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SINOPSE DO PRIMEIRO ATO A Corte se diverte. Personagens caricaturados evoluem numa dança decadente. O médico

SINOPSE DO PRIMEIRO ATO

A Corte se diverte. Personagens caricaturados evoluem numa dança decadente. O médico é amparado em seu leito de morte e passa seu diploma ao filho Frederico, que rejeita a função e despreza esse mundo. Surge um cavalo, os dois desmoronam essa sociedade e fogem. A cena vai sendo tomada pela família dos equilibristas, imagem lírica de um mundo novo para os olhos maravilhados de Frederico. Essas personagens puras, portadoras de toda a Arte, não só do Circo, executam uma dança de seu cotidiano. Beatriz apaixona-se por Frederico e esta figura da Corte encontra no mundo do Circo a satisfação de todos os seus anseios. O dueto de amor tem como pano de fundo o cotidiano da família, como a nos lembrar que o amor no Circo não estará nunca sozinho, mas sempre acompanhado de um trabalho penoso e disciplinado. Ao final do dueto nasce Charlotte, e todos se unem para a abertura do Circo. Frederico e Beatriz apresentam a filha Charlotte, a nova estrela do recém formado Circo Knieps. Ao final todos se retiram, recolhendo suas coisas, já desmontando suas roupas. É final do espetáculo. O cansaço. A vida real. Os palhaços realizam uma pantomima sobre o amor para Charlotte adolescente. Também um pierrot adolescente procura o amor, protegido pelo Pai-Pierrot. Os três realizam uma dança ingênua de buscas e receios. É um amor infantil, puro, com a descoberta final do sexo. Surgem grupos de convidados .para o casamento. Os pais preparam Charlotte e Clown. A alegria predomina e logo nasce Otto, que não se identificará com nenhuma personagem do Circo, pois será ele quem dará início à uma nova geração cultural, interessando-se por uma mulher fora do ambiente circense. As personagens do Circo se encaminham para o carroção a fim de partir para a estrada. Otto não quer seguir o Circo. O carroção cruza com o carro-Cabaré. Todos se observam. É o encontro de duas linguagens de espetáculo, duas culturas. O palco é violentado por essa onda de erotismo. A pureza do Circo, o amor poético, dão lugar ao amor paixão, ao amor sexo. Otto, apesar de sentir-se fora de seu ambiente, brinca com essas novas figuras, e apaixona-se por Lily. Ao final do show, da mesma forma que no Circo, o cansaço, a troca de roupa, o cotidiano. Otto e Lily se preparam para o sexo. Dançam o amor-paixão, feito de buscas e rejeições. Lily já não se satisfaz com a ingenuidade de Otto, que aos poucos tornou-se prepotente. Os dois mundos já não se completam mais. É preciso criar uma nova vida. Uma nova Arte. Lily se lança à essa nova aventura. Do sonho para o pesadelo, para a auto- dilaceração. Para, quem sabe, uma nova purificação. Lily entrega-se ao sadismo do tatuador, para que lhe imprima no ventre uma imagem sagrada . Em seu delírio, misto de masoquismo e santidade, percebe figuras de freiras-santas, que vagam no espaço. Também um grupo de “voyeurs” vem juntar-se a essa paixão e morte. Otto assiste tudo, assustado com o poder de entrega de Lily. Une-se a ela por um momento. É desse universo que nasce Margareth.

CENAS do Primeiro Ato CENA I ABERTURA

CENA II- A Corte se diverte. Personagens caricaturas evoluem numa dança decadente. O médico é amparado em seu leito de morte e passa seu diploma ao filho Frederico que rejeita a função e despreza esse mundo. Surge um cavalo, os dois desmoronam essa sociedade e fogem. Beatriz, (Agnes) a equilibrista, corta o caminho de Frederico ...

OPERETA DA CORTE

(Imperador, Imperatriz, Amante do Imperador, o médico, o cavalo, o filho do médico, outros personagens) Consta

(Imperador, Imperatriz, Amante do Imperador, o médico, o cavalo, o filho do médico, outros personagens) Consta que houve algures e antanho Noutra rosa dos ventos Um ilustre doutor Que dosava as ervas do banho E preparava os unguentos Para o Imperador Ministrava a exata mezinha Para cada mazela Das donzelas de honor E linda embalsamava a Rainha Conservando-a mais bela Para seu amo e senhor

Foi quiçá como recompensa Por missões tão devotas Que o egrégio doutor Contraiu ignota doença Que se inchavam as pelotas E ululava de dor Para desconforto da Corte Desprendia um aroma Bem desanimador E afinal no catre de morte Transferiu seu diploma Para o filho e sucessor Filho meu, Filho meu, sê leal Como o fui até o final Desta longa vigília Guarda bem, filho meu Com saúde A Família Imperial Gente, que rapaz diferente Quando olhava um doente Desandava a cuspir Quase não podia ver sangue Se vestia de gaze E não parava de rir Dava cambalhota em palácio

Se falou que provava Dum estranho elixir Fato é que roubou um cavalo E num galope insensato Foi-se embora por aí

Por aí

...

Por aí...

CENA III- A cena é invadida pela família dos equilibristas, transportados num grande carroção, imagem lírica de um mundo novo, para os olhos maravilhados de Frederico.

Essas personagens puras, portadoras de toda a arte, não só do circo, executam uma dança de

Essas personagens puras, portadoras de toda a arte, não só do circo, executam uma dança de seu cotidiano.

BEATRIZ - Instrumental

(Beatriz, Mãe, Pai, Outros filhos)

CENA IV - Beatriz apaixona-se por Frederico e esta figura da côrte encontra no mundo

do circo a satisfação de todos os seus anseios. O dueto de amor tem como pano de fundo o cotidiano da família, como a nos lembrar que o amor no circo não estará nunca sozinho, mas sempre acompanhado de um trabalho penoso e disciplinado. Ao final do dueto nasce Charlotte.

BEATRIZ (Canção com Milton Nascimento)

(Beatriz , Frederico )

BEATRIZ

Olha Será que ela é moça Será que ela é triste Será que é o contrário Será que é pintura O rosto da atriz Se ela dança no sétimo céu Se ela acredita que é outro pais E se ela só decora o seu papel E se pudesse entrar na sua vida Olha Será que é de louça Será que é de éter Será que é loucura Será que é cenário A casa da atriz Se ela mora num arranha-céu E se as paredes são feitas de giz E se ela chora num quarto de hotel E se eu pudesse entrar na sua vida Sim, me leva para sempre, Beatriz Me ensina a não andar com os pés no chão Para sempre é sempre um triz Aí, diz quantos desastres tem na minha mão Diz se é perigoso a gente ser feliz Olha Será que é uma estrela Será que é mentira Será que é comédia Será que é divina A vida da atriz Se ela um dia despencar do céu E se os pagantes exigirem bis E se um arcanjo passar o chapéu E se eu pudesse entrar na sua vida.

CENA V - Todos se unem para a inauguração e a abertura do circo. Frederico e

CENA V - Todos se unem para a inauguração e a abertura do circo. Frederico e Beatriz apresentam a filha Charlotte, a nova estrela do recém formado Circo Knieps. Ao final todos se retiram recolhendo suas coisas, já desmontando suas roupas. É o final do

espetáculo. O cansaço. A vida real …

ABERTURA DO CIRCO (Instrumental)

( Frederico, Beatriz, Charlotte-a filha, outros personagens)

CENA VI - Os palhaços realizam uma pantomina burlesca sobre o amor para Charlotte- adolescente. Também um Pierrot-adolescente procura o amor protegido pelo pai- Pierrot. No final da pantomima o travesti, a mulher-linda se transforma na mulher macaca para desespero do palhaço gordo e os cinco intérpretes acabam o número circense com uma paródia da marcha nupcial. PANTOMIMA (Instrumental)

( Palhaço Magro, Palhaço Gordo, Garçom, Violinista, Mulher Linda & Macaca, 2 Pierrot)

CENA VII - Charlotte suspira por um apaixonado. Surge o Pierrot Filho, amparado pelo Pai Pierrot. Os três realizam uma dança ingênua de buscas e receios…É uma amor

infantil e puro, com a descoberta final do sexo.

VALSA DOS CLOWNS ( canção com Jane Duboc)

(Charlotte-filha de Beatriz e Frederico, Pierrot, Pai Pierrot)

VALSA DOS CLOWNS

Em toda canção O palhaço é um charlatão Esparrama tanta gargalhada Da boca pra fora Dizem que seu coração pintado Toda tarde de domingo chora Abra o coração Do palhaço da canção Eis que salta outro farrapo humano E morre na coxia Dentro de seu coração de pano Um palhaço alegre se anuncia A nova atração Tem um jovem coração Que apertado por estreito laço Amanhece partido Dentro dele sai mais um palhaço Que é um palhaço com o olhar caído E esse charlatão Vai cantar sua canção Que comove toda a arquibancada Com tanta agonia Dentro dele um coração folgado Cantarola uma outra melodia

CENA VIII- Surgem grupos de convidados para o casamento. Os pais preparam Charlotte e Pierrot. A alegria da paródia do enlace predomina.

Logo nasce Otto, que não se identificará com nenhum personagem do Circo, pois será ele que

Logo nasce Otto, que não se identificará com nenhum personagem do Circo, pois será

ele que dará início à uma nova geração cultural, interessando-se por uma mulher fora do ambiente circense.

OPERETA DO CASAMENTO - Coral

( Charlotte, Pierrot, Frederico, Beatriz, Otto Frederic-filho de Charlotte e Pierrot, outros personagens) Nem assaz alhures e antanho Era um evento tamanho A sagração nupcial Vinha a noiva de gargantilha Caçoleta e rendilha Diadema e torçal Mas se houvesse algum embaraço Dera a moça um mau passo Quanto horror e desdém Ela ia parar no convento Ia dormir ao relento Ou deitar nos trilhos do trem Do pudor da noiva a bandeira Após a noite primeira Desfraldava-se ao sol A sua virtude escarlate Igual brasão de tomate Enobrecendo o lençol Mas se não houvesse tal mancha É que outra mancha mais ancha Se ocultava por trás E rapaz pagava o malogro Com a vendeta do sogro Ou a malícia dos mortais Oh meu pai Oh meu pai, por favor Condenai o nosso amor De langor e luxúria Mas poupai, oh meu pai Nosso filho Da fúria do Senhor

O guri nasceu apressado

Nem um mês de casado

Tinha quem o gerou

Quando o pai caiu nos infernos Foi nos braços maternos Que ele se pendurou Quando a mãe caiu na sarjeta

Foi seguindo a opereta Na garupa do avô

Quando o avô caiu do cavalo

Foi chorar no intervalo E mais um ato começou Palhaço, corista Trapézio, dançarina Maestro, cortina É

Foi chorar no intervalo E mais um ato começou

Palhaço, corista Trapézio, dançarina Maestro, cortina É fé na flauta e pé na pista

CENA IX- As personagens do Circo se encaminham para o carroção e se preparam a fim de partir para a estrada e encontrar outra cidade…

Otto não quer seguir o circo. O carroção cruza com o carro-cabaret. Todos observam. É o encontro de duas linguagens de espetáculo, duas culturas.

PASSAGEM DO BURRO- CIRCO

(Instrumental j

(Otto Frederic, Os Pais, Outros Personagens)

CENA X - O palco é violentado por essa onda de erotismo. A pureza do Circo o amor poético dão lugar ao amor paixão, ao amor sexo. Otto, apesar de se sentir fora de seu ambiente brinca com essas novas figuras e apaixona-se por Lily a vedete do cabaret.

DANÇA DE LILY BROWN (Instrumental)

( Lily, As irmãs de Lily, Otto Frederic, outros personagens)

CENA XI- Ao final do show, da mesma forma que no circo, o cansaço, a troca de roupa, o cotidiano. Lily explora a ingenuidade de Otto e pateticamente desfaz a imagem de coquete e da super vedete que ela é no palco do show para se mostrar mulher sensual.

INTERMEZZO PARA LILY BROWN (Instrumental)

( Lily, Otto Frederic) CENA XII- Otto e Lily se praparam para o sexo. Dançam o amor paixão feito de buscas e rejeições. Lily já não se satisfaz com a imagem de Otto que aos poucos se tornou prepotente. Os dois mundos já não se complementam mais.

A HISTÓRIA DE LILY BROWN ( Canção por Gal Costa) Como num romance O homem dos meus sonhos Me apareceu no dancing Era mais um Só que num relance Os meus olhos me chuparam Feito um zoom Ele me comia Com aqueles olhos

De comer fotografia Eu disse cheese E de close em close Fui perdendo a pose E até sorri, feliz E voltou Me ofereceu um drinque

Me chamou de anjo azul Minha visão Foi desde então Ficando flou Como no cinema Me

Me chamou de anjo azul Minha visão

Foi desde então Ficando flou

Como no cinema

Me mandava às vezes Uma rosa e um poema Foco de luz Eu, feito uma gema Me desmilingu indo toda

Ao som do blues Abusou do scotch Disse que meu corpo Era só dele aquela noite Eu disse please Xale no decote

Disparei com as faces Rubras e febris E voltou

No derradeiro Show Com dez poemas e um buquê Eu disse adeus vou com os meus Numa turnê Como amar esposa Disse ele que agora me amava como esposa Não como star

Me amassou as rosas Me queimou as fotos Me beijou no altar Nunca mais romance Nunca mais cinema Nunca mais drinque no dancing Nunca mais cheese Nunca uma espelunca Uma rosa nunca Nunca mais feliz CENA XIII É preciso criar uma nova vida, uma nova arte. Lily se lança a essa nova aventura. Do sonho para o pesadelo, para a auto dilaceração. Para quem sabe uma nova purificação. Lily entrega-se ao sadismo do tatuador, para que lhe imprima no ventre uma imagem sagrada. Em seu delírio, misto de masoquismo e santidade percebe figuras de freiras negras e santas que vagam no espaço. Também um grupo de “voyeurs” vem juntar-se a essa paixão e morte. Otto assiste a tudo impotente e assustado com o poder de entrega de Lily. Une-se a ela por um momento. É desse universo que nasce Margareth .

CONVERSÃO DE LILY BROWN (Instrumental) (Lily, Otto Frederic, Margareth (Filha de Otto e Lily, o Tatuador,

CONVERSÃO DE LILY BROWN (Instrumental)

(Lily, Otto Frederic, Margareth (Filha de Otto e Lily, o Tatuador, Freiras Negras e Voyers)

SINOPSE DO SEGUNDO ATO

Margareth está tomada por uma crise de misticismo e tem um encontro com uma procissão de freiras. O Circo, na figura do Palhaço, tenta atraí-la sem resultados. Em sua alucinação, ela declara amor ao Cristo e se deixa envolver por figuras de anjos que a acompanharão a vida toda. As sombras desaparecem e em sua solidão ela sai à procura do Tatuador para que lhe imprima na carne todo o seu amor a Deus. Ao contrário das figuras religiosas, ela agora se mistura com o que há de mais real, as figuras do povo. Pode então dar prosseguimento ao Circo, ao novo circo que tem sua marca de misticismo. Ali, a domadora adquire um Poder além do chicote, o das imagens sagradas em seu corpo tatuado, que faz com que as feras se amansem. Como líder do Circo, Margareth apresenta o número de trapezistas, liderados por Ludwig, por quem se apaixona e casa. Num dueto de amor começa a agonia de Ludwig, que morre por não poder satisfazer seu desejo, já que as imagens sagradas o tornam impotente. Margareth introduz o número dos homens-fera, onde se encontra Rudolf, que a possui violentamente e em seguida morre, também ele perturbado por suas tatuagens sagradas. Já alucinada por esse misto de sexo e Deus, Margareth dá à luz, sozinha, às gêmeas Marie e Helene. Marie e Helene, a purificação final da dinastia, transcendem à própria arte do circo e se tornam personagens-santas, santidade que é a essência de todo artista. Elas se embalam, envoltas por mães e pais vindos do povo, como que a lembrar-lhes da vida real. Que elas só existem porque eles existem. É o povo que dá vida ao artista. Atraídos por essas figuras iluminadas, surgem os Banqueiros. Grupo ameaçador, imagem do poder, elemento repressor e antropofágico do artista-povo. Tentam possuí- las e seduzi-las para seu mundo, mas serão afugentados pela inocência das crianças, do povo, público mais puro e fiel do circo. E o encontro artista-criança, elementos essenciais para a realização mágica do espetáculo. Dessa união máxima de essências, acontece a Levitação. Marie e Helene apresentam seus poderes santificados, flutuando no ar sem mais truques circenses *, mas com o poder do artista-santo. Além da vida e da morte, do mundo da arte, surgem as personagens que geraram essas gêmeas. É como se cada um quisesse transmitir-lhes, e a nós também, seus ensinamentos, suas dúvidas, sua imortalidade. A idéia do eterno caminhar lado a lado do artista-povo, explode na canção final, numa imagem que se renova através das gerações, num contínuo chegar e partir para estradas, deixando sempre atrás de si, nesse grande circo da vida, a Imagem da Arte.

1. *Na levitação são utilizadas as tradicionais figuras de preto do Teatro Japonês e do Teatro Negro de Praga, nos quais se estabeleceu um código de que essas figuras são invisíveis.

CENAS DO SEGUNDO ATO

CENA XIV - Margareth está tomada por uma crise de misticismo e tem um encontro com uma procissão de freiras brancas. O circo, Na figura do palhaço tenta atraí-Ia por todos os meios, sem resultado.

OREMUS - Coral (Margareth, O Iluminado, Os Anjos Brancos, Palhaço com Rosa, Freiras Brancas) CENA XV

OREMUS - Coral

(Margareth, O Iluminado, Os Anjos Brancos, Palhaço com Rosa, Freiras Brancas)

CENA XV - Em sua alucinação Margareth declara o seu amor por Cristo e se deixa envolver por figuras de anjos brancos que a acompanharão a vida toda. MEU NAMORADO (Canção por Simone) (Margareth, O Iluminado, Os Anjos Brancos)

MEU NAMORADO

Ele, vai me possuindo Não me possuindo Num canto qualquer É como as águas fluindo Fluindo até o fim É bem assim que ele me quer Meu namorado Meu namorado Minha morada é onde for morar você Ele vai me iluminando Não iluminando Um atalho sequer Sei que ele vai me guiando Guiando de mansinho Pro caminho que eu quiser Meu namorado Meu namorado Minha morada é onde for morar você Vejo meu bem com os seus olhos E é com meus olhos que o meu bem me vê

CENA XVI As sombras desaparecem e na sua solidão irrompe o palhaço que a atrai e lhe apresenta o tatuador. Ao contrário das figuras religiosas ela agora se mistura com o que há de mais real, as figuras do povo . O tatuador acaba por lhe imprimir na carne todo o seu amor a Deus. Pode então dar prosseguimento ao circo, ao novo circo que tem sua marca de misticismo. O Tatuador (Instrumental) (Margareth,O Tatuador, Outros Personagens)

CENA XVII - Margareth encontra Ludwig o astro dos trapezistas. Agora ela adquire um novo poder, além do chicote, o das imagens sagradas em seu corpo tatuado que faz com que as feras se amansem.

MARGARETH ENTRE AS FERAS (Instrumental)

(Margareth, Ludwig, As feras) CENA XVIII- Como líder do circo, Margareth apresenta o número dos trapezistas liderados por Ludwig.

LUDWIG E OS TRAPEZISTAS (Instrumental)

(Ludwig, Margareth, Os Trapezistas)

CENA XIX - Margareth se apaixona por Ludwig e casa com ele. Num dueto de amor Margareth, sempre acompanhada pelo seu anjo da guarda, assiste à gradual agonia e

morte do seu amado que morre por não poder satisfazer o seu desejo, já que as

morte do seu amado que morre por não poder satisfazer o seu desejo, já que as imagens sagradas o tornam impotente. SOBRE TODAS AS COISAS (Canção por Gilberto Gil) (Margareth, Ludwig, O Anjo Branco, Outros Personagens)

SOBRE TODAS AS COISAS

Pelo amor de Deus Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem

Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém Abandonado pelo amor de Deus Ao Nosso Senhor Pergunte se Ele produziu nas trevas o esplendor

Se tudo foi criado - o macho, a fêmea, o bicho, a flor Criado pra adorar o Criador Inventou a criatura por favor Se do barro fez alguém com tanto amor Para amar Nosso Senhor Não, Nosso Senhor Não há de ter lançado em movimento terra e céu Estrelas percorrendo o firmamento em carrossel Pra circular em torno ao Criador Ou será que o deus Que criou nosso desejo é tão cruel Mostra os vales onde jorra o leite e o mel E esses vales são de Deus

Pelo amor de Deus

Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem

Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém Abandonado pelo amor de Deus

CENA XX- Margareth introduz o número dos homens-fera. RUDOLF E O HOMEM-FERA (Instrumental) (Rudolf, Homens-Fera)

A BELA E A FERA

Houve a declaração, oh bela De um sonhador titã Um que dá nó em paralela E almoça rolimã O homem mais forte do planeta Tórax de Superman Tórax de Superman E coração de poeta Não brilharia a estrela, oh bela Sem noite por detrás Tua beleza de gazela Sob o meu corpo é mais Uma centelha num graveto Queima canaviais Queima canaviais Quase que eu fiz um soneto Mais que na lua ou no cometa

Ou na constelação O sangue impresso na gazeta Tem mais inspiração No bucho do analfabeto Letras

Ou na constelação O sangue impresso na gazeta Tem mais inspiração No bucho do analfabeto Letras de macarrão Letras de macarrão Fazem poema concreto Oh bela, gera a primavera Aciona o teu condão Oh bela, faz da besta-fera Um príncipe cristão Recebe o teu poeta, oh bela Abre teu coração Abre teu coração Ou eu arrombo a janela.

CENA XXII- Alucinada por esse misto de sexo e Deus, Margareth dá a luz, sozinha, as gêmeas Marie e Helene. PASSAGEM DE MARGARETH GRÁVIDA ( Instrumental) ( Margareth, Marie, Helene ( filhas de Margareth), outros personagens)

CENA XXIII- Marie e Helene, a purificação final da dinastia, transcende a própria arte do circo e se tornam personagens santas, santidade que é a própria essência do artista. Elas se embalam, envoltas por mães e pais vindos do povo, como a que lembrar-lhes a vida real. Que elas só existem porque eles existem. É o povo que dá a vida ao artista. O CIRCO MÍSTICO (Canção por Zizi Possi) ( Marie, Helene, Os Pais e as Mães)

O CIRCO MÍSTICO

Não sei se é um truque banal Se um invisível cordão Sustenta a vida real Cordas de uma orquestra Sombras de um artista Palcos de um planeta

E as dançarinas no grande final Chove tanta flor Que, sem refletir Um ardoroso espectador Vira colibri Qual Não sei se é nova ilusão Se após o salto mortal Existe outra encarnação Membros de um elenco Malas de um destino Partes de uma orquestra Duas meninas no imenso vagão Negro refletor Flores de organdi E o grito do homem voador

Ao cair em si Não sei se é vida real Um invisível cordão Após o salto

Ao cair em si Não sei se é vida real Um invisível cordão Após o salto mortal

CENA XXIV - Atraídos por essas figuras iluminadas surgem os banqueiros. Grupo ameaçador, imagem do poder, elemento repressor e antropofágico do artista-povo. Tentam possuí-Ias e seduzi-Ias para seu mundo. DANÇA DOS BANQUEIROS (Instrumental) (Marie, Helene , Os banqueiros)

CENA XXV - Eles são afugentados pela inocência das crianças, do povo, o público mais puro e fiel do circo. É o encontro artista-criança, elementos essenciais para a realização-mágica do espetáculo. CIRANDA DA BAILARINA ( Coral de Crianças) (Marie, Helene, As crianças)

Procurando bem Todo mundo tem pereba Marca de bexiga ou vacina E tem piriri, tem lombriga, tem ameba Só a bailarina que não tem E não tem coceira Berruga nem frieira Nem falta de maneira Ela não tem Futucando bem Todo mundo tem piolho Ou tem cheiro de creolina Todo mundo tem um irmão meio zarolho Só a bailarina que não tem Nem unha encardida Nem dente com comida Nem casca de ferida Ela não tem Não livra ninguém Todo mundo tem remela Quando acorda às seis da matina Teve escarlatina ou tem febre amarela Só a bailarina que não tem Medo de subir, gente Medo de cair, gente Medo de vertigem Quem não tem Confessando bem Todo mundo faz pecado Logo assim que a missa termina Todo mundo tem um primeiro namorado Só a bailarina que não tem Sujo atrás da orelha

Bigode de groselha Calcinha um pouco velha Ela não tem O padre também Pode até ficar

Bigode de groselha Calcinha um pouco velha Ela não tem O padre também Pode até ficar vermelho

Se o vento levanta a batina Reparando bem, todo mundo tem pentelho Só a bailarina que não tem Sala sem mobília Goteira na vasilha Problema na família Quem não tem Procurando bem

Todo mundo tem…

CENA XXVI- Na união máxima de todas essas essências acontece a levitação. Marie e Helene apresentam seus poderes santificados, flutuando no ar sem mais truques circenses mas com o poder do artista santo. (§) Na levitação são utilizadas as figures tradicionais de preto do Teatro Japonês e do Teatro Negro de Praga, nos quais se estabelecem um código de que essas figuras são invisíveis. LEVITAÇÃO DE MARIE E HELENE (Instrumental)

CENA XXVII- Além da vida e da morte, no mundo da arte, surgem as personagens que geraram estas gêmeas. É como se cada um quisesse transmitir-lhes e a nós também seus ensinamentos, suas dúvidas, sua imortalidade. A idéia do eterno caminhar lado a lado do artista-povo, explode na canção final, numa imagem que se renova através das gerações, num contínuo chegar e partir para estradas, deixando sempre atrás de si nesse grande circo da vida, a imagem da Arte. NA CARREIRA (Canção de Chico Buarque e Edu Lobo) (Toda a Companhia)

NA CARREIRA

Pintar, vestir Virar uma aguardente Para a próxima função Rezar, cuspir Surgir repentinamente Na frente do telão Mais um dia, mais uma cidade Pra se apaixonar Querer casar Pedir a mão Saltar, sair Partir pé ante pé Antes do povo despertar Pular, zunir Como um furtivo amante Antes do dia clarear As pistas de que um dia Ali já foi feliz

Criar raiz E se arrancar Hora de ir embora Quando o corpo quer ficar Toda alma

Criar raiz E se arrancar Hora de ir embora Quando o corpo quer ficar Toda alma de artista quer partir

Arte de deixar algum lugar Quando não se tem pra onde ir Chegar, sorrir Mentir feito um mascate Quando desce na estação Parar, ouvir Sentir que tatibitate Que bate o coração Mais um dia, mais uma cidade Para enlouquecer O bem-querer O turbilhão Bocas, quantas bocas A cidade vai abrir

Pr’uma alma de artista se entregar

Palmas pro artista confundir Pernas pro artista tropeçar Voar, fugir Como o rei dos ciganos Quando junta os cobres seus Chorar, ganir Como o mais pobre dos pobres Dos pobres dos plebeus Ir deixando a pele em cada palco E não olhar pra trás E nem jamais Jamais dizer Adeus

Personagens

Frederico

Filho do médico de câmara da imperatriz Teresa da Áustria. Deveria ser médico também, mas se apaixonou pela equilibrista Agnes (Beatriz) e acabou no circo. Fundou a dinastia dos Knieps, que serviu de inspiração para o poema de Jorge de Lima. E se destaca o duo ao som de Beatriz,

gravada por Milton Nascimento.

Beatriz

Artista de circo por quem Frederico se apaixona e se casa. No poema, chamava-se Agnes, mas Chico Buarque mudou o nome quando compôs a

música do balé que mais tem regravações.

Charlotte

Filha de Frederico e Beatriz, Charlotte se casa com o clown, no último mês de gravidez, ao som de Opereta do Casamento. Nascem Oto e Marie.

Lily Braun A grande deslocadora se casa com Oto, o neto de Beatriz. Sua história é

Lily Braun

A grande deslocadora se casa com Oto, o neto de Beatriz. Sua história é contada na voz de Gal Costa. A moça tem um santo tatuado no ventre.

Margarete

Filha de Lily Braun. Quer entrar para o convento, mas o pai Oto não concorda. Casa-se com o trapezista Ludwig e um dia resolve tatuar a Via Sacra do Senhor dos Passos em seu corpo. As imagens afastam os leões, o tigre e o marido. É estuprada pelo ateu e boxeur Rudolf, que se converte e morre depois do ato. A personagem tem cinco músicas em sua história, entre as quais Meu Namorado e A Bela e a Fera.

Marie e Helene

Gêmeas que nascem do estupro de Margarete, são a grande atração de O

Grande Circo Místico. Diz o poema que elas se apresentam nuas, mas conservam as almas puras. Levitam em cena, é pureza mesmo aí reside a verdadeira história do circo místico.

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