher no Final da Idade Média. no campo das letras.

a seguir. Veja. „ não contrair dívidas maiores do que pode pagar.br/materia. „ nunca se mostrar áspera nem má para suas mulheres e servidores. vestir e falar. „ mostrar-se séria e contida em público. cultas ou iletradas. como a prudência no agir e no gastar os bens do seu marido.hpg. „ manter distância de jogos.com. Inglaterra. que elas eram participantes ativas na criação dos filhos e na administração do reino e de suas terras. Para as mulheres do povo também são direcionados conselhos semelhantes aos da nobreza. caçadas.com. „ <disponível em http://www. „ dar esmolas e ser caridosa e sem cobiça. pois fazem parte do seu estado. a qual fica para sempre a seus filhos. „ deve usar roupas e toucados ricos. cfm?tb=alunos&id=34> Figura: Execução na fogueira por ordem do tribunal da inquisição.Universidade do Sul de Santa Catarina trabalhavam dentro e fora do espaço da casa. o valor de suas contas e o andamento de tudo na sua casa. danças.br/ nova_pagina_156. ricas ou pobres. pois deviam se preocupar com a sua educação e com as suas posses. 1314. a partir destas prescrições. mas também pode vislumbrar. saberhistoria.historiahistoria. 52 . „ ter cuidado com as suas rendas e despesas e saber a soma de suas rendas e possessões.htm Você pode perceber que os conselhos estão atrelados ao seu papel de submissão ao marido e aos costumes da época. falando pouco e mantendo o olhar honesto e baixo. alguns atributos que a escritora considerou como importantes para as mulheres da nobreza ser devota a Deus. „ toda princesa e toda mulher deve ser cobiçosa de buscar honra e bom nome mais do que qualquer outro tesouro por que a faz reluzir em boa nomeada. „ temperada em tudo: no comer. „ rir baixo e não sem motivo. reafirmando que a mulher deve conhecer os seus direitos para que não a enganem. Fonte: http://www. „ visitar os doentes para lhes dar nova esperança.ig.

o religioso da Inquisição contava sempre com o apoio de outros clérigos preparados para a função e utilizava instrumentos que causavam dor. a Igreja possuía forte influência no ordenamento desta sociedade. A trajetória educacional na formação de um cavaleiro iniciava-se aos sete anos de idade. é importante ressaltar que os Tribunais do Santo Ofício da Inquisição tiveram um papel fundamental ao promover o afastamento das mulheres das universidades e a proibição de exercerem saberes populares específicos ou práticas referentes à medicina . aprender montaria e participar de torneios e combates. define suas condutas e ideais. abortos e processos curativos em geral através da utilização de plantas. Como já vimos.História da Educação I As especificidades da sua condição social são tratadas em outros capítulos. porém as mulheres representavam a maioria dos réus e sentenciados dos processos inquisitoriais. por meio da sua cristianização. Os processos de bruxaria incluíam homens e mulheres. a partir do século X. em relação à educação feminina. quando era enviado a outro castelo para servir de pajem. como a maneira de vestir. Em muitos casos. pois havia conhecimento feminino e um aprendizado a ser compartilhado. SEÇÃO 3: A educação dos cavaleiros medievais A formação das cavalarias medievais dizia respeito às classes nobres. esses interrogatórios se encerravam em função da morte do inquirido. Podemos observar. com códigos de honra relacionados à fidelidade e ao exercício da guerra. com reconhecido poder pela Igreja Católica. medo e grande sofrimento. Unidade 2 53 . esta também se revestia de um caráter não formal. a administração do seu lar e do seu trabalho. Acompanhe no filme O nome da Rosa a atuação do inquisidor dominicano Bernardo Gui. A cavalaria tem suas origens em grupos armados. Para obter a confissão. Paralelamente a este aprendizado.como a realização de partos. então. Assim. que. Neste momento. que passam a compor exércitos de defesa. a Cavalaria institucionaliza-se e. tomando como base os valores morais da Igreja.

das caçadas. acessar http:// www2.com. Com o objetivo de expulsar os “infiéis” (árabes) da Terra Santa. nas chamadas feiras e rotas de comércio.br/ nova_pagina_142. mais especificamente na obra Tristão e Isolda. Batalhas entre católicos e muçulmanos duraram cerca de dois séculos. foram incorporados outros ritos. O seu mestre é um cavaleiro a quem deve servir. como as vestes brancas e vermelhas (passagem). como um “iniciado”. Os significados e os valores da Cavalaria podem ser encontrados nas fontes literárias da época.Universidade do Sul de Santa Catarina Sobre o amor cortês na literatura da época. os muçulmanos conquistaram a cidade sagrada de Jerusalém. o Mar Mediterrâneo foi aberto para os contatos comerciais.ufpa. preparando-se para as guerras. Após as Cruzadas. Disponível em: http://www.hpg. ele inicia-se no exercício das armas. Ao retornarem para a Europa. Você sabia? No século XI. uma educação cortês. dos torneios. Com o passar do tempo.htm 54 . Uma outra etapa educativa inicia-se quando o aprendiz é alçado à condição de escudeiro.htm iniciava-se a educação das boas maneiras. Ao mesmo tempo em que eram marcadas por diferenças religiosas. ou seja. que. Fonte: http://www. contribuíram para o renascimento urbano e comercial a partir do século XIII. a vigília de oração. saqueavam cidades árabes e vendiam produtos nas estradas. Como você viu. também possuíam caráter econômico.ig. Assim. do código de honra. do amor personificado na mulher idealizada. aliadas a uma formação religiosa e cortês. por sua vez. o banho purificador. os cavaleiros desenvolviam as habilidades relacionadas às lutas e às guerras. Tornava-se cavaleiro participante de uma sociedade que comungava os ideais cristãos.br/ceg2005/webceg/ tc20000116.suapesquisa. o papa Urbano II convocou a Primeira Cruzada (1096). saberhistoria. até o juramento em público. Talvez os feitos mais conhecidos que envolveram os cavaleiros medievais e suas ordens foram as Cruzadas. Assim.com/ idademedia/ Figura: Um cruzado ajoelhado em prece. viravam canções de grande disseminação e apelo popular. A formação estava completa mais ou menos aos vinte anos de idade com uma cerimônia que culminava com a entrega das armas e a sua sagração como cavaleiro.

(Extraído de : http://marged. VIII – Nunca mentirás e serás fiel à palavra empenhada. Unidade 2 55 . bem como ao combate aos não-cristãos. estas eram as diretrizes “pedagógicas” na formação desta classe. IV – Amarás o país onde nasceste. Pelo menos em teoria. VI – Farás guerra aos infiéis até exterminá-los.br/medieval_knights.uol. contra a injustiça e contra o mal. com reflexos diretos no renascimento comercial e urbano europeu.vilabol. a proteção e defesa da Igreja e aos seus princípios cristãos e institucionais. foram fundadas várias ordens cavalheirescas destinadas a combater os “infiéis” (muçulmanos).com. III – Defenderás todos os fracos. V – Jamais retrocederás ante o inimigo. X – Serás o defensor do direito e do bem. associada aos princípios cristãos. VII – Cumprirás com teus deveres feudais.História da Educação I A partir dos movimentos conhecidos como Cruzadas.html) Você pode identificar a observância a um código de conduta e de honra. se estes não forem contrários à lei de Deus. Esta formação do cavaleiro. pode ser sintetizada nos mandamentos a seguir: I . II – Protegerás a Igreja.Acreditarás em tudo o que a Igreja ensina e observarás todos os seus mandamentos. IX – Serás liberal e generoso com todos.

Existiam também corporações intermunicipais. o processo de fabricação. Os profissionais dedicados às atividades artesanais nas cidades medievais. p. com também na vivência da corporação. entre outras coisas. as condições necessárias à aprendizagem. poderá exercer o mesmo. qualidade.com. cuja educação era pautada na reprodução. obrigatoriamente. As corporações disseminaram-se em toda a Europa. o preço do produto. e agir de forma rebelde para com ele. anteriormente. tanto das habilidades técnicas quanto das classes e Figura: Oficina de alfaiate Fonte: http://www. As corporações de ofício foram associações que surgiram a partir do século XII para regulamentar o processo produtivo artesanal nas cidades. quantidade da produção. chamadas hansas.htm 56 . no respeito aos estatutos e às regras. organizavam-se em associações. elas determinavam a matéria-prima a ser utilizada. configurando-se também como espaços educativos de formação profissional. aprendizado e hierarquia de trabalho. [6] Ninguém que não tenha sido aprendiz e não tenha concluído seu termo de aprendizado do dito ofício.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 4: A educação nas corporações de ofício A educação das classes menos abastadas era fundamentalmente constituída pelo trabalho. as regras disciplinares à sua condição de aprendiz. do aprendizado na corporação. que se estendiam ao comportamento social e individual. BROWN E TAWNEY apud HUBERMAN. do século XIV: [4] E se qualquer aprendiz se comportar impropriamente para com seu mestre. cujo objetivo era defender os interesses de mercadores de um grupo de cidades. assim como a legitimidade da formação profissional a partir. Para se ter uma idéia do poder destas associações. Veja dois artigos do estatuto dos “curtidores de couro branco”. O aprendizado constitui-se no aprendizado técnico. ninguém do dito ofício lhe dará trabalho. desempenhando um papel educativo importante junto aos habitantes das cidades.hpg. Observam-se. que detinham as técnicas de trabalho de tal atividade. margem de lucro.ig. Agregavam pessoas que exerciam o mesmo ofício e eram responsáveis por determinar preço. saberhistoria. até que tenha feito as reparações perante o Alcaide e os Intendentes.br/ nova_pagina_144. (BLAND. denominadas corporações de ofício. como também o horário de trabalho. diferentemente do que já vimos sobre as condições servis nos feudos. 1985. 65).

como Pedro Abelardo. através de um exame prático na sua corporação. Em que condições dava-se este aprendizado? Durante todo o aprendizado. Sobre esta história de amor. A maioria das universidades surgiu de escolas monásticas. originadas a partir dos saberes oferecidos pelas corporações de ofício intelectual. SEÇÃO 5: A educação nas Universidades Os alunos mais capazes. os aprendizes ficavam na casa do mestre. se quisesse ser dono de uma oficina. recebendo gratuitamente a estadia e a alimentação. através das missas. do ponto de vista dos seus mestres. Por fim. renovando os estudos da Sagrada Escritura. Envolveu-se com Heloísa. podendo empregar-se por conta própria. tendo como pano de fundo a educação medieval. sobrinha do Cônego Fulbert.História da Educação I relações sociais. voltadas para a formação do clero. Unidade 2 57 . mas não somente. No entanto. assista ao filme Em nome de Deus. Os alunos viviam em regime de internato. não sacerdote. estes centros de saber firmavam sua autonomia através da formação de associações corporativas de mestres. ele pagava uma taxa. precisava ter algum capital e mostrar habilidade em seu ofício. era a submissão a um exame. O passo seguinte. dos ritos e das festas. Mediante aprovação. determinado pelo mestre. Pedro Abelardo (10791142) era mestre livre. obtendo o título de mestre e a licença para abrir o seu negócio. Os mestres possuíam suas especialidades e os alunos recorriam a eles de acordo com seus interesses intelectuais. Eram as universitas. para tornarem-se oficiais ou companheiros. incluindo a sua castração. Muitos destes mestres eram clérigos nãoordenados. sendo educados tanto em conhecimento quanto em valores morais. associada a uma pedagogia religiosa. sofrendo várias perseguições e punições. dirigiam-se às universidades. famoso por sua oratória e por promover a aliança entre fé e razão.

conheceram aí grandes glórias. Música.. Salamanca (Espanha). Todos os alunos são chamados de clérigos. Em 1215. para os que queriam seguir o sacerdócio ou Medicina e Direito.com. A organização curricular foi sofrendo mudanças ao longo do tempo.abril. Astronomia (Quadrivium). Franciscanos e Dominicanos. (Disponível em http://www. Muitos historiadores consideram a bula Parens Scientiarum lançada pelo Papa Gregório IX. no Papado de Inocêncio III. como nos coloca Régine Pernoud: (. entre outras. Os alunos vinham de vários lugares. acesse http://www. Dialética (Trivium) e Geometria. tornando-se São Tomás de Aquino um de seus principais seguidores e cujos estudos associaram fé e razão. as chamadas artes liberais funcionavam como um estudo preparatório para cursos mais especializados como Teologia. os colégios vão assumindo o ensino das artes liberais. tiveram seu controle disputado pela Igreja. Institucionalizadas pelo papado. Tal método tem fundamento nas idéias de Aristóteles. debatendo proposições controversas. Destacam-se as mais antigas como a de Paris (França). ensinava-se dialética.br/edicoes/0183/aberto/mt_ 74923.htm) As chamadas artes liberais compreendiam Retórica. em cujos procedimentos os estudantes exercitavam a dialética.br/aquino. htm e http://revistaescola. com. mas. Para saber mais sobre São Tomás de Aquino e sua importância para a filosofia medieval. e as duas grandes Ordens religiosas que a iluminam no século XIII. no entanto. ligavam-se às escolas monásticas e episcopais.) os professores pertencem todos à Igreja. Aritmética. Gramática latina. estas regidas pelos bispos. ficando as universidades com a formação profissional mais especializada. permanencia. Tomás de Aquino nasceu em 1224 ou 1225 num castelo perto da cidade de Aquino. o caráter de associação é reconhecido por estudantes e mestres. geometria. música e disciplinas relacionadas às ciências e Filosofia.. como o documento de fundação da Universidade medieval. em meio a esta diversidade. gramática. Oxford e Cambridge 58 . mesmo quando não se destinam ao sacerdócio e alguns recebem a tonsura. A partir do século XV. assim como seus professores. em 1231. a princípio. Estas instituições possuíam características eclesiásticas. como as universidades pelo Papa. com um São Boaventura e um São Tomás de Aquino.shtml Os métodos de ensino baseavam-se na Escolástica. Além de Teologia. Estas instituições disseminaram-se na Europa Ocidental. mundodosfilosofos. no reino da Sicília (hoje parte da Itália). a de Bolonha (Itália).Universidade do Sul de Santa Catarina Como tornaram-se associações de grande importância. o qual facilitava a comunicação e o acesso ao conhecimento. todos deveriam falar uma língua comum: o latim.br/revista/historia/luz2.org.

Eram responsáveis. Os estudantes partiam para as universidades escolhidas. por sua vez. Fonte: http://www.História da Educação I (Inglaterra).ig. Figura: A educação na Idade Média estava diretamente ligada aos estudos junto às igrejas. Não havia séries e classes e todos estudavam nas classes de mestres até que pudessem obter a titulação.” E como seria o ambiente universitário nesta época? Segundo Pernoud. as preocupações relacionavam-se aos estudos. Em cartas endereçadas à família.htm) Percebeu alguma semelhança com a realidade atual? Os estudantes com poucos recursos pediam isenção das taxas de matrícula nas universidades e trabalhavam para manter os estudos. a professora da USP e pesquisadora. Teologia) aos 15 anos e alcançarem a titulação de mestre e a licença com 20 anos. pela movimentação nas estradas medievais. mantinham o interesse pelas atividades docentes. mestres e alunos debatiam os temas. br/nova_pagina_161. a partir da lição (sempre em latim). consequentemente. Unidade 2 59 .com. à necessidade de dinheiro e de comida. Havia alunos a partir de 12 anos no mesmo espaço que alunos mais velhos. seguiam mestres de renome ou disciplinas oferecidas somente em outras cidades. por exemplo. que. intensificava as atividades sociais e econômicas da cidade nascente.hpg. as aulas eram expositivas e. saberhistoria. Como funcionava a organização didático-pedagógica? Geralmente. Estes locais de saber movimentavam as cidades. o mundo letrado era um mundo itinerante. muitas vezes como copista ou encadernador de livros. Os mais novos poderiam passar da Faculdade de Artes para as formações específicas (Direito. Maria Lúcia Hilsdorf. Numa entrevista. Medicina. afirma: “a atuação deles atraía estudantes e. juntamente com os comerciantes e os peregrinos religiosos. às provas.

a seguir. seus cursos esparsos. 60 .) Estamos assistindo ao nascer de uma nova pedagogia e de uma nova instituição. as atividades propostas. do séc. A seguir veja as imagens de duas universidades criadas durante o período medieval.wikipedia. 60-61). Fonte: http://pt.org/wiki/ Universidade_de_Paris Agora.wikipedia.. sua mistura de idades. no século XVI. sua ausência de graduação sistemática e de exames metódicos. (1994. do séc. Fonte: http://pt.. pp. Figura: Universidade de Oxford.Universidade do Sul de Santa Catarina Como diz André Petitat: Com sua pedagogia oral. (. realize. XII. o ensino universitário da Idade Média guarda poucas semelhanças com o colégio que se seguirá.org/wiki/ Universidade_de_Oxford Figura: Universidade de Paris. para praticar os conhecimentos adquiridos nesta unidade. XI.

„ O nome da rosa (ALE/FRA/ITA.. Dir.: Richard Donner). Dir. 115 min. Dir. Dir. „ Unidade 2 61 . 2005. „ O incrível exército de Brancaleone (ITA. 2004.: Ridley Scott). 117 min.. 144 min... realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas. „ Rei Arthur (EUA.: Mário Monicelli). 1) Escolha um dos filmes sugeridos registre os aspectos relacionados ao tema da Unidade e comente com seus colegas na ferramenta Exposição.: Jean Jacques Annaud). 1988. „ Em nome de Deus (Iugoslávia/Grã-Bretanha. 1965. Para melhor aproveitamento do seu estudo. Direção: Antoine Fuqua). 1986. 90 min. O feitiço de Áquila (EUA.História da Educação I Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e acompanhe as respostas e comentários no final do livro didático.. 130 min. 144 minutos Dir. „ Cruzada (EUA. 1985.: Clive Donner).

qual lhe chamou mais a atenção? a) Indique características deste grupo ou classe.Universidade do Sul de Santa Catarina 2) Em relação às práticas educativas das classes e grupos sociais que você viu nesta unidade. 62 . b) Identifique a forma de aprendizado.

porém firmaram sua autonomia através da formação de associações corporativas de mestres. exercidas durante a Idade Média. A Igreja exerce forte influência nesta formação. A formação das cavalarias medievais dizia respeito às classes nobres. passando pela educação das mulheres. até a educação nas universidades. Ao falarmos de educação feminina. você pode construir um conhecimento significativo sobre este assunto. Unidade 2 63 . que se estendiam ao comportamento social e individual. que passam a compor exércitos de defesa. lhe possibilitaram compreender a forma e os métodos gerais das práticas educativas formais e não-formais. Os princípios educativos eram enunciados por instituições masculinas e voltados para as mulheres da burguesia e da nobreza. instrumentalizando-se para fazer algumas comparações com a realidade atual. A maioria das universidades surgiu de escolas monásticas. das corporações de ofício. mostrando que a mulher das classes populares não tinha acesso à educação formal. acreditamos. assim como os homens destes grupos. Nas corporações de ofício. no respeito aos estatutos e às regras. A cavalaria tem suas origens em grupos armados. assim. Pensamos que. como também na vivência da corporação. com códigos de honra relacionados à fidelidade e ao exercício da guerra. foram apresentados alguns elementos que. Procuramos abranger desde o contexto histórico medieval. A organização didático-pedagógica centrava-se mais no mestre que no aluno. dos cavaleiros. pontuamos as diferenças entre as classes sociais.História da Educação I Síntese No estudo desta unidade. o aprendizado constitui-se na aprendizagem técnica.

São Paulo: Atual. Paulo. Régine. O Feudalismo. 1985. Michelle.br/revista/historia/luz2. 1999. 1994. Disponível em: http://www.permanencia.). O quotidiano da mulher no final da Idade Média (1250-1500) In: DUBY. Leo. (Org. PERNOUD. 64 . Franco.Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade. Georges e PERROT. História das Mulheres.org. O ensino na Idade Média. Trad. Produção da escola / produção da sociedade: análise sócio-histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente. Volume 2. Porto Alegre: Artes Médicas. você poderá pesquisar os seguintes livros: CAMBI. HUBERMAN. 1998. OPTIZ. André. 1994. A história da riqueza do homem. Rio de Janeiro: Zahar Editores. 20 ed.: Eunice Gruman. Claudia. Porto: Afrontamento. MICELI.htm PETITAT. História da Pedagogia. São Paulo: UNESP.

Conhecer a ação dos jesuítas no Brasil colonial. . „ „ „ Seções de estudo Seção 1 A secularização do pensamento. Identificar as principais características da pedagogia jesuítica. Seção 3 O surgimento da Companhia de Jesus. Seção 2 Os colégios modernos.UNIDADE 3 Os colégios modernos e a pedagogia jesuítica Objetivos de aprendizagem „ 3 Compreender a constituição dos colégios modernos. Seção 5 A ação dos jesuítas no Brasil colonial. Conhecer aspectos da ordem religiosa da Companhia de Jesus e de suas ações referentes à educação. Seção 4 A Ratio Studiorum (a pedagogia jesuítica).

Os colégios jesuítas. ainda nessa unidade. em contraposição às concepções predominantemente teológicas da Idade Média” (ARANHA. Muitos autores situam nos séculos XVI e XVII o berço do modelo de escola atual. p. você pode ver algumas de suas características. portanto. <Fonte: http://www. religiosas e educacionais. da Reforma Protestante e da Contra-reforma. a educação jesuítica. Você verá. verá um pouco da ação dos jesuítas no Brasil no período colonial. da bússola. políticas. Segundo Aranha (1995. quando da criação dos colégios modernos. historianet. embora os valores religiosos e morais continuem com força. É o período do Humanismo. da invenção da pólvora. da formação dos Estados Nacionais.br> No caderno de Fundamentos Filosóficos. da imprensa e do papel. O Teocentrismo dá lugar ao Antropocentrismo. como surgiu a Companhia de Jesus e quais as principais características da pedagogia jesuítica. ou seja. novas formas econômicas. Esse momento é considerado como um importante período de transição envolvendo as estruturas feudo capitalistas. 87). “que significa a procura de uma imagem do homem e da cultura. Por isso. 86). artísticas. p. mais especificamente. da Revolução Comercial.com. criados nessa época. Renascimento é o nome que se dá a um grande movimento de mudanças culturais. Foi o período das grandes navegações. SEÇÃO 1 – A secularização do pensamento O período compreendido entre o final do século XIV e o fim do século XVI é marcado pelo movimento do Renascimento. da cultura clássica. caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana. 1996. representam bem esse novo tipo de escola. busca-se a “secularização do saber. expressas em um documento lançado em 1599 e denominado Ratio Studiorum. que atingiu as camadas urbanas da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI. decorrentes de acontecimentos em diferentes áreas. da chegada à América. Essas mudanças geraram. você estudará alguns elementos referentes aos colégios modernos e. você verá nessa unidade alguns pensadores dessa época e a organização desses colégios.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade. isto 66 . Além disso.

ainda. O francês François Rabelais (1494-1553) é considerado o precursor do realismo e do naturalismo na pedagogia. nesse período. Não fez referência em seus textos. em linhas gerais. 1985. com métodos intuitivos e ativos (LUZURIAGA. Recomendava também que o ensino das línguas clássicas fosse realizado na língua materna (LUZURIAGA. Percebe-se. para torná-lo mais propriamente humano”. diferentemente de seus contemporâneos. 105-6). Em termos pedagógicos. defendia que devia-se “partir dos objetos sensíveis. 102). desvesti-lo da parcialidade religiosa. mas na natureza e pregava que o ambiente educativo fosse de liberdade e atraente. Os principais interessados nesses novos valores são oriundos da nascente burguesia.História da Educação I é. Erasmo de Rotterdam (1465-1536). a preocupação com a moralização dos comportamentos infantis e prevêem-se roteiros de civilidade para orientar as ações das 67 Unidade 3 . Defendia as línguas clássicas. deu particular atenção aos aspectos psicológicos do ensino. as idéias de pensadores como Vives. Criticava o uso dos castigos e o ensino livresco e propunha uma educação onde o aluno participasse ativamente. francês. desde que não reduzidas ao estudo da gramática. para chegar às idéias”. p. a questão da língua nacional. Para ele a educação sistematizada deveria começar desde o terceiro ano de vida respeitando-se as características naturais da criança e utilizandose do jogo. 1985. também pregava o realismo e o naturalismo. viajou por vários países europeus e dedicou inúmeros de seus trabalhos à educação. onde as disposições naturais da criança fossem respeitadas. Michel de Montaigne (1533-1592). Erasmo de Rotterdam. humanista espanhol. naturais. Destaca-se. Defendia o estudo das ciências. Este ensino deveria “partir das impressões ou sensações para chegar à imaginação e desta à razão” ou dizendo de outra forma. não através de livros. latim e grego. destacam-se. holandês. Juan Luiz Vives (1492-1540). uma crítica à educação predominante até então e a defesa de uma pedagogia mais humana. p. Rabelais e Montaigne. nos escritos destes autores.

São padrões da corte (cortesia).) práticas de controles minuciosos e ordenados sobre o corpo: controles que visam a obtenção de autocontroles. que esse se habitue. É neste contexto que ocorre a “extensão da freqüência escolar” e crianças são transformadas em alunos... que ele se inicie nos deveres da vida. aos seus gestos e à sua maneira de vestir. de 1530: A arte de educar as crianças divide-se em diversas partes. serão a “moderna expressão de como tratar as crianças mediante códigos das boas maneiras 68 . enciclopédica que formaria os filhos da burguesia e da aristocracia renascentista. o bom comportamento. Busca-se adequar os sujeitos a “padrões de urbanidade”. censuras internalizadas e automação de gestos para o convívio público. a fala de Erasmo. E os colégios. p. Seria assim essa conduta refinada. a seguir.) Convém. (. receba os germes da piedade. apud FREITAS e KUHLMANN Jr. que retomam a cordialidade da antiga polis (polidez). 2002. tanto quanto à sua inteligência. ainda brando. que ele se entregue às belas-artes e nelas mergulhe profundamente. portanto que um homem preste atenção à sua aparência. 18). a quarta.. 22). como veremos a seguir. a moralidade e também uma educação clássica. (FREITAS e KUHLMANN Jr.. das quais a primeira e a mais importante é que o espírito. (. Para isso. Essa nova civilidade tem a ver com os valores almejados pela nova classe burguesa que busca se diferenciar dos trabalhadores e se aproximar da aristocracia. serão necessárias (. p.Universidade do Sul de Santa Catarina famílias e dos educadores.. a polidez. de tal maneira que se passa a ensaiar um roteiro supostamente universal de como se comportar. a segunda. a terceira. 2002.. que preparam as regras de convívio das multidões das cidades (urbanidade). às regras de civilidade. Veja-se. desde muito cedo..) “a um modelo de distinção”.. e que constituem feixes encadeados de conduta para com os outros específicos da vida civil (civilidade). (ERASMO.

fundados por doadores. Como veremos na próxima seção. Se na Idade Média misturavam-se. em pequenos grupos. 1994. a partir da constituição dos colégios modernos. agrupados por idades mais próximas. SEÇÃO 2 – Os colégios modernos Segundo Ariès (1981. Os autores anteriormente citados (Vives. a partir do século XV. os colégios eram asilos para estudantes pobres. Embora muitos desses colégios se organizassem na forma de internatos. Claude Baduel. aos poucos. os alunos externos eram em grande número. esses colégios tornaram-se instituições destinadas ao ensino. nem todos esses ideais foram de imediato incorporados nas práticas escolares. por exemplo. Mas. nas escolas e colégios. defende “que se deve agrupar em classes os alunos grandes e sujeitá-los Unidade 3 69 .História da Educação I requeridos pela cultura moderna”. jovens e adultos de diferentes idades. 78). permanecem por longo período. (. no estudo dos colégios. ficavam sujeitos ao espírito de isolamento e controle dessas instituições. (FREITAS e KUHLMANN Jr. 22-23). 110) “no século XIII. Mas ambos. crianças. 2002. p. teremos um número maior de colegiais. Contudo. internos e externos... Assim. com um mestre para cada uma e os exames são instituídos para estabelecer a aprovação ou reprovação. p. diretor de um colégio no século XVI. (PETITAT. organizados em classes ordenadas com graduação nos estudos e sujeitos a uma disciplina rígida.) Não se ensinava nos colégios”. os colégios vão sendo organizados em torno de seis ou sete classes sucessivas. p.. a predominância do latim e o recurso aos castigos físicos. Erasmo Rabelais e Montaigne) expressam em suas teorias ideais educativos decorrentes de uma nova maneira de compreender a educação e a criança.

Fonte: Petitat.Universidade do Sul de Santa Catarina a um maior respeito pelos professores e a uma maior docilidade em tudo o que se refere aos seus estudos. desjejum em aula. marcam agora as atividades escolares. dos alunos brilhantes e dos preguiçosos. p. chamada. 1994. para entregar os temas e para apresentar-se aos exames.. Já nos colégios modernos.. oração dominical e breve ação de graças. aula durante uma hora e meia. Exemplo de um dia de estudos num colégio protestante do século XVI Ele principia às seis horas no verão e às sete horas no inverno. Vêem-se aqui algumas formas de controle que permanecem até hoje em nossas instituições de ensino. oração. oração e tempo livre para estudos até às 14 horas. lanche. aula durante duas horas. aula mais longa ou menos longa conforme fosse verão ou inverno. Os alunos dispõem de um tempo limitado para assimilar determinadas matérias. horários estritos e bem carregados dividem as matérias pelos dias e horas. reunião de todos os alunos na sala comum. 1994. (. à tarde: retorno à classe às 11 horas.. punições dos retardatários. oração. às 16 horas. Petitat destaca que nas escolas medievais “o tempo do aluno dividia-se em largos períodos”. 79). (. castigos públicos e “admoestações” para os “delitos notáveis”. oração.) este tempo é repartido em períodos anuais. Relógios e sinetas. p. oração. Pela manhã. dispensa acompanhada de benção.103. os alunos são reconduzidos aos respectivos alojamentos para a refeição (às 10 horas). 70 . Vê-se que o espaço e o tempo escolar passam a ser amplamente controlados.) Deve-se ter uma lista com os nomes dos alunos e proceder a uma chamada na abertura das aulas” (apud PETITAT. (PETITAT. da confissão de fé e dos dez mandamentos. leitura da oração. canto de salmos até ao meio-dia. já presentes no século XV e muito difundidos no século XVI. p. uma hora de aula. Quanto ao tempo. É o princípio dos prêmios pelo desempenho escolar.. 1994. das censuras e das recompensas.79).

que a maioria dos colegiais não termina os estudos. subdividido e vigiado. está concomitantemente afastado da família. em grande parte. a manufatura impõe um outro tempo de trabalho. 1994. Essa nova forma de organização e funcionamento dos colégios está ligada a uma nova maneira de conceber a infância e a adolescência. 88). p. as manufaturas da época. Segundo Petitat (1994. o que restringe a vida do bairro e reduz as funções da família. também. dos vizinhos. O artesão.História da Educação I Há. comerciantes. sincronizado. ditada pelo relógio mecânico. O aluno se vê distante dos locais de socialização espontânea e privado. Poderíamos perguntar. a aquisição Unidade 3 71 . organizam-se de forma a controlar o assalariado. Quanto ao conteúdo. presença variável. também. portanto. 93). ou seja. Diferentemente da oficina artesanal medieval. ainda. 90). “a separação entre o mundo dos adultos e do das crianças e adolescentes está na base da pedagogia moderna”. de acordo com Petitat. o estudo do latim e do grego. (PETITAT. o “tempo da ciência”. dos clientes. a manufatura acentua as rupturas no interior das atividades sociais. Assim como os colégios controlam o espaço e o tempo dos alunos. de obras literárias e filosóficas da Antiguidade. uma “nova temporalidade”. de eloqüência e boas maneiras. embora sempre majoritária de funcionários. Estas precisam ser afastadas do mundo adulto. visando gerir a vida dos mesmos. há poucos trabalhos ainda sobre a questão da origem social dos colegiais e destaca ainda que esta origem “apresenta uma face mais ou menos heterogênea de acordo com as cidades: minoria mais considerável ou menos importante de filhos de artesãos. da gramática. burgueses e nobres”. destacam-se. como o colégio. entre outros. Enfatiza. p. de suas relações com a vida adulta usual. p. despojado de sua lojinha. Assim. Segundo Petitat (1994. onde o artesão produz no seu próprio ritmo. qual a origem dos alunos que freqüentavam os colégios e qual o conteúdo essencial aí aprendido.

é produto de uma estrutura de conjunto das relações de força e de sentido dentro da sociedade e de um nível elevado de trocas econômicas. de enraizamento e de distinção. Companhia de Jesus é a denominação de uma ordem religiosa da igreja católica e os membros dessa ordem são denominados jesuítas. A mesma foi reconhecida pelo papa Paulo III em 1540. Essa cultura escrita escolarizada foi difundida nos diversos colégios que surgiram e se consolidaram nesse período. Essa cultura geral. Para compreender melhor o seu surgimento. p. como os oratorianos. Seção 3 – O surgimento da Companhia de Jesus A criação da Companhia de Jesus por Inácio de Loyola (14911556) ocorreu em 1534. embora particularmente destinado a certas camadas. para consolidar uma determinada posição social. os doutrinários e os jesuítas. uniformizada. mas também a religião.Nesta disciplina. para as quais a cultura escrita escolarizada. servia antes para manter as diferenças de classe. 100) conclui que (. por causa da influência que tiveram na educação brasileira.. você é convidado a conhecer como surgiu essa ordem religiosa. mais do que contribuir para a ascensão social dos que freqüentam os colégios. onde os exercícios escritos substituem cada vez mais os orais..) o colégio. é preciso lembrar que os novos ares oriundos do movimento renascentista afetaram não somente as artes e a ciência.Universidade do Sul de Santa Catarina de uma cultura geral. . Petitat (1994. serve de referência. 72 . Colégios criados por diferentes iniciativas e congregações religiosas. Antes de você conhecer a prática pedagógica jesuítica. você irá se deter nos últimos colégios citados.

Figura – MARTINHO LUTERO. Também são conhecidas como as 95 teses de Martinho Lutero. Para ele. afirmações ou idéias defendidas por Martinho Lutero e seus seguidores contra práticas ou determinações da igreja católica naquele momento. na cidade de Eisleben. na verdade. Especialmente suspeitos eram: a noção de que Deus recompensa um cristão na proporção das orações. A. Iniciou os estudos de direito em 1505 e os abandonou no mesmo ano. Martinho Lutero Nasceu em 1483. podemos destacar: Unidade 3 73 . br/nova_pagina_104. iniciou outro movimento que ficou conhecido como Contra-reforma. entre outras coisas. em 1517. o culto dos santos e de suas relíquias e a venda de indulgências. peregrinações ou contribuições. Apesar de dedicado à Igreja. posteriormente.ig. tendo ele recusado. Alemanha. foi expulso da Igreja. Lutero protestou violentamente contra as indulgências a ponto de. Como a Igreja Católica perdeu muitos fiéis com esse movimento de protesto (daí o termo “protestante”) liderado por Lutero pela Reforma da Igreja Católica. As 95 proposições mencionadas são. O papa Leão X exigiu uma retratação e.hpg. a salvação não seria alcançada com esforços insignificantes. Entre as ações desencadeadas pela hierarquia católica para combater esse movimento. onde era mestre e pregador.História da Educação I Neste período. (Pedro. dando origem à Reforma Protestante. Cristo viera para salvar os pecadores. afi xar na porta da igreja de Wittenberg. sem o apoio do pai. Fonte: <http://www. Martinho Lutero lidera um movimento de crítica a estrutura da Igreja Católica. condenava a prática vergonhosa da venda de indulgências.com. Assim. mas com a fé no próprio Deus. De acordo com Pedro. htm> A reação da Igreja Católica a esse movimento protestante é conhecida como Contra-reforma. trocando-os pela vida religiosa. muitos dos princípios da Igreja pareceram irrelevantes e blasfemos a Lutero. 1995). saberhistoria. Tornou-se monge e depois padre. Deus não era como um contador com quem devia barganhar ou um juiz severo a ser aplacado com boas ações. alguns integrantes da igreja católica manifestam posições contrárias ao monopólio da Igreja sobre a religiosidade e contra o comportamento imoral do clero. a venda de indulgências. 95 proposições onde. sempre esteve atormentado por duas grandes dúvidas: o poder da salvação atribuído a lugares santos e.

Esta perseguição aos hereges e protestantes foi finalizada somente no início do século XIX. Ela era composta por tribunais que julgavam todos aqueles considerados uma ameaça às doutrinas (conjunto de leis) desta instituição.ig. Todos os suspeitos eram perseguidos e julgados. foi o primeiro a recebê-los. onde seriam 74 . África e América (chegam ao Brasil em 1549). O Colégio de Messina. militar espanhol. à necessidade de formar os futuros quadros da congregação. O Concílio de Trento foi o mais longo da história da Igreja: é chamado Concílio da Contra-Reforma.Universidade do Sul de Santa Catarina Concílio de Trento O Concílio de Trento. principalmente. pregando a fé e combatendo heresias. htm> Lista de livros proibidos (Index) Segundo o historiador alemão Hubert Wolf. hpg. Embora não fosse o intento inicial dos jesuítas. como reação à reforma protestante e ao Iluminismo. cumpriam as penas que podiam variar desde prisão temporária ou perpétua até a morte na fogueira. Esses colégios passaram a receber também alunos externos. é nesse contexto que Inácio de Loyola. em Roma. Ásia. O objetivo era assegurar a unidade de fé e a disciplina eclesiástica. a censura eclesiástica se tornou uma instituição em 1571 e intensificou seus trabalhos nos séculos seguintes. logo eles passaram a dedicar-se à criação de escolas devido. foi convocado pelo Papa Paulo III. onde os condenados eram queimados vivos em plena praça pública. Figura: Venda de indulgências Fonte: <http://www. foi o fundado o Colégio Romano.com. Acirramento das ações da Inquisição A Inquisição foi criada na Idade Média (século XIII) e era dirigida pela Igreja Católica Romana. realizado de 1545 a 1563. em 1548. Uma boa opção para compreender melhor o período e a Santa Inquisição é assistir o filme O Nome da Rosa. de Umberto Eco. e aqueles que eram condenados. Em 1551. Assim. A sua convocação surge no contexto da reação da Igreja Católica à Reforma Protestante.saberhistoria. cria a Companhia de Jesus. Com muita rapidez os jesuítas se espalham pela Europa.br/nova_pagina_104.

visando assegurar uma uniformização das práticas educativas desenvolvidas nos colégios jesuítas espalhados pelo mundo todo. Acquaviva. Hansen coloca ainda que. tendo Acquaviva. em dezembro de 1584.14). Isto para que as determinações e práticas fossem iguais em todas as instituições da companhia. convidamos Unidade 3 75 . Acquaviva nomeou uma comissão composta de doze padres para “formular a ordem de estudos que se deva guardar a Companhia”. no ano de 1581. Este grupo tinha como compromisso. foi publicada a edição definitiva da Ratio Studiorum que regula com grande detalhe o modelo de ensino praticado durante séculos pela Companhia de Jesus. por causa de vários problemas. o grupo de doze padres não levou o projeto adiante. através de cartas. Sendo os jesuítas precursores da educação institucional no Brasil. nomeado outra comissão de seis membros. em 1599.História da Educação I realizadas as principais experiências educativas que se tornariam modelares para os demais colégios inacianos. é de fundamental importância conhecermos um pouco de sua prática pedagógica para compreendermos o processo de escolarização desenvolvido no país. p. Finalmente. inicialmente. p. elaborar os Planos de Estudos. 2001. desencadeiam um processo para elaboração de um Plano de Estudos a ser adotado em todos os colégios. Em 1591. Pe.16). Segundo HANSEN (2001. contendo 466 regras e estabelecia que ficasse em experiência durante três anos. sendo todos eruditos e experientes no ensino (HANSEN. conseguir informações das práticas efetivadas em todos os Colégios e. composta por padres de vários países. partir dessas informações. O mesmo autor coloca que. liderados pelo Superior Geral da Companhia. os jesuítas. Sendo assim. Cláudio Acquaviva. mandou para toda a companhia uma versão da Ratio que tinha em conta as críticas e sugestões recebidas das diferentes instituições existentes.

agrupadas em 30 conjuntos. Considerando o momento contra-reformista daquele momento. dirigidas aos agentes e instituições escolares dos colégios jesuítas. Para cumprir estas determinações a Ratio Prescreve Santo Tomás de Aquino em teologia escolástica. evita as interpretações averroísticas de Aristóteles. a Ratio Studiorum. de 1599. p. planos de estudos. 76 . composto por 467 regras. Hansen observa que o sentido final das normas e das práticas da Ratio Studiorum “é o da ortodoxia. publicada em 1599. simplicidade e outras virtudes cristãs (HANSEN.) (não ser nem curioso nem temerário nos estudos nem defensor de opinião própria) mas visando. Seção 4 – A Ratio Studiorum (a pedagogia jesuítica) Sendo a Companhia de Jesus uma ordem religiosa não contemplativa. sempre cuidando (. à humildade. é um regulamento interno da Ordem Jesuítica. p. método e as disciplinas escolares. essas intervenções na prática cotidiana não poderiam estar dissociadas das práticas das virtudes cristãs. 2001. 2001. Nesse sentido. como a maioria das ordens religiosas da época.18). das artes e teologia no sentido de desenvolver nos educandos as capacidades de assimilar. Esse conjunto de regras trata de questões administrativas.Universidade do Sul de Santa Catarina você para conhecer aspectos dessa pedagogia através da leitura de alguns componentes estabelecidos na Ratio Studuorum. segue em teologia positiva os doutores aprovados pelas universidades católicas.18). A Ratio Studiorum. transferir e aplicar conhecimentos como intervenções nas questões do presente.. que viviam recolhidas em mosteiros.. ao contrário. modéstia. seguindo-se com a máxima fidelidade a tradição e os textos canônicos autorizados pela Igreja a partir do Concílio de Trento” (HANSEN. orienta o ensino das letras.

org/wiki/Image: Ratiostudiorum. aproximadamente um terço das regras da Ratio normatizavam os conteúdos e as práticas escolares dos estudos inferiores. Gramática média e Gramática Superior) não deveriam misturar-se e que as promoções de uma série para outra deveriam ser realizadas anualmente. sendo que esta era subdividida em inferior. Para este autor. Os estudos inferiores eram divididos em séries: Retórica. que possam ser prejudiciais à honestidade e aos bons costumes. A maior preocupação dos jesuítas era em eliminar qualquer possibilidade de contato dos alunos com livros que continham “escritos impuros” e os “perniciosos e inúteis”. Segundo Dallabrida.História da Educação I As mesmas regras são válidas para todos os cursos que eram divididos em Estudos Inferiores (retórica humanidades e gramática) e Faculdades Superiores (filosofia e teologia). que de modo algum se sirvam os nossos. Figura . média e superior. enquanto não forem expurgados dos fatos e Unidade 3 77 . 2001. e considere este ponto como da maior importância.138). O objetivo central das classes inferiores era proporcionar ao estudante jesuíta um sólido conhecimento gramatical.de livros de poetas ou outros. 2001. Humanidades. A Ratio determinava que as cinco séries (Retórica. Humanidades e Gramática. dizia: Tome todo o cuidado. nas aulas. Gramática inferior.wikipedia.jpg Mas todo o ensinamento deveria ser trabalhado de forma descontextualizada da mentalidade pagã das sociedades antigas.Ratio Studiorum Societatis IESU. A regra número 34. mas nas classes de gramática somente quando o aluno demonstrasse domínio do conhecimento estipulado (DALLABRIDA. O núcleo central do currículo das classes inferiores fi xado pela Ratio era o ensino das línguas e literaturas clássicas. p. como auxílio e fundamento para os estudos de filosofia e principalmente de teologia. p. 1598. intitulada de “Proibição de livros inconvenientes”. Fonte: <http:// en. que eram ministradas em todas as classes em grau crescente de complexidade e aperfeiçoamento (DALLABRIDA. 139).

como a Gramática do Padre Manuel Álvares. A predominância da língua latina sobre as demais está relacionada ao seu caráter utilitário. era preciso absoluto controle sobre o tempo e o espaço. o aluno devia ter todo o tempo ocupado com atividades propostas pelos professores. De acordo com a Ratio (apud. Os alunos ao final dos Estudos inferiores deveriam dominar perfeitamente o Latim. não somente aprendido. ela era a língua oficial da Igreja Católica e dos Estados absolutistas. como Terêncio. que era dia da sabatina. e se de todo modo não puderem ser expurgados. Além disso. Para isso. com exceção de sábado. durante as cinco séries dos Estudos inferiores. p. recomendada às classes de gramática. Além de afastar obras e escritos pagãos dos educandos. os jesuítas também produziam obras didáticas próprias. 141) era preciso “moldar a alma plástica da juventude no serviço e no amor a Deus”. ou seja. o que requeria uma metodologia que incluísse estratégias e táticas voltadas para este fim dentro e fora da sala de aula.Universidade do Sul de Santa Catarina palavras inconvenientes. onde predominava a mentalidade católico-tridentina. 78 . p. de preferência Cícero. a partir de alguns escritores romanos. o ideal a ser perseguido era o domínio oral e escrito do latim clássico. 2001. como imitado. língua preferida sobre as demais. bem como definição de horários e lugares para cada atividade. é preferível que não leiam para que a natureza do conteúdo não ofenda a pureza da alma (apud Dallabrida. de forma progressiva. Deveriam realizar atividades escritas todos os dias. DALLABRIDA 2001. já que nas estruturas políticas e culturais do Antigo Regime. 139). que deveria ser. Para Dallabrida (2001). inclusive sobre o grego. durante o período em que o educando permanecia no colégio. tinha a função de distinção social. sendo uma forma das elites cortesãs e burguesas distanciarem-se tanto da antiga nobreza guerreira como das classes populares.

classificação e premiação dos alunos. análise sintética do texto.143). seguia o sistema de Santo Tomás de Aquino: teologia patrística ou positiva. No segundo. assessorados pelos Prefeitos Gerais dos Estudos a quem estavam submetidos os Prefeitos de Estudos inferiores. Os Reitores dirigiam os colégios. astrologia e matemáticas superiores. hebreu. p. Esta hierarquia estava pautada na autoridade e na obediência. além de finalizar todos os cursos anteriores. de acordo com Hansen. Já o Curso de Teologia. dividido em quatro anos. Sagrada Escritura. Segundo Dallabrida. teologia escolástica moral. que propunha uma rígida hierarquia escolar. por último. Esta era considerada uma forma de manter os educandos em permanente estado de alerta e desafiados a provar sua maior capacidade em relação ao outro. leitura detalhada de cada período e. metafísica geral e matemáticas elementares. 2001. apresentação de observações detalhadas a cada classe (DALLABRIDA. p.22). “somente podiam ensinar os padres que tinham demonstrado conhecimento pleno de Santo Tomás de Aquino” (HANSEN. os passos da preleção (lição) para todos os professores das classes inferiores: leitura do texto.História da Educação I A Ratio detalhava ainda. grupos e classes. estudava-se a lógica. Instituições canônicas. avaliação. estudava-se cosmologia e outras ciências e no terceiro ano. teodicéia e ética. Nos estudos superiores. os professores e os alunos. o Curso de Filosofia era dividido em três anos: no primeiro. Outro componente da metodologia jesuítica previsto na Ratio era a emulação e a competição entre alunos. à semelhança do que ocorria na estrutura da própria Companhia de Jesus. siríaco e outras línguas bíblicas. a emulação estava conjugada a um sistema individualizado de controle. No curso de teologia. 2001. Unidade 3 79 .

Manoel da Nóbrega. 43) Segundo Ferreira Jr. mulatas e negras (filhas dos escravos das fazendas). onde havia tempo determinado para cada atividade cotidiana. chegaram ao Brasil os primeiros padres jesuítas. Iniciaram criando escolas de primeiras letras. deu lugar à vida regrada imposta pelos jesuítas.Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 5 – A ação dos jesuítas no Brasil Nesta seção. Nestas empregava-se o trabalho escravo negro. onde ensinavam a ler e escrever. devido às dificuldades em receber as verbas repassadas pela coroa portuguesa. assim como lugar e tempo adequados para o trabalho e para a devoção. escrever e contar. para manterem-se financeiramente. já havia cinco escolas 80 . (XAVIER. Dedicaram-se desde cedo à divulgação da fé cristã e ao trabalho educativo. Além das escolas elementares de ler. faremos um breve relato sobre a ação dos jesuítas no Brasil. como a dispersão e mobilidade de muitas tribos. Para maior conhecimento sobre aldeamentos e missões dos jesuítas no Brasil. A introdução dessa racionalidade na vida dos nativos sem dúvida revolucionava os seus hábitos e reorganizava o seu cotidiano. Assim. ser tema bastante detalhado. mamelucas. liderados pelo Pe. os jesuítas criaram os aldeamentos ou missões. e Bittar (1999). retirando os indígenas da selva e impondo-lhes um outro modo de vida. as práticas escolares jesuítas destinavam-se a crianças de várias origens raciais: indígenas. da 2ªfase. a prática pedagógica dessa ordem religiosa. apenas nove anos após a criação oficial da Companhia de Jesus. a fim de facilitar o trabalho de catequese. À indiferença da oca. assista o filme A Missão. Tendo em vista algumas dificuldades no projeto de catequização e conversão dos índios. sem qualquer privacidade. Havia que ter lugar e tempo próprios para o sono. os jesuítas implantaram também colégios. desde sua chegada em 1549 até sua expulsão em 1759. onde as famílias realizavam. Em 1570. 1994. as suas atividades de trabalho e de lazer. brancas (filhas de colonos e da elite portuguesa). ou seja. pelo fato de na disciplina de História da Educação II. no Brasil. de Roland Joffé. os jesuítas reivindicaram terras (sesmarias) que foram transformadas em fazendas altamente produtivas. Já em 1549. p. as refeições e as diversões.

História da Educação I de instrução elementar localizadas em Porto Seguro. atual Florianópolis. aprendemos. primeiro ministro português. a Companhia de Jesus possuía em território brasileiro além de inúmeras escolas elementares. podemos destacar que a política administrativa de Pombal se contrapunha ao Unidade 3 81 . de modo geral. principalmente políticos e econômicos. Ilhéus. Em 1814. Toleraram-se alguns hábitos indígenas. foram necessárias algumas concessões devido à realidade brasileira apresentar características bastante diferenciadas da realidade européia. Quanto à expulsão dos jesuítas de Portugal e de seus domínios pelo Marquês de Pombal. o teatro e a música. um colégio em Desterro. Contudo. Entre eles. o que estaria gerando atrasos para a cultura portuguesa. Os jesuítas foram expulsos de Portugal e de seus domínios em 1759 e dos demais países europeus nos anos seguintes. abrindo. há outros motivos. que a razão principal decorre da perspectiva conservadora do ensino jesuítico. utilizou-se menos o latim. bem como se elaboraram gramáticas nessa língua). dando prosseguimento à sua ação educacional. em 1845. sendo que os primeiros jesuítas retornaram ao Brasil na década de 1840. Pernambuco e Rio de Janeiro. Ao final dos 210 anos (1549-1759). o papa Clemente XIV extinguiu a Companhia de Jesus. 36 missões e 17 colégios e seminários. até que. 25 residências. Contudo. como um vestuário mais tropical. principalmente. dando preferência ao português e às línguas nativas (inúmeras orações e músicas católicas foram traduzidas para a “língua geral” (tupi). de predomínio educacional jesuítico quase exclusivo. São Vicente. Espírito Santo e São Paulo de Piratininga e três colégios localizados na Bahia. o que estava prescrito na Ratio Studiorum. conforme indicação de alguns autores. foram amplamente utilizados como estratégias pedagógicas para a catequização e moralização dos nativos. em 1773. ela foi novamente restabelecida. nestas escolas e colégios. Buscava-se seguir. que desencadearam a expulsão.

a seguir. nessa história. as atividades propostas. Os jesuítas também haviam adquirido um considerável poder econômico que ameaçava os interesses de Pombal que defendia a criação de Companhias de Comércio. é bom deixar claro que não há de um lado apenas heróis e de outro apenas vilões. Tanto a imagem heróica ou vilã do Marquês de Pombal. são imagens historicamente construídas que atendem a determinados fins. Pombal queria reduzir o poder dos jesuítas ao plano espiritual. brevemente. por exemplo. visando controlar as relações comerciais. fase do curso. a título de contextualização. 82 . bem como conhecer inúmeros outros aspectos da ação jesuítica no Brasil e das razões para a sua expulsão. você terá oportunidade de aprofundar algumas questões aqui expostas. Como mencionamos no início dessa seção. na 2ª. quanto dos jesuítas. realize. Agora. para praticar os conhecimentos conquistados nesta unidade.Universidade do Sul de Santa Catarina poder temporal (civil) exercido pelos jesuítas nos territórios guaraníticos. De qualquer modo.

1) A que classe social os colégios modernos atenderam e ajudaram o forjar? 2) Quais os objetivos principais dos jesuítas ao elaborar um Plano de Estudos (Ratio Studiorum) que deveria ser seguido em todas as instituições de ensino jesuíticas? Unidade 3 83 . acompanhe as respostas e comentários a respeito. Para melhor aproveitamento do seu estudo. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas.História da Educação I Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e. a seguir.

ministradas em todas as classes em grau crescente de complexidade e aperfeiçoamento. planos de estudos.Universidade do Sul de Santa Catarina 3) Para você. b) ( ) A elaboração do texto da Ratio Studiorum. método e as disciplinas escolares. f) ( ) Cada instituição da Companhia de Jesus poderia elaborar seus próprios planos de estudos. ainda permanecem resquícios da pedagogia jesuítica nas nossas instituições educativas? Justifique sua resposta. composta por padres de vários países. nomeados pelo Padre Acquaviva. publicado em 1599. e) ( ) O núcleo central do currículo das classes inferiores era o ensino das línguas e literaturas clássicas. d) ( ) A Ratio era um conjunto de regras com determinações diferentes para cada instituição de ensino da Companhia de Jesus. 84 . 4) Coloque (V) para Verdadeira e (F) para Falso: a) ( ) A Ratio Studiorum constitui-se num conjunto de regras que trata de questões administrativas. em dezembro de 1584. é resultado do trabalho da comissão de seis membros.

as concepções predominantemente teológicas da Idade Média. publicada em 1599. Na seção 3. você pôde perceber que a criação da Companhia de Jesus ocorreu em meio aos protestos liderados por Martinho Lutero contra algumas práticas da Igreja Católica do período e que as ações dos jesuítas fizeram parte do movimento da igreja católica contra a reforma protestante. Movimento este que gerou novas formas econômicas. você pôde verificar o surgimento dos colégios modernos onde os alunos passam a ser agrupados por idades mais próximas. você teve oportunidade de conhecer características do período marcado pelo movimento do Renascimento. em linhas gerais. É do período do Humanismo. é um regulamento interno da Ordem Jesuítica.História da Educação I Síntese Na primeira seção desta unidade. religiosas e educacionais. a preocupação com a moralização dos comportamentos infantis e prevêem-se roteiros de civilidade para orientar as ações das famílias e dos educadores. agrupadas em 30 conjuntos. onde os exercícios escritos substituem cada vez mais os orais. O tempo e o espaço passam a ser totalmente controlados. artísticas. Entre os conteúdos destacam-se. composto por 467 regras. políticas. você aprendeu que a Ratio Studiorum. da gramática. Percebe-se. embora os valores religiosos e morais continuem com força. em contraposição. planos de Unidade 3 85 . nos escritos destes autores. de eloqüência e boas maneiras. Na seção 4. dirigidas aos agentes e instituições escolares dos colégios jesuítas e que esse conjunto de regras trata de questões administrativas. de obras literárias e filosóficas da Antiguidade. o estudo do latim e do grego. ou seja. O teocentrismo dá lugar ao antropocentrismo. uma crítica à educação predominante até então e a defesa de uma pedagogia mais humana. Destaca-se ainda. organizados em classes ordenadas com graduação nos estudos e sujeitos a uma disciplina rígida. entre outros. a aquisição de uma cultura geral. Na seção 2.

nesse processo. na época. aprendeu que as mesmas regras são válidas para todos os cursos que eram divididos em Estudos Inferiores (retórica humanidades e gramática) e Faculdades Superiores (filosofia e teologia). a obediência e disciplina. Ministro de D. seguido da memorização.Universidade do Sul de Santa Catarina estudos. que colocava o aluno em condições de competição e. método e as disciplinas escolares. Você aprendeu ainda. você tomou conhecimento que os jesuítas chegaram ao Brasil logo após o descobrimento e que aqui. que o processo de aquisição de conhecimento pelo método jesuítico ocorria da seguinte forma: o primeiro passo consistia na repetição do texto. além de trabalhar na conquista de novos fiéis para igreja católica através das missões e aldeamentos. criaram escolas de primeiras letras e colégios e que foram expulsos em 1759. eram valores a serem incorporados pelos alunos. Além disso. aliadas às boas maneiras. era rei de Portugal. à moralidade. à civilidade. por último. 86 . ao bom comportamento. pelo Marquês de Pombal. E que. José. que. a realização dos exames levando-o à premiação ou reprovação. Por último.

Produção da escola/produção da sociedade: análise sócio-histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente.Ed. São Paulo: Moderna.8.hpg. Antônio. Educação Unisinos. Texto on-line disponível em <http://www.. HANSEN. 2º Grau . p.com. In: VIDAL.htm> PETITAT. Norberto. ampl.org/wiki/Renascimento_(movimento_ cultural) ARANHA. João Adolfo. São Paulo: Ed USP. vol. DALLABRIDA.br/nova_ pagina_105.saberhistoria. 5. Maria Lúcia Spedo (Org. e renovada. Moldar a alma plástica da juventude: a Ratio Studiorum e a manufatura de sujeitos letrados e católicos.ig. A. 1996. 2001. 1995. Brasil 500 anos: Tópicos em história da educação. Unidade 3 87 . Diana Gonçalves e HILSDORF. 2001. São Paulo: FTD. Atual. Maria Lúcia de Arruda. História: Compacto.wikipedia.). Ratio Studiorum e Política Católica Ibérica no Século XVII. 1994. PEDRO. n.História da Educação I Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade. Porto Alegre: Artes Médicas. você poderá pesquisar os seguintes livros e sites: http://pt. História da Educação. 133-150.

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Conhecer aspectos do processo de redefinição do espaço da criança na família e na sociedade a partir do Renascimento. Compreender o processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos na modernidade.UNIDADE 4 A infância e a pedagogia moderna Objetivos de aprendizagem „ 4 Identificar alguns modos de tratamento dispensados à infância em diferentes períodos históricos. Identificar as principais características da pedagogia moderna. „ „ „ Seções de estudo Seção 1 A infância na Antiguidade Seção 2 A infância na Idade Média Seção 3 A infância a partir do Renascimento Seção 4 A pedagogização dos conhecimentos e o disciplinamento dos sujeitos .

Verá que a partir do Renascimento institui-se uma nova concepção de infância que resultará num processo de pedagogização dos conhecimentos e disciplinarização dos sujeitos. Maria Luiza Marcílio destaca que a prática de abandonar bebês é bastante comum. por exemplo. Na sociedade romana. você iniciará o estudo desta unidade vendo como a infância foi tratada em diferentes momentos históricos. Quanto às crianças abandonadas. O objetivo primordial desta unidade é destacar as principais características que a pedagogia e a escola moderna adquiriram em função das novas concepções sobre a criança desenvolvidas no período. ao abandono de Moisés e na mitologia grega destaca o 90 .Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Como as crianças foram vistas e tratadas em outras épocas? O mundo infantil sempre se diferenciou do mundo adulto? Que tipo de escola/pedagogia foi organizada para as crianças e adolescentes na modernidade? Estas são algumas das questões que nortearam a elaboração desta unidade. Para entender a concepção de infância do período moderno. SEÇÃO 1 . desde longa data. Apresentaremos aqui breves considerações encontradas esparsamente em algumas obras. as crianças estavam totalmente subjugadas ao poder do pai e era comum abandoná-las.A infância na Antiguidade Ainda são poucas as pesquisas históricas voltadas para analisar a infância nas sociedades da Antiguidade. A autora inicia destacando a situação de abandono de bebês na tradição judaica. fazendo referência. conforme veremos com mais detalhes na próxima seção. em seu livro “História social da criança abandonada”. por exemplo. nas civilizações ocidentais.

ou porque tinham dúvidas sobre a fidelidade de suas esposas ou porque já teriam tomado decisões sobre a distribuição de seus bens entre os herdeiros já existentes. Na Grécia “a deformidade da criança ou a pobreza da família bastavam para que a justiça doméstica decretasse sua morte ou seu abandono.. inclusive alguns deles que haviam sido abandonados pelos pais. vários concílios e patriarcas da Igreja. E quanto mais pobres. 25).. Para Costa (2003) “a tradição cristã abriu. (MARCÍLIO. e as da elite iam para escola por volta dos sete anos. p. logo entrando no mundo do trabalho. enquanto a grande maioria era educada no espaço doméstico e coletivo. à ausência de fontes para a pesquisa deste tema. como Platão e Aristóteles defendiam o abandono. faziam a “apologia da caridade em relação ao enjeitado”. ou melhor.História da Educação I caso de Édipo. e o infanticídio admitido”. nas fontes pesquisadas. SEÇÃO 2 . mais cedo isto ocorria.28). As causas eram variadas: enjeitavam-se ou afogavamse as crianças malformadas. expunham-nos. p. 1998. 23). Também.. portanto. De modo geral. p. segundo Marcílio (1998. os pobres. os ricos. principalmente. Unidade 4 91 . O aborto era legítimo. Isto se deve. Em Roma essas práticas também eram comuns. 1998. Aponta. ao menos no Ocidente. Vários mosteiros abriram suas portas para receber crianças abandonadas. uma nova perspectiva à criança”. abandonado pelo pai.A infância na Idade Média Por muito tempo. ainda. acreditou-se na ausência de uma noção de infância no período medieval. esperando que um benfeitor recolhesse o infeliz bebê. por não terem condições de criar os filhos. é possível dizer que as crianças gregas e romanas que sobreviviam tinham seus brinquedos e brincadeiras. Ricos e pobres abandonavam filhos na Roma Antiga. A infância era. (MARCÍLIO. bastante curta. à ausência da criança.

Figura: Mulher nobre com filho Fonte: www. as crianças tinham uma educação comum até certa idade. correspondendo ao segundo momento do período medieval. a Baixa Idade Média (de acordo com a divisão referente aos períodos históricos apresentados na Unidade 2). o autor demonstra que as crianças participam ativamente de todas as atividades sociais. em suas pesquisas sobre esse período. em seu estudo “A História Social da criança e da família”. e as publicou em seu artigo “A Educação Infantil na Idade Média”. há uma cena no filme “Cleópatra” que ilustra bem esta questão: Júlio César. podemos identificar um poder patriarcal 92 . os romanos legavam ao pai (pater familias) o poder de vida ou de morte.com/ historia/contextos/1334. em que todo poder e as decisões eram legadas ao pai. Suas vestimentas também não se diferenciavam muito da dos adultos. a partir da constituição das cidades e da classe burguesa. das mesmas festas. diferentemente dos romanos. o professor e pesquisador Ricardo da Costa. num gesto que simboliza o reconhecimento como filho legítimo. a morte. após o parto. Assim. entre os germanos as mulheres também possuíam papel de destaque. as mulheres amamentavam as crianças.htm Neste sentido. pois os rejeitados eram assumidos pela linhagem materna. a rainha do Egito (apesar de ter uma esposa em Roma). os germanos apresentavam algumas diferenças. historiador francês. Ariès relaciona a emergência de um olhar para a infância. dos mesmos jogos e das mesmas brincadeiras.artehistoria. Como você já viu na Unidade 2. Não havia a prática do infanticídio. Caso o pai não o reconhecesse publicamente. Por isto. Cleópatra dá à luz um filho do Imperador e este. Mesmo sendo filho legítimo (de sangue). Por outro lado. tem um envolvimento amoroso com Cleópatra. É importante lembrarmos que. a rejeição significava. imperador romano.Universidade do Sul de Santa Catarina Philippe Ariès. o pai poderia reconhecê-lo ou rejeitá-lo. Em relação às crianças. levanta a criança. a Idade Média Ocidental é forjada a partir de duas grandes referências culturais: a Romana e a Germânica. encontrou algumas evidências sobre a infância em período anterior ao pesquisado por Ariès (Alta Idade Média). analisa obras iconográficas e identifica a não presença da criança ou uma representação que mostrava os pequenos como “adultos em miniatura”. Neste estudo. No entanto. na maioria dos casos.

O que podemos salientar é que a falta de reconhecimento de algumas especificidades da infância não necessariamente eliminava o afeto para com as crianças e. que lá podiam permanecer até os quinze anos de idade.. tópico visto na Unidade 2. Nós entesouramos sem ter para quem deixar. como esta citação de Fredegunda. Nós perdemos algumas criancinhas encantadoras e que nos eram queridas.htm) No entanto. eis que as lágrimas dos pobres.. por outro prescrevia castigos como jejuns ou pancadas com varas. havia condutas disciplinares que incluíam castigos. com/videtur17/ricardo. carregado em nossos braços ou nutrido por nossa própria mão. Alguns autores como Gélis afirmam que houve certa individualização da criança. segundo os estudos de Costa. assim como crianças de vários grupos sociais. esposa do rei franco Chilperico: Esta epidemia que começou no mês de agosto atacou em primeiro lugar a todos os jovens e adolescentes e provocou sua morte. é o cristianismo que traz novos elementos às relações familiares. De toda forma. a quem nós havíamos aquecido em nosso peito.]Nós perdemos agora os nossos fi lhos. naquela época. a partir de uma relação entre público Unidade 4 93 . as lamentações das viúvas e os suspiros dos órfãos os matam e não nos resta esperança de deixar os bens para ninguém.hottopos. Um dos principais conjuntos de normas era a Regra de São Bento. as taxas de mortalidade infantil eram altíssimas. no entanto. (Disponível em: http://www. É certo que. de acordo com o caso. alguns cuidados. Por um lado pedia cuidado na aplicação de castigos. Costa diz que isto não impedia que os pais chorassem a morte de seus filhos. nem mesmo. lhes administrando os alimentos com um cuidado delicado [. É na educação preconizada nos mosteiros que encontramos práticas pedagógicas para além dos ensinamentos da guerra.História da Educação I relacionado à política e à organização social e um poder matriarcal em relação à família.

pertencendo. transcendia o tempo. (1991. à linhagem tanto quanto aos pais: a criança era uma criança pública.Universidade do Sul de Santa Catarina e privado. a educação em comum deveria direcionar a criança às funções dentro de uma hierarquia familiar e social. Quanto aos trajes. Para o mesmo autor. este acontecia na presença de um grupo de parentes e vizinhas que transformavam o nascimento em ato público. Já nas famílias humildes. formando indivíduos para o papel que deveriam ocupar na sociedade. com base também no trabalho de Ariès. através da análise de inventários da época. 312). este vestuário era bastante restrito: 94 . a criança era considerada um rebento do tronco comunitário.) Nesse imaginário. participando com todos os seus membros dos eventos sociais e das festas “até a morte”. a família medieval tem como extensão a vida social. pelo engaste das gerações.. 176). o autor afirma. o autor exemplifica que. Dessa forma. assim. Ele afirma a existência de uma dependência em relação à linhagem e à solidariedade de sangue: (. que a criança não está no centro da vida familiar. p. bem como do grupo familiar. como já dissemos anteriormente. p. uma parte do grande corpo coletivo que. (1999. usando os mesmos trajes ou os mesmos brinquedos. Duby destaca que havia um vestuário variado e abundante para as crianças das famílias abastadas. Exemplo disso é a ausência de representações de cenas domésticas nas imagens do período.. Cambi infere que as crianças eram representadas como “pequenos homens”. participando das mesmas festas. De acordo com Franco Cambi. Levando em conta esta associação entre público e privado. se o seu nascimento ocorria num local privado (quarto).

principalmente. a escola. Também. movidos. p. Quanto ao reconhecimento da infância. consolidando-se na Modernidade. das quais apenas uma forrada. interessam-nos os estudos de Ariès para compreendermos o surgimento de um sentimento da infância. além de quatro camisas. senão de um manto e de quatro túnicas pretas. uma reorganização do modelo de família e o estabelecimento de outros vínculos afetivos entre os familiares. Assim. este se manifestou a partir do Renascimento. Uma nova sensibilidade em relação às crianças vai implicar também. Ao final do período medieval percebe-se uma crescente valorização da criança em si mesma. incluída aí. com a consolidação das monarquias nacionais. Sobre as práticas educativas medievais Cambi diz: A educação da criança era depois confiada à oficina e ao aprendizado ou à Igreja e às suas práticas de vida religiosa: a primeira ensinava uma técnica e um ofício.História da Educação I Um peteleiro. principalmente a partir do século XVII. no qual a criança passa a ser o centro das atenções na família que aos poucos se organiza em seu entorno. por exemplo. numa nova forma de tratá-las e educá-las. devemos lembrar do papel do Estado. tudo de lã muito comum. 225). que passa a se interessar pela formação das crianças dentro e fora da família. duas túnicas simples e uma pequena saia. não dispõe para os dois fi lhos. segundo seu inventário. um vestido de interior. criando instituições que têm como objetivos separá-las do mundo adulto. 177). 1990. p. a segunda. (1999. uma visão do mundo e um código moral. Unidade 4 95 . e a filha de um oficial público comum só tem em seu guarda-roupa. pela preocupação com a mortalidade infantil. (DUBY.

com recursos vindos do Estado. como o enfraquecimento de sua elite” (Donzelot. que com o Renascimento difunde-se uma literatura humanista e moralista preocupada com a família e a infância. e a criação artificial das crianças ricas. diz que.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 3 . estudos de administradores e de militares. assim como. começou-se a questionar os gastos empreendidos com estas instituições e o pouco retorno que o Estado retirava. Neste sentido. Logo em seguida aparecem. pelo menos em parte. 1986. da Unidade 3. inicialmente.16). Estes estudos giram em torno de três questões relacionadas aos cuidados com as crianças naquele momento: a prática dos hospícios de menores abandonados. p.A infância a partir do Renascimento Vimos. Para o autor “essas três técnicas engendrariam. Esses estudos mostram que os menores abandonados naquele período eram alojados em locais denominados de hospícios que eram mantidos. a partir da segunda metade do século XVIII (1750 em diante). nos últimos parágrafos da seção anterior. tanto na seção 1 como na 2. que a família começa a assumir uma feição mais privada onde a criança torna-se o centro. em seu livro sobre “A polícia das famílias”. 90% (noventa por cento) morriam antes do final da adolescência. em função dos cuidados oferecidos. que é neste período que a criança começa a ser valorizada no meio social. Em conseqüência disto. a criação dos filhos por amas-de-leite. tanto o empobrecimento da nação. pois o Estado poderia designá-los a 96 . Donzelot (1986. No entanto. Alegava-se que a conservação ou salvação destes “bastardos” seria muito útil. também. p. começa a ser produzida na Europa uma série de estudos sobre o problema da conservação das crianças. Além disso. 15). essas produções resultavam de observações e registros que médicos vinham realizando sobre o alto índice de mortalidade infantil e suas possíveis causas.

p.1986. era comum as crianças serem criadas por nutrizes.16). “a mortalidade das crianças colocadas em nutriz era enorme: por volta de dois terços no que diz respeito as nutrizes distantes e um quarto quanto às mais próximas” (Donzelot. pelo fato de não possuírem vínculos de obrigações familiares” (Donzelot (1986. As que moravam em aldeias próximas das cidades eram contratadas pelos ricos para amamentar e cuidar de seus filhos. 1986. pela condição de sujeição a que era submetida. as crianças ricas confiadas às serviçais recebiam uma educação resultante de opressões e de intimidades impróprias para assegurar seu desenvolvimento. Outros médicos também chegaram a essa conclusão de que.História da Educação I cumprir tarefas nacionais como colonização. p. Eles teriam sido honestos se suas mães os tivessem amamentado” (Buch. Donzelot observa que. e como estava quase sempre arrasada pelo cansaço do trabalho. já no período de amamentação. de comportamentos de baixeza e maldade em crianças de pais honestos e virtuosos. diz que “não há dúvida de que essas crianças tiram todos os seus vícios de suas nutrizes. nutria geralmente um sentimento de ódio. e para as crianças pobres ficavam as nutrizes de aldeias mais distantes. desde os primeiros anos de vida. o alto índice de mortalidade ocorria pela dificuldade da administração encontrar nutrizes. milícia. pela amamentação. Para este autor. Para garantir o recebimento e maior remuneração. pela sua má vontade e incompetência. modelagem do corpo com ataduras com vistas à estética. assumiam várias crianças ao mesmo tempo. o que não assegurava carinho ou bondade para com as crianças. Nessas condições. a nutriz passaria todos os seus sentimentos para as crianças. é nesta relação que está a explicação das manifestações. com a conivência do agenciador. segundo estes estudos. muitas destas. marinha. desconsiderando os males que estas poderiam causar. Donzelot observa ainda que Nutrizes eram as mulheres responsáveis pela amamentação e demais cuidados das crianças. “tarefas para as quais eles estariam perfeitamente adaptados. Na época. Unidade 4 97 . de acordo com esses estudos médicos. Incluíam certas práticas de educação corporal como. Além disso. As crianças ricas contavam com uma nutriz exclusiva. apud Donzelot.17). Buch em seu livro sobre medicina doméstica. p.17).

na extremidade mais rica..Universidade do Sul de Santa Catarina (. p. reclusão enfraquecedora que. por outro lado. da ausência da ‘economia do corpo’”. o sentimento em relação à infância. organizar a vida dos pobres de modo 98 .. e o segundo diz respeito à filantropia ou “economia social”. que “a imagem da infância mudou”. promover novas condições de educação que. Nesse sentido. Nessas publicações resultantes dos estudos médicos. conforme Donzelot.21). por um lado. a ponto de se dizer. o século XVIII é considerado como um período de revalorização das tarefas educativas. o que ocorre nesta época “é uma reorganização dos comportamentos educativos em torno de dois pólos bem distintos cada qual com estratégias bem diferentes”: o primeiro diz respeito às discussões sobre a medicina doméstica e as possibilidades de retirada das crianças das influências negativas das serviçais. De acordo com este autor. a crítica maior recai sobre a educação do corpo a que as crianças são submetidas através das nutrizes e/ou serviçais. a necessidade de serviçais (Donzelot.. é denunciada a má administração dos hospícios e o pouco benefício do Estado em função da alta mortalidade das crianças. mudando. No entendimento desse autor sobre a extremidade mais pobre do corpo social. fazer com que todos os indivíduos que tem tendência a entregar seus filhos à solicitude do Estado ou à indústria mortífera das nutrizes voltem a educá-los (DONZELOT.18). com isto. De acordo com Donzelot. (.. neste caso. freqüentemente. p. “Trata-se. torna-as inaptas para as tarefas da maternidade reproduzindo.) conservar as crianças significará por fim aos malefícios da criadagem. 1986. 1986. No lado oposto. ou seja. possam fazer frente à nocividade e seus efeitos sobre as crianças que lhes são confiadas e. assim. “Trata-se.) para as adolescentes acrescenta-se a isso o confinamento debilitante em que são mantidas até a idade de sua primeira entrada no mundo. neste caso. da ausência de uma ‘economia social’”. ou seja. percebe-se que toda uma discussão em torno da criança começa a se fazer presente no período.

considerados Unidade 4 99 . contra os efeitos das promiscuidades sociais. a má ventilação dos cômodos. a utilização da família pelo médico contra as antigas estruturas de ensino. a educação e a medicação das crianças. uma série de publicações foram impressas. p. informando de modo especial às mães sobre a arte de cuidar de crianças na primeira infância. ou seja. os médicos elaboraram para as famílias burguesas uma série de livros sobre a criação. „ 3. além dos regulamentos conventuais dos liceus. Da mesma forma. 1986.História da Educação I que diminuísse os custos sociais e produzisse trabalhadores com o mínimo de gastos públicos (DONZELOT. entre o final do século XVIII e o fim do XIX. „ Os médicos. portadora de uma promoção da mulher por causa deste reconhecimento de sua utilidade educativa. Assim como nas casas o amontoamento de crianças. p. o hábito do internato. também nos internatos havia estes problemas. ao mesmo tempo em que estabelecem uma nova relação com a família. a promiscuidade nos dormitórios. „ 2. Esse mesmo autor coloca que. essa ligação entre o médico e a família mexeu profundamente na vida familiar induzindo sua reorganização em pelo menos três dimensões: 1. os programas excessivos. o risco de depravação das crianças pela criadagem. em casa. a ausência de exercícios. a constituição de uma aliança privilegiada com a mãe. também chamam atenção para os problemas na esfera pública. ou seja. no sentido de modificar a educação e os sujeitos envolvidos na educação das crianças na esfera privada. o fechamento da família contra as influências negativas do antigo meio educativo. a disciplina religiosa. contra os métodos e os preconceitos dos serviçais. nos colégios. assim como guias e dicionários de higiene para uso das famílias. 23).22). Segundo Donzelot (1986.

tratava-se igualmente da preocupação de garantir a conservação das crianças e de estender os mesmos preceitos higiênicos. Todavia. religiosa e 100 . que serviu de modelo para as que surgiram posteriormente”. p. a retomada da Roda merece destaque.27). já que as crianças pobres teriam seus gastos custeados pelo Estado. o expositor colocava a criancinha que enjeitava. com um pequeno colchão. por volta do século XII e retomada a partir do século XVII. com economia social (1986. 1998. a primeira Roda dos Expostos da cristandade. Figura: Casa da roda dos expostos Fonte: www.com/ pictures/pic O sistema de Rodas ou Casas de expostos difundiu-se praticamente por todo território europeu. “onde os pais preparam a criança a aceitar a disciplina escolar. velam pelas boas condições da educação pública” (1986. 57.Universidade do Sul de Santa Catarina como ‘educação homicida’. A Roda foi criada. porém. E com a preocupação em unir respeito à vida e respeito à honra familiar. Nestas instituições. Aparentemente.que um bebê acabara de ser abandonado. p. girava a Roda e puxava um cordão com uma sineta para avisar à vigilante – ou Rodeira . é que surge gradativamente a educação mista (escolar e familiar). retirando-se furtivamente do local. No tabuleiro inferior da parte externa. principalmente nos países católicos. de forma que. In: MARCÍLIO. mesmo em pleno dia. estava instalada em toda a Europa. em pouco tempo. mas ao mesmo tempo. Com esse movimento. inicialmente. foi instalada uma ‘Roda’. segundo Donzelot. Donzelot afirma que nada mais exemplar nessa reviravolta da relação Estado-família do que a história dos hospícios para menores abandonados. até o século XIX. a educação para as crianças pobres não ocorria desta maneira. Segundo Marcílio (1998. O nome Roda – dado por extensão à casa dos expostos – provém do dispositivo de madeira onde se depositava o bebê. esse dispositivo era fixado no muro ou na janela da instituição. fora do hospital do Santo Espírito in Saxia (ao lado do Vaticano) “em seu longo muro lateral. p. 51). p. as crianças aprendiam a ler e recebiam uma formação moral. É sobre estes que os médicos alertam os pais e propõem uma cruzada contra tais modelos. para receber os bebês.megagaleria. 26). Esta foi. sem ser reconhecido. chegando ao Brasil durante esse mesmo século. estando rigorosamente vedada a busca de informações sobre quem os havia trazido”. em 1203. seguramente. De forma cilíndrica e com uma divisória no meio.

no decorrer da Idade Moderna. Além do sistema de Rodas.htm Quanto ao vestuário infantil. historiedade. e permaneciam até completarem em torno de 12 a 15 anos. se a iconografia medieval. p. participando das mesmas festas. a criança. pois entre as classes humildes ela demorará mais a se efetivar. por algum tempo ainda. passa a ser alvo de proteção e controle. “cuidando-se” do seu corpo e da sua educação. As meninas continuarão. de Duccio di Buoninsegna National Gallery. a partir do período renascentista começarão a haver diferenças. como “mulherzinhas”. a partir do Renascimento. mas também no interior das casas. Neste sentido. imagens essas assexuadas e de crianças com feições de adultos. essa diferenciação entre o vestuário adulto e infantil ocorrerá inicialmente com os meninos. outras instituições de caráter caritativo e filantrópico foram criadas. séc XIII Fonte: http://www.com. a partir do século XVII haverá trajes cada vez mais definidos e apropriados para cada idade.br/ idademedia. gerando gradativamente uma separação maior entre o mundo dos adultos e o das crianças. essencialmente religiosa. principalmente. Figura: Madona e Santos. dos mesmos jogos e das mesmas brincadeiras. 101 Unidade 4 . se até o século XIV era bastante comum a criança se vestir como o adulto (usando inclusive perucas e sapatos de salto). para atenderem as crianças abandonadas e pobres. da Virgem Maria e do nascimento e infância de alguns santos. Londres. Se na Idade Média as crianças participam ativamente de todas as atividades sociais. a iconografia renascentista começa a representar mais as crianças junto de suas famílias e não apenas no espaço público. 71). por exemplo. não se diferenciando muito dos adultos. se restringe a expor imagens infantis do Menino Jesus. Ou seja. Esta separação é maior e mais imediata nas classes abastadas. tanto a rica (nos colégios e escolas) como a pobre (nas instituições de caridade e filantrópicas). Além destas questões apontadas nesta seção. a iconografia também revela importantes fatos sobre a vida das crianças naquele período. Temos assim. desde cedo. uma nova concepção da infância. sendo vestidas. nas classes favorecidas. Segundo Ariès (1981.História da Educação I “profissional”.

no final da Idade Média a criança começa a ser valorizada.Universidade do Sul de Santa Catarina Para essa nova infância. o sentimento da família em relação à infância muda. serão criadas novas formas e espaços de educação. como vimos em outros momentos desta disciplina. você verá outras conseqüências dessa nova forma de ver as crianças e os adolescentes. Na próxima seção. educar e cuidar a criança. para a primeira. e o Estado passa a se ocupar também da educação das crianças com a criação de diferentes instituições. p. transcrevemos os três efeitos apontados pela autora: 102 . tanto a rica como a pobre. SEÇÃO 4 . as crianças e os adolescentes passam a ser educados em espaços cada vez mais fechados e os saberes são controlados e organizados para se adequarem às capacidades infantis. e as instituições de caridade e filantropia para a segunda. Varella (1994. Os colégios. por exemplo. estenderam-se a outras instituições educacionais de sua época e de épocas posteriores”.A pedagogização dos conhecimentos e a disciplinarização dos sujeitos Como você pôde ver na seção anterior. A seguir. entre elas a escola. há todo um processo de percepções e questionamentos por parte de alguns membros da sociedade na época que provocam gradativas alterações no modo de entender. o que Varella chama de pedagogização dos conhecimentos. A partir do Renascimento. através de transformações e reinterpretações. Mas estas mudanças não ocorrem num passe de mágica. 89) indaga em seu texto sobre “quais foram os efeitos mais visíveis desta pedagogização dos conhecimentos que surgiram e se aperfeiçoaram nos colégios jesuítas e que.

que tinham por função realizar Ascese. que ligou a aquisição da verdade e da virtude à ascese e renúncia de si mesmo. com a aprendizagem de ofícios – entre mestres e aprendizes. converteu-se na cultura dominante e reclamou para si o monopólio da verdade e da neutralidade. mas a outros saberes. Os mestres passaram a ser os únicos detentores do saber e os estudantes viram-se relegados a uma posição de subordinação. que não remetiam a processos sociais. Os saberes que possuíam os professores jesuítas eram saberes verdadeiros. à plenitude da vida moral. por exemplo. às culturas de determinados grupos ou classes sociais. a aquisição desses saberes moralizados não exigia uma cooperação – como acontecia. diferentemente das disciplinas de tipo monástico. Deste modo. uma cultura que. Eles viram-se desterrados do recinto sagrado da cultura culta. Eram saberes desvinculados das urgências materiais. como também a eles próprios . progressivamente aperfeiçoada. os saberes ligados ao mundo do trabalho. Por último. de um aparato disciplinar de penalização e de moralização dos colegiais. Unidade 4 103 .História da Educação I 1. transmitidos por seus professores para convertê-los. saberes que se pretendiam neutros e imparciais. este processo de pedagogização dos saberes implicou a instauração. Com referência a este processo de disciplinarização que vai sendo implantado nas instituições. sempre em consonância com a reta doutrina na Igreja e a tradição católica. converteramse em sujeitos destinados a adquirir os ensinamentos dosificados. 3. com o passar do tempo. Michel Foucault observa que. em seres virtuosos. dos problemas sociais. às lutas sociais. Foi deste modo que a disciplina e a manutenção da ordem nas salas de aula passaram a ocupar um papel central no interior do sistema de ensino até chegar praticamente a eclipsar a própria transmissão de conhecimento. segundo o dicionário Aurélio. destinada a materializarse numa obra bem feita. é exercício prático que leva à efetiva realização da virtude. Em primeiro lugar. as disciplinas se tornaram fórmulas gerais de dominação. no decorrer dos séculos XVII e XVIII. 2. começaram a ficar marcados pelo estigma do erro e da ignorância.

enfim todos passam a ser disciplinados. Temos que ter presente. de seus comportamentos (1989. ainda.) esse momento histórico é o momento que nasce uma arte do corpo humano. p. no entanto. (. a partir de 1762. ela agora só se compõe de elementos individuais que são colocados uns ao lado dos outros sob o olhar atento do mestre. o espaço escolar se desdobra. nem tampouco aprofundar sua sujeição. mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mais útil. A ordenação por fileiras. de seus gestos. sucessão dos assuntos ensinados.. e inversamente. uma manipulação calculada de seus elementos. mas também de vigiar. treinados para transformarem-se em corpos “dóceis” e submissos. para o militar. 104 . das questões tratadas segundo uma ordem de dificuldade crescente (1989. mais tarde. de mês a mês.Universidade do Sul de Santa Catarina renúncias e como fim principal um aumento de domínio de cada um sobre seu próprio corpo.. que visa não unicamente o aumento de suas habilidades. Forma-se então uma política de coerções que são um trabalho sobre o corpo. a escola passa a funcionar como “uma máquina de ensinar. no século XVIII. Com uma nova organização do tempo e do espaço. passa também para as escolas primárias. começa a definir a grande forma de repartição dos indivíduos na ordem escolar: filas de alunos na sala. nos pátios. Foucault diz. que a disciplina inicialmente presente nos colégios. alinhamento das classes de idade umas depois das outras. 134).127). para o espaço hospitalar e. a classe torna-se homogênea. Mas como esta disciplina se manifesta ou é constituída numa classe escolar? Segundo Foucault. nos corredores. de hierarquizar. tornou possível o controle de cada criança individualmente e o trabalho simultâneo de todos. de ano a ano. que a determinação de lugares individuais. colocação atribuída a cada um em relação a cada tarefa e cada prova. p. colocação que ele obtém de semana a semana.

Unidade 4 105 . realize.134). as atividades propostas. os mosteiros abrissem suas portas para as crianças abandonadas. regras. a seguir. na Idade Média. incute virtudes e valores a serem seguidos na sociedade. inúteis e perigosas em multiplicidades organizadas” (1989. Para melhor aproveitamento do seu estudo. 1) Aponte uma razão para que. p. enfim toda a organização. o autor afirma que “a primeira das grandes operações da disciplina é então a constituição de quadros vivos que transformam as multidões confusas. Agora. a seguir. Sendo assim. Ou seja. acompanhe as respostas e comentários a respeito. realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas.135). para praticar os conhecimentos conquistados nesta unidade.História da Educação I de recompensar” (1989. conteúdos. a escola com seus horários. p. Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação e.

construa um quadro síntese a respeito do entendimento/tratamento de cada uma sobre a criança. Com base no texto da seção 2. surgiram estudos sobre a infância que provocaram uma reorganização nos costumes das famílias sobre o modo de cuidar e de educar as crianças. Romanos Germanos 3) Durante o século XVII. Aponte uma mudança que ocorreu em relação ao modo de educar as crianças. 106 .Universidade do Sul de Santa Catarina 2) A civilização germânica e a civilização romana possuíam modos distintos de tratar a criança.

você pôde perceber que. Os romanos legavam ao pai (pater familias) o poder de vida ou de morte sobre as crianças. que as crianças que sobreviviam. principalmente as pobres. a “apologia da caridade em relação ao enjeitado”. vários mosteiros abriram suas portas para receber crianças abandonadas e se inicia. muito cedo eram iniciadas na vida do trabalho. que agiam de forma diferenciada com suas crianças. a prática de abandonar crianças pequenas era bastante comum nas civilizações ocidentais. Mesmo sendo filho legítimo (de Unidade 4 107 . você teve oportunidade de conhecer duas grandes referências culturais. também. você teve oportunidade de entrar em contato com informações sobre a infância em diferentes períodos históricos. com isto. Neste período.História da Educação I 4) Quais as principais características presentes nas práticas escolares para disciplinar os sujeitos e torná-los dóceis e submissos? Síntese Nesta unidade. na Antiguidade. Viu. a romana e a germânica. também. Na primeira seção. Na seção 2.

que passa a fazer parte das práticas dos colégios e das escolas primárias. a definição de modos de conduta. uma reorganização nos costumes e modos de educar as crianças. com sua organização. 108 . Na seção 3. no entanto. as mulheres amamentavam as crianças e as crianças tinham uma educação comum até certa idade. provocando. na maioria dos casos. você pôde perceber que com o Renascimento difunde-se uma literatura humanista e moralista. o controle dos saberes e do tempo. você pôde perceber como a disciplina. Caso o pai não o reconhecesse publicamente. A escola. pois os rejeitados eram assumidos pela linhagem materna. com isto.Universidade do Sul de Santa Catarina sangue). o pai poderia reconhecê-lo ou rejeitá-lo. já havia sentimento em relação às crianças tanto que os pais choravam a morte de seus filhos. preocupada com a família e a infância. buscava a formação de um sujeito disciplinado. a morte. A introdução da medicina doméstica é a responsável por grande parte das modificações desses costumes. as taxas de mortalidade infantil eram altíssimas. principalmente nas famílias mais ricas. busca formar um sujeito dócil e submisso. Os germanos não praticavam o infanticídio. Na seção 4. seu espaço. A preocupação com o alto índice de mortalidade infantil e com o modo como as crianças eram educadas fez com que Família e Estado passassem a conduzir os processos educativos tanto na vida privada (na casa) como na pública (colégios). Nesta época. a rejeição significava.

htm Unidade 4 109 . 2004. mas será que podemos ver tudo? Uma reflexão sobre as políticas públicas para a educação da infância. Ricardo. São Paulo: Ed.com/videtur17/ricardo. A Educação Infantil na Idade Média. Colin. COSTA. Disponível em: http://www.hottopos. Do topo de uma montanha temos um ótimo ângulo de visão das coisas. GÉLIS.. 1991. 1991. 2000. 2. Michel. A individualização da criança. FEIST.História da Educação I Saiba mais Para ampliar seus conhecimentos sobre as questões abordadas nesta unidade. ed. Solange Martins de Oliveira. Uma história da infância: da Idade Média a época contemporânea. A polícia das famílias. H. F. J. da UNESP.. Philippe. MAGALHÃES. FOUCAULT. Jacques. Disponível em: http://www2.htm DONZELOT.. da Costa Albuquerque. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. In: CHARTIER. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. ed. 2. Tradução de M. Tradução de Ligia M. Rio de Janeiro: Edições Graal Ltda. História da Vida Privada 3: da Renascença ao Século das Luzes. R. ed. você poderá realizar leituras nos seguintes livros e sites: ARIÈS. T. Petrópolis: Vozes. Pondré Vassalo. Ivone Garcia. Porto Alegre: Artmed. 1981. HEYWOOD. BARBOSA. 1986.. CAMBI. São Paulo: Companhia das Letras. 7.br/~revispsi/v5n1/ artigos/a03. História social da criança e da família. História da Pedagogia. 1989.uerj.

1998. 110 . In: SILVA.). Tomaz Tadeu da (Org. Petrópolis: Vozes. Maria Luiza. 1994. VARELA. O estatuto do saber pedagógico. O sujeito da educação: estudos foucaultianos.Universidade do Sul de Santa Catarina MARCÍLIO. História social da criança abandonada. São Paulo: Hucitec. Julia.

que tratará da educação no Brasil. compreendendo os séculos XIX. foram escolhidos determinados temas que julgamos serem fundamentais para sua formação como pedagoga(o). o nosso modelo escolar. Retomando Bertold Brecht.Para concluir o estudo Tendo em vista a impossibilidade de abarcar todos os tradicionais períodos históricos. optamos em focar certos elementos de alguns desses períodos e. XX e XXI. outros sujeitos. Contudo. outras questões. evidenciar como cada época (tempo/espaço) construiu suas idéias pedagógicas e. Sem dúvida. de onde se origina e se constitui. na disciplina de História da Educação II. Por exemplo. outras fontes. suas práticas educativas. Esperamos que você tenha sido provocado a desvelar outras histórias. em muitos aspectos. não o tomamos como foco de análise. Quanto ao período contemporâneo. são muitas as histórias e muitas as questões a serem formuladas. o recorte espacial e temporal remeteu ao contexto europeu. mas poderiam ter sido outras. principalmente. Mesmo dentro dos períodos priorizados para análise. a partir destes. pois as demais disciplinas do curso trarão discussões pertinentes e direcionadas a estes contextos educativos. Procuramos aqui levantar algumas delas. você poderá ver como vários aspectos aqui pontuados se desenvolveram na realidade brasileira. . como foram tratadas as crianças no nosso contexto e como se constituíram as instituições educativas e as idéias pedagógicas em nosso país.

gostaríamos de deixar claro que é possível constituir instituições com outras configurações. Leonete e Rosmeri .Embora você tenha estudado o quanto as instituições até hoje disciplinaram os saberes e os sujeitos. que colaborem na formação de pessoas. Sucesso na continuidade dos estudos! Professoras Karen.

1986. Ricardo. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. BURKE. Peter.. v.).htm DONZELOT. São Paulo: Moderna. (Coleção Os Pensadores). Espaço em Revista. 1996. São Paulo: UNESP. COSTA. 2.. Tradução por José Arthur Gianotti. 2. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Amarildo e BITTAR. COMTE.). Belo Horizonte: Autêntica. BURKE. Tradução Maria Lucia Machado.. Franco. Marta Maria Chagas de. Educação jesuítica e crianças negras no Brasil colonial. A Educação Infantil na Idade Média. 1983. ed. Marisa. CAMBI. dez/1997. Educação modernidade e civilização: fontes e perspectivas de análise para a história da educação oitocentista. CARVALHO. da Costa Albuquerque. Belo Horizonte: Autêntica.) A escrita da história: novas perspectivas. BURKE. 196. p. Tradução de M. História e teoria social. Jacques. Maria Lúcia de Arruda. A Revolução Francesa da historiografia: a Escola dos Annales. Peter (Org. 1992. 1981. Philippe.com/videtur17/ricardo. ARIÈS. História e Historiografia da Educação no Brasil.26.472-482. São Paulo: UNESP. FERREIRA Jr. A. DUBY. História da Educação. 2ª ed. FARIA FILHO. 1998. 2003. set/dez. Cynthia G. Georges (Org. São Paulo. Rio de Janeiro: Edições Graal Ltda. 2002. Peter. no. Disponível em: http://www. São Paulo: Companhia das Letras. 1991. FONSECA. 1999. A polícia das famílias. Brasília. História da Educação: notas em torno de uma questão de fronteiras. 1929-1989. História da privada. História da Pedagogia. 80. 1990. Luciano Mendes de (org.Referências ARANHA.hottopos. Belo Horizonte. Discurso sobre o Espírito Positivo (e outros). ed. São Paulo: UNESP. 2: da Europa feudal à Renascença. . Abril Cultural. Thais Nívia de L. 1999. T. n. São Paulo: UNESP. VEIGA. História social da criança e da família.

1997. 1989. 1976. Nacional.) História: novos objetos. Maria Luiza. Colin. Do topo de uma montanha temos um ótimo ângulo de visão das coisas. GHIRALDELLI Jr. Disponível em: http://www2.org. São Paulo: Cortez. LUZURIAGA. Moysés. br/~revispsi/v5n1/artigos/a03. A individualização da criança.. KUHLMANN. MAGALHÃES. Jacques e NORA.. Paulo. Pierre (Orgs. GHIRARDELLI Jr. 2003.htm . ed. História da educação e da pedagogia. HUBERMAN. 2004. Rio de Janeiro: Francisco Alves. Infância e educação infantil: uma abordagem histórica. BARBOSA. J. Michelle... História social da criança abandonada. São Paulo: Ed.. FREITAS. mas será que podemos ver tudo? Uma reflexão sobre as políticas públicas para a educação da infância. Lorenzo.). 2002. H. Claudia. R. LOPES. O ensino na Idade Média. 3ª. São Paulo: Hucitec. Filosofia e história da educação brasileira. (Org. FEIST. História da Educação. Rio de Janeiro: DP&A. Porto: Afrontamento.uerj. 2ª. Michel. Uma história da infância: da Idade Média a época contemporânea. ed.. ed. 1998. A história da riqueza do homem. Régine.htm MARCÍLIO. Tradução de Ligia M. 7. História da Educação. HEYWOOD. LE GOFF. Pondré Vassalo. PERROT. 1991. Barueri.. 2ª. FREITAS.br/revista/historia/luz2. Eliane Marta Teixeira.. Solange Martins de Oliveira.. Os intelectuais na história da infância. ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores. 1991. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Volume 2. 1985.. 2005. PERNOUD. História da Vida Privada 3: da Renascença ao Século das Luzes. permanencia. 1994. Ivone Garcia. ed. São Paulo: Cortez. O quotidiano da mulher no final da Idade Média (12501500) In: DUBY. GÉLIS. 16ª. In: CHARTIER. 1998.FOUCAULT. História das Mulheres. Marcos Cezar de (Org. SP: Manole. Petrópolis: Vozes. Paulo. Leo.). Moysés (Orgs. São Paulo: Cortez. Jr.). OPTIZ. Marcos Cezar de e KUHLMANN Jr. São Paulo: Companhia das Letras. Porto Alegre: Mediação. 1985. ed. 20. Georges. Porto Alegre: Artmed. Disponível em: http://www. 1998. História social da infância no Brasil.

CampinasSP: Autores Associados. P. In: LOMBARDI. In: SILVA. 1990. Maria Isabel Moura (org). Brasília. WERLE. INEP. Produção da escola / produção da sociedade: análise sócio-histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente. Tomaz Tadeu da (Org. 1994. Breves considerações sobre Fontes para a História da Educação. In: LOMBARDI. Trad. 1999.: Eunice Gruman. 1994. História e historiografia da educação. José Claudinei e NASCIMENTO. História das instituições escolares: de que se fala?. 2004. Contribuições da história para a educação. Maria Elisabete S. Petrópolis: Vozes. 47.PETITAT. Fontes. Mary Del (org. São Paulo: Contexto. Fontes. O sujeito da educação: estudos foucaultianos. Em Aberto. . Flávia Obino Corrêa. História e historiografia da educação. História da Educação: a escola no Brasil. André. Ano 9. História das crianças no Brasil. O estatuto do saber pedagógico. PRIORE. SAVIANI. 2004. Mirian Jorge. José Claudinei e NASCIMENTO. Maria Isabel Moura (org). VARELA. Campinas-SP: Autores Associados.). 1994. WARDE. XAVIER. n. Dermeval. Julia. Porto Alegre: Artes Médicas. São Paulo: FTD.).

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História para as Séries Iniciais. nos níveis fundamental e médio. Atuou como professora de nível superior na UNIVILLE. É professora do curso de Pedagogia e Letras da Unisul desde 2001. onde defendeu dissertação intitulada “A constituição da rede pública de ensino elementar em Santa Catarina – 1830/1859”. Atuou como professora de séries iniciais nas redes municipal de Florianópolis e estadual de Santa Catarina e em instituições particulares e no ensino superior da UDESC e UFSC. Foi professora da rede pública e privada de ensino. Estágio Supervisionado e Pesquisa e Prática Pedagógica. Geografia para as Séries Iniciais e Fundamentos Sociológicos. Leonete Luzia Schmidt Formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestre em Educação também pela UFSC. lecionando as disciplinas de História da Educação. e na Educação de Jovens e Adultos. História das Mulheres de Santa Catarina e na revista Perspectiva (CED-UFSC). lecionando as disciplinas de História da Educação. É autora de artigos nos livros: História de Santa Catarina: estudos contemporâneos. UDESC e UFSC.Sobre as professoras conteudistas Karen Christine Rechia Graduada e Mestre em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Rosmeri Schardong Formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestre em Educação também . Política e Sociedade. da PUC/SP. É doutoranda do programa de Pós-Graduação em Educação: História. Há dez anos é professora do curso de Pedagogia da Unisul.

Universidade do Sul de Santa Catarina pela UFSC. 118 . onde defendeu dissertação intitulada “A instrução pública secundária em Desterro – o Atheneu Provincial (18741883)”. Atuou como professora das séries iniciais na rede estadual catarinense durante dez anos. lecionando as disciplinas de História da Educação e Estágio Supervisionado. É professora do curso de Pedagogia da Unisul desde 1998.

De maneira geral é importante observar as práticas educativas. Caso tenha dúvidas como realizar as atividades você poderá obter maiores informações com o tutor da disciplina. na coluna Principais Representantes você deve escrever o nome dos autores que escreveram/ escrevem sobre cada tendência. o papel da Igreja e da religiosidade. 2) Orientações para elaboração do quadro: na coluna Tendências você deve indicar o nome das três tendências e /ou teorias abordadas na seção 2. Item C é falso. a relação entre as classes sociais. como esta pode ser escrita e que temas e fontes prioriza. . o ambiente social etc 2) Nesta questão os dois tópicos já indicam o que se quer atingir. Unidade 2 1) Sobre os filmes: Os aspectos relacionados a Unidade dependem do filme. na coluna Idéias Centrais você deverá pontuar as principais idéias de como cada tendência entende a história. as formas de trabalho. o papel das mulheres. 3) Resposta subjetiva.Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação Unidade 1 1) Itens A e B são verdadeiros.

no pátios. um padrão de civilidade e polidez que os distinguiria dos trabalhadores. as crianças colocadas umas ao lado das outras sob o olhar atento do mestre. Alinhamento das classes de idade umas depois das outras. Ou a mãe passa a participar mais da educação dos filhos. das questões tratadas segundo uma ordem de dificuldade crescente. Ordenação por fileiras: filas de alunos na sala. 4) A classe torna-se homogênea. 2) Garantir a uniformização que facilitaria o controle sobre as práticas e conteúdos desenvolvidos e evitaria desvios dos princípios defendidos pela Ordem Jesuítica. mas carecia dos conhecimentos clássicos que a nobreza até então detinha. pode-se dizer que os colégios atenderam aos interesses de uma burguesia nascente/renascentista. Família e Estado assumem a educação das crianças. 3) A educação passa a ser mista. além disso a Igreja passa a pregar a caridade para com os abandonados. 120 . Itens D e F são Falsos. Os colégios forneceriam a seus alunos. 3) Resposta subjetiva. nos corredores. também filhos de Deus. 2) Resposta livre. 4) Itens A. Sucessão dos assuntos ensinados. Unidade 4 1) Muitos membros da Igreja haviam sido abandonados pelos pais e por isso buscavam abrigar os que passavam pela mesma situação. além dessa cultura geral clássica. Colocação atribuída a cada um em relação a cada tarefa e cada prova. que possuía poder aquisitivo. B e E são Verdadeiros.Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 3 1) Em linhas gerais.