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DA FALSIDADE DE TÍTULOS E OUTROS PAPÉIS PÚBLICOS

DA FALSIDADE DE TÍTULOS E OUTROS PAPÉIS PÚBLICOS Falsificação de papéis públicos ARTIGO 293 - Falsificar,

Falsificação de papéis públicos

ARTIGO 293 -

Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:

I - selo destinado a controle tributário, papel selado ou qualquer papel de emissão legal destinado à arrecadação de tributo;

(Redação dada pela Lei nº 11.035, de 2004)

II - papel de crédito público que não seja moeda de curso legal;

III - vale postal;

IV - cautela de penhor, caderneta de depósito de caixa econômica ou de outro estabelecimento mantido por entidade de direito

público;

V - talão, recibo, guia, alvará ou qualquer outro documento relativo a arrecadação de rendas públicas ou a depósito ou caução por

que o poder público seja responsável;

VI - bilhete, passe ou conhecimento de empresa de transporte administrada pela União, por Estado ou por Município:

Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.

§ 1 o Incorre na mesma pena quem: (Redação dada pela Lei nº 11.035, de 2004)

I - usa, guarda, possui ou detém qualquer dos papéis falsificados a que se refere este artigo; (Incluído pela Lei nº 11.035, de 2004)

II - importa, exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda, fornece ou restitui à circulação selo falsificado destinado a

controle tributário; (Incluído pela Lei nº 11.035, de 2004)

III - importa, exporta, adquire, vende, expõe à venda, mantém em depósito, guarda, troca, cede, empresta, fornece, porta ou, de

qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, produto ou mercadoria:

(Incluído pela Lei nº 11.035, de 2004)

a) em que tenha sido aplicado selo que se destine a controle tributário, falsificado; (Incluído pela Lei nº 11.035, de 2004)

b) sem selo oficial, nos casos em que a legislação tributária determina a obrigatoriedade de sua aplicação. (Incluído pela Lei nº 11.035,

de 2004)

§ 2º - Suprimir, em qualquer desses papéis, quando legítimos, com o fim de torná-los novamente utilizáveis, carimbo ou sinal indicativo de sua inutilização:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

§ 3º - Incorre na mesma pena quem usa, depois de alterado, qualquer dos papéis a que se refere o parágrafo anterior.

§ 4º - Quem usa ou restitui à circulação, embora recibo de boa-fé, qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem este artigo e o seu § 2º, depois de conhecer a falsidade ou alteração, incorre na pena de detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa.

5 o Equipara-se a atividade comercial, para os fins do inciso III do § 1 o , qualquer forma de comércio irregular ou

clandestino, inclusive o exercido em vias, praças ou outros logradouros públicos e em residências. (Incluído pela Lei nº 11.035,

de 2004)

§

residências. (Incluído pela Lei nº 11.035, de 2004) § Para configurar-se o crime de moeda falsa

Para configurar-se o crime de moeda falsa é necessária uma falsificação enganosa, uma “imitatio veri” (imitação verdadeira).

A

moeda falsa deve ser de dinheiro em circulação corrente, atual.

O

crime de moeda falsa pode ocorrer em relação a moeda nacional ou estrangeira. Uma única cédula falsa já caracteriza o delito.

Para o crime ser configurado não é necessária a colocação da moeda em circulação

Para constatar a falsidade faz-se necessário o exame pericial. Caso o falsificador colocar a moeda em circulação responderá apenas pelo crime de falso. O tipo penal em questão é misto alternativo, ou seja, a falsificação decorre da fabricação ou da alteração da moeda, sendo assim, o crime restará configurado se houver uma ou outra ação tipificada. Trata-se também de crime comum, pois pode ser praticado por qualquer pessoa. A competência para julgar os crimes de moeda falsa é da Justiça Federal.

Somente o Banco Central do Brasil pode emitir papel-moeda e moeda metálica, através da Casa da Moeda. A autorização ao Banco Central deve partir do Conselho Monetário Nacional. A objetividade jurídica do crime de moeda falsa é a fé pública.

Falsificar significa imitar com fraude, a imitação não deve ser grosseira, mas convincente.

Não se admite o princípio da insignificância em matéria de falsificação de moeda. Ou seja, mesmo sendo a falsificação de uma nota de um real ou uma moeda de cinquenta centavos, o crime está constituído.

Petrechos de falsificação

ARTIGO 294-

Fabricar, adquirir, fornecer, possuir ou guardar objeto especialmente destinado à falsificação de qualquer

dos papéis referidos no artigo anterior:

Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

ARTIGO

295

-

sexta parte.

Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de

Dispõe o artigo 294 do CP: “Fabricar, adquirir, fornecer, possuir ou guardar objeto especialmente destinado à falsificação de qualquer dos “Fabricar, adquirir, fornecer, possuir ou guardar objeto especialmente destinado à falsificação de qualquer dos papéis referidos no artigo anterior”. A pena é de reclusão de um a três anos, e multa. Este crime é um ato preparatório do delito de falsificação de papéis públicos, que é tipificado como crime autônomo. Trata-se de crime comum, formal, de forma livre, instantâneo ou permanente. Caso o agente adquira o objeto destinado à falsificação, e em seguida falsifica um papel legítimo, responderá apenas pelo artigo 293 (falsificação de papéis públicos), que absorve o artigo 294 do CP.

O artigo 295 estabelece que se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.

DA FALSIDADE DOCUMENTAL

Falsificação do selo ou sinal público

ARTIGO 296 -

Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:

I - selo público destinado a autenticar atos oficiais da União, de Estado ou de Município;

II - selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito público, ou a autoridade, ou sinal público de tabelião:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.

§ 1º - Incorre nas mesmas penas:

I - quem faz uso do selo ou sinal falsificado;

II - quem utiliza indevidamente o selo ou sinal verdadeiro em prejuízo de outrem ou em proveito próprio ou alheio.

III - quem altera, falsifica ou faz uso indevido de marcas, logotipos, siglas ou quaisquer outros símbolos utilizados ou

identificadores de órgãos ou entidades da Administração Pública.

§ 2º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.

prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte. Analisemos as principais características desse delito: a)

Analisemos as principais características desse delito:

a) dolo: exige-se apenas o dolo genérico, que se vislumbra na vontade e na consciência do indivíduo em buscar a falsificação;

b) sujeito ativo: crime comum - qualquer pessoa pode ser sujeito ativo desse crime. Uma observação se impõe: em se tratando

de funcionário público, a pena é aumentada da sexta parte;

c) sujeito passivo: o Estado;

d) objeto material: selo ou sinal falsificado;

e) objeto jurídico: fé pública

No que concerne à classificação, tal crime é, conforme visto comum, já que não exige qualidade especial do sujeito ativo. Fala-se em crime formal, já que não exige resultado naturalístico (utilização do selo ou sinal faculdade), de forma livre (que pode ser praticado por qualquer meio), comissivo (excepcionalmente comissivo por omissão), instantâneo, unissubjetivo (que pode ser praticado por um só agente) e plurissubsistente (regra geral, vários atos integram a conduta).

Falsificação de documento público

ARTIGO 297 -

Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.

§ 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.

§ 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador

ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular.

§

I - na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório;

II - na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; III - em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado.

4 o Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no § 3 o , nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.

§

3 o Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir:

São duas as possibilidades de falsificação. A primeira delas se dá através da criação material

São duas as possibilidades de falsificação. A primeira delas se dá através da criação material de um documento, que deveria ser expedido por funcionário público. A segunda se configura pela alteração realizada em documento verdadeiro. Ex:

falsificação de passaportes; preenchimento ilícito de cheque em branco; falsificação de diploma de curso médio ou superior. Pena:

Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.

Falsificação de documento particular

ARTIGO 298 -

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.

Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro:

particular ou alterar documento particular verdadeiro: O delito aqui tratado refere-se a falsificação ou

O delito aqui tratado refere-se a falsificação ou alteração de quaisquer documentos não emanados pelo poder público, pois

se

Por documento particular podemos citar, a título de exemplo, os contratos, acordos, histórico escolar, carteira de identificação escolar, de clubes, dentre vários outros.

assim

fosse

o

tipo

penal

seria

outro,

a

do

artigo

297

do

CP.

O tipo penal tem como objetivo proteger a fé pública, no sentido de evitar que pessoas sejam lesadas ao aceitar documento

particular falsificado, pensando ser verdadeiro.

Para que seja o delito tipificado, essencial que o documento seja hábil a enganar terceiros, a ponto de não permitir o reconhecimento de sua falsidade, ou seja, que seja aceito como se verdadeiro fosse.

Nesse sentido é o entendimento jurisprudencial:

Falsificação. Requisitos. “Para que se configure o crime de falsificação, a falsidade deve ser idônea para enganar a fé pública e não tão grosseira que permita o seu reconhecimento por qualquer pessoa.” (TJSP – Ap. 22.172 Rel. Des. LIMA GUIMARÃES

1ª C. J. 6.9.48 Um.) (RF 123/281).

Corroborando esse entendimento a jurisprudência cita:

“A falsificação grosseira impede a realização típica do crime de falso em razão da inexistência de imitação da verdade e potencialidade de dano.” (TRF 2ª R. – Ap. Crim. 10.736-6 Rel. Des. Fed. SILVÉRIO CABRAL 2ª T. J. 10.10.90 Um.) (DJU, 13.11.90, p. 26.973).

Portanto, resta induvidoso que para que se caracterize o delito de falsificação de documento particular, os elementos do falso devem induzir sua vítima a acreditar tratar-se de um documento verdadeiro.

Vale-nos consignar que se o agente utilizar-se dos meios de falsificação de documento particular para obtenção de vantagem ilícita, este crime será absorvido pelo tipo penal de estelionato (art. 171 do CP).

O

sujeito ativo do crime poderá ser qualquer pessoa, figurando no pólo passivo o Estado.

O

delito de falsificação de documento particular é doloso, onde o agente impõe sua vontade de forma livre e consciente em

praticar a falsificação ou alteração.

Nesse caso, é certo que para se constatar o dolo, desnecessário a apuração de eventual prejuízo a outrem, assim, basta que o agente pratique intencionalmente a falsificação do documento, vejamos:

“O dolo no falsum decorre do próprio ato, pouco importando que não tenha havido prejuízo, porquanto o delito de falsidade documental é classificado como ofensivo da fé pública, e não do patrimônio.” (TJSP – Ap. Crim. 9.040-3 Rel. Des. GOULART SOBRINHO 2ª C. Crim. J. 23.9.49 Un.) (RT 566/308).

O

crime comporta tentativa e se consuma no momento em que o agente falsifica o documento, não sendo preciso, portanto, que

se

esse venha a ser utilizado. Vejamos o entendimento:

“O crime de falsificação de documento particular se consuma com a efetiva contrafação, falsificação”. (TRF 1ª R. – Ap. Crim. 4.571-5-DF Rel. Juiz ADHEMAR MACIEL 3ª T. J. 15.10.90 Un.) (DJU, 29.10.90, p. 25.454).

Em relação ao concurso de crime temos a consignar que não haverá concurso com o crime de uso, previsto no artigo 304 do código penal, segundo entendimento jurisprudencial dominante.

A ação penal subordinada ao crime de falsificação de documento particular é pública incondicionada.

Falsidade ideológica

ARTIGO

299 -

Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer

inserir declaração falsa, ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante:

Pena: Reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos e multa, se o documento é particular.

Na falsidade ideológica, o vício (imperfeição) incide sobre as declarações que o objeto material deveria possuir, ou seja,

sobre o conteúdo das idéias. Isto significa, que as declarações contidas no documento são falsas. Por esta razão a falsidade ideológica é chamada de falso ideal.

O documento quanto ao seu aspecto material é verdadeiro, não apresentando rasuras, borrões, emendas, omissões ou

acréscimos.

rasuras, borrões, emendas, omissões ou acréscimos. Documento Público - É aquele elaborado de acordo com as

Documento Público - É aquele elaborado de acordo com as formalidades legais, por funcionário público no desempenho de suas atribuições, como por exemplo, certidões, escrituras, fotocópias autenticadas, etc.

Documento Particular - É aquele que não está compreendido como documento público.

Objetividade

Jurídica - É a fé pública no que se refere à veracidade do documento, tanto do documento público como do

particular.

Sujeito Ativo - É quem pratica a falsidade ideológica. É crime comum, portanto, pode cometer esse crime qualquer pessoa, tanto pode ser o particular como o funcionário público.

Sujeito Passivo - É o Estado, bem como todas as pessoas que sofrerem dano pela falsidade.

Elementos Objetivos do Tipo - Três são as ações incriminadas pelo artigo 299.

A primeira delas é a de omitir declaração a que estava o agente obrigado. A segunda ação é a de inserir declaração falsa ou

diversa da que devia o agente fazer.

A terceira ação consiste em fazer inserir, em inserir de modo indireto, em utilizar-se o agente de terceiro para introduzir ou incluir

por sua determinação a declaração falsa ou diversa da que devia constar.

Em qualquer das modalidades é indispensável que a falsidade seja capaz de enganar, e tenha a finalidade de "prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante".

Elementos Subjetivos do Tipo - É o dolo consistente na vontade livre e consciente de praticar o fato descrito, tendo consciência

da antijuridicidade. Inegável é a exigência do dolo específico, claramente imposto na cláusula "com o fim de prejudicar direito,

criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante".

Consumação e Tentativa - Consuma-se o crime com a omissão e a inserção direta ou indireta da declaração falsa ou diversa da que devia constar. Não exige a produção de dano, portanto, é crime formal. A tentativa somente é possível na forma comissiva inserir ou de fazer inserir a declaração, pois na de inserir o agente pode declarar a verdade até o encerramento do documento.

Na conduta de omitir não existe tentativa.

parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte.

No parágrafo único estão previstas duas formas qualificadas do crime em estudo. A primeira delas refere-se à falsidade ideológica

do funcionário, que comete o ilícito prevalecendo-se do cargo. Não é só ser funcionário público, tem que se prevalecer do cargo,

que o exercício da função lhe tenha proporcionado ocasião e facilidade de cometimento do delito. A segunda ocorre quando a

falsificação ou alteração diz respeito a assentamento de registro civil.

Estão previstos na Lei civil os seguintes assentamentos:

"

I

- os nascimentos;

II

- os casamentos;

III - os óbitos;

IV - as emancipações;

V - as interdições;

VI - as sentenças declaratórias de ausência;

VII - as opções de nacionalidade; VIII - as sentenças que deferirem a legitimação adotiva

(Lei nº 6.015, de 31-12-1973).

"

São os assentamentos que constituem prova específica do estado civil das pessoas. A falsificação ou alteração deles acarreta o aumento de pena previsto no parágrafo único do artigo em estudo.

Ação Penal - Pública incondicionada.

Exemplos:

1) Inserção de falsa declaração de emprego em carteira profissional

2) O fornecimento pelo funcionário público, de certidão contrária ao que consta nos assentamentos oficiais.

3) Após receber um mandado para intimação de Paulo, o Oficial de Justiça Marcos, pelo fato de estar muito cansado, certifica que cumpriu a diligência, devolvendo o mandado ao cartório.

Falso reconhecimento de firma ou letra

ARTIGO 300 -

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público; e de um a três anos, e multa, se o documento é particular.

Reconhecer, como verdadeira, no exercício de função pública, firma ou letra que o não seja:

de função pública, firma ou letra que o não seja: O tipo penal está contido no

O tipo penal está contido no art. 300 do Código Penal: “Reconhecer, como verdadeira, no exercício de função pública, firma

ou letra que o não seja.” A pena é reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e de um a três anos e multa,

se

o documento é particular.

O

bem jurídico protegido é, outra vez, a fé pública, a confiança que as pessoas depositam no reconhecimento de firma ou letra

pelo funcionário público, a quem o incumbe. Sujeito ativo é apenas o funcionário público que tem a atribuição de reconhecer firmas e letras. É o tabelião ou outro servidor a quem seja legalmente deferida essa atribuição.

Sujeito passivo é o Estado. Se há lesão, o titular do bem atingido também será sujeito passivo.

TIPICIDADE Conduta e elementos do tipo

Firma é a assinatura de uma pessoa, impressa num documento. Letra é seu manuscrito. Reconhecimento de firma é a declaração, feita pelo tabelião, de sua veracidade, ou seja, de que aquela assinatura foi aposta no documento pela pessoa identificada como seu autor. Reconhecida a firma pelo tabelião, as pessoas a quem o documento que a contém é apresentado acreditam que a assinatura é a verdadeira da pessoa cujo nome consta como signatário, porque o reconhecimento, nesse sentido, do tabelião goza, por força de lei, de fé pública.

O reconhecimento da firma é autêntico, quando a assinatura é aposta no documento na presença do tabelião. Diz-se semi-

autêntico, quando, aposta longe das vistas do tabelião, o próprio signatário apresenta o documento no qual foi lançada ao tabelião.

O reconhecimento por semelhança é o que é feito, pelo tabelião, após comparar a assinatura contida no documento com outra

arquivada no tabelionato. Reconhecimento indireto é o que o tabelião faz, à vista da declaração escrita de duas pessoas, que atestam sua veracidade.

A conduta incriminada é o reconhecimento, como verdadeira, da assinatura ou o do manuscrito que não o é. O tabelião afirma que

é verdadeira a firma que não foi lançada no documento pela pessoa cujo nome consta, nele, como signatária.

A norma não distingue entre o reconhecimento por autenticidade, semi-autenticidade, por semelhança ou indireto, podendo,

portanto, ser realizado o tipo em qualquer das hipóteses.

O agente deve estar investido de função pública, podendo cometer o crime ainda quando, no momento do reconhecimento, não a

esteja exercendo.

O crime é doloso. Só incorre na incriminação o agente que tiver consciência de que a firma é falsa e reconhecer sua veracidade

com vontade livre, sem qualquer outra finalidade especial.

O tabelião não é perito e pode, no reconhecimento por semelhança, diante de uma assinatura falsificada com maestria, enganar-

se no momento da comparação, e, ao reconhecê-la como verdadeira, não terá cometido o crime, porque o erro é excludente do dolo, e, no caso em exame, da própria tipicidade, porquanto não há tipo culposo. Também não responderá na hipótese do reconhecimento por autenticidade quando a pessoa, munida de cédula de identidade falsa, apõe a própria assinatura falsa na presença do tabelião. Nesse caso, o tabelião terá sido enganado pelo falsário, que responderá pela falsificação do documento público.

Consumação e tentativa

Consuma-se no instante em que o agente declara, por escrito, no próprio documento, mediante a aposição de um carimbo ou outra fórmula, o reconhecimento da firma como verdadeira.

A tentativa é possível se o agente, estando prestes a concluir a declaração de veracidade da firma falsa, é impedido por ação de

terceira pessoa.

AÇÃO PENAL

A ação penal é de iniciativa pública incondicionada, possível a suspensão condicional do processo penal.

Certidão ou atestado ideologicamente falso

ARTIGO 301 -

obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem:

Atestar ou certificar falsamente, em razão de função pública, fato ou circunstância que habilite alguém a

Pena - detenção, de dois meses a um ano.

É uma modalidade típica de falsidade ideológica, pois é um crime próprio do funcionário público.alguém a Pena - detenção, de dois meses a um ano. Objetividade Jurídica - É a

Objetividade Jurídica - É a fé pública referente a autenticidade de atestado ou certidão, especialmente quando forem esses documentos emitidos pelo funcionário público.

Sujeito Ativo - Como é crime próprio, o funcionário público pode cometê-lo, não o podendo ser cometido por particular, visto que

o tipo penal declara "em razão de função pública".

Sujeito Passivo - É o Estado.

Elementos Objetivos do Tipo - A conduta típica é atestar ou certificar fato ou circunstância. Atestar é afirmar ou provar algo em

É necessário que

se trate de atestado ou certidão originários do funcionário público, pois a reprodução fraudulenta de certificado ou atestado emitido por funcionário público configura crime de Falsidade de Documento Público.

caráter oficial. Certificar é afirmar, convencer da verdade ou da certeza de algo, também com caráter público.

Elementos Subjetivos do Tipo - É o dolo, consistente na vontade livre e consciente de atestar fato ou circunstância nas condições descritas no tipo penal.

Consumação e Tentativa - Quanto à consumação, alguns doutrinadores acham que a consumação se dá quando o agente encerra o atestado ou certidão, não sendo necessária a sua entrega ao destinatário. Outros acham que a consumação somente é

efetiva quando o atestado ou certidão é entregue a terceiro. Trata-se de crime formal, que não exige o prejuízo efetivo. A tentativa

é

possível.

Ação Penal - Pública incondicionada.

Exemplos:

1) Atestado de pobreza para obtenção de justiça gratuita ou internação em hospital;

2) Atestado de idoneidade para ingressar no funcionalismo público.

Falsidade material de atestado ou certidão

§ 1º - Falsificar, no todo ou em parte, atestado ou certidão, ou alterar o teor de certidão ou de atestado verdadeiro, para prova de fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem:

Pena - detenção, de três meses a dois anos.

vantagem: Pena - detenção, de três meses a dois anos. Neste tipo de falsidade o que

Neste tipo de falsidade o que se frauda é a própria forma do documento, que é alterada no todo ou em parte. Neste caso o sujeito modifica as características originais do objeto material, por meio de rasuras, borrões, emendas, substituições de números , palavras ou letras, etc. Pode acontecer também que o agente fraude totalmente a própria forma do documento, forjando-o, criando assim um documento novo, ou seja, falso.

Objetividade Jurídica - A fé pública especialmente no que diz respeito à autenticidade dos documentos emitidos por funcionário público.

Sujeito Ativo - Qualquer pessoa, inclusive o funcionário público.

Sujeito Passivo - É o Estado.

Elementos Objetivos do Tipo - A conduta típica é falsificar ou alterar.

Elementos Subjetivos do Tipo - O dolo do delito é a vontade de falsificar, contrafazendo ou alterando a certidão ou atestado que possa servir de prova de fato ou circunstância.

Consumação e Tentativa - Consuma-se o delito com a falsificação ou alteração, independentemente do uso ou qualquer outra conseqüência. Não é necessária para a consumação a existência de prejuízo efetivo, bastando o simples perigo de dano. Não caracteriza o crime, porém, se a falsidade não é apta para causar prejuízo pela falta de relevância jurídica de seu conteúdo. É crime formal e a tentativa é admissível.

Ação Penal - Pública incondicionada.

§ 2º - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se, além da pena privativa de liberdade, a de multa.

É apenas uma qualificadora do crime estudado. Observar a letra da lei "com o fim de lucro". Se não houver esse fim, estaremos diante do crime previsto no "caput" ou no § 1 º . Não é necessário que se obtenha o lucro. Basta agir com esse fim.

necessário que se obtenha o lucro. Basta agir com esse fim. Exemplo: a falsidade de atestado

Exemplo: a falsidade de atestado ou certidão de aprovação ou conclusão escolar, para matricula em escola ou curso superior, caracteriza o delito de falsidade material de atestado ou certidão.

Falsidade de atestado médico

ARTIGO 302 -

Pena - detenção, de um mês a um ano.

Dar o médico, no exercício da sua profissão, atestado falso:

Parágrafo único - Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa.

Reprodução ou adulteração de selo ou peça filatélica

ARTIGO 303 -

Reproduzir ou alterar selo ou peça filatélica que tenha valor para coleção, salvo quando a reprodução ou a

alteração está visivelmente anotada na face ou no verso do selo ou peça:

Pena - detenção, de um a três anos, e multa.

Parágrafo único - Na mesma pena incorre quem, para fins de comércio, faz uso do selo ou peça filatélica.

Uso de documento falso

ARTIGO 304 -

Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302:

Pena - a cominada à falsificação ou à alteração.

O indivíduo, sabendo que o documento que porta é falso, utiliza-o como se fosse autêntico. Ex: uso de certidão falsa para eximir-se do pagamento de uma dívida; exibição de Carteira de Habilitação falsa em blitz. Pena: a pena cominada ao uso de documento falso é a mesma referente à falsificação em si.

falso é a mesma referente à falsificação em si. Supressão de documento ARTIGO 305 - Destruir,

Supressão de documento

ARTIGO 305 -

Destruir, suprimir ou ocultar, em benefício próprio ou de outrem, ou em prejuízo alheio, documento público

ou particular verdadeiro, de que não podia dispor:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa, se o documento é público, e reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento

é particular.

Estatui o art. 305 do Código Penal: “Destruir, suprimir ou ocultar, em benefício próprio ou de outrem, ou em prejuízo alheio, documento público ou particular verdadeiro, de que não poderia dispor”. É ainda um caso de falsidade material.

poderia dispor”. É ainda um caso de falsidade material. Como é falso material a criação do

Como é falso material a criação do documento falso ou a supressão parcial de um documento verdadeiro, assim o é a supressão total. Em todas essas formas deve-se reconhecer a falsidade material e não haverá razão por que se possa duvidar de que preferentemente a qualquer outro título de crime, deve apresentar-se o de falsidade em documento. E de fato assim é.

A destruição, a supressão ou a ocultação de um documento produz o mesmo efeito que sua contrafação ou alteração. Por todos

esses modos o agente atenta contra a veracidade do fato e viola a fé pública.

O bem-interesse, a objetividade jurídica considerada é a fé pública. A supressão de documento, com sua falsificação, lesa a

segurança, a certeza que deve haver nas relações jurídicas, impedindo que a verdade surja e, conseqüentemente, burlando a confiança geral e individual que nele se deposita. Qualquer pessoa pode cometer o crime, se diferenciando do peculato-desvio- art. 314, pois aqui somente o funcionário público pode ser agente ativo, por ser crime próprio. Não se exclui o proprietário, uma

vez que se apresente o elemento condicionante do crime: documento de que não podia dispor.

O objeto material é o documento público ou particular verdadeiro. Realce-se que a lei diz expressamente que o documento há de

ser verdadeiro. Se, portanto, destruído, um documento apócrifo (fato sem autenticidade), o crime não subsiste, como não subsi ste,

se no documento autêntico é suprimida somente a parte que sofreu uma alteração.

Falsa identidade

ARTIGO 307 -

Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem, em proveito próprio ou alheio, ou

para causar dano a outrem:

Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa, se o fato não constitui elemento de crime mais grave.

ARTIGO 308

-

Usar, como próprio, passaporte, título de eleitor, caderneta de reservista ou qualquer documento de

identidade alheia ou ceder a outrem, para que dele se utilize, documento dessa natureza, próprio ou de terceiro:

Pena - detenção, de quatro meses a dois anos, e multa, se o fato não constitui elemento de crime mais grave.

DAS FRAUDES EM CERTAMES DE INTERESSE PÚBLICO

Fraudes em certames de interesse público

ARTIGO 311- A

-

Utilizar ou divulgar, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem, ou de comprometer a

credibilidade do certame, conteúdo sigiloso de: (Incluído pela Lei 12.550. de 2011)

I - concurso público; (Incluído pela Lei 12.550. de 2011)

II - avaliação ou exame públicos; (Incluído pela Lei 12.550. de 2011)

III - processo seletivo para ingresso no ensino superior; ou (Incluído pela Lei 12.550. de 2011)

IV - exame ou processo seletivo previstos em lei: (Incluído pela Lei 12.550. de 2011)

Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. (Incluído pela Lei 12.550. de 2011)

§ 1 o Nas mesmas penas incorre quem permite ou facilita, por qualquer meio, o acesso de pessoas não autorizadas às

informações mencionadas no caput. (Incluído pela Lei 12.550. de 2011)§ 2 o Se da ação ou omissão resulta dano à administração

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. (Incluído pela Lei 12.550. de 2011)

§ 3 o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o fato é cometido por funcionário público. (Incluído pela Lei 12.550. de 2011)

Peculato

ARTIGO 312

Crimes Contra a Administração Pública

- Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular,

de quem tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:

Pena: reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

Pena: reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. Peculato é um tipo especial

Peculato é um tipo especial de apropriação indébita em razão do cargo.

É o delito perpetrado, quando o funcionário se apropria ou desvia em proveito próprio ou de terceiro, o bem que está em seu

poder em razão do cargo, dinheiro, valor (apólices, títulos de dívida pública, etc.), ou outro bem móvel.

Objetividade Jurídica - Protege a Administração Pública no que diz respeito ao interesse patrimonial, preservação do erário público, fidelidade e probidade dos agentes do poder.

Sujeito Ativo - Crime próprio, o peculato somente pode ser cometido por funcionário público.

Sujeito Passivo - É o Estado. Se o objeto material for de natureza pública, sujeito passivo será o Estado ou outra entidade de direito público. Cuidando-se de bem particular, o proprietário ou possuidor será o sujeito passivo.

Elementos Objetivos do Tipo - A conduta pode realizar-se de duas formas:

1º) apropriação; e

2º) desvio.

Na apropriação há inversão do título da posse, dispondo o sujeito da coisa como se fosse dono. No desvio, o funcionário, sem ânimo de apossamento definitivo, emprega o objeto material em fim diverso de sua destinação específica, em proveito próprio ou alheio.

Elementos Subjetivos do Tipo - É o dolo, vontade livre e consciente de concretizar os elementos objetivos do tipo. Além do dolo, o tipo requer um fim especial de agir, o elemento subjetivo contido na expressão "em proveito próprio ou alheio".

Consumação e Tentativa - Consuma-se o delito, na modalidade peculato-apropriação, no momento em que o sujeito age como

se fosse dono do objeto material. No peculato-desvio, o momento consumativo ocorre com o ato desvio, sendo irrelevante se

consegue ou não o proveito próprio ou alheio. Delito material; admite a figura da tentativa.

Ação Penal - Pública incondicionada.

Exemplos de Peculato:

1) Funcionário público que aos transmitir o cargo do qual fora afastado, retém em seu poder o saldo de caixa acusado no balancete de contabilidade e pertencente aos cofres públicos.

2) Se o carteiro ao invés de entregar a correspondência, viola-a apropriando-se dos respectivos valores registrados, ocorre crime de peculato.

3) Comete crime de peculato o policial que se apropria de valores do preso, cuja guarda lhe foi confiada.

Peculato - Furto

§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor, ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.

Objetividade Jurídica - É a mesma do caput. É a mesma do caput.

Sujeito Ativo - É o mesmo do caput.

Sujeito Passivo - É o mesmo do caput.

Elementos Objetivos do Tipo - O núcleo do tipo é o verbo subtrair. O peculato, aqui, está descrito na forma do furto. Nada mais é do que o furto cometido pelo funcionário público, valendo-se de sua condição perante a Administração Pública.

Duas são as hipóteses previstas no tipo:

1º) o sujeito realiza a subtração; ou 2º) voluntária e conscientemente, concorre para que outro subtraia o objeto material.

Nos dois casos, o funcionário não tem a posse ou a detenção do bem. Se tivesse, responderia pelo delito definido no caput da disposição.

Elementos Subjetivos do Tipo - É o dolo, vontade livre e consciente dirigida à subtração ou a concorrer com a conduta do terceiro, que subtrai o objeto material. Além do dolo, outro elemento subjetivo do tipo, concernente à intenção de obtenção de proveito próprio ou alheio.

Consumação e Tentativa - Atinge a consumação, quer cometido pelo funcionário quer por terceiro, nos mesmos moldes do furto. Crime material; admite a tentativa, aplicando-se os mesmos princípios apreciados no delito de furto.

Ação Penal - Pública incondicionada.

Exemplo: policial que subtrai, peças de uma motocicleta furtada e que apreendera em razão de suas funções.

Peculato Culposo

§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem:

Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.

Este tipo de peculado, não intencional, ocorre quando o funcionário por negligência, imprudência ou imperícia concorre para a prática do crime de outrem seja funcionário ou simples particular. O funcionário por não observância do dever de cuidado a que estava obrigado, concorre (facilita) para a prática de condutas delituosas.outrem: Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. § 3º - No caso

§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta.

O ressarcimento do dano causando a extinção da punibilidade ou a redução de metade da pena imposta, somente é possível no peculato culposo como forma de abrandar o delito em decorrência da falta de dolo do agente.

Se a reparação do dano é anterior à sentença irrecorrível (sentença para a qual não cabe mais nenhum recurso), extingue a punibilidade. Se o ressarcimento à sentença irrecorrível, reduz a metade da pena imposta.

O ressarcimento pode ser efetuado pelo próprio réu, ou por terceiro em seu nome. Entretanto, o ressarcimento do dano provocado

ao Estado, ou a extinção da punibilidade não impedirão sanções administrativas cabíveis. Exemplos:

1 - Funcionário público municipal que tinha sob sua guarda bens da municipalidade acaba esquecendo, não intencionalmente, mas, por negligência, abertas as portas do local onde estavam os bens. Durante a noite aqueles objetos foram subtraídos. 2- Pratica peculato culposo, o funcionário público incumbido de fiscalizar o serviço, que não cumpre com o seu dever de fiscalizar, propiciando que seu subordinado aumente o número de horas extras a que tem direito e se aproprie da diferença.

Peculato mediante erro de outrem

ARTIGO 313

- Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem:

Pena: reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

Objetividade Jurídica - tutela-se a Administração Pública. tutela-se a Administração Pública.

Sujeito Ativo - Delito próprio, só pode ser cometido por funcionário público. Nada impede, entretanto, que um particular participe do fato, respondendo pelo crime.

Sujeito Passivo - Há dois sujeitos passivos. Em primeiro lugar, o Estado. De forma secundária, a vítima da fraude. O lesado, não sendo também vítima da fraude, surge com prejudicado.

Elementos Objetivos do Tipo - A conduta consiste em o funcionário público apropriar-se de dinheiro ou qualquer outra utilidade mediante aproveitamento ou manutenção do erro de outrem. Imprescindível, para que exista delito, que a entrega do bem tenha sido feita ao sujeito em razão do cargo que desempenha junto à Administração Pública e que o erro tenha relação com o seu exercício.

Elementos Subjetivos do Tipo - o dolo, que consiste na vontade livre e consciente de apropriar-se de objeto material.

Consumação e Tentativa - o delito atinge o momento consumativo quando o funcionário público se apropria do objeto material, agindo como se fosse dono. A tentativa é admissível.

Exemplo: funcionário é surpreendido no momento em que está abrindo uma carta contendo valor, a ele entregue por erro de outrem.

Circunstância Qualificada - o autor deste crime, terá sua pena aumentada da terça parte se o seu ocupante for ocupante do cargo em comissão ou de função ou assessoramento de órgão da administração direta, Sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo poder público (art. 327º, § 2º)

Ação Penal - Pública incondicionada.

Exemplo: um particular, paga a administração pública um valor superior ao devido, por ter se enganado quanto a quantia a ser paga. Caso o funcionário que recebeu o valor apropriar-se da diferença, cometera peculato mediante erro de outrem

Peculato Via Informática

A reforma penal introduzida pela Lei 9983/2000 descreve duas novas condutas penais contra a Administração Pública. Portanto,

dois tipos penais foram acrescidos aos tipos de peculato, podendo ambos, ser praticados por meio da informática. O artigo 313,

além de manter o texto original foi desdobrado em artigo 313-A e artigo 313-B.

Inserção de Dados Falsos em Sistema de Informações

Inserção de Dados Falsos em Sistema de Informações ARTIGO 313-A - Inserir ou facilitar, o funcionário

ARTIGO 313-A - Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente

dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pública com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. O tipo penal refere-se

O tipo penal refere-se apenas a previsão por funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, ou alteração, ou exclusão indevida de dados corretos no sistema informatizado da Administração Pública. Por vantagem indevida, devemos entender tanto a vantagem indevida obtida ou o extravio de créditos, bem como a liberação de débitos, ou desoneração de qualquer tipo de ordem patrimonial.

Um exemplo conhecido por muitos são os fatos ocorridos no Detran de São Paulo, onde as multas aplicadas aos motoristas infratores eram excluídas do banco de dados, permitindo aos proprietários de veículos, de ficarem livres de seus pagamentos, por ocasião de seu licenciamento.

Modificação ou Alteração Não Autorizada de Sistema de Informações

ARTIGO 313-B

ou solicitação de autoridade competente:

- Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de informações ou programa de informática sem autorização

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa.

§ único - As penas são aumentadas de um Terço até a metade se da modificação ou alteração resulta dano para a Administração Pública ou para o administrado.

Este delito tem dois aspectos distintos:dano para a Administração Pública ou para o administrado. 1) Qualquer funcionário público pode acionar o

1) Qualquer funcionário público pode acionar o sistema informatizado da Administração Pública desde que tenha autorização para tal.

2) Para a caracterização do delito previsto no artigo 312 - B, não é preciso que o agente queira obter vantagem material indevida, nem para si nem para outrem, pois o crime em questão não está associado à pretensão material.

Por exemplo: O delito descrito no artigo 313- B será configurado se um funcionário acessar o sistema informatizado da Administração Pública para excluir o registro de uma condenação penal sua ou de terceiro.

Extravio, Sonegação ou Inutilização de Livro ou Documento

ARTIGO 314

- Extraviar livro oficial ou qualquer documento, de quem tem a guarda em razão do cargo, sonegá-lo ou

inutilizá-lo, total ou parcialmente.

Pena: reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, se o fato não constitui crime mais grave.

4 (quatro) anos, se o fato não constitui crime mais grave. A integridade de livros fiscais

A integridade de livros fiscais e documentos confiados ao funcionário público, objetiva a proteger a organização da administração pública, que para alcançar seus fins necessita tê-los à disposição para suas necessidades, tais como expedir certidões as pessoas que dela necessitem, bem como para provar que seus atos são praticados em conformidade com a lei.

Objetividade Jurídica - Visa a incriminação a proteger a Administração Pública, no que diz respeito à ordem, regularidade e segurança de livros oficiais e documentação de natureza pública, ou privada, que devem manter-se íntegros.

Sujeito Ativo - crime próprio, praticado apenas pelo funcionário público no exercício do cargo, uma vez que é a ele que são confiados os objetos materiais em razão de sua atividade pública. Admite-se, entretanto, a participação de terceiro não qualificado.

Sujeito Passivo - É o estado. Nada impede, porém, que também apareça o particular como segundo sujeito passivo, ocorrendo a hipótese quando lhe pertence o objeto material (ex: um documento que esteja na posse da Administração Pública).

Elementos Objetivos do Tipo -

1 - Extraviar que quer dizer descaminhar, desviar, alterar sua destinação.

2 - Sonegar é deixar de mencionar, deixar de apresentar quando é devido ou exigido por quem de direito, esconder etc.

3 - Inutilizar é tornar imprestável par ao fim específico, a que se destina o livro ou o documento. A inutilização pode ser total (destruição) ou parcial (inutilização propriamente dita).

Elementos Subjetivos do Tipo - É o dolo, tendo o sujeito consciência de que exerce a guarda do objeto material em face do exercício do cargo.

Crime Subsidiário - é crime subsidiário percebido facilmente pela frase: se o fato não constitui crime mais grave. Deve-se procurar no Código Penal, ou em leis especiais / extravagantes se não há uma circunstância mais grave para esta conduta. Se não houver punições mais grave, receberá o infrator a pena deste artigo.

Circunstância Qualificada - o autor deste crime, terá sua pena aumentada da terça parte se o seu ocupante, for ocupante do cargo em comissão ou de função ou assessoramento de órgão da administração direta, Sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo poder público (art. 327º, §2º ).

Consumação e Tentativa - Consuma-se o delito com a realização das condutas descritas no tipo (extravio, sonegação ou

inutilização do objeto material), sendo irrelevante que, o poder público ou terceiro venha a sofrer dano concreto. A tentativa é admissível nas modalidades de extravio e inutilização. Na sonegação, contudo, não é possível. Emprego irregular de verbas ou rendas públicas

Ação Penal - Pública incondicionada.

ARTIGO 315

- Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei:

Pena: detenção, de 1 (um) a 3 (três) meses, ou multa.

Objetividade Jurídica - O tipo protege a regularidade da atividade administrativa no que diz respeito à aplicação de O tipo protege a regularidade da atividade administrativa no que diz respeito à aplicação de verbas e rendas públicas.

Sujeito Ativo - crime próprio, praticado apenas pelo funcionário público que tem poder de disposição de verbas e rendas públicas.

Sujeito Passivo São, a União, os Estados, os Municípios etc.

Elementos Objetivos do Tipo - a figura típica apresenta dois tipos:

1º) emprego irregular de verbas públicas ou 2º) emprego irregular de rendas públicas

Verbas Públicas - São importâncias em dinheiro, destinadas por lei orçamentária, à satisfação de um serviço público ou de uma utilidade pública.

Rendas Públicas São, dinheiros recebidos pela Fazenda Pública, ou a esta pertencente, seja qual for a sua origem legal.

Elementos Subjetivos do Tipo - É o dolo, vontade livre e consciente de aplicar diferentemente de sua destinação específica as tendas ou verbas de natureza pública. Não se exige nenhum fim específico, não sendo necessário, por isso, o intuito de lucro.

Circunstância Qualificada - O autor deste crime, terá sua pena aumentada da terça parte se o seu ocupante for ocupante do cargo em comissão ou de função ou assessoramento de órgão da administração direta, Sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo poder público (art. 327º, §2º ).

Consumação e Tentativa - Consuma-se o delito com a aplicação indevida das rendas ou verbas. Não basta a simples indicação ou destinação sem execução. A tentativa é admissível. Atenção: em casos de calamidade pública, justifica-se o emprego irregular das verbas e rendas públicas, para o atendimento em caráter de emergência, diante de uma situação imprevista

Acäo Penal - Pública incondicionada.

Exemplo: prefeito municipal que desvia verba destinada a saúde para construção de escola em sua base eleitoral, contrariando a Lei Orçamentária aprovada pela Câmara do Vereadores

Concussão

ARTIGO 316

- Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la,

mas em razão dela, vantagem indevida:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa.

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa . Concussão é uma

Concussão é uma forma especial de extorsão, cometida pelo funcionário público que se vale da função por meio da coação para atingir seus fins.

Objetividade Jurídica - Visa a proteger o normal desenvolvimento dos encargos funcionais, por parte da Administração Pública e na conservação e tutela do decoro desta. Protege-se também o patrimônio do particular contra a forma especial de extorsão cometida pelo funcionário, que se vale para a prática do delito, da função que desempenha, empregando-a como meio de coação para a obtenção de seus fins.

Sujeito Ativo - Em face de a concussão ser delito próprio, só pode ser o funcionário público, mesmo que ainda não tenha assumido o cargo, mas desde que aja em virtude dele.

Sujeito Passivo - É o estado, titular de interesse protegido e violado pela lesão do dever de integridade que norteia a atividade funcional. No plano secundário, aparece a vítima como sujeito passivo.

Elementos Objetivos do Tipo - O núcleo do tipo é o verbo exigir, que significa impor como obrigação, ordenar, intimar. A conduta incriminada consiste em o funcionário público exigir do sujeito passivo uma vantagem indevida, direta ou indiretamente, em razão do exercício da função. A exigência pode ser:

1º ) direta; ou 2º ) indireta

Exigência Direta: quando o funcionário, manifesta sua intenção explicitamente, ou seja, de forma clara a vítima, face a face.

Exigência Indireta: quando o agente (funcionário público), se utiliza da interposta pessoa, isto é, de outra pessoa que age como intermediária "testa de ferro: , para fazer chegar a vitima sua pretensão, ou formula exigência de maneira capciosa ou disfarçada, ou seja, implicitamente

Elementos Subjetivos do Tipo - É o dolo, vontade livre e consciente dirigida à exigência, devendo abarcar os outros dados típicos. Além dele, exige-se outro, previsto na expressão "para si ou para outrem".

Consumação e Tentativa - Consuma-se o delito, com a exigência, no momento em que esta chega ao conhecimento do sujeito passivo. Não se exige, para a consumação do delito, que é formal, a consecução do fim visado pelo agente, (a obtenção da indevida vantagem). Se esta ocorre, há simples exaurimento.

Quanto à tentativa:

1º) é inadmissível. Ou o sujeito exigiu, ou não; 2º) tratando-se, a tentativa é admissível.

Exemplo: carta extraviada contendo a exigência que chega ao conhecimento da autoridade policial.

Ação Penal - Pública incondicionada.

Elemento Subjetivo do Tipo: Há, elementos subjetivo do tipo, elencados pelas expressões para si ou para outrem e em proveito próprio ou alheio.

Tipo Normativo - Está presente na expressão indevida que qualifica a vantagem

Circunstância Qualificada - O autor deste crime, terá sua pena aumentada da terça parte se o seu ocupante do cargo em comissão ou de função ou assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo poder público (art. 327º, §2º)

Exemplos:

1) Ameaça de imposição de determinada multa pelo funcionário público, com abuso de autoridade, contra o particular, que cede ou virá a ceder por medo do poder público; 2) Policial que exige dinheiro de preso para libertá-lo após detê-lo.

Excesso de Exação

§ 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando, emprega na cobrança, meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza:

Pena - Reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.

Pena - Reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. A palavra " Exação

A palavra "Exação" significa cobrança.

Objetividade Jurídica - O bem jurídico penalmente protegido é a Administração Pública.

Sujeito Ativo - Crime próprio, praticado apenas pelo funcionário público, admitindo-se, entretanto, a participação de particular.

Sujeito Passivo - Em primeiro lugar é o estado. Em segundo lugar, o particular, vítima da conduta (como também outro funcionário).

Elementos Objetivos do Tipo - Exigir tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido; - empregar meio vexatório ou gravoso na cobrança

Uma das condutas típicas alternativas consiste em o funcionário público exigir tributos, indevidos pelo contribuinte. Na segunda as contribuições são devidas. O autor, entretanto, em sua cobrança, emprega meio vexatório ou gravoso.

Meio vexatório é o que causa humilhação, tormento, vergonha ou indignidade ao sujeito passivo. Meio gravoso é o que acarreta maiores despesas para o contribuinte.

Elementos Subjetivos do Tipo - São dois:

1º) o dolo, vontade livre e consciente de exigir ou cobrar tributos, nos moldes descritos no tipo;

2º) é necessário que o sujeito tenha pleno conhecimento da ilegitimidade do tributo. Se há dúvida sobre a ilegitimidade, não há crime por ausência de tipicidade.

Consumação e Tentativa - Na primeira modalidade típica o delito se consuma no momento em que a vítima toma conhecimento da exigência. Formal o crime, a consumação independe do efetivo pagamento do tributo. A conduta consiste em exigir e não receber. Na segunda, o crime atinge a consumação com o emprego do meio vexatório ou gravoso.

Ação Penal - Pública incondicionada.

Independe a consumação, da mesma forma, do efetivo recebimento do tributo. A tentativa é admissível no tocante ao verbo "exigir". Quanto ao verbo "cobrar", da mesma maneira, é possível a tentativa quando fracionável o fato. Exemplo: cobrança vexatória por escrito, que não chega, por circunstância alheias à vontade do funcionário, ao conhecimento do contribuinte).

Circunstância Qualificada - O autor deste crime, terá sua pena aumentada da terça parte se o seu ocupante, for ocupante do cargo em comissão ou de função ou assessoramento de órgão da administração direta, Sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo poder público (art. 327º, § 2º )

Forma Qualificada de Excesso de Exação

§ 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu indevidamente para recolher aos cofres

públicos:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. Ocorre forma qualificada de

Ocorre forma qualificada de "excesso de exação", quando o funcionário após praticar o delito, ao invés de recolher aos cofres públicos o tributo ou contribuição social que recebeu indevidamente do contribuinte, desvia-o.

O desvio (descaminho) deve ser em proveito próprio ou de outrem.

Objetividade Jurídica - Tutela-se a administração pública, cometido o fato por ocupante de cargo em omissão ou função de direção ou assessoramento, em determinadas entidades, de aplicar-se a causa de aumento de pena.

Sujeito Ativo - Crime próprio, praticado apenas pelo funcionário público, admitindo-se, entretanto, a participação de particular.

Sujeito Passivo - Em primeiro lugar é o estado. Em segundo lugar, o particular, vítima da conduta (como também outro funcionário).

Elementos Objetivos do Tipo - Trata-se de um desdobramento da primeira modalidade típica descrita no 1º do dispositivo, apresentando dois momentos:

1º ) o funcionário recebe, indevidamente, taxa, imposto ou emolumento para recolher aos cofres públicos; 2º ) após o recebimento, desvia o objeto material em proveito próprio ou alheio. Significa que, ao invés de recolher aos cofres públicos o que indevidamente recebeu, não o faz, dele se apoderando.

E se o apoderamento ocorre depois do recolhimento do tributo aos cofres público? Há delito de peculato.

Elementos Subjetivos do Tipo - O tipo apresenta dois elementos subjetivos:

1º) O dolo, vontade livre e consciente de realizar a conduta objetiva descrita na norma. 2º) A intenção de locupletação, contida na expressão "em proveito próprio ou alheio".

Consumação e Tentativa - Consuma-se o crime com o efetivo desvio do objeto. Tratando-se de crime material, admite a figura da tentativa.

Ação Penal - Pública incondicionada.

Corrupção Passiva

ARTIGO 317

- Solicitar ou receber, para si, ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de

assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:

Pena: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 10.763, de 12.11.2003)

Há dois tipos de corrupção:multa . (Redação dada pela Lei nº 10.763, de 12.11.2003) Ativa e Passiva. A corrupção Passiva

Ativa e Passiva.
Ativa
e Passiva.

A corrupção Passiva é aquela em que qualquer pessoa oferece ou promete vantagem indevida a funcionário público, para que

este pratique, omita ou retarde qualquer ato de ofício.

A corrupção é Ativa quando se tem por objeto a figura do corruptor, e será estudada no artigo 323º do CP, pois é corrupção

prevista como infração separada e independente da Passiva.

Objetividade Jurídica - Tutela-se a administração pública em relação ao interesse patrimonial e moral.

Sujeito Ativo - Crime próprio, praticado apenas pelo funcionário público.

Sujeito Passivo - É o Estado.

Elementos Objetivos do Tipo - A conduta proibida consiste em o funcionário público solicitar ou receber a vantagem ou aceitar a promessa de recebê-la. Solicitar significa pedir, manifestar o desejo de alguma coisa; receber quer dizer aceitar.

Pode também ocorrer o delito mediante a aceitação do recebimento da promessa, concordando o sujeito com a proposta feita pelo terceiro. A solicitação pode ser direta ou indireta. Ocorre a forma direta quando o funcionário se manifesta de maneira explícita, frente a frente ou por escrito, ao sujeito corruptor. Indireta quando age por interposta pessoa.

Elementos Subjetivos do Tipo - O primeiro é o dolo, vontade livre e consciente de realizar as elementares de natureza objetiva.

O segundo se encontra na expressão "para si ou para outrem". Não se exige que o sujeito tenha a intenção de realizar ou deixar

de realizar o ato de ofício objeto da corrupção.

Consumação e Tentativa - Crime formal, a corrupção passiva atinge o momento consumativo no instante em que a solicitação

chega ao conhecimento do terceiro, ou em que o funcionário recebe a vantagem ou aceita a promessa de sua entrega. Quanto à

tentativa:

1º ) No tocante à solicitação: tratando-se de forma verbal, não é admissível. Cuidando-se, entretanto, de meio escrito, é possível a tentativa. 2º) Em relação ao recebimento da vantagem: não é também admissível a tentativa, seja o meio verbal ou por escrito. Ou ele aceita ou não aceita.

Ação Penal - Pública incondicionada.

Corrupção Passiva Qualificada

§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em conseqüência da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional.

ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional. Nesse caso o crime é agravado, porque

Nesse caso o crime é agravado, porque o funcionário público além da corrupção caracterizada pela solicitação ou aceitação de vantagens recebidas ou oferecidas, viola seu dever funcional, incorrendo em três tipos de atitudes que prejudicam a administração pública.

1) Retardar a prática de ato de ofício (atraso) Exemplo: oficial de justiça que segura mandado beneficiando o réu.

2) Deixar de praticar qualquer ato de Ofício (omissão) Exemplo: oficial de justiça que não encontra bens para penhorar.

3) Prática de ato que infringe dever funcional

Exemplo: funcionário que se deixa corromper, para permitir que uma pessoa passe à frente das outras

Corrupção Passiva Privilegiada

§ 2º Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo a pedido de outrem:

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.

Diferencia-se de outras formas de corrupção passiva pelo motivo que determina a conduta do funcionário.- detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa. Neste caso, o funcionário

Neste caso, o funcionário pratica, ou deixa de praticar ou retarda ato de ofício com infração do dever funcional.

Mas, assim procede a pedido ou influência de outrem, a quem interessa bajular, adular ou até mesmo por medo.

O funcionário não vende o ato funcional visando receber alguma vantagem. Na verdade ele transige com seu dever funcional

perante a administração para atender pedido de terceiros.

Neste delito a conduta é chamada de privilegiada, pois, trata-se de conduta de menor gravidade.

Sujeito Ativo - Crime próprio, praticado apenas pelo funcionário público.

Sujeito Passivo - O estado e subsidiariamente, o particular lesado.

Elementos Objetivos do Tipo - Circunstância privilegiada.

Elementos Subjetivos do Tipo - O dolo, que consiste na vontade do funcionário público de ceder a pedido de outro conscientemente.

É uma forma privilegiada de crime que ocorre. Nesse caso, a pena é abstratamente reduzida. Ele não vende o ato funcional em

face de interesse próprio ou alheio, pretendendo receber uma vantagem. Na verdade, transige com seu dever funcional perante a administração pública para atender pedido de terceiro influente ou não. Exige-se que haja pedido ou influência. É a deferência do

sujeito ativo que dá origem ao delito.

Ação Penal - Pública incondicionada.

Exemplos:

1) Oficial de justiça aprovado em concurso público, antes de entrar no exercício de suas funções solicita a um advogado a quantia de mil reais para atrasar um processo movido contra o seu cliente.

2) Recebimento de propina pelo policial rodoviário para não lavrar multas diante de irregularidades encontradas.

3) Policiais, que mesmo fora de horário de serviço recebem vantagem ilícita para fazer segurança de contrabando, sem dele participar diretamente, praticam o crime de corrupção passiva.

diretamente, praticam o crime de corrupção passiva. Prevaricação ARTIGO 319 lei, para satisfazer interesse ou

Prevaricação

ARTIGO 319

lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:

- Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de

Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.

Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. Prevaricação é a infidelidade

Prevaricação é a infidelidade ao dever de ofício. Ocorre a prevaricação, quando o funcionário público, movido por interesse ou sentimento pessoal, retarda ou deixa de praticar indevidamente, ato de ofício, ou pratica-o de maneira contrária a disposição expressa em lei.

Interesse Pessoal- É a vantagem pretendida pelo funcionário seja moral ou material.

Sentimento Pessoal - Diz respeito ao afeto dos funcionários para com as pessoas, como amor, ódio, simpatia, antipatia, vingança, piedade, etc.

Ato de Ofício - É aquele que se encontra dentro da competência do funcionário, nos moldes das atribuições por ele exercida. Exemplo: realizar citações, intimações, penhoras, etc., são Atos de Ofício do oficial de justiça.

Objetividade Jurídica - É um delito que ofende a administração pública, causando dano ou perturbando o normal desenvolvimento de sua atividade. O funcionário não mercadeja sua função, o que ocorre na corrupção passiva, mas a degrada ao violar dever de ofício para satisfazer objetivos pessoais.

Sujeito Ativo - Crime próprio, só pode ser cometido por funcionário público.

Sujeito Passivo - É o estado. Eventualmente, pode também surgir como sujeito passivo secundário o particular que vem a sofrer dano ou perigo de dano em face da realização, omissão ou retardamento da prática do ato de ofício.

Elementos Objetivos do Tipo - O crime pode ser realizado de três maneiras:

1º ) retardando ato de ofício; 2º ) deixando de realizá-lo; e 3º ) realizando-o.

Nas duas primeiras formas o delito é omissivo; na terceira, comissivo.

Retardar significa protelar, não realizar o ato de ofício dentro de um prazo estabelecido pela lei, pouco importando, que a demora venha a tornar sem validade o ato posteriormente praticado.

Na segunda forma de cometimento do delito o sujeito, definitivamente, não realiza o ato. Na terceira, ele o realiza, embora de forma contrária à estabelecida na lei.

Nesse último caso, não se cuida de ato de ofício, mas de ato que transgride o mandamento legal (lei e não regulamento).

Elementos Subjetivos do Tipo - O primeiro é o dolo, vontade livre e consciente dirigida ao retardamento, omissão ou realização do ato. O segundo elemento subjetivo do tipo se encontra na expressão "para satisfazer interesse ou sentimento pessoal".

Sem a finalidade alternativa a conduta é absolutamente atípica.

Consumação e Tentativa - O delito atinge o momento consumativo com a omissão, retardamento ou realização do ato. Na omissão e no retardamento, sendo omissivo próprio o delito, não se admite a forma tentada. Na prática do ato, sendo comissivo o crime, a tentativa é admissível.

Ação Penal - Pública incondicionada.

Elemento Subjetivo do Tipo - Consubstancia-se na expressão para satisfazer interesse ou sentimento pessoal.

Elemento Normativo do Tipo - Percebe-se pela expressão contra expressa disposição de lei e também que o retardamento e a omissão da realização do ato de ofício devem ser indevidos.

Exemplos:

1) Oficial de justiça, retarda no cumprimento de mandado de busca e apreensão em favor do credor, pois é inimigo pessoal deste (prevaricação por sentimento pessoal) 2) Prefeito que ordenou construção de obra pública sem a prévia concorrência , favorecendo abertamente, firma na qual tinha interesse (prevaricação por interesse pessoal).

ARTIGO 319-A - Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso

a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo:

(Incluído pela Lei nº 11.466, de 2007).

Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.

O crime de omissão no dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, previsto no art. 319-A, do Código Penal, foi introduzido recentemente pela Lei nº 11.466, de 28 de março de 2007, tendo como objetividade jurídica a proteção da Administração Pública.2007). Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. Tratou-se de providência imperativa, fruto

Tratou-se de providência imperativa, fruto de inúmeros fatos gravíssimos ocorridos recentemente, onde facção criminosa organizada controlava, via telefone celular, suas atividades fora dos presídios, trazendo sérios transtornos às autoridades

constituídas e aos cidadãos em geral.

A indignação da sociedade, neste mister, reside justamente no fato de ingressarem livremente, no sistema prisional, aparelhos

telefônicos celulares, permitindo aos detentos continuar a agir ou gerir suas atividades criminosas do interior do cárcere.

É bem de ver, entretanto, que a iniciativa do legislador em criminalizar tal conduta veio tardiamente e bastante acanhada, já que

tipificou tão somente a conduta do Diretor de Penitenciária ou agente público que se omite no dever de vedar ao preso o acesso a aparelhos telefônico, rádio ou similar, silenciando a respeito de crime praticado pelo detento que faz uso de tais instrumentos.

Assim é que, sujeito ativo desse crime somente pode ser o Diretor de Penitenciária ou o agente público que tenha o dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar. Trata-se de crime próprio. Nada impede que ocorra co-autoria ou participação entre o Diretor da Penitenciária e outro agente público que tenha o dever de vedar ao preso o acesso aos aparelhos mencionados, ou entre qualquer um desses e um particular. Nesse caso, a qualidade de agente público do sujeito ativo, por ser elementar do crime, comunica-se ao particular, nos termos do que dispõe o art. 30 do Código Penal.

Sujeito passivo é o Estado.

A conduta vem representada pelo verbo “deixar”, que significa omitir-se na realização de ato que deveria praticar, indicando omissão própria. O dever de agir incumbe ao Diretor da Penitenciária e/ou ao agente público. Dentre os deveres do Diretor da Penitenciária e do agente público responsável pela custódia do preso está o de vedar-lhe o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo.

É bem verdade que a comunicação do preso com o mundo exterior é direito previsto no art. 41, XV, da Lei nº 7.210/84 Lei de

Execução Penal, que permite a ele o “contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da leitura e de outros

meios de informação que não comprometam a moral e os bons costumes.”

A recente Lei nº 11.466, de 28 de março de 2007, entretanto, ao invés de criminalizar a conduta, acrescentou ao rol de faltas

graves que podem ser cometidas pelo preso (art. 50 da Lei nº 7.210/84), a posse, utilização ou fornecimento de aparelho

telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo.

É necessário ressaltar que o crime em comento não distingue telefonia fixa de celular. Portanto, pratica esse delito o Diretor de

Penitenciária ou agente público que, por omissão, possibilitar ao preso o acesso a aparelho de telefonia fixa. Pratica, em conseqüência, falta grave, o preso que utilizar aparelho de telefonia fixa.

O preso que possuir, utilizar ou fornecer aparelho telefônico, de rádio ou similar, estará sujeito às sanções disciplinares previstas

nos incisos I (advertência verbal), II (repreensão), III (suspensão ou restrição de direitos) e IV (isolamento), do art. 53 da Lei nº

7.210/84.

Trata-se de crime doloso, caracterizado pela vontade livre e consciente de omitir-se o agente no dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar.

A consumação ocorre com a mera omissão do Diretor da Penitenciária ou do agente público.

Não se admite tentativa, por se tratar de crime omissivo próprio.

Somente o tempo dirá se essa providência legislativa irá coibir o ingresso de aparelhos telefônicos celulares, rádios ou similares, nos presídios de todo o país. Um passo nesse sentido já foi dado, podendo o legislador, no futuro, ousar e criminalizar essa conduta também em relação ao preso que fizer uso de tais instrumentos, equiparando legislativamente o Brasil a outros países desenvolvidos do mundo, que tratam com mais prudência e seriedade a questão da criminalidade organizada dentro e fora dos presídios.

Condescendência Criminosa

ARTIGO 320

- Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício

do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente:

Pena: detenção, de 15 (quinze) dias a 1 (um) mês, ou multa.

Condescendência significa indulgência, tolerância, complacência. significa indulgência, tolerância, complacência.

A condescendência criminosa ocorre quando determinados funcionários públicos em cargos de chefia, que tomando

conhecimento de infrações cometidas por funcionários subalternos, agem de forma indulgente, não responsabilizando e nem

adotando medidas para sanar as irregularidades.

Objetividade Jurídica - A incriminação protege a dignidade e a eficiência da máquina administrativa, no que diz respeito ao seu normal desenvolvimento.

Sujeito Ativo - Crime próprio, só pode ser cometido por funcionário público.

Sujeito Passivo - É o Estado.

Elementos Objetivos do Tipo - Há duas condutas típicas:

1º) deixar de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo; e 2º) não levar o fato cometido pelo subordinado, quando a iniciativa da apuração de sua responsabilidade não é de sua competência, a conhecimento da autoridade competente.

Deixar de responsabilizar significa não apurar o fato cometido pelo subordinado que cometeu a infração ou não lhe aplicar a sanção adequada, dentro da esfera de sua competência.

Na Segunda hipótese, o funcionário, não sendo competente para efetuar a responsabilidade do subordinado pela falta cometida (infração), não dá notícia à autoridade competente.

No crime de condescendência criminosa, é pressuposto que o funcionário tenha cometido a infração penal (por exemplo:

corrupção passiva ou administrativa que se caracteriza por: exercer comércio entre colegas de trabalho). Em ambas as modalidades deste delito, a ação do agente deve ser de indulgência

Elementos Subjetivos do Tipo - É o dolo, vontade livre e consciente dirigida às condutas omissivas. O segundo está na expressão "por indulgência". O funcionário deixa de agir por clemência, tolerância, brandura etc. Se a razão da conduta é outra, como o atendimento de sentimento ou interesse pessoal, o fato constitui prevaricação. Se, pretende obter vantagem indevida, deve ser considerado o crime de corrupção passiva.

Consumação e Tentativa - Esse crime atinge a consumação com a simples conduta negativa. A tentativa não é admissível.

Ação Penal - Pública incondicionada.

Exemplos de Condescendência Criminosa:

1) O chefe de cartório verifica que o escrevente constantemente se apresenta embriagado no serviço, e por indulgência, não

comunica o fato ao juiz. 2) Delegado de polícia constata que determinado escrivão está sempre chegando atrasado ao serviço, prejudicando os trabalhos ,

e por tolerância não instaura a sindicância administrativa correspondente.

Advocacia Administrativa

ARTIGO 321

qualidade de funcionário:

Patrocinar é advogar em favor de alguém, é defender, proteger, auxiliar e dar amparo.

- Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da

Pena: detenção, de 1 (um) a 3 (três) meses, ou multa.

da Pena: detenção, de 1 (um) a 3 (três) meses, ou multa. Conforme o sentido dado

Conforme o sentido dado ao texto do artigo 321º, advocacia administrativa significa intervir em favor de alguém junto a administração pública, aproveitando-se de sua condição de funcionário público. Embora o título seja advocacia administrativa, o sujeito ativo não precisa ser advogado, devendo, no entanto, ser necessariamente funcionário público.

Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo:

Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, além da multa.

Objetividade Jurídica - Protege-se, a administração pública.

Sujeito Ativo - Crime próprio, só pode ser cometido por funcionário público.

Sujeito Passivo - Sujeito passivo é o Estado.

Elementos Objetivos do Tipo - Patrocinar interesse de outrem. Patrocinar significa pleitear, advogar, facilitar, etc. O interesse privado pode ser legítimo ou ilegítimo. Se ilegítimo, há o crime previsto no parágrafo único.

O delito pode ser cometido de duas formas: direta e indireta.

Forma Direta - Neste caso o funcionário age pessoalmente em defesa dos interesses particulares, sem intermediários, elaborando requerimentos, petições, defesas, etc.

O funcionário também pode agir de modo dissimulado, realizando acompanhamento pessoal de processos, formulando pedidos a

encarregados dos mesmos para agilizá-los, tomando conhecimento de despachos sigilosos etc.

Forma Indireta - O funcionário age por interposta pessoa, ou seja, vale-se de um terceiro que faz as vezes do funcionário, que se mantém oculto. Este intermediário atua como se fosse o funcionário advogando interesse de particulares, assinando requerimentos, petições etc.

Elementos Subjetivos do Tipo - É o dolo, vontade livre e consciente de patrocinar interesse privado junto à administração pública.

Consumação e Tentativa - Consuma-se o delito com a realização do primeiro ato de patrocínio, independentemente de o funcionário obter algum resultado pretendido. Admite-se a tentativa, sendo crime formal.

Ação Penal - Pública incondicionada.

Exemplo: escrivão do segundo distrito policial, intervém, junto a delegado de polícia do terceiro distrito policial com a intenção de fazer com que aquela autoridade não indicie parente que atropelou transeunte.

Violência Arbitrária

ARTIGO 322

- Praticar violência, no exercício de função ou a pretexto de exercê-la:

Pena: detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, além da pena correspondente à violência.

Para alguns, esse crime foi revogado pela lei que define os delitos de abuso de autoridade.3 (três) anos, além da pena correspondente à violência. Objetividade Jurídica - A lei penal tutela

Objetividade Jurídica - A lei penal tutela a administração pública.

Sujeito Ativo - Trata-se de crime próprio. Só pode ser cometido por funcionário público.

Sujeito Passivo - O sujeito passivo é o Estado. Além dele, o indivíduo sujeito ao abuso do funcionário.

Elementos Objetivos do Tipo - O comportamento proibido consiste em praticar violência, no exercício da função ou a pretexto de exercê-la.

A expressão "violência" significa emprego de força bruta, que se materializa em, vias de fato, lesão corporal ou homicídio. Ficam

excluídas a violência moral e a usada contra a coisa. É indispensável que o comportamento abusivo seja realizado no desempenho da função ou sob a desculpa de exercê-la.

Elementos Subjetivos do Tipo - O primeiro é o dolo, vontade livre e consciente de praticar o ato violento, e a consciência da ilegitimidade da conduta.

Consumação e Tentativa - Consuma-se o delito com a prática da violência. A tentativa é admissível. Exemplo: o soldado desfere um golpe, usando um cacetete, contra a vítima, errando o algo.

Ação Penal - Pública incondicionada.

Exemplos :

1)

Indignado com o comportamento do citando, que é acusado de violência sexual, contra o próprio filho, recusando-se agora a receber a contra fé, o oficial de justiça perdeu o controle dos nervos e espancou o citando.

2)

Oficial de justiça, que no exercício de sua função, agride no edifício do Fórum pessoa a quem citara por engano e que reclamava contra isso.

Abandono de Função

ARTIGO 323

- Abandonar cargo público, fora dos casos permitidos em lei:

Pena: detenção, de 15 (quinze) dias a 1 (um) mês, ou multa.

Consiste, no afastamento intencional e proposital do cargo por parte do funcionário público, ausentando-se este de maneira afastamento intencional e proposital do cargo por parte do funcionário público, ausentando-se este de maneira arbitrária do local onde exerce suas funções, tendo consciência da irregularidade de sua conduta e da possibilidade de causar dano a administração com sua ausência

Objetividade Jurídica - A lei penal protege a administração pública, no que concerne à regularidade da prestação de serviços públicos.

Sujeito Ativo - Crime próprio, só pode ser sujeito ativo o funcionário público regularmente investido no cargo público.

Sujeito Passivo - Sujeito passivo é o Estado.

Elementos Objetivos do Tipo - O núcleo do tipo é o verbo abandonar (cargo público) que significa afastar-se com propósito, ausentar-se de maneira arbitrária do local onde se exerce o cargo público. O abandono deve ser total, o sujeito deve afastar-se de maneira global de seus deveres para a administração pública. Esse abandono deve acarretar probabilidade de dano ao setor público.

Além disso, deve ser por um tempo razoável, juridicamente relevante. Se há abandono, porém sem causar probabilidade de dano ao poder público, ou por tempo insignificante, não existe o delito. Exemplo: o funcionário abandona o cargo, imediatamente satisfeitos, os seus deveres, por um substituto. Pode haver falta disciplinar, mas não crime. Se o funcionário pedir demissão, deverá aguardar deferimento do pedido a fim de afastar-se de suas obrigações. Se, foi demitido, não tem mais deveres com o poder público, podendo afastar-se definitivamente do exercício do cargo. Se ele pede demissão e desde logo se afasta, não esperando o deferimento de seu pedido, pode haver o delito em exame.

Elementos Subjetivos do Tipo - É o dolo, vontade livre e consciente de abandonar o efetivo exercício do cargo público, abrangendo o conhecimento da irregularidade da conduta e da probabilidade de dano à administração pública. Não é punível a conduta negligente.

Consumação e Tentativa - Consuma-se o delito com o afastamento do exercício do cargo público por tempo juridicamente relevante. Delito omissivo próprio, não admite a forma tentada

Ação Penal - Pública incondicionada.

§ 1º - Se do fato resulta prejuízo público:

Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.

Quando o abandono causa prejuízo público.

Se este ocorrem a pena é agravada. Trata-se de uma hipótese e de delito exaurido em que o resultado da conduta qualifica o tipo.

§ 2º - Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de fronteira:

Pena: detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

Considera-se faixa de fronteira a situada a 150 km da nossa divida com nossos países. A proteção penal é de relevância uma vez que o abandono realizado pelo funcionário, dada à natureza do local, pode afetar os altos interesses nacionais junto às nossas fronteiras.

Conforme o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis, só haverá o abandono de função se o funcionário interromper o exercício de suas atividades por mais de 30 (trinta) dias consecutivos. "considerar-se-á abandono do cargo, o não comparecimento do funcionário por mais de 30 (trinta) dias consecutivos". Exemplo: abandonar o cargo, deixando ao desamparo, sem alguém que possas substituir o desertor.

Exercício Funcional Ilegalmente Antecipado ou Prolongado

ARTIGO 324

- Entrar no exercício da função pública antes de satisfeitas as exigências legais, ou continuar a exercê-la,

sem autorização, depois de saber oficialmente que foi exonerado, removido, substituído ou suspenso:

Pena: detenção, de 15 (quinze) dias a 1 (um) mês, ou multa.

Mais uma vez o Direito Penal procura proteger a regularidade administrativa, que poderá ser afetada negativamente por exercício inadequado das funções por aqueles que estão impedidos de exercê-las por decorrência da não satisfação das exigências legais para a investidura no cargo. (exame de saúde, falta de determinado documento pessoal, etc.).detenção, de 15 (quinze) dias a 1 (um) mês, ou multa. Funcionários, que continuam trabalhando, sem

Funcionários, que continuam trabalhando, sem autorização, exonerado ou suspenso poderão afetar negativamente o serviço público.

Objetividade Jurídica - O objeto jurídico é a regularidade da administração pública.

Sujeito Ativo - Trata-se de crime próprio, por isso só pode ser cometido por funcionário público.

Sujeito Passivo - O Estado.

Elementos Objetivos do Tipo - A norma incriminadora descreve duas condutas: entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências legais; continuar exercendo depois de exonerado, substituído, suspenso ou removido.

Na primeira modalidade típica é indispensável que o sujeito já tenha sido nomeado para o cargo público, uma vez que o que se tem em vista é o início irregular da atividade funcional.

Elementos Subjetivos do Tipo - É o dolo, vontade livre e consciente de antecipar o início da atividade funcional, que abrange conhecimento da insatisfação das exigências legais.

Na segunda forma típica o primeiro elemento subjetivo é o dolo, vontade de prosseguir no exercício da função pública. Exige-se um segundo elemento subjetivo, contido na expressão "Depois de saber oficialmente", que foi exonerado, etc.

A ausência de qualquer elemento subjetivo do tipo conduz à atipicidade do fato.

Consumação e Tentativa - O momento consumativo do delito ocorre com a realização do primeiro ato de ofício indevido. Não é necessário que o funcionário realize indevidamente uma série de atos funcionais. Basta a prática de um. A tentativa é admissível.

Ação Penal - Pública incondicionada.

Exemplos:

1) O oficial de justiça que foi removido para outra comarca e resolve deixar em dia os mandados que não cumpriu quando estava na comarca de origem. 2) Delegado de polícia que resolve lavrar auto de prisão em flagrante depois de devidamente exonerado.

Violação de Sigilo Funcional

ARTIGO 325

- Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a

revelação:

Pena: detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave.

§ 1 o Nas mesmas penas deste artigo incorre quem: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

I - permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas

não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

II - se utiliza, indevidamente, do acesso restrito. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

§ 2 o Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) sigilo. Segredo é fato cujo conhecimento

sigilo.

Segredo é fato cujo conhecimento é restrito a limitado número de pessoas e em que há interesse de que seja mantido em

Determinados fatos são mantidos em segredo pela administração pública, pois a revelação de tais fatos poderia comprometer a normalidade de seu funcionamento. Entretanto, é necessário que o segredo seja guardado apenas temporariamente.

O crime ocorre, quando o segredo é revelado dentro do período de temporalidade, ou seja, dentro do espaço de tempo provisório

em que o segredo deva ser mantido.

Objetividade Jurídica - O legislador visa a proteger a administração pública no que concerne ao interesse de manter em segredo certos fatos da vida funcional.

Sujeito Ativo - Crime próprio, sendo praticado apenas pelo funcionário público.

Sujeito Passivo - É o Estado, e eventualmente o particular prejudicado pela revelação.

Elementos Objetivos do Tipo - Estão expostos dois núcleos típicos.

Revelar; consiste em comunicar o fato ou circunstância a terceiro. É a chamada revelação direta, executada pessoalmente pelo funcionário, por escrito ou verbalmente. Cuida-se de conduta positiva.

Facilitar-lhe a revelação, que quer dizer concorrer com comportamento próprio a fim de se tornar fácil o conhecimento do fato ou da circunstância pelo terceiro. E a chamada revelação indireta, que pode ser realizada mediante conduta positiva ou negativa.

Trata-se de segredo de interesse público.

Elementos Subjetivos do Tipo - O primeiro é o dolo, vontade livre e consciente dirigida à revelação indevida do segredo ou sua facilitação, abrangendo conhecimento de que o fato deve, pela sua natureza, permanecer em sigilo. O segundo elemento subjetivo do tipo está na expressão "de que tem ciência em razão do cargo". Se o sujeito não teve conhecimento do segredo em razão do cargo, não há delito. A conduta culposa não é típica.

Consumação e Tentativa - Consuma-se o delito com o ato da revelação do segredo ou de sua facilitação. Crime formal; independe da produção de dano. No primeiro caso (revelação) o delito atinge o seu momento consumativo no instante da revelação; no instante em que o terceiro toma conhecimento do conteúdo do segredo. No segundo (facilitação) consuma-se a infração no momento em que o terceiro, em face da facilitação, realizada pelo funcionário, toma ciência do fato sigiloso.

Na revelação, pode haver tentativa do crime quando realizada por escrito. Quando é empregado o meio oral, contudo, a figura tentada é inadmissível.

Na facilitação a tentativa também é possível, desde que, realizado o ato infiel pelo funcionário, o terceiro, por qualquer circunstância, não venha a tomar conhecimento do conteúdo do segredo.

Ação Penal - Pública incondicionada.

Exemplo: professor integrante de banca examinadora que, antecipadamente fornece a alguns alunos cópias de questões que iam ser formuladas na prova ou lhes antecipa os "gabaritos" com as respostas de exame vestibular.

Violação de Sigilo de Proposta de Concorrência

ARTIGO 326

- Devassar o sigilo de proposta de concorrência pública, ou proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-lo:

Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.

As compras de materiais utilizados pelo serviço público, são geralmente efetuadas por meio de concorrências públicas.Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. Nas concorrências públicas, as

Nas concorrências públicas, as propostas são entregues pelas empresas interessadas, em envelopes lacrados, que são depositados em urnas. A abertura dos envelopes é realizada perante uma comissão de compras e interessados. Ao final dos procedimentos é lavrada uma Ata que é assinada por todos.

Objetividade Jurídica - Procura-se proteger a Administração Pública no que tange à lisura que deve nortear as concorrências públicas, que têm a finalidade de imprimir moralidade nos negócios efetuados pelo poder público, concedendo plano de igualdade aos concorrentes e permitindo a justa escolha daquele que oferece melhores condições.

Sujeito Ativo - Só pode ser o funcionário público. Mas não qualquer funcionário. O tipo exige uma qualidade específica do autor:

deve ser funcionário que tem a função especial de receber as propostas, guardá-las e permitir o seu conhecimento a quem de direito no momento próprio.

Sujeito Passivo - O Estado, e os concorrentes eventualmente prejudicados pela devassa do conteúdo sigiloso das propostas.

Elementos Objetivos do Tipo - Dois são os núcleos do tipo:

Devassar (significa tomar conhecimento indevido da proposta de concorrência) é proporcionar a terceiro o ensejo do

devassamento. Nesse caso, por ação ou omissão, o funcionário dá oportunidade a que um terceiro tome conhecimento do conteúdo da proposta de concorrência.

Elementos Subjetivos do Tipo - É o dolo, vontade livre e consciente dirigida ao devassamento do conteúdo da proposta de concorrência pública. Não é típica a modalidade culposa.

Consumação e Tentativa - Consuma-se o delito no momento em que o funcionário (na devassa) ou o terceiro (na hipótese do verbo proporcionar) toma conhecimento do conteúdo da proposta. A tentativa é admissível. Exemplo: o funcionário é surpreendido abrindo o envelope da proposta, não conseguindo, por isso, conhecer-lhe o conteúdo.

Ação Penal - Pública incondicionada.

Exemplo: funcionário que exerce funções ligadas à concorrência, viola envelope que contém proposta de concorrência, tomando ciência do seu conteúdo e informando um terceiro interessado na concorrência.

Funcionário Público

ARTIGO 327

- Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem

remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.

§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para

empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública.

pela Lei nº 9.983, de 2000)

(Incluído

§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 6.799, de 1980)

Este artigo simplesmente diz quem é considerado funcionário público para a lei penal.poder público. (Incluído pela Lei nº 6.799, de 1980) DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A

DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL

Usurpação de função pública

Usurpar o exercício de função pública:

Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa. Parágrafo único - Se do fato o agente aufere vantagem:

Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.

Resistência

Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio:

Pena - detenção, de dois meses a dois anos.

§ 1º - Se o ato, em razão da resistência, não se executa:

Pena - reclusão, de um a três anos.

§ 2º - As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência.

Desobediência

Desobedecer a ordem legal de funcionário público:

Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa.

Desacato

Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.

Tráfico de Influência

Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função: (Redação dada pela Lei nº 9.127, de 1995) Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.127, de 1995) Parágrafo único - A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é também

Corrupção ativa

Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 10.763, de 12.11.2003) Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional.

ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional. Impedimento, perturbação ou fraude de concorrência

Impedimento, perturbação ou fraude de concorrência

Impedir, perturbar ou fraudar concorrência pública ou venda em hasta pública, promovida pela administração federal, estadual ou municipal, ou por entidade paraestatal; afastar ou procurar afastar concorrente ou licitante, por meio de violência, grave am eaça, fraude ou oferecimento de vantagem:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, além da pena correspondente à violência. Parágrafo único - Incorre na mesma pena quem se abstém de concorrer ou licitar, em razão da vantagem

oferecida.

Inutilização de edital ou de sinal

Rasgar ou, de qualquer forma, inutilizar ou conspurcar edital afixado por ordem de funcionário público; violar ou inutilizar selo ou sinal empregado, por determinação legal ou por ordem de funcionário público, para identificar ou cerrar qualquer objeto:

Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.

Subtração ou inutilização de livro ou documento

Subtrair, ou inutilizar, total ou parcialmente, livro oficial, processo ou documento confiado à custódia de funcionário, em razão de ofício, ou de particular em serviço público:

Pena - reclusão, de dois a cinco anos, se o fato não constitui crime mais grave.

FALSO TESTEMUNHO OU FALSA PERÍCIA DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA

Tratam-se crimes praticados contra quem administra a justiça. Neste capítulo existem alguns crimes próprios; como por exemplo, o do artigo 342 do Código Penal e alguns crimes comuns, como o do artigo 357 do Código Penal.PERÍCIA DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇ A Denunciação Caluniosa ARTIGO 339 - crime de

Denunciação Caluniosa

ARTIGO 339 -

crime de que o sabe inocente:

Dar causa a instauração de investigação policial ou de processo judicial contra alguém, imputando-lhe

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa.

§ 1º - A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto.

§ 2º - A pena é diminuída de metade, se a imputação é de prática de contravenção.

metade, se a imputação é de prática de contravenção. Também denominada calúnia qualificada. Não se confunde

Também denominada calúnia qualificada. Não se confunde com a calúnia (CP, artigo 138º).

Na calúnia, o sujeito somente, atribui, falsamente, ao sujeito passivo, a prática de um fato descrito como delito.

Na denunciação caluniosa o sujeito, além de atribuir à vitima falsamente, a prática de um delito, também leva o fato ao conhecimento da autoridade, levando a instauração de inquérito policial ou ação penal contra ela.

Objetividade Jurídica - Tutelar a administração da justiça, primeiramente e secundariamente, a honra da pessoa acusada. Sujeito Ativo - Crime comum, pratica o delito qualquer pessoa que imputa a prática do crime a alguém, sabendo-o inocente. O

delito pode ser cometido por Delegado de polícia, por Juiz de Direito ou por Promotor de Justiça, que tendo conhecimento da inocência do imputado, mesmo assim, dão causa à instauração de investigação, inquérito e ação penal. Sujeito Passivo - Principal é o Estado, secundariamente, a pessoa atingida em sua honra pela denunciação caluniosa. Elementos Subjetivos do Tipo - O primeiro é o dolo, vontade livre e consciente de denunciar caluniosamente a vítima, tendo conhecimento de que está dando causa a investigação policial ou processo penal. Exige-se também um segundo elemento, contido na expressão "de que sabe inocente". Sem este elemento, o crime inexiste. Consumação e Tentativa - Ocorre com a instauração da investigação policial ou processo penal pela autoridade. A tentativa é admissível. Ação Penal - Pública incondicionada. Exemplo : réu que pretendendo ser absolvido, acusa terceiro como mandante de um crime, sabendo-o inocente.

Comunicação Falsa de Crime ou Contravenção

ARTIGO 340 -

se ter verificado:

Provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe não

Pena - detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.

A comunicação falsa de infração penal é distinta da denunciação caluniosa. Nesta, o sujeito indica uma pessoa determinada como

sendo a autora da infração, enquanto na comunicação falsa, ao contrário, não se aponta o indivíduo determinado como autor do

crime ou da contravenção que sabe não ter acontecido.

Objetividade Jurídica - É a regular administração da justiça. A falsa comunicação da infração afeta o prestígio e a eficácia da atividade judiciária, provocando investigações ou diligências inúteis e embaraçando seu normal desenvolvimento. Sujeito Ativo - Crime comum, pode ser cometido por qualquer pessoa, inclusive pelo funcionário público. Sujeito Passivo - O Estado Elementos Objetivos do Tipo - O núcleo empregado é o verbo provocar, que tem o sentido de ocasionar, motivar. O artigo 340º, incrimina o comportamento de quem provoca a ação de autoridade (policial ou judiciária), comunicando-lhe a ocorrência de crime ou contravenção que sabe não ter ocorrido.

O modo como a comunicação é feita é irrelevante, podendo ser ela, oral, escrita, anônima ou com nome imaginário. Entretanto, a

simples comunicação é insuficiente para configurar o delito, pois é indispensável que a autoridade pública aja, iniciando diligências

(colhendo dados, ouvindo pessoas, etc). Não é necessário contudo, que seja instaurado inquérito policial.

É possível que o sujeito comunique um furto, quando na realidade ocorreu um roubo. Nesse caso, não há delito. Existe delito,

entretanto, quando o fato apresentado é essencialmente diferente daquele que foi cometido, como por exemplo, estupro ao invés

de furto.

Elementos Subjetivos do Tipo - É o dolo, vontade livre e consciente de comunicar a infração que não ocorreu. Exige também o elemento subjetivo do tipo referente ao especial fim de agir, para provocar a ação da autoridade. Consumação e Tentativa - Ocorre com a ação da autoridade, quando esta elabora o boletim de ocorrência, realiza coleta de informações, efetua as diligências , etc. A tentativa é admissível. Ação Penal - Pública incondicionada.

Auto-Acusação Falsa

ARTIGO 341 -

Acusar-se, perante a autoridade, de crimes inexistentes ou praticado por outrem:

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa.

- detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa. Também a auto-acusação falsa

Também a auto-acusação falsa não se confunde com a denunciação caluniosa, uma vez que, nesta, o sujeito acusa um terceiro da prática do delito.

Na auto-acusação falsa, ao contrário, o agente acusa a si próprio. Na prática, geralmente a auto-acusação falsa é realizada com a finalidade de encobrir um outro crime. Não se exclui, entretanto, a possibilidade de que o delito venha ser cometido por alguém que sofra das faculdades mentais.

Objetividade Jurídica - Objeto jurídico é a regularidade da administração da justiça, protegendo-se a normal atividade da máquina judiciária. Sujeito Ativo - Crime comum, pode ser praticado por qualquer pessoa. Pode haver co-autoria quando o agente completa e confirma a auto-acusação de outrem. Nada impede porém. que um terceiro colabore no fato por instigação. Sujeito Passivo - É o Estado. Elementos Objetivos do Tipo - O dispositivo pune a conduta de acusar-se (imputar-se; atribuir a si próprio) de crime inexistente

ou praticado por outrem. Trata-se de auto-acusação falsa, na qual o agente se atribui a prática de um crime doloso ou culposo, inexistente. A auto-acusação falsa pode referir-se também a um crime praticado por uma terceira pessoa e sem autoria ou participação do agente. É indispensável porém, que a auto-acusação seja perante uma autoridade policial ou judicial e não a qualquer pessoa (particular ou funcionário público), sem a qualidade de autoridade.

Elementos Subjetivos do Tipo - É o dolo, que consiste na vontade livre e consciente de acusar-se com a consciência de que o crime inexistiu, ou foi cometido por terceiro. Inexiste modalidade culposa. Consumação e Tentativa - Quando a autoridade, efetivamente toma conhecimento da auto-acusação. A tentativa é admissível na forma realizada por escrito. Na auto-acusação verbal é impossível a tentativa. Ação Penal - Pública Incondicionada.

Exemplo: comete o delito de auto-acusação falsa o filho que assume responsabilidade de crime praticado pelo pai.

Falso testemunho ou falsa perícia

ARTIGO 342 -

Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou

intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral:

Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

As testemunhas e a perícia são incontestavelmente os meios de prova mais significativos para a justiça, tanto nas ações penais, como nas civis. Portanto, a proteção a tais meios de prova é de capital importância para se evitar a conduta dolosa que interfere de modo negativo na apuração dos fatos para que a justiça alcance seus objetivos.arbitral: Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. Objetividade Jurídica - O objeto

Objetividade Jurídica - O objeto da tutela penal é a administração da justiça, no que diz respeito ao prestígio e seriedade da coleta de provas. Sujeito Ativo - Crime de mão própria, só pode ser cometido pelas pessoas taxativamente indicadas no tipo: testemunha, perito, tradutor e intérprete. Não comete crime a testemunha não compromissada. Sujeito Passivo - Sujeito passivo imediato é o Estado; mediato é a pessoa que vem a ser prejudicada pela falsidade. Elementos Objetivos do Tipo - São três os verbos típicos:

Fazer afirmação falsa, negar a verdade e calar a verdade:

No primeiro caso, a testemunha afirma uma inverdade a respeito de um fato. Ex: Dizer que o réu agiu em legítima defesa.

Na segunda hipótese, o sujeito nega um fato real. Ex: Nega que o indiciado tenha reagido a uma agressão injusta.

Em terceiro lugar, a testemunha esconde o que é de seu conhecimento.

Elementos Subjetivos do Tipo - É o dolo, vontade livre e consciente de falsear a verdade ou de negá-la. Não há conduta culposa.

a verdade ou de negá-la. Não há conduta culposa . A expressão processo penal abrange a

A expressão processo penal abrange a ação penal e o inquérito policial. Delito formal, não é necessário que o depoimento

falso venha a produzir efeito. Basta a potencialidade do dano. O tipo, além do dolo, exige mais um elemento subjetivo, contido na expressão "com o fim de".

Consumação e Tentativa - O falso testemunho se consuma com o encerramento do depoimento. Tecnicamente o fato está consumado, no instante em que a testemunha mente. Entretanto, ela pode ratificar seu depoimento. A tentativa é admissível desde que a colheita de seu depoimento não tenha sido encerrada, pois se encerrou-se, estará consumado. Ação Penal - Pública incondicionada.

§ 1 o As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o crime é praticado mediante suborno ou se cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal, ou em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta.

É apenas uma qualificadora do caput do artigo, aumentando a pena se for prova destinada a produzir efeito em processo

penal.

se for prova destinada a produzir efeito em processo penal. § 2 o O fato deixa

§ 2 o O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou declara a verdade.

Não se requer que a retratação seja espontânea, bastando a voluntariedade. Precisa ser completa e deve ser feita antes da sentença. Deve ser feita perante a autoridade policial, judicial ou administrativa. A retratação extra-judicial só tem valor quando trazida para os autos.

extra-judicial só tem valor quando trazida para os autos. ARTIGO 343 - Dar, oferecer ou prometer

ARTIGO 343 -

Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem a testemunha, perito, contador, tradutor ou

intérprete, para fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade em depoimento, perícia, cálculos, tradução ou interpretação:

Pena - reclusão, de três a quatro anos, e multa.

Parágrafo único. As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o crime é cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal ou em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta.

Coação no curso do processo

ARTIGO 344 -

parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

Usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade,

Coação, no sentido mais propriamente de constrangimento, de violência ou ação de violentar, quer exprimir a ação conduzida por uma pessoa contra outra, no sentido de fazer diminuir a sua vontade, ou de obstar a que se manifeste livremente, a fim de que o agente da coação logre realizar o ato jurídico, de que participa a outra pessoa, consentindo esta com constrangimento ou pela violência.” constrangimento ou pela violência.”

Inicialmente, vale dizer, que o tipo penal tem como objetivo essencial, zelar pelo bom andamento do processo, no sentido de que se desdobre sem qualquer tipo de coação, física ou moral, capaz de dificultar a busca da verdade real, preservando, dessa maneira, a administração da justiça.

Por tratar-se de crime comum, qualquer pessoa pode cometê-lo, sendo o Estado, prioritariamente, a vítima da situação e, secundariamente a pessoa que sofre a coação.

Para que o agente seja, de fato, enquadrado nas penas do artigo em comento, deve empregar violência ou grave ameaça para alcançar seu objetivo final, que consiste no favorecimento ilegal de terceiros ou de si próprio, observando-se, todavia, que a violência física deve ser entendida como aquela em que o agente age com habilidade suficiente para tolher o deslocamento natural da vítima, capaz de fazê-la calar-se, diante da gravidade da violência. Já a coação moral deve se traduzir na intimidação ou ameaça hábeis a causar verdadeiro temor na vítima, a ponto de fazê-la repensar na possibilidade de contar em juízo tudo aquilo de que tem conhecimento.

O crime de coação no curso do processo pode ser dar tanto no decorrer de inquérito policial, quanto no curso de ação judicial, e

pode ser cometido contra o autor, conta o réu, delegado de polícia, juiz, promotor, jurado, interprete, escrivão, perito, mas é mais comum que ocorra contra testemunhas.

Imprescindível, ainda, para a caracterização do delito, que o agente haja com o animus doloso, consciente de que irá molestar física ou moralmente a vítima, para obter vantagem que sabe ser ilícita, para si ou para outrem. Impossível, aqui, a modalidade culposa.

A tentativa é plenamente possível, e a que a consumação se dará no exato momento da efetivação da grave ameaça ou da

violência, sendo irrelevante o resultado alcançado.

Apenas a título elucidativo, importante assinalar, que o fato da testemunha ameaçada depor normalmente, não descaracteriza o crime de coação no curso do processo.

A ação para apuração do crime em discussão é pública incondicionada.

Exercício arbitrário das próprias razões

ARTIGO 345 -

Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, além da pena correspondente à violência. Parágrafo único - Se não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa.

Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite:

pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite: Vale esclarecer que o tipo penal tem

Vale esclarecer que o tipo penal tem como objetivo principal proteger a regular incumbência da administração pública em “fazer” justiça, não admitindo que o particular se substitua ao poder público, exercendo arbitrariamente função que lhe cabe. Ademais, observa-se que uma vez o agente pretendendo fazer justiça com as próprias mãos manifesta o descrédito da justiça, entendendo que esta não é capaz de punir o criminoso.

Cumpre-nos assinalar que por pretensão entende-se o direito que o sujeito ativo tem ou crê ter, podendo esta ser legítima ou ilegítima, e embora seja legítima não desfigurará o crime. Deverá tratar-se de pretensão de direito, para tal satisfação poderia o agente provocar o poder judiciário para dirimi-la.

É de verificar-se que a pretensão poderá referir-se a direitos de família, direitos reais, obrigacionais ou sucessórios, podendo ser

empregado qualquer meio de execução, ou seja; fraude, subtração, agressão etc.

O sujeito ativo do crime poderá ser qualquer pessoa que venha tentar ou pratique a conduta descrita no artigo em tela. O sujeito

passivo é o Estado e o particular, vitimado este em razão da execução do agente.

Exercitando o agente, de forma arbitrária, suas próprias razões, emprega no ato sua vontade livre e consciente de pretensão, portanto o crime é tido como doloso, inexistindo, portando, a modalidade culposa.

Quanto a consumação do crime, ressalta-se que o mesmo se consumará quando o agente efetivar sua pretensão, porém não atingindo o resultado final, responderá pelo crime na modalidade tentada.

A ação penal pode ser de iniciativa privada ou pública. O parágrafo único determina que somente se procede mediante queixa,

portanto para as ações de iniciativa privada. Nos casos em que houver violência física contra pessoa, a ação será pública.

ARTIGO 346 -

judicial ou convenção:

Tirar, suprimir, destruir ou danificar coisa própria, que se acha em poder de terceiro por determinação

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

Fraude Processual

Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de

pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito:

Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa. Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as penas aplicam-se em dobro.

ARTIGO 347 -

não iniciado, as penas aplicam-se em dobro . ARTIGO 347 - O código penal brasileiro prevê

O código penal brasileiro prevê em seu artigo 347 o crime de fraude processual. O referido dispositivo pressupõe que, na pendência da lide, o agente inove artificiosamente o estado do lugar, da coisa ou da pessoa, com o fito de induzir em erro o juiz ou

o perito.

Cumpre-nos esclarecer que o pressuposto para a tipificação do delito é a pendência de processo cível ou administrativo, ou seja, processo em trâmite, pois, se a inovação se fizer no âmbito do processo penal, não será exigível a pendência, incorrendo em crime o agente que inove, de forma artificiosa, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, mesmo que o processo ainda não tenha sido instaurado. Neste sentido é a redação do parágrafo único do artigo aqui tratado:

Desta forma, fica demonstrada, de maneira inequívoca, que em se tratando de processo civil ou administrativo somente incorrerá em crime o agente que venha a inovar, mudar, alterar o lugar, coisa ou pessoa no curso de um processo, sendo que na esfera criminal o agente já estará incurso em crime de fraude processual quando praticar quaisquer daquelas condutas que possam induzir o juiz ou o perito mesmo antes de iniciada a ação penal.

Importante também se faz consignar que não havendo modificação no mundo externo, ou seja, não se inovando (alterando) um local (lugar), uma coisa (móvel ou imóvel) ou pessoa (fisicamente), sem transformar seu o estado original, real, não haverá crime.

Neste sentido, vale-nos transcrever o seguinte entendimento que versa sobre a inovação:

“(

provocar em lugar, coisa ou pessoa modificações materiais, extrínsecas ou intrínsecas, de forma a alterar o aspecto ou outra

propriedade probatória que o lugar, coisa ou pessoa tinha precedentemente, e idôneas para induzir o juiz ou perito’. (‘Lições de Direito Penal’, vol. 4/1.036-1.037).” (TJSP – Ap. Crim. 131.742 Rel. Des. CUNHA BUENO 1ª C. Crim.- J.25.4.77 Un.) (Trecho

do Ac.) (RT 501/272).

inovar artificiosamente o estado de lugar, coisa ou pessoa, escreve Heleno Cláudio Fragoso, citando Manzini, ‘significa

)

É de ser revelado que, se for a fraude tida como grosseira, constatável à primeira vista, não se configurará o crime pois o artigo

347 do CP trás em sua redação a palavra “artificiosamente” o que integra seu tipo.

Por iguais razões, não incorrerá no crime aqui tratado o agente que, mesmo intencionalmente, corta ou deixa crescer seus cabelos, extrai seu bigode, passa a usar óculos ou pratica qualquer ato similar com o intuito de não ser reconhecido onde, portanto, tais condutas não configuram o tipo penal, ou seja, a inovação artificiosa.

O sujeito ativo do crime poderá ser qualquer pessoa, pois trata-se de crime comum, podendo o agente ter ou não interesse na

lide, ou seja, incorrerá em crime inclusive pessoa estranha a relação processual. O sujeito passivo é o Estado e a pessoa

prejudicada pela ação do agente.

O crime de fraude processual se apresenta de forma dolosa onde o agente exerce sua vontade livre e consciente em inovar, agir

com finalidade de levar o juízo ou perito a cometerem erro.

Quanto a consumação do crime, vale-nos consignar que há doutrinadores que entendem que esta se dá com a inovação artificiosa sendo que para outros no momento em o juiz ou perito toma conhecimento da ação.

Por fim, esclarece-se que o crime admite a tentativa e sua ação penal é pública incondicionada.

a tentativa e sua ação penal é pública incondicionada. Exercício arbitrário ou abuso de poder ARTIGO

Exercício arbitrário ou abuso de poder

ARTIGO 350 -

Pena - detenção, de um mês a um ano. Parágrafo único - Na mesma pena incorre o funcionário que:

I - ilegalmente recebe e recolhe alguém a prisão, ou a estabelecimento destinado a execução de pena privativa de liberdade ou de medida de segurança;

II - prolonga a execução de pena ou de medida de segurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou de executar imediatamente a ordem de liberdade;

III - submete pessoa que está sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei;

IV - efetua, com abuso de poder, qualquer diligência.

Ordenar ou executar medida privativa de liberdade individual, sem as formalidades legais ou com abuso de poder:

sem as formalidades legais ou com abuso de poder: Exploração de Prestígio ARTIGO 357 - Ministério

Exploração de Prestígio

ARTIGO 357 -

Ministério Público, funcionário de justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha:

Solicitar ou receber dinheiro ou qualquer outra utilidade, a pretexto de influir em juiz, jurado, órgão do

Pena - Reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.

do Pena - Reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa. A exploração de

A exploração de prestígio é a venda de influência, neste caso, voltada a pessoas que vão influir ou decidir processo judicial civil ou penal, quais sejam: juiz, promotor público, funcionário de justiça, perito, intérprete ou testemunha.

Objetividade Jurídica - Protege-se o prestígio da administração da justiça. Sujeito Ativo - É crime comum, portanto pode ser praticado por qualquer pessoa. Sujeito Passivo - É o Estado. Elementos Objetivos do Tipo - A conduta se expressa em dois verbos: solicitar, que significa requerer, pedir, etc., e receber, que quer dizer aceitar. Elementos Subjetivos do Tipo - É o dolo, vontade livre e consciente de solicitar a vantagem ou recebê-la, com a desculpa (a pretexto) de influenciar as pessoas indicadas. Consumação e Tentativa - Consuma-se o delito com a simples solicitação ou o recebimento. Na solicitação, existe crime, ainda que ocorra rejeição. O crime não admite a figura da tentativa na solicitação verbal. Na solicitação por escrito, admite. Na forma de recebimento, é admissível a tentativa. Ação Penal - Pública incondicionada.

parágrafo único - As penas aumentam-se de um terço, se o agente alega ou insinua que o dinheiro ou utilidade se destina a qualquer das pessoas referidas neste artigo.

A pena é agravada se o sujeito alega ou insinua que a vantagem obtida ou recebida se destina às pessoas enumeradas na

definição. No primeiro caso, ele deixa claro que o dinheiro ou a utilidade se destinam àquelas pessoas (alegação); no segundo, deixa entrever, dá a entender (insinuação). Há a qualificadora, ainda que a pessoa não leve a sério a alegação ou a insinuação do sujeito.

leve a sério a alegação ou a insinuação do sujeito. NÃO SE ESQUEÇA QUE: Advocacia Administrativa

NÃO SE ESQUEÇA QUE:

Advocacia Administrativa - Crime consistente de interesse particular perante a Administração Pública, aproveitando-se da condição de funcionário público.

Crime Exaurido - Crime consumado; nele o sujeito ativo alcança seu objetivo.

Instrução Criminal - Significa instituir, construir, preparar a instrução criminal. Se destina preparar o juiz para o julgamento, especialmente no que tange a provas e perícias. A instrução é contraditória, sendo natural que se inicie com o interrogatório do acusado.

Interdições - Do Latim "Interdicto" - proibir, vetar, vedar. Emana da Lei, quando por princípio expresso veda a prática de um ato ou exercício de um direito.

Pode emanar de uma autoridade judiciária, quando em decreto expedito; proíba que se faça alguma coisa ou privam alguém de sua liberdade de ação.

Intérprete - É o profissional, por meio do qual, pessoas se entendem e se comunicam. Tradutor e intérprete são também peritos, mas não fazem prova, sendo simples intermediários.

Juiz Prevento - (Juiz prevenido), isto é, aquele perante a quem se requereu em primeiro lugar, com exclusão dos demais juízes igualmente competentes.

Locupletação - Do Latim "Locupletar-se" (Enriquecer).

É empregado na terminologia jurídica significando toda espécie de enriquecimento. O termo não abrange somente o aspecto

material, significa na verdade qualquer vantagem material ou imperial que modifique pessoa.

ou melhore a situação patrimonial da

Tentativa - Execução começada de um crime, que não chega a consumação por motivos alheios à vontade do agente.

Tutela - Proteção.

Testemunha - É a pessoa física chamada a depor em processo perante autoridade. Nem todas as pessoas são obrigadas a testemunhar. Existem aquelas que a lei protege por permitir sigilo profissional.