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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO TECNOLÓGICO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA PROJETO DE GRADUAÇÃO

ANÁLISE TARIFÁRIA E DA QUALIDADE DA ENERGIA ELÉTRICA NO PRÉDIO SEDE DA JUSTIÇA FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

DANIEL CARLETTI

VITÓRIA ES

MARÇO/2012

DANIEL CARLETTI

ANÁLISE TARIFÁRIA E DA QUALIDADE DA ENERGIA ELÉTRICA NO PRÉDIO SEDE DA JUSTIÇA FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

Parte manuscrita do Projeto de Graduação do aluno Daniel Carletti, apresentado ao Departamento de Engenharia Elétrica do Centro Tecnológico da Universidade Federal do Espírito Santo, para obtenção do grau de Engenheiro Eletricista.

VITÓRIA ES

MARÇO/2012

DANIEL CARLETTI

ANÁLISE TARIFÁRIA E DA QUALIDADE DA ENERGIA ELÉTRICA NO PRÉDIO SEDE DA JUSTIÇA FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

COMISSÃO EXAMINADORA:

Prof. MsC Hélio Marcos André Antunes Orientador

Prof. Dr. Paulo José Mello Menegaz Co-orientador

Prof. Dr. Lucas Frizera Encarnação Examinador

Prof. MsC Tiara Rodrigues Smarssaro de Freitas Examinadora

Vitória - ES, 14/03/2012

4

DEDICATÓRIA

Aos meus amigos do curso de Engenharia Elétrica da UFES e à minha família.

5

AGRADECIMENTOS Agradeço a todos os meus amigos que me ajudaram durante o curso, desde os primeiros períodos e que continuaram comigo até o final. Agradeço também a todos os colegas de PET que fizeram parte da minha formação durante bons anos na faculdade. Aos professores que se mostraram dispostos a ajudar no que eu precisasse e que são parte desse trabalho. Agradeço ao professor Hélio, por ter me orientado nessa reta final e aos meus amigos de Justiça Federal, por terem me ajudado no que eu precisasse para continuar meu trabalho. E finalmente agradeço a minha família por ter dado o suporte necessário para que eu continuasse firme no caminho rumo à formatura me dando forças para seguir em frente.

6

LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1 - Formas de onda típicas dos parâmetros de qualidade de energia

22

Figura 2.2 - Impulso transitório de tensão em p.u

23

Figura 2.3 - Transitório proveniente do chaveamento de um banco de capacitores

[8]

Figura 2.4 - Interrupção momentânea devido a um curto-circuito e subseqüente

24

religamento [8]

28

Figura 2.5 - Afundamento de tensão na ordem de 0,8 p.u.

29

Figura 2.6 - Aumento de tensão na ordem de 1,2 p.u.

30

Figura 2.7 - Forma de onda de tensão v(t) distorcida pela presença de harmônicos e formas de ondas v1(t), v3(t) e v5(t), representando individualmente as componentes

harmônicas 1ª, 3ªe 5ª respectivamente

Figura 2.8 - Espectro harmônico da forma de onda distorcida com a presença de harmônicos da Figura 2.7. A amplitude percentual utiliza a frequência fundamental

como base [6]

Figura 2.9 - “Entalhes” na corrente produzida por um conversor trifásico presente no

35

35

sistema elétrico grandezas em p.u. [6]

41

Figura 2.10 - Ruído elétrico presente na forma de onda de tensão em p.u. [6]

42

Figura 2.11 - Oscilações de tensão oriundas de um laminador [8]

43

Figura 4.1 - Modelo tradicional utilizado para estudo do FP

61

Figura 4.2 - Paralelepípedo de potências

62

Figura 4.3 - Curva de aumento de perdas no condutor com o aumento do fator de

potência

64

Figura 4.4 - Redução percentual das perdas em função do fator de potência [15]

68

Figura 5.1 - Formas de ressonâncias

76

Figura 6.1 - Fachada principal da nova sede da Justiça Federal do Espírito Santo

[20]

86

Figura 6.2 - Diagrama unifilar da instalação

88

Figura 6.3 - Embrasul RE6000

90

7

Figura 6.4 - Esquema de ligação utilizado [21]

91

Figura 6.5 - Medidor de energia utilizado na instalação [23]

111

Figura 6.6 - Banco de capacitores semi-automático

114

8

LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1.1 - Crescimento de cargas eletrônicas

17

Gráfico 6.1 - Distorção Total de corrente no PAC 1

94

Gráfico 6.2 - Harmônicas ímpares individuais na corrente do PAC 1

94

Gráfico 6.3 - Distorção Total de corrente no PAC 2

95

Gráfico 6.4 - Harmônicas ímpares individuais na corrente do PAC 2

95

Gráfico 6.5 - Distorção Total de corrente no PAC 3

96

Gráfico 6.6 - Harmônicas ímpares individuais na corrente do PAC 3

96

Gráfico 6.7 - Distorção Total de tensão no PAC 1

98

Gráfico 6.8 - Harmônicas ímpares individuais na corrente do PAC 1

98

Gráfico 6.9 - Distorção Total de corrente no PAC 2

99

Gráfico 6.10 - Harmônicas ímpares individuais na corrente do PAC 2

99

Gráfico 6.11 - Distorção Total de corrente no PAC 3

100

Gráfico 6.12 - Harmônicas ímpares individuais na corrente do PAC 3

100

Gráfico 6.13 - Desequilíbrio de tensão no PAC 1

102

Gráfico 6.14 - Desequilíbrio de tensão no PAC 2

102

Gráfico 6.15 - Desequilíbrio de tensão no PAC 3

103

Gráfico 6.16 - Variação de frequência no PAC 1

104

Gráfico 6.17 - Variação de frequência no PAC 2

104

Gráfico 6.18 - Variação de frequência no PAC 3

105

Gráfico 6.19 - Tensões das 3 fases no PAC 1

106

Gráfico 6.20 - Tensões das 3 fases no PAC 2

107

Gráfico 6.21 - Tensões das 3 fases no PAC 3

107

Gráfico 6.22 - Demandas registradas durante os últimos 7 meses

109

Gráfico 6.23 - Variação do custo da demanda em função da demanda contratada

110

Gráfico 6.24 - Consumo gerado pelo excesso de reativo

111

Gráfico 6.25 - Distorção individual de tensão no período de um dia

113

Gráfico 6.26 - Fator de potência trifásico da instalação durante uma semana

115

Gráfico 6.27 - Fator de potência durante o dia 06/02/2012

115

9

Gráfico 6.28 - Fator de potência com o acréscimo de 10 kVar na instalação

116

Gráfico 6.29 - Fator de potência com o acréscimo de 20 kVar na instalação

117

10

LISTA DE TABELAS

Tabela 2.1 - Faixas de variação da tensão para tensão nominal inferior a 1 kV

(220/127) [4].

Tabela 2.2 - Faixas de variação da tensão para tensão nominal inferior a 1 kV

30

(380/220) [4].

30

Tabela 2.1 - Limites de distorção de tensão segundo IEEE Std. 519-1992

37

Tabela 2.2 - Limites de distorção de corrente para cargas não lineares segundo a

IEEE std. 519-1992

Tabela 2.3 - Valores de referência globais das distorções harmônicas totais (em

porcentagem da tensão fundamental) de acordo com o Módulo 8 do PRODIST [4]

Tabela 2.4 - Níveis de referência para distorções harmônicas individuais de tensão

(em percentagem da tensão fundamental) de acordo com o Módulo 8 do PRODIST

37

38

[4]

38

Tabela 3.1 - Opções de contratação para consumidores de média e alta tensão [11]

48

Tabela 4.1 - Variação da potência do transformador em função do F.P. para uma

carga de 100 kW [15]

65

Tabela 4.2 - Variação da seção do cabo em função do fator de potência

66

Tabela 4.3 - As vantagens para o consumidor e para a concessionária do aumento do

fator de potência [16]

69

Tabela 5.1 - Perdas dielétricas

79

Tabela 6.1 - Tabela dos transformadores da instalação

89

Tabela 6.2 - Especificações técnicas do analisador de energia utilizado [21]

90

Tabela 6.3 - Definição dos PAC e razão de corrente de curto por corrente de carga

para cada um

93

11

SUMÁRIO

DEDICATÓRIA

 

4

AGRADECIMENTOS

5

LISTA

DE

FIGURAS

6

LISTA

DE

GRÁFICOS

8

LISTA

DE

TABELAS

10

SUMÁRIO

11

RESUMO

16

1 INTRODUÇÃO

 

17

1.1

Motivação

17

1.2

Objetivo

19

1.3

Organização do

Texto

19

2 ANÁLISE DA QUALIDADE DA ENERGIA ELÉTRICA

21

2.1

Definições dos Parâmetros de Qualidade de Energia Elétrica

21

2.1.1 Transitórios

 

22

 

2.1.1.1 Transitório

Impulsivo

23

2.1.1.2 Transitório

Oscilatório

23

 

2.1.2 Variações de Tensão de Longa Duração

24

 

2.1.2.1 Sobretensão

25

2.1.2.2 Subtensões

25

2.1.2.3 Sustentadas

Interrupções

26

 

2.1.3 Variações de Tensão de Curta Duração

26

 

2.1.3.1 Interrupções

de

Curta Duração

27

2.1.3.2 Afundamento de Tensão (Sag)

28

2.1.3.3 Elevação de Tensão (Swell)

29

 

2.1.4 Faixas de classificação de tensões em regime permanente

30

2.1.5 Desequilíbrio de Tensão

 

31

12

 

2.1.6.1 Nível CC

33

2.1.6.2 Harmônicos

33

2.1.6.3 Inter-Harmônicos

40

2.1.6.4 Entalhe ou Corte (Notch)

40

2.1.6.5 Ruído

41

2.1.6.6 Flutuação de Tensão

42

2.1.7 Variações na Frequência

44

2.1.8 Interferência Eletromagnética (EMI)

44

3

ANÁLISE TARIFÁRIA

46

3.1 Estrutura Tarifária

46

3.2 Tarifa Convencional

48

3.2.1 Cálculo do Consumo de Energia Ativa

49

3.2.2 Calculo do Excedente de Energia Reativa

49

3.2.3 Cálculo da Demanda Ativa

50

3.2.4 Cálculo do Excedente de Demanda Reativa

50

3.2.5 Cálculo da Tarifa de Ultrapassagem

51

3.3 Grupo Tarifário A

51

3.3.1 Tarifa Horo-sazonal Verde

52

3.3.1.1 Cálculo do Consumo de Energia Ativa

52

3.3.1.2 Cálculo do Excedente de Energia Reativa

53

3.3.1.3 Cálculo da Demanda Ativa

54

3.3.1.4 Cálculo do Excedente de Demanda Reativa

54

3.3.1.5 Cálculo da Tarifa de Ultrapassagem

55

3.3.2 Tarifa Horo-sazonal Azul

55

3.3.2.1 Cálculo do Consumo de Energia Ativa

55

3.3.2.2 Cálculo do Excedente de Energia Reativa

56

3.3.2.3 Cálculo da Demanda Ativa

57

3.3.2.4 Cálculo do Excedente de Demanda Reativa

57

13

 

3.4

Grupo Tarifário B

58

3.5

ICMS: Cobrança

59

4

CORREÇÃO DE REATIVOS

60

 

4.1

Definição de Fator de Potência

60

4.2

Causas e consequências de um baixo fator de potência

62

 

4.2.1 Causas de um baixo fator de potência

62

 

4.2.1.1 Motores de indução operando em vazio ou superdimensionado62

4.2.1.2 Transformadores operando em vazio ou com pequenas cargas .63

4.2.1.3 Lâmpadas de descarga

63

4.2.1.4 Tensão acima da nominal

63

 

4.2.2 Consequências de um baixo fator de potência

63

 

4.2.2.1 Perdas na instalação

63

4.2.2.2 Aumento da queda de tensão

64

4.2.2.3 Subutilização da capacidade instalada

64

4.2.2.4 Sobrecarga nos equipamentos de manobra, proteção e controle65

4.2.2.5 Aumento da seção nominal dos condutores

65

 

4.3

Vantagens da correção do fator de potência

66

 

4.3.1 Melhoria na tensão

67

4.3.2 Redução de perdas

67

 

4.4

Compensação de potência reativa

69

 

4.4.1 Banco de capacitores

69

4.4.2 Máquinas síncronas

70

4.4.3 Filtros Ativos

70

PROJETO DE COMPENSAÇÃO DE REATIVOS USANDO BANCO DE CAPACITORES

5

72

 

5.1 Determinação do fator de potência da instalação

72

5.2 Bancos de capacitores fixos e com vários estágios de correção

72

 

5.2.1

Tipo clássico de banco fixo

72

14

 

5.3

Determinação do sistema de compensação de reativos

74

 

5.3.1

Cálculo da potência do banco em presença de harmônicas

74

 

5.4

Instalação e manutenção do banco de capacitores

77

 

5.4.1 Principais parâmetros dos capacitores

78

 

5.4.1.1 Limites de tensão

78

5.4.1.2 Máxima corrente permitida

78

5.4.1.3 Perdas dielétricas

79

5.4.1.4 Máxima corrente de surto

79

5.4.1.5 Utilização de capacitores com tensão nominal reforçada

79

 

5.4.2 Instalação de capacitores

80

 

5.4.2.1 Queima do indutor pré-carga do contator especial

81

5.4.2.2 Queima de fusível

81

5.4.2.3 Expansão da unidade capacitiva

81

5.4.2.4 Corrente especificada abaixo da nominal

81

5.4.2.5 Aquecimento nos terminais da unidade capacitiva (vazamento

da resina pelos terminais)

82

5.4.2.6 Tensão acima da nominal

82

5.4.2.7 Corrente acima da nominal

82

 

5.4.3 Manutenção de capacitores

82

 

5.4.3.1 Manutenção preventiva

83

5.4.3.2 Aspectos de segurança antes da realização de intervenções

83

6

ESTUDO DE CASO NO PRÉDIO SEDE DA JFES

86

 

6.1

INTRODUÇAO

86

6.2

Descrição da instalação elétrica a ser estudada

86

6.3

O analisador de energia Embrasul RE6000

89

6.4

Análise dos parâmetros da QEE medidos

91

 

6.4.1

Análise da distorção harmônica

91

6.4.1.1 Definição do ponto de acoplamento comum de acordo com o

15

 

6.4.1.2 Distorção de corrente no PAC

92

6.4.1.3 Distorção de tensão no PAC

98

 

6.4.2 Desequilíbrio de tensão

101

6.4.3 Medidas de desvio na Frequência

103

6.4.4 Tensão em regime permanente

105

6.5 Análise tarifária das faturas de energia

108

 

6.5.1

Otimização do contrato de demanda

109

6.6 Análise do fator de potência da instalação

110

 

6.6.1 Projeto da compensação de reativos ótima

114

6.6.2 Viabilidade econômica da instalação do banco

118

7

CONCLUSÃO

119

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

122

16

RESUMO Este trabalho tem como objetivo, a partir de medições realizadas com um analisador de energia e dados obtidos da memória de massa do medidor eletrônico de energia, dar sua contribuição ao estudo da Qualidade da Energia Elétrica (QEE), além de realizar uma análise tarifária e desenvolver uma futura compensação de reativos nas instalações da nova sede da Justiça Federal do Espírito Santo. Elaborou-se um trabalho de campo a fim de possibilitar a medição durante uma semana em cada ponto dos níveis de QEE com a ajuda do analisador RE6000 da Embrasul. São introduzidos os conceitos básicos pertinentes aos diferentes fenômenos que afetam a qualidade da energia bem como a normatização presente atualmente em relação a tais fenômenos. Também é feito um panorama atual da tarifação da energia elétrica no cenário brasileiro contemporâneo levando em conta as normas vigentes. Uma abordagem teórica do fator de potência é feita e junto com ela também são abordadas as diferentes formas de se corrigir o fator de potência, como é feito o projeto da correção de reativos e quais são as precauções a serem tomadas quanto a instalação e manutenção de um banco de capacitores. A partir do estudo e das medições realizadas, a qualidade da energia elétrica da instalação encontrada é analisada de forma geral e, como forma de melhorar um dos aspectos da qualidade, é proposta uma melhoria no fator de potência da instalação através da compensação de reativos feita por um banco de capacitores.

17

1

INTRODUÇÃO

1.1 Motivação A Qualidade da Energia Elétrica (QEE) entregue pelas empresas distribuidoras aos consumidores sempre foi objeto de interesse. Porém, até há algum tempo atrás, a qualidade tinha a ver, sobretudo, com a continuidade dos serviços, ou seja, a principal preocupação era que não houvesse interrupções de energia, e que a tensão e frequência fossem mantidas dentro de determinados limites considerados aceitáveis. Durante muito tempo, a grande maioria das cargas elétricas ligadas às redes de energia elétrica consistiam em cargas lineares. Por essa razão, e uma vez que as tensões da alimentação são senoidais as correntes consumidas eram também senoidais e de mesma frequência, podendo apenas encontrar-se defasadas relativamente à tensão. Com o desenvolvimento da eletrônica de potência, os equipamentos ligados aos sistemas elétricos evoluíram melhorando em rendimento, controlabilidade e custo, permitindo ainda a execução de tarefas não possíveis anteriormente. Contudo, esses equipamentos têm a desvantagem de não funcionarem como cargas lineares, consumindo correntes não senoidais, e dessa forma “poluindo” a rede elétrica com harmônicos [1]. O Gráfico 1.1 ilustra o crescimento do número de cargas eletrônicas frente à carga total instalada ao longo das décadas presentes no sistema das concessionárias distribuidoras de energia dos Estados Unidos.

das concessionárias distribuidoras de energia dos Estados Unidos. Gráfico 1.1 - Crescimento de cargas eletrônicas [2].

Gráfico 1.1 - Crescimento de cargas eletrônicas [2].

18

Além dos harmônicos de tensão e corrente existem outros problemas relacionados à QEE que afetam diretamente os consumidores finais, entre eles:

variações de frequência, desequilíbrio de tensão e corrente, fator de potência indutivo ou capacitivo e os transitórios e afundamentos de tensão, sendo que estes últimos têm se colocado em posição de destaque causando a maior quantidade de interrupções parciais e totais de processos industriais. Os prejuízos econômicos resultantes destes e de outros problemas dos sistemas elétricos são muito elevados, e por isso a questão da QEE entregue aos consumidores finais é hoje, mais do que nunca, objeto de grande preocupação. Normas e recomendações internacionais relativas ao consumo de energia elétrica tais como IEEE 519 [3] e o Módulo 8 do Prodist (Procedimentos de distribuição) da ANEEL [4], limitam o nível de distorção harmônica nas tensões com os quais os sistemas elétricos podem operar, e impõem que os novos equipamentos não introduzam harmônicos de corrente de amplitude superior a determinados valores na rede.

Ao mesmo tempo em que aumenta a preocupação com a QEE, também vem aumentando a necessidade de grandes empresas e indústrias adequarem suas faturas de energia no que diz respeito ao consumo de energia elétrica mensal e de demanda contratada quanto às modalidades tarifárias praticadas pelas concessionárias de energia, levando assim ao menor faturamento possível e na redução dos gastos com energia elétrica. É importante destacar que, muitas vezes, o contrato de demanda está desatualizado e o consumidor arca com custos desnecessários de demanda não utilizada ou com multas por ultrapassagem da demanda contratada. Este fato verifica- se, principalmente, pela inexistência de uma consciência por parte dos consumidores de energia elétrica, a respeito dos benefícios provenientes da correta utilização da própria legislação.

19

1.2 Objetivo

O objetivo deste trabalho é realizar uma análise preliminar da QEE presente na

instalação elétrica da nova sede da Justiça Federal do Espírito Santo, bem como um levantamento da memória de massa do medidor de energia presente na instalação para obter dados de potência e fator de potência. Os dados obtidos por levantamento de campo e medições disponíveis servirão de base para a realização de um panorama acerca da situação da Qualidade da Energia Elétrica e também para estudar possíveis propostas de melhoria do fator de potência e o ajuste do contrato de fornecimento de energia. O desenvolvimento deste trabalho não tem pretensão de abordar todas as ramificações desse assunto ou elaborar um diagnóstico definitivo e completo da QEE

da instalação, mas servir de ponto de partida para futuras melhorias e novos estudos que venham para somar no que diz respeito às condições energéticas da nova sede.

A partir da realização deste trabalho, tem-se como outro objetivo um amplo

levantamento bibliográfico dos temas abordados, deixando este texto como referência de pesquisa para futuros trabalhos de graduação e outros tipos de dissertação no que tange a assuntos como Qualidade de Energia, Correção do Fator de Potência e Análise Tarifária.

1.3 Organização do Texto Após este capítulo introdutório, este trabalho será divido em sete capítulos. Os

parágrafos a seguir apresentam as principais ideias de cada um destes.

No capítulo 2 são apresentados os principais índices de Qualidade da Energia

Elétrica, em conjunto com as principais normas que limitam alguns destes parâmetros.

O capítulo 3 expõe as modalidades tarifárias e de tarifação praticadas

atualmente pelas concessionárias de energia assim como explica brevemente como é feito o cálculo das tarifas que serão aplicadas aos consumidores. No Capítulo 4 é abordado um pouco da teoria relacionada à correção de reativos, levando em conta as causas e as vantagens de se corrigir o fator de potência de uma instalação.

20

No Capítulo 5 é apresentada a forma mais usual de correção de reativos, por meio da instalação de bancos de capacitores, em conjunto com a metodologia de projeto da compensação. Por fim, o Capítulo 6 discute a instalação a ser estudada e faz uma discussão acerca dos dados levantados, enquanto o Capítulo 7 apresenta as conclusões do trabalho.

21

2 ANÁLISE DA QUALIDADE DA ENERGIA ELÉTRICA

O conceito de Qualidade da Energia Elétrica está relacionado a um conjunto de alterações que podem ocorrer no sistema elétrico, sendo que tais alterações podem ocorrer em várias partes do sistema de energia. Estas alterações podem ter origem na energia elétrica entregue pela concessionária de energia, ou na rede interna de distribuição (incluindo equipamentos ali instalados) do próprio consumidor [5]. Tendo em vista as possíveis origens dos distúrbios da energia elétrica, a QEE pode ter diferentes definições, dependendo do foco em que este conceito está sendo observado. Podemos dividir essas definições em duas basicamente:

Ponto de vista das concessionárias:

“Qualidade de Energia é o grau de proximidade que a tensão fornecida pela concessionária, tem com o caso ideal, em termos de forma de onda, amplitude, frequência, distorção zero, confiabilidade, estabilidade e fontes livres de distúrbios” [6]. Ponto de vista dos consumidores:

“Qualquer problema de energia manifestada em desvio de tensão, corrente ou frequência e que resulte em falha ou mau funcionamento de equipamento é considerado um problema de Qualidade de Energia” [7].

2.1 Definições dos Parâmetros de Qualidade de Energia Elétrica Os acadêmicos e especialistas classificam os itens de qualidade ("distúrbios") conforme segue:

Transitórios, dos tipos impulsivos ou oscilatórios;

Variações de tensão de curta duração, que podem ser instantâneas, momentâneas, ou temporárias como por exempo o sags (afundamento de tensão) e o swell (elevação de tensão);

Variações de tensão de longa duração, que podem ser de três tipos:

interrupções, subtensões ou sobretensões sustentadas;

22

Desequilíbrios de tensão, causados por má distribuição de cargas monofásicas, e que fazem surgir no circuito tensões de sequência negativa;

Distorções da forma de onda, que podem ser classificadas em cinco tipos: nível cc, harmônicos, interharmônicos, "notching", e ruídos;

Oscilações da tensão em regime permanente, que são variações sistemáticas dos valores eficazes da tensão de suprimento (dentro da faixa compreendida entre 0,95 e 1,05 pu), e que podem ser aleatórias, repetitivas ou esporádicas;

Variações da frequência do sistema, que são definidas como sendo desvios no valor da frequência fundamental (50 ou 60hz).

A Figura 2.1 mostra as formas de onda típicas dos itens mais comuns que

afetam a QEE:

de onda típicas dos itens mais comuns que afetam a QEE: Figura 2.1 - Formas de

Figura 2.1 - Formas de onda típicas dos parâmetros de qualidade de energia [5].

2.1.1 Transitórios

O termo transitório é muito usado na análise de variações no sistema elétrico.

Denota um evento que ocorre em um período de tempo, sendo indesejável e de natureza momentânea, refletindo na forma de onda da tensão ou corrente. Os transitórios podem ser classificados em duas categorias: impulso (no domínio do tempo) e oscilação (no domínio da frequência).

23

2.1.1.1 Transitório Impulsivo

Um transitório impulsivo é uma súbita mudança nas condições em regime permanente de tensão e/ou corrente, caracterizado por um pulso estreito com amplitude variando entre 50 V a 6 kV, conforme exemplo mostrado na Figura 2.2. A maior causa de impulsos transitórios são descargas elétricas provocadas por raios nos sistemas elétricos, porém comutações de cargas de grande potência, arcos elétricos produzidos por equipamentos de solda, também podem provocar impulsos

transitórios [7]. Os impulsos transitórios podem excitar a frequência natural dos circuitos do sistema de potência de modo a produzir oscilações transitórias indesejáveis.

de modo a produzir oscilações transitórias indesejáveis. Figura 2.2 - Impulso transitório de tensão em p.u

Figura 2.2 - Impulso transitório de tensão em p.u [6].

2.1.1.2 Transitório Oscilatório

Uma oscilação transitória é uma súbita mudança nas condições em regime permanente de tensão e/ou corrente. É caracterizada pelo seu conteúdo espectral, duração e magnitude, podendo ser classificado em transiente oscilatório de alta, média ou baixa frequência. Um exemplo de oscilação transitória é a energização de banco de capacitores em subestações e sistemas de distribuições [7]. Transitórios envolvendo capacitores ligados em série com o sistema também podem ser incluídos nesta categoria.

24

Basicamente um transitório em um sistema trifásico com condutor neutro pode ser: (i) de modo comum (entre condutor de neutro e terra) (ii) ou modo normal (entre condutor de linha e neutro). A Figura 2.3 ilustra um transitório proveniente do chaveamento de um banco de capacitores.

proveniente do chaveamento de um banco de capacitores. Figura 2.3 - Transitório proveniente do chaveamento de

Figura 2.3 - Transitório proveniente do chaveamento de um banco de capacitores [8].

2.1.2 Variações de Tensão de Longa Duração Dos problemas relacionados às variações na tensão, citamos os efeitos de longa duração por um período superior a 1min, que podem ser caracterizados como desvios que ocorrem no valor eficaz da tensão, na frequência do sistema. Estas variações podem estar associadas à sobre ou subtensão e faltas sustentadas. No caso de sobre ou subtensão, geralmente, não resultam de falhas do sistema, mas são causadas por variações na carga e ou operações de chaveamento sobre o mesmo. Tais variações são tipicamente apresentadas e analisadas como gráficos do sinal de tensão (rms root mean square) versus o tempo.

25

2.1.2.1 Sobretensão

Sobretensão é um incremento no valor rms de tensão CA maior que 10% com uma duração maior que 1 minuto [7]. Sobretensões são usualmente resultados de chaveamentos de cargas, desligamentos de grandes cargas, ou energização de bancos capacitivos. A sobretensão pode ser causada por inadequada regulação ou controle da tensão, ou ainda incorreta seleção de tapes em transformadores, que podem resultar em sistemas com sobretensões. Geralmente, são instalados nas indústrias bancos de capacitores, normalmente fixos, para correção do fator de potência ou mesmo para elevação da tensão nos circuitos internos da instalação. Nos horários de ponta, quando há grandes solicitações de carga, o reativo fornecido por estes bancos é desejável. Entretanto, no horário fora de ponta, principalmente no período noturno, tem-se um excesso de reativo injetado no sistema, o qual se manifesta por uma elevação da tensão [8]. Dentre algumas opções para a solução de tais problemas, destaca-se a troca de bancos de capacitores fixos por bancos automáticos, tanto em sistemas das concessionárias como em sistemas industriais e até instalações prediais de grande porte de carga, possibilitando um maior controle do nível da tensão e a instalação de compensadores estáticos de reativos.

2.1.2.2 Subtensões

Subtensão é uma diminuição no valor rms da tensão CA menor que 10 % com uma duração maior que 1 minuto [7]. As subtensões são decorrentes, principalmente, do carregamento excessivo de circuitos alimentadores, os quais são submetidos a determinados níveis de corrente que, interagindo com a impedância da rede, dão origem a quedas de tensão acentuadas. Outros fatores que contribuem para as subtensões são: a conexão de cargas à rede elétrica, o desligamento de bancos de capacitores e, consequentemente, o excesso de reativo transportado pelos circuitos de distribuição, o que limita a capacidade do

26

sistema no fornecimento de potência ativa e ao mesmo tempo eleva a queda de tensão

[8].

2.1.2.3 Interrupções Sustentadas Quando o fornecimento de tensão permanece em zero por um período de tempo que excede 1min, a variação de tensão de longa duração é considerada como uma interrupção sustentada [8]. As interrupções maiores do que 1 minuto são geralmente permanentes e requerem intervenção humana para reparar e retornar o sistema à operação normal no fornecimento de energia. Indicador equivalente existente no PRODIST [4] estabelece a interrupção de fornecimento como a interrupção com duração maior ou igual a 3 (três) minutos. As interrupções sustentadas podem ocorrer de forma inesperada ou de forma planejada. A maioria delas ocorre inesperadamente e as principais causas são falhas nos disjuntores, queima de fusíveis; falha de componentes de circuito alimentador, etc. Já as interrupções planejadas são feitas geralmente para executar manutenção na rede, ou seja, serviços como troca de cabos e postes, mudança do tap do transformador, alteração dos ajustes de equipamentos de proteção, etc.

2.1.3 Variações de Tensão de Curta Duração Estas variações podem ser designadas como instantâneas (afundamentos e elevações de 0,5 a 30 ciclos), momentâneas (interrupções de 0,5 a 3s e afundamentos/elevações de 30 ciclos a 3s), ou temporárias (interrupções e afundamentos/elevações de 3s a 1min) [8]. Variações de tensão de curta duração são causadas por condições de faltas, energização de grandes cargas que requerem altas correntes de partida, ou a perda intermitente de conexões nos cabos do sistema [7]. Dependendo da localização da falta e das condições do sistema, a falta pode causar um decréscimo da tensão (afundamento) ou um aumento da tensão (elevação), ou ainda, a completa perda da tensão (interrupção). A condição de falta pode estar próxima ou longe do ponto de interesse. Em ambos os casos, o impacto da tensão durante a

27

condição de falta, é uma variação de curta duração até que os dispositivos de proteção operem para limpar a falta.

2.1.3.1 Interrupções de Curta Duração Segundo a IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers) [9], a interrupção de tensão é definida como um decréscimo da tensão de suprimento para valores abaixo de 0,1 pu, durante um período que não excede 1 minuto. O IEEE classifica a interrupção de tensão de acordo com a duração do distúrbio em três grupos:

Instantâneos compreendidos entre 0,5 ciclo e 30 ciclos;

Momentâneos compreendidos entre 30 ciclos e 3 segundos;

Temporários compreendidos entre 3 segundos e 1 minuto.

Já ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) [4], define interrupção quando o fornecimento de tensão a carga decresce para um valor inferior a 0,1 p.u. Se

o período desta interrupção for inferior ou igual a 3 segundos este fenômeno é classificado como interrupção momentânea de tensão e, se a duração do acontecimento for superior a 3 segundos e inferior ou igual a 1 minuto, a ANEEL classifica como interrupção temporária de tensão. As interrupções podem ser resultantes de faltas no sistema de energia, falhas nos equipamentos e mau funcionamento de sistemas de controle. As interrupções são medidas pela sua duração desde que a magnitude da tensão é sempre menor do que 10% da nominal. A duração de uma interrupção, devido a uma falta sobre o sistema da concessionária, é determinada pelo tempo de operação dos dispositivos de proteção empregados. A duração de uma interrupção devido ao mau funcionamento de equipamentos é irregular. A Figura 2.4 mostra uma interrupção momentânea devido a um curto-circuito, sendo precedida por um afundamento.

28

28 Figura 2.4 - Interrupção momentânea devido a um curto-circuito e subseqüente religamento [8]. 2.1.3.2 Afundamento

Figura 2.4 - Interrupção momentânea devido a um curto-circuito e subseqüente religamento [8].

2.1.3.2 Afundamento de Tensão (Sag) O IEEE, através da norma IEEE 1159 [9] que trata da monitoração dos fenômenos de Qualidade de Energia Elétrica, define o distúrbio - afundamento de tensão como uma redução no valor RMS (Root Mean Square) da tensão dentro da faixa de 0,1 e 0,9 p.u., durante um período de tempo compreendido entre 0,5 ciclo e 60 segundos. Adicionalmente, o IEEE classifica os afundamentos de tensão, segundo a sua duração, em três categorias:

Instantâneos compreendidos entre 0,5 ciclo e 30 ciclos;

Momentâneos compreendidos entre 30 ciclos e 3 segundos;

Temporários compreendidos entre 3 segundos e 1 minuto.

Segundo o IEEE, a intensidade de um afundamento de tensão é definida pela menor tensão remanescente durante a ocorrência do distúrbio, ou seja, a ocorrência de

um afundamento de tensão de 0,8 p.u. significa que a tensão foi reduzida para o

Um evento, cuja intensidade é inferior a 0,10 p.u., é considerado

pelo IEEE como sendo uma interrupção.

patamar de 0,80 p.u

Para a ANEEL, conforme o módulo 8 do PRODIST [4], afundamentos na tensão são definidos como sendo a queda da amplitude da tensão (valor eficaz) em

relação à tensão de referência inferior a 0,9 p.u. e superior a 0,1 p.u

classifica os afundamentos de tensão, segundo a sua duração, em duas categorias:

A ANEEL

29

segundos;

Temporários - superior a 3 segundos e inferior ou igual a 1 minuto.

A Figura 2.5 mostra um afundamento de tensão na forma de onda na ordem de

0,8 p.u.

afundamento de tensão na forma de onda na ordem de 0,8 p.u. Figura 2.5 - Afundamento

Figura 2.5 - Afundamento de tensão na ordem de 0,8 p.u. [6].

2.1.3.3 Elevação de Tensão (Swell) Segundo a IEEE -1159 [9], as sobretensões momentâneas são definidas como um aumento entre 1,1 a 1,8 pu da tensão eficaz nominal para durações de 0,5 ciclos à 1 minuto. Tal como nas interrupções de tensão e nos afundamentos de tensão, a IEEE, classifica este distúrbio como sendo:

Instantâneos compreendidos entre 0,5 ciclo e 30 ciclos;

Momentâneos compreendidos entre 30 ciclos e 3 segundos;

Temporários compreendidos entre 3 segundos e 1 minuto.

Elevações de tensão são, geralmente, associados a curtos-circuitos fase-terra em sistemas isolados ou aterrados por alto valor, resultando um aumento de tensão nas fases.

A ANEEL [4] caracteriza as elevações de tensão como aumento da tensão eficaz do sistema superior a 1,1 p.u. e, semelhantemente aos afundamentos de tensão, a ANEEL classifica as elevações de tensão, de acordo a sua duração, em duas categorias:

30

Momentâneos superior ou igual a 1ciclo e inferior ou igual a 3 segundos;

Temporários - superior a 3 segundos e inferior ou igual a 1 minuto.

A Figura 2.6 mostra uma elevação na forma de onda da tensão na ordem de

1,2 p.u.

elevação na forma de onda da tensão na ordem de 1,2 p.u. Figura 2.6 - Aumento

Figura 2.6 - Aumento de tensão na ordem de 1,2 p.u. [6].

2.1.4 Faixas de classificação de tensões em regime permanente Em relação á conformidade dos níveis de tensão do sistema, devemos analisar com base nas Tabelas 2.1 e 2.2, presentes no anexo do Módulo 8 do PRODIST.

Tabela 2.1 - Faixas de variação da tensão para tensão nominal inferior a 1 kV (220/127) [4].

tensão para tensão nominal inferior a 1 kV (220/127) [4]. Tabela 2.2 - Faixas de variação

Tabela 2.2 - Faixas de variação da tensão para tensão nominal inferior a 1 kV (380/220) [4].

tensão para tensão nominal inferior a 1 kV (380/220) [4]. De acordo com o Módulo 8

De acordo com o Módulo 8 do PRODIST [4], são estabelecidos os limites adequados, precários e críticos para os níveis de tensão em regime permanente, os indicadores individuais e coletivos de conformidade de tensão elétrica, os critérios de

31

medição e registro, os prazos para regularização e de compensação ao consumidor, caso as medições de tensão excedam os limites dos indicadores. O termo “conformidade de tensão elétrica” refere-se à comparação do valor de tensão obtido por medição apropriada, no ponto de conexão, em relação aos níveis de tensão especificados como adequados, precários e críticos. A tensão em regime permanente deve ser avaliada por meio de um conjunto de leituras obtidas por medição apropriada, de acordo com a metodologia descrita para os indicadores individuais e coletivos.

2.1.5 Desequilíbrio de Tensão

O conceito desequilíbrio de tensão em um sistema elétrico é uma condição na

qual as três fases apresentam diferentes valores de tensão em módulo ou defasagem

angular

entre

fases

diferente

de

120°

elétricos

ou,

ainda,

as

duas

condições

simultaneamente [10]. As origens destes desequilíbrios estão geralmente nos sistemas de distribuição, os quais possuem cargas monofásicas distribuídas inadequadamente, fazendo surgir no circuito tensões de sequência negativa. Este problema se agrava quando consumidores alimentados de forma trifásica possuem uma má distribuição de carga em seus

circuitos internos, impondo correntes desequilibradas no circuito da concessionária. Tensões desequilibradas também pode ser o resultado da queima de fusíveis em uma fase de um banco de capacitores trifásicos.

O desequilíbrio de tensão pode ser definido, como o máximo desvio da média

de tensões trifásicas, divididos pela média das tensões ou correntes das três fases, expressadas em percentual, conforme Equação 2.1.

%

(2.1)

Onde:

Desb% - desequilíbrio percentual de tensão; tensão eficaz com maior desvio em relação à média das tensões;

média das tensões eficazes.

32

O desequilíbrio de tensão pode também ser definido usando a teoria de componentes simétricas, onde a taxa entre a componente de sequência negativa em relação à componente da sequência positiva pode ser especificada como percentual de desbalanceamento, conforme a Equação 2.2.

Onde:

(2.2)

K fator de desequilíbrio de tensão;

- módulo da tensão de sequência negativa;

- módulo da tensão de sequência positiva.

Outra definição para desequilíbrio, elaborada para quantificar os efeitos do desequilíbrio na operação de motores de indução trifásicos, está na norma NEMA MG1 - 14.34 (National Electrical Manufacturers Association) que define o fator de desequilíbrio conforme Equação 2.3, que é a relação entre o máximo desvio da tensão média, tomando-se como referência as tensões de linha.

Onde:

(2.3)

- máximo desvio das tensões em relação ao valor médio em volts; - média aritmética dos módulos das tensões trifásicas em volts. O limite estabelecido pelas normas NEMA MG1 14-34, IEC 1000-2-2 e pelo Módulo 8 do PRODIST é de 2% de desequilíbrio de tensão.

2.1.6 Distorção da Forma de Onda De acordo com a norma IEEE 1159 [9] uma distorção na forma de onda é definido como um desvio da forma de onda puramente senoidal na frequência fundamental, que é caracterizado principalmente pelo seu conteúdo espectral. Existem cinco tipos de distorção na forma de onda, que serão abordados separadamente:

Nível CC

33

Harmônicos

Inter-harmônicas

Entalhe ou corte (Notch)

Ruído

2.1.6.1 Nível CC

A presença de tensão ou corrente CC em um sistema de potência CA é chamada de nível CC ou “offset CC”. Este pode ocorrer como resultado de um distúrbio ou devido ao efeito da retificação produzida por um conversor de meia ponte. Correntes CC em redes de corrente alternada podem provocar saturação de transformadores ligados à rede elétrica, causando aquecimento e perdas adicionais com diminuição da vida útil do transformador [8].

2.1.6.2 Harmônicos

Harmônicos são componentes senoidais de tensões ou correntes com frequências inteiras e múltiplas da frequência fundamental do sistema de suprimento de energia elétrica. Por exemplo, se a frequência fundamental é de 60 Hz, o segundo harmônico é de 120 Hz, o terceiro harmônico é de 180 Hz e assim por diante [6]. Formas de onda periódicas, incluindo as senoidais que contenham a frequência fundamental e, com ou sem seus múltiplos harmônicos podem ser decompostas em uma série de Fourier. A série de Fourier é uma ferramenta matemática que permite que qualquer função periódica possa ser representada como a soma de componentes CC e

uma soma de funções senoidais, desde que satisfaça as condições suficientes. Em regime permanente as formas de onda periódica no domínio do tempo podem ser expressas por um somatório infinito dado por:

(2.5)

(2.6)

(2.4)

34

A representação de uma forma de onda de tensão ou corrente distorcida desde

que, se apresente nas condições acima citadas, pode ser também representada no domínio da frequência, considerando a componente CC igual a zero. E desta representação resultam expressões conforme as mostradas nas Equações 2.7 e 2.8.

(2.7)

(2.8)

O termo h varia de 1 até o infinito. Sendo que h=1 corresponde à componente

fundamental e os demais valores as componentes harmônicas de h ésima ordem. O subíndice p corresponde aos valores de pico das grandezas. Os ângulos θr e φr correspondem aos ângulos de fase das componentes fundamental e de h ésima ordem de tensão e corrente. Um exemplo que ilustra uma forma de onda de tensão distorcida, com a presença de componentes harmônicos é mostrado na Figura 2.7 e Equação 2.9, e seu espectro harmônico representado na Figura 2.8. Esta tensão é composta por uma componente fundamental e componentes harmônicos de 3ª e 5ª ordem, sendo a representação durante um período da componente fundamental, e dada em p.u., tomando como base a forma de onda fundamental como sendo 1 p.u

(2.9)

Onde:

. Como se pode observar pelas Figuras 2.7 e 2.8, as harmônicas são classificadas por sua ordem (número). Harmônicos são fenômenos contínuos, e não devem ser confundidos com fenômenos de curta duração, os quais duram apenas alguns ciclos. Distorção harmônica é um tipo específico de energia suja, que é normalmente associada com a crescente quantidade de acionamentos estáticos, fontes chaveadas e outros dispositivos eletrônicos nas plantas industriais.

35

35 Figura 2.7 - Forma de onda de tensão v(t) distorcida pela presença de harmônicos e

Figura 2.7 - Forma de onda de tensão v(t) distorcida pela presença de harmônicos e formas de ondas v1(t), v3(t) e v5(t), representando individualmente as componentes harmônicas 1ª, 3ªe 5ª respectivamente [6].

componentes harmônicas 1ª, 3ªe 5ª respectivamente [6]. Figura 2.8 - Espectro harmônico da forma de onda

Figura 2.8 - Espectro harmônico da forma de onda distorcida com a presença de harmônicos da Figura 2.7. A amplitude percentual utiliza a frequência fundamental como base [6].

Como observações, pode-se dizer que em sistemas trifásicos a três fios equilibrados, os harmônicos múltiplos de três são nulos. Em circuitos elétricos trifásicos geralmente, os harmônicos de ordem par desaparecem, quando a forma de onda é simétrica. Níveis de distorção harmônicos podem ser quantizados em magnitude e ângulo de fase para cada componente harmônico individual. Estes podem ser obtidos a partir do espectro harmônico da forma da onda. A mais usual medida da distorção

36

harmônica é a distorção harmônica total (THD), usada para quantificar a distorção harmônica. A THD pode ser tanto de tensão quanto de corrente, conforme mostrado pelas Equações 2.10 e 2.11, respectivamente.

Onde:

(2.10)

(2.11)

- taxa de distorção harmônica de tensão;

- taxa de distorção harmônica de corrente;

- valor eficaz da fundamental de tensão em V;

- valor eficaz da fundamental de corrente em A;

- valor eficaz da componente harmônica n de tensão em V;

- valor eficaz da componente harmônica n de corrente em A;

n ordem da harmônica. A norma IEEE Std. 519-1992 dispõe de um importante guia para quantificação dos níveis de distorção harmônica de tensão e corrente para sistemas de distribuição e transmissão de energia. De acordo com esta norma, os limites de distorção harmônica total e individual de tensão estipulados para diferentes níveis de tensão no ponto de acoplamento comum são ilustrados na Tabela 2.1. Já os limites de distorção de corrente são exibidos na Tabela 2.2, sendo função do nível de tensão e do nível de curto-circuito do PAC (ponto de acoplamento comum) do sistema com a concessionária. Obviamente, quanto maior a corrente de curto-circuito (Icc) em relação à corrente de carga, maiores são as distorções de corrente admissíveis, uma vez que elas distorcerão em menor intensidade a tensão no PAC. À medida que se eleva o nível de tensão, menores são os limites aceitáveis.

37

Tabela 2.3 - Limites de distorção de tensão segundo IEEE Std. 519-1992 [3].

de distorção de tensão segundo IEEE Std. 519-1992 [3]. Tabela 2.4 - Limites de distorção de

Tabela 2.4 - Limites de distorção de corrente para cargas não lineares segundo a IEEE std. 519-1992 [3].

para cargas não lineares segundo a IEEE std. 519-1992 [3]. O IEEE Standard 519-1992 [3] utiliza

O IEEE Standard 519-1992 [3] utiliza como medida para a distorção harmônica de corrente a distorção de demanda total (TDD), que se caracteriza, segundo a IEEE Standard 519-1992 [3], como um modo mais consistente de medição da distorção harmônica, pois leva em conta que a distorção é expressa em função do percentual da magnitude da corrente fundamental. A grandeza TDD (Total Demand Distortion) é definida como a distorção harmônica da corrente, em % da máxima demanda da corrente de carga de 15 ou 30 minutos. Isto significa que a medição da TDD deve ser feita no pico de consumo. Deve-se realizar o calculo do TDD em intervalos definidos de 15 ou 30 minutos sempre levando como referência no denominador da razão o maior valor de corrente de carga registrado nesse período, bem como os valores das componentes individuais para esse mesmo momento.

38

A ANEEL estipula no Módulo 8 do PRODIST [4], que é o módulo que diz respeito às regulamentações relacionadas à QEE nos procedimentos de distribuição, valores de distorção harmônica total (THD) para barramentos de baixa tensão até 230kV e também valores de distorção harmônica individual. Os valores estão descritos nas Tabelas 2.3 e 2.4 [4].

Tabela 2.5 - Valores de referência globais das distorções harmônicas totais (em porcentagem da tensão fundamental) de acordo com o Módulo 8 do PRODIST [4].

fundamental) de acordo com o Módulo 8 do PRODIST [4]. Tabela 2.6 - Níveis de referência

Tabela 2.6 - Níveis de referência para distorções harmônicas individuais de tensão (em percentagem da tensão fundamental) de acordo com o Módulo 8 do PRODIST [4].

harmônicas individuais de tensão (em percentagem da tensão fundamental) de acordo com o Módulo 8 do

39

Pode-se dizer que as distorções harmônicas originam-se, principalmente, de características não-lineares de dispositivos e cargas presentes no sistema elétrico. Assim, é de grande importância citar aqui os vários tipos de cargas elétricas com características não-lineares, denominadas de “Cargas Elétricas Especiais”, que têm sido implantadas em grande quantidade no sistema elétrico brasileiro. Estas, de um modo geral, podem ser classificadas em três grupos básicos, a saber [8]:

a) Cargas de conexão direta ao sistema:

o

motores de corrente alternada;

o

transformadores alimentadores;

o

circuitos de iluminação com lâmpadas de descarga (como as multivapor metálico: mercúrio e sódio);

o

fornos a arco, etc.

b) Cargas conectadas através de conversores:

o

motores de corrente contínua controlados por retificadores;

o

motores de indução controlados por inversores com comutação forçada;

o

motores síncronos controlados por cicloconversores (conversão estática direta CA/CA em uma dada frequência para outra frequência inferior);

o

fornos de indução de alta frequência, etc.

c) Reguladores:

o

fornos de indução controlados por reatores saturados;

o

cargas de aquecimento controladas por tiristores;

o

velocidade dos motores CA controlados por tensão de estator;

o

reguladores de tensão a núcleo saturado;

o

computadores;

o

eletrodomésticos com fontes chaveadas, etc.

Como já foi dito, as distorções harmônicas causadas pela operação de tais equipamentos e dispositivos, causam alguns efeitos indesejáveis ao sistema elétrico.

40

Alguns dos principais problemas que a presença de harmônicos pode causar nos sistemas elétricos e equipamentos são:

Distorção nas formas de onda de tensão e/ou corrente;

Ressonância com capacitores usados para correção do fator potência, provocando incremento de temperatura, diminuição da vida útil, e possível operação inadequada dos dispositivos de proteção;

Sobreaquecimento e sobrecarga em transformadores;

Erros em equipamentos utilizados para medição de energia elétrica;

2.1.6.3 Inter-Harmônicos

São formas de onda de tensões e correntes que apresentam componentes de frequência que não são múltiplos inteiros da frequência fundamental, com a qual o sistema é suprido e projetado a operar (50 ou 60 Hz) [8]. Estas inter-harmônicas podem aparecer como frequências discretas ou como uma larga faixa espectral. Podem ser encontradas em redes de diferentes classes de tensões. As principais fontes são os conversores de frequência estáticos, cicloconversores, motores de indução e equipamentos a arco. Sinais “carrier” em linhas de potência também podem ser considerados como inter-harmônicos. Os efeitos deste fenômeno não são bem conhecidos, mas admite-se que os mesmos podem afetar a transmissão de sinais carrier (portadores) e induzir flicker (oscilação) visual no display de equipamentos como tubos de raios catódicos.

2.1.6.4 Entalhe ou Corte (Notch)

Notching é um distúrbio periódico de tensão causado pela má operação dos dispositivos eletrônicos quando a corrente é comutada de uma fase para outra. Durante este período há um momentâneo curto-circuito entre duas fases levando a tensão próxima a zero tanto quanto é permitido pelas impedâncias do sistema [8]. Desde que ocorre continuamente, pode ser caracterizado pelo espectro harmônico da tensão afetada. As componentes de frequência associadas ao fenômeno

41

notching podem ser altos e não podem ser prontamente caracterizados pelos equipamentos de medidas normalmente usados para análise de harmônicos. A Figura 2.9 mostra a forma com que o notching se manifesta.

Figura 2.9 mostra a forma com que o notching se manifesta. Figura 2.9 - “Entalhes” na

Figura 2.9 - “Entalhes” na corrente produzida por um conversor trifásico presente no sistema elétrico grandezas em p.u. [6].

2.1.6.5 Ruído Com respeito aos ruídos, estes podem ser definidos como sinais elétricos não desejáveis com um conteúdo do espectro abaixo de 200 kHz, superposto à tensão e corrente do sistema de energia nos condutores de fase ou obtidos sobre os condutores neutros, ou ainda, nos sinais da linha [8]. Pode ser causado em sistemas de energia por equipamentos eletrônicos, circuitos de controle, equipamentos a arco, cargas com retificadores de estado sólido e fontes chaveadas e, via de regra, estão relacionados com aterramentos impróprios. O problema pode ser atenuado pelo uso de filtros, isolamento dos transformadores e condicionadores de linha. A Figura 2.10 mostra a forma com que o ruído se manifesta.

42

42 Figura 2.10 - Ruído elétrico presente na forma de onda de tensão em p.u. [6].

Figura 2.10 - Ruído elétrico presente na forma de onda de tensão em p.u. [6].

2.1.6.6 Flutuação de Tensão Flutuações na tensão são variações sistemáticas dos valores eficazes de tensão, ou uma série de mudanças aleatórias, cujas magnitudes normalmente não excedem faixas de valores pré-estabelecidos (faixa compreendida entre 0,95 e 1,05 p.u.) [8]. Cargas industriais que exibem variações contínuas e rápidas na magnitude da corrente de carga podem causar variações na tensão que são frequentemente referidas como flicker ou oscilação. Para ser tecnicamente correto, flutuação de tensão é um fenômeno eletromagnético enquanto flicker é o resultado indesejável da flutuação de tensão em algumas cargas. A Figura 2.11 mostra como as flutuações de tensão se manifestam na tensão do sistema. Tais flutuações são geralmente causadas por cargas industriais e manifestam- se de diferentes formas, a destacar:

Flutuações Aleatórias: A principal fonte destas flutuações são os fornos a arco, onde as amplitudes das oscilações dependem do estado de fusão do material, bem como do nível de curto-circuito da instalação.

Flutuações Repetitivas: Dentre as principais fontes geradoras de flutuações desta natureza tem-se:

o

Máquinas de solda;

o

Laminadores;

o

Elevadores de minas; e

43

o Ferrovias.

43 o Ferrovias. Figura 2.11 - Oscilações de tensão oriundas de um laminador [8].  Flutuações

Figura 2.11 - Oscilações de tensão oriundas de um laminador [8].

Flutuações Esporádicas: A principal fonte causadora destas oscilações é a partida direta de grandes motores. Os principais efeitos nos sistemas elétricos, resultados das oscilações causadas pelos equipamentos mencionados anteriormente são:

o

Oscilações de potência e torque das máquinas elétricas;

o

Queda de rendimento dos equipamentos elétricos;

o

Interferência nos sistemas de proteção; e

o

Efeito flicker ou cintilação luminosa.

Em relação aos efeitos em motores elétricos, o conjugado desenvolvido é diretamente proporcional ao valor RMS da tensão e, estando os motores submetidos a tensões flutuantes, estes passam a apresentar torques oscilantes no eixo. Entretanto, o fenômeno flicker consiste no efeito mais comum provocado pelas oscilações de tensão. Este tema merece especial atenção, uma vez que o desconforto visual associado a perceptibilidade do olho humano às variações da intensidade luminosa é, em toda sua extensão, indesejável. A intensidade do efeito flicker está associada aos seguintes fatores:

44

Amplitude das oscilações;

Frequência da moduladora;

Duração do distúrbio ou ciclo de operação da carga perturbadora.

2.1.7 Variações na Frequência

Variações na frequência de um sistema elétrico são definidas como o desvio no valor da frequência fundamental deste, de seus valores nominais especificados (50

ou 60 Hz) [8]. A frequência do sistema de potência está diretamente relacionada à velocidade de rotação dos geradores que suprem o sistema. Há estreitas variações na frequência com o balanço dinâmico entre cargas e mudanças na geração. A amplitude da variação e sua duração dependem das características da carga e da resposta do sistema de controle de geração às alterações na carga. Variações na frequência que ultrapassem dos limites para a operação em regime permanente podem ser causadas por faltas no sistema de transmissão, desconexão de um grande bloco de carga ou pela saída de operação de uma grande fonte de geração. Nos modernos sistemas interconectados de energia, variações significantes de frequência são raras. Variações consideráveis e frequentes podem mais comumente ocorrer para cargas que são supridas por geradores de sistemas isolados das concessionárias. Em sistemas isolados, como é o caso da geração própria nas indústrias, na eventualidade de um distúrbio, a magnitude e o tempo de permanência das máquinas operando fora da velocidade, resultam em desvios da frequência em proporções mais significativas.

2.1.8 Interferência Eletromagnética (EMI)

Quando algum dispositivo eletrônico funciona de maneira a produzir variações rápidas de tensão e/ou corrente, tal equipamento se torna uma fonte de interferência

45

eletromagnética, podendo ocasionar o mau funcionamento de outros equipamentos eletrônicos que estejam conectados na mesma rede de alimentação.

A EMI é caracterizada por distúrbios repetitivos na banda de 10 kHz a 1 GHz,

com amplitude entre 100 µV a 100 V.

A EMI se propaga de duas maneiras: Conduzida ou Irradiada.

A interferência eletromagnética conduzida, como seu próprio nome indica, se

propaga através dos condutores. Esta modalidade de EMI é subdividida em duas, a

saber:

A EMI de modo comum (entre condutores de fase e o terra);

A EMI de modo diferencial (entre condutores de fase).

Os níveis de interferência eletromagnética irradiada surgem usualmente em consequência de equipamentos eletrônicos que apresentam comutação, tendo suas medições feitas em ambientes anecóicos, quer seja um campo aberto ou câmara especial. Este tipo de EMI é minimizado através do uso de gabinetes metálicos que

devem envolver todo o equipamento constituindo-se assim numa blindagem.

46

3 ANÁLISE TARIFÁRIA

O sistema tarifário brasileiro que foi apresentado pela Resolução nº 456 de 29

de novembro de 2000 [12] e recentemente atualizado pela Resolução nº 414 de 9 de setembro de 2010 [25] da ANEEL, determina que para cada tipo de consumidor, existe uma forma peculiar de se calcular e apresentar a fatura. A partir disso, é importante que o cliente compreenda o modelo tarifário e como são calculados os valores

apresentados nas contas de energia elétrica, para que de fato possa analisá-la e consequentemente tomar uma decisão viável.

3.1 Estrutura Tarifária Pode-se dividir os consumidores de energia elétrica de acordo com a finalidade da unidade consumidora, como residência, comércio, indústria, e por nível de tensão no qual é feito o atendimento, como alta tensão (acima de 69 kV), média tensão (de 1 kV até 69 kV), baixa tensão (abaixo de 1 kV) [11]. Dessa forma, a estrutura das tarifas de fornecimento de energia elétrica pode ser desenhada para abranger cada tipo unidade de consumidora classificada pelo nível de tensão de atendimento e pela sua finalidade. Para a maioria dos consumidores, os cativos, a distribuidora é responsável pelo fornecimento de energia elétrica como um todo, englobando o transporte e o produto (energia elétrica gerada). Porém, para determinados consumidores, os livres, que podem escolher o fornecedor do produto energia elétrica, a distribuidora local presta apenas o serviço de transporte. Assim, a tarifa de fornecimento de energia elétrica da distribuidora é segregada em duas: a tarifa de uso do sistema de distribuição (TUSD) e a tarifa de energia (TE).

A TUSD é paga tanto pelos consumidores cativos como pelos livres, pelo uso

do sistema de distribuição da empresa de distribuição à qual estão conectados. Enquanto que a TE é cobrada somente dos consumidores cativos, pois os livres

47

compram energia diretamente das comercializadoras de energia elétrica ou dos agentes

de geração.

É importante notar que um consumidor que opte pelo mercado livre continuará pagando a TUSD ao distribuidor local e deixará de pagar a tarifa de energia, a TE, tendo em vista a contratação do fornecimento de energia com outro fornecedor.

A TUSD compreende os custos do serviço de distribuição, encargos setoriais,

remuneração dos investimentos e suas depreciações. A TE compreende os custos de compra com energia elétrica que inclui também encargos setoriais associados. Para os consumidores cativos atendidos em média e alta tensão, as tarifas de fornecimento de energia elétrica são binômias, ou seja, cobradas pelo consumo de energia e pela máxima potência utilizada no período. Há três tipos possíveis de

tarifação para os consumidores: a tarifa convencional, tarifa horo-sazonal verde e a tarifa horo-sazonal azul.

A tarifa convencional possui apenas um preço para a energia e outro para a

potência. As tarifas horo-sazonais possuem quatro preços diferentes de energia que dependem do horário (na ponta ou fora de ponta do sistema) e do período do ano (úmido ou seco) de utilização.

A diferença entre as duas tarifas horo-sazonais é o preço da potência utilizada.

A tarifa horo-sazonal verde possui apenas um valor de tarifa enquanto que a tarifa

horo-sazonal azul tem dois preços, um para a ponta e outro para fora de ponta. Isto não significa, porém, que o custo do horário de ponta não é cobrado dos consumidores que optam pela tarifa verde. Neste caso, este custo está incorporado na tarifa de energia do

horário de ponta que, justamente por isso, é maior do que a tarifa de energia da tarifa azul.

Contudo, não são todos os consumidores que podem optar por essas três modalidades tarifárias. Somente os consumidores conectados em média tensão (tensões inferiores a 69 kV) e com demanda contratada inferior a 300 kW podem escolher a melhor dentre as três. Aqueles atendidos em média tensão e com demanda contratada igual ou superior a 300 kW podem optar por uma das duas tarifas horo-

48

sazonais, enquanto os demais, obrigatoriamente, devem contratar a tarifa azul, como pode ser visto na Tabela 3.1.

Tabela 3.1 - Opções de contratação para consumidores de média e alta tensão [11].

para consumidores de média e alta tensão [11]. Para os consumidores atendidos em baixa tensão, a

Para os consumidores atendidos em baixa tensão, a tarifa é cobrada somente em função do consumo de energia elétrica do período, não existindo o preço para a potência. Isto não significa, porém, que os custos de uso do sistema de distribuição não contribuem para o seu cálculo, pois a metodologia sempre os utiliza nos diversos períodos de uso da rede, independentemente do nível de tensão de conexão. Na prática o que dificulta a implantação da tarifa de binômia para os consumidores conectados em baixa tensão é o custo da medição.

A divisão por níveis de tensão e por demanda contratada é feita em 3 grupos

distintos e seus subgrupos assim denominados: Grupo A (A1, A2, A3, A3a, A4 e AS), Grupo B (B1, B2, B3 e B4) e Convencional.

3.2 Tarifa Convencional

A tarifa convencional é caracterizada pela aplicação de preços diferenciados

para o consumo de energia e para a demanda de potência, ou seja, um preço para o

consumo de energia e outro preço para a demanda, independentemente das horas de utilização dos dias e de períodos do ano.

49

3.2.1 Cálculo do Consumo de Energia Ativa

À parte da fatura referente ao consumo de energia ativa pode ser obtida multiplicando-se a quantidade de energia elétrica ativa faturada no mês (Consumo de energia elétrica ativa) pela tarifa de consumo, através da Equação 3.1:

(3.1)

Onde:

F E = faturamento do consumo de energia ativa em R$/mês; C A = consumo mensal de energia ativa em kWh/mês; T C = tarifa de consumo em R$/kWh.

3.2.2 Calculo do Excedente de Energia Reativa

A cobrança do excedente do consumo de energia elétrica reativa será aplicada quando o fator de potência da unidade consumidora, indutivo ou capacitivo, for inferior a 0,92 [25]. Com base nesse item as Equações 3.2, 3.3 e 3.4 mostram como calcular o consumo excedente de energia elétrica reativa, o fator de potência mensal e o faturamento deste consumo excedente, respectivamente.

Onde:

(3.2)

(3.3)

(3.4)

UFER = Montante de energia ativa reprimida (kWh), correspondente ao excedente de consumo de energia reativa; f m = Fator de potência mensal; C A = Consumo mensal de energia ativa - kWh; C Q = Consumo mensal de energia reativa kVArh; FER = Faturamento do excedente de consumo de energia reativa R$. Os valores negativos de FER são desprezados.

50

3.2.3 Cálculo da Demanda Ativa

À parte da fatura referente à demanda de potência ativa pode ser obtida

multiplicando-se o valor da demanda faturada pelo valor da tarifa de demanda. O valor da demanda faturada deve ser igual ao valor da demanda contratada (DC), caso contrário a demanda faturável terá um valor definido na Resolução nº 414. Dessa

forma, o valor da fatura será dado de acordo com a Equação 3.5:

(3.5)

Onde:

D F = Demanda faturada de potência ativa; T D = Tarifa de demanda.

3.2.4 Cálculo do Excedente de Demanda Reativa

O excedente de demanda reativa é faturado, assim como o excedente do

consumo de energia reativa, devido ao baixo fator de potência (< 0,92). Este excedente

é

cobrado como tarifa de demanda, ou seja, demanda ativa reprimida. As Equações 3.6

e

3.7 mostram como calcular o faturamento desta tarifa.

Onde:

(3.6)

(3.7)

UFDR = Montante de potência ativa reprimida (kW), correspondente ao excedente de demanda de potência reativa; f m = Fator de potência mensal; D R = Demanda registrada de potência ativa; FDR = Faturamento do excedente de demanda de potência reativa R$.

Os valores negativos de FDR são desprezados.

51

3.2.5 Cálculo da Tarifa de Ultrapassagem

A unidade consumidora pertencente à estrutura tarifária convencional pagará

sobre a demanda medida, o que superar a respectiva demanda contratada, sendo este valor três vezes maior que o correspondente valor da tarifa normal de fornecimento. A tarifa de ultrapassagem será aplicada quando excedidos o limite de 10% da demanda

contrata. A Equação 3.8 mostra como é calculado o faturamento desta demanda de ultrapassagem [25].

Onde:

(3.8)

FD U = Faturamento da tarifa de ultrapassagem; D R = Demanda registrada de potência ativa; D C = Demanda contratada de potência ativa; TD U = Tarifa de demanda de ultrapassagem. Ao analisar o consumo de energia elétrica ativa e o excedente de energia elétrica reativa, assim como a demanda de potência ativa e o excedente de demanda reativa pode-se através das contas de energia elétrica, identificar o valor ótimo a ser contratado.

3.3 Grupo Tarifário A

O grupo A engloba todos os consumidores, cuja tensão de fornecimento é

maior ou igual a 2300 Volts ou ainda aqueles atendidos em tensão inferior a 2300 Volts, a partir de sistemas subterrâneos de distribuição e faturados neste grupo em

caráter opcional, nos termos definidos na Resolução ANEEL nº414/10 [25]. Este grupo é dividido nos subgrupos A1, A2, A3, A3a, A4 e AS:

O subgrupo A1 possui tensão de fornecimento igual ou superior 230 kV;

O subgrupo A2 possui tensão de fornecimento entre 88 kV e 138 kV;

O subgrupo A3 possui tensão de fornecimento igual a 69 kV;

O subgrupo A3a possui tensão de fornecimento entre 30 kV e 44 kV;

52

O subgrupo A4 possui tensão de fornecimento entre 2,3 kV e 25 kV;

O subgrupo AS possui tensão de fornecimento inferior a 2,3 kV e atendido a partir de sistema subterrâneo de distribuição e cujos consumidores são faturados neste grupo em caráter opcional. Neste grupo enquadram-se, entre outros, os consumidores comerciais e industriais.

3.3.1 Tarifa Horo-sazonal Verde

A tarifa horo-sazonal verde é caracterizada pela aplicação de preços

diferenciados para o consumo de energia elétrica, de acordo com o horário de utilização (ponta e fora da ponta) e com os períodos do ano (seco e úmido) e preço único para a demanda de potência [25]. Assim, pode-se analisar como são calculadas as faturas das contas de energia elétrica, observando-se as parcelas do consumo de energia e da demanda de potência.

3.3.1.1 Cálculo do Consumo de Energia Ativa À parte da fatura referente ao consumo de energia ativa pode ser obtida multiplicando-se a quantidade de energia elétrica ativa faturada no mês (consumo de energia elétrica ativa) pela tarifa de consumo, considerando-se o horário de ponta do sistema e os períodos do ano (seco e úmido) através das Equações 3.9 e 3.10:

No período seco:

No período úmido:

Onde

(3.9)

(3.10)

f

= índice que indica o horário fora da ponta;

p

= índice que indica o horário na ponta;

s

= índice que indica o período seco;

u

= índice que indica o período úmido.

53

3.3.1.2 Cálculo do Excedente de Energia Reativa Na tarifa horo-sazonal, o faturamento do excedente de energia reativa será dado através da avaliação do fator de potência por meio de valores de energia ativa e reativa medidas em intervalos de hora em hora durante o ciclo de faturamento. Para esta tarifa há uma divisão na análise do fator de potência de acordo com o horário do faturamento. Dessa forma o fator de potência capacitivo será faturado durante um período de 06 horas consecutivas, a critério da concessionária, dentro do período compreendido entre 23:30h até 06:30h. No fator de potência indutivo será faturado nas horas complementares a esse período [25] A análise do fator de potência horário é interessante para a concessionária, pois no período entre 23:30h até 06:30h apresenta um baixo carregamento de suas linhas de transmissão, logo, verifica-se, um excesso de potência reativa. No horário compreendido entre 06:30h até 23:30h a situação se inverte. Através da Equação 3.11 pode-se calcular o fator de potência horário (f h ).

Onde:

(3.11)

C Qh = Consumo de potência reativa (kVArh) integralizado de hora em hora; C Ah = Consumo de potência ativa (kWh) integralizado de hora em hora. As Equações 3.12 e 3.13 mostram como avaliar a energia ativa reprimida devido ao baixo fator de potência no horário de ponta e fora da ponta, respectivamente:

No horário de ponta:

No horário fora da ponta:

(3.12)

(3.13)

Onde:

Np = Três horas consecutivas referente ao horário de ponta; Nf = Horário complementar do horário de ponta.

54

As Equações 3.14 e 3.15 mostram como calcular o faturamento do excedente de energia de energia reativa no período seco e no período úmido, respectivamente. No período seco:

No período úmido:

(3.14)

(3.15)

Os valores negativos de FER são desprezados.

3.3.1.3 Cálculo da Demanda Ativa

O calculo da fatura referente a demanda ativa é obtido multiplicando-se a demanda faturada pela tarifa de demanda, como mostra a Equação 3.16 com a adição do ICMS. Neste caso o valor da demanda fatura será o maior valor verificado entre:

Demanda máxima registrada, integralizada a cada intervalo de 15 minutos durante o período de faturamento;

Demanda contratada. Ou no caso de consumidores em período de teste, a demanda faturada será a demanda registrada.

(3.16)

3.3.1.4 Cálculo do Excedente de Demanda Reativa

O faturamento do excedente de demanda reativa também será dado através da avaliação do fator de potência por meio de valores de demanda ativa reprimida, medidas em intervalos de hora em hora durante o ciclo de faturamento. A cobrança será sobre o excedente de demanda reativa proveniente de baixo fator de potência (< 0,92). Este faturamento proverá das Equações 3.17 e 3.18.

(3.17)

(3.18)

Os valores negativos de FDR são desprezados.

55

3.3.1.5 Cálculo da Tarifa de Ultrapassagem

A tarifa de ultrapassagem será faturada nesta modalidade tarifaria para a

parcela de demanda medida, que superar a respectiva demanda contratada, caso seja superior aos limites mínimos de tolerância fixados a seguir: “I - 5% (cinco por cento) para unidade consumidora atendida em tensão de fornecimento igual ou superior a 69

kV; e, II - 10% (dez por cento) para unidade consumidora atendida em tensão de fornecimento inferior a 69 kV” [25].

A Equação 3.19 mostra como é calculado o faturamento desta demanda de

ultrapassagem.

(3.19)

3.3.2 Tarifa Horo-sazonal Azul

A tarifa horo-sazonal azul é caracterizada pela aplicação de preços

diferenciados para o consumo de energia elétrica, de acordo com o horário de utilização (ponta e fora da ponta) e com os períodos do ano (seco e úmido) e preços diferenciados para a demanda de potência, de acordo com o horário de ponta e fora da ponta [25]. Assim, pode-se analisar como são calculadas as faturadas das contas de energia elétrica, observando-se as parcelas do consumo de energia e da demanda de potência.

3.3.2.1 Cálculo do Consumo de Energia Ativa

À parte da fatura referente ao consumo de energia ativa pode ser obtida

multiplicando-se a quantidade de energia elétrica ativa faturada no mês (consumo de energia elétrica ativa) pela tarifa de consumo, considerando-se o horário de ponta do

sistema e os períodos do ano (seco e úmido) através das Equações 3.20 e 3.21:

No período seco:

No período úmido:

(3.20)

56

(3.21)

3.3.2.2 Cálculo do Excedente de Energia Reativa Na tarifa horo-sazonal azul, o faturamento do excedente de energia reativa será dado através da avaliação do fator de potência por meio de valores de energia ativa e reativa medidas em intervalos de hora em hora durante o ciclo de faturamento, observando-se o fator de potência capacitivo ou indutivo, assim como seus respectivos horários de faturamentos.

A Equação para o cálculo do fator de potência horário (f h ) é, novamente,

mostrada pela expressão 3.22.

(3.22)

A avaliação da energia ativa reprimida devido ao baixo fator de potência no

horário de ponta e fora da ponta será feita pelas Equações 3.23 e 3.24:

No horário de ponta:

No horário fora da ponta:

(3.23)

(3.24)

As Equações 3.25 e 3.26 mostram como calcular o faturamento do excedente de energia de energia reativa no período seco e no período úmido, respectivamente. No período seco:

No período úmido:

(3.25)

(3.26)

Os valores negativos de FER são desprezados.

57

3.3.2.3 Cálculo da Demanda Ativa

O cálculo da fatura referente à demanda ativa é obtido multiplicando-se a

demanda faturada pela tarifa de demanda, como mostrado na Equação 3.27 com a adição do ICMS. Neste caso o valor da demanda faturada será o maior valor verificado entre:

Demanda máxima registrada, integralizada a cada intervalo de 15 minutos durante o período de faturamento;

Demanda contratada. Ou no caso de consumidores em período de teste, a demanda faturada será a demanda registrada.

(3.27)

3.3.2.4 Cálculo do Excedente de Demanda Reativa

A avaliação do excedente de demanda reativa será feita devido ao baixo fator

de potência no horário de ponta e fora da ponta, por meio das Equações 3.28 e 3.29:

No horário de ponta:

No horário fora da ponta:

(3.28)

(3.29)

As Equações 3.30 e 3.31 mostram como calcular o faturamento do excedente de demanda reativa nos horários de ponta e fora da ponta, respectivamente. No horário de ponta:

No horário fora da ponta:

(3.30)

(3.31)

Os valores negativos de FDR são desprezados.

58

3.3.2.5 Cálculo da Tarifa de Ultrapassagem

A tarifa de ultrapassagem será faturada nesta modalidade tarifária para a

parcela de demanda medida que superar a respectiva demanda contratada, caso seja superior aos limites mínimos de tolerância fixados a seguir: “I - 5% (cinco por cento) para unidade consumidora atendida em tensão de fornecimento igual ou superior a 69

kV; e, II - 10% (dez por cento) para unidade consumidora atendida em tensão de fornecimento inferior a 69 kV” [25].

A Equação 3.32 mostra como é calculado o faturamento desta demanda de

ultrapassagem.

(3.32)

3.4 Grupo Tarifário B O grupo B compreende os consumidores em que o fornecimento de energia é menor que 2300 Volts ou ainda aqueles atendidos em tensão superior a 2300 Volts e faturados neste grupo, nos termos definidos na Resolução ANEEL nº 414 [25]. O grupo B é composto pelos subgrupos B1, B2, B3, B4.

O subgrupo B1 é formado pelas classes residencial e residencial de baixa renda;

O subgrupo B2 é formado pelas classes rural, cooperativa de eletrificação rural e serviço público de irrigação;

O subgrupo B3 é formado pelas demais classes;

O subgrupo B4 é formado pela classe de iluminação pública.

Embora tenha sido mencionado o grupo tarifário B, este fica apenas a título de conhecimento, dado que será considerado para efeito de análise de dados, apenas o grupo A, e seus respectivos subgrupos, pois a instalação em estudo se enquadra neste grupo.

59

3.5 ICMS: Cobrança Sobre o fornecimento de energia elétrica tem-se a incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS. As taxas cobradas por este imposto são definidas por Leis Estaduais. A concessionária, na qualidade de contribuinte legal e substituto do referido imposto, dentro de sua área de concessão, possui a tarefa de recolher ao Erário Estadual as quantias cobradas nas faturas de energia elétrica. Para o cálculo do ICMS é adotada a Equação 3.33, definida pelo Conselho de Política Fazendária CONFAZ.

(3.33)

Onde F = valor da Fatura de Energia Elétrica; ICMS = valor da alíquota, definida por lei estadual. Com o cálculo do valor do ICMS, pode-se obter o valor total da fatura (FT):

(3.34)

60

4 CORREÇÃO DE REATIVOS

A Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL - determina que o fator de potência deva ser mantido o mais próximo possível da unidade, porém, permite um valor mínimo de 0,92, indutivo ou capacitivo (conforme Resolução 414) [25] correspondente a certo valor de energia reativa consumida. À medida que o fator de potência decresce, temos valores maiores, correspondentes à energia reativa consumida, ainda que a energia ativa consumida permaneça constante. Se o fator de potência medido nas instalações do consumidor for inferior a 0,92 será cobrado o custo do consumo reativo excedente como visto no capítulo sobre análise tarifária. Mas os prejuízos causados por um baixo fator de potência da rede vão além da cobrança pelas empresas concessionárias de energia. Variações de tensão, que podem provocar a queima de equipamentos elétricos, condutores aquecidos e perdas de energia são alguns dos efeitos nocivos provocados pelo baixo fator de potência. Portanto, se faz necessário a adoção de medidas que elevem este fator de potência reduzindo os gastos com o excesso de reativo e, consequentemente, melhorando o desempenho do sistema.

4.1 Definição de Fator de Potência O fator de potência é definido como a relação entre a potência ativa e a potência aparente consumida por um dispositivo ou equipamento, independente das formas que as ondas de tensão e corrente apresentem [14]. Os sinais variantes no tempo devem ser periódicos e de mesma frequência. A Equação 4.1 mostra como pode ser determinado o fator de potência nestas condições.

ser determinado o fator de potência nestas condições. (4.1) Em um sistema com formas de onda

(4.1)

Em um sistema com formas de onda senoidais (sistema ideal), a Equação 4.1 torna-se igual ao co-seno da defasagem entre as ondas de tensão e de corrente (φ) (Equação 4.2). Analisando em termos das componentes da energia ativa, reativa e

61

aparente, pode-se, a partir de uma descrição geométrica destas componentes (Figura 4.1), determinar o fator de potência como:

(4.2)

(Figura 4.1), determinar o fator de potência como: (4.2) Figura 4.1 - Modelo tradicional utilizado para

Figura 4.1 - Modelo tradicional utilizado para estudo do FP [16].

Porém, quando há uma distorção harmônica na instalação elétrica, o triângulo de potência sofre uma alteração, recebendo uma terceira dimensão provocada pela potência aparente necessária para sustentar a distorção da frequência fundamental, conforme mostrado na Figura 4.2. Com esse acréscimo de informação, o fator de potência deverá levar em consideração a defasagem entre a corrente e a tensão, os ângulos de defasagem de cada harmônica e a potência reativa para produzi-las. Esse novo conceito de fator de potência é chamado de fator de potência real ou verdadeiro, que é formado pelo fator de deslocamento, que representa a defasagem entre corrente e tensão na frequência fundamental e o fator de distorção, que leva em conta o efeito da distorção harmônica, conforme mostrado pela Equação 4-3. O fator de potência real é sempre menor ou igual ao fator de potência de deslocamento, sendo que a correção deverá ser feita pelo fator de potência real.

(4.3)

62

62 Figura 4.2 - Paralelepípedo de potências [15]. 4.2 Causas e consequências de um baixo fator

Figura 4.2 - Paralelepípedo de potências [15].

4.2 Causas e consequências de um baixo fator de potência 4.2.1 Causas de um baixo fator de potência De acordo com o texto das referências [15] e [16] o baixo fator de potência pode provir de diversas causas. A solução para melhoria do fator de potência de uma instalação elétrica passa necessariamente pelo aprofundado conhecimento e análise destas causas, a fim de que o engenheiro ou técnico possa propor uma ação corretiva mais eficaz. Entre as principais causas, podemos citar:

Motores de indução operando em vazio ou superdimensionado (operando com pequenas cargas);

Transformadores operando em vazio ou com pequenas cargas;

Lâmpadas de descarga;

Grande quantidade de motores de pequena potência em operação durante um longo período;

Tensão acima da nominal.

4.2.1.1 Motores de indução operando em vazio ou superdimensionado Os motores de indução consomem praticamente a mesma energia reativa, operando em vazio, ou operando a plena carga. A energia ativa, entretanto, é diretamente proporcional à carga mecânica aplicada ao eixo do motor. Nessas condições, quanto menor a carga, menor a energia ativa consumida e menor o fator de potência. Nas instalações industriais, a predominância é de motores elétricos de

63

indução no valor total da carga, o que comprova a forte influência no comportamento do fator de potência.

4.2.1.2 Transformadores operando em vazio ou com pequenas cargas

Da mesma forma que os motores de indução, os transformadores, quando superdimensionados para as cargas que devem alimentar, consomem certa quantidade de energia reativa relativamente grande, se comparada à energia ativa, acarretando um

baixo fator de potência. Desta forma, grandes transformadores alimentando pequenas cargas durante um período prolongado contribuem para uma forte redução do fator de potência da instalação.

4.2.1.3 Lâmpadas de descarga

Devido às grandes áreas a serem iluminadas, às lâmpadas de descarga (vapor de mercúrio, vapor de sódio, fluorescentes, etc.) são as mais utilizadas nos parques

industriais, no entanto para funcionarem necessitam do auxílio de um reator. Os reatores, assim como os motores e os transformadores, possuem bobinas que consomem energia reativa, contribuindo para a redução do fator de potência. O uso de reatores com alto fator de potência pode contornar, em parte, o problema.

4.2.1.4 Tensão acima da nominal

A potência reativa é proporcional ao quadrado da tensão aplicada, e sabe-se que nos motores de indução, a potência ativa praticamente só depende da carga mecânica aplicada ao eixo do motor. Assim, quanto maior o nível da tensão aplicado aos motores, maior a energia reativa consumida, logo será menor o fator de potência.

4.2.2 Consequências de um baixo fator de potência

4.2.2.1 Perdas na instalação

As perdas de energia elétrica ocorrem em forma de calor e são proporcionais ao quadrado da corrente total (RI²). Como essa corrente cresce com o excesso de energia reativa, estabelece-se uma relação entre o aumento das perdas e o baixo fator

64

de potência, provocando o aumento do aquecimento de condutores e equipamentos. A Figura 4.3 mostra a relação entre o aumento de perdas nos condutores com o aumento do fator de potência.

perdas nos condutores com o aumento do fator de potência. Figura 4.3 - Curva de aumento

Figura 4.3 - Curva de aumento de perdas no condutor com o aumento do fator de potência [15].

4.2.2.2 Aumento da queda de tensão

A queda de tensão em um circuito também é diretamente proporcional a

corrente elétrica consumida (ΔU I). Desta forma, o aumento da corrente devido ao excesso de energia reativa consumida leva a quedas de tensão acentuadas, podendo ocorrer sobrecarga em certos elementos da rede. Durante os períodos nos quais a rede é fortemente solicitada (aumento do consumo de corrente), esse risco é grande, principalmente na partida dos maiores motores da instalação. Outras consequências prejudiciais que estão relacionadas às quedas de tensão são o aumento da corrente nos motores, diminuindo a sua vida útil e a sua eficiência.

4.2.2.3 Subutilização da capacidade instalada

A subutilização da capacidade instalada está relacionada à limitação da

capacidade dos transformadores de alimentação em função da redução do fator de potência.

A energia reativa, ao sobrecarregar uma instalação elétrica, inviabiliza sua

plena utilização, condicionando a instalação de novas cargas a investimentos que

65

seriam evitados se o fator de potência apresentasse valores mais altos. O "espaço" ocupado pela energia reativa poderia ser então utilizado para o atendimento de novas cargas, pois teríamos uma maior disponibilidade de potência ativa. A Tabela 4.1 mostra a variação da capacidade de carga instalada no transformador em relação ao fator de potência.

Tabela 4.1 - Variação da potência do transformador em função do F.P. para uma carga de 100 kW [15].

em função do F.P. para uma carga de 100 kW [15]. 4.2.2.4 Sobrecarga nos equipamentos de

4.2.2.4 Sobrecarga nos equipamentos de manobra, proteção e controle

O aumento da corrente devido ao excesso de energia reativa consumida leva também ao aumento do custo dos sistemas de manobra, proteção e controle, visto que serão necessários equipamentos com capacidade de manobra maiores do que a corrente nominal de placa das máquinas em virtude da sobrecarga a que estarão submetidos, afetando inclusive no custo de alguns destes equipamentos.

4.2.2.5 Aumento da seção nominal dos condutores

Para transportar a mesma potência ativa sem o aumento de perdas e diminuição da vida útil, a seção dos condutores deve aumentar na medida em que o fator de potência diminui, devido à necessidade do aumento da capacidade de condução de corrente dos mesmos, consequente do excesso de energia reativa. A Tabela 4.2 mostra a variação da seção nominal do condutor em relação ao fator de potência.

66

Tabela 4.2 - Variação da seção do cabo em função do fator de potência [15].

da seção do cabo em função do fator de potência [15]. 4.3 Vantagens da correção do

4.3 Vantagens da correção do fator de potência A compensação da energia numa instalação trás inúmeras vantagens para a instalação, entre elas:

Liberação da Capacidade do sistema, permitindo a ligação de cargas adicionais (a capacidade dos transformadores alcança melhor aproveitamento);

Elevação dos níveis de tensão, melhorando o funcionamento dos equipamentos e a utilização da instalação;

Redução das perdas de energia, pela redução da corrente de alimentação, diminuindo o aquecimento dos condutores e aumentando a vida útil dos equipamentos;

67

Redução dos custos de energia elétrica, não só pela eliminação do ajuste da tarifa imposta pela concessionária (sobretaxa), como pela redução das perdas. A motivação inicial para a aplicação de capacitores para a redução do fator de potência é geralmente econômica. Porém, questões de ordem técnica relacionadas à qualidade da energia devem também ser observadas quando da utilização de capacitores. Os problemas mais usuais são os problemas relacionados aos harmônicos do sistema. Embora os capacitores, como elementos lineares presentes na instalação, não sejam fontes de harmônicos, eles interagem com o sistema amplificando os harmônicos existentes. Também devem ser levados em consideração os problemas referentes aos transientes ocasionados em virtude das operações de manobra (abertura e fechamento) de capacitores, ocasionando sobretensão e sobrecorrente.

4.3.1 Melhoria na tensão

As desvantagens de tensões abaixo da nominal em qualquer sistema elétrico são bastante conhecidas. Ainda que os capacitores elevem os níveis de tensão, não é comum instalá-los nas indústrias apenas para esse fim. A melhoria da tensão deve ser considerada como um benefício adicional dos capacitores.

4.3.2 Redução de perdas

Na maioria dos sistemas de distribuição de energia elétrica de estabelecimentos industriais, as perdas RI²t variam de 2,5 a 7,5% dos kWh da carga, dependendo das horas de trabalho a plena carga, bitola dos condutores e comprimento dos alimentadores e circuitos de distribuição. Como dito as perdas são proporcionais ao quadrado da corrente eficaz e como a corrente é reduzida na razão direta da melhoria do fator de potência, as perdas são inversamente proporcionais ao quadrado do fator de potência.

68

A Figura 4.4, extraída da referência [15], mostra a redução percentual de

perdas em função da melhoria do fator de potência da instalação e está baseado na consideração de que a potência original da carga permanece constante. Se o fator de potência for melhorado para liberar capacidade do sistema, e se for ligada a carga máxima permitida, a corrente total é a mesma, de modo que as perdas serão também as

mesmas. Entretanto, a carga total em kW será maior e, portanto, a perda percentual no sistema será menor.

e, portanto, a perda percentual no sistema será menor. Figura 4.4 - Redução percentual das perdas

Figura 4.4 - Redução percentual das perdas em função do fator de potência [15].

A Tabela 4.3 sintetiza as vantagens obtidas com a correção do fator de

potência, tanto para o consumidor quanto para a concessionária.

69

Tabela 4.3 - As vantagens para o consumidor e para a concessionária do aumento do fator de potência [16].

a concessionária do aumento do fator de potência [16]. 4.4 Compensação de potência reativa Para se

4.4 Compensação de potência reativa Para se dimensionar um sistema de compensação de reativos, é de suma importância saber quais elementos são capazes de fornecer potência reativa a fim de se realizar a compensação. As fontes de potência reativa mais empregadas são:

Bancos estáticos de capacitores

Máquinas síncronas

Filtros ativos

4.4.1 Banco de capacitores O uso de capacitores é a forma mais econômica de fornecimento de reativos. Eles fornecem potência reativa proporcional ao quadrado da tensão na qual estão aplicados, causando um efeito aditivo da queda de tensão na reatância indutiva do sistema, provocando um aumento da tensão de operação do sistema. Dependendo do tipo de processo e do regime de trabalho da instalação elétrica, o uso de capacitores irá resolver de forma simples e eficaz a necessidade de compensação de reativos, com um custo de implantação e de manutenção baixos, quando comparados com outros métodos de compensação.

70

4.4.2 Máquinas síncronas

De acordo com a referência [19] as máquinas síncronas podem operar com fator de potência indutivo ou capacitivo através do controle da excitação da corrente de campo. Essa propriedade pode ser usada para fornecer potência reativa através do uso dessa técnica.

A máquina síncrona como capacitor ou condensador síncrono (nome dado à

máquina síncrona quando ela é usada exclusivamente para o controle de reativos) não

tem carga acoplada ao seu eixo e toda capacidade da máquina é usada como potência reativa.

Apesar de ser uma técnica bastante eficiente, o uso de condensadores síncronos em aplicações de correção de reativos em baixa tensão se torna um investimento caro, dado o fato da construção de um motor síncrono especial para essa finalidade, além dos custos de manutenção do motor síncrono, que necessitará de um cuidado especial dos seus componentes para a garantia do seu funcionamento e consequentemente do fornecimento de reativos ao sistema. Aliado a esse fato tem-se a necessidade de um sistema de controle apurado, a fim de não haver situações em que o condensador entrará em regiões onde o torque do motor não seja prejudicial ao mesmo, o que poderia levar à ocorrência de falhas no motor. Atualmente, o condensador síncrono tem sido preterido na compensação de reativos.

4.4.3 Filtros Ativos

O termo Filtros Ativos em Eletrônica de Potência é aplicado à conversores

eletrônicos utilizados na compensação de harmônicos, que teoricamente podem ser harmônicos de tensão ou harmônicos de corrente. Além de compensar harmônicos, os filtros ativos também podem compensar a parcela de potência reativa da carga [20]. A realização de um filtro ativo de potência utiliza a capacidade de um conversor CC-CA para produzir uma tensão ou corrente alternada com qualquer forma de onda. Obviamente tal capacidade de síntese é limitada em termos de frequência a

71

um valor de aproximadamente 1/10 da frequência de comutação, admitindo-se ainda a existência de um filtro de saída que minimize a penetração de componentes de alta frequência na rede elétrica. A função dos inversores é fazer com que se produza uma corrente ou tensão que siga uma dada referência, a qual está relacionada com as componentes da corrente (ou tensão) que se quer compensar.

72

PROJETO DE COMPENSAÇÃO DE REATIVOS USANDO BANCO DE CAPACITORES

5

5.1 Determinação do fator de potência da instalação

Inicialmente para se determinar o quanto de potência reativa deverá ser inserida no sistema para a correção do fator de potência é necessário saber o fator de

potência atual da instalação. Um método utilizado é o método dos consumos mensais

previstos, que se baseiam na análise das contas de energia do consumidor, para avaliar o fator de potência a partir das informações constantes pelo menos nas últimas 12 faturas de energia. Este método é indicado quando o regime de carga varia pouco ao longo do período. Um método que também pode ser aplicado é a medição das grandezas elétricas por meio de aparelhos de medição específicos, como analisadores de energia, sendo este o método mais indicado para o caso do regime de carga mais variável.

É importante ressaltar que um método não é melhor do que o outro. A escolha

do método mais apropriado dependerá do regime de carga da instalação e dos dados disponíveis.

5.2 Bancos de capacitores fixos e com vários estágios de correção

A compensação de reativos pode ser feita basicamente de três maneiras [16]:

Tipo clássico de banco fixo;

Sistemas semi-automáticos (timers);

Sistemas automáticos (controladores de Fp em tempo real).

5.2.1 Tipo clássico de banco fixo Nas instalações elétricas com poucos equipamentos e onde se conhece exatamente a necessidade de kVar para a compensação reativa em cada carga (principalmente em sistemas elétricos que operam 24 horas por dia e têm uma demanda constante), são utilizados bancos capacitivos fixos, ou seja, a injeção de

73

reativos para melhoria do fator de potência não varia durante o período de operação. De maneira geral, a utilização de capacitores fixos é a solução mais econômica. O tipo mais clássico de utilização de banco fixo é aquele aplicado na correção de motores. Um caso bastante comum em instalações industriais é quando ocorre a utilização dos contatores de comando da carga também para o comando do banco de capacitores. Desta maneira, os capacitores sempre estarão ligados apenas quando a carga também estiver evitando o excesso de injeção de reativo no sistema. Não deve-se confundir este tipo de correção com um sistema semi-automático uma vez que o mesmo não tem seu funcionamento automatizado de alguma forma. O banco de capacitores só é ligado ou desligado através da ação humana de ligar ou desligar a carga.

5.2.2 Sistemas semi-automáticos e automáticos Em instalações com demanda variável ao longo do dia, isto é, que possuem demandas por turno (por exemplo, oito horas, cinco dias por semana) ou equipamentos cujas potências absorvidas sejam extremamente variáveis e cujas variações possam levar o fator de potencia a valores indesejáveis, justificam-se a utilização da compensação automática, aplicada globalmente ou a setores da instalação, conforme o caso, com a principal finalidade de manobrar automaticamente os capacitores em função da falta ou do excesso de potência reativa no sistema. O sistema mais simples de se compensar a injeção de reativos no sistema, conhecido como “sistema semi-automático”, é através da utilização de programadores horários ou temporizadores (timers), onde, na hora programada, atuam no circuito de comando da carga (bobinas dos contatores), conectando ou desconectando os bancos de capacitores. Sistemas de temporização mais modernos, que necessitem de uma lógica de programação mais avançada (principalmente quando é necessário a interação com outras variáveis elétricas), podem ser feitos utilizando-se CLP’s (Controladores Lógicos Programáveis).

74

Sistemas automáticos de correção do fator de potência são aqueles que utilizam um dispositivo conhecido como Controlador Digital Microprocessado. O controlador, através dos canais de entrada de dados, recebe o sinal de corrente (por meio de transformadores de corrente) e de tensão (por meio de transformadores de potencial) do barramento e é capaz de calcular as variações de energia ativa e reativa

no ponto de instalação. O sistema possui relés na saída para conexão e desconexão do

banco de capacitores, atuando na comutação dos estágios dos capacitores necessários à

obtenção do fator de potência desejado. O principal obstáculo para a sua utilização é o seu alto custo de implementação e de manutenção.

5.3 Determinação do sistema de compensação de reativos Após a determinação do fator de potência e do estudo de harmônicos, pode-se determinar as características e o valor do banco a ser inserido no sistema para corrigir

o fator de potência. O método desenvolvido neste trabalho já contemplará a

determinação do banco com presença de harmônicas, conforme recomendações do IEEE Std 519/1992 e NBR 5060/1977.

5.3.1 Cálculo da potência do banco em presença de harmônicas Após a medição do fator de potência e da taxa de distorção harmônica de tensão e corrente da instalação elétrica, pode-se determinar o valor real do fator de potência, conforme a Equação 4.3 do Capítulo 3. Conhecendo o valor real do fator de potência, e após análise apurada para determinação do valor de potência ativa, calcula-se o valor do banco a ser inserido no sistema para que o fator de potência seja corrigido para o valor desejado, conforme mostra a Equação 5.1:

Onde:

(5.1)

Q comp potência reativa do banco de capacitores em Var;

75

P potência ativa da instalação em W; Ψ atual ângulo do fator de potência atual da instalação em graus; Ψ desejado ângulo do fator de potência desejado para o sistema em graus. O ângulo do fator de potência pode ser calculado conforme mostra a Equação

5.2:

Onde:

(5.2)

fp- fator de potência real da instalação. Com a Equação 5.1 é possível determinar o valor de potência reativa que deverá ser inserido no sistema, a fim de corrigir o fator de potência para um dado valor de potência ativa. É importante ressaltar que se a curva de carga da instalação varia muito, é necessário um estudo mais detalhado. Com este valor, precisa-se saber agora como o banco irá interagir com o sistema, devido especialmente ao fenômeno da ressonância. Baseado na referência [15] quando se possui na rede elétrica valores de harmônicas acima daqueles pré-estabelecidos no Capítulo 2 e se tem um percentual de cargas não-lineares no sistema acima de 20%, existe o risco que ocorra ressonância série entre o transformador e o capacitor ou banco de capacitores, ou ressonância paralela entre os capacitores e as cargas (motores, etc.). Caso de fato exista esta situação, se faz necessário o uso de indutores anti-harmônicas em série com os capacitores, a fim de evitar a ressonância do(s) capacitor(es) com o espectro de harmônicas que possa ser gerado. De acordo com a referência [15] seguem as definições de ressonância série e paralelo:

Ressonância Série: é a condição na qual as reatâncias capacitiva e indutiva de um circuito RLC série são iguais. Quando isso ocorre, as reatâncias se cancelam entre si e a impedância do circuito se torna igual à resistência, a qual é um valor muito pequeno. Ocorre entre o transformador de força e os capacitores ou banco de capacitores ligados

76

num mesmo barramento. A ressonância série é a responsável por sobrecorrentes que danificam os capacitores e os demais componentes do circuito.

Ressonância Paralela: baseia-se na troca de energia entre um indutor e um capacitor ligados em paralelo com uma fonte de tensão. Na condição de ressonância paralela, a corrente de linha é nula porque a soma vetorial das correntes no circuito LC em paralelo é zero. A tensão e a impedância resultante assumem valores muito elevados, Figura 5.1 ilustra os dois caminhos de ressonância.

Figura 5.1 ilustra os dois caminhos de ressonância. Figura 5.1 - Formas de ressonâncias [15]. De

Figura 5.1 - Formas de ressonâncias [15].

De acordo com referência [16], a frequência de ressonância pode ser calculada conforme mostra a Equação 5.3:

(5.3)

Com:

f r freqüência de ressonância em Hz; f 0 freqüência fundamental, em Hz; S transformador potência aparente do transformador, em kVA; Z transformador impedância do transformador, em ohms; Q banco potência do banco, em kVar

77

Baseado nas recomendações do IEEE Std 519/1992 [3] e do manual da WEG [15], no caso de mais de 20% da potência instalada for de cargas não-lineares, ou se o limite de distorção harmônica total de tensão for maior do que 5% e o limite individual de distorção harmônica de tensão for superior a 3%, ou a impedância da rede for muito alta, é conveniente instalar indutores anti-harmônicas em série com o capacitor ou com o banco de capacitores a fim de proteger os mesmos contra os efeitos das harmônicas e de correntes de surto e também instalar capacitores com tensão reforçada. É importante ressaltar que o indutor anti-harmônica não retira as harmônicas da rede, para isso deve ser instalado um filtro anti-harmônica sintonizado na frequência de ressonância, anulando o efeito da mesma no sistema, mas sim evita a possibilidade de haver ressonância do capacitor ou banco de capacitores com a impedância do transformador. A Equação 5.4 mostra como determinar o valor da reatância por fase do indutor anti-harmônica:

Com:

(5.4)

Xind reatância por fase do indutor anti-harmônica, em ohms; Xcap reatância do banco de capacitores, ohms; i ordem da harmônica de ressonância. 57 Com o valor de Xind, calcula-se o valor da indutância do indutor anti- harmônica, de acordo com a Equação 5.5:

(5.5)

Sendo:

L indutância do indutor anti-harmônica, em H; Xind reatância do indutor anti-harmônica, em ohms; fo freqüência da rede, em Hz.

5.4 Instalação e manutenção do banco de capacitores Devemos levar em consideração, ao trabalharmos com bancos de capacitores na compensação de reativos de uma instalação, fatores importantes como as limitações

78

físicas de certos parâmetros dos capacitores que, uma vez subdimensionados, podem levar a problemas com a instalação e a vida útil do nosso banco de capacitores. Juntamente com os cuidados tomados na hora de projetar um banco de capacitores devem ser observados cuidados também na hora da manutenção e supervisão desses bancos, o que pode garantir um prolongamento da vida útil dos capacitores e evitar alguns acidentes e perdas materiais.

5.4.1 Principais parâmetros dos capacitores

5.4.1.1 Limites de tensão

Conforme as prescrições da NBR 5282 [24] devem ser respeitadas alguns limites de tensão para os capacitores, a fim de garantir uma maior vida útil dos seus isolantes. O valor da tensão nominal do banco de capacitores (Vn) deve respeitar as seguintes restrições:

Vn Duração Contínua Maior valor médio durante qualquer período de energização do Banco;

1,1. Vn - Duração de 8h a cada 24h de operação (não contínuo) Flutuações do sistema;

1,15. Vn - Duração de 30 min a cada 24h de operação (não contínuo) Flutuações do sistema;

1,20. Vn - Duração de 5 min (200 vezes durante a vida do capacitor) Tensão a carga leve;

1,30. Vn - Duração de 1 min (200 vezes durante a vida do capacitor).

5.4.1.2 Máxima corrente permitida

Os capacitores podem suportar uma sobrecarga admissível de até 135% da sua potência nominal, com tensão não superior a 110% da sua tensão nominal, excluído os transitórios e acrescida das eventuais tensões harmônicas a que são submetidas às células capacitivas, como no caso de instalação contendo cargas não-lineares.

79

Os valores máximos de corrente estão estabelecidos na NBR 5282 [24]. Os capacitores podem operar continuamente com no máximo 143% da sua corrente nominal, em valor eficaz, com até 110% da sua tensão nominal, à frequência nominal, considerando as eventuais correntes harmônicas. As correntes de sobrecarga podem ser produzidas por uma tensão excessiva na frequência nominal, ou por harmônicos ou por ambos.

5.4.1.3 Perdas dielétricas

Esse dado é importante para dimensionar a temperatura interna do banco de capacitores. De acordo com a NBR 5282 [24], as perdas por efeito Joule no capacitor em virtude da corrente que flui no dielétrico, estão mostradas na Tabela 5.1.

Tabela 5.1 - Perdas dielétricas [16].

na Tabela 5.1. Tabela 5.1 - Perdas dielétricas [16]. 5.4.1.4 Máxima corrente de surto A máxima

5.4.1.4 Máxima corrente de surto

A máxima corrente de pico na energização do capacitor é de 100 vezes o valor da corrente nominal do banco. A verificação deste valor é importante para garantir que

não haverá possibilidade de queima de uma célula e/ ou do banco por surto de corrente acima do permitido, pois caso seja constatado que a corrente de surto na energização do banco ultrapasse este limite deverão ser colocados em série com o banco, indutores anti-surto, cujo dimensionamento foi mencionado no capítulo 5.3.1.

5.4.1.5 Utilização de capacitores com tensão nominal reforçada

Caso após análise do sistema seja necessário utilizar banco de capacitores com tensão reforçada, ou seja, com o valor da tensão nominal do banco acima do valor da tensão de rede, deve-se sobredimensionar a potência nominal dos capacitores de

80

acordo com a Equação 5.6, para que seja garantida a quantidade de reativo necessário para o sistema, seguindo as recomendações da IEEE Std 519/1992 [3] e do manual de correção de fator de potência WEG [15]:

Sendo:

(5.6)

Q banco potência do banco de capacitores, em Var; Q comp potência reativa a ser compensada na tensão da rede, em Var; V banco tensão para qual o banco foi especificado, em V; V rede tensão da rede, em V. O reforço de tensão é devido ao fato de que em sistemas com presença de harmônicas, este reforço contribui para evitar que o banco queime devido a sobretensões.

5.4.2 Instalação de capacitores Devem ser tomados alguns cuidados mínimos para a instalação de capacitores de acordo com a referência [15], principalmente no que diz respeito ao local da instalação e na localização dos cabos de comando. Em relação ao local da instalação:

Evitar exposição ao sol ou proximidade de equipamentos com temperaturas elevadas;

Não bloquear a entrada e saída de ar dos gabinetes;

Os locais devem ser protegidos contra materiais sólidos e líquidos em suspensão (poeira, óleos);

Evitar instalação de capacitores próximo do teto (calor); Da localização dos cabos de comando:

Os cabos de comando deverão estar preferencialmente dentro de tubulações blindadas com aterramento na extremidade do controlador automático do fator de potência.

81

5.4.2.1 Queima do indutor pré-carga do contator especial

Em caso de sistema com uso de contatores para manobra, a queima do indutor deve-se ao repique do contator, que pode ser causado pelo repique do controlador.

5.4.2.2 Queima de fusível Causas:

Harmônicas na rede, gerando ressonância série, provocando sobrecorrente;

Desequilíbrio de tensão;

Fusíveis ultra-rápidos (usar fusível retardado);

Aplicar tensão em capacitores ainda carregados.

5.4.2.3 Expansão da unidade capacitiva Causas:

Repique no contator que pode ser causado pelo repique do controlador;

Temperatura elevada;

Tensão elevada;

Corrente de surto elevada (> 100. In);

Descargas atmosféricas;

Chaveamento de capacitores em bancos automáticos sem dar tempo (30 ou 180s) para a descarga dos capacitores;

Final de vida útil.

5.4.2.4 Corrente especificada abaixo da nominal Causas:

Tensão do capacitor abaixo da nominal;

Células expandidas.

82

5.4.2.5 Aquecimento nos terminais da unidade capacitiva (vazamento da resina

pelos terminais) Causas:

Mau contato nos terminais de conexão;

Erro de instalação (ex: solda mal feita nos terminais);

Interligação entre células capacitivas, conduzindo corrente de uma célula para outra via terminal.

5.4.2.6 Tensão acima da nominal Causas prováveis:

Fator de potência ter ficado unitário, mesmo não tendo harmônicas, porém provocou ressonância paralela;

Efeito da ressonância paralela entre os capacitores e a carga.

5.4.2.7 Corrente acima da nominal Efeito de ressonância série entre os capacitores e o transformador, provocado

pela igualdade entre a frequência do transformador e de alguma harmônica significativa na instalação.

5.4.3 Manutenção de capacitores Os capacitores não possuem partes móveis que possam se desgastar e não exigem nenhum tipo de manutenção, exceto a verificação periódica dos fusíveis. Se existem condições de sobretensão, harmônicas, surtos de chaveamento ou vibrações, os fusíveis devem ser verificados frequentemente. Em operação normal, os capacitores apresentam um leve aquecimento perceptível com o toque. Se a caixa estiver fria, deve-se verificar se os fusíveis estão queimados ou se alguma chave está desligada.

83

5.4.3.1 Manutenção preventiva De acordo com a referência [16] a manutenção preventiva deve ser feita

observando os seguintes aspectos:

Verificação visual de todas as unidades capacitivas se houve atuação do dispositivo de segurança interno, indicado pela expansão da caneca de alumínio no sentido longitudinal. Caso positivo, substituir por outra com a mesma potência;

Verificar se há fusíveis queimados. Caso positivo, tentar identificar a causa antes da troca. Usar fusíveis com corrente nominal indicada no catálogo;

Verificar o funcionamento adequado dos contatores;

Nos bancos com ventilação forçada, comprovar o funcionamento do termostato e do ventilador. Medir a temperatura interna (máxima de

45ºC);

Medir a tensão e a corrente das unidades capacitivas;

Verificação visual dos bornes de terminais, bem como condutores (fios, cabos e barramentos);

5.4.3.2 Aspectos de segurança antes da realização de intervenções Com relação aos aspectos de segurança, os principais itens que devem ser

atendidos, conforme NBR 5060 [17] são:

Em instalações com presença de harmônicas, fazer estudo prévio a fim de evitar a ressonância série (aumento da corrente) e a ressonância paralela (aumento da tensão);

Antes de se tocar nos terminais de um capacitor (partes vivas), este deve estar devidamente aterrado;

Deve-se evitar a energização simultânea de dois ou mais banco de capacitores;

84

Os capacitores devem ser instalados em local bem ventilado e com espaçamento adequado entre as unidades (mínimo de 5 cm);

O capacitor não deve ser energizado estando com tensão residual superior a 10% de sua tensão nominal;

As estruturas de suporte e carcaça dos capacitores deverão ser rigidamente aterradas;

Não utilizar os terminais das células para fazer interligações entre si, pois assim a corrente que circula nos terminais aumenta, aquece os terminais e provoca vazamento nas células; E ainda de acordo com a NR10 [18], normas de segurança em serviços com eletricidade do Ministério do Trabalho devem ser tomadas algumas medidas básicas para a garantia de total segurança antes de intervir em uma instalação elétrica, portanto para iniciar a manutenção de capacitores, devem ser efetuados os seguintes procedimentos:

Efetuar o seccionamento do banco de capacitores;

Efetuar o impedimento da reenergização do banco de capacitores, através do uso do sistema de impedimento adotado pela empresa;

Verificação da ausência de tensão. No caso de capacitores deve ser verificado se os mesmos se encontram totalmente descarregados, a fim de evitar a possibilidade de choques;

Instalação de aterramento temporário com equipotencialização dos condutores dos circuitos;

Proteção dos elementos energizados existentes na zona controlada;

Instalação da sinalização de impedimento da reenergização.

Após o término da intervenção, devem-se seguir os seguintes passos para a

reenergização do circuito:

Retirada de todas as ferramentas, utensílios e equipamentos utilizados;

Retirada da zona controlada de todos os trabalhadores não envolvidos no processo de reenergização;

85

Remoção da sinalização de impedimento;

Remoção do aterramento temporário de equipotencialização e das proteções adicionais;

Destravamento se houver, e religação dos dispositivos de seccionamento. Atendidas essas especificações estará garantida a segurança do executante nas atividades de manutenção.

86

6 ESTUDO DE CASO NO PRÉDIO SEDE DA JFES

6.1 Introdução Em 19 de novembro de 2010, foi inaugurado, pelo presidente do TRF2, desembargador federal Paulo Espírito Santo, a nova sede da Seção Judiciária do Espírito Santo, na Avenida Marechal Mascarenhas de Moraes, Ilha de Monte Belo, em Vitória, onde estarão concentradas todas as varas da capital, facilitando ainda mais o acesso dos cidadãos capixabas à Justiça. A mudança para o novo prédio foi planejada para ocorrer paulatinamente, nos primeiros meses de 2011. Hoje a Seção Judiciária do Espírito Santo conta com 21 Varas, sendo 15 na capital - dentre estas, três Juizados Especiais Federais, além de uma Turma Recursal, 1 no município de Serra, 2 em Cachoeiro de Itapemirim, 1 em São Mateus, 1 em Linhares e 1 em Colatina. A Figura 6.1 mostra a fachada da nova sede, entregue em abril de 2011.

mostra a fachada da nova sede, entregue em abril de 2011. Figura 6.1 - Fachada principal

Figura 6.1 - Fachada principal da nova sede da Justiça Federal do Espírito Santo [20].

6.2 Descrição da instalação elétrica a ser estudada A instalação elétrica da nova sede conta com uma entrada em 11,4 kV da concessionária de energia sendo protegida por um relé de corrente com proteções contra sobrecorrente temporizada e instantânea e com proteção de neutro. O relé aciona o disjuntor de fronteira, que faz a separação entre a rede da concessionária e os

87

transformadores abaixadores presentes na subestação abrigada. O prédio conta com três transformadores que abaixam a tensão de 11,4 kV para 127/220V e 220/380V em tensões de fase e de linha respectivamente. O diagrama unifilar que representa a entrada da instalação elétrica está ilustrado na Figura 6.2.

88

88 Figura 6.2 - Diagrama unifilar da instalação.

Figura 6.2 - Diagrama unifilar da instalação.

89

Cada

transformador

é

responsável

por

um

grupo

de

cargas

específico,

separadas de acordo com seu tipo e finalidade como mostra a Tabela 6.1:

Tabela 6.1 - Tabela dos transformadores da instalação.

Transformadores

Potência [kVA]

Cargas atendidas

Trafo 1

1500

Aparelhos de ar condicionado com compressores acionados por inversores de frequência.

Trafo 2

500

Elevadores, impressoras a laser, cargas de uso geral da instalação.

Trafo 3

750

Computadores, centro de processamento de dados (CPD) do prédio, cargas de informática em geral.

A partir da saída dos transformadores, toda a distribuição da energia pelos

andares do prédio é feita através de barramentos Busway, que são barramentos em

barras de cobre que interligam todos os andares e que tem como principal

característica o fato de possuírem impedância praticamente nula ao longo de sua extensão.

A instalação ainda possui um gerador de 750 kVA usado em condições de

falta de energia, que está ligado ao secundário do transformador de 750 kVA com seus disjuntores intertravados.

6.3 O analisador de energia Embrasul RE6000

O equipamento utilizado para medição dos parâmetros da QEE foi o RE6000

da Embrasul. O medidor é capaz de realizar medidas trifásicas com o neutro e um ponto de referência (terra), além de armazenar com o tempo de integração escolhido, dados de tensão, corrente, frequência, potência ativa e reativa, potência trifásica, fator de potência, harmônicos de corrente e tensão. O analisador pode ainda realizar cálculos de desequilíbrio de tensão de acordo com as normas NEMA e IEC. A Figura 6.3 mostra uma visualização do Embrasul RE6000.

90

90 Figura 6.3 - Embrasul RE6000 [21]. As principais características do analisador utilizado nas medições realizadas

Figura 6.3 - Embrasul RE6000 [21].

As principais características do analisador utilizado nas medições realizadas estão descritas na Tabela 6.2.

Tabela 6.2 - Especificações técnicas do analisador de energia utilizado [21].

estão descritas na Tabela 6.2. Tabela 6.2 - Especificações técnicas do analisador de energia utilizado [21].

91

As medições foram realizadas entre os dias 21 de Novembro e 9 de Dezembro de 2011 e foram divididas em 3 semanas distintas, cada semana sendo realizada as medições no secundário de um dos transformadores. O esquema de ligação utilizado está ilustrado na Figura 6.4.

de ligação utilizado está ilustrado na Figura 6.4. Figura 6.4 - Esquema de ligação utilizado [21].

Figura 6.4 - Esquema de ligação utilizado [21].

6.4 Análise dos parâmetros da QEE medidos Com os registros das medições feitos pelo analisador, foi utilizado o programa ANL 6000 da Embrasul para descarregar os dados da memória do aparelho e gerar os gráficos a serem analisados.

6.4.1 Análise da distorção harmônica A análise da distorção harmônica encontrada nas medições realizadas serão feitas levando-se em conta a recomendação 519-1992 do IEEE [3] e os limites encontrados na normatização imposta pelo Módulo 8 do PRODIST[4].

92

Para utilizar as recomendações do IEEE adequadamente deve-se definir previamente os pontos de acoplamento comum (PAC) a serem estudados.

6.4.1.1 Definição do ponto de acoplamento comum de acordo com o IEEE

Apesar de ser apenas uma recomendação, sem poderes de regulamentação perante aos consumidores e concessionárias de energia, o IEEE 519-1992 é um documento muito utilizado quando se trata de limites para circulação de correntes e tensões harmônicas em sistemas elétricos. Entre suas recomendações está o fato de que, ao mesmo tempo em que os provedores de energia são responsáveis por entregar uma energia “limpa” para seus consumidores, os mesmos também são responsáveis por não injetar correntes harmônicas em excesso no sistema. As concessionárias somente podem ser julgadas se o consumidor estiver dentro de seus próprios limites de distorção. A avaliação das harmônicas segundo o IEEE é feita em um ponto chamado ponto de acoplamento comum, ou PAC. Esse PAC é definido como sendo o ponto mais próximo do usuário, no lado da concessionária, onde outro consumidor pode ser atendido. Portanto tem-se que o PAC será, na maioria dos casos, o lado primário de alta tensão de um transformador. Mas nem sempre é pratico e seguro realizar medições no lado de alta tensão de um transformador, por isso é comum realizar as medições na baixa tensão do secundário utilizando a relação de corrente de curto-circuito pela corrente de pico de carga para determinar os limites de distorção definidos pelo IEEE

519-1992.

Neste trabalho serão considerados os secundários de cada transformador como sendo pontos de acoplamento individuais.

6.4.1.2 Distorção de corrente no PAC

Para a análise da distorção de corrente pela norma IEEE 519-1992 primeiramente deve-se encontrar a razão da corrente de curto-circuito pela máxima

93

corrente de carga registrada nos três pontos de acoplamento comum. Na Tabela 6.3 são apresentados os valores de corrente de curto-circuito trifásico, obtidos através do memorial de cálculo do projeto da instalação elétrica do prédio presente nos arquivos do Núcleo de Obras e Manutenção da Justiça Federal do Espírito Santo, em cada PAC, bem como suas máximas correntes de carga registradas e a razão que deve ser utilizada na Tabela 2.2 para encontrar os limites de distorção de corrente em cada PAC.

Tabela 6.3 - Definição dos PAC e razão de corrente de curto por corrente de carga para cada um.

Trafo

PAC

I

SC

I

L

I

SC /I L

Trafo 1 1500 kVA

 

1 27,75 kA

650

A

42,69

Trafo 2 500 kVA

 

2 19,48 kA

150

A

129,86

Trafo 3 750 kVA

 

3 27,70 kA

450

A

61,55

A partir das medições efetuadas e com o apoio do programa de análise do medidor de Qualidade de Energia Elétrica, obtiveram-se os gráficos apresentados a seguir. Os Gráficos 6.1, 6.3 e 6.5 ilustram os níveis de distorção totais de corrente em cada PAC respectivamente, enquanto os Gráficos 6.2, 6.4 e 6.6 mostram os níveis de distorção harmônica individuais de corrente para cada componente harmônica múltipla ímpar presente.

94

94 Gráfico 6.1 - Distorção Total de corrente no PAC 1. Gráfico 6.2 - Harmônicas ímpares

Gráfico 6.1 - Distorção Total de corrente no PAC 1.

94 Gráfico 6.1 - Distorção Total de corrente no PAC 1. Gráfico 6.2 - Harmônicas ímpares

Gráfico 6.2 - Harmônicas ímpares individuais na corrente do PAC 1.

95

95 Gráfico 6.3 - Distorção Total de corrente no PAC 2. Gráfico 6.4 - Harmônicas ímpares

Gráfico 6.3 - Distorção Total de corrente no PAC 2.

95 Gráfico 6.3 - Distorção Total de corrente no PAC 2. Gráfico 6.4 - Harmônicas ímpares

Gráfico 6.4 - Harmônicas ímpares individuais na corrente do PAC 2.

96

96 Gráfico 6.5 - Distorção Total de corrente no PAC 3. Gráfico 6.6 - Harmônicas ímpares

Gráfico 6.5 - Distorção Total de corrente no PAC 3.

96 Gráfico 6.5 - Distorção Total de corrente no PAC 3. Gráfico 6.6 - Harmônicas ímpares

Gráfico 6.6 - Harmônicas ímpares individuais na corrente do PAC 3.

A recomendação do IEEE 519 reitera que devem ser realizadas análises de distorção harmônica com a contribuição de pelo menos até a 25ª componente, no entanto, como o analisador não registrou nenhum dado da presença de componentes acima da 11ª, não serão visualizadas e nem comentadas nesta análise.

97

Como se pode observar nos Gráficos 6.1 e 6.2, referentes ao PAC 1, tem-se que o nível de distorção total e individual está muito elevado, de acordo com as recomendações estabelecidas pelo IEEE. Para a razão encontrada na Tabela 6.3 a recomendação estabelece um limite de 8% de DHT de corrente e níveis de até 7% para as distorções individuais de ordem impar inferiores à 11ª ordem. É possível observar claramente que o nível de distorção atinge seu máximo no horário em que não há mais expediente no prédio. Não deve-se tomar essas medições altas em períodos de carga leve com muito alarme uma vez que praticamente não há carga ligada no sistema, o que leva a pensar que as distorções encontradas são pouco confiáveis quando estamos tratando da influencia das cargas no sistema como um todo. Ao longo das próximas análises poderá ser observado o mesmo efeito em todos os PAC. Com os Gráficos 6.3 e 6.4, referentes ao PAC 2, observa-se uma repetição da situação encontrada no PAC 1, ou seja, os níveis de distorção total e individual estão muito acima dos limites estipulados pela recomendação do IEEE. Para a razão encontrada na Tabela 6.3 temos um limite de 15% para a DHT e limites de 12% para cada distorção individual das harmônicas múltiplas ímpares. O cenário encontrado nos mostra valores de DHT até 2 vezes o limite recomendado pelo IEEE. Nas múltiplas impares tem-se, assim como no PAC 1, valores bem acima dos limites e uma predominância do 5º e 7º harmônicos no sistema. Finalmente com os Gráficos 6.5 e 6.6, referentes ao PAC 3, encontra-se o resultado mais estável dentre os 3 cenários. Pode-se observar claramente um padrão nas medições, no qual os níveis de distorção total e individual das múltiplas se encontram dentro das recomendações no horário de expediente e carga pesada do sistema, porém aumentam para valores exorbitantes no horário noturno com o sistema operando em carga leve. O limite para a razão de I SC /I L encontrada neste PAC de acordo com a norma IEEE 519-1992 é de 10% para as distorções individuais e 12% para a distorção total.

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6.4.1.3 Distorção de tensão no PAC Os Gráficos 6.7, 6.9 e 6.11 ilustram os níveis de distorção totais de tensão em cada PAC respectivamente, enquanto os Gráficos 6.8, 6.10 e 6.12 mostram os níveis de distorção harmônica individuais de tensão para cada múltipla impar presente.

individuais de tensão para cada múltipla impar presente. Gráfico 6.7 - Distorção Total de tensão no

Gráfico 6.7 - Distorção Total de tensão no PAC 1.

Gráfico 6.7 - Distorção Total de tensão no PAC 1. Gráfico 6.8 - Harmônicas ímpares individuais

Gráfico 6.8 - Harmônicas ímpares individuais na tensão do PAC 1.

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99 Gráfico 6.9 - Distorção Total de tensão no PAC 2. Gráfico 6.10 - Harmônicas ímpares

Gráfico 6.9 - Distorção Total de tensão no PAC 2.

99 Gráfico 6.9 - Distorção Total de tensão no PAC 2. Gráfico 6.10 - Harmônicas ímpares

Gráfico 6.10 - Harmônicas ímpares individuais na tensão do PAC 2.

100

100 Gráfico 6.11 - Distorção Total de tensão no PAC 3. Gráfico 6.12 - Harmônicas ímpares

Gráfico 6.11 - Distorção Total de tensão no PAC 3.

100 Gráfico 6.11 - Distorção Total de tensão no PAC 3. Gráfico 6.12 - Harmônicas ímpares

Gráfico 6.12 - Harmônicas ímpares individuais na tensão do PAC 3.

A partir dos limites definidos pela IEEE 519-1992 e pelo Módulo 8 do PRODIST como abordado no capitulo 2, pode-se observar nos Gráficos 6.7 a 6.12 que os valores de distorção total e individual de tensão para os três PAC não ultrapassaram os limites em grande parte do tempo.

101

Os níveis de distorção total de tensão não excederam o valor de 4,5% em nenhum momento nos três pontos de acoplamento analisados, portanto se encontram de acordo com os limites das duas normas em estudo. O IEEE estipula um valor de referência de 5% para distorção total de tensão em níveis de tensão abaixo de 69 kV. Já a ANEEL estipula um valor limite de 10% de DHT para um barramento de até 1 kV.

Analisando os níveis de distorção individual pode-se perceber apenas uma discrepância. Os valores de distorção individual de tensão para o 5º harmônico estão em alguns momentos ultrapassando o valor de referência imposto pelo IEEE de 3%. Em alguns casos como no PAC 2 o valor está em grande parte do tempo logo acima da marca de 3%. Deve-se reiterar aqui que, no momento em que se observa o 5º harmônico acima de 3%, porém, uma vez que o valor de referência que é o da componente fundamental não deveria se alterar, temos um impasse quanto aos valores encontrados, tendo em vista que, como o sistema se encontra com grande parte de suas cargas desligadas, o resultado coerente seria caso tivéssemos encontrado valores baixos de distorção. Tal discrepância talvez deva ser explicada devido a algum problema vindo do próprio sistema da concessionária de energia, mas não é muito seguro falar de uma causa no momento, devendo ser realizado um estudo mais profundo neste caso no futuro.

6.4.2 Desequilíbrio de tensão A partir das medições efetuadas e com o apoio do programa de análise do medidor de Qualidade de Energia, obtiveram-se os Gráficos 6.13, 6.14 e 6.15 apresentados a seguir para o desequilíbrio de tensão com seu cálculo realizado conforme as normas NEMA e IEC.

102

102 Gráfico 6.13 - Desequilíbrio de tensão no PAC 1. Gráfico 6.14 - Desequilíbrio de tensão

Gráfico 6.13 - Desequilíbrio de tensão no PAC 1.

102 Gráfico 6.13 - Desequilíbrio de tensão no PAC 1. Gráfico 6.14 - Desequilíbrio de tensão

Gráfico 6.14 - Desequilíbrio de tensão no PAC 2.

103

103 Gráfico 6.15 - Desequilíbrio de tensão no PAC 3. Como se pode observar a partir

Gráfico 6.15 - Desequilíbrio de tensão no PAC 3.

Como se pode observar a partir dos três gráficos de desequilíbrio de tensão, os valores atingidos de acordo com os cálculos referentes às duas normas em questão não excederam o limite de 2% imposto pelas normas NEMA MG1 14-34, IEC 1000-2-2 e pelo Módulo 8 do PRODIST. Os dois cálculos realizados pelo analisador de energia de acordo com as duas normas ficaram em níveis muito próximos, sendo em alguns casos difícil distinguir as curvas no gráfico. Em ambos os PAC em estudo os valores de desequilíbrio permaneceram por volta de 0,5%, não apresentando padronização em função de horário e de nível de carregamento do sistema, como foi o caso das distorções de tensão e corrente.

6.4.3 Medidas de desvio na Frequência A partir das medições efetuadas e com o apoio do programa de análise do medidor de Qualidade de Energia, obtiveram-se os Gráficos 6.16, 6.17 e 6.18 apresentados a seguir para a variação de frequência nos três diferentes pontos de acoplamento em estudo.

104

104 Gráfico 6.16 - Variação de frequência no PAC 1. Gráfico 6.17 - Variação de frequência

Gráfico 6.16 - Variação de frequência no PAC 1.

104 Gráfico 6.16 - Variação de frequência no PAC 1. Gráfico 6.17 - Variação de frequência

Gráfico 6.17 - Variação de frequência no PAC 2.

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105 Gráfico 6.18 - Variação de frequência no PAC 3. Observa-se através dos gráficos de variação

Gráfico 6.18 - Variação de frequência no PAC 3.

Observa-se através dos gráficos de variação de frequência que não ocorreram grandes variações na frequência do sistema durante o período em estudo. Algumas variações existentes nos gráficos podem ser explicadas por interrupções de energia que vieram a acontecer durante o período de análise, neste caso podemos identificar tais variações devido a interrupções através de traços verticais pontilhados no gráfico, que indicam também a interrupção na medição de tensão no sistema. As demais pequenas variações não excederam os valores de 59,5 Hz nas variações para menos do valor nominal de 60 Hz. Aconteceram algumas variações grandes de curta duração como é o caso, por exemplo, das duas grandes variações ocorridas entre os dias 29 e 30 de Novembro nas medições do PAC 2. Essas variações são de duração muito curta e de um nível muito alto, que aconteceram de forma esparsa nas três medições ao longo das semanas em estudo.

6.4.4 Tensão em regime permanente A partir das medições efetuadas e com o apoio do programa de análise do medidor de Qualidade de Energia Elétrica, obtiveram-se os Gráficos 6.19, 6.20 e 6.21

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apresentados a seguir para os níveis de tensão nos três diferentes pontos de acoplamento em estudo.

os níveis de tensão nos três diferentes pontos de acoplamento em estudo. Gráfico 6.19 - Tensões

Gráfico 6.19 - Tensões das 3 fases no PAC 1.

107

107 Gráfico 6.20 - Tensões das 3 fases no PAC 2. Gráfico 6.21 - Tensões das

Gráfico 6.20 - Tensões das 3 fases no PAC 2.

107 Gráfico 6.20 - Tensões das 3 fases no PAC 2. Gráfico 6.21 - Tensões das

Gráfico 6.21 - Tensões das 3 fases no PAC 3.

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Através das medições realizadas não é possível realizar a análise de interrupções de curta duração e nem de transitórios, uma vez que o analisador não estava parametrizado corretamente para registrar tais eventos. Pode-se visualizar através dos gráficos que o sistema apresentou algumas variações de longa duração, principalmente no caso do PAC 1. Isso pode ser explicado pelo fato de o PAC 1 ser responsável pela alimentação de grandes cargas de refrigeração como os compressores de alguns sistemas de ar-condicionado acionados por inversores de frequência. Ao entrar em operação em determinado momento ou ao serem desligadas, essas cargas podem acarretar sobretensões ou subtensões no sistema que são caracterizadas por variações na tensão do sistema para acima de 110% ou abaixo de 90% da nominal, num espaço de tempo acima de 1 minuto de duração. Como pode ser observado através das Tabelas 2.1 e 2.2 e também através das faixas demarcadas nos gráficos, no que diz respeito aos níveis de tensão dos três pontos de acoplamento em estudo, no geral as faixas de variação não foram excedidas e a tensão nos três secundários dos transformadores permaneceu no nível de tensão de atendimento definido pelo Módulo 8 do PRODIST como “Adequado”.

6.5 Análise tarifária das faturas de energia Uma análise tarifária detalhada e confiável para utilização num futuro ajuste de contrato de consumo e demanda perante a concessionária deveria levar em conta um período de no mínimo 12 meses faturados. A inauguração da nova sede da Justiça Federal do Espírito Santo se deu em meados do mês de maio deixando apenas 7 meses faturados para a realização da análise tarifária o que impossibilitaria uma análise completa levando em consideração as duas estruturas horo-sazonais (azul e verde) e suas tarifas separadas de acordo com períodos seco e úmido e de ponta e fora ponta. Como o período disponível não é o recomendado para uma análise tarifária completa, será feito uma análise do contrato de demanda faturada em conjunto com sua otimização.

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6.5.1 Otimização do contrato de demanda Para a otimização do contrato de demanda será utilizado uma planilha no programa Microsoft Excel ® de forma que, à medida que um dado valor de demanda contratada presente em certa célula da planilha é variado, variam-se os gastos com o excesso ou a subutilização desta demanda contratada, até o ponto em que será obtido o menor gasto com a demanda possível. O atual contrato de demanda da instalação é de 1250 kW, um valor muito acima da demanda média registrada nos últimos 7 meses na instalação como podemos observar no Gráfico 6.22.

na instalação como podemos observar no Gráfico 6.22. Gráfico 6.22 - Demandas registradas durante os últimos

Gráfico 6.22 - Demandas registradas durante os últimos 7 meses

Portanto, deve ser feito um estudo de otimização do contrato de demanda feito de forma a minimizar os gastos com demanda. Através da planilha desenvolvida, pode-se obter o Gráfico 6.23 que mostra que a curva de custo da demanda, através da variação da demanda contratada, tem um valor ótimo em que os gastos com demanda são os menores possíveis. A planilha desenvolvida tem caráter simples e seu funcionamento básico. Através de um processo de tentativa e erro, variando-se o valor de uma célula especifica designada como o valor de demanda contratada, obtinha-se valores de custo de demanda mensal para os 7 meses faturados. Somando-se esses valores encontrava-se o valor de custo total para a

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demanda faturada na instalação nos últimos 7 meses. O processo foi repetido uma série de vezes até encontrar um valor ótimo para o custo com demanda. O valor encontrado para a demanda contratada, assim como exibido no Gráfico 6.23 foi de 570 kW, ou seja, caso a instalação estivesse com um contrato de 570 kW de demanda nos últimos 7 meses, o gasto com as faturas de energia elétrica no item que se refere ao faturamento da demanda de potência ativa seria o menor possível.

da demanda de potência ativa seria o menor possível. Gráfico 6.23 - Variação do custo da

Gráfico 6.23 - Variação do custo da demanda em função da demanda contratada

6.6 Análise do fator de potência da instalação Devido à uma realocação de um banco de capacitores que estava sendo utilizado na antiga sede da Justiça Federal, a nova sede passa a ter compensação de reativos a partir do mês de outubro. Esse banco de capacitores foi instalado sem a realização de um estudo de distorção harmônica adequado o que não é recomendado devido aos riscos existentes, já abordados neste trabalho. O banco de capacitores, de

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20 kVar de potência, está instalado no PAC 2, que alimenta cargas de uso geral e aciona os inversores dos elevadores do prédio. Analisando também a memória de massa do medidor de energia elétrica ELO ® 2113 da instalação nos últimos 7 meses, percebe-se que a instalação vem gastando com o excesso de reativos. A Figura 6.5 mostra o medidor presente na instalação e o Gráfico 6.24 ilustra os gastos com o excesso de energia reativa em R$ ao longo dos últimos 7 meses.

de energia reativa em R$ ao longo dos últimos 7 meses. Figura 6.5 - Medidor de

Figura 6.5 - Medidor de energia utilizado na instalação [23].

Figura 6.5 - Medidor de energia utilizado na instalação [23]. Gráfico 6.24 - Consumo gerado pelo

Gráfico 6.24 - Consumo gerado pelo excesso de reativo.

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Observa-se através do Gráfico 6.24 que a instalação gastava uma média de R$500,00 com excesso de energia reativa e que, a partir do mês de Outubro, esses gastos começaram a cair e agora se encontram por volta de R$100,00 ao mês. Essa queda nos gastos com reativos pode ser explicada pela realocação de um banco de capacitores trifásico de 20 kVar já existente na antiga sede da Justiça Federal e que se encontrava sem uso devido à mudança para a nova sede. Este banco encontra-se instalado junto ao PAC 2. Um estudo de impacto da implantação deste banco de capacitores na instalação abordando a presença de harmônicos não chegou a ser realizado, mas é de grande importância que se faça mesmo agora com o banco em operação para prevenir futuros inconvenientes e perda material. Como foi observada no Capítulo 5, a instalação de um banco de capacitores deve levar em conta alguns limites de distorção harmônica de tensão. Na presença de um banco de capacitores deve-se respeitar um limite de 5% para a DHT de tensão e de 3% para as distorções individuais de tensão segundo a recomendação do IEEE 519- 1992. O Gráfico 6.25, referente ao PAC 2, mostra que os limites de distorção individual apenas são excedidos no período de carga leve da instalação, ou seja, após as 22h, enquanto o Gráfico 6.9 mostra que os níveis de distorção total estão dentro do limite de 5%. O PAC 2 será o PAC em estudo devido ao fato de ser nele que o banco de capacitores atual estar instalado. As medições são referentes ao período de apenas um dia devido ao fato de a carga do sistema ser bem estável e pouco variável, dispensando assim uma análise de todo o período de medições.

113

113 Gráfico 6.25 - Distorção individual de tensão no período de um dia no PAC 2.

Gráfico 6.25 - Distorção individual de tensão no período de um dia no PAC 2.

Para não correr o risco de futuros problemas com ressonância e nem comprometer a integridade física da instalação e a vida útil do banco de capacitores, deve-se encontrar uma maneira de não impor tais níveis de distorção ao banco, principalmente tratando-se do 5º harmônico, que é o mais destacado entre os demais.

Uma maneira de se proteger o banco de capacitores da presença do 5º harmônico no sistema seria realizar a filtragem desta componente através da realização de um filtro passivo sintonizado para a frequência da componente, reduzindo seus níveis no sistema, ou mesmo aplicando um filtro ativo na instalação. Outro modo de proteção do banco seria o projeto de um indutor anti-harmônicos para instalação junto do mesmo, porém esse método protegeria apenas o banco e não reduziria os efeitos do 5º harmônico para o resto do sistema. Uma maneira mais simples de se implementar o que foi exposto seria transformar o banco já existente em um banco semi-automático, como visto no capítulo 5. Através de uma lógica que poderia ser implementada através de um timer ou PLC, o banco de capacitores seria automaticamente desligado em certo horário desejado e religado no horário adequado. Essa solução seria a mais adequada em

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termos de custo benefício e de praticidade, uma vez que seus componentes são facilmente encontrados no mercado e de fácil manuseio. Com esta solução implementada, o banco de capacitores não estaria mais sujeito a operação com níveis de distorção acima dos recomendados, portanto deixando o uso do indutor anti- harmônico desnecessário. Deve-se lembrar que o horário em questão de inatividade do banco de capacitores é o posto de faturamento capacitivo da concessionária, ou seja, o consumidor não seria penalizado neste horário com o desligamento do banco uma vez que a cobrança neste horário somente é feita com o excedente capacitivo. A Figura 6.6 mostra um exemplo de banco de capacitores semi-automático.

mostra um exemplo de banco de capacitores semi-automático. Figura 6.6 - Banco de capacitores semi-automático. 6.6.1

Figura 6.6 - Banco de capacitores semi-automático.

6.6.1 Projeto da compensação de reativos ótima Tendo em vista que a instalação já possui um banco de capacitores de 20 kVar de potência, devemos analisar se esse banco está conseguindo suprir os reativos necessários para um fator de potência de 0,92 durante o dia e se também não está sendo cobrado um excesso de capacitivos durante a noite. O Gráfico 6.26 ilustra o fator de potência durante uma semana do mês de Fevereiro que serve como exemplo para o estudo que será feito, uma vez que o regime de cargas da instalação é muito constante.

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115 Gráfico 6.26 - Fator de potência trifásico da instalação durante uma semana. Gráfico 6.27 -

Gráfico 6.26 - Fator de potência trifásico da instalação durante uma semana.

de potência trifásico da instalação durante uma semana. Gráfico 6.27 - Fator de potência durante o

Gráfico 6.27 - Fator de potência durante o dia 06/02/2012.

Pode-se observar que o banco de capacitores instalado não está conseguindo suprir com a quantidade necessária de reativos para que o fator de potência da

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instalação chegue ao nível mínimo de 0,92. O Gráfico 6.27 ilustra o primeiro dia da semana em questão e como o fator de potência varia ao longo do dia. Observa-se que a instalação não paga por excesso de reativos no posto capacitivo em momento algum, portanto deve-se apenas se preocupar em corrigir o posto indutivo, uma vez que o banco constará de acionamento automático e, portanto não implicará em excesso de capacitivos no futuro. Através de uma simples planilha pode-se incluir ou excluir capacitivos da instalação, utilizando a memória de massa do medidor eletrônico da instalação, para que seja realizado um estudo de compensação. Através dos Gráficos 6.28 e 6.29 podemos observar a inclusão de reativos no sistema em estágios de 10 kVar, notando como o fator de potência varia.

de 10 kVar, notando como o fator de potência varia. Gráfico 6.28 - Fator de potência

Gráfico 6.28 - Fator de potência com o acréscimo de 10 kVar na instalação.

117

117 Gráfico 6.29 - Fator de potência com o acréscimo de 20 kVar na instalação. Através

Gráfico 6.29 - Fator de potência com o acréscimo de 20 kVar na instalação.

Através dos gráficos observamos que, a partir do momento em que adicionamos mais um banco de capacitores de 20 kVar ao sistema, o fator de potência passa a não mais ultrapassar a marca de 0,92, mostrando que a compensação deve ser feita adicionando mais um banco de 20 kVar ao banco já existente. A adição do banco de capacitores pode ser feita no mesmo PAC em que já se encontra o primeiro banco de capacitores, ou seja, o PAC 2 uma vez que foi observado que o banco não será posto em operação na presença de níveis de distorção de tensão acima dos recomendados. Deve-se ter em mente que, após a instalação do novo banco de capacitores, um novo estudo de harmônicos deve ser realizado para atestar a segurança do sistema tendo em vista que a inclusão de banco de capacitores pode gerar um aumento nas taxas de distorção harmônica do sistema podendo levar a ressonância e futuras perdas materiais, como abordado no Capitulo 5.

118

6.6.2 Viabilidade econômica da instalação do banco A viabilidade econômica da instalação do banco de capacitores pode ser observada pelo Gráfico 6.24. Tendo em vista que o banco já estava sendo utilizado em outra instalação e que apenas foi realocado pode-se dizer que o custo para aquisição do mesmo foi quase nulo, tendo apenas que observar os custos de reinstalação e manutenção. Através do Gráfico 6.24 podemos concluir que a instalação do banco eliminou gastos para a justiça federal com faturamento de reativos da ordem de 400 reais ao mês. Essa é uma conclusão muito positiva, uma vez que está se tratando de dinheiro público que vem da contribuição da própria população através de impostos pagos diariamente aos cofres públicos. Com os gastos que já foram parcialmente eliminados com a inserção do primeiro banco, pode-se já pensar na compra e instalação do próximo banco de 20 kVar que levará à completa eliminação dos gastos com reativos da instalação. Através de um rápido levantamento de mercado pode-se encontrar unidades capacitivas trifásicas de tensão 220V custando em torno de 300 reais a peça. Somando-se isso à automação necessária para a realização necessária para o banco semi-automático teríamos um gasto aproximado para o banco em torno de 2000 reais. Tendo em vista que a instalação já está tendo uma economia média de 300 reais com o primeiro banco, podemos dizer que o retorno do investimento com o novo banco não seria maior do que 6 meses à partir do mês de instalação.

119

7

CONCLUSÃO

A qualidade de energia é hoje uma das áreas que mais crescem no cenário

energético mundial. Está se tornando uma crescente preocupação para engenheiros eletricistas de todos os países, embora alguns ainda não tenham uma normatização definida quanto aos limites de alguns parâmetros. Atualmente não dá mais para se fazer um projeto de engenharia sem antes se pensar delicadamente no impacto causado

no sistema elétrico na inserção de certos tipos de cargas eletrônicas como grandes inversores e conversores estáticos. Foi visto neste trabalho que, trabalhando para melhorar a Qualidade de Energia Elétrica presente na rede das concessionárias de

energia, ou mesmo presentes no interior do sistema dos consumidores, podem-se trazer grandes benefícios no que diz respeito à manutenção de equipamentos e bens materiais, além da redução dos gastos com energia elétrica.

A respeito da solução de problemas relacionados à Qualidade de Energia

Elétrica essa envolve uma série de questões. Muitos problemas são sanados pela cuidadosa análise da carga, outros por práticas corretas de aterramento, e ainda outros podem exigir a utilização de equipamento de monitoramento de potência, tensão e corrente. Distúrbios não registrados podem indicar que não foram estabelecidos limites pequenos o suficiente, ou advertem que o tempo monitorado não coincidiu com a ocorrência do fenômeno [22]. Com respeito aos níveis de Qualidade de Energia Elétrica este trabalho mostrou que, de acordo com as principais normas e recomendações vigentes, alguns

parâmetros encontrados não se enquadraram nos limites estabelecidos. Podem ser citados como exemplos os níveis de distorção harmônica de corrente total e individual de cada múltiplo impar nos três pontos em estudo. Em todos os pontos de acoplamento comum analisados foram encontrados valores muito elevados de distorção de corrente, o que poderia levar a problemas futuros com certas cargas sendo alimentadas por esta energia “suja”. Também foram observados valores de distorção harmônica de tensão acima dos limites estabelecidos, principalmente quando analisamos a presença do 5º harmônico no sistema. A presença do 5º harmônico no sistema, principalmente no

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PAC 1, é devida a grande quantidade de cargas acionadas por conversores eletrônicos que são os responsáveis por injetar harmônicos de ordem ímpar no sistema. Algumas formas de se reduzir a ação desta componente no sistema seria a realização de filtros passivos, ativos ou mesmo o projeto de filtros híbridos, que é um filtro com parte passiva e parte ativa, levando a uma maior robustez na filtragem. Entre os problemas que a presença de harmônicos pode gerar no sistema estão

a excitação de correntes ou tensões ressonantes entre indutâncias e capacitâncias, o

aparecimento de vibrações e ruído, o sobreaquecimento de núcleos ferromagnéticos, o sobreaquecimento de capacitores, o erro na medição de grandezas entre tantos outros. Outro estudo que vem ganhando visibilidade atualmente é o estudo da tarifação de energia e a análise de enquadramento tarifário de instalações elétricas. Muitos consumidores simplesmente por não terem conhecimento da legislação tarifária aplicada hoje em dia no país não tem noção de que, através de um simples estudo de um período de tarifação da unidade consumidora, pode-se adequar a conta de energia elétrica de forma a obter o menor gasto possível. Através deste trabalho foi possível aplicar de forma simples o ajuste do contrato de demanda da instalação em estudo de forma a minimizar futuros gastos com

a tarifação da demanda contratada. Foi visto que para realizar uma análise tarifária

completa e confiável para posteriores ajustes de contrato é necessário um período mínimo de 12 meses de tarifação até a data do estudo a ser implementado. Por fim, a análise do fator de potência da instalação e sua posterior correção, permitem que a energia elétrica seja utilizada da forma eficiente no sistema elétrico visando uma melhor utilização de bens como transformadores e cabos, melhorando a vida útil das cargas do sistema. Foi feito um estudo para correção do fator de potência encontrado nos dados de memória de massa do medidor da concessionária e a conclusão alcançada foi a necessidade de instalação de mais um banco de capacitores de 20 kVar no sistema. Contudo, é necessário ter cuidado na operação dos bancos de capacitores nesta instalação devido aos altos níveis de harmônicos presentes. Uma proposta feita para tentar amenizar a interação do banco com os harmônicos presentes

121

foi a transformação do banco de capacitores em um banco semi-automático, que seria acionado através de um controle de tempo que desligaria o banco ao entrar em um período com carregamento de harmônicos excessivo. Outra maneira de se proteger o banco da presença de harmônicos no sistema seria a filtragem do harmônico do sistema, que reduziria consideradamente o nível da componente harmônica desejada. Toda mudança do sistema deve ser criteriosamente analisada, principalmente do ponto de vista da segurança, confiabilidade e continuidade da operação. É perfeitamente possível a existência associativa dos conceitos de qualidade de energia e eficiência energética, ganhos financeiros, aumento de segurança e confiabilidade e continuidade do processo, desde que feitos de forma criteriosa e competente. Deve-se ressaltar a importância deste trabalho no que se refere ao levantamento bibliográfico feito a respeito dos temas abordados. O trabalho tem o seu valor para trabalhos futuros, podendo inclusive ser utilizado como referencia para pesquisa e consulta para possíveis futuros projetos de graduação e outras formas de trabalho e dissertação que abordarem temas como qualidade de energia, análise tarifária e correção do fator de potência. Sugere-se que para os próximos estudos seja feito uma proposta de redução do nível de harmônicos de corrente encontrados, pois os mesmos se encontram em sua grande maioria fora dos limites estabelecidos. Sugere-se também que seja feito um estudo mais detalhado de ressonância com o banco de capacitores presente que garanta um perfeito funcionamento do mesmo no sistema. Por fim, sugere-se que seja feito um estudo completo de análise tarifária da instalação assim que estiver disponível um período mínimo de 12 meses de tarifas de energia levando-se em conta todas as estruturas tarifarias em que a instalação se enquadre, levando assim a um menor gasto possível com energia elétrica.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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[24] NBR 5282. Capacitores de Potência em Derivação para Sistemas de Tensão

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[25] BRASIL. Resolução nº 414, de 9 de setembro de 2010. Dispõe sobre as

condições gerais de fornecimento de energia elétrica. Rio de Janeiro:

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