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VALORES DE BENS CULTURAIS / DECLARAÇAO DE SIGNIFICANCIA

A palavra patrimônio deriva do latin patrimonium e se refere aos bens deixados pelos pais e mães aos filhos, ou seja à herança!

Segundo o Dicionnaire de l’urbanisme et l’aménagement organizado por Françoise Choay e Pierre Merlin, o termo patrimônio veio a designar bens da Igreja, da coroa e posteriormente, no Século XVIII, bens de significação e valores nacionais (patrimônio científico, patrimônio vegetal, zoológico )

Como herança bens patrimoniais apresentam portanto – como é o caso dos sítios históricos – vários tipos de valores:

antiguidade

artísticos

históricos

culturais

simbólicos

existência

E sendo bens herdados, são portadores de significância cultural, identidade cultural.

O valor de antigüidade

Segundo o historiador austríaco Aloïs Riegl, autor do “O culto moderno dos monumentos” (1984), esse valor se manifesta pelo aspecto não moderno.

Para ele, “a forma pela qual o valor de antiguidade se opõe aos valores de contemporaneidade reside nas imperfeições das obras, nos seus defeitos de integridade, na tendência à dissolução das formas e das cores, quer dizer nos traços rigorosamente opostos às características das obras modernas.”

O valor de antigüidade

Sendo assim, o culto do valor de antiguidade opõe-se à conservação do bem patrimonial.

Isso fica evidente no caso das ruínas de edificações, testemunhos irretocáveis dos tempos decorridos como:

ruinas de Alcantara

coliseu de Roma

sîtios da antiguidade clássica etc.

O valor artístico

Ele é subjetivo, pois refere-se sempre a um determinado estilo, a uma determinada época.

Segundo Alois Riegel, “as concepções modernas, não existe um valor de arte absoluto, mas unicamente um valor de arte relativo, atual. Por conseqüência, a definição de ‘valor de arte’ deve variar segundo o ponto de vista de quem o adota. De acordo com a acepção antiga, uma obra de arte possui valor artístico à medida que responde às exigências de uma estética supostamente objetiva, não tendo, no entanto, dado lugar a nenhuma ”

formulação incontestável

O valor histórico

Trata se do valor de um bem que revela a época, os modos de vida, o tempo decorrido desde a sua edificação ou cricação.

Segundo o Dictionnaire de l’urbanisme e de l’aménagement J. Ruskin e W. Morris na Inglaterra e C. Sitte na Áustria foram os primeiros a reconhecer no tecido urbano um valor de patrimônio histórico.

Sendo assim, toda cidade é histórica.

O valor cultural

O

valor histórico está impregnado de valor cultural

que o passado foi culturalmente construído

O

valor cultural reforça a identidade social.

Nesse caso, trata-se de considerar o próprio habitat como um ato cultural por compreender uma totalidade complexa feita de normas, de hábitos, de repertórios, de ações e de representações dos seus habitantes enquanto membro de uma determinada comunidade.

O valor simbólico

Se os bens patrimoniais são impregnados de valores culturais, são plenos de valores simbólicos.

É importante esclarecer que o simbólico pressupõe uma competência cognitiva imaginária que se exprime por uma capacidade de ver as coisas tais como elas não são, de vê-las diferentemente do que elas são. Por exemplo, um indígena pode olhar para um crucifixo e ver apenas dois pedaços de madeira em forma de cruz. Mas, o cristão o vê além da sua materialidade

O valor econômico e de uso

O valor econômico de qualquer bem patrimonial

reside na sua utilidade. Tem que poder identificar uma demanda em termos de utilização.

O valor de um bem patrimonial está portanto

sempre associado a um valor de uso podendo ser utilizado para abrigar atividades habitacionais, administrativas, comerciais, culturais, dentre outras.

O valor de existencia

O valor de existência é um valor dado a bens ou a seres vivos pelo simples fato de existirem ou viverem.

O conceito de significância cultural baseia se nos diversos tipos de valores, inclusive no econômico. Problemático é que valorar economicamente um bem patrimonial pode colocar em risco os demais valores!

Portanto deve ser levado em consideração para a significância cultural sempre um conjunto de valores!

Fontes Bibliográficas:

MENDES ZANCHETI Silvio, HIDAKA Lúcia, A Decalração de Significância de Exemplares da Arquitetura Moderna, CECI

Dictionnaire de l’urbanisme e de l’aménagement. CHOAY, Françoise e MERLIN, Pierre (Org). Paris: Presse Universitaire de France, 1988.

KUPER,Adam. Cultura: a visão dos antropólogos. Bauru: EDUSC, 2002.

HESSEN, Johannes. Filosofia dos valores. Lisboa:Almedina, 2001

RIEGL,A. Le culte moderne des monuments. Son essence et sa génèse. Paris, Éditions du Seuil, 1984.

SAHLINS, Marshal. Ilhas de história. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 2003

JEUDY, Henri-Pierre. Espelho das cidades. Rio de Janeiro, Casa da Palavra,

2005.