Blog Bruno Gilaberte

Questão versa sobre a aplicação do perdão judicial, previsto no art. 107, IX e no art. 242, parágrafo único, ambos do Código Penal, no caso da denominada "adoção à brasileira". O caso em exame configura-se como um dos exemplos da ocorrência da extinção de punibilidade em decorrência do perdão judicial. Outros exemplos a serem citados são os casos previstos no art.121,§5º e art.129,§8º, ambos do Código Penal. Imperioso observar que não há que se cogitar da ocorrência da prescrição da pretensão punitiva face ao disposto no art.111, IV, do Código Penal, razão pela qual a única tese defensiva a ser sustentada é o reconhecimento do perdão judicial. Cabe salientar que o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou acerca da denominada "adoção à brasileira" no sentido de reconhecer a paternidade socioafetiva.Sobre a referida decisão, vide informativo n.400, do STJ: "Na espécie, o de cujus, sem ser o pai biológico da recorrida, registrou-a como se filha sua fosse. A recorrente pretende obter a declaração de nulidade desse registro civil de nascimento, articulando em seu recurso as seguintes teses: seu ex-marido, em vida, manifestou de forma evidente seu arrependimento em ter declarado a recorrida como sua filha e o decurso de tempo não tem o condão de convalidar a adoção feita sem a observância dos requisitos legais. Inicialmente, esclareceu o Min. Relator que tal hipótese configura aquilo que doutrinariamente se chama de adoção à brasileira, ocasião em que alguém, sem observar o regular procedimento de adoção imposto pela Lei Civil e, eventualmente assumindo o risco de responder criminalmente pelo ato (art. 242 do CP), apenas registra o infante como filho. No caso, a recorrida foi registrada em 1965 e, passados 38 anos, a segunda esposa e viúva do de cujus pretende tal desconstituição, o que, em última análise, significa o próprio desfazimento de um vínculo de afeto que foi criado e cultivado entre a registrada e seu pai com o passar do tempo. Se nem mesmo aquele que procedeu ao registro e tomou como sua filha aquela que sabidamente não é teve a iniciativa de anulá-lo, não se pode admitir que um terceiro (a viúva) assim o faça. Quem adota à moda brasileira não labora em equívoco. Tem pleno conhecimento das circunstâncias que gravitam em torno de seu gesto e, ainda assim, ultima o ato. Nessas circunstâncias, nem mesmo o pai, por arrependimento posterior, pode valer-se de eventual ação anulatória, postulando desconstituir o registro. Da mesma forma, a reflexão sobre a possibilidade de o pai adotante pleitear a nulidade do registro de nascimento deve levar em conta esses dois valores em rota de colisão (ilegalidade da adoção à moda brasileira, de um lado, e, de outro, repercussão dessa prática na formação e

desenvolvimento do adotado). Com essas ponderações, em se tratando de adoção à brasileira a melhor solução consiste em só permitir que o pai adotante busque a nulidade do registro de nascimento quando ainda não tiver sido constituído o vínculo de socioafetividade com o adotado. Após formado o liame socioafetivo, não poderá o pai adotante desconstituir a posse do estado de filho que já foi confirmada pelo véu da paternidade socioafetiva. Ressaltou o Min. Relator que tal entendimento, todavia, é válido apenas na hipótese de o pai adotante pretender a nulidade do registro. Não se estende, pois, ao filho adotado, a que, segundo entendimento deste Superior Tribunal, assiste o direito de, a qualquer tempo, vindicar judicialmente a nulidade do registro em vista da obtenção do estabelecimento da verdade real, ou seja, da paternidade biológica. Por fim, ressalvou o Min. Relator que a legitimidade ad causam da viúva do adotante para iniciar uma ação anulatória de registro de nascimento não é objeto do presente recurso especial. Por isso, a questão está sendo apreciada em seu mérito, sem abordar a eventual natureza personalíssima da presente ação. Precedente citado: REsp 833.712-RS, DJ 4/6/2007. REsp 1.088.157-PB, Rel. Min. Massami Uyeda, julgado em 23/6/2009."

1- a) Neste caso, deverá ser suscitado o reconhecimento da extinção de punibilidade prevista no art.107, IV, do CP. O argumento a ser utilizado é a ocorrência de prescrição da pretensão punitiva superveniente/intercorrente/subsequente (causa extintiva de punibilidade), pois, já ciente do máximo de pena in concreto possível, qual seja, 1 ano e 10 dias-multa, o Estado teria até o dia 17/10/2010 para julgar definitivamente o recurso da defesa, o que não ocorreu, nos termos dos arts. 109, V; 110, §1º; e 117, I e IV, todos do CP. Vale lembrar que a prescrição da pretensão punitiva superveniente pressupõe o trânsito em julgado para a acusação (tal como ocorreu na espécie) e é contada a partir da publicação da sentença penal condenatória, último marco interruptivo da prescrição relacionado na questão. Vale ressaltar que não basta mencionar que houve prescrição. Tem que ser específico, dizendo ao menos que se trata de prescrição da pretensão punitiva.

b) Sim, a situação seria diferente, pois neste caso não haveria prescrição da pretensão executória nem outra modalidade qualquer. Como Jaime é reincidente, já que o 2º furto foi cometido após o trânsito em julgado definitivo de sentença que lhe condenou pelo 1º furto (art. 63 do CP), a

prescrição da pretensão executória tem seu prazo acrescido de 1/3, de acordo com o artigo 110 do CP. Assim, o Estado teria até 23/02/2012 para capturar Jaime, nos termos dos arts. 110 caput e 112, I, do CP. 1- A presente questão tem por objetivo desenvolver o raciocínio jurídico do discente através da adequação dos institutos previstos na Parte Geral do Código Penal aos crimes em espécie. Neste caso, em relação a Francisco Zebedeu, o agente atuou com animus necandi de modo a caracterizar o homicídio na forma tentada. Ainda, o crime é qualificado no que concerne às qualificadoras de natureza subjetiva (homicídio mercenário – art.121,§2, I, CP) e objetiva (praticado mediante emboscada – art.121,§2º, IV, CP). Lindolfo, por sua vez, não pode ser responsabilizado, pois, na verdade, houve autolesão, o que configura irrelevante penal. Conclui-se, portanto que, Francisco Zebedeu será responsabilizado por homicídio qualificado na forma tentada (art.121,§2º, I e IV n.f. art.14, II, todos do CP) e Lindolfo, fato atípico. 1- A questão versa sobre a possibilidade da incidência simultânea do privilégio, causa especial de diminuição de pena e a qualificadora no delito de homicídio. O entendimento doutrinário e jurisprudencial dominante é no sentido da possibilidade, desde que a qualificadora seja de natureza objetiva, como, por exemplo, os meios e modos de execução No caso em exame é perfeitamente possível que o homicídio seja qualificado pelo meio utilizado para a prática do delito (recurso que impossibilitou a defesa da vítima, já que as “pauladas” foram desferidas pelas costas, tornando impossível a defesa do ofendido) - art. 121,§2°, IV CP e privilegiado pelo domínio da violenta emoção logo em seguida a injusta provocação da vítima - art. 121,§1°, CP. Quanto à segunda parte, a questão é controvertida e demanda análise cuidadosa, haja vista a previsão expressa contida no art. 1°, I da lei n. 8072/1990 de que considera-se hediondo o homicídio qualificado. Sobre o tema, manifesta-se Cezar Roberto Bitencourt (op.cit. p. 53), ao citar entendimento do Supremo Tribunal Federal, no sentido de que, por analogia, aplicar-se-ia a norma contida no art. 67 CP, segundo a qual devem preponderar os motivos determinantes do crime (privilégio), o que afastaria a incidência da lei de crimes hediondos. O mesmo raciocínio é utilizado por Fernando Capez ao tratar dos delitos hediondos (op.cit. v.4, p. 178). 1- A questão em exame visa fomentar a compreensão acerca dos elementos distintivos entre os delitos de homicídio, infanticídio e abandono de recém-nascido qualificado pelo resultado morte (art.121, art.123 e art.134,§2º, todos do Código Penal). [NOTA DO PROFESSOR: Não se deve

esquecer o crime de abandono de incapaz, pois o abandono de recém-nascido é honoris causa] Para tanto, poderá utilizar como ponto distintivo o reconhecimento do estado puerperal, em conjunto com as elementares objetivas do tipo penal (por ex. lapso temporal) para a caracterização do delito de infanticídio de modo a diferenciá-lo do delito de homicídio. Por outro lado, diferenciará os delitos de homicídio e infanticídio do delito de abandono de recém-nascido [NOTA DO PROFESSOR: e também do abandono de incapaz] qualificado pelo resultado morte, pois, neste o resultado morte ocorre a título de culpa, diferentemente daqueles, nos quais o resultado morte é doloso. [NOTA DO PROFESSOR: os crimes de abandono são crimes de perigo, ou seja, o resultado não é desejado, por isso a forma culposa, o que não acontece no homicídio e no infanticídio, que são crimes de dano. No caso concreto, restam certamente afastados os crimes de abandono, restando homicídio ou infanticídio. Há que se averiguar, ainda, se a ação que levou a criança a morte foi provocada antes do início do parto, situação que caracterizaria crime de aborto]. 1- A presente questão tem por objeto a análise dos delitos de homicídio e lesões corporais culposas na direção de veículo automotor agravados pelas causas de aumento de pena dos incisos II e III do parágrafo único do artigo 302 c/c parágrafo único do artigo 303, todos da Lei 9503/97, na forma do artigo 70, 1ª parte, do Código Penal. Em relação à possibilidade da possibilidade de substituição da pena privativa de liberdade, vide decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, in verbis: "HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO CULPOSO NA DIREÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR CONTRA-RAZÕES AO RECURSO DO ASSISTENTE À ACUSAÇÃO. PEÇA APRESENTADA EXTEMPORANEAMENTE. CONTRADITÓRIO RESPEITADO. CONDENAÇÃO BASEADA APENAS EM PROVA OBTIDA NA FASE INQUISITORIAL. INEXISTÊNCIA. CRIME COMETIDO O EXERCÍCIO DE SUA PROFISSÃO. APLICABILIDADE DA MAJORANTE ART. 302, INCISO IV, DA LEI N.º 9.503/97. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA. POSSIBILIDADE. ORDEM DENEGADA. 1. Renovação de julgamento em face da concessão parcial de habeas corpus pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu nulidade pela ausência de notificação da inclusão do writ em pauta de julgamento. 2. Inexiste violação ao contraditório, quando a ausência de intimação para a apresentar de contrarrazões é motivada no fato de a Defesa adiantar-se em contraditar os argumentos do recurso em suas razões de apelação, pugnando pela sua inadmissão do apelo acusatório. Precedente. 3. A sentença condenatória está baseada na confissão do Paciente, nos laudos

Laurita Vaz. Jorge Mussi. 115301/SC. Provada a autoria e materialidade das ofensas à integridade física da criança praticada pelo apelante e terceira pessoa. Maria Thereza de Assis Moura. 1º.050. 5. julgado em 11/11/2008. Ordem denegada.03592. na forma do voto do relator. HC 45636/RJ. Quinta Turma. insubsistindo a alegação de que as instâncias ordinárias reconheceram a autoria do delito apenas em prova obtida no inquérito policial. Rel. Laurita Vaz. Ademais. conforme se depreende da leitura de sua ementa abaixo transcrita: "EMENTA. Min. Gilmar Augusto . 5. já proferiu decisão com vistas à distinção dos delitos. No crime de maus tratos há o indispensável animus corrigendi vel disciplinandi. ALEGAÇÃO DE INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA E REQUESTO DE DESCLASSIFICAÇÃO PARA A INFRAÇÃO DE MAUS TRATOS. Provimento do recurso defensivo para desclassificar a imputação. com a utilização das agressões físicas e mentais como meio para tal. Rel. podendo ter como meio o uso exagerado e inexplicável da violência. julgado em15/12/2011)". Min. ainda que a título de aplicação de castigo pessoal. 91). do Código Penal. do parágrafo único.ª edição. (HC n. Ainda que o tipo penal não preveja a pena de multa. no mesmo sentido: HC n. com reposicionamento das penas. p.O caso em exame versa. "nessa hipótese é maior o cuidado objetivo necessário. impõe a majoração da pena quando o crime é cometido por agente no exercício de sua profissão de motorista. o réu se defende do fato imputado. Acerca do tema. Já no delito de maus tratos a finalidade é a correção.Apelação Criminal n. enquanto no delito de tortura a intenção é apenas a de fazer com que a vítima sofra. respectivamente.técnicos e na prova testemunhal produzida durante a instrução do processo. da Lei n. em sede de apelação crime. mostrando-se mais grave o seu descumprimento" (in Crimes de Trânsito. segundo Damásio Evangelista de Jesus. Rel. causando padecimento. 302." (TJRJ. 4. 2002. Rel. HC 62699/PR. Oitava Câmara Criminal. 2006. O disposto no inciso IV.9455/1997 e 136. Rel. Quinta Turma. sob a garantia do contraditório. passando por suplício. do art.CRIME DE TORTURA. julgado em 21/08/2008. uma vez que. julgado em 27/03/2012. Min. Quinta Turma. 1. Sexta Turma. 168013 / RJ. Min. acerca da distinção entre os delitos de tortura e maus-tratos previstos. Des. a Oitava Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. sendo que a denuncia informa que o móvel que impulsionou as agressões físicas infligidas no menor foi a efetiva demora do menor em se alimentar e a não utilização do banheiro para a realização de suas necessidades. 6. III. conforme expresso no comando da questão. nos art. Ainda. No delito previsto na Lei Especial o fim é a tortura. não há impeditivo legal à substituição da reprimenda corporal por pena restritiva de direito de prestação pecuniária.

do CP. Kelsen Carneiro. A pretensão defensiva não deve prosperar.A conduta amolda-se ao tipo penal da injúria qualificada. avaliando o animus do agente) 1. Hipótese em que foram dirigidas à vítima expressões como “negra-preta”. 111. 1. certamente)].A questão diz respeito ao termo inicial da contagem do prazo prescricional nos crimes de falsificação de registro civil. o incidiamento de Lúcia foi correto. Não se pode afirmar que a troca de carícias entre homossexuais. seja. visto que adequada socialmente. Ofensa a dignidade e ao decoro. Testemunhas confirm ando o assaque das palavras injuriosas. Comete o crime de injúria qualificada pelo preconceito. a prescrição somente começa a fluir do dia em que o fato se torna conhecido por autoridade que possa promover a persecução penal. 1. Dessa forma.No caso em exame deverá o discente apresentar os elementos caracterizadores do delito de ameaça. Neste sentido. Ofensas de caráter racial. regulado pelo art. do Código Penal. considerada ofensiva ao pudor do homem médio. 10456020126847/001. Terceira Câmara Criminal. nos dias atuais. preconceituosa ou discriminatória prevista no art. [NOTA DO PROFESSOR: Há que ser averiguado se o mal prometido pelo autor tinha capacidade de intimidar a vítima e se era factível (no caso concreto. Julgada em 24/08/2006)."( TJMG – Apelação Criminal n. inciso IV.Teixeira. Rel. há entendimento do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais: "EMENTA. pois no delito de parto suposto. §3° do CP. 147. devendo ser mantido. Des. Crime caracterizado. “crioulinha”. de modo a concluir pela tipificação da conduta de Walter face à seriedade da ameaça proferida e ao caráter subsidiário deste delito em relação aos delitos de lesões corporais e homicídios perpetrados na forma tentada. DJ 19/01/2006).A questão diz respeito à aplicação do princípio da adequação social. . com o intuito de ofender a honra de outra pessoa. Injúria. “macumbeira” e “feiticeira”. Embora o conceito de ato obsceno seja aberto e possa variar no tempo e no espaço. em local público. 140. previsto no art. Rejeitaram preliminar e negaram provimento. (nota do professor: o aluno deve aplicar a referida jurisprudência ao caso concreto. 1.Desprovimento. aquele que se utiliza de palavras depreciativas à raça e cor. a conduta de Renata e Geovana não pode ser considerada criminosa.

§1°. A posição majoritária diz que o incêndio majorado prevalece sobre o estelionato.ed. §2°. Porém.]. na situação concreta apresentada. ver: NUCCI. na modalidade prevista no art. São Paulo: Revista dos Tribunais. §2°. nem há bis in idem.1.): "parece-nos perfeitamente admissível a possibilidade de haver concurso entre o delito do art. 2009. (NOTA DO PROFESSOR: Não concordo com o gabarito ofical. previsto no art. Código Penal Comentado. sendo majoritário o entendimento de que o crime de curandeirismo não se configura quando a conduta é praticada no regular exercício da liberdade de culto religioso. 250 [. Sobre o tema. parece-me equivocado o gabarito oficial). §2°. o concurso entre o crime de incêndio. 1. 1. 1. V. devem ser analisados os bens jurídicos em confronto e.A questão é controvertida. 249. Nesse sentido.. posto que o bem jurídico objeto da lesão. cremos que o incêndio deve ser punido na modalidade simples. é indisponível. Régis Prado. Guilherme de Souza. 249. p. nesses casos. 2009. do CP.ver art. É certo que.. assim se manifestou Guilherme de Souza Nucci (NUCCI.. Código Penal Comentado. pois o fato de ser pai não impede a prática do delito. do Código Penal.ed.a) Não deverá prosperar a pretensão da defesa. 171. 1. Portanto. V[. haja vista que o agente estava temporariamente privado da guarda de seu filho em razão de decisão judicial . Para mim não há crime). em sua forma simples e o de estelionato.É possível. b) Como o menor não sofreu maus-tratos ou privações. do CP.. 171. Guilherme de Souza. a liberdade de culto religioso não poderá ser invocada para afastar a responsabilidade penal.] com o crime do art. São Paulo: Revista dos Tribunais. havendo lesão grave ou morte decorrentes da conduta praticada. Sobre o tema. . João poderá receber o perdão judicial. 171. §2°." (NOTA DO PROFESSOR: O professor Nucci é isolado em sua posição. Não são incompatíveis as duas ocorrências.284. inciso V. se o ânimo de lucro já foi utilizado para tipificar o crime do art.

[NOTA DO PROFESSOR: quanto ao possível confronto com o crime de lesão corporal. no caso concreto. a tese defensiva a ser utilizada é a de que o estelionato absorve o falso com aplicação do Enunciado 17. próximo ao olho. o delito praticado pelos agentes não foi o de quadrilha ou bando. o crime de estelionato. também é cabível a tese de que se configurou o estelionato. ficando isento de pena. falece materialidade para tal crime] . com a utilização de sua arma.898/65. como a funcionária foi enganada e Tício obteve vantagem indevida através do induzimento daquela a erro. alínea “i”.1. uma vez que ele. configurou tão somente um ato preparatório do uso. do CP pune a conduta de "fazer uso" de documento falso e o agente estava apenas portando a carteira funcional falsificada. policial militar. pois o art. 1. prevalecendo a posição que admite o concurso de crimes.A prisão em flagrante de Leocádio não foi correta.A três. não se pode olvidar a redação do Enunciado 73. em tese. 4. 181. da Lei 11. e Pedro poderá ser beneficiado pela escusa absolutória prevista no art. Sendo assim.A questão versa sobre o conflito aparente de crimes entre falsidade documental e estelionato.Nenhum dos argumentos defensivos deverá prosperar. do CP.a) O delito a ser imputado a Alessandro Antunes está tipificado no artigo 3º. da Lei n. que diz que "a utilização de papel-moeda grosseiramente falsificado configura. Todavia. que exige apenas a associação de duas pessoas para a sua configuração. mas o de associação para o tráfico.A questão versa sobre a capitulação da falsificação grosseira. considera-se atípica a sua conduta que. ao ameaçar e agredir sua face. é possível afirmar que Tício não responderá por nenhum crime em razão da ineficácia absoluta do meio. Paulo responderá apenas pelo crime contra o patrimônio. 1. 304.A duas. para a configuração do delito acima exposto. No Brasil não existe a cédula de sessenta reais e. na verdade. atentou contra a incolumidade física de Paulo Roberto Cruz. inciso I. da Súmula do STJ. basta que um dos agentes seja imputável. pois: A uma. sem a incidência do concurso com o falso material. da Súmula do STJ. da competência da Justiça Estadual". Assim. o delito de associação para o tráfico tem como núcleo "associarem-se". 35. Dessa forma. previsto no art. 1. portanto. 1.343/06. o que dispensa a prática efetiva do tráfico pretendido. a questão é controvertida. Porém. Assim.

1. Acerca do tema. Art. atingem o próprio . No que concerne à prestação de socorro poderá o discente afastar a aplicação de prisão em flagrante delito consoante o disposto no art.172. ao constatar a falta de visibilidade decorrente da neblina. Parte da doutrina. op. no qual o Estado-juiz deixa de aplicar a pena em circunstâncias expressamente previstas em lei. Desta forma.No que concerne ao instituto do perdão judicial. pp 601 e 602). Por fim. bem como obrigação de reparar o dano (Magalhães Noronha. da referida lei. pilotar a moto na contra-mão de direção. Fernando Capez (Material Didático.cit. 1. do Código Penal. para Guilherme de Souza Nucci é possível. ao imprimir velocidade incompatível com o local e condições da estrada. mas todos os crimes praticados no mesmo contexto. Obs. Guilherme de Souza Nucci). no momento da colisão. cuja competência é da Justiça Comum. razão pela qual o ofensor responde por sua conduta. tais como nos delitos de homicídio culposo e lesão corporal culposa (art.302. ainda que perpetrado por militar.121. ainda que praticado em serviço. consoante enunciado da Súmula n.A conduta de Anderson encontra-se tipificada no art. Obs. sustenta que a extinção de punibilidade não atinge apenas o crime no qual se verificou a circunstância excepcional. CP). do Superior Tribunal de Justiça. do Superior Tribunal de Justiça.9503/1997. 129.§8º. da Lei n. já firmou entendimento no sentido de ser declaratória de extinção de punibilidade não gerando qualquer conseqüência para o réu – Verbete de Súmula n. o Superior Tribunal de Justiça. infringiu o dever objetivo de cuidado na direção de veículo automotor.18. as culpas não se compensam no âmbito do Direito Penal.120. Por outro lado. as consequências da infração abrangem tanto as de ordem física. sendo irrelevante o fato de Roberto. pp 590). inclusive. sustenta ser uma decisão condenatória. §5º e art. surge controvérsia no que concerne à natureza jurídica da sentença concessiva do perdão judicial para fins de análise dos efeitos da condenação. “ A sentença que conceder perdão judicial não será considerada para efeitos de reincidência”. subsistem todos os efeitos secundários da condenação (lançamento do nome no rol dos culpados para fins de reincidência e maus antecedentes. pois. cabe salientar que. quanto moral. que o réu interponha recurso pleiteando a absolvição por negativa de autoria ou por ausência de culpa em relação ao evento danoso como forma de afastar os efeitos secundários da condenação.b) O delito de abuso de autoridade resta configurado como crime comum. compreendido como direito público subjetivo do réu de caráter unilateral. 301. (NUCCI.

§5º. 180. IV. s. bem jurídico a ser protegido pelo artigo de lei ora em comento”(REsp 958075/RS.. o autor cita as hipóteses legais de incidência do perdão judicial.Além disso. . que será em breve lançado pela Editora Freitas Bastos: "Homicídio praticado por milícia privada. de minha autoria.A alegação de que a majorante prevista no art.No que concerne à tese defensiva.§8º. todos do Código Penal. haja vista . a mesma será rejeitada pelas razoes abaixo expostas: . 129.343/06). na espécie. Relatora Ministra Jane Silva . Com relação à tese ministerial. sendo que o primeiro. IV. ou por grupo de extermínio . desta forma. 140.m. da Lei 11.Desembargadora co nvocada do TJ/MG. “coloca em risco toda a paz social. em absorção. 249. [NOTA DO PROFESSOR: Embora o gabarito oficial seja omisso. o princípio da consunção. tal fato não funcionou como fase de preparação ou de execução do delito de tráfico de entorpecentes. julgado em 20/11/2007) HOMICÍDIO PRATICADO POR MILÍCIA PRIVADA Segue trecho do livro Crimes em Espécie .343/06 não foi reconhecida pelo digno Julgador. embora o acusado estivesse portando arma de fogo. do repressivo legal. a saber: Art. é possóvel a aplicação do perdão judicial aos crimes culposos de trânsito. no caso sub judice. por inequívoca falta de interesse recursal. §2º. .agente de forma tão grave que a sanção penal se torna desnecessária. inc. 33 a 37.§5º. 40.121. não se configurando com o mero porte. um dos princípios que regulam a solução do conflito aparente de normas. ou os seus familiares ou amigos íntimos. Não há que se falar. por analogia] 1. da Lei 11.Crimes Contra a Pessoa. a mesma deve ser rejeitada. inc. Com efeito. Ainda. atingem o agente e seus familiares. o porte ilegal de arma de fogo e o de tráfico de entorpecentes são delitos completamente autônomos. consoante entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Quinta Turma. os Tribunais Superiores tem entendimento no sentido de que “majorante só se justifica quando a arma servir ostensiva e efetivamente de instrumento de intimidação para a prática dos delitos previstos nos art. sob o pretexto de prestação de serviço de segurança. I e II. ou seja. 40.§1º.Com relação ao concurso de crimes.Quanto a “majorante do emprego de arma” (art.j. mister salientar que. não incide.

Organização paramilitar. A exata compreensão das majorantes depende da conceituação de três termos contidos no diploma inovador. repetindo. no nosso entendimento. os quais não se estruturam apenas com dois ou três indivíduos e. não será difícil identificar essa quantidade mínima (mais de três) como integrantes de tais milícias. mas que age na clandestinidade”. qual seja. Essa interpretação restritiva é uma exigência da tipicidade estrita. a exemplo do crime de quadrilha (288). pois nenhuma das figuras mencionadas. além de incluir um novo artigo no Código Penal (artigo 288-A). estam os convencidos de que. dois indivíduos não formam um grupo. sobre os quais existe completa omissão legal definidora. mas apenas uma dupla. apenas um par e não um grupo! Assim. mais de três pessoas reunidas com a finalidade de praticar crimes previstos no Código Penal. à margem da ordem jurídica. pois ausente qualquer situação de maior reprovabilidade da conduta. quando praticado nas hipóteses acima descritas. de agrupamentos ou associações de pessoas com a finalidade delinquir que envolvem inúmeras pessoas. que não permite uma interpretação extensiva que poderá alcançar conduta não abrangida pelo texto legal incriminador. completamente omisso.*3+ Sobre o número mínimo de integrantes da organização. de todos. Podemos ter dúvida. milícia privada. na verdade. ou seja. se três ou mais membros. nesse caso. Pensar diferente significa criar figura mais rigorosa que a pretendida pelo legislador. não se coaduna com a ideia de ‘par’. mas em atividade civil. com características similares à força militar. por civis. Com efeito. segundo Cezar Roberto Bitencourt. também aumentou a pena do homicídio em um terço. milícia. grupo ou esquadrão composto somente por duas pessoas. in concreto. ficando a cargo de doutrina e jurisprudência sua interpretação e criação que deve ocorrer lógica e racionalmente. mas uma coisa é certa: não pode ser menos. não seria um grupo. mas somente uma dupla. o menor agrupamento de seres -. com estrutura similar à militar”. Tr atamse. e esquadrão.*2+ Prossegue o autor: “Trata-se de uma espécie de organização civil. não.A Lei nº 12. o mínimo de mais de três pessoas. o ‘grupo’ – que nos parece. grupo. Afirma Bitencourt: “O texto legal é. sua similaride e proximidade geográfica com aquele autoriza o entendimento que exige a mesma estrutura numérica. afronta a lógica e o bom senso imaginar-se a formação de ‘esquadrão’.[1] São eles: organização paramilitar. por definição. claramente. que não se confunde com grupo. Realmente. no particular. a menor reunião de pessoas? Logicamente. Obviamente. reina a mais absoluta incerteza. pois. enfim. o crime de ‘constituição de milícia privada’ não pode ser composto somente de duas pessoas.720/12. com finalidade civil ilegal e violenta. admite sua formação tão somente com dois membros. ‘milícia particular’ ou ‘organização paramilitar’ com número de participantes inferior à quadrilha prevista no art. sobre a quantidade mínima. Vejamos. 288 do CPP. voluntária ou involuntariamente. Poder-se-ia admitir a configuração de organização. isto é. basicamente. embora a lei não fale (e este é o primeiro dos muitos equívocos aqui observados). ante a lacuna legal. seja adequado exigir-se. pois nenhuma relevância haveria em aumentar a pena da modalidade culposa quando praticada nas mesmas circunstâncias. embora possa contar também com militares. exemplificativamente. . trata-se apenas do homicídio doloso. “é uma associação civil armada constituída. que é. a ponto de ensejar discussões acerca de possível violação ao princípio da taxatividade.

inclusive por um argumento que se considera decisivo.694/12.[6] Parece-nos que esta seja efetivamente a melhor posição. CP). da Lei 9. configurarem 'organizações criminosas'. desta feita com o conceito de organização criminosa.034/95 com a nova redação dada pela Lei 12.072/90 (segundo aquele. Nessa conceituação. Esse entendimento é pacífico doutrinária e jurisprudencialmente. grupo de extermínio e esquadrão. CP. seja com o Código Penal (artigo 137. anteriormente inexistente na legislação brasileira. não se poderia considerar como grupo. é a de que o número mínimo somente pode ser de 3 pessoas” . que se contenta com a reunião de três ou mais pessoas”. parece que a orientação mais escorreita em interpretação sistemática.034/95. CP. ao seu turno. seja com a legislação esparsa (artigo 2º.694/12. qual seja. de modo que a incongruência sistemática existe de . CP 'organização' paramilitar. No silêncio da lei. da Lei 9. Ora. Observe-se que a Lei 12.*5+ No mesmo sentido é a lição de Eduardo Luiz Santos Cabette: “Já despontam duas correntes doutrinárias. organização. No mínimo. o crime de rixa (artigo 137. Essa lei. fato é que nele o legislador foi expresso. emanadas em estudo à expressão “grupo de extermínio”. já percebemos doutrina preferindo fundamentar o raciocínio no conceito de ‘grupo’ trazido no seu artigo 2º. Nesse passo. no mínimo quatro integrantes. CP. o que está a autorizar claramente a exigência de ao menos 4 pessoas. dependendo do caso e demais características exigidas pelo novel artigo 2º. insinua sua opção: “Com o advento da Lei 12.720/12 menciona na redação do artigo 288 – A. constante da Lei nº 8. foi recentemente alterada pela Lei 12. Para a configuração da quadrilha são necessárias mais de 3 pessoas. ambas com bons argumentos de sustentação. milícia ou esquadrão uma ou duas pessoas. dentre outras modificações. na falta de definição legal. Quanto ao artigo 288. o que se dirá sobre uma organização paramilitar ou um grupo de extermínio? Doutra banda encontra-se o argumento de que. conforme consta da dicção direta e reta do artigo 288. para este.agravando a situação de envolvidos ao conceber como típicas condutas não recepcionadas pelo texto legal. consta que uma 'organização criminosa' somente é admitida com a associação de pelo menos 3 pessoas. está-se diante de um risco que o intérprete não tem o direito de correr em prejuízo do cidadão. Tal pensamento já encontra abrigo em tradicional interpretação de crime de concurso necessário para o qual o legislador não tomou a medida de estabelecer o número mínimo de participantes. que é o que ocorre com o artigo 288 – A e os parágrafos 6º e 7º dos artigos 121 e 129 respectivamente. agora constante do artigo 2º. a despeito da estranheza que possa causar em relação ao descompasso com o crime de quadrilha ou bando (de se ver que a adoção da posição diversa – a exigir no mínimo quatro pessoas – também encontraria descompasso.*4+ Rogério Sanches. ante uma lacuna legal”.694/12 (organizações criminosas). trouxe um conceito de 'crime organizado'. uma afirmando a necessidade de 4 componentes e outra de 3 componentes. e neste e demais dispositivos em milícia privada ou particular. se para a formação de uma simples quadrilha são necessárias pelo menos 4 pessoas. Advoga-se a tese de 4 componentes mediante uma interpretação sistemática do crime do novo artigo 288 – A com o crime de quadrilha ou bando previsto no artigo 288. Ocorre que a Lei 9. da Lei do Crime Organizado).034/95 que trata do chamado 'Crime Organizado'. CP). três ou mais). Ora. Tende-se a acatar esta segunda posição. mas apenas a partir de três. todos esses grupos são organizações e podem inclusive. todos do Código Penal. um grupo deve ser considerado como pelo menos 3 pessoas. após consignar as posições de Alberto Silva Franco e Luiz Vicente Cernicchiaro.

enquanto não advém a declaração de inconstitucionalidade (se é que ela virá). o ideal seria o reconhecimento da evidente inconstitucionalidade do novo dispositivo incriminador. numa espécie de Estado paralelo.).*7+ De fato. Todavia. citando o sociólogo Ignácio Cano. que atua ilegalmente. essa atividade não decorre da adesão espontânea da comunidade. embora isso ocorra no mais das vezes). (c) o ânimo de lucro individual como motivação central. um traço distintivo: organização paramilitar insinua uma associação mais numerosa do que a milícia privada (entretanto. aparentemente.uma forma ou de outra). paz e tranquilidade. o legislador. Na realidade. a fim de se caracterizar essa maior quantidade de integrantes? Ah. (b) o caráter coativo desse controle. impondo seu regime de terror em uma determinada localidade”. (d) um discurso de legitimação referido à proteção dos moradores e à instauração de uma ordem. (e) a participação ativa e reconhecida dos agentes do Estado. qual seria o misterioso número mínimo de agentes. a intenção de praticar o bem comum. é definida por Rogério Grec o como aquela “de natureza paramilitar.[9] Assemelhada é a definição de Cezar Roberto Bitencourt: “Milícia particular tem sido definida como um grupo de pessoas (que podem ser civis e/ou militares). Aditamos. apenas para aproveitamento do clamor popular ou de eventual clima legislativo favorável à aprovação do projeto. isto é. sem que haja preocupação com a boa técnica penal). que. Milícia privada.[8] Justamente por isso a preocupação do texto legal em qualificar as milícias como “privadas”. que foram perdidos em razão da violência urbana. por violação ao princípio da taxatividade (como costuma ocorrer quando leis são elaboradas de maneira apressada. Infelizmente. mediante o emprego da força. a uma organização não estatal. isto é. o termo milícia deita raízes em tropas de segunda linha que constituíam reserva auxiliar ao Exército do Império português (razão pela qual a polícia militar durante muito tempo foi denominada “milícia”. Haveria. aponta características peculiares das milícias: (a) controle de um território e da população que nele habita por parte de um grupo armado irregular.*10+ Note-se que o autor não menciona a obrigatória participação de agentes do Estado (com o que concordamos. mas é imposta mediante coação. em que se diferem “milícias privadas” e “organizações paramilitares”? Rogério Greco. embora essa denominação tenha caído em desuso.. termo de difícil conceituação. isto é. atuando à margem do Estado (as milícias públicas. assegurando-lhe sossego. podendo resultar. violência e grave ameaça. pretenderia garantir a segurança de famílias.. Em verdade. de caráter paramilitar. há uma verdadeira ocupação de território. com a utilização de armas. trabalhar em prol do bem estar da comunidade. em eliminação de eventuais renitentes. incumbe ao intérprete a árdua tarefa de explicar o inexplicável. No entanto. alegadamente. por ser considerada uma corporação auxiliar às Forças Armadas). residências e estabelecimentos comerciais ou industriais. inclusive. seriam forças estatais regulares). . com a finalidade de explorar as pessoas carentes”. ainda.

notadamente leigos e de absoluta imprecisão teórica). já que o artigo recebe nomen juris de “constituição de milícia privada”. De início.Grupo e esquadrão. para quem o esquadrão também é numericamente superior ao grupo (não havendo como precisar essa superioridade numérica).*11+ Há. Isso porque são estruturas criminosas legalmente equiparadas pelo artigo 288-A. que qualquer que seja a hipótese de agrupamento de pessoas. mas que nem por isso deixa de ser um grupo) dedicado a atividades criminosas. ausente qualquer outra previsão específica. que menciona que as associações previstas no dispositivo têm por objetivo a prática de qualquer dos crimes previstos no Código Penal. como o artigo 35 da Lei 11. não foi a intenção do legislador. no entanto. Sobrariam para o artigo 288 os crimes previstos em lei especial (desde que. ao seu turno. Aos grupos e esquadrões. ainda pior. é claro.343/06). Qualquer outro entendimento redundaria na revogação tácita do crime de quadrilha ou bando (artigo 288 do CP). ainda. a despeito da aparente omissão legal (outro entendimento redundaria em ausência de lógica – embora isso não seja espantoso em nosso ordenamento jurídico – e. Isso porque passaria a existir a impossibilidade legal de uma quadrilha ou bando se dedicar ao cometimento de crimes do Código Penal (hipótese que invariavelmente determinaria o reconhecimento de um “grupo” do artigo 288-A). são termos de grande similaridade. ainda que sem o poderio e a penetração comunitária destas. vamos supor que integrantes de uma organização ou de um esquadrão pratiquem o homicídio de outrem. à evidência. se aplica ao termo “grupo”. tal qual as organizações paramilitares e as milícias. advertimos: devem eles ser dedicados ao extermínio de pessoas (parece-nos que o legislador. inclusive na denominação. entendemos que a expressão “qualquer dos crimes deste código”. quem trate “grupo” e “esquadrão” como sinônimos. quis se referir às expressões “grupos de extermínio” e “esquadrões da morte”. o que. Podemos disso extrair que existe . aqui. O “grupo” a que se refere o artigo 288 -A também é uma reunião de pessoas. Nesse sentido é o ensinamento de Valter Kenji Ishida. Assim. Estariam eles sujeitos a uma pena mais elevada? Entendemos que sim. não havendo se confundir o artigo 288-A do Código Penal com o mero concurso eventual de pessoas. o que causaria insustentável desigualdade: por qual motivo as associações para a prática de crimes do Código Penal deveriam ser punidas de forma diferenciada daquelas dedicadas a crimes previstos em lei especial.[12] Anote-se. contida no artigo 288-A somente se refere às organizações paramilitares e às milícias privadas. mister a prática de “extermínios” (essa assertiva. Retornando ao homicídio. vejamos: o artigo 288 tipifica exatamente a existência de um grupo de pessoas (juridicamente denominado quadrilha ou bando. Esquadrão se difere de grupo por exigir uma estrutura hierarquicamente militarizada. as organizações paramilitares e os esquadrões. em cristalina desproporcionalidade). inclusive com sanção mais severa na primeira hipótese? Portanto. Senão. Se entendermos que a parte final do artigo 288-A. encontra respaldo na nova majorante referente ao crime de homicídio. aparentemente. percebe-se que a causa de aumento de pena não menciona expressamente todas as formas associativas do artigo 288-A em seu texto: faltam. a maior parte das hipóteses de aplicabilidade do artigo 288 restaria frustrada. inclusive. que expressamente fala em “grupo de extermínio”). deve ela observar um vínculo estável e permanente entre os integrantes.

esse pretexto é exigido apenas para a configuração da majorante do homicídio. Indivíduos que privaram a liberdade de gerente da Caixa Econômica Federal e de seus familiares. por exemplo. E DE BANDO OU QUADRILHA ARMADA (ART. APELAÇÕES CRIMINAIS. § 6º. porquanto a objetividade jurídica dos tipos (quadrilha e extorsão qualificada) são autônomas e independentes.”*15+ Na doutrina. No que concerne à Lei dos Crimes Hediondos. gera o concurso material de .”*13+ Ainda: “Prática concomitante do crime de roubo circunstanciado pelo concurso de agentes. 159. o pretexto de “prestação de serviço de segurança” fica alijado. consistente na entrega de valores existentes no Banco. ou por integrar grupo de extermínio pode ser também responsabilizado pelo crime autônomo do artigo 288-A do CP. sem que se configure bis in idem.072/90) não afasta a hediondez dos assassínios cometidos pelos demais agrupamentos. do crime de bando ou quadrilha. Precedentes do STF. do CP. deve ser ressaltado que a menção única ao grupo de extermínio (artigo 1º. englobando todas as espécies. o termo milícia privada foi usado desta forma genérica. dispensando a prática de qualquer dos crimes visados pela associação. 288 DO CP C/C ART. Rogério Sanches: “A constituição de grupo criminoso já é suficiente para caracterizar o crime do art. 8º DA LEI Nº 8. porquanto os bens jurídicos tutelados são distintos e os crimes. ou tal cumulação (no caso haveria concurso material) constituiria inaceitável bis in idem? Com a palavra. da constituição de organização paramilitar. o STJ. dando-se a morte a pretexto de prestação de serviço de segurança.) 10. Prática. I. Conduta que se ajusta ao tipo descrito no artigo 159 do Código Penal 4. 288-A do CP. Isso porque invariavelmente o homicídio será qualificado (ao menos pela motivação torpe). Precedentes desta Corte e do Supremo. PARÁGRAFO1º. nessa hipótese. Não se trata de elementar. No artigo 121. QUALIFICADO PELA PRÁTICA POR BANDO OU QUADRILHA (ART. tê-la também em conta para firma o crime autônomo. da Lei 8. tratando de situação análoga: “Em princípio. igualmente. 5. autônomos. I. da Lei nº 8. Bis in idem não caracterizado. é possível considerar a circunstância da existência de quadrilha como circunstância qualificadora do crime de extorsão mediante sequestro e. os grupos e os esquadrões.072/90). o qual. ao mesmo tempo. É perfeitamente possível a coexistência entre o crime de formação de quadrilha ou bando e o de extorsão mediante sequestro pelo concurso de agentes. CRIMES DE EXTORSÃO MEDIANTE SEQÜESTRO. ocorrendo. Uma última questão se impõe: aquele que pratica um homicídio majorado por integrar milícia privada. as milícias privadas propriamente ditas. sendo ele atinente apenas às demais hipóteses associativas. A referência em apartado ao “grupo de extermínio” se deve à necessidade de demonstrar sua compatibilidade com a Lei dos Crimes Hediondos (artigo 1º. 288 do Código Penal (formação de bando ou quadrilha). Aliás. do qual são espécies a organização paramilitar.072/90). Possibilidade de concurso material entre o crime de extorsão mediante sequestro qualificado pela quadrilha ou bando e o delito do art..”*14+ No mesmo sentido. o TRF da 5ª Região: “PENAL E PROCESSUAL PENAL. mantendoos em cárcere como meio de obter prestação positiva.um gênero (“milícia privada”). previsto no artigo 288 do Código Penal. (. ainda que esteja umbilicalmente associado ao conceito de milícia privada propriamente dita. E também para demonstrar que.. DO CP).

condenar o agente pelo art. a condenação deverá ser somente pela prática do crime de constituição de milícia privada (art. Em síntese. não justifica interpretação em sentido contrário. pois. ao mesmo tempo. No caso. 288-A) e pelo de homicídio (simples ou qualificado. ambos do CP. nesse único crime. § 6º. essa majorante somente pode ser aplicada se o autor do homicídio for reconhecido no julgamento do homicídio como suposto integrante de milícia privada. mas felizmente já revogada. cada qual. por se tratar de cristalino e gritante ‘bis in idem’. Cristiane Dupret: “Em conclusão. bens jurídicos próprios.*16+ Contra.delitos. O sequestro foi qualificado pela duração e por ter sido praticado por quadrilha armada e por isso a condenação pelo crime autônomo de formação de quadrilha armada não é admissível. a invocação de orientação equivocada do Supremo Tribunal Federal. Não se pode admitir o que fez a sentença. depois disso. majorar-lhe a pena pelo 'emprego de arma'. O mesmo raciocínio já é aplicado pelo Supremo para não reconhecer bis in idem quando se está diante de quadrilha ou bando armado e roubo majorado pelo emprego de arma”. Aquele princípio constitucional de proibição do excesso aplicável ao Parlamento também vige para a Suprema Corte. que não pode ignorar suas próprias limitações constitucionais. nos parece inviável que se tipifique a formação de milícia sem que a lei traga um conceito para tal grupo ou . protegendo. condenar pelo homicídio com o acréscimo da majorante aqui prevista. não se cogitando de bis in idem. configura um odioso bis in idem. que não está reconhecendo bis in idem quando se está diante de quadrilha ou bando armado e roubo majorado pelo emprego de arma. ao qualificar o sequestro pelo tempo de duração. pois são delitos autônomos e independentes. tudo estando a indicar que se tratou de mera coautoria. O fato de ter a última palavra sobre a aplicação e interpretação de nosso ordenamento jurídico – e se autoautorizar a errar por último – não legitima os condenáveis excessos ignorando o texto constitucional que deve proteger. grupo de extermínio que promove matanças. pois representará uma dupla punição por um mesmo fundamento. ainda que tenham cometido um homicídio. numa repetição da equivocada. Súmula 174 do STJ.”*17+ Nessa esteira. Em segundo lugar porque a quadrilha foi circunstância elementar do sequestro e não poderia ser levada em consideração. isto é. que considerava arma de brinquedo idônea para tipificar o crime de roubo e. em concurso material. Consideramos um grave e intolerável equívoco. 288-A e 121. Em outros termos. ao mesmo.”*18+ [1] Nesse sentido já se pronunciou a profª. com divisão de tarefas. 288-A e. se o agente é condenado pela prática do crime de constituição de milícia privada. mas que não tenha sido condenado por esse crime. Cezar Roberto Bitencourt: “Na aplicação desta majorante deve-se agir com extremo cuidado para não incorrer em bis in idem. não poderá sofrer a majorante por tal crime ter sido praticado por integrante de milícia privada. Por outro lado. desconsiderando a quadrilha para em seguida condenar os réus por esse crime. a nosso juízo. responde pelos crimes dos arts. aplicando dupla punição pelo mesmo fato. dependendo das demais circunstâncias). TJSP: “Inadmissível condenar os réus também pelo crime autônomo de formação de quadrilha. como crime autônomo. Em primeiro lugar porque não veio para estes autos prova segura de que existisse uma associação estável e permanente como sustentou a denúncia. Assim. mas sem esta nova majorante.

da distanásia e da ortotanásia. deve ela prever de forma clara e precisa. em que já tínhamos entendimento do STF acerca da impossibilidade de se considerar tal conceito à margem de definição na legislação brasileira. para se aferir o conceito de ‘Atos de Terrorismo’. sob pena de cairmos na mesma problemática da Lei 9. Lege certa não permite as leis penais indeterminadas.1.170/83). Capítulo 01 – Os norteadores princípios da bioética do modelo principialista e a principiologia constitucional: âncoras à dignidade do paciente 1. o ordenamento jurídico brasileiro tipifica penalmente as condutas consideradas criminosas que atentem contra a vida. em razão de tais pressupostos. bem como. O direito à dignidade não está atrelado apenas ao direito a viver dignamente. como também.034/95. antes de adentrarmos ao tema. Não basta a lei penal prever a conduta. da ortotanásia e da distanásia. ao que a Lei 12. O princípio bioético da autonomia e o consentimento informado O modelo principialista da bioética. foi elaborado por Belmont Report. em 1978. que irão elevar ao máximo a função de garantia do princípio da legalidade. ressalvando-se os casos de exclusão de ilicitude. a função de garantia do princípio da legalidade estaria fortemente comprometida” (in . morrer com dignidade. A mesma linha de pensamento foi adotada na interpretação do artigo 20 da Lei de Segurança Nacional (Lei 7. A tutela da vida humana possui proteção constitucionalmente assegurada e incorre no direito à existência digna. ao dispor sobre Organização Criminosa.organização.720 passou ao largo. O princípio nullum crimem. Mister se faz. da beneficência e da não maleficência (KIMURA. A DISTANÁSIA E A ORTOTANÁSIA NA PRÁTICA MÉDICA E SUAS IMPLICAÇÕES JURÍDICAS: A BUSCA PELO DIREITO À MORTE DIGNA "Introdução Ao tratarmos dos institutos da eutanásia. Se assim não fosse. nulla poena sine lege se desdobra em quatro subprincípios. com a criação da Comissão Nacional para a proteção dos seres humanos em pesquisas biomédica e comportamental. Dentre eles. da justiça. A EUTANÁSIA. Para que se respeite o princípio da legalidade. tecermos algumas considerações sobre os princípios bioéticos e o testamento vital. Morrer faz parte da própria existência humana. de forma que não se pudesse deixar ao intérprete tal definição. acesso em 14/11/12). 2006. a exigência da estrita legalidade (Lege Certa). O presente artigo visa promover a discussão acerca do direito à morte digna. devemos deixar bem definido que os direitos fundamentais não devem ser interpretados como absoluto. analisarmos os institutos da eutanásia. e compreende os princípios da autonomia. torna-se essencial uma previsão que seja clara e precisa. com conceituações vagas e imprecisas. em que pese à existência de previsão na Convenção da Palermo. surgido nos Estados Unidos da América.30). p. .

2011. p. Funda-se na dignidade da pessoa e baseia-se na autodeterminação do paciente em relação à sua vida e à sua saúde. p. 319). tendo o poder de buscar e escolher o tratamento que melhor lhe convier. Citando os ensinamentos de Locke e Kant. aduz o artigo 24 do Código de Ética Médica – Resolução CFM nº 1. 2012. por perda parcial ou total dessa capacidade. a menos que elas sejam gravemente prejudiciais para o próprio indivíduo ou para outras pessoas” e esclarecem ainda que pode ela “estar reduzida devido ao estágio do ciclo no qual o indivíduo se encontra. sendo necessárias para a escolha. enquanto que Immanuel Kant lecionava como requisito fundamental a liberdade de escolha. . p.138). em decorrência de doenças orgânicas ou mentais. sendo de igual forma responsável em “tomar iniciativas quando não exista definição quanto a quem seja o seu representante. 140). a autonomia “estimula e protege a capacidade geral das pessoas de conduzir suas vidas de acordo com uma percepção individual de seu próprio caráter. p. mister se faz a orientação seguida por todas as teorias da autonomia. No dizer de Dworkin (2009. onde John Locke “pugnava pelo direito à proteção contra intervenções médicas não consentidas”. Goldim e Protas (2009. 139).82) que o princípio da autonomia tem seus principais fundamentos na história do direito e da filosofia. Aduz Maluf (2010.813) estabelece que “a autonomia pressupõe o respeito às opiniões e escolhas individuais. Neste sentido.931/2009: “Deixar de garantir ao paciente o exercício do direito de decidir livremente sobre sua pessoa ou seu bem-estar. ou por circunstâncias sociais que restrinjam a sua liberdade”. ou mesmo quando haja conflito entre a vontade do paciente incapaz e a de seu representante” (CEZAR. segundo Beauchamp e Childress. bem como exercer sua autoridade para limitá-lo”.O princípio da autonomia ( principle of respect for autonomy ) norteia o respeito à liberdade de escolha do paciente e está atrelado ao consentimento livre e informado do paciente. A importância do respeito à autonomia do indivíduo deve ser observado como princípio que traduz a autoridade controladora do próprio poder decisório pessoal. p. que consideram essenciais às condições de: “(1) liberdade (independência de influências controladoras)” e “(2) qualidade do agente (capacidade de agir intencionalmente)” (BEAUCHAMP. aduz Dantas (2009. 11) que a autonomia “seria a capacidade de atuar com conhecimento de causa e sem qualquer coação ou influência externa”. CHILDRESS. p. p. uma percepção do que é importante para elas”. Para a caracterização do conceito de autonomia. A competência acerca da percepção sobre a impossibilidade do paciente em tomar decisão é do médico. as devidas informações prestadas pelo profissional da área médica para que o consentimento seja exercido de forma plena (CEZAR. 2012.

2008. 2010. benefícios das alternativas envolvidas e possibilidades de cura. No consentimento tácito. ou presumido. À luz do princípio da justiça.2.282). Princípio de não causar dano ao paciente ou da não maleficência ( principle of nonmaleficence O princípio da não maleficência tem por fim evitar o mal. 1. refere-se ao propósito de ajudar as pessoas possibilitando-lhes os seus interesses legítimos e importantes (BEAUCHAMP. em bene fício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional”. ou seja. 2009. conceitua o consentimento como sendo o “direito do paciente de participar de toda e qualquer decisão sobre tratamento que possa afetar sua integridade psicofísica. na distribuição justa.3. É considerado um desdobramento do princípio da beneficência e está restrito à obrigação moral de agir em benefício dos outros (GOLDIM. implícito ou subentendido. p. 2011. sendo manifestação do reconhecimento de que o ser humano é capaz de escolher o melhor para si sob o prisma da igualdade de direitos e oportunidades”. é assim determinada com base no que for conhecido acerca da pessoa (BEAUCHAMP. quando entendido de maneira isolada. p. Esta ideia do uso da medicina para o bem do enfermo deriva dos ensinamentos hipocráticos: “aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento. p. 2011.10). expressa-se a vontade ou decisão de forma passiva. p. A modalidade implícita ou subentendida se obtém por meio de deduções das ações. antes de mais nada. PROTAS. O princípio da autonomia e o consentimento do paciente no âmbito da celeuma da eutanásia e da ortotanásia tem importante papéis para a determinação da responsabilização médica. CHILDRESS. devendo ser alertado pelo médico dos riscos. assemelhada ao subentendido. em si.4. equitativa e apropriada a sociedade (BEAUCHAMP. não prejudicar (DANTAS. Beauchamp e Childress entendiam que este princípio se afirmava em razão das desigualdades de acesso à assistência à saúde e aos seguros-saúde.316) citando Venosa.O consentimento do paciente ocorre sob condições diversas. Maluf (2010. O princípio da Justiça ( principle of justice ) Conforme o relatório de Belmont. Princípio da beneficência ( principle of beneficence ) Contido no texto do inciso II. p. CHILDRESS. ponderava-se que a injustiça acontece quando uma pessoa tinha o benefício que se requeria negado sem uma boa razão e este o era devido. CHILDRESS.815). tácito. Dentro deste mesmo enfoque. PROTAS.931/2009 está a diretriz de tal princípio: “o alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano. tem-se a igualdade de tratamento no que se refere aos profissionais de saúde a seus pacientes. por omissão. A beneficência.811). ou seja. 2011. nunca para causar dano ou mal a alguém” (grifos nossos). p. além de que se traduzia na expressão da justiça distributiva. podemos extrair o conceito do primum non nocere . 1. ou quando algum encargo o era imposto indevidamente (GOLDIM. O consentimento poderá ser informado e expresso. COLTRI. 1. p.351-423). A presunção do consentimento.146). do Capítulo I da Resolução CFM nº 1. .

1. A razão pode entender a imoralidade.67).6. p. 1º. sem exceção alguma. humanizada. O princípio da dignidade da pessoa humana. O princípio constitucional da dignidade humana A dignidade da pessoa humana é fundamento da Constituição da República. políticas ou metafísico-teleológicas. mas não pode nunca justificá-la.1. A perspectiva do direito à dignidade está jungida não apenas à compreensão da vida digna como também a proibição da extinção desta e a submissão dela a padrões inadmissíveis (VIEIRA.5. a liberdade. médicas. Quando o direito à vida se impõe como um dever. normativizam e impõem em tiranias (grifos nossos). caso haja a necessidade de realização de um procedimento de amputação – por exemplo – em beneficio do todo.6. Neste sentido. Ramón explicita: É um grave erro negar a uma pessoa o direito a dispor da sua vida porque é negar-lhe o direito a corrigir o erro da dor irracional. p. 02) aduz que “o direito de morrer dignamente é a reivindicação por vários direitos e situações jurídicas. haverá o respaldo de tal ação por meio deste princípio. os direitos de personalidade. são os mais imorais. publicada no texto do artigo de Diaulas Costa Ribeiro (2005. entretanto. paraplégico que passou 29 anos lutando pelo direito em obter sua “liberdade à morte digna”. o direito transformou-se em absurdo. e as vontades pessoais que o fundamentam. Em carta. inciso III. temos a previsão no art. 2006. Todavia. transformam-se em hipócritas. Como bem disseram os juízes da Audiência de Barcelona: viver é um direito. III. sem o prolongamento da agonia por parte de um tratamento inútil”. Os fundamentos erigidos pela Constituição da República norteiam a garantia constitucional da liberdade de consciência. Poderão disfarçar-se de doutores em filosofias jurídicas. a consciência. ou seja. não o corrigiram. p. A asseguração à vida não é obrigação. nem ninguém parece responsável para corrigi-lo. da autonomia jurídica. Refere-se ao desejo de se ter uma morte natural.279). quando se penaliza o direito à libertação da dor absurda que implica a existência de uma vida absolutamente deteriorada. considerando-a como algo abstrato e acima da vontade pessoal. Roxana Borges (2012. a autonomia. é direito. mas não uma obrigação . da Magna Carta que aduz que “ninguém será submetido a tratamento desumano ou degradante”. Princípio da totalidade ou terapêutico Neste princípio temos que o paciente está subordinado ao todo. Ainda neste viés. 1. Foi o que requereu Ramón Sampedro. da inviolabilidade da vida privada e da intimidade. além da dignidade da pessoa humana. iniciando sua previsão no art. requer uma correlação aos princípios da autonomia da vontade e da inviolabilidade à vida. 5º. neste tema em análise. o que pode gerar conflito com o princípio da . mas desde o momento em que justifiquem o absurdo. Aqueles que esgrimem o direito como protetor indiscutível da vida humana. não são absolutos e a aplicação de cada um deles em menor ou maior grau variará conforme cada caso em concreto. como a dignidade da pessoa. Princípios morais acessórios 1.

será respeitada a vontade do paciente (BONAMIGO. Geralmente acontece por meio de uso de injeção letal. Assim. A primazia da vida é sempre levada em consideração. justificando-se tal escolha. 98-99). a escolha dependerá de fatores morais e materiais envolvidos. 2011. 1. tem-se uma ação omissiva do profissional médico. provando a morte do paciente. dois ou mais efeitos ao paciente. p. 99-100).6. Bonamigo (2011. Neste caso. b) um médico omite parte da verdade ao paciente para não prejudicá-lo. Princípio do duplo efeito A ação médica pode provocar. ou ainda físicos. A primeira é comissiva. proporcionalmente um mal menor. p. Como a revelação da verdade é parte de um processo. justifica-se pelo benefício da distribuição de seringas. mesmo que haja a consideração do todo. mas tão apenas. simultaneamente. o profissional médico deve-se valer do consentimento do paciente para os devidos procedimentos. 1. compaixão – antecipando a morte para diminuir o sofrimento de pessoa com doença incurável ou em estado terminal. No que tange à eutanásia de duplo efeito.autonomia. deve-se atentar para os benefícios da ação e que esta seja moralmente indiferente. porém.2. no sentido de não efetivar um ato médico que perpetuasse a sobrevida do paciente. possuindo relevância maior a autonomia deste. Capítulo 02 – A necessidade da compreensão das acepções de eutanásia. mal maior. A omissão da verdade (mal menor. justificando-se o efeito negativo pelo positivo (BONAMIGO. sem sofrimento. 100-101). fazer campanha de distribuição ou troca de seringas (mal menor). 2011. ambas possuindo efeitos negativos. Na eutanásia passiva. neste caso) visa a não produzir efeitos negativos ao paciente (mal maior). Entretanto. ponderar-se-á por aquela menos gravosa. justificando o ato da omissão da verdade (mal menor) naquele momento. É o caso de doses progressivas de morfina para aliviar a dor (que no . não tem o fim médico de se lograr êxito letal. mas sendo incerto o salvamento por determinado procedimento. ortotanásia e distanásia em prol da melhor e lícita conduta ao paciente Eutanásia é considerada uma ação que tem por fim levar a retirada da vida do ser humano por sentimentos humanísticos. há a aceleração da morte. A eutanásia possui as modalidades ativa (também conhecida como benemortásia ou sanicídio). A prevenção de uma doença tão grave. elucida este princípio com dois exemplos: a) com finalidade de diminuir a propagação da AIDS (mal maior). com consequências positivas e negativas. Princípio do mal menor Quando se estiver diante de duas alternativas. passiva e de duplo efeito. proporcionar alívio ao sofrimento do paciente.3. à pessoa ou à sociedade – por piedade.6. p. para a realização de tal conduta. isso poderá ocorrer na próxima etapa. devendo-se atentar sempre à escolha menos prejudicial.

p.174-175). (.) Nada nos é dito sobre um conceito mais global de saúde. Neste sentido. A morfina e outros opióides são usados diariamente na medicina intra-hospitalar.) Mas a suspensão do tratamento fútil e a sedação do paciente terminal em sofrimento são medidas de amor. ou os ajudam a acabar com a própria vida”. mentais ou com doenças que poderiam ser tratadas mas que falecem antes do tempo em razão da vivência em situação de dor e sofrimento que. somos ensinados apenas a restaurar a saúde.) A sociedade por outro lado nos pressiona com sua carga cultural. o oncologista Sérgio Daniel Simon escreveu. 2009. É conhecida por morte miserável. religiosa e lega. Atrelada às consequências do ato médico e do consentimento do paciente. médicos. (.. 2004. E. em princípio. levando invariavelmente a sedação e uma provável parada respiratória indolor. involuntária (quando é realizada contra a vontade do doente). de reconhecimento dos limites da ciência médica. ainda. A retirada da vida. mesmo de alguém que se encontra sofrendo e em estágio terminal.31-32)... atingindo não apenas paciente em fases avançadas e terminais de suas enfermidades. a eutanásia se subdivide em: voluntária (vontade expressa do paciente.01) enfatiza esta prática como sendo um ato de “ matar deliberadamente uma pessoa por razões de benevolência” (grifos nossos). no Jornal do CREMESP. doentes em qualquer fase da vida. que “os médicos começaram agora a admitir abertamente algo que a profissão costumava manter em segredo: que os médicos às vezes matam os pacientes que pedem para morrer. seriam evitáveis se houvesse um atendimento de saúde eficaz. que: Nós. Dworkin (2009. também conhecida como suicídio assistido). Destaca-se pela ausência ou a precariedade de serviços de atendimento médico ocasionando a morte de várias pessoas com deficiências físicas. também. e não voluntária (quando ocorre o evento morte mas não se conhece a vontade do paciente). Jack Kevorkian nos EUA – não creio que a sociedade brasileira esteja pronta para esse debate. Há. todos nós vamos vivenciá-la. Ocorre esta prática.. (. de altruísmo.. A eutanásia ainda é vista como um tabu no mundo inteiro. por má prática médica. mas também. sobremaneira. ainda. e uma boa parte de nós irá passar por ela com sofrimento inimaginável para aqueles que não convivem com essa situação ( apudOLIVEIRA. ainda. decorrente do uso da medicina sem atenção aos direitos humanos... imprudência ou negligência. ou sobre o conceito de terapia fútil. relatando. ou sobre a importância de se facilitar a morte de um paciente terminal que sofre. . prejudicando direta ou indiretamente o paciente. ao ponto de menosprezar sua dignidade e provocar-lhe uma morte dolorosa e/ou precoce (NAMBA. em UTI’s.) Não estamos aqui defendendo a eutanásia como a praticada abertamente na Holanda ou a preconizada pelo Dr. p.paciente gravemente dolorido e terminal. por imperícia. ainda é uma polêmica. não há dose máxima). (. A morte é o único evento verdadeiramente democrático. p.. nos casos de pacientes que se tornam vítimas de erros médicos. outra nomenclatura de eutanásia: a mistanásia ou eutanásia social.

805/2006. no âmbito médico: . Em sentença. Em Ação Civil Pública. sociológico. não há indução da morte” (MAGALHÃES. sob o olhar da então Procuradora Luciana Loureiro – que substituiu o Dr. SILVA. inclusive. fazendo-se uso apenas de cuidados paliativos. o paciente é o maior prejudicado.429). lenta. Foi obtida liminar suspendendo a Resolução no ano seguinte do ajuizamento e. esclarecendo que “a eutanásia no Brasil é crime. p. Acrescente-se. ajuizada pelo Procurador dos Direitos do Cidadão do Distrito Federal. 12). 2012. A ortotanásia é considerada “a suspensão de tratamentos invasivos que prolonguem a vida de pacientes em estado terminal. apenas em agosto de 2010. p. apenas com a redução da pena”. entre outros” (D’URSO. 2012. sem chances de cura. poderia ser alçado à condição de privilegiado. Ao contrário do que acontece na eutanásia. poderemos ter casos de recusa de tratamento médico e de limitação consentida de tratamento. p. que – além dos citados procedimentos. ainda. mas não é permitida a eutanásia ativa (a prática de um médico administrar diretamente ao paciente uma medicação mortal). em face da motivação do agente. Wellington – é que foi constatada a confusão na ação dos conceitos de ortotanásia e eutanásia. O conselheiro do CREMESP. motivo pelo qual surgiu a Ação Civil Pública. da jurídica e profissionais de saúde em geral a ignorar a regulamentação e permissividade da prática da ortotanásia pelo Conselho Federal de Medicina. Para isso.01). o médico deve ter a anuência do doente ou. religioso. A confusão nos conceitos de eutanásia e ortotanásia leva os profissionais da área médica. entre os esclarecimentos do que vem a ser cada um dos institutos. Resolução CFM 1. 2011. p. desde que não os auxiliares do procedimento não tenham interesse na morte e esteja o paciente em pleno exercício de suas capacidades decisórias.01). antropológico.01). DAL SECCO. 2012. na prática “a situação é bem diferente pois envolve. A distanásia não produz benefícios ao paciente. No suicídio assistido temos a “hipótese em que a morte advém de ato praticado pelo próprio paciente. à época. foi requerida a inconstitucionalidade sob o argumento de que apenas lei poderia regulamentar tal prática. o magistrado concluiu que a Resolução CFM 1. Wellington Oliveira. A ortotanásia é um procedimento que respeita a forma natural da terminação da vida. p.Luiz Flávio Borges D’Urso bem focou a especificação do prisma jurídico e do real da eutanásia no Brasil. acompanhada de sofrimento e dor (BIONDO. de seus familiares. mas que. o aspecto médico. escreveu que tal confusão se faz presente. mas ainda é frequentemente confundido com a eutanásia e. O suicídio assistido possui regulamentação permitida na Suíça. Isac Jorge Filho (2009. trata-se de homicídio doloso que. 02). Não apenas nacionais como estrangeiros podem valer-se de tal procedimento na Suíça.805/2006 não é inconstitucional (MAGALHÃES. p. causando uma morte prolongada. além do aspecto legal. 2012. é um procedimento que apenas prolonga o processo de morrer e não a vida propriamente dita. se este for incapaz. orientado ou auxiliado por terceiro ou por médico” (DINIZ.

. § 1º A situação de morte iminente e inevitável deve ser previamente atestada por 2 (dois) médicos. Buscou com isso dar ao médico segurança e tranquilidade para. confundindo-a com a eutanásia em seu sentido criminal e considerando atitude passível de processo a restrição de recursos artificiais. por meio de resolução.805/2006 não trata de matéria penal e sim de ordem ética sob o enfoque médico. na esperança de milagres. facilitando a relação médico-paciente e evitando o desgaste desnecessário do paciente em estado terminal e seus familiares. Mas quem vai tomá-la equilibradamente sem segurança de que.805/2006 permite uma atividade médica de maior transparência. existe confusão em alguns setores com relação à ortotanásia. A previsão da Resolução CFM 1. prevê a exclusão da ilicitude nos casos da ortotanásia. por mais inúteis que sabidamente sejam. mesmo fazendo o correto. Assim aduz o texto do Projeto: Art. mas nenhum médico deseja que seu comportamento correto em termos científicos e humanísticos seja considerado crime.(. O Conselho Federal de Medicina. (. do cônjuge. não será punido por isso? E fica aí um círculo vicioso que mantém medidas sem valor prático. ascendente. desde que haja consentimento do paciente ou. mesmo que elas não tragam benefícios para o paciente e seus familiares. Atualmente em trâmite. sempre após discussão/acordo com paciente (se for possível) e familiares.. Pressionado por esse ponto de vista. descendente ou irmão.) infelizmente. em sua impossibilidade. descriminalizando a abstenção do uso de meios desproporcionais e extraordinários. companheiro. A indicação de início e de suspensão de medidas médicas deveria ser de decisão médica. .. o procedimento estabelecido para a prática da ortotanásia não implica em delito penal e nem afronta à Magna Carta Cidadã. Ademais. A Resolução CFM 1.) Nenhum médico de boa formação teria a irresponsabilidade de suspender medidas realmente úteis. que pretende alterar o Código Penal vigente. se abster das medidas fúteis. § 2º A exclusão de ilicitude prevista neste artigo não se aplica em caso de omissão de uso dos meios terapêuticos ordinários e proporcionais devidos a paciente terminal. estabelecendo procedimentos disciplinares como consequências ao desrespeito à norma imposta. diante de pacientes em terminalidade de vida.. o médico acaba por insistir em medidas fúteis. 136-A. deixar de fazer uso de meios desproporcionais e extraordinários. no âmbito dos cuidados paliativos aplicados a paciente terminal. o Projeto de Lei nº 6715/2009. em situação de morte iminente e inevitável. sem prognóstico e sem esperança. Não constitui crime. procurou regulamentar o assunto.

e a ventilação não invasiva. considera-se: I . quando necessária. a qualidade de vida dos pacientes e o alívio do sofrimento.junta médica especializada: junta médica formada por no mínimo três médicos. O ex-governador de São Paulo e o Papa João Paulo II foram conhecidos casos que optaram por somente receber tais medidas em seus últimos momentos de vida (MAGALHÃES. V . com prognóstico de morte iminente e inevitável.cuidados básicos. importantes conceituações. VII . dispondo sobre “os cuidados devidos a pacientes em fase terminal de enfermidade”.cuidados paliativos: medidas que promovem.procedimentos e tratamentos desproporcionais: procedimentos ou tratamentos que não preencham os critérios de proporcionalidade expressos no inciso IV deste artigo. mas não prolongam o procedimento de morte é característica da ortotanásia. inclusive aqueles em fase experimental. à avaliação e ao tratamento adequado tanto da dor quanto de outros problemas de natureza física. a higiene.Foi proposto um substitutivo ao Projeto de Lei citado. 3º Para os fins desta lei. . VI . cujo único objetivo seja prolongar artificialmente a vida.procedimentos e tratamentos proporcionais: procedimentos ou tratamentos cujo investimento em equipamentos e pessoal mostra-se proporcional aos resultados esperados. progressiva e incurável. especialmente relacionadas ao diagnóstico precoce. entre os quais se inserem a alimentação. artigo 3º. e que não apresenta qualquer perspectiva de recuperação do quadro clínico. de cuja composição façam parte pelo menos um psiquiatra e um médico de especialidade relacionada ao caso clínico específico do paciente. constando no texto normativo. III .procedimentos e tratamentos extraordinários: procedimentos ou tratamentos não usuais. usualmente com enfoque multiprofissional. VIII . com relação favorável à qualidade de vida do paciente. Os cuidados paliativos que apenas evitam a dor e o sofrimento extremo do paciente. normais ou ordinários: cuidados necessários e indispensáveis à manutenção da vida e da dignidade de qualquer paciente. a hidratação. eletrólitos e nutrientes.médico assistente: profissional médico responsável pela assistência ao paciente em fase terminal de enfermidade.paciente em fase terminal de enfermidade: pessoa portadora de enfermidade avançada. psicossocial e espiritual. p. o tratamento da dor e de outros sintomas de sofrimento. IV .01). e que não impõem aos pacientes sofrimentos ou contrariedades em desproporção com os possíveis benefícios deles decorrentes. vedada a participação do médico assistente. a saber: Art. II . 2012. em razão de falência grave e irreversível de um ou vários órgãos. garantidas as quotas básicas de líquidos.

que é finita. A morte encefálica deverá ser consequência de processo irreversível e de causa conhecida. Somos programados para morrer. que especifica a ausência total de atividade cerebral clinicamente detectada por meio do estado comatoso aperceptivo com ausência de atividade motora supraespinhal e apneia: Art. dentre eles citamos: Michigan. mas temos o direto de não morrer antes do tempo e de morrer com dignidade” (OLIVEIRA. Os parâmetros clínicos a serem observados para constatação de morte encefálica são: coma aperceptivo com ausência de atividade motora supra-espinal e apneia. em Luxemburgo. Art. o tema que vem causando debates nas sociedades no mundo inteiro trata-se da prática da eutanásia e da ortotanásia.Capítulo 03 – A morte com dignidade e o testamento vital ( living wills ) Cabe-nos inicialmente ressaltar neste Capítulo que “morrer é parte natural da vida. o direito a vida não é absoluto. b) ausência de atividade metabólica cerebral ou. c) ausência de perfusão sanguínea cerebral. Os exames complementares a serem observados para constatação de morte encefálica deverão demonstrar de forma inequívoca: a) ausência de atividade elétrica cerebral ou. Como já mencionamos anteriormente. Entretanto. na Bélgica. Art. 2004. 4º. As questões morais. está claramente definida na Resolução CFM nº 1480/97. na Colômbia. Art. na Suíça. na acepção médica.48 horas b) de 2 meses a 1 ano incompleto . A morte digna possui disposições normativas na Holanda. conforme abaixo especificado: a) de 7 dias a 2 meses incompletos . próprios para determinadas faixas etárias.12 horas d) acima de 2 anos .24 horas c) de 1 ano a 2 anos incompletos . Os intervalos mínimos entre as duas avaliações clínicas necessárias para a caracterização da morte encefálica serão definidos por faixa etária. 5º. p. 6º.6 horas Art. 3º. 1º. . Morte. A morte encefálica será caracterizada através da realização de exames clínicos e complementares durante intervalos de tempo variáveis. além de alguns estados americanos.23). mais recentemente na Argentina. religio sas e culturais estão por trás das normativas criminalizadoras de determinadas situações da retirada de vida. assim como os demais direitos fundamentais. Nova Iorque e Oregon.

o médico resguardará a vontade do paciente mesmo quando ele estiver incapaz ou impedido de manifestar sua vontade. de Portugal. regulamentou as diretrizes antecipadas de vontade. p. Pessoas buscam clínicas especializadas em morte fora do país. E vai mais além. 2012. para tanto. As mortes ruins são aquelas onde estes aspectos não estão presentes e ocorrer: negação. se preparar. recebendo a denominação de Natural Death Act. nomeação de procurador de cuidados de saúde. observar alguns critérios elencados em diversas normativas. não puder exprimir sua vontade.01). a Lei Federal nº 41/2002 introduziu as Diretivas Antecipadas no Sistema Público de Saúde. Estados Unidos. especialmente raiva” (2003. para a real efetividade do testamento vital. . tem-se um maior pleito para a amenização dos sofrimentos decorrentes das doenças incuráveis. No Brasil não há legislação sobre o testamento vital. constitui o documento escrito onde a pessoa especifica que tipo de tratamento deseja ou qual tratamento não deseja que se realize quando ela vier a ser acometida de doença incurável ou terminal e. Desta forma. O testamento vital. atualmente. onde o suicídio assistido é permitido por lei. aceitar. O paciente é cada vez mais cônscio de seus direitos e exige melhor tratamento. É bem verdade que. p. como na Suíça. ou seja. A Organização suíça Dignitas recebe declarações escritas das pessoas que tem por interesse utilizar de seus serviços um dia. falta de aceitação e forte expressão dos sentimentos. 126). da ocasião. A psicóloga aduz que “nas mortes consideradas como boas são arrolados os seguintes aspectos: ter consciência. estar em paz e ter dignidade. Entre a prática médica e a regulamentação jurídica sobre a morte digna. bem como. Na Espanha. com os maiores esclarecimentos na relação médico-pacientes. tais como: ser o testador pessoa capaz. a designação do testamento vital. É necessário. observar que pode ser revogável a qualquer tempo e possuir um prazo de validade limitado a. criando também o Registro Nacional do Testamento Vital (RENTEV). este documento surgiu na década de 1970. O médico fica atrelado às disposições do testamento sob pena de sofrer sanções disciplinares em razão do desrespeito. constar presença de duas testemunhas. ainda há um lapso temporal que possibilita criações de clandestinas alternativas ou atípicas condutas penais. mesmo que isto signifique a solicitação de tão somente cuidados paliativos que não prolonguem a sobrevida de quem está em estágio terminal. cinco anos. principalmente por meio da autonomia dos doentes. a Lei nº 25 de 16 de julho de 2012. também chamado de “Diretivas Antecipadas”. cobrando o valor atual de aproximadamente R$15 mil para realizar o procedimento (PONTES. Na Califórnia.Kovács traduz as reflexões sobre a morte com dignidade como preocupações dos profissionais da área de saúde em oferecer cuidados paliativos. A importância de tal instrumento resguarda as atitudes do profissional de saúde e assegura o direito ao exercício de autonomia do paciente. Em recente normativa. no máximo.

aquele que satisfizer a vontade de Tony incorrerá nas penas do homicídio.805/2006 e prevista no Projeto de Lei nº 6715/2009. sendo normatizada pela Resolução CFM nº 1. entretanto.No Reino Unido. tampouco abordar um pouco de cada ponto da matéria. sendo incapaz até mesmo de falar. Assim como no Brasil. Tentativas de medidas heroicas em face de uma vida irremediavelmente comprometida só há justificativa de ser se esta for a vontade do paciente ou. Todavia. suscitar reflexões e promover o debate em prol da melhor situação à sociedade. mas possui tetraplegia consequente de um acidente vascular cerebral. O cerne da questão gira em torno do desnecessário prolongamento de vida ante a iminente e inevitável morte em razão de doença incurável e estado terminal. Na seara jurídica. fazendo-se uso de disposições normativas para punição daquele que a suprimir. O direito à morte digna deve ser entendido como direito fundamental que se encontra alicerçado na amplitude do direito à vida. em razão da não previsibilidade da eutanásia no ordenamento legal pátrio. Até a exata regulamentação jurídica pátria do tema. meio e fim. que pretende alterar o Código Penal vigente. É bem verdade que a tutela do bem jurídico vida deve prevalecer em face de sua importância e essência. já possui uma aceitabilidade. que resolveu apelar ao Supremo Tribunal de Londres para ter o direito de morrer por meio de suicídio assistido. administrativas e penais aos profissionais de saúde que praticarem ou induzirem a morte de pacientes em estágio terminal da vida . de seu representante legal. Esta lacuna legislativa ainda provoca confusões com a permissividade da ortotanásia no Brasil e a confusão desta com a eutanásia. seu cérebro funciona perfeitamente bem. o que é proibido no naquele ordenamento jurídico. um caso que de grande repercussão tem sido o de Tony Nicklinson. a eutanásia ainda é vista como conduta criminosa. A ortotanásia. constituindo-se esta em início. Considerações Finais A intenção deste artigo não é esgotar o tema. o que é lamentável tendo em vista a sofrível situação do paciente. devemos observar os limites e as peculiaridades de cada caso. mas sim. no caso de sua incapacidade decisória. possibilitar esclarecimentos. Morrer com dignidade é a aplicação não apenas dos princípios constitucionais como também dos bioéticos. ainda nos veremos diante de impasses conceituais. desrespeitos à vontade dos pacientes e possibilidade de aplicações civis. Nicklinson possui a síndrome do encarceramento ( locked-in-syndrome ).

Crime de estelionato. pois. Já nos deparamos com o caso de um sujeito que. realizada a operação. após a digitação da senha. não ocorrendo subtração. foge sem pagar. aproveitando-se este do distanciamento da lesada para levar consigo o dinheiro sacado. todavia. já que a coisa é repassada voluntariamente ao sujeito ativo. note-se. mas sim teve a sua vigilância burlada. Não haveria a subtração caracterizadora do furto. mas sim a concessão de uma vantagem indevida. O agente. fraudulentamente. comete crime de furto mediante fraude. após abastecer seu automóvel em um posto de gasolina. já que a pessoa lesada não entregou voluntariamente o dinheiro ao agente. derrubando-a sobre um papel estirado por sob a porta. para recebê-la'. uma vez que o dono não cedeu o veículo ao agente. Não se cuida. o caso é de furto mediante fraude. mediante fraude. como preconizado por alguns. a vítima se dirigiu ao caixa indicado pelo agente. puxando em seguida o papel e. apesar do engano a que é levada a vítima. A pessoa que. sairia em outra máquina. com isso. . Configura caso de furto mediante fraude a conduta do agente que. que o sujeito ativo tivesse solicitado à vítima que lhe repassasse parte do dinheiro. há uma grave ameaça. fazendo-se passar por manobrista. houve subtração do combustível.Consta da nova redação do meu livro. facilitando a subtração do bem. não o efetua. Certamente. caso que configuraria crime de estelionato (artigo 171). o agente adquire um bem. disse-lhe que o dinheiro. Suponhamos. portanto. que configura elementar do crime de roubo. a pretexto de auxiliar uma senhora idosa na operação de um caixa eletrônico. Isso porque. O uso de um simulacro de arma de fogo para a intimidação da vítima. com a fuga. Hungria cita. tampouco de estelionato. De forma clara e concisa. o artifício é empregado para subtrair a coisa. já que o combustível somente foi colocado no tanque em virtude de um engodo. que será em breve lançado pela Editora Freitas Bastos: CONSIDERAÇÕES PONTUAIS SOBRE O ESTELIONATO E O FURTO MEDIANTE FRAUDE "A segunda hipótese do inciso II cuida do furto mediante fraude. não proporciona imediatamente a posse da coisa. há estelionato. com a posterior subtração. utiliza um ardil ou um artifício para burlar a vigilância da vítima sobre a coisa e dela se apoderar. contudo. No estelionato. além da fraude.[2] Acerca do tema em comento. Weber Martins Batista diferencia o furto mediante fraude do estelionato: 'No caso do furto. O engodo. Tal recebimento não induz a tipificação do estelionato. não caracteriza furto fraudulento. prometendo o pagamento em ocasião posterior e. mas tão-somente o deixou sob sua guarda. alguns casos enfrentados pela doutrina e pela jurisprudência merecem destaque. ao seu turno. nem de furto simples.[1] Ludibria-se a vítima para que se tenha acesso ao objeto. como exemplo de furto mediante fraude. justificando com o pagamento de uma taxa a ser recolhida pelo uso do equipamento. um caso descrito por Graciliano Ramos em Memórias do Cárcere: o ladrão remove com uma pinça ou estilete a chave deixada internamente na fechadura. Assim. consistente na alegada intenção de pagar pelo bem. Se. aqui. recebe o veículo da vítima e foge com o bem.

o quanto de energia foi consumido. mas a entrega livre do bem. a entrega voluntária da coisa ao agente. ninguém é ludibriado. o agente adultera o funcionamento do relógio de medição.[5] Já o segundo jurista aduz que. Trata-se de furto fraudulento. Em seguida. Mas essa fraude configura crime de furto fraudulento ou de estelionato? Weber Martins Batista. constata-se a utilização de uma fraude na execução do delito. montando um 'gato'. ou seja. iludindo-se apenas a aferição do consumo. caracterizando a subtração.[6] Pensamos que a hipótese importa crime de estelionato. Caso comum é aquele em que o sujeito ativo vai à casa da vítima. embora viciada pela fraude. passe a fazer uso da energia sem a sua passagem pelo relógio de medição. pois o lesado é a instituição financeira ludibriada para pensar que contratava com pessoa distinta do criminoso. e depois emprega os dados para a realização de transferências eletrônicas.[3] Ousamos discordar do grande criminalista. se o agente usar o cartão eletrônico para a contratação de um empréstimo junto à instituição financeira. entretanto. não incide sobre o fornecimento. Não há fraude. sorrateiramente instalado em seu computador (phishing). passando-se por titular da conta. solicita a apresentação do cartão bancário e o fornecimento da respectiva senha. 'na espécie apresentada. Há. o que se verifica é o furto qualificado pela fraude. ainda. sendo a quantia subtraída invito domino. Suponhamos que o agente. de fornecimento de gás etc. normalmente uma pessoa idosa. mas sobre a cobrança futura. justificando sua presença pela necessidade de um 'recadastramento'. Há furto mediante fraude. evidentemente. crime de furto. Adulterado ou não o marcador. Não há subtração. regularmente. também. Mostra-se relevante. sim. e Álvaro Mayrink. Entretanto. Mais debatido é o caso da subtração de energia. a retirada da coisa é feita sem a concordância da vítima. A hipótese se complica. Há. A fraude. a qual lhe fornece a vantagem indevida. quando o agente capta informações bancárias da vítima através de um software malicioso. Sustenta sua posição asseverando que não há subtração. Para o primeiro autor. uma vez que um engodo é usado para que se conquiste acesso ao depósito bancário. mas sim habilidade na execução criminosa. diz haver estelionato. o agente vai a uma agência bancária e saca a quantia depositada na conta do ingênuo lesado. assim. no caso. a captação do bem se dá da mesma forma. a atualíssima discussão acerca das transferências bancárias fraudulentas. dos saques em conta-corrente mediante uso de cartões eletrônicos obtidos mediante ardil e condutas afins. que se distingue do ardil que integra o estelionato'. limitando-se a constatar. passando-se por funcionário público ou empregado de alguma instituição financeira. A modificação feita pelo agente é um artifício para ludibriar a empresa concessionária do serviço público. Pode ser adotado o mesmo entendimento nos casos de adulteração em bomba de combustível. ligando a rede elétrica de sua casa diretamente à fiação existente na rede pública de distribuição.[4] Discordam Paulo José da Costa Jr.conseguindo obter a posse da chave. o crime é de estelionato. devolvendo à vítima um cartão parecido com o original. em vez de captar a energia diretamente da rede elétrica. pois é subtraído um bem disponibilizado para a população. A empresa concessionária realiza a instalação elétrica e coloca a energia à disposição do consumidor. escrevendo sobre o tema. Depois de questioná-la sobre seus dados qualificativos. mas recebimento da energia. quando. De início. . fazendo com que indique um consumo menor do que aquele efetivamente verificado.

cheque com assinatura falsificada ou valores adulterados para depósito em conta do criminoso ou para saque). o produto do crime (automóvel) é entregue ao autor pela empresa. por sua função. o crime é de estelionato. Informativo nº 453: “A Turma deu provimento ao recurso especial para subsumir a conduta do recorrido ao delito de furto qualificado pela fraude (art. Nesse caso. Naturalmente. pois o lesado é o estabalacimento comercial em que trabalha o empregado iludido. para fins de pagamento de seguro. Relator." c) Movimentação eletrônica fraudulenta de contas: saques e transferências configuram furto. O mesmo ocorre se o título fraudulento é usado para movimentar diretamente a conta de um correntista desavisado (por exemplo.Órgão Julgador: T4 . somente é obtida depois de ludibriado o funcionário do banco. b) Locação de automóveis mediante apresentação de documentação falsa. não ao de estelionato (art. concedendo a vantagem ao criminoso.Relator: Ministro JORGE SCARTEZZINI – Data do Julgamento: 25/09/2006). O dolo ab initio exclui qualquer possibilidade de apropriação indébita. de valores que se encontravam depositados em nome deles." Sobre o tema. não há relevância no engodo (portando a res furtiva depois da subtração. 171 do CP). suspeitando de sua conduta. com posterior desaparecimento do veículo: há estelionato. Para que incida a qualificadora. o agente que. pode ser usada a fraude em qualquer momento do iter criminis. por exemplo) até os executórios (um dos coautores distrai a vítima para que o outro se apodere da coisa.Já o uso de cartões de crédito 'clonados' caracteriza estelionato.RECURSO ESPECIAL: REsp 672987 MT 2004/0083646-3 . a aquisição de eletrodomésticos em uma loja). como gerente de instituição financeira. uma vez consumado o furto. merecem destaque alguns casos peculiares. do CP). II. pagamentos e condutas assemelhadas. que suscitam dúvidas mais pela falta de uma observação atenta do que pela ausência de lastro científico: a) Uso fraudulento de cheques: se o cheque é emitido para pagamentos em estabelecimentos comerciais (por exemplo. § 4º. sem obstáculo. em que pese a promessa de restitui-lo. In casu. estelionato (ver texto supra).QUARTA TURMA .). pois a vantagem. falsificou assinaturas em cheques de titularidade de correntistas com os quais. o aborda). Situação diferente é a do veículo subtraído durante um test drive: "Segundo entendimento desta Corte. ____________ *1+ STJ. o subtrai (STJ . a pretexto de testar veículo posto à venda. a fraude foi utilizada para burlar a . 155. pois a vantagem indevida (mercadoria) é dada ao estelionatário em troca de uma contrapartida fajuta. Empréstimos contraídos. v. g. embora não concedida. desde os atos preparatórios (o agente que se disfarça para penetrar na casa da vítima. e não estelionato. ocorre furto mediante fraude. o que possibilitou a subtração. que acaba lesada pela não-devolução. Para o Min. o réu. mantinha relação de confiança. que autoriza a transação. o agente usa um ardil para enganar o policial que.

Ao contrário. o artifício malicioso é empregado para iludir a vigilância ou a atenção. a empresa) não foi viciada para entregar espontaneamente a res furtiva para os agentes. Habeas corpus denegado” (HC 8179/GO – 6ª Turma JUSTIÇA CONCEDE HC E TRANCA AÇÃO PENAL DE DELEGADO "Pela falta de justa causa para a instauração da ação penal e pela descrição das condutas típicas que não combinam com as informações apuradas. . enquanto no furto qualificado pela fraude. [2] MARTINS BATISTA. já que a vontade do titular do bem (no caso. ignorava-se o ocorrido. levavam várias mercadorias a esta. e ainda assinou o boletim como se estivesse presente no plantão policial. Como não estivesse na delegacia no momento da apresentação do suspeito. que. o delegado ordenou que um policial civil elaborasse o boletim de ocorrência e liberasse o suspeito. Napoleão Nunes Maia Filho. De acordo com a denúncia do ministério Pùblico do estado. Além disso. correta. segundo a defesa. p. o Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu pedido de Habeas Corpus em favor de um delegado de Polícia e determinou o trancamento da ação penal movida contra ele pelo Ministério Público. tratou de definir os limites do furto fraudulento e do estelionato: “No crime de estelionato a fraude antecede o apossamento da coisa e é causa para ludibriar sua entrega pela vítima.vigilância das vítimas. Rel.194-SC. julgado em 26/10/2010). 69/353). em que duas pessoas. Segundo o advogado de defesa Orlando Machado da Silva Júnior.173. foi pela tipificação do furto mediante fraude. 141. registrando somente algumas. permitia que as excedentes fossem levadas. Min. O autor cita um caso julgado pelo TACrimSP (JUTA. o delegado praticou ato em desacordo com a lei uma vez que determinou a elaboração do boletim de ocorrência à distância por não querer ir até a Delegacia de Polícia. quando policiais militares conduziram até lá um homem sob suspeita de tráfico de drogas. O STJ. a suspeita de tráfico de drogas não exige a prisão em flagrante e que o delegado pode determinar o registro da ocorrência para melhor apuração dos fatos. o que gerou uma declaração falsa. Weber. na Delegacia da cidade de Paraguaçu Paulista (SP). em acórdão de lavra do Ministro Vicente Leal. não para induzi-las a entregar voluntariamente a res” (REsp 1. op. Ocorre furto mediante fraude e não estelionato nas hipóteses de subtração de veículo posto à venda mediante solicitação ardil de teste experimental ou mediante artifício que leve a vítima a descer do carro. O furto e o roubo…. em comum acordo com a caixa de um supermercado. caracterizando o furto em virtude da subtração. Consta dos autos que o delegado era o responsável pelo plantão. A decisão. cit. a denúncia é genérica e atribui conduta atípica afastando a possibilidade do delegado exercer o seu poder como tal..

Para o TJ-SP a denuncia deixa dúvida quanto à legalidade do procedimento instituído pela Secretaria de Segurança Pública: “Antes de imputar ao paciente prática do crime de prevaricação.' Para o relator. Ainda. E não foi o que ocorreu no caso concreto. antes de deflagrar a ação penal. é inviável julgar a ação." "SEXO COM MENOR POR 50 CENTAVOS NÃO É PROSTITUIÇÃO "Um homem que pagou R$ 0. A 7ª Câmara Criminal do Tribunal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. o absolveu da acusação de favorecimento à prostituição de menores. o que lhe renderia mais alguns anos atrás das grades. segundo o acórdão. entendeu que o Ministério Público não fala com exatidão que houve a detenção de pessoas em flagrante. sendo temerária a ação penal. seria necessário determinar se o delegado agiu em conformidade com as instruções normativas editadas por seus superiores. desembargadora Naele Ochoa Piazzeta. não há indícios de que a ausência do delegado no momento da elaboração do Boletim de Ocorrência tenha sido motivada unicamente pelo desejo de não se deslocar até a delegacia: 'Melhor teria sido aguardar-se a vinda de tais informes por parte da autoridade administrativa competente. e assim a análise que permitiria avaliar se houve ou não o crime de prevaricação ficou prejudicada.” Ainda. É necessário que o agente do delito tire proveito da sexualidade alheia. desembargador Amado de Faria. habitual. E assim. explicou que o reconhecimento de prostituição exige a constatação de comércio sexual reiterado. A relatora da Apelação criminal no tribunal. foi concedido a ordem de Habeas Corpus para o trancamento da ação penal contra o delegado. não se denota. a obrigatoriedade legal do preenchimento do documento na presença do delegado de polícia. no entanto. autorizada sem que houvesse justa causa. pois a elucidação desse aspecto é essencial à formação da ópinio delicti´. seria recomendável à Promotoria de Justiça a cautela de obter junto à referida Secretaria de Estado a informação relacionada à legalidade dos chamados 'Plantões à Distância'. a sua elaboração pode ser feita pelo escrivão de polícia ou outro agente policial. . de forma automática. Sem esse esclarecimento. e pelo constrangimento ilegal. Por esses motivos. para o julgador. uma vez que.50 para manter relações sexuais com uma menina de nove anos teve condenação confirmada em seis anos de reclusão em regime fechado. para o Tribunal não há falsidade no boletim de ocorrência. Em relação à liberação de pessoas detidas por suspeita de envolvimento em tráfico de drogas. segundo sentença proferida na Comarca de Faxinal de Soturno.

Mas é evidente que o legislador não estava em um de seus dias mais felizes (se é que eles existem) quando de sua elaboração. alínea 'a'. ele 'costuma de passá com as gurias e tem fama de conquistador'. o fato de o acusado ter oferecido quantia em dinheiro para atrair a vítima e perpetrar o abuso sexual não se amolda ao delito previsto no artigo 218-B do Código Penal. para comprar sexo de uma mulher adulta. a despeito de ter solucionado uma série de controvérsias até então existentes. a promessa em dinheiro efetuada pelo réu à infante. está contribuindo com a prática sexual subsequente. Conforme denúncia oferecida pelo Ministério Público estadual. deve ser avaliada quando do exame da reprovabilidade da conduta ou. a vítima dirigiu-se até a casa do estuprador para receber o valor prometido .Conforme a relatora. pois o crime de favorecimento à prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável não se confunde com a própria violência sexual. quem induz pessoa com idade inferior a 14 anos a satisfazer à lascívia de outrem. O problema é que. de início. Ele foi incurso nas sanções do artigo 214. e artigo 218-B. A juíza de Direito Sandra Regina Moreira acolheu integralmente a denúncia do MP. Afinal.cinquenta centavos. sem consistir crime autônomo'. nos moldes ocorridos no caso em tela. todos do Código Penal. em certa ocasião. Essa quebra da teoria monista não é novidade nas leis penais: encontramo-la nos crimes de abortamento. Já teria oferecido dinheiro. Segundo o processo. merecedor de severa punição. que o dispositivo cria uma exceção dualista à teoria monista.015/09. O acórdão é do dia 13 de setembro. depois de despi-la. concluiu a relatora." A INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 218 DO CÓDIGO PENAL EM FACE AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE A Lei nº 12. o induzimento deveria seguir na mesma esteira. teve o demérito de criar tipos penais esdrúxulos e de duvidosa constitucionalidade. que reformou os crimes sexuais. Ao contrário. 'A meu ver. combinado com os artigos 224. na Lei de Tortura etc. consumou o ato sexual. contemplada no artigo 29 do Código Penal. no caso do artigo 218. o abuso sexual ocorreu nas proximidades do horto municipal. assim redigido: “Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de outrem” Não se nega a reprovabilidade da conduta. ela deságua em . Cito como exemplo – e sobre ele irei me debruçar – o atual artigo 218 do Código Penal. ainda. Se o ato sexual propriamente dito caracteriza estupro de vulnerável. Sob promessa de pagamento. Verifica-se. Pena: oito anos de reclusão em regime fechado. c/c artigo 71. Mais tarde. a menina acompanhou o denunciado até uma lavoura de mandioca que. condenando o denunciado pelos crimes de atentado violento ao pudor e de exploração sexual de vulnerável. O entendimento foi seguido à unanimidade pelos demais desembargadores. trata-se de comportamento vil. das circunstâncias do crime.

Em comparação. a incongruência do novo tipo penal. Ou seja. qual seja. é uma derivação da individualização legislativa das penas. a fim de não colocar em risco o relacionamento afetivo mantido com o sujeito ativo. A reduzida sanção do artigo 218 não é apta a punir adequadamente aquele que pratica o comportamento ali descrito. Agora. Vejamos o caso da omissão imprópria: a mãe de uma adolescente de 12 anos. Nesse caso. estupro de vulnerável.720. além de incluir seu artigo 288A. induz a própria filha ao ato. Breves minutos de observação atenta já demonstram a inadequação da pena cominada abstratamente ao artigo 218: 2 a 5 anos. que tem sede na Constituição Federal). que altera os artigos 121 e 129 do Código Penal. Ademais. sob o pretexto de prestação de serviço de segurança. assim. Por que haveria de ser diferente quando a vítima é a criança ou o adolescente de até quatorze anos? Fica evidente. se essa mesma mãe.720/12 e a ofensa ao Princípio da Legalidade No dia 28 de setembro de 2012 entrou em vigor a Lei 12. Em suma. aquele que convence a vítima responde pelo mesmo delito praticado por quem mantém com a vítima o amplexo sexual. respectivamente. o que podemos perceber pela nova causa de aumento no artigo 121: § 6o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada. ou por grupo de extermínio. em tese sua conduta seria enquadrada no artigo 218 do CP. em tese. Dispondo sobre o extermínio de seres humanos. a mãe deverá ser responsabilizada pelo mesmo crime que o padrasto. ao seu turno. a lei verdadeiramente não exige sequer tal intenção. Mas as perplexidades não param por aí. . Isso significa que. qual seja. sendo a vedação à insuficiência um dos aspectos da proporcionalidade (que. nada faz. nessas hipóteses. a pena fixada ao estupro de vulnerável tem limites mínimo e máximo fixados em 8 e 15 anos. o que não faz nenhum sentido. E a única solução plausível é a declaração de inconstitucionalidade em virtude da proteção deficiente estipulada no dispositivo. em conluio com o padrasto e com o objetivo de satisfazer repugnante fantasia sexual deste. deveria ser considerado ato de participação no estupro cometido por terceiro.evidente desproporcionalidade. restando alijada da norma a conduta praticada contra pessoa portadora de enfermidade ou deficiência mental. a mãe que se omite é apenada com muito mais severidade do que aquela que age. merece atenção o fato de que o artigo 218 contempla apenas o induzimento de pessoas com idade inferior a quatorze anos. ciente de que esta vem sendo molestada sexualmente pelo padrasto. razão pela qual o vício deve ser sanado. segundo as regras atinentes aos crimes comissivos por omissão. deixando transparecer injustificável beneplácito a quem comete um crime grave Lei 12. estupro de vulnerável. a punição é consideravelmente abrandada naquele comportamento que.

Não podemos nos valer do tradicional conceito de milícia (1): 1. integrar. organizar. naquilo que passamos a conhecer. 288-A. Parece-nos que o legislador trouxe uma expressão principalmente midiática para dentro do Código Penal. esbarramos com o termo “milícia privada”. a falha já se inicia na ementa da lei. Primeiramente. manter ou custear organização paramilitar.Ou seja. Essas pessoas oferecem “proteção” aos moradores. 4. de forma a designar grupos que acabam atuando. No artigo 129. de forma a intimidar e controlar determinados grupos. possibilitando. 3. O novel artigo 288A assim dispõe: Constituição de milícia privada Art. Quantas pessoas são necessárias para que possamos ter uma milícia? Uma só pessoa pode caracterizar milícia? Quais as práticas exigidas para que se caracterize a milícia? E vamos além: O que seria uma milícia privada? Caso seja formada por agentes policiais. principalmente sob o pretexto de oferecer segurança. Ainda analisando a causa de aumento: o legislador exigiu “sob o pretexto de prestação de serviço de segurança”. No entanto. Comecemos pela análise da causa de aumento de pena. certas . insegurança jurídica e decisões conflitantes. que passa a ter conotação ilegal. é justamente por isso que esclarecer seu conceito seria necessário. Vida ou disciplina militar Força militar de um país Qualquer corporação sujeita a organização e disciplina militares Congregação ou agrupamento militar A partir do momento que ganha conotação negativa. já há algum tempo. não incidiria a causa de aumento? Todas essas questões permanecem sem resposta.reclusão. como “milícia”. milícia particular. grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código: Pena . ganhou conotação negativa. sob cobrança de determinados valores. Outra previsão bastante dúbia: O grupo deve ser formado com esta finalidade? Ou o homicídio deve ser praticado pela milícia privada em situação específica? Vejamos: Uma determinada comunidade vive sob às margens de proteção de determinadas pessoas. altera o parágrafo 7º. E o seu conceito? Sabemos que a expressão. Constituir. Infelizmente. as novas previsões possuem falhas insuperáveis. no mínimo. para possibilitar a aplicação da causa de aumento acima referida no crime de lesão corporal. midiaticamente. 2. de 4 (quatro) a 8 (oito) anos.

a exigir que os moradores de uma determinada região somente adquirem seus produtos e serviços. Essas execuções não se efetuarão em nenhuma circunstância. além do “oferecimento de serviços de proteção”. circunstâncias excepcionais. No entanto. e sejam sancionáveis com penas adequadas que levem em conta a gravidade de tais delitos. Esta proibição prevalecerá sobre os decretos promulgados pela autoridade executiva” . poderia incidir a causa de aumento.. abuso ou uso ilegal da força por parte de um funcionário público ou de outra pessoa que atue em caráter oficial ou de uma pessoa que promova a investigação. Já em determinada situação em que alguém tivesse praticado alguma conduta contra um dos moradores da comunidade. podiam também auferir lucros com outros serviços. Não poderão ser invocadas. nem sequer em situações de conflito interno armado. como aconteceu com os transportes realizados pelas “vans” e motocicletas. outrossim. essa pessoa fosse morta. com o fornecimento de gás. e por fazer parte do “serviço de proteção” o extermínio de quem desobedecesse tal regra. aí sim poderia incidir a causa de aumento. tais grupos acabam por exercer outras atividades. a instabilidade política interna. nem nenhuma outra emergência pública. para justificar essas execuções.) Passaram. nos deparamos com outro questionamento: Nesse exemplo. ou com o consentimento ou aquiescência daquela. Vejamos o que nos diz Rogério Greco (2): “Com o passar do tempo. os membros integrantes das milícias despertaram para o fato de que. como por exemplo. não poderia incidir a causa de aumento. Porém. o primeiro problema com o qual nos deparamos. arbitrárias ou sumárias. luz etc. A previsão da causa de aumento de pena buscou observar a diretriz contida na Resolução 44/162. necessária seria a caracterização da milícia privada. fornecimento ilegal de água.. aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas. imaginemos o seguinte exemplo: Determinado morador descumpre as regras estabelecidas por este grupo e acaba sendo vítima de um homicídio. através da imposição do regime de terror. Superando a já discutida e extremamente problemática “milícia privada”. no exemplo fornecido. a previsão permite outra interpretação: que o crime de homicídio tenha sido praticado nessa condição. (.” Com base nas colocações anteriores. TV à cabo (vulgarmente conhecido como “gatonet”). por eles monopolizados. Neste caso. e zelarão para que todas essas execuções se tipifiquem como delitos em seu direito penal. incide a causa de aumento? Se entendermos que a milícia precisa ser formada sob o pretexto de oferecer serviço de segurança.exigências e limitações. o estado de guerra ou o risco de guerra. No entanto. para chegar nesta análise. além do serviço de segurança. nem tampouco em situações nas quais a morte ocorra na prisão. em 1989: “Os governos proibirão por lei todas as execuções extralegais.

e tal postura pode ser extraída da expressão ‘típica’ acrescida ao vocábulo ‘atividade’. milícia particular. Para que se respeite o princípio da legalidade. dentre os Crimes contra a Paz Pública. o novel artigo 288 A se caracterizaria como um crime comum. em que pese à existência de previsão na Convenção da Palermo. Não se pode permitir a extrema abertura do tipo penal. 2ª – O número mínimo de pessoas ficaria a cargo da interpretação judicial. grupo ou esquadrão.Como se já não fosse problemática a previsão do novo parágrafo 6º do artigo 121. na sua vertente de estrita legalidade. não define qualquer deles. ao trazer previsão que não é clara e nem precisa. ao citar organização paramilitar. A mesma linha de pensamento foi adotada na interpretação do artigo 20 da Lei de Segurança Nacional (Lei 7.. a Lei 12.. o que também suscita dupla interpretação: 1ª. deixando a margem da interpretação tal requisito de composição. como grupo e esquadrão. as características e requisitos do artigo 288.720 criminaliza. ao que a Lei 12. Parece-nos mais acertada a primeira posição. o tipo do art. Ora. Rogerio Sanchez (3): “(. ao compor a expressão ‘grupo de extermínio’. que exige uma associação estável. sob pena de cairmos na mesma problemática da Lei 9. a única ‘atividade típica’ que pode servir de parâmetro ao ‘grupo de extermínio’ é a da quadrilha ou bando. trazendo previsão mais específica. torna-se essencial uma previsão que seja clara e precisa. mais uma vez trazendo previsão típica que ofende ao princípio da legalidade. permanente.034/95. na análise do caso concreto.170/83). permanente. Neste sentido. Em conclusão. por outro lado. 288 do Código Penal. portanto.” E seguindo. ao dispor sobre Organização Criminosa.720 passou ao largo. No entanto. duradoura. A tipificação do artigo 288 A segue a mesma estrutura do crime de quadrilha ou bando. a “Constituição de Milícia Privada”. cuja existência está vinculada ao número mínimo de quatro pessoas. nos parece inviável que se tipifique a formação de milícia sem que a lei traga um conceito para tal grupo ou organização. para se aferir o conceito de "Atos de Terrorismo" (4).Seria exigido o número mínimo de quatro pessoas. além de trazer a previsão de espécies que se confundem. . em que já tínhamos entendimento do STF acerca da impossibilidade de se considerar tal conceito à margem de definição na legislação brasileira. da quadrilha ou bando ao não citar o número mínimo de integrantes.) tudo parece indicar que o legislador teve em mira. Distancia-se. de pelo menos quatro pessoas. de forma que não se pudesse deixar ao intérprete tal definição. entendendo o artigo 288 A como uma derivação do artigo 288.

uma exigência para tipificar o crime de descaminho. adverte que “o maior perigo atual para o Princípio da legalidade. Se assim não fosse. ao julgar conflito de competência.. são os chamados tipos penais abertos ou amplos”. deve ela prever de forma clara e precisa. Não basta a lei penal prever a conduta. Dentre eles. ministro Marco Aurélio Bellizze. citando Everardo da Cunha Luna. em máquina caça-níquel. o coletor de cédulas ou “noteiro”. a exigência da estrita legalidade (Lege Certa). afirmou que. Francisco Muñoz Conde (6): "el principio de legalidad en nuestro sistema exige que sea precisamente el legislador quien se encargue de delimitar claramente lo que se castiga mediante la norma penal (. por si só. de competência da Justiça Federal. os conceitos das expressões trazidas pela Lei 12. A Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu sete máquinas caça-níqueis e prendeu uma pessoa em uma mercearia. que irão elevar ao máximo a função de garantia do princípio da legalidade. claramente. nulla poena sine lege se desdobra em quatro subprincípios. ele suscitou o conflito negativo de competência.. Ao ser comunicado do fato. No mesmo sentido. para tipificar a suposta prática do descaminho. um caso de apreensão dessas máquinas e prisão dos responsáveis pela exploração de jogo de azar deve ser processado e julgado na Justiça estadual.). La exigencia de clara determinación de las condutas punibles se expresa em el denominado principio de taxatividad o mandato de certeza (. o juiz de direito da 2ª Vara Criminal acolheu a manifestação do Ministério Público e declinou de sua competência em favor da Justiça Federal porque os caça-níqueis tinham uma peça. Essa é a decisão da Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ). de peça não fabricada no Brasil não caracteriza. que não seria fabricada no Brasil... a origem estrangeira de todo o equipamento e o crime de descaminho. a função de garantia do princípio da legalidade estaria fortemente comprometida. Já o juízo federal da 1ª Vara Criminal afirmou que não haveria nenhum elemento comprovando a origem estrangeira da máquina. Nilo Batista (5). Processo sobre caça-níquel com peça estrangeira fica com a Justiça estadual A presença. Lege certa não permite as leis penais indeterminadas. com conceituações vagas e imprecisas. será necessário que o legislador esclarece. Esse delito se consuma . Indícios O relator. Por essa razão.)" Para que seja possível a aplicação das novas previsões. são necessários indícios da origem estrangeira da mercadoria.720. em virtude da forma com que se apresenta. Por isso.O princípio nullum crimem.

mas isso não torna possível assegurar que os equipamentos dos caça-níqueis tenham procedência estrangeira. O juízo federal sustentou que o “noteiro” seria apenas um componente viabilizador da exploração desses jogos. no sentido de que a competência para julgar ilícitos relacionados a jogos de azar é da Justiça estadual. no todo ou em parte. sem relevância suficiente para deslocar a competência para a alçada federal. mas “a obtenção do lucro fácil pela exploração do jogo”. tampouco que houve a internalização do produto pelo acusado. O foco da atividade criminosa não seria o descaminho ou o contrabando. O ministro Bellize destacou a fundamentação da Justiça Federal. O ministro concordou com esse entendimento e declarou a competência da Justiça estadual para julgar o caso. Ele apontou a existência de laudo pericial indicando que não há empresa no Brasil que produza os “noteiros”. no que foi acompanhado integralmente pelos demais ministros da Terceira Seção .quando o produto é introduzido no mercado interno sem o recolhimento. do respectivo tributo.