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PLANO DA VALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO

- O artigo 104 do Código Civil enumera os pressupostos legais de validade do negócio jurídico.

a) agente capaz;

b) objeto lícito, possível, determinado ou determinável;

c) forma prescrita ou não defesa em lei.

Art. 104, Código Civil.

A validade do negócio jurídico requer:

I - agente capaz; II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável; III - forma prescrita ou não defesa em lei.

Obs.:
Obs.:

A doutrina afirma que o rol do artigo 104 do Código Civil é insuficiente, lacunoso e

impreciso.

Pablo Stolze traz os seguintes pressupostos gerais de validade do negócio jurídico.

a) manifestação de vontade livre e de boa-fé;

b) agente emissor da vontade capaz e legitimado para o negócio;

c) objeto lícito, possível e determinado (ou determinável)

d) forma adequada (livre ou legalmente prevista)

MANIFESTAÇÃO DE VONTADE LIVRE E DE BOA-

- A manifestação de vontade há que ser livre e não estar impregnada de malícia.

- Vícios do negócio jurídico atingem a liberdade de manifestação da vontade ou da boa-fé. Desta forma, o ordenamento jurídico comina pena de nulidade ou anulabilidade, para os negócios jurídicos portadores destes defeitos.

- Vícios do negócio jurídico: erro, dolo, coação, lesão, simulação, estado de perigo e fraude contra credores.

- Para que se tenha uma manifestação de vontade válida, devem-se observar os seguintes princípios:

a) Princípio da autonomia privada;

Este princípio está ligado à noção de liberdade negocial. A declaração deve conter a livre manifestação da vontade humana.

b) Princípio da boa-fé

A atuação da autonomia da vontade não pode mais ser considerada irrestrita, devendo respeitar o ordenamento e seus princípios tutelares.

Art. 113, Código Civil.

Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e

os usos do lugar de sua celebração.

Trata-se da boa-fé objetiva.

Obs.:

Reserva mental

artigo 110 do Código Civil

-Art. 110, Código Civil.

A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito

a reserva mental de não querer o que manifestou,

conhecimento

.

salvo se dela o destinatário tinha

-Ocorrerá a reserva mental quando um dos declarantes oculta a sua verdadeira intenção, ou seja, quando não quer um efeito jurídico que declara querer.

- Reserva mental é a emissão de uma declaração não querida em seu conteúdo, tampouco em seu resultado, tendo por único objetivo enganar o declaratário. (Nelson Nery)

- Caso, a outra parte não saiba da reserva, o ato subsiste e produz os efeitos que o declarante não desejava.

- A reserva mental desconhecida da outra parte é irrelevante para o direito. Considera-se somente o que foi declarado.

- A reserva é na verdade o que se passa na mente do declarante e que não coincide com a manifestação feita por este.

- A reserva mental conhecida da outra parte não torna nula a declaração de vontade; esta

inexiste, e, em conseqüência, não se forma o negócio jurídico. Ou seja, configura-se ausência

de vontade e, consequentemente, de inexistência do negócio jurídico.

AGENTE EMISSOR DA VONTADE CAPAZ E LEGITIMADO PARA O NEGÓCIO

- É preciso ainda que não este circunstancialmente impedido de celebrar o ato não obstante goze de plena capacidade.

- É necessário, portanto, haver legitimidade.

- Impedimento- falta de legitimidade para a prática de um ato específico.

- Art. 105, Código Civil.

A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada

pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum.

Trata-se da hipótese de as partes serem, de um lado, pessoa capaz, e de outro, simultaneamente, um capaz e um relativamente incapaz, só este poderá anular parcialmente o ato, só a ele aproveitando a anulação, salvo se indivisível o objeto.

Representação

- A representação é a atuação jurídica em nome de outrem.

- É a forma de manifestação de vontade do representado através do representante.

- Pode nascer da lei ou do contrato.

Art.

115,

Código

Civil.

interessado.

Os

poderes

de

representação

conferem-se

por

lei

ou

pelo

- Portanto, a representação pode ser:

a) legal;

b) convencional ou voluntária;

Art. 116, Código Civil.

A manifestação de vontade pelo representante, nos limites de seus

-

poderes, produz efeitos em relação ao representado.

- O representante atua em nome do representado, vinculando-o a terceiros com quem tratar.

- O representante deve agir na conformidade dos poderes recebidos.

- Caso ultrapasse os limites ora conferidos, pode ser responsabilizado pelos atos que assim praticar.

-

em nome do representado, a sua qualidade e a extensão de seus poderes, sob pena de, não o

fazendo,

O representante é obrigado a provar às pessoas, com quem tratar

Art. 118, Código Civil.

responder pelos atos que a estes excederem

.

É anulável o negócio concluído pelo representante em conflito de

interesses com o representado, se tal fato era ou devia ser do conhecimento de quem com aquele tratou.

-

Art. 119, Código Civil.

Parágrafo único.

É de cento e oitenta dias, a contar da conclusão do negócio ou da cessação

da incapacidade, o prazo de decadência para pleitear-se a anulação prevista neste artigo.

-

Art. 117, Código Civil.

Salvo se o permitir a lei ou o representado,

é anulável o negócio

jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo

mesmo .
mesmo
.

Parágrafo único.

Para esse efeito, tem-se como celebrado pelo representante o negócio

realizado por aquele em quem os poderes houverem sido substabelecidos.

É a figura do contrato consigo mesmo ou autocontratação.

Ambas as partes se manifestam por meio do mesmo representante, configurando-se então a situação de dupla representação.

Pode ocorrer ainda que o representante seja a outra parte no negócio jurídico celebrado, exercendo neste caso dois papéis distintos: participando de sua formação como representante, atuando em nome do dono do negócio e como contratante, por si mesmo.

O que é importante destacar, portanto, dentro dos limites da proposta deste capítulo é que o

contrato consigo mesmo, enquanto manifestação de uma representação, em uma interpretação a contrario sensu do dispositivo legal, é aceitável, desde que permitida legalmente para a modalidade contratual adotada, ou omissa a norma legal, se houver manifestação de vontade do representado, única acepção possível de se interpretar a menção

a ‘permitir

o interessado’.

Obs.: É de se prever que, malgrado a omissão do novo Código, a jurisprudência continuará exigindo a ausência do conflito de interesses, como condição de admissibilidade do contrato consigo mesmo, como vem ocorrendo.

O parágrafo único do art. 117 do Código Civil refere-se a mais uma forma de contrato

consigo mesmo. Ocorrerá tal hipótese quando o próprio representante atua sozinho

declarando duas vontades, mas por meio de terceira pessoa, substabelecendo-a para futuramente celebrar negócio com o antigo representante.

Os requisitos e os efeitos da representação legal são os

estabelecidos nas normas respectivas; os da representação voluntária são os da Parte Especial deste Código.

-

Art. 120, Código Civil.

OBJETO LÍCITO, POSSÍVEL E DETERMINADO (OU DETERMINÁVEL)

O objeto do negócio jurídico há que ser:

a) lícito;

A licitude traduz a idéia de estar o objeto dentro do campo de permissibilidade normativa, o

que significa dizer não ser proibido pelo direito e pela moral.

Fixa-se uma premissa de que há uma sinonímia entre a licitude e a possibilidade jurídica do objeto.

Ex.: contrato de prestação de serviços que tenha por objeto o cometimento de um crime; um contrato de prestações de serviços sexuais; não se admite que um particular celebre uma compra e venda que tenha por objeto um bem de uso comum do povo.

b) possível (física e juridicamente);

O objeto deve respeitar as leis naturais.

É fisicamente impossível a alienação de um imóvel situado na lua.

Obs.: A referida impossibilidade só invalida o negócio se for absoluta, uma vez que, se relativa, permite, em tese a realização por terceiros, às custas do devedor. Ex.: prestação de um serviço de limpeza de tubulação, contratado junto a uma empresa especializada, se o

encanador que deveria comparecer à casa do cliente acidentar-se, não havendo sido a obrigação pactuada intuitu personae, a impossibilidade será meramente relativa.

c) determinado ou determinável.

Art. 106, Código Civil.

A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico

se for relativa, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado.

FORMA ADEQUADA (LIVRE OU LEGALMENTE PRESCRITA)

- Forma adequada = forma prescrita ou não defesa em lei.

Art. 107, Código Civil.

A validade da declaração de vontade não dependerá de forma

especial, senão quando a lei expressamente a exigir.

Observa-se que os negócios jurídicos, como regra geral, podem ser realizados de acordo com a conveniência da forma preferida pelas partes. Ou seja, a forma, em regra, é livre.

Art. 108, Código Civil.

Não dispondo a lei em contrário, a

escritura pública é essencial à

escritura pública

é essencial à

validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou

renúncia

de direitos reais sobre imóveis

de

valor superior a trinta vezes o maior salário

mínimo vigente no País

.

Forma única é aquela que, por lei, não pode ser preterida por outra.

Assim, para um negócio jurídico, que vise constituir, transferir, modificar ou renunciar direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País, exige-se que ele se efetive mediante escritura pública, sob pena de invalidade, desde que inscrita em registro competente, para dar-lhe publicidade e oponibilidade contra terceiro.

Art. 109, Código Civil.

No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem

instrumento público, este é da substância do ato.

Previsão contratual de forma especial.

É a forma convencionada pelas partes.

A emissão da vontade é dotada de poder criador, assim sendo, se houver cláusula negocial estipulando a invalidade do negócio jurídico, se ele não se fizer por meio de escritura pública, esta passará a ser de sua substância. Logo, tal declaração de vontade somente terá eficácia jurídica se o ato negocial revestir a forma prescrita contratualmente.

Assim, os contratantes podem mediante convenção determinar que o instrumento público torne-se necessário para a validade do negócio.

DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO

São os vícios que impedem que seja a vontade declarada livre e de boa-fé, prejudicando, por conseguinte, a validade do negócio jurídico.

Os defeitos dos negócios jurídicos se classificam em vícios de consentimento e vícios sociais.

Vícios de consentimento são aqueles em que a vontade não é expressada de maneira absolutamente livre. São eles:

a) Erro;

b) Dolo;

c) Coação;

d) Lesão;

e) Estado de perigo.

Vícios sociais a vontade manifestada não tem, na realidade, a intenção pura e de boa-fé que enuncia. São eles:

a) Simulação; b) Fraude contra credores.

ERRO
ERRO

É a falsa percepção da realidade. É um engano fático, uma falsa noção, em relação a uma pessoa, ao objeto do negócio ou a um direito, que acomete a vontade de uma das partes que celebrou o negócio jurídico.