A CONCEPÇÃO DE DESENVOLVIMENTO E INOVAÇÃO ENTRE SCHUMPETER, FURTADO E FHC

Paulo Cruz Correia

Resumo O objetivo deste trabalho é o de ressaltar as principais preocupações de Schumperter e Furtado, quanto aos aspectos da importância da inovação para o desenvolvimento, mediante a metodologia de compilação bibliográfica e sua inter-relação com a corrente teórico-econômica desenvolvimentista. A inovação é sempre controversa. O desenvolvimento nacional vive um momento de convalidação de suas fronteiras, mediante uma multiplicidade de elementos econômicos e políticos envoltos na consolidação de suas instituições e na busca da resposta a um capitalismo nacional menos desigual em formação. A abordagem inovacionista revive o pensamento de Schumpeter como desbravador inovacionista, e a Nova Economia do Desenvolvimento em Furtado, impondo-se um breve debate sobre os aspectos do desenvolvimento brasileiro; com a inserção das economias menos desenvolvidas e das nações cêntricas no centro do debate. Palavras - chaves: Schumpeter, Furtado, Inovação e desenvolvimento econômico. Abstract The aim of this paper is to highlight the main concerns of Schumpert and Furtado in relation to the importance of innovation for development, through the methodology of bibliographic compilation and its interrelationship with the theoretical-economic developmental line. Innovation is always controversial. The national development experiences a moment of validation of their boundaries through a multitude of economic and political elements involved in the consolidation of its institutions and also in the search for answers of a less unequal national capitalism that is still under development. The innovative approach revives Schumpeter’s thoughts as an innovative trailblazer, and the New Economy of Development in Furtado, imposing a brief discussion on Brazilian’s development aspects, with the insertion of less developed economies and centric nations in the debate´s center. Key-words: Schumpeter, Furtado, Innovation and economic development.

1. INTRODUÇÃO A idéia básica de Schumpeter (1984 e 1988) destaca que os estágios para o desenvolvimento econômico podem ser explicados pelo poder das inovações tecnológicas. Incorpora-se à análise dos impactos da inovação tecnológica no processo de desenvolvimento econômico como um todo uma perspectiva macro, bem como micro-regional dos fenômenos internos à firma. Considerando que a inovação é parcialmente endógena à concorrência, o avanço tecnológico tende a ser um elemento dinamizador da estrutura da indústria, bem como das estratégias competitivas das empresas. Para se entender a dinâmica tecnológica, é necessária a identificação da direção e do sentido do progresso técnico com destaque às características nas dimensões tecnológicas e econômicas. No desenvolvimento de suas construções teóricas, J. Schumpeter formulou dois modelos importantes sobre a empresa inovadora: o modelo da pequena empresa inovadora fundada pelo “gênio criador” do empreendedor e o modelo de gestão da inovação organizado pela grande empresa que procura rotinizar o processo de criação tecnológica. Esses dois modelos representam uma caracterização da empresa capitalista identificadas historicamente por J. Schumpeter: a empresa emergente, criada pelo empreendedor, e a grande empresa estabelecida, que introduz inovações rotineiramente a partir de suas atividades de P&D. Inovação tecnológica pode ser entendida além da simples referência, por Schumpeter (2005), às melhorias em técnicas de produção (função de produção) e produtos; inovações incluem, também, inovação organizacional, institucional e social. Em Furtado (2007), a preocupação com o avanço da técnica, construindo-se um corpo de progresso técnico, sempre se mostrou presente. No processo de construção do desenvolvimento econômico, o desempenho da firma individual cumpre um papel importante, na medida em que constrói uma vantagem competitiva duradoura ou sustentável pela busca constante de agregação de valor ao novo ou diferenciado produto. Não basta buscar estratégias que apenas garantam a sobrevivência imediata das economias menos desenvolvidas. É preciso levá-las à consolidação de um vigoroso mercado interno e, a partir daí, abrem-se caminhos para a acumulação e geração de capitais e a modernização dos sistemas de produção. Tal desafio exige maiores esforços de aprendizado voltados para vencer os gargalos da exploração internacional por meio da busca da modernização interna das economias. Essa mudança, pode gerar endividamentos externos e dependência, quando as forças de poder estão em desequilíbrio. A exploração pela mais-valia relativa, em favor do capital que se instala nos diversos ambientes, tende a desenvolver-se de forma acelerada, num contexto em que, o combustível da liberdade - numa economia globalizada - tende a ser o aprendizado e o conhecimento conquistado, tendo como principal motor a inovação e a tecnologia. Os responsáveis e dirigentes desse motor são os atores - de forma geral - os que estão à frente, na direção dos diversos segmentos empresariais e de planejamento das políticas públicas institucionais de desenvolvimento, num ambiente em que a economia não se dissocia da política. O objetivo deste trabalho é destacar as principais preocupações de Joseph Alois Schumpeter e Celso Furtado quanto aos aspectos da importância da inovação para o desenvolvimento. Este texto possui três partes, além desta introdução. Na próxima seção, apresentase os procedimentos metodológicos; na seção seguinte, procura-se caracterizar as principais contribuições de Schumpeter mediante a discussão da natureza e direção do progresso técnico. A
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São discussões em relação a Schumpeter . apresentar importantes idéias que atuassem como suporte às estratégias competitivas. principalmente em períodos de crise. portanto. a inovação ocupa importante lugar por tratar-se de uma forma institucional desenvolvimentista que amplamente se interrelaciona com o desenvolvimento do Estado. entrelaçadas aos diversos aspectos discutidos.e como o país poderia se modernizar . 2. é discutida na medida da evolução do texto e da exposição dos elementos relevantes. precisam-se criar empresários. cada um a seu tempo. ora mais econômica. e. sim. não se fazem sem o apoio institucional do Estado. O empresário passa a ser tratado como algoritmo maximizador. Para o desenvolvimento ser alavancado pelo Estado. mas que. apresenta elementos relevantes a serem considerados em torno do tema inovação. Por que as inovações são importantes e definidoras do processo de desenvolvimento? Como a inovação passa a se inserir dentro desse processo e. contudo.e. como uma nova organização institucional de P&D de nosso Estado e de nosso País.representam formas organizacionais inovativas para sua época. a 3 . acerta. na média.do modo de produção capitalista . teve seu curso de desenvolvimento no Brasil. Isto em função de que se trata da apresentação de experiências de três importantes pensadores econômicos que são bastante utilizados no entendimento da problemática de questões do desenvolvimento brasileiro.seção seguinte segue com as preocupações de Furtado em relação à promoção do processo de desenvolvimento e sua relação com a inovação. desenvolvimento e políticas públicas. Notar-se-á que.e em Furtado de como esse modo de produção capitalista. Inovação e desenvolvimento. Nos dois pensadores. tecnológicas e de desenvolvimento das economias. que pode atuar como grande reparador e como eficiente guardião de queda dos ciclos de crescimento. tem capacidade. Trata-se de relembrar a importância de dois pensadores que buscaram. A fundamentação teórica não segue uma orientação rígida em termos de expô-la numa seção específica . Por que motivos essa é uma importante questão a ser relembrada e estudada dentro do atual paradigma tecnológico e do foco de geração de competências em meio ao ambiente da atual crise pós 2008? 3. são apresentadas algumas conclusões. bem. com elas. com vertentes ora mais política. consegue formar sua rede de aparato de competências na promoção do desenvolvimento? 2. há afirmações de natureza mais teórica. Em Furtado. O artigo busca responder a algumas questões mais gerais e relevantes como: 1. uma máquina que pode variar para a direita ou para a esquerda. em sua evolução. Como se daria a articulação de um modelo de substituição de importações (PSI) para a articulação de uma economia inovadora menos dependente e com poder de desenvolvimento autônomo? O desenvolvimento é função da capacidade empresarial (variável) e do aperfeiçoamento institucional. É necessário fazer crescer o número de empresas e. Por fim. ou não tão bem preparados. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Este artigo teve como fonte a compilação de documentos de materiais bibliográficos como método principal na observação direta por parte dos autores. não necessariamente aos moldes de Schumpeter.em separado . Surge a figura do empresário inovador e a figura do empresário imitador o qual não tem tanta capacidade inventiva. Esta é uma teoria que não tem problema de insuficiência de qualidade empresarial. as preocupações de consolidação de uma política nacional de desenvolvimento . é uma importante variável.

em que se visa indicar como os agentes econômicos tendem a desenvolver suas ações na construção do processo de crescimento e desenvolvimento econômico. Schumpeter destaca que. Buscar-se-á. RESULTADOS E DISCUSSÃO 3. embrionariamente.no limite das teorias schumpeteriana e de Celso Furtado. Além do que. deslocamento ao longo dessas funções de produção. de 1912. porém. a indolência. quando a eficiência do organismo econômico pode ser afetada por fatores como o erro.característica de um estado estacionário. mais ou menos descritivos. objetivando expor a essência do que efetivamente pode ocorrer na realidade. VI Encontro Nacional de Economia Política. cujos capítulos II e VI foram reescritos em 1926. Tais alterações provocam mudanças e exigem tempo de readequação e/ou adaptação.ainda que preliminarmente .. Ciência e tecnologia na dinâmica capitalista: a elaboração neo-schumpeteriana e a teoria do capital. por meio do tratamento do fetiche da mercadoria. particularmente por meio de avanços técnicos1. é nos períodos de adaptação que aparecem os desequilíbrios e. A. o sistema econômico não reuniria forças para alteração de seu quadro por iniciativas próprias.1. porém. mas que este sofre forte influência do ‘ambiente de negócios’ . como determinada teoria pode melhor explicar o aparato inovativo necessário ao desenvolvimento econômico. por meio desta discussão. o contratempo. 3.como se vê em sua obra: "A Teoria do Desenvolvimento Econômico" (TDE). em Karl Marx (1867). o desenvolvimento econômico tem sido amplamente debatido. esta não pode ser compreendida por meio da análise do fluxo circular. Um dos principais desafios deste objeto de estudo está colado à identificação de suas causas. 4 . 2 POSSAS (1987) destaca que o fluxo circular é o pilar do sistema schumpeteriano onde as premissas principais são: a propriedade privada. mesmo que a produtividade fique abaixo do esperado. Pode haver. colocando-o acima do estágio em que se encontra . nos trabalhos de Adam Smith (1776). ALBUQUERQUE. está fazendo uma abstração ilustrativa. esta dinâmica pode ser perturbada por duas circunstâncias que mexem com o equilíbrio do sistema econômico: (i) a fricção. concorrência livre e pura e. A este respeito pode-se ver: CERQUEIRA. livre empresa. sem o deslocamento das funções. Vale destacar Joseph Alois Schumpeter como um dos principais precursores na identificação do progresso técnico como elemento fundamental da evolução do capitalismo. (ii) alterações espontâneas e/ou aleatórias nas informações com as quais os agentes econômicos costumeiramente podem contar para suas tomadas de decisões. por consequência. as quase-rendas destacadas em Marshall. E. Dada a dinâmica da vida econômica. M. e. p. destacando a necessidade da melhoria técnica e o aperfeiçoamento da divisão do trabalho no sistema econômico e. de forma ilustrativa. São Paulo. descrevendo um sistema imutável. NATUREZA E DIREÇÃO DO PROGRESSO TÉCNICO Ao longo da história econômica contemporânea. 13). H. segundo o qual a tecnologia criou uma ruptura no processo de desenvolvimento. desprovida de variáveis que lhe permitam alavancar o processo de desenvolvimento. Para Schumpeter (2005). por força da rigidez de sua função de produção. São diferentes aproschs teóricos. 1 O papel da inovação tecnológica aparece. no máximo. Para Schumpeter (1988. chamado por ele. junho de 2001. E. Anais. imprevistos como catástrofes naturais ou coisas semelhantes com o poder de modificar o fluxo circular. AS CONTRIBUIÇÕES DE SCHUMPETER: INOVAÇÃO. Schumpeter (1988) debate o tema do desenvolvimento econômico com destaque ao ‘progresso técnico’. Ele toma como ponto de partida uma economia relativamente estável. G. identificar .arrecadação e o número de empregos. ausência de incerteza. de fluxo circular 2. neste estado.

e/ou por meio da aplicação prática de alguma invenção ou inovação tecnológica.não necessariamente o capitalista. pela trustificação). ou novas formas de organização industrial criadas pela empresa inovadora. os quais são remunerados na forma de rendas e salários Além disso. no processo concorrencial: “1) Introdução de um novo bem . Assim. novos mercados. onde o fenômeno do desenvolvimento econômico é o empresário inovador . como fatores de meios de produção. colocando a análise da competitividade da economia em outro patamar. mais uma vez independentemente do fato de que essa fonte já existia. tendem a aparecer em fluxos descontínuos . ou de bens semimanufaturados. e pode consistir também em nova maneira de manejar comercialmente uma mercadoria. novas atividades. como a criação de uma posição de monopólio (por exemplo. mesmo num estado de concorrência eminentemente potencial. (ii) pelo emprego de diferentes formas de recursos de produção de formas diferentes. Diferentemente em TDE.o que induz o desenvolvimento ser definido a partir de novas combinações que geram um ‘estado de desequilíbrio’ no sistema econômico .Para Schumpeter. e.porém estão instaladas ao lado destas. São novas formas de organização do processo capitalista impulsionadas pelas mudanças técnicas que impactam sobre o processo de mutação industrial empresarial. A concorrência.ou seja. os lucros são algo confuso no fluxo circular. ou seja. 4) Conquista de uma nova fonte de oferta de matérias-primas. São novas combinações que impactariam no sistema econômico. ou teve que ser criada. de um mercado em que o ramo particular da indústria de transformação do país em questão não tenha ainda entrado. mesmo. impulsionadas pelo processo de concorrência. Na visão schumpeteriana. 48) destaca os novos fronts da mudança técnica com poder de impactar diretamente na dinâmica capitalista e.que se podem dar por meio de duas formas: (i) por novas empresas que quase sempre são independentes . entretanto. impondo uma 5 .e não surgiram da antiga . de modo algum. por meio da inovação. As combinações. A partir dessas alterações evolucionistas. O foco do desenvolvimento está em produzir diferentes produtos. diferentes materiais e forças produtivas. os lucros derivados de monopólios. o sistema econômico está em permanente mudança. as novas combinações dos meios de produção tenderão a prosperar se estiverem sendo usadas pelos agentes econômicos. 5) Estabelecimento de uma nova organização de qualquer indústria. é o principal impulsionador das transformações das formas de produção e reprodução capitalista. Schumpeter destaca as principais fontes que podem modificar o processo concorrencial: a criação de novos produtos. pois destaca somente a existência de terra e trabalho. Em SCHUMPETER (1988). a mudança técnica é o fenômeno fundamental do desenvolvimento econômico que induz a dinâmica capitalista que nunca pára. Todas estas novas formas e questões apontadas por Schumpeter determinam o novo ‘modus operandi’ do processo de concorrência entre as empresas e afeta os agentes econômicos em geral. 2) Introdução de um novo método de produção. precisa ser baseado numa descoberta cientificamente nova. rompe-se o quadro de equilíbrio destacado no fluxo circular. o capitalismo é visto como um processo evolutivo.ou de uma nova qualidade de um bem. Schumpeter (1988. ou não. quer este mercado tenha existido antes. Assim. os ganhos com especulação financeira e.o agente econômico que traz novos produtos para o mercado por meio de combinações mais eficientes dos fatores de produção. ou seja. as quase-rendas marshallianas. assim como os ganhos temporários. podem surgir os fatores de desequilíbrios do fluxo. Pela sua própria natureza. os juros (POSSAS. ou a fragmentação de uma posição de monopólio”. p. novos métodos de produção e. o autor passa a ver o empresário como um inovador tipo burocratizado . novas fontes de matérias-primas. um bem com que os consumidores ainda não estejam familiarizados . 1988 e 2005). 1987). 3) Abertura de um novo mercado. por sua vez. empregando diferentes recursos de forma diferente (SCHUMPETER. um método que ainda não tenha sido testado pela experiência no ramo próprio da indústria de transformação que.

por meio da transformação criativa dos meios de produção. tendo início nos anos de 1890 e se consolidando com o ápice dos anos de 1930 aos de 1960 (SILVA. pela consolidação de um aparato de trabalhadores assalariados e da mudança da matriz produtiva do país. a fim de se manter o nível de atividade econômica no campo e nos setores afins. Como exemplo desse olhar modernizador dos aspectos econômicos do país. FURTADO. principalmente em relação ao câmbio . de nação. em incentivar o empresário por meio da oferta de capitais a fim de que este promova com criatividade o fomento da atividade econômica. características essas aliadas às modificações sociais do ambiente com a ampliação da população e do urbanismo nascente. mediante a transferência de poder aquisitivo prévio à existência dos bens e se supõem lastreá-lo" (POSSAS. 1976. passando-se pelo convênio de Taubaté. 1987. com poder de gerar lucro e reembolsar o capitalista. Ao capitalista (banqueiro) cabe a tarefa da escolha da promoção dos fatores de produção nesta ou naquela direção. seu produto principal. implicando numa decisão de interferência. chegava às vias de destruição. onde se buscava uma solução para a crise cafeeira no Brasil. 2007). 1969. Schumpeter (1984) chamou esse processo de “destruição criativa”. por outro lado. com o oferecimento de subsídios e redução da taxa de câmbio. com a ‘crise de 29’. poderiam oferecer novas tomadas de modernização do processo de desenvolvimento do país (COHN. como elementos indispensáveis à promoção do desenvolvimento econômico. p. 2007). que tinham. Um dos primeiros sinais dessa modernização foi o nascimento do mercado interno. Assim. Ambas as partes têm o poder de decidir o destino das novas combinações dos fatores de produção. partindo da hegemonia rural para uma industrial. As dificuldades advindas do período. São os donos do capital os maiores credores do processo capitalista. Schumpeter (1988) destaca. enquanto os empresários assumem a típica posição de devedores com a incumbência de desenvolver uma atividade produtiva. visando modernização do aparelho dinamizador do processo de desenvolvimento econômico no país. FURTADO. desde a sua formação. 4 . impuseram fortes barreiras às atividades de exportação.AS CONTRIBUIÇÕES DE CELSO DESENVOLVIMENTO VIA INOVAÇÃO FURTADO: OS CAMINHOS DO Celso Furtado apresenta uma grande preocupação do país em encontrar os caminhos do desenvolvimento. Os créditos para as exportações. 6 . ainda. partindo de suas primeiras bases de constituição política. considerada. O processo de desenvolvimento toma impulso com a economia cafeeira que cresceu com superprodução à frente de sua demanda. o papel do capitalista. um especial olhar de estímulo de crédito. 175).em relação ao poder central e dos estados por meio da nomeação dos governadores -. 1976. 1969. no café. e passando por um grande número de diferentes fases que envolvem: acertos em relação à política econômica interna e externa. SILVA. No período entre 1925-1929. a indústria têxtil. ‘o capital e o crédito 3 são o cerne da questão’. A retenção da oferta. impulsionado por um levante de corte das importações. A atração de capitais direcionados a setores exportadores também era uma forma de se buscar o equilíbrio do balanço de pagamentos. pela consolidação de algumas correntes culturais quando o sul se diferencia do norte e nordeste do país. 3 O crédito que interessa a Schumpeter é o associado à "criação de direitos sobre frutos da produção futura. ou banqueiro. Essas foram ocorrências que exigiram das autoridades de política econômica. essa era a atividade chefe do desenvolvimento nessa época. As modificações tinham. FURTADO.destruição sobre a forma antiga e gerando uma nova a partir de dentro do sistema. naquele período (COHN. por meio da queimada do produto. 1975a e 2007). modificações na forma de se observar o processo de desenvolvimento.

2008). de uma economia periférica. 1961. Esta importante questão está intimamente colada à autonomia cultural. com o modelo de substituição de importações. ou em desenvolvimento. quando há uma independência cultural. com a consolidação de uma massa de assalariados para o fomento e a geração do mercado interno.56): “A industrialização. 1971. como algodão para a indústria têxtil. direcionando-se para substituir os bens importados por produzidos internamente . dependentes. Com isso. onde. Supõe-se. na esteira da depreciação cambial. Na medida em que avança essa industrialização. FURTADO. mas nascia e se fortalecia pós-1933. a produção de produtos industriais. 2007). ao invés da passagem ao desenvolvimento. FURTADO. entre 1929 e 1937. Contou-se. 7 . pela rigidez das funções de produção. mas não se supõe que algumas formas sociais de submissão são determinantemente criadas nesses países. São os primeiros sinais de adoções claras de fronts inovadores para uma economia nascente articulada nacionalmente.atividades tradicionais rurais para um substancial mercado interno. com impactos na intensidade relativa do capital e do trabalho. madeiras para a indústria moveleira e dos recursos de terra e mão-de-obra preexistentes. A saída poderia advir de incentivos ao comércio exterior. para anular os efeitos depressivos vindos de fora (SILVA. 1976. a direção da economia dava seus primeiros passos não só em direção a uma economia de exportação de matérias-primas. A economia poderia. Assim. mais ou menos avançados. o que permite que as classes de renda mais baixas se confrontem com às de nível alto. Em seguida. entretanto. O país aproveitava-se do advento dos altos preços relativos dos produtos importados para intensificar. 2007).então. são. nas condições de dependência. Com a manutenção de certa estabilidade e a eficiente modificações na taxa cambial. uma indústria de tecnologia madura. ainda. FURTADO. Em grande medida. aço e cimento. a economia dava mostras de que havia encontrado forças. A questão cultural 4 tende a ser largamente controlada por meio de grupos do centro do sistema com representantes locais interessados em intensificar o nível de exploração: uma porta de entrada para o intercâmbio desigual. exigindo-se ajustes de tecnologia permanentemente (SILVA. por sua natureza. a produção industrial elevou-se em cerca de 50 por cento. 1976. a partir de meados de 1931-32. visto que a exploração e acumulação são os principais motores da criação e recriação de novos capitais e geradora de dependência (QUIJANO. aos poucos. (1975b. assim como a produção primária destinada ao mercado interno expandiuse mais de 40 por cento. aproveitando-se dos recursos da terra. 2007). requer intensa absorção de progresso técnico sob a forma de novos produtos e das técnicas requeridas para produzi-los. Para FURTADO. que as economias subdesenvolvidas. permitindo o acesso da massa trabalhadora a formas de consumo mais refinadas. ainda que de forma incipiente. dentro dela mesma. FURTADO. 1976. p. experimentou a aquisição dos primeiros equipamentos de segunda-mão no exterior. inicialmente de ferro. 1983a. vem a indústria de bens de capital. o progresso técnico deixa de ser o problema de adquirir no estrangeiro este ou aquele equipamento e passa a ser uma questão de ter ou não acesso ao fluxo de inovação que está brotando nas economias do centro”. O progresso e o desenvolvimento decorrentes disso também podem gerar desequilíbrios ao nível dos fatores. mas um quadro revelado de profunda dependência que tende a impregnar o subdesenvolvimento. onde todas as classes tenham significativo poder de consumo. a cesta de bens de consumo determina os métodos produtivos empregados. tecnologicamente. fortemente utilizada pós-revolução industrial. a indústria passa a ganhar cada vez mais força e a gerar renda (SILVA. 4 Autonomia Cultural: uma sociedade só é independente.

TAVARES.O fluxo de inovações incrementais5 e radicais6 precisa ser capturado e internalizado pelas economias em desenvolvimento. Alguns traços marcantes que passaram pela divisão internacional do trabalho. Nos muitos países menos desenvolvidos. O fomento desse quadro industrial não chega. a industrialização seguiu os caminhos da substituição de importação (PSI) (FURTADO. construindo um aporte de conhecimentos que lhe valha assegurar uma opção sobre as futuras correntes inovativas que possam surgir. tecidos. por meio do progresso técnico e acumulação de capital. Ademais. 1999). nos muitos países menos desenvolvidos. mudam o padrão setorial significativamente (ROSEMBERG. que antes era padrão de imitação. As grandes empresas migraram de seus países centrais. A geração e evolução 5 Inovações incrementais: o aprendizado se dá. Inicialmente. O crescente custo da tecnologia no acompanhamento dos padrões de consumo. também se caracteriza como um processo. Com isso. agora pode se enraizar pelo sistema produtivo. naturalmente. manifestada no processo de modernização via imitação. que em muitos países subdesenvolvidos foi utilizado para uma modalidade de exportação de mão de obra barata disfarçadas de produtos manufaturados (FURTADO. gerando baixas economias externas. tem-se início a formação de um sistema industrial. entretanto. entre 1933 e 1962. A dependência. pois este aprendizado é cotidiano. o artesanato pode ser uma especificidade dessa indústria. quando. permitindo às classes dirigentes acesso a padrões diversificados de consumo. tendem a acarretar elevados custos. vieram os países periféricos ou menos desenvolvidos em meio a um perfil de demanda marcada pela descontinuidade e quando os rendimentos e a acumulação tenderam à queda. confecções. 1975b). não provoca mudanças estruturais (ROSEMBERG. 1961. Assim. mas. no aprender a fazer. tende a facilitar a internacionalização das economias. 2008). 1983b. refletida em empresas subsidiárias que tendem a adotar um mesmo padrão das firmas do centro. 1999). Esse é um quadro de geração de subdesenvolvimento que. Essa é uma forma comumente utilizada para apressar uma industrialização retardatária que pretende buscar um nível similar ao dos países centrais (FURTADO. O subdesenvolvimento pode se reproduzir num horizonte temporal. QUIJANO. à medida que avança o processo de industrialização. enaltecido pelo poder político central. assim como o desenvolvimento. o preço da geração de tecnologias tende a ser elevado. No período de substituição de importações. por uso. 1981. 1979). diante de sua inadequada integração. 8 . mais apurado tende a ser o controle do aparelho produtivo. a tendência é a de inserção em setores de tecnologias menos exigentes como: alimentos. que pode reproduzir-se no tempo. Tratava-se de minoritária indústria modernizada voltada para bens de consumo diversificado. 1983b. enfrentaram uma redução das taxas de crescimento de suas atividades com as crises da balança de pagamentos e de endividamento externo . exigindo cooperação entre empresas nacionais e transnacionais. Em nível das empresas. elevou-se a taxa de exploração sem redução do salário real e independentemente da assimilação. a modificar de forma significativa a estrutura de uma economia subdesenvolvida. FURTADO. deu-se origem a um excedente. articulados pelas nações centrais são a ruptura cultural. 1999. 1961.resultado da exaustão do processo de substituição de importações (TAVARES.1971. TAVARES. em nível social. e/ou de sua vulnerabilidade às crises externas e à redução de incentivos. mas. 6 Inovações radicais: as que modificam paradigmas com um novo impacto. móveis e objetos de couro. contribuindo inicialmente com um quadro eufórico de crescimento. É o que permite a geração do capital como valor que se valoriza. 1979). a solução parcial se dá por meio dos subsídios. por parte de grupos estrangeiros. enaltecido pela revolução industrial. tendendo a ser insuficiente na geração de um vigoroso mercado interno e a ocupar reduzidos vínculos com outras atividades industriais. com mudanças intencionais no desenvolvimento do conhecimento. dessas economias por novas técnicas produtivas. que tendiam a enfrentar problemas de deseconomias de escala. pela divisão internacional do trabalho.

um caminho para a formação de demanda permanente do mercado interno. demasiadamente ambicioso. O processo de desenvolvimento da economia brasileira trilhou muito destes caminhos aqui destacados. assim. notadamente do II PND. No período que segue. O plano. com intensa absorção de progresso técnico sob a forma de novos produtos e de novos processos. O país chegou à quinta economia do mundo. aproveitandose de um ambiente de extensa liquidez internacional. 2007). Com a implementação de uma série de leis complementares. mas o diferencial de inovação oferecido pelas multinacionais é importante para puxar a inovação via imitação por parte das nacionais que. formando um sistema industrial significativo. Nesta fase. 1982. através da promoção do modelo de substituição de importações dos anos 1933 a 1962.que se estendeu entre os anos de 1948-1970 . incorporando a indústria automobilística e outras de elevadas exigências de capacitação técnicas . 1976. Partindo-se dos anos de 1930. nesses momentos. As multinacionais ficam atentas aos rendimentos decrescentes quando sua economia reduz o mercado interno (DOSI. principalmente em bens de capitais duráveis. as indústrias multinacionais levam vantagens em relação às nacionais. com a utilização dos excessos de rendas do setor cafeeiro. no longo prazo. possibilitou-se seguir com os subsídios iniciados com o modelo de substituição de importações (SILVA.como a química e farmacêutica. podem assumir uma postura agressiva e se equipararem às multinacionais. Embora estivéssemos no período de ouro do capitalismo mundial . A adoção de fortes gastos em pesquisa e desenvolvimento pode permitir a economia em médio e longo prazo modernizar seu parque industrial. bem como por meio da introdução de novos produtos. não podia mais contar com o mesmo nível de liquidez internacional que com a crise americana do final da década de 70 . 1983b. Arregimentar forças para quebras de ciclos de “marasmo” e implementar um progresso técnico . 2007). auferindo as altas taxas de crescimento do período do milagre econômico brasileiro entre 1968-1973. no governo de Getúlio Vargas. os grandes investimentos em infraestrutura como a construção de Brasília e de uma rede nacional de rodovias. aos trabalhadores urbanos como a lei do salário mínimo e da jornada de trabalho.com fortes elevação da taxa de juros externo . assinalando. no regime militar. embora inicialmente fossem as indústrias que produziam para a minoria modernizada. o sistema se mostra incapaz de produzir espontaneamente o perfil de demanda com força de assegurar uma taxa estável de crescimento. Embora o desenvolvimento seja o desejo de todas as nações . por exemplo e ainda uma política de endividamento externo. por meio da introdução de novos processos produtivos.vencem as formas de exploração social que estão na base do subdesenvolvimento (FURTADO. a Belém-Brasília. embora com forte endividamento externo. A opção de se orientar o desenvolvimento para o consumo das classes mais privilegiadas pode penalizar ainda mais as desigualdades sociais e elevar o custo de operação do sistema econômico nos muitos países menos desenvolvidos. FURTADO.desse modelo é parte do processo de evolução e retração do capitalismo. 1983b. O período que segue é marcado por redução do nível de crescimento do PIB. a diversificação da cesta de produtos tende a se diversificar com a renda percapita caminhando para novos padrões de consumo em toda economia (CARDOSO e FALETTO 1979. não se conseguiu manter o mesmo nível de investimentos. Assim. capturando-se ganhos de renda para a força de trabalho e as camadas mais desassistidas do processo. FURTADO. canalizadas para a promoção da indústria nascente. FONSECA. Os ganhos ficam por conta das economias que conseguem internalizar ganhos de eficiência técnica.impunha uma estagnação.principalmente nos setores de maior encadeamentos . entre 19631966. a fim de se ampliar a eficiência dos insumos. 1988). com ampliação do nível de endividamento e 9 . ele se dá pela acumulação e pelo progresso técnico. Para Furtado. 1989). 1974-1979. 1999.a nova Constituição com as reformas fiscais de 1967 foi propícia ao país. SCHUMPETER. FURTADO. 1983b. No governo de Juscelino Kubitschek (JK).

crescia num curto ciclo e retrocedia no seguinte. Internamente. a possibilidade de inovação via reformulação de seu parque de M&E. porque os agentes econômicos. nas palavras do então presidente Fernando Collor de Mello: “uma paulada na inflação” (BACHA e BONELLI. que entregou o governo para Fernando Collor de Mello no início de 1990. . sempre marcado pelo descontrole inflacionário.notadamente empresas do setor de energia e comunicação. por eleições diretas. A corrida.Era a porta aberta para a internacionalização da economia (FONSECA. 1999. promove uma desvalorização de 50%. Essa forma acentuou ainda mais as desigualdades que vinham se instalando desde o início do período militar. uma tablita corrigia a conversão da Moeda Cruzeiro para a Moeda Real. É o governo brasileiro que visita um grande número de países do mundo a fim de ampliar as relações comerciais entre o Brasil e esses países. 1999. propiciou ao parque industrial nacional. Com o mercado financeiro em evidência. quando o país dava um passo para frente e outro para trás.foram aprofundados nos anos 90 nos países menos desenvolvidos. estavam acostumados a trabalhar em seus cálculos econômicos com uma cultura de sempre expectativa de inflação futura. FURTADO. 2005. quando a inflação chegou a 85% ao mês. Entretanto. se cada agente realizasse o que era melhor para si. nos EUA e na Europa. 2005. 2007). estabelecendo maior distanciamento entre os que ganhavam mais e os que ganhavam menos. 1981. Essa correção monetária só é vencida com o Plano Real de 1993-1994. Seguiu-se a paridade de um Real para um Dólar até 30/01/1999. com o clamor da sociedade.na Inglaterra com Margareth Thachter e Ronaldo Reagan nos EUA .aceleração do processo inflacionário (TAVARES. pós 2008. O país passou por diversos congelamentos: com o plano Funaro de 1986. 2007). Tornou-se assíduo freguês do FMI. A ordem era para que o governo saísse fora do campo econômico. seguem promovendo crises na Argentina. BACHA e BONELLI. 2005.50 de dólar (BACHA e BONELLI. as reduzidas taxas de crescimento do PIB. A redução do Estado na economia foi promovido por meio de amplo programa de privatização de empresas públicas. a globalização de produtos. nem confisco. de 1987. uma saída vista para assegurar o nível de atividade econômica e manter o equilíbrio do balanço de pagamentos. 2007). FURTADO. aproveitando-se o advento dos ganhos de renda por força do controle da inflação. 10 . a satisfação de todos seria contemplada. pondo fim à memória inflacionária existente até então. os investidores buscam países de maior garantia de rendimentos. do ministro de mesmo nome. BACHA e BONELLI. o governo de FHC. FURTADO. a especulação. um completo arrocho no consumo para deter o avanço dos preços. BACHA e BONELLI. Dá-se então o confisco de poupanças. no México. Era melhorar as condições do processo produtivo para dar guarida a uma crescente demanda do mercado interno. No campo político. Na década de 90. Na década de 2000. vieram a lei da anistia e as eleições indiretas de 1985. Após 1979. 2005. a desvalorização do Real. por meio do BNDES . os planos Collor I e II em 1990 e 1991. 1989. sendo eleito Tancredo de Almeida Neves que faleceu dias antes de tomar posse. convalidada pela correção monetária. com consequente arrocho salarial (TAVARES. No campo econômico. na busca de manter o equilíbrio de suas contas externas. 2005. O modelo político/econômico neoliberal que teve início nos anos 80 . A década de 80. FURTADO. elevando a conversão do Real de 1. sobressaindo-se as leis da mão-invisível da livre iniciativa do mercado onde. 2007).00 para 1. comandados pela ministra Zélia Cardoso de Mello. 2007). nem paulada. principalmente pós 2003. hábitos e costumes ganha notoriedade. No bojo deste plano. não mais convalidavam a permanência de um governo militar. muitas destas financiadas com os próprios recursos do governo federal. chamada de década perdida. 1999. a internacionalização da economia é buscada num caminho inverso. do ministro Dilson Funaro. Em seu lugar assumiu José Sarney. o Plano Mailson da Nóbrega. Após essa data. nem congelamento surtiram efeito. na Rússia e por fim. FURTADO. aos 30/01/99.

na perspectiva marxista. Assim. Então. As vertentes pioneiras dão ênfase aos obstáculos ao "desenvolvimento nacional". como Weber. Normalmente as novas tecnologias são utilizadas para garantir às firmas um sobrelucro. algumas ações que ampliam e dão sustentação ao mercado interno. ou progresso técnico. 2005. a fim de se sustentar determinado nível interno da atividade econômica. dentro do marxismo. 2010). Essa teoria se manifesta. FURTADO. principalmente em relação a subordinação de um modo de produção a outro. 2010). em relação à caracterização do processo histórico estrutural. Assim. por meio da eficiente articulação de um sistema nacional e um sistema local de inovação. continuamente. Tenta explicar por que as sociedades são dependentes. até que os agentes internos e externos ganhem confiança e possam. o governo Lula e atual ganharam espaço para algumas manobras de incentivos à economia a fim de se vencer ambientes de crise (BACHA e BONELLI. como um dos carros chefes do processo de desenvolvimento junto com o potencial de acumulação da economia do país (CARNEIRO. FURTADO. dá-se destaque às relações de classe que permeiam a dinâmica das sociedades dependentes. a intensidade de geração de inovação. visando a manutenção do nível da atividade interna. CARNEIRO. e isenção para eletrodomésticos da linha branca. têm de ser incentivado pelo poder público. poder e dominação. 3 . à questão política-econômica internacional colada a grupos de interesses de políticas locais. COLISTETE. 2008. apropriabilidade e internalização dessas inovações nas rotinas das empresas. em Lenin. 11 . 1980). 2008. 1971.1 – FHC e os Caminhos do Desenvolvimento via Dependência e Inovação Os estudos de FHC dão ênfase ao estudo do desenvolvimento colado à teoria da dependência. e. até que as demais se equiparem a ela. aplicar recursos no progresso técnico. por meio da redução da taxa de juros em momentos de crise mundial. ainda. Lukakis e Sartre (existencialismo). 2006. o sistema não está imune a crises. COLISTETE. São promovidos programas de incentivo à inovação e à criação de significativo número de novas escolas técnicas. dá-se ênfase às análises sobre o capitalismo internacional monopólico. como na crise que se segue pós 2008. Ocorre que o sistema capitalista nacional ainda não se encontra de todo estruturado para assegurar a contínua expansão das inovações. conforme se apresenta em vários autores. por meio da análise de forças sociais.desenvolvem-se programas de renda mínima. com especiais programas. Ademais. CARDOSO. Uma importante questão que aqui merece destaque é a do preço da inovação. busca-se promover ganhos reais ao salário mínimo. 2006. incentivos tributários. para enfatizar o dinamismo do processo de geração. como a redução do IPI para veículos. num movimento de geração e embate de contradições e lutas internas. em Gramsci. as mazelas do sub-desenvolvimento são explicadas por um quadro de dependência externa que teve suas primeiras manifestações passando pelo feudalismo e imperialismo (FARIA.AS CONTRIBUIÇÕES DE FHC 3. dá-se enfoque.

1978. depende das condições históricas. enaltece a existência de um processo histórico. mas assume que o capitalismo no Brasil consegue se reproduzir sem distribuir renda. reafirma que: “a História só se deixa apreender por meio dos conceitos que a organizam. CINTA. por certo. 1973. Essa é uma forte questão que se reflete no primeiro mundo e é repassada à periferia. indicam os contornos entre as coisas” (CARDOSO. E. afirmando que. o que se reproduz nos países da América latina. como pela liberdade do laissez faire que tende à concentração. 1973.43): “A passagem do abstrato ao concreto se faz pelo processo de determinação. Que fascismo e que socialismo. não leva à distribuição (CARDOSO. Não vai ser o centro da análise. uma sociedade organizada. com limites. As diferenças entre um e outro período são o método históricoestrutural de análise da transformação das sociedades latino-americanas. Nas palavras de CARDOSO. mas a miséria e o futuro da América Latina tenderia ao fascismo ou socialismo. as correntes discutiam: i) Por que a crise? Por que a estagnação? A CEPAL responde de uma forma marxista e os trotskistas de outro? Qual é o papel da burguesia (empresariado) nacional? E. Mas. Do lado da CEPAL. de ampliação das taxas de inflação e o desajuste ao aparato institucional do país. No início dos anos 60. analisadas por meio de um desdobramento lógico da dialética abstrata. com sociedade excludente e mais valia absoluta galopante (CARDOSO. esta se centra na divisão internacional do trabalho. p. 1980). de elaboração da ordem pela qual se hierarquiza e se articula um conjunto de relações e se distingue este conjunto (totalidade) de outros conjuntos. por meio de cortes entre estruturas. o processo social emite os sinais que. há ausência de regulação. não dissolve as particularidades na "abstração" representada por idéias gerais”. João Goulart compra a idéia de reformas. Tem-se a crise de retração das taxas de crescimento. ou seja. é necessário produzir os conceitos que permitem articular e delimitar os conjuntos de relações”. E conclui oferencendo uma idéia geral de seu foco metodológico. com ênfase ao Brasil. FHC detecta que o empresariado brasileiro rejeita a parceria com o proletariado nacional. destaca que: "o concreto é concreto porque é a síntese de muitas determinações. com a tendência de redução de lucro. (1980. por si só. P. Os trotskistas concordam com a tese da estagnação e a CEPAL propõe desenvolvimento com divisão de renda. e a burguesia não é mais a revolucionária como do século XVII ao XIX e o capitalismo está nos últimos suspiros. 1999). Ela resulta frustrada e vem o golpe de 1964. cai a CEPAL no erro de que periferia é periferia e que decisões do centro condicionam a periferia (CARDOSO. mas. 1980. em relação à análise concreta: "supõe a elaboração dos conceitos que permitem organizar a unidade do diverso. 56). sob a forma de ideologia. Para a CEPAL. apegando-se à corrente teórica marxista. Antes de 1964. 12 . apoiado pelo empresariado. unidade do diverso". mas. Pode-se ou não distribuir renda. por meio de um processo histórico. A lógica do capital não leva em si a distribuição. Pela experiência histórica. isto é. a estagnação é fenômeno intrínseco. Para os trotskistas. sindicatos. 1980. FONSECA. Ao mesmo tempo esta "unidade" não apaga as diferenças. cultural. variáveis políticas – legislação trabalhista. não é o capitalismo. culturalmente avançada para a participação nas decisões mais importantes em relação ao futuro do país – podem frear a lógica concentradora do capital.O foco metodológico utilizado por FHC. 1980). Essas idéias definem um universo de discurso teórico e. porque o desenvolvimento econômico. FHC mostra que a Cepal é um ganho para a discussão de problemas dos países da América Latina. a crise se dá por falta de demanda e demanda de consumo. qual é o futuro dos países da América Latina? É o que se pergunta. Para isto.

Tenta-se superar o debate de dualismo cepalino. dá-se ênfase no sentido de que. dando nova conformação aos ambientes econômicos. CARDOSO. CARDOSO. Em termos de laissez faire. sem olhar variáveis internas. Em grande medida. mas tem força interna muito forte. 1998. seja inviável de ser produzida internamente. bem ao modo da destruição criativa de Schumpeter. a lógica é de concentração. constata-se que não é isso que acontece (CARDOSO. essas forças podem ser determinantes. o desenvolvimento capitalista é acumulação de capital. deste modo. Quando se diz. como se o exército não fosse classe social. Por que a CEPAL acredita na burguesia? Porque prescinde da análise política. 1978. que existe dependência. começa em 1908 e se consolida em 1930. foi decisiva para a revolução de 30 e ao golpe de 64 (CINTA. mas é difícil a burguesia (empresariado nacional) liderar a revolução burguesa. não se tem marasmo. Com Gramsci.Para FHC. 1981). Não se está estagnado. CARDOSO. Pelo modelo e os resultados das pesquisas de FHC em sua tese. FONSECA. do ponto de vista de seu custo. entre as disputas do imperialismo inglês e do imperialismo americano. Isso faz parte da história e do aprendizado. A interpretação do país é uma sucessão de coisas que se faz por diversos ângulos. exploração da mais valia absoluta . para FHC. Pode ter sido na Europa. 13 . do esforço da constituição de empresas monopólicas estatais com poder de recriação de subsidiária. 1979. a revolução burguesa. mas o empresariado nacional busca fora a tecnologia. 1980. faz pesquisa empírica. Lukakis e Marx. incluindo o da dependência externa tecnológica (QUIJANO. O latifúndio. Isso foi o eixo orientador do nacionalismo desenvolvimentista das virtuosas conquistas nacionais 7 Em Florestan Fernandes. É este que move o capitalismo em busca da eficiência técnica dos meios de produção. FHC estuda política e desenvolvimento em sociedades dependentes de 1962. de mercado interno e externo. 1978. 1980). com a consolidação do Estado Nacional (FERNANDES. O capitalismo entra nos ambientes econômicos e pode ser por meio do imperialismo. o movimento do desenvolvimento tem sido visto por grupos de esquerda e por liberais ortodoxos como que articulado por meio de campanhas nacionalistas. pois estes não propõem revolução7 ao lado dos trabalhadores. quando esta. Em sua tese. A conclusão é a de que o modelo democrático burguês não passa pelos empresários. pela incessante busca do lucro. um dos erros da CEPAL é que ela não trabalha com variáveis políticas. a grupos de poderes internos e externos. mas não é o agente principal de mudança. descartando as variáveis internas. ela não nasce por si só. típico das investidas para uma reforma agrária. podendo existir. Alguns estudos até supõem uma forte força no papel da burguesia nacional. e tende a revolucionar as forças produtivas. descontentes com o alto escalão do exército. normalmente se associa e se recria um subdesenvolvimento associado. mas a América Latina.e relativa. Constata que capitalismo e parlamento não se aproximam muito. como quando a classe dos tenentes. remodelando a rotina das empresas. 1999). ao contrário da moda da CEPAL não está condenada à estagnação (CARDOSO e FALETTO.por meio da extensão da jornada de trabalho . a exemplo de Canadá e Argentina. por meio da modernização técnica e dos processos de produção. Estão revolucionando-se as forças produtivas. entrevistando o empresariado e confronta idéias desses empresários com o que está nos modelos científicos. 1971. por meio de M&E. É como olhar as disputas dos anos 30. entretanto. Tem relação com externas. fora do jogo e. num ambiente em que nunca a lógica do capital foi de distribuição. Tenta-se superar a dicotomia de fora para dentro. porém. e questiona com que segmentos os empresários querem alianças? Com a classe média e outras. também não aparece como empecilho ao desenvolvimento. As forças que equilibram o poder estão. e os trabalhadores aparecem em sétimo lugar. Estão presentes na teoria da dependência as variações políticas e variações externas. não se propõe dependência. A crítica é a crença da CEPAL ao desenvolvimento nacional autônomo. 1980). 1980).

A industrialização nos países menos desenvolvidos aparece como nova vertente à exploração de matérias primas baratas e da mais valia absoluta e relativa na direção da acumulação e. ao lado do fortalecimento do mercado interno. a partir de 1958. enquanto se aumentava a participação popular na política. com reflexos negativos sobre a circulação de capitais e na 14 . que cederia lugar a um nacional patriotismo.baseado na internacionalização do mercado e da dependência ao capitalismo associado . mas porque na época das entrevistas (julho de 1961-outubro de 1962). 1979). as condições políticas do país haviam acirrado a luta de classes. que compartilha uma crescente associação com monopólios internacionais em sua fase de capital internacionalizante. não apenas porque os dados coligidos chocavam com os quadros de referência ideológica. persiste a dependência. dando nova conformação às bases da dependência. É a crítica à sociologia do desenvolvimento. contudo. CARDOSO. Isso ocorreu. revelando-se por meio de uma situação estrutural. e. entretanto. entrevistando-os. da globalização. ainda. Enquanto essa tarefa não for cumprida.63): “Foi no processo de realizar um estudo sobre os empresários nacionais. Parte ponderável do empresariado nacional conspirava claramente com grupos estrangeiros. Assim nas palavras do próprio CARDOSO. destruir as desigualdades de apropriação entre classes e nações. segue-se a dependência. da qual FHC foi integrante. A teoria. com o impulso das mais importantes empresas estatais e de uma agricultura estimulada por meio da reforma agrária. 1971. por força da internacionalização e. mas de forma distinta da antiga dominação colonial. (1980. Desenvolvimento e Inovação Essa forma de crescimento econômico . na prática tende a obedecer um processo e a se dar de modo diferente do planejado. 1998). como pré-requisitos ao desenvolvimento. Quando o nacionalpopulismo deixou de lograr êxito e a burguesia nacional (empresariado) entrou no jogo imperialista. tende a solidarizar interesses entre classes que antes figuravam-se como adversas. ao desenvolvimento nacional-burguês (CARDOSO. depois da renúncia de Jânio. já que o consenso é o de que país industrializado é país desenvolvido. em função de que o jogo de forças atuantes tendem a modificar as trajetórias dos circuitos previstos. atualmente caracterizada por meio do subdesenvolvimento dependente e associado (QUIJANO. também deixou de ser viável o "desenvolvimento nacional-burguês". era a de que a luta anti-imperialista pudesse promover uma reorganização da economia e da política nacional. como complemento do imperialismo. quando pudesse ser possível desbravar os caminhos da industrialização. Uma esperança que se tinha. atualmente.dos anos 30 e 60. ao populismo e. Naquela altura eu resumia a conclusão a que chegara quanto à inviabilidade do desenvolvimento nacional-burguês dizendo que marchávamos para um subcapitalismo”. suavizando a dominação econômica. nestes termos. e o novo desenvolvimento sonhado tornou-se subdesenvolvimento associado. Seria então o nacional desenvolvimentismo da recente etapa de JK. por meio do "círculo do seminário de Marx" da USP. o que se deu foi no golpe militar de 1964. e um nacional populismo da época de Getúlio Vargas que renasceria impregnado nas vestes de um nacional corporativismo. P. tornando-se forte este setor de empresariado nacional. foi sugerido o fortalecimento de núcleos nacionais de decisão política (do Estado). 1978. entretanto. Cabe às práticas políticas. A Dependência na Esteira da Industrialização. 1979. que pude ir mais longe na crítica às bases sociais e políticas de tal estilo de "projeto desenvolvimentista".2. organizava-se politicamente e enfrentava ao mesmo tempo o sindicalismo nacional-populista e o governo que a esquerda acreditava ser "da burguesia nacional". já que a liberdade de mercado. seguindo-se orientador do pensamento crítico até 1964. assim.abre a possibilidade de se acelerar a industrialização nos países menos desenvolvidos. Seguindo-se a tradição cepalina. 3. via o crescente endividamento externo.

2005). CARDOSO. É um problema ainda não resolvido na teoria do capitalismo (CARDOSO. no entanto. está balizado notadamente nos seguintes fatores: i) na expansão da mais valia relativa nas nações industrializadas. 1969. Mesmo dentro do setor que produz tecnologia. 1973. o fator cultural9 preponderante ao desenvolvimento. O capitalismo passa a desempenhar nas sociedades em que se instala uma atmosfera de progresso. FURTADO. O contrário deste discurso. Esse desenvolvimento capitalista com as novas aspirações de dependência. monetária e cambial) adequada de indução. Da parte marxista. 1980. política econômica (fiscal. na economia contemporânea. ii) nas exportações pelos muitos países menos desenvolvidos. tendendo a colaborar para a redução de investimentos em capital constante. 1999). pode não depender de outras. estão se modificando no sentido de responder mais adequadamente a uma estrutura capitalista de produção”. Um problema que parte deste ponto é o de que a acumulação nos setores industriais se dão de forma diferenciada.capitalização das economias dependentes. a alocação dos fatores de produção. desenvolvendo as forças produtivas e dinamizando as relações de produção (LESSA. Dependendo da indústria.1978. as oportunidades da economia 8 Há setores intensivos em escala. porém. sendo o tripé dos principais beneficiários deste modelo de desenvolvimento dependente-associado: empresas estatais. Na visão marxista. por meio da industrialização . 1999). p. Indústrias baseadas em Ciência e Tecnologia (C&T) geram sua própria tecnologia. Essa questão. acompanhado pela exploração colonial na formação do capital. contudo. acumulação e o nível de atividades se mantenham em alta.vem acompanhado da internacionalização do mercado interno e da nova divisão internacional do trabalho. há indústrias fornecedoras de tecnologia e outras que dependem fortemente da tecnologia vinda de outros setores. históricas. mas isso se deve também a muito do que a teoria econômica já tem ensinado: condições comparativamente vantajosas entre uma região e outra. 9 No fator cultural. 1969. Qual a sua função em escala mundial? Uma questão que impacta diretamente no custo da reposição da força de trabalho. visto que as vocações regionais são diferentes e umas podem oferecer menos ou mais ao processo de expoliação capitalista. 1980. 1969. consumo. O nível de qualificação da força de trabalho é significativo para se aproveitar da nova força tecnológica emanada das empresas maiores ou de fronteira tecnológica. do que pela super-exploração do capitalismo avançado por parte da mão-de-obra superexplorada da periferia (COHN. a distribuição da mão-de-obra. como por Lenin. Os diferentes focos periféricos de industrialização 8. a tecnologia depende da ciência. Por formações éticas. pode haver assimetrias tecnológicas (MASTROSTEFANO e PIANTA.franqueada pelos países cêntricos . É uma visão da industrialização que passa a ser observada. COHN. 2004). 2008). 15 . para elas mesmas usarem. e. também tende a ser definidora para que novas ondas de tecnologia se processem e mantenham a corrida pela concorrência na acumulação de capitais a fim de que produção. Este novo caráter de dependência. mais pela ótica do capital e do investimento. TAVARES. em cima de um conhecimento acumulado. não estão imunes. por ocasião da formação do capitalismo russo. todavia. além de que o carro chefe do sistema capitalista industrial é o desenvolvimento e a geração de novas tecnologias para a extração da mais-valia relativa. este desenvolvimento não se generaliza por todas as regiões. também pode ser protagonizado. promovendo uma redução do custo de reposição da força de trabalho nas nações cêntricas.15). Estes são sinais que apontam para um processo de desenvolvimento capitalista com dependência. as relações de classe. impulsionado pela nova divisão internacional do trabalho. FONSECA. sublinha-se o papel da "acumulação primitiva". Nas palavras de FHC: “A composição das forças produtivas. corporações multinacionais e as empresas locais associadas a ambos (CARDOSO. O padrão cultural faz a diferenciação entre países e a cultura empresarial tende a ser diferente entre eles. iii) as exportações de matérias-primas. uns são mais ágeis e evolucionistas e outros mais conservadores (NEGRI. ET ALL. nem se presta a isso. CARDOSO.

1978. a qual acaba por se tornar dependência financeira. A tecnologia tem forte relação com a “história de fazer as coisas”. Isso. para os padrões atuais. tende a configurar-se. um processo inovativo quando. ou novo processo produtivo (TIGRE. atualmente. o foco de dependência tende a estar em maior grau na questão tecnológica que. a atual divisão internacional do trabalho promove. ou de intermediários de mediana tecnologia. Impõe-se aos muitos países menos desenvolvidos uma dependência financeira. desenvolvimento e dependência (tecnológica e financeira) são processos contraditórios e correlatos. 11 A inovação para um padrão tecnológico. Notadamente. CARDOSO. o afrouxa ou o arrocha da vida da mais valia. 1982. ou melhor.mundial. para fundar um novo. Nas palavras de CARDOSO. CARDOSO. que levam tempo e são demasiadamente caras. porque o processo de geração. Ela passa a ter uma regularidade. como dependência dos padrões tecnológicos 11. para equilibrar. 1998). (1980. seguem com a reprodução da dependência que vem desde o feudalismo. 12 Por meio da ‘cumulatividade tecnológica’ que se traduz no conhecimento acumulado. Então. 2010).). 16 . refletida na potencialidade do produto. A firma busca a apropriação dos ganhos dessa tecnologia. já que necessitam buscar as tecnologias produzidas pelas nações centrais e. 13 Pela ‘apropriabilidade tecnológica’. 1976. Tem um caminho a seguir. é o setor 1. a estabilidade 10 política monetária. usando a ciência e a técnica a serviço da firma. NEGRI. mercadológicas e tecnológicas. 1982. ainda não anula a questão da dependência entre centro-periferia. se buscam outras possibilidades. 1971. ou o melhor padrão tecnológico possível. Regulando-se a temporalidade. principalmente em relação à categoria de poder que se extende a esfera política. faz-se com que estes elementos aflorem. Nestes dois setores. TAVARES. 2005). 2006). P. Nesse contexto. modificam-se e se ampliam incessantemente. É a teoria da dependência. que não dissocia economia de política (QUIJANO. ET ALL. que assume um decisivo e necessário papel na explicação de ciclos de expansão e retração do capital. um aparato institucional com significativo grau de consolidação com regras definidas. e. a concentração no setor 1 e em setores afins. 1979. Então. não é algo dado. por meio de garantias mediante ‘patentes’ aperfeiçoando-se constantemente . em vias de geração. 1998. 1998. ao que parece. exige cumulatividade 12 e apropriabilidade tecnológica13. nos muitos países menos desenvolvidos. quando economia e política não se dissociam (SILVA. constantemente. o primeiro dos processos de organização política. do insumo onde a tecnologia pode ser gerada fora do setor. a verdadeira dependência. produto. 1999.a fim de se produzir com menor tempo possível (DOSI. TIGRE. sempre e quando inexistam processos políticos que lhes deem fim”. isso está fortemente presente nas empresas antigas do início do último século (DOSI. Ao que parece. Isso dá condições de a firma solucionar problemas e de se inovar. ou de absolescência tecnológica. à medida que estes buscam a promoção da industrialização para a produção de bens de consumo. com endividamento externo.seu leptime . complementaridade e compatibilidade das novas inovações. a tecnologia passa a ser expressa em produtos. ET ALL. COLISTETE. e estas são um processo de conquistas de padrões tecnológicos. 2005). nas economias cêntricas. CARNEIRO. impõe a existência de avançado padrão como exigência para se vencer as mazelas da industrialização periférica. a terem acesso e a buscarem o padrão mundial. é constituída. 86): “Assim. é razoável observar o problema por meio de dois clássicos setores econômicos: o de produção de bens de produção e o de produção de bens de consumo e seguem como básicos à compreensão dos mecanismos de acumulação. a sobra de liquidez para investimentos. pós globalização dos anos 90 e. porém. NEGRI. fruto de um diferencial de concorrência através da conquista tecnológica. que se reproduzem. CONCLUSÃO 10 A estabilidade política e econômica também leva os agentes a investirem em P&D. bem como. e por meio do processo produtivo. o de bens de produção. vai-se permitindo que a tecnologia faça seu caminho. A dinâmica capitalista procura mecanismos de defesa a fim de se garantirem os ganhos por um período maior de tempo. principalmente nos que tendem à geração de novas tecnologias (CARDOSO.

QUESTÕES DE REVISÃO: Responda. Esse processo tende a ser impulsionado pelo poder da informação rápida. Depende da maturação institucional da sociedade. Em FHC. mas de grande satisfação. pela compra de máquinas e equipamentos do exterior. os sindicatos. ou só as pares. o berço de geração de inovações. nesse olhar se aproxima uma situação de interdependência. os novos padrões. quando nada ocorre sem querer. é notória. e os muitos países menos desenvolvidos passam a ser. Essa visão contribuiu para a multiplicação de análises sobre o importante papel do Estado para o equilíbrio do desenvolvimento e das relações centro periferia. Em países como o Brasil. Em Schumpeter. distribuição ou não da renda. 1. as recomendações de aparelhamento do país. cada um destes com maior ou menor profundidade e com significado balizado em cima dos períodos de seus estudos. do ponto de vista da educação e da busca da eficiência técnica. do que pela geração própria. em muitos setores. à moda de Marx e Schumpeter. Essa inovação. estrategicamente. como no de 1947-57. em larga escala. Em todos esses momentos. Este percorre um longo caminho. realiza-se um esforço de reconsiderar os problemas do desenvolvimento econômico por meio da inovação. notadamente no último século. com acumulação. É a destruição criativa que quebra o marasmo das economias cêntricas e periféricas para a promoção do desenvolvimento econômico. que passaram a ganhar relevância à luz do olhar da teoria da dependência. conquistando-se uma posição sólida ao desenvolvimento de novos empreendimentos. o grande desafio às empresas dos países menos desenvolvidos é o de como se gerar inovações de produtos e de processos. mas que também é uma análise em que não se pode separar economia da política. as principais correntes apresentadas por três importantes estudiosos do desenvolvimento. essa nova onda de tecnologia com poder de oferecer um novo patamar de desenvolvimento tende a estar cada dia mais próxima. bem como da configuração e da importância das burguesias locais . tem o poder de mover o capitalismo para um novo patamar. com custos significativamente menores dos que poderiam ocorrer nos países cêntricos. O que diz Furtado em relação a passagem do Brasil de uma conformação rural para uma conformação urbana? 17 . mas não se promove desenvolvimento sem inovação. Em Furtado. a do Brasil rural e a do Brasil urbano industrial. com grande constelação de recursos potenciais. os operários as ideologias . ou só as ímpares. da reconfiguração frenética dos padrões de inovação e do fato de estes países menos desenvolvidos terem a chance de gerar e utilizar. as inovações tecnológicas se deem. já que estes estão prontos para receberem o grau de inovação visto que. ainda. o avanço do Brasil. onde a inovação assume uma corrida que nunca para.e. Por certo. da marginalidade e urbanização. ao nível de se competir com as nações desenvolvidas.movimentos sociais. ainda que nos muitos países menos desenvolvidos. se encontram equiparados as nações cêntricas. apoiada nas situações históricas que dão coloração às transformações estruturais que permitem entender a diversidade de avanço entre as diferentes nações cêntricas e os muitos países menos desenvolvidos que estão presos a um traço histórico de situação de dependência financeira e tecnológica. A industrialização deve vir sempre acompanhada da modernização dos meios de produção. entre diversas faces tem duas distintas. investindo em P&D. o melhor caminho para o processo de desenvolvimento é a promoção do novo ou melhor produto. deve ser uma escolha racional. em nossos dias. Vê-se que. para o momento. como no da crise de 29. buscando seu desenvolvimento. Segue-se com o período do milagre de 1968-73 e o da década perdida dos anos 80 e o da década de internacionalização econômica com a inflação galopante dos anos 90. passando por períodos de intensa incerteza.Este trabalho percorreu. em maior medida. É a inovação que.

ensina em relação a promoção do desenvolvimento? 18 .2. O que a teoria. como construir o desenvolvimento? 18. na promoção do desenvolvimento de um pais? 6. Apresente como foram os primeiros sinais dessa modernização do mercado interno? 4. ao populismo e. Quais as suposições e proposições de furtado para fugir do quadro de subdesenvolvimento? 7. corriqueiramente. Por que uma autonomia cultural e sua cesta de bens de consumo é importante para furtado. ao desenvolvimento nacional-burguês? 22. que caminhos elas podem trilhar na construção do desenvolvimento? 11. Em FHC. Explique a ocorrência de um processo histórico que se representa no concreto e no abstrato? 16. O que foi o modelo de substituição de importações e quais seus objetivos? 5. Por que o desenvolvimento econômico por si só não leva a distribuição? 17. Porque o modelo democrático burguês dos anos 60. Explique como ocorreu o subdesenvolvimento dependente e associado? 23. Como para Furtado o desenvolvimento pode gerar uma situação de dependência? 9. Apresente o ambiente econômico pós 2000 e como país pode voltar ao desenvolvimento por meio das leis atuais de indução à inovação? 14. Por que um modelo de desenvolvimento associado? 24. Comente a questão do dualismo cepalino entre mercado interno e externo? 19. Desenvolvimento é o desejo de todas as nações. Quais questões Furtado considera relevante em relação divisão internacional do trabalho? 10. O que diz Furtado em relação a passagem do Brasil de uma conformação agrária para uma conformação industrial? 3. Como FHC explica o processo de subdesenvolvimento? 15. Para FHC. Como furtado apresenta o período que vai de 1963-1966. Como se utilizar dos fluxos de inovação para apressar uma industrialização retardatária? 8. Explique o (sub)desenvolvimento associado? 20. 1974-1979? 12. O que é a crítica à sociologia do desenvolvimento. não é mais o foco do empresariado nacional? 21. Como Furtado apresenta os anos 80 e 90? O contexto econômico e o contexto político? 13. e do II PND.

Caderno n.. 1979.. Formação Econômica do Brasil. PPGE Economia/UFRGS.). São Paulo. São Paulo: Cia das letras. C. Rio de Janeiro: Zahar. FONSECA. Qual a configuração da dependência para os padrões atuais? REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BACHA. Sociologie du travail. Brasil em Perspectiva. CINTA. CARNEIRO. ________. N. F. Revisiting Import-Substituting Industrialization in Post-War Brazil . 1978. Paz e Terra. 1969. 1975b. Ed. Vilmar E. 2007. "Dépendance et ideologie dês dirigeants industrieis brésiliens". AS IDÉIAS E SEU LUGAR: Ensaio Sobre as Teorias do Desenvolvimento . Desenvolvimento e Subdesenvolvimento. C. (1982). 3. ________. 11. F. Teoria e Política do Desenvolvimento Econômico. CARDOSO. Revista de Economia Política. CARDOSO. C. São Paulo: Paz e Terra.ed. ed. G. 285-306. cit. Vozes Ltda. FURTADO. Vargas: o capitalismo em construção. ________. O Mito do Desenvolvimento Econômico.25. SP. BONELLI. Petrópolis.147-162. AUTORITARISMO E DEMOCRATIZAÇÃO. op. In: MOTA. A Revolução Burguesa no Brasil. vol. E. Entrevista de Fernando Henrique Cardoso a Roberto Pompeu de Toledo. in: Estado e Dependência. R. 2010. C. RJ. "Burguesia nacional y desarrollo". Zahar. Ed. Vol 25. Problemas na Industrialização no Século XX. 2006. 3. 11 n. O presidente segundo o sociólogo. 1981. Texto para Discussão. Paris.H. Brasiliense. ________. ________.H. ________. Ricardo. 1975a. São Paulo: Difel. DEPENDÊNCIA E DESENVOLVIMENTO NA AMÉRICA LATINA: Ensaio de Interpretação Sociológica. F. A Supremacia dos Mercados e a Política Econômica do Governo Lula . Notas sobre o estado atual dos estudos sobre dependência . Análise do Modelo Brasileiro.H. Ed. 1983a. COHN. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura. Ed. América Latina: ensaios de interpretação econômica. In: José Serra (org. São Paulo: Editora Unesp. CEBRAP. F. 1973. R. Pedro Cezar Dutra. 2. ________.. 1961. DOSI. RJ. Jul-Set – 2005. nº 3. F. Rio de Janeiro. E. p.ed. São Paulo: Victor Cívita. FALETTO. p. Carlos Guilherme. C. 1998. 1980. Florestan. 19 . FERNANDES. Gabriel. L. Renato P. “Technological Paradigms and Technological Trajectories: a suggested interpretation of the determinants and directions of technical change”. "Notas sobre o estado atual dos estudos sobre dependência". 33 e/ou. Companhia das Letras. 1999. Cadernos CEBRAP n. Ed. julho-setembro 1971.H. COLISTETE. 2ª ed. FARIA. 3. In El perfil de México en 1980. Editora Civilização Brasileira. São Paulo. Ou. 2. Paz e Terra. Uma interpretação das causas da desaceleração econômica do Brasil.H. Research policy.

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