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COMO O MERCADO DE CRÉDITOS DE CARBONO PODE AUXILIAR O

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DE PEQUENAS E MÉDIAS


PREFEITURAS

Autor(a): Denise de Mattos Gaudard (*)

Muito tem sido especulado a respeito do Mercado dos Créditos de


Carbono e as expectativas que estão sendo geradas para todo um mercado
integrado por empresários, profissionais de consultoria e principalmente por
prefeitos, governadores e gestores públicos que passaram a identificar nesses
certificados uma espécie de “salvação da pátria”, que solucionariam todos os
problemas dos seus lixões e ainda reforçariam os respectivos caixas com os
futuros Créditos de Carbono gerados pelo biogás captados nos respectivos
aterros sanitários.
E então, de forma crescente, começou uma espécie de “corrida do ouro”,
insuflada principalmente por empresas e países da União Européia, que
passaram a procurar avidamente por estes créditos, mas também a especular
fortemente como se fossem mais um tipo de título ou papel do mercado
financeiro e não um instrumento criado e desenvolvido como objetivo maior de
viabilizar projetos auto-sustentáveis que possibilitem a redução das emissões
dos gases geradores do efeito estufa e que sejam implementados em países
em desenvolvimento. Este instrumento foi denominado de Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo (MDL).
É importante frisar que este mercado é extremamente complexo, requer
um alto nível de conhecimento técnico e vultosos investimentos financeiros. Os
Projetos que originaram o Mercado de Carbono devem ser geridos por
empresas e profissionais sérios, profundamente engajados em sua auto-
sustentabilidade, com formação e expertise específica na gestão de resíduos
sólidos. Atualmente existem até escritórios de advocacia oferecendo projetos
de gestão de aterros.
É preciso enfatizar que a equação custos X investimentos X
sustentabilidade tem pelo menos que fechar fora do vermelho. Os altíssimos
investimentos que mandatoriamente serão implementados nos aterros
sanitários, aliados a uma certa incerteza de que os Créditos de Carbono irão
mesmo cobrir custos e ainda gerar lucros, podem acabar se tornando uma
futura dor de cabeça para os gestores em geral, principalmente para os
prefeitos.
Temos assistido à implementação de projetos que sequer têm um estudo
de viabilidade estrutural e econômica confiável, isto é, vemos muitos
especuladores de plantão e profissionais que andam pelo Brasil afora,
prometendo lucros estratosféricos aos prefeitos tão ambiciosos quanto pouco
informados.
O mercado de carbono parece prometer muitas perspectivas, sendo
ainda muito novo e por isso mesmo, gerando muitas incertezas. Sua
maturidade foi alcançada praticamente no final de 2005, com a solidificação do
Protocolo de Quioto após a adesão da Rússia. Mesmo assim, tem atraido
muitos interesses, geralmente de origem especulativa.
Empresas e governos, não somente no Brasil mas em todo mundo, tem
provocado debates, trocas de informações, entrevistas, artigos e trabalhos
acadêmicos.
A parte boa desta historia toda é que a comunidade científica e
acadêmica tem dirigido boa parte do seu foco de interesses para as demandas
por novas tecnologias que não somente gerem energias renováveis, mas
principalmente não poluam o planeta ou destruam o meio ambiente.
Devemos discutir e democratizar a geração de todo um conhecimento
voltado para o Mercado de Carbono, afinal, este envolve não somente
especulações no mercado financeiro, mas também gestão de resíduos, políticas
públicas, a atual situação de degradação dos lixões nos municípios brasileiros,
além de programas de inclusão de catadores e a educação ambiental da
população das cidades.
A necessidade gera a demanda e estas podem ser fatores de
alavancagem e agregamento de novos valores culturais socioambientalmente
mais corretos em empresas e nações inteiras, pois sabemos que se não
mudarmos urgentemente nossos hábitos de consumo e as atuais tecnologias
de geração de energia, poderá comprometer, em médio prazo a sobrevivência
da humanidade neste planeta.

Link: http://www.conpet.gov.br/home.php?segmento=empresa
A autora autoriza a publicação total e ou parcial de seus artigos, desde que se
divulgue a fonte. Entre em contato enviando críticas e sugestões para
denisedemattos@gmail.com
(*)Formada em Administração de Gestão Empresarial, pela Univ Santa Úrsula
(USU-RJ). Pós-graduação em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-
RJ) e Comércio Exterior pela Univ Católica de Brasília (UCB). Extensão em
Educação Ambiental, pela Univ Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Gestão de
Projetos pelo Project Management Institute (PMI-RJ). Consultora de Gestão
Empresarial e Socioambiental, com foco em projetos de gestão de resíduos,
energia renovável, mercado de créditos de carbono e Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo (MDL)
Criadora do PROJETO BIOREDES que visa a implantação da formação de
redes cooperativadas que conjugam coleta seletiva com reciclagem reversa
de oleo de fritura feita por associações e ou cooperativas de catadores
urbanos (junto a prefeituras e com empresas financiadoras parceiras).
Escreve artigos em mídias nacionais, participa de seminarios, palestras e
cursos sobre Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).