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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA - UFSC

CENTRO TECNOLÓGICO - CTC

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL - ECV

ANA PAULA SUELI NICOLAU

STEPHANIE THIESEN

ANÁLISE HIDRODINÂMICA E DE PADRÕES DE TRANSPORTE DE SEDIMENTOS

E PROPOSTAS PARA A RECUPERAÇÃO DA PRAIA DA ARMAÇÃO

DO PÂNTANO DO SUL – FLORIANÓPOLIS/SC

FLORIANÓPOLIS/SC

2011

Ana Paula Sueli Nicolau

Stephanie Thiesen

ANÁLISE HIDRODINÂMICA E DE PADRÕES DE TRANSPORTE DE SEDIMENTOS

E PROPOSTAS PARA A RECUPERAÇÃO DA PRAIA DA ARMAÇÃO

DO PÂNTANO DO SUL – FLORIANÓPOLIS/SC

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à disciplina ECV 5513 do Curso de Graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Catarina como requisito à obtenção do título de Engenheiro Civil.

Orientador: Prof o Marcos Aurélio Marques Noronha, Dr.

FLORIANÓPOLIS/SC

2011

ANA PAULA SUELI NICOLAU

STEPHANIE THIESEN

ANÁLISE HIDRODINÂMICA E DE PADRÕES DE TRANSPORTE DE SEDIMENTOS

E PROPOSTAS PARA A RECUPERAÇÃO DA PRAIA DA ARMAÇÃO

DO PÂNTANO DO SUL – FLORIANÓPOLIS/SC

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à disciplina ECV 5513 do Curso de Graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Catarina como requisito à obtenção do título de Engenheiro Civil.

Florianópolis (SC), junho de 2011.

Prof. o Eng. o Civil Marcos Aurélio Marques Noronha, Dr.

Professor Orientador

Oceanógrafo Rafael Bonanata, M.Sc.

Membro da banca examinadora

Eng.° Civil Rinaldo Manoel da Silveira

Membro da banca examinadora

Oceanógrafo Rodrigo Barletta, Dr.

Membro da banca examinadora

AGRADECIMENTOS

Aos meus pais, Luiz Carlos e Sueli, pelo apoio não somente nesta, mas em toda minha caminhada Aos meus queridos irmãos, Josiani e Luiz Henrique, por compartilharem sempre comigo as minhas conquistas Ao meu namorado Carlo, por toda compreensão, paciência e incentivo

À minha parceira, deste e de muitos outros desafios enfrentados durante a vida

acadêmica, pela competência, garra, companheirismo e amizade

E a todos aqueles que estiveram ao meu lado, me incentivando, dando forças e acreditando em meu potencial.

Ana Paula Nicolau

À Vida

À família (Mami, Papi, Opa, Vô Juca, Allan, Natália) Ao Brian Ao PET Aos amigos

À parceira de todos os momentos Ana Paula, pela conduta, desempenho, paciência. Stephanie Thiesen

Ao Professor e orientador Marcos Aurélio Marques Noronha, pela compreensão e apoio essenciais para a realização deste trabalho Ao Luiz Antônio Costa, pela colaboração solícita para realização desse desafio

E em especial aos novos amigos Rodrigo Barletta e Rafael Bonanata, pela presteza

e apoio incondicional. Profissionais de excelência sempre dispostos a compartilhar suas experiências.

Ana Paula Nicolau e Stephanie Thiesen

“A mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original.”

Albert Einstein

RESUMO

Tomando-se conhecimento do severo fenômeno de erosão sofrido pela praia da Armação do Pântano do Sul, localizada em Florianópolis/SC, durante os meses de abril e maio de 2010, o presente trabalho teve por objetivo principal entender e avaliar os processos hidrodinâmicos e de padrões de transporte de sedimentos atuantes na região. Este estudo de caso considerou em suas análises a altura significativa de onda, correntes geradas pelas ondas e o transporte potencial de sedimentos, tanto para a situação em que a Praia encontra-se atualmente, quanto para implementação de diferentes tipos de obras rígidas que visem sua recuperação. Para isso, primeiramente buscou-se compreender o equilíbrio em planta da Praia, através do modelo parabólico de Hsu, e posteriormente, por meio de modelagens numéricas, traçar um modelo conceitual básico de comportamento da região. A influência de diferentes estruturas rígidas (quebra-mar e espigão) em posicionamentos diversos possibilitou um conhecimento evolutivo das respostas hidrodinâmicas e de padrões de transporte de sedimentos para a área estudada. A partir de tal análise, foi possível verificar bons resultados na implementação de estruturas rígidas como campo de quebra-mares e espigão combinados com aterro hidráulico no flanco curvo da Praia. Assim, apesar das propostas apresentarem-se em caráter conceitual, o trabalho mostra-se efetivo quando utilizado como ferramenta auxiliar na tomada de decisão.

Palavras-chave: Praia da Armação do Pântano do Sul, Erosão Costeira, Modelo de funcionamento Hidrodinâmico, Intervenção.

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

4

4

Figura 3: Configuração da Praia da Armação Figura 4: Consequência dos fenômenos meteorológicos na Praia da Armação Figura 5: Trecho da praia com erosão acentuada Figura 6: Execução da obra emergencial na Praia da Armação – Dique de

7

6

5

Figura 1: Localização da Ilha de Santa Catarina - Florianópolis Figura 2: Localização e extensão da Praia da Armação

 

Enrocamento

8

Figura 7: Acompanhamento realizado após a execução da obra emergencial

8

Figura

8:

Direção Predominante dos Ventos

9

Figura 9: Ondógrafo, fundeio e localização

11

Figura 10: Variação Longitudinal da Morfodinâmica da Praia da Armação

14

Figura 11: Vulnerabilidade à erosão costeira na Praia da Armação – (a) I.V. – Anual; (b) I.V. - Decadal. 1- Altura de onda na quebra; 2- Inclinação de face litorânea; 3- Altimetria média da orla; 4- Velocidade residual de corrente longitudinal; 5- Tamanho médio de grão da face praial; 6- Declividade média da face praial; 7- Largura média de pós praia; 8- Balanço Potencial

17

Figura 12: Variações temporais na linha de costa na praia da Armação (1938-

de Sedimentos

2002)

19

Figura 13: Compartimentos de uma praia de enseada

22

Figura 14: Definição dos pontos de controle

23

Figura 15: Carta Náutica 1904

25

Figura 16: Digitalização da batimetria, Carta Náutica 1904 – Software SMS

26

Figura 17: Espectros - Ondulação de Sudeste

28

Figura 18: Espectros - Vaga de Leste

29

Figura 19: Espectros - Vaga de Nordeste

30

Figura 20: Lançamento das malhas para ondulações de: a) Sudeste b) Leste c)

Nordeste

32

Figura 21: Definição da direção das ondas dominantes

33

Figura 22: Etapas da elaboração do MP. a) Entrada de dados – linha de costa e

34

batimetria b) Lançamento e ajuste do MP c) Praia de Equilíbrio

Figura 23: Dimensões da linha de costa analisada

35

Figura 24: Variação da largura da parte emersa da Praia – Zona Ativa

35

Figura 25: Ondulação de Sudeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de

37

Figura 26: Ondulação de Sudeste – a) Correntes geradas pela onda. b) Transporte

38

Figura 27: Ondulação de Leste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda

39

Figura 28: Ondulação de Leste – a) Corrente gerada pela onda. b) Transporte de

40

Figura 29: Ondulação de Nordeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de

onda

de

onda

41

Figura 30: Ondulação de Nordeste – a) Corrente gerada pela onda. b) Transporte de

 

42

Figura 31: Características Morfodinâmicas da Praia da Armação

44

Figura 32: Hipótese de antigas fontes de sedimentos

45

Figura 33: Proposta 1 – Análise em planta da linha de costa pelo Modelo Parabólico.

47

Figura 34: Proposta 1, ondulação de Sudeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b)

48

Figura 35: Proposta 1, ondulação de Sudeste – a) Correntes geradas pela onda. b)

49

Figura 36: Proposta 1, ondulação de Leste – a) Diagrama das cristas e cavas. b)

50

Figura 37: Proposta 1, ondulação de Leste – a) Corrente gerada pela onda. b)

Altura de onda significativa

Transporte de sedimentos

Altura de onda significativa

Transporte de sedimentos

51

Figura 38: Proposta 1, ondulação de Nordeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b)

52

Figura 39: Proposta 1, ondulação de Nordeste – a) Corrente gerada pela onda. b)

53

Figura 40: Proposta 2 – Indicação da região de engordamento por meio do Modelo

55

Altura de onda significativa

Transporte de sedimentos

Parabólico

Figura 41: Proposta 2, ondulação de Sudeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b)

56

Figura 42: Proposta 2, ondulação de Sudeste – a) Correntes geradas pela onda. b)

57

Figura 43: Proposta 2, ondulação de Leste – a) Diagrama das cristas e cavas. b)

58

Figura 44: Proposta 2, ondulação de Leste – a) Corrente gerada pela onda. b)

59

Figura 45: Proposta 2, ondulação de Nordeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b)

60

Figura 46: Proposta 2, ondulação de Nordeste – a) Corrente gerada pela onda. b)

Altura de onda significativa

Transporte de sedimentos

Altura de onda significativa

Transporte de sedimentos

Altura de onda significativa

Transporte de sedimentos

61

Figura 47: Proposta 3 – Lançamento dos espigões e do aterro hidráulico

63

Figura 48: Proposta 3, ondulação de Sudeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b)

64

Figura 49: Proposta 3, ondulação de Sudeste – a) Correntes geradas pela onda. b)

65

Figura 50: Proposta 3, ondulação de Leste – a) Diagrama das cristas e cavas. b)

66

Figura 51: Proposta 3, ondulação de Leste – a) Corrente gerada pela onda. b)

67

Figura 52: Proposta 3, ondulação de Nordeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b)

68

Figura 53: Proposta 3, ondulação de Nordeste – a) Corrente gerada pela onda. b)

69

Figura 54: Proposta 4 – Lançamento da estrutura. a) Disposição dos quebra-mares para formação de saliências por meio do modelo parabólico de Hsu. b)

Altura de onda significativa

Transporte de sedimentos

Altura de onda significativa

Transporte de sedimentos

Altura de onda significativa

Transporte de sedimentos

Arranjo final das estruturas

71

Figura 55: Proposta 4, ondulação de Sudeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b)

72

Figura 56: Proposta 4, ondulação de Sudeste – a) Correntes geradas pela onda. b)

73

Altura de onda significativa

Transporte de sedimentos

Figura 57: Proposta 4, ondulação de Leste – a) Diagrama das cristas e cavas. b)

74

Figura 58: Proposta 4, ondulação de Leste – a) Corrente gerada pela onda. b)

75

Figura 59: Proposta 4, ondulação de Nordeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b)

76

Figura 60: Proposta 4, ondulação de Nordeste – a) Corrente gerada pela onda. b)

77

Figura 61: Proposta 5 – Lançamento da estrutura. a) Disposição dos quebra-mares para formação de saliências pelo modelo parabólico de Hsu. b) Arranjo

80

Figura 62: Proposta 5, ondulação de Sudeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b)

Altura de onda significativa

Transporte de sedimentos

Altura de onda significativa

Transporte de sedimentos

final das

Altura de onda significativa

81

Figura 63: Proposta 5, ondulação de Sudeste – a) Correntes geradas pela onda. b)

82

Figura 64: Proposta 5, ondulação de Leste – a) Diagrama das cristas e cavas. b)

83

Figura 65: Proposta 5, ondulação de Leste – a) Corrente gerada pela onda. b)

84

Figura 66: Proposta 5, ondulação de Nordeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b)

85

Figura 67: Proposta 5, ondulação de Nordeste – a) Corrente gerada pela onda. b)

86

Figura 68: Proposta 6 – Lançamento da estrutura. a) Disposição dos quebra-mares para formação de saliências por meio do modelo parabólico de Hsu. b)

88

Figura 69: Proposta 6, ondulação de Sudeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b)

89

Figura 70: Proposta 6, ondulação de Sudeste – a) Correntes geradas pela onda. b)

90

Figura 71: Proposta 6, ondulação de Leste – a) Diagrama das cristas e cavas. b)

Transporte de sedimentos

Altura de onda significativa

Transporte de sedimentos

Altura de onda significativa

Transporte de sedimentos

Arranjo final das estruturas

Altura de onda significativa

Transporte de sedimentos

Altura de onda significativa

91

Figura 72: Proposta 6, ondulação de Leste – a) Corrente gerada pela onda. b)

92

Figura 73: Proposta 6, ondulação de Nordeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b)

93

Figura 74: Proposta 6, ondulação de Nordeste – a) Corrente gerada pela onda. b)

Transporte de sedimentos

Altura de onda significativa

Transporte de sedimentos

94

Figura 75: Implantação das estruturas rígidas e ocupação litorânea

95

Figura 76: Cenário Futuro Proposta 6, ondulação de Sudeste – a) Diagrama das

96

Figura 77: Cenário Futuro Proposta 6, ondulação de Sudeste – a) Correntes geradas

97

Figura 78: Cenário Futuro Proposta 6, ondulação de Leste – a) Diagrama das cristas

98

Figura 79: Cenário Futuro Proposta 6, ondulação de Leste – a) Corrente gerada pela

99

Figura 80: Cenário Futuro Proposta 6, ondulação de Nordeste – a) Diagrama das

100

Figura 81: Cenário Futuro Proposta 6, ondulação de Nordeste – a) Corrente gerada

cristas e cavas. b) Altura de onda

pela onda. b) Transporte de

e cavas. b) Altura de onda

onda. b) Transporte de sedimentos

cristas e cavas. b) Altura de onda

pela onda. b) Transporte de

101

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Padrões de ondas para o litoral de Santa Catarina

12

Tabela 2: Ocorrência simultânea dos sistemas

13

Tabela 3: Características das Praias do Sul de Florianópolis

13

Tabela 4: Dados granulométricos da Praia da Armação do Pântano do Sul

14

Tabela

5:

Fatores relacionados à erosão costeira

15

Tabela 6: Regras para tornar as variáveis como indicadores de erosão

16

Tabela 7: Dados gerais de variação da linha de costa expressos em taxas anuais e

variação longitudinal ao longo dos perfis, por praias e de forma geral

19

Tabela 8: Padrões de ondas utilizados na modelagem

27

SUMÁRIO

 

RESUMO

i

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

ii

LISTA DE TABELAS

vii

 

SUMÁRIO

8

INTRODUÇÃO

1

OBJETIVOS

2

 

Geral

2

Específicos

2

JUSTIFICATIVA

3

1.

ÁREA DE ESTUDO

4

1.1. Erosão da Praia

5

1.2. Caracterização da área de estudo

8

1.2.1. Clima e Meteorologia

9

1.2.2. Ventos

9

1.2.3. Marés

10

1.2.4. Regime de Ondas

10

1.2.5. Características Morfodinâmicas

13

1.2.6. Estudo de Vulnerabilidade

14

2.

METODOLOGIA

20

2.1. Modelo Empírico – Parábola de Hsu

20

2.2. Modelo

Numérico

24

2.2.2.

Definição dos casos de ondas para as simulações numéricas

27

2.3.

Malha

31

3.

RESULTADOS

33

3.1.

Modelo Empírico – Caracterização da Praia

33

3.2.

Modelagem Numérica – Situação Atual

36

3.3.

Definição do Modelo Conceitual

44

3.4.

Resultados das Simulações das Propostas de Intervenção

45

3.4.1.

Proposta 1 – Espigão na Ilha das Campanhas

47

3.4.2.

Proposta 2 – Espigão na Ilha das Campanhas Combinado com Aterro

Hidráulico

55

3.4.3. Proposta 3 – Espigão na Ilha das Campanhas Combinado com Aterro

63

Hidráulico e Miniespigão na Praia

3.4.4. Proposta 4 - Espigão na Ilha das Campanhas

Hidráulico e Campo de Três Quebra-Mares

Combinado com Aterro

71

3.4.5. Proposta 5 - Espigão na Ilha das Campanhas Combinado com Aterro

79

Hidráulico e Campo de Cinco Quebra-Mares

3.4.6. Proposta 6 - Espigão na Ilha das Campanhas Combinado com Aterro

Hidráulico e Campo de Quatro Quebra-Mares

88

3.4.7.

Discussão de Resultados

103

CONCLUSÃO

106

REFERÊNCIAS

107

ANEXOS

ANEXO I – REFERENCIAL TEÓRICO

I.A.

Ondas

114

I.A.a.

Origem das ondas

116

I.A.b. Conformação das ondas rasas, intermediárias e profundas

117

I.A.c.

Classificação das ondas

120

I.A.c.1.Capilar

 

120

I.A.c.2.Vagas(Sea)

120

I.A.c.3.Ondulações (Swell)

120

I.A.c.4.Seiche (Clapotis)

121

I.A.c.5.Tsunami

 

122

I.A.c.6 Marés

122

I.A.c.7.Evolução do espectro de ondas

122

I.B.

Efeitos da Propagação de Ondas de Águas Profundas para Rasas

124

I.B.a.

Refração

124

I.B.b.

Empolamento

125

I.B.c.

Difração

126

I.B.d.

Arrebentação

127

I.B.d.1.Arrebentação Progressiva ou Derramante (Spilling)

128

I.B.d.2.Arrebentação

Mergulhante (Plunging)

129

I.B.d.3.Arrebentação Colapsante (Collapsing)

130

I.B.d.4Arrebentação Oscilante (Surging)

130

I.B.e. Reflexão

 

131

I.C.

Processos

Litorâneos

131

I.C.a. Correntes induzidas pelas ondas e Transporte de sedimentos

132

I.D.

Praias Arenosas

133

I.E.

Erosão e Deposição Praial

134

I.F.

Morfodinâmica

135

I.F.a. Praias Dissipativas

136

I.F.b.

Praias

Reflectivas

137

I.F.c.

Praias

Intermediárias

137

I.G.

Obras de Defesa dos Litorais

138

I.G.a.

Obras longitudinais

139

I.G.b.

Espigões

140

I.G.c.

Quebra-mares destacados da costa

141

I.G.d.

Alimentação artificial de praias

142

I.G.e.

Dragagem

143

ANEXO II – MATRIZ DE COMPARAÇÃO DOS RESULTADOS

01/03 – Ondulação de Leste

02/03– Ondulação de Nordeste

03/03 – Ondulação de Sudeste

ANEXO III – MATRIZ DIFERENÇAS DOS RESULTADOS

01/03 – Ondulação de Leste

02/03– Ondulação de Nordeste

03/03 – Ondulação de Sudeste

INTRODUÇÃO

As praias constituem um sistema dinâmico de interação entre ventos, água e areia, resultando em processos hidrodinâmicos, erosivos e deposicionais complexos (BROWN e MCLACHLAN, 1990). Charlier e Meyer (1998) evidenciam que os processos erosivos podem ser fruto da interferência antrópica. Em Santa Catarina, aproximadamente 68% (sessenta e oito) da população encontra-se na zona costeira (POLLETE et al., 1995). A ocupação em áreas impróprias, estimulada pelo desenvolvimento de atividades como turismo, transporte, pesca e indústria, tem desencadeado e até acelerado processos erosivos ao longo da costa (WISNER et al., 2004). Assim, a construção geomorfológica das linhas de costa é função de um conjunto de processos dinâmicos de erosão e deposição de sedimentos condicionados, diretamente, pelo nível energético dissipado por meio das ondas nas zonas costeiras e pela própria morfologia e ocupação da costa. Micallef e Williams (2002) destacam a importância do estudo da dinâmica da zona costeira, já que essa região configura-se como altamente vulnerável às modificações antrópicas e/ou naturais devido à interação com diferentes agentes de processos marinhos, continentais e atmosféricos. Tendo em vista esta complexidade de interações, o presente trabalho tem como objetivo principal conhecer e avaliar o regime hidrodinâmico e os padrões de transporte de sedimentos atuantes na praia da Armação do Pântano do Sul, em Florianópolis/SC. Esse estudo será fundamentado na dinâmica costeira da região por meio da análise da altura significativa de onda, correntes e transporte de sedimentos tanto para situação atual da Praia quanto para a proposição de alternativas de engenharia que visam a recuperação e manutenção da faixa de praia emersa.

OBJETIVOS

Geral

O presente trabalho tem por objetivo realizar um estudo acerca dos fenômenos de erosão presentes na praia da Armação do Pântano do Sul por meio de uma investigação dos processos hidrodinâmicos ocorrentes na região. A partir deste serão avaliadas sugestões de intervenção para a recuperação da praia.

Específicos

Diagnosticar a erosão costeira da Praia da Armação com base em uma teoria reconhecida para este fim;

Entender o funcionamento hidrodinâmico da Praia e a partir deste propor um modelo conceitual de comportamento para a praia;

Entender especificamente o funcionamento da Praia do ponto de vista de transporte sedimentar;

Propor alternativas para recuperação da praia baseadas no modelo conceitual apresentado e avaliar criteriosamente seus impactos.

JUSTIFICATIVA

Um dos principais problemas da zona costeira em todo o mundo é a erosão. No Brasil, país com extenso litoral, os estudos sobre erosão costeira são relativamente recentes, ganhando grande expressão a partir da década de 1990 (SOUZA et al.,

2005).

No País há centenas de praias onde o processo é bastante severo, requerendo medidas de recuperação ou contenção. Contudo, os instrumentos legais ambientais que tratam especificadamente das praias são escassos no Brasil, o que favorece muito o uso irregular e inadequado desses ambientes. As praias localizadas em áreas urbanas são as mais prejudicadas com a erosão costeira, já que a ocupação da interface entre o continente e o oceano favorece esse processo. No estado Santa Catarina, onde mais da metade da população encontra-se na zona costeira, a erosão vem causando sérios prejuízos materiais. Na praia da Armação do Pântano do Sul, localizada na capital do estado, em 50 anos a praia perdeu 40 metros de sua extensão, com grande aproximação do mar às construções (SIMÓ E HORN, 2004). Durante os meses de abril e maio de 2010 a praia da Armação do Pântano do Sul sofreu um fenômeno de intensa, rápida e progressiva erosão costeira, causando danos na área urbana e colocando em risco a segurança de seus moradores. Como consequência deste evento teve-se a fragilização de encostas, movimentação de massas de terra e destruição de residências. Em vista do problema ocorrente na praia da Armação, o presente trabalho tem a finalidade de gerar subsídios para a recuperação da praia, corroborando as tomadas de decisão em relação ao planejamento e gerenciamento costeiro desta região, tornando plenamente justificável e louvável do ponto de vista acadêmico e social a realização do mesmo.

1

ÁREA DE ESTUDO

A Praia da Armação do Pântano do Sul, situada entre as coordenadas geográficas 27°45’02’’S/48°30’03’’W e 27°43’24”S/48°30’15”W, está localizada na região Sudeste da Ilha de Santa Catarina – Florianópolis (Figura 1). Situada a 25 quilômetros do centro de Florianópolis, a praia possui uma extensão aproximada de 3.500 metros, orientada no sentido N-S, vide Figura 2 (MAZZER, 2007).

Santa Catarina
Santa Catarina

Figura 1: Localização da Ilha de Santa Catarina - Florianópolis Fonte: RUDORFF e BONETTI, 2010 - adaptado

Lagoa do

Peri

Praia da Armação Lagoa do Peri Pântano CentroSC - 406 do Sul 3.500 m
Praia da
Armação
Lagoa do
Peri
Pântano
CentroSC
- 406
do Sul
3.500 m

Figura 2: Localização e extensão da Praia da Armação Fonte: GOOGLE EARTH®, 2011 – Adaptado

A praia da Armação é limitada na porção Norte pelo promontório rochoso do Morro das Pedras e na porção sul pelo tômbolo formado entre a praia e a Ilha das Campanhas e pelo Rio Quinca Antônio (sangradouro da Lagoa do Peri), formando uma enseada em espiral. Destaca-se ao sul da região a Lagoa do Peri, a qual representa expressivo manancial de água doce. Por meio da Figura 3 pode-se visualizar a configuração da praia mencionada anteriormente.

Pântano do Sul Lagoa do Peri Rio Quinca Antônio Ilha Ponta das Campanhas Praia da
Pântano
do Sul
Lagoa do
Peri
Rio Quinca
Antônio
Ilha Ponta das
Campanhas
Praia da Armação
Morro das
Pedras

Figura 3: Configuração da Praia da Armação Fonte: GOOGLE EARTH®, 2011 – Adaptado

1.1. Erosão da Praia

As praias arenosas apresentam uma dinâmica própria em virtude da mobilidade dos sedimentos, transportados pelos efeitos constantes das ondas, correntes litorâneas, marés e ventos (SIMÓ e HORN, 2004). Estas praias estão sujeitas à ação erosiva durante eventos de alta energia e a deposições durante períodos de menor energia (KOMAR, 1983). Portanto, os eventos de alta energia (tempestades tropicais e extratropicais) através da ação conjunta de ondas de tempestade, correntes longitudinais e de retorno faz com que a grande totalidade das praias apresentem alguma suscetibilidade à erosão (SIMÓ e HORN, 2004). Além da contribuição dos eventos meteorológicos e oceanográficos, os processos erosivos também podem ser fruto da interferência antrópica. O grande desenvolvimento e crescimento demográfico, a ocupação em áreas inadequadas, estimulada pelo desenvolvimento de atividades como turismo, transporte, pesca e indústria, tem desencadeado e/ou acelerado processos erosivos ao longo da costa (WISNER et al., 2004).

Durante os meses de abril e maio de 2010 a praia da Armação do Pântano do Sul sofreu um fenômeno de intensa, rápida e progressiva erosão costeira, causando danos na área urbana e colocando em risco a segurança de seus moradores. O acelerado processo de erosão ocorreu devido aos eventos constantes e recorrentes de ressaca, ocasionados pela atuação em Santa Catarina de ciclones extratropicais que se formaram entre o Uruguai e o sul do País nos meses de abril e maio de 2010, os quais ocasionaram chuvas e ventos intensos, deixando o mar agitado com ondas de até quatro metros de altura. Segundo o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Ciram), somente entre estes dois meses foram verificadas a atuação de cinco ciclones extratropicais na costa catarinense. Como consequência destes eventos teve-se a fragilização de encostas, movimentação de massas de terra e destruição de residências (Figura 4). Consta nos registros da Defesa Civil municipal um levantamento de 21 residências ameaçadas, 5 parcialmente destruídas e 5 integralmente destruídas, afetando no total 31 residências e 80 moradores.

afetando no total 31 residências e 80 moradores. Figura 4: Consequência dos fenômenos meteorológicos na
afetando no total 31 residências e 80 moradores. Figura 4: Consequência dos fenômenos meteorológicos na
afetando no total 31 residências e 80 moradores. Figura 4: Consequência dos fenômenos meteorológicos na
afetando no total 31 residências e 80 moradores. Figura 4: Consequência dos fenômenos meteorológicos na

Figura 4: Consequência dos fenômenos meteorológicos na Praia da Armação Fonte: Defesa Civil municipal, 2010

Conforme relatório da SOTEPA, empresa responsável pela obra emergencial da praia executada em 2010, houve erosão severa em aproximadamente 1600 metros da costa e, segundo relatos de moradores, a faixa de areia erodida em alguns pontos atingiu 50 metros. Na Figura 5 pode-se verificar por contraste visual que o trecho da praia da Armação em que a erosão foi mais acentuada converge com a área de maior concentração demográfica da região. Como medida emergencial, a fim de se evitar a destruição de um número maior de residências e também de assegurar a segurança dos moradores da localidade, a Prefeitura de Florianópolis por intermédio da empresa SOTEPA executou na praia, em junho de 2010, uma

barreira artificial (vide Figura 6 e Figura 7). Esta barreira construída por meio de um dique de enrocamento longitudinal se estende ao longo da área mais crítica da praia (1.600 metros) chegando a atingir em alguns pontos altura de até 5 metros.

Segundo relatório da empresa, a obra teve como objetivo oferecer uma solução emergencial de proteção e contenção da linha de dunas e casas na referida praia. O problema de erosão acima explanado já era observado há mais de dez anos por moradores e até mesmo por órgãos públicos municipais e estaduais, porém, este vinha ocorrendo de forma lenta e progressiva.

e estaduais, porém, este vinha ocorrendo de forma lenta e progressiva. Figura 5: Trecho da praia

Figura 5: Trecho da praia com erosão acentuada

a)
a)
b)
b)
c)
c)

Figura 6: Execução da obra emergencial na Praia da Armação – Dique de Enrocamento Fonte: Fotografado por Marcelo Cabral Vaz, Júlio Cavalheiro e SOTEPA, respectivamente

Cabral Vaz, Júlio Cavalheiro e SOTEPA, respectivamente Figura 7: Acompanhamento realizado após a execução da
Cabral Vaz, Júlio Cavalheiro e SOTEPA, respectivamente Figura 7: Acompanhamento realizado após a execução da

Figura 7: Acompanhamento realizado após a execução da obra emergencial

1.2. Caracterização da área de estudo

Antes de um estudo mais aprofundado da praia da Armação é de primordial importância conhecer as características metereológicas e oceanográficas da região. O levantamento destas características, apresentado nos itens subsequentes, foi realizado por meio de uma revisão bibliográfica sobre a referida área de estudo.

1.2.1.

Clima e Meteorologia

A ilha de Santa Catarina apresenta clima do tipo subtropical úmido, com temperatura média oscilando entre 15° e 18°C no inverno e entre 24º e 26ºC no verão. Dados climáticos indicam temperatura média anual de 21,5°C, precipitação média anual de 1.492mm, ventos com velocidade média de 3,31m/s e umidade relativa do ar de 80% em média (NIMER, 1979). Nimer (1979) esclarece que as características climáticas da região ocorrem pela influência de quatro principais sistemas atmosféricos: Baixa Pressão Móvel Polar, Anticiclone do Atlântico Sul, Anticiclone do Pacífico Sul e Centro de Baixa Pressão do “Chaco”. Estes sistemas associam-se aos principais eventos meteorológicos, os quais têm influência direta nos processos morfodinâmicos da linha de costa e na forma de geração de ondas marítimas e de marés meteorológicas.

1.2.2. Ventos

Os ventos na região apresentam velocidade média de 3,31m/s, conforme já mencionado, sendo os de direção Norte e Nordeste os mais frequêntes (a de 47%) e os de quadrante sul os mais intensos (a de 32,5%), alcançando até 6,50m/s (MAZZER, 2007). A Figura 8 ilustra estas informações aa da direção predominante dos ventos.

8 ilustra estas informações aa da direção predominante dos ventos. Figura 8: Direção Predominante dos Ventos

Figura 8: Direção Predominante dos Ventos

1.2.3.

Marés

Na região de Florianópolis predomina o regime de micro maré, devido à sua baixa amplitude média (menor que 2 metros) de acordo com a tábua de marés para Florianópolis da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN, 2005) e regime semi- diurno (PEIXOTO,2005). Para a região de estudo, os efeitos meteorológicos são de grande importância e precisam ser considerados. Durante as marés meteorológicas podem ser observadas as maiores variações do nível do mar (responsáveis por provocar uma elevação de até um metro acima da maré astronômica), devido à passagem de sistemas frontais ciclônicos, ou frentes frias, que são acompanhados de fortes tempestades advindas do sul e sudeste, principalmente nos meses de outono e inverno. Segundo Mariotti e Franco (2001) o nível do mar encontra-se continuamente oscilando em resposta às forçantes astronômicas e meteorológicas. O levantamento mais recente referente ao comportamento maregráfico da Praia da Armação do Pântano do Sul, foi realizado pela Diretoria de Obras Hidráulicas (DIOH) através do convênio entre o Departamento de Edificações e Obras Hidráulicas (DEOH) e a Prefeitura Municipal de Florianópolis. Estes dados maregráficos foram levantados durante o período de 26 de março a 28 de dezembro de 2001, no qual se observou o nível do mar máximo de + 1,99 m e o mínimo de – 0,72 m durante este período de monitoramento.

1.2.4. Regime de Ondas

As informações sobre o regime de ondas na região foram obtidas através dos estudos realizados por Araújo et al. (2003) utilizando dados levantados entre 2002 e 2003 por um ondógrafo direcional - Datawell Waverider Mark II - fundeado a 35 km ao largo da praia da Armação, em uma profundidade de 80 metros (Figura 9). O instrumento foi fundeado pelo Laboratório de Hidráulica Marítima (LAHIMAR) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Mapa de localização do Ondógrafo Latitude: 27 o 44`S Longitude: 48 o 10`W Profundidade: 79m
Mapa de localização do Ondógrafo
Latitude: 27 o 44`S
Longitude: 48 o 10`W
Profundidade: 79m

Figura 9: Ondógrafo, fundeio e localização Fonte: MELO et al, 2003 - adaptado

Com base nos dados obtidos através do ondógrafo Araújo et al. (2003) identificaram cinco padrões de ondas para o litoral de Santa Catarina, consistindo em duas ondulações e três tipos de vagas: ondulações de sul e sudeste e vagas de leste, nordeste e sul. Os cinco grupos são descritos a seguir:

Sistema A: ondulação longa de sudeste com período de pico médio de 14,2 segundos e direção média de 146º, correspondente a ondulações distantes geradas em altas latitudes do Oceano Atlântico Sul.

Sistema B: ondulação de sul com período de pico médio de 11,4 segundos, com 162º referente a ondas geradas ao largo da costa do Rio Grande do Sul e Uruguai por ventos do quadrante sul que ocorrem após a passagem de frentes frias pela região.

Sistema C: vaga de leste com período de pico médio de 8,5 segundos com direção de 92º, representando um sistema de ondas estável associado com ventos de nordeste do sistema de alta-pressão semipermanente do Atlântico Sul.

Sistema D: vaga de nordeste de curto período de pico médio de 4,7 segundos e direção de 27º, relacionado com ventos do quadrante norte e nordeste de menor duração de tempo que ocorrem logo antes da chegada de uma frente fria.

Sistema E: vaga de sul com período de pico médio de 6,4 segundos associado a ventos de sul que sopram logo após a passagem dos sistemas frontais. Durante a primavera, este sistema mostra um padrão mais complexo, dividido-se em dois

sistemas pela análise estatística, um com período de 8,5 segundos e outro curto com 5,1 segundos, ambos advindos de sul. Na Tabela 1 encontra-se de forma resumida os cinco sistemas identificados por Araújo et al. (2003), bem como a altura significativa de onda e a frequência de ocorrência por intervalo de altura de onda destes sistemas.

Tabela 1: Padrões de ondas para o litoral de Santa Catarina

 

PRINCIPAIS TIPOS DE ONDAS OCORRENTES NO LITORAL DE SANTA CATARINA

 
     

Altura

   

Denominação

Direção em

águas profundas

Período de

Pico

significativa

de onda

Fr *

Frequencia (%) por intervalo de altura de onda

(Ɵ)

(Tp)

(H S )

(%)

0 - 1m

1 - 2m

2 - 3m

3 - 4m

4 - 5m

Ondulação de

146°

14,2s

1,50 a 2,0m

16,0

19,4

40,5

24,6

9,9

3,5

Sudeste

Ondulação de

162°

11,4s

1,25 a 2,0m

11,0

13,8

38,0

27,8

12,7

4,8

Sul

Vagas de

92°

8,5s

0,75 a 1,75m

10,0

22,2

42,0

23,0

8,5

>3,0

Leste

Vagas de

27°

4,7s

>0,75m

20,5

23,9

43,2

21,8

7,5

>3,0

Nordeste

Vagas de Sul

188°

6,4s

>1,0m

10,0

-

-

-

-

-

* Frequência Total

Fonte: ARAÚJO et al., 2003, apud MAZZER, 2007 - adaptado

Condições de alta energia de onda geralmente provem de ondulações de sul/sudeste, com períodos de pico acima de 11s e ondas maiores que 4 metros em águas profundas. Essas condições costumam ocorrer nos períodos de outono e inverno, entretanto ondas grandes podem ser encontradas em todas as estações do ano. As condições de baixa energia são associadas a vagas de leste/nordeste (ARAÚJO et al., 2003). Os padrões de onda mencionados podem ocorrer simultaneamente. Na Tabela 2 verificam-se as associações ocorrentes em cada estação do ano juntamente com a frequência de ocorrência destas. Araújo et. Al (2003) salientam que os sistemas de onda A, B e C ocorrem durante todo o ano na região.

Tabela 2: Ocorrência simultânea dos sistemas

OCORRÊNCIA SIMULTÂNEA DOS PADRÕES DE ONDAS NO LITORAL DE SANTA CATARINA

   

Estações do Ano

 

Sistemas

Primavera

Verão

Outono

Inverno

(%)

(%)

(%)

(%)

A

- B

1,1

7,3

4,9

19

A

- C

14,9

29,1

15,7

29,5

A

- D

3,2

1,6

11

10,1

B

- C

35,8

30,7

8,5

4,1

B

- D

15,7

11,1

22,5

20

B

- E

4,2

5,5

11,8

3,1

B

- F

11,7

-

-

 

C

- D

4,2

4,4

10,6

2,7

Fonte: ARAÚJO et al., 2003

1.2.5. Características Morfodinâmicas

Durante os últimos anos foram realizados diversos estudos destinados a descrever os aspectos morfodinâmicos das praias de Santa Catarina. Estudos comprovam que as praias da porção sul da Ilha de Santa Catarina quando comparadas entre si apresentam ampla variação quanto aos aspectos relativos à extensão, morfodinâmica, ocupação antrópica, entre outros (MAZZER, 2007). Algumas destas características podem ser constatadas na Tabela 3 a seguir.

Tabela 3: Características das Praias do Sul de Florianópolis

 

CARACTERÍSTICAS DAS PRAIAS DO SUL DE FLORIANÓPOLIS

 

Praia

Extensão

Orientação

Exposição -

Fisiografia e

Sistemas

Tipo

Ocupação

(m)

Direção

Geomorfogia*

associados

Morfodinâmico

Antrópica

Praia da

   

Média

 

Desembocadura do

   

Solidão

1.344,9

NE-SW

SE,E

Praia de bolso

Rio Pacas

Dissipativa

Alta

Praia do Pântano do Sul / dos Açores

   

Média - Baixa S,SE

Enseada em

     

2.472,4

ENE-WSW

espiral

Dunas

Dissipativa

Alta e Baixa

           

Reflectiva

 

Praia da

Armação

3.500,0

N-S

Alta-Baixa NE, E, SE, S

Enseada em

espiral

Desembocadura do

Rio Sangradouro

Intermediária

Dissipativa

Variada

           

Reflectiva

 

Praia do

Matadeiro

1.226,8

NW-SE

Média

E, NE

Praia de bolso

Desembocadura do

Rio Sangradouro

Intermediária

Dissipativa

Alta e Média

Praia da

             

Lagoinha do

Leste

1.276,4

NNE-SSW

Alta NE, E, SE, S, SW

Praia de bolso

Desembocadura Lagunar e Dunas

Intermediária

Dissipativa

Ausente

Fonte: GRÊ et al, 1997; CASTILHOS, 1995, apud MAZZER, 2007

A Praia da Armação do Pântano do Sul é especialmente diferenciada quanto a sua morfodinâmica. A praia apresenta três diferentes estágios morfodinâmicos: ao

norte apresenta perfil reflexivo, no trecho central da praia apresenta perfil intermediário e ao sul perfil dissipativo, conforme ilustrado na Figura 10 (CASTILHOS, 1995, apud MAZZER, 2007).

ilustrado na Figura 10 (CASTILHOS, 1995, apud MAZZER, 2007). Figura 10: Variação Longitudinal da Morfodinâmica da

Figura 10: Variação Longitudinal da Morfodinâmica da Praia da Armação Fonte: Relatório SOTEPA, 2010

Horn (2006) por meio da coleta de amostras de sedimentos e análises laboratoriais subsequentes possibilitou identificar as principais características granulométricas das areias praiais da ilha de Santa Catarina, dentre elas, a praia da Armação do Pântano do Sul. Conforme verifica-se na Tabela 4 a Praia apresenta no setor sul – perfil dissipativo e baixa energia de onda – granulometria fina e nos demais setores – perfil intermediário a reflexivo e energia de onda média – a granulometria aumenta em direção ao norte.

Tabela 4: Dados granulométricos da Praia da Armação do Pântano do Sul

 

DADOS GRANULOMÉTRICOS DA PRAIA DA ARMAÇÃO

 

Amostra

Localização

Diâmetro médio do grão

Classificação*

Desvio Padrão

Latitude

Longitude

phi

mm

phi

mm

 

1 27° 43' 25,4"

48° 30' 18,6"

0,13

0,91

areia grossa

0,58

0,67

 

2 27° 44' 17,3"

48° 30' 27,4"

0,22

0,86

areia grossa

0,63

0,65

 

3 27° 44' 58,4"

48° 30' 08,9"

2,07

0,24

areia fina

0,74

0,60

*Classificação pelo diâmetro do grão

Fonte: HORN, 2006

1.2.6. Estudo de Vulnerabilidade

O estudo de vulnerabilidade tem por finalidade estimar a ocorrência de erosões nas diversas porções da linha de costa. Mazzer (2007) destaca que a vulnerabilidade da linha de costa à erosão costeira está baseada em fatores

geológicos, geomorfológicos, oceanográficos, os quais atuam em diversas escalas de tempo. Dos estudos dos processos morfodinâmicos evidencia-se a importante questão do grau de risco à erosão da linha costeira, caracterizada por métodos de determinação de índices de vulnerabilidade. No relatório do projeto básico da obra emergencial da praia da Armação realizado pela empresa SOTEPA encontra-se um apanhado de diferentes métodos propostos na literatura sobre o assunto, processos esses que visam integrar de forma racional os diversos fatores naturais e antrópicos que podem ocasionar a erosão costeira (Tabela 5).

Tabela 5: Fatores relacionados à erosão costeira

FATORES NATURAIS

FATORES ANTRÓPICOS

• Elevação do nível do mar

• Redução e remoção dos sedimentos

• Tempestades

• Construção de barragem nos rios

• Declividade da plataforma continental

• Mudança nos canais de marés/barras

• Disponibilidade e tamanho dos sedimentos

• Molhes nas desembocaduras de rios

• Comportamento das ondas e dos ventos

• Construção de portos e piers

• Características das correntes marinhas

• Obras de enrocamento

• Descargas dos rios adjacentes

• Urbanização da orla

Fonte: Relatório SOTEPA, 2010

A Praia da Armação apresenta uma combinação de diversos fatores de risco, tanto naturais quanto antrópicos. Mazzer (2007) destaca que o local consiste numa praia exposta às ondulações dos quadrantes leste e sul e apresenta um grau de ocupação crescente em torno da costa. Em sua análise à vulnerabilidade Mazzer (2007) utilizou oito variáveis, as quais foram comparadas quanto a sua correlação com as taxas de variações da linha de costa interanual e interdecadal, obtidas por meio de aerofotos dos anos de 1938, 1978, 1994, 1998 e 2002. A indicação de processos de erosão costeira por parte das variáveis foi baseada no estabelecimento de uma regra simples, vide Tabela 6, através da qual foi possível realizar uma comparação com as taxas de erosão em escalas interdecadal e interanual resultando na obtenção de 3 índices de vulnerabilidade costeira: índice interanual, interdecadal e geral.

Tabela 6: Regras para tornar as variáveis como indicadores de erosão

 

QUANTO MAIOR A EROSÃO COSTEIRA:

1

Maior altura de onda (HB)

2

Maior ângulo de inclinação da face litorânea (IFL)

3

Menor a altitude da orla (ALT)

4

Maior a velocidade de corrente longitudinal residual (CLR)

5

Maior o tamanho de grão médio na face praial (TMG)

6

Menor inclinação média do estiräncio (IME)

7

Menor Largura de pós

8

Maior valor no índice de limites de células costeiras (ILCC)

Fonte: Mazzer, 2007

Com a análise e ponderação das oito variáveis citadas, Mazzer (2007) elaborou um mapa de vulnerabilidade à erosão costeira para a Praia da Armação do Pântano do Sul, conforme pode ser visualizado na Figura 11.

Figura 11: Vulnerabilidade à erosão costeira na Praia da Armação – (a) I.V. – Anual;

Figura 11: Vulnerabilidade à erosão costeira na Praia da Armação – (a) I.V. – Anual; (b) I.V. - Decadal. 1- Altura de onda na quebra; 2- Inclinação de face litorânea; 3- Altimetria média da orla; 4- Velocidade residual de corrente longitudinal; 5- Tamanho médio de grão da face praial; 6- Declividade média da face praial; 7- Largura média de pós praia; 8- Balanço Potencial de Sedimentos Fonte: Mazzer, 2007

Mazzer (2007) salienta que a altura média de onda teve grande importância na análise de vulnerabilidade costeira, estando amplamente correlacionada com a declividade da antepraia e com as taxas de erosão, em ambas as escalas. Os períodos adotados nesta análise (interdecadal e interanual) representam um bom período de avaliação uma vez que estudos realizados em uma escala de tempo de até 100 anos correspondem a um período importante em relação às influências antrópicas na orla marítima, devido ao fato de coincidir com um período de rápida evolução no desenvolvimento da sociedade humana (CROWEL et al., 1991). Leatherman (2003) ratifica que períodos de até 100 anos são de interesse humano por contemporizar possíveis processos de elevação do nível do mar e erosão costeira. Os estudos de Mazzer (2007) resultam que, de forma geral, está ocorrendo erosão costeira na área de estudo. Porém, em escala interdecadal, as taxas são em média três vezes maiores que as medidas em escala interanual, ainda que a amplitude de valores nesta última escala seja superior à primeira. Assim, o autor conclui que variações de respostas em escala interdecadal entre as praias ressaltam a influência da configuração espacial (orientação, exposição) e dos aspectos morfodinâmicos de médio prazo (estágio morfodinâmico, rotação praial). Já em escala interanual refletem as respostas aos processos ligados a eventos de alta energia e variações sazonais e interanuais, nas condições hidrodinâmicas e meteorológicas. SOTEPA, em seu relatório, destaca que no caso da praia da Armação, a escala interdecadal indica a tendência de um processo erosivo permanente. De fato, nas últimas 7 décadas esta praia registrou um recuo médio de 0,52m/ano (Tabela 7) onde alguns trechos sofreram diminuição de mais de 60m de linha costeira, como apresentado na Figura 12. Dentre os resultados encontrados por Mazzer (2007), o autor destaca que a praia da Armação apresenta no extremo norte perfil reflexivo e variações positivas da linha de costa, apresentando taxa máxima de até +0, 22 m/ ano, enquanto, em seu extremo sul, onde o perfil passa a apresentar-se dissipativo, as taxas de variação são negativas e podem alcançar -1,34 m/ano (Tabela 7).

Tabela 7: Dados gerais de variação da linha de costa expressos em taxas anuais e variação longitudinal ao longo dos perfis, por praias e de forma geral

 

DADOS GERAIS DE VARIAÇÃO DA LINHA DE COSTA

 
   

Taxa de variação (m/ano)

 

Variação da linha de costa (m)

recuo (-) avanço (+)

 

Nome da Praia

N° de

Período 1938-2002

Período 1998-2002

Período 1938-2002

Período 1998-2002

perfis

µ

σ

Mín./Máx.

µ

σ

Mín./Máx.

µ

σ

µ

σ

Praia da Solidão

12

-1,10 ±0,19

-1,4/-0,91

+0,22 ± 1,4

-2,23/2,97

-73,65 ± 5,15

+0,84 ± 5,39

Praia dos Açores / Pântano do Sul

59

-0,90 ±0,43

-1,80/0,07

-1,15 ± 2,20

-5,6 / 7,62

-70,55 ±28,29

-4,39 ±8,29

Praia da Lagoinha do Leste

26

-0,14 ±0,35

-1,28/0,45

-2,03 ± 3,46

-11,6/4,9

-24,19 ±12,48

-7,61 ±12,97

Praia do Matadeiro

13

+0,01 ±0,16

-0,29/0,25

-3,45 ± 1,40

-5,71/-1,27

-13,01 ±10,77

-12,93 ±5,56

Praia da Armação

68

-0,52 ±0,38

-1,34/0,22

+1,99 ± 2,23

-7,54/7,11

-22,78 ±16,51

+6,82 ±11,54

Média Geral

182

-0,59 ±0,49

 

-0,22 ±3,21

 

-41,71 ±31,58

-0,83 ±8,30

μ - valor médio; σ - desvio padrão; Mín./Máx - valores mínimos e máximos, respectivamente; valores positivos indicam progradação e negativos retração

Fonte: MAZZER, 2007

progradação e negativos retração Fonte: MAZZER, 2007 Figura 12: Variações temporais na linha de costa na

Figura 12: Variações temporais na linha de costa na praia da Armação (1938-2002) Fonte: Relatório SOTEPA, 2010

No trecho central da praia ocorrem as maiores taxas de variação negativa, associadas à uma maior exposição às ondulações, bem como à uma situação de transição entre o perfil. Por fim, conclui-se que a praia apresenta trechos de diferentes índices de vulnerabilidade à erosão, na qual a erosão diminui nos trechos onde o perfil é reflexivo, aumenta nos perfis intermediários, voltando a diminuir na porção dissipativa, mais abrigada. De acordo com os estudos e dados levantados sobre a morfodinâmica praial e vulnerabilidade à erosão, verifica-se que o processo erosivo ocorrido na praia da Armação é bastante intenso, complexo e instável. Além disso, a região apresenta tendência de processos erosivos permanentes, caracterizando a situação da praia da Armação como um problema urgente.

2 METODOLOGIA

A partir do levantamento bibliográfico e teórico da região, optou-se pelo

estudo dessa através da análise numérica (computacional), ferramenta muito utilizada para o estudo de ambientes costeiros. Segundo Lakhan (2003) os modelos numéricos estão se tornando cada vez mais indispensáveis no entendimento e na previsão da dinâmica do sistema costeiro, além de dar suporte para tomadas de decisão e elaboração de soluções para problemas complexos. As técnicas numéricas podem ser utilizadas nas mais diversas áreas de conhecimento, dentre elas destaca-se a Oceanografia Física, na qual existem diversos modelos computacionais para modelagem hidrodinâmica, de ondas e de transporte de sedimentos (SIGNORIN, 2010). De acordo com Fortuna (2000), apesar de toda a flexibilidade que esta técnica oferece, ela muitas vezes não pode resolver algumas situações verificadas no ambiente, estando limitada pelos parâmetros usados na simulação. Também há o fato de que existem situações

difíceis de serem modeladas e transformadas em equações para tratamento numérico. Entretanto, de forma geral, a modelagem numérica apresenta resultados satisfatórios e vem sendo extensivamente usada e aperfeiçoada com os avanços da computação. A seguir será apresentada a metodologia utilizada para o estudo da praia da Armação envolvendo modelos empíricos e numéricos.

2.1. Modelo Empírico – Parábola de Hsu

A primeira etapa da metodologia objetiva caracterizar as condições de

equilíbrio em planta da praia da Armação do Pântano do Sul. Tal verificação será realizada de acordo com a aplicação de um modelo teórico empírico reconhecido para este fim. Essa análise tem por finalidade iniciar um estudo da dinâmica costeira da região, que, por sua vez, auxiliará na definição de um modelo de funcionamento conceitual para esta área.

O estudo de estabilidade praial será realizado em dois momentos. O primeiro

tem como meta avaliar a estabilidade atual da praia da Armação, verificando se a

mesma apresenta-se em equilíbrio estático ou dinâmico. Em um segundo momento, o modelo empírico será utilizado como uma ferramenta auxiliar na definição das propostas de intervenção para a recuperação da praia.

Apesar da existência de alguns modelos empíricos destinados à análise da forma plana de praias de enseada em formato espiral, forma esta da praia da Armação, entre eles o Espiral Logarítmica (KRUMBEIN, 1944 e YASSO, 1965) optou-se pela utilização do Modelo Parabólico (HSU e EVANS, 1989). Selecionou-se este, uma vez que a eficácia de tal modelo para esta configuração de praia é constatada e pelo fato de ser reconhecida a dificuldade em definir o equilíbrio em planta de uma praia com base em fórmulas log-espiral (SILVESTER. 1970, 1974). Por fim será utilizado o modelo parabólico proposto por Hsu e Evans em 1989, porém, adaptado por Medina e González (2001), que considera alguns parâmetros adicionais na aplicação de tal modelo. De acordo com Klein et al. (apud Vargas et al., 2002), o modelo parabólico apresenta-se mais robusto que os demais por não representar apenas uma solução matemática que define a forma da enseada a partir de dados geométricos, mas leva em consideração parâmetros relacionados com a direção da onda de maior energia (obliquidade). Medina e Gonzáles (2001) destacam que esta relação parabólica é, atualmente, a mais amplamente utilizada para verificar a estabilidade de praias de enseada. O modelo parabólico de Hsu é também recomendado no manual de Engenharia Costeira (USACE, 2002) para avaliação de projetos e determinação da forma da praia em equilíbrio. O modelo selecionado foi fundamentado em uma série de experimentos realizados em um modelo reduzido (protótipo) sem condições de fornecimento de sedimentos, e é aplicável a praias de enseada, como no caso da praia da Armação. Por meio dele é possível definir e analisar a linha de costa em planta, além de prever possíveis alterações em sua localização e formato. Segundo Silvester e Hsu (1993) as praias de enseada podem apresentar-se em equilíbrio estático ou em equilíbrio dinâmico. Em uma situação estável, ou de equilíbrio estático, os trens de onda dominantes atingem perpendicularmente toda a extensão da praia, as cristas de onda quebram simultaneamente ao longo da praia e o transporte longitudinal de sedimento, bem como os processos de erosão e deposição, são anulados. No entanto, quando o transporte longitudinal é ativo, a praia encontra-se em um estado instável, ou de equilíbrio dinâmico. Neste tipo de praia, as forças de deriva litorânea e o suprimento sedimentar são fatores determinantes na manutenção da faixa de praia na sua posição atual. As alterações

morfológicas são geralmente ocasionadas por fatores que modificam a trajetória natural das ondas que chegam à praia, entre os quais, a existência de barreiras físicas, tais como ilhas ou promontórios rochosos e, principalmente, construções, como molhes e plataformas (SHORT E MASSELINK, 1999 apud VARGAS et al.,

2002).

Praias de enseada são, por definição, praias com geometria plana características, consequentes da difração das ondas. São limitadas por promontórios rochosos ou outros obstáculos físicos, geralmente formando um arco de curvatura mais acentuada e cujo contorno tende a assumir a forma de um meio coração ou de uma lua crescente (SHORT E MASSELINK, 1999 apud VARGAS et al., 2002). Vargas et al. (2002) descreve as praias de enseada como praias que desenvolvem formas assimétricas, caracterizadas por uma zona de sombra, próxima ao promontório rochoso, protegida da energia de ondas e fortemente curvada. A parte central é levemente curvada e a outra extremidade é retilínea, sendo normalmente paralela a direção dominante dos trens de onda na região (Figura 13).

dominante dos trens de onda na região ( Figura 13 ). Figura 13: Compartimentos de uma

Figura 13: Compartimentos de uma praia de enseada Fonte: VARGAS et al., 2002

Para uma praia de enseada, o transporte longitudinal de sedimentos, causado pela incidência obliqua e pelo gradiente de altura das ondas, é responsável pela modelagem da forma da praia em planta. Esta assume uma orientação dependente do ângulo de incidência das ondas dominantes, uma vez que uma praia tende a ser moldada transversalmente à direção de ataque das ondas predominantes na mesma (VARGAS et al. ,2002).Para a aplicação do modelo extrai-se por meio de imagens aéreas retificadas ou mapas (Figura 14), os seguintes parâmetros:

Figura 14: Definição dos pontos de controle Fonte: KLEIN et al., 2003 Rß – Linha

Figura 14: Definição dos pontos de controle Fonte: KLEIN et al., 2003

Rß – Linha de controle: linha que une o ponto de controle localizado no

promontório rochoso aonde se inicia o processo de difração de ondas, até a extremidade final da praia.

d – Linha de crista de ondas predominantes (obliquidade das ondas): a

obliquidade das ondas predominantes na praia de enseada em questão é obtida a

partir de fotografias aéreas ou mapas que estão sendo utilizados, e corresponde a uma linha paralela à porção mais retilínea da praia.

ß (Beta): ângulo formado entre as linhas de crista de onda predominantes e a

linha de controle Rß . Klein et al. (2003) afirma que algumas outras variáveis associadas a enseadas naturais, como o tipo de praia (morfodinâmica), período e altura da onda, não são incluídas na formulação do modelo parabólico por serem consideradas insignificantes no resultado final. Porém, Medina e Gonzáles (2001), na adaptação realizada à formulação de Hsu, consideraram tais parâmetros e ressaltam que

obtiveram um bom comportamento em sua aplicação experimental e em campo. Além disso, os resultados também demonstram que, se a distância perpendicular do ponto de difração até a praia e o comprimento da onda dominante é conhecida, é possível determinar a forma e a zona afetada da praia e, portanto, a areia necessária para seu equilíbrio. Sendo assim, o modelo teórico escolhido permitirá identificar se a praia analisada encontra-se numa situação de equilíbrio estático, onde não ocorre modificações morfológicas na linha de costa, ou se a mesma encontra-se em

equilíbrio dinâmico, onde a linha de costa tende a assumir uma forma diferente da atual.

2.2. Modelo Numérico

A análise computacional será realizada com o auxílio do software SMC - Cantábria (Sistema de Modelagem Costeira) desenvolvido pelo grupo de Engenharia Oceanográfica e Costas (GIOC) da Universidade de Cantábria na Espanha em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente. Dentre os diversos modelos numéricos existentes, o presente trabalho utilizará o módulo MOPLA (Morfodinâmica de Praias) incluído no software SMC. Esse módulo contém os modelos OLUCA, COPLA e EROS que permitirão a análise e compreensão da propagação de ondas, correntes geradas por ondas, transporte de sedimentos e alterações morfológicas, respectivamente. O modelo OLUCA, baseado no modelo REF/DIF (KIRBY et al.; 1986,1994) da Universidade de Delaware, resolve a equação da pendente suave a partir de sua aproximação parabólica, sobre uma malha ortogonal com um esquema de diferenças finitas. É um modelo combinado de refração e difração, permitindo o estudo de zonas onde o efeito desses processos é importante. Classifica-se como um modelo não dispersivo em amplitude, que resolve a fase da onda sobre batimetrias complexas. Seus resultados são utilizados pelo modelo COPLA, para calcular os tensores de radiação (radiation stress) gerados pela quebra de ondas (função da altura, período, direção e profundidade) e gerar as correntes resultantes. Com os resultados do COPLA, o modelo EROS calcula o transporte de sedimentos gerado pelas correntes. Esses modelos serão executados utilizando espectros de onda visto a simplicidade e não aplicabilidade dos casos monocromáticos na natureza.

2.2.1. Pré-Processamento da batimetria

Para as simulações numéricas, duas fontes de informações batimétrica foram utilizadas. A primeira foi obtida a partir da digitalização da Carta Náutica 1904 (vide Figura 15), na qual está contemplada a região sul da Ilha de Santa Catarina e

consequentemente a área de estudo em questão, a praia da Armação do Pântano do Sul. Essa carta utilizada é atualmente a mais detalhada para a região.

Figura 15: Carta Náutica 1904 Fonte: MARINHA DO BRASIL (adaptado) A segunda foram os dados

Figura 15: Carta Náutica 1904 Fonte: MARINHA DO BRASIL (adaptado)

A segunda foram os dados de batimetria levantados em 2009 pelo Departamento de Edificações e Obras Hidráulicas de Santa Catarina (DEOH). Esses dados obtidos junto ao DEOH foram utilizados como batimetria de detalhe, pois os pontos levantados são referentes apenas ao trecho sul da Praia, onde o fenômeno de erosão está mais acentuado. Iniciou-se o processamento da batimetria com a digitalização dos pontos da carta náutica 1904 com auxílio do software SMS (Surface-Water Modeling System) da Aquaveo®. Os pontos digitalizados podem ser visualizados através da Figura 16.

Figura 16: Digitalização da batimetria, Carta Náutica 1904 – Software SMS Antes da união dos

Figura 16: Digitalização da batimetria, Carta Náutica 1904 – Software SMS

Antes da união dos dados batimétricos da carta náutica com os obtidos junto ao DEOH, realizou-se a compatibilização do datum vertical e horizontal de ambas. Isto ocorreu uma vez que a carta náutica estava referenciada ao datum vertical da

Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) no qual o nível zero corresponde ao nível equivalente a média das baixa-mar de sizígia e ao datum horizontal do WGS- 84 (World Geodetic System 1984), enquanto os dados da batimetria detalhada do DEOH estavam referenciados ao datum vertical zero do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e ao datum horizontal SAD 69 (South Amercian Datum 1969). A conversão da batimetria da carta náutica foi realizada, também por meio do software SMS, padronizando-se os dois conjuntos de dados para o datum horizontal SAD-69. Houve também a compatibilização do datum vertical da batimetria detalhada, a qual foi convertida para o datum vertical do IBGE com base em informações obtidas junto ao DEOH. Em seguida, os dados acima foram extraídos para um arquivo único para dar- se início aos estudos numéricos. A linha de costa da praia, obtida por meio do DEOH, também teve seu georreferenciamento compatibilizado e foi introduzida ao modelo.

Com a batimetria inserida no programa, realizou-se o pré-processamento destes dados afim de se evitar problemas resultantes da interpolação que pudessem afetar a propagação das ondas.

2.2.2. Definição dos casos de ondas para as simulações numéricas

Os casos de ondas foram selecionados referenciando o estudo de Araújo et al. (2003). Optou-se pela escolha de três estados de mar representativos para a realização da modelagem numérica: i) ondulação de sudeste, ii) vaga de leste e iii) vaga de nordeste. Dos padrões de ondas advindos do quadrante sul e sudeste, optou-se pela ondulação de sudeste por esta ser a mais energética, além da atuação desta estar associada a eventos de alta energia. A opção pela vaga de leste se deu pelo fato da parte retilínea da praia ser moldada transversalmente à direção de ataque destas ondas. Por fim, optou-se pela vaga de nordeste por esta ser a mais frequente na região (Tabela 1), possibilitando assim a modelagem dos padrões de ondas advindos de diferentes quadrantes de maneira a fornecer representatividade do comportamento hidrodinâmico desta praia. Na Tabela 8 estão apresentados os parâmetros relacionados aos casos de onda utilizados na modelagem.

Tabela 8: Padrões de ondas utilizados na modelagem

PADRÕES DE ONDAS UTILIZADOS NA MODELAGEM

     

Altura

 

Denominação

Direção em

águas profundas

Período de

Pico

significativa

de onda

Espalhamento

Direcional

(Ɵ)

(Tp)

(H S )

(Ɵ)

Ondulação de

146°

14,2s

2,0m

10°

Sudeste

Vagas de

92°

8,5s

1,25m

15°

Leste

Vagas de

27°

5s

0,75m

20°

Nordeste

A seguir estão apresentados os espectros TMA configurados no modelo através dos dados paramétricos expressos na Tabela 8. Estas figuras (Figura 17 a Figura 19) possibilitam uma comparação direta entre os três casos modelados (sudeste, leste e nordeste) com relação à energia, frequência e direção inerente a cada um desses.

Espectro frequencial – Ondulação de Sudeste Hs=2,0m, Fp=0,070423Hz (Tp=14.2s) Espectro bidimensional - Ondulação de

Espectro frequencial – Ondulação de Sudeste Hs=2,0m, Fp=0,070423Hz (Tp=14.2s)

– Ondulação de Sudeste Hs=2,0m, Fp=0,070423Hz (Tp=14.2s) Espectro bidimensional - Ondulação de Sudeste Espectro
– Ondulação de Sudeste Hs=2,0m, Fp=0,070423Hz (Tp=14.2s) Espectro bidimensional - Ondulação de Sudeste Espectro

Espectro bidimensional - Ondulação de Sudeste

Espectro direcional – Ondulação de Sudeste σ =10º

Figura 17: Espectros - Ondulação de Sudeste

Espectro frequencial – Vaga de Leste Hs=1,25m, Fp=0,117647Hz (Tp=8.5s) Espectro direcional – Vaga de Leste

Espectro frequencial – Vaga de Leste Hs=1,25m, Fp=0,117647Hz (Tp=8.5s)

– Vaga de Leste Hs=1,25m, Fp=0,117647Hz (Tp=8.5s) Espectro direcional – Vaga de Leste σ =15º Espectro

Espectro direcional – Vaga de Leste σ =15º

(Tp=8.5s) Espectro direcional – Vaga de Leste σ =15º Espectro bidimensional - Vaga de Leste Figura

Espectro bidimensional - Vaga de Leste

Figura 18: Espectros - Vaga de Leste

Espectro frequencial – Vaga de Nordeste Hs=0,75m, Fp=0,2Hz (Tp=5s) Espectro direcional – Vaga de Nordeste

Espectro frequencial – Vaga de Nordeste Hs=0,75m, Fp=0,2Hz (Tp=5s)

frequencial – Vaga de Nordeste Hs=0,75m, Fp=0,2Hz (Tp=5s) Espectro direcional – Vaga de Nordeste σ =20º

Espectro direcional – Vaga de Nordeste σ =20º

(Tp=5s) Espectro direcional – Vaga de Nordeste σ =20º Espectro bidimensional - Vaga de Nordeste Figura

Espectro bidimensional - Vaga de Nordeste

Figura 19: Espectros - Vaga de Nordeste

As direções apresentadas nas figuras são configuradas em relação à malha numérica utilizada na modelagem. Deste modo, o ângulo zero apresentado pelos diagramas representam as direções das ondas incidentes na praia (leste, sudeste e nordeste) estando essas paralelas ao eixo x de cálculo de cada grade numérica utilizada. Tendo isso em vista, é possível perceber que a partir da direção zero os espectros direcionais demonstram um espalhamento em torno da direção média de propagação utilizada neste trabalho, vinculada ao período de cada ondulação. É possível observar através das figuras uma condição de crescente energia de onda, quando avaliando ondulações de nordeste, leste e sudeste respectivamente, uma vez que os espalhamentos direcionais são de 10º para ondulações de sudeste, 15º para de leste e 20º para de nordeste. As imagens dos espectros bidimensionais apresentam de forma didática os espectros de frequência e espectros direcionais.

2.3. Malha

Para a propagação dos casos de onda no software SMC – Cantábria – se fez necessária a definição de malhas numéricas. Para isso realizou-se um estudo de discretização das mesmas de forma a balancear o tempo necessário para processamento de dados e a precisão numérica dos resultados. Uma vez conhecida as limitações do software quanto à quantidade de elementos de malha, optou-se pelo acoplamento de duas malhas com discretização diferenciada (Figura 20). A malha menos refinada (80x80m) foi posicionada na área

de maior profundidade, local no qual a batimetria possui menor detalhamento. Por outro lado, a mais refinada (10x10m) foi posicionada nas proximidades da costa, devido à maior quantidade de dados batimétricos nessa região. Observa-se por meio da Figura 20 que devido às limitações nas dimensões das malhas e diferenças de

ângulos de incidência de onda, cada malha foi definida com dimensões próprias, de acordo com as singulares características de cada caso de onda selecionado.

a) b) c)
a)
b)
c)

Figura 20: Lançamento das malhas para ondulações de: a) Sudeste b) Leste c) Nordeste

A direção utilizada para o lançamento das malhas procurou acompanhar a angulação de cada uma das ondulações incidentes (146º para de sudeste, 180º para a de leste e 153º para nordeste). Essa definição visa reduzir erros numéricos relativos às variações existentes entre a inclinação da malha e o ângulo de incidência da ondulação propagada. Finalmente, através da definição das malha numéricas e com base nos dados batimétricos iniciou-se a modelagem numérica através da interpolação linear desses dados, com auxílio do softwareI Surfer, para definição da superfície final da malha.

3

RESULTADOS

Com base na metodologia descrita anteriormente, este capítulo tem por objetivo completar um ciclo de análises da praia da Armação do Pântano do Sul. Primeiramente serão apresentados resultados para as condições atuais da região que fundamentem o regime de ondas, correntes e transporte de sedimentos para posterior análise das possíveis ações de recuperação da praia, dos tipos de intervenção a serem adotados, bem como do impacto da escolha dessas no regime hidrodinâmico. Os resultados serão apresentados em duas etapas, a primeira ilustrada através da análise do cenário atual da praia e a segunda com a implantação de sugestões de intervenções de engenharia, caso seja verificada a sua necessidade. Desta forma, as mudanças na forma em planta da praia, cenário atual versus cenário futuro, serão confrontados.

4.1. Modelo Empírico – Caracterização da Praia

Para a aplicação do Modelo Parabólico (MP), proposto por Hsu e Evans em 1989, utilizou-se o desenho em planta da Praia da Armação do Pântano do Sul.

Utilizando uma das hipóteses básicas do modelo, definiu-se como direção de incidência do fluxo médio de energia da praia as ondas de leste, uma vez que, conforme a teoria, a praia tende a ser moldada transversalmente à direção de ataque das ondas predominantes à mesma (Figura 21).

De posse dos contornos da linha de costa da praia, optou-se por um modelo mais simplificado no qual se identificou apenas um ponto onde ocorre a difração das ondas, ponto este localizado na

extremidade da ilha das Campanhas, este obstáculo físico é responsável por alterar a forma das cristas das ondas que chegam à praia. Unindo este ponto de difração, ponto de controle no qual o modelo exerce influência na morfologia da linha de

no qual o modelo exerce influência na morfologia da linha de Figura 21: Definição da direção

Figura 21: Definição da direção das ondas dominantes

costa, ao final da seção retilínea da praia definiu-se a linha de controle

(Rß=808metros).

Na sequência, traçou-se graficamente a direção predominante de ondas – direção leste definida durante a análise inicial dos contornos da praia – obtendo-se o ângulo ß de 69.8 o entre a linha de controle e a direção da onda dominante. Finalmente, realizaram-se os ajustes finos no modelo parabólico de maneira a identificar, como por exemplo, o período das ondas incidentes (8.5 segundos) e a profundidade do ponto de difração (10 metros). A aplicação do Modelo Parabólico obtido para o cenário atual pode ser visualizado na Figura 22 a seguir.

cenário atual pode ser visualizado na Figura 22 a seguir. Figura 22: Etapas da elaboração do

Figura 22: Etapas da elaboração do MP. a) Entrada de dados – linha de costa e batimetria b) Lançamento e ajuste do MP c) Praia de Equilíbrio

Por meio da Figura 23 é possível perceber que o Modelo Parabólico aplicado

na da praia da Armação contemplou um comprimento total de 2.220 metros da linha de costa existente, abrangendo assim as zonas de vulnerabilidade à erosão classificadas como alta e muito alta identificadas por Mazzer (2007). A figura também detalha as dimensões da praia de acordo com o modelo teórico adotado, no qual a seção retilínea da praia existente totalizou 1.060 metros adicionados aos 1.160 metros que definiram a zona de sombra.

Figura 23: Dimensões da linha de costa analisada Comparando-se a linha de costa existente com

Figura 23: Dimensões da linha de costa analisada

Comparando-se a linha de costa existente com a linha de costa teórica obtida com a aplicação do modelo (linha azul da Figura 22c) foi possível caracterizar uma

situação de equilíbrio dinâmico da praia analisada. Logo, a partir do método de Hsu utilizado, a Praia apresenta uma componente longitudinal de corrente de ondas diferente de zero, causando um transporte sedimentar longitudinal e consequentemente uma variação da largura da parte emersa da praia. A Figura 24 a

seguir apresenta essa zona ativa (hachurada em vermelho) da praia resultante da aplicação do modelo teórico.

da praia resultante da aplicação do modelo teórico. Figura 24: Variação da largura da parte emersa

Figura 24: Variação da largura da parte emersa da Praia – Zona Ativa

Assim, é possível perceber que, de acordo com o ponto de difração adotado, o modelo demonstra que a praia busca se ajustar as variações de energia hidrodinâmica, variando a largura da parte emersa na área mais interna da parábola. Apesar dessa busca pelo equilíbrio ser natural e esperada, a urbanização existente na região impede que esse equilíbrio seja atingido em situações de alta energia hidrodinâmica, potencializando os problemas de erosão costeira neste setor. Nesta linha de pensamento, fazem-se necessárias medidas mitigadoras para a situação de equilíbrio dinâmico apontado pelo modelo. Percebe-se então, a necessidade de se fornecer uma ou mais opções para converter essa condição instável da praia para uma condição de equilíbrio, sendo necessário um estudo mais aprofundado do funcionamento das ondas, correntes e transporte de sedimentos que ocorrem no cenário atual da região.

4.2. Modelagem Numérica – Situação Atual

Na sequência são apresentados os diagramas de cristas e cavas, altura de onda significativa, corrente gerada pela ação das ondas e transporte de sedimentos obtidos para cada um dos 3 (três) casos de ondas selecionados (sudeste, leste e nordeste). Os resultados foram obtidos por meio da modelagem numérica para a situação atual da Praia.

a)
a)
b)
b)

Figura 25: Ondulação de Sudeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 26: Ondulação de Sudeste – a) Correntes geradas pela onda. b) Transporte de sedimentos.

a)
a)
b)
b)

Figura 27: Ondulação de Leste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 28: Ondulação de Leste – a) Corrente gerada pela onda. b) Transporte de sedimentos.

a)
a)
b)
b)

Figura 29: Ondulação de Nordeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 30: Ondulação de Nordeste – a) Corrente gerada pela onda. b) Transporte de sedimentos.

Os resultados apresentados contribuíram para uma melhor compreensão do funcionamento da praia e permitiram o delineamento de um modelo conceitual a partir de certos padrões de comportamento. O promontório da ilha das Campanhas, por exemplo, gera uma zona de sombra no flanco curvo da Praia, uma vez que, devido à difração sofrida pelas ondas incidentes ao encontrar tal promontório a energia das mesmas é dissipada resultando em ondas de menor altura (conforme pode ser visualizado na Figura 25, Figura 27 e Figura 29). Essa característica é perceptível para todos os padrões de ondas selecionados, porém em menor intensidade para ondulações de Nordeste, uma vez que as mesmas apresentam, de forma geral, condições de baixa altura de onda (ver Figura 29). Cita-se também a influência da laje (parcel) existente nas águas da Armação, que, de acordo com os resultados, é dependente da direção das ondas incidentes, uma vez que as ondulações de leste e nordeste geram uma zona de redução e outra de aumento de altura das ondas e as de sudeste (condição mais energética) determina uma região de focalização de energia associada a duas de redução localizadas nas adjacências do foco energético (Figura 25b). Classificou-se essa região como uma zona migrante, uma vez que a mesma varia de acordo com o ângulo de incidência das ondulações. A influência desse pequeno parcel também é responsável por alterar o fluxo de corrente gerada pelas ondas e de transporte de sedimento. Na Figura 26, Figura 28 e Figura 30 é possível visualizar um intenso vórtice gerado nesses fluxos de correntes e transporte de sedimentos próximos à atuação da laje. Destaca-se ainda que no trecho sul da praia as diferenças de alturas de ondas geradas tanto pelas alterações na batimetria quanto pela difração das ondas – em maior grau devido ao promontório da ilha das Campanhas e em menor pela presença do parcel – geram um gradiente hidráulico que, contribuem para movimentação dos sedimentos no sentido das maiores alturas de ondas para as menores. Desta forma, de maneira geral, o transporte de sedimentos ocorre de norte para sul em boa parte da praia. Alguns pontos nos quais é perceptível uma divergência dos sentidos das correntes longitudinais e transporte de sedimentos também podem ser explicados pela formação de um gradiente hidráulico, como por exemplo, na região com diferenças de alturas geradas pela presença da laje.

4.3. Definição do Modelo Conceitual

Dos padrões de transporte de sedimentos, avaliaram-se cautelosamente todos os casos de onda modelados. Assim, tendo em vista os resultados obtidos para ondulações de nordeste e sudeste,caso mais energético de onda na região, é possível estabelecer uma tendência de carreamento dos sedimentos para o sentido norte da praia (Figura 26b e Figura 30b). Apesar da ondulação de leste apresentar um transporte contrário ao mencionado (Figura 28b), a movimentação dos sedimentos na direção norte também pode ser identificada em uma análise empírica do problema, uma vez que é nítido que a praia está sofrendo problemas devido à erosão e o acúmulo/depósito desse sedimento removido não ocorre ao longo do trecho crítico estudado. A existência da faixa maior de areia ao norte da praia também corrobora a hipótese de que os sedimentos deslocam-se nesse sentido. Na sequência a Figura 31 possibilita uma visualização resumida das ações que definem o funcionamento morfodinâmico da Praia da Armação.

o funcionamento morfodinâmico da Praia da Armação. Figura 31: Características Morfodinâmicas da Praia da

Figura 31: Características Morfodinâmicas da Praia da Armação.

Considerando-se a característica do carreamento de sedimentos para o norte,

percebeu-se a possibilidade de a praia do Matadeiro juntamente com o rio Quinca

serem uma antiga fonte de sedimentos agora obstruída pelo enrocamento existente

entre a praia da Armação e a ilha das Campanhas (Figura 32). Aborda-se essa

informação na qualidade de hipótese devido à falta de registros ou simulações

numéricas que comprovem tal evidência.

ou simulações numéricas que comprovem tal evidência. Figura 32: Hipótese de antigas fontes de sedimentos. A

Figura 32: Hipótese de antigas fontes de sedimentos.

A seguir serão apresentadas as principais alternativas geradas por meio dos

modelos numéricos para recuperação da praia da Armação, tais propostas foram

idealizadas tomando-se como base as características de funcionamento

hidrodinâmico aqui identificadas.

4.4. Resultados das Simulações das Propostas de Intervenção

A partir do modelo conceitual e da condição de equilíbrio dinâmico verificada

por meio da aplicação do modelo empírico de Hsu foi possível sugerir alternativas de

engenharia costeira para recuperação e estabilização da movimentação de linha de

costa da praia. Assim, no presente subcapítulo serão sugeridas e analisadas

algumas alternativas de intervenção propostas com base no modelo de

funcionamento conceitual descrito anteriormente. Ressalta-se que as intervenções

propostas tem caráter conceitual

No Anexo II disponibilizou-se as matrizes que auxiliaram na comparação e

análise dos resultados numéricos obtidos para as diferentes estruturas propostas

com a situação atual da praia, desta forma, aconselha-se a utilização de tais matrizes para melhor compreensão como um todo das análises realizadas. Foi necessário realizar a adequação das escalas das matrizes de acordo com o grau energético de cada tipo de ondulação, uma vez que a utilização de uma mesma escala para todos os casos de onda não forneceria uma sensibilidade adequada para o contraste necessário a comparação das propostas.

3.4.1. Proposta 1 – Espigão na Ilha das Campanhas

Inicialmente sugere-se o emprego de uma estrutura rígida, um espigão, na parte mais externa da ilha das Campanhas. A estrutura sugerida visa modificar o ponto de difração de ondas para a ponta do espigão inserido, resultando na ampliação da zona de sombra da região curva da Praia. A locação de tal estrutura tem como finalidade proteger a região sul da Praia da ação energética das ondas, aumentando a zona de sombra (área protegida) já existente. O local e as características do espigão foram definidos através do Modelo Parabólico aplicado conforme mostrado na Figura 33. Por meio da mudança do ponto de difração buscou-se o modelo de equilíbrio em planta que alcançasse um equilíbrio de forma a aumentar a parte emersa da praia. Após essa modificação foi possível visualizar a forma em planta de equilíbrio que a Praia tende a assumir futuramente segundo a teoria de Hsu devido à influência da implantação do espigão na ilha das Campanhas.

Linha de
Linha de

Espigão

Linha de

Costa Atual

Costa Futura

Figura 33: Proposta 1 – Análise em planta da linha de costa pelo Modelo Parabólico.

Com o modelo numérico estabelecido são mostrados os resultados das altura de onda significativa, corrente advindas das ondas e transporte de sedimentos resultantes da simulação numérica dessa proposta para cada caso de ondas selecionado (sudeste, leste e nordeste). Os resultados obtidos são ilustrados a seguir, entre as Figura 34 e Figura 39.

a)
a)
b)
b)

Figura 34: Proposta 1, ondulação de Sudeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 35: Proposta 1, ondulação de Sudeste – a) Correntes geradas pela onda. b) Transporte de sedimentos.

a)
a)
b)
b)

Figura 36: Proposta 1, ondulação de Leste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 37: Proposta 1, ondulação de Leste – a) Corrente gerada pela onda. b) Transporte de sedimentos.

a)
a)
b)
b)

Figura 38: Proposta 1, ondulação de Nordeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 39: Proposta 1, ondulação de Nordeste – a) Corrente gerada pela onda. b) Transporte de sedimentos.

Por meio dos resultados ilustrados entre as Figura 34 e Figura 39 é possível perceber que, conforme esperado, o modelo numérico aponta que a grande contribuição da implantação de um espigão na ilha das Campanhas foi o aumento da área de sombra já existente. As modificações nas alturas de ondas, correntes e transporte de sedimentos não são significativas para a região mais ao norte da seção curva da praia em relação à situação atual. O transporte de sedimento, as correntes e alturas de onda foram reduzidos na zona de sombra, corroborando a configuração da praia de equilíbrio idealizada no início da proposta. Porém, o processo de deposição de sedimentos para formação da parte emersa da praia ocorrerá de forma lenta e gradual ao longo do tempo, visto que não há uma fonte de sedimentos de grande contribuição, nem correntes longitudinais que propiciem um rápido acúmulo de sedimentos, exceto pela condição gerada pelas ondas de leste, conforme pode ser visto na Figura 37. É importante salientar que uma obra rígida por si só não recupera a praia sem transferir o problema de erosão para outro local, uma vez que os sedimentos que chegam para alimentar a nova configuração de linha de costa provem de outra região. Logo, optou-se por definir uma nova proposta para lançamento de estrutura com base no engordamento artificial da zona ativa apontada pelo modelo empírico aqui adotado (Figura 33). O engordamento artificial da praia visa propiciar de forma rápida uma área de praia emersa, além de contribuir para o estabelecimento do equilíbrio da linha de costa da Armação.

3.4.2. Proposta 2 – Espigão na Ilha das Campanhas Combinado com Aterro Hidráulico Com a finalidade de trazer a praia para o equilíbrio e favorecer a estabilidade da mesma, a partir da Proposta 1 realizou-se um aterro hidráulico da zona ativa indicada pelo método parabólico de Hsu, conforme demonstra a Figura 40.

Espigão Aterro Hidráulico
Espigão
Aterro
Hidráulico

Figura 40: Proposta 2 – Indicação da região de engordamento por meio do Modelo Parabólico.

Com a segunda proposta estabelecida, avançou-se para a análise de altura de onda significativa, corrente advinda das ondas e transporte de sedimentos resultantes da modelagem numérica de implantação de um espigão na ilha das campanhas associado ao engordamento realizado na área hachurada da Figura 40. Os resultados para as ondulações de sudeste, leste e nordeste podem ser verificados entre a Figura 41 e Figura 46.

a)
a)
b)
b)

Figura 41: Proposta 2, ondulação de Sudeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 42: Proposta 2, ondulação de Sudeste – a) Correntes geradas pela onda. b) Transporte de sedimentos.

a)
a)
b)
b)

Figura 43: Proposta 2, ondulação de Leste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 44: Proposta 2, ondulação de Leste – a) Corrente gerada pela onda. b) Transporte de sedimentos.

a)
a)
b)
b)

Figura 45: Proposta 2, ondulação de Nordeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 46: Proposta 2, ondulação de Nordeste – a) Corrente gerada pela onda. b) Transporte de sedimentos.

Com base nos resultados expostos anteriormente é possível perceber que o aterro hidráulico proporcionou uma redução de intensidade nas correntes e no transporte longitudinal de sedimentos no flanco curvo da praia. Os demais movimentos localizados ao norte dessa região apresentam um comportamento semelhante aos resultados hidrodinâmicos obtidos anteriormente para situação atual da Praia, conforme visto nas Figura 42, Figura 44 e Figura 46. De forma geral, não ocorreram muitas modificações na hidrodinâmica e transporte de sedimentos da área mais ao norte após a adição de uma área aterrada, mas esta solução foi eficaz no sentido de propiciar uma maior área de praia emersa, além de garantir que a praia de equilíbrio abordada no modelo empírico de Hsu esteja configurada artificialmente. Com a adoção de tal medida garante-se que o equilíbrio da praia não seja estabelecido com base na deposição de sedimentos de praias adjacentes, como, por exemplo, a praia do Matadeiro, nem com sedimento de outras regiões da própria praia da Armação acelerando o processo de mitigação. A implantação do espigão no costão das Campanhas além de auxiliar a ampliação da zona de sombra na região mais urbanizada e crítica com relação à erosão, tem a função de estabilizar o engordamento de praia aqui sugerido. Assim, esses elementos serão mantidos nas propostas subsequentes. Notou-se a existência de uma zona turbulenta – de maior ou menor intensidade dependendo da direção de incidência das ondas – vista no campo de correntes e transporte de sedimentos simulados (ver Figura 42, Figura 44 e Figura 46) na região costeira em frente a laje (ao final da seção curva e início da parte reta da linha de costa). Conforme abordado no modelo conceitual, essa zona migrante advém da existência de um parcel na antepraia da praia da Armação, que gera regiões de convergência e divergência de energia de onda que, por sua vez, criam gradientes hidráulicos que corroboram a formação de vórtices de correntes e transporte de sedimentos, configurando esta zona turbulenta. Assim, a fim de evitar a perda acelerada dos sedimentos do aterro por esse intenso vórtice gerado, optou-se por avaliar o comportamento hidrodinâmico da Praia mediante a implantação de um pequeno espigão localizado nessa região de turbulência gerada pela presença do parcel, conforme apresentado a seguir.

3.4.3. Proposta 3 – Espigão na Ilha das Campanhas Combinado com Aterro Hidráulico e Miniespigão na Praia Com um cenário de equilíbrio já estabelecido pelo aterro hidráulico e com uma maior área de sombra criada para região vulnerável à erosão advinda da implantação do espigão na ilha das Campanhas, a presente proposta visou analisar o comportamento da Praia frente à implantação de um miniespigão de perfil baixo na zona de vórtices de correntes e transporte de sedimentos gerada pelo parcel presente na antepraia da Armação. Tal ação tem por finalidade reduzir a velocidade de perda de sedimentos do engordamento para o norte, assegurando uma maior vida útil para o aterro hidráulico sugerido. O lançamento do projeto pode ser visualizado por meio da Figura 47.

Miniespigão Espigão Aterro Hidráulico
Miniespigão
Espigão
Aterro
Hidráulico

Figura 47: Proposta 3 – Lançamento dos espigões e do aterro hidráulico.

Com a terceira proposta estabelecida, prosseguiu-se com a avaliação dos resultados obtidos pela modelagem numérica – cristas e cavas, altura de onda significativa, correntes geradas pelas ondas e transporte de sedimentos – os quais estão apresentados na sequência (Figura 48 a Figura 53).

a)
a)
b)
b)

Figura 48: Proposta 3, ondulação de Sudeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 49: Proposta 3, ondulação de Sudeste – a) Correntes geradas pela onda. b) Transporte de sedimentos.

a)
a)
b)
b)

Figura 50: Proposta 3, ondulação de Leste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 51: Proposta 3, ondulação de Leste – a) Corrente gerada pela onda. b) Transporte de sedimentos.

a)
a)
b)
b)

Figura 52: Proposta 3, ondulação de Nordeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 53: Proposta 3, ondulação de Nordeste – a) Corrente gerada pela onda. b) Transporte de sedimentos.

De acordo com os resultados obtidos nas ilustrações da Figura 48 a Figura 53 para a implantação do espigão na ilha das Campanhas, juntamente com o engordamento da região curva da Praia, esses permanecem vantajosos para esta proposta. Além disso, é possível perceber que, conforme esperado, a região de intensa movimentação e turbulência de correntes e transporte de sedimentos foi reduzida com a implantação do miniespigão, conforme pode ser visualizado nas Figura 49, Figura 51 e Figura 53. A intenção da implantação dessa obra na praia, foi justamente reduzir o transporte de sedimentos e não interrompê-lo, visto que a suspensão da passagem de sedimentos transferiria o problema de erosão para a região ao norte desse elemento, uma vez que, conforme estabelecido no modelo conceitual, a linha de costa da praia da Armação é regida, de maneira generalizada e resultante, pelo transporte de sedimentos do sentido sul para o norte da praia. Com a implantação desse novo elemento na praia percebeu-se que, apesar da redução dos vórtices antes existentes, a movimentação dos sedimentos permanece intensa tanto acima (updrift) quanto abaixo (downdrift) do mesmo, principalmente ao analisar-se a condição de maior energia gerada para ondas de sudeste, podendo resultar num acúmulo de areia ao sul do miniespigão e solapamento ao norte. Assim, partiu-se para a definição de uma nova alternativa que possibilitasse a redução desejada no transporte de sedimentos, porém sem o potencial comprometimento de regiões como ocorreu na Proposta 3 aqui apresentada.

3.4.4. Proposta 4 - Espigão na Ilha das Campanhas Combinado com Aterro Hidráulico e Campo de Três Quebra-Mares A definição da quarta proposta objetivou uma redução no transporte de sedimentos de forma que ela contemplasse uma maior região em relação à apresentada pela Proposta 3. Assim, analisaram-se os resultados numéricos obtidos por meio da implantação de um campo de quebra-mares na região de maior concentração urbana e também de grande intensidade de correntes e transporte de sedimentos principalmente nas condições de sudeste. Optou-se pela adoção de três quebra-mares distribuídos ao longo da região de divergência e vórtice com a intenção de gerar o menor impacto possível nos demais trechos da praia. O lançamento do campo de quebra-mares foi fundamentado no modelo parabólico de Hsu e cada elemento foi disposto visando a formação de saliências na linha de costa da praia, conforme pode ser acompanhado na Figura 54.

a) b) Campo de Quebra-Mares Espigão Aterro Hidráulico
a)
b)
Campo de
Quebra-Mares
Espigão
Aterro
Hidráulico

Figura 54: Proposta 4 – Lançamento da estrutura. a) Disposição dos quebra-mares para formação de saliências por meio do modelo parabólico de Hsu. b) Arranjo final das estruturas.

Após o lançamento das estruturas seguiu-se com a análise dos resultados numéricos obtidos para cristas e cavas, altura de onda significativa, correntes geradas pelas ondas e transporte de sedimentos apresentados entre a Figura 55 e Figura 60.

a)
a)
b)
b)

Figura 55: Proposta 4, ondulação de Sudeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 56: Proposta 4, ondulação de Sudeste – a) Correntes geradas pela onda. b) Transporte de sedimentos.

a)
a)
b)
b)

Figura 57: Proposta 4, ondulação de Leste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 58: Proposta 4, ondulação de Leste – a) Corrente gerada pela onda. b) Transporte de sedimentos.

a)
a)
b)
b)

Figura 59: Proposta 4, ondulação de Nordeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 60: Proposta 4, ondulação de Nordeste – a) Corrente gerada pela onda. b) Transporte de sedimentos.

Os resultados apresentados anteriormente tornam claro uma variabilidade na altura de ondas proporcionada pelo campo de quebra-mares implementado (ver Figura 55b, Figura 57b e Figura 59b). Essa variabilidade advém da difração das ondas nas extremidades dos quebra-mares, causando áreas de menor e maior energia de onda o que possibilita a formação de saliências, conforme apontado pelo modelo teórico de Hsu. A formação de tômbolos na linha de costa pela implantação dos quebra- mares não foi objetivo desta proposta, uma vez que, os mesmos não permitem a passagem dos sedimentos para o norte da praia. Sendo assim, optou-se pela adoção de quebra-mares posicionados de tal forma que formassem saliências na linha de costa influenciada pelos mesmos, de maneira que o problema de erosão não fosse transferido para regiões localizadas mais ao norte da praia. Os resultados numéricos vistos na Figura 56, Figura 58 e Figura 60 demonstram que a construção de um campo de quebra-mares, ao invés de elementos isolados como o apresentado na Proposta 3, possibilitam uma maior distribuição das correntes e transportes da zona de turbulência advinda da influência do parcel existente. Porém, optou-se por testar uma opção que diminuísse ainda mais as correntes e o transporte de sedimentos e assim aumentar o número de quebra-mares com a finalidade de se reduzir ainda mais a intensidade de transporte de sedimentos para o norte, conforme apresentado a seguir.

3.4.5. Proposta 5 - Espigão na Ilha das Campanhas Combinado com Aterro Hidráulico e Campo de Cinco Quebra-Mares A quinta proposta aqui apresentada foi realizada com a intenção de se reduzir e distribuir ainda mais o transporte longitudinal de sedimentos e as correntes geradas pelas ondas. Ressalta-se novamente que não se deseja interromper por completo o transporte de sedimentos na região, o que se almeja é que este transporte ocorra de forma menos intensa em condições de muita energia, diminuindo o impacto nas áreas adjacentes, possibilitando desta forma um aumento da vida útil da praia artificial criada. Para isso, realizou-se o lançamento de um total de cinco quebra-mares, ajustando suas localizações em relação à Proposta 4, de forma que os mesmos permitissem a formação de saliências e não tômbolos, pelos mesmos motivos já expostos anteriormente. A implantação do campo, apesar de abranger uma maior área em relação à anterior, continua a ser localizada na região de maior intensidade de correntes e transporte de sedimentos resultantes da influencia do parcel. O lançamento do campo de quebra-mares também foi fundamentado no modelo parabólico de Hsu e, com o mesmo objetivo da Proposta 4, cada elemento desses foi disposto visando a formação de saliências na costa da praia (Figura 61).

a) b) Campo de Quebra-Mares Espigão Aterro Hidráulico
a)
b)
Campo de
Quebra-Mares
Espigão
Aterro
Hidráulico

Figura 61: Proposta 5 – Lançamento da estrutura. a) Disposição dos quebra-mares para formação de saliências pelo modelo parabólico de Hsu. b) Arranjo final das estruturas.

Com a quinta proposta estabelecida, deu-se sequência à análise dos resultados de superfície livre, altura de onda significativa, corrente advindas das ondas e transporte de sedimentos apresentados na Figura 62 e Figura 63 para ondulação de sudeste, Figura 64 e Figura 65 para ondulação de leste e Figura 66 e Figura 67 para ondulação de nordeste.

a)
a)
b)
b)

Figura 62: Proposta 5, ondulação de Sudeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 63: Proposta 5, ondulação de Sudeste – a) Correntes geradas pela onda. b) Transporte de sedimentos.

a)
a)
b)
b)

Figura 64: Proposta 5, ondulação de Leste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 65: Proposta 5, ondulação de Leste – a) Corrente gerada pela onda. b) Transporte de sedimentos.

a)
a)
b)
b)

Figura 66: Proposta 5, ondulação de Nordeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 67: Proposta 5, ondulação de Nordeste – a) Corrente gerada pela onda. b) Transporte de sedimentos.

Com base nos resultados expostos entre a Figura 62 e Figura 67 é possível perceber a formação de células de transporte de sedimentos e correntes entre os quebra-mares. Tais células são geradas, justamente, pela presença desses elementos, modificando assim as condições de correntes e transporte de sedimentos atuantes na praia para um regime seccionado, ao invés de ocorrerem de forma contínua, como foi visto para situação atual da praia na formulação do modelo conceitual. Salienta-se que esse resultado possibilita a saída de sedimentos do trecho em estudo para o norte com menor intensidade, uma vez que parte dos grãos fica retida entre os quebra-mares para a formação das saliências e uma menor parcela segue em sentido norte. Apesar de apresentar-se como uma proposta interessante, definiu-se uma sexta e última proposta com a finalidade de reduzir ao máximo o impacto dessas obras rígidas sobre a porção da praia ao norte que ainda encontra-se preservada e sem urbanização e problemas de erosão, diminuindo-se o número de quebra-mares para quatro. A análise e discussão dos resultados de tal alternativa será apresentada a seguir.

3.4.6. Proposta 6 - Espigão na Ilha das Campanhas Combinado com Aterro Hidráulico e Campo de Quatro Quebra-Mares Devido ao resultado favorável apresentado pela Proposta 5, optou-se por manter os quebra-mares nos locais propostos anteriormente, porém com a remoção do quebra-mar localizado mais ao norte do campo, reduzindo a quantidade de quebra-mares implementados para quatro unidades, abreviando consequentemente o impacto gerado por essas estruturas rígidas dispostas na praia.

A região norte da praia além de ser pouquíssimo urbanizada não apresenta erosão praial, desta forma, o objetivo aqui é recuperar principalmente a região da praia mais crítica à erosão e densamente urbanizada e intervir com menor impacto possível ao norte da praia. O arranjo final dos elementos está apresentado na Figura

68.

a) b) Campo de Quebra-Mares Espigão Aterro Hidráulico
a)
b)
Campo de
Quebra-Mares
Espigão
Aterro
Hidráulico

Figura 68: Proposta 6 – Lançamento da estrutura. a) Disposição dos quebra-mares para formação de saliências por meio do modelo parabólico de Hsu. b) Arranjo final das estruturas.

Em seguida, avançou-se para análise dos resultados numéricos obtidos para altura de onda significativa, corrente advindas das ondas e transporte de sedimentos para cada um dos casos de ondas selecionados apresentados a seguir entre a Figura 69 e Figura 74.

a)
a)
b)
b)

Figura 69: Proposta 6, ondulação de Sudeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 70: Proposta 6, ondulação de Sudeste – a) Correntes geradas pela onda. b) Transporte de sedimentos.

a)
a)
b)
b)

Figura 71: Proposta 6, ondulação de Leste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 72: Proposta 6, ondulação de Leste – a) Corrente gerada pela onda. b) Transporte de sedimentos.

a)
a)
b)
b)

Figura 73: Proposta 6, ondulação de Nordeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 74: Proposta 6, ondulação de Nordeste – a) Corrente gerada pela onda. b) Transporte de sedimentos.

Por meio da Figura 75 é possível observar mais atentamente a localização das estruturas rígidas sugeridas na presente alternativa, bem como as diferenças existentes com relação à ocupação antrópica ao longo da linha de costa. A retirada do quebra-mar localizado no extremo norte do campo previsto

na Proposta 5 teve como fundamento reduzir ao mínimo os impactos provenientes da implantação de mais uma estrutura ao longo da praia. Tal solução foi verificada e ilustrada na Figura 70, Figura 72 e Figura 74, uma vez que

o norte da praia da Armação não sofre com

problemas de erosão, já que além de pouco urbanizada, o deslocamento de sedimentos resultante definido no modelo conceitual ocorre

nesse sentido, beneficiando uma maior faixa de praia emersa. Ademais, a não intervenção neste trecho da praia possibilitaria o uso desta área por banhistas e surfistas que atualmente desfrutam desta parte da praia.

Os resultados apontam novamente para formação de pequenas células de movimentação de corrente entre os quebra-mares lançados (Figura 70a, Figura 72a

e Figura 74a). Essa movimentação de sedimentos ocorrida nas células, expostas

nas referidas figuras, é responsável pela formação das saliências na linha de costa

da praia. Além disso, é possível perceber que esta proposta resulta no menor transporte de sedimentos e correntes ocorridos entre as células de movimentação anteriormente citadas, o que proporcionará a formação das saliências. Após a formação das saliências ocorrerá uma redução na movimentação das correntes e do transporte potencial de sedimentos. A fim de confirmar tal argumentação e conhecer o comportamento da praia nesse cenário futuro, realizou- se o modelo numérico para a Proposta 6 fazendo a inclusão desses depósitos de areia gerados pelos quebra-mares, conforme os resultados a seguir.

Zona pouco urbanizada Zona densamente urbanizada
Zona pouco
urbanizada
Zona densamente
urbanizada

Figura 75: Implantação das estruturas rígidas e ocupação litorânea

a)
a)
b)
b)

Figura 76: Cenário Futuro Proposta 6, ondulação de Sudeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 77: Cenário Futuro Proposta 6, ondulação de Sudeste – a) Correntes geradas pela onda. b) Transporte de sedimentos.

a)
a)
b)
b)

Figura 78: Cenário Futuro Proposta 6, ondulação de Leste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 79: Cenário Futuro Proposta 6, ondulação de Leste – a) Corrente gerada pela onda. b) Transporte de sedimentos.

a)
a)
b)
b)

Figura 80: Cenário Futuro Proposta 6, ondulação de Nordeste – a) Diagrama das cristas e cavas. b) Altura de onda significativa.

a)
a)
b)
b)

Figura 81: Cenário Futuro Proposta 6, ondulação de Nordeste – a) Corrente gerada pela onda. b) Transporte de sedimentos.

Os resultados apresentados (Figura 76 a Figura 81) para o cenário futuro mostram as reduções esperadas de correntes e transporte de sedimentos advindas da formação das saliências. Além disso, demonstram que apesar da região norte da praia não ser diretamente atingida pela implementação dos quebra-mares, houve também uma redução nas correntes e transporte potencial de sedimentos que se deslocavam nesse sentido. Observa-se também que os pontos focais de energia existentes e localizados ao norte da praia ainda se fazem presentes (mais facilmente verificados na Figura 77b), porém com intensidade um pouco reduzida. Ademais, por meios dos diagramas de alturas de ondas é possível perceber que as zonas de sombra geradas pelos quebra-mares enquadram-se precisamente no local de formação das saliências, corroborando a manutenção das mesmas.

Os benefícios decorrentes da implantação do espigão na ilha das Campanhas

e do aterro hidráulico no flanco curvo da praia se mostram eficientes para o projeto como um todo. Defende-se aqui que as obras rígidas (espigão e quebra-mares) são utilizadas com a finalidade de aumentar a vida útil da praia emersa criada pelo aterro hidráulico, estabilizando-o. Como o transporte de sedimentos não foi interrompido por completo, com o objetivo de não transferir o problema para as adjacências da

praia da Armação, a fuga de sedimentos, apesar de menos intensa, ainda se faz presente, resultando assim em uma necessidade de manutenção periódica do aterro hidráulico. Assim, a proposta aqui apresentada é vista como uma opção intermediária que visa balancear o impacto resultante da implantação de obras costeiras com a eficiência e recuperação da praia emersa da Armação, sem transferir o problema

para outros locais e sem alterar diretamente as regiões da praia sem problemas de erosão.

A seguir apresentar-se-á a comparação entre as propostas discutidas

anteriormente, a fim de facilitar o entendimento da atuação de cada uma delas no

funcionamento hidrodinâmico da praia da Armação.

3.4.7. Discussão de Resultados

Para a presente discussão, realizou-se a comparação dos resultados com base nas matrizes de diferenças relativas apresentadas no Anexo III. Tais informações foram construídas por meio da subtração dos resultados de correntes geradas pelas ondas e transporte potencial de sedimentos obtidos para cada uma das propostas discutidas no corpo do trabalho com a situação atual da praia. Assim, os resultados negativos, apresentados em azul, identificam uma redução dos fluxos em relação à situação atual proporcionada pela implementação da alternativa avaliada, com mesmo raciocínio os resultados em vermelho constituem um aumento dos itens avaliados. O objetivo da construção dessas matrizes foi facilitar a visualização e consequentemente a comparação da influência de cada alternativa proposta em relação à situação atual da praia. As mesmas foram dispostas de forma a promover também a comparação das propostas entre si. Foi necessário realizar a adequação das escalas das matrizes de acordo com o grau energético de cada tipo de ondulação, uma vez que a utilização de uma mesma escala para todos os casos de ondas não forneceria uma sensibilidade adequada para o contraste necessário à comparação das propostas. Assim, com base no Anexo III é possível perceber mais claramente que não ocorreram modificações significativas em relação às correntes e ao transporte de sedimentos para as duas primeiras propostas (espigão na ilha das Campanhas e espigão aliado a um aterro hidráulico, respectivamente). Porém, como já defendido anteriormente, as duas alternativas foram interessantes, visto a necessidade de se ampliar rapidamente a faixa de areia na região crítica à erosão por meio de um aterro hidráulico, já que o mesmo fornece um suprimento de sedimentos para a praia, possibilitando além da condição de equilíbrio da mesma a não transferência do problema para outro local, além do mais ocorre a ampliação da área de sombra que fornece a estabilização do engordamento pelo espigão na ilha das Campanhas. Além das zonas de deposição (updrift) e solapamento (downdrift) geradas pela presença do miniespigão na costa da praia, vistas anteriormente, é possível confirmar a não aplicabilidade da Proposta 3 por meio dos mapas de diferenças relativas, uma vez que os mesmos demonstram um acréscimo na movimentação de correntes na zona de sombra ampliada pelo espigão na ilha das Campanhas.

A partir da terceira alternativa estudada os resultados vão obtendo reduções

mais significativas com relação ao transporte de sedimentos. Verifica-se também que, gradativamente obtêm-se uma melhor distribuição e redução das correntes geradas pelas ondas e transporte potencial de sedimentos, ocorrendo de forma mais intensa nas últimas propostas. Para todos os casos de ondulações é possível perceber a redução dos vórtices de correntes e transporte de sedimentos gerados pelo rochedo existente nas águas da Armação, ocorrendo de forma proporcional à

condição energética de cada caso de onda.

A partir da quarta alternativa – proposta na qual se iniciou o estudo do

comportamento da praia perante a inserção de quebra-mares – são geradas pequenas células de movimentação de correntes e transporte de sedimento (destacadas em vermelho nos mapas). Destaca-se a importância dessas células de movimentação para a formação das saliências em suas adjacências. Essas células possibilitam que o transporte do sedimentos no sentido norte ocorra em menor intensidade, aumentando assim, o tempo de permanência dos grãos nesse trecho da praia da Armação. Percebe-se ainda que na Proposta 6, após a formação das saliências, essas células com maior transporte de sedimentos e correntes se estabilizam, resultando assim em reduções de ambos os fluxos em relação à situação atual da praia. Tal análise visou compreender e confirmar expectativas quanto ao funcionamento da praia em um cenário futuro desta proposta, após a formação das saliências. De forma geral, observa-se que as alternativas propostas vão se adequando gradativamente às necessidades levantadas no modelo conceitual. Assim, avaliando

o comportamento da praia como um todo, os resultados apontam para um melhor

desempenho na implantação das Propostas 4 e 6 , ratificado através da análise do cenário futuro para a Proposta 6.

A compreensão do comportamento da praia se fez presente somente após

todo o processo de simulação e avaliação da resposta hidrodinâmica da Praia frente

à implementação de diferentes estruturas em localizações diversas. Tendo isso em

vista, sugere-se que novas análises sejam realizadas a partir da remoção ou mudança de posição, para uma região mais próxima ao flanco curvo, do quebra-mar localizado mais ao norte da Proposta 6, a fim de uma menor influência na hidrodinâmica da região menos urbanizada da Praia. Sugere-se também a

verificação de um aumento da região de aterro hidráulico, de forma a se obter uma maior área emersa de Praia. Todavia, estudos complementares são necessários para implementação de tais alternativas na região, como localização e compatibilidade de jazidas, levantamento de impactos ambientais, sociais e econômicos, visto a interdependência e a complexidade de interações dos diversos agentes que definem a condição morfodinâmica da praia. Apesar do presente trabalho ter sido realizado com os dados batimétricos mais atuais e detalhados existentes para a região, os mesmos representam as condições da praia em 2009, ano anterior ao severo fenômeno de erosão sofrido pela praia da Armação e anterior à intervenção emergencial projetada pela SOTEPA. Logo, a avaliação de um modelo conceitual para as condições após esse fenômeno se faz necessária para o conhecimento das formações e feições erosivas e deposicionais formadas, ponderando-se assim as modificações e interações existentes para essa nova condição batimétrica. Assim, com um levantamento batimétrico atual, novas análises podem ser realizadas visando utilizar a obra já implementada em favor de uma intervenção para recuperação da parte emersa da Praia.

As análises realizadas contribuíram para uma melhor compreensão não só do comportamento, mas de como as intervenções influenciam na hidrodinâmica e nos padrões de transporte de sedimentos da região.

CONCLUSÃO

A partir do diagnóstico de erosão obtido por meio do modelo empírico de Hsu foi possível a compreensão do modelo de comportamento geral da praia e posterior definição de um modelo conceitual com movimentação de sedimentos para o sentido norte, zona de sombra gerada pelo promontório rochoso e região migrante de focalização energética devido ao parcel presente na antepraia da Armação. Assim, foi possível dar início a proposição de alternativas que visassem recuperar e restabelecer a praia da Armação do Pântano do Sul. O processo de análise das alternativas desenvolveu um conhecimento acerca do comportamento hidrodinâmico e dos padrões de transporte de sedimentos da Praia, e evolutivamente, a identificação de suas respostas frente à implantação de diferentes tipos de estruturas rígidas na região. Os resultados apontaram um bom desempenho na implantação das Propostas 4 e 6, uma vez que as mesmas contemplam soluções complementares, isso porque o aterro hidráulico aliado às obras rígidas (espigão na ilha das Campanhas e quebra-mares na zona migrante de focalização de energia) corroboram com a amenização do transporte sedimentar no sentido norte sem transferir o problema para as adjacências da região. Considerando-se a característica do carreamento de sedimentos para o norte notou-se que a possibilidade de abertura do enrocamento realizado para ligação da ilha das Campanhas e praia da Armação, principalmente em períodos de maior energia das ondulações de sudeste, pode resultar em novas fontes de sedimentos para a região. Porém, devido à falta de registros, investigações são necessárias para comprovação de tal influência. Vale lembrar que todas as propostas apresentaram-se em caráter conceitual e que apesar de terem sido realizadas com os dados batimétricos mais atuais existentes para região, os mesmos representam a situação da Praia para 2009, ano anterior às ressacas ocorridas e a intervenção emergencial realizada na região. Finalmente, tendo em vista todo processo evolutivo de entendimento da hidrodinâmica praial da Armação, percebe-se que a metodologia utilizada se mostrou apropriada para o alcance dos objetivos estabelecidos. Assim, apesar da necessidade de complementação do estudo por meio de diferentes considerações, o trabalho mostra-se efetivo quando utilizado como ferramenta auxiliar na tomada de decisão.

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ANEXOS

ANEXO I – REFERENCIAL TEÓRICO

ANEXO II – MATRIZ DE COMPARAÇÃO DOS RESULTADOS

01/03 – ONDULAÇÃO DE LESTE

02/03– ONDULAÇÃO DE NORDESTE

03/03 – ONDULAÇÃO DE SUDESTE

ANEXO III – MATRIZ DIFERENÇAS DOS RESULTADOS

01/03 – ONDULAÇÃO DE LESTE

02/03– ONDULAÇÃO DE NORDESTE

03/03 – ONDULAÇÃO DE SUDESTE