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I SEMINÁRIO NACIONAL LEONÍSTICO E LEOÍSTICO DE TREINAMENTO DE LIDERANÇAS (SENAL) Julho de 2008 - Balneário Camboriú SC

DERANÇAS (SENAL) Julho de 2008 - Balneá rio Camboriú SC CURSO DE CAPACITAÇAO SOBRE O TERCEIRO

CURSO DE CAPACITAÇAO SOBRE O TERCEIRO SETOR

Introdução ao Terceiro Setor

Direito do Terceiro Setor

Gestão de Organizações do Terceiro Setor

Captação de Recursos

Elaboração de Projetos Sociais

MATERIAL DE APOIO

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FICHA TÉCNICA

Material para uso exclusivo dos participantes do I Seminário Nacional Leonístico e Leoístico de Treinamento de Lideranças (SENAL) realizado em Julho de 2008 em Balneário Camboriú (SC). Elaborado pelos palestrantes do seminário:

Juliana Grigoli – socióloga, mestre em Sociologia Política da UFSC, educadora social da FUCAS – Fundação Casan.

Marina W. Cyrillo - turismóloga, mestre em Turismo e Hotelaria é docente da UNIVALI e da Rede CNEC de Joinville SC, trabalha como consultora em projetos públicos e privados pela Cyrillo Tourism Consulting.

Roberto Wöhlke - cientista político e advogado, especialista em Direito Empresarial e mestrando da UFSC, atua como docente na UNIVALI

Balneário Camboriú (SC), Julho de 2008.

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SUMÁRIO

APRESENTAÇAO

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INTRODUÇAO AO TERCEIRO SETOR

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DIREITO DO TERCEIRO SETOR

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GESTAO DE ORGANIZAÇOES DO TERCEIRO SETOR

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ELABORAÇAO DE PROJETOS SOCIAIS

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CAPTAÇAO DE RECUROS

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APRESENTAÇÃO

A emergência no Brasil do fenômeno social conhecido por Terceiro Setor, ou, ainda, Sociedade Civil Organizada, tem suas mais fortes raízes históricas na diversidade de lutas da sociedade civil para a retomada do regime democrático no país. Estas organizações, hoje oficialmente reconhecidas e em certa medida legalizadas, dedicam-se aos mais diversos objetivos sociais, atuando em questões que perpassam a preservação do meio ambiente, a promoção da saúde, cultura e educação, a promoção dos direitos humanos, os sistemas alternativos de produção, dentre muitos outros. Nos dias atuais, representam, sobretudo, a mobilização organizada dos atores da sociedade civil em busca de novas alternativas para o enfrentamento das questões sociais.

Muitas dessas entidades elaboram, discutem, planejam e, muitas vezes, inclusive, executam projetos de políticas públicas nas mais diversas localidades do país. Essa participação das Organizações da Sociedade Civil na esfera pública, que até então era tida como reduto exclusivo do Poder Público, tem alimentado nos últimos tempos uma miríade de debates que têm sido ainda temperados por outros tantos interesses de diversos segmentos da sociedade.

Contudo, especialmente na última década, as experiências exitosas de parcerias estabelecidas entre o Poder Público e a Sociedade Civil Organizada, bem como as novas concepções sobre a Administração Pública, oriundas das constantes inovações, têm possibilitado um amadurecimento das relações entre a Sociedade Civil Organizada e o Estado. Já não se discute mais a legitimidade e nem mesmo a necessidade da participação destas organizações nas ações do Poder Público; já não é mais sustentável a tese de que o “público” é monopólio do Estado, porquanto, de fato, não (mais) se confunde com este.

Assim, traçada esta mudança, o cenário atual aponta para a premente necessidade de adaptação dos agentes no funcionalismo público a esta nova realidade. Aperfeiçoar competências e técnicas da administração pública, em todos os seus

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níveis, com vistas a este processo, significa preparar o Poder Público para melhor usufruir o suporte representado pela Sociedade Civil Organizada na promoção e defesa do bem comum e do interesse público, ou seja, na consecução da finalidade primordial do próprio Estado.

Fruto da parceria entre a Universidade do Vale do Itajaí e a Associação Internacional

de Lions Clubes - Distrito Múltiplo L D AL 07/08, este curso em por objetivo atualizar,

debater e apresentar o panorama do Terceiro Setor no Brasil.

O objetivo central deste material é orientar os participantes do SENAL para o

aprofundamento posterior nos conteúdos sobre o Terceiro Setor, sua estruturação

conceitual e jurídica, o envolvimento com a elaboração de planejamento e gestão e

os

meios de organização das ações para elaboração de projetos sociais e captação

de

recursos.

Esperamos que todos tenham um bom curso e aproveitem o material no sentido e ampliar e difundir as idéias de construirmos um Terceiro Setor, justo, transparente e solidário.

Bom Trabalho!

Os organizadores.

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INTRODUÇÃO AO TERCEIRO SETOR

Roberto Wöhlke

Balanço Teórico do associativismo civil no Brasil 1

Conforme apontam os teóricos, a democracia participativa não é possível sem a base de uma sociedade organizada e rica em organizações de caráter comunitário. Mas, qual a natureza dessas organizações? Como elas se desenvolveram no Brasil? Qual a relação entre o associativismo civil e a ampliação da democracia? Estas e outras perguntas serão a tarefa deste texto, que busca mapear a discussão analítica sobre estas questões, feita no Brasil no decorrer dos anos 80 e 90. Assim, enquanto nos anos 80 predominou a discussão sobre os movimentos sociais, nos anos 90 serão as categorias “sociedade civil”, “terceiro setor” e “capital social” que buscarão interpretar o caráter e a dinâmica do associativismo civil brasileiro.

1 Perspectiva dos anos 80: movimentos sociais

No contexto do processo de democratização na América Latina, algumas mudanças significativas ocorreram, principalmente, no aspecto relacionado à forma e crescimento das organizações da sociedade civil. A ação coletiva destes grupos, principalmente, em meados da década de 70, desperta para uma mudança significativa, pois historicamente possuíam um baixo ritmo de crescimento, ocasionando a debilidade democrática nestes países (AVRITZER, 1997).

No entanto, a mudança do associativismo brasileiro não está somente no crescimento do número de associações civis, existe um “novo associativismo”, pois a prática e o perfil de seus dirigentes mudaram também.

1 O presente texto originou-se da pesquisa realizada sobre as experiências de democracia participativa, cujo trabalho completo esta publicado no livro Orçamento Participativo: análise das experiências desenvolvidas em Santa Catarina, Florianópolis, Editora Insular, 2007, 224p.

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Segundo Avritzer (1998, p.03), pode-se denominar de novo associativismo: “o movimento por parte dos atores sociais no sentido da constituição de associações civis do tipo material e não material, associações essas, capazes de demarcar um espaço civil, distinto do espaço político, na sua condição de espaço público autônomo e democrático”.

Esta mudança, segundo o autor, possui características empíricas e analíticas. As empíricas foram demonstradas em várias pesquisas referentes ao aumento do número de associações criadas; a segunda, refere-se ao conceito de cultura política, pois a idéia de uma propensão associativa é entendida como mudança na prática social e, ao aumento do grau de consciência cívica e conseqüentemente a uma postura nas práticas sociais mais democráticas. (AVRITZER, 1998).

Neste sentido, o associativismo brasileiro na década de 1980 (SADER, 1988; SCHERER-WARREN, 1987; AVRITZER, 1997) apresentava três diferentes matrizes discursivas para as práticas sociais do processo de democratização brasileiro. Estas matrizes em muitos pontos se identificam e apresentam fortes semelhanças, mas o ponto de destaque está em cada vertente. Pois, observa-se que a mudança para uma nova configuração social das práticas cotidianas cria uma consciência cidadã e possibilita a busca constante pelo reconhecimento de direitos. Estas três matrizes serão abordadas no próximo ponto.

1.1 Novos Movimentos Sociais

A análise da teoria dos novos movimentos sociais parte de vários autores europeus, como forma de crítica à interpretação dos atores sociais pelas vertentes marxistas, pois seus instrumentos de análise não mais condizem com a realidade, principalmente, sobre o caráter de luta de classes e sobre a questão do determinismo econômico, do olhar dominante sobre a estrutura. Desta forma, salienta Gohn (2002, p. 122) “o marxismo foi descartado porque trata da ação coletiva no nível das estruturas da ação das classes, trabalhando num universo de questões que prioriza as determinações macro da sociedade”.

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Esta diferença se estabelece, principalmente, pelos atores dos movimentos sociais que não mais se identificam somente pela luta de classe, sendo o Estado visto como principal inimigo, conforme eram vistas as várias lutas dos trabalhadores e operários nas indústrias no início do século XX na Europa.

Os novos movimentos sociais surgem num contexto diversificado de identidades, pela qual criam relações de solidariedade, o que fortaleceu este ideal. A dicotomia entre trabalhador e patrão não é mais vista como ponto central das lutas sociais. São

as lutas pelos direitos da mulher, por questões de gênero, raça e, principalmente, por questões ambientais que chamam a atenção, pois não querem tomar o poder e nem levantam bandeiras afirmando que suas idéias são respostas para o mundo. Estes movimentos são novos, pois quebram paradigmas antigos, são descentralizados, não hierarquizados, e sua identidade é parte constitutiva do movimento. Assim,

afirma Foweraker (1995 apud Gohn 2002, p. 124): “[

afirmações da tese dos Novos Movimentos Sociais é que eles são novos porque não

uma das principais

]

têm uma clara base classista, como os velhos movimentos operários ou camponeses; e porque não tem um interesse especial de apelo para nenhum daqueles grupos. São de interesses difusos”.

Estes movimentos surgem no período histórico onde as diferentes massas populares começam a aparecer no cenário político defendendo direitos sociais e fundamentais, colocam-se na sociedade com uma postura diferenciada dos outros movimentos, como: a não violência, desobediência civil, grandes passeatas, paradas e mobilizações globalizadas. Todas estas manifestações estão ligadas à crise da estabilidade do Estado de Bem Estar-Social e estão fortemente ligados aos princípios democráticos e de gestão participativa.

Estes novos movimentos sociais terão grande repercussão na América Latina, principalmente na luta pela redemocratização dos países onde predominavam os regimes militares.

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1.2 Teologia da Libertação

Nas décadas de 70 e 80, começam a surgir os primeiros movimentos sociais, característicos da fase de redemocratização dos países e da América Latina como um todo. Uma característica importante de observar é que na construção histórica da América Latina, a igreja católica sempre esteve muito presente e aliada ao Estado. Mas, em 1968 a conferência episcopal de Medellin percebendo a exploração e a miséria com que estava submetida à população Latino-America, elaborou um documento contendo uma nova proposta de trabalho. Este documento, tinha o principal objetivo de amenizar a injustiça social e a miséria na América Latina, trabalhando diretamente com os pobres, partindo do ponto de que a questão era mais social do que religiosa.

Isto e outros fatores originaram a criação por toda a América Latina das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), sendo estas mesmas, pensadas por jovens teólogos progressistas que tornaram-se pensadores de uma utopia libertária para a América Latina. Com isto, a Teologia da Libertação ganha adeptos, pois suas idéias misturavam-se com os pequenos grupos de esquerda que surgiam e utilizavam o espaço fornecido pela igreja para realizar reuniões populares. Como explica Scherer-

sob as ditaduras militares na América Latina, a igreja

Warren (1993, p. 35): [

progressista proveu “uma coberta protetora para as organizações populares, como para os sindicatos operários e as federações dos camponeses, que de outra forma sucumbiriam á regressão.

]

A teologia da Libertação no discurso dirigido ao pobre e excluído socialmente, lutava para a emancipação humana de todas as formas de opressão (econômica, política, legal, racial etc.) Desta forma, o resultado ganhou tanta notoriedade que constituiu um dos pilares para a redemocratização no país. Como afirma Fernandes (1994, p. 36): “O resultado foi tão expressivo que, pelos meados da década de 70, quem sentisse a necessidade de envolver-se em algum tipo de ativismo social na América Latina, fosse a pessoa religiosa ou materialista confessa, o melhor que tinha a fazer era procurar algum membro da “Igreja dos pobres””.

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As mobilizações sociais começaram, então, a aparecer no cenário político como resposta ao regime militar, e baseado numa visão de direitos sociais e coletivos articulando uma resistência para a abertura política do país e por uma democracia mais participativa.

As influências da Teologia da Libertação nos Movimentos Sociais Rurais tornam-se ainda mais acentuadas, pois no campo, além da criação das CEBs, existe a forte influência dos Sindicados dos Trabalhadores Rurais que apresentavam também características novas, no sentido de adquirirem mais autonomia e liberdade de expressão. Ponto abordado no próximo item.

1.3 Novo Sindicalismo

O novo sindicalismo no Brasil nasce em 1978, a partir das greves do ABC paulista, como um movimento autônomo e combativo, apresentando características diferentes daquelas oriundas dos sindicados de massa atrelados ao Estado. Este novo movimento sindical se consolidou como autêntico pois, numa época de forte repressão, os sindicalistas através de algumas brechas legais, conseguiram defender o interesse dos associados, através de ações e formas consideradas legítimas, contrapondo-se ao governo (SADER, 1988).

De acordo com Ilse Scherer-Warren (1987), o aspecto “novo” do sindicalismo apresenta as seguintes linhas norteadoras: 1) autonomia sindical frente ao Estado; 2) independência em relação aos partidos políticos; 3) negociações diretas entre empregados e patrões; 4) mobilização pelas bases e criação de uma democracia interna ao movimento; 5) nova forma de organização, trazendo o sindicado ao próprio local de trabalho.

Outro aspecto importante destacado por Scherer-Warren (1987) é que a constituição dos sindicados rurais apresenta as mesmas características dos urbanos, embora, tenha o acréscimo de algumas especificidades. Um exemplo deste fato, foram os Sindicatos de Trabalhadores Rurais da Região do Oeste de Santa Catarina. Quando reunidos em Chapecó, em 1984, propuseram novas formas de lutas e a incorporação

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de uma atitude mais combativa. Neste sentido, a autora destaca tais especificidades (SCHERER-WAREN, 1987, p. 44): É uma estrutura sindical diversa da atual, em pequenos grupos; engaja todos, homens, mulheres e jovens; faz crescer a consciência de classe; criação mais autêntica que o próprio sindicato; é incompatível com a autopromoção; as decisões do trabalhador é que definem os rumos da luta.

Neste sentido, os sindicatos rurais apresentavam uma sólida consciência e proposta de trabalho, engajando pequenos agricultores na luta por seus direitos.

Outro apoio fundamental no estímulo a conscientização crítica dos trabalhos, foi o trabalho realizado pela Pastoral da Terra sob a influência da teologia da libertação. Pois os agentes que trabalhavam nestes locais, junto à igreja, desenvolviam e incentivam a autonomia destes grupos.

2. Perspectiva dos anos 90: Sociedade Civil / Terceiro Setor/ capital social

Nos anos 90, com a redemocratização institucional do Brasil, a idéia de movimentos sociais em conflito com o Estado perde força. Os atores comunitários mudam sua postura em relação aos governos, que passam a ser mais interativas e propositivas. Para acompanhar estas tendências, novos conceitos ganham força, como vamos mostrar a seguir.

2.1 Sociedade Civil

A expressão “Sociedade Civil” na década de 90 ganhou importante conotação, pois traz a idéia de um todo. Já, nas décadas de 70 e 80, quando queriam se referir às ONGs ou aos movimentos sociais, os ativistas atribuíam a expressão como movimentos populares ou ações sociais. A aquisição deste novo termo revela a coexistência de instituições e organismos locais e regionais, que visam objetivos comuns e maior conscientização da cidadania.

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Neste sentido, Fernandes (1994, p. 88) afirma que: as expressões anteriores referiam-se a uma parte apenas, enquanto “sociedade civil” remete a um todo; da mesma forma, quando se diz “pobre”, “mulher” ou “negro”, tem-se em mente uma classe específica de indivíduos. Enquanto a palavra “cidadã” deve, hoje em dia, aplicar-se, independentemente de riqueza, gênero ou cor. Ao falar de “sociedade civil” e de “cidadania”, os movimentos adotaram um horizonte universalista, sendo constrangidos a considerar-se como partes de um conjunto maior.

Na história do pensamento político, o conceito de sociedade civil remete aos filósofos contratualistas, tais com Hobbes e Rousseau, que estabeleceram a visão através de um contrato feito entre o Estado e os homens. Através dos seus escritos, os homens eram guiados por paixões e necessidades que regiam suas condições primitivas chamadas de “societas naturalis” ou estado natural . A “societas civilis” representa uma ruptura com a “societas naturalis”, instituindo um corpo político, na qual a razão prepondera sobre o instinto. Nesta tradição jusnaturalista “societas civilis”, tinha a idéia de Estado, pois através desde pacto, o homem abdicaria parte de sua liberdade para as instituições (o Estado), que deveriam garantir segurança e convívio social (FERNANDES, 1995, p. 02).

Com a evolução do pensamento, chegamos a Hegel, no qual a sociedade civil estaria num processo anterior ao do Estado (BOBBIO, 1982). A inovação relacionada à tradição jusnaturalista, da idéia de sociedade civil ser o próprio Estado, estaria no momento intermediário entre as esferas públicas e privadas.

Como afirma Sell (1997, p. 32): de acordo com os intérpretes de Hegel, enquanto a família representa o lugar dos interesses privados e o Estado dos interesses públicos, a sociedade civil seria um espaço intermediário no qual os interesses das corporações oriundas do sistema de necessidades (no qual aparecem os estamentos ou classes) é regulado através da administração da justiça (pelo direito e tribunais).

O Estado, então, se formaria com a dialética entre as corporações e a administração da justiça. A esfera das relações econômicas também está presente neste conceito, segundo os princípios de um Estado liberal.

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Karl Marx, seguidor e crítico de Hegel, afirma que a sociedade civil compreende todo este conjunto, mais as relações da esfera econômica como próprio Hegel afirma. De uma forma genérica e devido ao materialismo histórico, Marx diz que a esfera econômica que compreende a estrutura (forças produtivas mais relações de produção) (SELL, 2001, p. 161) é a mesma que condiciona a formação do Estado Burguês, chamado de superestrutura. Nesta concepção, o Estado legitima a ação da estrutura. De acordo com Bobbio (1982, p. 33): na passagem da crítica da economia política onde Marx se refere à analise hegeliana da sociedade civil, ele especifica que “ a anatomia da sociedade civil deve ser buscada na economia política”; e, logo após, examina a tese da relação estrutura/superestrutura numa de suas mais famosas formulações.Desta forma percebe-se que Marx condiciona tudo a um determinismo econômico inclusive a formação e origem da sociedade civil.

É a partir deste ponto que o italiano Antonio Gramsci reformula os pressupostos

marxistas. Pois para Marx, a análise é feita a partir da estrutura (Economia) e para

Gramsci é feita pela superestrutura ( Estado e Ideologia). A sociedade civil não parte somente das bases econômicas. A ideologia das classes sociais é fortemente hegemônica e apresenta influência no Estado. Na Idade Média, o Estado sofria a influência da Igreja, que era o aparelho hegemônico de um grupo dirigente.

a sociedade civil compreende, para Gramsci, não mais

Ainda segundo o autor: “[

“todo o conjunto das relações materiais”, mais sim, todo o conjunto das relações ideológico-culturais; não mais “todo o conjunto da vida comercial e industrial”, mas

todo o conjunto da vida espiritual e intelectual” (BOBBIO, 1982, p. 33).

]

A relação entre o Estado e a ideologia criava a ditadura e a coerção. Tendo a

sociedade civil como parte da superestrutura, Gramsci achava, então, possível a

mudança de direção política do Estado, através da conscientização da sociedade civil. Sendo assim expresso:

Uma vez considerado o momento da sociedade civil como o momento através do qual se realiza a passagem da necessidade à liberdade, as ideologias – das quais a sociedade civil é sede histórica – são vistas não mais apenas como justificativa póstuma de um poder cuja formação histórica depende das condições materiais, mas

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como forças formadoras e criadoras de uma nova história, colaboradoras na formação de um poder que se vai constituindo e não como justificadoras de um poder já constituído. (BOBBIO, 1982, p. 41).

É por isto que Gramsci ganha notória importância nos movimentos sociais na década

de 70, pois as demandas por uma sociedade civil foram feitas num contexto de regimes autoritários. Assumindo importantíssima função, a noção de conscientização, propondo em termos dialéticos, mudança na oposição militar/civil, sendo sem dúvida, a principal investida dos movimentos sociais nos valores e ações que poderiam alimentar o âmbito da própria sociedade civil (FERNANDES, 1995).

O conceito de sociedade civil não tem somente vertentes teóricas de esquerda, ou marxistas. Apresenta também conceitos de correntes liberais, tendo como principais representantes Cohen e Arato que aprofundam seus estudos na teoria social e analisam a sociedade civil a partir de idéias formuladas por Jürgen Habermas (SELL,

1997).

Sua teoria social analisa a sociedade civil simultaneamente como um sistema e mundo da vida. O sistema seriam as relações do Estado e do Mercado, os quais poderiam ser chamados num conceito mais liberal, de setores (primeiro e segundo) e

o mundo da vida, seria entendido como um conjunto de ações e atores que possuem seu significado funcional e atual na manutenção deste conjunto (Ibidem).

O mundo da vida é composto por três estruturas; a cultura, entendida como choque de conhecimento; sociedade, vista como ordens legítimas dos atores; e a personalidade, competências dos sujeitos. Analisando a trajetória histórica das formações sociais, Habermas mostra que ao longo do tempo o processo fica complexo e o sistema (Estado e mercado) não consegue suprir sua demanda. Isso provoca uma racionalização no mundo da vida, que começa a interagir no cotidiano sistêmico, de forma que estas relações começam a ser auto-suficientes. Sendo bem caracterizadas por todo o contexto de atuação do terceiro setor (sociedade civil).

Cohen e Arato, a partir de Habermas, buscam elaborar o conceito de sociedade civil nessa complexidade do mundo da vida. Como afirma Sell (1997, p. 58): “Partindo da

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diferenciação entre estas três esferas, Cohen e Arato apontam que são as instituições responsáveis pela transmissão da cultura, da integração social e da socialização as que melhor correspondem ao nosso conceito de sociedade civil”.

Observa-se para estes dois autores o quanto representa a mídia na integração social, sendo elas, as responsáveis por esta construção. A partir destas teorias e conceitos sobre a sociedade civil, faz-se necessária à procura pela qual mais coincide com suas origens no Brasil, especialmente, quando são tratadas as questões do associativismo.

Na visão de Avritzer (1994, p. 285), o despontamento da sociedade civil brasileira está associada a três fenômenos principais: 1º) o surgimento de atores sociais modernos e democráticos; 2º) a recuperação por esses atores da idéia de livre associação na relação estado-sociedade, lado a lado com o questionamento de formas privatistas de relação estado-sociedade; 3º) a constituição de estruturas legais, público e políticas capazes de levar à institucionalização dos anseios político- culturais da sociedade civil. O processo pelo quais esses atores surgiram, adquiriram uma nova identidade democrática e passaram a pressionar o Estado e o sistema político a se adaptarem a uma nova concepção acerca da moderna institucionalidade democrática foi um longo processo que certamente não chegou ainda ao final.

Para Gohn (2002, p. 301), "a construção de uma nova concepção de sociedade civil

é resultado das lutas sociais empreendidas por movimentos e organizações sociais

nas décadas anteriores, que reivindicaram direitos e espaços de participação social". Essa nova concepção conforme Beck (2005, p. 62), "ampliou a visão da relação Estado-sociedade, legitimando a existência de um espaço ocupado por uma série de instituições situadas entre o mercado e o Estado, fazendo um papel de mediação entre os indivíduos organizados."

2.2 Terceiro Setor

O conceito do terceiro setor no Brasil tem suas origens nos movimentos sociais pela

redemocratização do país, consolidando-se principalmente, na década de 90, com o

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papel desenvolvido pelas ONG´s (organizações não governamentais) no país. Mas, tais discussões sempre tiveram seus fundamentos na área das ciências sociais. Desta forma, as conceituações sobre o Terceiro Setor, sempre foram formuladas pelas atividades desenvolvidas nos movimentos sociais. Como ainda é um termo recente, não existe uma definição clara a respeito, mas podemos destacar algumas particularidades.

Segundo Camargo (2001, p.18): A essência do Terceiro Setor reporta-se a um conceito abstrato e ideológico, no qual se atribui a existência de um mecanismo social público, porém não-estatal. Ao mesmo tempo, tem um conteúdo concreto, referente ao conjunto das entidades filantrópicas sem fins lucrativos, que reúne um aparato de recursos particulares em defesa de interesses coletivos. O sociólogo Rubens César Fernandes, apresenta uma definição do termo afirmando que Terceiro Setor pressupõe a existência de dois outros setores. O primeiro setor, que constitui o papel exercido pelo Estado, o segundo setor, o papel exercido pelas organizações comerciais, conhecido genericamente como Mercado. Com isso, o autor sugere uma classificação do termo, apresentando uma relação entre o papel dos agentes e seus referidos fins, em cada um dos setores apresentados.

Quadro 01 – Classificação do Terceiro Setor

AGENTES

FINS

SETOR

Privados

paraPrivados Privados = Mercado (2°)

Privados

=

Mercado (2°)

Público

paraPúblico Público = Estado (1º)

Público

=

Estado (1º)

Privado

paraPrivado Público = Terceiro Setor (3°)

Público

=

Terceiro Setor (3°)

Fonte: (FERNANDES, 1994).

O autor ainda acrescenta que tal definição “denota o conjunto das organizações e iniciativas privadas que visam à produção de bens e serviços públicos” (FERNANDES, 2003 p. 21).

Desta forma, tem-se a noção do papel desempenhado pelo Terceiro Setor. Na década de 90, este termo foi muito utilizado no contexto da Reforma do Estado

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institucionalizado pelo Ministério da Reforma do Estado e pelo Conselho da Comunidade Solidária, órgãos pertencentes ao governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Ambos, os órgãos promoveram debates entre o governo e a sociedade civil para a reformulação do chamado marco legal do Terceiro Setor no Brasil.

Estas discussões resultaram na elaboração e posterior aprovação das seguintes leis:

a lei das OSCIPS 9.790/99 (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) e

na Lei do Voluntariado 9608/98. A primeira estabelece critérios para que as organizações sem fins lucrativos possam pleitear junto ao Poder Público o reconhecimento de seu trabalho e estabelecerem parcerias. A segunda regulamenta

o serviço voluntário, estabelecendo responsabilidades e limites para o seu exercício (WÖHLKE, 2003, p. 121).

2.3 Capital Social

No contexto do debate acadêmico a categoria analítica denominada “Capital Social” ganha notoriedade através da obra de Robert Putnam intitulada “Comunidade e Democracia: a experiência da Itália Moderna”(1996). Nesta obra o autor examina as instituições italianas através do processo de descentralização administrativa ocorrida no final dos anos 70. Este processo permitiu o desenvolvimento social e econômico de algumas regiões na Itália. O foco central da obra é analisar o desempenho institucional dos governos locais já que apresentaram diferentes resultados: “A partir desta constatação, busca compreender a diferença de desempenho institucional recorrendo a outras variáveis e acaba por valorizar, sobretudo a cultura cívica, o civismo, a cultura política, as tradições republicanas, em suma fatores importantes para a existência de capital social (D’ARAUJO, 2003, p.14)”.

A partir deste ponto a categoria passa a servir como critério para mensurar o impacto

produzido pelas instituições nos governos locais. “Desta forma, o autor (Putnam),

além de questionar o desempenho institucional avalia a qualidade da democracia a partir da qualidade de seus cidadãos” (BORBA, J.; SILVA, L, 2006, p.88).

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As práticas e as atitudes de solidariedade de determinadas comunidades é que

demonstram possuir melhores condições para a produção de capital social. Nestes termos esclarece D’araujo (2003, p. 17): “Uma sociedade cuja cultura prática é valorizada a confiança interpessoal é mais propicia a produzir o bem comum, a prosperar. A cooperação voluntária, assentada na confiança, por sua vez, só é possível em sociedades que convivem com regras de reciprocidade e com sistemas

O capital social facilita a cooperação espontânea e

minimiza os custos de transação”.

de participação cívica. (

)

A principal atribuição do termo está em demonstrar que a produção de laços de

confiança entre as pessoas reduz atitudes egoístas de uma concepção individualista, e a característica que faz as pessoas assumirem tal concepção é a desconfiança. Por isso, Putnam (2002, p. 180) assim esclarece: “uma característica específica do capital social – confiança, normas e cadeia de relações sociais – é o fato de que ele normalmente constitui um bem público, ao contrário do capital convencional que normalmente é um bem privado. Por ser um atributo da estrutura social em que se insere o individuo, o capital social não é propriedade particular de nenhuma das pessoas que dele se beneficiam”.

Neste sentido a utilização deste termo na presente pesquisa auxiliará a demonstrar se a experiência do Orçamento Participativo, vista como proposta de aprofundamento da democracia, contribui para o aumento do grau de confiança entre os cidadãos que participam.

A correlação entre a análise dos processos democráticos e a geração de capital

social está no grau da tradição associativa de determinada localidade. Isto é, se existir uma sociedade civil forte e organizada há fortes indícios de cultura cívica e produção de capital social consequentemente haveria uma democracia local bem sucedida (D’ARAUJO, 2003).

As categorias, neste texto, trabalhadas, tiveram como objetivo demonstrar um breve balanço do associativismo civil no debate teórico das ciências sociais apresentando seus principais pontos e conceitos.

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VITA, Álvaro de. Sociologia da Sociedade Brasileira. 9 ed. São Paulo: Ática, 1999.

WÖHLKE, Roberto. Perfil Sócio-Político das associações de Moradores de Itajaí. Relatório Final da Bolsa de Pesquisa do Programa Integrado de Pós-graduação e Graduação. Centro de Ciências Jurídicas, Políticas e Sociais. Universidade do Vale do Itajaí, Itajaí, 2003.

WÖHLKE, Roberto; CAVEDON, Fernanda de Salles; MIRANDA, Ricardo de. Manual das Organizações da Sociedade Civil: Aspectos práticos para constituição e certificação. Itajaí: Navegantes, 2003.

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DIREITO DO TERCEIRO SETOR

Roberto Wöhlke

A CERTIFICAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL

1 Natureza Jurídica das Pessoas

O ordenamento jurídico brasileiro, no seu estatuto civil, estabelece a distinção entre

dois tipos básicos de pessoas, a quem reconhece a capacidade de figurar como sujeitos de direitos e obrigações na ordem jurídica: as pessoas naturais e as

pessoas jurídicas.

As pessoas naturais (ou físicas), conforme o entendimento legal, são os seres humanos que embora somente adquiram a personalidade a partir do nascimento com vida, encontram-se legalmente tutelados desde a sua concepção. Por sua vez, as pessoas jurídicas, embora se tratem efetivamente de uma ficção jurídica, têm a capacidade civil reconhecida a partir da aquisição da personalidade, ou seja, da existência legal.

O artigo 40 do CC - Código Civil contempla a existência de pessoas jurídicas de

duas naturezas, as de direito público (que pode ser interno ou externo) e as de direito privado. As pessoas jurídicas de direito público interno são a União, seus entes federados, os municípios, as autarquias e demais entidades assim criadas por lei. As pessoas jurídicas de direito público externo são os Estados estrangeiros e demais pessoas regidas pelo Direito Público Internacional. Pode-se dizer que a classificação de pessoa jurídica de direito público agrupa também, salvo algumas exceções, as entidades que pela natureza governamental e por deterem o monopólio do poder político-estatal, convencionou-se denominar por Primeiro Setor.

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Já as pessoas jurídicas de direito privado podem ser de três diferentes espécies:

sociedades, fundações ou associações. As sociedades, conceituadas no artigo 981 do CC, são entes jurídicos constituídos por pessoas físicas ou jurídicas que se obrigam reciprocamente a contribuir para o exercício de atividade econômica com bens e/ou serviços, partilhando entre si os resultados econômicos auferidos, assim caracterizado o lucro. Ao conjunto destas entidades, dado o seu caráter mercadológico, e, portanto, a potência econômica que representam, designa-se Segundo Setor.

Interessam-nos, particularmente, as outras duas espécies de entidades. São as fundações e as associações que compõem o Terceiro Setor, a Sociedade Civil Organizada, as OSC´s. A esta é que se dedica este trabalho.

2 Natureza Jurídica das OSC´s

Observe-se, inicialmente, que assim como as sociedades, as fundações e as associações são pessoas jurídicas de direito privado. Contudo distinguem-se da primeira, não pela classificação jurídica de que a priori compartilham, mas, pela natureza econômica, tendo na finalidade lucrativa o critério distintivo.

Enquanto a finalidade institucional das sociedades é o lucro, o mesmo não ocorre com as fundações ou associações. Por isso, as sociedades adquirem sua personalidade jurídica, de natureza civil ou mercantil, com a inscrição do seu ato constitutivo, do seu contrato social na Junta Comercial. Já as fundações e associações alcançam o reconhecimento legal de sua existência com o registro de seus respectivos estatutos sociais no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas.

Embora o Código Civil atual tivesse a finalidade não-lucrativa como um requisito essencial de sua concepção jurídica, até a sua entrada em vigor não havia uma definição jurídica que distinguisse as sociedades das associações, tendo como critério o lucro enquanto fim.

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Esta situação nos permite encontrar, ainda hoje, entidades com fins lucrativos cujas denominações trazem o distintivo de Associação. Por isso é recomendável, e em muitas situações é mesmo necessário, que a associação traga expressamente estampada no seu estatuto social, o indicativo de sua finalidade não-lucrativa.

Por isso não dispomos de uma conceituação do que se deva entender por finalidade lucrativa ou não-lucrativa, variando as concepções doutrinárias. Convém, então, que o referido instrumento constitutivo esclareça a definição que a entidade lhe atribui. Para esse efeito, nos parece bastante seguro o conceito esboçado pela Lei 9.790, de 23 de marco de 1999 (Lei das OSCIPs) no §1º do seus artigo 1º: “para os efeitos desta Lei, considera-se sem fins lucrativos a pessoa jurídica de direito privado que não distribui, entre os seus sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados ou doadores, eventuais excedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, bonificações, participações ou parcelas de seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que os aplica integralmente na consecução do respectivo objeto social”.

O que quer dizer que os excedentes financeiros que venham ser apurados serão sempre reaplicados na própria instituição. Ainda sobre a finalidade não-lucrativa, a fim de precisarmos o seu conceito e ficar menos sujeitos às confusões é oportuno traçarmos algumas distinções básicas:

2.1 Fins não-lucrativos e fins não econômicos

Apesar de o Código Civil, no seu artigo 53, trocar este por aquele, a rigor, não se confundem, pois a toda e qualquer fundação ou associação é dado o direito de exercer ou participar de atividades econômicas, desde que os frutos oriundos do bom desempenho financeiro não sejam desviados de sua finalidade.

2.2 Fins não-lucrativos e lucratividade

Por conseguinte, ter fins não-lucrativos também não se equipara a não ter lucro, até porque o resultado financeiro positivo é indispensável à própria subsistência da entidade.

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2.3 Fins não-lucrativos e remuneração

Certamente, lucro não é remuneração. Enquanto aquele se apresenta como almejável contrapartida ao risco do negócio, inerente a qualquer atividade econômica, e é assumido pelo empreendedor, esta é a compensação, o devido pagamento pelos serviços prestados. Por fim, não se pode esperar que todas as entidades sem fins lucrativos desempenhem eficazmente suas atividades, contando exclusivamente com serviços voluntários.

2.4 Fundações

Segundo o artigo 62 do Código Civil, as fundações são entidades constituídas por uma dotação especial de bens livres, através de testamento ou escritura pública, em que o seu instituidor especifica os fins a que se destinam. O parágrafo único deste artigo determina, também, que a finalidade das fundações terá que ser,

obrigatoriamente, religiosa, moral, cultural ou de assistência, podendo ainda declarar

o modo pelo qual a entidade será administrada.

A distinção básica desta espécie social é que se trata de pessoa jurídica constituída

em torno de um patrimônio, tendo o Ministério Público por seu guardião fiscal, que

intervém diretamente de modo a acompanhar sua criação, alterações estatutárias e extinção.

2.5 Associações

Uma associação caracteriza-se como pessoa jurídica de direito privado, criada pela união de outras pessoas em torno de um objetivo não lucrativo. Nos limites legais, a assembléia dos associados apresenta-se como instância deliberativa máxima, podendo conduzir livremente os rumos da entidade, sem que haja a necessidade da vigilância do Ministério Público.

O caput do artigo 53, CC é sucinto ao definir: "Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos”.

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3 Qualificações das OCS’s

No conjunto de entidades que compõem o Terceiro Setor, merecem destaque aquelas organizações cujos objetivos atendem a um caráter universalista, ou seja, são de efetivo interesse da coletividade, que não se restringem a um grupo limitado de associados. A estas entidades, especificamente, a União Federal, seguindo a tendência mundial de reconhecimento do caráter público destas organizações privadas, confere algumas certificações, sobre as quais, passa-se a tecer algumas considerações.

Os títulos concedidos por entidades representativas da administração pública federal

às OSCs apresentam-se como uma certificação, uma garantia perante a sociedade

em geral, de que aquela entidade desempenha papel significativo num campo de atuação de grande importância social. Portanto, são objeto da legítima preocupação governamental.

Mas não pára por aí. A importância que estas certificações adquiriram no contexto atual significa também, o sucesso do Estado em enquadrar legalmente esta força que emerge da atuação da sociedade civil no espaço público. Com isso, a legislação pertinente e técnicas adequadas vêm promovendo a profissionalização das instâncias gerenciais das OSC’s, que precisam estar a cada dia, mais atentas às oportunidades de auto-fortalecimento.

O reconhecimento pela União é uma postura pública da valorização social destas

entidades. Promete prestigiar e incentivar o trabalho que desempenham, enquanto

se assegura do atendimento às regras mínimas de conduta desejável.

Ao instituir estas certificações, o Estado consegue oferecer à sociedade parâmetros objetivos da idoneidade das OSC’s, fazendo com que a utilização desta qualificação, seja instrumento facilitador da abertura destes canais de relacionamento. Ademais, tais certificações lhes permitem ainda, o acesso a recursos públicos específicos, à isenções de natureza fiscal, além de legitimá-las como representantes da sociedade

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civil em fóruns e conselhos, e outras tantas vantagens inerentes ao seu campo de atuação social.

Contudo, não se pode deixar de considerar que a obtenção das certificações representa um grande desafio para as OCSs, que nem sempre dispõem de conhecimentos, profissionais habilitados e estrutura para preencher os requisitos exigidos pela legislação. Diante deste cenário, corre-se o risco de criar uma espécie de hierarquização de OCSs, entre aquelas que conseguem vencer os entraves burocráticos e obter a certificação, e as que não as obtém enfrentando maiores dificuldades na obtenção de recursos e reconhecimento de suas ações. Outra crítica que se levanta é a da crescente burocratização e intervenção estatal no âmbito das OSCs, que, pela sua própria natureza, primam pela autonomia, independência e fortalecimento das instâncias não governamentais, o que poderia comprometer sua liberdade de auto-organização e determinação.

No Brasil, o governo federal reconhece o caráter público destas entidades, através da concessão de quatro espécies de certificação: como Organizações Sociais, Entidades Beneficentes de Assistência Social, de Utilidade Pública Federal e de Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, como veremos a seguir.

3.1 OS – Organização Social

A designação Organização Social, também identificada pela sigla “OS”, refere-se a

uma qualificação legal que certas OSC’s podem pleitear. Esta distinção não é propriamente uma certificação, no entanto, ao serem assim qualificadas, estas entidades são automaticamente declaradas de Utilidade Pública Federal.

3.1.1 Competência para a qualificação

A Lei 9.637, de 15/05/1998, outorga ao Poder Executivo Federal, a faculdade de

certificar como Organizações Sociais, pessoas jurídicas de direito privado, sem fins

lucrativos, cuja atuação esteja direcionada ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do meio ambiente, à cultura ou à saúde.

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Ao especificar os requisitos para a habilitação à qualificação, no seu artigo 2º, a lei das OS’s exige, para este fim que haja a aprovação, quanto à conveniência e oportunidade de sua qualificação como organização social, do Ministro ou titular de órgão supervisor ou regulador da área de atividade correspondente ao seu objeto social.

3.1.2 Exigências estatutárias Determinando os requisitos que devem ser formalmente observados pela entidade em seu estatuto social, a lei em questão, relaciona-os nas alíneas do inciso I, do seu artigo 2º desta forma:

a) a natureza social de seus objetivos relativos à respectiva área de

atuação;

b) finalidade não-lucrativa, com a obrigatoriedade de investimento de seus

excedentes financeiros no desenvolvimento das próprias atividades;

c) previsão expressa de a entidade ter, como órgãos de deliberação

superior e de direção, um conselho de administração e uma diretoria definidos nos termos do estatuto, asseguradas àquele composição e atribuições normativas e de controle básicas previstas nesta Lei;

d) previsão de participação, no órgão colegiado de deliberação superior, de

representantes do Poder Público e de membros da comunidade, de notória capacidade profissional e idoneidade moral;

e) composição e atribuições da diretoria;

f) obrigatoriedade de publicação anual, no Diário Oficial da União, dos relatórios financeiros e do relatório de execução do contrato de gestão;

g) no caso de associação civil, a aceitação de novos associados, na forma

do estatuto;

h) proibição de distribuição de bens ou de parcela do patrimônio líquido em

qualquer hipótese, inclusive em razão de desligamento, retirada ou falecimento de associado ou membro da entidade;

i) previsão de incorporação integral do patrimônio, dos legados ou das doações que lhe foram destinados, bem como dos excedentes financeiros decorrentes de suas atividades, em caso de extinção ou desqualificação, ao patrimônio de outra organização social qualificada no âmbito da União, da mesma área de atuação, ou ao patrimônio da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, na proporção dos recursos e bens por estes alocados.

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3.2 CEAS – Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social

3.2.1 Fundamentação Legal

Assistência Social é a Política da Seguridade Social de caráter não contributivo, que provê mínimos sociais, através de ações integradas entre as instituições públicas e a sociedade civil, para garantir o atendimento às necessidades básicas do cidadão. (art 1° da lei 8.742/93 - Lei Orgânica de Assistência Social LOAS).

3.2.2 Competência para a concessão

O Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social é concedido pelo

Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS órgão ligado ao atual Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à fome. Apesar da distinção que o certificado confere à entidade, o CNAS administra ainda um cadastro de entidades simplesmente registradas, às quais confere um Atestado

de Registro.

3.2.3 Requisitos para a concessão

O CNAS considera Entidade Beneficente de Assistência Social a pessoa jurídica de

direito privado, sem fins lucrativos, que desempenhe atividade ligada a:

a proteção à família, à infância, à maternidade, à adolescência e à velhice;

o amparo às crianças e adolescentes carentes;

a promoção de ações de prevenção, habilitação, reabilitação e integração à vida comunitária de pessoas portadoras de deficiência;

a promoção,

gratuitamente, de assistência educacional ou de

saúde;

a promoção da integração ao mercado de trabalho;

desenvolvimento da cultura

a promoção do atendimento e do assessoramento aos beneficiários da Lei Orgânica da Assistência Social e a defesa e garantia dos seus direitos.

Além da compatibilidade dos objetivos da organização, para que o Certificado de CEAS seja concedido, ou mesmo renovado, é necessário que a entidade demonstre, cumulativamente, nos três anos imediatamente anteriores ao requerimento, estar:

legalmente constituída no país e em efetivo funcionamento;

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previamente inscrita no CMAS (Conselho Municipal de Assistência Social) do município de sua sede, se houver, ou no CEAS (Conselho Estadual de Assistência Social);

previamente registrada no CNAS;

3.2.4 Exigências Estatutárias

Com relação ao estatuto social da entidade, vale destacar que nele devem constar, obrigatoriamente, dispositivos determinando que a entidade:

a) aplica suas rendas, recursos e eventual resultado operacional

integralmente no território nacional e na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais;

ou

parcela do seu patrimônio, sob nenhuma forma;

c) não percebem seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores,

benfeitores ou equivalentes remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências,

funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos;

d) destina, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção,

o eventual patrimônio remanescente a entidade congênere registrada no CNAS ou a entidade pública;

e) aplica anualmente, em gratuidade, pelo menos vinte por cento da receita

bruta proveniente da venda de serviços, acrescida da receita decorrente de aplicações financeiras, de locação de bens, de venda de bens não

integrantes do ativo imobilizado e de doações particulares, cujo montante nunca será inferior à isenção de contribuições sociais usufruídas.

b) não

distribui

resultados,

dividendos,

bonificações,

participações

3.2.5 Maiores Informações

Por fim, cabe registrar que a home page (www.mds.gov.br) institucional deste órgão disponibiliza ao visitante todas as informações pertinentes, inclusive legislação e formulários.

3.3 UP Federal – Utilidade Pública Federal

Além da União, é muito comum que os estados e os municípios também declarem a Utilidade Pública de OSC’s com atuação nas respectivas esferas, estando a eficácia desta declaração, de igual forma, normalmente restrita ao âmbito do poder outorgante.

3.3.1 Competência para a concessão

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O Título de Utilidade Pública Federal, por sua vez, pode ser declarado por ato ex officio do Presidente da República, pela via do decreto presidencial, ou, a exemplo do que ocorre com a certificação de OSCIP, ser conferido, mediante solicitação da parte interessada, pelo MJ - Ministério da Justiça através da SNJ - Secretaria Nacional de Justiça.

3.3.2 Exigências para a concessão

Obedecendo ao disposto na Lei nº 91, de 28/08/1935 e no Decreto nº 50.517, de 02/05/1961 que a regulamenta, este título, "pode ser" concedido a certas OSC´s (associações ou fundações) que promovam a educação ou exerçam atividades predominantemente filantrópicas de caráter geral ou indiscriminado, culturais, artísticas ou de pesquisas científicas. A entidade interessada deve dirigir o pedido ao Presidente da República, comprovando o atendimento aos requisitos elencados no artigo 2º deste decreto:

a) que se constitui no país;

b) que tem personalidade jurídica;

anos

imediatamente anteriores, com a exata observância dos estatutos;

d) que não são remunerados, por qualquer forma, os cargos de diretoria e

que não distribui lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma forma ou pretexto;

e) que, comprove, mediante a apresentação de relatórios circunstanciados,

três anos de exercícios anteriores à formulação do pedido;

f) que seus diretores possuam folha corrida e moralidade comprovada;

g) que se obriga a publicar, anualmente, a demonstração de receita e

despesa realizadas no período anterior, desde que contemplada com subvenção por parte da União.

c) que

esteve

em

efetivo

e

contínuo

funcionamento,

nos

três

3.3.3 Denegação do pedido

Tendo sido denegado o pedido, este não poderá ser renovado antes de decorridos dois anos da publicação do despacho denegatório. Do despacho, contudo, cabe reconsideração no prazo de 120 dias.

3.3.4 Cassação do título

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O título de UP Federal estará, sempre, sujeito à cassação, que se dará mediante

representação documentada do órgão do Ministério Público, ou de qualquer interessado da sede da entidade, ou ainda, em processo instaurado pelo próprio MJ.

Esta cassação pode ser motivada pela comprovação de que a organização perdeu a personalidade jurídica, deixou de servir desinteressadamente à coletividade com a inobservância de sua finalidade não-lucrativa, retribuiu por qualquer forma os cargos das suas instâncias administrativas, negou-se a prestar serviço compreendido em seus fins estatutários, ou mesmo, tenha o seu funcionamento comprometido.

Sob a ameaça desta sanção, as entidades agraciadas por esta declaração são obrigadas a apresentar anualmente, até o dia 30 de abril, relatório circunstanciado dos serviços prestados à coletividade no ano anterior. Este relatório deverá estar acompanhado do demonstrativo contábil completo, relativo ao período pertinente. Há ressalva, neste caso, para o reconhecimento de motivo de força maior, que pode justificar a falta da apresentação por até dois anos consecutivos.

3.3.5 Maiores Informações

O site da SNJ/MJ (www.mj.gov.br) também disponibiliza algumas informações úteis

aos que estejam interessados. Quem pretende pleitear o título encontrará um canal

de comunicação com a SNJ com dados acerca de sua estrutura e competência, legislação, lista das entidades credenciadas, os requerimentos e as listas dos documentos necessários para a concessão do título.

3.4 OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público

A qualificação como OSCIP - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público,

instituída pela Lei nº 9.790, de 23/03/1999, também concedido pelo MJ, através da

SNJ, apresenta-se como resultado de uma nova concepção jurídica contemporânea, que contempla as OSCs como agentes legítimos dos interesses coletivos.

Com efeito, esta lei, regulamentada pelo Decreto 3.100, de 30/06/1999, traz no seu bojo uma série de novidades que serão destacadas adiante. Entretanto, ainda corre

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nas esteiras que levam ao reconhecimento de outros benefícios e incentivos restritos às outras qualificações precedentes.

Assim, esta qualificação não representa certamente a solução definitiva dos problemas enfrentados pelo Terceiro Setor, mas desponta como uma relevante conquista inicial. Além do mais, contou com a participação direta de diversos representantes da SCO em seu processo de criação, o que por si só lhe confere uma legitimidade pioneira.

No intuito de dar melhor didática à abordagem, realçando os pontos citados, optou- se por apresentá-la, inserindo observações comparativas, à legislação pertinente às classificações anteriormente estudadas.

3.4.1 Acesso à qualificação

Cria a qualificação de OSCIP, concedida pelo MJ.

Responde com rapidez a solicitação.

Conforme determinado no caput do artigo 3º, da Portaria do MJ nº 361, de 27/07/1999, a SNJ tem o prazo de 30 dias, a contar do protocolo, para deferir ou não o requerimento, devendo ainda, publicar o ato no DOU - Diário Oficial da União, mediante despacho do Secretário Nacional de Justiça, no prazo máximo de 15 dias.

Responde à solicitação com objetividade na resposta à solicitação. Como esta decisão é ato vinculado ao cumprimento de exigências legais objetivas, se estas estiverem contempladas, a decisão será necessariamente favorável. E ainda, tendo o pedido deixado de cumprir algum dos requisitos legais, atendendo ao que dispõe o parágrafo único, do artigo 3º, da Portaria do MJ nº 361, de 27/07/1999, o ato do indeferimento deverá ser publicado em igual prazo, fundamentado com o aponte da irregularidade legal que ensejou a denegação.

Negada a qualificação, basta corrigir a falta indicada. Significa que, tendo o requerente, efetivamente corrigido a irregularidade que, aliás, já era previsível anteriormente, terá sua solicitação deferida.

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Possibilita a reapresentação imediata. A entidade pode corrigir e reapresentar imediatamente a solicitação de qualificação, por quantas vezes forem necessárias, sem que haja prazos mínimos a serem observados entre uma e outra.

3.4.2 Amplia o leque de atuações sociais qualificáveis

Reconhece OSCs cujo campo de atuação não era abarcado por nenhuma das leis e

qualificações até então existentes, possibilitando o reconhecimento da importância

de entidades com atuação na defesa de direitos até então não valorizados.

Define objetivamente as espécies de OSCs que não serão qualificadas como OSCIP.

3.4.3 Institui o Termo de Parceria

O Decreto nº 3.100, de 30/06/1999, que regulamenta a Lei das OSCIPs instituiu o

Termo de Parceria, cujos requisitos e procedimentos são mais simples, possibilitando, através deste novo instrumento, o acesso a recursos públicos para a

realização de projetos.

As normas que regulamentam a utilização do Termo de Parceria estão contidas no próprio decreto.

Há flexibilidade na forma de aplicação dos recursos, permitindo inclusive a cobertura de despesas oriundas do pagamento de pessoal que trabalhe no projeto, incluindo

os encargos trabalhistas e previdenciários.

Legitima também as despesas relativas ao período compreendido entre a data de término e a da renovação do Termo de Parceria.

O Termo de Parceria pode ser renovado por Registro por Simples Apostila ou Termo

Aditivo.

São permitidos adiantamentos feitos pela OSCIP à conta bancária do Termo de Parceria em casos de atrasos nos repasses de recursos.

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É incentivada a escolha de OSCIPs parceiras por meio de concurso de projetos. Este

método de seleção, além de conferir maior idoneidade ao processo de escolha dos parceiros, consegue identificar os melhores planejamentos para a consecução dos fins abrangidos.

3.4.4 Avaliação de desempenho focada nos resultados

A ênfase do controle se concentra no alcance de resultados. Ou seja, a avaliação

pelo bom uso e a responsabilização pelo mau uso dos recursos públicos utilizados, está focada nos resultados obtidos. Prevê a aplicação de severas punições para os casos de uso indevido de recursos. Além das sanções aludidas no caso dos convênios, imputam-se também a indisponibilidade e o seqüestro dos bens dos responsáveis pela utilização indevida.

Também está prevista a criação de uma Comissão Avaliadora, composta por representantes do órgão estatal parceiro, do respectivo CPP - Conselho de Políticas Pública e da própria OSCIP. Incumbe a esta comissão avaliar o Termo de Parceria e verificar o desempenho universal do projeto em relação aos benefícios obtidos para a população-alvo.

Tratando-se de valores que superem a cifra de R$ 600 mil, a OSCIP deve contratar uma auditoria independente para avaliar o Termo de Parceria. Neste caso, o custo resultante da contratação pode ser incluído no valor do próprio Termo de Parceria.

3.4.5 Prestação de contas dos recursos públicos recebidos

O Termo de Parceria exige uma prestação de contas mais simples do que a dos

convênios, que deve ser feita diretamente ao órgão parceiro, por meio de relatório da

execução do objeto do Termo de Parceria. Este relatório deve conter o demonstrativo contábil, o extrato da execução física e financeira devidamente publicado e a comparação entre as metas e os respectivos resultados.

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3.4.6 Transparência e controle social Independentemente da origem dos recursos utilizados, seja pública ou mesmo própria, é vedada a participação de OSCIPs em campanhas eleitorais ou mesmo de interesse político-partidário.

Faz da adoção de práticas gerenciais que coíbam o favorecimento pessoal em processos decisórios, uma exigência inafastável.

Além da participação dos Conselhos de Políticas Públicas na Comissão de Avaliação dos resultados, eles são consultados antes mesmo da celebração dos Termos de Parceria.

Determina a criação de um Conselho Fiscal, dentro da própria estrutura administrativa da OSCIP, de modo que funcione como a primeira instância de controle interno.

O acesso às informações pertinentes às OSCIPs, junto aos registros do MJ é livre.

Desde que amparado por evidências que apontem erro ou fraude, a perda da qualificação como OSCIP, pode ser requerida por qualquer cidadão, tanto pela via judicial, quanto pela administrativa.

Estabelece que a OSCIP promova, obrigatoriamente, a publicidade tanto do seu relatório de atividades quanto das suas demonstrações financeiras. Remuneração de dirigentes

Num pioneirismo sem precedentes, esta legislação logrou também sobrepujar a hipocrisia reinante, abrindo o precedente de reconhecer a possibilidade de que as suas organizações qualificadas remunerem seus dirigentes.

Mesmo tendo inicialmente se deparado com as restrições fiscais impostas em virtude desta opção, os condutores do processo de reforma do Marco Legal, conseguiram superar mais este limite. A partir da edição da MP – Medida Provisória nº 66, de

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29/08/02, por determinação disposta no seu artigo 37, as OSCIPs que remuneram seus dirigentes não perdem mais a isenção do Imposto de Renda.

E também, desde que a remuneração em seu valor bruto, não seja superior ao limite

estabelecido para os servidores do Poder Executivo Federal, ou seja, de Ministro de Estado, equivalente em 08/02 a R$ 8.400,00 aproximadamente, têm ainda, a possibilidade de receber doações dedutíveis das empresas doadoras.

3.4.7 Compatibilidade com as Demais Certificações

Primeiramente deve ficar claro que esta certificação não se propõe a substituir aquelas anteriormente estudadas que continuam sendo expedidas com plena validade. Por conseguinte, cumpre observar que os títulos de EBAS e de UP Federal sejam plenamente compatíveis entre si, desde que observadas suas exigências; com relação de concomitância entre estes e a qualificação como OSCIP precedem observações.

A questão refere-se à incompatibilidades programada, pois desde a publicação da

Lei das OSCIPs, já estava previsto no seu artigo 18, que as entidades poderiam ostentar esta certificação simultaneamente com a de EBAS ou UP Federal, desde que atendidas as exigências inerentes a elas, pelo prazo máximo de dois anos a contar da vigência desta lei. Já em 2001, a Medida Provisória 2.216, no seu artigo 18, prorrogou o prazo para cinco anos, contados a partir da data de vigência da Lei das OSCIPs.

Diante deste quadro, as organizações que cumulem estas certificações têm até março de 2004 para usufruírem desta situação. Encerrado este prazo, a entidade deverá optar por uma delas. Contudo, vale destacar, que o registro no CNAS, imprescindível à celebração de convênios com a União, pode ser cumulado com a qualificação de OSCIP, pois não está sujeito a determinações legais mencionadas, pois para seus efeitos, não se considera o registro como qualificação.

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3.4.8 Acesso à Qualificação

Uma organização, para ver-se contemplada na pretensão de receber esta qualificação, deve atender aos requisitos dos artigos 1º, 2º, 3º, 4º e 5º da lei que a institui. Sumariamente, significa dizer:

ser pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos;

atender aos objetivos sociais e às normas estatutárias previstas na Lei;

apresentar cópias autenticadas dos documentos exigidos.

A entidade deve, estar enquadrada à natureza jurídica, ou seja, ser associação ou fundação privada que não esteja enquadrada no rol das entidades listadas pelo artigo 2º; não ter o lucro como fim e dedicar-se ao menos uma das finalidades mencionadas no artigo 3º; adotar um regime administrativo, também delineado estatutariamente, que oriente as atuações gerenciais pela transparência e pelos princípios basilares da administração pública.

Desse modo, se atendidos integralmente os requisitos legais previstos, a qualificação será deferida, dentro do prazo de lei. Cabe agora identificarmos objetivamente os critérios a serem atendidos.

3.4.9 Exigências Relativas à Natureza Jurídica

De acordo com o estabelecido pelo Código Civil, a natureza jurídica da entidade deve estar tipificada como pessoa jurídica de direito privado. Pode ser uma associação ou uma fundação, desde que não instituída por órgão ou fundação pública.

Também ligado à natureza jurídica da entidade, está a finalidade não lucrativa, traço essencial que as distingue das sociedades mercantis e civis. Diante disso, atenta à necessidade de precisão que o termo exige, a Lei das OSCIPs estabelece a sua finalidade não-lucrativa, no § 1º do artigo 1º: "Para os efeitos desta Lei, considera-se sem fins lucrativos a pessoa jurídica de direito privado que não distribui, entre os seus sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados ou doadores, eventuais excedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, bonificações,

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participações ou parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que os aplica integralmente na consecução do respectivo objeto social".

3.4.10 Exigências Relativas aos Objetivos Sociais

Visando precisar objetivamente o que significa o Interesse Público, aludido no próprio título de OSCIP, e demonstrando a preocupação de ampliar o leque de atuações voltadas à coletividade, passíveis do reconhecimento pelo Poder Público, que até então muito restrito, esta lei relaciona, no seu artigo 3º, ao longo dos seus incisos, as finalidades compatíveis com o seu conceito de ˝ Interesse Público ˝ . Ao menos um dentre estes deve constar nos objetivos da entidade:

i) promoção da assistência social;

ii) promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e

artístico;

iii) promoção gratuita da saúde, observando-se a forma complementar de

participação;

iv) promoção gratuita da educação, observando-se a forma complementar

de participação;

v) promoção da segurança alimentar e nutricional;

vi) defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do

desenvolvimento sustentável;

vii) promoção do voluntariado;

e

assessoria jurídica gratuita de interesse suplementar;

ix) promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da

democracia e de outros valores universais;

x) promoção do desenvolvimento econômico e social e combate à pobreza;

xi) experimentação não-lucrativa, de novos modelos sócio-educativos e de

sistemas alternativos de produção, comércio, emprego e crédito;

xii) estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas,

produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos que digam respeito às atividades supra mencionadas.

viii) promoção de direitos estabelecidos, construção de novos direitos

3.4.11 Exigências Relativas ao Estatuto

Este é um documento vital para a entidade. Aqui estão delineadas suas principais características constitucionais, e através dele vê-se suas principais feições.

39

Primeiramente a OSC deve expressar em seu estatuto a definição da sua natureza jurídica, informando ser uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos. Estes, entendidos segundo a definição oferecida por esta lei.

Outro ponto essencial refere-se às suas finalidades e à forma pela qual dedica-se a elas. Aqui, deve-se indicar se é por meio de execução direta de projetos, programas ou planos de ações, doação de recursos físicos, humanos e financeiros ou prestação de serviços intermediários de apoio a outras organizações sem fins lucrativos e a órgãos do setor público que atuam em áreas afins.

Dado o poder das disposições deste documento, no âmbito da respectiva entidade, a Lei das OSCIPs tratou de listar uma série de exigências que dizem respeito às disposições que dele devem constar expressamente. O comprometimento formal da organização em seguir estes preceitos é um traço marcante de uma OSCIP. São eles:

I - a observância dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e eficiência;

II - a adoção de práticas de gestão administrativa, necessárias e suficientes

a coibir a obtenção, de forma individual ou coletiva, de benefícios ou vantagens pessoais, em decorrência da participação no respectivo processo decisório;

III - a constituição de conselho fiscal ou órgão equivalente, dotado de

competência para opinar sobre os relatórios de desempenho financeiro e contábil, e sobre as operações patrimoniais realizadas, emitindo pareceres para os organismos superiores da entidade;

IV - a previsão de que, em caso de dissolução da entidade, o respectivo

patrimônio líquido será transferido a outra pessoa jurídica qualificada nos termos desta Lei, preferencialmente que tenha o mesmo objeto social da

extinta;

V - a previsão de que, na hipótese de a pessoa jurídica perder a

qualificação instituída por esta Lei, o respectivo acervo patrimonial disponível, adquirido com recursos públicos durante o período em que perdurou aquela qualificação, será transferido a outra pessoa jurídica qualificada nos termos desta Lei, preferencialmente que tenha o mesmo objeto social;

VI - a possibilidade de se instituir remuneração para os dirigentes da

entidade, que atuem efetivamente na gestão executiva, e para aqueles que

a ela prestam serviços específicos, respeitados, em ambos os casos, os

valores praticados pelo mercado, na região correspondente à sua área de

atuação;

VII - as normas de prestação de contas a serem observadas pela entidade,

que determinarão, no mínimo:

a) a observância dos princípios fundamentais de contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade;

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b) que se dê publicidade, por qualquer meio eficaz, no encerramento

do exercício fiscal, ao relatório de atividades e das demonstrações financeiras da entidade, incluindo-se as certidões negativas de

débitos junto ao INSS e ao FGTS, colocando-os à disposição para exame de qualquer cidadão;

c) a realização de auditoria, inclusive por auditores externos independentes, se for o caso, da aplicação dos eventuais recursos objeto do Termo de Parceria, conforme previsto em regulamento;

d) a prestação de contas de todos os recursos e bens de origem

pública recebidos pelas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público será feita conforme determina o parágrafo único do art. 70 da Constituição Federal.

3.4.12 - Documentos e Procedimentos

O procedimento para obter esta qualificação exige que a organização o solicite, formalmente, ao MJ, na Coordenação de Outorga e Títulos da SNJ. Este requerimento deve estar acompanhado das cópias autenticadas por fé pública, de todos os documentos relacionados pelo artigo 5º:

I - estatuto registrado em Cartório;2

II - ata de eleição de sua atual diretoria;

III - balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício;

IV - declaração de isenção do imposto de renda;

V - inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes.3

Para o caso do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício, mesmo tendo a entidade sido criada há menos de um ano, o levantamento dos mesmos deve ser feito para o período de existência da entidade. Este procedimento deve ser realizado por contador devidamente registrado no CRC - Conselho Regional de Contabilidade. Para o caso de a entidade ter sido criada há menos de um ano, o balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício deve ser feito, sob a forma de um levantamento dos mesmos para o período de existência da entidade. Este procedimento também é realizado por um contador, cadastrado no CRC. Em virtude do pouco tempo de criação, ocorre que a entidade ainda não tenha todos estes documentos; nesta situação, convém um contato com o MJ em busca de maiores esclarecimentos, já que, à princípio, não está descartada a possibilidade de que seja deferido.

2 Ver modelo hipotético anexo a esta publicação. 3 Inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes / Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CGC/CNPJ).

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DIPJ - Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica, referente ao ano anterior, acompanhada do recibo de entrega. A Declaração de Isenção do Imposto de Renda é a própria Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) que as entidades sem fins lucrativos isentas são obrigadas a apresentar à SRF - Secretaria da Receita Federal. Essa declaração deve ser referente ao último ano em que foi apresentada a sua entrega à SRF, ou seja, ao exercício fiscal anterior já encerrado.

3.4.13 Como Solicitar

O endereço é o seguinte: MINISTÉRIO DA JUSTIÇA; SECRETARIA NACIONAL DE

JUSTIÇA; Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação; Setor de

Qualificação – OSCIP; Endereço: Esplanada dos Ministérios, Ministério da Justiça Ed. Anexo II – 3º Andar – Sala 329; Brasília – DF CEP: 70.064-900.

Aspectos das Relações de trabalho nas Organizações da Sociedade Civil

A cada dia é crescente o número de pessoas trabalhando em organizações sem fins

lucrativos, Os investimentos e financiamentos ao setor mostram-se maiores. Assim o Terceiro Setor4 apresenta-se um novo fator de empregabilidade. Segundo Barbosa (2003, 43) No Brasil, o Terceiro Setor emprega cerca de 1.120.000 pessoas, criando desta forma a necessidade de as organizações sem fins lucrativos de estarem contratando as pessoas de acordo com os regimes jurídicos dispostos na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

Com isso, o presente ensaio destina-se a apresentar os principais aspectos contidos nas relações trabalho do Terceiro Setor. Utilizando como recurso didático os regimes jurídicos das relações de trabalho apresentadas na CLT, e as principais inovações na área, principalmente com o advento da Lei 9.608/98 (Lei do Voluntariado). Desta

4 A expressão utilizada no decorrer do texto apresenta-se como forma genérica, para explicar o fenômeno das Organizações da Sociedade civil, estando está desvinculada de seu contexto histórico.

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Forma utilizaremos os regimes jurídicos estabelecidos na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)

1 Regimes de Trabalho na CLT.

Inicialmente, para compreendermos as relações jurídicas de trabalho é necessário a compreensão do que seja empregado para a CLT. Dispõe os artigos 2° e 3° da CLT que considera empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste mediante salário.

Assim, são quatro elementos que caracterizam a relação de emprego: a pessoalidade; a habitualidade mediante salário. O quarto elemento, a subordinação, é a essencial para caracterizar juridicamente o contrato de trabalho. O empregador trabalha sob as ordens e controle do empregador, que utiliza a sua mão-de-obra da melhor forma que entenda. O empregador é quem decide. Se o empregado não concorda com determinada ordem, pode até questioná-la, mas nunca deixar de cumpri-la, pois, nesse caso, poderá até ser despedido por justa causa.

1.1 Regime do Trabalho Autônomo.

O primeiro regime que utilizaremos previsto na CLT é a contratação de Trabalhadores Autônomos constituindo como uma forma de uso de mão de obra sem formação de vínculo empregatício para a realização de atividades determinadas em caráter de não exclusividade. Se os serviços são de curta duração, como uma palestra ou um pequeno serviço de manutenção, a contratação pode ser informal. Se, todavia, o trabalho for extenso ou repetitivo (consultoria, manutenção preventiva periódica, gestão de um boletim informativo, etc.), é recomendável que esteja amparado em um contrato escrito.

Em regra geral, a entidade deverá efetuar o pagamento de 15% sobre a remuneração do autônomo, a título de contribuição previdenciária, conforme exigido pela Lei Complementar 84, de 18/01/1996. Caso o trabalhador seja inscrito no INSS, a entidade poderá optar pelo recolhimento de 20% sobre o salário de contribuição da classe em que o autônomo estiver (se de 4 a 10) ou da classe 4 (se estiver nas

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classes 1 a 3). Dependendo da situação, a troca de critério poderá ser extremamente econômica e vale a pena ser checada em cada contratação.

Em qualquer situação, é recomendável que a entidade exija que o trabalhador emita um Recibo de Pagamento a Autônomo (RPA) e comprove sua inscrição como tal perante o INSS e a Prefeitura. Também deverá tomar cuidado para evitar que o autônomo passe a trabalhar como se empregado fosse, cumprindo horários rígidos e cotidianos, sujeitando-se à hierarquia ou trabalhando para apenas um tomador de

serviços, sob pena de perda de sua condição de autônomo e formação de vínculo de emprego. Eduardo Szazi alerta para seguinte: “Deve-se evitar que o autônomo passe

a cumprir horários rígidos e cotidianos, sujeitando-se à hierarquia ou trabalhando para apenas um tomador de serviços, sob pena de perda de sua condição de autônomo e formação de vínculo de emprego.”

1.2 Contrato de Experiência

Sobre os Contratos de Experiência utilizaremos as indicações de Eduardo Szazi que afirmar ser a forma mais freqüente de iniciar um vínculo de emprego, deste modo a entidade poderá verificar junto ao contratado se realmente se adaptou aquela função e se o as condições de trabalho estão de acordo com aquilo visto no contrato. Este contrato deverá ser necessariamente escrito. O período de experiência não poderá ser superior a noventa dias, podendo ser prorrogado uma vez, desde que a soma de ambos não exceda os noventa dias. Chegada à data de término do período de experiência, o empregador poderá optar por não renovar o contrato, devendo efetuar

o pagamento das verbas rescisórias no dia útil seguinte, em seu estabelecimento,

não requerendo a assistência (homologação) da DRT ou do Sindicato. As verbas rescisórias compõem-se do saldo de salário, Férias e Décimo Terceiro proporcionais. Não há o pagamento de aviso prévio e multa de 40% sobre o FGTS, pois o contrato acabou na data combinada pelas partes. Nesta modalidade, também não há o direito a indenização ou estabilidade decorrente de gestação ou candidatura ou participação em CIPA ou entidade sindical, pelo mesmo motivo.

Caso opte por manter o empregado, o vínculo passa a ser, automaticamente, um Contrato por Prazo Indeterminado, sujeitando o empregador a pagar na dispensa

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sem justa causa, adicionalmente ao previsto acima, o aviso prévio (mínimo de 30 dias) e multa de 40% sobre os depósitos do FGTS. As estabilidades legais deverão ser respeitadas ou indenizadas e, caso o vínculo de emprego seja superior a um ano, deverá ser obtida a homologação da rescisão na DRT ou entidade sindical representativa da categoria do empregado dispensado.

Se de um lado, a contratação de colaboradores pelo regime da CLT, representa uma segurança contra reclamações trabalhistas pedindo vínculo de emprego, de outro lado, implica em elevada carga de contribuições sociais, que chegam a 37% da folha de pagamento (FGTS: 8%; INSS: 20%; Seg.Ac.Trab.: 1-3%; Terceiros: 5,8%). Entretanto, parte desses encargos poderão ser isentos com a obtenção do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, expedido pelo CNAS.

1.3 Contrato de Aprendizagem

O artigo 431 da CLT dispõe sobre a contratação de jovens entre 16 e 18 anos, com

curso primário completo e aptidões físicas e mentais e conhecimentos mínimos para

a função de aprendizes de um ofício. Tais contratos são feitos com vínculo de

emprego, porém, com a possibilidade de que o salário pago ao jovem seja equivalente a 1/2 salário mínimo para a primeira metade do aprendizado do ofício e a 2/3 do salário mínimo para a segunda metade. (Szazi, 2003).

Existe varias possibilidades de estabelecer este tipo de contrato com as entidades quem apresentam trabalhos e projetos no incentivo ao primeiro emprego.

1.4 Regime Ordinário da CLT

1.4.1 Contrato de trabalho por prazo indeterminado

Presume-se que um empregador, ao contratar um funcionário, pretenda mantê-lo indefinidamente, enquanto estiver dentro das necessidades normais da organização, razão pela qual o contrato de trabalho por prazo indeterminado é a regra geral.

Além disso, interessa à sociedade que o contrato seja mantido, pois ele é importante fator de equilíbrio social. Diante disso, a legislação prevê que na hipótese de

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dispensa imotivada, decorrente apenas de simples vontade do empregador, este será obrigado observar os seguintes requisitos (Manual de administração jurídica, contábil e financeira para Organizações não governamentais/ ABONG – AFINCO):

conceder aviso prévio de trintas dias, ou indenizá-lo, isto é, pagar o valor correspondente à remuneração mensal;

Indenizar as férias eventualmente não usufruídas, indenizar proporcionalmente o período incompleto de férias e de 13° salário;

Liberar o FGTS depositado, além de pagar uma multa de 40% calculada sobre o valor total do depósito.

1.4.2 Contrato por prazo determinado

A exceção à regra é o contrato de trabalho por prazo determinado. A admite em três hipóteses:

CLT o

Serviços

cuja

natureza

ou

transitoriedade

justifiquem

e

predeterminação de prazo

 

Atividade empresariais de caráter transitórios;

 

contrato de experiência, cujo objetivo é permitir que empregado e empregador analisem a possibilidade da continuidade ou não da relação de emprego.

Na primeira e na segunda hipóteses, o contrato poderá ter um prazo máximo de dois anos, Já o contrato de experiência, em razão do seu objetivo, não poderá exceder noventa dias. Para evitar fraudes, não se permite, num prazo de seis meses após o encerramento de um contrato por prazo determinado, a realização de um ovo contrato do mesmo tipo, salvo se a expiração do primeiro dependeu da execução de serviços especializados ou da realização de certos acontecimentos (hipóteses importantes para as ONGs que contratam funcionários por períodos fixados por convênios com entidades patrocinadores e que necessitam constantemente renová-lo. Ao termino do contrato de trabalho por prazo determinado, o empregador não necessita dar (nem indenizar) aviso prévio. Deve liverar o FGTS depositado, mas não precisa pagar a multa de 50%. Além disso, deve pagar as férias e o 13° salário ainda não quitados.

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1.5 Contrato de Estágio.

O regime de Estagiários está previsto na Lei 6.494, de 07/12/1977, regulamentada

pelo Decreto 87.497, de 18/08/1982, e prevê a admissão pelas pessoas jurídicas, de estudantes regularmente inscritos em cursos de nível superior ou de segundo grau profissionalizante ou supletivo, para o exercício de atividades em complementação

do ensino e da aprendizagem, devendo ser planejados, executados, acompanhados

e

avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares.

O

estágio deve ser amparado em termo de compromisso celebrado entre o

estudante e a entidade concedente, com a interveniência obrigatória da instituição de

ensino. Caso o estágio seja realizado sob a forma de ação comunitária, o termo de compromisso será dispensado. A remuneração é facultativa, através de uma bolsa

auxílio e, se existir, não implicará em formação de vínculo de emprego, desde que atendidos aos requisitos da lei 6.494/77. De toda forma, o estudante deverá ser segurado contra acidentes pessoais e o estágio não poderá perdurar após a graduação do estudante. O regime de Estagiários prevê a admissão de estudantes

de cursos de nível superior ou de segundo grau profissionalizante ou supletivo, para

o exercício de atividades em complementação do ensino e da aprendizagem. (Szazi,

2003)

1.6 Contrato de “Serviço Voluntário”

O trabalho não-remunerado exercido pelos voluntários foi caracterizado pela Lei nº

9.608/98 como a atividade não-remunerada prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza, ou a instituição privada de fins não lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive mutualidade.

Assim, para ser enquadrado no conceito desta lei, o serviço deve ter as seguintes características: (i) ser voluntário, ou seja, não pode ser imposto ou exigido como contrapartida de algum benefício concedido pela entidade ao indivíduo ou à sua família; (ii) ser gratuito; (iii) ser prestado pelo indivíduo, isoladamente, e não como

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“subcontratado” de uma organização da qual o indivíduo faça parte e, portanto, seja pela mesma compelido a prestá-lo; e (iv) ser prestado para entidade governamental ou privada, sendo que estas devem ter fim não lucrativo e voltado para objetivos públicos.

O serviço voluntário não gera vínculo empregatício nem obrigação de natureza

trabalhista, previdenciária ou afim, desde que esteja previsto em contrato escrito (termo de adesão) onde devem constar a correta identificação do prestador e do tomador dos serviços, natureza do serviço e condições para seu exercício, tais como carga horária, local, material de apoio e afins (Ver modelo anexo).

A lei autorizou, também, o ressarcimento de despesas incorridas pelo voluntário,

desde que estas sejam expressamente autorizadas pela entidade tomadora e sejam

realizadas no desempenho das atividades voluntárias, mediante notas fiscais e recibos.

LEI DO VOLUNTARIADO

LEI nº 9.608, de 18 DE FEVEREIRO DE 1998.

Dispõe sobre o serviço voluntário e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1. Considera-se serviço voluntário, para fins desta Lei, a atividade não remunerada, prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza ou instituição privada de fins não lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive, mutualidade. Parágrafo único. O serviço voluntário não gera vínculo empregatício nem obrigação de natureza trabalhista, previdenciária ou afim.

Art. 2. O serviço voluntário será exercido mediante a celebração do termo de adesão entre a entidade, pública ou privada, e o prestador do serviço voluntário, dele devendo constar o objeto e as condições do seu exercício.

Art. 3. O prestador do serviço voluntário poderá ser ressarcido pelas despesas que comprovadamente realizar no desempenho das atividades voluntárias. Parágrafo único. As despesas serem ressarcidas deverão estar expressamente autorizadas pela entidade a que for prestado o serviço voluntário.

Art. 4. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 5. Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 18 de fevereiro de 1998; 177 da Independência e 110 da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Paulo Paiva(Publicado no Diário Oficial da União, de 18/02/98)

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Aspectos Tributários aplicados nas Organizações da Sociedade Civil

PRINCÍPIOS GERAIS

Princípio Constitucional da Legalidade

CRFB, art.

: II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma

coisa senão em virtude de lei;

Princípio da Estrita Legalidade Fiscal

CRFB, art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;

Princípio da Anterioridade

CRFB, art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao

contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

(

publicada a lei que os instituiu ou aumentou;

b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido

)

III - cobrar tributos: (

)

DEFINIÇÕES TRIBUTÁRIAS

Tributos: É toda prestação pecuniária compulsória legalmente instituída e cobrada de forma vinculada e por via administrativa. É o gênero. Impostos: São os tributos que têm por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte. Taxas: São instituídas para cobertura do exercício do poder de polícia ou de prestação de serviços específicos e divisíveis prestados ou disponibilizados diretamente ao contribuinte. Contribuições de Melhorias: É um tributo vinculado ao custeio de obras públicas que resultem em valorização imobiliária.

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Imunidade Tributária: Decorre da natureza da entidade, que está originariamente protegida. Constitucional. Isenção Tributária: Dispensa do pagamento de tributo devido em razão de disposição legal. Precária. Benefício Fiscal: É uma diminuição da carga tributária pelo desempenho ou apoio financeiro à certa atividade de interesse do Estado. Incentivo Fiscal: Quando o Estado suprime integralmente o quantum investido e ainda investe na operação. Doação: Ato de liberalidade pelo qual alguém doa algo sem exigir contrapartida a outrem que o aceita.

IMUNIDADE TRIBUTÁRIA

CRFB/88, art. 150. veda à União, Estados, DF e Municípios instituir impostos sobre:

Patrimônio, renda ou serviços Das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos.

Independentemente da forma, prazos ou certificação estatal.

Os serviços devem constar nos atos constitutivos e estarem diretamente relacionados com os objetivos sociais.

Caracterização vaga das instituições. Interpretação teleológica e doutrinária.

Não exclui a condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa de atos assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros.

REQUISITOS DA IMUNIDADE / ISENÇÃO Requisitos Simultâneos:

Cumprir efetivamente a finalidade estatutária e não lucrativa

Aplicação integral dos recursos no País

Obediência às normas contábeis:

Não remunerar seus dirigentes (Lei 10.63702 – Dirigente de OSCIP com vínculo empregatício)

Manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros que assegurem exatidão;

Conservar por 5 anos os comprovantes de receitas e despesas ou atos modificadores do seu patrimônio;

Apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos;

50

 

Recolher os tributos retidos s/ os rendimentos e a contribuição p/ SS dos empregados e cumprir as obrigações decorrentes;

Destinação do patrimônio a outra instituição imune ou órgão público, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento;

Outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento destas entidades.

Infrações: exemplos:

 

Informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais.

Pagamento em favor de seus associados ou dirigentes, ou mesmo sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis do IR ou da CSLL.

SANÇÕES:

 

A SRF suspenderá a imunidade retroativamente consonante a infração cometida ou para a qual haja a entidade contribuído

Sem prejuízo das demais penalidades

SUSPENSÃO DA IMUNIDADE / ISENÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS

Constatado que entidade beneficiária de imunidade ou isenção de tributos federais não está observando requisito ou condição legal, a fiscalização expedirá notificação fiscal, relatando os fatos que determinam a suspensão do benefício. A entidade poderá, no prazo de 30 dias, apresentar defesa.

A

autoridade da RF decidirá o caso, suspendendo o benefício ou não.Será expedido

o

ato suspensivo se decorrido o prazo sem manifestação da parte interessada.A

suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração.

Suspensa a imunidade:

A entidade poderá, em 30 dias, impugnar a decisão, e o processo será decidido pela DRF de Julgamento;

O

trâmite

obedecerá

às

normas

reguladoras

do

processo

administrativo fiscal.

 

A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo.

51

Se for o caso, a fiscalização lavrará auto de infração. Caso o faça, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS ASSOCIATIVOS

CRFB/88 Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais

Capítulo I - Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos

Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,

garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade

do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos

seguintes: ( )

XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter

paramilitar;

XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de

autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento;

XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas

atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito

em julgado;

XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;

XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm

legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;

REFERÊNCIAS

CAMARGO, Mariângela Franco de. Gestão do Terceiro Setor no Brasil:

Estratégias de captação de recursos para organizações sem fins lucrativos. 2ª edição - São Paulo: Editora Futura, 2001. 204 p.

FERRAREZI, Elisabete. OSCIP — Organização da Sociedade Civil de Interesse Público: a lei 9.790/99 como alternativa para o terceiro setor. 2º Edição - Brasília:

Comunidade Solidária, 2002. 116

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL. Secção de São Paulo. Cartilha Terceiro Setor. Comissão de Direito do Terceiro Setor. São Paulo, 2005. Disponível em www.oabsp.org.br. Acessado em 05 de maio de 2006.

52

PAES, José Eduardo Sabo. Fundações e entidades de interesse social: aspectos jurídicos, administrativos, contáveis e tributários. 2° Edição – Brasília: Brasília Jurídica, 2000. 591 p.

SZAZI, Eduardo. Terceiro Setor: regulação no Brasil – 3° ed – São Paulo:

Peirópolis, 2003.

TACHIZAWA, Takeshy. Organizações Não Governamentais e Terceiro Setor:

criação de ONGs e estratégias de atuação. São Paulo: Editora Atlas, 2002. 302p.

TENÓRIO, G. Fernando. Gestão de ONGs: principais funções gerenciais. São Paulo: Editora Fundação Getulio Vargas, 1997. 139 p.

VEIGA, Sandra Mayrink; RECH, Daniel. Associações: como construir sociedade sem fins lucrativos. Editora DP&A, 2001. 125 p.

53

GESTÃO DE ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR

53 GESTÃO DE ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR Introdução Juliana Grigoli O que as organizações precisam para

Introdução

Juliana Grigoli

O que as organizações precisam para alcançar o sucesso em seus programas, projetos e ações sociais? Informação? Recursos financeiros e humanos? Estrutura física adequada? Idéias inovadoras? Ações planejadas? O que falta para que as organizações consigam alcançar seus objetivos, receber o apoio e o voto de confiança dos parceiros e do público alvo?

Esses são os questionamentos mais freqüentes no universo do Terceiro Setor. A resposta é única, ter um plano de gestão definido, isto é, adotar processos e procedimentos gerenciais capazes de trazer sinergia ao grupo e de produzir resultados positivos à organização. Além disso, disseminar no seu dia-a-dia valores como: a ética, a transparência, o profissionalismo, a cooperação, a responsabilidade, o respeito e a criatividade também é de grande valia.

Entretanto, comenta Rigéria Salado em um dos textos editados pela Revista Filantropia em 2006, “nota-se que boa parte das organizações do Terceiro Setor no Brasil não estão antenadas com as metodologias de trabalho voltadas a este Setor. Insistem em cometer equívocos e negligenciar valores, trazendo conseqüências negativas às organizações.”

Após cinco anos acompanhando as experiências ligadas ao Terceiro Setor, a Revista Filantropia publica o artigo - “Os Sete Pecados que Atrapalham o Caminho do Terceiro Setor”. O texto traz uma lista de falhas que podem ser as responsáveis pelo fracasso de muitas ações sociais no país.

54

De acordo com este artigo, para gerar os resultados esperados é preciso minimizar a ocorrência desses sete pecados do Terceiro Setor: o arcaísmo, a digressão, o sofisma, a inércia, o amadorismo, a prepotência e o anonimato.

a inércia, o amadorismo, a prepotência e o anonimato. Os Sete Pecados da Gestão 1. Arcaísmo

Os Sete Pecados da Gestão

1. Arcaísmo

Adaptação. Essa é a ferramenta mais eficaz contra o arcaísmo, bastante presente no setor social atualmente. Muitas entidades, principalmente as mais antigas ou tradicionais, tem receio de seguir idéias inovadoras para não se descaracterizarem frente aos parceiros e ao público. No entanto, o fato de não se modernizarem, não evoluírem e manterem a mesma estrutura física ou de gestão por muitos anos, às vezes desde a fundação, pode comprometer a eficácia de suas ações.

De acordo com as colocações de Rodrigo Baggio, diretor executivo do Comitê de Democratização da Informática - CDI, diz que “é necessário adaptar-se sem perder valores e princípios diretamente ligados às suas missões. Apenas sobrevivem as ONGs que conseguem se adaptar com planejamento, eficiência, qualidade e medição de resultados”. (Revista Filantropia, 2006)

Existem algumas maneiras de driblar o arcaísmo, de acordo com o depoimento de Mariana Velloso, da Associação Renascer, “a equipe do Renascer participa sempre de workshops, capacitações, fóruns e encontros, a fim de estar informada sobre as novidades em relação ao Terceiro Setor”. E completa: “É importante estar apto e aberto para mudanças, acompanhar a modernização tecnológica, social e governamental e não perder seu objetivo principal, a causa”. (Revista Filantropia,

2006)

2. Digressão

A falta de definição do foco contribui para que a organização cometa o pecado da

digressão, pois permite que ocorra o distanciamento das definições inicialmente estabelecidas. É quando a organização passa a atuar em várias áreas e, muitas

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vezes, não percebe que está comprometendo a sua própria identidade, negligenciando aspectos ligados a sua missão e visão.

Isso gera ações dispersas, que não estão relacionadas à área de atuação da

organização, traz instabilidade e prejuízos na realização das atividades e dos projetos. A digressão torna-se clara quando a prioridade da organização não é mais

a razão para a qual foi criada, quando há uma série de incoerências ou quando sobrecarrega alguns com muitos compromissos.

De acordo com Laís de Figueredo Lopes, “a falta de foco pulveriza competências, segmentas as ações e enfraquece a identidade da organização”. Isso pode ser evitado, completa Laís com a utilização de “ferramentas de planejamento estratégico, monitoramento e avaliações das atividades, quando incorporadas na cultura institucional, também contribuem para evitar a digressão". (Revista Filantropia, 2006)

3. Sofisma

O terceiro pecado - sofisma - que significa raciocínio capcioso, feito com a intenção

de enganar, argumento ou raciocínio falso, com alguma aparência de verdade está

relacionado a falta de transparência parcial ou total de algumas organizações. Omitem a verdade e escondem erros ou pontos negativos.

Para resolver o sofisma, é preciso ter uma prestação de contas aberta à auditorias, fazer o balanço social echamar o parceiro para conhecer a organização e acompanhar seu desenvolvimento de perto. É apenas com essa clareza que se conquista o respeito necessário para que as parcerias se sedimentem e ocorra a formação de alianças estratégicas.

4.Inércia

De acordo com a entrevista de Ader Alves de Assis Jr., gerente de marketing e mobilização de recursos do Fundo Cristão para Crianças concedida a Revista Filantropia, em 2006 “a inércia possui três características da física que também são inerentes à realidade das entidades sociais: movimento, retilinearidade e uniformidade. Um planejamento estratégico norteador, construídos diante dos

56

aspectos positivos, projeto a entidade social para frente em oposição aos aspectos negativos que a mantêm em repouso”. (Revista Filantropia, 2006)

No Terceiro Setor, atualmente, o movimento retilíneo, ou seja, o deslocamento em

linha reta, dá lugar ao movimento reticular devido à importância da articulação em rede.

É fundamental ligar-se a outros pontos por meio de parcerias institucionais bem

pensadas em termos de valores, missão, objetivos programáticos, perspectivas de sustentabilidade financeira e política. Já a uniformidade nas entidades sociais pode ser observada pela constância de seu movimento e pode ser prejudicial ou benéfica, dependendo da situação na qual se materializa. Segundo Ader Alves, “A inércia é um pecado para uma entidade social apenas quando apresenta a perda da sensibilidade e de reação ao estímulo externo ou à força que sobre ela incide. Nosso grande desafio é evitar esses momentos, nos quais a capacidade de resposta é reduzida ou nula quando, conseqüentemente, afeta a dinâmica e o movimento da entidade”. (Revista Filantropia, 2006)

5. Amadorismo Atualmente um dos maiores desafios das ONGs que querem permanecer atuando no Terceiro Setor é superar o amadorismo. Segundo Emerson Dátilo, CEO da Synergia Consultoria e Assessoria para o Terceiro Setor “este pecado é um dos mais

cometidos pelas instituições, e essa prática é sempre em decorrência da falta de

recursos financeiros por que passam as mesmas”. E completa: “(

recursos leva ainda quase todas as instituições a se valerem de algumas alternativas, por exemplo: chamar um grupo de voluntários, sendo um deles o coordenador e criar um departamento. Nesse caso, o amadorismo apresentará resultados insatisfatórios e, o que é mais sério, poderá “manchar” a imagem da instituição junto à sociedade”. (Revista Filantropia, 2006)

essa falta de

)

A forma mais eficaz de desviar desse pecado é estimular a capacitação de toda a

equipe de gestores e funcionários da organização, interagir com parceiros, participar de redes sociais e definir um planejamento estratégico e projetos que fortaleçam a

missão da organização.

57

A tendência é a profissionalização em busca de credibilidade e de sustentabilidade.

Segundo Émerson Dátilo, “está se tornando freqüente a participação de representantes de ONGs em workshops, cursos e eventos empresariais com o intuito de promover a troca de experiência, a cooperação e a divulgação de suas ações”. (Revista Filantropia, 2006) Para Adalberto Gaib, o profissionalismo é fundamental para o Terceiro Setor, “se uma entidade quebrar (falir), o prejuízo é da comunidade atendida. O compromisso com a parte interessada passa a ser de muita responsabilidade”. Esse comentário feito por Adalberto Gaib, reforça a necessidade de administrar uma ONG tão bem como se administra uma empresa privada.

6.

Prepotência

O

pecado da prepotência aparece de maneira sutil em algumas atitudes e posturas

das pessoas e das ONGs por elas administradas. Na pressa em querer resolver todos os problemas ao mesmo tempo, algumas organizações tentam abraçar o mundo, incluindo em suas rotinas diversas atividades que, muitas vezes, não estão relacionadas às suas missões. Com isso, cria-se projetos sem consistência e superficiais.

Isso pode decorrer do fato dessas organizações se sentirem as melhores em suas áreas de atuação, que não precisam de sugestões ou críticas para desenvolver suas ações sociais.

As soluções para driblar esse pecado são: mudança de postura estar aberto para as críticas e ter disposição para superá-las de maneira coletiva; participar de redes de organizações afins - de modo a permitir abraçar o mundo de forma mais solidária e fazer o melhor naquilo que possui competência.

7. Anonimato

Divulgação e plano de comunicação conectados a missão e a visão organizacional,

são fundamentais para combater o sétimo pecado - o anonimato.

Segundo a entrevista concedida por Márcio Zappelini, editor da Revista Filantropia, as organizações do Terceiro Setor precisam desenvolver seus planos de

58

comunicação, pois sem isso, encontrarão dificuldades para apresentar seus projetos

e captar mais aliados e parceiros, “(

foi, é e sempre será o melhor meio de dar visibilidade e credibilidade a um projeto

social, e conseqüentemente, isso ajuda na captação de recursos”. (Revista Filantropia, 2006)

O mesmo fala Fernando Credidio, consultor organizacional em Terceiro Setor e

presidente da ONG Parceiros da Vida “o ideal é que as organizações desenvolvam seus planos de comunicação e depois estabeleçam as parcerias, porque visibilidade ajuda, mas não sustenta nada”. (Revista Filantropia, 2006) As ferramentas disponíveis ao Terceiro Setor não se diferem das disponíveis aos Primeiros e Segundos Setores: assessoria de imprensa, publicidade e propaganda, relações públicas e marketing de relacionamento.

é preciso lembrar que a comunicação sempre

)

Segundo Credidio, vale a pena procurar por agências de publicidade ou de assessoria de comunicação propondo parcerias para o desenvolvimento de trabalhos

de forma gratuita ou a baixo custo. O importante é deixar claro que a organização

precisa criar uma marca forte, que transmita confiança.

A Gestão para uma organização do Terceiro Setor significa, segundo Tenório (1999):

“gerenciar, organizar, estabelecer ou interpretar objetivos, e alocar recursos para

atingir uma finalidade previamente determinada”.

para atingir uma finalidade previamente determinada”. As Dimensões da Gestão em uma Instituição do Terceiro

As Dimensões da Gestão em uma Instituição do Terceiro Setor

Gestão Financeira

A gestão financeira de uma organização do Terceiro Setor envolve:

a) O planejamento financeiro de operações acompanhado das definições orçamentárias das atividades operacionais da organização. A definição de um orçamento resulta da importância de estimar de maneira clara e precisa a origem dos recursos e sua destinação.

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b) O acompanhamento dos eventos que geram receitas e despesas com a elaboração de um fluxo de caixa. Para tanto é necessário definir as contas rotineiras e as estratégias para quitá-las dentro dos prazos estipulados. c) A organização deve prezar pela transparência da gestão financeira que acontece em dois panos: legal (seguir as normas de contabilidade) e ético.

Gestão Contábil

De acordo com Tomaz de Aquino Resende, a contabilidade tem por função registrar os fatos que ocorrem na instituição e que podem ser representados em valor monetário; organizar sistemas de controle dos dados para a instituição; demonstrar por meio dos demonstrativos - demonstrativo de superávit ou déficit; demonstrativo de origem e aplicação de recursos; demonstrativo do valor adicionado e outros – a situação econômica, financeira e patrimonial da instituição; avaliar e analisar os demonstrativos gerando informações sobre os resultados, indicadores e solvência; acompanhar a evolução das atividades da instituição.

Uma de suas principais finalidades refere-se à orientação quanto aos aspectos de controle da instituição, bem como planejamento, acompanhamento e avaliação das atividades desenvolvidas e futuras. É o conhecimento de onde está para saber para onde ir ou mesmo se é possível ir.

O parágrafo único do art. 1.179 do Livro II do Código Civil diz que: “O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o resultado econômico.”

Gestão de Pessoas

A gestão de pessoas exige do(s) gestor(es) um maior nível de inteligência e paciência. Pois, possuem um vasto campo de atuação e de relacionamentos que podem interferir no andamento da organização. Em geral são: associados, contribuintes, fundadores, colaboradores efetivos, voluntários, cidadão-beneficiário, patrocinadores, apoiadores, parceiros, conselheiros e diretores.

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Em relação aos colaboradores efetivos (funcionários), a organização deve ficar atenta a legislação trabalhista e a elaboração de um contrato de admissão e de demissão. E aos voluntários a padronização de um termo de voluntariado é impressindível. Sem esquecer de uma entrevista inicial de identificação do perfil do(a) interessado(a) para a partir disso encaixá-lo numa função que combine com o seu perfil.

Gestão de Parcerias

O trabalho de uma organização deve envolver o maior número de parceiros do

Primeiro, Segundo e Terceiro Setores. A partir dessa somatória de forças realizar a sua missão. Para isso, a organização precisa saber sobre a rede de serviços e de recursos da comunidade e da sociedade; definir sua visão, missão e valores; prezar pela transparência e a ética; desenvolver um plano contínuo de desenvolvimento e parcerias; priorizar a lógica da sustentabilidade de suas ações, programas e projetos sociais.

Gestão de Serviços

A partir de algumas definições como visão, missão e valores, a organização pode

definir: os serviços e seu público alvo.

Para a gestão de serviços, é importante partir das demandas da comunidade e de seu público alvo; adequar o que se vai fazer aos seus recursos humanos, físicos e financeiros; focar seus serviços naquilo que sabe fazer bem; fazer da melhor maneira possível para atender as expectativas da comunidade/sociedade e do público alvo.

Para a definição do público alvo é necessário identificá-lo com clareza e obter informações prévias para o desenvolvimento das ações, programas ou projetos.

Avaliação e Monitoramento

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As etapas de avaliação são:

a) Definir um sentido para a avaliação, respondendo as seguintes questões: Por que

avaliar? Para que avaliar?

b) Avaliação do processo e da realidade, com a definição dos seguintes pontos:

elaboração da pergunta avaliativa e dos indicadores; escolha das fontes de informações e a forma de coleta das mesmas; análise das informações e comunicação dos resultados.

c) Prezar pela ética nos processos avaliativos, primando pelo respeito a todos os

envolvidos no processo de avaliação, pelas intenções da avaliação e de cada etapa em particular; pela transparência na comunicação dos resultados. d) Construir o processo de avaliação, com a busca de identidade; encarar os desafios de transferência do poder; motivar a equipe e desenvolver competências em avaliação.

motivar a equipe e desenvolver competências em avaliação. Planejamento Estratégico em Orga nizações do Terceiro

Planejamento Estratégico em Organizações do Terceiro Setor

Introdução

“Nenhum vento é bom quando não se sabe para onde ir”. Essa frase do filósofo Sênica traduz o papel do planejamento estratégico em uma instituição: orientar as idéias para que as ações aconteçam da melhor forma possível, sem improvisos. Com isso, a qualidade dessas ações melhora, trazendo benefícios a organização.

Segundo Thais Mendes, no artigo “Planejar para o bem do Futuro”, o planejamento contribui para a diminuição dos erros, do desgaste de energia e recursos. No caso do Terceiro Setor, é essencial que a organização mantenha-se atenta à sua

realidade e às ações que podem ser planejadas”. (Revista Filantropia, 2006,p.24),

bem como entenda que, “(

prazo possível, com o menor custo possível, atendendo o maior número de beneficiários que puder com a melhor qualidade. Nesse sentido planejar torna-se imprescindível, como afirma Ricardo Falcão, gerente da RFalcão Consultoria e

Planejamento. (Revista Filantropia, 2006,p.24)

é preciso fazer com que atinja seus objetivos no menor

)

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A função do Planejamento Estratégico para uma organização é estabelecer os objetivos, definir os meios para atingi-los, dimensionar os recursos necessários e identificar as fontes para obtê-los.

Para obter êxito no planejamento, é preciso que a equipe envolvida adote um processo que se adeque à realidade da organização. Para isso, conferir a principal atividade da organização, a missão, seus objetivos e metas torna-se imprescindível. Isso torna o planejamento um instrumento que permite organizar de maneira sistematizada os processos e os procedimentos; a implementação da ação e a produção dos resultados.

Agir sem pensar nas conseqüências e nos desdobramentos futuros, coloca em xeque os resultados esperados. Pode-se dizer que as organizações que agem sem planejar navegam em águas escuras e turbulentas.

De acordo com Thais Mendes, “nesse quesito, as organizações do Terceiro Setor

devem seguir o exemplo das organizações privadas, que, se não produzirem ações planejadas podem ir até a falência”. (Revista Filantropia, 2006,p.24)

Uma boa atuação no Terceiro Setor exige definir os objetivos e as estratégias. Outro aspecto importante é o envolvimento da equipe com o plano traçado, quanto maior o comprometimento maiores são as chances do plano gerar os resultados esperados. Assim fica evidente que o planejamento é essencial. É um instrumento que permite avaliar o trabalho do dia-a-dia e planejar para que as ações não extrapolem a capacidade da organização.

Planejamento Estratégico – O que é?

O Planejamento Estratégico é uma metodologia desenvolvida pela área de

administração, primeiramente voltada para o Segundo Setor, mas que foi adotada pelos outros dois setores - Primeiro e Terceiro - pela sua eficiência e eficácia na organização das atividades, das pessoas e do tempo de execução. Drucker (1995,p. 39) reforça esse pensamento ao afirmar que uma organização sem fins econômicos requer quatro coisas para funcionar: um plano, marketing, pessoas e dinheiro.

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Os benefícios alcançados pelas organizações que adotam o planejamento estratégico são: definições de objetivos, metas, planos de trabalho, modelos de realização, cronograma de atividades, dimensionamento das conseqüências futuras de ações presentes, otimização da performance, controle das atividades e resultados, desenvolvimento de expertise e por fim, engajamento dos gestores.

Entretanto, em razão do planejamento estratégico se tratar de uma metodologia de intervenção, tem encontrado resistências, inclusive para o reconhecimento da necessidade de sua utilização (Bryson, 1988, p. 1).

Para isso, é necessário que o grupo de pessoas envolvidas queiram e entendam a necessidade de adotar essa prática, pois sua validação e efetivação depende da vontade coletiva do grupo.

Planejar Para começar a planejar é preciso que os envolvidos no processo respondam francamente à algumas questões: O grupo, ou melhor, você que o representa, sabe quais as finalidades estatutárias da organização da qual participa? Os objetivos estratégicos estão claros? Todos os envolvidos na organização têm conhecimento destas informações? As metas estipuladas são adequadas a realidade da organização e dos gestores envolvidos? Você acha que podem ser alcançadas?

A etapa inicial na estruturação do sistema de planejamento e de gestão tem como finalidade saber o que a organização deseja realizar, quanto deve ser alcançado e quando esses desejos devem ser realizados. Na seqüência, desdobram-se esses objetivos e metas em planos de ação por área, setores ou equipes e, sucessivamente, elabora-se o orçamento da organização.

Por fim, compartilha-se os resultados do planejamento com todos os participantes da organização. Veja a estruturação de cada uma dessas atividades nos próximos capítulos.

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Procedimentos Básicos:

Leia o manual; Adote e patrocine as idéias aqui apresentadas; Envolva todas as pessoas de comando da organização, sejam elas diretores, coordenadores, gerentes ou auxiliares de serviços gerais, independente do cargo que detenham, a função que exerçam ou o setor em que atuem, afinal, todos possuem responsabilidades e metas a cumprir. Forças - Fraquezas - Ameaças Oportunidades Forças = São as qualidades da organização; é o que ela tem de melhor; Oportunidades = São todos os fatores exógenos que possam ser aproveitados em favor do melhor desempenho da organização, em cada uma de suas áreas de atuação; Fraquezas= São os aspectos que necessitam ser melhorados na organização; Ameaças = São fatores, externos que podem afetar o desempenho da organização.

Esta técnica é conhecida entre nós como FOFA, traduzida do inglês, SWOT Analysis, ou seja: Strengths (Forças), Weaknesses (Fraquezas), Opportunities (Oportunidades) e Thrests (Ameaças).

Forças e Fraquezas são de natureza interna ou endógenas, enquanto Ameaças e Oportunidades, de natureza externa ou exógenas.

Identificar com clareza objetivos e metas estratégicas é imprescindível para qualquer organização, seja ela do Primeiro, Segundo ou do Terceiro Setor.

Entretanto, para identificar os objetivos e definir as metas estratégicas, é necessário reconhecer as características intrínsecas e extrínsecas da organização. Para isso, será necessário reunir toda a equipe e, através de uma atividade de avaliação coletiva, enumerar: Forças, Fraquezas, Ameaças e Oportunidades.

É relevante que esta avaliação seja realizada em um final de semana, de preferência fora das dependências da organização, se possível em um hotel fora do seu espaço de atuação. Inicialmente, o grupo deverá, avaliar, a MISSÃO, a VISÃO e os VALORES da organização, e quando necessário, revisá-los.

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Definição da Missão Algumas características são fundamentais para a definição da Missão, entre elas, a

de ser desafiadora. Observe que a Missão não deverá ser apenas uma esperança,

mas um desafio a ser superado diariamente por todos os colaboradores da organização.

A missão deverá expressar os valores e os princípios da organização e ao mesmo tempo ser realista e compreensível, sem esquecer de ser empreendedora.

Pode-se dizer que toda organização possui uma Missão, no entanto, pode encontrar- se indefinida (não registrada). “A declaração de MISSÃO eficaz responde basicamente a uma pergunta: como pretendemos vencer nesse negócio?” (Welch,

2005).

“Missão é a vocação da organização.

conjunto de valores que traduz a razão de ser da organização e a delimitação de suas atividades.

É uma expressão concebida a partir de um

Conforme Mauro Calixta Tavares, em: “Planejamento Estratégico: a opção entre sucesso e fracasso empresarial, para enunciar a MISSÃO”, é preciso seguir os

seguintes procedimentos: “(

espaço (ou espaços) de negócio que pretende ocupar e a maneira que irá fazê-lo.”

Ter um verbo correspondente à ação pretendida, o

)

Missão é o que a organização faz.

Definição da Visão da Organização

A Visão em escala pessoal se traduz em descobrir caminhos num ambiente

organizacional. Enquanto podemos nos identificar individualmente com o que consideramos significativo, agora o desafio e a função são criar uma visão compartilhada do que é relevante. Visão é o que a organização quer ser e aonde quer chegar.

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Valores ou Princípios São referenciais éticos da organização; são os parâmetros que balizam a atuação da organização na execução das ações necessárias ao cumprimento da Missão que a levarão à concretização da finalidade para o qual foi instituída. Ainda que muitas vezes não estejam escritos, os Valores ou Princípios (conjunto de referenciais éticos/crenças), são sempre praticados pelos colaboradores da organização, pois, integram o que chamamos de senso comum desejável e necessário para a existência de uma organização de finalidades lícitas.

Objetivos e Metas Estratégicas Os objetivos e as metas estratégicas são de fundamental importância em uma organização, para isto é necessário fixar e entender seus conceitos. Ao estabelecer seu objetivo estratégico, a organização, deve determinar, exatamente o que buscará alcançar através de suas ações, logo:

Objetivo Estratégico é = “O quê?

A Meta, é o quanto deste objetivo estratégico buscará alcançar e em que tempo

deverá acontecer, assim:

Meta é = “quanto” e “quando”

Os objetivos estratégicos de uma organização devem ser estabelecidos a partir do resultado da análise criteriosa das forças, fraquezas, ameaças e oportunidades.

Traçando Objetivos e Metas Estratégicas As principais perguntas a serem respondidas pelos participantes nessa etapa são:

O que? Refere-se a descrição e qual objetivo estratégico será realizado. São as

ações estratégicas; Quanto? Refere-se a medida, financeira ou não financeira, dos objetivos estratégicos, ou seja, é a meta a ser buscada; Por que? Refere-se à razão de busca desse objetivo; Quando? Refere-se a data limite para alcançar o objetivo delineado. Daqui surge o cronograma de atividades.

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Respondidas essas questões, o grupo terá clareza de suas metas, dos objetivos e dos prazos para o cumprimento dos mesmos. Essas informações deverão ser compartilhadas com os dirigentes e os gestores, pois são eles os principais responsáveis pela implementação dos planos de ação, como veremos a seguir.

Planos de Ação Cada objetivo estratégico gerado pelo cumprimento das etapas anteriores, desdobra- se em ações para uma ou mais áreas, setores ou equipes da organização. O titular de cada área deverá elaborar um plano de ação, norteados pelas seguintes perguntas:

O que? Refere-se a(s) atividade(s) que deve ser realizada; Quem? Definição da pessoa que será responsável pela ação; Por que? Definição da razão da ação; Quando? Elaboração de um cronograma de atividades; Onde? O local onde essa ação será realizada; Como? Refere-se a descrição da forma como a ação será implementada ou desenvolvida; Quanto? Definição orçamentária; OE? Descrição da relação da ação para o cumprimento do objetivo estratégico; Monitoramento? Acompanhamento do andamento da atividade.

Todo gestor responsável por uma área, setor ou equipe da organização deve ter um plano de ação determinado por períodos. É importante que cada plano de ação seja avaliado pela diretoria. À medida que os planos de ação de cada área forem executados, significa que os objetivos estratégicos estão sendo alcançados para o cumprimento da missão e da visão da organização. É comum o desdobramento de um plano de ação em outro plano de ação mais detalhado. O horizonte máximo aconselhável para a construção dos planos de ação é de um ano, com revisão trimestral para avaliar a evolução e a execução do mesmo. Sugere-se que essas revisões sejam discutidas e estimuladas em reuniões específicas, conforme você verá adiante, no capítulo sobre monitoramento e avaliação.

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Orçamento

Definidos os objetivos e as metas estratégicas bem como os planos de ação, a próxima etapa é a elaboração do orçamento da organização, para que a partir dessa definição ocorra uma estruturação de captação dos recursos financeiros necessários

para o andamento da mesma.

O orçamento é a

determinado período, geralmente de um ano.

projeção financeira e econômica da organização para

um

Constituem características de um orçamento bem elaborado:

a) ser uma continuidade dos objetivos estratégicos e dos planos de ação;

b) ter apresentação mensal;

c) ter nível de detalhamento adequado.

Segundo SOUZA (2007), o orçamento é uma ferramenta essencial no planejamento

e na gestão. Ele deve ser usado como guia que facilite atingir as metas. Mas, para

isso, é importante:

a) ter conhecimento de algumas técnicas para a sua elaboração;

b) estar bem informado a respeito da dinâmica da organização;

c) saber das estratégias de captação de recursos.

A Execução do Planejamento Estratégico

A etapa anterior permitiu a identificação das Forças, Fraquezas, Ameaças e

Oportunidades, a definição dos objetivos estratégicos, a quantificação das metas,

elaboração dos planos de ação e do orçamento global.

A

partir dessa conquista o próximo passo consiste em pensar na efetivação, isto é,

na

forma como se dará a realização de tudo o que foi decidido pela organização.

Segundo SOUZA (2007), é preciso pensar na gestão da organização, que envolve:

procedimentos, rotinas, planilhas e pessoas.

O Papel do Gestor

O início deste tópico é recheado de perguntas, como: O que é um gestor numa organização do Terceiro Setor? Quais são os atributos necessários para a gestão?

Como é e deverá ser o comportamento do gestor na relação com os demais, dentro

e fora da organização?

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Entende-se como gestor toda a pessoa que tem atividades a executar e pessoas a coordenar. Diretores, Coordenadores, Gerentes não importa o título, todos são gestores.

Fundamentado neste modelo, o gestor precisa ter o seguinte perfil, para exercer seu trabalho com tranqüilidade:

a) ser tecnicamente capaz;

b) ter bom relacionamento, com seus subordinados, superiores, clientes e fornecedores, internos ou externos;

c) estar envolvido com as ações, projetos e programas da organização;

d) estar instrumentalizado para a realização desse trabalho.

Uma pessoa que não apresente as qualidades acima não tem perfil para assumir o cargo de gestor de uma organização. Por outro lado, a organização precisa se preparar para ter em seu quadro de colaboradores esse gestor, que realiza atividades, coordena pessoas e gosta de ser cobrado por metas, dando-lhe liberdade para atuar.

Na seqüência, surgem outros questionamentos que merecem uma atenção especial:

o que as pessoas da equipe estão fazendo com o seu tempo? Como auxiliá-las à maximizar suas horas em função dos objetivos estratégicos a serem perseguidos?

Traçando os Mapas de Atividades

A realização de atividades rotineiras permeia o dia-a-dia do trabalho de qualquer

pessoa independente do cargo que ocupe. O grande desafio das organizações do Terceiro Setor é não permitir que o tempo disponível dessas pessoas seja completamente ocupado pelos procedimentos rotineiros. É preciso realizar uma distribuição de tarefas de tal maneira que permita com que possam dedicar algumas

horas de trabalho à execução dos planos traçados e ao gerenciamento de novos eventos. Isto permitirá com que os objetivos estratégicos se cumpram.

A distribuição do tempo de trabalho precisa obedecer um determinado equilíbrio

entre as atividades rotineiras, a execução dos planos de ação e da gestão de novos eventos (que geralmente, são problemas a serem resolvidos). A sugestão de

70

distribuição das atividades numa escala de tempo é: 70% dedicado aos procedimentos de rotina, 20% aos novos eventos e 10% ao plano de ação.

Um outro fato comum que acontece no dia-a-dia das pessoas que trabalham no Terceiro Setor é o consumo de boa parte do seu tempo na resolução de problemas. Essa forma de atuação, costuma atrapalhar o andamento e a execução das outras tarefas e deve ser evitado. Para amenizar esse fato, SOUZA (2007), sugere a construção de um mapa de atividades.

A construção desse mapa exige responder às seguintes perguntas:

Quais são as atividades realizadas? De quanto em quanto tempo essas atividades são desenvolvidas? Qual o tempo necessário para desenvolvê-las? Quais são os recursos necessários para isso? De onde vem os recursos? De onde capto informações (caso sejam necessárias)? Para quem vão as informações? O que as pessoas que dependem dessas informações ou da realização das tarefas fazem com isto?

As vantagens com o uso desse modelo são:

a) proporciona uma melhor visualização das atividades envolvidas;

b) melhoria da produtividade, pois evidencia algumas atividades dispensáveis;

c) organiza o tempo para a execução das atividades;

d) facilita inclusive a comunicação entre as pessoas envolvidas no trabalho diário da

organização.

A partir da identificação de todas as atividades, fica simples selecionar as que

permanecerão ou não. O critério é analisar a utilidade das informações com os resultados esperados. A máxima é esta: se a atividade desenvolvida não agrega nenhum valor ou não é uma obrigação, ela não tem por que existir. Ao final dessa análise, a soma das horas mensais despendidas com as tarefas rotineiras, menos as horas de trabalho úteis, por mês, será o tempo disponível que poderá ser canalizado para a execução dos planos e ação e gerenciamento dos novos eventos.

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A Organização de uma Agenda Semanal Com as etapas anteriores cumpridas, o próximo passo é elaborar uma rotina de acompanhamento de atividades na semana que estejam ligadas aos planos de

ação. Para isso, a proposta é o desenvolvimento de uma Agenda Semanal, conforme a sugestão abaixo:

a) O que? São as atividades que devem ser realizadas, e ordem de prioridade.

b) Plano de Ação? Qual item ao plano de ação se refere.

c) Monitoramento? Relato do andamento das atividades.

Os benefícios alcançados a partir do estabelecimento dessa rotina são:

a) auxilia na execução dos planos de ação;

b) facilita o acompanhamento por parte do gestor;

c) evita-se que chegue ao final do mês com a constatação que o plano não foi

executado.

Observa-se que, até aqui, ocorre uma relação entre os objetivos, as metas estratégicas e os planos de ação, os quais serão os orientadores para a execução das tarefas semanais.

A Cultura das Reuniões De acordo com SOUZA (2007), todos os envolvidos no planejamento estratégico devem ter consciência de que a execução de reuniões são essenciais para o êxito do trabalho da instituição. A reunião não é um encontro social, e sim um momento para a tomada de decisões, onde se busca:

Fidelidade aos objetivos estratégicos; Correção dos desvios; Aproveitamento de oportunidades; Aparar arestas no campo dos relacionamentos interpessoais.

Para isso, é preciso conduzir essas reuniões para torná-las produtivas e gerar resultados. É importante a disciplina, com registros e definições dos horários de início e término. A sugestão é realizar dois tipos de reuniões - semanais e mensais.

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As reuniões semanais têm como objetivo principal a avaliação das agendas da semana, o contato com os novos eventos e com os indicadores de performance. A duração máxima deve ficar em 1h30min, sendo os participantes - a diretoria, gestores, funcionários e voluntários.

Nas reuniões mensais, o intuito é avaliar o andamento dos planos de ação, indicadores de performance e acompanhamento do orçamento. A duração máxima deve ser de 3 horas, sendo imprescindível a presença dos gestores envolvidos. É importante o registro dessas reuniões em Atas. E depois a transmissão das decisões por um dos membros do grupo.

Monitoramento e Avaliação do Desempenho e dos Resultados Monitorar é acompanhar os desempenhos e ajustar eventuais “desvios de rota.” Já a avaliação é o momento seguinte, em que se analisa as informações e os dados quantitativos e/ou qualitativos sobre o assunto em questão.

Essa forma de proceder diante das inúmeras situações e eventos que acontecem numa organização do Terceiro Setor, é importante, pois evita que ocorra desvios no cumprimento dos planos de ação e dos objetivos estratégicos. Para medir desempenho, deve-se:

a) Difundir a cultura da produção de relatórios;

b) Mapear esses relatórios;

c) Eleger indicadores de mensuração de performance por transação.

A Produção de Relatórios A produção de relatórios requer acesso às informações gerais e específicas sobre as atividades realizadas por cada área, setor ou equipe da organização.

Para selecionar as informações que importam, deve-se realizar um levantamento do que se quer analisar. Em alguns momentos, o contato com os relatórios produzidos por outras áreas, setores ou equipes é imprescindível já que os objetivos estratégicos são comuns à todos.

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Essa etapa envolve a construção de um modelo capaz de manter o gestor informado. Aconselha-se que os relatórios produzidos sejam revisados pelo menos uma vez por semestre para que haja tempo hábil para algumas reformulações para o próximo semestre.

Análise do Problema e a Tomada de Decisões Quando os imprevistos ou novos eventos constituírem problemas graves, ocasionando desgaste da equipe, mudança de rumos da organização ou geração de custos, faz-se necessária uma análise mais detalhada. Para isso, há um modelo que auxilia na visualização e na organização dos fatos.

Descreva o problema:

Data de ocorrência:

Análise das causas:

Alternativas para solucionar o problema:

Alternativa adotada:

Situação final:

Nome do Responsável:

Data:

A pessoa diretamente envolvida com o fato se responsabiliza pela elaboração do

relatório e responde pela solução. Não pode ser freqüente a emissão de mais de um relatório para o mesmo fato. A tomada de decisão sobre qual alternativa adotar deve ser compartilhada com a equipe, com a direção da organização ou com o superior

hierárquico.

É importante fixar a atenção na alternativa adotada, analisar o impacto sobre o

planejamento da organização para decidir se deve ser incorporada ao Plano de Ação a título emergencial, tendo sua execução acompanhada pela “Agenda Semana”. Conseqüentemente, um relatório deste tipo terá desdobramento em um outro plano de ação, para acompanhamento do tratamento da não - conformidade.

Referências Bibliográficas para este módulo Autores e Fontes:

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BRYSON, John M. Strategic planning for public and nonprofit organizations. San Francisco: Jossey-Bass Publishers, 1988. DRUKER, Peter. Administração de organizações sem fins lucrativos: princípios e práticas. São Paulo: Pioneira, 1997. MORAES, Roberto Tadeu Ramos. Planejamento Estratégico: um bem ou mal necessário? Rio de Janeiro, Fundo de Cultura, 2005. PEZZULLO, Susan. Desenvolvendo sua Organização: um guia de sustentabilidade para ONGS. São Paulo: Editora Senac, 2003. RESENDE, Tomáz de Aquino. Roteiro do Terceiro Setor: Associações e Fundações. Belo Horizonte: Editora Prax, 2006.

Revista Filantropia: Responsabilidade Social & Terceiro Setor. Edição 26 - ano V -

2006.

SOUZA, Adriano Dias. Gestão Efetiva. Blumenau: Nova Letra, 2007. SOUZA, Adriano Dias. Gestão Efetiva: Capacitando a equipe para realizar objetivos. Blumenau, Nova Letra,2007. Sites Consultados: www.adets.com.br

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ELABORAÇÃO DE PROJETOS SOCIAIS

Marina W. Cyrillo

Elaboração de Projetos Sociais

Objetivos: Exercitar conhecimentos e técnicas de produção, gestão e avaliação de projetos de cunho social, capazes de orientar o planejamento de intervenções guiadas pela técnica, coerência e pragmatismo, habilitando o reconhecimento e análise apurada da realidade em questão, seus problemas, causas e soluções.

O processo de administração de qualquer área ou setor pressupõe quatro ações básicas que todo gestor, conhecedor de suas responsabilidades deve saber:

planejamento, organização, direção e controle. Neste sentido, o tema que hora aprofundaremos, neste curso para gestores de organizações sociais, ou mesmo, apoiadores de causas nobres da sociedade brasileira, pretende exercitar técnicas e instrumentos para o primeiro item, e talvez o mais importante no processo total da administração, o planejamento.

O planejamento consiste na definição dos objetivos, na ordenação dos recursos naturais e humanos, na determinação dos métodos e formas de organização, no estabelecimento das medidas de tempo, de quantidade e qualidade, na localização espacial das atividades e outras especificações necessárias para canalizar racionalmente a conduta de uma pessoa ou grupo”. (Muñoz apud Iganarra, 1999 p.62)

Neste sentido, o ordenamento das ações para qualquer objetivo fim que se queira implantar, pressupõe o raciocínio de algumas questões:

O QUÊ?
O QUÊ?

Definir o objeto do planejamento

POR QUÊ?

Definir os objetivos, as justificativas

QUEM?
QUEM?

Definir os agentes e os destinatários do planejamento

COMO?
COMO?

Definir a metodologia de ser fazer (meios)

AONDE?
AONDE?

Definir a localização do que se quer implantar

QUANDO?

Estabelecer cronograma das atividades

QUANTO?

Dimensionar os recursos administrativos

Normalmente pensamos que o “planejamento implica falar de futuro” e, embora isso pareça óbvio, é tão obvio quanto essencial. Muitas vezes temos que falar do

76

futuro, isto é sociedade.

o destino da organização e

em última

instância, do destino da

Planejamento pressupõe incerteza e nem sempre é uma processo suave, previsível e linear. O desafio é diminuir o grau de incerteza. Arriscam-se grupos que

se propõem a fazer planejamento “em um dia” – a superficialidade pode fazer com

que se conviva com um nível exagerado de incerteza e, por conseqüência, risco.

Planejamento pressupõe responsabilidade. Especialmente no âmbito de uma organização. É preciso ser responsável ao lidar com o destino das pessoas, estejam elas dentro ou fora da organização. É necessário que se esteja consciente de que a tomada de decisões afeta outras pessoas e exige todo o envolvimento – de diferentes formas – de várias pessoas no processo. o menor caminho entre dois pontos não é necessariamente o mais curto, mas aquele que conta com o máximo de condições favoráveis”.

Simplesmente conhecer bem dois pontos – onde se está e aonde se quer chegar – pode não ser suficiente para uma viagem segura e bem-sucedida. É preciso investigar e avaliar diferentes caminhos, etapas, pontos intermediários, obstáculos a serem possivelmente enfrentados, as oportunidades a serem aproveitadas. É de grande valia conversar com quem já fez outras viagens, aproveitar as experiências anteriores. Quem já fez uma viagem longa de automóvel sabe a importância de conhecer onde estão os postos de gasolina. Planejamento é pensar alternativas, opções, idéias diferentes – planejamento também pode ser um processo criativo e instigante.

O Planejamento requer uma abordagem integrada de todos os fatores e

elementos ao redor de uma iniciativa. É preciso cuidar do conjunto, sem descuidar das partes. Um bom planejamento mobiliza a pessoa por inteiro, seja ao pensar, seja

ao sentir e, principalmente, seja ao querer.

Um bom planejamento não gera somente grandes objetivos e idéias geniais - gera

vontade, compromisso e convicção para realizar algo que provavelmente já existe

no mais intimo das pessoas. É preciso haver espaço e disposição ao planejar para

que as pessoas possam se reconhecer e falar de suas vontades.

A concretização do Planejamento está na elaboração de um documento importante:

o projeto.

Um projeto é um empreendimento planejado eu consiste num conjunto de atividades inter-relacionadas e coordenadas para alcançar objetivos específicos dentro dos limites de um orçamento e de um período de tempo dados. (ONU, 1984).

Um projeto é portanto, a unidade mais operativa dentro de processo de planejamento e constitui o elo final de todo o processo. Está orientado à produção de determinados bens a prestar serviços específicos. (Pichardo, 1985, p.22.)

Portanto, quando um documento se refere ao sistema por inteiro, consubstancia um plano; quando se dedica a um setor, se caracteriza como programa (conjunto de

77

projetos); e, quando se detém no detalhamento das alternativas de intervenção escolhidas é, propriamente, um projeto.

Corresponde ao conjunto de informações racionalmente ordenadas, que permitem estimar os custos e benefícios de um determinado investimento. É um documento e traduz um processo de planejamento, que deve apresentar execução técnica, viabilidade econômica, interesse social e aceitação política.

Critérios para a realização de um projeto

a) Ser politicamente aceitável e sensível às aspirações da população;

b) Ser exeqüível;

c) Ser economicamente eficaz;

d) Ser tecnicamente racional, coerente e adequado aos fins propostos;

Três essenciais dimensões de um projeto

1)

Tempo;

2)

Espaço;

3)

Volume.

Elementos arrolados na composição de um projeto

1)

Econômico;

2)

Técnico;

3)

Financeiro;

4)

Administrativo e legal.

Os tipos de projetos podem ser os mais diversos: investimento; reformulação; ampliação; modernização; relocalização; operação; instalação; implantação; viabilidade econômico-financeira; viabilidade técnica; viabilidade de mercado; arquitetônico; organizacional; entre outros.

78

Roteiro Básico para elaboração de Projeto Social

CAPA

FICHA TÉCNICA

SUMÁRIO EXECUTIVO - resumo contento as principais informações

SUMÁRIO

1 APRESENTAÇÃO – Apresentação da temática a ser trabalhada, da destinação ao qual o Projeto

está envolvido

2 JUSTIFICATIVA

A justificativa deve ser elaborada tendo por objetivo responder ao questionamento: Porque se

pretende realizar esta ação? Qual a sua importância? Qual a contribuição que trará para a sociedade?

3 ANÁLISE DA SITUAÇÃO ATUAL

Deve descrever a situação que gerou o projeto, apontar os pontos de intervenção, definir a ação projetada, citar benefícios ou finalidades da ação ora projetada

4 IDENTIFICAÇÃO DO OBJETO

5 OBJETIVOS – os objetivos devem iniciar com verbo no infinitivo.

Geral - Genericamente, o que se pretende alcançar no projeto (iniciando com o verbo no infinitivo).

Específicos - Etapas intermediárias que deverão levar a concretização do objetivo geral.

6 PÚBLICO ALVO – público almejo atender as necessidades, quantificado.

7 ETAPAS DO PROJETO – detalhamento das etapas intermediárias para se alcançar o objetivo geral

do projeto.

8 CRONOGRAMA - relacionando as ações/etapas do projeto com o período que pode ser : semana, quinzena, mês, bimestre.

(Modelo) AÇÃO JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO
(Modelo)
AÇÃO
JAN
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO

9 ORÇAMENTO – custos com pessoal técnico, despesas administrativas, equipamentos, instalações e materiais diversos e o custo total descritivamente

(Modelo) Indicador Físico VALOR TOTAL VALOR Quantidad Meta Especificação Unidade e
(Modelo)
Indicador Físico
VALOR TOTAL
VALOR
Quantidad
Meta
Especificação
Unidade
e

10 RESULTADOS FINALÍSTICOS

EXEMPLO DE MODELO DE PROJETO SOCIAL

EXEMPLO DE MODELO DE PROJETO SOCIAL 79 ROTEIRO PARA APRESENTAÇÃO DE PROJETOS CRIANÇA ESPERANÇA - 2005

79

ROTEIRO PARA APRESENTAÇÃO DE PROJETOS CRIANÇA ESPERANÇA - 2005

1. DADOS SOBRE A INSTITUIÇÃO

– Nome

Nome fantasia:

Razão social:

– Histórico (como, onde e porque surgiu)

Razão social : – Histórico (como, onde e porque surgiu) – CNPJ – Endereço (com CEP,

– CNPJ

: – Histórico (como, onde e porque surgiu) – CNPJ – Endereço (com CEP, telefones, fax,

– Endereço (com CEP, telefones, fax, e-mail e website)

– Endereço (com CEP, telefones, fax, e-mail e website) – Certificados, títulos e registros – Data

– Certificados, títulos e registros

e-mail e website) – Certificados, títulos e registros – Data de fundação – Dados bancários Nome

– Data de fundação

Certificados, títulos e registros – Data de fundação – Dados bancários Nome e cargo/função do principal

– Dados bancários

e registros – Data de fundação – Dados bancários Nome e cargo/função do principal representante II

Nome e cargo/função do principal representante

bancários Nome e cargo/função do principal representante II – DADOS SOBRE O PROJETO 2.1 Nome do

II – DADOS SOBRE O PROJETO

2.1 Nome do projeto

2.1 Nome do projeto – 2.2 Apresentação (Histórico e descrição sumária) –

2.2 Apresentação (Histórico e descrição sumária)

O PROJETO 2.1 Nome do projeto – 2.2 Apresentação (Histórico e descrição sumária) – 2.3 –

2.3 – Justificativa

O PROJETO 2.1 Nome do projeto – 2.2 Apresentação (Histórico e descrição sumária) – 2.3 –

2.4

– Objetivos

80

2.4 – Objetivos 80

2.5 – Área de cobertura (Estados, municípios, regiões e bairros onde o projeto irá atuar)

municípios, regiões e bairros onde o projeto irá atuar) 2.6 – Público-alvo (crianças, adolescentes e/ou jovens)

2.6 – Público-alvo (crianças, adolescentes e/ou jovens)

2.6 – Público-alvo (crianças, adolescentes e/ou jovens) 2.7 – Faixa etária (informar nº de atendidos por

2.7 – Faixa etária (informar nº de atendidos por faixa etária)

Faixa etária (informar nº de atendidos por faixa etária) 2.8 – Número e descrição do total

2.8 – Número e descrição do total de beneficiários

2.8 – Número e descrição do total de beneficiários 2.9 – Número de profissionais envolvidos (inc

2.9 – Número de profissionais envolvidos (incluir breve descrição das funções de cada

um)

2.10

– Número de voluntários envolvidos

2.11

– Metodologia (explicar como o projeto será organizado e implementado e como

as atividades contribuirão para atingir os objetivos apresentados)

contribuirão para atingir os objetivos apresentados) 2.12 – Atividades a serem desenvolvidas (descrever todas

2.12 – Atividades a serem desenvolvidas (descrever todas as atividades previstas)

desenvolvidas (descrever todas as atividades previstas) 2.13 – Parceiros atuais 2.14 – Sistema de monitoramento

2.13 – Parceiros atuais

todas as atividades previstas) 2.13 – Parceiros atuais 2.14 – Sistema de monitoramento e avaliação 2.15

2.14 – Sistema de monitoramento e avaliação

atuais 2.14 – Sistema de monitoramento e avaliação 2.15 – Cronograma de atividades* 2.16 – Detalhamento

2.15 – Cronograma de atividades*

2.16 – Detalhamento do orçamento por atividades (incluindo memória de cálculo – em

formato Excel) ORÇAMENTO Etapa Investimento
formato Excel)
ORÇAMENTO
Etapa
Investimento

81

81 2.17 – Orçamento consolidado por rubrica (em formato Excel) 1) Pessoal: 2) Benefícios de pessoal
81 2.17 – Orçamento consolidado por rubrica (em formato Excel) 1) Pessoal: 2) Benefícios de pessoal

2.17 – Orçamento consolidado por rubrica (em formato Excel)

1) Pessoal:

2) Benefícios de pessoal 3) Serviços de terceiros (pessoa jurídica):

4) Serviços de terceiros (pessoa física):

5) Bolsistas:

6) Material de consumo e de expediente:

7) Equipamentos:

8) Tarifas públicas (telefone, luz, água, etc):

9) Transportes (locação de veículos):

10) Passagens e diárias:

11) Despesas bancárias:

12) Publicações:

2.18 – Outras fontes de recursos/financiamento

Passagens e diárias: 11) Despesas bancárias: 12) Publicações: 2.18 – Outras fontes de recursos/financiamento

82

Para a elaboração de projetos comunitários, o ideal é que a construção do mesmo seja feita de forma técnica, acompanhada de profissional habilitado para tal, e de forma participativa, unindo os interesses coletivos.

Neste sentido, o desenvolvimento de oficinas com enfoque participativo, é importante. São reuniões que o planejador organiza com a comunidade e capta informações para que os interesses coletivos possam “gerar projetos”. Para entender melhor esta metodologia:

Princípios do Enfoque Participativo

Princípios do Enfoque Participativo, com ênfase no intercâmbio de experiências, tendo como ferramenta metodológica a visualização, contando com o apoio de um moderador externo:

O Enfoque Participativo será a base metodológica da oficina, tentando reunir

técnicas e instrumentos que facilitem o processo de debate e de intercâmbio de experiências. Este enfoque deverá melhorar a dinâmica da oficina, devendo também, tornar mais transparente e democrático os processos de reflexão, decisão, ação e avaliação, contribuindo para aumentar a capacitação, a organização e a responsabilização dos envolvidos. O resultado do enfoque participativo depende da postura de quem vai desenvolvê-lo, que é o moderador.

O Moderador será o elemento de equilíbrio; o catalisador para as diversas idéias

que aparecerão do processo grupal. Ele não interfere diretamente no conteúdo das discussões, tendo somente a responsabilidade de facilitar o processo metodológico.

A Visualização consiste no registro visual contínuo de todo o processo, mantendo

sempre acessível para todos. Deste modo, as idéias não se perdem, sendo mais objetivas e mais transparentes para todo o grupo.

A Problematização será o mecanismo adotado para evitar a dominação e ativar o

intercâmbio de idéias entre os participantes. Assim, por este meio, trata-se de

mobilizar as idéias e os conhecimentos dos envolvidos no processo.

O Trabalho em Grupo será adotado para aumentar a eficácia da comunicação e

garantir um momento intensivo de criação, gerando idéias que serão o ponto de partida para as discussões em plenária. São nos pequenos grupos que se criam idéias de forma intensiva.

As Sessões Plenárias serão utilizadas para o aperfeiçoamento e lapidação das idéias geradas nos grupos. Estes são os momentos de socialização dos resultados, das tomadas de decisão e de se estabelecer a responsabilidade e cumplicidade pelo resultado alcançado.

O Debate Ativo será provocado ativamente, sendo a base de um processo grupal

participativo, onde todos devem ter os mesmos direitos e tratamentos, independente

de posição ou cargo que exerçam. É na troca de idéias e experiências que está a

riqueza deste processo.

83

A Condução Compartilhada, avaliando o programa passo a passo, será o mecanismo que permite aos participantes determinarem o processo a ser desenvolvido e ao mesmo tempo torná-los cúmplices do resultado auferido.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

IGNARRA, L.R. Fundamentos do Turismo. São Paulo: Pioneira, 2003.

PICHARDO, A. Planificacion y programación social: bases para el diagnostico y la formulacion de programas e proyectos sociales. SanJosé: Editorial de la Universidade de Costa Rica, 1985.

84

CAPTAÇÃO DE RECUSOS

CAPTAÇÃO DE RECURSOS

Juliana Grigoli

Introdução Toda a instituição sem fins econômicos necessita de recursos financeiros para viabilizar a sua missão e seus programas, projetos e ações sociais. Nesse sentido, a captação de recursos torna-se uma das atividades fundamentais para a sobrevivência e a sustentabilidade da instituição. Captar recursos exige uma disciplina do profissional envolvido que deve segue uma ordem lógica – reparação, planejamento, execução e controle. Esta seqüência metódica pode ser descrita como um ciclo de captação de recursos. As instituições bem sucedidas estão interessadas nas técnicas de marketing e na preparação de planos de marketing inteligentes, assim como qualquer empresa do Segundo Setor. A instituição deve ser analisada criticamente para estimar o valor daquilo que ela faz, para examinar sua missão e determinar se a sua exposição é interpretada corretamente, através de objetos mensuráveis e de programas significativos, e, além disso, para avaliar seu impacto de mercado.

Requisitos Internos que Contribuem para a Captação de Recursos Para captar recursos, a instituição precisa organizar, de maneira clara e objetiva, algumas questões consideradas fundamentais:

Revisão do Estatuto Social. Definir: Missão, Visão, Valores, Objetivos Estratégicos, Metas, Planos de Ação. Implantar um Modelo de Gestão adequado à suas necessidades bem como às suas estruturas física e humana. Motivar seus dirigentes, colaboradores, voluntários e a comunidade a participarem do desenvolvimento de ações que resultarão em recursos à instituição. Ações voltadas à sustentabilidade da instituição por meio do envolvimento de vários financiadores: governo, empresas, pessoas físicas, fundações e de projetos de geração de renda. Quando a captação de recursos está bem estruturada, a

85

probabilidade de não atingir a missão e os riscos dos objetivos da instituição e de seus projetos não serem alcançados diminui consideravelmente, mesmo que um dos financiadores deixe de contribuir.

Requisitos Externos que Contribuem para a Captação de Recursos Transparência A transparência fundamental para a as instituições que pretendem captara recursos, principalmente em relação a prestação de contas com a comunidade e com os parceiros. A instituição que não apresentar suas contas, que não gera um relatório anual preciso e detalhado sobre as origens e aplicações de recursos, relatando suas atividades e demonstrando aos financiadores ou doadores que os recursos foram aplicados no cumprimento de sua missão dificilmente obterá a renovação de suas parcerias ou conseguirá trazer novos parceiros. Comunicação Relatórios anuais e informativos emitidos com regularidade são importantes para a prestação de contas, entretanto são insuficientes para repassar a credibilidade. A instituição deve considerar os parceiros como seres ativos, portanto, é necessário convidá-los para visitas à instituição, ser ouvido e em alguns momentos estratégicos homenageados. Parcerias Parceria é toda a ação conjunta, realizada por atores sociais semelhantes ou diferentes, tendo em vista um fim comum. Nesse sentido, uma causa deve envolver vários parceiros, e assim, uma instituição que atua em conjunto com outras organizações fortalece a sua causa e a própria instituição. Entretanto, é importante frisar que os parceiros tenham compatibilidade de interesses e de motivações. Para isso, é preciso estar atento ao trabalho desenvolvido pelos parceiros.

Razões que Motivam a Doação Segundo pesquisas realizadas junto à empresários, as principais razões que motivam doar são:

Credibilidade na Organização – Inscrições em Conselhos, Certificações, Títulos e Prêmios.

86

Credibilidade nos Projetos e na Causa – Produzir bons Projetos alinhados a finalidade estatutária e a missão da instituição que tenham objetivos claros, público alvo definido, apresente um cronograma de atividades bem como planos de ação bem estruturados e indicadores de eficiência e eficácia.

Isenções Fiscais

É importante, mas não é o ponto fundamental que motiva a parceria. De acordo com

a pesquisa realizada pela Save the Children e Oxfam, 60% das empresas que doam

apenas 1% se beneficiam das isenções fiscais. Incentivos nas Doações aos Fundos da Criança e do Adolescente:

Pessoas Jurídicas podem destinar até 1% do seu imposto de renda devido. Pessoas Físicas podem destinar até 6% do seu imposto de renda devido. Incentivo nas Doações para Entidades Públicas Federal:

Pessoa Jurídica pode deduzir até 2% do lucro operacional bruto. Pessoa Física não se beneficia. Incentivo as OSCIPs – Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público:

Pessoa Jurídica pode deduzir até 2% do lucro operacional. Pessoa Física não se beneficia. Incentivo nas Doações para Entidades de Ensino e Pesquisa Pessoa Jurídica pode deduzir até 1,5% no máximo do seu lucro operacional. Incentivo nas Doações para Atividades Culturais e Artísticas Pessoa Jurídica poderá efetuar as doações e patrocínios sob a forma de prestação de serviços ou fornecimento de material de consumo, apreço de mercado. O total de deduções, somado aos referentes aos incentivos para projetos audiovisuais é no máximo de 4% do imposto de renda devido. Pessoa Física – a dedução é de 6% do imposto devido. Incentivos Estaduais nas Doações às Atividades Culturais Pessoa Jurídica – o benefício é de dedução do ICMS devido pela empresa patrocinadora até 75% do valor aplicado com o ICMS a recolher, limitado em 3% do saldo devedor de cada período de apuração. Incentivos Estaduais nas Doações de Projetos Sociais Pessoa Jurídica – pode compensar até 75% do ICMS a recolher, do valor aplicado em projetos aprovados pelo Conselho Municipal de Assistência Social. Reconhecimento Público

87

O reconhecimento público é uma das razões que motivam tanto as pessoas jurídicas

quanto as físicas a realizarem doações. Nesse caso é necessário que as instituições adotem como procedimento a homenagem ao doador - placas, diplomas de benemérito e outros são sempre bem-vindos.

Métodos de Captação de Recursos Os métodos indicados são:

Mala Direta As instituições podem ampliar a sua rede de parceiros e apoiadores utilizando os princípios e as estratégias de mala direta adequados à instituição. Os benefícios da mala direta são: fornecem receitas sérias e renováveis, ampliam a base de doadores individuais e ampliam e constroem os grupos de apoio. Os custos básicos que devem ser orçados são: custos de criação, papel, impressão, gastos postais, mailing (aluguel ou intercâmbio). Os princípios básicos deste procedimento:

É a solicitação de uma doação por escrito que é distribuída e devolvida pelo Correio.

Suas funções são:

1- Trazer novos doadores ou parceiros;

2- Renovar as parcerias ou doadores;

3- Campanhas especiais;

4- Identificar os potenciais doadores e planejar as doações.

Campanhas Campanhas Anuais: ocorrem anualmente e são organizadas com o objetivo de angariar fundos para as despesas anuais ou custo operacional das instituições. Campanhas Capitais: São as campanhas que têm como objetivo captar fundos para investimentos em ativos fixos (móveis, computadores, materiais de construção etc Fundo Patrimonial: é o fundo de reserva que se destina a casos de emergência tocando-se apenas nos juros que ela possa gerar. Do ponto de vista de gestão o fundo patrimonial é algo novo para as instituições no Brasil. Sugere-se que, de forma

88

transparente, a instituição aponte na sua prestação de contas que está destinando 10% do valor da arrecadação para a criação deste Fundo. Eventos: é uma estratégia de captação de recursos que ocorre num tempo e lugar específico com propósito de: divulgar a instituição, ganhar uma maior visibilidade na comunidade, recompensar doadores ou recrutar voluntários. Os eventos mais comuns são: almoços, jantares, exibição de filmes e peças de teatro, bailes, desfiles de moda e chás beneficientes. A seguir, algumas dicas para organizar eventos: ter sempre um objetivo claro; tempo para planejamento; minimizar custos financeiros; incluir o custo administrativo no orçamento; considerar a possibilidade de contratar um escolher um local adequado e fácil de gerenciar; convidar celebridades para prestigiar o evento; realizar pesquisas de preços com antecedência; negociar orçamentos; ter um comitê de voluntários como suporte; avaliar os resultados após o evento.

Elementos Chaves para uma Boa Captação Uma boa abordagem, principalmente junto às empresas e às pessoas físicas, nas entrevistas, é um dos pontos mais importantes para garantir o sucesso na captação de recursos. A melhor forma de negociação é a entrevista pessoal, o contato direto com as pessoas e empresários. Antes da Pesquisa:

1- Pesquisar e comparar a natureza dos financiadores com a missão da instituição. Para saber o perfil dos doadores ou dos financiadores dos projetos.

2- Definir quem participará da apresentação da instituição junto ao possível financiador.

3- Cada momento da apresentação tem seu representante específico. A apresentação da instituição deverá ser realizada pelo representante da instituição que deverá estar no mesmo nível hierárquico que o representante da empresa.

4- A apresentação do projeto deverá ser feita pelo coordenador do projeto.

89

5-

A

empresário, o presidente da instituição ou pelo captador de recursos.

solicitação

da

doação

deverá

ser

realizada

por

um

conhecido

do

Durante a Entrevista 1- Apresente-se com o objetivo de atrair a atenção e interesse do potencial doador.

2- Escutar o financiador apresentar a sua empresa é fundamental para obter maiores informações sobre o possível financiador.

3- Apresentar o projeto iniciando pelos dados já desenvolvido.

4- Mencionar à conexão pessoal caso a entrevista tenha sido facilitada.

5- Preparar outras opções de financiamento, sem se desviar da missão da instituição.

6- Esperar as manifestações do doador.

7- Deixar o material institucional.

Depois da Entrevista 1- Após a reunião envie uma carta de agradecimentos.

2- Fazer os ajustes após as entrevistas, caso necessário.

Benefícios à Fonte Doadora 1- Valorização da imagem institucional da marca.

2- Fortalecimento da imagem e da marca junto à comunidade.

3- Maior lealdade do consumidor.

4- Oportunizar o envolvimento do quadro funcional dos financiadores em projetos da comunidade.

5- Oportunizar a empresa a inserção na área social, por meio de um projeto coerente com a sua realidade econômica e técnica.

6- Otimizar o uso dos recursos investidos na área social.

90

Indicadores que contribuem para a captação de recursos 1- Indicadores de eficácia (qualidade dos serviços, mudança de qualidade de vida da população).

2- Indicadores de eficiência (custo do programa, custo por cliente atendido, custo/benefício do programa).

3- Indicadores de sustentabilidade (aumento do orçamento nos últimos 03 anos, aumentando o número de financiadores, quantidade de recursos mobilizados).

Pessoa Física: Algumas instituições pensam que o trabalho de captar recursos por meio de doadores individuais é muito maior que o recurso em si. No início o custo costuma ser maior que o benefício, mas após o processo de captação de recursos estiver estruturado o benefício se torna maior que o custo. Pessoa Jurídica: A solicitação de recursos às pessoas jurídicas deve ser baseada na clareza da proposta e no detalhamento da divulgação do projeto. É muito importante esclarecer ao doador todos os benefícios que determinada doação representará. Por isso, recomenda-se realizar uma pesquisa sobre os benefícios que serão oferecidos ao contribuinte. Os financiadores provenientes de pessoas jurídicas podem ser através de Fundações Nacionais e Internacionais. Para abordar as Fundações recomenda-se:

1- Possuir um plano estratégico atualizado que identifique as prioridades de dotação de fundos.

2- Reunir os programas atuais e as necessidades que justifiquem a dotação de custos.

3- Estabelecer um processo de investigação de Fundações e um sistema de registro.

4- Fixar procedimentos internos para as solicitações e para o gerenciamento das contribuições.

Recomenda-se solicitar por meio de:

1- Cartas – assinadas pelo representante legal da instituição.

91

2- Seguir as normas estabelecidas pela Fundação.

3- Desenvolver um plano e calendário para a formulação de uma solicitação ampla.

4- Usar especialistas no programa para a elaboração dos primeiros rascunhos.

5- Elaborar o material no foco pautado na – clareza, coerência, continuidade e exatidão.

6- Primar por um padrão para espaçamento, tipos de letras e uso da logomarca da instituição.

7- Evitar envelopes e pastas.

Instituições Religiosas Captar recursos em instituições religiosas exige, em alguns casos, uma identificação com a doutrina. Costumam apoiar o custo operacional do projeto e tendem a contribuir por muitos anos. Recursos Públicos Governamentais Por meio de registros, títulos e certificados, como segue abaixo:

Registros:

Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS: As normas gerais para a inscrição das Associações e Fundações para os Conselhos Municipais de Assistência Social de Santa Catarina. Os documentos necessários para a obtenção da inscrição são:

• Requerimento próprio fornecido pelo CMAS.

• Cópia autenticada do Estatuto Social devidamente registrado em Cartório.

• Cópia da ata de eleição/posse da atual diretoria, registrada em Cartório.

• Cópia de atestado de registro e do Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social - CEBAS, quando houver.

• Cópia de inscrição atualizada no CNPJ.

• Atestado de funcionamento assinado pelo representante legal da organização.

• Relatório de atividades contendo descrição e quantificação das atividades desenvolvidas referentes ao último ano, datado e assinado pelo representante legal.

92

• Declaração fornecida pelo contador de que a Associação aplica 20% da receita em gratuidade e/ou projetos de assistência social.

• Plano de trabalho da organização do ano em curso, em consonância com as prioridades das políticas de assistência social do Município.

• Balanço Patrimonial e Demonstrativo de receitas e despesas do último exercício, assinado pelo representante legal da organização e pelo contador.

• Parecer social ou técnico sobre a Associação fornecido pelo gestor municipal ou estadual. Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – CMDCA: de acordo com o Estatuto da criança e do Adolescente.

• Ter como público-alvo o atendimento à criança e/ou adolescente.

• Cópia da ata de Fundação.

• Cópia da ata de eleição/posse da atual diretoria, registrada em Cartório.

• Cópia do cadastro do CMAS.

• Cópia de inscrição atualizada no CNPJ.

• Relatório de atividades do último ano.

• Plano de trabalho atualizado.

De acordo com as informações disponibilizadas no Guia de Associações - Fundação

Acesita (2004), os benefícios que as organizações conquistam com a aprovação do registro são:

• Participar de concursos e projetos de nível federal, estadual e municipal.

• Ter projetos financiados através do:

Fundo Nacional da Criança e do Adolescente FNCA; Fundo Estadual da Criança e do Adolescente FECA; Fundo Municipal da Infância e da Adolescência FIA.

Conselho Nacional da Assistência Social – CNAS: os requisitos básicos para a obtenção do CNAS estão de acordo com a Lei nº 8742/93 e resolução CNAS nº 31 de 24/02/99. São necessários os seguintes documentos:

• Requerimento - formulário fornecido pelo CNAS, devidamente preenchido e

assinado pelo representante legal da organização, que deverá rubricar todas as folhas.

93

• Cópia autenticada do Estatuto Social devidamente registrado.

• Cópia da ata de eleição/posse da atual diretoria, registrada em Cartório.

• Comprovante de inscrição no Conselho Municipal de Assistência Social - CMAS

do Município de sua sede ou no Conselho Estadual de Assistência Social - CEAS.

• Cópia de inscrição atualizada no CNPJ.

•Declaração de que a organização está em pleno e regular funcionamento, cumprindo suas finalidades estatutárias, não distribuindo resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas de seu patrimônio, sob nenhuma forma, bem como de que aplica as subvenções e doações recebidas nas finalidades às quais está vinculada, e da qual conste a relação nominal, com qualificação e endereço,

dos membros da atual diretoria, assinada pelo representante legal da organização.

Relatório de atividades, assinada pelo representante legal da organização, em que

se

descrevem, quantifiquem e qualifiquem as ações a serem desenvolvidas.

Plano de trabalho atualizado.

O

prazo da inscrição é por tempo indeterminado e o tempo para a obtenção da

mesma, variável. O endereço para o encaminhamento da documentação é:

Conselho Nacional de Assistência Social - Esplanada dos Ministérios Bloco F, anexo Ala A , primeiro andar, CEP 70059-900, Brasília- DF. Os benefícios conquistados a partir do registro do CNAS são:

• Pleitear o CEBAS - Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social.

• Firmar convênios e receber subvenções.

• Pleitear isenções do Imposto de Importação sobre bens sem similar nacional, Lei Federal nº 8032, de 12/04/90. • Receber recursos do: FNAS - Fundo Nacional de Assistência Social; FEAS - Fundo Estadual de Assistência Social; FMAS - Fundo Municipal de Assistência Social.

• Facilitar acesso a doações de empresas privadas.

Títulos Os títulos de Utilidade Pública estão de acordo com a Lei Federal nº 91 de 28/08/1935. Segundo o Guia de Associações - Fundação Acesita (2004), uma Associação ou Fundação só podem conquistar a declaração de Utilidade Pública quando conseguem provar que atendem demandas da sociedade, e atuam em seguimentos que o Poder Público não consegue alcançar.

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Nesse sentido, trata-se, portanto, do reconhecimento de que estas organizações cumprem funções que deveriam ser exercidas pelo Poder Público.

A Declaração de Utilidade Pública deve ser requerida nas três esferas do governo:

Municipal, Estadual e Federal.

Utilidade Pública Municipal Os documentos necessários para a requisição da Utilidade Pública Municipal são:

• Estatuto Social atualizado e devidamente registrado em Cartório.

• Estar em funcionamento. Atestado fornecido pelo CMAS (exclusivo às

organizações que tem como finalidade estatutária a assistência social).

• Servir desinteressadamente à sociedade. Atestado expedido por alguma

Secretaria de Assistência Social, Esportes, Cultura, Turismo e Lazer, Saúde, Educação.

• Não remunerar os cargos de Diretoria, Conselho Fiscal, Deliberativo e Consultivo, quando houver (cláusula obrigatória do Estatuto Social).

• Cópia atualizada do CNPJ.

• Cópia de eleição da atual Diretoria.

• Cópia da Ata de fundação da organização.

• Ofício encaminhado a um Vereador com assinatura do responsável legal da Associação ou da Fundação. Os benefícios concedidos são:

Recomenda-se procurar a Secretaria de Governo do Município, sede da organização. Os benefícios são:

• Isenção da taxa de publicidade.

• Isenção do IPTU.

• Isenção do ISS.

Utilidade Pública Estadual De acordo com a Lei Estadual do Estado de Santa Catarina nº 9.540, de 18 de abril de 1994, são necessários os seguintes documentos:

• Cópia do registro de fundação da Associação ou Fundação.

• Cópia do Estatuto Social da organização.

• Cópia da ata de eleição e posse da Diretoria.

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O tempo médio exigido de funcionamento para a conquista a Utilidade Pública Municipal varia de Estado para Estado de 2 anos. O tempo médio para tramitação na Câmara Municipal o Projeto de Lei é de 5 a 6 meses. Os benefícios concedidos são:

• Isenção do ICMS - Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Convênios ICMS 38/82, 47/89, 52/90, 121/95.

• Isenção ou Imunidade do IPVA - Imposto de Propriedade de Veículo Automotivo

• Isenção de emolumentos para registro de documentos.

• Isenção de emolumentos para autenticação de documentos. Utilidade Pública Federal De acordo com as orientações de SZAZI (2003), autor da obra “Terceiro Setor Regulação no Brasil”, as Associações e Fundações constituídas poderão ser declaradas de Utilidade Pública Federal na forma da Lei 91, de 28/08/1935, regulamentada pelo Decreto nº 50.517, de 02/05/1961, a partir do envio dos seguintes documentos:

• Ficha de cadastramento da Associação ou Fundação conforme modelo próprio.

• Requerimento em via original, dirigido ao Exmo. Sr. Ministro da Justiça, solicitando

a declaração de Utilidade Pública Federal, em que constarão os dados relevantes, como nome, forma jurídica (Associação ou Fundação), endereço e objetivo social da organização, documentos do presidente da organização (nome, RG, CPF, endereço, estado civil, profissão).

• Cópia autenticada do Estatuto Social.

• Certidão em via original, expedida pelo Cartório de registro de pessoas jurídicas,

atestando o registro do estatuto e as alterações, se houver, no respectivo livro de registros de pessoas jurídicas.

• Cópia atualizada do CNPJ.

• Cópia autenticada da ata de eleição da diretoria atual e o atestado de idoneidade moral expedido por autoridade local.

• Cláusula do Estatuto Social em que conste que a Associação ou a Fundação não

remunera, os cargos de sua diretoria, conselhos fiscais, deliberativos ou consultivos,

e que não distribui lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma forma.

• Atestado de funcionamento dos últimos 3 anos, expedido por autoridade local

(Prefeito, Juiz de Direito, Delegado de Polícia) informando que a Associação ou

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Fundação esteve e está em efetivo e contínuo funcionamento com exata observância dos princípios estatutários.

• Relatórios quantitativos em termos percentuais com gratuidade e qualitativos das assistências realizadas nas atividades desenvolvidas pela Associação ou pela

Fundação nos 3 (três) últimos anos separadamente, ano a ano.

• Quadro demonstrativo detalhado das receitas e despesas dos últimos 3 (três) anos, separadamente, assinado por um profissional habilitado, constando carimbo com número de inscrição no Conselho Regional de Contadores. Se mantenedora, deverá apresentar, conjuntamente, os relatórios das mantidas.

• Declaração da requerente que se obriga a publicar anualmente o demonstrativo

das receitas e despesas realizadas no período anterior, quando subvencionada pela União. Com os documentos organizados, encaminhá-los para:

• Ministério da Justiça

• Secretaria Nacional da Justiça

• Coordenação Geral da Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação

• Esplanada dos Ministérios, Bloco T, Anexo II, Sala 203, CEP: 70064-901, Brasília - DF.

Benefícios concedidos são:

• Possibilidade de oferecer dedução fiscal no Imposto de Renda, em doações de pessoas jurídicas Decreto Federal nº 3000 de 26/03/99. • Acesso a subvenções e auxílio da União e suas autarquias.

• Possibilidade de realizar sorteios destinados a arrecadar fundos, desde que autorizados pelo Ministério da Fazenda - Lei Federal nº 5768 de 20/12/71 e Lei Federal nº 5864 de 12/12/72.

• Pleitear o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - CEBAS.

Empresas Os principais motivos que levam às doações são:

1-

O

aquisições e aumento da competição internacional.

crescimento

limitado

no

mercado

de

empresas

corporativas,

fusões,

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2- O interesse social das empresas no sentido de estimular o voluntariado com

seus colaboradores.

3- Participação dos colaboradores da empresa na tomada de decisões relativas

às doações da empresa.

4- O marketing relacionado com a causa. Nesse sentido é importante que a

empresa visite e encontre ligação entre os objetivos, valores e missão da

mesma com a da instituição.

5- Cidadania empresarial.

6- Influência individual facilita em alguns casos, por isso é necessário valorizar

os contatos.

Perfil do Captador de Recursos

O objetivo maior do captador de recursos é conquistar a confiança do patrocinador,

considerando-o como co-realizador do projeto.

O profissional envolvido com a captação deve ser vibrante, motivado e otimista. É

imprescindível que o captador acredite na causa para, a partir daí, convencer um

empresário a investir nela. Esse misto de idealismo com profissionalismo coloca o

captador à condição de raridade no mercado de trabalho.

No momento da negociação, o captador representa a imagem da instituição. Por

isso, precisa conhecer profundamente a instituição - causa, planejamento, detalhes

da gestão e o escopo dos projetos.

É preciso que seja uma pessoa comprometida com a missão da instituição, estar

antenado com as novidades, ser comunicativo, gostar de pessoas e de cultivar

relações, ser paciente e saber escutar bem como ser claro, objetivo e direto.

Instituições sociais que já se encontram em fase de profissionalização necessitam do

captador de recursos para desenvolver argumentos, formar a rede de contatos e

cruzar o interesse de eventuais investidores com a causa institucional.

Dicas para uma Captação de Recursos de Sucesso

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2. Indique os benefícios da doação para o doador potencial: dedução dos impostos, publicidade, etc.

3. Se a doação pura e simples não despertar interesse, proponha um tipo de competição ou desafio.

4. Pesquise doações “em espécie”(Serviço, suprimentos, equipamentos).

5. Pesquise o seu pessoal para determinar contatos com possíveis doadores.

6. Verifique com segurança a época oportuna para sua solicitação.

7. Procure informar-se sobre propostas de outros arrecadadores.

8. As propostas devem ser bem organizadas, digitadas com perfeição e serem acompanhadas de orçamentos razoáveis.

9. A proposta deve indicar as qualificações de um grupo gerencial competente.

10. Os projetos devem ser originais, únicos, inovadores, criativos e viáveis.

11.Demonstre sua dedicação e envolvimento com os objetivos do projeto.

12.Inclua na proposta um mecanismo independente para avaliação do projeto.

13.Demonstre como o projeto poderá servir como uma prévia, protótipo ou modelo para outros projetos semelhantes.

14. Demonstre através de estatísticas ou pesquisas, a necessidade do projeto.

15.Demonstre que um número significativo de pessoas serão beneficiadas pelo projeto.

16.Estabeleça uma larga base de apoio com uma parte de sua comunidade.

17.Para se vender o projeto é melhor o contato pessoal direto com a pessoa responsável pela decisão final da doação.

18.Procure doações iniciais (“começar a lista”) com sua diretoria e conselho.

19. Procure mostrar algumas evidências palpáveis do sucesso ou das possibilidades de sucesso que advirão.

20.Seja entusiasta e confiante.

21. Demonstre pesquisas e planejamento cuidadosos.

22.Indique outras fontes de recursos.

23.Demonstre que outros não estão conseguindo preencher as necessidade que sua organização pretende.

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24. Apresente sua proposta com bastante antecedência das datas finais.

25.Desenvolva e descreva cuidadosamente finalidades e objetivos.

26.Obedeça explicitamente as indicações da aplicação da doação, quando estas forem fornecidas.

27. Planeje um programa para “associação permanente”à medida que você planeja o seu “recrutamento” (fidelização).

28.Considere um programa de marketing para vendas de produtos ou serviços relacionados.

29.Faça um programa orçamentário para cada projeto de arrecadação de fundos.

30.Crie um tema para cada evento dos projetos de arrecadação de fundos.

31.Crie uma psicologia de campanha.

32.Não deixe de enviar notas de agradecimentos aos doadores.

33.Mantenha registro detalhados e precisos de receitas e despesas e análise cada projeto ao seu final, para podre efetuar reduções/ economias subseqüentes e aumentar a produtividade de outros programas.

34. Cada evento deve ter uma finalidade específica - valor a ser arrecado e no que serão utilizados os fundos recolhidos.

35.Obtenha doações de comerciantes ou industriais de área para os seus programas de vendas.

36. Procure associar-se a organizações já bem estabelecidas para projetos conjuntos de arrecadação de fundos.

37.Consiga economizar grandes somas nos programas de arrecadação utilizando-se das vantagens da “mídia livre”, apoiado em mandatos legais dos serviços públicos de rádio e televisão.

38.Procure programas as datas de cada evento com antecedência eliminando acontecimentos conflitantes, que aumentam a competitividade reduzindo os valores das doações.

39.Estabeleça um programa de cooperação para o uso de equipamentos e serviços com outras organizações na sua área.

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