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Disciplina

Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS)
Coordenador da Disciplina

Prof.ª Margarida M. P. de Souza
Edição 2013.1

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados desta edição ao Instituto UFC Virtual. Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada por qualquer meio eletrônico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, dos autores. Créditos desta disciplina Coordenação Coordenador UAB Prof. Mauro Pequeno Coordenador Adjunto UAB Prof. Henrique Pequeno Coordenador do Curso Profª. Eloneid Felipe Nobre Vice-Coordenador do Curso Prof. Francisco Herbert Vasconcelos Coordenador de Tutoria Prof. Dimas Vasconcelos Coordenador da Disciplina Prof.ª Margarida M. P. de Souza Conteúdo Autor da Disciplina Prof.ª Margarida M. P. de Souza Colaboradores Joelma Remigio de Araújo Natália Almeida Francisco Sérvulo Gomes Lima João Batista Filho Germana Maria Araújo de Lima Mariana Farias Lima Setor TecnologiasDigitais - STD Coordenador do Setor Prof. Henrique Sergio Lima Pequeno Centro de Produção I - (Material Didático) Gerente: Nídia Maria Barone Subgerente: Paulo André Lima / José André Loureiro Transição Didática Elen Cristina S. Bezerra Elicélia Lima Gomes Fátima Silva e Souza José Adriano de Oliveira Karla Colares Kamille de Oliveira Thiago Alencar Formatação Camilo Cavalcante Damis Iuri Garcia Elilia Rocha Emerson Oliveira Francisco Ribeiro Givanildo Pereira Sued de Deus Stephan Capistrano Publicação João Ciro Saraiva Design, Impressão e 3D Andrei Bosco Eduardo Ferreira Fred Lima Iranilson Pereira Luiz Fernando Soares Marllon Lima Onofre Paiva

Gerentes Audiovisual: Andrea Pinheiro Desenvolvimento: Wellington Wagner Sarmento Suporte: Paulo de Tarso Cavalcante

Sumário
Aula 01: A PESSOA... surda ou Surda? ................................................................................................. 01 Tópico 01: Os surdos desde a Antiguidade ............................................................................................ 01 Tópico 02: Da deficiência à diferença.................................................................................................... 06 Tópico 03: A Surdez no olhar dos surdos .............................................................................................. 09 Tópico 04: A Cultura e Identidade Surdas ............................................................................................. 12 Aula 02: Língua De Sinais – Um Idioma Visuoespacial ........................................................................ 26 Tópico 01: Considerando Alguns Conceitos de Linguagem e Língua................................................... 26 Tópico 02: Aspectos Gerais Sobre o Idioma Que se Vê ........................................................................ 29 Tópico 03: Os Parâmetros da Língua de Sinais ..................................................................................... 36 Tópico 04: Os Níveis Linguísticos ......................................................................................................... 44 Tópico 05: Os Tipos de Verbos.............................................................................................................. 48 Aula 03: O Profissional Tradutor E Intérprete Da Língua De Sinais (TILS) ..................................... 55 Tópico 01: Como ou quando surgiram os primeiros trabalhos de interpretação de língua de sinais ..... 55 Tópico 02: O que vem a ser esse profissional? ...................................................................................... 58 Tópico 03: O Profissional Intérprete da Língua de Sinais e sua atuação na escolarização .................... 61 Tópico 04: A Surdocegueira e o Profissional Guia-Intérprete: o brilho da descoberta do mundo ........ 66 Aula 04: Um olhar sobre o português como segunda língua para surdos ........................................... 72 Tópico 01: O processo de aquisição da língua(gem) pelos surdos ........................................................ 72 Tópico 02: Um olhar sobre o texto do surdo .......................................................................................... 76

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.. que compreendemos". pelo menos naquele momento. Na escola primária.com/embed/EehBglz_bF0 acesse o Para assistir o vídeo http://www. apenas em família.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 01: A PESSOA.. (.. Então apelidaram-me de gaivota.. Mas era eu que me esforçava 1 . (. (. fale. apesar de tudo. SURDA OU SURDA?: AS DIFERENTES CONCEPÇÕES E AS MUDANÇAS DE PARADIGMAS TÓPICO 01: OS SURDOS DESDE A ANTIGUIDADE Para assistir o vídeo http://www.. muitos gritos..) Quando tentava imitar a voz de minha mãe. Eram.) Diferença.. e ela tem seus barulhos em imagens. Meus chamados nada queriam dizer para meus pais.youtube. mas sabia bem que aquilo era válido. (..com/embed/eEfTWLp0kqo acesse o VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Dava gritos. a garotada zombava de mim e ria de meus esforços para falar (. diziam eles. Diziam -me: "Fale. (.youtube..) Tenho minha imaginação... sim.) Em outras palavras: nunca vivi no silêncio completo. gritos agudos de pássaros do mar. Não sou muda. era completamente diferente. não me compreendiam.) Frequentemente as pessoas pensam que surdo quer dizer mudo.. Gaivota sim.) Certamente... porque queria me ouvir e os sons não me chegavam..

e por quê. Chamava-me Emmanuelle Laborit.) Mas a ordem que se fez em minha cabeça. E me encontrei. Sinceramente nada me falta.. recusar violentamente o rótulo de deficiente.o sujeito surdo era conhecido como “surdo-mudo”. também.. que me torna dependente dos ouvintes.. período da divinização do Verbo ( Divinização suscitada da referência bíblica: “No princípio era o Verbo) . No transcurso do século XVI. Acreditava-se que tal “surdo-mudez” era algo a ser curado através da fé religiosa. na época em que entrei na quinta série. tomada. As tentativas de educação de surdos.. (. casar. de algum modo. porém.. Leitão (2006. Emannuelle Laborit (1994). quem era eu. atriz e escritora) Na Antiguidade. ocorreram na intenção de aproximá-los da vida social dos ouvintes (Parece que é o que se almeja ainda hoje... Essa noção supersticiosa é vivenciada por muitas comunidades leigas. então.) com treinamentos da fala. p. já então. por seu valor e função social. visando assim torná-los “humanos”.. a língua de sinais corresponde à minha voz. já que eram tidos como seres animalescos ou providos de grandes pecados. 2 . A esse respeito Sánchez (1990) nos conta que os professores-preceptores davam grande importância à escrita como meio de acesso à articulação das palavras. considerado como um ser incapaz de adquirir conhecimentos ou herdar propriedades.) Queria saber onde estava neste mundo. as mães afirmam que ao descobrirem que os seus filhos eram surdos. trabalhar etc. 27): Numa das nações da África Central.) Que esforço faziam além de me ridicularizar? (.. É a sociedade que me torna excepcional. aproximá-los da vida social (dos ouvintes). se apresentavam impedidas de fazer uso da palavra falada". me fazia. (. Naquele momento histórico. A riqueza de sua língua gestual é um dos tesouros da humanidade...) Para mim. (Laborit é surda francesa. o seu primeiro pensamento era verificar se os seus antepassados tinham sido enterrados devidamente.para imitá-los (. Em muitas sociedades.) Eu (. as mães acham que a causa da surdez dos seus filhos é devida a agressões dos espíritos. a língua (gem) era tida como expressão do espírito e seu principal canal parece ser a via oral. foram descortinando-se possibilidades de educação a pessoas surdas com o surgimento do “preceptorado”. (. p. como as africanas cujo “préconceito” é ressaltado por Lane (1992.. sob influências renascentistas. 153) nos diz que VERSÃO TEXTUAL DO FLASH "Há evidências de que todo o contexto ideológico dessa época era desfavorável às pessoas que.) Os ouvintes têm tudo a aprender com aqueles que falam com o corpo. meus olhos são meus ouvidos.

nesse contexto. em 1778. loucos. Seguindo esse caminho. Estes eram os procedimentos mais brandos – usados ainda hoje em diversos lugares –. pois em tempos idos. sim. como o de Bicêtre e a Salpêtrière em Paris. em 1800. a medicina adentra intensamente na área pedagógica e. ) era despendido com treinamentos intensos da fala e uso de recursos para aproveitamento dos resquícios auditivos. ou seja.000 pessoas. a preocupação em “extirpar” o pecado a partir da educação. atribuía aos aprendizes o rótulo de “semluz”. em total promiscuidade. confundidos como loucos e idiotas. prostitutas. Bethlehem na Inglaterra e muitos outros no resto da Europa se abriram para acolher piedosa e cinicamente. ainda. a se desenvolver no sentido de correção do “defeito” ou a compensação da “menos-valia” ( Esse termo aqui utilizado não se refere a nenhum conceito analisado por Karl Marx (mais-valia) e . p. 24) ressalta: Foi assim que grandes hospitais. a viverem segregadas em asilos ou leprosários (hospícios) construídos com irônica suntuosidade ainda na Idade Média ( Pessoti (1984) escreve que os leprosários surgiram. mutilados e “possessos” que só na Salpêtriètre perfaziam. A esse respeito Pessoti (1984. um total de 8. o tempo do professor com o “a-luno” (O referido destaque ocorre na intenção de reportar a origem do termo (Latim). ainda mais. através dos monges e padres (professores-preceptores). delinqüentes. “libertinos”. portanto. que exaltando a figura do professor como detentor do saber. idiotas. OBSERVAÇÃO Nesses procedimentos. a igreja por muito tempo e após o Renascimento tornou-se a responsável por instruir os filhos da nobreza para garantia de seus direitos. A surdez tida como deficiência é considerada. como solução para o problema das devastadoras epidemias de lepra na Europa. essas pessoas serviram de cobaias em experiências ditas científicas em consequência de pensamentos como o do Abade Sicard (Sicard foi reitor na escola de Paris. Paralela a essa iniciativa encontrava-se. ) Tal atitude era prática rotineira do poder público e de familiares que buscavam se isentar da dispendiosa responsabilidade de educar essas pessoas. ressalta o sentido depreciativo e de inferioridade com que a sociedade trata certos indivíduos de grupos sociais minoritários) .OLHANDO DE PERTO Por consequência de fantasias ou crenças como essas. Essa visão sentenciava as pessoas que apresentassem alguma característica antissocial. Decorre que. se priorizava o emprego de aparelhos auditivos e materiais concretos (objetos ou figuras usados para o ensino das palavras que lhes eram apresentadas). no referido período. eram também mantidos em total isolamento. a educação dos surdos – considerados deficientes da audição ou deficientes da comunicação – passou. como mal decorrente de pecados hediondos ou obra do demônio. sucessor de l’Epée e autor do primeiro 3 . os surdos.

O ciclo continuou com a aplicação de soda cáustica na pele por detrás do ouvido. Depois introduziu sanguessugas nos pescoços de outras crianças surdas. após poucos dias. 77) que escreveu: “Estas crianças não são entidades na sociedade. ) (apud LANE 1992. são máquinas vivas e estátuas. como também a outros tentou cobrir-lhes o ouvido com uma ligadura embebida com um componente químico borbulhante. pensando que o ouvido poderia estar bloqueado e não paralisado. para ele. 1992). acreditando que a sangria local produziria algum resultado. Nesta. Fonte [1] Na mesma perspectiva de Sicard.manual para a educação de crianças surdas (PESSOTI. furou-lhes os tímpanos. 1984. fez com que o referido médico passasse a administrar. Com outros. Não possuem sequer instintos animais. 1992). Percebendo que tal procedimento parecia doloroso e infrutífero desistiu. em outro grupo experimentou o uso de laxativos diariamente. frustrantes e dolorosas para as crianças. p. Este também com resultados nulos. Os vícios e as virtudes são irreais”. Itard submeteu ainda 120 estudantes – quase todo o corpo discente de uma escola – à experiência de introduzir-lhes uma sonda da garganta ao ouvido na intenção de “extrair o excremento linfático”.. a mesma contraia tal membro. Para elas o mundo moral não existe. (LANE. As suas mentes são vazias.. Jean-Marc Itard (1775-1838). baseando-se no experimento de um cirurgião italiano que descobriu que ao tocar a perna de uma rã com um metal com carga elétrica. Itard insistiu por mais tempo. por duas semanas. Embora com tantas experiências infrutíferas. LANE. Itard deduziu que havia alguma relação entre a paralisia do ouvido e a paralisia de membros. fundador da otologia e autor do primeiro livro sobre as doenças do ouvido e deficiências da audição.. uma infusão secreta nos ouvidos de outros discentes. executando extravagantes procedimentos médicos. as crianças sentiam dores insuportáveis e seus ouvidos já sem pele expeliam pus. encontrou nas crianças surdas seu rico laboratório. 4 .. A outros seis aprendizes.. Em alguns estudantes aplicou eletricidade nos ouvidos.. principalmente depois que uma das crianças veio a falecer na sequência do tratamento.

Somente após tantos e tantos procedimentos absurdos e fracassados. concluiu: A medicina de nada vale naquilo que já está morto e. o implante coclear.jpg Responsável: Profª Margarida M. p. por aquilo que me foi dado a observar. repercussões e pontos de vista nas áreas clínica. na intenção de fraturar-lhes o crânio para passagem do som.192).com/JapW9mor4hQ/Th4HUSGNqHI/AAAAAAAAAEU/UKXmiekJbTQ/s320/Je an_marc_gaspard_itari_1775_hi. Suas tentativas de cura continuaram com a introdução de um fio no pescoço de um educando com a ajuda de uma agulha. enfim. Aplicou em outro grupo um botão metálico atrás dos ouvidos. seguindo a perspectiva de cura da surdez. de Souza Universidade Federal do Ceará . http://1. saía pus de uma ferida em crosta.batia com um martelo na área imediatamente atrás do ouvido.blogspot. provocando também uma ferida supurante. FONTES DAS IMAGENS 1. dos quais. não há vida no ouvido de um surdo-mudo. encontra-se um procedimento cirúrgico extremamente polêmico.bp. Itard (apud LANE 1992. não há nada que a ciência possa fazer OLHANDO DE PERTO Na atualidade. Mais detalhes a respeito dos procedimentos. Quanto a isso. P. educacional e na comunidade surda americana ver Lane (1992). após dias.Instituto UFC Virtual 5 .

As referidas áreas de estudo trouxeram o entendimento dessas pessoas como sendo uma comunidade linguística minoritária. Psicologia. observando seu modo de percepção/interação com o mundo. Assim. algo construído histórico-socialmente. p. a surdez é mais que uma doença. Perelló e Tortosa (1972). Reynolds e Birch (1976). Vale ressaltar aqui como a surdez é concebida por pesquisadores de referência na área clínica. Lafon (1989). conforme Woodward (2000. 11) enfatiza que a surdez “constitui uma diferença a ser politicamente reconhecida”. Pedagogia. Skliar (2001. que os embates giram em torno de duas perspectivas principais: uma que segue a visão orgânico-funcional – a reabilitação da deficiência . com formas de arte. p. em contrapartida da surdez como deficiência. detentora de uma cultura própria. CONTRIBUIÇÃO A trajetória de representações mostra-nos. Os novos olhares à pessoa surda e às formas instrucionais de educação a ela dirigidas abriram portas para estudos que a encaram não como deficiente. ancorada em práticas de significação e de representações compartilhadas entre os surdos. os significados construídos pelos discursos "só podem ser eficazes se eles nos recrutam como sujeitos".” (Ibid. SURDA OU SURDA?: AS DIFERENTES CONCEPÇÕES E AS MUDANÇAS DE PARADIGMAS TÓPICO 02: DA DEFICIÊNCIA À DIFERENÇA: CONTRAPONTOS ENTRE OS OLHARES CLÍNICO. a representação do surdo como um ser culturalmente visual. essa parcela da população. visto que. a visão sócioantropológica – que suscita o respeito à diferença etno-linguística proveniente da condição de ser surdo. p. 55). como aludi anteriormente. uma descrição cultural e não aquela baseada na enfermidade”. “efeito de conflitos sociais. ANTROPOLÓGICO E CULTURAL DA SURDEZ VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Com o passar dos anos e vários estudos no âmbito das Ciências Humanas e Sociais – Linguística. ela é tida como uma síndrome por apresentar um conjunto de sinais 6 .. entre outras – surge. Nesse sentido.e outra. 32): “O que está intelectualmente em discussão é a utilização de um tipo de descrição e não de outro para esta minoria de linguagem. Esse novo olhar que trata o surdo como sujeito e não como objeto passa a reescrever os discursos (FAIRCLOUGH. então. detentora de uma cultura diversa.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 01: A PESSOA. mas como “diferente”. A respeito da cultura surda e seus aspectos trataremos mais adiante. 13). como Myklebust (1971). Antropologia. história e estrutura social específica é defendida também por Lane (1992. Para estes.. 2001).

1972. De acordo com o período. O autor cita Wright – surdo pós-linguístico – para ilustrar a situação inimaginável [para quem ouve] da ausência da audição na infância. uma criança provavelmente já compreende os fundamentos da língua. a surdez pode ocorrer antes ou depois da fase de aquisição da fala convencional. No entanto. o surdo prélinguístico encontra-se “numa categoria qualitativamente diferente de todas as demais [pessoas]”. é a junção das duas anteriores. 21) diz. para os “natissurdos”. tudo foi adquirido pelo ouvido. pois considerando o que Sacks (Ibid. Há os tipos intermediários. Moderada (de 41 a 70 dB): Poucos sons da fala. Ao nosso ver. 1990). Suponho que esses fatores implicam inadequações em determinadas metodologias. porém não nos aprofundaremos nesse assunto. conforme a captação dos sons e dividem-se basicamente em: VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Leve (de 26 a 40 dB): O indivíduo tem dificuldade em ouvir a voz baixa e distante. CICCONE. Eu possuía a base de um vocabulário que poderia ser ampliado sem dificuldade com a leitura. como o nome sugere. fica difícil fazer associações (sonoras) sem memória auditiva. como eu compreendia. Para se ter uma vida normal. são percebidos. Severa (de 71 a 90 dB): Nenhum som da fala em intensidade normal e dificuldade de discriminar consoantes. Quanto aos TIPOS. o tema surdez parece ser bastante abrangente por apresentar grupos diversos devido aos diferentes graus. Aos sete anos de idade. a lesão localiza-se no ouvido médio e/ou externo. (Cf. expressões idiomáticas. KIRK e WINIFRED. Profunda (de 91 em diante): O indivíduo não ouve a voz humana e nenhum outro som.e sintomas. mas indispensável. a perda auditiva encontra-se na cóclea e/ou nas fibras do nervo coclear. p. como diz Sacks (1998). não apenas o grau ou tipo. antes da língua ser adquirida: Tornar-me surdo na época em que me tornei – se a surdez tinha de ser meu destino – foi uma sorte extraordinária. tipos e/ou período de ocorrência. 7 . sintaxe. Neurossensorial (ou sensório-neural). a audição não só é necessária. é sabido que os graus de surdez são medidos em decibéis. em intensidade normal. Ter aprendido naturalmente a falar foi outra vantagem – pronúncia. mesmo nessa perspectiva. Nesse sentido. o que mais importa é o estágio em que ocorre a surdez. por não ser foco de nossos estudos nessa Disciplina. pois. portanto. a surdez se classifica em: Condutiva. Mista. utilizando a visão como primeiro canal de comunicação. caracterizando a surdez (a) pré-linguística ou (b) pós-linguística. inflexão.

legitimadas como um regime de verdade Trecho traduzido por um intérprete. Aliás. uma identidade surda. como tal. levando em conta o aprendizado. FONTES DAS IMAGENS Responsável: Profª Margarida M. desde a mais tenra idade. poderemos chegar lá talvez na velhice. nessas passadas que estamos. através do olhar do ouvinte. Sobre esse aspecto esclarece Favorito (2006.Tudo isso me teria sido impossível se eu tivesse nascido surdo ou perdido a audição mais cedo (SACKS. O surdo pré-linguístico. Ibid. no entanto. A ausência de intercâmbios comunicativos vivenciados tanto no seio familiar quanto na escola pode ocasionar muitos prejuízos educacionais e linguísticos. disse: Tenho uma língua.Instituto UFC Virtual 8 . não da audição ou da língua (oral) referida por Wright. As demais considerações dos surdos como também as sinalizações na pesquisa de campo foram interpretadas por mim. mas em Língua de Sinais. somente são levados a pensar na surdez. em conversa na Associação dos Surdos do Ceará (ASCE). Eu sou diferente! Note-se que os depoimentos citados trazem uma consciência que se opõe à visão orgânico-funcional. um surdo assim declarou: “Estudar é bom. pois são locais de extrema relevância para o desenvolvimento do ser humano. caso persistir". membro da Associação de Surdos do Ceará na época. PARADA OBRIGATÓRIA Numa pesquisa que realizamos em 1998. Mas. sente a falta. P. ele sente falta de base linguística. de Souza Universidade Federal do Ceará . p. os surdos de fato não têm o sentimento de perda (auditiva) e. 55) esclarece que: As práticas discursivas dominantes construídas nas representações hegemônicas do outro se sustentam. 18). pelas quais assumo total responsabilidade. aquela que pode adquirir espontaneamente. Outro. mas como os professores não sabem sinais se torna uma confusão”. pois são naturalizadas. p. Outro exprimiu:" Quero chegar até o 2o grau.

Elas "falavam". quando brincavam. moviam seus lábios para se comunicar com os outros. 32) escreve: 9 . nas Ciências da “Saúde” a surdez é tida como uma patologia a ser curada. Depois de tentativas frustradas de se comunicar.. diante da sociedade. Para Sam "ela era legal. Sua mãe.. podera ser lida clicando na revista abaixo: VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Sam pertencia a uma "Família Surda" com irmãos surdos mais velhos. ao lado de seu apartamento. Sam imaginava que a vida da amiga deveria ser triste por ela não conseguir se comunicar. Conforme Sam Supalla eram os vizinhos que tinham uma perda. Abismado. no entanto. explicoulhe que.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 01: A PESSOA. a pessoa surda não possui a sensação de perda. No entanto. Ocorre. Sam ainda perguntou se somente as duas eram assim. principalmente. Sam foi para casa a fim de perguntar à sua mãe qual o tipo de problema da vizinha. era sua família que era incomum. Nas Ciências Humanas. fato que fez com que ele demorasse a sentir falta de (outros) amigos. mas era esquisita". principalmente se vive imersa num ambiente cultural e linguístico comum ao seu. uma falta de habilidade na comunicação. no caso dos surdos. Um dia. arrastava a amiga para onde queria ir. se os mesmos estiverem imersos num ambiente em que a língua compartilhada seja a sua. A partir do momento em que passou a perceber seu entorno. vivendo isolados de seus pares. O fato acima demonstra que diferente do que pensam os ouvintes. que os surdos filhos de ouvinte. têm uma limitada ou equivocada visão de si e do mundo. a mesma pegou sua casa de boneca e moveu-a para outro lugar. Sua mãe. por fim. notou que. Nessa perspectiva. SURDA OU SURDA?: AS DIFERENTES CONCEPÇÕES E AS MUDANÇAS DE PARADIGMAS TÓPICO 03: A SURDEZ NO OLHAR DOS SURDOS Como vimos até aqui. pois a maioria das (outras) pessoas era como sua amiga e a mãe. ele começou a apontar para fazer referências ou. então. "como mágica". havia uma garotinha com idade equivalente a sua. simplesmente. uma situação inusitada vivenciada por Sam Supalla – um surdo pré-linguístico – é ilustrada por Lane (1992). a surdez é tida como diferença (linguística). a mãe da menina aproximou-se e moveu seus lábios e. por isso. qualquer visão decorre da tomada de dois pontos que se contrapõem. com a qual fez amizade após algumas tentativas de interação. o que. Seu pensamento decorria do fato de não conseguir conversar com ela como o fazia com seus pais e irmãos mais velhos. Padden & Humphries (1999) e Salles et al (2004). "diferentes". Sobre esse aspecto Laborit (1994. não usavam sinais. explicou-lhe que a amiga e a mãe dela eram ouvintes. deficiência uma deficiência a ser normalizada. não ocorre tal categorização. p.

SACKS.) . sem igual no mundo. p. 1995. representante desse grupo é Loureiro (1997.) Mas não eu. os surdos querem mostrar suas potencialidades. Strobel (2007. acreditava-me única. Na intenção de tornar clara a distinção entre as representações da surdez pela sociedade majoritária e pela comunidade surda. Não me via tornando-me grande.. e. Sobre esse assunto. ninguém mais é como ela (. sintetiza num quadro: 10 . MARCHESI. contrário ao que pensa a sociedade ouvinte. como já o fazem pessoas engajadas nos estudos pelo reconhecimento dessa minoria linguística. E apenas os 5% das crianças surdas filhas de surdos se desenvolvem equivalente às crianças ouvintes em virtude do ambiente lingüístico favorável. poderíamos todos da comunidade ouvinte. p. há apenas uma diferença linguística como também compartilha Jacob (Citado por Freeman et all (1999. e substituílas pela curiosidade da etnografia. OLHANDO DE PERTO Com base no exposto. para eles. 32).) o total desprezo da maioria pelas reais necessidades do grupo minoritário. Entretanto..um surdo americano a respeito do sentimento que lhes causa o encontro com ouvintes “leigos” que os discrimina(va)m: Nunca percebi minha própria deficiência e nem encontrei qualquer discriminação ou tratamento injusto. Senti-me mais incapacitado por causa do tratamento que recebi das pessoas ouvintes. pesquisadora surda. principalmente educadores.. ou melhor dizendo. questionando as regras e “certezas” da medicina. (. Os verdadeiros males dos surdos estão na dinâmica do grupo minoritário. Sei agora por quê: nunca tinha visto adultos surdos. mas como diferença. sobretudo. 1992. linguagem e cognição tratarei mais adiante.. 17) que diz: Uma “Tentamos conceituar a surdez não como menos-valia. da falta. até iniciar meus próprios contatos pessoais com pessoas ouvintes ao entrar na escola. que em sua própria surdez (. CONTRIBUIÇÃO De acordo com pesquisas (LANE. 1998) 90% a 95% das crianças surdas têm pais ouvintes. não há deficiência. p.) Tinha medo. os preconceitos. como uma forma de existência caracterizada por possibilidades ou ‘valias’ diferentes das dos ouvintes”.. da deficiência... Emannuelle é surda. Acreditava-me limitada ao presente. o complexo de superioridade (paternalismo) e a autoridade que os membros da maioria exercem sobre o segmento minoritário. E. a estrutura de poder.. além das opiniões preconcebidas. do que por causa da minha própria surdez.. a autoperpetuação. quebrar o paradigma da ausência.. pois. 39).Pensava que as pessoas adultas eram imortais.

Um fazer pedagógico que.VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Representação social Deficiente A surdez é deficiência na audição e na fala A educação dos surdos deve ter um caráter clínico-terapêutico e de reabilitação Surdos são categorizados em graus de audição: leves. Diferente ou Ser "Culturalmente" Surdo. norteada por diferentes abordagens e permeada por ações pedagógicas diversas que refletem a sua maneira de conceber e representar os surdos e suas especificidades. ao longo de sua história. severos e profundos A língua de sinais é prejudicial aos surdos Representação do povo surdo "Ser surdo" [o Ser na diferença] Ser surdo é uma experiência visual A educação dos surdos deve ter respeito pela diferença linguística cultural As identidades surdas são múltiplas e multifacetadas A língua de sinais é a manifestação da diferença linguística relativa aos povos surdos VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Deficiente. comunicação total. 1999)). na maioria das vezes.Instituto UFC Virtual 11 . Escreva as principais características de cada uma. de Souza Universidade Federal do Ceará . ATIVIDADE DE PORTFÓLIO Pesquisar sobre as abordagens educacionais – oralismo. o fato é que a educação escolar de tais sujeitos vem. FONTES DAS IMAGENS Responsável: Profª Margarida M. posiciona-se em pólos opostos representados pelas principais correntes: o Oralismo. SOUZA. a Comunicação Total e o Bilinguismo. as abordagens educacionais para surdos eram classificadas em duas categorias: Gestualismo e Oralismo (NOGUEIRA. tecendo suas considerações pessoais. 1997. P. (Inicialmente. moderados. M. bilinguismo e inclusão.

compartilham crenças à luz de sua forma peculiar de apreender o mundo que os cerca. posso inferir.. aplicam-se a todas as línguas de sinais. pois seus membros comportam-se como as pessoas surdas. p. Assim.. linguista surda e discípula de Stokoe. 5). no qual pessoas vivem juntas. escrevendo que "uma cultura é um conjunto de comportamentos aprendidos de um grupo de pessoas que possuem sua própria língua. valores. 1989.) um privilégio na cultura dos surdos”. ainda. A Cultura Surda. regras de comportamento e tradições". ser culturalmente surdo é fazer parte da comunidade que se reconhece como minoria linguística e luta pelos direitos de cidadania e uso da língua e cultura a ela inerentes. p. uma distinção entre o sujeito surdo (com s minúsculo) e Surdo (com s maiúsculo). Existe. no seio da comunidade surda uma convenção. Suas informações. trabalha para alcançar estas metas”. portanto. entretanto. que numa Comunidade Surda. A partir do conceito de Padden.. a fim de conceituar a comunidade e cultura surdas. estabeleceu a distinção entre cultura e comunidade em termos gerais. em 1965. CONTRIBUIÇÃO Nessa perspectiva. compartilham metas comuns e partilham certas responsabilidades umas com as outras” (PADDEN. de vários modos. (. Enquanto que “uma comunidade é um sistema social geral. Aos que se enquadram nos modelos “audistas” – os surdos que não são culturalmente surdos – são indicados com s minúsculo. ouvintes e surdos convivem e partilham ideias sem necessariamente serem “culturalmente surdos”. valores.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 01: A PESSOA. relativa à surdez 12 . Carol Padden. diferentemente dos padrões clínicos que consideram os surdos pelo prisma da falta de algo – audição e/ou comunicação – Lane (1992. muito pelo contrário. ser-se surdo no comportamento. conhecimentos e ser-se fluente na ASL (A obra publicada inicialmente nos Estados Unidos refere-se à Língua de Sinais Americana – ASL.35) define que: “ser-se surdo não é ser-se incapaz. é perceberse como “Sujeito” em suas experiências visuais. SURDA OU SURDA?: AS DIFERENTES CONCEPÇÕES E AS MUDANÇAS DE PARADIGMAS TÓPICO 04: A CULTURA E IDENTIDADE SURDAS: UM ROMPIMENTO COM AS CONCEPÇÕES “NATURALIZADAS” VERSÃO TEXTUAL DO FLASH O primeiro linguista a falar a respeito de características sociais e culturais dos surdos foi William Stokoe na obra "A Dictionary of American Sign Language on Linguistic Principles".) é considerado. compartilha as metas comuns de seus membros e. “é mais fechada do que a Comunidade Surda” (Idem). no entanto. a autora define que “uma Comunidade Surda é um grupo de pessoas que mora em uma localização particular. Feito isso..

Quando se fala. 58). daquelas características que os fazem diferentes de outros grupos".. p. tampouco a Comunidade Surda. como membros de uma comunidade linguística diferente. 36) nos diz que (. mas sem território próprio. OLHANDO DE PERTO Entretanto. A esse respeito. o fato de as pessoas surdas. Sacks (1998.. entretanto é inseparável daquilo que eles não são. monolíngue. Na verdade. Sanchez (apud SALLES et all. falar de Cultura Surda é. Depois (. no contexto de representações sobre a surdez emergem descrições de uma cultura. uma animação que eu não conseguia perceber antes. 1996) numa sociedade que tem visão de uma cultura monopolítica. imersas no mesmo espaço físico com ouvintes.) eu encarava os poucos pacientes surdos sob meus cuidados em termos puramente médicos – como “ouvidos doentes” ou “otologicamente prejudicados”. nos quais essa diferença é demarcada como resistência às imposições das ideologias 13 . os torna seres multiculturais com identidades multifacetadas (PERLIN. de uma comunidade organizada.. 16) revela como descobriu esse aspecto: (. p..) comecei a vê-los sob uma luz diferente. Y se han agrupado en lo que hemos denominado comunidades lingüísticas. como colectividad. partilhando dos traços culturais destes. Ademais. são aqueles formadores de uma entidade linguística e cultural. cheios de uma vivacidade. 2004. tienen pautas y valores culturales propios. sobre as quais há estudos baseados no conceito de T. Silva (1998. como um “povo”. Só então comecei a pensar neles não como surdos. trata-se de um grupo organizado politicamente. os “Surdos” com s maiúsculo. 2001). portanto. que ensina: “a identidade cultural ou social é o conjunto dessas características pelas quais os grupos sociais se definem como grupos: aquilo que eles são. diferentes y a veces en contradición con los que sustenta la macrocomunidad oyente. mas como Surdos. la lengua de señas. no mínimo. Pero el término comunidad pone de relieve el hecho de que sus miembros están unidos por importantes vínculos sociales y que los sordos como grupo. em “Comunidade Surda” a referência é feita àqueles frequentadores de associações ou clubes de surdos. uma identidade múltipla e multifacetada.auditiva. especialmente quando avistava três ou quatro deles fazendo sinais.) los sordos se han agrupado cada vez que han tenido oportunidad de hacerlo.T. pois a surdez não é tida pela maioria como uma diferença linguística. que perpassa por experiências especificamente visuais. Uma cidadania sem uma origem geográfica (WRIGLEY.. p. [grifos meus] Assim. portanto. porque en la base de las mismas está la utilización de una lengua común.. polêmico.

embora imersos no território da cultura do outro. 69) que denuncia processos sociais e educativos centrados na fala e na audição. como: Estudos Surdos Movimentos Surdos. Vale realçar por ora. reflexões sobre a surdez a partir de um enfoque culturalista. Eulália Fernandes. Alguns são adaptações ou versões da cultura ouvinte para a surda. que a Língua de Sinais é a base da referida “Cultura”. Assim. Orgulho Surdo e assim por diante. Nomes como Lucinda Ferreira Brito. Tais costumes são: CAMPAINHA LUMINOSA A campainha luminosa. Denominação atribuída às produções de pesquisadores nacionais (e estrangeiros) que difundiram no Brasil. O BRINDE O brinde. Jogos e brincadeiras como “escravos de Jó”.oralistas nos movimentos políticos por eles organizados. OS APLAUSOS Os aplausos com as mãos acenando no alto das cabeças. Humor Surdo. Ronice Quadros. Carlos Sánchez. no qual se privilegia o movimento ritmado das pedrinhas que passam de mão em mão. LOPES. VERSÃO TEXTUAL DO FLASH 14 . pelo seu grau de importância (e complexidade) será abordado na Aula seguinte. Folclore Surdo. apresentam características e costumes singulares. substituindo o sinal sonoro de residências e sirenes de escolas em que se encontram surdos. Literatura Surda. Teatro Surdo. os surdos brasileiros. Idem. em que se tocam as mãos. Além da Libras. são citados. Regina Maria Souza. Esse assunto. Carlos Skliar. PARADA OBRIGATÓRIA Um fator central da/na cultura surda é a Língua de Sinais que diferentemente das línguas orais é articulada no espaço tridimensional e seus componentes (parâmetros) ocorrem simultaneamente. nomeando suas “manifestações culturais”. 2007). p. em detrimento do ritmo sonoro. (M. entre outros. esses movimentos são os responsáveis diretos pela “gestação da política da identidade surda” (PERLIN. ao invés do “tim-tim” do toque de taças.

anedotas. ou ainda. Rapunzel Surda (2003). Os ouvintes não gostam muito. É mais divertido. um “cochicho”. é por vezes poético e sempre preciso. alguns são batizados por “nariz grande 15 . Quando Emmanuele Laborit diz que os ouvintes não gostam é porque nessas características particulares. Nestas produções. somente para citar alguns. Nessa mesma perspectiva de divulgação dos “costumes surdos”. É bem mais simples que soletrar. na linguagem de sinais. o surdo é o personagem central.atribuição de nomes. Carolina Silveira (surda) e Lodenir Karnopp (intérprete) passaram a compor o grupo de Estudos Surdos no sul do País. um nome em francês. há regras bastante distintas para chamar atenção. entre as diversas atitudes que demandem o uso da língua(gem). Alguns se sentem humilhados. ou a história de Adão e Eva Surdos (2005). simplesmente. portanto. tiques. para mudança de emissor/receptor num diálogo. Sobre a atribuição de “nomes” (ou apelidos) Laborit (1994. ou ocorre disfarce na execução dos parâmetros. num ambiente que tem falantes da Língua de Sinais. por exemplo. se retiram. Carmel (1996) criou o termo Deaflore para designar o Folclore Surdo. a cada vez. narrativas pessoais. como todo povo que busca legitimar sua cultura. 2006). OBSERVAÇÃO Nessa cultura. como A Cinderela Surda (2003). há a publicação de adaptações da literatura infantil tradicional. cujos autores Fabiano Rosa (surdo). Mas não os surdos. alguma particularidade física. poesias. p. No Brasil. os interlocutores. cria e recria histórias que lhes são próprias. para um discurso cuidadoso. A todo o processo criativo que gera e desenvolve essa cultura e identidade em particular.. uma mesa. De fato.A Literatura Surda conta. que compreende os contos. damos às pessoas uma caracterização visual que evoca o seu comportamento. lendas. Ladd (2003) denominou Deafhood – Raízes Surdas (QUADROS e SUTTON-SPENCE. 74) explica: O cochicho ocorre com as mãos abaixo de um móvel.

O intérprete/tradutor – também elencado como componente dessa cultura – é aquele que possibilitará o contato da pessoa surda com o meio oral-auditivo desde simples situações às mais complexas como telefonemas. A participação de surdos em movimentos ou cultos religiosos ainda hoje é notável. A autora informa o sinal atribuído pela comunidade surda francesa ao então presidente François Mitterrand. A respeito desse profissional. como no filme “Dança com Lobos”. casos trabalhistas. cerimoniais religiosos e sociais. especialmente se o pai e/ou a mãe for(em) culturalmente surdo(s).e/ou pontudo”. 16 .” (apud LANE. é anunciada com exaltação. com movimentos que lembram “cabelos longos e ondulados”. anunciando a inicial do meu nome. Suponho que essa característica vem desde os tempos dos professores-preceptores que se encarregavam de instruir os surdos e orientá-los espiritualmente para a remissão de seus pecados. p. judiciais etc. Vejamos outros fatores consideráveis na Cultura Surda: A religiosidade é outro fator considerável na Cultura Surda. Foi (é) nestes ambientes que surgiu (surge) a maioria dos intérpretes da língua de sinais. conforme conta um surdo britânico: “A comunidade dos surdos vê o nascimento de cada criança surda como uma dádiva preciosa. uma atitude comum à de indígenas. “dentes de vampiro” (os surdos daquele país descobriram que o presidente mandava limar os dentes). 1992. “orelha pontuda”. 34). Quando na ocorrência do nascimento de uma criança surda. trataremos logo mais na Aula 3. Meu sinal é composto pela configuração de mão em “M” virado (parecendo “W”). debates. VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Outra característica desta cultura são os casamentos endógamos: 90% das pessoas dessa comunidade se casam com membros pertencentes ao seu grupo cultural.

sempre dependentes de escrever e ler em outra língua. A ELiS foi criado por Mariângela Estelita. tem a finalidade de favorecer o acesso direto à Língua de Sinais através de sua escrita sem transitar pela escrita da língua oral. que essas adaptações devem levar em consideração as variações regionais (os dialetos) que as Línguas de Sinais como qualquer outra língua possui. p. Stumpf (Ibid) conta que Sutton após criar um sistema para escrever os movimentos das danças. ) se empenham para elaboração de um dicionário que servirá para consulta de pessoas surdas ou ouvintes. Exercitamos muito a aprendizagem de sinais quando procuramos pela melhor grafia de um sinal. em 1997. refere-se à escrita da língua de sinais – o Sign Writing. assim.” (p. em sua pesquisa de Mestrado. 65) adverte: As escolas de surdos precisam colocar rapidamente a escrita de sinais no currículo. O próprio nome desse sistema de escrita encontra-se em fase de amadurecimento (ESTELITA. portanto. o Dance Writing. Stumpf (2003). sobre o qual Stumpf (Ibid. o qual vem passando por (re)formulações sugeridas por seus colegas surdos e ouvintes. é Stumpf (Ibid. Vale ressaltar. que não podem compreender bem. Valerie Sutton. “Durante todos os séculos da civilização ocidental. principalmente em âmbito escolar. escreve: Existe um outro sistema de escrita da Libras – a ELiS – ainda pouco conhecido. É no sentido de abranger esses sinais regionais que grupos surdos de todo o País (Estudantes do curso de Letras Libras ou da Pós-Graduação da UFSC também fazem parte desse grande grupo de estudos. 17 . o sentimento de incapacidade gerado nos surdos que não conseguem escrever na língua do outro. Cada língua de sinais vai adaptá-lo à sua ortografia”. uma vez que parecia possível utilizá-lo para escrever os sinais. conseguiu despertar o interesse de dinamarqueses da Universidade de Copenhague.Um elemento ainda em desenvolvimento no Brasil. é preciso saber bem uma língua de sinais. Nessa perspectiva. as quais. pois suas aulas proporcionam oportunidades importantes para os surdos de aprender também língua de sinais brasileira. evitando. além da língua oral na modalidade escrita (L2). 2007). A respeito disso. 62) quem aconselha: “Para usar o Sign Writing. Este criado por uma coreógrafa americana. 63). p. bastante novo. Assim surgiram as notações gráficas da Língua de Sinais aplicáveis a qualquer língua visual. doutora e professora da Universidade Federal de Santa Catarina. a escola que venha a aplicar esse sistema de escrita estaria praticando uma Educação Bilíngue integralmente – uso da Língua de Sinais nas modalidades visual e escrita (L1). surda. vivendo com isso uma grande limitação. uma escrita própria fez falta para os surdos.

embora não beneficie a todos os indivíduos do Globo. p. telefones celulares. VERSÃO TEXTUAL DO FLASH No que se refere à “cultura material”. usado mais em regiões ou países de maior poder aquisitivo. visto que tais efeitos podem ser encarados como reflexos da Globalização que. Essa dissipação é comum a outros países e uma preocupação aos líderes surdos e pessoas ligadas a essa “Comunidade”. Dessa forma. esse fenômeno não é exclusivo das comunidades surdas.A propósito de ilustrar o referido sistema gráfico apresento a seguir alguns sinais da Libras: No Brasil. Sobre esse fato Sacks (1998. orkut etc). (STUMPF.. aqui no Brasil]. a babá eletrônica. essas constantes visitas ou encontros em clubes formavam laços vitais que uniam a comunidade surda num todo físico compacto. o surdo se comunica mais livremente usando tais aparelhos. afeta-os direta ou indiretamente. Essas eram as únicas chances de conversar com os outros surdos. O uso destes últimos estimula a escrita dos surdos. ■ ■ ■ ■ ■ A campainha luminosa (já mencionada). facilitando os contatos entre si e com o “mundo ouvinte”. Porém. igrejas..) quinze anos atrás. devido aos custos inerentes ao uso desse aparelho. a internet (messeger. um telefone com visor e teclado acoplado para os diálogos escritos. Inicialmente. essa comodidade tem gerado um movimento considerado negativo: a rarefação de frequentadores nos “Movimentos Surdos” – associações. 2003). o Sign Writing começou a ser adaptado para a Libras no período de 1996 a 2001. no entanto. Antônio Carlos da R. usavam o TDD. sob a orientação do Prof. Agora com os [equipamentos] são 18 . os bips de mensagens. 166) relata o caso dos surdos americanos: Vale ressaltar que. a tecnologia vem favorecendo aos surdos que passam a “incorporar” o uso de equipamentos à sua cultura. Este. (. Marianne Stumpf pesquisa e divulga esse sistema gráfico desde então. Dr. os surdos faziam um esforço enorme para se encontrar uns com os outros – visitavam-se em casa constantemente e frequentavam com assiduidade o clube local de surdos [Associações ou igrejas. pontos de encontros tradicionais das cidades urbanas. Costa da Universidade Católica de Pelotas – RS.

mais eles ficam nas próprias sombras. um pesquisador surdo. A REDENTORA DOS ESCRAVOS. denomina essa postura de alguns surdos de “representações mascaradas” e refuta: “De fato. além de artrite e escarlatina. é difícil conceber que um sujeito surdo possa ser um gênio a ponto de inventar [por exemplo] a luz elétrica?” Desse modo. ISABEL. adverte que a identidade surda é constantemente ameaçada pelo “outro”. o inventor da luz elétrica. os clubes para surdos começam a esvaziar-se e uma nova e preocupante rarefação começa a imperar. Miranda (2001). Robert. essa política de representação geralmente incidirá negativamente. ■ Lou Ferrigno.htm [1] http://pt.wikipedia. durante a infância. A surdez do Conde D’Eu é mencionada em um livro biográfico da vida de Princesa Isabel. alvo de preocupação do autor e de seus pares. A autora cita alguns exemplos de “identidades mascaradas” adotadas por pessoas ilustres e famosas: ■ Thomas Edison. Strobel (2007). com medos.omelete.bem menos frequentes as verdadeiras visitas entre os surdos. outra preocupação entre os próprios surdos no que se refere à manutenção dessa cultura e identidade. o surdo ou surda que optou pelo modelo da identidade ouvinte. Strobel (Idem) questiona ainda a ausência de menção na maioria das fontes bibliográficas: “Será que. marido da Princesa Isabel. Esse outro. 27). DAIBERT JR. fisiculturista e ator.org/wiki/Conde_d’Eu [3] http://www. é principalmente. angústias e ansiedades” (p. ■ Gastão de Orleans – o Conde D’Eu – genro de D. mas que fazem parte do “Ser Surdo”. uma grave infecção foi a causa de perda de 85% da audição e descoberto somente aos três anos de idade. conhecido por “O incrível Hulk”. Esta última não foi consultada por nós.. é essencial para a vida 19 . não meramente inventados como defende o senso comum. para a sociedade. As fontes citadas pela autora são: http://www. em muitos casos ou atributos. Pedro II.asp? artigo=107. Há. e o caso de Lou Ferrigno. entre tantas características culturais específicas marcadas pelo aspecto visual próprio da comunidade de surdos. porém tal identidade fora “mascarada. no entanto. Todos estes eram surdos. também pesquisadora surda.org/wiki/Thomas_Edison [2] http://pt.com. teve uma série de infecções de ouvido que não foram propriamente tratadas. OBSERVAÇÃO Thomas Edison.wikipedia. EDUSC: 2004. quanto mais insistem em colocar ‘máscaras’ na suas identidades e quanto mais manifestações de que para os surdos é importante falar para serem aceitos na sociedade.com/dfi/785por.br [4]/tv/artgos/base_para_artigos. Para ele.workersforjesus. chegando a afirmar que não ouvia o canto dos pássaros desde que tinha treze anos de idade.

. p. as potencialidades.) Estava ali. analisava isso.. sua organização social. sua língua(gem)..com/embed/AUOt0jkZWt4 20 . seus costumes. (. já que antes não tinham ainda construído aquele conceito em minha cabeça. compreendia isso. PRÁTICA I – QUEM EU SOU?: O ALFABETO MANUAL. cit. seu meio de comunicação. 67-68) reconhece..e desenvolvimento dos referidos sujeitos. Compreendia que meus pais tinham sua língua. como positiva. porque me haviam dado uma língua que me permitia fazê-lo. as possibilidades. tinha uma verdadeira identidade. Era uma frase positiva e determinante. É também nesse sentido. VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Destarte. o tradutor e intérprete da língua de sinais (TILS). o seu modo de ser. (. Admitia em minha cabeça o fato de ser surda. sua história. Uma identidade que Laborit (op. anunciamos a próxima Aula que tratará mais especificamente do profissional responsável por fazer as transposições entre a(s) língua (s) orais e de sinais e vice versa. que a comunidade surda espera da maioria ouvinte o reconhecimento e respeito pela sua dignidade. Quer dizer: “Compreendi que sou surda”. OS NUMERAIS E SINALIZAÇÃO DA LIBRAS NUM CONTEXTO DE AUTOAPRESENTAÇÃO AUTOAPRESENTAÇÃO Para assistir o vídeo acesse o http://www. a partir dessa visão geral a respeito da cultura visual dos surdos. em seus relatos. Pertencia a uma comunidade. Tinha compatriotas. determinante e extremamente reveladora: Eu sou surda não quer dizer o mesmo que “eu não escuto”. a esperança.) As cartas do jogo subitamente foram reveladas. enfim.youtube.. e que eu tinha o meu. a revelação.

treine o diálogo apresentado. MORAR BAIRRO/LUGAR BOA NOITE! COM-LICENÇA POR-NADA! TUDO-BEM! IDADE TCHAU CONTRIBUIÇÃO Para saber mais faça uma pesquisa sobre os itens: (a)ALFABETO DATILOLÓGICO/MANUAL.com/embed/O1hboo4ugc ATIVIDADE PRÁTICA: Baseado(a) no vídeo à disposição no ambiente virtual. Aproveite para tirar dúvidas com seu/sua tutor(a). 21 . treine sua autoapresentação e socialize com a turma no dia 18. aplicando os SINAIS de cumprimentos.youtube... abordando questões relacionadas à Língua de Sinais.ATIVIDADE PRÁTICA: Baseado(a) no vídeo de autoapresentação dos atores Germana de Araújo e João Filho à disposição no ambiente virtual. no segundo dia da primeira aula presencial. (b)NUMERAIS E DO (c)GLOSSÁRIO – na internet e no site [5]: FÓRUM Discuta com seus colegas sobre as diferentes concepções sobre a Surdez e os Surdos. DIÁLOGO 1 – “O ENCONTRO” Para assistir o vídeo acesse o http://www. saudações. à Cultura Surda e propostas educacionais oferecidas aos escolares surdos. "palavras mágicas" BOM DIA ! OLÁ! POR FAVOR! DESCULPE! SEU-NOME? NÚMERO TELEFONE BOA TARDE! OI! OBRIGAD@! TUDO-BEM? MEU NOME.

H. Tradução de Cristina Reis. Brasília: UnB. LANE.C. Roteiro: Michael Blake. 2007. O DIFÍCIL SÃO AS PALAVRAS: representações de/sobre estabelecidos e outsiders na escolarização de jovens e adultos surdos. Tradução de Vera Sarmento. Direção: Kevin Costner. Vanda M. DVD (180 min. Petrópolis. LEITÃO. LITERATURA E ESCOLA. LAFON. (Orgs. Sílvia Helena V. N. CRUZADOS: . p. New York & London: Garland Publishing. 1994. 22 KIRK. (Orgs). R. 1999. UFC. A DEFICIÊNCIA AUDITIVA NA CRIANÇA: incapacidade e readaptação. color. 212-237. 2003. Fortaleza: Editora UFC. Robert J. 1990. J. K. Faculdade de Educação. Roger D. Bruvard (ed. 1990. ______.. 1989. 2006. son. 1972. Instituto de Estudos da Linguagem. A surdez negada: era uma vez uma escola que.. D. Tese (Doutorado em Educação Brasileira). (p. C. NARRATIVAS SILENCIOSAS DE CAMINHOS história social de surdos no Ceará. FAIRCLOUGH.). W. 1996. pessoa surda. Lisboa: Instituto Piaget. COMUNICAÇÃO TOTAL: introdução. Produção: Kevin Costner & Jim Wilson. Virginia: T. estratégia. M. 1992. 2003. A MÁSCARA DA BENEVOLÊNCIA: a comunidade surda amordaçada. S.) ESTUDOS SURDOS II. São Paulo: Manole. G. Unicamp. LINGUAGENS. 2001. LABORIT. LADD. A. McTeer. Clifton F. Sylvie.. Deaf folklore In J. In: QUADROS. S. Mariângela. Escrita das línguas de sinais.). FREEMAN. Marta M.149-171). 2003. RJ: Arara Azul. WINIFRED. Drama baseado no livro de Michael Blake. EUA: Majestic Film/Tig Productions. DANÇA COM LOBOS. CRUZ. R.REFERÊNCIAS CARMEL. Rio de Janeiro: Cultura Médica. CICCONE. PERLIN. P. BOESE. 225 p.. J.. Harlan.. Clevedon: Multilingual Matters. FAVORITO. Brasília: CORDE.. UNDERSTANDING DEAF CULTURE: in search of deafhood. Tese (Doutorado em Lingüística Aplicada). BEST SELLER. AMERICAN FOLKLORE: An encyclopedia. In DELACOURS-LINS. DISCURSO E MUDANÇA SOCIAL. O VÔO DA GAIVOTA. 264 p. Emmanuelle. SEU FILHO NÃO ESCUTA?: um guia para todos que lidam com crianças surdas. CARBIN. ESTELITA. INABILIDADES DA APRENDIZAGEM: diagnóstico e remediação.

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são minha sensibilidade. de H. Isso direciona o olhar da sociedade (ouvinte) para as línguas orais -auditivas em detrimento daquelas que utilizam-se de um canal diferente de percepção-emissão. como o caso das línguas de sinais que se concretizam pelo meio visual-motor. o termo “fala” e suas variações referem-se também a essa modalidade. o dicionário. grupo.. Ferreira (2000). como também. pois no período do surgimento das considerações do autor a definição era aplicada às línguas orais. essa dança das palavras no espaço. FALA ORAL Tomo como referência o conceito de fala por Saussure com sua aplicação nos dias atuais. Era um belo sinal. como uma grande abertura em direção à luz. do qual extraí as definições citadas. Estas são concebidas no máximo como uma forma de linguagem. meu eu íntimo. faladas ou escritas. a língua é definida a partir do parâmetro da oralidade. o termo “articulada” é geralmente empregado para fazer alusão à fala oral. aquilo saía. usadas por um povo. Não conseguia mais parar de falar com as pessoas. ou ainda. não pararia mais de me exprimir. Emannuelle Laborit (1994) Tradicionalmente. Esse aspecto é claramente observado em conceituados dicionários. meu sol.. Com os estudos linguísticos (como os dos autores há pouco citados) acerca das línguas de sinais. 26 . Veja a seguir o que diz o Dicionário Aurélio B. classe etc. A LINGUAGEM A linguagem é definida como “o uso da palavra articulada ou escrita como meio de expressão e de comunicação entre pessoas”.) A linguagem de sinais era minha luz. não era reconhecido o status linguístico das Línguas de Sinais.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 02: LÍNGUA DE SINAIS – UM IDIOMA VISUOESPACIAL TÓPICO 01: CONSIDERANDO ALGUNS CONCEITOS DE LINGUAGEM E LÍNGUA VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Os sinais. Entretanto. minha poesia. saía. por uma nação e o conjunto de regras da sua gramática”. visto que como dizem os postulados saussureanos a fala é a língua em uso por um indivíduo ou seu grupo. para os seguintes termos linguísticos: A LÍNGUA A língua é conceituada como “o conjunto das palavras e expressões. Tornei-me “o sol que vem do coração”. “forma de expressão pela linguagem (1) própria dum indivíduo. toma tal palavra no sentido tradicional.”[grifos nossos]. meu verdadeiro estilo (.

teatrais etc. o segundo. Noam Chomsky. com a qual toda criança parte de um estado inicial no processo de aquisição da primeira língua. São esses intercâmbios (diálogos) mediados por signos. o input linguístico faz gerar uma gramática mais evoluída. instituída por convenção tácita pelo grupo que a utiliza. compreender a língua e outras manifestações simbólicas.Veja a seguir o que diz Ferdinand Saussure (1971) sobre a linguagem : Linguagem é uma faculdade humana responsável por produzir. apresentaremos tal termo conforme está exposto – “LÍNGUA(GEM)”. as versões em português trazem grafado o termo “linguagem”. a faculdade da linguagem é inata. que propiciam o desenvolvimento. a fim de. quando trata da faculdade da linguagem. dedicado à língua. Assim. em sua teoria da Gramática Gerativa. por considerar as diferenças nas traduções de determinadas obras. a partir da qual. Para eles. se interessa pela gênese e desenvolvimento da linguagem relacionando-a com o pensamento e. por outro lado. conforme demonstra a tabela abaixo: (A) O nível biológico como parte da faculdade humana. ao mesmo tempo que citá-la. Chomsky defende que existe um módulo linguístico na mente humana. dentre outras. portanto. desenvolver. no qual giram as discussões a respeito da aquisição da linguagem. à língua. Ao fenômeno inicial inato. artes. importa observar os processos: o primeiro. não se interessa pelo aspecto social nem sintático-estrutural da língua como o fez Saussure. ASPECTOS FUNCIONAIS DA LÍNGUA(GEM) Entendendo que a linguagem compreende faces diversas.. esse linguista americano denominou gramática universal. ou seja. a Fonte [2] criança exposta a um ambiente linguístico pode desenvolver uma gramática estável. O autor mantém sua atenção no aspecto mental da mesma. Vygotsky e Bakhtin. destacar a língua como sua principal face na constituição dos diálogos. teatro. em alguns momentos. gestuais. ao contrário de Saussure. portanto. Para o autor. Já a língua é um produto social da faculdade da linguagem. interessam-se pelosaspectos funcionais da língua(gem)e não em regras gramaticais. Exemplos disso. contrariando os dois anteriores. especificamente. Chomsky não se interessa por nenhuma outra manifestação simbólica além da língua. é compreendida sob dois diferentes prismas. (B) 27 . encontram-se na obra de Laborit e nas que respaldam o nosso estudo. desde expressões afetivas. ou seja. como cinema. a consciência. ou ainda. desse modo. especificamente. embora parecendo referir-se. pelos processos dialógicos. que. corporais. A língua(gem).

. FONTES DAS IMAGENS 1..com/go/getflashplayer 2. 15-16). Magnani (2007). do qual se discutem suas características relacionadas às representações discursivas. jpg Responsável: Prof. http://www. de Souza Universidade Federal do Ceará . portanto. Nesse sentido.adobe. e não como um problema do surdo ou como uma patologia da linguagem (p.) são.com/2011/04/noam_chomsky. sociais e culturais. consideradas pela linguística como línguas naturais ou como um sistema linguístico legítimo.ª Margarida M. esclarece que um dos pressupostos linguísticos da própria definição de qualquer língua natural é que esta surge e se desenvolve espontaneamente no seio de uma comunidade de falantes. compartilham uma série de características que lhes atribui caráter específico e as distingue dos demais sistemas de comunicação (. por sua vez.Instituto UFC Virtual 28 .O nível social por interferir nas expressões humanas.files. http://ativandoneuronios. justificam a concepção das Línguas de Sinais como línguas naturais: As línguas de sinais são consideradas línguas naturais e consequentemente.wordpress. 15). Quadros e Schmiedt (2006) extrapolando os conceitos essencialmente linguísticos e atentando para “a riqueza das interações sociais que transformam e determinam a expressão linguística” (p. P.

desde a segunda metade do século passado. a respeito das línguas naturais. a sinalização permanece fluente. o bilinguismo busca a aquisição da L1 e aprendizagem da L2. os resultados de estudos norteamericanos com surdos sinalizadores mostraram que um dano diferencial no hemisfério esquerdo produz prejuízo na produção da Língua de Sinais que não são uniformes. e que a ocorrência da lesão no hemisfério direito não produz afasia de sinais. SACKS. e a Língua de Sinais em seu uso que compartilhamos a expressão “língua natural dos surdos”. as Línguas de Sinais são processadas de fato como uma língua. que. enquanto faculdade do ser humano existe uma predisposição no indivíduo que o possibilita adquirir naturalmente uma e não outra língua. pois entendemos que enquanto entidade ela se constrói socialmente e. embora sua modalidade 29 . 1998) comprovam como são processadas as informações espaço visuais no hemisfério direito e linguísticas no hemisfério esquerdo. Os autores supracitados tomaram como referência as declarações de Hughlings-Jackson na década de 1870 relacionadas às tarefas dos hemisférios cerebrais e concluíram. CONTRIBUIÇÃO Em surdos lesionados foi detectado que as Línguas de Sinais.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 02: LÍNGUA DE SINAIS – UM IDIOMA VISUOESPACIAL TÓPICO 02: ASPECTOS GERAIS SOBRE O IDIOMA QUE SE VÊ VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Tomando as considerações dos autores citados no Tópico 1. portanto. para os quais o laboratório Boston Diagnostic Aphasia Exam foi adaptado para a ASL. KLIMA. que exibem afasia de sinais e fornecem indícios adicionais sobre a organização cerebral para a Língua de Sinais. Neste último. Por isso. HEMISFÉRIO ESQUERDO Os referidos estudos foram realizados nos Estados Unidos. Este local tem se dedicado. no estudo de pessoas surdas sinalizadoras atingidas por acidente vascular cerebral (AVC) na região esquerda. 1998. virtualmente livre de erros gramaticais e com boa gama de complexidade (KLIMA. os estudos a respeito do processamento da Língua de Sinais no cérebro (RODRIGUES. são processadas no hemisfério esquerdo. Ademais. 1998). isto é. 1993. em nível neurológico. BELLUGI e HICKOK. BELLUGI e HICKOK. mas que rompem linhas de componentes linguisticamente relevantes. Sacks (1998) destaca em sua obra que os surdos sinalizadores apresentam a mesma lateralidade cerebral dos falantes das línguas orais. como as línguas orais nos ouvintes.

como tal.C. a cabeça e outras partes do corpo?” SUPALLA. 126) reitera: (. na intenção de manterem o voto de silêncio. DISPOSITIVOS GRAMATICAIS DA LÍNGUA ORAL Os estudos citados referem-se ao inglês. quando o filósofo grego Sócrates comenta no Crátilo de Platão: “Se não tivéssemos voz nem língua e ainda assim quiséssemos expressar coisas uns aos outros. entretanto. Outro fato é abordado por Felipe e Monteiro (2004) que mencionam a comunicação em sinais realizada pelos monges beneditinos. desenvolve-se nos usuários da língua de sinais um modo novo e extraordinariamente refinado de representar o espaço. Samuel J. no mundo todo. (p. aproximadamente. em 530 d. remonta. modificando-a. aguçando-a de um modo sem precedentes. apesar de sua organização espacial. Supalla apud Sacks. todas as línguas de sinais nativas possuem uma estrutura espacial muito semelhante [parâmetros]. (. (.. quanto à maneira de se expressar dos surdos. adequando-se às diversas línguas orais.. É como se nos usuários da língua de sinais o hemisfério esquerdo “assumisse” a esfera da percepção visual-espacial. altamente analítico e abstrato. não deveríamos. como aqueles que ora são mudos.. Nenhuma delas tem a mínima semelhança com o inglês em sinais ou com a fala em sinais. 106).. Felipe e Monteiro (2004).) isso encontra sólidas confirmações circunstanciais no fato de que todas as línguas de sinais nativas – e existem várias centenas. Essa atitude de “sobrevivência linguística” serve para vencer as limitações da linguagem num meio visual. 1998) apontam hipóteses de que a Língua de Sinais surgiu da capacidade dos surdos de substituirdispositivos gramaticais da língua oralpor outros puramente espaciais. 1979. possibilitando uma língua e uma concepção visuais. Sacks (Ibid.) Isso reflete um desenvolvimento neurológico totalmente inusitado. As primeiras referências. (Cf. “topográfico”.. do ano 368 a. conferindo-lhe um caráter novo. p.linguística se realize numa dimensão visuoespacial que. “se poderia pensar que fosse processada no hemisfério direito” (p..) . outras investigações (Klima e Bellugi. O autor conclui então que: O fato de a língua de sinais ter por base o hemisfério esquerdo. Nesse sentido.. 107-108) CONTRIBUIÇÃO Em se tratando da origem das línguas de sinais. 30 . esforçar-nos para transmitir o que desejássemos dizer com as mãos.C. indica que existe uma representação do espaço “linguístico” no cérebro completamente diferente da do espaço ordinário.) Assim. que evoluíram separada e independentemente onde quer que haja grupos de pessoas surdas –. como também das limitações fisiológicas da memória de curto prazo e do processamento cognitivo.

satisfazendo todos os critérios linguísticos de uma língua genuína e capaz de gerar proposições infinitas em “quatro dimensões”. três. provou que a Língua de Sinais tem léxico e sintaxe. lembrando “mão”. 1998. 1979 apud SACKS. se relaciona com o desenvolvimento das propostas educacionais. mas também seu interlocutor têm consciência. quando William Stokoe publicou a primeira descrição estrutural da Língua de Sinais Americana – ASL. mas a aquisição de seu status linguístico só ocorreu em meados do século XX. usado em substituição ao termo “fonema”. os modelos. Apesar da comprovação do seu status linguístico. Assim escreveu o autor: A fala tem apenas uma dimensão – sua extensão no tempo. cujas informações encontram-se esboçadas na Aula 5. E a língua de sinais explora plenamente as possibilidades sintáticas de seu canal de expressão tetradimensional. (Stokoe. a escrita possui duas dimensões. alguns mitos a respeito da Língua de Sinais que povoam as mentes humanas. (QUEREMAS/QUIREMAS). como forma de interagir das pessoas surdas. o tempo todo.. no entanto. Termo derivado do grego. Dessa forma. mas variáveis. MITO 02: • Outro mito é que ela representa uma maneira de expressar a língua oral através das mãos – “português sinalizado”.além de comprovar sua formação morfossintática. Não só quem faz os sinais.. 31 . Seus dados históricos no decorrer de sua organização. como por exemplo: VERSÃO TEXTUAL DO FLASH MITO 01: • A forma de concebê-la apenas como linguagem. fazendo analogia com as línguas orais. a historiografia traz poucos registros quanto ao desenvolvimento das Línguas de Sinais. CONTRIBUIÇÃO É importante considerar que era notória a maneira diferente do surdo “se comunicar” desde os tempos antes de Cristo. da orientação visual de quem está se comunicando com relação ao que ele está comunicando. propôs uma análise em unidades mínimas (queremas/quiremas). código ou conglomerado de gestos são um deles. no caso do Brasil. na intenção de evitar subestimação da língua de sinais. 100-101).Embora os fatos citados sejam bem antigos. que. mas só as línguas de sinais têm à disposição quatro dimensões – as três dimensões espaciais acessíveis ao corpo da pessoa que faz os sinais e mais a dimensão temporal. precisamente na década de 1960. p.) cada usuário da língua de sinais situa-se de um modo muito parecido com o de uma câmera: o campo e o ângulo de visão são dirigidos. (. existem.

real. em seguida. Nesse sentido. suas duas faces e assim. usuários do canal oral auditivo. há pessoas que pensam ser um modo de exprimir somente ideias concretas. ATIVIDADE DE PORTFÓLIO Pesquise acerca dos mitos que permeiam essa área de estudo e discuta no fórum com seu(sua) tutor(a) e colegas. na qual os seus usuários podem discutir política. especialmente nas proposições poéticas: A língua de sinais ainda preserva. morfológica e pragmática – aspectos que serão resumidamente abordados logo adiante. segundo ele. esportes. LÍNGUAS Considerando que a Língua de Sinais não é universal. animada de que as línguas faladas. 135). semântica. Os natissurdos narram fatos detalhadamente em sua língua. emprego. FÓRUM Discuta com seus colegas sobre as diferentes concepções sobre a Surdez e os Surdos. vívida. como chama Sacks (Ibid) – é de fato bastante aguçado em comparação a nós. Esse aspecto pode ser confirmado na narrativa (empolgada)Saulo. pesquisadores como Stokoe (1960). apenas para fazer analogia. utilizando-se das demais. Sacks (1998) reitera destacando o caráter. expressar poesias. filosofias. os linguistas se ocupam essencialmente com a língua de sinais de seu país. orais ou de sinais. extraordinariamente evocativo das Línguas de Sinais. à mais generalizada reflexão sobre a realidade. Assim. se alguma vez tiveram. embora seja capaz de elevar-se às proposições mais abstratas. abordando questões relacionadas à Língua de Sinais. A esse respeito. há muito tempo abandonaram (p. Quadros e Karnopp (2004) comprovam a legitimidade dessaslínguasdescrevendo sua estrutura gramatical. a Língua de Sinais pode preencher todas as necessidades de interação entre indivíduos e ser utilizada na aquisição de conhecimentos.Dentre os que dizem acreditar na Língua de Sinais como uma língua. no geral.que explicava às crianças – sujeitos de uma pesquisa empírica que fizemos no ano de 2006 – 32 . muitas vezes imperceptíveis aos nossos olhos. pedagogo surdo doCAS. sem a capacidade de exprimir as abstratas. à Cultura Surda e propostas educacionais oferecidas aos escolares surdos. Ferreira-Brito (1998). no Tópico 3. envia suas considerações para o(a) tutor(a). músicas. e enfatiza. também pode simultaneamente evocar a qualidade concreta. humor etc. o aspecto visual analítico dos surdos usuários da Língua de Sinais – os natissurdos. tanto concretos quanto abstratos. No entanto.

[estudantes ansiosos] vou explicar.. espera. surdo só olhando. que participou de uma pesquisa realizada por M.. ocioso. p. A esse respeito Laborit (1994...o porquê dos surdos irem à Associação dos Surdos do Ceará (ASCE) aos sábados: SAULO Nome fictício por razões éticas para proteção da identidade do pedagogo surdo. 120) também ilustra: Na língua de sinais. complementando os dados para as análises sobre interações. exprimimos primeiro a ideia principal (.. A maneira de Saulo sinalizar. [um estudante pergunta: Por que?] Por quê?. sua língua. por isso enriquecia sua narrativa com sinais.. ASCE sempre aos sábados. exemplo: [se] pais não sabem como é a ASCE. ASCE tem surdo interagindo com sinais.. em casa. riam pela ênfase que o pedagogo dava a certos eventos ou características particulares de pessoas. pai. posso fazer sinais aos quilômetros (. Informações a respeito dessa instituição logo mais na Aula 4. Surdo aproveita e vai lá. Bate-papo somente.. Centro de Formação dos Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez. ansioso. Há quem acrescente sempre 33 .. anedotas devido à riqueza de expressões que utiliza.. o seu estilo é – para os “Surdos” e ouvintes da “Comunidade Surda” – muito apropriada para expressar poesias.. não querem [não liberam].. em muitos momentos. seu estilo. conversam falando.. EXCERTO Nº 01 Todos os sábados. preocupados com as coisas. Não!!! A conversa é dentro da ASCE.. mãe... Pai. Como vozes diferentes. Os discentes. Por que as pessoas vão para ASCE? Por exemplo: a pessoa [surda] está ociosa.. Então. CAS. mãe. Souza (2008).. naquele ambiente. Vale aqui realçar. Exemplificar. Mas. em volta do surdo ninguém sabe. que a maneira de se expressar em sinais é particular.) Para os detalhes. mantinham-se atentos as suas narrativas e. Conversam livremente!!!. primo (familiares) sabe sinais? Não sabem. como a voz e entonação são próprias a cada situação ou pessoa ouvinte.) Além do mais.. Não tem problema! Saulo expressava-se com empolgação ao partilhar com seus pares os aspectos relacionados à sua comunidade. contar histórias... cada um tem sua maneira de fazer os sinais. expressões corporais e faciais que ilustravam vivências comuns entre eles para enfatizar a importância social da entidade em questão para a inte(g)ração dos surdos cearenses..

mas como uma língua legítima a “Língua Brasileira de Sinais” ficou reconhecida da seguinte maneira: (. Aqui. ao transporte. dentre as quais encontra-se a obrigatoriedade da inclusão da disciplina de Libras no currículo dos cursos de formação de professores em níveis médio e superior de instituições públicas e/ou particulares e nos cursos de fonoaudiologia. a Libras foi oficializada em nível federal a partir da Lei nº 10. para garantir-lhes o direito de acesso à informação. em que o sistema linguístico de natureza visual-motora. CONTRIBUIÇÃO No seio da comunidade surda. reza que: O Poder Público promoverá a eliminação de barreiras na comunicação e estabelecerá mecanismos e alternativas técnicas que tornem acessíveis os sistemas de comunicação e sinalização às pessoas portadoras de deficiência sensorial e com dificuldade de comunicação. E há aqueles que fazem resumos. conforme reportamos na Aula 5.626 em 22 de dezembro de 2005. Os “Surdos” com s maiúsculo são aqueles formadores de uma entidade linguística e cultural. à cultura. Os que se exprimem com gíria. ou classicamente. não somente como modo de interação.436 de 24 de abril de 2002 e regulamentada com o Decreto nº 5.. ao trabalho. Assim. a Libras tida como uma língua espacial – “tetradimensional” no dizer de Stokoe (1979) e Sacks (1998) – é diferente de qualquer língua falada oralmente ou escrita e. Oficialmente.436] Assim. como educadores e familiares. Após vários estudos e reivindicações da comunidade surda e de pessoas ligadas a ela. conforme menção na Aula 4. por isso não é possível executar a sua transliteração 34 . no ano de 2000. ao esporte e ao lazer. uma distinção entre o sujeito surdo (com s minúsculo) e Surdo (com S maiúsculo). à educação. portanto. no que diz respeito à graduação em Letras-Libras. Esse Decreto traz implicações. constitui um sistema linguístico de transmissão de idéias e fatos. Em se tratando do reconhecimento da Língua de Sinais no Brasil como meio de interação de seus usuários. em seu Artigo 17.098 surgiu na busca de garantir. encontra-se uma convenção. o acesso aos surdos nos diversos espaços e informações que todo cidadão tem direito. com estrutura gramatical própria. a Lei da Acessibilidade nº 10. à comunicação. [Lei nº 10.) forma de comunicação e expressão. destacamos Surdos e Comunidade Surda com S maiúsculo para diferenciar esse grupo do estigma de cidadãos de segunda classe mesmo nos dias atuais.durante horas.. oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil.

ª Margarida M.palavra por palavra ou frase por frase. a estrutura gramatical e linguística da língua natural dos surdos brasileiros. http://www. pois suas estruturas e canais de percepção/emissão são essencialmente diferentes.com/go/getflashplayer Responsável: Prof. no qual delineamos. VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Assim.Instituto UFC Virtual 35 . FONTES DAS IMAGENS 1. após um esboço das informações gerais sobre a(s) Língua (s) de Sinais.com/go/getflashplayer 3. P. Embora já se encontrem estudos bastante avançados. além de não ser plenamente (re)conhecido como um sistema gráfico no âmbito educacional.com/go/getflashplayer 2.adobe. http://www. a Libras.adobe. seguindo os padrões destas últimas. de Souza Universidade Federal do Ceará . apresentamos o tópico 3. resumidamente.adobe. http://www. principalmente no sul do País sobre a escrita da Libras – o Sign Writin – trata-se de um sistema ainda restrito a um pequeno número de usuários.

as Línguas de Sinais contêm os mesmos princípios linguísticos que as línguas orais. o esquema linguístico estrutural da referida língua. que a diferença refere-se à estrutura simultânea de organização dos elementos das primeiras (Línguas de Sinais). Sua estrutura gramatical. tocando ou não no corpo ou face do enunciador. As Configurações de Mãos (CM) são as variadas formas em que uma ou as duas mãos se apresentam no momento da sinalização. Sua articulação se dá espacialmente. De acordo com Quadros e Karnopp (2004). 36 . se isolados. 1974. Baseadas nos estudos de Stokoe (op. as autoras afirmam. 1978. pois têm léxico (palavras) e uma gramática. as Línguas de Sinais são consideradas línguas de modalidade espaço visual em virtude da informação linguística ser recebida pelos olhos e produzida pelas mãos. ainda. e demonstram que na constituição dos sinais existem fonemas que compõem morfemas e palavras. proposto por Stokoe compreende três parâmetros – configuração de mãos (CM). FERREIRABRITO.). cit.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 02: LÍNGUA DE SINAIS – UM IDIOMA VISUOESPACIAL TÓPICO 03: OS PARÂMETROS DA LÍNGUA DE SINAIS VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Conforme vimos no Tópico anterior. Entretanto. Estudos posteriores (BATTISON. locação (L) e movimento (M) – que. 1995) incluíram outros aspectos imprescindíveis que são a orientação de mão (Or) e as expressões não-manuais (ENM). passou a ser alvo de pesquisas em diversos ramos da Linguística a partir da década de 1960. conforme referimos anteriormente. 1990. Ferreira-Brito (1998) classificou 46 CMs usadas na Libras que são semelhantes ao sistema da ASL. são desprovidos de significado.

Tal classificação fora descrita através de dados coletados nas comunidades surdas de capitais brasileiras que compreendem grandes centros urbanos. Abaixo. a mensagem ou palavra também mudará ou. ainda. conforme muda a CM. ficar desprovida de sentido. na articulação do sinal. Esse parâmetro é fundamental. pois as mãos são os articuladores primários das Línguas de Sinais e. o quadro de configurações de mão baseados na lista de Ferreira-Brito (Ibid) e extraídas do Dicionário Digital da Libras (2007): 37 .

br/novoeaa/ [2]. onde o Sinal é articulado. O Ponto de Articulação (PA) ou Locação (L) refere-se ao espaço adiante do corpo ou "ponto" no próprio corpo. O vídeo seguinte. destacando os três parâmetros básicos: VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO 38 . Idem. em que ou perto do qual o sinal é articulado". França. que você pode pesquisar como se apresentam em diversos países. Espanha etc. e compará-los com o alfabeto do Brasil. baseada em Quadros e Karnopp 2004) apresenta a delimitação do espaço de enunciação.com. p. ou no espaço de articulação definido pelo corpo. As autoras salientam que na Libras o espaço de enunciação é a área que contém todos os pontos dentro do raio de alcance das mãos. 57) define o PA como a "área do corpo. Pesquise no site da Editora Arara Azul: http://editora-arara-azul.Algumas Configurações de Mãos constituem o alfabeto manual (datilológico). como Estados Unidos. na qual os sinais são articulados. Japão. Friedman (1977 apud QUADROS e KARNOPP.

Os exemplos. conforme Klima e Bellugi (1979). Os pontos de articulação (ou locações) são realizados em tal espaço. EM PÉ. onde o movimento se realiza. Quanto aos Sinais dos times são completamente diferentes. AJOELHAR. Na execução dos sinais. apresentando pequena diferença apenas na expressão facial. observa-se que a grande maioria possui esse parâmetro. no vídeo a seguir. não tocam o corpo.OBSERVAÇÃO Os Sinais CEARÁ e FORTALEZA. Entretanto. pois. enquanto lugares. movimentos direcionais no espaço e até um conjunto de movimentos no mesmo sinal. desde movimentos internos de mão. 1995). enquanto o espaço (de enunciação). outros são efetuados no espaço neutro. sinais como SENTAR. a seguir demonstram essa diferença. dos quais há pontos que tocam no corpo. pode envolver um gama de formas e direções. Nessa perspectiva. no qual a(s) mão(s) do enunciador representa(m) o objeto. o objeto e o espaço propiciam a formação do movimento de um sinal. é a área em torno do enunciador (cf. SILENCIAR dentre outros. ou são bem próximos. movimentos de pulso. apresentam-se como pares mínimos. FERREIRA-BRITO E LANGEVIN. 39 . são estáticos. conforme demonstra o vídeo abaixo: VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO Um parâmetro bem complexo são os Movimentos (M).

VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO As Expressões Não-Manuais (ENM) compreendidas pelas expressões corporais e/ou faciais são elementos muito importantes que. Sua execução na produção do sinal tem função sintática. expressão corporal e facial. Podem também ocorrer simultaneamente. Conforme Felipe e Monteiro (2004) as expressões apresentam-se da seguinte forma: Na frase afirmativa a expressão facial se mantém neutra. topicalizações e sinais específicos. relativas. negativas. interrogativas. marcando orações exclamativas. conforme suas variações dão significados diferentes frente à articulação de determinadas expressões "manuais". Conforme demonstra o vídeo abaixo: VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO 40 . como no caso das orações interrogativas e negativas.

Na frase interrogativa as sobrancelhas ficam franzidas e há um ligeiro movimento da cabeça que se inclina para frente. Pode-se ainda intensificar a expressão. fechando a boca com movimento para baixo como mostra no vídeo a seguir: 41 . demonstrado no vídeo a seguir: VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO Na frase exclamativa levantam-se as sobrancelhas com um ligeiro movimento da cabeça para cima e para baixo.

VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO As frases negativas apresentam-se de três formas. p. um fator de grande importância é a direção do olhar. ou com a incorporação de um movimento contrário à ação negada (c). no sentido de dar ênfase ao Ponto de Articulação e Movimento. Outros autores. Ibid. 85) classifica o aspecto da orientação da (s) mão(s) como "parâmetros secundários". como Quadros e Karnopp (2004) consideram a orientação da(s) palma(s) da(s) mão(s). consideram apenas os três básicos (apresentados há pouco). Para evitar polêmicas. Ferreira-Brito (1995 apud BERNARDINO. o aspecto relacionado à direcionalidade que marca a direção horizontal ou vertical. conforme explica o vídeo abaixo. ou ainda. além da relação de feedback entre emissor e receptor. com acréscimo do sinal NÃO (a). com um aceno de cabeça simultâneo à ação negativa (b). VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO Vale ressaltar que. circular do movimento de um sinal. Bernardino (2000) apresenta como um dos cinco parâmetros. como Stokoe. conforme mencionei. outros ainda. quais sejam: 42 .

da primeira. FONTES DAS IMAGENS 1. um deslizamento. ou outros. http://www. (C) REGIÃO DE CONTATO: seria a parte da mão que entra em contato com o corpo. (B) ORIENTAÇÃO DAS MÃOS: é a direção da palma da mão durante a realização do sinal.ª Margarida M. podendo haver mudança dessa orientação durante o movimento.br/novoeaa/ Responsável: Prof. de Souza Universidade Federal do Ceará .(A) DISPOSIÇÃO DAS MÃOS: o sinal pode ser feito apenas pela mão dominante ou pelas duas. podendo ser através de um toque. http://editora-arara-azul. um risco.adobe. sendo que nesta última a combinação de ambas determina o sinal ou apenas a mão dominante.A. P.Instituto UFC Virtual 43 .com. servindo a outra como P.com/go/getflashplayer 2.

Nessa perspectiva. isoladamente. conferidos nos exemplos a seguir: EXEMPLO (1) VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO EXEMPLO (2) 44 .LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 02: LÍNGUA DE SINAIS – UM IDIOMA VISUOESPACIAL TÓPICO 04: OS NÍVEIS LINGUÍSTICOS No Nível Fonológico encontram-se as unidades mínimas que. CM ou ENM). tais parâmetros (apresentados no Tópico anterior) constituem o Nível Fonológico da Língua de Sinais. negação e tempo. ou no dizer de Stokoe. não têm significado. L. os queremas/quiremas. trata dos fonemas. para a obtenção de modulações aspectuais. quantificação. os quais podem ser alterados. os quais podem variar conforme articulação dos parâmetros (M. por ser a Língua de Sinais uma língua multidimensional. incorporação de informações gramaticais e lexicais. Exemplos disso podem ser vistos nas frases há pouco representadas e nos níveis gramaticais. relacionando-se às mãos. Em outras palavras. No NÍVEL MORFOLÓGICO encontram-se os morfemas.

número e aspecto. 127). O Nível Sintático refere-se à organização dos constituintes da frase.” (QUADROS & KARNOPP. 1995). que as Línguas de Sinais têm suas variações que são os diferentes modos de usá-las – as 45 . No exemplo (2) a expressão facial é associada. Observe o vídeo a seguir: VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO Esses três últimos exemplos demonstram a incorporação de informação léxico-sintática. superposição da informação lexical somada à informação de ordem sintática (FERREIRA-BRITO. pois se flexionam em pessoa. qualquer que seja a “referência usada no discurso requer o estabelecimento de um local no espaço de sinalização. ESTIMULAR etc. ou seja. 2004. e a CM inalterada. Também ilustram um tipo de verbo da Libras que apresenta concordância. No caso das Línguas de Sinais. muito comum na Libras. aumentando-se o número dos dedos estendidos para demonstrar uma quantidade maior. PERGUNTAR. p.VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO OBSERVAÇÃO O exemplo (1) representa o processo de incorporação do numeral. como já mencionado há pouco. ou seja. Outros exemplos dessa categoria são: RESPONDER. curto e mais rápido. no qual a CM foi alterada. um verbo que utiliza a direção do movimento para marcar o sujeito (ponto inicial do movimento) e o objeto (ponto final do movimento). É importante realçar. o movimento fica intenso.

somente para citar alguns. escolaridade.) Já em Porto Alegre.Diferenças sistemáticas usadas por grupos ou por sujeitos de regiões geográficas específicas (Idem). como grupos de surdos de centros urbanos ou de áreas rurais. personalidade – são os idioletos. ou ainda. políticos. sociais. maior ou menor contato com a Comunidade Surda. dentre outros. há muitos sinais que utilizam como CM a primeira letra da palavra do português. Dialetos . é o modo peculiar que cada indivíduo tem de falar/sinalizar (KARNOPP. de homossexuais. como “P” para pessoa. grupos de jovens. Em São Paulo grupos de surdos oralizados digitalizam somente a primeira letra e oralizam toda a palavra. geográficos. Segundo as autoras. necessitando que o outro surdo faça leitura labial. Os exemplos abaixo ilustram um “dialeto”da Libras: VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO CONTRIBUIÇÃO Idioletos . ou seja. OLHANDO DE PERTO Quadros e Karnopp (2004) dão exemplos também de “dialetos” de surdos de São Paulo e de Porto Alegre. Essas diferenças devem-se a fatores diversos como: a idade.Diferenças individuais de uso de uma língua. Essas variações vão ocorrendo gradativamente conforme os aspectos físicos. conferindo 46 . classe social. raciais ou religiosos. se utiliza muito o alfabeto manual e toda a palavra é datilologizada. Pode-se ainda conferir outros exemplos com os sinais utilizados em nosso estado (Ceará) com os de outros. 2007). “T” para tio ou tia. dependem da localização ou características de grupos (dialetos). sexo.variedades linguísticas – como qualquer língua. (Essa característica também é comum a surdos oralizados de outras regiões.

Instituto UFC Virtual 47 . FONTES DAS IMAGENS Responsável: Prof.ª Margarida M.com as ilustrações no Dicionário Trilíngue publicado por Capovilla (2001) e em suas diversas edições. P. de Souza Universidade Federal do Ceará .

muitos deles apresentam a locação do sinal junto ao corpo. os quais. Eles também não incorporam instrumentos e nem argumentos. Com isso a direção do movimento destes verbos sempre irá variar com a posição das pessoas que estão envolvidas. PINTO. justamente por esses terem a locação junto ao corpo na Libras.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 02: LÍNGUA DE SINAIS – UM IDIOMA VISUOESPACIAL TÓPICO 05: OS TIPOS DE VERBOS Os tipos de verbos na língua de sinais brasileira estão divididos em classes. VERSÃO TEXTUAL DA ANIMAÇÃO Um fato curioso é que muitos deles são verbos ligados às emoções ou à capacidade intelectual. Assim. marcando Caso. abordaremos a classificação abordada no geral por Quadros e Karnopp (2004) e Felipe e Monteiro (2004). São os verbos mais simples em Libras. Vale ressaltar que eles geralmente estão associados à apontação. A direcionalidade está associada às relações semânticas (source/goal) e a orientação da mão voltada para o objeto da sentença está associada à sintaxe. (QUADROS. b) Verbos Com Concordância: também conhecidos por verbos direcionais são verbos que concordam com as pessoas da sentença. Estes verbos apresentam a direcionalidade e a orientação. 2007) 48 . Em nosso estudo. podemos distinguir os seguintes grupos de verbos: a) Verbos Sem Concordância: esse grupo de verbos é caracterizado por não apresentar flexão quanto à pessoa. PIZZIO. mas não incorporam afixos locativos. as quais se diferenciam entre os pesquisadores da área. A direção do sinal é realizada do sujeito para o objeto da sentença.

[Objeto presente]: VOCÊCOPO-COLOCAR-ESTANTE. pois sempre estão relacionados à existência de um lugar no discurso. FORA SALA? • Verbos Manuais: também conhecidos por “Verbos Classificadores”. geralmente utilizando as seguintes CM: e segurando algo. [Objeto ausente: usa-se a imaginação. IR. • 1. Exemplos de verbos espaciais são COLOCAR. São verbos que incorporam classificadores e a ação. representando espacialmente o objeto na direção de sua locação]: VOCÊCOPO-COLOCAR ESTANTE. • 2. pois aí representam ações onde uma pessoa está 49 . VIR.VERSÃO TEXTUAL DA ANIMAÇÃO VERSÃO TEXTUAL DA ANIMAÇÃO c) Verbos Espaciais: são verbos que têm afixos locativos. estes são um grupo restrito de verbos e o seu significado só é definido dentro do contexto discursivo.

uma integração de fato. Karin Strobel. usando Libras desde cedo ela assimila o conteúdo e se desenvolve intelectual e emocionalmente. 163) também segue o mesmo raciocínio de que a Língua de Sinais é o mediador mais eficiente. a Língua de Sinais. doutora pela Universidade Federal de Santa Catarina.Desse modo. antes de finalizar esta Aula. Portanto. na qual possam “inter-agir” não só com seus equivalentes."NA ESCOLA" 50 . mais eficiente que qualquer outra língua oral é interagir com esses sujeitos na língua que lhes é natural. Quando me ensinaram “ontem” e “amanhã” na língua de sinais. orientando que isso não é negar à criança surda o direito de se integrar à sociedade ouvinte. inclusive. Strobel (1995. p. Relatando sua própria experiência Laborit (Idem. da fala e terá força. um símbolo. pude falar oralmente com mais facilidade. pelo contrário. auto-confiança e base mais sólida para se integrar à sociedade sem complexo de inferioridade. gostaríamos de ilustrar com as palavras da professora surda. PRÁTICA II PEQUENO DIÁLOGO NO CONTEXTO ESCOLAR Diálogo 2 . bem como termos um olhar sobre pequenos textos produzidos pelos nativos dessa língua. escrever essas palavras com mais facilidade. Assim. a aquisição da fala oral: Uma palavra é uma imagem. aquela que pode promover uma compreensão mais ampla. quando consegui entender seu significado. 8) recomenda o uso de sinais desde cedo. na comunicação com os surdos e surdas. mas com todas as pessoas. poderemos conhecer nas próximas Aulas sobre o profissional que trabalha diretamente com essa língua na transposição desta para a língua da maioria ouvinte e vice versa. o quanto é necessário e é aspirado pela pessoa surda a sua integração na sociedade. p. o que facilita a aprendizagem da leitura. desde que lhe seja garantido o direito de usar sinais. os Surdos. apontando que esta possibilita. com uma visão geral a respeito desse idioma espaço visual.

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(. Atores profissionais. Se sou eu..LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 03: O PROFISSIONAL TRADUTOR E INTÉRPRETE DA LÍNGUA DE SINAIS (TILS) TÓPICO 01: COMO OU QUANDO SURGIRAM OS PRIMEIROS TRABALHOS DE INTERPRETAÇÃO DE LÍNGUA DE SINAIS VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Será difícil exprimir com as simples palavras deste capítulo a emoção.. Se a avisaram. depois algumas outras. Analisando a história.) Não me convenci completamente de que acabaram de me dar o Molière de revelação 1993. (.. do que dizem e de suas opiniões. dedos fazendo o sinal de união.) Todas essas bocas que se falam em torno de mim sabem coisas que ignoro. conforme Souza (2008.) Muitas pessoas de talento estão reunidas. de repente. a atuação do ILS tem sido uma prática há décadas mais exatamente desde o início dos anos 80. para que se preparasse para subir ao palco.. como podemos confirmar nas palavras de Rosa (2005. a atividade dos intérpretes da Língua Brasileira de Sinais surgiu a partir de trabalhos voluntários no interior de movimentos religiosos.. era talvez... que adivinha pelo primeiro sinal o que vou dizer. Nada de recuar.) Não sei para quem olhar.) Dizer aquilo que tinha a dizer. Tenho minha intérprete. (. p. Estão confiantes de seu brilho. Emannuelle Laborit (1994) VERSÃO TEXTUAL DO FLASH De acordo com os fatos históricos. a alegria que senti. aquela de sempre. p. Dominique Hof.. Para ele? Para a intérprete? Para o palco?(. vejo uma pessoa. parece que essa herança ocorre devido às primeiras iniciativas de escolarização dos surdos na Idade Média com os chamados professores preceptores.. logo que iniciou a leitura da lista dos vencedores.. 92): No Brasil a atividade de interpretação ocorre com maior frequência nas instituições religiosas. Foi o mais belo presente do mundo! (. Sou a única surda na sala... aliás. os quais tinham a “missão” de ensiná-los a língua pátria – seja na modalidade escrita ou oral –. havia me prometido.. São emoções que vivenciei em meu corpo.. e. 33) esclarece: 55 . (. Nesse caso. (.. o que explica que os melhores ILS – salvo os filhos de pais surdos – são oriundos das instituições religiosas.) Recomeço a fazer os sinais. bem como aproximálos da vida cristã e de Deus.. a intérprete vai me avisar. nesses lugares. aquela que me conhece de cor e salteado. (.) Volto-me para a intérprete... Foram procurá-la..) A intérprete não teve tempo de terminar seu gesto [Sinal] (... que me explica rapidamente o intervalo da tradução. e as exprimo bem melhor por meio dos sinais.) Rasgam o envelope... mãos em formato de borboleta. e finalmente o público inteiro! Braços levantados.

o que possibilitou a abertura de novas oportunidades no mercado de trabalho. as pessoas surdas passaram a conquistar espaços.Lei nº 10.. sintaxe. mesmo que seja através de leis. semântica e pragmática. passando a educar crianças de rua e. Assim. . sociais ou escolares. No geral. respaldam o trabalho do referido profissional são: . Paralela a essa iniciativa encontrava-se.172/2001 – Lei do Plano Nacional de Educação. o intérprete de Língua de Sinais é qualificado e reconhecido profissionalmente”. os cultos nos movimentos evangélicos). Outros documentos que. Este que foi o responsável pela criação do “Gestualismo” e da primeira escola para surdos no mundo – o Instituto dos Surdos Mudos. . 17). principalmente com ensinos das áreas de Língua(gem) e Matemática. para saber mais leia a revista abaixo: VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Nesse tempo em que havia a preocupação com os surdos de famílias abastadas que passaram a ter direitos a heranças e. junto com estas criou os Sinais Metódicos – o Abade Michael de l’Epée.Resolução MEC/CNE: 02/2001 – Diretrizes Nacionais Para a Educação Especial na Educação Básica. de alguma forma. 56 . através dos monges e padres (professores-preceptores). morfologia. por isso a preocupação com sua educação. a preocupação em “extirpar” o pecado a partir da educação. cuja preocupação era possibilitar aos surdos a participação em missas (posteriormente. parece ter influenciado na ocorrência dos primeiros serviços de interpretação. em Paris. Esse aspecto é comprovado na prática e em pesquisa realizadas até na Europa. o reconhecimento de tal profissão de Intérprete/Tradutor se dá com o reconhecimento da língua.Lei nº 10. a homologação da Lei federal nº 10.a igreja por muito tempo e após o Renascimento tornou-se a responsável por instruir os filhos da nobreza para garantia de seus direitos.Portaria 1679/1999 – Acessibilidade à Educação Superior. (QUADROS. procurando exercer uma cidadania legítima. ainda. no Brasil. .436 de 24 de abril de 2002 (Lei de Libras) vem representando a primeira grande conquista para os movimentos sociais da Comunidade Surda e marcou um salto fundamental no processo de formação e reconhecimento do intérprete. Desse modo.098/2000 – Lei de Acessibilidade. 2002. seja em movimentos religiosos. p. concluindo que “à medida que os surdos ampliam suas atividades e participam das atividades políticas e culturais da sociedade. um abade francês interessou em educar as crianças desprovidas de qualquer riqueza material. no sentido da obtenção do respeito de seus aspectos linguísticos – estrutura gramatical. Conforme conta a História..

319/2010 que reconhece o profissional Intérprete que atua diretamente com as pessoas surdas.Lei estadual nº 13. http://www.Instituto UFC Virtual 57 .com/go/getflashplayer 3.adobe. http://www. Aliado a isso.100/2001 – reconhece a Libras como língua natural das Comunidades Surdos em esfera estadual – Fortaleza/Ceará.adobe.Lei federal nº 12. http://www. P. de Souza Universidade Federal do Ceará . FONTES DAS IMAGENS 1.626/2005 – regulamenta a Lei de Libras e dá outras providências. na busca pelo reconhecimento de seu trabalho como profissão com a abertura de vagas em concursos públicos.adobe.com/go/getflashplayer 2.ª Margarida M. .Decreto nº 5. .com/go/getflashplayer Responsável: Prof.. encontra-se o Intérprete/Tradutor da Libras. Essas conquistas vêm reforçando a luta da Comunidade Surda por sua dignidade e respeito.

Em alguns momentos confunde-se o tradutor com o intérprete. Sendo assim. tem-se um profissional que faz a conversão das línguas orais ou de sinais para outra.. mas também ter uma formação apropriada. Trata-se de um profissional que torna possível a efetiva participação do surdo em encontros sociais. aquele que possibilitará o contato da pessoa surda com o meio oral-auditivo desde simples situações às mais complexas como. as expressões faciais e corporais. ou ainda. p. isso 58 . o profissional Intérprete da Língua de Sinais é. 2002).) a formação deve contribuir para que os alunos (futuros tradutores e intérpretes) percebam e analisem um texto para além das palavras. religiosos. em muitos casos. portanto. sendo que escrita. facilitando seu desenvolvimento social e cognitivo.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 03: O PROFISSIONAL TRADUTOR E INTÉRPRETE DA LÍNGUA DE SINAIS (TILS) TÓPICO 02: O QUE VEM A SER ESSE PROFISSIONAL? VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Considerando que a Língua de Sinais é a língua natural das comunidades surdas. Obviamente os modos de realizar essa tarefa são diferentes para tradutores e intérpretes já que envolvem modalidades diferentes de línguas. judiciais etc. a interpretação está inclusa na tradução por esta ser um termo mais amplo. casamentos. apreendendo os sentidos. Na realidade. o intérprete da Língua de Sinais é aquele que converte esta língua para a oral e vice-versa.. casos trabalhistas. ou seja. Tal profissional não deve ser apenas proficiente nas línguas em foco. fazer uso da Língua de Sinais. utilizando-se as mãos. (QUADROS. transforma a língua escrita para a forma oral ou de sinais. Entretanto.. apesar do professor de surdos. No caso do tradutor. cada profissional exerce funções distintas. por exemplo.) Com foco na manutenção dos sentidos originais. Fonte [2] Fonte [3] Fonte [4] Há ainda quem confunda o professor de surdos com o intérprete da Língua de Sinais. educacionais e também políticos. articulada através do canal viso-espacial.. debates. 20): (. conforme ensina Lacerda (2010. em cada lugar ou instituição onde se encontre uma pessoa surda. há a necessidade do profissional que tenha domínio de ambas as línguas – a oral e a de sinais. (. Tecnicamente falando. na qual o mesmo obterá os conhecimentos técnicos e científicos da área. ele deve ser levado a depreender sentidos. telefonemas. ainda na língua de origem.

não implica que o mesmo possa ser de fato um intérprete. O professor tem a responsabilidade de exercer um papel fundamental no processo de ensino e de aprendizagem do surdo, enquanto que o intérprete apresenta-se como mediador entre pessoas que não dominam a mesma língua. Ocorre que no âmbito da educação escolar/acadêmica encontra-se o intérprete educacional. Esse é o caso de maior demanda em todo o mundo, sobre o qual podemos encontrar discussões e pesquisas realizadas nos variados países, principalmente nos Estados Unidos, que sistematizaram atividades/situações consideradas antiéticas: - Tutorar os alunos (em qualquer circunstância); - Apresentar informações a respeito do desenvolvimento dos alunos; - Acompanhar os alunos; - Disciplinar os alunos; - Realizar atividades extraclasse. Vale ressaltar que o ato de interpretar envolve pessoas com “intenções comunicativas” específicas entre usuários de línguas distintas e, por isso, exige um trabalho cognitivo linguístico do profissional e que essa habilidade/competência é desenvolvida numa formação. Em outras palavras, o tradutor e intérprete precisa ser qualificado, ter domínio dos processos, dos modelos, das estratégias e técnicas de tradução e interpretação. (...) também deve ter formação específica na área de sua atuação (por exemplo, a área da educação (QUADROS, 2002). Ademais, a formação profissional como um todo vai fornecer a vivência prática de modos de versar de uma língua para outra(s), com a qual deverão ser apreendidos os aspectos linguísticos e culturais dos sujeitos das línguas envolvidas.

Há também aspectos diferenciados da formação, já que o tradutor precisaser capacitado para o trabalho com aspectos próprios da expressão da língua escrita como coesão e coerência textual, e o intérprete, por exemplo, ser introduzido a princípios de oratória e impostação vocal. (LACERDA, 2010, p. 20 apud PAGURA, 2003)

O tradutor e intérprete da Língua de Sinais (TILS) precisam, portanto, ter conhecimento técnico das duas línguas (oral-auditiva e visual-espacial) utilizadas no País, a fim de fazer a melhor escolha estrutural tecnicamente adequada para favorecer uma tradução/interpretação o mais fiel possível. A compreensão destes aspectos desmitifica as ideias equivocadas difundidas pelo senso comum, quais sejam: Professores de surdos são intérpretes de línguas de sinais; As pessoas ouvintes que dominam a língua de sinais são intérpretes; Os filhos de pais surdos são intérpretes de língua de sinais. Mais esclarecimentos sobre esses equívocos entre mais considerações podem ser conferidos nos estudos de Quadros (2004).
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Dessa forma, ainda de acordo com Quadros (Ibid) destacam-se alguns pontos também muito importantes que são:
VERSÃO TEXTUAL DO FLASH

- Confiabilidade: sigilo profissional; - Imparcialidade: o intérprete deve ser neutro e não interferir com opiniões próprias; - Discrição: o intérprete deve estabelecer limites no seu envolvimento durante a atuação; - Distância profissional: o profissional intérprete e sua vida pessoal são separados; - Fidelidade: a interpretação deve ser fiel, o intérprete não pode alterar a informação por querer ajudar ou ter opiniões a respeito de algum assunto, o objetivo da interpretação é passar o que realmente foi dito.

Apesar de estar registrada como “código”, espera-se que a ética seja parte integrante da essência do Intérprete como pessoa e como profissional. Nesse contexto, apresentamos o próximo tópico que traz mais informações a respeito do profissional em foco. Tais considerações fazem parte das elaborações de Joelma Remígio, professora da Universidade Federal do Amazonas.

FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.adobe.com/go/getflashplayer 2. http://diariodonordeste.globo.com/imagem.asp?Imagem=456304 3. http://www.abq.org.br/simpequi/2009/trabalhos/imagens/-664338147f61.jpg 4. http://4.bp.blogspot.com/_W9jYHT6LOmM/TLd4XPh7qqI/AAAAAAAA AW4/NSdV2Yv3HJk/s1600/na+empresa.jpg 5. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
Responsável: Prof.ª Margarida M. P. de Souza Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS)
AULA 03: O PROFISSIONAL TRADUTOR E INTÉRPRETE DA LÍNGUA DE SINAIS (TILS)
TÓPICO 03: O PROFISSIONAL INTÉRPRETE DA LÍNGUA DE SINAIS (ILS) E SUA ATUAÇÃO NA ESCOLARIZAÇÃO DE SURDOS

Com todo esse movimento de inclusão e a presença dos surdos em espaços cada vez mais diferenciados, tornou-se mais visível a presença do ILS e o aumento significativo de ações e políticas linguísticas em torno da Língua de Sinais e das implicações que essa prática ocasiona. Portanto, a profissão dos ILS está num momento histórico de estruturação e, certamente, a Lei nº. 12.319, de 1º de Setembro de 2010, embora com todas as discussões surgidas a partir dos vetos dos artigos que tratavam da formação em nível superior, representa uma vitória em termos de reconhecimento dos profissionais ILS e da importância deste cargo, para consolidar uma categoria que por décadas atuou de maneira informal e que agora tem o reconhecimento de sua profissão, para qual existe uma demanda significativa no mercado de trabalho, que engloba desde os espaços públicos, a área específica da educação e a comunidade de um modo geral.

OBSERVAÇÃO
Dos espaços de atuação dos intérpretes de Língua de Sinais, como apresentado anteriormente nesta pesquisa, existe um que tem suscitado grandes discussões e polêmicas: o espaço educacional. De acordo com Quadros (2004), é o espaço onde a interpretação é mais requisitada atualmente. A partir do desenvolvimento e enfoque que as escolas deram ao processo de colocação de estudantes surdos em suas salas de aula, o sucesso e resultados sonhados não seriam possíveis sem a presença desse profissional na escola que se intitula “inclusiva”. Segundo a mesma autora, o intérprete, especialista para atuar na área de educação, deverá ter um perfil para intermediar as relações entre os professores e os alunos, bem como entre alunos surdos e ouvintes. Concordamos categoricamente que, ao se pensar nas competências e responsabilidades deste profissional, existem muitas dificuldades em determinar quais suas reais responsabilidades e até onde sua atuação pode ser considerada adequada e pertinente, de modo a causar problemas de ordem ética quando realizar as intermediações em sala de aula, nem sua responsabilidade e função ser confundida com a do professor, por exemplo. Uma questão fundamental a ser problematizada, diz respeito ao nível educacional do intérprete. Quadros (2004, p. 62) afirma:

Outro aspecto a ser considerado na atuação do intérprete em sala de aula é o nível educacional. O intérprete de Língua de Sinais poderá estar atuando na educação infantil, na educação fundamental, no ensino médio, no nível universitário e no nível de pós-graduação. Obviamente que em cada nível devese considerar diferentes fatores. Nos níveis mais iniciais, o intérprete estará diante de crianças. Há uma série de implicações geradas a partir disso. Crianças têm dificuldades em compreender a função do intérprete puramente
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urge uma maior mobilização em termos de lutas e reivindicações para que o que está assegurado na lei seja realmente realizado na prática. o aumento na contratação de intérpretes para atuar no ambiente educacional é visível. Nos níveis posteriores. Um dos motivos da ausência de alguns ILS era o atraso de três meses do pagamento de seus salários. no ano de 2009. mas que não oferecia intérprete. através da Lei nº 12. A criança surda tende a estabelecer o vínculo com quem lhe dirige o olhar. que agora tem sua profissão reconhecida. o da presença deste profissional intermediando a comunicação entre professores e alunos surdos e entre alunos ouvintes e surdos nas escolas. acreditamos ser fundamental a organização da categoria e a articulação com as associações que tem surgido em vários estados do Brasil. o Estado providenciou o pagamento e logo a situação foi regularizada. Esse fato levou o Ministério Publico a realizar visitas em todas as escolas que tinham alunos surdos para verificar se faltava mesmo esse profissional. As escolas estaduais também precisaram contratar ILS para os alunos surdos que a elas chegavam. Assim. No caso. com a comunidade surda. de 1º de setembro de 2010. porém. para suscitar e promover as mudanças necessárias e urgentes nesse momento histórico. quando a Lei 10. 120) afirma que: 62 . OLHANDO DE PERTO Desde 2002. reconhecendo a Língua de Sinais. em nível médio não dá conta de embasar sua pratica e ações. o intérprete é aquele que estabelece essa relação.como uma pessoa mediadora da relação entre o professor e o aluno. a questão de sua formação vem sendo apresentada como urgente e necessária. Existe esse profissional que está inserido nas escolas. p. o intérprete deve ter afinidade para trabalhar com crianças. que almeja aprofundar sua prática e conhecimentos e o nível desta formação. Depois das visitas do Ministério Publico e da exigência de se resolver esse problema. entre outros segmentos sociais. dentre estes. principalmente no espaço da educação. o intérprete passa a necessitar de conhecimentos cada vez mais específicos e mais aprofundados para poder realizar a interpretação compatíveis com o grau de exigência dos níveis cada vez mais adiantados da escolarização. bem como com as associações dos surdos. como língua utilizada pela comunidade surda.319. Por outro lado. Percebemos que atualmente tem ocorrido uma maior cobrança dos surdos por seus direitos. Recentemente. para que possa efetivamente desenvolver suas funções adequadamente. Além disso. houve uma denúncia ao Ministério Publico de João Pessoa. O problema é que só especifica a formação em nível médio e esse aspecto pode dificultar ainda mais o processo de formação desse profissional. sobre uma escola estadual que tinha alunos surdos em sala. Lacerda (2009. com o reconhecimento da profissão do Intérprete de Língua de Sinais. fato que impossibilitava sua ida ao trabalho.436 foi sancionada. o adolescente e o adulto lidam melhor com a presença do intérprete. Um fato interessante é que.

Há vários problemas de ordem ética que acabam surgindo em 63 . Concordamos com ela. desta quantidade ínfima de escolas específicas. como observa Lacerda (2009. Os complexos conflitos que ocorrem e as formas de relações que se estabelecem no ambiente escolar inclusivo precisam ser percebidos. a partir principalmente da Declaração de Salamanca. em que pudemos constatar uma realidade similar à percebida em São Paulo. afirmando que o que se constata na prática é apenas uma inserção sem nenhum cuidado especial. Com o advento da implantação da inclusão e os discursos em torno de atendimento igualitário no mesmo espaço educacional. são ainda pouquíssimas e. muitas foram forçadas a mudarem seu foco de atuação e se tornarem instituições de apoio especializado. e em algumas famílias de sujeitos surdos surgem opiniões de respeito e atenção dos sujeitos com necessidades especiais e na sociedade de modo geral. acessíveis a uma minoria de surdos nesse país. Dentre muitas questões levantadas por Quadros (2004) estão: O intérprete especialista para atuar na área da educação deverá ter um perfil para intermediar as relações entre os professores e os alunos. a presença desse profissional no espaço inclusivo é fundamental. a partir de pesquisas realizadas especialmente em São Paulo. que veem com bons olhos toda essa integração e o respeito aos diferentes. p. a partir de nossas experiências com pesquisa em inclusão de surdos nas escolas regulares na cidade de João Pessoa. Realmente. A atuação do intérprete educacional requer grandes responsabilidades. para complementar o atendimento que os surdos têm nas escolas regulares.a questão da educação dos surdos no Brasil ainda é um problema longe de ter uma solução satisfatória. pois. de falta de preparo e de oportunidades para discussões sobre essas possibilidades”. Sua atuação em muitos momentos é confusa e complexa. Certamente. 121). Lacerda acrescenta que a expansão da política educacional de inclusão. precisa acontecer com cuidados específicos e reflexões. porém. aponta para evidência de desconhecimento da realidade das comunidades surdas. e que as escolas próprias para surdos. entre os colegas surdos e os colegas ouvintes. portanto. Lacerda contrapõe todo esse discurso e realidade apresentada. compreendidos e refletidos. ocorreu que. por isso mesmo suas atitudes merecem atenção especial. provocou mudanças sérias e complexas. atentas à sua condição bilíngue e às suas necessidades específicas. que advogam tratamento igual para todos. No entanto. todo esse movimento de implementação de políticas voltadas para o atendimento de todos os alunos nas escolas regulares provocou mudanças na educação de nosso país e. bem como. “a prática observada até o momento. Apenas a inserção do profissional no espaço que se diz inclusivo não resolve as questões que o processo educacional produz. ganha adeptos entre políticos. onde os fracassos são bem mais presentes do que os sucessos. em relação às pessoas surdas. as competências e responsabilidades destes profissionais não são tão fáceis de serem determinadas.

o professor consulta o intérprete a respeito do desenvolvimento do aluno surdo. até isenção ou transmissão de responsabilidades por parte dos professores para os intérpretes. essa é uma forma de análise simplista. O intérprete. os sujeitos surdos são considerados em suas especificidades linguísticas e cultural. PARADA OBRIGATÓRIA O profissional intérprete é necessário no ambiente escolar sim. Lacerda (2009) acrescenta que no ambiente bilíngue.função do tipo de intermediação que acaba acontecendo em sala de aula. Em relação aos surdos. como sendo ele a pessoa mais indicada a dar um parecer a respeito. comentam e travam discussões em relação aos tópicos abordados com o intérprete e não com o professor. Inúmeros aspectos podem ser problematizados a partir dessa afirmação. Muitas vezes. um papel que está sendo constituído. que pode acentuar a exclusão e negar as diferenças e peculiaridades dos alunos surdos. o papel do intérprete em sala de aula acaba sendo confundido com o papel do professor. mais difícil torna-se a sua tarefa. se assumir todos os papéis delegados por parte dos professores e alunos. as barreiras não são sanadas. sem ser especificamente a sala de aula. é apenas aquele que está intermediando a relação entre o professor e ela. A atuação do intérprete é benéfica quando. quando se afirma que o intérprete resolve a questão da acessibilidade e que assim os alunos surdos estão sendo incluídos. Fato que não ocorre no interior das escolas que se intitulam inclusivas e que contam com o intérprete intermediando as relações existentes nesse espaço tão complexo e repleto de contradições. não podemos reproduzir os discursos de muitos adeptos desse movimento de inclusão que manifestam total apoio e reprodução das falas daqueles que não querem rever essa forma de “inclusão” que tem se estabelecido nas escolas brasileiras e advogam todo mérito aos espaços que desenvolvem a “inclusão”. por sua vez. Vale ressaltar que se o intérprete está atuando na educação infantil ou fundamental. especificamente. no cotidiano. Muitas vezes. O próprio professor delega ao intérprete a responsabilidade de assumir o ensino dos conteúdos desenvolvidos em aula ao intérprete. acaba sendo sobrecarregado e. envolvendo desde questões éticas que ocorrem neste espaço. As crianças mais novas têm mais dificuldades em entender que aquele que está passando a informação é apenas um intérprete. também. além de confusão dos alunos surdos em perceber qual a atribuição de cada profissional que divide o mesmo espaço. acaba por confundir o seu papel dentro do processo educacional. essa acessibilidade não dá conta das necessidades educacionais. embora a presença do intérprete tenha trazido benefícios para os surdos. Os alunos dirigem questões diretamente ao intérprete. Com a comprovação de que essa é uma realidade refletida na maioria dos espaços escolares que os intérpretes atuam. como sendo muito bem sucedida. por possibilitar o acesso no/ao espaço escolar. lingüísticas e comunicacionais 64 . mas existem outras formas de desenvolver suas atividades e outros momentos em que ele é necessário.

Instituto UFC Virtual 65 . o Guia -Intérprete. http://2. FONTES DAS IMAGENS 1.ª Margarida M. Fonte [1] OLHANDO DE PERTO Nessa perspectiva.que os surdos precisam e que estão presentes nas legislações e políticas inclusivas. apresentamos o próximo tópico que traz considerações a respeito de um outro profissional existente no interior dessas atividades de interpretação e tradução das línguas de sinais.bp. de Souza Universidade Federal do Ceará .com/jTvOIszAvBM/TZRWRL_tsuI/AAAAAAAAEBA/dD-Ln9mmwY/s1600/sala+de+aula.jpg Responsável: Prof. Tais considerações são fruto das reflexões de Natália Almeida que vem atuando nessa área. com esses conhecimentos a respeito da atuação do TILS no contexto escolar.blogspot. P.

faz-se necessário esclarecer quem é a pessoa surda cega. temos uma outra realidade. Entidades) Não poderíamos abordar a surdocegueira e não citar dentre tantas personalidades.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 03: O PROFISSIONAL TRADUTOR E INTÉRPRETE DA LÍNGUA DE SINAIS (TILS) TÓPICO 04: A SURDOCEGUEIRA E O PROFISSIONAL GUIA-INTÉRPRETE: O BRILHO DA DESCOBERTA DO MUNDO Não se desencoraje. Esta professora. (1700 a 1860) . Tenha animo. temos estudos que apontam para a inclusão de uma jovem surdacega em um asilo nos Estados Unidos em 1825. quais sejam: (a) os avanços alcançados em saúde e educação. desde que persista jamais desistindo. uma que conseguiu conquistar o mundo com sua biografia. Howe. Hellen Keller vivia com a família no campo e somente aos sete anos de idade começa a ser educada formalmente por uma professora especialista. ele mesmo. a ensinou. (b) O envolvimento da família e da sociedade colaborando com os profissionais.De acordo com Camacho (2002 apud PLAZAS. A partir daí. a França aceita nas escolas de meninas surdas. Surdocego é o individuo que apresenta perda visual e auditiva combinadas. Anne Sullivan. por isso é tratada como deficiência única.Antes de falar sobre essa especificidade. Dr. Não tenha medo. bem como à mobilidade.você pode realizar. nos Estados Unidos. Helen Keller BREVE HISTÓRICO VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Breve histórico . Há ainda uma oportunidade para que você aproveite a vida. aceitou-a como sua educanda e. Não se desespere. pois aquilo que eu mesma realizei. quando o então fundador interessado por uma estudante surdocega. às informações e orientações. A perda destes sentidos leva a pessoa a ter necessidades específicas para ter acesso à comunicação. (c) A reflexão constante em busca dos objetivos que ainda faltam ser atingidos. (Cf. Mais adiante. em 1860. na qual muitas iniciativas têm sido tomadas no sentido de promover o desenvolvimento dos sujeitos surdocegos. Nascida em 1880. em tempo 66 . Dias atuais . Seja capaz de ajudá-lo a ajudar-se a si mesmo.Nos dias atuais. não importando o quanto se sinta em posição desfavorável. 2009) a história da surdocegueira no Brasil se inicia com Victoria Morriseau (1789-1832) como a primeira surdacega de quem se tem dados de ter uma atenção educativa em uma instituição voltada para surdos na França no final dos anos 1700. A criação da primeira escola para cegos em 1830. estudantes com surdocegueira.

conquistando o mundo com sua inteligência e sensibilidade. com a visita de Helen Keller ao País. aquela pessoa cuja surdocegueira ocorreu após a aquisição de uma língua. No próximo item temos mais informações sobre o acesso à comunicação/interação que pode ser proporcionada aos sujeitos em questão. Anne Sullivan passaria a ser sua guia-intérprete. No Brasil.Tempos depois. Hellen Keller aprendeu a fala – com Sara Fuller. educação e profissionalização de surdocegos e guias-intérpretes. Atualmente. seja oral ou sinalizada. bochecha e pescoço do interlocutor. O posicionamento do polegar da pessoa surdocega sobre os lábios do interlocutor. CONTRIBUIÇÃO Vale ressaltar um fator importante no sentido de buscar estabelecer a comunicação com os referidos sujeitos. o trabalho com surdocego teve início em 1960. 67 . um método hoje conhecido porTADOMA. professora de uma escola de surdos – por meio do tato. Mais tarde. Tais entidades têm como objetivo promover a integração das pessoas surdocegas na sociedade. O primeiro é aquele individuo que nasceu ou perdeu a visão e audição antes da aquisição da linguagem. bem como tornar possível a elas o exercício de seu papel como cidadãs. principalmente em São Paulo. mediante uso de uma das mãos do receptor surdocego.integral. quais sejam: pré-linguística ou pós-linguística. existem várias entidades. Esses são casos sui generes. Os demais dedos se mantêm na mandíbula. ensinou-a a se comunicar por meio do alfabeto manual. TADOMA Método de comunicação que consiste da percepção tátil da língua oral do emissor. ou seja. Hellen Keller formou-se em Filosofia em 1904. despertando o interesse de educadores no estado de São Paulo. É comum encontrar o surdocego pós-linguístico. o que resultou na criação de escolas para atendimento às crianças surdocegas. atendendo a todo Brasil com a formação. A priori é fundamental conhecer os tipos de surdocegueira.

Nesse contexto. adquiriu a surdez –. A primeira situação (Interpretação) ocorre quando o guia-intérprete recebe a mensagem em uma língua e deve transmiti-la em outra língua. as quais variam de acordo com a língua ou especificidade adquiridas. porém usa uma forma de língua(gem) diferente. ayuda a conectar a la persona com surdoceguera com su entorno. Já a transliteração ocorre quando o guia-intérprete recebe a mensagem em uma determinada língua e transmite à pessoa surdocega na mesma língua. 68 . A esse respeito.A COMUNICAÇÃO COM O SURDOCEGO: O PROFISSIONAL GUIA-INTÉRPRETE Fonte (arquivo pessoal de Natália Almeida) Como qualquer pessoa. “. o surdocego anseia por participar da vida social. acessível ao surdocego. nos momentos em que recebe (ouve) a mensagem em língua oral – Português. o que torna o guia-intérprete um profissional de suma importância. no caso Brasil – e a transmite em Libras tátil. ou da Libras e do Português – aquele sujeito com surdez e tornou-se também cego. Plazas (2009) esclarece que El guía-interprete además de ser um facilitador linguístico y cultural entre usuários de diferentes lenguas o sistemas comunicativos. O mundo começa na ponta dos dedos” Daniel Alvarez O guia-intérprete é o profissional que domina diversas formas de comunicação utilizadas pelas pessoas com surdocegueira. ou seja. como por exemplo. Um exemplo disso se dá quando o guia-intérprete recebe a mensagem em língua portuguesa e a transmite em Braille. podendo fazer interpretação ou transliteração... actuando como sus ojos e sus oidos. há diferentes formas de interação/comunicação. variam conforme o conhecimento que os mesmos têm do sistema Braille – aquele que inicialmente cego.

deve-se aproximá-la de um ponto fixo. a qual informa à pessoa surdocega as condições do ambiente. na descrição das pessoas e situações. então. efetivando seu direito de cidadão pleno. e distribuir a comida no prato – mostrando com o garfo – onde esta o alimento. a carne as 9 horas e a verdura às 12 horas. descrever um auditório. Destarte. Vale ressaltar que a contextualização deve respeitar o tempo. a priori.319 de 1° de setembro de 2010. o que deve ocorrer também na apresentação das demais pessoas que se dirijam à mesma. pois. buscando ser o mais fiel e discreto possível. O guia-intérprete também informa as expressões e reações das pessoas. deve-se ter o cuidado de não comentar opiniões próprias. deve-se informar inicialmente o geral e depois o mais específico. Isto é. além das refeições. para que a comunicação seja também confortável/confiável. por exemplo. idas ao banheiro. Se necessário sair. Tal profissão foi recentemente reconhecida pela Lei federal nº 12. PARADA OBRIGATÓRIA Uma função também muito importante na atuação do guia-intérprete. deve ser avisado à pessoa surdocega o sinal e o nome do guia-intérprete que está com ela. No caso da descrição de objetos. O guia-intérprete pode acompanhar ainda o surdocego durante os intervalos. deixando-a sozinha por um tempo. por exemplo. O trabalho do guia-intérprete possibilita junto à pessoa surdocega a interação. vale ressaltar que para que o trabalho do guia-intérprete seja plenamente reconhecido e eficiente é necessário que seja encarado com respeito. entre outros. Por exemplo. primeiro explicar o ambiente e localização que deverá ocupar e só depois descrever quem está presente. pois isso denota seu interesse e quais informações ela está necessitando. dizer o que tem para comer e em seguida servi-la. deve acomodá -lo primeiro. o arroz esta às 3 horas . ainda. educação. ao guia-intérprete responder às perguntas da pessoa surdocega. Nesse sentido. as pessoas presentes. acesso ao lazer.De esta manera él promueve la integración y participación independente de la persona sordociega em su entorno. pessoas. como uma mesa ou coluna e avisar que está saindo. descrição de objetos. ética e valor profissional. Nesse contexto. comparando com um relógio. se for preciso. deve-se colocar primeiramente o objeto na mão da pessoa surdocega e. depois descrevê-lo se ela necessitar. como também favorece que a mesma tome suas decisões de maneira autônoma. É indispensável. Nesse momento é importante perguntar se a pessoa quer ajuda para cortar um bife. a importância e a finalidade a que isto será empregada. sem com isto fazer juízo de valor. conhecimento de objetos. 69 . o feijão às 6 horas. Neste caso. é a contextualização das situações. trabalho. porém.

.acessobrasil. Shirley R. 2. SURDOCEGO PÓSLINGUISTICO.) CONTRIBUIÇÃO Para aprender mais. faça uma pesquisa sobre os sinais do contexto apresentado na internet e no site: www.br/libras [2] e monte o próprio glossário.. São Paulo: Grupo Brasil de Apoio ao Surdocego. treine o diálogo apresentado... O(A) TRADUTOR(A) DE LÍNGUA DE SINAIS É AQUELE(A) QUE. O MITO 3 AQUI APRESENTADO É UM EQUÍVOCO PORQUE... PRÁTICA III – PEQUENOS DIÁLOGOS NO CONTEXTO FAMILIAR 1.. MAIA. REFERÊNCIAS GIACOMINI.ATIVIDADE DE PORTFÓLIO PREENCHA O QUADRO A SEGUIR: O(A) PROFESSOR(A) DE SURDO É AQUELE(A) QUE. O(A) INTÉRPRETE DE LÍNGUA DE SINAIS É AQUELE(A) QUE. MONTE SEU GLOSSÁRIO: CLIQUE AQUI (VISITE A AULA ONLINE PARA REALIZAR DOWNLOAD DESTE ARQUIVO.com/embed/AtmIc4DGpU Atividade Prática: Baseado(a) no vídeo à disposição no ambiente virtual... O MITO 2 AQUI APRESENTADO É UM EQUÍVOCO PORQUE. Lilian.org..youtube. O(A) PROFESSOR(A) DE LIBRAS É AQUELE(A) QUE. O(A) GUIA-INTÉRPRETE É AQUELE (A) QUE... 70 .. O MITO 1 AQUI APRESENTADO É UM EQUÍVOCO PORQUE.. aplicando os SINAIS em contextos. 2005. DIÁLOGO 3 – “A FAMÍLIA E PROFISSÕES” Para assistir o vídeo acesse o http://www...

org.LACERDA. 2000. 2008.acessobrasil. Margarida M.Instituto UFC Virtual 71 . ENTRE A VISIBILIDADE DA TRADUÇÃO DA LÍNGUA DE SINAIS E A INVISIBILIDADE DA TAREFA DO INTÉRPRETE. VOANDO COM GAIVOTAS: um estudo das interações na educação de surdos. Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação. 2009 [2010. Dissertação (Mestrado em Educação).9 y 10 de Julio de 2009Bogota-Colombia. P. Universidade Estadual de Campinas. QUADROS. de. Brasilia: MEC/SEESP. O TRADUTOR E INTERPRETE DE LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS E LÍNGUA PORTUGUESA. ROSA. Ronice M. 7. R.br/libras Responsável: Prof. PLAZAS. 2004. A da S.adobe.8. M. Campinas. Papel del guia-interprete In: VI CONGRESSO NACIONAL DE LA SITUACION DEL SORDO EM COLOMBIA. FONTES DAS IMAGENS 1. Dissertação (Mestrado em Educação Brasileira). 2005. Porto Alegre: Mediação/FAPESP. de Souza Universidade Federal do Ceará . P. de. INTÉRPRETE DE LIBRAS EM ATUAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL E NO ENSINO FUNDAMENTAL.ª Margarida M. 2ª ed]. http://www. SOUZA. Cristina B. M. http://www. I ECUENTRO LATINO AMERICANO DE INTERPRETES E GUIASINTERPRETES DE LENGUA DE SENAS.com/go/getflashplayer 2. Fortaleza: UFC.

p. Quadros (1997). vendo ou ouvindo. isto é. para expressar minha certeza absoluta de que a língua de sinais é nossa primeira língua.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 04: UM OLHAR SOBRE O PORTUGUÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA SURDOS TÓPICO 01: O PROCESSO DE AQUISIÇÃO DA LÍNGUA(GEM) PELOS SURDOS VERSÃO TEXTUAL DO FLASH (. desenvolvem a língua de sinais como primeira língua. filhas de pais também surdos.. As vocalizações são interrompidas nos bebês surdos assim como as produções manuais são interrompidas nos bebês ouvintes. 70-71) INPUT Input significa entrada. foram detectadas duas formas de balbucio manual: o balbucio silábico e a gesticulação. Nesse sentido. Os dados apresentam um desenvolvimento paralelo do balbucio oral e do balbucio manual. a nossa. ou ainda. pois o input favorece o desenvolvimento de um dos modos de balbuciar. apresentamos a seguir uma síntese do processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem de crianças surdas.) utilizo a língua dos ouvintes. bem como os estudos a respeito do processo de aquisição da linguagem por crianças surdas filhas de pais surdos apresentam evidências quanto às semelhanças em ambos os processos. 1997.. (Quadros. ESTÁGIO CARACTERÍSTICAS PERÍODO PRÉ-LINGUÍSTICO ESTÁGIO DE UM SINAL ESTÁGIO DAS PRIMEIRAS COMBINAÇÕES ESTÁGIO DAS MÚLTIPLAS COMBINAÇÕES PERÍODO PRÉ-LINGUÍSTICO Nos bebês surdos. as línguas de sinais apresentam as mesmas restrições que se aplicam às orais e as crianças surdas filhas de surdos apresentam desenvolvimento similar às crianças ouvintes filhas de pais ouvintes. minha segunda língua. a língua à qual a criança está tendo acesso. aquela que nos permite sermos seres humanos “comunicadores” Emannuelle Laborit (1994)) As pesquisas linguísticas sobre as Línguas de Sinais. 72 . Fernandes (2003) e Quadros & Cruz (2010). Ao contrário. desenvolvem as duas línguas de sinais e a oral no contato com os demais familiares ouvintes. a gesticulação não apresenta organização interna. com base em Petitto e Maranhetette (1991). O balbucio silábico apresenta combinações que fazem parte do sistema fonético das línguas de sinais. Os bebês surdos e os bebês ouvintes apresentam os dois tipos de balbucio até um determinado estágio e desenvolvem o balbucio da sua modalidade. neste caso. Isso significa dizer que crianças ouvintes cujos pais são surdos.

Isso significa que é fundamental a criança estar diante de sinalizantes da língua de sinais brasileira que sejam fluentes. a criança comunica muito mais do que é capaz de produzir explicitamente. De acordo com Quadros. o sinal de PASSEAR é usado sistematicamente para significar “Eu quero passear”. a criança fala sobre as coisas do seu ambiente imediato. a criança usa uma palavra com um significado mais amplo. ESTÁGIO DAS MÚLTIPLAS COMBINAÇÕES Aproximadamente entre os dois anos e seis meses e os três anos de idade. (QUADROS 2010) ESTÁGIO DAS PRIMEIRAS COMBINAÇÕES Inicia-se por volta dos dois anos de idade.ESTÁGIO DE UM SINAL Inicia por volta dos 12 meses e pode se estender até os dois anos. Aqui a criança se refere aos objetos apontando. estabelecendo uma analogia com generalizações verbais observadas nas línguas faladas. Ela usa substantivos não associados com pontos no espaço. “fazi”. interiorizando suas regras sem ter consciência desse processo. “papai (alguém) saiu” ou ainda “eu quero sair”. Ele simplesmente acontece. Algumas crianças empilham os referentes não presentes em um único ponto no espaço. a criança está adquirindo a sua língua (ou línguas) de forma natural e espontânea.. olhando e tocando-os. por exemplo. ela já está constituindo a sua língua observando as regras de forma implícita. 2010). sobre o que está fazendo ou planeja fazer. Por exemplo. como por exemplo: < EU QUERER > ou < QUERER ÁGUA >. Sendo a língua de sinais reconhecidamente com seu status linguísticos. pois. 73 .. Suas primeiras produções incluem as formas chamadas congeladas da produção adulta. a criança começa a produzir muitas Palavras A criança fala sobre o que ela está fazendo e pode solicitar diferentes coisas. fala no sentido de Saussure (1971) quando considera a fala como a língua posta em uso. como. (QUADROS e CRUZ. onde as pessoas estão indo e sobre quem vem a ela. Mesmo quando ocorrem algumas tentativas de identificação de pontos no espaço.) Ela fala sobre onde estão as coisas. assim o utilizamos tal termo. Nessa fase. Esse processo caracteriza a interiorização da língua de nofalantenativo (o surdo). Também começa a usar frases curtas e sentenças. ou seja. ou seja. (. (2007) a criança surda ainda não usa os pronomes identificados espacialmente para se referir às pessoas e aos objetos ausentes. FALANTE Tomamos o termo falante. nessa fase. a criança apresenta falhas de correspondência entre pessoa e o ponto espacial. Sobre essa fase Quadros (1997) cita Bellugi e Klima (1991) que identificam essa flexão como supergeneralizações. segurando. Dos três anos em diante. As crianças já sinalizam privilegiando a ordenação participante-verbo ou verbo-objeto. “gosti” e “sabo” na língua portuguesa. Ela facilmente compreende os familiares e se faz compreender.

27) lembrando dos casos em que a criança pode estar. Caso a criança não adquira a linguagem nesse período. (SACKS. diferentemente dos ouvintes. (QUADROS & CRUZ. Tal problemática é ressaltada por Quadros e Cruz (2010. no qual a criança pode ter atendimento especializado antes de ingressar ou paralelamente à escola. p.PALAVRAS Palavra tomada no sentido de Sinal produção linguística dos surdos. se houver. 2010. o ideal que se favoreça um ambiente linguístico adequado à criança surda que é através da Língua de Sinais. em virtude da língua compartilhada em seus lares ser comum entre os sujeitos. os surdos filhos de pais ouvintes. somente terão contato. 1998)) no geral. As crianças surdas filhas de surdos apresentam um processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem semelhante a crianças ouvintes. p.. Por outro lado. considerando a língua de sinais como primeira língua e o português escrito e/ou oral como segunda língua. Outro contexto possível é o clínico. ou seja. PERÍODO CRÍTICO Esse período é chamado de crítico porque seria aquele mais sensível à aquisição da linguagem. No mesmo momento em que a lateralidade cerebral se estabelece solidamente (por volta da puberdade). Isso vem acontecer. p. Entretanto. muitas vezes.. haverá implicações em seu desenvolvimento como alerta Lenneberg (1967) citado por Quadros e Cruz (Idem. os sintomas da afasia adquirida tendem a ser irreversíveis depois de cerca de três anos e seis meses de seu início. na adolescência em Associações e Federações de/para Surdos. cujos pais são também ouvintes. caso encontrem surdos adultos que os apresentem as entidades de classe. (Pesquisas mostram que esses são a maioria. só entram em contato com sua língua natural – aquela que adquire espontaneamente – na escola após o período crítico de aquisição da língua (gem) ou ainda aqueles que não têm oportunidade de estudar em escolas específicas. caso não lhe seja propiciado um ambiente linguístico favorável. quando há uma na cidade em que residem. Há também atendimentos clínicos que apresentam uma abordagem. Os prognósticos de recuperação completa rapidamente se 74 . seu desenvolvimento linguístico será prejudicado. 33/34): A primeira língua não pode ser adquirida pela criança na puberdade com a mesma facilidade no período compreendido desde a infância até a senectude (velhice).27) Conforme o contexto em que o surdo está inserido. os indivíduos surdos na aquisição da linguagem tem contato com a Língua de Sinais em diversos ambientes e diferentes períodos. caso a abordagem seja exclusivamente oral. Observando o quadro apresentado. Estar em uma escola em que o único modelo de língua de sinais seja o intérprete. 90 a 95% das crianças surdas são filhas de ouvintes.

passaremos o nosso olhar.com/go/getflashplayer Responsável: Prof. Quanto à abordagem – funcionalista. Em acréscimo. sociointeracionista. cultural –.Instituto UFC Virtual 75 . FONTES DAS IMAGENS 1. extraído de Salles et all (2004) na íntegra.deterioram com o avanço da idade depois da adolescência. e por isso a mesma deve ser exposta o mais cedo possível a situações e contextos de uso fluente dessa língua. que a primeira língua da criança surda deve ser a Língua de Sinais. Sabendo. que frequentemente conseguem fazer progressos lentos e modestos na aquisição da linguagem até o início da adolescência. mesmo nos casos em que a criança pertença à família de ouvintes. comunicativa. de Souza Universidade Federal do Ceará . então. Diante dessas considerações. a produções textuais de surdos. cabe ao professor possibilitar aquela que será mais eficiente/eficaz.adobe. P. os limites de aquisição da primeira língua por volta da puberdade são demonstrados em pessoas com retardo mental.ª Margarida M. período em que status de sua fala e linguagem tornam-se permanentemente consolidados. http://www. no próximo tópico. Isso implica dizer que a Língua Portuguesa será aprendida pelo sujeito surdo numa perspectiva de segunda língua.

usando algumas palavras de uma língua em estruturas frasais pinçadas de outra língua.1. por que deveríamos esperar que uma criança surda aprendesse uma língua desse modo. SALLES ET ALL (2004) 2. ainda assim. Então. seja a aquisição de língua de sinais por ouvintes. as informações visuais e outras estratégias que possam auxiliá-lo na aquisição da língua oral. na escola e nas situações de interação. com a leitura labial. 1998:38). De fato. tendo ele. por que deveríamos esperar que uma criança surda o fizesse quando a fala é considerada obrigatória para o aprendizado de uma língua \oral\? E ninguém esperaria que uma criança ouvinte aprendesse uma língua com alguém que mistura fragmentos de duas línguas totalmente diferentes. supõe que o escritor surdo tenha como língua única e/ou materna a língua portuguesa. O fato é que a situação de imersão do surdo na cultura ouvinte não é trivial. acesso restrito. portanto. Informado de que o aluno surdo tem a língua de sinais a sua disposição. Então. e que. Uma vez lembrado que a percepção sensorial do surdo é essencialmente visual. o ouvinte ainda se surpreende com o fato de que o surdo escolarizado demonstre domínio tão restrito da língua portuguesa. que desconhece a realidade do surdo. na aquisição de segunda língua isso se torna muitas vezes necessário. Isso decorre do fato de que o ouvinte. quando tipos diferentes de sistemas inventados de fala e sinais são utilizados? (Svartholm. custa-lhe crer que a língua portuguesa seja tão opaca para o surdo ou que anos de escolarização não tenham o efeito esperado sobre essas pessoas. as especificidades do canal perceptual levam a dificuldades semelhantes. lida com a língua de sinais de falantes não-nativos. para o ouvinte. os gestos.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 04: UM OLHAR SOBRE O PORTUGUÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA SURDOS TÓPICO 02: UM OLHAR SOBRE O TEXTO DO SURDO TÓPICO CF. Ninguém esperaria que uma criança ouvinte adquirisse uma língua com base apenas em fragmentos indefinidos dessa língua. a modalidade oral do português. de qualquer ponto de vista: seja a aquisição da língua oral por surdos. 76 . desconcertante. INTRODUÇÃO VERSÃO TEXTUAL DO FLASH O primeiro contato com um texto escrito por um surdo é. ou nenhum acesso. com o português sinalizado. Enquanto na aquisição da língua materna não é necessário explicitar certas propriedades que permitem dominar o uso da língua em toda sua complexidade. especialmente quando se trata da aquisição de uma língua que utiliza um canal perceptual diferente daquele utilizado na língua materna do aprendiz.

mas tenho problema com falando. De gramática de português confunde me. disponível e compreensível para as crianças. Eu tenho os amigos brasilienses. Eu ligo máquina de lavar.Em comparação com outros professores de segunda língua. ser usada como uma fonte de aprendizagem de uma língua. eu vou trabalhar muito e depois eu tenho dinheiro para comprar um ticket para Alexandre e ele pode visitar mim a janeiro au próximo ano. Dos brasilienses estão pessoas feliz. Si eu estou na minha casa de novo. mas não demais para mim. Eles ajudam para mim. (Svartholm. Eu gosto da comida aqui. Eu dormo às 22:00. até hoje é 2 mêses.. Eu como café da manhã. ASPECTOS DA AQUISIÇÃO DE PORTUGUÊS POR OUVINTES Não é difícil identificar as características dos textos de ouvintes que adquirem o português como segunda língua. conforme exemplos abaixo: Instituto UFC Virtual EXEMPLO 1 FALANTE TAILANDÊS COM SEGUNDA LÍNGUA EM INGLÊS: TEXTO A Eu tomo banho e coloco roupa. o professor de surdos tem um maior grau de responsabilidade em tornar a língua. Instituto UFC Virtual EXEMPLO 3 FALANTE HOLANDÊS COM SEGUNDA LÍNGUA EM FRANCÊS E INGLÊS: (.) minha português é mais pobre (. Eles são pessoas boa. E isto só pode ser atingido adequadamente através do uso da língua de sinais ao trabalhar textos e suas formas/significados. 2. assim.. o input linguístico.. Eu faço lanche por meus filhos. Eles comem muito feijoas e churrasco é muito bem... 1998: 43). Você acha que uma boa idea? 77 . Eu estudo todos os dias. Falar português é difícil. TEXTO B Português é muito difícil para mim. Tchau. TEXTO C Eu moro em Brasília.) eu tenho muitas saudades para ele. Eu gosto morar aqui. (.. Instituto UFC Virtual EXEMPLO 2 FALANTE HOLANDÊS COM SEGUNDA LÍNGUA EM INGLÊS: TEXTO A Entender um texto escrito em português é não fácil. Isto se deve às características da língua escrita e à sua falta de conexão com o contexto imediato. Ela exige explicações de modo a ser compreendida pela criança e. Eu como almoço.2. Eu escrevo mais.) TEXTO B Eu vou à loja da Internet para receber passar e-mail mensagens.

DICA Como se pode observar nos exemplos citados. verbos de ligação (ser. que costumam apresentar vocabulário reduzido. Por exemplo. (2) e (3) foi produzido por um indivíduo que possui uma língua materna diferente. plurais.). ficar etc. não-contáveis. como o uso do artigo. coletivos). Cada conjunto de dados em (1). na concordância nominal. 78 . Essa característica é evidente nos textos escritos por surdos. evidencia-se. além de experiências com outras línguas não-maternas. uso reduzido de diferentes tempos verbais. estar. Como é de se esperar.. os enunciados se tornam mais complexos. a codificação gramatical de propriedades semânticas dos nomes (contáveis. no primeiro caso. do pretérito perfeito e imperfeito. além de uma colocação aparente-mente aleatória de elementos na oração. os aprendizes de segunda língua se utilizam de várias estratégias para 'descobrir' a gramática da língua-alvo. uso de frases curtas. A expectativa é que o aprendiz faça generalizações e 'crie' regras. Nos exemplos em (2a-b). ausência de conectivos. da preposição. a articulação das propriedades da língua nativa e da língua-alvo dá origem à chamada interlíngua. ocorre uso inadequado de preposição. À medida que o conhecimento da língua se desenvolve. nota-se falha na colocação do advérbio de negação. omissão de artigos. Cabe então indagar se há semelhanças no texto escrito por ouvintes e por surdos na aquisição de segunda língua. 'excesso' de itens lexicais. certos aspectos da língua portuguesa são objeto de dificuldades recorrentes. concordância nominal e verbal. ausência de artigos. de pronome. Por exemplo. da oposição ser/estar. Em (3). falta de elementos formadores de palavras (afixos). inadequação no uso de preposição. inadequação lexical. Em vista de suas experiências linguísticas anteriores. omissão do verbo ser. um maior número de comportamentos não-convergentes tende a ocorrer nos estágios intermediários do processo de aquisição. em (la-c).OBSERVAÇÃO Entre os aspectos divergentes do português. para cada aprendiz. tais como conjunções. os textos de ouvintes que adquirem português como segunda língua apresentam níveis diversos. tem-se o uso de enunciados curtos. pronomes relativos etc. sua produção textual apresenta características próprias. preposições. além de propriedades como o gênero das palavras. os processos gramaticais antes ausentes passam a ocorrer com mais frequência. Essas estratégias permitem a produção de frases convergentes da língua portuguesa e ge-ram também sequências divergentes. Além disso. Como os estudos de L2 têm constatado. Na aquisição da segunda língua. recorrendo a sua capacidade inata e criativa para a aquisição da linguagem. ocorre uso adequado e inadequado da preposição.

ordenação inadequada e sentido incompleto variam quanto às demandas de interpretação postas ao leitor. e por outro.Evidentemente. Caso contrário a língua escrita poderá ser inicialmente considerada pela criança como um outro modo de comportamento estranho e confuso em situações comunicativas. (Svartholm. 3. semânticas e fonológicas. em particular. onde ambos os interlocutores estão presentes. porém. existe semelhança entre os textos escritos por surdos e por ouvintes estrangeiros. a imersão cultural são fatores decisivos. em informações do contexto de produção (derivadas da observação da atividade). em geral. o que tem sido apontado como uma possível causa do insucesso. faltam-lhes as 'pistas' que o conhecimento de outra língua oral geralmente fornece aos aprendizes de segunda língua. bem como das possíveis combinações entre eles. sabemos ainda que os surdos devem lidar com aspectos da língua de sinais. não surpreende que a produção escrita por surdos tenha características que dificultem sua interpretação. A língua escrita não decorre da interação face a face em contextos comunicativos. é decisivo o fato de que utilizam o mesmo canal perceptual. a existência de instrução formal. aprender a nova língua coincide com aprender a ler e escrever. é possível inferir a mudança necessária à compreensão. Isto deve ser profundamente compreendido pela criança [surda]. EM QUE CONSISTE A TAREFA DE ADQUIRIR UMA (SEGUNDA) LÍNGUA A tarefa de adquirir uma língua impõe o domínio dos elementos do léxico. 1999: 41). além de estarem motivados para o aprendizado de línguas. escolha lexical indevida. com base no próprio enunciado e naqueles adjacentes ou. No entanto. alguns estudos apontam que pode faltar motivação e aceitação da língua-alvo nos ouvintes também. Casos de referencialidade ambígua. A língua escrita vai além disso: ela permite a comunicação sem depender de tempo e lugar. que são específicos em função de seu caráter vísuoespacial. o que resulta no conhecimento da boa ou má-formação (sintática. para eles. Em algumas dessas ocorrências. Além de lidar com aspectos que são específicos da língua portuguesa. aspectos como o tempo de exposição à língua. os quais trazem consigo informações sintáticas. por um lado. ainda. fonológica e semântica) 79 . Isto se reflete na sua estrutura e nas suas necessidades de explicitação. No caso dos ouvintes cujos textos foram mostrados acima. não há elementos suficientes para compor uma interpretação. outras vezes. No entanto. e da língua portuguesa. Segundo Góes (1996:7) as construções desviantes podem ou não permitir pistas para ajustamentos na tentativa de construção de sentido. As condições que cercam os surdos são claramente diferentes. Em meio a tantas circunstâncias adversas.

as regras socioculturais do falar. Assim. Esses dois tipos de conhecimentos representam o conhecimento mental do sistema de regras (ou gramática) da língua. isto é. ELEMENTO INTERROGATIVO Perguntas envolvendo pronomes interrogativos são determinados pela estrutura sintática e pela entonação. (8) Nenhum carro veloz é veloz. • o conhecimento da estrutura fonológica das sentenças permite atribuir entoação ascendente ou descendente a uma pergunta com elemento interrogativo. como sistematizado em Lobato (1986): • o conhecimento da estrutura sintática das sentenças permite identificar o sujeito de (4a) e dizer que meu é um determinante (ou modificador) de dicionário.de sequências. João conseguiu ler Vendo Vozes até o fim. Eu perdi meu dicionário b * Mim perder minha dicionário. o uso adequado das sentenças exige que se levem em conta informações como as condições apropriadas para o uso de uma sentença. Esse dicionário é seu? Sim/Não). perguntas com resposta sim/não são determinadas apenas pela entoação (ex. Além da competência gramatical. adquirir uma língua não é somente conhecer esse tipo de informação. b. João tentou ler Vendo Vozes • o conhecimento da estrutura semântica das sentenças permite ainda atribuir ambiguidade a (7) {banco = assento ou instituição financeira) e dizer que (8) é semanticamente mal-formada (contraditória): (7) Ainda estou longe do banco. denominadas: • a competência comunicativa ou pragmática 80 . (5) Quem João viu? • o conhecimento da estrutura semântica das sentenças permite relacionar (6a) e (6b). Permite também julgar a boa ou má-formação sintática e dizer que (a) é bem-formada sintaticamente e (b) é mal-formada sintaticamente. Segundo Hymes (1979). em termos de uma relação em que (a) implica (b): (6) a. (4) a.

As redações foram produzidas após atividade conduzida pela professora Sandra Patrícia de Faria e fazem parte de sua pesquisa. Ele ver carro carona passar. o motorista fica com sono e pede para o surdo substituí-lo na direção. mas logo percebe que ele não entende. PIADA Eu caminha sozinha na estrada.motorista disse . Motorista ideia pergunta. Você pode me trazer o livro amanhã? [pedido.motorista o entender.Os textos demonstram que eles entenderam a piada. embora haja vários aspectos divergentes em relação à língua-alvo. O surdo acelera e ultrapassa o limite de velocidade. 2002). não uma ordem] 3. após assistirem a um vídeo. . no qual um surdo conta uma piada em LIBRAS.motorista pergunta: Você tem carteira de motorista. Surdo entre caminhão ir dirigir. DF. ele esta de novo carona motorista parou. . frustrando o plano do motorista. nunca a um superior] b. motorista dirigir demora longe. O policial repreende o surdo.(9) a. Faria. O motorista imita o surdo. acreditando que pode imitar o surdo e se livrar da multa. você quer motorista surdo aceita troca homem 81 . O motorista volta à direção e resolve acelerar. Feche a porta! [dirigindo-se a um igual ou subordinado.surdo falou: eu não ouvinte. porque é surdo.Eu tenho carteira. Ele anda de novo ver caminhão. . e deixa-o ir embora. mas dessa vez o policial sabe língua de sinais e aplica a multa. Novamente a polícia vem e manda parar o carro. LÍNGUA-ALVO Resumo da piada: Um surdo consegue carona com um motorista ouvinte. LIBRAS Os textos reproduzidos foram escritos por alunos da Escola Normal de Taguatinga. Na viagem. A polícia vem e manda parar o carro. realizada no Programa de Pós-Graduação em Linguística UnB (cf. começa etá sono e cansado. .1 SOLUÇÕES PROPOSTAS PELO SURDO ANTE A TAREFA DE PRODUZIR UM TEXTO ESCRITO EM PORTUGUÊS Os textos a seguir são redações escritas por dois jovens surdos (A e B).

dormir. Surdo vai faz motorista, ele vontade caminhão rápido e ve-locidade. O homem surpresa não pode rápido tempo polícia vai preso. Surdo não acredito. Polícia [?] caminhão rápido, ele (?) vai parar caminhão. Polícia falou, ele não ouvinte. Polícia falou gesto, você não rápido caminhão. Surdo ta bom! Surdo dirigir começa sono esta cansado, troca motorista ele dormir. Motorista pensa como surdo. Motorista faz rápido caminhão. Polícia viu moto ir com caminhão. Motorista viu com polícia esta caminhão parar. Polícia falar, motorista não ouvinte. Polícia saber sinais, motorista não saber sinais. Motorista chamar surdo. Motorista perdeu (A)

O homem surdo andando na rua de pista, ele está carona que carro foi embora aí ele fica zangado e droga! ele viu carona outro caminhão homem está parar p/ surdo, ele disse que ele pode entrar na senta de seu caminhão Posso! eles dirigir passeam na pista e alegres mesmo! homem falando com surdo, mas desculpe eu sou surdo sabia. Começar homem ouvinte dirigir continua mais longe, ele está sono, chamar o surdo, quer trocar comigo, ele quer, surdo dirigir continuar mais longe, mas ideia velocidade, ouvinte disse Calma! não precisar velocidade na pista, você é doido! polícia viu fazer anotar p/ ele, polícia está falando mas ele sou surdo mesmo! Polícia compreende, você não fazer mais velocidade ok! Continuar dirigir aí ouvinte queria trocar dirigir ideia fazer igual surdo fingir, dirigir mais velocidade, polícia viu anotar caminhão está parar na pista, ele está falando. Com ele, mas ele sou surdo fingir, polícia deduzir fazer intérprete aí ele está espantado! vinha surdo. (B) Observe-se que os textos são construídos por meio de uma sucessão de sentenças completas, porém curtas, como se verifica no trecho de A, em que é feita a segmentação das mesmas: (12) Motorista idéia / pergunta,/ você quer motorista / surdo aceita / troca / homem dormir./ Surdo vai faz motorista/ O recurso a sentenças curtas é uma boa estratégia quando as propriedades de encaixamento e o domínio de conjunções e preposições ainda estão ausentes, pois permite que a estrutura semântica seja coerente. No texto de B, o recurso à pontuação demarca as sentenças. Em ambos os trechos, evita-se o uso de estruturas de subordinação na passagem do discurso direto para o discurso indireto, havendo clara
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preferência pelo discurso direto. Nos trechos de A e de B, o discurso direto é inserido no meio da narrativa, sendo marcado pelo uso da vírgula: (...) motorista ideia pergunta, você quer (...); (...) chamar o surdo, quer trocar comigo. Em outro trecho de A, tem-se uma tentativa de organizar o diálogo, como ilustrado em (13): (13)- motorista disse - surdo falou: eu não ouvinte. - motorista o entender. - motorista pergunta: Você tem carteira de motorista. - Eu tenho carteira. Embora o procedimento de evitar a ligação entre orações simples seja predominante, identifica-se uma estrutura de subordinação no texto de B: (...) ele disse que ele pode entrar na senta de seu caminhão, além de tentativas de encadear enunciados e idéias contrastantes, como ilustrado a seguir: (14) O homem surdo andando na rua de pista, ele está carona que carro foi embora aí ele fica zangado e droga! (B) Os elementos aí e e são apropriadamente aplicados para marcar a sucessão dos pensamentos. O conectivo que ocorre como elemento de ligação. É possível que o sentido seja o da conjunção adversativa. A conjunção mas reaparece no mesmo texto, com semântica adversativa: (15) ...homem falando com surdo, mas desculpe eu sou surdo sabia. (B) (16) ...surdo dirigir continuar mais longe, mas idéia velocidade, ouvinte disse Calma! não precisar velocidade na pista... (B) (17) ...polícia está falando mas ele sou surdo mesmo! (B) Segundo Fernandes (2002), no que concerne à coordenação, as estruturas encontradas no corpus analisado por ela são predominantemente assindéticas ou aditivas e adversativas, enquanto, em relação à subordinação, há considerável frequência de orações adverbiais causais e finais. Se, por um lado, a linguagem telegráfica, o uso do discurso direto (em detrimento do discurso indireto), a inadequação no uso de conectivos, entre outros, são recursos utilizados no início da aquisição por muitos aprendizes de segunda língua (ouvintes ou surdos), por outro lado, a língua de sinais parece contribuir para que isso ocorra no texto de aprendizes surdos, pelas
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características de sua estruturação sintática. Esses fatos são discutidos por Lemle (2002):
PRIMEIRO FATO

[Na] língua de sinais, as narrativas e diálogos são basicamente constituídos de coordenações de sentenças cuja estrutura interna é predominantemente segmentável como ([tópico] [tópico] [argumento predicado]].
SEGUNDO FATO

Com o expediente do discurso direto, muito usado nas narrativas, o enunciador do discurso prescinde da subordinação que seria necessária para estruturar o discurso indireto.
TERCEIRO FATO

Com as perguntas retóricas, utilizadas em alta frequência, se efetua a extração de uma unidade que seria um complemento ou adjunto na tradução em língua falada.
QUARTO FATO

|O|s papéis do emissor, receptor e outro são expressos por mecanismo da dêixis, isto é, por meio de apontar com o dedo para o ator envolvido. (...) A interpretação da dêixis na modalidade gestual (...) |é] pragmática, como é pragmática a dêixis que frequentemente é usada por falantes-ouvintes no gesto de apontar que frequentemente acompanha o uso de pronomes na língua falada. Além desses aspectos, identifica-se nos textos examinados, como na maioria dos textos escritos por surdos, a predominância de verbos no infinitivo e, havendo formas flexionadas, o uso das mesmas no presente e no pretérito perfeito. Assim, apesar de, na língua de sinais, o tempo ser codificado por marcadores não-verbais, diferentemente da língua portuguesa, que utiliza afixos anexados à raiz, marcas de tempo no verbo podem ocorrer, ainda que de forma incipiente. Marcas flexionais de concordância são encontradas, embora sua ocorrência seja frequentemente não convergente com a língua portuguesa. Cabe lembrar que os aprendizes de línguas orais, no início da aquisição, também adotam o uso do infinitivo na falta de domínio da flexão. Com relação ao uso de pronomes, nota-se a predominância de pronomes de primeira e de terceira pessoa, que frequentemente não combinam com o referente e/ou com a forma flexionada do verbo. De fato, no texto de A, não ocorrem outros pronomes, enquanto no texto de B, que apresenta mais recursos, surge um pronome de segunda pessoa, você.

OLHANDO DE PERTO
Conforme Fernandes (2002), a posposição da partícula negativa à forma verbal é uma característica da língua de sinais, e esta ordenação é encontrada em muitos exemplos de textos escritos por surdos. Entretanto, os autores dos textos examinados, utilizaram o advérbio de negação sempre em posição anterior ao verbo.
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. ou não.) ele esta de novo carona motorista parou.No percurso em direção à nova língua. 'carona'. a codificação do tempo na forma verbal e na sentença etc. verbo. (A) b. Como ressalta Viana (2001). pessoa). como em muitas línguas orais. que resultam na estruturação da sentença. verifica-se a preferência por estruturas menos encaixadas. (. o sintagma nominal se caracteriza por um sistema de encaixes. Como se comentou anteriormente. modificadores e orações relativas. pode-se ainda encontrar artigos no início de sentenças ou parágrafos. embora não tenham ainda o domínio de suas propriedades morfossintáticas... (B) d. (. Categorias lexicais Possuem informações sobre a categoria sintática à qual pertencem (nome.. com a justaposição de orações curtas. requerem a aquisição de várias propriedades. Esses aspectos nos levam a refletir sobre como um item lexical passa a integrar o conhecimento linguístico do falante. Essas categorias atribuem propriedades às sentenças como a concordância do verbo com o sujeito.. (A) c. Categorias funcionais São os demais elementos do léxico e. (18) a. nos textos em língua portuguesa produzidos por surdos. enquanto no restante do texto estão ausentes. Nas estruturas possessivas é também frequente a não-concordância do pronome possessivo com o gênero e o número do 85 . A manifestação dessas propriedades pode variar de língua para língua.. pode ser que ele não tenha sido percebido ainda com todas as suas propriedades. podem. Se isso for verdade. já que os substantivos tendem a ocorrer isolados. em particular na aquisição de segunda língua. há duas possibilidades: não utilizá-lo ou utilizá-lo precariamente.. suas propriedades semânticas e sintáticas. as combinações possíveis entre os itens lexicais. ou para todo nome terminado em -o.) ele viu carona outro caminhão... na língua portuguesa. Quando um item lexical novo é adotado. cabe lembrar que. Os textos apresentados ilustram situação semelhante no nível do sintagma nominal. ser expressos por uma palavra. desacompanhados. além de formas do artigo no masculino para todo nome cujo gênero é desconhecido.) ele está carona. adjetivo). (B) Quanto à estrutura do sintagma nominal. Ele ver carro carona passar. (. número... pode-se dizer que A e B optaram por utilizar uma palavra nova. suas propriedades inerentes (gênero.. semelhantes aos da sentença quando se acrescentam elementos como determinantes.. Nesse caso..

.você é doido..) ele disse que ele pode entrar na senta de seu caminhão Finalmente. (B) 2. por outro lado.possuído. . é limitado.. a fim de ampliar o conhecimento da realidade do surdo. Se. por outro. são inegáveis as especificidades da situação de aquisição da (modalidade escrita da) língua oral pelo surdo.) ele vontade caminhão e velocidade (20) (. Nesse sentido.. . (21) a.ele não ouvinte. é necessário desenvolver um amplo intercâmbio de informações e experiências entre profissionais e interessados nessa questão.... em estrutura predicativa. mas nos textos examinados a única ocorrência do pronome possessivo é convergente com a gramática-alvo (o português).. (A) c. a produção textual dos surdos em língua portuguesa é desconcertante. é interessante notar que. CONSIDERAÇÕES FINAIS As questões apontadas na aquisição de português escrito por surdos vêm expor uma situação que requer ações específicas e especializadas.... Os adjetivos ocorrem. .. um procedimento essencial é que a escola faça o diagnóstico das necessidades educacionais do aluno surdo.4.. Ao mesmo tempo. por exemplo. preferencialmente. na busca do entendimento de sua complexa situação linguística e (multi)cultural. O contraste nos tipos frasais e o uso de adjetivos e de advérbios. .. são escassos os correspondentes para expressões faciais. têm-se os fenômenos típicos da aquisição de segunda língua. o uso desses verbos não passa despercebido nos textos examinados. incluindo-se primordialmente a própria comunidade surda e sua família. o que torna imprescindível o oferecimento de condições adequadas ao seu desenvolvimento acadêmico e intelectual.ele fica zangado. (B) (22) a. gestos de intensidade e expressão corporal vistos no vídeo..começa etá sono e cansado. Embora a omissão dos verbos predicativos seja bastante recorrente... com ou sem o verbo de ligação.. (A) b.. . o que desmistifica visões alarmistas. nos textos de A e B.. a fim de orientar suas ações.aí ele está espantado.. por um lado. que codificam a atitude do emissor em relação ao que está sendo descrito. Se por um lado.. é fascinante reconhecer a manifestação da 86 . (B) b.. (19) (. uma característica encontrada em aprendizes de segunda língua (surdos ou ouvintes)..

provavelmente. ao lado dos aspectos biológicos da aquisição. o que remete à observação de que a motivação e a aceitação da língua -alvo são fatores cruciais. Nesse processo. seja para surdos seja para ouvintes?.org.br/libras [5] PRÁTICA IV .com/embed/UWMM31aWZz0 acesse o 87 . a despeito das dificuldades encontradas.PEQUENOS DIÁLOGOS NO CONTEXTO ESCOLAR DIÁLOGO 4 – “SOCIAL – LOCALIDADES PÚBLICAS” Para assistir o vídeo http://www. que aponta para a possibilidade de êxito na aquisição. além de conhecer a obra de Quadros e Schmiedt (2006) que apresentam “Ideias para ensinar português para alunos surdos” FORUM Recolha um pequeno texto de uma pessoa surda (pode ser de alguém de sua comunidade) e analise-o enquanto um profissional que. que podem acelerar o processo de aquisição. encontrará tal educando em sua sala de aula. destaca-se o fato de que cada indivíduo percebe e agrega elementos linguísticos a seu modo particular e em seu tempo. (b) De posse da análise do texto de uma pessoa surda que você fez. CONTRIBUIÇÃO Que tal vocês estudantes treinarem com o tutor a distância o sinal de seu pólo e montarem um glossário com citados na tabela. como você pensa ser uma aula de português como segunda língua para os aprendizes surdos? (Você pode pensar em um tema de aula).youtube.faculdade de linguagem. CURIOSIDADE Você pode saber mais sobre o ensino de português para surdos lendo a obra de Salles (et. Em seguida. bem como estados e capitais brasileiras. pesquisando na internet e no site: www.acessobrasil. all). bem como pesquisando outras publicações na internet. discuta com seu tutor e colegas as seguintes questões: (a) Qual sua opinião sobre as aulas gramatiqueiras.

Cambridge.: Harvard University Press. 2002. QUADROS. P. L. M. aplicando os SINAIS utilizados em conversas informais com assuntos como: lanche. 88 . de. 2. 2002. Oxford. LÍNGUA DE SINAIS: instrumentos de avaliação. 2011. IDÉIAS PARA ENSINAR PORTUGUÊS PARA ALUNOS SURDOS. LINGUAGEM: surdez e educação. 1998. Mass. 1996. de. M. Belo Horizonte. Gramado. 2002.P. Porto Alegre: Artmed. 2006. CRUZ. 1979.Atividade Prática: Baseado(a) no vídeo à disposição no ambiente virtual. E. Oliver. Brasília: MEC/SEESP. In: BRUMFIT. M. QUADROS. Campinas: Autores Associados. (Orgs. GÓES. Rio de Janeiro: Imago. KLIMA. SINTAXE GERATIVA DO PORTUGUÊS: da teoria padrão à regência e ligação. THE SIGNS OF LANGUAGE. Edward S. treine o diálogo apresentado. XVII Encontro Nacional da ANPOLL. de Lemos. lugares. GLOSSÁRIO ARACATI CAUCAIA RUSSAS ARACOIABA MERUOCA SÃO GONÇALO DO AMARANTE SHOPPING BANCO HOSPITAL SUPERMERCADO BARBALHA QUIXERAMOBIM UBAJARA LANCHONETE CINEMA FARMÁCIA RESTAURANTE PRAÇA CORREIOS PRAIA IGREJA REFERÊNCIAS FARIA.). EDUCAÇÃO DE SURDOS: a aquisição da linguagem. SCHIMIEDT. LEMLE. BELLUGI. Carina R. D. On communicative competence. Ronice. L. de. C. & JOHNSON K. LOBATO. (no prelo) FERNANDES. O LINGUISTA DE MARTE NA TERRA. 1979. LINGUAGEM E SURDEZ.. VENDO VOZES: uma jornada pelo mundo dos surdos. 1986. 1997. Ronice M. QUADROS. HYMES. Ronice M. M. THE COMMUNICATIVE APPROACH TO LANGUAGE TEACHING. Ursula. PANORAMA DO ENSINO DE LP PARA SURDOS AO LONGO DOS ANOS. Porto Alegre: Artmed. Porto Alegre: Artmed. Tradução Alfredo B. SACKS. S. I. passeios etc. Vigília. University Press.

acessobrasil.br/libras Responsável: Prof. Tradução de Antônio Cheline.com/go/getflashplayer http://www. de.SALLES. de Souza Universidade Federal do Ceará .ª Margarida M. SEESP.com/go/getflashplayer http://www. M. CURSO DE LINGÜÍSTICA GERAL.adobe.com/go/getflashplayer http://www. Brasília: MEC. Dissertação (Mestrado em Educação Brasileira). 2008. Heloysa.adobe. [sd].adobe. 2001. M. SAUSSURE. VOANDO COM GAIVOTAS: um estudo das interações na educação de surdos. FONTES DAS IMAGENS 1. Margarida M. http://www. A. C. P. Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação. 9ª ed. Ferdinand de. ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA SURDOS: caminhos para a prática pedagógica.Instituto UFC Virtual 89 . 2.adobe. 3. 5. VIANNA. 4. [et al]. (no prelo) PORTUGUÊS POR SURDOS. José Paulo Paes e Izidoro Blikstein. São Paulo: Editora Cultrix. ESTRUTURAS DE POSSE NA AQUISIÇÃO DE (comunicação no I Encontro do Grupo de Estudos da Linguagem do Centro-Oeste. P.org. L. SOUZA.com/go/getflashplayer http://www. 2004. Fortaleza: UFC.