Blog Bruno Gilaberte

Questão versa sobre a aplicação do perdão judicial, previsto no art. 107, IX e no art. 242, parágrafo único, ambos do Código Penal, no caso da denominada "adoção à brasileira". O caso em exame configura-se como um dos exemplos da ocorrência da extinção de punibilidade em decorrência do perdão judicial. Outros exemplos a serem citados são os casos previstos no art.121,§5º e art.129,§8º, ambos do Código Penal. Imperioso observar que não há que se cogitar da ocorrência da prescrição da pretensão punitiva face ao disposto no art.111, IV, do Código Penal, razão pela qual a única tese defensiva a ser sustentada é o reconhecimento do perdão judicial. Cabe salientar que o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou acerca da denominada "adoção à brasileira" no sentido de reconhecer a paternidade socioafetiva.Sobre a referida decisão, vide informativo n.400, do STJ: "Na espécie, o de cujus, sem ser o pai biológico da recorrida, registrou-a como se filha sua fosse. A recorrente pretende obter a declaração de nulidade desse registro civil de nascimento, articulando em seu recurso as seguintes teses: seu ex-marido, em vida, manifestou de forma evidente seu arrependimento em ter declarado a recorrida como sua filha e o decurso de tempo não tem o condão de convalidar a adoção feita sem a observância dos requisitos legais. Inicialmente, esclareceu o Min. Relator que tal hipótese configura aquilo que doutrinariamente se chama de adoção à brasileira, ocasião em que alguém, sem observar o regular procedimento de adoção imposto pela Lei Civil e, eventualmente assumindo o risco de responder criminalmente pelo ato (art. 242 do CP), apenas registra o infante como filho. No caso, a recorrida foi registrada em 1965 e, passados 38 anos, a segunda esposa e viúva do de cujus pretende tal desconstituição, o que, em última análise, significa o próprio desfazimento de um vínculo de afeto que foi criado e cultivado entre a registrada e seu pai com o passar do tempo. Se nem mesmo aquele que procedeu ao registro e tomou como sua filha aquela que sabidamente não é teve a iniciativa de anulá-lo, não se pode admitir que um terceiro (a viúva) assim o faça. Quem adota à moda brasileira não labora em equívoco. Tem pleno conhecimento das circunstâncias que gravitam em torno de seu gesto e, ainda assim, ultima o ato. Nessas circunstâncias, nem mesmo o pai, por arrependimento posterior, pode valer-se de eventual ação anulatória, postulando desconstituir o registro. Da mesma forma, a reflexão sobre a possibilidade de o pai adotante pleitear a nulidade do registro de nascimento deve levar em conta esses dois valores em rota de colisão (ilegalidade da adoção à moda brasileira, de um lado, e, de outro, repercussão dessa prática na formação e

desenvolvimento do adotado). Com essas ponderações, em se tratando de adoção à brasileira a melhor solução consiste em só permitir que o pai adotante busque a nulidade do registro de nascimento quando ainda não tiver sido constituído o vínculo de socioafetividade com o adotado. Após formado o liame socioafetivo, não poderá o pai adotante desconstituir a posse do estado de filho que já foi confirmada pelo véu da paternidade socioafetiva. Ressaltou o Min. Relator que tal entendimento, todavia, é válido apenas na hipótese de o pai adotante pretender a nulidade do registro. Não se estende, pois, ao filho adotado, a que, segundo entendimento deste Superior Tribunal, assiste o direito de, a qualquer tempo, vindicar judicialmente a nulidade do registro em vista da obtenção do estabelecimento da verdade real, ou seja, da paternidade biológica. Por fim, ressalvou o Min. Relator que a legitimidade ad causam da viúva do adotante para iniciar uma ação anulatória de registro de nascimento não é objeto do presente recurso especial. Por isso, a questão está sendo apreciada em seu mérito, sem abordar a eventual natureza personalíssima da presente ação. Precedente citado: REsp 833.712-RS, DJ 4/6/2007. REsp 1.088.157-PB, Rel. Min. Massami Uyeda, julgado em 23/6/2009."

1- a) Neste caso, deverá ser suscitado o reconhecimento da extinção de punibilidade prevista no art.107, IV, do CP. O argumento a ser utilizado é a ocorrência de prescrição da pretensão punitiva superveniente/intercorrente/subsequente (causa extintiva de punibilidade), pois, já ciente do máximo de pena in concreto possível, qual seja, 1 ano e 10 dias-multa, o Estado teria até o dia 17/10/2010 para julgar definitivamente o recurso da defesa, o que não ocorreu, nos termos dos arts. 109, V; 110, §1º; e 117, I e IV, todos do CP. Vale lembrar que a prescrição da pretensão punitiva superveniente pressupõe o trânsito em julgado para a acusação (tal como ocorreu na espécie) e é contada a partir da publicação da sentença penal condenatória, último marco interruptivo da prescrição relacionado na questão. Vale ressaltar que não basta mencionar que houve prescrição. Tem que ser específico, dizendo ao menos que se trata de prescrição da pretensão punitiva.

b) Sim, a situação seria diferente, pois neste caso não haveria prescrição da pretensão executória nem outra modalidade qualquer. Como Jaime é reincidente, já que o 2º furto foi cometido após o trânsito em julgado definitivo de sentença que lhe condenou pelo 1º furto (art. 63 do CP), a

prescrição da pretensão executória tem seu prazo acrescido de 1/3, de acordo com o artigo 110 do CP. Assim, o Estado teria até 23/02/2012 para capturar Jaime, nos termos dos arts. 110 caput e 112, I, do CP. 1- A presente questão tem por objetivo desenvolver o raciocínio jurídico do discente através da adequação dos institutos previstos na Parte Geral do Código Penal aos crimes em espécie. Neste caso, em relação a Francisco Zebedeu, o agente atuou com animus necandi de modo a caracterizar o homicídio na forma tentada. Ainda, o crime é qualificado no que concerne às qualificadoras de natureza subjetiva (homicídio mercenário – art.121,§2, I, CP) e objetiva (praticado mediante emboscada – art.121,§2º, IV, CP). Lindolfo, por sua vez, não pode ser responsabilizado, pois, na verdade, houve autolesão, o que configura irrelevante penal. Conclui-se, portanto que, Francisco Zebedeu será responsabilizado por homicídio qualificado na forma tentada (art.121,§2º, I e IV n.f. art.14, II, todos do CP) e Lindolfo, fato atípico. 1- A questão versa sobre a possibilidade da incidência simultânea do privilégio, causa especial de diminuição de pena e a qualificadora no delito de homicídio. O entendimento doutrinário e jurisprudencial dominante é no sentido da possibilidade, desde que a qualificadora seja de natureza objetiva, como, por exemplo, os meios e modos de execução No caso em exame é perfeitamente possível que o homicídio seja qualificado pelo meio utilizado para a prática do delito (recurso que impossibilitou a defesa da vítima, já que as “pauladas” foram desferidas pelas costas, tornando impossível a defesa do ofendido) - art. 121,§2°, IV CP e privilegiado pelo domínio da violenta emoção logo em seguida a injusta provocação da vítima - art. 121,§1°, CP. Quanto à segunda parte, a questão é controvertida e demanda análise cuidadosa, haja vista a previsão expressa contida no art. 1°, I da lei n. 8072/1990 de que considera-se hediondo o homicídio qualificado. Sobre o tema, manifesta-se Cezar Roberto Bitencourt (op.cit. p. 53), ao citar entendimento do Supremo Tribunal Federal, no sentido de que, por analogia, aplicar-se-ia a norma contida no art. 67 CP, segundo a qual devem preponderar os motivos determinantes do crime (privilégio), o que afastaria a incidência da lei de crimes hediondos. O mesmo raciocínio é utilizado por Fernando Capez ao tratar dos delitos hediondos (op.cit. v.4, p. 178). 1- A questão em exame visa fomentar a compreensão acerca dos elementos distintivos entre os delitos de homicídio, infanticídio e abandono de recém-nascido qualificado pelo resultado morte (art.121, art.123 e art.134,§2º, todos do Código Penal). [NOTA DO PROFESSOR: Não se deve

esquecer o crime de abandono de incapaz, pois o abandono de recém-nascido é honoris causa] Para tanto, poderá utilizar como ponto distintivo o reconhecimento do estado puerperal, em conjunto com as elementares objetivas do tipo penal (por ex. lapso temporal) para a caracterização do delito de infanticídio de modo a diferenciá-lo do delito de homicídio. Por outro lado, diferenciará os delitos de homicídio e infanticídio do delito de abandono de recém-nascido [NOTA DO PROFESSOR: e também do abandono de incapaz] qualificado pelo resultado morte, pois, neste o resultado morte ocorre a título de culpa, diferentemente daqueles, nos quais o resultado morte é doloso. [NOTA DO PROFESSOR: os crimes de abandono são crimes de perigo, ou seja, o resultado não é desejado, por isso a forma culposa, o que não acontece no homicídio e no infanticídio, que são crimes de dano. No caso concreto, restam certamente afastados os crimes de abandono, restando homicídio ou infanticídio. Há que se averiguar, ainda, se a ação que levou a criança a morte foi provocada antes do início do parto, situação que caracterizaria crime de aborto]. 1- A presente questão tem por objeto a análise dos delitos de homicídio e lesões corporais culposas na direção de veículo automotor agravados pelas causas de aumento de pena dos incisos II e III do parágrafo único do artigo 302 c/c parágrafo único do artigo 303, todos da Lei 9503/97, na forma do artigo 70, 1ª parte, do Código Penal. Em relação à possibilidade da possibilidade de substituição da pena privativa de liberdade, vide decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, in verbis: "HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO CULPOSO NA DIREÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR CONTRA-RAZÕES AO RECURSO DO ASSISTENTE À ACUSAÇÃO. PEÇA APRESENTADA EXTEMPORANEAMENTE. CONTRADITÓRIO RESPEITADO. CONDENAÇÃO BASEADA APENAS EM PROVA OBTIDA NA FASE INQUISITORIAL. INEXISTÊNCIA. CRIME COMETIDO O EXERCÍCIO DE SUA PROFISSÃO. APLICABILIDADE DA MAJORANTE ART. 302, INCISO IV, DA LEI N.º 9.503/97. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA. POSSIBILIDADE. ORDEM DENEGADA. 1. Renovação de julgamento em face da concessão parcial de habeas corpus pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu nulidade pela ausência de notificação da inclusão do writ em pauta de julgamento. 2. Inexiste violação ao contraditório, quando a ausência de intimação para a apresentar de contrarrazões é motivada no fato de a Defesa adiantar-se em contraditar os argumentos do recurso em suas razões de apelação, pugnando pela sua inadmissão do apelo acusatório. Precedente. 3. A sentença condenatória está baseada na confissão do Paciente, nos laudos

(HC n. 1. acerca da distinção entre os delitos de tortura e maus-tratos previstos. julgado em 21/08/2008. impõe a majoração da pena quando o crime é cometido por agente no exercício de sua profissão de motorista. respectivamente.O caso em exame versa. com a utilização das agressões físicas e mentais como meio para tal. Ademais. Oitava Câmara Criminal. Rel. segundo Damásio Evangelista de Jesus. Ainda. Quinta Turma. III. 5. "nessa hipótese é maior o cuidado objetivo necessário. do Código Penal. do parágrafo único. Provada a autoria e materialidade das ofensas à integridade física da criança praticada pelo apelante e terceira pessoa. conforme expresso no comando da questão.9455/1997 e 136. Rel. 2002. No crime de maus tratos há o indispensável animus corrigendi vel disciplinandi. Jorge Mussi.Apelação Criminal n. da Lei n. Acerca do tema. 115301/SC. Des. Ainda que o tipo penal não preveja a pena de multa. causando padecimento. Rel. Quinta Turma.CRIME DE TORTURA. Gilmar Augusto . insubsistindo a alegação de que as instâncias ordinárias reconheceram a autoria do delito apenas em prova obtida no inquérito policial. mostrando-se mais grave o seu descumprimento" (in Crimes de Trânsito. 91). 5. passando por suplício. julgado em 27/03/2012. Quinta Turma. Provimento do recurso defensivo para desclassificar a imputação. 6. Min. Laurita Vaz.técnicos e na prova testemunhal produzida durante a instrução do processo. 4.03592. Ordem denegada. Já no delito de maus tratos a finalidade é a correção. Maria Thereza de Assis Moura. não há impeditivo legal à substituição da reprimenda corporal por pena restritiva de direito de prestação pecuniária. 2006. o réu se defende do fato imputado. 168013 / RJ. enquanto no delito de tortura a intenção é apenas a de fazer com que a vítima sofra.050. Sexta Turma. sob a garantia do contraditório. sendo que a denuncia informa que o móvel que impulsionou as agressões físicas infligidas no menor foi a efetiva demora do menor em se alimentar e a não utilização do banheiro para a realização de suas necessidades. HC 45636/RJ. a Oitava Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Laurita Vaz. 1º. conforme se depreende da leitura de sua ementa abaixo transcrita: "EMENTA. do art. Rel. julgado em15/12/2011)"." (TJRJ. julgado em 11/11/2008. HC 62699/PR. p. com reposicionamento das penas. Min. No delito previsto na Lei Especial o fim é a tortura. ALEGAÇÃO DE INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA E REQUESTO DE DESCLASSIFICAÇÃO PARA A INFRAÇÃO DE MAUS TRATOS. podendo ter como meio o uso exagerado e inexplicável da violência. já proferiu decisão com vistas à distinção dos delitos. nos art. em sede de apelação crime. O disposto no inciso IV. no mesmo sentido: HC n. na forma do voto do relator. Min. Rel. Min. uma vez que. ainda que a título de aplicação de castigo pessoal.ª edição. 302.

a conduta de Renata e Geovana não pode ser considerada criminosa. em local público. avaliando o animus do agente) 1. pois no delito de parto suposto. 111.A questão diz respeito à aplicação do princípio da adequação social. Kelsen Carneiro. Não se pode afirmar que a troca de carícias entre homossexuais. §3° do CP. Rejeitaram preliminar e negaram provimento. [NOTA DO PROFESSOR: Há que ser averiguado se o mal prometido pelo autor tinha capacidade de intimidar a vítima e se era factível (no caso concreto. considerada ofensiva ao pudor do homem médio. Testemunhas confirm ando o assaque das palavras injuriosas. Ofensa a dignidade e ao decoro. do Código Penal. Julgada em 24/08/2006). 10456020126847/001. 140. Injúria. visto que adequada socialmente.A conduta amolda-se ao tipo penal da injúria qualificada.A questão diz respeito ao termo inicial da contagem do prazo prescricional nos crimes de falsificação de registro civil. preconceituosa ou discriminatória prevista no art. seja. nos dias atuais. com o intuito de ofender a honra de outra pessoa. inciso IV. certamente)]. 1. “macumbeira” e “feiticeira”. Des. previsto no art.Desprovimento. “crioulinha”.No caso em exame deverá o discente apresentar os elementos caracterizadores do delito de ameaça. Hipótese em que foram dirigidas à vítima expressões como “negra-preta”. a prescrição somente começa a fluir do dia em que o fato se torna conhecido por autoridade que possa promover a persecução penal. (nota do professor: o aluno deve aplicar a referida jurisprudência ao caso concreto. de modo a concluir pela tipificação da conduta de Walter face à seriedade da ameaça proferida e ao caráter subsidiário deste delito em relação aos delitos de lesões corporais e homicídios perpetrados na forma tentada. Embora o conceito de ato obsceno seja aberto e possa variar no tempo e no espaço. Neste sentido.Teixeira. devendo ser mantido. 147. Ofensas de caráter racial. Rel. Terceira Câmara Criminal. ."( TJMG – Apelação Criminal n. Crime caracterizado. 1. 1. A pretensão defensiva não deve prosperar. Dessa forma. há entendimento do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais: "EMENTA. regulado pelo art. o incidiamento de Lúcia foi correto. DJ 19/01/2006). Comete o crime de injúria qualificada pelo preconceito. do CP. aquele que se utiliza de palavras depreciativas à raça e cor.

devem ser analisados os bens jurídicos em confronto e. é indisponível. a liberdade de culto religioso não poderá ser invocada para afastar a responsabilidade penal. V. 1.A questão é controvertida. cremos que o incêndio deve ser punido na modalidade simples. previsto no art.] com o crime do art. Não são incompatíveis as duas ocorrências. havendo lesão grave ou morte decorrentes da conduta praticada. 2009. nem há bis in idem. 171. 250 [. §2°. Nesse sentido. 1. inciso V.É possível. 249. 1. Guilherme de Souza.ver art. §2°. p.): "parece-nos perfeitamente admissível a possibilidade de haver concurso entre o delito do art. João poderá receber o perdão judicial. em sua forma simples e o de estelionato. São Paulo: Revista dos Tribunais. pois o fato de ser pai não impede a prática do delito. 171. assim se manifestou Guilherme de Souza Nucci (NUCCI. haja vista que o agente estava temporariamente privado da guarda de seu filho em razão de decisão judicial . . Régis Prado. b) Como o menor não sofreu maus-tratos ou privações. ver: NUCCI. 249.1. posto que o bem jurídico objeto da lesão. Sobre o tema. Código Penal Comentado. do Código Penal." (NOTA DO PROFESSOR: O professor Nucci é isolado em sua posição.284. na modalidade prevista no art. o concurso entre o crime de incêndio.. (NOTA DO PROFESSOR: Não concordo com o gabarito ofical.. 1. §1°. §2°. do CP. nesses casos. Guilherme de Souza.]. sendo majoritário o entendimento de que o crime de curandeirismo não se configura quando a conduta é praticada no regular exercício da liberdade de culto religioso.ed.. Portanto. São Paulo: Revista dos Tribunais. Código Penal Comentado.a) Não deverá prosperar a pretensão da defesa. Porém.ed. Para mim não há crime). Sobre o tema. 171. §2°. parece-me equivocado o gabarito oficial). É certo que.. 2009. do CP. na situação concreta apresentada. V[. A posição majoritária diz que o incêndio majorado prevalece sobre o estelionato. se o ânimo de lucro já foi utilizado para tipificar o crime do art.

pois o art. 1. Porém. Todavia. mas o de associação para o tráfico. previsto no art. o delito de associação para o tráfico tem como núcleo "associarem-se". o crime de estelionato.A questão versa sobre o conflito aparente de crimes entre falsidade documental e estelionato. inciso I.Nenhum dos argumentos defensivos deverá prosperar.a) O delito a ser imputado a Alessandro Antunes está tipificado no artigo 3º.1. da competência da Justiça Estadual". falece materialidade para tal crime] . 4. Sendo assim. no caso concreto. a questão é controvertida. na verdade. em tese. portanto. policial militar. Assim. o que dispensa a prática efetiva do tráfico pretendido. 181. No Brasil não existe a cédula de sessenta reais e.A prisão em flagrante de Leocádio não foi correta. Assim. também é cabível a tese de que se configurou o estelionato. da Súmula do STJ. do CP pune a conduta de "fazer uso" de documento falso e o agente estava apenas portando a carteira funcional falsificada. com a utilização de sua arma.A questão versa sobre a capitulação da falsificação grosseira. é possível afirmar que Tício não responderá por nenhum crime em razão da ineficácia absoluta do meio. Dessa forma.343/06. que diz que "a utilização de papel-moeda grosseiramente falsificado configura. ficando isento de pena. 1. considera-se atípica a sua conduta que.898/65. pois: A uma. 1. sem a incidência do concurso com o falso material. uma vez que ele. ao ameaçar e agredir sua face. 304. [NOTA DO PROFESSOR: quanto ao possível confronto com o crime de lesão corporal. a tese defensiva a ser utilizada é a de que o estelionato absorve o falso com aplicação do Enunciado 17. do CP. 1. para a configuração do delito acima exposto. próximo ao olho. e Pedro poderá ser beneficiado pela escusa absolutória prevista no art. da Lei n. da Lei 11. da Súmula do STJ.A duas. como a funcionária foi enganada e Tício obteve vantagem indevida através do induzimento daquela a erro.A três. prevalecendo a posição que admite o concurso de crimes. Paulo responderá apenas pelo crime contra o patrimônio. configurou tão somente um ato preparatório do uso. alínea “i”. 35. o delito praticado pelos agentes não foi o de quadrilha ou bando. basta que um dos agentes seja imputável. atentou contra a incolumidade física de Paulo Roberto Cruz. não se pode olvidar a redação do Enunciado 73. que exige apenas a associação de duas pessoas para a sua configuração.

Desta forma. para Guilherme de Souza Nucci é possível. No que concerne à prestação de socorro poderá o discente afastar a aplicação de prisão em flagrante delito consoante o disposto no art. pois. do Superior Tribunal de Justiça. sendo irrelevante o fato de Roberto. Por outro lado. as consequências da infração abrangem tanto as de ordem física.§8º. do Superior Tribunal de Justiça. no qual o Estado-juiz deixa de aplicar a pena em circunstâncias expressamente previstas em lei. Art. “ A sentença que conceder perdão judicial não será considerada para efeitos de reincidência”. ao imprimir velocidade incompatível com o local e condições da estrada.b) O delito de abuso de autoridade resta configurado como crime comum. sustenta que a extinção de punibilidade não atinge apenas o crime no qual se verificou a circunstância excepcional.172.9503/1997.18. surge controvérsia no que concerne à natureza jurídica da sentença concessiva do perdão judicial para fins de análise dos efeitos da condenação. op. já firmou entendimento no sentido de ser declaratória de extinção de punibilidade não gerando qualquer conseqüência para o réu – Verbete de Súmula n. ainda que praticado em serviço.A conduta de Anderson encontra-se tipificada no art. 301. Guilherme de Souza Nucci).No que concerne ao instituto do perdão judicial. subsistem todos os efeitos secundários da condenação (lançamento do nome no rol dos culpados para fins de reincidência e maus antecedentes. Acerca do tema. da Lei n. Fernando Capez (Material Didático. as culpas não se compensam no âmbito do Direito Penal.302. compreendido como direito público subjetivo do réu de caráter unilateral. cabe salientar que. 1. Por fim. que o réu interponha recurso pleiteando a absolvição por negativa de autoria ou por ausência de culpa em relação ao evento danoso como forma de afastar os efeitos secundários da condenação. o Superior Tribunal de Justiça. ainda que perpetrado por militar.121.cit. 1. pp 601 e 602). (NUCCI. pp 590).120. da referida lei. Obs. consoante enunciado da Súmula n. CP). infringiu o dever objetivo de cuidado na direção de veículo automotor. do Código Penal. inclusive. ao constatar a falta de visibilidade decorrente da neblina. cuja competência é da Justiça Comum. Obs. sustenta ser uma decisão condenatória. Parte da doutrina. mas todos os crimes praticados no mesmo contexto. quanto moral. 129. tais como nos delitos de homicídio culposo e lesão corporal culposa (art. atingem o próprio . pilotar a moto na contra-mão de direção. bem como obrigação de reparar o dano (Magalhães Noronha. §5º e art. no momento da colisão. razão pela qual o ofensor responde por sua conduta.

Crimes Contra a Pessoa. . Ainda. haja vista . da Lei 11.. Relatora Ministra Jane Silva .343/06). Quinta Turma.121. é possóvel a aplicação do perdão judicial aos crimes culposos de trânsito.agente de forma tão grave que a sanção penal se torna desnecessária. por inequívoca falta de interesse recursal. que será em breve lançado pela Editora Freitas Bastos: "Homicídio praticado por milícia privada. da Lei 11. não se configurando com o mero porte. 140. os Tribunais Superiores tem entendimento no sentido de que “majorante só se justifica quando a arma servir ostensiva e efetivamente de instrumento de intimidação para a prática dos delitos previstos nos art. ou por grupo de extermínio . 40.Desembargadora co nvocada do TJ/MG. “coloca em risco toda a paz social.§1º.Quanto a “majorante do emprego de arma” (art. o princípio da consunção. [NOTA DO PROFESSOR: Embora o gabarito oficial seja omisso. de minha autoria. inc. todos do Código Penal.m. 249. §2º. s.§5º. IV. por analogia] 1. mister salientar que. o autor cita as hipóteses legais de incidência do perdão judicial. §5º. um dos princípios que regulam a solução do conflito aparente de normas. inc. atingem o agente e seus familiares. não incide.Além disso. sob o pretexto de prestação de serviço de segurança. IV. tal fato não funcionou como fase de preparação ou de execução do delito de tráfico de entorpecentes. o porte ilegal de arma de fogo e o de tráfico de entorpecentes são delitos completamente autônomos. Com relação à tese ministerial. 129. consoante entendimento do Superior Tribunal de Justiça. bem jurídico a ser protegido pelo artigo de lei ora em comento”(REsp 958075/RS. 40. na espécie. Não há que se falar.j. desta forma. . a mesma deve ser rejeitada. julgado em 20/11/2007) HOMICÍDIO PRATICADO POR MILÍCIA PRIVADA Segue trecho do livro Crimes em Espécie .§8º. no caso sub judice. Com efeito. em absorção. ou os seus familiares ou amigos íntimos. a mesma será rejeitada pelas razoes abaixo expostas: . ou seja.A alegação de que a majorante prevista no art. 180. sendo que o primeiro.No que concerne à tese defensiva. embora o acusado estivesse portando arma de fogo.343/06 não foi reconhecida pelo digno Julgador. a saber: Art. do repressivo legal.Com relação ao concurso de crimes. 33 a 37. I e II.

também aumentou a pena do homicídio em um terço. completamente omisso. no nosso entendimento. qual seja. grupo. por definição. o menor agrupamento de seres -. e esquadrão. na verdade. voluntária ou involuntariamente. pois nenhuma das figuras mencionadas. ‘milícia particular’ ou ‘organização paramilitar’ com número de participantes inferior à quadrilha prevista no art. de agrupamentos ou associações de pessoas com a finalidade delinquir que envolvem inúmeras pessoas.*3+ Sobre o número mínimo de integrantes da organização.720/12. milícia privada. embora possa contar também com militares. mas somente uma dupla. grupo ou esquadrão composto somente por duas pessoas. não. seja adequado exigir-se. Essa interpretação restritiva é uma exigência da tipicidade estrita.[1] São eles: organização paramilitar. ante a lacuna legal. apenas um par e não um grupo! Assim. no particular. Vejamos. mas em atividade civil. mas uma coisa é certa: não pode ser menos. in concreto. que é. não será difícil identificar essa quantidade mínima (mais de três) como integrantes de tais milícias. Poder-se-ia admitir a configuração de organização. Com efeito. A exata compreensão das majorantes depende da conceituação de três termos contidos no diploma inovador. afronta a lógica e o bom senso imaginar-se a formação de ‘esquadrão’. não seria um grupo. o mínimo de mais de três pessoas. que não permite uma interpretação extensiva que poderá alcançar conduta não abrangida pelo texto legal incriminador. a menor reunião de pessoas? Logicamente. o crime de ‘constituição de milícia privada’ não pode ser composto somente de duas pessoas. por civis. mas que age na clandestinidade”. mas apenas uma dupla. não se coaduna com a ideia de ‘par’. mais de três pessoas reunidas com a finalidade de praticar crimes previstos no Código Penal. sobre os quais existe completa omissão legal definidora. dois indivíduos não formam um grupo. a exemplo do crime de quadrilha (288). admite sua formação tão somente com dois membros. Realmente. exemplificativamente. estam os convencidos de que. com características similares à força militar. nesse caso. à margem da ordem jurídica. sua similaride e proximidade geográfica com aquele autoriza o entendimento que exige a mesma estrutura numérica. enfim. com estrutura similar à militar”. Obviamente. trata-se apenas do homicídio doloso. de todos. Organização paramilitar. ou seja. pois ausente qualquer situação de maior reprovabilidade da conduta.A Lei nº 12. repetindo. pois nenhuma relevância haveria em aumentar a pena da modalidade culposa quando praticada nas mesmas circunstâncias. que não se confunde com grupo. Podemos ter dúvida. Pensar diferente significa criar figura mais rigorosa que a pretendida pelo legislador. com finalidade civil ilegal e violenta. os quais não se estruturam apenas com dois ou três indivíduos e. milícia. o ‘grupo’ – que nos parece. Tr atamse. basicamente. sobre a quantidade mínima. “é uma associação civil armada constituída. pois. a ponto de ensejar discussões acerca de possível violação ao princípio da taxatividade. se três ou mais membros. reina a mais absoluta incerteza. isto é. ficando a cargo de doutrina e jurisprudência sua interpretação e criação que deve ocorrer lógica e racionalmente. 288 do CPP. . quando praticado nas hipóteses acima descritas. além de incluir um novo artigo no Código Penal (artigo 288-A).*2+ Prossegue o autor: “Trata-se de uma espécie de organização civil. segundo Cezar Roberto Bitencourt. embora a lei não fale (e este é o primeiro dos muitos equívocos aqui observados). Afirma Bitencourt: “O texto legal é. claramente.

No mínimo. Tal pensamento já encontra abrigo em tradicional interpretação de crime de concurso necessário para o qual o legislador não tomou a medida de estabelecer o número mínimo de participantes.072/90 (segundo aquele.694/12.034/95 com a nova redação dada pela Lei 12. da Lei 9. anteriormente inexistente na legislação brasileira.694/12 (organizações criminosas). para este.*5+ No mesmo sentido é a lição de Eduardo Luiz Santos Cabette: “Já despontam duas correntes doutrinárias. que se contenta com a reunião de três ou mais pessoas”. o crime de rixa (artigo 137. Essa lei. três ou mais). milícia ou esquadrão uma ou duas pessoas. o que está a autorizar claramente a exigência de ao menos 4 pessoas.[6] Parece-nos que esta seja efetivamente a melhor posição. não se poderia considerar como grupo. insinua sua opção: “Com o advento da Lei 12. Observe-se que a Lei 12.034/95 que trata do chamado 'Crime Organizado'. CP). configurarem 'organizações criminosas'. dentre outras modificações. já percebemos doutrina preferindo fundamentar o raciocínio no conceito de ‘grupo’ trazido no seu artigo 2º. o que se dirá sobre uma organização paramilitar ou um grupo de extermínio? Doutra banda encontra-se o argumento de que. Ora. foi recentemente alterada pela Lei 12. da Lei do Crime Organizado). constante da Lei nº 8. seja com a legislação esparsa (artigo 2º. CP 'organização' paramilitar. CP. desta feita com o conceito de organização criminosa. Ocorre que a Lei 9. todos esses grupos são organizações e podem inclusive. é a de que o número mínimo somente pode ser de 3 pessoas” . Para a configuração da quadrilha são necessárias mais de 3 pessoas. conforme consta da dicção direta e reta do artigo 288. no mínimo quatro integrantes. consta que uma 'organização criminosa' somente é admitida com a associação de pelo menos 3 pessoas. qual seja. se para a formação de uma simples quadrilha são necessárias pelo menos 4 pessoas. ambas com bons argumentos de sustentação.694/12. parece que a orientação mais escorreita em interpretação sistemática. CP. uma afirmando a necessidade de 4 componentes e outra de 3 componentes. ao seu turno. agora constante do artigo 2º. de modo que a incongruência sistemática existe de . grupo de extermínio e esquadrão. que é o que ocorre com o artigo 288 – A e os parágrafos 6º e 7º dos artigos 121 e 129 respectivamente. está-se diante de um risco que o intérprete não tem o direito de correr em prejuízo do cidadão. um grupo deve ser considerado como pelo menos 3 pessoas.720/12 menciona na redação do artigo 288 – A. Esse entendimento é pacífico doutrinária e jurisprudencialmente. No silêncio da lei. mas apenas a partir de três. organização. Quanto ao artigo 288. Tende-se a acatar esta segunda posição. Nesse passo. da Lei 9. CP. emanadas em estudo à expressão “grupo de extermínio”. após consignar as posições de Alberto Silva Franco e Luiz Vicente Cernicchiaro. todos do Código Penal. Ora.*4+ Rogério Sanches. Advoga-se a tese de 4 componentes mediante uma interpretação sistemática do crime do novo artigo 288 – A com o crime de quadrilha ou bando previsto no artigo 288. e neste e demais dispositivos em milícia privada ou particular. inclusive por um argumento que se considera decisivo. trouxe um conceito de 'crime organizado'. seja com o Código Penal (artigo 137.agravando a situação de envolvidos ao conceber como típicas condutas não recepcionadas pelo texto legal. dependendo do caso e demais características exigidas pelo novel artigo 2º. CP). a despeito da estranheza que possa causar em relação ao descompasso com o crime de quadrilha ou bando (de se ver que a adoção da posição diversa – a exigir no mínimo quatro pessoas – também encontraria descompasso. Nessa conceituação. fato é que nele o legislador foi expresso.034/95. na falta de definição legal. ante uma lacuna legal”.

numa espécie de Estado paralelo. isto é. No entanto. ainda. incumbe ao intérprete a árdua tarefa de explicar o inexplicável. mediante o emprego da força. é definida por Rogério Grec o como aquela “de natureza paramilitar. embora essa denominação tenha caído em desuso. (c) o ânimo de lucro individual como motivação central. enquanto não advém a declaração de inconstitucionalidade (se é que ela virá). assegurando-lhe sossego. Aditamos.*7+ De fato..[9] Assemelhada é a definição de Cezar Roberto Bitencourt: “Milícia particular tem sido definida como um grupo de pessoas (que podem ser civis e/ou militares). seriam forças estatais regulares). aponta características peculiares das milícias: (a) controle de um território e da população que nele habita por parte de um grupo armado irregular. Infelizmente. apenas para aproveitamento do clamor popular ou de eventual clima legislativo favorável à aprovação do projeto. o termo milícia deita raízes em tropas de segunda linha que constituíam reserva auxiliar ao Exército do Império português (razão pela qual a polícia militar durante muito tempo foi denominada “milícia”. inclusive. sem que haja preocupação com a boa técnica penal). Todavia. Milícia privada. isto é. em eliminação de eventuais renitentes. que foram perdidos em razão da violência urbana.. Na realidade. residências e estabelecimentos comerciais ou industriais. em que se diferem “milícias privadas” e “organizações paramilitares”? Rogério Greco. trabalhar em prol do bem estar da comunidade. com a utilização de armas. (e) a participação ativa e reconhecida dos agentes do Estado. . paz e tranquilidade. a uma organização não estatal. mas é imposta mediante coação. isto é. podendo resultar. embora isso ocorra no mais das vezes). com a finalidade de explorar as pessoas carentes”. citando o sociólogo Ignácio Cano. Em verdade.[8] Justamente por isso a preocupação do texto legal em qualificar as milícias como “privadas”. um traço distintivo: organização paramilitar insinua uma associação mais numerosa do que a milícia privada (entretanto. o legislador. a fim de se caracterizar essa maior quantidade de integrantes? Ah. por violação ao princípio da taxatividade (como costuma ocorrer quando leis são elaboradas de maneira apressada.). (d) um discurso de legitimação referido à proteção dos moradores e à instauração de uma ordem. de caráter paramilitar. o ideal seria o reconhecimento da evidente inconstitucionalidade do novo dispositivo incriminador. alegadamente. (b) o caráter coativo desse controle. qual seria o misterioso número mínimo de agentes. pretenderia garantir a segurança de famílias. que atua ilegalmente. impondo seu regime de terror em uma determinada localidade”. a intenção de praticar o bem comum. essa atividade não decorre da adesão espontânea da comunidade. que.uma forma ou de outra). termo de difícil conceituação. violência e grave ameaça. por ser considerada uma corporação auxiliar às Forças Armadas). atuando à margem do Estado (as milícias públicas. aparentemente.*10+ Note-se que o autor não menciona a obrigatória participação de agentes do Estado (com o que concordamos. há uma verdadeira ocupação de território. Haveria.

que qualquer que seja a hipótese de agrupamento de pessoas. aqui. já que o artigo recebe nomen juris de “constituição de milícia privada”. são termos de grande similaridade. Isso porque são estruturas criminosas legalmente equiparadas pelo artigo 288-A. contida no artigo 288-A somente se refere às organizações paramilitares e às milícias privadas. Isso porque passaria a existir a impossibilidade legal de uma quadrilha ou bando se dedicar ao cometimento de crimes do Código Penal (hipótese que invariavelmente determinaria o reconhecimento de um “grupo” do artigo 288-A). no entanto. tal qual as organizações paramilitares e as milícias. aparentemente. Podemos disso extrair que existe . as organizações paramilitares e os esquadrões. não havendo se confundir o artigo 288-A do Código Penal com o mero concurso eventual de pessoas. advertimos: devem eles ser dedicados ao extermínio de pessoas (parece-nos que o legislador. que menciona que as associações previstas no dispositivo têm por objetivo a prática de qualquer dos crimes previstos no Código Penal. Sobrariam para o artigo 288 os crimes previstos em lei especial (desde que. deve ela observar um vínculo estável e permanente entre os integrantes. o que causaria insustentável desigualdade: por qual motivo as associações para a prática de crimes do Código Penal deveriam ser punidas de forma diferenciada daquelas dedicadas a crimes previstos em lei especial. ainda. De início. o que. inclusive. Estariam eles sujeitos a uma pena mais elevada? Entendemos que sim. O “grupo” a que se refere o artigo 288 -A também é uma reunião de pessoas. Assim. mas que nem por isso deixa de ser um grupo) dedicado a atividades criminosas. Nesse sentido é o ensinamento de Valter Kenji Ishida.[12] Anote-se. percebe-se que a causa de aumento de pena não menciona expressamente todas as formas associativas do artigo 288-A em seu texto: faltam. a despeito da aparente omissão legal (outro entendimento redundaria em ausência de lógica – embora isso não seja espantoso em nosso ordenamento jurídico – e. se aplica ao termo “grupo”. ausente qualquer outra previsão específica. quem trate “grupo” e “esquadrão” como sinônimos. ao seu turno. que expressamente fala em “grupo de extermínio”). à evidência. encontra respaldo na nova majorante referente ao crime de homicídio. notadamente leigos e de absoluta imprecisão teórica). não foi a intenção do legislador. Retornando ao homicídio. inclusive com sanção mais severa na primeira hipótese? Portanto. é claro.343/06). entendemos que a expressão “qualquer dos crimes deste código”.Grupo e esquadrão. Esquadrão se difere de grupo por exigir uma estrutura hierarquicamente militarizada. vejamos: o artigo 288 tipifica exatamente a existência de um grupo de pessoas (juridicamente denominado quadrilha ou bando. ainda que sem o poderio e a penetração comunitária destas. inclusive na denominação.*11+ Há. Aos grupos e esquadrões. como o artigo 35 da Lei 11. a maior parte das hipóteses de aplicabilidade do artigo 288 restaria frustrada. Qualquer outro entendimento redundaria na revogação tácita do crime de quadrilha ou bando (artigo 288 do CP). quis se referir às expressões “grupos de extermínio” e “esquadrões da morte”. Se entendermos que a parte final do artigo 288-A. mister a prática de “extermínios” (essa assertiva. vamos supor que integrantes de uma organização ou de um esquadrão pratiquem o homicídio de outrem. Senão. ainda pior. para quem o esquadrão também é numericamente superior ao grupo (não havendo como precisar essa superioridade numérica). em cristalina desproporcionalidade).

”*15+ Na doutrina. E DE BANDO OU QUADRILHA ARMADA (ART. ao mesmo tempo. 159. autônomos. do CP. APELAÇÕES CRIMINAIS. Rogério Sanches: “A constituição de grupo criminoso já é suficiente para caracterizar o crime do art. consistente na entrega de valores existentes no Banco. as milícias privadas propriamente ditas.um gênero (“milícia privada”). tê-la também em conta para firma o crime autônomo.072/90). Uma última questão se impõe: aquele que pratica um homicídio majorado por integrar milícia privada. do crime de bando ou quadrilha. Prática. mantendoos em cárcere como meio de obter prestação positiva. previsto no artigo 288 do Código Penal. porquanto os bens jurídicos tutelados são distintos e os crimes. Precedentes do STF. Conduta que se ajusta ao tipo descrito no artigo 159 do Código Penal 4. ou tal cumulação (no caso haveria concurso material) constituiria inaceitável bis in idem? Com a palavra.) 10.”*14+ No mesmo sentido. 8º DA LEI Nº 8. é possível considerar a circunstância da existência de quadrilha como circunstância qualificadora do crime de extorsão mediante sequestro e.”*13+ Ainda: “Prática concomitante do crime de roubo circunstanciado pelo concurso de agentes. tratando de situação análoga: “Em princípio. os grupos e os esquadrões. do qual são espécies a organização paramilitar. ocorrendo.. esse pretexto é exigido apenas para a configuração da majorante do homicídio. PARÁGRAFO1º.072/90). Bis in idem não caracterizado. No artigo 121. E também para demonstrar que. da Lei 8. Não se trata de elementar. Isso porque invariavelmente o homicídio será qualificado (ao menos pela motivação torpe). ainda que esteja umbilicalmente associado ao conceito de milícia privada propriamente dita. I. É perfeitamente possível a coexistência entre o crime de formação de quadrilha ou bando e o de extorsão mediante sequestro pelo concurso de agentes. 288-A do CP. 288 do Código Penal (formação de bando ou quadrilha). § 6º. da Lei nº 8. Indivíduos que privaram a liberdade de gerente da Caixa Econômica Federal e de seus familiares. deve ser ressaltado que a menção única ao grupo de extermínio (artigo 1º. 288 DO CP C/C ART. englobando todas as espécies. gera o concurso material de . 5. CRIMES DE EXTORSÃO MEDIANTE SEQÜESTRO. o STJ. o qual. porquanto a objetividade jurídica dos tipos (quadrilha e extorsão qualificada) são autônomas e independentes. Possibilidade de concurso material entre o crime de extorsão mediante sequestro qualificado pela quadrilha ou bando e o delito do art. igualmente. (. DO CP). I. Precedentes desta Corte e do Supremo. ou por integrar grupo de extermínio pode ser também responsabilizado pelo crime autônomo do artigo 288-A do CP.. dando-se a morte a pretexto de prestação de serviço de segurança. o termo milícia privada foi usado desta forma genérica. da constituição de organização paramilitar. nessa hipótese. Aliás. sem que se configure bis in idem. por exemplo. sendo ele atinente apenas às demais hipóteses associativas. o pretexto de “prestação de serviço de segurança” fica alijado. QUALIFICADO PELA PRÁTICA POR BANDO OU QUADRILHA (ART. o TRF da 5ª Região: “PENAL E PROCESSUAL PENAL.072/90) não afasta a hediondez dos assassínios cometidos pelos demais agrupamentos. dispensando a prática de qualquer dos crimes visados pela associação. A referência em apartado ao “grupo de extermínio” se deve à necessidade de demonstrar sua compatibilidade com a Lei dos Crimes Hediondos (artigo 1º. No que concerne à Lei dos Crimes Hediondos.

Cristiane Dupret: “Em conclusão. que não está reconhecendo bis in idem quando se está diante de quadrilha ou bando armado e roubo majorado pelo emprego de arma. TJSP: “Inadmissível condenar os réus também pelo crime autônomo de formação de quadrilha. por se tratar de cristalino e gritante ‘bis in idem’. condenar pelo homicídio com o acréscimo da majorante aqui prevista. bens jurídicos próprios. nos parece inviável que se tipifique a formação de milícia sem que a lei traga um conceito para tal grupo ou . Assim. Em síntese. tudo estando a indicar que se tratou de mera coautoria. dependendo das demais circunstâncias). se o agente é condenado pela prática do crime de constituição de milícia privada.”*18+ [1] Nesse sentido já se pronunciou a profª. com divisão de tarefas. pois são delitos autônomos e independentes.*16+ Contra. Cezar Roberto Bitencourt: “Na aplicação desta majorante deve-se agir com extremo cuidado para não incorrer em bis in idem. ao qualificar o sequestro pelo tempo de duração. depois disso. a invocação de orientação equivocada do Supremo Tribunal Federal. Súmula 174 do STJ. a nosso juízo. em concurso material. a condenação deverá ser somente pela prática do crime de constituição de milícia privada (art. O mesmo raciocínio já é aplicado pelo Supremo para não reconhecer bis in idem quando se está diante de quadrilha ou bando armado e roubo majorado pelo emprego de arma”. não se cogitando de bis in idem. Em segundo lugar porque a quadrilha foi circunstância elementar do sequestro e não poderia ser levada em consideração. desconsiderando a quadrilha para em seguida condenar os réus por esse crime. majorar-lhe a pena pelo 'emprego de arma'. que considerava arma de brinquedo idônea para tipificar o crime de roubo e. numa repetição da equivocada. configura um odioso bis in idem. Aquele princípio constitucional de proibição do excesso aplicável ao Parlamento também vige para a Suprema Corte. protegendo. aplicando dupla punição pelo mesmo fato. que não pode ignorar suas próprias limitações constitucionais. O fato de ter a última palavra sobre a aplicação e interpretação de nosso ordenamento jurídico – e se autoautorizar a errar por último – não legitima os condenáveis excessos ignorando o texto constitucional que deve proteger. condenar o agente pelo art. § 6º. pois. grupo de extermínio que promove matanças. Por outro lado. 288-A e. Não se pode admitir o que fez a sentença. responde pelos crimes dos arts. 288-A) e pelo de homicídio (simples ou qualificado. mas que não tenha sido condenado por esse crime. Consideramos um grave e intolerável equívoco. ao mesmo. No caso.”*17+ Nessa esteira. nesse único crime. como crime autônomo.delitos. pois representará uma dupla punição por um mesmo fundamento. mas felizmente já revogada. O sequestro foi qualificado pela duração e por ter sido praticado por quadrilha armada e por isso a condenação pelo crime autônomo de formação de quadrilha armada não é admissível. ambos do CP. não poderá sofrer a majorante por tal crime ter sido praticado por integrante de milícia privada. ainda que tenham cometido um homicídio. não justifica interpretação em sentido contrário. Em outros termos. Em primeiro lugar porque não veio para estes autos prova segura de que existisse uma associação estável e permanente como sustentou a denúncia. isto é. essa majorante somente pode ser aplicada se o autor do homicídio for reconhecido no julgamento do homicídio como suposto integrante de milícia privada. ao mesmo tempo. mas sem esta nova majorante. 288-A e 121. cada qual.

antes de adentrarmos ao tema. Mister se faz. em que pese à existência de previsão na Convenção da Palermo. Lege certa não permite as leis penais indeterminadas. em razão de tais pressupostos. com a criação da Comissão Nacional para a proteção dos seres humanos em pesquisas biomédica e comportamental. da ortotanásia e da distanásia. deve ela prever de forma clara e precisa. acesso em 14/11/12). O direito à dignidade não está atrelado apenas ao direito a viver dignamente. bem como. A mesma linha de pensamento foi adotada na interpretação do artigo 20 da Lei de Segurança Nacional (Lei 7. p. e compreende os princípios da autonomia. torna-se essencial uma previsão que seja clara e precisa.720 passou ao largo. O princípio nullum crimem. foi elaborado por Belmont Report. O princípio bioético da autonomia e o consentimento informado O modelo principialista da bioética. 2006. A DISTANÁSIA E A ORTOTANÁSIA NA PRÁTICA MÉDICA E SUAS IMPLICAÇÕES JURÍDICAS: A BUSCA PELO DIREITO À MORTE DIGNA "Introdução Ao tratarmos dos institutos da eutanásia. da distanásia e da ortotanásia. A EUTANÁSIA. surgido nos Estados Unidos da América. da beneficência e da não maleficência (KIMURA. Dentre eles. Para que se respeite o princípio da legalidade. Não basta a lei penal prever a conduta. ao dispor sobre Organização Criminosa. ao que a Lei 12.organização. Se assim não fosse. analisarmos os institutos da eutanásia. para se aferir o conceito de ‘Atos de Terrorismo’. em 1978. . a exigência da estrita legalidade (Lege Certa). Morrer faz parte da própria existência humana. a função de garantia do princípio da legalidade estaria fortemente comprometida” (in . da justiça. tecermos algumas considerações sobre os princípios bioéticos e o testamento vital. de forma que não se pudesse deixar ao intérprete tal definição.30). como também. devemos deixar bem definido que os direitos fundamentais não devem ser interpretados como absoluto.034/95. ressalvando-se os casos de exclusão de ilicitude. Capítulo 01 – Os norteadores princípios da bioética do modelo principialista e a principiologia constitucional: âncoras à dignidade do paciente 1.170/83). que irão elevar ao máximo a função de garantia do princípio da legalidade. morrer com dignidade.1. sob pena de cairmos na mesma problemática da Lei 9. A tutela da vida humana possui proteção constitucionalmente assegurada e incorre no direito à existência digna. nulla poena sine lege se desdobra em quatro subprincípios. em que já tínhamos entendimento do STF acerca da impossibilidade de se considerar tal conceito à margem de definição na legislação brasileira. o ordenamento jurídico brasileiro tipifica penalmente as condutas consideradas criminosas que atentem contra a vida. O presente artigo visa promover a discussão acerca do direito à morte digna. com conceituações vagas e imprecisas.

CHILDRESS. p. Goldim e Protas (2009. enquanto que Immanuel Kant lecionava como requisito fundamental a liberdade de escolha.138). sendo de igual forma responsável em “tomar iniciativas quando não exista definição quanto a quem seja o seu representante. aduz o artigo 24 do Código de Ética Médica – Resolução CFM nº 1. sendo necessárias para a escolha.813) estabelece que “a autonomia pressupõe o respeito às opiniões e escolhas individuais. mister se faz a orientação seguida por todas as teorias da autonomia. No dizer de Dworkin (2009. 2012. a menos que elas sejam gravemente prejudiciais para o próprio indivíduo ou para outras pessoas” e esclarecem ainda que pode ela “estar reduzida devido ao estágio do ciclo no qual o indivíduo se encontra. p. A competência acerca da percepção sobre a impossibilidade do paciente em tomar decisão é do médico. Funda-se na dignidade da pessoa e baseia-se na autodeterminação do paciente em relação à sua vida e à sua saúde. .O princípio da autonomia ( principle of respect for autonomy ) norteia o respeito à liberdade de escolha do paciente e está atrelado ao consentimento livre e informado do paciente.82) que o princípio da autonomia tem seus principais fundamentos na história do direito e da filosofia. que consideram essenciais às condições de: “(1) liberdade (independência de influências controladoras)” e “(2) qualidade do agente (capacidade de agir intencionalmente)” (BEAUCHAMP. p. 139). 11) que a autonomia “seria a capacidade de atuar com conhecimento de causa e sem qualquer coação ou influência externa”. p. onde John Locke “pugnava pelo direito à proteção contra intervenções médicas não consentidas”. Para a caracterização do conceito de autonomia. p. A importância do respeito à autonomia do indivíduo deve ser observado como princípio que traduz a autoridade controladora do próprio poder decisório pessoal. ou por circunstâncias sociais que restrinjam a sua liberdade”. uma percepção do que é importante para elas”. p. 140). p. em decorrência de doenças orgânicas ou mentais. aduz Dantas (2009. 319). Aduz Maluf (2010. ou mesmo quando haja conflito entre a vontade do paciente incapaz e a de seu representante” (CEZAR.931/2009: “Deixar de garantir ao paciente o exercício do direito de decidir livremente sobre sua pessoa ou seu bem-estar. as devidas informações prestadas pelo profissional da área médica para que o consentimento seja exercido de forma plena (CEZAR. 2012. por perda parcial ou total dessa capacidade. bem como exercer sua autoridade para limitá-lo”. Neste sentido. 2011. segundo Beauchamp e Childress. tendo o poder de buscar e escolher o tratamento que melhor lhe convier. Citando os ensinamentos de Locke e Kant. a autonomia “estimula e protege a capacidade geral das pessoas de conduzir suas vidas de acordo com uma percepção individual de seu próprio caráter.

Princípio da beneficência ( principle of beneficence ) Contido no texto do inciso II. sendo manifestação do reconhecimento de que o ser humano é capaz de escolher o melhor para si sob o prisma da igualdade de direitos e oportunidades”. tácito. O princípio da Justiça ( principle of justice ) Conforme o relatório de Belmont.351-423). além de que se traduzia na expressão da justiça distributiva. p. equitativa e apropriada a sociedade (BEAUCHAMP. CHILDRESS. A beneficência. 2009. COLTRI. 2011. ou quando algum encargo o era imposto indevidamente (GOLDIM. antes de mais nada.316) citando Venosa. p. A modalidade implícita ou subentendida se obtém por meio de deduções das ações. O consentimento poderá ser informado e expresso. p. ou presumido. No consentimento tácito. É considerado um desdobramento do princípio da beneficência e está restrito à obrigação moral de agir em benefício dos outros (GOLDIM. implícito ou subentendido. À luz do princípio da justiça. tem-se a igualdade de tratamento no que se refere aos profissionais de saúde a seus pacientes. é assim determinada com base no que for conhecido acerca da pessoa (BEAUCHAMP. Princípio de não causar dano ao paciente ou da não maleficência ( principle of nonmaleficence O princípio da não maleficência tem por fim evitar o mal.815). em si. ou seja. conceitua o consentimento como sendo o “direito do paciente de participar de toda e qualquer decisão sobre tratamento que possa afetar sua integridade psicofísica. CHILDRESS. refere-se ao propósito de ajudar as pessoas possibilitando-lhes os seus interesses legítimos e importantes (BEAUCHAMP. CHILDRESS. 2010. Maluf (2010. podemos extrair o conceito do primum non nocere .931/2009 está a diretriz de tal princípio: “o alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano. em bene fício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional”. 1.4. ponderava-se que a injustiça acontece quando uma pessoa tinha o benefício que se requeria negado sem uma boa razão e este o era devido. 2011.811).2. do Capítulo I da Resolução CFM nº 1. Dentro deste mesmo enfoque. p. benefícios das alternativas envolvidas e possibilidades de cura. p. não prejudicar (DANTAS. PROTAS. Beauchamp e Childress entendiam que este princípio se afirmava em razão das desigualdades de acesso à assistência à saúde e aos seguros-saúde. Esta ideia do uso da medicina para o bem do enfermo deriva dos ensinamentos hipocráticos: “aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento. na distribuição justa. ou seja. 2008. 1.146). nunca para causar dano ou mal a alguém” (grifos nossos). PROTAS. O princípio da autonomia e o consentimento do paciente no âmbito da celeuma da eutanásia e da ortotanásia tem importante papéis para a determinação da responsabilização médica. devendo ser alertado pelo médico dos riscos.O consentimento do paciente ocorre sob condições diversas. por omissão. A presunção do consentimento.282). 2011. quando entendido de maneira isolada. p.10). .3. p. assemelhada ao subentendido. expressa-se a vontade ou decisão de forma passiva. 1.

1. 2006. Refere-se ao desejo de se ter uma morte natural. 5º. entretanto. Quando o direito à vida se impõe como um dever. p.279). mas não pode nunca justificá-la. A perspectiva do direito à dignidade está jungida não apenas à compreensão da vida digna como também a proibição da extinção desta e a submissão dela a padrões inadmissíveis (VIEIRA. a consciência. da autonomia jurídica. da Magna Carta que aduz que “ninguém será submetido a tratamento desumano ou degradante”. sem o prolongamento da agonia por parte de um tratamento inútil”. publicada no texto do artigo de Diaulas Costa Ribeiro (2005. e as vontades pessoais que o fundamentam. Foi o que requereu Ramón Sampedro. Aqueles que esgrimem o direito como protetor indiscutível da vida humana. políticas ou metafísico-teleológicas. Em carta. p. Princípio da totalidade ou terapêutico Neste princípio temos que o paciente está subordinado ao todo. a liberdade. p. humanizada. o direito transformou-se em absurdo. da inviolabilidade da vida privada e da intimidade. não são absolutos e a aplicação de cada um deles em menor ou maior grau variará conforme cada caso em concreto. Ramón explicita: É um grave erro negar a uma pessoa o direito a dispor da sua vida porque é negar-lhe o direito a corrigir o erro da dor irracional. Ainda neste viés. iniciando sua previsão no art. sem exceção alguma. transformam-se em hipócritas. Princípios morais acessórios 1. mas não uma obrigação . é direito.1. médicas. Roxana Borges (2012. Como bem disseram os juízes da Audiência de Barcelona: viver é um direito. quando se penaliza o direito à libertação da dor absurda que implica a existência de uma vida absolutamente deteriorada. III. Neste sentido.67). Os fundamentos erigidos pela Constituição da República norteiam a garantia constitucional da liberdade de consciência.5. paraplégico que passou 29 anos lutando pelo direito em obter sua “liberdade à morte digna”. 02) aduz que “o direito de morrer dignamente é a reivindicação por vários direitos e situações jurídicas. mas desde o momento em que justifiquem o absurdo. não o corrigiram. A razão pode entender a imoralidade. além da dignidade da pessoa humana.6. temos a previsão no art. ou seja. considerando-a como algo abstrato e acima da vontade pessoal. Todavia. os direitos de personalidade. neste tema em análise. caso haja a necessidade de realização de um procedimento de amputação – por exemplo – em beneficio do todo. A asseguração à vida não é obrigação. 1º. a autonomia.1. como a dignidade da pessoa. inciso III. o que pode gerar conflito com o princípio da . são os mais imorais. normativizam e impõem em tiranias (grifos nossos). Poderão disfarçar-se de doutores em filosofias jurídicas. O princípio constitucional da dignidade humana A dignidade da pessoa humana é fundamento da Constituição da República. nem ninguém parece responsável para corrigi-lo.6. requer uma correlação aos princípios da autonomia da vontade e da inviolabilidade à vida. O princípio da dignidade da pessoa humana. haverá o respaldo de tal ação por meio deste princípio.

A eutanásia possui as modalidades ativa (também conhecida como benemortásia ou sanicídio). há a aceleração da morte. o profissional médico deve-se valer do consentimento do paciente para os devidos procedimentos.2. mal maior. dois ou mais efeitos ao paciente. tem-se uma ação omissiva do profissional médico. Princípio do duplo efeito A ação médica pode provocar. será respeitada a vontade do paciente (BONAMIGO. proporcionar alívio ao sofrimento do paciente. 1. possuindo relevância maior a autonomia deste. deve-se atentar para os benefícios da ação e que esta seja moralmente indiferente. A primazia da vida é sempre levada em consideração. Neste caso. justificando-se o efeito negativo pelo positivo (BONAMIGO. compaixão – antecipando a morte para diminuir o sofrimento de pessoa com doença incurável ou em estado terminal. mesmo que haja a consideração do todo. 2011. justificando o ato da omissão da verdade (mal menor) naquele momento. com consequências positivas e negativas. ambas possuindo efeitos negativos. A prevenção de uma doença tão grave. no sentido de não efetivar um ato médico que perpetuasse a sobrevida do paciente. justifica-se pelo benefício da distribuição de seringas.autonomia.6. porém. ou ainda físicos. mas tão apenas. mas sendo incerto o salvamento por determinado procedimento. 1. para a realização de tal conduta. Princípio do mal menor Quando se estiver diante de duas alternativas. Entretanto. Assim. p. neste caso) visa a não produzir efeitos negativos ao paciente (mal maior). Bonamigo (2011. não tem o fim médico de se lograr êxito letal. ortotanásia e distanásia em prol da melhor e lícita conduta ao paciente Eutanásia é considerada uma ação que tem por fim levar a retirada da vida do ser humano por sentimentos humanísticos. sem sofrimento. 98-99).3. provando a morte do paciente. p. A omissão da verdade (mal menor. b) um médico omite parte da verdade ao paciente para não prejudicá-lo. justificando-se tal escolha. Capítulo 02 – A necessidade da compreensão das acepções de eutanásia. devendo-se atentar sempre à escolha menos prejudicial. p. fazer campanha de distribuição ou troca de seringas (mal menor). 100-101). à pessoa ou à sociedade – por piedade.6. passiva e de duplo efeito. 99-100). No que tange à eutanásia de duplo efeito. isso poderá ocorrer na próxima etapa. ponderar-se-á por aquela menos gravosa. A primeira é comissiva. Geralmente acontece por meio de uso de injeção letal. É o caso de doses progressivas de morfina para aliviar a dor (que no . proporcionalmente um mal menor. simultaneamente. 2011. Como a revelação da verdade é parte de um processo. elucida este princípio com dois exemplos: a) com finalidade de diminuir a propagação da AIDS (mal maior). a escolha dependerá de fatores morais e materiais envolvidos. Na eutanásia passiva.

a eutanásia se subdivide em: voluntária (vontade expressa do paciente. também. p. involuntária (quando é realizada contra a vontade do doente).) Nada nos é dito sobre um conceito mais global de saúde. ainda. decorrente do uso da medicina sem atenção aos direitos humanos. atingindo não apenas paciente em fases avançadas e terminais de suas enfermidades. somos ensinados apenas a restaurar a saúde. levando invariavelmente a sedação e uma provável parada respiratória indolor. religiosa e lega. por imperícia. Destaca-se pela ausência ou a precariedade de serviços de atendimento médico ocasionando a morte de várias pessoas com deficiências físicas. p. também conhecida como suicídio assistido). É conhecida por morte miserável. doentes em qualquer fase da vida. que “os médicos começaram agora a admitir abertamente algo que a profissão costumava manter em segredo: que os médicos às vezes matam os pacientes que pedem para morrer.31-32). e uma boa parte de nós irá passar por ela com sofrimento inimaginável para aqueles que não convivem com essa situação ( apudOLIVEIRA.) Mas a suspensão do tratamento fútil e a sedação do paciente terminal em sofrimento são medidas de amor. (. prejudicando direta ou indiretamente o paciente. E. todos nós vamos vivenciá-la... ou sobre a importância de se facilitar a morte de um paciente terminal que sofre. em princípio. de altruísmo. que: Nós. por má prática médica. Atrelada às consequências do ato médico e do consentimento do paciente. mesmo de alguém que se encontra sofrendo e em estágio terminal. o oncologista Sérgio Daniel Simon escreveu. médicos. seriam evitáveis se houvesse um atendimento de saúde eficaz.. mas também. Ocorre esta prática.paciente gravemente dolorido e terminal. ainda.174-175). sobremaneira. imprudência ou negligência. Dworkin (2009.01) enfatiza esta prática como sendo um ato de “ matar deliberadamente uma pessoa por razões de benevolência” (grifos nossos).) Não estamos aqui defendendo a eutanásia como a praticada abertamente na Holanda ou a preconizada pelo Dr. . não há dose máxima). A morte é o único evento verdadeiramente democrático. Jack Kevorkian nos EUA – não creio que a sociedade brasileira esteja pronta para esse debate. Há.. ainda é uma polêmica. (. e não voluntária (quando ocorre o evento morte mas não se conhece a vontade do paciente). ao ponto de menosprezar sua dignidade e provocar-lhe uma morte dolorosa e/ou precoce (NAMBA.. em UTI’s. (. p. ou sobre o conceito de terapia fútil. Neste sentido. A retirada da vida. 2004. ou os ajudam a acabar com a própria vida”. de reconhecimento dos limites da ciência médica. (. nos casos de pacientes que se tornam vítimas de erros médicos.. no Jornal do CREMESP. A morfina e outros opióides são usados diariamente na medicina intra-hospitalar. mentais ou com doenças que poderiam ser tratadas mas que falecem antes do tempo em razão da vivência em situação de dor e sofrimento que. 2009.. outra nomenclatura de eutanásia: a mistanásia ou eutanásia social. relatando.. ainda.) A sociedade por outro lado nos pressiona com sua carga cultural. A eutanásia ainda é vista como um tabu no mundo inteiro.

mas que. A distanásia não produz benefícios ao paciente. o médico deve ter a anuência do doente ou. DAL SECCO. da jurídica e profissionais de saúde em geral a ignorar a regulamentação e permissividade da prática da ortotanásia pelo Conselho Federal de Medicina. p. A ortotanásia é considerada “a suspensão de tratamentos invasivos que prolonguem a vida de pacientes em estado terminal. desde que não os auxiliares do procedimento não tenham interesse na morte e esteja o paciente em pleno exercício de suas capacidades decisórias.Luiz Flávio Borges D’Urso bem focou a especificação do prisma jurídico e do real da eutanásia no Brasil. motivo pelo qual surgiu a Ação Civil Pública. apenas em agosto de 2010. causando uma morte prolongada. Resolução CFM 1. 2012. sem chances de cura. fazendo-se uso apenas de cuidados paliativos. que – além dos citados procedimentos. Isac Jorge Filho (2009. esclarecendo que “a eutanásia no Brasil é crime. A ortotanásia é um procedimento que respeita a forma natural da terminação da vida. se este for incapaz. na prática “a situação é bem diferente pois envolve. sob o olhar da então Procuradora Luciana Loureiro – que substituiu o Dr.805/2006 não é inconstitucional (MAGALHÃES.805/2006. o aspecto médico. poderia ser alçado à condição de privilegiado. Wellington Oliveira. não há indução da morte” (MAGALHÃES. foi requerida a inconstitucionalidade sob o argumento de que apenas lei poderia regulamentar tal prática. inclusive. ainda. orientado ou auxiliado por terceiro ou por médico” (DINIZ. apenas com a redução da pena”. ajuizada pelo Procurador dos Direitos do Cidadão do Distrito Federal. 2012. o paciente é o maior prejudicado. Acrescente-se. acompanhada de sofrimento e dor (BIONDO. Foi obtida liminar suspendendo a Resolução no ano seguinte do ajuizamento e. Em sentença. Não apenas nacionais como estrangeiros podem valer-se de tal procedimento na Suíça. Ao contrário do que acontece na eutanásia. lenta. Wellington – é que foi constatada a confusão na ação dos conceitos de ortotanásia e eutanásia. à época. A confusão nos conceitos de eutanásia e ortotanásia leva os profissionais da área médica. além do aspecto legal. é um procedimento que apenas prolonga o processo de morrer e não a vida propriamente dita.01). entre outros” (D’URSO. trata-se de homicídio doloso que. escreveu que tal confusão se faz presente. O conselheiro do CREMESP.429). p. em face da motivação do agente. p. mas ainda é frequentemente confundido com a eutanásia e. SILVA. mas não é permitida a eutanásia ativa (a prática de um médico administrar diretamente ao paciente uma medicação mortal). antropológico. sociológico. religioso. p. de seus familiares. no âmbito médico: .01). 2012. poderemos ter casos de recusa de tratamento médico e de limitação consentida de tratamento. entre os esclarecimentos do que vem a ser cada um dos institutos. O suicídio assistido possui regulamentação permitida na Suíça. 02). 12). Para isso.01). 2012. Em Ação Civil Pública. No suicídio assistido temos a “hipótese em que a morte advém de ato praticado pelo próprio paciente. 2011. p. p. o magistrado concluiu que a Resolução CFM 1.

existe confusão em alguns setores com relação à ortotanásia. 136-A. deixar de fazer uso de meios desproporcionais e extraordinários. A indicação de início e de suspensão de medidas médicas deveria ser de decisão médica. descriminalizando a abstenção do uso de meios desproporcionais e extraordinários. em situação de morte iminente e inevitável. A previsão da Resolução CFM 1.. (. sempre após discussão/acordo com paciente (se for possível) e familiares.. Assim aduz o texto do Projeto: Art. Não constitui crime. Buscou com isso dar ao médico segurança e tranquilidade para. . por meio de resolução. na esperança de milagres. por mais inúteis que sabidamente sejam. mesmo que elas não tragam benefícios para o paciente e seus familiares. o médico acaba por insistir em medidas fúteis. A Resolução CFM 1. que pretende alterar o Código Penal vigente. facilitando a relação médico-paciente e evitando o desgaste desnecessário do paciente em estado terminal e seus familiares. prevê a exclusão da ilicitude nos casos da ortotanásia. sem prognóstico e sem esperança. do cônjuge. o Projeto de Lei nº 6715/2009. não será punido por isso? E fica aí um círculo vicioso que mantém medidas sem valor prático. descendente ou irmão. mesmo fazendo o correto. estabelecendo procedimentos disciplinares como consequências ao desrespeito à norma imposta. Mas quem vai tomá-la equilibradamente sem segurança de que. companheiro. em sua impossibilidade. o procedimento estabelecido para a prática da ortotanásia não implica em delito penal e nem afronta à Magna Carta Cidadã.805/2006 não trata de matéria penal e sim de ordem ética sob o enfoque médico. Pressionado por esse ponto de vista.805/2006 permite uma atividade médica de maior transparência. § 2º A exclusão de ilicitude prevista neste artigo não se aplica em caso de omissão de uso dos meios terapêuticos ordinários e proporcionais devidos a paciente terminal.) Nenhum médico de boa formação teria a irresponsabilidade de suspender medidas realmente úteis. § 1º A situação de morte iminente e inevitável deve ser previamente atestada por 2 (dois) médicos. O Conselho Federal de Medicina.. Ademais. Atualmente em trâmite. procurou regulamentar o assunto.(.) infelizmente. confundindo-a com a eutanásia em seu sentido criminal e considerando atitude passível de processo a restrição de recursos artificiais. diante de pacientes em terminalidade de vida. desde que haja consentimento do paciente ou. ascendente. no âmbito dos cuidados paliativos aplicados a paciente terminal.. se abster das medidas fúteis. mas nenhum médico deseja que seu comportamento correto em termos científicos e humanísticos seja considerado crime.

constando no texto normativo. normais ou ordinários: cuidados necessários e indispensáveis à manutenção da vida e da dignidade de qualquer paciente. II . 3º Para os fins desta lei. VIII . com relação favorável à qualidade de vida do paciente. em razão de falência grave e irreversível de um ou vários órgãos.procedimentos e tratamentos desproporcionais: procedimentos ou tratamentos que não preencham os critérios de proporcionalidade expressos no inciso IV deste artigo. .Foi proposto um substitutivo ao Projeto de Lei citado. VI . IV . dispondo sobre “os cuidados devidos a pacientes em fase terminal de enfermidade”. a hidratação. O ex-governador de São Paulo e o Papa João Paulo II foram conhecidos casos que optaram por somente receber tais medidas em seus últimos momentos de vida (MAGALHÃES.cuidados básicos.cuidados paliativos: medidas que promovem. usualmente com enfoque multiprofissional. à avaliação e ao tratamento adequado tanto da dor quanto de outros problemas de natureza física. de cuja composição façam parte pelo menos um psiquiatra e um médico de especialidade relacionada ao caso clínico específico do paciente. p. vedada a participação do médico assistente. e a ventilação não invasiva.junta médica especializada: junta médica formada por no mínimo três médicos. considera-se: I . a saber: Art. o tratamento da dor e de outros sintomas de sofrimento. Os cuidados paliativos que apenas evitam a dor e o sofrimento extremo do paciente. inclusive aqueles em fase experimental.médico assistente: profissional médico responsável pela assistência ao paciente em fase terminal de enfermidade. e que não apresenta qualquer perspectiva de recuperação do quadro clínico. a higiene. quando necessária.procedimentos e tratamentos extraordinários: procedimentos ou tratamentos não usuais. com prognóstico de morte iminente e inevitável. psicossocial e espiritual. eletrólitos e nutrientes.procedimentos e tratamentos proporcionais: procedimentos ou tratamentos cujo investimento em equipamentos e pessoal mostra-se proporcional aos resultados esperados. V . VII . artigo 3º. especialmente relacionadas ao diagnóstico precoce. importantes conceituações. e que não impõem aos pacientes sofrimentos ou contrariedades em desproporção com os possíveis benefícios deles decorrentes. mas não prolongam o procedimento de morte é característica da ortotanásia. III .01). a qualidade de vida dos pacientes e o alívio do sofrimento.paciente em fase terminal de enfermidade: pessoa portadora de enfermidade avançada. 2012. garantidas as quotas básicas de líquidos. entre os quais se inserem a alimentação. cujo único objetivo seja prolongar artificialmente a vida. progressiva e incurável.

Somos programados para morrer. Os exames complementares a serem observados para constatação de morte encefálica deverão demonstrar de forma inequívoca: a) ausência de atividade elétrica cerebral ou. 4º. A morte digna possui disposições normativas na Holanda. na Colômbia. 1º. está claramente definida na Resolução CFM nº 1480/97. b) ausência de atividade metabólica cerebral ou. A morte encefálica deverá ser consequência de processo irreversível e de causa conhecida. em Luxemburgo.12 horas d) acima de 2 anos . Nova Iorque e Oregon. Art. . religio sas e culturais estão por trás das normativas criminalizadoras de determinadas situações da retirada de vida. na Bélgica.6 horas Art. Entretanto.48 horas b) de 2 meses a 1 ano incompleto . p. Como já mencionamos anteriormente. que especifica a ausência total de atividade cerebral clinicamente detectada por meio do estado comatoso aperceptivo com ausência de atividade motora supraespinhal e apneia: Art. o direito a vida não é absoluto. o tema que vem causando debates nas sociedades no mundo inteiro trata-se da prática da eutanásia e da ortotanásia. Os parâmetros clínicos a serem observados para constatação de morte encefálica são: coma aperceptivo com ausência de atividade motora supra-espinal e apneia. 2004. além de alguns estados americanos.24 horas c) de 1 ano a 2 anos incompletos . dentre eles citamos: Michigan. As questões morais. Morte. A morte encefálica será caracterizada através da realização de exames clínicos e complementares durante intervalos de tempo variáveis. assim como os demais direitos fundamentais.23). Art. Os intervalos mínimos entre as duas avaliações clínicas necessárias para a caracterização da morte encefálica serão definidos por faixa etária. c) ausência de perfusão sanguínea cerebral. que é finita. 5º. na Suíça. 3º. 6º. mais recentemente na Argentina. conforme abaixo especificado: a) de 7 dias a 2 meses incompletos . próprios para determinadas faixas etárias. na acepção médica. mas temos o direto de não morrer antes do tempo e de morrer com dignidade” (OLIVEIRA.Capítulo 03 – A morte com dignidade e o testamento vital ( living wills ) Cabe-nos inicialmente ressaltar neste Capítulo que “morrer é parte natural da vida. Art.

tais como: ser o testador pessoa capaz. constitui o documento escrito onde a pessoa especifica que tipo de tratamento deseja ou qual tratamento não deseja que se realize quando ela vier a ser acometida de doença incurável ou terminal e. também chamado de “Diretivas Antecipadas”. ainda há um lapso temporal que possibilita criações de clandestinas alternativas ou atípicas condutas penais. aceitar. . É necessário. cinco anos. Pessoas buscam clínicas especializadas em morte fora do país. Entre a prática médica e a regulamentação jurídica sobre a morte digna. A importância de tal instrumento resguarda as atitudes do profissional de saúde e assegura o direito ao exercício de autonomia do paciente. Na Espanha. observar alguns critérios elencados em diversas normativas. este documento surgiu na década de 1970. a Lei Federal nº 41/2002 introduziu as Diretivas Antecipadas no Sistema Público de Saúde. O médico fica atrelado às disposições do testamento sob pena de sofrer sanções disciplinares em razão do desrespeito. 126). a Lei nº 25 de 16 de julho de 2012. da ocasião. atualmente. Desta forma. As mortes ruins são aquelas onde estes aspectos não estão presentes e ocorrer: negação. p. A psicóloga aduz que “nas mortes consideradas como boas são arrolados os seguintes aspectos: ter consciência. p. A Organização suíça Dignitas recebe declarações escritas das pessoas que tem por interesse utilizar de seus serviços um dia. nomeação de procurador de cuidados de saúde. É bem verdade que.Kovács traduz as reflexões sobre a morte com dignidade como preocupações dos profissionais da área de saúde em oferecer cuidados paliativos. falta de aceitação e forte expressão dos sentimentos. No Brasil não há legislação sobre o testamento vital. Em recente normativa. onde o suicídio assistido é permitido por lei. O paciente é cada vez mais cônscio de seus direitos e exige melhor tratamento. com os maiores esclarecimentos na relação médico-pacientes. criando também o Registro Nacional do Testamento Vital (RENTEV). não puder exprimir sua vontade. constar presença de duas testemunhas. para tanto. de Portugal. estar em paz e ter dignidade. ou seja. no máximo. 2012. recebendo a denominação de Natural Death Act. se preparar. principalmente por meio da autonomia dos doentes. O testamento vital. Na Califórnia. observar que pode ser revogável a qualquer tempo e possuir um prazo de validade limitado a. o médico resguardará a vontade do paciente mesmo quando ele estiver incapaz ou impedido de manifestar sua vontade. a designação do testamento vital. especialmente raiva” (2003. tem-se um maior pleito para a amenização dos sofrimentos decorrentes das doenças incuráveis. cobrando o valor atual de aproximadamente R$15 mil para realizar o procedimento (PONTES. regulamentou as diretrizes antecipadas de vontade. E vai mais além. bem como.01). como na Suíça. mesmo que isto signifique a solicitação de tão somente cuidados paliativos que não prolonguem a sobrevida de quem está em estágio terminal. Estados Unidos. para a real efetividade do testamento vital.

no caso de sua incapacidade decisória. que pretende alterar o Código Penal vigente. sendo normatizada pela Resolução CFM nº 1. Até a exata regulamentação jurídica pátria do tema. de seu representante legal. um caso que de grande repercussão tem sido o de Tony Nicklinson. devemos observar os limites e as peculiaridades de cada caso. a eutanásia ainda é vista como conduta criminosa. desrespeitos à vontade dos pacientes e possibilidade de aplicações civis. Na seara jurídica. suscitar reflexões e promover o debate em prol da melhor situação à sociedade. Tentativas de medidas heroicas em face de uma vida irremediavelmente comprometida só há justificativa de ser se esta for a vontade do paciente ou. o que é proibido no naquele ordenamento jurídico. Nicklinson possui a síndrome do encarceramento ( locked-in-syndrome ). Todavia. administrativas e penais aos profissionais de saúde que praticarem ou induzirem a morte de pacientes em estágio terminal da vida . O direito à morte digna deve ser entendido como direito fundamental que se encontra alicerçado na amplitude do direito à vida. já possui uma aceitabilidade. em razão da não previsibilidade da eutanásia no ordenamento legal pátrio. meio e fim. fazendo-se uso de disposições normativas para punição daquele que a suprimir. constituindo-se esta em início. ainda nos veremos diante de impasses conceituais. mas possui tetraplegia consequente de um acidente vascular cerebral. Esta lacuna legislativa ainda provoca confusões com a permissividade da ortotanásia no Brasil e a confusão desta com a eutanásia. o que é lamentável tendo em vista a sofrível situação do paciente. Considerações Finais A intenção deste artigo não é esgotar o tema. possibilitar esclarecimentos. Assim como no Brasil.No Reino Unido. sendo incapaz até mesmo de falar. Morrer com dignidade é a aplicação não apenas dos princípios constitucionais como também dos bioéticos. entretanto. aquele que satisfizer a vontade de Tony incorrerá nas penas do homicídio.805/2006 e prevista no Projeto de Lei nº 6715/2009. O cerne da questão gira em torno do desnecessário prolongamento de vida ante a iminente e inevitável morte em razão de doença incurável e estado terminal. que resolveu apelar ao Supremo Tribunal de Londres para ter o direito de morrer por meio de suicídio assistido. É bem verdade que a tutela do bem jurídico vida deve prevalecer em face de sua importância e essência. seu cérebro funciona perfeitamente bem. tampouco abordar um pouco de cada ponto da matéria. mas sim. A ortotanásia.

o artifício é empregado para subtrair a coisa. um caso descrito por Graciliano Ramos em Memórias do Cárcere: o ladrão remove com uma pinça ou estilete a chave deixada internamente na fechadura. pois. Configura caso de furto mediante fraude a conduta do agente que. já que a coisa é repassada voluntariamente ao sujeito ativo. como preconizado por alguns. facilitando a subtração do bem. disse-lhe que o dinheiro. Não haveria a subtração caracterizadora do furto. não o efetua. Weber Martins Batista diferencia o furto mediante fraude do estelionato: 'No caso do furto. De forma clara e concisa. Hungria cita. o caso é de furto mediante fraude. após a digitação da senha. Isso porque. como exemplo de furto mediante fraude. mas sim teve a sua vigilância burlada. utiliza um ardil ou um artifício para burlar a vigilância da vítima sobre a coisa e dela se apoderar.[1] Ludibria-se a vítima para que se tenha acesso ao objeto. justificando com o pagamento de uma taxa a ser recolhida pelo uso do equipamento. alguns casos enfrentados pela doutrina e pela jurisprudência merecem destaque. aproveitando-se este do distanciamento da lesada para levar consigo o dinheiro sacado. há estelionato. para recebê-la'. O engodo. portanto. nem de furto simples. sairia em outra máquina. que o sujeito ativo tivesse solicitado à vítima que lhe repassasse parte do dinheiro. mas sim a concessão de uma vantagem indevida. Não se cuida. todavia. foge sem pagar. não proporciona imediatamente a posse da coisa. houve subtração do combustível. derrubando-a sobre um papel estirado por sob a porta. Certamente. com a posterior subtração.[2] Acerca do tema em comento. já que a pessoa lesada não entregou voluntariamente o dinheiro ao agente. a pretexto de auxiliar uma senhora idosa na operação de um caixa eletrônico. ao seu turno. Assim. com a fuga. após abastecer seu automóvel em um posto de gasolina. consistente na alegada intenção de pagar pelo bem. apesar do engano a que é levada a vítima. tampouco de estelionato. já que o combustível somente foi colocado no tanque em virtude de um engodo. Tal recebimento não induz a tipificação do estelionato. caso que configuraria crime de estelionato (artigo 171). Já nos deparamos com o caso de um sujeito que. O uso de um simulacro de arma de fogo para a intimidação da vítima. No estelionato. A pessoa que. mas tão-somente o deixou sob sua guarda. a vítima se dirigiu ao caixa indicado pelo agente. . Crime de estelionato. mediante fraude. prometendo o pagamento em ocasião posterior e. O agente. puxando em seguida o papel e. fazendo-se passar por manobrista. comete crime de furto mediante fraude. realizada a operação. o agente adquire um bem. aqui. fraudulentamente. além da fraude. há uma grave ameaça. com isso. Suponhamos.Consta da nova redação do meu livro. que configura elementar do crime de roubo. note-se. que será em breve lançado pela Editora Freitas Bastos: CONSIDERAÇÕES PONTUAIS SOBRE O ESTELIONATO E O FURTO MEDIANTE FRAUDE "A segunda hipótese do inciso II cuida do furto mediante fraude. não caracteriza furto fraudulento. contudo. não ocorrendo subtração. Se. uma vez que o dono não cedeu o veículo ao agente. recebe o veículo da vítima e foge com o bem.

mas sobre a cobrança futura. De início. Depois de questioná-la sobre seus dados qualificativos. e depois emprega os dados para a realização de transferências eletrônicas. Não há subtração.[3] Ousamos discordar do grande criminalista. Trata-se de furto fraudulento. A modificação feita pelo agente é um artifício para ludibriar a empresa concessionária do serviço público. pois o lesado é a instituição financeira ludibriada para pensar que contratava com pessoa distinta do criminoso. não incide sobre o fornecimento. mas recebimento da energia. constata-se a utilização de uma fraude na execução do delito. Mostra-se relevante. Para o primeiro autor. quando. entretanto. que se distingue do ardil que integra o estelionato'. A fraude.[6] Pensamos que a hipótese importa crime de estelionato. o quanto de energia foi consumido. uma vez que um engodo é usado para que se conquiste acesso ao depósito bancário. Mais debatido é o caso da subtração de energia. dos saques em conta-corrente mediante uso de cartões eletrônicos obtidos mediante ardil e condutas afins. 'na espécie apresentada. normalmente uma pessoa idosa. sorrateiramente instalado em seu computador (phishing). Em seguida. o agente vai a uma agência bancária e saca a quantia depositada na conta do ingênuo lesado. pois é subtraído um bem disponibilizado para a população. ainda. também. em vez de captar a energia diretamente da rede elétrica. Há furto mediante fraude. montando um 'gato'. se o agente usar o cartão eletrônico para a contratação de um empréstimo junto à instituição financeira. passando-se por titular da conta. regularmente. Há. Adulterado ou não o marcador. crime de furto. embora viciada pela fraude. passe a fazer uso da energia sem a sua passagem pelo relógio de medição.[5] Já o segundo jurista aduz que. fazendo com que indique um consumo menor do que aquele efetivamente verificado. Mas essa fraude configura crime de furto fraudulento ou de estelionato? Weber Martins Batista. A empresa concessionária realiza a instalação elétrica e coloca a energia à disposição do consumidor. a atualíssima discussão acerca das transferências bancárias fraudulentas. solicita a apresentação do cartão bancário e o fornecimento da respectiva senha. A hipótese se complica.conseguindo obter a posse da chave. o agente adultera o funcionamento do relógio de medição. evidentemente. Não há fraude. escrevendo sobre o tema. de fornecimento de gás etc. Entretanto. sendo a quantia subtraída invito domino. a retirada da coisa é feita sem a concordância da vítima. sim. Suponhamos que o agente. Caso comum é aquele em que o sujeito ativo vai à casa da vítima. devolvendo à vítima um cartão parecido com o original. ou seja. diz haver estelionato. ninguém é ludibriado. a captação do bem se dá da mesma forma. mas sim habilidade na execução criminosa.[4] Discordam Paulo José da Costa Jr. passando-se por funcionário público ou empregado de alguma instituição financeira. iludindo-se apenas a aferição do consumo. justificando sua presença pela necessidade de um 'recadastramento'. Pode ser adotado o mesmo entendimento nos casos de adulteração em bomba de combustível. Há. e Álvaro Mayrink. limitando-se a constatar. mas a entrega livre do bem. no caso. a qual lhe fornece a vantagem indevida. o crime é de estelionato. ligando a rede elétrica de sua casa diretamente à fiação existente na rede pública de distribuição. assim. caracterizando a subtração. Sustenta sua posição asseverando que não há subtração. a entrega voluntária da coisa ao agente. . o que se verifica é o furto qualificado pela fraude. quando o agente capta informações bancárias da vítima através de um software malicioso.

Naturalmente. o agente que. Nesse caso. ____________ *1+ STJ. por sua função. suspeitando de sua conduta. Para o Min. falsificou assinaturas em cheques de titularidade de correntistas com os quais. em que pese a promessa de restitui-lo. O dolo ab initio exclui qualquer possibilidade de apropriação indébita. não há relevância no engodo (portando a res furtiva depois da subtração. pois a vantagem.Relator: Ministro JORGE SCARTEZZINI – Data do Julgamento: 25/09/2006).QUARTA TURMA . pois a vantagem indevida (mercadoria) é dada ao estelionatário em troca de uma contrapartida fajuta. Informativo nº 453: “A Turma deu provimento ao recurso especial para subsumir a conduta do recorrido ao delito de furto qualificado pela fraude (art. desde os atos preparatórios (o agente que se disfarça para penetrar na casa da vítima." Sobre o tema. 155. merecem destaque alguns casos peculiares. embora não concedida. O mesmo ocorre se o título fraudulento é usado para movimentar diretamente a conta de um correntista desavisado (por exemplo. In casu. o produto do crime (automóvel) é entregue ao autor pela empresa. o crime é de estelionato. concedendo a vantagem ao criminoso. v. a pretexto de testar veículo posto à venda. o réu. pagamentos e condutas assemelhadas. pode ser usada a fraude em qualquer momento do iter criminis. ocorre furto mediante fraude. sem obstáculo. b) Locação de automóveis mediante apresentação de documentação falsa.Já o uso de cartões de crédito 'clonados' caracteriza estelionato.). que suscitam dúvidas mais pela falta de uma observação atenta do que pela ausência de lastro científico: a) Uso fraudulento de cheques: se o cheque é emitido para pagamentos em estabelecimentos comerciais (por exemplo. uma vez consumado o furto. pois o lesado é o estabalacimento comercial em que trabalha o empregado iludido. não ao de estelionato (art.RECURSO ESPECIAL: REsp 672987 MT 2004/0083646-3 . que acaba lesada pela não-devolução. com posterior desaparecimento do veículo: há estelionato. Relator. que autoriza a transação.Órgão Julgador: T4 ." c) Movimentação eletrônica fraudulenta de contas: saques e transferências configuram furto. cheque com assinatura falsificada ou valores adulterados para depósito em conta do criminoso ou para saque). g. mantinha relação de confiança. a aquisição de eletrodomésticos em uma loja). 171 do CP). Situação diferente é a do veículo subtraído durante um test drive: "Segundo entendimento desta Corte. de valores que se encontravam depositados em nome deles. o aborda). do CP). como gerente de instituição financeira. o que possibilitou a subtração. § 4º. por exemplo) até os executórios (um dos coautores distrai a vítima para que o outro se apodere da coisa. Empréstimos contraídos. II. estelionato (ver texto supra). para fins de pagamento de seguro. o agente usa um ardil para enganar o policial que. somente é obtida depois de ludibriado o funcionário do banco. Para que incida a qualificadora. o subtrai (STJ . e não estelionato. a fraude foi utilizada para burlar a .

o delegado praticou ato em desacordo com a lei uma vez que determinou a elaboração do boletim de ocorrência à distância por não querer ir até a Delegacia de Polícia.vigilância das vítimas. não para induzi-las a entregar voluntariamente a res” (REsp 1. quando policiais militares conduziram até lá um homem sob suspeita de tráfico de drogas. Além disso. em comum acordo com a caixa de um supermercado. Consta dos autos que o delegado era o responsável pelo plantão.194-SC. . julgado em 26/10/2010). caracterizando o furto em virtude da subtração. e ainda assinou o boletim como se estivesse presente no plantão policial. op. O STJ. segundo a defesa. enquanto no furto qualificado pela fraude. o que gerou uma declaração falsa. O autor cita um caso julgado pelo TACrimSP (JUTA. Ao contrário. o delegado ordenou que um policial civil elaborasse o boletim de ocorrência e liberasse o suspeito. Rel. que. Min. Como não estivesse na delegacia no momento da apresentação do suspeito. 141. o artifício malicioso é empregado para iludir a vigilância ou a atenção. já que a vontade do titular do bem (no caso. a empresa) não foi viciada para entregar espontaneamente a res furtiva para os agentes. [2] MARTINS BATISTA. em que duas pessoas. Habeas corpus denegado” (HC 8179/GO – 6ª Turma JUSTIÇA CONCEDE HC E TRANCA AÇÃO PENAL DE DELEGADO "Pela falta de justa causa para a instauração da ação penal e pela descrição das condutas típicas que não combinam com as informações apuradas. Ocorre furto mediante fraude e não estelionato nas hipóteses de subtração de veículo posto à venda mediante solicitação ardil de teste experimental ou mediante artifício que leve a vítima a descer do carro. permitia que as excedentes fossem levadas.173. 69/353). correta. A decisão. levavam várias mercadorias a esta.. Napoleão Nunes Maia Filho. p. a suspeita de tráfico de drogas não exige a prisão em flagrante e que o delegado pode determinar o registro da ocorrência para melhor apuração dos fatos. na Delegacia da cidade de Paraguaçu Paulista (SP). o Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu pedido de Habeas Corpus em favor de um delegado de Polícia e determinou o trancamento da ação penal movida contra ele pelo Ministério Público. foi pela tipificação do furto mediante fraude. cit. a denúncia é genérica e atribui conduta atípica afastando a possibilidade do delegado exercer o seu poder como tal. em acórdão de lavra do Ministro Vicente Leal. De acordo com a denúncia do ministério Pùblico do estado. Segundo o advogado de defesa Orlando Machado da Silva Júnior. O furto e o roubo…. ignorava-se o ocorrido. Weber. tratou de definir os limites do furto fraudulento e do estelionato: “No crime de estelionato a fraude antecede o apossamento da coisa e é causa para ludibriar sua entrega pela vítima. registrando somente algumas.

explicou que o reconhecimento de prostituição exige a constatação de comércio sexual reiterado. Por esses motivos. Sem esse esclarecimento. pois a elucidação desse aspecto é essencial à formação da ópinio delicti´. de forma automática. a obrigatoriedade legal do preenchimento do documento na presença do delegado de polícia. não há indícios de que a ausência do delegado no momento da elaboração do Boletim de Ocorrência tenha sido motivada unicamente pelo desejo de não se deslocar até a delegacia: 'Melhor teria sido aguardar-se a vinda de tais informes por parte da autoridade administrativa competente. E assim. A 7ª Câmara Criminal do Tribunal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. para o julgador. autorizada sem que houvesse justa causa. não se denota. E não foi o que ocorreu no caso concreto. segundo o acórdão. o que lhe renderia mais alguns anos atrás das grades. É necessário que o agente do delito tire proveito da sexualidade alheia. antes de deflagrar a ação penal. segundo sentença proferida na Comarca de Faxinal de Soturno. seria necessário determinar se o delegado agiu em conformidade com as instruções normativas editadas por seus superiores. A relatora da Apelação criminal no tribunal. .” Ainda. no entanto. Ainda.' Para o relator. uma vez que. foi concedido a ordem de Habeas Corpus para o trancamento da ação penal contra o delegado. desembargadora Naele Ochoa Piazzeta. é inviável julgar a ação. Em relação à liberação de pessoas detidas por suspeita de envolvimento em tráfico de drogas. a sua elaboração pode ser feita pelo escrivão de polícia ou outro agente policial.50 para manter relações sexuais com uma menina de nove anos teve condenação confirmada em seis anos de reclusão em regime fechado. e assim a análise que permitiria avaliar se houve ou não o crime de prevaricação ficou prejudicada. habitual. sendo temerária a ação penal. entendeu que o Ministério Público não fala com exatidão que houve a detenção de pessoas em flagrante. desembargador Amado de Faria.Para o TJ-SP a denuncia deixa dúvida quanto à legalidade do procedimento instituído pela Secretaria de Segurança Pública: “Antes de imputar ao paciente prática do crime de prevaricação. e pelo constrangimento ilegal. o absolveu da acusação de favorecimento à prostituição de menores. para o Tribunal não há falsidade no boletim de ocorrência. seria recomendável à Promotoria de Justiça a cautela de obter junto à referida Secretaria de Estado a informação relacionada à legalidade dos chamados 'Plantões à Distância'." "SEXO COM MENOR POR 50 CENTAVOS NÃO É PROSTITUIÇÃO "Um homem que pagou R$ 0.

Mas é evidente que o legislador não estava em um de seus dias mais felizes (se é que eles existem) quando de sua elaboração. c/c artigo 71. teve o demérito de criar tipos penais esdrúxulos e de duvidosa constitucionalidade. o abuso sexual ocorreu nas proximidades do horto municipal. sem consistir crime autônomo'. A juíza de Direito Sandra Regina Moreira acolheu integralmente a denúncia do MP. combinado com os artigos 224. Conforme denúncia oferecida pelo Ministério Público estadual. deve ser avaliada quando do exame da reprovabilidade da conduta ou. o induzimento deveria seguir na mesma esteira. O problema é que. Ao contrário. Essa quebra da teoria monista não é novidade nas leis penais: encontramo-la nos crimes de abortamento. está contribuindo com a prática sexual subsequente. Já teria oferecido dinheiro. o fato de o acusado ter oferecido quantia em dinheiro para atrair a vítima e perpetrar o abuso sexual não se amolda ao delito previsto no artigo 218-B do Código Penal. no caso do artigo 218. O entendimento foi seguido à unanimidade pelos demais desembargadores. a despeito de ter solucionado uma série de controvérsias até então existentes. e artigo 218-B. depois de despi-la. Cito como exemplo – e sobre ele irei me debruçar – o atual artigo 218 do Código Penal. Segundo o processo. Pena: oito anos de reclusão em regime fechado. alínea 'a'. 'A meu ver. assim redigido: “Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de outrem” Não se nega a reprovabilidade da conduta. ela deságua em . consumou o ato sexual. que o dispositivo cria uma exceção dualista à teoria monista. ainda. a promessa em dinheiro efetuada pelo réu à infante. a vítima dirigiu-se até a casa do estuprador para receber o valor prometido . para comprar sexo de uma mulher adulta. pois o crime de favorecimento à prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável não se confunde com a própria violência sexual. Verifica-se. Mais tarde. das circunstâncias do crime. contemplada no artigo 29 do Código Penal." A INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 218 DO CÓDIGO PENAL EM FACE AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE A Lei nº 12. quem induz pessoa com idade inferior a 14 anos a satisfazer à lascívia de outrem. Ele foi incurso nas sanções do artigo 214.cinquenta centavos. ele 'costuma de passá com as gurias e tem fama de conquistador'. condenando o denunciado pelos crimes de atentado violento ao pudor e de exploração sexual de vulnerável. em certa ocasião.Conforme a relatora. de início. Afinal. trata-se de comportamento vil. na Lei de Tortura etc. Se o ato sexual propriamente dito caracteriza estupro de vulnerável. nos moldes ocorridos no caso em tela. que reformou os crimes sexuais. Sob promessa de pagamento. O acórdão é do dia 13 de setembro. merecedor de severa punição. todos do Código Penal. concluiu a relatora. a menina acompanhou o denunciado até uma lavoura de mandioca que.015/09.

Em suma. induz a própria filha ao ato. estupro de vulnerável. ao seu turno.720/12 e a ofensa ao Princípio da Legalidade No dia 28 de setembro de 2012 entrou em vigor a Lei 12. ou por grupo de extermínio. em tese. qual seja. merece atenção o fato de que o artigo 218 contempla apenas o induzimento de pessoas com idade inferior a quatorze anos. segundo as regras atinentes aos crimes comissivos por omissão. qual seja. Mas as perplexidades não param por aí. a pena fixada ao estupro de vulnerável tem limites mínimo e máximo fixados em 8 e 15 anos. assim. respectivamente. a punição é consideravelmente abrandada naquele comportamento que. Por que haveria de ser diferente quando a vítima é a criança ou o adolescente de até quatorze anos? Fica evidente. razão pela qual o vício deve ser sanado. estupro de vulnerável. nessas hipóteses. aquele que convence a vítima responde pelo mesmo delito praticado por quem mantém com a vítima o amplexo sexual. Isso significa que. ciente de que esta vem sendo molestada sexualmente pelo padrasto. Ademais. Ou seja. além de incluir seu artigo 288A. Agora. a fim de não colocar em risco o relacionamento afetivo mantido com o sujeito ativo. nada faz. em conluio com o padrasto e com o objetivo de satisfazer repugnante fantasia sexual deste. deixando transparecer injustificável beneplácito a quem comete um crime grave Lei 12. . Dispondo sobre o extermínio de seres humanos. Nesse caso. deveria ser considerado ato de participação no estupro cometido por terceiro. sendo a vedação à insuficiência um dos aspectos da proporcionalidade (que. a incongruência do novo tipo penal.evidente desproporcionalidade. que altera os artigos 121 e 129 do Código Penal. sob o pretexto de prestação de serviço de segurança. Breves minutos de observação atenta já demonstram a inadequação da pena cominada abstratamente ao artigo 218: 2 a 5 anos. é uma derivação da individualização legislativa das penas. restando alijada da norma a conduta praticada contra pessoa portadora de enfermidade ou deficiência mental. A reduzida sanção do artigo 218 não é apta a punir adequadamente aquele que pratica o comportamento ali descrito.720. a mãe que se omite é apenada com muito mais severidade do que aquela que age. a mãe deverá ser responsabilizada pelo mesmo crime que o padrasto. que tem sede na Constituição Federal). a lei verdadeiramente não exige sequer tal intenção. o que não faz nenhum sentido. Em comparação. em tese sua conduta seria enquadrada no artigo 218 do CP. Vejamos o caso da omissão imprópria: a mãe de uma adolescente de 12 anos. E a única solução plausível é a declaração de inconstitucionalidade em virtude da proteção deficiente estipulada no dispositivo. se essa mesma mãe. o que podemos perceber pela nova causa de aumento no artigo 121: § 6o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada.

midiaticamente. No entanto. Essas pessoas oferecem “proteção” aos moradores. Quantas pessoas são necessárias para que possamos ter uma milícia? Uma só pessoa pode caracterizar milícia? Quais as práticas exigidas para que se caracterize a milícia? E vamos além: O que seria uma milícia privada? Caso seja formada por agentes policiais. Vida ou disciplina militar Força militar de um país Qualquer corporação sujeita a organização e disciplina militares Congregação ou agrupamento militar A partir do momento que ganha conotação negativa. já há algum tempo. a falha já se inicia na ementa da lei. insegurança jurídica e decisões conflitantes. 4. Outra previsão bastante dúbia: O grupo deve ser formado com esta finalidade? Ou o homicídio deve ser praticado pela milícia privada em situação específica? Vejamos: Uma determinada comunidade vive sob às margens de proteção de determinadas pessoas. manter ou custear organização paramilitar. de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. 2. no mínimo. 288-A. O novel artigo 288A assim dispõe: Constituição de milícia privada Art. que passa a ter conotação ilegal. naquilo que passamos a conhecer.reclusão. Não podemos nos valer do tradicional conceito de milícia (1): 1. esbarramos com o termo “milícia privada”. possibilitando. milícia particular. Infelizmente. não incidiria a causa de aumento? Todas essas questões permanecem sem resposta. Comecemos pela análise da causa de aumento de pena. as novas previsões possuem falhas insuperáveis. ganhou conotação negativa. principalmente sob o pretexto de oferecer segurança. 3. grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código: Pena . integrar. Constituir. de forma a designar grupos que acabam atuando. certas . E o seu conceito? Sabemos que a expressão. sob cobrança de determinados valores. organizar. No artigo 129. altera o parágrafo 7º. Primeiramente. de forma a intimidar e controlar determinados grupos. é justamente por isso que esclarecer seu conceito seria necessário. para possibilitar a aplicação da causa de aumento acima referida no crime de lesão corporal.Ou seja. como “milícia”. Parece-nos que o legislador trouxe uma expressão principalmente midiática para dentro do Código Penal. Ainda analisando a causa de aumento: o legislador exigiu “sob o pretexto de prestação de serviço de segurança”.

como por exemplo.. não poderia incidir a causa de aumento. Neste caso. incide a causa de aumento? Se entendermos que a milícia precisa ser formada sob o pretexto de oferecer serviço de segurança. Esta proibição prevalecerá sobre os decretos promulgados pela autoridade executiva” . em 1989: “Os governos proibirão por lei todas as execuções extralegais. nos deparamos com outro questionamento: Nesse exemplo. a previsão permite outra interpretação: que o crime de homicídio tenha sido praticado nessa condição. por eles monopolizados. Já em determinada situação em que alguém tivesse praticado alguma conduta contra um dos moradores da comunidade. A previsão da causa de aumento de pena buscou observar a diretriz contida na Resolução 44/162.exigências e limitações. ou com o consentimento ou aquiescência daquela. o primeiro problema com o qual nos deparamos. arbitrárias ou sumárias. como aconteceu com os transportes realizados pelas “vans” e motocicletas. No entanto. essa pessoa fosse morta. No entanto. Essas execuções não se efetuarão em nenhuma circunstância. circunstâncias excepcionais.” Com base nas colocações anteriores. necessária seria a caracterização da milícia privada. e sejam sancionáveis com penas adequadas que levem em conta a gravidade de tais delitos. abuso ou uso ilegal da força por parte de um funcionário público ou de outra pessoa que atue em caráter oficial ou de uma pessoa que promova a investigação. além do serviço de segurança. (. nem tampouco em situações nas quais a morte ocorra na prisão. além do “oferecimento de serviços de proteção”. imaginemos o seguinte exemplo: Determinado morador descumpre as regras estabelecidas por este grupo e acaba sendo vítima de um homicídio. com o fornecimento de gás. podiam também auferir lucros com outros serviços.) Passaram. através da imposição do regime de terror. outrossim. a instabilidade política interna. Superando a já discutida e extremamente problemática “milícia privada”. fornecimento ilegal de água. nem nenhuma outra emergência pública. e zelarão para que todas essas execuções se tipifiquem como delitos em seu direito penal. aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas. aí sim poderia incidir a causa de aumento. tais grupos acabam por exercer outras atividades.. para chegar nesta análise. poderia incidir a causa de aumento. nem sequer em situações de conflito interno armado. e por fazer parte do “serviço de proteção” o extermínio de quem desobedecesse tal regra. para justificar essas execuções. TV à cabo (vulgarmente conhecido como “gatonet”). luz etc. o estado de guerra ou o risco de guerra. os membros integrantes das milícias despertaram para o fato de que. no exemplo fornecido. Não poderão ser invocadas. a exigir que os moradores de uma determinada região somente adquirem seus produtos e serviços. Porém. Vejamos o que nos diz Rogério Greco (2): “Com o passar do tempo.

. por outro lado. entendendo o artigo 288 A como uma derivação do artigo 288. trazendo previsão mais específica. na sua vertente de estrita legalidade. deixando a margem da interpretação tal requisito de composição. milícia particular.Seria exigido o número mínimo de quatro pessoas. No entanto. as características e requisitos do artigo 288. nos parece inviável que se tipifique a formação de milícia sem que a lei traga um conceito para tal grupo ou organização. 2ª – O número mínimo de pessoas ficaria a cargo da interpretação judicial.Como se já não fosse problemática a previsão do novo parágrafo 6º do artigo 121. de forma que não se pudesse deixar ao intérprete tal definição. portanto. cuja existência está vinculada ao número mínimo de quatro pessoas. a única ‘atividade típica’ que pode servir de parâmetro ao ‘grupo de extermínio’ é a da quadrilha ou bando. A mesma linha de pensamento foi adotada na interpretação do artigo 20 da Lei de Segurança Nacional (Lei 7.720 passou ao largo. Não se pode permitir a extrema abertura do tipo penal. ao citar organização paramilitar. a Lei 12. permanente. o novel artigo 288 A se caracterizaria como um crime comum. Distancia-se. ao compor a expressão ‘grupo de extermínio’. ao trazer previsão que não é clara e nem precisa. na análise do caso concreto. Neste sentido. Ora. em que já tínhamos entendimento do STF acerca da impossibilidade de se considerar tal conceito à margem de definição na legislação brasileira.034/95. permanente. a “Constituição de Milícia Privada”. que exige uma associação estável. Parece-nos mais acertada a primeira posição.. .) tudo parece indicar que o legislador teve em mira. o tipo do art. em que pese à existência de previsão na Convenção da Palermo. Para que se respeite o princípio da legalidade.” E seguindo. torna-se essencial uma previsão que seja clara e precisa. A tipificação do artigo 288 A segue a mesma estrutura do crime de quadrilha ou bando. além de trazer a previsão de espécies que se confundem. como grupo e esquadrão. ao dispor sobre Organização Criminosa. ao que a Lei 12. para se aferir o conceito de "Atos de Terrorismo" (4). Rogerio Sanchez (3): “(. mais uma vez trazendo previsão típica que ofende ao princípio da legalidade. dentre os Crimes contra a Paz Pública. da quadrilha ou bando ao não citar o número mínimo de integrantes. o que também suscita dupla interpretação: 1ª. duradoura. não define qualquer deles.720 criminaliza. sob pena de cairmos na mesma problemática da Lei 9. de pelo menos quatro pessoas. 288 do Código Penal. Em conclusão. e tal postura pode ser extraída da expressão ‘típica’ acrescida ao vocábulo ‘atividade’. grupo ou esquadrão.170/83).

ao julgar conflito de competência. Dentre eles. adverte que “o maior perigo atual para o Princípio da legalidade. são necessários indícios da origem estrangeira da mercadoria. o coletor de cédulas ou “noteiro”. deve ela prever de forma clara e precisa. Por isso. citando Everardo da Cunha Luna. ele suscitou o conflito negativo de competência. Já o juízo federal da 1ª Vara Criminal afirmou que não haveria nenhum elemento comprovando a origem estrangeira da máquina. o juiz de direito da 2ª Vara Criminal acolheu a manifestação do Ministério Público e declinou de sua competência em favor da Justiça Federal porque os caça-níqueis tinham uma peça. ministro Marco Aurélio Bellizze. com conceituações vagas e imprecisas. a função de garantia do princípio da legalidade estaria fortemente comprometida.. por si só. claramente. Não basta a lei penal prever a conduta. são os chamados tipos penais abertos ou amplos”. Indícios O relator.. uma exigência para tipificar o crime de descaminho. em máquina caça-níquel. será necessário que o legislador esclarece. a exigência da estrita legalidade (Lege Certa). que irão elevar ao máximo a função de garantia do princípio da legalidade. Esse delito se consuma .. um caso de apreensão dessas máquinas e prisão dos responsáveis pela exploração de jogo de azar deve ser processado e julgado na Justiça estadual. de competência da Justiça Federal. A Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu sete máquinas caça-níqueis e prendeu uma pessoa em uma mercearia. que não seria fabricada no Brasil. os conceitos das expressões trazidas pela Lei 12.). Essa é a decisão da Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ao ser comunicado do fato. Francisco Muñoz Conde (6): "el principio de legalidad en nuestro sistema exige que sea precisamente el legislador quien se encargue de delimitar claramente lo que se castiga mediante la norma penal (. nulla poena sine lege se desdobra em quatro subprincípios.. para tipificar a suposta prática do descaminho.)" Para que seja possível a aplicação das novas previsões. Lege certa não permite as leis penais indeterminadas. em virtude da forma com que se apresenta. Por essa razão.O princípio nullum crimem. de peça não fabricada no Brasil não caracteriza.720. a origem estrangeira de todo o equipamento e o crime de descaminho. Processo sobre caça-níquel com peça estrangeira fica com a Justiça estadual A presença. No mesmo sentido. afirmou que. Se assim não fosse. Nilo Batista (5). La exigencia de clara determinación de las condutas punibles se expresa em el denominado principio de taxatividad o mandato de certeza (.

O ministro concordou com esse entendimento e declarou a competência da Justiça estadual para julgar o caso. do respectivo tributo. Ele apontou a existência de laudo pericial indicando que não há empresa no Brasil que produza os “noteiros”. no que foi acompanhado integralmente pelos demais ministros da Terceira Seção . O foco da atividade criminosa não seria o descaminho ou o contrabando. mas isso não torna possível assegurar que os equipamentos dos caça-níqueis tenham procedência estrangeira. sem relevância suficiente para deslocar a competência para a alçada federal. no sentido de que a competência para julgar ilícitos relacionados a jogos de azar é da Justiça estadual. O ministro Bellize destacou a fundamentação da Justiça Federal. O juízo federal sustentou que o “noteiro” seria apenas um componente viabilizador da exploração desses jogos.quando o produto é introduzido no mercado interno sem o recolhimento. no todo ou em parte. mas “a obtenção do lucro fácil pela exploração do jogo”. tampouco que houve a internalização do produto pelo acusado.

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