UMA “DUPLA CONSCIÊNCIA”: ESTRATÉGIAS NO COMBATE AO “RACISMO CIENTÍFICO” 1 Palavras chave: iconografia, cientificismo, anti-racismo

Quando a fotografia se popularizou na segunda metade do século XIX, apareceram duas vertentes da representação do ser humano – retratos privados e fotografias antropométricas. A primeira representava “pessoas” e outra, “tipos”, que poderiam incluir doentes mentais, marginais ou escravos. O uso de cartes-de-visite, seguidos por cartescabinet, no século XIX popularizou o costume de encomendar retratos de indivíduos e famílias, inclusive para marcar ritos de passagem como nascimentos, formaturas e enterros. Estas imagens foram produzidas aos milhões em estúdios fotográficos no mundo inteiro (BECKER 2008, p. 233-234). Segundo o historiador da Arte Brian Wallis (1995, p. 55): “Em geral, o objetivo do retrato fotográfico do século XIX era afirmar ou sublinhar o direito do indivíduo branco de classe média à condição de pessoa (‘personhood’)”. De outro lado, as imagens antropométricas de escravos e negros libertos ou livres e fotografias de “tipos” são geralmente anônimas. Os sujeitos estão despidos ou parcialmente vestidos, retratados com a intenção de comprovar a suposta superioridade da “raça branca”. A fotografia antropométrica foi introduzida pelo antropólogo inglês Francis Galton, o “pai da eugenia” e primo de Charles Darwin. No século XIX, estas fotografias eram usadas para “mapear” os corpos de “marginais” nas prisões, assim como nas análises científicas de gênero e raça. Galton criou duas metodologias para registrar supostos índices físicos de divergências biológicas fundamentais: retratos compostos e um sistema padronizado de fotografia familiar (SMITH 1999, p. 62) (ver figuras 1 e 2). Tentou identificar uma relação entre as feições físicas dos retratados que pudesse levar a um diagnóstico de doenças e até tendências criminosas. No final da vida, depois de muitas experiências, teve que admitir a impossibilidade de obter estes “tipos” na prática. A fotografia antropométrica de escravos e libertos tidos como “tipos” e “representantes” de “tribos” africanas foi introduzida e aperfeiçoada nos Estados Unidos e

Autora: Sabrina Gledhill, CEAO (Aluna Especial, Pós-Afro – Doutorado), Orientador: Jeferson Bacelar. Artigo apresentado durante o 2o Seminário “Preconceito na Fala, Preconceito na Cor”, no dia 16 de setembro de 2009, na Associação Protetora dos Desvalidos - SPD, na ocasião dos 170 anos de fundação desta venerável instituição.

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2 no Brasil pelo zoólogo e geólogo naturalizado norte-americano Jean Louis Rodolphe Agassiz. Nascido na Suíça, Agassiz foi escolhido por Karl Friedrich Philipp von Martius para continuar as investigações de Johann Baptist von Spix sobre os peixes brasileiros de água doce quando este faleceu em 1826. Agassiz também liderou a expedição Thayer para o Brasil entre 1865 e 1866, junto com sua esposa, a educadora norte-americana Elizabeth Cabot Cary Agassiz, e contratou os fotógrafos Georges Leuzinger e Augusto Stahl para ilustrar o livro que escreveu sobre suas pesquisas neste país, em colaboração com sua esposa. Entretanto, o projeto de Agassiz de fotografar “tipos” africanos teve origem cerca de quinze anos antes, nos Estados Unidos. A idéia de retratar “tipos humanos” não foi originalmente de Agassiz, mas ele foi um dos pioneiros nesta área quando mandou fotografar escravos numa “plantation” do estado da Carolina do Sul. Segundo Wallis (1995, p. 45), a idéia pode ter surgido em 1846, quando Agassiz conheceu Samuel George Morton, um dos líderes da escola norteamericana de poligenia e colecionador de seis centenas de caveiras de índios norteamericanos (GOULD 2003, p. 40-41). Na ocasião, Morton presenteou o naturalista com um daguerreótipo de um jovem africano que tinha exposto na Academia de Ciências Naturais da Filadélfia (WALLIS 1995, p. 45). O que sabemos é que Agassiz iniciou o projeto durante visita a uma “plantation” nas vizinhanças da cidade de Columbia. A importação legal de africanos foi proibida nos Estados Unidos em 1808, mas segundo o colega que sugeriu esta visita, Dr. Robert W. Gibbes, Agassiz ficou muito animado quando encontrou “Negros Ebo, Foullah, Gullah, Guinea, Coromantee, Mandrigo e Congo” em números suficientes para “deixá-lo satisfeito que eram diferentes das outras raças” (Ibidem, p. 45). A pedido de Agassiz, Gibbes mandou vários dos sujeitos escravizados ao ateliê de Joseph T. Zealy para serem fotografados. Um dos resultados pode ser visto na Figura 3. Estas imagens foram exibidas na Exposição Internacional Colombiana de 1893, realizada na cidade de Chicago para comemorar a descoberta da América (TURAZZI 1995, p. 241), evento no qual a participação oficial dos negros norteamericanos foi excluída.2

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Apenas reservaram um dia para os negros – “Colored People’s Day” no dia 25 de agosto de 1893 – quando o abolicionista e ex-escravo Frederick Douglass enfrentou humilhações para proferir o último discurso de sua vida (WESTERBECK 2000, p. 147).

3 De acordo com Brian Wallis, os daguerreótipos de escravos que Agassiz encomendou e exibiu na Exposição Colombiana: [...] tiveram dois objetivos, um nominativamente científico e outro explicitamente político. Foram criados para analisar as diferenças físicas entre os brancos europeus e os negros africanos, mas ao mesmo tempo, tiveram a intenção de comprovar a superioridade da raça branca. Agassiz esperava utilizar estas imagens para comprovar sua teoria da ‘criação separada’ – a idéia que as várias raças da humanidade seriam, de fato, espécies distintas (1995, p. 40). O comentário de George Ermakoff sobre as fotografias tiradas para a Expedição Thayer no Brasil reforça esta observação: [...] as fotografias antropométricas tinham o objetivo de apoiar estudos científicos comparativos sobre a raça humana. Acreditava-se, então, que a observação sobre eventuais diferenças físicas entre as diversas raças poderia comprovar cientificamente teorias sobre superioridade racial – hoje consideradas preconceituosas. Foi posteriormente comprovado que fotografias antropométricas feitas com esta intenção não tiveram nenhum valor científico relevante (2004, p. 251). Os produtos fotográficos da Expedição que hoje se encontram no Peabody Museum of Anthropology and Ethnology, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos também incluem fotografias antropométricas de africanos e afrodescendentes que refletem o racismo científico de Agassiz e retratam os sujeitos de uma maneira subumana e degradante (ver figuras 4 e 5). Como veremos, Agassiz utilizava a fotografia antropométrica para reiterar uma hipótese – a suposta “inferioridade do negro” – que, para ele, já estava mais que comprovada. A escravidão foi abolida nos Estados Unidos no final da Guerra de Secessão em 1865, o mesmo ano em que a expedição de Agassiz aportou no Brasil. Segundo Agassiz, os brasileiros viam como inevitável a abolição no seu país. Na seção do livro sobre a expedição intitulada “Conseqüências da emancipação dos negros nos Estados Unidos”, o zoólogo sustenta que, para ele, o negro era um ser primitivo para quem a liberdade seria uma dádiva desperdiçada e cuja presença representava uma ameaça à qualidade de vida dos brancos. No mesmo parágrafo, evoca na mente do leitor uma imagem tão icônica que qualquer leitor de Robinson Crusoé a reconhecerá de imediato – a de “selvagens nus dançando em torno da fogueira”:

4 [Os] negros continuavam a dançar ao clarão duma grande fogueira. De tempos em tempos, quando a sua excitação atingia o mais alto grau, eles atiçavam as chamas que projetavam estranhos e vivos clarões sobre o grupo selvagem. Não se podem contemplar esses corpos robustos, nus pela metade, essas fisionomias desinteligentes, sem se formular uma pergunta, a mesma que inevitavelmente se faz toda vez que a gente se encontra em presença da raça negra: “Que farão essas criaturas do dom precioso da liberdade?” O único meio de pôr um termo às dúvidas que nos invadem então é pensar nas conseqüências do contato dos negros com os brancos. Pense-se o que se quiser dos negros e da escravidão, sua perniciosa influência sobre os senhores não pode deixar dúvidas em ninguém (AGASSIZ, 2000, p. 66, grifo nosso). Assim, Agassiz defende os princípios que regeriam o sistema de segregação que se instaurou nos Estados Unidos depois da Guerra de Secessão e duraria até a primeira metade do século XX. Mais tarde, o médico legista brasileiro Raimundo Nina Rodrigues (18621906) apontaria o sucesso com que os norteamericanos implementaram esta forma de apartheid como fator da superioridade econômica dos Estados Unidos e da inferioridade do Brasil (RODRIGUES 2004, p.21). Para os cientificistas norteamericanos, o conceito do “American Negro” seria uma contradição, uma vez que a nacionalidade estadunidense era vista como uma denominação exclusivamente branca e anglo-saxônica. Assim como o Conde de Gobineau e Nina Rodrigues afirmavam a inferioridade dos mestiços brasileiros, 3 Galton acreditava que a miscigenação nos Estados Unidos resultaria numa descendência “tragicamente

enfraquecida” e serviria para diluir e enfraquecer o “caráter nacional”. A teoria da eugenia de Galton forneceu a base científica da hierarquia racializada do “Outro” dispostas nas exposições universais na virada do século XIX (SMITH 1999, p. 60). Foi em resposta a estas e outras tentativas de utilizar a imagem do negro para justificar a ideologia cientificista da suposta superioridade do branco que afrodescendentes nos Estados Unidos e no Brasil se insurgiram com outro tipo de imagem: do negro bemvestido, sozinho ou em família, culto, inteligente, participando de atividades educativas, cívicas e até nacionalistas para demonstrar seu patriotismo. Quando se retratava um escravo ou escrava, estes eram sempre vestidos. Em alguns casos, como os de Booker T. Washington e Manuel R. Querino, intelectuais e líderes negros produziam e divulgavam retratos deles mesmos, sempre de terno e gravata, com poses que refletiam um ar de
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Cf. Rodrigues 1894, esp. cap. VI .

5 segurança e autoridade. Algumas destas imagens são assinadas, seguindo o estilo em voga, mas sem dúvida para enfatizar que também eram letrados numa época em que poucos negros eram sequer alfabetizados (ver imagens nas páginas 6 e 11). 4 Conscientemente ou não, utilizavam a mesma técnica que o célebre fotógrafo norte-americano Mathew Brady, quando criou um álbum de sete ilustres conterrâneos 5 que retratou os ícones da nacionalidade “americana” – imagens de homens brancos e portanto “implicitamente racializadas” (SMITH p. 65). Os retratos de Washington, Querino e outros dialogam com as fotografias que Brady tirou de ex-presidentes, militares e intelectuais num período de “tensões raciais exacerbadas, a continuação do debate sobre a suposta questão do negro, segregação Jim Crow, a negação da cidadania do africano americano e o aumento dos linchamentos” (Ibidem, p. 64). Enfrentavam o dilema expresso por W.E.B. Du Bois 6 nesta famosa observação: É um sentimento particular, esta dupla consciência, esta sensação de sempre olhar para o seu eu através dos olhos dos outros, de medir a sua alma com a régua de um mundo que o observa com divertido desprezo e piedade. Sua dualidade é constantemente sentida – um americano, um negro; duas almas, dois pensamentos, dois esforços inconciliáveis; dois ideais em guerra em um só corpo escuro, cuja força tenaz apenas é o que o impede de se dilacerar (DU BOIS 2003, p. 9, grifo nosso). Em graus diferentes, os retratos de negros livres e escravizados que enfatizavam sua “condição de pessoa” contradiziam os registros visuais que acompanharam os discursos sobre raça e identidade nacional construídos pelas ideologias fundamentadas no “racismo científico” ou cientificismo.

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Nos Estados Unidos, os líderes afro-americanos Frederick Douglass e W.E.B. Du Bois também são exemplos desta prática. Junto com Manuel Querino, outro afro-brasileiro que utilizava esta estratégia foi Francisco Dias Coelho, o “coronel negro de Chapada Diamantina”. Segundo Moiseis de Oliveira Sampaio: “Nas fotografias, as imagens apresentadas eram diferenciadas a depender da camada social à qual eram dirigidas. Para os mais pobres, eram distribuídas fotografias envergando a farda da Guarda Nacional, assentado na cadeira que se assemelhava a um trono, com o semblante tranqüilo e imponente.[...] Para a elite, a fotografia era outra. Ele aparece com um terno, aparentemente bem ajustado com uma gravata alinhada, também demonstrando tranqüilidade com um semblante mais grave e solene, mas, em nada lembra a fotografia da farda, exceto o personagem fotografado. Para o destinatário desta foto, a imagem transmitia que o personagem retratado era um dos seus, também culto e rico, embora a fotografia não negasse a sua cor” (SAMPAIO 2009, p. 78). 5 Zachary Taylor ; John C. Calhoun ; Daniel Webster ; John James Audubon ; Millard Filmore ; Winfield Scott ; John C. Frémont (clique nos links para visualizar as imagens) 6 W.E.B. Du Bois (1868/1963): Sociólogo, historiador, pan-africanista, editor, autor e militante afroamericano. Sócio-fundador da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor - NAACP.

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Manuel R. Querino
(1851/1923)

Manuel Raimundo Querino (1851-1923) nasceu livre, um ano depois da abolição oficial do tráfico de escravos no Brasil. Ficou órfão dos pais adotivos 7 – o carpinteiro José Joaquim dos Santos Querino e Luzia da Rocha Pita, ambos negros livres – durante a epidemia de cólera-morbus que ceifou milhares de vidas na província da Bahia em 1855, mas foi criado por um tutor branco, o Bacharel Manuel Correia Garcia, que cuidou de ensiná-lo a ler e escrever e de prepará-lo para exercer o ofício de pintor. Nas obras que escreveria nas últimas décadas de sua vida, Querino foi um grande defensor do negro e do trabalhador. Para ele, não havia dúvida de que o negro tinha um valor igual ou até superior ao dos brancos que viviam do trabalho alheio. Fundamentado na sua experiência de vida, criou a convicção de que a educação era a única maneira de abolir a escravidão de fato em

Segundo Maria das Graças Andrade Leal, na certidão de óbito de Querino, consta que ele foi “filho ‘ilegítimo de Maria Adalgisa’” (2004, p. 357). Isto levanta a possibilidade que o pai biológico de Querino tenha sido branco, uma vez que este sempre se auto-identificou como “mestiço”.

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7 que o povo afro-brasileiro continuou a viver após a promulgação da Lei Áurea, que apenas abolira a escravidão de jure. Foi artesão, professor de desenho geométrico, jornalista, abolicionista, vereador, republicano e servidor público antes de se debruçar sobre o estudo da presença africana no Brasil. Como membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e graças aos seus estudos, inclusive seu domínio da língua francesa, Querino também teve acesso às idéias científicas em voga sobre relações raciais, a miscigenação e o estudo da cultura africana, inclusive aquelas idéias hoje vistas como “cientificismo”, que também predominavam durante seu tempo. Trabalhando num clima racial que era, na melhor das hipóteses, paternalista, Manuel Querino foi um dos primeiros a pesquisar a cultura afro-brasileira e o primeiro intelectual afro-brasileiro a dedicar-se à História do Brasil com o objetivo de detalhar, analisar e fazer justiça às contribuições africanas ao seu país. Mesmo sem formação em etnologia ou antropologia, ambas disciplinas ainda incipientes no Brasil, Querino pesquisou e escreveu “A raça africana e seus costumes na Bahia” numa época em que “o negro” era visto mais como um problema do que um legítimo tema de estudo no seu país. 8 Querino usou fotografias para enfrentar a imagem cientificista do negro de duas maneiras: primeiro, divulgando sua própria imagem de um “homem de cor” intelectual, altivo e bem-vestido e segundo, divulgando imagens respeitosas e dignas de africanos e afro-descendentes. Enfim, almejava a representação de tudo que era “civilizado” nos olhos dos brancos, contrariando a imagem de “corpos robustos, nus pela metade, essas fisionomias desinteligentes” (AGASSIZ, 2000, p. 66) promulgada por Louis Agassiz e seus semelhantes. “A raça africana” é ilustrada por 25 pranchas – 23 fotografias e 2 gravuras (entre elas, figuras 6 a 9 e 11 a 19). Nove das fotografias retratam “typos” e “representantes” de “tribos” africanas, representando pessoas anônimas 9 ou identificadas apenas pelo cargo, no caso da “antiga mãe de terreiro do Gantois, Typo Egbá” (fig. 17, estampa XII-a); cinco são
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O texto utilizado neste trabalho é a versão de “A raça africana e seus costumes na Bahia” republicada e anotada por Artur Ramos no livro Costumes africanos no Brasil (1938), mas o trabalho original faz parte dos Anais do V Congresso Brasileiro de Geografia (1916). 9 Em alguns casos, é possível identificar a pessoa retratada, como a “Typo Igê-chá”, que foi identificada como Manjegbassa, a mãe de Martiniano Eliseu do Bonfim.

8 fotografias privadas de indivíduos e grupos de pessoas. Também incluem uma fotografia de “Ganhadores de Canto”, em que todos estão descalços, indicando sua condição de escravos, mas dignamente trajados com paletós escuros e chapéus (estampa XVIII, fig. 19). Também se vê sombrinhas – símbolos de realeza no reino de Daomei – uma das quais está encostada contra a parede. 10 Quase todas as mulheres usam um pano da costa no ombro, no estilo social – durante rituais de Candomblé, seria usado em torno da cintura pelas mais velhas e em torno do peito pelas mais novas. Este modo de vestir foi descrito pelo autor francês C.M.A. Dugrivel no início da década de 1830: “Todas as negras em geral se vestem com um pano da costa, espécie de manto à grega, com que elas se cobrem com uma graça divina. Como eu gosto de tudo que é antigo, você deve imaginar como me dá prazer observar estes costumes que relembram os belos tempos de Temístocles, de Péricles” (DUGRIVEL 1843, p. 377). 11 A posição e a maneira de usar o pano da costa da mulher que representa o “Typo Benin” na “Estampa VI”, provavelmente retratada no início do século XX, são muito parecidas com as de Mãe Stella de Oxossi numa fotografia da autoria de Mário Cravo Neto, produzida no final do século, no ano 1999 (figuras 9 e 10). Segundo Christiane Vasconcellos: Na coleção formada por Querino as fotografias que tematizaram o candomblé, foram realizadas pela Photografia Diamantina, estabelecida na Rua Dr Seabra, Baixa do Sapateiro, área de comércio popular, cuja localização afastava-se do circuito comercial dos outros ateliês existentes na cidade, situados nas freguesias da Sé e São Pedro.[...] É interessante notar que as fotografias de mães-de-santo, que surgiram apenas nas primeiras décadas do século XX, foram produzidas pela Photographia Diamantina. A importância do ateliê está na evidência da autorepresentação dessa parcela da população negra que almejou e pagou pelo seu retrato; simultâneo à produção e circulação de fotografias públicas da gente negra escolhida pelos fotógrafos europeus para compor as séries de tipos urbanos da Bahia (VASCONCELLOS 2008). Duas dessas fotografias (figuras 17 e 18) seguem o estilo de cartes-cabinet – a da “antiga mãe de terreiro”, facilmente identificada como Maria Júlia da Conceição Nazareth,
Segundo Christiane Vasconcellos: “[...] Querino utilizou o famoso cartão postal ‘Grupo de Carregadores Africanos – Bahia – Brasil’ impresso por J.Mello editor, no final do século XIX” (2008, p.16). 11 Querino teria gostado desta comparação com a Grécia Antiga, uma vez que fez questão de comparar os escravos africanos no Brasil com os escravos gregos de Roma.
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9 a fundadora do Ilê Iyá Omin Axé Iyá Massé, ou terreiro do Gantois (NOBREGA E ECHEVARRIA 2006, p. 16), e a de sua filha biológica e sucessora, Maria Pulquéria da Conceição Nazareth (1840-1918), “carismática e respeitada ialorixá que abriu as portas do terreiro para pesquisas aos intelectuais” (Ibidem, p. 17). A segunda também era mãe de santo de Querino, que teria sido ogã ou filho de santo do Gantois. As duas mulheres são retratadas de pé, de corpo inteiro, trajando roupas e jóias que, no segundo retrato, Querino caracteriza como sendo de “grande gala”. Tanto a mãe como a filha tem porte de rainha. Os símbolos de realeza e as poses aristocráticas podem ser interpretações subjetivas em algumas dessas imagens, mas outra fotografia não deixa dúvidas – segundo Querino, representa um descendente de família real ijexá (fig. 8, Estampa V). Na apresentação de “A raça africana”, o pesquisador lamenta que “se extinguiram, precisamente, os africanos que, sendo aqui escravizados, ocuparam, na terra natal, posição social elevada, como guia dos destinos da tribo, ou como depositários dos segredos da seita religiosa” (grifo nosso, QUERINO 2006, p. 11-12). Em meados do século XIX, o cônsul inglês James Wetherell comentou, com um tom de deboche bem britânico, sobre a existência de “príncipes pretos” em Salvador (WETHERELL s/d, p. 18): Existem alguns pretos que eram príncipes em seu pais e, cada vez que se encontram com um dos seus conterrâneos, este nunca deixa de ajoelhar-se para cumprimentálos. Falam quase sempre muito alto e, quando é possível, mantêm a conversação em sua própria língua. Ao encontrarem-se, têm quase sempre algo para dizer e, no decorrer da conversa, após fazer uma pergunta, parecem repetir numerosas vezes a mesma palavra ou palavras. Freqüentemente falam em alta voz para si mesmo, e, em quase todos os casos, o assunto de seu solilóquio é o dinheiro. Segundo Alberto da Costa e Silva (2000), a presença de pessoas de “posição social elevada” entre os africanos escravizados no Brasil, e descendentes da realeza africana – entre eles, Dom Obá II – é hoje mais que comprovada. O uso que Manuel Querino fez de imagens de africanos e “crioulos” que contrariavam a iconografia humilhante produzida pelos cientificistas veio complementar seus trabalhos escritos, que sempre realçavam as contribuições positivas do “colono preto”. Devido à vergonha latente quanto à ancestralidade mestiça do Brasil, gerada e mantida pelo racismo científico, escassa atenção foi prestada por historiadores brasileiros à contribuição do africano e seus descendentes à civilização brasileira até a terceira década do século XX.

10 A imagem predominante do negro era a de um instrumento passivo do trabalho, um bem possuído pelo senhor de escravos e seu papel no movimento abolicionista passava despercebido. Numa tentativa de branquear a imagem do Brasil e sua historiografia, o negro foi relegado a algumas poucas páginas referentes à escravidão e à Lei Áurea. Decidido a reverter essa tendência, Querino também destacou as contribuições mais recentes do negro e seus descendentes em várias obras. Em “O colono preto como fator da civilização”, por exemplo, fornece a seguinte relação de nomes ilustres: Sem nenhum esforço, pudemos aqui citar o Visconde de Jequitinhonha, Caetano Lopes de Moura, Eunápio Deiró, a privilegiada família dos Rebouças, Gonçalves Dias, Machado de Assis, Cruz e Souza, José Agostinho, Visconde de Inhomirim, Saldanha Marinho, Padre José Maurício, Tobias Barreto, Lino Coutinho, Francisco Glicério, Natividade Saldanha, José do Patrocínio, José Teófilo de Jesus, Damião Barbosa, Chagas, o Cabra, João da Veiga Muricí e muitos outros, só para falar dos mortos (Querino 1938, 160, grifo nosso). Em 1923, a Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (no. 48, 353-363) publicou um artigo da autoria de Professor Manuel Querino, titulado "Os homens de côr preta na Historia", no qual o autor fornece dados biográficos (em muitos casos, escassos, com apenas 3 linhas) de 38 ilustres afrodescendentes: médicos, militares, religiosos, revolucionários, bacharéis, músicos e educadores, além de um engenheiro (Emigdio Augusto de Mattos). Também cita os nomes de vários outros militares (tenentes e alferes) e educadores. Embora a maioria não tenha data, quase todos são do século XIX. Neste esforço, Querino seguia o exemplo da imprensa negra que, no século XIX, procurou apresentar personagens ilustres “de cor” para fortalecer o auto-estima do negro e combater os estereótipos que o cercavam e ainda o cercam no Brasil (PINTO 2006, p. 98). 12 Podemos acrescentar a seus esforços literários o uso de imagens para enfrentar o cientificismo.

Segundo Ana Flávia Magalhães Pinto, o semanário pernambucano O Homem: Realidade Constitucional ou Dissolução Social foi lançado no Recife em 13 de janeiro de 1876 e a edição do mês de março do mesmo ano, continha uma seção titulada “Galeria de Homens de Cor Ilustres”, a qual era “dirigida majoritariamente à valorização de personagens negros da história brasileira, o que se inscreve no trabalho de fortalecimento dessa população” (2006, 124).

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Booker T. Washington
(1856/1915)

No Brasil, poucos conhecem a história de Booker Taliaferro Washington (18561915), embora sua autobiografia romanceada Up From Slavery tenha sido traduzida para o português e serializada num jornal soteropolitano em 1901, o mesmo período em que foi serializada nos Estados Unidos. 13 Depois foi traduzida novamente por Graciliano Ramos com o título Memórias de um negro e lançada pela Editora Nacional em São Paulo em 1940. Filho de pai branco desconhecido e mãe negra e escrava, Booker T. Washington nasceu escravo, mas conseguiu se educar após a Abolição nos Estados Unidos em 1865, freqüentando o Instituto Hamilton 14 e o Seminário Weyland, para depois tornar-se um educador, autor e líder nacional da comunidade afro-americana. Criou o Instituto Tuskegee como escola normal e profissionalizante em 1888 no estado do Alabama e depois transformou-o na Universidade de Tuskegee, da qual foi reitor até o final da vida.
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Reis, 2000, p 80-81. O livro original foi serializado nos Estados Unidos nos anos 1900-1901, na revista Outlook. Manuel Querino declara na Introdução de “A raça africana”: “Quem desconhecerá, por ventura, o prestígio do grande cidadão americano Booker Washington, o educador emérito, o orador consumado, o sábio, o mais genuíno representante da raça negra na União Americana?” (2006, p. 13). 14 Uma escola normal e profissionalizante criada em 1868 para negros após a Abolição nos Estados Unidos pelo Coronel Samuel Chapman Armstrong (SMITH 1999, p. 65).

12 Compartilhava com Manuel Querino a filosofia de que uma boa instrução é o caminho para um bom futuro individual e coletivo. Washington foi duramente criticado por W.E.B. Du Bois e outros líderes da NAACP (Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor) porque preferia evitar uma confrontação com os brancos e seria mais interessado numa "acomodação". Mas o “mago de Tuskegee” respondeu que, uma vez que os negros estavam em minoria nos EUA, o melhor caminho seria aliarem-se com os brancos simpáticos à sua causa. Mesmo assim, hoje sabemos que usava subterfúgios e até “laranjas” e espiões para promover a agenda da liberdade do negro enquanto o sistema de segregação das raças se instaurava depois do fim da Guerra de Secessão, paulatinamente revogando os direitos fundamentais adquiridos na época da Abolição, inclusive o direito ao voto e propriedade da terra. Ao que tudo indica, essas estratégias se estenderam à produção de uma nova iconografia do negro norteamericano. Segundo Shawn Michelle Smith, a série de imagens produzidas por Francis Benjamin Johnston uma fotógrafa branca, retratando os estudantes do Instituto Hamilton (ver, por exemplo, figuras 20 e 21), representa novas estratégias visuais que visavam a representação explicitamente racializada de um aspecto da nacionalidade norte-americana e confrontavam o determinismo biológico que reforçava o racismo científico de Galton. Exibidas na Exposição Universal de Paris de 1900, estas imagens dialogam com e contradizem outras fotografias num contexto histórico caracterizado pela sua fluidez e mutabilidade. Smith observa que: “a cultura virtual não é um mero reflexo de uma comunidade imaginada, mas um dos sítios onde as narrativas de inclusão são produzidas e propulsionadas” (1999, p. 59) e sugere que, muito mais que uma simples referência para imagens fotográficas, a nação seria um produto dessas imagens. Segundo Smith, as fotografias iniciaram “uma nova estratégia visual para a representação de raça e caráter nacional na virada do século” (Ibidem, p. 59). As fotografias de Johnston serviram para criar outra imagem do “caráter norteamericano”. Na análise de Smith, o interesse preeminente da exposição sobre o negro norte-americano conhecido como a Exposé Nègre seria estabelecer o lugar do “Negro” nos Estados Unidos através da análise dos códigos visuais utilizados na fotografia da virada do século XIX (Ibidem, p. 58).

13 Realizada no ano 1900, poucos anos depois da Exposição Internacional Colombiana de 1893, a “American Negro Exhibit” em Paris marcou o início de uma “nova era na história da representação racial”. Segundo W.E.B. Du Bois, que também participou com álbuns de fotografias de negros de várias cores intitulados “A vida do negro na Geórgia”, esta exposição foi “planejada e realizada por negros e colecionada e instalada sob a direção de um comissário especial negro, o Sr. Thomas J. Calloway” (Ibidem, p. 59). Por retratar os negros norteamericanos como integrantes plenos da civilização ocidental, esta exposição se diferenciava das representações do negro vistas em outros eventos antes e depois, que reproduziam aldeias africanas com figurantes nem sempre africanos e serviam para reforçar a idéia de superioridade que os europeus tinham em relação aos “selvagens negros”. Além de fotografias, a exposição utilizou mapas, gráficos, maquetes, descrições minuciosas dos esforços feitos para instruir o negro norte-americano e centenas de obras literárias produzidas por autores negros para demonstrar os avanços realizados pelo negro, medidos pelos critérios da cultura ocidental e branca. Instalada no Palácio de Economia Social, a “American Negro Exhibit” tanto impressionou o público e os jurados que ganhou um Grande Prêmio da Exposição Universal de Paris. De outro lado, segundo Smith, a exposição foi apresentada no contexto de “soluções aos problemas nacionais” dos Estados Unidos – neste caso, representava uma suposta solução ao “problema do negro”. Portanto, ficava “confinada dentro do sistema de vigilância social dominado pelo branco” (Ibidem, p. 60). Segundo algumas fontes, 15 as fotos do Instituto Hampton apresentadas na Exposé Nègre foram encomendadas por Booker T. Washington, mas segundo Smith, Johnston produziu as imagens a convite do segundo reitor desta instituição, Hollis Gurke Frissel (Ibidem, p. 65). De qualquer modo, Johnston também fotografou o Instituto Tuskegee, do qual Washington era fundador e reitor, em 1902. Esta série (ver, por exemplo, figs. 22, 24, 25 e 26), que inclui retratos de Washington (fig. 22), o conselho executivo (fig. 24) e as instalações, representa os alunos desta instituição da mesma maneira que os do Instituto Hampton foram retratados para a Exposição de 1900 – bem vestidos, comportados e patrióticos, nunca olhando para a câmera, fazendo parte de outro mundo, distante do
MAXELL, 2002, p 331-339. Conhecendo a grande influência exercida por Booker T. Washington na sua alma mater, é muito provável que ele tenha sido a “eminência parda” por trás das fotografias realizadas para a a Exposição de 1900.
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14 observador, mas refletindo valores europeus de civilização. Principalmente, essas fotografias contradizem qualquer imagem do negro como “selvagem”, “desinteligente” ou – muito importante para Washington – “perigoso”, principalmente para os brancos. O perigo, segundo Smith, residia no fato que estas imagens também poderiam sustentar a hipótese que o sistema “Jim Crow” da segregação de raças “separadas mas iguais” (Ibidem, p. 72) estava funcionando a contento nos Estados Unidos.

Conclusão Manuel R. Querino e Booker T. Washington usaram por meios diferentes a iconografia do negro para enfrentaram os discursos sobre raça e identidade nacional construídos pelas ideologias fundamentadas no racialismo, que também produziram registros visuais, como as fotografias antropométricas encomendadas por Louis Agassiz. Também enfrentavam o dilema expresso por W.E.B. Du Bois sobre “esta dupla consciência, esta sensação de sempre olhar para o seu eu através dos olhos dos outros” (DU BOIS 2003, p. 9). A imagem recentemente veiculada de Barack Hussein Obama, o atual Presidente dos Estados Unidos, na campanha contra a reforma dos serviços de saúde vale mais que mil palavras (ver fig. 28). Mostra claramente que, apesar dos trabalhos dos cientistas para decifrar o DNA humano, descobrindo neste genoma que só existe uma “raça” humana e que as divergências genéticas entre “negros” e “brancos” são irrisórias 16 ; apesar dos esforços para criar uma sociedade pós-racial, e apesar da eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, o racismo e o preconceito contra o negro persistem, embora hoje, as ferramentas dos produtores de imagens derrogatórias do “Outro” sejam mais sofisticadas – no lugar de daguerreótipos e exposições, têm Photoshop e e-mail. Enquanto o racismo continuar sendo um discurso hegemônico e auto-perpetuante no Brasil e nos Estados Unidos, o esforço para superar o preconceito, seja nas palavras ou nas imagens, será, mais que uma tarefa hercúlea, um trabalho de Sísifo.

Segundo o biólogo sueco Svaante Pääbo, “De acordo com a Genética, todo ser humano é africano, ou ainda morando no continente ou recentemente exilado” (SMITH 2004, p. 60).

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15 Ilustrações

Figura 1. Retratos de criminosos, individuais e compostos

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Figura 2. Retratos compostos de integrantes de uma família

"Renty, Congo. Plantation of B. F. Taylor, Esq." Daguerreótipo J. T. Zealy, Columbia, S.C., March 1850. Peabody Museum, Harvard University Fonte: WALLIS 1995, p. 39 Figura 3 Retrato antropométrico encomendado por Agassiz nos Estados Unidos

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Augusto Stahl, c. 1865, Peabody Museum of Archeology & Ethnology Fonte: ERMAKOFF 2004, p. 25

Figura 4. Retrato antropométrico encomendado por Agassiz no Brasil

Figura 5. Retrato antropométrico encomendado por Agassiz no Brasil Augusto Stahl, c. 1865, Peabody Museum of Archeology & Ethnology Fonte: ERMAKOFF 2004, p. 250

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Fig. 6 Estampa III Representante da da Tribu Igê Chá

Fig. 7 Estampa IV Representante da Fig. 8 Estampa V Representante Tribu Iorubá Tribu Igê-chá. Descendente de Família Real

Mário Cravo Neto (1999)

Figura 9. “Typo Benin”

Figura 10. Mãe Stella de Oxossi

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Fig. 11 Estampa VII Typo Igê Chá

Fig. 12 Estampa VIII Typo Iorubá

Fig. 13 Estampa IX Oondó, Igê-chá, Igechá

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Fig 14 Estampa X. Typo Gêge

Fig 15 Estampa XI Typo Igê-chá

Fig 16 Estampa XII Representante da Tribu Ige-chá

Fig 17 Estampa XII-a A antiga mãe de terreiro do Gantois.

Typo Egbá

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Figura 18 Estampa XXIII Creoula em grande gala A mãe do terreiro do Gantois Pulchéria Maria da Conceição

Figura 19 Estampa XVIII Ganhadores no Canto

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Aula de Química
Chemistry classroom at Hampton Institute - African American male and female students, one Indian

Figura 20 Aula de Química no Instituto Hampton

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Saudação à bandeira
Saluting the flag at the Whittier Primary School

Figura 21. Saudação à bandeira no Instituto Hamilton

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Figura 22 O reitor do Instituto Tuskegee com seu secretário particular. Compare este retrato com a imagem na figura 23

Figura 23 Presidente Obama na Sala Oval com o Chefe da Casa Civil (Janeiro 2009)

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Figura 24 O Comitê ou Conselho Executivo do Instituto Tuskegee

Figura 25 – Aula de fabricação de colchões no Instituto Tuskegee

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Figura 26 Aula de História no Instituto Tuskegee

Figura 27. Retrato oficial de Presidente Obama (2009)

Figura 28 Imagem veiculada na Internet

27 REFERÊNCIAS Agassiz, L & Agassiz, EC. Viagem ao Brasil – 1865-1866. Tradução e notas de Edgar Süssekind de Mendonça. Brasília: Senado Federal, 2000. Becker, WB. “Cabinet Cards”, In HANNAVY, John (ed.), Encyclopedia of NineteenthCentury Photography, vol. 1, p. 233-234. Nova York: Routledge, 2008. Costa e Silva, A. “Portraits of African Royalty in Brazil,” In Lovejoy, Paul E.(ed.), Identity in the Shadow of Slavery Londres: Continuum, 2000, p. 129-136. Du Bois, WEB. The Souls of Black Folk. Nova York: Barnes & Noble, 2003. Dugrivel, CMA. Des bordes de la Saône à la baie de San Salvador ou promenade sentimentale en France et au Brésil. Paris: Lacour, 1843. Ermakoff, G. O negro na fotografia brasileira do século XIX. Rio de Janeiro: George Ermakoff Casa Editorial, 2004. Gould, SJ. A falsa medida do homem. São Paulo: Martins Fontes, 2003. Harlan, LR. Booker T. Washington: The Wizard of Tuskegee, 1901-1915. Nova York e Oxford: Oxford University Press, 1983. Leal, MGA. Manuel Querino entre letras e lutas – Bahia: 1851-1923. Tese (Doutorado em História). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2004. Maxell, A. “Montrer l'Autre: Franz Boas et les soeurs Gerhard”, In BANCEL, Nicolas, et alii, Zoos humains. De la Vénus hottentote aux reality shows. Paris: La Découverte, 2002. p. 331-339. Nobrega, C e Echevarria, R. Mãe Menininha do Gantois. Salvador: Editora Corrupio, 2006. Pinto, AFM. De pele escura e tinta preta: A imprensa negra do século XIX (1833-1899). Dissertação (Mestrado em História) – Universidade de Brasília, Brasília, 2006. Querino, MR. Costumes africanos no Brasil. Prefácio e notas de Artur Ramos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1938. Querino, MR. “Os homens de côr preta na Historia.” Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Salvador, 48, 353-363, 1923. Querino, MR. A raça africana e seus costumes na Bahia. Salvador: P555 Edições/Theatro XVIII, 2006.

28 Reis, JJ. Rebelião Escrava no Brasil, A história do levante dos Malês em 1835, edição revista e ampliada. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. Reis, MLA dos. A cor da notícia: discursos sobre o negro na imprensa baiana, 1888-1937. Dissertação de mestrado, Departamento de História da UFBA, 2000. Rodrigues, RN. As raças humanas e a responsabilidade penal no Brazil. Bahia: Imprensa Popular, 1894. Rodrigues, RN. Os africanos no Brasil. 8. ed. Brasília: Universidade de Brasília, 2004. Sampaio, MO. O coronel negro: Coronelismo e poder no norte da Chapada Diamantina. Dissertação (Mestrado em História Regional e Local), UNEB, Salvador, 2009. Smith, G, The Genomics Age: How DNA Technology Transforms the Way We Live and Who We Are. Nova York: AMACOM, 2004. Smith, SM. “Photographing the ‘American Negro’: Nation, Race and Photography at the Paris Exposition of 1900”, In BLOOM, Lisa (ed.), With Other Eyes: Looking at Race and Gender in Visual Culture. Minneapolis e Londres: University of Minnesota Press, 1999 Turazzi, MI. Poses e trejeitos, a fotografia e as exposições na era do espetáculo (18391889). Rio de Janeiro: Funarte/Rocco, 1995. Vasconcellos, C. “A fotografia da Gente Negra no discurso científico de Manuel Querino”. Palestra proferida durante o Seminário Nacional “Manuel Querino: Vida e Obra” no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) em 28 de agosto de 2008. Wallis, B. “Black Bodies, White Science: Louis Agassiz’s Slave Daguerreotypes”, In American Art, vol. 9, no. 2 (Summer 1995), p. 39-61. Westerbeck, CL. “ Frederick Douglass Chooses His Moment”. Museum Studies. The Art Institute of Chicago, 2000. Disponível em < http://www.artic.edu/webspaces/museumstudies/ms242/westerbeck1.shtml >Acessado em 28 de Agosto 2009. Wetherell, J. Brasil, Apontamentos sobre a Bahia. Salvador, Edição Banco da Bahia S/A, p. 18.

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