Você está na página 1de 42

Universidade de Coimbra

Faculdade de Economia

Paulo Renato Baronet Sousa


Nº 20001762

A Imigração
Coimbra, Janeiro de 2005
Universidade de Coimbra
Faculdade de Economia

Paulo Renato Baronet Sousa


Nº 20001762

A Imigração

Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Fontes de Informação


Sociológica da Licenciatura de Sociologia

Coimbra, Janeiro de 2005


Os anos que perco

Os anos que perco


Partir é mais do que partir
aqui ou
em Portugal
Partir é
os viria fugir
partir
sobre os meus passos
sem se saber
em cada dia
que se sabe
mas lá
mais do que partir
diferente seria
partir é
tudo o que perdia
um corte
e doutro viver
que corta tão fundo
vivia
que nunca se sabe
aqui
o seu cessar
me fica a vida
partir é sempre
em cada dia
mais do que partir

Amândio Sousa Dantas


Índice

1 – Introdução 1

2 – Estado das Artes 3

2.1 – A evolução analítica da imigração em Portugal 3

2.2 – Uma periodização para a Imigração em Portugal 4

2.3 – Processos e causas da Imigração 5

2.4 - Estatísticas relativas à população estrangeira a residir em Portugal 7

2.5 – Dimensão política (o estatuto dos imigrantes) 9

2.6 – Fenómenos associados à imigração (o racismo) 10

2.7 – Dimensão económica 12

3 – Descrição detalhada da pesquisa 13

4 – Avaliação da página da Internet 18

5 – Ficha de Leitura 22

6 – Conclusão 32

Referências bibliográficas33

Anexo I
- Página da Internet avaliada

Anexo II
- Sub-capítulo “Dinâmicas da Imigração em Portugal (1960-2001)” da obra
Migrações e Integração: teoria e aplicações à sociedade portuguesa de Rui Pedro
Pena Pires (2003)
1 - Introdução
A imigração é um fenómeno social que apesar de ainda não estar devidamente
estudado por parte de instituições ou mesmo pela comunidade científica, tem ganho
relevância nas esferas política, económica, social e até cultural, influenciando as
dinâmicas de decisão e demarcando no espaço social as suas características e
formalidades.
A imigração enquanto fenómeno tem-se vindo a acentuar e a afirmar na sociedade
portuguesa nos últimos anos, de tal forma que este é um factor preponderante para
que se verifique uma acelerada recomposição da estrutura social e das pessoas que
concorrem para a formação do país no seu todo.
Várias têm sido as comunidades estrangeiras, que de forma legal ou ilegal, se têm
estabelecido em Portugal, destacando-se as mais recentes: as comunidades asiáticas e
das leste da Europa, para além das mais antigas como as africanas, as ciganas, as
brasileiras ou mesmo as europeias.
Subjacente à dinamização e crescente aceleração do crescimento do número de
imigrantes em Portugal, estão um conjunto de processos e causas que dou a conhecer
num sub-capítulo do estado das artes.
Como pude constatar nas pesquisas que realizei na Internet, várias têm sido as
associações criadas para responder à presença da imigração no quotidiano das
pessoas, designadamente aquelas que se debruçam especificamente no
aprofundamento do tema em questão ou mesmo aquelas que procuram dar resposta,
combater e evitar fenómenos associados à imigração, como é o caso concreto do
racismo, da xenofobia e da exclusão social.
Com este trabalho pretendo abordar a imigração em Portugal, explanando a minha
concepção às dimensões que considero mais relevantes para a análise deste mesmo
fenómeno social, uma vez que a imigração se repercute por toda a estrutura social do
nosso país.
Procuro assim responder a certas e determinadas perguntas e evidenciar alguns
pontos relevantes associados à imigração, de entre os quais destaco: Será que os
imigrantes contribuem realmente para o desenvolvimento sócio-económico do país?
Fenómenos como o racismo estarão associados à imigração? Até que ponto é que a
legislação está a favor dos imigrantes? Quais são as principais vagas de imigrantes e

1
períodos imigratórios? Quais são as causas e os processos característicos da
imigração?
Para ir ao encontro dos objectivos a que me proponho, elaboro um estado das artes
que é constituído por sete sub-capítulos: «A evolução analítica da imigração em
Portugal», «Uma periodização para a imigração em Portugal», «Processos e causas
da imigração», «Estatísticas relativas à população estrangeira a residir em Portugal»,
«Dimensão política (o estatuto legal dos imigrantes)», «Fenómenos associados à
imigração (o racismo)», «Dimensão económica».
Em seguida descrevo detalhadamente todo o processo de pesquisa de fontes e no
desenrolar da investigação procedo à avaliação de uma página da Internet
«http://www.oi.acime.gov.pt» (ACIME, 2003:A), debruçando a minha análise num
documento deste sítio que se encontra em:
«http://www.oi.acime.gov.pt/docs/pdf/estudoOI%208.pdf» (Santos, 2004)
Para finalizar apresento a ficha de leitura de um documento impresso “Migrações
e integração” de Rui Pena Pires.
Ao longo do trabalho procurei recolher fontes de informação, as mais fiáveis
possíveis, recorrendo para tal a livros, fontes estatísticas e Internet. Porém, tenho de
salientar que dei mais importância aos livros, por considerá-los mais fiáveis.
O que me levou a escolher este tema dentro de um leque alargado de opções foi o
facto de a imigração se apresentar, quer pelos seus contornos, quer pelas suas
características e formas de mobilização social, como um fenómeno dotado de valor
heurístico relevante para qualquer análise sociológica.
Este trabalho contribui para que alargasse os meus horizontes e, sobretudo, os
conhecimentos e representações que tenho sobre a temática.

2
2 - Estado das Artes

O “Estado das artes procura reunir, analisar e discutir as informações


publicadas sobre o tema até ao momento que o trabalho é elaborado. O
seu propósito é fundamentar teoricamente o objecto de investigação com
bases sólidas, e não arbitrariamente. É o "pano de fundo" do problema de
pesquisa. Compreende uma minuciosa busca na literatura, seleccionando-
se e sintetizando-se ideias, estudos e pesquisas que se relacionem com
problema investigado.” (Peixoto, 2005)

2.1 – A evolução analítica da imigração em Portugal

A imigração em Portugal nem sempre foi a temática central, nomeadamente até ao


início dos anos 90, nos domínios científico, académico, nem no âmbito das
principais preocupações políticas e sociais.
Segundo Maria Ioannis Baganha et al. (2002), a sociedade portuguesa era
conhecida como um país de emigração, sendo esta a imagem que vigorava na mente
das pessoas e dos cientistas sociais. Do ponto de vista da análise social e cientifica é
extremamente escasso o número de relatórios e estudos realizados ao longo da
década de 80, sendo os estudos realizados maioritariamente centrados sobre a
população africana, debruçando-se na problemática dos bairros clandestinos e nos
processos de realojamento.
Assim, constata-se que são poucos os estudos específicos relativos à imigração
em Portugal. Uma excepção a esta realidade corresponde aos trabalhos pioneiros de
Roque Amaro sobre a comunidade africana em Portugal.
As questões da imigração somente a partir dos anos 90 é que adquiriram
relevância política e visibilidade social, fazendo parte das preocupações sociais,
jurídico-institucionais e académicas. Os anos mais importantes neste começo
analítico da imigração são os anos de 1991 e 1992. Em 1991 é publicado o estudo
organizado por Maria do Céu Esteves (“Portugal, país de imigração”), (Esteves apud
Baganha et al. (2002), correspondendo este ao primeiro trabalho de síntese sobre a
imigração em Portugal.
A partir da década de 90 multiplicam-se os estudos relativos à imigração e
comunidades imigrantes em Portugal.

3
Foram criados órgãos governamentais específicos para lidar com os assuntos
relativos à imigração e, para além disso, publicou-se nova legislação.
Da reflexão que fiz pude constatar que o estudo sobre a imigração em Portugal é
relativamente recente tendo, esta, sofrido um processo de mudança lento e
progressivo. Hoje em dia a literatura portuguesa sobre a imigração já assume peso
institucional e até governamental, porém ainda é necessário estudar formas de
sociabilidade internas específicas derivadas do fenómeno da imigração, bem como
as características que a definem como tal. Outro aspecto que é necessário incorporar
nos estudos será a tentativa de compreender os novos contornos da imigração
contemporânea e os desafios que esta coloca à sociedade portuguesa.

2.2 – Uma periodização para a imigração em Portugal

Alguns autores propõem uma periodização para as imigrações que se aproximam


entre si.
Beatriz Rocha Trindade, trabalhando numa perspectiva da história, caracteriza
três momentos específicos da dinâmica dos fluxos migratórios no território
português:
[1] Um longo período inicial formado pelos povos que deram base ao
Estado moderno português, o período da expansão e o momento da perda
do mundo colonial.
[2] O processo de ruptura do colonialismo português com a perda das
possessões na Ásia e África é importante para compreendermos as
alterações políticas dos antigos territórios coloniais.
[3] O 25 de Abril marca uma nova etapa da organização dos fluxos
migratórios... A figura do retornado passa a ser a personagem que
caracteriza este período. (Trindade apud SOS Racismo, 2002: 27)

O fenómeno que caracteriza a imigração dos anos 70 e 80 é a composição


multicultural da sociedade portuguesa. Ao nível da imigração o que marca os anos
90 é o facto de o território nacional se revelar atractivo para os indivíduos vindos de
países específicos, como é o caso das Américas ou do Brasil.
Actualmente, o quadro das alterações dos fluxos migratórios é composto por
trabalhadores oriundos de leste, concretamente das ex-repúblicas socialistas. Em
síntese, posso dizer que a primeira vaga de imigração ocorreu nos anos 60, quando
trabalhadores cabo-verdianos vieram substituir a mão-de-obra portuguesa; a segunda

4
etapa de fixação de minorias étnicas em Portugal ocorreu com o 25 de Abril de
1974, decorrente do processo de descolonização; a terceira etapa de fixação de
minorias étnicas em Portugal ocorreu nos anos 80 e foi constituída maioritariamente
por mão-de-obra não qualificada oriunda dos países africanos de língua oficial; por
fim, a quarta vaga de imigrantes pode situar-se a partir de meados da década de 90,
em resultado dos acordos de Schengen e esta vaga é constituída principalmente por
imigrantes vindos do Brasil e por imigrantes dos países do leste da Europa.

2.3 – Processos e causas da imigração

Apesar da imigração portuguesa depender de casos específicos, como é o caso da


descolonização dos antigos territórios portugueses em África, a verdade é que esta
tem que ser analisada segundo um contexto mais vasto e específico que corresponde
a um processo de crescimento económico e de transição social, demográfica e
política, que se verifica de forma acentuada a partir dos anos 70.
Segundo Maria Ioannis Baganha et al. (2002), vários são os motivos que
contribuem para o crescimento da imigração:
1. Factores de repulsão associados aos países emissores de
imigrantes;
2. Conflitos político-militares;
3. Sistemas de repressão existentes em diversos países;
4. Globalização dos movimentos migratórios internacionais;
5. Expansão dos transportes;
6. Expansão das comunicações;
7. Aumento demográfico;
8. O evento das informações que circulam nas redes
transnacionais.
Segundo Mamadou Ba e Miguel Brito (s.d.), as razões para a imigração são:
• A internacionalização da produção;
• A guerra;
• O estrangulamento económico.

5
Todos estes factores articulados entre si vão contribuir para que o processo de
imigração se intensifique, repercutindo-se a todo o nível social. Estas causas, ao
contribuírem para a facilitação da imigração, vão ter algumas consequências na
recomposição da população portuguesa, uma vez que os imigrantes passam a fazer
parte do quotidiano dos portugueses. Um outro aspecto que também caracteriza a
imigração é o seu pendor clandestino ou ilegal que, apesar de não contribuir para as
estatísticas, afecta toda a estrutura de um país. A imigração é toda ela composta por
causas e processos, factores e factos. Alguns factores que podem contribuir para o
estabelecimento de população imigrante em Portugal poderão estar baseados na
“identidade da língua” e na “afinidade cultural”. Outro aspecto é que, com as
alterações dos espaços políticos, nomeadamente na Europa, verifica-se uma maior
liberalização na entrada das pessoas nos países receptores sobretudo de mão-de-obra.
(Rocha Trindade, 2002: 152-153)
Um dos acordos que facilitou a entrada de imigrantes na Europa e,
nomeadamente, em Portugal, foi o acordo Schengen, apresentando-se este como um
factor decisivo para que o número de imigrantes a entrar no país aumentasse. É de
salientar que sem estes factores, causas e factos, não seria possível que a imigração
em Portugal atingisse a dimensão e importância que assume hoje na sociedade
portuguesa.
Com o desenvolvimento das sociedades começa-se a controlar e a criar legislação
própria para evitar o crescimento da imigração, pois esta não só satura o mercado de
trabalho, pelo número de imigrantes legais e ilegais que entram todos os anos em
Portugal, como também contribui para um aumento demográfico da população dada
a natalidade que lhe está subjacente.
Apesar da imigração e, especificamente, o trabalho imigrante, contribuir para o
crescimento sócio-económico de Portugal, a verdade é que esta imigração também
cria muitos entraves nas relações e representações que os portugueses têm em
relação à população estrangeira. Mas esta é uma dimensão que analisarei à frente,
quando me debruçar nos fenómenos associados à imigração.
Em termos de conclusão posso dizer que a imigração não é composta por uma
única causa específica, mas sim por um conjunto de causas e processos que a
caracterizam e determinam.

6
2.4 – Estatísticas relativas à população estrangeira a residir
em Portugal

No que concerne à concentração de população estrangeira a residir a Portugal e


segundo o que pude constatar da análise que fiz e das leituras exploratórias que
realizei, o número de população estrangeira a residir em Portugal na década de 60 é
significativamente escassa.
Baseando-se no Censo de 1960 realizado pelo I.N.E., Baganha e Marques (2001)
constatam que em Portugal verificava-se a presença de 29 mil estrangeiros a residir
no país, dos quais 67% provinham da Europa, 15% de África e 22% do Brasil.
“Quinze anos volvidos o número de residentes ficava ainda pelos 32 mil.”
(Baganha e Marques, 2001: 15)
Mas a história e os processos que lhe são inerentes alteraram a natureza e a forma
como a imigração se configura socialmente.
A revolução de 1974 e o processo de descolonização que lhe seguiu faz crescer a
população estrangeira a residir em Portugal, modificando a composição da
população portuguesa.
Os fluxos imigrantes que mais marcaram a composição da população portuguesa
foram os imigrantes oriundos de África, 48%, da Europa, 31%, e finalmente os
originários da América do Sul, 11%. O fluxo de imigrantes brasileiros começa a
ganhar importância nesta altura.
Ainda segundo Maria Ioannis Baganha e José Carlos Marques (2001), nos
últimos nove anos verificou-se um intensificar da população estrangeira, tendo este
facto como consequência a alteração profunda da composição da sociedade
portuguesa, uma vez que ela se torna mais heterogénea. Outra consequência que se
verifica perante o mesmo fenómeno é a formação de novas formas de sociabilidade
internas desenvolvidas entre a população imigrante e a população portuguesa.
Baseado num inquérito, Pedro Alcântara da Silva (2000) tenta compreender os
aspectos que caracterizam os imigrantes.
• 71% dos inquiridos considera a forma como falam como traço
que diferencia os imigrantes dos nacionais;
• 38% a forma como se vestem;
• 15% os níveis de cultura;

7
• 14,8% a educação;
• 11,7% as condições sócio-económicas;
• 7,8% as práticas alimentares;
• 5,2% as práticas religiosas;
• 4,2% a música;
• 3,6% as condições habitacionais;
• 3,3% os bens que possuem;
• 3,1% os hábitos de higiene e de saúde;
• 2,4% os rituais de festa;
• 1,1% os rituais de luto.
Segundo José Palma Rita (2002), o número de imigrantes residentes em Portugal
em 1980 era de 50.750. Passado dez anos o número já era de 107.767. Vinte e dois
anos depois, o Instituto Nacional de Estatística prevê que em finais de Março de
2002 o número de imigrantes rondava os 368.196. Em Abril eram 389.000. E em
Junho 400000.
De acordo com um estudo encomendado pelo Alto Comissariado para Imigração
e Minorias Étnicas:
• 97.2% dos inquiridos considera que os imigrantes devem ter os
mesmos direitos que os portugueses;
• 93% defende que os imigrantes legalizados devem trazer as suas
famílias;
• 84% acha que devia ser facilitada a naturalização dos imigrantes;
• 79% acha que se deveria facilitar o processo de legalização;
• 92.4% defende uma maior protecção dos imigrantes em relação
aos patrões.
(Ba e Brito, s.d.)
Após a análise das estatísticas posso verificar que estas revelam aspectos
peculiares que caracterizam a condição de imigrante, especificamente quando nos
debruçamos sobre as representações que os portugueses têm face a estes ou quando
analisamos a evolução referente ao número de estrangeiros a residir em Portugal.
Apesar de os números não retratarem a realidade de uma forma tão exaustiva,
positiva e humana, a verdade é que eles são indicadores que nos permitem retratar e
compreender um fenómeno tão complexo como o da imigração.

8
2.5 – Dimensão política (o estatuto legal dos imigrantes)

A dimensão política é outra das dimensões na qual a imigração se inscreve. Ao


nível político é de salientar neste trabalho toda a legislação que os vários Governos
têm vindo a adoptar perante tal fenómeno. Tem-se realizado legislação própria para
enquadrar legalmente os imigrantes perante o trabalho ou mesmo as condições de
residência ou permanência em Portugal. Na última década do século XX o quadro
legal português relativo à imigração tem sofrido diversas reformas.
Segundo Maria Ioannis Baganha e José Carlos Marques (2001), “esse processo
teve início com a revisão da lei que regula a entrada, permanência e expulsão de
estrangeiros – lei 37/81 de Outubro de 1981, subquentemente substituída pela lei
59/93 de Março de 1993.”
O novo quadro legal que entrou assim em vigor teve como antecedente a adesão
de Portugal à comunidade europeia em 1986 e da sua participação mais tarde no
espaço Schengen. Ainda segundo Maria Ioannis Baganha e José Carlos Marques
(2001), os imigrantes para entrarem no território português e fazerem parte do seu
quotidiano têm que satisfazer um conjunto de tradições específicas que os permitem
permanecer em Portugal.
• É preciso que tenham um documento de viagem válido;
• Disponham de suficientes meios de subsistência;
• Que sejam admissíveis no sistema de informação de Schengen ou
nas listas nacionais;
• Tenham um visto válido e adequado para o propósito de entrada;
• Os vistos de curta duração precisam de ser consultados pelo
Serviço de Estrangeiros e Fronteiras;
• É necessário a obtenção de vistos de trabalho e de residência.
Quando se verificar a entrada por parte de um cidadão de um país terceiro sem
que este apresente um visto válido, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras poderá
emitir, segundo Baganha e Marques (2001), três tipos de autorização:
• Um visto de trânsito;
• Um visto de curta duração;
• Um visto especial.

9
Os dois primeiros estão sujeitos às condições gerais estipuladas na lei e têm um
limite temporário de 3 a 15 dias.
A emissão de visto especial pode ser ditado por motivos humanitários ou pelo
interesse nacional.
Os motivos que justificarão a expulsão dos imigrantes em Portugal, segundo a lei
244/98 são:
• A violação do direito constitucional e criminal;
• A entrada e permanência de imigrantes ilegais dentro das
fronteiras nacionais. (Baganha e Marques, 2001: 27)
Como podemos verificar neste sub-capítulo, existe legislação própria que
determina o estatuto dos imigrantes dentro de um determinado país. Portugal não é
isento dessa legislação, procurando enquadrar socialmente os imigrantes, quer no
universo de trabalho, quer em situações de permanência ou residência.
Desta exposição não poderei deduzir directamente se a legislação está a favor ou
não dos imigrantes, o que posso verificar é que ela terá que fazer parte de um
processo inicial de integração ou mesmo no decorrer normal do quotidiano.

2.6 – Fenómenos associados à imigração (o racismo)

A imigração é um fenómeno que abrange uma diversidade dimensional bastante


significativa, interferindo directamente na dinâmica e na estrutura de um
determinado país ou sociedade.
Alguns são os fenómenos sociais que têm como base de origem a imigração.
Entre eles podemos destacar fenómenos como o racismo, a xenofobia ou a exclusão
social.
Nesta fase do trabalho procuro cingir a minha análise ao fenómeno do racismo,
pois considero-o significativo, apesar de encarar a exclusão social como um
fenómeno também relevante. Mas não será também o racismo uma forma de
exclusão social?
O racismo é um fenómeno que se afirma em determinados e específicos
contextos, nomeadamente quando se verifica a coexistência de minorias étnicas no
quotidiano de determinada comunidade ou sociedade. Entre essas minorias podemos

10
destacar os ciganos, alguns brasileiros, pessoas das ex-colónias portuguesas,
comunidades indianas e de leste da Europa.
A discriminação social tem vindo a aumentar significativamente em Portugal,
deduzindo eu que na base dessa discriminação estejam pormenores como a cor da
pele ou mesmo outras manifestações racistas.
A imigração, uma vez que é caracterizada pela entrada de estrangeiros num
determinado país, está de forma directa ou indirecta a criar representações sociais
que, de um certo prisma de análise, poderão ser entendidas como racistas. Assim,
posso dizer que a imigração é um fenómeno ou um processo que contribui para o
aumento do sentimento racista por parte das pessoas.
Segundo Jorge Vala (1999), o racismo inicia-se na percepção das pessoas quando
as minorias étnicas assumem uma ameaça no plano económico ou no plano da
segurança.
Segundo Fernando Luís Machado (2002), um dos aspectos que faz com que as
pessoas não olhem de bom grado a imigração é que esta é uma “ameaça à
homogeneidade cultural nacional”. Segundo Jorge Vala (1999), o racismo também
pode ser analisado no âmbito do processo mais geral de construção de identidades,
sendo várias as dimensões que o caracterizam:
• Estereótipos;
• Crenças sobre os valores culturais;
• A percepção de ameaça.
O racismo também pode ser caracterizado como sendo flagrante ou subtil.
A minha análise leva-me a concluir que os imigrantes têm tendência a serem alvo
de todas as formas e dimensões de racismo que anteriormente analisei. As minorias
étnicas são as mais afectadas por esta forma de racismo.
Em conclusão posso afirmar que o racismo é um fenómeno que está estreitamente
relacionado com o fenómeno da imigração.

11
2.7 – Dimensão económica

A imigração também encarna uma relação estreita com a dimensão da economia,


porque um dos factores que contribui para a motivação de pessoas de outros países
escolherem Portugal como ponto de estadia é o trabalho.
Os sectores da indústria e dos serviços são aqueles que mobilizam mais fluxos
sazonais ou pontuais de mão-de-obra.
Segundo Eduardo de Sousa Ferreira e Helena Rato (2000), a imigração e o
emprego dos trabalhadores estrangeiros adquiriu um “carácter estrutural”, criando
uma “estrutura dualista do mercado de trabalho”:
1. A mão-de-obra nacional que tende a ocupar os melhores
empregos;
2. A mão-de-obra estrangeira com actividade laboral mais precária.
A utilização de mão-de-obra estrangeira contribui para o aumento do produto
sectorial e do produto nacional bruto.
Os diferentes imigrantes originários de vários países contribuem de forma
diferente para o desenvolvimento sócio-económico do país:
• Os imigrantes africanos contribuem na concretização de obras
públicas e construção civil;
• A área da ciência e da tecnologia é ocupada pelos imigrantes
brasileiros, uma vez que possuem mais qualificações;
• O comércio é dinamizado por imigrantes de origem asiática,
nomeadamente o pequeno e médio comércio, a restauração e a
hotelaria, sendo os chineses quem mais se evidencia neste ramo de
actividade.
Como podemos constatar, e respondendo assim a uma das minhas perguntas, os
imigrantes de vários países contribuem por via do trabalho para o desenvolvimento
sócio-económico de Portugal, mostrando assim a sua relevância para o aumento da
produtividade e do produto nacional bruto, bem como a dinamização do mercado.

12
3 – Descrição detalhada da pesquisa

No âmbito da avaliação contínua da cadeira de Fontes de Informação Sociológica,


e dentro do leque de opções que me foram proporcionadas, decidi escolher como
tema de análise e compreensão a temática da imigração.
Para iniciar a minha pesquisa, e uma vez que se trata de um fenómeno denso e
complexo, fenómeno este que assume particularidades específicas, decidi tentar
organizar o tema de acordo com palavras-chave e dimensões, para assim delimitar
significativamente o tema em questão. As palavras-chave que defini para o meu
trabalho foram:
• Imigração;
• Minorias étnicas;
• Exclusão social;
• Racismo;
• Condições sociais.
Foram várias as fontes de informação que utilizei, tendo dado maior importância
aos documentos materiais impressos, nomeadamente livros, dicionários e
enciclopédias, pelo facto de estas conterem informação mais fidedigna e fiável, para
assim atingir os objectivos a que me propus.
Quanto aos dicionários e enciclopédias, cheguei de facto a utilizá-las, sem que no
entanto tenha incorporado a informação aí contida no corpo do texto, uma vez que
considerei não ser significativamente relevante para o meu estudo. Para além destes
documentos também fiz pesquisa em documentos não impressos, tais como a
Internet e as estatísticas.
Em princípios do mês de Novembro iniciei a minha pesquisa sobre o tema da
imigração em Portugal. Como forma inicial de me enquadrar no tema escolhido
desloquei-me, após o horário das aulas, à Biblioteca da Faculdade de Economia.
Introduzindo no computador as palavras-chave anteriormente definidas, fiz uma
selecção dos livros que considerei relevantes para a minha investigação, apontando o
nome dos livros que mais me convinham e, dirigi-me na mesma altura à biblioteca
em si e recolhi os livros que faziam parte da minha selecção. Dado ter iniciado cedo
a minha pesquisa bibliográfica, mas também devido ao facto de o fenómeno da

13
imigração não andar aparentemente a ser estudado por outros utilizadores da
biblioteca, tive a sorte de nesse dia recolher todos os livros que escolhera.
Numa primeira análise procurei cingir-me às temáticas dos índices para assim ter
uma noção mais específica dos diferentes temas e dimensões que compunham os
meus livros. Após umas horas de análise decidi escolher a abordagem genérica das
principais dimensões que compõem o tema da imigração, cingindo assim a minha
postura de investigador na escolha de dimensões como a estatística, a história e a
política. Esbocei assim o meu estado das artes.
Dos doze livros que tinha seleccionado decidi levar para casa três livros, uma vez
que somente podemos requisitar este número de uma só vez. Os livros são,
nomeadamente “A imigração em Portugal” (SOS Racismo, 2002) “A imigração e a
política – o caso português” de Maria Ioannis Baganha e João Carlos Marques
(2001) e “Os movimentos migratórios externos e a sua incidência no mercado de
trabalho em Portugal” do Observatório do Emprego e Formação Profissional.
(Baganha, Ferrão e Malheiros, 2002)
Tendo comigo os livros procurei aprofundar as dimensões da política, as causas e
os processos que caracterizam a imigração e analisar numa perspectiva histórica a
evolução da imigração em Portugal. Com estes livros pude esboçar quatro sub-
capítulos que incidem sobre estas dimensões, designando-os de:
• Processos e causas da imigração;
• Uma periodização para a imigração em Portugal;
• Dimensão política (o quadro legal dos imigrantes);
• A evolução analítica da imigração em Portugal.
Para poder facilitar o meu trabalho, e uma vez que não posso escrever nos livros,
pensando também no facto de que tenho o tempo limitado para a entrega dos
mesmos, decidi tirar fotocópias dos capítulos que considerei mais relevantes para a
minha análise, podendo assim ter maior margem de manobra no meu processo de
investigação. Libertei-me assim dos constrangimentos impostos pela estrutura.
Considerei pertinentes estes livros que analisei por terem uma visão objectiva do
processo de imigração em Portugal e por serem livros recentes, bem como pelo facto
de serem escritos em português, acedendo assim mais facilmente à informação.
Ao longo das minhas reflexões tornou-se necessário, na minha perspectiva,
analisar a dimensão da economia e da relação que esta estabelece com as questões da

14
imigração, pois considero que a economia é o motor estrutural de uma sociedade,
dinamizando e incrementando formas novas de mobilização social.
Uma vez que a biblioteca da Faculdade de Economia da Universidade de
Coimbra não possuía nenhum livro que abordasse essa dimensão, decidi no dia 15 de
Novembro dirigir-me à biblioteca da Casa da Cultura de Coimbra e pesquisar dentro
do tema da imigração livros que tratassem esta dimensão. A pesquisa foi feita numa
segunda-feira de manhã uma vez que não tinha aulas nessa altura, tendo assim tempo
para visitar a Casa da Cultura e caso não obtivesse frutos recorrer assim à Biblioteca
Geral da Universidade de Coimbra. Nesse dia o tempo era agradável, o que me
motivou à realização desta fase da pesquisa.
Da pesquisa realizada no computador obtive vários livros, dentro dos quais um
deles se debruçava sobre a questão da relação da economia com a imigração. O livro
em questão é de Eduardo de Sousa Ferreira e Helena Rato (2000), intitulado
“Economia e imigrantes: contribuição dos imigrantes para a economia portuguesa”.
Pesquisei o livro na própria Casa da Cultura e, uma vez que considerei relevantes as
informações contidas no livro, decidi levá-lo para casa, onde explorei em
profundidade essa mesma temática e abordagem sociológica. Criei assim um novo
sub-título, que designei de
• Dimensão económica
Com estes livros quase concluiria o estado das artes do tema, porém decidi
analisar outros livros, só para ter uma noção mais abrangente do tema “Imigração”:
Assim, até final do mês de Novembro, dirigi-me diariamente, após o horário das
aulas, à Biblioteca da Faculdade de Economia, para assim realizar leituras
suplementares para realizar o estado das artes. Decidi assim escolher mais dois livros
para complementar o meu trabalho: “Imigração e mercado de trabalho” do
Ministério da Segurança Social e do Trabalho (2002) e “Portugal migrante”
organizado por José Luís Garcia (2000). Com estes livros pude alargar os meus
conhecimentos e complementar ideias junto dos sub-capítulos do estado das artes,
enriquecendo assim o meu trabalho.
O estado das artes foi concluído com uma dimensão muito importante, a meu ver,
sempre que fazemos sociologia da imigração. Essa dimensão é a dos fenómenos
associados à imigração, tais como o racismo, a xenofobia e a exclusão social. Destes
três fenómenos decidi somente cingir-me à exploração da questão do racismo. Para
realizar tal pesquisa dirigi-me de novo à Biblioteca da Faculdade de Economia e

15
fazendo uma pesquisa avançada com o tema «Racismo» obtive um número
significativo de livros. Escolhi, do leque de opções apresentadas, um livro de Jorge
Vala (1999) intitulado “Expressões dos racismos em Portugal: perspectivas
psicossociológicas”. Com este livro pude fazer mais um sub-capítulo que designei:
• Fenómenos associados à imigração (o racismo)
Numa segunda fase, após ter-me inteirado das principais abordagens do tema da
imigração, centrei a minha atenção em tudo aquilo que tem sido dito e escrito na
Internet sobre a imigração.
Comecei por pesquisar indexantes, nomeadamente o google e o clix.
No google, um dos motores de busca actualmente mais utilizados, pesquisei com
o descritor de pesquisa «imigração» e obtive 215000 resultados em 0,30 segundos,
verificando-se um elevado ruído. Para contornar o ruído cingi a pesquisa a páginas
de Portugal, tendo obtido 30600 resultados em 0,27 segundos. Verificou-se uma
diminuição do ruído e a informação obtida parecia mais direccionada ao que
procurava. Utilizei também operadores booleanos, nomeadamente o «AND» e
pesquisei «Imigração AND economia» tendo obtido 8940 resultados em 0,41
segundos, e «Imigração AND racismo» tendo obtido 5650 resultados. Mesmo
restringindo a minha pesquisa continuei a considerar que era muita a informação que
me era devolvida pela Internet. Por este facto decidi realizar pesquisas em motores
de busca portugueses, como é o caso do motor de busca Clix. Assim, realizei uma
pesquisa com a palavra «Imigração» tendo obtido 5530 resultados, um número
menor que o encontrado no motor de busca Google, o que contribui para que esta
minha pesquisa apresentasse menor ruído que a realizada no Google. Nesta pesquisa
pude aceder a um sítio muito interessante e fiável, pois é assinado e contactável, cujo
URL é http://imigrantes.no.sapo.pt, (Fontes, sd) sítio esse que se caracteriza por
fornecer informação sobre vários prismas acerca do fenómeno da imigração. Aborda
esse fenómeno tanto em Portugal, como na Europa e no Mundo. Uma vez que no
estado das artes me debrucei sobre os fenómenos associados à imigração, tive a sorte
de nesta pesquisa encontrar um sítio que centra a sua análise nesta vertente. O sítio
tem o endereço de http://www.sosracismo.pt (Sos racismo, 2004). Este sítio é
actualizado, é fiável, pois é contactável e assinado, e acrescentou muitos pontos de
vista à minha perspectiva. É um sítio bem elaborado e tem o carácter associativo.
Apesar destas características positivas não cheguei a utilizar este site, uma vez que
possuía um livro lançado por essa mesma associação. O que pude constatar na

16
análise que fiz desta minha pesquisa no Clix é que, apesar da pesquisa devolver
muitos resultados, são poucos os sítios que se dedicam única e especificamente à
abordagem da imigração, sendo estes insuficientes para os objectivos a que me
propus ao realizar esta pesquisa. Utilizei também operadores booleanos como o
«AND», fazendo uma pesquisa com as palavras «Imigração AND estatísticas»,
tendo obtido 420 resultados. Com esta pesquisa obtive alguma informação relevante
relativamente às estatísticas que juntei às anteriormente obtidas nos livros,
terminando assim uma outra dimensão:
• Estatísticas relativas à população estrangeira a residir em
Portugal.
Muitos dos sítios resultantes destas pesquisas já tivera ocasião de analisar
anteriormente noutra etapa da pesquisa na Internet.
Uma vez que já possuía muita informação de documentos materiais impressos,
como é o caso dos livros, não dediquei muito tempo a fazer pesquisas na Internet,
apesar de saber que é relevante este tipo de pesquisa. Esta minha opção fundamenta-
se pelo facto de considerar mais pertinente e fiável a pesquisa e análise de
informação contida nos livros.
Porém, ainda na Internet, procurei notícias que abordassem o tema da imigração,
começando por pesquisar o Público e o Jornal de Notícias. Apesar das inúmeras
notícias acerca da imigração, nenhuma se mostrou verdadeiramente relevante para a
inclusão neste trabalho.
Para complementar o meu trabalho sobre a imigração e com o objectivo de fazer a
ficha de leitura, decidi escolher o livro de Rui Pena Pires (2003), “Migrações e
integração: teoria e aplicações à sociedade portuguesa”, escolhendo o capítulo 3, que
vai desde a página 119 à 187.
Ao longo de toda a minha pesquisa procurei ser transparente e objectivo nas
abordagens que fiz às temáticas que compõem o meu trabalho sobre a imigração, e
assim descrevo detalhadamente a minha pesquisa.

17
4 – Avaliação da página da Internet

Com o objectivo de avaliar uma página da Internet e após uma exaustiva e


complexa pesquisa, decidi escolher o site:
<http://www.oi.acime.gov.pt> (ACIME, 2003:A)
Procurarei em seguida estruturar a minha avaliação da página da Internet por
referência à estrutura que o professor Paulo Peixoto nos deu a conhecer nas aulas
práticas da cadeira de fontes de informação sociológica.
De acordo com a minha avaliação considero que o sítio é fiável, pois trata-se de
um sítio governamental, da autoria do Alto Comissariado para a Imigração e
Minorias Étnicas, que pretende aprofundar o conhecimento sobre a realidade da
imigração em Portugal para poder definir, executar e avaliar políticas eficazes de
integração dos imigrantes. Portanto, o autor está identificado e é contactável. Os
contactos são:
• Morada: Observatório da Imigração
Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas
Rua Álvaro Coutinho, 14
1150-075 Lisboa
• Telefone: 218106100
• Fax: 218106117
• E-mail: oi@acime.gov.pt
O autor deste sítio é um especialista na matéria, porque através do observatório da
imigração procura “reunir, tratar e disponibilizar informação geral sobre a imigração
no nosso país e recolher dados e informações complementares e até mesmo
desenvolver dossiers, estudos e investigações sobre a problemática da imigração”.
(ACIME: 2003: B))
O documento analisado exprime-se em nome de uma instituição, a conhecer: o
Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas.
Relativamente à natureza do sítio, trata-se de um sítio institucional. A
competência e a viabilidade do sítio, como dos seus autores, entre os quais se
destacam o coordenador Roberto Carneiro, relativamente ao assunto são
reconhecidas, uma vez que fazem parte de uma entidade institucional, a qual
também estabelece parceria com faculdades, como a Faculdade de Letras da

18
Universidade de Lisboa, a Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e
diversos centros de investigação, designadamente no caso do Centro de Estudos
Sociais e do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia.
O documento redirecciona para sítios fiáveis, internacionais, como:
• Associações: como a Associação Brasileira de Estudos Populacionais
ou o American Sociological Association;
• Bibliotecas e centros de documentação: as bases de dados e
publicações on-line da Organização das Nações Unidas;
• Informação estatística: como o Banco Mundial, Bases de Dados e
Estatísticas;
• Revistas on-line: como a Central Europe Review e Electronic Journal
of Sociology;
• Observatórios: como o European Monitoring Centre on Change;
• Projectos de investigação: como o Intercultural Active Citizenship
Education.

Mas também redirecciona-nos para sítios fiáveis nacionais, tais como:


• Associações cientificas ou profissionais: como a Associação
Portuguesa de Demografia e a Associação Portuguesa de Sociologia.
• Bibliotecas: como a Biblioteca Nacional
• Departamentos académicos: como o Departamento de Sociologia e o
Departamento de Antropologia.
• Organismos governamentais: Instituto Nacional de Estatística,
Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.
Quanto à pertinência das informações, pude constatar, apesar de não ter acedido
ao interior de muitas publicações, que estas são pertinentes para compreender a
realidade da imigração. Para tal, contribuem publicações como “O impacto da
imigração em Portugal nas contas do Estado”, publicações de análise e dimensão
económica da imigração, contributos imigrantes na demografia portuguesa, ou
mesmo até a publicação sobre o impacto e reflexo do trabalho imigrante nas
empresas portuguesas. Para além do acesso às publicações, este sítio dá-me a
conhecer estudos e documentos do Observatório da Imigração.

19
Com o objectivo de avaliação decidi escolher a publicação localizada no endereço
<http://www.oi.acime.gov.pt/docs/pdf/estudoOI%208.pdf> intitulada “O discurso
oficial do Estado sobre a imigração dos anos 60 e 80 e imigração dos anos 90 à
actualidade”. (Santos, 2004)
Cingi a minha análise na segunda parte do documento intitulado “Discurso oficial
do Estado sobre a imigração desde os anos 90 até à actualidade”. A dimensão que
pretendi aprofundar foi a dimensão do Estado. O nível das informações corresponde
à minha exigência, não só pela pertinência do conteúdo, como também pelo facto de
o assunto pesquisado ser acessível e suficientemente elaborado.
Relativamente ao interesse do documento, este tornou-se interessante para
aprofundar a dimensão do Estado e a relação que a imigração estabelece com este.
O que o documento traz de novo à minha pesquisa foi a contextualização e síntese
das vagas de imigrantes, dos processos e causas da imigração e a contextualização
da atitude política perante o fenómeno. O que é de valor neste documento são as
medidas que os vários Governos vão adquirindo ao longo dos seus mandatos. Pude
assim ter uma noção mais exacta da mobilização política face ao fenómeno da
imigração.
Em relação ao sítio em si, todo ele é interessante não só pelo conteúdo mas
também pelas diversas ligações a que nos permite aceder. Para responder à pergunta
«De onde provém a informação?» posso dizer que o sítio é português e lusófono. A
informação é relativa ao fenómeno da imigração em Portugal, porém o sítio tem
ligações internacionais. A informação é válida somente no contexto português,
sendo de frisar no entanto as ligações internacionais que oferece. O período tratado
do documento que analiso corresponde às minhas necessidades, uma vez que este é
relativo à imigração, verificada desde os anos 90 até à actualidade. O documento é
datado de Outubro de 2004, não necessitando de nenhuma actualização. Em relação
ao sítio posso dizer que ele é actual e que diariamente é actualizado, sendo dadas a
conhecer as novidades mais recentes da imigração ao nível das publicações.
O objectivo que presidiu ao documento foi fazer uma comparação e análise do
discurso oficial do Estado sobre “as grandes vagas de emigração portuguesa da
década de 60 e 80 e a actual problemática da imigração em Portugal a partir dos anos
90 até à actualidade. Na minha perspectiva, o documento deste sítio pode ser
analisado por qualquer pessoas, porém, talvez seja dada maior importância a este

20
documento por parte de alunos universitários, professores ou membros de uma
comunidade científica.
Os objectivos do sítio são “aprofundar o conhecimento sobre a realidade da
imigração em Portugal para poder definir, executar e avaliar políticas eficazes de
integração dos imigrantes.” (ACIME, 2003:B)
Procura também reunir, tratar e disponibilizar o acesso da informação disponível
sobre a problemática da imigração no nosso país.
O público-alvo deste sítio é qualquer cidadão, mas como referi anteriormente em
relação ao documento por mim analisado, penso que serão os alunos universitários,
professores ou comunidades científicas quem mais se interessarão por este sítio.
Em termos gerais e centrando-me no documento, posso dizer que a redacção da
informação é clara, que o documento está bem estruturado e as fontes estão bem
referenciadas pois são todas citadas.
Para terminar a minha avaliação da página da Internet, posso afirmar
convictamente que a informação é gratuita, navegando-se facilmente neste sítio, sem
ter qualquer problema no carregamento das páginas.
Em conclusão posso dizer que este sítio é de natureza institucional, é bastante
interessante e que o documento que analisei me permitiu ter uma noção mais exacta
sobre a relação da imigração com a dimensão do Estado. Em termos gerais agradou-
me muito o sítio que analisei e avaliei no âmbito da avaliação contínua da cadeira de
Fontes de Informação Sociológica.

21
5 – Ficha de leitura

Título da publicação:
• “Migrações e integração: teoria e aplicações à sociedade portuguesa”

Autor:
• Rui Pena Pires

Local onde se encontra:


• Biblioteca da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

Data de publicação:
• 2003

Local de edição:
• Oeiras

Editora:
• Celta Editora

Título do capítulo:
• “Dinâmicas da imigração em Portugal (1960-2001) ”

Cota:
• UCFE 314 PIR

Número de páginas:
• Da página 119 à 187

Assunto:
• Imigração

22
Palavras-chave:
• Integração
• Imigração
• Política migratória
• Portugal
• Retornados

Data da leitura:
• 23 de Dezembro

Área científica:
• Sociologia

Observações:
• A leitura por mim realizada revelou-se importante para a compreensão das
dinâmicas de imigração em Portugal, contribuindo assim para aprofundar ainda mais
o tema da imigração.

Notas sobre o autor:


• Rui Pedro Pena Pires nasceu em Portugal a 8 de Abril de 1955.
É licenciado em Sociologia pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da
Empresa, onde concluiu a licenciatura com 17 valores no ano de 1982.
Obteve doutoramento em Sociologia no ano de 2003.
Actualmente é professor auxiliar no Departamento de Sociologia do Instituto
Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, em Lisboa. É investigador no
Centro de Investigação e Estudos de Sociologia e director editorial da Celta Editora.
Em 1987 coordenou o livro “Os retornados. Um estudo sociográfico.”, onde é
autor de um capítulo e co-autor de um outro.
Em 1992 organizou a primeira parte do livro “Portugal, País de Imigração”, onde
é co-autor de dois capítulos.
Participou em alguns outros livros de relevância para análise sociológica e
diversos artigos.

23
Introdução

“Após 1974 verificou-se em Portugal, uma mudança no padrão dos


movimentos internacionais da população, retracção da imigração até
meados dos anos de 80, retorno dos imigrantes até os anos 90,
repatriamento dos portugueses residentes nas ex-colónias e o crescimento
dos fluxos imigratórios”
A exposição está organizada cronologicamente.
“Na primeira secção são comparadas as estruturas da imigração, na
segunda especifica-se as relações entre imigração e colonização, na
terceira analisa-se a consolidação e diversificação da imigração nos anos
80 e 90 e finalmente na ultima secção são identificadas e discutidas as
mudanças na imigração no início do novo século.” (Pires, 2003:119)

Desenvolvimento

1ª Parte

A população estrangeira a residir em Portugal manteve-se relativamente estável


sobretudo durante os anos 60 do século XX.
“Em 1960 residiam em Portugal 29.428 estrangeiros, sendo a maioria composta
por europeus 67% e Brasileiros 22%”
O turismo, a industrialização e a internacionalização contribuíram de forma
significativa para que se verifica um ligeiro aumento da imigração durante a segunda
metade da década de 60 e os primeiros anos de 70. (pág. 121)
Outro facto que se deve salientar nesta altura é a origem de fluxos imigratórios de
origem africana.
A imigração “tradicional superada por esses fluxos de imigração africana retrai-se
devido às transformações decorrentes do 25 de Abril ao nível político, social e
económico. (pág. 123)

24
Em consequência do peso que a imigração africana teve na década de 70
verificam-se transformações qualitativas significativas, evidenciadas quando
comparamos indicadores demográficos, como o rejuvenescimento ou o peso relativo
dos activos e idosos e socioeconómicos, como o aumento da mão-de-obra no sector
da construção civil ou o menor número de activos em sectores comerciais.
Em comparação com décadas anteriores verifica-se duas tendências: uma de
crescimento e outra de mudança ao nível da estrutura dos fluxos imigratórios.
(pág.125)

2ª Parte

O ciclo da imigração expande-se em Portugal com a descolonização, associado a


fenómenos como o repatriamento dos portugueses radicados em Africa mas também
devido ao início da imigração africana. (pág.125)
“A história subsequente da imigração em Portugal será profundamente marcada
pelos efeitos “de uma medida legislativa com a criação do Decreto-Lei nº308-A/75
que tenta evitar a invasão da imigração Africana. Os efeitos são os seguintes:
• Primeiro diferenciou o “repatriamento das ex-colónias de estrangeiros
com a mesmo origem…”;
• Em segundo “definiu as condições jurídicas e simbólicas de integração
dos futuros imigrantes…”;
• Em terceiro porque “contribuiu para a percepção do fenómeno
imigratório…”.
(pág. 128)

Uma das consequências desta medida é que esta vai criar um princípio de
discriminação negativa dos estrangeiros não lusófonos quer ao nível da naturalização
quer no plano do direito de nacionalidade. (pág.129)
Entre 1974-75 a imigração é quase na sua totalidade composta por retornados
sendo a imigração em geral praticamente invisível e desconhecida quer por parte dos
cientistas sociais quer por parte das autoridades políticas. A primeira vaga
imigratória envolveu praticamente no seu todo nacionais das ex-colónias. (pág.132)

25
Na década de 80 era difícil estimar um número preciso de africanos imigrados em
Portugal devido em grande parte aos retornados e à imigração ilegal.
As migrações típicas do pós-1974 eram: A migração laboral e a migração de
refugiados. (pág:133)

3ª Parte

Nos anos 80 e 90 aumenta a imigração acompanhada por uma crescente


intervenção estatal que se caracterizou por ser pontual, defensiva e centrada no
controlo das entradas. (pág:136)
Na segunda metade dos anos 90 passa a ser mais reguladora e abrange o domínio
da integração dos imigrantes. (pág:137)
Os anos 80 são marcados pela acentuação da imigração europeia em particular do
Reino Unido e pela imigração Brasileira. Nos anos 90 acentua-se de novo a
imigração Africana.
A nacionalidade dos imigrantes em Portugal vem alterar a composição da
imigração. (pág.140)
“Em 1999, a maioria dos imigrantes residia na área metropolitana de Lisboa,
sendo o Algarve a segunda região de atracção no país.”
A imigração pode ser de 3 tipos:
• Imigração laboral no caso dos PALOP;
• Imigração profissional de técnicos e empresários que se refere a
imigração europeia;
• Combinação de fluxos de retorno e imigração americana. (pág:144)

“Diferentes tipos de imigração estão associados a diferentes modos de inserção


dos imigrantes.” (pág:145)
Da análise que possamos fazer da imigração nos anos 80 e 90 constata-se que esta
se desenrola em três espaços:
• “O primeiro dominante onde se cruzam fluxos da União Europeia e
dos PALOP, fluxos profissional e imigração de trabalho”;

26
• “O segundo o das contracorrentes, marcado pela emergência de uma
nova imigração Brasileira”;
• E, por fim, os fluxos de imigração Asiática. (pág:147)
Em relação à distribuição dos estrangeiros por ramos de actividade verifica-se o
predomínio da inserção no terciário em relação ao secundário e pouca inserção no
primário. (pág.149)
A imigração Brasileira cresce significativamente por ser heterogénea
profissionalmente, possuindo qualificações técnicas e científicas. É um tipo de
imigração muito flexível.
(pág.152/153)
As imigrações Asiáticas são menores em comparação às anteriores, tornando
heterogénea a Sociedade Portuguesa. (pág.153)
“Relativamente às políticas de imigração ainda se cingem o aspecto de serem
reactivas em relação ao crescimento da população estrangeira”.
As características da política da imigração só a partir dos anos 90 é que tenderão a
mudar, cristalizando a mudança relativamente às questões da imigração somente no
final da década. (pág.155)
A inexistência por parte do governo de pontos de referência relativa às questões
da imigração tornou ainda mais lenta esta evolução prevalecendo uma representação
limitativa sobre os direitos dos imigrantes, no universo do trabalho.
Constitucionalmente existe um conjunto de direitos que são restringidos em
relação aos imigrantes. Um desses direitos é o direito do trabalho. (pág.156)
Porém não lhes são restringidos direitos como a saúde, ensino e habitação.
(pág.157)
A política de imigração é constituída pela legislação sobre o trabalho de
estrangeiros mas também regulamenta o regime de entrada e saída de estrangeiros.
A política de imigração ao controlar os fluxos teve a necessidade de concentrar a
sua realização no serviço de estrangeiros e fronteiras, que é criado em 1976 e que vê
progressivamente as suas competências a aumentar.
A sua autonomia estrutura-se finalmente em 1986, pelo que passa a ter ao seu
serviço um quadro próprio para a investigação e fiscalização, assegurando o controlo
da fronteira.

27
Em 1993 é verificada uma fase decisiva nesta evolução alastrando as suas
competências a novas dimensões como a da “concessão da nacionalidade e dos
estatutos de igualdade de direitos”.
A tendência central da política da imigração é limitar as entradas e dissuadir a
fixação. (pág.160)
Dado o crescimento da imigração ilegal verifica-se ao nível político um processo
de regularização extraordinária dos imigrantes em situação ilegal. (pág.161)
Com a sucessão do governo do partido socialista perante o governo do partido
social-democrata, este processo evidencia algumas modificações significativas na
política nacional de imigração, nomeadamente a passagem das políticas, do domínio
da regulação dos fluxos para o domínio da integração. (pág.162/163)
A concretização no domínio da integração de elementos novos de política de
imigração, passará pelos planos legislativo e organizacional. Assim, a execução da
política de imigração deixa de estar confinada à acção do serviço de estrangeiros e
fronteiras com a criação, em 1996, do Alto Comissariado para a Imigração e
Minorias Étnicas. Depois verifica-se que as questões da imigração se interligam com
a execução das políticas sectoriais governamentais. (pág.164)
“Esta viragem nas políticas de imigração terá consequências na redefinição das
concepções sobre o regime de entrada, saída e expulsão de estrangeiros do território
nacional.”
Contudo, a lei inerente à política de imigração é novamente alterada em 2001, lei
essa que introduz “o princípio de discriminação positiva dos imigrantes lusófonos e
cria a associação entre o controlo dos fluxos imigratórios e a regulação do mercado
de trabalho”
Os estrangeiros em situação ilegal tinham direito a um título de autorização de
permanência, válido por um ano. (pág.165)
As modificações na lei criam efeitos sobre a regulação do mercado, sendo
eficazes também na regulação dos fluxos imigratórios. Mas estas lógicas de
regulação apresentam limites nomeadamente pelo facto de não se estender desde o
início ao universo institucional, residindo o maior limite na manutenção da lei de
nacionalidade.
(pág.167)
As políticas de imigração apresentam também falhas no domínio da integração
social, dada a existência de orientações do tipo Republicano e do tipo Etnicizante.

28
O associativismo imigrante também é importante de frisar quando estudamos o
fenómeno da imigração. (pág.168)
Institucionalizado e parceiro do Estado este associativismo imigrante procura
definir e acompanhar as políticas de imigração sendo importante salientar como
marcos político-legislativo: o Alto Comissariado para a Imigração e Minorias
Étnicas (1996) e o Conselho Consultivo para os assuntos da Imigração (1998).
(pág.169)
Em síntese posso dizer que as políticas de imigração evoluíram bastante nos anos
80 e 90 sendo possível distinguir dois momentos:
• “O primeiro até 1995, é marcado por uma regulação fraca das
questões da imigração, tanto no plano governativo e legislativo”,
centrando-se a sua análise na procura de controlo de fluxos e na
definição da integração como um problema étnico-cultural;
• Num segundo momento “ as questões da imigração ganharam
destaque na acção governativa e legislativa”, sendo marcadas por um
“alargamento no domínio da integração e pela reformulação das
modalidades de controlo de fluxos”. (pág.171)

4ª Parte

Em 2001, com a regulação da situação de milhares de imigrantes, tornou-se


visível um crescimento acelerado da imigração nos últimos anos da década de 1990,
em grande número sustentado por imigrantes da Europa de leste. (pág172)
No princípio do novo século verifica-se um aumento do fenómeno migratório em
Portugal, novos padrões de imigração e novas políticas de imigração.
Em finais dos anos 90 verifica-se um rápido crescimento de novos fluxos de
imigração provenientes da Europa de leste e variações importantes, nos fluxos de
imigração ilegal. (pág.173)
Estes novos factos vão ter uma consequência directa no panorama da imigração
pois vão alterar a hierarquia das origens da população imigrada. Por outro lado, a
distribuição de entradas por anos de imigrantes também varia significativamente.
(pág.175)

29
Uma faceta destes novos fluxos de imigração é que se verifica que os imigrantes
de leste não se concentram geograficamente na área metropolitana de Lisboa, se
compararmos com a imigração dos anos 80 e 90. (pág.176)
Muita desta mão-de-obra é recrutada.
Outra característica importante destes novos fluxos de imigração é a maior
diversificação dos sectores do mercado de trabalho em que se inserem os imigrantes.
Porém a maioria dos imigrantes estabelece um vínculo precário com as empresas
contratantes. (pág.181)
Com estes novos fluxos de imigrantes verifica-se um crescimento e diversificação
da imigração, sendo estes explicados por factores internos e externos. Externos como
a pressão imigratória nos países de origem dos imigrantes, bem como a
desorganização social. No plano interno implicam as mudanças sócio-demográficas
que facilita a substituição de jovens desqualificados por imigrantes e mudanças no
plano empresarial em que se verifica a generalização da subcontratação, como é o
exemplo da construção civil e obras públicas. (pág.182/183)
Os novos fluxos de imigrantes caracterizam-se por fazer parte de migrações de
trabalho maioritariamente. Em relação à imigração e a sua interligação com os
dilemas das políticas de imigração, posso dizer que “os factores que estiveram na
origem do crescimento da imigração em finais dos anos 90 delimitaram um quadro
de integração novo.” Os dilemas das políticas de imigração assentam na conciliação,
problemática entre o modo de controlo das entradas e o modo de integração dos
imigrantes. (pág.185)

Pontos fortes do documento:


• A escrita é de fácil leitura e compreensão;
• As ideias são bem articuladas;
• Ajuda-nos a compreender as mudanças verificadas nos padrões internacionais de
imigração;
• Dá-nos noções básicas sobre os princípios do ciclo de imigração e as suas causas
e processos;
• Permite compreender sucintamente em que incidiram as políticas de imigração;
bem como os principais fluxos de imigração;

30
• E, por último, posso dizer que facilita a compreensão e assimilação das
mudanças ocorridas na imigração no início do século XXI.

Pontos fracos do documento:


• Na verdade não considero que este documento apresente pontos fracos em si,
uma vez que todo ele é dotado das características que enunciei acima. Um coisa que
me chamou atenção e que valoriza este documento é que ele apresenta alguns
quadros e figuras o que nos permite analisar a informação de uma forma mais
concreta.

Principais autores citados:


• Salt, Margarida Marques, Rui Santos, Ioannis Baganha, Fernando Luís Machado,
Jorge Malheiros e João Ferrão.

Referências Histórico-Culturais:
• Descolonização durante o período pós 1974

Recursos de estilo e Linguagem:


• Predomínio da exposição de factos e alguma enumeração

Conceitos:
• Imigração, política de Imigração, fluxos migratórios, imigração laboral e
imigração de refugiados

Disciplina:
• Fontes de Informação sociológica

Professor:
• Paulo Peixoto

Aluno:
• Paulo Renato Baronet Sousa

31
6 – Conclusão

Em termos de conclusão posso dizer que este trabalho se apresentou no seu todo
de difícil concretização, devido a todas as formalidades a que fui sujeito.
Com o objectivo de cumprir com os critérios de avaliação e com o tempo devido
e estipulado tive de coordenar e organizar toda a minha vida pessoal em torno do
trabalho, não deixando no entanto de dar atenção a todas as outras disciplinas que
compõem o primeiro semestre.
Das obras lidas e das pesquisas realizadas pude, ao longo do trabalho, responder
às perguntas que coloquei na fase inicial desta minha pequena investigação
sociológica.
Pude verificar que de facto os imigrantes contribuem de forma significativa para
o desenvolvimento sócio-económico do país, havendo uma distribuição dos
imigrantes quer por área de trabalho, quer por sector do trabalho. Consegui dar a
conhecer algumas das causas e dos processos inerentes ao fenómeno da imigração e
compreender o quadro legal dos imigrantes. Com este trabalho consegui obter um
objectivo muito importante no meu entender, que foi assimilar e interiorizar as
principais vagas de imigrantes e os períodos em que estas se inscrevem. Quanto ao
racismo, e depois de toda a minha pequena investigação, posso dizer que este estará
de forma directa ou indirecta relacionado com a imigração.
Sem dúvida que considerei este trabalho bastante estimulante e aliciante ao nível
das concepções e das representações que pude obter ao realizar algo desta natureza.
No entanto tenho de salientar que me foi difícil a questão das referências
bibliográficas, nas quais apresentei algumas dúvidas quanto às formas como elas se
estruturam. De facto esta foi a parte mais complexa no âmbito técnico das fontes,
não sabendo se realmente elaborei referências bibliográficas correctamente de forma
a ir ao encontro da expectativa do professor.
Em termos gerais estou satisfeito com o meu trabalho, mesmo sabendo que não se
trata de nenhuma obra-prima ou de génio. O que me entusiasmou foi o trabalho e
dedicação que tive, apesar da conjuntura nem sempre ser favorável.
A imigração é em alguns aspectos quase insignificante quanto à forma como se
apresenta na sociedade, mas que de facto é significativa se olharmos o mesmo
fenómeno, com aquele olhar que não olha mas que vê e constata.

32
Referências bibliográficas

Livros:

AAVV (2002), Imigração e Mercado de Trabalho. Oeiras: Celta Editora e MSST

Baganha, Maria Ioannis; Ferrão, João; Malheiros, Jorge (orgs.), (2002), Os


movimentos migratórios externos e a sua incidência no mercado de trabalho em
Portugal. Lisboa: Observatório do Emprego e Formação Profissional.

Baganha, Maria Ioannis e Marques, José Carlos (2001), Imigração e política: o caso
português. Lisboa: Fundação Luso-Americana para o desenvolvimento.

Dantas, Amândio Sousa (1985), Poemas da imigração. Lisboa: Peregrinação-


Fundação Cultural dos Emigrantes.

Ferreira, Eduardo Sousa e Rato, Helena (2000), Economia e imigrantes:


contribuição dos imigrantes para a economia portuguesa. Oeiras: Celta Editora.

Garcia, José Luís (org.), (2000), Portugal migrante: imigrados e imigrantes, dois
estudos introdutórios. Oeiras: Celta Editora.

Machado, Fernando Luís (2002), Contrastes e continuidades: migração, etnicidade


e integração dos guineenses em Portugal. Oeiras: Celta Editora.

Pires, Rui Pedro Pena (2003), Migrações e integração: teoria e aplicações à


sociedade portuguesa. Oeiras: Celta Editora.

Rita, José Palma (2002), “Imigração, economia e competitividade: dilemas dos


mercados de trabalho”, in Ministério da Segurança Social e do Trabalho (org.),
Imigração e mercado de trabalho. Oeiras: Celta Editora, 35-56.

33
Silva, Pedro Alcântara (2000), “Imigração, “Minorias étnicas” e comunidade cigana:
demoscopia descritiva dos modos de percepção dos portugueses”, in José Luís
Garcia (org.), Portugal migrante: emigrantes e imigrados, dois estudos
introdutórios. Oeiras: Celta Editora, 75-108.

SOS Racismo (2002), A imigração em Portugal: os movimentos humanos e culturais


em Portugal. Lisboa: SOS Racismo.

Trindade, Maria Beatriz Rocha (2002), “A imigração em Portugal: contribuição


externa para o desenvolvimento interno”, in Ministério da Segurança Social e do
Trabalho (org.), Imigração e mercado de trabalho. Oeiras: Celta Editora, 145-160.

Vala, Jorge (1999), Expressões do racismo em Portugal: perspectivas


psicossociológicas. Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais.

Páginas da Internet:

ACIME (2003:A), “Observatório da Imigração”. Página consultada em 29 de


Dezembro de 2004, disponível em <http://www.oi.acime.gov.pt>

ACIME (2003: B), “Quem somos: o Observatório da Imigração”. Página consultada


a 29 de Dezembro de 2004, disponível em
<http://www.oi.acime.gov.pt/modules.php?name=Content&pa=showpage&pid=
1>.

Ba, Mamadou e Brito, Miguel (s.d.), “A imigração em Portugal: razões da


imigração”. Página consultada a 28 de Dezembro de 2004, disponível em
<http://www.sosracismo.pt/livroimigracao.htm>.

Fontes, Carlos (s.d), “Imigrantes somos todos”. Página consultada a 26 de


Novembro de 2004, disponível em <http:// Imigrantes.no.sapo.pt>

34
Fontes, Carlos (s.d.), “Oposição à entrada de mais imigrantes”. Página consultada a
15 de Dezembro de 2004, disponível em
<http://imigrantes.no.sapo.pt/index11.html>.

Peixoto, Paulo (2002-2005) “O Estado das Artes”. Página consultada a 2 de Janeiro


de 2005, disponível em
<http://www4.fe.uc.pt/fontes/restos/estado_das_artes.htm>

Santos, Vanda (2004), “O discurso oficial do Estado sobre a emigração dos anos 60
à 80 e imigração dos anos 90 à actualidade”. Página consultada a 29 de Dezembro de
2004, disponível em <http://www.oi.acime.gov.pt/docs/pdf/EstudoOI%208.pdf>.

SOS Racismo, (2004), “SOS Racismo”. Página consultada a 28 de Novembro de


2004, disponível em <http://www.sosracismo.pt>

35
ANEXO I
- Página da Internet avaliada
ANEXO II
- Sub-capítulo “Dinâmicas da imigração em Portugal
(1960-2001)” da obra Migrações e integração: teoria e
aplicações à sociedade portuguesa de Rui Pedro Pena
Pires (2003)
2