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I PROCESSO TC 02066/05 IPâg.

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Administração Indireta Municipal - Instituto de


Previdência dos Servidores de Princesa Isabel -
Prestação de Contas Anual relativa ao exercicio de 2004
- IRREGULARIDADE DAS CONTAS- Assinação de
prazo para providências - Aplicação de multa.

ACÓRDÃO APL - TC Lf1212.007


RELATÓRIO
A DIAFIIDEAPI/DIAGM 11analisou a PRESTAÇÃO DE CONTAS ANUAL, relativa ao
exercício de 2004, apresentada dentro do prazo legal pelo gestor responsável pelo
INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES DE PRINCESA ISABEL, cujo Relatório
inserto às fls. 229/234 dos autos, fez as observações principais a seguir resumidas:
1. A responsabilidade pelas contas é do Senhor SEBASTIÃO BEZERRA DE LIMA;
2. Os antecedentes históricos institucionais do INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DOS
SERVIDORES DE PRINCESA ISABEL dizem respeito à sua instituição, que se deu
com a Lei n° 669/94 e à sua reestruturação, através da Lei nO 031/2001, dispondo
como objetivo executar a política municipal de seguridade social sob todos os
aspectos, principalmente quanto: I aposentadoria por tempo de
serviço/contribuição; 11- aposentadoria por invalidez; 111- aposentadoria compulsória
por implemento de idade; IV - pensão por morte em atividade; V - pensão por morte
em inatividade; VI - auxílios estabelecidos pela legislação municipal, desde que não
contrárias às determinações da Lei nO 213/91 ou qualquer lei federal que venha
substituí-Ia;
4. Foram arrecadados recursos na ordem de R$ 59.916,23, totalmente representados
pelas receitas correntes e realizadas despesas no montante de R$ 139.929,56, que
dizem respeito integralmente a despesas correntes;
5. Os pagamentos a Inativos e Pensionistas foram de R$ 123.206,21;
6. Detectou-se deficit orçamentário de R$ 80.013,33;
7. As despesas com Pessoal e Encargos Sociais representaram 93,62% do total da
despesa realizada;
8. As despesas administrativas, com Outros Serviços de Terceiros - Pessoa
Física/Jurídica somaram R$ 8.923,35 e representaram 6,38% das despesas totais;
9. O total dos beneficiários é de 480, sendo 435 efetivos ativos, 24 inativos e 21
pensionistas.

A Unidade Técnica de Instrução observou as seguintes irregularidades:

De responsabilidade do Prefeito. Senhor José Sidney de Oliveira:

1. Ausência de repasses regulares das contribuições previdenciárias;


2. Não adequação da Lei Previdenciária Municipal às exigências impostas pela
legislação previdenciária federal, no tocante à alíquota de contribuição do servidor,
bem como à cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e
seus dependentes que, atualmente, descumprem o disposto na Lei Federal nO
9.717/98 e na Portaria MPAS n° 4.992/99;
3. Apresentação de informação junto ao SAGRES conflitante com as contidas n
extratos bancários referentes as contas do Instituto e com a presente CA.

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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
I PROCESSO TC 02066/05 IPág. 21~

De responsabilidade do Presidente do Instituto, à época, Senhor Sebastião


Bezerra de Lima:

1. Ausência de envio ao Chefe do Poder Executivo de solicitação da alteração da Lei


Previdenciária Municipal, no tocante à alteração da alíquota de contribuição do
servidor, bem como à cobertura exclusiva a servidores efetivos;
2. Ausência de controle de dívida da Prefeitura para com o Instituto;
3. Insuficiência financeira para saldar os compromissos inscritos em Restos a Pagar
e Consignações;
4. Ausência do envio de documentação solicitada por este Tribunal, descumprindo o
art. 42 da LOTCE;
5. Informações divergentes encaminhadas a este Tribunal;
6. Ausência de avaliação atuarial referente ao exercício de 2004;
7. Situação irregular com relação a vários critérios avaliados pelo MPAS;
8. Ausência de encaminhamento de extrato bancário que comprovasse o saldo de R$
89.954,66, verificado no mês de outubro de 2003;
9. Não encaminhamento do balancete referente ao mês de abril/2004;
10. Registro incorreto de receita descumprindo o art. 35 da Lei nO4.320/64;
11. Ausência de extratos bancários que comprovem saldos ocorridos em maio, junho e
agosto.
Notificado, o gestor do Instituto, Senhor Sebastião Bezerra de Lima encartou aos
autos a defesa de fls. 240/245, que a Auditoria analisou e concluiu:
1. No pertinente à responsabilidade do ex-Prefeito José Sidney de Oliveira, por
manter integralmente as irregularidades apontadas, em face da ausência de
apresentação de defesa elou justificativas; e
2. Referentemente à responsabilidade do Presidente do Instituto, Senhor
Sebastião Bezerra de Lima:
2.1. Por SANAR as irregularidades pertinentes aos itens 6, 9, 10 e 12
supraindicados;
2.2. Por MANTER as seguintes irregularidades:
2.2.1. Ausência de envio ao Chefe do Poder Executivo de solicitação da
alteração da Lei Previdenciária Municipal, no tocante à alteração da
alíquota de contribuição do servidor, bem como à cobertura exclusiva
a servidores efetivos;
2.2.2. Inexistência de controle de dívida da Prefeitura para com o Instituto;
2.2.3. Insuficiência financeira para saldar os compromissos inscritos em
Restos a Pagar e Consignações;
2.2.4. Ausência do envio de documentação solicitada por este Tribunal,
descumprindo o art. 42 da LOTCE;
2.2.5. Informações divergentes encaminhadas a este Tribunal;
2.2.6. Ausência de avaliação atuarial referente ao exercício de 2004;
2.2.7. Situação irregular com relação a vários critérios avaliados R o
2.2.8. Registro incorreto de receita descumprind o art.
4.320/64.

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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
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Ressalte-se, por necessário, que o gestor do Instituto foi novamente notificado para
comparecer aos autos, para se manifestar acerca da não remessa do BME referente ao mês
de abril/2004, que enseja a aplição de multa sugerida em R$ 1.200,00 (fls. 313), deixando o
prazo transcorrer in a/bis.
O Ministério Público especial junto ao Tribunal, através da ilustre Procuradora Ana
Terêsa Nóbrega, pugnou, após considerações, pelo (a):
1. IRREGULARIDADE da Prestação de Contas apresentada;
2. FIXAÇÃO DE PRAZO aos gestores responsáveis para apresentação ao Tribunal
da prova de adequação do órgão previdenciário às exigências normativas sob pena
das cominações legais;
3. APLICAÇÃO DE MULTA ao gestor, com fundamento no art. 56 da LOTCE;
4. RECOMENDAÇÃO ao Instituto de Previdência dos Servidores do Município de
Princesa Isabel- IPM, no sentido de estrita observância às normas constitucionais,
aos princípios administrativos e, sobretudo, à necessidade de planejamento e
organização de suas atividades.

É o Relatório.

VOTO

o Relator concorda com a Unidade Técnica de Instrução e com o Parquet, exceto,


data vênia, no tocante ao valor da multa aplicada pela não remessa do balancete do mês de
abri1/2004, no valor de R$ 1.200,00, informado pela Auditoria, quando a norma regedora da
espécie (Resolução RN TC 07/2003) prevê o valor de R$ 1.600,00 e no concernente à
responsabilidade de aspectos da prestação de contas atribuída equivocadamente ao Chefe
do Poder Executivo.
Assim sendo, propõe aos membros desta Corte de Contas no sentido de que:
1. JULGUEM IRREGULARES as contas do gestor do Instituto de Previdência dos
Servidores de Princesa Isabel, Senhor Sebastião Bezerra de Lima, referente ao
exercício financeiro de 2004;
2. APLIQUEM multa pessoal à sobredita autoridade, no valor de R$ 2.805,10 (dois
mil e oitocentos e cinco reais e dez centavos), em virtude de grave infração a
preceitos e disposições constitucionais e legais, nos termos do artigo 56, inciso li,
da LOTCE (Lei Complementar 18/93), a saber:
2.1. Ausência de envio ao Chefe do Poder Executivo de solicitação da
alteração da Lei Previdenciária Municipal, no tocante à alteração da
alíquota de contribuição do servidor, bem como à cobertura exclusiva a
servidores efetivos;
2.2. Inexistência de controle de dívida da Prefeitura para com o Instituto;
2.3. Insuficiência financeira para saldar os compromissos inscritos em Restos a
Pagar e Consignações;
2.4. Ausência do envio de documentação solicitada
descumprindo o art. 42 da LOTCE;
2.5. Informações divergentes encaminhadas a este Tribun

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TRIBUNAL
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DE CONTAS DO ESTADO
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2.6. Ausência de avaliação atuarial referente ao exercício de 2004;


2.7. Situação irregular com relação a vários critérios avaliados pelo MPAS;
2.8. Registro incorreto de receita descumprindo o art. 35 da Lei nO4.320/64.

3. IMPUTEM-LHE, também, multa no valor de R$ 1.600,00 (um mil e seiscentos


reais), pelo não encaminhamento a esta Corte do balancete referente ao mês de
abril de 2004, nos termos previstos na Resolução RN TC 07/2003;
4. CONCEDAM-LHE o prazo de 60 (sessenta) dias para o recolhimento voluntário,
dos valores de ambas as multas, sob pena de cobrança executiva, desde já
recomendada, inclusive com a interveniência da Procuradoria Geral do Estado ou
da Procuradoria Geral de Justiça, na inação daquela, nos termos dos parágrafos 3°
e 4°, do artigo 71 da Constituição do Estado, devendo a cobrança executiva ser
promovida nos 30 (trinta) dias seguintes ao término do prazo para recolhimento
voluntário, se este não ocorrer.
5. ASSINEM o prazo de 120 (CENTO E VINTE) dias tanto ao atual gestor do IPM de
Princesa Isabel quanto ao atual Chefe do Poder Executivo Municipal, para que
tomem as providências de modo adequar a entidade às normas regedora da
matéria, inclusive quanto à regularização do Instituto junto ao Ministério da
Previdência Social, sob pena de multa e outras cominações legais aplicáveis à
espécie;
6. RECOMENDEM à atual administração do IPM de Princesa Isabel no sentido de
estrita observância às normas constitucionais e aos princípios administrativos que
regem a previdência social.
É o Voto.

DeCISÃO DO TRIBUNAL

Vistos, relatados e discutidos os autos do PROCESSO TC - 02066/05 e,


CONSIDERANDO os fatos narrados no Relatório;
CONSIDERANDO o mais que dos autos consta;
ACORDAM os MEMBROS do TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA PARAíBA
(TCE-Pb), à unanimidade, com a declaração de suspeição suscitada pelo Conselheiro
Antônio Nominando Diniz Filho e ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos
Ubiratan Guedes Pereira, José Marques Mariz e Fábio Túlio Filgueiras Nogueira e
convocados além do Relator o Conselheiro Substituto Renato Sérgio Santiago Melo,
na Sessão realizada nesta data, de acordo com o Voto do Relator, em:
1. JULGAR IRREGULARES as contas do gestor do Instituto de Previdência dos
Servidores de Princesa Isabel, Senhor Sebastião Bezerra de Lima, referente
ao exercício financeiro de 2004;
2. APLICAR multa pessoal à sobredita autoridade, no valor de R$ 2.805,10 (dois
mil e oitocentos e cinco reais e dez centavos), em virtude de grave infração a
preceitos e disposições constitucionais e legais, nos termos do artigo 56,
inciso 11, da LOTCE (Lei Complementar 18/93), a saber:
2.1. Ausência de envio ao Chefe do Poder Executivo de soli
alteração da Lei Previdenciária Municipal, o tocante à I
aliquota de contribuição do servidor, bem co o à cob u
a servidores efetivos;

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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
I PROCESSO TC 02066/05 IPâg. 5/~

2.2. Inexistência de controle de dívida da Prefeitura para com o Instituto;


2.3. Insuficiência financeira para saldar os compromissos inscritos em
Restos a Pagar e Consignações;
2.4. Ausência do envio de documentação solicitada por este Tribunal,
descumprindo o art. 42 da LOTCE;
2.5. Informações divergentes encaminhadas a este Tribunal;
2.6. Ausência de avaliação atuarial referente ao exercício de 2004;
2.7. Situação irregular com relação a vários critérios avaliados pelo
MPAS;
2.8. Registro incorreto de receita descumprindo o art. 35 da Lei nO
4.320164.
3. IMPUTAR-LHE,também, multa no valor de R$ 1.600,00 (um mil e seiscentos
reais), pelo não encaminhamento a esta Corte de Contas do Balancete (BME)
referente ao mês de abril de 2004, nos termos previstos na Resolução RN TC
0712003;
4. CONCEDER-LHE o prazo de 60 (sessenta) dias para o recolhimento
voluntário, dos valores de ambas as multas, sob pena de cobrança executiva,
desde já recomendada, inclusive com a interveniência da Procuradoria Geral
do Estado ou da Procuradoria Geral de Justiça, na inação daquela, nos
termos dos parágrafos 3° e 4°, do artigo 71 da Constituição do Estado,
devendo a cobrança executiva ser promovida nos 30 (trinta) dias seguintes
ao término do prazo para recolhimento voluntário, se este não ocorrer.
5. ASSINAR o prazo de 120 (CENTOE VINTE)dias tanto ao atual gestor do IPM
de Princesa Isabel quanto ao atual Chefe do Poder Executivo Municipal, para
que tomem as providências de modo adequar a entidade às normas regedora
da matéria, inclusive quanto à regularização do Instituto junto ao Ministério
da Previdência Social, sob pena de multa e outras cominações legais
aplicáveis à espécie;
6. RECOMENDARà atual administração do IPM de Princesa Isabel no sentido
de estrita observãncia às normas constitucionais e aos princípios
administrativos que regem a previdência social.
Publique-se, intime-se, registre-se e cumpra-se,
Sala das Sessões dO.T ..p.,
'!~- ~=riO Ministro João Agripino
João Pe~oa18 d/U:O de 2007.

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André Carlo Torres Pontes
Procurador Geral do Ministério Público Especial Junto ao Tribunal - em exercício

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