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UNIVERSIDADE CATÓLICA DO SALVADOR - UCSAL SUPERINTENDÊNCIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA EM FAMÍLIA NA SOCIEDADE

UNIVERSIDADE CATÓLICA DO SALVADOR - UCSAL SUPERINTENDÊNCIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA EM FAMÍLIA NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA CURSO DE MESTRADO

KARINE NASCIMENTO SILVA

FICHAMENTO: Busca de qualidade, ação social e cultura. Por uma sociologia reflexiva.

Trabalho acadêmico apresentado para fins avaliativos na disciplina Metodologia da Pesquisa em Ciências Humanas, ministrada pela Profa. Dra. Mary Garcia Castro, no Programa em Família na Sociedade Contemporânea do Curso de Mestrado da Universidade Católica do Salvador.

Mestranda: Karine Nascimento Silva

Salvador

2013

Busca de qualidade, ação social e cultura. Por uma sociologia reflexiva. Cap. I MELUCCI, A. Busca de Qualidade, ação social e cultural. Por uma sociologia reflexiva. Petrópolis, Vozes, 2005. p.25 43.

1. O quadro teórico geral

1.1 Mudanças na pesquisa social ocorreram nas últimas três décadas referentes à teoria e a

prática em uma dimensão epistemológica, metodológica e na forma direta as técnicas de pesquisa, demonstrando um interesse e debater aos métodos da pesquisa qualitativa nas ciências sociais (p.25); 1.2 Novas formas de fazer pesquisa consistem no processo no qual no qual combinam questões teóricas e problemas práticos, sendo verificada uma intensa experimentação no campo das práticas de pesquisa. Desta forma existe uma conexão bipolar entre o desenvolvimento da teoria, da metodologia e os experimentos nas práticas de pesquisa sendo alimentadas e estimuladas reciprocamente não apresentando uma conexão linear

(p.26);

1.3 Os aspectos da pesquisa social contemporânea são indissolúveis no que tange a definição teórica e a construção prática, são processos interativos no qual as práticas de pesquisa e as experimentações conduzidas pelos pesquisadores se misturam aos processos sociais que impulsionam na direção destas práticas. Neste sentido os problemas teóricos e epistemológicos que dizem respeito à definição de campo, as práticas de pesquisa que são introduzidas de modo empírico prosseguem por tentativas e erros, portanto os processos sociais sobre os quais estas práticas se concentram são na realidade a mola principal que pressiona a busca de aproximar-se dos fenômenos a fim de por em ação tais práticas citadas (p.26); 1.4 As práticas de pesquisa são práticas sociais, pois estão relacionadas às novas questões que advém do povo, no seu conjunto, atores coletivos e instituições e pelos diversos consumidores dos produtos da pesquisa. Novos parâmetros se aplicam as teorias e as práticas de pesquisa, mas estão contemporaneamente em discussão os critérios de legitimação da pesquisa. Neste contexto os mercados dos produtos de pesquisa tem um papel importante porque o conhecimento é sempre mais necessário aos atores sendo incorporadas as práticas sociais (p.17); 1.5 Na redefinição do estatuto da pesquisa social perde o significado a oposição entre qualidade e quantidade ou seja entre pesquisa qualitativa e quantitativa, pois estas se

entrelaçam e mascaram uma discussão recente que opõe a perspectiva construtivista ao realismo ingênuo que também tende a exaurir-se por falta de matéria discursiva, contudo os falsos debates e oposições indicam um terreno transitório e ambíguo no qual ocorre as mudanças, sendo assim a redefinição do campo de pesquisa social tornara mais visível a utilidade de uma oposição entre pesquisa qualitativa e quantitativa, assim como entre construtivismo e realismo (p.27 28 );

2. De onde vem o interesse pela pesquisa qualitativa?

2.1 Alguns processos gerais das sociedades complexas podem indicar a conexão entre as mudanças em curso e a busca de pesquisa qualitativa a exemplo a autonomia dos sujeitos individuais, a importância da vida cotidiana como espaço no qual os sujeitos constroem o sentido do seu agir e no qual experimentam as oportunidades e os limites para a ação. A tendência da pesquisa social em fazer parte do mercado dos bens com os quais os atores entram em contato como objeto de investigação ou como consumidores dos resultados da pesquisa mesma (p.29); 2.2 Por fim, nas sociedades complexas ocorre a culturalização da natureza e, contemporaneamente como naturalização da cultura. Sobre os instrumentos de análise qualitativos é que se move a busca de conhecimento (p.30);

  • 3. Fontes intelectuais e fontes institucionais

3.1 A mudança de perspectiva que se refere aos métodos qualitativos estão certamente na

nova sociologia da ciência, a contribuição da hermenêutica e a revolução cognitiva introduzida pelos modelos construtivistas do conhecimento. As contribuições teóricas se entrelaçam e se misturam sobretudo no que se refere à sociologia com a contribuição de algumas escolas e autores que avançaram de modo determinante a pesquisa qualitativa como o interacionismo simbólico, a etnometodologia, teoria e investigação de gênero e sobre gênero produzida quase unicamente pelas mulheres

(p.31);

3.2 A cultura empresarial teve o mérito de especificar a qualidade como uma estratégia para melhorar a produção (p.32).

  • 4. A virada epistemológica

4.1 As características essenciais da redefinição epistemológica se apresentam na centralidade da linguagem, uma redefinição profunda da relação entre o observador e

o campo e a dupla hermenêutica na qual a pesquisa social está inevitavelmente ligada, pois não se trata de produzir conhecimentos absolutos, mas interpretações plausíveis e por fim e muito importante a apresentação dos resultados (p.33);

  • 4.2 O objetivo da pesquisa social não tem mais a pretensão de explicar uma realidade em si, mas o de traduzir o sentido produzido pelo interior de certo sistema de relações sobre outro sistema de relações que é aquele da comunidade científica ou do público. Não apenas descrever fatos reais, mas se apresenta como construção de textos que dizem respeito a fatos socialmente construídos e que mantem a consciência da distância que separa a interpretação da realidade (p.34).

    • 5. Questões abertas

      • 5.1 Os problemas que uma metodologia reflexiva coloca, não sendo resolvidos, são reduzidos a três problemas epistemológicos clássicos: a relação entre a realidade e a representação (realismo e subjetividades), relativismo que recoloca de forma nova a velha contradição de cético e a possibilidade de fundar uma epistemologia pluralista e tolerante capaz de abrir-se para novas interpretações e de colocar em discussão assuntos consolidados da ciência na tentativa de transformar o consenso interno em verdade ontológico, enfim o terceiro problema diz respeito a espiral sem fim da reflexibilidade porque se introduzem níveis reflexivos sobre as práticas entra-se numa espiral da qual é difícil se estabelecer o fim, a cada nível pode haver abertura a uma nova dimensão reflexiva, um novo metanível (p.36);

      • 5.2 Condições que indicam alguns limites sobre os riscos da indeterminação ou redução do silêncio social em relação aos problemas epistemológicos clássicos: o conhecimento se torna parte integrante da produção uma força produtiva, a validação do conhecimento científico e sua legitimação não vêm unicamente da comunidade científica, mas de outras fontes que interagem de modo recorrente com a comunidade científica como também a consciência de que cada observação é também uma

intervenção (p. 37);

  • 5.3 Cinco problemas finais enfrentadas pela metodologia reflexiva: pluralismo crescente de perspectivas e de modelos, controle, legitimação, implicação e destaque, e por fim o da responsabilidade (p. 37 38);

que consiste no poder dedicar tempo e energia para refletir institucionalmente sobre condições sociais de produção do conhecimento mesmo (p.38); 5.5 A pesquisa qualitativa aplica-se a um percurso histórico muito amplo com origens na sociologia não sendo correto afirma o surgimento nas últimas décadas (p.39); 5.6 Em relação à pesquisa quantitativa enquanto as técnicas de elaboração de dados se tornam sofisticadas os processos de coleta dos dados e sucessivamente a interpretação dos resultados das elaborações ainda são rústicas (p. 40).

6.0 Por um realismo crítico

  • 6.1 A pesquisa é uma prática de observação que coloca em relação ação, linguagem e vida cotidiana dos sujeitos, uma forma reflexiva, como conhecimento do conhecimento, como prática cultural voltada para modificar a ação através de novos imput acerca dos seus significados (p.41);

  • 6.2 As teorias são construtos discursivos e os dados tanto quantitativos ou qualitativos, assumem o papel de garantia das argumentações no processo da construção da teoria como campo de argumentação e como sistema aberto a discussão que implica na aceitação da sua dimensão multiparadigmática e multimetodológica (p.43).