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GUIMAR Ã E S

GUIMAR Ã E S
GUIMAR Ã E S
DESTINO DESTINATION 4 edição published by Fundação Cidade de Guimarães diretor director Carlos Martins coordenador
DESTINO DESTINATION 4 edição published by Fundação Cidade de Guimarães diretor director Carlos Martins coordenador

DESTINO DESTINATION 4

edição

published by

Fundação Cidade

de Guimarães

diretor

director

Carlos Martins

coordenador

coordinator

Lino Teixeira

edição e revisão editing and revision Lino Teixeira Paulo Pinto

textos

texts

Anabela Santos

Carla Santos

Hélder Sousa

Lino Teixeira

Paulo Pinto

agenda

Ana Oliveira

Licínio Pacheco

colaboração

collaboration

Elisabete Paiva

João Lopes

Manuel Sarmento

Rui Tendinha

Sandra Barros

design

design

Luís Alexandre

Jorge Silva/

Silvadesigners

capa

cover

Elisabete Gomes/

Silvadesigners

tipografia

typography

Calibre

Montefiore

Tiempo

fotografia

photography

Jaime Machado

João Peixoto

José Caldeira

arquivo

archive

Fundação Cidade

de Guimarães

impressão printed and bound Maiadouro

depósito legal legal depot n.º

347445/12

tiragem

print run

30.000

legal legal depot n.º 347445/12 tiragem print run 30.000 AFONSINA 16 BIG BANG M Ú SICA

AFONSINA 16

depot n.º 347445/12 tiragem print run 30.000 AFONSINA 16 BIG BANG M Ú SICA COM TODOS

BIG BANG

MÚSICA COM TODOS MUSIC WITh ALL

22

AFONSINA 16 BIG BANG M Ú SICA COM TODOS MUSIC WITh ALL 22 CONTEXTILE 26 LABORAT

CONTEXTILE 26

BANG M Ú SICA COM TODOS MUSIC WITh ALL 22 CONTEXTILE 26 LABORAT Ó RIO DE

LABORATÓRIO DE CURADORIA

CURATOR’S LAB 30

26 LABORAT Ó RIO DE CURADORIA CURATOR’S LAB 30 EDUCA ÇÃ O EDUCATION 36 CINEMA 46

EDUCAÇÃO EDUCATION 36

DE CURADORIA CURATOR’S LAB 30 EDUCA ÇÃ O EDUCATION 36 CINEMA 46 CENTRO pARA OS ASSUNTOS

CINEMA 46

CURATOR’S LAB 30 EDUCA ÇÃ O EDUCATION 36 CINEMA 46 CENTRO pARA OS ASSUNTOS DA ARTE

CENTRO pARA OS ASSUNTOS DA ARTE E ARqUITECTURA CENTER FOR ART AND ARChITECTURAL AFFAIRS

56

E ARqUITECTURA CENTER FOR ART AND ARChITECTURAL AFFAIRS 56 ORqUESTRA ORChESTRA 60 ON.OFF 70 4 TEMpOS

ORqUESTRA ORChESTRA 60

ART AND ARChITECTURAL AFFAIRS 56 ORqUESTRA ORChESTRA 60 ON.OFF 70 4 TEMpOS 4 ChApTERS 78 SETEMBRO

ON.OFF 70

ARChITECTURAL AFFAIRS 56 ORqUESTRA ORChESTRA 60 ON.OFF 70 4 TEMpOS 4 ChApTERS 78 SETEMBRO SEpTEMBER 89

4 TEMpOS 4 ChApTERS78

ORqUESTRA ORChESTRA 60 ON.OFF 70 4 TEMpOS 4 ChApTERS 78 SETEMBRO SEpTEMBER 89 SERVI Ç O
ORqUESTRA ORChESTRA 60 ON.OFF 70 4 TEMpOS 4 ChApTERS 78 SETEMBRO SEpTEMBER 89 SERVI Ç O
ORqUESTRA ORChESTRA 60 ON.OFF 70 4 TEMpOS 4 ChApTERS 78 SETEMBRO SEpTEMBER 89 SERVI Ç O

SETEMBRO SEpTEMBER 89

ON.OFF 70 4 TEMpOS 4 ChApTERS 78 SETEMBRO SEpTEMBER 89 SERVI Ç O EDUCATIVO EDUCATIONAL SERVICE

SERVIÇO EDUCATIVO EDUCATIONAL SERVICE 141

ChApTERS 78 SETEMBRO SEpTEMBER 89 SERVI Ç O EDUCATIVO EDUCATIONAL SERVICE 141 TU FAZES pARTE yOU

TU FAZES pARTE yOU ARE pART OF IT 144

ChApTERS 78 SETEMBRO SEpTEMBER 89 SERVI Ç O EDUCATIVO EDUCATIONAL SERVICE 141 TU FAZES pARTE yOU

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2 JosÉ caLDeira EDITORIAL C ARLOS M ARTINS Diretor executivo FunDação ciDaDe De Guimarães Guimarães é

JosÉ caLDeira

2 JosÉ caLDeira EDITORIAL C ARLOS M ARTINS Diretor executivo FunDação ciDaDe De Guimarães Guimarães é

EDITORIAL

2 JosÉ caLDeira EDITORIAL C ARLOS M ARTINS Diretor executivo FunDação ciDaDe De Guimarães Guimarães é

C ARLOS M ARTINS

Diretor executivo FunDação ciDaDe De Guimarães

Guimarães é destino de cada vez mais portugueses e europeus que aqui encontram uma cidade que renasce, redesenhando-se enquanto cidade completa, tão única quanto improvável. Que outra cidade transporta em si a força mítica, a beleza autêntica e o desafio cosmopolita como Guimarães? Que outra cidade se deixa hoje conhecer e partilhar assim, num ambiente de alegria, de realização e de ambição? Que outra cidade histórica está assim tão apostada em construir futuros? Guimarães. É esta cidade que aqui partilha contigo este caminho e este destino. A cidade que se abre a novas experiências, convidando-te para ver e ouvir. Para sentir, para saborear. Guimarães em setembro tem a história de uma orquestra única para escutares. Tem arte têxtil para contemplares nos seus lugares cobertos de memórias fabris. Guimarães em setembro tem novo cinema para veres. Tem residências artísticas onde morares. Tem momentos On e Off, momentos onde podes ser tu e podes ser outro. Tem exposições a inaugurar. Outras linguagens, que cartografam velhos e novos territórios, reais e imaginados. Tem literatura e património. Tem fotografia. Tem teatro, tem dança, arquitetura e nova música. Guimarães em setembro abre-se a uma viagem lusófona a Maribor e é atravessado por tempos medievais e imaginários intemporais. Tem Europa e tem Brasil. Vem ver o que o que criámos e o que sentimos. Vem ver como, agora, também tu fazes parte de Guimarães. Do Tempo para Renascer.

tu fazes parte de Guimarães. Do Tempo para Renascer. 3 EDITORIAL C ARLOS M ARTINS executive

3

tu fazes parte de Guimarães. Do Tempo para Renascer. 3 EDITORIAL C ARLOS M ARTINS executive

EDITORIAL

parte de Guimarães. Do Tempo para Renascer. 3 EDITORIAL C ARLOS M ARTINS executive Director FunDação

C ARLOS M ARTINS

executive Director FunDação ciDaDe De Guimarães

Guimarães is the place to visit for increasing numbers of Portuguese and European citizens who find here a city that is being reborn, redesigning itself as a total city, as unique as it is unlikely. What other city conveys the mythical force, authentic beauty and cosmopolitan challenge that Guimarães does? What other city allows itself to be known and shared like this, in an atmosphere of joy, achievement and ambition? What other historical city is so eagerly constructing its future? Guimarães is this city that is sharing part of this journey and fate with you, opening up for new experiences, inviting you to come and see and hear. Inviting you to feel and taste. In September, Guimarães has the story of a unique orchestra for you to listen to. It has textile art for you to look at in places filled with memories of factories and labour. In September, Guimarães has new cinema for you to see. It has artistic residencies you can attend. It has On moments and Off moments, moments where you can be yourself and someone else. It has new exhibitions. It has other languages mapping old and new territories, real or imagined places. It has literature and heritage. It has photography. It has theatre, dance, architecture and new music. In September, Guimarães opens up for a Portuguese-speaking journey to Maribor and is imbued with a medieval feel and timeless imagination. It has Europe and it has Brazil. Come to see what we have created and what we feel. Come now to see how you can also be part of Guimarães. A Time to Reborn.

to see what we have created and what we feel. Come now to see how you

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GUIMARÃES

TURISMO TOURISM DESTINO DESTINATION gimɐ′ɾɐjʃ ~ FotoGraFia / PhotoGraPhY: João Peixoto e JosÉ caLDeira
TURISMO TOURISM
DESTINO
DESTINATION gimɐ′ɾɐjʃ
~
FotoGraFia / PhotoGraPhY: João Peixoto e JosÉ caLDeira
assistentes / assistants: sara KozLovic e aLmeDina mestrovac
FamÍLia / FamiLY Ye (china)

Paris has the Louvre, Madrid has the Prado and Florence has the Uffizi. And Guimarães? Well, Guimarães has a corridor made of cardboard boxes in a room above the city’s police station. (…) Like all the art I see in Guimarães over the weekend, this is not the perfectly executed, carefully choreographed culture of the Louvre and La Scala. It is rather more exciting than that.

Paris tem o Louvre, Madrid tem

o Prado e Florença os Uffizi. E

Guimarães? Bem, Guimarães tem um corredor feito de caixas de cartão numa sala por cima da esquadra da polícia. (…) Como toda a arte que vejo em Guimarães durante o fim de semana, esta não será a cultura cuidadosamente coreografada e

executada na perfeição do Louvre

e do La Scala. É bastante mais excitante.

Catherine Nixey, Financial Times

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TURISMO TOURISM

6 TURISMO TOURISM O CASO DE GUIMARÃES: O qUE SE pASSA COM GUIMARÃES? O qUE SE

O CASO DE GUIMARÃES: O qUE SE pASSA COM GUIMARÃES? O qUE SE pASSA EM GUIMARÃES? qUEM pASSA EM GUIMARÃES?

O qUE SE pASSA EM GUIMARÃES? qUEM pASSA EM GUIMARÃES? Guimarães é muito mais do que

Guimarães é muito mais do que uma cidade. É uma ideia. Uma ideia de uma construção milenar

de pessoas, edifícios e vidas da qual radiou uma nação e que se soube renovar até hoje. Se tudo saiu de Guimarães para rumar a sul

e construir um país, todos nós já voltámos a

Guimarães. Voltámos a Guimarães nos livros da escola e dela quase todos saímos em excursões mais ou menos movimentadas que nos levavam,

ainda novos, para fora de casa, para nos trazer

a um sítio que sempre foi a nossa casa comum:

Guimarães. Soubemos pelos livros que foi aqui que tudo começou, que tudo pode ter um começo e que antes deste começo outros inícios houve. Aprendemos que a pergunta “e antes, como era?”

é uma história sem fim, mas também aprendemos

a conceder que Guimarães foi ponto de partida

bastante para a ideia de Portugal e que andava presente quando se pensava na ideia de Europa. Vivemos, em visitas chamadas de estudo, uma ideia dessa origem. Uma ideia que grita em todas as pedras do castelo, que volta a ser citada no

vizinho Paço dos Duques, que nos parecia ser contemporânea e alimentada pela autenticidade do centro histórico. Uma ideia bem patente na inscrição que a muralha ostenta de que “aqui nasceu Portugal” e que projetava a ilusão de que tudo isto que então víamos estava aqui no tempo de um tal Afonso. Ora, tudo isto que nos parecia, quando crianças que congregam factos e tempos pela beleza da imagem que estes criam e não pelo rigor da história, estar tal e qual como no tempo do Afonso não era, bem evidentemente, seu contemporâneo. Não estava tudo cá, então, e, ainda assim, tudo fazia sentido. Agora ainda cá estão coisas outras, e muitas, e continua a fazer sentido. Faz sentido para quem olha para trás, para quem olha em frente e também para aqueles que olham para cima. Guimarães é, aliás, bastante isso mesmo: uma terra que acumula sentidos, conquistando novos que ampliam os que já existem. É uma cidade que é referente partilhável e partilhado por todos enquanto molda o olhar que cada um constrói desta sua cidade pessoal.

o olhar que cada um constrói desta sua cidade pessoal. GUIMARÃES NÃO TEM TURISTAS, TEM hABITANTES

GUIMARÃES NÃO TEM TURISTAS, TEM hABITANTES TEMpORáRIOS

GUIMARÃES NÃO TEM TURISTAS, TEM hABITANTES TEMpORáRIOS Guimarães é, há muito, ponto de chegada obrigatório.

Guimarães é, há muito, ponto de chegada obrigatório. Ponto de chegada de crianças em autocarros escolares, de emigrantes em pausa estival e de turistas em busca de património.

É, mais recentemente, ponto de chegada de gentes que procuram cultura que aqui encontra

o seu pólo radiador para a região do Vale do

Ave e que, cada vez vêm de mais longe e, até, de cidades maiores. É, em 2012, ponto de chegada da cultura europeia. De artistas que vêm conhecer e trabalhar Guimarães, de públicos que vêm ver que trabalho cultural está em curso em Guimarães e, certamente, de curiosos que vêm ver o que é isto de uma cidade histórica de património e de identidade ser também uma

cidade europeia de cultura. Guimarães é, cada vez mais, uma cidade onde não se passa. Onde não se toca e foge. É, definitivamente, uma cidade onde se fica, que se conhece e à qual se pertence. Uma cidade onde se dorme para se aproveitar as noites nas esplanadas e ir ver espetáculos que nunca se viram. Onde se dorme para acordar de manhã e ver um centro histórico monumentalmente habitado e vivo. Onde se passeia de dia, vendo algumas das mais importantes exposições que Portugal recebe e ouvindo concertos a sério em locais imprevistos. Onde se para para ver bordados e se estaciona para comer. Muito e bem. Onde se fica a

e se estaciona para comer. Muito e bem. Onde se fica a +148% VISITAS AOS POSTOS
+148% VISITAS AOS POSTOS de TURISMO VISITS TO TOURISM OffICeS 2011: 19.486 2012: 48.487 So
+148%
VISITAS AOS POSTOS
de TURISMO
VISITS TO TOURISM OffICeS
2011: 19.486
2012: 48.487
So here is a small town, home to 50,000 souls,
located in the north of Portugal and now
promoted to the status of European Capital
of Culture. But its historical background
in old Europe is powerful.
Eis uma pequena cidade de 50.000 almas,
situada no norte de Portugal e promovida
a Capital Europeia da Cultura. Mas o seu
enquadramento histórico na velha Europa
é poderoso.
Patrick Geoffroy, Univers des Voyages
thomas, JuLia e martin (aLemanha / GermanY)

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TURISMO TOURISM

8 TURISMO TOURISM conhecer toda a cidade e não apenas os seus ícones aparentes e ainda

conhecer toda a cidade e não apenas os seus

ícones aparentes e ainda se fica a querer mais. Onde se anda a pé e se diz olá. Onde se constrói uma cidade eminentemente pessoal à qual se regressa. No espírito e no corpo. Amanhã e para

o ano. E depois.

Por isto, Guimarães não é uma cidade que se visite. É uma cidade que se habita. Ainda que temporariamente. É uma cidade que não nos deixa. Da qual fazemos parte. Uma cidade que fica a fazer parte de nós.

fazemos parte. Uma cidade que fica a fazer parte de nós. GUIMARÃES TEM Guimarães tem, em

GUIMARÃES TEM

Uma cidade que fica a fazer parte de nós. GUIMARÃES TEM Guimarães tem, em 2012, todas

Guimarães tem, em 2012, todas as infraestruturas

a viverem cultura. Tem cinema e teatro, como

tem cultura na rua, nas praças, nos parques,

nos autocarros e, até, nas casas dos habitantes. Tem uma nova Plataforma das Artes e da Criatividade com arte deste e doutros tempos

e deste e doutros continentes e uma praça que

é de todos, todos os dias. Tem a ASA como

enorme fábrica pós-industrial dedicada às artes,

à cultura e à criação. Tem o CAAA, grande caixa

branca dedicada à arte e à arquitetura. Tem uma antiga zona de fabrico de couros, agora bairro dedicado ao design, ao ensino, à música, à arte e

à economia criativa. Tem o Centro Cultural Vila

Flor, uma sala simultaneamente cosmopolita e familiar, tem espaços alternativos onde se pode estar on e se pode estar off, tem sociedades de cultura e artes, tem igrejas com música, tem paços aristocráticos que celebram agora a nobreza da alma, tem pavilhões para todos os usos que queira partilhar com multidões, tem pistas de atletismo onde se vai correr atrás de ideias, tem, numa palavra, espaços que são sempre plataformas para as artes, para a cidadania e para as pessoas. Espaços para ti.

artes, para a cidadania e para as pessoas. Espaços para ti. GUIMARÃES NÃO TEM Guimarães não

GUIMARÃES NÃO TEM

e para as pessoas. Espaços para ti. GUIMARÃES NÃO TEM Guimarães não tem engarrafamentos, porque não

Guimarães não tem engarrafamentos, porque não queremos que percas tempo a olhar para o escape do vizinho. Antes te convidamos a olhá-lo

nos olhos e a ver o que têm a dizer, um ao outro. Guimarães não tem metro, porque não queremos que andes enterrado. Antes te queremos sempre

à superfície a confrontares-te com a cidade, com

as casas e monumentos, com as pessoas e ideias.

Guimarães não tem praia, porque não queremos que sejas desviado pela corrente numa direção

em que não estejamos lá. Antes fizemos da areia praças e parques para te podermos dar a mão

e ouvirmos concertos juntos, irmos ao teatro e

dançarmos com os olhos, falarmos e ouvirmos abanando repetidamente a cabeça em concórdia

e discórdia que nos revelará melhor quem somos. Guimarães não tem pontes, para que não sintas

vertigens, nem túneis para que não te sintas perdido. Temos ruas e passeios para que nos percamos a pé entre castelos, paços, casas e

fábricas, todos palcos, todos parte deste nosso destino comum. Guimarães não tem população. Tem habitantes

e visitantes, todos eles vizinhos de ti, todos

eles com uma história para contar e outra para ouvir. Todos eles, contigo, a viverem a cultura da cidade na cidade da cultura.

Guimarães não tem turistas. Tem cidadãos temporários a quem se mostra na sua plenitude. Guimarães recebe-te para que possam partilhar corpo e alma. Para que, ambos sejam outros, sendo os mesmos. Guimarães 2012 não tem público. Tem convidados. Tem-te a ti.

2012 não tem público. Tem convidados. Tem-te a ti. +1023% A boom of contemporary culture in
+1023% A boom of contemporary culture in recent years has revived its medieval streetscapes, a
+1023%
A boom of contemporary culture in recent years has
revived its medieval streetscapes, a World Heritage Site
since 2001.
VISITAS SITe
WebSITe VISITS
2011 - 17.972
2012 - 201.970
Nos últimos anos, uma explosão de cultura contemporânea
deu uma nova vida às suas ruas medievais. É Património
Mundial da Humanidade desde 2001.
Anja Mutic, Lonely Planet
PauLo, ana marGariDa e LuÍs (conDeixa, PortuGaL)

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TURISMO TOURISM

10 TURISMO TOURISM ThE GUIMARÃES CASE: WhAT IS hAppENING WITh GUIMARÃES? WhAT GOES ON IN GUIMARÃES?

ThE GUIMARÃES CASE: WhAT IS hAppENING WITh GUIMARÃES? WhAT GOES ON IN GUIMARÃES? WhO’S AROUND IN GUIMARÃES?

WhAT GOES ON IN GUIMARÃES? WhO’S AROUND IN GUIMARÃES? Guimarães is much more than just a

Guimarães is much more than just a city – it’s an idea. An idea that comes from a millennia-long construction of communities, buildings and lives, from which a nation has emerged but which still has the ability to reinvent itself. While for a time everything radiated southwards from Guimarães in the quest to build a nation, we are now all coming back to Guimarães. We learnt

about it from text books, and almost all of us as children went on some form or other of school trip to the place that is and has always been our common home: Guimarães. We learnt from books that it was here that everything began; we learnt that everything has

a beginning and that prior to any beginning there

were always other beginnings. We learnt that the question “So what was it like before?” is an ongoing story, but we also learnt to accept that

Guimarães was not only the inspiration for Portugal as it is today but was also a reference point for our understanding of Europe as a whole.

In our “study trips” we were able to experience the

reality of these beginnings. A reality that is present

in each stone of the Castle, and is repeated in the

neighbouring Paço dos Duques [Ducal Palace], that – backed up by the authenticity of the old town centre – seemed to be its contemporary; and we found it reassuring that everything we saw had been there since the reign of Afonso, as clearly shown in the inscription on the wall proclaiming “this is the cradle of Portugal”. As children we pieced together facts and eras

according to the beauty of the images they created and not according to historical rigour; though everything seemed to be from the time of Afonso,

it clearly was not. It had not all been there at the

same time, yet it still all made sense. Nowadays there are many more things, but they all continue

to make sense. They make sense to those who

look to the past, and to the future, and also to those who look upwards. Guimarães is a place that harbours emotions, welcoming new ones and building on and expanding those that already exist. The city is a reference point to share and be shared by us all; and it influences our individual visions of

what a city should be.

influences our individual visions of what a city should be. GUIMARÃES DOESN’T hAVE TOURISTS – IT

GUIMARÃES DOESN’T hAVE TOURISTS – IT hAS TEMpORARy RESIDENTS

DOESN’T hAVE TOURISTS – IT hAS TEMpORARy RESIDENTS For a long time Guimarães has been a

For a long time Guimarães has been a must-visit destination. A destination for coachloads of

children, for summer visitors and for tourists in search of history. More recently, it has become

and not just a stop-over spot. It is a place to stay, a place to get to know, and a place to belong to.

A place to sleep over and spend leisurely

destination for visitors from larger and ever

a

more distant cities, in search of the culture

evenings in its squares, and to see exciting new performances. A place to sleep in and

that radiates outwards from the Ave Valley. In

to

wake up in the morning to its wonderfully

2012, it is also European Capital of Culture. A destination for artists who come to discover and

vivid and lively old town centre. A place to wander through in the daytime, to visit the most

to work in Guimarães, for the general public who

influential exhibitions in Portugal and to listen

come to see the ongoing cultural projects in

to

inspirational concerts in unexpected settings.

Guimarães, and for the curious who come to see

A

place to discover the art of embroidery and

the historical and cultural wealth the city has to

to

experience culinary delights. A wonderful

offer as European Capital of Culture. Guimarães is increasingly a destination in itself,

place. A place to be explored fully, not only its famous sites; a place that leaves you wanting

not only its famous sites; a place that leaves you wanting +30% hOTéIS : Taxa de
+30% hOTéIS : Taxa de OcupaçãO nas principais unidades de GuiMarães nO priMeirO seMesTre desTe
+30%
hOTéIS : Taxa de OcupaçãO
nas principais unidades
de GuiMarães nO priMeirO
seMesTre desTe anO, 47,3%
eM 2011, eM cOnTraciclO cOM
O nOrTe dO país (baixOu de
33,9% para 31,3%) e naciOnal
(de 42% para 38,6%).
The rOOM OccupaTiOn raTe
in GuiMarães’ MajOr hOTels
increased frOM 47.3% in 2011
TO 62.2% in The firsT half Of
This year, cOnTradicTinG
currenT fiGures in The
nOrTh Of The cOunTry
(which have decreased
frOM 33.9% TO 31.3%) and The
naTiOnal averaGe (which
decreased frOM 42% TO
38.6%).
Apart from the fact it’s impossible to spell
and nobody’s heard of it, it has all the
makings of a hot new cultural destination
– a medieval centre, distinctive
gastronomy and a lively nightlife and arts
scene, courtesy of one of the youngest
populations in Europe.
Tirando o facto de ser impossível de soletrar
e de nunca ninguém ter ouvido falar dela,
tem tudo para ser o novo destino cultural
do momento – um centro medieval, uma
gastronomia com traços únicos e uma vida
noturna e cena artística animadas, cortesia
de uma das populações mais jovens da
Europa.
Top 10 cities to visit, Lonely Planet
Francisco e anDrÉ (Lisboa / Lisbon e caLDas Da rainha, PortuGaL)

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TURISMO TOURISM

12 TURISMO TOURISM more. A place to meander and greet people. A place where you can

more. A place to meander and greet people. A place where you can build your own vision of a city and to which you can return both spiritually and physically. Tomorrow and for the year ahead. And for then on after. This is why Guimarães is

not a city to just visit – it is a city to be lived in. Even if only temporarily. It is a city that stays with you. And of which we are all a part. A city that becomes part of us all.

which we are all a part. A city that becomes part of us all. WhAT GUIMARÃES

WhAT GUIMARÃES hAS

A city that becomes part of us all. WhAT GUIMARÃES hAS In 2012 Guimarães has everything

In 2012 Guimarães has everything to offer a truly cultural experience. It offers film and theatre; it offers culture in the streets, in the plazas and parks, in the buses and even in the houses of locals. It offers a new Arts and Creativity platform with contemporary and historical art from this continent and others, and a plaza that is for everyone to use every single day. It offers ASA – a huge post-industrial factory space dedicated to the Arts, to Culture and to Creativity. It offers the CAAA – a white black box dedicated to Art and Architecture. It offers the old leather district that is now dedicated to Design, Education, Music,

Art and to the Creative Economy. It offers the Vila Flor Cultural Centre, a family friendly yet cosmopolitan space with alternative areas where one can choose to be challenged and stimulated

or to simply chill-out. It offers culture and arts societies, churches with music, aristocratic palaces that now celebrate the nobility of the soul, pavilions for all kinds of uses that can be shared with everyone, athletics fields where one

can chase ideas

that will continue to be showcases for the Arts, for Citizenship and for the Community. Spaces for all.

to

put it simply, it offers spaces

Spaces for all. to put it simply, it offers spaces WhAT GUIMARÃES hAS NOT Guimarães cannot

WhAT GUIMARÃES hAS NOT

to put it simply, it offers spaces WhAT GUIMARÃES hAS NOT Guimarães cannot offer traffic jams;

Guimarães cannot offer traffic jams; we don’t want you to waste time staring at cars hemming you in. We want you to be able to look people in the eye and communicate with them personally. Guimarães does not offer a subway system; we don’t want you travelling underground. We would rather you were on the surface, seeing the city, the houses and monuments, the people and the ideas. Guimarães has no beach to offer; we don’t want you being carried away from us by the tide. Instead, we have made beaches of our plazas and parks so that we can hold hands, listen to concerts, feast our eyes on theatre, converse and listen to others while nodding our heads in agreement or disagreement, and while finding out about who we really are. Guimarães has no bridges to give you vertigo,

nor tunnels in which to get lost. Instead it has streets and lanes in which to lose yourself while wandering around castles, palaces, houses and factories, all of which are stages - every one of which is part of our shared destiny. Guimarães does not have a population. It has residents and visitors, all of whom are your neighbours, all of whom have a story to tell and who want to hear your stories. All of whom want to share the culture of the city in this city of culture with you. Guimarães does not have tourists. It has temporary citizens to whom it reveals itself. Guimarães welcomes you so that you too can share your body and soul. So that one can become another - can become the same. Guimarães 2012 does not have a target audience. It has guests. It has you.

does not have a target audience. It has guests. It has you. + 40 4 %

+40 4%

VISITAS A MUSeUS MUSeUM VISITS

2011 - 178.251

2012 - 250.278

In Guimaraes, visitors will find art in unexpected places. Em Guimarães, os visitantes encontrarão arte
In Guimaraes, visitors will find art in
unexpected places.
Em Guimarães, os visitantes
encontrarão arte em locais inusitados.
Cornelia Rabitz, Deutsche Welle
Luc hocstein e micheLa amici (hoLanDa e itÁLia / the netherLanDs anD itaLY)

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Whether it’s high culture or low culture you’re after, Guimaraes has something to satisfy every
Whether it’s high culture or low culture
you’re after, Guimaraes has something
to satisfy every taste.
Quer se procure cultura erudita ou
popular, Guimarães tem sempre algo
que satisfaz qualquer gosto.
Victoria Gooch, The Daily Mail
antonio e sara (itÁLia / itaLY)

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TURISMO TOURISM

The old quarter of Guimarães, beautifully preserved in the shadow of the old castle, is
The old quarter of Guimarães, beautifully
preserved in the shadow of the old castle,
is surrounded by empty factories with
old, deactivated, brick chimneys. But the
inhabitants of this city have decided to
bring these factories to life, filling them
with paintings and concerts and plays,
thereby taking responsibility for
their own survival.
O centro histórico de Guimarães,
excelentemente conservado à sombra
do velho castelo, está rodeado de
fábricas vazias com chaminés de tijolo
desativadas. Mas os habitantes desta
cidade decidiram devolver-lhes a vida,
enchendo-as de quadros, de concertos
e de peças de teatro, assumindo assim a
responsabilidade pela sua sobrevivência.
Antonio Jimenéz barca, El País
manueL oLiveira e rita (rio De Janeiro, brasiL / braziL)
This northern Portugal city is breathtakingly beautiful, as recognised by its place on the Unesco
This northern Portugal city is
breathtakingly beautiful, as recognised
by its place on the Unesco World
Heritage List, yet mysteriously it
doesn’t figure on the radars of many
foreign visitors.
Esta cidade do norte de Portugal
é arrebatadoramente bela, como é
atestado pelo seu reconhecimento como
Património Mundial da Humanidade pela
Unesco. No entanto, misteriosamente,
não figura nos radares de muitos
visitantes estrangeiros.
Top 10 cities to visit, Lonely Planet
mÁrio e comPanhia / anD FrienDs (Lisboa / Lisbon, PortuGaL)

210.000

PAçO dOS dUqUeS visiTanTes nO priMeirO seMesTre de 2012 MUSeU de AlbeRTO SAMPAIO quase 40.000 visiTanTes

in The firsT half Of The year, The ducal palace welcOMed 210,000 visiTOrs and The alberTO saMpaiO MuseuM nearly 40,000

50 km from Porto, the medieval city still has an air of history in its
50 km from Porto, the medieval city still
has an air of history in its stonework and
its traditional patisserie. However, it also
has a youthful air. Why should one go
there? Because of the art of living it has.
A 50 km do Porto, a pacífica cidade
medieval cheira a pedras antigas e à
doçaria de outrora. No entanto, a mesma
cidade respira juventude. Porque vamos
lá? Pela sua arte de viver.
Yamina benai, Le Fígaro
anDrÉ FLÓriDa e FamÍLia / anD his FamiLY (Gaia, PortuGaL)

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It is this collision of spirited mien and cultural renewal — along with historical riches
It is this collision of spirited mien and
cultural renewal — along with historical
riches — that has made Guimarães an
exciting destination, culminating in its
selection as a 2012 European Capital of
Culture.
É este embate de vivacidade e renovação
cultural — juntamente com a riqueza
histórica — que tornou Guimarães um
destino entusiasmante e culminou na
sua seleção para Capital Europeia da
Cultura 2012.
Charly Wilder, New York Times
aurÉLio marques (GonDomar, PortuGaL)

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AfONSO h e NRIqU e S

16 AfONSO h e NRIqU e S qUEM É S TU, AFONSO? hEI DE SER REI

qUEM ÉS TU, AFONSO? hEI DE SER REI

16 AfONSO h e NRIqU e S qUEM É S TU, AFONSO? hEI DE SER REI

Afonso é nome de Guimarães e por Guimarães é venerado e celebrado. Afonso é nome de rei de reino nado e criado em Guimarães. Guimarães é nome de castelo, casa de Afonso e de Portugal. Guimarães é, este ano, nome de Capital Europeia da Cultura na nação mais antiga da Europa. Vivemos, juntos e durante nove séculos, a ir ter com outros e com outros a virem ter connosco. Estamos juntos, agora com outros, num continente que é também destino: a Europa. Portugal faz parte desse destino comum. Guimarães tem, agora, rosto renovado projetado na Europa. Afonso, o rei Afonso Hen- riques, fez, faz e fará parte de Guimarães, de Portugal e da Europa. Afonso é, ainda, nome de ambição. Nome que tomou em si o seu próprio destino. Que se atribuiu a arma que quis empunhar e a coroa que quis assumir. Que travou as batalhas capazes de destruírem algo velho e passado para criar algo novo e futuro. Nome que podendo ser conde em paz, preferiu ser rei em guerra. Nome que quis ser senhor do seu destino. Nome de Guimarães.

Nome que quis ser senhor do seu destino. Nome de Guimarães. FEIRA AFONSINA – 14, 15

FEIRA AFONSINA – 14, 15 E 16 DE SETEMBRO

de Guimarães. FEIRA AFONSINA – 14, 15 E 16 DE SETEMBRO A segunda edição da Feira

A segunda edição da Feira Afonsina, agora consolidada e expandida, acontece quando a cidade de Guimarães se encontra a viver um momento único: ser Capital Europeia da Cultura. De capital europeia viajamos nestes dias para a capital funda- dora da nacionalidade portuguesa. Em três dias intensos – de 14 a 16 de setembro – recriamos e vivemos quatro anos de ebulição efervescente dos primórdios de Por- tugal. Estamos, pois, entre os anos de 1125 e 1128, entre o momento em que D. Afonso Henriques se arma cavaleiro em Zamora e o momento em que assume as rédeas do governo do Condado Portucalense cada vez mais emancipado e que prepara já o longo voo da independência. Esta viagem pessoal que é, simultaneamente, a viagem de um país que há de ser e que, sabemos agora nove séculos depois, efetivamente o é e há de seguir sendo, abre aqui três momentos de recriação nos quais todos podemos parti- cipar, viajando assim no tempo para testemunhar, cheirar, sentir e viver três tempos particulares da vida deste nome, que fez nascer a nação europeia.

cheirar, sentir e viver três tempos particulares da vida deste nome, que fez nascer a nação
cheirar, sentir e viver três tempos particulares da vida deste nome, que fez nascer a nação

João Peixoto

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AfONSO h e NRIqU e S

18 AfONSO h e NRIqU e S WhO ARE yOU, AFONSO? I ShALL BE KING! Afonso

WhO ARE yOU, AFONSO? I ShALL BE KING!

18 AfONSO h e NRIqU e S WhO ARE yOU, AFONSO? I ShALL BE KING! Afonso

Afonso is name of Guimarães, and a name respected and celebrated by Guima- rães. Afonso is the name of a King born and bred in Guimarães. Guimarães is the name of a Castle, home of Afonso and cradle of Portugal. This year, Guimarães is the name of an European Capital of Culture, in the continent’s oldest nation. We have lived together, going to others while others come to us, for nine centuries. We are now together with others in a continent which is also a destiny: Europe. Portugal is a part of this common destiny. Now Guimarães shows a new face within Europe. Afonso, King Afonso Henriques is part of the history, the present and the future of Guimarães, Portugal and Europe. Afonso also signifies ambition. It is the name of one who took charge of his own destiny. Who chose the weapon he wished to wield and the crown he wished to wear. Who fought battles aimed at destroying the past in order to create a future. The name of one who chose to be a King at war instead of a Count at peace. The name of one who wished to be master of his own destiny. A name of Guimarães.

to be master of his own destiny. A name of Guimarães. FEIRA AFONSINA – 14, 15

FEIRA AFONSINA – 14, 15 & 16 SEpTEMBER

of Guimarães. FEIRA AFONSINA – 14, 15 & 16 SEpTEMBER The second edition of Feira Afonsina,

The second edition of Feira Afonsina, now established and expanded, takes place at a special moment for Guimarães, as it celebrates its year as European Capital of Culture. Over this period we will go on a journey from European capital to the foun- ding capital of the Portuguese nation. Over three intense days – from 14 to 16 Septem- ber – we recreate and live through four tumultuous years of Portugal’s origins. We are back in the years 1125 to 1128, from the moment that King Afonso Henriques proclai- med himself a knight in Zamora to the moment he took over the reins of government of the County of Portugal, an increasingly autonomous region gearing up for the long road to independence. This personal journey which is, simultaneously the story of the inexorable birth of a country – whose outcome, and future, we are now living nine centuries later –, offers three moments to be re-enacted. Thus we can participate and travel through time to witness the smells, sensations and experiences of three specific moments in the life of this name, which led to the birth of an European nation.

of this name, which led to the birth of an European nation. MOMENTOS hISTÓRICOS RECRIADOS: A

MOMENTOS hISTÓRICOS RECRIADOS: A hISTÓRIA REpETE-SE EM GUIMARÃES E NÓS FAZEMOS pARTE DELA!

hISTORIC MOMENTS RECREATED: hISTORy REpEATS ITSELF IN GUIMARÃES AND WE BECOME pART OF hISTORy!

 

1125

1125

AfONSO : O INfANTe CAVAleIRO

AfONSO : The ChIld KNIGhT

O

jovem infante Afonso, filho do finado conde

On the advice of his mother, Teresa, the young Afonso, son of the late Henry, Count of Portugal and grandson

D.

Henrique e neto do Imperador Afonso VII, a conselho

de sua mãe, a rainha D. Teresa, arma-se cavaleiro, em 1125, na Sé de Zamora. Afonso Henriques tomou de

of

Emperor Alfonso VII, proclaimed himself a Knight

in

1125, in Zamora Cathedral. Afonso Henriques took

cima do altar as armas militares, vestiu-se e cingiu-se

down arms from above the altar and dressed and girded himself in a religious military ceremony reserved for kings and sons of kings.

a si próprio numa cerimónia religioso-militar, reservada

a reis e filhos de reis.

1126 e 1127 AfONSO: A AfIRMAçãO dO CAVAleIRO PRódIGO

1126 ANd 1127 AfONSO: The PROdIGAl KNIGhT IS ACKNOWledGed.

Depois de se armar cavaleiro em Zamora, o infante Afonso Henriques regressa a Guimarães, acompanhado por sua mãe D. Teresa e pelo nobre galego Fernão Peres de Trava. Guimarães recebe-os em festa. A nobreza local, o Conselho e o povo unem-se numa celebração que acolhe o património que esta família já em si

After proclaiming himself knight in Zamora, Afonso Henriques returned to Guimarães, accompanied by his mother, Teresa, and the Galician nobleman Fernão Peres de Trava. Guimarães celebrated their return. The local nobility, the Council and the people united in a celebration which acknowledged the legacy which this family signified but which, above all, was a spur to a new destiny for a region which saw itself as a kingdom and the birthplace of a country.

transporta, mas, sobretudo, que estimula o novo destino que pode trazer a uma terra que se pensa reino

e

fonte de país.

1128

1128

A CAMINhO de SãO MAMede

The PATh TO SãO MAMede

Com a chegada de vários nobres galegos à corte de

With the arrival of various Galician noblemen at Teresa’s court, and the handover of the government of Coimbra

D.

Teresa e a entrega do governo de Coimbra ao conde

Peres de Trava, aumentam os descontentamentos por parte dos senhores de Entre Douro e Minho. Nas

to

Count Peres de Trava, there was growing discontent

among the nobility between Douro and Minho. In the

praças, tabernas e noutros locais públicos discute-se

squares, taverns and other public places the future of the County of Portugal was discussed. The population questioned the leadership qualities of Afonso Henriques, who had to make decisions and show that he was capable of following his father’s dreams.

o futuro do Condado Portucalense. O povo questiona

a capacidade de liderança de Afonso Henriques, que

precisa de tomar decisões e mostrar que é capaz de perseguir os sonhos de seu pai. Um país é, também e ainda mais quando nasce, feito de contraste com aquilo de que é diferente.

A

contrast with something else. Guimarães’ ambitions of nationhood also inevitably represented the beginning

country, particularly at its birth, is the result of a

A

ambição de país que Guimarães eleva tem também,

inexoravelmente, o gérmen da ruptura face ao outro que é Castela. Aqui jaz já o gérmen de outra ruptura:

of

a break with the other, as represented by Castile.

This was also the beginning of another break: that of

a

de Afonso com sua mãe e com as ligações galegas

Afonso with his mother and her Galician connections. Guimarães’ loyalty to Afonso was grounded in emancipation, in the context of a kingdom he did not yet rule and a country which did not yet exist, yet

desta. O gérmen da adesão de Guimarães a Afonso na emancipação, face a um reino que já não reina, de um

país que ainda não o é, mas que já não pode deixar de

o

ser. Aqui jaz o momento fundador da Batalha de São

Mamede.

whose emergence was inevitable. This is the founding moment of the Battle of São Mamede.

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AfONSO h e NRIqU e S

FEIRA AFONSINA

MAIS hISTÓRIAS pARA VIVERMOS

BAILE AFONSINO

Nem só de batalhas e guerras vivia o

condado. Revivendo a atmosfera das festas

e dos espetáculos medievais, a população

vimaranense protagoniza um baile medieval, com danças nobres e mouriscas, no qual as coreografias e os trajes levam o visitante à década de 20, mas do século XII.

JARDINS DOS INFANTES

Nos jardins do Largo Martins Sarmento, um espaço para os infantes e seus aios e

reis se poderem distrair através de jogos e brincadeiras de origem medieval, enquanto se preparam para frequentar oficinas

e assistir a espetáculos.

qUELhO DAS DESGRAÇAS

Este é o habitat dos larápios, dos

pedintes, das meretrizes, dos loucos e dos empestados. Vivendo em comunidade, são obrigados a interagir, pois este é

o local onde todos podem sobreviver.

A esterqueira, os objetos de tortura, o

pequeno altar dos renegados, as padiolas,

o carro dos cadáveres, os baldes da água de

lavar feridas, entre outros, são elementos

fortes deste quadro vivo.

ZONA DAS IGUARIAS

Um espaço dedicado aos alimentos de então. Uma mescla de sensações agridoces confecionadas com as mais antigas técnicas de preparação. Um sabor medieval que nos faz perguntar: qual seria o prato favorito de Afonso?

ZONA DE MERCADORES

A venda de produtos das mais diversas

estirpes, formas e cores é uma constante, transformando este espaço num ambiente de pregões, algazarra e muita agitação.

ZONA DOS ARTíFICES

A produção dos mais diversos tipos de

objetos era apenas possível graças à arte

e aos engenhos utilizados pelos mais

habilidosos artesãos. Nesta praça são visíveis, entre outras artes medievais, as artes de trabalhar o ferro, o linho ou a cera.

ACAMpAMENTO MILITAR

Como forma de proteção e de preparação

para as batalhas, os militares juntam-se nas imediações do castelo. O acampamento

é espaço de treinos e formação entre

campanhas. Artesãos de ofícios e criadores de animais são os outros habitantes que estão, estes dias, pelo Castelo de Portugal.

PauLo Pacheco

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estes dias, pelo Castelo de Portugal. PauLo Pacheco 21 FEIRA AFONSINA MORE hISTORIES TO LIVE ThE

FEIRA AFONSINA

pelo Castelo de Portugal. PauLo Pacheco 21 FEIRA AFONSINA MORE hISTORIES TO LIVE ThE AFONSINO BALL

MORE hISTORIES TO LIVE

ThE AFONSINO BALL

Life in the County was not just about battles and wars. In a recreation of the atmosphere of medieval celebrations and performances, the people of Guimarães take part in a medieval ball with courtly and Moorish dancing whose choreography and costumes will transport the visitor to the twenties – the 1120s!

ThE INFANTES GARDENS

In the Largo Martins Sarmento gardens,

there is a space for little princes and princesses – and the kings, queens and tutors who accompany them – to have some fun with medieval toys and games between taking part in workshops and watching shows.

MISFORTUNE ALLEy

This is the home of thieves, beggars,

prostitutes, lunatics and the pestilent.

A place where all must mix as part of a

community fighting to survive. Mire and filth, torture devices, an outcasts altar, handbarrows, the death cart and buckets of water for washing wounds are some of the striking features in this tableau vivant.

DELICACIES AREA

A space dedicated to the food of yesterday.

A blend of sweet and sour sensations

prepared using ancient techniques. A taste of medieval times that will have you

wondering: which dish would Afonso have liked best?

MERChANTS AREA

Here you can buy products of every type,

in every shape and colour. The space is

transformed into an atmosphere filled with hustle and bustle and the cries of hawkers.

ARTISANS AREA

It took the art and skill of the most talented

craftsmen and women to produce such a variety of objects. In this square, you can watch many different medieval artforms, using materials such as iron, linen and wax.

ThE MILITARy ENCAMpMENT

In order to protect themselves and prepare

for battle, military forces assemble in the castle grounds. The encampment is a space for training between campaigns. Over these

days, the Castelo de Portugal will also house artisans and animal breeders.

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MÚSICA COM TO dOS MUSIC WITh All
MÚSICA COM TO dOS MUSIC WITh All

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BIG BANG

TREZENTOS MÚSICOS, UM CORO,

UM MAESTRO E UM pALCO

GIGANTE

T hREE h UNDRED MUSICIANS , A C h OIR , ONE CONDUCTOR AND A GIANT STAGE

vasco menDes

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MÚSICA COM TO dOS MUSIC WITh All

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24 MÚSICA COM TO dOS MUSIC WITh All 25

qUALqUER pESSOA, qUALqUER

IDADE, qUALqUER LUGAR

All 25 qUALqUER pESSOA, qUALqUER IDADE, qUALqUER LUGAR ANyONE, ANy AGE, ANy pLACE Mais de trezentos

ANyONE, ANy AGE, ANy pLACE

qUALqUER IDADE, qUALqUER LUGAR ANyONE, ANy AGE, ANy pLACE Mais de trezentos músicos, um coro, um

Mais de trezentos músicos, um coro, um maestro e um palco gigante. Operação

Big Bang é o nome certo para a orquestra que toma de assalto o Parque da Cidade. No dia 9 de setembro, pelas 19h00, o maestro inglês Tim Steiner conduz um enorme conjunto de voluntários, que partilham a mesma paixão por música, num estrondo- so concerto.

O princípio é o da música colaborativa. O processo passa por integrar os contri-

butos de todos os intervenientes na construção final. Atualmente, no mundo global

e usando as novas tecnologias, a criação de música ultrapassa as barreiras físicas.

É cada vez mais comum que o processo criativo inclua vários músicos de diferen-

tes pontos do mundo que nunca se encontram, mas, trocando virtualmente as suas ideias, colaboram! Ao longo do ano, Steiner, em colaboração com catorze líderes de naipes vimara- nenses, desenvolveu três composições com base nos ritmos e histórias de Guima- rães. A percussão, com sonoridades tão familiares para os vimaranenses, marca o ritmo. As letras das canções retratam a história e o espírito da cidade. O desafio aos amantes da música foi posteriormente lançado usando ferramentas virtuais. A or- ganização disponibilizou online vídeos tutoriais de cada naipe e um vídeo geral que harmoniza todas as sonoridades. Não há requisitos, não é necessária experiência ou conhecimento musical. Qual- quer pessoa, de qualquer idade e qualquer lugar, pode participar. As inscrições con-

tabilizam cerca de trezentos voluntários de vários pontos do país. No dia, cada um traz o seu instrumento, muito boa disposição e as composições memorizadas. A di- ferença é que nesta incrível operação a colaboração materializa-se num encontro de improviso e cooperação. O momento musical será, por isso, único!

O desafio de conduzir esta orquestra cabe a Tim Steiner. Com mais de 20 anos de

experiência em projetos de música colaborativa, o maestro inglês pretende envolver todos os participantes e incorporar as suas ideias e sugestões no concerto final. Para facilitar a comunicação, dividiu as composições em partes e criou uma sinalética simples para que o possam seguir: um, cabeça, punho. A única condição para que o concerto seja memorável é não chover! Uma “Big Band” promete fazer um “Big Bang” no evento que encerra o projeto Picnicplay. A música, de um ponto de vista informal, foi integrada no quotidiano dos vimaranenses, divertindo e surpreendendo a população. O Parque da Cidade acolheu, por cinco domingos ao longo do verão, intervenções musicais lúdicas e muitas outras atividades. Animação foi o tema central deste projeto que contou ainda com a participação de artesãos locais. Centenas de pessoas fizeram parte do Picnicplay repleto de animação, diversão e boa música.

Picnicplay repleto de animação, diversão e boa música. More than three hundred musicians, a choir, one

More than three hundred musicians, a choir, one conductor, and a giant stage. Operation Big Bang is the right name for this orchestra that is taking the City Park by storm. On 9 September at 7 p.m. the British maestro Tim Steiner will conduct a huge group of volunteers who share the same passion for music at a thunderous concert. The principle is that of collaborative music. The process involves integrating the contributions of all of the participants into a final construct. Currently, in the global world and with the use of new technologies, creation in music is overcoming physi- cal barriers. It is becoming increasingly common for the creative process to include several musicians from various parts of the world who never physically meet but who virtually exchange ideas, who cooperate! Throughout the year, Steiner, working with fourteen leaders of music groups from Guimarães, has developed three pieces of music based on the rhythms and stories of their city. The typical and familiar sound of the percussion of the region marks the rhythm. The lyrics of the songs portray the history and spirit of the city. The challenge proposed to music lovers all over the world was then launched using virtual tools. The organization made online tutorial videos available for each group of musicians and a general video that harmonizes all of the sonorities. There are no prerequisites; no experience or specific knowledge of music is nee- ded. Anyone of any age and from any place can take part. There are currently around three hundred registered volunteers from several places around the country. On the day of the concert, each of them will bring his/her own instrument, a very good mood and the memorized pieces. The difference in this amazing operation is that the collaboration is materialized in an improvised and co-operative encounter, thus constituting a unique musical moment! The challenge of conducting this orchestra falls to Tim Steiner. With over twen- ty years’ experience of collaborative music projects, the British maestro intends to involve all the participants and incorporate their ideas and suggestions into the fi- nal concert. In order to facilitate communication, he divided the music pieces into parts and created simple signs that anyone can follow: one, head, fist. The sole con- dition for the concert to become memorable is that it doesn’t rain! This “Big Band” promises to create a “Big Bang” at the final event of the Picni- cplay project. Seen from an informal point of view, music has become part of the daily lives of the residents of Guimarães, amusing and surprising the population. This summer, for five consecutive Sundays, the City Park has welcomed entertai- ning musical interventions and many other activities. Liveliness was the central theme of this project, which also could count on the participation of local artisans. Hundreds of people participated in Picnicplay, which was filled with high spirits, enjoyment and good music.

artisans. Hundreds of people participated in Picnicplay , which was filled with high spirits, enjoyment and

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ARTe TÊXTI l TeXTI le ART

26 ARTe TÊXTI l TeXTI le ART CONTEXTILE 2012 TRIENAL DE ARTE TÊXTIL CONTEMpORÂNEA Arte contemporânea

CONTEXTILE

2012

26 ARTe TÊXTI l TeXTI le ART CONTEXTILE 2012 TRIENAL DE ARTE TÊXTIL CONTEMpORÂNEA Arte contemporânea

TRIENAL DE ARTE TÊXTIL CONTEMpORÂNEA

ART CONTEXTILE 2012 TRIENAL DE ARTE TÊXTIL CONTEMpORÂNEA Arte contemporânea que utiliza o têxtil como matéria
Arte contemporânea que utiliza o têxtil como matéria ou referência no tra- balho criativo. Esta
Arte contemporânea que utiliza o têxtil como matéria ou referência no tra-
balho criativo. Esta é a definição de arte têxtil e a base para a Contextile 2012
– Trienal de Arte Têxtil Contemporânea, o primeiro evento internacional do
género realizado em Portugal. Com uma forte ligação ao setor têxtil, Guima-
rães surge como palco natural para esta realização.
A crise intensa sofrida pela indústria têxtil abre portas à perscrutação de
novas possibilidades. O forte legado e toda a história da cidade são agora,
com a Capital Europeia da Cultura, alvo de uma reinterpretação. Esta mis-
são é levada a cabo por criativos nacionais e internacionais, construindo
uma nova imagem da cidade e abrindo os campos possíveis do alcance da
indústria têxtil.
Guimarães 2012 abre assim portas a um novo olhar, a uma visão ex-
terna, não contaminada, de uma rede internacional de especialistas que
fortalece com as suas observações a captação de talento e a descoberta de
oportunidades para a indústria.
Conscientes desta necessidade, duas fábricas da cidade – Pereira da
Cunha SA e Sampedro – aceitaram a integração de artistas internacionais
nas suas instalações. Uma nova perspetiva que possibilita a criação de outra
linguagem a partir das suas matérias-primas, dando visibilidade ao processo
fabril e integrando os intervenientes. A dualidade entre artesanato e arte, entre
funcionalidade e estímulo, foi também questionada com uma abordagem cria-
tiva à tradicional técnica do Bordado de Guimarães.
Entre setembro e outubro, a Contextile 2012 ocupa vários espaços da cidade com
um programa que engloba diversas exposições, uma performance e uma conferência
internacional. A Casa da Memória, uma nova infraestrutra da cidade, acolhe a Expo-
sição Internacional, de caráter competitivo, composta por 87 trabalhos de 53 artistas
nacionais e internacionais. O resultado das residências artísticas é também exposto
neste espaço, que recebe um arquivo fabril de amostras de tecidos da empresa Pereira
da Cunha SA.
Kaunas Biennial Textile (Lituânia), um dos mais importantes eventos da cultura
têxtil, é o parceiro oficial desta viagem pela arte têxtil mundial. Para além da extensão
do evento Rewind History – Paço dos Duques de Bragança, de 1 de setembro a 14 de ou-
tubro –, a parceria permite o desenvolvimento da rede de contactos e o fortalecimento
de intercâmbios de conhecimento e competências e refletir sobre novas perspetivas.
e competências e refletir sobre novas perspetivas. 27 ELIZABETh ROy, CANADá, LE ChAT ET LE RAT

27

ELIZABETh ROy, CANADá, LE ChAT ET LE RAT, 2011, FELTRAGEM COM AGULhA, 150 X 150CM

ELIZABETh ROy, CANADA, LE ChAT ET LE RAT, 2011, FELT WITh NEEDLEWORK, 150 X 150CM

Dr

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ARTe TÊXTI l TeXTI le ART

28 ARTe TÊXTI l TeXTI le ART CONTEXTILE 2012 CONTEMpORARy TEXTILE ART TRIENNIAL Contemporary art that

CONTEXTILE 2012

28 ARTe TÊXTI l TeXTI le ART CONTEXTILE 2012 CONTEMpORARy TEXTILE ART TRIENNIAL Contemporary art that

CONTEMpORARy TEXTILE ART TRIENNIAL

le ART CONTEXTILE 2012 CONTEMpORARy TEXTILE ART TRIENNIAL Contemporary art that uses textiles as a medium

Contemporary art that uses textiles as a medium or a reference for creative work

– this is the definition of textile art that forms the basis of Contextile 2012 - Contempo-

rary Textile Art Triennial, the first international event of this type to be held in Por- tugal. Closely connected to the textile sector, Guimarães is the natural stage for such an event. This choice is reinforced by the synergy created by the European Capital of Culture. This event presents an opportunity for Portuguese artists to step forward and to expand the international network of debate among textile artists. The intense crisis being suffered by the textile industry opens doors to the inves- tigation of new possibilities. With the European Capital of Culture, the strong legacy and history of the city are now being reinterpreted. This mission is carried out by Por- tuguese and foreign artists, who are creating a new image for the town and opening up fields that can be accessed by the textile industry. With this aim in mind, Guimarães 2012 is hosting the first edition of Contextile 2012, investing in the dissemination of textile art. The role of the artists in this area is that of observing, consuming, absorbing and deconstructing the textile universe, reflecting on the potential ways of bringing this support to other creative contexts. Guimarães opens the doors to a new perspective, to the external, uncontaminated eye of an international network of experts who, with their observations, will attract new talent and help uncover new opportunities for the industry. Aware of this need, two of the town’s factories – Pereira da Cunha SA and Sampedro

– have agreed to receive international artists in their facilities: a fresh perspective that

opens up the possibility of a new language based on the materials used in this sector, granting visibility to the manufacturing process and integrating the participants. The duality between craftsmanship and art, functionality and stimuli, was also questioned through a creative approach to the traditional embroidery techniques of Guimarães. Between September and October, Contextile 2012 is taking over several spaces in the city, offering a programme that includes several exhibitions, a performance, and an international conference. Casa da Memória, a new facility in the town, was the venue chosen for the International Exhibition, which is organized as a competition comprising 87 works by 53 Portuguese and foreign artists. The works created during the artistic residencies will also be exhibited in this space, which will accommodate a manufacturing archive composed of fabric samples created by Pereira da Cunha SA. Kaunas Biennial Textile (Lithuania), one of the most important events in textile cul- ture, is the official partner on this journey through worldwide textile art. In addition to the extension of Rewind History (Paço dos Duques de Bragança, between 1 September and 14 October), this partnership allows the network of contacts to be developed and strengthens the exchange of knowledge and skills. The process of reflecting on new perspectives is the starting point for a discussion on the developments taking place.

point for a discussion on the developments taking place. CONTEXTILE 2012 pROGRAMA pROGRAMME 1 SeT SePT

CONTEXTILE 2012

discussion on the developments taking place. CONTEXTILE 2012 pROGRAMA pROGRAMME 1 SeT SePT -14 OUT OCT

pROGRAMA pROGRAMME

taking place. CONTEXTILE 2012 pROGRAMA pROGRAMME 1 SeT SePT -14 OUT OCT SeG-dOM MON-SUN 10h00-20h00 CASA

1 SeT SePT-14 OUT OCT SeG-dOM MON-SUN

10h00-20h00

CASA DA MEMÓRIA

EXpOSIÇÃO INTERNACIONAL IN FACTORy INTERNATIONAL EXhIBITION IN FACTORy BORDADO DE GUIMARÃES GUIMARÃES EMBROIDERy ARqUIVO FABRIL FACTORy ARChIVE

1-14 SeT SePT SeG-SeX MON-fRI 9h00-12h30

14h00-17h30

ARQUIVO MUNICIPAL ALFREDO PIMENTA

GISELE SANTI – EXpOSIÇÃO ANTOLÓGICA ANThOLOGICAL EXhIBITION

1 SeT SePT 20h00 2 SeT SePT 17h30/19h00 PLATAFORMA DAS ARTES (BLACK BOX) 4 MILLION
1 SeT SePT 20h00
2 SeT SePT 17h30/19h00
PLATAFORMA DAS ARTES (BLACK BOX)
4 MILLION – pERFORMANCE
1-14 SeT SePT
SeG-dOM MON-SUN
10h00 – 18h00
2-3 OUT OCT 9h30-18h30
CENTRO CULTURAL VILA FLOR
PAÇO DOS DUQUES DE BRAGANÇA
REWIND hISTORy – EXTENSÃO DE
EXTENSION OF KAUNAS BIENNIAL TEXTILE’ 11
CONFERÊNCIA INTERNACIONAL – “ARTE TÊXTIL
CONTEMpORÂNEA: qUE pERSpETIVAS?”
INTERNATIONAL CONFERENCE – “CONTEMpORARy
TEXTILE ART: WhAT pROSpECTS?”
4 MILLION, pERFORMANCE MULTIDISCIpLINAR,
NÉ BARROS (pORTUGAL) /
pATRICIJA GILyTË (LITUÂNIA)
4 MILLION, MULTIDISCIpLINARy pERFORMANCE,
NÉ BARROS (pORTUGAL) /
pATRICIJA GILyTË (LIThUANIA)

Dr

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CURAdORIA CURATORS h I P O LABORATÓRIO É UMA pRAÇA pÚBLICA ThE LABORATORy IS A
CURAdORIA CURATORS h I P
O
LABORATÓRIO É
UMA pRAÇA pÚBLICA
ThE LABORATORy IS
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sÉrGio roLanDo

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CURAdORIA CURATORS h I P
CURAdORIA CURATORS h I P

aLmeDina mestrovac

32 CURAdORIA CURATORS h I P aLmeDina mestrovac O LABORAT Ó RIO DE CURADORIA pOR… GABRIELA

O LABORATÓRIO DE CURADORIA pOR… GABRIELA VAZ-pINhEIRO, pROGRAMADORA DE ARTE E ARqUITETURA LíGIA AFONSO, COORDENADORA DO LABORATÓRIO DE CURADORIA

LíGIA AFONSO, COORDENADORA DO LABORAT Ó RIO DE CURADORIA No final do segundo momento do Laboratório

No final do segundo momento do Laboratório de Curadoria e quando se prepara a abertura, a 22 de setembro, do Momento #3: Nomadismo e Disseminação (ver página 125), colocam-se três questões sobre o que foi e o que é neste momento este laboratório, apostado em discutir o pensamento curatorial e as práticas de criação contemporâneas.

Qual a importância do Laboratório de Curadoria para Guimarães 2012? Este projeto faz parte, e é possivelmente o mais paradigmático, do Ciclo Sobre Audiências do Programa de Arte e Arquitetura de Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura. Este ciclo pretende debater, de forma aberta, o conceito de audiência e público, as suas diferenças, o seu empoderamento e participatividade. A génese do Laboratório de Curadoria apoia-se num conceito de trabalho em que o cruzamento de experiências e discursos dos agentes criativos questiona e dá visibilidade ao processo artístico, tanto ao nível da sua produção e pensamento, como também na sua receção e crítica. É um projeto verdadeiramente conetor porque se posiciona como “uma praça pública” que recebe e emana ao mesmo tempo. Produz conhecimento, discurso, crítica e partilha.

2. Qual o legado que o Laboratório de Curadoria nos deixará? Do ponto de vista dos processos de trabalho o Laboratório de Curadoria permite aos criadores confrontarem, dialogarem, produzirem e apresentarem os seus discursos e obra, num contexto único. Por ele já passaram centenas de pessoas, de muitas nacionalidades e experiências, oferecendo oportunidade de contacto com o lado menos visível da produção artística, tanto nas residências em que artistas,

designers e arquitetos laboram à vista de todos, como em momentos de discussão com críticos ou curadores, sempre em regime aberto, em que o público tem a

opção de entrar, participar ou sair em qualquer ponto.

O legado deste projeto é imaterial porque educativo, é

crítico porque capacitador. A experiência de passar pelo Laboratório como participante efetivo numa oficina, espetador de um concerto ou simples transeunte curioso permite sempre um contacto enriquecedor com processos de trabalho e formas de pensar de uma enorme diversidade.

3. Quais os momentos, passados e futuros, mais representativos do Laboratório? Todos os projetos que integram o Laboratório de Curadoria, tenham eles decorrido da predefinição de programa ou tenham tido um caráter mais espontâneo, concorrem de forma indelével para a coesão e organicidade do programa. Quer isto dizer que nenhum projeto faz sentido sem se alicerçar no anterior e sem lançar as bases para outros que ocorram simultânea ou posteriormente. Sem dúvida que o workshop Construir Junto teve um impacto decisivo na implementação do programa, inaugurando a ocupação da Fábrica ASA, sobretudo do ponto de vista do envolvimento da comunidade académica e de todos aqueles que estão, de alguma forma, ligados à história da fábrica. Também as residências, individuais ou coletivas, que aqui ocorreram, as conferências ou os eventos programados por curadores convidados entre tantos outros acontecimentos discursivos e performativos, trouxeram densidade crítica ao programa e diversidade de públicos ao Laboratório de Curadoria. Juntando-se a isto os projetos espaciais de João Mendes Ribeiro e Inês Botelho e os editoriais, desenhados em tempo real e em formato colaborativo, como por exemplo os Cadernos de Curadoria, de Bruno Marchand (publicação transversal à programação que se desenvolve em doze fascículos e que, de alguma forma, constitui

a primeira aproximação a uma genealogia das práticas

curatoriais em Portugal) chegou-se, com o fim do segundo momento, a um ponto de maturação do projeto.

do segundo momento, a um ponto de maturação do projeto. CURATORS’ LAB By… GABRIELA VAZ-pINhEIRO, ART
do segundo momento, a um ponto de maturação do projeto. CURATORS’ LAB By… GABRIELA VAZ-pINhEIRO, ART

CURATORS’ LAB By… GABRIELA VAZ-pINhEIRO, ART AND ARChITECTURE pROGRAMME DIRECTOR LíGIA AFONSO, COORDINATOR OF CURATORS’ LAB

DIRECTOR LíGIA AFONSO, COORDINATOR OF CURATORS’ LAB At the end of the second stage of the

At the end of the second stage of the Curators’ Labs, and as it was preparing for the opening on 22 September of Stage #3: Nomadism and Dissemination (see page 125), three questions about what the laboratory was and currently is were raised with the aim of discussing curatorial thinking and the practices of contemporary creation.

1. What importance does the Curators’ Lab have for Guimarães 2012? This project is part of, and possibly the most paradigmatic of, the On Audiences cycle in the Programme for Art and Architecture of Guimarães 2012 European Capital of Culture. This cycle aims to openly discuss the concepts of audience and public, the differences between the two terms, and their empowerment and participation. The origin of the Curators’ Lab is based on a working concept in which the intersecting of creative agents’ experiences and ideas both questions and grants visibility to the artistic process both in its production and thought processes as well as in its reception and criticism. It is a truly connective project because it is positioned as a “public square” that receives and emanates at the same time. It produces knowledge, discourse, criticism and sharing.

2. What will be the legacy of the Curators’ Lab? From the point of view of its working processes, the Curators’ Lab allows its creators to compare, discuss, produce and present their discourses and work in a unique context. Hundreds of people of many different nationalities and backgrounds have already passed through the laboratory, offering opportunities to come into contact with the less visible side of artistic production, both in homes where artists, designers and

architects work in plain sight, as well as in discussions with critics or trustees, always out in the open, where the public has the option to enter, participate or leave at any point. The legacy of this project is immaterial because it is educational and it is critical because it enables. The experience of going through the laboratory

as an effective participant in a workshop, an onlooker at

a concert or simply as a curious passer-by can always

provide enriching contact with a huge diversity of work processes and ways of thinking.

3. Which moments, in the past and the future, best represent the Laboratory? All of the projects that make up the Curators’ Lab either stem from the way in which the programme had been predefined or are of a more spontaneous nature, contributing indelibly to the cohesion and organic nature of the programme. This means that no project

makes sense unless its foundations lie in the previous one and it lays down the groundwork for others that occur simultaneously or subsequently. Without doubt the Build Together workshop had

a decisive impact on the implementation of the

programme, inaugurating the occupation of the ASA Factory, especially from the point of view of the involvement of the academic community and all those who are somehow connected with the history of the factory. The individual or collective residences which occurred here, and the conferences or events scheduled by guest curators, among many other discursive and performance events, also brought critical density to the programme and public diversity to the Curators’ Lab. Joining the above are João Mendes Ribeiro and Inês Botelho’s spatial projects and editorials, designed in real- time using a collaborative format, like Bruno Marchand’s Curatorial Notebooks (a publication spanning the various disciplines of the programme that develops in

twelve instalments and in some way constitutes the first approach to a genealogy of curatorial practices in Portugal). At the end of the second stage, a point of maturity for the project was reached.

of curatorial practices in Portugal). At the end of the second stage, a point of maturity

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CURAdORIA CURATORS h I P MOMENTO #1: MOMENTO #2: CRUZAMENTOS E ENCENAÇõES DOCUMENTAÇÃO E DISCURSO
CURAdORIA CURATORS h I P
MOMENTO #1:
MOMENTO #2:
CRUZAMENTOS
E ENCENAÇõES
DOCUMENTAÇÃO
E DISCURSO
STAGE #1:
STAGE #2:
CROSSINGS
AND STAGINGS
DOCUMENTATION
AND DISCOURSE
O primeiro momento problematiza a exposição
O segundo momento incide sobre a interpretação dos
enquanto espetáculo cenográfico, performático e
sensorial. Concentra-se nas interligações e formas de
processos e conteúdos artísticos. É dedicado à reflexão
atração dos eventos e objetos artísticos, desenvolve-se
a partir de uma reflexão sobre a criação interdisciplinar
teórica e crítica, com base na investigação curatorial e
editorial, e tem como objetivo fomentar e estimular a
sua produção. Toma o texto, a tradução, a autoedição,
e privilegia projetos fundados na ideia de comunidade
criativa.
O projeto espacial para este momento, ConstructLab/
EXYZT, é uma prática de construção colaborativa
que trabalha tanto em projetos permanentes como
efémeros. Ao contrário do processo arquitetónico
convencional, nestes projetos a conceção e a
construção associam-se. Os designers-construtores
dão vida ao espaço através da sua presença
o livro de artista, o arquivo e a crítica de arte como
conceitos operativos e problemáticas fundamentais.
Para este momento, João Mendes Ribeiro concebeu
um espaço-contentor vertical que comportou, numa
primeira instância, a dimensão do enterrado e do
subterrâneo, para se transformar depois numa enorme
estante de arquivo (Sara & André) e num edifício
museológico (LiMAC - Museo de Arte Contemporaneo
de Lima).
permanente, gerando novas dinâmicas e integrando
outros participantes e convidados.
The first stage questions the exhibition as a
scenographic, performative and sensory spectacle. It
focuses on interconnections and the ways in which
events and artistic objects can be attractive, develops
through a reflection on interdisciplinary creation,
and favours projects based on the idea of a creative
community.
The spatial project for this stage, ConstructLab/
EXYZT, is a collaborative building practice that works
for both permanent projects as well as ephemeral
ones. Unlike in conventional architectural processes,
both the conception and the construction processes
are interlinked in these projects. The designers-
builders give life to the space through their permanent
presence, creating new dynamics and involving other
participants and guests.
The second stage concerns the interpretation of
processes and artistic contents. It is devoted to
theoretical and critical reflection based on curatorial
and editorial research and aims both to encourage and
stimulate its production. It takes texts, translations,
self-published works, artist’s books, archives and art
criticism to be operational concepts and fundamental
issues.
For this stage, João Mendes Ribeiro has designed a
vertical space-container which, in the first instance,
conveyed the dimension of the buried and the
subterranean before becoming a huge filing cabinet
(Sara & André) located in a museum building
(LiMac - Museo contemporary Art of Lima).

sÉrGio roLanDo

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e dUCAçãO e dUCATION ESpETADOR, pENSADOR, FAZEDOR. E DEpOIS? VIEWER, ThINKER, DOER. ThEN WhAT?
e dUCAçãO e dUCATION
ESpETADOR,
pENSADOR,
FAZEDOR.
E DEpOIS?
VIEWER,
ThINKER,
DOER. ThEN
WhAT?

JosÉ caLDeira

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e dUCAçãO e dUCATION

38 e dUCAçãO e dUCATION ESCOLA, CULTURA, CApITAL CULTURAL MANUEL JACINTO SARMENTO universidade do minho; Diretor

ESCOLA, CULTURA, CApITAL CULTURAL

38 e dUCAçãO e dUCATION ESCOLA, CULTURA, CApITAL CULTURAL MANUEL JACINTO SARMENTO universidade do minho; Diretor

MANUEL JACINTO SARMENTO

universidade do minho; Diretor do Departamento de ciências sociais da educação

Diretor do Departamento de ciências sociais da educação Cidadania e cultura: palavras-base sempre que se fala

Cidadania e cultura: palavras-base sempre que se fala da escola. Cidadania, por- que a escola, intencionalmente pensada e construída para todos e para todas (em Portugal, vem de 1822 a proclamação formal da escolaridade universal), se constitui como o instrumento público para assegurar que todos acedam a uma cultura co- mum e, desse modo, possam participar ativamente na vida social, numa base igua- litária. Cultura, porque a escola é, por definição, uma instituição de transmissão cultural. No entanto, nem a cidadania é, por si só, assegurada pela escola, nem a cultura pode ser declinada sem que se atenda à complexidade dos estratos culturais por

que é constituída. As controvérsias políticas da escola como instituição inserida no espaço público radicam, em larga medida, nas diferenças (e, portanto, na disputa) de ideias e de valores em torno desta relação escola-cidadania-cultura. Ao pensar a relação da escola com a capital cultural é necessário pensar a relação da escola com o capital cultural. Ao chegarem à escola, as crianças e os jovens estão mergulhados em universos culturais multiformes: partilham valores e saberes que lhes foram comunicados pelas famílias, em primeiro lugar, e, depois, pelos vizinhos e outros elementos das comunidades onde estão inseridos; construíram, nas relações com outras crianças

e jovens, linguagens, representações, modos de reconhecimento e de ação constitu-

tivos das culturas de pares; nas suas vidas, por todas as janelas digitais e analógicas, entrou a cultura mediática globalizada, com os seus referentes, formas e conteúdos.

A escola assemelha-se, hoje, por consequência, a mais um universo cultural, distin-

to e singular, mas não exclusivo. Perante isso, colocam-se duas alternativas, configuradoras, afinal, de duas atitu- des pedagógicas radicalmente distintas: ignorar as crianças e os jovens como sujei- tos portadores de cultura e procurar transmitir a cultura escolar, preferencialmente reduzida à dimensão instrumental de ler, escrever e contar; alternativamente, rea- lizar o trabalho de tradução entre diferentes universos culturais, permitindo que os sujeitos culturais da escola adquiram, exprimam e comuniquem a sua condição de detentores de capital cultural. A segunda alternativa, em torno da qual faz sentido falar de escola democrática,

é a única que verdadeiramente pode garantir a cidadania, porque inclui e potencia a

diferença cultural, e a única que realiza o sentido da escola como instituição de cul- tura, porque esta é viva, continuamente se reinventa e só existe na medida em que se exprime em sujeitos criadores. Esta escola cidadã e cultural é a escola mergulha- da na cidade, continuamente invadida pela festa que a atravessa e permanentemen-

te presente – no museu, no centro cultural, na biblioteca, na rua – na construção da

aprendizagem e na comunicação dos saberes.

construção da aprendizagem e na comunicação dos saberes. 39 SChOOL, CULTURE, CULTURAL CApITAL MANUEL JACINTO SARMENTO

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da aprendizagem e na comunicação dos saberes. 39 SChOOL, CULTURE, CULTURAL CApITAL MANUEL JACINTO SARMENTO

SChOOL, CULTURE, CULTURAL CApITAL

dos saberes. 39 SChOOL, CULTURE, CULTURAL CApITAL MANUEL JACINTO SARMENTO universidade do minho; Director of

MANUEL JACINTO SARMENTO

universidade do minho; Director of the Department of social sciences of education

Director of the Department of social sciences of education Citizenship and culture: fundamental terms when discussing

Citizenship and culture: fundamental terms when discussing schooling. Citi- zenship, because schools, carefully considered and created for all (in Portugal, the formal proclamation for state schooling was made in 1822), are a public tool to ensu- re that everyone has access to a common culture and is able to actively participate in society on an equal footing. Culture, because schools are, by definition, institutions of cultural transmission. However, citizenship is not guaranteed only by schooling, and neither can cultu- re be understood without looking at the complexity of the cultural strata that cons-

titute it. Political controversies around schools as public institutions existing in pu- blic space tend to stem from the differences (and therefore the disputes) between the ideas and values that surround this school-citizenship-culture relationship. In order to assess the relationship of schools with the capital of culture one must assess the relationship of schools with the cultural capital. When they arrive at school, children and young people are plunged into a mul- titude of cultural universes: they share values and knowledge firstly given to them by their families, and then by their neighbours and others from their communities:

in their relationships with other children and young people they build languages, representations, forms of recognition and action that construct a peer culture; glo- balised media culture with all its references, forms and content has invaded their lives through all our analogue and digital windows. Schools are now more similar to

a distinct and singular, but not exclusive, cultural universe. Bearing this in mind, there are two alternatives, that give rise to two radically distinct pedagogical approaches: the first is to ignore children and young people as

individuals bearing their own culture and attempt to transmit the school culture, preferably reduced to its basic elements of reading, writing and counting; alternati- vely, one can translate between the different cultural universes, allowing the cultu- ral school members to acquire, express and communicate their position as holders of a cultural capital. However, the second alternative, for which the term democratic school would seem to make sense, is the only one that can truly guarantee citizenship, because

it includes and stimulates cultural difference, and is the only one that materializes

the sense of schools as cultural institutions, because they are alive, continuously reinvent themselves and only exist insofar as they are expressed through creative subjects. This cultural and citizenship school is a school immersed in the city, con- tinuously invaded by the celebrations that cross it and that are always present – in the museum, in the cultural centre, in the library, in the street – in the construction of learning and in the communication of knowledge.

cultural centre, in the library, in the street – in the construction of learning and in

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e dUCAçãO e dUCATION

AS TRÊS DIMENSõES DE GUIMARÃES 2012 NO ÂMBITO DA EDUCAÇÃO CULTURAL

DE GUIMAR Ã ES 2012 NO Â MBITO DA EDUCAÇ Ã O CULTURAL DO SER ESpETADOR

DO SER ESpETADOR

Uma programação intensa e diversificada procura responder a múltiplas sensibilidades e gerar novas predisposições, estendendo-se além dos convencionais auditórios e espaços expositivos, envolvendo-se na reconfiguração de equipamentos para uso cultural, dialogando com a periferia e com o espaço privado, assim recompondo a perceção do que são lugares de cultura.

Em particular, o programa Caminhos do Olhar, que inicia

a 2.ª edição em outubro, aprofunda uma relação estreita entre ver, pensar e falar sobre, numa base regular e partilhada. Destacam-se também as Visitas Orientadas que, em vez de traduzirem as formas artísticas, valorizam o diálogo único gerado pelo encontro entre visitantes e obras em exposição.

DO pENSAR

Ao fruir e ao fazer associa-se o pensar de forma constante, reclamando, para o centro das

programações, temáticas e conceitos emergentes, inclusive na programação para públicos jovens.

A infância tem uma inesgotável capacidade de

problematização e por isso falar sobre a beleza, a morte ou deus não tem que parecer intimidante. Esta é a proposta da conferência cénica Pequenas Conferências,

a

partir dos textos homónimos de Jean-Luc Nancy, que

o

Serviço Educativo coproduz e estreia em novembro.

Em diálogo com a atividade de criação e de difusão cultural, o programa integra ainda debates e a produção de conhecimento, através de edições e outros suportes. Transversalmente às áreas de programação, inúmeros

documentos têm vindo a ser publicados, como será o caso do volume gerado pelo Observatório do Serviço Educativo, constituído por artistas, professores e estudiosos.

DO FAZER

A dimensão da experiência motiva uma aproximação

mais profunda à criação. Pela implicação do corpo, impressões profundas inscrevem-se na memória. Inúmeras oficinas têm proporcionado a centenas de crianças e adultos experimentar pela primeira vez as

linguagens artísticas e, a muitos outros, aprofundar as suas práticas neste âmbito. Nos laboratórios de criação

e formação para jovens os artistas são chamados a

partilhar os conceitos e práticas que fundam o seu trabalho e, em várias residências artísticas, os criadores integram momentos de formação prática com o público. No que ao fazer diz respeito, os projetos de criação com

a comunidade são fulcrais pela sua dimensão coletiva. Participando ativamente num projeto de criação, as comunidades tornam-se mais sensíveis à produção cultural e valorizam o seu próprio lugar no tecido

cultural através de um sentimento de pertença. Tomar

o que constitui estas comunidades e transformá-lo

em matéria de criação é não apenas autorizar a voz de comunidades, muitas vezes deslocadas do centro do poder, mas abrir possibilidades à re-visão da sua própria identidade, pelos próprios e pelos outros. Foi assim em A Viagem / Filipa Francisco, Citty Maquette / Mathilde Monnier ou Na minha cidade há o mundo / Marta Freitas. E será assim em O Peso de Uma Semente / Marina Nabais, com estreia no Guidance em 2013, que contará com a participação de jovens do concelho em palco e de alunos da Escola Profissional Cenatex, na conceção e confeção de figurinos, e o Projeto Krisis, que assenta numa pesquisa com grupos da comunidade desde 2010 e culminará, a 21 de dezembro, no espetáculo de não-encerramento desta capital europeia de culturas.

E DEpOIS?

Não é difícil reconhecer que, em Guimarães, a vocação participativa e gregária característica do Minho é especialmente desenvolvida. “A malta” arregaça as mangas e faz, e gosta de fazer, e gosta de fazer uns com os outros. Por isso Guimarães 2012 ficará sem dúvida marcada, em vários e distintos momentos, pelo

ímpeto de “fazer parte”, que foi assumindo incontáveis formas.

A esta vocação, soma-se uma predisposição local que

se gerou, não exclusivamente com a Capital Europeia da Cultura, mas com uma política cultural continuada

a montante, aliada à atividade enérgica das elites e de

um denso tecido associativo. Um quadro raro a nível nacional, que se abre ao florescimento social a partir

do florescimento cultural. Resta saber, e teremos ainda de esperar algum tempo, que real predisposição se criou para considerar neste movimento a figura do outro e a figura do eu feito outro, caminho possível para a transformação e para o verdadeiro desenvolvimento.

ThE ThREE DIMENSIONS OF GUIMARÃES 2012 IN CONNECTION TO CULTURAL EDUCATION

OF GUIMAR Ã ES 2012 IN CONNECTION TO CULTURAL EDUCATION ThAT OF ThE SpECTATOR An intense

ThAT OF ThE SpECTATOR

An intense and varied programming seeks to respond to multiple sensitivities and to generate new predispositions, going beyond conventional auditoriums and exhibition spaces, and becoming involved in the reconfiguration of tools for cultural use, entering into a dialogue with the periphery and with private space, and thus recreating the perception of cultural spaces. Of particular note is the program Caminhos do Olhar [Paths of Vision], the second series of which begins in October, and which further investigates the tight relationship between seeing, thinking and speaking from a regular and a shared base point. Also of merit are the Guided Visits that, rather than translating the artistic forms, give value to the unique dialogue generated by the meeting between visitors and the works in exhibition.

ThAT OF ThINKING

The acts of experiencing and creating are connected through constant thinking, leading to a demand for programming themes and concepts, in addition for the younger public. Childhood has an unerring ability to question, and this is why children are not intimidated by discussions about beauty, death or god. This is the proposal for the set conference Pequenas Conferências [Small Conferences], based on homonymous texts by Jean-Luc Nancy, which the Educational Service is co-producing and launching in November. In a dialogue with the activity of creation and cultural diffusion, the program also includes debates and knowledge production through publications and other supports. Running through all these areas of programming there are numerous published documents, including the volume produced by the Observatório do Serviço Educativo [Educational Service Observatory], which consists of artists, teachers and students.

ThAT OF DOING

This dimension of experience motivates a more intense approach to creation. By using our bodies deep impressions are inscribed in our memories: research practices, a productive relations with mistakes, dialectics with materials, dialogue between individual and collective concepts, and an understanding of the times implied by these processes.

In the creative and training laboratories for young people the artists are called on to share the concepts and practices that are the bases of their work, and in several artistic residences creators offer practical training to the public. Creative projects within the

community are fundamental due to their collective dimension. By actively participating in a creative project, communities become more sensitive to cultural production and value their own unique place in the cultural fabric through their feeling of belonging. Taking what these communities are made of and transforming

it into creative matter not only gives communities

- frequently distanced from centres of power - an

authoritative voice, but it also expands their chance to revise their own identity, as seen by themselves and as seen by others. This was the case in A Viagem [The Journey]/ Filipa Francisco, Citty Maquette/ Mathilde Monnier and Na minha cidade há o mundo [In my city there is a world]/ Marta Freitas. It will also be the case in O Peso de Uma Semente [The Weight of A Seed] / Marine Nabais, showing at Guidance 2013, which will involve young people from the municipality taking the stage, and students from the Cenatex training College designing and creating the costumes, and Projeto Krisis, which is founded on a study with community groups that began in 2010 and will culminate on the 21 of December, in the non-closing spectacle for this European Capital of Cultures.

ThEN WhAT?

It is not hard to see that the friendly and participatory spirit so characteristic of the Minho region is particularly well-developed in Guimarães. The locals

roll up their sleeves and get on with things, they like what they do, and they like to do it together. This is why Guimarães 2012 will most certainly be marked in

a variety of moments, by the impetus of “taking part”, that has been accomplished in numerous ways.

In addition to this vocation, there is a local tendency

that has been generated, not only by the European

Capital of Culture, but also by a growing cultural politics, connected with the enthusiastic activities of the elite and by a strong community spirit. This is a framework that is rarely seen nationally, and it opens the doors to

a

society that can bloom through the blooming culture.

It

remains to be seen over time what the true legacy will

be of this movement from the figure of the other to the

figure of oneself as another, a potential path towards transformation and genuine development.

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e dUCAçãO e dUCATION A DIMENSÃO DA EXpERIÊNCIA MOTIVA UMA ApROXIMAÇÃO MAIS pROFUNDA à CRIAÇÃO.
e dUCAçãO e dUCATION
A DIMENSÃO DA EXpERIÊNCIA MOTIVA UMA
ApROXIMAÇÃO MAIS pROFUNDA à CRIAÇÃO. pELA
IMpLICAÇÃO DO CORpO, IMpRESSõES pROFUNDAS
INSCREVEM-SE NA MEMÓRIA
ThIS DIMENSION OF EXpERIENCE MOTIVATES
A MORE INTENSE AppROACh TO CREATION.
By USING OUR BODIES DEEp IMpRESSIONS ARE
INSCRIBED IN OUR MEMORIES

João Peixoto

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e dUCAçãO e dUCATION

44 e dUCAçãO e dUCATION SERVIÇO EDUCATIVO GUIMARÃES 2012 1º SEMESTRE DE 2012 EDUCATIONAL SERVICE GUIMARÃES

SERVIÇO EDUCATIVO GUIMARÃES 2012 1º SEMESTRE DE 2012

SERVIÇO EDUCATIVO GUIMARÃES 2012 1º SEMESTRE DE 2012 EDUCATIONAL SERVICE GUIMARÃES 2012 FIRST hALF OF 2012

EDUCATIONAL SERVICE GUIMARÃES 2012 FIRST hALF OF 2012

2012 EDUCATIONAL SERVICE GUIMARÃES 2012 FIRST hALF OF 2012 1 2 6 eXPOSIçãO lAbORATóRIOS de CRIAçãO

1

2

6

eXPOSIçãO

lAbORATóRIOS de CRIAçãO e fORMAçãO PARA JOVeNS CReATIVe ANd TRAINING lAbORATORIeS fOR YOUNG PeOPle

 

eXhIbITION

OfICINAS PARA AdUlTOS AdUlT WORKShOPS

10

10

10

OfICINAS PARA CRIANçAS e JOVeNS WORKShOPS fOR ChIldReN ANd YOUNG PeOPle

eSPeTáCUlOS

eNCOMeNdAS de NOVAS CRIAçõeS COMMISSIONS fOR NeW CReATIONS

ShOWS

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lOCAIS INTeRVeNCIONAdOS SITeS feATURING INTeRVeNTIONS

SeSSõeS

eNTIdAdeS VIMARANeNSeS eNVOlVIdAS GUIMARãeS ORGANISATIONS INVOlVed

SeSSIONS

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100

149

 

VIMARANeNSeS NãO PROfISSIONAIS eNVOlVIdOS NA CRIAçãO ARTíSTICA / NON- -PROfeSSIONAl GUIMARãeS ReSIdeNTS INVOlVed IN ARTISTIC CReATION

VISITAS

ORIeNTAdAS

GUIded VISITS

JosÉ caLDeira

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CIN e MA
CIN e MA
46 CIN e MA CINEMA intrigante. De facto, ninguém possui respostas seguras: a encruzilhada tecnológica, com

CINEMA

46 CIN e MA CINEMA intrigante. De facto, ninguém possui respostas seguras: a encruzilhada tecnológica, com

intrigante. De facto,

ninguém possui respostas seguras: a encruzilhada tecnológica, com o triunfo do digital, e a pressão económica, através da lógica de um mercado realmente planetário, tornam a conjuntura tão enigmática quanto motivadora. Daí as várias frentes do cinema na Capital Europeia da Cultura. Por um lado, há um olhar muito direto para as memórias com que a história nos convoca; não uma contemplação nostálgica, mas um avaliar do presente através de imagens, objetos e histórias do passado – em particular, através de uma série de dez títulos dirigidos por outros tantos cineastas (João Botelho, João Canijo, Tiago Pereira, etc.), desafiando as fronteiras clássicas de documentário e ficção. Por outro lado, aposta-se na emergência de novos olhares, com destaque para a série de curtas de jovens autores, organizada sob a inspiração do vimaranense Novais Teixeira (1899-1972), nome emblemático da cultura portuguesa das décadas de 1950/60. Tudo isto para além de uma programa- ção apostada em combinar a evocação de grandes nomes do cinema europeu (Sacha Guitry, Ermanno Olmi) com uma abertura sistemática para as novas tecnologias, in- cluindo os filmes em 3D. Guimarães tem sido, assim, inspiração e cenário para uma pluralidade de visões, portuguesas e vindas de outros países, que deixarão uma marca forte: a de um cinema que não se esgota no inventário do passado, repensando e dis- cutindo o presente das imagens e dos sons.

Para onde vai o cinema? Eis uma interrogação direta e

Where is cinema headed? It’s a simple but intriguing question. There is of course no sure answer: the combination of technology and the success of digital film-making, together with economic constraints and a globalised market logic, form a blend that is both enigmatic and inspiring. Hence the various strands of cinema in the European Capital of Culture. On one hand there is an unabashed look at the memories that are stirred up by history; ho- wever, rather than mere nostalgic contemplation this is an evaluation of the present through images, objects and stories from the past – in particular through a series of ten films directed by film-makers such as João Botelho, João Canijo and Tiago Pe- reira, which challenge the classic divide between documentary and fiction. Another cinematic strand focuses on the emergence of new perspectives, a highlight of which is the series of shorts by young film-makers inspired by Novais Teixeira (1899-1972), a native of Guimarães who was a major figure in the Portuguese culture of the 1950s and 1960s. This all is in addition to a programme that also aims to combine the great na- mes of European cinema (Sacha Guitry, Ermanno Olmi) with a systematic look at new technology, including 3D films. Guimarães has been the inspiration and setting for a wide range of both national and international perspectives that will continue to leave their mark: that of a cinematic art that is not drained by the past, but that reworks and debates image and sound in the present.

but that reworks and debates image and sound in the present. 47 RODAGEM DE / MAKING

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RODAGEM DE / MAKING OF O CONqUISTADOR CONqUISTADO DE / By MANOEL DE OLIVEIRA

João Peixoto

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CIN e MA
CIN e MA
48 CIN e MA OLhARES ESTRANGEIROS FOREIGNER LOOKS Victor erice e Aki Kaurismaki . Eles são

OLhARES

ESTRANGEIROS

48 CIN e MA OLhARES ESTRANGEIROS FOREIGNER LOOKS Victor erice e Aki Kaurismaki . Eles são

FOREIGNER

LOOKS

48 CIN e MA OLhARES ESTRANGEIROS FOREIGNER LOOKS Victor erice e Aki Kaurismaki . Eles são

Victor erice e Aki Kaurismaki. Eles são os cineastas estrangeiros que filmaram Guimarães e a sua paisagem de memória no projeto Histórias de Guimarães, onde Pedro Costa e Manoel de Oliveira estão também envolvidos. O cineasta espanhol escolheu refletir sobre a memória dos trabalhadores de uma fábrica de têxteis, entretanto encerrada, em Vila das Aves. O projeto chama-se Vidros Partidos. Por seu turno, a câmara de

Victor erice and Aki Kaurismaki are the foreign film-makers who have filmed Guimarães and its surrounding historical landscape for the project Histórias de Guimarães [Stories of Guimarães], in which Pedro Costa and Manoel de Oliveira are also involved. The Spanish film-maker has chosen to reflect on the memories of the workers of a closed-down textile factory in Vila das Aves. The project is called Vidros Partidos [Broken

Kaurismaki é fiel ao seu estilo em O Tasqueiro, acompanhando um solitário tasqueiro do centro histórico de Guimarães. Uma balada de cinema que mistura fado, vinho e nostalgia. Quem disse que a melancolia finlandesa não liga com a portuguesa?

Windows]. Meanwhile, Kaurismaki sticks to his signature camera style in O Tasqueiro [The inn-keeper], which follows a solitary inn-keeper in the old centre of Guimarães. It is a cinematic ballad that brings together fado, wine and nostalgia. Whoever said that Finnish and Portuguese melancholy were incompatible?

that Finnish and Portuguese melancholy were incompatible? Dr TASqUEIRO DE / By AKI KAURISMAKI VIDROS pARTIDOS

Dr

TASqUEIRO DE / By AKI KAURISMAKI

VIDROS pARTIDOS DE / By VICTOR ERICE

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CIN e MA e M S eTe M b RO IN S e PTe M b e R

50 CIN e MA e M S eTe M b RO IN S e PTe M

A hERANÇA DE GLAUBER ROChA

S eTe M b RO IN S e PTe M b e R A hERANÇA DE

ThE LEGACy OF GLAUBER ROChA

e R A hERANÇA DE GLAUBER ROChA ThE LEGACy OF GLAUBER ROChA Sem ele, o Cinema

Sem ele, o Cinema Novo Brasileiro não teria sido o que foi: Glauber Rocha (1939-1981) fez o retrato do seu povo, na encruzilhada de tradição e modernidade, projetando a cultura do Brasil no contexto internacional. Filmes como Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Terra em Transe (1967) ou António das Mortes (1969) são epopeias cinematográficas em que as convulsões históricas da sociedade brasileira se cruzam com um património de

Without Glauber Rocha (1939-1981), the Brazilian Cinema Novo would not have been the same: he portrayed his people at the crossroads of tradition and modernity, and projected Brazilian culture into an international context. Films such as Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Terra em Transe (1967) and António das Mortes (1969) are film epics in which the historical convulsions of Brazilian society are melded with a rich

lendas e fábulas, combinando o realismo mais cru com a poesia e o poder encantatório do fantástico. Consagrado com o prémio de realização em Cannes, por António das Mortes, Glauber viveu algum tempo em Portugal, na zona de Sintra, no começo dos anos 80. Recordá-lo em ano de especial envolvimento cultural de Brasil e Portugal é também redescobrir a energia de uma obra que há muito transcendeu as condições concretas da sua produção, impondo-se como uma celebração da força humana e do desejo de liberdade. Como ele próprio disse: “A arte é tão difícil como o amor”.

16 set sept

BARRAVENTO

17 set sept

DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL

18 set sept

TERRA EM TRANSE

inheritance of legend and fable, combining brute reality with the enchanting poetry and power of fantasy. After winning the Best Director award at Cannes for António das Mortes, Glauber then spent time living in Sintra, Portugal at the start of the 1980s. To remember him in this year of close cultural involvement between Brazil and Portugal is also to rediscover the energy of a work that has long since transcended its physical conditions of production and become recognised as a celebration of human strength and the desire for freedom. As he himself stated: “Art is just as hard as love”.

19 set sept

ANTÓNIO DAS MORTES

20 set sept

A IDADE DA TERRA

Sessões às 21h30 no São mamede Screenings at 9:30 p.m. at São mamede

programação completa na pág. 121 complete programme on page 121

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ANTÓNIO DAS MORTES DE / By GLAUBER ROChA

BARRAVENTO DE / By GLAUBER ROChA

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CIN e MA e M S eTe M b RO IN S e PTe M b e R

52 CIN e MA e M S eTe M b RO IN S e PTe M

NOVíSSIMO CINEMA BRASILEIRO

M b RO IN S e PTe M b e R NOV í SSIMO CINEMA BRASILEIRO

NEW BRAZILIAN CINEMA

M b e R NOV í SSIMO CINEMA BRASILEIRO NEW BRAZILIAN CINEMA Há algo de novo

Há algo de novo no cinema brasileiro? Sim, muita coisa de novo. De novíssimo. Nos últimos anos, o cinema brasileiro e os seus novos cineastas encontraram um caminho exploratório. Algures entre o figurativo e o real. Jovens cineastas que recusam um olhar televisivo e procuram retratar um Brasil sem enfeites, sem clichés. Um cinema de verdade, mas também ancorado numa herança de liberdade que evoca o mestre Glauber Rocha. E o que é mais estimulante nesta mostra é que todos estes filmes valem por uma singularidade exemplar. Não são filmes parecidos uns com os outros, antes pelo contrário. Não tarda muito, nos festivais internacionais, começar-se-á a falar de «movimento de cinema brasileiro». Já ouvimos essa cantiga muitas vezes, mas parece que de facto é de vez. Esta mostra é um testemunho de um sangue novo que importa seguir de perto. Cinco filmes nunca estreados, cinco revelações. Melhor aperitivo para rever ou conhecer, logo a seguir, a obra de Glauber Rocha num ciclo em sua honra.

9 set sept

RISCADO

10 set sept

O CÉU SOBRE OS OMBROS

11 set sept

A FALTA qUE NOS MOVE

12 set sept

A CASA DE ALICE

13 set sept

ALÉM DA ESTRADA

Sessões às 21h30 no São mamede Screenings at 9:30 p.m. at São mamede

There is a huge amount of innovation and new work in Brazilian cinema. Over the past few years Brazilian cinema and its young film-makers have found new paths to explore; paths that wind their way between figuration and reality. These young film-makers have turned their backs on the televisual perspective and seek to portray Brazil without fanfare or cliché. To offer a true cinema, but one that is rooted in a legacy of freedom that is reminiscent of the great Glauber Rocha. What is most exciting in this selection is that all of these films are unique in their own way. They are not similar to one another, rather – they are the opposite. It surely won’t be long before visitors at international festivals begin talking about the new “Brazilian film movement”. Of course, we’ve heard this before, but this time it seems to be for real. This selection is evidence of what is new and important. Five previously unreleased films, five revelations. A series of films in Glauber’s honour that will whet one’s appetite for discovering or rediscovering his work.

programação completa na pág. 109 complete programme on page 109

RISCADO DE / By GUSTAVO pIZZI

53

O CÉU SOBRE OS OMBROS DE / By SÉRGIO BORGES

Dr

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CIN e MA e M S eTe M b RO IN S e PTe M b e R

54 CIN e MA e M S eTe M b RO IN S e PTe M

O BRAVO SOM DOS TAMBORES

M S eTe M b RO IN S e PTe M b e R O BRAVO

ThE BRAVE BEAT OF ThE DRUMS

M b e R O BRAVO SOM DOS TAMBORES ThE BRAVE BEAT OF ThE DRUMS Consciente

Consciente de que todos os documentários

são reféns de um olhar, João botelho assume

o seu. O Bravo Som dos Tambores, sobre as

Festas Nicolinas, é um documentário ficcional, encomenda de Guimarães 2012. “Fascinado” foi o adjetivo que utilizou para descrever a reação àquela “viagem coletiva” onde “não há classes sociais”. Apenas uma batida que conduz a uma espécie de “transe coletivo”. Desde a escolha e corte, até ao cortejo do

Conscious of the fact that all documentaries are hostages to their creators’ individual vision, João botelho has fully embraced his own. O Bravo Som dos Tambores [The Brave Beat of the Drums] of the St. Nicholas Revelries is a fictitious documentary commissioned by Guimarães 2012 – the European Capital of Culture, and it sticks to one point of view. “Fascinated” was the adjective Botelho used to describe the

Pinheiro pelas ruas, ao som dos bombos e dos “Toques Nicolinos”, é através do olhar, da perceção e do corpo em movimento de

uma bailarina, que entramos na narrativa. É deste paradoxo entre a leveza do gesto e a intensidade da cerimónia que o filme vive até… Até o batimento cardíaco aumentar. E

a bailarina se deixar “corromper” pelo som

dos tambores que “têm a força de acordar os mortos, numa noite de euforia desenfreada”. João Botelho identifica uma dimensão de “transgressão” que culmina no momento em que um “falo enorme se ergue em frente

à igreja, com o profano ao mesmo nível do

religioso”. Como filmar isto, foi a questão que

o sobressaltou, apaziguada pela convicção de

que “A festa é mais forte do que qualquer ideia

que se possa ter. É preciso viver”.

reaction to that “collective trip” in which there are no “social classes”. Just a beat that leads to a kind of “collective trance”. From the scene selection and the editing to the cortejo do Pinheiro [Pine tree parade] through the streets to the sound of the bass drums and the toques Nicolinos [Saint Nicholas drumming], it is through the sight, senses and body of a dancer in movement that we enter the narrative. This paradox between the lightness of touch and the intensity of the ceremony allows the film to breathe until Until the heartbeat starts to race. And the dancer becomes “corrupted” by the beat of the drums that “have the strength to raise the dead on this night of untrammelled euphoria”. João Botelho focuses on a level of “transgression” that culminates in the moment when a “huge phallus is erected in front of the church, with the profane alongside the religious”. The main question was how to film this, supported by the conviction that: “The celebration is stronger than any other idea. It must live”.

“The celebration is stronger than any other idea. It must live”. 55 O BRAVO SOM DOS

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O BRAVO SOM DOS TAMBORES DE / By JOÃO BOTELhO

Dr

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ARTe e ARqUITeTURA ART AN d ARCh ITeCTUR e CAAA pLATAFORMA EXpERIMENTAL DE FUTURO AN
ARTe e ARqUITeTURA ART AN d ARCh ITeCTUR e
CAAA
pLATAFORMA EXpERIMENTAL
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FOR ThE FUTURE

João Peixoto e JosÉ caLDeira

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ARTe e ARqUITeTURA ART AN d ARCh ITeCTUR e

5858 ARTe e ARqUITeTURA ART AN d ARCh ITeCTUR e UM ESpAÇO DE TRABALhO E ENCONTRO

UM ESpAÇO DE TRABALhO E ENCONTRO

ART AN d ARCh ITeCTUR e UM ESpAÇO DE TRABALhO E ENCONTRO O CAAA Centro para

O CAAA Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura é uma instituição cultural sem fins lucrativos, criada por um grupo de arquitetos e artistas das mais variadas áreas, que tem como missão apoiar e estimular a criação artística e a aplicação de novos métodos de produção, promovendo a interação entre as diversas áreas de ma- nifestação artística – artes visuais, design, cinema, literatura, multimédia e artes do espetáculo – e arquitetura. Depois de um período de obras de recuperação e adaptação, ainda em 2011, o CAAA abriu as suas portas com galerias de exposições, uma Black Box e salas de en- saios para artes performativas, estúdios de fotografia e o Centro de Produção Audio- visual, uma biblioteca especializada e o Laboratório de Criação Digital, para além de diversos ateliers de trabalho para vários profissionais. No futuro, o CAAA funcionará como uma plataforma experimental de práticas ar- tísticas colaborativas que pretende gerar discussão e colaborações entre as diversas plataformas artísticas e tecnológicas residentes, através da partilha de um espaço físi- co e do envolvimento na programação cultural. Com um projeto artístico assente nas áreas do cinema, fotografia, arquitetura, arte digital, teatro, performance e música, o CAAA explora também novas práticas cura- toriais com consultores, curadores, encenadores e diretores artísticos convidados. Bi- blioteca de investigação, residências artísticas, comissariado de exposições e cinema experimental são algumas das possibilidades que este projeto proporciona a públi- cos e a criadores. A sua presença física na zona da Caldeiroa, em Guimarães, torna o CAAA um motor de regeneração urbana, estimulando o comércio local e atraindo outras atividades para os edifícios circundantes agora abandonados. Também pela sua ação ativa em redes de cooperação artística e cultural, para além de garantir um programa abrangente e a olhar para o mundo, projetará a cidade e a sua criação artística independente no país e fora dele. Testam-se neste processo novas ideias e novas formas de fazer as coisas: a sua ma- terialização num conceito e num espaço físico, de trabalho e de encontro, são um dos principais legados que Guimarães 2012 deixa à cidade e à sua comunidade.

que Guimarães 2012 deixa à cidade e à sua comunidade. 59 A SpACE TO WORK AND

59

que Guimarães 2012 deixa à cidade e à sua comunidade. 59 A SpACE TO WORK AND

A SpACE TO WORK AND TO ENCOUNTER

e à sua comunidade. 59 A SpACE TO WORK AND TO ENCOUNTER The CAAA Center for

The CAAA Center for Art and Architectural Affairs is a non-profit making cultu- ral institution, created by a group of architects and artists from various areas, whose mission is to support and encourage artistic creation as well as the application of new methods of production by promoting interaction between different areas of artistic expression – the visual arts, design, film, literature, media and the performing arts – and architecture. Following a period of restoration and adaptation work, the CAAA opened its doors in 2011 to allow access to exhibition galleries, a Black Box, rehearsal rooms for the performing arts, photographic studios and an audiovisual production centre, as well as a specialized library and a laboratory for digital creation, in addition to a number of workshop areas for various professionals. In the future, the CAAA will serve as an experimental platform for collaborative artistic practices in order to generate discussion and collaboration amongst the va- rious artistic platforms and resident technologies both through the sharing of a phy- sical space and involvement in cultural programmes. With an artistic project based on the areas of film, photography, architecture, di- gital art, theatre, performance and music, the CAAA is also exploring new curatorial practices with guest consultants, curators, directors and artistic directors. Library re- search, artistic residencies, curated exhibitions and experimental cinema are some of the possibilities that this project provides, both to the public and to its creators. Its physical presence in the Caldeiroa area of Guimarães, Portugal, makes the CAAA an engine of urban regeneration by encouraging local trade and attracting other activities to the surrounding buildings which are now abandoned. It is also known for the active role that it plays in artistic and cultural cooperation networks; in addition to guaranteeing a comprehensive programme and looking out at the world, it will promote the city and its independent artistic creation both within the country and abroad. During this process new ideas and ways of doing things are being tested: its mate- rialization as a concept in a physical space intended for work and social encounters is one of the main concepts that Guimarães 2012 is leaving the city and its community.

for work and social encounters is one of the main concepts that Guimarães 2012 is leaving

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ORqU e STRA ORCh e STRA 61
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60 ORqU e STRA ORCh e STRA 61 João Peixoto FUNDA ÇÃ O ORqU ESTRA EST

João Peixoto

FUNDAÇÃO ORqU ESTRA ESTÚDIO

60 ORqU e STRA ORCh e STRA 61 João Peixoto FUNDA ÇÃ O ORqU ESTRA EST
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60 ORqU e STRA ORCh e STRA 61 João Peixoto FUNDA ÇÃ O ORqU ESTRA EST

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ORqU e STRA ORCh e STRA

62 ORqU e STRA ORCh e STRA UMA ORqUESTRA DE pROXIMIDADE O porquê de uma nova

UMA ORqUESTRA DE pROXIMIDADE

62 ORqU e STRA ORCh e STRA UMA ORqUESTRA DE pROXIMIDADE O porquê de uma nova

O porquê de uma nova Orquestra radica na promessa do legado que é preocupação

principal de uma Capital Europeia da Cultura: criação – incentivo à produção musi- cal nacional –, intercâmbio – potenciado pelas novas identidades resultantes de uma alteridade promovida a 55 – e valorização profissional – resultado de um currículo enriquecido pelo contacto com músicos de reconhecida craveira internacional. Estas premissas justificam a existência da Fundação Orquestra Estúdio (FOE), um projeto que nasce da necessidade de atribuir à programação de música de Guimarães 2012 uma necessária autonomia, uma ambição que vive de novas apostas, uma odisseia que se apresenta não só à cidade e ao país, mas também à Europa. Um concurso público, aberto aos 27 países da União Europeia, é responsável pela angariação de 55 jovens músicos que, dirigidos pelo maestro Rui Massena – o progra- mador de música de Guimarães 2012 –, constituem a base para uma oferta coerente e personalizada. Eixo central da programação, a FOE beneficia de autonomia de conce-

ção que abre caminho em direção a um reportório versátil: das grandes obras sinfóni- cas às expressões musicais mais contemporâneas.

A FOE adquire diversas morfologias, de acordo com o princípio evocado. Desdo-

bra-se em formações reduzidas e visita as 69 freguesias do concelho de Guimarães: o projeto Fora de Portas dessacraliza o conceito de fruição associado à música erudita, contribuindo para a aproximação dos públicos tradicionalmente distantes; abraça a sonoridade pop, traduzindo-a em sons de matiz nitidamente sinfónica: o concerto com os Expensive Soul torna-se um dos ícones da programação musical de Guima- rães 2012; interage e empresta uma nova clave ao reportório de cabaret e de música europeia de Ute Lemper: um grande momento musical e mais um testemunho da ver- satilidade da orquestra.

A FOE aposta no novo e no inusitado. Do novo, fazem parte as reinterpretações

efetuadas para os Expensive Soul, o concerto When Tool Met Wood – com Wim Mer- tens –, a interpretação de Zephyrtine, de David Chesky – um fresco musical para a criação Ballet Story, de Victor Hugo Pontes –, bem como as encomendas que se con- substanciam nas aberturas e novas criações dos concertos Master.Pieces. Esta nova produção enriquece-se com criações de Telmo Marques e Antero Ávila – para o ciclo Música em Família – e com as composições inéditas que estreiam num concerto com

Ivan (Guimarães) Lins. É a partir de uma ideia de futuro e de novos pontos de vista, sedeada prioritariamente na produção nacional e numa criteriosa seleção de músicos estrangeiros, que se funda o projeto Fundação Orquestra Estúdio. Do inusitado, emergem as participações em Mi Casa Es Tu Casa (um evento que leva a música a casa do cidadão comum) e no projeto SchoolPlay (um projeto para o público em idade escolar do concelho de Guimarães, descontraído e diferente). A ideia de originalidade e os novos desdobramentos em áreas diversificadas constroem não somente uma nova orquestra, mas uma orquestra europeia virada para novas for- mas de atuação.

Os músicos da FOE, artistas residentes,

misturam-se com a população, deambulam com os instrumentos, tocam nas varan-

das de suas casas

fazem parte, realmente. A cidade habitou-se-lhes! Conta com eles

Na cidade, há um novo sentir musical

63

Conta com eles Na cidade, há um novo sentir musical 63 e sabe-os a “esplanar”, também

e sabe-os a “esplanar”, também musicalmente, nas suas praças. Sente-os como seus, numa celebração que se alimenta de lugares inusitados e palcos celebrados. Plateias esgotadas reconhecem no projeto FOE uma valia sem preço. Um reconhe- cimento extensivo ao país – patente na atuação da FOE realizada na Assembleia da República, em Lisboa – e às memórias que transportam solistas, maestros e composi- tores. A Fundação Orquestra Estúdio é uma aposta de Guimarães 2012 na promoção de uma cultura musical inspiradora, arrojada e provida de referências capazes de sus- tentar uma ideia de fruição musical que, sabendo-se “erudita”, respira para além da restrita geografia das salas de concerto.

para além da restrita geografia das salas de concerto. A pROXIMITy ORChESTRA The reasons behind this

A pROXIMITy ORChESTRA

geografia das salas de concerto. A pROXIMITy ORChESTRA The reasons behind this new orchestra are rooted

The reasons behind this new orchestra are rooted in a main concern of the Euro- pean Capital of Culture: to bring about the promised legacy of creativity, by encoura- ging national music; intercultural exchange, fostered by the different backgrounds of the 55 musicians involved; and professional development, through contact with musicians of renowned international calibre. These three elements alone justify the existence of the Fundação Orquestra Estúdio (FOE), a project aimed at granting the Guimarães 2012 music programme the needed independence, the ambition to take on new commitments, and to embark on a journey that brings it not only to the attention of the city and the rest of Portugal, but also the of the whole of Europe. A public competition, open to the 27 countries of the European Union, was held to find 55 young musicians. Led by the conductor Rui Massena, the Director of Mu- sic for Guimarães 2012, these musicians form the foundation for a coherent offering, tailored to the event. As a key part of the programme, the FOE enjoys an independent say in its musical concept, which allows it to devise a versatile repertoire ranging from great symphonic works to contemporary pieces. The FOE line-up is configured in a number of different ways. It is divided into smaller groups which visit the 69 parishes of the Guimarães municipality. The Fora de Portas project blasts apart the stereotype of the classical music aficionado by per- forming for audiences not traditionally associated with the genre. It embraces pop music sounds, giving them a distinctly symphonic air. The concert featuring Expen- sive Soul is an iconic event in the town’s music programme. It interacts and adds a new dynamic to the cabaret repertoire and European music of Ute Lemper, a seminal musical event and yet another witness to the orchestra’s versatility. The FOE commits to new and unusual music, such as the reinterpretations per- formed for Expensive Soul; the When Tool Met Wood concert with Wim Mertens; Da- vid Chesky’s interpretation of Zephyrtine, a musical setting for Victor Hugo Pontes’ Ballet Story; the works commissioned to Portuguese composers to be performed as overtures to the Master.Pieces concerts. This innovative output is enriched by pie- ces composed by Telmo Marques and Antero Avila for the Música em Família cycle, and by new compositions that will be premiered in a concert with Ivan (Guimarães) Lins. This fresh, forward-looking perspective, geared primarily towards national

64

ORqU e STRA ORCh e STRA

composition and based on the careful selection of musicians from abroad, is the foundation of the Fundação Orquestra Estúdio project. The FOE has encouraged groundbreaking participation as part of Mi Casa Es Tu Casa (an event that brings music into the homes of the public) and the SchoolPlay pro- ject, a playful and relaxed programme aimed at children of school age from the Gui- marães municipality. This idea of originality and the various areas into which it unfol- ds are the roots of an European orchestra oriented towards new ways of performance. There is a new air of music in the town. As artists in residence, the FOE musicians mingle with the public, wandering around with their instruments on their backs, playing on the balconies of houses, and really forming a part of everyday life in Gui- marães. The town has become accustomed to them. It expects them to hang around, “esplanading”, also musically, in its squares. The townspeople feel that the musicians belong there, and commemorate their presence in unusual venues and on celebrated stages. The FOE project is celebrated as a priceless asset with full houses, a recognition that extends to the whole country, and was evident at the FOE’s performance at the As- sembly of the Republic, in Lisbon, and the memories that the soloists, conductors and composers will take from the events. As a legacy of Guimarães 2012, the Fundação Or- questra Estúdio will prove vital in promoting a bold and inspiring musical culture that, assuming its “erudite” side, is also able to breathe beyond the bounds of concert halls.

is also able to breathe beyond the bounds of concert halls. A FOE EM N Ú

A FOE EM NÚMEROS ORChESTRA FACTS AND FIGURES

halls. A FOE EM N Ú MEROS ORChESTRA FACTS AND FIGURES 55 34 21 9 MÚSICOS

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João Peixoto

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ORqU e STRA ORCh e STRA

MASTER.pIECES

A série Master.Pieces aposta na interpretação

das grandes obras do reportório clássico

e apresenta obras encomendadas a

compositores portugueses – seja em forma de Aberturas ou de outras composições; convida solistas e maestros de reputação internacional, proporcionando o crescimento musical dos elementos da orquestra; configura-se, a partir da diversidade que contém, como o eixo mais importante da atividade da FOE.

JosÉ caLDeira

The Master.Pieces series is based on the interpretation of major works from the classical repertoire, and presents works commissioned from Portuguese composers, either as overtures or as new compositions. It invites internationally renowned soloists and conductors to perform, thus allowing the members of the FOE to grow in experience. By virtue of its diversity, this series forms the most important part of the orchestra’s work.

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MASTER.pIECES

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work. 18 14 11 18 14 17 10 MASTER.pIECES 67 pROGRAMA pROGRAMME FEV FEB 2012 PedRO

pROGRAMA pROGRAMME

14 11 18 14 17 10 MASTER.pIECES 67 pROGRAMA pROGRAMME FEV FEB 2012 PedRO bURMeSTeR (PIANO),

FEV FEB 2012

PedRO bURMeSTeR (PIANO), fRANCeSCO lA VeCChIA (MAeSTRO CONdUCTOR) feRNANdO C. lAPA (COMPOSITOR CONVIdAdO GUeST COMPOSeR) OBRA EM ESTREIA WORK PREMIERED:

UM VERSO PARA Lá DO hORIzONTE

MAR 2012

GUY bRAUNSTeIN (VIOlINO) RUI MASSeNA (MAeSTRO CONdUCTOR) NUNO CôRTe-ReAl (COMPOSITOR CONVIdAdO GUeST COMPOSeR) OBRA EM ESTREIA WORK PREMIERED:

A INCRíVEL jORNADA DE SOUSA MENDES

ABR AVR 2012

CARlOS PIçARRA AlVeS (ClARINeTe ClARINeT) MIGUel GRAçA MOURA (MAeSTRO CONdUCTOR) MáRIO lAGINhA (COMPOSITOR CONVIdAdO PARA A ObRA CONCeRTANTe GUeST COMPOSeR fOR The MAIN WORK) ANTóNIO VICTORINO d’AlMeIdA (COMPOSITOR CONVIdAdO GUeST COMPOSeR) OBRA EM ESTREIA WORK PREMIERED:

POEMA DE MARESIA

JUL 2012

NATAlIe CleIN (VIOlONCelO CellO) JOANA CARNeIRO (MAeSTRINA CONdUCTOR)

SET SEpT 2012

VICTORIA MUllOVA (VIOlINO VIOlIN) RUI MASSeNA (MAeSTRO CONdUCTOR) PedRO fARIA GOMeS (COMPOSITOR CONVIdAdO GUeST COMPOSeR) OBRA EM ESTREIA: CONTRALUz

OUT OCT 2012

ANTóNIO OlIVeIRA (PIANO) MARTIN ANdRé (MAeSTRO CONdUCTOR) ANTóNIO PINhO VARGAS (COMPOSITOR CONVIdAdO GUeST COMPOSeR) OBRA EM ESTREIA WORK PREMIERED:

OVERTURES AND CLOSURES

7 NOV 2012

ANTóNIO ROSAdO (PIANO) álVARO CASSUTO (MAeSTRO CONdUCTOR) eURICO CARRAPATOSO (COMPOSITOR CONVIdAdO GUeST COMPOSeR) OBRA EM ESTREIA WORK PREMIERED:

VIMARAVIVA

NOV 2012

Abel PeReIRA (TROMPA fReNCh hORN) ANTóNIO SAIOTe (MAeSTRO CONdUCTOR) SéRGIO AzeVedO (COMPOSITOR CONVIdAdO GUeST COMPOSeR) OBRA WORK: ERASING MAhLER (ENCOMENDA DA PROGRAMAçãO DE MúSICA, FOI ESTREADA NO PRÉMIO JOVENS MúSICOS, NA GULBENKIAN COMMISSIONED FOR THE MUSICAL PROGRAMME, THIS PIECE WAS PREMIERED AT THE YOUNG MUSICIAN AWARDS, HOSTED BY THE GULBENKIAN FOUNDATION)

68

Dr

ORqU e STRA ORCh e STRA

ORqUESTRAS CONVIDADAS GUEST ORChESTRAS

Estender a participação, na programação de música de Guimarães 2012, a um conjunto de orquestras sinfónicas – internacionais, nacionais e regionais – é apostar numa lógica de rede que beneficiará as duas variáveis envolvidas no processo criativo: os intérpretes e o público. Os primeiros beneficiarão de sinergias, visibilidade e reconhecimento que legitimam cada um dos seus projetos. Os segundos ficarão a conhecer projetos artísticos coesos e profícuos, ampliando o seu pecúlio enquanto fruidores.

By extending participation in its music programme to a number of international, national and regional symphony orchestras, Guimarães 2012 is taking an approach that will benefit the two variable factors involved in the creative process: the performers and the audience. The former will benefit from the synergies, visibility and recognition that are brought about by each of their projects, while the latter will experience rich and cohesive artistic projects, increasing their sense of having gained something as spectators.

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ORqUESTRA SINFÓNICA DO pORTO CASA DA MÚSICA

ORqUESTRAS

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ORqUESTRAS CONVIDADAS GUEST ORChESTRAS pROGRAMA pROGRAMME AbR AVR 2012 ORqUESTRA METROpOLITANA ALBERTO ROQUE

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ORqUESTRA METROpOLITANA

ALBERTO ROQUE

(MAESTRO CONDUCTOR)

MAI MAY 2012

ORqUESTRA FILARMONIA DAS BEIRAS

ANA CLáUDIA ASSIS (PIANO) ANA TELLES (PIANO) ANTÓNIO VASSALO LOURENÇO (MAESTRO CONDUCTOR)

MAI MAY2012

ORqUESTRA DO NORTE

EMANUEL SALVADOR (VIOLINO VIOLIN) PhILIPE BENDER (MAESTRO CONDUCTOR)

JUN 2012

ORqUESTRA SINFÓNICA pORTUGUESA

MARTIN ANDRé

(MAESTRO CONDUCTOR)

JUl 2012

ORqUESTRA ChINESA DE MACAU

PANG KA PANG (MAESTRO CONDUCTOR)

SeT SePT 2012

ORqUESTRA DO ALGARVE

TODD ShELDRICK (TROMPA FRENCh hORN) PEDRO NEVES (MAESTRO CONDUCTOR)

SeT SePT 2012

ORqUESTRA DE MACAU

ADRIANO jORDãO (PIANO) NING FENG (VIOLINO VIOLIN) Lü jIA (MAESTRO CONDUCTOR)

SeT SePT 2012

ORqUESTRA SINFÓNICA DO pORTO CASA DA MÚSICA

KhATIA BUNIATIShVILI (PIANO) ChRISTOPh KöNIG (MAESTRO CONDUCTOR)

OUT OCT 2012

ORqUESTRA CLáSSICA DA MADEIRA

NOV 2012

ORqUESTRA DO NORTE

FILIPE PINTO RIBEIRO (PIANO) REGIN GöKMEN (MAESTRO CONDUCTOR)

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CRIATIVI dAd e UR bANA U R bAN CR eATIVITY ON.OFF
CRIATIVI dAd e UR bANA U R bAN CR eATIVITY
ON.OFF

Dr

É para o avesso que vamos olhar. Antes dos filtros. Dos pensamentos e atitudes que autocensuramos e que escorregam para o lado íntimo e invisível dos dias. Esta- mos em Off. Todos iguaizinhos, os minutos rotineiros quase roçam a não existência. Quase perdem legitimidade mediante um instante de holofote ligado. Mas, afinal, o que mais nos caracteriza? Todos os minutos que cabem dentro das horas monóto- nas ou aquela fração de segundo que desperta os sentidos e faz uma dobra no tecido dos dias? O On. Bem visível ao olhar dos outros. E como é que se faz On ao Off, sem que este perca a essência que, por natureza, o define?

We will look at the inside. Before the filters. The thoughts and attitudes that we self-censor and that slip to the intimate and invisible sides of days. We are Off. Since each one is the same as the next, routine minutes almost border on non-existence. They almost lose their legitimacy in the face of an instant when the spotlight is on. But, after all, what is it that best characterizes us? Every minute that fits into the monotonous hours or that fraction of a second that awakens our senses and creates a fold in the fabric of our days? The On. Highly visible to other people’s eyes. And how can Off be On without losing the essence that defines it by nature?

be On without losing the essence that defines it by nature? 71 UMA ENTREVISTA COM UM

71

On without losing the essence that defines it by nature? 71 UMA ENTREVISTA COM UM URSINhO

UMA ENTREVISTA COM UM URSINhO AN INTERVIEW WITh A TEDDy BEAR

ENTREVISTA COM UM URSINhO AN INTERVIEW WITh A TEDDy BEAR António Pedro Lopes lançou um desafio

António Pedro Lopes lançou um desafio aos vimaranenses: vestirem outra pele. A pele de um ursinho, durante uma entrevista. Condição: ele nunca saberia quem estava por detrás da máscara. Resultado? Bem mais profundo e revelador do que se estava à espera. Julho, Uma Entrevista com um Ursinho foi uma das residências Sweet & Tender Collaborations do On.Off Laboratório de Criatividade Urbana, projeto inseri- do em Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura. Na calha estão outras, como a de Marianne Baillot, que abordará a comunicação entre duas pessoas. E construir con- versas que transtornem e transbordem o sentido tácito da comunicação. Falar sem dizer. Provocar um “encontrão” que desassossegue ambas as partes. Fala Silêncio Fala acontece em outubro. Já em setembro trabalhamos Pequenas Histórias Sobre Pessoas e Lugares, com enfoque nas trajetórias e experiências de acolhimento dos imigrantes. Estas residências integram artistas de várias nacionalidades. No dia da apresentação do projeto, na Fábrica ASA, o On.Off ofereceu empadas galegas, pão de queijo brasileiro e pastéis de nata, numa lógica de comunhão que foi muito para além do céu-da-boca. As malhas da rede que sustenta o projeto conjugam- -se numa geografia triangular. Os artistas são provenientes da região norte de Portu- gal, da Galiza e do Brasil, mas a intenção de promover contágios não se fica por aqui. Foi sempre numa lógica de contaminação no local que estas residências se desenvol- veram e vão continuar a desenvolver até finais de outubro.

António Pedro Lopes set the inhabitants of Guimarães a challenge: to put on ano- ther skin. The skin of a teddy bear during an interview. There was one condition: he could never know who was behind the mask. The result was far more profound and revealing than expected. Julho, Uma Entrevista com um Ursinho (July, an Interview with a Teddy Bear) was one of the residencies staged by Sweet & Tender Collabora- tions in connection with the On.Off Urban Creativity Lab project on the programme of Guimarães 2012 European Capital of Culture. There are also other residency pro- jects in the pipeline, such as the one created by Marianne Baillot in order to tackle the question of communication between two people and to build conversations that disturb and surpass the tacit meaning of communication. To speak without saying. To create a “shove” that unsettles both parties. Fala Silêncio Fala (Talk Silence Talk) takes place in October. In September we are working on Pequenas Histórias Sobre Pes- soas e Lugares (Short Stories about People and Places), focusing on the trajectories and experiences that arise from welcoming immigrants. These residencies involve artists of several nationalities. On the opening day of the project at the ASA Factory, On.Off offered Galician pies, Brazilian cheese bread and Portuguese custard pastries, creating a form of communion that went far beyond the palate. The meshes of the net that supports the project in- tertwine to form a triangular geography. The artists come from the north of Portugal, Galicia and Brazil, but the intention of the project goes beyond promoting this type of cross-pollination. Instead, there is always a logic of cross-pollination in the places whe- re these residencies take place and will continue to take place until the end of October.

in the places whe- re these residencies take place and will continue to take place until

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CRIATIVI dAd e UR bANA U R bAN CR eATIVITY

72 CRIATIVI dAd e UR bANA U R bAN CR eATIVITY AGITADORES DO pENSAMENTO Aviso Ireis

AGITADORES DO pENSAMENTO

dAd e UR bANA U R bAN CR eATIVITY AGITADORES DO pENSAMENTO Aviso Ireis Pagar Pobre

Aviso

Ireis Pagar Pobre Povo Nação Doente e Mortal Leiloai Hoje de Novo

O Ex-Valor de Plutogal

Entre as Lacunas da Memória

Que Há-de Reduzir-te à História Às Lamas Às Lamas

Se Sobrar Terra e Sobrar Mar Às Lamas

Ó

Pátria Sente-se Atroz

Às Lamas

O

Sortilégio Imposto a Vós

Se a Pátria Restar Contra os Barões Lutar Lutar

Das paredes para a ponta da língua foi um estalido. Esta subversão do hino na- cional tem autoria de PORTUGAL 1143 ± 2012. Embora tenha surgido em 2005 como um projeto de investigação de âmbito académico, rapidamente assumiu um cariz interventivo, saltou para o espaço público e materializou-se num símbolo de protes- to contra a sociedade de mercado atual (± por ser o representante visual da anulação

do sistema económico + - = 0). Durante o período de residência, ± fez e fará interven- ções no espaço urbano de Guimarães. Aviso foi o título do primeiro de seis capítulos. Numa manhã, sem nevoeiro e com muito sol, a estátua de D. Afonso Henriques apareceu apunhalada pelas costas. As flores e as fontes de Guimarães derramaram

o seu sangue. Traição foi o título do capítulo II, ao qual se seguiu um período de

Repressão, o capítulo III, para depois a Morte sair à rua. No dia 26 de agosto, rea- lizou-se, na Igreja de São Miguel do Castelo, a cerimónia fúnebre de Portugal. Aos portugueses foi solicitado que comparecessem, envergando o luto apropriado à cerimónia. Ainda faltam mais dois capítulos a esta história: A Ressurreição e a Re-

conquista. Portugal 1143 ± 2012 vai andar por aí, até finais de outubro. Este projeto integra um segundo momento de residências artísticas do On.Off constituído por Agitadores do Pensamento, como também é o caso do Sr. Guimarães. Na Rádio His- toriofónica – Guimarães Falando para o Mundo, um espetáculo radiofónico ao vivo, há historias contadas pelo Sr. Guimarães, uma personagem fictícia que conta lendas

e parábolas, sem perder de vista valores humanos, sociais e a preservação da memó-

ria como património histórico e cultural no domínio da oralidade. Batuta Bando de Pios é outra residência artística em que Marta Bernardes recorre a um instrumento que une erudição e universo popular, sendo uma das formas mais transversais da comunicação oral: o assobio. Em outubro entra em ação o Coletivo Fotograma 24 que desenvolverá projetos na área do cinema de animação, através da realização de curtas-metragens animadas e de caráter experimental.

cinema de animação, através da realização de curtas-metragens animadas e de caráter experimental. João Peixoto 73
cinema de animação, através da realização de curtas-metragens animadas e de caráter experimental. João Peixoto 73

João Peixoto

73

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CRIATIVI dAd e UR bANA U R bAN CR eATIVITY

74 CRIATIVI dAd e UR bANA U R bAN CR eATIVITY ThOUGhT pROVOKERS Warning You Poor

ThOUGhT

pROVOKERS

dAd e UR bANA U R bAN CR eATIVITY ThOUGhT pROVOKERS Warning You Poor People Shall

Warning

You Poor People Shall Pay Sick and Mortal Nation Auction Once More Today The Ex-Value of Plutogal (…)

It went from the walls to the tip of the tongue in an instant. This version of the Portuguese national anthem was produced by PORTUGAL 1143 ± 2012. Although developed in 2005 as an academic research project, it rapidly took on an interven- tional role, crossed over to the public space and became a symbol of protest against the contemporary market economy (± as the visual representation of the destruc- tion of the economic system + - = 0). During this residency period, ± performed and will perform interventions in Guimarães’ urban space. Warning is the first of six chapters. On a fogless and sunny morning, the statue of King Afonso Henriques appears stabbed in the back. The flowers and fountains in Guimarães shed his blood. Tre- ason is the title of chapter 2, which is followed by a period of Repression (chapter 3) and Death taking to the streets. On 26 August, Portugal’s funeral was held at the church of São Miguel do Castelo. The Portuguese people were asked to attend the ceremony in mourning, as appropriate to the occasion. There are two more chapters left to tell in this story: Resurrection and Reconquest. Portugal 1143 ± 2012 will be out there until late October. This project includes a second wave of On.Off artistic residencies staged by Thought Provokers, such as Mr. Guimarães. At Rádio Historio- fónica – Guimarães Falando para o Mundo (Historiophonic Radio – Guimarães Spe- aking to the World), a live radio show, stories are told by Mr. Guimarães, a fictional character who tells legends and parables without losing sight of human and social values and the preservation of memory as spoken historical and cultural heritage. Batuta Bando de Pios is another artistic residency in which Marta Bernardes com- bines erudition with folk culture through the use of an instrument that is one of the most universal forms of oral communication: the whistle. In October, the Coletivo Fotograma 24 is coming in to develop projects in the field of animation cinema by producing animations and experimental short films.

coming in to develop projects in the field of animation cinema by producing animations and experimental
coming in to develop projects in the field of animation cinema by producing animations and experimental

+-

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CRIATIVI dAd e UR bANA U R bAN CR eATIVITY
CRIATIVI dAd e UR bANA U R bAN CR eATIVITY

aLmeDina mestrovac

dAd e UR bANA U R bAN CR eATIVITY aLmeDina mestrovac EXpOSI Çõ ES Chama-se Tranza-Atlântica

EXpOSIÇõES

bANA U R bAN CR eATIVITY aLmeDina mestrovac EXpOSI Çõ ES Chama-se Tranza-Atlântica , corresponde a

Chama-se Tranza-Atlântica, corresponde a um residência artística, que decor-

reu de 4 a 23 de agosto, e a uma mostra de objetos artísticos que foram desenvolvi- dos com materiais recicláveis e excedentes de fábricas locais. Consolidar os laços familiares transatlânticos no espaço europeu foi um dos objetivos desta residência que envolveu vários artistas convidados. Pode ver-se, no espaço On.Off da Fábrica ASA, até 31 de outubro, tal como a 5+5. Ou seja, 5 Artistas 5 Projetos. Obedecendo

a uma lógica site-specific, estes cinco trabalhos abrangem as áreas da pintura, do

desenho e da escultura. Com início a 8 de setembro e até 28 de outubro, o Caos e Or- dem vai ocupar todas as lojas da Fábrica ASA. Trata-se de uma mostra de vídeo-arte brasileira contemporânea organizada pela equipa de Curadoria de Artes Visuais do Centro Cultural São Paulo, que culminará com a realização de uma conferência no

dia 5 de outubro. O On. Off, explica Daniel Pires, diretor do projeto, é herdeiro de uma ideia bicéfa- la. Ao On correspondem os momentos “festivos, de encontro, onde a contemplação

e a participação se unem para celebrar o valor da criatividade. On é multicultural,

multigeracional, é quando o íntimo se torna público” ou quando “um grupo de jo- vens de Lindy Hop se cruza com bailarinos de tango de Guimarães”. Ao Off corres- ponde o “trabalho contínuo, viral e virado para a comunidade onde os artistas são convidados a trabalhar em residências artísticas na Fábrica Asa e/ou em espaços exteriores na cidade”, durante o qual “surgem encontros, desafios, riscos, surpresas no sentido de construirmos em conjunto uma democracia prática e crítica”. Dança, música, residências artísticas, performances, exposições, o On.Off abra- ça o que possa responder a uma inquietação: onde encontrar, hoje, criatividade? A cada experiência, a probabilidade de transformação é diretamente proporcional ao número de pontos de interrogação que levar consigo. Este nosso projeto é “um pou- co esquizofrénico”, diz Daniel Pires… Não o somos todos?

esquizofrénico”, diz Daniel Pires… Não o somos todos? s a r a K o z L
esquizofrénico”, diz Daniel Pires… Não o somos todos? s a r a K o z L

sara KozLovic

Não o somos todos? s a r a K o z L o v i c

EXhIBITIONS

todos? s a r a K o z L o v i c EXhIBITIONS 77 Tranza-Atlântica

77

Tranza-Atlântica is an artistic residency taking place between 4 and 23 August and also an exhibition of artistic objects made of recycled materials and surplus from local factories. One of the goals of this residency, which involved several guest artists, was to strengthen transatlantic family ties. You can see it at the On.Off space in the ASA Factory until October 31, where you can also find 5+5 or 5 Artist 5 Pro- jects. Abiding by a site-specific scheme, these five works include painting, drawing, and sculpture. From 8 September to 28 October, Caos e Ordem (Chaos and Order) will “occupy” every shop in the ASA Factory. This exhibition shows contemporary Brazilian video art and is commissioned by the Visual Arts Curatorship team from the São Paulo Cultural Centre. Its high point will be the conference taking place on 5 October. In the words of the project director Daniel Pires, On.Off is the heir of a two-he- aded idea. ‘On’ refers to “festive, social moments, where contemplation and parti- cipation combine to celebrate the value of creativity. ‘On’ is multicultural, multi- -generational, when the intimate becomes public” or when “a group of young Lindy Hop dancers meet Tango dancers from Guimarães”. ‘Off’ refers to the “continuous, viral, and community-related work that artists are invited to do in the context of artistic residencies at the ASA Factory and/or in outdoor spaces throughout the city” during which “there are meetings, challenges, risks, surprises in our attempt to build a practical and critical democracy together”. Dance, music, artistic residencies, performances, exhibitions: On.Off embraces everything capable of providing an answer to a particular concern: where can one find creativity today? In each experiments, the probability of transformation is di- rectly proportional to the number of question marks that we carry with us. This pro- ject is “a little schizophrenic”, Daniel Pires says. Aren’t we all?

question marks that we carry with us. This pro- ject is “a little schizophrenic”, Daniel Pires

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GUIMAR ãe S 2012 e M 4 Te MPOS IN 4 ChAPTe RS GUIMARÃES 2012:
GUIMAR ãe S 2012 e M 4 Te MPOS IN 4 ChAPTe RS
GUIMARÃES 2012:
ENCONTRAR
CRIAR
SENTIR
RENASCER
ENCOUNTER
CREATE
FEEL
REBORN

João Peixoto e JosÉ caLDeira

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GUIMAR ãe S 2012 e M 4 Te MPOS IN 4 ChAPTe RS A idade
GUIMAR ãe S 2012 e M 4 Te MPOS IN 4 ChAPTe RS
A idade da infância em que se assumem e procuram os primeiros encontros.
1. TEMpO pARA ENCONTRAR
21 JANEIRO A 23 DE MARÇO
Uma idade de abertura a partir do universo em expansão de cada pessoa, a
partir da casa física e simbólica de cada um. Uma idade em que a Vida desponta
do indivíduo para fora dele, da sua zona de conforto e aconchego para fora dela.
Uma idade de inverno.
INVERNO: A VIDA NA INFÂNCIA
1. TIME TO ENCOUNTER
The age of childhood is when the first encounters are sought out and made.
It is an age of opening up the expanding universe of each of us, from our
21 JANUARy - 23 MARCh
WINTER: ThE LIFE OF ChILDhOOD
physical and symbolic house; an age in which life emerges from the individual
and expands outside of us, to the outside of our comfort zone. This is the age
of winter.
Já pROTAGONIZáMOS ENCONTROS CONNOSCO E COM OS OUTROS
WE hAVE ALREADy MET OThERS AND OURSELVES

João Peixoto

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GUIMAR ãe S 2012 e M 4 Te MPOS IN 4 ChAPTe RS É na
GUIMAR ãe S 2012 e M 4 Te MPOS IN 4 ChAPTe RS
É na juventude que se ousa fingir ser outro para se ser mais do que até aí se
2. TEMpO pARA CRIAR
foi. É aqui que se juram amores eternos e se crê na promessa de vida perene em
constantes e crescentes explosões criativas. É aqui que se sedimentam ambições
24 DE MARÇO A 23 DE JUNhO
e energias que alimentam toda uma vida de interrogações, de hesitações,
pRIMAVERA: A VIDA NA JUVENTUDE
2. TIME TO CREATE
de certezas, de falhanços e de sucessos. Uma vida de abraços, sejam eles
consoladores ou celebratórios. É aqui que se celebra o risco que traça fronteiras
do que já fomos, mostrando o que também podemos ser. É a idade da criação, a
primavera da Vida.
24 MARCh - 23 JUNE
SpRING: ThE LIFE OF yOUTh
It’s during our youth that we dare to pretend to be someone else so that we might
be more than what we have been. It’s during youth that we swear our endless love,
that we believe in eternal life in constant and growing creative explosions. It is
the age of gathering ambitions and energies that feed a lifetime of questioning,
hesitations, certainties, failures and successes. It is a time for embraces, whether
they be consoling or celebratory. It is an age to celebrate the line that marks out
the boundaries of what we have been or what we can become. This is the age of
creation, the spring of life.
Já CRIáMOS OBRAS qUE FICARAM AqUÉM E ALÉM DOS NOSSOS SONhOS
WE hAVE ALREADy CREATED WORKS ThAT FELL ShORT OR WENT WELL BEyOND
OUR DREAMS

João Peixoto

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GUIMAR ãe S 2012 e M 4 Te MPOS IN 4 ChAPTe RS 3. TEMpO
GUIMAR ãe S 2012 e M 4 Te MPOS IN 4 ChAPTe RS
3. TEMpO pARA SENTIR
24 JUNhO A 21 SETEMBRO
VERÃO: A VIDA ADULTA
quando já sabemos quem somos, o que queremos, do que gostamos e quando
intuímos que nunca saberemos tudo o que seremos, tudo o que quereremos, tudo o
de que gostaremos. quando conhecemos bem o espaço que habitamos mas teimamos
em dele sair porque sabemos tão bem que a ele podemos regressar. quando
expandimos quem somos ao sentir quem podemos ser. quando saímos à rua para que
o olhar dos outros, o corpo da cidade e o sentir do prazer nos afaguem a alma. É a
idade de verão que, protegendo-nos do frio, nos conduz ao calor.
3. TIME TO FEEL
24 JUNE - 21 SEpTEMBER
SUMMER: ThE ADULT LIFE
When we already know who we are, what we want, what we like, and when we
suspect that we will never know all that we’d like to know, all that we’d like to
have, and all we’d like to love. When we know the space where we live well but
keep on leaving it because we know so well that we can return. When we take
to the street so that the gaze of others, the body of the city and the feeling of
pleasure caresses our soul. This is the age of summer that, in protecting us from
the cold, brings us to the warmth.
Já SENTIMOS EXpERIÊNCIAS DENTRO E FORA DO CORpO
WE hAVE ALREADy FELT EXpERIENCES INSIDE AND OUTSIDE OF ThE BODy

JosÉ caLDeira

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GUIMAR ãe S 2012 e M 4 Te MPOS IN 4 ChAPTe RS 4. TEMpO
GUIMAR ãe S 2012 e M 4 Te MPOS IN 4 ChAPTe RS
4. TEMpO pARA RENASCER
OUTONO: A VIDA CONTEMpLATIVA
22 SETEMBRO A 21 DEZEMBR0
Chega o momento de contemplar a Vida que temos tido e a partir dela construir
relações que lhe acrescentem sentido. Construir pontes com as vidas que todos os
outros viveram. Solidificar caminhos entre todos os encontros, todas as criações e
todos os sentimentos. É o momento de refletir, escolher, fazer acontecer o que de
nós fica nesta passagem. É a idade do outono, em que formamos o rosto da nossa
memória futura.
4. TIME TO REBORN
AUTUMN: ThE CONTEMpLATIVE LIFE
22 SEpTEMBER - 21 DECEMBER
Now is the time for contemplating the life that we have had and for building
connections from it that give it meaning. The time to build bridges connecting us to
the lives that all others have lived. To solidify the paths between all encounters,
all creations, and all feelings. The time to reflect, to choose, to make real what
remains of us on this fleeting passage. This is the age of autumn, when we shape
the face of our future memory.
AqUI FORMAMOS O ROSTO DA NOSSA MEMÓRIA FUTURA
hERE WE ShApE ThE FACE OF OUR FUTURE MEMORy

JosÉ caLDeira

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88 João Peixoto guimarãeS em SetemBro in SeptemBer 89

João Peixoto

guimarãeS em SetemBro in SeptemBer

guimarãeS

em

SetemBro

guimarãeS em SetemBro in SeptemBer

in

SeptemBer

guimarãeS em SetemBro in SeptemBer

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exposições / exhibitions

exposições / exhibitions últimos dias / last days

últimos dias / last days

últimos dias / last days
eXPOSIÇÃO exhibition TeR e QUA tue & wed 10h00–20h00 QUI–DOM thu–sun 10h00–22h00 joÃo peixoto
eXPOSIÇÃO exhibition
TeR e QUA tue & wed 10h00–20h00
QUI–DOM thu–sun 10h00–22h00
joÃo peixoto

fÁbrica asa

ATÉ 2 SeT until 2 sePt

EMERGÊNCiAS

2012

NOVOS MEdiA [EMERGENCiES 2012 – NEw MEdiA]

Marta de Menezes comissariado / commissioner

ATÉ 9 SeT until 9 sePt

CHRiSTiAN

BOLTANSki

dANçA MACABRA [dANCE OF dEATH]

João Fernandes Comissariado / Commissioner Marian Goodman Gallery colaboração / collaboration

enTRADA GRATUITA free adMission / TODAS AS IDADeS for all ages

GRATUITA free adMission / TODAS AS IDADeS for all ages eXPOSIÇÃO exhibition ATÉ 16 SeT until

eXPOSIÇÃO exhibition

ATÉ 16 SeT until 16 sePt

SeG e Sáb Mon & sat

9h00–13h00 / 14h30–19h00

TeR–SeX tue–fri 09h00–20h00

/ 14h30–19h00 TeR–SeX tue–fri 09h00–20h00 DOM sun 10h00–13h00 / 15h00–19h00 PalÁcio vila flor

DOM sun 10h00–13h00 / 15h00–19h00

09h00–20h00 DOM sun 10h00–13h00 / 15h00–19h00 PalÁcio vila flor FLATLANd ( REdUX ) A PInTURA COMO

PalÁcio vila flor

FLATLANd

(REdUX)

A PInTURA COMO ReCOnFIGURAÇÃO IMAGÉTICA [PAINTING AS IMAGE RECONFIGURATION] Delfim Sardo curadoria / curatorship

2€ / TODAS AS IDADeS for all ages

/ curatorship 2€ / TODAS AS IDADeS for all ages eXPOSIÇÃO De FOTOGRAFIA PhotograPhy exhibition ATÉ

eXPOSIÇÃO De FOTOGRAFIA

PhotograPhy exhibition ATÉ 30 SeT until 30 sePt

PhotograPhy exhibition ATÉ 30 SeT until 30 sePt couros À LUZ dO diA [iN dAyLiGHT] TeRRITóRIO

couros

À LUZ dO diA

[iN dAyLiGHT]

TeRRITóRIO e ReFeRenTe hUMAnO [territory and huMan reference] Centro Comunitário de Solidariedade e Integração Social

enTRADA GRATUITA free adMission TODAS AS IDADeS for all ages

GRATUITA free adMission TODAS AS IDADeS for all ages InSTAlAÇÃO / eXPOSIÇÃO installation / exhibition

InSTAlAÇÃO / eXPOSIÇÃO

installation / exhibition

ATÉ 31 OUT

/ eXPOSIÇÃO installation / exhibition ATÉ 31 OUT until 31 oct QUA–DOM wed–sun 12h00–20h00 fÁbrica

until 31 oct QUA–DOM wed–sun

12h00–20h00

ATÉ 31 OUT until 31 oct QUA–DOM wed–sun 12h00–20h00 fÁbrica asa 5+5 PInTURA, DeSenhO e eSCUlTURA

fÁbrica asa

5+5

PInTURA, DeSenhO e eSCUlTURA [Painting, drawing and sculPture] On.OFF

enTRADA GRATUITA free adMission TODAS AS IDADeS for all ages

exposições / exhibitions

exposições / exhibitions em exibição / ongoing

em exibição / ongoing

em exibição / ongoing

eXPOSIÇÃO / ARTe SACRA

exhibition / sacred art

eXPOSIÇÃO / ARTe SACRA exhibition / sacred art ATÉ 14 OUT until 14 oct TeR–DOM tue–sun

ATÉ 14 OUT until 14 oct TeR–DOM tue–sun

10h00–18h00

14 OUT until 14 oct TeR–DOM tue–sun 10h00–18h00 Museu de alberto saMPaio ANGELORUM ANJOS EM PORTUGAL

Museu de alberto saMPaio

ANGELORUM

ANJOS EM PORTUGAL [ANGELORUM – ANGELS iN PORTUGAL]

Museu de Alberto Sampaio organização / organization Manuel de Sampayo Pimentel Azevedo Graça e Maria José Marinho de Queirós Meireles comissariado / commissioners

3€ (InClUI vISITA à eXPOSIÇÃO “AnJOS hOJe” includes visit to “angels today”) / TODAS AS IDADeS for all ages

eXPOSIÇÃO / ARTe SACRA

exhibition / sacred art

eXPOSIÇÃO / ARTe SACRA exhibition / sacred art ATÉ 14 OUT until 14 oct TeR–DOM tue–sun

ATÉ 14 OUT until 14 oct TeR–DOM tue–sun

10h00–18h00

14 OUT until 14 oct TeR–DOM tue–sun 10h00–18h00 Museu de alberto saMPaio ANJOS HOJE [ANGELS TOdAy]

Museu de alberto saMPaio

ANJOS HOJE

[ANGELS TOdAy]

Museu de Alberto Sampaio organização / organization Manuel de Sampayo Pimentel Azevedo Graça e Maria José Marinho de Queirós Meireles comissariado / commissioners

3€ (InClUI vISITA à eXPOSIÇÃO “AnGelORUM” includes visit to “angeloruM – angels in Portugal”) / TODAS AS IDADeS for all ages

InSTAlAÇÃO installation ATÉ 31 OUT until 31 oct josé caldeira
InSTAlAÇÃO installation
ATÉ 31 OUT until 31 oct
josé caldeira

PlataforMa das artes e da criatividade

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ObJeTO eSCUlTóRICO hAbITável [habitable sculPtural obJect] Gabriela Gomes autoria / author

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MOSTRA De ARTe

COnTeMPORâneA show

MOSTRA De ARTe COnTeMPORâneA show of conteMPorary art ATÉ 31 OUT until 31 oct 12h00–20h00 fÁbrica

of conteMPorary art ATÉ 31 OUT until 31 oct

12h00–20h00

of conteMPorary art ATÉ 31 OUT until 31 oct 12h00–20h00 fÁbrica asa TRANZA- ATL Â NTiCA

fÁbrica asa

TRANZA-

ATLÂNTiCA

On.OFF

Ronald Duarte, Abel Duarte, Alexandre vogler, Guga Ferraz,

lourival neto e Sueli Cabral artistas convidados ⁄ invited artists

neto e Sueli Cabral artistas convidados ⁄ invited artists hORTAS URbAnAS, InSTAlAÇÃO URbAnA, RevITAlIZAÇÃO, POP

hORTAS URbAnAS, InSTAlAÇÃO

URbAnA, RevITAlIZAÇÃO,

hORTAS URbAnAS, InSTAlAÇÃO URbAnA, RevITAlIZAÇÃO, POP UP CUlTURe urban garden, urban installation,

POP UP CUlTURe urban garden, urban installation, revitalization, PoP uP culture ATÉ 9 nOv until 9 nov

revitalization, PoP uP culture ATÉ 9 nOv until 9 nov couros ECOS – VERdE ACORdAR COUROS

couros

ECOS – VERdE

ACORdAR COUROS [ECOS – GREEN:

wAkiNG UP COUROS]

COUROS POP UP Chiara Sonzogni conceção e produção / concept and production

enTRADA GRATUITA free adMission TODAS AS IDADeS for all ages

GRATUITA free adMission TODAS AS IDADeS for all ages eXPOSIÇÃO exhibition 10h00–19h00 PlataforMa das artes e

eXPOSIÇÃO exhibition

10h00–19h00

IDADeS for all ages eXPOSIÇÃO exhibition 10h00–19h00 PlataforMa das artes e da criatividade / centro

PlataforMa das artes e da criatividade / centro internacional das artes José de guiMarães

/ centro internacional das artes José de guiMarães PARA AL é M dA HiST ó RiA
/ centro internacional das artes José de guiMarães PARA AL é M dA HiST ó RiA

PARA ALéM dA HiSTóRiA

[BEyONd HiSTORy]

de guiMarães PARA AL é M dA HiST ó RiA [BEyONd HiSTORy] nuno Faria curadoria /

nuno Faria curadoria / curatorship

4€ / TODAS AS IDADeS for all ages

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exposições / exhibitions

exposições / exhibitions em exibição / ongoing

em exibição / ongoing

em exibição / ongoing
TODOS OS DIAS every day joÃo peixoto
TODOS OS DIAS
every day
joÃo peixoto

PERFORMANCE

ARCHiTECTURE

largo condessa do Juncal

creixoMil – Junto

CONSTRUC-

ao Pavilhão Multiusos de guiMarães

TiNG wiTH

AGRiCULTURAL

CLOTHES

MOUNTAiN

largo João franco, alaMeda dr.alfredo PiMenta, alaMeda dr.Mariano felgueiras

FOUNTAiN

HACkS

PiMenta, alaMeda dr.Mariano felgueiras FOUNTAiN HACkS InAUGURAÇÃO oPening 7 SeT 7 sePt 19h00 REVER A

InAUGURAÇÃO oPening 7 SeT 7 sePt 19h00

REVER

A

CidAdE

[REViSiTiNG THE CiTy]

PáG. 102 Page 102

 

InAUGURAÇÃO oPening

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SeT 22 sePt 17h00

NOMAdiSMO

E

diSSE-

MiNA ç ÃO

[NOMAdiSM

ANd diSSEMiNATiON]

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InAUGURAÇÃO oPening

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SeT 29 sePt 18h00

METAPHORiA

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InAUGURAÇÃO oPening

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EdiFíCiOS

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VESTíGiOS

[BUiLdiNGS ANd

REMNANTS]

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exposições / exhibitions

exposições / exhibitions inauguram / opening
inauguram / opening

inauguram / opening

ages exposições / exhibitions inauguram / opening CONTEXTiLE 2012 InAUGURAÇÃO oPening 1 SeT 1 sePt

CONTEXTiLE

2012

InAUGURAÇÃO oPening

1 SeT 1 sePt 18h00

EXPOSiçÃO
iNTER-

NACiONAL

NACiONAL

[iNTERNATiONAL

EXHiBiTiON]

PáG. 95 Page 95

iNTER- NACiONAL [iNTERNATiONAL EXHiBiTiON] PáG. 95 Page 95 InAUGURAÇÃO oPening 1 SeT 1 sePt 17h00 EXPOSi

InAUGURAÇÃO oPening

1 SeT 1 sePt 17h00

EXPOSi ç ÃO ANTOLóGiCA GiSELA SANTi

[GiSELA SANTi

ANTHOLOGiCAL