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A M A D E I R A SOB OS DONATARIOS

---Propriedade e
edição do autor---
Darnião Peres

Toute etude doit avoir rc-


cours 4 des rnonographies;
c'est par leur rapprochement
que se constitue Ia-synthesc.
Ivsr Uuyot.

FWNCWAL
1914
Elaborado para uin concurso, sofre o
presente escrito, alem de outros, do defeito
que em trabalhos de caráter historico sem-
pre traz a limitação de tempo.
Mas justamente porque esta obra se des-
tina a julgameiito, impõe-se ao A. o dever
de prestar alguns esclarccimeiitos prcvios ,
A documentação foi buscada ila Torre
do Tombo e no Arquivo da Camara Muni-
cipal do Funchal, aproveitando-se tarnbem
memorias madeirenses e aitida outros es-
critos que A historia da Madcira se referem.
Infelizmente o reduzidissimo numero de
dias de que pudemos dispor para as indis-
pensaveis iiivcstigaqões no Arquivo Nacio-
nal d a Torre do Tombo por certo nos dei-
xou oculta parte da documeilta(;ão que bus-
cavamos e o acanhado tempo de que dispu-
nhamos para a redacção do presente traba-
lho não nos perinitiu dar-lhe toda a exten-
sáo que desejariamos.
E m lodo o caso, por satisfeitos nos da-
remos se se reconhecer que á recoustitui-
ção historica da administração publica do
dominio colonial portugnez trouxemos o
i~osso subsidio que, insignificante como 4 ,
não deixa d e representar-parece-nos-al-
gum esfor(;o. alguma boa vontade e algum
desejo de acertar.
Funcllal, Dezembro de 1913.
D. P.
Alvorecia w Reriascença no momento em que
as caravelas do Iufante iam, mar fõra, devassar o
segredo misterioso do mar i ~ e n s o .
Alvorecia a Renasconça, agoniza,va a Meia-
Idade. Mas essa Bpoca de triunfo senhorial não se
finára ainda e a nobreza, sonhava talvez-quem
sabe?-com dias de mais altivo poderio.
Alvorecia a Renascença e no extremo ociden-
te da Europa, onde o poder real buscava, sem o
ter conseguido ainda, afirmarage como força he-
gemonica, apareciam de quando em quando, co-
mo fogos fatuos, vislumbres d a independencia so-
nhorial a que a s especiaes circunstancias politico-
sociaes portugu6sas davarr: de momento explica-
ção plausivel.
Assim, pois, não admira que a descoberta
das primeiras illias mtlantichs fosse t o ~ a d acomo
pretexto para uma descentraiização-pequ~nei por-
que o poder real a não permitiu maior-em qua a
Elaborado para ulil Concurso, 8 0 f r t LI
preserite escrito, alem de outros, do defeito
que em trabalhos de cardler Iiistoricu seni-
pre traz a limitacão d e tcmpo.
Mas justamcnte porque esta obra sc dcs-
tina a julgame~ito,impõe-se ao A. o dover
de prestar alguns esclareciiiiciitos prcvios .
A documenta$ão foi buscada lia Torre
do Tombo e no Arquivo da Camarn Muiii-
cipal d o Funchal, aproveitando-se tanibeiu
memorias madeirenses e aitida outros es-
critos q u e á historia da Madcir:~se refcrem.
Infelizmente o rcduziclissimo numero dc
dias de que pudemost dispor para as iiidis-
pensaveis irivestigaqõcs no Arquivo Nncio-
na1 d a Torre d o 'l'oiiibo por ccrto rios dei-
xou oculta parte da documciita(;80 qilct hus-
cavamos e o acanliado teilipo de cluc dislju-
nhamos para a redac~iiodu prcseiilc trabri-
lho não nos permitiu dar-lhe toda a exteii-
são q u e desejariamos.
Em todo o caso, por satisfeitas 110s da-
remos se se reconhecer que Q rccoiistitui-
ção historica d a adiniiiistra$ií» piil )lica r10
dominio colonial portugtiea trouxenios o
nosso subsidio que, iiisignificaiite çonin 6 ,
não deixa d e representar-parece-tlos-nl-
g u m esforço. alguma boa voiitaclc e ntgurn
desejo de acertar.
Funchal, Dezembro de 1913.
I). P .
Alvorecia a Reriasccnça no momento em que
as caravelas do Iufante iam, mar f6ía, devassar o
segredo misterioso do mar i a e n s o .
Alvorecia a Renascença, agonizava a Meia-
Idade. Mas essa Bpoca d e triunfo senhorial não se
fin8ra ainda e a nobreza, sonhava talvez-quem
sabe?-com dias d e mais altivo poderio.
Alvorecia a Renascen~zle no extremo ociden -
te da Filropa, onde o poder real buscava, sem o
ter conseguido ainda, afirrnarerie como força ha-
gemonica, apareciam de quando em quando, co-
mo fogos fatuos, vislumbres d a independencia se-
nhorial a q u e as eqpeciaes circunstancias politico-
sociaes portugu6sas davarr, d e momento explica -
ção plausivel.
Assim, pois, não admira que a descoberta
das primeiras ilhas atlanticzis fosse tomada c o m o
pretexto para uma descentralização-pequsnei por-
que o poder real a não psrmitiu maior-em que a
Ordem d e Cristo e os capitães donatarios n o s
aparecem como um estado a o Eskado.
Mas o poder real vigiava atento, e, d e q u a n d o
em quando, no momanto em que a indeponden-
cia ~ e n h o r i aal si propria s e iludia supondo.se se.
gura, uma Carta regia vinha tacitamente lembrar
quu o rai era chefe e os demais subrlitos.
E porque d e facto o regime das capitanias so-
bremodo reduzia a esfera da regia acçáo, dimi-
nuindo a autoridade da corba, o poder real nào
poude deixar d e declarar.lhe guerra e por medi-
das fiucessivas de diversa indole e variado alcance
buscar elimina-lo e substituir-se-lhe.
Assim incoinensuravel distancia separa a
época do Infante, em que o padsr multimodo d o s
donatarios B quasi independente da corda, d a
Bpoca em que Filipe I remata e obra d e centra-
lização nomeando o governador geral do arqui-
pt5lag0, de escolha regia e inteirameu te subordi-
nado h hegerronia do poder real,
Mas a passagem d e um a outro estadio da ad -
ministraçilo publica da Madeira não sti fez d e su-
bito, como em medonha convulsão,
Não. A transição foi lenta; segura a marcha
da regia soberania.
Paulatinamente, por medidas silcessivas, ce-
dendo agora para insístir logo, nunca desaniman-
do, com aquéla persistsncia q u e sempre e em
toda a parte a realeza p68 na luta pela centrali-
zaçào monarquica, o poder real afirmou-se sem
obstaculos que anulassem a sua acção e com in-
teira segurança, vencendo a nobreza para logo
depois dominar o clero e enfrear o povo.
Esse ser& pois, o objéto do nosso estudo.
Iremos rscoostitnir aquela luta surda mas colos-
sal, d e q u e saiu alfim vencida a nobr6za madei.
rease, buscando, ao mesmo tempo, tirar da in-
diferença dos velhos livros e da frieza palida dos
n u a o s arquivos a expressão da vida social da
Madeira neste primeiro periodo da sua historia,
vida típica, vida sui generis, vida impetuosa de um
organismo nascente, em q u e sacudidamente s e
reproduz toda A evolução hiçtorica por que pnssau
a sociedade para vir da aristocratica Idade-Media
i Renascença burguêsa.
P1RTE I
O aspecto politico
CAPITULO I
Organizagão d o poder doa
capilnoioi donatariai~i

Depois de longa a porfiada luta, da q u a l v i -


nha a ~ a h i r vitoriosa a causa da*Independencia
portugudsa, fizera-rje a paz.
As treguas por dez anos ajustadas entre Por-
tugal e Cartela em agosto de 4402 (a) marcam o
firn da guerra. O tralado de outubro d e 1414 as-
Piagiira a paz ( b ) .
E' então que, torrnii~adasas lutas peninsula.
res, Portagal procura, fóra da3 suas fronteiraei,
nova esfera de acção e os seus homens d'errnsa

a-Lopes; bhChroii.de D, João I,,: 11, cap. 186 Gama


Barros; "Hist. da adin. publ. em Port,. TI, 269.
b-vLopes,, ob. cit. 11, cap. 197.
hasteam sm 2415 nss muraltias de Chut,a a b ~ n
deira das qiiinris, C~r,jq.~ndo
o primair17 (510 da cn-
deia Bpica d i navegaçGss R c:onrlcli~tas riu0 nos
deu renorno no mundo, norl;olririo 51 r!iviIiir~p%~
E assim, llnçados jS os brapos da conquista
para as terras d1a16m rnar, ent,raila R rnarinlia no
caminho de um progressivo d~crnnvolvininntoo
tornada cada vez mais forto 0 decidida P audacia
do incipiente nauta, aprosen t ~ - s e a n o como
s em-
preza naturalnrien ts indicada R devassa do ocoann
em busca dessas terras ocultcis errl seii ignota
Roi n.
Feltiivs sbinente algufirn q i l r ) 4.; i ~ i c ~ ~ ~ i ~ s c
tendcncias do ~ s p i r i t oprirt,agu6s doese a riairiade
d e esforço, a Eenacidsdc e a p o r s i ~ t ~ n trfití~st'or-
ci~
manda-as de tarefa indicada em t a r d a viaucl. Es-
' s e algiiern apareceu. enfim-foi o infante d e sa-
gree.
Tinha o Tnfante á sua di~posiçgoa s rendas da
Ordem de C r i ~ t o , d e qua ora Mostre, e delas
u equipar o armar as c a r a v u l a ~ d e
ss ~ ~ l r v ipara
exploração.
Assim, tudo o que s e Soi descobrindo, por
uma conhideração muito nat8ural, conhecido o BR-
pirito dai spoepr, liertoriça da Ox'dern foi julgado,
Ora ao Infante como Mestre competia a ad-
ministração dos bens da ordem e deat'arte a so-
berania nas terras descobertas ficava, da certo
modo, de facto, jB que não de !direito, 6 ordem
d e Cristo, ou, melhor, ao seu grão-mestre.
Bastaria citar, como prove de q u e assim se
passaram os factos, alguns trechos de Azurara pe-
la siia especial auctoridade (a) auficientamente
comprovativos: (c.. .Deos,. .guyouhos assy q u e com
temrio contrniro chegarom aa i l h a q u e se agora
.
chama do Porto Saricto.. e tornando dally pera
o regno, fallarom sobrnllo ao I f f a n t n , contando-lhe
a bonclada da terra, e o 1-lesejo qlle tinham acer-
ca da sua povornçom; rio que ao Iffante rntiytq
prouve, ordenando logo como podessem aver a s
cousas que lhe compriam pera se tgrnarem a a
..
dicta ilha.. . . . , . . . . . . . . . !sixarom aquela ilha
e passaromse aa outra da Madoira.. .Esta segunda
acharom boa.. . Bezerorn a w y todo saber a o Iffan-
te, o qual se trabalhou logo de envyar Ia outras
$entoa.. .» ( b ) .

a-V. o prologo do Visroitdc da: Santarem na cdigão de


J3aris, de 1841, da Chron, rio dcscobr. e conquista da Ciuiné,
h-Ob. cit, cap. 8 3 .
Do texto reproduzido se deduz com clareza
que os assuntos referentes a descobertas se tra-
tavam de começo dirbtamente com o Infante.
A povoação da Madeira começoii por 1425,
segundo o proprio testemunho da Infante: aco-
mecei de povorar a minha ilha da Madeira aver8
..
ora trinta e cinco anos. u confessa ele na carta
de conceas8o ti ordem de Cristo do espiritual da
Madeira, Porto Santo e Deserta, passada em 1460
(4.
Sendo assim, o Infante estava ,IA autorizado
a dar de sesmaria a;; suas tarras ou as da Ordem
de Cristo, autorização que lho Ebra concedida
em 30 d e outubro de $422 (b). Assim, neste par-
ticular, a s conce~sõesd o terras feitas naqu8las
condições não seriam irregulares, se doação das
ilhas tivesse aido feita 4 ordem ou pessoalmer,te
ao seu mestre.
Mas nem urna nem onsra coisa se pasghra:
antes a vontade regia s e afxrmhra adversa.

a-V. um extrato desta carta em L'Alg~ins


doc. da Torrc
do Tombo referentes ás navega~õese conquistas portuguc-
zas,, pag: 26
o D. Afonso V
b-Carta regia iiiserta lia de c o i i f i r m a ~ ~dc
Tmre do Tombo, "Livro dos Mestrados" fol. 154 v
Em rim cápitalo de nma carta de merc& pas
sada por D. João I, inserta orn um diploma de D.
João I1 de 7 de maio d e 4493, se v6 q u e aquCSle
monarca s e intitulava ctRey e Senhor da dita Ilha
de todo meu poder regulado e absolutuu, parecen-
do mesmo que por essa carta o monarcl buscou
desfazer os fumos de autononiia de seu filho D.
I-Ionrique, visto q u e nela se consigna que João
Gonçalves Zarco foi distribuir a Madeira por or-
dem do rei (a).
E s l ~ariotação nBc? pbde deixas de ioterpretar-
se n.o sentido de repre~entai'mais uin travão ás
aiiibições do Iofanta do que a expressão exacta da
realidade,puis quo nbs sabemos bem quão grande
foi a influencia do Infante no trabalho do coloni-
za.ção das ilhas, não si> pelo d ~ p o i m b n t edos es-
c r i t o r s ~q u e versaram o hssunto, mas mais ainda
pelo d e p ~ i r n e n t odo Infante na carta atraz citada,
em que ele clarainonte diz n;começei d e povorar a
minlia ilha da Madeira haverá ora trinta a cinco

a-O .diploiita d e D. Jogo H, acha-se t r a i í s c r i t o ' ~mauus-


~~
crito ,,Registo da Provedoria da Real Fazenda,, com a indi-
cação de existir i10 L.O I: das Verea~ijesd e Machico, hoje
perdido, e no L.0 13 da Prevedoria da Alfaildegri do Fuiichal,
foi, 100.
~ n o a p e na carta d e I), Afonso V d s coritirrna~3.0
da doação da capitania do [~'url:llal a Jogo Iiorl-
çalves %arco ern yiie o monarca corisigna as de.
claraçòes do Irif~nte de que ~JoliarriCionçalves
Zarquo cavallcyro de sua casa fcire o primeiro lio-
me q,ue per' seu v~zaluiailo for a poborar a s ditas
ylhas~.
Faltava pois a 13. ilenrique a confirmnçTo por
via !egal do poder que de facto Einlia, Itssa Ipgiii-
mação n$o a alçançou ble dt? seu pai porclue eute
n8o via com bons 01110s o labor dos descobrirxieti-
tos.
JoBo de Barrciu consigna :lu0 o Infnnte Isvan-
tdra coiltra si a nib vontado de pessoas d e impor-
tancia, e db tnargeirn para a supoaiçilo dei yua o
~iropriorei dsva forca a essss protustou, pondo na
boca de um dos d e s c o n t m t ~ sEctilies coino eut,a:
certo que outro exemplo 1 h ~dou seli Padre pou-
cos diss ha, dando os n-ianinl108 de lavra junto d s
.Coruche a Lambert da 0rc:tias AlornBo, q i r a os
romposse o povoasse C O M abrigilçilo de trazer a
eles nioradores estrangeiros d1Alemanha; o nlo
mandou s ~ u s vassalas passar al6m m a r romper
r140 ~ m r opastc~~ Q tH ) r ~ l (11)
teft as y l ~ oI)L'u~I t ~ ~ ~
1)oríliie corit,roriava I). Joâo I o progresso no
ctamiriho C I ~ Sdrvicohr i n ~ e r - ~ inaritirnos?
to~
Por descr?ilh(~ccr ci s o u alcance, como dá a en
torider Jogo d e ISarros, niio nos ~ B ~ B C Z .
Inclinarno-nos a n t w n slipor' que n rei via
nc?les, n2o sem rtixRo, urn gcrmcri indepanden-
ciq da ordatn (!o (:risto para cor11 a corOa e que-
ria avita-10 u tcdd o trri:;stj, j A diticalt;\ridoo pro-
~egiliriientoda smpiltlsa, jilt reiviiidicalido violenta
o taxativarnui~taparta a [:urda a s 11)eranianaa tsrraz;
atlan ticas.
Fosso, poràiwi, por qun rnotiv Coss<-i,o facto 8
que o bí'tinntn riao logrou alcanc;ail ijrn vida de seu
pai a doapila das iltirie dokcobortas.
J-, provavolrncir~t~c~ al.lm riiasfiin a solicitoi~ porqce
os lt~fanlrstiao iiisistiam cutn stira pai subru qual-
quer assui~locjuil ~ o u ~ c : ~ ! ; sor o ~ J]tio d s alguma
Sorrn:a d ~ s a ~ ~ , ~ ' ~ s(y,iu~lda
d a v ~ l I a, o o t ~ f i s s ã do
~ pro
prio I). 1)ii:nrto (a).
Portncto, díidos t a ~ j i o sikir)tivos, o Irifatite nao so-
licita~ia de l). duào I a dongùo do aryuipolago, rnas
q u o e l l o a nmbic:ioti:rv:li, c4ilas;i t l o ~a~lctorizga affi'fir-
rna.10 o fLu:ti3 (li), logo L ~ I )c01111300 d o reinado e a
se11pedido, o irmão, D. Duarto, Ih'a ter feito ( a ) .
Desde então o podarmdo I n h n t e é um direito
legitimo.
Embora sem diploma legal q u e a isso os ha
bilitasse, o s primeiros capitAes donatarios usaram
desde o principio do mais lato direito jurisdicional
pondo em pratica, por indiclç&o do Infante, a q u 0 -
Ias normas de proceiler que mais tarde lhe furam
assinadas nas cartas de doaçfio das capitanias.Eis
como a este respoito se exprVimemAS hoticias das
cousas da Madeira desde o s e u segundo ilescobrivrzento
pelo Zargo:cc Cr>rnaçj,i~ o capitão a dar a s terras de
sesmaria, como tinha por regimento d o 1nfai;t.e..
senhor da Ilha.. . u E' precisaci~ento a autorizagão
que mais tarde ns cartas de doação do Infante aos
primeiros donatarios vieram conceder:((. . e me .
praz que elle (capitào- dona tario) possa dar per
suas cartas a terra desta parte per li!, fofa11 d a ylha
a quem lhe aprouver com tal1 condiçorn q n e aque-
le a quem der ai dita terra a aproveyta atea cinco
annos & n o m a aproveytando que n possa dar a
outrem & despois que aproveytada for a leyxar por

a-Casta de 26 de Setembro de 1433 pi~blicadatia integra


..
crn uAlg~iilsdociimciitos da Torre do Toiiibo, ,, pag. 2 .
aproveytar ata8 outros cioca arinos q u e per i ~ s o
inesmo a porça d a r . . .b a.
A povoação começou, como vimos, p o r 1425
A tam13~1r1 por essa data deviam ter c o m e ç a d o a s

doações de terras e m sesmaria. Ora a s cartas d e


doaçào fora.rn passadas em data incito posterior:
3 de Machico e m 8 do Maio de 1440 ( b ) e a do
Funchal em 1 de Piovembro de 1450 (c). L a m b e m
a do Porto Santo fui ~ a s s a d ern
i data m u i t o p o s -
terior a o inicio da co1onizac;ão: .1 de N o v e m b r o
d e 1446 (d).
Facto identico so verifica q u a n t o á adrninis.
tração da justiça.

a-Texto comum ás primeiras doações: da capitania do


Fuilehnl a (ionçalves Zarco. da d e Machico a Tristão Teixei-
ra e da do Porto Santo a. Bartolomeu Perestrelo.
b-Puhlicada pelo dr. A zevedo na sua edição das "Sauda-
dcs da Terra,, rle Gospar Prutuoso, Parte z.", "Notas e indi-
ces,, paga 4 56-7, extrahida do n~an~iscrito, então inedito, "Me-
morias sobrc a creaçtão c aumento do Estado Eclesiastico na
Ilha da Madeira,, por não a ter o dr. Azevedo encontrado em
arquivo publico. A carta, inscrta tia de coi~firmaçãod e D.
Afonso V 18 dc Janeiro de 1452) está no "Livro das Ilhas,,
' fol 21 (Arq. da Torre do Tombo).
c-Rrc. da Catn. Muii. do Funchal, tomo 1, fol 128-132;
publicada pelo dr. Azevedo (lbidem, pag. 451-6).
d-Publicada na ii~telira,em circunstancias aualogas á da
capitania de Machico, pelo dr. Azevedo (Idem,, pag. 467-9);
registada 110 "Livro das Ilhas,, c na Chancelaria d e Afonso
V, inserta ~ l carta
a testeinutilia1 deste moiiarca ( I 5 de Março
de 1473 .
As cartas r ? ~doação citadas conforetn aos ca
pitães donatarios atribuições judiciaes. E' contudo
nataral coricloir que tambern antes d e passadas
assas csrtes os exerciam já
Sahamos qiie nl capitania do Porto Santo, e
no inicio da explnr.~r$o da ilha, vinha nomeado
acom o C+ovoriao dn Justiça)) Bar.;olorneu Pores-
trelo (a). Não O verosimil qi1.e facto identico s e
ngo tivesse dado com as capitania2 tia Madeira,
sendo, pelo contrario, extro~natnente provavel
que R hipotese contraria, s e verificou.
Não d2ve, porem. ligar so no facto acima alu-
dido a ideia que a Bartolomeu Pereslrelo fosso
passada alguma carta.
O s primeiros instrunientos p o b l i c o ~legais so
bre doação de capitanias foram 0 2 etraz indicados;
e não B licito supoc qaa ocitros ttvrsseiíi exislido,
pcrquanta, a ser assim, não deixaria da aludir-se
a dleo nas cartas por qua Afonso V coiafirmou
ayudlas doações d o Itiftinte. Nos prin-ieiros tem-
pos da exploração, os futuros capitães.donatarios
actuavam apenas conio delegados d o Infante, em.

a-''Noticias das coiisas da ilha dn Madeira.,.


bora com a mais lata autoridade. E' mesmo d que
dAa entendsr o Infante iia carta de doação d a ca-
pitania do Funchal quando nela diz:
<Eu fiz esta merçee ao dito Joham Gonçalves
por ele ser ho prirneyro que per meu mandado a
dita ilha p0borou.b.
Grande erP, pois, corno acabamos de ver, a
autoridade dos donatarias como representantes
d o Infante, e mais segara ela s e tornou quando se
achou sm absoluto legalizada, uma vez confirma.
dos pelo rei os latos poderes inçertos nas cartas
de doaçao da8 capitanias.
CAPITULO I1
Opousr real conkra a jux-isdiçãa
d o s donatarios- I: O ataque

Excederaase o I n f ~ n t doandoas
e capitanias cornu
direito hereditario quando elta proprio de seu ir-
mão recebera o arquipelago em doação apenas vi-
talicia e sx:edera-se ainda rnandmdo que na a d -
ministração d a justiça não resol vessom sobro cri-
m es graves os capi t8es.donatarios (semlença de rnor
Le ou lalhamendo de membro) de cujo julgamento
supretno para si proprio rassrvava o exclusivo,
quando D, Duarle declarira que d e tais crimes
tomaria conhecimsnto a casa do civel de Lisboa.
Quanto a o pi8imeiro ponto, o proprio Infante
reconhecendo que saíra da sua esfera de. acção:
submetia a hereditariedade da doação à confir.
maçâo do rn0narca.a E pidionos ho dito ynfante
meu tio que como quer que per e11 Rey meu sinior-
& 'padre & per nos lhe nom forom dadas ao
ditas ylhas mays que um sua vida nos aprouvesse
.. . d e lhe abermos por comfirmada a dita sua
cgrta ao dito Joham Gonçalves & a seus filhos &
decemdemtes.. .r,.

Q~iantoao segundo, D. ~ f o n s oV, sponta sua,


punha as cousas no sen divido pé: (c.. .hondo diz
a carta do dito m e u tio queapellaqom d a ~ o r t ou
a
talhameato de rnunbro venha per ante elle q u e .
remos que venha perante nb(s segundo h 2 com-
teudo 'na carta Del Rey m a l i sinior & Padre.. .u
Apesar disto o reinado de D . Affonso V, q u e
foi, de uma maneira geral: uma eposa de predo.
minjo da nobreza, não mostra grandes l u t a s da
realeza com os privilegiados. Antes pelo contrarie.
Foi D. Afonso que, logo pouco depois d e eli-
minar a tutela do regeute I). Pedro no racont.ro
de Alfarrobeira,confirmou as cartas cio doação das
capitanies madeirenues qrla o Infante D. i-Isnricjnc
aaos antes passhra.
E assim, ainda q u e com a s resti ições já apon-
tadas, o rei fazia em poiico tempo algurna coisa
que devia aar a aspiraçào dos donatarios e que o
regente por largos anos não fizera, talvez por Ber
mais cioso des prcirogativas d a c o r o a quo o pro-
prio monarca.
Quando D. Afonso V tornou conta d o governo
a Madeira tinha jtl. fora1 q u u lhe t a i a dado pelo
Infante n. Henrique, segundo so conclue ~ R pri. F
meiras cartas de dosção das; capitanias e da d e
doaçâo aa capitania d o Porto Santo a Pero Cor.
rclia (17 de Maio d o *l4,58),na? quaes o Infante fez
oscrever K O q u ~O U ljy hey davor 110 contheudo
em o forull qilo oora ~ l l arriandey fazerl), n ainda
n o s loraes dodos por I). M a n u e l 4 : capitanias d o
Funchai e Machico, o n d e ce alude ao <fora1 do If-
fanto Dom Iienriclilr)).
Acabando d e lazer aos donatarjos a rnerc0 da
confirruaç2o das iion6:òer das cnl)itnnias não quiz
o monarca deixar d o astonder o sen fsvor a o s po-
vos das ill.i~c:i+ assim, talvc z siri ,14T)LL mas com cer,
tem antos do IS(il, urige ern vila o logar d o Fun.
chal ( o ) , o provavaln-iente pela mesrna epoca, mas
c:txrri cer'tszrl ai1ts.i dw IhI7O-data rio morte d e 'rri~
tao Vaz--.-o de !V:;ct!icri ( h ) ,
Se com Bsta medida buscava o ffionarca p6r
um dique ás prorogativas da nobreza madeirense,
6 d e justiça dizer que o não conseguiu; para isso
não pouco contribuiria a indole geral do seu roi
nado, inteiramente cheio de concessGes aristo -
cracia d e todo o reino. ,
Em 1378 D. Afonso V exige da Madoira o pa-
gamento de um n~ilhão o duzentos rnil yaaes,
quota par te que lhe coubera na rapariição das
fiespazas da guerra.
Embora oáo agressivamente, a fidalguia nia-
deirense reagiu contra o pagamento d e tal quantia
a, sob uretextos varios, foi adiando o cumprimen-
to da determinação rcgia por modo q i ~ p ,ao subir
ao trono D. João 11, c i n d a a satisfiiçáo de aqut:la
exigencia se não linha feito.
O dr. A z e v ~ d o diz q u e por carta d e 12 d e
Julho d e i482 D. Afonso :V d i ~ p e n s á r aa Madeira
d o pagamento (a) o , c e r t a m ~ n t e baseando-se ria
i nvestigaçào deste autor, o ilustre est u d i r , ~ nd a
historia da Madeira, sr. Sarrnento, escreve que ao
rei teve d e revcgar 3 deliberação lonjada em C( r-

a-Ob, cit,; 635.


tes)) (Alicerces para n I$zsEo?*iakfilitnz d a Madeira,
pus. YS).
Tal c o n c l u ~ ã odo dr. Azsvedo s6 pbde derivar
du facto d e não ter aquule investigador, alitis ge-
ralmente tão cuidadoso, lido o documento a que
s e refere; d e contrario, teria nele encontrado a
s e g u i n t e passagem suficientemente elueidaliva: EE
sem s m b a r g u o de todo esto nos pella booa voom-
tade que s e m p r e teornos pcrn vos Fazrer rnercee
& favor & desy por respeyto dosf cmpreslito gee-
ral q u e ouvemos d e s n s í1iii:s cnill arroubas per
t ~ a s pessoas a q u o nnm esprevçiiuos ~rcirlicalar-
tnente & n o s praz vi-s re.levrrrnos dasta rnilham
E Ducemtos miil renes qilatrocemtos mil1 reaes 8r;
dos oytocentos mil1 q u e 1leterrnirie.rnos que pa
gues vos pagarem logo os scisccnlos will rteaes 8s
quoanlo a o s Ducemtps mil1 reaos avccmos por
bem que os riom pagiieos por ciguoran (a).
Vê-.se, pois, mui claramente qilo o !!?oniirca
não dispensou o pagan-ento da contrihi~içiloquo
á Madeira coubera, t n d o lhc auorias ateniiado al-
gum tanto o i igoi.. Não pode hsvoiq clovida sobra
este ponto, mas, se alguma siirgisua, prontaments
a desferia R carLa regia de D. João 11 d e 142 d e No
vembro de 1481 (a) ern que este monarca irisistia
pelo pagarnento dos s6iscantos mil reaes e m divi-
d a , cousa que n i o faria se a contribiiição tivesse
sido perdoada.
Os t:arriita~ (leste plfiito, p r n q u e o o n f r a q i ~ e -
cido poder real não consegui11 levar d e vancída a
rlesislericia passiva da aristorraciti rnadeirense,çà~
em extremo cur.iosos+Arquivtmo-10s.
Por carla regia d e 17 de Agosto d e 1478 ( h )
comunicava o rei para a Madeira qoe a esta cou-
bera no repartimento das despezes da guerra,
feito em cortos, a contribuição de u m milhão e
duzentos mil reses, devendo motade d e tal im-
portancia ser paga desda logo e a outra c-gual
prestação n o ano seguinte.
Em 18 d a Julho d e 1479 o rei insistia nova
mente p ~ l opagamento, aludindo a uma carta err:
que os da ilha buscavarn escusar se ddls: avii a
carta q u e me escpreveçtes em resposta da que

a-Arq. da Cam. c10 Fiinchal, torno I, fol. 154 v.


h-Ibidem foi. I I v.
vas epp18svy Iia cercliia do pagamento de h11 mie
Ihom E duzentos mil1 raaes.. .u (a),
Quasi ao mesnio t ~ r n p o ,25 d e julho do mes-
mo ano, a Iofarita I). 13eatriz, tutora da ,seu filho
11, Diogo, senhor da Madeira, eúviava uma carta
( b ) pedind:~ instrnçõos e perguntando se podia
prometor ao rnoiiarca o pagamento desta contri-
boição ainda qae com o compromisso de não
ser d e futuro lanqada nenhuma outra.
Logo ern 24 de agosto responderam os da
ilha (c) que voluntariamente a não pagariam visto
en tendorem que ela representava uma exigencia
demasiada para quem jà. emprestara ao monarca,
sem que este a tivesse ainda pagd, a v u l t ~ d aquann
tidade d e assucar, fazendo ao mesma tempo con-
sideravbis dsspezas com a defeza da ilha e coni
outroti serviços pablicos.
Em 15 d e outubro a Manta, verdadeiramente
~rerplexa, não querendo desobedecer absrtamente
ao rei e não desejando violentar os da ilha,enviou-

a-Arcl. da Catn, do Fuiiclial, tomo 1, fol. 15


b-Tbidcm iol.13 v
c-Ibidern foi. 14
lhes nova carta (a) pedindo autorização para ne-
gociar o pagamento, deecontando o rei no total
da uontribuição o valor do assacar que recebera
an teriornoente.
Da Madeira não respolideram logo.
E n t r e t ~ n t o estranhando
, a demora, o monarca
admo~stava, por carta d e 22 d e Abri) d e 2480, os
seus pouco respeitadores .siibditos por não terem
entregue ainda a Diago Afonso o que d ~ v i a r nape-
ra a paga pos sessenta milhões que nos foorom ou-
torgados), mandando q u e o fizssssrn sem demo-
ra sob pena de scrcsrn tomadas ei~ergicaaprovi-
dencias (b).
Bnscandci nova paliativo concordaram então
os governantes madeirensis com a proposta d a
Ii7Eante e em 6 d e Junho expediram para o ccn-
tincnte duas cartas nesse sentido. unía a D. Afon*
so V (C) e outra 6 1nTsritr-i (d).
Apesar de tudo isto o pagamonto não se efe*
ctuava c, am 25 de Abril de 1481, a infanta ncva-

a-Arq da cam do Funclial, tomo I, fol r6


b-Ibidem fol 156 v
e-Ibidem fol 16 v
d--1bidem fol I7
n ~ e n t uinsistia pela ~ l n t i s f ~ q ãdos
a pri 112irds r e i s .
c3nl.1s mil set0.i (a) u poiico depois, ein LL d q JU-
lho, o rei, corniinicandu para a Madeira q u e brcve
melite toriiaria a snviar D i l j g 9 ACuuso, mandava
q u e tivessem pronta a prirniira prestaçAo sem o
que Ihes exigiria imediatamente o total da contri
buição ( b ) .
&Ias, dez dias depois, porque via a dificulda-
d o dd empresa, alegando rocorihecer. aos d a Mz-
deira grandos servic)os consentia no d escolito d s
valia do assucar qiie lhe lioharn emprestado, co-
m o alrdz rel'eii~rios.Ma8 X ~ ~ L Y Iassim O pagamento
SG foz O afin:il, corno virnos tarnbern, o rnonasca
veiu a rriorrer sc?rxi lograar o q u e exigira.
Pudora n ~ a i sclcnci a siaa auloridade a arrojeda
tciirnoaix d a ncbrczci rnadeirerisn.
Falecido, poi.c;it~, I). Afouso V, s u c s d e lhe
s e u filho I). J O ~ ~h [ O, yuti d o pai hord4ra a corba
rnar; rião os IirCJCi\!<!;OSr,yr)vein!lal.ivos.
18 reatar-se, passado o r ~ ~ e d i u v reinado
al de
1). At'onso V, u curreuite uêrntralizadora que L).
João I iniciára.

a-Arq. da (:arn. cio Piiiiciinl, i:oilio 1, fol I 57


d-.-Ibidcm, Sol I Çz v.
Sentiu-o a nobreza e conspirou. Mas o cada-
faltio a o punhal do proprio rei fizeram a sua obra.
A 23 d e Agosto de 1484 D. João I1 apunhalava na
pessoa do duque de Vizeu, D. Diago, as ultimai
veleidades de rosistencia da aristocracia.
E ao doar ao irmào do assaasinado, o duque
d d Beja D. Manuel, as terras q u e a seu irmão ti-
n h a m pertencido, o rei acentua u q u ~a ilha da
Madeira no qile pertencia h sua Coroa elle Du.
quo a teeria em sua vida inteiramenta, mas que
por seu falecimento, quando Deos ordenasie, e r a
razarn que por sua grandeza se tornas;e aa dirta
Corca e aos Reys destes Regnos quc socedes-
G e m D (a).
Agradecendo a rr,ercê,u D ~ r nManual pos o s
gioltios em terra e s jrn gi'ande reposta lhe beijou
as rnãosu.
Era bem significativo aquele lance tragico, em
q u e o r a p r ~ s e n t a n t eda mais alta nobreza, beijava
ali junto do cadaver do irmão,as mãos do assassino,
5 6 porque e s w s mãos eram as do monarca.
Dom M a n u e l assumia nessa momeato as pro-

a-Riiy de Piiia; L L c h r o ~ ~D.


. ' dJoão
e Ií,, cap; rS
porções de u m siml~olo: o da aristocracia hu-
milhada pelo terror da colera regia ante o mages-
tatico poder da Corba.
Estava dado. o primeiro graade passo no ca-
minho da centralização, O proprio duque o raco-
nhecia e em carta d l 25 de Agosto d e 1488 ( a )
bem claramente o dava 9 entender: c& a vos Joi-
zes mando que Itrgo façaees dar a ernxecuçam to-
do segundo per mim e mandado & se pervemtzwa
vos outros emlerndes que dm ysto o u e m outra cousa
vos e u quebro vosaa liberdades gGu V O S rogo & emco
rnemdo que V O S requsiratres sobre yso a1 Reu m e u ssn.
~ o rque çcrto sua Alteza vos fara muy comprida-
mente dereyto & ezl sewy muy contente de izo vos re.
quererdes por que como dito tenho & vos mciy bem
sabees a minha voontade e a obra temdes bem
visto que he para vos fazer inuytas mercaes &
homra & mays pera acrecerntar em vosas liberdtt-
dea que de a s quebrar. . w .
Este fqcto nBu ara manifestaç80 unica do
acrescimo d o poder real. Vejamo-lo claro noutro
dominio.

r-Arq. da cam. do Fuiichal, tomo I, fol 144


Em 4B7ti a infaota I). I3eatriz, em nome d e
seu filhr) menor L). Ilioga, sanhnr da Madeira, 1.0-
mava por si nlesrxia deliburações sobre trabalhos
.
de fortificação da ilha: K . . Vi a casta sobre a I'ar-
taleza que vos pareçe neçesaria. . . pardin agora ...
as grandes dtispuzas q u e teiiho Iaitas.. norr~darii .
por ora lugar (a).
Ora, cnquaiito, então, ist,o s e passavs assirri,
em 1493 o duque de Vizeii, I). Manixel, seni-inr da
ilha, enviando instruções sobre o mesmo assurlto
nào passava de mero iristrilrn~~iito da voritddo [,H-
gia: crEli Rey meu seniior doterininou ora.. . do
se fazrr h l ~ u ncprqua iiesa vil18 do fanchnll. , . li:
o dito sennor rnanda ~ I I A logo de janeyro ([no
vem por diante se C O I Z ~ ~a Cdita ~ ol)ra.. .I) (0)
Mas a m Z/i3!)/i4 airida so v ~ rnnis
i alóra, pois i\ o
prowrio rei que determina, diri#indo.c;n dirol,kt-
mente (c) aos povos da Madeira, q u o se riàij bioain
as referidas Eortilicaçòas tendo urn vista o: iiiccr-
modos que a sua c~nst~riição traria ao p o v o , HO-
gundo a comunicação que lhe linharn ftjito O:;

a-Carla de 20 dc Fcv. (Airl. da C:nni, tio I:iiiiclziil, 1.1, C I.[!))


h. .Carta clc 31 rlc Juiilio ( I l i i í l c i i i , iiil r 76)
c-Carta dc I,dc Janeiro I l ~ i t l o i i i , k ~ l .48)
seus procuradores N u n o Caindo 0 Alvaro DJ!i1,>1-
Ias.
Ao caratos altivo y12e por mais d I iiina VOZ
reveloia a Irifanta I). H iatriz so poile ntribuir e 11
p"irto a BLI:~ refarida atitudo. hies rua~i:sc)m d u v i d a
d o qlie a 810 á.indole geil:aI d a opoca, e, assim, ri
contra.ite oritre a SRI ;iltivu e a 1111. nilflaile dij I).
M inilnl, tsocontr'a cabal c~x,)lica(;àona : n o d i f i c a ~ i f ~
soi?ial qrae entrtlt,anto q~ o p ~ r a r a ,
O rei esniagara a nobr9rze coiri a s u a audricil
intimidava-a agora com a S u a força.
Ao siici3ssor do 13. ,I )-li) I T inclimbia :ip:inas
segilir o caminho quti 6113 c0113 t a t ~ t afirrn,iz? LI'!-
lhdra, Invando-o 810s rlitilnos c~~níiris do irnperio
pni8tngriA,q.
E agora a t,ac:of,li niio ora extii'thrri?mc>ritadifioil;
a hhgi+rnonia do poder *'cial 13ra iira fdcto BSb~)gtl-
rado. Aecoritieciacu-II~Jtodos, ~ r i x t o c r a c i ai n c l u s ~ .
O intuito rogl) torniírn-88 ~ r n b i ~ lsocial.lt~
CAPITULO 111

O podex*rvaalc o n l r - ; i r a jurlsai<9 t3 . 0
dos dunal;a,x-lou-1L: A vitóx-ia

,IA porque numerosas eram as snas comandas


na Madeira, jB porque lha peytencia n espiritiisl
da ilha, jB porque o dominio temporal dssta n u o c a
sn apfirton do iirdividuo que axarcitnv:~O cargo de
seu MaWe, a Ordem d4 Cristo mantinha na Ma
d ~ i r aorn poder considcrav~l ainda rio mome n l o
sm yu^i D. João 11, o organizador da ceintralizec;áo
tnonarquica, se finava.
QIXM O acaso, p ~ r d r n , que O SBU S U C B S P 5.
»I~
qualidade de 56 lo juntasse a do Mestre d a pùde-
rosa Ordem. Esta facto assagurou, facilitando-o, o
triunfo do podnr real; a piirtir. d e s w mornarito o
poder q u e o Mestrado do Cristo tinha sobre a Ma-
deira transitava para a coroa.
Mais tardw urn reecrito pontificio, a bola de
Irilio [II, Preclura ccwissimi, de 31) de 1)czeinbro
dti 4551, Liiiii~di)para seriiprf.1 tl corua o niostradi~
das tirCet~s rnilitat es vir& corn ple tar u vitoria (a).
*
Os mais fi~rrniidaveisgolpes no sentido d o isrle-
xai- á ~4nrBan iC1:dt. irn for:iru vibrados por L). Ma-
u seu reiuado. Roferirno-
ilool I ~ i g orio c o i ~ ~ e çdo
1105a o facto capital dw este nionarca a tor tornado
ter i a iealenga.
Citando o reproduziodo n a intc.gç7.a uriia carta
i'tigi:) de L !. M a n ~ i o l , o d r . Alvaro Rodrigiles dci
A z , v t d o faz-nos vor como o rnonarca deliberou
qufl 3 Madeira nniica inais se apartasse da corba
e riclrn por .;i nnrn por' seus siicessol os, virsilc.! a
siir% doada, uo todo O U c!iri Iiarrc, a z~lgnrnapessoa
ou corpor'ação, a i a d a mesrrio q u a a d o se tratasse
d e I ~ I ' B J R , nlost(liro O U o r d ~ r nd o cavalaria ( 6 ) .
I3sla car ta ieii. no arcluivo da C:arnar8a tlo 147711-
chal a data d e 27 d e Abril d e i497 e corrio d e tal
ano a c:nrisidt~riiu o PJr. A z ~ v r d o i N o Livro das
llhus d o Aryiiivo N ~ c i o n i l ~ i ~ tdatada á de 27 de

a---riarna Barrus, '<I-Iistda Aclm . puhl,, I, n87


b--Saudades da Terra, Vol. 11 (Notasi, png 479
Abril de 14418 (i() e egual data lhe encontrtimoa ri!]
de I). illanucl íh ) .
ChancclEa~3~~~
Entendernos, pois, que este diploma A de
1498, mas, masmo que fosse de ,1497, não soria o
primeiro documento demoristrativo das intsciçòes
ovidentorneute centralii,adoras do monarca, vislo
(lua no docurso nas; nodsau icvustigaç6es tiveruos
ocasião de encíifitrar, l a n l o Fiin I,isboa. no Arilui-
vu Neulonal d a 'rorre d u 'í'oinbu, corz~ona Madeiroa
no Arcjuivo da Carnare Muriioipal do Frit~cllul,o u .
tror; diploirias, anteriores BclilBle, clarariierita corui.
provativos dess11 ilisposiçG» da osp~n'itl~do [rio-
narca.
Refnrir.nos-amos rim pritneiro Icigar li. carta
regia d o 24 d(t Seteint)iao tlth 44!4!lti (c) eixi que o
monarca doclara por si Q s0t1.3 SUCBSSOI'BS ~ U aB
Madoira nunca mais deverd boi' dada a pessoa al-
gurna, w ciile, por siia paiste, a nào darh a querr:
cjusr que seja, nori) rrrcisino a sou Lilho ~:~irnogsrii-
to rluandn o hoi~vor: c . . . nos ~iarecsosor turra o
gnrite de tal sostancia qile nuqilo sm nenkiuni tem-
po daqui em deante deve ser dada a pessoa elgu-
ma mas sernpre ser nossa e dos Reix qne depos
nós nestes Regnos rtj+uarem. Nnm isso m o s r ~ o
nos pareceo que deva sar dada a filho riosso pos-
to que seja prii~cipe primorneto. E assy por con-
seguinte d o s Rais quo depois vicrc+r.n, tiar a que
dito hrj. E por fazer rndr.c,ovba tiidlllloç da clitu
ylha prometemos poa [nossa Real da n u i i r , ~a
dita ilha darrnos a kipssoa algarn~rrnetijiido rio com
to todollos nossos filhos ti filhas pura y i amdo dsua
aprouvsr de nolloçr dar^.
A seguir o monarca opera a pnwngnr.ri d a Me-
deirn d o dominio da orilorn de Cristo prpri o do-
m i n i o dirdto d e cor n a , sendo para esLe i3srufio
vuito interousant~ a leitiira d a carta r e g ~ ad e 111
d~ Outtlbro de 4496 (ou) pcri~q u a l D. illaiiuel como
rsi, confirma no anrgo de seu Ouvidoa. Fcriião
de Parada que atb então o servira em ~denticolo-
gar qtiando 81e era uperias senhor da ilha conio
Mestro da Ocdem de Citisto.
Por este motivo antendetnos devcar r8produ
zir aqui a parte mais irnl)oítante de:,se cciiiusu

a---Arq. da Cam. do Funchal. tomo 1, fol. 56


doci~mento: uFernãp da Parada Nds ell.Rey vos
rn13yt~)
~mvian~o!;; .
saudar.. soníos jB por graça de
rioso snnuior aleventado por Ray destes Reygnos
notificamos vollo HSY & VOS mandarnos que fwçaees
& stntorndaees em todullas cailias d e nosn servi-
ço & a bam de Jiastiça como attle aqui fezestes e
muito volio t e r e m o s ern snrviço.~
Sornpre com u pansamento fito de avocar a ~i
a jizriçdiç8o e absolinto dorninio ria ilha e na m d e
rna o r d m de iduas que ditaara os rlocumentoa a o
ttwiores o monarca faz lavriir a carta regia d e S de,
Miirqo de 1498 (a).
Por P G ~ ~diplomaW determinou qua a p r t i r ds
ent,ao se não cinrnpriscsern na Madeira ca1,tus ou
tiontonc;a q u rião ~ fo:;sam por êle i s ~ i n a d a s :.~ ..
por serviço Deus e nosso e bem d o s moradores
das ncissriw ilhas nos pareçeo que era Rezam n a s
dit.as ~ ! I I E ~ s$0 tlõ r:ornprissam nem exeicntas~em
riem guardassem n s o h u n s mandados semteaças

:I --«l.,ivro das ilhas» fol. 7 I v. nchancclaria de D.Manuel*


Livro 3 2 . fnl. 34 v, «Arq. tili C ~rn.do Funchals Tomo I, rol. i 7 3
Ilii-sc c o m este documento o mesino facto sucedido com a car-
t t ~rcgiZi iIc a7 dc Abril cie 1488, atraz citada. Aceitamos a data
dn «Cliancelaria~.
nem perdões senarn aquelles que forom assina-
dos do nosso proprio sinal. E esto assi 01x1 coii-
,as crimees corrio cives. Resalvando semtença de
morte de homtlni o11 talkianie:ito de rneinbro a s
qilaes nos praz que passem na nous? Cassa do Ci
vel d e T,ixhi~acomo de começo tia povorac,oiri d a s
.. . . .
ditas ylliss sempre passaroia]. . . . . iiorn qua
remos que r;(! n a s ditas ill.ias ciltnprarn nem giiar
ciam nenhulias cartas aeri:~?t.iças p i r d ò e s nem a l -
varaee- s e nom LIGP n o 8 ~ 0pi'aprio syiialu.. .n

Esta carta regia, de que para completa eluci.


daçáo, acabamos d e €az:.tl o extrato acima, era d o
carater genericn, estetidnndn-se as suas dotermi .
naçOos a todas as ilhas. M a s que era realtnente w
Madeira a dir6tair~entevisada está conaignado na
..
propria carta:^, 11", de .i por f?iz~rrnos mercea aos
povora4ores de t , o d a ~nossas ilhac: principalmniita
da ilha d a M a d ~ i r apor ela soar n principal &!as .r,

Era claro o intuito; pi'aseguindo, D. Manael


estendeu mais alem a sua acção e levou-a a ontro
dominio, atacando os donatarioa nas suas prero-
gativa8 militares,
Na carta regia de C25 de Marc,o d e 1500, diri-
gida a áoclos o))z jaellall e a cada Iaum e)nespeciall,
determinava el-rei que o aconipanliassem á guerra
e m Afcica. nil verão d o ano seguinte, todos os fi-
dalgos: cavalleiros, e s c ~ d e i r o se vassalos, excluin-
do-se apenas os que, p l r impedimento legal d e
idade avançada ou <oença, o não podessom fazer
(a).
Ate então o auxilio militar q u e a Madeira
tinha prestado si corda, nos transes e m q u e èsta
delle tinha neccessitacio, tivara em geral o cunho
d e espontaneo ds parto d o donatario q u e era quem
pagava as desposas cid expe lição e a com~ndciva.
Neste momento D. Mannel inverto a ordem
das couszs at6 então obs3rvada, fazendo ver que
o sç,-viço militar é unn dever dir6to de todos pata
com o roi e não um favor da genurosidadu dona-
toriai para com a corôa.
E' uma rnedimfa tinsloga Aquéla c o m que D.
João I buscou abat,er n o s3u ternpo o predorninio
d a nobreza, medida agora aiargalia até a s prero-
gativas dos senhores ultratxarinos.
Anteriormente a D. Joãd I recabiam os vas-
salos da coroa anualmeiite uina certa tsnr;a ou
acontiau correspondente ao numero d e hornens
darmas que traziam ao exercito do rei; se, poi48m,
traziam maior ntainero que o devido, riem por
isso Ihes era angaentada a crcontia~.
Corno se vê a coroa tratava directamente s6
com o vassalo qiie ficava assim com to% a i m -
portancia quo do uma tal .organização Ibe advinhe.
D. João I dlterminou que se desse a cada fidalgo
uma ~contiaupela sua lança propria e outras para
ca-a urna das lanças com que sorvia; assim todos
os subditos ficavan directamerite ligados á corbn
e o graride fidalgi perdia parte da sua irnportan-
cia. (a).
Recebida na Madsira a carta regia, grandù foi
sem duvida a indignaçào dos capitães donatarios,
visto que o do Fnnchal, João Gonçalves da Cama.
ra, não poude absterbse d e reagir contra Bla. Mas
o temor da colera re$a manietavaao. $6 isto pode
explicar, conhecido o caracter' da sociedade aris.
cratioa madeirense dz cipoca, que a reação tives-
s e um caracter diplomatico. Pedia o capitão que a
carta n ã 7 se entendestle valida para os POVOS da
Madeira, vistos o s transtornos q u e o sou a i m a
primento traria 6 laboriosa população tla ilha.
Mas se a fidalgo temia o rei, este não o temia
rnenos, e, não sentindo ainda suficicntementu so-
lido o terreno qn8 pisava, D. M ~ n u e logo l e m I1
d e S e t e m h r ~consentiu e m satisfazer o pedido,
fazendo-o, po. 8in. coni o caracter de favor feitos
aos povos da ilha (a).
Aqul se quedou por entào o rei na sua luota
d i r e ta-com os donotarios, A a ~ p e r ade melhores
dias que n5o tardaram muito.
Seguindo o sistema adoptado pelo seu anteces-
sor d e chamar a si o auxilio do braço popular na
lucta contra o predominio da nobreza, D. Manuel
n ã o se cança d o acentuar nas suas cartas a con-
sideração que Ihe merecem os povos e os favores
que Ihes vai faznndo.
E' assim qri3, arrepiando caminho na luta ais
claras e repisando o do combate surdo, D. Ma.
n u e l ~ au t n terr;po,mina a autoridade d o donatario e
lisongoia a vaidade d o incola, retalhando a divi.

a-Arq, da Cainara do Fuiiclial: Tonio I, fol 198


das ~ a p i t ~ a n i pela
são adrnini~t~rãtiva a ~ ; creaqão de
movas vilas.
Nesta ordem d e ideias, erige em vila o Ingar
de Pont.'i do Sol por carta regia de 2 de Dezembro
de 1501 (a) e concede igual rnorctt ao da Cslheta
em data anterior a 2502 ( h ) .
Esta obra d e desrr,embr8açaolevantou atritos,
trielindrando-se o Funchal, por julgarase 1aç;cido.
Diplomaticamente Ij.Manuel remedia o ioi:onví?-
nien te, lisongeaudo a f u turn capital dn ivlndoira
uela elevação a cidade, ti cyual c o ~ c e d ealguns im
portan tes privilegioç.
Esta ultima niedidw foi r:orisignada no cliplarna
d e 21 de: Agosto de 1508 (c) E , seri] duvida iiiirtiu
o desejado efeito, visto qixe por carta d e 13 de
Sec~tZ
Maio de 1509 ( d ) Da Mdnuel &kwb a exocuc;ão do
seu plano do ataque dirclto ás prerogativa:; niili-
tarea dos donatarios, rnanddrldo ylao totios os
moradores do Funchal se riiuoam d o at3ri:ss i ,

a-"L,iv~o das Ilhas,, fol. 66 v , e Arcl da C'aiil. dc) I'iin-


rbal,, 'rorno 1, foi. 67
11-Azevedo, ol?. cit. pag. 485
c-Arq, da Caiiinrn do 1:~incliril: T O ~ I1,I Jlu1 278 V.
!oiiiu I, fol. I ~ vS
d-Arq. d a cani. clu F~i~iclial,
mantenham cavalo para serviç I d o rei q u a n d o
este d6le necessitar.
Não reagiu desta vez o capitão q u e desde
1501 era Simão Gonçalves da Camara-pelo me-
nos de reacção s u a não ha vestigios-talvez por-
que, mais conhecedor d o meio, viu q u e :, monar.
ca não tiraria d a s sua:; providencias o resultado
q u e desejava, ou rnais provavelmente porque, me.
nos perspicaz q u e seu pai, não via c l a r ~ m e n t eo s
intuitos d o monarca.
Do facto ' 8 o donatario quem, eni 1510, envia
seu irmão Manuel d e Noronha socorrer Szfim, no-
vamente atacada pelos moilros, c è ainda êIe qnuin
a r m a u m a frota d e 21 velas, c r ~ m a n d a d apor seu
propi-io filho, enviando-a a o duq:!ei U. J a y m a co-
m o ansilio para a toiaads d e A z ~ n ~(a). c i E este
facto jiib.iifica a10 certo ~ i » . ~ t o\ \ r i :~i.ira ~ L bi-
:O P
poteses. Veremos, 1)<1r6rn, arli. . ' i * rico a segunda
6 a mais provavel.
Mas o monarca não abandanára os seus pro-
jètos e proseguia com notavel persistencia na
consecução d o seu plano, elevando, por carta regia

a-Sarmei~to Alicerces para a hist. mil, da Madeira,, 40.


de 25 de J u n h o de 15.1:) ( a ) , r, Iogas. (13 Sa9t.n Ci'iiz
&categoria d e vila e aL'iisLa~do( 1 d o t:~r~no M:i-
chico.
01'8 0 cllle S e dkra ('r,,. , n c~a~iiln~iin
ijo l ~ ' u i i i ' ~ i ~ I
reproduzii-i-se ent;io n a de hIari~i,:o q n a protastoii
imadiatarnqnte colitr i in-iep~r-itleiicia d a Sian ta
Cruz, Ir-vantarid sr, r8rntra i -,-~irai'c;; a IP;A von-
tade dos pcvos d a vilu si;tlrt ,Ia capltsnia corli(., 0i1-
ti'ora contra ele s i I ,vatilní3i a d o ; d o i i i n ( ' 1 i n l .
Enlrt t;zi~(o, puróio, D. ?daaukl c0ncwder.o em
fora1 A capilarria tio b'uiiict~:l, coinain $1 cidaoie u
6s vilas ris Pc>nta do Sul e Calheta, colocandei
Sant,a Cruz R Alsncliioo 11% ciiilliiig~uciadb L)O ~ 0 1 1 -
gi';~garain a fim (I c~ l)sdini i 1 1 la:i.born, s o b pena
tIs ficarcrri ain rijwnite.;ii~ irlfcr'ioridade.

existindo, ruas d 5 facto a cciniiinicilido d o ir] rores-


ses levou-is d e rnoísicat,ij a niili ont,ejndirncgri t o
0 s d o i s citndris I;.~r;)i?s
Eor.:~~ii~ : c > i i ~ i - ,i((-llc i i ; 0111

b-'<livro das Ilhas,, fol. 199 v. el'l,ivro.,. tliri; ti( ) ( S . ntiti-


gos da Carnarzi de S. Cruz, fol. 10
15i5, 0 111 jrnt4rib P I ~ J 6 A ! ! r ) s t ~ ~LI i \ S ~ ! { : L I ~ I ~~~tOl h

14 116 D C Z C , ~ (~( 1J) . ~ O


Pam:, q i i ~[:::o r,,.;ti' ;' -1: , 1 1 1 tli~?d?i(i(?
q i l o cwilni,
~ P ~ Z I ~ , R~ ~Ç\ I I ~ Z I Rdo
I O I I ~ O ~ * ~:L ~ ~ ) 'i)[)-
~ ~ : > :. d
~ l,ílrli~io i
( I ~ ~ I O I ~ J C ~ ;I)I~: jI ~ ! i l : iIiga(10
exjz, f i ( : : ~ j ~ d\ I~L j, ! ! ~ ~ I ~ O i~ i't
1~i1r0apo/os fortvs 1 3 ~ 0 - :00 I ~ ~ Ll ' ,I ~ v o rro(:cl)iíl~j,
inserirarn.sc: nci.; diploii-i;i:; citailo!; l'ra+c~,dil tGn
granrio clareza ccmo sàu 35 : - , L ~ ~ . ~ I I I ~ ~ O L ; :
c(. . . os vi:;in:ioi; SI là~c)r:,drs.'t?s
da dita I Ilia lia
capitania d o Piiluclial. . d:jri.aiJci~
.!rijlo oiiiviiii~ni?i?
Poro C;oiiçalvê:; d a Galiiore & D d i t o li'rnncii;co (1 3
Avellosa com tiies tiroc~.:r:a.çòc:; ~il>asl:sates
dir r, Sua Altc.z:! cjucs, l i o u v ~ ~ spr~rr bsril aios/u
.
coreger bV eiairii ?tiíla-. . E cjirc: i , dito S i l ~ i l i n i vii;
'
to seti ~ ~ ? c ~ I I o L ' ~ ! ~ I .I I , .ri~ ~
I Jp~i t i s (lu jri.;aticndo %
,
!~x.ln3ie~ad11bclol 0 1 7 8 ~ '0( ~ 0 3~>t~il)nt'{:o(365 gai8nc:sr'
qlie ois!o Eiu!hc:inpoiic:o die>a:ilo akit>ijin H i i o v u t i -
do pos6r:i t1?k:pi4to anb muiluri sva viqus iluo Sim
Altez:. tirilia ~ e c c b i d oc ao tlinnlo osliera do raco
ber dos rriouatloi~rc~; cln dila (:ali1 tqriia do l ~ u r i c l i t s l

a-'LLivro das lilia(;., 'l'oiic i1i1 - l " ~ l i l l ) Ot.c~,1)Ctiv;iiilcmtc,


~,
fol. 13". c fol. r 5 6 I'ul~lirados,r ) liiiiiiciim ilíi iiitcgs;~r o
seguiido c111 largo cstialo, 1 i i . 1 ~ tlr-. Azc:vc<lv. lar. c ' i i . Ibng,
494 c j o i , r>rlraid»s ela st.crctarin da Cain;~r;ido l i u lxil ~ ~C
do Arquivo da Cariinra de Rlncliico.
.. .
. lha p r o i l v s . . cotlla(5rrq\rSz de fait11 coci~:r~rsi1 1
&. contractriu X a~ ir litu i: ! - , I ,,i; ; i i l t ~ : ; Pja ~ ~ 1 i : :-d
n'es orn nllrne do d i t o 1'0~1-1.. ));
K.. .Ora os rnorriciorrs (% Povn ds C;a~iiL;~rii~ ?e
Machico enviam so11:~rli3llr1 ~3 clir i a Nniin d i a (:os
3 i l r . : d i r ~ ~1) sti'ir n
ta & Jmrn dn Fi.,!taí; f i l ' i r f S ">>'o
&ia Altrzii por ii,o.'r't? qil 3 7 23 ?iltri.; t? Com
Ci9113, 0,; C l r i (:?pii i
C O n C ~ r t O SsSy C O I ~ O i$~tfi:lt!ir;l
.
nia do I'ilnclin!. ..o dit,:~Sanlirii.. .cls~)oir:de prs,a
ticado & sxai~iinadob s r i ~o cusii s b : i i i ctnb irgo dn
lhe pareccir qnc, nijriqo tinliriln pol:uo 1 1 1 leito ik a u -
çorli & havsnda r!jip,iito pors o.: nlnitas scrvic:os
que Sua Aliszs tin1i.n iqt3cbiilo 1 9 RI) dirai)t:.i csl)nr,i-
vn rocobor dos [nora {ores d o d i t , ~Ciliitcarii,a tle ME.
..
chico. & por ciiltr,~lsji~r;ta.; caiisqs k (111~)
i'r?zõi1(:

ao dito S e n h o r rn7vclrnrvi 1h.i nproijv . (ao si7 cota


I , .

certar lk d~ f t ito so r,o~:cprtoii tk (-0111r:)(:t01;:C:


acordou com os dito.: ~ ) ~ L I C I I I ~ ? ( ~e121
C ) ~ ~ C ~ ~ +c l n -nv116'

dita Povo da di!a Capitanii de M-rl(* 1I I C ~. . 9 ' .


AI6 eotso, ~iiaisa i~+l;c:ollot.io oii nnuii; t ~ ( ~ u l t i > .
monte, scrriprs o roi gilarrcjarw 2 ; pr '1'0g~ativ;rh(111s
nobres donatarios.
Só agnra, por 6m, st\ sento com Çopscassnfici-
3nteS [lC2rd i i t t l ~i-102 li lii ir:, 0111 t i l l i U ~ .I!
f y r l t ~ i ~ti
' I

clara, d e f i n i d ~ ,iniludiv.lmont kiortil, e h - l o ~ $ 8


ijff;c;r\: do ~!i;st:\iio do I~'uoclin1,eavinlido a i l t l g
tS
~ I i - i it ! i r Ji($io o i!,. H b i , q f r 'J'aiv~!~;: Wisfc)i.ie, p o y cey-
Ius ir/rWr!,c qlrc (1 isso o ,!2ovuri)i(a),
>dIni:; clx;~lic~ita:;(111A Fd?c,pnr iTiutuo:;n são as
(n:brt;!c: 110 20 f j í b 17, v(2r ~ j r o l!>Ifio 6 de AJ-)riJde
1:)17 raii:t cri(! j r l i i iíiiii~siio arquiva da Camara do
I ~ ' ~ i ~ ( ~(O), ll~~1,
Mrl I): irvic'iila dr l:i --a rjilc? i'-?, vir Mrdcira,
i80inil coricgi'dor, ii b ' l i a i i n i r n lI ) I : ~ ~ JTavaira-diz-
sr (1\1(~ O1(3(iP I I V I Í I C J O r bc))2 d(1s rczhsas C~CI jt~stiyu
t: ~raill~or!loi~c),~llccinl~u dcscc, !llllii c pct?,n q ~ as c cou
sus (10 ,jusli~'c(s(:j[btn fe2Lcls como i1evci.n..
N;I !;c?g;nl~r-ln, :l!~lpnl:i SI' uilia ilas i r r i?gialatida-
i i p ~( ] < \ ~ I I C I , . \ ;:C(:ii:('lii ( I ~~1~111:'80--a
! do IHVRL' 36
r ( ? ~ p i (!o ; ~ , 1 s p l t ) , ( I V(?II,IIJ It$var apanaç 9-,
m n i i t i o i z i t air cclrrt undofT qrir! i i ~ q u i r a e, caso a

:~c~i!s~a(;àc> t ~ i i i 1i filiid A i i i i . n t ~ r-20


, c u n ~ i ! ~ tq&i i ~tal
~ o t l l i t ~a ufiazt ~ r-sca,
Ora iiido i s l o kial;sri jilstamerite yiaando o
..ll

i.r$r~c,~iic~d(jrrs~t,;ir.ioSiiiiào (;oi,c;alvus d!i Cama-


i : \ , O h ' l [ ~ ~ : ~ ~ i í i ~cstavn(.), ~ i oseu angc?.
(:ílpai c fcito, ; ti: c a t $ 0 , l i r l l ~ r .o capitiio envirido

a-Saiidntlcs il:i 'rcrrn, cap. 34


I~-Respdivai~.ic~til.cj rg c j36 V. do tomo I
quasi i-irsdo
iriiaitr?rri~pt:hriie~ite. o corlieço d o
~ l , t : i SOUOE'P'OS, por' (31s cus -
govel'no, i ~ n p ! ~ a ' t f ~ ~~l;d;oh.;
teadns, ;iifnc\l(iia3r iit'aqa ?)ortiigiaufin on,$cs o psn.
d;lo das y l i i i i a s I J S ~ ~ V P S Ç ~E 1! 1 ' 1porign.
A &giiiis ~ I r l r s sc :alutiiu já rrn outro ponto
('ostú osc::iti , g,zidiii:lo dizer-w qiia 1\80 baave
111gar 0130ii.: t i : 11 chegas ;i 11otic:ia t l , ) çoti riorno,

o 8,ilxiliu rluç :;tias rt3i:rl:rir a11 o ei;for3c;n d o s:i~


braço.
O c:lir~onit?tadas cdhciticins das C:OIIÇRL? da Ilh;\a
tii:~i:: colnlil(~lzsil(v!it ponto qilc as aSai~dades
t ~ ar r r i ~ t ~ b ~ ) ) >~,<:i~?l)!), ( ; t ~ l ~ l t ~~, O V [ - Í A O ~ ) O Y file 2 0 5 0 .

rirlas, Siilitn, Ax:rrrii,,s, Arqzill;a, (:.i1311 rlt! ( l i l e r , Aiguz,


iV!?~ilp,i20, CI~I~~;!,(4 ' r t d t l ; ( >r,lk(;tul~s~:r~tlt:i~l do q11a 110s.
ta.; I 3 l l l [ J l l . ~ ~ iL. 4 ~ l i :~
I I Ii~iC ~
~1I uitotltii
' t ~ i i !( ' ~ ' l l % ~ d ~ t i .
A :;iltr i ~ ~ ~ ~ g i i i " i c : ~ it~i::rliff-?sl~~
~r:i:t :i si tatkll)ilril 1\11
]!t,)lIl1~ii L116t? I)l-Sf1ra l l r \ f l l l k 4 t t \ ~ ~ ~~l ; ! ~ I \ ~ ' ~ I( lx\ l ~
tl I L ~ ?

a
1kiai~.iíi1;8 R o r k ~ : a~ fi 11) 4 1 0 pros(?!)Ir! o 1 ) a p ~ .
J(st,n (: \11~it\11 k ) q a ! i t j 1 0 l > l i \ I % I I O I ~ ~0\\d~4
Otk~Ibi~i~,:\~itl
ck
l(l-iil!l I~I.~!LV~SS'~~?&@
AIkJk,l!i p A ~ ' ~ j ( : ~ h r[ il1 1 (I%)
( 1 PL\~I;\L , G ~ * O I K ? O~ I i!11111p,;l(!1 1 l t 1 (!al~itiio,,IO;\O
d c l , c i r l ~ ~K,O I I I ror) o ~ ~ ~ k ) : ~ i x í (~1 )() l oo !1 ~1 1)~ ~1o l f q
Ilie eiiviou uma carta de agradecitnento e louvor.
Do luxo da embaixada e do valor da princi-
pesca oferta. em q u e os produtos da Madeira fi-
guravam ein profusão, pode fazer s e ideia pensau-
do q u e foram d e molds a suscttar a adiniração des-
sa Roma q u e comieinplAra, não muito antes, o es-
plendor da i7rnb~ixac1~ in, niiclina e o reconheci-
mento dr.cjuêle Papa que aecerto não esquecera
a i n d a a valia d a s dadivas do monarca portuguez.
Tal era o h o r n ~ mcorn quem, agora em som
d a guprre, n poder real so d~l'rontava, cioso das
s u a s prerogativas, forto pele.; vantagens ;ilcança-
das, seguro d a vit0:ia e energico no ataque.
Mas sn T l . 341inueil, iluioinsdo a esta Inz, nos
aparece forto e si retio, nãri é menos certo q u e o
capitão SP; no5 revtila, mnis urna voz, o homein
energico yae sernpro fora.
Ele qus á corda e á yatria prestára relevantissi-
m o s serviços, q u e por Blss expusera seu corajoso
peito às a r m a s inimigas, q u e a lhes sacrificha
urna parte, talvez 7 rnaior, clas suas avultadas reri.
das, nãn podia crer, sr-m qil@ uma justificada dor
lhq ai~iarguraç-irs alma e uina justo ionscntirnentr!
i\\',a
i iichfi?s.;~tPn -riais nolsre indlgnaçào, que tào
: s~.iu:$l-,da vida publica tivesw ccrlmo rec.umpensa
a ingratidun iIã corda, e nurr-ia iotirna revcjlla, em
face d a a t i t t ~ d u agressiva do rnonsrca, vendo-se
r ffendido 118ssuas pr,arogstivas, resolve o capitão
pashar a (:açtela l e v a n d o consigo os restos do9
ssus bons.
Indignava-o m a i s q u e ludo, o procedimento
de LI. Manuel, (porque, pelos serviços que tinha
feito n EI-Ru:t lhe não nzereciu meter con.e:/edor em
sua j~?~isciic~:Üosendo Governctdor d a Juitip-t erj2
todcc sua capilania ( a ) ,
Isto uos prova q u e a hipotase, atraz formula-
da, de q u e s6 e n t ã o o capitão vio clara e nitida a
i n tançso coercisva do rei tem t o d ~a probabilida-
do de corresponder á r e a l existencia dos factos.
Ngo tivar'a tetnpo o capitão para passar ale:i~
da Algarvti, ondo accossado pela ieinpesiade se
vira forçado a arribsr q u a n d o lhe chegou a noticia
do perigo puo corria Arzilla, cercada por nemero-
,sa holite mourisca.
Mais uma vez o a m o r do fsusto e da aventura
venceu n o san atspiri t o qualquer outro stautimento,
e, levantando i\ s u a custa 700 homens, parte

:i-Sttuiladt:~ du 'I'crri~,cal:, 34
Simão Gonçalvss em auxilio daqnéla praça de
giisrra, seguindo sd depois para Sevilha.
A'quéla cidade lho envia D.Manuel com a exprea-
são do seu agradecimento ai oferta de novas rnes-
c&. Por fim o capitão volta ao reino.
Entretanto fi~iára-se o liornem que toda a
vida levara a concentrar nas suas mãos todo o
dominio e abçol~ita jnrisdiç80 no meio niundo
q ~ i ePortiígll senhor'earã
Morria deixando sepultado aquilo que restava
da independencia senho,ial qiiando subira ao
throno, .
O pensamento de D. João I1 t&nára.se acto,
agora estendido B inteira vastidao do irnpsrio colo.
nial português; e aacçdo do rei, a sua força, a sua
autoridade. alembrança do seu nome, o respeito
do s e u poder, estendiarti-se a toda a parte onde
um coração luso pulsava, pensando na Patria,
lutando Sobre oç mares com a procela oii comba-
tendo o inimigo na terra conquistada,
CAPITULO IV

0poder roa1 arinrn.b;rnaa jirrisdição


- ICT I: C ) triunfo
dps clon~atan~io~~

A morte d~ I). Mano31 nâ vciu prejudicar a


vitoria que a raalc zn r l c e o ~ a r asnhrn o s capitãx-
donatarios. Gorminára fecunda 3 semente que á
tprra, previamonto arrotnada, o monarca lançara.
Na9 sesti~varnaie cpo cnlliiji. os frat40s.
Faleci(.!n ntn 3500 o s ~ g i ~ n r dooatario lo d o Ma-
chico, '1ric;tào Tdixoira, n celabrb Tristáo das Da-
ruas, elitra a capitaltia r ? decadoncia ~
A t?lovagão d o I?!~ochala cidade. co!ocaa do
W;:cliico om sogundo plano, e a autonomia dada
ti Sarrta C ~ L I arruirtal1i-t1:;,
Z,
Mas o mal sobe do ponto quando, por rxorte
do f ~ ~ t : t ? i r od o ~ n t a r i :issilrne
~, o govuruo de capi-
t d ~ ~ i Ijioqc)
a 'i'oix - i r ~ o, I I I ~ I Ido::
~~D i1,txr:~tidetiti~~
pur. l i ~ ~ h !v: . : ul-iil,
~ d o riosco1jridor 'l'ristão VOZ.
Et'o c ste dí. r:a!nric: t l : - ~ r .i!,ií i i?t.c;iliir!, rriiilivr,
pOS,]Llf! 13. &~:4i"llt.l 1.')., ~ ( J G O i i ~ ! ~ . ! i ' : : b ; $ [ kt,l::i;,
,~
li^!^ (I gt~v~rt-tíi-. ~ ~ ~ ! : ~ i l r i ! ~ i ;r: l, . ' t ~ , ~ ~ : ~ i ; ~:!c ~! ~ ]i ~ j - ~ ) ~ ~ ] ~ ~ : ~

c:-,.. .j5;36 ,:[:[:$ q t i c : ; : 14!!ti,c;(ir; j..iq;!-,.\{3 si l , ~ ~ ? f i ( ; i ~ : :

fava! do c?oi.i:~taa,i~> ~ ( : ( ~ i i E : t i : i i >. c ~ u Iji~i;/,!:ss,!


:~ 1$1 1{;1y
$ custs d a s rendas d o dito I.)i,.gij T « ~ s ~ i:)i a jilsti.
Ca, p c ; i 4 Ile n G i j Fcn c a í ax dr9 r! ;c;l!ar justy::, !iclrll
I ; : ~ r t i i ~ ~ t i d( ( 6<) . i ~ ~ ~

I)?.. E;c'.i1 ~!R::;l(hii?ntilC'C\II1 1.). .".llgril;l (::\14ã[.llli.)


ri $ 0 te~yc! i: ~ a p i t i i ! ~ ~ ~ ~ ? s ~ : ! : ~ I c ~i<~;~s(:,{l/
c : I I <ik1:k;
:~~
adela h o u v e duns filhas (s0 f a l ~ i i in c,orl.
ka cc:rr*ii.$~t:t
ç e c l e ) ) ~( 0 ) .
C;ovctnciu a $ L I ? eiti:l?;+rii;!1116 ano (1e -):15::8
enj yiie .)I JaGo III iii'a jir(i~8 i c p ~ rllie h(iiii.iaP.c+nl
; ~ l g u n sa q i i e sc!r;~ir-~b::vaii, o d e c;:! to tiào sí,biaril.\)
viiltlo fijlccer erii ,1540 ( t r ) .
Por s u a illori@, i ~ X i l l l i 3 Ii!dllii iolaticiiiir~g,foi:L

a capitania o:tatla por AI. Soiii) I I l , C ! ! 1541, a


Antonio da kiilvt!1~:3 q U i 4 cili ltj/r.'3. cutli constlirlti-
mcnto rOh10, a V ~ U I ~ C :iiu I I C ' U I I ~ OAr! V ~ I L ~ O S
U.O ,
Afotiso d e Por.tag81. Veiii fiil ilinente a hcrdtr-lts o
filho deste, 6). Frat~ciscvi,partidario do Jt'iittr do

a- Gaspar Frutuoso, Sni~cladcsda Terra. cap 20


Crato, o (1iid, i n d o rncoiila'ar a s o r t e na batalha
nr~val iTil 3 Fran1:rll ti0 C:RII~~Q, ,junto 6 ilhn d e
c E 6 ~

S. hlignd, t ~ vagar
z n c:fs~~itlarninclue ficc!!, por is-
sct, á dic;posiqRo da Cor61 (a).
A s R ~ dI e~ ~diyqrnii o111 tlegrau, ccatnhatida p0-
Incs rncilidqs rio D. h4aiiriol (3 dt,af,,iiadnda da propr'in
sorte, a ai~tnrid;?dc rios dotaatasios d a jurisdição
c10 Macilico ficoir pin I)OtlCOS 4 n o s tão t ~ r j n z i d s
que dificiiinontr se rrcn?!liscc7ritn nns ialtirnos d o -
natrrios, o nrpallio, a ~ l t i v r l z ,a ~ s p i r i l ode iade-
penrlencia c, mesrnn n g r ~ n r l e z qde *1rn TrisIBo
VÍ'IZO U do nrn 'i'risf,3r, da.: T ) : , i i ~ a ~ .
i<, eiirlliwnto I)or Rilrir~hii:a w l:orie das c011;:r:;
era (1-i motdo ;z 1ev;ie. thtj vi?iscidn a ) poder çeuiho-
ri:d d i ~ sdor~~tt':ric~~i, . fi'cat-iclirel fnr:to aiialogo sc
~ 7 !i)
passava.
IZtli 1:)28, cliuin tle rlividu,~,e provavolmento
rninado do t l i i ~ ; * i l ~ r s, s Caw
> ~ t Sim50 G o i i c , r ~ l v ~da
~ n g r a , c(ilo olitr'or ? ini?1'iic3rao cilgaaorns do RTa.
giiirico, ;ihr'iio,.$ t i l i 1 :;@ir liltin 13 goverdn d 3 capita.
nin do b';rrielirl 13 0111~10 p?iii M,tlt)s!nl~osonda,

* a--1lei11crins c;ol,i.c a c:rcac;%o c numeiita do catado cclc-


sin:;tico iin Ilii:, (!;i- Rladi.i!,a,, c T;;ii;par Friit~ioso,'LSaurlndcs
tili Scrra" Ç ~ L2J0 .
men s de dois anos v o l v i r l r ~ a~ , r S l ( , i to VPIU ~.V!~CI~I

tra 10, q a a s i osynecido de t,odu?..


:';eu filho e snceseo!. i-~irçcúiidnr,ii~ttlos curtos
s n o s d o seu governo (l;jLS~-lT)"Ci) nrover t f 3 ret-iit?-
dlo a dciorga~issiçFnpr f t ~ r ù (411e,~ c 3b~itíJrlia
ti-
nhri trhzido a imprndenie conduta o oxtrenía libera-
lidade c10 seu. pai o 6 just,r,a dízes qut3 o coi~.-ogiiin,
Mim, por isso mesmo cjutl o P F C I governo 6 t o .
d o ocupado pela trab.nlt~o ~.econ~pusiqào eco-
nomica d a capitania, dlr representa para isln
u m a época de mediania o obsc~xridado.
SGU filho e sucessor hrjrdoci CIO a v 6 com o
nome o caráter. Di: animo iciipulsivn amiga (13
osteriiação, novamente C I õ s ~ r ~ i ~ i l ~ basr ofinarigns i~
da capit,ania, riroiivn porque, pirrrqaaxirnir-se a for..
çaclosgastos, s e atissi~toi~ para o coi~tiriut~t~a, dc-ii
xando no gijverrio so:i tio Fiaacisco Goncdlvns il:n
C2 mara.
No terripo dticibe i i ~ ~ p r o v i s i dg t ~ v~ t ' t l n , - i:r, sIn ,156Ci
cahiram os C c l r i ' rios frar~ci:k:e?sobi'e o ti'i~richale
saquearain no a soii .;aivi) visti) CIUH R :ir!i.udù dtl
socorro sO ctiegou di;s depois da F ua I arkida.
Esta ariirada fora rnoncl:~ria apnrcJlhca' por 0 ,
Jrlàa I11 1st 1 nos moptra a i-riria d o poder dos
cJon~taiiosa 3 ~ i ~ l a d a n çdosa tempos, quando tudo
o m a i s no-lo não demonrtrasse tambern.
Era agora o rei que s e dava prassa de socorrer
o donatario, descendnnte proximo daqueles qlio
tai1t.a vez, com d i s p e ~ ~ d ieo C O M q u e entusi-
&mo, tinham socorrido a coroa!
Era o rei q u e corn o cspitão a seu lado dava
ordens para a defesa da ilha!
Efeito fatal da Iraqueza dos douatarios que a
bula d e ,luli0 I11 vier8 agravar pondo-os na mão
I$ 3 rei, agora gráo mostre, por direito proprio, das

( ~ r d e n smilitares, o pOrta~It0deten tor,cotno Rei de


Porluçal u como mestre de Cristo, de toda a auto-
ridado qud, por yi~alquartitnIo, os donatarios ti
nham acima d a si.
Simão Goncalves da Catnara veiu a falecer
a 4, de Março d e I580,dapois do um longo governo
de 43 anrios q u e a partir d e 1566 cS uma fase de
mauifesla decadeucia.
E i i ~1571 el-rai manddra que um dos seus fi.
lhos,Ruy Ditis da camara,auxiliasse no governo(a).
Sucedeli-lhe seu filho João Gonçalves da Ca-
mara no rnorilentn n r ~ U CP ~ s t e l a lançava contra

a-Arq da Caiil. do Fn~lchal,tomo 111, fol. 128


o nosso p3iz as armas da conquista, mas quis a
sorte que governasse apenas trea m e s e s iacomple
tos, vindo a falecer de peste em 2 d e Junho do
mesmo anno.
((Desde estes tempos, todos os donatarios vi-
veram n u reino,?isfrutando o gastando na Corta as
grandes rendrs que a capitania Ihes produzis.a(a).
E' a t i t u . No seu trabalho lento a corda triun-
Pdra enr, toda a linhn. O nobre doqatario, senhor
quasi absolrito da s u a capitania, q u e pela r;ua in
dependoncia combatera e estrebuchara debaten-
do-se entre as garras d e ac,o d o poder real, ceda-
ra alfim e qual ingsnua borbotota atraída pelo fal-
gor da chama, p r o c i p i t a v ~ ~ - emi i ~ pluna v i d a da
corte e i n p r e r t a ~ d olhe o briihante e s p l e n d e r das
suas copiosas rendas.
O a s t r o coinascqiitstornára se h u m i l d e sateli-
te, e, então, Filipo I, rerriatando a o b r a (dqD. Ma*
niiel e consumando o trii~ml'odo podor roal, dB o
golpe de misericordia na aotoridade poli tica d o s
eapitàss-dona!arios nomeando o desernbargador
9 Leitào capit80-níòr d~ 'guerra e governador
da fazenda real Q da jizdic,ktura.

a-"Noticias das cousas da I1 t u "


PARTE II
O aspecto social
CAPITULO" Y
A s olasmes trabalhadoras
a)-A deaiqualdade socin 1

Que a# terras lhe sejam soomer~todadas f ~ , ~ ) ~ t c s


sem penção alguma, dqueiies de ??LU!/OY qetalidatlt7, e
a outros que posanças tivsrem p a m cbs aprovcifare?rr;
e as.$ da menor qae uivarn de seu trabulho ( u ) .
Assim s e exprimia D. João I fixaiido como
norma para a consti:uiqão da i n c i p i o i i t , ~socieda-
de madairense a -meama desigualdade de nasei-
mento ou fortuna com que, deixando seus primi-
tivos lares, tinham saido da mãe patria os primei
roa povoadoros d a Madeira.
E o espirito da epoca levava essa desigualda.
da a todas as rninucias da vida social.

a-Capitulo citado a pags. 17


Ao lado do povo humilde, trabalhador obs-
curo, rnourejaodo pelo pão d e dia a dia e sobre o
qual desapiedadamente caiam a s exigeodas tributa
rias,assentava arraiaes uma nobreza toda medieval,
orgulhosa d e seus privilegios e altiva da sua isen-
ção tributaria, dando a mão a u m clero cumulado
d e beneficios e igualmente isento do contribuigões.
Sb em 1378 se tentou, pela primeira vez, coa-
gir a nobreza a dar a sua quota parta para a s des
pezas publicss. Fê-lo D. Afonso V, corno vimos,
sem resultado, a proposito da contribnição de
guerra, votada em corte^.
Em 1493, já mais rohustecida a regia autori-
dade, a nobraza viu-ss mais d e perto assediada.
Na contribuição do obras rnilitares d e defesa d o
Funclial, D. JuSo 11, embora respeite ainda a t e
.certo ponto os privilegios da nobraza, impõi-lhe
jli encargos r190 leves: #Todo h o m e . . .daraa cada-
.
no hutn dia de serviço pera esta obra.. & serarn
soamemte dest,o escuaos todollos fidalglios caval-
leyros & escudayros.. .os qunaees pov suas pessoae
uoni cl(lrnm )zcnhu?n. I~otqzedo serziipo St dararn loda
srbn {/emta as~ravospara scrvimm ncb dila obra»(a).

a-Arq. da Cam. c10 I4iti~chalC


tomo I, fal. 178
O clero igualmente goeava da mais ampla
isençãa tributaria e conservoli-a ate muito mais
tarde q u e a nobreza.
Jà findo o terceiro quartel do sec. XVI, em
1578, ainda o clero orgulhosarriente se revoltava
coritra a ideia de ser atacada esta sua prerogativa.
Vejam -se a s Constiluições do Bispado publica-
das pelo bispo Dsm Jeronymo R ~ r r e t o :(Consti-
tuição Quinta-Porqiio podo acontecer pessoas se.
culares, Camaraç, e con~unidades,tibo tendo o da-
vido respeito e acatarliento ás igrejas e rnini~tros
dellss, contra a prohibiçarn dos sanctos Cananes -
fazerem estatutos e poeram edictos coritra a liber-
dade ecclesiastica. e por exquesitas rnaneiras
constrangerem a s pessoas eclesiasticas a contribuir
e peitar com elos: por tanto ordsnemo3 e mãda-
mos q u e daqili em diante r~enhumapassoa d e
qualquor estado, condiçam e prerninencia que seja
nem bõmunidade, villa, ou lugar do nosso bispa-
d o faça estatutos, e ordenanças nem poi~haedi-
ctos, nem defesas contra a liherdadiz ecclosiastica,
nem laçain contribuir, o a peitar em seus pedidcs
e contribuições ás pessoas ecclesiasticas, nem a-
cerca disto façsni npm corisiniam fazer engano al.
gum pira que indirectamente sejam constrangidos
a l)tagar. E fazando o contrario as pessoas parti.
culares que nisso forem culpadas, ipso facto, que-
remos quo encorrarn sentença d e excõmunham,. E
esta cidade, ou qualquer villa, oii lugar que nisso
for outro si culpsdo, onde o s sobreditos, ou ala
gum dellos sstiuer, ou for', ipso facto, seja sogeito
a ecclesiastico inkerdito. As quaes sentenças não
seracn relaxadas sam que primeiro sstishçam com
effeito a injuria e dano que nisso as pessoas ec.
olesiasticas receberemr .
Portanto, de começo, só o braço populsr foi
a vitima das exigencias tributarias, e, quando
niais tarde a roaleza veia exigir aristocracia q u e
rluirihoasse na contribuição, ainda o povo conti.
n:1oi2 a ser a classe sobre que se fazi.3 sentir mais
intansamente o gravarole do imposto, visto ser Bla
a que menos compensação tinha.
Quatro otitidades distintas-qua\ dela8 a mais
avida-davia satisfazsr o contribuinte: gs capit8es
clnnatarios, a Ordein d0 Cristo, os cofres munici-
paes O O erario regio.
Os primeiros cobravam certos direitos ba-
iianr; c1ir;c~riminarlnsnas cartaa de doa980 das (;R-
pikanias; a s ~ g u n d alocupletava-se com o s dizimos
d e todas o u quasi todaq as produções da ilha; os
concelhos e o rei igualmente s e não descuidavam
de multiplicer.as suas fontes d e receita.
Em 1521 o rei tomava provideneias sobre o
pedido, qila a canirrra 10 Fuochal fizera, de que
lhe fosse concedida a receita da imposição sobre
a carne, para rbalizar com Bla melhorapentos na
cidade, porquanto 04 s i u s rendimentos proprios
tnam abastavam senarn pera o esprivam & por.
teiro & outras despezas ineudluib (a).
Para o conti-ibuinie não devia ser agradavel
este pedido, porque já então era velho quti 6 ele
quem gerne,logo que os poderss publícos s e quei
xem d e deficiencias financeiras. E jiS. era vell~o
visto que em 1485 sq lançara o favor do conce.
lho chiia emposiçam sobre ho vinho para sempre
pela matieyra & modo porque se faz orn Lixboa
pera as despesas da ylha por quanto norn tem rem-
da nenhua pera pagamento das logeas & sacos
q u e ho o dito concel'70 das\ a hos moradores q u e
trigo trazema (b).

a-Arq, da Cam. da Funchal; tomo I fol, 360 v.


b-Ibidem fol. 249.
Ora todos estes multiplos encargos deviam
as classes inferiores satisfazer, e, as:+im, a sua
situação não era sobremodo sedutora. Porem das
paginas seguinte6 s e concl~ie que elas não en-
contraram sempre o rriesmo grau de dificuldades.
Vejamo-lo.

b) Os tra bal Ilado~aes vunres

As primitivas concessões de terras foram


feitas em sesmaria, e como de começo s b a classe
s u p ~ r i o ras alcançou, 'logo desde o inicio da colo-
nizaç8o do arquiphlago se encontra, a par dos
g r ~ n d e sdetentores da propriedada, a legião dos
trabalhadore~ livres, a que 0m brova veiu juntar-
s e a dos escravos arrebatados daqui e dal6m para
virem fecundar. com o esforço do seu braço, o
torrão que havia de nutrir o enriquecer o nobre
possuidar.
E embora a condiçào social do trabalhador
livre fosse evidentemente suporior á do clscravo,
contudo pudbmos bem conjel:turar, conhecida a
indolia ari5 tocratica dii scciedade a que êle perten-
ci?, que irsbalho nã i dispenderia na conquista do
ltão qiíôtidiano, amassado, por vezes, com que
amargas lagrimas!
Mas nss primeiras cartas de doação das (:a-
pitanias. permitiu-ss a livre venda das terras de.
pois d e aproveitadas, e assim, a pouco e pouco, a
despeito das opressões do fisco e da dos podero-
sos, a pequena propriedade rural foi aparncendo.
Mas, paulatinaineate turnbeni, as exigencias
fiscaes, d e con3eço verdadeir amente leoninai i, se
foram em certos cams, como o da tributação do
assucar, lentamente atenuando, e, ao mesmo
tempo, o poder roa1 qilo, na luta com os privile-
giados, houvera d e socorrer-se do apoio popiilar
cornoçou de promulgar madida~ colbitivas das
opressõss e vexamos que da parte dos Rauu pode-
rosos visinhos sofria o poqaeno proprietnrio ril.
ral.
Em 1403, D. Jo8o [I ssvaratnente proibia que
se dificultasse o uso das levadas, de posse comum
desde on primeiros tempos da colonizaç80: aQue
indo perante vos alguin morador, visinho da dita
III.ia, implorando v o ~ s ooficio d e Juiz que he fa-
zer jcstiç? 4s partes de qize eu aou muita encar.
regado; 6 algun; poderoso lhe impede s prohibo
apontadas a classe popular encontrol; um viver
mais desaf.~gado.

c)-Os artifices

Paralelamente, tembem os artifices tinham


visto crescer a sua importancia social.
Foram Bles de principio vexados e oprimidos.
Permite nos Bsta afirmação a carta da Iafanta D.
Beatriz d e 25 de Junho da 1481, na qual se toma-
vam deliberações coibitívas dos vexames de que
eram vitima8 os Procuradoces dos Misteres, os
quses aquando hyam a camara pera avorem d e
requerer alguuas cousas que lhe eram neçesarias
etn averem d e dar aiguua voz os oficiaes dela os
ymji~riavlm e isso mesmo alguas outras pesoas
que hy estavam pella qual1 rezam elles nom osavam
hiir a dita carnara reqilerer seu direito) (a).
VA-se, porém, quo progressivamente a sua
importancia f b r i aumentando, visto que em 1483,
a rcqnerirnento dos homes boos dos masteres, por
carta d e 22 d e Dezembro (b). o Duque, senhor do

a-Arq. da Camara d o Funchal; tomo I, fol. 17 v,


h-Ibidem fsl, 18 v ,
arquipelago, permitia a creação s o Funchal da
Casa dos Vinte e Quatro, aoaloga á d e Lisboa e
com rejimento igual a,o dêla.
E' a primeira grande vitoria dos homens de
oficio;sucessivirmenre vão cooseguiiido ernancipar-
se de opressões e vexames. No manusear d o s
velhos documeiitos sente-se palpitante o progres-
so d a sua importancia corno elemento social.
Em 1494, D. Manuel, entdo apenas duque d e
Baja, permitia-lhw que tivessem nçougae por sua
conta aporque quando ha h y muita carne lhe uam
dam senam da mays rruym e de lall logar que
ha nam podem conier & a booa carne despois
adarem aos principaaes repartem com as gamtes
d e fora & com outras pesoas segundo lhas prilz,,.
& quamdo hy a poucs l t ~ enam dain riaiihuar, (a).
Em 1496, por carta de 12 de Agosto, D. Ma-
nuel, jB rei, proíbe que se não permita aos quatro
procuradores dos Vinte e Qua?ro que o s consul-
tem e lhes comuniquem o s assuntos novos rcsol-
vidoa eni @amara ( h ) . Na mesma data o monarca
toma deliberações s o t re aposentadoria do rnagis-

a-Arq. da Camara do Funclial; tomo I, fol. 53 v.


b-lbldem fol. 59 v.
trados; sobre uma comunicação dos Vinte e Qua-
tro (a)
Em 1516, encontramos ainda D. Manuel con-
cordando com as proposiçõss dos Vinte e Quatro
e maodando, por isso, que aos funcion~riosmo-
r a d o r ~ em
~ qualquer ponto da ilha e mandados
prestar serviços no Funchal se não dA camas nem
utensilioa alguns domosticos, limitando-se a apo-
sentadoria B concasslo da moradia (b).
Entretanto e i l i 1502 D. Maniiel, tendo ern vis-
ta que a s madeic~.:, pastagens e agaas eram, por
direito fixado muito aoteriorment~,de uso co-
mum, alargi'lra essas proviçlencias determinando
que aos oleiros fosse licito tirar. barro de qualquer
ponto da ilha e aos pedtairos tirar cantarias e al.
vennria de yualqiler terra para com isso qanltnrava
suas vidas e poderem viver do s e u Irabalho (C).
São factos inoinclos-marcos miliarios na via
dolordsa d o s quo trabllhsm-os que vimos d'e

a-Arq. da Camara do Puiichril, tomo I foi 60 V ,


h-Itiiclein fol. rzy,
c-carta clc cj cle Ircvcyciro transcrita 110mniiuscrilo ci-
taclo a lmg, 17 cotno tciitlo sido copiada do 'Livro 15, 841
d a Provcdoria cla Alfanclegn do Fuiicli
a$ontar, mas nem por isso deixam de ser sigctifi-
cativos. Eles explicam como na Madeira o labor'
insano dos artifices .chegou a ver se coroado de
completo sxito, Os sucessores daquêles cuja tris.
te situação era, em l48l,corno vimos,tão claramen-
te retratada na carta da Infanta D. Beatriz conae-
guiam,por 1555,colocar-se ao lado da luxuosa atis-
tccraoia e competir com ela na opulencia da sua
apresentação,
Foi o caso que, por ocasião do segundo caea-
mento d e Antonio Gonçalves da Camara? el.rei
desejando que s e fizessem aparrtosas f e ~ t a s ,per-
mitira o livre uso, aioda POS não fidalgos, dos
vestidos de seda que propositadamente se fizes-
sem por essa ocasião, pelo que gastaram nelles d
sua parte sdrnente os officiaes rnechanicos mais de
dous mil1 cruzados (a).
Vem este facto provarnos que a sua situação
economica melhoriira sensivelmente. E' êle, por-
tanto, digno de enfileirar.ao Iado dos q u e vimos
de a p o a t a r n o intuito de lançar alguma luz sobre

a-Saudades da Terra cap. 36 "in fine,,


um ramo quasi desconhecido da historia da Ma-
deira.
Factos carateristicos, factos elucidativos.
Mostram a vida do povo,traduzem a orientação
da realeza-orientação definida e sistematica,
Ao lado bo rei o povo subia na esatlla social,
e, em face desta fortissima aliança, a aristocracia
batida em brecha em todos os campos a por todos
os lados cedia emfim, incapaz de resistençia, can
çado da luta, exausta de forças.
CAPITULO VI
A m C ~ ~ M B Qprivilegiadas
S

a) O clero
J;Bi no sapitulo antecedent,~referimos as ra.
galias de que, cim instoria de isenção tributarin
gosava o clero.
hão eram Blas prova unica da consideração
publica dó, que podia ufanar-se.
O exame do que se passoii com a congrua d o
bispo e das principaels Dignidades 6 sxtrernamen
te demonstrativo de que a devoçâo dos i~ltimae
rnonarcas'da dinastia de Avia nlio sra uma palavra
vã (ar).

a-Do registo <.Memorias sobrc a creagxo e autmeiito do


estado eclesiastico na ilha da Madeira,, extrafinos as seguitl-
tes notas:
Ao primeiro bispo, Dotn Diogo Pinlieiro, coilccdera D.
Se juntarmos o vencimento oficial percebido
com randimentos particiilarbnsde todn a ordern-que
n8o tdnvinrn stír peq17enos, dado qun 9 crenca re-
ligiosa na Madeira ainda l?o,jo 6 bem f-:i%+-a ver-
ba absorvida pelo claro pari ar si:^ totais v u r d ~ d e i r a -
mente siotsiveis.
E, de comaço, por a 4 lii ficaria a acção d o

Manuel a congrua anual de zoo:ooo. Por carta regia de 12 de


outubro de 1553 foi elevada, reinado D. Jo2o 111. a ~ O O : O O O ,
c, reiilando D. Sebastiào, a 6oo:ooa pelo alvará d e 4 d e No-
vembro de 1557. E ailida D Sebastiáo, por í~lvará.de 24 d e
Maio de 1565 111c acrusccntou dez nioios de trigo e cinco d e
cevada.
Os priiicipaes dignaiarins da Igrcja iiladcireilse, Deão, Ar-
cediago, Chantre e Tcsoiirein)-Mor, igualmente viram crescer
sucessivaincnte, em curto lapso clc tempo, os seus proventos.
Estes quatro cargos foratil rreados por decreto do papa
Leão X de 12 dc junlio tlc 1514 cc~iiia coiigrua annal de
8.000 a qual no mesmo ano, por carta regia de 6 d e Dezem-
.
bro, foi elevada a 15. ooo E D. João I11, em 20 d e Setembro
.
de 1527 acrescentutr-llie mais i o ooo
Etn 15 de Março d c 1563, I). Çet)astiTio arbitrou. por va-
rios motiv«s, ao deno tilais 20.40o cin dinlleiro, 3 moios
de trigo, 2 pipas cle vinho, 3 arsobas de assucar branco,
xz cabritos c 12 fratigos, e ao arccdiag~~chatitrc c tcsoureiro-
mor, em IJdc Fcvcreiro ile 1558, inais 15.0uo a cad? um.
C o n ~os rcstnntcs incmbros da Igreja o facto verifica-se
tainbem, nias forçosatnciite haviainos de limitar n cxcmplifi-
caçtio e por isso cscollieiilos os casos que nos pareceram
mais significativos.
Deles se podc concluir qiie tl%oera pequena a parte das
rendas publicas absorvida pela classe eclesiastica.
clero; mas com o advento d a D. João 111 o poder
clerieal ergueu altivamente a fronte. Em i578 e r a
jà suficienkmente forte para dnsatiar o poder ci-
vi1:as Constituições do Bispado, a que jb aludii-ilos,
representam uma violanta reivindicação d o s di.
reitos eclesiasticoa. Todos os atentados a qunis
quer privilegias do claro são ali taxativamonte
proibidos, sob pena d e excomunhãa e intardito.
E o clero madeirons? qt5 v[?iil a s e r vencido
quando, mais t a r d ~ , ar~ealeza,qusesrnsghra a aris-
tocracia, teve de reconhecer quei ss tortlava ne -
cessa:io aplicar canterio igual aos desmandos e
aos caprichoia do orgt11hasú clero.

b) A nobreza

Isolada n o seio d o i m e n s o mar, a aristocracia


madeirvnse guardava ainda o sou aspdto medieval
quando na Europa a cultura cientifica o lit#gir.ária
ia adoçando já a rudez d o s primitivos c o s t t ~ r n e s ~
Por lsso, na prinleira fase da vida social da
Madeira o nobre contava os s e u s t i t u l ~ sde lionra
pelos dias d e vitbria no pi'olio snngtiirial~oto,e,
ao voltar cobcrtodo gloria d e longinquas l e r r a ~3~
Africa, mostrava cheio d~ orgiilho os seus perga-
winhos de maior valia, as cicatrizes gloriosas,
testainunhas d e qual o valor do seu animo.
Maa aquble mesmo ssforçado combatente que
pelo renome da Patria heroicamente lidára ao la-
do de um seu irmão d s caça, era capaz de ir de
pronto guerrea-10, pelo mais fiitil pretsxto numa
dilaceraclara luta intestina de familias.
E, naste filixto tneditival de sentimentos, de
tudo mconti7atuiis-da devc?ç&osublime pela Pa-
Iria ao altivo abandono dela, da, vingança rvds ao
lance cavalheiroso, &a corte d'amor ao rapto vio-
lento.
Corria o aoo d s 1531. (3 ainda R Madeira apre-
sentava esse asp6to rude de uin viver feito de
ambições desmedidas e de paixões desenfrsadas e
violentas.
Vivia entào na Lombada do Arco urna viuva
rica, Isabol de Abf4eo, ~obrciqusni vaiu a rrceir a
atenqão de um n o b r e visinho, ignsl!ncufe rico,
Antonio Gongalves da Carnara, q i l l ~logo nrubicio-
nou liga-la 4 sua existancii. Giasp.ai ?ruii~osoex.
plicando a razã(í drt facto, (14-nos logo a primnlra
n o tr, moral: ccA 1s tonio Gc~riq'alvns d a Camsra que
morava ali perlo, pov juntar éstas duas fazendas,
que eyam mui gvossas, lhe v e i t ~a querer bem, desr-
O R O d e casar com éiaa.

!+$tis sec l ç ~ao dolo não toi poaeitivarnc-inte


t
exclli , vri da T i l t r ~ i , i BB6 i;i,t,
[i: t i ; ru.: di: que se
serviram aqui tanto o iirnbicii~cocomo a sua t s 4
questada 6 q u e completamente o forem.
Tendo conseguido, pu!o suborno d e uma ser.
ventuaria, penetrsar de noite ecn casa da deusa dos
seus pnnsamentos.. . Bnaqceiros, Antonio Gon -
çalves da Camara teria cartanieats cometido cen-
suravel vi(llencia,se niio fora o sangile-frio da sua,
pnr onlãn, antagonista Com um sorriso nos la-
bios, srnauel a convir~cent~e, alegr~uR viuva aque
lhe nlio conviyzha fazer casamento d'aquella sorte,
que ellu queria ser sua niulher, e ao outro dia pelo
rnanhaa n viesse receber, para o que haveriam depois
Rescrip to de Roma)).
Durante a noite o fidalgo juntou cincoesta
cavaleiroer, e com grande luzimriinto se apresentou
na manha seguinte 0 1 t i c3:a da q110 S U P U K Isua
~ ~
noiva. Esta, p o ~ é m que
, dnrants a aoite iguslrnen-
te chamára gente da doft1~8,riu-se-lhe na cara do
logro sm qcie o fizera cr;ir.
Vexado, despeitddu, aborrecida, erribareou
Actonio Gonçalves para Lisboa. Mais o tempo tudo
atenda, e, anos volvidos, voltou tí sua terra,
Certo aia acertou de passar por casa ddle,
indo a uma festa, aquela que outr'ora o ludi-
briira inpiinerriente. A anibiçào da desforra veiu
reforçar nunca esquecidos pianos, e, jantanda á
pressa gente, saiu-lhe ao caminho e R levou 4 for-
ça consigo.
Entretanto fdrz passado aviso ao Fonchal e o
Ouvidor d a Capitania deu se pressa em chegar 9,
Lombada do Arco para p6r cobro a tal violencia,
mas o nobre não cedeu e dispbs-se a resistir te-
nazmentce.
Usando de nova dissimulação,Isabel d e Abreu
declarou publicamente q u s sstava ali. sem coacão
e so mesmo tempo pediu a Antonio Gonqalves
que, pois estava feita a paz, recebesse 3 agasa-
lhasse os q u a do E'i~nchaltinham vindo. Mas c a l
entrados estes, ei.la que em queixosos brados
pede ao Ouvidor que Ihz valha na violencia d e
que é vitima, senda prontarnet~teatendida.
Não era o infeliz pretendente, d e novo 10.
grada, homem que facilmente desistisse do seu
intento, e, jiin tando gente e artilharia, dois fal-
cões-pebroiros, voiu aiacal- o Onvidor, o qual,
após longa luta, houve ds capitnlar. E o casamen-
to realiaou-so em breve, sondo a boda faustosia-
sima.
Nao foi oste cm caso unico; longe disso. E,se
aos &tos dcs violoncia qiiizer-tsi(~mosaci esc^ ntar
a q i i ù l ~ sr.<i;g~ss(80
!;iiit*bts:,itf r c , ~yitc.1 c ~ P I ! ~ ~ a,
~~Y:oIw
oiltr a facotu da vida tnedjsval, . $0 t u d o buscaustj-
M O S enumerar, nunca terminar-1t.irnos.
Urgia ssleccionwr. Escolhemos um caso signi
ficativo em que a brutalidade da acção, indica a
rudeza dos habito$.

AtB ao fim do s ~ c i l l oXV foi a cnpit,miw de


Machieo rr q u e rnais se distinguiu na opulencia.
das f~eistasaristocrhiicas,
As corridds de touros, os torrieios, oe certa-
mons posticos, e u q i l ~brillmvam uome6 q u fim
~
gurwrn no Ctancioneiso Geral de Garcia de Rezende
silcediam se ininterruplarnenlr, consumindo-'so
assitn o inoxeurivt~l caudal das avuliadas rendas
da Capitania.
Em Tristào Tnixeinl, o das Damas, segando
doiaatario de Machico, fidalgo poeta e galaiateador,
esta o apog6u da vida biiliçosa da aristocracia de
~ a c b i c o . Coni a sua morte crmeça a decadencia.

Entretanto no Fonchal d~senvolvera-setam-


bem a vida sui yeneris da nobreza.
O longo governo do primeiro donatario, o
descobridor Gonçalves' Zarco, f6ra mais q u e tudo
u m periodo de ~rganizaçãoe com o de seu filho
e sucessor marca época d e grandeza inas não d e
ostentação. Esta s 6 aparece bem desenvolvida ne
principio do seculo XVI com Simão Gonçalves, o
Magnifico, a que atraz aludimos jd, mostrando a
sua espavontosa conduta.
E da opulencia dos seus dispendioa e da gran-
diosidade que punha em tudo quunto fazia, pode-
.mos concluir qual a pompa das suas festas.

Depois, a pouco e pouco, o festivo bulicio


das moradias senhoriaes d e Machico e do Funchal
foi-se amortecendo. A s rapinas dos corsarios em-
pobreceram algumzs das mais abastadas casas da
Madeira. Um manto de gdlida frieza se estendeu
lentamente sohre bqu6les solares vibrante8 ainda
do gaudio d e luxuosas fastas.
E hoje ,o viandante que atravessa, evocando
passadas Bras, as silenciosas ruas de Machico di-
ficilmente cr8 que ali foi, ha menos de cinco se-
culos, o foco do esplendor, a patrja da ostentação
do fausto e da riqueza, o ninho da Poesia e do
Amor!

FIM
NOTA BIBLIOGRAFlGA
Modernamente ocuparam-se da historia da
Madeira dois investigadores cujo8 nomes não de-
vem doixar de registar-se pelo muito que lh6s de-
ve a historiografia madeirense. São ales o falecido
professor do Liceu do Funchal, dr. Alvaro Ro-
drigueç d e Azevedo, cujas Notas Bs Saudades
da Terra d e Gaspar Frutuoso, publicadas em
1873, ainda hoje ministram util esclarecimento a
quern quer que se proponha tratar alguma ques
tão referente & historia do arquip6lago madeirense
e o snr. capitão Sarmento, nosso ilastre colega 0
amigo, em cujas obras-Alicerces para a hktorza
militar da Madeira, Funchal, 1908-9. in 4.0 de 107
pag.; ffistoria Militar da Madeira, Funchal, 1912
in-4.0 (publicadas 16 pag.); Ascendencia, natura:
lidade e mudança de nome de João Fernandes Vz'ei.
a, Funchal, 1911, in 4 . O de 24 pag.-encontram
k m b e m importantes noticias todoc; os cultores e
estudiosos d a hiatoria da Madeira.
Ao rnr. ~armanto'deve-se ainda a publicagão
e m um periodico fonchalense, o Hernldo da Ma-
deira, de alguns importantes manuscritos q u e se
encoritravam in8rlit.o~ e s e referem 4 hiçtoria d a
Madeira o u do Pur'to Sarito. Duluri, destacariios o s
q u e deix8rnos citados no decurso d o presente tra-
balho:
Noticias das cousas da ilha da Madeira desde o
seu segundo clescobrime?~to pelo Z a ~ c o ,co a i e ç a d o
u p ~ b l i c a r no a . O 363 (Novembro d e 1905); illerno.
rias sobre a cpeagão e azcgmenlo do estado ecclesias-
tico na ilha da Madeira, começado a p u b l i c a r no
n , 9 2 6 (Maio de ,1906); Reijisto da a?%tigaProvedo-
r i a da Real Eazenda, acrescentado c o m a l g u m a s wo
ticias e sucessos d a i l h a d a illadea'ra, descle o a n o de
1429 do seu descob~irnentoatt! o de .11775d a cxli?ac
ç6o d a mesrnn Pq.ovedoria, co inoc;ado a publicar rio
n.0 755 (Janeiro de 1907).
Parte 1-63 politieo:
aíslpsci;~

CAP. I-Organização do poder dos


capitães-donatarios ... 13
CAI?. 11-0 poder real con1,ra R ju-
risdição dos donatario&-
I: Ontnquc. . . . . . . .
s

25
CAP. 111-0 poddr rua1 contra a ju-
risdição dos doriatarios
--Ir: A uitdra'a..... 39
CAP. IV-O poder rc1al;contr.a a j u -
ritidiçào dos doriat,arios-
111: O triunfo ..... 59
Parte 1 1 - 0 4àsp0cto social:
CA P. V-As classes trabalhadorali 67
a ) A desigualdade social
Ii) Os trabalhadores rurazs
c) Os artifices
CAP. VI-AS c~lsss~~s priviligi:rdgs 81
a ) O clero
b) A nabrdza
. .
Nata, hibli<~gr.&fica . . . . 02
NO D l A 11OTS I)E
Zi'EVEIiEPI30 DE
M T L NOVii'CEN.
?'OS E (:A L'O13.z 13
S 8 AACIIjOU I132
INPRIMIR ESZ'A
OBRA