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Aniversário da folha

Da liberdade de imprensa

Abril é mês de mudar o calendário na Folha e nesse sentido é também o mês para partilhar com quem nos lê um pouco dos nossos anseios, das nossas ambições e das nossas formas de ver esta sociedade montemorense que é a nossa. Neste mês de abril chamamos a atenção para a liberdade de imprensa, um conceito importante, mas nem sempre visto com bons olhos.

A nossa Constituição da República dá relevo a esta

situação no seu artigo 38º, onde refere que “é

garantida a liberdade de imprensa”, o que implica,

a

liberdade de expressão e criação dos jornalistas

e

colaboradores, bem como a intervenção dos

primeiros na orientação editorial dos respetivos

órgãos de comunicação social, no sentido de garantir a independência de quem escreve.

no sentido de garantir a independência de quem escreve. Se repararmos bem, o jornalismo tem evoluído

Se repararmos bem, o jornalismo tem evoluído no sentido de dar aos leitores algo mais do que o relato dos factos, passando a colocar junto destes um conjunto de opiniões, no sentido de permitir a quem lê analisar com maior profundidade o impacto das notícias. Com um comentário e uma opinião fundamentada, o público fica mais esclarecido e pode ajuizar melhor aquilo que se passa à sua volta. Embora não existam jornalista ou comentadores completamente isentos, porque a escolha que se faz das notícias, a forma como são redigidas e comentadas tem sempre uma formação e um olhar intrínseco de quem escreve, é necessário que essas escolhas e esses comentários sejam transparentes, e nesse sentido, devem ser emitidos de forma livre e cada vez mais responsável. O Livro de Estilo do ‘Público’ refere, por exemplo, que “tal como não existe objetividade em estado puro, não existem nos textos jornalísticos fronteiras absolutas entre informação, interpretação e opinião”.

Deste modo, é importante referir a necessidade de termos uma impressa livre, porque “não há sociedade livre sem uma imprensa livre. Não há democracia aberta sem liberdade de expressão e liberdade de imprensa” 1 . Mas estes não são conceitos de hoje, já no seculo XIX, Alexis de Tocqueville afirmava que “a liberdade de imprensa não faz sentir o seu poder apenas sobre as opiniões políticas, mas ainda sobre todas as opiniões dos homens. Ela não modifica apenas as leis, mas também os costumes” 2 , numa clara referência à capacidade dos jornais para formar opinião junto da população.

Este conceito de necessidade de uma imprensa livre não é fácil de implantar, principalmente quando

Este conceito de necessidade de uma imprensa livre não é fácil de implantar, principalmente quando o modelo hoje existente de financiar as empresas jornalísticas é baseado maioritariamente nas receitas de publicidade que, como é lógico, podem condicionar o trabalho dos jornalistas e a procura da verdade, sendo referido com frequência que “a imprensa escrita e audiovisual é dominada por um jornalismo de interesse, por enredos de cumplicidade, por agregados industriais e financeiros, por uma ideia de mercado” 3 .

Mesmo com todos os condicionalismos, os jornais devem participar de forma ativa no processo de consolidação de democracia, porque “a comunicação está presente em toda a atividade política, quer se trate da socialização e da participação, da elaboração da agenda, da mobilização e da negociação ou ainda dos conflitos entre forças partidárias” 4 .

Os jornais têm obrigação de estabelecer a ponte necessária entre os políticos e a populaçã o, revelando as usas ideias, o impacto das suas decisões e a forma como estas decisões são tomadas, bem como emitindo opiniões que contribuam para o esclarecimento dos assuntos que dizem respeito a todos os munícipes. É o que temos tentado fazer na Folha ao longo destes 24 anos ao serviço da população deste concelho.

A.M. Santos Nabo

1 FERNANDES, José Manuel ‘ Liberdade e Informação’, Lisboa, 2011, FFMS

2 TOCQUEVILLE, Alexis de ‘Da Democracia na América’, Cascais, 2001, Principia

3 ALVES, José Augusto dos Santos ‘O Poder da Comunicação’, Cruz Quebrada, 2005, Casa das Letras

4 SALGADO, Susana ‘Os Veículos da Mensagem Política’, Lisboa, 2007, Livros Horizonte