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ALUNO: Ministério da Educação Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica Instituto Federal de Educação,

ALUNO:

Ministério da Educação Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense Câmpus Camboriú LÍNGUA PORTUGUESA Prof. Fernando de Tarso Castelain Junior PRODUÇÃO DE TEXTO Billy Elliot NOTA:

TURMA:

ATENÇÃO! Este texto deverá ser produzido em até 2 (duas) aulas, em folha própria a ser entregue pelo professor, entre os dias 13 e 17 de maio. Durante a produção do texto em sala de aula, não será permitido consultar nenhum tipo de material ou rascunho previamente elaborado. O conhecimento prévio do tema deve ser considerado como um auxílio para a construção do mesmo, cujo objetivo é a sua preparação, a leitura dos textos complementares que seguem recomendados aqui e outros tantos que você encontrará em suas pesquisas. Prepare-se adequadamente, faça um rascunho se for necessário, mas lembre-se que o que será medido realmente será a sua capacidade de produção textual em sala de aula, sem qualquer outro recurso além da caneta e da folha própria de redação.

Com base no filme “Billy Elliot”, na leitura do texto motivador seguinte e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre UM dos seguintes temas:

1. ESCOLHAS DOS PAIS VERSUS ESCOLHAS DOS FILHOS: As intervenções familiares nos desígnios dos adolescentes e suas implicações.

2. O PRECONCEITO E AS GENERALIZAÇÕES SOCIAIS: Quando “Balé é coisa de gay!” e outras vulgarizações tornam-se

prejudiciais ao desenvolvimento da sociedade. Apresente proposta de conscientização social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

BILLY ELLIOT

O lugar é uma cidadezinha de mineiros, no norte da Inglaterra. O tempo é a década de 80, quando Margareth Tatcher arrochava salários e

mandava bater nos grevistas. Os personagens são, quase todos, homens e mulheres comuns, imersos num cotidiano que nem a presença de centenas de policiais consegue alterar significativamente. Nada de heróis, nem de bandidos. O centro da narrativa é um garoto de 11 anos, Billy, que, em vez de lutar box, como quer seu pai, é atraído por um grupo de dança clássica, onde só há meninas. Estes elementos estão arranjados harmoniosa e dialeticamante, de modo que lugar, tempo, personagens e protagonista explicam-se e completam-se uns aos outros. Resultado? Uma pequena obra-prima. Billy Elliot já é um dos melhores filmes do ano.

No parágrafo anterior, só utilizei a palavra "dança" na quinta frase. Esquecimento? Talvez. Os próprios créditos iniciai s, maravilhosos, que mostram Billy pulando em câmara lenta, parecem sugerir um filme sobre a dança. A "story-line", poderosa em sua simplicidade, também não poderia ser outra: "garoto quer trocar box por balé". Mas será que a obra de Daldry é mesmo sobre a dança? Creio que não. A dança é parte importante do

filme, assim como a música (e que bela trilha, abusando de T.Rex e com uma seqüência antológica com The Clash); contudo, o tema de Billy Eliot é outro. O que realmente emociona, o que realmente faz a história adquirir a grandeza que ela tem, é o retrato de um garoto órfão de mãe, condenado

a cuidar de sua avó e a agüentar um pai e um irmão grosseiros, ambos reis da testosterona, incapazes de perceber no caçula da família algo que nunca terão: sensibilidade.

Nestes tempos em que a crítica feminista e a análise teórica de gêneros se fortalecem, é inevitável ver Billy Elliot também como uma obra sexualmente libertária. Billy é um garoto heterossexual (ao contrário de seu melhor amigo, gay assumido), mas isso não o impede de ter várias qualidades femininas e desgostar de certas coisas típicas do universo masculino. A ausência da mãe, que poderia protegê-lo e servir-lhe de espelho, agrava a situação. Em seu lugar, aparece uma professora de balé, também infeliz na vida familiar, que consegue reconhecer em Billy o talento e a vocação para a dança. Entretanto, ela não é a mãe. E Billy não está disposto a destruir sua relação com o pai e o irmão.

É neste momento que o roteiro se mostra genial. Em vez de contar, pela milionésima vez, um confronto sem solução entre um garoto

sensível e fraco contra um pai machista e forte, Billy Elliot conta a história de como o pai machista e forte descobre que seu filho tem o direito de ser

o que é. E, mais do que isso, sendo o que é poderá fugir das minas de carvão, dos baixos salários, das greves. A angústia do pai de Billy, que ama tanto seu filho que é capaz de reformular sua visão do mundo e passar por "fura-greve" (ou seja, um "maricas"), para conseguir o dinheiro da

passagem de ônibus, é o momento mais forte do filme. Billy luta pelo que quer ser. Isso é difícil. Seu pai e, depois seu irmão - lutam contra o que são. Isso é mais difícil ainda. E é isso que emociona no filme.

O elenco é homogêneo e absolutamente verossímil. A fotografia, bem cuidada, mas discreta, emoldura o norte da Inglaterra com

competência. A montagem se destaca nas belas cenas de ação paralela (provavelmente já previstas no roteiro, mas executadas com perfeição). Os diálogos são divertidos e concisos, sem apelar para o melodrama e mantendo a riqueza e a musicalidade do sotaque local. Para o meu gosto (vocês sabem que não gosto de finais felizes) a última cena, com Billy adulto, um belo e emplumado cisne num espetáculo grandioso, é dispensável. Billy

venceu antes disso. Entretanto, é apenas uma pequena concessão, num filme que se afirma pelo vigor de sua originalidade.

Só há uma coisa em Billy Elliot que, definitivamente, não está em seu lugar: a tradução das legendas. Que fiasco! Há inúmeros palavrões,

principalmente "fuck of", que viraram "não enche". Imagine alguém levando um cacetete na cabeça e gritando "não enche" para o policial

até já virou padrão nessas terras de falso moralismo e puritanismo de fachada. A pior mancada de todas, contudo, é quando a situação do marido da professora de balé é definida como "ele se tornou redundante". O cara foi despedido, está desempregado! Tem que baixar o cacete na cabeça do tradutor. Fuck of!

GERBASE, Carlos. Disponível em: <http://www.terra.com.br/cinema/opiniao/billy1.htm>. Acesso em 07/05/2013.

Mas isso

INSTRUÇÕES:

- O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas.

- A redação com até 7 (sete) linhas escritas será considerada “insuficiente” e receberá nota zero.

- A redação que fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo receberá nota zero.

- A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeitos de correção.