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TABELA PERIÓDICA QUÍMICA PVS – RIB - 2012

TABELA PERIÓDICA

QUÍMICA

PVS – RIB - 2012

Tabela Periódica – História

A tabela periódica surgiu em resposta à crescente descoberta de elementos químicos, embora

muitos elementos, como o ouro e a prata, fossem conhecidos desde a antiguidade. A primeira descoberta científica de um elemento ocorreu em 1669 pelo alquimista Henning Brand, que

descobriu o fósforo.

E com o aumento do número de elementos sendo descobertos e de suas propriedades, os

cientistas iniciaram investigações para tentaram compreender a variedade e complexidade dos fenômenos químicos e desenvolver esquemas de classificação, procurando a explicação mais

simples possível.

A primeira classificação foi a divisão dos elementos em metais e não-metais. Posteriormente,

os elementos químicos foram organizados de acordo com as suas respectivas propriedades físicas e químicas, daí o nome "Tabela Periódica" que é devido à periodicidade, ou seja, à repetição de propriedades. A tabela periódica atual é o resultado de uma longa evolução, uma vez que sofreu várias alterações no decorrer dos anos e a forma como que ela foi se alterando reflete o modo com que o homem raciocinava e sua visão de mundo em cada momento. Tem-se a seguir um breve histórico sobre essa evolução. Antoine-Laurent Lavoisier (1743–1794), um célebre químico francês, considerado o pai da química moderna, foi o primeiro cientista que se preocupou em agrupar os elementos químicos. Em 1789 ele publicou o seu livro Traité Élementaire de Chimie, onde ordenou e sistematizou um conjunto de observações e hipóteses, que deu origem à química científica. Posteriormente, agrupou todos os elementos químicos conhecidos na época, construiundo e mais tarde publicando a primeira tabela periódica, a qual pode ser observada na Figura 1. Os elementos foram reunidos em quatro grupos: os gases, como o oxigênio e o azoto; os ácidos, como o enxofre e o cloro; os metais, como a prata, o cobalto, o cobre, o chumbo e o zinco; e os terrosos.

Figura 1. Tabela de substâncias simples publicada por Lavosier em 1789 . (Fonte: ROUVRAY, 2004)

Figura 1. Tabela de substâncias simples publicada por Lavosier em 1789.

(Fonte: ROUVRAY, 2004)

No ano de 1803, o químico inglês John Dalton (1766–1844), usando sua teoria atômica, definiu a massa atômica como parâmetro para identificar os elementos, o que possibilitou avanços significativos nos estudos da Química. A sua lista de elementos e seus respectivos pesos moleculares, que pode ser observada na Figura 2, continha muitos erros e somente depois em 1860 estes foram resolvidos.

erros e somente depois em 1860 estes foram resolvidos. Figura 2. Lista de elementos com seus

Figura 2. Lista de elementos com seus respectivos pesos atomicos por John Dalton. (Fonte: ROUVRAY, 2004)

Com o estabelecimento dos valores aproximados para as massas atômicas de alguns elementos químicos, em 1829, o químico alemão J. W. Döbereiner fez a primeira tentativa real de se classificar os elementos de comportamento químico semelhante. Ele procurou estabelecer vários

grupos de três elementos com propriedades químicas semelhantes. Observou, então, que a massa atômica do elemento central era a média aritmética das massas atômicas dos outros elementos. Inicialmente Döbereiner observou que no cálcio (Ca), estrôncio (Sr) e bário (Ba), a massa atômica do elemento central, ou seja, o estrôncio, era a média das massas atômicas dos dois outros elementos químicos, o cálcio e o bário. E também observou o mesmo efeito para outras “Tríades”, como por exemplo, lítio/sódio/potássio, cloro/bromo/iodo e enxofre/selênio/telúrio. Abaixo se encontra a exemplificação da tríade que compreende o estrôncio.

a exemplificação da tríade que compreende o estrôncio. Para os conhecimentos daquela época esta classificação

Para os conhecimentos daquela época esta classificação foi interessante, mas logo se verificou que na maioria dos elementos a massa atômica do elemento central não correspondia à média dos outros dois. Portanto, esta descoberta tinha o inconveniente de formar um número limitado de tríades, permanecendo inúmeros elementos químicos isolados. E possivelmente devido a isso, os químicos da época não se impressionaram muito com as observações feitas por Döbereiner e estas acabaram por passar praticamente despercebidas. No entanto, ele ficou conhecido por ter sido o primeiro cientista a mostrar as relações existentes entre os elementos químicos conhecidos. Em 1862, o geólogo francês Alexandre Chancourtois, dispôs os elementos químicos conhecidos por ordem crescente das suas massas atómicas, numa linha espiralada, de 45º graus, traçada sobre a superfície lateral de um cilindro. Tal distribuição ficou conhecida como “O parafuso telúrico de Chancourtois”, Figura 3.

como “O parafuso telúrico de Chancourtois”, Figura 3. Figura 3. Representação do parafuso telúrico de

Figura 3. Representação do parafuso telúrico de Chancourtois.

Os elementos químicos colocados na mesma linha vertical apresentavam propriedades químicas semelhantes. À volta da superfície cilíndrica foram feitas dezesseis divisões e os elementos com propriedades semelhantes apareciam uns sobre os outros, em voltas consecutivas da espiral. Com esta teoria, Chancourtois sugeriu que as propriedades dos elementos relacionavam-se com o número que o elemento ocupava na sequência da espiral. As regularidades que foram encontradas, com esta nova teoria, não funcionavam para todos os elementos conhecidos, além da teoria misturar corpos simples e compostos, sendo sua representação gráfica muito complexa e só elementos com número atômico inferior a 40 podem ser representados no “parafuso”. Por estes motivos a idéia de Chancourtois não recebeu muita atenção. Em 1864, o inglês John Newlands ao ordenar os elementos químicos na ordem crescente das massas atômicas, em linhas horizontais, contendo cada linha apenas sete elementos, fez uma curiosa comparação. Como ele era um amante da música pensou que como existem sete notas musicais e a oitava é sempre uma repetição da nota de partida, o mesmo também aconteceria com os elementos químicos. A representação da sua teoria pode ser vista na Figura 4.

Dó 1 Hidrogénio

Dó 8 Flúor

Ré 2 Lítio

Ré 9 Sódio

Mi 3 Berílio

Mi 10 Magnésio

Fá 4 Boro

Fá 11 Alumínio

Sol 5 Carbono

Sol 12 Silício

Lá 6 Nitrogénio

Lá 13 Fosfato

Si 7 Oxigénio

Si 14 Enxofre

Figura 4. Representação da teoria de Newlands.

Esta teoria foi ridicularizada na época, uma vez que fazia a relação da Química com a Música,

o que levou Newlands a sofrer desprezo por parte dos membros da Sociedade de Química de Londres. Embora não fosse bem aceito pelos membros, esta nova teoria esboçou o conceito de

periodicidade, ou seja, as propriedades repetiam-se após certo período, neste caso, de oito em oito.

A esta repetição de propriedades dentro da sequência, o inglês deu o nome de “Lei das oitavas”.

Mais tarde ele foi reconhecido por ter sido um precursor das ideias de Mendeleev. Após sucessivos trabalhos na área e de novos elementos sendo descobertos, em 1869, Lotar Meyer (1839-1895), na Alemanha, e Dimitri Ivanovich Mendeleev (1834-1907), na Rússia, apresentaram classificações periódicas que se tornaram as reais precursoras das tabelas atuais.

Julius Lothar Meyer, alemão formado em medicina que mais tarde se dedicou à Química. Após um congresso em 1860, procurou calcular o volume atômico dos elementos químicos descobertos até então, que eram 63. E em 1870, Meyer mostrou a relação da periodicidade entre volume atômico e massa atômica, desenhando um gráfico destas propriedades, que pode ser visto na Figura 5.

destas propriedades, que pode ser visto na Figura 5. Figura 5. Gráfico obtido por Meyer que

Figura 5. Gráfico obtido por Meyer que relaciona a massa e o volume atômico.

Meyer fez uma tabela tomando como base o volume atômico dos elementos, entretanto não

chegou a fazer distinção entre elemento e corpo simples, não corrigiu as massas atômicas relativas

e também não previu as propriedades dos elementos que ocupariam os lugares vazios.

Mendeleev, químico e professor universitário russo muito respeitado na comunidade científica,

é considerado pela comunidade científica um dos maiores gênios da Química. fez um trabalho mais

completo e corajoso, onde predizia as propriedades de elementos que até então não haviam sido descobertos. Sendo esta a razão pela qual ele é conhecido por ter inventado a tabela periódica, que pode ser observada na Figura 6.

ter inventado a tabela periódica, que pode ser observada na Figura 6. Figura 6. Tabela Periódica

Figura 6. Tabela Periódica proposta por Mendeleev.

Para facilitar a aprendizagem da Química dos seus alunos, Mendeleev organizou os dados da Química Inorgânica e começou a recolher todas as informações sobre os elementos conhecidos na época, que eram 63. Os dados eram anotados em cartões, que eram fixados na parede do seu laboratório e, conforme observava alguma semelhança, mudava a posição dos cartões. Ao ordenar as suas fichas, Mendeleev organizou-as de acordo com a ordem crescente da massa atômica de cada elemento. Notou que essa sequência aparecia periodicamente em intervalos regulares, sugerindo assim elementos com propriedades semelhantes. Esta observação foi similar à que Newlands fizera, anos atrás.

Em 1869, suas fichas foram organizadas em uma tabela, na qual os elementos foram dispostos em 12 linhas horizontais, de acordo com as massas atômicas crescentes, e 8 colunas verticais, com elementos de propriedades semelhantes. Nem mesmo a descoberta de uma família completa de novos elementos, os gases nobres, desfigurou a classificação de Mendeleev. Os gases nobres ficaram perfeitamente acomodados pela simples adição de uma coluna vertical.

Ele percebeu que em certos lugares faltavam elementos químicos, embora naquele momento estes não fossem conhecidos. Assim, Mendeleev previu a descoberta de novos elementos químicos assim como as suas propriedades, ainda não descobertos, acertando em quase todos. E em homenagem a este brilhante cientista, foi dado o seu nome ao elemento de número atômico 101, o Mendelévio. Embora lançada na mesma época e sendo semelhante à de Mendeleev, a classificação de Meyer tem hoje apenas significado histórico. Isso se deve ao fato da tabela do químico russo ser mais completa, mais simples e, principalmente, muito mais audaciosa para a época, uma vez que as noções que hoje em dia são consideradas primárias, como a nuvem eletrônica e o número atômico eram desconhecidos. Em 1913, o cientista britânico Henry Gwyn-Jeffreys Moseley, que era físico e colaborador de Rutherford, descobriu que o número de protóns no núcleo de um determinado átomo era sempre o mesmo para um dado elemento químico e que átomos de elementos químicos distintos possuíam diferentes números de carga positiva no núcleo. Este valor ficou conhecido como número atômico e caracterizava cada elemento químico. Esta foi uma importante descoberta para a classificação periódica dos elementos, uma vez que a periodicidade das propriedades dos elementos era colocada em função da massa atômica. Sendo assim, Moseley reordenou os elementos químicos por ordem crescente dos seus números atômicos. Devido ao trabalho de Moseley os problemas existentes na tabela periódica de Mendeleev desapareceram e foi neste momento que a tabela periódica começou a ter uma aparência semelhante à atual.

O cientista Glenn T. Seaborg foi um dos que mais contribuiu para reescrever a tabela periódica dos elementos químicos e foi o único cientista até o momento a ser homenageado em vida, em 1997, com o nome do elemento químico 106, a que chamaram de “seaborgio”. Seaborg foi de grande importância na descoberta e desenvolvimento de novos elementos químicos, como por exemplo, o plutônio, amerício, cúrio, berquélio, califórnio, einstéinio, férmio, mendelévio e o nobélio. Ele foi o responsável pela descoberta e identificação de mais de 100 isótopos de elementos químicos. Em 1945, publicou uma tabela periódica, na qual aparece uma nova série de elementos, a série dos actinídeos ou actinóides. Essa nova série de elementos possuía, no início, apenas o tório, o protactínio e o urânio como elementos naturais. Após a descoberta dos elementos transurânicos, do número atómico 94 até 102, Seaborg reconfigurou a tabela periódica colocando a série dos actnídeos abaixo da série dos lantanídeos:

A tabela periódica atual tendo por base a lei periódica e é organizada em linhas e colunas, sendo as linhas chamadas de períodos, que são 7, e as colunas chamadas de grupos, que são 18.

A tabela periódica é a maneira fundamental de classificar os elementos químicos. E o seu desenvolvimento em 1860 é considerado um marco sem precedentes no desenvolvimento da Química, tendo a mesma importância da descoberta das partículas fundamentais e da teoria moderna da estrutura atômica.