CROS - Ciclo Rankine Orgânico Solar Marcel Senaubar Alves, senaubar@yahoo.com.

br1 Electo Eduardo Silva Lora, esl43@yahoo.com1 José Carlos Escobar Palacio, jocescobar@gmail.com1
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UNIFEI – Universidade Federal de Itajubá Av. BPS, 1303 – Pinheirinho, Itajubá – Minas Gerais Resumo: Estudos sugerem que para pequena escala usando baixa e média concentração de energia solar, sistemas tipo Ciclo Rankine Orgânico Solar – CROS podem competir nos custos de geração de eletricidade com a energia fotovoltaica e até mesmo com os geradores a diesel, quando se trata de atender comunidades isoladas. Até o final de 2013 a UNIFEI – Itajubá contará com o seu novo laboratório “Solar Térmico e Fotovoltaico” - LABSTFO, onde pesquisas que utilizam como fonte primaria serão conduzidas, a fim de se comprovar sua eficácia em condições tropicais de funcionamento. Neste trabalho apresentam-se os resultados da modelagem de um sistema CROS para as condições meteorológicas de Itajubá-MG. O sistema CROS, previsto para ser instalado no LABSTFO, permite a troca de fluído e a escolha de temperatura de operação. A modelagem, cujos resultados são apresentados neste trabalho, prevê-se que seu melhor desempenho ocorrerá quando utilizar-se o fluído R365mfc a 120°C. Abstract: Studies suggest that for small-scale using low and medium concentration of solar energy systems, type Solar Organic Rankine Cycle – “CROS” can compete in the electricity generation costs with photovoltaic and even against diesel generators when it comes to serving communities isolated. By the end of 2013 to UNIFEI - Itajubá will have its new lab "Solar Thermal and Photovoltaic" - LABSTFO where studies using the sun as a primary source will be conducted in order to prove its operational effectiveness in tropical conditions. This paper presents the results of a CROS system modeling for Itajubá-MG conditions. The CROS system, expected to be installed in LABSTFO allows the exchange of fluid and choosing the best operational temperature. The modeling results of which are presented in this work, expect that their best performance occurs when using the fluid R365mfc@120°C. Palavras-chaves: Energia, Solar, Ciclo Rankine Orgânico, Coletor Parabólico. 1. Introdução A energia é fundamental para os seres humanos, a mesma é utilizada para satisfazer nossas necessidades de transporte, alimentação, etc. Ao mesmo tempo o uso da energia é apontado hoje como uma das principais causas do aquecimento global e em grande medida da poluição do ar nas cidades. Atualmente, existe um consenso científico de que o aquecimento global, e as mudanças climáticas decorrentes do mesmo, são uma realidade e as suas principais causas são as atividades antrópicas. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) se não forem feitas tomadas as medidas pertinentes para a redução das emissões de gases de efeito estufa - GEE, as consequências serão catastróficas. Diversos estudos mostram que o maior aporte poderia vir das medidas de eficiência energética e do uso de fontes renováveis de energia[1]. A nossa sociedade hoje é totalmente dependente de fontes fósseis. Sua participação global é superior a 80,6% de toda demanda energética do planeta (162 PWh). Quando se trata somente da energia elétrica esse percentual cai para 79,7% [2]. Esta dependência dos combustíveis fósseis vem mudando lentamente durante os últimos anos com os avanços na implementação das tecnologias de geração baseadas em energias renováveis, principalmente eólica, fotovoltaica e biomassa. Assim por exemplo, no ano de 2011 foram instalados em todo o mundo mais de 208 GW de novas plantas de geração elétrica, sendo que metade desses está baseada em energia renováveis. No entanto, até agora a energia solar tem um peso muito baixo na produção mundial de energia, representando apenas uma pequena fração (inferior a 2,1%) do total da produção elétrica, mesmo tento um crescimento de 37% no ano de 2011 [2]. Isto é

consequência dos altos custos da energia solar fotovoltaica, e do insuficiente desenvolvimento tecnológico da solar térmica. O avanço nas curvas de aprendizado destas tecnologias até atingir a viabilidade econômica será possível apenas com investimentos em novos projetos pilotos e demonstrativos, o que esta ocorrendo nos últimos anos no mundo e no Brasil. Enquanto o mundo industrializado precisa repensar sua estratégia energética dando a ela um viés de sustentabilidade, os países em desenvolvimento devem construir suas economias desde o início em uma base sólida para um aproveitamento energético sustentável. Uma nova infraestrutura deve ser construída para permitir que isso aconteça. Nesse ponto, o Brasil serve como exemplo de sustentabilidade; em nossa matriz primaria de energia (228,9 Mtep1), 44,1% provem de fontes renováveis. Esse exemplo se repete quando se trata somente da energia elétrica (41,20 Mtep), só que dessa vez a participação da energia renovável é superior a 88%, proveniente majoritariamente de fontes hidráulicas [3]. Hoje no Brasil não é possível suprir toda a demanda de energia da população, seja, pela produção insuficiente, deficiências nos sistemas de transmissão e distribuição, questões geográficas e dimensões territoriais, ou mesmo pelo elevado custo de produção de energia [3]. O fato é que nossa rede de transmissão e distribuição, não chega a todas as regiões povoadas, pois no Brasil, nosso processo de colonização e imigração (tanto interna como externa) proporcionou um povoamento desigualitário entre as regiões. O que resultou em uma densidade populacional muito mais elevada nas regiões litorâneas e no centro-sul do país, como é ilustrado na Figura 1, onde é possível verificar os dois fatores abordados.

Figura 1. Geração e Malha de Transmissão Vs. Densidade demográfica – Adaptada [4], [5]
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Mtep – Milhões de toneladas equivalente de petróleo.

Hoje vários milhões de brasileiros ainda não possuem acesso à energia elétrica, o que se estima ser mais de 600.000 moradias. Com o intuito de resolver este problema o Governo Federal lançou em novembro de 2003 o programa federal "Luz para todos" [6]. Este programa nos últimos nove anos tem retirado mais de 14,3 milhões de brasileiros da escuridão (mais de 7% da população), mas ainda existe muito trabalho pela frente. [7]. Existem grandes áreas sem cobertura da malha nacional de transmissão (Figura 1), sendo uma das áreas menos privilegiada é a região Norte do país. Atualmente nas pequenas comunidades isoladas são utilizados painéis fotovoltaicos e dependendo do tamanho ou da necessidade da comunidade pode haver até mesmo um gerador á diesel, em geral tais soluções são custosas, por vezes poluentes e necessitam de manutenção especializada. Na Figura 2 é possível observar que no Norte do país existe uma grande quantidade de comunidades que vivem isoladas (quadrados verdes); geralmente em locais de difícil acesso e sem energia elétrica, enquanto isso se vê que a geração de energia feita através de geradores diesel (círculos azuis) não é suficiente. A coloração alaranjada da imagem representa, numa média anual, o potencial disponível para a geração diária de energia, em kWh/kWp, que pode ser esperada para a tecnologia fotovoltaica de silício amorfo em filme fino, a mesma que é empregada na região da Amazônia [8].

Figura 2. Localização das instalações isoladas de geração a diesel e a demanda de eletricidade para a região da Amazônia Brasileira Vs. Potencial fotovoltaico [8]. Análises recentes sugerem que para pequena escala com baixa e média concentração de energia solar, sistemas como ciclo Rankine orgânico (ORC) com concentrador solar podem tem um grande potencial como tecnologia de geração distribuída em regiões isoladas. O desenvolvimento de geradores de pequena escala, com potências inferiores a 10 kWel, utilizando

esta tecnologia, poderiam ser uma solução alternativa à instalação de painéis fotovoltaicos e até mesmo para geradores a diesel. Um grupo de engenheiros, muitos envolvidos com MIT, implementaram na África, diversos sistema CROS de 1 e 3kW e, que fornecem energia elétrica e térmica as comunidades [9][10][11]. 2. O Recurso Solar no Brasil A Figura 3 mostra a média anual do total diário de radiação solar global incidente no território brasileiro, se baseando no plano inclinado. O plano possui a inclinação igual à latitude do feixe de luz incidente em consideração, não levando em conta a topografia local, essa configuração é a que possibilita a máxima captação da energia solar incidente.

Figura 3. Média normal radiação solar direta anual [8]. O valor máximo de irradiação global – 6,5kWh/m² - ocorre no norte do estado da Bahia, próximo à fronteira com o estado do Piauí. Essa área apresenta um clima semiárido com baixa precipitação ao longo do ano (aproximadamente 300 mm/ano) e a média anual de cobertura de nuvens mais baixa do Brasil. A menor irradiação solar global – 4,25kWh/m² – ocorre no litoral norte de Santa Catarina, caracterizado pela ocorrência de precipitação bem distribuída ao longo do ano. É importante ressaltar que mesmo nas regiões com menores índices de radiação apresentam grande potencial de aproveitamento energético, basta comparar a radiação do

território brasileiro (4200-6700 kWh/m²) com os países da União Europeia, como Alemanha (9001250 kWh/m²), França (900-1650 kWh/m²) e Espanha (1200-1850 kWh/m²), onde projetos para aproveitamento de recursos solares, alguns contando com fortes incentivos governamentais, são amplamente disseminados, até mesmo servindo de exemplo para o resto do mundo [8]. Sabe-se que o sol é uma fonte intermitente de energia, isso representa para o sistema CROS, operar durante a maior parte do tempo fora do seu ponto de projeto, portanto, existe a grande dificuldade de se dimensionar o equipamento – prever o seu melhor desempenho e funcionalidade em condições adversas de clima. Além disso, precisa-se considerar a possibilidade de implementação de um sistema híbrido com uma fonte fixa (geração a diesel ou a biomassa) e de um sistema de acumulação de energia. No campus da UNIFEI estão instaladas duas estações solarimétricas; sendo uma de medição de radiação mista (não possuindo distinção entre radiação direta e difusa) e outra para radiação direta. O CROS opera majoritariamente com radiação direta, a base nova, coleta uma medida a cada 10 minutos e armazena tal valor de média. A Figura 4 mostra um gráfico em três dimensões da variação da radiação solar em Itajubá-MG:  Dia [eixo x] – 311 dias, (existem falhas nas coletas de dados em alguns dias dos meses de Janeiro, Julho e Dezembro).  Hora [eixo y] – A partir das 7 horas da manha até às 19 horas.  Radiação [eixo z] – variando de 300 W/m² (Azul) até 1250 W/m² (Vermelho)

Figura 4. Radiação Solar Direta Anual em Itajubá, para o ano de 2011. 3. CROS – Ciclo Rankine Orgânico Solar Atualmente existem diversas tecnologias que possibilitam a geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis, algumas em desenvolvimento e outras, já comerciais, se expandindo rapidamente. Assim, é possível que ocorra no Brasil em curto prazo uma redução de custo desses sistemas. Destas tecnologias avançadas pode-se destacar: Motores a combustão interna queimando gás pobre (de gaseificação), Motores Stirling, Turbinas a gás de queima externa (EFTG) e Ciclo Rankine Orgânico (ORC). Essas tecnologias permitem a conversão de energia térmica, de forma eficaz, para trabalho mecânico, sendo necessária uma adequação com base em um ciclo termodinâmico apropriado com a faixa de temperatura da fonte de calor e a sua capacidade. A Figura 5 faz uma comparação entre a temperatura máxima de operação em função da potência gerada. Uma opção interessante para os processos de produção distribuída de eletricidade, aliados ou não a processos de cogeração, é o Ciclo Rankine Orgânico (ORC) acionado por coletores solares (de baixa e média temperatura), sendo tecnicamente e economicamente viável. Ela vem se tornando muito popular em processos de produção de energia pela sua característica modular,

pode ser utilizado com pequenas modificações, em conjunto com diferentes fontes de calor, sendo as principais aplicações dos ciclos ORC as usinas de energia solar, usinas à biomassa, recuperação de calor em equipamentos mecânicos e processos industriais, energia geotérmica e recuperação de calor em motores de combustão interna. Com essa tecnologia é possível a geração de energia distribuída e de pequena escala, possibilitando o uso de baixos níveis de temperatura como fonte de calor para ciclo e reduzindo as emissões de CO, CO 2, NOx e outros poluentes.

Figura 5. Gráfico comparativo de motores térmicos Vs. temperatura aplicável [12]. Na Figura 6 é mostrado o módulo de um sistema CROS com seus componentes principais. Trata-se de um esquema com dois circuitos. A energia solar é coletada por um conjunto de coletores cilíndricos parabólicos, um fluido de transferência de calor (ex: glicol) circula de forma contínua pelo primeiro circuito, que inclui os coletores solares e o trocador de calor. À medida que o fluido é bombeado através dos coletores solares ele é aquecido. Posteriormente, passa por um trocador de calor onde transfere seu calor para o fluido de trabalho do ORC. No segundo circuito, tem-se um fluido orgânico que evapora no trocador de calor e é posteriormente expandido na turbina, a fim de gerar potência (depois é resfriado e pressurizado, retornando assim para o evaporador, fechando o ciclo). Finalmente, o controle do sistema deve ser realizado através de um sistema autônomo que organize as entradas e saídas de energia para atender a demanda do consumidor enquanto maximiza a eficiência.

Figura 6. Desenho esquemático de um sistema CROS [13].

4. LABSTFO - Laboratório Solar Térmico e Fotovoltaico da UNIFEI Previsto para entrar em operação antes do final de 2013 no campus da UNIFEI - Itajubá, o LABSTFO irá contar com:  Uma planta ORC solar de 5 kW;  Um sistema solar de refrigeração por absorção de vapor de 1TR;  Dois sistemas Dish Stirling de 1 kW cada – Prato parabólico com motor Stirling;  Sistema para testes de painéis fotovoltaicos. Com base nos dados de radiação solar de Itajubá apresentados na Figura 4, a planta CROS foi dimensionada para 600 W/m² (valor mais próximo da média anual) e ira funcionar sobre os seguintes parâmetros:  Fluídos orgânicos (R245fa e R365mfc 2);  Potência líquida de 5kW, máxima de 7kW;  Evaporador de 6m² e condensador de 7,5m²;  Área útil de coletores solares de 125m²;  Temperatura máxima de operação de 180°C; Cabe salientar, que até o presente momento, no Brasil, ainda não existe nenhuma instituição com experiência em equipamentos de baixa potência operando com energia solar térmica. Esse é o primeiro equipamento desse tipo (ORC Solar) e porte (5 kW) a ser instalado na América latina. Para a avaliação e previsão da operação de um sistema CROS nas condições de Itajubá foi desenvolvido um programa em MATLAB, que utiliza tabelas termodinâmicas do NIST (National Institute of Standards and Technology), integrados via FluidProp [14][15][16],. Não foram encontrados reportes sobre a existência de nenhuma ferramenta livre (código aberto) e valida capaz de prever o funcionamento de tal tipo de sistema (análise de regime permanente operando fora do ponto de projeto). 5. Estudo de Caso O estudo de caso se baseia no desenvolvimento de dois programas, sendo um deles voltado para o dimensionamento estático do sistema CROS e outro para a análise do seu comportamento fora do ponto de projeto, sendo esse uma análise fora do ponto de projeto. O programa em si, não realiza nenhuma otimização, mas permite criar um banco de dados, onde se podem comparar as possibilidades de equipamentos (dimensionamento estático) versus comportamento fora do ponto de projeto (simulação de regime permanente fora do ponto de projeto), e indiretamente otimizar os sistema, via melhor uso de recursos disponíveis (Fluído, Temperatura de trabalho, etc.). Para um sistema ORC o fluído orgânico e o tipo de expansor utilizados são os aspectos mais importantes para o dimensionamento do sistema. Quando se passa para um sistema do tipo solar, o problema aumenta, devido à necessidade de incluir o desempenho dos coletores solares. A eficiência termodinâmica dos ciclos de potência aumenta com a temperatura de funcionamento, porém, nos coletores solares as perdas térmicas aumentam devido às perdas por convecção e radiação (Figuras 7 e 8). A fim de estabelecer qual é o melhor fluido e a melhor temperatura de operação para os coletores solares, foram realizadas analises estáticas; com sistemas semelhantes com o que está sendo adquirido, variando sua temperatura de funcionamento sendo possível encontrar o ponto ótimo de funcionamento para cada fluído (Figuras 7 e 8). Através das Figuras 7 e 8 vê-se, que para ambos os fluídos a temperatura ótima se encontra a 120°C, além disso, o R245fa é mais eficiente (107%) que o R365mfc. Mas como foi
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Até o presente momento, são os únicos fluídos testados e operados pelo fornecedor do equipamento ORC.

mostrado anteriormente o sistema não ira operar quase nunca em seu ponto de projeto. O sistema CROS devera suportar grandes variações de radiação solar, as quais ocorrem a cada instante (sol, uma fonte intermitente e suscetível a comportamentos anômalos). Com esse intuito será conduzido uma analise fora do ponto de projeto do sistema.

Figura 7. Curva de desempenho do R245fa.

Figura 8. Curva de desempenho do R365mfc.

Para a simulação fora do ponto de projeto serão considerados dois cenários diferentes (Figura 9). O primeiro deles o comportamento da radiação solar é estável, tendo seu comportamento muito próximo á uma parábola. Já para o segundo cenário, é apresentado um dia de primavera, onde existe uma grande oscilação na radiação solar recebida pelo sistema. O sistema será testado à temperatura de 120°C, sendo sua simulação se baseia na seguinte lógica de controle:  Perda de carga constante;  Proteção de superaquecimento - máxima de 170°C, (Coletor Solar);  Proteção de excesso de carga - máxima de 7kW; (Turbina/Gerador);  Quantidade mínima de calor de entrada (evitar partida desnecessária);  Radiação mínima de partida de 300 W/m²;  Taxa de aquecimento e desaquecimento de fluídos;

Figura 9. Diferentes cenários analisados de radiação solar. Tais restrições (lógica de controle) possibilitam a simulação do sistema de maneira teórica. Como resultado, o programa, pode gerar diversas combinações de dados, dentre elas destacamse o comportamento térmico (Figura 10), a produção de energia elétrica e a eficiência global (Figura 11) do sistema durante o dia para o cenário 1; para nível de exemplo os gráficos se remetem somente ao fluído R365mfc.

Como é possível verificar nos gráficos (Figura 10, 11) a partir de certa temperatura ou potência o sistema é desligado para se proteger de sobrecarga e superaquecimento, um controle mais fino e/ou um sistema de acumulação poderiam minimizar tais efeitos, além de possibilitar o prolongamento do tempo de funcionamento do sistema (o que o sistema fotovoltaico não permite), aumentando o taxa de rendimento sintético (TRS) do sistema.

Figura 10. Comportamento Térmico em (°C) do cenário 1.

Figura 11. Eficiência Global [%] e Produção de Energia Elétrica (kW) do cenário 1. Para o cenário 2, como pode ser visto na Figura 9, possui um comportamento instável da radiação solar (normalmente causado por nuvens), sendo que durante toda a duração do dia a radiação solar direta cai abaixo de 300 W/m², o que força o equipamento a desligar sete vezes, seu efeito pode ser visto no comportamento térmico (Figura 12). Mas não o bastante, o equipamento ainda enfrenta picos de radiação solar com até o dobro de radiação do ponto de projeto, o que força o sistema de controle operar protegendo-o contra superaquecimento e sobrecarga.

Figura 12. Comportamento Térmico em °C do cenário 2. Os dados mais relevantes analisados são:  Taxa de Rendimento Sintético ou Overall Equipment Effectiveness (OEE), no qual representa a taxa de uso real do sistema;  Eficiência global do CROS em capacidade de conversão de radiação solar para energia elétrica;  Eficiência de II lei para saber o quanto próximo está esse equipamento de uma máquina térmica ideal de Carnot; Os resultados estão expostos na tabela 1, diferentemente da analise estática, vê-se que o R365mfc possui um melhor desempenho fora do ponto de projeto para as condições de Itajubá, entregando na rede cerca de 128% mais energia, com uma eficiência global (primeira lei e de segunda lei) 113% sobre o entregue pelo R245fa. Tabela 1. Resultado da simulação em regime permanente. Cenário 1 Cenário 2 Dados [-] R245fa R365mfc R245fa R365mfc Energia gerada [kWh] 5,7 6,19 5,25 5,88 Tempo de Aquecimento [min] 19,9 19,9 20,9 21,1 Tempo de Funcionamento [h] 7,19 7,19 6,19 7,07 Taxa de Rendimento Sintético (TRS) [-] 0,954 0,735 0,653 0,676 Eficiência Global [%] 8,78 9,75% 7,80 8,90% Eficiência de II Lei Global [%] 31,04 34,6% 29,2 33,03% Energia Total Produzida durante um dia [kW/dia] 147131 159894 117020 149710 6. Conclusão Com a análise preliminar teórica, pode-se recomendar a utilização no CROS do fluído R365mfc a 120°C. Conclui-se também que o sistema é capaz de operar (em média) por mais de 7 horas por dia com uma potência elétrica de 6,2 kW e e eficiência térmica superior a 9,7%. Com a implementação do LABSTFO e montagem dos equipamentos permitira a primeira analise de comportamento real de um sistema tipo CROS operando em condições tropicais. Tal possibilidade permitira validar o programa de analise fora do ponto de projeto em código aberto para MATLAB, apresentado neste artigo. O teste com diversos fluídos é imprescindível para a continuação de pesquisa e desenvolvimento da tecnologia CROS.

7. Agradecimentos Os autores desejam agradecer a CAPES, CNPq, FAPEMIG, ANEEL, CEMIG e CPFL pela sua colaboração e o apoio financeiro no desenvolvimento deste trabalho. 8. Bibliografia [1] [2] [3] [4] [5] [6] P. Routledge, “16 Years of Scientific Assessment in Support of the Climate Convention,” Assessment, vol. 89, no. December, pp. 765–777, 2004. REN21, “Renewables 2012: Global Status Report,” 2012. E. de P. E. EPE, “Balanço Energético Nacional 2012,” 2012. A. N. de E. E. ANEEL, “Relatório ANEEL 2011,” 2011. IBGE, “Censo Demográfico,” Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2010. [Online]. Available: http://www.ibge.gov.br/home/. [Accessed: 18-Mar-2013]. M. de M. e E. MME, “Programa Luz para Todos,” 2013, 2013. [Online]. Available: http://luzparatodos.mme.gov.br/luzparatodos/Asp/o_programa.asp. [Accessed: 18-Mar2013]. A. M. R. de Carvalho, C. Moreno, J. R. Esteves, K. R. Almeida, M. L. Seo, M. S. de Oliveira, M. F. S. Morais, and R. L. R. Franco, “LUZ PARA TODOS: UM MARCO HISTÓRICO 10 MILHÕES DE BRASILEIROS SAÍRAM DA ESCURIDÃO,” 2010. E. B. Pereira, F. R. Martins, S. L. de Abreu, and R. Rüther, “Atlas Brasileiro de Energia Solar,” 2006. E. Systems, “Sustainable Energy Conversion Through the Use of Organic Rankine Cycles for Waste Heat Recovery and Solar Applications .,” no. October, 2011. E. E. S. Lora, “Biocombustiveis,” in Biocombustiveis, 2012, pp. 111–172. S. Quoilin, M. Orosz, and V. Lemort, “245 - Modeling and experimental investigation of an Organic Rankine Cycle using scroll expander for small scale solar applications .,” pp. 1–8. M. A. Tarique, “Experimental investigation of scroll based organic Rankine systems,” University of Ontario Institute of Technology, 2011. S. Quoilin, M. Orosz, H. Hemond, and V. Lemort, “Performance and design optimization of a low-cost solar organic Rankine cycle for remote power generation,” Solar Energy, vol. 85, no. 5, pp. 955–966, May 2011. a. Schuster, S. Karellas, and R. Aumann, “Efficiency optimization potential in supercritical Organic Rankine Cycles,” Energy, vol. 35, no. 2, pp. 1033–1039, Feb. 2010. C. E. Cong, S. Velautham, and A. N. Darus, “Solar thermal organic rankine cycle as a renewable energy option,” no. 20, pp. 68–77, 2005. D. Fiaschi, G. Manfrida, and F. Maraschiello, “Thermo-fluid dynamics preliminary design of turbo-expanders for ORC cycles,” Applied Energy, vol. 97, pp. 601–608, Sep. 2012.

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