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CURSO DE DIREITO CIVIL PARA AFRFB E AFT PROFESSOR LAURO ESCOBAR

AULA 03

FATOS E ATOS JURÍDICOS

(Primeira Parte)

Itens específicos previstos nos últimos editais e que serão abordados nesta aula: Fatos Jurídicos (1ª Parte): Conceito. Classificação. Aquisição. Resguardo. Modificação. Extinção de Direitos. Fato Natural. Prescrição e Decadência.

Meus Amigos e Alunos.

Como vimos, uma relação jurídica é formada por três elementos:

a) Elemento Subjetivo: são as pessoas envolvidas; os sujeitos de direito e suas relações. O sujeito ativo é o titular do direito oriundo da relação. O sujeito passivo é aquele sobre o qual recai um dever decorrente da obrigação assumida pela relação e que deve respeitar o direito do sujeito ativo.

b) Elemento Objetivo: é o objeto do direito; o bem jurídico pretendido pelo sujeito ativo. Divide-se em objeto imediato, que é a prestação (a obrigação de dar, fazer ou não fazer) e objeto mediato (o bem em si: móvel ou imóvel, divisível ou indivisivel, fungível ou infungível, etc.). No entanto, surpreendentemente este ponto não consta dos últimos editais do AFRFB e nem do AFT.

c) Elemento Imaterial: é o vínculo que se estabelece entre os sujeitos e os bens (submete os sujeitos aos bens). Este é o fato jurídico, o fato propulsor idôneo à produção de consequências jurídicas. Esse será o ponto desta e da próxima aula. Vejamos.

As relações jurídicas também possuem um ciclo vital: nascem, se desenvolvem, podem ser conservadas, modificadas ou transferidas e se extinguem. Há sempre um fato que antecede o surgimento de um direito subjetivo. Fato, portanto, é um evento, um acontecimento.

O tema “Fatos e Atos Jurídicos” deve ser visto bem devagar. Por isso, o desmembramos em duas aulas. Esta primeira é introdutória. Costumo fazer isso também nas aulas presenciais. Primeiro dou essa parte teórica (“e bota teórica nisso”). Os alunos, de uma forma geral, não gostam muito dessa primeira parte do tema. Mas ela é imprescindível. Por isso vou tentar

torná-la mais agradável

classificações, e, principalmente da prescrição e da decadência. Este, na verdade, é o ponto central da aula. Depois, na próxima aula, passaremos para uma parte mais dinâmica, onde veremos o Negócio Jurídico e seus elementos constitutivos, além da ineficácia (nulidade e anulabilidade) do Negócio Jurídico.

Falaremos hoje sobre alguns conceitos,

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Comecemos, então.

Vimos acima que o Fato é um acontecimento. Assim, de início, vamos diferenciar um fato comum de um fato jurídico. Há fatos que não interessam ao Direito. Exemplo: quando uma pessoa passeia por um jardim, está praticando um fato comum, que não sofre a incidência do direito. Porém, se essa pessoa que está passeando comprar um saco de pipocas, alugar uma bicicleta ou pisar sobre o gramado, causando danos à vegetação ou mesmo alimentar os animais em um zoológico (condutas consideradas como proibidas), tais fatos passarão a interessar ao direito, causado repercussões.

Portanto, para um acontecimento seja considerado como fato jurídico

é necessário que esse acontecimento, de alguma forma, cause algum

reflexo no âmbito do direito. Seja este reflexo lícito ou ilícito. Observem a seguinte classificação:

Fato Comum ação humana ou fato da natureza que não interessa ao

Direito. Não estudaremos isso, pois, como disse, não interessa ao Direito

(para quê estudar algo que não nos interessa

e nem cai nos exames?).

Fato Jurídico (em sentido amplo – lato sensu) acontecimento ao qual o Direito atribui efeitos e relevância jurídica. Exemplo: um contrato de locação é um fato jurídico (mais para frente veremos que ele é mais do que isso; é um negócio jurídico), pois tanto o locador, como o locatário assumem compromissos e ficam vinculados um ao outro. Deste vínculo surgem direitos e deveres para ambas as partes; surgem efeitos, ou seja, reflexos no campo do direito.

Baseado no foi dito acima, podemos conceituar os Fatos Jurídicos como sendo os acontecimentos previstos em norma de direito, em razão dos quais nascem, se modificam, subsistem e se extinguem as relações jurídicas. Para efeito de memorização dos elementos do Fato Jurídico, costumo usar em sala de aula a expressão A.R.M.E. (Aquisição, Resguardo, Modificação e Extinção) de Direitos. Vejamos:

Aquisição de Direitos É a conjunção dos direitos com seu titular. Ocorre

a aquisição de um direito com a sua incorporação ao patrimônio e à

personalidade do titular. Dessa forma, surge a propriedade quando o bem se subordina a seu titular. Exemplos: quando eu acho um livro abandonado (e não perdido) ou quando eu compro um automóvel de um amigo, eu me torno proprietário destes bens; adquiri direitos sobre eles. Os direitos podem ser adquiridos de forma originária ou derivada:

a) Originária o direito nasce no momento em que o titular se apossa ou se apropria de um bem de maneira direta, sem a participação de outra pessoa. O direito não tem existência objetiva anterior; ou mesmo que a tivesse, não há uma transmissão pelo seu titular. Exemplos: pescar um peixe em alto-mar, achar uma coisa abandonada, usucapir um terreno, etc.

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b) Derivada ocorre quando há uma transmissão do direito de propriedade, existindo uma relação jurídica entre o anterior e o atual titular. Exemplos: vender um carro ou uma casa para outra pessoa – a propriedade do carro ou da casa passou de uma pessoa para outra, daí ser considerada como transmissão derivada; a aquisição de direitos pelos herdeiros, etc. Lembrando que o direito é adquirido com todas as qualidades e defeitos do título anterior.

A aquisição ainda pode ser:

c) Gratuita quando não há uma contraprestação na aquisição. Exemplo: uma pessoa adquire um bem por uma doação; neste caso não há uma contraprestação nesta doação; o mesmo pode ocorrer quando se recebe um bem por herança.

Exemplo: a pessoa adquire o bem por meio de uma compra e venda se por um lado recebeu o bem, por outro lado pagou por este bem, havendo, portanto uma contraprestação na aquisição; o mesmo ocorre com em uma troca ou na locação.

d)

Onerosa

quando

uma

contraprestação

na

aquisição.

Resguardo (proteção ou defesa) de Direitos São atos praticados pela

pessoa que servem para proteger os seus direitos. Ou seja, o titular de um direito deve praticar atos conservatórios, preventivos (garantindo o direito contra futura violação) ou repressivos (são os que visam restaurar eventual direito violado). Costuma-se dizer que não pode haver direito subjetivo sem a correspondente proteção. Exemplo: Direito de Retenção: uma pessoa possui um bem (que não é seu, mas está de boa-fé nesta posse, ou seja, acredita que a coisa é sua) e realiza neste bem benfeitorias necessárias (conserto dos alicerces, do telhado de uma casa, etc.) ou úteis (construção de uma garagem); posteriormente o real proprietário move uma ação contra

o possuidor de boa-fé e ganha a ação; o possuidor deve ir embora; mas

realizou benfeitorias, devendo ser indenizado; se a outra parte não a indeniza, ela pode reter o bem até que seja indenizado pelas benfeitorias (art. 1.219, CC). Outros exemplos: arresto que é a apreensão judicial de coisa litigiosa ou de bens para a segurança da dívida; sequestro que é o depósito judicial da coisa litigiosa para garantia do direito; protesto, etc. Há, também a defesa preventiva:

a) Extrajudicial são hipóteses de defesa de direitos sem ser necessário ingressar em juízo: quando se estabelece uma cláusula penal em um contrato (trata-se da multa contratual) o que se quer na verdade é estabelecer uma garantia para o cumprimento deste contrato. Outros exemplos: o sinal (também chamado de arras) é um adiantamento da quantia que será paga também para garantir o cumprimento da obrigação; a fiança, que serve para garantir o pagamento da dívida (se o devedor principal não pagar a dívida, o credor pode acionar o fiador), etc.

b) Judicial são as ações judiciais para proteção de direitos. Recorre- se à autoridade judicial competente para restabelecer um direito já violado ou para proteger um direito ameaçado. Lembrando que para a propositura de uma ação judicial é necessário ter um interesse legítimo (econômico ou

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moral). Exemplos: Mandado de Segurança (que visa proteger um direito líquido e certo); Interdito Proibitório (que é uma ação possessória, que visa proteger uma pessoa de eventuais ameaças a sua posse), etc.

Caros

Alunos

lembrem-se

do

brocardo:

“A

todo

Direito

corresponde uma Ação que o assegura”. Se houver ameaça ou violação (por ação ou omissão) a um direito subjetivo, este será protegido por meio

de uma ação judicial (art. 5 o , XXXV, CF/88 “a lei não excluirá da

apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito”). Imaginem o seguinte exemplo: Todos nós sabemos que “todo cidadão tem o direito de ir, vir e permanecer”. Esse é um Direito que todos nós temos; dizemos que

e se uma autoridade policial diz que você

está preso em flagrante, sem ter um motivo plausível para esta prisão? É o famoso “teje preso”. O que você faria?? Com certeza você entraria com um Habeas Corpus!!! Ora, o Habeas Corpus é uma Ação. Assim, nós temos um Direito (no caso o direito de locomoção, de ir, vir e permanecer). Violado este Direito, surge a Ação (no caso o Habeas Corpus). Art. 5 o , LXVIII, CF/88: “conceder-se-á habeas-corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder”.

este é um direito material. Agora

O mesmo pode ocorrer com uma propriedade. Eu comprei um sítio. Paguei por ele. Tenho a escritura e o registro. Portanto é meu, eu tenho

direito de propriedade. Mas alguém invadiu a minha propriedade. O que farei? Com certeza entrarei com uma Ação. Ação de Reintegração de Posse.

“a todo direito corresponde uma

Portanto, voltando e reforçando a idéia ação”.

Ação é o meio que o titular do direito dispõe para obter a atuação do Poder Judiciário, no sentido de solucionar litígios relativos a interesses jurídicos (art. 3 o do Código de Processo Civil “Para propor ou contestar uma ação é necessário ter legítimo interesse econômico ou moral” – neste sentido a Súmula 409 do Supremo Tribunal Federal).

Sabemos que no Brasil nós não podemos fazer “justiça pelas próprias mãos”, sob pena até de cometermos um crime (exercício arbitrário das próprias razões – art. 345, Código Penal). Se uma pessoa me deve seis meses de aluguel eu não posso ir até sua casa, lhe dar uns ‘tabefes’ e exigir o pagamento devido ou colocá-la no ‘olho da rua’. Não! O correto é ingressar com uma ação de despejo por falta de pagamento e requerer também o pagamento dos aluguéis atrasados. No entanto, admite-se, excepcionalmente, a autodefesa ou autotutela de um direito, como no caso da legítima defesa da posse (art. 1.210, §1 o , CC), do penhor legal, etc.

Modificação (ou transformação) de Direitos Os direitos podem sofrer modificações em seu conteúdo (objeto) ou em seus titulares, sem que haja alteração em sua substância. A modificação do direito pode ser objetiva ou subjetiva:

a) Objetiva atinge a qualidade ou quantidade do objeto ou o conteúdo da relação jurídica. Exemplos: o credor de uma saca de feijão

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aceita o equivalente em dinheiro; uma pessoa está devendo uma quantia em dinheiro e o credor aceita um terreno em substituição.

b) Subjetiva substituição de uma das pessoas (sujeito ativo ou passivo) envolvidas na obrigação, podendo ser inter vivos (contrato) ou causa mortis. Exemplo: testamento – ex: morre o titular de um direito e este se transmite aos seus sucessores. Outros exemplos: desapropriação, venda de um bem, etc. Alguns autores afirmam que a transmissão dos direitos seria um quinto elemento do Fato Jurídico. Lembrem-se que há direitos que não comportam modificação em seu sujeito por serem personalíssimos (também chamados de intuitu personae).

Extinção de Direitos quando sobrevém uma causa que elimina os seus elementos essenciais. Notem que o perecimento deve ser total. Se for parcial, o direito persiste sobre esta parte, bem como sobre o remanescente da coisa destruída. Se a extinção puder ser atribuída a alguém, este será o responsável pelos prejuízos, devendo ressarci-los. Observem, com atenção, os principais exemplos de extinção dos direitos (entre outros):

perecimento do objeto (ex: anel que cai em um rio profundo e é levado pela correnteza) ou perda das qualidades essenciais do objeto (ex:

campo de plantação invadido pelo mar).

renúncia – quando o titular de um direito, dele se despoja, sem transferi-lo a quem quer que seja; ele abre mão de um direito que teria (ex: renúncia à herança).

abandono – intenção do titular de se desfazer da coisa não querendo ser mais seu dono (ex: jogar um par de sapatos velho no lixo).

alienação – que é o ato de transferir o objeto de um patrimônio a outro, de forma onerosa (compra e venda) ou gratuita (doação).

falecimento

do

titular,

sendo

direito

personalíssimo,

e

por

isso,

intransferível.

confusão – numa só pessoa se reúnem as qualidades de credor e devedor.

prescrição ou decadência – analisaremos mais adiante, ainda na aula de hoje.

Bem, com isso encerramos esta parte bem introdutória sobre o Fato Jurídico e seus Elementos (A.R.M.E.). Vejamos agora uma classificação dos Fatos Jurídicos. Podemos dizer que o Fato Jurídico se divide em Natural (trata-se de um fato qualquer da natureza) ou Humano (aquele o praticado por nós, os seres humanos). Cada um destes itens possui uma subdivisão. Reparem no quadro abaixo. Ele nos dá uma visão geral do tema e é de extrema importância. Daqui para frente (inclusive continuando na próxima aula), vamos analisar cada item deste quadro, aprofundando-os.

ATENÇÃO

Sempre que tiverem qualquer dúvida sobre o

assunto tratado, retornem ao quadro abaixo.

FATO

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A) COMUM – acontecimento sem repercussão no Direito.

B) JURÍDICO – aquele ao qual o Direito atribui efeitos (A.R.M.E.).

I. FATO JURÍDICO NATURAL (Fato Jurídico em Sentido Estrito ou Stricto Sensu) – não há a manifestação de vontade humana.

1) Ordinário – é o que ocorre normalmente, produzindo efeitos jurídicos: nascimento, maioridade, morte (por causas naturais),

aluvião (art. 1.250, CC),

tempo, etc.

2) Extraordinário – trata-se do caso fortuito ou da força maior (terremoto, maremoto, etc.); mesmo assim tem importância ao direito, por excluírem, como regra, a responsabilidade.

avulsão (art. 1.251, CC), o decurso de

II. FATO JURÍDICO HUMANO (ou simplesmente ATO) – contam com a participação humana. Veremos este tema na próxima aula, de forma mais detalhada. Mas, por enquanto, é importante que se saiba:

1) ATO JURÍDICO EM SENTIDO AMPLO (também chamado de Ato Jurídico Voluntário ou Lícito):

a) Ato Jurídico em Sentido Estrito (stricto sensu) – há a

participação humana, mas os efeitos são os impostos pela lei (ex:

reconhecimento de filho, fixação de domicílio); não há regulamentação da autonomia privada.

b) Negócio Jurídico – há a participação humana e os efeitos

desta participação são ditados pela própria manifestação de vontade;

os efeitos são os desejados pelas partes (ex: contrato, testamento, etc.). Há, portanto, autonomia privada.

2) ATO ILÍCITO (ou Involuntário) – é o praticado em desacordo com a ordem jurídica (arts. 186 e 187, CC). Na realidade a conduta é voluntária e consciente, transgredindo um dever jurídico. Entretanto, os efeitos da prática deste ato é que são involuntários. A consequência da prática do ato ilícito é o surgimento do dever de reparar o dano causado. Pode atuar nas seguintes áreas do Direito:

a)

Penal

violação

de um dever tipificado como crime,

pressupondo um prejuízo causado à sociedade; desrespeitado, compromete-se a ordem social (norma de ordem pública); a sanção é pessoal, ou seja, é a pessoa do infrator imputável que irá responder pela conduta (não se transmite a responsabilidade a terceiros).

b) Administrativo – violação de um dever que se tem para com a Administração; a sanção também é pessoal.

c) Civil – violação de um dever contratual ou legal, pressupondo um dano a terceiro; a sanção é patrimonial, ou seja, atinge o patrimônio do lesante (como regra).

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Caros alunos. Muito cuidado aqui. Não é raro cair algumas questões

sobre a classificação acima. E isso pode causar certa confusão ao aluno. Querem um exemplo? Duas indagações iniciais (responda sem olhar a

Fato

Jurídico?

um Fato

Jurídico (humano), porém não é um Ato Jurídico!!!

classificação): O Ato

Ilícito

é

um Ato

Jurídico? O Ato Ilícito

é

um

Resposta: basta analisar a classificação acima com atenção

que

o

Ato

Ilícito

é

(agora dê uma olhada) que iremos concluir

Continuemos. O primeiro item do quadro que iremos analisar na aula de hoje é o Fato Jurídico Natural. A doutrina também o chama de Fato Jurídico em Sentido Estrito ou Fato Jurídico Stricto Sensu. São expressões sinônimas, mas que costumam cair e confundem

Pois bem. Fato Natural é o acontecimento que ocorre independentemente da vontade humana, mas mesmo assim pode produzir efeitos jurídicos, criando, modificando ou extinguindo direitos. Podem ser divididos ou classificados em:

1) Ordinários Pergunto: o que há de mais certo em nossa vida?? – A morte! Ela ocorrerá independente de nossa vontade. Portanto a morte é um fato natural. É o exemplo clássico. Lógico que estou falando da morte por causas naturais (costumo brincar – “a morte morrida”). Pois um homicídio (brincando ainda – “a morte matada”) é crime, portanto ato ilícito. Outros exemplos de Fatos Jurídicos Naturais Ordinários: o nascimento, a maioridade, o decurso de tempo que juridicamente se apresente sob a forma de prazo (intervalo de dois termos), a usucapião (essa matéria é vista no Direito das Coisas, quando o edital exigir esse item), o decurso de tempo, como a prescrição e a decadência, etc. Estes últimos temas são importantíssimo e serão analisados de forma autônoma, ainda nesta aula.

2) Extraordinários são causas ligadas ao caso fortuito ou à força maior, onde se configura uma imprevisibilidade e inevitabilidade do evento, além da ausência de culpa pelo ocorrido. Não há uma unanimidade dos autores para se conceituar e diferenciar tais institutos. Para alguns, caso fortuito seria um evento da natureza, imprevisível e inevitável (ex: uma tempestade, um terremoto, um tsunami, etc.). Já força maior é o que decorre de uma atuação humana imprevisível e inevitável interferindo no ato (ex: uma greve). Para outros o conceito é exatamente o inverso. Para outros ainda, o caso fortuito decorre de uma causa desconhecida (ex: explosão de uma caldeira em uma usina) e na força maior conhece-se a causa, que é fato da natureza (ex: raio que provoca um incêndio). Outros autores tratam ambos os termos como sinônimos. Sílvio Venosa assim leciona: “caso fortuito e força maior são situações invencíveis, que refogem às forças humanas, ou às forças do devedor, impedindo e impossibilitando o cumprimento da obrigação”. Geralmente costuma cair nos exames apenas os termos Caso Fortuito ou Força Maior e não a situação propriamente dita. E quando cai a situação (ex: um terremoto), basta o aluno saber classificá-la o fato como “fato jurídico natural (ou fato jurídico em sentido estrito – stricto sensu) extraordinário”.

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PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA COMO FATO JURÍDICO

As obrigações jurídicas não são eternas. Se eu empresto determinada

quantia em dinheiro a uma pessoa eu não posso ficar cobrando esta dívida a vida inteira. Eu tenho um prazo determinado para exigir o cumprimento da obrigação. Se eu não cobrar dentro deste prazo (que é fixado pela lei e que veremos mais adiante), eu não poderei mais cobrar. Assim, para que haja uma tranquilidade na ordem jurídica, fundada na necessidade de estabilidade social, da certeza do direito e de que as relações jurídicas não se prorrogam indefinidamente, surgiram os institutos da prescrição e da decadência (embora alguns direitos sejam imprescritíveis, como o direito de reconhecimento de paternidade, direito ao nome, direito aos alimentos, etc.).

A questão se liga ao decurso do tempo. Assim, o decurso do tempo, aliado a inércia do titular do direito, faz com que a situação de afronta ao direito prevaleça sobre o próprio direito. Exemplo: o credor de uma dívida em dinheiro, que não recebeu o que lhe é devido, tem o direito de ajuizar uma ação para cobrar esta dívida. Mas se ele deixa de ajuizar a ação cabível, após certo tempo, perde o direito de fazê-lo, consolidando-se uma situação contrária a seus interesses, mas que ocorreu por sua própria culpa; por desídia sua. Há um brocardo em latim, muito conhecido, que diz:

dormientibus non succurrit jus o direito não socorre aos que dormem.

O fundamento dessa proteção a situações consolidadas no tempo

(embora contrárias ao direito de alguém) é a paz social, impedindo que essa pudesse ser conturbada a qualquer tempo por quem se julgasse prejudicado em algum direito seu. Se a pessoa não cuidou de defender seu direito a tempo, praticamente “renunciou” a este direito, aceitando inerte a afronta que lhe era feita. Não se trata de um instituto justo e nem é esta a preocupação; o que se busca é uma questão de segurança jurídica, de

tranquilidade. Ninguém se veria seguro em seus direitos, se a qualquer tempo pudesse vê-los na contingência de serem contestados por fatos ocorridos há muito tempo.

Assim, Prescrição e Decadência são causas extintivas decorrentes do não exercício de um direito durante determinado prazo. Inércia e decurso de prazo são seus elementos comuns.

Atenção O tema Prescrição e Decadência é comum a todas as

matérias do Direito. O Direito Penal, Administrativo, Tributário, Comercial,

Trabalhista

as suas peculiaridades. Vamos dar o enfoque apenas sob a ótica do Direito Civil. Se cair uma questão sobre esse tema, observem bem em sua prova, qual ramo do Direito está sendo abordado. Reforço: o que vamos falar aqui se refere ao Direito Civil (embora algumas coisas possam ser aproveitadas pelas outras matérias). Vamos falar primeiro da Prescrição e depois da

Decadência. Mas antes, gostaria de citar uma curiosidade (até porque já vi

cair

alguns concursos recentes): o Código Civil anterior não

mencionava a expressão Decadência. Para ele tudo era Prescrição. Ele

elencava uma série de

possuía um artigo que dizia: “Prescreve

todas elas tratam do assunto. Lógico que cada matéria possui

isto em

e

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situações. Era a doutrina que analisando item por item daquela relação dizia

o que era Prescrição e o que era Decadência. Mas mesmo assim, não havia

um consenso sobre todos os temas. Resumindo: era uma bagunça

Hoje a

matéria está bem mais fácil. O Código diz exatamente o que é Prescrição e o que é Decadência. Ele conceitua ambos os institutos. E menciona as situações e os prazos de um e outro caso. Além disso, ainda existem alguns

“macetes de concurso” facilitam a diferenciação. Vou mencioná-los depois para facilitar ainda mais este estudo, que admito, é bem teórico.

I. PRESCRIÇÃO

(arts. 189/206, CC)

Direito Subjetivo é a faculdade que o ordenamento reconhece a alguém de exigir de outrem determinado comportamento. Representa a estrutura da relação poder-dever, em que o poder de uma das partes corresponde ao dever da outra. A infração deste dever resulta (nas relações

jurídicas patrimoniais) um dano para o titular do direito subjetivo. Por isso, todo direito subjetivo deve (ou deveria) ser protegido por uma ação. No momento em que este direito é violado surge o poder de se exigir do devedor uma ação ou omissão, que permite a composição do dano ocorrido.

A doutrina chama este direito de exigir de pretensão.

Pretensão é a expressão utilizada para caracterizar o poder de exigir de outrem, coercitivamente, o cumprimento de um dever. Alguns autores usam as expressões direito subjetivo e pretensão como sinônimas. Já a prescrição é a perda do direito à esta pretensão, pela inércia do seu titular durante determinado espaço de tempo previsto na lei. Ela se opera tanto em relação às pessoas naturais (físicas) como em relação às pessoas jurídicas. Segundo Clóvis Beviláqua, prescrição é a perda da ação atribuída a um direito e de toda a sua capacidade defensiva, em consequência do não-uso dela durante determinado espaço de tempo.

Na vigência do Código anterior falava-se que prescrição era a perda do

direito de uma ação que poderia ter sido ajuizada. Conceitua-se o direito de ação como “um direito subjetivo público e abstrato dirigido ao Estado em não à parte contrária”. Assim, por coerência aos ensinamentos processuais,

o atual Código consolidou a idéia de que a prescrição não atinge a ação propriamente dita, mas a pretensão.

Nossa missão aqui é objetiva. O que vem caindo nos concursos. Evitando discussões doutrinárias e indicando que não se trata de direito subjetivo público abstrato de ação, o atual Código adotou a tese da

prescrição da pretensão. É isso o que nos interessa. Evitem maiores divagações sobre o tema. Atualmente e tecnicamente devemos falar que prescrição é causa extintiva do direito pelo seu não exercício no prazo da lei.

E o texto da lei é claro ao dar como objeto da prescrição a pretensão de

direito material (e não a ação). A pretensão é deduzida em juízo por meio de uma ação. Violado um direito nasce para o seu titular uma pretensão. E o prazo prescricional só se inicia no momento em que é violado o direito. Se a

pessoa permanecer inerte, a consequência será a perda desta pretensão.

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Logo a prescrição é uma sanção ao titular do direito violado (que foi negligente, não postulando, ou seja, não requerendo ou exigindo seu direito em momento adequado).

Requisitos da Prescrição: a) violação do direito com o nascimento da pretensão; b) inércia do titular; c) decurso do prazo fixado em lei.

Embora esta expressão seja bem técnica, precisamos mencioná-la, pois muitos concursos a exigem. Especialmente os da área jurídica. Trata-se da actio nata. Isto é, não pode correr a prescrição enquanto não nascer a ação possível de ser ajuizada pela violação do direito. Exemplificando:

emprestei uma quantia em dinheiro a uma pessoa, estipulando que a dívida dever ser paga daqui a seis meses. Ora, enquanto a dívida não vencer, o

prazo prescricional também não começa a correr. Ele só se inicia a partir do momento em que o credor tem o direito de ingressar com a ação. Notem, ainda, que mesmo ocorrendo a prescrição, ainda há a conservação do direito propriamente dito. Com a prescrição perde-se apenas o direito à pretensão (não havendo mais a ação para exercer o direito em juízo). Mas o direito em

si (o direito à dívida propriamente dita) ainda existe, está mantida.

Vamos recordar. O instituto não serve para proteger o lesante. Trata-se de uma punição ao próprio lesado por sua inércia. Baseia-se no interesse social de pacificação das demandas. A prescrição extingue a pretensão. Extinta a pretensão se perde o direito de ajuizar a ação, ou seja, se perde o direito de resolver a pendência judicialmente. Todavia, o direito em si (o direito material, o direito propriamente dito) permanece incólume, só que sem proteção jurídica para solucioná-lo.

Agora um exemplo: emprestei uma quantia em dinheiro para outra pessoa. Esta não me devolveu o dinheiro no prazo estipulado no contrato. A partir deste momento, ou seja, da data em que a dívida deveria ser paga e não o foi, houve a violação ao meu direito de crédito, começando a correr o

prazo prescricional. Neste momento “nasceu” a pretensão (actio nata), que é

a possibilidade de se exigir o direito. A partir daí eu já posso ingressar com uma ação pleiteando meu direito. Só que eu não ingressei com esta ação. Passado o prazo fixado na lei, a dívida prescreve. Ou seja, eu não posso mais ingressar com a ação judicial pedindo o valor da dívida. Pergunto: E se o devedor paga a dívida que estava prescrita?? Pode esse devedor, após

o pagamento e percebendo que havia ocorrido a prescrição, se arrepender e

pedir o dinheiro de volta? Resposta = Não! A dívida estava prescrita, mas a pessoa não pode mais pedir de volta o dinheiro que pagou. Se uma pessoa pagar espontaneamente uma dívida prescrita, este pagamento valeu! E por que? – Porque o direito material ainda existia. A pessoa ainda estava me devendo; a dívida (que no caso é o direito material) ainda existia. O direito ao crédito não foi extinto pela prescrição. Observem que a prescrição atingiu apenas a pretensão. Eu só perdi o instrumento judicial para cobrar a dívida (ou seja, o direito de ação). E não à dívida propriamente dita. Portanto ele pagou algo que existia. Portanto, valeu o pagamento realizado, mesmo que ação esteja prescrita, não se podendo pedir a devolução da quantia paga. A dívida prescrita é um excelente exemplo de obrigação natural, isto é, de

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uma obrigação sem proteção judicial, pois não pode ser exigida pelo credor e o devedor só paga se quiser; mas, pagando, não pode pedir a restituição do valor desembolsado.

DISPOSIÇÕES GERAIS SOBRE A PRESCRIÇÃO

Costumo explicar cada item do Código Civil sobre a prescrição de forma individualizada. É uma maneira bem didática de dar essa matéria. Assim:

Exceção (art. 190, CC)

Determina o Código Civil: “A exceção prescreve no mesmo prazo em que a pretensão” (art. 190, CC). Inicialmente cabe um esclarecimento quanto a esta frase, em especial àqueles que não têm formação jurídica. A expressão “exceção” possui basicamente dois sentidos. De uma forma geral significa aquilo que foge à regra; que não se inclui em determinada situação; dá uma idéia de ressalva, de reserva, de exclusão. No entanto, na técnica jurídica o vocábulo significa uma outra coisa: ele indica uma forma de defesa realizada por uma das partes (em geral o réu) em um processo para opor-se a um direito do adversário. O autor deduz uma pretensão (exigindo do réu o cumprimento de um dever jurídico). E o réu pode se defender por meio de uma exceção. Muitas vezes esta defesa é indireta, pois o réu, sem negar categoricamente o fato alegado pelo autor, alega um outro fato ou direito com o objetivo de elidir ou paralisar a ação proposta. Trata-se de uma expressão mais ligada ao Direito Processual (Civil ou Penal). A doutrina costuma afirmar que as exceções são forças contrastantes às ações; um verdadeiro contradireito do réu que visa elidir as consequências jurídicas pretendidas pelo autor. Exemplos: o autor ingressa com uma ação (deduzindo uma pretensão – cobrando uma dívida) e o réu alega como defesa que já foi processado, sendo que a ação foi julgada improcedente por aquele mesmo fato (neste caso falamos em exceção de coisa julgada); ou alega que já há uma ação pendente sobre o mesmo assunto (exceção de litispendência); ou que aquele juízo é incompetente para apreciar este tipo de questionamentos (exceção de incompetência); ou que ele não é parte legítima no processo (exceção de ilegitimidade processual); etc. Um outro exemplo é o seguinte: “A” ingressa com uma ação em face de “B” cobrando uma dívida; “B” por sua vez alega que “A” também é seu devedor; neste caso, “A” e “B” são credores e devedores reciprocamente, sendo que ambas as dívidas se compensam e as obrigações se extinguem. O que o dispositivo legal quer dizer é que o prazo dado para a manifestação do contradireito (que é a exceção ou a defesa) é exatamente o mesmo que a lei estipula para que o titular da ação exerça sua pretensão. Por isso costuma-se dizer que a exceção (defesa) nasce com o exercício da pretensão.

Renúncia (art. 191, CC)

O

art. 191,

CC prevê que a renúncia

(que é um ato unilateral,

produzindo efeitos sem necessidade da manifestação de vontade da outra

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parte) da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar. Apesar de pequeno, este dispositivo é muito importante, cai muito nas provas e exames, além de trazer diversas consequências jurídicas. Vamos por partes.

Inicialmente nosso Código não admite a renúncia prévia ou antecipada. Ou seja, o devedor não pode renunciar à prescrição antes dela ocorrer. Exemplo: Digamos que eu seja um credor. O devedor não pagou o que deve. Eu tenho um prazo para entrar com a ação. Mas eu não entrei com a ação no prazo legal. Portanto ocorreu a prescrição. Mas, mesmo prescrita a dívida, o devedor pode pagar o que deve. E se ele assim proceder (pagando a dívida após o prazo prescricional) estará renunciando à prescrição. Portanto a renúncia é um ato do devedor. No entanto o devedor somente pode renunciar à prescrição após a consumação desta. Enquanto o prazo prescricional estiver fluindo, o devedor não pode renunciar à prescrição. Isto para não destruir a sua eficácia prática. Se assim não fosse o credor poderia inserir uma cláusula abusiva em um contrato. Exemplo: o credor insere no próprio contrato uma cláusula em que o devedor renuncia (isto é desiste do direito de alegá-la) de forma antecipada, eventual e futura prescrição. A lei proíbe esta conduta. Caso contrário qualquer credor poderia colocar uma cláusula no contrato de que o seu direito permaneceria válido e eficaz até o momento que ele, credor, desejasse e eventualmente ingressasse com a ação judicial. Ou seja, poderia propor a ação quando quisesse.

Outra coisa: não pode haver renúncia à prescrição quando esta for em prejuízo de terceiros. Exemplo: A deve a B e C determinada quantia (duas dívidas autônomas). Em relação a B a dívida está prescrita. Resta então A pagar C. No entanto A renuncia a prescrição em relação a B e paga sua dívida em relação a ele. A seguir alega que não tem mais dinheiro para pagar C. Ora, a dívida estava prescrita. B não tinha mais como cobrar a dívida. E A ao pagar B, renunciou à prescrição, mas prejudicou os direitos de C. Portanto esta conduta não é permitida. Trata-se de uma evidente fraude contra credores, sendo que C pode anular a renúncia e pedir a entrega do dinheiro para si.

Finalmente a renúncia pode ser expressa ou tácita. Na expressa o prescribente (pessoa a quem a prescrição aproveitaria) abre mão do direito de forma explícita, dizendo que não deseja dela se utilizar. Já a tácita é aquela em que ele pratica atos incompatíveis com a prescrição. O exemplo clássico é o próprio pagamento de uma dívida já prescrita. Se eu pago uma dívida que já estava prescrita, eu estou renunciando tacitamente à prescrição. Como vimos, isso é possível. Desde que não afete direito de terceiros.

Alegação (art. 193, CC)

A prescrição pode ser alegada em qualquer fase de um processo, mesmo em grau de recurso pela parte a que aproveita, ou seja, pela parte interessada ou beneficiada com a sua declaração. Uma ação geralmente é interposta perante um Juiz singular (Primeira Instância) e o processo deve

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seguir um trâmite. A prescrição pode ser alegada em qualquer momento deste trâmite processual: na contestação, na audiência de oitiva de testemunhas, nos debates, no julgamento, etc. Após a sentença do Juiz, as partes podem recorrer da decisão. O processo então será encaminhado para um Tribunal, que é o órgão de Segunda Instância. Também nele a prescrição pode ser arguida. Há uma regra que diz que o réu deve alegar toda matéria de defesa na contestação. Pois a alegação da prescrição é uma exceção, uma vez que pode ser feita na própria contestação ou em qualquer outro momento durante o tramite processual.

A doutrina aponta que não é cabível a alegação de prescrição na fase de liquidação em processo de execução, nem em fase de liquidação da sentença. Ou seja, o processo, propriamente dito já acabou. Agora somente estamos executando o que ficou anteriormente decidido. Portanto não teria cabimento alegar a prescrição no momento de se executar o que já foi exaustivamente debatido. Também se tem entendido que embora o art. 193 diga que a prescrição possa ser alegada “em qualquer grau de jurisdição”, ela não poderia ser alegada, pela primeira vez, perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF), pois estes Tribunais são considerados como Instâncias Especiais e Extraordinárias. Eles somente poderiam conhecer de recursos nos quais tenha havido prévio debate da matéria em outras instâncias (chamamos isso de pré-questionamento).

Efeitos Essenciais da Prescrição

Os particulares, por meio de um contrato, não podem declarar que um direito é imprescritível. Só a lei pode fazê-lo e mesmo assim em circunstâncias muito especiais, conforme veremos.

Os prazos prescricionais não podem ser alterados pelos particulares, mesmo que haja um acordo de vontades entre eles (art. 192, CC), seja para se reduzi-los ou aumentá-los. É a lei que determina quais são os prazos prescricionais, impedindo que eles sejam alterados.

Antes de consumada é irrenunciável (como vimos não se pode renunciar a prescrição que ainda não ocorreu – actio nata).

Os relativamente incapazes (art. 4 o , CC) e as pessoas jurídicas, também têm direito a ação regressiva contra os seus assistentes ou representantes legais que derem causa à prescrição, ou não a alegarem oportunamente (art. 195, CC). Exemplo: um rapaz com 16 anos que está sob tutela, possui um crédito. Seu representante legal sabe disso e não ingressa com a ação para cobrar a dívida. Com o tempo ocorre a prescrição. Em relação à dívida nada mais pode ser feito. Ela está prescrita. Mas posteriormente o rapaz poderá acionar o seu tutor em razão de sua não-alegação do direito. Trata-se de mais uma forma de se proteger e preservar o patrimônio de incapazes ou das empresas.

Suspensa a prescrição em favor de um credor solidário, somente se suspenderá a prescrição em favor dos demais se a obrigação for

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indivisível. Exemplo: Antônio se comprometeu a entregar um cavalo de raça para Bernardo e Carlos de forma solidária. Assim, eles são credores solidários de um bem indivisível (o cavalo). Se por algum motivo o prazo prescricional for suspenso em relação a Bernardo, este prazo, por força de lei (art. 201, CC), também ficará suspenso em relação a Carlos, pois a obrigação além de solidária é indivisível. No entanto, se a obrigação for divisível a prescrição somente ficará suspensa em relação a Bernardo, correndo normalmente em relação ao outro credor.

Observação Todos estes efeitos citados acima têm uma incidência incrível em concursos públicos!!!

Pessoas a quem aproveita

A prescrição pode ser alegada e aproveita tanto às pessoas físicas como às jurídicas. A prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra seu sucessor (art. 196, CC), a título universal (herança) ou singular (legado). Ou seja, se um prazo prescricional começou a correr contra uma pessoa, falecendo esta no curso do prazo, este continua a correr normalmente. Os herdeiros disporão apenas do prazo faltante para exercer a pretensão. Exemplo: A tem um direito de ação em face de B. Digamos que o prazo prescricional é de dez anos. Passados sete anos A não ingressou com a ação e faleceu. Neste caso os herdeiros de A ainda têm mais três anos para mover a ação. O prazo não para em razão de sua morte.

Mas há uma exceção a essa regra: na hipótese em que o sucessor é absolutamente incapaz. Neste caso a prescrição não corre (fica impedida ou suspensa, como veremos adiante). Aproveitando o exemplo acima: A faleceu e seu único filho tem 12 anos de idade. Com a morte de A o prazo prescricional fica paralisado, suspenso, somente se reiniciando quando o herdeiro completar 16 anos (pois passa a ser relativamente incapaz).

Finalmente em relação a este tópico: prescrevendo o direito principal, prescrevem também os acessórios. Exemplo: se a dívida principal prescreveu, com ela prescreveu também a multa contratual (trata-se da aplicação da regra, que aqui também se aplica, de que “os acessórios acompanham o principal").

Declaração de Ofício (ex officio)

Indagação relevante: um Juiz, no curso de uma ação judicial, pode reconhecer a prescrição, mesmo que a outra parte não tenha alegado,

ou seja, mesmo que não tenha sido provocado para decidir a respeito? Exemplo: digamos que uma eventual pretensão já esteja prescrita. Eu tenho ciência deste fato, mas, assumindo o risco, ingresso com a ação judicial

mesmo assim

A outra parte não alega a prescrição (dizemos na gíria que

ela “engoliu barriga” ou “comeu bola”). Mas o Juiz percebe que ocorreu a prescrição. Pergunto: pode o Juiz reconhecer a prescrição sem que a mesma

tenha sido alegada (chamamos isso de declaração ex officio)?

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O entendimento era de que o Juiz não podia suprir, de ofício, a alegação de prescrição, salvo se favorecesse a pessoa absolutamente incapaz. Era o que dispunha o art. 194, CC. Se a outra parte não alegasse a prescrição o Juiz estaria entendendo que houve renúncia tácita da prescrição. Portanto ele não poderia reconhecê-la sem ser provocado; sem que houvesse pedido da parte contrária.

No entanto a Lei n° 11.280 de 16 de fevereiro de 2006 revogou o artigo 194 do Código Civil. Ou seja, atualmente o Juiz poderá declarar a prescrição de uma ação, independentemente de requerimento da outra parte, em qualquer situação. E não somente na hipótese de favorecer a pessoa absolutamente incapaz, como era anteriormente.

Requisitos para se reconhecer a Prescrição:

pretensão a ser exercida (a pretensão nasce com a violação de um direito).

inércia do titular desta pretensão (não exercício do direito).

continuidade dessa inércia durante certo lapso de tempo fixado em lei.

ausência de algum fato ou ato a que a lei confira eficácia impeditiva,

suspensiva ou interruptiva de curso prescricional, conforme veremos logo adiante.

Causas Impeditivas, Suspensivas e Interruptivas da Prescrição

Em princípio, uma vez exigível o direito subjetivo surge a pretensão. A partir daí começa a correr o prazo prescricional para se ingressar com a ação adequada. No entanto a lei prevê situações em que o prazo sequer inicia seu fluxo, ainda que já surgida a pretensão (são as causas impeditivas) ou que suspendem o curso da prescrição já iniciada (são as causas suspensivas) ou mesmo fazem com que o prazo seja reiniciado (são as causas interruptivas). A relação destas hipóteses é taxativa. Ou seja, as causas estão expressamente previstas na lei, não se podendo fazer uma “interpretação extensiva”. Isto porque estas causas só podem ser estabelecidas por uma lei (trata-se de uma norma de ordem pública).

Vamos ver item por item, todas as situações previstas no Código Civil:

1) CAUSAS IMPEDITIVAS E SUSPENSIVAS (arts. 197, 198 e 199 do

CC)

De início, cumpre destacar que a diferença entre impedimento e suspensão do prazo prescricional é sutil. Ambas possuem o mesmo regime jurídico. Porém se diferenciam:

Causas impeditivas são circunstâncias que impedem que o curso prescricional se inicie, em razão do estado de uma pessoa individual ou familiar (atendendo a razões de confiança, amizade, parentesco e de ordem moral). A contagem do prazo não se inicia enquanto durar a impossibilidade jurídica do impedimento. Ou seja, se o prazo ainda não começou a fluir a

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causa ou obstáculo impede que ele comece. Se o obstáculo surge após o prazo ter iniciado, ocorre a suspensão.

Causas suspensivas são circunstâncias que paralisam temporariamente o curso prescricional, sem prejuízo do tempo já decorrido. O prazo prescricional vinha fluindo normalmente, sendo que ocorreu um fato que o fez paralisar. Neste momento a contagem do prazo fica suspensa. Superado esse fato, extinta a circunstância, o prazo prescricional volta a correr de onde parou, aproveitando-se e computando-se o prazo já decorrido antes do fato.

Segundo os artigos mencionados acima, não corre a prescrição:

Entre os cônjuges na constância da sociedade conjugal. Observem que dependendo do momento em que a dívida venceu pode ser hipótese de impedimento ou de suspensão do prazo. Exemplos: uma mulher empresta determinada quantia a seu namorado. Quando esta dívida vence, eles estão casados (não importando qual o regime de bens adotado pelo casal) e o marido não paga a dívida. O prazo prescricional sequer se iniciou, pois não corre prescrição na constância do casamento. É hipótese de impedimento. Se eles se separarem a mulher teria (ao menos em tese) o direito de cobrar aquela dívida. No entanto se a dívida venceu antes do casamento, o prazo prescricional já se iniciou. Após isso, sem que haja o pagamento da dívida, credora e devedor se casam. Neste momento o prazo fica suspenso. Se eles se separarem o prazo prescricional volta a fluir pelo tempo que ainda resta.

Entre ascendentes e descendentes durante o poder familiar. Exemplo:

vamos imaginar que haja um conflito de interesses entre um menor e seus pais (ou avós). Seria um absurdo se exigir que o menor ingressasse com uma ação judicial contra seus ascendentes para preservar seus direitos, sob pena de prescrição. Portanto, aguarda-se a extinção do poder familiar (18 anos), quando então a pessoa, sentindo-se lesada, poderá acionar seus ascendentes.

Entre tutelados ou curatelados e seus tutores e curadores, durante a tutela ou curatela. É a mesma justificativa em relação ao menor e seus pais. Protege-se, assim, o interesse do incapaz quanto à falta de zelo de seus representantes legais (tutores e curadores).

Contra os absolutamente incapazes (art. 3 o , CC). Exemplo: vamos imaginar que uma pessoa que é credora de outra, faleça. O de cujus (o falecido) deixou um filho que tem oito anos de idade. Essa criança nem ao menos sabe de seus direitos, que têm créditos a receber. Por isso, para protegê-la, o CC determina que não corre prescrição contra ela, pois é absolutamente incapaz. Aguarda-se, assim, que complete 16 anos (e seja relativamente incapaz); somente a partir daí o fluxo do prazo prescricional terá início. No entanto a prescrição pode correr “a favor” dos absolutamente incapazes (ex: quando o incapaz é o devedor e o credor não o aciona no tempo certo).

Contra os ausentes do Brasil em serviço público da União, dos Estados e Municípios.

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Contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra.

Pendendo condição suspensiva (sobre este tema, veremos os elementos acidentais do Negócio Jurídico, que será ministrado na próxima aula). Acompanhem o desenvolvimento lógico neste exemplo: eu lhe darei um carro se você passar no concurso (esta é uma condição suspensiva). Enquanto você não passar no concurso, isto é, enquanto a condição não for realizada, você não adquire o direito. Se não houve a aquisição do direito, ainda não há uma ação para proteger o direito. E se não há uma ação que se possa exercitar, o prazo prescricional não se inicia.

Não estando vencido o prazo. Trata-se do mesmo princípio do item anterior. Se o prazo de uma dívida ainda não venceu, ainda não se pode exigir o seu pagamento. E se ainda não se pode exigi-lo o prazo prescricional também não pode ter início. Trata-se, mais uma vez da aplicação do princípio da actio nata.

Pendendo ação de evicção, suspende-se também a prescrição em andamento. Evicção é a perda da propriedade para terceiro em virtude de ato jurídico anterior e de sentença judicial. Exemplo: há um litígio para se saber quem é o proprietário de um imóvel. Enquanto não resolvido este litígio definitivamente, o prazo prescricional não pode ter início. Mais uma vez trata-se do princípio da actio nata (a prescrição não corre enquanto não nascer a ação possível de ser ajuizada).

Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal

não correrá a prescrição antes da respectiva sentença definitiva (art. 200, CC). Exemplo: foi instaurado um processo criminal em que A é acusado de matar B. A alega que não matou (negativa de autoria). Neste caso a

há uma

decisão criminal irá influir no Direito Civil. Como regra

independência entre as esferas criminal, civil e administrativa (art. 935,

CC). Mas em algumas situações (ex: a existência ou não do fato delituoso

e a negativa de autoria), a decisão criminal faz coisa julgada no cível.

Portanto, deve-se aguardar o desfecho do processo criminal. Somente depois que a questão for resolvida no Juízo Criminal, apontando a autoria

e a materialidade do delito é que se inicia o prazo prescricional. No nosso exemplo: aguarda-se a sentença criminal. Se A for condenado criminalmente, a partir desta condenação inicia-se o prazo de prescrição para que os familiares de B ingressem com eventual ação de reparação de danos pela prática do ato ilícito no Juízo Cível.

Vejamos agora um exemplo prático em relação aos efeitos da suspensão da prescrição: imaginem um direito qualquer, cujo prazo prescricional previsto na lei seja de cinco anos. Passaram-se três anos e a pessoa não entrou com a ação judicial adequada. Após esse período (três anos), surge uma causa suspensiva da prescrição. A partir deste momento o prazo fica paralisado, suspenso. Durante o período em que o prazo esteve parado, ele não é computado. Posteriormente a circunstância que fez com que o prazo fosse suspenso, deixou de existir. O prazo volta a correr. O credor tem direito de ingressar com a ação de cobrança. Mas só pelo prazo

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que resta. No exemplo dado só restam dois anos. Ou seja: cinco anos (prazo inicial) menos três anos (prazo que já havia ocorrido), é igual a dois anos (o que ainda resta). Assim, é esse o prazo que resta para se ingressar com a ação, antes do prazo fatal da prescrição. O prazo volta a correr contado da data em que havia parado. Costumo sempre dar o seguinte quadrinho para se entender melhor o tema:

Suspensão do Prazo Prescricional

Ano

Ano

Fluxo

de

prazo

prescricional de 05 anos,

onde

decorreram

03

anos.

Cessada a suspensão, o prazo retoma seu fluxo pelo saldo (no caso são mais 02

Cessada a suspensão, o prazo retoma seu fluxo pelo saldo (no caso são mais 02 anos).

Suspensão

do

Prazo

Observação Importante

Diz o art. 201, CC que “Suspensa a prescrição em favor de um dos credores solidários, só aproveitam os outros se a obrigação for indivisível”. Já vimos este dispositivo. Mas vamos explicar isso melhor.

Se uma obrigação tiver credores solidários (ou seja, qualquer credor pode exigir do devedor a prestação por inteiro), mas o objeto é divisível (ex: dinheiro), e ocorreu uma causa de suspensão de prescrição para apenas um dos credores, a prescrição ficará suspensa apenas em relação este credor (ou seja, em relação aos demais credores o prazo continua a correr normalmente). Exemplo: três pessoas são credoras de uma quarta de uma importância em dinheiro. Um dos credores se tornou absolutamente incapaz. Neste caso a prescrição somente não corre contra o incapaz, correndo normalmente contra os demais, pois a obrigação de entregar dinheiro é divisível.

Por outro lado, se a obrigação solidária for indivisível, uma vez suspensa a prescrição em favor de um dos credores, tal suspensão aproveitará (será estendida) aos demais. Exemplo: dois credores, sendo

que um tem 13 anos (absolutamente incapaz) têm direito de receber um cavalo puro-sangue reprodutor (obrigação indivisível). Neste caso o prazo prescricional somente começará a fluir para todos quando o incapaz

partir daí ele deixa de ser absolutamente

completar 16 anos incapaz).

(pois a

2) CAUSAS INTERRUPTIVAS (art. 202 a 204, CC)

São circunstâncias que impedem o fluxo normal do prazo prescricional, inutilizando o tempo já decorrido, de modo que o prazo recomeça a correr a partir da data do ato que o interrompeu, ou seja, o período já decorrido é inutilizado e o prazo volta a correr novamente por inteiro. A contagem recomeça do zero. Exemplo: o prazo prescricional é de cinco anos. Após três anos de fluência de prazo foi o mesmo interrompido. Este prazo

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recomeça do zero. A parte tem mais cinco anos para entrar com a ação apropriada. O efeito é instantâneo: o prazo recomeça a correr da data do ato que a interrompeu, ou do último ato do processo para a interromper.

Suspensão X Interrupção

A grande diferença ente suspensão e interrupção da prescrição é que na suspensão o prazo é temporariamente paralisado, de forma que superado o fato suspensivo, a prescrição continua a correr computando-se o tempo que já tinha decorrido (recomeça a correr pelo tempo faltante). Já na interrupção a causa interruptiva faz com que o prazo já iniciado seja desconsiderado, começando a ser contado de novo desde o início.

Outra coisa: Na interrupção, como regra, exige-se um comportamento ativo, uma provocação do credor (ex: a notificação). Já na suspensão exige-se apenas a ocorrência de um fato previsto na lei; ocorrido este, o prazo prescricional é suspenso de forma automática.

Causas

um

comportamento ativo do credor, que deve mostrar interesse no exercício ou proteção do direito. São causas que interrompem a prescrição:

Como

vimos

acima,

a

interrupção

depende,

em

regra,

de

O

despacho do Juiz, mesmo incompetente, que determinar a citação, se

o

interessado a promover no prazo e na forma da lei processual. Aqui é

necessário fazer uma conexão com o art. 219 do Código de Processo Civil:

A citação válida torna prevento o juízo, induz litispendência e faz litigiosa a coisa; e, ainda quando ordenada por Juiz incompetente, constitui em mora o devedor e interrompe a prescrição”. Notem que há um certo conflito entre o texto do Código Civil (que menciona o despacho do Juiz) e o texto do Código de Processo Civil (que menciona a citação em si). A doutrina vem tentando harmonizar os dois dispositivos, prevalecendo a tese de que a interrupção se dá com a citação, porém, com efeitos retroativos à data da propositura da ação, desde que obedecidos os prazos fixados na lei processual.

O

protesto judicial (trata-se de uma ação judicial, na verdade uma medida

cautelar prevista no CPC) ou o protesto cambial (ou seja, o protesto extrajudicial de um título de crédito como o protesto de um cheque, de uma nota promissória ou de uma duplicata). Ambas as situações se destinam a prevenir responsabilidade, ressalvar e conservar direitos ou manifestar qualquer intenção de modo formal. Tais providências refletem

um comportamento ativo do credor, demonstrando a sua intenção de agir, de ver seu crédito pago, constituindo o devedor em mora e interrompendo

a

prescrição.

A apresentação do título de crédito em juízo de inventário, ou em concurso de devedores. A habilitação do credor em inventário, na falência ou nos autos de insolvência civil, constitui comportamento que também demonstra a intenção do credor em interromper a prescrição.

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Qualquer ato judicial que constitua em

mora

o

devedor. Exemplo:

interpelação judicial, notificação judicial, ações cautelares de uma forma geral, etc.

que extrajudicial, que importe

reconhecimento do direito do devedor. Exemplo: pagamento de uma parcela do débito, pedido de prorrogação de prazo para pagamento da dívida, etc. Esta hipótese é muito interessante, pois se trata da única em que há interrupção da prescrição, sem que haja uma atividade do credor, mas sim do devedor.

Qualquer

ato

inequívoco

ainda

Atenção A interrupção da prescrição no Direito Civil só poderá se dar uma vez (é o que determina expressamente o art. 202, caput, CC). A restrição é benéfica, evitando, com isso inúmeras interrupções abusivas, a má-fé e o adiamento da solução das pendências.

Exemplo prático de uma hipótese de interrupção do prazo de prescrição: imaginem novamente um direito qualquer, cujo prazo prescricional seja de cinco anos. Passaram-se três anos e a pessoa não entrou com a ação judicial. Após esse prazo, surge uma causa interruptiva da prescrição (ex: credor ingressa com uma notificação ou protesta um título de crédito). Neste caso o prazo “zera”, ou seja, volta à estaca zero. O prazo reinicia o seu curso. A pessoa tinha cinco anos para exercer o direito. Passaram-se três e não exerceu. Com a interrupção devolve-se o prazo de cinco anos para ingressar com a ação principal. Vejam o quadro abaixo que facilita o entendimento da matéria:

Interrupção do Prazo Prescricional

Ano

Ano

Fluxo de um prazo prescricional de 05 anos, onde já decorreram 03 anos.

Interrupção

Do

Prazo

Interrompido, o prazo fluirá por mais 05 anos; inicia-se novamente, mas por apenas uma vez mais.

Quem pode promover a interrupção da prescrição? Nos termos do art. 203, CC, a interrupção da prescrição poderá ser promovida por qualquer pessoa que tenha um interesse jurídico. Portanto têm legitimidade para o ato:

o próprio titular do direito em via de prescrição.

quem legalmente o represente.

terceiro que tenha legítimo interesse (ex: credores, fiadores ou herdeiros do credor).

Reflexos da interrupção da prescrição (art. 204, CC). Em princípio a interrupção da prescrição beneficia apenas quem a promove. Assim, como regra, no caso de pluralidade de credores, o fato de um credor promover a interrupção, tal fato beneficiará apenas quem alegou a interrupção e não

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será estendido aos demais credores. Da mesma forma, como regra, se houver a pluralidade de devedores e o credor interrompeu a prescrição em relação a apenas um deles, este fato prejudicial não será estendido aos demais devedores. No entanto há exceções:

Se for obrigação solidária (passiva ou ativa) a interrupção efetuada contra um devedor atingirá (prejudicando) os demais; e a interrupção aberta por um dos credores atingirá (beneficiando) os demais. Isto porque na solidariedade os vários credores são considerados com um só credor e, da mesma forma, todos os devedores são considerados como um só devedor.

A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudicará os outros herdeiros, a menos quando se tratar de obrigação indivisível. Isto é assim porque a solidariedade não se transmite aos herdeiros, salvo se a obrigação for indivisível.

Finalmente, se um credor interrompe a prescrição contra o devedor de uma obrigação principal (ex: locação), interrompe-se, também, eventual prazo prescricional contra o devedor da obrigação acessória (ex: fiança). Lembrem-se mais uma vez da regra: “o acessório segue o principal”.

PRAZOS PRESCRICIONAIS

O prazo da prescrição é o espaço de tempo que decorre entre seu termo inicial e final. O atual Código Civil em seu art. 205 optou por um critério simplificado de 10 anos para o prazo prescricional geral, tanto para as ações pessoais como para as reais, salvo quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. Assim, para sabermos em quanto tempo prescreve uma determinada ação, devemos proceder da seguinte forma:

primeiramente verificamos se a ação que desejamos propor está prevista em algum dos parágrafos do art. 206, CC. Se encontrarmos a situação prevista em algum dispositivo, o prazo é o nele determinado expressamente. Porém, se analisamos todas as situações legais e não encontramos a ação que desejamos propor, aplica-se a regra geral de 10 anos do art. 205, CC.

Temos, portanto temos duas espécies de prazo.

Espécies de Prazo

1) Ordinário (ou comum) – 10 (dez) anos em ações pessoais (ex:

uma ação de cobrança que envolve duas pessoas: credor e devedor) ou reais (ex: uma ação que envolve posse, propriedade, hipoteca, etc.), alusivas ao patrimônio do titular da pretensão. Art. 205, CC: “A prescrição corre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor”.

2) Especial – são prazos mais exíguos (de um a cinco anos), pois há uma presunção de que é conveniente reduzir o prazo geral para possibilitar o exercício de certos direitos de forma a evitar que acontecimentos do passado remoto possam ainda ser questionados. Estão previstos no art. 206 e todos os seus parágrafos do CC. A diferença dos prazos repousa em uma valoração feita pelo legislador, bem como em condições pessoais do titulares das pretensões. Não se discute se eles são

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longos ou curtos; são fixados pela lei, que é a única fonte deles em nosso sistema.

Destacamos como os mais importantes (somente pelo fato de haver maior incidência em concursos públicos):

a) 02 (dois) anos – pretensão para haver prestações alimentares, a partir da data em que se vencerem. Observação Importante: É interessante deixar claro que o direito aos alimentos é imprescritível (a fome reclama urgência!). O direito não cessa pelo seu não exercício. A qualquer tempo, surgindo a necessidade, eles poderão ser pleiteados. O que se opera é a prescrição em relação aos valores dos alimentos vencidos, ou seja, as prestações alimentares fixadas judicialmente e não pagos e nem exigidas no prazo acima. Lembrando, também, que o não pagamento da pensão alimentícia fixada em sentença judicial pode gerar a prisão do devedor inadimplente. Esta prisão, autorizada pela atual Constituição Federal, está plenamente justificada em face do bem jurídico protegido, que no caso é a sobrevivência digna de seres humanos incapazes de prover seu próprio sustento.

b) 03 (três) anos – pretensão de reparação civil por ato ilícito; pretensão para haver o pagamento de títulos de crédito, a contar do vencimento (ressalvadas as disposições de lei especial); pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos.

c) 05 (cinco) anos – pretensão dos profissionais liberais em geral (médicos, advogados, contadores, etc.), pelos seus honorários, contado o prazo da conclusão do serviço.

Citamos agora os prazos prescricionais em geral:

Prescrevem em 01 (um) ano:

a) a pretensão dos hospedeiros ou fornecedores de víveres destinados a

consumo no próprio estabelecimento, para o pagamento da hospedagem ou dos alimentos;

b) a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele,

contado o prazo:

- para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do segurador;

- quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da pretensão;

c) a pretensão dos tabeliães, auxiliares da justiça, serventuários judiciais,

árbitros e peritos, pela percepção de emolumentos, custas e honorários;

d) a pretensão contra os peritos, pela avaliação dos bens que entraram

para a formação do capital de sociedade anônima, contado da publicação da ata da assembléia que aprovar o laudo;

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e) a pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas e os

liquidantes, contado o prazo da publicação da ata de encerramento da liquidação da sociedade.

Prescreve em 02 (dois) anos:

- a pretensão para haver prestações alimentares, a partir da data em que se vencerem.

Prescrevem em 03 (três) anos:

a) a pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos;

b) a pretensão para receber prestações vencidas de rendas temporárias

ou vitalícias;

c) a pretensão para haver juros, dividendos ou quaisquer prestações acessórias, pagáveis, em períodos não maiores de um ano, com capitalização ou sem ela;

d) a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa;

e) a pretensão de reparação civil;

f) a pretensão de restituição dos lucros ou dividendos recebidos de má-fé, correndo o prazo da data em que foi deliberada a distribuição;

g) a pretensão contra as pessoas em seguida indicadas por violação da lei

ou do estatuto, contado o prazo:

para

fundadores,

da publicação dos atos constitutivos da

-

sociedade anônima;

- para os administradores, ou fiscais, da apresentação, aos sócios, do

balanço referente ao exercício em que a violação tenha sido praticada,

ou da reunião ou assembléia geral que dela deva tomar conhecimento;

os

- para os liquidantes, da primeira assembléia semestral posterior à violação;

h) a pretensão para haver o pagamento de título de crédito, a contar do

vencimento, ressalvadas as disposições de lei especial;

terceiro

prejudicado, no caso de seguro de responsabilidade civil obrigatório.

i) a pretensão do beneficiário contra o segurador, e

a

do

Prescreve em 04 (quatro) anos:

- a pretensão relativa à tutela, a contar da data da aprovação das contas.

Prescrevem em 5 (cinco) anos:

a) a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento

público ou particular;

b) a pretensão dos profissionais liberais em geral, procuradores judiciais,

curadores e professores pelos seus honorários, contado o prazo da conclusão dos serviços, da cessação dos respectivos contratos ou mandato;

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c) a pretensão do vencedor para haver do vencido o que despendeu em juízo.

AÇÕES IMPRESCRITÍVEIS

Como vimos a prescritibilidade é a regra, sendo que a imprescritibilidade é a exceção. Assim, como exceção, são imprescritíveis as ações que versem sobre:

os direitos que protegem a personalidade, como a vida, a honra,

o nome, a liberdade,

literárias, artísticas ou científicas, etc.

a

intimidade, a própria imagem, as obras

o estado da pessoa, como filiação (ex: investigação de paternidade), condição conjugal (separação judicial, divórcio), interdição dos incapazes, cidadania, etc. Uma pergunta que sempre me fazem é a seguinte: um filho nascido fora de um casamento pode mover ação de investigação de paternidade a qualquer momento? Não há prescrição para isso? Quanto a este tema há uma Súmula do Supremo Tribunal Federal a respeito (n° 149): “É imprescritível a ação de investigação de paternidade, mas não o é a de petição de herança”. Portanto não há prazo par mover ação de investigação de paternidade. Porém a ação de petição de herança prescreve. Como vimos os prazos prescricionais especiais estão previstos no art. 206, CC. A petição de herança não está prevista naquele rol. Logo cai na regra geral do art. 205, CC cujo prazo é de 10 anos.

o direito de família no que concerne à questão inerente à pensão alimentícia, vida conjugal, regime de bens, etc.

ações referentes aos bens públicos de qualquer natureza. Lembrem- se que não pode haver usucapião referente aos bens públicos, conforme o art. 102, CC. Súmula 340 STF: “Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião”. Usucapião não deixa de ser uma espécie de prescrição. Alguns autores inclusive a chamam de prescrição aquisitiva.

ação para anular inscrição do nome empresarial feita com violação

de lei ou do contrato.

II. DECADÊNCIA

(arts. 207/211, CC)

Como vimos mais acima, direito subjetivo é a faculdade que o ordenamento reconhece a alguém de exigir de outrem determinado comportamento. Entretanto existem alguns direitos subjetivos que não fazem nascer pretensões, pois são destituídos dos respectivos deveres. Eles são chamados de Direitos Potestativos.

Direito Potestativo é o poder que o agente tem de influir na esfera jurídica de outrem, constituindo, modificando ou extinguindo direitos, sem que este possa fazer alguma coisa, senão sujeitar-se a sua vontade.

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Exemplo: aceitar ou renunciar à herança. Ninguém pode me obrigar a aceitar uma herança; eu aceito se eu quiser. E a minha conduta em não aceitar a herança pode refletir em outras pessoas (nos meus filhos que não terão direito a estes bens, nos outros herdeiros que poderão acrescer o seu quinhão, etc.). Mas estas outras pessoas (lado passivo da relação jurídica) limitam-se apenas em se sujeitar ao exercício da minha vontade. Não há um dever da minha parte. Não havendo dever não se pode falar em descumprimento. E consequentemente não há pretensão. Outros exemplos:

aceitar ou não a proposta de um contrato de locação ou de oferta de emprego; possibilidade do patrão em demite um funcionário, etc.

O tempo limita o exercício dos direitos potestativos pela inércia do respectivo titular. Caducidade (em sentido amplo) significa extinção de direitos de uma forma geral. Já a expressão decadência é usada em sentido estrito, consubstanciando na perda dos direitos potestativos, posto que foi ultrapassado um prazo que a lei estabeleceu para o exercício de um direito.

Assim, decadência é a perda do direito material ou do direito propriamente dito. Como falei acima, o Código Civil atual apresenta mais uma inovação quanto ao tema, disciplinando, expressamente, a decadência nos artigos 207 a 211. Com a decadência, extingue-se, não só a pretensão, como o próprio direito existente, pelo não exercício do mesmo no prazo estabelecido, de modo que nada mais resta. Este direito também é chamado de direito material, direito propriamente dito, direito em si, etc. Em exames é muito comum o uso da expressão: “decadência é a perda de um direito potestativo”, como vimos acima.

O Código Civil estabelece prazos para que a pessoa exerça o seu direito potestativo. Não se exercendo este direito dentro de determinado prazo, por não haver neste direito uma prestação, ela jamais poderá fazê-lo; tem-se a extinção do próprio direito.

Se alguém paga um débito cujo prazo eventualmente já havia sido atingido pela decadência, essa pessoa tem direito à restituição da importância paga, porque não mais existia o direito àquele crédito. Lembrem-se que se alguém pagar algo que estava prescrito não pode pedir de volta o que pagou. O pagamento valeu. Por quê? Porque o Direito Material ainda existia. Mas se alguém paga algo em que ocorreu a Decadência, pode pedir o dinheiro de volta, pois pagou algo que não existe mais, sob o ponto de vista jurídico. Não há mais o direito material. Costumamos dizer que ainda existe a dívida sob o ponto de vista moral; moralmente a pessoa ainda estaria devendo. Mas juridicamente a dívida não mais existe, pois a decadência atingiu o próprio direito; a dívida em si.

Decadência X Prescrição

Entre muitas outras diferenças (observem o quadro comparativo mais abaixo), a doutrina costuma enfatizar o seguinte:

Na decadência o prazo começa a fluir no momento em que nasce o direito; surge, simultaneamente direito e termo inicial. Já o prazo prescricional só se inicia quando o direito é violado; quando ocorre a lesão ao direito subjetivo.

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Além disso, os prazos prescricionais resultam exclusivamente da lei; já na decadência, como veremos, os prazos podem ser legais ou convencionais, mas não podem ser suspensos ou interrompidos e, geralmente, são menores do que os prescricionais.

Enquanto a prescrição atinge a pretensão, a decadência atinge o próprio direito, o direito material.

Atenção Direito de Ação X Direito Material

Para ficar bem claro que na Prescrição perde-se o direito à pretensão e na Decadência perde-se o direito material, costumo sempre diferenciar o que é um direito material e o que é um direito de ação. Já falamos sobre isso. Vamos reforçar Vou inicialmente usar um exemplo do Direito Penal. A nossa Constituição Federal estabelece uma série de Direitos e Garantias ao cidadão. Um deles é o Direito de Locomoção; o direito de ir, vir e permanecer (art. 5 o , inciso LXVIII). Logo o Direito de Locomoção é um direito propriamente dito, é um direito material. Se uma autoridade viola esse direito, ou seja, determina a prisão da pessoa de forma ilegal, o que esta pessoa deve fazer?? Ingressar com uma ação!!! Qual o nome desta ação? – Habeas Corpus. O Habeas Corpus é, então, uma ação. Portanto:

Direito Material o direito de locomoção; a liberdade. Direito de Ação Habeas Corpus. Outro exemplo, agora no Direito Civil: eu empresto determinada quantia de dinheiro a um conhecido. Qual é o meu direito? De receber de volta o dinheiro que eu emprestei (direito ao crédito). Este é o meu direito material; o meu direito propriamente dito. Se essa pessoa não me paga o que está devendo, está violando meu direito material. Com isso, “nasce” o meu direito à pretensão. Ou seja, o meu direito de cobrar judicialmente o que ele me deve. Assim: Direito Material o de receber o que eu emprestei; Direito de Ação a Ação de Cobrança que devo propor.

ESPÉCIES DE DECADÊNCIA

O objeto da decadência é o direito que por determinação legal ou convencional (vontade humana unilateral ou bilateral), está subordinado à condição de exercício em certo espaço de tempo, sob pena de caducidade. A decadência pode ser classificada em:

A) Decadência Legal

Ocorre quando o prazo estiver previsto na lei. Os exemplos de decadência por determinação legal são os previstos expressamente no Código Civil e em leis especiais.

Exemplos: prazo para alegar defeito oculto em algum produto que adquiriu; prazo para anular um negócio jurídico por ter algum defeito relativo ao consentimento (erro, dolo, coação, etc. – art. 178, CC). Segundo o art. 209, CC a decadência resultante de prazo legal não pode ser renunciada pelas partes (nem antes e nem depois de consumada), sob pena de nulidade absoluta. Isto porque as hipóteses legalmente previstas

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versam sobre questões de ordem pública, não cabendo às partes afastar sua incidência legal.

B) Decadência Convencional

Ocorre quando sua previsão decorrer de uma cláusula pactuada pelas

partes

(entendimento doutrinário) do art. 209, CC que proíbe a renúncia da decadência fixada em lei, pode-se concluir que é possível a renúncia à decadência convencional.

Exemplo clássico: oferta, em uma loja de eletrodomésticos, de venda válida somente por alguns dias (a chamada “liquidação total”; ou “queima de estoques”, etc.). Exercido o direito afasta-se a decadência, uma vez que esta se dá quando o direito não é exercido. Se você não aproveitar a oferta dentro do prazo marcado, não poderá mais ir à loja para “aproveitar a oferta”. Como a oferta não mais existe, também o direito a ela se extinguiu. Outro exemplo: prazo para o exercício do direito de arrependimento previsto no próprio contrato.

contrato (autonomia privada). A contrario sensu

em

um

Arguição

Pelo art. 210,

CC

o

Juiz deve

(trata-se de um dever e não mera

faculdade) conhecer e decretar a decadência legal, mesmo que não haja provocação das partes, no momento em que a detectar. Falamos que neste caso o Juiz pode agir ex officio. Este direito é irrenunciável (diferentemente da prescrição, em que se pode renunciar, embora somente após a sua consumação). Na decadência legal há um interesse social em se ver extinto o direito pelo seu não exercício no prazo previsto em lei. Por analogia entende-se que a decadência pode ser arguida em qualquer estado da causa e em qualquer instância.

Em que pese a revogação do art. 194, CC (referente à prescrição), se o prazo decadencial foi estipulado pelas partes (convencional), o Juiz não pode reconhecer a decadência de ofício. Isto porque foram os próprios contratantes (e não a lei) que estabeleceram o prazo decadencial para o exercício do direito. Portanto somente eles é que teriam o direito de alegá- la, em qualquer fase do processo ou grau de jurisdição. Tal regra de extrai do art. 211, CC.

Resumindo: a) o Juiz deve conhecer de ofício a decadência legal; b) o Juiz somente declara a decadência convencional, se provocado pelo interessado;

c) a parte interessada pode alegar a decadência em qualquer grau de

jurisdição.

Efeitos

O efeito da decadência é a extinção do direito em decorrência de inércia do titular para o seu exercício. O efeito tempo é devastador:

extingue o direito, extinguindo, indiretamente, a ação.

Como regra, não se aplicam à decadência todas aquelas normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição (art. 207, CC). Portanto

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o prazo decadencial corre contra todos (falamos em efeito erga omnes). Nem mesmo aquelas pessoas contra as quais não corre a prescrição ficam livres de seu efeito. A única exceção é a hipótese do art. 208, combinado com o art. 198, I ambos CC, pois o prazo decadencial não corre contra os absolutamente incapazes (embora possa correr “a favor”). Concluindo, salvo a hipótese mencionada pela lei, a decadência somente pode ser obstada pelo efetivo exercício do direito, dentro do lapso de tempo prefixado.

A exemplo da prescrição, os relativamente incapazes e as pessoas jurídicas também têm direito de ação regressiva contra os seus assistentes ou representantes legais que deram causa à decadência ou não a alegaram oportunamente (art. 208, combinado com o art. 195, ambos do CC).

Prazos

Como vimos, atualmente os prazos prescricionais estão expressamente discriminados nos artigos 205 e 206, CC. Logo, todos os demais prazos estabelecidos pelo Código são decadenciais. Citamos alguns, de forma exemplificativa:

03 dias – sendo a coisa móvel, inexistindo prazo estipulado para

exercer o direito de preempção (preferência), após a data em que o comprador tiver notificado o vendedor (art. 516, CC).

30 dias – contados da tradição da coisa para o exercício do direito

de propor a ação em que o comprador pretende o abatimento do preço da coisa móvel recebida com vício redibitório ou rescindir o contrato e reaver o preço pago, mais perdas e danos (art. 445, CC) ação estimatória.

60 dias – para exercer o direito de preempção, inexistindo prazo

estipulado, se a coisa for imóvel, após a data em que o comprador tiver notificado o vendedor (art. 516, CC).

90 dias – para o consumidor obter o abatimento do preço de bem imóvel recebido com vício.

120 dias – prazo para impetrar Mandado de Segurança, contados da

ciência, pelo interessado,

12.016/09).

180 dias – para o condômino, a quem não se deu conhecimento da

venda, haver para si a parte vendida a estranhos, depositando o valor correspondente ao preço; direito de preferência, se a coisa for móvel, reavendo o vendedor o bem para si (art. 513, parágrafo único, CC); para anular casamento do menor quando não autorizado por seu representante legal, contados do dia em que cessou a incapacidade (se a iniciativa for do incapaz), a partir do casamento (se a proposta for do representante legal) ou morte do incapaz (se a atitude for tomada pelos seus herdeiros necessários) – art. 1.555 e §1°, CC; para a anulação de casamento, contados da data da celebração, de incapaz de consentir (art. 1.560, I, CC); para invalidar casamento de menor de

do

ato

impugnado

(art.

23

da

Lei

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16 anos, contados para o menor do dia em que perfez essa idade e da data do matrimônio para seus representantes legais (art. 1.560, §2°, CC).

01 ano – para obter a redibição ou abatimento no preço, se for

imóvel, contado da entrega efetiva (art. 445, CC); para pleitear revogação de doação, contado da data do conhecimento do doador do fato que a autorizar (art. 559, CC).

ano e dia – para desfazer janela, sacada, terraço ou goteira sobre o seu prédio (art. 1.302, CC).

02 anos – para mover ação rescisória (art. 495, CPC); para anular

negócio jurídico, não havendo prazo, contados da data da conclusão do ato (art. 179, CC); para exercer o direito de preferência se a coisa for imóvel (art. 513, parágrafo único, CC); anulação de casamento se incompetente a autoridade celebrante (art. 1.560, II, CC); para pleitear anulação de ato praticado pelo consorte sem a outorga do outro, contado do término da sociedade conjugal (art. 1.649, CC).

03 anos – para o vendedor de coisa imóvel recobrá-la, se reservou a

si

tal direito, mediante devolução do preço e reembolso das despesas

do comprador (art. 505, CC); exercer direito de intentar ação de anulação de casamento, contado da data da celebração, em razão de erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge (art. 1.560, III, CC).

04 anos – para pleitear anulação de negócio jurídico contado: no

caso de coação, do dia em que ela cessar; no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou

o negócio jurídico; no de ato de incapazes, no dia em que cessar a

incapacidade (art. 178, I, II e III, CC); para intentar ação de anulação de casamento, contado da data da celebração por ter havido coação (art. 1.560, IV, CC).

05 anos – impugnar a validade de testamento, contado da data de seu registro.

Um exemplo que não está no Código Civil é o do art. 26 do Código

de Defesa do Consumidor, ou seja, o direito do consumidor de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação, que caduca em: a) 30 (trinta) dias, tratando-se de fornecimento de serviços e de produtos não-duráveis; b) 90 (noventa) dias, tratando-se de fornecimento de serviços e de produtos duráveis.

Meus amigos

Como vimos, é importantíssima a distinção e o conhecimento dos institutos da Prescrição e Decadência. No entanto, alguns vocábulos de outras matérias também podem ser usados pelo examinador para tentar confundir o candidato. Portanto, mesmo estes não estando no programa de Direito Civil, acho interessante a sua menção e breve explicação. Em um curso jurídico, em uma Faculdade de Direito esses temas não são misturados em uma aula, pois pertencem a ramos diferentes do Direito. Mas para efeito de concursos, acho importante ressaltar a diferença, pois em

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uma questão o examinador pode colocar essas palavras em alternativas diversas, mesmo estando erradas, exatamente para confundir o candidato. Assim:

Preclusão – é a perda de uma faculdade ou de um direito processual, por não ter sido exercido no momento correto. Garante-se o avanço da relação processual e obsta-se o seu recuo para fases anteriores. Todo

processo tem um rito a ser seguido. Em cada fase do processo a lei faculta às partes praticarem determinados atos. Caso assim não procedam, perdem a oportunidade, ocorrendo a preclusão. Exemplo: as partes têm um prazo para arrolar testemunhas no processo; o Juiz as notifica para tanto e elas nada requerem – houve a preclusão temporal. Outro exemplo: o Juiz condenou uma das partes e a intimou para recorrer da decisão. No entanto o condenado perdeu o prazo para recorrer da decisão. Ocorreu a preclusão e ele não pode mais recorrer. Portanto a preclusão impede que a questão seja renovada, dentro do mesmo processo (art. 183, CPC). Assim, ultrapassado o momento adequado para praticar o ato, o Juiz não irá reabrir mais este

prazo

o processo segue adiante

Perempção

é

o

ato

ou

efeito de perimir; de extinguir algo.

Juridicamente é usado em três situações. No Processo Civil é a perda do direito de ação pelo autor que foi contumaz (ou seja, que reiterou o erro), dando causa a três arquivamentos sucessivos (art. 268, parágrafo único do CPC), impedindo que a mesma ação seja proposta uma quarta vez. No Processo Penal ela também é uma sanção processual, mas somente existe nas ações penais privadas (ou seja, que se iniciam por meio de uma queixa- crime do ofendido – e não por meio de denúncia oferecida pelo Ministério Público). O art. 60 do CPP, estabelece as hipóteses de perempção (ex:

quando o querelante – é o autor da ação; o ofendido – deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos). Já a terceira situação diz respeito ao Direito Civil, mais especificamente à hipoteca. Neste caso perempção é o nome que se dá a extinção da hipoteca após o transcurso do prazo de trinta anos (art. 1.485, CC).

Preempção – este é outro termo que serve para confundir o aluno em

concursos. Observem que é só trocar uma letra “e” pelo “r” e perempção se

e o que

é prelação? É o direito de preferência. Assim, preempção, prelação e preferência são expressões sinônimas. Exemplo prático: Se eu sou locador (proprietário) de um imóvel e desejo vender este imóvel, preciso dar o direito de preferência ao locatário (inquilino) para que ele diga se quer ou não comprá-lo. O mesmo pode ocorrer em um condomínio. Três pessoas são “donas” de um barco. Um dos coproprietários deseja vendar sua parte. Ele precisa dar o direito de preferência aos demais condôminos.

transforma em preempção. Preempção significa

prelação

Bem

Caros

Alunos.

O

quadro

que

veremos

adiante

é

de

suma

importância. É a síntese do tema que estamos tratando = Prescrição e Decadência. Recorra a este gráfico sempre que estiver com alguma dúvida sobre o assunto tratado. Se a dúvida ainda continuar, releiam a matéria.

Distinções entre Prescrição e Decadência

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PRESCRIÇÃO

   

DECADÊNCIA

1) Extingue apenas a pretensão (ação). Não interfere no direito material.

1) Extingue o direito material pela falta de exercício dentro do prazo. Atinge indiretamente a ação.

2) Os prazos são estabelecidos somente pela lei.

2) Os prazos são estabelecidos pela lei ou pela vontade das partes.

3) Atualmente pode ser declarada de

3) Na decadência decorrente de prazo

ofício pelo Juiz,

mesmo

nas ações

legal

o

Juiz

deve declará-la de

oficio,

patrimoniais. O art. 194, CC foi revogado.

independente de arguição.

4)

A

parte

pode

não

alegá-la. É

4) A decadência decorrente de prazo

renunciável. Porém, somente após a sua consumação. A renúncia pode ser expressa ou tácita, mas nunca em prejuízo de terceiros.

legal

não

pode ser renunciada pelas

partes: nem antes e nem depois de

consumada.

 

5)

Não

corre

contra

determinadas

5) Corre contra todos (efeito erga omnes), como regra. Não se suspende e nem se interrompe. Exceção não corre contra os absolutamente incapazes (art. 208, c.c. art. 198, I ambos do CC).

pessoas. O prazo pode ser impedido, suspenso ou interrompido. Ex: cônjuges, poder familiar, tutela, curatela, absolutamente incapazes, etc.

6) Causas de impedimento ou suspensão arts. 197, 198, 199 e 200, CC. Causas de interrupção art. 202 CC. As causas estão expressamente previstas em lei, não se admitindo analogia.

6) Não se admite suspensão ou interrupção em favor daqueles contra os quais não corre prescrição. Só pode ser obstada pelo exercício efetivo do direito ou da ação.

7) Regra Geral Prazo de 10 anos (art. 205, CC). Prazos Especiais 01, 02, 03, 04 e 05 anos (conforme a hipótese do art. 206 e seus parágrafos, CC).

7) Não há regra geral para os prazos. Eles podem ser de dias, meses e anos. Previstos em dispositivos esparsos pelo Código e Leis Especiais.

Dica de Concurso – Num caso concreto, para saber se o prazo é prescricional ou decadencial (o examinador pode pedir isso – é muito comum, inclusive), procure inicialmente identificar se este prazo está previsto no art. 205 (prazo geral) ou no art. 206 (prazos especiais), do Código Civil. Caso identifique o prazo nestes artigos, será o mesmo prescricional. Já os prazos decadenciais estão dispostos em outros dispositivos espalhados pelo Código Civil e em leis especiais. Após isso, verifique a contagem de prazos. Se for em dias, meses ou ano e dia, o prazo é decadencial. Se o prazo for em anos (01, 02, 03, 04 05 ou 10) poderá ser de prescrição ou de decadência.

Na próxima aula daremos continuidade ao Capítulo sobre os Fatos Jurídicos, abordando o Negócio Jurídico, sua classificação e elementos constitutivos, bem como seus defeitos e consequências.

Vamos agora apresentar o nosso quadrinho sinótico, que é um resumo do que foi falado na aula de hoje. Esse resumo tem a função de

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ajudar o aluno a melhor assimilar os conceitos dados em aula e também de facilitar a revisão da matéria para estudos futuros.

QUADRO SINÓTICO – RESUMO DA AULA

FATOS E ATOS JURÍDICOS (1 a Parte)

I. FATO COMUM – Ação humana ou fato da natureza sem repercussão na órbita do Direito.

II. FATO JURÍDICO – acontecimento ao qual o Direito atribui efeitos, possuindo relevância jurídica. A.R.M.E. (Aquisição, Resguardo, Modificação e Extinção) de Direitos. Alguns autores acrescentam também a Transmissão de Direitos.

à

A)

Aquisição

de

Direitos

quando

incorpora

ao

patrimônio

ou

personalidade de seu titular.

B) Resguardo de Direitos atos praticados judicial ou extrajudicialmente

para protegê-los, defendê-los.

C) Modificação de Direitos transformação de seu conteúdo ou de seu

titular, sem alteração de sua essência.

D) Extinção dos Direitos perecimento da coisa, alienação, prescrição e

decadência.

III. CLASSIFICAÇÃO DOS FATOS JURÍDICOS

A) Fato Jurídico Natural (Fato Jurídico em Sentido Estrito ou Stricto Sensu) veremos melhor mais abaixo, no item IV:

1) Ordinário. 2) Extraordinário.

B) Fato Jurídico Humano (Ato) veremos melhor na próxima aula:

1) Ato Jurídico em Sentido Amplo (lato sensu) ou Voluntário (Ato Lícito), englobando:

a) Ato Jurídico em Sentido Estrito (stricto sensu) – efeitos decorrentes da lei.

b) Negócio Jurídico – efeitos decorrentes da vontade das partes.

2) Ato Ilícito (ou Involuntário) – transgressão de um dever jurídico:

a)

Penal sanção pessoal.

b)

Administrativo sanção pessoal.

c)

Civil

sanção patrimonial dever de reparar o dano

causado.

IV. FATO JURÍDICO NATURAL ou FATO JURÍDICO EM SENTIDO ESTRITO

(STRICTO SENSU)

A) Ordinário é o que ocorre normalmente, produzindo efeitos jurídicos:

nascimento, maioridade, morte (por causas naturais), aluvião (art. 1.250, CC), avulsão (art. 1.251, CC), decurso de tempo (prescrição e decadência), etc.

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B) Extraordinário trata-se do caso fortuito ou da força maior (ex:

terremoto). Possui importância ao Direito, pois excluem, como regra, a responsabilidade. Elementos: imprevisibilidade, inevitabilidade e ausência de culpa.

V. PRESCRIÇÃO (arts. 189 a 206, CC)

A) Pretensão – todo direito subjetivo deve ser protegido por uma ação. No

momento em que o direito é violado surge uma pretensão (actio nata). Prescrição é a perda do direito a esta pretensão, pela inércia do seu titular durante determinado espaço de tempo. Atinge as pessoas naturais e as jurídicas. A exceção (forma de defesa) prescreve no mesmo prazo que a pretensão.

B) Requisitos ação judicial exercitável (pois houve a violação de um

direito, nascendo, com isso, a pretensão) e inércia do titular da ação por um espaço de tempo previsto na lei.

C) Renúncia – o devedor pode renunciar à prescrição (ex: devedor paga

uma dívida prescrita). Mas isto somente pode se dar depois que a prescrição se consumar (é proibida a renúncia antecipada). A renúncia pode ser expressa ou tácita, não se admitindo se for em prejuízo de terceiros.

D) Alegação – em qualquer fase do processo; em primeira ou segunda

instância.

E) Declaração ex officio (ou seja, sem que a outra parte tenha alegado) –

O art. 194, CC foi revogado. Com isso, atualmente, o Juiz pode declarar a prescrição de uma ação, independentemente de requerimento da outra parte.

F) Efeitos Essenciais

1) Somente a lei pode delimitar os prazos prescricionais. E eles não podem ser alterados pelos particulares, mesmo que haja acordo de vontades entre as partes. 2) Os relativamente incapazes (art. 4 o , CC) e as pessoas jurídicas têm direito a ação regressiva contra os seus assistentes ou representantes legais que derem causa à prescrição, ou não a alegarem oportunamente. 3) A prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o seu sucessor (a título universal ou singular). Exceção se o seu sucessor for absolutamente incapaz o prazo não se inicia enquanto não superada a incapacidade.

G) Causas Impeditivas, Suspensivas e Interruptivas vejam as

hipóteses nos arts. 197, 198, 199, 200 e 202 do CC.

1) Causas Impeditivas – são circunstâncias que impedem que o curso prescricional se inicie, em razão do estado de uma pessoa, atendendo a razões de confiança, amizade ou ordem moral. 2) Causas Suspensivas – são circunstâncias que paralisam temporariamente o curso prescricional. O prazo prescricional vinha fluindo normalmente, sendo que ocorreu um fato que o fez paralisar. Neste momento a contagem do prazo fica suspensa. Superado esse fato, extinta a circunstância que provocou a suspensão, o prazo prescricional continua a correr de onde parou, computando-se o prazo já decorrido antes do fato. Quando uma ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, não correrá a prescrição antes da respectiva decisão definitiva. Suspensa a

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prescrição em favor de um credor solidário, não se suspenderá a prescrição em favor dos demais. Exceção na hipótese de obrigação indivisível a suspensão promovida por um credor se estende aos demais. 3) Interruptivas – são circunstâncias que inutilizam o prazo prescricional iniciado, de modo que o prazo recomeça a correr a partir da data do ato que o interrompeu, ou seja, o período já decorrido é inutilizado e o prazo volta a correr novamente por inteiro. A contagem recomeça do zero. No Direito Civil só se admite uma interrupção, que pode ser levada a cabo por qualquer interessado. A interrupção da prescrição operada por um credor não aproveita aos outros; a interrupção da prescrição operada contra um co- devedor não prejudica os demais. Exceção solidariedade ativa e passiva.

H) Prazos Prescricionais – Espaço de tempo compreendido entre o termo inicial e final.

1)

Prazo Geral (ou ordinário) 10 (dez) anos = art. 205, CC.

2)

Prazos Especiais Prazos mais exíguos (01, 02, 03, 04 e 05

anos). Relação completa – art. 206 e seus parágrafos do CC. Prazos de maior incidência em concursos: a) 02 (dois) anos – pretensão para haver prestações alimentares, a partir da data em que se vencerem; b) 03 (três) anos – pretensão de reparação civil por ato ilícito; pretensão para haver o pagamento de títulos de crédito, a contar do vencimento (ressalvadas as disposições de lei especial); pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos; c) 05 (cinco) anos – pretensão dos profissionais liberais em geral (médicos, advogados, contadores, etc.), pelos seus honorários, contado o prazo da conclusão do serviço.

VI. DECADÊNCIA (arts. 207 a 211, CC)

1) Perda do direito material, do direito propriamente dito, do direito em si. O objeto da decadência é o direito que, por determinação legal ou convencional, está subordinada à condição de exercício em certo espaço de tempo. Enquanto a Prescrição atinge a pretensão, a decadência atinge o próprio direito.

2) Espécies:

a) Legal – o prazo é o previsto na lei (Código Civil e Leis Especiais).

Ex: 04 (quatro) anos para se pleitear a anulação de um negócio jurídico em caso de erro, dolo, estado de perigo, lesão e fraude contra credores (são defeitos do negócio jurídico que veremos na próxima aula). O seu prazo não pode ser renunciado pelas partes (nem antes e nem depois de consumada a decadência), sob pena de nulidade absoluta (são hipóteses de ordem pública - art. 209, CC).

b) Convencional – cláusula pactuada pelas partes em um contrato.

prazo

arrependimento.

Ex:

estipulado

pelas

partes

para

o

exercício

do

direito

de

3) Efeitos: não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem e interrompem a prescrição. Exceção: não corre o prazo decadencial contra absolutamente incapazes. Os relativamente incapazes e as pessoas jurídicas também têm ação regressiva contra os seus assistentes ou representantes legais que deram causa à decadência ou não a alegaram oportunamente.

4) Arguição: em qualquer momento processual. O Juiz pode (na verdade “deve”, pois se trata de um direito irrenunciável) reconhecer a decadência de ofício,

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salvo no caso de decadência convencional (art. 210, CC). Neste caso o Juiz não pode reconhecê-la de ofício, pois foram os próprios contratantes que estabeleceram o prazo para o exercício do direito.

TESTES

01) Assinale a alternativa INCORRETA:

a) o fato jurídico pode ser dividido em sentido estrito (ou natural) e

humano.

b) o fato jurídico em stricto sensu (em sentido estrito ou natural) é o

acontecimento que independente da vontade humana, mas que pode acarretar efeitos na ordem jurídica, criando, modificando ou extinguindo

direitos.

c) o ato jurídico stricto sensu (em sentido estrito) é o que surge como mero pressuposto de efeito jurídico, preordenado pela lei.

d) o contrato é exemplo de negócio jurídico bilateral; já o testamento é

exemplo de negócio jurídico unilateral.

e) ato ilícito é o praticado contra disposição de lei podendo ter efeitos na ordem civil, penal ou administrativa, sendo um fato jurídico natural.

Comentários:

Alternativa incorreta: letra “e”. Trata-se de uma questão de cunho puramente doutrinário. No entanto é bem didática, pois as quatro primeiras afirmações estão corretas. Inicialmente é conveniente rever o quadro sinótico fornecido em aula para situar melhor o Fato Jurídico, que é o gênero de tudo quanto se discute na questão, ajudando a compreensão do tema. Fato é qualquer alteração no mundo exterior. Ele pode ser classificado em:

a) fato comum, que é uma situação que não causa repercussão no “mundo do direito” ou b) fato jurídico, que acarreta efeitos jurídicos (criando, modificando ou extinguindo direitos). O fato jurídico, por sua vez, se divide em fato jurídico natural ou fato jurídico humano. Portanto a letra “a” está correta. Fato jurídico natural (ou stricto sensu – sentido estrito) é todo acontecimento natural (que independe da vontade do homem) e que produz efeitos na órbita jurídica (letra “b” correta). Mas se o fato for provocado pela ação humana, passará a ser qualificado como fato jurídico humano (ou simplesmente ato). O ato jurídico, por sua vez se divide em sentido estrito e negócio jurídico. O ato jurídico em sentido estrito é aquele em que, praticado o ato, os efeitos são impostos pela lei (portanto a letra “c” está correta). A letra “d” também está correta, pois o negócio jurídico é aquele cujos efeitos são desejados pelas partes, sendo que um contrato é seu exemplo típico. Bilateral que dizer que há manifestação de vontade nos dois polos (ativo e passivo). Já no testamento só há a manifestação de uma vontade, por isso ele é classificado como negócio jurídico unilateral. Finalmente, o ato ilícito é aquele praticado contra disposição de lei podendo ter efeitos na ordem civil, penal ou administrativa. Mas ele não é um fato jurídico natural. E é exatamente isso que tornou a alternativa errada.

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02) (OAB/SP – 2007) O reconhecimento de paternidade e a fixação de domicílio são exemplos de qual dos conceitos a seguir?

a) direito natural.

b) negócio jurídico.

c) fato não-jurídico.

d) fato natural.

e) ato jurídico stricto sensu.

Comentários:

Alternativa correta: letra “e”. O reconhecimento de um filho e a fixação do domicílio são Fatos Jurídicos. Estes se dividem; dentro da desta divisão os mesmos se situam entre os atos jurídicos stricto sensu (sentido estrito o fato natural), pois os efeitos decorrentes da prática deste ato são os previstos na lei.

03) (CESPE - OAB/SP – 2008) São exemplos de fatos jurídicos stricto sensu:

a) a declaração, o testamento, a residência.

b) o nascimento, a morte, a aluvião.

c) o contrato, o testamento, a aluvião.

d) a descoberta de tesouro, a dívida de jogo e o nascimento.

e) o nascimento, a morte e o reconhecimento de um filho.

Comentários:

Alternativa correta: letra “b”. Fato Jurídico stricto sensu (sentido estrito) ou Fato Natural é o acontecimento que ocorre independentemente da vontade humana, mas mesmo assim produz efeitos jurídicos, criando, modificando ou extinguindo direitos. Pode ser dividido em: a) ordinário – é o que ocorre normalmente, produzindo efeitos jurídicos: nascimento, maioridade, morte (por causas naturais), aluvião (art. 1.250, CC), avulsão (art. 1.251, CC), etc. ou b) extraordinário – trata-se do caso fortuito ou da força maior; mesmo assim tem importância ao direito, por excluírem, como regra, a responsabilidade. Reparem que nas outras alternativas sempre há um exemplo de uma conduta praticada pelo ser humano (declaração, testamento, fixação da residência, contrato, descoberta de tesouro, dívida de jogo e reconhecimento de filho).

04) (FCC – AFR/SP 2005) Segundo o Código Civil:

a) aplicam-se aos atos jurídicos lícitos, quando couber, as disposições

referentes aos negócios jurídicos.

b) todas as regras referentes aos negócios jurídicos aplicam-se aos atos

jurídicos lícitos.

c) atos jurídicos e negócios jurídicos são expressões sinônimas.

d) em nenhuma hipótese se aplicam aos atos jurídicos as regras pertinentes aos negócios jurídicos.

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e) todas as regras pertinentes aos negócios jurídicos aplicam-se aos atos

ilícitos.

Comentários:

Alternativa correta: letra “a”. Esta questão é típica de examinador que gosta de elaborar questões retiradas do texto exato da lei. Inicialmente vamos dar uma visão geral do nosso Código Civil. Ele é dividido em duas partes: Geral e Especial. Cada uma delas é dividida em Livros, Títulos, Capítulos, Seções, etc. A Parte Geral possui três Livros. O Livro I se refere às Pessoas (naturais e jurídicas). O Livro II se refere aos Bens. Já o Livro III se refere aos Fatos Jurídicos. De forma resumida, podemos dizer que o Fato Jurídico é o gênero, sendo que ele possui duas espécies: Fato Jurídico Natural e Fato Jurídico Humano (que é o Ato). Este, por sua vez, se subdivide em Ato Jurídico e Ato Ilícito. O Negócio Jurídico é espécie do Ato Jurídico. Como dissemos, este assunto está previsto no Livro III, que é dividido em diversos Títulos. O Título I (artigos de 104 a 184) se refere ao Negócio Jurídico: seus elementos constitutivos essenciais e secundários, seus defeitos, casos de invalidade, etc. (estes temas serão todos abordados na próxima aula). O Título II trata dos Atos Jurídicos Lícitos, que possui apenas um dispositivo, o art. 185, sendo que este prevê que “aos atos jurídicos lícitos, que não sejam negócios jurídicos, aplicam-se, no que couber, as disposições do Título anterior” (ou seja, aplicam-se, no que couber, as disposições do Negócio Jurídico). Por esse motivo a alternativa “a” está correta e as demais estão erradas. Apenas para continuar a divisão do Código: O Título III se refere aos Atos Ilícitos (que também serão abordados em uma aula específica); o Título IV se refere à Prescrição e Decadência e finalmente o Título V se refere à Prova. Após isso, entramos na parte Especial, que é dividida em cinco Livros: Livro I: Direito das Obrigações; Livro II: Direito de Empresa (ligado ao Direito Comercial); Livro III: Direito das Coisas; Livro IV: Direito de Família; Livro V: Direito das Sucessões. Finalmente o Código possui um Livro Complementar: disposições finais e transitórias.

05) A passagem do tempo pode determinar uma série de efeitos jurídicos, sendo um dos elementos determinantes para a prescrição ou a decadência de direitos. Sobre esses institutos jurídicos, assinale a opção INCORRETA.

a) o Código Civil em vigor deixou claro o entendimento doutrinário no

sentido de que a prescrição atinge a pretensão.

b) a decadência atinge direitos materiais, propriamente ditos, não-dotados

de pretensão.

c) a prescrição é renunciável, expressa ou tacitamente; já a decadência

fixada em lei é irrenunciável não.

d) suspenso um prazo prescricional o mesmo recomeça a contar por inteiro

desde o seu início.

e) o Código Civil permite a decadência convencional.

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Comentários:

à

pretensão, pela inércia do seu titular, isto é extingue-se a possibilidade de

se exigir um direito, em juízo ou fora dele. Trata-se de um meio de defesa com base no decurso de tempo, pela inação do titular do direito e baseada no princípio do interesse social de pacificação das demandas. Já decadência extingue-se, não só a pretensão, como o próprio direito existente, pelo não exercício do mesmo no prazo estabelecido, de modo que nada mais resta. Quando ocorre a suspensão de um prazo prescricional este prazo fica paralisado; superado o fato que deu ensejo à suspensão, o prazo reinicia a contagem, de onde havia parado. Computa-se o prazo decorrido antes do fato. Já na interrupção, o prazo reinicia a contagem desde o início. A letra “a” está correta. O art. 189, CC prevê que violado um direito, nasce para o seu titular a pretensão; mas esta se extingue pela prescrição. Portanto a prescrição atinge a pretensão, enquanto a decadência atinge o direito material, o direito propriamente dito, não dotado de pretensão (letra “b” correta). A letra “c” também está correta, pois pode-se renunciar ao prazo de prescrição (ex: pagando uma dívida prescrita); mas não se pode renunciar ao prazo decadencial previsto na lei, pois é uma norma de ordem pública (embora possam existir prazos decadenciais fixados pelas partes em um contrato). A letra “e” está correta, pois a decadência pode ser legal (os prazos são previstos em lei) ou convencional (prazos estipulados pelas partes em um contrato).

Alternativa incorreta: letra “d”. Prescrição

é

a perda

do direito

06) Assinale a alternativa CORRETA:

a) a prescrição é matéria de ordem pública e não pode ser renunciada

pelas partes.

b) os prazos de prescrição podem ser alterados, mas somente se houver

acordo expresso das partes neste sentido.

c) o Juiz pode reconhecer de ofício a prescrição, em qualquer hipótese.

d) a prescrição poderá ser interrompida quantas vezes surgirem as condições de interrupção descritas no Código Civil.

Comentários:

Alternativa correta: letra “c”. Tendo em vista que a prescrição pode ser renunciada pelas partes (desde que já consumada e inexistindo prejuízo à direito de terceiro), o Juiz, não podia reconhecê-la de ofício, ou seja, sem ser provocado pela parte interessada. A exceção ficava por conta da hipótese de se reconhecer algum benefício ao absolutamente incapaz. Esta era a única hipótese permitida. No entanto o art. 194, CC foi revogado, permitindo atualmente ao Juiz reconhecer a prescrição de ofício em qualquer hipótese. A alternativa afirma que o Juiz pode reconhecer a prescrição se favorecer absolutamente incapazes. Não está errada. Mas cuidado. Reforçando: atualmente o Juiz pode reconhecer a prescrição de ofício em qualquer situação. A letra “a” está errada. Entendo que aqui também tem uma “pegadinha”. De fato a prescrição é matéria de ordem pública. Porém as partes podem renunciar a prescrição. Como?? Resposta: Pagando uma

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dívida prescrita, você está renunciando a prescrição. A letra “b” também está errada, pois os prazos prescricionais são fixos, previstos nos artigos 205 (regra geral – 10 anos) e 206 (hipóteses especiais) do CC; eles não podem ser alterados pela vontade das partes (art. 192, CC). Resumindo: a prescrição é matéria de ordem pública e as partes não podem alterar os prazos previstos na lei. No entanto, elas podem renunciar a prescrição. A prescrição não pode ser interrompida quantas vezes se quiser como afirma a letra “d” (antigamente podia; esta foi outra modificação introduzida pelo atual Código e que já se encontra em vigor). O art. 202, CC determina que a interrupção da prescrição somente pode ocorrer uma vez.

07) (OAB/RS – 2006) Quanto à matéria de prescrição e decadência, assinale a assertiva CORRETA.

a) os novos prazos prescricionais instituídos pelo Código Civil de 2002 têm

aplicação imediata, sem a incidência de regra de transição relativamente

aos prazos do Código de 1916.

b) os prazos prescricionais podem ser alterados pelas partes, tendo-se em

vista o princípio da autonomia da vontade.

c) aplicam-se à decadência, via de regra, as normas que impedem

suspendem e interrompem a prescrição.

d) a interrupção da prescrição somente pode ser usada uma vez pelo

particular.

Comentários:

Alternativa correta: letra “d”. De fato o art. 202, CC determina que a prescrição somente poderá ser interrompida uma única vez. A letra “a” está errada, pois, em relação aos prazos, de uma forma geral, a sua aplicação é imediata. No entanto, em casos muito especiais, o atual Código possui uma regra de transição estabelecida no art. 2.028: “serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada”. Assim, digamos que o prazo para se exercer um direito pela lei anterior era de 20 anos. Já se passaram 15 anos. O atual Código reduziu para 10 anos. Logo o prazo já teria sido ultrapassado e a pessoa teria perdido o direito. No entanto esta regra especial permite que, neste caso específico, ainda se aplique o Código anterior. A letra “b” está errada, pois determina o art. 192, CC que os prazos de prescrição não podem ser alterados por acordo das partes. A letra “c” está errada, pois o art. 207, CC dispõe exatamente o contrário: “salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição”.

08) Não corre a prescrição entre:

a) os cônjuges, ainda que divorciados ou separados judicialmente; contra

os que se acharem servindo no exército nacional; em favor do mandante,

contra o mandatário.

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b) os cônjuges, apenas na constância da sociedade conjugal; contra os

ausentes do Brasil, quando em serviço público; se pendente ação de evicção.

contra os índios; se

pendente ação declaratória negativa ou constitutiva de direitos.

d) os ascendentes e descendentes durante o poder familiar; entre o credor pignoratício e o depositante; contra os incapazes, seja a incapacidade absoluta ou relativa.

c) os tutelado e tutor, enquanto durar

a tutela;

Comentários:

Alternativa correta: letra “b”. Questão um pouco difícil, pois devemos analisar com atenção os artigos 197, 198 e 199 do CC, que trazem nove situações que impedem (o prazo não começa a correr) ou que suspendem o curso (o prazo teve início e ficou paralisado temporariamente) da prescrição. Confiram as hipóteses previstas na lei com as opções mencionadas neste teste. Observem que estas hipóteses não devem ser confundidas com as do art. 202, CC, que tratam da interrupção da prescrição (quando o prazo transcorrido é inutilizado, reiniciando-se seu cômputo). Não é isso que a questão quer. Na letra “a” está errada a afirmativa “em favor do mandante, contra o mandatário” (não há esta previsão na lei); além disso, a prescrição continua a correr se houve o rompimento da sociedade conjugal (separação judicial ou divórcio). Na letra “c” o Código Civil não fala expressamente do índio e, além disso, não menciona a frase “se pendente ação declaratória de direitos”. Na letra “d” está errada a frase “credor pignoratício e depositante” (não há esta previsão legal) e também a incapacidade relativa (ou seja, só não corre a prescrição contra os absolutamente incapazes).

09) (Analista Judiciário – TRF

conformidade com o Código Civil brasileiro, a prescrição:

1 a

Região

2006

FCC)

Em

a) não correrá entre ascendentes e descendentes durante o poder familiar,

mas correrá normalmente entre os cônjuges, na constância da sociedade

conjugal.

b) iniciada contra uma pessoa não continua a correr contra o seu sucessor,

em razão da característica da pessoalidade inerente ao instituto.

c) pode ser renunciada de forma expressa ou tácita e a renúncia só valerá,

sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar.

d) da pretensão dos auxiliares da justiça, serventuários judiciais e peritos

pela percepção de emolumentos, custas e honorários ocorre em 05 (cinco)

anos.

e) da pretensão para haver prestações acessórias, pagáveis, em períodos

não maiores de um ano com capitalização ou sem ele, ocorre em 02 (dois)

anos.

Comentários:

Alternativa correta: letra “c”. O art. 191, CC é expresso no sentido de que somente depois de consumada a prescrição (e desde que não haja

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prejuízo de terceiros) é que poderá haver a renúncia (expressa ou tácita) por parte do interessado. Isso é importante, pois caso contrário algum credor mal intencionado poderia impor ao devedor, no momento da elaboração do contrato, que ele renunciasse futura e eventual prescrição. Portanto, somente o titular pode renunciar à prescrição e mesmo assim, somente depois da consumação do tempo previsto na lei. É conveniente deixar claro que na renúncia expressa a pessoa abre mão e forma explícita, por escrito; já na tácita a pessoa pratica atos incompatíveis com a prescrição, tais como pagar a dívida ou efetivar uma transação (acordo) extrajudicial. A letra “a” está errada no tocante à segunda afirmação. De fato a prescrição não corre entre ascendentes e descendentes durante o poder familiar (art. 197, II, CC). No entanto também não corre entre os

cônjuges, na constância da sociedade conjugal (art. 197, II, CC). A letra “b” está errada, pois o art. 196, CC determina que a prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o seu sucessor (ex: herdeiro). Observem que a lei diz “continua a correr”, ou seja, a morte da pessoa não é hipótese de suspensão ou interrupção do prazo prescricional, que continua a fluir normalmente. Lembrando que há uma exceção: quando o sucessor for absolutamente incapaz. Nesta hipótese o prazo prescricional não se inicia enquanto não superada a incapacidade (art. 198, I, CC). As alternativas “d”

e “e” se referem a hipóteses de prazos de prescrição e também estão

erradas. A pretensão dos auxiliares da justiça, serventuários judiciais e peritos pela percepção de emolumentos, custas e honorários prescreve em 01 (um) ano, conforme o art. 206, §1 o , III, CC. A pretensão para haver prestações acessórias, pagáveis, em períodos não maiores de um ano com capitalização ou sem ele, ocorre em 03 (três) anos, conforme o art. 206,

§3 o , III, CC.

10) (Magistratura - São Paulo – Concurso 171) Fatos Jurídicos são acontecimentos em virtude dos quais começam, se modificam, ou se extinguem as relações jurídicas. Assim sendo, para que os fatos produzam efeitos na ordem jurídica é preciso que:

a) simplesmente aconteça um fato.

b) aconteça um fato para o qual a ordem jurídica tenha estabelecido consequências jurídicas.

c) somente ocorra somente um acontecimento natural involuntário.

d) o fato decorra somente de uma atividade voluntária lícita do homem.

e) o fato decorra somente de uma atividade ilícita do homem.

Comentários:

Alternativa correta: letra “b”. Trata-se do conceito exato de Fato Jurídico. As demais não estão exatas. A letra “a” trata do Fato Comum (que não traz repercussão no Direito). A letra “c” trata apenas do Fato Jurídico Natural (ou em Sentido Estrito); a letra “d” trata do Ato Jurídico; e a letra “e” do Ato Ilícito, sendo que todas elas são espécies do Fato Jurídico.

11) Se o quantum da pensão alimentícia for fixado judicialmente, a pretensão para cobrar as prestações não pagas:

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a) prescreverá em cinco anos.

b) será imprescritível.

c) prescreverá em dois anos.

d) decairá em três anos.

e) decairá em dois anos.

Comentários:

Alternativa correta: letra “c”. Não devemos confundir o direito aos alimentos, que é irrenunciável e imprescritível, com o direito à cobrança das prestações alimentares, vencidas e não pagas (ou seja, quando o alimentante já foi condenado ao pagamento e não pagou). A pretensão de cobrança das prestações alimentares prescreve (e não decai) em 02 (dois) anos, conforme previsão expressa do art. 206, §2 o , CC.

12) São imprescritíveis as pretensões que versam sobre:

a) os bens públicos, o estado da pessoa

alimentares vencidas.

b) a ação para anular inscrição do nome empresarial feita com violação de

lei ou do contrato.

c) o estado da pessoa, os direitos da personalidade e a cobrança de

prestações vencidas de rendas vitalícias.

razão de

contrafação.

d) o direito a alimentos

cobrança de prestações

e

a

e

a

ação de reparação

civil

em

Comentários:

Alternativa correta: letra “b”. O nome empresarial identifica o empresário e a sociedade no exercício de suas atividades, constituindo em legítimo direito da personalidade. Devido a sua importância, o art. 1.167, CC, possibilita que o prejudicado possa, a qualquer tempo, ingressar com uma ação (por isso o prazo é considerado imprescritível) para anular inscrição feita na Junta Comercial. A letra “a” apenas está errada a frase “cobrança de prestações alimentares vencidas” (lembrando: o direito aos alimentos é imprescritível; no entanto as prestações vencidas prescrevem em dois anos). Na letra “c” está errada a frase “cobrança de prestações vencidas de rendas vitalícias”. E a letra “d” ação de reparação civil em razão de contrafação (contrafação significa reprodução fraudulenta, falsificação), pois o art. 206, §3 o , inciso V, CC prevê o prazo prescricional de 03 três anos para se promover ação de reparação civil.

13) É FALSO afirmar a respeito da decadência:

a)

interrompido.

b) a decadência sempre pode ser conhecida de ofício pelo Juiz.

c) o prazo decadencial pode ser legal ou convencional.

d) pode haver renúncia à decadência.

o

prazo

decadencial,

como

regra,

não

pode

ser

suspenso

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ou

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e) a decadência pode ser alegada em qualquer fase do processo, mesmo

que tenha havido recurso.

Comentários:

Alternativa incorreta: letra “b”. Questão capciosa. Como vimos, a Decadência é a perda do direito em si (do direito material ou do direito propriamente dito), pela falta de seu exercício, no prazo previsto em lei ou pelas partes. Classifica-se, portanto, em convencional, que pode ser renunciada pelas partes, e, portanto, não pode ser reconhecida ex officio pelo Juiz ou legal que, por ser irrenunciável, pode ser reconhecida de ofício (ou seja, sem que o Juiz seja provocado para tanto), conforme disposição expressa do art. 210, CC. Observe que o art. 211, CC determina que se a decadência for convencional o Juiz não pode suprir a alegação. Assim o que está errado na questão é a afirmação “a decadência sempre pode ser conhecida de ofício”, da alternativa “b”. Como vimos, nem sempre pode (como no caso da decadência convencional). Cuidado com a letra “d”. Ela é genérica, afirmando que pode haver renúncia à decadência. Poder, pode. Mas, como vimos, a regra é que não pode. Notem que o art. 209, CC considera irrenunciável apenas os prazos da decadência estabelecidos em lei e não os prazos estabelecidos pelas partes (convencionais). No entanto a doutrina estabelece que a renúncia à decadência de um prazo convencional é plenamente possível e cita um bom exemplo disso: em um pacto de retrovenda (art. 505 e seguintes do CC) ficou estabelecido o prazo (convencional) de decadência do direito de resgate de um ano a partir da efetiva compra e venda. Passado algum tempo, pode-se renunciar a este prazo inicialmente de um ano, sendo o mesmo prorrogado para até três anos (que é o limite máximo estabelecido em lei). Seria uma forma de se renunciar a um prazo decadencial convencional. Em relação ao momento em que a mesma pode ser alegada, estabelece o art. 211, CC que "a parte a "

esta fase

quem aproveita pode alegá-la em qualquer grau de jurisdição

engloba a expressão qualquer fase do processo, mesmo que tenha havido recurso (letra “e”) O processo, neste caso estaria em outro grau de

jurisdição, ou seja, houve recurso.

14) (Analista Judiciário – TRT 13ª Região/PB – 2005 – FCC) No que tange a decadência, considere as alternativas abaixo:

I – Se a decadência for convencional, a parte a quem aproveita pode

alegá-la em qualquer grau de jurisdição, podendo o Juiz suprir, de ofício,

a alegação.

II – É anulável a renúncia à decadência fixada em lei, por ser matéria de ordem pública.

III – Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem ou interrompem a prescrição.

Está CORRETO somente o que se afirma em:

a) I.

b) II.

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c) I e II.

d) III.

e) I e III.

Comentários:

Alternativa correta: letra “d”. Somente está correta a afirmativa III. A assertiva I está errada, pois o art. 211, CC prevê que se a decadência for convencional, a parte a quem aproveita pode alegá-la em qualquer grau de jurisdição, mas o juiz não pode suprir a alegação. A assertiva II está errada, pois o art. 209 determina que é nula (e não anulável) a renúncia à decadência fixada em lei. A afirmativa III está correta nos termos do art. 207, CC.

15) Assinale a alternativa INCORRETA:

a) o direito à integridade física compreende a proteção jurídica ao corpo

humano, quer em sua totalidade, quer em relação a tecidos, órgãos e partes do corpo humano suscetíveis de separação e individualização.

b) o indivíduo é livre para deliberar sobre a concessão ou não de material

para fins de exame de DNA. A negativa, entretanto, gerará presunção absoluta da veracidade do fato que se pretendia provar.

c) não basta o adultério da mulher, ainda que confessado, para elidir a

presunção legal de paternidade.

d) cabe ao marido o direito de contestar a paternidade dos filhos nascidos

de sua mulher, sendo tal ação imprescritível.

Comentários:

Alternativa incorreta: letra “b”. A questão mistura vários conceitos de diferentes pontos do Direito Civil. Exige um conhecimento mais profundo do Direito Civil, como um todo. Mas a questão foi selecionada pelo interesse que geralmente causa ao aluno. A recusa à perícia médica ordenada pelo Juiz, pode suprir, a prova que se pretendia obter com o exame, por força do contido no art. 232, CC. Todavia, essa presunção gerada não é absoluta, mas sim relativa (presunção juris tantum, ou seja, que admite prova em contrário). Se em uma ação de investigação de paternidade o suposto pai não quiser fazer o exame de DNA o Juiz pode considerá-lo culpado. Mas isso não quer dizer que já está condenado. Não há uma presunção absoluta. O Juiz vai analisar todas as provas carreadas aos autos para formar a sua convicção. Mas a recusa ao fazer o exame pode levar o Juiz a condená-lo. A letra “a” está correta; se tiver alguma dúvida retorne a aula sobre as Pessoas Físicas. Quanto à letra “c”, se uma mulher for considerada adúltera em um processo de separação, provavelmente será também considerada culpada pela separação judicial. Mas isso não implica, automaticamente, mesmo que confessado pela mulher, que o marido não seja o pai dos filhos havidos na constância da sociedade conjugal. Para tanto é necessário um processo especial com esta finalidade (ação negatória de paternidade). A alternativa “d” está correta. Os filhos nascidos na constância do casamento presumem-se que são dos cônjuges. Mas é uma presunção relativa (juris

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tantum) que pode ser contestada pelo pai em alguns casos especiais (ex: o marido estava acometido por doença que lhe impedia de ter filhos - era estéril).

16) Sobre a prescrição podemos afirmar, EXCETO:

a) não correrá prescrição contra os absolutamente incapazes de exercer

pessoalmente os atos da vida civil.

b) a interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-

se-á por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor.

c) as ações pessoais prescrevem, ordinariamente, em 20 (vinte) anos, as

reais em 10 (dez) anos, entre presentes, e entre ausentes em 15 (quinze), contados da data em que poderiam ter sido propostas.

d) não correrá a prescrição entre ascendentes e descendentes, durante o

poder familiar.

e) não correrá prescrição contra os ausentes do País em serviço público da

União, dos Estados ou dos Municípios.

Comentários:

Alternativa falsa: letra “c”. Lembrem-se de que na verdade o examinador quer que seja assinalada a resposta incorreta. E a letra “c” está errada, pois os prazos que nela estão previstos eram do Código Civil anterior, já revogado. Como vimos, o atual Código prevê em seu art. 205, que a prescrição ocorre em 10 (dez) anos (prazo geral), salvo quando a lei haja fixado um prazo menor (01, 02, 03, 04 e 05 anos – prazos especiais, previstos no art. 206). Portanto não há mais prazos de 20 ou 15 anos de prescrição. O prazo máximo previsto no CC é de 10 (dez) anos. As demais alternativas estão corretas. Conferindo: letra “a” art. 198, inciso I do CC; letra “b” art. 202, caput e inciso V do CC; letra “d” art. 197, inciso II do CC; letra “e” art. 198, inciso II do CC.

17) (Analista Judiciário – TRT 4 a Região/RS – 2006) De acordo com o Código Civil brasileiro, em regra, ato judicial que constitua em mora o devedor:

a) interromperá a decadência.

b) suspenderá a decadência.

c) impedirá a prescrição.

d) suspenderá a prescrição.

e) interromperá a prescrição.

Comentários:

Alternativa correta: letra “e”. Ver art. 202, inciso V, CC.

18) Fixados os alimentos a favor do filho menor impúbere, com 10 anos de idade, o alimentante passou a pagar apenas 2/3 do valor fixado na sentença para a pensão alimentícia. Essa prática perdurou por seis anos. A inadimplência veio a motivar uma ação de execução de sentença pela

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representante da criança. Em fase de embargos, o alimentante aduziu prescrição das prestações vencidas há dois anos. Em impugnação aos embargos, deverá ser arguido que:

a) a prestação de alimentos é imprescritível.

b) a prescrição não corre contra menores até 18 anos completos.

c) a prescrição não corre contra menores impúberes.

d) a prescrição é do direito a alimentos em si e não atinge prestações vencidas.

e) a prescrição não corre enquanto o menor estiver estudando, isto até no

máximo, 24 anos.

Comentários:

Alternativa correta: letra “c”. Trata-se de uma questão que foge um pouco dos padrões normais de um concurso. Além disso, trata um pouco do aspecto processual. Por isso ela é interessante. Primeiro vamos recordar o que seja um ‘menor impúbere’. Trata-se de pessoa que possui menos de 16 anos, portanto é o absolutamente incapaz. Já ‘menor púbere’ é o que tem mais de 16 anos, porém menos de 18 anos (é o relativamente incapaz). Vejam que a questão embora seja de Direito Processual Civil, no fundo, trata exclusivamente do Direito Civil. Em outras palavras e exemplificando, a questão expõe o seguinte: um pai foi condenado a pagar R$ 1.200,00 de pensão alimentícia para seu filho de 10 anos de idade. Durante seis anos ele pagou apenas R$ 800,00. Depois desse prazo a mãe do menor (que é a sua representante legal) move uma ação contra o pai. O pai alegou (em uma peça judicial que chamamos de embargos à execução) que o débito já estava prescrito, pois o artigo 206, §2º do CC determina que prescreve em dois anos a pretensão para haver prestações alimentares, a partir da data em que se vencerem. O que deverá fazer a mãe do menor? Ela deverá “impugnar os embargos”! Alegando o quê? Ela deve alegar que a prescrição não corre contra os menores impúberes, pois eles são absolutamente incapazes (art. 198, inciso I, CC). Devemos recordar que o direito aos alimentos é irrenunciável e imprescritível. Mas o direito à cobrança das prestações alimentares, vencidas e não pagas (ou seja, quando o alimentante já foi condenado ao pagamento e não pagou) prescreve em 02 (dois) anos (art. 206, §2 o , CC). Assim se quando venceu a ação o menor já tinha 16 anos, o pai teria razão; as prestações alimentícias estariam prescritas (exceto a dos dois últimos anos, que ainda poderiam ser cobradas). No entanto como se trata de menor, com 10 anos, o prazo prescricional nem ao menos começou a fluir (causa de impedimento). No caso concreto as alternativas “a” e “d” estão erradas (a prestação dos alimentos não é imprescritível; e o que se discute é a prestação em si e não

o direito aos alimentos, este sim imprescritível). Se na hipótese, o

alimentado fosse maior de idade (18 anos), muitas das prestações já estariam prescritas, pois se passaram 06 anos da condenação. As letras “b”

e “e” também estão erradas, pois a idade correta é de 16 anos

(absolutamente incapaz) e não 18 anos ou 24 anos enquanto estiver

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estudando. Nestas hipóteses o menor pode até ter o direito aos alimentos, mas o prazo prescricional das prestações está correndo normalmente.

19) Considerando os preceitos sobre prescrição do Código Civil de 2002, assinale a assertiva CORRETA:

a) a prescrição consiste na extinção do direito material ou subjetivo.

b) os prazos de prescrição não podem ser alterados por acordo das partes.

c) a prescrição pode correr entre os cônjuges na constância da sociedade

conjugal.

d) o protesto cambial não interrompe a prescrição.

e) qualquer ato que constitua em mora o devedor suspende a prescrição.

Comentários:

Alternativa correta: letra “b”. O art. 192, CC determina que os prazos de prescrição não podem ser alterados por acordo das partes. Eles são de

ordem pública, cogentes, impositivos. As demais alternativas estão erradas.

A prescrição atinge a pretensão e não o direito material ou subjetivo (letra

“a” errada – art. 189, CC); a prescrição não corre entre os cônjuges na

constância da sociedade conjugal (letra “c” errada – art. 197, I, CC); o protesto cambial (de um cheque, uma nota promissória, uma duplicata, etc.)

é causa de interrupção da prescrição (letra “d” errada – art. 202, III, CC); os atos que constituem em mora o devedor interrompem (e não suspendem) a prescrição (letra “e” errada – art. 202, V, CC).

20) (OAB/RS 2006) Sobre Prescrição e Decadência, assinale a alternativa CORRETA.

a) não tendo sido alegada em primeiro grau, a prescrição não poderá ser

invocada pela parte.

b) os prazos prescricionais podem ser alterados pelas partes, tendo-se em

vista o princípio da autonomia da vontade.

c) o benefício da interrupção da prescrição pode ser alegado apenas duas

vezes.

d) o protesto cambial interrompe a prescrição.

Comentários:

Alternativa correta: letra “d”. Uma pessoa está me devendo certa quantia em dinheiro e paga a dívida com um cheque. Quando apresento o cheque no banco o mesmo é devolvido por “falta de fundos”. O prazo prescricional para que eu ingresse com a ação de cobrança (execução da dívida) começa a correr. Chamamos de protesto cambial quando eu vou ao cartório de protesto e apresento esse cheque (também pode ser outro título como uma nota promissória, uma duplicata, etc.). Este ato (protesto cambial) interrompe a prescrição, que se reinicia, conforme o art. 202, III, CC. A letra “a” está errada, pois o art. 193, CC dispõe que a prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição, pela parte a quem aproveita.

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Assim a parte pode alegar perante o Juiz singular (primeiro grau) ou mesmo perante o Tribunal, em grau de recurso (segundo grau). O art. 192, CC proíbe que as partes alterem os prazos prescricionais (letra “b” errada). O art. 202, CC determina que a interrupção da prescrição somente ocorre uma vez (letra “c” errada).

21) (Magistratura – Paraná) Sobre Prescrição e Decadência, de acordo com disposições expressas do Código Civil, é CORRETO afirmar que:

a) o herdeiro sofre os efeitos da prescrição iniciada contra o autor da

herança.

b) o Juiz não pode de ofício conhecer da prescrição de direitos patrimoniais.

c) a prescrição interrompe-se pela citação pessoal feita ao devedor, mesmo

que esta seja nula por vício de forma.

d) prescreve em 60 (sessenta) dias, contados da tradição a ação para

haver o abatimento do preço de coisa móvel, recebida com vício redibitório.

Comentários:

Alternativa correta: letra “a”. O art. 196, CC determina que a prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra seu sucessor. A letra “b” está errada, pois o art. 194, CC foi revogado e atualmente o Juiz pode reconhecer de ofício (sem ser provocado pela outra parte) a prescrição. A letra “c” está errada, pois o art. 202, inciso I, CC determina que prescrição se interrompe pelo despacho do Juiz que determinar a citação. O Juiz pode até ser incompetente, porém a citação deve ser promovida no prazo e na forma da lei processual. Portanto a citação nula por vício de forma não interrompe a prescrição. Finalmente a letra “d” está errada, pois este prazo é decadencial. Lembrem-se de uma “dica” sobre o tema: os prazos de dias e meses são sempre decadenciais. Já os prazos prescricionais são: 10 anos (geral – art. 205, CC) e 01, 02, 03, 04 e 05 anos (especiais – art. 206, CC). Além do mais, na questão, trata-se de vício redibitório (defeito oculto na coisa), que será estudado com maior profundidade em aula posterior. Adiantamos que o prazo decadencial, tanto pelo Código Civil (art. 445, CC), como na Lei n° 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor – CDC – art. 18, §1°) é de 30 (trinta) dias, contados da entrega efetiva da coisa, se esta for móvel.

22) (FCC – Tribunal Regional do Trabalho/AM 2005) O curso do prazo prescricional é interrompido:

a) por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito pelo devedor ou se o credor se tornar absoluta ou relativamente incapaz.

b) pelo depósito judicial, sendo a citação válida, ou pelo casamento da

credora com o devedor, enquanto durar a sociedade conjugal.

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c) pelo protesto cambial ou pelo despacho do Juiz, ainda que incompetente,

que ordenar a citação, se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual.

d) pela citação válida, ainda que ordenada por Juiz incompetente, se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual ou se o credor tiver que se ausentar do país em serviço público da União.

e) por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor ou se este for

nomeado curador do credor que se tornar absolutamente incapaz.

Comentários:

Alternativa correta: letra “c”. As hipóteses de interrupção da prescrição estão previstas no art. 202, CC. O protesto cambial (inciso III) e o despacho do Juiz (inciso I) são hipóteses de interrupção da prescrição. A primeira parte da alternativa “a” (por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito pelo devedor) está correta (inciso VI do art. 202, CC). No entanto a segunda parte (se o credor se tornar absoluta ou relativamente incapaz) está errada, pois a incapacidade não é causa de interrupção da prescrição. Observem que a incapacidade absoluta (art. 3°, CC) pode ser causa de suspensão da prescrição (art. 198, I, CC). A letra “b” está totalmente errada, lembrando que durante a sociedade conjugal simplesmente não corre a prescrição, sendo caso de impedimento (art. 197, I, CC) e não de interrupção da prescrição. A primeira parte da letra “d” está correta (inciso I); no entanto a segunda parte diz respeito à suspensão (art. 198, II, CC). O mesmo ocorre com a letra “e”: a primeira parte está correta (art. 202, V, CC) e a segunda parte está errada, pois se trata de impedimento da prescrição (art. 197, III, CC).

23) Tício e Caio são credores solidários de Antônio. Estando o débito prestes a prescrever, Tício notificou Antônio, por via judicial, visando à interrupção da prescrição. Em seguida, passado o prazo original de prescrição, Caio propôs ação de cobrança contra Antônio. A dívida:

a) está prescrita com relação a ambos.

b) está prescrita com relação a Caio, mas não com relação a Tício.

c) está prescrita com relação a Tício, mas não com relação a Caio.

d) não está prescrita com relação a qualquer dos credores.

e) a dívida pode ser considerada como imprescritível.

Comentários:

Alternativa correta: letra “d”. Como regra, a interrupção da prescrição aproveita somente a quem a promove. Todavia, tratando-se de obrigação solidária ativa (em que todos os credores são considerados como se fossem apenas um credor), a interrupção feita por um dos credores aproveitará a todos, nos termos do art. 204, §1 o , CC. Portanto quando Tício notificou Antônio o prazo prescricional foi interrompido em relação aos dois credores (Caio e Tício) e não somente a quem notificou.

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24) (FCC

- Tribunal Regional do Trabalho – 3 a

Região – Analista

Judiciário – 2005) A prescrição e a decadência não correm:

a) pendendo condição suspensiva ou ação de evicção.

b) contra os ausentes no País em serviço público da União.

c) enquanto o autor do ato ilícito considerado crime não for definitivamente

condenado no juízo criminal.

d) se o prazo para o pagamento da dívida não estiver vencido.

e) contra os absolutamente incapazes.

Comentários:

Alternativa correta: letra “e”. A questão é aparentemente fácil. Porém possui uma grande ‘pegadinha’. Lembrem que o cabeçalho da questão deseja que se assinale a alternativa em que o prazo da prescrição e da decadência não correm. Notem que todas as hipóteses mencionadas na questão são causas de impedimento do prazo prescricional, conforme o Código Civil. Mas apenas uma das alternativas impede a fluência do prazo prescricional e decadencial, ao mesmo tempo. Confiram que não corre a prescrição: letra “a” art. 199, I e III; letra “b” art. 198, II; letra “c” art. 200; letra “d” art. 199, II. A letra “e” é a única hipótese em que não corre o prazo prescricional (art. 198, I) e decadencial (art. 208).

25) (FCC - Tribunal Regional Federal – 4 a Região – Analista Judiciário – 2006) De acordo com o Código Civil Brasileiro, prescreve em 05 (cinco) anos a pretensão:

a) relativa à tutela, a contar da data da aprovação das contas.

b) de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular.

c) para receber prestações vencidas de rendas temporárias ou vitalícias.

d) do beneficiário contra o segurador, no caso de seguro de responsabilidade civil obrigatório.

e) de obter ressarcimento de enriquecimento sem causa.

Comentários:

Alternativa correta: letra “b”. Trata-se do previsto no art. 206, §5 o , inciso I, CC. O previsto na alternativa “a” prescreve em 04 (quatro) anos (art. 206, §4 o , CC). Todas as demais situações previstas nas outras alternativas prescrevem em três anos: letra “c” (art. 206, §3 o , inciso II, CC); letra “d” (art. 206, §3 o , inciso IX, CC) e letra “e” (art. 206, §3 o , inciso IV, CC).