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CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO Ficha de catalogação elaborada por Míriam Moema Loss

085p

CRBIlO-801

Ostrensky, Antonio Piscicultura : fundamentos e técnicas de manejo / Antonio Ostrensky, Walter Boeger. - - Guaíba :

Agropecuária, 1998. 211 p .

ISBN 85-85347-27-9

1. Piscicultura. I. Walter Boeger. 11.t.

Capa:

S. Miguel

Ilustrações:

Walter A. Boeger

CDU639.3

Projeto gráfico e editoração:

Com Texto Editoração Eletrônica

Impressão e acabamento:

Indústria Gráfica Metrópole Ltda.

Todos os direitos reservados de acordo com a legislação em vigor .

© LIVRARIA E EDITORA AGROPECUÁRIA LTDA. Rua Bento Gonçalves, 236 Fone : (051) 480-3030 Fax: (051) 480-3309 E-mail : edipectê plug-in . com.br 92500-000 - Guaíba - RS - Brasil

PISCICULTURA

Fundamentos e Técnicas de Manejo

Antonio Ostrensky Walter A. Boeger

LIVRARIA E EDITORA AGROPECUÁRIA

1998

Às nossas esposas efilhos,

Débora e Vítor,

Maria Regina e Bruno,

pela eterna paciência

e pelos finais de semana perdidos.

Os autores

ANTÔNIO OSTRENSKY

Oceanólogo, com doutorado em Zoologia pela Universidade Fe- deral do Paraná (UFPR). Área de especialização - Aqüicultura. Atualmente é Professor Adjunto do Departamento de Zootecnia da UFPR, ministrando as disciplinas de aqüicultura e de maricultura e desenvol- vendo pesquisas e orientação de alunos de pós-graduação nas áreas de quali- dade da água, sistemas de cultivo e desenvolvimento estratégico. Além disto, é consultor técnico do Ministério da Agricultura e do Abastecimento (MAA) para o Programa Nacional para o Desenvolvimento da A qüi c ultura, atuando como um dos coordenadores do Programa de Aqüi c ultura polari z ada (MANCNPq) . Atua , ainda , como especialista em aqüicultura no Projeto Novas Fronteir as da Cooperação para o De s envolvimento Sustentável (PNFC) , do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Endereço: Departamento de Zootecnia, Setor de Ciências Agrárias , UFPR. Ru a do s Funcionário s, 1540 , Juvevê, PR. CEP: 80050-040 . Fone/ Fa x : ( 041) 350-56 3 4 . E-mail: o s tren s k @ cce.ufpr.br

8 - A n to n io Os tr e n s k y eWalte r A.Boe g er

WALTER A . BOEGER

Ocean ó l ogo , fo rm a d o p e l a F und ação Uni ve r s idad e d e Rio Gr a n de, RS,

o bt eve o s t ítul os de M .Sc. e P h . D e m Zo ol o gi a, esp e c i a liz a ç ão em Pa rasitol ogia Méd ic a e Parasi t o l og i a pel a I d a h o S t a te U niv ers i t y , EUA.

É , a t ualme nt e, P rof essor Adj unto IV d o Departam e n to de Zoo l ogia do

S e t or de Ciências Bio l óg i cas, Un ive r s id a d e Fe d era l d o Paraná, onde at u a , como p r ofessor e orientado r para a lun os d e grad u ação e pós- grad u ação, e

b olsista de p r odutividade cie n tífica 2A, d o Co n selh o Nac i o n a l de Desenvol - , vime n to Cient í fico e Tecno l ógico.

Desenvolve pes qui sas e m parasi t o l og i a de p e i xes h á m ais d e 20anos,

e n foca nd o sistemá ti ca, evo lu ção , b io lo g i a e co n t r o l e d e e n fer mi da d es, q ue resu l t ar a m na pu blic a ção d e m a i s de 40 tr a b a lh o ci e ntífi cos e de divulgação

t écn i ca . A tu a, ai nd a, c omo co n s ulto r t éc ni co n a á r ea d e c on tro l e d e e n fe rm i -

d a des d e p e i xes c ul ti vad os.

En d ere ç o : De p arta m e n to d e Z oo l og i a d a UFP R , Cai xa Posta l 1 9 07 3 ,

C u r i ti b a , PR . CEP: 8 1 53 1- 990. Fo ne : ( 0 41) 366-3144 (rama l 206) . Fax: .

(041) 266 - 2042. E s mai l : w b oeger@ b io . u fpr .b r - Ho m e page: h ttp : //

zoo . bio .u f p r . b r l mo n o /m o n os.h t m l

I

NT RODUÇÃO

Sumário

11

D EF INI Ç Ã O D A S E S PÉCI E S A S E R E M C U LTI V A D A S E D O N ÍVEL D E MA N E J O Q U E

SERÁ EMPREGADO

 

15

P

R EPARAÇÃO DOS V I VE IRO S

21

FERT IL I ZAÇÃO DE VIVEI R OS

33

CON T ROL E DE MACRÓF lT AS

51

P

OVOAMEN T O

DOS VI VE I R OS

63

MANUTENÇÃO

DA QUA L I D A D E DA ÁGUA

7 5

MANE J O DE PEIXES DURAN T E O CU LTI VO

10 7

ARRAÇOAMENTO

 

119

DESPESCA

13 1

MANEJO DE PESQUE - PAG U E

139

ENFERMI DADES

 

149

A pi scicultur a

Introdução

é um a a tiv id a d e que vem c r es cen d o e m um ritmo de

a

prox i madamente 3 0 % ao a no no Br as il. Esse í ndice é muito sup e rior ao

o

btid o pel a grand e maioria d a s atividad e s rur a i s mais tradicionais ,

como a

p

e cu ár ia e a a g r icultur a, por ex emplo . A pi s cicultura e s t á crescendo as sim

p

o rque a lu cra ti vi d a de qu e p o d e a pr ese nt a r é mu i t o boa , proporcion a ndo um

r

á pi d o r e t or no d o ca pital in v e s tido p e l o produtor r ur a l.

 

No e nt a nt o , de ve m os c onsid e r a r

também que muit a s da s p essoas

que decid e m inv estir

venha a s er pr o du z ir

hoje e m piscicultura peixe s com qualid a de

n ã o t ê m a m e nor idéia do q ue e b a ixo custo.

A o co ntr á r io d a impr essã o qu e muitos "es p e cia lis t as" querem p assar,

a

pi sci c ul t ur a n ão é e n ã o p o d e s er e n ca rada co mo uma " r e c e ita d e b o lo ",

o

nd e a l g u é m rec om e nd a qu e

se c oloqu e t a nto s a l ev ino s n o v i v eiro , m a i s ou-

tro t an t o d e es t e r co e r aç ão e , ao fin a l , d e se i s m eses a um ano , é s ó re tir a r o s

p e ix es e co ntabili zar o s lu c r o s. Muitas vezes, o piscic ultor fa z e xatamente

vi v e ir os di f erent es d e s ua

n o outr o

re ce i t a d e b o lo , os r esult a d os

o r esul tado é um c omple to f r acasso . Or a , se a pi sc i c ultur a f osse um a

a mesma coisa e m dois

pr o prie dad e e e m um d e l e s tud o d á c e rto, e nqu a nto

obtid os d ev eria m se r p e l o

meno s p arecido s

ca d a v e z qu e se a pli cass em as m es mas t éc ni c a s e m difer e nt es v i ve iro s . Nor -

m a lm e nt e, não s ã o .

A p iscicultur a aind a é desenvolvida no Brasil, principalmente,

por

p e queno s p rodutor es rurai s . G r a nde p a rte de ss e s pr o dutor es a inda a e n c aram.

co m o um a form a d e c o mpl e m e ntaçã o d e s u a r e nd a . Rara m e nte, a p roduç ão .

12 -Antonio

Ostrensky e Walter A. Boeger

Ocor r e que, mesmo sendo fundamentalment e derivad a de pequenas

. propriedades, a produção de peix es vem aumentando consideravelmente ano a ano. Para produzir, o piscicultor precisa de alevinos, de produtos quí- micos, de rações . Precis a ainda de compradores para os seus peixes , de assistência técnica , de f inanciamentos para aumentar a sua produção. Com isso, está se c r iando e fortalecendo toda a cadeia de s erviços e p ro dutos destinados ou de r ivados da piscicul t ur a .

S e , por um lado , e s se cre s cimento

vem sendo comemorado

p e los

produtores, p or outr o , ele v a i lentamente fazendo com que a ativ i dade tenha que se enqu a drar nas leis de mercado , on d e oferta e procura determin a m O ·

p r eço; onde a redução dos custos pass a a se r a chave para vencer a com-

pet i ção pelo s lucros; onde o amadorismo perde rapidamente e spaço pa r a o

p ro fissionali s mo . Atualmente, conseguir produzi r peixes não significa obrigato riamen- te ganhar dinhei ro fácil. Como aconteceu em vários locais do mundo onde a

p i scicultura d esenvolveu-se, os preços pagos p e lo mercado ao piscicultor

vê m ca i ndo r apidamente ano a ano , ad a ptando-se à realidade dess e merca-

d o. Há quase um consenso que a carne de peixe deverá brigar por me rcado competindo c om a carn e de frango, que é ainda muito mais barata .

P ara poder pensar em desenvolve r um mod e lo de p i scic u l tura co-

mercia l, o pi s cicultor tem, a grosso modo , duas opções: I) procur a se t omar um empresário rural , preocupando-se muito mais com as questões comer-

ciais de sua piscicultu r a e contratando um profissional para responder p ela parte técnica; 2) t e nta conciliar tanto o s aspectos c omerci a is qu a nto técni- cos de sua piscicultura.

I nfelizmente, a maioria dos produtores brasileiros ainda não tem con-

d i ções fi nanceiras para optar pela primei r a alternativa. Ass i m , o produtor

p r ecisa conhecer noções básic as sobre o s mais div e rsos fatores envolvidos no seu sistem a produtivo.

O que se pretende mostrar nesse livro são alguns dos pri nc i pais as- pe ct os técni c o s envolvidos na produção de peix e s em cativeiro. Espe r a-se poder desm is ti f icar a idéia da r eceita de bolo e mostrar que o sucesso na produção de peixes surge , na verdade , de uma combinação de conhe c imen-

t o s teóricos e práticos, d a aplicação corret a d e técnicas e de uma imensa

PI SC ICULTURA

- FUNDAMENTOS

investimento

-Financiamento

-Peixe

-Fertilizantes

-Ração

E TÉCNICAS DE MANEJO

-

13

-Indústria

-Pesque-pague

-Comércio

Figur a 1. Compone n tes básicos de uma pisc i c ul t u ra comercia l.

Definição das espécies a serem cu l t iv adas e do nível de mane j o que será empregado

IN T RODUÇ Ã O

Muit as v eze s, o pi sc i c ulto r pod e ach a r que a e sco lha d a (s) e s pécie( s )

qu e v a i c ultiv a r é o men or de s eu s proble m as .

dura s penas, que errou n a escolha e e ss e p assa a s er o s eu ma ior problema .

Tempo s depois , de s cobre ,

a

A piscicultura, excetuando-se aquela desenvolv i da p a ra o c onsumo

pr ó prio ou par a lazer da f a mília no s fin a is de s eman a , é uma ati v idade comer-

ci a l e como tal d e ve ser en c arada e tr a balh a d a . A es pécie que o produtor va i

engo r dar s erá , ao final do cultivo , o seu produto de come r cialização. De nada adianta chega r a o fina l do cultiv o com vária s toneladas de um peixe que não

s

e enqu a dra n as car a cterí s tic a s e x igid as pelo merc a do. Outro a s pect o a ser con s ider a do é o nív el d e manejo que será e mpre-

g

ad o na produção do s peixes . E ss a também é uma decisã o que deve s er toma -

d

a a nte s d e in ic iar qualqu e r cultivo e é a p a rtir d e l a qu e o produ to r dev e r á

pl

a nejar o qu a nto ir á in ves tir e o qu a nt o pr e t e nd e produ z ir de peix es e m s u a

propried a de.

CRITÉRIOS UTILIZADOS PAR A DEFINIR QUAIS ES P ÉC I ES SERÃO PRODUZIDAS

Critérios mercadológicos

• E x i s t ê n c ia de mercado para a e s p é cie que se quer produzir.

16 - A ntonio O s tren s k y e W a lter A .Bo e ger

Conhecimento das c ar ac t erísticas exigidas pelo mercado ( tam a nho mínimo , uniformidade do lote, s abor , etc . ) .

C

r i té rios econômicos

Preço a ser obtido pelo produto.

Cu

s tos de construção e adequação do s vi v eiros para culti v o de s sa

 

es pécie.

Es

timativa do cu s to de produç ã o de c a d a quilo de peixe .

Tempo previsto para o retorno do capital investido.

Critérios biológicos

F a cilid a de de r e produçã o e de cultivo (o ide a l é que o c i c Io devid a

d a espécie poss a ser t odo controlado em cativeiro) . Grande resi s tência a enfermidades (rusticidade) .

• Boa taxa de s obrevivência em cativeiro.

R

á pido cre s cimento.

• a nos que a espécie a ser cultivada poderia provocar se chegas s e

D

a o ambiente natur a l.

• Exigências nutricionais (muitas vezes, acaba-se optando por espé -

ci es que aceitam bem dieta s mai s simples e bar a tas).

Conhecimento sobre re s postas que a espécie apresenta frente às

v a ri a çõe s ambient a is.

Exist ê nc i a de condições ambientais adequadas para a espéci e que s e quer produzir na propriedade

Clim a adequ a do.

S

o lo a dequado .

Á

g u a d e bo a qu a lidade e n a qu a ntid a de n e ce ssári a.

I nfra - estrutura para produção , e s coamento e comercialização

Fa c ilidade na compra de insumos básico s par a a produç ã o (rações,

pr

o duto s quími c o s e al ev inos ).

In

f ra-estrutura básica (luz elétrica, telefone) .

Vi a s de e s co a mento: f a cilidade e cu s to de transporte de insumos e

P

I SC I CU L TU RA

• . FUN DAME N T O S ·

E T ÉCN I CAS

D E MA N EJO

-

17

Como se pode perceber, há muitos fatores que devem ser levados em consi de ra ç ão no momento de escolher qual será a espécie ou espécies a serem cultivadas. No entanto, todos os critérios apresentados anteriormente deve- rão ser avaliados antes de investir na produção de peixes. A tomada de deci- sões correta será importante para que o produtor consiga aproveitar melhor o capital a ser investido, reduzir os custos de operação e ser mais competiti vo em um mercado cada vez mais exigente quanto à qualidade e preço dos pro- dutos.

Na TabelaZ, são apresentadas algumas características ou requerimen- tos importantes das principais espécies produzidas, atualmente, na piscicul- tura brasileira. Esses dados podem auxiliar o produtor na tomada de suas decisões.

RELAÇÃO ENTRE O GRAU DE MANEJO APLICADO E A PRODUÇÃO DE PEIXES

Há vários tipos e níveis de manejo de viveiros que podem ser aplica-

dos em piscicultura. Quanto maior for o nível de manejo aplicado,

o número de peixes que poderá ser povoado por metro quadrado e, portanto, maior a possibilidade de aumento da produção, da produtividade e da receita do produtor.

No entanto, como milagres não costumam ocorrer na piscicultura, ao intensificar o seu sistema de produção, o piscicultor passa, cada vez mais, a depender do uso de rações de boa qualidade. Além disso, haverá uma maior necessidade de renovar a água utilizada nos viveiros e até mesmo de promo- ver a aeração da água. Isso por que, quanto maior o nível de intensificação, maior será o risco de perder toda a produção da noite para o dia.

maior será

Na Tabela

I, é apresentado o potencial de produção da tilápia e do

catfish americano em seis diferentes níveis de manejo. Observando os núme-

ros apresentados, fica claro que há diferentes opções de manejo e de investi-

mento à disposição do piscicultor, que deverá escolher segundo sões e possibilidades.

suas preten-

18 -Antonio

Nível de manejo

Ostrensky e Walter A. Boeger

Produção t otal (kg/sa fr a)

Tilápia

Cat fis h ameri cano

 

1.

Cultivo ond e o úni c o t ra balh o

é f a zer o p o voam e nt o

 

200- 50 0

50-1 00

(p

e i xa ment o )

2 . P ovoamento

segu i do

de aplicação

pe ri ódica

de

f

er ti liz ant es

( qu í m i c os , o r gã n icos

o u a m bos) ,

sem

1 . 0 00-3 . 00 0

 

20 0 -300

f

o r nec im en t o

de ra ções

3. Povoam en t o.

a pli cação

de f e rtiliz a n tes e a rra ço am e nt o

3.

00 0- 4 .0 00

1 . 500 -2 . 500

pa r a co mp le m ent aç ão

d a a li me n tação

dos p e i xes

4 . P o v o a me nt o co m e r c iai s

e a lim e n tação

exc l us i va

à base d e r ações

4. 0 00 - 6 . 00 0

 

3. 00 0 - 4 . 50 0

 

5.

P o v o am e nt o ,

arr açoa m e nt o ,

ae ração

e tr o cas

6 . 000- 8 . 000

4.000- 5 . 000

p

erió di c as

d e á gu a

 

6 . P o v oa m en t o , arr açoa m e n to , de á gua

a e r ação

e tr oc a s contínuas

15 . 000 - 3 0 . 000

1

2 .000-15. 00 0

Tab e la 1. Pr od utividade qu e p o de s er a l ca n ç ada e m dif e r e nt es níve i s de m a n e j o n os c ultivos d e til á pi a e d e ca tfisl i a m e ric an o .

TabeÚ12. Algumas características biológicas, de manejo e mercadológicas das principais espécies de peixes cultivadas no Brasil.

 

T ll á pl a

   

P l a uçu .

p la u

o u

n o ,

 

C a rp a c a b e ç a g r a n de

 

P a cu

plal v e rd ad e ir o

C urlm a t â, ou c ur t m b a t á

B ag r . af r ica o u e la r i as

C a rp a c omum

C a rp a c ap im

 

T a m b ac u ( a )

 
 

( O r e ochr om / . . p . )

 

( P l t J nJc t u s

( Le p orlno s s p . J

( P r oc h l lodu s . p . )

( C /a r i a s g a r Je p l nu !J)

( C yprln u.

( C t enoph a r y n - g o d o n lde l/ a )

(A r l stlc h thy . n o b / l lS l)

m •• o p o t lt m lcu s )

Cl! J r p lo)

H ' b lt o a llm e" -

 

f itop l anc l Ô fag o

n ão e xiste n a

     

he r bÍ\ . O ro

 

~

l ar n a n a tu reza

 

om n No r o

omn • ••o• •r o

 

n a t ureza

omnivo r o

 

i l i 6 lag o

o mni ' v oro

o mn Í \ . O ro , p l an c t ó fa go e be n l ó fa go

   

pla n ctófago

V

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H á bito a l l m e n -

 

ração a xtruse d a

ração eX 'l ru s a da

r a çã o extru s ada

r a ção ex t r u sa d a

 

r a ç ão ext r usa d a

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a r e m cultiv

o

bal a ncead a .

p l ã n c t o n

balanceada

ba . la n c eada

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a l an c eada

a l g as do f und o

ba l anceada

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b a l a n c eada , cap im

 

p l ã n clon

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2 a 5'% d o p eso

2 a 6 %

do p e s o v i vo

2 a 5 °1 . d o peso

2 a 5° / . d o pe so

2 a 5 ° /. d o p e s o

1 a 4 %

ao pe so

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T a x a s d i á ri a . a rra ç o . m e nto

 

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N ã o S$ aplica .,

 

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1 , 2: 1

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1 , 5 : 1 ·2 : 1

 

não se a p l i c a

 

1 , 5 : 1

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não s e a p l ica

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Z

Limit

e.

d e t e m-

 

O

p

era tur a

 

18.30 fl C

2 0 a 30· C

 

2 8 . 3 0 fl C

1 8 .30 f l C

 

2 0 . 3 0 · C

 

18 . 30 1 l C

1 6 . 2B il C

 

1 6 a 2 8 f1 C

 

16 a 2S f l C

>

3:

 

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pH I d e al d a

 

6a8

 

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x i gê n i o

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olvido ( v a lor

 

0 , 8 mg / l

1 . 5 mg / l

 

1 . 5 m g / 1

2 m""

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O mg l 1

1 . 5 mg / 1

 

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l n l mo )

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Tr a n apa r 6 nc d a á g u a

 

2S a 4 S em

2 5 a

45 e m

25 a 4 5 e m

25a 4 5 e m

25

a 4 S e m

15 e m

5 a 3 0 e m

 

25 a 4 S em

2 5 a4 5cm

Z

 

e;

 

m o n o c L l l i \ lO .

 

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Sl a t . m a d. cu lU v o

 

m onocut t i \l O ou p o l i c ut ti w

m o nocl t i wou p o li cult ivo

m o noc L . t l iv

o ou

p oli cu lt iV 'O

mo n oc u t t r v o e

 

p o l i cut t ivo

 

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po li cu f tjwa

V>

 

m onoculti v o

p ol i cu l t iv o

 

c

o ns órc io

p ol icu l t i v o

c on s ó r cio

e

i

co ns ó rc

o

cons ó rcio

O

'"

O

enak t a da da

 

0 , 5 a 2

( pe i x es l m 2 )

 

0 , 5 a 2

 

0 , 5 a 1 ( pe i x e s l n r)

1 p e i xe p a r a c ada 2 0 a 5 0 m 2

1 p e ixe pa r a cad a 20 a 50 m 2

3:

> Z '"
>
Z
'"

cu l t i vo

 

,

a 5 ( pe i xes / m a )

( pe ix e s l m 2)

1 a 2 ( p e i xe s / m " ' )

1 pe i x e para cada 2 0 a 5 0 m 2

1 a 4 ( pe i xes l m 2)

     

T

cul t i v o

e m p o

de

 

6 a 12 me s es

8

a 1 4 m e ses

8a

14 me s e s

1 2 a 1 4 me s e s

1 2 m e s e s

8 a 1 2 me s e s

12 m es e s

 

1 2 m e s e s

 

12 me s e s

O

P

ea o d e ve nd a

 

0 , 3 a 0, 6 kg

1 a 2 k g

1 a 2 kg

0 , 8 a 1 , 5 k g

1 a 1 , 5 k g

 

t - 1 , 5 k g

1 a 3 k g

2 a 5 kg

3 a 8 kg

P

• • o m á x i mo

5 kg

1 8 kg

2 7 k g

8 k g

13 kg

1 5 kg

25 kg

2 0 k g

 

25 kg

 

~

 

pe s ca esp o r t i v a .

 

Me r c ado pr i n c ip a l

 

consumo i n n alum

e i n dus tr i a b a ç ã o

p es c a e sp o rt i v a

p esca e spo r t iv a

pe sc a e sp or t i v a

pe s ca e spo r t i va

pe sc a esp o r t i va e i ndu st rial i zaç ão

p e s ca e s p o r t i va e co n sumo in re uee

pe s c a es p o r t i v a

pe s c a espo r t i va

~

• H íb r id o . r u ul l C l nt t d o c rl l z am e n t o •• H áb it os aíimmn u e s : [it o pl ü n c u i fn g o :

d o p o c u , ' 01 1 1 o u n nb oqui .

p

e i xr

q l l i ' s e a l i m e nt a

de fi t o p l ân c t on :

zuo p í o n ctó fo g o :

pÚ x t

q u e s e a l i me nt a

d e zo op l à n cto n :

om n í vo ro : p e i xe qu e a ce ita di ver s os

tip os d e

a

li m e nt os :

i Ji ó jag o : pe i x e q u e i n g e r e ( I l a //l ( l

d o fundo

pa r a se a lim e n tar

d e peq ue n os

a n imu i s .

al g a s e b o c t ér i u s

q u e e xis t em

n ele : bentófugo:

pe ixe s

qu e s e al i m e ntam

d os animai s

qu e

e

x i s t e m n o fu n do .

sem p r e c i s a r

in gerir ( / te rra 0 1 1 I l Il1 I ( /:

h r r bi v o r o :

p e ix e qu e se a lim e nta

d e v e g e t a i s,

 

•••

Es s e s e spé c i e s

sã o n ormalmi ' nt t

c ulti v ados

e m s i ste m a

d e p o li c u lti vo

e us a m bem ( ) aliment o

na t u ra l pres ente

n o v i ve iro.

Pr e p a r a çã o dos viveiros 1

ETAPAS D A PREPARAÇÃO DOS VIVEIROS

Antes de inicia r um c ulti vo, o s viv e i ros d a pro p ri eda d e d ev e rão ser ade qu a d a m ente pre p ara do s p a r a po d e rem rece b er os p eixes. A p r ep a r ação dos vive ir os e n vo l ve u ma série d e pro c edime nt os q ue

d evem ser ob s ervados p ara q u e se co n s i ga ati n g i r os n í veis es p e r a d os de produt i vidade . Es s es proced i me n tos e n vo l vem basic a mente:

• Esva z ia m e nt o e secagem d o s viveiros.

• Desinfecção.

• Apl i cação d e ca l cár i o .

• Oxidação d a ma t é r ia orgâ n i c a .

• Fertilização.

Esse s p r oced im e nt os serão to d os a b or d ados no presente capít ul o , com

exce ç ão d a f erti l ização d os viveiros q ue , d ev i do a s ua co m p l exidade e impor-

t â n c ia será a bordada em u m c a pí t u l o i so l a d o.

I E m m uita s re giões d o Bra s il , u sa - se o t e rmo "v iv e ir o " , e m o utr as "t a nqu es" . Pa ra evi t ar co n f usões, v i ve ir o s são co n s id e r ados, n es t e li vro, t o d os os a mbi e n tes escava d o s n a te rr a e

d e s ti n ados aos c u ltivo s d e p e i xe s. ta nqu es: s ã o to d o s os a m b i e nt es cons truíd os com o u tro ma t e ria l q ue não.a terra (plás t ico, f i bra d e v idr o , con c r eto, ci m e nt o, etc.) .

22 -Antonio

Ostrensky e Walter A. Boeger

ES VA Z I A M ENTO E SEC A GE M

Q u ando

s e te rmin a um cu l tivo , o vive iro deve s e r compl e tamen t e

e s vaziado e seco ao s o l. Ao s ec a r , o s o l o r ac h a, per mitindo qu e o oxig ê nio

do a r penetre a t é camadas m a i s pro f u nda s . Iss o é extremamente i mportan-

t e p a ra o x i dar e minera li zar o exce ss o

n o f un d o , após te rm i n a d o

m

zendo co m que t o d os o s n ut r i e nt es q ue e l a co nt ém seja m lib erados. Esses

nu t r ie nt es pode r ão mais t a rd e ser aprove ita d os pe l o fi t o pl â n c t o n , co m o será

fa-

de ma t éria orgân i ca qu e s emp r e fi ca

me lh or , a

u m c ulti vo . Pa r a qu e se compree n da

i n e r a l ização

é um p rocesso

on d e a matér i a orgâ ni ca é d ecomposta,

di scut i do no cap ítul o sobre f e r t ili zação de v i ve iro s .

A

l ém d i sso , a e xpo s i ção ao so l pe r m ite a ox igena çã o

d o pró p r i o so l o,

dimi n uin do

àq u e la s áreas ma i s esc ur a s e co m f orte ch e iro

d e e n xofre, qu e

ca r acter i zam as z on as ond e pr e d o m i n a m proce s s o s a n aeró bi cos d e de -

composi ção (processos e m qu e a d eco m pos i ção d a m a t ér i a orgâ n ica é feit a

sem a prese n ç a de ox i gê ni o,

p a r a o s peixe s, como o ác id o s ulfíd r i co , por exe m p l o).

dos

ovo s de pe i xe s e de o utr o s p r edador es do s pe i xe s c ulti va d os , q u e pod e m até

sobreviver no so l o úm id o, m as nunc a n o so l o com pl etamen t e

o q u e l eva à pro du çã o d e co m posto s

p

tóxico s

A s ecagem d o v i ve i ro também é i m p o rta nt e

ara a e lim inação

s eco .

, , "

I J

~ )-

/"{

/

, -

/ 1 \ .

Fi g ura 2. P r ocesso de sec a ge m do v ivei r o p ara oxi ge nação d o so l o e oxida ç ão do e xce sso d e m a t éria .

P

I SC I CUL T U R A ·

FUNDAMENTOS

E TÉCN I CAS

DE MANEJO

-

23

para o viveiro ficar exposto ao

sol.

que completamente,

de sol. Nesse caso, um critério que pode ser utilizado para definir esse

tempo é o de se poder caminhar por todo o viveiro sem afundar o pé na lama. Quando isso ocorrer, o solo terá secado o suficiente.

Não existe um tempo pré-definido

Se o objetivo for esterilizar o viveiro, é importante que o fundo se-

o que ocorre, geralmente,

depois cinco a sete dias

o PROCEDIMENTO DE SECAR COMPLETAMENTE O VIVEIRO DEVE SER SEMPRE UTILIZADO?

Não. Há situações em que isso não deve ser feito. A mais crítica delas

é quando o viveiro possuir solo sulfuroso ácido. O solo sulfuroso apresenta

pH abaixo de quatro, concentrações de enxofre maiores que 0,75% e quando exposto ao sol, acabam se formando manchas avermelhadas no fundo. Essas manchas são resultantes da formação de hidróxido de ferro (Fe 2 (OH)) e, freqüentemente, estão associadas à formação de ácido sulfúrico no fundo. A

reação para formação desse ácido é a seguinte:

Uma forma rápida de saber se o solo é sulfuroso ou não é pegar uma pequena amostra e adicionar um pouco de água oxigenada a ela. Se imediata- mente se formarem grandes quantidades de bolhas de gás, há grande probabi- lidade desse solo ser sulfuroso. Expor esse tipo de solo sulfuroso ao ar irá produzir ácido sulfúrico no fundo, reduzindo ainda mais o seu pH, que poderá chegar a quase três. Como

é a reação com o oxigênio do ar que promove essas reações químicas, esse

tipo

de solo não poderá ser seco e exposto ao ar.

O QUE FAZER QUANDO O SOLO DO VIVEIRO FOR EXCESSIVAMENTE SULFUROSO?

Nesse caso, o produtor

deve esvaziá-Io

após a despesca,

mas

não

permitir que osolo

fique exposto ao ar por muito

colocar uma pequena quantidade

tempo. O ideal é para cobrir o

de água, o suficiente

24 -Antonio Ostrensky eWalter A.Boeger

fundo. Depois, deve aplicar ca1cário nas quantidades

Tabela 3. Após realizar esse procedimento,

mente fertilizado para promover o crescimento do fitoplâncton.

estipuladas

na

o viveiro poderá ser normal-

DESINFECÇÃO

Muitas vezes, o produtor precisará desinfetar os viveiros entre dois ciclos

de produção para evitar que resíduos tóxicos ou que organismos ou microorganismos indesejáveis venham a prejudicar o andamento do cultivo que será iniciado. Uma desinfecção cuidadosa pode permitir ainda a oxidação da matéria

orgânica acumulada e aumentar a fertilidade do solo dos viveiros. O sol é a melhore mais barata forma de desinfetar o viveiro.

porém, pode ser muito difícil secar completamente o fundo ou as laterais do

viveiro. Isso pode ocorrer tanto em épocas de muita chuva, como também em função das falhas no sistema de drenagem do viveiro. Nesse caso, pode ser necessária a desinfecção química. Há dois tipos de aplicações químicas mais utilizadas:

As vezes,

1) Uso de cal virgem (CaO) ou cal hidratada (Ca (OH)) Em contato com a água, a cal virgem libera calor, alémde. aumentar muito e rapidamente o pH da água e do solo, matando todos os organismos aquáticos que estiverem presentes no ambiente. Já a cal hidratada mata ex- clusivamente pelo aumento de pH, pois não eleva a temperatura da água. A

quantidade recomendada para eliminação de todos os organismos é de duas tone l adas/ha.

indesejados

2) Em áreas com solos muito anaeróbicos - onde existem

manchas de

lama mais escuras e com cheiro de ovo podre (enxofre) - pode ser necessário

utilizar um produto mais forte para oxidar a matéria orgânica. O hipoclorito

de sódio (água sanitária), ou uma solução

alguns desses produtos. O procedimento é o seguinte:

de cloro de piscina, podem ser

colocar a solução concentrada

g de cloro

herbicidas ou em um balde plástico;

de cloro (100 ppm, ou seja, 0,1

de

por litro de água)

em um aplicador

manual

PI SCI C ULTURA

- FUNDAMENTOS

E TÉC N I C A S

DE M A N EJO

-

25

• apli c ar cerca de um litro/rn? nas á reas afetadas;

• rev ir ar o solo (com uma enxada ou enxadão, por exemplo) ;

• aplic a r novamente a solução com cloro (este procedimento poderá ter que ser repetido du a s ou três vezes). A aplicação te r á sido bem feita e não precisará mais ser . repetida quando o ch e iro de enxofr e tiver s umido completa mente;

• dei xa r o f undo do viveiro exposto ao sol por mai s doi s ou trê s di as par a que todo o cloro e v a pore e n ã o c oloque em r i s co a saúd e do s pei xes qu e se rão c ulti va do s.

APLICAÇÃO DE CALCÁ RIO

A aplicação de um ma terial calcário (que pode e star n a f orma de car- bonat o, óxido o u hidróxido) , vai neutralizar a a c idez do solo ou da á gu a . Ger a lmente , o produto a ser utilizado é o c a lc á rio calcítico (C a CO), dolomítico (CaMg(C0 3 \) , c a l v i rgem (CaO) ou cal hidrat a d a (Ca(OH)2) ' Esse é um p r o c esso muito importante de correção . dosolo de um vive i -

r o. Mas, vale r es saltar que a aplicação de calcá r io não é fertilização. A apli- cação de calcário é feita para : a ) permitir ou m e lhorar a sobrevivência do s

pei xes cu l t i v a d os ; b) p e rmitir a reprodução ou crescimento dos peixes; c ) d a r

c ondi ç õe s para que o s demai s procedim e nto s d e m a nejo po ssa m ter s uc esso , pr i n c ip a lment e , a f e r t ilização do s v i v eiro s .

POR Q U E DEVE SER FEITA A APLICAÇÃO DE CALC Á RIO NOS VIVEIROS?

Uma a tenção especial deve sempre ser dada ao s olo dos vivei r os , porqu e o s ol o interage diretamente com água . Qualquer tratamento re-

a liz ad o no solo, t e r á refle x o s na qualidade da água do s viveiro s. D a

26 - A ntonio Ostrensky eWalter A . B oe ger

me s ma forma, a má qualidade

da á gua . Assim ,

a aplicação

do solo poderá levar a uma má qualidade

de calcário é importante

para:

J) Elevar o valor do pH do solo

E m viv e iros com solo excessivamente ácido, há uma tendência que a

água t a mbém seja ácida , que seja difíci I promover o aumento do fitop l âncton

e que os peixes tenham problemas para crescer. Nesse caso, é importante

fazer a aplicação de calcário no fundo , antes de encher o vi veiro com a água

q

u e será utiliz a da no próximo cultivo.

 

2) Diminuir a ret e nção de fósforo no fund o dos vive i ros

Grande parte do fósforo que s erá jogado

na água para promover

o

c r escimen t o

do fitoplâncton

poderá,

cos, fic a r r etido no s olo . A aplicação

por uma sé r ie de fatores quími- de calc á rio aumenta o p H , fazendo

com qu e me n os fósforo fique retido no solo e aumentando nibilida de para o f itopl â ncton .

a sua dispo-

3 ) Aumentar a quantidade d e gás

carb õ n ic o para a fotossint ese

O cal c ário ou a cal adicionados ao solo v ão re a gir com a água e produ-

zi r gás carbônic o. O fitoplâ ncton precisa desse gá s c a rbônico para r ealizar a

fotossíntese, c omo pode s er vi s to na reação abaix o, que mostra o que acont e - ce c om o fitopl â ncton durante a fotossíntese:

A f ot o ssíntese

é muito importante para a piscicultura ,

pois é a tra-

vés del a é qu e o fitoplâncton

o

produz e libera n a água grande parte do

dos peixes.

x igênio

que s er á usado na respiração

CONSOME

FI TOP LÂNCf O N

PRODUZ

luz + nutrientes

6Co , (g á s carbônico) + 6 H,O (água))------ I~. \ C.H I2 O. (g1icose) + 6 o, (oxigênio)

P

I SCICULTURA

- FUNDAMENTOS

E TÉCNICAS DE MANEJO

-

27

4) Par a diminuir ri al e m s usp e nsão.

a t u r b id e: da água e a q uantidad e d e mat e -

5) Aum e ntar a a l c a l inidad e

da água .

COMO SABER SE É OU NÃO NECESS Á RIO F A ZER APLICAÇÃO DE CALCÁ RIO NO VIVEIRO?

A me lh or for m a do pr od u tor s abe r s e precisa o u n ão fazer a a p l ica ção

d e ca l c ário n o s v i ve i ros é m a n da n do fazer an á l ises do s ol o e da ág u a q u e ser á

ut i l iza d a nos c u lti vos. Os p a r â m e t ros que p r ec i sa ria m

p

s u f i c i e n te . E ssa a n á li s e b á si ca é a m es m a qu e é r e ali z ada e m

As a mostr a s de so l o a ser e m a n a lisa d a s devem pr e f e rencialme nt e se r colet a das

com o viveiro vaz i o, a nt es de se co m eçar um novo c ulti vo.

ser a n a lis ados

são o

H e a a l ca l i nid a d e

d a ág u a . Já no

caso d o so lo , um a a n á lise b ás i c a é o

so l os agríco l as .

Ev id e n t e m e n te , t a i s a n á lises tê m u m c u s t o f i n a n ce iro , m a s é ind i s pe n-

sáv e l q ue o prod ut o r co nh eça qu a l é a qu a lida d e d e se u solo e da s u a ág u a .

Conhecer t a i s c a r ac t erís ti cas po d e s i g n ifi car , a o l o n go d os c ul ti vo s, u ma gr a n de economi a de i n s um os e d e dinh e i ro .

O ide a l é fazer t a i s an á l i s e s m e smo a n tes d e co m eçar a in ve s tir n a

co n s tr u ção d os viveiros , pois s e a ág u a e o s o l o n ão fore m

c ul tu r a, o produt o r e vitará se d e dica r a um neg ó cio qu e ta l v ez jama i s

o re to r no do capital in vest i do .

a d eq u ados à pi s ci-

p e rmita

A ap l ic a ção d e ca l c á r io d e v e r á s er fe i ta qu ando:

a

a l c a linid a d e d a ág u a do s v i v e i ro s for in feri or a 2 0 m g /I d e C a CO ,;

o

pH do so l o f o r i nf er i or a 6 , 0 - 6 , 5 ;

m esmo reali zando fer tilizaçõ es pe rió di cas d os v i ve i ro s , não s e con - segu ir obt e r uma res p os t a ade qu ada e m t e rmo s d e a um e nt o da quan -

ti dade de fitoplâncton n os viv e i ros;

qua ndo o so lo fo r muit o r i co e m a lumínio .

28-AntonioOstrensky

eWalter A.Boeger

QUAL É O PRODUTO MAIS INDICADO PARA FAZER A CORREÇÃO DO SOLO?

O prod u to ma i s in d i ca d o é o c al cár i o. Ca l v i rgem o u h idr at ad a provo -

cam u m grande aumento d o pH e, no caso da ca l v i rge m , t a m b ém da t empera - tura, p rovoca n do a mor t e de microo r ga ni smos q u e são necessários para pro - mover a mineralização do excesso de matéria orgânica do so l o. Além disso,

e ss es produtos são mais caros que o ca l cário e mais perigosos de serem ma -

nu s ea d os . Cal virgem e hidr a tada são produtos mais recomendados para a desinfecção do solo, mas não para a correção do solo .

QUANDO SE DEVE FAZER A APLICAÇÃO DE CALCÁRIO?

O i d ea l é fazer a apl i cação d e ca l cário duas o u três sema n as antes de

fe r ti l izar os viveiros, po i s em u m pr i meiro mome n to, o ca l cário irá reduzir as

qua n ti d ades de fósfo r o e d e CO 2 d i spon í ve i s. Depois d e a l g u ns dias reagindo com a ág u a, ele faz aumentar novamente essas concentrações.

Se quiser sa b er se a ap l icação de ca l cário real izada atingi u ou não os

resultados esperados, o prod u tor pode analisar a a l ca l ini d ade da água dos viveiros d u a s semanas após o enc h imento . Caso a a l calinida d e fique abaixo de 20 mg ll d e CaC0 3 , pode - se aplicar m a i s 500 - 1. 00 0kg / ha de calcário .

QUANTO SE DEVE APLICAR DE CALCÁRIO ' PARA FAZER A CORREÇÃO DO p H DO SOLO?

A correção deverá ser feita de acordo com o tipo de solo que existe no

viveiro . A Tabela 3 mostra como é importante conhecer tanto o valor do pH como o tipo do so l o, para realizar corretamente a ap l icação de calcário .

COMO FAZER A APLICAÇÃO DE CALCÁRIO?

O ideal é fazer a ap l icaçã o com os v i veiros vaz i os. Calcul a - se a

q u an ti dade de materia l que será ut i li zado e espa l ha-se por toda a super - fície do viveiro. Caso seja possível fazer a i n corporação do materia l

PISCICULTURA- FUNDAMENTOS E TÉCNICAS DE MANEJO -

29

 

kg de CaCO/ha

p H do so l o

Argiloso

Argilo-arenoso

A r enoso

 

<4

14 . 320

4,0

- 4 , 5

10 . 780

4,6

- 5,0

8.950

5,1

- 5,5

5.370

5,6

- 6 , 0

3.580

6,1 - 6,5

1 . 790

> 6,5

O

7 . 160

4.475

5.370

4.475

4.470

3.580

3 . 580

1.790

1.790

896

1.790

O

O

O

Tabela 3. Quantidade de calcá rio que deverá aplicada para correção do solo.

ser

calcário no solo (com arado, enxada ou qualquer outro método), os re- sultados serão, provavelmente, ainda melhores.

Figura 3 . Colocação de calcário no viveiro .

30 -A n t on i o O st r en s ky ~ W alter A.B oe g er

OXIDAÇÃO DA MATÉRIA ORGÂNICA

que merece uma orgân i ca est á n a -

ate n ção especial durante o prep a ro dos viveiros. A matér i a

tur a lm e nte pres e nte e m alguns tipo s d e solo , mas é comum que haja um acúmulo a ind a m ai or no fundo em fun ç ão dos e xcessos de alimento ou de restos de ad u bo s org â nicos (esterco) utili z ados no cultivo anterio r .

A o x id a ção da maté r i a org â nica é um outro p onto

S e nã o for controlado , o ex cesso de matéria o r gân i ca pro v oc a rá uma

à p rodu-

ção de g ases e substâncias tóxic as, que irão prejudic ar o s cultiv o s que vier e m a ser rea liza d os.

d i minu i ção d as concentra ç õ e s de oxigênio dis solv i do e poderá le v ar

Além das t é cnicas já descritas (secagem do viveiro e expo s ição ao sol ,

de o xi dantes químico s c o mo a água s an i tária e a cal), uma té c n i ca

muito e fic i e n te e barata é a aplicaç ão de fertilizante s químicos que c onte-

n ha m nit r og ê ni o (uréia, por exemplo) . E s s e f ertilizante nitrogen a do deverá ser esp a lhado pelo fundo do viv e iro, de preferência jun t o com o calc ário .

O fundamento d es sa técnica é simples . A decomposi ç ão da mat é ria

o u uso

org â nica ser á feita pelas bactérias presentes n o solo. Es sas bactér ias são cons- tituídas, p rincipalmente , por carbono e nitrogênio e a matéria orgânica que

fi ca no fund o é quas e s e mpre rica em carbono e pobre em nitrogênio. A ssim,

a o adicionar nitrog ê nio no solo o que se está fazendo é "fort a l e ce r" a s bacté-

r i a s par a que façam me l hor o seu trabalho . A neces s idade de aplicação con- junta de nitrog ê nio e de calcário se deve ao fato das bactérias pre f erirem um

p H pró x imo ao neutro (7 , 0) .

Q UA N TO COLOCAR D E N I TROG Ê NI O NO S O LO P ARA

A C ELE RA R A D E COMPOSIÇ Ã O DE MAT ÉR I A ORGÂ NICA?

C e r ca de 10 kg de n i trogênio por hectare , o que equivale a 22 kg de

uréia po r hectare.

P

I SC I CULTU R A

- FUN D A M ENT OS

E TÉ C N I CAS

DE MAN EJO

-

31

o SEDIMENTO

CULTIVO, D EVE SE R RE T IRA D O D O VIVEIR O ?

Q U E FI C A NO F U NDO,

A P ÓS UM

Depe n de . Na m aioria d a s ve z e s , esse s e d ime n to é co n sti tuíd o de so l o

min era l , co nt e n do p o u ca m a t é ria o r gâ n ica . A l é m disso, ao l o n go d os a n os vai

h ave nd o um a e s t a bili zação

forma qu e esse m a t er i a l , ge r a lme nt e, n ão r ep r ese n ta ma i o r es pro bl emas . So-

m ente em casos o n de o sed i ment o

um a fo n te de co nt a min a ç ão, ou q u e e s t e j a c a u s and o ass o r ea m e nt o d o v i ve i ro ,

é q u e a s u a r et i ra d a passa a ser j u s tificáve l.

da qu a ntid a d e d e mat é ria o rgâ ni ca no f undo , de

qu e fica n o v i veiro é co m provadamente

ANÁ L ISE DE SOLO

A co l et a de so l o d eve ser fe ita p refe r e n cia lme nt e co m o v i ve i ro va z io . O

pr oced im e nto é muit o s impl es: co m um tr a do o u co m um enxa d ão, r e t ira-se um a

a

m ostr a d e a pr oxi m a d a m e nt e 10- 1 5 em d e pr o fundid a d e e um to t a l d e ce r ca d e

0

, 8 - 1 k g de solo . Depois, co l oca-se e s s a a m o s tra em u m saco pl ásti co

com

um a e tiq ue t a p ara a i d e nti f i cação

e nv io a u m l a b o r a t ó ri o

d e a náli se .

d o l oca l d e co l eta , qu e

es t ará p ro nt a para

N a T a b e l a 4 , são aprese nt a d os vá rios pa r âme tros de so l o qu e p o d e m

v

i r a ter alg um a re l ação co m a p i s cic ul t u ra , be m como u ma cl assificação , q u e

p

ode

au x iliar o p i sci c ult or n a inte rp re t ação d os resu lta d os da a n á l ise qu e fo i

fe it a . O pisc i cu l to r n ão pr ec i sa m a nd ar a n a lisa r to d os esses p arâ m e t ros, m as ,

c aso u m de l es s eja c it a d o n a aná lis e, e l e p r ec i sa r á int erp r e t a r esse res ul tado.

Nor m alme n te , os p a r â m etros q u e m a i s interessa m à p i scic ul t u ra são :

m a t éria or g â ni ca, p H, nitr ogê ni o, f ó sfo ro e fe rro .

, /

 

32- A nt o n i o Os tren s ky

eW a lter A . Boe ger

 
 

Variável

Muito baixo

Baixo

Médio

Alto

Muito alto

pH

 

< 5

5-6

6-7

 

7-8

>8

Carbono

( % ) * .

< 0,5

0,5 - 1

1

-

2

2- 3 , 5

> 3 , 5

Nit

{

r

% )

ogênio

< 0,2

0 , 2 - 0 , 3

0 ; 3 - 0 , 4

0,4 - 0,5

> 0 , 5

Enxofre ( % )

< 0,01

0 , 01 - 0 , 025

0,025 - 0,05

0 , 05 - 0 , 125

> 0,125

Fósforo

 

(ppm)

 

<5

5 -

10

10

- 20

20 - 40

> 40

Cálcio (ppm)

< 600

601 - 1200

1200 - 3400

3400 -7600

> 7600

Magnésio

   

(ppm)

 

< 45

45 - 80

80 - 120

120 - 230

> 230

Potássio

 

(ppm)

 

< 30

30

- 60

60

- 80

80 - 1 1O

> 110

Sódio (ppm)

<

15

15

- 35

35 - 60

60 - 100

> 100

Ferro (ppm)

< 10

10 - 50

50 - 130

130

- 210

> 210

Manganês

   

(ppm)

 

< 5

5 - 20

20

- 40

40

-75

> 75

Zinco (pprn)

< 0 , 2

0 , 2-1 , 5

1 , 5 - 2 , 5

2 , 5

- 5

>

5

Cobre (ppm)

< 0 , 3

0 , 3- 1 , 25

1 , 25 - 2 , 5

2 , 5

- 6

> 6

Silí cio (pprn)

< 20

20

- 40

40 - 60

60 - 100

> 100

Boro (ppm)

 

< 0,3

0 , 3

- 0,5

0 , 5

- 0 , 75

0,75 - 1 , 25

> 1,25

Cobalto

 

(ppm)

 

< 0 , 10

0 , 1

- 0 , 2

0,2 - 0 , 35

0 , 35 - 0,8

> 0 , 8

Molibd ê nio

 

(

p prn )

 

< 0,1

0 , 11 - 0 , 15

0 , 15-0 , 2

0 , 21

- 0 , 35

> 0 , 35

Alumín i o (ppm)

< 3 , 5

3,5 -75

75

- 120

1 20 - 200

> 200

Bário (ppm)

< 0 , 5

0 , 5 - 1

1

-

1 , 5

1,5 - 4

>4

C

r omo (ppm)

< 0 , 5

0 , 5 - 0 , 75

0 , 75 - 1

1 - 1,75

> 1 , 75

Chumbo

 

(

pp r n)

 

<

1

1 -1,25

1,25 - 1 , 5

1,5 - 2,5

> 2,5

de carbono. Por isso, para saber quanto existe de matéria que aparece na a n á l i se d e solo p o r d o i s. P o r exe mpl o: se a

p e r c e n ta gem de ca rb o n o f o r de d o i s p o r c e nt o , a qu a ntidad e d e mat é ri a o r gâ ni c a ser á de , a prox im ada m e nt e , qu at r o por

orgânica no solo, é só multiplicar a percentagem de carbono

* A matéria orgânica contida no solo contém entre 48-58%

cento.

T a b e l a 4, P rin c i p ais e l e m e nt os q uími c os e p ar ã m e tro s r e l at i vo s

a o s o l o, be m c omo s u a c l as s ifi caçã o .

3,

Fertilização de viveiros

V i veiros para cultiv o d e pe ix e s são a mbie ntes de ca r ac t er í s t i c as muito

esp e c i a i s c ri ados pe lo hom e m . N e les, os p e i xes são coloc a d os em densid a d es

m ui to superiores as e n co n t r a d as

m u i to i n s t áve i s e q u e d eve m ser b e m c ompree ndidos e ad e qu a d a m e nt e m a n eja -

do s pa r a p r opic i ar um a b oa pr od u çã o de pe i xes, Há séc ul os , os p isc i c ultores vêm

i ncre m en t a n do a s u a pr o du ção a p a rtir d o u so d e f ertili za n tes in o r gâ n icos o u

q u ímicos e orgânicos o u d e j etos (es t e rco , prin c ip a lme n te) ,

n a natur e z a , P or isso, esses são a mbie nt es

POR QUE FE RT ILIZAR O S VIVEIROS?

Fe rtil iza - se os viv e iros para aume nt a r a quantid a de d e fit opl â ncto n

exi

s te nt e n a ág u a . A tr avés d e um a gr and e ca d e i a d e inte raç õ es , os f e r tilizan -

tes

joga d os n a ág u a l i b e r am n ut r i e nt es e a u menta m a produ ção de fit op l â n c t on .

O

fitop l âncton serve de a lime nt o p a r a microscó pi c o s an imais c h a m a d os d e

zoop l â n cton . O fito e o zoop l â n c ton jun tos são c h a m ados gene rica m e n te de

p l â ncto n e são o p r inci p a l a limen to n a tura l de um a g r a n de variedade d e espé -

cies cul t ivada s at u a lm e n te , caso ça-gran de, e n t r e o u tras .

da t i l á pi a, da ca rp a co mu m , d a ca rp a ca b e -

No f un do d os viv e ir os d ese nvol ve m-se orga nismo s, gera lme nte, m a i o -

r es qu e o plâncton e que t a mb é m se rvem d e a l i m e ntos p a ra v árias e s pécies

p e i xes. São l arvas d e in set os , ve rmes e p e qu e n os molu scos, q u e

do s ge n er i came nt e

de

sã o cham a -

d e b e nt os . Esses a nima i s a lim e ntam- se, ge r a lme n te, d o

plâncton

e de t odo e qu a l q u er

r es ídu o o r gâ ni co

qu e c h eg u e a t é o f un do

34 -Antonio

Ostrensky e WaIter A. Boeger

Como se p o d e perce b er , O f i top l â n cton d ese m pe nh a

um papel de é e l e qu em

gra nde importân c i a p ara

serve d e b ase para toda a ca d e i a alime nt a r dos amb ient es a qu á ticos.

o s u cesso d os c ulti vos d e p e i xes, p o i s

\)

.

-:0::

/

\

<7

t1

Figura 4. A f e rtili z a ção d os v ive iro s e a s u a imp o rtâ ncia no a um e nt o d a quan tid ade d e a lim e nt os natu r a i s disp o n íve i s p a r a o s p e i xes c ul t iva dos.

C O MO FUNCIO NA O CIC LO D E PRO D UÇÃO E

MORTE DO FIT O PLÂN C T O N

EM VIVEI RO S ?

T ud o co m eça com a fe r tiliza ç ã o d os v i ve iros . Have nd o co ndi ções pr o -

p

ícias de lu z e t e mp e r a tu ra, os nut r ient es p rese nt es

n os fer tiliza nt es ( p rin c i-

p

a lmente,

nit rog ênio, fós f o r o e pot á ssio ) di sso lvem- se n a ág u a e s ão assi mi-

l

a d o s (con s umidos) pelo fito p l â n c ton, qu e o s u sa como " a l i m e nto ". C om e ssa

co mbin a ç ão de lu z , temp era tura e nut r i e nt es, o fitoplânct o n rep ro d uz- se rap i-

d a m e nt e, formand o d e n sas co munid a d es n o v i ve iro. E m p o u cos di as, essas

co mun i d a d e s po d e m se espa lh a r

vime nt o d o f i top l â n c t o n

po r t o d o o v i ve iro . O rá p i d o d ese n vo l-

é co nh ec id o p or " bl oo m " fito pl a n ctô ni co.

P

I S C IC UL T UR A

- F UND A M E N TOS

E T ÉCN I C A S

D E M AN EJO

-

° este r c o d e a nima i s

co nt é m o s m es m os nu t r i ente s

35

qu e os ferti-

l iza nt es qu í mico s, por é m em quantidad es muito me nor es .

 

Q

uan do

o es t erco

é j og ad o

n o vive i ro, ba c t ér i as

prese n tes

na tu-

ra

lm e n te

n esse am bi ente

f aze m a s u a d eco m pos i ção ,

lib e r a nd o p ara a

água os nu tr i e nt es

qu e ele co ntém.

Já os fe rtili zan t es

quími cos d isso l-

ve

m- se m a i s r ap i d a m e nt e

e as b ac t é rias

nã o p a rti c i pa m

d esse pro cesso

d e lib eração de nutri e n tes.

No ver ão, as fe r t ilizações

são m a i s ef i c i e nt es d o qu e n o in ve rn o , po i s

a e lev ação de temper at ura

m

ic r oalgas. °fi top l â n c t o n é um a a l ga qu e p ossu i ape n as u ma úni ca cé lula e , por

i sso m esm o, vi ve muit o p o u co t e m po . Mas, e m co ntra p a rtid a, r ep r o duz- s e

m uito ra pid ame nt e . E m a p e n as um a g ot a d e á g u a pod e c h ega r a h av e r m a i s

d e um m ilh ão d e cé lul as f ito p l anc t ôn i cas . Em condições n ormais, o f ito pl â n cto n va i morre ndo e l i b era nd o n ut r i-

en t es q ue são i medi ata m e nt e r eapro v e ita do s . E m cas o d e v ariaçã o muito g r a nde

de tem pe r a tu ra , falt a d e nutrie nt es o u o utro proble m a mai s grave, po d e h ave r

u ma g r a nd e m o rt a lid a d e d e t o d o o fit o pl â n c ton do vive iro p r a ticame nt e a o

da s

ace ler a tod o o pr oce s so

d e cre scim e nt o

m esm o tempo , e não g r a du a lme nt e

gra nd es qu an tid a d es de ox ig ê ni o di sso lvido s e rão g as t as n a dec o mpo siçã o

d esse fi to pl ânct on .

co m o n o rmalme n te ocor r e . Nesse caso,

QUAIS FE RTI LIZA NT E S Q UÍ MIC OS PO D EM SER

U TI LIZADOS ?

A pr i n c ípio , todos os fe rti liz a nt es u t ili za d os n a agr i c ul t ur a p ode m t a m-

e m

s u a fo r m ul ação o s e l e m e nto s o u c ompos t os n ecessá rios p a r a p ro m ove r o d e - sen vo l vi m ento d o f it op l âncto n .

b ém se r utili za do s n a pi sc icultura .

° imp or t a nt e é qu e e l es c ont e nham

 

Os fert iliz a n tes m ais co muns cos tuma m co nt e r nitr ogê nio

(N) ,

fósf or o ( P) , na forma d e pentó xid o

de f ósfor o (P P,),

e p o tás s i o

(K ) , na

or m a de m o n óx i do

f

de po t ássio (K 2 0 ) . Ass im, um f e rtili za nt e

N:P:K

d

eno mi na d o ,

por exe m p l o ,

d e 2 0 :2 0 : 5 co nt é m

2 0 % de nitro gê ni o,

20 %

36 -A nt o n i o Os tr e n s k y e Wa lt e r A .B oe g e r

o fertiliz a nte mais usado como fonte de nitrogênio é a u ré i a, prin-

ci pa l men te, porqu e é bar a t a. No ent a nto , e x cess o d e ur é ia p o d e l eva r a

um a umento d a c on c ent r a ç ão de a môni a n a ág u a , e a a môni a é t óx i ca

para o s p e i xes . J á os fertilizantes à base d e nitr a to a pr esent a m melho-

r es re s ultado s, m as s ão b e m ma is ca ro s que a uréia .

O fósfor o é muito mais importante que o nitrogên i o ou o p otáss i o

pa r a o fitopl â ncton . No e ntanto , fo rnec er nitrogênio combinado com

f ó s foro costum a d a r melhores res ult a dos que o s obtido s com o u s o d e

f ó s foro s ozinho . Rarament e s erá pr e ci s o utilizar o pot ássio , d e mod o que se u u s o é qu as e s empre di s p e n sáv el.

 

Fertilizante

Uréia

Nitrato

de cálcio

Nitrato

de sód i o

Nitrato

de amônio

Sulfato de amônio

Superfosfato

Superfosfato triplo

Monoamôn i o fosfato

Diamônio fosfato

Metafosfato de cálcio

Percentagem

N

P 2 0 5

K 2 0

45

O

O

15

O

O

16

O

O

33-35

O

O

20-21

O

O

O

18 - 20

O

O

4 4-54

O

11

48

O

18

48

O

O

62-64

O

N

i trato de potássio

13

O

44

Sulfato de potáss i o

O

O

50

Ta be l a 5. F e rtili za n tes químico s utiliz a d os e a s r es p ec tiv a s

c on ce ntra ç õ es d e nutri e nt e s .

PISCICULTURA

- FUNDAMENTOS E TÉCNICAS DE MANEJO -

37

Q UA L É A QUANT I DADE DE FERTILI ZANTES

QU Í MI COS A SER AP LI CADA?

É fundamental que cada piscicultor conheça como seus viveiros respon-

de m às fertil i zações e estabeleça o seu próprio programa de fer t ilização e isso só pode s er feito na ba s e da TENTAT I VA E ERRO . Por isso, quantida- des a ser em a p lic a das e a per iodicidade de aplicações vão sempre depende r dos resultado s que forem obtidos na propriedade.

E m geral , as taxas periódicas de aplicação de fertilizantes costumam

fica r por vol ta de dois a nove kg de PPs por hectare de viveiro , mesma fai xa de varia ç ão a ser respeitada para o nitrogênio. Isso nã o impede, porém, que ou t r as quantidades ou p r oporções sejam também utilizadas com sucesso . Pa ra aqueles que não desejarem expe r imentar , sugere-se que seja usa- da uma r el a ç ã o N: P P s de 1: 3, ou seja, três vezes mais PPs que ni t rogênio .

EX E MPLO:

Para c al c ular a quantidade de superfosfato simples e uré i a que deve aplicar-se em um viveiro de O,I ha (1.0000 m') o produtor precisa saber quanto existe de

P 2 0 5 n o superfosfato que ele vai usar e quanto existe de nit r ogênio na uréia .

Esses v alore s podem ser obti dos na Tabela 5. P a rtindo-se do princípio que o superfosfato simples tenha 20% de PP 5 e que a uréia contenha 45% de nitrogê-

n io , o cá l cu lo que deve ser feito é o seguinte:

Q = (A x C x 10)/1

Q = Q uant i da d e de fertilizante (kg) A = Á rea do viveiro (m-) C = Conc e ntração que se pretende colocar de n i trogênio ou de fósf oro (kg/ha) I = Pe rcent a gem de nitrogênio ou fósforo no fertilizante (%)

Observação: Para esse cálculo da quantidade de fertilizante que deverá s er ap lica d o nã o i mporta o volume de águ a existente no viveiro, por isso, a profundi-

d a de n ã o é c o nsider a da na f órmula.

38 -A ntonio O s t re n sky e Wa lt er A .Boe ge r

Par a aplic a r 2 k g d e P 2 0 / h a Quant i d a de d e su per fosf a t o s impl es: Q = ( O , I x 2 x 10 ) / 0 , 20

Q u an ti dade d e s uperfo s fa to simple s:

Q = 1 0 kg

Para ap licar 9 kg d e pp/h a Quant i dade d e sup e rfosfato simple s = Q = (O,I x 9 x 10) / 0 , 20 Qu a n ti dade d e s uperfo s f ato simple s = 45 kg

P a r a a pli ca r 2 kg d e N/h a

Qu a nt i d a de d e ur é i a: Q = ( O , I x 2 x 10 ) /

Qu a nt i d a d e

d e u réia: Q = 4 ,4 k g

0, 4 5

Par a aplicar 9 k g de N/ha Quantidade de ur é ia: Q = ( O ,I x 9 x 1 0 ) / 0,45

Quan t id a d e de u r éia : Q = 20

kg

COMO APLICAR OS FERTILIZANTES QUÍMICOS?

Há, basicamente, três formas de aplicar-se os fertilizantes químicos. O importante é nunca jogar os fertilizantes diretamente nos viveiros, espe- cialmente, aqueles à base de fósforo. É que o solo tem grande capacidade de reter nutrientes. Dessa forma, eles não estarão disponíveis para o fitoplâncton, mas sim serão perdidos.

O método mais recomendável é aquele em que os fertilizantes são

dissolvidos ou diluídos antes de serem aplicados. Depois disso, podem ser espalhados pela superfície dos viveiros. Esse método é o que possibilita uma

resposta mais rápida e eficiente do fitoplâncton, mas é também o que mais

exige uma maior mão-de-obra.

Mesmo os fertilizantes que já são vendidos na

forma líquida precisariam ser diluídos. É que eles são concentrados e se joga- dos diretamente na água afundariam rapidamente e os nutrientes também fi-

cariam retidos no solo.

O segundo método envolve a construção

de uma pequena plata-

forma de madeira, de bambu ou qualquer outro material não-tóxico para

PISCICULTUR A

- FUNDAMENTOS

E T ÉCN I CAS

Figura 5. Diluiç ã o d os f e rtili z ant es

DE MANEJO

-

39

qu í mi c os a n tes d e

sua apli caç ã o n os v i v e iro s .

os pe i xe s. A p l a t a f o rm a d eve fica r a ce r ca de 30 e m d a s up erfície. O vento ir á s e e n car r eg ar de di s tribu i r os nut r i e nt es p elo viveiro . O te r ceiro , co n s i ste n a co l ocação d e fe rtili za n tes n os p ró p rios saco s ,

o u e nt ão q u a l q u e r o utr o t i po d e saco po r oso , e a f i xação d os mesmos em

Fig u ra 6. A aplicação d e fertili z an t e s em u ma p e q uena

p l a t afo rma r e du z essa p e rda d e fósfo ro p a r a o so l o .

40 -Antonio Ostrensky eWaIter A.Boeger

estacas co l oca d as d e nt ro d o viveiro . Os nut rie n tes d issol vi d os p assarão do saco pa r a a ág u a , ond e serão ap r oveita d os pe l o f i t o p l â n cton. A eficiência do m étod o será maio r se o f e r t i l iza nt e for di s t rib u íd o em d ois o u ma i s sacos espal hados pelo viv e i r o. Pe r iodica m e n t e , deve - se a dici o n a r n ova m e nt e fer-

t i liza nt es n o saco. O m a te r i a l n ão- dis s ol vido que r e sta r nos sac o s p ode ser

j ogad o s e m problemas d e nt ro d o própr i o viveiro .

------------------~~.~~~---------------~------~

Figura 7. Os ferti l iza nt es químicos p o d em s e r colocado s em sacos porosos den tro dos vive i ros, para q u e d i sso lvam lentame nt e , r eduzindo a s perdas e au ment ando a eficiê n cia da f ertili z a ção.

F ERTILI Z ANTES ORGÂNICOS (ESTERCOS)

Uma grande va ri e d ade de estercos e dejetos e m ge r a l é usad a para

fe r ti l iza r os v i ve ir os . E m a l g un s est a d os b ras il e i ros, a pr o du ção d e p eixes é fei t a q u ase exclu s i va m e nt e co m o u s o d e d eje t os a n i m a i s, se m o f o rn ec i - mento de r a ç ões . Isso é p ossíve l p o rque são c ult i vada s espécies qu e, a l ém

d e se bene f ici are m dos ef ei tos d a fe rtili z a ção da á gu a, p o d e m t a mb é m se

a li me nt ar dir etame nt e d esses d eje t os . Qu a nd o nã o s e f or n ece raç õ es, está

se li mi ta n d o nat ur a lm e nt e a qu a ntid a d e d e peixes qu e será pro du z id a , mas,

PI S CI C ULTURA

- FUND A MENTOS

E TÉCNICAS

DE MANEJO

-

41

A diferença básica entre os fertilizantes químicos e os orgânicos

é

que os últimos apresentam uma quantidade muito menor de nutrientes

e

uma grande percentagem de umidade e de fibras . Assim , a quantida-

de de esterco que deve ser aplicada é sempre muito maior que a quan - tidade de fertilizantes quí m icos. Um qu i l o de uréia contém tanto nitrogê-

nio quanto 7 5 kg de esterco bov in o . Um q u ilo d e superfosfato tr i plo tem

ta n to fósforo q u a nto 16 7 kg de esterco suíno .

A liberação dos n u trientes p r esente s n o e s terco será feita por bacté -

ria s , o que irá fa zer com qu e a quant i dade de o x igên i o di ssol v ido na água

dimin u a . I s so porq u e a s b actérias tam b ém precis a m consu mir oxigênio p a r a pod e r e m sobrev i v er . A qu a ntidade d e oxigênio que será consu mida depende -

r á d o tipo de d e jeto a ser utilizado e da temperatura da ág u a. Quanto maior

for e ssa te m peratura, m aior o r i sco d e q u e venha a fa l tar oxigênio para os pei x es, em ca s o de ex c esso de a dubação . É por isso q ue a quantidade de dejetos lançad a nos viveiros deve ser sempre bem controlad a.

-

\ : )

A nimal

Ga do le i teir o

G

C

ado

ava l o

Suí no

O

Cama

avi á rio

v e lha

de cort e

d

e

- Não d is p o n ív e l .

Um i d a de

85

85

72

82

77

N D

Perc en t age m

N

0 , 5

0,7

1,2

0 , 5

1. 4

0 . 4

P 2 0 5

0 , 2

0 , 5

1 ,3

0 , 3

0,5

0 , 3

K 2 0

0,5

0 , 5

0 , 6

0. 4

1, 2

0 , 1

T a b e la 6 . Conc e ntração aproximada de nu t rient e s

e m r e sídu o s de div e r s os animais

COMO DE F INIR A QUANTIDADE DE FERTILIZANTES

O

R GÂNICOS A SER APLICADA?

O

fitopl â ncton depende dos nut rient es p r ese n tes no s dejetos, m as

n ã o dos dejeto s em si . Ass i m s endo , as qu ant i dades de n u trientes q u e deve -

42 - A nton i o O s trensky e W alter A.Boeger

rão ser usadas são ap r oximadamente as me s mas que as recom e n d adas para os fe rtili z antes químicos, ou sej a , de dois a nove kg lha de N ou de

P 2 0s'

No entanto, as concentrações de nutrientes con t idas nos estercos ,

além de serem muito reduzidas, podem variar muito, ao contrá r io das con- centrações de nutrientes contidas nos adubos químicos. Também é inviável ficar mandando analisar o esterco para saber qual é a concentração de

nit r ogênio ou fósforo que ele possui. Assim sendo, a quantidade de esterco

a ser utilizada dependerá mais ainda da técnica de tentativa e er r o. Para f a cilitar ao produtor , vamos apresentar algumas estratég i as

de fer t ilizaçã o orgânica adotadas em piscicultura:

Tipo de Esterco

Quantidade a ser aplicada (kglha)

po r semana

Bovino

1000

Frango

600-800

Pato

600-800

Ovelha

1000

Cavalo

1000

Suíno

600-800

Tabela 7. Quantidade semanal a ser aplicada de esterco para obtenção/ manutenção da fertilidade da água de viveiros.

° problema é que como as aplicações de dejetos diminuem as con- cent r açõ e s de oxigênio dissolvido, nem sempre o piscicultor poderá de fato

a plicar essas quantidades. Antes de usar o esterco, o piscicultor precisar ? - - --- verificar se a s concentrações de oxigênio dissolvido permitem o use do esterco . Erros de avaliação podem custar muito caro ao produtor , pois podem significa r a perda de parte do peixes cultivados ou, no mínimo, diminuição da produtivid a de.

PISCICULTURA

- FUNDAMENTOS E TÉCNICAS DE MANEJO -

43

COMO APLICAR OS FERTILIZANTES

ORGÂNICOS?

O ideal é fazer aplicações diárias de fertilizantes orgânicos, mas em

viveiros sem aeração, não se deve aplicar mais de 50-75 kg de esterco seco/ha/dia. Caso não seja possível fazer essas aplicações de forma parce- lada, ou seja, um pouco a cada dia, pode-se fazê-Ias uma vez por semana, sem grandes diferenças em termos de resultados finais esperados. Sempre que possível, o esterco deve ser utilizado em uma forma

líquida, a não ser que se pretenda utilizá-Io também como alimento para os peixes. A presença de uma grande quantidade de fibras e de umida- de, que caracterizam o esterco fresco, não contribui para fertilização dos viveiros. Além disso, as fibras vão consumir oxigênio na sua degra- dação e serão apenas parcialmente decompostas, gerando uma grande quantidade de resíduos sólidos (Iodo) no fundo dos viveiros. Tais resídu- os vão ser responsáveis pela degradação da qualidade do solo, podendo comprometer a produtividade da piscicultura a médio e longo prazo.

COMO AVALIAR OS EFEITOS DA FERTILIZAÇÃO?

A resposta à fertilização pode ser medida pela abundância de

fitoplâncton presente no viveiro. Quando o fitoplâncton é abundante, a água torna-se mais turva, adquirindo uma coloração geralmente verde escura ou amarronzada. É importante, porém, saber que, dependendo do tipo de fitoplâncton presente, a água poderá adquirir colorações diferentes, como

várias tonalidades de verde, amarelo ou até mesmo vermelho. Quando a água do viveiro não estiver com muito sedimento em sus- pensão, isto é, quando ela não for muito "barrenta", a turbidez causada pelo fitoplâncton pode servir como indicativo da abundância desse fitoplâncton.

O aparelho utilizado para medir a transparência da água é o disco de

Secchi. O disco mede 20 em de diâmetro e é pintado

em quartos opostos, como mostrado na figura abaixo. O disco pode ser feito de madeira, contendo um peso para fazê-Io afundar e uma corda graduada, para possibilitar a medição. A pessoa fica de costas para o sol e mergulha o disco na água, observando-o de cima. A turbidez da água é medida pela profundidade em que não se consegue mais enxergar o disco.

de preto e de branco

~

vista de cima

corda graduada

vista lat8l'al

44 -Antonio

Ostrensky e WaIter A. Boeger

Fi g ura 8. Disco d e Secchi, um e quipamento simpl e s. barato e ef i c ient e para m e dir a transparê n c ia d a ág ua d o s viveiro s .

T IP O S DE FE RTI LI Z A Ç Ã O

FERT I LIZAÇÃO DOS VIVEIROS ANTES DO

POV O AMENT O

E ste é o último p asso antes de iniciar-s e o po v o a mento

do s vi v eiro s .

A f er tilizaç ã o

50 e m de pro f u ndidade

a a plicação p o der á ser f e ita a té me s mo com os v iveiro s seco s .

inici a l d e ve s er feit a com pouca á gua no viveiro , cerca de 40 -

é o suficiente. Se o produto a ser u s ado for o esterco ,

Depoi s d e re a liz a d a a fertiliz a ç ã o

e aind a com o s vi v eiro s contendo

pou ca águ a, esper a - s e d e quatro a oito dia s para que ocorr a o de s envol v imen - to d a s comunidades de fitop l âncton . D e pois, completa- se o volume que fa l t a par a e nch e r o s v iveiros , es pera - se de dois a qu a tro dia s par a que

aumente a quantid a de de alim e ntos n a tura i s , e só então os a lev ino s po -

der ã o s er t r a n s f e ridos p a ra o s v i veiro s.

PI SC I CUL TURA

- FUNDAMENTOS

E TÉC N ICA S

D E M AN EJO

-

4S

FERTILIZAÇÃO

DOS VIVEIROS APÓS O POVOAMENTO

Dever á ser feita fito pl âncton seja mantida

nos níveis desejados . Se a quantidade de fitoplâncton

esti ve r ab a ixo da desejada , pode - s e aumentar as fertilizações. Se a quantid a - de de fitoplânc to n e s tiver mu i to elevada , deve- s e suspender provisoriament e

a s a plica ç õe s de fertilizante s .

periodicamente,

a fim de que a quantidade

de

Q U AL É A TRANSPAR Ê NCIA

IDEAL DA ÁGUA ?

É muito difícil responder a essa pergunta com exatidão, pois muita s são as variávei s que devem ser levadas em conta , como , por exemplo : qu a n- tid a de de peix e s presentes no viveiro, espécies cultivadas, temperatura da

águ a , tipo e quantidade de a lim e ntos fornecido s diariamente, taxas de reno-

v a ç ã o utilizad as, etc . Como linha ge ral , é po ss ível afirma r que bons níveis de produti v id a d e

p

o d e m s er obtid os c o m tran s p a r ê ncia da ág u a e ntre 30 e 45 em. Ma s, n a

v

erd a de ,

é o pi s cicultor,

com s ua experiê ncia

e pel a v iv ê nc ia

do dia - a -

di a , é quem deve definir

culti v o.

Como j á di s cutido, exces s os de fitoplâncton podem ocasionar proble- ma s com a qualidade da água . Por outro lado, uma transparência muito

qual é o nível de tran s parência

ideal par a o s eu

Transparência

d a água

Manejo r ecomendado

Mai o r que 60 c m

Água mui t o clara . H á riscos de inva sã o de macrófitas

(plantas em geral) .

Entr e 45 e 60 c m

a f i t op l ã ncton

e stá se t o rn a ndo es c a ss o . É re c omendável

fertilizar .

S

e a turbidez fo r p ro v oc ada por fito pl â nct o n.

n a da d e espe c ial prec i sa ser f ei t o .

En t r e 30

e 45 c m

a v iv eiro est á em boa s condi ç õe s.

Entr e 20 e 30 cm

Menor que 20 cm

Quantidade

r ea lizar o monit o r a m e nto constante d o viv e iro .

el e vad a d e fitoplãn c t o n .

É n ec es s ário c o ntr o la r as fe r tiliza çõe s

e

Se a tu r b i dez for c ausada

de fa l ta de à noit e e

aumentar as t ax a s de renovação d e á gu a. Se a causa da turbidez for a

ind i ca q u e e l e está

o

pe l o fitop l ã n c ton,

então essa baixa trans p arência

em excesso.

Neste caso, há r isco iminente

x igênio.

Pode ser

ne c essár i o realizar aeração , principa l mente ,

qu a ntidade

fit o plãn c ton no viveiro .

de sedim e nto

em suspensão ,

então c ertamente

há pouco

Ta b e la 8. R e co m e ndaçõ e s d e manejo bas e ada s na transpar ê n c ia da água.

46 -A ntonio O s trensky e W a l ter A .Boeger

elevada significa que há pouco fitoplâncton no viveiro, exigindo que o pro- dutor utilize uma maior quantidade de ração para alimentar seus peixes.

POR QUE, EM GERAL, O USO DE ESTERCO PARECE PROPORCIONAR MELHORES RESULTADOS QUE O USO DE FERTILIZANTES QUÍMICOS?

de pei-

xes podem se alimentar diretamente do esterco, como também pelo fato do esterco decompor-se lentamente, demorando mais para liberar todos

os seus nutrientes na água. Já os fertilizantes

Isso, geralmente,

ocorre tanto porque algumas espécies

químicos liberam irnedia-

Este r co

F e r t i lizante q u ímico

Figura 9. Uma das m a i o r es van t agens dos f e rti l i z a nt es orgân i cos so br e os quí- micos, é qu e os nu t r i nentes s ão le n t a m en t e lib e rados na á g ua . Já os fertili z ant e s químico s c ont ê m mais nu t rie n t e s , ma s ta m b é m se perd e m mai s rapidam e nt e,

c om o é o c as o d o f ó sfo r o , qu e f ica re t ido n o s o l o .

PISC I CU L TU R A · F UN DAMENT O S E TÉCN I CAS D E M ANE J O -

47

tam e nte o s s eu s nutrient es na á g ua , que pode m s er m a i s ra pid a m e nt e

a b so r v ido s p el o f it o plânct o n , f i care m r et ido s n o sol o o u ser e m l eva d os emb o r a p ara fo r a d o viv e ir o dur a nte a t ro ca d e águ a . Se n ã o fo r a pli ca - do d e form a a dequad a, e m . meno s de uma s em a na , to do o f ó s for o dos fert i l i z a nte s químic os pod e r á t e r s ido p e rdid o o u con s umid o . Nesse caso, o probl e m a n ão é exa t a m e nt e a e f ici ê nci a d o es t e r c o qu e é m ai or , m as, s im , a a plic açã o in co rr e ta d os fertilizante s quími cos. Pro gra m as id e ai s d e fertilização s ão aqueles onde se combin a a f er t i l i -

z a ção or gâ ni ca c o m a químic a .

 

Fertilizan t

es

químicos

Deje t os

Qu a ntidade

de nutr i ente s

Grande

Pequena

Qu a ntidade

a se r utilizada

Pequen a

Grande

Cu s to do produt o

 

Alto

B a i x o

Cu s t o de t ransp o rte

Ba ix o

Alt o

Composição química

Conhecida

Desconhec i da

Arm a zenamento

Por um longo tempo

Por p o uco tempo

Lib e r aç ã o de nu t r i entes na água

Imediata

Lenta

Nã o c ons o me o o x ig ê nio dissolvido água ?

na

Não

Sim

Serve como alimento para os peixes?

Não

Sim

T a b el a 9. Di f e r enças e ntre f e rtiliza nt es e d eje t os de an i m a i s .

o PL ÂN CTON É SEMPR E BEN ÉF I CO P AR A O S P EIXE S ?

Não. Ne m t o d as as es p éc i es de p e i x e s a lim e nt a m- se d e pl â n c t o n e

p a r a essas espéci es e l e n ão é útil. H á , in c lu s i ve, di ve r sos casos em qu e o fit o pl â nct o n po d e tr a z e r pr e juízo s ao pi sci c ultor :

A l g um as es p éc i es d e f it o pl â n c ton p ro du ze m s ub s t â nci as qu e

qu a ndo con s umi d as p e lo s p e i xes d eixa m um sa bor rui m e m

s u a c a rn e. E ste probl e m a tamb é m p o de o c orr e r s e , por qu es-

t ões de m a n e j o inad e qu a d o o u por probl e mas clim á tico s , as

48 -Antonio Ostrensky e WaIter A. Boeger

comunidad e s

m

d

qu e alter a m o s abor da carne do p e i x e .

Em águas com muito fitoplâncton , é p os sível que ocorram pr o bl e -

ma s c om o o x i g ênio di s solvido e com o pH da á gua . °fitoplâ n c ton

é o principal respons á vel pela produção de o x igênio n a água , a tra -

vés d a foto s s ínte s e , m as ele t a mbém pre c i sa con s umir o xigênio 24

ho r as por dia p a ra poder viver. Qu a ndo h á sol, o fitoplâncton pro-

duz muito mai s oxigênio do que consome , ficando es s e o x ig ê nio

t o da s ao de gran-

de fitoplân c ton

começarem

a mor r er

e smo tempo . Durante o proce ss o

es quantidades

de fitopl â ncto n ,

de de c ompo s ição

s ão produzid a s sub s t â n c i as

di

s solvido n a água. À noite , o u em dia s nublado s, não h á foto ss ín-

te

s e , ma s o consumo d e ox ig ê nio permanece

o mesmo

e o

oxigênio que necessita da águ a . Por-

tanto , qu a nt o m a i s fitoplâ ncton houver na á gua , m a ior s er á o c on-

fi to pl â ncton p as sa a retirar

sol.

S o b ce rta s condições , o nível de o x igênio na ág u a p o der á se tornar

cr í tico , ocasionando a morte por s uf o camento ou estr e s s ando mui-

to o s peix e s , a umentando a ch a n ce d e les contraírem alguma doenç a.

no pH d a água .

sumo de oxigên i o e m hor á rio s ou em dias em que não houver

° fit o plâncton pode provoc a r grande s variações

Essas v a ria ç õ es s ã o c a us a d as pelo con s umo ou lib e ração de gá s

ca r bônico (C0 2 ).

ág u a e ut i liz a m p a r a f az er a foto s sínte s e,

ma s que ta mbém é libe-

rado por elas durante o processo de res piraç ã o .

retirado da ág u a o pH t ende a aument a r , quando el e é libe ra d o n a

água o pH diminui .

Quando o C O 2 é

°CO 2 é um compo s to que a s plantas retiram d a

OUTRAS RECOMENDAÇÕES IMPORTANTES

• Pr o curar av a lia r se mpre a qualid a de d a á gu a, principalm e nte,

e m rel a ção às c on c entraçõe s

f e rti li z ar .

de o x igênio dissolvido ,

ante s de

• Pr o curar não colo c ar mai s fertilizantes

orgânicos

do qu e o ne-

c

vid a útil do s viveiros.

e ssário ,

poi s em e x c e sso e ss e s f e r t ilizante s

podem d i minui r a

P I SC I CUL T U R A

- FUN D AMENTOS

E T ÉCN I CAS

D E MAN EJ O

-

49

É melh o r ir f e rti lizando

de pouco em pou c o do que apli ca r de

um a só vez tod a um a ca rga de fertiliza n tes .

N

ão fertili z ar os viveiro s se ele s e s t i verem toma dos por outr o s ve -

g

e tai s que não o fitoplâncton.

Nesse c as o , os vegetai s deverão s er

r

e ti r ad os ante s d a fertili z açã o, c a s o contrário , irã o ab so r ve r os nu-

tri

e nt es e c r esce r ma i s r á pido a ind a, imp e dindo o de s envolv ime nto

do f itopl â n c t o n .

Q

u a ndo f e r tiliz a r os viv e iros, deve-se r e duzir ao máximo a renova-

ção de á gua . A o tro car a á gua , p a rte d os nutri e ntes sã o c arre ga dos

a r a for a d os v i ve iro s , o qu e s i g nifi ca que f e rtiliz a r a á gu a se m diminuir as ta xas d e r e n ovação d e á g u a é jo ga r dinheiro for a.

p

C

o mb a t e r s empr e a e ro sã o d os dique s. A terr a retirad a dos diques ,

alé m de comprometer a e s tabilidade do próprio viveiro , irá tornar

a

ág u a m a i s b a rre nt a , diminuindo a pen e traç ã o de lu z e dificultan-

d

o o de sen v ol v im e nto d o fitoplâ ncton . P a r a isso, d eve -se pla ntar

r a ma ou outr a v e geta çã o ra s teir a sobre o s diques. Pel o m esmo motivo, deve-se evita r o u s o de á g uas muito barrenta s

g

p

a r a en c her ou p a ra fazer a renov a ção nos viv e iros.

Excesso d e fitoplâ ncton tamb é m pod e s er pre judici a l ao s p e i x e s

c ul tiva d os. P a r a diminuir a qu a ntid a de de fitoplâ ncton do s v i v e i -

r os de ve - se s u s p e nder as apli caçõe s d e f e rtili za nt es, r e du z ir a qu a n-

tid a de

r

P r oc ur a r esto ca r o s f e rtiliz a nt es qu í mic o s em lo ca l sec o e ve n-

do s fe rti -

til a do . E xce s s o d e umid a de p o d e a lte r a r a qu a lid a d e

d e ra ção forn e cida

d a ág ua .

a o s peixes

e a ument a r

a t a x a de

e n o va ção

li

za nt es.

P

roc ura r não m a nter o s fertiliz ante s e s tocados por muito t e m-

p o, p o i s iss o t a mbém pode afe tar a s u a qu a lidade . O id ea l é

de

p r o du ção.

com pr a r o s u f i c i e nte