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IV - APELACAO CIVEL

2004.51.10.008785-4

RELATOR APELANTE PROCURADOR APELADO ADVOGADO ORIGEM

: DESEMBARGADOR FEDERAL REIS FRIEDE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS : YGOR MORAIS ESTEVES DA SILVA (RJ120030) : VALTER FERREIRA ALVES : CARLA VIEIRA GONCALVES DE MELO (RJ145036) : QUARTA VARA FEDERAL DE SÃO JOÃO DE MERITI (200451100087854) RELATÓRIO

Trata-se de Remessa Necessária e Apelação Cível interposta pela Parte Ré - Instituto Nacional do Seguro Social, em face sentença de fls. 77/79, que julgou parcialmente procedente o pedido, para determinar que a Ré restabeleça o benefício de aposentadoria por invalidez em favor do Autor, retroativamente à data da propositura da ação, condenando o INSS ao pagamento das parcelas atrasadas, até a efetiva implantação do benefício, acrescido de correção monetária e juros de mora, a partir da citação. O INSS foi condenado ainda, ao pagamento de honorários advocatícios, fixados em 5% do valor da condenação. O Autor sustenta que, a despeito de ter permanecido por mais de 24 (vinte e quatro) meses de licença médica, fato que lhe assegurou o benefício da aposentadoria por invalidez, este fora suspenso sem a observância do devido processo legal. Em suas razões de Apelação de fls. 219/223, o INSS requer a reforma total da sentença, uma vez que, conforme a documentação acostada aos autos, o médico perito concluiu contrariamente à incapacidade laborativa do Autor. Sem contrarrazões.
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contagiosa ou incurável. 186.IV . 2 . sendo os proventos integrais quando decorrente de acidente em serviço. É o relatório. ao argumento que a nova interpretação do “Manual de Perícia Médica do Servidor do INSS” orienta que a aposentadoria por invalidez deva ser precedida por avaliação de uma Junta Médica Oficial. e proporcionais nos demais casos. com proventos proporcionais ao tempo de serviço do Autor.10.APELACAO CIVEL 2004. Sobre o tema. tal portaria foi anulada e o benefício cancelado através do processo administrativo nº 35323.112/90: Art.008785-4 O MPF deixou de se manifestar.000503/2002-97. Compulsando os autos. O servidor será aposentado: I . especificada em lei. que concedeu a aposentadoria por invalidez ao Autor.51. de 16 de dezembro de 2002. dispõe a Lei nº 8. que teve por objeto a concessão de aposentadoria por invalidez.por invalidez permanente. moléstia profissional ou doença grave. Reis Friede Relator VOTO O Senhor Desembargador Federal Reis Friede (Relator) A matéria que se põe nos autos diz respeito à anulação do ato administrativo editado pela autarquia previdenciária. em razão da ausência de interesse público a justificar sua intervenção no feito. verifica-se que apesar de ter sido publicada a Portaria nº 158.

. ...IV ........51... o servidor em licença para tratamento de saúde ou aposentado por invalidez poderá ser convocado a qualquer momento.. o servidor será aposentado........... .................... 24................ § 3º Na hipótese do inciso I o servidor será submetido à junta médica oficial..... No caso. que atestará a invalidez quando caracterizada a incapacidade para o desempenho das atribuições do cargo ou a impossibilidade de se aplicar o disposto no art..... .... § 1º A aposentadoria por invalidez será precedida de licença para tratamento de saúde..10.................. A aposentadoria voluntária ou por invalidez vigorará a partir da data da publicação do respectivo ato....... Art........ por período não excedente a 24 (vinte e quatro) meses.... para avaliação das condições que ensejaram o afastamento ou a aposentadoria....................008785-4 .............. Sua licença médica foi sucessivamente renovada até 3 ..................... em razão de problemas de cunho psicológico e psiquiátrico.. § 5º A critério da Administração.... § 2º Expirado o período de licença e não estando em condições de reassumir o cargo ou de ser readaptado......................... o servidor necessitou ser afastado do trabalho a partir de 09/03/2000...APELACAO CIVEL 2004.... 188........ verifica-se que...........

112/90. sua aposentadoria por invalidez. sendo esta posteriormente revogada através da PT/INSS/GEXPTP/nº 76. geralmente três. Nesse aspecto. com proventos proporcionais à razão de 30/35 (trinta. mediante designação formal. e. concedendo aposentadoria por invalidez. sendo este. requisito essencial para a concessão da aposentadoria por invalidez. nos termos do artigo 186. A junta médica oficial poderá ser designada pela autoridade administrativa do órgão a que estiver vinculada a pessoa 4 . Segundo informação do Conselho Federal de Medicina constante no site a Junta Médica Oficial pode ser conceituada como: “São dois ou mais médicos. ou não. sem interrupção no tratamento. quando foi determinado que deveria reassumir suas atividades a partir de 01/07/2002.008785-4 junho de 2002. devemos considerar que o Autor passou mais de dois anos em sucessivas licenças para tratamento médico.APELACAO CIVEL 2004. considerando que havia expirado o prazo de 24 meses de afastamento de suas atividades. a controvérsia passa a residir no fato dessa incapacidade do Autor poder ser classificada. de 26 de agosto de 2003. é importante ressaltar que o Autor não foi avaliado por Junta Médica Oficial. para dar ensejo à aposentadoria por invalidez. §3º. ao final desse período.51. O Autor pleiteou então. conforme os dispositivos legais supracitados. como permanente.10.IV . foi editada a Portaria nº 158. Em conseqüência. 25. trinta e cinco avos). da Lei nº 8. foi afirmado que ele estava em condições de retornar ao trabalho. conforme se infere do atestado médico juntado à fl. Desta forma. investidos em função pericial. Nesse ínterim. em 16/12/2002.

. por uma Junta Médica Oficial.APELACAO CIVEL 2004.. ou pode ser nomeada pelo juiz. A junta médica poderá recorrer a exames subsidiários. para avaliação das condições que ensejaram o afastamento ou a aposentadoria. (. dispondo que o servidor em licença para tratamento de saúde ou aposentado por invalidez poderá ser convocado a qualquer momento.10. da Lei nº 8.51. em que sejam respeitados os dispositivos legais.008785-4 a ser periciada. devendo. data e horário previamente estabelecidos. Assim. inclusive dos assistentes técnicos (somente médicos). Conclui-se assim. informações contidas em prontuário médico. muito embora o Autor tenha passado por várias perícias médicas. realizar o exame com a presença de todos os seus integrantes. 5 . que houve irregularidade no ato administrativo que concedeu a aposentadoria do Autor. Por fim. O laudo ou relatório médico e a conclusão médico-pericial devem ser datados e assinados pela junta e pelos assistentes técnicos.) A junta deve reunir-se formalmente. sempre buscando melhor consistência em sua conclusão”.112/90. quando indicados pelas partes. os pareceres discordantes serão apresentados em separado. Quando houver divergência na conclusão. todas estas foram realizadas por um médico isoladamente e não. uma vez que esse não fora realizado de acordo com os dispositivos legais já mencionados. quando entender que o parecer médico-pericial subsidiará seu julgamento. o que ocorre na Administração Pública. Ressalto ainda. deve ser observado que o Autor não está impedido a instaurar novo procedimento administrativo de concessão de aposentadoria. pareceres de outros especialistas. que tal posicionamento está em consonância com o disciplinado no parágrafo 5º do artigo 186. portanto. em local.IV . ser declarada a nulidade da Portaria nº 158.

APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. ANULAÇÃO DE ATO ADMINISTRATIVO. conforme disposto no artigo 12 da Lei nº 1.51. para julgar improcedente o pedido. NECESSIDADE DE AVALIAÇÃO POR JUNTA MÉDICA. requisito essencial para a concessão da 6 . que teve por objeto a concessão de aposentadoria por invalidez. Sem condenação em custas. III.10. IRREGULARIDADE CONFIGURADA. Reis Friede Relator EMENTA ADMINISTRATIVO. foi afirmado através do perito do INSS que ele estava em condições de retornar ao trabalho.IV . estando sua execução suspensa. II. dou provimento à Remessa Necessária e à Apelação do Instituto Nacional do Seguro Social. ao final desse período.112/90. Nesse aspecto. ARTIGO 186.APELACAO CIVEL 2004. sendo este. I. é importante ressaltar que o Autor não foi avaliado por Junta Médica Oficial. É como voto. em face da gratuidade de justiça. Condeno o Autor ao pagamento de honorários advocatícios. A matéria que se põe nos autos diz respeito à anulação do ato administrativo editado pela autarquia. com proventos proporcionais ao tempo de serviço do Autor ao argumento que a aposentadoria por invalidez deva ser precedida por avaliação de uma Junta Médica Oficial.008785-4 Ante o exposto. LEI 8. Muito embora o Autor tenha passado mais de dois anos em sucessivas licenças para tratamento médico. SERVIDOR PÚBLICO.060/50.

Rio de Janeiro.51. Decide a Sétima Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. que fica fazendo parte integrante do presente julgado. em que sejam respeitados os dispositivos legais. Por fim. por unanimidade. portanto.008785-4 aposentadoria por invalidez. IV. para julgar improcedente o pedido. Conclui-se assim.APELACAO CIVEL 2004. VI.10. nos termos do artigo 186. dar provimento à remessa necessária e ao recurso do INSS. ser declarada a nulidade da Portaria nº 158. Reis Friede Relator 7 . V. §3º. de de . que houve irregularidade no ato administrativo que concedeu a aposentadoria do Autor. deve ser observado que o Autor não está impedido a instaurar novo procedimento administrativo de concessão de aposentadoria. nos termos do voto do relator constante dos autos. Remessa Necessária e Apelação do Instituto Nacional do Seguro Social providas. da Lei nº 8. devendo.112/90.IV . uma vez que esse não fora realizado de acordo com os dispositivos legais já mencionados. ACÓRDÃO Visto e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas.