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Introdução

A água no interior dos maciços constitui de um modo geral um factor de desenvolvimento

para a sociedade. Se por um lado, o desenvolvimento sócio-económico de muitas regiões do globo depende da existência de recursos hídricos subterrâneos em quantidade e qualidade (formas de ocorrência, e de exploração, usos e preservação do recurso. Por outro lado, a presença de água no interior dos maciços, coloca problemas

geotécnicos na maior parte das vezes às obras de engenharia civil.

Pelo exposto, existem dois domínios científicos distintos mas que se complementam:

- o estuda das formas de ocorrência, dos modos de exploração, usos e preservação dos recursos hídricos são do foro da Hidrogeologia;

- o estudo das forças de percolação, das subpressões, ou de alteração dos materiais no interior do maciço merece um tratamento específico e a uma escala diferente pertencendo ao domínio da Hidrogeotecnia.

São inúmeros os casos de obras onde ocorreram problemas geotécnicos motivados pela presença de água subterrânea.

É bem conhecida a influência da água nas propriedades dos solos argilosos.

Associado a um aumento do teor de água, estes solos tem tendência para formar ” barro “ aspecto que se acentua com a circulação de veículos contribuindo para impedir a mobilidade das máquinas na obra e podendo levar á paralização.

A variação de volume dos solos expansivos tem causado bastantes danos em obras de

engenharia ou problemas de utilização de determinadas estruturas nomeadamente de

pavimentos de estradas, pavimentos de aeródromos e aeroportos, vivendas etc geral, estas estruturas têm um sistema de fundação superficial e relativamente flexível.

Os movimentos do solo dão origem a deformações de flexão das estruturas suportadas, imediatamente após chover ou durante o período de seca.

Em

Tanto a variação do teor de água como a força que a água exerce por percolação modifica o comportamento físico – mecânico dos materiais que constituem os maciços, podendo gerar fenómenos de erosão interna (piping), alterando as características de resistência compressibilidade e deformabilidade dos maciços, causando instabilidade em grande parte de taludes quer naturais quer de escavação ou aterro ou ainda de outra obra de engenharia.

É bem conhecido o fenómeno, das areias movediças, onde as forças de percolação, agindo verticalmente de baixo para cima tornam-se iguais ao peso submerso do solo, as tensões efectivas no mesmo reduzem-se a zero, ocorre perda de coesão no solo e a sua capacidade de suporte reduz-se a zero e acontece a liquefação.

Ainda, nos maciços rochosos, a água pode ter uma acção de dissolução muito rápida nalguns tipos de rochas como as salinas o que pode originar problemas de estabilidade ou colapso de diversas obras de engenharia;

Em regiões que registam temperaturas negativas, a água existente nas fracturas do maciço ou poros da rochas pode transformar-se em gelo, aumentando de volume e por consequência de pressão levam à fragmentação quer do maciço quer da rocha;

Também a humidade no maciço prejudica o desmonte com explosivos, já que alguns explosivos são sensíveis à humidade como é o caso do nitrato de amónia.

Por fim a água pode conter elementos dissolvidos que a tornam agressiva para algumas estruturas enterradas no subsolo, como é o caso de cimentações, e canalizações de vários tipos.

Distribuição da água na natureza

Embora não seja possível considerar um início e um fim para o ciclo hidrológico, normalmente assume-se a atmosfera como o início do mesmo, uma vez que é ai que se acumula o vapor de água que posteriormente se transforma em precipitação No decorrer dessa precipitação, parte evapora-se durante esse processo, regressando à atmosfera, outra parte é retida pela vegetação e telhados evaporando-se posteriormente, enquanto que a parte mais significativa da precipitação atinge a superfície terrestre.

Precipitação, Escorrência, Infiltração e Evaporação, são as componenetes do ciclo hidrológico que se observa na Figura (1).

e Evaporação , são as componenetes do ciclo hidrológico que se observa na Figura (1). Figura

Figura 1 – Ciclo Hidrológico

A maior parte da água (97%), que existe no Planeta, é água salgada, armazenada nos

oceanos e alguns lagos. Só aproximadamente 3% é água doce armazenada nas rochas, em calotes polares e glaciares como se observa na Figura ( )

em calotes polares e glaciares como se observa na Figura ( ) Figura 2 – Distribuição

Figura 2 – Distribuição da água

A água doce na hidrosfera distribui-se da seguinte maneira. O maior volume de água se

encontra nos oceanos. As águas subterrâneas são cerca de 30% da água doce do

Planeta constituindo uma reserva natural muito importante.

Balanço hidrológico

Admitindo a precipitação a única fonte de abastecimento do ciclo para uma Para determinada bacia hidrográfica e para um dado intervalo de tempo, aplicando a lei da conservação da massa temos:

entradas – saídas = variação no armazenamento; neste caso:

P- E – ETR = Δ V= 0;

Exemplo: Numa bacia hidrográfica com uma superfície de 500 Km 2 e com uma

m 3 /ano; a escorrência total (E) estimada é de 120

precipitação anual (P) de 3x10

Mm 3 /ano. Se o volume armazenado na bacia se mantém constante, calcular a evapotranspiração real (ETR) .

8

Assim:

P = 3.10 8 m 3 /ano x 1000

L/m 3 = 3.10 11 L/ano

500 Km 2 x 10 6 m 2 /Km 2 = 5.108 m 2

P

= 3.10 11 L/ano / 5.10 8 m 2 = 600 mm/ano;

A

escorrência:

E

(mm)=120 Mm 3 /ano x 10 6 (m 3 /Mm 3 ) x 10 3 (L/m 3 ) / 500 Km 2 x10 6 m 2 /Km 2 =240mm

Aplicando a lei da conservação da massa, calcula-se a evapotranspiração real:

ETR = 600mm/ano -240 mm/ano – ETR = 0 ;

ETR = 360 mm/ano

MÁMē DISTRIBUI‚DISTRIBUIÇÃOĢO

Oceanos e Água Salgada

Os Oceanos cobrem 71% da superfície do Planeta e contem 96.5% da sua água

Gelo ou Neve

Quase 70% da água doce do Mundo está congelada em glaciares, neves eternas, gelo e solo gelado - Antarctica e Gronelândia

Águas Subterrâneas

Cerca de 30% da água doce do Mundo é ÀGUA SUBTERRÂNEA e a grande maioria localiza-se em aquíferos profundos e de difícil acesso

Lagos e Rios

Em conjunto os Lagos e Rios contem pouco mais de um quarto de 1% da água doce do Planeta

Solos, Zonas Húmidas

Toda a Terra, pântanos, plantas e animais contêm menos de um décimo de 1% da água doce do Planetaquarto de 1% da água doce do Planeta Solos, Zonas Húmidas Vapor de água As nuvens

Vapor de águacontêm menos de um décimo de 1% da água doce do Planeta As nuvens e o

As nuvens e o vapor de água representam apenas quatro centésimos de 1% de toda a água doce. Ainda assim, contem 6 vezes mais que todos os rios do Mundo

A mera existência de água não implica que as pessoas consigam utiliza-la. Nos aquíferos subterrâneos, existe cem vezes mais água do que nos lagos e rios, mas a maior parte está demasiado profunda e de difícil acesso. Os aquíferos menos profundos são rapidamente esgotados e muita da água de superfície corre para o mar ou vai para os sítios distantes das pessoas que dela precisam. O Canadá tem um décimo da água doce do Planeta, mas menos de 1% da População Mundial

Actualmente seis mil milhões de habitantes da Terra já excederam a oferta do volume de água doce disponível

Por todo o Planeta, agricultores e Municípios extraem água do solo a um ritmo superior à taxa de substituição.

O QUE ACONTECE A 9 MIL MILHÕES DE HABITANTES PREVISTOS PARA 2050? As Nações Unidas

O QUE ACONTECE A 9 MIL MILHÕES DE HABITANTES PREVISTOS PARA 2050?

As Nações Unidas afirmaram recentemente que 2700 milhões de pessoas serão afectadas por grave escassez de água em 2025 se o consumo se mantiver nos níveis actuais.

Calcula-se que actualmente 1200 milhões de pessoas bebam água poluída e cerca de 2500 milhões não disponha de instalações sanitárias limpas ou sistemas de saneamento básico.

Mais de 5 milhões de pessoas morrem todos os anos devido a doenças relacionadas com cólera e desinteria.

A População de Deli (Índia) cresce a um ritmo que o abastecimento de água não consegue acompanhar. Só metade dos habitantes da cidade dispõe de água tratada em casa.

Uma grande percentagem da população vive à sombra da conduta que abastece a cidade.

A cidade do México esgotou o seu aquífero desde 1900, devido ao crescimento da população. Entretanto a cidade afundou-se 7,5 metros, levando à cedência das respectivas canalizações.

Apenas 10% a 20% da comunidade rural Etíope tem acesso a água potável limpa.

A água nos maciços

Denomina-se aquífero uma formação geológica que permita a circulação e o

armazenamento de água nos seus espaços vazios, possibilitando o aproveitamento daquele líquido pelo homem em quantidades economicamente apreciáveis (Lencastre, A.

e Franco, F., 1984)

Os aquíferos mais importantes são aqueles formados por depósitos aluvionares não consolidados, de areia e cascalho, que ocorrem em vales ou planícies.

A água nos maciços pode encontrar-se de três formas:

1) água livre ou gravítica, controlada pela força da gravidade ou forças do peso próprio, com um volume significativo circulando através dos poros e fracturas do maciço é aquela que pode influenciar nos trabalhos de engenharia.

2) água adsorvida, controlada pelas forças eléctricas que se manifestam na superfície das partículas, ocupa uma película de espessura envolvendo o grão de solo, estando submetida a atracções moleculares e a tensões superficiais. Cada partícula de argila pode atrair várias camadas de moléculas de água e catiões até ficar electricamente neutralizada A espessura desta película é que faz variar as propriedades do solo como a coesão e a capilaridade.

3) água capilar controlada por tensões superficiais ocupa uma zona acima da zona saturada denominada de aeração, retida em espaços intergranulares conhecidos como capilares. Nesta zona podem ocorrer movimentos de água capilar no sentido contrário ao da acção da gravidade. Este fenómeno é conhecido por ascenção capilar ou sucção que pode atingir 80 metros nos solos argilosos e raramente ultrapassa os 30 cm nos solos arenosos. Os fenómenos capilares são muito importantes em obras de engenharia nomeadamente na construção de pavimentos rodoviários e de barragens de terra. Quando o solo de fundação de um pavimento rodoviário é um solo siltoso e o nível freático está a pequena profundidade, é necessário tomar medidas para evitar que a água capilar prejudique a estabilidade do pavimento: substituir o solo siltoso por outro de menor potencial de sucção, ou construir um aterro de solo granular, ou construir bases e sub- bases adequadas, ou rebaixar o nível freático

O limite superior da zona de solo saturado constitui um aquífero cujo tecto está á pressão atmosférica e denomina-se nível freático. O nível freático varia com as estações do ano. Durante a estação mais chuvosa encontra-se perto da superfície do maciço enquanto que na estação mais seca, devido ao déficit hídrico consequência da escassa precipitação a espessura de solo saturado com água livre e o nível freático fica profundo.

Num maciço a existência alternada de camadas permeáveis com outras impermeáveis pode dar origem a diferentes níveis freáticos.

Tipos de aquiferos Tendo como base a TEXTURA do aquífero podemos classifica-los de: • Porosos

Tipos de aquiferos

Tendo como base a TEXTURA do aquífero podemos classifica-los de:

Porosos, situação em que a água se desloca por poros de dimensão milimétrica e que constituem o reservatório geológico (areias e cascalheiras dos depósitos aluvionares)

Fissurados, situação em que o reservatório geológico se apresenta com fissuras e fendas quase contínuas, como é o caso dos granitos e xistos do maciço antigo

Cársicos, situação que ocorre em rochas solúveis, em que devido às acções mecânicas e químicas se originam cavidades de dissolução que em casos extremos e existindo continuidade hidráulica podem constituir cursos de água subterrâneos

de dissolução que em casos extremos e existindo continuidade hidráulica podem constituir cursos de água subterrâneos

Em função da forma da ESTRUTURA geológica podem ser classificados de :

Livres, situação em que a água do aquífero se encontra à pressão atmosférica

Confinados, situação em que a água se encontra sob pressão, ou seja o escoamento efectua-se entre duas superfícies impermeáveis

Semi-confinado, situação semelhante à da alínea anterior mas em que uma das camadas que limitam o aquífero é semi-permeável

Suspenso, situação em que ocorre uma formação impermeável entre a zona saturada e a superfície do solo

Suspenso , situação em que ocorre uma formação impermeável entre a zona saturada e a superfície
Adaptado de: Marinas, J. (2000) “Geología Aplicada a la Ingeniería Civil” Segundo o critério do
Adaptado de: Marinas, J. (2000) “Geología Aplicada a la Ingeniería Civil” Segundo o critério do

Adaptado de: Marinas, J. (2000) “Geología Aplicada a la Ingeniería Civil”

Segundo o critério do comportamento hidrogeológico podemos classificar as rochas em:

1 Aquiferos formações geológicas capazes de armazenar e transmitir água - AREIAS

2 Aquitardos formações geológicas capazes de armazenar água em grandes quantidades mas transmitem a água lentamente - SILTES E ARGILAS

3 Aquicluso formações geológicas capazes de armazenar água em grandes quantidades mas transmitem a água com dificuldade – ARGILAS PLÁSTICAS.

4 Aquifugos formações geológicas incapazes de armazenar e transmitir água – rochas compactas

 

Capacidade

Capacidade

Capacidade

Formações

de armazenar

de drenar

de transmitir

características

Aquíferos

Alta

Alta

Alta

Seixos,Areias

Aquitardos

Alta

Média/Baixa

Baixa

Siltes, Areias finas e areias argilosas

Aquicludos

Alta

Muito Baixa

Nula

Argilas

       

Granitos,

Aquifugo

Baixa

Nula

Nula

Gneisses e

Mármores

Baixa Nula Nula Gneisses e Mármores Energia da água nos aquíferos Tanto o nível piezométrico

Energia da água nos aquíferos

Tanto o nível piezométrico como o nível freáctico, é a altura que a água subterrânea

alcança no interior do poço ou sondagem sendo consequência directa da energia que tem

a água nesse ponto. A essa energia se denomina potencial hidráulico nesse ponto

(Hubbert,1940).

A energia total de um fluído perfeito, com viscosidade nula, e em fluxo permanente,

permanece constante de acordo com a equação de Bernoulli:

z + ( ρ / γ) + ( υ 2 ρ / 2g ) = H = constante ;

Donde:

z = energia potencial ou carga de posição (cota do ponto do aquífero sobre um plano de referencia )

ρ / γ = energia de pressão ou carga piezométrica (ρ = pressão a que se encontra a água no aquífero; γ = peso específico da água);

υ 2 ρ / 2g = energia cinética ou carga de energia cinética (υρ = velocidade de percolação intersticial);

H = energia total ou carga total em cada ponto.

A variação da energia cinética υ 2 ρ / 2g é muito pequena e num meio saturado, estando o fluido em equilíbrio temos a mesma pressão em qualquer piezómetro, pelo que, pode ser desprezado o termo que representa esta energia. Assim, se o ponto considerado estiver associado a um plano de referência, o nível piezométrico será:

h = z + ρ / γ

Assim sendo, o potencial hidráulico (h) corresponde á altura piezométrica. À diferença de potencial hidráulico (Δh) denomina-se perda de carga.

Com o conhecimento do nível piezométrico de uma dada região pode construir-se uma carta piezométrica ou potenciométrica como se mostra na figura(3)

ISOPIETAS E LINHAS DE FLUXO

como se mostra na figura(3) ISOPIETAS E LINHAS DE FLUXO Figura 3 – Carta piezométrica O

Figura 3 – Carta piezométrica

O traçado de uma carta piezométrica é similar ao de uma carta topográfica, onde as curvas de nível correspondem ás isopietas ou linhas de equipotencial.

Realizada a carta potenciométrica, podem traçar-se as linhas de fluxo, que serão sempre perpendiculares ás linhas equipotenciais.

A partir, destas cartas podem definir-se os limites da bacia, o gradiente hidráulico, áreas de recarga e descarga da bacia, estimar o fluxo e estabelecer-se o modelo de circulação subterrânea de dada bacia.

Parâmetros que definem um aquífero:

.São

reservatório subterrâneo:

dois

os

parâmetros

que

permitem definir

- capacidade de armazenar água (reservatório)

um aquífero

como

um verdadeiro

-capacidade de permitir circulação de água no seu interior (Transmissão/conduta)

As propriedades de um aquífero que se relacionam com a sua capacidade de armazenar água dependem de dois parâmetros:

1 Porosidade

2 Rendimento específico

de dois parâmetros: 1 Porosidade 2 Rendimento específico ELEMENTOS FUNDAMENTAIS NUM POÇO DE CAPTAÇÃO Parâmetros

ELEMENTOS FUNDAMENTAIS NUM POÇO DE CAPTAÇÃO

Parâmetros hidráulicos

As propriedades de um aquífero que se relacionam com a sua capacidade de armazenar

e transmitir água dependem de quatro parâmetros:

1-Porosidade n 2-Permeabilidade K 3-Coeficiente de armazenamento 4-Transmissividade T

S

1 - Porosidade

A porosidade apresenta características particulares segundo os diferentes tipos de materias. Podemos classificar em três grandes grupos:

- meios porosos que compreendem os materiais de porosidade granular e intersticial

- meios fracturados que compreende os meios fracturados e fissurados

- meios cársicos que ocorrem sobretudo em materiais solúveis

O primeiro tipo é característico de rochas detríticas não consolidadas, constituída por uma rede de pequenos canais de pequeno diâmetro por onde circula a água subterrânea. A heterogeneidade do tamanho dos clastos é determinante na porosidade:

Para Martinez Alfaro e outros(2005), clastos esféricos de igual tamanho a porosidade é máxima 47.6%; para os mesmos clastos mas romboédricos a porosidade diminui para uns

25.9%.

Exemplos de aquíferos com este tipo de porosidade temos:

-

depósitos fluviais

-

depósitos eólicos

-

depósitos glaciares

-

planícies costeiras

-

solos granulares residuais

O

segundo tipo é característico de rochas duras e compactas sedimentares

consolidadas, plutónicas e metamórficas- granitos, basaltos, gneisses

Os processos tectónicos imprimiram nestas rochas uma rede de fracturas de maior ou

menor dimensão de maior ou menor densidade. Estes meios são caracterizados por dupla porosidade, uma vez que o fluxo circula das fissuras para a matriz rochosa(porosidade granular) e vice-versa. Segundo Davis (1969), a porosidade neste tipo de maciços rochosos rondará os 5%.

Nas rochas vulcânicas a porosidade é muito variável podendo oscilar entre 1% e

12%(Schoeller,1962).

Por último, temos a porosidade por dissolução, característico dos meios cársticos (calcários, gessos, salgema), onde a água desenvolve todo um trabalho de dissolução da rocha ao longo das fissuras e planos de estratificação, acabando por criar uma rede de condutas cada vez maiores, traduzindo-se numa autêntica rede de drenagem subterrânea.

Em

termos numéricos pode expressar-se esta propriedade da seguinte forma:

 

a)

Porosidade total n

- relação entre o volume

de

vazios (Vv) e

o volume

total

considerado (V). Depende unicamente da textura da formação geológica

n = Vv / V

b) Porosidade eficaz n e – relação com o volume de poros conectados.Depende não só da textura da formação mas também das características do fluido. Expressa-se pela relação entre o volume ocupado pela água livre (V e ) e o volume total (V).

n e = V e / V

c) Rendimento específico –a água cedida de um aquífero quando se drena por gravidade d) Retenção específica n s – relação entre o volume unitário da água retida por capilaridade ou atracção molecular (V s ), após, escoada a água livre ou gravitacional e o volume total (V)

n s = V s / V

A soma do rendimento específico e a retenção específica é a porosidade n

Exemplo1: Drenam-se 0.10 m3 de água de um metro cúbico de areia saturada, o rendimento específico desta é de 0.10. Se assumirmos que a porosidade da areia é de 30 %, então sua retenção específica é de 20%;

Exemplo 2: Um aquífero que se extenda sobre uma área de 50 Km2, com uma espessura de 1.5 m, ocupa um volume de 630.470 m3.Se a porosidade for de 25%, este depósito de água subterrânea, conterá em seus vazios 158.575m3 de água subterrânea. Se o rendimento específico do material for de 10% e se drenarem 1.5m do aquífero, o rendimento total que este depósito daria seria de uns 8000000 m3 de água.

Esta quantidade de água seria suficiente para alimentar 4 poços em bombagem de 2.65 m3 por minuto em contínuo (12h), e 1042 dias ou seja quase 3 anos.

Como o volume da água libertada pela acção da gravidade é condicionado pela porosidade eficaz, a capacidade de retenção específica corresponde á diferença entre a porosidade total e a porosidade eficaz.

n s = n n e

Apresentam-se no Quadro 1 valores de porosidade total e eficaz para diferentes tipos de rochas segundo Custódio e Lamas (1976).

Material

Porosidade total

%

Porosidade eficaz %

media

max

min

media

max

min

Rochas maciças

           

Calcário maciço

8

15

0.5

<0.5

1

0.0

 

5

10

2

<0.5

1

0.0

Rochas metamórficas

0.5

5

0.2

<0.5

2

0.0

Rochas vulcânicas

30

50

10

<0.5

20

0.0

 

12

30

5

5

10

1

 

2

5

0.1

<1

2

0.1

Rochas sedimentares consolidadas

5

15

2

<2

5

0.0

 

15

25

3

10

20

0.0

 

20

50

10

1

5

0.2

Rochas sedimentares inconsolidadas

           

Aluviões

25

40

20

15

35

5

 

45

55

40

<5

10

0.1

Argilas sem compactação

50

60

30

10

20

1

Quadro 1 –Porosidades totais e eficazes de diversos materiais (Custodio e Lamas, 1976)

2 Permeabilidade K

(Condutividade hidráulica)

O conhecimento da permeabilidade nos maciços é muito importante em geotecnia

nomeadamente com problemas relacionados a drenagens, rebaixamento do nível freático, impermeabilização de maciços para construção de barragens, consolidação dos solos,

congelação dos solos

É um parâmetro que permite avaliar a capacidade de transmitir água de uma formação geológica em função da textura sem relaciona-la com a estrutura ou geometria.

Assim pode-se dizer que a permeabilidade de um maciço será a medida da facilidade que

o

maciço tem em ser atravessado por água

O

movimento da água através dos vazios contínuos nos maciços quer terrosos quer

rochosos (de um ponto de maior energia para um ponto de menor energia) é designado

por Percolação.

A permeabilidade ao contrario da porosidade depende do tamanho médio dos poros do solo, o qual está relacionado com o tamanho, a forma, e o arranjo dos grãos, variando para diferentes solos:

Solos permeáveis (solos granulares – areias e seixos limpos); Solos impermeáveis (solos finos – siltes e argilas).

-No tocante á granulometria quanto mais pequenas forem as partículas, menores serão os vazios entre elas, aumentando a resistência à passagem da água;

- As partículas de forma irregular e alongada criam linhas de fluxo mais tortuosas do que as partículas esféricas. Quanto maior for a rugosidade das partículas, maior é a resistência à passagem da água. Ambos os efeitos diminuem o coeficiente de permeabilidade do solo;

- Também a composição mineralógica interfere nesta propriedade. Diferentes minerais

têm espessuras diferentes para a camada de água adsorvida e portanto, o tamanho efectivo dos poros diminui. O tipo de mineral tem influência na permeabilidade das argilas:

-

A permeabilidade depende ainda da estratificação do maciço, é em geral muito superior,

na

direcção paralela à estratificação que na direcção perpendiculara esta. É a anisotropia

de

permeabilidades dos solos.

A Permeabilidade exprime-se através do coeficiente de permeabilidade ( K )

A determinação do coeficiente de permeabilidade é feita com base na lei experimental de

Henry Darcy (1856).

Este autor, desenvolveu estudos para o abastecimento de água potável à população de Dijon em França. Os estudos consistiam principalmente em tentar optimizar os filtros granulares para purificar a água.

Em 1856, Darcy enuncia uma lei empírica que define o movimento da água através de

diversos tipos de areia. Utilizando o dispositivo similar ao da figura seguinte, no qual colocava uma coluna de areia sujeita a percolação de água, descobriu assim, a lei do movimento das águas subterrâneas, que ficou conhecida como

Lei de Darcy:

O caudal (Q) que atravessa a coluna de areia é directamente proporcional à perda de carga entre C e D (Dh), à área da secção transversal da amostra (S) e inversamente proporcional ao comprimento da amostra (L).

e inversamente proporcional ao comprimento da amostra (L). A Lei de Darcy é uma equação generalizada
e inversamente proporcional ao comprimento da amostra (L). A Lei de Darcy é uma equação generalizada

A Lei de Darcy é uma equação generalizada para a percolação de fluidos em meios porosos, válida para fluidos Newtonianos. Baseia-se na hipótese de que o fluxo de água é laminar e não turbulento e o meio é homogéneo e isotrópico. A Lei de Darcy é expressa pela seguinte equação:

onde:

Q = caudal

Q

k

= ×

Δ h

L

× = ××

S

k

i

S

S, L, h 1, h 2 e (Δh) - parâmetros relativos á geometria do sistema

k - permeabilidade do terreno exprime-se em cm/s ou m/s

i - gradiente hidráulico cujo valor é obtido pela expressão

i = (h 1 – h 2 )/l

A expressão mais usada daquela que é conhecida pela Lei de Darcy é a seguinte:

V= Q / S = K . I

Apresentam-se no Quadro 2 valores de permeabilidade para diferentes tipos de solos segundo Custódio e Lamas (1976).

Tipos de solo

Seixos limpos

Areia grossa

Areia média

Areia fina

Areia siltosa

Siltes

Argilas

K (m/s)

> 10 -2

10 -2 a 10 -3

10 -3 a 10 -4

10 -4 a 10 -5

10 -5 a 10 -6

10 -6 a 10 -8

10 -8 a 10 -10

Quadro 2 – Permeabilidade de diversos tipos de solos

Diversos autores se tem ligado a esta temática no sentido de estabelecer relação entre a permeabilidade e tamanho e forma da partícula, tais como:

Hazen

Slichter

Terzaghi

K = c . d e

2

K = c . m n . d e

2

K = λ (( m - 0.13 / (1- m) 1/3 ) 2 . d e

2

A variável d e é denominado diâmetro equivalente e corresponde ao d 10 da curva

granulométrica; os coeficientes c, m, n e λ dependem das características geométricas dos

grãos

3 Transmissividade

Outro conceito relacionado com os aquíferos é o de transmissividade, que pode ser definido como o caudal que se filtra através de uma camada vertical de terreno de largura unitária e altura igual à da camada permeável saturada, sob um gradiente hidráulico igual a um a uma temperatura constante.

A transmissividade expressa-se na fórmula como o produto da permeabilidade (K), pela espessura (m) do aquífero:

T = k.m.

Aquíferos muito permeáveis, mas de baixa espessura podem, não ser aptos para uma transmissão de água e por conseguinte apresentam uma baixa transmissividade. É assim, um parâmetro dependente não só da textura como também da forma geométrica do aquífero.

4 Coeficiente de armazenamento S

Volume de água cedida por unidade de área

Indica que quantidade de água pode ser obtida por bombagem ou drenagem.

Coeficiente de armazenamento nos aquíferos livres é coincidente com a porosidade eficaz

Equação geral do fluxo subterrâneo - Lei de Darcy

Em 1856, Darcy utilizando o dispositivo da figura seguinte, descobriu a lei do movimento das águas subterrâneas, que ficou conhecida como Lei de Darcy.

Darcy demonstrou que o fluxo de água através de uma coluna saturada de areia, é proporcional á diferença das cargas hidrostáticas nos extremos da coluna e inversamente proporcional ao comprimento da mesma

Q = K A i

inversamente proporcional ao comprimento da mesma Q = K A i THEIS (1935), introduziu este conceito

THEIS (1935), introduziu este conceito como a razão de fluxo em metros cúbicos por dia através de uma secção transversal vertical do aquífero, cuja altura é igual á sua espessura e cuja largura é de um metro

Q = T I W

T= Coeficiente de Transmissividade I = Gradiente hidráulico ; W = Largura da secção vertical

= Gradiente hidráulico ; W = Largura da secção vertical Medidas da permeabilidade A permeabilidade pode

Medidas da permeabilidade

A permeabilidade pode obter-se da seguinte forma:

- através de dados conhecidos de diversas rochas

- por ensaios de laboratório

- por ensaios “in situ

A medida de permeabilidade no laboratório para solos pode obter-se através de permeametros que podem ser de duas classes:

- CARGA FIXA

- CARGA VARIÁVEL

No primeiro caso (carga fixa) – A carga mantém-se constante a um caudal de entrada idêntico ao de saída.

carga mantém-se constante a um caudal de entrada idêntico ao de saída. Permeâmetro de carga fixa

Permeâmetro de carga fixa da UBI

K =

Ql

s th

Na UBI realizaram-se ensaios de

Permeâmetro utilizado para o material rocha.

Permeâmetro utilizado para o material rocha.

permeabilidade ao oxigénio, utilizando um

permeâmetro desenvolvido na

Universidade de Leeds (Fig. ao lado), com

funcionamento similar ao definido na

especificação LNEC E392-1993. O

princípio de funcionamento do

permeâmetro é traduzido pela equação de

Hagen-Poiseuille para escoamentos

laminares e uniformes de fluidos

compressíveis, através de um corpo

poroso e com capilares de pequena

dimensão.

Estes ensaios foram realizados para

pressões de 3 bar, em corpos de prova

cilíndricos de rochas com 4 cm de altura e

5 cm de diâmetro. O seu objectivo foi

complementar a caracterização de inertes

 

para utilizar no fabrico de betão.

No segundo caso (carga variável) a carga vai variando com a saída de água.

d l h 2 0 K = ln D t h 2 1
d
l
h
2
0
K =
ln
D
t
h
2
1

a) Ensaios de Permeabilidade in situ

A medida de permeabilidade in situ é diferente segundo se trate se um maciço constituído

por rochas mais ou menos homogéneas e solos arenosos com porosidade primária, ou de um maciço de rochas impermeáveis (porosidade secundária) de argilas.

Segundo LAMBE e WHITMAN (1972)

Resumem as fórmulas de HVORSLEV para distintos casos de medidas de permeabilidade em solos.

Relativamente ao número de ensaios a realizar, este depende do tipo de geologia presente no local.

Seguidamente apontam-se alguns métodos para estudar a permeabilidade em diferentes tipos pétreos.

c-1) Método de HAEFELI

- É um método utilizado para provas superficiais de grande utilidade mas de relativa precisão, visto ter como objectivo obter uma ideia prévia. Consiste em escavar no terreno um tronco de pirâmide invertido de base menor.

no terreno um tronco de pirâmide invertido de base menor. Nesta situação podemos obter os valores

Nesta situação podemos obter os valores de duas maneiras:

1-

Mantendo o nível constante, e medindo o caudal necessário;

2-

Medindo a velocidade de descida do nível da água.

- No primeiro caso (mantendo o nível constante e medindo o caudal de água necessário),

a permeabilidade (K) vem dada por:

Q 1 K = ⋅ b 2 h 27 +α b onde: K = Coeficiente
Q 1
K =
b
2 h
27
b
onde: K = Coeficiente de permeabilidade – cm s

Q = Caudal

3
3

- cm s

b = lado de base inferior h = altura de água sobre a base α = coeficiente de capilaridade de valor 3

- No segundo caso (medida do valor da velocidade de descida do nível da água) encontramos o valor da permeabilidade (K) pela fórmula seguinte:

K =

1

+

(

8hm 1

+

2hm

)

54hm + 3

⋅ν≈

0.25

ν

K = 1 + ( 8hm 1 + 2hm ) 54hm + 3 ⋅ν≈ 0.25 ν

Onde: K= Permeabilidade - cm s hm= altura medida da água no tempo ( t ), em cm v = velocidade de descida, em cm s

tempo ( t ), em cm v = velocidade de descida, em cm s 0 Nota:

0

Nota: Para executar este ensaio, convém saturar o terreno com água.

c-2) Medida da permeabilidade no fundo de uma sondagem

- Este ensaio aplica-se para maciços sem aquíferos ou zonas situadas sobre o nível freático.

Pode executar-se de duas formas: 1- Vertendo água no furo e manter o nível de
Pode executar-se de duas formas:
1- Vertendo água no furo e manter o nível de
água constante;
2 - Vertendo água no furo a pressão
constante.
1000 Q
K =
5.5 r h
Onde: K= Permeabilidade, em cm/s
Q = Caudal, em L/s
r = Raio interior do tubo, em cm
h = Pressão no fundo da sondagem
em cm