Blog Bruno Gilaberte

Questão versa sobre a aplicação do perdão judicial, previsto no art. 107, IX e no art. 242, parágrafo único, ambos do Código Penal, no caso da denominada "adoção à brasileira". O caso em exame configura-se como um dos exemplos da ocorrência da extinção de punibilidade em decorrência do perdão judicial. Outros exemplos a serem citados são os casos previstos no art.121,§5º e art.129,§8º, ambos do Código Penal. Imperioso observar que não há que se cogitar da ocorrência da prescrição da pretensão punitiva face ao disposto no art.111, IV, do Código Penal, razão pela qual a única tese defensiva a ser sustentada é o reconhecimento do perdão judicial. Cabe salientar que o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou acerca da denominada "adoção à brasileira" no sentido de reconhecer a paternidade socioafetiva.Sobre a referida decisão, vide informativo n.400, do STJ: "Na espécie, o de cujus, sem ser o pai biológico da recorrida, registrou-a como se filha sua fosse. A recorrente pretende obter a declaração de nulidade desse registro civil de nascimento, articulando em seu recurso as seguintes teses: seu ex-marido, em vida, manifestou de forma evidente seu arrependimento em ter declarado a recorrida como sua filha e o decurso de tempo não tem o condão de convalidar a adoção feita sem a observância dos requisitos legais. Inicialmente, esclareceu o Min. Relator que tal hipótese configura aquilo que doutrinariamente se chama de adoção à brasileira, ocasião em que alguém, sem observar o regular procedimento de adoção imposto pela Lei Civil e, eventualmente assumindo o risco de responder criminalmente pelo ato (art. 242 do CP), apenas registra o infante como filho. No caso, a recorrida foi registrada em 1965 e, passados 38 anos, a segunda esposa e viúva do de cujus pretende tal desconstituição, o que, em última análise, significa o próprio desfazimento de um vínculo de afeto que foi criado e cultivado entre a registrada e seu pai com o passar do tempo. Se nem mesmo aquele que procedeu ao registro e tomou como sua filha aquela que sabidamente não é teve a iniciativa de anulá-lo, não se pode admitir que um terceiro (a viúva) assim o faça. Quem adota à moda brasileira não labora em equívoco. Tem pleno conhecimento das circunstâncias que gravitam em torno de seu gesto e, ainda assim, ultima o ato. Nessas circunstâncias, nem mesmo o pai, por arrependimento posterior, pode valer-se de eventual ação anulatória, postulando desconstituir o registro. Da mesma forma, a reflexão sobre a possibilidade de o pai adotante pleitear a nulidade do registro de nascimento deve levar em conta esses dois valores em rota de colisão (ilegalidade da adoção à moda brasileira, de um lado, e, de outro, repercussão dessa prática na formação e

desenvolvimento do adotado). Com essas ponderações, em se tratando de adoção à brasileira a melhor solução consiste em só permitir que o pai adotante busque a nulidade do registro de nascimento quando ainda não tiver sido constituído o vínculo de socioafetividade com o adotado. Após formado o liame socioafetivo, não poderá o pai adotante desconstituir a posse do estado de filho que já foi confirmada pelo véu da paternidade socioafetiva. Ressaltou o Min. Relator que tal entendimento, todavia, é válido apenas na hipótese de o pai adotante pretender a nulidade do registro. Não se estende, pois, ao filho adotado, a que, segundo entendimento deste Superior Tribunal, assiste o direito de, a qualquer tempo, vindicar judicialmente a nulidade do registro em vista da obtenção do estabelecimento da verdade real, ou seja, da paternidade biológica. Por fim, ressalvou o Min. Relator que a legitimidade ad causam da viúva do adotante para iniciar uma ação anulatória de registro de nascimento não é objeto do presente recurso especial. Por isso, a questão está sendo apreciada em seu mérito, sem abordar a eventual natureza personalíssima da presente ação. Precedente citado: REsp 833.712-RS, DJ 4/6/2007. REsp 1.088.157-PB, Rel. Min. Massami Uyeda, julgado em 23/6/2009."

1- a) Neste caso, deverá ser suscitado o reconhecimento da extinção de punibilidade prevista no art.107, IV, do CP. O argumento a ser utilizado é a ocorrência de prescrição da pretensão punitiva superveniente/intercorrente/subsequente (causa extintiva de punibilidade), pois, já ciente do máximo de pena in concreto possível, qual seja, 1 ano e 10 dias-multa, o Estado teria até o dia 17/10/2010 para julgar definitivamente o recurso da defesa, o que não ocorreu, nos termos dos arts. 109, V; 110, §1º; e 117, I e IV, todos do CP. Vale lembrar que a prescrição da pretensão punitiva superveniente pressupõe o trânsito em julgado para a acusação (tal como ocorreu na espécie) e é contada a partir da publicação da sentença penal condenatória, último marco interruptivo da prescrição relacionado na questão. Vale ressaltar que não basta mencionar que houve prescrição. Tem que ser específico, dizendo ao menos que se trata de prescrição da pretensão punitiva.

b) Sim, a situação seria diferente, pois neste caso não haveria prescrição da pretensão executória nem outra modalidade qualquer. Como Jaime é reincidente, já que o 2º furto foi cometido após o trânsito em julgado definitivo de sentença que lhe condenou pelo 1º furto (art. 63 do CP), a

prescrição da pretensão executória tem seu prazo acrescido de 1/3, de acordo com o artigo 110 do CP. Assim, o Estado teria até 23/02/2012 para capturar Jaime, nos termos dos arts. 110 caput e 112, I, do CP. 1- A presente questão tem por objetivo desenvolver o raciocínio jurídico do discente através da adequação dos institutos previstos na Parte Geral do Código Penal aos crimes em espécie. Neste caso, em relação a Francisco Zebedeu, o agente atuou com animus necandi de modo a caracterizar o homicídio na forma tentada. Ainda, o crime é qualificado no que concerne às qualificadoras de natureza subjetiva (homicídio mercenário – art.121,§2, I, CP) e objetiva (praticado mediante emboscada – art.121,§2º, IV, CP). Lindolfo, por sua vez, não pode ser responsabilizado, pois, na verdade, houve autolesão, o que configura irrelevante penal. Conclui-se, portanto que, Francisco Zebedeu será responsabilizado por homicídio qualificado na forma tentada (art.121,§2º, I e IV n.f. art.14, II, todos do CP) e Lindolfo, fato atípico. 1- A questão versa sobre a possibilidade da incidência simultânea do privilégio, causa especial de diminuição de pena e a qualificadora no delito de homicídio. O entendimento doutrinário e jurisprudencial dominante é no sentido da possibilidade, desde que a qualificadora seja de natureza objetiva, como, por exemplo, os meios e modos de execução No caso em exame é perfeitamente possível que o homicídio seja qualificado pelo meio utilizado para a prática do delito (recurso que impossibilitou a defesa da vítima, já que as “pauladas” foram desferidas pelas costas, tornando impossível a defesa do ofendido) - art. 121,§2°, IV CP e privilegiado pelo domínio da violenta emoção logo em seguida a injusta provocação da vítima - art. 121,§1°, CP. Quanto à segunda parte, a questão é controvertida e demanda análise cuidadosa, haja vista a previsão expressa contida no art. 1°, I da lei n. 8072/1990 de que considera-se hediondo o homicídio qualificado. Sobre o tema, manifesta-se Cezar Roberto Bitencourt (op.cit. p. 53), ao citar entendimento do Supremo Tribunal Federal, no sentido de que, por analogia, aplicar-se-ia a norma contida no art. 67 CP, segundo a qual devem preponderar os motivos determinantes do crime (privilégio), o que afastaria a incidência da lei de crimes hediondos. O mesmo raciocínio é utilizado por Fernando Capez ao tratar dos delitos hediondos (op.cit. v.4, p. 178). 1- A questão em exame visa fomentar a compreensão acerca dos elementos distintivos entre os delitos de homicídio, infanticídio e abandono de recém-nascido qualificado pelo resultado morte (art.121, art.123 e art.134,§2º, todos do Código Penal). [NOTA DO PROFESSOR: Não se deve

esquecer o crime de abandono de incapaz, pois o abandono de recém-nascido é honoris causa] Para tanto, poderá utilizar como ponto distintivo o reconhecimento do estado puerperal, em conjunto com as elementares objetivas do tipo penal (por ex. lapso temporal) para a caracterização do delito de infanticídio de modo a diferenciá-lo do delito de homicídio. Por outro lado, diferenciará os delitos de homicídio e infanticídio do delito de abandono de recém-nascido [NOTA DO PROFESSOR: e também do abandono de incapaz] qualificado pelo resultado morte, pois, neste o resultado morte ocorre a título de culpa, diferentemente daqueles, nos quais o resultado morte é doloso. [NOTA DO PROFESSOR: os crimes de abandono são crimes de perigo, ou seja, o resultado não é desejado, por isso a forma culposa, o que não acontece no homicídio e no infanticídio, que são crimes de dano. No caso concreto, restam certamente afastados os crimes de abandono, restando homicídio ou infanticídio. Há que se averiguar, ainda, se a ação que levou a criança a morte foi provocada antes do início do parto, situação que caracterizaria crime de aborto]. 1- A presente questão tem por objeto a análise dos delitos de homicídio e lesões corporais culposas na direção de veículo automotor agravados pelas causas de aumento de pena dos incisos II e III do parágrafo único do artigo 302 c/c parágrafo único do artigo 303, todos da Lei 9503/97, na forma do artigo 70, 1ª parte, do Código Penal. Em relação à possibilidade da possibilidade de substituição da pena privativa de liberdade, vide decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, in verbis: "HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO CULPOSO NA DIREÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR CONTRA-RAZÕES AO RECURSO DO ASSISTENTE À ACUSAÇÃO. PEÇA APRESENTADA EXTEMPORANEAMENTE. CONTRADITÓRIO RESPEITADO. CONDENAÇÃO BASEADA APENAS EM PROVA OBTIDA NA FASE INQUISITORIAL. INEXISTÊNCIA. CRIME COMETIDO O EXERCÍCIO DE SUA PROFISSÃO. APLICABILIDADE DA MAJORANTE ART. 302, INCISO IV, DA LEI N.º 9.503/97. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA. POSSIBILIDADE. ORDEM DENEGADA. 1. Renovação de julgamento em face da concessão parcial de habeas corpus pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu nulidade pela ausência de notificação da inclusão do writ em pauta de julgamento. 2. Inexiste violação ao contraditório, quando a ausência de intimação para a apresentar de contrarrazões é motivada no fato de a Defesa adiantar-se em contraditar os argumentos do recurso em suas razões de apelação, pugnando pela sua inadmissão do apelo acusatório. Precedente. 3. A sentença condenatória está baseada na confissão do Paciente, nos laudos

acerca da distinção entre os delitos de tortura e maus-tratos previstos. impõe a majoração da pena quando o crime é cometido por agente no exercício de sua profissão de motorista. No crime de maus tratos há o indispensável animus corrigendi vel disciplinandi. No delito previsto na Lei Especial o fim é a tortura. conforme se depreende da leitura de sua ementa abaixo transcrita: "EMENTA.ª edição. Quinta Turma.CRIME DE TORTURA. julgado em 27/03/2012. já proferiu decisão com vistas à distinção dos delitos. Provimento do recurso defensivo para desclassificar a imputação. julgado em15/12/2011)". Laurita Vaz. 4. causando padecimento. Oitava Câmara Criminal. Min. 6. Ademais. ainda que a título de aplicação de castigo pessoal. não há impeditivo legal à substituição da reprimenda corporal por pena restritiva de direito de prestação pecuniária. Jorge Mussi. Maria Thereza de Assis Moura. Min. o réu se defende do fato imputado. com a utilização das agressões físicas e mentais como meio para tal. Já no delito de maus tratos a finalidade é a correção. conforme expresso no comando da questão. do art.050. 302.Apelação Criminal n. do Código Penal. uma vez que. 91). do parágrafo único. Ordem denegada.03592. com reposicionamento das penas. na forma do voto do relator. Acerca do tema. segundo Damásio Evangelista de Jesus." (TJRJ. da Lei n. Rel. nos art. enquanto no delito de tortura a intenção é apenas a de fazer com que a vítima sofra. julgado em 21/08/2008. passando por suplício. Gilmar Augusto . 115301/SC. sob a garantia do contraditório. sendo que a denuncia informa que o móvel que impulsionou as agressões físicas infligidas no menor foi a efetiva demora do menor em se alimentar e a não utilização do banheiro para a realização de suas necessidades. "nessa hipótese é maior o cuidado objetivo necessário. ALEGAÇÃO DE INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA E REQUESTO DE DESCLASSIFICAÇÃO PARA A INFRAÇÃO DE MAUS TRATOS. Min. Laurita Vaz.técnicos e na prova testemunhal produzida durante a instrução do processo. 5. 2002. em sede de apelação crime. Rel. Quinta Turma. 2006. respectivamente. 5. a Oitava Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Quinta Turma. insubsistindo a alegação de que as instâncias ordinárias reconheceram a autoria do delito apenas em prova obtida no inquérito policial. 168013 / RJ. julgado em 11/11/2008. mostrando-se mais grave o seu descumprimento" (in Crimes de Trânsito. Ainda. 1.9455/1997 e 136. Rel. O disposto no inciso IV. no mesmo sentido: HC n. III. podendo ter como meio o uso exagerado e inexplicável da violência. Rel. Min. Des. (HC n. 1º. Provada a autoria e materialidade das ofensas à integridade física da criança praticada pelo apelante e terceira pessoa. Ainda que o tipo penal não preveja a pena de multa. HC 45636/RJ. Rel. Sexta Turma. p.O caso em exame versa. HC 62699/PR.

(nota do professor: o aluno deve aplicar a referida jurisprudência ao caso concreto. inciso IV. Kelsen Carneiro. “macumbeira” e “feiticeira”. há entendimento do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais: "EMENTA. “crioulinha”.A questão diz respeito ao termo inicial da contagem do prazo prescricional nos crimes de falsificação de registro civil. Dessa forma. 147. 111.Desprovimento. Neste sentido. 1. Rejeitaram preliminar e negaram provimento."( TJMG – Apelação Criminal n. certamente)]. . em local público. devendo ser mantido. o incidiamento de Lúcia foi correto. preconceituosa ou discriminatória prevista no art.No caso em exame deverá o discente apresentar os elementos caracterizadores do delito de ameaça. nos dias atuais. Injúria. Ofensas de caráter racial. DJ 19/01/2006). Crime caracterizado. Embora o conceito de ato obsceno seja aberto e possa variar no tempo e no espaço. com o intuito de ofender a honra de outra pessoa. Terceira Câmara Criminal. aquele que se utiliza de palavras depreciativas à raça e cor. do CP.A questão diz respeito à aplicação do princípio da adequação social. 10456020126847/001. pois no delito de parto suposto. Ofensa a dignidade e ao decoro. a conduta de Renata e Geovana não pode ser considerada criminosa. seja. 140. 1. A pretensão defensiva não deve prosperar. visto que adequada socialmente. [NOTA DO PROFESSOR: Há que ser averiguado se o mal prometido pelo autor tinha capacidade de intimidar a vítima e se era factível (no caso concreto. Hipótese em que foram dirigidas à vítima expressões como “negra-preta”. do Código Penal. Comete o crime de injúria qualificada pelo preconceito. considerada ofensiva ao pudor do homem médio. Rel. §3° do CP. de modo a concluir pela tipificação da conduta de Walter face à seriedade da ameaça proferida e ao caráter subsidiário deste delito em relação aos delitos de lesões corporais e homicídios perpetrados na forma tentada. a prescrição somente começa a fluir do dia em que o fato se torna conhecido por autoridade que possa promover a persecução penal.A conduta amolda-se ao tipo penal da injúria qualificada.Teixeira. Julgada em 24/08/2006). regulado pelo art. avaliando o animus do agente) 1. Não se pode afirmar que a troca de carícias entre homossexuais. Des. previsto no art. 1. Testemunhas confirm ando o assaque das palavras injuriosas.

b) Como o menor não sofreu maus-tratos ou privações.ed. §1°. nem há bis in idem. Guilherme de Souza.A questão é controvertida. na modalidade prevista no art. do Código Penal.. Sobre o tema.. Régis Prado. na situação concreta apresentada..ver art. cremos que o incêndio deve ser punido na modalidade simples. §2°. 1.].1. previsto no art. 250 [. São Paulo: Revista dos Tribunais. se o ânimo de lucro já foi utilizado para tipificar o crime do art.. a liberdade de culto religioso não poderá ser invocada para afastar a responsabilidade penal. Não são incompatíveis as duas ocorrências. 249. João poderá receber o perdão judicial. em sua forma simples e o de estelionato. inciso V." (NOTA DO PROFESSOR: O professor Nucci é isolado em sua posição.É possível. São Paulo: Revista dos Tribunais. ver: NUCCI. Código Penal Comentado. Sobre o tema. 1. V[. É certo que. do CP.): "parece-nos perfeitamente admissível a possibilidade de haver concurso entre o delito do art. 171. Portanto. V. Código Penal Comentado. nesses casos. o concurso entre o crime de incêndio. sendo majoritário o entendimento de que o crime de curandeirismo não se configura quando a conduta é praticada no regular exercício da liberdade de culto religioso. Para mim não há crime). pois o fato de ser pai não impede a prática do delito. Porém. haja vista que o agente estava temporariamente privado da guarda de seu filho em razão de decisão judicial . 1. do CP. §2°. Guilherme de Souza. 171.a) Não deverá prosperar a pretensão da defesa. 2009. §2°. (NOTA DO PROFESSOR: Não concordo com o gabarito ofical. 2009.] com o crime do art. A posição majoritária diz que o incêndio majorado prevalece sobre o estelionato. é indisponível. 1. 171. assim se manifestou Guilherme de Souza Nucci (NUCCI. havendo lesão grave ou morte decorrentes da conduta praticada. 249. . posto que o bem jurídico objeto da lesão.284. §2°.ed. p. parece-me equivocado o gabarito oficial). Nesse sentido. devem ser analisados os bens jurídicos em confronto e.

A três. 35. alínea “i”. sem a incidência do concurso com o falso material. que exige apenas a associação de duas pessoas para a sua configuração. 1. o delito de associação para o tráfico tem como núcleo "associarem-se". Assim. da Lei 11. no caso concreto. considera-se atípica a sua conduta que. 1. falece materialidade para tal crime] . pois: A uma.A duas.898/65. 1. Paulo responderá apenas pelo crime contra o patrimônio.343/06. não se pode olvidar a redação do Enunciado 73. em tese. ao ameaçar e agredir sua face.A questão versa sobre a capitulação da falsificação grosseira. ficando isento de pena. uma vez que ele. que diz que "a utilização de papel-moeda grosseiramente falsificado configura. portanto. o que dispensa a prática efetiva do tráfico pretendido. configurou tão somente um ato preparatório do uso. [NOTA DO PROFESSOR: quanto ao possível confronto com o crime de lesão corporal. Dessa forma. da competência da Justiça Estadual". No Brasil não existe a cédula de sessenta reais e. previsto no art. 181.Nenhum dos argumentos defensivos deverá prosperar.1.A prisão em flagrante de Leocádio não foi correta. 304. Porém. atentou contra a incolumidade física de Paulo Roberto Cruz. do CP pune a conduta de "fazer uso" de documento falso e o agente estava apenas portando a carteira funcional falsificada. e Pedro poderá ser beneficiado pela escusa absolutória prevista no art. a questão é controvertida. na verdade. é possível afirmar que Tício não responderá por nenhum crime em razão da ineficácia absoluta do meio. 4. da Súmula do STJ.a) O delito a ser imputado a Alessandro Antunes está tipificado no artigo 3º. da Súmula do STJ. Todavia.A questão versa sobre o conflito aparente de crimes entre falsidade documental e estelionato. 1. inciso I. próximo ao olho. para a configuração do delito acima exposto. mas o de associação para o tráfico. com a utilização de sua arma. Assim. do CP. policial militar. o delito praticado pelos agentes não foi o de quadrilha ou bando. basta que um dos agentes seja imputável. prevalecendo a posição que admite o concurso de crimes. como a funcionária foi enganada e Tício obteve vantagem indevida através do induzimento daquela a erro. também é cabível a tese de que se configurou o estelionato. pois o art. o crime de estelionato. da Lei n. Sendo assim. a tese defensiva a ser utilizada é a de que o estelionato absorve o falso com aplicação do Enunciado 17.

Por outro lado. Parte da doutrina.§8º. op. 301. já firmou entendimento no sentido de ser declaratória de extinção de punibilidade não gerando qualquer conseqüência para o réu – Verbete de Súmula n.9503/1997. 1.172. que o réu interponha recurso pleiteando a absolvição por negativa de autoria ou por ausência de culpa em relação ao evento danoso como forma de afastar os efeitos secundários da condenação. o Superior Tribunal de Justiça.A conduta de Anderson encontra-se tipificada no art. Desta forma. cabe salientar que.b) O delito de abuso de autoridade resta configurado como crime comum. infringiu o dever objetivo de cuidado na direção de veículo automotor. para Guilherme de Souza Nucci é possível. Obs. sustenta que a extinção de punibilidade não atinge apenas o crime no qual se verificou a circunstância excepcional. sendo irrelevante o fato de Roberto.No que concerne ao instituto do perdão judicial. ao imprimir velocidade incompatível com o local e condições da estrada. pois. Acerca do tema. razão pela qual o ofensor responde por sua conduta. §5º e art. da referida lei. pilotar a moto na contra-mão de direção. 1. quanto moral.121. No que concerne à prestação de socorro poderá o discente afastar a aplicação de prisão em flagrante delito consoante o disposto no art. compreendido como direito público subjetivo do réu de caráter unilateral. da Lei n. do Superior Tribunal de Justiça. mas todos os crimes praticados no mesmo contexto. do Superior Tribunal de Justiça. as consequências da infração abrangem tanto as de ordem física. ao constatar a falta de visibilidade decorrente da neblina. consoante enunciado da Súmula n. atingem o próprio . as culpas não se compensam no âmbito do Direito Penal. sustenta ser uma decisão condenatória. ainda que perpetrado por militar. no momento da colisão. do Código Penal.cit. surge controvérsia no que concerne à natureza jurídica da sentença concessiva do perdão judicial para fins de análise dos efeitos da condenação. (NUCCI. Por fim. cuja competência é da Justiça Comum. ainda que praticado em serviço. subsistem todos os efeitos secundários da condenação (lançamento do nome no rol dos culpados para fins de reincidência e maus antecedentes. inclusive.18. bem como obrigação de reparar o dano (Magalhães Noronha. pp 601 e 602). Guilherme de Souza Nucci). Art. tais como nos delitos de homicídio culposo e lesão corporal culposa (art. CP). Obs. “ A sentença que conceder perdão judicial não será considerada para efeitos de reincidência”.302. pp 590). Fernando Capez (Material Didático. 129. no qual o Estado-juiz deixa de aplicar a pena em circunstâncias expressamente previstas em lei.120.

33 a 37.§8º. do repressivo legal. mister salientar que. todos do Código Penal. . em absorção.121. não se configurando com o mero porte. sob o pretexto de prestação de serviço de segurança. a mesma deve ser rejeitada. IV. Com efeito. o porte ilegal de arma de fogo e o de tráfico de entorpecentes são delitos completamente autônomos.Quanto a “majorante do emprego de arma” (art. IV. inc. julgado em 20/11/2007) HOMICÍDIO PRATICADO POR MILÍCIA PRIVADA Segue trecho do livro Crimes em Espécie . ou por grupo de extermínio . o princípio da consunção. haja vista . tal fato não funcionou como fase de preparação ou de execução do delito de tráfico de entorpecentes. por inequívoca falta de interesse recursal. atingem o agente e seus familiares. Quinta Turma. um dos princípios que regulam a solução do conflito aparente de normas. no caso sub judice. que será em breve lançado pela Editora Freitas Bastos: "Homicídio praticado por milícia privada. . Com relação à tese ministerial. 140. os Tribunais Superiores tem entendimento no sentido de que “majorante só se justifica quando a arma servir ostensiva e efetivamente de instrumento de intimidação para a prática dos delitos previstos nos art. o autor cita as hipóteses legais de incidência do perdão judicial. I e II. não incide. [NOTA DO PROFESSOR: Embora o gabarito oficial seja omisso..§5º. Ainda.No que concerne à tese defensiva. da Lei 11.m. §2º. ou seja. a mesma será rejeitada pelas razoes abaixo expostas: . na espécie. inc.j.Crimes Contra a Pessoa. 180. Não há que se falar. sendo que o primeiro. consoante entendimento do Superior Tribunal de Justiça. a saber: Art. bem jurídico a ser protegido pelo artigo de lei ora em comento”(REsp 958075/RS.343/06 não foi reconhecida pelo digno Julgador. 249. de minha autoria. 40. por analogia] 1. 129. Relatora Ministra Jane Silva . §5º. embora o acusado estivesse portando arma de fogo. 40. ou os seus familiares ou amigos íntimos.A alegação de que a majorante prevista no art. é possóvel a aplicação do perdão judicial aos crimes culposos de trânsito.Desembargadora co nvocada do TJ/MG. “coloca em risco toda a paz social.Além disso.agente de forma tão grave que a sanção penal se torna desnecessária.§1º.Com relação ao concurso de crimes.343/06). s. da Lei 11. desta forma.

exemplificativamente. no particular. segundo Cezar Roberto Bitencourt. completamente omisso. estam os convencidos de que. a menor reunião de pessoas? Logicamente. de todos. não se coaduna com a ideia de ‘par’. A exata compreensão das majorantes depende da conceituação de três termos contidos no diploma inovador. por civis. embora a lei não fale (e este é o primeiro dos muitos equívocos aqui observados). não seria um grupo. Vejamos. ou seja. não será difícil identificar essa quantidade mínima (mais de três) como integrantes de tais milícias. o mínimo de mais de três pessoas. Afirma Bitencourt: “O texto legal é. pois nenhuma relevância haveria em aumentar a pena da modalidade culposa quando praticada nas mesmas circunstâncias. in concreto. o menor agrupamento de seres -. mas em atividade civil. que não se confunde com grupo.*2+ Prossegue o autor: “Trata-se de uma espécie de organização civil. que não permite uma interpretação extensiva que poderá alcançar conduta não abrangida pelo texto legal incriminador. que é. enfim. mais de três pessoas reunidas com a finalidade de praticar crimes previstos no Código Penal. se três ou mais membros. basicamente. com finalidade civil ilegal e violenta.*3+ Sobre o número mínimo de integrantes da organização. à margem da ordem jurídica. e esquadrão. voluntária ou involuntariamente. sua similaride e proximidade geográfica com aquele autoriza o entendimento que exige a mesma estrutura numérica. mas uma coisa é certa: não pode ser menos. apenas um par e não um grupo! Assim. ante a lacuna legal. quando praticado nas hipóteses acima descritas. grupo ou esquadrão composto somente por duas pessoas. o ‘grupo’ – que nos parece. dois indivíduos não formam um grupo. sobre a quantidade mínima. mas apenas uma dupla. milícia privada. além de incluir um novo artigo no Código Penal (artigo 288-A). isto é. pois nenhuma das figuras mencionadas.A Lei nº 12. . grupo. Realmente. admite sua formação tão somente com dois membros. pois ausente qualquer situação de maior reprovabilidade da conduta. com características similares à força militar. por definição. também aumentou a pena do homicídio em um terço. Poder-se-ia admitir a configuração de organização. a exemplo do crime de quadrilha (288). Obviamente. os quais não se estruturam apenas com dois ou três indivíduos e.[1] São eles: organização paramilitar. embora possa contar também com militares. pois.720/12. não. nesse caso. Pensar diferente significa criar figura mais rigorosa que a pretendida pelo legislador. sobre os quais existe completa omissão legal definidora. Com efeito. a ponto de ensejar discussões acerca de possível violação ao princípio da taxatividade. mas somente uma dupla. afronta a lógica e o bom senso imaginar-se a formação de ‘esquadrão’. Tr atamse. trata-se apenas do homicídio doloso. claramente. mas que age na clandestinidade”. seja adequado exigir-se. “é uma associação civil armada constituída. 288 do CPP. ‘milícia particular’ ou ‘organização paramilitar’ com número de participantes inferior à quadrilha prevista no art. Podemos ter dúvida. no nosso entendimento. qual seja. reina a mais absoluta incerteza. na verdade. Essa interpretação restritiva é uma exigência da tipicidade estrita. de agrupamentos ou associações de pessoas com a finalidade delinquir que envolvem inúmeras pessoas. milícia. repetindo. o crime de ‘constituição de milícia privada’ não pode ser composto somente de duas pessoas. Organização paramilitar. com estrutura similar à militar”. ficando a cargo de doutrina e jurisprudência sua interpretação e criação que deve ocorrer lógica e racionalmente.

no mínimo quatro integrantes. parece que a orientação mais escorreita em interpretação sistemática. está-se diante de um risco que o intérprete não tem o direito de correr em prejuízo do cidadão. constante da Lei nº 8. milícia ou esquadrão uma ou duas pessoas. Esse entendimento é pacífico doutrinária e jurisprudencialmente.694/12 (organizações criminosas). CP. que é o que ocorre com o artigo 288 – A e os parágrafos 6º e 7º dos artigos 121 e 129 respectivamente.694/12. grupo de extermínio e esquadrão. ambas com bons argumentos de sustentação. seja com a legislação esparsa (artigo 2º. da Lei 9.034/95 que trata do chamado 'Crime Organizado'. ao seu turno. que se contenta com a reunião de três ou mais pessoas”.*4+ Rogério Sanches. CP). todos esses grupos são organizações e podem inclusive. foi recentemente alterada pela Lei 12. após consignar as posições de Alberto Silva Franco e Luiz Vicente Cernicchiaro. Advoga-se a tese de 4 componentes mediante uma interpretação sistemática do crime do novo artigo 288 – A com o crime de quadrilha ou bando previsto no artigo 288. todos do Código Penal. CP 'organização' paramilitar. Nesse passo. organização. o crime de rixa (artigo 137. CP.034/95 com a nova redação dada pela Lei 12. ante uma lacuna legal”. e neste e demais dispositivos em milícia privada ou particular. dependendo do caso e demais características exigidas pelo novel artigo 2º. é a de que o número mínimo somente pode ser de 3 pessoas” . um grupo deve ser considerado como pelo menos 3 pessoas. a despeito da estranheza que possa causar em relação ao descompasso com o crime de quadrilha ou bando (de se ver que a adoção da posição diversa – a exigir no mínimo quatro pessoas – também encontraria descompasso. seja com o Código Penal (artigo 137. o que se dirá sobre uma organização paramilitar ou um grupo de extermínio? Doutra banda encontra-se o argumento de que. Para a configuração da quadrilha são necessárias mais de 3 pessoas. uma afirmando a necessidade de 4 componentes e outra de 3 componentes. conforme consta da dicção direta e reta do artigo 288. na falta de definição legal. CP).agravando a situação de envolvidos ao conceber como típicas condutas não recepcionadas pelo texto legal. Quanto ao artigo 288. Ora. configurarem 'organizações criminosas'. qual seja.034/95. anteriormente inexistente na legislação brasileira. consta que uma 'organização criminosa' somente é admitida com a associação de pelo menos 3 pessoas. inclusive por um argumento que se considera decisivo. desta feita com o conceito de organização criminosa. Ora. da Lei do Crime Organizado). CP. já percebemos doutrina preferindo fundamentar o raciocínio no conceito de ‘grupo’ trazido no seu artigo 2º. No mínimo. insinua sua opção: “Com o advento da Lei 12. fato é que nele o legislador foi expresso. de modo que a incongruência sistemática existe de .[6] Parece-nos que esta seja efetivamente a melhor posição.720/12 menciona na redação do artigo 288 – A.072/90 (segundo aquele. para este.*5+ No mesmo sentido é a lição de Eduardo Luiz Santos Cabette: “Já despontam duas correntes doutrinárias. não se poderia considerar como grupo. Tal pensamento já encontra abrigo em tradicional interpretação de crime de concurso necessário para o qual o legislador não tomou a medida de estabelecer o número mínimo de participantes. dentre outras modificações. três ou mais). se para a formação de uma simples quadrilha são necessárias pelo menos 4 pessoas. Tende-se a acatar esta segunda posição. mas apenas a partir de três. No silêncio da lei. Ocorre que a Lei 9. o que está a autorizar claramente a exigência de ao menos 4 pessoas. agora constante do artigo 2º. Nessa conceituação. emanadas em estudo à expressão “grupo de extermínio”.694/12. Observe-se que a Lei 12. Essa lei. trouxe um conceito de 'crime organizado'. da Lei 9.

a uma organização não estatal. . que. atuando à margem do Estado (as milícias públicas. com a utilização de armas. trabalhar em prol do bem estar da comunidade. o ideal seria o reconhecimento da evidente inconstitucionalidade do novo dispositivo incriminador. alegadamente. violência e grave ameaça. a fim de se caracterizar essa maior quantidade de integrantes? Ah. Milícia privada. é definida por Rogério Grec o como aquela “de natureza paramilitar.*7+ De fato. qual seria o misterioso número mínimo de agentes. Na realidade. Infelizmente. termo de difícil conceituação. (e) a participação ativa e reconhecida dos agentes do Estado. sem que haja preocupação com a boa técnica penal). mediante o emprego da força. Todavia. de caráter paramilitar. residências e estabelecimentos comerciais ou industriais. que atua ilegalmente.[8] Justamente por isso a preocupação do texto legal em qualificar as milícias como “privadas”. com a finalidade de explorar as pessoas carentes”. inclusive.).uma forma ou de outra). pretenderia garantir a segurança de famílias. há uma verdadeira ocupação de território.. (c) o ânimo de lucro individual como motivação central. aparentemente. por ser considerada uma corporação auxiliar às Forças Armadas).*10+ Note-se que o autor não menciona a obrigatória participação de agentes do Estado (com o que concordamos. isto é. a intenção de praticar o bem comum. ainda.[9] Assemelhada é a definição de Cezar Roberto Bitencourt: “Milícia particular tem sido definida como um grupo de pessoas (que podem ser civis e/ou militares). citando o sociólogo Ignácio Cano. aponta características peculiares das milícias: (a) controle de um território e da população que nele habita por parte de um grupo armado irregular. por violação ao princípio da taxatividade (como costuma ocorrer quando leis são elaboradas de maneira apressada. embora essa denominação tenha caído em desuso. Em verdade. No entanto. assegurando-lhe sossego.. podendo resultar. (b) o caráter coativo desse controle. seriam forças estatais regulares). que foram perdidos em razão da violência urbana. o termo milícia deita raízes em tropas de segunda linha que constituíam reserva auxiliar ao Exército do Império português (razão pela qual a polícia militar durante muito tempo foi denominada “milícia”. em eliminação de eventuais renitentes. (d) um discurso de legitimação referido à proteção dos moradores e à instauração de uma ordem. embora isso ocorra no mais das vezes). numa espécie de Estado paralelo. o legislador. impondo seu regime de terror em uma determinada localidade”. um traço distintivo: organização paramilitar insinua uma associação mais numerosa do que a milícia privada (entretanto. incumbe ao intérprete a árdua tarefa de explicar o inexplicável. Aditamos. apenas para aproveitamento do clamor popular ou de eventual clima legislativo favorável à aprovação do projeto. paz e tranquilidade. enquanto não advém a declaração de inconstitucionalidade (se é que ela virá). Haveria. mas é imposta mediante coação. essa atividade não decorre da adesão espontânea da comunidade. isto é. em que se diferem “milícias privadas” e “organizações paramilitares”? Rogério Greco. isto é.

quem trate “grupo” e “esquadrão” como sinônimos. no entanto. não havendo se confundir o artigo 288-A do Código Penal com o mero concurso eventual de pessoas. percebe-se que a causa de aumento de pena não menciona expressamente todas as formas associativas do artigo 288-A em seu texto: faltam. inclusive. aqui. ainda.343/06). inclusive com sanção mais severa na primeira hipótese? Portanto. que expressamente fala em “grupo de extermínio”). o que causaria insustentável desigualdade: por qual motivo as associações para a prática de crimes do Código Penal deveriam ser punidas de forma diferenciada daquelas dedicadas a crimes previstos em lei especial. a maior parte das hipóteses de aplicabilidade do artigo 288 restaria frustrada. como o artigo 35 da Lei 11. Isso porque passaria a existir a impossibilidade legal de uma quadrilha ou bando se dedicar ao cometimento de crimes do Código Penal (hipótese que invariavelmente determinaria o reconhecimento de um “grupo” do artigo 288-A). quis se referir às expressões “grupos de extermínio” e “esquadrões da morte”. já que o artigo recebe nomen juris de “constituição de milícia privada”. em cristalina desproporcionalidade). aparentemente. Esquadrão se difere de grupo por exigir uma estrutura hierarquicamente militarizada.Grupo e esquadrão. deve ela observar um vínculo estável e permanente entre os integrantes. Nesse sentido é o ensinamento de Valter Kenji Ishida. ainda que sem o poderio e a penetração comunitária destas. Aos grupos e esquadrões. não foi a intenção do legislador. tal qual as organizações paramilitares e as milícias. à evidência. mister a prática de “extermínios” (essa assertiva. as organizações paramilitares e os esquadrões. se aplica ao termo “grupo”. notadamente leigos e de absoluta imprecisão teórica). Se entendermos que a parte final do artigo 288-A.[12] Anote-se. Qualquer outro entendimento redundaria na revogação tácita do crime de quadrilha ou bando (artigo 288 do CP). Senão.*11+ Há. Podemos disso extrair que existe . O “grupo” a que se refere o artigo 288 -A também é uma reunião de pessoas. advertimos: devem eles ser dedicados ao extermínio de pessoas (parece-nos que o legislador. ao seu turno. vejamos: o artigo 288 tipifica exatamente a existência de um grupo de pessoas (juridicamente denominado quadrilha ou bando. são termos de grande similaridade. Retornando ao homicídio. contida no artigo 288-A somente se refere às organizações paramilitares e às milícias privadas. encontra respaldo na nova majorante referente ao crime de homicídio. para quem o esquadrão também é numericamente superior ao grupo (não havendo como precisar essa superioridade numérica). ainda pior. vamos supor que integrantes de uma organização ou de um esquadrão pratiquem o homicídio de outrem. é claro. Isso porque são estruturas criminosas legalmente equiparadas pelo artigo 288-A. mas que nem por isso deixa de ser um grupo) dedicado a atividades criminosas. De início. ausente qualquer outra previsão específica. Estariam eles sujeitos a uma pena mais elevada? Entendemos que sim. entendemos que a expressão “qualquer dos crimes deste código”. inclusive na denominação. a despeito da aparente omissão legal (outro entendimento redundaria em ausência de lógica – embora isso não seja espantoso em nosso ordenamento jurídico – e. que qualquer que seja a hipótese de agrupamento de pessoas. Sobrariam para o artigo 288 os crimes previstos em lei especial (desde que. Assim. o que. que menciona que as associações previstas no dispositivo têm por objetivo a prática de qualquer dos crimes previstos no Código Penal.

deve ser ressaltado que a menção única ao grupo de extermínio (artigo 1º. I. igualmente. ou por integrar grupo de extermínio pode ser também responsabilizado pelo crime autônomo do artigo 288-A do CP. E DE BANDO OU QUADRILHA ARMADA (ART. nessa hipótese. 159. tê-la também em conta para firma o crime autônomo. englobando todas as espécies. por exemplo. sem que se configure bis in idem. 5. do qual são espécies a organização paramilitar. QUALIFICADO PELA PRÁTICA POR BANDO OU QUADRILHA (ART. I. o STJ.”*13+ Ainda: “Prática concomitante do crime de roubo circunstanciado pelo concurso de agentes. autônomos. porquanto os bens jurídicos tutelados são distintos e os crimes. porquanto a objetividade jurídica dos tipos (quadrilha e extorsão qualificada) são autônomas e independentes. Isso porque invariavelmente o homicídio será qualificado (ao menos pela motivação torpe). 288 do Código Penal (formação de bando ou quadrilha). Indivíduos que privaram a liberdade de gerente da Caixa Econômica Federal e de seus familiares. Precedentes do STF.072/90). do crime de bando ou quadrilha. ou tal cumulação (no caso haveria concurso material) constituiria inaceitável bis in idem? Com a palavra. previsto no artigo 288 do Código Penal. os grupos e os esquadrões. No que concerne à Lei dos Crimes Hediondos. ocorrendo. APELAÇÕES CRIMINAIS. Aliás. Conduta que se ajusta ao tipo descrito no artigo 159 do Código Penal 4. A referência em apartado ao “grupo de extermínio” se deve à necessidade de demonstrar sua compatibilidade com a Lei dos Crimes Hediondos (artigo 1º.um gênero (“milícia privada”). esse pretexto é exigido apenas para a configuração da majorante do homicídio. dando-se a morte a pretexto de prestação de serviço de segurança. 8º DA LEI Nº 8.. é possível considerar a circunstância da existência de quadrilha como circunstância qualificadora do crime de extorsão mediante sequestro e. ainda que esteja umbilicalmente associado ao conceito de milícia privada propriamente dita. § 6º. Não se trata de elementar. da Lei nº 8. 288 DO CP C/C ART. Bis in idem não caracterizado.”*14+ No mesmo sentido. o qual. 288-A do CP. o pretexto de “prestação de serviço de segurança” fica alijado. da constituição de organização paramilitar. Possibilidade de concurso material entre o crime de extorsão mediante sequestro qualificado pela quadrilha ou bando e o delito do art.072/90). gera o concurso material de . No artigo 121. É perfeitamente possível a coexistência entre o crime de formação de quadrilha ou bando e o de extorsão mediante sequestro pelo concurso de agentes.”*15+ Na doutrina.. Uma última questão se impõe: aquele que pratica um homicídio majorado por integrar milícia privada. mantendoos em cárcere como meio de obter prestação positiva. Precedentes desta Corte e do Supremo. o TRF da 5ª Região: “PENAL E PROCESSUAL PENAL. tratando de situação análoga: “Em princípio. o termo milícia privada foi usado desta forma genérica. ao mesmo tempo. as milícias privadas propriamente ditas. consistente na entrega de valores existentes no Banco.072/90) não afasta a hediondez dos assassínios cometidos pelos demais agrupamentos. sendo ele atinente apenas às demais hipóteses associativas. dispensando a prática de qualquer dos crimes visados pela associação. E também para demonstrar que.) 10. PARÁGRAFO1º. CRIMES DE EXTORSÃO MEDIANTE SEQÜESTRO. DO CP). Prática. da Lei 8. Rogério Sanches: “A constituição de grupo criminoso já é suficiente para caracterizar o crime do art. do CP. (.

majorar-lhe a pena pelo 'emprego de arma'. No caso. responde pelos crimes dos arts. em concurso material. mas felizmente já revogada. ao mesmo. 288-A e 121. não poderá sofrer a majorante por tal crime ter sido praticado por integrante de milícia privada.”*17+ Nessa esteira. nos parece inviável que se tipifique a formação de milícia sem que a lei traga um conceito para tal grupo ou . com divisão de tarefas. se o agente é condenado pela prática do crime de constituição de milícia privada. ao mesmo tempo. por se tratar de cristalino e gritante ‘bis in idem’. isto é. configura um odioso bis in idem. TJSP: “Inadmissível condenar os réus também pelo crime autônomo de formação de quadrilha. que não pode ignorar suas próprias limitações constitucionais. tudo estando a indicar que se tratou de mera coautoria. 288-A) e pelo de homicídio (simples ou qualificado. dependendo das demais circunstâncias).delitos. Cezar Roberto Bitencourt: “Na aplicação desta majorante deve-se agir com extremo cuidado para não incorrer em bis in idem.”*18+ [1] Nesse sentido já se pronunciou a profª. que não está reconhecendo bis in idem quando se está diante de quadrilha ou bando armado e roubo majorado pelo emprego de arma. Em outros termos. cada qual. pois são delitos autônomos e independentes. não se cogitando de bis in idem. ao qualificar o sequestro pelo tempo de duração. Em primeiro lugar porque não veio para estes autos prova segura de que existisse uma associação estável e permanente como sustentou a denúncia. Aquele princípio constitucional de proibição do excesso aplicável ao Parlamento também vige para a Suprema Corte. a nosso juízo. a invocação de orientação equivocada do Supremo Tribunal Federal. Por outro lado. Cristiane Dupret: “Em conclusão. essa majorante somente pode ser aplicada se o autor do homicídio for reconhecido no julgamento do homicídio como suposto integrante de milícia privada.*16+ Contra. ainda que tenham cometido um homicídio. pois representará uma dupla punição por um mesmo fundamento. O sequestro foi qualificado pela duração e por ter sido praticado por quadrilha armada e por isso a condenação pelo crime autônomo de formação de quadrilha armada não é admissível. Em síntese. § 6º. condenar pelo homicídio com o acréscimo da majorante aqui prevista. protegendo. mas sem esta nova majorante. numa repetição da equivocada. Assim. depois disso. que considerava arma de brinquedo idônea para tipificar o crime de roubo e. Consideramos um grave e intolerável equívoco. Não se pode admitir o que fez a sentença. a condenação deverá ser somente pela prática do crime de constituição de milícia privada (art. Súmula 174 do STJ. nesse único crime. condenar o agente pelo art. desconsiderando a quadrilha para em seguida condenar os réus por esse crime. Em segundo lugar porque a quadrilha foi circunstância elementar do sequestro e não poderia ser levada em consideração. O fato de ter a última palavra sobre a aplicação e interpretação de nosso ordenamento jurídico – e se autoautorizar a errar por último – não legitima os condenáveis excessos ignorando o texto constitucional que deve proteger. 288-A e. bens jurídicos próprios. pois. não justifica interpretação em sentido contrário. grupo de extermínio que promove matanças. ambos do CP. aplicando dupla punição pelo mesmo fato. O mesmo raciocínio já é aplicado pelo Supremo para não reconhecer bis in idem quando se está diante de quadrilha ou bando armado e roubo majorado pelo emprego de arma”. como crime autônomo. mas que não tenha sido condenado por esse crime.

1. da justiça. surgido nos Estados Unidos da América. Capítulo 01 – Os norteadores princípios da bioética do modelo principialista e a principiologia constitucional: âncoras à dignidade do paciente 1. Para que se respeite o princípio da legalidade.organização. de forma que não se pudesse deixar ao intérprete tal definição. A EUTANÁSIA. em que já tínhamos entendimento do STF acerca da impossibilidade de se considerar tal conceito à margem de definição na legislação brasileira. analisarmos os institutos da eutanásia. Morrer faz parte da própria existência humana.034/95. O direito à dignidade não está atrelado apenas ao direito a viver dignamente. Não basta a lei penal prever a conduta. Mister se faz. sob pena de cairmos na mesma problemática da Lei 9. a função de garantia do princípio da legalidade estaria fortemente comprometida” (in . A DISTANÁSIA E A ORTOTANÁSIA NA PRÁTICA MÉDICA E SUAS IMPLICAÇÕES JURÍDICAS: A BUSCA PELO DIREITO À MORTE DIGNA "Introdução Ao tratarmos dos institutos da eutanásia.720 passou ao largo. o ordenamento jurídico brasileiro tipifica penalmente as condutas consideradas criminosas que atentem contra a vida. 2006.30). A mesma linha de pensamento foi adotada na interpretação do artigo 20 da Lei de Segurança Nacional (Lei 7. em razão de tais pressupostos. . O presente artigo visa promover a discussão acerca do direito à morte digna. que irão elevar ao máximo a função de garantia do princípio da legalidade. a exigência da estrita legalidade (Lege Certa). para se aferir o conceito de ‘Atos de Terrorismo’. e compreende os princípios da autonomia. p. da distanásia e da ortotanásia. foi elaborado por Belmont Report. devemos deixar bem definido que os direitos fundamentais não devem ser interpretados como absoluto. torna-se essencial uma previsão que seja clara e precisa. ao que a Lei 12. bem como. Dentre eles. O princípio nullum crimem. em que pese à existência de previsão na Convenção da Palermo. com conceituações vagas e imprecisas. O princípio bioético da autonomia e o consentimento informado O modelo principialista da bioética. em 1978. ao dispor sobre Organização Criminosa. ressalvando-se os casos de exclusão de ilicitude. tecermos algumas considerações sobre os princípios bioéticos e o testamento vital. acesso em 14/11/12). Lege certa não permite as leis penais indeterminadas. como também.170/83). antes de adentrarmos ao tema. da beneficência e da não maleficência (KIMURA. da ortotanásia e da distanásia. A tutela da vida humana possui proteção constitucionalmente assegurada e incorre no direito à existência digna. nulla poena sine lege se desdobra em quatro subprincípios. Se assim não fosse. com a criação da Comissão Nacional para a proteção dos seres humanos em pesquisas biomédica e comportamental. morrer com dignidade. deve ela prever de forma clara e precisa.

813) estabelece que “a autonomia pressupõe o respeito às opiniões e escolhas individuais. . enquanto que Immanuel Kant lecionava como requisito fundamental a liberdade de escolha. p. que consideram essenciais às condições de: “(1) liberdade (independência de influências controladoras)” e “(2) qualidade do agente (capacidade de agir intencionalmente)” (BEAUCHAMP. tendo o poder de buscar e escolher o tratamento que melhor lhe convier. por perda parcial ou total dessa capacidade. Aduz Maluf (2010. ou por circunstâncias sociais que restrinjam a sua liberdade”. Funda-se na dignidade da pessoa e baseia-se na autodeterminação do paciente em relação à sua vida e à sua saúde. segundo Beauchamp e Childress. p. a autonomia “estimula e protege a capacidade geral das pessoas de conduzir suas vidas de acordo com uma percepção individual de seu próprio caráter.O princípio da autonomia ( principle of respect for autonomy ) norteia o respeito à liberdade de escolha do paciente e está atrelado ao consentimento livre e informado do paciente. aduz Dantas (2009. uma percepção do que é importante para elas”. Para a caracterização do conceito de autonomia. 2011. ou mesmo quando haja conflito entre a vontade do paciente incapaz e a de seu representante” (CEZAR. 319). Citando os ensinamentos de Locke e Kant. sendo de igual forma responsável em “tomar iniciativas quando não exista definição quanto a quem seja o seu representante. onde John Locke “pugnava pelo direito à proteção contra intervenções médicas não consentidas”. bem como exercer sua autoridade para limitá-lo”. p. em decorrência de doenças orgânicas ou mentais. as devidas informações prestadas pelo profissional da área médica para que o consentimento seja exercido de forma plena (CEZAR.931/2009: “Deixar de garantir ao paciente o exercício do direito de decidir livremente sobre sua pessoa ou seu bem-estar. No dizer de Dworkin (2009. aduz o artigo 24 do Código de Ética Médica – Resolução CFM nº 1. Neste sentido. p.138). sendo necessárias para a escolha. p. 140). a menos que elas sejam gravemente prejudiciais para o próprio indivíduo ou para outras pessoas” e esclarecem ainda que pode ela “estar reduzida devido ao estágio do ciclo no qual o indivíduo se encontra. 2012.82) que o princípio da autonomia tem seus principais fundamentos na história do direito e da filosofia. Goldim e Protas (2009. A competência acerca da percepção sobre a impossibilidade do paciente em tomar decisão é do médico. 11) que a autonomia “seria a capacidade de atuar com conhecimento de causa e sem qualquer coação ou influência externa”. p. 2012. mister se faz a orientação seguida por todas as teorias da autonomia. 139). CHILDRESS. p. A importância do respeito à autonomia do indivíduo deve ser observado como princípio que traduz a autoridade controladora do próprio poder decisório pessoal.

p. conceitua o consentimento como sendo o “direito do paciente de participar de toda e qualquer decisão sobre tratamento que possa afetar sua integridade psicofísica. 1. na distribuição justa. antes de mais nada. refere-se ao propósito de ajudar as pessoas possibilitando-lhes os seus interesses legítimos e importantes (BEAUCHAMP. CHILDRESS. Beauchamp e Childress entendiam que este princípio se afirmava em razão das desigualdades de acesso à assistência à saúde e aos seguros-saúde. O princípio da autonomia e o consentimento do paciente no âmbito da celeuma da eutanásia e da ortotanásia tem importante papéis para a determinação da responsabilização médica. 2008. em si. p.4. À luz do princípio da justiça. CHILDRESS. A modalidade implícita ou subentendida se obtém por meio de deduções das ações. ou presumido. 1. é assim determinada com base no que for conhecido acerca da pessoa (BEAUCHAMP. 2011. benefícios das alternativas envolvidas e possibilidades de cura. Maluf (2010. quando entendido de maneira isolada. Princípio de não causar dano ao paciente ou da não maleficência ( principle of nonmaleficence O princípio da não maleficência tem por fim evitar o mal. 2010. ponderava-se que a injustiça acontece quando uma pessoa tinha o benefício que se requeria negado sem uma boa razão e este o era devido. do Capítulo I da Resolução CFM nº 1. PROTAS. implícito ou subentendido. podemos extrair o conceito do primum non nocere .316) citando Venosa.O consentimento do paciente ocorre sob condições diversas. CHILDRESS. em bene fício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional”. Dentro deste mesmo enfoque. COLTRI. por omissão. ou seja. 2009. Esta ideia do uso da medicina para o bem do enfermo deriva dos ensinamentos hipocráticos: “aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento.146). . ou quando algum encargo o era imposto indevidamente (GOLDIM.811). A beneficência. equitativa e apropriada a sociedade (BEAUCHAMP. Princípio da beneficência ( principle of beneficence ) Contido no texto do inciso II. 2011. tem-se a igualdade de tratamento no que se refere aos profissionais de saúde a seus pacientes. p. sendo manifestação do reconhecimento de que o ser humano é capaz de escolher o melhor para si sob o prisma da igualdade de direitos e oportunidades”. não prejudicar (DANTAS. A presunção do consentimento. p. 2011.2. devendo ser alertado pelo médico dos riscos. p. No consentimento tácito. assemelhada ao subentendido. O consentimento poderá ser informado e expresso.10). p. PROTAS.931/2009 está a diretriz de tal princípio: “o alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano. ou seja. expressa-se a vontade ou decisão de forma passiva. p. O princípio da Justiça ( principle of justice ) Conforme o relatório de Belmont.282).351-423).815). nunca para causar dano ou mal a alguém” (grifos nossos).3. além de que se traduzia na expressão da justiça distributiva. É considerado um desdobramento do princípio da beneficência e está restrito à obrigação moral de agir em benefício dos outros (GOLDIM. tácito. 1.

p. sem o prolongamento da agonia por parte de um tratamento inútil”. Em carta. ou seja. a autonomia. caso haja a necessidade de realização de um procedimento de amputação – por exemplo – em beneficio do todo. A asseguração à vida não é obrigação. Poderão disfarçar-se de doutores em filosofias jurídicas. temos a previsão no art. mas não pode nunca justificá-la. Quando o direito à vida se impõe como um dever. 2006. haverá o respaldo de tal ação por meio deste princípio. mas não uma obrigação . são os mais imorais. da Magna Carta que aduz que “ninguém será submetido a tratamento desumano ou degradante”. 02) aduz que “o direito de morrer dignamente é a reivindicação por vários direitos e situações jurídicas. da inviolabilidade da vida privada e da intimidade. e as vontades pessoais que o fundamentam. entretanto. Princípio da totalidade ou terapêutico Neste princípio temos que o paciente está subordinado ao todo. Foi o que requereu Ramón Sampedro. 5º. 1º. normativizam e impõem em tiranias (grifos nossos). como a dignidade da pessoa.6. é direito.1. neste tema em análise. publicada no texto do artigo de Diaulas Costa Ribeiro (2005. humanizada. nem ninguém parece responsável para corrigi-lo. não o corrigiram.6.67). a liberdade. Os fundamentos erigidos pela Constituição da República norteiam a garantia constitucional da liberdade de consciência. A razão pode entender a imoralidade. políticas ou metafísico-teleológicas. Roxana Borges (2012. Ramón explicita: É um grave erro negar a uma pessoa o direito a dispor da sua vida porque é negar-lhe o direito a corrigir o erro da dor irracional. requer uma correlação aos princípios da autonomia da vontade e da inviolabilidade à vida. sem exceção alguma. 1. Como bem disseram os juízes da Audiência de Barcelona: viver é um direito. da autonomia jurídica. O princípio constitucional da dignidade humana A dignidade da pessoa humana é fundamento da Constituição da República. mas desde o momento em que justifiquem o absurdo. III. o que pode gerar conflito com o princípio da . médicas.1. A perspectiva do direito à dignidade está jungida não apenas à compreensão da vida digna como também a proibição da extinção desta e a submissão dela a padrões inadmissíveis (VIEIRA. considerando-a como algo abstrato e acima da vontade pessoal. Ainda neste viés.279). Refere-se ao desejo de se ter uma morte natural.5. inciso III. o direito transformou-se em absurdo. Aqueles que esgrimem o direito como protetor indiscutível da vida humana. transformam-se em hipócritas. Neste sentido. O princípio da dignidade da pessoa humana. p. paraplégico que passou 29 anos lutando pelo direito em obter sua “liberdade à morte digna”. não são absolutos e a aplicação de cada um deles em menor ou maior grau variará conforme cada caso em concreto. Princípios morais acessórios 1. iniciando sua previsão no art. os direitos de personalidade. Todavia. além da dignidade da pessoa humana. a consciência. quando se penaliza o direito à libertação da dor absurda que implica a existência de uma vida absolutamente deteriorada. p.

mas tão apenas. tem-se uma ação omissiva do profissional médico. mesmo que haja a consideração do todo. A eutanásia possui as modalidades ativa (também conhecida como benemortásia ou sanicídio). há a aceleração da morte. A omissão da verdade (mal menor. Capítulo 02 – A necessidade da compreensão das acepções de eutanásia. à pessoa ou à sociedade – por piedade. o profissional médico deve-se valer do consentimento do paciente para os devidos procedimentos. 2011. A prevenção de uma doença tão grave. Entretanto.6. não tem o fim médico de se lograr êxito letal. deve-se atentar para os benefícios da ação e que esta seja moralmente indiferente. ortotanásia e distanásia em prol da melhor e lícita conduta ao paciente Eutanásia é considerada uma ação que tem por fim levar a retirada da vida do ser humano por sentimentos humanísticos. para a realização de tal conduta. isso poderá ocorrer na próxima etapa. neste caso) visa a não produzir efeitos negativos ao paciente (mal maior). Assim. sem sofrimento. A primeira é comissiva. p. dois ou mais efeitos ao paciente. Como a revelação da verdade é parte de um processo. 100-101). proporcionalmente um mal menor.autonomia.3. Geralmente acontece por meio de uso de injeção letal. proporcionar alívio ao sofrimento do paciente. com consequências positivas e negativas. Princípio do duplo efeito A ação médica pode provocar. devendo-se atentar sempre à escolha menos prejudicial. b) um médico omite parte da verdade ao paciente para não prejudicá-lo. justifica-se pelo benefício da distribuição de seringas. No que tange à eutanásia de duplo efeito.6. a escolha dependerá de fatores morais e materiais envolvidos. será respeitada a vontade do paciente (BONAMIGO. ambas possuindo efeitos negativos. p. compaixão – antecipando a morte para diminuir o sofrimento de pessoa com doença incurável ou em estado terminal. provando a morte do paciente. ponderar-se-á por aquela menos gravosa. no sentido de não efetivar um ato médico que perpetuasse a sobrevida do paciente. p. justificando o ato da omissão da verdade (mal menor) naquele momento. 98-99). 99-100). Neste caso. possuindo relevância maior a autonomia deste. Na eutanásia passiva. 1. porém.2. A primazia da vida é sempre levada em consideração. ou ainda físicos. Princípio do mal menor Quando se estiver diante de duas alternativas. mas sendo incerto o salvamento por determinado procedimento. mal maior. justificando-se tal escolha. justificando-se o efeito negativo pelo positivo (BONAMIGO. 2011. É o caso de doses progressivas de morfina para aliviar a dor (que no . passiva e de duplo efeito. 1. fazer campanha de distribuição ou troca de seringas (mal menor). simultaneamente. elucida este princípio com dois exemplos: a) com finalidade de diminuir a propagação da AIDS (mal maior). Bonamigo (2011.

31-32)... ainda é uma polêmica. p. sobremaneira. A morte é o único evento verdadeiramente democrático.174-175). E. e não voluntária (quando ocorre o evento morte mas não se conhece a vontade do paciente).) Nada nos é dito sobre um conceito mais global de saúde. doentes em qualquer fase da vida. É conhecida por morte miserável. ou sobre a importância de se facilitar a morte de um paciente terminal que sofre. Ocorre esta prática. no Jornal do CREMESP. o oncologista Sérgio Daniel Simon escreveu. decorrente do uso da medicina sem atenção aos direitos humanos.paciente gravemente dolorido e terminal. . ou os ajudam a acabar com a própria vida”. Atrelada às consequências do ato médico e do consentimento do paciente. Neste sentido. imprudência ou negligência. todos nós vamos vivenciá-la. e uma boa parte de nós irá passar por ela com sofrimento inimaginável para aqueles que não convivem com essa situação ( apudOLIVEIRA. nos casos de pacientes que se tornam vítimas de erros médicos. religiosa e lega. A eutanásia ainda é vista como um tabu no mundo inteiro. que “os médicos começaram agora a admitir abertamente algo que a profissão costumava manter em segredo: que os médicos às vezes matam os pacientes que pedem para morrer. que: Nós. não há dose máxima).01) enfatiza esta prática como sendo um ato de “ matar deliberadamente uma pessoa por razões de benevolência” (grifos nossos). atingindo não apenas paciente em fases avançadas e terminais de suas enfermidades.. (. (. de reconhecimento dos limites da ciência médica.. outra nomenclatura de eutanásia: a mistanásia ou eutanásia social. a eutanásia se subdivide em: voluntária (vontade expressa do paciente. por imperícia. levando invariavelmente a sedação e uma provável parada respiratória indolor. 2009. Destaca-se pela ausência ou a precariedade de serviços de atendimento médico ocasionando a morte de várias pessoas com deficiências físicas. (. p. mentais ou com doenças que poderiam ser tratadas mas que falecem antes do tempo em razão da vivência em situação de dor e sofrimento que. somos ensinados apenas a restaurar a saúde. também.) Mas a suspensão do tratamento fútil e a sedação do paciente terminal em sofrimento são medidas de amor. 2004... de altruísmo. seriam evitáveis se houvesse um atendimento de saúde eficaz. Há.) A sociedade por outro lado nos pressiona com sua carga cultural. Jack Kevorkian nos EUA – não creio que a sociedade brasileira esteja pronta para esse debate... em princípio. (. ao ponto de menosprezar sua dignidade e provocar-lhe uma morte dolorosa e/ou precoce (NAMBA. ainda. também conhecida como suicídio assistido). p.) Não estamos aqui defendendo a eutanásia como a praticada abertamente na Holanda ou a preconizada pelo Dr. mesmo de alguém que se encontra sofrendo e em estágio terminal. relatando. médicos. ou sobre o conceito de terapia fútil. em UTI’s. A retirada da vida. por má prática médica. prejudicando direta ou indiretamente o paciente. ainda. Dworkin (2009. involuntária (quando é realizada contra a vontade do doente). ainda. A morfina e outros opióides são usados diariamente na medicina intra-hospitalar. mas também.

2011. se este for incapaz. sob o olhar da então Procuradora Luciana Loureiro – que substituiu o Dr. sem chances de cura. Em Ação Civil Pública. Em sentença. p. 2012. escreveu que tal confusão se faz presente.01).01). poderia ser alçado à condição de privilegiado. 02). além do aspecto legal. Foi obtida liminar suspendendo a Resolução no ano seguinte do ajuizamento e.01). esclarecendo que “a eutanásia no Brasil é crime. antropológico. acompanhada de sofrimento e dor (BIONDO. Ao contrário do que acontece na eutanásia. Isac Jorge Filho (2009. apenas em agosto de 2010. à época. entre outros” (D’URSO. p. causando uma morte prolongada. Resolução CFM 1. entre os esclarecimentos do que vem a ser cada um dos institutos. da jurídica e profissionais de saúde em geral a ignorar a regulamentação e permissividade da prática da ortotanásia pelo Conselho Federal de Medicina. orientado ou auxiliado por terceiro ou por médico” (DINIZ. inclusive. na prática “a situação é bem diferente pois envolve. ainda. o médico deve ter a anuência do doente ou. religioso. poderemos ter casos de recusa de tratamento médico e de limitação consentida de tratamento. Não apenas nacionais como estrangeiros podem valer-se de tal procedimento na Suíça. trata-se de homicídio doloso que. o paciente é o maior prejudicado. lenta. de seus familiares. mas não é permitida a eutanásia ativa (a prática de um médico administrar diretamente ao paciente uma medicação mortal). p. fazendo-se uso apenas de cuidados paliativos. o aspecto médico. Wellington – é que foi constatada a confusão na ação dos conceitos de ortotanásia e eutanásia. mas que. não há indução da morte” (MAGALHÃES. no âmbito médico: . A ortotanásia é um procedimento que respeita a forma natural da terminação da vida. O conselheiro do CREMESP. Acrescente-se. p. é um procedimento que apenas prolonga o processo de morrer e não a vida propriamente dita. p. A ortotanásia é considerada “a suspensão de tratamentos invasivos que prolonguem a vida de pacientes em estado terminal.429).Luiz Flávio Borges D’Urso bem focou a especificação do prisma jurídico e do real da eutanásia no Brasil. em face da motivação do agente. foi requerida a inconstitucionalidade sob o argumento de que apenas lei poderia regulamentar tal prática. A confusão nos conceitos de eutanásia e ortotanásia leva os profissionais da área médica. 2012. SILVA. DAL SECCO.805/2006 não é inconstitucional (MAGALHÃES. desde que não os auxiliares do procedimento não tenham interesse na morte e esteja o paciente em pleno exercício de suas capacidades decisórias. o magistrado concluiu que a Resolução CFM 1. sociológico. mas ainda é frequentemente confundido com a eutanásia e. Para isso. motivo pelo qual surgiu a Ação Civil Pública. O suicídio assistido possui regulamentação permitida na Suíça.805/2006. 12). p. 2012. A distanásia não produz benefícios ao paciente. apenas com a redução da pena”. Wellington Oliveira. 2012. que – além dos citados procedimentos. ajuizada pelo Procurador dos Direitos do Cidadão do Distrito Federal. No suicídio assistido temos a “hipótese em que a morte advém de ato praticado pelo próprio paciente.

se abster das medidas fúteis.. mas nenhum médico deseja que seu comportamento correto em termos científicos e humanísticos seja considerado crime. 136-A. A Resolução CFM 1. desde que haja consentimento do paciente ou. Buscou com isso dar ao médico segurança e tranquilidade para. deixar de fazer uso de meios desproporcionais e extraordinários. o médico acaba por insistir em medidas fúteis. mesmo que elas não tragam benefícios para o paciente e seus familiares. facilitando a relação médico-paciente e evitando o desgaste desnecessário do paciente em estado terminal e seus familiares.) Nenhum médico de boa formação teria a irresponsabilidade de suspender medidas realmente úteis. Não constitui crime.805/2006 não trata de matéria penal e sim de ordem ética sob o enfoque médico. mesmo fazendo o correto. do cônjuge. sempre após discussão/acordo com paciente (se for possível) e familiares. em sua impossibilidade. o procedimento estabelecido para a prática da ortotanásia não implica em delito penal e nem afronta à Magna Carta Cidadã.805/2006 permite uma atividade médica de maior transparência. ascendente. companheiro. sem prognóstico e sem esperança. em situação de morte iminente e inevitável.. existe confusão em alguns setores com relação à ortotanásia.(. que pretende alterar o Código Penal vigente. Ademais. no âmbito dos cuidados paliativos aplicados a paciente terminal. o Projeto de Lei nº 6715/2009. Atualmente em trâmite. A indicação de início e de suspensão de medidas médicas deveria ser de decisão médica. Assim aduz o texto do Projeto: Art. não será punido por isso? E fica aí um círculo vicioso que mantém medidas sem valor prático. § 2º A exclusão de ilicitude prevista neste artigo não se aplica em caso de omissão de uso dos meios terapêuticos ordinários e proporcionais devidos a paciente terminal. descriminalizando a abstenção do uso de meios desproporcionais e extraordinários. (. diante de pacientes em terminalidade de vida. descendente ou irmão. por mais inúteis que sabidamente sejam. confundindo-a com a eutanásia em seu sentido criminal e considerando atitude passível de processo a restrição de recursos artificiais. procurou regulamentar o assunto. por meio de resolução. § 1º A situação de morte iminente e inevitável deve ser previamente atestada por 2 (dois) médicos. Mas quem vai tomá-la equilibradamente sem segurança de que. Pressionado por esse ponto de vista. O Conselho Federal de Medicina. prevê a exclusão da ilicitude nos casos da ortotanásia. estabelecendo procedimentos disciplinares como consequências ao desrespeito à norma imposta. A previsão da Resolução CFM 1.. na esperança de milagres. .) infelizmente..

considera-se: I . importantes conceituações. a saber: Art. a qualidade de vida dos pacientes e o alívio do sofrimento.procedimentos e tratamentos desproporcionais: procedimentos ou tratamentos que não preencham os critérios de proporcionalidade expressos no inciso IV deste artigo. III . entre os quais se inserem a alimentação. normais ou ordinários: cuidados necessários e indispensáveis à manutenção da vida e da dignidade de qualquer paciente. O ex-governador de São Paulo e o Papa João Paulo II foram conhecidos casos que optaram por somente receber tais medidas em seus últimos momentos de vida (MAGALHÃES. de cuja composição façam parte pelo menos um psiquiatra e um médico de especialidade relacionada ao caso clínico específico do paciente. IV . progressiva e incurável. psicossocial e espiritual.cuidados básicos.procedimentos e tratamentos proporcionais: procedimentos ou tratamentos cujo investimento em equipamentos e pessoal mostra-se proporcional aos resultados esperados.procedimentos e tratamentos extraordinários: procedimentos ou tratamentos não usuais. Os cuidados paliativos que apenas evitam a dor e o sofrimento extremo do paciente. com prognóstico de morte iminente e inevitável. e que não impõem aos pacientes sofrimentos ou contrariedades em desproporção com os possíveis benefícios deles decorrentes. mas não prolongam o procedimento de morte é característica da ortotanásia.paciente em fase terminal de enfermidade: pessoa portadora de enfermidade avançada. quando necessária.junta médica especializada: junta médica formada por no mínimo três médicos. a higiene.01). 2012. inclusive aqueles em fase experimental. à avaliação e ao tratamento adequado tanto da dor quanto de outros problemas de natureza física. vedada a participação do médico assistente. VI . 3º Para os fins desta lei. V . em razão de falência grave e irreversível de um ou vários órgãos.cuidados paliativos: medidas que promovem. especialmente relacionadas ao diagnóstico precoce. VII . VIII . com relação favorável à qualidade de vida do paciente.médico assistente: profissional médico responsável pela assistência ao paciente em fase terminal de enfermidade. e a ventilação não invasiva. artigo 3º. II .Foi proposto um substitutivo ao Projeto de Lei citado. p. cujo único objetivo seja prolongar artificialmente a vida. eletrólitos e nutrientes. o tratamento da dor e de outros sintomas de sofrimento. garantidas as quotas básicas de líquidos. dispondo sobre “os cuidados devidos a pacientes em fase terminal de enfermidade”. e que não apresenta qualquer perspectiva de recuperação do quadro clínico. usualmente com enfoque multiprofissional. a hidratação. constando no texto normativo. .

Art.24 horas c) de 1 ano a 2 anos incompletos . que especifica a ausência total de atividade cerebral clinicamente detectada por meio do estado comatoso aperceptivo com ausência de atividade motora supraespinhal e apneia: Art. Morte.Capítulo 03 – A morte com dignidade e o testamento vital ( living wills ) Cabe-nos inicialmente ressaltar neste Capítulo que “morrer é parte natural da vida. mas temos o direto de não morrer antes do tempo e de morrer com dignidade” (OLIVEIRA. 3º. Art. As questões morais. em Luxemburgo. na Suíça. que é finita. próprios para determinadas faixas etárias. conforme abaixo especificado: a) de 7 dias a 2 meses incompletos .12 horas d) acima de 2 anos . na Bélgica. A morte encefálica será caracterizada através da realização de exames clínicos e complementares durante intervalos de tempo variáveis. Nova Iorque e Oregon. Art. 1º.23). Os parâmetros clínicos a serem observados para constatação de morte encefálica são: coma aperceptivo com ausência de atividade motora supra-espinal e apneia. A morte digna possui disposições normativas na Holanda. 2004. Como já mencionamos anteriormente. o direito a vida não é absoluto. b) ausência de atividade metabólica cerebral ou. mais recentemente na Argentina. assim como os demais direitos fundamentais. na Colômbia. Somos programados para morrer. 5º. Os exames complementares a serem observados para constatação de morte encefálica deverão demonstrar de forma inequívoca: a) ausência de atividade elétrica cerebral ou. dentre eles citamos: Michigan. Entretanto. A morte encefálica deverá ser consequência de processo irreversível e de causa conhecida. religio sas e culturais estão por trás das normativas criminalizadoras de determinadas situações da retirada de vida. além de alguns estados americanos. está claramente definida na Resolução CFM nº 1480/97. .48 horas b) de 2 meses a 1 ano incompleto . p. 4º. c) ausência de perfusão sanguínea cerebral. Os intervalos mínimos entre as duas avaliações clínicas necessárias para a caracterização da morte encefálica serão definidos por faixa etária. o tema que vem causando debates nas sociedades no mundo inteiro trata-se da prática da eutanásia e da ortotanásia. 6º. na acepção médica.6 horas Art.

Estados Unidos. É bem verdade que. bem como. A importância de tal instrumento resguarda as atitudes do profissional de saúde e assegura o direito ao exercício de autonomia do paciente. especialmente raiva” (2003. com os maiores esclarecimentos na relação médico-pacientes. se preparar. A psicóloga aduz que “nas mortes consideradas como boas são arrolados os seguintes aspectos: ter consciência. ou seja. p.Kovács traduz as reflexões sobre a morte com dignidade como preocupações dos profissionais da área de saúde em oferecer cuidados paliativos. Na Califórnia. observar alguns critérios elencados em diversas normativas. Pessoas buscam clínicas especializadas em morte fora do país. no máximo. recebendo a denominação de Natural Death Act. No Brasil não há legislação sobre o testamento vital. O paciente é cada vez mais cônscio de seus direitos e exige melhor tratamento. estar em paz e ter dignidade. criando também o Registro Nacional do Testamento Vital (RENTEV). a designação do testamento vital. a Lei nº 25 de 16 de julho de 2012. O testamento vital. p. É necessário. também chamado de “Diretivas Antecipadas”. da ocasião. E vai mais além. A Organização suíça Dignitas recebe declarações escritas das pessoas que tem por interesse utilizar de seus serviços um dia. aceitar. regulamentou as diretrizes antecipadas de vontade. 126). nomeação de procurador de cuidados de saúde. a Lei Federal nº 41/2002 introduziu as Diretivas Antecipadas no Sistema Público de Saúde. este documento surgiu na década de 1970. de Portugal. Em recente normativa. tem-se um maior pleito para a amenização dos sofrimentos decorrentes das doenças incuráveis. observar que pode ser revogável a qualquer tempo e possuir um prazo de validade limitado a. cobrando o valor atual de aproximadamente R$15 mil para realizar o procedimento (PONTES. para tanto. tais como: ser o testador pessoa capaz. cinco anos. As mortes ruins são aquelas onde estes aspectos não estão presentes e ocorrer: negação. atualmente. ainda há um lapso temporal que possibilita criações de clandestinas alternativas ou atípicas condutas penais. o médico resguardará a vontade do paciente mesmo quando ele estiver incapaz ou impedido de manifestar sua vontade. mesmo que isto signifique a solicitação de tão somente cuidados paliativos que não prolonguem a sobrevida de quem está em estágio terminal. . constitui o documento escrito onde a pessoa especifica que tipo de tratamento deseja ou qual tratamento não deseja que se realize quando ela vier a ser acometida de doença incurável ou terminal e. para a real efetividade do testamento vital. constar presença de duas testemunhas. Na Espanha. Entre a prática médica e a regulamentação jurídica sobre a morte digna. O médico fica atrelado às disposições do testamento sob pena de sofrer sanções disciplinares em razão do desrespeito. onde o suicídio assistido é permitido por lei. 2012.01). não puder exprimir sua vontade. falta de aceitação e forte expressão dos sentimentos. Desta forma. como na Suíça. principalmente por meio da autonomia dos doentes.

um caso que de grande repercussão tem sido o de Tony Nicklinson.805/2006 e prevista no Projeto de Lei nº 6715/2009. suscitar reflexões e promover o debate em prol da melhor situação à sociedade. mas possui tetraplegia consequente de um acidente vascular cerebral. Esta lacuna legislativa ainda provoca confusões com a permissividade da ortotanásia no Brasil e a confusão desta com a eutanásia. Nicklinson possui a síndrome do encarceramento ( locked-in-syndrome ). sendo normatizada pela Resolução CFM nº 1. Considerações Finais A intenção deste artigo não é esgotar o tema. o que é lamentável tendo em vista a sofrível situação do paciente. Na seara jurídica. ainda nos veremos diante de impasses conceituais. sendo incapaz até mesmo de falar. Todavia. aquele que satisfizer a vontade de Tony incorrerá nas penas do homicídio. já possui uma aceitabilidade. a eutanásia ainda é vista como conduta criminosa. mas sim. tampouco abordar um pouco de cada ponto da matéria. fazendo-se uso de disposições normativas para punição daquele que a suprimir. entretanto. possibilitar esclarecimentos. de seu representante legal. no caso de sua incapacidade decisória.No Reino Unido. que pretende alterar o Código Penal vigente. É bem verdade que a tutela do bem jurídico vida deve prevalecer em face de sua importância e essência. O direito à morte digna deve ser entendido como direito fundamental que se encontra alicerçado na amplitude do direito à vida. desrespeitos à vontade dos pacientes e possibilidade de aplicações civis. Morrer com dignidade é a aplicação não apenas dos princípios constitucionais como também dos bioéticos. em razão da não previsibilidade da eutanásia no ordenamento legal pátrio. que resolveu apelar ao Supremo Tribunal de Londres para ter o direito de morrer por meio de suicídio assistido. administrativas e penais aos profissionais de saúde que praticarem ou induzirem a morte de pacientes em estágio terminal da vida . meio e fim. O cerne da questão gira em torno do desnecessário prolongamento de vida ante a iminente e inevitável morte em razão de doença incurável e estado terminal. seu cérebro funciona perfeitamente bem. A ortotanásia. o que é proibido no naquele ordenamento jurídico. constituindo-se esta em início. Tentativas de medidas heroicas em face de uma vida irremediavelmente comprometida só há justificativa de ser se esta for a vontade do paciente ou. Assim como no Brasil. devemos observar os limites e as peculiaridades de cada caso. Até a exata regulamentação jurídica pátria do tema.

que será em breve lançado pela Editora Freitas Bastos: CONSIDERAÇÕES PONTUAIS SOBRE O ESTELIONATO E O FURTO MEDIANTE FRAUDE "A segunda hipótese do inciso II cuida do furto mediante fraude. portanto. com a fuga. prometendo o pagamento em ocasião posterior e. De forma clara e concisa. há estelionato. Assim. não ocorrendo subtração.[1] Ludibria-se a vítima para que se tenha acesso ao objeto. após a digitação da senha. há uma grave ameaça. contudo. não proporciona imediatamente a posse da coisa. alguns casos enfrentados pela doutrina e pela jurisprudência merecem destaque. recebe o veículo da vítima e foge com o bem. Configura caso de furto mediante fraude a conduta do agente que. como preconizado por alguns. fraudulentamente. aqui. A pessoa que. foge sem pagar. aproveitando-se este do distanciamento da lesada para levar consigo o dinheiro sacado. já que a pessoa lesada não entregou voluntariamente o dinheiro ao agente. Não haveria a subtração caracterizadora do furto. derrubando-a sobre um papel estirado por sob a porta. o artifício é empregado para subtrair a coisa. disse-lhe que o dinheiro. Certamente. caso que configuraria crime de estelionato (artigo 171). que o sujeito ativo tivesse solicitado à vítima que lhe repassasse parte do dinheiro. todavia. Weber Martins Batista diferencia o furto mediante fraude do estelionato: 'No caso do furto. tampouco de estelionato. utiliza um ardil ou um artifício para burlar a vigilância da vítima sobre a coisa e dela se apoderar. não o efetua. além da fraude. mas sim a concessão de uma vantagem indevida. houve subtração do combustível. Hungria cita. não caracteriza furto fraudulento. pois. após abastecer seu automóvel em um posto de gasolina. O engodo. que configura elementar do crime de roubo. comete crime de furto mediante fraude. o agente adquire um bem. Isso porque. já que o combustível somente foi colocado no tanque em virtude de um engodo. Não se cuida. Se.[2] Acerca do tema em comento. realizada a operação. . o caso é de furto mediante fraude. justificando com o pagamento de uma taxa a ser recolhida pelo uso do equipamento. No estelionato. consistente na alegada intenção de pagar pelo bem. Tal recebimento não induz a tipificação do estelionato. a vítima se dirigiu ao caixa indicado pelo agente. com isso. ao seu turno. com a posterior subtração. mas tão-somente o deixou sob sua guarda. Suponhamos. mas sim teve a sua vigilância burlada. O agente. sairia em outra máquina.Consta da nova redação do meu livro. facilitando a subtração do bem. um caso descrito por Graciliano Ramos em Memórias do Cárcere: o ladrão remove com uma pinça ou estilete a chave deixada internamente na fechadura. puxando em seguida o papel e. Crime de estelionato. uma vez que o dono não cedeu o veículo ao agente. O uso de um simulacro de arma de fogo para a intimidação da vítima. mediante fraude. apesar do engano a que é levada a vítima. como exemplo de furto mediante fraude. nem de furto simples. para recebê-la'. já que a coisa é repassada voluntariamente ao sujeito ativo. note-se. Já nos deparamos com o caso de um sujeito que. a pretexto de auxiliar uma senhora idosa na operação de um caixa eletrônico. fazendo-se passar por manobrista.

também. não incide sobre o fornecimento. Sustenta sua posição asseverando que não há subtração. mas a entrega livre do bem. regularmente. Em seguida. em vez de captar a energia diretamente da rede elétrica. de fornecimento de gás etc. assim. iludindo-se apenas a aferição do consumo. Depois de questioná-la sobre seus dados qualificativos. entretanto. a retirada da coisa é feita sem a concordância da vítima. Não há subtração. evidentemente. A fraude. montando um 'gato'. ninguém é ludibriado. e depois emprega os dados para a realização de transferências eletrônicas. Adulterado ou não o marcador. A empresa concessionária realiza a instalação elétrica e coloca a energia à disposição do consumidor. Trata-se de furto fraudulento. que se distingue do ardil que integra o estelionato'. sorrateiramente instalado em seu computador (phishing). ainda. Mais debatido é o caso da subtração de energia. limitando-se a constatar. mas sobre a cobrança futura.[6] Pensamos que a hipótese importa crime de estelionato. caracterizando a subtração. fazendo com que indique um consumo menor do que aquele efetivamente verificado. ligando a rede elétrica de sua casa diretamente à fiação existente na rede pública de distribuição. passe a fazer uso da energia sem a sua passagem pelo relógio de medição.conseguindo obter a posse da chave.[4] Discordam Paulo José da Costa Jr. mas sim habilidade na execução criminosa. Mas essa fraude configura crime de furto fraudulento ou de estelionato? Weber Martins Batista. ou seja. solicita a apresentação do cartão bancário e o fornecimento da respectiva senha. A modificação feita pelo agente é um artifício para ludibriar a empresa concessionária do serviço público. quando o agente capta informações bancárias da vítima através de um software malicioso. o quanto de energia foi consumido. se o agente usar o cartão eletrônico para a contratação de um empréstimo junto à instituição financeira. sim. diz haver estelionato. embora viciada pela fraude. passando-se por titular da conta. Há. Mostra-se relevante. sendo a quantia subtraída invito domino. Suponhamos que o agente. constata-se a utilização de uma fraude na execução do delito. Caso comum é aquele em que o sujeito ativo vai à casa da vítima. a qual lhe fornece a vantagem indevida.[3] Ousamos discordar do grande criminalista. 'na espécie apresentada. A hipótese se complica. a captação do bem se dá da mesma forma. o agente adultera o funcionamento do relógio de medição. quando. dos saques em conta-corrente mediante uso de cartões eletrônicos obtidos mediante ardil e condutas afins.[5] Já o segundo jurista aduz que. a atualíssima discussão acerca das transferências bancárias fraudulentas. justificando sua presença pela necessidade de um 'recadastramento'. devolvendo à vítima um cartão parecido com o original. passando-se por funcionário público ou empregado de alguma instituição financeira. Há furto mediante fraude. o crime é de estelionato. a entrega voluntária da coisa ao agente. o que se verifica é o furto qualificado pela fraude. normalmente uma pessoa idosa. pois o lesado é a instituição financeira ludibriada para pensar que contratava com pessoa distinta do criminoso. Pode ser adotado o mesmo entendimento nos casos de adulteração em bomba de combustível. crime de furto. mas recebimento da energia. Não há fraude. uma vez que um engodo é usado para que se conquiste acesso ao depósito bancário. Para o primeiro autor. Entretanto. escrevendo sobre o tema. De início. Há. e Álvaro Mayrink. . pois é subtraído um bem disponibilizado para a população. o agente vai a uma agência bancária e saca a quantia depositada na conta do ingênuo lesado. no caso.

o crime é de estelionato. que autoriza a transação. O dolo ab initio exclui qualquer possibilidade de apropriação indébita. b) Locação de automóveis mediante apresentação de documentação falsa. ocorre furto mediante fraude. como gerente de instituição financeira. cheque com assinatura falsificada ou valores adulterados para depósito em conta do criminoso ou para saque). falsificou assinaturas em cheques de titularidade de correntistas com os quais. que suscitam dúvidas mais pela falta de uma observação atenta do que pela ausência de lastro científico: a) Uso fraudulento de cheques: se o cheque é emitido para pagamentos em estabelecimentos comerciais (por exemplo. a pretexto de testar veículo posto à venda. In casu. v. mantinha relação de confiança. o aborda). não há relevância no engodo (portando a res furtiva depois da subtração. o produto do crime (automóvel) é entregue ao autor pela empresa. por exemplo) até os executórios (um dos coautores distrai a vítima para que o outro se apodere da coisa. Situação diferente é a do veículo subtraído durante um test drive: "Segundo entendimento desta Corte. Para o Min. para fins de pagamento de seguro. o réu.QUARTA TURMA . em que pese a promessa de restitui-lo. o que possibilitou a subtração. a fraude foi utilizada para burlar a . Naturalmente. pagamentos e condutas assemelhadas. merecem destaque alguns casos peculiares. Relator. pois a vantagem indevida (mercadoria) é dada ao estelionatário em troca de uma contrapartida fajuta. somente é obtida depois de ludibriado o funcionário do banco. Para que incida a qualificadora. concedendo a vantagem ao criminoso. o agente que. o agente usa um ardil para enganar o policial que. Nesse caso. que acaba lesada pela não-devolução.Já o uso de cartões de crédito 'clonados' caracteriza estelionato. desde os atos preparatórios (o agente que se disfarça para penetrar na casa da vítima." Sobre o tema. do CP). g.Órgão Julgador: T4 . sem obstáculo. embora não concedida. por sua função." c) Movimentação eletrônica fraudulenta de contas: saques e transferências configuram furto. 155. § 4º. de valores que se encontravam depositados em nome deles. Informativo nº 453: “A Turma deu provimento ao recurso especial para subsumir a conduta do recorrido ao delito de furto qualificado pela fraude (art. O mesmo ocorre se o título fraudulento é usado para movimentar diretamente a conta de um correntista desavisado (por exemplo.RECURSO ESPECIAL: REsp 672987 MT 2004/0083646-3 . estelionato (ver texto supra). pode ser usada a fraude em qualquer momento do iter criminis.). uma vez consumado o furto. Empréstimos contraídos. ____________ *1+ STJ. II. o subtrai (STJ . pois a vantagem. 171 do CP).Relator: Ministro JORGE SCARTEZZINI – Data do Julgamento: 25/09/2006). e não estelionato. não ao de estelionato (art. suspeitando de sua conduta. com posterior desaparecimento do veículo: há estelionato. a aquisição de eletrodomésticos em uma loja). pois o lesado é o estabalacimento comercial em que trabalha o empregado iludido.

vigilância das vítimas. o que gerou uma declaração falsa. foi pela tipificação do furto mediante fraude. permitia que as excedentes fossem levadas. cit. O STJ. segundo a defesa. Habeas corpus denegado” (HC 8179/GO – 6ª Turma JUSTIÇA CONCEDE HC E TRANCA AÇÃO PENAL DE DELEGADO "Pela falta de justa causa para a instauração da ação penal e pela descrição das condutas típicas que não combinam com as informações apuradas. o delegado ordenou que um policial civil elaborasse o boletim de ocorrência e liberasse o suspeito. [2] MARTINS BATISTA. correta.. julgado em 26/10/2010). Como não estivesse na delegacia no momento da apresentação do suspeito. em comum acordo com a caixa de um supermercado. em acórdão de lavra do Ministro Vicente Leal. tratou de definir os limites do furto fraudulento e do estelionato: “No crime de estelionato a fraude antecede o apossamento da coisa e é causa para ludibriar sua entrega pela vítima. Ao contrário. 69/353). Napoleão Nunes Maia Filho. quando policiais militares conduziram até lá um homem sob suspeita de tráfico de drogas. o delegado praticou ato em desacordo com a lei uma vez que determinou a elaboração do boletim de ocorrência à distância por não querer ir até a Delegacia de Polícia. que. caracterizando o furto em virtude da subtração. 141. Rel. O autor cita um caso julgado pelo TACrimSP (JUTA. levavam várias mercadorias a esta. não para induzi-las a entregar voluntariamente a res” (REsp 1. ignorava-se o ocorrido. enquanto no furto qualificado pela fraude. Segundo o advogado de defesa Orlando Machado da Silva Júnior. O furto e o roubo…. o Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu pedido de Habeas Corpus em favor de um delegado de Polícia e determinou o trancamento da ação penal movida contra ele pelo Ministério Público. em que duas pessoas. a empresa) não foi viciada para entregar espontaneamente a res furtiva para os agentes. já que a vontade do titular do bem (no caso. Consta dos autos que o delegado era o responsável pelo plantão.173. Min. Ocorre furto mediante fraude e não estelionato nas hipóteses de subtração de veículo posto à venda mediante solicitação ardil de teste experimental ou mediante artifício que leve a vítima a descer do carro. A decisão. a denúncia é genérica e atribui conduta atípica afastando a possibilidade do delegado exercer o seu poder como tal. op.194-SC. Weber. e ainda assinou o boletim como se estivesse presente no plantão policial. na Delegacia da cidade de Paraguaçu Paulista (SP). a suspeita de tráfico de drogas não exige a prisão em flagrante e que o delegado pode determinar o registro da ocorrência para melhor apuração dos fatos. o artifício malicioso é empregado para iludir a vigilância ou a atenção. registrando somente algumas. p. . De acordo com a denúncia do ministério Pùblico do estado. Além disso.

a obrigatoriedade legal do preenchimento do documento na presença do delegado de polícia. e pelo constrangimento ilegal. o que lhe renderia mais alguns anos atrás das grades. pois a elucidação desse aspecto é essencial à formação da ópinio delicti´. a sua elaboração pode ser feita pelo escrivão de polícia ou outro agente policial. Por esses motivos. uma vez que. segundo o acórdão.Para o TJ-SP a denuncia deixa dúvida quanto à legalidade do procedimento instituído pela Secretaria de Segurança Pública: “Antes de imputar ao paciente prática do crime de prevaricação. A 7ª Câmara Criminal do Tribunal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. segundo sentença proferida na Comarca de Faxinal de Soturno. Ainda. e assim a análise que permitiria avaliar se houve ou não o crime de prevaricação ficou prejudicada. seria necessário determinar se o delegado agiu em conformidade com as instruções normativas editadas por seus superiores.” Ainda. Sem esse esclarecimento. não se denota. E assim. o absolveu da acusação de favorecimento à prostituição de menores. de forma automática. é inviável julgar a ação." "SEXO COM MENOR POR 50 CENTAVOS NÃO É PROSTITUIÇÃO "Um homem que pagou R$ 0. seria recomendável à Promotoria de Justiça a cautela de obter junto à referida Secretaria de Estado a informação relacionada à legalidade dos chamados 'Plantões à Distância'. desembargador Amado de Faria. habitual. Em relação à liberação de pessoas detidas por suspeita de envolvimento em tráfico de drogas. antes de deflagrar a ação penal. explicou que o reconhecimento de prostituição exige a constatação de comércio sexual reiterado. foi concedido a ordem de Habeas Corpus para o trancamento da ação penal contra o delegado. É necessário que o agente do delito tire proveito da sexualidade alheia. para o julgador.' Para o relator. entendeu que o Ministério Público não fala com exatidão que houve a detenção de pessoas em flagrante. sendo temerária a ação penal. .50 para manter relações sexuais com uma menina de nove anos teve condenação confirmada em seis anos de reclusão em regime fechado. não há indícios de que a ausência do delegado no momento da elaboração do Boletim de Ocorrência tenha sido motivada unicamente pelo desejo de não se deslocar até a delegacia: 'Melhor teria sido aguardar-se a vinda de tais informes por parte da autoridade administrativa competente. no entanto. autorizada sem que houvesse justa causa. desembargadora Naele Ochoa Piazzeta. para o Tribunal não há falsidade no boletim de ocorrência. A relatora da Apelação criminal no tribunal. E não foi o que ocorreu no caso concreto.

todos do Código Penal.015/09. Cito como exemplo – e sobre ele irei me debruçar – o atual artigo 218 do Código Penal. depois de despi-la. Verifica-se. A juíza de Direito Sandra Regina Moreira acolheu integralmente a denúncia do MP. assim redigido: “Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de outrem” Não se nega a reprovabilidade da conduta. em certa ocasião. O problema é que. o abuso sexual ocorreu nas proximidades do horto municipal. O entendimento foi seguido à unanimidade pelos demais desembargadores. nos moldes ocorridos no caso em tela. teve o demérito de criar tipos penais esdrúxulos e de duvidosa constitucionalidade.cinquenta centavos. a promessa em dinheiro efetuada pelo réu à infante. ele 'costuma de passá com as gurias e tem fama de conquistador'. 'A meu ver. trata-se de comportamento vil. c/c artigo 71. a despeito de ter solucionado uma série de controvérsias até então existentes. a menina acompanhou o denunciado até uma lavoura de mandioca que. contemplada no artigo 29 do Código Penal.Conforme a relatora. o induzimento deveria seguir na mesma esteira. Ao contrário. concluiu a relatora. Ele foi incurso nas sanções do artigo 214. Essa quebra da teoria monista não é novidade nas leis penais: encontramo-la nos crimes de abortamento. e artigo 218-B. Se o ato sexual propriamente dito caracteriza estupro de vulnerável. Mas é evidente que o legislador não estava em um de seus dias mais felizes (se é que eles existem) quando de sua elaboração." A INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 218 DO CÓDIGO PENAL EM FACE AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE A Lei nº 12. merecedor de severa punição. para comprar sexo de uma mulher adulta. de início. que o dispositivo cria uma exceção dualista à teoria monista. que reformou os crimes sexuais. deve ser avaliada quando do exame da reprovabilidade da conduta ou. das circunstâncias do crime. na Lei de Tortura etc. ela deságua em . sem consistir crime autônomo'. no caso do artigo 218. combinado com os artigos 224. Pena: oito anos de reclusão em regime fechado. ainda. Mais tarde. condenando o denunciado pelos crimes de atentado violento ao pudor e de exploração sexual de vulnerável. pois o crime de favorecimento à prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável não se confunde com a própria violência sexual. Segundo o processo. Já teria oferecido dinheiro. alínea 'a'. está contribuindo com a prática sexual subsequente. O acórdão é do dia 13 de setembro. Afinal. consumou o ato sexual. o fato de o acusado ter oferecido quantia em dinheiro para atrair a vítima e perpetrar o abuso sexual não se amolda ao delito previsto no artigo 218-B do Código Penal. Conforme denúncia oferecida pelo Ministério Público estadual. a vítima dirigiu-se até a casa do estuprador para receber o valor prometido . Sob promessa de pagamento. quem induz pessoa com idade inferior a 14 anos a satisfazer à lascívia de outrem.

a fim de não colocar em risco o relacionamento afetivo mantido com o sujeito ativo. Dispondo sobre o extermínio de seres humanos. razão pela qual o vício deve ser sanado. a punição é consideravelmente abrandada naquele comportamento que. além de incluir seu artigo 288A. Mas as perplexidades não param por aí. Ademais. ou por grupo de extermínio. a pena fixada ao estupro de vulnerável tem limites mínimo e máximo fixados em 8 e 15 anos. . em tese. E a única solução plausível é a declaração de inconstitucionalidade em virtude da proteção deficiente estipulada no dispositivo. Por que haveria de ser diferente quando a vítima é a criança ou o adolescente de até quatorze anos? Fica evidente. deixando transparecer injustificável beneplácito a quem comete um crime grave Lei 12. Agora. qual seja. merece atenção o fato de que o artigo 218 contempla apenas o induzimento de pessoas com idade inferior a quatorze anos. restando alijada da norma a conduta praticada contra pessoa portadora de enfermidade ou deficiência mental. a mãe que se omite é apenada com muito mais severidade do que aquela que age. ciente de que esta vem sendo molestada sexualmente pelo padrasto. Breves minutos de observação atenta já demonstram a inadequação da pena cominada abstratamente ao artigo 218: 2 a 5 anos. em conluio com o padrasto e com o objetivo de satisfazer repugnante fantasia sexual deste. a incongruência do novo tipo penal. estupro de vulnerável. A reduzida sanção do artigo 218 não é apta a punir adequadamente aquele que pratica o comportamento ali descrito. induz a própria filha ao ato. em tese sua conduta seria enquadrada no artigo 218 do CP. que altera os artigos 121 e 129 do Código Penal. respectivamente.720. sob o pretexto de prestação de serviço de segurança. Vejamos o caso da omissão imprópria: a mãe de uma adolescente de 12 anos. deveria ser considerado ato de participação no estupro cometido por terceiro. que tem sede na Constituição Federal). a lei verdadeiramente não exige sequer tal intenção. o que não faz nenhum sentido. Ou seja.evidente desproporcionalidade. segundo as regras atinentes aos crimes comissivos por omissão. sendo a vedação à insuficiência um dos aspectos da proporcionalidade (que. a mãe deverá ser responsabilizada pelo mesmo crime que o padrasto. nada faz. Nesse caso. assim. o que podemos perceber pela nova causa de aumento no artigo 121: § 6o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada. Em suma. Em comparação. estupro de vulnerável. é uma derivação da individualização legislativa das penas.720/12 e a ofensa ao Princípio da Legalidade No dia 28 de setembro de 2012 entrou em vigor a Lei 12. Isso significa que. ao seu turno. se essa mesma mãe. nessas hipóteses. aquele que convence a vítima responde pelo mesmo delito praticado por quem mantém com a vítima o amplexo sexual. qual seja.

integrar. no mínimo.Ou seja. altera o parágrafo 7º. E o seu conceito? Sabemos que a expressão. No entanto. No artigo 129. as novas previsões possuem falhas insuperáveis. Parece-nos que o legislador trouxe uma expressão principalmente midiática para dentro do Código Penal. a falha já se inicia na ementa da lei. sob cobrança de determinados valores. 4. esbarramos com o termo “milícia privada”. de forma a designar grupos que acabam atuando. organizar. 2. Comecemos pela análise da causa de aumento de pena. não incidiria a causa de aumento? Todas essas questões permanecem sem resposta. como “milícia”. certas . 3. naquilo que passamos a conhecer. grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código: Pena . Infelizmente. O novel artigo 288A assim dispõe: Constituição de milícia privada Art. ganhou conotação negativa. principalmente sob o pretexto de oferecer segurança. Ainda analisando a causa de aumento: o legislador exigiu “sob o pretexto de prestação de serviço de segurança”. Constituir. insegurança jurídica e decisões conflitantes. milícia particular. que passa a ter conotação ilegal. midiaticamente. de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. Não podemos nos valer do tradicional conceito de milícia (1): 1. 288-A. é justamente por isso que esclarecer seu conceito seria necessário. manter ou custear organização paramilitar. Outra previsão bastante dúbia: O grupo deve ser formado com esta finalidade? Ou o homicídio deve ser praticado pela milícia privada em situação específica? Vejamos: Uma determinada comunidade vive sob às margens de proteção de determinadas pessoas. Vida ou disciplina militar Força militar de um país Qualquer corporação sujeita a organização e disciplina militares Congregação ou agrupamento militar A partir do momento que ganha conotação negativa. Primeiramente. de forma a intimidar e controlar determinados grupos. Essas pessoas oferecem “proteção” aos moradores.reclusão. já há algum tempo. para possibilitar a aplicação da causa de aumento acima referida no crime de lesão corporal. Quantas pessoas são necessárias para que possamos ter uma milícia? Uma só pessoa pode caracterizar milícia? Quais as práticas exigidas para que se caracterize a milícia? E vamos além: O que seria uma milícia privada? Caso seja formada por agentes policiais. possibilitando.

além do “oferecimento de serviços de proteção”. Superando a já discutida e extremamente problemática “milícia privada”. No entanto. para chegar nesta análise. a exigir que os moradores de uma determinada região somente adquirem seus produtos e serviços. como por exemplo. aí sim poderia incidir a causa de aumento. como aconteceu com os transportes realizados pelas “vans” e motocicletas. fornecimento ilegal de água. ou com o consentimento ou aquiescência daquela. imaginemos o seguinte exemplo: Determinado morador descumpre as regras estabelecidas por este grupo e acaba sendo vítima de um homicídio. luz etc. poderia incidir a causa de aumento. Não poderão ser invocadas. No entanto. nem nenhuma outra emergência pública. arbitrárias ou sumárias. podiam também auferir lucros com outros serviços. Esta proibição prevalecerá sobre os decretos promulgados pela autoridade executiva” . nem sequer em situações de conflito interno armado. outrossim.. nem tampouco em situações nas quais a morte ocorra na prisão.) Passaram. Já em determinada situação em que alguém tivesse praticado alguma conduta contra um dos moradores da comunidade. circunstâncias excepcionais. essa pessoa fosse morta. Vejamos o que nos diz Rogério Greco (2): “Com o passar do tempo. abuso ou uso ilegal da força por parte de um funcionário público ou de outra pessoa que atue em caráter oficial ou de uma pessoa que promova a investigação. em 1989: “Os governos proibirão por lei todas as execuções extralegais. tais grupos acabam por exercer outras atividades. por eles monopolizados. (. e zelarão para que todas essas execuções se tipifiquem como delitos em seu direito penal. incide a causa de aumento? Se entendermos que a milícia precisa ser formada sob o pretexto de oferecer serviço de segurança. através da imposição do regime de terror. A previsão da causa de aumento de pena buscou observar a diretriz contida na Resolução 44/162. Essas execuções não se efetuarão em nenhuma circunstância. o estado de guerra ou o risco de guerra. a previsão permite outra interpretação: que o crime de homicídio tenha sido praticado nessa condição. não poderia incidir a causa de aumento. o primeiro problema com o qual nos deparamos. nos deparamos com outro questionamento: Nesse exemplo. Neste caso. TV à cabo (vulgarmente conhecido como “gatonet”). com o fornecimento de gás. no exemplo fornecido. a instabilidade política interna. os membros integrantes das milícias despertaram para o fato de que. aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Porém.exigências e limitações.. e sejam sancionáveis com penas adequadas que levem em conta a gravidade de tais delitos. necessária seria a caracterização da milícia privada. além do serviço de segurança. e por fazer parte do “serviço de proteção” o extermínio de quem desobedecesse tal regra.” Com base nas colocações anteriores. para justificar essas execuções.

. Rogerio Sanchez (3): “(. o que também suscita dupla interpretação: 1ª. deixando a margem da interpretação tal requisito de composição. ao compor a expressão ‘grupo de extermínio’. permanente. nos parece inviável que se tipifique a formação de milícia sem que a lei traga um conceito para tal grupo ou organização. Em conclusão.720 criminaliza. ao dispor sobre Organização Criminosa. grupo ou esquadrão. ao trazer previsão que não é clara e nem precisa. Para que se respeite o princípio da legalidade. . além de trazer a previsão de espécies que se confundem. sob pena de cairmos na mesma problemática da Lei 9. de forma que não se pudesse deixar ao intérprete tal definição.) tudo parece indicar que o legislador teve em mira. na sua vertente de estrita legalidade. duradoura. Não se pode permitir a extrema abertura do tipo penal. para se aferir o conceito de "Atos de Terrorismo" (4). portanto. ao que a Lei 12. em que pese à existência de previsão na Convenção da Palermo.Como se já não fosse problemática a previsão do novo parágrafo 6º do artigo 121. ao citar organização paramilitar. 2ª – O número mínimo de pessoas ficaria a cargo da interpretação judicial. a Lei 12. não define qualquer deles. A mesma linha de pensamento foi adotada na interpretação do artigo 20 da Lei de Segurança Nacional (Lei 7. dentre os Crimes contra a Paz Pública. cuja existência está vinculada ao número mínimo de quatro pessoas. as características e requisitos do artigo 288.720 passou ao largo. A tipificação do artigo 288 A segue a mesma estrutura do crime de quadrilha ou bando. na análise do caso concreto.” E seguindo. Parece-nos mais acertada a primeira posição. Distancia-se.Seria exigido o número mínimo de quatro pessoas.170/83). como grupo e esquadrão. por outro lado.. 288 do Código Penal. da quadrilha ou bando ao não citar o número mínimo de integrantes. No entanto. Ora. o tipo do art. mais uma vez trazendo previsão típica que ofende ao princípio da legalidade. a única ‘atividade típica’ que pode servir de parâmetro ao ‘grupo de extermínio’ é a da quadrilha ou bando. trazendo previsão mais específica. o novel artigo 288 A se caracterizaria como um crime comum. e tal postura pode ser extraída da expressão ‘típica’ acrescida ao vocábulo ‘atividade’.034/95. torna-se essencial uma previsão que seja clara e precisa. permanente. a “Constituição de Milícia Privada”. de pelo menos quatro pessoas. em que já tínhamos entendimento do STF acerca da impossibilidade de se considerar tal conceito à margem de definição na legislação brasileira. Neste sentido. entendendo o artigo 288 A como uma derivação do artigo 288. que exige uma associação estável. milícia particular.

de peça não fabricada no Brasil não caracteriza. ministro Marco Aurélio Bellizze. Ao ser comunicado do fato. a função de garantia do princípio da legalidade estaria fortemente comprometida. Francisco Muñoz Conde (6): "el principio de legalidad en nuestro sistema exige que sea precisamente el legislador quien se encargue de delimitar claramente lo que se castiga mediante la norma penal (. o coletor de cédulas ou “noteiro”. a exigência da estrita legalidade (Lege Certa). são os chamados tipos penais abertos ou amplos”. são necessários indícios da origem estrangeira da mercadoria. em virtude da forma com que se apresenta. Já o juízo federal da 1ª Vara Criminal afirmou que não haveria nenhum elemento comprovando a origem estrangeira da máquina. Essa é a decisão da Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Lege certa não permite as leis penais indeterminadas. Dentre eles.O princípio nullum crimem. Esse delito se consuma . La exigencia de clara determinación de las condutas punibles se expresa em el denominado principio de taxatividad o mandato de certeza (.720. No mesmo sentido. adverte que “o maior perigo atual para o Princípio da legalidade. por si só. um caso de apreensão dessas máquinas e prisão dos responsáveis pela exploração de jogo de azar deve ser processado e julgado na Justiça estadual. o juiz de direito da 2ª Vara Criminal acolheu a manifestação do Ministério Público e declinou de sua competência em favor da Justiça Federal porque os caça-níqueis tinham uma peça. os conceitos das expressões trazidas pela Lei 12. claramente. Processo sobre caça-níquel com peça estrangeira fica com a Justiça estadual A presença. Por isso. ao julgar conflito de competência... Indícios O relator. será necessário que o legislador esclarece.. Por essa razão. de competência da Justiça Federal. afirmou que.). para tipificar a suposta prática do descaminho. a origem estrangeira de todo o equipamento e o crime de descaminho. Se assim não fosse. que irão elevar ao máximo a função de garantia do princípio da legalidade. ele suscitou o conflito negativo de competência. com conceituações vagas e imprecisas. A Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu sete máquinas caça-níqueis e prendeu uma pessoa em uma mercearia. nulla poena sine lege se desdobra em quatro subprincípios. citando Everardo da Cunha Luna. uma exigência para tipificar o crime de descaminho. que não seria fabricada no Brasil. Nilo Batista (5).)" Para que seja possível a aplicação das novas previsões. Não basta a lei penal prever a conduta.. deve ela prever de forma clara e precisa. em máquina caça-níquel.

Ele apontou a existência de laudo pericial indicando que não há empresa no Brasil que produza os “noteiros”. O juízo federal sustentou que o “noteiro” seria apenas um componente viabilizador da exploração desses jogos. O foco da atividade criminosa não seria o descaminho ou o contrabando.quando o produto é introduzido no mercado interno sem o recolhimento. no que foi acompanhado integralmente pelos demais ministros da Terceira Seção . tampouco que houve a internalização do produto pelo acusado. O ministro concordou com esse entendimento e declarou a competência da Justiça estadual para julgar o caso. do respectivo tributo. no todo ou em parte. sem relevância suficiente para deslocar a competência para a alçada federal. O ministro Bellize destacou a fundamentação da Justiça Federal. mas “a obtenção do lucro fácil pela exploração do jogo”. no sentido de que a competência para julgar ilícitos relacionados a jogos de azar é da Justiça estadual. mas isso não torna possível assegurar que os equipamentos dos caça-níqueis tenham procedência estrangeira.

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