Aula 3 Fundamentos Sintáticos do Alfabetismo Visual

Baseado em: DONDIS, Donis A. A sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes, 1991, pp. 29-50. O processo de composição é o passo mais crucial na solução dos problemas visuais. Os resultados das “decisões compositivas” determinam o objetivo e o significado da manifestação visual e têm fortes implicações com relação ao que é recebido pelo espectador. É nessa etapa vital do processo criativo que o comunicador visual exerce o mais forte controle sobre seu trabalho e tem maior oportunidade de expressar o estado de espírito que a obra deseja transmitir. Criamos um design a partir de inúmeras cores e formas, texturas, tons e proporções relativas; relacionamos interatividade a esses elementos; temos então, um significado. O resultado é a composição, a intenção do artista ou do designer. É seu input . Ver é outro passo distinto da comunicação visual. É o processo de absorver informação no interior do sistema nervoso através dos olhos, do sentido da visão A luz nos revela e oferece todos os outros elementos visuais: linha, cor, forma, direção, textura, escala, dime nsão e movimento. A psicologia da Gestalt tem contribuído com valiosos estudos e experimentos no campo da percepção, descobrindo como o organismo humano vê e organiza o input visual e articula o output visual. Em conjunto, o componente físico e o psicológico criam a percepção de um design, de um ambiente ou de uma coisa. As coisas visuais não estão ali por acaso. São fatos visuais, ações que incorporam a reação ao todo. Há porém alguns fatores que devem ser considerados: Organização – é necessário criar prioridades entre os elementos, sempre um deverá sobressair mais do que o outro. Depois que esta ordem for criada, o resto fica fácil. O elemento em um layout se destaca quanto mais ele estiver: à esquerda / superior / maior / próximo / volume / nítido / luminoso / colorido / contra plongé (vista de baixo para cima). Direção visual – está relacionado com o problema da condução da vista do leitor de um elemento para o outro do anúncio. Devemos dispor os elementos criando um percurso de leitura claro, um sentido a ser percorrido pelos olhos do público de acordo com a

seqüência de elementos desejada. EQUILÍBRIO A mais importante influência, tanto piscológica como física sobre a percepção humana é a necessidade que o homem tem de equilíbrio, “ter os pés plantados no solo ”. O equilíbrio é a referência visual mais forte e firme do homem, sua base consciente e inconsciente para fazer avaliações visuais. EQUILÍBRIO FORMAL – baseia-se nas leis de simetria para que haja equilíbrio dos pesos visuais. Partindo-se o anúncio em sentido vertical, obtemos dois lados iguais, parecendo um o espelho do outro. Normalmente é mais utilizado quando o anúncio precisa transmitir: dignidade, estabilidade, espírito conservador, apego a tradição etc. Rafael Sanzio é tido como o mestre do equilíbrio. A obra Crucificação (ao lado) apresenta os principais valores plásticos renascentistas: Equilíbrio axial (ou mecânico) Rígida simetria Ordenamento visual Estabilidade Clareza Harmonia Serenidade Calma Ritmos, movimentos e tensões controlados

Nada deve ser colocado arbitrariamente em uma página. Cada item deve ter uma conexão visual com algo na página. O equilíbrio se faz diante da colocação pensada e organizada dos elementos. É preciso que se obtenha uma distribuição agradável de peso em todo o layout. Para a distribuição equilibrada cria-se um ponto de referência em relação ao qual os elementos podem estar equilibrados, este ponto de referência se denomina “centro ótico”

Observe como a centralização de Cristo estabiliza a cena, o que é reforçado pela simetria da obra, e ao mesmo tempo destaca sua importância na cena. Note como as linhas de perspectiva convergem para sua cabeça, o que também conduz nosso olhar.

EQUILÍBRIO INFORMAL – foge as leis da simetria, mas mantém o equilíbrio dos pesos visuais. Permite maior liberdade no layout, tornando-o mais atrativo sob o ponto de vista estético, mas, de solução mais difícil de ser encontrada. É mais indicado para dar dinamismo nos anúncios para captar a atenção dos leitores.

TENSÃO Muitas coisas no meio ambiente parecem não ter estabilidade. O círculo é um bom exemplo (figura a ). Parece o mesmo, seja como for que o olhemos mas, no ato de ver, lhe conferimos estabilidade impondo- lhe o eixo vertical (figura b) que analisa e determina seu equilíbrio enquanto forma e, em seguida, a base horizontal (figura c) como referência que completa a sensação de sensibilidade.

Exemplo de reposo

Tanto para o emissor quanto para o receptor da informação visual, a falta de equilíbrio e regularidade é um fator de desorientação.
Exemplo de Tensão

NIVELAMENTO E AGUÇAMENTO A estabilidade e harmonia são polaridades daquilo que é visualmente inesperado e daquilo que cria tensões na composição. Observamos isso no campo visual retangular.

A posição do ponto não oferece nenhuma surpresa visual, é totalmente harmoniosa

A colocação do ponto no canto direito provoca um aguçamento. O ponto está fora não apenas do eixo vertical, mas també m do eixo horizontal. Ele nem mesmo se ajusta aos componentes diagonais do traçado estrutural

Já neste terceiro caso, o olho precisa esforçar-se para analisar os componentes no que diz respeito a seu equilíbrio. A esse estado dá-se o nome de ambigüidade. Em termos visuais, sua posição não é clara, e poderia confundir o espectador

ATRAÇÃO E AGRUPAMENTO Força de atração nas relações visuais. Um ponto isolado em um campo relaciona-se com o todo. Quanto maior sua proximidade, maior será sua atração.

Outra lei do agrupamento se refere à similaridade. Na linguagem visual os opostos se repelem, mas os semelhantes se atraem. POSITIVO E NEGATIVO Positivo e negativo não se referem absolutamente à obscuridade e luminosidade. O que domina o olho na experiência visual seria visto como elemento positivo e como elemento negativo consideramos tudo aquilo que se apresenta de forma mais passiva.

Há outros exemplos de fenômenos psicofísicos da visão, que podem

ser utilizados para compreensão da linguagem visual. O que é maior parece mais próximo dentro do campo visual. Ele mentos claros sobre fundo escuro parecem expandir-se, ao passo que elementos escuros sobre fundo claro parecem contrairse.

PREFERÊNCIA PELO ÂNGULO INFERIOR ESQUERDO Além de ser influenciada pelas relações elementares com o traçado estrutural, a tensão visual é maximizada de duas outras maneiras; o olho favorece a zona inferior esquerda de qualquer campo visual. Isso significa que existe um padrão primário de varredura do campo que reage aos referentes verticais-horizontais (fig. A), e um padrão secundário de varredura que reage ao impulso perceptivo inferioresquerdo (fig. B)