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D ISCIPLINA : D IREITO C IVIL – C ONTRATOS P ROFª .: Ú RSULA

DISCIPLINA: DIREITO CIVIL CONTRATOS PROFª.: ÚRSULA BEZERRA

MÓDULO 9. DO CONTRATO ESTIMATÓRIO OU VENDA EM CONSIGNAÇÃO DOS CONTRATOS EM ESPÉCIE

9.1. Conceito e natureza jurídica

Trata-se de contrato no qual um dos contratantes, denominado de consignante, entrega bens móveis a outrem denominado consignatário, para que este os venda pelo preço estimado, pagando àquele, salvo se preferir que, no prazo ajustado, restituirá a coisa consignada. Encontra-se previsto nos artigos 534 à 537 do CC:

Art. 534. Pelo contrato estimatório, o consignante entrega bens móveis ao consignatário, que fica autorizado a vendê-los, pagando àquele o preço ajustado, salvo se preferir, no prazo estabelecido, restituir-lhe a coisa consignada.

Jornada I do STJ nº 32: - “Art. 534: no contrato estimatório (art. 534), o consignante transfere ao consignatário, temporariamente, o poder de alienação da coisa consignada com opção de pagamento do preço de estima ou sua restituição ao final do prazo ajustado”.

O objetivo deste contrato é que o consinatário venda o bem a terceiro pelo preço estimado pelo consignante (ou com preço maior), mas nada impede que o consignatário fique com o bem pelo preço fixado, oportunidade em que estariam presentes os requisitos da compra e venda simples.

Quanto a sua natureza jurídica trata-se de contrato bilateral, oneroso, comutativo, e de natureza real.

Obs. Obrigação facultativa.

9.2. Consequências a) Da responsabilidade do consignatário Art. 535. O consignatário não se exonera da obrigação de pagar o preço, se a restituição da coisa, em sua integridade, se tornar impossível, ainda que por fato a ele não imputável.

Obs. Relação existente entre a responsabilidade civil, sua excludente (caso fortuito ou força maior), a mora, e os contratos em geral.

Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado.

Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada. Art. 492. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do vendedor, e os do preço por conta do comprador.

b) Dos Direitos do consignante e do consignatário Até o pagamento integral do preço, o consignante continua como dono da coisa móvel transferida em consignação, por isso, o bem não poderá ser objeto de penhora ou seqüestro pelos credores do consignatário, ou seja, o dono perde a disponibilidade da coisa. Ocorre que o consignatário possui direito de posse sobre o bem móvel que lhe foi repassado em consignação até que seja restituído o bem ao consignante, razão pela qual o consignante não poderá dispor do bem, ou seja, grava-lo com alguns ônus ou mesmo aliena-lo até receber o bem ou ser notificado que irá recebê-lo. Obs. Depois de notificar o consignante poderá obtê-la judicialmente e não pode também negar-se a recebê-la.

Art. 536. A coisa consignada não pode ser objeto de penhora ou seqüestro pelos credores do consignatário, enquanto não pago integralmente o preço. Art. 537. O consignante não pode dispor da coisa antes de lhe ser restituída ou de lhe ser comunicada a restituição.

Obs. 2. Relação de consumo. Bens duráveis : Ex. veículos, jóias, obras de artes, etc. pode ser associado a outros contratos como comissão, publicidade.

Obs. 3. É muito comum nos produtos de difícil comercialização, pois não implica mobilização de capital ao varejista.

c) Estimação do preço - Regra: elemento fundamental, mas poderá ser posterior a tradição, e ainda poderá ser fixado por terceiro, ou mediante cotação em bolsa, ou a preço corrente de mercado, ou subordinar-se a termo.