Rede GSM: Redução de Queda de Chamadas por Ajuste de Parâmetros de Cobertura Este tutorial apresenta um estudo sobre as causas

principais de quedas de chamada em uma célula de Rede Celular GSM operando em 900 MHz. Por meio de análise de dados de tráfego das estações rádio base (ERB) verifica-se que a maioria das quedas ocorre devido ao baixo nível de sinal na interface aérea e à queda repentina de conexão entre a estação móvel (EM) e a ERB. Com base nesses dados, o ajuste de alguns dos parâmetros de cobertura é efetuado, reduzindo a taxa de quedas de chamadas em uma célula, sem a necessidade de alterações físicas na ERB e sem deteriorar outros indicadores de qualidade. Este tutorial é parte do artigo “ Redução da Taxa de Queda de Chamada em Rede Celular GSM por Meio de Ajustes dos Parâmetros de Cobertura” apresentado no Simpósio Brasileiro de Telecomunicações no ano de 2008. O estudo completo foi desenvolvido pelo autor para obtenção do título de mestre em Engenharia Elétrica, e foi orientado pelo Prof. Dr. Amílcar C. César.

Gabriel Fernando Pivaro Licenciatura em Matemática pelo Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (UNESP, São José do Rio Preto – SP, 2004) e Mestrado em Engenharia Elétrica pela Escola de Engenharia de São Carlos (USP, 2008). Tem Certificado de Técnico nível III pela Motorola do Brasil para manutenção de aparelhos celulares com tecnologia AMPS, TDMA e CDMA, como Técnico em Eletrônica pelo Serviço Autorizado Motorola. Atuou como Especialista de Campo, executando atividades de operação e manutenção de estações rádio base com tecnologia TDMA e GSM, equipamentos de rádio com tecnologia PDH e SDH, com ênfase em melhoria continua de indicadores de desempenho (KPI) da rede de acesso. Possui conhecimentos de BSC, interface aérea e desempenho de elementos de rede (contadores). Atualmente é Pesquisador e Consultor de RF pelo Instituto Nokia de Tecnologia, prestando Consultoria em Rede de Acesso Celular para a Nokia Siemens Networks. Executou atividades de elaboração de contadores de desempenho para tecnologia 4G (LTE) e de desenvolvimento do software de pós-processamento de drive-test para os testes do LTE em Munique (Alemanha). Além disso, tem realizado pesquisas de Qualidade de Voz em redes celulares e redes Wi-Fi, de Interferência da TV digital na banda celular, de parâmetros de rede de acesso vs. desempenho, e de benefícios das informações de localização na rede de acesso. 1

Email: gconceicao@hotmail.com Categoria: Telefonia Celular Nível: Introdutório Duração: 15 minutos Enfoque: Técnico Publicado em: 03/01/2011 2 .

aumentar a capacidade da rede e garantir que o assinante esteja satisfeito com a qualidade do serviço (Quality of Service – QoS) oferecido [1]-[3]. Um bom desempenho dessa interface é importante para maximizar o retorno do investimento em equipamentos. As redes das operadoras celulares estão sendo ampliadas tanto em capacidade (implantação de novos equipamentos para atender a demanda do crescente número de assinantes) como em cobertura (novas cidades ou regiões). Uma das principais vantagens da técnica de redução da TQC por meio do ajuste de parâmetros de 3 . as operadoras precisam estar atentas ao desempenho dessas redes. Por outro lado. As operadoras necessitam de ferramentas capazes de coletar dados sobre a utilização da rede e a definição das métricas que serão utilizadas para definir e monitorar o desempenho da rede [1]. técnicas de acesso. combinadores. [4]-[8]: desenvolvimento de equipamentos. sendo utilizado mais especificamente em testes após o início de operação ou alteração em uma ERB. transmissão descontínua – DTX. Ao mesmo tempo em que essa expansão ocorre. [8]. como o número de chamadas realizadas com sucesso. número de quedas de chamada (QC). O desempenho da rede é avaliado depois que as alterações forem realizadas. alteração na padronização (evolução de algoritmos) e alteração de parâmetros da rede. alguns trabalhos utilizam redes em operação para coleta e alteração de parâmetros para reduzir as QC [2]. fractional loading – FL. número de chamadas bloqueadas devido a congestionamento. O objetivo deste trabalho é analisar as causas de QC com base em coleta e análise de dados estatísticos de rede GSM e implementar técnica de redução da taxa de queda de chamada (TQC) por meio do ajuste de parâmetros de cobertura. Exemplo de métrica são os eventos monitorados na rede a fim de observar se um determinado desempenho está sendo alcançado [1]-[4]. [2]. As abordagens que tratam de melhorias e aperfeiçoamentos na interface aérea podem ser divididas em [1].Rede GSM: Introdução Os sistemas de comunicações móveis celulares que utilizam tecnologia GSM (Global System For Mobile Communication) estão em plena expansão no Brasil. como frequency hopping – FH. Uma das causas de ocorrência de QC é degradação da qualidade do sinal na interface aérea [5]. O desempenho de uma rede celular oferecendo serviços de voz pode ser monitorado por meio de ferramentas de coletada de dados. boa parte das abordagens utilizam simuladores de comportamento dos assinantes em uma área coberta por diversas ERB [4]-[6]. Essas ferramentas permitem realizar diversas medições. Já o DT utiliza EM conectadas a computadores pessoais para efetuar uma série de chamadas de teste em uma área. [7]. A QC implica em reflexos diretos na percepção de QoS que o assinante possui da rede. A queda de chamada (QC) é um dos mais importantes indicadores de QoS. [3]. Em relação à comunicação entre EM e ERB em redes GSM. que interliga a estação móvel (EM) e a estação rádio base (ERB). como antenas. As ferramentas mais utilizadas nesses casos são o gerenciamento estatístico (GE) e o drive test (DT) [1]. A partir da identificação das causas principais de QC será possível determinar quais parâmetros podem ser alterados. principalmente o da interface aérea. fornecendo visão ampla da operação de toda a rede celular. O GE é responsável pela coleta de dados de situação de chamadas por meio dos contadores que podem ser ativados na controladora das estações rádio base (BSC – base station controller). reuso de freqüências. esquemas de alocação de canais e restabelecimento de chamada. [3]. [3]. filtros. diversidades de recepção.

Na seqüência são apresentados os algoritmos de desconexão de chamada. Os dados de tráfego da operadora de rede celular GSM foram obtidos durante 2006 e 2007. de uma BSC Ericsson controlando 158 células da região noroeste do estado de São Paulo. que cobrem uma cidade de porte médio e cidades vizinhas menores. Finalmente são apresentadas as conclusões deste trabalho.6 MHz no uplink e 954. A análise estatística das causas de quedas e os resultados obtidos com os ajustes dos parâmetros são então detalhados. O artigo está organizado da seguinte forma: Inicialmente são apresentados os indicadores de desempenho. 4 .cobertura é evitar custos operacionais com a instalação de novos equipamentos e deslocamentos de pessoal técnico. incluindo rodovias de interligação.6 MHz no downlink. A seguir é apresentado o algoritmo de localização e alguns de seus parâmetros responsáveis pela configuração de cobertura da rede. A célula estudada opera em 909.

No caso de chamadas de voz. Neste artigo. Existem vários métodos para determinar a TQC. capacidade de manter chamada sem que haja QC (retenção). a porcentagem de tentativas de acesso com sucesso e o congestionamento são exemplos de estatísticas de acessibilidade [2]. a TQC é a relação entre o número total de quedas e o número total de alocações em canais de voz. [5]. uma célula será escolhida para estudo detalhado visando à redução da TQC. ele é responsável por mostrar se a qualidade de uma chamada é boa. A acessibilidade monitora os eventos desde a chegada dessa solicitação até a alocação de um canal de voz [1]. [5]. As alocações podem ser por primeira tentativa de realizar a chamada ou por handovers. A disponibilidade de canais. A acessibilidade trata da capacidade da rede em atender uma solicitação de acesso de um assinante. A QC ocorre toda vez que a chamada é prematuramente interrompida. incluindo os handovers [1]. A TQC mede a porcentagem de QC ocorridas durante a ocupação dos canais de voz. O indicador de integridade gerencia a qualidade das chamadas. [7]. Em seguida. como a relação entre quedas e total de chamadas originadas ou entre quedas e total de chamadas administradas por cada célula. quando o assinante não solicita o encerramento da chamada. as causas principais de QC em rede GSM serão investigadas. Manter um número baixo de QC é uma das estratégias para garantir QoS [1]-[3]. A retenção é responsável por monitorar o desempenho de uma chamada desde o instante da alocação do canal até o encerramento [1]. O valor limite utilizado como referência para a TQC é 2% [1]. aceitável ou ruim em termos de taxa de erro de bit (bit error rate – BER) e taxa de apagamento de quadro (frame erasure rate – FER) [1]. [2]: capacidade de acesso do assinante à rede (acessibilidade). 5 . isto é. e qualidade de chamada (integridade). Com base em dados estatísticos obtidos por meio do GE.Rede GSM: Desempenho da Rede Indicadores de Desempenho da Rede Os principais indicadores de desempenho (Key Performance Indicator – KPI) são [1]. que pode ser uma chamada de voz ou envio de uma mensagem de texto. O gerenciamento estatístico trata da TQC e dos handovers perdidos. [5].

Essa troca é o handover. BER e o tempo de propagação das rajadas entre EM e ERB (TA – time advance. O offset pode ser positivo ou negativo. Geralmente. Dois parâmetros importantes para o controle de cobertura são a histerese e o offset [4]. Suas funções são transportar as ordens de alterações à EM (downlink) e as medições efetuadas pela EM (uplink) [1]. A histerese serve para evitar que a EM faça o handover e. Essas medições são enviadas à ERB. Caso seja positivo. ou por causa do deslocamento do assinante ou por causa do nível de sinal recebido. posiciona a célula em uma colocação inferior na lista de handover. Esses parâmetros servem para controlar o comportamento da EM enquanto estiver sob a cobertura de uma célula [6]. O efeito do offset é criar uma borda nominal deslocada da borda original da cobertura da célula definida pelo nível de sinal recebido. privilegiando o nível da CS. ver seção Desconexão de Chamadas). A elaboração da lista inclui ainda parâmetros de cobertura. estando ele imóvel ou se deslocando. A histerese é subtraída do SS das células vizinhas. dessa forma. sendo controlada pela célula na qual a EM estava. [5]. [10]. [9]. 6 . volte para a célula antiga.48 s. iniciando o handover. [10]. Esse efeito ping-pong [1]. definidos pelo responsável da rede [10]. de SS. a chamada prossegue. O critério principal para a escolha da melhor célula para a EM estar é baseado na medição do nível de sinal recebido pela EM (SS – Signal Strength) [5]. sendo a ferramenta utilizada pelo algoritmo de localização (AL) para manter a chamada até que o assinante resolva encerrá-la.Rede GSM: Localização Algoritmo de Localização A rede celular de uma operadora deve ser capaz de reter uma chamada telefônica enquanto o assinante desejar. Estas trocas de sinalização na interface aérea utilizam o canal de controle associado lento (SACCH – Slow Associated Control Channel). como SS mínimo e máxima potência de saída permitida para EM e ERB. A EM efetua a medição do SS dessas freqüências e do SS e BER recebidos da CS. melhorando a colocação na lista de handover [10]. Dessa forma. O AL funciona da seguinte forma: enquanto a EM está no modo ativo (em chamada). o deslocamento da borda reduz a área de cobertura e. logo em seguida. o controle da chamada deve ser trocado de uma célula para outra. A histerese é utilizada para criar uma área em torno da borda nominal da célula. [10]. a BSC envia uma lista contendo a freqüência do canal de controle (BCCH) das células que estão próximas à célula em que a EM está (célula servidora – CS). Como as células possuem uma área de cobertura restrita (alguns quilômetros de raio). O AL cria a lista de candidatos a cada 0. chamada BCCH allocation list (BA list). a BSC ordenará que a EM sintonize na freqüência da célula mais bem colocada na lista. A partir destas informações o AL elabora uma lista de células candidatas ao handover. que anexa as suas medições referentes àquela EM. A ERB então envia estes dados à BSC. [4] ocorre devido às flutuações sofridas pelo sinal em uma área em que o SS recebido pela EM proveniente de duas células é bastante próximo. a borda da célula é expandida. Nessa área. Caso contrário. o AL irá sugerir que a EM permaneça na mesma célula. chamada corredor de histerese [4]. o handover só ocorrerá quando o SS de uma célula vizinha for razoavelmente maior do que o da CS. Já no caso de offset negativo.

A seção a seguir. apresenta três mecanismos responsáveis por desconectar uma chamada. o AL tem como objetivo manter a EM naquela célula em que existam as melhores condições para que a chamada seja mantida. Caso as medições fornecidas ao AL indiquem que as condições da interface aérea não podem ser melhoradas com o aumento da potência ou com a execução de um handover.Desse modo. gerando a QC. 7 . o processo de desconexão dessa chamada será iniciado.

BER/FER ou distância excessiva) que a conexão entre ERB e EM apresentava. um intervalo de tempo (time slot – TS) para o recebimento do sinal da EM. devido ao tempo de propagação do sinal na interface aérea. Neste caso. 8 . Caso o contador atinja o valor zero. O TA de 63 bits permite uma distância máxima de 35 km [10]. De acordo com o padrão GSM [1]. em cada uma de suas portadoras. Nesse caso. Esse mecanismo utiliza timers para determinar se há necessidade de desconectar uma EM que recebeu ordem para efetuar o handover . ao se analisar uma QC ocorrida na interface aérea. Isso ocorre porque a ERB disponibiliza. Portanto. a QC é por perda repentina. por falta de células candidatas. não obteve sucesso e também não conseguiu voltar para o canal antigo [10]. ela alcance a ERB dentro do TS designado. Esse algoritmo de desconexão atua da seguinte forma: o contador adiciona duas unidades para cada mensagem enviada por meio do SACCH e decodificada com sucesso. Se não houver possibilidade de handover. Cada TS é igual a 577 ms e transporta 148 bits de informação. um handover será recomendado [10]. Assim. [11]. é permitido que a EM transmita sua rajada antecipando-a em TA equivalente a 63 bits para que. escolhido pelo responsável da rede.Rede GSM: Desconexão de Chamadas Algoritmos de Desconexão de Chamadas O primeiro mecanismo desconecta uma chamada quando a distância entre a EM e ERB ultrapassa o valor permitido para que o sinal transmitido pela EM alcance a ERB [1]. e subtrai uma unidade para cada falha na decodificação [5]. [10]. deve-se identificar qual dos três mecanismos foi o responsável pela desconexão e qual a condição (baixo SS. Um terceiro mecanismo atua na execução do handover. durante uma chamada são trocadas mensagens de sinalização e controle entre a EM e a ERB por meio do SACCH. então a chamada será desconectada e o contador de QC será incrementado com a condição de urgência de “baixo nível de sinal” ou de “baixa qualidade”. O valor máximo do contador é definido pelo parâmetro RADIO LINK TIMEOUT. O segundo mecanismo de desconexão é responsável pelo término das chamadas para quais as mensagens de controle não são corretamente decodificadas devido à relação sinal-ruído ou SS baixos. o algoritmo de localização calcula a atraso na propagação entre a EM e a ERB. apresentada no momento da desconexão. Se o valor for maior do que 63. Sem a antecipação. então a chamada será desconectada e a causa associada à QC será “distância excessiva”. a rajada transmitida por essa EM interferirá na recepção das informações enviadas por outra EM. [10].

para uplink. Por outro lado. As duas principais causas de QC são QPR e QSB que somam mais de 50% de todas as QC. a QPR têm impacto maior na porcentagem total de quedas. à medida que a TQC diminui. 9 . Com base nos dados do GE é possível fazer a distribuição percentual de QCpor motivo de queda: Quedas por distância excessiva – QDE. Quedas por perda repentina – QPR. As células com maior TQC apresentam uma cobertura média em quilômetros maior do que a das células com TQC mais baixa. e x = D. parâmetros de cobertura incorretos ou por erro de decodificação de dados [1].Rede GSM: Análise e Resultados Identificação das Causas Principais de Queda de Chamadas A figura 1 mostra a distribuição das causas de todas as QC ocorridas na BSC durante o período de um ano. Quedas por baixo nível de sinal – QSx. a TQC. [5]. sendo x = B. downlink. para uplink e downlink simultaneamente. sendo x igual ao caso anterior. conseqüentemente. QPR e TQC. Quedas por baixa qualidade – QQx. Mostraremos nesta seção que a redução do número de handovers perdidos é importante fator para reduzir a QPR e. x = U. comportamento dos assinantes. A figura 2 mostra a relação entre a cobertura média das células. Outras causas – QOC. Figura 1: Causas de QC em uma BSC com 158 células de operadora GSM durante o ano de 2006 As QPR’s ocorrem principalmente por perda de comunicação entre a EM e a ERB causada por: falha em elemento da rede.

QPR e TQC Pode-se notar que as células com cobertura mais extensa apresentam maior TQC. o que permite maior nível de sinal na interface aérea.54% de QPR. Por esse motivo. Concluímos que. Escolha de uma Célula para Análise Analisar as causas de QC em todas as células da BSC é tarefa complexa devido à natureza e variação temporal.Figura 2: Relação entre cobertura média das células. o sinal sofre maior degradação. devido à QSx na interface aérea. como mostra a tabela 1. em células com coberturas mais extensas. diversidade de espaço nas antenas de recepção. Portanto. proporcionando maior área de cobertura para a célula. A ERB dessa célula utiliza: cabo com bitola 1 5/8 polegada. Porém. 10 . que possui a menor perda entre os disponíveis. são apresentadas as alterações que foram analisadas e implementadas para reduzir a TQC.13 QQU (%) 0. combinação de dois transmissores para dobrar a potência de transmissão no downlink.94 QSU (%) 24. De acordo com a figura 2.54 QOC (%) 0.95 QSD (%) 2. primordialmente. essa célula apresenta 46. freqüência portadora na faixa de 900 MHz.88 Alteração dos Parâmetros de Cobertura A seguir.03 QQB (%) 0.03 QDE (%) 0. a porcentagem de QPR é muito maior do que de QSx. escolhemos uma das 158 células para análise. amplificadores montados na torre. Esta célula reúne parâmetros físicos otimizados para configuração de melhor eficiência. que amplificam o sinal recebido. Entretanto. com cobertura média de 7. cobertura mais restrita.23 km. acarretando maior TQC devido ao baixo SS.47 QQD (%) 10.03 QPR (%) 46. a causa de QC neste tipo de célula ocorre. proporcionando menor atenuação. em células que cobrem regiões urbanas. daqui em diante denominada célula A. Isso ocorre porque em áreas urbanas existem muitas células vizinhas que acabam por sobrepor suas coberturas. os parâmetros de cobertura serão ajustados para reduzir a TQC. e as células com menor TQC apresentam QPR como maior causa de QC. É uma célula de rodovia. tipicamente as de rodovias. Tabela 1: Causas de QC da célula A QSB (%) 14.

As EM que estivessem na área de cobertura da célula com SS menor do que -96 dBm não poderiam acampar nessa célula.1% e os handovers de saída perdidos passaram de 30.24 Perdidos (%) 1. que quase sempre era maior do que 5. nesse caso a célula A. que era contabilizada para a célula de origem.09 Reversos (%) 8. foi possível determinar que uma célula que estava próxima da célula A e que não possuía relação de vizinhança com essa célula poderia ser acrescentada. É possível inserir freqüências de teste na BA list para descobrir se células próximas da célula A podem ser acrescentadas como vizinhas de A [6]. Exclusão de Vizinhança Conforme mostra a figura 2. uma restrição na cobertura da célula B por meio da redução do TA de 63 (35 km) para 5 (2.91% para 23. onde se verificou que havia uma perda de 30.62 Handovers entrada Reversos (%) 5. Tabela 2: Desempenho dos handovers da célula A Handovers saída Sucesso (%) 61. quando uma EM recebia ordem de efetuar o handover da célula A para célula B.42%. ocorria QC. Em conseqüência.14 Em direção à célula B (célula cobrindo cidade próxima da rodovia e vizinha a célula A). A célula C (cobertura de 11 .19% para 2. A tabela 2 apresenta o desempenho geral dos handovers desta célula. as EM's que estão em chamada e possuem SS menor do que este parâmetro podem efetuar o handover para esta célula. A exclusão dessa relação de vizinhança ocasionou uma redução da TQC de 5.12% para 2. [10].27% de janeiro para fevereiro de 2007.79 Perdidos (%) 30. Assim. Um estudo da região geográfica no entorno da célula A permitiu verificar que algumas freqüências de células que estavam próximas poderiam ser inseridas na BA list das EM que estavam em chamada nessa célula.5 km) estava ativa. As QPR passaram de 49. Com essa alteração a TQC passou de 8. a perda era superior a 90%.12% nos handovers de saída.12 Sucesso (%) 93. a causa mais freqüente de QC em células de rodovia (cobertura extensa) não é a QPR. Com esses dados e utilizando o algoritmo de otimização de vizinhança da Ericsson [1]. Devido a problemas de invasão de sinal em área de outra operadora. O valor do ACCMIN não interfere na execução do handover .81% de junho a julho de 2006. Contudo. Acréscimo de Vizinhança Uma ferramenta potente de análise de relações de vizinhança entre células são as medições de SS e BER efetuadas pelas EM durante uma chamada. a ERB de B calculava o valor do TA. isto é.Alteração do Mínimo Nível de Sinal para Acampar na Célula (ACCMIN) Com a alteração do ACCMIN – Minimum Received Signal Level At The EM Required For Accessing The System [10] de -102 dBm para -96 dBm.96% para 5. a célula A indica a QPR como maior causadora de QC (tabela 1). e não permitia a conclusão do handover. motivando análise da relação de handover com as células vizinhas. a EM necessitaria estar mais próxima da ERB (menor atenuação de percurso) para se registrar na rede.

A atenuação média no percurso uplink é 125. 22.48 RXQUAL UP > 3 (%) 8. 12 . qualidade aceitável e ruim).4%) e QSD (3. As QC’s ocorrem em 30. Dessas tentativas. No desempenho global de handovers (entrada e saída) também houve redução nas perdas de 1. poderíamos encerrar as atividades nessa célula e voltar atenção para as células com TQC acima de 2%.6 vezes maior do que no downlink.667 tentativas.9% para 1. o valor da TQC já estava abaixo do valor padrão de 2% adotado para este indicador. há 3 dB de diferença entre os sinais downlink e uplink.56 SS DL < -94 dBm (%) 26. Nota-se que apesar da atenuação no uplink ser menor a porcentagem de rajadas recebidas com baixo nível é 2. enquanto no downlink esse valor é 26. uma vez que a atenuação de percurso do sinal deveria ser igual em ambos os sentidos.7%). correspondendo a 2.59% para 1. 77. Alteração do Controle Automático de Potência Após a última alteração.4% por baixo SS no uplink e apenas 3. continuamos investigando as causas desse 1.48 dB. porém logo em seguida a chamada retornou à célula anterior) e apenas 0. Com base nessas observações.24% foram com sucesso.39 RXQUAL DL > 3 (%) 5.5%. Entre esses indicadores está o comportamento do sinal que trafega pela interface aérea e que pode ser estudado sem o auxílio de equipamentos específicos de medição de sinais.48 PLAVG DL (dB) 128. As colunas apresentam as seguintes informações: porcentagem de rajadas recebidas com SS menor do que -94 dBm no uplink (SS UP) e no downlink (SS DL). significando que a alteração causou um efeito positivo no desempenho dos handovers de saída. A partir dessa constatação. e atenuação de percurso média (PLAVG).21% por baixo SS no downlink. ou seja.5% de QC para mostrar que existem outros indicadores importantes para análise do desempenho de uma célula. na célula estudada.16% reversas (ocorreu handover.85 PLAVG UP (dB) 125.6% foram perdidas. 69.21%).56% das rajadas recebidas no uplink apresentaram SS inferior a -94 dBm.5%).44% para 1.7 Por meio da tabela 3 verifica-se que. Após a alteração anterior. porcentagem de rajadas recebidas com qualidade de recepção (RXQUAL) acima de 3 (4 a 7.04%. As medições efetuadas pela ERB e EM durante as chamadas controladas pela célula A apresentam comportamento da interface aérea mostrado na tabela 3.cidade próxima a rodovia) foi acrescentada em 15 de agosto de 2007. vamos analisar a interface aérea.85%. as principais causas de QC apresentam as seguintes porcentagens: QPR (19. Seria razoável supor que das QC devido ao baixo SS quase todas deveriam ser em ambas as direções.48%. Tabela 3: Comportamento do sinal na interface aérea da célula A SS UP < -94 dBm (%) 69. QSB (31. Já a TQC nesse período passou de 1.48 dB e no downlink é 128. A porcentagem total de handovers perdidos caiu de 2. Entretanto. O desempenho um mês após o acréscimo da célula C foi o seguinte: a porcentagem de tentativas de handover da célula A para célula C foi 18%. QSU (30.

03 9.61 127.25 RXQUAL UP > 3 (%) 8.22 DATA PLAVG UP (dB) 125. ou seja.06 22. A Tabela 4 reproduz a Tabela 3 comparando as três alterações com seus respectivos períodos. Para aproximar o valor médio das medições no uplink com as do downlink. a potência permitida para transmissão das EM já está no valor máximo.39 9.66 125. mas sim com a potência estabelecida pela BSC por meio das medições (seção Localização).48 125.7 4. A Tabela 5 apresenta a 13 . O PC funciona da seguinte maneira: a BSC se baseia em um nível de referência (NR). 33 dBm. Foi verificado que o NR definido para aquela célula era -95 dBm. será analisado o comportamento da TQC com os três ajustes do PC. Essa alteração foi implementada no dia 15 de setembro de 2007 e permaneceu até o dia 30 do mesmo mês. sendo que acima de -77 dBm os níveis são praticamente iguais nos três casos. Entretanto. apresentando a relação entre a porcentagem de rajadas e a intensidade de sinal recebido pela ERB da célula A antes e depois da alteração no controle de potência da EM. a EM não transmite o tempo todo com a máxima potência. Como a função controle automático de potência (PC-power control) está ativa nos dois sentidos.98 RXQUAL DL > 3 (%) 5.A partir desses resultados concluímos que a única solução para aumentar o nível do sinal recebido no uplink é aumentar a potência de transmissão das EM.38 55. a potência da EM será regulada de tal forma que o nível recebido na ERB seja o NR.85 21. forçando as EM a operarem com potência de transmissão um pouco maior durante maior número de rajadas.56 53.12 SSDL < -94dBm (%) 26.73 5. A figura 3 compara os níveis recebidos no uplink entre três ajustes: com NR= -95 dBm.44 1 a 15/09/07 16 a 30/09/07 1 a 15/11/07 Por fim. Tabela 4: Comportamento da interface aérea da célula A após os três ajustes de potência SSUP < -94dBm (%) 69. Figura 3: Porcentagem de rajadas versus intensidade de sinal recebido pela ERB Nota-se que com NR= -82 dBm e sem o PC houve um aumento no nível recebido acima de -94 dBm.21 PLAVG DL (dB) 128. sem o PC (em operação entre 1 e 15 de novembro de 2007). NR= -82 dBm e com potência máxima.48 122. que será comparado com o nível SS recebido. foi sugerida a alteração desse valor de referência para -82 dBm.

84 0. quinze dias antes da alteração.61 QSB (%) 29. passando de 1. para 1. Tabela 5: Comparação da TQC com os três ajustes de potência na célula A DATA 1a 15/09/07 16 a 30/09/07 1a 15/11/07 TQC (%) 1.22 31.34 QSU (%) 29. houve novamente uma redução na TQC.15 QOC (%) 1.75 QSD (%) 3.48 19.22 0.19 QQU (%) 0.TQC e as principais causas de QC.18 0.95 2.87 29.42 QDE (%) 0.44 1. houve aumento da TQC quando o PC foi desativado.47 QQB (%) 0.77%.77 1.43 1.3 18.39 QPR (%) 19.96 34.43 1.44%. Com o ajuste do NR para -82 dBm.21 2.9 14 .84 0.29 10.62 29.03 2. quinze dias após. Por outro lado.37 10.39 QQD (%) 15.76 3.

Miillner R.. J. Rosenberg.scs. Sykas.. J. Referências [1] Halonen. Kremnitzer K... S. “ Breaking Through AMR Voice Capacity Limits due to Dropped Calls by Control Channel Improvements in GERAN Networks”. J. Tsagkaris. S. Elling. Holtzman. pois garante a qualidade da rede celular. IEEE Global Telecommunications Conference. S.8% para 1.. T.Rede GSM: Considerações finais O estudo dos indicadores de desempenho de uma rede é muito importante para as operadoras. J.. 2003. J.2436. Papaoulakis. foi possível ajustar alguns parâmetros de cobertura de uma célula. Kechagias. S.. pp.. Downlink Power Control and DTX in a Live GSM Network”. and Edge Performance: Evolution towards 3G/UMTS. Melero J... [3] Boulmalf. Ball C.44% e obtendo uma redução no número global de handovers perdidos. “ Performance of cellular networks and mobile location-driven handover algorithms”.. [2] Kyriazakos. N.. C. S.O. 3457-3461.. Kyriazakos. [4] Markopoulos. West Sussex: John Wiley & Sons Ltd.04%. “ Study of GSM system performance by a GSM network computer simulator”. 2002. Skjaerris. GLOBECOM '03. Akhtar.. [9] Zhang. junho 2002. Karambalis.96% para 1...... L. “ Performance evolution of operational GSM’s Air College of Information Techonology. [5] Ivanov K. 336-339... Perl R. IEEE International Conference on Selected Topics in Wireless Communications. E. C. Al-Ain. pp. GSM. Indoor and Mobile Radio Communications. dezembro 2003.. Com base nos dados estatísticos de tráfego de rede GSM. Valimaki.. J. vol. 4. vol. G. 2430. Nikitopoulos.cfm?id=2090 Interface”. 2nd ed.D. Disponível em: http://www. IST Mobile Summit. “ Analysis of Handoff Algorithms Using both Absolute and 15 . “ Experimental evaluation of the impact of network frequency synchronization on GSM quality of service during handover ”.org/scsarchive/getDoc. passando de 28. Barbieri.. K. Gkroustiotis. 2.. M. 905-909. C. IEEE 16th International Symposium on Personal. junho 1992. Romero. vol. maio 2004..F. T.. Hara. E.. Wigard. possibilitando reduzir a TQC de 8. “ Enhancing Network Quality using Baseband Frequency Hopping. [6] Drozdy.. por meio da economia com instalação de novos equipamentos e com deslocamento de pessoal técnico. pp. “ A Comprehensive Study and Performance Evaluation of Operational GSM and GPRS Systems under Varying Traffic Conditions”. 6. 2005. IEEE 59th Vehicular Technology Conference. A.. [7] Toftegaard Nielsen. Indoor and Mobile Radio Communications.. [8] Bregni. G. a satisfação dos assinantes da rede e a redução dos investimentos em operação da rede. V. M. pp. Winkler H. N. Niemella. Karetsos. D. J. setembro 1998. GPRS.. Jensen. IEEE 9th International Symposium on Personal.

J. 45. fevereiro 1996. [11] Eberspächer. IEEE Transactions on Vehicular Technology. vol. GSM Switching. Locating. pp.. User Description. C.. [10] ERICSSON inc.Relative Measurements”.. Bettstetter. Hans-Jörg. V. West Sussex: John Wiley & Sons Ltd. Services and Protocols. 2nd ed. 2004.. 174-179. 2001. 16 .

Garantia da qualidade da rede celular. Garantia da qualidade da rede IP. Capacidade de manter chamada sem que haja QC (retenção). 17 . por meio da economia com instalação de novos equipamentos e com deslocamento de pessoal técnico. Quedas por perda repentina – QPR. Quedas por baixo nível de sinal – QSx. 2. da satisfação dos assinantes da rede e aumento dos investimentos em operação da rede. 3. Quedas por falta de energia – QFE. por meio da economia com instalação de novos equipamentos e com deslocamento de pessoal técnico.Rede GSM: Teste seu entendimento 1. Qual das alternativas não representa uma das principais causas de Queda de Chamadas da Rede GSM identificadas? Quedas por distância excessiva – QDE. Quedas por baixa qualidade – QQx. Qualidade de chamada (integridade). Qual alternativa representa um dos principais indicadores de desempenho de Rede GSM (Key Performance Indicator – KPI) apresentados? Capacidade de acesso do assinante à rede (acessibilidade). Quais as vantagens do estudo dos indicadores de desempenho da rede GSM para as operadoras de telefonia celular? Garantia da qualidade da rede celular. da satisfação dos assinantes da rede e redução dos investimentos em operação da rede. por meio da economia com instalação de novos equipamentos e com deslocamento de pessoal técnico. Todas as alternativas anteriores. Garantia da qualidade da rede celular. da satisfação dos acionistas e redução dos investimentos em operação da rede. da satisfação dos assinantes da rede e redução dos investimentos em operação da rede.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful