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Plano de aula - Jogos criativos de escrita

Observação: plano publicado na Edição 18 (Março de 2010) - Ler e Escrever - Revista Onda Jovem (http://www.ondajovem.com.br/indice.asp?idedicao=20)

Proposta Envolver os jovens com a produção de textos na escola.

Contextualização A prática regular e orientada da escrita pode ser a chave para libertar um talento literário ou apenas ajudar o praticante a dominar boa técnica de expressão, diz o professor Luiz Antonio de Assis Brasil, ministrante de oficinas de criação literária na Faculdade de Letras da PUC-RS e autor das aulas de produção de textos criativos aqui sugeridas.

Desenvolvimento das atividades

ATIVIDADE 1 - O JOGO DAS SUBSTITUIÇÕES LÉXICAS

Objetivo Promover a desconstrução de um texto, obtendo, assim, uma ideia da capacidade humana de imaginar e, a partir de elementos aleatórios, criar novos sintagmas linguísticos e novas possibilidades narrativas.

Materiais Texto impresso, lápis e papel/ computador.

Procedimentos

1. Solicitar que cada aluno elabore, numa folha de papel destacável, uma lista

composta de 20 substantivos comuns, concretos ou abstratos;

2. Entregar a cada aluno um texto impresso em computador, com aproximadamente

15 linhas. Sugere-se trecho de conto ou romance.

3. Pedir que cada aluno sublinhe os substantivos desse mesmo texto.

4. Cada aluno, agora, passa sua lista de substantivos ao vizinho da esquerda. O

professor poderá, também, distribuí-los ao acaso. O importante é que cada aluno tenha uma lista que não foi elaborada por ele mesmo.

5. Pedir que cada aluno substitua os substantivos sublinhados por palavras escolhidas

na lista que tem em mãos.

6. Solicitar a leitura dos textos alterados.

7. Evidenciar aos alunos a capacidade, que todos temos, de criar novas formas de

expressão e de transformar o “já dado” em algo pessoal e dotado de sentido.

Ref.: LESCURE, J. “La méthode S+7” in Oulipo. Paris: Gallimard, 1973. Atividade II

ATIVIDADE 2 - O JOGO DAS INTERFERÊNCIAS NARRATIVAS

Objetivo

Propiciar aos alunos a possibilidade de, exercendo livremente a imaginação, chegar aos mesmos resultados alcançados por um autor literário; com isso estimula-se não apenas a estima de si próprio, como oferece o conhecimento das infindáveis possibilidades da escrita.

Materiais Texto impresso, lápis e papel/ computador.

Desenvolvimento

1. Distribuir aos alunos um texto narrativo curto [conto], do qual deixou-se apenas o

início e o final. Exemplo [O professor escolherá/criará outro texto]

FIM DE TARDE Silvia Pohl O ônibus move-se lento no trânsito engarrafado. Tanto os bancos quanto o corredor estão tomados por passageiros. Ana, sentada ao lado da janela, abre o vidro para poder respirar o máximo de ar puro. Em casa, ela perceberá que a sua pele já não é tão macia, e as mãos começarão a ter, em breve, um tom estranho, azulado.

2. Pedir aos alunos que escrevam o que está faltando [no caso do exemplo acima,

marcado por linhas pontilhadas, não importando quantas], mas que faça sentido, tanto com o início quanto com o final do conto.

3. Pedir aos alunos que leiam os resultados. Poderá formar grupos, cujos participantes

leiam-se reciprocamente.

4. Evidenciar o quanto um texto criativo deve, tal como a natureza, tal como a vida, ser

dotado de sentido. Um texto literário deve fazer sentido internamente, isto é, as relações de causa e efeito devem ser observadas no interior do texto, mesmo que seja um texto fantástico ou lendário.