Você está na página 1de 3

Episódio

de

Hydesville

(31/03/1848)

Em termos de destaque, no cenário público internacional, este fenômeno (raps) foi o que mais chamou a atenção. Observe que uma família metodista havia se mudado para uma casa, onde se falava muito de acontecimentos sobrenaturais. Realmente, por algum tempo eles presenciavam muito barulho, sem causa aparente. Tudo caminhava nesse ritmo quando, num certo dia, as filhas do casal, Kate e Margaret Fox, resolveram responder às pancadas. Sua mãe relata o ocorrido nestes termos: “Minha filha menor, Kate, disse, batendo palmas: “Sr. Pé-Rachado, faça o que eu faço”. Imediatamente seguiu-se o som, com o mesmo número de palmadas. Quando ela parou, o som logo parou. Então Margaret disse brincando: “Agora faça exatamente como eu. Conte um, dois, três, quatro” e bateu palmas. Então os ruídos se produziram como antes. Ela teve medo de repetir o ensaio. Então Kate disse, na sua simplicidade infantil: “Oh! Mamãe! eu já seio o que é. Amanhã é primeiro de abril e alguém quer nos pregar uma mentira”. Então pensei em fazer um teste de que ninguém seria capaz de responder. Pedi que fossem indicadas as idades de meus filhos, sucessivamente. “Instantaneamente foi dada a idade exata de cada um, fazendo pausa de um para o outro, a fim de separá-los até o sétimo, depois do que fez uma pausa maior e três batidas mais foram dadas, correspondendo à idade do menor, que havia morrido”. (Doyle, s.d.p., p. 77 e 78) Depois disso, continuou o diálogo até descobrir que o Espírito comunicante era Charles B. Rosma, um caixeiro viajante morto e enterrado na adega. Lançamento de O Livro dos Espíritos (18/04/1857)

O fato mediúnico marcante, após o episódio de Hydesville, é o fenômeno das mesas girantes, que assolou os Estados Unidos e a Europa, servindo de brincadeiras de salão, quando as mesas dançavam, escreviam, batiam o pé e até falavam. É dentro desse contexto que surge a Doutrina Espírita. Das brincadeiras de salão, surge Hypollyte Leon Denizard Rivail – Allan Kardec-, um estudioso do magnetismo e do método teórico experimental em ciência. O magnetismo já vinha sendo estudado há algum tempo. Historicamente, Mesmer descobre, em 1779, o magnetismo animal, Puysegur, em 1787, o sonambulismo e Braid, em 1841, o hipnotismo. Havendo uma disseminação muito grande dos fenômenos das mesas girantes, Kardec, ainda Hipollyte, foi convidado para assistir a uma dessas sessões, pois o seu amigo Fortier, magnetizador, dissera que além da mesa mover-se ela também falava. É aí que entra o gênio inquiridor do pesquisador teórico experimental. Assim, retruca: só se a mesa tiver cérebro para pensar e nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula. A partir daí, começa a freqüentar essas sessões, culminando, mais tarde, com a publicação de O Livro dos Espíritos, em 18/04/1857. Por que a mediunidade se positivou com Allan Kardec? A palavra positivo advém da ciência, que se baseia em fatos. Kardec sendo um cientista deu-lhe um caráter científico, formulando hipóteses tal qual a ciência o fazia, tomando o cuidado apenas de testá-las com a ferramenta da mediunidade, ou seja, utilizando-se da percepção extrasensorial.

O fenômeno mediúnico é aquele que diz respeito às comunicações entre os Espíritos desencarnados e os Espíritos encarnados. convém distinguir: a) Fenômeno anímico e fenômeno mediúnico O fenômeno anímico é aquele que diz respeito à comunicação – exclusiva ao âmbito do Espírito encarnado (alma) -. o oposto. é um fenômeno anímico. A telepatia. a influência do médium é de 100%. ou seja. ou seja. acrescidos da comprovação científica dos fatos observados. Fenômeno Mediúnico haverá e animismo. porque as transmissões de pensamentos são feitas de alma para alma. procura-se medir o grau dessa influência. como dissemos anteriormente. “Os médiuns. Prova. o passado obscuro e delituoso. numa comunicação mediúnica. A Mediunidade. em que os Espíritos encarnados são intermediários (médiuns) dos desencarnados. Fenômeno anímico e animismo No fenômeno anímico não há influência do Espírito desencarnado. da autoridade. É apenas uma relação entre homens e Espíritos. se encontra enodoado de graves deslizes e de erros clamorosos. é a relação entre os Espíritos desencarnados e os Espíritos encarnados. em sua generalidade.QUESTÃO DE TERMINOLOGIA A evolução da mediunidade através dos tempos deve alcançar uma melhor compreensão não só da mediunidade. e a segunda corresponde à mediunidade de compromisso. Se. médiuns protestantes. que é a influência do médium na comunicação mediúnica. definido como a mediunidade na sua expressão natural. A primeira corresponde à mediunidade que todos os seres humanos possuem. nos dizeres de Allan Kardec. são almas que fracassaram desastradamente. No animismo. ou seja. não é possível. Espiritismo A Mediunidade. Ela existe entre os vários segmentos das diversas religiões. também. exige estudo e pesquisas Mediunidade sobre os e fatos mediúnicos. na filosofia e de na religião. por outro lado. Quase sempre são Espíritos que tombaram dos cumes sociais. da fortuna e da . Assim. podemos afirmar que sempre que houver mediunidade. a Doutrina Espírita oferece-nos a divisão funcional. pois. mas também dos vários conceitos a ela ligados. O MÉDIUM ESPÍRITA De acordo com o Espírito Emmanuel. Mediunidade O fenômeno mediúnico pode ser comparado ao mediunismo. que contrariaram. por isso anímico. e que resgatam. sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades. por outro lado. ela se transforma em fenômeno anímico. médiuns budistas e. de médiuns investidos espiritualmente de poderes mediúnicos para finalidades específicas na encarnação. médiuns espíritas. sem estudo. vale-se da mediunidade. muitas vezes. designadas como mediunidade generalizada (natural) e mediunato (tarefa). não são missionários na acepção comum do termo. 0% de influência. por exemplo. de encarnado para encarnado. podendo-se dizer que há médiuns católicos. Não há interferência de Espíritos desencarnados. O seu pretérito. sobremaneira. o médium nunca é totalmente passivo. mas é um corpo doutrinário que se fundamenta e na ciência. possuímos duas áreas de função mediúnica. Assim. Mediunidade Natural Mediunidade Além da divisão fenomênica (fenômenos físicos e fenômenos inteligentes). O Espiritismo. pelos abusos do poder. ou seja. o curso das leis divinas.

tomar a sua cruz e servir. isento de qualquer tipo de pagamento. moral ou material.inteligência. e que regressam ao orbe terráqueo para se sacrificarem em favor do grande número de almas que desviaram das sendas luminosas da fé. Paulo. não pode conceber-se como um grande missionário porque. H. dos. M. 1965. da Mediunidade e Análise Geral Problemas Paulo. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 1984.d. J. p. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA Dicionário DOYLE. ed. SANTOS. Espiritismo. XAVIER. CONCLUSÃO A mediunidade é promissora para o futuro. A. Mediunidade (Vida e Comunicação) – Conceituação. A 5. reorganizando. de São Rio São Janeiro. aprendendo a renunciar a si mesmo. C. Emmanuel (Dissertações Mediúnicas) .p. Ed. Ciências História O do Sociais de . 1979. 1981. São almas arrependidas que procuram arrebanhar todas as felicidades que perderam. pois sendo intermediário do mundo espiritual. tudo quanto esfacelaram nos seus instantes de criminosas arbitrariedades e de condenável insânia”. ed. 3. Pensamento. de FGV. É por essa razão que todo o médium deve exercitar a humildade e o desprendimento. Rio a Z. São Paulo. Contudo. FEB. 3. F. da caridade e da virtude. pelo Espírito Emmanuel. s. O Espírito e o Tempo – Introdução Antropológica do Espiritismo. com sacrifícios. 1986. Janeiro. é para que use em favor do próximo e não para o seu próprio benefício. ed. H. 1995. (Xavier. 66 e 67).. 9. . DA seus de C. Espiritismo Atuais PIRES.. se lhe foi dada essa ferramenta de trabalho. J. PIRES. FEB. EQUIPE dos Edicel. São Paulo. Rio de Janeiro... F. Edicel. FEB. deve o médium esforçar-se para ser o fiel interprete das mensagens espirituais. Matese.